Além do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a oposição no Congresso Nacional fala
na apreensão e na quebra de sigilo de telefones, computadores, tablets e
outros aparelhos eletrônicos pessoais e funcionais do magistrado.
A ideia consta no pedido de impeachment contra Moraes. O documento
ainda não está no sistema oficial do Senado, mas foi compartilhado nesta
terça-feira (10) pela assessoria do senador Rogério Marinho (PL-RN) com
a assinatura da assessoria técnica da Secretaria-Geral da Mesa do
Senado.
O texto cita a criação de uma comissão especial de senadores para
então eventualmente determinar a busca e apreensão de aparelhos não só
de Moraes, mas também dos auxiliares Airton Vieira e Marco Antônio
Vargas e do perito Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial
de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Afirma que, “quebrados seus sigilos, sejam periciados pelo órgão
técnico próprio a fim de angariar provas para subsidiarem o presente
procedimento”.
Reportagem do jornal Folha de S.Paulo apontou suposto uso informal da
estrutura do TSE sob a presidência de Moraes para subsidiar
investigações contra bolsonaristas no STF.
O documento dos parlamentares de oposição diz pedir a expedição de
ofícios a vários órgãos, entidades e pessoas físicas “diante da
impossibilidade de os denunciantes apresentarem provas documentais, em
especial de outras decisões que comprovam o cometimento de crime de
responsabilidade por parte do denunciado – tendo em vista a atribuição
de sigilo dos autos do inquérito nº 4781/DF em trâmite no Supremo
Tribunal Federal”.
A divulgação do documento ocorre cerca de 24 horas após a oposição
apresentar o texto ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG),
que não demonstra intenção de dar andamento ao caso.
O pedido de impeachment é
assinado pelos deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Bia Kicis (PL-DF)
e Caroline de Toni (PL-SC), entre outras pessoas e parlamentares.
A oposição ainda faz outras solicitações nesse pedido de impeachment.
Não há perspectiva de que terão andamento, até o momento. Por exemplo:
Que o TSE apresente todos os documentos produzidos por Eduardo Tagliaferro a pedido dos juízes auxiliares de Moraes, “bem como as determinações que originaram tais documentos e relatórios”;
Uma minuta da Procuradoria Geral da República (PGR) pela liberdade
provisória de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, preso
pelos atos de 8 de janeiro de 2023 que morreu na prisão, em Brasília, e o
prontuário médico dele;
Documentos do Exército e do Ministério das Comunicações que
comprovem possíveis impactos de eventual interrupção de serviço da
Starlink;
Diálogos entre Airton Vieira e Eduardo Tagliaferro em posse do jornal Folha de S.Paulo.
Em uma visita ao Polo de Educação e Tecnologia Porto Maravalley, localizado na Região Portuária do Rio, o atual prefeito e candidato à reeleição pelo PSD, Eduardo Paes,
revelou seus planos ambiciosos para a cidade. Durante o evento nesta
última terça-feira (10/09), Paes destacou a importância de transformar o
Rio em um hub de inovação tecnológica.
Inaugurado em abril, o Porto Maravalley já abriga cerca de 100 alunos do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa),
oferecendo cursos de graduação. Além disso, mais 150 empresas estão em
processo de instalação no local, consolidando-o como um centro vital
para a educação e tecnologia.
Paes anunciou que, caso seja reeleito, pretende criar mais três polos
tecnológicos na cidade. A proposta é desenvolver espaços que atraiam
startups e fintechs, aproximando-as do mercado de trabalho e gerando
novas oportunidades de emprego. “Queremos consolidar o Rio como uma capital da inovação, ciência e matemática“, afirmou Paes. “É preparar a cidade e os cariocas para uma atividade econômica superimportante. O Rio é uma capital da formação de quadros.”
Com essa iniciativa, o prefeito almeja transformar o Rio de Janeiro em um “vale do silício” brasileiro,
em referência à famosa região nos Estados Unidos conhecida por suas
empresas de tecnologia. A criação desses polos visa não só atrair
investimentos e empresas de tecnologia, mas também formar profissionais
qualificados, impulsionando o desenvolvimento econômico da cidade.
A visita ao Porto Maravalley e o anúncio dos novos projetos
tecnológicos fazem parte da agenda de campanha de Eduardo Paes, que
busca sua reeleição prometendo avanços significativos na área de
tecnologia e inovação.
BRASÍLIA – O relator do projeto de lei que anistia condenados pelos
atos do 8 de Janeiro, deputado Rodrigo Valadares (União Brasil-SE),
apresentou nesta terça-feira, 10, um novo texto que contém brechas que
podem beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O relatório também
prevê que as investigações sobre os ataques golpistas deixem o gabinete
de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF).
Valadares propõe anistiar todos os participantes das manifestações em
defesa do golpe, inclusive aqueles que “as apoiaram, por quaisquer
meios, inclusive contribuições, doações, apoio logístico ou prestação de
serviços e publicações em mídias sociais e plataformas”.
Se for aprovada, a lei tornará imune de punição os financiadores da
invasão aos prédios dos Três Poderes e os agitadores que insuflaram a
multidão golpista por meio das redes sociais. Aliados de Bolsonaro e o
próprio ex-presidente são investigados pelo STF por apoiarem as
manifestações que terminaram em vandalismo e destruição do patrimônio
público.
Para ser aprovada, a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro precisa
ser aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara,
onde está atualmente. Se isso ocorrer, o texto será levado para o
plenário da Casa, onde é preciso ter a maioria mínima de votos.
Caso isso seja concretizado, o tema vai para o Senado, onde será
necessário o aval da maioria dos 81 senadores. Passado pelo Congresso,
ainda é preciso que o texto seja sancionado pelo presidente da
República.
O texto iria ser votado nesta terça-feira pela CCJ, porém, a base do
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou uma obstrução e
impediu a deliberação. A sessão foi suspensa e será retomada nesta
quarta-feira, 11. Amplitude do texto pode beneficiar Bolsonaro
De acordo com juristas ouvidos pelo Estadão, a anistia prevista pelo
novo texto de Valadares é ampla demais e pode beneficiar Bolsonaro. Isso
acontece porque o relator diz que serão perdoados os crimes cometidos
por ações que “mantenham correlação” com os atos golpistas de 8 de
Janeiro.
“Fica também concedida anistia a todos que participaram de eventos
subsequentes ou eventos anteriores aos fatos acontecidos em 08 de
janeiro de 2023, desde que mantenham correlação com os eventos acima
citados”, diz um artigo do projeto de lei.
Ou seja, caso seja aprovada a anistia, será garantido o perdão para
todos os condenados por investigações relacionadas à tentativa de golpe
de Estado. Bolsonaro é investigado no STF por ser o mentor dos atos
antidemocráticos em um inquérito que Moraes é relator.
Valadares negou ter a intenção de beneficiar Bolsonaro com a nova
versão do texto. “Para entrar na anistia, tem que existir a correlação
fática (com os eventos do 8 de Janeiro). O presidente Bolsonaro, a
pedido dele, pediu para que ele não fosse incluído (na anistia)”, disse. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão Fim de investigações relatadas por Moraes e inquéritos em primeira instância
O texto de Valadares também visa tirar Moraes da relatoria dos
processos que tenham alguma relação com os atos de 8 de Janeiro. Segundo
o texto, o julgamento dos processos serão deslocados para a primeira
instância. No caso dos atos antidemocráticos, os inquéritos sairiam do
STF e seriam transferidos para o Tribunal de Justiça do Distrito Federal
e Territórios (TJ-DFT).
“Uma vez cessado o exercício da função, o julgamento de todos os
processos atraídos por conexão ou continência será imediatamente
deslocado para as instâncias adequadas, independentemente da fase
processual que esteja em curso, observado os critérios e as regras de
fixação de competência dos órgãos com poder jurisdicional previsto no
ordenamento jurídico, ressalvado os casos em que houver sentença
definitiva”, diz um trecho do projeto. Fim dos crimes ‘multitudinais’
Se aprovada, a lei da anistia também acabará com o argumento dos
“crimes multitudinários”, utilizado por Moraes para condenar os
golpistas pelos mesmos crimes: associação criminosa, tentativa de golpe
de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano ao
patrimônio público.
“A condenação pelos crimes previstos neste título não admite a
incidência da figura do crime multitudinário, tampouco de qualquer
teoria similar fundada na desindividualização ou na generalidade das
condutas, exigindo-se, como pressuposto para a condenação, a
individualização concreta dos atos praticados por cada coautor ou
partícipe”, escreveu Valadares no relatório.
O crime de execução multitudinária se dá quando diferentes réus são
condenados conjuntamente por um mesmo crime. Isso ocorre quando o juiz
entende que o delito foi consumado por conta da ação conjunta de
diferentes criminosos. O STF define o termo jurídico da seguinte forma:
“Aquele que resulta do fato de ter sido o agente levado à prática do
crime por instigação de um grupo de pessoas amotinadas ou de multidão em
estado de tumulto, o que constitui circunstância atenuante na aplicação
da pena cabível. É o praticado por multidão em estado de agitado,
impulsionada pelo desespero ou ódio levado por líderes, ou
investigadores”, descreve o vocabulário jurídico do STF. Anulação de multas eleitorais e proibição de inelegibilidades
Além do perdão aos crimes praticados, o projeto de lei também
pretende anular as multas aplicadas pela Justiça Eleitoral aos
beneficiados. Se entrar em vigor, a medida pode beneficiar parlamentares
bolsonaristas punidos desta forma por atos relacionados ao 8 de
Janeiro.
“Ficam anuladas as multas aplicadas pela Justiça Eleitoral ou Comum
às pessoas físicas e jurídicas em decorrência dos atos descritos”,
colocou o relator.
Em outro trecho, o projeto propõe assegurar “os direitos políticos,
e, ainda, a extinção de todos os efeitos decorrentes das condutas a si
imputadas, sejam cíveis ou penais, para as pessoas que se beneficiem da
presente lei”. Na leitura de especialistas consultados pelo Estadão, o
trecho impede que Bolsonaro fique inelegível em outras situações, mas
não altera a atual situação do ex-presidente, que não pode participar de
eleições até 2030.
Legenda
da foto, Queimadas avançam pelo Parque Nacional da Chapada dos
Guimarães, em Mato Grosso. Região é próxima de resort onde ministros da
agricultura do G20 estão reunidos
Uma reunião promovida pelo G20 em Mato Grosso que tinha como um dos seus objetivos servir como vitrine do agronegócio sustentável do Brasil está tendo como pano de fundo uma tragédia climática de dimensões históricas.
O Brasil realiza, desde ontem (10/9), um encontro de ministros da
agricultura de países do G20, grupo das 19 maiores economias do mundo
mais a União Europeia e a União Africana. O encontro foi levado para o
um resort às margens do Lago de Manso, no município de Chapada dos
Guimarães, um conhecido destino turístico de Mato Grosso.
O Estado é dono da maior produção de grãos e do maior rebanho bovino
do país. O ministro da agricultura, Carlos Fávaro, deixou claro o que
esperava da reunião.
“Vamos mostrar nosso potencial em produzir alimentos de forma sustentável”, disse na segunda-feira (9/9).
Mas a área onde a reunião acontece é uma das muitas do país que está encoberta por fumaça devido às queimadas recordes que atingem o país neste ano.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
Mato Grosso é o campeão no ranking de focos de incêndio neste ano e
imagens de satélite vêm mostrando nos últimos dias que enormes partes do
Estado, inclusive a região de Chapada dos Guimarães, estão sofrendo com
os efeitos das queimadas.
Segundo oficiais do governo, parte considerável desses incêndios está
relacionada com o aumento da área de pastagens ou abertura de novas
fronteiras agrícolas em biomas como o Pantanal, Cerrado e Amazônia.
De acordo com especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a
ocorrência de tantas queimadas na região escolhida para ser a vitrine do
agronegócio brasileiro compromete a imagem do Brasil no exterior e
serve de alerta. Moradores da cidade onde o evento está sendo realizado
dizem esperar medidas para evitar a repetição do cenário atual.
Legenda
da foto, Bombeiros de Mato Grosso atuando em queimadas. Estado é o
campeão de queimadas em todo o Brasil. Inpe indica aumento de 215% no
número de queimadas neste ano em relação ao ano passado
“Vimos à fumaça cobrir a cidade inteira”
De acordo com o governo brasileiro, os principais tópicos da reunião
de ministros da agricultura do G20 em Mato Grosso serão:
sustentabilidade nos sistemas agroalimentares; ampliação do comércio
internacional para a segurança alimentar e nutricional; reconhecimento
da agricultura familiar e o papel de camponeses e povos originários para
sistemas alimentares; e promoção da integração da pesca e aquicultura
nas cadeias globais.
Mato Grosso foi cuidadosamente escolhido pelo governo brasileiro para
sediar a reunião de ministros da agricultura do G20, segundo Carlos
Fávaro.
Fávaro, que é deputado federal eleito pelo Estado, disse que Mato
Grosso seria uma espécie de “símbolo” do modelo de agricultura do país.
“Estamos no Estado com a maior produção agropecuária do Brasil, o
maior rebanho bovino do Brasil […] mas que é o símbolo da preservação
ambiental”, disse Fávaro durante a abertura da reunião na terça-feira
(10/9).
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o
Estado tem o maior rebanho bovino do país, com 34 milhões de cabeças de
gado. Além disso, é o maior produtor de soja, milho e algodão.
Especialistas em agronegócio colocam o Estado como o “celeiro” do Brasil.
Por outro lado, o Estado aparece como o segundo maior desmatador da
Amazônia (atrás apenas do Pará) no período entre 2022 e 2023.
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
neste intervalo, o Estado perdeu 2 mil quilômetros quadrados de
florestas, uma área maior do que a da cidade de São Paulo.
A situação em 2024 aponta a permanência de um cenário ambiental e climático dramático.
O Estado é o campeão nacional em número de focos de incêndio com 36,4
mil registros entre o início do ano e segunda-feira (9/9), de acordo
com o Inpe.
É o maior número para o mesmo período desde 2007. Em relação ao ano
passado, o crescimento foi de 215%, praticamente o dobro do crescimento
médio registrado no país, que foi de 107%.
O município de Chapada dos Guimarães, onde a reunião do grupo de
trabalho está sendo realizada, vem sendo pesadamente atingido pelas
queimadas.
Nos últimos dias, brigadistas e bombeiros se mobilizam para controlar
duas frentes de incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães,
um dos maiores do Brasil.
Na semana passada, as duas frentes estavam prestes a se juntar,
desafiando o trabalho das equipes lideradas pelo Instituto Chico Mendes
de Meio de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Em nota enviada à BBC News Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente
(MMA), o órgão disse que o ICMBio vem combatendo os incêndios no parque
com 54 pessoas, entre brigadistas, funcionários do parque, voluntários e
um avião.
O parque fica a cerca de 40 km da sede do município de Chapada dos Guimarães.
Mesmo defendendo a escolha do local para a reunião, Fávaro reconheceu
que as delegações internacionais teriam sido impactadas pelas queimadas
em seus trajetos entre Cuiabá e o resort onde o encontro está sendo
realizado.
“Apesar das dificuldades momentâneas que o Brasil vive, com as
queimadas, com a mudança do clima, vocês puderam perceber isso no
transcorrer, na estrada. Mas é uma região em que o turismo é muito
importante”, disse. Algumas das queimadas que atingem o Estado vêm
afetando o tráfego em rodovias como a que conecta Cuiabá ao local da
reunião.
“Beleza virou carvão”
Moradores de Chapada dos Guimarães ouvidos pela BBC News Brasil
afirmam que não foram apenas os membros das delegações internacionais
que foram afetados pelas queimadas.
“Aqui nós vimos a fumaça cobrir a cidade inteira. Isso afeta a vida
dos moradores e também a economia local, já que alguns atrativos
turísticos foram fechados devido aos incêndios”, disse a bióloga Juliana
Bonanomi, que vive na cidade.
A antropóloga Suzana Hiroka disse ter visto impactos em diferentes áreas da cidade por conta das queimadas.
“Na saúde, as queimadas acentuaram as doenças respiratórias. Quem tem
asma ou bronquite está muito mal. As pessoas têm muita dor de cabeça,
rouquidão ou nariz escorrendo. As mulheres e crianças são muito
afetadas”, disse.
Hiroka destacou ainda os efeitos das queimadas na economia da cidade.
“Chapada vive do turismo. As queimadas fizeram o parque fechar vários
pontos. A cidade vivia da sua beleza cênica, mas agora, essa beleza
virou carvão”, disse.
Legenda
da foto, Cachoeira do Véu de Noiva, no Parque Nacional da Chapada dos
Guimarães fora da época de seca e queimadas. Queda d’água é um dos
principais atrativos do parque
Contradição e oportunidade
O climatologista Carlos Nobre foi um dos autores do Quarto Relatório
do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU),
que recebeu o Nobel da Paz em 2007, disse à BBC News Brasil que a
realização da reunião dos ministros da agricultura do G20 é um momento
de definição.
“Precisamos saber se o agronegócio vai continuar dizendo que não tem
responsabilidade nenhuma no que está acontecendo no Brasil e no mundo ou
se vamos ver alguma mudança nas políticas e uma indução de novas
práticas que visem uma agricultura de baixo carbono”, disse à BBC News
Brasil.
Segundo ele, historicamente, o agronegócio no Brasil tenta se eximir
das responsabilidades pelas mudanças climáticas apesar de ser, na
avaliação de Nobre, um dos principais responsáveis pelas emissões de
gases do efeito estufa do Brasil.
Nobre afirmou que, em sua opinião, a realização desta reunião no
atual contexto de queimadas fora de controle mancha a imagem do país.
“A imagem do país já está manchada porque todos os dados do Inpe
apontam que essas queimadas foram causadas pela ação humana. Não estamos
falando de descargas elétricas. Estamos falando de atividades
criminosas”, disse o climatologista.
A diretora-executiva do Instituto Centro de Vida (ICV), Alice
Thuault, disse à BBC News Brasil esperar que as condições nas quais a
reunião acontece possa sensibilizar os participantes. O ICV é uma
organização não-governamental que atua na defesa do meio ambiente em
Mato Grosso há mais de 20 anos.
“É uma tragédia o que está acontecendo aqui, mas acho que é
importante que essa reunião seja realizada nesse contexto, nessa espécie
de ‘pé do vulcão’. É importante que os participantes vejam claramente
os impactos das mudanças climáticas em um local que é sempre apontado
como um exemplo do agronegócio”, disse à BBC News Brasil.
Para a moradora de Chapada dos Guimarães Suzana Hiroka, o suposto
foco em sustentabilidade da reunião de ministros da agricultura é uma
contradição.
“É uma contradição porque Chapada dos Guimarães é um município de
monocultura. Temos aqui grandes plantações de soja, algodão e o pequeno
agricultor que faz a agricultura mais sustentável praticamente não
aparece”, disse.
Alice Thault resume suas expectativas em relação à reunião em meio à fumaça.
“Estou torcendo para que as questões sobre o clima estejam, de fato,
na pauta do encontro e que essa experiencia, por assim dizer, imersiva,
valha alguma coisa”, disse.
A BBC News Brasil enviou questionamentos aos ministérios das Relações
Exteriores (MRE), da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA).
Também foram enviadas questões à Secretaria de Meio Ambiente do Estado
de Mato Grosso (Sema-MT).
Apenas o MMA respondeu informando sobre as condições do combate ao
incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Nenhum dos outros
órgãos enviou respostas.
O que é o G20
O G20 é um fórum internacional que reúne as principais economias do
mundo, incluindo 19 países, a União Europeia e a União Africana.
Oficialmente, o objetivo do grupo é promover a cooperação econômica
global, comércio internacional e estabilidade financeira.
O grupo foi criado em 1999 e, mais recentemente, passou a abordar,
também, temas relacionados às mudanças climáticas e segurança alimentar,
duas das principais plataformas do discurso do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT).
Em 2023, o Brasil assumiu a presidência do G20 pela primeira vez e
vem realizando uma série de reuniões preparatórias para a grande cúpula
de chefes-de-Estado do grupo que será realizada entre os dias 18 e 19 de
novembro, no Rio de Janeiro.
O Grupo de Trabalho do G20 sobre Agricultura é uma subdivisão do G20 e
a reunião realizada em Chapada dos Guimarães é uma das que antecedem a
cúpula principal de novembro.
Legenda
da foto, Lula tem feito críticas a Maduro e à recusa do venezuelano em
divulgar as atas das eleições, mas rejeita cobranças sobre romper as
relações
Article information
Author, Julia Braun e Leandro Prazeres
Role, Da BBC Brasil em Londres e Brasília
10 setembro 2024
A relação entre Brasil e Venezuela
passa por um de seus momentos mais tensos até hoje após disputas em
relação ao resultado da eleição presidencial e o mais recente embate em
torno da custódia da embaixada da Argentina no país.
O Brasil estava tomando conta das instalações argentinas em Caracas desde o início de agosto, quando o governo de Nicolás Maduro
decidiu expulsar as equipes diplomáticas de pelo menos sete países —
incluindo a Argentina — após acusações de fraude nas eleições
presidenciais.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro afirmou
que informou à Venezuela que seguirá representando os interesses
argentinos em Caracas até que seja designado um substituto.
Na sexta-feira (6/9), antes do anúncio da decisão venezuelana sobre a
representação diplomática, Lula reiterou que não pretendia romper as
relações ou fazer bloqueio contra o governo de Maduro.
“Estamos em uma posição, Brasil e Colômbia, a gente não aceitou o
resultado das eleições, mas não vou romper relações e também não
concordo com a punição unilateral, o bloqueio. Porque o bloqueio não
prejudica o Maduro, o bloqueio prejudica o povo e eu acho que o povo não
deve ser vítima disso”, disse o presidente brasileiro em entrevista à
rádio Difusora Goiânia na sexta.
Mas por que o governo Lula tem insistido em manter uma posição neutra?
Administração da relação
Diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil em caráter reservado ao longo
dos últimos dois meses e especialistas explicam que uma das razões
principais pelas quais o governo brasileiro não pretende romper relações
com a Venezuela a despeito dos últimos acontecimentos é a necessidade
de administrar o diálogo com um país com o qual compartilha 2,2 mil
quilômetros de fronteira.
Um diplomata da cúpula do Itamaraty afirmou que a tentativa de isolar
a Venezuela observada durante os anos em que o Brasil foi governado por
Bolsonaro não surtiu o resultado esperado (uma mudança de regime) e
trouxe problemas aos principais vizinhos do país como o Brasil, que teve
de lidar com um aumento massivo da imigração venezuelana tendo pouca ou nenhuma interlocução com autoridades do país vizinho.
Ainda segundo esta fonte, a extensa fronteira entre os dois países e a
existência de comunidades brasileira e venezuelana nos dois países
fazem com que seja importante manter canais de diálogo com o país
vizinho.
“A avaliação é que o rompimento com um país vizinho, além de produzir
poucos benefícios, gera uma série de dificuldades no dia a dia da
gestão da relação”, diz Oliver Stuenkel, professor de Relações
Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Segundo o especialista, as consequências de romper relações vão além
da política e poderiam refletir, por exemplo, na administração de
questões consulares, tais como o atendimento a brasileiros que vivem na
Venezuela.
Além disso, a manutenção da relação permite que o Brasil atue de
forma mais próxima na gestão do fluxo de imigrantes venezuelanos que
chegam ao país e em outros temas fronteiriços e alfandegários.
“A crise dos refugiados é algo que, na minha avaliação, é muito mais
significativo do que a afinidade ideológica”, afirma Carolina Silva
Pedroso, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp).
“O Brasil se tornou nos últimos anos o quarto principal destino dos
venezuelanos, há uma pressão grande na fronteira e da própria opinião
pública sobre essa questão.”
Legenda da foto, Refugiados venezuelanos em abrigo em Pacaraima em 2019
Para Laura Trajber Waisbich, diretora do programa de Estudos
Brasileiros da Universidade de Oxford, no Reino Unido, a fragilidade
política venezuelana também não interessa ao Brasil.
A instabilidade econômica da Venezuela afeta o Brasil de maneira
muito direta, não só por conta do aumento no fluxo de imigrantes, mas
também por proporcionar um contexto propício para o uso da fronteira na
região amazônica por organizações criminosas, diz a especialista.
“Essa fronteira está cada vez mais porosa e ingovernada”, afirma,
ressaltando a relevância da região para o tráfico de cocaína e a atuação
de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Tradição diplomática
Outro fator relevante mencionado pelas fontes ouvidas pela BBC Brasil é a prática diplomática conciliatória brasileira.
“A tradição diplomática brasileira não dispõe do rompimento de relações diplomáticas com tanta facilidade”, afirma Pedroso.
“Embora esse recurso tenha sido utilizado com bastante frequência no
mundo, em tese, deveria ser uma das últimas ações a se tomar, quando
todas as possibilidades de diálogo estivessem esgotadas.”
Laura Waisbich explica ainda que a tradição brasileira também passa
pelo cumprimento do princípio de não interferência em assuntos de
política interna de outros países.
“A política externa brasileira é uma prática mais reticente a esse
tipo de gesto de rompimento, sobretudo quando esse rompimento tem a ver
com situações de caráter doméstico do país”, diz.
“A Venezuela é um país parceiro vizinho e o que acontece ali pode
impactar no Brasil, mas no final das contas tratam-se de acontecimentos
da própria dinâmica do processo político venezuelano.”
Para além da tradição brasileira, há ainda uma prática diplomática
comum na América Latina nos últimos anos que se apoia na ideia de que os
problemas da região devem ser resolvidos internamente, dizem as
especialistas.
“Há uma tradição na América Latina, que começou na América Central na
década de 80 e foi evoluindo desde então, de construir uma cultura de
mediação e negociação diplomática interna” para evitar a influência de
atores externos, explica Waisbich.
Os esforços não parecem ter dado grande resultado na crise atual, mas
diplomatas consultados pela BBC Brasil afirmam que o governo brasileiro
deseja manter sua posição como mediador para um eventual aprofundamento
da instabilidade.
O argumento é o de que um eventual rompimento pioraria uma situação
que já ruim e dificultaria ou impossibilitaria ainda mais qualquer
tentativa de influenciar o governo Maduro.
Legenda da foto, A relação entre Brasil e Venezuela passa por um de seus momentos mais tensos até hoje
Em resumo, a tese é: se mesmo próximo, o Brasil enfrenta dificuldades
para influenciar o regime venezuelano, ao ficar distante essa missão
poderia se tornar impossível.
Os especialistas consultados pela reportagem concordam com a abordagem.
“É importante manter alguma interlocução básica para que se houver
sinais de instabilidade do regime no futuro, o Brasil esteja
relativamente bem posicionado para ter algum diálogo”, diz Oliver
Stuenkel.
Para Carolina Pedroso, existe uma crença entre muitos dos
observadores internacionais de que não haverá saída pacífica para a
crise atual sem algum grau de auxílio externo – e o Brasil se prepara
para isso.
“Uma das confluências do governo Lula e da tradição diplomática
brasileira é a aposta em recursos de mediação, conciliação e diálogo,
por isso há uma resistência em ‘abandonar’ a Venezuela à própria sorte”,
diz.
Não por acaso, os dois países foram alguns dos poucos que
reconheceram como legítimos os resultados das eleições presidenciais de
julho deste ano. Tanto o presidente russo, Vladimir Putin, quando o
líder chinês, Xi Jinping, enviaram mensagens parabenizando Maduro pelo
resultado.
Para Waisbich, o Brasil deseja manter uma ponte de diálogo justamente
para evitar que atores de influência histórica na região, como os
Estados Unidos, e outros mais recentes, como a China, tomem sua posição
de protagonismo.
“Se o Brasil sair de cena por conta de um rompimento de relações,
esses outros atores vão ocupar o espaço político rapidamente”, diz.
Pedroso explica que o conflito interno da Venezuela incorpora diversas outras disputas geopolíticas globais.
“Além da proximidade de Maduro com China, Rússia, Irã, Turquia, Cuba e
outros atores que desafiam a ordem internacional liberal, do outro lado
a oposição não é só muito próxima de Estados Unidos e União Europeia em
termos ideológicos, mas também dos interesses do capital privado de
empresas que desejam explorar o petróleo venezuelano”, diz.
Legenda da foto, China e Rússia são as principais aliadas da Venezuela e seu apoio contrabalanceou sanções dos EUA
O diplomata brasileiro ouvido pela reportagem afirmou, no entanto,
que a atual postura do Brasil pode sofrer uma mudança a partir de 10 de
janeiro de 2025. Esta é a data prevista para o começo do novo mandato de
Maduro.
À medida que o Brasil ainda não reconheceu os resultados das eleições
venezuelanas, a posse de Maduro para mais um mandato deverá obrigar o
governo Lula a se posicionar novamente sobre o tema.
Até agora, disse esta fonte, Maduro está no legítimo cumprimento de seu atual mandato.
Mas o que acontece após ele assumir um novo mandato por meio de eleições cujo resultado o Brasil não reconhece?
Segundo este diplomata, a eventual posse de Maduro deverá criar novos impasses para o governo brasileiro.
Entre eles está a decisão sobre a permanência ou não da Venezuela em
fóruns internacionais dos quais o Brasil faz parte, como a Comunidade de
Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
Pressões internas e histórico da relação
Para Lula, há ainda o desafio de se equilibrar entre a posição
adotada pelo seu governo oficialmente, por meio do Itamaraty, e a sua
própria relação e do Partido dos Trabalhadores com o chavismo.
“Importante que o presidente Nicolás Maduro, agora reeleito, continue
o diálogo com a oposição, no sentido de superar os graves problemas da
Venezuela, em grande medida causados por sanções ilegais”, disse em nota
da Executiva Nacional do PT, comandado pela deputada Gleisi Hoffmann
(PR).
Lula foi questionado sobre a nota, e buscou minimizar as críticas ao partido.
“Não tem nada de grave, não tem nada de assustador. Eu vejo a
imprensa brasileira tratando como se fosse a Terceira Guerra Mundial.
Não tem nada de anormal”, disse o presidente.
“Teve uma eleição, teve uma pessoa que disse que teve 51%, teve uma
pessoa que disse que teve 40 e pouco por cento. Um concorda, o outro
não. Entra na Justiça e Justiça faz.”
A oposição venezuelana, porém, diz não ser possível confiar no Judiciário do país por ser dominado por Maduro.
Também contesta a noção de que haja uma normalidade no processo
político do país, apontando que, ao longo dos anos, o chavismo passou a
controlar órgãos como a Suprema Corte e o Conselho Eleitoral.
Além disso, órgãos de direitos humanos, como o da Organização das
Nações Unidas (ONU), apontam violações em resposta a protestos no país e
prisões arbitrárias de oponentes, além da inabilitação política de
muitos deles.
Legenda
da foto, O então ministro das Relações Exteriores da Venezuela Nicolás
Maduro em foto ao lado de Lula, Hugo Chávez, Celso Amorim e os então
presidentes da PDVSA e da Petrobras, Rafael Ramirez e José Sergio
Gabrielli, em setembro de 2007
O PT é um aliado histórico do chavismo na Venezuela. O presidente
Lula também nutriu, durante seu histórico na política, relações cordiais
com Hugo Chávez e outros representantes da esquerda latino-americana.
Esses antecedentes, segundo analistas, também tornam um rompimento total de relações com a Venezuela improvável.
Mas, para Pedroso, é principalmente o posicionamento do PT que pesa para essa decisão.
“Há uma a aproximação de alas do PT com o processo da Revolução
Bolivariana e o entendimento de que os problemas que ocorrem lá são
fruto da ingerência do imperialismo norte-americano e de uma oposição
mancomunada com os Estados Unidos”, afirma.
“Ou seja, uma interpretação da realidade que subestima ou até ignora os problemas endógenos do chavismo.”
Segundo a pesquisadora, diferente do que muitos acreditam, Lula e
Chávez não eram tão próximos no nível interpessoal como se supõe.
Pedroso cita relatos de diplomatas que atuaram em negociações durante
os primeiros mandatos do petista e que afirmam terem presenciado
momentos de irritação de Lula com Chávez por conta de alguns arroubos do
venezuelano, além da visão distinta que eles tinham do papel da
integração regional.
Com Maduro, a proximidade é ainda menor, ressalta Pedroso.
Legenda da foto, Edmundo
González foi o candidato da oposição nas eleições presidenciais de 28 de
julho na Venezuela. (Foto: 19 de junho)
Ainda assim, Lula expressou apoio claro ao atual presidente venezuelano publicamente em diversas ocasiões.
Após assumir seu terceiro mandato, o petista mandou reabrir a
embaixada brasileira em Caracas, desativada por Bolsonaro, nomeou uma
nova embaixadora e recebeu Maduro em Brasília com honras de chefe de
Estado durante uma cúpula de líderes da América do Sul, em maio do ano
passado.
Na ocasião, foi ainda criticado por afirmar que as alegações de que o
regime de Maduro é autoritário eram, na verdade, parte de uma
“narrativa” que deveria ser combatida pelo líder venezuelano.
O venezuelano respondeu com um recado ríspido para Lula: “A quem se assustou, que tome chá de camomila”.
Pedroso afirma não acreditar que a posição mais radical de algumas
alas do PT em relação ao chavismo seja compartilhada por Lula ou pelo
seu assessor direto Celso Amorim, que além de “guru” da política externa
é filiado ao PT. “Mas há cobranças internas”, afirma a pesquisadora.
“O Lula tem que lidar, claro, com as realidades geopolíticas, mas
também com um partido que tem uma visão bastante radical nesse quesito”,
resume Stuenkel
Ao longo da campanha de 2020,
o Kremlin usou meios de comunicação patrocinados pelo Estado — como o
canal de televisão internacional RT e o site de notícias e estação de
rádio Sputnik — para divulgar uma série de conteúdos questionando a
legitimidade do processo democrático dos EUA.
Descobriu-se também que redes de bots (robôs) e trolls (perfis, geralmente falsos, que ofendem, atacam e provocam outros pela internet), patrocinadas pela Rússia, também estavam promovendo desinformação polarizada e teorias da conspiração em redes online.
Desta vez, os EUA apreenderam uma rede de domínios de internet
administrados por russos, e anunciaram sanções contra dez pessoas,
incluindo Margarita Simonyan, editora-chefe da RT (ex-Russia Today), por
“atividades que visam minar a confiança pública em nossas
instituições”.
As sanções incluem o congelamento de qualquer propriedade ou ativo
nos EUA e, potencialmente, restrições a qualquer cidadão ou empresa dos
EUA que trabalhe com eles.
Os EUA também acusaram dois gerentes da RT baseados em Moscou,
Kostiantyn Kalashnikov e Elena Afanasyeva, sob a lei de combate à
lavagem de dinheiro, de pagar criadores de conteúdo dos EUA para
divulgar “propaganda e desinformação pró-Rússia” em território
americano.
O procurador-geral dos EUA, Merrick Garland, disse que a Rússia
estava tentando emplacar seu “resultado preferido” na próxima eleição
presidencial — e minar o apoio dos EUA à Ucrânia na guerra.
As práticas alegadas pelo Departamento de Justiça (DOJ, na sigla em
inglês) dos EUA coincidem com o que eu e meus coautores identificamos em
nosso novo livro Russia, Disinformation and the Liberal Order
(“Rússia, Desinformação e a Ordem Liberal”, em tradução livre), como
tendo se tornado uma prática padrão nas tentativas russas de influenciar
o público internacional.
A seguir, estão cinco das principais táticas russas de manipulação da
informação que identificamos — e que podem ajudar a entender o mais
recente escândalo de interferência eleitoral.
1. Usar influenciadores locais
O DOJ acusa os funcionários da RT de terem pago a uma empresa sediada
no Estado americano do Tennessee cerca de US$ 10 milhões (R$ 55,7
milhões) para produzir conteúdo de rede social alinhado com os interesses russos, sem revelar que o financiamento veio do Estado russo.
Vários influenciadores conectados à empresa do Tennessee disseram
desde então que tinham controle editorial sobre seu conteúdo, e negaram
conhecimento de qualquer ligação com a Rússia. Mas isso se encaixa nos
padrões identificados na nossa pesquisa.
Primeiro, a RT trabalha há muito tempo com o espaço da mídia
populista de direita — e muitas vezes imita o estilo e as práticas da
mídia populista de direita dos EUA. Ela frequentemente coloca links para
seus artigos em seu site, promove personalidades da mídia de direita e
distribui seus programas, além de apresentá-los em suas próprias
plataformas.
Com base nisso, a RT tem oferecido com frequência plataforma,
financiamento e carta branca a personalidades da mídia dos Estados que
têm como alvo, cujas crenças genuínas atendem aos interesses da Rússia.
Afinal, as pesquisas confirmam que as pessoas são mais propensas a
acreditar em alegações que ouvem repetidamente, sejam essas alegações
verdadeiras ou não.
2. Veículos de notícias falsas
Como parte deste caso, os EUA apreenderam uma rede de domínios de
internet supostamente usados para promover informações falsas
direcionadas a subgrupos específicos da população dos EUA. Disfarçados
de sites locais, seu conteúdo tende a explorar as preocupações e
controvérsias sociais específicas que repercutem entre determinados
grupos-alvo, além de amplificar os principais pontos de discussão
russos.
Vimos isso no passado, quando a Agência de Pesquisa da Internet,
apoiada pelo Kremlin, criou um site de notícias de esquerda falso — e
enganou freelancers desavisados a contribuir com conteúdo para
operações de informação russas. As atividades anteriores da RT mostram
que a emissora não tem escrúpulos em camuflar deliberadamente seus
vínculos com outras operações e grupos de mídia.
Sabemos pela nossa pesquisa que estes sites não só costumam fazer
referências cruzadas entre si, como também frequentemente fazem
referências cruzadas com outros sites autointitulados contra o mainstream para aumentar sua credibilidade com determinados grupos demográficos online.
3. Botar lenha na fogueira
Outra tática comum para manter a credibilidade do conteúdo é
vinculá-lo aos medos e preocupações que já são importantes em qualquer
sociedade. Por exemplo, a Rússia não levou a guerra cultural para os
EUA, mas aproveitou habilmente as ansiedades da sociedade americana em
relação ao tema. As operações da mídia russa fizeram isso vir à tona sem
se envolver com elas de forma significativa.
Da mesma forma, quando os sites russos se disfarçam de fontes locais,
eles priorizam temas que são familiares aos seus públicos-alvo.
Normalmente, porém, tópicos controversos são floreados com uma colcha de
retalhos de informações reais e fabricadas. O público acha difícil
separá-las, e suas suposições iniciais significam que, muitas vezes, não
estão motivados a tentar.
4. Inverter a situação
Moscou negou repetidamente qualquer envolvimento em campanhas de
influência, assim como fez em 2018, quando o Reino Unido acusou o Estado
russo de uma série de envenenamentos com novichok na cidade de Salisbury.
Naquela época, os políticos e a mídia russa promoveram uma complexa
rede de teorias da conspiração que espelhavam de volta as acusações
sobre os serviços de segurança do Reino Unido e dos EUA.
Desta vez, vimos novamente esta tentativa de “virar o jogo”,
invertendo a situação, por parte das autoridades da Rússia. O embaixador
de Moscou em Washington, Anatoly Antonov, rejeitou as alegações dos EUA
como um produto da “russofobia” — o mesmo termo usado pela embaixada
russa após os envenenamentos de Salisbury.
E a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria
Zakharova, repetiu seu argumento favorito dos últimos anos, acusando os
EUA de se tornarem uma “ditadura neoliberal totalitária”. Isso pode
parecer risível vindo da representante de um Estado que criminalizou as
críticas à sua invasão da Ucrânia. No entanto, mentiras descaradas e
desmentidos bem-humorados costumam andar juntos nas operações de
informação da Rússia.
5. Humor
O Estado russo usa rotineiramente o humor estrategicamente, e a RT
surgiu como uma espécie de pioneira no uso do humor para legitimar as
ações da Rússia ou neutralizar críticas.
Mas a rede não usa apenas o humor para informar sobre política
internacional. Sua abordagem de marca registrada é incluir-se
conscientemente como parte da piada. Várias campanhas publicitárias da
RT usaram críticas estrangeiras como argumento.
O mesmo espírito ficou claro na resposta sarcástica de Simonyan às
últimas acusações. Em comentários postados no Telegram e reproduzidos
espirituosamente pela RT, a editora-chefe rejeitou as acusações como
alarmismo dos EUA “sobre a todo-poderosa RT”. Suas palavras são um
exemplo perfeito de como a RT se deleita com seu status de “pária
populista”.
A Rússia continua a refinar a maneira como tenta influenciar pautas
além de suas fronteiras, e não há nenhum indício de que isto vai parar
tão cedo.
*Precious Chatterje-Doody é professora de política e estudos internacionais na The Open University, no Reino Unido.
Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).
Ter seu próprio negócio é um sonho compartilhado pela maioria dos
brasileiros. Porém, uma boa ideia de produto ou serviço nem sempre são
suficientes para criar um negócio de sucesso, principalmente quando você
não tem experiência no mundo dos negócios.
Mas, independentemente do quanto você esteja preparado para
empreender, o mais importante é se dispor a sair de casa e ir à luta. Os
empreendedores são aqueles que podem encontrar soluções inovadoras para
diversos problemas atuais e, em cada solução, surge uma oportunidade de negócio. Essa é a importância do empreendedorismo para a sociedade.
Os passos da vida empreendedora começam pequenos. É como aprender a
andar de bicicleta. Você não deixa alguém que nunca montou sobre uma
bicicleta descer do alto de uma ladeira em alta velocidade. Tudo começa
devagar, em um local seguro e usando “rodinhas”.
Assim como passear de bicicleta, empreender é uma atitude que pode
ser desenvolvida, aprendida e praticada com o tempo. E para ajudar a
esclarecer dúvidas sobre o universo empreendedor, selecionamos para você
informações que podem ser úteis em seu início de jornada.
O que é empreendedorismo?
O termo empreendedorismo é relativamente recente e significa
transformar ideias em algo capaz de solucionar problemas e melhorar a
vida de pessoas. Mais do que isso, empreendedorismo é um modo de pensar,
uma atitude que pode ser adquirida com muita dedicação e
comprometimento.
O economista austríaco Joseph Schumpeter (1883-1950) associava a
inovação com a capacidade de empreender. Schumpeter dizia que o mais
importante é melhorar as coisas que existem e não só inventar algo
totalmente novo. As mudanças e as melhorias, sejam de produtos ou de
processos, devem ser constantes.
A partir dos conceitos de Schumpeter, várias definições surgiram
sobre o termo. Na última década, empreender passou a ser um verbo
conjugado por milhões de brasileiros dotados de atitude, criatividade e
visão inovadora.
No entanto, para ser um empreendedor não é preciso abrir uma empresa.
Você pode montar um negócio, mas também pode ajudar a melhorar a
empresa onde trabalha, o seu bairro, sua escola ou sua cidade. Um traço
comum dos empreendedores de sucesso é a capacidade de não se conformarem
com o estado atual das coisas e nunca houve um momento tão especial
para empreender.
O mundo está em constante transformação e enfrenta grandes desafios.
São os empreendedores que encontrarão soluções para esses problemas.
Iniciativas hoje bem-sucedidas começaram com pessoas apaixonadas, que
transformaram ideias em produtos ou serviços. Que tal fazer parte deste
seleto grupo de pessoas que fazem a diferença para a sociedade?
Empreendedorismo por necessidade e oportunidade
A vocação empreendedora do brasileiro é incontestável. De acordo com dados da pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) um
dos mais importantes estudos sobre o empreendedorismo no mundo,
estima-se que 53,4 milhões brasileiros entre 18 e 64 anos já tinham um
negócio (formal ou informal) e/ou que fizeram alguma ação, em 2019, com a
pretensão ter um negócio no futuro.
A ideia de ter o seu próprio negócio é uma opção para muitos
brasileiros e ao mesmo tempo um enorme desafio. De acordo com o estudo,
um dos aspectos fundamentais para a compreensão do empreendedorismo está
relacionado com as motivações que levam as pessoas a buscar essa
atividade como alternativa para sobrevivência ou realização pessoal.
Assim, o GEM classifica essa inspiração em duas categorias:
Empreendedorismo por oportunidade
Ocorre quando uma pessoa inicia um negócio principalmente pelo fato
de ter identificado uma oportunidade de negócio viável a ser
concretizada no ambiente em que atua. Exemplo: Se você se identifica com
algum trabalho, deseja complementar a renda ou percebe que é o momento
de ter o negócio que sempre sonhou, mesmo tendo outras alternativas de
emprego e renda.
Empreendedorismo por necessidade
Acontece quando a decisão de abrir um negócio foi efetivada pela
falta de outras possibilidades para geração de renda e de ocupação.
Exemplo: se você está desempregado, não consegue uma recolocação no
mercado e então abre uma empresa por não ter melhores opções.
Perfil empreendedor
Não há um tipo de empreendedor melhor que o outro. Mas o que faz com
que empreendedores sejam empreendedores? Algum tipo de traço de
personalidade, predisposição genética, uma condição psíquica ou
simplesmente aproveitar oportunidades? Será que é possível aprender
empreendedorismo?
Antes de tudo, uma pessoa empreendedora é alguém disposto a correr
riscos para viabilizar um objetivo. É também um inconformado com a
inexistência de um produto ou serviço, de um método eficiente de
produzi-los ou de uma forma de melhorar a qualidade, a quantidade
disponível ou o preço de venda.
Mais do que tudo são pessoas determinadas, visionárias, movidas pela vontade de fazer o bem e muito criativas para empreender.
Por outro lado, são também capazes de romper práticas econômicas e
criar novos paradigmas de competitividade e sustentabilidade. Neste
contexto, destacamos sete características empreendedoras:
1) Persistência:
Qualidade que nos mantém motivados, mesmo quando somos pegos de
surpresa. É persistência que faz com que aprendamos o que funciona e o
que não funciona, e nos permite melhorar.
2) Resiliência:
É a capacidade de as pessoas voltarem ao seu estado normal após
situações incomuns, o que torna os empreendedoras mais confiantes na
resolução de problemas.
3) Mente aberta e criatividade:
Habilidade de expandir conhecimentos e deixar-se surpreender,
aproveitando os livros, revistas, blogs e também a experiência de
pessoas de diferentes mercados e áreas.
4) Mentoria:
É a competência de receber conselhos e aprender com quem tem mais
experiência, para tomar decisões com mais segurança. Nada melhor que um
mentor que esteve onde você está e chegou onde você ainda quer chegar.
5) Rede de contatos:
Ser comunicativo vai ajudá-lo a encontrar parceiros, divulgar seus
projetos e muito mais. Pessoas com capacidade de tirar sua ideia do
papel podem estar ao seu lado. Faça networking!
Essa é uma excelente ferramenta para as carreiras de empreendedores e
pode ser muito eficaz para desenvolver oportunidades e contatos de
negócios.
6) Autoconfiança:
Buque sempre identificar seus pontos fortes. Explore e invista
naquilo em que é bom. Muitos dizem que não empreendem porque falta de
dinheiro, clientes, contatos ou até mesmo experiência. Lembre-se de
conseguir o que falta a partir do que você já tem.
7) Equilíbrio:
Não há hora certa para empreender. Você pode fazer isso enquanto tem
outra fonte de renda, testando e validando novas ideias no seu tempo
livre. O mais importante é gostar de resolver problemas e melhorar a
vida das pessoas.
Descobrir-se empreendedor e desenvolver atitudes é, talvez, o passo
mais importante. Sua jornada será mais fácil entendendo que
empreendedores de sucesso se formam ao longo do caminho. Cada desafio é
uma oportunidade para aprender.
Como desenvolver atitudes empreendedoras?
As atitudes empreendedoras se
misturam umas com as outras, e, dependendo da situação, alguma ou
algumas assumem maior ou menor importância. Adotar atitudes como as
sugeridas aqui faz parte de uma decisão mais ampla: tornar seu
empreendimento mais sólido e competitivo e não ficar esperando que o
sucesso caia do céu. O objetivo é sempre tornar seu negócio mais
lucrativo e sua vida melhor em todos os sentidos. Conheça seis dessas
atitudes que podem fazem toda a diferença:
Estabelecimento de metas: o que quero alcançar? Quando? Como (estratégia)?
Planejamento: organize os detalhes do projeto. Saiba o que pode ser
prevenido. Revise os planos a partir dos resultados que pretende obter.
Exigência de qualidade e eficiência: faça as coisas sempre melhor, mais rápido e mais barato.
Persuasão e rede de contatos: desenvolva e mantenha as relações comerciais.
Busca de informações: busque sempre mais conhecimento sobre seu
negócio e informações do mercado: clientes, fornecedores e concorrentes.
Correr riscos calculados: reduza os riscos do seu negócio e/ou controle seus resultados.
Primeiros passos para empreender
Todo o empreendedor, ao abrir o seu próprio negócio, deseja obter
retorno do investimento em curto prazo, mas é necessário trabalho árduo e
paciência para tornar o empreendimento viável e bem-sucedido. Muitas
vezes é necessário deixar a emoção de lado e investir em um processo
realista e racional de avaliação, na busca de informações estruturadas
para realizar o investimento.
A imagem de uma empresa bem-sucedida é bastante sedutora para os
novos empreendedores, porém, é necessário ponderação. Busque análises
estruturadas que facilitem e orientem a tomada de suas decisões.
Tenha conhecimento no ramo de atividade
Pesquise o local de instalação
Conheça a legislação
Conheça o mercado
Cuide das finanças
Identifique-se com o seu perfil empreendedor
Empreenda com criatividade
Determinação, foco e organização são características importantes para
qualquer empreendedor. No mundo em plena transformação entre o digital e
o físico, elas se tornam ainda mais necessárias. Portanto, é
imprescindível que seu cérebro esteja cada vez mais ativo para ter
ideias novas e melhores. Selecionamos algumas dicas que poderão ajudá-lo
neste processo criativo:
Relaxe: para ter ideias é preciso estar em um
estado de espírito tranquilo. Faça atividades que estimulem o seu
relaxamento: meditar, dançar, cozinhar.
Seja curioso: aprenda outras coisas além da sua área principal de interesse, não tenha medo de saber mais. Conhecimento não ocupa espaço.
Mexa-se: faça uma caminhada. Ative sua coordenação
motora e oxigene o cérebro. Permita-se ter uma boa noite de sono e
momentos de diversão.
Redecore sua mesa, desktop ou o espaço de trabalho: mude a posição de mesas, cadeiras e livros, coloque objetos interessantes ao alcance da mão, provoque seu subconsciente.
Tome notas: boas “sacadas” tendem a desaparecer
quando tentamos memorizá-las. Anote sem compromisso: desenhos ou mesmo
palavras soltas. Gravar lembretes no celular podem ser uma opção quando o
caderno não está ao seu alcance.
Desapegue: doe parte das suas coisas, empreste,
troque. Faça o mesmo com suas ideias. Nunca tenha medo de que alguém as
“roubem”. Quando ideias se encontram, elas se multiplicam.
Observe o mundo à sua volta: não precisa ir muito
longe! Oportunidades estão em todos os lugares. Preste atenção no que
está perto de você e que outras pessoas não enxergam.
Estude bastante: a inspiração não surge do nada.
Pessoas criativas conhecem a fundo os temas sobre quais opinam. Busque
sempre está bem informado ou/e se capacitar em qualquer que seja a área.
Tire um tempo para si: reserve de 15 minutos a meia
hora, pelo menos três vezes por semana, para escrever, desenhar, tocar
algum instrumento, tirar um cochilo ou até mesmo para não fazer nada.
A falta de planejamento tem sido a grande causa de fracasso no mundo
dos negócios. Por isso é importante que o empresário defina com clareza
metas e objetivos de forma clara para escolher o caminho que deseja
seguir e não perder o foco da missão do negócio. Em outras palavras,
antes de abrir uma empresa é necessário fazer um plano de negócio e
verificar sua viabilidade econômica, financeira e de mercado.
Na prática, isso significa conhecer os custos para abrir o negócio,
identificar qual cliente deseja atender, quem serão os seus
concorrentes, a localização do seu ponto de venda, dentre outras coisas.
Lembrando sempre que o planejamento é contínuo e fundamental para o
sucesso da empresa.
Segundo levantamento do Sebrae, as principais dificuldades
enfrentadas pelos empresários nos primeiros anos de mercado são a falta
de clientes, capital, conhecimento e mão de obra. Para superar esses
desafios, o empreendedor deve ficar atento e não misturar as despesas
pessoais com as da empresa, estar aberto a críticas, fazer análises de
viabilidade do seu negócio, buscar capacitações, não se acomodar e não
centralizar.
Conheça os dez maiores erros cometidos pelos empreendedores:
Não planejar.
Não pesquisar sobre o mercado.
Não formalizar a empresa.
Não se identificar com a atividade escolhida e não entender o modelo de negócio que deseja abrir.
Abrir um negócio “porque está dando dinheiro” (os famosos negócios da moda).
Não definir corretamente seu público-alvo, achar que pode vender para todo mundo.
Não divulgar.
Não ter presença digital e canais de contato pela Internet.
Não se preparar para administrar o negócio.
Não se preocupar com a experiência e sucesso de seus clientes.
Como construir empreendimentos de sucesso
O sucesso de um empreendimento vem
de vários fatores, que integrados e bem gerenciados podem contribuir
para a continuidade e crescimento de uma empresa. Selecionamos algumas
orientações que podem contribuir para a sua jornada empreendedora.
Porte do empreendimento
No universo de micro e pequenas empresas, o porte ou tamanho do
negócio determina suas chances de sucesso. O empresário precisa perceber
qual a hora certa de ampliar a empresa para aumentar seu faturamento,
realizar empréstimos, desenvolver novos produtos, construir instalações,
contratar novos funcionários, buscar novos fornecedores e ter uma
atitude mais agressiva no mercado. É importante manter um equilíbrio nos
investimentos durante os três primeiros anos de atividade, quando
muitas empresas encerram suas atividades devido à essa perda de
controle, ou seja, “por darem passos maiores que as pernas”.
Dedicação exclusiva ao negócio
Gestão do empreendimento
Inovação para competir
Capacitação das equipes
Atendimento personalizado
Cooperação empresarial
Avanço do empreendedorismo feminino
As mulheres têm empreendido tanto quanto os homens. De acordo com a
pesquisa GEM, metade dos brasileiros que estão tentando criar um negócio
ou já são proprietários e administram um empreendimento com até 3,5
anos de mercado são mulheres.
No entanto, nem sempre foi assim. Algumas décadas atrás, mais
precisamente aos anos de 1950, as mulheres só tinham acesso a
subempregos, sem direito a uma carreira profissional. Apesar de muitas
conquistas alcançadas desde então, a sociedade em geral ainda considera a
mulher a principal responsável pela criação dos filhos, pelos cuidados
familiares e serviços domésticos. E sofremos as consequências disso até
hoje.
É importante que todos nós, homens e mulheres, saibamos que a
equidade de gêneros não é apenas uma questão de feminismo, mas uma
questão socioeconômica.
O empreendedorismo feminino é
muito mais do que ter mulheres à frente de um negócio ou exemplos de
empreendedoras. Ele promove a autonomia da mulher, contribui para o
rompimento de barreiras sociais e é uma forma de garantir o sustento e a
satisfação pessoal e de fazer a economia girar.
Estímulo às mulheres empreendedoras
Para incentivar cada vez mais o empreendedorismo feminino, foi criado o Sebrae Delas – Mulher de Negócios.
O projeto do Sebrae Minas incentiva, apoia e orienta mulheres que
transformam sonhos em oportunidades de novos negócios. Criado em 2018, a
iniciativa já capacitou empreendedoras de norte a sul de Minas Gerais
em palestras, encontros, workshops e eventos empresariais.
Quer saber mais? Então acesse o Instagram do Sebrae Delas e fique por dentro de informações, novidades e eventos do projeto e de outras redes de mulheres empreendedoras.
Acesso à educação empreendedora
Para inspirar as pessoas ligadas à área da educação e a comunidade em
geral a enxergarem novas competências e habilidades de empreender nos
negócios e na da vida, o Sebrae Minas e o Sebrae Nacional criaram o Centro Sebrae de Referência em Educação Empreendedora (CER).
Por meio da plataforma online é possível ter acesso a informações
atualizadas sobre educação empreendedora, biblioteca com indicação de
literatura de referência no tema, estudos e pesquisas mais recentes
sobre tendências e melhores práticas na área.
Por lá, são divulgados conteúdos desenvolvidos pelo Sebrae Minas em
parceria com instituições de ensino e organizações do setor. Com o
compromisso de aliar teoria e prática, o CER funciona também como um
suporte às atividades já desenvolvidas pelo Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sistema Sebrae com alunos dos ensinos fundamental, médio e superior e na educação profissional.
Causar impacto positivo e ampliar a perspectiva das sociedades de
forma sustentável é o sonho de negócio de muita gente. Alie toda essa
vontade à possibilidade de gerar renda e transformar a realidade de
várias pessoas. Pronto! Temos aí uma receita perfeita de empreendedorismo social.
O que são negócios sociais?
Ao pé da letra, os negócios sociais são empresas que nascem com o
objetivo de resolver um problema social ou ambiental de uma
coletividade, sem perder de vista os desafios e possibilidades diversas
do mercado.
Que fique claro que negócio social não é caridade nem filantropia.
Pelo contrário, esse modelo de negócio é autossustentável no
longo-prazo, ou seja, consegue gerar a própria receita com a venda de
produtos ou serviços. Isto é feito para cobrir todos os custos, sem
depender de doações.
São modelos híbridos de negócios, que geram lucro e comprometimento
para minimizar problemas socioambientais, rompendo assim com as
tradicionais fronteiras entre setor social e privado, entre os negócios e
os impactos sociais.
Vale lembrar que esses empreendimentos partem de um setor da economia
pouco conhecido, chamado de Setor 2.5 (Setor Dois e Meio), um segmento
que mescla propostas do segundo e do terceiro setores, ou seja, um mesmo
modelo de negócio que une a gestão empresarial com as preocupações e
cuidados no âmbito socioambiental.
Principais características
Tem a missão de minimizar problemas sociais e ambientais.
Relaciona sua estratégia com a realidade local em que está inserido.
É economicamente viável e autossustentável.
Está envolvido na produção ou comercialização de produtos e na
prestação de serviços que geram valor para as comunidades de baixa
renda.
Gera lucro.
Emprega e remunera funcionários.
Paga imposto.
Tende a ser um modelo de negócio inovador.
Promove o desenvolvimento das pessoas envolvidas na sua operação.
Oportunidades para empreender
Conheça algumas áreas que podem adequar suas vocações e se tornar
boas oportunidades para quem pretende investir em um negócio social:
Água e saneamento básico:
desenvolve e comercializa tecnologia inovadora e de baixo custo para o
reaproveitamento e reutilização de água, em comunidade afetada pela
estiagem.
Para quem busca ajuda para ser um empreendedor social, existem no
mercado aceleradoras e fundos especializados que promovem e apoiam o
desenvolvimento desse tipo de negócio.
São organizações que oferecem capacitações e orientações para a
criação de modelos de negócios sustentáveis com potencial para a geração
de impacto social. O apoio se dá por meio de capital semente, capital
de risco e empréstimos. Conheça algumas dessas instituições:
Artemisia –
Potencializa e capacita talentos e empreendedores brasileiros para a
geração de negócios de alto impacto social por meio de iniciativas nas
áreas de educação, disseminação de conhecimento e aceleração de negócios sociais
Vox Capital –
investe em startups com o objetivo de melhorar o acesso a serviços
básicos, como educação, saúde e serviços financeiros, além de contribuir
para a redução de desigualdades sociais.
Yunus Negócios Sociais Brasil –
Rede global de negócios sociais no meio acadêmico, promove capacitações
e oferece serviços de consultoria para empresas, governos, fundações e
ONGs.
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Entidades que representam
consumidores e geradores de energia lançaram nesta segunda-feira (9) um
manifesto contra a aprovação de novos subsídios à energia solar,
inseridos pelo Senado no projeto de lei dos combustíveis do futuro a
custo estimado em R$ 24 bilhões.
“É uma indecência”, diz o presidente da Frente Nacional dos
Consumidores de Energia, Luiz Eduardo Barata. “O discurso é sempre no
sentido de que vamos reduzir a conta de luz, mas as ações estão sempre
na contramão.”
A emenda foi inserida na quarta (4) em projeto de lei que trata de
incentivos a combustíveis renováveis, como os derivados de biomassa e do
hidrogênio. Por não ter relação com o assunto do PL, fica conhecida
como mais um jabuti em benefício ao setor.
Ela estende de 12 para 30 meses o prazo de construção de projetos
aptos ao subsídio, um dos que mais impactam a conta de luz dos
brasileiros, que em 2023 foi inflada por R$ 40,3 bilhões em diversas
formas de subsídios.
O manifesto divulgado nesta segunda é assinado não só por
representantes de grandes consumidores, mas também por entidades
formadas por geradores hidrelétricos e de empresas de energia eólica,
que recentemente foram beneficiados por extensão de subsídios por medida
provisória.
Também assinam representantes de distribuidoras e comercializadoras
de eletricidade. “Precisamos reduzir o custo da energia no Brasil”, diz o
texto. “Este é um consenso entre todos os especialistas do setor,
economistas, mercado e toda a sociedade.”
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) estima que a aprovação
da emenda custará R$ 24 bilhões ao consumidor, cerca de R$ 1 bilhão por
ano de vigência dos subsídios. Foi inserida de última hora no texto do
PL pelo senador Irajá (PSD-TO).
Ela beneficia empresas que investem em fazendas solares para venda da
energia principalmente a grandes consumidores. Segundo dados da Aneel,
apenas metade dos 31,9 MW instalados para geração solar distribuída no
país são voltados ao consumo residencial.
A outra metade é voltada para abastecer clientes comerciais,
industriais e rurais, com algum resíduo para serviços públicos, como a
iluminação das ruas. Entre os grandes clientes, estão bancos, redes
varejistas e o agronegócio.
Essa foi a primeira vez que o lobby do setor conseguiu emplacar um
jabuti no Senado, mas já ocorreram outras tentativas na Câmara de
prorrogação desse benefício.
Na justificativa para a emenda, o senador Irajá diz que a proposta
não “busca ampliar o direito, alcançando novas pessoas, mas garantir
tempo hábil àqueles que já tinham direito ao benefício”, que já era
previsto em lei. “Independentemente da fonte, são necessários projetos,
investimentos e contratações de executores de serviços, o que, no mais
das vezes, demanda tempo e frequentes ajustes”, escreveu. “É mais do que
justo que o prazo razoável e racional de 30 (trinta) meses para as
demais modalidades de minigeração seja estendido para a energia solar.”
Barata diz esperar que a Câmara derrube a mudança com apoio da base
governista. Mas o próprio governo editou recentemente MP (medida
provisória) estendendo prazo de subsídios para projetos de energias
renováveis conseguirem desconto no uso da rede de transmissão.