quarta-feira, 11 de setembro de 2024

COMISSÃO DO IMPEACHMENTE DE ALEXANDRE DE MORAES VAI BUSCAR A APREENSÃO DE APARELHOS NÃO SÓ DE MORAES COMO TAMBÉM DOS SEUS ASSESSORES

 

Documento ainda não está no sistema oficial do Senado, mas foi compartilhado nesta terça-feira (10)

Luciana Amaralda CNN, Brasília

Além do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a oposição no Congresso Nacional fala na apreensão e na quebra de sigilo de telefones, computadores, tablets e outros aparelhos eletrônicos pessoais e funcionais do magistrado.

A ideia consta no pedido de impeachment contra Moraes. O documento ainda não está no sistema oficial do Senado, mas foi compartilhado nesta terça-feira (10) pela assessoria do senador Rogério Marinho (PL-RN) com a assinatura da assessoria técnica da Secretaria-Geral da Mesa do Senado.

O texto cita a criação de uma comissão especial de senadores para então eventualmente determinar a busca e apreensão de aparelhos não só de Moraes, mas também dos auxiliares Airton Vieira e Marco Antônio Vargas e do perito Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Afirma que, “quebrados seus sigilos, sejam periciados pelo órgão técnico próprio a fim de angariar provas para subsidiarem o presente procedimento”.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo apontou suposto uso informal da estrutura do TSE sob a presidência de Moraes para subsidiar investigações contra bolsonaristas no STF.

O documento dos parlamentares de oposição diz pedir a expedição de ofícios a vários órgãos, entidades e pessoas físicas “diante da impossibilidade de os denunciantes apresentarem provas documentais, em especial de outras decisões que comprovam o cometimento de crime de responsabilidade por parte do denunciado – tendo em vista a atribuição de sigilo dos autos do inquérito nº 4781/DF em trâmite no Supremo Tribunal Federal”.

A divulgação do documento ocorre cerca de 24 horas após a oposição apresentar o texto ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que não demonstra intenção de dar andamento ao caso.

pedido de impeachment é assinado pelos deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Bia Kicis (PL-DF) e Caroline de Toni (PL-SC), entre outras pessoas e parlamentares.

A oposição ainda faz outras solicitações nesse pedido de impeachment. Não há perspectiva de que terão andamento, até o momento. Por exemplo:

  • Que o TSE apresente todos os documentos produzidos por Eduardo Tagliaferro a pedido dos juízes auxiliares de Moraes, “bem como as determinações que originaram tais documentos e relatórios”;
  • Uma minuta da Procuradoria Geral da República (PGR) pela liberdade provisória de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, preso pelos atos de 8 de janeiro de 2023 que morreu na prisão, em Brasília, e o prontuário médico dele;
  • Documentos do Exército e do Ministério das Comunicações que comprovem possíveis impactos de eventual interrupção de serviço da Starlink;
  • Diálogos entre Airton Vieira e Eduardo Tagliaferro em posse do jornal Folha de S.Paulo.

RIO PODE SER TRANSFORMADO EM HUB TECNOLÓGICO IGUAL AO VALE DO SILÍCIO

 

O prefeito anunciou que, caso seja reeleito, pretende criar mais três centros tecnológicos na cidade

Por

Victor Serra – Diário do Rio

Em uma visita ao Polo de Educação e Tecnologia Porto Maravalley, localizado na Região Portuária do Rio, o atual prefeito e candidato à reeleição pelo PSD, Eduardo Paes, revelou seus planos ambiciosos para a cidade. Durante o evento nesta última terça-feira (10/09), Paes destacou a importância de transformar o Rio em um hub de inovação tecnológica.

Inaugurado em abril, o Porto Maravalley já abriga cerca de 100 alunos do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), oferecendo cursos de graduação. Além disso, mais 150 empresas estão em processo de instalação no local, consolidando-o como um centro vital para a educação e tecnologia.

Paes anunciou que, caso seja reeleito, pretende criar mais três polos tecnológicos na cidade. A proposta é desenvolver espaços que atraiam startups e fintechs, aproximando-as do mercado de trabalho e gerando novas oportunidades de emprego. “Queremos consolidar o Rio como uma capital da inovação, ciência e matemática“, afirmou Paes. “É preparar a cidade e os cariocas para uma atividade econômica superimportante. O Rio é uma capital da formação de quadros.”

Com essa iniciativa, o prefeito almeja transformar o Rio de Janeiro em um “vale do silício” brasileiro, em referência à famosa região nos Estados Unidos conhecida por suas empresas de tecnologia. A criação desses polos visa não só atrair investimentos e empresas de tecnologia, mas também formar profissionais qualificados, impulsionando o desenvolvimento econômico da cidade.

A visita ao Porto Maravalley e o anúncio dos novos projetos tecnológicos fazem parte da agenda de campanha de Eduardo Paes, que busca sua reeleição prometendo avanços significativos na área de tecnologia e inovação.

PROJETO DE ANISTIA AOS PRESOS DO 8/1

 

Gabriel de Sousa e Weslley Galzo - Terra

BRASÍLIA – O relator do projeto de lei que anistia condenados pelos atos do 8 de Janeiro, deputado Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), apresentou nesta terça-feira, 10, um novo texto que contém brechas que podem beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O relatório também prevê que as investigações sobre os ataques golpistas deixem o gabinete de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF).

Valadares propõe anistiar todos os participantes das manifestações em defesa do golpe, inclusive aqueles que “as apoiaram, por quaisquer meios, inclusive contribuições, doações, apoio logístico ou prestação de serviços e publicações em mídias sociais e plataformas”.

Se for aprovada, a lei tornará imune de punição os financiadores da invasão aos prédios dos Três Poderes e os agitadores que insuflaram a multidão golpista por meio das redes sociais. Aliados de Bolsonaro e o próprio ex-presidente são investigados pelo STF por apoiarem as manifestações que terminaram em vandalismo e destruição do patrimônio público.

Para ser aprovada, a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro precisa ser aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde está atualmente. Se isso ocorrer, o texto será levado para o plenário da Casa, onde é preciso ter a maioria mínima de votos.

Caso isso seja concretizado, o tema vai para o Senado, onde será necessário o aval da maioria dos 81 senadores. Passado pelo Congresso, ainda é preciso que o texto seja sancionado pelo presidente da República.

O texto iria ser votado nesta terça-feira pela CCJ, porém, a base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou uma obstrução e impediu a deliberação. A sessão foi suspensa e será retomada nesta quarta-feira, 11.
Amplitude do texto pode beneficiar Bolsonaro

De acordo com juristas ouvidos pelo Estadão, a anistia prevista pelo novo texto de Valadares é ampla demais e pode beneficiar Bolsonaro. Isso acontece porque o relator diz que serão perdoados os crimes cometidos por ações que “mantenham correlação” com os atos golpistas de 8 de Janeiro.

“Fica também concedida anistia a todos que participaram de eventos subsequentes ou eventos anteriores aos fatos acontecidos em 08 de janeiro de 2023, desde que mantenham correlação com os eventos acima citados”, diz um artigo do projeto de lei.

Ou seja, caso seja aprovada a anistia, será garantido o perdão para todos os condenados por investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro é investigado no STF por ser o mentor dos atos antidemocráticos em um inquérito que Moraes é relator.

Valadares negou ter a intenção de beneficiar Bolsonaro com a nova versão do texto. “Para entrar na anistia, tem que existir a correlação fática (com os eventos do 8 de Janeiro). O presidente Bolsonaro, a pedido dele, pediu para que ele não fosse incluído (na anistia)”, disse.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão
Fim de investigações relatadas por Moraes e inquéritos em primeira instância

O texto de Valadares também visa tirar Moraes da relatoria dos processos que tenham alguma relação com os atos de 8 de Janeiro. Segundo o texto, o julgamento dos processos serão deslocados para a primeira instância. No caso dos atos antidemocráticos, os inquéritos sairiam do STF e seriam transferidos para o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ-DFT).

“Uma vez cessado o exercício da função, o julgamento de todos os processos atraídos por conexão ou continência será imediatamente deslocado para as instâncias adequadas, independentemente da fase processual que esteja em curso, observado os critérios e as regras de fixação de competência dos órgãos com poder jurisdicional previsto no ordenamento jurídico, ressalvado os casos em que houver sentença definitiva”, diz um trecho do projeto.
Fim dos crimes ‘multitudinais’

Se aprovada, a lei da anistia também acabará com o argumento dos “crimes multitudinários”, utilizado por Moraes para condenar os golpistas pelos mesmos crimes: associação criminosa, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e dano ao patrimônio público.

“A condenação pelos crimes previstos neste título não admite a incidência da figura do crime multitudinário, tampouco de qualquer teoria similar fundada na desindividualização ou na generalidade das condutas, exigindo-se, como pressuposto para a condenação, a individualização concreta dos atos praticados por cada coautor ou partícipe”, escreveu Valadares no relatório.

O crime de execução multitudinária se dá quando diferentes réus são condenados conjuntamente por um mesmo crime. Isso ocorre quando o juiz entende que o delito foi consumado por conta da ação conjunta de diferentes criminosos. O STF define o termo jurídico da seguinte forma:

“Aquele que resulta do fato de ter sido o agente levado à prática do crime por instigação de um grupo de pessoas amotinadas ou de multidão em estado de tumulto, o que constitui circunstância atenuante na aplicação da pena cabível. É o praticado por multidão em estado de agitado, impulsionada pelo desespero ou ódio levado por líderes, ou investigadores”, descreve o vocabulário jurídico do STF.
Anulação de multas eleitorais e proibição de inelegibilidades

Além do perdão aos crimes praticados, o projeto de lei também pretende anular as multas aplicadas pela Justiça Eleitoral aos beneficiados. Se entrar em vigor, a medida pode beneficiar parlamentares bolsonaristas punidos desta forma por atos relacionados ao 8 de Janeiro.

“Ficam anuladas as multas aplicadas pela Justiça Eleitoral ou Comum às pessoas físicas e jurídicas em decorrência dos atos descritos”, colocou o relator.

Em outro trecho, o projeto propõe assegurar “os direitos políticos, e, ainda, a extinção de todos os efeitos decorrentes das condutas a si imputadas, sejam cíveis ou penais, para as pessoas que se beneficiem da presente lei”. Na leitura de especialistas consultados pelo Estadão, o trecho impede que Bolsonaro fique inelegível em outras situações, mas não altera a atual situação do ex-presidente, que não pode participar de eleições até 2030.

BRASIL FAZ REUNIÃO DO G20 DO AGRO EM CIDADE COBERTA POR FUMAÇA DE QUEIMADAS

 

BBC News Brasil

Fogo destruindo vegetação em Parque Nacional
Legenda da foto, Queimadas avançam pelo Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. Região é próxima de resort onde ministros da agricultura do G20 estão reunidos

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Uma reunião promovida pelo G20 em Mato Grosso que tinha como um dos seus objetivos servir como vitrine do agronegócio sustentável do Brasil está tendo como pano de fundo uma tragédia climática de dimensões históricas.

O Brasil realiza, desde ontem (10/9), um encontro de ministros da agricultura de países do G20, grupo das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia e a União Africana. O encontro foi levado para o um resort às margens do Lago de Manso, no município de Chapada dos Guimarães, um conhecido destino turístico de Mato Grosso.

O Estado é dono da maior produção de grãos e do maior rebanho bovino do país. O ministro da agricultura, Carlos Fávaro, deixou claro o que esperava da reunião.

“Vamos mostrar nosso potencial em produzir alimentos de forma sustentável”, disse na segunda-feira (9/9).

Mas a área onde a reunião acontece é uma das muitas do país que está encoberta por fumaça devido às queimadas recordes que atingem o país neste ano.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Mato Grosso é o campeão no ranking de focos de incêndio neste ano e imagens de satélite vêm mostrando nos últimos dias que enormes partes do Estado, inclusive a região de Chapada dos Guimarães, estão sofrendo com os efeitos das queimadas.

Segundo oficiais do governo, parte considerável desses incêndios está relacionada com o aumento da área de pastagens ou abertura de novas fronteiras agrícolas em biomas como o Pantanal, Cerrado e Amazônia.

De acordo com especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a ocorrência de tantas queimadas na região escolhida para ser a vitrine do agronegócio brasileiro compromete a imagem do Brasil no exterior e serve de alerta. Moradores da cidade onde o evento está sendo realizado dizem esperar medidas para evitar a repetição do cenário atual.

Bombeiro de uniforme laranja caminhando na floresta
Legenda da foto, Bombeiros de Mato Grosso atuando em queimadas. Estado é o campeão de queimadas em todo o Brasil. Inpe indica aumento de 215% no número de queimadas neste ano em relação ao ano passado

“Vimos à fumaça cobrir a cidade inteira”

De acordo com o governo brasileiro, os principais tópicos da reunião de ministros da agricultura do G20 em Mato Grosso serão: sustentabilidade nos sistemas agroalimentares; ampliação do comércio internacional para a segurança alimentar e nutricional; reconhecimento da agricultura familiar e o papel de camponeses e povos originários para sistemas alimentares; e promoção da integração da pesca e aquicultura nas cadeias globais.

Mato Grosso foi cuidadosamente escolhido pelo governo brasileiro para sediar a reunião de ministros da agricultura do G20, segundo Carlos Fávaro.

Fávaro, que é deputado federal eleito pelo Estado, disse que Mato Grosso seria uma espécie de “símbolo” do modelo de agricultura do país.

“Estamos no Estado com a maior produção agropecuária do Brasil, o maior rebanho bovino do Brasil […] mas que é o símbolo da preservação ambiental”, disse Fávaro durante a abertura da reunião na terça-feira (10/9).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado tem o maior rebanho bovino do país, com 34 milhões de cabeças de gado. Além disso, é o maior produtor de soja, milho e algodão.

Especialistas em agronegócio colocam o Estado como o “celeiro” do Brasil.

Por outro lado, o Estado aparece como o segundo maior desmatador da Amazônia (atrás apenas do Pará) no período entre 2022 e 2023.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), neste intervalo, o Estado perdeu 2 mil quilômetros quadrados de florestas, uma área maior do que a da cidade de São Paulo.

A situação em 2024 aponta a permanência de um cenário ambiental e climático dramático.

O Estado é o campeão nacional em número de focos de incêndio com 36,4 mil registros entre o início do ano e segunda-feira (9/9), de acordo com o Inpe.

É o maior número para o mesmo período desde 2007. Em relação ao ano passado, o crescimento foi de 215%, praticamente o dobro do crescimento médio registrado no país, que foi de 107%.

O município de Chapada dos Guimarães, onde a reunião do grupo de trabalho está sendo realizada, vem sendo pesadamente atingido pelas queimadas.

Nos últimos dias, brigadistas e bombeiros se mobilizam para controlar duas frentes de incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, um dos maiores do Brasil.

Na semana passada, as duas frentes estavam prestes a se juntar, desafiando o trabalho das equipes lideradas pelo Instituto Chico Mendes de Meio de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Em nota enviada à BBC News Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), o órgão disse que o ICMBio vem combatendo os incêndios no parque com 54 pessoas, entre brigadistas, funcionários do parque, voluntários e um avião.

O parque fica a cerca de 40 km da sede do município de Chapada dos Guimarães.

Mesmo defendendo a escolha do local para a reunião, Fávaro reconheceu que as delegações internacionais teriam sido impactadas pelas queimadas em seus trajetos entre Cuiabá e o resort onde o encontro está sendo realizado.

“Apesar das dificuldades momentâneas que o Brasil vive, com as queimadas, com a mudança do clima, vocês puderam perceber isso no transcorrer, na estrada. Mas é uma região em que o turismo é muito importante”, disse. Algumas das queimadas que atingem o Estado vêm afetando o tráfego em rodovias como a que conecta Cuiabá ao local da reunião.

“Beleza virou carvão”

Moradores de Chapada dos Guimarães ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que não foram apenas os membros das delegações internacionais que foram afetados pelas queimadas.

“Aqui nós vimos a fumaça cobrir a cidade inteira. Isso afeta a vida dos moradores e também a economia local, já que alguns atrativos turísticos foram fechados devido aos incêndios”, disse a bióloga Juliana Bonanomi, que vive na cidade.

A antropóloga Suzana Hiroka disse ter visto impactos em diferentes áreas da cidade por conta das queimadas.

“Na saúde, as queimadas acentuaram as doenças respiratórias. Quem tem asma ou bronquite está muito mal. As pessoas têm muita dor de cabeça, rouquidão ou nariz escorrendo. As mulheres e crianças são muito afetadas”, disse.

Hiroka destacou ainda os efeitos das queimadas na economia da cidade.

“Chapada vive do turismo. As queimadas fizeram o parque fechar vários pontos. A cidade vivia da sua beleza cênica, mas agora, essa beleza virou carvão”, disse.

Cachoeira Véu da Noiva, na Chapada dos Guimarães, em meio a formação rochosa repleta de vegetação verde
Legenda da foto, Cachoeira do Véu de Noiva, no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães fora da época de seca e queimadas. Queda d’água é um dos principais atrativos do parque

Contradição e oportunidade

O climatologista Carlos Nobre foi um dos autores do Quarto Relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU), que recebeu o Nobel da Paz em 2007, disse à BBC News Brasil que a realização da reunião dos ministros da agricultura do G20 é um momento de definição.

“Precisamos saber se o agronegócio vai continuar dizendo que não tem responsabilidade nenhuma no que está acontecendo no Brasil e no mundo ou se vamos ver alguma mudança nas políticas e uma indução de novas práticas que visem uma agricultura de baixo carbono”, disse à BBC News Brasil.

Segundo ele, historicamente, o agronegócio no Brasil tenta se eximir das responsabilidades pelas mudanças climáticas apesar de ser, na avaliação de Nobre, um dos principais responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa do Brasil.

Nobre afirmou que, em sua opinião, a realização desta reunião no atual contexto de queimadas fora de controle mancha a imagem do país.

“A imagem do país já está manchada porque todos os dados do Inpe apontam que essas queimadas foram causadas pela ação humana. Não estamos falando de descargas elétricas. Estamos falando de atividades criminosas”, disse o climatologista.

A diretora-executiva do Instituto Centro de Vida (ICV), Alice Thuault, disse à BBC News Brasil esperar que as condições nas quais a reunião acontece possa sensibilizar os participantes. O ICV é uma organização não-governamental que atua na defesa do meio ambiente em Mato Grosso há mais de 20 anos.

“É uma tragédia o que está acontecendo aqui, mas acho que é importante que essa reunião seja realizada nesse contexto, nessa espécie de ‘pé do vulcão’. É importante que os participantes vejam claramente os impactos das mudanças climáticas em um local que é sempre apontado como um exemplo do agronegócio”, disse à BBC News Brasil.

Para a moradora de Chapada dos Guimarães Suzana Hiroka, o suposto foco em sustentabilidade da reunião de ministros da agricultura é uma contradição.

“É uma contradição porque Chapada dos Guimarães é um município de monocultura. Temos aqui grandes plantações de soja, algodão e o pequeno agricultor que faz a agricultura mais sustentável praticamente não aparece”, disse.

Alice Thault resume suas expectativas em relação à reunião em meio à fumaça.

“Estou torcendo para que as questões sobre o clima estejam, de fato, na pauta do encontro e que essa experiencia, por assim dizer, imersiva, valha alguma coisa”, disse.

A BBC News Brasil enviou questionamentos aos ministérios das Relações Exteriores (MRE), da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA). Também foram enviadas questões à Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (Sema-MT).

Apenas o MMA respondeu informando sobre as condições do combate ao incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Nenhum dos outros órgãos enviou respostas.

O que é o G20

O G20 é um fórum internacional que reúne as principais economias do mundo, incluindo 19 países, a União Europeia e a União Africana. Oficialmente, o objetivo do grupo é promover a cooperação econômica global, comércio internacional e estabilidade financeira.

O grupo foi criado em 1999 e, mais recentemente, passou a abordar, também, temas relacionados às mudanças climáticas e segurança alimentar, duas das principais plataformas do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em 2023, o Brasil assumiu a presidência do G20 pela primeira vez e vem realizando uma série de reuniões preparatórias para a grande cúpula de chefes-de-Estado do grupo que será realizada entre os dias 18 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro.

O Grupo de Trabalho do G20 sobre Agricultura é uma subdivisão do G20 e a reunião realizada em Chapada dos Guimarães é uma das que antecedem a cúpula principal de novembro.

BRASIL DE LULA NÃO ROMPE COM A VENEZUELA DE MADURO

 

Lula e Maduro
Legenda da foto, Lula tem feito críticas a Maduro e à recusa do venezuelano em divulgar as atas das eleições, mas rejeita cobranças sobre romper as relações

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  • Author, Julia Braun e Leandro Prazeres
  • Role, Da BBC Brasil em Londres e Brasília
  • 10 setembro 2024

A relação entre Brasil e Venezuela passa por um de seus momentos mais tensos até hoje após disputas em relação ao resultado da eleição presidencial e o mais recente embate em torno da custódia da embaixada da Argentina no país.

O Brasil estava tomando conta das instalações argentinas em Caracas desde o início de agosto, quando o governo de Nicolás Maduro decidiu expulsar as equipes diplomáticas de pelo menos sete países — incluindo a Argentina — após acusações de fraude nas eleições presidenciais.

Mas, no último final de semana, Maduro anunciou a decisão de retirar a autorização para o Brasil custodiar a embaixada da Argentina no país.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro afirmou que informou à Venezuela que seguirá representando os interesses argentinos em Caracas até que seja designado um substituto.

O pedido pela Justiça venezuelana de prisão de Edmundo González Urrutia, candidato que concorreu pela oposição nas eleições, também agravou a crise entre as duas nações. González deixou o país e recebeu asilo da Espanha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem feito críticas a Maduro e à recusa do venezuelano em divulgar as atas das eleições para estabelecer a credibilidade do processo, mas rejeita cobranças sobre romper as relações entre Brasil e Venezuela.

Na sexta-feira (6/9), antes do anúncio da decisão venezuelana sobre a representação diplomática, Lula reiterou que não pretendia romper as relações ou fazer bloqueio contra o governo de Maduro.

“Estamos em uma posição, Brasil e Colômbia, a gente não aceitou o resultado das eleições, mas não vou romper relações e também não concordo com a punição unilateral, o bloqueio. Porque o bloqueio não prejudica o Maduro, o bloqueio prejudica o povo e eu acho que o povo não deve ser vítima disso”, disse o presidente brasileiro em entrevista à rádio Difusora Goiânia na sexta.

A posição de Lula vai na contramão da adotada por outros líderes sul-americanos, como o presidente de esquerda do Chile, Gabriel Boric, que declarou que os resultados que apontariam vitória de Maduro “eram difíceis de acreditar”.

O governo de Jair Bolsonaro (PL) também rompeu com Maduro quando reconheceu o deputado da oposição Juan Guaidó como presidente interino em 2019.

Mas por que o governo Lula tem insistido em manter uma posição neutra?

Administração da relação

Diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil em caráter reservado ao longo dos últimos dois meses e especialistas explicam que uma das razões principais pelas quais o governo brasileiro não pretende romper relações com a Venezuela a despeito dos últimos acontecimentos é a necessidade de administrar o diálogo com um país com o qual compartilha 2,2 mil quilômetros de fronteira.

Um diplomata da cúpula do Itamaraty afirmou que a tentativa de isolar a Venezuela observada durante os anos em que o Brasil foi governado por Bolsonaro não surtiu o resultado esperado (uma mudança de regime) e trouxe problemas aos principais vizinhos do país como o Brasil, que teve de lidar com um aumento massivo da imigração venezuelana tendo pouca ou nenhuma interlocução com autoridades do país vizinho.

Ainda segundo esta fonte, a extensa fronteira entre os dois países e a existência de comunidades brasileira e venezuelana nos dois países fazem com que seja importante manter canais de diálogo com o país vizinho.

“A avaliação é que o rompimento com um país vizinho, além de produzir poucos benefícios, gera uma série de dificuldades no dia a dia da gestão da relação”, diz Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo o especialista, as consequências de romper relações vão além da política e poderiam refletir, por exemplo, na administração de questões consulares, tais como o atendimento a brasileiros que vivem na Venezuela.

Além disso, a manutenção da relação permite que o Brasil atue de forma mais próxima na gestão do fluxo de imigrantes venezuelanos que chegam ao país e em outros temas fronteiriços e alfandegários.

“A crise dos refugiados é algo que, na minha avaliação, é muito mais significativo do que a afinidade ideológica”, afirma Carolina Silva Pedroso, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“O Brasil se tornou nos últimos anos o quarto principal destino dos venezuelanos, há uma pressão grande na fronteira e da própria opinião pública sobre essa questão.”

Membros do grupo indígena venezuelano Warao se refugiam no abrigo Janokoida da ONU em 6 de abril de 2019 em Pacaraima, Brasil.
Legenda da foto, Refugiados venezuelanos em abrigo em Pacaraima em 2019

Para Laura Trajber Waisbich, diretora do programa de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford, no Reino Unido, a fragilidade política venezuelana também não interessa ao Brasil.

A instabilidade econômica da Venezuela afeta o Brasil de maneira muito direta, não só por conta do aumento no fluxo de imigrantes, mas também por proporcionar um contexto propício para o uso da fronteira na região amazônica por organizações criminosas, diz a especialista.

“Essa fronteira está cada vez mais porosa e ingovernada”, afirma, ressaltando a relevância da região para o tráfico de cocaína e a atuação de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Tradição diplomática

Outro fator relevante mencionado pelas fontes ouvidas pela BBC Brasil é a prática diplomática conciliatória brasileira.

“A tradição diplomática brasileira não dispõe do rompimento de relações diplomáticas com tanta facilidade”, afirma Pedroso.

“Embora esse recurso tenha sido utilizado com bastante frequência no mundo, em tese, deveria ser uma das últimas ações a se tomar, quando todas as possibilidades de diálogo estivessem esgotadas.”

Laura Waisbich explica ainda que a tradição brasileira também passa pelo cumprimento do princípio de não interferência em assuntos de política interna de outros países.

“A política externa brasileira é uma prática mais reticente a esse tipo de gesto de rompimento, sobretudo quando esse rompimento tem a ver com situações de caráter doméstico do país”, diz.

“A Venezuela é um país parceiro vizinho e o que acontece ali pode impactar no Brasil, mas no final das contas tratam-se de acontecimentos da própria dinâmica do processo político venezuelano.”

Para além da tradição brasileira, há ainda uma prática diplomática comum na América Latina nos últimos anos que se apoia na ideia de que os problemas da região devem ser resolvidos internamente, dizem as especialistas.

“Há uma tradição na América Latina, que começou na América Central na década de 80 e foi evoluindo desde então, de construir uma cultura de mediação e negociação diplomática interna” para evitar a influência de atores externos, explica Waisbich.

Papel de mediação

O papel de destaque do Brasil nas negociações políticas entre governo Maduro e oposição é também um fator de peso na relação.

Desde que Maduro se declarou vencedor das eleições presidenciais e a oposição questionou os resultados, Brasil e Colômbia vem se empenhando em uma a tentativa de diálogo. Além de fazer consultas com ambos os lados, os dois países também lançaram um pacote de ideias para tentar resolver a crise política no país vizinho.

Os esforços não parecem ter dado grande resultado na crise atual, mas diplomatas consultados pela BBC Brasil afirmam que o governo brasileiro deseja manter sua posição como mediador para um eventual aprofundamento da instabilidade.

O argumento é o de que um eventual rompimento pioraria uma situação que já ruim e dificultaria ou impossibilitaria ainda mais qualquer tentativa de influenciar o governo Maduro.

Maduro e Lula
Legenda da foto, A relação entre Brasil e Venezuela passa por um de seus momentos mais tensos até hoje

Em resumo, a tese é: se mesmo próximo, o Brasil enfrenta dificuldades para influenciar o regime venezuelano, ao ficar distante essa missão poderia se tornar impossível.

Os especialistas consultados pela reportagem concordam com a abordagem.

“É importante manter alguma interlocução básica para que se houver sinais de instabilidade do regime no futuro, o Brasil esteja relativamente bem posicionado para ter algum diálogo”, diz Oliver Stuenkel.

Para Carolina Pedroso, existe uma crença entre muitos dos observadores internacionais de que não haverá saída pacífica para a crise atual sem algum grau de auxílio externo – e o Brasil se prepara para isso.

“Uma das confluências do governo Lula e da tradição diplomática brasileira é a aposta em recursos de mediação, conciliação e diálogo, por isso há uma resistência em ‘abandonar’ a Venezuela à própria sorte”, diz.

Influência externa

Outro diplomata brasileiro com experiência na região sul-americana afirmou à BBC que o Itamaraty também entende que isolar ainda mais a Venezuela, além de não garantir uma melhora no ambiente democrático do país, poderia ter como efeito colateral um aumento da dependência do governo de Maduro em relação a potências extra-regionais como a China e a Rússia.

Não por acaso, os dois países foram alguns dos poucos que reconheceram como legítimos os resultados das eleições presidenciais de julho deste ano. Tanto o presidente russo, Vladimir Putin, quando o líder chinês, Xi Jinping, enviaram mensagens parabenizando Maduro pelo resultado.

Para Waisbich, o Brasil deseja manter uma ponte de diálogo justamente para evitar que atores de influência histórica na região, como os Estados Unidos, e outros mais recentes, como a China, tomem sua posição de protagonismo.

“Se o Brasil sair de cena por conta de um rompimento de relações, esses outros atores vão ocupar o espaço político rapidamente”, diz.

Pedroso explica que o conflito interno da Venezuela incorpora diversas outras disputas geopolíticas globais.

“Além da proximidade de Maduro com China, Rússia, Irã, Turquia, Cuba e outros atores que desafiam a ordem internacional liberal, do outro lado a oposição não é só muito próxima de Estados Unidos e União Europeia em termos ideológicos, mas também dos interesses do capital privado de empresas que desejam explorar o petróleo venezuelano”, diz.

Xi Jinping e Vladimir Putin de mãos dadas
Legenda da foto, China e Rússia são as principais aliadas da Venezuela e seu apoio contrabalanceou sanções dos EUA

O diplomata brasileiro ouvido pela reportagem afirmou, no entanto, que a atual postura do Brasil pode sofrer uma mudança a partir de 10 de janeiro de 2025. Esta é a data prevista para o começo do novo mandato de Maduro.

À medida que o Brasil ainda não reconheceu os resultados das eleições venezuelanas, a posse de Maduro para mais um mandato deverá obrigar o governo Lula a se posicionar novamente sobre o tema.

Até agora, disse esta fonte, Maduro está no legítimo cumprimento de seu atual mandato.

Mas o que acontece após ele assumir um novo mandato por meio de eleições cujo resultado o Brasil não reconhece?

Segundo este diplomata, a eventual posse de Maduro deverá criar novos impasses para o governo brasileiro.

Entre eles está a decisão sobre a permanência ou não da Venezuela em fóruns internacionais dos quais o Brasil faz parte, como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Pressões internas e histórico da relação

Para Lula, há ainda o desafio de se equilibrar entre a posição adotada pelo seu governo oficialmente, por meio do Itamaraty, e a sua própria relação e do Partido dos Trabalhadores com o chavismo.

A legenda reconheceu a vitória de Maduro no dia seguinte à eleição, com uma nota que tratava o venezuelano como “presidente agora reeleito”, apesar da posição mais cuidadosa do Ministério de Relações Exteriores.

“Importante que o presidente Nicolás Maduro, agora reeleito, continue o diálogo com a oposição, no sentido de superar os graves problemas da Venezuela, em grande medida causados por sanções ilegais”, disse em nota da Executiva Nacional do PT, comandado pela deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Lula foi questionado sobre a nota, e buscou minimizar as críticas ao partido.

“Não tem nada de grave, não tem nada de assustador. Eu vejo a imprensa brasileira tratando como se fosse a Terceira Guerra Mundial. Não tem nada de anormal”, disse o presidente.

“Teve uma eleição, teve uma pessoa que disse que teve 51%, teve uma pessoa que disse que teve 40 e pouco por cento. Um concorda, o outro não. Entra na Justiça e Justiça faz.”

A oposição venezuelana, porém, diz não ser possível confiar no Judiciário do país por ser dominado por Maduro.

Também contesta a noção de que haja uma normalidade no processo político do país, apontando que, ao longo dos anos, o chavismo passou a controlar órgãos como a Suprema Corte e o Conselho Eleitoral.

Além disso, órgãos de direitos humanos, como o da Organização das Nações Unidas (ONU), apontam violações em resposta a protestos no país e prisões arbitrárias de oponentes, além da inabilitação política de muitos deles.

O então presidente venezuelano Hugo Chávez (E-frente), seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (D-frente), o presidente da PDVSA Rafael Ramirez (E-atrás), o ministro das Relações Exteriores da Venezuela Nicolás Maduro (terceiro-E), seu colega brasileiro Celso Amorim (C) e o presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli durante uma entrevista coletiva em 20 de setembro de 2007
Legenda da foto, O então ministro das Relações Exteriores da Venezuela Nicolás Maduro em foto ao lado de Lula, Hugo Chávez, Celso Amorim e os então presidentes da PDVSA e da Petrobras, Rafael Ramirez e José Sergio Gabrielli, em setembro de 2007

O PT é um aliado histórico do chavismo na Venezuela. O presidente Lula também nutriu, durante seu histórico na política, relações cordiais com Hugo Chávez e outros representantes da esquerda latino-americana.

Esses antecedentes, segundo analistas, também tornam um rompimento total de relações com a Venezuela improvável.

Mas, para Pedroso, é principalmente o posicionamento do PT que pesa para essa decisão.

“Há uma a aproximação de alas do PT com o processo da Revolução Bolivariana e o entendimento de que os problemas que ocorrem lá são fruto da ingerência do imperialismo norte-americano e de uma oposição mancomunada com os Estados Unidos”, afirma.

“Ou seja, uma interpretação da realidade que subestima ou até ignora os problemas endógenos do chavismo.”

Segundo a pesquisadora, diferente do que muitos acreditam, Lula e Chávez não eram tão próximos no nível interpessoal como se supõe.

Pedroso cita relatos de diplomatas que atuaram em negociações durante os primeiros mandatos do petista e que afirmam terem presenciado momentos de irritação de Lula com Chávez por conta de alguns arroubos do venezuelano, além da visão distinta que eles tinham do papel da integração regional.

Com Maduro, a proximidade é ainda menor, ressalta Pedroso.

Edmundo González em foto de 19 de junho
Legenda da foto, Edmundo González foi o candidato da oposição nas eleições presidenciais de 28 de julho na Venezuela. (Foto: 19 de junho)

Ainda assim, Lula expressou apoio claro ao atual presidente venezuelano publicamente em diversas ocasiões.

Após assumir seu terceiro mandato, o petista mandou reabrir a embaixada brasileira em Caracas, desativada por Bolsonaro, nomeou uma nova embaixadora e recebeu Maduro em Brasília com honras de chefe de Estado durante uma cúpula de líderes da América do Sul, em maio do ano passado.

Na ocasião, foi ainda criticado por afirmar que as alegações de que o regime de Maduro é autoritário eram, na verdade, parte de uma “narrativa” que deveria ser combatida pelo líder venezuelano.

Mas o tom mudou bastante com a aproximação das eleições presidenciais. Antes do pleito, Lula disse ter ficado assustado com declarações de Maduro sobre um eventual banho de sangue no país caso não vencesse a disputa.

O venezuelano respondeu com um recado ríspido para Lula: “A quem se assustou, que tome chá de camomila”.

Pedroso afirma não acreditar que a posição mais radical de algumas alas do PT em relação ao chavismo seja compartilhada por Lula ou pelo seu assessor direto Celso Amorim, que além de “guru” da política externa é filiado ao PT. “Mas há cobranças internas”, afirma a pesquisadora.

“O Lula tem que lidar, claro, com as realidades geopolíticas, mas também com um partido que tem uma visão bastante radical nesse quesito”, resume Stuenkel

RÚSSIA TENTA INFLUENCIAR ELEIÇÕES AMERICANAS

 

Vladimir Putin e Margarita Simonyan.
Legenda da foto, Vladimir Putin ao lado de Margarita Simonyan, editora-chefe da emissora estatal russa RT, que foi alvo de sanção dos EUA

Article information

  • Author, Precious Chatterje-Doody
  • Role, The Conversation*

A recente revelação da Casa Branca sobre as tentativas da Rússia de influenciar a eleição presidencial deste ano nos EUA não surpreende ninguém que tenha acompanhado as táticas de desinformação durante a última eleição americana.

Ao longo da campanha de 2020, o Kremlin usou meios de comunicação patrocinados pelo Estado — como o canal de televisão internacional RT e o site de notícias e estação de rádio Sputnik — para divulgar uma série de conteúdos questionando a legitimidade do processo democrático dos EUA.

Descobriu-se também que redes de bots (robôs) e trolls (perfis, geralmente falsos, que ofendem, atacam e provocam outros pela internet), patrocinadas pela Rússia, também estavam promovendo desinformação polarizada e teorias da conspiração em redes online.

Desta vez, os EUA apreenderam uma rede de domínios de internet administrados por russos, e anunciaram sanções contra dez pessoas, incluindo Margarita Simonyan, editora-chefe da RT (ex-Russia Today), por “atividades que visam minar a confiança pública em nossas instituições”.

As sanções incluem o congelamento de qualquer propriedade ou ativo nos EUA e, potencialmente, restrições a qualquer cidadão ou empresa dos EUA que trabalhe com eles.

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Os EUA também acusaram dois gerentes da RT baseados em Moscou, Kostiantyn Kalashnikov e Elena Afanasyeva, sob a lei de combate à lavagem de dinheiro, de pagar criadores de conteúdo dos EUA para divulgar “propaganda e desinformação pró-Rússia” em território americano.

O procurador-geral dos EUA, Merrick Garland, disse que a Rússia estava tentando emplacar seu “resultado preferido” na próxima eleição presidencial — e minar o apoio dos EUA à Ucrânia na guerra.

As práticas alegadas pelo Departamento de Justiça (DOJ, na sigla em inglês) dos EUA coincidem com o que eu e meus coautores identificamos em nosso novo livro Russia, Disinformation and the Liberal Order (“Rússia, Desinformação e a Ordem Liberal”, em tradução livre), como tendo se tornado uma prática padrão nas tentativas russas de influenciar o público internacional.

A seguir, estão cinco das principais táticas russas de manipulação da informação que identificamos — e que podem ajudar a entender o mais recente escândalo de interferência eleitoral.

1. Usar influenciadores locais

O DOJ acusa os funcionários da RT de terem pago a uma empresa sediada no Estado americano do Tennessee cerca de US$ 10 milhões (R$ 55,7 milhões) para produzir conteúdo de rede social alinhado com os interesses russos, sem revelar que o financiamento veio do Estado russo.

Vários influenciadores conectados à empresa do Tennessee disseram desde então que tinham controle editorial sobre seu conteúdo, e negaram conhecimento de qualquer ligação com a Rússia. Mas isso se encaixa nos padrões identificados na nossa pesquisa.

Primeiro, a RT trabalha há muito tempo com o espaço da mídia populista de direita — e muitas vezes imita o estilo e as práticas da mídia populista de direita dos EUA. Ela frequentemente coloca links para seus artigos em seu site, promove personalidades da mídia de direita e distribui seus programas, além de apresentá-los em suas próprias plataformas.

Com base nisso, a RT tem oferecido com frequência plataforma, financiamento e carta branca a personalidades da mídia dos Estados que têm como alvo, cujas crenças genuínas atendem aos interesses da Rússia. Afinal, as pesquisas confirmam que as pessoas são mais propensas a acreditar em alegações que ouvem repetidamente, sejam essas alegações verdadeiras ou não.

2. Veículos de notícias falsas

Como parte deste caso, os EUA apreenderam uma rede de domínios de internet supostamente usados ​​para promover informações falsas direcionadas a subgrupos específicos da população dos EUA. Disfarçados de sites locais, seu conteúdo tende a explorar as preocupações e controvérsias sociais específicas que repercutem entre determinados grupos-alvo, além de amplificar os principais pontos de discussão russos.

Vimos isso no passado, quando a Agência de Pesquisa da Internet, apoiada pelo Kremlin, criou um site de notícias de esquerda falso — e enganou freelancers desavisados ​​a contribuir com conteúdo para operações de informação russas. As atividades anteriores da RT mostram que a emissora não tem escrúpulos em camuflar deliberadamente seus vínculos com outras operações e grupos de mídia.

Sabemos pela nossa pesquisa que estes sites não só costumam fazer referências cruzadas entre si, como também frequentemente fazem referências cruzadas com outros sites autointitulados contra o mainstream para aumentar sua credibilidade com determinados grupos demográficos online.

3. Botar lenha na fogueira

Outra tática comum para manter a credibilidade do conteúdo é vinculá-lo aos medos e preocupações que já são importantes em qualquer sociedade. Por exemplo, a Rússia não levou a guerra cultural para os EUA, mas aproveitou habilmente as ansiedades da sociedade americana em relação ao tema. As operações da mídia russa fizeram isso vir à tona sem se envolver com elas de forma significativa.

Da mesma forma, quando os sites russos se disfarçam de fontes locais, eles priorizam temas que são familiares aos seus públicos-alvo. Normalmente, porém, tópicos controversos são floreados com uma colcha de retalhos de informações reais e fabricadas. O público acha difícil separá-las, e suas suposições iniciais significam que, muitas vezes, não estão motivados a tentar.

Cabine de votação nos EUA

4. Inverter a situação

Moscou negou repetidamente qualquer envolvimento em campanhas de influência, assim como fez em 2018, quando o Reino Unido acusou o Estado russo de uma série de envenenamentos com novichok na cidade de Salisbury. Naquela época, os políticos e a mídia russa promoveram uma complexa rede de teorias da conspiração que espelhavam de volta as acusações sobre os serviços de segurança do Reino Unido e dos EUA.

Desta vez, vimos novamente esta tentativa de “virar o jogo”, invertendo a situação, por parte das autoridades da Rússia. O embaixador de Moscou em Washington, Anatoly Antonov, rejeitou as alegações dos EUA como um produto da “russofobia” — o mesmo termo usado pela embaixada russa após os envenenamentos de Salisbury.

E a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, repetiu seu argumento favorito dos últimos anos, acusando os EUA de se tornarem uma “ditadura neoliberal totalitária”. Isso pode parecer risível vindo da representante de um Estado que criminalizou as críticas à sua invasão da Ucrânia. No entanto, mentiras descaradas e desmentidos bem-humorados costumam andar juntos nas operações de informação da Rússia.

5. Humor

O Estado russo usa rotineiramente o humor estrategicamente, e a RT surgiu como uma espécie de pioneira no uso do humor para legitimar as ações da Rússia ou neutralizar críticas.

Mas a rede não usa apenas o humor para informar sobre política internacional. Sua abordagem de marca registrada é incluir-se conscientemente como parte da piada. Várias campanhas publicitárias da RT usaram críticas estrangeiras como argumento.

O mesmo espírito ficou claro na resposta sarcástica de Simonyan às últimas acusações. Em comentários postados no Telegram e reproduzidos espirituosamente pela RT, a editora-chefe rejeitou as acusações como alarmismo dos EUA “sobre a todo-poderosa RT”. Suas palavras são um exemplo perfeito de como a RT se deleita com seu status de “pária populista”.

A Rússia continua a refinar a maneira como tenta influenciar pautas além de suas fronteiras, e não há nenhum indício de que isto vai parar tão cedo.

*Precious Chatterje-Doody é professora de política e estudos internacionais na The Open University, no Reino Unido.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).

TER O SEU PRÓPRIO NEGÓCIO É UM SONHO COMPARTILHADO PELA MAIORIA DOS BRASILEIROS

 

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Empreendedorismo

O que é empreendedorismo?

Empreendedorismo: por necessidade e oportunidade

Perfil empreendedor

Como desenvolver atitudes empreendedoras

Primeiros passos para empreender

Empreenda com criatividade

Erros mais comuns dos empreendedores

Como construir empreendimentos de sucesso

Avanço do empreendedorismo feminino

Acesso à educação empreendedora

Empreendedorismo social

Como o Sebrae pode ajudar a empreender

Ter seu próprio negócio é um sonho compartilhado pela maioria dos brasileiros. Porém, uma boa ideia de produto ou serviço nem sempre são suficientes para criar um negócio de sucesso, principalmente quando você não tem experiência no mundo dos negócios.

Mas, independentemente do quanto você esteja preparado para empreender, o mais importante é se dispor a sair de casa e ir à luta. Os empreendedores são aqueles que podem encontrar soluções inovadoras para diversos problemas atuais e, em cada solução, surge uma oportunidade de negócio. Essa é a importância do empreendedorismo para a sociedade.

Os passos da vida empreendedora começam pequenos. É como aprender a andar de bicicleta. Você não deixa alguém que nunca montou sobre uma bicicleta descer do alto de uma ladeira em alta velocidade. Tudo começa devagar, em um local seguro e usando “rodinhas”.

Assim como passear de bicicleta, empreender é uma atitude que pode ser desenvolvida, aprendida e praticada com o tempo. E para ajudar a esclarecer dúvidas sobre o universo empreendedor, selecionamos para você informações que podem ser úteis em seu início de jornada.

O que é empreendedorismo?

O termo empreendedorismo é relativamente recente e significa transformar ideias em algo capaz de solucionar problemas e melhorar a vida de pessoas. Mais do que isso, empreendedorismo é um modo de pensar, uma atitude que pode ser adquirida com muita dedicação e comprometimento.

O economista austríaco Joseph Schumpeter (1883-1950) associava a inovação com a capacidade de empreender. Schumpeter dizia que o mais importante é melhorar as coisas que existem e não só inventar algo totalmente novo. As mudanças e as melhorias, sejam de produtos ou de processos, devem ser constantes.

A partir dos conceitos de Schumpeter, várias definições surgiram sobre o termo. Na última década, empreender passou a ser um verbo conjugado por milhões de brasileiros dotados de atitude, criatividade e visão inovadora.

No entanto, para ser um empreendedor não é preciso abrir uma empresa. Você pode montar um negócio, mas também pode ajudar a melhorar a empresa onde trabalha, o seu bairro, sua escola ou sua cidade. Um traço comum dos empreendedores de sucesso é a capacidade de não se conformarem com o estado atual das coisas e nunca houve um momento tão especial para empreender.

O mundo está em constante transformação e enfrenta grandes desafios. São os empreendedores que encontrarão soluções para esses problemas. Iniciativas hoje bem-sucedidas começaram com pessoas apaixonadas, que transformaram ideias em produtos ou serviços. Que tal fazer parte deste seleto grupo de pessoas que fazem a diferença para a sociedade?

Empreendedorismo por necessidade e oportunidade

A vocação empreendedora do brasileiro é incontestável. De acordo com dados da pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) um dos mais importantes estudos sobre o empreendedorismo no mundo, estima-se que 53,4 milhões brasileiros entre 18 e 64 anos já tinham um negócio (formal ou informal) e/ou que fizeram alguma ação, em 2019, com a pretensão ter um negócio no futuro.

A ideia de ter o seu próprio negócio é uma opção para muitos brasileiros e ao mesmo tempo um enorme desafio. De acordo com o estudo, um dos aspectos fundamentais para a compreensão do empreendedorismo está relacionado com as motivações que levam as pessoas a buscar essa atividade como alternativa para sobrevivência ou realização pessoal. Assim, o GEM classifica essa inspiração em duas categorias:

Empreendedorismo por oportunidade

Ocorre quando uma pessoa inicia um negócio principalmente pelo fato de ter identificado uma oportunidade de negócio viável a ser concretizada no ambiente em que atua. Exemplo: Se você se identifica com algum trabalho, deseja complementar a renda ou percebe que é o momento de ter o negócio que sempre sonhou, mesmo tendo outras alternativas de emprego e renda.

Empreendedorismo por necessidade

Acontece quando a decisão de abrir um negócio foi efetivada pela falta de outras possibilidades para geração de renda e de ocupação. Exemplo: se você está desempregado, não consegue uma recolocação no mercado e então abre uma empresa por não ter melhores opções.

Perfil empreendedor

Não há um tipo de empreendedor melhor que o outro. Mas o que faz com que empreendedores sejam empreendedores? Algum tipo de traço de personalidade, predisposição genética, uma condição psíquica ou simplesmente aproveitar oportunidades? Será que é possível aprender empreendedorismo?

Antes de tudo, uma pessoa empreendedora é alguém disposto a correr riscos para viabilizar um objetivo. É também um inconformado com a inexistência de um produto ou serviço, de um método eficiente de produzi-los ou de uma forma de melhorar a qualidade, a quantidade disponível ou o preço de venda.

Mais do que tudo são pessoas determinadas, visionárias, movidas pela vontade de fazer o bem e muito criativas para empreender. Por outro lado, são também capazes de romper práticas econômicas e criar novos paradigmas de competitividade e sustentabilidade. Neste contexto, destacamos sete características empreendedoras:

1) Persistência:

Qualidade que nos mantém motivados, mesmo quando somos pegos de surpresa. É persistência que faz com que aprendamos o que funciona e o que não funciona, e nos permite melhorar.

2) Resiliência:

É a capacidade de as pessoas voltarem ao seu estado normal após situações incomuns, o que torna os empreendedoras mais confiantes na resolução de problemas.

3) Mente aberta e criatividade:

Habilidade de expandir conhecimentos e deixar-se surpreender, aproveitando os livros, revistas, blogs e também a experiência de pessoas de diferentes mercados e áreas.

4) Mentoria:

É a competência de receber conselhos e aprender com quem tem mais experiência, para tomar decisões com mais segurança. Nada melhor que um mentor que esteve onde você está e chegou onde você ainda quer chegar.

5) Rede de contatos:

Ser comunicativo vai ajudá-lo a encontrar parceiros, divulgar seus projetos e muito mais. Pessoas com capacidade de tirar sua ideia do papel podem estar ao seu lado. Faça networking! Essa é uma excelente ferramenta para as carreiras de empreendedores e pode ser muito eficaz para desenvolver oportunidades e contatos de negócios.

6) Autoconfiança:

Buque sempre identificar seus pontos fortes. Explore e invista naquilo em que é bom. Muitos dizem que não empreendem porque falta de dinheiro, clientes, contatos ou até mesmo experiência. Lembre-se de conseguir o que falta a partir do que você já tem.

7) Equilíbrio:

Não há hora certa para empreender. Você pode fazer isso enquanto tem outra fonte de renda, testando e validando novas ideias no seu tempo livre. O mais importante é gostar de resolver problemas e melhorar a vida das pessoas.

Descobrir-se empreendedor e desenvolver atitudes é, talvez, o passo mais importante. Sua jornada será mais fácil entendendo que empreendedores de sucesso se formam ao longo do caminho. Cada desafio é uma oportunidade para aprender.

Como desenvolver atitudes empreendedoras?

As atitudes empreendedoras se misturam umas com as outras, e, dependendo da situação, alguma ou algumas assumem maior ou menor importância. Adotar atitudes como as sugeridas aqui faz parte de uma decisão mais ampla: tornar seu empreendimento mais sólido e competitivo e não ficar esperando que o sucesso caia do céu. O objetivo é sempre tornar seu negócio mais lucrativo e sua vida melhor em todos os sentidos. Conheça seis dessas atitudes que podem fazem toda a diferença:

  • Estabelecimento de metas: o que quero alcançar? Quando? Como (estratégia)?
  • Planejamento: organize os detalhes do projeto. Saiba o que pode ser prevenido. Revise os planos a partir dos resultados que pretende obter.
  • Exigência de qualidade e eficiência: faça as coisas sempre melhor, mais rápido e mais barato.
  • Persuasão e rede de contatos: desenvolva e mantenha as relações comerciais.
  • Busca de informações: busque sempre mais conhecimento sobre seu negócio e informações do mercado: clientes, fornecedores e concorrentes.
  • Correr riscos calculados: reduza os riscos do seu negócio e/ou controle seus resultados.

Primeiros passos para empreender

Todo o empreendedor, ao abrir o seu próprio negócio, deseja obter retorno do investimento em curto prazo, mas é necessário trabalho árduo e paciência para tornar o empreendimento viável e bem-sucedido. Muitas vezes é necessário deixar a emoção de lado e investir em um processo realista e racional de avaliação, na busca de informações estruturadas para realizar o investimento.

Confira sete importantes dicas para a criação de um novo empreendimento:
Meio termo entre emoção X razão

A imagem de uma empresa bem-sucedida é bastante sedutora para os novos empreendedores, porém, é necessário ponderação. Busque análises estruturadas que facilitem e orientem a tomada de suas decisões.

Tenha conhecimento no ramo de atividade
Pesquise o local de instalação
Conheça a legislação
Conheça o mercado
Cuide das finanças
Identifique-se com o seu perfil empreendedor

Empreenda com criatividade

Determinação, foco e organização são características importantes para qualquer empreendedor. No mundo em plena transformação entre o digital e o físico, elas se tornam ainda mais necessárias. Portanto, é imprescindível que seu cérebro esteja cada vez mais ativo para ter ideias novas e melhores. Selecionamos algumas dicas que poderão ajudá-lo neste processo criativo:

  • Relaxe: para ter ideias é preciso estar em um estado de espírito tranquilo. Faça atividades que estimulem o seu relaxamento: meditar, dançar, cozinhar.
  • Seja curioso: aprenda outras coisas além da sua área principal de interesse, não tenha medo de saber mais. Conhecimento não ocupa espaço.
  • Mexa-se: faça uma caminhada. Ative sua coordenação motora e oxigene o cérebro. Permita-se ter uma boa noite de sono e momentos de diversão.
  • Redecore sua mesa, desktop ou o espaço de trabalho: mude a posição de mesas, cadeiras e livros, coloque objetos interessantes ao alcance da mão, provoque seu subconsciente.
  • Tome notas: boas “sacadas” tendem a desaparecer quando tentamos memorizá-las. Anote sem compromisso: desenhos ou mesmo palavras soltas. Gravar lembretes no celular podem ser uma opção quando o caderno não está ao seu alcance.
  • Desapegue: doe parte das suas coisas, empreste, troque. Faça o mesmo com suas ideias. Nunca tenha medo de que alguém as “roubem”. Quando ideias se encontram, elas se multiplicam.
  • Observe o mundo à sua volta: não precisa ir muito longe! Oportunidades estão em todos os lugares. Preste atenção no que está perto de você e que outras pessoas não enxergam.
  • Estude bastante: a inspiração não surge do nada. Pessoas criativas conhecem a fundo os temas sobre quais opinam. Busque sempre está bem informado ou/e se capacitar em qualquer que seja a área.
  • Tire um tempo para si: reserve de 15 minutos a meia hora, pelo menos três vezes por semana, para escrever, desenhar, tocar algum instrumento, tirar um cochilo ou até mesmo para não fazer nada.
https://youtube.com/watch?v=JZSoUzMgteU%3Ffeature%3Doembed

Erros mais comuns dos empreendedores

A falta de planejamento tem sido a grande causa de fracasso no mundo dos negócios. Por isso é importante que o empresário defina com clareza metas e objetivos de forma clara para escolher o caminho que deseja seguir e não perder o foco da missão do negócio. Em outras palavras, antes de abrir uma empresa é necessário fazer um plano de negócio e verificar sua viabilidade econômica, financeira e de mercado.

Na prática, isso significa conhecer os custos para abrir o negócio, identificar qual cliente deseja atender, quem serão os seus concorrentes, a localização do seu ponto de venda, dentre outras coisas. Lembrando sempre que o planejamento é contínuo e fundamental para o sucesso da empresa.

Segundo levantamento do Sebrae, as principais dificuldades enfrentadas pelos empresários nos primeiros anos de mercado são a falta de clientes, capital, conhecimento e mão de obra. Para superar esses desafios, o empreendedor deve ficar atento e não misturar as despesas pessoais com as da empresa, estar aberto a críticas, fazer análises de viabilidade do seu negócio, buscar capacitações, não se acomodar e não centralizar.


Conheça os dez maiores erros cometidos pelos empreendedores:
  1. Não planejar.
  2. Não pesquisar sobre o mercado.
  3. Não formalizar a empresa.
  4. Não se identificar com a atividade escolhida e não entender o modelo de negócio que deseja abrir.
  5. Abrir um negócio “porque está dando dinheiro” (os famosos negócios da moda).
  6. Não definir corretamente seu público-alvo, achar que pode vender para todo mundo.
  7. Não divulgar.
  8. Não ter presença digital e canais de contato pela Internet.
  9. Não se preparar para administrar o negócio.
  10. Não se preocupar com a experiência e sucesso de seus clientes.

Como construir empreendimentos de sucesso

sucesso de um empreendimento vem de vários fatores, que integrados e bem gerenciados podem contribuir para a continuidade e crescimento de uma empresa. Selecionamos algumas orientações que podem contribuir para a sua jornada empreendedora.

Porte do empreendimento

No universo de micro e pequenas empresas, o porte ou tamanho do negócio determina suas chances de sucesso. O empresário precisa perceber qual a hora certa de ampliar a empresa para aumentar seu faturamento, realizar empréstimos, desenvolver novos produtos, construir instalações, contratar novos funcionários, buscar novos fornecedores e ter uma atitude mais agressiva no mercado. É importante manter um equilíbrio nos investimentos durante os três primeiros anos de atividade, quando muitas empresas encerram suas atividades devido à essa perda de controle, ou seja, “por darem passos maiores que as pernas”.

Dedicação exclusiva ao negócio
Gestão do empreendimento
Inovação para competir
Capacitação das equipes
Atendimento personalizado
Cooperação empresarial

Avanço do empreendedorismo feminino

As mulheres têm empreendido tanto quanto os homens. De acordo com a pesquisa GEM, metade dos brasileiros que estão tentando criar um negócio ou já são proprietários e administram um empreendimento com até 3,5 anos de mercado são mulheres.

No entanto, nem sempre foi assim. Algumas décadas atrás, mais precisamente aos anos de 1950, as mulheres só tinham acesso a subempregos, sem direito a uma carreira profissional. Apesar de muitas conquistas alcançadas desde então, a sociedade em geral ainda considera a mulher a principal responsável pela criação dos filhos, pelos cuidados familiares e serviços domésticos. E sofremos as consequências disso até hoje.

É importante que todos nós, homens e mulheres, saibamos que a equidade de gêneros não é apenas uma questão de feminismo, mas uma questão socioeconômica.

empreendedorismo feminino é muito mais do que ter mulheres à frente de um negócio ou exemplos de empreendedoras. Ele promove a autonomia da mulher, contribui para o rompimento de barreiras sociais e é uma forma de garantir o sustento e a satisfação pessoal e de fazer a economia girar.

Estímulo às mulheres empreendedoras

Para incentivar cada vez mais o empreendedorismo feminino, foi criado o Sebrae Delas – Mulher de Negócios. O projeto do Sebrae Minas incentiva, apoia e orienta mulheres que transformam sonhos em oportunidades de novos negócios. Criado em 2018, a iniciativa já capacitou empreendedoras de norte a sul de Minas Gerais em palestras, encontros, workshops e eventos empresariais.

Quer saber mais? Então acesse o Instagram do Sebrae Delas e fique por dentro de informações, novidades e eventos do projeto e de outras redes de mulheres empreendedoras.

Acesso à educação empreendedora

Para inspirar as pessoas ligadas à área da educação e a comunidade em geral a enxergarem novas competências e habilidades de empreender nos negócios e na da vida, o Sebrae Minas e o Sebrae Nacional criaram o Centro Sebrae de Referência em Educação Empreendedora (CER). Por meio da plataforma online é possível ter acesso a informações atualizadas sobre educação empreendedora, biblioteca com indicação de literatura de referência no tema, estudos e pesquisas mais recentes sobre tendências e melhores práticas na área.

Por lá, são divulgados conteúdos desenvolvidos pelo Sebrae Minas em parceria com instituições de ensino e organizações do setor. Com o compromisso de aliar teoria e prática, o CER funciona também como um suporte às atividades já desenvolvidas pelo Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sistema Sebrae com alunos dos ensinos fundamental, médio e superior e na educação profissional.

Acesse a Plataforma do CER e conheça mais sobre educação empreendedora.

Empreendedorismo social

Causar impacto positivo e ampliar a perspectiva das sociedades de forma sustentável é o sonho de negócio de muita gente. Alie toda essa vontade à  possibilidade de gerar renda e transformar a realidade de várias pessoas. Pronto! Temos aí uma receita perfeita de empreendedorismo social.

O que são negócios sociais?

Ao pé da letra, os negócios sociais são empresas que nascem com o objetivo de resolver um problema social ou ambiental de uma coletividade, sem perder de vista os desafios e possibilidades diversas do mercado.

Que fique claro que negócio social não é caridade nem filantropia. Pelo contrário, esse modelo de negócio é autossustentável no longo-prazo, ou seja, consegue gerar a própria receita com a venda de produtos ou serviços. Isto é feito para cobrir todos os custos, sem depender de doações.

São modelos híbridos de negócios, que geram lucro e comprometimento para minimizar problemas socioambientais, rompendo assim com as tradicionais fronteiras entre setor social e privado, entre os negócios e os impactos sociais.

Vale lembrar que esses empreendimentos partem de um setor da economia pouco conhecido, chamado de Setor 2.5 (Setor Dois e Meio), um segmento que mescla propostas do segundo e do terceiro setores, ou seja, um mesmo modelo de negócio que une a gestão empresarial com as preocupações e cuidados no âmbito socioambiental.

Principais características
  • Tem a missão de minimizar problemas sociais e ambientais.
  • Relaciona sua estratégia com a realidade local em que está inserido.
  • É economicamente viável e autossustentável.
  • Está envolvido na produção ou comercialização de produtos e na prestação de serviços que geram valor para as comunidades de baixa renda.
  • Gera lucro.
  • Emprega e remunera funcionários.
  • Paga imposto.
  • Tende a ser um modelo de negócio inovador.
  • Promove o desenvolvimento das pessoas envolvidas na sua operação.
Oportunidades para empreender

Conheça algumas áreas que podem adequar suas vocações e se tornar boas oportunidades para quem pretende investir em um negócio social:

Água e saneamento básico:

desenvolve e comercializa tecnologia inovadora e de baixo custo para o reaproveitamento e reutilização de água, em comunidade afetada pela estiagem.

Agricultura:
Artesanato:
Canais de distribuição:
Cultura:
Educação:
Energia:
Habitação:
Meio ambiente:
Tecnologia de informação e comunicação:
Turismo:
Saúde:
Serviços financeiros:

Fonte: Cartilha Negócios sociais: uma maneira inovadora de empreender e promover o bem

Oportunidades para empreender

Para quem busca ajuda para ser um empreendedor social, existem no mercado aceleradoras e fundos especializados que promovem e apoiam o desenvolvimento desse tipo de negócio.

São organizações que oferecem capacitações e orientações para a criação de modelos de negócios sustentáveis com potencial para a geração de impacto social. O apoio se dá por meio de capital semente, capital de risco e empréstimos. Conheça algumas dessas instituições:

  • Artemisia – Potencializa e capacita talentos e empreendedores brasileiros para a geração de negócios de alto impacto social por meio de iniciativas nas áreas de educação, disseminação
    de conhecimento e aceleração de negócios sociais
  • Vox Capital – investe em startups com o objetivo de melhorar o acesso a serviços básicos, como educação, saúde e serviços financeiros, além de contribuir para a redução de desigualdades sociais.
  • Yunus Negócios Sociais Brasil – Rede global de negócios sociais no meio acadêmico, promove capacitações e oferece serviços de consultoria para empresas, governos, fundações e ONGs.
  • Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) – Reúne empresários e investidores em torno de inovações sociais. Fomenta o tema em incubadoras e aceleradoras.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

JABUTI DESNECESSÁRIO NA CONTA DE LUZ

 

História de NICOLA PAMPLONA – Folha de S. Paulo

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Entidades que representam consumidores e geradores de energia lançaram nesta segunda-feira (9) um manifesto contra a aprovação de novos subsídios à energia solar, inseridos pelo Senado no projeto de lei dos combustíveis do futuro a custo estimado em R$ 24 bilhões.

“É uma indecência”, diz o presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, Luiz Eduardo Barata. “O discurso é sempre no sentido de que vamos reduzir a conta de luz, mas as ações estão sempre na contramão.”

A emenda foi inserida na quarta (4) em projeto de lei que trata de incentivos a combustíveis renováveis, como os derivados de biomassa e do hidrogênio. Por não ter relação com o assunto do PL, fica conhecida como mais um jabuti em benefício ao setor.

Ela estende de 12 para 30 meses o prazo de construção de projetos aptos ao subsídio, um dos que mais impactam a conta de luz dos brasileiros, que em 2023 foi inflada por R$ 40,3 bilhões em diversas formas de subsídios.

O manifesto divulgado nesta segunda é assinado não só por representantes de grandes consumidores, mas também por entidades formadas por geradores hidrelétricos e de empresas de energia eólica, que recentemente foram beneficiados por extensão de subsídios por medida provisória.

Também assinam representantes de distribuidoras e comercializadoras de eletricidade. “Precisamos reduzir o custo da energia no Brasil”, diz o texto. “Este é um consenso entre todos os especialistas do setor, economistas, mercado e toda a sociedade.”

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) estima que a aprovação da emenda custará R$ 24 bilhões ao consumidor, cerca de R$ 1 bilhão por ano de vigência dos subsídios. Foi inserida de última hora no texto do PL pelo senador Irajá (PSD-TO).

Ela beneficia empresas que investem em fazendas solares para venda da energia principalmente a grandes consumidores. Segundo dados da Aneel, apenas metade dos 31,9 MW instalados para geração solar distribuída no país são voltados ao consumo residencial.

A outra metade é voltada para abastecer clientes comerciais, industriais e rurais, com algum resíduo para serviços públicos, como a iluminação das ruas. Entre os grandes clientes, estão bancos, redes varejistas e o agronegócio.

Essa foi a primeira vez que o lobby do setor conseguiu emplacar um jabuti no Senado, mas já ocorreram outras tentativas na Câmara de prorrogação desse benefício.

Na justificativa para a emenda, o senador Irajá diz que a proposta não “busca ampliar o direito, alcançando novas pessoas, mas garantir tempo hábil àqueles que já tinham direito ao benefício”, que já era previsto em lei. “Independentemente da fonte, são necessários projetos, investimentos e contratações de executores de serviços, o que, no mais das vezes, demanda tempo e frequentes ajustes”, escreveu. “É mais do que justo que o prazo razoável e racional de 30 (trinta) meses para as demais modalidades de minigeração seja estendido para a energia solar.”

Barata diz esperar que a Câmara derrube a mudança com apoio da base governista. Mas o próprio governo editou recentemente MP (medida provisória) estendendo prazo de subsídios para projetos de energias renováveis conseguirem desconto no uso da rede de transmissão.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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