quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

GOVERNO ADOTA MEDIDAS FRACASSADAS DO PASSADO E IGNORA O DECLÍNIO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA

Plano anunciado pelo governo Lula reedita medidas fracassadas do passado recente e ignora o fato de que o declínio da indústria brasileira antecede em décadas a pandemia de covid-19

Por Notas & Informações

O governo finalmente lançou seu plano para reindustrializar o País. De novo mesmo, apenas o nome. A Nova Indústria Brasil (NIB), elaborada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), reedita várias das medidas testadas e reprovadas num passado recente, e o esforço do governo para negar as semelhanças não convenceu quase ninguém.

O plano pretende resgatar o papel do Estado como indutor do desenvolvimento. Desde a pandemia de covid-19 e a consequente desestruturação das cadeias produtivas, vários países desenvolvidos têm apostado suas fichas em políticas industriais que promovam um crescimento mais inclusivo e sustentável e que diminuam a dependência dos produtos chineses, entre os quais Estados Unidos e Europa.

O Brasil parecia estar disposto a seguir esse caminho. Foi o que Lula da Silva e Geraldo Alckmin deram a entender no artigo Neoindustrialização para o Brasil que queremos, publicado por este jornal em 25 de maio do ano passado. No texto, destacaram a importância de investimentos em tecnologia e sofisticação produtiva, a necessidade de reduzir o custo Brasil, as oportunidades geradas pela transição energética e a urgência de formação de capital humano.

Não há motivos para se opor a essas ideias. Houve, de fato, pouquíssimo investimento em inovação e maquinário, os juros continuam muito elevados para financiar a produção, algumas empresas usam a agenda verde apenas para alavancar sua imagem (o chamado greenwashing) e falta mão de obra qualificada. Muitos segmentos da indústria sobrevivem à base de benefícios fiscais e nem assim conseguem exportar seus produtos a preços competitivos.

Propor soluções para enfrentar problemas é tarefa de qualquer governo responsável e cioso de suas obrigações. Mas, como Lula e Alckmin mencionaram no artigo, “fazer política industrial não é questão de ‘sim ou não’, mas de ‘como’”. E há razões de sobra para demonstrar muito ceticismo com a forma como o plano de reindustrialização do governo será posto em prática.

A principal ideia do programa reside no resgate do papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como protagonista da NIB no apoio às empresas. Serão R$ 300 bilhões até 2026, dos quais R$ 271 bilhões em empréstimos, R$ 21 bilhões não reembolsáveis e R$ 8 bilhões na aquisição de ações das empresas. Parte dos recursos será captada por Letras de Crédito de Desenvolvimento (LCD) a serem lançadas pela própria instituição.

Não há como não lembrar do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), lançado em resposta à crise financeira global de 2008. À época, coube ao Tesouro emitir dívida para aportar mais de R$ 400 bilhões ao BNDES, recursos que foram emprestados em operações a taxas inferiores às de mercado a empresas escolhidas para serem “campeãs nacionais”. O BNDES, inclusive, tornou-se sócio de muitas delas. Em termos de crescimento econômico, os resultados do PSI foram pífios – quando não trágicos, como no caso dos setores de petróleo e da indústria naval, aos quais se impôs a exigência de conteúdo local.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, garante que dessa vez tudo será diferente. Em nenhum momento, no entanto, ele explicou como os custos e benefícios da nova política industrial serão acompanhados, avaliados e, sobretudo, revistos caso seus objetivos não venham a ser alcançados. De forma simplista, ele citou as políticas industriais adotadas por China, Estados Unidos e Europa no pós-pandemia, sem ponderar que o declínio da indústria brasileira antecede em décadas a chegada do novo coronavírus.

Uma política industrial séria deveria começar por um diagnóstico sobre as razões pelas quais isso ocorreu. Se a resposta são os juros altos, como parece ser o caso, não é por meio de medidas parafiscais que o problema será resolvido – pelo contrário. O desequilíbrio fiscal é a causa, não a consequência dos juros elevados, e a recusa do governo em compreender essa diferença não permite qualquer otimismo sobre os resultados dessa política.

 

GREVE GERAL NA ARGENTINA CONTRA DECRETOS DE MILEI

Os sindicatos argentinos rejeitam o chamado “decretaço” de Milei que muda diversas legislações trabalhistas e convocam a primeira greve geral argentina em cinco anos

Por Daniel Gateno – Jornal Estadão

Centrais sindicais argentinas devem realizar o protesto mais forte contra o governo de Javier Milei desde a sua posse na quarta-feira, 24, data marcada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical da Argentinapara a primeira greve geral no país desde que Milei assumiu a presidência. As manifestações foram convocadas no dia 28 de dezembro como uma reação a medidas anunciadas pelo libertário que alteram diversas normas relacionadas a economia argentina e regulações trabalhistas.

Em dezembro, Milei anunciou um DNU (Decreto de Necessidade de Urgência), que ficou conhecido na Argentina como “decretaço” que altera 350 normas em diferentes áreas para mudar diversos setores da economia argentina. O texto, que teve a sua legalidade questionada por juristas, foi enviado ao Congresso argentino na primeira semana de governo.

Os sindicatos argentinos rejeitam o chamado “decretaço” de Milei, especialmente em relação à reforma trabalhista. No dia 3 de janeiro, a reforma trabalhista foi revogada pela Justiça da Argentina. A suspensão temporária foi decidida na Câmara Nacional de Apelações do Trabalho, representando o primeiro revés no controverso plano de reforma econômica proposto pelo libertário. Em fevereiro, a Suprema Corte da Argentina deve avaliar a constitucionalidade da reforma trabalhista do presidente argentino.

De acordo com Facundo Galván, cientista político da Universidade Católica Argentina (UCA), a greve geral tem um caráter simbólico porque a CGT é vinculada ao peronismo e tem posições completamente opostas ao projeto defendido por Milei. “As organizações sindicais que levaram a parte da reforma trabalhista para a Justiça, são contra tudo que o ‘decretaço’ de Milei e a chamada Lei Ônibus representam”.

O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa no evento de sua posse, em Buenos Aires, Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa no evento de sua posse, em Buenos Aires, Argentina  Foto: Gustavo Garello/ AP

Saiba mais sobre a greve geral que vai acontecer na Argentina:

Greve geral

As centrais sindicais argentinas são contra diversas alterações que Milei propõe no texto legislativo que incluem a eliminação de multas aos empregadores por falta de registro laboral, a desregulamentação do financiamento para serviços sociais dos sindicatos e também restrições a greves em diversos setores como saúde e educação.

No pacote trabalhista, Milei libera os sindicalizados a contratarem planos de saúde privados e não apenas através dos serviços sociais dos sindicatos, o que afeta o caixa das centrais sindicais.

“A convocação das manifestações está relacionada ao decreto do presidente Milei sobre uma maior regulação do sistema de serviços sociais dos sindicatos, uma mudança importante”, aponta Ignacio Labaqui, também professor da Universidade Católica Argentina e analista da Medley Global Advisors. Labaqui destaca que a greve geral anunciada pelo sindicato irá ocorrer com menos de 2 meses de gestão do libertário e que nunca uma manifestação deste tamanho ocorreu em tão pouco tempo de um governo no período democrático na Argentina. Nenhuma manifestação deste tipo foi convocada durante o governo de Alberto Fernández, antecessor do libertário.

Argentinos protestam contra as primeiras medidas do governo de Javier Milei, em Buenos Aires, Argentina
Argentinos protestam contra as primeiras medidas do governo de Javier Milei, em Buenos Aires, Argentina  Foto: Rodrigo Abd/ AP

Os sindicalistas também se opõem a Lei de Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos, que ficou conhecida no país como “Lei Ônibus”, um pacote amplo de reformas que o libertário quer aprovar que estão relacionadas a privatizações, mudanças econômicas e até contratuais. Lei Ônibus é um amplo conceito usado para descrever um projeto de lei que contém muitas reformas. Este formato legislativo é normalmente utilizado pelos novos governos no início do seu mandato.

A nova lei de Milei dá ao poder Executivo diversas faculdades legislativas e propõe a imposição de um estado de “emergência pública em questões econômicas, financeiras, fiscais, de seguridade social, segurança, defesa, tarifas, energia, saúde, administrativas e sociais até 31 de dezembro de 2025″, que pode ser prorrogado “pelo poder executivo nacional por um período máximo de dois anos.

Participação

A manifestação deve contar com o núcleo duro da CGT, que inclui lideranças do setor de saúde, serviços e caminhoneiros. Os líderes destas três associações devem discursar em uma mobilização que irá até o Congresso argentino, em Buenos Aires. A greve geral deve começar às 12h (horário de Brasília) de quarta-feira, até às 00h.

A Confederação Argentina de Trabalhadores do Transporte (CAAT), uma organização sindical que tem diversos núcleos do ramo como ferroviários, taxistas, trabalhadores das estradas, portos e o setor aeronáutico, também aderiu à greve geral, o que deve afetar o transporte terrestre e aéreo em todo o país. O sindicato dos metroviários também aderiu a manifestação. Apesar disso, o transporte público deve continuar funcionando, mas de forma reduzida, até as 19h de quarta-feira, para facilitar a vinda da população à manifestação. Das 19h às 00h, o transporte público irá aderir à greve geral.

Sindicatos estatais também aderiram à greve. O governo Milei prometeu descontar o dia de trabalho aos empregados do Estado que participassem dos protestos. Na província de Buenos Aires, o governador Axel Kicillof anunciou que a jornada de trabalho não seria descontada.

A coalizão União pela Pátria, grupo de oposição composto por setores do peronismo e do kirchnerismo, anunciou que aderiu às manifestações e exigiu que o Congresso “rechace as medidas do governo”. Esta é a primeira greve geral que a CGT organiza em cinco anos. A última manifestação deste tipo ocorreu em maio de 2019, durante a gestão do ex-presidente da Argentina Mauricio Macri.

O nível de participação da população na greve geral é incerto, principalmente devido a questionamentos sobre a relação próxima entre as centrais sindicais com o peronismo e o kirchnerismo, de acordo com Galván. “A CGT não organizou nenhuma greve geral durante o governo de Alberto Fernandez, o que gera uma confusão e mal-estar na população porque o governo anterior não tem uma boa imagem, a pobreza aumentou, inflação também e a forte quarentena durante a pandemia deixou milhares de pessoas desempregadas”.

Reação do governo

O governo argentino já declarou que não “entende” porque uma greve geral foi convocada após as primeiras medidas de Milei. O libertário iniciou uma campanha para desencorajar o comparecimento da população à greve geral e o ministro da Justiça da Argentina, Mariano Cúneo Libarona, apontou que pode iniciar ações judiciais contra os grevistas se “a greve tiver fundamentos ilegais”.

A ministra da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, apontou que o governo Milei criou uma linha para denúncias de trabalhadores que “se sintam ameaçados para que se somem a greve contra a sua vontade”. Uma linha semelhante foi aberta durante as manifestações contra o governo argentino em dezembro, mas os protestos não tiveram o número esperado. Milei havia ameaçado que quem participasse do protesto poderia perder auxílios sociais.

Labaqui não acredita em nenhuma mudança na reforma trabalhista proposta pelo presidente argentino por conta da greve geral. O analista político avalia que Milei usará a retórica de que os sindicalistas fazem parte da “casta” que ele está enfrentando. “Milei pode aproveitar a greve para reforçar seu discurso de que a greve foi convocada por ele ter cortado privilégios dos sindicatos, ele vai reforçar o seu discurso contra a ‘casta’”.

O presidente da Argentina, Javier Milei, acena ao lado da ministra da Segurança, Patrícia Bullrich, em Buenos Aires, Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, acena ao lado da ministra da Segurança, Patrícia Bullrich, em Buenos Aires, Argentina  Foto: Juan Mabromata/AFP

Lei ônibus

Segundo analistas consultados pelo Estadão, a greve geral não deve afetar as negociações de Milei para a aprovação da “Lei Ônibus”, principalmente porque a oposição kirchnerista que aderiu aos protestos não está participando das conversas com o libertário.

“Os partidos que irão participar da greve geral são totalmente opostos a Milei e as negociações não serão afetadas por isso. Os oposicionistas que estão negociando com Milei são legendas vinculadas ao Juntos pela Mudança”, aponta Galván, da UCA.

Após queixas de falta de negociação nas últimas semanas e pouca flexibilidade, o presidente argentino negociou uma série de pontos da Legislação e enviou um novo texto à Câmara dos Deputados na segunda-feira, 22.

O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça
O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça  Foto: Fabrice Coffrini/AFP

O libertário teve que negociar com os congressistas da chamada “oposição dialoguista”, que não fazem parte do kirchnerismo e topam conversar com Milei. Segundo o jornal argentino La Nación, o projeto passou de 664 artigos para 532, por conta de negociações com os partidos PRO, União Cívica Radical (UCR) e Coalizão Cívica ARI, mas as conversas ainda não terminaram. Entre as mudanças, está a retirada da petrolífera Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) do plano de privatizações. Também houve recuo em artigos relacionados à aposentadorias, exportações, reforma do Estado e sistema eleitoral.

Na Argentina, as leis precisam ser apresentadas primeiro a uma das casas legislativas, na Câmara dos Deputados ou no Senado. No caso da Lei Ônibus, o governo optou por apresentar o projeto na Câmara dos Deputados, que passa o texto para o plenário de comissões da Câmara. O plenário de comissões da Câmara dos Deputados precisa votar e dar um parecer positivo para que o projeto seja então debatido por todos os deputados e aprovado. Após esta votação, o Senado argentino também deve votar e aprovar para que a lei possa ser sancionada pelo presidente.

O plenário de comissões da Câmara dos Deputados deve votar o projeto de Milei nesta terça-feira, 23, e o presidente argentino está confiante de que vai conseguir a maioria para ter um parecer positivo e levar a Lei Ônibus para a votação geral de todos os deputados.

 

USUÁRIOS DEVEM FICAR ATENTOS A TÁTICAS CRIMINOSAS VERIFICADAS EM ALGUNS SITES FALSOS

 

Armindo Sgorlon, CEO da SGA, empresa do grupo FCamara

Usuários precisam ficar atentos a táticas criminosas e também podem verificar aspectos de segurança nos próprios sites das lojas

O Brasil ocupa atualmente a segunda posição no ranking de países mais vulneráveis a ataques cibernéticos do mundo, sofrendo 45,9 bilhões de ofensivas apenas no 1° semestre de 2022, de acordo com os dados de um relatório recente da empresa de cibersegurança, Trend Micro.

“Em períodos de grande acesso, o e-commerce se torna um alvo ainda mais atraente para ataques e tentativas de golpe, devido ao grande volume de transações. É fundamental, portanto, que as lojas estejam equipadas com boas soluções de cibersegurança e que os clientes saibam identificar sinais de fraude”, pontua Armindo Sgorlon, CEO da SGA, empresa do grupo FCamara, que atua na frente de Cloud, Cibersegurança e Data & Analytics.

O executivo indica três pontos de atenção para os consumidores na hora de fazer compras online. Confira:

1- Cuidado com o phishing

Phishing é o ato de enganar as pessoas para que compartilhem suas informações confidenciais, como senhas e número de cartões. Para “fisgar” a vítima, os golpistas normalmente se passam por funcionários de uma organização de confiança e enviam um e-mail ou SMS com um link. Caso a pessoa caia na armadilha e clique no link, ele direcionará para um website fake, onde os criminosos poderão obter dados de login e senha, por exemplo.

“Esse golpe pode acontecer de várias maneiras. Uma delas seria um e-mail ou mensagem de texto alegando que a pessoa ganhou um cupom de desconto e precisa preencher seus dados para utilizá-lo. Assim, induzem a pessoa a clicar no link. Por isso, é importante sempre desconfiar de links duvidosos, que surgem de forma aleatória em e-mails ou mensagens, desconfiar do nome do remetente e, claro, suspeitar também de promoções exorbitantes”, explica Armindo.

2 – Atenção aos pagamentos com PIX

Existem diversas formas de se aplicar um golpe por meio do Pix e em período com grande volume de vendas isso pode aumentar. Como é possível fazer pagamentos com um código ou com QR Code, golpistas enganam a vítima e manipulam esses dados, direcionando a transferência para outro recebedor e não para o e-commerce em si. É fundamental que o cliente, antes de concluir o pagamento, verifique o nome de quem receberá o dinheiro, para confirmar que se trata do destinatário correto.

3 – Verifique selos e certificados de segurança

Esse tipo de recurso é usado em lojas virtuais para proteger os dados dos usuários e proteger o próprio site contra fraudes. Por isso, ao entrar em uma loja online, verifique se há a imagem do cadeado ao lado da URL do site (o endereço eletrônico) e se há também selos de segurança no final da página, pois esses detalhes indicam que a conexão é segura.

Os lojistas, por sua vez, podem contar com o auxílio de empresas especializadas, que fazem toda a jornada da cibersegurança para os sites de e-commerce, como a FCamara. “Fazer compras online pode e deve ser uma experiência tranquila e positiva para o cliente, sem que ele precise se preocupar com a proteção de suas informações ou com possíveis golpes. Por isso, o alerta também fica para os lojistas, que precisam garantir a cibersegurança de ponta a ponta em seus negócios”, finaliza Sgorlon.

Eu e o ChatGPT sobre Mensuração de Audiência

User- Moysés Peruhype Carlech

Empresas fazem propaganda no Rádio, Jornais, Revistas e TV e não têm como medir a audiência para as suas divulgações e quando fazem propaganda na internet como no marketplace Valeon do Valeo do Aço querem saber a audiência e número de visitantes. Como definir isso?

ChatGPT

A mensuração da audiência e do desempenho de campanhas publicitárias na internet, como aquelas realizadas em Marketplaces como o Valeon, pode ser feita por meio de várias métricas e ferramentas analíticas. Aqui estão algumas estratégias que as empresas podem adotar para medir a eficácia de suas campanhas online:

Google Analytics e Outras Ferramentas de Análise de Site:

Integre o Google Analytics ou outras ferramentas de análise de site ao seu site ou página no marketplace.

Acompanhe métricas como número de visitantes, tempo médio de visita, páginas visualizadas e taxa de rejeição.

Códigos de Rastreamento:

Utilize códigos de rastreamento únicos em suas URLs de campanha. Isso permite identificar a fonte do tráfego e avaliar a eficácia de cada canal de marketing.

Metas e Conversões:

Defina metas específicas, como preenchimento de formulários, compras ou visualização de páginas-chave, e acompanhe as conversões.

Analise o funil de conversão para identificar pontos de atrito.

Anúncios Patrocinados e Redes Sociais:

Utilize plataformas de anúncios patrocinados, como Google Ads e redes sociais, e acompanhe métricas como impressões, cliques, taxas de cliques (CTR) e custo por clique (CPC).

Pixel de Rastreamento:

Implemente pixels de rastreamento nas páginas relevantes para coletar dados sobre a interação dos usuários.

Use pixels de redes sociais, como o Facebook Pixel, para rastrear atividades e criar audiências personalizadas.

Pesquisas e Feedback do Cliente:

Realize pesquisas online para obter feedback direto dos clientes sobre a eficácia das campanhas.

Analise comentários e avaliações nas redes sociais e em plataformas de avaliação.

Cupons e Ofertas Especiais:

Distribua cupons ou ofertas especiais exclusivas para os canais online e acompanhe sua taxa de resgate.

Acompanhamento do ROI (Retorno sobre Investimento):

Calcule o retorno sobre o investimento comparando os custos da campanha com os resultados alcançados, como vendas adicionais ou leads gerados.

Testes A/B:

Realize testes A/B para avaliar diferentes elementos da campanha, como cópias de anúncios, imagens ou chamadas para ação.

Ao integrar essas estratégias, as empresas podem obter uma visão abrangente do desempenho de suas campanhas online, entender a audiência-alvo e tomar decisões informadas para otimizar suas estratégias de marketing.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

O GOVERNO VOLTA A FAZER COISAS QUE NÃO DERAM CERTO NO PASSADO E ISSO ASSUSTA MUITO

 

História por ALEXA SALOMÃO  • Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O pesquisador Sérgio Lazzarini publicou dois livros destrinchando equívocos das relações entre Estado e empresas nos governos anteriores do PT: “Capitalismo de Laços” e “Reinventando o Capitalismo de Estado”.

Nesta segunda-feira (22), ele sentiu um certo “déjà vu” ao acompanhar o anúncio de que o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diz que vai incentivar R$ 300 bilhões na reindustrialização do Brasil, com apoio do BNDES.

“Estamos vendo coisas que já foram feitas e não deram certo, e assusta não considerarem a experiência do passado”, afirmou.

Pesquisador sênior da Cátedra Chafi Haddad de Administração do Insper e professor da Ivey Business School, da Western University, no Canadá, Lazzarini afirma que o governo perde a oportunidade de estabelecer critérios e governança para os investimentos públicos.

PERGUNTA – O governo anunciou nesta segunda um pacote de R$ 300 bilhões, até 2026, a maior parte em financiamentos, para reerguer a indústria. Qual a sua avaliação?

SÉRGIO LAZZARINI – Tem várias coisas complicadas nesse anúncio. Estamos vendo outra vez coisas que já foram feitas e não deram certo, e assusta não considerarem a experiência do passado.

A indústria brasileira é muito acostumada a ter linha de financiamento, mas estamos vendo mais um daqueles pacotes que, de novo, não tem métricas. Tem metas. Mas não está claro, outra vez, o que acontece se essas metas não foram atingidas.

La atrás, não bateram as metas de política industrial. Nós vimos isso principalmente no Lula 2 e no Dilma 1.

Parece que estamos perdendo a oportunidade de ter uma governança mais clara para o investimento público. Vamos lembrar que o ministério da Simone Tebet [Planejamento e Orçamento] tem uma área de monitoramento e avaliação, que está com o colega Sérgio Firpo [secretário de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas e Assuntos Econômicos e professor do Insper]. Onde entrou esse pessoal no bojo desse debate? Onde está o histórico de avaliação de créditos similares no passado?

P. – Também foram reservados R$ 8 bilhões para o BNDES voltar a ter participação acionária em empresas. O que lhe parece esse movimento?

SL – Precisam explicar melhor. Para que comprar ação de empresa outra vez? É grande empresa de novo?

Há vários estudos sobre esse tipo de aquisições, inclusive os meus, mostrando que grande empresa não precisa disso.

No caso do BNDES, tem outra coisa ocorrendo.

Ainda não explicaram todos os mecanismos de financiamento, mas já dá para ver que estão flexibilizando outra vez as formas de financiamento do BNDES. Vai poder emitir títulos e vai poder mudar a taxa de juros, mas com uma governança ainda frágil. Sinceramente, não sei como isso pode dar certo.

Então, o que parece é que ignoram a evidência do passado, não engatam a estrutura de monitoramento e avaliação que o próprio governo tem hoje e falta credibilidade para o cumprimento das metas.

P. – Também foi dito no anúncio que a transição energética precisa dos recursos do Estado. Isso é uma verdade?

SL – Na transição energética, alguém precisa pagar mais por um período, para gerar ganho de longo prazo. Os governos, de forma geral, estão apoiando a transição e muitos estão atrelando uma nova industrialização à economia verde.

Mas num país como o Brasil, com o histórico que tem, fazer algo assim sem metas claras, com flexibilização nos financiamentos e afrouxamento fiscal, é complicadíssimo.

GOVERNO TEMENDO DESACELERAÇÃO DO PIB ADOTA MEDIDAS PARA EVITAR

História por ADRIANA FERNANDES  • Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem manifestado a aliados preocupação com a perspectiva de desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

Auxiliares apresentaram a ele um exame minucioso de todas as medidas tomadas até agora com potencial de melhorar o resultado da economia brasileira em 2024, mas já começam a discutir se mais iniciativas serão necessárias.

Entre aliados, é considerada a possibilidade de as ações em curso não serem suficientes e, por isso, novas medidas precisarem ser colocadas em prática —inclusive com o uso de instrumentos parafiscais. Ou seja, aqueles que, embora sejam adotados pelo governo, não integram o Orçamento da União.

A se confirmar um cenário de atividade econômica mais fraca, as pressões sobre a política fiscal também podem se intensificar. Desde o ano passado, há alas do governo e do PT que pressionam por mudança na meta de déficit zero para as contas públicas.

O Brasil cresceu, no ano passado, em torno de 3%, mas o PIB está desacelerando. De acordo com as projeções dos economistas consultados na pesquisa Focus divulgada no dia 15 de janeiro pelo Banco Central, o crescimento do PIB deve recuar para 1,59%.

As discussões são feitas enquanto Lula se prepara neste ano para as primeiras eleições municipais após reassumir a presidência prevendo um debate ainda polarizado pelas discussões com o bolsonarismo.

A disputa também medirá a força eleitoral do PT dois anos antes da corrida pelo Palácio do Planalto, em 2026.

Apesar da preocupação, uma ala do governo defende que o desempenho do PIB pode ser maior do que preveem os economistas —repetindo o que vem ocorrendo desde 2021, com o crescimento efetivo ficando bem acima das projeções do mercado financeiro.

De acordo com pessoas do governo ouvidas pela Folha, a prioridade deve ser concentrar esforços para dar efetividade nas medidas já lançadas e acelerar a execução delas para garantir um resultado melhor dos investimentos, que estão em queda.

Integrantes do governo afirmam que não basta só aprovar, mas “botar de pé” todas essas medidas para que elas gerem efeito mais rápido.

O crescimento maior da economia tem sido uma cobrança constante de Lula à equipe e está no centro do debate sobre o tamanho do contingenciamento das despesas do Orçamento, para evitar que os investimentos do novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) sejam afetados por um bloqueio brutal no início deste ano.

Um acordo para o impasse em torno da MP (medida provisória) da reoneração da folha de pagamentos, que garanta a aprovação das medidas compensatórias pela renúncia fiscal, é considerado crucial para mitigar o risco de uma piora nas contas públicas.

Líderes do Congresso, no entanto, já avisaram que só aceitam a reoneração a partir de 2027 e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, segue na tentativa de buscar uma saída para não ter de incorporar o custo da desoneração no Orçamento.

Na lista de medidas mapeadas que podem ajudar o PIB a surpreender, de acordo com pessoas do governo envolvidas nessas discussões, está o efeito do pagamento, no final do ano passado, de R$ 93 bilhões de precatórios (dívidas do governo reconhecidas pela Justiça).

Boa parte desse dinheiro (R$ 49 bilhões) deve ser direcionada para o que os economistas costumam chamar de consumo “na veia” com efeito na atividade econômica também neste ano.

Os investimentos previstos da Petrobras e o programa de empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para novos investimentos em projetos estruturantes também estão no mapa do governo para elevar os investimentos neste ano.

A petroleira anunciou o seu plano estratégico de 2024 a 2038, com US$ 102 bilhões em investimentos, 31% acima ao que estava em andamento no governo Bolsonaro.

No caso do BNDES, a aposta é, sobretudo, para o segundo semestre, quando se espera que esteja já em vigor o projeto que cria a LCD (Letra de Crédito do Desenvolvimento) e permite diversificação das taxas de juros pagas pelo banco ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). A proposta foi enviada ao Congresso no final do dezembro passado.

O início da concessão de empréstimos pelo BNDES com recursos do Fundo Clima, captados pelo Tesouro Nacional na primeira emissão de títulos verdes, também está no rol de medidas mapeadas pelos técnicos.

O diagnóstico no governo é que será preciso acelerar a regulamentação de projetos já aprovados, como o Marco Legal de Garantias, a lei recém-avalizada pelo Congresso que cria as debêntures de infraestrutura (títulos a serem emitidos por concessionárias de serviços públicos) e o Plano de Transformação Ecológica.

Este último é considerado essencial para atrair o capital estrangeiro para novos investimentos.

O governo já anunciou que prepara três instrumentos financeiros, em parceria com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para reduzir a volatilidade do câmbio.

LISTA DE ESTÍMULOS MAPEADOS

– Efeito do pagamento de R$ 93 bilhões de precatórios

– Investimentos previstos pela Petrobras e o programa de empréstimos do BNDES para novos investimentos em projetos estruturantes

– Aposta no plano estratégico de 2024 a 2038 da petroleira, com US$ 102 bilhões em investimentos, e, no caso do BNDES, na LCD (Letra de Crédito do Desenvolvimento), no segundo semestre

– Início da concessão de empréstimos pelo BNDES com recursos do Fundo Clima

– Acelerar a regulamentação de projetos já aprovados, como o Marco Legal de Garantias e a lei recém-avalizada pelo Congresso que cria as debêntures de infraestrutura

 

DETALHAMENTO DO PROGRAMA NOVA INDÚSTRIA BRASIL DO GOVERNO

 

História por Agência Brasil  • Notícias ao Minuto

O programa também usa incentivos tributários e fundos especiais para estimular alguns setores da economia© Getty

Com o objetivo de impulsionar a indústria nacional até 2033, o programa Nova Indústria Brasil, lançado nesta segunda-feira (22) pelo governo, usa instrumentos tradicionais de políticas públicas, como subsídios, empréstimos com juros reduzidos e ampliação de investimentos federais. O programa também usa incentivos tributários e fundos especiais para estimular alguns setores da economia.

A nova política tem seis missões relacionadas à ampliação da autonomia, à transição ecológica e à modernização do parque industrial brasileiro. Entre os setores que receberão atenção, estão a agroindústria, a saúde, a infraestrutura urbana, a tecnologia da informação, a bioeconomia e a defesa.

A maior parte dos recursos, R$ 300 bilhões, virá de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Os financiamentos do BNDES relacionados à inovação e digitalização serão corrigidos pela Taxa Referencial (TR), que é mais baixa que a Taxa de Longo Prazo (TLP).

O mecanismo de compras governamentais provoca certa polêmica, por representar um entrave nas negociações para a adoção do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Os empresários europeus defendem condições de igualdade com as empresas brasileiras nas licitações para a compra de bens, a realização de obras e a contratação de serviços pelo governo brasileiro.

Nova Indústria Brasil

Missões para o período de 2024 a 2033:

1. Cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais

–    aumentar para 50% participação da agroindústria no PIB agropecuário;

–    alcançar 70% de mecanização na agricultura familiar;

–    fornecer pelo menos 95% de máquinas e equipamentos nacionais para agricultura familiar.

2. Forte complexo econômico e industrial da saúde:

–    atingir 70% das necessidades nacionais na produção de medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos, materiais e outros insumos e tecnologias em saúde.

3. Infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis:

–    diminuir em 20% o tempo de deslocamento de casa para trabalho;

–    aumentar em 25 pontos percentuais adensamento produtivo (diminuição da dependência de produtos importados) na cadeia de transporte público sustentável.

4. Transformação digital da indústria:

–    digitalizar 90% das indústrias brasileiras;

–    triplicar participação da produção nacional no segmento de novas tecnologias.

5. Bioeconomia, descarbonização, e transição e segurança energéticas:

–    cortar em 30% emissão de gás carbônico por valor adicionado do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria;

–    elevar em 50% participação dos biocombustíveis na matriz energética de transportes;

–    aumentar uso tecnológico e sustentável da biodiversidade pela indústria em 1% ao ano.

6. Tecnologias de interesse para a soberania e a defesa nacionais:

–    autonomia de 50% da produção de tecnologias críticas para a defesa.

Recursos para financiamentos:

R$ 300 bi até 2026

–    Crédito: R$ 271 bi

–    Não reembolsáveis: R$ 21 bi

–    Equity (investimentos na bolsa de valores): R$ 8 bi

Fonte dos recursos: BNDES, Finep e Embrapii

Desse total, R$ 77,5 bi (28%) aprovados em 2023

Eixos:

Indústria Mais Produtiva (R$ 182 bi)

–    Expansão da capacidade e modernização do parque industrial brasileiro;

–    Novo Brasil + Produtivo: financiamentos com Taxa TR (juros reduzidos) para digitalização e financiamentos não reembolsáveis para até 90 mil micro e pequenas empresas;

–    R$ 4 bi do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) com Taxa TR para expansão da banda larga e conectividade.

Indústria Mais Inovadora e Digital (R$ 66 bi)

–    Financiamentos do Programa Mais Inovação: Taxa TR para apoio à inovação e digitalização pelo BNDES e pela Finep;

–    Financiamentos não reembolsáveis definidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI);

–    Criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT);

–    Ampliação do uso de instrumentos de Mercado de Capitais (recursos levantados no mercado financeiro) para as seis missões industriais.

Indústria Mais Exportadora (R$ 40 bi)

–    Criação do BNDES Exim Bank: versão do BNDES voltada para apoio à exportação;

–    Linhas de financiamento do BNDES para pré e pós-embarque de bens e aeronaves;

–    Redução do spread (diferença entre os juros cobrados do tomador e as taxas de captação dos bancos) nas linhas de preembarque.

Indústria Mais Verde (R$ 12 bi)

–    Novo Fundo Clima: projetos de descarbonização da indústria com juros a partir de 6,15% a.a;

–    Instrumentos de Mercado de Capitais voltados para transição energética, descarbonização e bioeconomia;

–    Fundo de Minerais Críticos: fundo para alavancar recursos para a pesquisa e a extração de minerais usados em baterias de energia limpa.

Outras medidas

–    R$ 20 bi para a compra de máquinas nacionais para a agricultura familiar;

–    R$ 19,3 bi do Programa Mover, para estimular tecnologias menos poluentes na indústria automotiva e desenvolver novas formas de mobilidade e logística

–    R$ 3,4 bi do Programa de Depreciação Acelerada para a modernização de máquinas e equipamentos;

–    R$ 2,1 bi em isenção tributária para estimular produção de semicondutores e painéis fotovoltaicos;

–    R$ 1,5 bi em incentivos tributários à indústria química;

–    Antecipação do calendário de aumento de mistura do biodiesel ao diesel: 12% em abril de 2023, 14% em março de 2024 e 15% a partir de 2025;

–    Reservas para compras governamentais: indústrias nacionais terão vantagem em licitações;

–    Exigência de conteúdo nacional: percentuais mínimos de compra de produtos nacionais em obras do PAC, definidos por uma comissão do governo.

Instrumentos

1. empréstimos;

2. subvenções;

3. investimento público;

4. créditos tributários;

5. comércio exterior;

6. transferência de tecnologia;

7. propriedade intelectual;

8. infraestrutura da qualidade;

9. participação acionária;

10. regulação;

11. encomendas tecnológicas;

12. compras governamentais;

13. requisitos de conteúdo local;

Fonte: BNDES e MDIC

PESQUISA BRITÂNICA MOSTRA QUE 51% DOS BRITÂNICOS APOIAM A REVERSÃO DO BREXIT COMO ALERTA PARA AELMANHA NO DEXIT

 

História por dw.com  • DW Brasil

Líder da ultradireitista AfD diz que Alemanha poderá realizar referendo sobre saída do país da UE nos moldes do Reino Unido. Maioria dos britânicos, porém, apoiaria volta do país ao bloco europeu, segundo pesquisas.

Pesquisa revela que 51% dos britânicos apoiam a reversão do resultado do referendo de 2016 sobre o Brexit© picture-alliance/Zumapress

A colíder do partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, afirmou em entrevista ao jornal britânico Financial Times nesta segunda-feira (22/01) que o referendo que resultou no Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) – seria um “exemplo a ser seguido” na Alemanha.

A entrevista foi publicada após dias de protestos em massa em defesa da democracia e em repúdio ao extremismo de direita em várias cidades da Alemanha, com a AfD sendo o alvo principal dos manifestantes. No último fim de semana, mais de um milhão de pessoas participaram de cerca de 90 manifestações em diferentes pontos do país.

nova onda de manifestações veio em resposta a uma reunião secreta realizada por membros da AfD com neonazistas, onde foi discutido um plano para a deportação em massa de milhões de imigrantes e “cidadãos não assimilados”.

A denúncia, surgida em uma reportagem divulgada pelo grupo de jornalismo investigativo Correctiv, deu início a um debate sobre a possível proibição da AfD ou a excluisão da sigla do financiamento estatal.

“Dexit”

“[O referendo sobre o Brexit] é um modelo para a Alemanha, de que é possível tomar uma decisão soberana como essa”, disse Weidel ao Financial Times, argumentando que o chamado “Dexit” – termo que une o nome do país em alemão (Deutschland) com a palavra exit (“saída” em inglês) – daria um impulso a um fortalecimento da autodeterminação alemã.

A poucos meses das eleições europeias, a ultradireitista disse que seu partido quer reformar as instituições da UE de modo a reduzir o poder da Comissão Europeia – o Executivo do bloco europeu – e enfrentar o que ela chama de um “déficit democrático” no bloco europeu.

Alice Weidel, líder da AfD, acredita que o© Sebastian Kahnert/dpa/picture-alliance

Mas, “se as reformas não forem possíveis, se fracassarmos em reconstruir a soberania dos Estados-membros da UE, podemos deixar que o povo decida, assim como fez o Reino Unido”, afirmou. “Poderíamos ter um referendo sobre o ‘Dexit’.”

Ela disse ainda que a revelação da reunião secreta de seus correligionários com neonazistas foi “escandalosa”, e que resultou em uma representação falsa de seu partido que, segundo afirmou, defende apenas a deportação das pessoas que não têm direito de permanecer na Alemanha.

“A AfD é o partido que defende a aplicação das leis nesse país”, disse a parlamentar, ao negar que a legenda ultradireitista planeje implementar as medidas radicais discutidas na reunião secreta.

Assessor de Weidel na reunião secreta

O escândalo fez com que Weidel acabasse sendo forçada a demitir seu assessor Roland Hartwig por ter participado da reunião, sobre a qual ela diz não ter nenhum conhecimento. Ela, inclusive, teria sido confrontada dentro do partido pela demissão de Hartwig.

Fundada em 2013 como um partido eurocético, a AfD deixou de lado sua causa original para se voltar cada vez mais ao ódio contra a imigração, se movendo para o lado mais extremo do espectro político alemão.

A legenda, classificada como extremista de direita pelo serviço de inteligência interna da Alemanha, tem uma parcela de suas estruturas já sob observação por suspeita fundamentada de afronta à Constituição e à ordem democrática do país.

Mesmo assim, a legenda ultradireitista viu sua popularidade aumentar nos últimos anos, atingindo em torno de 22% da preferência do eleitorado, segundo pesquisas recentes, atrás somente da União Democrata Cristã (CDU), de centro-direita, e bem à frente dos três partidos que integram a coalizão de governo em Berlim – o Partido Social-Democrata (SPD), do chanceler federal Olaf Scholz; os Verdes e o Partido Liberal Democrático (FDP). O SPD registrou apenas em torno de 13% da preferência dos eleitores.

O grande teste a ser enfrentado pela ultradireita na Alemanha e em outros países do bloco serão as eleições europeias, que serão realizadas nos 27 países do bloco em junho deste ano.

Maioria dos britânicos apoia “reversão” do referendo

A campanha do “não” à UE saiu vencedora no referendo de 2016 por 52% a 48% dos votos.

Mas, após o divórcio definitivo entre o Reino Unido e a UE, em 2021, quando os britânicos passaram a sentir os efeitos econômicos e práticos da decisão, uma parcela significativa da população passou a enxergar com bons olhos a hipótese de um retorno do país à União Europeia.

Uma pesquisa do instituto YouGov divulgada no dia 4 de janeiro de 2024 revela que 51% dos britânicos apoiam a reversão do resultado do referendo de 2016, incluindo 33% que defendem fortemente a medida. Ao mesmo tempo, 36% disseram que são contrários à reversão, incluindo 25% que são fortemente contra.

Brexit gerou uma série de entraves à economia britânica e criou barreiras à importação de vários produtos© Swati Bakshi/DW

Outro levantamento realizado pelo portal Statista, divulgado em dezembro de 2023, revela que 55% dos britânicos consideram que deixar a UE foi um decisão errada, contra 33% que dizem ter sido acertada. Outros 12% não souberam responder.

Com a saída do Reino Unido do mercado único e da união alfandegária do bloco europeu, as empresas britânicas tiveram de enfrentar um novo conjunto de regras, com aumento da burocracia e das vistorias de bens e produtos nas fronteiras.

Impactos na economia

Após uma queda inicial nas exportações britânicas para a UE, a situação apresentou uma melhora perceptível após a pandemia. Muitos analistas, porém, argumentam que as vendas poderiam ter aumentado ainda mais se o país não tivesse deixado o bloco. A variedade dos bens exportados também diminuiu.

Uma pesquisa recente da Câmara Britânica de Comércio, que analisou 500 empresas do país, revelou que mais da metade ainda enfrenta dificuldades para se adaptar ao novo sistema implementado no pais após o Brexit.

O mesmo ocorre com as importações. Os volumes se recuperaram após a pandemia, mas os preços dos alimentos importados da UE aumentaram em torno de 6% entre 2020 e 2021, segundo um estudo da Escola de Economia de Londres. Isso ocorreu antes do recente salto inflacionário no continente.

Enquanto as economias dos países do G7 – Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Itália, Japão e Reino Unido, além da UE – tiveram uma recuperação econômica no período pós-pandemia, o Reino Unido deixou de crescer.

A saída britânica da UE também significou o fim do livre trânsito de trabalhadores entre a Europa e o Reino Unido e a introdução de um novo sistema de imigração que desagradou setores diferentes da economia.

Um estudo do think tank Centre for European Reform and UK in a Changing Europe indica que o mercado de trabalho britânico tem um déficit de 330 mil profissionais. Embora isso represente apenas 1% da força de trabalho total do país, o impacto é bastante significativo nos setores do comércio, transportes e hoteleiro.

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ESTÁ CAUSANDO CONFUSÃO NAS ELEIÇÕES DOS EUA

 


História por Pranshu Verma e Gerrit De Vynck  • Jornal Estadão

THE WASHINGTON POST – Há algum tempo, especialistas em inteligência artificial (IA) alertam que o conteúdo gerado por IA pode turvar as águas daquilo que é percebido como realidade. Apenas algumas semanas de um ano eleitoral decisivo nos EUA já são suficientes para dizer a confusão com a IA está aumentando.

Políticos de todo o mundo têm desqualificado evidências potencialmente condenáveis para as suas campanhas como falsificações geradas por IA – são filmagens de encontros em hotéis ou gravações de voz criticando adversários políticos.

No mês passado, o ex-presidente dos EUA Donald Trump desqualificou um anúncio transmitido na Fox News que relembrava algumas de suas mais conhecidas gafes públicas – incluindo sua dificuldade de pronunciar a palavra “anônimo” e sua visita à cidade californiana de Paradise, ambas em 2018. O ex-presidente agora afirma que as imagens foram geradas por IA.

Foto:© Fornecido por Estadão

“Os pervertidos e perdedores do fracassado e já dissolvido Projeto Lincoln estão usando IA em seus falsos comerciais de televisão para me fazer parecer tão ruim e patético quanto Joe Biden, uma coisa nada fácil de fazer”, escreveu Trump no Truth Social. “A FoxNews não deveria veicular esses anúncios.”

O Lincoln Project, um comitê de ação política formado por republicanos moderados para se opor a Trump, negou rapidamente a acusação. O anúncio apresentava incidentes durante a presidência de Trump que foram amplamente cobertos na época e testemunhados na vida real por muitos observadores independentes.

Ainda assim, a IA cria um “dividendo do mentiroso”, disse Hany Farid, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley que estuda propaganda digital e desinformação. “Quando você realmente pega um policial ou um político dizendo algo horrível, eles têm uma negação plausível” na era da IA.

A IA “desestabiliza o próprio conceito de verdade”, acrescentou Libby Lange, analista da organização de rastreamento de desinformação Graphika. “Se tudo pode ser falso e se todos estão afirmando que tudo é falso ou manipulado de alguma forma, não há realmente nenhum senso de verdade básica. Os atores com motivação política, especialmente, podem fazer qualquer interpretação que desejarem.”

Trump não é o único a aproveitar essa vantagem. Em todo o mundo, a IA está se tornando um bode expiatório comum para políticos que tentam se defender de acusações prejudiciais.

No final do ano passado, surgiu um vídeo de um político taiwanês do partido governista entrando em um hotel com uma mulher, indicando que ele estava tendo um caso. Comentaristas e outros políticos rapidamente saíram em sua defesa, dizendo que a filmagem foi gerada por IA – embora ainda não esteja claro se realmente foi.

Em abril, vazou uma gravação de voz de 26 segundos na qual um político do estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, parecia acusar seu próprio partido de acumular ilegalmente US$ 3,6 bilhões, segundo reportagem do Rest of World. O político negou a veracidade da gravação, chamando-a de “gerada por máquina”; especialistas disseram que não têm certeza se o áudio é real ou falso.

Trump já foi vítima de falsificações que causam danos à reputação Foto: Twitter/Reprodução© Fornecido por Estadão

A confusão relacionada à IA também está indo além da política. Na semana passada, circulou nas redes sociais um áudio no qual supostamente o diretor de escola do Condado de Baltimore, Maryland, fazia um discurso racista contra judeus e estudantes negros. O sindicato que representa o diretor disse que o áudio foi gerado por IA.

Vários sinais apontam para essa conclusão, inclusive a cadência uniforme do discurso e as indicações de emendas, disse Farid, que analisou o áudio. Mas sem saber de onde veio ou em que contexto foi gravado, disse ele, é impossível ter certeza.

Nas redes sociais, a maioria das pessoas parece acreditar que o áudio é real, e o distrito escolar afirma ter iniciado uma investigação. Um pedido de comentário ao diretor por meio de seu sindicato não foi respondido.

Essas acusações têm peso porque os deep fakes se tornaram ao mesmo tempo mais comuns e mais sofisticados. Enquanto isso, as ferramentas e os métodos para identificar uma mídia criada por IA não estão acompanhando os rápidos avanços na capacidade da IA de gerar esse tipo de conteúdo.

Imagens falsas de Trump já se tornaram virais várias vezes. No início deste mês, o ator Mark Ruffalo publicou imagens criadas por IA de Trump com meninas adolescentes, alegando que as imagens mostravam o ex-presidente em um avião particular de propriedade do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. Mais tarde, Ruffalo pediu desculpas.

Trump, que passou semanas protestando contra a IA no Truth Social, publicou sobre o incidente, dizendo: “Isso é IA e é muito perigoso para o nosso país!”

A crescente preocupação com o impacto da IA na política e na economia mundial foi um dos principais temas do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na semana passada. Em seu discurso de abertura da conferência, a presidente da Suíça, Viola Amherd, chamou a propaganda e as mentiras geradas pela IA de “uma ameaça real” à estabilidade mundial, “especialmente hoje, quando o rápido desenvolvimento da inteligência artificial contribui para o aumento da credibilidade dessas notícias falsas”.

As empresas de tecnologia e de mídia social afirmam que estão estudando a criação de sistemas para verificar e moderar automaticamente o conteúdo gerado por IA, mas ainda não o fizeram. Enquanto isso, somente especialistas possuem a tecnologia e o conhecimento para analisar uma mídia e determinar se ela é real ou falsa. O problema cresce agora que esse tipo de conteúdo pode ser gerado por praticamente qualquer pessoa.

“Você não precisa ser um cientista da computação. Não precisa saber programar”, diz Farid. “Não há mais barreira de entrada.”

Aviv Ovadya, especialista no impacto da IA sobre a democracia e afiliado ao Berkman Klein Center da Universidade Harvard, diz que o público em geral está muito mais ciente das falsificações. À medida que políticos se esquivarem de críticas alegando que as provas divulgadas contra eles são IA, mais pessoas farão afirmação parecida. “Há um efeito de contágio”, diz ele, observando um aumento semelhante no número de políticos que falsamente chamam uma eleição de fraudulenta.

Ovadya disse que as empresas de tecnologia têm as ferramentas para regular o problema: elas poderiam colocar uma marca d’água no áudio para criar uma impressão digital ou participar de uma coalizão destinada a impedir a disseminação de informações enganosas online, desenvolvendo padrões técnicos que estabeleçam as origens do conteúdo da mídia. O mais importante, diz ele, é que elas poderiam ajustar seus algoritmos para não promover conteúdo sensacionalista, mas potencialmente falso.

Até o momento, segundo ele, as empresas de tecnologia, em sua maioria, não tomaram medidas para proteger a percepção da realidade do público.

“Enquanto os incentivos continuarem a ser o sensacionalismo voltado para o engajamento e o conflito real”, diz ele, “esses são os tipos de conteúdo – seja deep fake ou não – virão à tona”.

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

AS DECLARAÇÕES DE LULA CONTRA ISRAEL NA CORTE INTERNACIONAL NÃO DEVE IMPORTAR AS TENSÕES DO ORIENTE MÉDIO PARA O BRASIL

 

Assim como famílias e amigos romperam por causa da polarização política interna, empresários, artistas e intelectuais guerreiam a favor e contra a posição do Brasil sobre os ataques israelenses aos palestinos

Por Eliane Cantanhêde – Jornal Estadão

Em sua reação a uma fala impensada do ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoíno, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) voltou a pedir “equilíbrio e moderação” das lideranças e autoridades diante da guerra de Israel e acrescentou: “para não importar as tensões do Oriente Médio para o Brasil”. Parece tarde demais. Assim como famílias e amigos romperam por causa da polarização política interna, empresários, artistas e intelectuais guerreiam a favor e contra a posição do Brasil sobre os ataques israelenses aos palestinos. O bombardeio é por manifestos e em torno de uma palavra: genocídio.

Com uma biografia estonteante, de altos e baixos, Genoino foi por décadas o homem do diálogo entre esquerda, centro e direita no Congresso, o melhor porta voz informal do PT para jornalistas e uma imprescindível presença entre as várias tendências petistas. De todos os condenados do mensalão, foi o que pagou o preço mais injusto.

Lula em visita a grupo de repatriados palestinos com nacionalidade brasileira e familiares que foram repatriados
Lula em visita a grupo de repatriados palestinos com nacionalidade brasileira e familiares que foram repatriados Foto: EFE/Andre Borges

Tornou-se assim o mais ressentido, um radical extemporâneo, e admitiu numa live até o boicote a “empresas de judeus”, atraindo, após anos de discrição e recolhimento, os holofotes e a ira da comunidade judaica. A Conib acusou sua fala de “antissemita”, lembrando que o boicote aos judeus foi uma das primeiras medidas do regime nazista que culminaram no holocausto.

Se a Conib e o Instituto Brasil-Israel produzem manifestos em série e um grupo de empresários, executivos, cientistas e uma ex-ministra do Supremo aderem e condenam o apoio do governo Lula à ação da África do Sul contra Israel por genocídio, agora emerge, um tanto tardiamente, mas com força, o outro lado.

Ex-ministros, parlamentares e embaixadores aposentados vão no sentido contrário, defendendo a posição de Lula, destacando a “primazia dos Direitos Humanos” no artigo 4. da Constituição e lembrando o êxodo das famílias, a morte de 25 mil palestinos, as amputações e cirurgias sem remédios e anestesia e a transformação de Gaza num “cemitério de mais de dez mil crianças”.

Se o professor, escritor e ex-chanceler Celso Lafer, de família judia da Lituânia, rebate a acusação de genocídio contra Israel “à luz do direito”, a economista Zeina Latif, filha de palestino, foca nos bombardeios, nas mortes, na destruição, na fome e no êxodo em Gaza e conclui: “Nem mesmo discussões semânticas mais cuidadosas conseguirão empanar o desastre a que se assiste”.

Independentemente de apoiar ou condenar a ação da África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça de Haia, o resultado da decisão de Lula, portanto, é o que menos se queria e se quer: “importar as tensões do Oriente Médio para o Brasil”, como alerta a Conib.

COM A EDIÇÃO DE 845 NORMAS DIÁRIAS A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA SE TORNOU TÃO INTRINCADA E CONFUSA

João Eloi Olenike – presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação

Ao completarmos 35 anos da promulgação da nossa Constituição Federal de 1988, a complexidade da legislação brasileira segue aumentando, de acordo com novo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que faz anualmente um levantamento, muito interessante, sobre a quantidade de normas brasileiras

A legislação já se tornou tão intrincada e confusa que afeta diretamente a vida dos cidadãos e das empresas em todo o país. Desde a promulgação em 1988 até setembro de 2023, o Brasil editou mais de 7,4 milhões de normas. Isso equivale a uma média de 586 normas editadas diariamente ou 845 normas por dia útil. Cada norma editada possui, em média, cerca de 3 mil palavras, tornando a legislação ainda mais difícil de ser compreendida.

Em relação às normas tributárias, cerca de 6,58% de todas as normas editadas no Brasil nesses 35 anos tratam dessa matéria, totalizando 492 mil normas tributárias. Isso significa uma média de 38 normas tributárias por dia ou 1,6 norma tributária por hora.

Os dados são impactantes e refletem a confusão que os cidadãos e as empresas enfrentam diariamente. Nós estamos diante de um cenário em que a legislação é difícil de interpretar e seguir, o que causa gastos para o cumprimento das obrigações legais.

O levantamento do IBPT mostrou que a complexidade da legislação também tem um custo significativo para empresas e cidadãos, com um investimento estimado de R$ 228 bilhões por ano apenas para acompanhar e cumprir todas essas regulamentações em constante mudança.

Analisando-se ao referido estudo, a conclusão a que chegamos é de que existe no nosso país uma excessiva liberdade das instituições em editar normas, devido à própria liberdade constitucional em termos legislativos.

Se formos mais a fundo, percebemos que temos diversas espécies de leis emanadas também pelas mais diversas instituições, como: Medidas Provisórias e Decretos (Poder Executivo), Emendas Constitucionais, Leis Ordinárias e Complementares (Congresso Nacional), além das normas complementares da Receita Federal do Brasil, do Banco Central, do Denatran, etc. Isso no ambiente federal, mas temos também uma enorme quantidade de normas editadas pelos estados e municípios.

Essa situação é muito séria para o país, porque cria um agravamento importante no chamado “Custo-Brasil”, causando um caos interno, um verdadeiro pandemônio legislativo e inibindo a entrada de investimentos externos, que se assustam com toda essa burocracia e desembolsos necessários para fazer frente ao acompanhamento e cumprimento de todas essas normas.

Ao completarmos 35 anos da promulgação de nossa Carta Magna, concluímos que a edição de normas gerais e tributárias continua em grande volume, fazendo com que o custo despendido aos interessados, para acompanhar todas as mudanças legais ocorridas continua aumentando, causando problemas financeiros e de cognição para todos que militam em áreas de Contabilidade, Direito e Consultoria. Esse é mais um problema que encarece o empreendimento e que urge um interesse maior por parte dos nossos representantes, no sentido de diminuir essa enorme quantidade de normas em vigor.

Esperamos que os nossos representantes parlamentares atentem para esse grave problema e possam intervir, com o poder a eles emanados, com propostas e ações, no intuito de resolvermos essa drástica situação, que causa um entrave muito grande no desenvolvimento do nosso país.

João Eloi Olenike

Contador pela FAE (Faculdade de Administração e Economia), bacharel em Direito pela FDC (Faculdades de Direito Curitiba), Pós-Graduado em Administração Financeira pelo CDE-FAE (Centro de Desenvolvimento de Executivos). É Presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação).

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...