sábado, 20 de janeiro de 2024

EQUIPE DE LEWANDOWISK VAI ATUAR NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES E NA SEGURANÇA PÚBLICA

História por Vinícius Valfré e Weslley Galzo  • Jornal Estadão

BRASÍLIA – Com a definição dos principais quadros da equipe de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se habilitou para apresentar uma mensagem de compromisso de combate ao crime organizado e, com isso, mitigar, no ano eleitoral, a má avaliação da gestão petista na área da segurança pública.

As avaliações de especialistas e de governistas ouvidos pelo Estadão, por outro lado, também apontam um sinal de alerta na composição do time de Lewandowski: o perfil mais jurídico e menos político pode aprofundar ruídos na relação com o Congresso, especialmente com bancada da bala, como os enfrentados pelo demissionário Flávio Dino.

O presidente Lula, ao centro, direciona o ministro Flávio Dino para cumprimentar o seu sucessor, Ricardo Lewandowski. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil© Fornecido por Estadão

O atual secretário nacional de Segurança Pública, Tadeu Alencar, um ex-deputado do PSB de Pernambuco, dará lugar ao chefe do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Mário Sarrubbo. Egresso da militância política e partidária no PCdoB, o jornalista Ricardo Cappelli será substituído na secretaria-executiva pelo advogado Manoel Carlos de Almeida Neto.

Sarrubbo desagrada setores mais à esquerda e à direita. Foi dele, por exemplo, a decisão de acolher o pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em dezembro, para rever o arquivamento de representação contra ex-assessora do Ministério de Igualdade Racial que criticou a “torcida branca” do São Paulo. Em 2021, ele processou por injúria e difamação uma procuradora que disse que ele deu “tratamento machista” a uma colega – em uma conciliação na Corregedoria do MPSP ele desistiu da queixa-crime no ano seguinte.

No outro espectro político, o futuro secretário foi criticado por classificar os envolvidos nos bloqueios de estrada contra o resultado das eleições em novembro de 2022 e no 8 de Janeiro como “organização criminosa que precisa ser punida”. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) relativizam a participação dos extremistas em atos antidemocráticos.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mário Sarrubbo, será secretário de Justiça Foto: MPSP/Divulgação© Fornecido por Estadão

Por outro lado, o procurador já fez ressalvas a mudanças legislativas que são caras à bancada da bala, como a que visa acabar com a “saidinha de presos”. A pauta também é do interesse dos governadores de direita, que já se comprometeram a pressionar o Senado pelo projeto de lei. “Se a segurança pública fosse só um problema legislativo, já teria sido resolvido há muitos anos”, disse na entrevista ao Estadão.

Coordenador do grupo Prerrogativas, formado por advogados progressistas, Marco Aurélio de Carvalho avalia que Sarrubbo tem as credenciais necessárias para lidar com as críticas que recebe e, concomitantemente, acomodar na secretaria as demandas que partem tanto da esquerda quanto da direita.

“Ele é uma pessoa do diálogo, que ouve e escuta, mas ele tem dois desafios: tem que ouvir o campo progressista e os setores mais conservadores. A gente espera que ele, com essa capacidade, ouça os dois lados. O desafio dele vai ser equilibrar (as demandas antagônicas)”, avaliou Marco Aurélio, que foi uma das opções ventiladas pelo PT para assumir o ministério no lugar de Dino.

Marco Aurélio de Carvalho e Ricardo Lewandowski Foto: Divulgação e Wilton Junior/Estadão© Fornecido por Estadão

Pelo menos desde 2018, Sarrubbo lidera debates no MPSP para estabelecer um grupo de controle das polícias. Criado na gestão dele, em agosto de 2022, o Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) atuou diretamente para tornar réus policiais militares que atuaram para matar na Operação Escudo, no Guarujá, inclusive com pedido e análise das imagens das câmeras dos uniformes.

As câmeras explicam em parte a redução da letalidade policial em São Paulo. Desde que chegou ao posto máximo do órgão, Sarrubbo acompanha redução nas mortes provocadas por agentes do Estado. Entre 2020 e 2022, foram, respectivamente, 814, 570 e 419 mortes por ano. A Bahia, administrada por petistas há 17 anos, apareceu pela primeira vez como o Estado onde a polícia mais mata: 1.464 pessoas, segundo o último levantamento.

Diante das dúvidas sobre a capacidade de articulação política do futuro secretário, interlocutores afirmam que o período dele à frente do MPSP o capacita para a tarefa. Até mesmo adversários dele sondados pela reportagem admitem uma habilidade para se relacionar com segmentos distintos, das polícias aos movimentos sociais, e uma dedicação ao fortalecimento das estruturas de combate ao crime organizado no Estado.

Sarrubbo foi o segundo mais votado na eleição interna para o posto de procurador-geral de Justiça, em 2020, mas acabou sendo escolhido pelo então governador João Doria. Dois anos depois, no processo da recondução, ele foi o preferido da categoria.

“Escolhi por suas qualidades. Acertei na escolha. Pelo caráter, conhecimento, habilidade e liderança. E o reconduzi para um novo mandato com a convicção redobrada da escolha. Será um grande secretário”, afirmou Doria ao Estadão.

Definição do número 2 da pasta repete estratégia do homem de confiança em vez do especialista

Ao definir o número 2 da pasta, Lewandowski repetiu o movimento de Flávio Dino de indicar um nome de sua estrita confiança, mesmo sem credenciais de especialista em segurança pública. Almeida Neto, que assumirá a secretaria-executiva do ministério, foi secretário-geral do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a presidência de Lewandowski (2014-2016) e chegou a ser cotado para sucedê-lo na Corte, mas acabou preterido pelo presidente Lula, que escolheu Cristiano Zanin.

Contudo, os perfis de Almeida Neto e de Cappelli têm diferenças significativas. O novo secretário-executivo é mais discreto e não esboça ambições políticas. O atual número 2 aproveitou para se projetar em Brasília depois de ser escolhido como interventor na segurança pública do Distrito Federal, porque Dino tinha vedações jurídicas que o impediam de assumir a tarefa e escolheu Cappelli por um acaso, conforme explicação do ministro.

O futuro secretário-executivo do Ministério da Justiça, Manoel Carlos de Almeida Neto. Foto: Carlos Humberto/SCO/STF© Fornecido por Estadão

O gerenciamento da crise foi considerado satisfatório pelo Palácio do Planalto, e gerou uma espécie de “recall” para Cappelli. Ele foi designado ministro interino do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) após a demissão do general Edson Gonçalves Dias na esteira dos desdobramentos de 8 de janeiro.

Ao retornar à função original no ministério, o secretário se tornou o protagonista de iniciativas da pasta, como o plano contra roubo de celulares, sobretudo no hiato da indicação de Dino ao Supremo Tribunal Federal. Setores da base do governo Lula avaliavam que as entregas poderiam cacifá-lo para assumir o controle do ministério. As expectativas foram frustradas com a indicação de Lewandowski.

Dino chegou a atuar para que Cappelli fosse mantido no cargo, mas Lewandowski optou por contar com o seu homem de confiança. Almeida Neto é considerado o pupilo intelectual do futuro ministro da Justiça. Foi Lewandowski quem o orientou a fazer o concurso de professor universitário e a lecionar a disciplina de teoria do Estado, a mesma ministrada pelo ministro.

Apesar do perfil menos político do que Cappelli, o futuro secretário-executivo tem bom trânsito entre setores progressistas, especialmente na advocacia. Nos últimos oito anos ele atuou como diretor jurídico da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

 

PALANQUE DE ALCKMIN EM S. PAULO NÃO É O MESMO PALANQUE DE LULA

História por Pedro Augusto Figueiredo  • Jornal Estadão

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) tratou com naturalidade o fato de que estará em um palanque diferente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição para a Prefeitura de São Paulo. Ele apoiará Tabata Amaral (PSB-SP), enquanto o petista fará campanha para Guilherme Boulos (PSOL-SP)

Em dezembro, Lula se mostrou incomodado com críticas que Tabata tem feito a Boulos e, dirigindo-se a Alckmin em uma reunião ministerial, pediu que haja um esforço para que partidos da base de governo entrem em acordo para a eleição municipal no maior número de cidades possível.

Após se reunir com integrantes do PSB em São Paulo nesta sexta-feira, 19, o vice-presidente, no entanto, disse que não há razão para briga e que é normal que no primeiro turno os grandes partidos lancem candidatos. “Política é ética. Não há política sem ética e civilidade. Todo mundo quer o bem comum e os caminhos são diferentes. Um por aqui, outro por lá. Não há razão para ter briga”, disse o vice-presidente. “Depois, no segundo turno, verifica quem chegou lá”.

Geraldo Alckmin apoiará Tabata Amaral na eleição para a Prefeitura de São Paulo Foto: Cadu Gomes/Vice-Presidência da Repúbç© Fornecido por Estadão

Ele também elogiou Tabata, disse que ela é “preparadíssima” e que será uma honra apoiá-la pois é preciso mais mulheres para “melhorar e elevar a política brasileira”. “Ficarei muito feliz com ela sendo candidata e de poder modestamente ajudá-la”.

“Honra é poder aprender com Geraldo Alckmin, alguém que conhece os dilemas de São Paulo e do Brasil e que tanto fez pela nossa história política. Que alegria e que responsabilidade caminhar a seu lado!”, respondeu a pré-candidata do PSB no X (antigo Twitter). Ambos se encontram na noite desta sexta para gravar um podcast sobre a lei sancionada por Lula que criou uma poupança para alunos do ensino médio.

A insistência de Alckmin na candidatura de Tabata, a despeito do pedido de Lula, é vista como um movimento para retornar à vida política em São Paulo. Ele tem dito a interlocutores que muito dificilmente será escolhido para ser vice de Lula em 2026. Neste cenário, aliados colocam Alckmin como um candidato competitivo ao governo de São Paulo ou mesmo ao Senado.

De acordo com pesquisa AtlasIntel divulgada no dia 31 de dezembro do ano passado, Tabata Amaral está em quarto lugar com 6,2% das intenções de voto. O líder é Boulos, com 29,5%, seguido do atual prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP), que tem 18% e está tecnicamente empatado com Ricardo Salles (PL-SP), com 17,6%. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é 95%.

 

GOVERNO BRASILEIRO FICA AO LADO DA CHINA CONTRA INDEPENDÊNCIA DE TAIWAN

História por MATHEUS TEIXEIRA  • Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reafirmou nesta sexta-feira (19) que o Brasil compartilha do princípio de “uma só China”, que exige que países com relações diplomáticas com o gigante asiático não reconheçam Taiwan como um Estado independente.

A afirmação de Vieira ocorreu em declaração conjunta com seu homólogo chinês, Wang Yi, após reunião no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Ambos também discutiram a Guerra da Ucrânia e a guerra Israel-Hamas e anunciaram um acordo para estender de cinco para dez anos o prazo de validade dos vistos dos dois países para turismo, negócios e visitação.

Wang afirmou que o dirigente da China, Xi Jinping, deve viajar ao Brasil em novembro para reunião da cúpula do G20, no Rio de Janeiro —o Brasil ocupa a presidência rotativa do grupo neste ano. O chanceler chinês também deve se encontrar com Lula ainda nesta sexta-feira, em Fortaleza.

O evento acontece quase um ano após o petista, acompanhado de uma grande comitiva, visitar o país asiático e reunir-se com Xi Jinping. Na ocasião, seu objetivo era remendar os laços com Pequim após os conflitos entre os dois países durante os anos Jair Bolsonaro (PL). Na capital chinesa, Lula também reiterou a posição diplomática do Brasil, contrária à independência de Taiwan.

A ilha considerada uma província rebelde por Pequim elegeu no último fim de semana um presidente ainda mais antirregime. Wang, aliás, foi o autor de uma das falas mais duras em relação às ambições separatistas de Taipé. Do Egito, onde encontrou-se com o ditador Abdel Fattah al-Sisi, disse que Taiwan nunca foi um país: “Não foi no passado e certamente não será no futuro”.

O pleito contribuiu para aumentar as tensões no estreito que separa o território do continente. Nesta semana, por exemplo, o Ministério de Defesa taiwanês afirmou ter detectado pelo menos 24 jatos da Força Aérea chinesa realizando exercícios em conjunto com navios de guerra ao redor da ilha. Esse tipo de atividade militar tem se tornado recorrente, mas esta ganhou um novo peso já que era a primeira em larga escala depois da eleição.

Mauro Vieira disse que a “proveitosa reunião” com seu homólogo chinês faz parte de uma série de encontros de alto nível entre os dois países ao longo de 2024″ para comemorar os 50 anos de relação diplomática entre Brasil e China —o que inclui a visita de Xi Jinping.

Wang, por sua vez, afirmou que a China tem “apreço” pelo fato de “todas as instituições do Brasil” considerarem o princípio de “uma só China”. Ele também disse que o Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina e que a ideia é “aprofundar a cooperação” em áreas como agricultura, mineração e questões aeroespaciais.

“Decorrido meio século as nossas relações estão mais maduras e resiliente, o que demonstra um vigor próximo. Precisamos dar continuidade ao êxito do passado e abrir perspectivas para o futuro.”

 

FRIO PREJUDICA O FUNCIONAMENTO DAS BATERIAS DOS CARROS ELÉTRICOS

Temperaturas baixas podem drenar as baterias e reduzir a autonomia desse tipo de veículo

Por Emily Schmall e Jenny Gross – Jornal Estadão

THE NEW YORK TIMES – Com as temperaturas de Chicago, nos EUA, caindo abaixo de zero, as estações de carregamento de veículos elétricos se tornaram cenários de desespero: baterias descarregadas, motoristas em confronto e filas que se estendem para as ruas.

“Quando está frio assim, os carros não funcionam bem, os carregadores não funcionam bem e as pessoas também não funcionam tão bem”, disse Javed Spencer, um motorista de Uber que disse ter feito pouco nos últimos três dias além de carregar seu Chevy Bolt alugado e se preocupar em ficar encalhado com uma bateria descarregada – de novo.

Spencer, 27 anos, disse que saiu no domingo para ir a uma estação de carregamento com 30 milhas (cerca de 48 quilômetros) restantes na sua bateria. Em minutos, a bateria acabou. Ele teve que rebocar o carro até a estação.

“Quando finalmente o conectei, não estava recebendo nenhuma carga”, disse ele. Recarregar a bateria, que normalmente leva uma hora para Spencer, levou cinco horas.

Com mais pessoas possuindo carros elétricos do que nunca, as ondas de frio neste inverno do hemisfério Norte têm causado dores de cabeça para os donos desses veículos, à medida que as temperaturas congelantes esgotam as baterias e reduzem a autonomia de condução.

E os problemas podem persistir um pouco mais. Chicago e outras partes dos Estados Unidos e Canadá foram surpreendidas nesta semana por temperaturas extremamente baixas. Na terça-feira, 16, a sensação térmica despencou para quase 30 graus negativos em grande parte da área de Chicago, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia. A expectativa é que temperaturas perigosamente baixas e ondas de neve persistam até o final da semana.

Estações de carregamento têm filas mais longas no inverno, já que os veículos elétricos demoram mais para carregar em climas mais frios.
Estações de carregamento têm filas mais longas no inverno, já que os veículos elétricos demoram mais para carregar em climas mais frios.  Foto: Jim Lo Scalzo/EFE/EPA

“Tem sido uma montanha-russa”

Os veículos consomem mais energia para aquecer suas baterias e cabines em clima frio, então é normal ver o consumo de energia aumentar, lembra a Tesla aos seus clientes em uma publicação no seu site, onde oferece algumas dicas aos motoristas: mantenha o nível de carga acima de 20% para reduzir o impacto das temperaturas congelantes.

A Tesla também recomenda que os motoristas usem o recurso de “partida programada” para registrar o início de uma viagem com antecedência, para que o veículo possa determinar o melhor momento para iniciar o carregamento e o pré-condicionamento. Isso permite que o carro funcione com eficiência máxima desde o momento em que é ligado.

Em um estacionamento dolorosamente frio em Chicago na terça-feira, motoristas da Tesla se aglomeravam em seus carros esperando por uma recarga.

Naquela manhã, Nick Sethi, um engenheiro de 35 anos de Chicago, disse que encontrou seu Tesla congelado. Ele passou uma hora em temperaturas de 5 graus negativos lutando com as fechaduras.

Finalmente, ele conseguiu esculpir a alça embutida do porta-malas para abri-lo, escalando para dentro e dirigindo seu SUV Model Y Long Range por cinco milhas (oito quilômetros) até a estação de supercarregamento mais próxima. Ele se juntou a uma longa fila de motoristas da Tesla

Todos os 12 postos de carregamento estavam ocupados, com os condutores retardando ligeiramente o processo ao permanecerem dentro dos seus veículos com o aquecimento ligado.

“Tem sido uma montanha-russa”, disse Sethi, que se mudou de Dallas para Chicago na primavera passada, sobre possuir um Tesla durante uma série de dias brutalmente frios. “Vou passar pelo inverno e depois decidir se vou ficar com o carro.”

Alguns postos de carregamento depois, Joshalin Rivera também estava sentindo um pouco de arrependimento de comprador. Ela estava sentada com o aquecedor ligado dentro de seu Tesla Model 3 2023 enquanto recarregava a bateria.

“Se você está esperando naquela fila e tem apenas 50 milhas (cerca de 80 quilômetros), você não vai conseguir”, disse Rivera, apontando para a fila de veículos que se estendia para a Avenida Elston. Ela disse que viu um Tesla ficar sem bateria logo depois que um motorista tentou cortar a fila.

Em condições normais, o carro de Rivera pode percorrer até 273 milhas (439 quilômetros) com uma única carga de 30 minutos. Nesta semana, Rivera disse que acordou e descobriu que cerca de um terço da bateria de seu carro estava descarregada por causa do frio noturno. À medida que as temperaturas caíam, ela passava horas todas as manhãs esperando na fila e recarregando a bateria. “É meio que, eu não quero realmente um Tesla”, disse ela.

Por que o clima frio descarrega as baterias dos veículos elétricos?

Ao contrário de carros com motores de combustão interna, um veículo elétrico possui duas baterias: uma de baixa voltagem e outra de alta voltagem. Em climas particularmente frios, a bateria de baixa voltagem, de 12 volts, também pode perder carga, assim como acontece nos veículos tradicionais.

Quando isso acontece, o veículo elétrico não pode carregar em um carregador rápido até que a bateria de baixa voltagem seja reiniciada, disse Albert Gore III, ex-funcionário da Tesla que agora é diretor executivo da Zero Emission Transportation Association, que representa montadoras, incluindo a Tesla, e divulgou um guia de dicas para operar veículos elétricos em clima frio.

Ondas de frio têm causado dores de cabeça para donos de veículos elétricos durante o inverno nos EUA.
Ondas de frio têm causado dores de cabeça para donos de veículos elétricos durante o inverno nos EUA.  Foto: Jim Lo Scalzo/EFE/EPA

O desafio para os veículos eléctricos é que os dois lados da bateria – o ânodo e o cátodo – têm reações químicas que são retardadas durante temperaturas extremamente frias. Isso afeta tanto o carregamento quanto o descarregamento da bateria, disse Jack Brouwer, diretor do Clean Energy Institute e professor de engenharia mecânica e aeroespacial na Universidade da Califórnia, Irvine.

“Acaba sendo muito difícil fazer veículos elétricos a bateria funcionarem em condições muito frias”, disse Brouwer. “Você não pode carregar uma bateria tão rápido ou descarregar uma bateria tão rápido se estiver frio. Não há maneira física de contornar isso.” A Tesla não respondeu a um pedido de comentário.

Eles não têm esses problemas na Noruega

Enquanto as pessoas do setor estudam o que deu errado em Chicago, alguns sugerem que a infraestrutura de carregamento pode simplesmente ter sido superada pelo frio extremo.

“Estamos apenas há alguns anos na implantação em larga escala de veículos elétricos”, disse Gore. “Este não é um problema categórico para os veículos elétricos”, acrescentou, “porque já foi amplamente resolvido em outros lugares”.

Alguns dos países com maior uso de veículos elétricos também estão entre os mais frios. Na Noruega, onde quase um em cada quatro veículos é elétrico, os motoristas estão acostumados a tomar medidas, como pré-aquecer o carro antes de dirigir, para aumentar a eficiência mesmo em clima frio, disse Lars Godbolt, consultor da Associação Norueguesa de Veículos Eléctricos, que representa mais de 120 mil proprietários de carros elétricos na Noruega.

As estações de carregamento na Noruega têm filas mais longas no inverno do que no verão, já que os veículos demoram mais para carregar em climas mais frios, mas isso se tornou um problema menor nos últimos anos, porque a Noruega construiu mais postos de carregamento, disse Godbolt, citando uma pesquisa recente com os membros. Além disso, a maioria das pessoas na Noruega mora em casas, não em apartamentos, e quase 90% dos proprietários de veículos elétricos têm as suas próprias estações de carregamento em casa, disse ele.

Em todo o mundo, 14% de todos os carros novos vendidos em 2022 eram elétricos, ante 9% em 2021 e menos de 5% em 2020, de acordo com a Agência Internacional de Energia, que fornece dados sobre segurança energética. Na Europa, Noruega, Suécia, Islândia, Finlândia e Dinamarca tiveram a maior participação de veículos elétricos nos registros de automóveis novos em 2022, de acordo com a Agência Europeia do Meio Ambiente.

O tempo frio provavelmente será um problema menor à medida que as empresas atualizarem os modelos de veículos elétricos. Mesmo nos últimos anos, as empresas desenvolveram capacidades que permitem que os modelos mais recentes sejam mais eficientes no frio. “Esses novos desafios surgem e a indústria inova para resolver não completamente, mas pelo menos em parte, muitos desses problemas”, disse Godbolt.

Todos os veículos, incluindo os movidos a diesel ou gasolina, têm pior desempenho em clima frio, observou James Boley, porta-voz da Sociedade de Fabricantes e Comerciantes de Automóveis, uma associação comercial que representa mais de 800 empresas automotivas na Grã-Bretanha. Ele disse que o problema tinha menos a ver com a capacidade dos veículos elétricos de funcionar bem no frio e mais com a incapacidade de fornecer a infraestrutura necessária, como estações de carregamento.

Com um carro movido a gasolina ou diesel, os motoristas têm total confiança de que encontrarão postos de gasolina, por isso eles estão menos focados na redução da eficiência em climas frios, disse ele. “Se a infraestrutura de carregamento de veículos elétricos não estiver no lugar, isso pode ser mais preocupante.”

Spencer, o motorista de Uber, disse que a economia de dirigir um veículo elétrico para um serviço de compartilhamento de viagens pode não funcionar nos invernos de Chicago. A Uber disse em comunicado que oferece descontos de recarga para seus motoristas, mas Spencer ainda se preocupa.

“O pagamento é o mesmo, mas o custo para os motoristas, com todos essas recargas extras, é muito maior”, disse ele.

 

LULA DE VOLTA AO PASSADO DO PT QUE ASSOMBRA A OPOSIÇÃO

 

Presidente embarca no ‘túnel do tempo’, ao ressuscitar projetos malsucedidos de gestões anteriores do partido, como a retomada de investimentos na Refinaria Abreu e Lima, e ao tentar revogar tudo o que veio após o impeachment de Dilma, para consertar o estrago causado ao País naquele período

Por José Fucs – Jornal Estadão

A decisão da Petrobras de investir até R$ 8 bilhões para promover a ampliação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, celebrada de forma entusiasmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, simboliza com perfeição a viagem no “túnel do tempo” que o atual governo está empreendendo, para ressuscitar um passado que deixou um saldo doloroso para o País.

Como uma espécie de “trem-fantasma”, que assombra a oposição e todos os brasileiros que zelam pela responsabilidade fiscal e acreditam na força do setor privado para conduzir o processo de desenvolvimento, Lula vem tentando retomar, desde o primeiro dia de seu governo, uma série de planos e projetos adotados em gestões anteriores do PT, ancorados na visão estatista que predominou naquele período.

Ao mesmo tempo, ele tem se oposto a tudo o que veio depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, para reequilibrar as finanças públicas e melhorar a governança das estatais, violentadas nos governos petistas, e para tornar mais amigável o ambiente de negócios para os empreendedores.

A lista de ações do governo Lula para resgatar projetos malsucedidos no passado parece não ter fim
A lista de ações do governo Lula para resgatar projetos malsucedidos no passado parece não ter fim Foto: Ricardo Stuckert/PR

Do uso de estatais como a Petrobras para tentar impulsionar a fórceps o crescimento econômico às investidas para interferir na gestão de empresas privadas como a Vale; da retomada do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e dos incentivos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) à gastança sem lastro que jogou o País na maior recessão de que se tem notícia em todos os tempos, que prejudicou principalmente os mais pobres, a lista de ações do governo Lula para resgatar projetos malsucedidos do passado parece não ter fim.

Isso sem falar na tentativa de promover um “revogaço” das medidas liberalizantes e de melhoria da gestão pública adotadas nos governos Temer e Bolsonaro, como a autonomia do Banco Central, a Lei das Estatais, o novo marco do saneamento, que tornou mais atraentes a realização de investimentos na área pelo iniciativa privada, e a privatização da Eletrobras. Até a Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada), uma empresa criada no segundo mandato de Lula para fabricar circuitos integrados, que estava em processo de extinção e só deu prejuízo desde então, ganhou uma sobrevida na atual gestão.

“O PT e a maioria das lideranças do partido e da esquerda não admitem que as políticas adotadas atrás foram a causa da grande recessão de 2014 a 2016

Como diz o economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, uma escola de negócios, direito e engenharia de São Paulo, Lula, o PT e seus aliados parecem ser incapazes de aprender com seus erros, ignorando os efeitos nefastos que produziram na economia. “O PT e a maioria das lideranças do partido e da esquerda não admitem que as políticas adotadas atrás foram a causa da grande recessão de 2014 a 2016″, afirmou Mendes, em entrevista recente ao Estadão. “Eles acham que tudo estava indo muito bem e que foi a Lava Jato, o processo de impeachment, alguma coisa no campo político que atrapalhou o projeto deles. É natural, portanto, que, ao voltar ao poder, retomem aquelas políticas que eles acreditam que estavam indo bem.”

Em linha com o que diz Mendes, é sintomático que Lula tenha acusado a Lava Jato, sem quaisquer provas, de ter agido em conluio com o governo americano para prejudicar a estatal petrolífera brasileira, no discurso que fez ao anunciar a retomada dos investimentos em Abreu e Lima, um exemplo emblemático da aplicação inadequada de recursos públicos e de corrupção nos governos petistas.

‘Mancomunação’

Tudo o que aconteceu neste país foi uma mancomunação entre alguns juízes, alguns procuradores subordinados ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que nunca aceitou o Brasil ter uma empresa como a Petrobras”, disse Lula, desconsiderando que os crimes apurados pela Lava Jato jamais foram contestados, apesar dos “problemas processuais” que levaram o STF (Supremo Tribunal Federal) a tirá-lo do xilindró e a anular decisões judiciais tomadas no âmbito da operação, que recuperou cerca de R$ 5 bilhões para os cofres públicos do País.

Em sua ofensiva para ressuscitar as malfadadas políticas do passado, tema de uma reportagem recente do jornal Financial Times, Lula e o PT “se esquecem” também de que, desde que Dilma foi defenestrada pelo Congresso pelas “pedaladas fiscais” que promoveu, numa iniciativa considerada até hoje como um “golpe” pelo partido e por seus apoiadores, o Brasil já não é o mesmo das primeiras administrações petistas.

Hoje, o governo enfrenta dificuldades no Congresso para tocar os seus planos estatizantes, apesar do fisiologismo de boa parte dos parlamentares, que reforça as características perdulárias do presidente. Ainda que avalize o aumento de gastos sem lastro proposto por Lula, a maioria dos parlamentares da atual legislatura é de centro, centro-direita e direita, e não tem se mostrado disposta até agora apoiar o “revogaço” proposto pelo governo.

Foi assim, por exemplo, com as tentativas de revogar o novo marco do saneamento e a medida que liberava o trabalho aos domingos no comércio. Foi assim também com as propostas para rever a autonomia do Banco Central e a privatização da Eletrobras, ventiladas nos bastidores e rejeitadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.

Margem de manobra

“A principal reforma que o Congresso brasileiro vai ter que brigar diariamente (para implementar) é a reforma de não deixar retroceder tudo o que já foi aprovado no Brasil no sentido da amplitude do que é mais liberal” afirmou Lira, em maio do ano passado, ao participar de evento em Nova York com lideranças empresarias e investidores estrangeiros.

O problema é que, mesmo assim, o governo ainda tem uma margem de manobra considerável para reviver políticas nocivas, independentemente do aval do Congresso, como no caso do investimento da Petrobras em Abreu e Lima e da possível ida do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para o Conselho de Administração da Vale, com o objetivo de interferir nos rumos da empresa.

Além disso, o governo aposta no apoio do STF para legitimar sua agenda, com decisões favoráveis a seus pleitos em questões como a privatização da Eletrobras e a revisão da Lei das Estatais, que foram judicializadas pelo PT e por seus aliados, o que pode contribuir para agravar o quadro sinistro que já está se desenhando no horizonte.

Eleito com um discurso voltado para a “pacificação” do País, por um frentão “pela democracia” que incluiu forças que iam da extrema esquerda à centro-direita, Lula até o momento só atuou para reforçar a polarização política e impor a velha agenda estatista do PT à sociedade, como se tivesse vencido as eleições com uma chapa “puro-sangue”.

Forças alienígenas

Sua determinação em ressuscitar planos e projetos do passado e rever medidas adotadas nos governos Temer e Bolsonaro é um aviso inequívoco, para quem ainda tinha alguma dúvida, de que Lula, o PT e seus aliados não estão nem um pouco preocupados com que o que pensam sobre o assunto as forças alienígenas que “fizeram o L” no pleito de 2022.

Pelo que já se vê em pouco mais de um ano de governo, o discurso de campanha de Lula foi apenas isso – discurso de campanha, para enganar os incautos e voltar ao poder. Agora, porém, “a Inês é morta’, como se diz por aí. Aos brasileiros descontentes com os rumos do governo, aí incluídos aqueles que votaram e os que não votaram em Lula, só resta esperar que o Congresso continue a minimizar os danos do flashback do presidente, no que for possível, e se preparar para enfrentar o que seu trem-fantasma nos reserva pela frente.

CONSELHO DO TCU AO GOVERNO SOBRE AS CONTAS PÚBLICAS

 

Análise da corte expõe fragilidades do Orçamento e aponta inconsistências estruturais do arcabouço fiscal para cumprir objetivo de conter trajetória de crescimento da dívida pública

Por Notas & Informações – Jornal Estdão

O Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou as receitas e despesas do Orçamento deste ano e calculou que, na melhor das hipóteses, o governo conseguirá alcançar um déficit primário de R$ 55,3 bilhões. De acordo com a Corte de Contas, a peça conta com receitas muito otimistas e estimativas de economia de despesas que não parecem viáveis. Para cumprir a meta de zerar o déficit neste ano, portanto, o governo teria de contingenciar gastos acima do limite de R$ 23 bilhões.

Questionada, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse que sua pasta elaborou o Orçamento com base nas projeções de receitas apresentadas pelo Ministério da Fazenda em julho do ano passado – cálculos que foram checados e considerados plausíveis pelos técnicos. Já o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Orçamento está equilibrado e manifestou confiança de que o governo vai conseguir cumprir a meta.

Independentemente do discurso oficial do governo, o relatório do TCU, aprovado pelo plenário de ministros nesta semana, traz detalhes que mostram que o ceticismo generalizado dos analistas em torno da meta não tem nada de desarrazoado.

Para este ano, o governo espera uma arrecadação da ordem de 19,2% do Produto Interno Bruto (PIB), um patamar muito acima do observado nos últimos anos. No ano passado, as receitas atingiram cerca de 17,8% do PIB. Para ter uma ideia do tamanho do otimismo do governo, desde 1997 somente uma vez as receitas superaram essa marca e atingiram 20,2% do PIB – e isso no ano de 2010, quando a economia crescia a 7,5%.

Os problemas do Orçamento vão muito além da renúncia com a desoneração da folha de pagamento para alguns setores da economia, que ensejou a edição de uma desastrada medida provisória após a derrubada do veto presidencial pelo Congresso. Há também incertezas sobre a metodologia que o governo usou para estimar a arrecadação que terá com a tributação dos fundos de alta renda, uma vez que o projeto original sofreu alterações ao ser aprovado pelo Legislativo.

Não se sabe como o Executivo pretende economizar R$ 12,5 bilhões na revisão de benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mesmo porque há um estoque de mais de 1 milhão de pedidos de aposentadoria a serem analisados. De forma elegante, o TCU disse apenas que não foi possível chegar a conclusões sobre “a viabilidade, a razoabilidade e a factibilidade do valor estimado” – que, tudo indica, não passa de delírio.

A principal preocupação do TCU, no entanto, diz respeito aos pilares do próprio arcabouço fiscal. Para o tribunal, o governo terá necessariamente de rever para baixo o aumento das despesas primárias se quiser garantir a sustentabilidade da dívida líquida do setor público nos próximos dez anos.

O atingimento das metas, afinal, não é o objetivo final do arcabouço, mas um instrumento para conter a curva de crescimento da dívida e conduzi-la à estabilidade – e, se isso não acontecer ainda que as metas sejam atingidas, é porque há um problema estrutural na concepção do arcabouço.

A análise do tribunal também deixa claro o quanto as convicções perdulárias do presidente Lula da Silva e da maioria dos membros de seu partido são contraproducentes. Adotar uma política fiscal mais austera não é um objetivo em si mesmo, mas a melhor maneira de contribuir para o controle da inflação, para a redução dos juros e para o crescimento sustentável da economia.

“O reiterado desequilíbrio das contas públicas e o consequente crescimento/descontrole da dívida se revertem em pressão inflacionária e na necessidade de manutenção de patamar elevado de taxa de juros reais, fatores que constituem elevado ônus para a sociedade como um todo e, em especial, para as classes menos favorecidas”, afirmou o TCU.

Na ânsia de promover o crescimento a qualquer custo, mesmo que efêmero, parte do governo se opõe a qualquer iniciativa que promova um controle mínimo de gastos e trabalha para desidratar um arcabouço que já nasceu frouxo. Ao fim e ao cabo, boicotam a si mesmos.

PROPOSTA DO DEPUTADO VISA QUE AÇÕES JUDICIAIS CONTRA CONGRESSISTAS SEJAM SUBMETIDAS AO LEGISLATIVO

 

História por Karina Ferreira  • Jornal Estadão

O deputado federal Rodrigo Valadares (União-SE) está recolhendo assinaturas para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê que pedidos judiciais de investigação que tenham como alvo deputados e senadores sejam aprovados pela Mesa-Diretora da respectiva Casa para serem “autorizados”.

Com a lei sugerida, ações judiciais, mandados de busca e apreensão e investigações envolvendo os parlamentares passariam a ser “pedidos” ao Senado Federal ou à Câmara dos Deputados. Na justificativa, Valadares diz que não visa dificultar a investigação de parlamentares, mas sim evitar “ações desproporcionais que visam apenas constranger o detentor de mandato eletivo perante à população brasileira”.

A proposta acrescenta à Constituição a norma de que a Casa Legislativa tem 10 dias para se pronunciar sobre “a aprovação ou rejeição do pedido realizado pelo Poder Judiciário”. O deputado precisa reunir 171 assinaturas para apresentar a PEC. Procurado pelo Estadão para dizer quantas já conseguiu, o deputado não respondeu às tentativas.

Deputado diz que proposta não quer dificultar investigações contra parlamentares, mas sim combater ‘espetacularização da política’ Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Deputado diz que proposta não quer dificultar investigações contra parlamentares, mas sim combater ‘espetacularização da política’ Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

© Fornecido por Estadão

A PEC ainda diz quem os “pedidos” só poderão ser respondidos durante o ano legislativo. Durante as férias, o prazo fica suspenso.

Na justificativa para que os próprios parlamentares autorizem ou não investigações sobre eles próprios, o deputado diz que medida “visa proteger o mandato” dos deputados e senadores contra “repetidos abusos cometidos pelo Poder Judiciário que colocam em risco a soberania do voto popular, o exercício parlamentar e a democracia em nosso País”.

Em seu perfil no X (antigo Twitter), o deputado declarou solidariedade ao colega Carlos Jordy (PL-RJ), um dos alvos da 24ª fase da Operação Lesa Pátria, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira, 18, e chamou a ação que cumpria mandado de busca e apreensão na casa e no gabinete do parlamentar de “ditadura do Judiciário”.

No documento em que ele tenta as assinaturas, o colega é citado como exemplo, realçando que o mandado de busca e apreensão ter ocorrido durante o recesso parlamentar poderia ser um sinal de “intimidação e coação”.

O MARKETING NÃO É APENAS UMA FERRAMENTA E SIM UMA BÚSSOLA NO MAR DE VENDAS

Caravel

Se você é um gestor e busca aumentar as vendas no marketplace, saiba que existe algo que você precisa saber antes de tudo: a magia está em como você apresenta seus produtos.

Por isso, o marketing não é apenas uma ferramenta, mas uma bússola nesse verdadeiro mar de oportunidades de vendas online.

E a pergunta que se destaca aqui é: como posicionar sua marca de maneira espetacular num marketplace para conquistar os melhores resultados?

É o que vamos te mostrar nesse artigo. Separamos 5 dicas essenciais para você. Curioso(a)? É só continuar a leitura!

1. Pesquisa e Diferenciação da Concorrência

Já parou para ver essa imensidão de produtos e vendedores no marketplace?

É, dá pra se perder.

O sucesso, portanto, passa por uma jornada cuidadosa de pesquisa e a arte sutil de se destacar na multidão.

E por que é tão vital entender seu segmento de mercado e estudar minuciosamente a concorrência? Simples.

O consumidor online é bombardeado por muitas opções. A chave aqui é não ser apenas mais um.

Sua empresa precisa ir além, oferecendo não apenas produtos, mas experiências únicas e valiosas.

Não subestime a percepção aguçada do consumidor: eles discernem autenticidade e valor onde os veem.

Ao desenhar estratégias que são genuinamente centradas no cliente e que respondem às suas dores e desejos de forma única, você não está apenas vendendo. Está construindo relacionamentos, confiança e, sim, conquistando uma clientela leal.

2. Otimize seus anúncios

Abra os olhos: a qualidade dos seus anúncios pode ser o divisor entre ser visto ou permanecer nas sombras do seu marketplace.

A otimização de anúncios não é uma questão meramente estética, mas sim, uma estratégia robusta de comunicação e marketing.

Falamos sobre criar descrições que não apenas informem, mas também conversem com as necessidades e desejos do seu cliente.

Uma descrição detalhada, clara e envolvente: esse é o seu primeiro aperto de mão com o consumidor digital.

Mas espere aí, e a imagem?

Bom, as fotos dos seus produtos precisam ser mais do que simples registros. Elas devem ser convidativas, reais e, acima de tudo, honestas.

Invista em imagens que permitam ao consumidor “tocar” com os olhos, explorar detalhes e visualizar aquele produto em sua vida.

Não se engane: consumidores são astutos e percebem quando estão diante de uma comunicação autêntica e quando estão sendo enrolados.

Seu anúncio é a vitrine virtual do seu negócio.

E, bem, todos nós sabemos a importância de uma vitrine bem elaborada quando o assunto é aumentar as vendas no marketplace, certo?

A jornada de vendas começa aqui, na primeira impressão, e uma impressão memorável pode ser o seu bilhete de ouro para uma trajetória de sucesso.

3. Faça a categorização dos itens

Eis que nos deparamos com um dos segredos bem guardados do sucesso nos marketplaces: a arte da categorização de itens.

Imagine a cena: um consumidor, com tempo limitado, navega rapidamente por um marketplace, em busca por algo específico.

Ele usa os filtros de busca — uma ferramenta que deveria facilitar sua jornada de compra.

Mas veja bem: por conta da falta de uma categorização eficiente dos seus produtos pode fazer com que eles, simplesmente, não apareçam nessa busca filtrada.

E aí, nesse cenário, você vai ou não aumentar as vendas no marketplace? A resposta é negativa.

Qualquer gestor aqui deve entender que, para que um produto seja encontrado, ele precisa estar estrategicamente posicionado.

Isso significa categorizar cada item de maneira lógica e intuitiva, considerando o comportamento e as expectativas do consumidor.

A categorização vai além de simplesmente definir se um item é uma “camiseta” ou “blusinha”, mas de um método pensado para antecipar a busca do cliente e encontrá-lo no meio do caminho, facilitando o encontro entre oferta e demanda.

Os marketplaces se assemelham a um grande centro comercial digital e a eficácia na categorização dos seus produtos pode direcionar os consumidores diretamente para a sua “loja”.

Assim, aprimorando a visibilidade e acessibilidade dos seus itens e, portanto, aumentando as chances de venda.

4. Estratégia Pós-venda

Você com certeza já ouviu essa frase: “manter um cliente é mais barato do que conquistar um novo”.

E não se trata somente de um ditado, mas de um dado que foi publicado pela HBR.

Dentro dessa máxima, a estratégia pós-venda emerge como um pilar vital para a sustentabilidade de qualquer negócio no marketplace.

Uma experiência de compra não termina quando o cliente clica em “comprar”, e sim quando ele está plenamente satisfeito com todo o processo de aquisição e uso do produto.

Assim, o atendimento pós-venda torna-se crucial para solidificar uma reputação positiva no ambiente online.

Construir um suporte dedicado, que esteja pronto para solucionar dúvidas e resolver eventuais contratempos de forma ágil e eficiente, não apenas gera satisfação no cliente atual, mas também se transforma em uma poderosa ferramenta de marketing.

Isso pode atrair novos consumidores que buscam não apenas um produto, mas uma compra segura e um relacionamento confiável com o vendedor.

5. Aposte na Multicanalidade

Estabelecer presença em várias plataformas de vendas é mais que uma estratégia: tornou-se quase um imperativo no mercado digital atual.

A multicanalidade (não confundir com omnichannel!) não apenas amplia a visibilidade da marca, mas também acessa diferentes segmentos de clientes que podem ser exclusivos de determinadas plataformas.

Vender em múltiplos canais exige uma operação integrada, na qual os processos de vendas, estoque e logística estejam sincronizados para evitar problemas e potencializar a experiência do cliente.

Com isso, um estoque unificado e uma estratégia de marketing coesa que permeia todos os canais são vitais.

Se posicionar em diversas plataformas proporciona a chance de explorar as particularidades de cada uma delas, adaptando estratégias e personalizando abordagens.

É, assim, uma tática perspicaz que se ajusta e capitaliza sobre as preferências do consumidor moderno, que busca por conveniência e personalização.

Conclusão

E aí, gostou de aprender com as nossas dicas?

Lembre-se: cada passo, desde a pesquisa inicial até a implementação de uma estratégia eficaz, capaz de aumentar as vendas no marketplace.

Se quiser continuar aprendendo mais, que tal ficar de olho em nosso blog e no site Valeon Marketplace do Vale do Aço.

Aqui, trazemos insights e dicas para ajudá-lo a navegar com sucesso pelo universo do e-commerce.

O que é marketplace e por que investir nessa plataforma

ÚnicaPropaganda e Moysés Peruhype Carlech

Milhares de internautas utilizam o marketplace diariamente para fazer compras virtuais. Mas muitos ainda desconhecem seu conceito e como ele funciona na compra e venda de produtos.

Afinal, o que é marketplace?

O marketplace é um modelo de negócio online que pode ter seu funcionamento comparado ao de um shopping center.

Ao entrar em um shopping com a intenção de comprar um produto específico, você encontra dezenas de lojas, o que lhe permite pesquisar as opções e os preços disponibilizados por cada uma delas. Além de comprar o que você planejou inicialmente, também é possível consumir outros produtos, de diferentes lojas, marcas e segmentos.

Leve isso ao mundo virtual e você entenderá o conceito de marketplace: um lugar que reúne produtos de diversas lojas, marcas e segmentos. A diferença é que no ambiente virtual é mais fácil buscar produtos, e existe a facilidade de comprar todos eles com um pagamento unificado.

Os principais marketplaces do Brasil

A Amazon foi a primeira a popularizar esse modelo de negócio pelo mundo, e até hoje é a maior referência no assunto

No Brasil, o marketplace teve início em 2012. Quem tornou a plataforma mais conhecida foi a CNova, responsável pelas operações digitais da Casas Bahia, Extra, Ponto Frio, entre outras lojas.

Hoje, alguns nomes conhecidos no marketplace B2C são: Americanas, Magazine Luiza, Netshoes, Shoptime, Submarino e Walmart. No modelo C2C, estão nomes como Mercado Livre e OLX. Conheça os resultados de algumas dessas e de outras lojas no comércio eletrônico brasileiro.

Aqui no Vale do Aço temos o marketplace da Startup Valeon que é uma Plataforma Comercial de divulgação de Empresas, Serviços e Profissionais Liberais que surgiu para revolucionar o comércio do Vale do Aço através de sua divulgação online.

Como escolher o marketplace ideal para sua loja

Para ingressar em um marketplace, é preciso cadastrar sua loja, definir os produtos que serão vendidos e iniciar a divulgação. Mas é fundamental levar em consideração alguns pontos importantes antes de decidir onde incluir sua marca:

Forma de cobrança: cada marketplace possui seu modelo de comissão sobre as vendas realizadas, que pode variar de 9,5% a 30%. O que determina isso é a menor ou maior visibilidade que o fornecedor atribuirá a seus produtos. Ou seja, o lojista que quer obter mais anúncios para seus produtos e as melhores posições em pesquisas pagará uma comissão maior.

Na Startup Valeon não cobramos comissão e sim uma pequena mensalidade para a divulgação de seus anúncios.

Público-alvo: ao definir onde cadastrar sua loja, é essencial identificar em quais marketplaces o seu público está mais presente.

Garantimos que na Valeon seu público alvo estará presente.

Concorrentes: avalie também quais são as lojas do mesmo segmento que já fazem parte da plataforma e se os seus produtos têm potencial para competir com os ofertados por elas.

Felizmente não temos concorrentes e disponibilizamos para você cliente e consumidores o melhor marketplace que possa existir.

Reputação: para um marketplace obter tráfego e melhorar seus resultados em vendas precisa contar com parceiros que cumpram suas promessas e atendam aos compradores conforme o esperado. Atrasos na entrega, produtos com qualidade inferior à prometida e atendimento ineficiente são fatores que afastam os usuários que costumam comprar naquele ambiente virtual. Ao ingressar em um marketplace, certifique-se de que a sua loja irá contribuir com a boa reputação da plataforma e pesquise as opiniões de compradores referentes às outras lojas já cadastradas.

Temos uma ótima reputação junto ao mercado e consumidores devido a seriedade que conduzimos o nosso negócio.

Vantagens do marketplace

A plataforma da Valeon oferece vantagens para todos os envolvidos no comércio eletrônico. Confira abaixo algumas delas.

Para o consumidor

Encontrar produtos de diversos segmentos e preços competitivos em um único ambiente;

Efetuar o pagamento pelos produtos de diferentes lojistas em uma única transação.

Para o lojista

Ingressar em um comércio eletrônico bem visitado e com credibilidade, o que eleva a visibilidade de seus produtos;

Fazer parte de uma estrutura completa de atendimento e operação de vendas com um menor investimento, considerando que não será necessário pagar um custo fixo básico, como aconteceria no caso de investir na abertura de uma loja física ou online.

Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:

• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;

• Atraímos visualmente mais clientes;

• Somos mais dinâmicos;

• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;

• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;

• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.

• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as suas vendas.

Para o Marketplace

Dispor de uma ampla variedade de produtos em sua vitrine virtual, atraindo ainda mais visitantes;

Conquistar credibilidade ao ser reconhecido como um e-commerce que reúne os produtos que os consumidores buscam, o que contribui até mesmo para fidelizar clientes.

Temos nos dedicado com muito afinco em melhorar e proporcionar aos que visitam o Site uma boa avaliação do nosso canal procurando captar e entender o comportamento dos consumidores o que nos ajuda a incrementar as melhorias e campanhas de marketing que realizamos.

 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

O QUE O PRESIDENTE DO STF FOI FAZER EM DAVOS?

História por Redação  • IstoÉ Dinheiro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, é a principal autoridade brasileira presente no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, a qual reúne as lideranças mundiais, CEOs de empresas e representantes da sociedade civil até esta sexta-feira, 19. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), não foram ao evento.

Segundo o STF, Barroso foi convidado pela organização do Fórum a ir até Davos, como magistrado e acadêmico, para discutir os temas abordados pelas autoridades globais. O ministro participou de debates sobre o papel da Amazônia no enfrentamento da mudança climática, a regulação da inteligência artificial e os desafios da América Latina. Essa é a primeira vez que o presidente do STF participa do encontro.

“Barroso foi convidado a participar do evento em razão de sua conexão com os temas discutidos no fórum em sua condição de magistrado e de acadêmico – além de participar de discussões nas universidades brasileiras, o ministro também debate as questões em universidades pelo mundo”, informou a Corte.

Além de Barroso, a comitiva brasileira é formada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pela ministra da Saúde, Nísia Trindade e pelo assessor de Assuntos Internacionais, Celso Amorim. O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, chegou a confirmar a ida para o evento, mas desistiu de integrar a equipe do governo Lula de última hora.

O Fórum de Davos é um encontro anual tradicionalmente realizado no mês de janeiro em Davos, que reúne os principais líderes do setor privado global. Líderes políticos, como chefes de governo e ministros de Estado, também são convidados para o evento, que conta com palestras, seminários e painéis sobre desenvolvimento econômico.

Barroso disse que Brasil pode perder soberania da Amazônia para o crime organizado

Nesta quarta-feira, 17, Barroso afirmou que o Brasil pode perder a soberania da Floresta Amazônica para o crime organizado. De acordo com o presidente do STF, o risco existe por conta da relevância de estradas e rios da região para o transporte do comércio internacional de drogas.

Segundo o presidente do STF, o crime organizado somou-se aos problemas que já assolavam a região, como “a extração ilegal de madeira, a mineração ilegal e a grilagem de terras e as queimadas”. “Também passou a ser rota do tráfico”, disse o ministro.

“Essa é uma guerra que nós estamos perdendo. Não importa a visão de cada um sobre o endurecimento da repressão ou sobre as experiências de legalização que há em outros países. Seja qual for o caminho que se escolha, nós temos que partir do pressuposto que o que nós estamos fazendo não está dando certo”, disse Barroso, ressaltando a importância para uma política de segurança pública mais “abrangente”.

Presidente do STF defendeu regulação da inteligência artificial

O magistrado também defendeu a regulação da inteligência artificial nesta quarta-feira, afirmando que as plataformas oferecem um risco potencial para a democracia. O presidente do STF também declarou que a campanha eleitoral nos Estados Unidos, que ocorre neste ano, pode servir como um teste para o combate ao deepfake – técnica para adulteração de áudios e vídeos para atribuir frases e ações a uma determinada pessoa.

“Tem muitos riscos da inteligência artificial. Um deles é esse. O seu impacto sobre as democracias. As potencialidades da desinformação e do deepfake. Porque a democracia é feita da participação esclarecida das pessoas. Um mecanismo que possa massificar a desinformação pode produzir um impacto extremamente negativo sobre a liberdade das pessoas e sobre a democracia”, afirmou Barroso.

O presidente do Supremo também destacou o impacto da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho e a possibilidade de uso da tecnologia para fins bélicos. Entre os benefícios da tecnologia, Barroso listou o auxílio para tomadas de decisão em diversas áreas, a automação de “tarefas repetitivas e desgastantes” para humanos e as aplicações em medicina, pesquisa e inovação.

O post O que o presidente do STF foi fazer no Fórum Econômico Mundial; saiba apareceu primeiro em ISTOÉ DINHEIRO.

 

GOIVERNO QUER LIMITAR DEDUÇÃO DE SAÚDE NO IMPOSTO DE RENDA

História por ADRIANA FERNANDES, IDIANA TOMAZELLI E FÁBIO PUPO  • Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A área econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda criar um teto para o desconto de despesas médicas no IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física), a exemplo da regra existente atualmente para gastos com educação.

O tema é sensível politicamente, mas técnicos do governo têm a avaliação de que a falta de um limite acaba privilegiando contribuintes com renda mais alta. Além disso, o abatimento tem sido fonte de abusos e um ralo para a arrecadação pública.

Um exemplo conhecido dessas distorções, que há muitos anos as diferentes administrações tentam conter, é o desconto de despesas com botox (substância usada em procedimentos estéticos) —em muitos casos declarado como um gasto voltado ao tratamento de doenças dermatológicas.

A legislação brasileira permite que despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, exames laboratoriais, hospitais, clínicas e planos de saúde sejam abatidas integralmente da base de cálculo do IR a ser pago, independentemente do valor.

Como as alíquotas são estimadas sobre uma base menor, o contribuinte recolhe menos imposto.

O valor da renúncia ligada à dedução das despesas médicas no IRPF foi crescente na última década, passando de R$ 11,8 bilhões, em 2010, para R$ 18,3 bilhões, em 2020 (em valores de 2020).

Em 2022, o montante total de gastos com saúde deduzido pelos contribuintes chegou a R$ 128 bilhões. Ao não cobrar imposto sobre esses valores, a Receita teve uma perda de arrecadação de R$ 17 bilhões, segundo dados do órgão.

Um relatório anterior do governo mostrou que apenas 0,8% das deduções médicas são usadas pelos 50% mais pobres da população, enquanto 88% contemplam os 20% com maior renda.

As discussões sobre o IR fazem parte de uma força-tarefa para identificar políticas públicas que possam ser reformuladas ou até mesmo revistas para abrir espaço no Orçamento nos próximos anos.

A viabilidade técnica e política dessas iniciativas será alvo de discussão na JEO (Junta de Execução Orçamentária), colegiado formado pelos ministros da Fazenda, Planejamento, Casa Civil e Gestão.

O grupo vai analisar uma lista de políticas que poderão ser modificadas, debater quais são viáveis e dar sinal verde para o Executivo buscar as mudanças necessárias. O objetivo dessa estratégia é obter respaldo político dentro do próprio governo para bancar as alterações, muitas delas impopulares.

Além disso, o governo quer usar o fórum da JEO para instituir uma espécie de incentivo aos órgãos para ampliar a eficiência de suas políticas. Uma ideia preliminar é preservar de eventuais contingenciamentos aqueles ministérios mais empenhados na revisão, que também poderiam ganhar prioridade nas solicitações de recursos decididas pela junta de ministros.

Em janeiro de 2023, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) defendeu um pente-fino nas deduções do Imposto de Renda. “A primeira providência é fazer um pente-fino em abuso. Toda vez que não tem teto, limite de dedução, se identifica abuso”, disse à época, em entrevista ao portal Brasil 247.

O tema, porém, é sensível e deve acirrar os debates dentro do governo.

Na MP (medida provisória) da reoneração da folha de pagamentos dos 17 setores, uma prévia desse debate já levou à proposta de fim do Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos)

—criado durante a pandemia e que resultou em uma renúncia até sete vezes o previsto, segundo a equipe econômica.

O novo arcabouço fiscal atrela o reequilíbrio das contas públicas em grande parte ao aumento da arrecadação, mas há uma avaliação entre técnicos de que a munição de Haddad para elevar receitas pode estar no fim —o que fortalece o movimento de avaliação na parte das despesas.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, manifestou essa opinião recentemente.

“A gente tem uma renda per capita relativamente baixa para uma carga fiscal que é relativamente alta. Então, mostra que tem pouco espaço de manobra em termos de arrecadação adicional”, disse há menos de um mês.

Segundo interlocutores, há também certo consenso dentro do governo de que não há clima para debater mudanças em algumas políticas, como o abono salarial —espécie de 14º salário pago a trabalhadores formais com renda de até dois salários mínimos.

Embora haja uma série de avaliações que apontam a ineficiência do benefício, previsto na Constituição, o cálculo dentro do Executivo é que não há como comprar essa briga em ano de eleições municipais.

O Orçamento do governo segue apertado com a meta de zerar o déficit das contas públicas e buscar o superávit de 1% do PIB em 2026 para conter a alta da dívida pública.

O diagnóstico dos técnicos é que o governo precisa de fato enfrentar a agenda de revisão de gastos que tenham dimensão relevante.

Em 2021, o Executivo publicou o relatório da avaliação feita pelo Conselho de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas (Cemap) das deduções médicas no IRPF.

A conclusão, que é usada pelo governo nas discussões, é que esse benefício tributário teria de passar por um redesenho por causa dos efeitos distributivos regressivos. Ou seja, quem tem uma renda maior acaba sendo mais beneficiado pelas deduções.

O relatório projetou um crescimento real (acima da inflação) das deduções de 65% até 2030, principalmente em decorrência do envelhecimento da população brasileira.

O benefício de dedução de despesas médicas do IRPF é disciplinado pelo artigo 8º da lei 9.250/95. Para alterá-lo, portanto, é necessário obter aval do Congresso.

As discussões são feitas enquanto o governo precisa preparar uma proposta de reformulação na tributação da renda. A iniciativa é exigida pela emenda constitucional da reforma tributária sobre o consumo, promulgada no mês passado e que dá 90 dias para o projeto do Executivo sobre o tema chegar ao Congresso.

O presidente da Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), Mauro Silva, defende que o teto para o abatimento seja suficiente para acomodar os gastos com planos de saúde de uma família e não fique em um nível muito baixo, como o limite para a dedução das despesas com educação.

O limite hoje das despesas com educação anual é de R$ 3.561,50. Silva defendeu uma maior ação da fiscalização para coibir fraudes, como as que ocorrem como a dedução ilegal de despesas com botox.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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