sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

LULA QUER RESSUSCITAR A REFINARIA ABREU LIMA ALVO DA LAVA JATO

História por JOSÉ MATHEUS SANTOS E RENATA GALF  • Folha de S. Paulo

IPOJUCA, PE, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta quinta-feira (18), em referência à Lava Jato, ainda que sem mencioná-la explicitamente, que tudo que aconteceu no Brasil foi “uma mancomunação” de alguns juízes e procuradores brasileiros “subordinado ao departamento de Justiça dos Estados Unidos que queriam e nunca aceitaram o Brasil ter uma empresa como a Petrobras”.

A fala foi feita durante visita para anúncios de investimentos na refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, a 43 km do Recife.

“Tudo o que aconteceu nesse país foi uma mancomunação entre alguns juízes desse país, alguns procuradores desse país, subordinado ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos que queriam e nunca aceitaram o Brasil ter uma empresa como a Petrobras”.

“Eles não queriam que a gente tivesse a Petrobras em 1953”, afirmou logo após a fala sobre os estadunidenses. Lula também afirmou, no discurso, que o Brasil tem “uma elite com complexo de vira-lata, subordinada aos interesses dos outros e com pouco interesse nesse país”.

“Somente cinco anos depois [de deixar a Presidência] começou o processo de denúncia contra a Petrobras, que, na verdade, não era contra a Petrobras, se quiser apurar corrupção, apura-se. O que não pode punir é a soberania do país e da sua empresa mais importante que é a Petrobras”, afirmou.

A refinaria foi um dos símbolos do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato e teve peso importante no maior prejuízo já registrado pela estatal, em 2014, fruto de baixas contábeis em investimentos que não tinham viabilidade econômica.

O empreendimento, lançado em 2005 em parceria com a estatal venezuelana PDVSA, sob o governo de Hugo Chávez, não foi completamente terminado e, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União), já gerou perdas de aproximadamente R$ 15,5 bilhões, operando com menos da metade da capacidade projetada.

Ela esteve na sentença condenatória de Lula em primeira instância no caso do tríplex, em Guarujá (SP), assinada pelo então juiz Sergio Moro no âmbito da Operação Lava Jato e que foi depois anulada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Moro afirmou na sentença condenatória que o petista havia recebido vantagem indevida pela OAS, participante de consórcio para construção da refinaria com a Petrobras.

Após deixar a magistratura e se tornar ministro de Jair Bolsonaro (PL), o hoje senador pela União Brasil foi declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal em sua atuação nos processos de Lula e teve suas decisões anuladas.

Lula foi à região anunciar investimentos ao projeto, previstos pelo novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e pelo Plano Estratégico da Petrobras, de 2023 a 2027.

O projeto de expansão do chamado trem 2 da refinaria acrescenta capacidade de refino de 150 mil barris de petróleo, com a produção de 300 milhões de litros de diesel ao ano. Ele foi aprovado ainda no governo Jair Bolsonaro (PL), após dificuldade na venda do ativo por não estar concluído.

A primeira unidade da refinaria, com capacidade para refinar 115 mil barris de petróleo por dia, está em operação desde 2014. A Petrobras chegou a negociar o ativo durante a gestão Bolsonaro, mas não conseguiu concluir a venda. A avaliação da empresa é que a obra inacabada acrescentava riscos para eventuais compradores e, em novembro de 2020, sua conclusão foi aprovada pelo conselho de administração. Com a mudança de governo, a venda está descartada.

Pela manhã, Lula cumpriu agenda em Salvador. Depois, deixou a Bahia rumo a Pernambuco, onde vai dormir nesta quinta. Na sexta, terá compromisso no Recife, onde participa da passagem de chefia no Comando Militar do Nordeste –e em seguida segue rumo ao Ceará para o lançamento da pedra fundamental do campus do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) em Fortaleza.

A viagem pelos três principais estados do Nordeste abre a série de roteiros que Lula promete fazer neste ano pelo Brasil. O presidente disse publicamente que quer viajar mais pelo Brasil em 2024, após priorizar a agenda internacional em 2023, o primeiro ano do mandato atual.

Em Ipojuca, Lula estava acompanhado da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), que tem feito acenos ao presidente em indícios de uma possível aproximação futura. Também estavam presentes a senadora Teresa Leitão (PT-PE), a prefeita de Ipojuca, Célia Sales (PP), e o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

 

OTAN MOBILIZA MAIS DE 90 MIL SOLDADOS PARA EXERCÍCIOS MILITARES COMO PREPARAÇÃO PARA CONFLITO COM A RÚSSIA

 

História por admin3  • IstoÉ

Alemanha participará do exercício com 12 mil soldados. Na foto, um blindado alemão do tipo Leopard em uso pelo Exército da Hungria (imagem de arquivo)© Fornecido por IstoÉAliança vai mobilizar cerca de 90 mil soldados de todos os 31 países-membros, mais a Suécia, que está em processo de adesão. Manobras simularão ataque russo, e Exército alemão deve contribuir com 12 mil militares.Em um sinal explícito de advertência à Rússia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) anunciou a mobilização de mais de 90 mil soldados para um exercício no flanco leste da aliança que começa na semana que vem e segue até maio.

É a primeira vez desde o fim da Guerra Fria (1947-1991) que um contingente desta magnitude será mobilizado pela aliança.

O número é mais do que o dobro do que os 40 mil originalmente previstos na operação “Steadfast Defender” (defensor inabalável, em tradução livre), cujo objetivo autodeclarado é deixar claro para o Kremlin que os 31 países da aliança e a recém-chegada Suécia, que está em processo de adesão à Otan, estão prontos para reagir de forma rápida e eficaz a uma eventual agressão do regime de Vladimir Putin.

Aliança se prepara para conflito com a Rússia

“Estamos nos preparando para um conflito com a Rússia e grupos terroristas”, disse o presidente do Comitê Militar da Otan, o almirante holandês Rob Bauer. “Se nos atacarem, precisamos estar prontos.”

Em um cenário desses, o chamado Artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte seria invocado. Este artigo regula o compromisso de assistência mútua na aliança e determina que um ataque armado contra um ou mais membros é considerado um ataque contra todos.

Com o exercício, os membros da aliança querem treinar principalmente a capacidade de alarmar e mobilizar tropas nacionais e internacionais, inclusive através do Atlântico. Cerca de 50 navios de guerra, 80 aeronaves e 1,1 mil veículos de combate de todos os tipos participarão das atividades.

Comandante-geral da Otan na Europa, o general Christopher Cavoli afirmou que as tropas simularão uma invasão russa a um dos países membros.

A área de treinamento se estende da Noruega, passando por Letônia e Lituânia – os três fazem fronteira com a Rússia –, até países como a Polônia e a Romênia – esta última separada da Rússia pelo Mar Negro, palco de hostilidades recorrentes desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.

Aliança se expandiu após invasão da Ucrânia

O anúncio da Otan vem às vésperas do aniversário da invasão russa da Ucrânia, que completará dois anos em 24 de fevereiro, e em meio à intensificação dos bombardeios de Moscou a Kiev.

Um dos argumentos da Rússia para justificar a invasão era de que a pretensão da Ucrânia de juntar-se à Otan representava uma ameaça ao Kremlin; Kiev, por sua vez, alegava precisar da proteção da aliança diante das ameaças de Moscou.

A adesão da Ucrânia à Otan acabou não avançando, mas a guerra acabou impulsionando a expansão da aliança com a chegada de Finlândia e, mais recentemente, Suécia. Além desses dois países, a Georgia, que se vê militarmente às voltas com a Rússia desde 2008, e a Bósnia e Herzegovina, também estão batendo à porta da Otan.

Papel das Forças Armadas alemãs

As Forças Armadas alemãs afirmam estar envolvidas de forma significativa na mobilização, participando, entre outras coisas, de um grande exercício de quatro etapas chamado “Quadriga 2024”.

Até o final de maio, mais de 12 mil soldados alemães estarão em operação, treinando principalmente habilidades para a rápida mobilização de forças no flanco leste da Otan. A partir de meados de maio, a 10ª Divisão Blindada, por exemplo, moverá soldados com veículos de combate para a Lituânia por diferentes rotas e lá demonstrará suas capacidades de combate em uma simulação.

Maior exercício desde pelo menos 1991

Até hoje, o maior exercício da Otan desde o fim da Guerra Fria foi realizado em 2018, envolvendo cerca de 51 mil soldados. O “Trident Juncture” teve foco na Noruega, que compartilha uma fronteira de 198 km de extensão no extremo norte do planeta com a Rússia.

Os últimos exercícios da Otan que foram maiores do que o exercício agora planejado aconteceram antes da dissolução da União Soviética em 1991. Na época, ainda existia a série de exercícios “Return of Forces to Germany” (Retorno das Forças para a Alemanha). Em 1988, por exemplo, cerca de 125 mil soldados participaram desse exercício.

MILITARES NÃO ESTÃO FISCALIZANDO AS TERRAS YANOMAMIS

 

História por VINICIUS SASSINE  • Folha de S. Paulo

BOA VISTA, RR (FOLHAPRESS) – O dia a dia na Terra Indígena Yanomami, a percepção de agentes de fiscalização e a constatação de integrantes do MPF (Ministério Público Federal) não deixam dúvidas: as Forças Armadas ampliaram nos últimos meses a ausência de ações de combate ao garimpo ilegal no território.

O movimento coincide com a retomada da força da exploração ilegal de ouro e cassiterita na região. Na terça, uma operação da Polícia Federal apreendeu equipamentos utilizados por garimpeiros que atuam na área. Ninguém foi preso.

O garimpo passou a estar mais presente na região de Surucucu, onde o Exército tem um PEF (Pelotão Especial de Fronteira). E passou a contar com entrepostos logísticos em Auaris, onde a Força também tem um PEF. Não há movimentação e articulação frequentes de militares desses postos em repressão às atividades criminosas na região, que é de fronteira com a Venezuela.

Há falhas do controle do espaço aéreo feito pela Aeronáutica, uma vez que aeronaves do garimpo circulam livremente pelo território. Na linha da fronteira, uma pista de pouso clandestino abriga nove aviões de pequeno porte, suspeitos de abastecer os maiores garimpos da terra yanomami.

O governo federal afirma que a pista está em território venezuelano, poucos quilômetros adentro, o que impediria uma ação de repressão à estrutura criminosa. As aeronaves, porém, circulam pelo lado brasileiro, como constataram agentes de órgãos como o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

As Forças Armadas também desmontaram uma base de abastecimento de combustíveis que funcionava na região do Palimiú. Essa base era considerada fundamental para a autonomia dos voos dos helicópteros do Ibama, principal responsável pelo combate ao garimpo ilegal desde o início da operação de desintrusão –de retirada de não indígenas–, em fevereiro de 2023.

Sem a base, desmontada no segundo semestre de 2023, os agentes não conseguem mais percorrer longas distâncias. Auaris, a região mais distante, na fronteira com a Venezuela, não é alcançada por ações de fiscalização.

O MPF constatou que as Forças Armadas assumiram ações mais efetivas de repressão ao garimpo a partir do decreto do presidente Lula (PT), de 22 de junho de 2023, que ampliou a possibilidade de atuação dos militares no combate à atividade criminosa.

Pelo decreto, ficou permitida a atuação direta no combate aos garimpos, com patrulhamentos de área, revistas de embarcações e prisões em flagrante. A eficiência e permanência dessas ações duraram pouco, e garimpos ressurgiram com força de setembro em diante, conforme o MPF em Roraima.

Agentes de fiscalização apontam ainda erros de estratégia em incursões da Marinha, com uso de embarcações, enquanto a repressão ao garimpo ilegal demanda ações ostensivas por ar. Não há garimpo na terra yanomami sem o abastecimento logístico por frotas de aviões clandestinos. O território é o maior do país, de difícil acesso. Incursões aéreas são imprescindíveis para esse acesso.

Questionado pela Folha, o Ministério da Defesa não comentou os pontos elencados pela reportagem à pasta.

Em nota, o ministério afirmou que o esforço aéreo no combate ao garimpo ilegal somou 7,4 mil horas de voo, o equivalente a “mais de 40 voltas na Terra”.

“Os militares detiveram 165 suspeitos, entregues aos órgãos de segurança pública. Para as ações foram empregados, aproximadamente, 1.400 militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica”, cita a nota.

As Forças Armadas fizeram 3.029 atendimentos médicos e 205 remoções aéreas de pacientes, segundo a Defesa. O apoio logístico das Forças permitiu a distribuição de 766 toneladas de alimentos e materiais aos yanomamis, o equivalente a 36,6 mil cestas de alimentos, conforme o ministério.

“Por determinação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, as Forças Armadas vão realizar a entrega de cestas básicas até que seja firmado contrato entre o governo federal e a iniciativa privada para fornecimento de cestas básicas, o que está previsto para ocorrer até março”, disse a pasta.

A maior ausência dos militares ocorre num momento de domínio de facções criminosas em áreas de garimpos na terra indígena. Dos 20 mil invasores existentes no auge da crise, em 2022, permanecem cerca de 3.000, sendo uma parte mais ligada a facções, segundo agentes que atuam em ações de combate ao garimpo ilegal.

Em reuniões entre diferentes órgãos do governo federal, feitas periodicamente, integrantes do Exército já apontaram a ameaça de conflito da Venezuela contra a Guiana –dentro de uma disputa territorial– como justificativa para encolhimento das ações na terra yanomami. Uma incursão de tropas por terra passaria necessariamente por Roraima.

Com a retomada de força pelo garimpo, a crise humanitária dos yanomamis persiste, com piora dos indicadores de saúde nos meses que coincidem com essa retomada.

O relatório mais recente do COE (Centro de Operação de Emergências) Yanomami, vinculado ao Ministério da Saúde, mostra que 308 yanomamis –ou indígenas de subgrupos na região– morreram em 2023. Os dados vão até 30 de novembro. Mais da metade dos óbitos foi de crianças de até quatro anos. Entre as causas principais das mortes estão pneumonia, diarreia, malária e desnutrição.

No último dia 9, após reunião ministerial convocada por Lula, o governo federal anunciou a presença de uma “casa de governo” em Roraima para tratar das ações na terra yanomami e a instalação de três bases de vigilância no território, com forças de segurança como PF e Forças Armadas. Os gastos previstos são de R$ 1,2 bilhão.

PERSEGUIÇÃO OBSSESSIVA DO STF AOS ALIADOS DE BOLSONARO

 

História por MATHEUS TEIXEIRA  • Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) saíram em defesa do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), alvo de operação da Política Federal nesta quinta-feira (18), e reforçaram as críticas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes –que autorizou medidas de busca e apreensão contra o parlamentar.

A análise de pessoas próximas ao ex-mandatário é a de que a ação da Polícia Federal ajuda a consolidar a polarização no país e o discurso de perseguição contra bolsonaristas por parte do magistrado.

Apesar do diagnóstico de que a ação não tem grande impacto na imagem do grupo político encabeçado por Bolsonaro, a operação teve o efeito de espalhar medo entre aliados do ex-presidente.

Outros parlamentares citam em conversas reservadas que também tiveram contato com mobilizadores dos acampamentos golpistas em frente a quarteis generais após a eleição de 2022. Se esse for o parâmetro, dizem, também podem sofrer com ações policiais.

O temor foi ampliado pelo fato de o celular de Jordy ter sido apreendido, além de outros documentos que estavam em seus endereços. Como o deputado é líder da oposição na Câmara e tem bom trânsito com toda base bolsonarista, a PF pode ter acesso a diálogos dele com a maioria dos integrantes oposicionistas da Casa.

Aliados de Bolsonaro usaram as redes sociais para criticar a operação e defender Jordy.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é o integrante da família que tem relação mais próxima com o Judiciário e em alguns casos evita criticar o Supremo, classificou a operação como “óbvia perseguição política combinada com sorriso de vingança no canto da boca”.

“A forma como essa investigação está sendo conduzida é muito mais ‘lesa pátria’ que o próprio 8 de janeiro. A continuidade dela, além de autoritarismo e arrogância, é o mesmo que querer culpar a mulher que foi estuprada, ou seja, quem defende a democracia passou a ser o errado”, escreveu nas redes sociais.

O deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro de Bolsonaro, disse que a operação contra Jordy é “grave e inaceitável” por ser busca e apreensão em gabinete de um deputado federal eleito.

“Essa decisão monocrática constitui uma verdadeira afronta ao Poder Legislativo e fragiliza a já abalada harmonia entre os Poderes”, declarou.

Carlos Jordy foi alvo da Operação Lesa Pátria, destinada a identificar pessoas que planejaram, financiaram e incitaram os ataques às sedes dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

A ação foi autorizada por Moraes e teve parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Telefonemas e mensagens de um organizador de atos golpistas em Campos dos Goytacazes (RJ) motivaram o magistrado a autorizar buscas e apreensões da PF em endereços do deputado.

Segundo a PF, foram descobertos, a partir de informações obtidas em fases anteriores da operação, indícios de “fortes ligações” entre o vereador suplente da Câmara Municipal de Campos Carlos Victor de Carvalho, conhecido como CVC, e Jordy.

Carlos Victor organizava ao menos 15 grupos de WhatsApp com mensagens de teor golpistas, além de manifestações antidemocráticas.

Segundo a PF, há sinais de que Jordy orientava CVC e “tinha o poder de ordenar as movimentações antidemocráticas, seja pelas redes sociais ou agitando a militância da região”.

Para isso, citam uma mensagem de CVC ao deputado em 1º de novembro de 2022, quando ocorria bloqueios de rodovias em todo o Brasil após a vitória de Lula (PT) na disputa eleitoral pela Presidência.

“Bom dia meu líder. Qual direcionamento você pode me dar? Tem poder de parar tudo”, disse CVC a Jordi.

O deputado respondeu: “Fala irmão, beleza? Está podendo falar aí?”.

CVC, então, disse: “Posso irmão. Quando quiser pode me ligar”.

Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca no Rio de Janeiro (8) e no Distrito Federal (2). O deputado prestou depoimento nesta quinta na sede da PF no Rio.

“Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa e incitação ao crime”, informou a PF em nota.

LULA QUER RETOMAR O PODER DE INFLUÊNCIA SOBRE A VALE E QUER EMPLACAR O COMPANHEIRO GUIDO MANTEGA

História por Notas & Informações  • Jornal Estadão

O presidente Lula da Silva quer porque quer retomar o poder de influência sobre a Vale. Consta que o petista está fazendo o que pode para emplacar o companheiro Guido Mantega na empresa – como presidente ou como integrante do Conselho de Administração. Em qualquer hipótese, a simples possibilidade de que isso aconteça, mesmo que Mantega não tenha condições de mudar os rumos da Vale como deseja Lula, ajudou a derrubar as ações da companhia na Bolsa – investidor nenhum gosta de interferências políticas nas empresas em que põe dinheiro.

A intenção de fincar uma bandeira na mineradora, a segunda maior do mundo, traduz a obsessão de Lula e do PT em transformar as grandes empresas nacionais em agentes a serviço dos delirantes projetos desenvolvimentistas do lulopetismo. O caso da Vale é exemplar dessa sanha.

Lula vem desde pelo menos 2006 questionando os rumos da empresa depois de sua privatização, em 1997, sob a alegação de que privilegia a busca do lucro e coloca em segundo lugar o imperativo de investir no País e gerar empregos. Em 2009, em seu segundo mandato, Lula traçou o plano de substituir o então presidente da Vale, Roger Agnelli, porque este havia demitido 1.300 funcionários em razão da crise mundial de 2008 e, principalmente, porque havia se recusado a tocar adiante o projeto lulopetista de investir na área de siderurgia e de transformar a Vale em generoso cliente da inexistente indústria naval que Lula sonhava desenvolver. Agnelli não resistiu à pressão e caiu em 2011 – depois de manobras, ora vejam, do então ministro da Fazenda, Guido Mantega, que costurou apoio dos principais acionistas da Vale para afastar o executivo, tornando-se, ele mesmo, uma espécie de interventor informal da então presidente Dilma Rousseff na companhia.

Logo, chega a ser ofensiva a versão segundo a qual Lula estaria se empenhando em cavar um lugar para Mantega na Vale apenas para demonstrar gratidão ao ex-ministro por seus serviços prestados e arranjar-lhe um bom salário. Todos sabem que Mantega foi escolhido para essa missão porque é um tarefeiro do lulopetismo, como ficou claro, por exemplo, quando presidiu o Conselho de Administração da Petrobras, entre 2010 e 2015. Naquela época, Mantega deu aval aos projetos megalomaníacos que ajudaram a arruinar a empresa e atuou em favor da política suicida de preços dos combustíveis para socorrer a companheira Dilma, às voltas com uma inflação que corroía sua popularidade.

Portanto, ainda que Mantega seja um nome indelevelmente ligado ao que de pior o lulopetismo produziu, sobretudo na trágica passagem de Dilma Rousseff pela Presidência, quando ajudou a mascarar o desastre das contas públicas que culminaria em recessão e impeachment, ele não passa de um peão no projeto estatólatra de Lula.

Esse projeto inclui não só a Vale, mas também a Eletrobras, cuja privatização é tratada por Lula como “sacanagem”, “bandidagem” e “crime de lesa-pátria” – o presidente mandou entrar na Justiça para reaver o poder de decisão sobre a empresa, o que na prática representaria sua reestatização, um escandaloso retrocesso. E, claro, não se pode esquecer da Petrobras, cuja reconstrução após a razia lulopetista levou anos, mas que de uns tempos para cá voltou a navegar ao sabor dos interesses do governo, em franco desrespeito aos seus investidores privados.

Seria tolo esperar outra coisa de Lula, um presidente comprovadamente incapaz de imaginar o Brasil com uma economia que se desenvolva e se sustente por suas próprias forças, em razão de investimentos privados, num ambiente de livre competição, sem qualquer interferência estatal. Nos sonhos de Lula está um setor produtivo que deixe de buscar o lucro e seja voluntarioso agente de seus fantásticos projetos de desenvolvimento liderados pelo Estado – todos já devidamente desmoralizados ao longo da trevosa era em que o lulopetismo exerceu o poder.

 

A TOMADA DE DADOS É CRUCIAL PARA CONSEGUIR NOVOS CLIENTES E MANTER OS ANTIGOS

 

POR MYBI – BUSINESS INTELLIGENCE

O mercado tem se tornado mais competitivo a cada ano. As empresas estão tentando constantemente se diferenciar para conseguir conquistar novos clientes e manter os antigos. Nesse cenário, a tomada de decisão baseada em dados é crucial.

Neste artigo, você pode entender melhor no que consiste essa estratégia e os motivos pelos quais ela é tão fundamental para o sucesso dos negócios. Continue a leitura!

O conceito da tomada de decisão baseada em dados

É um processo que envolve a coleta de informações com base em indicadores mensuráveis, analisando padrões e fatos desses insights e utilizando-os para desenvolver estratégias e ações operacionais que beneficiam os negócios em várias áreas.

Fundamentalmente, a tomada de decisão baseada em dados significa que a empresa passa a trabalhar em direção aos principais objetivos de negócios, alavancando números verificados, correlacionados e analisados, em vez de fazer escolhas apenas se valendo de opiniões.

A ciência de dados

Para extrair valor genuíno de seus dados, eles devem ser precisos e relevantes para seus objetivos. O processo de coleta, extração, formatação e análise de informações já foi bastante complicado principalmente em virtude da dispersão e da confiabilidade.

Hoje, porém, o desenvolvimento e a acessibilidade de softwares de business intelligence são capazes de empoderar os usuários, mesmo que eles não tenham conhecimentos técnicos a respeito das tecnologias. Isso é feito por meio de dashboards que apresentam os gráficos e indicadores de maneira bastante visual e intuitiva.

A partir desses desenvolvimentos, a ciência dos dados evoluiu de maneira gigantesca. É uma disciplina em que as habilidades e as estatísticas de tecnologia da informação passam a atender às necessidades corporativas, propiciando meios para que sejam realizadas análises mais quantitativas, em vez de apenas qualitativas.

A análise quantitativa dos dados concentra-se em números e estatísticas — a mediana, o desvio padrão e outros modelos matemáticos. Esse tipo de cálculo parte de fórmulas e não de observações.

Já a análise qualitativa concentra-se em informações que não são definidas por números ou métricas. Por exemplo, entrevistas, vídeos e impressões. É baseada no que as pessoas acham a respeito de algo. É claro, essas visões que partem de experiências e intuições também podem ser úteis, mas não devem ser as prioritárias.

É preciso também evitar o fenômeno conhecido como HiPPO. Esse é um acrônimo, em inglês, para algo como “a opinião da pessoa mais bem paga”. É utilizado para descrever a tendência de colaboradores repassarem a tomada de decisão para aqueles que ocupam cargos mais altos na hierarquia, mesmo que eles façam as opções sem nenhum embasamento factual.

O termo se refere, por vezes, à confiança de uma organização no instinto humano, em vez de dados no processo de tomada de decisão, algo que está cada vez mais sendo contraindicado.

A aplicação da estratégia orientada a dados

A importância dos dados na decisão reside na consistência e no crescimento contínuo. Eles permitem às empresas criar novas oportunidades de negócios, gerar mais receita, prever tendências futuras, otimizar os esforços operacionais atuais e produzir insights sobre ações que podem ser executadas.

Dessa forma, é possível crescer, evoluir e alcançar sucesso ao longo do tempo, tornando a organização mais adaptável como resultado. O mundo digital está em constante estado de fluxo e, para acompanhar o cenário com as diversas mudanças que estão acontecendo, é preciso aproveitar os dados para que as diretrizes adotadas sejam mais poderosas.

A tomada de decisão baseada em dados é, portanto, fundamental para que um negócio possa acontecer de acordo com o planejamento. São essas análises que permitem deixar de lado as escolhas feitas apenas a partir das impressões de quem está no comando.

5 tipos de tomada de decisão que todo gestor precisa dominar

Amcham Brasil – Blog

Para tomar decisões mais adequadas e melhorar os resultados da empresa, conhecer os diferentes tipos de tomada de decisão é muito importante. Confira!

A tomada de decisão nas empresas é um processo essencial, uma vez que afeta diretamente a rotina dos negócios e dos colaboradores, gerando oportunidades ou até mesmo riscos. Portanto, as escolhas devem ser feitas de maneira adequada para aumentar as chances de obter impactos positivos.

Nesse momento, conhecer os tipos de tomada de decisão é muito importante para proporcionar ganhos na cultura organizacional. Além de auxiliar na visualização de oportunidades, essa prática contribui para que as lideranças conheçam todas as alternativas possíveis, estejam preparadas para riscos e previnam consequências negativas ao executar um projeto.

Para que você saiba mais sobre o assunto e consiga direcionar melhor os rumos de sua empresa, preparamos este artigo com os 5 principais tipos de tomadas de decisão. Acompanhe!

Quais são os tipos de tomada de decisão que todo gestor precisa dominar?

Assim como agir por impulso não é uma ação considerada eficaz, levar um tempo muito longo para tomar uma decisão também é inadequado. Porém, quais são os tipos de tomada de decisão que um gestor precisa conhecer? A seguir, listamos os 5 principais.

1. Tomada de decisão intuitiva

Esse tipo de tomada de decisão tem como base a intuição e o instinto do profissional — também chamado de “sexto sentido”. Nesse caso, as escolhas são feitas a partir de pouco ou nenhum conhecimento do assunto envolvido, deixando de lado dados técnicos ou estudos.

Em geral, uma decisão intuitiva é tomada por profissionais que têm como característica a falta de planejamento, o que leva a uma conclusão baseada somente em experiências prévias, achismos e respostas emocionais. Por esses motivos, é um tipo de tomada de decisão que traz riscos consideráveis para a organização.

2. Tomada de decisão racional

Ao contrário da ação intuitiva, agir de forma racional ao tomar uma decisão significa levar em consideração uma série de fatores lógicos e, como o próprio nome já diz, racionais. Essa escolha aporta mais resultados aos gestores.

Imagine que uma organização decida contratar uma solução tecnológica para automatizar processos junto a fornecedores, por exemplo. Ao tomar uma decisão intuitiva, o gestor escolherá o primeiro software que encontrar por “achar” ser uma boa escolha, sem considerar critérios relevantes.

Já uma decisão racional será tomada somente após uma pesquisa aprofundada, como uma análise das principais opções do mercado e suas características, comparação de orçamentos, entre outros aspectos.

3. Tomada de decisão colaborativa

Um tipo de tomada de decisão bastante comum nas organizações é a colaborativa. Como o nome indica, trata-se de uma ação tomada por mais de um profissional, tendo como principal vantagem o fato de agregar diferentes pontos de vista e opiniões.

Além disso, as decisões colaborativas reforçam a ideia de que as deliberações da empresa não são feitas somente pelos líderes, mas por toda a organização — embora a decisão final, na maioria das vezes, ainda seja dos líderes.

É um tipo de decisão mais abrangente, marcada pela descentralização do pensamento. Dessa forma, contribui para ações e resultados mais eficientes e duradouros, além de trazer uma redução na incidência de erros.

4. Tomada de decisão com base em valores

Os valores do gestor, desenvolvidos ao longo de sua vida, são considerados durante este tipo de tomada de decisão. Portanto, as ações da empresa podem ser influenciadas pela família, experiências de vida e profissionais, referências, entre outros fatores.

Mas não apenas os valores do líder são cogitados: a visão, a missão e os demais conceitos que guiam o negócio também embasam as decisões. Apesar de parecer semelhante à tomada de decisão intuitiva, a baseada em valores é mais sólida, já que as crenças são menos voláteis do que achismos ou atitudes de caráter mais emocional.

Vale destacar que os valores, apesar de muito importantes na vida das pessoas e no funcionamento das empresas, demandam cautela. Isso porque eles determinam o que é eticamente aceitável e politicamente correto, mas os valores pessoais podem entrar em conflito com os empresariais.

Nesse caso, a recomendação é que as decisões sejam complementadas por critérios técnicos, financeiros, administrativos, entre outros. Isso vai permitir uma atuação muito mais embasada e assertiva.

5. Tomada de decisão especializada

Por fim, temos a decisão especializada, que consiste em fazer deliberações na empresa com a ajuda de especialistas do setor. Por ser construído por um profissional experiente em determinado segmento, é um dos tipos de decisão mais confiáveis no universo organizacional.

As ações são tomadas a partir de informações relevantes da empresa e do mercado, de modo a embasar as decisões e tornar o processo mais estruturado.

Contar com a ajuda de um especialista pode ser crucial para uma atuação mais estratégica e competitiva no mercado. Isso porque, muitas vezes, os valores, a racionalidade e a opinião das equipes não são suficientes para fazer a melhor escolha.

Qual é a importância da tecnologia na tomada de decisões?

Para realizar uma gestão eficiente, o gestor deve acessar constantemente informações e relatórios a fim de obter dados relacionados à atuação da empresa e das equipes. Essa relevante tarefa de gestão evidencia a importância de contar com o auxílio das ferramentas tecnológicas certas, de modo a contribuir para que a empresa alcance os melhores resultados possíveis.

Graças aos insights que as ferramentas modernas de gestão aportam, é possível prever cenários e aprimorar a tomada de decisão. Portanto, é importante contar com soluções inovadoras, que vão contribuir diretamente para uma atuação mais estratégica e uma gestão ágil. Esses recursos vão tornar os processos mais eficientes e melhorar os resultados da companhia.

A tomada de decisão é uma importante etapa nas empresas, uma vez que garante o alcance de resultados mais precisos e permite conquistar uma atuação no mercado mais estratégica e competitiva. Após conferir os diferentes tipos de tomada de decisão neste conteúdo, você tem mais conhecimento para agir da melhor forma e fazer boas escolhas para o crescimento do seu negócio.

Eu e o ChatGPT sobre Mensuração de Audiência

User- Moysés Peruhype Carlech

Empresas fazem propaganda no Rádio, Jornais, Revistas e TV e não têm como medir a audiência para as suas divulgações e quando fazem propaganda na internet como no site marketplace Valeon do Vale do Aço querem saber a audiência e número de visitantes. Como definir isso?

ChatGPT

A mensuração da audiência e do desempenho de campanhas publicitárias na internet, como aquelas realizadas em marketplaces como o Valeon, pode ser feita por meio de várias métricas e ferramentas analíticas. Aqui estão algumas estratégias que as empresas podem adotar para medir a eficácia de suas campanhas online:

Google Analytics e Outras Ferramentas de Análise de Site:

Integre o Google Analytics ou outras ferramentas de análise de site ao seu site ou página no marketplace.

Acompanhe métricas como número de visitantes, tempo médio de visita, páginas visualizadas e taxa de rejeição.

Códigos de Rastreamento:

Utilize códigos de rastreamento únicos em suas URLs de campanha. Isso permite identificar a fonte do tráfego e avaliar a eficácia de cada canal de marketing.

Metas e Conversões:

Defina metas específicas, como preenchimento de formulários, compras ou visualização de páginas-chave, e acompanhe as conversões.

Analise o funil de conversão para identificar pontos de atrito.

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Use pixels de redes sociais, como o Facebook Pixel, para rastrear atividades e criar audiências personalizadas.

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Realize pesquisas online para obter feedback direto dos clientes sobre a eficácia das campanhas.

Analise comentários e avaliações nas redes sociais e em plataformas de avaliação.

Cupons e Ofertas Especiais:

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Acompanhamento do ROI (Retorno sobre Investimento):

Calcule o retorno sobre o investimento comparando os custos da campanha com os resultados alcançados, como vendas adicionais ou leads gerados.

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Ao integrar essas estratégias, as empresas podem obter uma visão abrangente do desempenho de suas campanhas online, entender a audiência-alvo e tomar decisões informadas para otimizar suas estratégias de marketing.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

POR QUE O MORO NÃO PODIA E O LEWANDOWISK PODE?

História por Redação  • IstoÉ Dinheiro

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), participou de uma solenidade no Palácio Iguaçu, em Curitiba, na tarde desta sexta-feira (10), em sua primeira visita à cidade desde que tomou posse. No mesmo dia, poucas horas antes, esteve em Foz do Iguaçu, assinando a ordem de serviço para a construção de uma nova ponte entre o Brasil e Paraguai.Na capital paranaense, onde chegou por volta das 16h40, a missão de Bolsonaro foi dar início ao funcionamento do Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública da Região Sul (CIISP-Sul), estrutura inaugurada em dezembro do passado pelo então ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

Choveram críticas quando Bolsonaro colocou Sergio Moro no Ministério da Justiça. E o que dizem agora, quando Lula dá o mesmo cargo a Lewandowski?O Brasil é mesmo um lugar cheio de surpresas e onde o mundo dá muitas voltas. Em 2019, a roda da fortuna levou o então juiz federal Sergio Moro, aclamado herói anticorrupção pela direita, ao posto de ministro da Justiça do governo do então presidente Jair Messias Bolsonaro.

Houve uma fúria grande na esquerda: pode o juiz da Lava Jato, que colocou o então candidatíssimo Luiz Inácio Lula da Silva na prisão, assumir um cargo no governo do candidato que se beneficiou dessa ação do juiz? Obviamente isso cheirava mal.

E não só desqualificou o trabalho da Lava Jato como um todo, mas foi um prego no caixão do combate à corrupção no Brasil.

Tiro no pé

Depois, a roda da fortuna levou Sérgio Moro para baixo. Espera-se para breve a cassação do seu mandato de senador. A transição de juiz para político, que parecia promissora, agora parece fadada ao fracasso.

Sem querer entrar aqui no mérito das decisões que Moro tomou contra Lula, sempre achei as ambições políticas dele um tiro no pé. Não só no dele, mas da democracia brasileira. A Justiça no Brasil já tem um forte jeito de atuar de forma política, o que não contribui, a meu ver, para um fortalecimento das instituições democráticas.

Sei que Bolsonaro não se importava com isso, mas Moro deveria ter tido mais bom senso e antenas para isso. Na democracia, não basta jogar de forma limpa: precisa ter uma aparência limpa.

Déjà vu

E o que dizer do fato de Lula colocar o ex-juiz do STF Ricardo Lewandowski no mesmo ministério que Moro ocupava? Como magistrado, Lewandowski deu várias decisões favoráveis a Lula. Votou a favor do entendimento de que um condenado poderá ser preso apenas após o trânsito em julgado do seu processo.

Mais tarde, Lewandowski não só deu à defesa de Lula acesso às provas dos processos contra o petista como ainda decretou o trancamento de uma ação penal em tramitação e de três investigações. Assim, repetiu a atuação que teve durante o Mensalão, quando emitiu decisões favoráveis aos réus petistas. Como fora nomeado, em 2006, por Lula, partes da sociedade entenderam sua atuação como parcial.

Em fevereiro, Lewandowski vai para o Ministério da Justiça, para substituir Flávio Dino, que faz o caminho inverso, de ministro para magistrado do STF. Tendo em mente todas as críticas à nomeação de Moro por Bolsonaro, a escolha de Lewandowski por Lula parece um déjà vu de sinal trocado.

O próprio Moro comentou a escolha de Lewandowski na sua conta na plataforma X: “Fica então entendido que aceitar cargo em ministério não é e nunca deveria ter sido causa de suspeição.”

Thomas Milz saiu da casa de seus pais protestantes há quase 20 anos e se mudou para o país mais católico do mundo. Tem mestrado em Ciências Políticas e História da América Latina e, há 15 anos, trabalha como jornalista e fotógrafo para veículos como a agência de notícias KNA e o jornal Neue Zürcher Zeitung. É pai de uma menina nascida em 2012 em Salvador. Depois de uma década em São Paulo, mora no Rio de Janeiro há quatro anos.

O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW.

O post Então Lewandowski pode o que Moro não podia? apareceu primeiro em ISTOÉ DINHEIRO.

 

GOVERNO LULA ENTRA EM NOVO ATRITO COM OS EVANGÉLICOS

História por RANIER BRAGON  • Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Líderes da bancada evangélica no Congresso Nacional afirmaram, nesta quarta-feira (17), terem visto como ataque político do governo Lula (PT) a suspensão de ato da Receita Federal editado pela gestão de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, um mês antes do início da campanha eleitoral.

O ADI (Ato Declaratório Interpretativo) nº 1, de 29 de julho de 2022, ampliou o alcance da isenção tributárias a pastores –forte núcleo de apoio a Bolsonaro, então candidato à reeleição– e estava sob investigação do TCU (Tribunal de Contas da União) desde 2022 e reanálise da Receita a partir do ano passado.

“É lamentável. Para um governo que diz reconhecer a importância das religiões e a necessidade de aproximação do segmento, fazer um movimento desses é incompreensível”, disse o coordenador da bancada evangélica, o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM).

Lula e o PT têm uma reconhecida dificuldade de penetração no meio evangélico –a última pesquisa Datafolha mostrou que seu governo é reprovado por 38% desse segmento, contra 30% da média nacional– e afirmam tentar estabelecer pontes.

O partido aposta na retomada de programas sociais para driblar a força do bolsonarismo no segmento, quer que o próprio Lula faça gestos às igrejas e defende que, para alcançar os evangélicos, o discurso político tem que ser muito mais amplo do que tradicionais campanhas de comunicação. Dirigentes petistas também pregam a necessidade de haver intermediação fora dos templos.

Reportagem da Folha de S.Paulo do início de janeiro mostrou que, embora a rejeição não tenha passado, há sinais de abrandamento na relação após um ano de gestão do petista.

“É um ato político do governo da esquerda, que quer voltar à velha prática da chantagem”, disse o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que é do partido de Bolsonaro e um dos principais críticos do governo Lula no Congresso.

“O ato [da Receita] só elucidava e explicava o óbvio. Agora nós voltaremos às velhas práticas que o governo da esquerda e o PT amam, que é a chantagem aos religiosos. Vão mandar os fiscais em cima das instituições religiosas para ficar produzindo chantagem: ‘Ou acorda e vota com a gente, ou vocês vão ficar sendo multados'”, disse Sóstenes.

Bolsonaro citou o ato que ampliou a isenção tributária a pastores em sua primeira viagem na campanha, em 16 de agosto de 2022, em um encontro com lideranças religiosas em Juiz de Fora (MG).

O ato aborda a prebenda, remuneração recebida pelos pastores e líderes religiosos por serviços prestados às igrejas.

A lei isenta a prebenda do recolhimento de contribuição previdenciária, desde que ela tenha relação com a atividade religiosa e não dependa da natureza ou da quantidade de trabalho.

A Receita, porém, havia detectado que algumas igrejas usavam a prebenda para driblar a fiscalização e distribuir uma espécie de participação nos lucros aos pastores que reuniam os maiores grupos de fiéis (beneficiando lideranças de templos em grandes cidades ou bairros, por exemplo) ou as maiores arrecadações de dízimo.

“Essa é a alegação daqueles que querem perseguir. O ato declaratório só elucidava o óbvio, aí evitava que alguns fiscais pudessem interpretar a lei ao seu belo prazer”, disse Sóstenes.

Ele também disse: “Vamos fazer política, que é o que o PT quer. Mostrar para os evangélicos do Brasil todinho o que nós avisamos que ia acontecer. Eles [governo] vão só potencializar os evangélicos contra o PT e contra a esquerda. Simples assim”.

O ato suspenso agora pela Receita diz que o pagamento de valores diferenciados, no montante ou na forma, “não caracteriza esses valores como remuneração sujeita à contribuição”. No texto, são citados como fatores de diferenciação “antiguidade na instituição, grau de instrução, irredutibilidade dos valores, número de dependentes, posição hierárquica e local do domicílio”.

Após a posse de Lula, esse ato declaratório foi considerado atípico por integrantes do Fisco e passou por reanálise.

Um dos pontos detectados, de acordo com envolvidos na análise, é que a edição do ato não passou pela avaliação técnica da subsecretaria de tributação da Receita.

O TCU abriu ainda em 2022 um procedimento para investigar possíveis irregularidades na edição do ADI e solicitou informações ao Fisco.

A suspensão do ato foi assinada pelo secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, e publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (17). No texto, não é apresentada a justificativa para a medida.

“A quase totalidade dos líderes religiosos não tem na igreja a sua principal fonte de renda. Esquece o governo que o apoio sacerdotal aos seus fiéis ocorre diuturnamente em templos, hospitais, presídios. A prebenda que recebem, geralmente não cobre os custos do que fazem”, disse o deputado Eli Borges (PL-TO), que coordenou a bancada evangélica no primeiro semestre de 2023 e que voltará ao posto em fevereiro.

“Já temos de forma explícita a igrejofobia, a bíbliofobia e agora, a sacerdofobia. Parece uma tentativa política de intimidação. Se visam dividendos com isso, estão equivocados, pois na prática a maioria dos líderes religiosos não será alcançada pela medida.”

O deputado Marco Feliciano (PL-SP) disse que a bancada evangélica discutirá o tema após o fim do recesso parlamentar de janeiro. “Nada muda no Congresso. Não nos aliamos a ele [Lula] e nem nos aliaremos. O comunista iniciou sua perseguição religiosa por ele tanto negada.”

A reportagem pediu uma manifestação à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência e ao Palácio do Planalto na noite desta quarta. O governo informou que a resposta seria dada pela Receita.

Em nota, o Fisco disse apenas que atendeu a “determinação proposta pelo Ministério Público perante o TCU”.

A composição atual do Congresso não traz um cenário de tranquilidade ao governo. Apesar de a base formal contar com mais de 350 dos 513 deputados, a esquerda tradicional tem pouco mais de 100 cadeiras.

Os demais partidos com ministros no governo –MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos– abrigam em seus quadros um considerável número de opositores abertos, entre eles integrantes da bancada evangélica.

Entenda benefício

Às vésperas da eleição

O governo Jair Bolsonaro, em julho de 2022, editou ADI (Ato Declaratório Interpretativo) da Receita Federal ampliando o alcance da isenção previdenciária a pastores –forte núcleo de apoio ao então presidente, candidato à reeleição

Análise na Receita

Após a posse de Lula, esse ato foi considerado atípico por integrantes do Fisco e passou por nova análise. Um dos pontos detectados é que o benefício não passou pela avaliação da subsecretaria de tributação da Receita

Investigação

A isenção também está sob investigação do TCU (Tribunal de Contas da União); segundo Isac Falcão, presidente do Sindfisco Nacional, o ato usurpou função do Congresso e representa prejuízo aos cofres públicos

Perseguição

Líderes da bancada evangélica no Congresso afirmam que a reavaliação do benefício simboliza uma perseguição política pelo governo Lula

 

OS HACKERS DA LAVA JATO ESTÃO NO CENTRO DE ACORDOS DE LENIÊNCIA DAS EMPREITEIRAS

 

História por Redação  • IstoÉ Dinheiro

As provas da Operação Spoofing, investigação que prendeu os hackers da Lava Jato, estão no centro de um novo capítulo do debate sobre os acordos de leniência. Empresas que admitiram corrupção e se comprometeram a restituir os cofres públicos agora avaliam solicitar acesso ao material para verificar se há brecha para pedir a revisão ou até a anulação dos seus acordos.

A Operação Spoofing prendeu o grupo responsável pela invasão dos celulares de membros da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, incluindo o ex-procurador Deltan Dallagnol, que coordenava o grupo de trabalho, e o ex-juiz e atual senador Sergio Moro, que foi titular da 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, berço da investigação. As conversas hackeadas constam como provas da investigação.

A J&F foi a primeira a conseguir autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para receber a documentação. O ministro Dias Toffoli, autor da decisão, também determinou a suspensão do pagamento das parcelas previstas no acordo enquanto a empresa analisa as conversas. A equipe jurídica aguarda os volumes da investigação para começar um pente-fino em busca de mensagens que possam indicar atuação irregular dos procuradores.

O acordo de leniência da J&F foi assinado em 2017 com o Ministério Público Federal (MPF) no Paraná. O grupo se comprometeu a pagar R$ 10,3 bilhões ao longo de 25 anos para encerrar investigações das operações Greenfield, Sepsis, Cui Bono, Bullish e Carne Fraca. A J&F pretende usar o material da Operação Spoofing para pedir a revisão da leniência. A empresa alega que foi coagida a assinar o acordo para “assegurar sua sobrevivência financeira e institucional” e que é preciso “corrigir abusos”. Um deles seria o suposto uso de provas ilícitas. Procurado, o MPF não se manifestou.

A Odebrecht seguiu a estratégia e também pediu acesso ao material. Parte das provas do acordo de leniência da empreiteira já foram anuladas pelo ministro aposentado do STF, Ricardo Lewandowski, com base em mensagens da Operação Spoofing. Ele levou em consideração o julgamento que declarou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e considerou que havia “vícios” nas provas. Inicialmente, a decisão beneficiou apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o ministro Dias Toffoli, que herdou o processo, estendeu os efeitos ao ex-governador do Rio Sergio Cabral.

O acordo de leniência da Odebrecht foi assinado em 2016. O grupo assumiu o compromisso de pagar R$ 2,72 bilhões ao longo de 20 anos para pôr fim a investigações da Operação Lava Jato. As autoridades responsáveis pela negociação projetaram que o valor corrigido chegaria a R$ 6,8 bilhões ao final do período.

Estadão apurou que a estratégia pode ter um efeito cascata. Outras empresas que fecharam acordos de leniência, como UTC, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, também estudam pedir acesso aos autos da Operação Spoofing. Fontes ligadas às empresas ponderam, no entanto, que nem todas poderão tirar proveito das conversas. A avaliação é que o material só será útil se houver indícios de coação nas negociações. Caso contrário, poderia se tornar um tiro no pé. Por isso, uma decisão final ainda depende de maior reflexão. Procuradas, as companhias não quiseram comentar seus acordos. A UTC não retornou a reportagem.

Não é o primeiro movimento dessas empresas para tentar a revisão dos acordos de leniência. Já houve tentativas de repactuação das multas fixadas. As empreiteiras alegam que os valores foram arbitrados considerando um faturamento que já não é mais realidade no setor das grandes construções e que, apesar dos esforços para honrar os compromissos, o risco de inadimplência é iminente.

A Controladoria-Geral da União (CGU), que gerencia os acordos de leniência, tem sido inflexível diante dos pedidos de repactuação. O órgão informou, em nota, que não há margem para a alteração dos valores, apenas de cláusulas sobre prazo e formas de pagamento. Uma das demandas das empresas é pagar parcelas futuras por meio de prejuízo fiscal e de precatórios. A CGU não respondeu sobre o movimento das empresas para obter o material da Operação Spoofing.

A J&F também tenta reduzir o valor de sua multa. O argumento, no entanto, não gira em torno da redução do faturamento. Ao contrário do setor da construção, afetado pelo fim de grandes obras, como Copa do Mundo e Olimpíadas, o segmento alimentício cresceu. O grupo alega, por sua vez, que houve um erro na base de cálculo do acordo. A multa foi fixada tomando como base o faturamento global das empresas que compõem o conglomerado, mas os advogados alegam que o pacto foi fechado no Brasil e, por isso, deveria considerar apenas o faturamento nacional do grupo, não incluindo na conta valores relativos a negócios fora do País.

Outro ponto contestado são as condições atenuantes previstas na legislação para reduzir o valor da multa no caso de leniência. O percentual oferecido à J&F foi o mínimo. A empresa alega agora que abasteceu o MPF com informações inéditas e que, por isso, deveria ter recebido uma redução maior.

Os questionamentos não são dirigidos apenas às cláusulas do acordo. A J&F também busca fulminar a própria validade do negócio. Um dos maiores trunfos que o jurídico do grupo julga ter na manga são as absolvições de autoridades citadas nos anexos.

Relembre políticos citados nos acordo de leniência fechados na esteira da Lava Jato

Os acordos de leniência fechados na esteira da Operação Lava Jato foram homologados entre 2015 e 2019 e atingiram políticos de diferentes partidos e espectros ideológicos. Um dos executivos da J&F entregou aos procuradores uma lista com 1.829 nomes de 28 partidos que teriam recebido R$ 388 milhões de propinas na forma de doações oficiais de campanha.

O primeiro e mais longo anexo do acordo da J&F implicou o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, que foi absolvido na esteira da Operação Bullish. Ele havia sido acusado de favorecer o grupo em financiamentos junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES), em troca de propinas.

Outros implicados na leniência da J&F, posteriormente absolvidos pela Justiça, foram o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O tucano foi inocentado em uma ação que o acusava de receber R$ 2 milhões em propinas e a investigação contra Ciro Nogueira, também por suspeita de propinas, foi arquivada pelo STF.

“Tem pagamento via oficial, caixa 1, via campanha, tem via caixa 2, tem dinheiro em espécie. Essa era a forma de pagar”, resumiu Joesley Batista, herdeiro do grupo, em depoimento ao Ministério Público Federal na esteira do acordo de leniência.

Uma das revelações mais emblemáticas da J&F foi a gravação que o empresário fez do ex-presidente Michel Temer (MDB) e entregou ao MPF. Joesley disse ao então presidente que estava pagando mesada ao deputado cassado Eduardo Cunha e a Lúcio Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara, para que ambos ficassem em silêncio sobre irregularidades. “Tem que manter isso, viu?”, afirmou Temer ao empresário na gravação. O ex-presidente foi absolvido.

Outro citado é o ex-governador de São Paulo e ex-ministro José Serra (PSDB). Segundo Joesley Batista, a JBS pagou R$ 7 milhões, via caixa dois, para a campanha do tucano a presidente em 2010. O processo foi arquivado em 2018 pelo STF por prescrição.

Uma das condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no caso Sítio de Atibaia, também teve como base provas obtidas a partir de um acordo de leniência. A ação foi aberta a partir de anexos entregues pela Odebrecht.

A empreiteira mencionou 415 políticos de 26 partidos. O ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, por exemplo, responde a uma ação penal por supostas propinas citadas pela Odebrecht nos anexos do acordo. Ele foi acusado por receber vantagens indevidas em troca do direcionamento de contratos para obras da Transpetro e da hidrelétrica de Belo Monte. A denúncia relata supostos pagamento ilícitos, entre 2011 e 2014, no valor de R$ 2,8 milhões, por intermédio do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, a famosa “máquina de propinas” da empreiteira.

Em um dos depoimentos prestados no acordo, Emílio Odebrecht afirmou que procurou Lula, em 2010, para destravar duas medidas provisórias de interesse da construtora junto ao Ministério da Fazenda. O empresário disse que o filho dele, Marcelo, relatou o então chefe da pasta, Guido Mantega, “deu sequência” ao pleito. “Ele (Lula) ouviu e disse: ‘vou falar com o Guido para verificar’”, relatou. “A informação que eu tive por parte do Marcelo (Odebrecht) é que o Guido deu sequência.”

A MP 470/09 permitia que empresas exportadoras parcelassem débitos decorrentes do aproveitamento indevido do crédito-prêmio do IPI. A MP 472/09 criava um regime especial para o desenvolvimento de infraestrutura da indústria petrolífera nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Apenas a segunda foi aprovada no Congresso e convertida em lei em junho de 2010.

O post Empreiteiras avaliam pedir a Toffoli diálogos hackeados da Lava Jato para rever leniência apareceu primeiro em ISTOÉ DINHEIRO.

GUARDA REVOLUCIONÁRIA ISLÂMICA DO IRÃ LANÇA MÍSSEIS BALÍSTICOS CONTRA O IRAQUE E A SÍRIA

 

História por Jiyar Gol – BBC Persa  • BBC News Brasil

Moradores da cidade curda iraquiana de Irbil temem mais instabilidade após os ataques com mísseis do Irã© EPA-EFE

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã solidificou a sua posição como potência regional proeminente nos últimos anos.

A organização afirma abertamente que as bases dos EUA no Oriente Médio, bem como as bases israelenses em Tel Aviv e Haifa, estão ao alcance dos seus mísseis balísticos

Na noite de segunda-feira (15/1), Teerã deu uma demonstração clara de sua intenção, quando a Guarda Revolucionária lançou 11 mísseis balísticos contra Erbil, a capital da região semiautônoma do Curdistão do Iraque.

Pelo menos quatro civis foram mortos e seis ficaram feridos, segundo o governo regional. O primeiro-ministro Masrour Barzani classificou o ataque como um “crime contra o povo curdo”.

A Fars News, uma agência próxima da Guarda Revolucionária, afirmou que três bases da Mossad, afiliadas ao serviço de inteligência de Israel, foram destruídas no ataque.

O governo do Curdistão iraquiano negou a presença de agentes estrangeiros no seu território, enquanto Israel não se pronunciou.

No entanto, a Guarda Revolucionária demonstrou que pode realizar ataques precisos ao bombardear a residência do proeminente empresário e multimilionário curdo, Peshraw Dizayee. Ele foi morto no ataque.

Dizayee era proprietário e fundador de duas empresas – Falcon Group e Empire World – nos anos que se seguiram à invasão do Iraque pelos EUA em 2003. A Reuters diz que ele era próximo da família do premiê Barzani.

Sua casa foi atingida por quatro mísseis e há relatos de que sua filha de 11 meses também foi morta no ataque.

Peshraw Dizayee era um dos empresários mais proeminentes e ricos do Curdistão iraquiano© Empire World

O Grupo Falcon opera em vários setores, incluindo segurança, construção e petróleo e gás. A sua divisão de segurança tem prestado assistência a representantes e empresas americanas e a vários representantes ocidentais no Iraque.

A precisão do ataque sublinha a mensagem de que a Guarda Revolucionária não só pode atingir estruturas civis, como também pode atacar instalações militares perto do aeroporto internacional de Erbil, a poucos quilômetros de distância da base da coligação liderada pelos EUA.

Os EUA têm 2.500 soldados no Iraque, incluindo em Erbil, que fazem parte da coligação liderada pelos EUA contra o grupo Estado Islâmico (EI).

Washington diz que os homens estão lá para apoiar as forças locais e evitar o ressurgimento do EI, que no passado controlav vastas áreas do Iraque e da Síria.

As ruínas da casa de Peshraw Dizayee em Erbil após o ataque iraniano© Bilind T. Abdullah

No entanto, estes ataques também servem a objetivos internos do Irã, levando em consideração as recentes ações de Israel na Síria.

Em 25 de dezembro, um alto comandante da Guarda Revolucionária foi morto no que teria sido um ataque aéreo israelense nos arredores de Damasco.

No ataque de 15 de janeiro, a Guarda Revolucionária também lançou mísseis balísticos na província de Idlib, no noroeste da Síria. A organização disse que tinha como alvo o EI e outros “grupos terroristas” na região.

Idlib é o último reduto da oposição remanescente, lar de 2,9 milhões de sírios deslocados, que apoiaram a revolta de 2011 contra o presidente Bashar al-Assad.

Al-Assad conseguiu permanecer no poder com o apoio militar da Rússia e do Irã.

O grupo islâmico Hayat Tahrir al-Sharm (HTS) é o principal que controla Idlib, embora o EI e a Al-Qaeda também estejam presentes.

A Guarda Revolucionária afirmou que o ataque foi uma retaliação aos atentados suicidas do EI em Kerman, no sul do Irã, em 3 de janeiro.

Multidões se reuniam perto do túmulo do comandante da Guarda Revolucionária Qasem Soleimani para celebrar o aniversário da sua morte quando dois homens-bomba atacaram.

Por que o Irã está lançando mísseis contra o Iraque e a Síria?© BBC

A Guarda Revolucionária afirma ter usado um míssil Kheibar Shekan para atingir Idlib, que pode viajar até 1.450 km.

O organização disse também que lançou o ataque a partir da província do Khuzistão, no sul.

No entanto, a Guarda Revolucionária poderia ter lançado os mísseis em Idlib a partir da província ocidental do Azerbaijão, que está muito mais próxima.

A escolha da localização e do sistema de mísseis Kheibar Shekan sugerem que o Irã quer mostrar ao mundo que tem capacidade de atingir vários locais em Israel, que faz fronteira com a Síria.

Ataque no Paquistão

Além dos ataques na Síria e no Iraque, o Irã também lançou mísseis contra uma região no oeste do Paquistão na terça-feira (16/1).

O ataque atingiu uma aldeia na vasta província fronteiriça do sudoeste do Baluchistão.

Teerã disse que tinha como alvo o Jaish al-Adl, um grupo muçulmano sunita balúchi que realizou ataques dentro do Irã, bem como contra as forças do governo paquistanês.

Já autoridades paquistanesas disseram que duas crianças foram mortas e outras três ficaram feridas no bombardeio. Islamabad disse que o ataque aéreo foi um “ato ilegal” e alertou que poderia levar a “sérias consequências”.

A China pediu nesta quarta-feira (17/1) ao Paquistão e ao Irã que “evitem ações que possam levar a uma escalada de tensão”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, acrescentou que Pequim vê os países como “vizinhos próximos”.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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