História por JOSÉ MATHEUS SANTOS E RENATA GALF • Folha de S. Paulo
IPOJUCA, PE, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) disse, nesta quinta-feira (18), em referência à Lava
Jato, ainda que sem mencioná-la explicitamente, que tudo que aconteceu
no Brasil foi “uma mancomunação” de alguns juízes e procuradores
brasileiros “subordinado ao departamento de Justiça dos Estados Unidos
que queriam e nunca aceitaram o Brasil ter uma empresa como a
Petrobras”.
A fala foi feita durante visita para anúncios de investimentos na refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, a 43 km do Recife.
“Tudo o que aconteceu nesse país foi uma mancomunação entre alguns
juízes desse país, alguns procuradores desse país, subordinado ao
Departamento de Justiça dos Estados Unidos que queriam e nunca aceitaram
o Brasil ter uma empresa como a Petrobras”.
“Eles não queriam que a gente tivesse a Petrobras em 1953”, afirmou
logo após a fala sobre os estadunidenses. Lula também afirmou, no
discurso, que o Brasil tem “uma elite com complexo de vira-lata,
subordinada aos interesses dos outros e com pouco interesse nesse país”.
“Somente cinco anos depois [de deixar a Presidência] começou o
processo de denúncia contra a Petrobras, que, na verdade, não era contra
a Petrobras, se quiser apurar corrupção, apura-se. O que não pode punir
é a soberania do país e da sua empresa mais importante que é a
Petrobras”, afirmou.
A refinaria foi um dos símbolos do esquema de corrupção investigado
pela Operação Lava Jato e teve peso importante no maior prejuízo já
registrado pela estatal, em 2014, fruto de baixas contábeis em
investimentos que não tinham viabilidade econômica.
O empreendimento, lançado em 2005 em parceria com a estatal
venezuelana PDVSA, sob o governo de Hugo Chávez, não foi completamente
terminado e, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União), já gerou
perdas de aproximadamente R$ 15,5 bilhões, operando com menos da metade
da capacidade projetada.
Ela esteve na sentença condenatória de Lula em primeira instância no
caso do tríplex, em Guarujá (SP), assinada pelo então juiz Sergio Moro
no âmbito da Operação Lava Jato e que foi depois anulada pelo STF
(Supremo Tribunal Federal).
Moro afirmou na sentença condenatória que o petista havia recebido
vantagem indevida pela OAS, participante de consórcio para construção da
refinaria com a Petrobras.
Após deixar a magistratura e se tornar ministro de Jair Bolsonaro
(PL), o hoje senador pela União Brasil foi declarado parcial pelo
Supremo Tribunal Federal em sua atuação nos processos de Lula e teve
suas decisões anuladas.
Lula foi à região anunciar investimentos ao projeto, previstos pelo
novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e pelo Plano
Estratégico da Petrobras, de 2023 a 2027.
O projeto de expansão do chamado trem 2 da refinaria acrescenta
capacidade de refino de 150 mil barris de petróleo, com a produção de
300 milhões de litros de diesel ao ano. Ele foi aprovado ainda no
governo Jair Bolsonaro (PL), após dificuldade na venda do ativo por não
estar concluído.
A primeira unidade da refinaria, com capacidade para refinar 115 mil
barris de petróleo por dia, está em operação desde 2014. A Petrobras
chegou a negociar o ativo durante a gestão Bolsonaro, mas não conseguiu
concluir a venda. A avaliação da empresa é que a obra inacabada
acrescentava riscos para eventuais compradores e, em novembro de 2020,
sua conclusão foi aprovada pelo conselho de administração. Com a mudança
de governo, a venda está descartada.
Pela manhã, Lula cumpriu agenda em Salvador. Depois, deixou a Bahia
rumo a Pernambuco, onde vai dormir nesta quinta. Na sexta, terá
compromisso no Recife, onde participa da passagem de chefia no Comando
Militar do Nordeste –e em seguida segue rumo ao Ceará para o lançamento
da pedra fundamental do campus do ITA (Instituto Tecnológico de
Aeronáutica) em Fortaleza.
A viagem pelos três principais estados do Nordeste abre a série de
roteiros que Lula promete fazer neste ano pelo Brasil. O presidente
disse publicamente que quer viajar mais pelo Brasil em 2024, após
priorizar a agenda internacional em 2023, o primeiro ano do mandato
atual.
Em Ipojuca, Lula estava acompanhado da governadora de Pernambuco,
Raquel Lyra (PSDB), que tem feito acenos ao presidente em indícios de
uma possível aproximação futura. Também estavam presentes a senadora
Teresa Leitão (PT-PE), a prefeita de Ipojuca, Célia Sales (PP), e o
prefeito do Recife, João Campos (PSB).
É a primeira vez desde o fim da Guerra Fria (1947-1991) que um contingente desta magnitude será mobilizado pela aliança.
O número é mais do que o dobro do que os 40 mil originalmente
previstos na operação “Steadfast Defender” (defensor inabalável, em
tradução livre), cujo objetivo autodeclarado é deixar claro para o
Kremlin que os 31 países da aliança e a recém-chegada Suécia, que está
em processo de adesão à Otan, estão prontos para reagir de forma rápida e
eficaz a uma eventual agressão do regime de Vladimir Putin.
Aliança se prepara para conflito com a Rússia
“Estamos nos preparando para um conflito com a Rússia e grupos
terroristas”, disse o presidente do Comitê Militar da Otan, o almirante
holandês Rob Bauer. “Se nos atacarem, precisamos estar prontos.”
Em um cenário desses, o chamado Artigo 5 do Tratado do Atlântico
Norte seria invocado. Este artigo regula o compromisso de assistência
mútua na aliança e determina que um ataque armado contra um ou mais
membros é considerado um ataque contra todos.
Com o exercício, os membros da aliança querem treinar principalmente a
capacidade de alarmar e mobilizar tropas nacionais e internacionais,
inclusive através do Atlântico. Cerca de 50 navios de guerra, 80
aeronaves e 1,1 mil veículos de combate de todos os tipos participarão
das atividades.
Comandante-geral da Otan na Europa, o general Christopher Cavoli
afirmou que as tropas simularão uma invasão russa a um dos países
membros.
A área de treinamento se estende da Noruega, passando por Letônia e
Lituânia – os três fazem fronteira com a Rússia –, até países como a
Polônia e a Romênia – esta última separada da Rússia pelo Mar Negro,
palco de hostilidades recorrentes desde a invasão em larga escala da
Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.
Aliança se expandiu após invasão da Ucrânia
O anúncio da Otan vem às vésperas do aniversário da invasão russa da
Ucrânia, que completará dois anos em 24 de fevereiro, e em meio à
intensificação dos bombardeios de Moscou a Kiev.
Um dos argumentos da Rússia para justificar a invasão era de que a
pretensão da Ucrânia de juntar-se à Otan representava uma ameaça ao
Kremlin; Kiev, por sua vez, alegava precisar da proteção da aliança
diante das ameaças de Moscou.
A adesão da Ucrânia à Otan acabou não avançando, mas a guerra acabou
impulsionando a expansão da aliança com a chegada de Finlândia e, mais
recentemente, Suécia. Além desses dois países, a Georgia, que se vê
militarmente às voltas com a Rússia desde 2008, e a Bósnia e
Herzegovina, também estão batendo à porta da Otan.
Papel das Forças Armadas alemãs
As Forças Armadas alemãs afirmam estar envolvidas de forma
significativa na mobilização, participando, entre outras coisas, de um
grande exercício de quatro etapas chamado “Quadriga 2024”.
Até o final de maio, mais de 12 mil soldados alemães estarão em
operação, treinando principalmente habilidades para a rápida mobilização
de forças no flanco leste da Otan. A partir de meados de maio, a 10ª
Divisão Blindada, por exemplo, moverá soldados com veículos de combate
para a Lituânia por diferentes rotas e lá demonstrará suas capacidades
de combate em uma simulação.
Maior exercício desde pelo menos 1991
Até hoje, o maior exercício da Otan desde o fim da Guerra Fria foi
realizado em 2018, envolvendo cerca de 51 mil soldados. O “Trident
Juncture” teve foco na Noruega, que compartilha uma fronteira de 198 km
de extensão no extremo norte do planeta com a Rússia.
Os últimos exercícios da Otan que foram maiores do que o exercício
agora planejado aconteceram antes da dissolução da União Soviética em
1991. Na época, ainda existia a série de exercícios “Return of Forces to
Germany” (Retorno das Forças para a Alemanha). Em 1988, por exemplo,
cerca de 125 mil soldados participaram desse exercício.
BOA VISTA, RR (FOLHAPRESS) – O dia a dia na Terra Indígena Yanomami, a
percepção de agentes de fiscalização e a constatação de integrantes do
MPF (Ministério Público Federal) não deixam dúvidas: as Forças Armadas
ampliaram nos últimos meses a ausência de ações de combate ao garimpo
ilegal no território.
O movimento coincide com a retomada da força da exploração ilegal de
ouro e cassiterita na região. Na terça, uma operação da Polícia Federal
apreendeu equipamentos utilizados por garimpeiros que atuam na área.
Ninguém foi preso.
O garimpo passou a estar mais presente na região de Surucucu, onde o
Exército tem um PEF (Pelotão Especial de Fronteira). E passou a contar
com entrepostos logísticos em Auaris, onde a Força também tem um PEF.
Não há movimentação e articulação frequentes de militares desses postos
em repressão às atividades criminosas na região, que é de fronteira com a
Venezuela.
Há falhas do controle do espaço aéreo feito pela Aeronáutica, uma vez
que aeronaves do garimpo circulam livremente pelo território. Na linha
da fronteira, uma pista de pouso clandestino abriga nove aviões de
pequeno porte, suspeitos de abastecer os maiores garimpos da terra
yanomami.
O governo federal afirma que a pista está em território venezuelano,
poucos quilômetros adentro, o que impediria uma ação de repressão à
estrutura criminosa. As aeronaves, porém, circulam pelo lado brasileiro,
como constataram agentes de órgãos como o Ibama (Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
As Forças Armadas também desmontaram uma base de abastecimento de
combustíveis que funcionava na região do Palimiú. Essa base era
considerada fundamental para a autonomia dos voos dos helicópteros do
Ibama, principal responsável pelo combate ao garimpo ilegal desde o
início da operação de desintrusão de retirada de não indígenas, em
fevereiro de 2023.
Sem a base, desmontada no segundo semestre de 2023, os agentes não
conseguem mais percorrer longas distâncias. Auaris, a região mais
distante, na fronteira com a Venezuela, não é alcançada por ações de
fiscalização.
O MPF constatou que as Forças Armadas assumiram ações mais efetivas
de repressão ao garimpo a partir do decreto do presidente Lula (PT), de
22 de junho de 2023, que ampliou a possibilidade de atuação dos
militares no combate à atividade criminosa.
Pelo decreto, ficou permitida a atuação direta no combate aos
garimpos, com patrulhamentos de área, revistas de embarcações e prisões
em flagrante. A eficiência e permanência dessas ações duraram pouco, e
garimpos ressurgiram com força de setembro em diante, conforme o MPF em
Roraima.
Agentes de fiscalização apontam ainda erros de estratégia em
incursões da Marinha, com uso de embarcações, enquanto a repressão ao
garimpo ilegal demanda ações ostensivas por ar. Não há garimpo na terra
yanomami sem o abastecimento logístico por frotas de aviões
clandestinos. O território é o maior do país, de difícil acesso.
Incursões aéreas são imprescindíveis para esse acesso.
Questionado pela Folha, o Ministério da Defesa não comentou os pontos elencados pela reportagem à pasta.
Em nota, o ministério afirmou que o esforço aéreo no combate ao
garimpo ilegal somou 7,4 mil horas de voo, o equivalente a “mais de 40
voltas na Terra”.
“Os militares detiveram 165 suspeitos, entregues aos órgãos de
segurança pública. Para as ações foram empregados, aproximadamente,
1.400 militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica”, cita a nota.
As Forças Armadas fizeram 3.029 atendimentos médicos e 205 remoções
aéreas de pacientes, segundo a Defesa. O apoio logístico das Forças
permitiu a distribuição de 766 toneladas de alimentos e materiais aos
yanomamis, o equivalente a 36,6 mil cestas de alimentos, conforme o
ministério.
“Por determinação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da
Silva, as Forças Armadas vão realizar a entrega de cestas básicas até
que seja firmado contrato entre o governo federal e a iniciativa privada
para fornecimento de cestas básicas, o que está previsto para ocorrer
até março”, disse a pasta.
A maior ausência dos militares ocorre num momento de domínio de
facções criminosas em áreas de garimpos na terra indígena. Dos 20 mil
invasores existentes no auge da crise, em 2022, permanecem cerca de
3.000, sendo uma parte mais ligada a facções, segundo agentes que atuam
em ações de combate ao garimpo ilegal.
Em reuniões entre diferentes órgãos do governo federal, feitas
periodicamente, integrantes do Exército já apontaram a ameaça de
conflito da Venezuela contra a Guiana dentro de uma disputa
territorial como justificativa para encolhimento das ações na terra
yanomami. Uma incursão de tropas por terra passaria necessariamente por
Roraima.
Com a retomada de força pelo garimpo, a crise humanitária dos
yanomamis persiste, com piora dos indicadores de saúde nos meses que
coincidem com essa retomada.
O relatório mais recente do COE (Centro de Operação de Emergências)
Yanomami, vinculado ao Ministério da Saúde, mostra que 308 yanomamis ou
indígenas de subgrupos na região morreram em 2023. Os dados vão até 30
de novembro. Mais da metade dos óbitos foi de crianças de até quatro
anos. Entre as causas principais das mortes estão pneumonia, diarreia,
malária e desnutrição.
No último dia 9, após reunião ministerial convocada por Lula, o
governo federal anunciou a presença de uma “casa de governo” em Roraima
para tratar das ações na terra yanomami e a instalação de três bases de
vigilância no território, com forças de segurança como PF e Forças
Armadas. Os gastos previstos são de R$ 1,2 bilhão.
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) saíram em defesa do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), alvo de operação
da Política Federal nesta quinta-feira (18), e reforçaram as críticas
ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes –que
autorizou medidas de busca e apreensão contra o parlamentar.
A análise de pessoas próximas ao ex-mandatário é a de que a ação da
Polícia Federal ajuda a consolidar a polarização no país e o discurso de
perseguição contra bolsonaristas por parte do magistrado.
Apesar do diagnóstico de que a ação não tem grande impacto na imagem
do grupo político encabeçado por Bolsonaro, a operação teve o efeito de
espalhar medo entre aliados do ex-presidente.
Outros parlamentares citam em conversas reservadas que também tiveram
contato com mobilizadores dos acampamentos golpistas em frente a
quarteis generais após a eleição de 2022. Se esse for o parâmetro,
dizem, também podem sofrer com ações policiais.
O temor foi ampliado pelo fato de o celular de Jordy ter sido
apreendido, além de outros documentos que estavam em seus endereços.
Como o deputado é líder da oposição na Câmara e tem bom trânsito com
toda base bolsonarista, a PF pode ter acesso a diálogos dele com a
maioria dos integrantes oposicionistas da Casa.
Aliados de Bolsonaro usaram as redes sociais para criticar a operação e defender Jordy.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é o integrante da família que
tem relação mais próxima com o Judiciário e em alguns casos evita
criticar o Supremo, classificou a operação como “óbvia perseguição
política combinada com sorriso de vingança no canto da boca”.
“A forma como essa investigação está sendo conduzida é muito mais
‘lesa pátria’ que o próprio 8 de janeiro. A continuidade dela, além de
autoritarismo e arrogância, é o mesmo que querer culpar a mulher que foi
estuprada, ou seja, quem defende a democracia passou a ser o errado”,
escreveu nas redes sociais.
O deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro de
Bolsonaro, disse que a operação contra Jordy é “grave e inaceitável” por
ser busca e apreensão em gabinete de um deputado federal eleito.
“Essa decisão monocrática constitui uma verdadeira afronta ao Poder
Legislativo e fragiliza a já abalada harmonia entre os Poderes”,
declarou.
Carlos Jordy foi alvo da Operação Lesa Pátria, destinada a
identificar pessoas que planejaram, financiaram e incitaram os ataques
às sedes dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
A ação foi autorizada por Moraes e teve parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Telefonemas e mensagens de um organizador de atos golpistas em Campos
dos Goytacazes (RJ) motivaram o magistrado a autorizar buscas e
apreensões da PF em endereços do deputado.
Segundo a PF, foram descobertos, a partir de informações obtidas em
fases anteriores da operação, indícios de “fortes ligações” entre o
vereador suplente da Câmara Municipal de Campos Carlos Victor de
Carvalho, conhecido como CVC, e Jordy.
Carlos Victor organizava ao menos 15 grupos de WhatsApp com mensagens de teor golpistas, além de manifestações antidemocráticas.
Segundo a PF, há sinais de que Jordy orientava CVC e “tinha o poder
de ordenar as movimentações antidemocráticas, seja pelas redes sociais
ou agitando a militância da região”.
Para isso, citam uma mensagem de CVC ao deputado em 1º de novembro de
2022, quando ocorria bloqueios de rodovias em todo o Brasil após a
vitória de Lula (PT) na disputa eleitoral pela Presidência.
“Bom dia meu líder. Qual direcionamento você pode me dar? Tem poder de parar tudo”, disse CVC a Jordi.
O deputado respondeu: “Fala irmão, beleza? Está podendo falar aí?”.
CVC, então, disse: “Posso irmão. Quando quiser pode me ligar”.
Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca no Rio de Janeiro (8) e
no Distrito Federal (2). O deputado prestou depoimento nesta quinta na
sede da PF no Rio.
“Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição
violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, associação
criminosa e incitação ao crime”, informou a PF em nota.
O presidente Lula da Silva quer porque quer retomar o poder de
influência sobre a Vale. Consta que o petista está fazendo o que pode
para emplacar o companheiro Guido Mantega na empresa – como presidente
ou como integrante do Conselho de Administração. Em qualquer hipótese, a
simples possibilidade de que isso aconteça, mesmo que Mantega não tenha
condições de mudar os rumos da Vale como deseja Lula, ajudou a derrubar
as ações da companhia na Bolsa – investidor nenhum gosta de
interferências políticas nas empresas em que põe dinheiro.
A intenção de fincar uma bandeira na mineradora, a segunda maior do
mundo, traduz a obsessão de Lula e do PT em transformar as grandes
empresas nacionais em agentes a serviço dos delirantes projetos
desenvolvimentistas do lulopetismo. O caso da Vale é exemplar dessa
sanha.
Lula vem desde pelo menos 2006 questionando os rumos da empresa
depois de sua privatização, em 1997, sob a alegação de que privilegia a
busca do lucro e coloca em segundo lugar o imperativo de investir no
País e gerar empregos. Em 2009, em seu segundo mandato, Lula traçou o
plano de substituir o então presidente da Vale, Roger Agnelli, porque
este havia demitido 1.300 funcionários em razão da crise mundial de 2008
e, principalmente, porque havia se recusado a tocar adiante o projeto
lulopetista de investir na área de siderurgia e de transformar a Vale em
generoso cliente da inexistente indústria naval que Lula sonhava
desenvolver. Agnelli não resistiu à pressão e caiu em 2011 – depois de
manobras, ora vejam, do então ministro da Fazenda, Guido Mantega, que
costurou apoio dos principais acionistas da Vale para afastar o
executivo, tornando-se, ele mesmo, uma espécie de interventor informal
da então presidente Dilma Rousseff na companhia.
Logo, chega a ser ofensiva a versão segundo a qual Lula estaria se
empenhando em cavar um lugar para Mantega na Vale apenas para demonstrar
gratidão ao ex-ministro por seus serviços prestados e arranjar-lhe um
bom salário. Todos sabem que Mantega foi escolhido para essa missão
porque é um tarefeiro do lulopetismo, como ficou claro, por exemplo,
quando presidiu o Conselho de Administração da Petrobras, entre 2010 e
2015. Naquela época, Mantega deu aval aos projetos megalomaníacos que
ajudaram a arruinar a empresa e atuou em favor da política suicida de
preços dos combustíveis para socorrer a companheira Dilma, às voltas com
uma inflação que corroía sua popularidade.
Portanto, ainda que Mantega seja um nome indelevelmente ligado ao que
de pior o lulopetismo produziu, sobretudo na trágica passagem de Dilma
Rousseff pela Presidência, quando ajudou a mascarar o desastre das
contas públicas que culminaria em recessão e impeachment, ele não passa
de um peão no projeto estatólatra de Lula.
Esse projeto inclui não só a Vale, mas também a Eletrobras, cuja
privatização é tratada por Lula como “sacanagem”, “bandidagem” e “crime
de lesa-pátria” – o presidente mandou entrar na Justiça para reaver o
poder de decisão sobre a empresa, o que na prática representaria sua
reestatização, um escandaloso retrocesso. E, claro, não se pode esquecer
da Petrobras, cuja reconstrução após a razia lulopetista levou anos,
mas que de uns tempos para cá voltou a navegar ao sabor dos interesses
do governo, em franco desrespeito aos seus investidores privados.
Seria tolo esperar outra coisa de Lula, um presidente comprovadamente
incapaz de imaginar o Brasil com uma economia que se desenvolva e se
sustente por suas próprias forças, em razão de investimentos privados,
num ambiente de livre competição, sem qualquer interferência estatal.
Nos sonhos de Lula está um setor produtivo que deixe de buscar o lucro e
seja voluntarioso agente de seus fantásticos projetos de
desenvolvimento liderados pelo Estado – todos já devidamente
desmoralizados ao longo da trevosa era em que o lulopetismo exerceu o
poder.
O mercado tem se tornado mais competitivo a cada ano. As empresas
estão tentando constantemente se diferenciar para conseguir conquistar
novos clientes e manter os antigos. Nesse cenário, a tomada de decisão
baseada em dados é crucial.
Neste artigo, você pode entender melhor no que consiste essa
estratégia e os motivos pelos quais ela é tão fundamental para o sucesso
dos negócios. Continue a leitura!
O conceito da tomada de decisão baseada em dados
É um processo que envolve a coleta de informações com base em
indicadores mensuráveis, analisando padrões e fatos desses insights e
utilizando-os para desenvolver estratégias e ações operacionais que
beneficiam os negócios em várias áreas.
Fundamentalmente, a tomada de decisão baseada em dados significa que a
empresa passa a trabalhar em direção aos principais objetivos de
negócios, alavancando números verificados, correlacionados e analisados,
em vez de fazer escolhas apenas se valendo de opiniões.
A ciência de dados
Para extrair valor genuíno de seus dados, eles devem ser precisos e
relevantes para seus objetivos. O processo de coleta, extração,
formatação e análise de informações já foi bastante complicado
principalmente em virtude da dispersão e da confiabilidade.
Hoje, porém, o desenvolvimento e a acessibilidade de softwares de
business intelligence são capazes de empoderar os usuários, mesmo que
eles não tenham conhecimentos técnicos a respeito das tecnologias. Isso é
feito por meio de dashboards que apresentam os gráficos e indicadores
de maneira bastante visual e intuitiva.
A partir desses desenvolvimentos, a ciência dos dados evoluiu de
maneira gigantesca. É uma disciplina em que as habilidades e as
estatísticas de tecnologia da informação passam a atender às
necessidades corporativas, propiciando meios para que sejam realizadas
análises mais quantitativas, em vez de apenas qualitativas.
A análise quantitativa dos dados concentra-se em números e
estatísticas — a mediana, o desvio padrão e outros modelos matemáticos.
Esse tipo de cálculo parte de fórmulas e não de observações.
Já a análise qualitativa concentra-se em informações que não são
definidas por números ou métricas. Por exemplo, entrevistas, vídeos e
impressões. É baseada no que as pessoas acham a respeito de algo. É
claro, essas visões que partem de experiências e intuições também podem
ser úteis, mas não devem ser as prioritárias.
É preciso também evitar o fenômeno conhecido como HiPPO. Esse é um
acrônimo, em inglês, para algo como “a opinião da pessoa mais bem paga”.
É utilizado para descrever a tendência de colaboradores repassarem a
tomada de decisão para aqueles que ocupam cargos mais altos na
hierarquia, mesmo que eles façam as opções sem nenhum embasamento
factual.
O termo se refere, por vezes, à confiança de uma organização no
instinto humano, em vez de dados no processo de tomada de decisão, algo
que está cada vez mais sendo contraindicado.
A aplicação da estratégia orientada a dados
A importância dos dados na decisão reside na consistência e no
crescimento contínuo. Eles permitem às empresas criar novas
oportunidades de negócios, gerar mais receita, prever tendências
futuras, otimizar os esforços operacionais atuais e produzir insights
sobre ações que podem ser executadas.
Dessa forma, é possível crescer, evoluir e alcançar sucesso ao longo
do tempo, tornando a organização mais adaptável como resultado. O mundo
digital está em constante estado de fluxo e, para acompanhar o cenário
com as diversas mudanças que estão acontecendo, é preciso aproveitar os
dados para que as diretrizes adotadas sejam mais poderosas.
A tomada de decisão baseada em dados é, portanto, fundamental para
que um negócio possa acontecer de acordo com o planejamento. São essas
análises que permitem deixar de lado as escolhas feitas apenas a partir
das impressões de quem está no comando.
5 tipos de tomada de decisão que todo gestor precisa dominar
Amcham Brasil – Blog
Para tomar decisões mais adequadas e melhorar os resultados da
empresa, conhecer os diferentes tipos de tomada de decisão é muito
importante. Confira!
A tomada de decisão nas empresas é um processo essencial, uma vez que
afeta diretamente a rotina dos negócios e dos colaboradores, gerando
oportunidades ou até mesmo riscos. Portanto, as escolhas devem ser
feitas de maneira adequada para aumentar as chances de obter impactos
positivos.
Nesse momento, conhecer os tipos de tomada de decisão é muito
importante para proporcionar ganhos na cultura organizacional. Além de
auxiliar na visualização de oportunidades, essa prática contribui para
que as lideranças conheçam todas as alternativas possíveis, estejam
preparadas para riscos e previnam consequências negativas ao executar um
projeto.
Para que você saiba mais sobre o assunto e consiga direcionar melhor
os rumos de sua empresa, preparamos este artigo com os 5 principais
tipos de tomadas de decisão. Acompanhe!
Quais são os tipos de tomada de decisão que todo gestor precisa dominar?
Assim como agir por impulso não é uma ação considerada eficaz, levar
um tempo muito longo para tomar uma decisão também é inadequado. Porém,
quais são os tipos de tomada de decisão que um gestor precisa conhecer? A
seguir, listamos os 5 principais.
1. Tomada de decisão intuitiva
Esse tipo de tomada de decisão tem como base a intuição e o instinto
do profissional — também chamado de “sexto sentido”. Nesse caso, as
escolhas são feitas a partir de pouco ou nenhum conhecimento do assunto
envolvido, deixando de lado dados técnicos ou estudos.
Em geral, uma decisão intuitiva é tomada por profissionais que têm
como característica a falta de planejamento, o que leva a uma conclusão
baseada somente em experiências prévias, achismos e respostas
emocionais. Por esses motivos, é um tipo de tomada de decisão que traz
riscos consideráveis para a organização.
2. Tomada de decisão racional
Ao contrário da ação intuitiva, agir de forma racional ao tomar uma
decisão significa levar em consideração uma série de fatores lógicos e,
como o próprio nome já diz, racionais. Essa escolha aporta mais
resultados aos gestores.
Imagine que uma organização decida contratar uma solução tecnológica
para automatizar processos junto a fornecedores, por exemplo. Ao tomar
uma decisão intuitiva, o gestor escolherá o primeiro software que
encontrar por “achar” ser uma boa escolha, sem considerar critérios
relevantes.
Já uma decisão racional será tomada somente após uma pesquisa
aprofundada, como uma análise das principais opções do mercado e suas
características, comparação de orçamentos, entre outros aspectos.
3. Tomada de decisão colaborativa
Um tipo de tomada de decisão bastante comum nas organizações é a
colaborativa. Como o nome indica, trata-se de uma ação tomada por mais
de um profissional, tendo como principal vantagem o fato de agregar
diferentes pontos de vista e opiniões.
Além disso, as decisões colaborativas reforçam a ideia de que as
deliberações da empresa não são feitas somente pelos líderes, mas por
toda a organização — embora a decisão final, na maioria das vezes, ainda
seja dos líderes.
É um tipo de decisão mais abrangente, marcada pela descentralização
do pensamento. Dessa forma, contribui para ações e resultados mais
eficientes e duradouros, além de trazer uma redução na incidência de
erros.
4. Tomada de decisão com base em valores
Os valores do gestor, desenvolvidos ao longo de sua vida, são
considerados durante este tipo de tomada de decisão. Portanto, as ações
da empresa podem ser influenciadas pela família, experiências de vida e
profissionais, referências, entre outros fatores.
Mas não apenas os valores do líder são cogitados: a visão, a missão e
os demais conceitos que guiam o negócio também embasam as decisões.
Apesar de parecer semelhante à tomada de decisão intuitiva, a baseada em
valores é mais sólida, já que as crenças são menos voláteis do que
achismos ou atitudes de caráter mais emocional.
Vale destacar que os valores, apesar de muito importantes na vida das
pessoas e no funcionamento das empresas, demandam cautela. Isso porque
eles determinam o que é eticamente aceitável e politicamente correto,
mas os valores pessoais podem entrar em conflito com os empresariais.
Nesse caso, a recomendação é que as decisões sejam complementadas por
critérios técnicos, financeiros, administrativos, entre outros. Isso
vai permitir uma atuação muito mais embasada e assertiva.
5. Tomada de decisão especializada
Por fim, temos a decisão especializada, que consiste em fazer
deliberações na empresa com a ajuda de especialistas do setor. Por ser
construído por um profissional experiente em determinado segmento, é um
dos tipos de decisão mais confiáveis no universo organizacional.
As ações são tomadas a partir de informações relevantes da empresa e
do mercado, de modo a embasar as decisões e tornar o processo mais
estruturado.
Contar com a ajuda de um especialista pode ser crucial para uma
atuação mais estratégica e competitiva no mercado. Isso porque, muitas
vezes, os valores, a racionalidade e a opinião das equipes não são
suficientes para fazer a melhor escolha.
Qual é a importância da tecnologia na tomada de decisões?
Para realizar uma gestão eficiente, o gestor deve acessar
constantemente informações e relatórios a fim de obter dados
relacionados à atuação da empresa e das equipes. Essa relevante tarefa
de gestão evidencia a importância de contar com o auxílio das
ferramentas tecnológicas certas, de modo a contribuir para que a empresa
alcance os melhores resultados possíveis.
Graças aos insights que as ferramentas modernas de gestão aportam, é
possível prever cenários e aprimorar a tomada de decisão. Portanto, é
importante contar com soluções inovadoras, que vão contribuir
diretamente para uma atuação mais estratégica e uma gestão ágil. Esses
recursos vão tornar os processos mais eficientes e melhorar os
resultados da companhia.
A tomada de decisão é uma importante etapa nas empresas, uma vez que
garante o alcance de resultados mais precisos e permite conquistar uma
atuação no mercado mais estratégica e competitiva. Após conferir os
diferentes tipos de tomada de decisão neste conteúdo, você tem mais
conhecimento para agir da melhor forma e fazer boas escolhas para o
crescimento do seu negócio.
Eu e o ChatGPT sobre Mensuração de Audiência
User- Moysés Peruhype Carlech
Empresas fazem propaganda no Rádio, Jornais, Revistas e TV e não têm
como medir a audiência para as suas divulgações e quando fazem
propaganda na internet como no site marketplace Valeon do Vale do Aço
querem saber a audiência e número de visitantes. Como definir isso?
ChatGPT
A mensuração da audiência e do desempenho de campanhas publicitárias
na internet, como aquelas realizadas em marketplaces como o Valeon, pode
ser feita por meio de várias métricas e ferramentas analíticas. Aqui
estão algumas estratégias que as empresas podem adotar para medir a
eficácia de suas campanhas online:
Google Analytics e Outras Ferramentas de Análise de Site:
Integre o Google Analytics ou outras ferramentas de análise de site ao seu site ou página no marketplace.
Acompanhe métricas como número de visitantes, tempo médio de visita, páginas visualizadas e taxa de rejeição.
Códigos de Rastreamento:
Utilize códigos de rastreamento únicos em suas URLs de campanha. Isso
permite identificar a fonte do tráfego e avaliar a eficácia de cada
canal de marketing.
Metas e Conversões:
Defina metas específicas, como preenchimento de formulários, compras
ou visualização de páginas-chave, e acompanhe as conversões.
Analise o funil de conversão para identificar pontos de atrito.
Anúncios Patrocinados e Redes Sociais:
Utilize plataformas de anúncios patrocinados, como Google Ads e redes
sociais, e acompanhe métricas como impressões, cliques, taxas de
cliques (CTR) e custo por clique (CPC).
Pixel de Rastreamento:
Implemente pixels de rastreamento nas páginas relevantes para coletar dados sobre a interação dos usuários.
Use pixels de redes sociais, como o Facebook Pixel, para rastrear atividades e criar audiências personalizadas.
Pesquisas e Feedback do Cliente:
Realize pesquisas online para obter feedback direto dos clientes sobre a eficácia das campanhas.
Analise comentários e avaliações nas redes sociais e em plataformas de avaliação.
Cupons e Ofertas Especiais:
Distribua cupons ou ofertas especiais exclusivas para os canais online e acompanhe sua taxa de resgate.
Acompanhamento do ROI (Retorno sobre Investimento):
Calcule o retorno sobre o investimento comparando os custos da
campanha com os resultados alcançados, como vendas adicionais ou leads
gerados.
Testes A/B:
Realize testes A/B para avaliar diferentes elementos da campanha, como cópias de anúncios, imagens ou chamadas para ação.
Ao integrar essas estratégias, as empresas podem obter uma visão
abrangente do desempenho de suas campanhas online, entender a
audiência-alvo e tomar decisões informadas para otimizar suas
estratégias de marketing.
Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (App)
O
presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), participou de uma
solenidade no Palácio Iguaçu, em Curitiba, na tarde desta sexta-feira
(10), em sua primeira visita à cidade desde que tomou posse. No mesmo
dia, poucas horas antes, esteve em Foz do Iguaçu, assinando a ordem de
serviço para a construção de uma nova ponte entre o Brasil e Paraguai.Na
capital paranaense, onde chegou por volta das 16h40, a missão de
Bolsonaro foi dar início ao funcionamento do Centro Integrado de
Inteligência de Segurança Pública da Região Sul (CIISP-Sul), estrutura
inaugurada em dezembro do passado pelo então ministro da Segurança
Pública, Raul Jungmann.
Choveram críticas quando Bolsonaro colocou Sergio Moro no Ministério
da Justiça. E o que dizem agora, quando Lula dá o mesmo cargo a
Lewandowski?O Brasil é mesmo um lugar cheio de surpresas e onde o mundo
dá muitas voltas. Em 2019, a roda da fortuna levou o então juiz federal
Sergio Moro, aclamado herói anticorrupção pela direita, ao posto de
ministro da Justiça do governo do então presidente Jair Messias
Bolsonaro.
Houve uma fúria grande na esquerda: pode o juiz da Lava Jato, que
colocou o então candidatíssimo Luiz Inácio Lula da Silva na prisão,
assumir um cargo no governo do candidato que se beneficiou dessa ação do
juiz? Obviamente isso cheirava mal.
E não só desqualificou o trabalho da Lava Jato como um todo, mas foi um prego no caixão do combate à corrupção no Brasil.
Tiro no pé
Depois, a roda da fortuna levou Sérgio Moro para baixo. Espera-se
para breve a cassação do seu mandato de senador. A transição de juiz
para político, que parecia promissora, agora parece fadada ao fracasso.
Sem querer entrar aqui no mérito das decisões que Moro tomou contra
Lula, sempre achei as ambições políticas dele um tiro no pé. Não só no
dele, mas da democracia brasileira. A Justiça no Brasil já tem um forte
jeito de atuar de forma política, o que não contribui, a meu ver, para
um fortalecimento das instituições democráticas.
Sei que Bolsonaro não se importava com isso, mas Moro deveria ter
tido mais bom senso e antenas para isso. Na democracia, não basta jogar
de forma limpa: precisa ter uma aparência limpa.
Déjà vu
E o que dizer do fato de Lula colocar o ex-juiz do STF Ricardo
Lewandowski no mesmo ministério que Moro ocupava? Como magistrado,
Lewandowski deu várias decisões favoráveis a Lula. Votou a favor do
entendimento de que um condenado poderá ser preso apenas após o trânsito
em julgado do seu processo.
Mais tarde, Lewandowski não só deu à defesa de Lula acesso às provas
dos processos contra o petista como ainda decretou o trancamento de uma
ação penal em tramitação e de três investigações. Assim, repetiu a
atuação que teve durante o Mensalão, quando emitiu decisões favoráveis
aos réus petistas. Como fora nomeado, em 2006, por Lula, partes da
sociedade entenderam sua atuação como parcial.
Em fevereiro, Lewandowski vai para o Ministério da Justiça, para
substituir Flávio Dino, que faz o caminho inverso, de ministro para
magistrado do STF. Tendo em mente todas as críticas à nomeação de Moro
por Bolsonaro, a escolha de Lewandowski por Lula parece um déjà vu de
sinal trocado.
O próprio Moro comentou a escolha de Lewandowski na sua conta na
plataforma X: “Fica então entendido que aceitar cargo em ministério não é
e nunca deveria ter sido causa de suspeição.”
Thomas Milz saiu da casa de seus pais protestantes há quase 20 anos e
se mudou para o país mais católico do mundo. Tem mestrado em Ciências
Políticas e História da América Latina e, há 15 anos, trabalha como
jornalista e fotógrafo para veículos como a agência de notícias KNA e o
jornal Neue Zürcher Zeitung. É pai de uma menina nascida em 2012 em
Salvador. Depois de uma década em São Paulo, mora no Rio de Janeiro há
quatro anos.
O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW.
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Líderes da bancada evangélica no
Congresso Nacional afirmaram, nesta quarta-feira (17), terem visto como
ataque político do governo Lula (PT) a suspensão de ato da Receita
Federal editado pela gestão de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, um mês antes
do início da campanha eleitoral.
O ADI (Ato Declaratório Interpretativo) nº 1, de 29 de julho de 2022,
ampliou o alcance da isenção tributárias a pastores –forte núcleo de
apoio a Bolsonaro, então candidato à reeleição– e estava sob
investigação do TCU (Tribunal de Contas da União) desde 2022 e reanálise
da Receita a partir do ano passado.
“É lamentável. Para um governo que diz reconhecer a importância das
religiões e a necessidade de aproximação do segmento, fazer um movimento
desses é incompreensível”, disse o coordenador da bancada evangélica, o
deputado Silas Câmara (Republicanos-AM).
Lula e o PT têm uma reconhecida dificuldade de penetração no meio
evangélico –a última pesquisa Datafolha mostrou que seu governo é
reprovado por 38% desse segmento, contra 30% da média nacional– e
afirmam tentar estabelecer pontes.
O partido aposta na retomada de programas sociais para driblar a
força do bolsonarismo no segmento, quer que o próprio Lula faça gestos
às igrejas e defende que, para alcançar os evangélicos, o discurso
político tem que ser muito mais amplo do que tradicionais campanhas de
comunicação. Dirigentes petistas também pregam a necessidade de haver
intermediação fora dos templos.
Reportagem da Folha de S.Paulo do início de janeiro mostrou que,
embora a rejeição não tenha passado, há sinais de abrandamento na
relação após um ano de gestão do petista.
“É um ato político do governo da esquerda, que quer voltar à velha
prática da chantagem”, disse o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que
é do partido de Bolsonaro e um dos principais críticos do governo Lula
no Congresso.
“O ato [da Receita] só elucidava e explicava o óbvio. Agora nós
voltaremos às velhas práticas que o governo da esquerda e o PT amam, que
é a chantagem aos religiosos. Vão mandar os fiscais em cima das
instituições religiosas para ficar produzindo chantagem: ‘Ou acorda e
vota com a gente, ou vocês vão ficar sendo multados'”, disse Sóstenes.
Bolsonaro citou o ato que ampliou a isenção tributária a pastores em
sua primeira viagem na campanha, em 16 de agosto de 2022, em um encontro
com lideranças religiosas em Juiz de Fora (MG).
O ato aborda a prebenda, remuneração recebida pelos pastores e líderes religiosos por serviços prestados às igrejas.
A lei isenta a prebenda do recolhimento de contribuição
previdenciária, desde que ela tenha relação com a atividade religiosa e
não dependa da natureza ou da quantidade de trabalho.
A Receita, porém, havia detectado que algumas igrejas usavam a
prebenda para driblar a fiscalização e distribuir uma espécie de
participação nos lucros aos pastores que reuniam os maiores grupos de
fiéis (beneficiando lideranças de templos em grandes cidades ou bairros,
por exemplo) ou as maiores arrecadações de dízimo.
“Essa é a alegação daqueles que querem perseguir. O ato declaratório
só elucidava o óbvio, aí evitava que alguns fiscais pudessem interpretar
a lei ao seu belo prazer”, disse Sóstenes.
Ele também disse: “Vamos fazer política, que é o que o PT quer.
Mostrar para os evangélicos do Brasil todinho o que nós avisamos que ia
acontecer. Eles [governo] vão só potencializar os evangélicos contra o
PT e contra a esquerda. Simples assim”.
O ato suspenso agora pela Receita diz que o pagamento de valores
diferenciados, no montante ou na forma, “não caracteriza esses valores
como remuneração sujeita à contribuição”. No texto, são citados como
fatores de diferenciação “antiguidade na instituição, grau de instrução,
irredutibilidade dos valores, número de dependentes, posição
hierárquica e local do domicílio”.
Após a posse de Lula, esse ato declaratório foi considerado atípico por integrantes do Fisco e passou por reanálise.
Um dos pontos detectados, de acordo com envolvidos na análise, é que a
edição do ato não passou pela avaliação técnica da subsecretaria de
tributação da Receita.
O TCU abriu ainda em 2022 um procedimento para investigar possíveis
irregularidades na edição do ADI e solicitou informações ao Fisco.
A suspensão do ato foi assinada pelo secretário da Receita Federal,
Robinson Barreirinhas, e publicada no Diário Oficial da União desta
quarta-feira (17). No texto, não é apresentada a justificativa para a
medida.
“A quase totalidade dos líderes religiosos não tem na igreja a sua
principal fonte de renda. Esquece o governo que o apoio sacerdotal aos
seus fiéis ocorre diuturnamente em templos, hospitais, presídios. A
prebenda que recebem, geralmente não cobre os custos do que fazem”,
disse o deputado Eli Borges (PL-TO), que coordenou a bancada evangélica
no primeiro semestre de 2023 e que voltará ao posto em fevereiro.
“Já temos de forma explícita a igrejofobia, a bíbliofobia e agora, a
sacerdofobia. Parece uma tentativa política de intimidação. Se visam
dividendos com isso, estão equivocados, pois na prática a maioria dos
líderes religiosos não será alcançada pela medida.”
O deputado Marco Feliciano (PL-SP) disse que a bancada evangélica
discutirá o tema após o fim do recesso parlamentar de janeiro. “Nada
muda no Congresso. Não nos aliamos a ele [Lula] e nem nos aliaremos. O
comunista iniciou sua perseguição religiosa por ele tanto negada.”
A reportagem pediu uma manifestação à Secretaria de Relações
Institucionais da Presidência e ao Palácio do Planalto na noite desta
quarta. O governo informou que a resposta seria dada pela Receita.
Em nota, o Fisco disse apenas que atendeu a “determinação proposta pelo Ministério Público perante o TCU”.
A composição atual do Congresso não traz um cenário de tranquilidade
ao governo. Apesar de a base formal contar com mais de 350 dos 513
deputados, a esquerda tradicional tem pouco mais de 100 cadeiras.
Os demais partidos com ministros no governo –MDB, PSD, União Brasil,
PP e Republicanos– abrigam em seus quadros um considerável número de
opositores abertos, entre eles integrantes da bancada evangélica.
Entenda benefício
Às vésperas da eleição
O governo Jair Bolsonaro, em julho de 2022, editou ADI (Ato
Declaratório Interpretativo) da Receita Federal ampliando o alcance da
isenção previdenciária a pastores –forte núcleo de apoio ao então
presidente, candidato à reeleição
Análise na Receita
Após a posse de Lula, esse ato foi considerado atípico por
integrantes do Fisco e passou por nova análise. Um dos pontos detectados
é que o benefício não passou pela avaliação da subsecretaria de
tributação da Receita
Investigação
A isenção também está sob investigação do TCU (Tribunal de Contas da
União); segundo Isac Falcão, presidente do Sindfisco Nacional, o ato
usurpou função do Congresso e representa prejuízo aos cofres públicos
Perseguição
Líderes da bancada evangélica no Congresso afirmam que a reavaliação
do benefício simboliza uma perseguição política pelo governo Lula
As provas da Operação Spoofing, investigação que prendeu os hackers
da Lava Jato, estão no centro de um novo capítulo do debate sobre os
acordos de leniência. Empresas que admitiram corrupção e se
comprometeram a restituir os cofres públicos agora avaliam solicitar
acesso ao material para verificar se há brecha para pedir a revisão ou
até a anulação dos seus acordos.
A Operação Spoofing prendeu o grupo responsável pela invasão dos
celulares de membros da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, incluindo
o ex-procurador Deltan Dallagnol, que coordenava o grupo de trabalho, e
o ex-juiz e atual senador Sergio Moro, que foi titular da 13.ª Vara
Federal Criminal de Curitiba, berço da investigação. As conversas
hackeadas constam como provas da investigação.
A J&F foi a primeira a conseguir autorização do Supremo Tribunal
Federal (STF) para receber a documentação. O ministro Dias Toffoli,
autor da decisão, também determinou a suspensão do pagamento das
parcelas previstas no acordo enquanto a empresa analisa as conversas. A
equipe jurídica aguarda os volumes da investigação para começar um
pente-fino em busca de mensagens que possam indicar atuação irregular
dos procuradores.
O acordo de leniência da J&F foi assinado em 2017 com o
Ministério Público Federal (MPF) no Paraná. O grupo se comprometeu a
pagar R$ 10,3 bilhões ao longo de 25 anos para encerrar investigações
das operações Greenfield, Sepsis, Cui Bono, Bullish e Carne Fraca. A
J&F pretende usar o material da Operação Spoofing para pedir a
revisão da leniência. A empresa alega que foi coagida a assinar o acordo
para “assegurar sua sobrevivência financeira e institucional” e que é
preciso “corrigir abusos”. Um deles seria o suposto uso de provas
ilícitas. Procurado, o MPF não se manifestou.
A Odebrecht seguiu a estratégia e também pediu acesso ao material.
Parte das provas do acordo de leniência da empreiteira já foram anuladas
pelo ministro aposentado do STF, Ricardo Lewandowski, com base em
mensagens da Operação Spoofing. Ele levou em consideração o julgamento
que declarou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e considerou que havia
“vícios” nas provas. Inicialmente, a decisão beneficiou apenas o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o ministro Dias Toffoli,
que herdou o processo, estendeu os efeitos ao ex-governador do Rio
Sergio Cabral.
O acordo de leniência da Odebrecht foi assinado em 2016. O grupo
assumiu o compromisso de pagar R$ 2,72 bilhões ao longo de 20 anos para
pôr fim a investigações da Operação Lava Jato. As autoridades
responsáveis pela negociação projetaram que o valor corrigido chegaria a
R$ 6,8 bilhões ao final do período.
O Estadão apurou que a estratégia pode ter um efeito
cascata. Outras empresas que fecharam acordos de leniência, como UTC,
Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, também estudam pedir acesso aos
autos da Operação Spoofing. Fontes ligadas às empresas ponderam, no
entanto, que nem todas poderão tirar proveito das conversas. A avaliação
é que o material só será útil se houver indícios de coação nas
negociações. Caso contrário, poderia se tornar um tiro no pé. Por isso,
uma decisão final ainda depende de maior reflexão. Procuradas, as
companhias não quiseram comentar seus acordos. A UTC não retornou a
reportagem.
Não é o primeiro movimento dessas empresas para tentar a revisão dos
acordos de leniência. Já houve tentativas de repactuação das multas
fixadas. As empreiteiras alegam que os valores foram arbitrados
considerando um faturamento que já não é mais realidade no setor das
grandes construções e que, apesar dos esforços para honrar os
compromissos, o risco de inadimplência é iminente.
A Controladoria-Geral da União (CGU), que gerencia os acordos de
leniência, tem sido inflexível diante dos pedidos de repactuação. O
órgão informou, em nota, que não há margem para a alteração dos valores,
apenas de cláusulas sobre prazo e formas de pagamento. Uma das demandas
das empresas é pagar parcelas futuras por meio de prejuízo fiscal e de
precatórios. A CGU não respondeu sobre o movimento das empresas para
obter o material da Operação Spoofing.
A J&F também tenta reduzir o valor de sua multa. O argumento, no
entanto, não gira em torno da redução do faturamento. Ao contrário do
setor da construção, afetado pelo fim de grandes obras, como Copa do
Mundo e Olimpíadas, o segmento alimentício cresceu. O grupo alega, por
sua vez, que houve um erro na base de cálculo do acordo. A multa foi
fixada tomando como base o faturamento global das empresas que compõem o
conglomerado, mas os advogados alegam que o pacto foi fechado no Brasil
e, por isso, deveria considerar apenas o faturamento nacional do grupo,
não incluindo na conta valores relativos a negócios fora do País.
Outro ponto contestado são as condições atenuantes previstas na
legislação para reduzir o valor da multa no caso de leniência. O
percentual oferecido à J&F foi o mínimo. A empresa alega agora que
abasteceu o MPF com informações inéditas e que, por isso, deveria ter
recebido uma redução maior.
Os questionamentos não são dirigidos apenas às cláusulas do acordo. A
J&F também busca fulminar a própria validade do negócio. Um dos
maiores trunfos que o jurídico do grupo julga ter na manga são as
absolvições de autoridades citadas nos anexos.
Relembre políticos citados nos acordo de leniência fechados na esteira da Lava Jato
Os acordos de leniência fechados na esteira da Operação Lava Jato
foram homologados entre 2015 e 2019 e atingiram políticos de diferentes
partidos e espectros ideológicos. Um dos executivos da J&F entregou
aos procuradores uma lista com 1.829 nomes de 28 partidos que teriam
recebido R$ 388 milhões de propinas na forma de doações oficiais de
campanha.
O primeiro e mais longo anexo do acordo da J&F implicou o
ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, que foi absolvido na esteira da
Operação Bullish. Ele havia sido acusado de favorecer o grupo em
financiamentos junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Social
(BNDES), em troca de propinas.
Outros implicados na leniência da J&F, posteriormente absolvidos
pela Justiça, foram o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e o senador Ciro
Nogueira (PP-PI). O tucano foi inocentado em uma ação que o acusava de
receber R$ 2 milhões em propinas e a investigação contra Ciro Nogueira,
também por suspeita de propinas, foi arquivada pelo STF.
“Tem pagamento via oficial, caixa 1, via campanha, tem via caixa 2,
tem dinheiro em espécie. Essa era a forma de pagar”, resumiu Joesley
Batista, herdeiro do grupo, em depoimento ao Ministério Público Federal
na esteira do acordo de leniência.
Uma das revelações mais emblemáticas da J&F foi a gravação que o
empresário fez do ex-presidente Michel Temer (MDB) e entregou ao MPF.
Joesley disse ao então presidente que estava pagando mesada ao deputado
cassado Eduardo Cunha e a Lúcio Funaro, apontado como operador do
ex-presidente da Câmara, para que ambos ficassem em silêncio sobre
irregularidades. “Tem que manter isso, viu?”, afirmou Temer ao
empresário na gravação. O ex-presidente foi absolvido.
Outro citado é o ex-governador de São Paulo e ex-ministro José Serra
(PSDB). Segundo Joesley Batista, a JBS pagou R$ 7 milhões, via caixa
dois, para a campanha do tucano a presidente em 2010. O processo foi
arquivado em 2018 pelo STF por prescrição.
Uma das condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no
caso Sítio de Atibaia, também teve como base provas obtidas a partir de
um acordo de leniência. A ação foi aberta a partir de anexos entregues
pela Odebrecht.
A empreiteira mencionou 415 políticos de 26 partidos. O ex-ministro
de Minas e Energia, Edison Lobão, por exemplo, responde a uma ação penal
por supostas propinas citadas pela Odebrecht nos anexos do acordo. Ele
foi acusado por receber vantagens indevidas em troca do direcionamento
de contratos para obras da Transpetro e da hidrelétrica de Belo Monte. A
denúncia relata supostos pagamento ilícitos, entre 2011 e 2014, no
valor de R$ 2,8 milhões, por intermédio do Setor de Operações
Estruturadas da Odebrecht, a famosa “máquina de propinas” da
empreiteira.
Em um dos depoimentos prestados no acordo, Emílio Odebrecht afirmou
que procurou Lula, em 2010, para destravar duas medidas provisórias de
interesse da construtora junto ao Ministério da Fazenda. O empresário
disse que o filho dele, Marcelo, relatou o então chefe da pasta, Guido
Mantega, “deu sequência” ao pleito. “Ele (Lula) ouviu e disse: ‘vou
falar com o Guido para verificar’”, relatou. “A informação que eu tive
por parte do Marcelo (Odebrecht) é que o Guido deu sequência.”
A MP 470/09 permitia que empresas exportadoras parcelassem débitos
decorrentes do aproveitamento indevido do crédito-prêmio do IPI. A MP
472/09 criava um regime especial para o desenvolvimento de
infraestrutura da indústria petrolífera nas regiões Norte, Nordeste e
Centro-Oeste. Apenas a segunda foi aprovada no Congresso e convertida em
lei em junho de 2010.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã solidificou a sua posição como potência regional proeminente nos últimos anos.
A organização afirma abertamente que as bases dos EUA no Oriente Médio, bem como as bases israelenses em Tel Aviv e Haifa, estão ao alcance dos seus mísseis balísticos
Na noite de segunda-feira (15/1), Teerã deu uma demonstração clara de
sua intenção, quando a Guarda Revolucionária lançou 11 mísseis
balísticos contra Erbil, a capital da região semiautônoma do Curdistão do Iraque.
Pelo menos quatro civis foram mortos e seis ficaram feridos, segundo o
governo regional. O primeiro-ministro Masrour Barzani classificou o
ataque como um “crime contra o povo curdo”.
A Fars News, uma agência próxima da Guarda Revolucionária, afirmou
que três bases da Mossad, afiliadas ao serviço de inteligência de
Israel, foram destruídas no ataque.
O governo do Curdistão iraquiano negou a presença de agentes estrangeiros no seu território, enquanto Israel não se pronunciou.
No entanto, a Guarda Revolucionária demonstrou que pode realizar
ataques precisos ao bombardear a residência do proeminente empresário e
multimilionário curdo, Peshraw Dizayee. Ele foi morto no ataque.
Dizayee era proprietário e fundador de duas empresas – Falcon Group e
Empire World – nos anos que se seguiram à invasão do Iraque pelos EUA
em 2003. A Reuters diz que ele era próximo da família do premiê Barzani.
Sua casa foi atingida por quatro mísseis e há relatos de que sua filha de 11 meses também foi morta no ataque.
O Grupo Falcon opera em vários setores, incluindo segurança,
construção e petróleo e gás. A sua divisão de segurança tem prestado
assistência a representantes e empresas americanas e a vários
representantes ocidentais no Iraque.
A precisão do ataque sublinha a mensagem de que a Guarda
Revolucionária não só pode atingir estruturas civis, como também pode
atacar instalações militares perto do aeroporto internacional de Erbil, a
poucos quilômetros de distância da base da coligação liderada pelos
EUA.
Os EUA têm 2.500 soldados no Iraque, incluindo em Erbil, que fazem
parte da coligação liderada pelos EUA contra o grupo Estado Islâmico
(EI).
Washington diz que os homens estão lá para apoiar as forças locais e
evitar o ressurgimento do EI, que no passado controlav vastas áreas do
Iraque e da Síria.
No entanto, estes ataques também servem a objetivos internos do Irã,
levando em consideração as recentes ações de Israel na Síria.
Em 25 de dezembro, um alto comandante da Guarda Revolucionária foi
morto no que teria sido um ataque aéreo israelense nos arredores de
Damasco.
No ataque de 15 de janeiro, a Guarda Revolucionária também lançou
mísseis balísticos na província de Idlib, no noroeste da Síria. A
organização disse que tinha como alvo o EI e outros “grupos terroristas”
na região.
Idlib é o último reduto da oposição remanescente, lar de 2,9 milhões
de sírios deslocados, que apoiaram a revolta de 2011 contra o presidente
Bashar al-Assad.
Al-Assad conseguiu permanecer no poder com o apoio militar da Rússia e do Irã.
O grupo islâmico Hayat Tahrir al-Sharm (HTS) é o principal que
controla Idlib, embora o EI e a Al-Qaeda também estejam presentes.
Multidões se reuniam perto do túmulo do comandante da Guarda
Revolucionária Qasem Soleimani para celebrar o aniversário da sua morte
quando dois homens-bomba atacaram.
A Guarda Revolucionária afirma ter usado um míssil Kheibar Shekan para atingir Idlib, que pode viajar até 1.450 km.
O organização disse também que lançou o ataque a partir da província do Khuzistão, no sul.
No entanto, a Guarda Revolucionária poderia ter lançado os mísseis em
Idlib a partir da província ocidental do Azerbaijão, que está muito
mais próxima.
A escolha da localização e do sistema de mísseis Kheibar Shekan
sugerem que o Irã quer mostrar ao mundo que tem capacidade de atingir
vários locais em Israel, que faz fronteira com a Síria.
Ataque no Paquistão
Além dos ataques na Síria e no Iraque, o Irã também lançou mísseis
contra uma região no oeste do Paquistão na terça-feira (16/1).
O ataque atingiu uma aldeia na vasta província fronteiriça do sudoeste do Baluchistão.
Teerã disse que tinha como alvo o Jaish al-Adl, um grupo muçulmano
sunita balúchi que realizou ataques dentro do Irã, bem como contra as
forças do governo paquistanês.
Já autoridades paquistanesas disseram que duas crianças foram mortas e
outras três ficaram feridas no bombardeio. Islamabad disse que o ataque
aéreo foi um “ato ilegal” e alertou que poderia levar a “sérias
consequências”.
A China pediu nesta quarta-feira (17/1) ao Paquistão e ao Irã que
“evitem ações que possam levar a uma escalada de tensão”. O porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, acrescentou que Pequim vê
os países como “vizinhos próximos”.