BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro aposentado do STF (Supremo
Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski deverá entrar no governo Lula (PT)
em 1º de fevereiro pressionado pela avaliação negativa da população
sobre segurança pública na gestão petista e por programas que pouco
avançaram na área.
A cobrança sobre Lewandowski deve aumentar ainda mais por ele ter se
oposto ao desmembramento da Justiça e à recriação do Ministério da
Segurança Pública –promessa de Lula ainda do período eleitoral.
O atual governo tem 38 pastas, contra o máximo de 23 sob Jair
Bolsonaro (PL), 29 sob Michel Temer (MDB) e 39 sob Dilma Rousseff (PT).
Lewandowski tem apontado em conversas reservadas que a área de segurança pública será seu maior desafio à frente do ministério.
Pessoas próximas afirmam que o futuro chefe da Justiça manifesta
preocupação com a gravidade do problema e promete pulso firme no combate
ao crime. Nas palavras de um aliado, o garantismo que marcou sua
carreira no Judiciário, com forte defesa dos direitos de acusados, não
será confundido com falta de ordem em sua gestão no ministério.
As pontes estabelecidas com a classe política durante o período em
que ocupou a presidência do STF e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
também podem pavimentar articulações no Congresso, segundo aliados.
Um exemplo do bom trânsito de Lewandowski no mundo político são os
elogios recebidos de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido do
ex-presidente Jair Bolsonaro. À Folha Valdemar disse que o novo ministro
é homem de bem e tem comportamento firme.
Diante do diagnóstico dos desafios na área, um dos postos de segundo
escalão da Justiça considerados mais importantes por Lewandowski é a
Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública). Ele ainda não definiu
quem comandará o órgão.
José Vicente da Silva Filho, coronel reformado da Polícia Militar de
São Paulo e membro do Conselho da Escola de Segurança Multidimensional
da USP, afirma que Lula, ao anunciar seu novo ministro, não colocou a
segurança pública como prioridade –o foco seria na política e no
relacionamento com outros órgãos, entre eles o próprio STF.
“O que ele fez [gestão Flávio Dino] de positivo foi relacionado à
nova política armamentista, mas em relação a outros pontos da segurança a
pasta virou prateleira de fornecimento de serviço, em que passou a
fornecer homens das Força Nacional, armas e viaturas”, disse.
Pesquisa Datafolha publicada em 7 de dezembro apontou a segurança
como o segundo tema de maior preocupação dos brasileiros. No mesmo
levantamento, 50% dos eleitores avaliaram a gestão Lula nesse campo como
ruim e péssima, ante 29% de regular e 20% de ótima ou boa.
O primeiro ano de Lula conviveu com crises na segurança pública na
Bahia e no Rio de Janeiro, onde houve acirramento das disputas entre
grupos criminosos. O caso da Bahia gerou especial desgaste político para
o PT, uma vez que o estado é governado pelo partido há diversos
mandatos.
Assim como Lewandowski, Dino foi contra o fatiamento do Ministério da Justiça.
No período à frente da pasta, a atuação de Dino na segurança pública
foi alvo de queixas de conservadores, que reclamaram de leniência do
governo, e também de progressistas, que viram prioridade na lógica de
guerra às drogas.
Ao longo de 2023, o governo federal lançou diferentes programas de
enfrentamento à violência, mas especialistas apontam para uma dispersão
de ações e a falta de uma visão sistêmica sobre o papel do governo
federal.
Além de ser um assunto que gera forte preocupação na população, a
segurança pública tem ainda uma dimensão política que é frequentemente
explorada por opositores, principalmente bolsonaristas. O próprio Dino
foi em diversas ocasiões chamado a participar de audiências públicas no
Congresso Nacional.
Um dos episódios mais abordados por opositores foi uma visita feita
por Dino ao Complexo da Maré (RJ) nos primeiros meses de 2023.
Bolsonaristas usaram o caso para associar falsamente o ministro ao crime
organizado –a vinculação foi fartamente explorada nas redes sociais.
Adversários ainda acusam a política desarmamentista do governo Lula de desproteger a população da criminalidade.
Dino também encerra sua gestão na pasta sem que o caso da vereadora
Marielle Franco tenha sido resolvido, apesar de ressaltar que será
esclarecido. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse
ter convicção que a instituição dará uma resposta final sobre o caso
ainda no primeiro trimestre deste ano.
Procurado em dezembro para fazer um balanço sobre a área, o
Ministério da Justiça informou que atua “de forma consistente a médio e
longo prazo, como, por exemplo, a partir da estruturação de programas
para combater as grandes organizações criminosas e proteger a Amazônia”.
Segundo a pasta, foram investidos em 2023 mais de R$ 18 bilhões em
segurança pública.
MANAUS, AM (FOLHAPRESS) – Quase um ano após o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) ter considerado, em visita a Boa Vista, que a
situação era desumana, a Casai (Casa de Saúde Indígena) Yanomami segue
funcionando como um hospital improvisado e com lotação acima de sua
capacidade.
A declaração de emergência em saúde pública ocorreu em 20 de janeiro
de 2023. Lula foi a Boa Vista no dia seguinte, ocasião em que fez uma
visita à Casai. Ele prometeu que equipes médicas chegariam às aldeias no
território, para evitar o transporte de yanomamis e parentes à cidade,
em busca de tratamento.
“Se alguém me contasse que aqui em Roraima tinha pessoas sendo
tratadas de forma desumana, como vi o povo yanomami ser tratado aqui, eu
não acreditaria”, disse o presidente na ocasião.
“Uma das formas de resolver isso é montar plantão da saúde nas
aldeias, para que a gente possa cuidar deles lá. Fica mais fácil a gente
transportar dez médicos do que transportar 200 índios”, completou.
As remoções são feitas em voos que duram de uma a duas horas. Os
aviões são custeados pela Sesai (Secretaria de Saúde Indígena), do
Ministério da Saúde.
A promessa ainda está longe de uma efetividade. A Casai segue com
mais pessoas do que vagas existentes. Até terça-feira (9), quando a
reportagem da Folha esteve no espaço, havia 276 pacientes e 310
acompanhantes, num total de 586 indígenas. A capacidade da Casai é de
442 redes e 16 leitos.
A unidade continua operando como um hospital improvisado, enquanto
sua função inicial é servir como uma casa de passagem e acolhimento para
os indígenas e familiares que precisam de atendimento na rede
hospitalar em Boa Vista.
No auge da crise humanitária, quase 900 yanomamis ficavam na Casai,
parte deles por meses, sem retornar ao território tradicional. No
momento da visita de Lula, quase um ano atrás, havia uma ocupação de
mais de 700 indígenas.
No local, um dos principais fluxos de indígenas é proveniente da
região de Auaris. O espaço deveria ser apenas uma casa de acolhimento e
passagem, mas faz atendimentos médicos e internações.
Galpões são estruturados para abrigar os indígenas, divididos por regiões. O de Auaris era um dos mais lotados na terça.
“O garimpo voltou com tudo e, com isso, a malária voltou com tudo”,
afirma a médica ginecologista Ana Paula Pina, que atua no DSEI (Distrito
Sanitário Especial Indígena) Yanomami. “Há mães desnutridas crônicas. E
a maioria das internações é de crianças desnutridas e com malária.”
No polo base em Auaris, dentro do território, profissionais de saúde
encontram dificuldades em administrar a suplementação alimentar nos
casos de desnutrição. Mesmo assim, as sete crianças com desnutrição não
necessitariam de transferência para Boa Vista, segundo o diagnóstico
feito no dia da visita de uma comitiva de ministros, na quarta (10).
“A gente está muito ciente de que [a crise] está longe de terminar,
está longe para se libertar o território”, disse a ministra Sônia
Guajajara, na reunião feita com lideranças em Auaris. “Sabemos que há
invasores, que o que fica é a parte criminosa.”
A Casai ainda é um espaço em que se veem crianças com desnutrição,
algumas em estado mais crítico. Já não há a enorme superlotação do auge
da crise humanitária, e os espaços estão mais organizados, com melhor
infraestrutura e mais leitos. Mesmo assim, há longas permanências,
ocupação acima do disponível e improvisação do espaço como um hospital.
Há um déficit de profissionais de saúde. Um dos profissionais da
Casai resumiu a situação dizendo que o buraco é muito fundo, com todos
trabalhando, mas o trabalho não parece fazer efeito.
Nos últimos 40 dias, nove crianças com desnutrição grave precisaram
deixar a Casai para internação no Hospital da Criança Santo Antônio,
unidade da rede de saúde do município de Boa Vista. A fome leva a outras
doenças, como diarreia e pneumonia.
Médicos com atuação no hospital improvisado dizem ter se deparado com
crianças com malárias sucessivas. Uma delas já teve sete malárias, o
que provocou danos ao fígado.
Na Casai, indígenas que deixam o Hospital da Criança prosseguem com o
tratamento para a desnutrição, por meio de uma suplementação alimentar.
As complicações decorrentes da desnutrição também são tratadas pelas
equipes no espaço. Muitas vezes, é necessário retornar ao hospital,
diante do agravamento dos casos.
• Despesa total do governo federal é de R$ 5,5 trilhões
• Reforma administrativa é urgente: gastos com servidores é a segunda maior despesa do Executivo, atrás apenas da Previdência
• Na previdência, se cortar fraudes e pagamentos indevidos, despesa pode diminuir R$ 15 bilhões em 10 anos
• Poder legislativo precisa enxugar gastos: Brasil tem o segundo Congresso mais caro, atrás apenas do dos Estados Unidos
• Poder Judiciário é o que mais gasta recursos públicos entre todos os países da América e da Europa
Quando pensamos em gastos exorbitantes de dinheiro público, o Poder Executivo surge como o principal responsável pelo desequilíbrio nas contas públicas. E de fato ele é o maior gastador. O
dispêndio total previsto para este ano, sem contar o pagamento de juros
da dívida, é de R$ 2,2 trilhões. Nesse número entram as despesas obrigatórias (que incluem salários dos servidores e gastos previdenciários) mais as chamadas despesas discricionárias (pagamentos de precatórios e emendas parlamentares, além de investimentos, como o PAC). Para chegar à despesa total do governo federal,
no entanto, é preciso incluir os cerca de R$ 900 bilhões destinados
exclusivamente às estatais e autarquias (entre salários e investimentos)
e outros R$ 2,4 trilhões de pagamento de juros da dívida. No bottom line, a conta chega a R$ 5,5 trilhões.
• Tradicionalmente, o Poder Executivo só realiza cortes
dentro das despesas discricionárias, que em 2024 somam R$ 225,8 bilhões,
uma ínfima parte de 11% das despesas totais sem o pagamento de juros da
dívida.
• Mas se o olhar for expandido, há mais dinheiro na mesa a se
economizar. E um desses caminhos seria cortar e revisar benefícios no
Judiciário, no Legislativo e no próprio Executivo, o que garante uma
redução de gastos de R$ 23,8 bilhões por ano.
• Se nessa conta forem acrescentados os efeitos da Reforma
Administrativa, da Revisão Previdenciária e da união dos gastos sociais,
outros R$ 665 bilhões seriam poupados em uma década.
Para Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, há algum nível de descaso de todos os Poderes com a quantidade e a qualidade do que gastam.“Falta mais ênfase no corte. Há muito ajuste voltado para a arrecadação, e esse desequilíbrio precisa ser corrigido”, disse Fraga.
Já o secretário de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas e Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, Sergio Firpo,
diz que uma análise profunda sobre o tema está em curso desde 2023, e
os resultados serão apresentados em abril, na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025. Segundo ele, o estudo contempla excessos e gastos pouco eficientes.
Enquanto eles fazem contas, a DINHEIRO preparou uma série de
medidas que podem facilitar o processo de contenção de gastos — sem
penalizar o mais pobre ou espremer os mais ricos.
Conhecida como a mãe das reformas, a revisão do tamanho do Estado, ou Reforma Administrativa, não é uma questão de ideologia política, mas de coerência com os tempos em que vivemos.
Neste ano, os gastos com servidores do governo federal estão estimados
em R$ 380 bilhões, ou 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). É a segunda maior despesa primária do governo, perdendo apenas para a Previdência Social (R$ 913 bilhões, 8% do PIB).
O ex-ministro da Economia Paulo Guedes até tentou
emplacar uma Reforma Administrativa no governo Jair Bolsonaro, mas sem
sucesso — por boicote do próprio governo da época. O texto basicamente
revia as formas de contratos e diminuía a estabilidade do emprego.
No começo do governo Lula, foi totalmente descartado. O atual advogado-geral da União, Jorge Messias,
chamou a proposta, no final de 2023, de “lixo”. Em um evento organizado
pelo Ministério da Gestão, Messias afirmou que a discussão de reforma
envolve rever quais são as necessidades da população e atualizar o
Estado para os moldes atuais. “Podemos entregar mais e melhor à população, e com isso aumentar a eficiência e diminuir custos”, disse. Lindo. O problema? Não deu mais detalhes.
Para o economista Felipe Salto, da consultoria Warren Rena, uma saída seria a revisão de políticas de indexação e correção automática de salários e remunerações. “Nisso, a Reforma Administrativa poderia ajudar, eventualmente.” Nos cálculos de Salto, poderia diminuir o custo da máquina pública em mais de R$ 150 bilhões em dez anos.
Previdência
Falar de Previdência parece um pouco démodé, mas vamos ter de falar
sobre ela de novo. Ao cruzar as projeções de envelhecimento da população
pelo INSS e sua arrecadação, o problema é visível. Em 2020 o déficit previdenciário no
Brasil foi de R$ 160 bilhões. Em 2021 saltou para R$ 190 bilhões.
Fechou 2022 em R$ 250 bilhões. A expectativa é que o número dobre até
2060 e quadruplique até 2100. É preciso agora aliar tecnologia nessa
conta. Em vez de reduzir os valores pagos, o governo precisa
investir em um sistema inteligente de liberação e autenticação do
benefício.
Isso poderia ajudar a mudar um dado alarmante do TCU. Em 2021
foram pagos R$ 86 milhões em aposentadorias indevidas, R$ 27 milhões a
segurados falecidos, R$ 52,6 milhões gastos com benefícios
previdenciários acima do teto e R$ 6 milhões em fraudes. O
tribunal aponta, inclusive, que esse número todo deve ter dobrado
durante a pandemia. E, resolvê-lo, pode diminuir a despesa
previdenciária em R$ 15 bilhões em dez anos.
Gastos sociais
Além da Previdência há políticas de proteção social. Calma, calma, ninguém aqui quer acabar com o Bolsa Família, mas usar inteligência nessa aplicação. Um
estudo do economista Gabriel Leal de Barros, da Ryo Asset, aponta a
necessidade de promover uma fusão de políticas sociais diante da
execução fracionada de diversos programas como o Auxílio Brasil, Auxílio
Gás, Auxílio Reclusão, Farmácia Popular, Salário Maternidade, Salário
Família, Benefício de Proteção Continuada…“A fusão de
políticas sociais é algo imperativo, já que a ineficiência da gestão
dessas políticas é enorme e é comum ter beneficiários recebendo dois,
três, quatro e até cinco benefícios de forma cumulativa”, disse Barros.
Pelos seus cálculos, a integração e o redesenho dos programas sociais
podem entregar economia fiscal de quase R$ 200 bilhões em dez anos. O
Banco Mundial concorda. “Vários benefícios pecuniários que deveriam ser
direcionados aos trabalhadores pobres estão, na prática, beneficiando
famílias com rendas mais altas”, relatou o banco em um reporte de agosto
de 2023.
Abono Salarial
Outra solução seria rever o abono salarial, benefício que assegura o
valor de até um salário mínimo anual aos trabalhadores que receberam em
média até dois salários mínimos de remuneração mensal durante pelo menos
30 dias no ano, e que estejam cadastrados no PIS ou no Pasep há pelo
menos cinco anos. Para Rafael Medici, professor de estudos
econômicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o efeito do abono
não é mais social. “Ele não combate o desemprego, pois quem
recebe está empregado. Não combate a miséria, porque quem recebe não
está entre os 20% mais pobres. E não ajuda na informalidade, porque quem
recebe o benefício já está no mercado formal.”
O pagamento do abono salarial está estimado em R$ 28,1 bilhões para o
ano de 2024. Extinto o benefício, a economia tende a superar R$ 300
bilhões em dez anos — pois o valor é corrigido anualmente. Para ser
encerrado, teria de ser alterada a Constituição.
Saúde e Educação
A educação e a saúde pública poderiam ser melhores? Sim. Isso
significa que o governo precisa investir mais nela? Não necessariamente.
Em 2023, uma solução de alunos de gestão de políticas públicas da
Universidade de Brasília foi apresentada à ONU. Os estudantes
mostraram por meio do estudo intitulado A Realidade da Saúde Pública e
Educação Brasileira que o uso de inteligência artificial na hora de
distribuir recursos para os municípios teria o poder de melhorar em 3
pontos o IDH brasileiro e, pasmem, reduzir em 18% o total do gasto com
saúde e 22% com educação ao ano, ou cerca de R$ 5 bilhões ao ano.
Para isso, no entanto, o governo teria de avançar com um projeto para
desindexar a correção dos valores destinados a esses setores, que têm
seu aumento anual previsto em Lei.
R$ 5,5 trilhõesé o valor das despesas do
Brasil em 2024; do montante, R$ 2,2 trilhões, ou 40%, são usados para
custear a máquina pública
Se o Executivo tem muita gordura para queimar, o Legislativo precisa olhar para o próprio umbigo e analisar como contribuir. O Brasil tem o segundo Congresso mais caro, perdendo apenas para o dos Estados Unidos — a maior economia do mundo. Um
estudo realizado pelas universidades de Iowa, Universidade do Sul da
Califórnia e Universidade de Brasília (UnB) a pedido do Banco Mundial
apresentou números preocupantes.
Em 2021 cada um dos 513 deputados e 81 senadores brasileiros
custou US$ 5 milhões, ou R$ 24 milhões com a cotação do dia 10 de
janeiro. Isso significa que o gasto com cada congressista
corresponde a 528 vezes a renda média dos brasileiros. Neste ano, a
despesa com pessoal no Congresso será de R$ 13,68 bilhões, ou 0,12% do
PIB. Nos EUA, com orçamento de US$ 4,73 bilhões, o custo dos
parlamentares representa 0,017% do PIB. Proporcionalmente, o parlamento
brasileiro custa 7,5 vezes mais que o americano.
Para explicar esse fenômeno brasileiro, o pesquisador Luciano
de Castro, que é professor associado na Universidade de Iowa, nos
Estados Unidos, parafraseou o professor Barry Ames, autor do livro The
Deadlock of Democracy in Brazil. “A tragédia do sistema político brasileiro não é que ele beneficie as elites, e sim que ele beneficia a si próprio.”
• Do total de gastos do Legislativo brasileiro este ano, salários e benefícios custarão R$ 6,43 bilhões.
• Aposentadorias e pensões, outros R$ 5,5 bilhões.
• Além de elevada, a folha de pagamento do
Legislativo federal é extensa, somando mais de 24 mil pessoas, a maior
parte deles na Câmara (14.778 servidores).
Para Victor Gonzaga Gurgel, pesquisador da Universidade
Federal do ABC, a escalada dos gastos acontece sempre que a pessoa que
usufrui é a mesma que autoriza o aumento.“Não há qualquer
tipo de autonomia real dos outros Poderes para frear os aumentos, até
porque eles também se beneficiam da autorregulação.”
Uma solução seria o modelo adotado em alguns países da Europa, como Irlanda e Suíça, onde os orçamentos são cruzados. Assim, cada Poder desenha seu próprio orçamento, mas precisa passar por auditoria nas outras Casas. Um
estudo feito pelo Instituto Millenium calculou que reduzir o uso do
auxílio moradia e as férias, de 60 para 30 dias, traria economia de R$
2,3 bilhões aos nossos bolsos ao ano.
O TCU também está atento a essa questão.
Apenas no ano passado, o Congresso gastou ao menos R$ 258,6 milhões com o pagamento de:
• despesas dos parlamentares com alimentação,
• hospedagem,
• aluguel de escritório e veículos,
• combustíveis e lubrificantes,
• telefone,
• passagens aéreas, entre outras.
A verba varia de acordo com o estado de origem do parlamentar. No
Senado, vai de R$ 21.045,20, para senadores do Distrito Federal e de
Goiás, a R$ 44.276,60, para representantes do Amazonas. Na Câmara, o
benefício é ainda mais generoso: deputados da capital federal têm
direito a R$ 30.788,66 e os de Roraima a R$ 45.612,53.
Na avaliação do TCU, a atual estrutura das duas casas legislativas
não é capaz de impedir uso indevido do dinheiro público. “A realidade é
que existem indícios de utilizações irregulares, equivocadas ou
ineficientes dos recursos disponibilizados, e que os meios atuais de
controle e fiscalização não estão sendo eficientes para mitigar o
eventual abuso ou mau uso das verbas por parte de determinados
parlamentares”, afirmou o relatório do tribunal.
A estimativa é que cada Casa poderia reduzir até um R$ 1 bilhão ao
ano com mais disciplina e controle dos gastos. “É dinheiro de todos nós
utilizado sem qualquer garantia de que os princípios basilares da
administração pública estão sendo respeitados.”
Não é possível avaliar os problemas do custeio brasileiro sem olhar também para o Judiciário. Responsável
por um orçamento de R$ 73,08 bilhões ao ano, o Poder Judiciário, em seu
conjunto, converteu-se em uma grande estrutura geradora de privilégios
para poucos, com baixa preocupação social, nenhuma participação
democrática, transparência ou controle da sociedade.
Dos Três Poderes, o Judiciário também é o mais difícil quanto a
acessar dados públicos, o que torna baixa — ou nula — a fiscalização do
andamento e do destino dos recursos. Pouca gente sabe, por
exemplo, que o Judiciário brasileiro é um dos mais caros do mundo. É o
que mais gasta recursos públicos entre todos os países da América e da
Europa.
Segundo um estudo da FGV-Rio, em pareceria com o Banco Mundial, o
Brasil destina 0,7% do PIB para a manutenção de sua Justiça. Na Alemanha
é menos da metade: 0,32%. Na Itália 0,19%. Nos EUA 0,14%. O número não
seria tão ruim se a Justiça funcionasse melhor.
No Judiciário os benefícios também se acumulam. Auxílio-moradia,
auxílio-paletó, auxílio-livro, recursos esses que não estão sujeitos ao
IR e à contribuição previdenciária. E essa é apenas a ponta do iceberg.
Em São Paulo, por exemplo, um estudo do Ministério Público de 2021
revelou que a média de rendimento mensal dos juízes e desembargadores
era de R$ 40.853 (enquanto o teto era R$ 33.763). Em cargos como
procuradores-gerais de Justiça, chefes dos MPs esse valor podia chegar
R$ 53.971. À época, das 54 esferas judiciais pesquisadas no estado, 50
furavam o teto. E isso é ilegal? Não. A questão é a moralidade. Usufruir
do benefício é constitucional, mas a recondução dele para transformar
em parte do provento mensal é uma subversão do propósito. Na ponta do
lápis, seria possível reduzir, ao ano, cerca de meio milhão de reais de
salários pagos acima do teto.
Para o advogado José Marin Gonzáles, procurador aposentado
por Minas Gerais, a construção da casta Judiciária é um problema que o
Brasil terá de enfrentar, uma hora ou outra. “A solução
seria ampliar a lei que estabelece o teto salarial do ente público para
que ela fosse mais clara sobre a incorporação de benefícios.”
A taxação dos valores também seria uma solução para redução das
perdas, além, claro, do uso da tecnologia para cruzar dados de modo
instantâneo e barrar pedidos inapropriados. “Deveria haver um teto de benefícios, a ser usado como o magistrado preferir”, disse Gonzales. Parece claro que todos precisam cortar na própria carne. O que ninguém fez até agora.
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
publicou um vídeo neste domingo (14) dizendo que ele pode ser “um cara
horrível”, mas que “o outro cara é péssimo”, em uma referência ao
presidente Lula (PT).
A comparação feita por ele ocorre dias após a repercussão de falas do
presidente de seu partido, Valdemar da Costa Neto, com elogios ao
petista.
O presidente do PL foi atacado por bolsonaristas nas redes sociais e,
neste sábado (13), disse ser “leal a Bolsonaro”, fiel aos seus
princípios e, embora tenha mantido elogios a Lula, afirmou que suas
falas foram tiradas de contexto.
No vídeo publicado neste domingo, gravado durante uma visita à cidade
de Angra dos Reis (RJ), Bolsonaro não citou Valdemar, mas buscou
comparar seu governo com o de Lula.
Além de falar da situação econômica do país, questionou a mudança em
relação à política de armas e a política externa brasileira.
“Nós estamos no mesmo barco pessoal. Se alguém porventura aqui votou
no PT, pode ser que exista: não dá para comparar, eu posso ser um cara
horrível, mas o outro cara é péssimo.”
Declarado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no ano
passado por mentiras e ataques ao sistema eleitoral em 2022, Bolsonaro
afirmou que o Brasil está com um rombo de quase R$ 200 bilhões. “Essa
conta quem vai pagar são vocês”, disse aos apoiadores que o
acompanhavam.
O número oficial, porém, será divulgado pelo Tesouro apenas no fim de
janeiro. No final de dezembro, o secretário do Tesouro Nacional,
Rogério Ceron, disse esperar que o governo central feche 2023 com
déficit primário acumulado em 12 meses de aproximadamente R$ 125
bilhões.
Sobre a política externa, Bolsonaro acusou o PT de ser aliado do
Hamas e disse que “ele não reconhece o Hamas como terrorista”. Em
outubro, Lula afirmou que o Hamas cometeu atos de terrorismo ao invadir
Israel em 7 de outubro e que este, por sua vez, reagiu de “forma insana”
ao bombardear de modo contínuo a Faixa de Gaza desde então.
O presidente do partido de Bolsonaro relatou ter virado alvo de
ataques desde sexta-feira (12) devido a uma entrevista concedida por ele
em dezembro ao jornal O Diário, da região de Mogi das Cruzes (SP).
No vídeo, Valdemar afirma que Lula tem prestígio e é fenômeno por “chegar onde chegou”.
Em entrevista à Folha também na sexta, ele se disse mal compreendido e
chamou de “fake” o conteúdo que circula. Não por negar os elogios, mas
por considerar que o trecho da entrevista, concedida no mês passado, foi
tirado de contexto.
“O que eu falei do Lula, eu falei porque é verdade. Se eu não falar a
verdade, perco a credibilidade, que é o que me resta na política.
Ninguém pode negar que ele foi bom presidente. Ele elegeu a Dilma
[Rousseff]. Só que eu tava fazendo comparação: o Lula tem prestígio,
Bolsonaro tem uma coisa que ninguém tem no planeta, carisma.”
À Folha Valdemar elogiou a escolha de Lula de indicar o ministro
aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski para o
Ministério da Justiça.
O dirigente do partido de Jair Bolsonaro classificou Lewandowski como homem de bem e de comportamento firme.
“Lewandowski tinha tudo para ir pro Ministério da Justiça. Ele é
preparado, homem de bem, homem que sempre teve comportamento firme.
[Lula] Acertou, como não. Como no caso do [Cristiano] Zanin, não foi boa
indicação?”, disse.
As cenas de terror protagonizadas por grupos criminosos no Equador,
ao mesmo tempo que foram mais uma demonstração cabal do avanço dessas
organizações na América Latina, serviram para alimentar o discurso
segundo o qual só é possível enfrentar essas gangues com medidas de
exceção, à moda do impetuoso e popularíssimo presidente de El Salvador,
Nayib Bukele – aquele que, quando acusado pela oposição de pretender
impor uma ditadura por meio de suas medidas draconianas contra o crime,
se declarou, ironicamente, “o ditador mais cool (legal) do mundo”.
Por maior que seja a indignação com a violência dos grupos criminosos
que infestam a América Latina e cujos quartéis são as próprias prisões
em que teoricamente cumprem pena, não se pode admitir que a solução seja
a suspensão dos direitos básicos dos cidadãos, sobretudo o direito que
os protege de detenções arbitrárias. O método de Bukele não é uma
solução porque, ao suspender o Estado Democrático de Direito em nome do
combate ao crime, destrói a democracia sem melhorar a segurança de
ninguém. Aliás, muito pelo contrário: sem democracia, não há nenhum tipo
de freio para o arbítrio do Estado, que assim ganha poder ilimitado
para coagir todo e qualquer cidadão, conforme a vontade do ditador e de
sua corte.
A violência do Estado, quando fora do controle das instituições
democráticas e quando exercida à margem da lei, é tão perniciosa quanto a
cometida pelos criminosos comuns. É possível sentir-se
circunstancialmente seguro numa sociedade assim, mas é uma segurança
ilusória, porque depende da sorte de ter boas relações com o poder.
A tentação, contudo, é grande. A imensa popularidade de Bukele em El
Salvador criou a sensação de que o jovem presidente, ao dar uma banana
para os direitos básicos, afinal encontrou a solução ideal para o
problema da criminalidade. O igualmente jovem presidente do Equador,
Daniel Noboa, claramente pretende adotar o método de Bukele, em meio à
crise desencadeada há uma semana, após o líder de uma das maiores
facções criminosas do país ter escapado de um presídio em que gozava de
vários privilégios – como cúmulo do escárnio, ele até gravou um
videoclipe dentro da prisão.
A fuga levou Noboa a decretar estado de exceção. Nas horas que se
seguiram ao ato, o país assistiu a rebeliões em prisões, viaturas
policiais queimadas, sequestros de policiais e até a invasão de uma
emissora de TV de Guayaquil durante a transmissão de um programa ao
vivo. Noboa, então, dobrou a aposta e decretou estado de conflito armado
interno, decisão que autorizou o uso das Forças Armadas no
patrulhamento de ruas, suspendeu aulas e impôs um toque de recolher à
população. Mais de 300 pessoas foram presas e ao menos 13 foram mortas,
enquanto os ataques liderados pelas facções parecem ter refluído.
Não é a primeira vez que o crime organizado mostra sua força no
Equador. Ainda não esclarecido, o assassinato do candidato presidencial
Fernando Villavicencio em agosto do ano passado foi reivindicado por uma
das tantas facções criminosas que atuam no país. Os episódios assustam
os equatorianos, que até então pensavam viver num país relativamente
seguro.
Mas o medo é mau conselheiro – e escancara o espaço político
latino-americano para emergência de líderes que fazem da promessa de
violência estatal seu principal ativo eleitoral. Não à toa, Bukele é
hoje mais popular que a maioria dos políticos do Equador e embala os
sonhos da extrema direita de Honduras, Guatemala, Peru, Argentina e,
claro, Brasil – por aqui, o notório Eduardo Bolsonaro levou uma comitiva
de deputados para conhecer a experiência de Bukele e ressaltou, nas
redes sociais, que El Salvador, “o país mais violento do mundo em 2015,
hoje tem taxa de homicídios igual à Suíça”.
Em resumo, há duas formas de enfrentar o crime organizado: a que
funciona, por meio de um esforço de inteligência e cooperação entre
todos os países afetados, já que o narcotráfico e as milícias se
tornaram transnacionais; e a que não funciona, por meio da suspensão de
direitos e da truculência do Estado – que se torna, ele mesmo,
criminoso.
Do Brasil à Alemanha, milhões de pacientes recorrem ao tratamento
homeopático contra diferentes doenças. Mas o que dizem os estudos sobre
esse método? Por que ele segue tão popular e, ao mesmo tempo, tão
criticado?A homeopatia representa um mercado enorme. Não só no Brasil e
na Alemanha, mas também em outros países europeus e sul-americanos, na
América do Norte e na Ásia, pacientes recorrem a remédios homeopáticos
para problemas estomacais, dores de cabeça e de garganta.
No Brasil, o método terapêutico é oferecido pelo SUS desde 2006. Na
França, por outro lado, as seguradoras de saúde cobriram os custos
dessas substâncias até 2021. E agora, na Alemanha, o ministro da Saúde,
Karl Lauterbach, quer que ocorra o mesmo: no futuro, quem optar pela
homeopatia terá que pagar por isso.
O que é a homeopatia?
O tratamento homeopático baseia-se no princípio da similaridade:
substâncias que causam determinados sintomas em indivíduos saudáveis
podem curar sintomas semelhantes em pessoas doentes, quando diluídas em
altas doses.
“Semelhante cura semelhante” – esse princípio remonta ao pai da
homeopatia, o médico alemão Samuel Hahnemann (1755-1843). O termo
homeopatia é formado pelas palavras gregas “homoion”, similar, e
“pathos”, doença.
Como substâncias como a beladona seriam altamente tóxicas em sua
forma pura, elas são administradas aos pacientes em uma forma altamente
diluída. As plantas ou os minerais são moídos e misturados com água ou
álcool. Parte dessa mistura é diluída novamente, e assim por diante.
Hahnemann desenvolveu um método especial de diluir e agitar,
conhecido como potencialização e dinamização. Aplica-se o seguinte:
quanto mais diluído, mais forte será a reação de cura do paciente.
Isso ocorreria apesar do fato de que o ingrediente ativo original
quase não está presente ou sequer está presente no final do
procedimento. A teoria controversa é que a água usada para a diluição
tem uma memória que pode lembrar as propriedades e o efeito da
substância original.
O ingrediente ativo homeopaticamente potencializado produzido dessa
forma é frequentemente pulverizado em pequenos glóbulos de açúcar. Esses
glóbulos são uma das formas de dosagem mais populares da homeopatia.
Engolidos pelo paciente, eles têm a finalidade de ativar os poderes
de autocura do próprio corpo e restaurar o equilíbrio do sistema do
indivíduo, que foi desequilibrado pela doença.
O que dizem estudos sobre homeopatia?
Vários estudos já investigaram a homeopatia e seu efeito em
diferentes problemas de saúde. Pesquisas individuais têm importância
limitada, enquanto as meta-análises, que incluem muitos estudos,
fornecem respostas mais confiáveis.
Uma meta-análise de 1997, publicada na revista especializada Lancet,
examinou 89 estudos individuais. A conclusão dos pesquisadores na época
foi que o efeito clínico da homeopatia não poderia ser atribuído apenas
ao efeito placebo. É essa frase que os homeopatas ainda hoje citam como
prova de que a terapia é, sim, eficaz.
A declaração subsequente dos pesquisadores de 1997, por outro lado, é
deliberadamente ignorada e relativizada: não há evidências suficientes
de que a homeopatia seja claramente eficaz para enfermidades
específicas.
Outra meta-análise de 2017, publicada na revista Systematic Review,
analisou apenas estudos duplo-cegos nos quais nem os participantes do
teste, nem os médicos sabiam se estavam administrando um remédio
homeopático ou um placebo. Os estudos duplo-cegos são considerados
particularmente confiáveis e conclusivos. O resultado aqui também foi:
nenhum efeito sobre doenças específicas.
Uma crítica fundamental feita pelos pesquisadores é que a qualidade
de muitos estudos deixa a desejar. Em 2015, o Conselho Nacional de Saúde
e Pesquisa Médica da Austrália publicou os resultados de um comitê que
analisou a situação dos estudos sobre homeopatia. O resultado: quanto
pior a qualidade do estudo, melhores os resultados da homeopatia.
“Os argumentos a favor da homeopatia são construídos sobre a areia”,
diz a médica alemã Natalie Grams no podcast da DW em inglês Don’t drink
the milk.
Grams vinha tratando seus pacientes homeopaticamente há anos com
total convicção, até que decidiu escrever um livro sobre o tema e se
familiarizou com os estudos. Atualmente, a médica é uma das mais
proeminentes críticas alemãs à homeopatia – mas reconhece que o método
oferece algo que a medicina moderna muitas vezes não tem.
Por que muitos acreditam na homeopatia?
“Na medicina moderna, muitas vezes somos apenas um número entre
muitos e não sentimos que estamos sendo tratados suficientemente bem”,
diz Grams.
Quem já foi a um homeopata ou outro profissional da chamada medicina
alternativa costuma dizer que eles lhes dedicam mais tempo, os ouvem e
os tratam como um indivíduo, considerando todas as suas preocupações e
medos.
Isso não é pouca coisa: tem um efeito comprovadamente positivo no
sucesso do tratamento, afirma Ulrike Bingel, professora de neurologia do
Hospital Universitário de Essen, na Alemanha. Uma das especialidades da
neurocientista é a pesquisa sobre dor e placebo. “O efeito placebo ou
de expectativa não é apenas subestimado na medicina, como tampouco é
utilizado de forma sistemática.” Isso é algo que poderia ser aprendido
com a homeopatia, afirma ela.
O que é o efeito placebo?
“Placebo é um tratamento ou medicamento que não tem efeito
intrínseco”, explica Ulrike Bingel. Ou seja, alguns diriam que não tem
efeito qualquer. Uma tintura feita de água pura, um comprimido de
lactose ou até mesmo glóbulos homeopáticos – placebos não aliviam
sintomas.
Ainda assim, é o chamado efeito placebo a razão pela qual os sintomas
melhoram após o tratamento homeopático. Em outras palavras, a
expectativa positiva dos pacientes que ingerem os glóbulos.
Os homeopatas reforçam essa expectativa por meio de sua abordagem
empática. Segundo Bingel, esse sentimento também é construído com as
histórias positivas de parentes, conhecidos e amigos, que incentivam com
seus relatos de experiências pessoais positivas.
“Portanto, a força motriz não é o placebo em si, mas a expectativa
positiva que as pessoas associam ao fato de tomá-lo”, afirma a
neurocientista. Segundo ela, o efeito placebo ou de expectativa também
entra em ação quando se toma uma medicação real. “Mesmo após
intervenções sérias, como cirurgia cardíaca, há esse efeito positivo
assim que os médicos que tratam os pacientes voltam sua atenção para
eles e se comunicam bem e com empatia.”
Pesquisas intensivas sobre o efeito placebo estão sendo realizadas na
Alemanha e em vários países. Um dos mais renomados pesquisadores do
efeito placebo é Ted Kaptchuk, professor de medicina da Harvard Medical
School, em Boston.
Apesar de todos os efeitos positivos do efeito placebo, Kaptchuk é
categórico em um artigo: “Os placebos podem fazer você se sentir melhor,
mas não vão curá-lo.”
“Não precisamos da homeopatia como terapia. O conceito teórico é uma
besteira e contradiz todo o conhecimento científico”, completa Bingel.
“Mas há muitos aspectos do conceito de tratamento praticado que devem
ser urgentemente integrados à medicina baseada em evidências.”
Ou seja, mais tempo, melhor comunicação e terapias mais
individualizadas. Segundo a neurocientista, uma reformulação está
ocorrendo lentamente. “Mas ainda há muito espaço para melhorias.”
O consumo regular de alimentos ricos em nutrientes é essencial para manter um bom estado de saúde. A falta de uma dieta equilibrada pode levar a uma série de problemas, tais como anemia, sobrepeso e fadiga. Felizmente, alguns alimentos, como o agrião, podem ajudar a combater esses problemas.
Segundo uma pesquisa publicada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, o agrião é a verdura mais saudável que se pode consumir.
O estudo analisou vários frutos e legumes, e descobriu que o agrião,
graças ao seu perfil nutricional, é uma opção ideal para a alimentação diária. Este vegetal contém altas concentrações de cálcio, potássio e vitamina A.
O agrião é um vegetal crucífero pertencente à mesma família de
alimentos como os brócolis, a couve-flor e o repolho. O vegetal, nativo
da Ásia Central e Europa, vem sendo consumido pela humanidade desde
tempos imemoriais.
O valor nutricional do agrião
A referida pesquisa listou os alimentos mais ricos em nutrientes,
tendo como base os elementos nutricionais que devemos consumir
diariamente. Os elementos essenciais à boa saúde incluem potássio,
fibra, cálcio, ferro e várias vitaminas.
O resultado final mostrou o agrião como o alimento com a pontuação
mais alta – um perfeito 100 em 100 – seguido pela couve chinesa e
acelga.
Isto indica que o consumo de agrião atende a 100% da quantidade
diária recomendada de todos os nutrientes em análise pelo estudo.
Créditos: iStock/yodaswaj
Benefícios do agrião para a saúde
O consumo regular de agrião pode trazer vários benefícios para a
saúde. As propriedades deste alimento incluem melhorar a densidade
óssea, fortalecer a função visual, estimular o sistema imunitário e
reduzir o risco de desenvolvimento de diabetes.
Além disso, o agrião é um dos vegetais com maior quantidade de vitamina C, ainda mais do que laranjas e outros citrinos.
Cerca de 100 gramas deste vegetal contém mais quantidade de ferro do
que a mesma quantidade de carne, sendo um poderoso aliado no combate à
anemia.
Embora qualquer pessoa possa consumir agrião, aqueles que tomam
medicamentos anticoagulantes devem ter cautela devido ao teor de
vitamina K do vegetal.
Como consumir o agrião?
O agrião é extremamente versátil e pode ser consumido de várias
maneiras. Pode acompanhar saladas, sanduíches ou servir como tempero em
pratos como risotos ou sopas.
Ele pode acabar sendo cozido, mas especialistas recomendam o consumo
da verdura crua para aproveitar ao máximo os seus nutrientes.
Uma boa maneira de consumir este vegetal é combiná-lo com queijos, o que aumenta a quantidade de cálcio na refeição.
Uma alimentação equilibrada é a chave para a boa saúde e o agrião é
uma excelente adição a qualquer dieta, oferecendo uma abundância de
nutrientes essenciais.
Gerir uma empresa não é uma tarefa simples. Afinal, você precisa
cruzar diversas informações para poder tomar decisões. Você já pensou em
utilizar sistemas tecnológicos para te auxiliar nesta tarefa?
Pois saiba que, atualmente, há uma infinidade de soluções apropriadas
para a sua empresa, independentemente do tamanho ou segmento de
atuação. Nesta postagem, vamos apresentar 5 delas e mostrar como podem
te ajudar! Boa leitura!
O que são sistemas tecnológicos?
Sistemas tecnológicos são ferramentas que possibilitam a organização
de informações e automação de atividades de um empreendimento, trazendo
mais agilidade aos processos e confiabilidade às informações.
Independentemente do tamanho de sua empresa, sempre haverá um sistema
capaz de suprir as suas necessidades de forma gratuita ou com preços
moderados.
O que vai definir se uma ferramenta é adequada (ou não) à sua empresa
é o nível das suas necessidades. Conheça 5 sistemas tecnológicos que
são amplamente utilizados e como eles ajudam na gestão do seu negócio:
1. ERP (Enterprise Resource Planning)
Os sistemas de planejamento de recursos empresariais são uma
excelente opção para gerenciar a sua empresa. Por meio deles, você
conseguirá reunir todas as informações referentes ao empreendimento em
um único sistema, desde o controle financeiro até dados de produção e de
desempenho de vendas.
Além de unificar as informações, o ERP também gera relatórios e
gráficos sobre elas, facilitando a compreensão e gerando insights que
poderão trazer diferenciais competitivos para o negócio. Apesar de serem
ferramentas de funcionamento complexo, são muito simples de serem
utilizadas. Se você possui uma pequena empresa e não possui muitos
recursos financeiros, existem algumas opções gratuitas.
Inclusive, é possível integrar uma grande quantidade de módulos para
trazer mais funcionalidades, caso você precise. Existem ainda algumas
opções de ERP com gerenciamento na nuvem, permitindo que você acesse
todas as informações sobre a empresa de qualquer lugar do mundo,
utilizando um smartphone, tablet ou computador.
2. CRM (Costumer Relationship Management)
Como o próprio nome diz, um sistema CRM é uma ferramenta para a
gestão de relacionamento com seus clientes. Nela, ficam armazenadas
todas as informações relacionadas ao seu cliente, como contato, últimas
compras, valor de ticket médio, tempo de relacionamento e interações com
a empresa.
Por meio dela, é possível traçar um perfil exato de seus clientes,
trabalhar estratégias de retenção e reativação de clientes e avaliar
qual a rentabilidade dele para o negócio. Essa ferramenta é tão
essencial para a gestão de um empreendimento, que alguns sistemas ERP a
possuem integrada às suas funcionalidades.
Umas das maiores vantagens de se utilizar um sistema de CRM é a
possibilidade de sua equipe de vendas ganhar em produtividade ao
direcionar seus esforços diretamente para o ato de vender e não
desperdiçar o tempo preparando as informações para iniciar uma venda.
Algumas ferramentas também disponibilizam diversos treinamentos
dentro delas, o que reduz o tempo de aprendizado sobre seu funcionamento
e aumenta a eficiência de seus usuários. Acima de tudo, o CRM é uma
ferramenta direcionada para aumentar a satisfação de seu cliente junto à
sua empresa, então, é essencial utilizá-la com sabedoria.
3. Assinatura eletrônica
Imagine conseguir reduzir os níveis burocráticos do seu negócio,
aumentar a eficiência e ainda aumentar a satisfação de seus clientes!
Por meio de sistemas de assinatura eletrônica, é possível eliminar o
constante vai e vem de documentos entre a empresa e o seu cliente.
Nesse sistema, ocorre a autenticação eletrônica de documentações
importantes, como contratos de compra ou de prestação de serviços, com o
mesmo valor jurídico de uma assinatura à caneta. Além de proporcionar
agilidade aos processos, sua empresa economizará recursos como impressão
e visitas desnecessárias aos clientes.
4. Cloud computing
Contar com um servidor de arquivos interno geralmente representa um
custo alto, uma vez que, além da aquisição dos equipamentos necessários,
você precisará manter um profissional especializado para realizar
manutenções. Como opção, a contratação de serviços de cloud computing
(armazenamento na nuvem) é uma excelente alternativa, pois não demanda
uma estrutura complexa, assim como pode ser acessada de qualquer lugar e
por meio de qualquer aparelho.
Atualmente, existem opções como o Dropbox e o Google Drive, que
possuem um alto nível de segurança, então, você não precisa se preocupar
com a possibilidade de perder seus arquivos ou com o roubo de
informações, uma vez que somente pessoas autorizadas terão acesso ao seu
cloud . Além de armazenar seus arquivos com segurança, eles oferecem um
sistema de versionamento de arquivos, que possibilita a recuperação de
arquivos alterados ou sobrescritos acidentalmente.
Essas duas alternativas que citamos são gratuitas até um certo volume
de dados. Após alcançar o limite, você deverá pagar para utilizar o
serviço. Contudo, existem diversos planos para cada necessidade, de modo
que você poderá contratar somente o que precisa.
5. Gerenciamento de projetos
Se você está trabalhando em um projeto com sua equipe, um sistema de
gerenciamento de projetos é exatamente o que você precisa. Por meio
desses sistemas, é possível integrar todas as informações referentes ao
desenvolvimento do projeto, verificar prazos, identificar os
responsáveis por cada tarefa e acompanhar cada evolução.
Assim como os demais sistemas tecnológicos que apresentamos aqui,
existem algumas opções gratuitas disponíveis, como o Trello e o Artia.
Mas, se você precisa de um sistema mais completo, você poderá contratar
outros sistemas capazes de suprir perfeitamente as suas necessidades.
Como vimos, existem diversos sistemas tecnológicos para te auxiliar
nas tarefas de gestão de sua empresa, seja qual for a sua necessidade. A
utilização desses sistemas permite maior agilidade nos processos,
redução de custos (mesmo se você optar por sistemas pagos) e maior
confiabilidade nas informações que embasarão a tomada de decisões.
Ao adotar qualquer um desses sistemas, é fundamental que todos os
envolvidos compreendam a importância de utilizá-los e se comprometam a
alimentá-los com informações precisas. Caso contrário, você terá um
excelente sistema, mas com informações imprecisas ou incorretas,
comprometendo a segurança na tomada de decisões e na predição de
cenários.
Agora que você já conhece um pouco mais sobre os sistemas
tecnológicos e como eles podem auxiliar seu negócio, aproveite a visita
ao nosso blog e veja nosso guia completo para investir em cloud em sua
empresa!
FANS TOKENS DA VALEON
Os Clubes de Futebol no Brasil e no Mundo estão alinhados fora de
campo e estão investindo em inovação e no mercado de criptoativos, mais
especificamente as Fans Tokens que são moedas digitais chamadas de CHILIZ(CHZ).
A novidade é atribuir um valor de ativo financeiro a um produto com o
qual o fã cria relacionamentos e experiências com o Clube de Futebol e
que antes era apenas um serviço sem valor de revenda ou de valorização
desse ativo. As Fans Tokens ajudam os clubes a melhorar a parte financeira.
Assim como nenhum elemento do marketing faz nada sozinho, não só em clubes, mas em qualquer empresa, as Fans Tokens
também precisam ter a imagem trabalhada para chegar ao consumidor de
forma clara, oferecendo algo que seja palatável e legível ao torcedor,
ou seja, as pessoas precisam entender do que se trata este ativo digital
para poder consumi-lo.
Como toda inovação, as Fans tokens ainda estão numa
fase inicial e todos nós estamos aprendendo com elas. Não podemos perder
de foco é que a tecnologia não pode ser o fim, a tecnologia é
simplesmente o meio e é a chave para o engajamento e temos que
compreender que a tecnologia pode gerar lucro, construir operações
sustentáveis, proteger a integridade da concorrência, desenvolver
multiplataformas e muito mais.
Engajar os fãs não é algo exclusivo do esporte. Pelo contrário, todas
as marcas querem encantar seus consumidores e engajá-los das mais
variadas formas. Descobrir essas formas é uma das muitas atividades de
quem trabalha com comportamento do consumidor.
Em marketing, podemos definir o engajamento do cliente como os
comportamentos espontâneos, interativos e cocriativos do consumidor,
principalmente em trocas não transacionais entre consumidor e empresa
para atingir seus objetivos individuais e sociais.
Em outro contexto, porém, podemos pensar no engajamento como um
estado de espírito motivacional relacionado à marca e dependente do
contexto de um cliente, caracterizado por níveis específicos de
atividade cognitiva, emocional e comportamental nas interações da marca.
E, nesse aspecto, surge um fator importante: como os consumidores
engajados fornecem referências e recomendações para produtos
específicos, o engajamento do cliente é um elemento-chave nas
estratégias das empresas para o desenvolvimento de soluções, de novos
produtos e retenção de clientes. É aqui que surge a ideia da
monetização.
A Startup Valeon cria as FANS TOKENS VALEON para premiar
uma enorme comunidade de consumidores que utilizam as redes sociais,
que são o nosso público-alvo, que são as pessoas que achamos que podem
realmente se beneficiar do nosso produto que é a Plataforma Comercial
Marketplace Valeon e muitas vezes não possuem o conhecimento básico de
como o nosso produto funciona.
As Fans Tokens são para aqueles que não querem
apenas ser espectadores, mas para aqueles que desejam ter um papel mais
ativo na comunidade das redes sociais.
A tokenização fornece novas maneiras inspiradoras de
classificar valor, criando novos ativos ou reinventado os tradicionais,
abrindo portas para melhoria de processos totalmente novos, fluxos de
receitas e envolvimento dos clientes com novas oportunidades.
Pensando nisso, a Startup Valeon através do seu Site, aposta na
possibilidade de trazer o consumidor que pode estar longe ou não conhece
a Valeon para perto da gente e ainda ser nosso colaborador participando
ativamente do nosso desenvolvimento, gerando transformações e tendo o
direito de fornecer conhecimentos específicos para o desenvolvimento do
Site.
Valor do Fan Token Valeon = R$ 1,00
Solicitamos a colaboração dos consumidores do Vale do Aço
para as oportunidades de influenciarem em algumas decisões do nosso
dia-a-dia e quanto maior o peso de suas opiniões, mais Fan Tokens irá
ganhar.
1 – Você pode auxiliar no desenvolvimento do nosso Site Valeon verificando alguma possibilidade de melhoria nele.
Prêmio: 50 Fan Token Valeon
2 – As Empresas, Serviços e Profissionais que desejarem
participar aderindo suas Publicidades e Propagandas ao Site Valeon terão
descontos.
Prêmio: 30% na mensalidade
3 – Sugestões de Internautas que queiram incluir ÁLBUNS DE MÚSICAS de até 150 MB NA COLEÇÃO DE MÚSICAS do Site Valeon.
A busca pela felicidade é
um tema em constante pauta. Já foi debatido em mesas de bar, entre
amigos nos encontros e hoje é alvo de estudos nas melhores universidades
do mundo.
Um desses estudos é o de Tal Ben-Shahar, professor de Psicologia Positiva na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e autor dos best-sellers “Mais Feliz” e “Ser Feliz”.
Atualmente ensinando no Brasil, ele leciona para alunos da
pós-graduação online da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul (PUCRS), na disciplina “Psicologia Positiva: A Ciência da
Felicidade”, que trata aspectos psicológicos de uma vida realizada.
De acordo com Ben-Shahar, a felicidade não é apenas um estado emocional inalcançável, mas algo que pode ser aprendido e cultivado, tal como uma habilidade.
O especialista defende que, com prática e dedicação, é possível desenvolver práticas que conduzem a uma vida mais alegre.
Em seu curso na Universidade, Tal Ben-Shahar aborda uma metodologia
que ele chama de “fórmula da felicidade”, que consiste em sete passos
simples para aplicar no cotidiano.
Créditos: iStock/Pollyana Ventura
Afinal, quais os passos para ser feliz?
Tempo de qualidade: segundo o professor, a chave
número um da felicidade é o tempo que passamos com a nossa família e os
amigos, as pessoas que nos importam e que se importam conosco.
Perdoe seus próprios fracassos: o primeiro passo,
segundo o professor, é reconhecer que as falhas e os erros são parte
integral da experiência humana. Portanto, em vez de reprimi-los, devemos
celebrá-los como oportunidades de crescimento e aprendizado. Estudos
anteriores descobriram que níveis baixos de perdão estão associados a
transtornos como depressão, ansiedade e baixa autoestima.
Seja grato pelas coisas boas: Ben-Shahar defende que a gratidão regular pelos aspectos positivos de nossas vidas aumenta nosso bem-estar geral.
Pratique esportes: a atividade física regular
proporciona inúmeros benefícios à saúde física e mental. Nas palavras do
professor, praticar 30 minutos de caminhada por dia faz a diferença. O
sono adequado e hábitos alimentares saudáveis também levam à saúde
física e mental.
Simplifique, no lazer e no trabalho: o estresse e a
sobrecarga podem aliviar com a simplificação de nossas vidas, tanto no
ambiente de trabalho quanto no tempo pessoal. Portanto, é melhor focar
em apenas uma tarefa, evitando fazer tudo ao mesmo tempo.
Aprenda a meditar: a meditação é uma ferramenta poderosa para acalmar a mente e promover a autoconsciência.
Tenha resiliência: a capacidade de enfrentar dificuldades e se adaptar às mudanças é fundamental para a saúde mental a longo prazo.
Chega de buscar pela perfeição
O trabalho de Ben-Shahar destaca o papel ativo que cada um tem na
própria felicidade. Ao invés de buscar a perfeição, o professor
incentiva seus estudantes a apreciar o processo da vida, com todas as
suas imperfeições e desafios.
Enfim, a “fórmula da felicidade” serve não apenas para a sala de
aula, mas para toda a vida. Em um mundo cada vez mais apressado e com
tantos desafios, trazer esses seis passos para o dia a dia pode ser uma
maneira significativa de trazer mais alegria e bem-estar para a vida.
Trata-se, segundo os pesquisadores,
da descoberta da maior e mais antiga rede urbana de características
construídas e escavadas na Amazônia até agora, e foi o resultado de mais
de duas décadas de investigações na região pela equipe da França,
Alemanha, Equador e Porto Rico.
Por Redação, com CNN – de Nova York, NY-EUA
Arqueólogos que trabalham nas profundezas da floresta amazônica
descobriram uma extensa rede de cidades que remonta a 2,5 mil anos. Os
assentamentos pré-hispânicos altamente estruturados, com ruas largas e
estradas longas e retas, praças e aglomerados de plataformas monumentais
foram encontrados no Vale Upano, no Equador Amazônico, na parte
oriental dos Andes, de acordo com um estudo publicado na revista
Science, intitulado ‘Two thousand years of garden urbanism in the Upper Amazon’.
Trata-se, segundo os pesquisadores, da descoberta da maior e mais
antiga rede urbana de características construídas e escavadas na
Amazônia até agora, e foi o resultado de mais de duas décadas de
investigações na região pela equipe da França, Alemanha, Equador e Porto
Rico.
A pesquisa começou com trabalho de campo antes de implantar um método
de sensoriamento remoto chamado detecção e alcance de luz, chamado de
LiDAR, que usava luz laser para detectar estruturas abaixo das copas
espessas das árvores.
Pesquisa
O principal autor do estudo, Stéphen Rostain, arqueólogo e diretor de
pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França,
descreveu a descoberta como “incrível”.
Na região de floresta do sul da Amazônia, no Estado do Mato Grosso,
aldeias circulares pré-hispânicas foram documentadas no Alto do Rio
Xingu. Segundo o estudo, eles são semelhantes aos das aldeias modernas
como Kuikuro, onde as malocas (grandes casas coletivas) estão dispostas
em círculos.
Foi registrada uma enorme praça central circular e os maiores sítios
arqueológicos podem atingir até 50 hectares, delimitado por valas
periféricas com 500 a mais de 2 mil metros de comprimento. Essas valas
são delimitadas por uma resistência interior elevada onde originalmente
foi construída uma cerca de madeira.
Rituais
As antigas praças medem 120 a 150 m de diâmetro e as estradas chegam a
até 40 m de largura. Essas vias irradiam do espaço central em várias
direções para se conectar a outros assentamentos ou locais que pode ter
sido importante para o sustento dos habitantes, segundo os autores.
Também foram documentados os principais centros rituais políticos,
aldeias de médio porte assim como pequenas aldeias sem praça central. Os
assentamentos eram separados por rios de de até 10 km.
— O LiDAR deu-nos uma visão geral da região e pudemos apreciar muito o
tamanho dos locais — disse Rostain ao canal norte-americano de TV CNN Internacional.
Ele acrescentando que lhes mostrou uma “teia completa” de estradas escavadas.
— Foi a cereja do bolo — comemorou.
Plataformas
Rostain disse que as primeiras pessoas que viveram lá, há 3 mil anos, tinham casas pequenas e dispersas.
No entanto, entre aproximadamente 500 a.C. e 300 a 600 d.C., as
culturas Kilamope e mais tarde Upano começaram a construir montes e a
colocar as suas casas em plataformas de terra, segundo os autores do
estudo. Essas plataformas seriam organizadas em torno de uma praça baixa
e quadrada.
Os dados do LiDAR revelaram mais de 6 mil plataformas na metade sul da área pesquisada de 600 quilômetros quadrados.