domingo, 14 de janeiro de 2024

O BRASIL SE UNIU AOS PAÍSES SUB-DESENVOLVIDOS CONTRA ISRAEL

Há duas explicações sobre manifestação brasilieira: o massacre de palestino na reação de Israel aos atos terroristas e a posição ideológica do governo e do PT

Por Eliane Cantanhêde – Jornal Estadão

Por que, afinal, o presidente Lula decidiu atrair mais chuvas e trovoadas, dentro e fora do País, ao anunciar oficialmente apoio ao julgamento de Israel, por genocídio, na Corte Internacional de Justiça de Haia? Não precisava. Países não votam na Corte e não interferem no resultado. Bastava acompanhar de perto e ver no que daria, como fizeram China e Rússia, os dois principais integrantes dos Brics.

A explicação nos bastidores, ou melhor, nos palácios, é a tragédia humanitária em Gaza, transformada num gigantesco cemitério de crianças depois que Israel reagiu ao ataque terrorista do Hamas despejando sua ira e sua força na faixa que abriga(va) os palestinos. Mas, fora dos gabinetes envidraçados de Oscar Niemeyer, a interpretação é outra: a posição ideológica de Lula e do PT contra Israel.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião no Palácio do Planalto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião no Palácio do Planalto  Foto: Ricardo Stuckert / PR

Depois de notas do Instituto Brasil-Israel e da Confederação Israelita do Brasil (Conib), cobrando a tradição de “equilíbrio e moderação” da política externa brasileira, veio a carta, igualmente dura, mas em formato erudito, do ex-chanceler Celso Lafer, de família judia da Lituânia, professor emérito da Faculdade de Direito da USP e especialista em Direito Internacional.

Endereçada ao chanceler Mauro Vieira, mas distribuída publicamente, a carta rebate à luz do direito a acusação de “genocídio” e acusa a África do Sul, autora da petição à Corte de Justiça, de tentar deslegitimar o Estado de Israel e aumentar o antissemitismo mundial, “em sintonia com os que almejam minar o direito à existência de Israel”.

“É um deslize conceitual de má-fé valer-se da imputação de genocídio para discutir as controvérsias jurídicas relacionadas à aplicação do direito humanitário e aos problemas humanitários em Gaza”, ensina Lafer, acusando a posição do governo de falta de consistência, coerência e obediência às regras do Direito Internacional.

Na véspera, a ONG Human Rights Watch (HRW) divulgara seu relatório de 2023, criticando o Brasil por falhas no combate à violência policial e também em quatro conflitos internacionais: “declarações controversas” de Lula sobre a invasão da Rússia na Ucrânia, defesa de Nicolás Maduro na Venezuela e omissão em relação às violações na Nicarágua e aos crimes da China contra os Uigures.

Não há, porém, referências ao Brasil em relação à Guerra de Israel. Talvez porque o foco da HRW, pelo óbvio, é em direitos humanos, não em política externa e direito formal internacional. Mas a HRW é uma ONG, o Brasil é um País. Uma coisa é a opinião de organizações independentes, outra é o posicionamento oficial de um Estado num conflito que, como sempre, tem dois lados.

 

ÍNDIOS YANOMAMIS PRECISAM DE AÇÕES EFETIVAS E NÃO DE RELATÓRIOS E FALATÓRIOS

 

Lula anunciou novas promessas, mas dados oficiais confirmam: depois de um ano, governo petista fracassou na tentativa de salvar os povos yanomamis da emergência sanitária

Por Notas & Informações – Jornal Estadão

O presidente Lula da Silva exibiu mais um exemplo de seu vasto repertório de artimanhas com as quais tenta livrar-se da cobrança pública por erros graves. Próximo ao marco de um ano das ações de emergência destinadas ao enfrentamento da crise que atinge há décadas os povos indígenas yanomamis, e diante da constatação de que vem fracassando a operação de socorro naquelas terras, Lula convocou uma reunião ministerial para tratar do tema, falou duro e anunciou como se desembarcasse agora no problema: “Essa reunião é para definir, de uma vez por todas, o que nosso governo vai fazer para evitar que indígenas brasileiros continuem sendo vítimas de massacre”. E apelou à habitual especialidade palanqueira, ao apontar culpados externos e fazer promessas. “Vamos tratar a questão indígena e dos yanomami como uma questão de Estado”, emendou.

O uso do verbo no futuro pareceu-lhe providencial, mas se mostra incompatível com o fato de que, exatamente um ano atrás, o mesmo governo anunciava socorro àquela comunidade, abatida por uma gravíssima crise humanitária – os yanomamis sofriam com desassistência sanitária, malária, pneumonia, desnutrição severa, doenças sexualmente transmissíveis e mortes, resultado de anos e anos de interferência indevida de não indígenas na região. Na origem do problema está o avanço do garimpo ilegal, que fez aumentar os índices de violência, degradação ambiental, doenças por contaminação do mercúrio nos rios, intoxicação de pessoas, animais e plantações pelos dejetos. Àquela altura, quase metade das mortes atingiu crianças de até quatro anos. A resposta de janeiro do ano passado pareceu adequada aos primeiros dias de um governo recém-iniciado. Agora, ao tratar do problema como se tivesse tomado posse ontem, Lula empenha-se em fazer esquecer que esse problema é dele há um ano.

O roteiro é conhecido: ante uma crise, convoca-se uma reunião ministerial; diante de um fracasso, monta-se uma força-tarefa ou um grupo de trabalho. Depois, envia-se uma comissão de ministros para ver in loco o que já se sabe a distância. A exibição de um rosário de iniciativas realizadas e a recauchutagem de antigas ideias complementam a receita do insucesso. Os dados oficiais não deixam dúvidas: o governo falhou. Segundo o boletim de dezembro do Centro de Operações de Emergências, os números são espantosamente semelhantes aos do governo anterior – entre janeiro e novembro foram registrados 308 óbitos, a maior parte decorrente dos problemas de saúde e doenças evitáveis, como diarreia, pneumonia e malária (e mais da metade entre crianças com menos de cinco anos de idade). Em 2022, sob Bolsonaro, foram 343 mortes.

Há um ano, o governo deveria ter criado uma instância de coordenação das ações emergenciais com real poder sobre as diferentes pastas. Em vez disso, apresentou um plano sem metas, indicadores ou detalhamento de cronograma, orçamento e responsabilidades. Não promoveu, muito menos executou, um estudo logístico eficiente para planejar o envio de insumos e profissionais de saúde. Consumiu milhões de reais com as Forças Armadas lançando cestas básicas sobre aldeias e clareiras sem muito critério. Há relatos de abandono de toneladas de alimentos em armazéns das cidades porque o dinheiro disponível para o frete aéreo acabou antes de atingir a meta do número de cestas básicas estipulada pela Funai. E, por fim, mas não menos importante, o Estado seguiu ausente do território.

Mas eis que na terça-feira passada o presidente anunciou que aquelas terras “têm dono”. E que usará “todo o poder da máquina pública” para combater o garimpo ilegal. Ministras como Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Marina Silva (Meio Ambiente) falaram em “ações permanentes”, que substituiriam as “ações emergenciais” de 2023. Sobretudo diante de tragédias, 12 meses são suficientes para conter os danos mais sérios, mas também para confirmar paralisia, omissão e incompetência. Ou o governo entende que esta é uma agenda nacional, de interesse humanitário de todo o País, urgente e estrutural, ou assistiremos à repetição de cenas lamentáveis por mais um ano – tanto a imagem das crianças yanomamis desnutridas quanto o palavrório vazio do presidente Lula.

ELEIÇÕES EM TAIWAN PROVOCAM EUA E CHINA

Pequim detesta o novo presidente, Lai Ching-te. Ele pretende proteger o status quo com cautela e ajuda americana, mas é provável que as tensões aumentem.

Por Damien Cave – Jornal Estadão

O presidente da ChinaXi Jinping, vinculou o estatuto de grande potência do seu país a uma promessa singular: unificar a pátria mãe com Taiwan, que o Partido Comunista Chinês vê como um território sagrado e perdido. Há algumas semanas, Xi chamou isso de “inevitabilidade histórica”. Mas a eleição de Taiwan no sábado, 12, que entregou a presidência a um partido que promove a identidade separada da ilha pela terceira vez consecutiva, confirmou que esta democracia turbulenta se afastou ainda mais da China e do seu sonho de unificação.

Depois de uma campanha de comícios semelhantes a festivais, onde enormes multidões gritavam, dançavam e agitavam bandeiras iguais, os eleitores de Taiwan ignoraram os avisos da China de que votar no Partido Democrático Progressista era um voto a favor da guerra. Eles fizeram essa escolha de qualquer maneira.

Lai Ching-te, antigo médico e atual vice-presidente, que Pequim vê como um separatista convicto, será o próximo líder de Taiwan. É um ato de desafio autogovernado que provou o que muitos já sabiam: a pressão exercida por Pequim sobre Taiwan – economicamente e com assédio militar no mar e no ar – apenas fortaleceu o desejo da ilha de proteger a sua independência de fato e ir além da sombra gigante da China.

“A abordagem mais dura não funcionou”, disse Susan Shirk, professora pesquisadora da Universidade da Califórnia, em San Diego, e autora de “Overreach: How China Derailed Its Peaceful Rise”. “Essa é a realidade da política taiwanesa.”

Essa evolução, cultural e política, traz riscos. A vitória de Lai força Xi a enfrentar a falta de progresso. E embora a resposta completa da China se prolongue ao longo de meses ou anos, o gabinete chinês para os assuntos de Taiwan afirmou no sábado à noite que as eleições não podem mudar a direção das relações através do Estreito, garantindo efetivamente que a dinâmica de temeridade e estresse continuará e muito provavelmente se intensificará.

Biden diz que EUA não apoiam a independência de Taiwan após resultado de eleições

Ilha elegeu William Lai neste sábado, consolidando a aposta do território na soberania e aumentando tensões com a China

Por Redação

O presidente dos Estados UnidosJoe Biden, reiterou neste sábado, 13, a oposição de seu país à independência de Taiwan, após a vitória do governista — e já criticado pela China — William Lai nas eleições presidenciais da ilha. “Não apoiamos a independência” do território, disse o mandatário americano ao ser perguntado por repórteres, em Washington, sobre os resultados das eleições em Taiwan, onde Lai venceu com 40,2% dos votos.

As observações do presidente foram feitas horas depois que o secretário de Estado Antony Blinken parabenizou Lai por sua vitória em um comunicado, no qual também disse que os EUA estão comprometidos com a “paz e a estabilidade” na região. “Estamos ansiosos para trabalhar com Lai e avançar em nosso relacionamento não oficial de longa data, consistente com a política de uma só China”, enfatizou o diplomata em comunicado.

A eleição de Lai, do Partido Democrático Progressista (DPP), consolidou a aposta de Taiwan na soberania e pressagia uma nova escalada das tensões com a China. A questão taiwanesa continua sendo um dos principais pontos de atrito entre China e EUA, que, além de ser o principal fornecedor de armas de Taiwan, poderia se ver na posição de ter que defender a ilha no caso de um conflito.

O presidente dos EUA, Joe Biden, se reuniu com Xi Jinping em San Francisco em novembro do ano passado, em uma tentativa de resolver as diferenças entre as duas potências. Os líderes concordaram em retomar as negociações militares. Lai venceu a corrida presidencial com 40% dos votos e, em seu primeiro discurso após a eleição de sábado, disse que entre “democracia e autoritarismo”, o povo taiwanês está “do lado da democracia”.

Em novembro, Joe Biden se reuniu com Xi Jinping em San Francisco em uma tentativa de resolver as diferenças entre China e Taiwan.
Em novembro, Joe Biden se reuniu com Xi Jinping em San Francisco em uma tentativa de resolver as diferenças entre China e Taiwan. Foto: Doug Mills/The New York Times

 

RICARDO LEWANDOWSKI NÃO PODERIA TER SIDO NOMEADO MINISTRO DA JUSTIÇA

 

Logo depois de deixar o STF, Lewandowski entrou na equipe de advogados da J&F, que disputa uma causa de R$ 15 bilhões na Justiça brasileira, e agora é ministro do governo; qual a imparcialidade que se pode esperar da máquina do Estado brasileiro?

Por J.R. Guzzo – Jornal Estadão

Ricardo Lewandowski é um dos fenômenos da democracia brasileira. Não poderia ter sido nomeado para o cargo de ministro do STF, onde ficou durante dezessete anos – todo o seu saber jurídico, naquela altura, consistia num desses cargos de desembargador que nunca prestaram concurso para juiz de direito e na recomendação da esposa do presidente Lula na época, Marisa Letícia. Tendo sido ministro do STF, não poderia ser contratado cinco minutos depois de se aposentar por uma empresa que disputa neste momento uma causa de R$ 15 bilhões na Justiça brasileira; só os honorários dos advogados da parte que sair vencedora serão de 600 milhões de reais. Tendo sido advogado da empresa em questão, não poderia ser nomeado agora para ministro da Justiça do governo Lula. É possível, sinceramente, achar alguma coisa certa em qualquer dessas situações? Não é, mas foi exatamente isso o que aconteceu.

Ex-ministro do STF, Ricardo Lewandowski entrou na equipe de advogados da J&F menos de uma semana após deixar o tribunal
Ex-ministro do STF, Ricardo Lewandowski entrou na equipe de advogados da J&F menos de uma semana após deixar o tribunal Foto: Wilton Junior/Estadão

O novo ministro da Justiça é um conflito de interesses ambulante. Deveria, pelas regras básicas do manual jurídico de boa conduta, estar em quarentena após quase duas décadas no STF. Em vez disso entrou em abril de 2023, menos de uma semana após deixar o tribunal, na equipe de advogados da J&F – a empresa dos irmãos Batista que, entre outras coisas, assinou em 2017 um acordo de leniência para se livrar de processos penais por corrupção ativa. A J&F, então, concordou em recolher 10 bilhões de reais ao Erário Público para não se falar mais do assunto. Hoje está livre dos processos e da multa: o ministro Dias Toffoli, sob a alegação de que a J&F “não tinha certeza” de que queria assinar mesmo o acordo, decidiu agora em dezembro anular a multa da empresa defendida pelo ex-colega de STF. Resolvida esta questão, Lewandowski estava trabalhando para livrar a J&F de um negócio fechado também em 2017 – e que ela vem tentando desmanchar há anos. Na ocasião, apertada pelos seus enroscos com a justiça penal, a empresa dos irmãos Batista vendeu a indústria Eldorado, um dos gigantes da celulose brasileira, para a Paper Excellence da Indonésia. Vendeu, mas não entregou – e agora não quer mais vender nem entregar.

Qual a imparcialidade que se pode esperar do STF se os irmãos Batista levarem a causa até lá? E da máquina do Estado brasileiro, com Lewandowski na cadeira de ministro da Justiça? É mais um passo na escalada para baixo do Judiciário nacional. No perdão da multa de 10 bi, a mulher de Toffoli fez parte da equipe de defesa da J&F. Pode isso? Agora o recém advogado da empresa é o ministro da Justiça. Não é normal – mas tudo o que se discute é a “engenharia política” da nomeação. E o resto? É só o resto.

AVIÃO SUPERSÔNICO CAPAZ DE ROMPER A BARREIRA DO SOM SEM O CARACTERÍSITICO ESTAMPIDO SONORO

 

Design da aeronave reduz estrondo e viabiliza o desenvolvimento de aviões comerciais mais acelerados

Por Redação – Jornal Estadão

A Agência Espacial Americana (Nasa) apresentou na última sexta-feira, 12, o avião experimental X-59, capaz de romper a barreira do som sem o característico estampido sonoro. A novidade permitirá o desenvolvimento de aviões comerciais supersônicos que reduzirão os tempos de voos de forma significativa.

Segundo explicou a vice-administradora da Nasa, Pam Melroy, durante a apresentação do avião, as aeronaves supersônicas baseadas no X-59 permitirão, por exemplo, reduzir à metade o tempo de voo entre Nova York e Los Angeles que, atualmente, é de seis horas e trinta minutos.

O X-59 voará a uma velocidade de 1.488 quilômetros por hora – aproximadamente 1,4 vezes a velocidade do som.

O X-59 conseguiu superar o principal obstáculo enfrentado pela aviação supersônica. Ao ultrapassar a velocidade do som, que é de cerca de 1.235 quilômetros por hora, os aviões supersônicos geram um estampido que pode ultrapassar os duzentos decibéis.

O X-59 voará a uma velocidade de 1.488 quilômetros por hora – aproximadamente 1,4 vezes a velocidade do som.
O X-59 voará a uma velocidade de 1.488 quilômetros por hora – aproximadamente 1,4 vezes a velocidade do som.  Foto: EFE/Lockheed Martin

O barulho extremamente alto fez com que muitos países impusessem restrições severas à aviação supersônica em áreas habitadas, o que acabou restringindo o desenvolvimento desses aviões.

A principal característica do X-59 é o seu nariz longo, mais comprido do que o do antigo Concorde, o avião comercial supersônico desenvolvido de forma conjunta por França e Reino Unido (1976-2003), que era capaz de voar a uma velocidade duas vezes superior à do som.

Pam Melroy explicou que o nariz do X-59 equivale a um terço do tamanho total do avião experimental, que mede cerca de 30 metros.

A unidade de programas avançados da Lockheed Martin, Skunk Works, participa do desenvolvimento da nova aeronave. Essa unidade é responsável pela criação de aviões históricos como os espiões U-2 e o SR-71 Blackbird.

A partir desta semana, o X-59 começa a realizar uma série de voos de teste
A partir desta semana, o X-59 começa a realizar uma série de voos de teste  Foto: EFE/EPA/ALLISON DINNER

“Esse desenho é realmente crucial para dispersar as ondas sonoras”, explicou a vice administradora da Nasa, que descreveu o ruído causado pelo X-59 como um “murmúrio” em vez do estrondo habitual. A compressão das ondas sonoras quando o avião supera a velocidade do som é o que gera o estampido.

Segundo Pam Melroy, o desenho especial do nariz do X-59 e a alocação do motor na parte superior da aeronave permitem dispersar as ondas sonoras, impedindo a sua compressão e o estampido.

Outra característica do X-59 que ajuda o avião a ser menos barulhento é a colocação da cabine dos pilotos praticamente no centro da aeronave. Além disso, os engenheiros eliminaram o para-brisas dianteiro da cabine, o que reduz ainda mais o impacto sonoro.

Pam Melroy classificou a decisão de eliminar parte da cabine de pilotagem como um “importante passo adiante para o avanço da tecnologia da aviação”. Isso porque a decisão forçou os engenheiros a desenvolver um sistema de visão de alta tecnologia, com câmeras e telas de grande resolução que “têm o potencial de influenciar o futuro desenho dos aviões, nos casos em que a retirada do para-brisas dianteiro apresente vantagens”.

A partir desta semana, o X-59 começa a realizar uma série de voos de teste. Mais para a frente, a Nasa e a Lockheed Martin ampliarão o programa e voarão com o X-59 sobre zonas habitadas para colher impressões dos moradores sobre o barulho. /EFE

A TRANSIÇÃO ENTRE A VIDA ESCOLAR E A UNIVERSITÁRIA É DESAFIADORA PARA OS JOVENS QUE TÊM QUE OPTAR POR UMA CARREIRA

 

Aldo Cavalcante de Almeida –  Professor de Geografia do Ensino Médio e integrante do Conexão Universidade do Colégio Marista Asa Sul, em Brasília

O período de pausa nas aulas, além de ser uma oportunidade de relaxamento, é um momento ideal para que os estudantes do Ensino Médio conheçam carreiras diversificadas e o mercado de trabalho

A transição entre a vida escolar e a universitária é desafiadora para muitos jovens que têm que optar por uma carreira e estão se preparando para o ingresso na universidade. Com o fim do ano, chegam as férias e os especialistas afirmam que o período de descanso e de pausa nos estudos pode ser um excelente momento para que os jovens pesquisem carreiras e conheçam um pouco mais sobre o mercado de trabalho, de forma lúdica e sem o rigor do cotidiano.

“Um bom ponto de partida é a afinidade que cada estudante possui com as diferentes áreas do conhecimento. Conversar com familiares e amigos sobre as profissões que cada um exerce ou gostaria de ter seguido é uma etapa importante também”, diz Aldo Cavalcante de Almeida, professor de Geografia do Ensino Médio e integrante do Conexão Universidade do Colégio Marista Asa Sul, em Brasília, que oferece orientações e dicas para os processos seletivos.

O também professor do Colégio Marista Asa Sul, da disciplina de biologia, do Ensino Médio, José Nascimento da Silva Júnior, sugere que o estudante observe pequenos detalhes durante o dia a dia. “Qual assunto chama a sua atenção? Quando as pessoas mais experientes estão conversando, quais são os temas irresistíveis e que você não consegue ficar fora da conversa? Essas podem ser pistas para os problemas que você gostaria de se envolver e se sente inspirado em buscar soluções. A semente dessa escolha é, muitas vezes, delicada e germina de uma forma quase silenciosa, até tornar-se uma vontade concreta”, explica.

Confira 10 dicas elaboradas pelos professores do Conexão Universidade do Colégio Marista da Asa Sul em Brasília:

Procure saber mais sobre o que os cursos têm a oferecer e quais são as grades curriculares. Isso pode ajudar na tomada de decisão;

Pesquise profundamente os cursos nos sites oficiais das universidades (cada faculdade apresenta a grade curricular dos cursos e alguns também disponibilizam ementas com a bibliografia estudada);

Faça também uma busca em sites especializados em avaliação das universidades para ajudar a listar seus interesses;

Preste atenção nos detalhes e perceba quais os temas e assuntos você gosta e te estimulam;

Converse com profissionais da área de interesse para reunir mais informações e para entender como é a carreira na prática;

Visite os locais de trabalho desses profissionais;

Se possível procure orientação de profissionais e realize testes vocacionais

Leia muito sobre a área em que você quer atuar;

Assista a séries, filmes de ficção e documentários sobre a área em que quer atuar.

Navegue em sites que fazem rankings comparativos de universidades nacionais e internacionais.

                   O “não” do cliente a uma proposta. Por quê?                  

Moysés Peruhype Carlech

Fiquei pensando e ao mesmo tempo preocupado com o seu “não”, sem nenhuma explicação, à nossa proposta de divulgação da sua loja e de resto todas as lojas dessa cidade no Site da nossa Plataforma Comercial da Startup Valeon.

Esse “não” quer dizer, estou cheio de compromissos para fazer pagamentos mensais, não estou faturando o suficiente para cobrir as minhas despesas, a minha loja está vendendo pouco e ainda me vem mais uma “despesa” de publicidade da Startup Valeon?

Pergunto: como vou comprar na sua loja? Se não sei qual é a sua localização aí no seu domicílio? Quais os produtos que você comercializa? Se tem preços competitivos? Qual a sua interação online com os seus clientes? Qual o seu telefone de contato? Qual é o seu WhatsApp?

Hoje em dia, os compradores não têm tempo suficiente para ficarem passeando pelos Bairros e Centros da Cidade, vendo loja por loja e depois fazendo a decisão de compra, como antigamente.

A pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para enfrentar a crise. Com o fechamento do comércio durante as medidas de isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos hábitos para poder continuar efetuando suas compras. Em vez de andar pelos corredores dos shoppings centers, bairros e centros da cidade, durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa barreira. Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.

É importante você divulgar a sua loja na internet com a ajuda do Site da Startup Valeon, que no caso não é uma despesa a mais e sim um investimento para alavancar as suas vendas. Desse modo, o seu processo de vendas fica muito mais profissional, automatizado e eficiente.  Além disso, é possível a captação de potenciais compradores e aumentar o engajamento dos seus clientes.

Não adianta pensar dessa forma: “Eu faço assim há anos e deu certo, porque eu deveria fazer diferente? Eu sei o que preciso fazer”. – Se você ainda pensa assim, essa forma de pensar pode representar um grande obstáculo para o crescimento do seu negócio, porque o que trouxe você até aqui é o que você já sabe e não será o que levará você para o próximo nível de transformação.

O que funcionava antes não necessariamente funcionará no futuro, porque o contesto está mudando cada vez mais rápido, as formas como os negócios estão acontecendo são diferentes, os comportamentos dos consumidores está se alterando, sem contar que estão surgindo novas tecnologias, como a da Startup Valeon, que vão deixar para trás tudo aquilo que é ineficiente.

Aqui, na Startup Valeon, nós sempre questionamos as formas de pensar e nunca estamos totalmente satisfeitos com o que sabemos justamente por entender que precisamos estar sempre dispostos a conhecer e aprender com o novo, porque ele será capaz de nos levar para onde queremos estar.

Mas, para isso acontecer, você precisa estar disposto a absorver novas formas de pensar também e não ficar amarrado só ao que você já sabe.

Se este for seu caso, convido você a realizar seu novo começo por meio da nossa forma de anunciar e propagar a sua empresa na internet.

Todos eles foram idealizados para você ver o seu negócio e a sua carreira de uma forma completamente diferente, possibilitando levar você para o próximo nível.

Aproveite essa oportunidade para promover a sua próxima transformação de vendas através do nosso site.

Então, espero que o seu “não” seja uma provocação dizendo para nós da Startup Valeon – “convença-me”.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

sábado, 13 de janeiro de 2024

REALIDADE AMBIENTAL DO PLANETA E LEGISLAÇÃO AMBIENTAL RIGOROSA NO BRASIL

História por Heitor Pires  • IstoÉ

Reza a sabedoria popular que: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”. Seguindo neste sentido, corremos – a sociedade brasileira – sérios riscos de vida, pois os “médicos” (locais e internacionais) estão, sim, exagerando na dose. Aliás, o mundo também corre certo perigo de vida, mas não e apenas por isso.

Bem, o sujeito que negar a realidade ambiental do planeta ou é louco ou um ignorante de “marré deci”. Aliás, cego, surdo e sem outros dos cinco sentidos também, pois basta viver no Brasil, e às 8h30 da manhã estar suando em uma sauna ao ar livre, para perceber que algo de errado não está certo com o clima.

PEGADAS DE CARBONO

Presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe vem fazendo duros alertas em relação às legislações ambientais que vêm sendo costuradas no âmbito de organizações como COP, OCDE e ONU. Pretendem, acertadamente, premiar e punir, respectivamente, bons e maus países. Beleza.

O problema é que, como posto até então, nações altamente poluidoras serão beneficiadas com regras aduaneiras, pois conseguirão cumprir metas mais facilmente que outros, ao contrário, muito menos danosos ao meio ambiente e, portanto, já que em patamar elevado, terão dificuldades. Ou seja: o crime compensou antes e compensará depois.

MINAS GERAIS

Os segmentos de mineração e agropecuária brasileiros, por exemplo, já contam com legislações rigorosíssimas, até mesmo para os padrões internacionais. Assim, obviamente, para atingirem metas ambientais adicionais, precisarão de esforços muito maiores que, repito, países atualmente poluidores, que começarão “do zero”. É injusto.

Jarbas Soares Jr., procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais, passou boa parte de sua exitosa carreira dedicado a ações e processos ambientais, e costuma seguir a lógica: “o ótimo é inimigo do bom”. A ideia é que o pragmatismo deve imperar sobre sonhos e ideologias, já que, de desejos impossíveis, o céu está cheio. Bingo!

BRASIL

Durante o congresso “O Papel do Brasil na Economia Verde”, ocorrido no final do ano passado, Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, chocou a audiência com um duro – e irrefutável – choque de realidade sobre a “situação dramática” da indústria brasileira frente à competição com a China. O executivo deu exemplos claros da hipocrisia em curso.

Segundo Werneck, enquanto legislações ambientais impõem custos altíssimos à produção de aço no Brasil, a indústria de transformação nacional importa o metal da China a preços bem menores, já que o país oriental não chega nem perto de cumprir as regras exigidas dos brasileiros. Assim, além de perder mercado, perdemos, também, emprego e renda.

MOBILIDADE

A ideologia exacerbada, ou dose exagerada do remédio – veneno, portanto – é vista, igualmente, em outros segmentos importantes da economia. O setor imobiliário costuma ser vítima de mistificações que levam, na maioria das vezes, a prejuízos ambientais muito maiores que os possíveis transtornos causados.

A ideia fixa – BH é o caso! – de sobretaxar grandes empreendimentos e exigir contrapartidas inviáveis, levam o capital investidor para cidades vizinhas (e até outros estados). Com a falta de infraestrutura viária, o caos toma conta do trânsito, gerando impactos ambientais e de saúde humana muito maiores, sem falar no declínio da produtividade em geral.

TRÊS PODERES

A sociedade empresarial brasileira, em grande parte, encontra-se amadurecida e em linha com as melhores práticas corporativas mundiais. Foi-se o tempo das cavernas nas relações com mercados e colaboradores. Mas não basta o empresariado fazer sua parte se o Poder Público, em suas três esferas (municipal, estadual e federal) e Poderes, não colaborar.

Atenção, Poder Legislativo: leis ambientais são imperativas, desde que equilibradas. Fiscalizações e autuações, idem. Além, é claro, do direcionamento correto das políticas tributárias e regulatórias – eis o papel do Executivo. Por fim, processos céleres e imparciais, bem como segurança jurídica ampla, geral e irrestrita, são esperados do Judiciário.

Juntos, sociedade civil, iniciativa privada e Poder Público poderão enfrentar os desafios ambientais à frente. Porém, do jeito que está, o processo de desindustrialização do País só irá aumentar, bem como as commodities minerais e agropecuárias estarão cada vez mais pressionadas. E o resultado, meus caros, já conhecemos de cor e salteado: baixo crescimento, desenvolvimento inexistente e desigualdade social crescente.

 

CONFLITO ENTRE DIREITOS DE QUILOMBOLAS, ÍNDIOS E MINERADORAS

 

História por MARIANA BRASIL  • Folha de S. Paulo

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) – “O Estado não respeita os direitos territoriais das comunidades, e a mineradora se vale dessa negligência para se beneficiar financeiramente às custas do nosso bem viver”. A queixa da jornalista Maryellen Crisóstomo, 32, integrante da Associação do Quilombo Baião, em Almas (TO), retrata boa parte dos embates de quilombolas contra empresas ou administrações públicas.

Antes de realizar qualquer obra ou ação que interfira no dia a dia de povos tradicionais como indígenas e quilombolas, governos e empresas públicas e privadas são obrigados a consultar os moradores locais. É o que prevê o direito à consulta prévia da convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

A convenção 169, que entrou em vigor em 5 de setembro de 1991, afirma que é obrigação dos governos reconhecer e proteger práticas e valores sociais, culturais, religiosos e espirituais próprios desses povos. No Brasil, que é um dos países signatários, a convenção passou a valer em 25 de julho de 2003.

No caso do quilombo Baião, certificado em 2010 pela Fundação Cultural Palmares, a comunidade cita o risco de rompimento da barragem instalada pela mineradora Aura Almas Minerals.

“A barragem de rejeitos está a cinco quilômetros da área ocupada do território e faz limite imediato com a área demandada”, diz Maryellen. “Se a barragem romper agora, toda a minha família morre. Não temos conhecimento sobre o potencial devastador. Mas a barragem de rejeitos vai contaminar todo o lençol freático do quilombo, rompendo ou não. Está localizada na nascente do rio que passa pelo quilombo.”

Procurada pela reportagem, a mineradora Alma Minerals nega que a barragem tenha sido construída no quilombo Baião e diz que atua em conformidade com a legislação brasileira.

O professor de direito da UFBA (Universidade Federal da Bahia) Maurício Azevedo, ex-coordenador da Associação de Advogados dos Trabalhadores Rurais, afirma que o protocolo a ser seguido nas consultas prévias é de reuniões internas em que são levantados os principais problemas, impactos e propostas para a comunidade.

“A ideia da consulta prévia é atender às demandas e à determinação desses povos sobre seu desenvolvimento, mas tentando um consenso”, afirma. “Tem um processo de licenciamento ambiental obrigatório. A empresa deve avisar o Estado, e o Estado deve acionar os órgãos que acompanham. Se tiver patrimônio histórico ou cultural, [deve] informar Ipac ou Iphan, se tiver quilombolas, informar o órgão estadual, se for de competência federal, informar o órgão responsável, o Incra ou a Fundação Palmares.”

O professor diz ainda que, na maior parte das vezes, as comunidades redigem seus próprios protocolos, definindo quais são os critérios e condições para a atuação externa naquele território. Foi o que fez o quilombo Baião junto à Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins.

“Sem respostas do MPF [Ministério Público Federal], a comunidade se organizou, elaborando o protocolo de consulta e a cartografia social do quilombo Baião”, conta Maryellen. “Também solicitamos apoio da Defensoria Pública do estado porque as atividades na mineradora estavam avançando e nenhuma iniciativa de consulta à comunidade era percebida.”

Para quilombos localizados em território urbano, o reconhecimento dos direitos enquanto comunidade quilombola enfrenta ainda mais dificuldades. No caso do quilombo Manzo Ngunzo, próximo ao centro de Belo Horizonte, os moradores souberam da chegada de uma mineradora pela televisão.

“Havia uma licença concedida pelo governo de Minas à mineradora Tamisa para explorar a Serra do Curral, que é o patrimônio cultural do município de Belo Horizonte”, diz a líder Makota Kidoiale, 53. “Quando nós fomos entender que a mineração estava a 3 km da comunidade do Manzo, buscamos mais informações e descobrimos que os estudos de impacto ambiental não consideraram os impactos na cultura, tradição, religiosidade e relação social do quilombo.”

“Procuramos o Ministério Público e conseguimos suspender temporariamente a mineração, mas recentemente houve uma audiência em que a mineradora tentou provar que não afetaria a comunidade do Manzo, e a consulta prévia ainda não foi realizada.”

O TRF-6 (Tribunal Regional Federal da 6ª Região) acatou o recurso do MPF e suspendeu as licenças da Tamisa para exploração de minério de ferro na Serra do Curral.

Procurada anteriormente para falar sobre a questão, a Tamisa argum entou que estudos realizados durante o processo de licenciamento ambiental do empreendimento concluíram que não haveria impactos para o território, as crenças e as práticas da comunidade quilombola, visão que não prevaleceu ao final do julgamento no TRF-6. Questionada novamente pela Folha, a empresa não enviou novo posicionamento.

BANCADA EVANGÉLICA NÃO GOSTA DO POSICIONAMENTO DO GOVERNO BRASILEIRO CONTRA ISRAEL

História por Por Maria Carolina Marcello  • Reuters

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 20/12/2023 REUTERS/Adriano Machado© Thomson Reuters

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) – As bancadas evangélicas no Congresso se opuseram “veementemente” ao apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ação apresentada pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça contra o Estado de Israel, acusando-o de cometer genocídio em Gaza e pedindo que o tribunal determine uma suspensão emergencial da campanha militar no enclave palestino.

“As Frentes Parlamentares Evangélicas do Congresso Nacional e do Senado Federal repudiam veementemente o apoio do governo brasileiro à África do Sul em ação interposta na Corte Internacional de Justiça contra o Estado de Israel”, declaram as frentes, em nota divulgada nesta sexta-feira em redes sociais.

Tradicionalmente identificadas com Israel, principalmente por motivos religiosos, essas bancadas avaliam na nota que a ação da África do Sul traz uma “distorção” dos conceitos de genocídio e da convenção internacional.

“Uma ação como esta deveria ter como alvo o grupo terrorista Hamas, pois este sim é um grupo que vem cometendo genocídios, dia após dia, como o ocorrido em 07/10/2023, onde exterminou mais de 1.400 seres humanos inocentes (crianças, idosos, mulheres, adolescentes, adultos…)”, acrescenta a nota, referindo-se ao violento ataque de militantes do grupo palestino Hamas, em 7 de outubro, no sul de Israel.

Naquele dia, eles atravessaram a fronteira e mataram 1.200 pessoas, a maioria civis, além de levarem outras 240 como reféns, segundo autoridades israelenses.

A investida do grupo provocou uma forte reação de Israel na Faixa Gaza, controlada pelo Hamas, inicialmente com bombardeios e depois com operações em terra também. Segundo autoridades palestinas, mais de 23 mil pessoas morreram por consequência dos ataques israelenses, e o número de feridos ultrapassa os 58 mil, enquanto 85% dos 2,3 milhões moradores de Gaza foram forçados a deixar suas casas. Grande parte dos atingidos são crianças.

Os palestinos de Gaza enfrentam ainda escassez de alimento e sistemas insuficientes de abastecimento de água e de energia, além de hospitais com poucos recursos.

Israel afirma que as acusações de genocídio são falsas e infundadas e acusa militantes do Hamas de utilizarem a população civil como escudo para suas atividades, o que o grupo nega.

Na quarta-feira, ao receber o embaixador palestino em Brasília, Ibrahim Alzeben, Lula manifestou apoio à iniciativa da África do Sul, informou nota do Itamaraty divulgada no mesmo dia.

“O presidente Lula recordou a condenação imediata pelo Brasil dos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023. Reiterou, contudo, que tais atos não justificam o uso indiscriminado, recorrente e desproporcional de força por Israel contra civis”, diz a nota do Ministério da Relações Exteriores, ressaltando os esforços de Lula, que pessoalmente interveio junto a chefes de Estado e de governo pela libertação de reféns em poder do Hamas, por um cessar-fogo e pela instituição de um corredor humanitário.

“À luz das flagrantes violações ao direito internacional humanitário, o presidente manifestou seu apoio à iniciativa da África do Sul de acionar a Corte Internacional de Justiça para que determine que Israel cesse imediatamente todos os atos e medidas que possam constituir genocídio ou crimes relacionados nos termos da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio”, diz ainda a nota do Itamaraty.

No texto, o Ministério das Relações Exteriores ressalta que “o governo brasileiro reitera a defesa da solução de dois Estados, com um Estado Palestino economicamente viável convivendo lado a lado com Israel, em paz e segurança”.

Lula tem defendido também a necessidade de proteção das crianças envolvidas no conflito, palestinas e israelenses.

Mas no início da guerra, quando conseguiu retirar brasileiros no enclave sitiado, o presidente se envolveu em polêmicas ao afirmar que a reação de Israel era “tão grave” quanto o ataque do Hamas, por considerar que as forças israelenses estariam matando civis “sem nenhum critério”. As declarações provocaram críticas de entidades ligadas a Israel, inclusive as bancadas envangélicas do Congresso.

“Jogar bomba onde tem criança, onde tem hospital, a pretexto de que um terrorista está lá, não tem explicação. Primeiro vamos salvar as crianças, as mulheres, aí depois faz a briga com quem quiser fazer”, disse Lula, à época, quando fez questão, por outro lado, de referir-se à ação do Hamas como “terrorismo”.

 

CROSS-BORDER É UTILIZADO NO BRASIL DEVIDO O NOSSO IMPOSTO SER MUITO ALTO

História por JOANA CUNHA  • Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O empresário Sergio Zimerman, fundador das lojas Petz, avalia que falta apoio da indústria —especialmente do presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva— ao esforço do varejo para tentar combater a isenção de Imposto de Importação oferecida pelo Brasil nas vendas de até US$ 50 dos sites estrangeiros, o chamado cross-border.

O tema, segundo ele, tem potencial destruidor para a indústria e o varejo brasileiros e deveria, portanto, unir os dois setores.

Zimerman, que é um dos membros da comissão de assuntos econômicos do conselhão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), levou ao presidente a preocupação das empresas brasileiras com o cross-border.

Em evento em Brasília, no dia 12 de dezembro, ele deu a Lula uma estimativa de que 500 mil empregos serão perdidos no comércio em dois anos, se a medida não for revertida.

“Por que as indústrias, que deveriam estar sendo representadas, não estão sendo? Eu adoraria saber a resposta. São inegáveis os laços que unem o Josué ao presidente Lula. Por que não são usados esses laços para resolver um tema que está destruindo a indústria?”, questiona o empresário.

PERGUNTA – Em sua fala no evento do conselhão, que precedeu o discurso de Lula, o sr. abordou a isenção das importações até US$ 50. Qual foi a sua impressão da receptividade dele?

SERGIO ZIMERMAN – Só consigo ter uma impressão pelo gestual do olhar e da atenção dele. Não consigo dizer se eu falei algo que era novo para ele, se aquilo gera alguma reflexão que possa contribuir para a solução ou se ele já escutou isso mil vezes.

Os próximos dias ou semanas devem ajudar a responder. Ele não tocou em nada do que foi dito, não só por mim, mas pelas dez pessoas que me precederam. Disse que recebeu os materiais escritos e iria estudar.

P – Qual é hoje o grau de preocupação do varejo com a isenção nos US$ 50?

SM – Levada ao limite, essa política significaria o fim do comércio e do emprego no comércio tradicional no Brasil.

Imagine que as empresas brasileiras, ao verem que isso não será resolvido, tomem a decisão de não mais continuar pagando 100% de impostos. Então, instalam uma base na Argentina, Paraguai, Uruguai, China e passam a atender os consumidores a partir destes países.

Montam centros de distribuição em outro país, se beneficiam da lei que diz que só precisam pagar 17% de ICMS e vão vender muito mais barato para os consumidores.

Para o consumidor é legal, paga mais barato. Mas, como estrutura de país, prejudica geração de imposto, emprego, investimento em novas lojas e indústrias.

O Brasil está praticando tratamento favorecido para plataforma estrangeira. O mundo nunca praticou isso. O que o mundo pratica é isonomia. Só que está tendo uma discussão ao redor do mundo de uma outra etapa, que é a proteção ao varejo e à indústria de determinados países.

Por que está acontecendo isso? Num primeiro movimento, a China e outros países da região levaram a produção e os varejistas dos principais mercados globais a produzirem lá.

O movimento do cross-border acaba com a intermediação do varejo. Pega essa fábrica da China para vender direto ao consumidor por uma plataforma que tem incentivos do governo chinês.

Cross-border é tema de Estado para o governo chinês. É uma forma de ter domínio econômico mundial, e é plano de governo deles fazer com que as indústrias chinesas atendam consumidores do mundo todo sem precisar de intermediário.

Alguns países estão discutindo proteção. Nós não estamos pedindo proteção. Apenas isonomia. Quem está fora deveria ser tributado do mesmo jeito que a gente.

P – As redes sociais interferiram nesse debate?

SM – Tem um clamor direcionado. As redes sociais estão lotadas de influencers que são financiados, muitos deles, justamente pelas plataformas. Eles recebem incentivo para arregimentar consumidores.

[O argumento de] Quem defende que deveria continuar desse jeito é o seguinte: “Não é justo taxar o pobre nos US$ 50 se o rico pode ter isenção em US$ 1.000 quando viaja para o exterior”.

Para ter os US$ 1.000, você precisa estar na condição de viajante, e é uma prática internacional, que varia.

Na minha concepção, o governo Bolsonaro cometeu um erro gigante de elevar essa isenção de US$ 500 para US$ 1.000. É uma renúncia tributária que favorece a empresa que opera os aeroportos e prejudica o comércio brasileiro.

P – O problema das compras de US$ 50 dos sites estrangeiros foi levado ao governo Bolsonaro, não?

SM – Foi levado para o [ex-ministro] Paulo Guedes. Não é de hoje. Fazendo justiça ao governo atual, isso foi uma herança do governo anterior, que não fiscalizou, não regularizou. Era mais fácil regularizar no passado, quando o negócio era menor e causaria menos polêmica.

A gente vê na equipe econômica um esforço de querer resolver. Apoiamos a criação do Remessa Conforme [programa do governo para o cumprimento da legislação aduaneira] e o que o [Robinson] Barreirinhas, secretário da Receita, tem implantado.

A gente até entende a estratégia de ter zerado o Imposto de Importação para atrair essas plataformas para o Remessa Conforme. Ok, só que já passou do tempo de corrigir a falta de isonomia tributária.

Se isso foi estratégia para colocar as empresas no Remessa Conforme, que se corrija agora a questão de tributação. Não temos um problema de convencimento da área econômica do governo. Temos um problema político.

P – Em abril, quando esse tema veio à tona a primeira-dama Janja também se manifestou na internet. Ficou claro que esse era um debate de internet?

SM – Veio a público realmente essa interferência das redes sociais. Isso foi amplamente divulgado. O quanto isso persiste sendo um problema seria leviano eu afirmar, mas naquele momento foi colocado.

Temos interlocução muito positiva com o ministro [da Fazenda, Fernando] Haddad, e o Barreirinhas. Temos diálogo positivo no entendimento de que a isonomia é justa. Mas não há respaldo político até o momento para fazer o que já era para ter sido feito. Daí minha fala no conselhão.

Se está ali para aconselhar o Executivo, a mensagem foi justamente a de aconselhar o presidente a que, politicamente, ele dê o sinal verde para que a área econômica faça o que eles entendem que seja certo.

P – Como avalia o papel do conselhão? Será ouvido?

SM – Na próxima entrevista, eu respondo. É a pergunta que eu tenho também. Essa foi a primeira reunião de feedback. Ficamos desde março nas reuniões temáticas de bastidor montando material para levar à plenária do dia 12. O que será feito com as sugestões ali apresentadas o tempo dirá.

P – Uma das pessoas mais próximas de Lula no empresariado é o Josué, dono da Coteminas e presidente da Fiesp. Como foi o debate com a indústria? Esse é um tema que une todos?

SM – O problema do cross-border destrói o varejo e a indústria nacional. Com política de isenção de impostos para quem está do lado de fora, a indústria perde o sentido de fabricar aqui.

O presidente da Fiesp tem representado a indústria nesse combate ao cross-border? Não lembro de ter visto matérias da Fiesp se rebelando contra o cross-border.

O varejo tem feito uma defesa ostensiva por meio de inúmeras entidades sobre o cross-border. E a indústria? Por que está calada? Por que o presidente da Fiesp está calado em relação a isso?

P – Ele teve a parceria [da Coteminas] com a varejista asiática Shein, não?

SM – Não quero afirmar isso. Cada um tire a conclusão. É leviano afirmar que ele está quieto porque teve a parceria. Por que a Fiesp está calada diante do tema do cross-border? Por que as indústrias, que deveriam estar sendo representadas, não estão sendo? Eu adoraria saber a resposta.

São inegáveis os laços que unem o Josué ao presidente Lula. Por que não são usados esses laços para resolver um tema que está destruindo a indústria?

P – Alguém do varejo perguntou à Fiesp e tentou unir esforços nesse tema?

SM – Eu perguntei ao Josué sobre isso no IDV [entidade que reúne gigantes do varejo no Brasil]. Ele falou que está ao lado do varejo. Talvez seja desconhecimento meu, mas eu não vejo posicionamentos públicos da Fiesp se indignando contra o tema do cross-border como deveria.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...