sábado, 13 de janeiro de 2024

AS PESSOAS QUE USAM A TECNOLOGIA PODEM ABALAR A DEMOCRACIA

História por Notas & Informações  • Jornal Estadão

Lá se vão quase 20 anos desde que o cientista político Larry Diamond observou um movimento de enfraquecimento da democracia liberal mundo afora após um período de apogeu que vai desde o pós-guerra até o fim de ditaduras na América Latina, no Leste Europeu e em alguns países da África e da Ásia. O professor da Universidade Stanford chegou a cunhar a expressão “recessão democrática” para descrever a queda do número de cidadãos governados por democratas e a perda de qualidade da democracia nos países que, mesmo de forma claudicante, ainda mantinham hígidos alguns de seus atributos.

Passado todo esse tempo, nada indica um refluxo do movimento liberticida, ao contrário. O mesmo desenvolvimento tecnológico que tanto tem beneficiado a humanidade ao criar soluções inovadoras para problemas complexos e eliminar barreiras de toda sorte entre indivíduos e empresas, por outro lado, tem imposto desafios inauditos à democracia. Alguns destes ainda mais ameaçadores, como é o caso da fabricação da “realidade” por inteligência artificial (IA).

A dimensão dessa ameaça foi dada recentemente pelo Fórum Econômico Mundial. De acordo com o Relatório de Riscos Globais 2024, publicado pela organização no dia 10 passado, as informações falsas ou distorcidas produzidas por IA representam nada menos que o “maior risco global no curto prazo”. Neste ano, cerca de 2 bilhões de eleitores irão às urnas em diversos países, inclusive os brasileiros, que escolherão seus futuros prefeitos e vereadores em outubro. Poucas coisas corroem tanto os pilares democráticos quanto o falseamento da realidade.

Por excelência, ciclos eleitorais são os momentos mais propícios à discussão de programas de governo, avaliação de políticas públicas e orientação dos destinos de uma sociedade. É o tempo em que os cidadãos decidem sobre os caminhos que desejam trilhar coletivamente. Não há, nunca houve e jamais haverá convergência total entre eles, mas o brilho da democracia se irradia com mais força justamente nessa concertação entre os divergentes em bases minimamente consensuais sobre a realidade em discussão. Quando se perde a capacidade de distinguir entre fatos e falsidades no debate público, não se pode mais falar em democracia. Ou, parafraseando o professor Eugênio Bucci, articulista deste jornal, não existe democracia sem verdade factual.

Num passado não tão longínquo, quando o alcance da desinformação era limitado por obstáculos materiais e geográficos, era mais simples adotar regras que, a um só tempo, resguardassem a liberdade de expressão dos cidadãos e garantissem a qualidade do debate público a partir da valorização da verdade dos fatos. Essa tarefa se tornou um desafio dos mais complexos para os democratas mundo afora, em particular pela proliferação do uso de IA por indivíduos e grupos tão poderosos quanto mal-intencionados, que se valem da manipulação da realidade para minar as liberdades democráticas, tidas como entraves aos seus interesses políticos e econômicos.

Se não se pode de nenhuma maneira cercear a liberdade de expressão, também não é possível permitir que meia dúzia de gigantes da tecnologia, que hoje monopolizam o debate público e têm literalmente o poder de distorcer a pauta política por meio de algoritmos que privilegiam a desinformação e o ódio, siga sem qualquer responsabilidade. A simples inação não é uma opção. Ora, não é por outra razão, convém lembrar, que campanhas eleitorais são regidas por legislação própria, com vistas a preservar o interesse público do mau exercício de direitos individuais.

Há poucos dias, a propósito, o Tribunal Superior Eleitoral publicou uma minuta de resolução sobre o uso de IA na campanha de 2024. Mas só a Justiça Eleitoral não basta. É preciso que os eleitores escolham fontes de informação confiáveis, deixando de lado os discursos mentirosos, por mais sedutores que pareçam. Como parte essencial que são do processo eleitoral, os cidadãos têm responsabilidade no cuidado diário com a democracia.

 

GOVERNO MILEI NA ARGENTINA

História por Marcia Carmo – De Buenos Aires para a BBC News Brasil  • BBC News Brasil

Na Casa Rosada há pouco mais de um mês, o presidente da Argentina, Javier Milei, declarou: ‘Tudo indo como o previsto’© Reuters

O presidente da ArgentinaJavier Milei, tem buscado cumprir o que prometeu na campanha: implementar uma “terapia de choque” liberal para a crise econômica do país.

Emitiu um “decretaço” com mais de 300 medidas de desregulamentação econômica que ele disse serem de urgência e que seguirão em vigor ao menos que o Congresso o vete.

Ele também enviou ao Parlamento um megapacote com mais de 600 projetos de leis, intitulado “Lei de Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos”, que ainda precisa ser chancelado pelo Legislativo, onde ele não tem maioria.

Apesar de mexer com uma ampla gama de forças sociais e econômicas, a avaliação de especialistas ouvidos pela BBC News Brasil é que o fator mais importante para que Milei consiga levar adiante seu projeto de “revolução liberal” — ou libertária, como ele define — não é conseguir o beneplácito dos parlamentares.

Não é nem mesmo resistir aos embates com os poderosos movimentos sindicais, que já marcaram para 24 de janeiro a primeira greve geral no país, com previsão de 12 horas de duração.

O fator crucial para Milei é o tempo.

Para os especialistas, o presidente terá de entregar resultados econômicos positivos enquanto vive certa lua de mel com seus seguidores — um período estimado entre três ou quatro meses —, ou as reações contrárias aos seus objetivos libertários podem ser crescentes e inevitáveis.

O comportamento da inflação será decisivo para a avaliação e destino do governo de Milei dentro de dois ou três meses. Os preços são fundamentais”, diz o professor de ciências políticas da Universidade de Buenos Aires (UBA) Marcos Novaro à BBC News Brasil.

“Eu diria que seriam quatro meses. Mas, na minha opinião, está claro que Milei não tinha outra alternativa. A economia argentina necessita das desregulamentações e reformas que ele propõe e busca implementar”, avalia o analista econômico e ex-secretário de Energia do país Daniel Gustavo Montamat.

Protesto de argentinos contra a fome© Reuters

Montamat avalia que, se “o plano de estabilização de Milei” começar a reduzir a “febre inflacionária”, ele terá apoio da sociedade para muitas das reformas estruturais que está propondo.

“O sucesso ou fracasso desta revolução libertária dependerá dos resultados na economia”, diz o analista, crítico das políticas econômicas do kirchnerismo, derrotadas por Milei nas urnas.

A inflação na Argentina chegou a 211,4% ao ano, de acordo com dados oficiais divulgados na quinta-feira (11/01), superando até o índice da Venezuela em 2023.

A escalada inflacionária argentina ganhou ainda mais fôlego em dezembro, a partir da chegada de Milei à Casa Rosada, com a liberação do aumento de preços antes controlados, como de combustíveis e serviços públicos, além do impacto da forte desvalorização do peso.

Somente em dezembro, a inflação foi de 25,5% — o maior dos últimos 33 anos, porém, abaixo dos 30% esperados por consultorias econômicas de Buenos Aires.

Nesta semana, quando Milei completou um mês na presidência, o peso voltou a se enfraquecer.

Até no mercado de ações, em princípio animado com a vitória dele, os investidores começam a se mostrar mais cautelosos com os novos leilões de dívida do governo, segundo reportou a agência Reuters, que chamou o momento de “choque de realidade” para a Casa Rosada.

Após o anúncio, também na quinta-feira, de que o governo havia retomado o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o mercado voltou a comemorar, mas a cautela persiste.

A expectativa no governo Milei, de acordo com analistas, é atravessar esse deserto até abril.

Outra expectativa é que neste mês, com a maior entrada de dólares gerados pelas exportações do agronegócio — a principal fonte de divisas —, haverá “um alívio” para a economia argentina. Isso reforçaria as reservas no Banco Central e reduziria a pressão inflacionária.

A questão é quanto o colchão de popularidade e o voto de confiança dado a Milei resistirão.

O presidente foi eleito com 56% dos votos válidos, a maior votação para um chefe do Executivo nos 40 anos da democracia argentina. Entretanto, as primeiras pesquisas de opinião apontam desgaste e queda na avaliação positiva nas primeiras semanas do governo.

A empresa Opinaia indicou que Milei teve uma queda na avaliação maior do que a registrada pelo seu antecessor, Alberto Fernández, no mesmo período, segundo publicou o jornal La Nación na quarta-feira (10/1).

Do ‘agro’ aos bancários, múltiplas resistências

“revolução liberal” ou libertária de Milei é um projeto ambicioso, já que ele propõe alterar desde o sistema de contribuição sindical a aposentadorias e regras relativas aos aluguéis, planos de saúde, medicamentos e clubes de futebol.

As mudanças propostas incluem ainda uma redução drástica do Estado, a alteração de regras trabalhistas e a privatização de dezenas de empresas públicas.

Seu governo propõe também o fim das eleições primárias, que antecedem a eleição presidencial, e o retorno do uso da toga e do martelo pelos juízes.

Nas ruas, aparecem os primeiros sinais de desconforto. Ao fazer compras nos supermercados argentinos ou nos chamados chinos (mercadinhos de bairro), se ouve as constantes reclamações dos consumidores.

Tanto entre os que votaram em Milei quanto entre os que não votaram, é possível observar um clima que vai da preocupação — forte entre aposentados e servidores públicos — à cautela, como entre empresários.

“Para mim, é difícil dizer ‘feliz ano novo’ porque estou preocupadíssima com o que ocorrerá com minha aposentadoria. É dela que vivo”, desabafa Rosa, de 84 anos, no bairro abastado de Palermo.

No setor turístico, apesar das reclamações com a inflação, em geral comemora-se.

“Há muito tempo não víamos tantos turistas”, diz o gerente de um restaurante no bairro turístico de Puerto Madero, lotado de brasileiros no fim de semana.

Há também resistências setoriais às amplas mudanças propostas.

Na próxima segunda-feira (15/01), os funcionários públicos realizarão manifestações contra medidas de Milei que os afetam. Por conta do remanejamento previsto com a redução dos ministérios, o governo prevê a possibilidade de demissão daqueles que “não se adaptarem” ou “não aceitarem” os novos postos após a reestruturação.

Eram 18 pastas no governo do ex-presidente peronista Alberto Fernández e, na gestão atual, passaram a ser nove.

As manifestações contam com o apoio dos bancários, em repúdio à intenção do governo de privatizar bancos públicos, incluindo o Banco de la Nación (equivalente ao Banco do Brasil), segundo afirmou o presidente do sindicato dos bancários, Sergio Palazzo.

Palazzo afirma que as amplas reformas de Milei “não são um plano de governo, mas de negócios”, diz o presidente do sindicato, criticando os projetos de privatização e as mudanças trabalhistas.

Neste último ponto, aliás, aconteceu o maior revés para Milei até agora. No começo do mês, a Justiça do Trabalho suspendeu medidas que faziam parte do “decretaço” — atendendo a pedidos das duas principais centrais sindicais do país, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Central de Trabalhadores da Argentina (CTA).

De acordo com o procurador-geral do Tesouro, Rodolfo Barra (com funções semelhantes às da Advocacia Geral da União no Brasil), já são mais de cinquenta recursos na Justiça contra as medidas.

A reforma trabalhista, agora suspensa pela Justiça, prevê modificações nos pagamentos das indenizações por demissão; amplia de três para oito meses o prazo de experiência; e estabelece que trabalhadores de hospitais e de escolas são essenciais e, portanto, com direitos restritos para a realização de greve.

As mudanças tocam ainda no caixa dos sindicatos ao rever o sistema de contribuição sindical dos trabalhadores.

Os protestos do funcionalismo não serão os primeiros contra o governo Milei. Desde a posse, em 10 de dezembro, foram registrados pelo menos dois panelaços em várias cidades do país.

De todo modo, as manifestações servirão de prévia para a greve geral de 12 horas programada para o fim do mês.

Enquanto isso, no setor empresarial, há a dúvida se Milei conseguirá implementar suas medidas econômicas ou se o amplo leque de artigos que enviou ao Congresso tirará o foco dos dois principais objetivos da sua plataforma de governo: combater a espiral inflacionária e reduzir o déficit fiscal.

Já o poderoso agronegócio recebeu como um balde de água fria a decisão do governo de manter e, em alguns casos, até de ampliar os impostos sobre as exportações.

A expectativa neste setor era que Milei faria o contrário — reduzir estas tarifas estabelecidas nos governos peronistas anteriores e que provocaram na época ampla reação.

Relação com o Congresso e Forças Armadas

As movimentações sociais e setoriais acontecem enquanto a Argentina ainda digere o estilo considerado controverso do governo e de seu novo presidente — que repete todos os dias que o país está numa emergência e precisa ser refundado, razão pela qual ele precisaria de instrumentos especiais para governar.

A postura do governo inclui declarações como as de seu porta-voz, o economista Manuel Ardoni, que atribuiu a nova alta do dólar e a brecha entre a cotação do oficial e do paralelo à oposição daqueles que se colocam contrários aos projetos do governo.

A ideia de urgência está na base do discurso do governo Milei. Primeiro, ele anunciou “dez medidas emergenciais” para lidar com a crise econômica. Depois, foi a vez do “decretaço”, por meio de um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU).

Com 366 pontos, o DNU prevê, entre outros itens, uma “emergência pública” em temas econômicos, fiscais, sociais, entre outros, até 2025. Trata-se de um instrumento até mais poderoso do que a medida provisória (MP) brasileira, já que seguirá em vigor a menos que o Congresso a derrube por ampla maioria — ou o que a Justiça o faça.

O presidente também enviou o megapacote de projetos de leis apelidada de “Lei Ómnibus” e tem repetido que negociar quaisquer dessas medidas no Congresso dificultaria sua pretensão de transformar a Argentina “após cem anos de decadência”.

O problema é sua frágil situação no Parlamento. À exceção de seu partido A Liberdade Avança, todos as outras siglas rejeitam um estado de emergência econômica tão amplo até 2025, por exemplo.

Na terça-feira (9/1), foram iniciados nas comissões da Câmara dos Deputados os debates acerca da “Lei Ómnibus” — e autoridades do governo Milei sinalizaram pela primeira vez com a possibilidade de negociação de prazos.

Ninguém pode garantir que relativa calmaria na Argentina continuará ‘à medida que os meses passem e a situação econômica não melhore’, diz Ricardo Israel© EPA

O governo quer aprovar um projeto para que o Executivo possa, por um período determinado e excepcional, tomar medidas sem que seja necessário que elas passem pelo Congresso.

Inicialmente, a Casa Rosada tinha previsto um período de dois anos, renováveis por mais dois — o que, no total, seria o equivalente a um mandato inteiro —, mas está sendo negociada a possibilidade de que se reduza para um ano, renovável por mais um ano.

“Quando falamos sobre atribuições especiais [para que se apliquem medidas sem o Parlamento], não queremos fechar o Congresso, não queremos um cheque em branco, mas atingir os objetivos dos projetos do governo”, disse o secretário de Energia, Eduardo Chirillo, diante dos questionamentos dos parlamentares nas comissões.

A cientista política Ximena Simpson, professora da Escola de Política e de Governo da Universidade Nacional San Martin (Unsam), da Argentina, afirma que Milei está “se dando conta que dependerá da casta para governar”.

Na campanha, a “casta” foi definida por Milei como a “velha” elite política e econômica, e era um dos alvos das críticas do então candidato.

“Ele precisará fazer coalizões partidárias para implementar, mesmo que parcialmente, sua agenda ambiciosa”, avalia Simpson.

Na visão dela, o debate sobre a Lei Ómnibus será “crucial” para se saber qual Argentina “surgirá destas propostas”, já que Milei “está buscando mudar uma era” da Argentina.

Como se trata de um pacote de leis regulares, não há prazo limite para o debate. Seja como for, o papel da oposição será decisivo, diz Simpson, para se saber se Milei conseguirá ser “tão disruptivo” como tem planejado.

O analista chileno-americano Ricardo Israel, do Instituto Interamericano para a Democracia, com sede nos Estados Unidos, entende que a democracia não pode se limitar à voz e à caneta presidencial.

“Até o momento, Milei não está compartilhando este poder, mas compartilhar e negociar serão inevitáveis. Ou será inevitável que a insatisfação chegue às ruas”, diz Israel, que foi candidato à presidência do Chile em 2013.

Segundo ele, o governo espera “que não surja alguma forma de violência” se os resultados (como a queda da inflação) demorarem.

“Lembremos como foram os governos de Alfonsín e De la Rúa, que tiveram o problema da violência nas ruas”, aponta.

“[Nos últimos tempos] A Argentina, no geral, resistiu melhor do que Chile, Equador e Colômbia. Mas ninguém pode garantir que isso continuará como está hoje à medida que os meses passem e a situação econômica não melhore”, seguiu Israel.

Os ex-presidentes Raúl Alfonsín e Fernando de la Rúa, que como Milei não eram peronistas, não conseguiram concluir seus mandatos diante da insatisfação popular e dos protestos em meio a crises políticas e econômicas.

Alfonsín governou o país de 1983 a 1989, tendo renunciado cinco meses antes do término do seu mandato. Já De La Rúa assumiu o poder em 1999 e governou até 2001, quando também renunciou.

O analista Marcos Novaro ressalta, porém, que, ao contrário do esperado, neste primeiro mês Milei não mostrou problemas de governabilidade, mas sim de definições de rumo dentro do seu próprio governo.

“É preciso definir o rumo e colocar o foco nas prioridades, como o combate à inflação e ao déficit, mas estamos diante de uma série de medidas que pretendem implementar tudo ao mesmo tempo”, disse.

Nesta semana, Milei se confrontou com um limite importante: teve que fazer um recuo após ter provocado a aposentadoria automática de 22 generais do Exército.

Essa aposentadoria ocorreu porque o novo chefe da força escolhido por Milei tem menor tempo de carreira do que aqueles que foram aposentados compulsoriamente.

Depois de reconhecer o problema, o governo anunciou que a maioria desses generais seguirá nas Forças Armadas ou no Ministério da Defesa, segundo reportagem do jornal Clarín.

 

ERVAS SECAS OU FRESCAS PARA TEMPERAR A COMIDA

 

Lívia Basilio – Empresária, cozinheira, bióloga e investidora individual

Depende do tipo de erva, pois alguns óleos essenciais presentes na folha podem ser mais voláteis (evaporam fácil) e isso pode afetar o perfil de sabor e de aroma. 70% do nosso paladar é o “cheiro”, então essas substâncias evaporadas fazem parte do sabor que sentimos.

Geralmente, os óleos essenciais são produzidos para defender a planta de pestes, predadores e alterações ambientais. Então, a folha se adapta ao ambiente de acordo com o que é oferecido a ela.

Além disso, há organelas específicas na folha que produzem esses óleos, os chamados tricomas. Dependendo da altitude e de fatores ambientais (estresse hídrico e nutricional), pode ter mais tricomas espalhados na sua epiderme e isso pode influenciar em sabores e aromas mais acentuados (maior produção de óleos essenciais).

A espessura e composição da parede celular da folha também ajudam a reter esses óleos essenciais e manter as organelas o mais intactas possíveis.

Folhas com aspecto de couro (coriáceas), como o louro são melhores secas. Ficam com o sabor mais concentrado.

Existe uma parede celular que fica no meio (entre duas epidermes) chamada mesófilo, onde se encontram grande parte dos cloroplastos (responsáveis pela fotossíntese). A espessura do mesófilo protege a folha de muitos danos, inclusive quando é congelada e seca e isso inclui a preservação dos tricomas e dos óleos essenciais.

O tamanho da folha também é impactado por fatores ambientais e isso tem relação com os recursos disponíveis no ambiente. As folhas de muitas ervas aromáticas são pequenas exatamente para preservar seus óleos essenciais e nutrientes.

Logo, as ervas aromáticas, como alecrim, tomilho, orégano e manjerona são melhores secos. Seus óleos essenciais ficam bem protegidos por conta da estrutura e composição da folha e isso ajuda a deixar o sabor e aroma mais concentrados.

Agora, se comparar ao manjericão, a espessura da folha é bem fina, uma folha do tipo membranácea. Além dos óleos essencials serem voláteis, não ficam retidos na folha. Ou seja, é melhor usar fresco e recém-colhido.

Acho que com isso consegue entender que cada erva tem seu modo uso. Nem sempre será melhor fresca ou seca, dependerá essencialmente de como é a sua folha.

MARKETPLACE É UM MODELO DE NEGÓCIO QUE NÃO PARA DE CRESCER

 

Matheus Pedralli, CEO da Omnik

CEO da OmniK explica vantagens que lojistas podem ter ampliando o portfólio de produtos e os ganhos com vendas de lojistas parceiros

As compras realizadas pelos marketplaces continuam em alta, é o que aponta o levantamento da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico). De acordo com o estudo, o setor tem uma perspectiva de faturamento de R$205 bilhões para este ano.

Aliás, esse é um modelo de negócio que não para de crescer.  Um relatório do Webshoppers destacou que 84% dos lojistas que vendem online usam os marketplaces em suas estratégias de marketing. O documentou também apresentou uma projeção de 54%, nessa plataforma, até 2024. Assim, transformar lojas virtuais em marketplaces pode ser uma boa estratégia para alavancar vendas em datas especiais.

Os marketplaces facilitam a procura de produtos, a comparação de preços e de condições de entrega e o acesso a avaliações de outros usuários, atendendo esse consumidor mais exigente, que compra na internet buscando conveniência e praticidade. “Além de ajudar a incrementar as vendas em períodos com grande fluxo de pessoas, o marketplace pode melhorar a experiência dos clientes. E, como resultado, aumentar as conversões e a fidelização”, pontua Matheus Pedralli,  CEO da Omnik, empresa da multinacional brasileira FCamara, ecossistema de tecnologia e inovação que potencializa o futuro de negócios.

Leque maior de produtos e participação em vendas dos parceiros

Se para o consumidor esse é um canal de compras mais conveniente, para o varejista, Pedralli garante que investir em um marketplace também é vantajoso. Segundo ele, é possível identificar outros tipos de produtos que sejam de interesse do público e atrair lojistas parceiros que vendam esses itens na plataforma. Assim, além de ampliar o portfólio para o cliente e expandir o alcance digital, o dono do marketplace ganha um percentual das vendas feitas pelos lojistas parceiros. Dentre outros benefícios, temos também o aumento de sortimento de ofertas, maior oferta em soluções omnichannel e uma gestão centralizada no marketplace, dada através de um seller center que consegue ter uma visão estratégica de toda a operação, otimizando os processos.

“É preciso quebrar a percepção equivocada de que marketplaces são feitos apenas para os gigantes do comércio eletrônico. Qualquer varejista pode acelerar suas vendas explorando esse modelo de negócio. O público quer essa facilidade”, ressalta o especialista. 

Para vendedores, carona no tráfego e no marketing das plataformas

Pedralli assegura que não é difícil atrair vendedores parceiros. “Os marketplaces são excelentes locais de vendas para quem deseja aumentar a visibilidade de seus produtos. Além disso, o custo de se manter como vendedor dentro de uma plataforma já existente é bem menor do que o custo de manter um e-commerce próprio”.

Por último, o CEO acrescenta que o vendedor aproveita, sem custos, as campanhas de marketing e o tráfego gerado pelas promoções realizadas pelos marketplaces, e acaba tendo menos preocupações com questões de infraestrutura. “A plataforma fica responsável por isso e por garantir as funcionalidades, a integração de meio de pagamentos, entre outros aspectos operacionais”, finaliza Matheus.

UM MARKETPLACE DIGITAL IGUAL AO DA STARTUP VALEON PODE AJUDAR QUALQUER NEGÓCIO?

Moysés Peruhype Carlech e Fernanda – Jet.

Sim e podemos ajudar muito a alavancar as suas vendas e tornar a sua empresa mais competitiva no mercado se forem utilizados os serviços da Startup Valeon e temos a certeza que vamos melhorar o seu posicionamento digital e utilizando uma boa estratégia comercial podemos trazer retorno financeiro para a grande maioria dos negócios das empresas da nossa região do Vale do Aço, afinal de contas, já atingimos a marca de mais de 100.000 acessos.

O sucesso do modelo dos marketplaces está expresso nos números registrados no último ano: o crescimento em 2020 chegou a 52%, acima dos 41% do segmento de e-commerce.

Essas informações foram apuradas pela E-bit/Nielsen, que também indica que o total de pedidos do marketplace chegou a 148,6 milhões, um crescimento de 38% em relação a 2019, o que resultou em um faturamento de R$ 73, 2 bilhões para o segmento.

A atenção recebida pelos “shoppings virtuais” tem razão de ser. São gerenciados por empresas que arcam com a parte operacional e, com isso, as lojas cadastradas podem se dedicar ao cuidado de suas páginas e às ofertas de produtos.

Para quem tem um e-commerce, os marketplaces devem ser vistos como uma oportunidade reforçar as estratégias de vendas.

Outro fator importante é a possibilidade de ampliar seus pontos de interação com o cliente, o que atende ao comportamento omnichannel do público.

Porém, para aproveitar melhor as possibilidades, é importante que você saiba quais são as vantagens do marketplace e como ele pode auxiliar o desenvolvimento do seu negócio.

1- Otimização dos recursos

A estruturação de um e-commerce não é simples. E, por mais que você faça tudo certo, os resultados precisam de tempo para serem consolidados.

Ao integrar a sua loja a um marketplace, esse processo é facilitado. Ao mesmo tempo em que trabalha para fortalecer a sua marca, o lojista tem como expor seus produtos num canal que já conta com uma audiência significativa.

Basta que o lojista negocie e pague a mensalidade do marketplace para que possa começar a negociar seus produtos ou serviços. Além disso, essas operações oferecem expertise, tráfego, visitação e mídia para que seus parceiros possam desenvolver seus negócios.

2- Alcance de clientes

Desenvolver uma loja virtual própria e recorrer às redes sociais para divulgar produtos ou serviços requer um trabalho de divulgação para alcançar um número maior de clientes.

Com o marketplace, esse trabalho ganha ainda mais abrangência e, com isso, é possível gerar um fluxo maior de consumidores, uma vez que há modelos próprios de divulgação, o que acaba favorecendo as empresas que o integram.

Além disso, esses “shoppings virtuais” , como o da Startup Valeon, não divide os custos de marketing  com os seus parceiros custeando ele próprio o processo de aquisição de clientes nas redes sociais.

3- Volume de dados

Os marketplaces têm o costume de oferecer aos seus parceiros diversos dados sobre as suas vendas e seus desempenhos dentro da plataforma e faz métricas diárias das consultas dos seus clientes.

Essas informações são bastante estratégicas para qualquer empresário que deseje desenvolver o seu comércio online e melhorar o seu desempenho na internet.

Isso porque conseguem planejar suas ações, promoções e precificar produtos e serviços com mais eficiência, o que aumenta as chances de converter os visitantes do marketplace em seus clientes.

4- Integração com outras ferramentas

Muitos empresários podem acreditar que ao entrar para um marketplace não poderá usar suas ferramentas digitais favoritas: CRMs, software de preços ou inventários.

Porém, não existe essa limitação e as empresas podem seguir usando seus mecanismos de otimização de resultados.

É possível explorar tantos as informações fornecidas pelos marketplaces quanto os dados gerados pelos seus mecanismos de gestão e controle, o que pode fortalecer ainda mais suas estratégias online.

5- Aumento de vendas

Com uma estrutura corretamente desenvolvida, processos de divulgação bem construídos e apoio aos parceiros, os marketplaces conseguem atrair um bom volume de visitantes para o seu site.

Quanto maior a exposição de produtos ou serviços, maior são as chances de aumentar as suas vendas. É preciso apenas que as lojas online saibam trabalhar seus produtos ou serviços na internet e convencer os consumidores de que conta com as melhores mercadorias e preços.

6- Diversificação de público

Com um número maior de pessoas tendo contato com seus produtos ou serviços, há possibilidade que alcance consumidores que, em um primeiro momento, não conseguiria atingir.

Isso contribui para a diversificação do seu público-alvo e faça com que a sua base de clientes possa crescer.

Isso favorece não apenas as suas vendas, mas também estimula os lojistas a buscarem novos produtos ou desenvolverem novos serviços para atender a sua nova demanda.

Esse processo é essencial para que as empresas ganhem mercado e busquem constantemente o seu desenvolvimento.

Agora que você já sabe quais as vantagens do marketplace, que tal descobrir como eles podem auxiliar no crescimento dos pequenos negócios?

Marketplace e o crescimento das empresas

Construir um modelo próprio de venda online é um desafio para as empresas, porém pode ser bastante recompensador.

Em 2020, o setor teve um crescimento de 41% se comparado com o ano anterior e a expectativa é de que siga alcançando bons resultados em 2022, até em razão da aceleração do processo de transformação digital.

Dessa forma, com um trabalho bem-feito, as empresas podem conquistar boa margem de lucro com o comércio eletrônico. Afinal, o perfil do consumidor tem mudado e ficado aberto às compras online.

Mas, para isso, é necessário utilizar um site como a da Startup Valeon que ofereça boa experiência para os consumidores e conte com estrutura logística e capacidade de estoque para dar conta do trabalho.

O marketplace é uma opção que pode potencializar ainda mais um comércio eletrônico, pois conta com um modelo de negócio estruturado e testado.

Assim, empresas de qualquer setor conseguem melhorar o desempenho de seus e-commerces ao estabelecer mais um canal de divulgação e venda.

Para aproveitar melhor as oportunidades, é importante contar com as ferramentas adequadas para fazer a gestão da operação.

Exemplo disso é a plataforma comercial da Startup Valeon, que tem suas páginas desenvolvidas justamente para conectar a sua loja aos principais consumidores do mercado.

Com isso, além de ter todo o suporte necessário para destacar seus produtos na internet, o lojista tem como gerenciar todo o universo envolvido com as suas vendas online, seja na loja própria ou no marketplace.

Num único local, por exemplo, pode fazer a gestão de estoque, o que evita a perda de clientes pela falta do produto. O e-commerce é uma modalidade de negócio que deve seguir ganhando espaço e conquistando novos clientes. O empresariado deve ficar atento a esse mercado e aproveitar as vantagens do marketplace para aumentar a sua presença online e ter acesso facilitado a uma base sólida de usuários.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

ESVAZIAMENTO DO PT EM SÃO PAULO

História por Notas & Informações  • Jornal Estadão

Noves fora o jogo fluido das articulações partidárias em períodos pré-eleitorais, o retorno da ex-prefeita Marta Suplicy ao PT e a indicação que será ela a vice na chapa de Guilherme Boulos (PSOL) à Prefeitura de São Paulo escancaram algo muito mais relevante e sombrio do que a euforia lulopetista deu a entender ao anunciá-la: o esvaziamento do partido no Estado e na cidade em que nasceu, há mais de 40 anos.

Oficialmente não há grandes razões para desabonar o entusiasmo do comando do PT, ao tirar tanto do atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB), quanto de uma candidata oposicionista como Tabata Amaral (PSB) a possibilidade de ter Marta Suplicy como aliada ou parceira de chapa. Só oficialmente. Na prática, ainda que a escolha possa gerar dividendos eleitorais, a decisão decorre justamente do estado de terra arrasada de nomes, projetos e relevância que vive o petismo em São Paulo.

Sem nomes fortes e sem chances, o PT fez valer o pragmatismo eleitoral. Primeiro, abriu mão da cabeça de chapa numa eleição-chave, algo inédito para um partido que costuma engolir aliados com a facilidade de quem acredita nas próprias virtudes acima de todas as coisas. Ademais, Marta há muito tempo não faz parte do DNA petista, e até esta semana era auxiliar do principal adversário do partido em São Paulo, o que lhe ampliava as resistências internas. Com risco de mais um fracasso iminente, o presidente Lula da Silva passou por cima dos dirigentes paulistanos e recorreu a um nome que até aqui parecia persona non grata, uma vez que Marta é tida por muitos dentro do partido como traidora ao desembarcar do PT e do apoio a Dilma Rousseff durante o impeachment da presidente.

É de um tempo distante a ideia de um PT nascido, crescido e fortalecido em São Paulo. O partido que foi formalizado em 1980 em evento no Colégio Sion, na região central da capital, hoje se encontra esvaziado pelas próprias fragilidades na sua terra de origem. Vácuo de nomes com capacidade de obter votos, desgaste de militantes históricos, saída de cena de outros (muitos dos quais flagrados em malfeitos), encastelamento da burocracia, perpetuação de lideranças que inibem a devida oxigenação, baixa popularidade em regiões periféricas da cidade e uma coleção de derrotas eleitorais significativas no Estado se somam a um problema ainda mais grave: a incapacidade de seu líder maior, o presidente Lula da Silva, de abrir espaço para nomes fortes e independentes.

Desse vício de origem nasce a palidez de nomes, que não se restringe a São Paulo. O partido enfrenta problemas similares no Rio de Janeiro, por exemplo. Mas em São Paulo o PT chegou a eleger 70 prefeitos em 2012, caiu para 8 em 2016 e apenas 4 em 2020. A bancada de deputados estaduais conseguiu crescer em 2022, na esteira da vitória de Lula nas eleições presidenciais. A de federais passou de 8 para 11. Mas, se há uma certeza no partido, é a inexistência de nomes fortes e viáveis a voos mais altos – exceção talvez a Fernando Haddad, embora não se possa dizer que seja exatamente um vitorioso nas ruas, depois de três derrotas consecutivas.

 

FUNCIONÁRIO PÚBLICO BRASILEIRO DESAFIOU A MICROSOFT SOBRE SOFTWARE

 

História por PEDRO S.TEIXEIRA  • Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Brasil é citado por intelectuais críticos às big techs (gigantes de tecnologia como Google e Meta) como um país historicamente mais resistente ao lobby desses gigantes corporativos que os Estados Unidos.

Na base dessa imagem estão legislações de proteção de dados, a discussão do PL das fake news e também a história de um funcionário público do primeiro governo Lula que desafiou a Microsoft —companhia que, nesta quinta, ultrapassou a Apple e se transformou na empresa de maior valor no mundo.

O personagem muitas vezes citado por especialistas é Sergio Amadeu, que entre 2003 e 2005 presidiu o órgão responsável pelos processos de certificação digital do governo, o ITI (Insituto Nacional de Tecnologia da Informação), ligado à Casa Civil. Professor da UFABC (Universidade Federal do ABC, em São Paulo), ele não participa do atual governo.

Amadeu recusou, em 2004, licenças de uma versão limitada do Windows oferecidas pela Microsoft ao programa social PC Conectado, que visava facilitar o acesso a computadores para a classe média baixa.

“Disse não porque a Microsoft tem o modelo de negócio de um traficante de drogas: eles só dão a primeira dose de graça; depois que a pessoa está viciada, cobram uma fortuna”, conta Amadeu.

Declaração similar feita por ele em 2004 à revista Carta Capital acabou lhe rendendo uma notificação judicial com pedido de explicações, movida pela corporação americana.

A repercussão foi tamanha que a história acabou em grandes jornais estrangeiros como o New York Times e chegou a intelectuais americanos críticos do monopólio da tecnologia.

O legado do trabalho e Amadeu no início dos anos 2000 ultrapassa, porém, a polêmica do PC Conectado. O então presidente do ITI incentivou a adoção do sistema operacional gratuito e aberto Linux e consolidou as bases para a adoção de programas com licença livre pelo Estado brasileiro, no que veio a ser chamado de software público.

Esses programas permitem, em sua licença, a execução, modificação e distribuição de cópias livremente.

O sistema que hoje faz o Pix funcionar, por exemplo, usou código aberto e roda em computadores com Linux. O navegador Mozilla Firefox, o editor de sites WordPress e a linguagem de programação Python são alguns dos softwares de código aberto que podem ser editados e usados por quem quiser.

O software público começou a ser adotado no ITI e no Serpro, empresa pública de tecnologia da informação que desenvolve os sistemas usados pelo governo federal.

“Naquela altura, a gente estava atrasado, porque quem trabalha com programação em geral usa software livre e 66% do pessoal do Serpro ainda estava no Windows”, diz Amadeu. “A Nasa não vai colocar software proprietário em uma espaçonave, porque não há nem controle nem segurança para isso”, acrescenta.

Para evitar o acesso de grandes empresas aos dados da presidência dos EUA, a Casa Branca também não usa softwares proprietários.

Esse debate voltou a ganhar relevância com a consolidação das seis empresas trilionárias que comandam o mercado de tecnologia: Apple, Amazon, Alphabet, Microsoft, Meta e Nvidia. Todas são americanas.

O escritor Cory Doctorow, autor do recente “The Internet Con: How to Seize the Means of Computation” (ainda sem tradução para o português), vê na atitude de Amadeu uma evidência de que o Brasil tem funcionários públicos capazes de resistir ao lobby das big techs.

“Os brasileiros devem estar atentos e exigir que legisladores resistam ao bullying tecnológico-imperialista e insistam em soluções tecnológicas localmente apropriadas”, afirmou Doctorow.

O escritor Douglas Rushkoff —que veio ao Brasil na série de conferências Fronteiras do Pensamento— mencionou a defesa de Amadeu pelo desenvolvimento de tecnologias locais como contraponto às tentativas de países em desenvolvimento de copiar o modelo americano.

“Há outros caminhos além do capital de risco para fazer tecnologia. Esse caminho vai explorar as pessoas, deixar poucos empregados e gerar infelicidade; além do que, essas empresas não devem conseguir competir com as empresas norte-americanas”, disse.

Os planos da equipe do ITI, contudo, encontraram resistência de multinacionais de tecnologia e membros do próprio governo Lula.

Segundo Amadeu, a oposição de Antonio Palocci (Fazenda) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) impediu que a política de software público se tornasse lei ou decreto.

“Era para ter sido um decreto interno determinando o uso de software livre, o que faria Tribunal de Contas seguir essa lógica”, diz Amadeu. “Furlan e Palocci sabiam disso e não deixaram aprovar internamente de jeito nenhum.”

A solução foi baixar uma portaria que priorizava “licenças permissivas de uso” —solução legal proposta por Ronaldo Lemos, colunista da Folha de S.Paulo que, à época, dirigia a entidade Creative Commons, cujo objetivo era encontrar alternativas aos direitos autorais para baratear o acesso ao conhecimento.

“Era como se a gente fizesse uma dobradinha; como professor de direito eu criei as bases jurídicas para que o software livre pudesse ser usado na administração pública”, diz Lemos.

O gestor que quisesse usar softwares pagos podia recusar a recomendação, desde que apresentasse os motivos técnicos para tal.

As críticas à gestão do ITI ganharam mais projeção junto ao público quando a equipe de Amadeu fez pressão para que as máquinas do PC Conectado priorizassem softwares livres, como o sistema operacional Linux e o Libre Office —uma alternativa ao pacote Office da Microsoft. Esses programas são gratuitos, mas têm uma curva de aprendizado mais difícil.

Na concorrência, a companhia americana oferecia licenças para o Windows Essentials —versão limitada do Windows que incluía acesso a email, ao Microsoft Messenger e ferramentas de blog e controle parental. As licenças seriam gratuitas, mas o sistema operacional não oferecia suporte para uma série de programas e indicava a instalação de uma licença paga do Windows.

Todas as esferas de governo e a área educacional representavam 6% dos negócios da Microsoft no Brasil.

Como a oferta foi recusada por Amadeu, a empresa fundada pelo bilionário Bill Gates, além de notificá-lo judicialmente, disse à imprensa: “Oferecemos bilhões de dólares em software gratuito para os brasileiros e esse burocrata disse não”.

Procurado pela Folha de S.Paulo, o então presidente da Microsoft Brasil, Emílio Umeoka, se recusou a comentar o caso por ter saído da Microsoft há mais de 15 anos.

À época, ele criticou a decisão do presidente do ITI de dar preferência ao software livre. “A postura de Amadeu é ideológica, no sentido de que só tem uma solução para todas as soluções”, disse Umeoka em entrevista em 2004.

No mesmo ano, o ex-presidente da Microsoft avaliou que o Brasil não teria condições de manter um modelo de exportações vendendo software livre, já que o produto não cria receita para o desenvolvedor.

Em abril de 2005, o ministro Luiz Fernando Furlan culpou os defensores do software livre pelo atraso no lançamento do PC Conectado, previsto para 2004. “Parece estranho que um país que avança como está avançando hoje na produção de software possa discriminar o software proprietário”, disse Furlan em entrevista de 2005 ao Valor Econômico.

Procurado pela reportagem, o ex-ministro não quis comentar o assunto.

O programa acabou saindo do papel em 26 de junho de 2005, com financiamentos a juros subsidiado de computadores de R$ 1.400, equipados com softwares livres.

Amadeu, entretanto, não resistiu à contenda e renunciou à presidência do ITI naquele mesmo mês, em carta entregue a Dilma Rousseff, que havia assumido a Casa Civil no lugar de José Dirceu.

A saída de Amadeu do ITI foi confirmada em agosto de 2005 e a política do software livre foi desarticulada.

Lemos diz, de um lado, que o trabalho com código aberto continuou nos bastidores do governo e na sociedade civil, com menos projeção. “Hoje, o software livre é muito maior do que jamais foi.”

Ele cita o GitHub, repositório de códigos abertos. Essa plataforma ficou tão grande que a Microsoft decidiu comprá-la sob o compromisso de manter o livre acesso ao público.

Hoje, o debate está centrado nos dados abertos e na comunicação entre plataformas —a interoperabilidade, de acordo com Lemos.

De outro, Amadeu afirma que grande parte dos sistemas do governo brasileiro é desenvolvida em parceria com multinacionais.

Ele cita o aplicativo SouGov.br, que reúne vários serviços do governo em uma plataforma baseada no chatbot Watson da IBM. “Os termos de uso do SouGov.br permitem que a IBM capture os dados dos brasileiros e dor servidores federais para treinar inteligências artificiais”, diz.

“A Agência Nacional de Proteção de Dados nem se digna a analisar a hospedagem de dados de membros do governo em um país com legislação incompatível com a LGPD”, acrescenta Amadeu. A IBM processa as informações que coleta em datacenters nos Estados Unidos, onde não há legislação de proteção de dados.

EXTINÇÃO DA SAÍDA TEMPORÁRIA DE PRESOS NÃO É A SOLUÇÃO PARA O COMBATE À CRIMINALIDADE

 

História por Redação  • IstoÉ Dinheiro

O benefício da saída temporária de encarcerados, conhecida como saidinha, é alvo de questionamentos e de um projeto de lei (PL) que propõe a extinção do direito previsto na Lei de Execuções Penais. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que a extinção do benefício não tem relação com a queda na criminalidade.

A discussão em torno do tema ocorre após a morte, nesta segunda-feira (8), do policial militar Roger Dias da Cunha, baleado em Belo Horizonte, na sexta-feira (5). Segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, o autor dos disparos era um condenado pela Justiça. 

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), lamentou a morte do policial e defendeu a redução de benefícios a detentos. “O Congresso promoverá mudanças nas leis, reformulando e até suprimindo direitos que, a pretexto de ressocializar, estão servindo como meio para a prática de mais e mais crimes”, escreveu na rede social X. 

A diretora-executiva do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), Marina Dias, lembra que as discussões sobre a extinção do benefício normalmente voltam quando acontece um crime praticado por alguém que está em saída temporária, no entanto, diz, não há debate sobre os problemas do sistema carcerário no país. “Ninguém faz um questionamento sobre a falência do sistema prisional, sobre a falência do sentido da pena, da punição. Tem um olhar isolado sem perceber a questão estrutural”.

“Eu avalio de uma maneira muito crítica a possibilidade da extinção, porque a saída temporária é extremamente importante para o processo de ressocialização, de retomada da vida daquela pessoa que está já cumprindo a pena, mas já está num processo de término da pena, justamente para retomar os seus vínculos na comunidade e retomar seus vínculos com seus familiares”, defende.

Detentos deixam o complexo penitenciário da Papuda, para passar o Natal com familiares – Antônio Cruz/Agência Brasil

projeto de lei que propõe a revogação do direito à saída temporária de presos, proposto em 2022, está parado no Senado desde outubro do ano passado. A matéria está em discussão na Comissão de Segurança Pública e aguarda votação. De autoria do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), o PL tem como relator o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já apresentou voto favorável.

Segundo relatório de Flávio Bolsonaro, a extinção do benefício é medida necessária e contribuirá para reduzir a criminalidade, conforme nota da Agência Senado. Para ele, a superlotação e a precariedade no sistema carcerário prejudicam a ressocialização adequada dos presos e isso traria mais perigo no retorno dos detentos às ruas.

Para a diretora do IDDD, o argumento do relator é perverso, já que o detento acaba penalizado por uma falha do próprio sistema. “O Estado não cumpre com a sua função de garantir direitos dentro do processo de cumprimento da pena e a pessoa ainda tem os seus direitos de saída temporária revogados porque o sistema é falido”, disse.

“Uma situação como essa deve trazer reflexão sobre a falência do sistema prisional, a gente não vai prender uma pessoa e deixá-la pro resto da vida presa, não existe isso, não tem prisão perpetua no nosso país”, pontuou ao criticar a extinção do benefício.

O secretário Nacional de Políticas Penais (Senappen), Rafael Velasco, em entrevista à Agência Brasil, avaliou que é importante debater a atual legislação penal, no entanto, discorda da extinção do benefício da saída temporária. “O debate do Congresso sobre a Lei de Execução Penal é absolutamente relevante, precisa ser feito agora, nós estamos com uma legislação com 40 anos, que precisa ser revista, precisa de profundas reformas, mas a extinção desse benefício não é adequada”.

“É um benefício humanitário, ele serve para reintegração social progressiva do preso, serve dentro dos processos de ressocialização dele, uma aproximação tanto familiar quanto social”, ressalta o secretário.

Velasco lembra que o cumprimento do benefício da saída temporária não é uma exclusividade do Brasil, que existe em todo o mundo, e que é absolutamente necessário para a retomada da vida fora da prisão após cumprimento da pena.

Generalização

Silhueta de presos em presídio – Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O defensor público Diego Polachini, do Núcleo de Situação Carcerária (Nesc) da Defensoria Pública de São Paulo, concorda que casos pontuais de crimes durante uma saída temporária são usados como experiência geral em relação ao benefício. No entanto, segundo ele, isso não se comprova, e há “uma generalização incabível”.

“Muitos se baseiam nesse populismo penal, normalmente em ano de eleição, e nesse suposto medo que é incutido na população de essas pessoas poderem passar um fim de semana em casa. Tem o terror no WhatsApp de que vai ter a saída temporária, para todo mundo ficar em casa, e isso não é demonstrado em um aumento de criminalidade”, acrescenta.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, o Poder Judiciário autorizou a saída temporária de 34.547 reeducandos a partir do dia 22 de dezembro do ano passado, sendo que 1.566 não retornaram. Esses números representam 95,45% de retorno. 

“É importante lembrar que quando o preso não retorna à unidade prisional, é considerado foragido e perde automaticamente o benefício do regime semiaberto, ou seja, quando recapturado, volta ao regime fechado”, disse a pasta em nota.

De acordo com dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça, de janeiro a junho de 2023, 120.244 presos tiveram acesso à saída temporária em todo o país. Desses, 7.630 não retornaram, se atrasaram na volta à unidade prisional ou cometeram uma falta no período da saída, o que representa uma parcela de 6,3% do total de beneficiados.

O defensor avalia que, em relação ao controle das saídas, o sistema tem funcionado de forma eficiente. “Se você considerar que essas pessoas estão presas num ambiente totalmente insalubre, que o próprio STF [Supremo Tribunal Federal] reconhece como um ambiente inconstitucional, essas pessoas vão para casa e ainda voltam, esse número é estrondosamente alto”, ressalta.

Sobre a importância das saídas para a ressocialização, Polachini disse que alguns presos, antes de progredirem para o semiaberto, nunca tinham visto um celular, perderam contato com a família e ficaram muito desconectados de qualquer realidade fora da cadeia.

Quem tem direito?

Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros, em Pernambuco – Divulgação/Human Rights Watch

As pessoas encarceradas que têm direito à saída temporária são aquelas que estão no regime semiaberto, ou seja, que já podem deixar o presídio em algum momento para trabalhar, estudar ou para atividades que possam contribuir para sua reintegração social. O secretário da Senappen reforça que a grande maioria já sai e volta dos presídios todos os dias.

“É claro que em todas as saídas temporárias há novas pessoas saindo pela primeira vez para visitar seus familiares, para algum evento específico, mas isso tem que ser precedido de três elementos específicos: bom comportamento, cumprimento de determinado período da pena e compatibilidade do benefício com os objetivos da pena”, explica.

Velasco considera esse terceiro ponto extremamente relevante para a concessão do benefício. “No caso da compatibilidade, por exemplo, se tratando de um integrante de organização criminosa, em que ele colabore ou mesmo lidere, é compatível a saída temporária dessa pessoa se ele ainda está inserido dentro de uma atividade criminosa? Ou que a inteligência e a segurança da unidade prisional tenham identificado que a pessoa pretende se evadir durante a saída temporária? Não, não é compatível”. 

Para o secretário, um levantamento tem que ser feito de forma pormenorizada pelo sistema de administração penitenciária do estado, no quesito de inteligência e de segurança, para saber se o benefício da saída temporária é compatível com o perfil daquela pessoa.

Além disso, como mecanismo de controle, há a possibilidade de uso de tornozeleira eletrônica. “Tem juízes no interior [paulista] que determinam que a polícia passe na casa das pessoas para verificar se elas estão cumprindo a saída de maneira adequada”, lembra o defensor Diego Polachini.

O detento que não retornar da dessa saída, na ocasião de recaptura, regride para o regime fechado e terá direito a novo benefício semiaberto somente depois de 1 ano. O defensor ressalta que, mesmo decorrido esse período, o registro da fuga pode dificultar o acesso ao direito novamente.

O post Extinção da “saidinha” não é solução para queda na criminalidade apareceu primeiro em ISTOÉ DINHEIRO.

NOMEAÇÃO DE LEWANDOWSKI PARA O CARGO DE MINISTRO DA JUSTIÇA NÃO É A MESMA COISA DA NOMEAÇÃO DE SERGIO MORO?

 

História por MATHEUS TUPINA  • Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O senador e ex-juiz Sergio Moro (União Brasil-PR) e o ex-procurador e deputado federal cassado Deltan Dallagnol (Novo-PR) ironizaram nesta quinta-feira (11) a indicação do ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski ao Ministério da Justiça de Lula (PT).

Ambos compararam a indicação ao cargo à declaração de parcialidade do ex-juiz e ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) na condução de casos contra o petista, em 2021.

A decisão do STF de declarar Moro parcial teve como consequência a anulação das provas coletadas nos processos contra ele na Operação Lava Jato.

Entre os motivos para Moro ser considerado parcial estava a ida para o primeiro escalão de Bolsonaro, também no Ministério da Justiça.

Nesta quinta-feira (11), o senador publicou no X (ex-Twitter) que aceitar cargos em ministérios “não é e nunca deveria ter sido causa de suspeição”.

Já Dallagnol citou, na mesma rede, um conjunto de decisões favoráveis a Lula e ao PT, como o acesso de arquivos hackeados da Operação Spoofing e o despacho contra o uso de provas do acordo de colaboração da Odebrecht.

Mencionou ainda casos julgados pelo magistrado aposentado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e disse que as determinações serviram de base “para diversas decisões do TSE que beneficiaram a candidatura de Lula durante a corrida eleitoral”.

“Agora que Lewandowski se tornou ministro da Justiça de Lula, as decisões que ele tomou em benefício de Lula e do PT serão anuladas? Lewandowski terá sua parcialidade pró-Lula e pró-PT reconhecida?”, afirmou o ex-coordenador da força tarefa da Lava Jato.

A parcialidade de Moro foi decidida em sessão da Segunda Turma do Supremo por 3 votos a 2, sendo Lewandowski um dos que votaram a favor, junto de Gilmar Mendes e Cármen Lúcia.

O magistrado disse à época ver a aceitação “ainda antes do término do segundo turno das eleições presidenciais, de convite para ocupar o cargo de Ministro da Justiça” como uma demonstração de motivação política enquanto exercia a toga.

Lewandowski via a atuação de Moro em relação a Lula como “desenganadamente parcial e, ademais, empreendida com nítido propósito de potencializar as chances ou, mesmo, viabilizar a vitória de candidato de sua preferência nas eleições presidenciais [de 2018]”.

Outras razões citadas pelos ministros para a declaração de parcialidade foram, por exemplo, a condução coercitiva do petista sem que houvesse negativa dele de prestar depoimento e a decisão de Moro de ter aberto o sigilo da delação do ex-ministro Antônio Palocci às vésperas da eleição de 2018 sem pedido do Ministério Público Federal.

Durante seus 17 anos no STF, Lewandowski decidiu favoravelmente aos aliados de Lula em momentos como o mensalão e a Lava Jato. O magistrado é apontado como um progressista moderado, com bom trânsito inclusive entre bolsonaristas.

Isso o cacifou para ser considerado um eventual ministro da atual gestão petista desde que se aposentou do Supremo, em abril passado, um mês antes de completar 75 anos.

DERRAPATAS DE LULA NA POLÍTICA INTERNACIONAL

 

Lula tropeça em temas internacionais e causa tensões desnecessárias, não só para ele, mas ao Brasil

Ao se manifestar sobre situação da Palestina, presidente já desagradou Israel

Por Eliane Cantanhêde – Jornal Estadão

O presidente Lula acenou com um “ano primoroso neste País”, durante o anúncio do novo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o que já era esperado, mas vamos convir que o terceiro mandato está muito mais difícil do que os dois anteriores e os desafios em 2024 são imensos, inclusive na política externa, com várias frentes explosivas, como o ambiente de guerra civil no Equador, e Lula vem tropeçando e causando tensões desnecessárias, não só para ele, mas para o Brasil, ao se manifestar sobre questões internacionais.

Em reunião com o representante da Palestina no Brasil, Lula anunciou apoio à ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça de Haia pedindo cessar fogo imediato de Israel em Gaza e citando genocídio. O julgamento da corte começou nesta quinta-feira, 11, e a resposta da comunidade judaica foi rápida, condenando e considerando “frustrante” a posição do governo brasileiro, que deve enfrentar críticas dos Estados Unidos, além, claro, de Israel.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva que anda tropeçando em questões internacionais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva que anda tropeçando em questões internacionais Foto: SERGIO LIMA / AFP

Na reunião, estavam o ministro Mauro Vieira, do Itamaraty, e o assessor internacional da Presidência, Celso Amorim, que no mesmo dia, quarta-feira, 10, embarcou para Davos, na Suíça, para o debate sobre outro campo minado para Lula, a invasão da Rússia na Ucrânia. Como Brasil e África do Sul, a invasora Rússia é do núcleo dos Brics e Lula tem tido uma posição dúbia também em relação a essa guerra. E aí?

Além da geopolítica internacional, intrincada e tendendo a piorar, com a expansão da guerra de Israel pelo Oriente Médio, a América do Sul também não anda bem. O Equador em situação de guerra civil provocada por organizações criminosas, a Venezuela no fundo do poço e provocando a Guiana e o novo presidente da Argentina, Javier Milei, tomando decisões preocupantes para o País e a região.

O “Consenso de Brasília”, que reúne os países sul-americanos, rechaçou os ataques de organizações criminosas no Equador e admitiu que “esse flagelo afeta a toda região”, mas com uma advertência: a reação do governo deve ser sob os Direitos Humanos, o direito internacional e as leis internas. O presidente Daniel Noboa, jovem, inexperiente em política e gestão pública e da família mais rica do País, apresentou-se na campanha como “de centro”, mas é uma incógnita.

Na política interna, o Centrão é insaciável, o PT só pensa na eleição municipal e o risco na economia é o descontrole fiscal, que pode comprometer investimentos e crescimento, mas o que mais preocupa é a violência. O Equador é um sinal amarelo. Mais do que ministro da Justiça, Lewandowski precisa ser ministro da Segurança Pública. Com o PT?

VOCÊ PODE CONCORDAR OU NÃO DO QUE FOI DITO

 

Texto de Caio Coppola

SERÁ QUE AGORA, COM 38 ANOS DE ATRASO, OS BRASILEIROS, ENTENDERAM, O QUE ACONTECEU EM SEU PRÓPRIO PAÍS?

Entenderam porque Médici dissolveu o STF? 

Entenderam porque o DOPS metia porrada em alguns “jornalistas”? 

Entenderam porque a FAB combateu os guerrilheiros do Araguaia? 

Entenderam porque foi necessário o AI-5? 

Entenderam porque o General Olímpio Mourão Filho chutou o João Goulart? 

Entenderam porque MÉDICI alertou FIGUEIREDO sobre os esquerdistas no poder? (“Em 10 anos eles vão roubar até as prensas da Casa da Moeda…”). 

Entenderam porque o ex-Presidente FIGUEIREDO disse que iríamos nos arrepender do fim do governo militar? E, iríamos sentir saudades dele? 

Entenderam porque a PF prendia os “professorzinhos comunistas”, que na faculdade idolatravam CHE GUEVARA? 

Entenderam porque a imprensa e a esquerda MENTIRAM por anos a fio, martelando nas nossas cabeças que o regime militar foi uma DITADURA? (A única ditadura no Brasil foi a de GETÚLIO VARGAS, mas eles corrompem até a história, para servir a seus propósitos). 

Entenderam porque TODOS OS PAÍSES EM QUE A ESQUERDA TOMA O PODER se tornaram  lugares de fome, desgraça, miséria e genocídio? 

“Entenderam porque pessoas normais e instruídas têm tanto nojo de esquerdistas?* 

Entenderam porque não se deve ser “isentão”? 

Entenderam porque não se negocia com a esquerda? 

(A esquerda se combate com toda a FORÇA!). 

Entenderam porque nos países mais prósperos e desenvolvidos do mundo a esquerda é ridicularizada? 

Entenderam porque durante 60 anos os EUA gastaram tanto dinheiro fazendo guerras do outro lado do mundo, para barrar a tentativa da esquerda de dominar a humanidade? 

Entenderam porque em 100 anos de governos de esquerda, mais de 150 milhões de pessoas foram assassinadas por esses fanáticos? 

Entenderam porque as pessoas FOGEM de países de esquerda, arriscando suas vidas e deixando tudo para trás? 

Entenderam porque a Alemanha Oriental teve que construir um muro para seus habitantes não fugirem de lá? (Assim como ocorre agora na Coréia do Norte). 

Entenderam porque os cubanos enfrentam os tubarões para fugir daquele inferno? 

Entenderam por que pilotos soviéticos roubavam seus caças MIG para cair fora daquele inferno? 

Entenderam porque toda a África sujeita a regimes de esquerda vive numa horrível e permanente desgraça? 

Entenderam porque, no Camboja, POL POT, líder comunista do KHMER VERMELHO, matou 100% da população instruída do país? 

Entenderam porque na China a “REVOLUÇÃO CULTURAL” de MAO TSE TUNG também matou TODA a população instruída? 

Entenderam porque o comunismo é o maior mal da história da humanidade? 

Entenderam porque quem não estiver contra a esquerda, estará ajudando seu pior inimigo? 

Entenderam porque o “isentão”, o diplomático, o low profile, o moderado, acabam, sem perceber, dando força para o inimigo? 

Entenderam porque o esquerdismo, em suas inúmeras e disfarçadas vertentes (progressismo, integralismo, comunismo, socialismo, social democracia, bolivarianismo, globalismo, multiculturalismo, etc) é o pior mal da História? 

Entenderam porque não podemos medir esforços para EXTIRPAR essa desgraça? 

Ou então essa desgraça acaba com a família, o país, a soberania, a cultura, o patriotismo, a liberdade e a dignidade humana. 

Entendam de uma vez por todas que o esquerdismo do século XXI é mascarado de democracia… quanto mais comunistas, mais eles usam a palavra democracia… basta ver como se intitula a  “República Popular DEMOCRÁTICA da Coréia do Norte”…. 

É PRECISO ACORDAR, BRASIL!!! OU VAMOS SER DOMINADOS PELO COMUNISMO DE VEZ!

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...