História por Isabella Alonso Panho e Vera Rosa • Jornal Estadão

A Advocacia-Geral da União (AGU) deve aconselhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a vetar parte da lei que estabelece o marco temporal das terras indígenas. A ideia é respeitar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu pela inconstitucionalidade do marco no dia 21 de setembro, e evitar atrito com o Senado, retirando o Executivo do palco da disputa.
Como antecipou o Estadão, logo depois da votação que aprovou o projeto de lei, interlocutores do presidente já diziam que o petista vetaria o texto. A aprovação do marco temporal na Câmara dos Deputados, por ampla maioria e em regime de urgência, foi um dos reveses que a Casa impôs ao presidente durante o primeiro semestre do ano. Para apaziguar a relação com os deputados, o governo Lula inaugurou um novo recorde em liberação de emendas Pix aos parlamentares.

STF declarou a tese do marco temporal das terras indígenas inconstitucional; uma semana depois, Senado aprovou o projeto Foto: Carlos Moura/STF© Fornecido por Estadão
O projeto de lei do marco temporal foi para o Senado sob a promessa do presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) de uma tramitação minuciosa. No entanto, o julgamento do Supremo atravessou os senadores, que pautaram e aprovaram a normativa no dia 27 de setembro, uma semana depois. O Planalto tem 15 dias para decidir se veta ou sanciona a lei – e a oposição já se articula para derrubar no Legislativo um possível veto do presidente.
Se Lula decidir atender ao conselho da AGU, terá que se manifestar dentro do prazo de 15 dias previsto na Constituição. Isso porque, depois disso, a lei diz que o silêncio da presidência leva a uma sanção tácita do projeto. O veto, ao contrário, precisa ser explícito.
A rejeição do marco temporal das terras indígenas é uma das bandeiras do governo, que criou uma pasta para os povos originários, comandada por Sônia Guajajara. Na Esplanada, o único dissidente declarado é o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que disse ser a favor do marco durante uma entrevista concedida em maio deste ano. A sanção do projeto de lei teria um alto custo político para o presidente, enquanto o veto retira o Executivo da cena e preserva o governo de novos desgastes.

Senado aprovou o marco temporal e o projeto segue para sanção ou veto do presidente, no prazo máximo de 15 dias Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado© Fornecido por Estadão
Ainda que o Congresso derrube o veto presidencial e sancione, por sua iniciativa, o marco temporal, a discussão sobre a validade do projeto de lei se arrastará entre Legislativo e Judiciário. Como o Supremo decidiu no dia 21 de setembro que a tese que respalda a proposta é inconstitucional, a tendência é que esse mesmo entendimento seja aplicado a quaisquer as normativas que ressuscitem o tema.
Uma liminar vinda de um ministro do STF é suficiente para suspender a vigência de uma lei considerada por ele inconstitucional. É o que pode acontecer se o Congresso derrubar o veto do presidente e sancionar o marco temporal.
De olho nesse tipo de possibilidade, o Legislativo tem resgatado diversas propostas de emenda à Constituição (PEC) que limitam os poderes do Supremo. Na última quarta-feira, 4, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou em cerca de 40 segundos, por meio de uma votação simbólica, uma PEC que impede os ministros de derrubarem, por meio de decisões monocráticas (aquelas em que decidem sozinhos) leis de alcance nacional, atos do presidente da República e dos presidentes da Câmara e do Senado. O próximo passo é o plenário.
Entre os deputados, ganha forma uma PEC que permite à Casa derrubar as decisões do Supremo, mesmo que transitadas em julgado (finalizados os prazos de recurso). A proposta foi protocolada com a assinatura de 175 parlamentares e é encabeçada pela Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), aliada a outros grupos conservadores da Câmara.

Destruição em Gaza provocada por ataques israelenses10/10/2023REUTERS/Mohammed Salem
Análise: Entenda os rumos da guerra entre Israel e o Hamas | WW
1 de 4Imagens mostram incêndios perto da fronteira entre a Faixa de Gaza e IsraelCrédito: Reprodução/Reuters
2 de 4Combatentes do grupo islâmico Hamas mataram 900 israelensesCrédito: Reprodução/Reuters
3 de 4Em resposta, israelenses mataram 687 pessoas, incluindo 140 criançasCrédito: Reprodução/Reuters
4 de 4Militares israelenses afirmaram ter convocado 300 mil reservistasCrédito: Reprodução/Reuters
Hamas diz ter lançado ataque no sul de Israel | AGORA CNN
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conflito começou no sábado (7), quando o Hamas, classificado pelos
Estados Unidos e pela União Europeia como grupo terrorista, disparou uma
chuva de foguetes lançados da Faixa de Gaza sobre Israel. A ofensiva
contou ainda com avanços de tropas por terra e pelo mar. As forças
israelenses responderam com uma contraofensiva que atingiu Gaza e deixou
vítimas, inclusive, em campos de concentração. Israel declarou “cerco
total” e suspendeu o abastecimento de água, energia, combustível e
comida ao território palestino.Crédito: Reuters
2 de 35Pessoas
carregam o corpo de palestino morto em ataque israelense no campo de
refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de GazaCrédito: 09/10/2023 REUTERS/Mahmoud Issa
3 de 35Foguetes disparados em Israel a partir de GazaCrédito: REUTERS/Amir Cohen
4 de 35Imagens mostram carros abandonados após ataque em festival de música eletrônica em IsraelCrédito: Reuters
5 de 35Imagens mostram carros abandonados após ataque em festival de música eletrônica em IsraelCrédito: Reuters
6 de 35Ataque do Hamas em festival deixa 260 mortos em IsraelCrédito: Reprodução CNN
7 de 35Imagens de drone mostram destruição após ataque em festival de música eletrônica em IsraelCrédito: Reprodução CNN
8 de 35Destruição em campo de refugiados palestinos em Gaza após ataque aéreo de IsraelCrédito: Reuters
9 de 35Campo de refugiados palestinos atingido em meio a ataques aéreos israelenses em GazaCrédito: Reuters
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11 de 35Prédios destruídos na Faixa de GazaCrédito: Ahmad Hasaballah/Getty Images
12 de 35Escombros de prédio destruído após sataques em Sderot, no sul de IsraelCrédito: Ilia Yefimovich/picture alliance via Getty Images
13 de 35Delegacia destruída no sul de Israel após ataque do HamasCrédito: REUTERS/Ronen Zvulun
14 de 35Palestinos
queimam pneus de carros e bloqueiam estradas enquanto entram em
confronto com as forças israelenses no distrito de Beit El, em Ramallah,
na CisjordâniaCrédito: Anadolu Agency via Getty Images
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Brigadas Izz ad-Din al-Qassam seguram uma bandeira palestina enquanto
destroem um tanque das forças israelenses em GazaCrédito: Hani Alshaer/Anadolu Agency via Getty Images
16 de 35Bombeiros tentaram apagar incêndios em Israel após bombardeio de Gaza no sábado (7)Crédito: Reuters
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18 de 35Veja como funciona o sistema antimíssil de IsraelCrédito: CNN
19 de 35Ataque israelense na Faixa de GazaCrédito: 10/10/2023 REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
20 de 35Casas e prédios destruídos por ataques aéreos israelenses em GazaCrédito: 10/10/2023 REUTERS/Shadi Tabatibi
21 de 35Tanque de guerra israelense estacionado perto da fronteira de GazaCrédito: Ahmed Zakot/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
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de foguetes é disparada por militantes do Hamas de Gaza em direção a
cidade de Ashkelon, em Israel, em 10 de outubro de 2023.Crédito: Saeed Qaq/Anadolu via Getty Images
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de foguetes é disparada por militantes do Hamas de Gaza em direção a
cidade de Ashkelon, em Israel, em 10 de outubro de 2023.Crédito: Majdi Fathi/NurPhoto via Getty Images
25 de 35Barco de pesca pega fogo no porto de Gaza após ser atingido por ataques de Israel.Crédito: Reuters
26 de 35Palestinos caminham em meio a destroços de prédios destruídos por Israel em GazaCrédito: 10/10/2023REUTERS/Mohammed Salem
27 de 35Palestinos caminham em meio a destroços de prédios em Gaza destruídos por ataques de IsraelCrédito: 09/10/2023REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa
28 de 35Soldados
israelenses carregam corpo de vítima de ataque realizado por militantes
de Gaza no kibbutz de Kfar Aza, no sul de IsraelCrédito: 10/10/2023 REUTERS/Violeta Santos Moura
29 de 35Destruição em Gaza provocada por ataques israelensesCrédito: 10/10/2023REUTERS/Mohammed Salem
32 de 35Munição israelense é vista em Sderot, Israel, na segunda-feiraCrédito: Mostafa Alkharouf/Anadolu Agency via Getty Images
34 de 35Chamas e fumaça durante ataque israelense a GazaCrédito: 09/10/2023REUTERS/Mohammed Salem
35 de 35Sistema antimísseis de Israel intercepta foguetes lançados da Faixa de GazaCrédito: 09/10/2023REUTERS/Amir Cohen