segunda-feira, 28 de agosto de 2023

PAÍSES FICAM RICOS COM A EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO E PAÍSES POBRES PROTEGEM O MEIO AMBIENTE PARA ELES

 

História por admin3 • IstoÉ Dinheiro

Equador e Colômbia priorizam a proteção do meio ambiente, em especial da Amazônia. Brasil e outros defendem exploração do hidrocarboneto – em nome do crescimento e supostamente no interesse das populações mais pobres.No plebiscito de 20 de agosto, a maioria da população do Equador tomou a decisão histórica de barrar novas explorações de petróleo numa região amazônica responsável por cerca 12% da produção do combustível fóssil no país.

Objeto da consulta popular foi o destino do Bloco 43, um grupo de campos de extração de petróleo localizados no Parque Nacional Yasuni: 59% dos participantes votaram pelo fim da exploração.

O movimento vai no mesmo sentido da Colômbia, cujo atual governo busca barrar novas perfurações em seu território. No entanto, em outras partes da América do Sul a exploração segue avançando e há forte defesa de que tais recursos são fundamentais para o crescimento e geração de riqueza.

O tema gerou uma cisão entre os países amazônicos, especialmente por parte da Colômbia, cuminando uma conclusão vista como vaga, durante a última Cúpula da Amazônia, realizada no começo de agosto. Naquele encontro, o governo do presidente Gustavo Petro almejava um acordo pela proibição de novas explorações petrolíferas na Amazônia, o que foi rechaçado especialmente pelo Brasil.

Campeão latino-americano do petróleo

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva visa inclusive ampliar a produção na Margem Equatorial na Amazônia, o que gerou controvérsia com parte da atual gestão e especialistas da área. Em 22 de agosto, a Advocacia-Geral da União (AGU) publicou um parecer concluindo que a elaboração de uma avaliação não impede o Ibama de conceder licença ambiental para explorar petróleo e gás na foz do Rio Amazonas.

Desde 2017, o Brasil é o maior produtor de petróleo da América Latina: o último boletim da Associação Nacional de Petróleo (ANP) sobre o tema, referente a junho, acusou um recorde de 4,324 milhões barris extraídos por dia. Em 2022, o hidrocarboneto foi a segunda maior fonte de receita de exportação brasileira, atrás apenas da soja, com 42,5 bilhões de dólares, ou 12,5% do total exportado.

Outro integrante do Conselho da Amazônia que aposta na exploração do petróleo é a Guiana, que encontrou vastas reservas de hidrocarbonetos em 2015. Em 2022, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o país teve o maior crescimento no mundo: a alta de 57,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB) foi amplamente apoiada pelo petróleo.

Ainda na América do Sul, a Argentina optou recentemente por avançar na exploração de Vaca Muerta, uma das maiores reservas de gás natural e petróleo do mundo. O projeto é controverso, inclusive por envolver a técnica de fraturamento hidráulico (fracking), considerada de alto risco para o meio ambiente. Na campanha das eleições presidenciais de 2023, nenhum dos principais candidatos sugeriu medidas que afetassem tal exploração.

Preocupação de ricos?

Um argumento frequente contra os avanços no combate às mudanças climáticas em países menos desenvolvidos é o que essa deveria ser uma responsabilidade das nações mais ricas, já que historicamente foram as que mais emitiram poluentes.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, avalia que medidas como as de Equador e Colômbia podem reduzir a oferta de energia, especialmente num cenário de demanda em alta, aumentando a inflação, o que atingiria com intensidade os mais pobres.

Em 2019, um aumento de preços de combustíveis após o fim de subsídios foi catalisador de uma série de protestos que tomaram o Equador por semanas. Pires argumenta que o desenvolvimento socioeconômico demanda energia e que crescimento é fundamental para maior igualdade. Portanto, em sua concepção, o movimento contra as explorações tenderia a aumentar a pobreza.

De acordo com o pesquisador da Rystad Energy Aditya Ravi, a economia equatoriana depende significativamente das exportações, de cujas receitas o petróleo bruto representa mais de 30%. As perdas com a recente decisão poderão representar quase 1,2% do PIB do país, segundo suas estimativas. Além disso, ele avalia que a decisão terá impacto nos preços ao consumidor.

O diretor da 350.org na América Latina, Ilan Zugman, avalia o plebiscito de 20 de agosto de 2023 no Equador como um excelente exemplo de preocupação popular com as mudanças climáticas, já que efeitos como secas, enchentes ou deslizamentos de terra normalmente atingem em grande maioria justamente essa parcela da população.

Segundo Zugman, os cidadãos estão “exigindo maiores iniciativas de adaptação por parte dos governos locais, para conter um pouco todos esses impactos: “É algo que vem mudando e não está mais restrito somente às classes alta e média.”

A coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, Carolina Marçal, reconhece que os países do chamado Sul Global, entre eles a Colômbia e o Equador, estão entre os menores emissores de carbono. No entanto: “O ônus e as consequências da crise climática são compartilhados por todos os habitantes do planeta de forma injusta. Então, querendo ou não, todos nós temos o dever de tomar ações e medidas.”

Compensações dos desenvolvidos

Para diminuir as desigualdades causadas pelos diferentes níveis de emissões entre países desenvolvidos e os mais pobres, tem-se sugerido com frequência que os primeiros transfiram recursos aos outros como compensação.

Em 2008, o então presidente do Equador, Rafael Correa, fez uma proposta aos países mais ricos para não explorarem as reservas do Parque Nacional Yasuni em troca de verbas. O projeto não foi adiante, assim como algumas outras iniciativas, uma das quais previa a transferência anual 100 bilhões de dólares dos países mais ricos aos menos desenvolvidos para o combate às mudanças climáticas.

Marçal espera que o exemplo do Equador possa inspirar outras democracias, principalmente nos países ricos, a cumprir suas promessas. Em sua visão, é necessária uma reforma da estrutura financeira global para viabilizar um modelo de desenvolvimento de baixo carbono no Sul Global.

Pires concorda com a visão de que se “há interesse em preservar o meio ambiente, deve haver financiamento” por parte dos países mais ricos. No entanto, ele é cético que estas verbas por si só sejam capazes de gerar desenvolvimento nas nações mais pobres.

Possíveis pressões

Com um governo que preza a imagem externa de proteção ambiental, ambientalistas avaliam que pode haver frustração com o Brasil nessa esfera, especialmente diante das recentes medidas dos vizinhos.

Para assegurar uma liderança nesta posição, Zugman avalia que o país “precisa fazer mais, não basta apenas zerar o desmatamento”: “O Brasil precisa tomar uma decisão firme e buscar realmente reduzir a exploração de petróleo e gás.” Ele não vê a possibilidade de usar a influência que o país tem para liderar uma iniciativa de diálogo com os países mais desenvolvidos e criar um pacto pela redução da queima de combustíveis fósseis.

Em algum momento, o presidente Lula “vai ter que realmente se expor, e escolher de qual lado está, se ele está do lado da Amazônia, dos povos indígenas, do meio ambiente, ou se vai seguir conectado com essa indústria suja do passado”, resume Zugman.

Para Marçal, o plebiscito no Equador “deve servir de inspiração para a população brasileira e especialmente para o governo brasileiro, de que essa é a única decisão compatível com o atual contexto de crise climática”: “Se queremos realmente protagonizar uma política climática a nível global, precisamos deixar o petróleo no chão”, afirma a coordenadora do Instituto ClimaInfo.

O post Futuro do petróleo divide América do Sul cada vez mais apareceu primeiro em ISTOÉ DINHEIRO.

PRIVILÉGIOS GESTÃO INEFICIENTE E PREVIDÊNCIA GENEROSA SÃO OS PROBLEMAS ADMINISTRATIVOS DO GOVERNO

História por ALEXA SALOMÃO • Folha de S.Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Privilégios de poucos, gestão ineficiente e a herança de um sistema de Previdência generoso demais. Esses são três importantes fatores que impactam os gastos com servidores no Brasil, segundo diferentes especialistas ouvidos pela reportagem.

A discussão de como resolver esses problemas está na ordem do dia, mas a busca de soluções trouxe de volta um antigo debate, se o Brasil quer um Estado mínimo ou um Estado de bem-estar social.

“A nossa Constituição definiu que o Brasil teria um Estado de direito pleno, com saúde pública, base escolar ampla, da pré-escola ao nível superior, e uma rede de assistência social, e isso sinalizou que haveria um gasto maior”, diz Felipe Drumond, consultor da República.org, entidade dedicada a incentivar o debate sobre servidores.

“Claro que existem distorções que precisam ser combatidas, pois temos supersalários, carreiras com ganhos muito acima do mercado, e muita gente ainda fazendo atividades manuais que já poderiam ter sido digitalizadas. Mas a gente precisa aprofundar a discussão para saber qual é o melhor caminho.”

O gasto com salário de servidores, considerando União, estados e municípios, por exemplo, está na média global, mostram dados do FMI (Fundo Monetário Nacional).

No Brasil, o salário pago no setor público equivale a 8,9% do PIB (Produto Interno Bruto). É menor que a média na Finlândia (10%) e na China (9,8%), mais que o Peru (6,2%) e o Chile (6,8%), mas praticamente igual a Espanha e Áustria (ambos com 9%).

Os gastos no país estão acima dos de economias que integram o G20 –o bloco dos países mais ricos–, como França (8%), Reino Unido (7,3%) e Alemanha (5,9%). Os custos com a folha, no entanto, vão distanciando o Brasil da média internacional quando se olha as carreiras no detalhe.

A diferença salarial entre público e privado, chamada de prêmio, é um indicador das distorções que oneram o Estado, afirma Samuel Pessôa, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Ele cita o paralelo feito por um estudo do Banco Mundial, “Um Ajuste Justo”. O documento mostra que os prêmios são muito baixos e praticamente não existem nos municípios onde se concentra a demanda por serviços à população –educação, saúde e assistência social, e chega a faltar gente.

Nos estados, já aparecem prêmios maiores para algumas funções. Na média, se paga 30% mais, diz o estudo. A União, por sua vez, concentra os desequilíbrios.

Profissionais de direito têm prêmio de 80% e especialistas em gestão pública chegam a receber mais de 100%, segundo levantamento que detalha as diferenças por atividades, feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Em 2022, no entanto, olhando a série histórica, o gasto com funcionalismo no governo federal havia alcançado 3,4% do PIB, o menor patamar desde 2008.

“Esse fato, na minha opinião, justifica a política mais dura contra salários feita durante o governo [Jair] Bolsonaro”, diz Pessôa, avisando que considera a sua fala polêmica.

“No final do ano passado, eu escrevi uma coluna dizendo que a herança econômica do Paulo Guedes não era maldita, porque ele entregava as finanças públicas mais arrumadas. Como Bolsonaro é uma figura difícil de adjetivar, o texto irritou muita gente, mas, se olharmos os números com frieza, foi o que ocorreu.”

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discorda. O próprio Guedes conta ter feito uma reforma silenciosa, lembra José Celso Cardoso Jr., secretário de Gestão de Pessoal, do Ministério da Gestão e da Inovação.

“Na verdade, ele [Guedes] promoveu arrocho de salários, paralisou concursos e contratações, deixando que as aposentadorias fossem esvaziando e sucateando inúmeras áreas”, afirma Cardoso.

“É o pior tipo de reforma possível, baseada no envelhecimento, na aposentadoria dos servidores e na corrosão inflacionária de seus salários.”

O governo mudou, mas as discordâncias persistem. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), voltou a falar em tirar da gaveta a reforma administrativa de Guedes, argumentando que é preciso rever privilégios do funcionalismo, conter gastos e melhorar o atendimento à população.

A proposta é colocar em votação a PEC (proposta de emenda à Constituição) 32. O texto flexibiliza contratação e estabilidade, além de remodelar a progressão nas carreiras.

A gestão Lula considera o texto uma punição aos servidores. Defende mudanças gradativas, por meio de portarias, decretos ou projetos de leis, que vão buscar a melhora na seleção de pessoal, via concursos, a realocação dentro da máquina pública e o aprimoramento das carreiras.

Carlos Ari Sundfeld, professor titular da FGV Direito SP, que estuda a reforma administrativa, sugere cautela nessa discussão.

Ele lembra que a administração pública não suporta colocar todo mundo no regime efetivo dentro do Orçamento limitado. Os governos, justamente na tentativa de buscar saídas para obter mais eficiência e gastos menores, já tornaram o regime de trabalho muito diversificado –e cita exemplos.

As prefeituras e empresas estatais fazem terceirização de mão de obra para saúde, educação, segurança e assistência social, o que tem custos menores e também reduz o uso da burocracia pública. A OS (organização social) se tornou constante no atendimento à saúde.

Há também presença forte de temporários, que têm um regime mais simples, rápido e barato de admissão e gestão.

A administração pública ainda adotou o residente na área jurídica. É um sistema similar ao usado com médicos. Ele substitui o concurso público para novos advogados, cuja remuneração é mais alta e cresce muito depressa após o ingresso.

Nesse contexto, Sundfeld considera inadequado dizer que o Estado gasta demais.

“Há um teto para gastar com pessoal, o pacto do Brasil nessa área está na Lei de Responsabilidade Fiscal, e eu desconheço algum esforço de cálculo que mostre que o limite é alto e gastamos demais”, afirma ele.

“No entanto, é verdade que precisamos rever certos segmentos, como o jurídico –juiz, promotor, advogado, defensor–, que ganham valores extraordinariamente acima da iniciativa privada por funções equivalentes. Você pode dizer que não existe juiz na iniciativa privada, mas tem profissional jurídico de alto nível, como os juízes, então, podemos comparar. Nesse caso, daria para distribuir melhor os recursos.”

Segundo levantamento da República.org, uma das poucas comparações internacionais sobre essa atividade foi realizada em 2016 pelo FMI. O levantamento mostrou que a distorção local extrapola fronteiras. Comparando as despesas com os judiciários de 42 países, a do Brasil era a maior, com 1,4% do PIB.

Quase 90% do seu orçamento é representado por gastos com salários, vencimentos e subsídios, incluindo benefícios como auxílios-moradia e creche, apesar dos altos salários.

No último ano, segundo a República.org, os magistrados receberam em média R$ 55,6 mil, quando o teto constitucional, estabelecido pelo rendimento máximo de um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), era de R$ 39,3 mil. Em abril, o valor subiu R$ R$ 41,6 mil.

Procurada pela reportagem para comentar a questão, a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) não se manifestou até a publicação deste texto.

O auge das distorções, no entanto, ocorre quando se inclui os inativos na conta. O gasto com servidor sobe, então, para 13,5% do PIB.

A demora em fazer as reformas previdenciárias ainda vai pesar por muitos anos. Um passivo enorme está entrando só agora, afirma o economista Paulo Tafner, que atuou para mudar as leis previdenciárias.

O rombo na União com Previdência de civis e militares já está perto de R$ 95 bilhões por ano. Nos estados, passa de R$ 110 bilhões.

“Na prática, o gasto com pessoal é uma combinação de ativos com inativos, e se olhar vai ver que em muitos estados os gastos com inativos já superam os com ativos”, diz Tafner.

“Está acontecendo o que eu falava 20 anos atrás: o peso dos inativos vai bloquear o aumento de salário com ativos, pois ainda tem muita gente trabalhando que vai se aposentar pelas regras antigas, antes da reforma de 1998. Eles têm integralidade de vencimentos. Começo a temer que vamos precisar de uma nova reforma mais cedo do que imaginava.”

 

ECOLOGICAMENTE COMO DEVEMOS IR APÓS A MORTE

 

História por Becca Warner – BBC Future 

Qual é a forma mais ecológica de morrer?© Getty Images

As práticas funerárias comuns no mundo todo deixam uma pegada de carbono significativa. No texto abaixo, Becca Warner explora como ela poderia planejar um sepultamento mais ecologicamente correto para si mesma.

Não são muitos de nós que gostam de falar sobre a morte. É sombrio, triste e propenso a nos jogar em uma espiral existencial.

Mas a verdade desconfortável é que, como alguém que se preocupa com o meio ambiente, percebi que precisava parar de ignorar a realidade dela. Quando partimos, nossos corpos precisam de um lugar para ir – e as formas como normalmente cremamos ou enterramos corpos no Ocidente têm um custo ambiental assustador.

A maioria das pessoas no Reino Unido (de onde venho) é cremada quando morre, e queimar corpos não é bom para o planeta. As estatísticas são leituras que nos fazem torcer o nariz.

Uma cremação típica no Reino Unido é alimentada a gás e estima-se que produza 126 kg de emissões CO2e (‘CO2 equivalente’, métrica usada para quantificar as emissões de vários gases de efeito estufa com base em sua capacidade de aquecer a atmosfera)- aproximadamente o mesmo que dirigir por mais de cinco horas.

Nos Estados Unidos, a média é ainda maior, em 208 kg de CO2 equivalente.

Talvez não seja a atividade mais intensiva em carbono que faremos em nossas vidas – mas quando a maioria das pessoas em muitos países opta por se desvanecer no ar quando morre, essas emissões aumentam rapidamente.

Enterrar um corpo não é muito melhor. Em alguns países, a sepultura é revestida com concreto, um material intensivo em carbono, e o corpo é colocado em um caixão de madeira ou aço, que consome muitos recursos.

Fluidos de embalsamamento altamente tóxicos, como o formaldeído, frequentemente são usados, e eles infiltram no solo junto com metais pesados que prejudicam ecossistemas e poluem o lençol freático.

E só o caixão pode ser responsável por até 46 kg de CO2 equivalente, dependendo da combinação de materiais utilizados.

Eu passo meus dias tentando impactar o planeta o mínimo possível – reciclando caixas de cereal, pegando o ônibus, escolhendo tofu em vez de carne. A ideia de que minha morte exigirá um último ato venenoso é difícil de aceitar.

Estou determinada a encontrar uma opção mais sustentável.

Em enterros tradicionais, as sepulturas são revestidas com concreto, um material intensivo em carbono, e os corpos são embalsamados em fluidos tóxicos que podem infiltrar-se no solo© Getty Images

Meu primeiro ponto de referência é o Natural Death Centre, uma organização beneficente sediada no Reino Unido.

Pego o telefone e fico contente em encontrar Rosie Inman-Cook do outro lado da linha – uma pessoa comunicativa e direta que é rápida em me alertar sobre a falta de confiabilidade de muitas práticas alternativas de cuidados com a morte.

“Sempre há empresas aproveitando a onda, vendo uma mina de dinheiro, inventando coisas. Há muitos produtores de caixões e pacotes funerários que vão te vender algo ‘ecológico’ e plantar uma árvore. Você tem que ter cuidado.”

O aviso dela me faz lembrar de algumas “urnas ecológicas” sobre as quais li.

Algumas são biodegradáveis, de modo que as cinzas enterradas podem se misturar com o solo e crescer em uma árvore; outras misturam cinzas com cimento para que possam fazer parte de um recife de coral artificial.

Essas opções oferecem uma espécie de novidade ecológica: o que seria um fim mais adequado para um amante do oceano do que repousar entre os recifes ou para um fanático por florestas se “transformar” em uma árvore após a morte?

O único problema é que, por mais sustentável que seja a urna, as cinzas depositadas nela são produto de uma cremação intensiva em carbono.

Então, posso evitar que meu corpo se torne uma nuvem negra de fumaça?

A área de atuação de Inman-Cook são os enterros naturais. Isso envolve enterrar um corpo sem quaisquer barreiras para a decomposição – sem fluidos de embalsamamento, sem revestimentos de plástico ou caixões de metal.

Tudo isso significa zero emissões de CO2, de acordo com uma análise recente realizada pela empresa britânica de certificação de sustentabilidade Planet Mark.

O corpo é enterrado em uma cova relativamente rasa, que pode ser o jardim de alguém ou, mais frequentemente, um local de enterro natural.

Alguns locais de enterro natural permitem que as sepulturas sejam marcadas com pedras ou outros marcadores simples; outros são mais rigorosos e não permitem nenhuma marcação.

Tratam-se de bosques ou outros lugares ricos em vida selvagem, frequentemente gerenciados de maneira a apoiar ativamente a conservação.

“É [sobre] criar espaços verdes para a vida selvagem, lugares agradáveis para as pessoas visitarem, plantar novas florestas ao mesmo tempo – e é um legado positivo”, diz Inman-Cook.

Mas e quanto aos materiais nem tão naturais que entram no corpo humano – produtos farmacêuticos, microplásticos, metais pesados? Certamente eles não pertencem ao solo. Uma solução pode vir na forma de um caixão feito de fungos.

Loop Living Cocoon alega ser o primeiro caixão vivo do mundo. É feito de micélio de cogumelo de uma espécie nativa e não invasiva, que também é usada para criar painéis isolantes, embalagens e móveis. Falei com seu inventor, Bob Hendrikx.

“O melhor que podemos fazer é morrer na floresta e simplesmente ficar lá”, diz ele. “Mas um dos problemas que enfrentamos é a degradação do solo – a qualidade do solo está ficando cada vez pior, especialmente nos locais de enterro, porque há muita poluição lá. O corpo humano também está ficando mais poluente.” Microplásticos, por exemplo, agora foram encontrados no sangue humano.

Caso contrário, essas substâncias podem se infiltrar no lençol freático. Algumas espécies de fungos foram encontradas decompondo microplásticos, e pesquisas futuras podem descobrir maneiras de aproveitar isso para enterros humanos.

Mas com base nas pesquisas atuais, o impacto real dos caixões de cogumelos de hoje é difícil de saber. Pergunto a Rima Trofimovaite, autora do relatório da Planet Mark, quais são os prováveis benefícios de um caixão de cogumelos.

Ela diz que há dados limitados sobre se os corpos humanos poluem o solo após um enterro natural em uma cova rasa.

Mas, segundo ela, é provável que a maioria dos poluentes seja “eliminada no nível adequado com os organismos certos” quando enterrados apenas alguns metros abaixo do solo, sem a necessidade de fungos adicionais.

“Na minha opinião, essa alternativa continua tendo importância. Reconhecemos que o enterro natural é a opção de menor emissão, porém, nem todos se sentem confortáveis sendo envolvidos por um sudário de algodão. Alguns indivíduos podem inclinar-se a favor de um caixão de cogumelos devido à sua forma distintiva.”

No entanto, por mais ecologicamente sustentável que seja um enterro natural – com ou sem fungos – a terra continua sendo preciosa.

Especialmente nas cidades, o espaço verde para enterros naturais em bosques é escasso. Foi isso que levou a jovem estudante de arquitetura Katrina Spade a investigar o que poderia ser feito para tornar os enterros nas cidades menos desperdiçadores.

Sua solução é lógica: compostar o corpo em um recipiente de aço hexagonal, reduzindo-o a um solo rico em nutrientes que a família pode colocar em seu jardim.

Spade lançou a Recompose, a primeira instalação de compostagem humana do mundo, em Seattle, em 2020. O estado de Washington foi o primeiro nos EUA a legalizar a compostagem humana no mesmo ano, e a prática agora é legal em sete estados americanos. Outras instalações de compostagem humana surgiram no Colorado e em Washington.

Até agora, a Recompose já compostou cerca de 300 corpos. O processo ocorre ao longo de cinco a sete semanas. Deitado em seu recipiente especializado, o corpo é cercado por lascas de madeira, alfafa e palha. O ar é cuidadosamente monitorado e controlado, para criar um ambiente confortável para os micróbios que aceleram a decomposição do corpo.

Os restos mortais são eventualmente retirados, transformados em cerca de duas carriolas de composto. Os ossos e dentes – que não se decompõem – são removidos, decompostos mecanicamente e adicionados ao composto.

Qualquer implante, marca-passo ou articulação artificial é reciclado sempre que possível, diz Spade.

Sem a necessidade de queima intensiva de energia, a compostagem humana tem uma pegada de carbono muito menor do que a cremação.

Em uma avaliação do ciclo de vida conduzida pela Universidade de Leiden e pela Universidade de Tecnologia de Delft, usando dados fornecidos pela Recompose, o impacto climático de compostar um corpo foi encontrado como uma fração da cremação: 28 kg de CO2e em comparação com 208 kg de CO2e nos EUA.

Quando pergunto a Spade sobre a produção de metano – um gás de efeito estufa particularmente prejudicial que é liberado quando a matéria orgânica apodrece – ela explica que os recipientes são arejados para garantir que haja oxigênio suficiente. Isso evita o processo anaeróbico que causa a decomposição, diz ela.

Transformar um corpo humano em solo também nos lembra que “não estamos adjacentes à natureza, somos parte da natureza”, diz Spade. Essa mudança em nosso relacionamento com o mundo natural é um benefício ambiental difícil de quantificar, mas é “crítico para a situação do planeta”, diz ela.

Transformar um corpo humano em solo nos lembra que “não estamos à margem da natureza, somos parte da natureza”, diz Katrina Spade, fundadora da Recompose© Getty Images

Será que qualquer pessoa pode ser compostada? Faço essa pergunta a Spade porque quero saber se eu “me qualificaria” para ter o mesmo destino que a casca de uma banana.

A resposta é, de forma geral, sim – mas não se eu tiver morrido de Ebola, uma doença priônica (um tipo raro de doença cerebral transmissível) ou tuberculose, já que esses patógenos não foram demonstrados como sendo decompostos pela compostagem, diz Spade.

Enquanto ela descreve o processo, me ocorre que roupas provavelmente não seriam bem-vindas no recipiente de compostagem. Em vez disso, os restos são envoltos em linho, e as famílias que optam por realizar uma cerimônia podem cobri-los com lascas de madeira orgânica, palha, flores e até cartas de amor trituradas.

“Em um caso, uma família trouxe pimentões vermelhos e cebolas roxas que acabaram de amadurecer no jardim de seu ente querido – foi tão bonito”, lembra Spade. O corpo entra em um “recipiente de transição”, onde a equipe da Recompose assume.

Eles retiram o envoltório de linho, mas não as flores e vegetais. Secretamente, espero que minha família realmente faça isso. Imagino cestas de pinhas, montes de cogumelos, talvez algumas das minhas amadas plantas de casa.

Tudo isso está parecendo muito natural – mas há outra opção de baixo carbono que gira em torno de um elemento diferente: a água.

A “cremação aquática” (também conhecida como “aquamação”, “hidrólise alcalina” ou “resomação”) é uma alternativa à cremação tradicional e foi o método escolhido pelo Arcebispo Desmond Tutu, que ajudou a acabar com o apartheid na África do Sul.

É um processo completamente mais suave e limpo do que a cremação, produzindo apenas 20 kg de CO2e.

“Isso é uma grande diferença”, diz Trofimovaite. “Você reduz enormemente as emissões com a resomação em comparação com a cremação por chama.”

Aproximadamente 1.500 litros de água são misturados com hidróxido de potássio e aquecidos a 150°C. Em apenas quatro horas, o corpo humano é reduzido a um líquido estéril.

Mais de 20.000 pessoas foram cremadas aquaticamente nos últimos 12 anos, principalmente nos EUA.

A maior provedora de funerais do Reino Unido, a Co-op Funeralcare, recentemente anunciou que introduzirá essa prática ainda este ano.

A rapidez da cremação aquática a torna uma ótima opção econômica. A Co-op prevê que o custo seja comparável ao da cremação por chama – cerca de £1.200 (R$7.375) com suporte básico, mas sem serviço funerário.

Os enterros naturais podem ter um preço semelhante, mas os custos geralmente são muito mais altos, dependendo do local de sepultamento individual.

A compostagem é muito mais cara, custando $7.000 (R$ 34.160) – um pouco mais do que o enterro padrão médio no Reino Unido, que custa £4.794 (R$29.790).

Falo com Sandy Sullivan, fundador da Resomation – uma empresa que vende equipamentos de cremação aquática para funerárias em toda a América do Norte, Irlanda e Reino Unido (e planeja fazer o mesmo na Holanda, Nova Zelândia e Austrália no próximo ano).

Ele é paciente quando digo que estou imaginando o processo como um tipo de derretimento e que não tenho certeza de como me sinto em relação a isso.

“Isso é o que você obtém no final”, diz ele, segurando um grande saco transparente cheio de um pó branco brilhante. “Isso é farinha, aliás”, ele acrescenta rapidamente.

O ponto é que o produto final é seco, semelhante a cinzas. A farinha é uma representação do que é devolvido à família e consiste apenas nos ossos, que foram triturados mecanicamente (como ocorre após a cremação por chama).

O tecido mole do corpo se desintegra na água e desaparece pelos canos até a estação de tratamento de água.

As cremações à chama estão entre os ritos funerários com maior intensidade de carbono© Getty Images

O saco de farinha de Sullivan representa a lembrança física que é tão importante para muitas famílias. Isso demonstra o que Julie Rugg, diretora do Grupo de Pesquisa de Cemitérios da Universidade de York, no Reino Unido, diz ser central para grande parte do nosso pensamento sobre práticas funerárias.

“Diante da morte, buscamos consolação. E tem sido muito interessante ver como houve um conflito, em alguns casos, entre o que é sustentável e o que as pessoas encontram como consolo”, diz ela. Sacos de cinzas de ossos e composto ajudam a superar isso oferecendo algo tangível, uma âncora para nossa tristeza.

Conforme considero as várias opções que aprendi – derretimento, compostagem, micélio – meus pensamentos retornam à minha primeira conversa com Inman-Cook.

Estou impressionado com a simplicidade do enterro natural, a ausência de qualquer badalo, assobio, recipiente ou câmara. Fico contente em saber que, com base em tudo o que aprendeu durante sua análise científica, Trofimovaite chegou à mesma conclusão.

“Eu tentaria torná-lo o mais natural possível”, ela me diz. “Os enterros naturais são os mais atraentes.” Mas um enterro natural sem marcação é um exemplo perfeito do conflito identificado por Rugg.

“Alguém diz que adora a ideia de ser enterrado em um belo prado, mas não pode colocar nada sobre o túmulo”, diz ela. Rugg descreve o “jardinagem guerrilheira” ocorrendo em um local de enterro natural, por um membro da família determinado a marcar secretamente o túmulo de seu ente querido com trevos distintos.

“O que precisamos alcançar é um sistema que nos permita sentir que nossa perda é especial. Precisamos pensar sobre a sustentabilidade em uma escala que ainda ofereça consolo.”

A resposta, parece-me, poderia estar em reimaginar o que “especial” pode significar. Como diz Rugg, em um jardim memorial típico “você não consegue se mexer por causa de placas por todos os lados. Resistimos ao desaparecimento dos mortos e, na verdade, achamos isso menos consolador do que podemos pensar.”

Saio da conversa com um claro entendimento de que, supondo que eu tenha evitado desaparecer em uma nuvem de fumaça, uma das coisas mais úteis que posso fazer é recusar a reivindicação de qualquer parcela de terra em particular.

Espero que minha família possa encontrar consolo na ideia de que eu ficaria mais feliz me tornando parte de uma paisagem. Por que ser apenas uma árvore quando posso me tornar uma floresta?

NOVAS TECNOLOGIAS FAZEM A DIFERENÇA NAS ROTINAS PESSOAIS E PROFISSIONAIS

 

Joel Backschat – FCamara

Conheça as ferramentas ‘queridinhas’ da atualidade, que geram economia de tempo e redução de custos nas rotinas pessoais e profissionais

A implementação de novas tecnologias vem fazendo a diferença nas rotinas pessoais e profissionais ao redor do mundo. Elas já estão presentes em inúmeras ações, atividades e tarefas cotidianas, mesmo que não percebamos. As inteligências artificiais, em especial, chegaram para facilitar e otimizar o dia a dia, com base no comportamento humano. Um relatório da Kinea Investimentos mostra que o mercado global de inteligência artificial movimentou US$ 383 bilhões em 2021 e US$ 450 bilhões em 2022, apontando uma tendência de crescimento relevante do setor para 2023.

“Coisas simples como serviços de streaming, aplicativos, câmeras de reconhecimento facial e compras no e-commerce são bons exemplos, e todos eles claramente otimizam nosso tempo e solucionam problemas”, pontua Joel Backschat, fundador da comunidade Orange Juice e CIO do Grupo FCamara, ecossistema de tecnologia e inovação que potencializa o futuro de negócios.

Pensando nisso, o executivo listou cinco importantes ferramentas de inteligência artificial que já estão no nosso dia a dia, trazendo inúmeras vantagens, especialmente para profissionais que precisam de facilitadores no mercado. Confira:

ChatGPT

Em primeiro lugar está um dos assuntos mais comentados do momento: o ChatGPT, IA que tem como objetivo principal melhorar a experiência de diálogo com bots e a qualidade das respostas. Como o próprio nome diz, o chat (conversa) funciona respondendo tanto às perguntas simples como às mais complexas, só que de maneira completa e com linguagem menos robótica, mais natural. Ele é capaz de oferecer diálogos mais orgânicos por utilizar uma linguagem baseada em aprendizado, ou seja, ela capta nuances de diálogos humanos.

“O bate-papo inteligente cria, considerado o sonho de todos seres humanos, processa e apresenta dados ao seu interlocutor de um jeito ‘humanizado’. Por isso, acredito que o ChatGPT é uma das ferramentas mais inteligentes já criadas. Ele mudou a forma como as pessoas se comunicam, tiram dúvidas e produzem, gerando rumos inovadores para diversos setores”, comenta Joel.

Midjourney

O aplicativo tem como principal função criar imagens por meio da inteligência artificial, funcionando em um servidor no Discord. Os bots criam ilustrações de forma rápida e eficaz, personalizadas de acordo com o pedido do usuário.

“Em resumo, a ferramenta usa seus algoritmos para traduzir solicitações de texto em imagens. Além do Midjourney, recomendo também a Blue Willow, IA com a mesma funcionalidade de gerar imagens, sendo acessível a todos, independente do nível de experiência e conhecimento. Inclusive, é possível testar através do servidor da Orange Juice”, conta Backshat.

Copy

Comumente usada para tarefas de copywriting, é a queridinha de quem trabalha com postagens, redações, marketing e afins, pois ajuda a criar ótimos resumos, manchetes chamativas, posts interessantes, além de textos e artigos impecáveis. “A melhor qualidade dessa ferramenta é o serviço de edição eficaz que possui, porque traz uma nítida otimização de tempo e redução de custos”, fala Joel.

Tome

A Tome é mais uma ferramenta que veio para revolucionar o tempo de trabalho de profissionais e estudantes. Sua principal aptidão é criar apresentações de slides através da solicitação inicial do usuário, que traz um descritivo do que ele precisa. Em seguida, a ferramenta indica a melhor forma para esse storytelling/conteúdo ser exposto.

“Eu, particularmente, acho incrível a indicação da ferramenta, porque ela realiza desde o título inteligente até o layout, estrutura do texto, opção de gráficos e muitas outras coisas, o que ao meu ver, é uma grande revolução no setor”, complementa o executivo.

Adobe Firefly

Recentemente lançada, a nova ferramenta da Adobe é mais um modelo de inteligência artificial focado na geração de imagens. Ela permite que usuários usem comandos de texto capazes de ajustar ou até mesmo alterar imagens com extrema agilidade e eficácia. A ideia do Adobe Firefly é usar do banco de imagens da Adobe (Adobe Stock) para gerar novas imagens a partir do que você procura na barra de pesquisa, gerando uma qualidade excepcional, além de ser capaz de gerar novas imagens.

“Por ser uma novidade no mercado, a Adobe já entendeu o funcionamento de outras ferramentas semelhantes e foi capaz de aprimorar seu lançamento, trazendo ainda mais inovações e facilidades quando se trata de lapidar imagens. O trabalho final é de muita qualidade. Tem tudo para cair no gosto dos usuários”, conclui Joel.

CARACTERÍSTICAS DA VALEON

Perseverança

Ser perseverante envolve não desistir dos objetivos estipulados em razão das atividades, e assim manter consistência em suas ações. Requer determinação e coerência com valores pessoais, e está relacionado com a resiliência, pois em cada momento de dificuldade ao longo da vida é necessário conseguir retornar a estados emocionais saudáveis que permitem seguir perseverante.

Comunicação

Comunicação é a transferência de informação e significado de uma pessoa para outra pessoa. É o processo de passar informação e compreensão entre as pessoas. É a maneira de se relacionar com os outros por meio de ideias, fatos, pensamentos e valores. A comunicação é o ponto que liga os seres humanos para que eles possam compartilhar conhecimentos e sentimentos. Ela envolve transação entre pessoas. Aquela através da qual uma instituição comunica suas práticas, objetivos e políticas gerenciais, visando à formação ou manutenção de imagem positiva junto a seus públicos.

Autocuidado

Como o próprio nome diz, o autocuidado se refere ao conjunto de ações que cada indivíduo exerce para cuidar de si e promover melhor qualidade de vida para si mesmo. A forma de fazer isso deve estar em consonância com os objetivos, desejos, prazeres e interesses de cada um e cada pessoa deve buscar maneiras próprias de se cuidar.

Autonomia

Autonomia é um conceito que determina a liberdade de indivíduo em gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias escolhas. Neste caso, a autonomia indica uma realidade que é dirigida por uma lei própria, que apesar de ser diferente das outras, não é incompatível com elas.

A autonomia no trabalho é um dos fatores que impulsionam resultados dentro das empresas. Segundo uma pesquisa da Page Talent, divulgada em um portal especializado, 58% dos profissionais no Brasil têm mais facilidade para desenvolver suas tarefas quando agem de maneira independente. Contudo, nem todas as empresas oferecem esse atributo aos colaboradores, o que acaba afastando profissionais de gerações mais jovens e impede a inovação dentro da companhia.

Inovação

Inovar profissionalmente envolve explorar novas oportunidades, exercer a criatividade, buscar novas soluções. É importante que a inovação ocorra dentro da área de atuação de um profissional, evitando que soluções se tornem defasadas. Mas também é saudável conectar a curiosidade com outras áreas, pois mesmo que não represente uma nova competência usada no dia a dia, descobrir novos assuntos é uma forma importante de ter um repertório de soluções diversificadas e atuais.

Busca por Conhecimento Tecnológico

A tecnologia tornou-se um conhecimento transversal. Compreender aspectos tecnológicos é uma necessidade crescente para profissionais de todas as áreas. Ressaltamos repetidamente a importância da tecnologia, uma ideia apoiada por diversos especialistas em carreira.

Capacidade de Análise

Analisar significa observar, investigar, discernir. É uma competência que diferencia pessoas e profissionais, muito importante para contextos de liderança, mas também em contextos gerais. Na atualidade, em um mundo com abundância de informações no qual o discernimento, seletividade e foco também se tornam grandes diferenciais, a capacidade de analisar ganha importância ainda maior.

Resiliência

É lidar com adversidades, críticas, situações de crise, pressões (inclusive de si mesmo), e ter capacidade de retornar ao estado emocional saudável, ou seja, retornar às condições naturais após momentos de dificuldade. Essa é uma das qualidades mais visíveis em líderes. O líder, mesmo colocando a sua vida em perigo, deve ter a capacidade de manter-se fiel e com serenidade em seus objetivos.

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domingo, 27 de agosto de 2023

DIRETOR GERAL DA PF FALA EM PRENDER O BOLSONARO E RECEBE CRÍTICAS DA OPOSIÇÃO

 

História por RENATO MACHADO • Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A oposição ao governo federal criticou a fala do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que disse haver possibilidade e pressupostos legais para a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no caso das joias.

Especialistas em direito também consideram que o chefe da polícia errou ao avançar em sua fala. Apesar de não enxergarem ilícitos na conduta, apontam que o episódio abre margem para a politização do caso e para comprometer a isonomia da investigação.

Andrei Rodrigues declarou em entrevista ao UOL na sexta-feira (25) que não conhece os detalhes da investigação, mas que há a previsão legal para uma eventual prisão preventiva de Bolsonaro.

O diretor-geral afirmou que, dada a sua função, não participa dos trabalhos de investigação, acrescentando que essas atividades são feitas com responsabilidade, focada na qualidade da prova e dando autonomia para as equipes.

“O cenário é a lei, o que está no Código Penal, o que está no Código de Processo Penal, o que está na Constituição, que é a nossa lei maior. E dentro desse arcabouço jurídico legal, há sim a possibilidade de prisão, possibilidade de busca e apreensão, que temos feito várias. Não descartamos nenhuma das hipóteses”, afirmou.

Andrei acrescenta a sequência, novamente, que não conhece os elementos que foram colhidos e que a prisão não é uma “vontade própria do investigador”, exigindo o atendimentos aos requisitos legais.

“Há pressupostos legais. O que a equipe precisa se pautar, volto a insistir, é na responsabilidade e na qualidade da prova. Deve-se pautar pelo que está na lei e pelo que se está apurando. Se nessa conjunção de elementos se chegar a essa conclusão, que há obstrução, que há necessidade para a garantia da ordem pública, enfim, se os requisitos legais são atingidos, esse é um caminho e eu aqui falo hipoteticamente”, completou.

A fala provocou a reação de aliados de Bolsonaro, que falam em aparelhamento da PF. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a pedir a prisão do diretor-geral por abuso de autoridade.

“Não há motivos para pré-condenação de Bolsonaro em absolutamente nada do que está sendo acusado, pois sequer há crime. O chefe da PF dar esse tipo de declaração, além de parecer torcida de um cupincha do [ministro da Justiça] Flávio Dino, mostra que ele aparelhou uma respeitada corporação para perseguir adversários políticos. Quem tem que ser preso é ele por abuso de autoridade”, afirmou à reportagem, por meio de nota.

Na mesma linha, o líder do PL no Senado, Rogério Marinho (RN) também apontou abuso de autoridade na fala do diretor-geral e disse ainda que há uma antecipação ilegal da conclusão da investigação.

“O agente do Estado que, na condição de diretor-geral da Polícia Federal, afirma que, com base na sua experiência e nas provas às quais teve acesso, existe indícios de corrupção, antecipa-se ilegalmente à conclusão das apurações e ofende gravemente o princípio republicano”, afirmou.

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR), ex-juiz da Operação Lava Jato, também criticou Andrei Rodrigues e considerou a sua declaração inapropriada.

“Não vejo causa para uma prisão preventiva do ex-presidente Bolsonaro. Lula só foi preso após ter sido julgado. Também foi inapropriada a declaração do diretor da PF sobre o tema, já que a questão cabe aos delegados da investigação e não à direção da PF”, afirmou o parlamentar.

Moro ainda lembrou o caso do ex-diretor da PF Fernando Segovia que foi demitido em 2018 após uma série de polêmicas, como ao afirmar em entrevista que havia uma tendência para que o inquérito contra o então presidente Michel Temer (MDB) fosse arquivado.

“Agora, é a mesma coisa só que de sinal trocado. A direção da PF precisa manter a institucionalidade.”

O também senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por outro lado, considerou que não há problemas na fala de Andrei Rodrigues, que teria tomado cuidado de deixar claro não ter acesso aos detalhes da investigação.

“As falas do diretor da PF foram todas no campo das possibilidades jurídicas, sempre com o cuidado de ressaltar o seu desconhecimento do conteúdo das investigações que envolvem o ex-presidente”, afirma.

Procurada, a Polícia Federal informou em nota que os inquéritos são conduzidos pela equipe de investigação, seguindo a Constituição, a legislação penal e processual penal em vigor e os normativos internos.

“Qualquer eventual pedido de medida cautelar é de responsabilidade da equipe de investigação e sujeito aos pressupostos legais, conforme o diretor deixa claro durante a entrevista”, afirma.

POLITIZAÇÃO DO CASO

Especialistas em direito indicam que não há irregularidades na fala de Andrei Rodrigues, mas consideram inadequada a sua postura relativa ao caso. Acrescentam que ela pode comprometer a isonomia da investigação, além de dar margem para a politização do caso.

O professor de direito e advogado Wagner Gundim afirma que o problema não está exatamente no que foi dito e sim em quem fez as declarações.

“Importante estabelecer que, até pelo contexto da matéria, ele foi ouvido como um especialista, tanto que a análise que ele faz do ponto de vista técnico é muito imparcial, ele fala em preencher os requisitos, deixa muito claro que não tem acesso a todos os documentos”, afirma

“No entanto, o fato de a declaração ser constitucional, legal não significa que do ponto de vista moral e político não haja problema […] o problema é que não dá para dissociar o especialista da função que ele exerce, um cargo de indicação, vinculado a Presidência da República. Acaba abrindo espaço para a politização”, completa.

O advogado Arthur Rollo afirma que falas como a de Andrei Rodrigues podem reforçar o discurso bolsonarista de perseguição.

“Ele deveria ter parado [a resposta] lá no ‘não conheço os autos’. Quando ele continua, acaba opinando numa coisa que ele não conhece. Ninguém deve falar numa coisa que a gente não conhece. Fizeram uma pergunta concreta. Ele responde ‘em tese’, mas fica impossível não desvincular do caso concreto.”

Para Arthur Rollo, o chefe da política não tem que opinar, “até em respeito aos subordinados dele que estão atuando nos inquéritos”. “Embora tenha falado ‘em tese’, tomados todos os cuidados, ele foi perguntado duma situação concreto. Imagina se sai um mandado na semana que vem”, completa.

O advogado Renato Stanziola Vieira, presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, afirma que a posição de Rodrigues foi dentro do limite técnico.

“Eu acho que ele foi muito técnico, trabalhou com a hipótese não só de prisão como de outras medidas cautelares. Ele foi muito claro que tem que defender a Constituição e o Código Penal e mais de uma vez disse que não está a frente da investigação”, afirma.

Vieira ainda acrescenta que Rodrigues também não disse em nenhum momento se os pressupostos foram atendidos e apenas teria explicado quais são.

JATO EXECUTIVO DA EMBRAER É O MAIS VENDIDO NO MUNDO

 

História por PODER360

Embraer ultrapassou a fabricante de aviões norte-americana Cessna, do grupo Textron Company, no setor de jatos particulares e se tornou a mais popular nos Estados Unidos.

Por 15 anos, o jato executivo Cessna Citation Excel foi o líder de operação no país. Mas, em 2023, o Phenom 300 da empresa brasileira passou a ser o modelo mais usado pelos norte-americanos. As informações são da Bloomberg.

Dados da Federal Aviation Administration (Administração Federal de Aviação dos EUA) mostram que o Phenom 300E teve 360.300 decolagens e pousos registrados em aeroportos norte-americanos nos últimos 12 meses até agosto deste ano.

No mesmo período, o Cessna Citation Excel decolou e pousou 358.900 vezes –1.400 a menos que o jato particular da Embraer.

Jatinho Phenom 300 da Embraer é o mais usado nos EUA© Fornecido por Poder360

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) comemorou a conquista. Em publicação no X (ex-Twitter) neste sábado (26.ago.2023), afirmou que a Embraer é “um orgulho nacional” e disse que o feito é “uma prova cabal da confiança dos passageiros estadunidenses na segurança e qualidade das aeronaves” da fabricante brasileira.

Jatinho Phenom 300 da Embraer é o mais usado nos EUA© Fornecido por Poder360

Embora seja menor por acomodar até 9 passageiros, o Phenom 300E é considerado mais econômico. Ele queima menos combustível, possui mais velocidade e alcance e custa cerca de 1/3 a menos que o Cessna Citation Excel, afirmou o consultor de aviação privada, Brian Foley, em entrevista à Bloomberg.

A Embraer descreve o Phenom 300 como o “jato executivo de maior sucesso da última década” e o veículo de categoria leve “mais vendido por 10 anos consecutivos”. Segundo a empresa brasileira, o equipamento também é o “jato single-pilot [de um só piloto] mais rápido e de maior alcance em produção”.

Em outubro de 2021, a Embraer fechou um acordo de US$ 1,2 bilhão para entregar 100 aeronaves Phenom 300E à NetJets, companhia área norte-americana do bilionário Warren Buffett.

As empresas realizaram outra negociação neste ano, mas dessa vez envolvendo a venda do jato executivo Praetor 500. O acordo de mais de US$ 5 bilhões estabelece a entrega de 250 unidades do modelo até 2025.

No ano passado, a venda de jatos particulares correspondeu a cerca de 27% dos US$ 4,2 bilhões registrados pela Embraer com a comercialização de aeronaves.

Além de ter se tornado a preferida nos EUA, a empresa brasileira também tem vendido mais jatos particulares ao país norte-americano. Dados da Gama (Associação Geral de Fabricantes de Aviação dos EUA, na sigla em inglês) mostram que, em 2005, por exemplo, a Embraer entregou somente 20 aeronaves do tipo, enquanto em 2022, o número subiu para 102.

No entanto, a Cessna ainda lidera o mercado de vendas nos Estados Unidos. Somente no ano passado, a fabricante de aviões norte-americana entregou 178 aeronaves privadas –76 a mais que a Embraer.

Jatinho Phenom 300 da Embraer é o mais usado nos EUA

ÁGUAS RADIOTIVAS DE FUKUSHIMA LANÇADAS NO OCEANO PACÍFICO PREOCUPAM O MUNDO TODO

 

História por Redação – Da BBC News Mundo 

Os trabalhos de desmonte da central de Fukushima devem durar pelo menos quatro décadas© Getty

O medo dos cidadãos japoneses e as críticas recebidas da China não foram suficientes para evitar que o Japão começasse a lançar no Oceano Pacífico, na quinta-feira (24/8), as águas residuais tratadas da usina nuclear de Fukushima.

Mais de um milhão de toneladas de águas residuais foram acumuladas desde o tsunami de 2011, que danificou gravemente as instalações da usina.

Segundo o governo japonês, o risco de contaminação é mínimo, devido aos processos empregados de filtragem da água. E o plano recebeu o respaldo do organismo de controle nuclear das Nações Unidas, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Mas a iniciativa gera controvérsias na região. As comunidades locais receiam que possíveis danos ambientais venham a prejudicar a pesca e outras atividades econômicas.

O plano também enfrenta forte oposição da China, que é o principal comprador de frutos do mar japoneses. Pequim acusa o Japão de tratar o oceano como seu “esgoto particular” e considera que a AIEA é um organismo “unilateral”.

Na quinta-feira (24/8), assim que o Japão deu início ao lançamento das águas, o governo chinês anunciou que irá proibir todas as importações de mariscos da região, para “proteger a saúde dos consumidores chineses”, segundo a alfândega do país.

Calcula-se que esta medida irá causar graves danos econômicos e o próprio Japão reconheceu que suas empresas sofrerão um golpe “significativo”.

Juntos, Hong Kong e a China importam todos os anos mais de US$ 1,1 milhão (cerca de R$ 5,4 milhões) em produtos originários do mar do Japão. Este valor representa quase a metade das exportações japonesas de frutos do mar.

A Coreia do Sul também proíbe, há muito tempo, alguns produtos marinhos do Japão, mas não teceu maiores comentários na quinta-feira passada.

O primeiro-ministro sul-coreano, Han Duck-soo, afirmou que “o importante, agora, é se o Japão irá seguir rigorosamente os padrões científicos e fornecer informações de forma transparente, como prometeu à comunidade internacional”.

Seul e Tóquio vêm estreitando relações diplomáticas, apesar de suas profundas desavenças históricas. Eles se uniram em aliança com os Estados Unidos, frente às ameaças da Coreia do Norte e da China.

Mas a maior parte dos sul-coreanos se opõe à liberação da água de Fukushima e manifestantes tentaram invadir a Embaixada japonesa em Seul na quinta-feira. Outras manifestações de indignação também foram registradas em Hong Kong e em Tóquio.

Desde o desastre de 2011, o Japão guarda água residual em tanques gigantescos© Getty

O que acontece na usina de Fukushima?

Desde o desastre de 2011, a Tepco – empresa proprietária da usina de Fukushima – vem bombeando água para resfriar os reatores nucleares danificados.

Com isso, a usina produz diariamente água contaminada – cerca de 100 m³ por dia – que é armazenada em gigantescos tanques.

Até o momento, já são mais de 1 mil tanques cheios de água. O Japão afirma que esta solução não é sustentável a longo prazo e, por isso, começou a liberar gradualmente essa água no Oceano Pacífico. Estima-se que este processo leve 30 anos.

O lançamento de águas residuais no oceano é uma prática rotineira nas usinas nucleares. Mas esta situação é resultado de um acidente e não um descarte nuclear típico.

A Tepco filtra as águas de Fukushima através do seu Sistema Avançado de Processamento de Líquidos, que reduz a maior parte das substâncias radioativas a padrões de segurança aceitáveis, com exceção do trítio e do carbono-14.

O trítio e o carbono-14 são, respectivamente, formas radioativas de hidrogênio e carbono. É difícil separá-los da água.

Estas substâncias estão presentes no ambiente natural, na água e até nos seres humanos, pois são formadas na atmosfera terrestre e podem entrar no ciclo da água. Ambas emitem baixos níveis de radiação, mas podem trazer riscos se forem consumidas em grandes quantidades.

Antes de serem lançadas no oceano, as águas residuais filtradas são diluídas com água do mar, para reduzir a concentração das substâncias ainda presentes.

A Tepco defende que seu sistema de válvulas impede a liberação acidental de águas residuais sem diluição.

E o governo japonês acrescenta que os níveis finais de trítio — cerca de 1.500 becqueréis por litro — são muito mais seguros do que os níveis exigidos pelos órgãos reguladores para o descarte de resíduos nucleares, ou pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a água potável.

A Tepco também afirma que os níveis de carbono-14 estão dentro dos padrões internacionais de segurança. A empresa e o governo japonês realizaram estudos para demonstrar que a água descartada trará pouco risco para os seres humanos e para a vida marinha.

Muitos cientistas também apoiaram o plano.

“A água descartada será uma gota no oceano, tanto em volume quanto em radioatividade. Não há evidências de que esses níveis extremamente baixos de radioisótopos tenham efeito prejudicial à saúde”, disse o patologista molecular Gerry Thomas, que trabalhou com cientistas japoneses em pesquisas sobre a radiação e assessorou a AIEA nos relatórios produzidos pela agência sobre Fukushima.

O que dizem os críticos?

Mas nem todos estão convencidos pelos argumentos da empresa e do governo japonês.

Antes do anúncio da aprovação do plano pela AIEA, a ONG Greenpeace publicou relatórios levantando preocupações com o processo de tratamento conduzido pela Tepco. Ela afirma que não é suficiente para remover as substâncias radioativas.

Para os críticos do plano, o Japão deveria, por enquanto, manter a água tratada nos tanques, o que permitiria ganhar tempo para desenvolver novas tecnologias de processamento e para que a radioatividade restante fosse reduzida de forma natural.

Alguns cientistas também estão preocupados com o plano japonês. Eles defendem que são necessários mais estudos sobre os possíveis efeitos desses resíduos sobre o leito oceânico e a vida marinha.

“Vimos uma avaliação inadequada do impacto radiológico e ecológico. Estamos preocupados não só com o fato de que o Japão talvez não consiga detectar o que está jogando na água [do mar], nos sedimentos e nos organismos, mas também, se isso acontecer, de ser incapaz de remover [o material contaminado]. Não há como colocar o gênio de volta à garrafa”, explicou à BBC o biólogo marinho Robert Richmond, professor da Universidade do Havaí.

Tatsujiro Suzuki, professor de engenharia nuclear do Centro de Pesquisa para a Eliminação de Armas Nucleares da Universidade de Nagasaki, no Japão, declarou à BBC que o plano “não levaria necessariamente a uma contaminação grave ou prejuízo público, se tudo correr bem”.

Mas, como a Tepco falhou em 2011 e não conseguiu evitar o desastre, ele teme que um possível acidente possa liberar água contaminada sem tratamento.

O que há por trás da reação da China?

A OIEA avaliou que o plano japonês é seguro e que os níveis de radiação que seriam liberados são ‘insignificantes’; o Greenpeace discorda© Getty

Diversos analistas defendem que a reação da China não é motivada apenas por preocupações ambientais, mas também por questões políticas.

As relações entre Tóquio e Pequim se deterioraram nos últimos anos. O Japão vem se aproximando dos Estados Unidos e demonstrando seu apoio à ilha autônoma de Taiwan, reclamada pela China.

“Este incidente é mais um sintoma do que uma causa da deterioração das relações sino-japonesas”, afirma o especialista em política exterior chinesa Neil Thomas, do think tank (centro de pesquisa e debates) Asia Society Policy Institute.

Para ele, “Pequim talvez tivesse feito menos escândalo pela liberação da água se suas relações com Tóquio estivessem em melhor posição”.

É provável que o Japão “repudie esta crítica, mas é pouco provável que faça algo provocador”, segundo o professor James D. J. Brown, especialista em política exterior japonesa, do campus da Universidade Temple no Japão.

“Embora o governo do Japão esteja profundamente preocupado com as ações que considera agressivas do Partido Comunista Chinês, ele entende ser conveniente manter relações estáveis com seu maior vizinho”, explica o professor.

E talvez não seja necessário esperar muito tempo. Afinal, há quem acredite na possibilidade de que a China não cumpra com a proibição de importação de frutos do mar do Japão.

“As dificuldades econômicas cada vez maiores da China podem fazer com que qualquer proibição seja relativamente breve e limitada, para reduzir o impacto negativo sobre os importadores chineses e o sentimento dos empresários”, acrescenta Thomas.

Como o Japão está respondendo às críticas?

O governo do Japão e a Tepco lançaram amplas campanhas de educação pública. O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, prometeu “alto nível de transparência” no processo.

A Tepco se comprometeu a publicar dados em tempo real sobre os níveis de radioatividade da água, em um portal dedicado a explicar o processo de tratamento e descarte das águas de Fukushima em diversos idiomas.

Delegações estrangeiras e meios de comunicação – incluindo a BBC – foram convidados a realizar visitas guiadas às instalações de processamento. E, no front diplomático, Tóquio iniciou conversações com seus vizinhos.

Textos publicados no site do Ministério das Relações Exteriores do Japão destacam que outras usinas nucleares da região, especialmente na China, liberam água com níveis de trítio muito mais elevados.

A BBC conseguiu confirmar alguns dos números fornecidos pelo governo japonês com informações das usinas nucleares chinesas disponíveis ao público.

Mas o maior argumento pode ser o relatório da AIEA, publicado pelo chefe da agência, Rafael Grossi, durante sua visita ao Japão, em julho. O relatório foi divulgado após uma investigação que durou dois anos.

A agência concluiu que a Tepco e as autoridades japonesas estão cumprindo com os padrões internacionais de segurança em diversos aspectos, que incluem as instalações, inspeções e conformidade, monitoramento ambiental e avaliações de radioatividade.

Grossi afirmou que o plano teria “impacto radiológico insignificante para as pessoas e para o meio ambiente”.

*Com colaboração de Tessa Wong, Yuna Kim e Chika Nakayama.

BOLSONARO EM BH NESSA SEGUNDA-FEIRA

História por Redação Itatiaia 

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desembarca em Belo Horizonte nesta segunda-feira (28) para participar de agendas ao lado de correligionários de Minas Gerais. Em meio aos eventos com aliados, o capitão reformado vai receber o título de cidadão honorário do estado, a reboque de decreto assinado em 2019 pelo governador Romeu Zema (Novo).

O roteiro da comitiva de Bolsonaro tem uma parada na Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), para o encontro com colegas de partido e, depois, passagem na Assembleia Legislativa para a cerimônia de cidadania honorária. Há, ainda, expectativa pela visita a uma Igreja Católica.

A semana do ex-presidente pode ter, também, um depoimento à Polícia Federal. Ele foi intimado a falar sobre o caso de empresários que utilizaram um grupo de WhatsApp para debater a possibilidade de um golpe de estado. A oitiva foi agendada para o próximo dia 31. No mesmo dia, Bolsonaro também terá de falar com os investigadores sobre a suposta venda de joias pertencentes ao Estado brasileiro.

No que tange ao caso das joias, Bolsonaro vai prestar depoimento ao mesmo tempo em que outras sete pessoas vão ser ouvidas. Na lista de interrogados simultaneamente estão, por exemplo, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro e o ex-ajudante de ordens do capitão reformado, o tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid.

A segunda-feira, vale lembrar, vai marcar a primeira passagem de Bolsonaro por BH desde 30 de junho, quando o ex-presidente foi tornado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele estava na cidade quando a decisão da Suprema Corte foi oficializada.

Antes de Minas, Goiás

No início deste mês, Bolsonaro recebeu uma homenagem similar à honraria que vai ganhar em Minas Gerais. Durante solenidade na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), ele foi condecorado com o título de cidadão honorário goiano. Assim como no caso mineiro, a homenagem a Bolsonaro também foi aprovada em 2019 em Goiás, por meio de lei sancionada pelo governador Ronaldo Caiado (União Brasil).

Sempre que aterrissa em Minas Gerais, Bolsonaro costuma rememorar a facada sofrida em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Ele levou o golpe em setembro de 2018, a cerca de um mês do primeiro turno eleitoral daquele ano. O presidente costuma dizer que “renasceu” em solo juiz-forano e, no ano passado, chegou a visitar a Santa Casa de Misericórdia da cidade, onde recebeu os primeiros cuidados após o ataque. 

“Em várias oportunidades, quando se manifestou sobre essa tentativa de assassinato, ele disse que renasceu em Minas Gerais. Então, se ele admite que renasceu em Minas Gerais, agora, o estado, através de seus representantes, vão formalizar esse nascimento, dando a ele a certidão, que é o título de cidadania honorária”, disse, na semana passada, o deputado estadual mineiro Coronel Sandro (PL), que encabeçou as articulações para garantir a entrega do título no plenário da Assembleia Legislativa.

Embate na Assembleia

O requerimento que pede a convocação de reunião especial do Parlamento para conferir a cidadania honorífica a Bolsonaro tem 26 assinaturas. A maioria das subscrições foi dada por deputados de partidos à direita. Entre os parlamentares do PL, há a expectativa pela presença de Zema no evento, possibilidade confirmada por uma fonte do Palácio Tiradentes ouvida pela Itatiaia.

O movimento para homenagear Bolsonaro, porém, rendeu críticas na Assembleia. A deputada Bella Gonçalves, do Psol, ironizou a passagem do ex-presidente por BH.

“Espero também que avisem para o Bolsonaro que a placa não é de ouro, porque se não ele vende. Vende placa de ouro de cidadania honorária, vende joias e pede Pix para fazer harmonização facial. O senhor não é bem-vindo em Minas Gerais”, protestou.

Bruno Engler (PL), o deputado estadual de Minas mais próximo a Bolsonaro, defendeu a deferência ao aliado. “(Não há) comprovação nenhuma de que vendeu as joias. Segundo, não é prática de crime. Um presidente que, ao contrário daquele que é apoiado pela esquerda, nunca foi condenado por nada”, contrapôs, em menção a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Posse simbólica e possível ida a igreja

Para o evento na Associação Médica de MG, o diretório estadual do PL espera receber cerca de 500 lideranças locais. A atividade servirá como posse simbólica do deputado federal Domingos Sávio na presidência da legenda em Minas. Como mostrou a Itatiaia, Bolsonaro deve encerrar o périplo por BH com uma atividade religiosa na Comunidade Católica Mundo Novo, em Venda Nova. Antes de todos os compromissos, haverá um almoço com aliados.

Para interlocutores, a viagem de Bolsonaro à capital de Minas serve para ilustrar a importância do estado na tática eleitoral do PL para as eleições municipais do ano que vem.

“Queremos construir projetos que visam, primeiramente, o desenvolvimento de Minas Gerais, e isso passa por cidades estratégicas, como a capital Belo Horizonte. Estamos adiantados nesse caminho, debatendo abertamente entre todos os componentes das bancadas federal e estadual e acredito que, em breve, já teremos tudo resolvido”, afirmou Domingos Sávio, na semana passada.

 

SERÁ O ENSINO TÉCNICO MESMO PARA POBRES?

Lei sancioanada este mês ajuda a tirar o estigma da educação profissional e a conecta também com a universidade

Por Renata Cafardo – Jornal Estadão

O ensino técnico no Brasil sofre com o estigma de ser apenas um bom caminho para os pobres, já que os jovens ricos vão para a universidade. É curioso quando se compara com números internacionais. Na Finlândia, 68% dos alunos cursam o ensino técnico e na Suíça, 84%. Será que tem tanto pobre assim por lá? E tanta gente que não vai para a faculdade?

Claro que não. A verdade é que o preconceito dos brasileiros não estimula investimentos e só 10% dos jovens estão na educação profissional e tecnológica, conhecida como ensino técnico, no País. E eles nem são os mais pobres, infelizmente. Pesquisas recentes mostram o interesse gigante pelos cursos técnicos entre os jovens, mas não há vagas para todos e é preciso fazer seleção.

O ensino técnico no mundo contemporâneo é visto como uma forma de dar significado à escola para o adolescente, muitas vezes perdido entre o sonho do emprego ideal e uma aula chata de Física. Ele pode ser um grande mobilizador de teoria e prática, dando ao trabalho um princípio educativo.

Quando é bem feito, o técnico cursado junto com o ensino médio é um grande articulador das disciplinas da formação básica, como Português, História, Biologia. Faz o aluno refletir sobre como a aprendizagem está ligada à sua vida e a uma profissão.

Alunos de escolas técnicas são os que mais entram em universidades se comparados ao restante da escola pública
Alunos de escolas técnicas são os que mais entram em universidades se comparados ao restante da escola pública Foto: ROBERTO SUNGI

Tanto é verdade que alunos de escolas técnicas são os que têm melhores notas em vestibulares se comparados com o restante da escola pública – são eles os que entram na universidade, contrariando a ideia de que seriam renegados a parar de estudar no ensino médio. Pesquisas também mostram que países cujos estudantes de 15 anos têm melhor desempenho em avaliações internacionais investem no ensino técnico junto com o médio.

Uma lei sancionada neste mês, que passou despercebida por causa da confusão do novo ensino médio, exige agora que faculdades validem como créditos as disciplinas cursadas no ensino técnico, em áreas semelhantes. A intenção, segundo a deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP), relatora do projeto de lei, é justamente a de deixar mais claro que ensino técnico e universidade podem ser um objetivo comum.

O sentido também é o de que hoje o profissional não está pronto quando termina um curso técnico ou uma faculdade. Os conhecimentos se entrelaçam, se completam e são constantemente atualizados diante de um mercado de trabalho em transformação.

Os detalhes de como isso vai se dar nas universidades ainda precisam ser regulamentados, mas a lei ainda prevê articulação dos currículos com empresas, como é comum fora do Brasil, expansão de vagas e a criação de uma avaliação da qualidade dos cursos, tudo isso numa grande política nacional de educação profissional e tecnológica.

O presidente Lula, que foi aluno do ensino técnico, posou feliz ao lado de Tábata na sanção da lei e garantiu apoio. Uma das grandes especialistas no assunto, a suíça Uschi Backes-Gellner, da Universidade de Zurique, diz que não haverá sucesso em programas de fortalecimento do técnico em países onde o estigma de uma educação “menos importante” se mantiver. Com expectativa de reindustrialização e um número de jovens “nem-nem” que só cresce, o Brasil já devia ter assimilado a mensagem.

 

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