domingo, 27 de agosto de 2023

PRIVILÉGIOS DE NEYMAR NA ARÁBIA SAUDITA

 

Veja os privilégios e saiba o que o jogador não poderá fazer no país

Astro brasileiro do Al-Hilal deve ter privilégios em sua experiência na nação árabe, uma monarquia absolutista com leis restritivas impostas pelo islamismo

Por Ricardo Magatti – Jornal Estadão

Depois de Santos, no litoral paulista, Barcelona, na Espanha, e Paris, na FrançaNeymar escolheu viver em Riad, capital da Arábia Saudita, onde terá o maior choque cultural de sua vida. Aos 31 anos, o astro brasileiro fechou com o Al-Hilal um contrato que lhe renderá em dois anos algo perto de R$ 2 bilhões e terá mordomias em um país com restrições impostas pelas leis islâmicas que ele possivelmente vai tentar driblar.

Maior cidade da Arábia Saudita, Riad tem pouco mais de 7 milhões de habitantes e apresenta proibições incomuns para quem vem de países do Ocidente. A nação árabe não permite, por exemplo, demonstração de afeto em público e o consumo de bebidas alcoólicas em qualquer espaço, diferentemente do que ocorre nos vizinhos Catar e Emirados Árabes, onde os residentes e estrangeiros podem consumir cerveja ou outras bebidas em hotéis, restaurantes e em suas casas.

A Arábia Saudita também pune severamente os atos sexuais consensuais entre pessoas do mesmo sexo, é acusada de violar direitos humanos e é alvo de críticas internacionais pela guerra sangrenta no Iêmen e, mais recentemente, em 2019, pela morte do jornalista Jamal Khashoggi no consulado do país em Istambul, na Turquia.

No entanto, nos últimos anos, com a ideia de atrair mais turistas e de olho em melhorar a imagem da nação para o mundo, a monarquia absolutista do maior país da Península Arábica tem feito movimentos que indicam uma pequena abertura. Em toda a região, a realização de eventos esportivos “em geral foi percebida de forma positiva pelos habitantes”, diz Wadih Ishac, professor assistente de gestão esportiva na Universidade do Catar.

O governo saudita se tornou mais receptivo à mistura de sexos em público e tomou algumas medidas para controlar sua rigorosa polícia religiosa. As mulheres foram autorizadas a dirigir carros em 2018, mesmo ano em que foram liberadas para assistir a partidas em estádios de futebol, e o rigoroso código de vestimenta para as estrangeiras não é mais obrigatório.

Cheio de regalias, Neymar encontra Arábia Saudita mais 'aberta'
Cheio de regalias, Neymar encontra Arábia Saudita mais ‘aberta’ Foto: Ahmed Yosri/Reuters

“Hoje está mais aberto. Quem está no poder tem outra cabeça”, diz Cândido Sotto Maior, o Candinho, técnico com cinco passagens no futebol da Arábia Saudita, entre 1984 e 2007. Ele foi, inclusive, treinador da seleção do país, portanto, com alguns privilégios. O ex-técnico cita o príncipe herdeiro Mohammad Bin Salman, que é quem efetivamente está à frente da nação, já que seu pai idoso, o rei Salman, abdicou da maioria de suas funções públicas de liderança.

Um dos homens mais ricos do mundo, Salman é primeiro-ministro e também comanda o PIF, fundo de investimento do governo que comprou o Al-Hilal, novo clube de Neymar. “Na minha época, quem mandava nos clubes eram esses reis antigos. Agora, os filhos deles foram estudar fora e eles gostam de futebol, tanto que são donos de clubes na Europa”, afirma Candinho.

Candinho fez parte do grupo de treinadores brasileiros composto por Telê SantanaCarlos Alberto ParreiraLuiz Felipe ScolariValdir EspinosaPaulo César Carpegiani e Rubens Minelli, que “abriram o caminho” para a evolução do futebol saudita aventurando-se no mundo árabe entre os anos 1980 e 1990. “Na primeira vez, eles investiram nos treinadores, investiram nos brasileiros para ensinar os meninos”, lembra.

Privilégios

Neymar terá uma série de regalias no Oriente Médio. Vai receber cerca de 500 mil euros, cerca de R$ 2,7 milhões, por publicação em que promova a Arábia Saudita, terá uma equipe completa à disposição em sua mansão em um condomínio de luxo durante 24h, um avião particular, vários carros de luxo e poderá morar com sua namorada, Bruna Biancardi, mesmo não sendo casado legalmente com ela, o que por lei é proibido no país.

“Existe uma abertura maior nesse novo momento da Arábia, preparando-se também para o turismo. Casais com união estável são aceitos dentro do país”, crê o técnico Péricles Chamusca, um dos brasileiros que hoje trabalham na Arábia Saudita. Ele treina o Al Taawoun, o quinto clube que dirige no país onde vive desde 2018. “Várias ações foram tomadas no sentido de melhorar a vida dos estrangeiros”.

Neymar terá privilégios semelhantes aos da monarquia saudita
Neymar terá privilégios semelhantes aos da monarquia saudita Foto: Divulgação/Al-Hilal

De acordo com informações da imprensa internacional, um Boeing 747-400 que pertence ao príncipe Al-Waleed bin Talal estará disponível para Neymar usar em suas folgas a fim de ir para qualquer lugar do mundo. A aeronave conta com uma suíte máster no andar superior, espaço para sofás revestidos em couro e também uma espécie de poltrona real banhada a ouro.

Chamusca não acredita que as leis islâmicas vão ser flexibilizadas a ponto de permitir privilégios para as estrelas do futebol, como Neymar e Cristiano Ronaldo. “Todos eles vão ter de respeitar as leis”, afirma. O atacante português poderá dar umas dicas ao colega brasileiro porque está lá desde o começo do ano. “O que eles têm, sem dúvida, são os privilégio de contrato, o que é normal pela valorização e pelo que representam em termos de divulgação do país e de melhoria da liga”, acrescenta o treinador.

Conhecido por ser anfitrião de grandes festas, Neymar terá liberdade para promover eventos em sua mansão, mas não da mesma forma que fazia em Mangaratiba, Barcelona e Paris. “Ele vai morar numa mansão, vai ter mordomias. Na minha época, a gente tinha uma mordomia razoável, hoje vai ter muito mais. Lá, tem condomínios só para estrangeiros”, comenta Candinho.

O jogador brasileiro também não poderá consumir bebida alcoólica, uma vez que o consumo não é liberado em nenhum local e o governo não sinaliza com o relaxamento da lei. “A lei é clara, não existe essa possibilidade de consumir bebida alcóolica, o que também não se torna um incômodo para quem gosta porque Dubai e Doha são próximas de avião. Há várias maneiras de administrar isso”, sugere Chamusca, citando as cidades do Emirados Árabes e do Catar onde passa folgas e períodos livres.

Religião

Cristão, Neymar chegou à nação muçulmana na semana passada usando um chamativo cordão reluzente com um crucifixo enorme no peito. Ele tem várias tatuagens com referências religiosas e chegou a usar uma faixa em que se lia “100 Jesus” quando comemorou o então inédito ouro olímpico conquistado pela seleção brasileira nos Jogos do Rio, em 2016.

Não há uma norma que proíba a manifestação da fé cristã na Arábia Saudita, embora existam relatos de que a liberdade religiosa não é respeitada no país e a conversão ao cristianismo é proibida por lei, passível de aplicação da pena de morte. Lá, normalmente, qualquer adoração não-muçulmana ocorre em ambientes privados. “O que mais impactou aqui é a doutrina das orações. Eles rezam cinco vezes ao dia”, conta Ricardo Ryller, volante de 29 anos que defende desde 2021 o Al-Fayha.

Em dois anos, o jogador revelado pelo Luverdense e que passou pelo Bragantino disse ter conseguido se adaptar sem problemas aos costumes sauditas. “Ao contrário do que se diz, acredito que aqui não seja um país ruim de se viver. Há situações rígidas, mas favoráveis, como a segurança. É um país muito seguro”, destaca.

Príncipe herdeiro Mohammad bin Salman é o primeiro-ministro e quem está à frente da monarquia absolutista saudita
Príncipe herdeiro Mohammad bin Salman é o primeiro-ministro e quem está à frente da monarquia absolutista saudita  Foto: Bandar Alialoud/EFE

Com aporte vultoso no esporte, os sauditas estão sendo associados a “sportswashing”, termo que se refere à tentativa de um país em limpar sua imagem e melhorar sua popularidade. O governo saudita nega, porém, tal aspiração e diz que seu foco é atender ao interesse de seu povo pelo esporte.

O ambicioso projeto do governo saudita inclui sediar a Copa do Mundo de 2030, repetindo o que fez o seu vizinho Catar no ano passado. Daí os bilhões de dólares investidos em grandes estrelas mundiais, como Neymar, Cristiano Ronaldo e Benzema, e o fortalecimento da liga de futebol local. “Por todas as informações que tenho recebido, vejo que é um projeto duradouro”, acredita Chamusca, cujo discurso é endossado por Ryller. “Eles sabem o que estão fazendo, querem muito fomentar o turismo aqui”, argumenta.

A gastança esportiva saudita reflete em parte a dinâmica dentro do reino: uma nova enxurrada de petrodólares e a ambição de Salman para criar uma sociedade socialmente mais liberal e restaurar sua reputação manchada no Ocidente. Mas as mudanças também refletem a sensação de que há uma nova janela de oportunidade no esporte global: conquistar audiências maiores e mais novas, criar diferentes tipos de eventos e torneios e reinventar os antigos.

O reino quer que a Saudi Pro League, a liga saudita, atraia investimentos e torcedores. O objetivo é receber 100 milhões de visitantes por ano até 2030 (foram 64 milhões em 2021). As autoridades esperam que até lá a liga quadruplique sua receita para US$ 480 milhões, embora isso ainda seja insignificante diante, por exemplo, da Premier League, que gerou dez vezes mais no ano passado.

Candinho diz que aconselharia qualquer jogador, jovem ou veterano, a aceitar o volumoso dinheiro saudita, fruto dos ganhos com petróleo, para se aventurar no mundo árabe. “É o país do momento”, considera. “O futebol está melhorando, os estádios estão lotados, o campeonato está sendo transmitido para vários países”.

EFEITOS MAIS EVIDENTES DO ENVELHECIMENTO NAS PESSOAS

A partir de que idade os efeitos do envelhecimento se tornam mais evidentes? Veja o que diz estudo

Pesquisadores da UFScar analisaram a capacidade do corpo de captar, transportar e consumir oxigênio durante o exercício físico

Por Maria Fernanda Ziegler – Jornal Estadão

AGÊNCIA FAPESP – Estudo feito com 118 pessoas saudáveis de diferentes faixas etárias mostra que é a partir dos 60 anos que se tornam mais evidentes os prejuízos causados pelo envelhecimento no controle da frequência cardíaca em repouso e na aptidão cardiorrespiratória, ou seja, na capacidade do corpo de captar (sistema respiratório), transportar (sistema cardiovascular) e consumir (músculos) oxigênio durante o exercício físico. Contudo, foram observadas certas alterações no perfil metabólico, isto é, na concentração de substâncias no sangue, que aparentemente estão relacionadas com a mitigação dos efeitos deletérios da senescência.

“Estudar o envelhecimento é importante, pois ele causa alterações em vários dos nossos sistemas orgânicos. O metabolismo tem sido bastante estudado, assim como a modulação autonômica cardíaca (o controle da frequência cardíaca pelo sistema nervoso) e a aptidão cardiorrespiratória, porém, quase sempre de maneira isolada. Em nosso estudo, buscamos investigar as mudanças decorrentes do processo de envelhecimento de forma integrada. Ao analisar esses três componentes concomitantemente, descobrimos um possível ponto de virada do envelhecimento aos 60 anos de idade. Embora a senescência seja um processo que dure décadas, é principalmente após os 60 anos que as alterações nos três componentes analisados se tornam mais significativas”, afirma Aparecida Maria Catai, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenadora da pesquisa.

Divulgado na revista Scientific Reports, o estudo teve apoio da Fapesp por meio de um Projeto Temático.

“Com o passar do tempo, o organismo, mesmo em pessoas saudáveis, vai apresentando alguns comprometimentos. Por causa disso, vão sendo realizados alguns ‘ajustes fisiológicos’ para que ele permaneça em equilíbrio (homeostase). No entanto, esses mecanismos são limitados e vão se exaurindo com o avançar da idade. Identificamos neste estudo que algumas alterações nos níveis séricos de certos metabólitos podem ter relação com esses mecanismos homeostáticos”, explica Étore de Favari Signini, bolsista de doutorado da Fapesp e primeiro autor do artigo.

Dessa forma, os pesquisadores observaram que alguns metabólitos podem estar associados à mitigação dos efeitos deletérios do envelhecimento. “Trata-se do aumento significativo, na faixa entre 60 e 70 anos, dos níveis séricos de ácido hipúrico, um metabólito associado a uma série de funções diferentes, entre elas a diversidade da microbiota intestinal e a saúde metabólica”, diz o pesquisador. O achado pode contribuir para novas estratégias direcionadas a reduzir os efeitos deletérios do envelhecimento.

Os pesquisadores ressaltam que, embora o aumento desse metabólito possa indicar prejuízos na função renal, estudos recentes têm proposto que o ácido hipúrico pode ser um marcador e um mediador da saúde metabólica, podendo ter relação com a complexidade da microbiota intestinal (com influência direta na absorção de nutrientes no intestino) e um possível efeito protetor sobre as células beta do pâncreas.

“Como se tratava de idosos aparentemente saudáveis, sem nenhum indicativo de comprometimento renal, sugerimos que o aumento do ácido hipúrico estaria ligado ao enriquecimento da microbiota intestinal e, por consequência, à melhor absorção de nutrientes no intestino. E sabemos que, quanto melhor a absorção intestinal de nutrientes, considerando o contexto de envelhecimento, melhor a saúde do organismo no geral”, diz.

Outro aspecto importante investigado pelos pesquisadores foi a redução de aminoácidos essenciais, como valina, leucina e isoleucina – conhecidos pela sigla BCAAs (que em inglês significa aminoácidos de cadeia ramificada).

“O decaimento de BCAAs no envelhecimento saudável pode estar atrelado a uma estratégia do organismo para se preservar. Sabemos que os BCAAs estão diretamente ligados à síntese proteica. E, com o envelhecimento, a atividade anabólica vai decaindo”, afirma.

Signini ressalta que os benefícios de uma suplementação de BCAAs em idosos, com o favorecimento da síntese proteica, ainda é um assunto muito discutido. “A redução da atividade anabólica (que nesse contexto possui relação com a redução dos níveis de BCAAs séricos) também tem sido destacada, até certo ponto, como algo benéfico segundo alguns estudos”, afirma.

“Pesquisas têm apontado que a atividade anabólica acentuada no contexto em que há diversos comprometimentos na maquinaria celular, como, por exemplo, na função de organelas e de enzimas, pode trazer consequências indesejadas, entre elas o câncer”, diz.

Pesquisadores descobriram um possível ponto de virada do envelhecimento aos 60 anos de idade.
Pesquisadores descobriram um possível ponto de virada do envelhecimento aos 60 anos de idade. Foto: Michaela Rehle/Reuters

Metodologia

O objetivo do trabalho foi avaliar questões relacionadas ao metabolismo, à modulação autonômica cardíaca e à aptidão cardiorrespiratória em 118 indivíduos divididos em cinco grupos etários (20-29 anos, 30-39, 40-49, 50-59, 60-70). Foram incluídos em todas as faixas etárias apenas participantes aparentemente saudáveis, ou seja, sem diagnóstico de comprometimento cardiovascular, respiratório ou relacionado ao metabolismo, como síndrome metabólica, obesidade ou diabetes. Além de passar por uma rigorosa bateria de exames e testes, os voluntários também não podiam tomar medicamentos controlados, como, por exemplo, para hipertensão.

Para avaliar a aptidão cardiorrespiratória, todos realizaram o teste de exercício cardiopulmonar, que permite medir o consumo máximo de oxigênio. As análises sobre modulação autonômica cardíaca foram feitas por meio da aferição da variabilidade dos períodos cardíacos, na condição de repouso e com os indivíduos na posição supina (deitado de costas). Já o metabolismo foi investigado por meio de metabolômica (análise do conjunto de metabólitos presentes), a partir de amostras de soro sanguíneo dos indivíduos.

Essas análises foram conduzidas nos departamentos de Fisioterapia e de Química da UFSCar, em laboratórios coordenados por Catai, Regina Vincenzi Oliveira e Antonio Gilberto Ferreira.

Os pesquisadores ressaltam que as alterações observadas durante o envelhecimento, sobretudo depois dos 60 anos, estão relacionadas a mudanças funcionais e estruturais nos sistemas orgânicos que se refletem na modulação autonômica cardíaca e na capacidade do corpo de gerar energia a partir da captação, do transporte e consumo de oxigênio.

Vale destacar que, enquanto o sistema nervoso autônomo (que funciona quando o indivíduo está em repouso ou de modo involuntário para que ocorram os batimentos cardíacos, por exemplo) desempenha um papel no controle, na manutenção e regulação das funções vitais do organismo, o consumo de oxigênio pico (termo que se refere à maior taxa de consumo de oxigênio durante exercício exaustivo) é resultado da maior capacidade de atividade integrada do metabolismo com os sistemas muscular, cardiovascular, respiratório e nervoso e está relacionado com a aptidão cardiorrespiratória, como explica Signini.

Segundo o pesquisador, é esperado que a aptidão cardiorrespiratória decaia em função do avançar da idade em decorrência de alterações em diversos sistemas do organismo que acabam comprometendo a captação, o transporte e consumo de oxigênio.

Estudos anteriores já haviam mostrado existir uma relação entre envelhecimento fisiológico e o desequilíbrio na modulação autonômica cardíaca – incluindo aumento na modulação simpática e redução na modulação parassimpática sobre o coração em condição de repouso.

“A modulação autonômica cardíaca permite que nosso corpo transponha estresses físicos e, ao mesmo tempo, mantenha-se em homeostase, por meio do equilíbrio entre as modulações simpática e parassimpática cardíaca”, diz.

Ele explica que, conforme ocorre o processo de envelhecimento, surgem dificuldades na manutenção dessa modulação. “Portanto, com o tempo, em condições de repouso, ocorre uma maior modulação simpática e, em contrapartida, uma redução da modulação parassimpática, o que resulta em mais estresse para o organismo”, explica.

O artigo Integrative perspective of the healthy aging process considering the metabolome, cardiac autonomic modulation and cardiorespiratory fitness evaluated in age groups pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41598-022-25747-5.

 

MARCA PESSOAL FAZ CRIAR UMA REPUTAÇÃO NO ONLINE E NO OFFLINE

Renata Zveibel – Especialista em Branding e Construção de Marca Pessoal

Saber trabalhar uma marca pessoal consistente pode garantir um posicionamento relevante no mercado de trabalho para muitos profissionais que almejam um crescimento em suas determinadas áreas.

Marca pessoal vai além de simplesmente postar nas redes sociais, sendo na verdade um conjunto de fatores que irão ajudar na construção de reputação e autoridade, não só no online, mas também no offline.

A especialista em Branding e Construção de Marca Pessoal, Renata Zveibel, afirma que a marca pessoal é a combinação única de habilidades, valores, essência e repertório. São elementos que farão os profissionais se tornarem únicos e despertarem a atenção do mercado.

“Precisamos pensar em nossa carreira como se fosse a nossa própria empresa. A marca pessoal é um dos principais ativos desse negócio e precisa ser trabalhada como em qualquer outro mercado. Um dos resultados desse trabalho é nos tornarmos autoridade em determinado assunto” comenta Renata.

Renata traz oito dicas para ajudar a colocar em prática e a construir sua marca pessoal.

1.        Descubra sua essência: Identifique seus valores centrais, suas paixões e suas principais habilidades. Compreender sua essência é fundamental para construir uma marca pessoal autêntica e consistente.

2.        Seja autêntica: Em um mundo repleto de influenciadores e empreendedores, é crucial ser autêntica e genuína. Não tente imitar ou copiar outras pessoas. Mostre sua personalidade única e compartilhe sua perspectiva pessoal.

3.        Conte sua história: Compartilhe sua jornada pessoal e profissional de maneira honesta e envolvente. Isso ajuda a criar conexões emocionais com seu público, permitindo que eles se ientifiquem e se engajem com sua marca.

4.        Demonstre consistência: Mantenha-se fiel à sua essência e aos valores que você representa. Isso significa ter uma voz e uma estética visual coerentes e uma abordagem consistente em todas as interações e conteúdos que você compartilha.

5.        Construa seu repertório: Invista na ampliação do seu conhecimento e na diversificação das suas experiências. Isso ajudará a enriquecer sua marca pessoal e fornecerá uma base sólida para compartilhar insights valiosos e conteúdos relevantes. O seu repertório é o que te faz única!

6.        Mantenha-se atualizada: Esteja sempre atualizada sobre as tendências e novidades do seu setor. Isso mostra que você é uma profissional confiável, capaz de fornecer informações relevantes e de qualidade para seu público.

7.        Seja transparente: Transparência é fundamental para construir confiança com seu público. Compartilhe suas conquistas, mas também seus desafios e aprendizados. Isso mostra que você é uma pessoa real e acessível, estabelecendo uma conexão mais profunda com seu público.

8.        Ouça e interaja: Esteja aberta a ouvir seu público e a responder às suas perguntas e comentários. Isso demonstra que você valoriza o feedback e está disposta a se envolver em conversas significativas. A interação ativa ajuda a construir relacionamentos duradouros e a fortalecer sua marca pessoal.

Descubra o Marketplace Valeon do Vale do Aço: Um Hub de Empresas, Notícias e Diversão para Empreendedores

Moysés Peruhype Carlech – ChatGPT

O Vale do Aço é uma região próspera e empreendedora, conhecida por sua indústria siderúrgica e seu ambiente de negócios dinâmico. Agora imagine ter um único local onde você pode encontrar todas as informações e recursos necessários para ter sucesso nesse ambiente competitivo. Bem-vindo ao Marketplace Valeon do Vale do Aço – um hub online que engloba empresas, notícias, diversão e empreendedorismo, oferecendo uma plataforma única para empresários e gerando leads valiosos.

Um ecossistema empresarial abrangente:

O Marketplace Valeon do Vale do Aço reúne empresas locais de diversos setores em um só lugar. Com uma interface intuitiva, os usuários podem facilmente encontrar e se conectar com fornecedores, parceiros comerciais e clientes potenciais na região. A plataforma oferece uma ampla gama de categorias de negócios, desde indústrias tradicionais até empresas inovadoras, garantindo que todos os empreendedores encontrem as oportunidades certas para expandir seus negócios.

Notícias e insights atualizados:

Além de ser um diretório empresarial, o Marketplace Valeon do Vale do Aço também oferece um fluxo contínuo de notícias e insights relevantes para os empresários da região. Através de parcerias com veículos de comunicação locais e especialistas em negócios, a plataforma mantém os usuários informados sobre as últimas tendências, oportunidades de mercado, mudanças regulatórias e eventos relevantes. Essas informações valiosas ajudam os empresários a tomar decisões informadas e a se manterem à frente da concorrência.

Diversão e engajamento:

Sabemos que a vida empresarial não é só trabalho. O Marketplace Valeon do Vale do Aço também oferece uma seção de entretenimento e lazer, onde os usuários podem descobrir eventos locais, pontos turísticos, restaurantes e muito mais. Essa abordagem holística permite que os empresários equilibrem o trabalho e a diversão, criando uma comunidade unida e fortalecendo os laços na região.

Foco no empreendedorismo:

O Marketplace Valeon do Vale do Aço é uma plataforma que nutre o espírito empreendedor. Além de fornecer informações e recursos valiosos, também oferece orientação e suporte para os empresários que desejam iniciar seus próprios negócios. Com seções dedicadas a tutoriais, estudos de caso inspiradores e conselhos de especialistas, o marketplace incentiva e capacita os empreendedores a alcançarem seus objetivos.

Geração de leads para os empresários:

Uma das maiores vantagens do Marketplace Valeon do Vale do Aço é a capacidade de gerar leads qualificados para os empresários. Com um público-alvo altamente segmentado, a plataforma oferece a oportunidade de se conectar diretamente com potenciais clientes interessados nos produtos e serviços oferecidos pelas empresas cadastradas. Isso significa que os empresários podem aumentar sua visibilidade, expandir sua base de clientes e impulsionar suas vendas de forma eficiente.

Conclusão:

O Vale do Aço é uma região cheia de oportunidades e empreendedorismo, e o Marketplace Valeon do Vale do Aço se torna um recurso indispensável para os empresários locais. Ao oferecer um ecossistema empresarial abrangente, notícias atualizadas, diversão, suporte ao empreendedorismo e a geração de leads qualificados, o Marketplace Valeon se destaca como uma ferramenta poderosa para impulsionar os negócios na região. Não perca a chance de fazer parte dessa comunidade dinâmica e descubra o poder do Marketplace Valeon do Vale do Aço para o seu sucesso empresarial.

A STARTUP VALEON OFERECE SEUS SERVIÇOS AOS EMPRESÁRIOS DO VALE DO AÇO

Moysés Peruhype Carlech

A Startup Valeon, um site marketplace de Ipatinga-MG, que faz divulgação de todas as empresas da região do Vale do Aço, chama a atenção para as seguintes questões:

• O comércio eletrônico vendeu mais de 260 bilhões em 2021 e superou pela primeira vez os shopping centers, que faturou mais de 175 bilhões.

• Estima-se que mais de 35 bilhões de vendas dos shoppings foram migradas

para o online, um sintoma da inadequação do canal ao crescimento digital.

• Ou seja, não existe mais a possibilidade de se trabalhar apenas no offline.

• É hora de migrar para o digital de maneira inteligente, estratégica e intensiva.

• Investir em sistemas inovadores permitirá que o seu negócio se expanda, seja através de mobilidade, geolocalização, comunicação, vendas, etc.

• Temas importantes para discussão dos Shoppings Centers e do Comércio em Geral:

a) Digitalização dos Lojistas;

b) Apoio aos lojistas;

c) Captura e gestão de dados;

d) Arquitetura de experiências;

e) Contribuição maior da área Mall e mídia;

f) Evolução do tenant mix;

g) Propósito, sustentabilidade, diversidade e inclusão;

h) O impacto do universo digital e das novas tecnologias no setor varejista;

i) Convergência do varejo físico e online;

j) Criação de ambientes flexíveis para atrair clientes mais jovens;

k) Aceleração de colaboração entre +varejistas e shoppings;

l) Incorporação da ideia de pontos de distribuição;

m) Surgimento de um cenário mais favorável ao investimento.

Vantagens competitivas da Startup Valeon:

• Toda Startup quando entra no mercado possui o sonho de se tornar rapidamente reconhecida e desenvolvida no seu ramo de atuação e a Startup Valeon não foge disso, fazem dois anos que estamos batalhando para conquistarmos esse mercado aqui do Vale do Aço.

• Essa ascensão fica mais fácil de ser alcançada quando podemos contar com apoio dos parceiros já consolidados no mercado e que estejam dispostos a investir na execução de nossas ideias e a escolha desses parceiros para nós está na preferência dos empresários aqui do Vale do Aço para os nossos serviços.

• Parcerias nesse sentido têm se tornado cada vez mais comuns, pois são capazes de proporcionar vantagens recíprocas aos envolvidos.

• A Startup Valeon é inovadora e focada em produzir soluções em tecnologia e estamos diariamente à procura do inédito.

• O Site desenvolvido pela Startup Valeon, focou nas necessidades do mercado e na falta de um Marketplace para resolver alguns problemas desse mercado e em especial viemos para ser mais um complemento na divulgação de suas Empresas e durante esses dois anos de nosso funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado com tecnologia, inovação com soluções tecnológicas que facilitam a rotina dessa grande empresa. Temos a missão de surpreender constantemente, antecipar tendências, inovar. Precisamos estar em constante evolução para nos manter alinhados com os desejos do consumidor. Por isso, pensamos em como fazer a diferença buscando estar sempre um passo à frente.

• Temos a plena certeza que estamos solucionando vários problemas de divulgação de suas empresas e bem como contribuindo com o seu faturamento através da nossa grande audiência e de muitos acessos ao site (https://valedoacoonline.com.br/) que completou ter mais de 100.000 acessos.

Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:

• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;

• Atraímos visualmente mais clientes;

• Somos mais dinâmicos;

• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;

• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;

• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.

• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as suas vendas.

Proposta:

Nós da Startup Valeon, oferecemos para continuar a divulgação de suas Empresas na nossa máquina de vendas, continuando as atividades de divulgação e propaganda com preços bem competitivos, bem menores do que os valores propostos pelos nossos concorrentes offlines.

Pretendemos ainda, fazer uma página no site da Valeon para cada empresa contendo: fotos, endereços, produtos, promoções, endereços, telefone, WhatsApp, etc.

O site da Valeon é uma HOMENAGEM AO VALE DO AÇO e esperamos que seja também uma SURPRESA para os lojistas dessa nossa região do Vale do Aço.

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A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua empresa seja oficializada.

A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as melhores marcas do varejo e um mix de opções.

O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.

Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é muito abaixo do valor praticado pelo mercado.

Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:

  • O Site Valeon é bem elaborado, com layout diferenciado e único, tem bom market fit que agrada ao mercado e aos clientes.
  • A Plataforma Valeon tem imagens diferenciadas com separação das lojas por categorias, com a descrição dos produtos e acesso ao site de cada loja, tudo isso numa vitrine virtual que possibilita a comunicação dos clientes com as lojas.
  • Não se trata da digitalização da compra nas lojas e sim trata-se da integração dos ambientes online e offline na jornada da compra.
  • No país, as lojas online, que também contam com lojas físicas, cresceram três vezes mais que as puramente virtuais e com relação às retiradas, estudos demonstram que 67% dos consumidores que compram online preferem retirar o produto em lojas físicas.
  • O número de visitantes do Site da Valeon (https://valedoacoonline.com.br/)  tem crescido exponencialmente, até o momento, temos mais de 222.000 visitantes e o site (https://valeonnoticias.com.br/) também nosso tem mais de 5.800.000 de visitantes.
  • O site Valeon oferece ao consumidor a oportunidade de comprar da sua loja favorita pelo smartphone ou computador, em casa, e ainda poder retirar ou receber o pedido com rapidez.
  • A Plataforma Comercial da Valeon difere dos outros marketplaces por oferecer além da exposição das empresas, seus produtos e promoções, tem outras formas de atrair a atenção dos internautas como: empresas, serviços, turismo, cinemas e diversão no Shopping, ofertas de produtos dos supermercados, revenda de veículos usados, notícias locais do Brasil e do Mundo, diversão de músicas, rádios e Gossip.

                                                                                                                                                                   Nós somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.

Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?

Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

 

sábado, 26 de agosto de 2023

LULA TAMBÉM ESCONDEU E UTILIZOU JOIAS RECEBIDAS DE PRESENTES E NÃO DEVOLVEU

 

História por AFP Brasil 

Com investigações em curso sobre supostos desvios de joias por parte do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL), publicações difundidas mais de 8,6 mil vezes nas redes sociais em agosto de 2023 enganam ao dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “confessou que roubou” 11 contêineres de presentes. Os conteúdos baseiam-se em uma entrevista de Lula de março de 2016, meses antes de um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) fixar uma interpretação mais rígida sobre o acervo presidencial. Após a decisão, Lula devolveu os objetos e pagou por oito que não foram localizados.

“O descondenado confessou que saiu da Presidência com 11 containers”, diz um dos conteúdos compartilhados no Facebook, que usa um trecho de uma entrevista de Lula com a frase “Só roubou 11 containers” sobreposta às imagens.

Publicações semelhantes circulam também no Instagram, no Kwai, no Telegram e no TikTok.

Lula não “confessou” irregularidades ao dizer que levou 11 contêineres de presentes após mandatos© Fornecido por AFP

O conteúdo circula em meio a suspeitas de que pessoas do entorno de Jair Bolsonaro teriam agido para vender joias e outros presentes recebidos de países estrangeiros em um suposto esquema para enriquecer ilicitamente o ex-presidente.

No vídeo viralizado, Lula é visto segurando um microfone e dizendo: “Você sabe o que é que é alguém sair da Presidência com 11 contêineres de acervo sem ter onde pôr? Você sabe o que é sair com cadeira, com trono, com papel, com tudo o que você possa imaginar? Porque se somar todos os presidentes da história desse país, desde Floriano Peixoto, eu fui o que mais ganhei presente. Porque viajei mais, porque trabalhei mais, porque viajei o mundo, eu tenho até trono da África. O que é que eu faço com isso?”.

Entrevista de março de 2016

Buscas reversas por fragmentos do vídeo localizaram a entrevista original de Lula, concedida em 4 de março de 2016 após a 24ª fase da Operação Lava Jato.

A data, no caso, é relevante porque somente em agosto de 2016 — meses depois da entrevista de Lula — o Tribunal de Contas da União determinou a incorporação de todos os documentos e presentes recebidos pelos presidentes da República ao patrimônio da União. As exceções restringiam-se a itens “de natureza personalíssima ou de consumo próprio”. A decisão pode ser vista no Acórdão 2255/2016.

Até essa decisão, presentes recebidos por presidentes da República eram regidos, sobretudo, pelo Decreto nº 4.344/2002 — que, por sua vez, era uma regulamentação da legislação original sobre o tema, a Lei 8.394/1991.

Entretanto, o inciso II do decreto nº 4.344/2022 permitia a interpretação de que somente “documentos bibliográficos e museológicos recebidos em cerimônias de troca de presentes, nas audiências com chefes de Estado e de Governo por ocasião das ‘Visitas Oficiais’ ou ‘Viagens de Estado’ do presidente da República ao exterior” seriam patrimônio da União. Ou seja, bens recebidos fora de cerimônias de “trocas de presentes” poderiam ser considerados parte do acervo pessoal do chefe de Estado, de acordo com o entendimento vigente até então.

Foi esse ponto que o acórdão do TCU, em 2016, considerou uma interpretação equivocada.

Nesse mesmo acórdão, o TCU determinava que, no prazo de 120 dias, fosse identificada a localização de 568 presentes recebidos por Lula de chefes de Estado ou Governo, em audiências no exterior ou em solo nacional.

11 contêineres e auditoria do TCU

Uma pesquisa no Google pelas palavras-chave “Lula 11 contêineres” trouxe como resultado uma matéria do veículo Poder360, que afirma: “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 9.037 itens nos seus primeiros 2 mandatos (2003-2010). Tudo foi retirado em 11 contêineres”.

O Instituto Lula, cuja equipe organiza e mantém o acervo presidencial do mandatário, afirma em seu site que o acervo do petista é composto por 9.039 objetos “como esculturas, medalhas, camisetas, bonés, quadros, honrarias, entre outros”.

Além desses bens, compõem o acervo, segundo o instituto, mais de nove mil livros, mais de 400 mil correspondências, e mais de 12 mil itens audiovisuais, como fotos e álbuns.

O AFP Checamos entrou em contato com a assessoria de imprensa do Instituto Lula em 23 de agosto de 2023, que afirmou que o TCU teve acesso à lista completa de presentes recebidos por Lula e, destes, selecionou os 568 presentes mencionados inicialmente no acórdão. O TCU confirmou essa informação à AFP.

Após a determinação do TCU, em 2019, a Secretaria de Administração da Presidência da República informou ao Tribunal que havia instituído uma comissão especial para atender à decisão, e que, após uma análise da Diretoria de Documentação Histórica (DDH) do Gabinete Pessoal do Presidente da República, concluiu-se que o número final de bens de Lula a serem incorporados no acervo público da União era de 434, não de 568.

Nessa mesma resposta, a Secretaria indicou, desse total de 434 itens, a localização de 360 bens. Restava, portanto, localizar 74 itens.

“Posteriormente, o Ofício 2512/2019/SA/SG/SG/PR informa que, quanto ao presidente Lula, restaram apenas 8 bens a serem localizados, cujo valor alcança R$ 11.748,40”, indicou ao AFP Checamos a assessoria de imprensa do TCU em 15 de agosto de 2023.

Ainda segundo o Tribunal, esse valor total dos oito bens não localizados dispensa a instauração da chamada Tomada de Contas Especial (TCE), uma medida de exceção que tem como objetivo apurar se o investigado é responsável por dano à administração pública.

Dado que a TCE não era necessária, em 2020, o TCU considerou cumprida a determinação que inicialmente havia sido feita em 2016, de localização dos 568 presentes de Lula.

Ainda segundo a resposta enviada pela equipe do TCU à AFP, Lula teria pago o valor dos itens não localizados em dez parcelas de R$ 1.174,84 — totalizando o valor de R$ 11.748,40 dos itens — de acordo com o informado no Ofício 358/2021/SA/SG/SG/PR. O AFP Checamos não teve acesso ao documento citado pelo tribunal.

O TCU também resumiu quais seriam os oito itens finais não localizados:

  1. Cuia e bomba para tomar chimarrão trabalhadas em prata e bronze;
  2. Peça com grupo de músicos (adultos e crianças) ao redor de uma mesa de madeira;
  3. Quadro (14,4×19,3 cm) tipo porta-retratos, emoldurando selo em ouro, com rosto de homem;
  4. Duas esculturas em madeira, em forma de pássaro (39×18 cm e 41×16 cm);
  5. Cartaz (84,5×56 cm) com fotografia impressa do Santo Sudário;
  6. Garrafa (21 cm) para licor, em cristal, com tampa e gargalo em prata;
  7. Espada (112 cm) com punho e bainha confeccionados em madeira escura, e ornada com peças metálicas;
  8. Escultura (14x13x4 cm) confeccionada em bronze, fixada em base retangular representando mulher segurando buquê de flores vermelhas, apoiada em uma bicicleta.

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Referências

QUEM VAI COMANDAR O BRICS APÓS A ENTRADA DE NOVOS MEMBROS

História por admin3 •14h

Dentro do sempre confuso grupo dos países emergentes se trava no momento uma disputa para saber quem vai comandar esse bloco e quais decisões irão prevalecer nos movimentos que vêm sendo desenhados. De um lado da contenda, o presidente brasileiro, Luiz Inácio da Silva.

Do outro, os chineses, à frente da principal economia asiática, que planejam ampliar o número de participantes para projetar sua influência econômica, e até política, como forma de predominância sobre o mundo.

A Rússia também passou a ter interesse nesse reforço do Brics após enfrentar o isolamento e retaliação econômica global gerados pelo conflito com a Ucrânia. Lula, por sua vez, sonha com um protagonismo a partir de uma configuração mais compacta, do jeito que está.

O Brasil teme o descontrole e a falta de foco a partir da entrada ali de muitos pretendentes. Ao menos 23 nações estão neste momento almejando adesão. Na verdade, nada menos que 40 manifestaram algum tipo de interesse, mas parte já foi descartada.

Até quanto aos nomes de possíveis incluídos há divergências. Lula e seus assessores defendem a entrada da Argentina.

Chineses e russos querem os Emirados Árabes e a Indonésia. Há um temor da diplomacia brasileira com relação a um perfil mais radical do Brics que seria caracterizado a partir da incorporação de países que flertam com regimes autoritários.

É, decerto, algo concreto levando em conta a simpatia de russos e chineses nesse sentido. Existe a perspectiva de o grupo dobrar de tamanho em relação a composição atual, que já conta com a África do Sul como membro mais recente, e sede do último encontro dias atrás.

O Brasil está condicionando seu aval à expansão ao apoio dos chineses para entrar no Conselho de Segurança da ONU. Os negociadores querem uma posição clara de Pequim na defesa de uma reforma geral nesse braço estratégico das Nações Unidas. As discussões a respeito ainda estão indefinidas. Na prática, o objetivo claro de constituir um Brics mais robusto está amparado na ideia de antagonizar com o G-7 e de ter maior relevância que essa agremiação dos países mais ricos. Os brasileiros acham tal concorrência inócua.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, alega que disputar espaço com outros blocos globais não agrega valor e representa um equívoco de posicionamento internacional.

O embaixador Celso Amorim, assessor especial do governo, avalia, por sua vez, que o mundo não pode mais ser ditado pelos desígnios do G-7 e que uma “afirmação global de importância” do Brics tem valor.

Nesse sentido, a ideia de adotar uma moeda comum, em alternativa ao dólar, nas transações comerciais tem sido vista como principal ferramenta de projeção. País interessado na movimentação, o Irã, histórico opositor dos americanos, aplaude a iniciativa e também aspira ingressar no clube.

Em Teerã, o Brics é tido como peça-chave para uma ordem multipolar. A teocracia islâmica, previsivelmente, aplaude qualquer iniciativa que arranhe a hegemonia e influência dos EUA sobre os demais. E é isso que está de fato em jogo.

No concerto das nações, o Brics quer virar o tabuleiro. Com o olhar generalizado sobre o seu futuro, nada mais natural que tantos candidatos buscando liderar seus desígnios.

O post De quem é o Brics? apareceu primeiro em ISTOÉ DINHEIRO.

 

MARINA SILVA É CONTRA A EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO NA FOZ DO AMAZONAS E IRRITA O GOVERNO

 

Disputa envolvendo exploração de petróleo na foz do Amazonas racha governo e Jorge Messias vê “negacionismo jurídico” para cumprir “propósitos políticos”

Por Vera Rosa – Jornal Estadão

BRASÍLIA – As afirmações da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de que “não existe conciliação para questão técnica” irritaram a cúpula da Advocacia-Geral da União (AGU). Marina fez o comentário após parecer emitido na terça-feira, 22, pela AGU, que abriu caminho para a Petrobras explorar petróleo na foz do rio AmazonasO assunto virou uma ruidosa disputa dentro do governo Lula.

“Nós não podemos praticar negacionismo jurídico para cumprir propósitos políticos”, disse nesta sexta-feira, 25, o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, cotado para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos próximos dias, a Câmara de Conciliação da AGU encaminhará um ofício para os ministérios do Meio Ambiente, de Minas e Energia, Ibama, Petrobras e outras repartições envolvidas na queda de braço. A ideia, que conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é oferecer essa “expertise” para mediar um acordo.

Marina e o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, já avisaram, porém, que não aceitam tal mediação. “Não existe conciliação, não existe acordo em licenciamento ambiental. Não é ‘Casas Bahia’”, ironizou Agostinho.

Marina diz que Avaliação Ambiental de Área Sedimentar não é condicionante para Petrobras obter licença e Agostinho (à dir.) rejeita tentativa de acordo
Marina diz que Avaliação Ambiental de Área Sedimentar não é condicionante para Petrobras obter licença e Agostinho (à dir.) rejeita tentativa de acordo Foto: WILTON JUNIOR

O parecer da AGU sobre o processo de licenciamento para a perfuração do bloco 59 – localizado na chamada Margem Equatorial, a 175 quilômetros da foz do Amazonas – recomenda a conciliação entre as partes. A conclusão contrariou o Meio Ambiente, mas a AGU espera agora uma resposta formal sobre sua oferta.

Messias afirmou que é preciso recuperar a política como “espaço nobre” para solução de conflitos. Ao se referir à disputa que opõe o Meio Ambiente e Minas e Energia, o ministro lembrou que o caso tramita na administração pública há pelo menos 11 anos.

O ministro-chefe da AGU, Jorge Messias, afirma que ninguém tem o "monopólio da verdade" na administração pública
O ministro-chefe da AGU, Jorge Messias, afirma que ninguém tem o “monopólio da verdade” na administração pública Foto: Evaristo Sa/AFP

“É um exemplo de insegurança jurídica, uma vez que foi um acordo fechado, com ações emitidas em Bolsa. E nós temos um instrumento do próprio Estado para a solução de controvérsias”, disse Messias, ao avaliar que é possível conciliar desenvolvimento e sustentabilidade. “Ninguém do governo tem o monopólio da verdade. A decisão, para ser técnica, precisa ser fundamentada e toda a fundamentação está submetida ao contraditório.”

Na prática, o imbróglio se transformou em cabo de guerra dentro do governo. Lula dará a palavra final. No início deste mês, ao responder a uma pergunta sobre o impasse, o presidente afirmou que quer “continuar sonhando” com a exploração de petróleo na foz do Amazonas.

Ministro de Minas e Energia diz que não pode haver ‘tabus’

A entrada da AGU no caso ocorreu após pedido do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, como antecipou o Estadão. “Não pode haver tabus”, insistiu Silveira. “Não existe dicotomia entre meio ambiente e desenvolvimento econômico.”

Em 17 de maio, o Ibama negou pedido da Petrobras para atividade de perfuração marítima na bacia da foz do Rio Amazonas, sob a alegação de que a companhia não conseguiu comprovar a proteção da diversidade biológica e a segurança de comunidades indígenas da região. A Petrobras solicitou a reconsideração da análise, mas o Ibama ainda não respondeu. Agostinho fez questão de destacar que a companhia não vai “furar” a fila nesse processo.

Na terça-feira, 22, a AGU assinalou que a realização de uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) não pode inibir o licenciamento para a exploração e produção de petróleo e gás natural no País. Na lista de justificativas do Ibama para rejeitar o pedido da Petrobras estava justamente a necessidade de realização de estudos de caráter estratégico (AAAS) na bacia da foz do Amazonas, entre outras exigências.

Marina vai deixar o governo Lula?

Foi por isso que as afirmações de Marina, após o parecer, causaram estranheza e mal-estar na Advocacia-Geral da União. “A questão da Avaliação Ambiental de Área Sedimentar é uma ferramenta de planejamento, que ajuda nos processos de licenciamento, na feitura do termo de referência, mas não é condicionante para dar ou não a licença”, observou Marina.

Nos bastidores, integrantes da AGU disseram ao Estadão que Marina desmereceu o trabalho da Advocacia-Geral da União, sem perceber que aquele parecer representava a tentativa de “jogar uma boia” para que o Meio Ambiente fizesse novas exigências de correção de rota à Petrobras.

Estadão apurou que Marina não pretende deixar a equipe de Lula, mesmo se sofrer novo revés, como tudo indica. O presidente, por sua vez, gosta muito dela e não planeja substituí-la.

Há três meses, o Meio Ambiente foi desidratado e perdeu atribuições após votação no Congresso que contou com o peso do Centrão. Marina acha, no entanto, que é preciso resistir dentro do governo. Procurada, a ministra não se manifestou.

Entidades ambientalistas querem agora desencadear uma campanha contra a prospecção de petróleo na foz do Amazonas. No último domingo, 20, um referendo no Equador também foi nessa direção e decidiu que o país deve suspender a exploração de petróleo numa parte da Amazônia, na fronteira com o Peru.

DIFERENÇAS ENTRE VEÍCULOS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS

Tecnologias de modelos movidos exclusivamente a bateria ou combinadas com motores a combustão ganham espaço na descarbonização da indústria automotiva

Por: Mário Sérgio Venditti – Jornal Estadão

Kwid e-tech é um exemplo de veículo 100% elétrico. Divulgação Renault

Veículo eletrificado é um termo cada vez mais popular no mercado automotivo brasileiro. Ele engloba modelos com motorização 100% elétrica e híbrida. Mas nem todos sabem quais as diferenças entre eles. Conheça, a seguir, os detalhes de cada tipo de tecnologia.

100% elétrico

O veículo totalmente elétrico tem um princípio simples: possui bateria — carregada por tomada externa — que alimenta um motor elétrico (ou mais). Graças a sistemas de regeneração de energia, ela consegue estender a autonomia utilizando eletricidade produzida nas frenagens e nas desacelerações. 

Elétrico com extensor de autonomia

É um veículo elétrico puro com motor a combustão, cuja única função é gerar eletricidade, o que garante maior autonomia. Ou seja, o carro é movido somente pelo motor elétrico. 

Micro híbrido

Tecnicamente, os automóveis equipados com o sistema start-stop pertencem ao primeiro nível de hibridização. Embora o veículo seja movido apenas por um motor a combustão, o alternador aproveita a energia gerada nas frenagens e nas desacelerações para alimentar o start-stop, proporcionando maior economia de combustível.

Híbrido leve

O carro híbrido leve é dotado de sistema de recuperação de energia com um alternador e conjunto elétrico de 48 V. Dessa forma, ele consegue se movimentar usando apenas eletricidade por um breve intervalo ou ter potência extra por alguns segundos, a fim de realizar uma ultrapassagem, por exemplo. A energia é armazenada em uma pequena bateria de íon de lítio.

Híbrido em série

Ele é impulsionado por dois propulsores: um a combustão e um elétrico. Como o nome indica, ambos estão ligados em série e, assim, o sistema a combustão entra em ação para alimentar a bateria de acordo com a necessidade do carro.

Híbrido em paralelo

Trata-se do sistema híbrido mais popular. Nele, o automóvel roda tanto com o conjunto a combustão quanto com o elétrico — ou pelos dois ao mesmo tempo. Geralmente, cada sistema move um eixo, trabalhando paralelamente.

Híbrido misto

Esse sistema é mais complexo. Tem uma central eletrônica que analisa diversos parâmetros e escolhe qual o tipo de propulsão é mais vantajoso para cada situação — 100% elétrica ou com o auxílio do motor a combustão.

Híbrido plug-in

As vantagens do híbrido plug-in são a possibilidade de recarga na tomada externa, como um modelo 100% elétrico e, principalmente, ter maior autonomia que um híbrido convencional. Também possui sistema de regeneração de energia (usado em frenagens e desacelerações), como os demais híbridos.  

Híbrido com célula a combustível

A principal diferença está na célula a combustível, que adota hidrogênio pressurizado para produzir a eletricidade que movimenta o carro. Seu maior diferencial está no escapamento, que emite somente vapor de água. A desvantagem é depender de uma rede de abastecimento de hidrogênio para ser viável. 

Toyota foi a primeira a lançar um carro com motor híbrido flex. Divulgação Toyota

Híbrido flex

Baseado no sistema híbrido misto, o híbrido flex foi concebido para utilizar motor flex, que pode ser abastecido com etanol e gasolina. A Toyota foi a pioneira nessa tecnologia, com o lançamento do Corolla Hybrid, em 2019.

Mas as pesquisas em torno do híbrido flex avançaram e hoje esse sistema é um capítulo à parte. Algumas montadoras não concordam que o veículo 100% elétrico seja a única opção para atingir as metas de descarbonização. 

Estrutura do modelo da Stellantis, que investirá alto em eletrificação. Divulgação Stellantis

Pensando nisso, a Stellantis – que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, e Citroën –, anunciou a tecnologia Bio-Hybrid, no começo de agosto. Ela combina energia térmica flex e eletrificação.

“Queremos potencializar as virtudes do etanol, cujo ciclo de produção absorve a maior parte de suas emissões, com sistemas elétricos”, explica Antonio Filosa, presidente da Stellantis para América do Sul.

A Stellantis entende que o híbrido flex, usando o etanol, é o caminho ideal para a transição energética automotiva. “Devido à sua matriz energética, o Brasil tem a oportunidade de fazer uma mudança mais planejada e menos onerosa”, diz Filosa. “Combinar o etanol, um forte aliado na redução das emissões de CO2, com a eletrificação é uma alternativa competitiva de transição.”

Para a empresa, o Brasil não pode desconsiderar as quatro décadas de desenvolvimento da tecnologia do etanol, com sua grande plataforma produtiva já implantada. “A combinação do etanol com a eletrificação permitirá o acesso de faixas maiores do mercado consumidor a tecnologias de baixa emissão”, garante Filosa.

 

O BRASIL ESTÁ SEM UMA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA ARTICULADA

A falta de uma força democrática organizada é prejudicial à sociedade e ao próprio governo Lula, que poderia estar instalado no Planalto com muito mais folga e sentido de projeto

Por Marco Aurélio Nogueira

Há um vazio político entre nós: o Brasil está sem uma oposição democrática articulada. Democratas espalham-se por toda parte, fazem ouvir suas vozes e suas postulações, mas não conseguem atuar de modo claro e vigoroso. O quadro é de dispersão e, em política, como se sabe, a dispersão é sintoma de fraqueza.

Os democratas estão hoje cortados por dúvidas e disputas estéreis. Mostram-se inoperantes e divididos, sem referências institucionais e éticas, o que abafa suas vozes.

Há, evidentemente, democratas no governo Lula, no PT e nos partidos de esquerda aliados. Mas eles agem como personagens do poder, da situação, pagando o preço necessário para não serem acossados. Aliam-se ao Centrão, a Arthur Lira e a grupos de perfil fisiológico, ávidos pelo controle de pedaços rentáveis do aparelho de Estado. A aliança é complexa e delicada, pois o governo não tem maioria no Congresso e necessita de apoio para governar e aprovar medidas. Entrega alguns anéis para não ter de entregar os dedos. Mas qualquer erro de cálculo, qualquer concessão mal planejada pode desconfigurar o governo e deixá-lo de mãos amarradas. Algo assim tem acontecido desde o início do ano, a ponto de se poder especular que, em nosso presidencialismo, o Congresso é mais poderoso do que o Executivo. A cada entrega de Arthur Lira (ou seja, a cada projeto ou proposta aprovada) segue-se uma nova demanda fisiológica ao governo.

A situação seria diferente se houvesse uma oposição democrática com um mínimo de vibração e noção do que fazer. Partidos que antes ocupavam esse espaço, como o PSDB e o Cidadania, desidrataram e se arrastam em litígios internos. Particularmente o PSDB, que anos atrás se vangloriava de ser uma máquina que mudaria a face do País, hoje é uma caricatura de si mesmo, luta para não desaparecer. Outros partidos, como o MDB, o PSB, o PDT, a Rede Sustentabilidade, enfiaram-se na articulação governamental e praticamente não têm atuação autônoma.

Sobram alguns pequenos partidos progressistas, como o Partido Verde, e o mundão dos partidos de centro (União Brasil, Podemos, Solidariedade, Republicanos, Progressistas). Na outra ponta, as correntes de extrema direita, hoje pouco articuladas.

A falta de uma força democrática organizada é prejudicial à sociedade e ao próprio governo Lula, que poderia estar instalado no Planalto com muito mais folga e sentido de projeto. Sem os democratas fazendo-lhe sombra, apoiando-o e o cobrando de modo propositivo e civilizado, o governo cede à sua direita e perde propulsão, ficando como que desorientado.

A política atual é feita de polarizações, retóricas inflamadas e guerras culturais. Seus protagonistas atuam para aprofundar divisões sociais, aguçar disputas estéreis e denunciar “inimigos”, não para agregar pessoas e promover o avanço democrático e social. A contraposição entre lulistas e bolsonaristas, por exemplo, nada acrescenta à democracia.

A democracia não funciona somente com participação eleitoral. O cidadão precisa receber mais do que o direito de votar. Precisa ser visto e ouvido pelos governos, ter suas demandas atendidas ou, ao menos, discutidas e examinadas com critério. Precisa ser conclamado a participar politicamente: tomar posição no processo político, atuando tanto dentro quanto fora do sistema.

Os cidadãos não podem chegar diretamente, sem mediadores, às instâncias superiores do Estado. Necessitam de partidos e associações que com eles dialoguem, os organizem e representem. Como os partidos não estão fazendo isso, desconstruídos que foram pela globalização, pela revolução tecnológica e pelas transformações socioeconômicas hipermodernas, a exasperação social não se converte em conflito político, não chega às instituições e tende a se dissipar. A sociedade se agita, mas não produz mudança política. Os partidos existentes olham para o Estado, o poder. Ao receberem passivamente recursos dos fundos partidário e eleitoral, não têm incentivos para buscar filiados e apoiadores.

A intervenção organizada dos democratas poderia ajudar a cimentar o que se fragmentou: reunir pessoas, compreender e traduzir os processos em termos pedagógicos. As democracias hipermodernas dependem dramaticamente de interações dialógicas e reflexivas. Os democratas conversam pouco entre si. Não dispõem hoje de um programa, de um desenho compreensível do que pensam a respeito do País e de seu futuro. Em decorrência, não conseguem se comunicar com os cidadãos.

Os valores democráticos – liberais e socialistas – continuam vivos. Se levados à prática, serão decisivos para soltar a democracia das limitações estruturais, das oligarquias, da corrupção e da degradação ética que imperam nos sistemas políticos atuais. A única exigência para que isso se efetive é que os democratas sejam a corrente mais coerente e avançada da própria democracia. Exigência que implica algumas operações de renovação: no léxico, nas formas de organização e de atuação, na concepção de governo e no modo de governar.

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PROFESSOR TITULAR DE TEORIA POLÍTICA DA UNESP

 

AGRO COMÉRCIO E SERVIÇOS VÃO PAGAR A CONTA DA REFORMA TRIBUTÁRIA

 

Ives Gandra   

                                                                                                                                       Agro, comércio e serviço podem pagar a conta da indústria na reforma tributária

 A Câmara dos Deputados reformulou consideravelmente a PEC 45,mas manteve intacto o seu número para não dar a impressão de uma nova proposta ao projeto constitucional. Teve o poderoso apoio da indústria brasileira, única a ser beneficiada com redução da sua carga tributária, e com forte protagonismo do presidente da Câmara, conseguiu aprovar em primeira discussão o novo regime tributário para o país, sem obedecer, para o segundo turno, a aprovação após 5 dias, fazendo sua ratificação em poucas horas.

A ideia básica da proposta seria simplificar o sistema de tributação circulatória de bens e serviços com uma única alíquota sem exceções, em torno de 25%, substituindo os antigos tributos ICMS, ISS, PIS/Cofins pelo novo com o duplo nome de CBS e IBS, e transformando o IPI num imposto seletivo.

 Por prever o sistema de incidência no destino e a dualidade de imposição da União (CBS), Estados e Municípios (IBS), criou-se um Conselho Federativo com poderes impositivos substitutivos da competência de tributos de 26 Estados, DF e 5.570 Municípios.

Tal novo poder impositivo de um Conselho constituído de 26 Estados, Distrito Federal e 28 representantes dos 5.570 Municípios definirá, de acordo com a PEC,as regras do novo tributo em consonância com a União no CBS,tornando-o, também, agente receptor e distribuidor do novo tributo, cabendo às entidades federativas apenas o direito de alterar as alíquotas, se quiserem, deixando, pois,de terem a competência plena que tinham.

 Para a simplificação, que seria o objetivo maior do novo sistema, como mostrou Everardo Maciel em recente artigo, triplicaram os artigos da Constituição dedicadas à matéria tributária e mantiveram vigente o sistema atual até 2033, devendo conviver com o CBS a partir de 2026 e o IBS a partir de 2029. Vale dizer, para simplificar, criaram um sistema que vigorará junto com o atual pelos próximos 10 anos.

 Felipe Salto, em artigo recente, mostrou que PIS/Cofins, ICMS e ISS representam aproximadamente 11,8% do PIB e que a alíquota únicapara manter o mesmo nível de arrecadação com um imposto sem tratamentos especiais, deveria ser de 23,6% (CBS/ IBS). Foram, todavia, abertas inúmeras exceções para a agropecuária, educação, saúde, clubes esportivos, igrejas, parques e restaurantes, com o que esta alíquota do novo IVA brasileiro deverá estar em torno de 33,5%.

Novas pressões deverão ocorrer no Senado. O setor de serviços perde o ISS de no máximo 5% e de Cofinscumulativo de 3%, além do PIS, e suportará, possivelmente, 33,5% no mais alto IVA do mundo.

Fundos compensatórios serão criados, sendo que muitos Estados e Municípios serão beneficiados com o novo sistema e os que perderem receitasserão compensados pela União.Quando uns ganham e outros não perdem, quem terá que suportar este aumento deverá ser o contribuinte.

Tudo o que escrevi são suposições, pois apesar do cinematográfico aumento dos dispositivos constitucionais, não se tem nenhum projeto de lei complementar ou de legislação originária para saber como, nos detalhes, funcionará a nova estrutura tributária e muito menos as projeções financeiras de quem ganha, de quem perde e da alíquota básica.

Por esta razão, em recente Congresso Tributário do Instituto Geraldo Ataliba, a esmagadora maioria dos conferencistas, todos de renome nacional e internacional, condenou o açodamento da aprovação da reforma sem os referidos textos, sobre colocar em dúvida que o sistema proposto seria mais simples, mas tendo a certeza que a agropecuária, comércio e serviços serão pesadamente tributados para beneficiarem-se, com redução, a indústria e, indiretamente, o sistema financeiro.

Ives Gandra da Silva Martins é advogado tributarista/constitucionalista, professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região, professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

GOVERNO DEVE ENVIAR O ORÇAMENTO DE 2024 AO CONGRESSO COM DÉFICIT PRIMÁRIO ZERO

 

Adriano Machado – CNN

“Medidas saneadoras” propostas pelo governo Lula podem elevar a arrecadação, mas há dúvidas se em patamar suficiente para atingir metas do marco fiscal.

Nos cálculos do governo, para atingir a meta fiscal é necessário que a arrecadação federal tenha elevação entre R$ 110 bilhões e R$ 150 bilhõesNos cálculos do governo, para atingir a meta fiscal é necessário que a arrecadação federal tenha elevação entre R$ 110 bilhões e R$ 150 bilhões14/03/2023REUTERS/Adriano Machado

Enquanto economistas e agentes do mercado financeiro indicam que o governo federal dificilmente cumprirá a meta de resultado primário já no ano inaugural do novo marco fiscal, o governo federal reitera que é possível, sim, zerar o déficit em 2024.

O governo deve enviar o Orçamento de 2024 ao Congresso até a próxima quinta-feira (31). A peça vai prever déficit primário zero. O marco fiscal projeta que, para o exercício atual, receitas e despesas devem se anular (com banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou menos).

Nos cálculos do governo, para atingir a meta é necessário que a arrecadação federal tenha elevação entre R$ 110 bilhões e R$ 150 bilhões. Desde a apresentação da nova regra, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, admite que o ajuste depende do avanço da receita.Haddad indicou necessidade de alavancar a arrecadação para cumprir metas fiscais. / Valter Campanato/Agência Brasil

Há outras projeções sobre o quanto a arrecadação deve ser alavancada. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado, prevê déficit de 0,9% do PIB em 2024. Com isso, o governo precisaria elevar a receita em R$ 105 bilhões para atingir as metas.

Boletim Focus, publicação do Banco Central (BC) que divulga medianas de projeções entre economistas do mercado, indica que o déficit será de 0,8% do PIB. O Prisma Fiscal, sistema de coleta de expectativas de mercado gerido pela Fazenda, também prevê resultado negativo de 0,8%.

Para zerar o déficit primário, o governo vem propondo o que chama de “medidas saneadoras” — que incluem a revisão de gastos tributários e a taxação de rendimentos da parcela mais rica da população.

Parte das medidas já está em vigor. A principal delas parte de julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que permitiu a tributação de IRPJ e CSLL sobre benefícios fiscais do ICMS. A expectativa da Fazenda é de incremento entre R$ 80 bilhões e R$ 90 bilhões com a decisão.

Nas contas do governo, o projeto de lei que muda regras para preços em transações internacionais entre empresas relacionadas, sancionado em junho, pode arrecadar cifra entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões.

As mudanças nas regras para varejistas asiáticas como Shopee e Shein devem trazer incremento em torno de R$ 8 bilhões. Já a taxação das apostas online, que ainda tramita no Congresso, tem impacto avaliado em R$ 12 bilhões (há uma MP em vigor, e a Câmara deve avaliar um PL na próxima semana).

Uma das prioridades do governo no primeiro semestre, o PL que devolve o voto de qualidade ao Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf) deve trazer arrecadação extra de R$ 60 bilhões. O tema já foi aprovado pela Câmara e tramita no Senado.

As principais trincheiras que enfrenta o governo no momento dizem respeito a medidas que taxam rendimentos dos mais ricos. A expectativa é de que a MP que muda regras para fundos exclusivos acarrete arrecadação anual de R$ 10 bilhões.

Para a tributação de offshores e trusts, a expectativa inicial da Fazenda era de arrecadação por volta de R$ 13 bilhões. Todavia, o governo negocia termos para tornar o texto (de projeto de lei que será enviado em breve) mais palatável à Casa; com isso, o potencial arrecadatório deve cair.

Cálculos

De acordo com as projeções, seria possível zerar o déficit primário em 2024. As receitas mencionadas, contudo, para se concretizarem dependem de uma série de variáveis — que podem diminuí-las, mas também elevá-las.

Críticos do modelo escolhido pela Fazenda de ajustar o fiscal por meio das receitas indicam falta de transparência em relação a estes cálculos e indicam que é possível que as cifras estejam superestimadas.

“O problema é que a gente não consegue ter confiança nos números. Não temos uma planilha de cálculo, uma estimativa. Há mudanças o tempo todo. O que está preocupando é essa falta de confiabilidade”, disse em entrevista à CNN o ex-secretário do Ministério da Fazenda e presidente do Insper, Marcos Lisboa.

Além disso, parte das propostas ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso. O governo trabalha junto às casas para aprovar as medidas, mas vem encontrando resistências.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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