quinta-feira, 24 de agosto de 2023

JATO EXECUTIVO CAI E MATA O LÍDER MERCENÁRIO QUE DESAFIOU PUTIN

História por IGOR GIELOW • Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Exatos dois meses depois de comandar um motim de seu grupo mercenário Wagner contra a cúpula militar do governo de Vladimir Putin, Ievguêni Prigojin morreu na queda de um de seus jatos executivos nesta quarta (23), perto de Moscou.

Aliados do empresário de 62 anos, no canal do Telegram ligado ao Wagner Greyzone, acusaram Moscou pela morte. Dizem, a partir de um vídeo gravado por moradores que circula em redes sociais, que o jato foi abatido, o que a esta altura não é passível de comprovação.

O episódio ocorreu na noite desta quarta (tarde no Brasil) na rota que o jato de fabricação brasileira Embraer Legacy 600 fazia entre Moscou e São Petersburgo, um dia depois de Prigojin reaparecer em suas redes sociais com um vídeo que teria sido gravado durante operações do Wagner na África.

Segundo o Ministério das Situações de Emergência, a lista de pessoas a bordo tinha três tripulantes e sete passageiros, incluindo o líder mercenário. Mas o primeiro relato do órgão sobre as buscas afirma que só foram encontrados oito corpos nos escombros. Sete foram identificados pela Autoridade de Aviação da Rússia: além de Prigojin, morreu na queda o principal comandante militar do Wagner, Dmitri Utkin.

O vídeo nas redes mostra o aparelho em chamas caindo, e foi georreferenciado por canais especializados. O que não se sabe é o que ocorreu: uma explosão por bomba, defeito catastrófico ou míssil adversário.

O jato tinha matrícula RA-02785 e desde 2019 estava sob sanção dos Estados Unidos por ser considerado de propriedade de Prigojin, que era um aliado próximo de Putin. Ele foi visto embarcando na aeronave diversas vezes, inclusive quando foi para a Belarus após o motim fracassado no final de junho.

O episódio nunca foi explicado totalmente, com várias contradições em seu curso. Será, contudo, difícil para o Kremlin evitar as acusações de queima de arquivo com a morte de Prigojin e seu principal braço-direito militar.

Também nesta quarta, um dos principais generais russos, Serguei Surovikin, conhecido como “general Armagedom”, foi demitido da chefia das Forças Aeroespaciais depois de uma nebulosa investigação acerca de suas ligações com Prigojin e o motim, embora ninguém comente isso oficialmente na Rússia.

Na semana passada, um general acusado pelo opositor Alexei Navalni de ter gerenciado a construção de um palácio para Putin, que estava preso, morreu, assim como um coronel ligado ao alto escalão militar, por suspeita de envenenamento, o que levou a especulações acerca de uma ação coordenada.

Ao longo dos anos, rivais de Putin, em especial políticos rivais como Boris Nemtsov, morto a tiros em 2015, e jornalistas como Anna Politkovskaia, executada em 2006, tiveram mortes violentas ou misteriosas. Desde o início da Guerra da Ucrânia, ao menos 12 executivos de destaque tiveram tal destino.

Prigojin é o mais próximo ex-auxiliar do presidente russo a morrer em circunstâncias obscuras. Conhecido como “chef de Putin”, por ter fornecido serviços de alimentação no Kremlin e ao governo russo, em contratos anuais de US$ 1 bilhão, ele operava o grupo mercenário desde 2014 a serviço do Kremlin em diversos países. Para tal, recebia outro US$ 1 bilhão e foi instrumento importante no conflito até o rompimento com a cúpula militar russa, antes do motim.

Prigojin bateu de frente com o poderoso ministro da Defesa, Serguei Choigu, a quem acusava de sabotar os trabalhos de seus mercenários. No auge de sua atuação na Ucrânia, talvez 50 mil soldados tenham estado sob controle do Wagner, boa parte deles condenados que trocaram a liberdade pelo combate.

Na brutal batalha de Bahkmut, ele disse ter perdido 16 mil homens, 10 mil dos quais ex-detentos —como ele, que iniciou a carreira como um criminoso de rua na mesma São Petersburgo em que Putin cresceu.

O Wagner, que tem atuação forte também na Síria e em países africanos como o Níger ora vivendo um golpe militar, prevaleceu naquele embate em maio, depois de meses. Mas Choigu buscou enquadrar os mercenários na sequência, obrigando-os a assinar contratos com seu ministério.

O motim de Prigojin, segundo o próprio, foi para salvar o controle de seu grupo, que ele dizia ter 25 mil homens armados na Rússia. Mas tudo no episódio permaneceu obscuro, até porque Putin recebeu o ex-aliado e o comando do Wagner cinco dias após a rebelião, para ouvir suas razões.

Ao mesmo tempo, a TV estatal o ridicularizava, mostrando disfarces toscos, armas, ouro e dinheiro apreendidos em sua casa. A fama de brutalidade dele e de seus comandados era lendária, com o emprego de marretas para punir adversários. Mesmo o canal Greyzone concedeu: “No inferno, ele será o maior”.

Putin oscilou no caso do motim, chamando os rebeldes de traidores da pátria inicialmente e, depois, os perdoando. Ninguém foi preso ou punido oficialmente, ainda que cerca de 12 soldados russos tenham morrido em combate com os mercenários, que abateram helicópteros e um avião na marcha fracassada a Moscou.

Mesmo Prigojin seguia uma incógnita. O Kremlin disse que o Wagner deixaria de receber fundos públicos e não poderia trabalhar na Rússia, mas que poderia manter seus contratos em países africanos, por exemplo. No vídeo divulgado na terça (22), ele aparentava estar em terreno africano e falava do orgulho de levar a força da Rússia para o continente, embora não fosse possível verificar de quando era a gravação.

Outra interrogação é o papel do ditador belarusso, Aleksandr Lukachenko, aliado do Kremlin que mediou o acordo que pôs fim à revolta em 24 de junho. Ele recebeu membros do Wagner, naquilo que vizinhos da Otan, a aliança militar ocidental, considera um prelúdio para ações de desestabilização na fronteira, dizendo que eles treinariam seu exército. Nunca ficou clara a relação entre Lukachenko e Prigojin no caso, objeto também da apuração que levou à detenção do general Surovikin.

 

BRICS VAI EXPANDIR O BLOCO DE MEMBROS

 

História por EFE • DW Brasil

O grupo de economias emergentes BRICS chegou a acordo sobre a expansão do bloco e as orientações para a adesão de novos membros, segundo ministra das Relações Exteriores sul-africana, Naledi Pandor.

Provided by Deutsche Welle© Alet Pretorius/REUTERS

“Concordamos na questão da ampliação. E adotamos um documento que estabelece diretrizes de princípios e processos para considerar os países que desejam se tornar membros do BRICS”, disse hoje Naledi Pandor à “Ubuntu Radio”, emissora vinculada à sua pasta, durante a cúpula que o grupo está realizando em Joanesburgo.

“Os líderes dos BRICS farão um anúncio mais detalhado antes da conclusão da cúpula”, que tem encerramento previsto para quinta-feira, acrescentou a chefe da diplomacia sul-africana.

A ampliação do bloco de economias emergentes – atualmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – tem gerado grandes expectativas internacionais e poderá levar a mudanças significativas na atual ordem mundial.

Dezenas de países manifestaram abertamente interesse em ingressar no BRICS, segundo o Governo sul-africano, que recebeu “manifestações formais de interesse de líderes de 23 países”, incluindo Argentina, Irão, Arábia Saudita, Bolívia, Cuba, Honduras, Venezuela, Argélia e Indonésia.

O BRICS busca mais peso nas instituições internacionais, até agora dominadas pelos Estados Unidos e pela Europa; enquanto Pequim busca expandir sua influência na competição com Washington.

O anúncio da ministra foi precedido hoje por declarações de apoio à expansão por parte dos líderes do grupo, entre eles o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, na sua XV Cúpula de Chefes de Estado e de Governo.

Provided by Deutsche Welle© Gianluigi Guercia/Reuters

Mulheres e juventude

Naledi Pandor disse também que o bloco estabeleceu uma aliança de mulheres e um fórum para a juventude dentro do BRICS.

“É extremamente importante, e a formação da juventude, pela primeira vez tivemos dois jovens líderes a dirigirem-se aos líderes do BRICS de uma forma muito positiva e inspiradora, estabelecendo as aspirações dos jovens dos países BRICS relativamente ao papel que esperam que os BRICS desempenhem no desenvolvimento dos jovens”, salientou.

No campo empresarial, a governante sul-africana disse que o Conselho Empresarial dos BRICS apresentou o seu relatório anual “e, mais uma vez, observou-se uma série de áreas de acordo, especialmente um enfoque nas pequenas e médias empresas”.

“Mas o que é realmente interessante este ano para mim com os BRICS, é que todo o mundo quer participar”, salientou Naledi Pandor.

“Parece que o BRICS se tornou um conceito que se enraizou no discurso popular e estamos a ver o crescimento dos setores interessados e o governo está interessado, todos os governos, para garantir que se veja esta maior elaboração”, adiantou.

“Dada a sua dimensão, estamos a falar de milhares de pessoas a juntarem-se e penso que isto é absolutamente incrível”, sublinhou a chefe da diplomacia sul-africana.

Brasil, Rússia, Índia e China criaram o grupo BRIC em 2006, ao qual se juntou a África do Sul em 2010, acrescentando a letra S à sigla.

ATAQUES DE DRONES SEGUIDOS CONTRA MOSCOU

 

História por IGOR GIELOW • Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Com dificuldades na contraofensiva sobre territórios ocupados pelos russos, a Ucrânia escalou os ataques com drones contra Moscou e outras regiões do vizinho. Nas noites de terça (23) e quarta (24), cinco aparelhos foram abatidos na capital. Em Belgorodo, no sul do país, três pessoas foram mortas.

Nas mais recentes ações na capital, assim como nas outras, os três principais aeroportos que servem a cidade foram fechados temporariamente, causando caos e filas para os passageiros. Na noite da terça, três drones foram interceptados pela defesa aérea de Moscou.

Dois caíram sem causar danos aparentes, nos bairros de Mojaiski e Khimki. Já o terceiro avião-robô atingiu novamente um prédio no distrito financeiro de Moscow-City, símbolo da Rússia pós-soviética com seus inusuais arranha-céus espelhados —a capital tem majoritariamente prédios mais baixos.

Em duas outras ocasiões, havia sido alvejado um prédio que abriga escritórios de ministérios. Agora, segundo o prefeito Serguei Sobianin, o drone descontrolado atingiu um edifício ainda em obras. Nesta semana, duas pessoas foram feridas por destroços de aviões-robôs enviados contra a capital.

Já na quarta, dois drones foram abatidos rumo a Moscou, em Briansk, sem danos aparentes em solo. Em Belgorodo, três pessoas morreram em Lavi, junto à fronteira ucraniana, na madrugada de quarta. Segundo o governo local, elas estavam em um sanatório.

Esses ataques são parte de uma campanha psicológica, que visa a relembrar as elites russas em Moscou de que há uma guerra em curso. Na capital, apesar dos efeitos das sanções ocidentais devido à guerra e de eventuais outdoors louvando as Forças Armadas, os sinais da invasão de 2022 não são eloquentes.

Neste ano, segundo o Ministério da Defesa da Rússia, já houve cerca de 150 ataques com drones contra o país. A Ucrânia oscila entre assumi-los e dizer que são obra de rebeldes internos, mas na prática as ações assimétricas representam uma escalada enquanto os combates se desenrolam em seu território.

Em alguns casos, como na destruição de um bombardeiro estratégico Tu-22 no domingo (20), numa base perto de São Petersburgo, a opção de ação interna é evidente. Analistas observam que o drone usado, um quadricóptero pequeno com um explosivo, não tinha alcance para ter sido lançado da Ucrânia.

A base em questão, Soltsi-2, teve todos os seus Tu-22 retirados após a ação, segundo imagens de satélite. O bombardeiro supersônico é empregado com frequência em alvos na Ucrânia a partir do espaço aéreo russo. Já em outros pontos, são usados drones de asa fixa, miniaviões com cargas explosivas maiores. Um deles é suspeito de ter provocado a destruição de um sofisticado sistema antiaéreo S-400 na Crimeia anexada, ação anunciada por Kiev nesta quarta.

Antes da guerra, Moscou operava 248 desses sistemas de longo alcance, dos mais eficazes do mundo. Ao menos seis já foram destruídos em ação, segundo o site de monitoramento holandês Oryx, que só usa imagens georreferenciadas de equipamento desabilitado.

Em um campo em que o estrago pode ser maior, começa na noite desta quarta o embargo naval prometido por Kiev a seis portos russos no mar Negro, vitais para a exportação de petróleo do país. A Ucrânia diz que a região será “zona de guerra”, tendo dado três semanas de alerta antes de ameaçar o emprego de seus novos drones aquáticos.

Eles já mostraram a que vieram, em um aperitivo apresentado pelo governo de Volodimir Zelenski, quando danificaram um navio de transporte militar e um petroleiro russos no mar Negro. A escalada foi a reação à saída de Putin do acordo que permitia o escoamento da produção de grãos ucranianos pela região.

Acertado em julho de 2022, ele garantia uma linha de oxigênio para a economia de Kiev. Ato contínuo à suspensão, a Rússia passou a bombardear a infraestrutura portuária do rival, inclusive no rio Danúbio, que marca a fronteira com a Romênia, membro da Otan, a aliança militar ocidental liderada pelos EUA.

Desde que a campanha começou, no final de julho, Kiev disse ter perdido 270 mil toneladas de grãos estocados. Nesta quarta, houve novo bombardeio com drones contra o porto de Izmail, no Danúbio. Bombardeios continuaram pelo país, com ao menos três mortos sendo registrados.

As ações perto da área da Otan elevam o temor de uma enfrentamento acidental entre russos e forças do clube militar liderado pelos EUA, que patrulham a área. Nesta quarta, um desses esbarrões ocorreu em outra frente de atrito, o Ártico, quando um avião-espião P-8 da Noruega foi interceptado por um caça MiG-29 russo. O avião do país da Otan deu meia-volta antes de entrar no espaço aéreo russo, como de costume, mas a alta tensão devido à guerra facilita a ocorrência de erros ou provocações.

A CHINA MOSTROU AO LULA QUE QUEM MANDA NOS BRICS É ELA

 

Brasil vendeu fiado aos asiáticos ao aceitar entrada de países no bloco em troca de apoio para ter assento no Conselho de Segurança da ONU

Por William Waack – Jornal Estadão

O Brasil vendeu fiado para a China no sôfrega intenção de fazer os Brics funcionarem como um bloco anti-hegemonia dos Estados Unidos. Em troca da entrada no grupo de países que tornarão o grupo uma ferramenta chinesa para desafiar a ordem americana, o Brasil recebeu a promessa de ver o País mencionado como candidato a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

É a repetição de um erro de quase 20 anos atrás, quando o Brasil ajudou a China a obter a condição de economia de mercado – em troca do tal lugar no Conselho de Segurança. É necessária uma ingenuidade muito grande em matéria de política externa – ou uma visão muito deturpada da realidade dos fatos internacionais – para imaginar que a China vá promover a entrada no Conselho de Segurança dos quatro aspirantes principais: Japão, Alemanha, Índia e Brasil.

Japão e Índia são hoje os principais rivais na área imediata de expansão e influência da China, a Ásia. E ambos têm sérias desconfianças em relação ao que Pequim pretende. A China é, sem dúvida, a grande vencedora da queda de braço no Brics, impondo ao Brasil a expansão de um grupo que tornará nossa diplomacia menos efetiva.

Lula participou de cúpula do Brics na África do Sul ao lado do presidente chinês Xi Jinping, e do congênere sul-africano Cyril Ramaphosa. Vladimir Putin, que é alvo de pedido de prisão internacional, não compareceu.
Lula participou de cúpula do Brics na África do Sul ao lado do presidente chinês Xi Jinping, e do congênere sul-africano Cyril Ramaphosa. Vladimir Putin, que é alvo de pedido de prisão internacional, não compareceu. Foto: GIANLUIGI GUERCIA / EFE

Para a China, incluir o Irã no grupo faz todo sentido, pois ela está desmontando o que foi a grande influência americana no Oriente Médio (e acaba de mediar um entendimento entre sunitas da Arábia Saudita e xiitas do Irã). Para o Brasil, muito pouco: nossas vantagens comparativas estão em outro campo, o da bioeconomia, transição energética e economia verde, e bem menos no campo da proliferação de tecnologias nucleares.

A China surge agora como a condutora de um bloco que já foi chamado de terceiro mundo, países subdesenvolvidos, em desenvolvimento, mercados emergentes. Agora o nome da moda é “Global South”, que segue designando o mesmo fenômeno: seu grande número e interesses divergentes impedem que atuem como um “blocão” coeso, mas dão grande repercussão a quem, como a China, está empenhada na formação de uma heterogênea aliança antiamericana.

Onde o Brasil fica nisso não está claro. Depende de acesso à tecnologia, sistema financeiro internacional e mantém laços históricos e culturais com o “mundo ocidental”. Vende e tem grande parte do seu saldo comercial favorável atrelado à China, mas vale a pena lembrar que boa parte da tecnologia e insumos que fizeram da agroindústria brasileira uma superpotência na produção de alimentos está ligada ao Ocidente.

ONDE O BRASIL VAI CONSEGUIR 1 TRILHÃO PARA CUMPRIR A PROMESSA DE LULA NO ACORDO DE PARIS

 

País necessitará de narrativa forte para atrair investimentos do setor privado para realizar a transição ecológica, segundo documento do Fórum Econômico Mundial e da consultoria Oliver Wyman

Por Thaís Barcellos – Jornal Estadão

Brasília – O Brasil vai precisar de investimentos da ordem de R$ 1 trilhão para alcançar os compromissos de redução de emissão de carbono até 2030, mostra estudo inédito do Fórum Econômico Mundial em parceria com a consultoria Oliver Wyman, enviado com exclusividade ao Estadão/Broadcast. O desafio, porém, não é só financeiro. Após nove meses de encontros com os maiores nomes do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, além de representantes do governo e da academia, a conclusão do Fórum é de que o País precisa consolidar uma “narrativa comum” para atrair investimentos e guiar o setor privado, especialmente após as “mensagens mistas” emitidas nos últimos “par” de anos.

Embora os detalhes do Plano de Transformação Ecológica (PTE) do governo façam falta, a expectativa é de que o Brasil tenha sucesso nos próximos fóruns internacionais para recuperar o protagonismo na agenda ambiental – uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É urgente, contudo, reverter o desmatamento ilegal e agir na transição do setor agropecuário.

O relatório final do estudo, resultado de workshops, entrevistas com empresas e especialistas e trabalho de pesquisa desde outubro de 2022, será divulgado hoje (24) em evento em São Paulo.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Kai Keller, líder de engajamento empresarial, estratégia regional e parcerias do Fórum Econômico Mundial, afirmou que a expectativa é de que essa “narrativa comum” seja articulada pelo governo brasileiro na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU) em setembro, em que o Brasil tradicionalmente faz o discurso de abertura, e na Conferência do Clima (COP), em novembro, em Dubai.

“Nós sempre queremos nos mover mais rápido do que nos movemos quando se trata da agenda climática, porque nós sabemos as consequências de não agir. Mas estou muito confiante de que, quando estivermos em Dubai para a COP deste ano, o Brasil terá uma narrativa atraente para contar”, disse.

COP27: Brasil está se distanciando das suas metas propostas ao Acordo de Paris

Redução do desmatamento e da emissão de metano são os principais desafios até 2030

O Brasil vem aumentando suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), ao invés de reduzi-las para cumprir as metas propostas no Acordo de Paris. Os dados – que foram apresentados na quarta-feira (9), no espaço Brazil Climate Action Hub da Cop 27 – indicam que as emissões líquidas avançaram 21,4% nos últimos sete anos, saltando de 1.446 milhões de toneladas (MtCO2e) em 2015 para 1.756 MtCO2e em 2021. A meta é que o Brasil chegue a 2025 emitindo 1.614 MtCO2e e a 2030 com 1.281 MtCO2e.

“O nosso compromisso em relação à Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) era reduzir entre 36-38% das emissões em 2020 em relação à projeção que foi realizada em 2010. Isso dava uma meta bem alta de, no máximo, 2.068 MtCO2e (GWP-AR2) em 2020, mas ficamos na marca. No entanto, em 2021, as nossas emissões foram bem maiores do que a nossa meta de 2020. Nós simplesmente ‘estouramos’ a meta do PNMC”, ressaltou Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases do Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima. 

Já em relação ao Acordo de Paris, Azevedo pontuou que o país terá que reduzir 37% das suas emissões líquidas em 2025, e 50% até 2030 em relação a 2005. Isso representa uma meta de emitir, no máximo, 1.614 MtCO2e em 2025, e 1.281 MtCO2e em 2030. 

“Hoje estamos em 1.756 MtCO2e (GWP-AR5), tendo que chegar em 1.614 MtCO2e em 2025, ou seja, neste momento o Brasil está se distanciando da meta de 2025. E para 2030 estamos mais distantes ainda, com quase 500 MtCO2e a mais do que devemos alcançar. Isso significa que precisamos fazer um esforço importante agora para conseguir chegar em 2030 com 1.3 bilhões de toneladas”, alertou o coordenador do SEEG.

Para alcançar as metas acordadas, os principais desafios do país – de acordo com os especialistas presentes na apresentação – serão reduzir o desmatamento e as emissões de metano (CH4) na atmosfera, além de aplicar as técnicas de agricultura de baixo carbono. 

“Pela primeira vez, observamos uma leve queda na emissão no setor de resíduos, o que é um indicativo de uma implantação de política de saneamento em progresso, principalmente com a recuperação de metano dos aterros sanitários. E isso indica que estamos consolidando essa visão de que os resíduos de metano são uma boa alternativa de recursos, aproveitando o gás para gerar energia e evitar a sua liberação direta na atmosfera”, comemorou o gerente de projetos do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), David Tsai. 

A diretora-executiva do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Marina Piatto, e a diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Ane Alencar, também participaram do debate “A década perdida das emissões brasileiras: o que revelam dez anos de estimativas anuais feitas pela sociedade civil”. O debate está disponível no link: https://www.brazilclimatehub.org/a-decada-perdida-das-emissoes-brasileiras-o-que-revelam-10-anos-de-estimativas-anuais-feitas-pela-sociedade-civil-v/.

Brasil é o 5º país maior emissor de gases de efeito estufa do mundo

Em 2021, as emissões brutas brasileiras alcançaram 2,4 giga (bilhões) de toneladas de carbono equivalente. Quando são descontadas as remoções, empregando as regras utilizadas pelo Brasil, o valor vai para 1,8 bilhões de toneladas de CO2e (dióxido de carbono equivalente). “Praticamente metade das nossas emissões vêm de mudanças de uso da terra, onde obviamente o destaque é o desmatamento. O segundo setor que mais emite CO2e é a agropecuária, seguido pelo setor de energia, pelos processos industriais e, por fim, pelo segmento de resíduos. Tudo o que está relacionado com o uso da terra, que é a mudança do uso da terra e a agropecuária, responde por quase 75%, ou seja, três quartos das nossas emissões”, explicou Azevedo. Historicamente, o uso da terra foi o principal responsável pelas emissões de gases de efeito estufa no Brasil. 

Esse cenário faz do Brasil o quinto país maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, depois da China, dos Estados Unidos, da Índia e da Rússia. A diferença, pontuou Azevedo, é que nos demais países citados, três quartos das emissões estão relacionadas à queima de combustíveis fósseis.

Na comparação das emissões de 2020 para 2021, o Brasil teve um aumento de 12% nas emissões, o que é bastante preocupante entre os especialistas. E dentro desse cenário, um dos pontos que mais chama a atenção é o aumento dessas emissões ter acontecido em praticamente todos os setores, exceto no tratamento de resíduos, neste caso, pela primeira vez na história do país. 

Os aumentos na emissão de GEE aconteceram na agropecuária (3,8%), nos processos industriais (8%), na energia (12%) e nas mudanças do uso da terra devido, principalmente, ao desmatamento (18%). “Atualmente, as emissões brutas (sem considerar remoções) per capita no Brasil são de 11 toneladas por habitante. Em termos de emissões líquidas (descontando as remoções), são oito toneladas por habitante, valor maior do que a média global – de 6,7 toneladas por habitante. Estamos no mesmo nível que a China, metade dos Estados Unidos e o dobro da Índia”, contextualizou Azevedo. 

Estados que mais contribuem com as emissões do Brasil 

O país apresenta condições muito diferentes em relação às emissões de gases de efeito estufa nos estados. Neste ranking, o Pará é o primeiro na lista, especialmente por conta de mudanças do uso da terra. Mato Grosso aparece em segundo pelo mesmo motivo e Minas Gerais, em terceiro.  

Já quando a mudança do uso da terra é retirada da análise, o panorama muda: São Paulo passa a ser o estado que mais emite GEE, especialmente devido ao setor de energia, seguido por Minas Gerais, Mato Grosso (agropecuária), Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e apenas depois aparece o estado do Pará. “Outra curiosidade é que quando aplicamos a regra brasileira para considerar as remoções, os estados do Amazonas e do Amapá têm emissões líquidas negativas devido ao grande número de áreas protegidas lá existentes”, diz Tasso. 

Como apresentado anteriormente, a média de emissão per capita do Brasil é de 11 toneladas por habitante. No entanto, observa-se uma imensa diversidade de fatores e de realidades dentro do Brasil. Roraima, por exemplo, tem emissão per capita mais alta do que a do Catar (país com a maior emissão per capita do mundo, mais de 90 toneladas por habitante). Por outro lado, o Rio Grande do Norte apresenta emissão per capita compatível com pequenas ilhas, com 1-2 toneladas por habitante por ano.

Queima de combustíveis, emissões fugitivas e energias renováveis 

Dentro dos setores de energia e de processos industriais, as principais preocupações dos especialistas têm sido as emissões de GEE geradas pela queima de combustíveis (predominando a queima de combustíveis fósseis). 

Conforme contextualizou o painelista David Tsai, os derivados de petróleo são os principais combustíveis emissores de gases de efeito estufa dentro dos setores de energia e processos industriais no Brasil (54% das emissões). Esses combustíveis são queimados e produzem emissões principalmente nas atividades de transporte – responsáveis por 38% do que é emitido nesses dois setores – e na indústria – que emite 31% do total de CO2e gerado em energia e processos industriais. Já a geração de eletricidade somada à produção de combustíveis totalizam 22% das emissões do setor de energia e de processos industriais. 

“Essas porcentagens de combustíveis e atividades emissoras tiveram poucas alterações nos últimos dez anos, tendo ocorrido, no entanto, um crescimento relativamente contínuo de todas essas fontes emissoras”, conta Tsai. O destaque fica para a geração de eletricidade, que apresentou um crescimento mais acentuado em relação às demais atividades nos últimos dez anos. Isso se explica pelo constante aumento da demanda por parte da população nas atividades econômicas, além do esgotamento do aproveitamento hídrico brasileiro, implicando em uma queima maior de combustíveis fósseis em termelétricas.

Aumento de emissões nos setores de energia e processos industriais

“Em especial, no ano passado, observamos picos de emissões após seis anos de relativa estagnação econômica. É importante observar que a recuperação da economia, ainda que tímida, refletiu no crescimento de emissões nos setores de energia e processos industriais”, observou Tsai. Além disso, houve aumento do uso de energia fóssil, também puxando as emissões para cima e indicando que o Brasil está na contramão do que precisa ser realizado para descarbonizar sua economia. 

Nesse contexto, a matriz elétrica brasileira também foi menos renovável. “Tivemos no ano passado uma queda na geração hidrelétrica por conta da crise hídrica. Isso levou a um acionamento maior de termelétricas a combustíveis fósseis, gerando aumento de emissões.”, comentou o gerente de projetos do IEMA. 

Tsai também destacou o crescimento do uso do óleo diesel no território nacional, ressaltando que o maior desafio para a redução de emissões de gases no setor de energia está no transporte de cargas, e que as possíveis soluções ainda não aparecem em um horizonte próximo. 

A não contabilização de emissões por incêndios esconde situação

“Quando olhamos para os biomas, especialmente para a Amazônia, o desmatamento tem um papel preponderante nas emissões brasileiras. A Amazônia sozinha representa 77% das nossas emissões no setor de mudança de uso da terra. 92% dessas emissões estão diretamente associadas a alterações de uso da terra, que transformam a floresta em agropecuária. Então, de fato, combater o desmatamento é a maneira mais barata e eficiente de reduzirmos as emissões brasileiras de GEE”, afirmou Alencar. 

Mesmo que os incêndios florestais ainda não entrem no inventário nacional como uma fonte de emissão, a diretora de ciência do IPAM ponderou a importância de se estimar a quantidade de emissões por fogo não associado ao desmatamento. Ela lembrou que cada vez mais as florestas, principalmente a Amazônia, estão mais suscetíveis a incêndios, aumentando as emissões do país.

Em sua apresentação, Marina Piatto chamou a atenção para o fato de a agropecuária ser muito relevante para as emissões brasileiras. Historicamente, o Brasil tem o maior rebanho comercial de gado de corte do mundo, sendo que há mais cabeças de gado no país do que brasileiros. Esse rebanho de corte e de leite emite toneladas de gás metano na atmosfera (cerca de 80% de todo o metano emitido pelo Brasil) por meio da ruminação e eructação. “As emissões de metano são um grande problema para o país, principalmente pelo crescimento anual desse rebanho bovino”, disse Piatto.

NÍVEL DE POBREZA AUMENTOU MUITO NA ARGENTINA

 

Polaridade política no país dificulta a implementação ou adoção de mudanças mais profundas, analista cientista político

Por Clarissa Guimarães – Itatiaia

Mineiros que moram na Argentina temem situação econômica no país: 'aumentou nível de pobreza'
Imagem ilustrativa – Buenos Aires

O clima de instabilidade política na Argentina, aliada à desvalorização do peso frente ao dólar, tem levado preocupação para os mineiros que moram no país. O governo da Argentina disse em comunicado recente que o Fundo Monetário Internacional (FMI) queria uma desvalorização de “100%” do peso do país, antes dois lados concordarem com uma correção de 18% feita na semana passada. Com a inflação alta e o dinheiro dolarizado (cotado em dólar), os mineiros que moram no país relatam insegurança.

“Tem sido um dos grandes problemas e a sociedade tem sentido isso na pele. Para poder compensar um pouco tudo isso os argentinos têm buscado, sim, dolarizar uma boa parte dos serviços que existem no país como aluguel, compra de imóveis e veículos”. O relato é da mineira de Barra Longa, na Zona da Mata, a advogada Lunara Machado de Almeida, 34 anos que afirma que a todo momentos eles são surpreendidos com a alta nos preços.

“Somos surpreendidos a todo tempo, todos os dias existe uma mudança nas contas, água, luz, supermercado. E por esse motivo, às vezes, isso nos deixa inseguros sem saber como será até o final do mês. Aumentou o nível de pobreza, de miséria, porém o governo oferece inúmeros subsídios. Então, a realidade argentina fica muito parecida com a brasileira, nesse sentido.”

Para o Mario Schettino, professor de Relações Internacionais do Ibmec em Belo Horizonte, para entender o atual cenário argentino é preciso voltar um pouco no tempo. Isso porque o país latino americano tem uma configuração política atual que vem desde a década de 1950, quando o país era estruturado entre dois polos: o peronista e o antiperonista.

“Quando a gente olha para história política eleitoral da Argentina a gente observa que desde a década de 50, a política se estrutura entre dois polos – o polo peronista e o polo antiperionista. O polo peronista defende uma presença maior do estado na economia, com maior fomento das atividades econômicas da industrialização centralizadas no governo federal. Já o antiperionismo vai criticar essa centralidade ou intervenção do estado na economia ou até mesmo uma concentração de poder no governo federal. Dentro do peronismo, os grupos de direita vão ser mais intervencionistas e autoritários; e os grupos de esquerda vão defender esse papel do estado na economia e no prover dos bens públicos.”

Polaridade

Para Mário essa polaridade é o que dificulta o país a implementar ou adotar mudanças mais profundas para solucionar o problema da crescente inflação no país e a grande desvalorização do peso frente ao dólar.

“A Argentina entrou numa crise em 1999, porque sua economia era dolarizada. E aí quando o Brasil faz uma grande desvalorização do real isso impactou a economia Argentina e o comércio exterior argentino uma vez que, produzir no Brasil e exportar para a Argentina era muito mais barato. Isso leva uma corrida aos bancos e a quebra do sistema financeiro da Argentina que só vai recuperar o PIB per capita em 2007. Então, depois de sete anos sem essa recuperação econômica é uma recuperação econômica ainda lenta. Paralelo a isso, o país teve a declaração de não pagamento de empréstimos e aí a credibilidade da Argentina cai bastante.”

Para o mineiro de Abre Campo, na Zona da Mata, Rafael Daher, 40 anos, que é administrador e professor em Buenos Aires, o maior desafio hoje no país é morar de aluguel, exatamente porque os preços são cotados em dólar.

“O aluguel é a despesa mais alta na Argentina, para quem quer que seja. Moradia de qualquer natureza, seja temporária ou não, é um absurdo. Tudo é cotado em dólar. Pagamos, em média, 264 dólares/mês para um apartamento de quarto e sala – 34 m² – não mobiliado. Água e luz são mais baratos.”

Retomada

Países como Estados Unidos, Brasil, União Europeia e China têm um papel importante para tentar estabilizar a economia Argentina pós eleições presidenciais no país, marcadas para outubro.

“Há uma necessidade muito grande de entrada de moeda estrangeira dentro da Argentina para estabilizar o peso e, assim, a inflação. O grande problema da inflação Argentina é exatamente essa desvalorização do peso e portanto produtos importados ficam mais caros, insumos ficam mais caros, e isso impacta o dia a dia de grande parte da parcela da população que não tem uma renda que sobra um pouquinho e que permite que ele sobreviva.”

BACALHAU É UM NOME GENÉRICO E NÃO É UM PEIXE ESPECÍFICO

 

Luiz Carlos Lopez – Quora

PESCADOS DE PASCOA – CURITIBA – 27/03/13 – ECONOMIA – Movimento de compras de produtos de Pascoa. Pescados , bacalhau , azietonas no Mercado Municipal de Curitiba . Foto: Hugo Harada/ Agencia de Noticias Gazeta do Povo

O bacalhau, com toda a sua fama, é um desconhecido, ao menos aqui nos trópicos. As pessoas se deliciam com suas receitas prediletas, mas no fundo muitas vezes nem sabem bem o que estão comendo.

Bacalhau é um nome genérico, não é um peixe específico. Vários peixes, depois de submetidos a um processo de salga e secagem, podem ser classificados como bacalhau. O bacalhau tido como o original, o verdadeiro e outros adjetivos assim, são os peixes do gênero Gadus, que são pescados nas águas frias dos mares do norte; as espécies mais comumente comercializadas como bacalhau são as espécies Gadus morhua (bacalhau-do-Atlântico), Gadus macrocephalus (bacalhau-do-Pacífico) e Gadus ogac (bacalhau-da-Groenlândia), mas há outras.

Um amigo meu diz que ninguém nunca viu cabeça de bacalhau. Eu já. Vi um empalhado num hotel na Dinamarca. Abaixo, fotos de dois, com as respectivas cabeças.

Fontes:

1: Você sabia que bacalhau não é um peixe?

2: Bacalhau – Wikipédia, a enciclopédia livre

3: Bacalhau é um peixe?

Somos primos, do gênero Gadus, mas somos mais conhecidos como bacalhau. Foto: Cozinha Técnica

Bacalhau é o nome comum de diversas espécies de peixes classificadas em vários géneros. Em particular, corresponde a cerca de 60 espécies migratórias do gênero Gadus, pertencente à família Gadidae. O bacalhau “original” ou “verdadeiro” é da espécie Gadus morhua encontrado no Oceano Atlântico. O Gadus vive nos mares frios do norte, sendo geralmente de tamanho pequeno, embora alguns exemplares possam chegar a pesar 100 kg e medir quase dois metros. Alimenta-se de outros peixes menores, como o arenque.

Espécies

Bacalhau à venda num supermercado em Lisboa

Dentre as várias espécies de peixes comercializados como bacalhau destacam-se duas: a Gadus morhua, que habita as águas frias do Oceano Atlântico, nas regiões do Canadá e do Mar da Noruega e a Gadus macrocephalus que habita o Oceano Pacífico na região do Alasca.[5]

Outros peixes salgados e secos também são comercializados com o nome genérico de bacalhau como o Gadus virens ou Pollachius virens (escamudo) – Gadidae, o Molva molva (Ling) e Brosme brosme (Zarbo) – Lotidae, todos Gadiformes. Já em Moçambique e na Guiné-Bissau, chama-se bacalhau ao Rachycentron canadum (Beijupirá), uma espécie de peixe da ordem Perciformes[6].

No rio Amazonas encontra-se o Arapaima gigas (pirarucu), que é conhecido também como “bacalhau-da-amazônia”.

A SATISFAÇÃO DO CLIENTE É O PRINCIPAL

 

Frederico Passos – Vice-presidente da Unentel

O material traz uma análise sobre os principais desafios de satisfazer o B2B para atingir o público final, já que a satisfação dos clientes é o que exige o desenvolvimento de uma experiência completa e integrada das distribuidoras de tecnologias.

O conceito de vendas 360° tem sido um grande aliado para empresas do varejo que buscam satisfazer seus clientes através de uma experiência completa e integrada, em todas as etapas da jornada de compra. Baseado na ideia de criar uma experiência contínua e personalizada para os consumidores, ele é considerado o pilar de todo esse processo. Isso significa que, desde a conquista do cliente até o suporte pós-venda, todas as interações são cuidadosamente monitoradas e otimizadas, gerando dados de preferências dos usuários e insights para futuras táticas. Mas como fazer isso quando o foco é nas revendas, e não no consumidor final?

No caso das vendas corporativas, as estratégias de vendas 360° precisam se moldar. O modelo de negócios segue dentro das transações comerciais que ocorrem entre empresas, em vez de serem realizadas diretamente com o consumidor final. Com mais de 10 mil canais registrados em nossa base na Unentel, realizamos a distribuição de grandes marcas com soluções de videoconferência, audiovisual, redes LAN/WLAN, cibersegurança, devices e automação, com a constante atualização da inovação digital para nosso auxílio.

A boa notícia é que a união entre o digital e o mercado B2B tem gerado grandes facilidades para todo o processo, além de ter grande adesão nas principais companhias atualmente. Uma pesquisa da McKinsey, de 2022 aponta que 90% dos tomadores de decisões defendem a permanência dos modelos digital e remoto em negociações também no mercado business-to-business (B2B), o que confirma essa nova fase dos processos presentes entre as vendas corporativas.

Sem dúvidas, a estratégia de revendas é uma forma eficiente de integrar canais e atingir um público-alvo mais amplo. Muitas das novas perspectivas de expansão em 2023 da Unentel, com previsão de faturamento superior a R$ 300 milhões ainda este ano, são consequência dessa nova forma de atuar de uma empresa com mais de 40 anos de mercado que se modernizou.

Mas vale ressaltar que, no B2B, a tecnologia de ponta a ponta aplicada pela empresa não vai gerar dados sobre o consumidor final, mas sim sobre os nossos revendedores. Se eles também aderirem às vendas 360°, seremos então capazes de analisar as preferências desse vértice, o que nos permitirá ampliar a nossa presença no mercado, já que o nosso relacionamento com marcas parceiras e clientes passa a atender as necessidades personalizadas de cada comprador ao redor do país.

Que tipo de cliente é seu alvo?

Uma das principais diferenças entre a venda corporativa B2B e a voltada ao consumidor final é o ciclo prolongado e mais complexo. No business-to-business, é comum que o processo de compra envolva várias etapas, desde a identificação da necessidade até a negociação e fechamento do negócio. Portanto, é essencial que as empresas estejam preparadas para lidar com diferentes interlocutores e influenciadores ao longo desse percurso, desde o nível executivo até os departamentos técnicos e de compras.

Para atender essas vendas, é fundamental aproveitar as tecnologias e as ferramentas disponíveis. O uso de plataformas digitais, automação de marketing, análise de dados e até mesmo investimento em cibersegurança podem ajudar a identificar leads recebidos, melhorar a eficiência das vendas e acompanhar o progresso dos clientes ao longo do ciclo.

Pode parecer óbvio, mas ao adotar essa abordagem tecnológica a seu favor, empresas podem oferecer um atendimento mais personalizado, antecipar as necessidades dos clientes e fornecer suporte eficiente. O que observamos entre os nossos revendedores é que isso leva a um maior grau de satisfação e, consequentemente, aumenta a fidelidade à marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

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A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua empresa seja oficializada.

A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as melhores marcas do varejo e um mix de opções.

O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.

Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é muito abaixo do valor praticado pelo mercado.

Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:

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  • A Plataforma Valeon tem imagens diferenciadas com separação das lojas por categorias, com a descrição dos produtos e acesso ao site de cada loja, tudo isso numa vitrine virtual que possibilita a comunicação dos clientes com as lojas.
  • Não se trata da digitalização da compra nas lojas e sim trata-se da integração dos ambientes online e offline na jornada da compra.
  • No país, as lojas online, que também contam com lojas físicas, cresceram três vezes mais que as puramente virtuais e com relação às retiradas, estudos demonstram que 67% dos consumidores que compram online preferem retirar o produto em lojas físicas.
  • O número de visitantes do Site da Valeon tem crescido exponencialmente, até o momento, tivemos 223.000 visitantes.
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  • A Plataforma Comercial da Valeon difere dos outros marketplaces por oferecer além da exposição das empresas, seus produtos e promoções, tem outras formas de atrair a atenção dos internautas como: empresas, serviços, turismo, cinemas e diversão no Shopping, ofertas de produtos dos supermercados, revenda de veículos usados, notícias locais do Brasil e do Mundo, diversão de músicas, rádios e Gossip.

                                                                                                                                                                   Nós somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.

Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?

Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.

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quarta-feira, 23 de agosto de 2023

O TETO DE GASTOS FOI ENTERRADO COM A APROVAÇÃO DO ARCABOUÇO FISCAL

 

Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve aval do Congresso Nacional nesta terça-feira (22) para enterrar o teto de gastos, criado há mais de seis anos, e implementar o novo arcabouço fiscal —uma nova regra para as contas públicas que prevê o crescimento das despesas acima da inflação.

O projeto de lei do Executivo já havia sido aprovado pela Câmara em um primeiro momento (em maio), tendo voltado para a análise dos deputados após modificações feitas pelo Senado (em junho). Por já ter passado pelas duas Casas, o texto segue agora para sanção presidencial.

Na sessão da Câmara desta terça, foram discutidas principalmente as emendas ao texto oriundas da Casa vizinha. O governo conseguiu apoio de 379 deputados em uma votação e 423 em outra.

Os números seriam suficientes para aprovar uma PEC (proposta de emenda à Constituição), cujo mínimo é 308 votos. Como o texto é um projeto de lei complementar, eram necessários, no mínimo, 257 votos dos 513 deputados.

A nova regra foi desenhada com a promessa de garantir mais recursos para políticas públicas e ao mesmo tempo reequilibrar gradualmente as contas do governo, que entraram no vermelho em 2014 —e, desde então, só exibiram resultado positivo em 2022.

A proposta determina que as despesas federais vão crescer todo ano de 0,6% a 2,5% em termos reais (além da inflação). O percentual vai variar dentro desse intervalo de forma proporcional às receitas obtidas pelo governo —ou seja, quanto maior tiver sido a arrecadação, mais será possível gastar.

Uma vez assinado por Lula, o texto dará fim ao congelamento de gastos criado no fim de 2016 por Michel Temer (MDB). A extinção automática do teto no ato da sanção do arcabouço é prevista pela PEC criada ainda na época da transição de governo, em 2022.

Na versão final do arcabouço, os deputados descartaram algumas alterações feitas pelos senadores e retomaram parte da redação que havia sido previamente aprovada por eles em maio, que torna as regras do arcabouço mais rígidas do que o texto original do governo.

No desenho aprovado pela Câmara, ficam fora das limitações gerais o Fundeb (Fundo de Manutenção da Educação Básica) e o FCDF (Fundo Constitucional do Distrito Federal). Os deputados recolocaram as despesas com ciência, tecnologia e inovação dentro das regras fiscais.

Quando o texto passou pela Câmara pela primeira vez, Fundeb e Fundo do DF estavam dentro dos limites do arcabouço. O plenário da Casa, portanto, acatou a mudança feita pelo Senado.

As alterações no Senado forçaram que a proposta passasse mais uma vez pela Câmara, e o deputado Cláudio Cajado (PP-BA), que já havia sido responsável pelo relatório na primeira aprovação na Casa, negociou com o governo a versão final.

A Câmara também rejeitou uma proposta do governo que permitia ao Executivo enviar o PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2024 com cerca de R$ 32 bilhões em despesas condicionadas à aprovação de um crédito suplementar, para incorporar o efeito da inflação maior ao fim do ano sobre o limite para gastos.

O dispositivo havia sido fruto de uma solução costurada pela ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) para evitar o corte que poderia comprometer projetos do novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Essa saída foi sugerida após uma manobra da equipe econômica no texto ter sido desmontada.

Inicialmente, o governo havia proposto que o limite de despesas do novo arcabouço fiscal seria atualizado pela inflação calculada de janeiro a dezembro do ano anterior —o que daria um espaço extra para os gastos em 2024, já que o IPCA do encerramento deste ano deve vir maior do que o observado em junho.

Com isso, o governo repetiria uma manobra feita pelo então ministro Paulo Guedes (Economia) durante a gestão Bolsonaro.

Diante da resistência ao dispositivo nas discussões do arcabouço, o governo fez uma alteração no PLDO (projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2024 e colocou uma autorização para incluir no Orçamento despesas condicionadas à aprovação de um crédito suplementar no ano que vem, em valor equivalente ao efeito da inflação maior esperada até o fim deste ano.

Técnicos do governo dizem que isso é suficiente para o projeto de Orçamento já ser apresentado considerando as despesas condicionadas. A peça orçamentária tem de ser enviada até 31 de agosto.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), cumprimentou Cajado, relator do texto, pelos trabalhos. “Parabéns, deputado Cajado pela relatoria. E, ao final, entregamos o projeto do arcabouço fiscal para o país”, disse.

Líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE) comemorou a aprovação.

“É uma vitória para quem diz que o nosso governo não tem responsabilidade com as contas públicas percebe neste momento que nós estamos garantindo a estabilidade, a previsibilidade e isso é fundamental para quem quer governar com responsabilidade social”, disse.

Carlos Jordy (PL-RJ), líder da Oposição na Câmara, criticou o texto. “Isso só demonstra a falta de comprometimento do governo com a questão orçamentária, com a responsabilidade fiscal”, afirmou.

Integrantes do governo comemoraram a aprovação do novo arcabouço, defenderam que a proposta une responsabilidade fiscal e investimento, e parabenizaram Lira.

“O projeto, de autoria do governo federal, vai permitir que o investimento no país seja aliado ao crescimento econômico. Ou seja: Quando o país cresce, o investimento cresce junto”, publicou nas redes sociais a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência).

Já o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que a regra garante previsibilidade e estabilidade.

Mais cedo, em evento em São Paulo, o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), elogiou Lira por acelerar o arcabouço fiscal.

“Eu quero destacar aqui o empenho do presidente Arthur Lira, que realmente se comprometeu a votar [o novo arcabouço fiscal]”, disse Alckmin, durante a 24ª Conferência Anual Santander, em São Paulo. No evento, o vice-presidente confirmara a votação do texto na noite desta terça.

Na semana passada, Lira havia afirmado à Folha de S.Paulo que o texto que voltou do Senado seria levado ao plenário nesta data.

Com a palavra final da Câmara, o projeto do novo arcabouço fiscal segue agora para a sanção da Presidência da República e, assim que assinado, coloca fim definitivo à era do teto de gastos.

Lula cumpre, com a medida, uma promessa de campanha e consegue tirar do caminho o que poderia ser um dos principais obstáculos para seu governo: o impedimento para o crescimento das despesas.

Em dezembro de 2022, após a vitória do petista nas urnas —mas ainda antes de sua posse—, Lula teve de articular uma PEC para liberar recursos para programas como o Bolsa Família e o Farmácia Popular.

Foram R$ 168 bilhões extras para usar em 2023, mas o Congresso não deixou o instrumento ser usado em outro ano —o que pressionou a equipe econômica a concluir o desenho do novo arcabouço.

O saldo final da nova regra fiscal é positivo para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que realizou uma série de agendas com parlamentares durante o primeiro semestre para a elaboração da proposta.

Ao longo da negociação, o ex-prefeito de São Paulo acumulou avaliações positivas de deputados e senadores. Lira chegou a sugerir a Lula que Haddad virasse ministro da Casa Civil.

Recentemente, no entanto, os dois tiveram um atrito após o titular da pasta ter falado que a Câmara tem “poder muito grande”.

A equipe econômica espera que o avanço da nova regra fiscal contribua para reduzir as incertezas do mercado financeiro em relação ao futuro das contas públicas, embora ainda haja desconfiança quanto à execução da nova regra, excessivamente dependente de novas receitas.

Para zerar o déficit primário (que desconsidera as despesas com juros), o governo calcular precisar de R$ 130 bilhões em arrecadação extra apenas para 2024.

**COMO FUNCIONA O NOVO ARCABOUÇO**

O novo marco combina metas de resultado primário (obtido a partir da diferença entre receitas e despesas) com um limite de crescimento para gastos mais flexível do que o do teto. Os princípios foram defendidos por Haddad e sua equipe a despeito de resistências dentro do próprio PT, já que uma ala do partido queria uma regra fiscal mais branda.

Pela regra aprovada, o crescimento real do limite de gasto do ano seguinte deve equivaler a 70% da variação da receita em 12 meses acumulados até junho do ano anterior, já descontada a inflação, desde que respeitado o intervalo de 0,6% a 2,5%. Na prática, esses são o piso e o teto de avanço das despesas, independentemente do quadro econômico do país.

Além disso, o governo precisa cumprir uma meta de resultado primário. O objetivo para o ano que vem é zerar o déficit em 2024 e chegar a um superávit de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026 —metas tidas como ambiciosas por economistas de mercado, que ainda veem com cautela a capacidade da Fazenda de honrar esses compromissos.

Pela regra, caso a meta seja descumprida, a proporção de alta das despesas em relação à arrecadação cai a 50%, até a retomada da trajetória de resultados dentro do esperado.

O texto também manteve os gatilhos automáticos para ajustar as despesas em caso de estouro da meta de primário. Entre as medidas estão a proibição de concursos públicos e de aumentos para servidores.

A política de valorização do salário mínimo, porém, ficará blindada desses mecanismos, a pedido de Lula.

O texto ainda obriga o governo a contingenciar despesas, caso haja frustração de receitas ou aumento de outros gastos que ameace o cumprimento da meta fiscal no exercício. Esta seria uma medida prudencial adotada pelo gestor para tentar evitar o estouro da meta.

Inicialmente, o governo queria que a adoção dessa providência fosse opcional, numa flexibilização em relação ao que manda a versão atual da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). O Congresso não aceitou essa proposta e restabeleceu o contingenciamento, mas estipulou um limite de 25% do valor previsto no Orçamento para as despesas discricionárias —que incluem custeio e investimentos.

A proposta determina que o contingenciamento precisa ser proporcional entre as diferentes rubricas. Na prática, isso evita que o aperto recaia apenas sobre os investimentos, como já ocorreu no passado.

LÍDERES DOS BRICS DIVERGEM SOBRE UMA POTENCIAL EXPANSÃO DO GRUPO

 

História por Por Bhargav Acharya e Gabriel Araujo • Reuters

Presidente da China, Xi Jinping, chega à África do Sul© Thomson Reuters

Por Bhargav Acharya e Gabriel Araujo

JOANESBURGO (Reuters) – Os líderes dos Brics se reuniram nesta terça-feira para traçar o caminho para o futuro do bloco de países em desenvolvimento, mas divergências ressurgiram antes de um debate crucial sobre uma potencial expansão do grupo, com o objetivo de aumentar sua influência global.

O aumento das tensões após a guerra na Ucrânia e a crescente rivalidade de Pequim com os Estados Unidos levaram a China e a Rússia – cujo presidente, Vladimir Putin, participará virtualmente da reunião – a buscar fortalecer o Brics.

Os países do bloco estão tentando usar a cúpula, que acontece entre esta terça e quinta-feira em Joanesburgo, para transformar o grupo, que também inclui África do Sul, Brasil e Índia, em um força de contrapeso ao domínio ocidental das instituições globais.

“Neste momento, as mudanças no mundo, em nossos tempos e na história estão se desenrolando de maneiras como nunca antes, levando a sociedade humana a uma conjuntura crítica”, disse o presidente da China, Xi Jinping, em comentários feitos em um fórum empresarial do Brics.

“O curso da história será moldado pelas escolhas que fizermos.”

Xi faltou ao evento, apesar da presença de Cyril Ramaphosa, da África do Sul, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

Seus comentários foram lidos pelo ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, e não ficou imediatamente claro por que Xi, que teve uma reunião com o anfitrião Ramaphosa no início do dia, não compareceu.

Comentários de Lula apontaram para uma divergência de visão dentro do bloco, que analistas políticos dizem que há muito tempo luta para formar uma visão coerente de seu papel na ordem global.

“A gente não quer ser contraponto ao G7, a gente não quer ser contraponto ao G20, a gente não quer ser contraponto aos Estados Unidos, a gente quer se organizar. A gente quer criar uma coisa que nunca teve, que nunca existiu, o sul global”, disse Lula em sua live semanal “Conversa com o Presidente”, realizada diretamente de Johanesburgo.

Além da questão da ampliação, também está na agenda da cúpula o aumento do uso das moedas locais dos Estados-membros nas transações comerciais e financeiras para diminuir a dependência do dólar norte-americano.

“O processo objetivo e irreversível de desdolarização de nossos laços econômicos está ganhando força”, disse Putin em declaração gravada.

A economia da Rússia está lutando com as sanções ocidentais por conta da guerra na Ucrânia. Putin é alvo de um mandado de prisão internacional por supostos crimes de guerra na Ucrânia, e está sendo representado na cúpula por seu ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

Os organizadores sul-africanos dizem que não haverá discussões sobre uma moeda comum do Brics, uma ideia lançada pelo Brasil como uma alternativa à dependência do dólar.

(Reportagem de Bhargav Acharya em Joanesburgo e Gabriel Araújo em São Paulo; reportagem adicional de Carien du Plessis em Pretória)

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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