Petistas chegam juntos a Johannesburgo onde
chefes de Estado e de governo do bloco vão discutir adesão de novos
países e formas de reduzir a dependência do dólar, com moedas nacionais
ou uma unidade comum
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Por Felipe Frazão – Jornal Estadão
ENVIADO ESPECIAL / JOHANNESBURGO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta segunda-feira, às 10 horas, em Johannesburgo, na África do Sul, para participar da 15ª Cúpula dos Brics, o bloco que ele ajudou a fundar junto
a líderes políticos da Rússia, Índia, China e África do Sul. Lula foi o
primeiro chefe de Estado dos membros atuais do Brics a chegar ao país.
Ele foi recebido com honras no Aeroporto OR Tambo.
A viagem marca o retorno de fato de Lula ao continente africano, no
momento em que ele planeja dar nova prioridade à aproximação política e
econômica com os 54 países africanos. Lula já afirmou que o momento é de
atualizar a política externa brasileira para o continente e explorar
oportunidades de parcerias, investimentos, comércio e cooperação
técnica.
Lula não participa de cúpulas do Brics desde 2010, quando Brasília
recebeu a segunda edição e o bloco ainda se chamava apenas Bric, sem a
adesão sul-africana. Agora na 15ª Cúpula, o Brasil e os quatro países do
grupo encaram o debate e pressões chinesas justamente sobre apoiar ou
não a expansão.
Lula
desembarca na África do Sul para participar da Cúpula do Brics;
ex-presidente Dilma Rousseff estava no avião presidencial Foto: Ricardo
Stuckert/Presidência da República
Embora 23 países tenham formalizado pedido de ingresso, se a expansão
for autorizada deverá abarcar ao menos cinco integrantes novos,
provavelmente a Arábia Saudita, Argentina, Egito, Emirados Árabes Unidos
e Indonésia.
Outro asunto que marca a reunião dos Brics é a discussão sobre
alternativas para reduzir a dependência do dólar em transações
internacionais, com uso de moedas locais ou ainda a criação de uma nova
comum ao bloco, apenas para comércio.
A Presidência da República não divulgou compromissos oficiais de Lula
nesta segunda-feira, mas a agenda pode mudar a qualquer momento. Lula e
comitiva seguem para o hotel The Leonardo, na região de Sandton.
O presidente avalia pedidos de reuniões bilatarais e deve encontrar
os líderes políticos do Senegal e de Bangladesh – este último país
aguarda uma decisão sobre possível adesão ao grupo do Brics e já é
membro do Novo Banco de Desenvolvimento, o NDB, criado pelos países do
bloco em 2014. O encontro com Bangladesh, já confirmado, vai ocorrer no
dia 24, com a primeira-ministra Sheikh Hasina.
No dia 22, ele grava o programa Conversa com o Presidente, participa
do Diálogo do Fórum Empresarial do Brics e do Retiro dos Líderes. Lula
vai à sessão plenária e à sessão ampliada da 15ª Cúpula dos Brics no dia
23. No dia 24, antes de se deslocar a Angola, Lula interage com países
convidados – parte deles interessada fazer parte do bloco – nas duas
sessões do Diálogo de Amigos dos Brics.
O presidente foi recebido pela chanceler sul-africana Naledi Pandor e
assistiu a uma breve apresentação de dança tribal, na pista do
aeroporto. Lula desceu do avião ao lado da primeira-dama Rosângela da
Silva, a Janja, e da ex-presidente da República e atual presidente do
NDB, Dilma Rousseff.
Acompanham Lula na comitiva brasileira os ministros da Fazenda,
Fernando Haddad, das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Igualdade
Racial, Anielle Franco, além do assessor especial da Presidência Celso
Amorim. Haddad também planeja uma agenda própria em Johannesburgo e deve
se reunir com os ministros das finanças da África do Sul e da Argélia.
A previsão da África do Sul é que o presidente chinês, Xi Jinping,
desembarque ainda nesta segunda-feira, dia 21, em Johannesburgo. Ele tem
uma visita de Estado agendada com o presidente sul-africano, Cyril
Ramaphosa. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, deve chegar
somente nesta terça-feira, dia 22. Ameaçado com uma ordem internacional
de prisão, o presidente russo, Vladimir Putin, vai participar da cúpula
por videoconferência, à distância.
Impressoras e scanners para uso doméstico estão seguindo os passos da máquina de fax
Por Heather Kelly – Jornal Estadão
THE NEW YORK TIMES – E se você não precisasse ter um dispositivo
tecnológico exigente e pouco confiável que custa mais do que ajuda a
economizar?
Agora é completamente possível, até mesmo preferível, que as pessoas
não tenham uma impressora em casa. Muitas das razões pelas quais
dependíamos das impressoras estão ultrapassadas hoje. Os cartões de
embarque, a assinatura de documentos e até a declaração de imposto de
renda podem ser feitos digitalmente. Mesmo a área de saúde, conhecida
por adorar documentos impressos, está aos poucos deixando de usar papel.
Antes de ir até a seção de comentários para rebater com raiva o
quanto você usa sua impressora: há muitas exceções. Talvez você trabalhe
de casa e precise imprimir coisas relacionadas ao trabalho, envie
muitos pacotes e precise de etiquetas, ou tenha filhos e imprima
atividades para eles se distraírem e você ter uns minutinhos de paz.
Também há aquelas pessoas que simplesmente não confiam na tecnologia
tanto quanto em uma folha de papel que podem segurar com as próprias
mãos. Temos sugestões para vocês também, incluindo recomendações de duas
impressoras que não são tão ruins.
Para o restante de nós que está pronto para seguir em frente longe do
domínio sujo de tinta da “Grande Impressora”, aqui vão algumas dicas.
Sim, vez por outra você ainda vai precisar ou querer imprimir algum
documento. Recorra a um desses locais quando precisar imprimir algo, mas
seja cuidadoso ao imprimir qualquer coisa confidencial. Muitas empresas
têm políticas de privacidade pouco transparentes e preocupantes e podem
guardar cópias de seus documentos.
Biblioteca pública: a maioria das bibliotecas
públicas oferece impressão gratuita ou por preços módicos, às vezes até
mesmo para pessoas que não estão em seu cadastro. Elas também têm
computadores nos quais você pode baixar qualquer arquivo que precise
imprimir. No caso de um número grande de impressões, dê uma olhada no
site da biblioteca para ver quanto sairia – muitas não cobram nada por
poucas páginas em preto e branco – e compare com outros
estabelecimentos. Do mesmo modo, caso tenha um centro de convivência por
perto, pergunte se eles oferecem serviços de impressão. Entre todas as
opções com terceiros, as bibliotecas públicas talvez ofereçam o maior
padrão de privacidade.
Gráficas ou outros locais para impressão são as
principais opções. Você vai pagar por página e embora os preços tenham
subido ao longo dos anos, uma copiadora profissional oferecerá os
melhores resultados com o mínimo de contratempos. Caso esteja imprimindo
algo em que a qualidade da impressão seja importante, principalmente se
envolver cor ou alguma exigência, como impressão nos dois lados do
papel, prefira um lugar desses lugares. Normalmente, você pode levar um
laptop com o arquivo, um pen drive ou outro dispositivo, subir para o
site da empresa ou enviar por e-mail o arquivo. Se for um documento
confidencial, verifique a política de privacidade do local.
Café: se quiser imprimir e se deliciar com um
espresso ao mesmo tempo, verifique se existem cafés com impressoras nas
proximidades. Uma empresa chamada PrintWithMe tem mais
de três mil impressoras em cafés, lojas de conveniência e áreas privadas
compartilhadas, como áreas comuns de condomínios nos Estados Unidos.
Outros cafés têm suas próprias impressoras como uma forma de atrair
aqueles que trabalham remotamente. Tenha aquele mesmo cuidado ao
imprimir documentos pessoais.
Seu trabalho: esta opção pode variar muito
dependendo de onde você trabalha e das regras da empresa, mas muitos
escritórios permitem uma pequena quantidade de impressões para uso
pessoal. Em tempos de trabalho remoto, esta é uma das poucas vantagens
de voltar ao presencial. As impressoras de escritório tendem a ser
maiores e mais preparadas para imprimir várias cópias. Porém, muitos
escritórios podem monitorar o que é impresso, por isso não use a
impressora do trabalho para algo que não queira que seus colegas ou
empregadores saibam.
Dica de segurança: Evite imprimir documentos confidenciais, como informações de contas bancárias em impressoras públicas.
Impressoras parecem estar seguindo o caminho dos faxes Foto: Freepik
Imprimir fotos
Imprimir fotos em casa pode ser uma fonte de frustração. Poucas vão
sair perfeitas, mas você provavelmente vai passar raiva com listras,
cores fracas (estou de olho em você, ciano) e outros problemas que
custam dinheiro. Em vez disso, você pode terceirizar essa tarefa por
e-mail e receber as impressões até no mesmo dia.
Use um aplicativo: há milhares de aplicativos para
iOS e Android com os quais você pode encomendar a impressão de uma única
foto ou fazer algo mais elaborado, como um álbum, cartões postais ou
outros produtos. Alguns até têm opções de layout automáticas e escolhem
as melhores fotos de um rolo de câmera todo bagunçado. Para impressões
por e-mail, continue com os clássicos, como o Shutterfly ou
Google Fotos. Para mais opções de produtos, como livros e cartões
postais, confira o mar de possibilidades de serviços e aplicativos: Mimeo, Mixbook, Popsa, Picta e Snapfish.
Supermercados e farmácias: Muitos daqueles mesmos
locais que antigamente revelavam filmes hoje oferecem serviços de
impressão de fotos. Você pode fazer o pedido pela internet, enviar as
imagens ou fazer isso no local. Também ainda existem alguns laboratórios
de fotografia em operação, dê uma olhada no Yelp para encontrar opções onde você mora.
Digitalize com seu smartphone
Muitas pessoas continuam com impressoras em casa porque elas
funcionam como scanners. Não quer mais esse trambolho na bancada? Há
alternativas para isso.
Digitalize com o seu smartphone: a câmera do seu
celular é boa o suficiente para funcionar como um scanner, seja para
fotos ou documentos. Para fotografias, você também pode experimentar o
PhotoScan do Google, o Photomyne (que tem vários aplicativos), o Pic
Scanner, o aplicativo da Polaroid para fotos instantâneas ou o Kodak
Mobile Film Scanner para negativos. Se estiver digitalizando documentos,
muitos aplicativos já contam com ferramentas próprias para
transformá-los diretamente em PDFs, como o Microsoft Lens e o Google Drive. Se você tem um iPhone, existe uma opção de “escanear documentos” escondida no aplicativo Notas.
Envie para um serviço de digitalização: você está com uma pilha ou
até mesmo mesmo caixas de fotografias antigas? Considere enviá-las para
serem digitalizadas por uma empresa como a ScanMyPhotos, a DigMyPics, a Memories Renewed ou alguma empresa da sua cidade.
Não imprima nada
Talvez você ainda esteja imprimindo coisas que já não precisam estar
no papel. Se ainda não testou, considere usar seu celular para armazenar
vários ingressos, passagens e comprovantes que você continua
imprimindo. Há preocupações válidas, como a bateria do celular morrer e
você não conseguir embarcar num trem ou entrar numa conferência. Se a
bateria do seu smartphone está acabando depressa e com frequência,
talvez seja hora de comprar uma nova.
Passagens: você pode guardar a versão digital de
cartões de embarque, ingressos para shows, passes para o transporte
público e muito mais no seu celular. Alguns são baixados automaticamente
para o aplicativo de carteira de seu smartphone Android e
iOS, e outros são apenas e-mails com QR codes ou códigos de barras que
você pode digitalizar. Na verdade, quase tudo que você costumava guardar
na sua carteira pode ser transferido para um celular, com algumas
exceções.
Burocracia: você pode assinar muitas coisas sem
caneta. As assinaturas digitais em documentos oficiais tornaram-se
comuns e são aceitas por muitas instituições. Cada uma delas tem suas
suas próprias exigências legais, mas provavelmente usará o DocuSign, o Dropbox Sign ou
o Acrobat Sign. Para algo menos sério, você pode usar assinaturas
disponibilizadas por aplicativos do seu smartphone, como o Apple Preview. Agora, é possível até mesmo autenticar documentos digitalmente por meio de uma videochamada.
Etiquetas com endereço de devolução: essa é difícil
de se dar um jeito. Se você está comprando e devolvendo um grande volume
de coisas, talvez esteja imprimindo milhares de etiquetas. Mas você
pode verificar se o site onde realizou sua compra oferece alternativas,
como deixar a mercadoria num lugar autorizado. Por exemplo, a maioria
das lojas permite que você devolva algo que recebeu pelo correio em uma
de suas filiais. Devoluções para a Amazon podem
ser feitas em locais autorizados da UPS e na rede de supermercados
Whole Foods, onde você mostra um QR code, sem precisar imprimir nada.
Livre-se da sua impressora do jeito certo
Se estiver pronto para descartar sua impressora, faça isso de forma
responsável. Você pode vendê-la, doá-la ou reciclá-la em vez de jogá-la
no lixo. Caso decida se desfazer dela, use os serviços locais para lixo
eletrônico para manter os produtos químicos perigosos longe dos aterros
sanitários.
Há uma outra opção, dependendo do seu nível de raiva em relação à sua
impressora. Algumas cidades têm “salas da raiva” onde você pode usar
uma marreta para destruir objetos. Impressoras, como era de se esperar,
são uma escolha bastante popular. / TRADUZIDO POR ROMINA CÁCIA
O emaranhado tributário brasileiro impede que o País conceda um
benefício cada vez mais comum em outros países: o tax free, a isenção ou
devolução de parte dos impostos cobrados de turistas estrangeiros. A
prática tem o objetivo de ampliar o tíquete médio gasto pelos visitantes
mediante uma compensação parcial dos tributos pagos em bens ou
serviços.
No Brasil, especialistas apontam que a adoção de um sistema similar
exige a aprovação da reforma tributária e a instituição do Imposto sobre
Valor Agregado (IVA). O sistema atual inviabiliza qualquer tentativa de
estimativa tributária para esse tipo de operação.
Se há perda de arrecadação ao permitir a devolução de parte do
imposto, ela é compensada pelo aumento do consumo do turista. Uma
pesquisa da Fecomércio RJ, divulgada em abril, estimou que o gasto médio
do turista pularia de US$ 542,90 em compras para US$ 665,50 com a
adoção do modelo. A entidade projetou que o gasto adicional movimentaria
R$ 2,1 bilhões por ano.
O advogado Alberto Medeiros, tributarista sócio da TozziniFreire,
explica que esse mecanismo de devolução de parte do IVA é concebido
partindo da premissa de que o estrangeiro não precisa arcar com o ônus
tributário, por não receber contrapartidas do Estado, como os
residentes. “É certamente um grande instrumento de fomento do comércio
local e, por isso, extremamente positivo para o desenvolvimento da
economia e do turismo.”
Cada país adota regras específicas para delimitar bens e serviços que
estarão sujeitos à devolução tributária, como valor mínimo de gasto.
Também há um regramento para a recuperação dos valores, que é
normalmente feita após o preenchimento de formulários entregues em
postos no momento da saída do país. Outra possibilidade adotada em
países como Argentina e Chile, por exemplo, é a isenção a turistas do
pagamento de IVA em serviços de hospedagem.
Para Douglas Guilherme Filho, coordenador da área tributária no
Diamantino Advogados Associados, esse tipo de sistema é interessante
para o Estado, porque provoca aumento na atividade econômica. “Você
geralmente tem uma lista de produtos ou serviços que dão isenção ou
devolução do tributo. Além disso, as empresas ou lojas que participam do
modelo precisam estar cadastradas em programa governamental. Não é
simplesmente dizer que o turista não paga imposto”, diz.
SISTEMA COMPLEXO
Fernando Lima, advogado tributarista sócio do Lavocat Advogados, diz
que a complexidade do sistema tributário brasileiro é o principal
entrave para a adoção do sistema, porque a devolução do tributo pago
envolveria procedimentos específicos de cada ente federativo.
Mas a adoção do IVA tornaria mais simples o uso do mecanismo. “Embora
alguns setores do turismo estejam abarcados por regimes tributários
específicos nesta reforma, existe uma preocupação de quanto será a
alíquota deste novo IVA com a reforma tributária. Logo, mais do que
nunca, faz-se necessária a implementação do sistema de tax free para
fazer frente a outras economias no mundo”, defende.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Dentre elas, a de maior impacto para as empresas é a rápida adaptabilidade em relação às mudanças do mercado
Alinhada à transformação digital, a cultura ágil é uma abordagem
empresarial que visa a aprimorar agilidade, flexibilidade e eficiência
nos processos de negócio, tornando os colaboradores e as organizações
mais adaptáveis às mudanças do mercado. Por sua vez, para que a
transformação digital aconteça efetivamente, precisa haver uma mudança
no funcionamento das organizações e na maneira como pensam e planejam
suas ações.
“Antes da cultura ágil, é preciso ter transformação digital. Ambas
não são possíveis sem que haja interação entre os indivíduos e os
respectivos processos e ferramentas utilizadas. Também é essencial ter
soluções tecnológicas, que permitam a colaboração entre clientes,
parceiros e stakeholders, além de um planejamento concreto de ações, o
qual será periodicamente visitado para checagem de resposta às
mudanças.”, explica Hermínio Gonçalves, CEO da SoftExpert Brasil,
empresa que fornece soluções de transformação digital e gestão a nível
global.
Feito isso, a cultura ágil possibilita diversas vantagens para as organizações ao longo de toda a cadeia:
Interações rápidas com base no feedback do cliente;
Experiências digitais para clientes e mercado;
Adaptação rápida às mudanças do mercado;
Transparência e responsabilidade;
Melhoria contínua e flexibilidade;
Redução de riscos e controle de custos;
Melhoria na comunicação e colaboração;
Aumento da confiança dos membros da equipe.
“Outro ponto de atenção é que a inovação precisa ser levada a sério
pelas empresas e gestores que querem ter uma jornada efetiva de
transformação digital, uma vez que mudar a cultura requer adaptabilidade
de todos os envolvidos, sendo necessário empregar os processos e dar
lugar para a inteligência colaborativa”, ressalta o CEO. A cultura ágil,
por sua vez, revoluciona os processos e prepara as empresas para as
mudanças do mercado. Consequentemente, uma abordagem ágil melhora o
tempo de reação da empresa a mudanças e minimiza os possíveis impactos
negativos.
O executivo da SoftExpert ainda sinaliza que algumas empresas não
conseguem lidar com a transformação digital de forma eficiente. Isso
porque não considera etapas e pilares desta jornada. Sendo essencial que
as novas práticas sejam compatíveis com a dinâmica da empresa e que as
equipes estejam devidamente preparadas. O engajamento de colaboradores e
gestores é um dos pilares de sustentação da jornada de transformação
digital nas organizações, assim como a adoção de indicadores de
eficiência e eficácia, gestão das tarefas, assim como adoção de práticas
de melhoria contínua.
CARACTERÍSTICAS DA VALEON
Perseverança
Ser perseverante envolve não desistir dos objetivos estipulados em
razão das atividades, e assim manter consistência em suas ações. Requer
determinação e coerência com valores pessoais, e está relacionado com a
resiliência, pois em cada momento de dificuldade ao longo da vida é
necessário conseguir retornar a estados emocionais saudáveis que
permitem seguir perseverante.
Comunicação
Comunicação é a transferência de informação e significado de uma
pessoa para outra pessoa. É o processo de passar informação e
compreensão entre as pessoas. É a maneira de se relacionar com os outros
por meio de ideias, fatos, pensamentos e valores. A comunicação é o
ponto que liga os seres humanos para que eles possam compartilhar
conhecimentos e sentimentos. Ela envolve transação entre pessoas. Aquela
através da qual uma instituição comunica suas práticas, objetivos e
políticas gerenciais, visando à formação ou manutenção de imagem
positiva junto a seus públicos.
Autocuidado
Como o próprio nome diz, o autocuidado se refere ao conjunto de ações
que cada indivíduo exerce para cuidar de si e promover melhor qualidade
de vida para si mesmo. A forma de fazer isso deve estar em consonância
com os objetivos, desejos, prazeres e interesses de cada um e cada
pessoa deve buscar maneiras próprias de se cuidar.
Autonomia
Autonomia é um conceito que determina a liberdade de indivíduo em
gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias
escolhas. Neste caso, a autonomia indica uma realidade que é dirigida
por uma lei própria, que apesar de ser diferente das outras, não é
incompatível com elas.
A autonomia no trabalho é um dos fatores que impulsionam resultados dentro das empresas. Segundo uma pesquisa da Page Talent, divulgada em um portal especializado, 58% dos profissionais no Brasil têm mais facilidade para desenvolver suas tarefas quando
agem de maneira independente. Contudo, nem todas as empresas oferecem
esse atributo aos colaboradores, o que acaba afastando profissionais de
gerações mais jovens e impede a inovação dentro da companhia.
Inovação
Inovar profissionalmente envolve explorar novas oportunidades,
exercer a criatividade, buscar novas soluções. É importante que a
inovação ocorra dentro da área de atuação de um profissional, evitando
que soluções se tornem defasadas. Mas também é saudável conectar a
curiosidade com outras áreas, pois mesmo que não represente uma nova
competência usada no dia a dia, descobrir novos assuntos é uma forma
importante de ter um repertório de soluções diversificadas e atuais.
Busca por Conhecimento Tecnológico
A tecnologia tornou-se um conhecimento transversal. Compreender
aspectos tecnológicos é uma necessidade crescente para profissionais de
todas as áreas. Ressaltamos repetidamente a importância da tecnologia,
uma ideia apoiada por diversos especialistas em carreira.
Capacidade de Análise
Analisar significa observar, investigar, discernir. É uma competência
que diferencia pessoas e profissionais, muito importante para contextos
de liderança, mas também em contextos gerais. Na atualidade, em um
mundo com abundância de informações no qual o discernimento,
seletividade e foco também se tornam grandes diferenciais, a capacidade
de analisar ganha importância ainda maior.
Resiliência
É lidar com adversidades, críticas, situações de crise, pressões
(inclusive de si mesmo), e ter capacidade de retornar ao estado
emocional saudável, ou seja, retornar às condições naturais após
momentos de dificuldade. Essa é uma das qualidades mais visíveis em
líderes. O líder, mesmo colocando a sua vida em perigo, deve ter a
capacidade de manter-se fiel e com serenidade em seus objetivos.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma das
principais responsáveis por tornar a agricultura brasileira uma potência
mundial, passa por um processo de refundação aos seus 50 anos.
Um grupo de trabalho criado pelo Ministério da Agricultura e formado
por alguns dos maiores especialistas em pesquisa agropecuária do país
apontou, em uma primeira versão do relatório, que a Embrapa:
é burocrática,
tem uma gestão excessivamente centralizada em sua sede em Brasília
e carece de uma política de recursos humanos eficiente.
O documento do grupo de trabalho, obtido em primeira mão pela CNN,
diz, por exemplo, que foi constatada “a existência de um excesso de
concentração de poder na sede (…) que reduzem a criatividade das
unidades e da empresa em geral”.
Também diz que:
é preciso “rever os processos decisórios (…) para melhorar a gestão e
atendimento aos órgãos de fiscalização e controle, eliminando a
burocracia, o retrabalho e a dedicação excessiva de empregados”,
é necessário “conceber um novo sistema de avaliação de desempenho” e
que “a evolução na carreira deve valorizar a atividade de pesquisa”.
“Burocratizou”
Um dos integrantes do grupo de trabalho é Pedro Camargo Neto,
ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira e ex-secretário de Produção e
Comércio do Ministério da Agricultura durante o governo FHC.
À CNN, Pedro Camargo Neto lembra que a Embrapa conta com 2 mil pesquisadores, 8 mil funcionários e 42 centros além da sede.
“Com o passar dos anos, a sede (em Brasília) começou a criar muitos
controles e isso burocratizou de uma tal maneira que o pesquisador não
consegue produzir”, complementa.
Para Camargo Neto, “o problema é que tem que responder muitos
relatórios, se perde muito esforço nesse processo e a pesquisa exige
criação e não pode ser burocratizada”.
Por ser uma empresa muito grande, estruturada e burocratizada,
Camargo Neto defende que a Embrapa precisa ser “sacudida, receber uma
orientação e modernização”. “Para que os novos presidentes e diretores
(da Embrapa) sigam essas orientações, para que promova as mudanças”,
complementou.
O ex-secretário de Produção e Comércio do Ministério da Agricultura
também aponta que, ao longo de seus 50 anos, a Embrapa produziu muito,
teve quase R$ 4 bilhões investidos, mas, nos últimos anos, “deixou a
desejar”. “Perguntamos para cerca de 20 pesquisadores e houve
convergência, eles disseram que há burocracia demais, que os
pesquisadores estavam com dificuldades (por conta das burocracias), que
limitava eles por Brasília”.
Um dos pesquisadores consultados foi Zander Navarro, professor do
programa de pós-graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul.
O documento que Zander Navarro entregou ao grupo de trabalho com as
respostas ao questionário foi intitulado por ele de “O Brasil precisa de
outra Embrapa”.
Ele vai direto ao ponto: afirma que é preciso “aceitar, como
inequívoco e sem tergiversações, a situação de crise ora experimentada
pela Embrapa – ainda que latente e sem visibilidade pública”.
O professor diz ainda que “são numerosos os aspectos, processos,
tendências, atividades e o mau funcionamento de estruturas internas que
poderiam ser citados para indicar, sem nenhuma dúvida, a sua influência
deletéria no cotidiano da estatal”.
A Embrapa, “há um bom tempo”, tem sido incapaz de definir a sua estratégia institucional, segundo o especialista.
A estatal não é capaz de afirmar publicamente quais seriam as suas
diretrizes de pesquisa (justificando-as) (…) a estrutura e distribuição
espacial das unidades é totalmente obsoleta (…), há um aspecto quase
totalmente desconhecido pela sociedade externa à Embrapa, embora crucial
para explicar os seus impasses atuais que refere-se à substituição de
dois terços dos pesquisadores em período aproximado de quinze anos
Zander Navarro
O peso da folha de pagamentos
Também diz que a Embrapa gasta quase todo o seu orçamento com o pagamento de salários — pelo menos 90% do total.
E, como resultado, “considerados os demais gastos correntes,
praticamente não existem fundos para o desenvolvimento de sua missão
principal – realizar pesquisas (…) a estatal se tornou fortemente
disfuncional e nitidamente periférica em relação à economia agropecuária
brasileira”.
Empresa não lidera pesquisa agronômica no Brasil
Dados levantados pela professora da Unb Connie McManus apontam que de
fato a Embrapa não é a líder em pesquisa agronômica no Brasil.
Irlandesa naturalizada brasileira com mestrado em Oxford e
pós-doutorado em Sydney, ela é ex-diretora de Relações Internacionais da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes),
principal órgão de pesquisa do país.
De acordo com Connie McManus, no conjunto das instituições que fazem
pesquisa no Brasil, a USP e a Unesp publicam mais artigos na área de
agropecuária.
Outras instituições também mostram maior número de publicações em
áreas específicas, como a Unicamp e UFSC na área de biotecnologia na
agricultura.
Algumas destas instituições como USP, Ufrgs, UFPE, UFRJ e Unicamp, além de outras, mostram maior impacto que a Embrapa.
Cientistas sem destaque internacional
Ela também afirma que a Embrapa tem alguns excelentes cientistas, mas poucos se destacam nacionalmente ou internacionalmente.
E que a empresa tem:
seis dos 103 cientistas na lista dos Best Animal Science and Veterinary Scientists in Brazil (research.com),
um em 95, na área de Best Ecology and Evolution Scientists in Brazil,
oito no Best Plant Science and Agronomy Scientists in Brazil (em 56)
e três em ciências ambientais.
“Em termos de publicações da Embrapa, 70% são em colaborações
nacionais e 26,6% em colaboração internacional, portanto somente 3,4%
são da Embrapa sozinha”.
E complementa: “O impacto geral da Embrapa é de 0,87 (média mundial é
um), sendo 0,79 na área de ciências da agricultura (Scopus do
Elsevier.com)”.
Outro dado levantado por Connie McManus é o número de cultivares — os
melhoramentos genéticos patenteados elaborados por pesquisadores
públicos e privados para que as culturas agrícolas enfrentam, por
exemplo, uma estiagem.
A professora reforça que o Brasil possui 2.714 cultivares protegidos e
mais de 90% das cultivares foram registrados por empresas privadas.
A Embrapa tem algumas áreas na qual ela é dona do conhecimento como a
questão dos recursos genéticos, onde exerce um papel fundamental para o
Brasil. Na questão de quarentena do material genético, é ela que
centraliza essas ações, e também de marcação territorial e ações de
ordem nacional
Connie McManus
Mas pondera que, termos da pesquisa agropecuária dentro do Brasil,
“tem outras áreas que a Embrapa é colocada como detentora do
conhecimento, mas a maior parte do que produzem como pesquisa, cerca de
96% do que é produzido é feito em colaboração, e desse valor, 70% é
feito em colaboração com universidades brasileiras, e, às vezes, essa
colaboração não é reconhecida”.
Ela classifica que, em áreas estratégicas, a Embrapa é “fundamental”.
VÍDEO – Stédile diz que invasão de área da Embrapa foi “erro”
Connie McManus cita um levantamento feito por ela em 2021, que revela
que a Embrapa era responsável por apenas por 4% dos cultivares do
Brasil, e a maior parte, é de empresas privadas.
“Obviamente a Embrapa pode estar desenvolvendo algum produto que não
dependa de alta produtividade ou algo específico, mas, isto está sendo
desenvolvido com universidades. Então, tem áreas que a Embrapa poderia
ser mais estratégica, olhando para o futuro”, complementa.
“Há pesquisas de produtos que já são patenteados no exterior, então,
para que repetir patentes, ao invés de desenvolver novos produtos como
bioinsumos?”, questiona.
Para ela, isso poderia ser uma área estratégica, “pois, se olhar a
guerra da Ucrânia, ela prejudicou o envio de materiais, então essa é uma
área que poderia ter mais esforço ao invés de repetir patentes já
existentes”.
“Então seria bom colocar na empresa algo que outros países não estão
criando, e que o Brasil precisa ao invés de repetir estudos que já
existem”, conclui.
“Perdemos tempo com formulários”
A pesquisadora da Embrapa Hortaliças desde 1997, Alice Nagata avalia
que o excesso de procedimentos burocráticos na Embrapa prejudica a
produção da estatal em pesquisa agrícola.
“Nós temos sofrido com esse problema, que é o excesso de burocracias
aqui dentro. Então nós perdemos muito tempo em preencher formulários e
isso tem diminuído nosso tempo de pesquisa em todas as áreas, e
dificulta firmar novas parcerias. Até isso que seria externo, acaba
sendo dificultado e atrasa o processo”, afirma Alice.
Alice defende que a Embrapa coloque a pesquisa como algo prioritário,
“pois, hoje, o que vimos que é prioridade é a governança e gestão da
pesquisa”.
“Ter mais profissionalismo deixaria que o pesquisador realizasse seu
trabalho profissionalmente. E não que o pesquisador tenha que sair da
sua área e realizar outros trabalhos. Acho que falta profissionalismo em
algumas etapas, como feedback e contratação”.
A especialista defende com ênfase a descentralização de decisões em Brasília.
“O mais importante é investir em estratégias, decidir o que a Embrapa
precisa fazer, como fazer e qual forma fazer a pesquisa, nós achamos
que falta essa análise, de como a Embrapa pode entregar mais resultados
para a sociedade”, complementa.
As queixas de Alice são referendadas por outros pesquisadores com quem a CNN conversou
e que levaram um grupo de servidores da empresa a encaminhar, sete anos
atrás, um documento para a cúpula da empresa reivindicando mudanças na
gestão da Embrapa.
Eles elaboraram uma lista de tópicos considerados como problemáticos
por funcionários da Embrapa e de medidas sugeridas para solucioná-los,
que merecem ser consideradas pela Diretoria Executiva, com pontos
semelhantes aos que foram apontados pelo grupo de trabalho atual.
Os pesquisadores falaram, em 2016, por exemplo, que “é necessário
reduzir drasticamente a burocracia em todos os processos da empresa”.
Mencionaram a necessidade de “descentralização e autonomia”, de
“simplificar o conteúdo descritivo dos projetos nos formulários
eletrônicos internos” e melhorar “gestão de pessoas”.
Os desafios internos da Embrapa não impediram a estatal de continuar dando bons frutos ao país.
Dentre as conquistas recentes que a empresa considera relevantes, estão:
O lançamento de novos bioinsumos, que reduzem a aplicação de químicos nas lavouras;
O desenvolvimento de variedades resistentes a novos biomas como o
trigo e o dendê no cerrado e frutas de clima temperado no semiárido
brasileiro;
O avanço na agricultura digital que ajuda a detectar doenças em
plantas e a desenvolver drones que identificam pragas e pulverizam a
lavoura automaticamente e
A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), uma estratégia de
produção sustentável, que integra atividades agrícolas, pecuárias e
florestais.
Papel essencial da Embrapa
Para o professor Francisco Vidal Luna, autor do recente livro
“Alimentando o Mundo: o Surgimento da Moderna Economia Agrícola no
Brasil”, a Embrapa teve papel essencial no desenvolvimento da
agricultura brasileira.
Ele explica que até a década de 1960, o Brasil produzia essencialmente para o mercado interno.
“O Brasil era monocultor de café, voltado muito ao café, para
exportar. Tirando o café, vivia apenas com seu próprio abastecimento. Na
década de 60 houve modernizações no setor agrícola, como política de
crédito farto e subsidiário”, detalha.
“O trigo era muito protegido, não era competitivo. E era necessário
gerar produtos básicos e insumos básicos pro Brasil. Por isso, a
modernização foi muito rápida e foi criada a Embrapa. Boa parte das
políticas de crédito foram incorporadas, mas se perdendo como
instrumento. O que foi permanente foi a Embrapa, que tem 50 anos e é
chave para a modernização. A abertura do Centro-Oeste foi essencial para
a produtividade do Brasil aumentar”, afirma Luna à CNN.
O professor Francisco Vidal Luna afirma que o processo que originou a Embrapa foi bem sucedido.
“A pesquisa antes era feita pelo instituto agronômico de Campinas por
universidades, mas não sabia fazer o que a Embrapa fez, que foi
aumentar a produtividade do campo”, disse. “Dentro de um instituto de
física, por exemplo, tem muitas áreas de pesquisa e faz com que não
chegue ao consumidor do conhecimento. Já a unidade da Embrapa tem
diversas áreas e todos eles preocupados com algo específico, por exemplo
o milho ou as unidades dos produtos da região”, complementou.
VÍDEO – Embrapa fez revolução tecnológica nunca vista antes
O especialista lembra ainda que, nos anos 1970, foi criada uma Universidade da Embrapa.
“Os EUA financiaram os pesquisadores brasileiros a irem para fora, e
foi a época da revolução verde. A Embrapa absorveu isso, trouxeram o
conhecimento e compartilharam isso. E a Embrapa foi essencial para abrir
o Centro-Oeste, que na época plantava arroz, e era muito demorado. Com o
tempo, a Embrapa foi otimizando isso. Hoje, o Centro-Oeste é o celeiro
do mundo.”
A presidente da Embrapa Silvia Massruhá reconhece a necessidade de
mudanças, mas não gosta do termo refundação, prefere falar em
revitalização.
Primeira mulher a chefiar a Embrapa, ela integra o quadro de
pesquisadores da Embrapa desde 1989. É doutora em computação aplicada
pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (inpe). Ela não concorda
com o termo “refundação”.
“Refundar é muito forte (…) estamos no momento de revitalizar essa
pesquisa e para isso a gente vem discutindo e com algumas lideranças do
agronegócio como pode revitalizar para que ela seja mais ágil e ajudar a
agropecuária brasileira se mantendo no protagonismo (…)”, disse à CNN.
Sobre os resultados do GT, ela diz: “Eles apontaram três pontos a
embrapa por ser empresa pública ela está dentro da lei das estatais tem
um conjunto de normas que tem que seguir desde 2016 ao mesmo tempo que é
positivo porque blinda a empresa enquanto empresa pública, tem alguns
pontos que precisam ser melhorados para ela ser mais ágil existe essa
discussão”.
Silvia Massruhá defende a necessidade de descentralizar a gestão.
Dados oferecidos pela própria Embrapa à CNN mostram que o orçamento da Embrapa é majoritariamente concentrado em salários e que há pouco recurso para pesquisa.
Os números da empresa – Orçamento para 2023
R$ 3,6 bi dos quais R$ 3,2 bi para salários (90%) e R$ 333,2 mi (8%) para pesquisa agropecuária.
Captação externa de recursos para pesquisa em 2022 foi de R$ 93,3 milhões.
Captação externa para projetos em parceria com setor produtivo em 2022 foi de R$ 17,7 mi.
Apesar dos desafios, a presidente da estatal considera que a Embrapa
foi e é essencial para o papel que a agricultura brasileira tem hoje no
mundo.
“A Embrapa há 25 anos faz o balanço social. Em 2022, para cada real
investido, ela retornou R$ 34 para a sociedade. Isso mostra o quanto
nossas tecnologias estão sendo adotadas pela sociedade”, resumo.
E chama atenção para outro ponto: estudo da Agência Brasileira de
Marketing Rural com mais de 4 mil pessoas na área urbana traz a Embrapa
em sexto lugar.
“Nossa agricultura é baseada em ciência e tecnologia. A Embrapa foi
criada com a missão de criar segurança alimentar e, com evolução,
passamos a grandes exportadores e produtores”, explica.
“Hoje existem outras demandas que chegam que a Embrapa tem que se
adaptar. Estamos passando por esse momento de transição onde o
consumidor é mais exigente e tem acesso à informação. Isso é um outro
desafio: a transição nutricional, transição energética, matriz limpa,
descarbonização, como aumentar produção e produtividade com pouca
expansão de área”, conclui.
O DREX será a versão digital do Real brasileiro. Antes chamado de
Real Digital, o DREX teve seu nome divulgado em 7 de agosto. A inovação,
entretanto, vai ser utilizada pelos brasileiros somente em 2024.
Enquanto isso, existem muitas dúvidas sobre como a moeda digital vai
funcionar.
Considerado um “primo do PIX”, o DREX vai funcionar utilizando a
tecnologia blockchain, que é tida como a mais segura do mercado na
atualidade. Dessa forma, o cliente fará operações com a moeda digital,
mas não terá acesso direto a ela, operando por meio de carteiras
virtuais.
Segundo o Banco Central (BC), cada R$ 1 valerá 1 DREX. O BC ainda não
definiu se serão cobradas taxas para operações envolvendo o DREX. Pode
ser que funcione de forma gratuita como o PIX, havendo cobrança em
algumas situações específicas a serem definidas.
Como será o acesso ao DREX?
O processo ocorrerá da seguinte forma: primeiramente, o cliente
(pessoa física ou empresa) deverá depositar em reais a quantia desejada
numa carteira virtual, que converterá a moeda física em DREX. Essas
carteiras serão operadas por bancos, fintechs, cooperativas, corretoras e
demais instituições financeiras, sob a supervisão do BC.
Após a tokenização (conversão de ativo real em ativo digital), o
cliente poderá transferir a moeda digital, por meio da tecnologia
blockchain. Caberá ao receptor converter os DREX em reais e fazer a
retirada.
PIX versus DREX
Você sabe qual a diferença entre o PIX e o DREX? Vamos lá:
O PIX é um método de transferência de valores. Já o DREX é a própria
moeda (o dinheiro/moeda digital). Ou seja, em breve, os brasileiros
poderão fazer um PIX, usando o dinheiro DREX.
Em testes até dezembro
O DREX, que antes de agosto se chamava Real Digital, começou a ser
testado em março deste ano. No mês de junho, o Banco Central (BC)
selecionou 16 propostas para participação neste projeto piloto do Real
Digital. Agora em julho, Elo e Microsoft formaram um consórcio para o
desenvolvimento da moeda digital.
Segundo o Governo, a fase de testes do Banco Central deve ser
concluída em dezembro deste ano. Apenas em março de 2024, os resultados
deverão ser avaliados e haverá participação da população.
“A solução, anteriormente referida por Real Digital, propiciará um
ambiente seguro e regulado para a geração de novos negócios e o acesso
mais democrático aos benefícios da digitalização da economia a cidadãos e
empreendedores”, afirmou o Banco Central no último dia 7 de agosto,
quando anunciou o nome do DREX.
Além da mensalidade e da proximidade física, é importante avaliar pontos como projeto pedagógico e plataformas digitai
Por Luiza Wolf – Jornal Estadão
A importância e o peso da escolha de uma escola podem gerar
inseguranças nos pais: o que, afinal, é importante levar em consideração
nesse momento?
Cláudia Costin, presidente do Instituto Singularidades,
destaca que essa avaliação começa fora da escola. “Minha primeira dica:
vá até o local na hora da saída dos alunos e observe os pais que vão
buscá-los”, diz.
“Veja se são famílias parecidas com a sua, se são pessoas com quem
você conversaria. Porque é lá que os filhos farão amizades – e, em certa
fase da vida, eles ouvirão mais os amigos do que os pais.”
De fato, a escolha da escola envolve muitas vertentes – afinal, a
instituição de ensino formará seres humanos e cidadãos. Confira, abaixo,
dez dicas para escolher a escola ideal para o seu filho.
Aula
de arquitetura de computadores: montagem, configuração e manutenção no
FabDante, espaço de Cultura Maker do Colégio Dante Alighieri em São
Paulo Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
Custos com mensalidade e matrículas
O fator financeiro é um dos primeiros a ser considerado pelos pais – e
isso é completamente compreensível. Afinal, a mensalidade e a matrícula
da escola precisam caber no orçamento da família.
Além do valor em si, é essencial que os pais estejam atentos a como a
instituição de ensino realiza essas cobranças (e como as reajusta). A
Lei nº 9.870, conhecida como Lei da Mensalidade Escolar, determina, por
exemplo, que o valor só pode ser reajustado uma vez anualmente e que
deve contemplar a variação inflacionária do ano anterior. Além disso, os
aumentos dos custos da instituição (como salário dos funcionários,
manutenção e infraestrutura) devem ser comprovados aos pais.
Considere também se a escola supre outras demandas das crianças. Se
elas realizarem atividades extracurriculares por lá (como aulas de
teatro, de artes, de inglês), a família não precisará arcar com cursos
livres.
Projeto pedagógico
O projeto pedagógico define o “DNA” da escola, ou seja, como a
instituição funciona e como ela dá atenção a cada fase de
desenvolvimento e aprendizado dos alunos.
É preciso avaliar, por exemplo, se a escola optou por ter um
coordenador pedagógico para cada fase escolar: um profissional que seja
especializado na faixa etária dos alunos e que seja capaz de atender as
demandas das crianças ou adolescentes e de acompanhar de perto as
transformações daquela geração.
Além disso, é importante que a escola seja gerida por educadores. Por
vezes, empresários que possuem negócios em outros ramos (bares,
restaurantes, escritórios, etc) decidem investir também em uma
instituição de ensino, mas não são especializados na área e nem
acompanham o dia a dia dos alunos.
Alunos
do Colégio Móbile, em São Paulo; instituições precisam preparar os
alunos para utilizar a tecnologia da melhor forma Foto: Colégio
Móbile/Divulgação
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Projeto político
O nome deste quesito, “projeto político”, pode assustar à primeira
vista. Mas ele não está ligado exatamente às eleições ou à preferência
por um candidato ou outro. Na verdade, o projeto político é parte do
projeto pedagógico e mostra como a escola está engajada com princípios
da ética e da cidadania.
Tenha em mente que a escola cumpre um papel político na sociedade,
pois é um importante ator social – afinal, auxilia os alunos a se
desenvolverem enquanto cidadãos críticos. Por isso, é essencial que a
estratégia da escola esteja alinhada com as famílias.
Infraestrutura
O ambiente físico da escola – e seus recursos – também é importante
na hora da escolha. E essa avaliação varia de acordo com a idade das
crianças ou adolescentes.
A educação infantil deve ter espaço para que as crianças possam
brincar e se desenvolver: parquinhos, salas de brincadeira e de artes,
pátios. Laboratórios de química e quadras poliesportivas, por exemplo,
são essenciais para os estudantes dos ensinos Fundamental e Médio.
Confira também as condições de acessibilidade – os espaços físicos
devem ser acessíveis a todos – e a luminosidade natural (ganha pontos
quem tem áreas ao ar livre e espaços verdes).
No Liceu de Artes e Ofícios em SP, alunos criam programações que podem ser aplicadas a robôs Foto: Liceu de Artes e Ofícios
Plataformas digitais
Vivemos em uma era digital – e isso é fato. Mas as crianças e os
jovens também não devem passar o dia todo olhando para telas de
computadores e tablets.
Os pais devem avaliar como as escolas introduzem computadores e
outras tecnologias no dia a dia dos alunos, tendo em mente que esses
aparelhos podem ajudar no aprendizado, mas que devem ser combinados a
outros métodos educacionais.
Currículo e experiência dos professores e gestores
Você sabe, afinal, quem ministrará as aulas para o seu filho? Há
escolas que divulgam os currículos dos professores e gestores em seus
sites. Preste atenção a alguns fatores: se o professor costuma trabalhar
na mesma escola por bastante tempo e se ele tem experiência na área de
ensino.
Para Claudia, contudo, não é essencial avaliar se os profissionais
possuem títulos como mestrados e doutorados. “Há pesquisas nos Estados
Unidos e na Europa que mostram que mestrado ou doutorado não têm impacto
na aprendizagem”, afirma. “Porque o mais importante é saber como se o
professor domina o tema dele e como ele o ensina aos alunos. Afinal, ele
pode dominar os conhecimentos e não ser um bom professor”.
Ensino tradicional versus ensino ‘progressista’
O conteúdo que o jovem aprenderá na escola – e como aprenderá –
também é primordial no momento da escolha da instituição ideal. Os pais
podem optar pelo ensino tradicional ou pelo progressista, aquele que
prioriza uma educação mais contemporânea e que incentiva os alunos a
pensarem por si próprios.
Um exemplo simples: no currículo mais tradicional, Grécia e Roma são
temas iniciais do estudo de História Antiga. O olhar mais progressista e
voltado ao cenário regional considera, nesse tópico, os estudos das
culturas inca, maia e asteca.
Para Cláudia, em tempos de extrema revolução digital, a capacidade de
pensar é ainda mais necessária. “Com a Inteligência Artificial, veio o
receio de robôs substituírem humanos em postos de trabalho. Por isso, é
ainda mais importante ensinar os alunos a pensarem sozinhos, a
colaborarem com seus pares, a trazer sua contribuição para a sociedade –
coisas que robôs não são capazes de fazer”.
Proximidade física e contato com a gestão
Estudar em uma escola próxima à residência é sinônimo de qualidade de
vida e facilidade para os alunos. Mas ter a instituição perto é também
uma grande vantagem aos pais, que podem estreitar seus laços e relações
com a escola.
“É importante saber que a escola não deve ser uma espécie de “babá”
dos filhos”, diz Claudia. “Os pais devem observar as crianças,
acompanhando sua saúde mental, identificar se ela está, por exemplo,
sofrendo ou praticando bullying”. Se algum problema for identificado em
casa, os pais devem ser sempre recebidos na escola para discuti-lo.
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Competências socioemocionais
Inseridas nas novas diretrizes propostas pela Base Nacional Comum
Curricular (BNCC), as competências socioemocionais envolvem o estudo das
emoções. São a capacidade de compreender sentimentos e aplicá-los em
ações: a curiosidade em aprender ou investigar algo novo, o foco para
terminar uma tarefa ou atingir um objetivo, o autocontrole em situações
adversas.
As escolas, atualmente, devem desenvolver os alunos além do currículo
tradicional, e as competências socioemocionais são essenciais para que
eles se desenvolvam enquanto seres humanos que vivem em sociedade.
Direcionamento para o vestibular
Aqui, é importante traçar o plano de educação para os filhos: ele
seguirá na mesma escola desde a Educação Infantil até o Ensino Médio ou
mudará de instituição quando for mais velho?
Se os pais optarem pela segunda opção, o direcionamento para o
vestibular não precisa, necessariamente, ser uma preocupação na escolha
da escola. Mas, se a ideia é que a criança cresça e se forme na mesma
instituição, é interessante já avaliar esse quesito.
E as matérias que estão sendo ensinadas não são o único fator
decisivo. Para Cláudia, a avaliação deve ir além delas. “Há escolas que
não colocam ênfase quase nenhuma no Enem ou vestibulares e têm ótimo
resultados”, diz. “Porque são escolas que ensinam a pensar, e cada vez
mais os vestibulares enfatizam a capacidade reflexiva do aluno, que é o
que ele precisará na universidade”.
Para presidente de entidade do setor sucroalcooleiro, é preciso lançar mão de todos os recursos para diminuir poluentes
Por Eduardo Geraque – Jornal Estadão
Em uma frase, descarbonizar é diminuir ao máximo a quantidade de
carbono lançada na atmosfera a partir de fontes não renováveis, como são
os combustíveis fósseis. O que significa, no caso do Brasil, usar
eletricidade, a partir das hidrelétricas, do vento ou do sol, e ainda,
do etanol, que tem como fonte de energia um carbono renovável, porque ele foi reciclado da própria atmosfera quando as mudas de cana-de-açúcar cresceram. Não é carbono novo, estocado no subsolo há séculos e milênios.
Para especialistas que participaram do Estadão Summit Indústria Automotiva 2023,
no dia 10 de agosto passado, em São Paulo, o debate sobre a dualidade
entre eletrificação da frota ou incremento do etanol como combustível deve
ficar no passado. “O mundo do ‘ou’ acabou. A gente vive hoje no mundo
do ‘e’”, afirma Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de
Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica).
Segundo o executivo, a convocação que está feita, a partir inclusive de dados mais recentes da União Europeia (UE) que mostram um mundo em ebulição e não mais apenas em aquecimento, deixa claro qual deve ser o caminho.
“Vamos precisar de tudo o que estiver disponível capaz de entregar a
redução de carbono que precisamos.” Segundo Gussi, a pergunta é: “Como,
em um curto prazo de tempo, a gente entrega descarbonização como
soluções que melhor atendam às questões econômicas, sociais e sobretudo ambientais?”
O presidente da Unica é categórico ao afirmar que o etanol, no curto
prazo, não pode deixar de ser uma das prioridades do Brasil. “Claro que a
eletrificação vai ter um papel importante a partir do que o Brasil está
construindo em termos de energia renovável para a eletricidade. Agora, o
jeito mais rápido e barato de descarbonizar a nossa frota é colocar
mais etanol nos 40 milhões de veículos flex que já rodam por aí. Esse é o
ponto”, defende Gussi.
Meta
Para Besaliel Botelho, membro do conselho da Bosch,
a rota principal a ser escolhida pelo Brasil também não pode abrir mão
do etanol. “Quando se fala em descarbonização, e se pensa do poço à
roda, o etanol e a biomassa são os melhores que nós temos para fazer
esse processo de forma rápida. Principalmente para, até 2050, o Brasil
atingir suas metas assumidas em nível internacional”, afirma o
executivo.
Besaliel Botelho, membro do conselho da Bosch, avalia que o Brasil não pode abrir mão do etanol. Foto: Marcelo Chello/Estadão
No caso específico da eletrificação, segundo Botelho, o Brasil não
tem como fazer uma transição rápida, por causa da alta necessidade de
investimento que esse caminho pressupõe. “Em outros lugares, eles não
têm alternativas, então a saída é investir na eletrificação”, afirma o
também ex-presidente da própria Bosch.
Desafio duplo
Na Europa e na China, onde a matriz energética principal costuma ser
poluente, a partir do uso do carvão, existe um desafio duplo. Que é o de
aumentar a frota de veículos elétricos ao
mesmo tempo em que se tenta limpar a fonte de energia. Nessas partes do
mundo, a questão da biomassa também é incipiente. “Com o etanol, o País
pode fazer a ponte para o combustível do futuro, que todos nós sabemos
que é o hidrogênio, de forma até gradual, sem muitos investimentos de
uma única vez”, avalia Botelho.
Evandro
Gussi, presidente da Unica, é categórico ao afirmar que o etanol, no
curto prazo, não pode deixar de ser uma das prioridades do
Brasil. Foto: Marcelo Chello/Estadão
Em termos estratégicos, Gussi afirma que um dos gargalos que precisam ser equacionados é o do subsídio à gasolina, um combustível fóssil que colabora para o aumento potencial das mudanças climáticas globais.
“Esses R$ 0,50 por litro de gasolina é um escândalo ambiental, mas é
um escândalo econômico porque foi isso que quase quebrou a Petrobras lá
atrás e, terceiro, é um escândalo social. Não posso dizer que quem tem
um carro é rico, mas posso dizer que tem gente mais pobre do que quem
tem carro. Então, estou tirando R$ 0, 50 por litro da gasolina que ao
cabo viraria dividendo da Petrobras e 50% ainda vai ser revertido para o Tesouro Nacional. É dinheiro que deveria estar sendo usado para as pessoas mais pobres”, diz o presidente da Unica.
Tomada
Durante o Estadão Summit Indústria Automotiva também
se discutiu formas que podem ser usadas como atalho para o Brasil
avançar na eletrificação de sua frota. Para Paulo Roberto Cardamone, CEO
da Bright Consulting, o setor privado deveria se interessar pelo tema.
“Sou contra, por exemplo, o imposto zero para os carros elétricos que
são importados. Alguma coisa, até para financiar as próprias
infraestruturas de eletrificação, precisa ser cobrada”, diz.
Reciclagem de veículos
O mercado automotivo está conseguindo vender por ano por volta de 2
milhões de veículos no Brasil, segundo Paulo Roberto Cardamone, que
defende a reciclagem como forma de incrementar o segmento e renovar a
frota do País.
Paulo Roberto Cardamone, CEO da Bright Consulting, defende a reciclagem de veículos. Foto: Marcelo Chello/Estadão
Segundo as estimativas de Cardamone, pelo menos 500 mil veículos por
ano podem ser comercializados a partir de reaproveitamento de carros.
“Chego a ficar envergonhado quando pessoas do setor tentam fugir da
necessidade que temos de regulamentar a questão da reciclagem veicular. A
lei já existe há 20 anos. A partir dela, pode-se pensar em renovar a
frota nacional”, afirmou o consultor.
Por questões políticas, segundo o especialista, muitos fogem do tema
com receio que pareça que eles querem retirar os carros das pessoas mais
pobres. No entanto, segundo Cardamone, carros antigos que não têm
manutenção adequada significam riscos para todos. Vários estudiosos
também afirmam que os carros mal regulados ajudam e muito a aumentar as
emissões de gases poluentes no País.
“A decisão sobre a regulamentação da lei é algo que precisamos tomar amanhã cedo”, afirma o consultor.
Repercussão da série se torna maior golpe contra máfia dos opioides nos EUA
Nem os US$ 4,5 bilhões pagos pela família
Sackler em acordo com a justiça devem ter feito a mesma devastação aos
criminosos da indústria farmacêutica que a excepcional série da Netflix
faz agora
Por Julio Maria
Assistir à sérieO Império da Doré
uma vitória em si. Há algo de redentor ao vermos que alguém, enfim,
conseguiu fazer seis capítulos para uma plataforma de streaming de
escala de audiência planetária, muito maior do que os livros sobre o
assunto lançados até então – O Império da Dor, de Patrick Radden Keefe, e An Empire of Deceit and the Origin of America’s Opioid Epidemic,
de Barry Meier – oferecendo fatos, nomes e sobrenomes de uma das
famílias mais poderosas e nocivas dos Estados Unidos, os Sackler.
Cena de ‘Painkiller’ Foto: Netflix
A história é odienta: um homem, Richard Sackler,cria
uma medicação sabendo do estrago que ela fará, a coloca no mercado com
publicidade agressiva sob autorização cheia de salamaleques da FDA, o
órgão que controla os medicamentos nos Estados Unidos, e treina um
exército de promotoras jovens, ambiciosas e de vestidos curtos para, se
necessário, estarem prontas a negociarem o próprio com médicos que
aceitarem indicar aos pacientes os comprimidos que elas levam nas
bolsas. Um tráfico legal de drogas que devastou os Estados Unidos nos
anos 90.
O remédio é real e se chamaOxyContin, duas
vezes mais potente do que a morfina e feito de um único ingrediente
ativo, a oxicodona, que faz parte da família de substâncias químicas da
heroína. Uma bomba com efeito duplo: ao mesmo tempo em que tirava um
indivíduo do último grau da escala das dores garantia uma sensação de
prazer intenso. Intenso e curto. Quem tinha dor se viciou sem querer,
quem não tinha se viciou querendo. Ao final de uma estroinice de sete
anos, de 1999 a 2016, envolvendo políticos, médicos, autoridades
federais e outros laboratórios farmacêuticos, mais de 453 mil
norte-americanos haviam morrido, vítimas do uso da medicação.
A série vai fundo no caso. Cria uma personagem, Edie Flowers (vivida por Uzo Aduba), uma
investigadora do Ministério Público que luta sozinha contra o grande
sistema para colocar os responsáveis atrás das grades. Edie somos nós,
querendo justiça ou vingança. E sintetiza muitos mortos na persona de
Glen Kryger, um mecânico que sofre um acidente doméstico e precisa se
livrar das dores para trabalhar e sustentar a família. Seu médico,
aliciado pelas oxyquetes, indica doses cada vez maiores de OxyContin
pronto para acabar não só com a vida de Glen, mas com a de sua família.
Ao o virem aspirando o pó do comprimido esmagado, reduzindo-se a uma
condição sub-humana, ou queimando nas crises de abstinências de suas
últimas esperanças, todos, inclusive a filha de cinco anos de idade, são
sugados para a vala.
A série não termina, é um processo contínuo. Um estudo feito nos
Estados Unidos indica que, só em 2012, os médicos prescreveram mais de
282 milhões de receitas de analgésicos opioides, incluindo OxyContin,
Vicodin e Percocet. Seria quase um frasco para cada habitante dos
Estados Unidos. E entre agosto de 2013 e dezembro de 2015, várias
empresas farmacêuticas, entre elas a Pardue Pharma, responsável pelo
OxyContin, pagaram mais de US$ 46 milhões a 68 mil médicos do país por
meio de refeições, viagens e honorários para os incitar a receitar
opioides. É a força do ‘jabá’ dos doutores, algo que não acontece só nos
Estados Unidos nem está circunscrito à máfia dos opioides.
Os Sackler batizam universidades, salas de museus, centros de
pesquisa, galerias e até a um planeta fora do Sistema Solar. Sim. O
patriarca do império da dor, pai de Richard, acreditava que esse era o
legado maior: ainda que ninguém da família tivesse sequer entrado em um
teatro, era importante que seus nomes fossem impressos nessas placas.
As mesmas mãos que assassinavam pessoas em massa, amplificando sua
produção de comprimidos mesmo diante dos processos na Justiça, poderiam
destinar mais de US$ 1 milhão por ano a essas instituições, como a
Fundação Arthur M. Sackler fez só em 2015. Uma investigação do jornal The Daily Caller,
no entanto, assegurou que a família Sackler nunca apoiou nenhum projeto
para financiar a cura do vício que ajudou a disseminar. Há muita
frustração em Painkiller e um final aterrador, mas a vitória é
decretada assim que alguém decide assistir a uma série que acessa uma
história real, bloqueada por anos, escondida nos porões de algumas das
piores almas que pisaram neste planeta.
Reação que gera energia ilimitada e limpa,
sem rejeitos nucleares ou gases do efeito estufa, é considerada o ‘Santo
Graal’ da geração energética, mas ainda há um longo caminho a percorrer
Por Roberta Jansen – Jornal Estadão
Cientistas americanos anunciaram no início do mês ter conseguido repetir pela segunda vez uma reação de fusão nuclear capaz
de produzir um volume de energia maior do que o que foi gasto para
realizá-la. O grande objetivo, há muito perseguido pela ciência, é
conseguir, algum dia, produzir energia em larga escala por meio da fusão nuclear – algo que poderia nos fornecer energia limpa e ajudar a resolver a questão climática mundial.
Esta segunda experiência feita no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia,
seria mais um passo crucial na busca por uma fonte de energia
ilimitada, limpa e barata. Essa jornada pode ainda levar décadas para
ser concluída. Desta vez, os cientistas americanos dizem ter produzido
ainda mais energia do que em dezembro, quando anunciaram o feito inédito
com grande alarde em coletiva de imprensa.
A fusão de átomos já havia sido alcançada antes, mas apenas o
laboratório americano conseguiu gerar mais energia do que a que foi
gasta no processo; o que os físicos chamam de ignição por fusão.
Alcançar a ignição ainda é o maior obstáculo ao uso da fusão nuclear
como forma alternativa de gerar energia limpa em larga escala.
O problema é que os cientistas não apresentaram ainda um estudo
publicado e revisado por pares nem da primeira experiência, nem da
segunda, como é praxe no meio científico.
“Há uma distância gigantesca entre o que dizem ter conseguido e o uso
comercial”, frisou o físico Marcelo Yamashita, da Unesp. “Em tese, é
uma descoberta importante, mas, para dizer que qualquer coisa foi
descoberta, é preciso publicar um artigo científico revisado por pares;
esse anúncio não teve nenhuma publicação.”
Em comunicado enviado à imprensa, o porta-voz do laboratório federal
americano, Paul Rhien, afirmou que novas experiências estão em
andamento.
“Na experiência conduzida em 30 de julho, repetimos a ignição”,
informou. “Análises desses resultados estão a caminho, mas podemos
confirmar que a experiência produziu uma quantidade de energia maior do
que a de dezembro.”
Análises desses resultados estão a caminho, mas podemos confirmar
que a experiência produziu uma quantidade de energia maior do que a de
dezembro.
Paul Rhien, porta-voz do laboratório federal americano
Rhien afirmou ainda que o laboratório “não vai discutir mais
detalhes” da experiência de julho até que novas análises sejam
concluídas. Mas o grupo “planeja compartilhar os resultados em
conferências científicas e em publicações revisadas por pares como parte
do nosso processo normal de comunicar resultados científicos.”
A experiência foi feita com o emprego de 192 feixes de laser
direcionados para o interior de um cilindro metálico onde uma cápsula do
tamanho de uma ervilha continha uma pequena quantidade de dois isótopos
do hidrogênio: o deutério e o trítio. O aquecimento do
cilindro pelos feixes de laser gerou o calor necessário para provocar a
fusão nuclear. Foram gerados 3,15 megajoules de energia, 50% mais do
que a lançada pelos lasers no cilindro.
‘Fusão
resolveria em definitivo nosso problema de energia’, diz o físico
Gustavo Canal, do Instituto de Física da USP Foto: FELIPE RAU/ESTADÃO
“Essa quantidade de energia é suficiente para ferver cerca de dez
litros de água”, comparou o físico Gustavo Canal, do Instituto de Física
da Universidade de São Paulo (IF/USP), especialista em fusão nuclear.
“A importância desse experimento não foi mostrar que vamos usar reatores
a laser para promover a fusão nuclear em larga escala. Essa é uma forma
muito cara e pouco eficiente de estimular essa reação. Mas, sim, que é
possível obtermos em laboratório a ignição por fusão. Foi uma prova de
conceito.”
A importância desse experimento não foi mostrar que vamos usar
reatores a laser para promover a fusão nuclear em larga escala. Essa é
uma forma muito cara e pouco eficiente de estimular essa reação. Mas,
sim, que é possível obtermos em laboratório a ignição por fusão. Foi uma
prova de conceito.
Atualmente, as usinas nucleares usam a fissão, que
cria energia ao dividir o núcleo do átomo. Embora as usinas nucleares
produzam energia limpa, elas sempre geraram preocupação quanto à
segurança por conta dos rejeitos radioativos que geram. A fusão, por sua vez, cria energia ao unir átomos.
Há muito tempo é um grande sonho dos cientistas porque ela poderia
gerar energia limpa sem a geração de radioatividade ou risco de colapso.
Além disso, o ‘combustível’ para a fusão é formado por átomos de
hidrogênio pesado, que pode ser encontrado em algo que a Terra oferece
em abundância: água do mar. Não é necessária a mineração de urânio.
Para que a fusão ocorra os átomos precisam vencer a força
eletroestática que faz com partículas de carga idêntica naturalmente se
afastem. A força eletroestática só pode ser sobrepujada pela força
nuclear forte, a mesma que mantém nêutrons e prótons unidos dentro do
núcleo do átomo. Esse processo ocorre naturalmente nas estrelas, como o
Sol.
Em laboratório, a forma de fundir os núcleos atômicos é promovendo o
seu confinamento, por meio da aplicação de grandes campos magnéticos, e
da aplicação de calor intenso. No caso da experiência americana, esse
calor foi gerado pelos feixes de laser. Esse método, no entanto, não é
considerado o mais eficiente para a geração de energia de forma
contínua.
Atualmente, os cientistas americanos só conseguem criar a reação de
fusão uma vez por dia porque precisam esperar que os lasers usados na
experiência sejam resfriados. Uma fusão comercialmente viável, no
entanto, precisaria acontecer várias vezes por segundo.
Na grande maioria dos laboratórios internacionais que busca a fusão é
usado um reator de fusão (chamado de tokamak, um acrônimo russo para
câmara toroidal com bobinas magnéticas) com plasma aquecido a
temperaturas mais altas que a do Sol, que seria capaz de gerar o calor
necessário de forma constante.
Atualmente, o mais potente reator de fusão do mundo é o Joint European Torus (JET), no Reino Unido.
Em breve, no entanto, ele será superado pelo International
Thermonuclear Experimental Reactor (Iter), que está sendo construído na
França e deve começar a funcionar em 2025
A previsão é de que o Iter já consiga gerar um volume significativo
de energia de forma contínua. Além dos grandes laboratórios, há cerca de
40 startups em todo o mundo em busca da fusão.
O Brasil também tem um tokamak para chamar de seu, no Laboratório de
Física de Plasma da USP; o único do hemisfério sul. O País também está
construindo um reator de fusão mais potente, em Sorocaba. Canal acredita
que, em dez anos, já teremos um protótipo para geração de energia em
larga escala.
“A fusão resolveria em definitivo nosso problema de energia, sem
dejetos radioativos e sem gases do efeito estufa; por isso é chamado de o
Santo Graal da energia”, explicou Canal, que é um dos autores do
Programa Nacional de Fusão Nuclear. “Quem conseguir fazer isso primeiro,
vai dominar o planeta.”