segunda-feira, 21 de agosto de 2023

LULA DESEMBARCA NA ÁFRICA DO SUL PARA CÚPULA DO BRICS

 

Petistas chegam juntos a Johannesburgo onde chefes de Estado e de governo do bloco vão discutir adesão de novos países e formas de reduzir a dependência do dólar, com moedas nacionais ou uma unidade comum

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Por Felipe Frazão – Jornal Estadão

ENVIADO ESPECIAL / JOHANNESBURGO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta segunda-feira, às 10 horas, em Johannesburgo, na África do Sul, para participar da 15ª Cúpula dos Brics, o bloco que ele ajudou a fundar junto a líderes políticos da Rússia, Índia, China e África do Sul. Lula foi o primeiro chefe de Estado dos membros atuais do Brics a chegar ao país. Ele foi recebido com honras no Aeroporto OR Tambo.

A viagem marca o retorno de fato de Lula ao continente africano, no momento em que ele planeja dar nova prioridade à aproximação política e econômica com os 54 países africanos. Lula já afirmou que o momento é de atualizar a política externa brasileira para o continente e explorar oportunidades de parcerias, investimentos, comércio e cooperação técnica.

Lula não participa de cúpulas do Brics desde 2010, quando Brasília recebeu a segunda edição e o bloco ainda se chamava apenas Bric, sem a adesão sul-africana. Agora na 15ª Cúpula, o Brasil e os quatro países do grupo encaram o debate e pressões chinesas justamente sobre apoiar ou não a expansão.

Lula desembarca na África do Sul para participar da Cúpula do Brics; ex-presidente Dilma Rousseff estava no avião presidencial
Lula desembarca na África do Sul para participar da Cúpula do Brics; ex-presidente Dilma Rousseff estava no avião presidencial Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Embora 23 países tenham formalizado pedido de ingresso, se a expansão for autorizada deverá abarcar ao menos cinco integrantes novos, provavelmente a Arábia Saudita, Argentina, Egito, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.

Outro asunto que marca a reunião dos Brics é a discussão sobre alternativas para reduzir a dependência do dólar em transações internacionais, com uso de moedas locais ou ainda a criação de uma nova comum ao bloco, apenas para comércio.

A Presidência da República não divulgou compromissos oficiais de Lula nesta segunda-feira, mas a agenda pode mudar a qualquer momento. Lula e comitiva seguem para o hotel The Leonardo, na região de Sandton.

O presidente avalia pedidos de reuniões bilatarais e deve encontrar os líderes políticos do Senegal e de Bangladesh – este último país aguarda uma decisão sobre possível adesão ao grupo do Brics e já é membro do Novo Banco de Desenvolvimento, o NDB, criado pelos países do bloco em 2014. O encontro com Bangladesh, já confirmado, vai ocorrer no dia 24, com a primeira-ministra Sheikh Hasina.

No dia 22, ele grava o programa Conversa com o Presidente, participa do Diálogo do Fórum Empresarial do Brics e do Retiro dos Líderes. Lula vai à sessão plenária e à sessão ampliada da 15ª Cúpula dos Brics no dia 23. No dia 24, antes de se deslocar a Angola, Lula interage com países convidados – parte deles interessada fazer parte do bloco – nas duas sessões do Diálogo de Amigos dos Brics.

O presidente foi recebido pela chanceler sul-africana Naledi Pandor e assistiu a uma breve apresentação de dança tribal, na pista do aeroporto. Lula desceu do avião ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e da ex-presidente da República e atual presidente do NDB, Dilma Rousseff.

Acompanham Lula na comitiva brasileira os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Igualdade Racial, Anielle Franco, além do assessor especial da Presidência Celso Amorim. Haddad também planeja uma agenda própria em Johannesburgo e deve se reunir com os ministros das finanças da África do Sul e da Argélia.

A previsão da África do Sul é que o presidente chinês, Xi Jinping, desembarque ainda nesta segunda-feira, dia 21, em Johannesburgo. Ele tem uma visita de Estado agendada com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, deve chegar somente nesta terça-feira, dia 22. Ameaçado com uma ordem internacional de prisão, o presidente russo, Vladimir Putin, vai participar da cúpula por videoconferência, à distância.

COMO VIVIER NUM MUNDO SEM IMPRESSORA SEM SCANNER E SEM PAPEL

 

Impressoras e scanners para uso doméstico estão seguindo os passos da máquina de fax

Por Heather Kelly – Jornal Estadão

THE NEW YORK TIMES – E se você não precisasse ter um dispositivo tecnológico exigente e pouco confiável que custa mais do que ajuda a economizar?

Agora é completamente possível, até mesmo preferível, que as pessoas não tenham uma impressora em casa. Muitas das razões pelas quais dependíamos das impressoras estão ultrapassadas hoje. Os cartões de embarque, a assinatura de documentos e até a declaração de imposto de renda podem ser feitos digitalmente. Mesmo a área de saúde, conhecida por adorar documentos impressos, está aos poucos deixando de usar papel.

Antes de ir até a seção de comentários para rebater com raiva o quanto você usa sua impressora: há muitas exceções. Talvez você trabalhe de casa e precise imprimir coisas relacionadas ao trabalho, envie muitos pacotes e precise de etiquetas, ou tenha filhos e imprima atividades para eles se distraírem e você ter uns minutinhos de paz. Também há aquelas pessoas que simplesmente não confiam na tecnologia tanto quanto em uma folha de papel que podem segurar com as próprias mãos. Temos sugestões para vocês também, incluindo recomendações de duas impressoras que não são tão ruins.

Para o restante de nós que está pronto para seguir em frente longe do domínio sujo de tinta da “Grande Impressora”, aqui vão algumas dicas.

Sim, vez por outra você ainda vai precisar ou querer imprimir algum documento. Recorra a um desses locais quando precisar imprimir algo, mas seja cuidadoso ao imprimir qualquer coisa confidencial. Muitas empresas têm políticas de privacidade pouco transparentes e preocupantes e podem guardar cópias de seus documentos.

Biblioteca pública: a maioria das bibliotecas públicas oferece impressão gratuita ou por preços módicos, às vezes até mesmo para pessoas que não estão em seu cadastro. Elas também têm computadores nos quais você pode baixar qualquer arquivo que precise imprimir. No caso de um número grande de impressões, dê uma olhada no site da biblioteca para ver quanto sairia – muitas não cobram nada por poucas páginas em preto e branco – e compare com outros estabelecimentos. Do mesmo modo, caso tenha um centro de convivência por perto, pergunte se eles oferecem serviços de impressão. Entre todas as opções com terceiros, as bibliotecas públicas talvez ofereçam o maior padrão de privacidade.

Gráficas ou outros locais para impressão são as principais opções. Você vai pagar por página e embora os preços tenham subido ao longo dos anos, uma copiadora profissional oferecerá os melhores resultados com o mínimo de contratempos. Caso esteja imprimindo algo em que a qualidade da impressão seja importante, principalmente se envolver cor ou alguma exigência, como impressão nos dois lados do papel, prefira um lugar desses lugares. Normalmente, você pode levar um laptop com o arquivo, um pen drive ou outro dispositivo, subir para o site da empresa ou enviar por e-mail o arquivo. Se for um documento confidencial, verifique a política de privacidade do local.

Café: se quiser imprimir e se deliciar com um espresso ao mesmo tempo, verifique se existem cafés com impressoras nas proximidades. Uma empresa chamada PrintWithMe tem mais de três mil impressoras em cafés, lojas de conveniência e áreas privadas compartilhadas, como áreas comuns de condomínios nos Estados Unidos. Outros cafés têm suas próprias impressoras como uma forma de atrair aqueles que trabalham remotamente. Tenha aquele mesmo cuidado ao imprimir documentos pessoais.

Seu trabalho: esta opção pode variar muito dependendo de onde você trabalha e das regras da empresa, mas muitos escritórios permitem uma pequena quantidade de impressões para uso pessoal. Em tempos de trabalho remoto, esta é uma das poucas vantagens de voltar ao presencial. As impressoras de escritório tendem a ser maiores e mais preparadas para imprimir várias cópias. Porém, muitos escritórios podem monitorar o que é impresso, por isso não use a impressora do trabalho para algo que não queira que seus colegas ou empregadores saibam.

Dica de segurança: Evite imprimir documentos confidenciais, como informações de contas bancárias em impressoras públicas.

Impressoras parecem estar seguindo o caminho dos faxes
Impressoras parecem estar seguindo o caminho dos faxes Foto: Freepik

Imprimir fotos

Imprimir fotos em casa pode ser uma fonte de frustração. Poucas vão sair perfeitas, mas você provavelmente vai passar raiva com listras, cores fracas (estou de olho em você, ciano) e outros problemas que custam dinheiro. Em vez disso, você pode terceirizar essa tarefa por e-mail e receber as impressões até no mesmo dia.

Use um aplicativo: há milhares de aplicativos para iOS e Android com os quais você pode encomendar a impressão de uma única foto ou fazer algo mais elaborado, como um álbum, cartões postais ou outros produtos. Alguns até têm opções de layout automáticas e escolhem as melhores fotos de um rolo de câmera todo bagunçado. Para impressões por e-mail, continue com os clássicos, como o Shutterfly ou Google Fotos. Para mais opções de produtos, como livros e cartões postais, confira o mar de possibilidades de serviços e aplicativos: MimeoMixbookPopsaPicta e Snapfish.

Supermercados e farmácias: Muitos daqueles mesmos locais que antigamente revelavam filmes hoje oferecem serviços de impressão de fotos. Você pode fazer o pedido pela internet, enviar as imagens ou fazer isso no local. Também ainda existem alguns laboratórios de fotografia em operação, dê uma olhada no Yelp para encontrar opções onde você mora.

Digitalize com seu smartphone

Muitas pessoas continuam com impressoras em casa porque elas funcionam como scanners. Não quer mais esse trambolho na bancada? Há alternativas para isso.

Digitalize com o seu smartphone: a câmera do seu celular é boa o suficiente para funcionar como um scanner, seja para fotos ou documentos. Para fotografias, você também pode experimentar o PhotoScan do Google, o Photomyne (que tem vários aplicativos), o Pic Scanner, o aplicativo da Polaroid para fotos instantâneas ou o Kodak Mobile Film Scanner para negativos. Se estiver digitalizando documentos, muitos aplicativos já contam com ferramentas próprias para transformá-los diretamente em PDFs, como o Microsoft Lens e o Google Drive. Se você tem um iPhone, existe uma opção de “escanear documentos” escondida no aplicativo Notas.

Envie para um serviço de digitalização: você está com uma pilha ou até mesmo mesmo caixas de fotografias antigas? Considere enviá-las para serem digitalizadas por uma empresa como a ScanMyPhotos, a DigMyPics, a Memories Renewed ou alguma empresa da sua cidade.

Não imprima nada

Talvez você ainda esteja imprimindo coisas que já não precisam estar no papel. Se ainda não testou, considere usar seu celular para armazenar vários ingressos, passagens e comprovantes que você continua imprimindo. Há preocupações válidas, como a bateria do celular morrer e você não conseguir embarcar num trem ou entrar numa conferência. Se a bateria do seu smartphone está acabando depressa e com frequência, talvez seja hora de comprar uma nova.

Passagens: você pode guardar a versão digital de cartões de embarque, ingressos para shows, passes para o transporte público e muito mais no seu celular. Alguns são baixados automaticamente para o aplicativo de carteira de seu smartphone Android e iOS, e outros são apenas e-mails com QR codes ou códigos de barras que você pode digitalizar. Na verdade, quase tudo que você costumava guardar na sua carteira pode ser transferido para um celular, com algumas exceções.

Burocracia: você pode assinar muitas coisas sem caneta. As assinaturas digitais em documentos oficiais tornaram-se comuns e são aceitas por muitas instituições. Cada uma delas tem suas suas próprias exigências legais, mas provavelmente usará o DocuSign, o Dropbox Sign ou o Acrobat Sign. Para algo menos sério, você pode usar assinaturas disponibilizadas por aplicativos do seu smartphone, como o Apple Preview. Agora, é possível até mesmo autenticar documentos digitalmente por meio de uma videochamada.

Etiquetas com endereço de devolução: essa é difícil de se dar um jeito. Se você está comprando e devolvendo um grande volume de coisas, talvez esteja imprimindo milhares de etiquetas. Mas você pode verificar se o site onde realizou sua compra oferece alternativas, como deixar a mercadoria num lugar autorizado. Por exemplo, a maioria das lojas permite que você devolva algo que recebeu pelo correio em uma de suas filiais. Devoluções para a Amazon podem ser feitas em locais autorizados da UPS e na rede de supermercados Whole Foods, onde você mostra um QR code, sem precisar imprimir nada.

Livre-se da sua impressora do jeito certo

Se estiver pronto para descartar sua impressora, faça isso de forma responsável. Você pode vendê-la, doá-la ou reciclá-la em vez de jogá-la no lixo. Caso decida se desfazer dela, use os serviços locais para lixo eletrônico para manter os produtos químicos perigosos longe dos aterros sanitários.

Há uma outra opção, dependendo do seu nível de raiva em relação à sua impressora. Algumas cidades têm “salas da raiva” onde você pode usar uma marreta para destruir objetos. Impressoras, como era de se esperar, são uma escolha bastante popular. / TRADUZIDO POR ROMINA CÁCIA

ESTRANGEIROS PODERÃO TER TAX FREE COM A REFORMA TRIBUTÁRIA

 

História por admin3 • IstoÉ Dinheiro

O emaranhado tributário brasileiro impede que o País conceda um benefício cada vez mais comum em outros países: o tax free, a isenção ou devolução de parte dos impostos cobrados de turistas estrangeiros. A prática tem o objetivo de ampliar o tíquete médio gasto pelos visitantes mediante uma compensação parcial dos tributos pagos em bens ou serviços.

No Brasil, especialistas apontam que a adoção de um sistema similar exige a aprovação da reforma tributária e a instituição do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). O sistema atual inviabiliza qualquer tentativa de estimativa tributária para esse tipo de operação.

Se há perda de arrecadação ao permitir a devolução de parte do imposto, ela é compensada pelo aumento do consumo do turista. Uma pesquisa da Fecomércio RJ, divulgada em abril, estimou que o gasto médio do turista pularia de US$ 542,90 em compras para US$ 665,50 com a adoção do modelo. A entidade projetou que o gasto adicional movimentaria R$ 2,1 bilhões por ano.

O advogado Alberto Medeiros, tributarista sócio da TozziniFreire, explica que esse mecanismo de devolução de parte do IVA é concebido partindo da premissa de que o estrangeiro não precisa arcar com o ônus tributário, por não receber contrapartidas do Estado, como os residentes. “É certamente um grande instrumento de fomento do comércio local e, por isso, extremamente positivo para o desenvolvimento da economia e do turismo.”

Cada país adota regras específicas para delimitar bens e serviços que estarão sujeitos à devolução tributária, como valor mínimo de gasto. Também há um regramento para a recuperação dos valores, que é normalmente feita após o preenchimento de formulários entregues em postos no momento da saída do país. Outra possibilidade adotada em países como Argentina e Chile, por exemplo, é a isenção a turistas do pagamento de IVA em serviços de hospedagem.

Para Douglas Guilherme Filho, coordenador da área tributária no Diamantino Advogados Associados, esse tipo de sistema é interessante para o Estado, porque provoca aumento na atividade econômica. “Você geralmente tem uma lista de produtos ou serviços que dão isenção ou devolução do tributo. Além disso, as empresas ou lojas que participam do modelo precisam estar cadastradas em programa governamental. Não é simplesmente dizer que o turista não paga imposto”, diz.

SISTEMA COMPLEXO

Fernando Lima, advogado tributarista sócio do Lavocat Advogados, diz que a complexidade do sistema tributário brasileiro é o principal entrave para a adoção do sistema, porque a devolução do tributo pago envolveria procedimentos específicos de cada ente federativo.

Mas a adoção do IVA tornaria mais simples o uso do mecanismo. “Embora alguns setores do turismo estejam abarcados por regimes tributários específicos nesta reforma, existe uma preocupação de quanto será a alíquota deste novo IVA com a reforma tributária. Logo, mais do que nunca, faz-se necessária a implementação do sistema de tax free para fazer frente a outras economias no mundo”, defende.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O post Com IVA, estrangeiros poderão ter ‘tax free’ no Brasil apareceu primeiro em ISTOÉ DINHEIRO.

PARA QUE A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL ACONTEÇA É NECESSÁRIO MUDAR O FUNCIONAMENTO E O PLANEJAMENTO DAS EMPRESAS

 

Hermínio Gonçalves – CEO da SoftExpert Brasil

Dentre elas, a de maior impacto para as empresas é a rápida adaptabilidade em relação às mudanças do mercado

Alinhada à transformação digital, a cultura ágil é uma abordagem empresarial que visa a aprimorar agilidade, flexibilidade e eficiência nos processos de negócio, tornando os colaboradores e as organizações mais adaptáveis às mudanças do mercado. Por sua vez, para que a transformação digital aconteça efetivamente, precisa haver uma mudança no funcionamento das organizações e na maneira como pensam e planejam suas ações.

“Antes da cultura ágil, é preciso ter transformação digital. Ambas não são possíveis sem que haja interação entre os indivíduos e os respectivos processos e ferramentas utilizadas. Também é essencial ter soluções tecnológicas, que permitam a colaboração entre clientes, parceiros e stakeholders, além de um planejamento concreto de ações, o qual será periodicamente visitado para checagem de resposta às mudanças.”, explica Hermínio Gonçalves, CEO da SoftExpert Brasil, empresa que fornece soluções de transformação digital e gestão a nível global.

Feito isso, a cultura ágil possibilita diversas vantagens para as organizações ao longo de toda a cadeia:

Interações rápidas com base no feedback do cliente;

Experiências digitais para clientes e mercado;

Adaptação rápida às mudanças do mercado;

Transparência e responsabilidade;

Melhoria contínua e flexibilidade;

Redução de riscos e controle de custos;

Melhoria na comunicação e colaboração;

Aumento da confiança dos membros da equipe.

“Outro ponto de atenção é que a inovação precisa ser levada a sério pelas empresas e gestores que querem ter uma jornada efetiva de transformação digital, uma vez que mudar a cultura requer adaptabilidade de todos os envolvidos, sendo necessário empregar os processos e dar lugar para a inteligência colaborativa”, ressalta o CEO. A cultura ágil, por sua vez, revoluciona os processos e prepara as empresas para as mudanças do mercado. Consequentemente, uma abordagem ágil melhora o tempo de reação da empresa a mudanças e minimiza os possíveis impactos negativos.

O executivo da SoftExpert ainda sinaliza que algumas empresas não conseguem lidar com a transformação digital de forma eficiente. Isso porque não considera etapas e pilares desta jornada. Sendo essencial que as novas práticas sejam compatíveis com a dinâmica da empresa e que as equipes estejam devidamente preparadas. O engajamento de colaboradores e gestores é um dos pilares de sustentação da jornada de transformação digital nas organizações, assim como a adoção de indicadores de eficiência e eficácia, gestão das tarefas, assim como adoção de práticas de melhoria contínua.

CARACTERÍSTICAS DA VALEON

Perseverança

Ser perseverante envolve não desistir dos objetivos estipulados em razão das atividades, e assim manter consistência em suas ações. Requer determinação e coerência com valores pessoais, e está relacionado com a resiliência, pois em cada momento de dificuldade ao longo da vida é necessário conseguir retornar a estados emocionais saudáveis que permitem seguir perseverante.

Comunicação

Comunicação é a transferência de informação e significado de uma pessoa para outra pessoa. É o processo de passar informação e compreensão entre as pessoas. É a maneira de se relacionar com os outros por meio de ideias, fatos, pensamentos e valores. A comunicação é o ponto que liga os seres humanos para que eles possam compartilhar conhecimentos e sentimentos. Ela envolve transação entre pessoas. Aquela através da qual uma instituição comunica suas práticas, objetivos e políticas gerenciais, visando à formação ou manutenção de imagem positiva junto a seus públicos.

Autocuidado

Como o próprio nome diz, o autocuidado se refere ao conjunto de ações que cada indivíduo exerce para cuidar de si e promover melhor qualidade de vida para si mesmo. A forma de fazer isso deve estar em consonância com os objetivos, desejos, prazeres e interesses de cada um e cada pessoa deve buscar maneiras próprias de se cuidar.

Autonomia

Autonomia é um conceito que determina a liberdade de indivíduo em gerir livremente a sua vida, efetuando racionalmente as suas próprias escolhas. Neste caso, a autonomia indica uma realidade que é dirigida por uma lei própria, que apesar de ser diferente das outras, não é incompatível com elas.

A autonomia no trabalho é um dos fatores que impulsionam resultados dentro das empresas. Segundo uma pesquisa da Page Talent, divulgada em um portal especializado, 58% dos profissionais no Brasil têm mais facilidade para desenvolver suas tarefas quando agem de maneira independente. Contudo, nem todas as empresas oferecem esse atributo aos colaboradores, o que acaba afastando profissionais de gerações mais jovens e impede a inovação dentro da companhia.

Inovação

Inovar profissionalmente envolve explorar novas oportunidades, exercer a criatividade, buscar novas soluções. É importante que a inovação ocorra dentro da área de atuação de um profissional, evitando que soluções se tornem defasadas. Mas também é saudável conectar a curiosidade com outras áreas, pois mesmo que não represente uma nova competência usada no dia a dia, descobrir novos assuntos é uma forma importante de ter um repertório de soluções diversificadas e atuais.

Busca por Conhecimento Tecnológico

A tecnologia tornou-se um conhecimento transversal. Compreender aspectos tecnológicos é uma necessidade crescente para profissionais de todas as áreas. Ressaltamos repetidamente a importância da tecnologia, uma ideia apoiada por diversos especialistas em carreira.

Capacidade de Análise

Analisar significa observar, investigar, discernir. É uma competência que diferencia pessoas e profissionais, muito importante para contextos de liderança, mas também em contextos gerais. Na atualidade, em um mundo com abundância de informações no qual o discernimento, seletividade e foco também se tornam grandes diferenciais, a capacidade de analisar ganha importância ainda maior.

Resiliência

É lidar com adversidades, críticas, situações de crise, pressões (inclusive de si mesmo), e ter capacidade de retornar ao estado emocional saudável, ou seja, retornar às condições naturais após momentos de dificuldade. Essa é uma das qualidades mais visíveis em líderes. O líder, mesmo colocando a sua vida em perigo, deve ter a capacidade de manter-se fiel e com serenidade em seus objetivos.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

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domingo, 20 de agosto de 2023

A EMBRAPA ESTÁ MUITO BUROCRATIZADA E EXCESSIVAMENTE CENTRALIZADA EM BRASÍLIA

 

História por Redação Itatiaia 

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma das principais responsáveis por tornar a agricultura brasileira uma potência mundial, passa por um processo de refundação aos seus 50 anos.

Um grupo de trabalho criado pelo Ministério da Agricultura e formado por alguns dos maiores especialistas em pesquisa agropecuária do país apontou, em uma primeira versão do relatório, que a Embrapa:

  • é burocrática,
  • tem uma gestão excessivamente centralizada em sua sede em Brasília
  • e carece de uma política de recursos humanos eficiente.

O documento do grupo de trabalho, obtido em primeira mão pela CNN, diz, por exemplo, que foi constatada “a existência de um excesso de concentração de poder na sede (…) que reduzem a criatividade das unidades e da empresa em geral”.

Também diz que:

  • é preciso “rever os processos decisórios (…) para melhorar a gestão e atendimento aos órgãos de fiscalização e controle, eliminando a burocracia, o retrabalho e a dedicação excessiva de empregados”,
  • é necessário “conceber um novo sistema de avaliação de desempenho” e que “a evolução na carreira deve valorizar a atividade de pesquisa”.

“Burocratizou”

Um dos integrantes do grupo de trabalho é Pedro Camargo Neto, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira e ex-secretário de Produção e Comércio do Ministério da Agricultura durante o governo FHC.

À CNN, Pedro Camargo Neto lembra que a Embrapa conta com 2 mil pesquisadores, 8 mil funcionários e 42 centros além da sede.

“Com o passar dos anos, a sede (em Brasília) começou a criar muitos controles e isso burocratizou de uma tal maneira que o pesquisador não consegue produzir”, complementa.

Para Camargo Neto, “o problema é que tem que responder muitos relatórios, se perde muito esforço nesse processo e a pesquisa exige criação e não pode ser burocratizada”.

Por ser uma empresa muito grande, estruturada e burocratizada, Camargo Neto defende que a Embrapa precisa ser “sacudida, receber uma orientação e modernização”. “Para que os novos presidentes e diretores (da Embrapa) sigam essas orientações, para que promova as mudanças”, complementou.

O ex-secretário de Produção e Comércio do Ministério da Agricultura também aponta que, ao longo de seus 50 anos, a Embrapa produziu muito, teve quase R$ 4 bilhões investidos, mas, nos últimos anos, “deixou a desejar”. “Perguntamos para cerca de 20 pesquisadores e houve convergência, eles disseram que há burocracia demais, que os pesquisadores estavam com dificuldades (por conta das burocracias), que limitava eles por Brasília”.

Um dos pesquisadores consultados foi Zander Navarro, professor do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O documento que Zander Navarro entregou ao grupo de trabalho com as respostas ao questionário foi intitulado por ele de “O Brasil precisa de outra Embrapa”.

Ele vai direto ao ponto: afirma que é preciso “aceitar, como inequívoco e sem tergiversações, a situação de crise ora experimentada pela Embrapa – ainda que latente e sem visibilidade pública”.

O professor diz ainda que “são numerosos os aspectos, processos, tendências, atividades e o mau funcionamento de estruturas internas que poderiam ser citados para indicar, sem nenhuma dúvida, a sua influência deletéria no cotidiano da estatal”.

A Embrapa, “há um bom tempo”, tem sido incapaz de definir a sua estratégia institucional, segundo o especialista.

A estatal não é capaz de afirmar publicamente quais seriam as suas diretrizes de pesquisa (justificando-as) (…) a estrutura e distribuição espacial das unidades é totalmente obsoleta (…), há um aspecto quase totalmente desconhecido pela sociedade externa à Embrapa, embora crucial para explicar os seus impasses atuais que refere-se à substituição de dois terços dos pesquisadores em período aproximado de quinze anos

Zander Navarro

O peso da folha de pagamentos

Também diz que a Embrapa gasta quase todo o seu orçamento com o pagamento de salários — pelo menos 90% do total.

E, como resultado, “considerados os demais gastos correntes, praticamente não existem fundos para o desenvolvimento de sua missão principal – realizar pesquisas (…) a estatal se tornou fortemente disfuncional e nitidamente periférica em relação à economia agropecuária brasileira”.

Empresa não lidera pesquisa agronômica no Brasil

Dados levantados pela professora da Unb Connie McManus apontam que de fato a Embrapa não é a líder em pesquisa agronômica no Brasil.

Irlandesa naturalizada brasileira com mestrado em Oxford e pós-doutorado em Sydney, ela é ex-diretora de Relações Internacionais da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), principal órgão de pesquisa do país.

De acordo com Connie McManus, no conjunto das instituições que fazem pesquisa no Brasil, a USP e a Unesp publicam mais artigos na área de agropecuária.

Outras instituições também mostram maior número de publicações em áreas específicas, como a Unicamp e UFSC na área de biotecnologia na agricultura.

Algumas destas instituições como USP, Ufrgs, UFPE, UFRJ e Unicamp, além de outras, mostram maior impacto que a Embrapa.

Cientistas sem destaque internacional

Ela também afirma que a Embrapa tem alguns excelentes cientistas, mas poucos se destacam nacionalmente ou internacionalmente.

E que a empresa tem:

  • seis dos 103 cientistas na lista dos Best Animal Science and Veterinary Scientists in Brazil (research.com),
  • um em 95, na área de Best Ecology and Evolution Scientists in Brazil,
  • oito no Best Plant Science and Agronomy Scientists in Brazil (em 56)
  • e três em ciências ambientais.

“Em termos de publicações da Embrapa, 70% são em colaborações nacionais e 26,6% em colaboração internacional, portanto somente 3,4% são da Embrapa sozinha”.

E complementa: “O impacto geral da Embrapa é de 0,87 (média mundial é um), sendo 0,79 na área de ciências da agricultura (Scopus do Elsevier.com)”.

Outro dado levantado por Connie McManus é o número de cultivares — os melhoramentos genéticos patenteados elaborados por pesquisadores públicos e privados para que as culturas agrícolas enfrentam, por exemplo, uma estiagem.

A professora reforça que o Brasil possui 2.714 cultivares protegidos e mais de 90% das cultivares foram registrados por empresas privadas.

A Embrapa tem algumas áreas na qual ela é dona do conhecimento como a questão dos recursos genéticos, onde exerce um papel fundamental para o Brasil. Na questão de quarentena do material genético, é ela que centraliza essas ações, e também de marcação territorial e ações de ordem nacional

Connie McManus

Mas pondera que, termos da pesquisa agropecuária dentro do Brasil, “tem outras áreas que a Embrapa é colocada como detentora do conhecimento, mas a maior parte do que produzem como pesquisa, cerca de 96% do que é produzido é feito em colaboração, e desse valor, 70% é feito em colaboração com universidades brasileiras, e, às vezes, essa colaboração não é reconhecida”.

Ela classifica que, em áreas estratégicas, a Embrapa é “fundamental”.

VÍDEO – Stédile diz que invasão de área da Embrapa foi “erro”

Connie McManus cita um levantamento feito por ela em 2021, que revela que a Embrapa era responsável por apenas por 4% dos cultivares do Brasil, e a maior parte, é de empresas privadas.

“Obviamente a Embrapa pode estar desenvolvendo algum produto que não dependa de alta produtividade ou algo específico, mas, isto está sendo desenvolvido com universidades. Então, tem áreas que a Embrapa poderia ser mais estratégica, olhando para o futuro”, complementa.

“Há pesquisas de produtos que já são patenteados no exterior, então, para que repetir patentes, ao invés de desenvolver novos produtos como bioinsumos?”, questiona.

Para ela, isso poderia ser uma área estratégica, “pois, se olhar a guerra da Ucrânia, ela prejudicou o envio de materiais, então essa é uma área que poderia ter mais esforço ao invés de repetir patentes já existentes”.

“Então seria bom colocar na empresa algo que outros países não estão criando, e que o Brasil precisa ao invés de repetir estudos que já existem”, conclui.

“Perdemos tempo com formulários”

A pesquisadora da Embrapa Hortaliças desde 1997, Alice Nagata avalia que o excesso de procedimentos burocráticos na Embrapa prejudica a produção da estatal em pesquisa agrícola.

“Nós temos sofrido com esse problema, que é o excesso de burocracias aqui dentro. Então nós perdemos muito tempo em preencher formulários e isso tem diminuído nosso tempo de pesquisa em todas as áreas, e dificulta firmar novas parcerias. Até isso que seria externo, acaba sendo dificultado e atrasa o processo”, afirma Alice.

Alice defende que a Embrapa coloque a pesquisa como algo prioritário, “pois, hoje, o que vimos que é prioridade é a governança e gestão da pesquisa”.

“Ter mais profissionalismo deixaria que o pesquisador realizasse seu trabalho profissionalmente. E não que o pesquisador tenha que sair da sua área e realizar outros trabalhos. Acho que falta profissionalismo em algumas etapas, como feedback e contratação”.

A especialista defende com ênfase a descentralização de decisões em Brasília.

“O mais importante é investir em estratégias, decidir o que a Embrapa precisa fazer, como fazer e qual forma fazer a pesquisa, nós achamos que falta essa análise, de como a Embrapa pode entregar mais resultados para a sociedade”, complementa.

As queixas de Alice são referendadas por outros pesquisadores com quem a CNN conversou e que levaram um grupo de servidores da empresa a encaminhar, sete anos atrás, um documento para a cúpula da empresa reivindicando mudanças na gestão da Embrapa.

Eles elaboraram uma lista de tópicos considerados como problemáticos por funcionários da Embrapa e de medidas sugeridas para solucioná-los, que merecem ser consideradas pela Diretoria Executiva, com pontos semelhantes aos que foram apontados pelo grupo de trabalho atual.

Os pesquisadores falaram, em 2016, por exemplo, que “é necessário reduzir drasticamente a burocracia em todos os processos da empresa”.

Mencionaram a necessidade de “descentralização e autonomia”, de “simplificar o conteúdo descritivo dos projetos nos formulários eletrônicos internos” e melhorar “gestão de pessoas”.

Os desafios internos da Embrapa não impediram a estatal de continuar dando bons frutos ao país.

Dentre as conquistas recentes que a empresa considera relevantes, estão:

  • O lançamento de novos bioinsumos, que reduzem a aplicação de químicos nas lavouras;
  • O desenvolvimento de variedades resistentes a novos biomas como o trigo e o dendê no cerrado e frutas de clima temperado no semiárido brasileiro;
  • O avanço na agricultura digital que ajuda a detectar doenças em plantas e a desenvolver drones que identificam pragas e pulverizam a lavoura automaticamente e
  • A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), uma estratégia de produção sustentável, que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais.

Papel essencial da Embrapa

Para o professor Francisco Vidal Luna, autor do recente livro “Alimentando o Mundo: o Surgimento da Moderna Economia Agrícola no Brasil”, a Embrapa teve papel essencial no desenvolvimento da agricultura brasileira.

Ele explica que até a década de 1960, o Brasil produzia essencialmente para o mercado interno.

“O Brasil era monocultor de café, voltado muito ao café, para exportar. Tirando o café, vivia apenas com seu próprio abastecimento. Na década de 60 houve modernizações no setor agrícola, como política de crédito farto e subsidiário”, detalha.

“O trigo era muito protegido, não era competitivo. E era necessário gerar produtos básicos e insumos básicos pro Brasil. Por isso, a modernização foi muito rápida e foi criada a Embrapa. Boa parte das políticas de crédito foram incorporadas, mas se perdendo como instrumento. O que foi permanente foi a Embrapa, que tem 50 anos e é chave para a modernização. A abertura do Centro-Oeste foi essencial para a produtividade do Brasil aumentar”, afirma Luna à CNN.

O professor Francisco Vidal Luna afirma que o processo que originou a Embrapa foi bem sucedido.

“A pesquisa antes era feita pelo instituto agronômico de Campinas por universidades, mas não sabia fazer o que a Embrapa fez, que foi aumentar a produtividade do campo”, disse. “Dentro de um instituto de física, por exemplo, tem muitas áreas de pesquisa e faz com que não chegue ao consumidor do conhecimento. Já a unidade da Embrapa tem diversas áreas e todos eles preocupados com algo específico, por exemplo o milho ou as unidades dos produtos da região”, complementou.

VÍDEO – Embrapa fez revolução tecnológica nunca vista antes

O especialista lembra ainda que, nos anos 1970, foi criada uma Universidade da Embrapa.

“Os EUA financiaram os pesquisadores brasileiros a irem para fora, e foi a época da revolução verde. A Embrapa absorveu isso, trouxeram o conhecimento e compartilharam isso. E a Embrapa foi essencial para abrir o Centro-Oeste, que na época plantava arroz, e era muito demorado. Com o tempo, a Embrapa foi otimizando isso. Hoje, o Centro-Oeste é o celeiro do mundo.”

A presidente da Embrapa Silvia Massruhá reconhece a necessidade de mudanças, mas não gosta do termo refundação, prefere falar em revitalização.

Primeira mulher a chefiar a Embrapa, ela integra o quadro de pesquisadores da Embrapa desde 1989. É doutora em computação aplicada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (inpe). Ela não concorda com o termo “refundação”.

“Refundar é muito forte (…) estamos no momento de revitalizar essa pesquisa e para isso a gente vem discutindo e com algumas lideranças do agronegócio como pode revitalizar para que ela seja mais ágil e ajudar a agropecuária brasileira se mantendo no protagonismo (…)”, disse à CNN.

Sobre os resultados do GT, ela diz: “Eles apontaram três pontos a embrapa por ser empresa pública ela está dentro da lei das estatais tem um conjunto de normas que tem que seguir desde 2016 ao mesmo tempo que é positivo porque blinda a empresa enquanto empresa pública, tem alguns pontos que precisam ser melhorados para ela ser mais ágil existe essa discussão”.

Silvia Massruhá defende a necessidade de descentralizar a gestão.

Dados oferecidos pela própria Embrapa à CNN mostram que o orçamento da Embrapa é majoritariamente concentrado em salários e que há pouco recurso para pesquisa.

Os números da empresa – Orçamento para 2023

  • R$ 3,6 bi dos quais R$ 3,2 bi para salários (90%) e R$ 333,2 mi (8%) para pesquisa agropecuária.
  • Captação externa de recursos para pesquisa em 2022 foi de R$ 93,3 milhões.
  • Captação externa para projetos em parceria com setor produtivo em 2022 foi de R$ 17,7 mi.

Apesar dos desafios, a presidente da estatal considera que a Embrapa foi e é essencial para o papel que a agricultura brasileira tem hoje no mundo.

“A Embrapa há 25 anos faz o balanço social. Em 2022, para cada real investido, ela retornou R$ 34 para a sociedade. Isso mostra o quanto nossas tecnologias estão sendo adotadas pela sociedade”, resumo.

E chama atenção para outro ponto: estudo da Agência Brasileira de Marketing Rural com mais de 4 mil pessoas na área urbana traz a Embrapa em sexto lugar.

“Nossa agricultura é baseada em ciência e tecnologia. A Embrapa foi criada com a missão de criar segurança alimentar e, com evolução, passamos a grandes exportadores e produtores”, explica.

“Hoje existem outras demandas que chegam que a Embrapa tem que se adaptar. Estamos passando por esse momento de transição onde o consumidor é mais exigente e tem acesso à informação. Isso é um outro desafio: a transição nutricional, transição energética, matriz limpa, descarbonização, como aumentar produção e produtividade com pouca expansão de área”, conclui.

DREX A MOEDA DIGITAL BRASILEIRA

 

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História por Redação • Catraca Livre

Real Digital: a novidade Drex que vai mudar sua vida acaba de chegar© Divulgação/Banco Central

Créditos: Agência Brasil/Marcello Casal Jr

O DREX será a versão digital do Real brasileiro. Antes chamado de Real Digital, o DREX teve seu nome divulgado em 7 de agosto. A inovação, entretanto, vai ser utilizada pelos brasileiros somente em 2024. Enquanto isso, existem muitas dúvidas sobre como a moeda digital vai funcionar.

Real digital: entenda a diferença entre o Pix e o Drex© Agência Brasil/Marcello Casal Jr

Como vai funcionar o DREX

Considerado um “primo do PIX”, o DREX vai funcionar utilizando a tecnologia blockchain, que é tida como a mais segura do mercado na atualidade. Dessa forma, o cliente fará operações com a moeda digital, mas não terá acesso direto a ela, operando por meio de carteiras virtuais.

Segundo o Banco Central (BC), cada R$ 1 valerá 1 DREX. O BC ainda não definiu se serão cobradas taxas para operações envolvendo o DREX. Pode ser que funcione de forma gratuita como o PIX, havendo cobrança em algumas situações específicas a serem definidas.

Como será o acesso ao DREX?

O processo ocorrerá da seguinte forma: primeiramente, o cliente (pessoa física ou empresa) deverá depositar em reais a quantia desejada numa carteira virtual, que converterá a moeda física em DREX. Essas carteiras serão operadas por bancos, fintechs, cooperativas, corretoras e demais instituições financeiras, sob a supervisão do BC.

Após a tokenização (conversão de ativo real em ativo digital), o cliente poderá transferir a moeda digital, por meio da tecnologia blockchain. Caberá ao receptor converter os DREX em reais e fazer a retirada.

PIX versus DREX

Você sabe qual a diferença entre o PIX e o DREX? Vamos lá:

O PIX é um método de transferência de valores.  Já o DREX é a própria moeda (o dinheiro/moeda digital). Ou seja, em breve, os brasileiros poderão fazer um PIX, usando o dinheiro DREX.

Em testes até dezembro

O DREX, que antes de agosto se chamava Real Digital, começou a ser  testado em março deste ano. No mês de junho, o Banco Central (BC) selecionou 16 propostas para participação neste projeto piloto do Real Digital. Agora em julho, Elo e Microsoft formaram um consórcio para o desenvolvimento da moeda digital.

Segundo o Governo, a fase de testes do Banco Central deve ser concluída em dezembro deste ano.  Apenas em março de 2024, os resultados deverão ser avaliados e haverá participação da população.

“A solução, anteriormente referida por Real Digital, propiciará um ambiente seguro e regulado para a geração de novos negócios e o acesso mais democrático aos benefícios da digitalização da economia a cidadãos e empreendedores”, afirmou o Banco Central no último dia 7 de agosto, quando anunciou o nome do DREX.

COMO ESCOLHER UMA ESCOLA 100% DIIGITAL PARA O SEU FILHO

 

Veja 10 dicas essenciais

Além da mensalidade e da proximidade física, é importante avaliar pontos como projeto pedagógico e plataformas digitai

Por Luiza Wolf – Jornal Estadão

A importância e o peso da escolha de uma escola podem gerar inseguranças nos pais: o que, afinal, é importante levar em consideração nesse momento?

Cláudia Costin, presidente do Instituto Singularidades, destaca que essa avaliação começa fora da escola. “Minha primeira dica: vá até o local na hora da saída dos alunos e observe os pais que vão buscá-los”, diz.

“Veja se são famílias parecidas com a sua, se são pessoas com quem você conversaria. Porque é lá que os filhos farão amizades – e, em certa fase da vida, eles ouvirão mais os amigos do que os pais.”

De fato, a escolha da escola envolve muitas vertentes – afinal, a instituição de ensino formará seres humanos e cidadãos. Confira, abaixo, dez dicas para escolher a escola ideal para o seu filho.

Aula de arquitetura de computadores: montagem, configuração e manutenção no FabDante, espaço de Cultura Maker do Colégio Dante Alighieri em São Paulo
Aula de arquitetura de computadores: montagem, configuração e manutenção no FabDante, espaço de Cultura Maker do Colégio Dante Alighieri em São Paulo Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Custos com mensalidade e matrículas

O fator financeiro é um dos primeiros a ser considerado pelos pais – e isso é completamente compreensível. Afinal, a mensalidade e a matrícula da escola precisam caber no orçamento da família.

Além do valor em si, é essencial que os pais estejam atentos a como a instituição de ensino realiza essas cobranças (e como as reajusta). A Lei nº 9.870, conhecida como Lei da Mensalidade Escolar, determina, por exemplo, que o valor só pode ser reajustado uma vez anualmente e que deve contemplar a variação inflacionária do ano anterior. Além disso, os aumentos dos custos da instituição (como salário dos funcionários, manutenção e infraestrutura) devem ser comprovados aos pais.

Considere também se a escola supre outras demandas das crianças. Se elas realizarem atividades extracurriculares por lá (como aulas de teatro, de artes, de inglês), a família não precisará arcar com cursos livres.

Projeto pedagógico

O projeto pedagógico define o “DNA” da escola, ou seja, como a instituição funciona e como ela dá atenção a cada fase de desenvolvimento e aprendizado dos alunos.

É preciso avaliar, por exemplo, se a escola optou por ter um coordenador pedagógico para cada fase escolar: um profissional que seja especializado na faixa etária dos alunos e que seja capaz de atender as demandas das crianças ou adolescentes e de acompanhar de perto as transformações daquela geração.

Além disso, é importante que a escola seja gerida por educadores. Por vezes, empresários que possuem negócios em outros ramos (bares, restaurantes, escritórios, etc) decidem investir também em uma instituição de ensino, mas não são especializados na área e nem acompanham o dia a dia dos alunos.

Alunos do Colégio Móbile, em São Paulo; instituições precisam preparar os alunos para utilizar a tecnologia da melhor forma
Alunos do Colégio Móbile, em São Paulo; instituições precisam preparar os alunos para utilizar a tecnologia da melhor forma Foto: Colégio Móbile/Divulgação

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Projeto político

O nome deste quesito, “projeto político”, pode assustar à primeira vista. Mas ele não está ligado exatamente às eleições ou à preferência por um candidato ou outro. Na verdade, o projeto político é parte do projeto pedagógico e mostra como a escola está engajada com princípios da ética e da cidadania.

Tenha em mente que a escola cumpre um papel político na sociedade, pois é um importante ator social – afinal, auxilia os alunos a se desenvolverem enquanto cidadãos críticos. Por isso, é essencial que a estratégia da escola esteja alinhada com as famílias.

Infraestrutura

O ambiente físico da escola – e seus recursos – também é importante na hora da escolha. E essa avaliação varia de acordo com a idade das crianças ou adolescentes.

A educação infantil deve ter espaço para que as crianças possam brincar e se desenvolver: parquinhos, salas de brincadeira e de artes, pátios. Laboratórios de química e quadras poliesportivas, por exemplo, são essenciais para os estudantes dos ensinos Fundamental e Médio.

Confira também as condições de acessibilidade – os espaços físicos devem ser acessíveis a todos – e a luminosidade natural (ganha pontos quem tem áreas ao ar livre e espaços verdes).

No Liceu de Artes e Ofícios em SP, alunos criam programações que podem ser aplicadas a robôs
No Liceu de Artes e Ofícios em SP, alunos criam programações que podem ser aplicadas a robôs Foto: Liceu de Artes e Ofícios

Plataformas digitais

Vivemos em uma era digital – e isso é fato. Mas as crianças e os jovens também não devem passar o dia todo olhando para telas de computadores e tablets.

Os pais devem avaliar como as escolas introduzem computadores e outras tecnologias no dia a dia dos alunos, tendo em mente que esses aparelhos podem ajudar no aprendizado, mas que devem ser combinados a outros métodos educacionais.

Currículo e experiência dos professores e gestores

Você sabe, afinal, quem ministrará as aulas para o seu filho? Há escolas que divulgam os currículos dos professores e gestores em seus sites. Preste atenção a alguns fatores: se o professor costuma trabalhar na mesma escola por bastante tempo e se ele tem experiência na área de ensino.

Para Claudia, contudo, não é essencial avaliar se os profissionais possuem títulos como mestrados e doutorados. “Há pesquisas nos Estados Unidos e na Europa que mostram que mestrado ou doutorado não têm impacto na aprendizagem”, afirma. “Porque o mais importante é saber como se o professor domina o tema dele e como ele o ensina aos alunos. Afinal, ele pode dominar os conhecimentos e não ser um bom professor”.

Ensino tradicional versus ensino ‘progressista’

O conteúdo que o jovem aprenderá na escola – e como aprenderá – também é primordial no momento da escolha da instituição ideal. Os pais podem optar pelo ensino tradicional ou pelo progressista, aquele que prioriza uma educação mais contemporânea e que incentiva os alunos a pensarem por si próprios.

Um exemplo simples: no currículo mais tradicional, Grécia e Roma são temas iniciais do estudo de História Antiga. O olhar mais progressista e voltado ao cenário regional considera, nesse tópico, os estudos das culturas inca, maia e asteca.

Para Cláudia, em tempos de extrema revolução digital, a capacidade de pensar é ainda mais necessária. “Com a Inteligência Artificial, veio o receio de robôs substituírem humanos em postos de trabalho. Por isso, é ainda mais importante ensinar os alunos a pensarem sozinhos, a colaborarem com seus pares, a trazer sua contribuição para a sociedade – coisas que robôs não são capazes de fazer”.

Proximidade física e contato com a gestão

Estudar em uma escola próxima à residência é sinônimo de qualidade de vida e facilidade para os alunos. Mas ter a instituição perto é também uma grande vantagem aos pais, que podem estreitar seus laços e relações com a escola.

“É importante saber que a escola não deve ser uma espécie de “babá” dos filhos”, diz Claudia. “Os pais devem observar as crianças, acompanhando sua saúde mental, identificar se ela está, por exemplo, sofrendo ou praticando bullying”. Se algum problema for identificado em casa, os pais devem ser sempre recebidos na escola para discuti-lo.

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Competências socioemocionais

Inseridas nas novas diretrizes propostas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as competências socioemocionais envolvem o estudo das emoções. São a capacidade de compreender sentimentos e aplicá-los em ações: a curiosidade em aprender ou investigar algo novo, o foco para terminar uma tarefa ou atingir um objetivo, o autocontrole em situações adversas.

As escolas, atualmente, devem desenvolver os alunos além do currículo tradicional, e as competências socioemocionais são essenciais para que eles se desenvolvam enquanto seres humanos que vivem em sociedade.

Direcionamento para o vestibular

Aqui, é importante traçar o plano de educação para os filhos: ele seguirá na mesma escola desde a Educação Infantil até o Ensino Médio ou mudará de instituição quando for mais velho?

Se os pais optarem pela segunda opção, o direcionamento para o vestibular não precisa, necessariamente, ser uma preocupação na escolha da escola. Mas, se a ideia é que a criança cresça e se forme na mesma instituição, é interessante já avaliar esse quesito.

E as matérias que estão sendo ensinadas não são o único fator decisivo. Para Cláudia, a avaliação deve ir além delas. “Há escolas que não colocam ênfase quase nenhuma no Enem ou vestibulares e têm ótimo resultados”, diz. “Porque são escolas que ensinam a pensar, e cada vez mais os vestibulares enfatizam a capacidade reflexiva do aluno, que é o que ele precisará na universidade”.

VAMOS PRECISAR DE TUDO O QUE ESTIVER DISPONÍVEL PARA A REDUÇÃO DE CARBONO

 

Summit Indústria Automotiva

Para presidente de entidade do setor sucroalcooleiro, é preciso lançar mão de todos os recursos para diminuir poluentes

Por Eduardo Geraque – Jornal Estadão

Em uma frase, descarbonizar é diminuir ao máximo a quantidade de carbono lançada na atmosfera a partir de fontes não renováveis, como são os combustíveis fósseis. O que significa, no caso do Brasil, usar eletricidade, a partir das hidrelétricas, do vento ou do sol, e ainda, do etanol, que tem como fonte de energia um carbono renovável, porque ele foi reciclado da própria atmosfera quando as mudas de cana-de-açúcar cresceram. Não é carbono novo, estocado no subsolo há séculos e milênios.

Para especialistas que participaram do Estadão Summit Indústria Automotiva 2023, no dia 10 de agosto passado, em São Paulo, o debate sobre a dualidade entre eletrificação da frota ou incremento do etanol como combustível deve ficar no passado. “O mundo do ‘ou’ acabou. A gente vive hoje no mundo do ‘e’”, afirma Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica).

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Segundo o executivo, a convocação que está feita, a partir inclusive de dados mais recentes da União Europeia (UE) que mostram um mundo em ebulição e não mais apenas em aquecimento, deixa claro qual deve ser o caminho.

“Vamos precisar de tudo o que estiver disponível capaz de entregar a redução de carbono que precisamos.” Segundo Gussi, a pergunta é: “Como, em um curto prazo de tempo, a gente entrega descarbonização como soluções que melhor atendam às questões econômicas, sociais e sobretudo ambientais?”

O presidente da Unica é categórico ao afirmar que o etanol, no curto prazo, não pode deixar de ser uma das prioridades do Brasil. “Claro que a eletrificação vai ter um papel importante a partir do que o Brasil está construindo em termos de energia renovável para a eletricidade. Agora, o jeito mais rápido e barato de descarbonizar a nossa frota é colocar mais etanol nos 40 milhões de veículos flex que já rodam por aí. Esse é o ponto”, defende Gussi.

Meta

Para Besaliel Botelho, membro do conselho da Bosch, a rota principal a ser escolhida pelo Brasil também não pode abrir mão do etanol. “Quando se fala em descarbonização, e se pensa do poço à roda, o etanol e a biomassa são os melhores que nós temos para fazer esse processo de forma rápida. Principalmente para, até 2050, o Brasil atingir suas metas assumidas em nível internacional”, afirma o executivo.

Besaliel Botelho, membro do conselho da Bosch, avalia que o Brasil não pode abrir mão do etanol.
Besaliel Botelho, membro do conselho da Bosch, avalia que o Brasil não pode abrir mão do etanol.  Foto: Marcelo Chello/Estadão

No caso específico da eletrificação, segundo Botelho, o Brasil não tem como fazer uma transição rápida, por causa da alta necessidade de investimento que esse caminho pressupõe. “Em outros lugares, eles não têm alternativas, então a saída é investir na eletrificação”, afirma o também ex-presidente da própria Bosch.

Desafio duplo

Na Europa e na China, onde a matriz energética principal costuma ser poluente, a partir do uso do carvão, existe um desafio duplo. Que é o de aumentar a frota de veículos elétricos ao mesmo tempo em que se tenta limpar a fonte de energia. Nessas partes do mundo, a questão da biomassa também é incipiente. “Com o etanol, o País pode fazer a ponte para o combustível do futuro, que todos nós sabemos que é o hidrogênio, de forma até gradual, sem muitos investimentos de uma única vez”, avalia Botelho.

Evandro Gussi, presidente da Unica, é categórico ao afirmar que o etanol, no curto prazo, não pode deixar de ser uma das prioridades do Brasil.
Evandro Gussi, presidente da Unica, é categórico ao afirmar que o etanol, no curto prazo, não pode deixar de ser uma das prioridades do Brasil.  Foto: Marcelo Chello/Estadão

Em termos estratégicos, Gussi afirma que um dos gargalos que precisam ser equacionados é o do subsídio à gasolina, um combustível fóssil que colabora para o aumento potencial das mudanças climáticas globais.

“Esses R$ 0,50 por litro de gasolina é um escândalo ambiental, mas é um escândalo econômico porque foi isso que quase quebrou a Petrobras lá atrás e, terceiro, é um escândalo social. Não posso dizer que quem tem um carro é rico, mas posso dizer que tem gente mais pobre do que quem tem carro. Então, estou tirando R$ 0, 50 por litro da gasolina que ao cabo viraria dividendo da Petrobras e 50% ainda vai ser revertido para o Tesouro Nacional. É dinheiro que deveria estar sendo usado para as pessoas mais pobres”, diz o presidente da Unica.

Tomada

Durante o Estadão Summit Indústria Automotiva também se discutiu formas que podem ser usadas como atalho para o Brasil avançar na eletrificação de sua frota. Para Paulo Roberto Cardamone, CEO da Bright Consulting, o setor privado deveria se interessar pelo tema. “Sou contra, por exemplo, o imposto zero para os carros elétricos que são importados. Alguma coisa, até para financiar as próprias infraestruturas de eletrificação, precisa ser cobrada”, diz.

Reciclagem de veículos

O mercado automotivo está conseguindo vender por ano por volta de 2 milhões de veículos no Brasil, segundo Paulo Roberto Cardamone, que defende a reciclagem como forma de incrementar o segmento e renovar a frota do País.

Paulo Roberto Cardamone, CEO da Bright Consulting, defende a reciclagem de veículos.
Paulo Roberto Cardamone, CEO da Bright Consulting, defende a reciclagem de veículos.  Foto: Marcelo Chello/Estadão

Segundo as estimativas de Cardamone, pelo menos 500 mil veículos por ano podem ser comercializados a partir de reaproveitamento de carros. “Chego a ficar envergonhado quando pessoas do setor tentam fugir da necessidade que temos de regulamentar a questão da reciclagem veicular. A lei já existe há 20 anos. A partir dela, pode-se pensar em renovar a frota nacional”, afirmou o consultor.

Por questões políticas, segundo o especialista, muitos fogem do tema com receio que pareça que eles querem retirar os carros das pessoas mais pobres. No entanto, segundo Cardamone, carros antigos que não têm manutenção adequada significam riscos para todos. Vários estudiosos também afirmam que os carros mal regulados ajudam e muito a aumentar as emissões de gases poluentes no País.

“A decisão sobre a regulamentação da lei é algo que precisamos tomar amanhã cedo”, afirma o consultor.

SÉRIE DA NETFLIX RETRATA O PIOR GOLPE NA FABRICAÇÃO DE REMÉDIOS PARA DOR

 

Repercussão da série se torna maior golpe contra máfia dos opioides nos EUA

Nem os US$ 4,5 bilhões pagos pela família Sackler em acordo com a justiça devem ter feito a mesma devastação aos criminosos da indústria farmacêutica que a excepcional série da Netflix faz agora

Por Julio Maria

Assistir à série O Império da Dor é uma vitória em si. Há algo de redentor ao vermos que alguém, enfim, conseguiu fazer seis capítulos para uma plataforma de streaming de escala de audiência planetária, muito maior do que os livros sobre o assunto lançados até então – O Império da Dor, de Patrick Radden Keefe, e An Empire of Deceit and the Origin of America’s Opioid Epidemic, de Barry Meier – oferecendo fatos, nomes e sobrenomes de uma das famílias mais poderosas e nocivas dos Estados Unidos, os Sackler.

Cena de 'Painkiller'
Cena de ‘Painkiller’ Foto: Netflix

A história é odienta: um homem, Richard Sackler, cria uma medicação sabendo do estrago que ela fará, a coloca no mercado com publicidade agressiva sob autorização cheia de salamaleques da FDA, o órgão que controla os medicamentos nos Estados Unidos, e treina um exército de promotoras jovens, ambiciosas e de vestidos curtos para, se necessário, estarem prontas a negociarem o próprio com médicos que aceitarem indicar aos pacientes os comprimidos que elas levam nas bolsas. Um tráfico legal de drogas que devastou os Estados Unidos nos anos 90.

O remédio é real e se chama OxyContin, duas vezes mais potente do que a morfina e feito de um único ingrediente ativo, a oxicodona, que faz parte da família de substâncias químicas da heroína. Uma bomba com efeito duplo: ao mesmo tempo em que tirava um indivíduo do último grau da escala das dores garantia uma sensação de prazer intenso. Intenso e curto. Quem tinha dor se viciou sem querer, quem não tinha se viciou querendo. Ao final de uma estroinice de sete anos, de 1999 a 2016, envolvendo políticos, médicos, autoridades federais e outros laboratórios farmacêuticos, mais de 453 mil norte-americanos haviam morrido, vítimas do uso da medicação.

A série vai fundo no caso. Cria uma personagem, Edie Flowers (vivida por Uzo Aduba), uma investigadora do Ministério Público que luta sozinha contra o grande sistema para colocar os responsáveis atrás das grades. Edie somos nós, querendo justiça ou vingança. E sintetiza muitos mortos na persona de Glen Kryger, um mecânico que sofre um acidente doméstico e precisa se livrar das dores para trabalhar e sustentar a família. Seu médico, aliciado pelas oxyquetes, indica doses cada vez maiores de OxyContin pronto para acabar não só com a vida de Glen, mas com a de sua família. Ao o virem aspirando o pó do comprimido esmagado, reduzindo-se a uma condição sub-humana, ou queimando nas crises de abstinências de suas últimas esperanças, todos, inclusive a filha de cinco anos de idade, são sugados para a vala.

A série não termina, é um processo contínuo. Um estudo feito nos Estados Unidos indica que, só em 2012, os médicos prescreveram mais de 282 milhões de receitas de analgésicos opioides, incluindo OxyContin, Vicodin e Percocet. Seria quase um frasco para cada habitante dos Estados Unidos. E entre agosto de 2013 e dezembro de 2015, várias empresas farmacêuticas, entre elas a Pardue Pharma, responsável pelo OxyContin, pagaram mais de US$ 46 milhões a 68 mil médicos do país por meio de refeições, viagens e honorários para os incitar a receitar opioides. É a força do ‘jabá’ dos doutores, algo que não acontece só nos Estados Unidos nem está circunscrito à máfia dos opioides.

Os Sackler batizam universidades, salas de museus, centros de pesquisa, galerias e até a um planeta fora do Sistema Solar. Sim. O patriarca do império da dor, pai de Richard, acreditava que esse era o legado maior: ainda que ninguém da família tivesse sequer entrado em um teatro, era importante que seus nomes fossem impressos nessas placas.

As mesmas mãos que assassinavam pessoas em massa, amplificando sua produção de comprimidos mesmo diante dos processos na Justiça, poderiam destinar mais de US$ 1 milhão por ano a essas instituições, como a Fundação Arthur M. Sackler fez só em 2015. Uma investigação do jornal The Daily Caller, no entanto, assegurou que a família Sackler nunca apoiou nenhum projeto para financiar a cura do vício que ajudou a disseminar. Há muita frustração em Painkiller e um final aterrador, mas a vitória é decretada assim que alguém decide assistir a uma série que acessa uma história real, bloqueada por anos, escondida nos porões de algumas das piores almas que pisaram neste planeta.

FUSÃO NECLEAR É A REAÇÃO QUE GERA ENERGIA ILIMITADA E LIMPA

Reação que gera energia ilimitada e limpa, sem rejeitos nucleares ou gases do efeito estufa, é considerada o ‘Santo Graal’ da geração energética, mas ainda há um longo caminho a percorrer

Por Roberta Jansen – Jornal Estadão

Cientistas americanos anunciaram no início do mês ter conseguido repetir pela segunda vez uma reação de fusão nuclear capaz de produzir um volume de energia maior do que o que foi gasto para realizá-la. O grande objetivo, há muito perseguido pela ciência, é conseguir, algum dia, produzir energia em larga escala por meio da fusão nuclear – algo que poderia nos fornecer energia limpa e ajudar a resolver a questão climática mundial.

Esta segunda experiência feita no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, seria mais um passo crucial na busca por uma fonte de energia ilimitada, limpa e barata. Essa jornada pode ainda levar décadas para ser concluída. Desta vez, os cientistas americanos dizem ter produzido ainda mais energia do que em dezembro, quando anunciaram o feito inédito com grande alarde em coletiva de imprensa.

A fusão de átomos já havia sido alcançada antes, mas apenas o laboratório americano conseguiu gerar mais energia do que a que foi gasta no processo; o que os físicos chamam de ignição por fusão. Alcançar a ignição ainda é o maior obstáculo ao uso da fusão nuclear como forma alternativa de gerar energia limpa em larga escala.

O problema é que os cientistas não apresentaram ainda um estudo publicado e revisado por pares nem da primeira experiência, nem da segunda, como é praxe no meio científico.

“Há uma distância gigantesca entre o que dizem ter conseguido e o uso comercial”, frisou o físico Marcelo Yamashita, da Unesp. “Em tese, é uma descoberta importante, mas, para dizer que qualquer coisa foi descoberta, é preciso publicar um artigo científico revisado por pares; esse anúncio não teve nenhuma publicação.”

Em comunicado enviado à imprensa, o porta-voz do laboratório federal americano, Paul Rhien, afirmou que novas experiências estão em andamento.

“Na experiência conduzida em 30 de julho, repetimos a ignição”, informou. “Análises desses resultados estão a caminho, mas podemos confirmar que a experiência produziu uma quantidade de energia maior do que a de dezembro.”

Análises desses resultados estão a caminho, mas podemos confirmar que a experiência produziu uma quantidade de energia maior do que a de dezembro.

Paul Rhien, porta-voz do laboratório federal americano

Rhien afirmou ainda que o laboratório “não vai discutir mais detalhes” da experiência de julho até que novas análises sejam concluídas. Mas o grupo “planeja compartilhar os resultados em conferências científicas e em publicações revisadas por pares como parte do nosso processo normal de comunicar resultados científicos.”

A experiência foi feita com o emprego de 192 feixes de laser direcionados para o interior de um cilindro metálico onde uma cápsula do tamanho de uma ervilha continha uma pequena quantidade de dois isótopos do hidrogênio: o deutério e o trítio. O aquecimento do cilindro pelos feixes de laser gerou o calor necessário para provocar a fusão nuclear. Foram gerados 3,15 megajoules de energia, 50% mais do que a lançada pelos lasers no cilindro.

'Fusão resolveria em definitivo nosso problema de energia', diz o físico Gustavo Canal, do Instituto de Física da USP
‘Fusão resolveria em definitivo nosso problema de energia’, diz o físico Gustavo Canal, do Instituto de Física da USP Foto: FELIPE RAU/ESTADÃO

“Essa quantidade de energia é suficiente para ferver cerca de dez litros de água”, comparou o físico Gustavo Canal, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF/USP), especialista em fusão nuclear. “A importância desse experimento não foi mostrar que vamos usar reatores a laser para promover a fusão nuclear em larga escala. Essa é uma forma muito cara e pouco eficiente de estimular essa reação. Mas, sim, que é possível obtermos em laboratório a ignição por fusão. Foi uma prova de conceito.”

A importância desse experimento não foi mostrar que vamos usar reatores a laser para promover a fusão nuclear em larga escala. Essa é uma forma muito cara e pouco eficiente de estimular essa reação. Mas, sim, que é possível obtermos em laboratório a ignição por fusão. Foi uma prova de conceito.

Atualmente, as usinas nucleares usam a fissão, que cria energia ao dividir o núcleo do átomo. Embora as usinas nucleares produzam energia limpa, elas sempre geraram preocupação quanto à segurança por conta dos rejeitos radioativos que geram. A fusão, por sua vez, cria energia ao unir átomos.

Há muito tempo é um grande sonho dos cientistas porque ela poderia gerar energia limpa sem a geração de radioatividade ou risco de colapso. Além disso, o ‘combustível’ para a fusão é formado por átomos de hidrogênio pesado, que pode ser encontrado em algo que a Terra oferece em abundância: água do mar. Não é necessária a mineração de urânio.

Para que a fusão ocorra os átomos precisam vencer a força eletroestática que faz com partículas de carga idêntica naturalmente se afastem. A força eletroestática só pode ser sobrepujada pela força nuclear forte, a mesma que mantém nêutrons e prótons unidos dentro do núcleo do átomo. Esse processo ocorre naturalmente nas estrelas, como o Sol.

Em laboratório, a forma de fundir os núcleos atômicos é promovendo o seu confinamento, por meio da aplicação de grandes campos magnéticos, e da aplicação de calor intenso. No caso da experiência americana, esse calor foi gerado pelos feixes de laser. Esse método, no entanto, não é considerado o mais eficiente para a geração de energia de forma contínua.

Atualmente, os cientistas americanos só conseguem criar a reação de fusão uma vez por dia porque precisam esperar que os lasers usados na experiência sejam resfriados. Uma fusão comercialmente viável, no entanto, precisaria acontecer várias vezes por segundo.

Na grande maioria dos laboratórios internacionais que busca a fusão é usado um reator de fusão (chamado de tokamak, um acrônimo russo para câmara toroidal com bobinas magnéticas) com plasma aquecido a temperaturas mais altas que a do Sol, que seria capaz de gerar o calor necessário de forma constante.

Atualmente, o mais potente reator de fusão do mundo é o Joint European Torus (JET), no Reino Unido. Em breve, no entanto, ele será superado pelo International Thermonuclear Experimental Reactor (Iter), que está sendo construído na França e deve começar a funcionar em 2025

A previsão é de que o Iter já consiga gerar um volume significativo de energia de forma contínua. Além dos grandes laboratórios, há cerca de 40 startups em todo o mundo em busca da fusão.

O Brasil também tem um tokamak para chamar de seu, no Laboratório de Física de Plasma da USP; o único do hemisfério sul. O País também está construindo um reator de fusão mais potente, em Sorocaba. Canal acredita que, em dez anos, já teremos um protótipo para geração de energia em larga escala.

“A fusão resolveria em definitivo nosso problema de energia, sem dejetos radioativos e sem gases do efeito estufa; por isso é chamado de o Santo Graal da energia”, explicou Canal, que é um dos autores do Programa Nacional de Fusão Nuclear. “Quem conseguir fazer isso primeiro, vai dominar o planeta.”

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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