Fala de Bolsonaro se refere às
investigações sobre esquema de venda ilegal de presentes dados ao
governo brasileiro, que têm como alvo pessoas próximas ao ex-presidente.
Sigilo bancário e fiscal dele e da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro
foram quebrados para apurar o envolvimento.
Por Larissa Feitosa, g1 Goiás
‘Sei dos riscos que corro em solo brasileiro’, diz Bolsonaro durante homenagem em Goiânia
“Estive três meses nos Estados Unidos, no estado da Flórida,
realmente um estado fantástico. Mas apesar de ter sido acolhido muito
bem, não existe terra igual a nossa. Sei dos riscos que corro em solo
brasileiro, mas não podemos ceder”, afirmou
A fala de Bolsonaro se refere às investigações da Polícia Federal e
do Supremo Tribunal Federal (STF), que têm como alvo pessoas próximas e
ele. A suspeita é de participação em um esquema de venda ilegal de
presentes recebidos por Bolsonaro durante compromissos oficiais. O
dinheiro obtido com a venda, diz a PF, seria destinado ao ex-presidente.
Entre os alvos da investigação está o ex-ajudante de ordens de
Bolsonaro, tenente-coronel do Exército Mauro Cesar Barbosa Cid, que está
preso. Um dia antes da declaração do ex-presidente em Goiânia, o
advogado de Mauro Cid, Cezar Bitencourt, afirmou que o cliente faria uma
confissão à PF, afirmando que a venda de joias ocorreu a mando de Bolsonaro.
Também na quinta-feira (17), o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-presidente e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
No dia 11 de agosto, uma operação da PF cumpriu
mandados de busca e apreensão envolvendo pessoas ligadas ao
ex-presidente, como o advogado Frederick Wassef, que já defendeu a
família Bolsonaro, e o ex-ajudante de ordens Mauro Barbosa Cid.
Cid foi preso em maio,
mas no âmbito de uma investigação que apura um suposto esquema de
fraudes de cartões de vacina contra a Covid-19. No entanto, de acordo
com a PF, Cid também é investigado no caso que envolve as joias.
As joias em questão foram entregues como presentes ao governo
brasileiro por outros países, como a Arábia Saudita. Segundo a PF, a
venda desses presentes começou a ser negociada nos Estados Unidos em
junho de 2022.
Naquele mês, Cid retirou do acervo de presentes um kit de joias —
composto por um relógio da marca Rolex de ouro branco, um anel,
abotoaduras e um rosário islâmico — entregue a Bolsonaro em uma viagem
oficial à Arábia Saudita em outubro de 2019.
No dia 8 de junho de 2022, Bolsonaro e Cid viajaram aos Estados
Unidos para participar da Cúpula das Américas, em Los Angeles. Segundo a
Polícia Federal, Mauro Cid levou, no voo oficial da FAB, o kit de
joias.
Cinco dias depois, de acordo com a PF, Mauro Cid viajou para o estado
norte-americano da Pensilvânia para vender o relógio Rolex de ouro
branco e outro relógio da marca Patek Philippe.
A PF localizou, a partir da análise de dados armazenados na nuvem do
celular do ex-ajudante de ordens, um comprovante de depósito da loja no
valor de US$ 68 mil nessa mesma data. Esse valor corresponde a R$ 332
mil.
O advogado de Cid, Cezar Bitencourt, disse nesta sexta-feira (18) que
o ex-presidente pediu para que Cid “resolver o problema do Rolex”.
Ainda segundo ele, após a venda do relógio, Cid entregou o dinheiro para Bolsonaro ou para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Qualquer empreendedor que se preze vive em busca de uma vantagem competitiva.
Afinal, é isso que o coloca à frente dos concorrentes e diferencia a empresa das demais no mercado.
E é também por isso que profissionais buscam estar um passo à frente na corrida mercadológica.
Até porque, no atual mundo digital, não há como ser diferente.
Quando você pensa que tem um bom produto, vai analisar a viabilidade e identifica que ele já está defasado.
Ser criativo e inovador não é fácil.
Mas sem essas duas características, como se destacar da multidão e apresentar a sua vantagem competitiva?
Nessa disputa contínua por espaço, se destaca aquele que tem mais diferenciais.
E as organizações que não se sobressaem acabam ficando para trás, fatalmente.
Isso explica porque tantas empresas fecham as portas de maneira precoce.
Segundo dados do IBGE, há quatro anos consecutivos, o Brasil registra mais negócios morrendo do que nascendo.
E mais: menos da metade sobrevivem por cinco anos.
É por essas e outras que o papo que vamos bater neste artigo é tão importante.
Se quer saber o que é vantagem competitiva e como se diferenciar do mercado, este texto é para você.
Nas linhas a seguir, vou falar tudo que é necessário saber sobre o assunto e ainda vou trazer exemplos para facilitar.
Por isso, se deseja desenvolver a sua empresa, continue a leitura.
O que é vantagem competitiva de uma empresa?
Como funciona a vantagem copmpetitiva de uma empresa
A vantagem competitiva de uma empresa se refere a qualquer processo,
ação ou atividade na qual ela se posiciona à frente das demais.
Em outras palavras, resulta na diminuição da capacidade de agir dos
concorrentes, colocando-se em evidência em um determinado setor de
mercado.
É o que dá destaque a uma marca, que a faz ser lembrada pelo público
e, com frequência, a torna a escolha lógica quando uma necessidade de
consumo surge.
Em marketing, por exemplo, existe todo um segmento voltado a
encontrar brechas para definir as tais vantagens competitivas: é o
chamado growth hacking.
Assim, um profissional da área tem a função de explorar o universo
digital para identificar oportunidades de se destacar com o menor custo
possível.
Isso inclui novas técnicas de SEO, também redes sociais e email
marketing, apenas para citar alguns dos formatos mais tradicionais.
Naturalmente, essa vantagem pode ser vasta, mas sabemos que é muito difícil.
Por isso, normalmente, o conjunto de pequenos benefícios é o que traz força a uma empresa.
No entanto, existem diversos outros segmentos nos quais podemos buscá-la.
Quer ver exemplos? Falo sobre eles agora.
Vantagem competitiva na prática
Imagine que uma pequena loja negocia com um atacadista com um valor unitário menor.
Aqui, temos mais um caso simples de vantagem competitiva.
Ou seja, a economia que ela gera junto ao seu fornecedor lhe concede vantagem perante o mercado.
Em outras palavras, melhores condições de enfrentar os concorrentes.
Ou, em outra situação, um profissional encontra um software que permite a aceleração dos processos internos do negócio.
Nesse caso, diferente da concorrência, ela tem acesso a uma fórmula
que vai impactar na produtividade sem afetar a qualidade da entrega
final ao cliente.
Tudo isso tem impacto direto na saúde financeira da companhia, como não poderia deixar de ser.
Por que ter uma vantagem competitiva?
Vale lembrar que a busca por vantagem competitiva é uma atividade constante.
Afinal, o mercado também mexe os palitinhos.
Seus concorrentes também perseguem uma vantagem competitiva a cada instante.
De modo que nenhuma empresa consegue se manter nessa posição privilegiada por muito tempo.
E é por isso que ela é tão importante.
O ideal é criar artifícios que não possam ser facilmente imitados.
Inclusive, boa parte das tecnologias de segurança de dados é tão valiosa.
Suas informações nas mãos erradas, pode gerar vantagem competitiva para as empresas rivais.
E isso é exatamente o que não queremos, não é mesmo?
Mas as razões para ir em busca do seu diferencial são variadas.
Abaixo, conheça mais algumas delas.
Aumento da cartilha
Com os benefícios gerados pela vantagem competitiva, você poderá aplicar preços mais moderados.
Em consequência disso, a tendência é que o volume de vendas cresça e seus clientes se multipliquem.
No entanto, existem outras razões pelas quais eles podem preferir seus produtos.
Uma boa imagem, por exemplo, é outro componente a ser considerado.
Fidelização de clientes
Quanto maior a sua vantagem competitiva, maiores os índices de retenção.
Muitas vezes, os recursos economizados em outros segmentos podem ser utilizados para o pós-vendas, por exemplo.
Setores como atendimento e suporte também se beneficiam do recurso.
Receita
Com o bom uso das vantagens adquiridas, os ganhos também se elevam.
Eles aparecem nas vendas, na economia em processos e até mesmo no aumento do ticket médio.
Com isso, é inevitável que a receita também decole.
Retorno
Quando a vantagem competitiva no marketing é alcançada, você terá maior Retorno Sobre o Investimento (ROI).
Afinal, seu objetivo é fazer mais com menos.
A consequência disso é a otimização de suas ações e melhores resultados no geral.
Como identificar a vantagem competitiva do seu negócio
Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que não há uma única fórmula para identificar as vantagens competitivas de um negócio.
Elas podem variar em diferentes segmentos do mercado e até mesmo considerando qual setor da empresa será avaliado.
Obviamente, todos os demonstrativos de resultados são essenciais para apontar os principais forças.
No entanto, no geral, há uma maneira bastante comum utilizada para tal.
Trata-se de uma ação embasada no balanço patrimonial do negócio.
Ela leva em consideração duas variáveis: o Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) e a Margem Líquida (ML).
A primeira toma conta da capacidade que a empresa tem em gerar valor para clientes e investidores.
Você pode calculá-lo por meio do seguinte cálculo:
ROE = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido
Nesse caso, os lucros são considerados em relação ao ano fiscal
completo, antes mesmo do pagamento dos dividendos dos investidores.
Já a margem líquida toma conta da fração de cada real de vendas que resultou em lucro líquido.
Assim, temos:
Margem Líquida = Lucro Líquido / Receita Bruta
Com esses dois indicadores em mãos, é realizada uma análise e
encontrados os principais componentes que tornam a sua empresa mais
forte.
Características da vantagem competitiva
Temos três características fundamentais para definir a vantagem competitiva de uma empresa.
São eles:
Gerar valor ao cliente: ou seja, obter uma percepção positiva aos olhos do cliente
Ser insubstituível: a vantagem competitiva não deve ser replicada, adaptada ou substituída pelos concorrentes
Ser sustentável: para se tornar uma real vantagem, ela precisa ser duradoura. Caso contrário, ela deixará de sê-la em breve.
Como alcançar vantagem competitiva?
Há diferentes caminhos e métodos a adotar para alcançar vantagem competitiva.
Nos tópicos a seguir, trago detalhes sobre o que você pode fazer nesse sentido.
Análise de concorrência
A avaliação da performance de concorrentes é o primeiro ponto a ser considerado para alcançar a vantagem competitiva.
Para isso, é necessário manter os olhos abertos com relação às suas atividades.
Obviamente, essa não é uma tarefa fácil, já que muitos dos dados são sigilosos.
No entanto, existem métodos de pesquisa que permitem a observação de perto.
Liderança de custo
A liderança de custo é obtida por meio da redução de custos para produção.
Isso envolve diversos fatores, como logística, marketing e vendas.
Ao reduzir os valores de produção de matéria-prima, por exemplo, você poderá aplicar preços mais competitivos no mercado.
Esse diferencial faz toda a diferença na busca pela vantagem competitiva.
Segmentação
A segmentação de público diz respeito ao foco em uma audiência qualificada.
Vender para todos é ótimo, mas manter uma base de clientes que abranja uma parcela do público é bem difícil.
A verdade é que monopólios dificilmente se sustentam.
Em vez disso, foque em mercados específicos, garantindo a qualidade de entrega do produto ou serviço oferecido.
Identificação de recursos
Outro ponto muito importante é a identificação de recursos.
Ao observá-los separadamente, será muito mais fácil entender e identificar as vantagens competitivas da empresa.
Assim, você será capaz de realizar ajustes e melhorias que farão diferença na contabilidade geral.
Capacidades dinâmicas
Não há dúvidas de que empresas com a capacidade de se adaptar apresentam melhores performances no mercado.
Falo de capacidades dinâmicas.
Mudar é necessário e, por isso, você deve considerar esse elemento na hora de implementar um ambiente que propicie inovação.
5 Forças de Porter na vantagem competitiva
Michael Porter é um renomado professor de Harvard que trata de maneira aprofundada sobre a vantagem competitiva.
Ele redigiu alguns livros sobre o tema, sendo um dos mais célebres autores do setor corporativo.
Em um deles, definiu alguns problemas que podem impactar na vantagem
competitiva, que ficaram conhecidos como as 5 Forças de Porter.
São elas:
Rivalidade entre concorrentes: esse é o tipo principal de competição identificada, que se relacionada à rivalidade entre duas empresas
Poder de negociação dos clientes: trata-se da capacidade de enxergar as necessidades do consumidor e se adaptar a elas
Poder de negociação dos fornecedores: sem fornecedores, não há negócios. Tal elemento toma conta das vantagens adquiridas por meio de acordos
Ameaça de entrada de novos concorrentes: leva em conta novos players que adentram o mercado mirando um mesmo público-alvo
Ameaças de produtos substitutos: considera produtos que podem substituir aquilo que você vende.
Ou seja, Porter relaciona tudo aquilo que pode ser um diferencial em
uma empresa ou que merece atenção pela ameaça que representa a ela.
Vantagem competitiva a partir da visão de Porter
Ainda segundo os estudos de Porter, o posicionamento estratégico é um fator que determina a competitividade.
Existem três fontes, como você verá na sequência.
1 – O posicionamento baseado na variedade
Nesse caso, aplica-se a ideia de produção de algo único.
Ou seja, os diferenciais do produto com relação aos concorrentes.
2 – O posicionamento baseado em necessidades
Aqui o foco é em suprir as necessidades de um público segmentado, considerando seus desejos.
Em outras palavras, no direcionamento de mercado a determinadas parcelas, em vez de buscar a abrangência.
3 – O posicionamento baseado no acesso
Por fim, o posicionamento baseado no acesso diz respeito à segmentação somente por clientes que podem adquirir o produto.
Ele pode ser direcionado por dados baseados em geografia, demografia
ou informações ainda mais específicas sobre os consumidores.
Principais tipos de vantagem competitiva existentes atualmente
No mercado atual, existem diferentes tipos de vantagem competitiva que podem ser alcançadas pelas empresas.
Vou falar sobre os principais para que entenda melhor e identifique o que está ao alcance do seu negócio.
Baixo custo
O baixo custo se refere aos investimentos necessários para produzir e distribuir o produto.
Para obter esse tipo de vantagem competitiva, os esforços são destinados à redução.
Com isso, torna-se possível oferecer os itens aos compradores por preços menores.
Essa atividade é muito comum nos segmentos de commodities, produtos
de qualidade e características regulares, como roupas, produtos de
beleza e acessórios eletrônicos.
Ou seja, mercadorias em geral.
Diferenciação
Já no caso da vantagem competitiva obtida por meio da diferenciação, a
empresa luta para se destacar em um determinado benefício ao cliente.
Por exemplo, a usabilidade do produto, a assistência técnica, o suporte, a qualidade ou o design.
Ao contrário do tópico anterior, aqui, os esforços são voltados à
geração de valor intangível (que não se pode medir) e não no preço do
produto.
Vantagem competitiva: exemplos de empresas que se destacam
Agora que você já entendeu o que é a vantagem competitiva e como
aplicá-la, provavelmente, gostaria de conhecer alguns exemplos reais,
não é mesmo?.
Então, vamos a eles!
Conheça agora casos existentes no mercado.
Cielo e Rede
As empresas do setor de adquirência eram dominantes desse mercado no Brasil.
Há alguns anos, ambas tinham contratos de exclusividade com as principais bandeiras de cartão de crédito.
Ou seja, uma vantagem competitiva que fazia toda a diferença para reinar soberanas no segmento.
No entanto, em 2009, as regras mudaram e a legislação colocou limites nessa exclusividade.
Em resposta, as empresas precisaram se adaptar.
Assim, reduziram as taxas cobradas de lojistas.
Aqui temos um clássico exemplo de ameaças de produtos substitutos, já que novas empresas agarraram a oportunidade.
Kodak
O caso da Kodak é clássico.
Você talvez já tenha ouvido falar de como o surgimento de novas
tecnologias trouxe sérios problemas para essa tradicional empresa.
Em meados dos anos 70, a marca respondia por 90% das vendas de filmes
fotográficos e um percentual muito parecido disso relacionado à venda
de câmeras no mercado americano.
Era uma gigante, com bilhões em receita.
Mas a falta de inovação fez a Kodak parar no tempo de tal forma que, em 2012, entrou com um pedido de falência.
Afinal, ninguém mais usava máquinas fotográficas com filmes.
Com a ascensão da fotografia digital, a empresa simplesmente perdeu o imenso espaço que tinha no mercado.
Aqui, temos novamente um produto substituindo outro.
Nubank
A fintech brasileira Nubank, que caiu nas graças do público, apresenta alguns diferenciais competitivos bem interessantes.
Entre eles, a ausência de algumas taxas presentes em outros bancos.
Porém, um de seus maiores diferenciais atinge o público diretamente
naquilo que incomoda: a burocracia para realizar ações simples.
A empresa percebeu que os cidadãos estavam cansados de enfrentar filas e aguardar demorados processos.
Assim, criou um aplicativo simples e intuitivo, que é remodelado de acordo com a experiência do usuário com frequência.
Netflix
A plataforma de streaming de séries e filmes é uma das gigantes do ramo hoje em dia.
Isso porque foi pioneira e trouxe uma nova experiência aos consumidores.
Utilizando-se da tecnologia, permitiu que os usuários consumam conteúdo sem sair de cada.
Além da comodidade, apresenta valores mais módicos do que os canais por assinatura, por exemplo.
Conclusão
Conquistar a vantagem competitiva é algo que pode mudar os rumos de uma empresa.
Neste artigo, você descobriu por que ela é importante e conferiu os
passos para identificar qual o diferencial do seu próprio negócio.
Também conferiu conceitos de Porter e suas nominadas 5 forças.
Por fim, observou exemplos de empresas que foram prejudicadas ou se destacaram devido à vantagem competitiva.
E na sua empresa ou projeto, qual a principal vantagem competitiva?
Vantagens Competitivas da Startup Valeon
A pandemia do Covid-19 trouxe
consigo muitas mudanças ao mundo dos negócios. Os empresários
precisaram lutar e se adaptar para sobreviver a um momento tão delicado
como esse. Para muitos, vender em Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para enfrentar a crise.
Com o fechamento do comércio durante as medidas de isolamento social
da pandemia, muitos consumidores adotaram novos hábitos para poder
continuar efetuando suas compras.
Em vez de andar pelos comércios, durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar por lojas virtuais como
a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que tinham receio de
comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa barreira.
Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.
Contudo, para esses novos consumidores digitais ainda não é tão fácil
comprar online. Por esse motivo, eles preferem comprar nos chamados Marketplaces de marcas conhecidas como a Valeon com as quais já possuem uma relação de confiança.
Inovação digital é a palavra de ordem para todos os segmentos. Nesse
caso, não apenas para aumentar as possibilidades de comercialização, mas
também para a segurança de todos — dos varejistas e dos consumidores.
Não há dúvida de que esse é o caminho mais seguro no atual momento. Por
isso, empresas e lojas, em geral, têm apostado nos marketplaces. Neste
caso, um shopping center virtual que reúne as lojas físicas das empresas
em uma única plataforma digital — ou seja, em um grande marketplace
como o da Startup Valeon.
Vantagens competitivas que oferece a Startup Valeon para sua empresa:
1 – Reconhecimento do mercado
O mercado do Vale do Aço reconhece a Startup Valeon como uma empresa
de alto valor, capaz de criar impactos perante o mercado como a dor que o
nosso projeto/serviços resolve pelo poder de execução do nosso time de
técnicos e pelo grande número de audiências de visitantes recebidas.
2 – Plataforma adequada e pronta para divulgar suas empresas
O nosso Marketplace online apresenta características similares ao
desse shopping center. Na visão dos clientes consumidores, alguns
atributos, como variedade de produtos e serviços, segurança e praticidade, são fatores decisivos na escolha da nossa plataforma para efetuar as compras nas lojas desse shopping center do vale do aço.
3 – Baixo investimento mensal
A nossa estrutura comercial da Startup Valeon comporta um baixo
investimento para fazer a divulgação desse shopping e suas empresas com
valores bem inferiores ao que é investido nas propagandas e divulgações
offline.
4 – Atrativos que oferecemos aos visitantes do site e das abas do shopping
Conforme mencionado, o nosso site que é uma Plataforma
Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado
do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma
proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma
atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos
consumidores tem como objetivos:
Fazer Publicidade e Propaganda de várias Categorias de Empresas e Serviços;
Fornecer Informações detalhadas do Shopping Vale do Aço;
Elaboração e formação de coletâneas de informações sobre o Turismo da nossa região;
Publicidade e Propaganda das Empresas das 27 cidades do Vale
do Aço, destacando: Ipatinga, Cel. Fabriciano, Timóteo, Caratinga e
Santana do Paraíso;
Ofertas dos Supermercados de Ipatinga;
Ofertas de Revendedores de Veículos Usados de Ipatinga;
Notícias da região e do mundo;
Play LIst Valeon com músicas de primeira qualidade e Emissoras de Rádio do Brasil e da região;
Publicidade e Propaganda das Empresas e dos seus produtos em cada cidade da região do Vale do Aço;
Fazemos métricas diárias e mensais de cada aba desse shopping vale do aço e destacamos:
Média diária de visitantes das abas do shopping: 400 e no pico 800
Média mensal de visitantes das abas do shopping: 5.000 a 6.000
Finalizando, por criarmos um projeto de divulgação e
propaganda adequado à sua empresa, temos desenvolvido intensa pesquisa
nos vários sites do mundo e do Brasil, procurando fazer o
aperfeiçoamento do nosso site para adequá-lo ao seu melhor nível de
estrutura e designer para agradar aos mais exigentes consumidores. Temos
esforçado para mostrar aos srs. dirigentes das empresas que somos
capazes de contribuir com a divulgação/propaganda de suas lojas em pé de
igualdade com qualquer outro meio de divulgação online e mostramos o
resultado do nosso trabalho até aqui e prometemos que ainda somos
capazes de realizar muito mais.
Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (WApp)
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) veem na mudança na estratégia de defesa do ex-ajudante de ordens
Mauro Cid um gesto de “desespero”.
Cid, tenente-coronel do Exército, vai confessar ter negociado as
joias nos Estados Unidos a mando do ex-mandatário, afirmou seu advogado,
Cézar Bittencourt. A estratégia de admitir sua atuação e indicar
Bolsonaro como mandante da negociação foi revelada pela revista Veja e
confirmada pelo defensor à Folha.
Interlocutores do ex-presidente lembram que Cid está preso desde maio
no Batalhão do Exército, em Brasília, e está preocupado com a família.
Está detido, aliás, por outra investigação, sob suspeita de adulterar o
seu cartão de vacinação.
A cela possui 20 metros quadrados. O militar só costuma sair do local
duas horas por dia, para um período de banho de sol em que tem
disponível grande espaço para realizar corridas e musculação.
O temor é de que Cid fale o que for preciso para deixar a cadeia, o
que avaliam que pode acontecer. Interlocutores de Bolsonaro insistem,
contudo, que pode até haver trapalhada ou imoralidade, mas que não houve
ilegalidade na atuação do ex-presidente. E que ele não determinou que
Cid fizesse o que fez com as joias.
Mesmo antes da operação deflagrada na semana passada, o clima já era de tensão na família do ex-ajudante de ordens.
Diante da operação da sexta (11) em que a Polícia Federal mirou Cid e
seu pai, o general Mauro Cesar Lourena Cid, eles ficaram ainda mais
isolados, inclusive entre aliados no Exército.
Segundo aliados do general, ele vinha demonstrando chateação com o
ex-presidente e sentia que ele e seu filho estavam abandonados.
A PF descobriu que os dois atuavam em negociações para vender
presentes recebidos por Bolsonaro em viagens oficiais. Os bens são
considerados de Estado, e Bolsonaro não poderia apoderar-se dos itens
valiosos, segundo entendimento do TCU (Tribunal de Contas da União).
“Ele confessa que comprou as joias evidentemente a mando do
presidente. Comprou e vendeu. Resolva esse negócio e venda”, disse o
advogado de Cid sobre a venda das joias e relógios.
Mais cedo, em entrevista à Folha, Bittencourt disse acreditar que as
investigações da PF contra seu cliente têm como foco principal
Bolsonaro. “O que eles querem mesmo é o presidente [Jair Bolsonaro], não
o Cid.”
Mesmo com essa percepção, Bitencourt havia recuado de quarta-feira
(16) para quinta-feira (17) -após uma primeira e longa conversa com Cid
no Batalhão do Exército, em Brasília– e passado a afirmar que o militar
não apenas cumpria ordens.
“Eu tenho a impressão de que ele tinha certa autonomia. E mais: se eu
erro aqui, eu conserto ali. Se fiz uma coisa errada aqui, posso
consertar lá”, completou o advogado na ocasião. Antes ele havia afirmado
a alguns veículos de comunicação que o cliente só cumpria ordens do
chefe.
O advogado disse ainda que iria interromper as entrevistas nesse
primeiro momento porque “você irrita o outro lado”, em referência ao
ex-presidente. “É bom não cutucar abelha com vara curta.” Logo depois,
porém, deu novas entrevistas a veículos de comunicação.
Bitencourt é antigo crítico da delação premiada, especialmente pelo
uso do instituto durante a Operação Lava Jato e havia descartado essa
possibilidade no caso de Cid.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu nesta
quinta-feira, 17, em São Paulo, uma mudança legislativa que proteja a
imagem dos ex-presidentes da República. Ele deu a sugestão após ser
questionado sobre as investigações que apuram possível venda ilegal de
joias por auxiliares de Jair Bolsonaro. Os objetos foram dados de presente a Bolsonaro, mas pertencem ao Estado brasileiro.
“A gente tem que ter uma legislação que não proteja nada de errado,
mas que dê uma certa qualidade de vida para qualquer ex-presidente
quando deixe a Presidência da República. É assim nós Estados Unidos e
nos países mais civilizados”, afirmou Lira durante o ato de filiação ao
PP do secretário da Casa Civil de São Paulo, Arthur Lima.
Lira, no entanto, não quis dar detalhes da forma como essa legislação
seria aplicada. Limitou-se a dizer que não se tratava de anistia a
crimes
“Não tenho ideia. Só acho que o tratamento (que tem sido dado a
Bolsonaro) não é o tratamento que seja dado à instituição presidente da
República”, disse após lembrar imbróglios do atual presidente, Luiz
Inácio Lula da Silva, e dos ex-presidentes Michel Temer e Dilma Rousseff
com a Justiça.
Vídeo relacionado: Lula: “Lira precisa menos de mim do que eu dele” (Dailymotion)
Lira defende direito de o PP ter ministérios, mas Ciro critica hipótese
Lira também afirmou que o PP tem tanto direito quanto qualquer outro partido de comandar ministérios no governo Lula.
“O governo que se elegeu não elegeu maioria no Congresso Nacional.
Como ele vai governar? Não existe meio governo de coalizão ou meio ‘toma
lá, dá cá’. Ou é governo de coalizão, ou é ‘toma lá, dá cá’”, disse.
Lira ressaltou, porém, que a decisão de o partido entrar ou não no governo cabe a Lula.
Presidente do partido, o senador Ciro Nogueira (PI), que estava no
mesmo evento, foi no caminho contrário. Defendeu que o partido não dê
apoio ao governo em troca de cargos e prometeu punição a quem aderir à
base do petista.
“Essa forma de governar o país entregando cargos, principalmente
estatais, deu errado. Vocês vão ver. Dentro de pouco tempo, vão aparecer
os escândalos e, muito pior, o prejuízo para o povo brasileiro.”
Segundo o parlamentar, a divergência entre ele e Lira se deve ao
papel institucional do presidente da Câmara. Ele também defendeu que o
deputado federal André Fufuca (MA), cotado para assumir uma pasta no
governo, será afastado das funções partidárias caso aceite o cargo.
“Nós não fomos votados ao lado deles. Nós não acreditamos neste
governo, que cheira a naftalina. Só pensa no passado, só pensa para
trás.”
Também afirmou que haverá uma cartilha com pautas inegociáveis para o
PP, a exemplo da oposição ao aborto, à descriminalização das drogas e a
mudanças na reforma trabalhista.
“Eles serão obrigados a votar de acordo com a determinação da nossa executiva.”
Lira defende legislação para dar ‘tratamento melhor’ a ex-presidentes da República
Ao falar de Bolsonaro, presidente da Câmara
disse que ex-chefes do Executivo precisam ser considerados uma
‘instituição’ e ter mais proteção. Ciro Nogueira vê Tarcísio como
candidato a presidente
Por Hyndara Freitas — São Paulo – Jornal O Globo
O presidente da Câmara, Arthur Lira, durante sessão — Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados/31-05-2023
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira
(PP-AL), afirmou que o Brasil “precisa cuidar melhor de seus
ex-presidentes”, ao ser questionado sobre as recentes acusações contra Jair Bolsonaro
(PL), que é suspeito de estar envolvido em um esquema de desvio e venda
ilegal de joias dadas como presentes ao governo brasileiro. Lira disse
que já foi vítima de “muitas acusações infundadas” e por isso não quer
“antecipar julgamentos”, mas citou que “todos os ex-presidentes tiveram
problemas” com ações judiciais.
— Eu acho que o Brasil, de uma maneira geral, tem que cuidar melhor
de seus ex-presidentes. Nós tivemos problemas com o ex-presidente
(Michel) Temer, com o presidente Lula, com a ex-presidente Dilma, com o
ex-presidente Bolsonaro, a gente tem que ter uma legislação que não
proteja nada de errado, mas que dê uma certa qualidade de vida para
qualquer ex-presidente quando deixa a Presidência da República, é assim
nos países mais civilizados. Nós esperamos, sim, que ao final tudo tenha
seus esclarecimentos, e por certo ao final esses esclarecimentos virão —
disse Lira durante inauguração da nova sede do Progressistas em São
Paulo, nesta quinta-feira.
Questionado sobre que tipo de cuidados seriam estes, Lira disse que
ao término do mandato, um ex-chefe do Executivo “tem que ser tratado
como instituição, seja ele quem for”:
— Não estou falando de anistia, estou falando que todos os
ex-presidentes tiveram problema. Quantos impeachments já tivemos? São
todos os problemas, diferentes agora, ontem não. A gente tem que ter de
uma maneira ampla mais cuidado, não tem que se passar por cima de nada
errado, estou dizendo que a figura dos ex-presidente como instituição
precisa ter um tratamento melhor pelo Brasil.
Joias, corrupção e organização criminosa
Nos últimos anos, diversos ex-presidentes da República foram alvos de
investigações judiciais. Uma investigação da Polícia Federal aponta a
existência de uma organização criminosa no entorno de Bolsonaro que
teria atuado para desviar joias, relógios, esculturas e outros itens de
luxo recebidos pelo ex-presidente como representante do Estado
brasileiro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou, na semana passada, uma
operação de busca e apreensão realizada após indícios de que o plano
ocorreu por “determinação” do ex-ocupante do Palácio do Planalto.
Bolsonaro também é suspeito de estar envolvido nos atos de depredação às
sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro, e de ter incitado ataques ao
sistema eleitoral.
Antes de Bolsonaro, o ex-presidente Michel Temer também foi alvo de
uma investigação após deixar o Planalto. Em 2019, Temer foi preso no
âmbito da Operação Lava-Jato, no Rio de Janeiro. Ele foi investigado por
ter recebido suposta propina para o consórcio responsável pelas obras
da usina nuclear de Angra 3.
Já a ex-presidente Dilma Rousseff, além de ter sido alvo de
impeachment, foi denunciada por organização criminosa em 2018 por um
suposto esquema de corrupção conhecido como “quadrilhão do PT”, que
seria responsável por desvios de dinheiro da Petrobras e outras
estatais. Em 2019, ela foi absolvida, junto ao ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e aos ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega, além
do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
O ex-presidente Lula foi condenado a 12 anos de prisão pelos crimes
de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em duas instâncias, por ter
supostamente recebido propina da empreiteira OAS no valor de R$ 2,2
milhões, em troca do favorecimento da empresa em contratos na Petrobras.
O caso ficou conhecido como tríplex do Guarujá (SP). Ele foi preso em
2018, e solto em 2021, após o STF anular suas condenações por reconhecer
a incompetência da Justiça Federal do Paraná para julgá-lo.
Para Ciro Nogueira, Tarcísio é o ‘melhor quadro’ para Presidência
O presidente do Progressistas, o senador Ciro Nogueira, afirmou no
mesmo evento que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) “não
tem” que se filiar à legenda, ao mesmo tempo em que se referiu a ele
como “melhor quadro” para representar a direita na eleição presidencial
de 2026.
A fala foi feita logo após a filiação de Arthur Lima, secretário da
Casa Civil e braço direito Tarcísio no governo paulista. O evento de
filiação reuniu nomes do alto escalão da política na nova sede da
legenda, no Jardim Europa, em São Paulo, mas não contou com a presença
do governador.
A expectativa era que o governador comparecesse, e a cerimônia
atrasou algumas horas à espera do chefe do Executivo estadual. Mas, de
última hora, ele resolveu não ir. Tarcísio enfrenta uma relação
turbulenta com o Republicanos, seu atual partido, após os avanços nas
negociações do partido para ingressar na base do governo Luiz Inácio
Lula da Silva (PT). O governador estuda sair da legenda, mas tem um
futuro incerto, especialmente porque o PP também deve entrar na gestão
Lula e o PSD já tem três ministérios no governo petista. Já o PL,
partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, é uma opção mais distante, já
que Tarcísio não tem uma boa relação com o presidente Valdemar Costa
Neto.
— Tarcísio não tem que vir para o PP. Com o gesto que ele fez com a
filiação do Arthur, não precisa. Vamos estar com Tarcísio se ele for
candidato a presidente, se for candidato a governador. Acho que o Brasil
vai exigir que Tarcísio seja candidato a presidente da República daqui a
três anos. É o melhor quadro — disse Nogueira.
Questionado sobre outros nomes da direita, o senador citou a senadora
Tereza Cristina (PP-MS) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema
(Novo):
— Acho muito difícil sairmos da direita para o centro sem termos ou
Tereza ou Tarcísio ou Zema como candidatos. São três grandes nomes.
Com a filiação de Arthur Lima ao PP, a sigla passa a ter espaço no
primeiro escalão do governo. O Republicanos, partido de Tarcísio, e o
PSD, presidido pelo secretário de Governo, Gilberto Kassab, são os mais
contemplados, com três pastas cada um, além do próprio governador e do
vice, Felício Ramuth, respectivamente.
Internamente, segundo fontes próximas do governo, há uma queda de
braço entre Lima e Kassab. O primeiro é amigo de confiança de Tarcísio,
mas o segundo, por sua experiência na política paulista, ganhou carta
branca do governador para fazer as articulações com parlamentares e
partidos.
Aliados se atrapalham ao tentar defender
Jair Bolsonaro na CPMI. O hacker Walter Delgatti prestou depoimento no
Senado, mas não apresentou provas.
BLOG
Blog da Giuliana MorroneImpressões, pensamentos, verdades e versõesVeja mais sobre quem faz
Por Giuliana Morrone – Jornal Estadão
Mente! Mente! Mente!, escreveu o advogado e aliado do ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL). Fabio Wajngarten usou as redes sociais para
ressaltar que “nunca jamais houve grampo, nem qualquer atividade ilegal
contra qualquer ente político do Brasil por parte do entorno primário do
Presidente. “
Enquanto Wassef entregava quatro de seus celulares, o hacker Walter
Delgatti Neto se preparava para o mais explosivo depoimento dos últimos
tempos. Delgatti disse à CPMI que Bolsonaro lhe ofereceu indulto caso
ele assumisse a autoria de um grampo ilegal contra o ministro Alexandre
Moraes. Também disse que o ex-presidente, por meio da deputada Carla
Zambelli(PL/SP) pediu para que ele invadisse o sistema das urnas
eletrônicas para expor supostas vulnerabilidades. O encontro entre o
hacker eBolsonaro teria sido no Palácio da Alvorada, com a intermediação
da deputada Carla Zambelli, do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e do
coronel Marcelo Câmara.
O problema são os outros. Ainda no calor do depoimento, Jair
Bolsonaro deu entrevista à rádio Jovem Pan em que confirmou ter se
reunido com Delgatti e dado a ele a ordem de ir ao Ministério da Defesa:
“teve a reunião e eu mandei ele para o Ministério da Defesa para
conversar com os técnicos. Ele esteve lá (no Alvorada e na Defesa) e
morreu o assunto. Ele está voando completamente.”
O senador Sergio Moro ( União Brasil-PR), no papel secundário de
defensor de Bolsonaro, trouxe à tona a ficha de Delgatti: “só nesse caso
aqui, Sr. Walter, o senhor foi condenado como estelionatário de 44
vítimas diferentes.” Moro só esqueceu que, quando juiz da Lava Jato,
usou e abusou das delações premiadas de réus confessos para expedir
mandados de prisão
Na CPMI, o senador Flavio Bolsonaro (PL_SP) também confirmou encontro
do hacker com o pai, Bolsonaro, para discutir as urnas eletrônicas.
Como permitiram que um estelionatário que, em apenas um caso, atingiu
44 vítimas diferentes se reunisse na residência oficial do Presidente
da República, com o então presidente Bolsonaro?
A senadora Damares Alves ( Republicanos-DF) foi incisiva sobre Delgatti: “não vai ter como provar tudo isso.”
O que Delgatti conseguirá provar? Conseguirá? Ele não apresentou
provas à CPMI. O hacker já está intimado a depor novamente à Polícia
Federal.
A PF já confirmou que ele invadiu o site do CNJ e recebeu pagamentos
de Carla Zambelli. Delgatti disse que foi para que invadisse sistemas de
informação do judiciário.
Na pressa para se defender, Zambelli cometeu erro de digitação, ao dizer acreditar que será provada a inocência dela.
O hacker Walter Delgatti depôs nesta quinta-feira (17) na CPMI do 8 de janeiro
Walter Delgatti, um indivíduo confessamente envolvido em atividades
criminosas, afirmou hoje, durante seu depoimento na Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro,
que se encontrou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Dentro do Palácio do Alvorada, discutiu-se a possibilidade de fraudar
urnas eletrônicas, uma tarefa que ele alega ter sido instruído a
realizar pelo próprio Bolsonaro, mediante orientações para se dirigir ao
Ministério da Defesa.
Surge a pergunta: qual é o valor da palavra de um indivíduo envolvido em atividades de estelionato?
Evidentemente, a credibilidade de suas declarações somente é válida
na medida em que possa ser corroborada por evidências concretas.
Bolsonaro o ameaça com uma queixa-crime, e a Polícia Federal convocou
Delgatti, que se encontra detido, para prestar depoimento novamente.
Apesar disso, a situação é extremamente delicada para o presidente,
já que seu assistente de confiança, o tenente-coronel Mauro Cid, parece
ser um fator de instabilidade iminente.
Isso porque, mesmo que o conteúdo da conversa alegada por Delgatti
com o ex-presidente não seja comprovado, a mera confirmação do encontro
no Palácio do Alvorada é altamente constrangedora.
Isso confirma um padrão de comportamento por parte de Bolsonaro, que
vem se manifestando desde o início da pandemia: a tendência a buscar
apoio de figuras obscuras para sustentar teorias descabidas,
conspirações infundadas ou mesmo charlatanismo.
Walter Delgatti pode ser classificado como um indivíduo envolvido em
atividades de estelionato e comportamento criminoso recorrente, logo, um
integrante do submundo.
Portanto, sua palavra carece de credibilidade.
É inconcebível que um indivíduo ligado ao submundo possa ter acesso à
residência oficial do presidente da República, assim como ao Ministério
da Defesa.
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS0 – O ultraliberal Javier Milei, vencedor
das primárias da Argentina, ganhou popularidade ao defender propostas
radicais que incluem dolarização da economia e a eliminação do Banco
Central.
Agora favorito à Presidência, Milei se declara anarcocapitalista. Em
linhas gerais, os “ancaps”, como são conhecidos, defendem uma corrente
extrema do liberalismo que prega a eliminação do Estado e a privatização
total das relações econômicas. Entenda mais sobre a teoria a seguir.
O que é o anarcocapitalismo?
Trata-se de uma vertente de filosofia ultraliberal estruturada no
século 20 que prevê a ausência completa da centralização administrativa
do Estado. As relações sociais seriam reguladas pelo livre mercado.
Para os anarcocapitalistas, os serviços básicos, como educação, saúde
e segurança, devem ser prestados apenas pela iniciativa privada. Assim,
todos os impostos recolhidos pelo Estado seriam abolidos.
“Como todas as filosofias políticas, o anarcocapitalismo pretende
responder a uma pergunta: quando é legítimo o uso da força na sociedade?
Para os adeptos da corrente, só em caso de autodefesa, com a premissa
de não agredir inocentes ou violar suas propriedades”, diz o economista
Hélio Beltrão, presidente do Instituto Mises Brasil e que se define como
um “ancap”.
Assim, o anarcocapitalista propõe o fim do Estado. Os defensores da
teoria pregam a liberdade individual absoluta e só toleram a intervenção
em caso da defesa da liberdade, da vida e da propriedade.
Quais são as referências dos anarcocapitalistas?
Os anarcocapitalistas são adeptos da Escola Austríaca, cujas
referências são os economistas Ludwig von Mises (1881-1973) e Friedrich
Hayek (1899-1992). Para eles, a economia não deve ser regulada pelo
Estado, mas funcionar a partir de interações voluntárias e desimpedidas
entre agentes privados.
O americano Murray Rothbard (1926-1995) é considerado o pai do
anarcocapitalismo. Em livros e artigos, pregou que, para haver
liberdade, o Estado deve deixar de existir. “O Estado oferece um canal
legal, ordeiro e sistemático de predação da propriedade privada. Torna
certeiro, seguro e relativamente pacífico o sustento de uma casta
parasita da sociedade”, escreveu em “A Anatomia do Estado”, de 1974
–“casta parasita” é como Milei costuma se referir à classe política da
Argentina.
Como funcionaria uma sociedade anarcocapitalista?
Como princípio geral, anarcocapitalistas defendem que o setor privado
pode oferecer qualquer tipo de serviço com mais qualidade. Numa
sociedade sem Estado, serviços de saúde e educação seriam providos por
entidades privadas; não haveria polícia, só empresas de segurança
particulares; tribunais seriam substituídos por mediadores, semelhantes
aos que já são aceitos em algumas disputas empresariais.
Comunidades anarcocapitalistas funcionariam de forma semelhante a um
shopping center ou a um condomínio fechado. Cada um tem suas regras de
convivência próprias, ambos são administrados pela iniciativa privada e
em geral são mais limpos, seguros e confortáveis do que as ruas do mundo
exterior.
As principais características definidoras de um Estado deixariam de
existir: o monopólio da força, a tributação para financiar serviços
públicos e o controle total sobre a moeda, uma vez que não haveria Banco
Central.
Qual é a diferença entre o anarcocapitalismo e o anarquismo?
Enquanto o anarquismo é derivado de uma versão radical do comunismo,
com a coletivização da propriedade, o anarcocapitalismo é diferente:
defende que todos os serviços hoje fornecidos pelo Estado podem ser
desempenhados por relações comerciais privadas entre indivíduos.
O anarquismo ainda se opõe a todo tipo de hierarquia e dominação,
diferentemente do anarcocapitalismo, que propõe uma estrutura consentida
entre os indivíduos. “Mas tem de ter um chefe e regras”, diz Beltrão.
O anarcocapitalismo é de esquerda ou de direita?
No campo econômico, o anarcocapitalismo é de direita, pautado pelo individualismo e pelo livre mercado.
Diferentemente de alguns movimentos de esquerda que são
anticapitalistas e pregam o fim da propriedade privada,
anarcocapitalistas afirmam que bens são resultado de esforço do
indivíduo ou do de seus antepassados -viram, portanto, uma extensão do
indivíduo, tão importante quanto vida e liberdade.
Já no campo social, os anarcocapitalistas defendem causas
progressistas, incluindo a legalização das drogas, com a premissa de que
a liberdade individual está acima de tudo.
Javier Milei, por exemplo, acha que o governo não deve proibir o
casamento gay. Por outro lado, ele é contra o aborto porque acredita que
a vida começa no momento da concepção. Assim, interromper uma gravidez
“fere o princípio da não agressão” defendido pelos anarcocapitalistas.
Qual é a diferença entre um anarcocapitalista e um libertário?
O libertarianismo é considerado uma corrente próxima do
anarcocapitalismo. Grosso modo, a primeira aceita uma interferência
mínima do Estado. Anarcocapitalistas nem isso aceitam. Para eles, todos
os serviços, inclusive a segurança, devem ser privados.
Quais são as principais críticas ao anarcocapitalismo?
Críticos apontam que não existem grandes exemplos contemporâneos de
sistemas anarcocapitalistas exitosos. Também afirmam que esse modelo de
sociedade seria insuficiente para conter distorções do próprio mercado,
como os monopólios, que desequilibram os princípios de livre
concorrência.
Quão difundido é o anarcocapitalismo no Brasil?
A corrente vem se popularizando nos últimos anos. Os
anarcocapitalistas estão hoje presentes em dezenas de institutos
espalhados pelo Brasil e dominam grande parte de setores da nova
economia digital, como o de criptomoedas. Nas redes sociais, atraem
principalmente pessoas de 20 a 30 anos.
Um dos “ancaps” influentes no Brasil é Geanluca Lorenzon,
ex-secretário de Acompanhamento Econômico no Ministério da Economia do
governo de Jair Bolsonaro. Ele foi o principal redator da lei de
Liberdade Econômica, sancionada em 2019 e que reduz a burocracia para
funcionamento de empresas.
Qual é o ‘efeito Milei’ para a difusão do anarcocapitalismo?
O fenômeno Milei vem ajudando a popularizar o anarcocapitalismo
também no Brasil. Raphaël Lima, um dos mais influentes ativistas da
bolha “ancap” no país, diz que as visualizações de seus vídeos
publicados em seu canal no YouTube triplicaram após a vitória do
argentino nas primárias.
Se a comunidade anarcocapitalista brasileira está “soltando foguete
de alegria” com a vitória de Milei, por outro lado Lima manifesta
receio. “Se der errado, vão apontar para mim e falar: está vendo?”, diz.
A implementação de uma sociedade anarcocapitalista é viável?
Defensores da corrente dizem que o anarcocapitalismo não seria
implementado da noite para o dia. Mas algumas medidas seriam postas em
prática aos poucos, como a privatização de estatais, demissão de
funcionários públicos e a eliminação de impostos.
Em seu programa de governo, Milei descreve um projeto com prazo de 35
anos no qual o país se abriria de forma “unilateral ao comércio
internacional” e eliminaria os impostos sobre exportações e importações.
Terra Meio ambiente, novas moedas e mediação na Ucrânia fazem
parte de plano do governo para aumentar presença do Brasil no mundo,
dizem especialistas. Leandro Prazeres – Da BBC News Brasil em Brasília
A aposta do atual governo brasileiro em aumentar a influência do país
internacionalmente é resultado da combinação entre o perfil pessoal de
Lula e da forma como integrantes do entorno do presidente vêem o mundo
Foto: Getty Images / BBC News Brasil Na segunda-feira (21/8), o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcará para a África do
Sul, onde participará da 15ª Cúpula dos Brics, grupo de países que ele
ajudou a fundar e que reúne Brasil, Índia, Rússia, China e o país
anfitrião.
O país será o 17º destino internacional de Lula em quase oito meses
de governo. Nos bastidores, a visita é tida como mais uma etapa de um
projeto ambicioso e construído a muitas mãos: ampliar a influência do
Brasil na arena global.
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Lula diz que vai levar reivindicações ambientais ao G7, G20 e Brics
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Uma frase dita por Lula em dezembro de 2022, antes mesmo de assumir
seu terceiro mandato, é vista como a principal síntese desse projeto.
“Quero dizer que o Brasil está de volta”, disse Lula no Egito,
durante a 27ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP-27).
Os pilares desse plano vêm sendo delineados em discursos e ações ao
longo dos últimos meses, segundo especialistas ouvidos pela BBC News
Brasil. Segundo eles, pautas tradicionais da diplomacia brasileira
continuam relevantes como a reformulação do Conselho de Segurança da
Organização das Nações Unidas e mudanças no sistema de governança
global.
Eles apontam, no entanto, que outros temas mais recentes passaram a
compor o plano do atual governo para ampliar a esfera de influência
brasileira no mundo. Para atingir esse objetivo, as principais apostas
do Brasil vêm sendo: reduzir a dependência global em relação ao dólar
norte-americano; liderar os debates relativos às mudanças climáticas; e
atuar como mediador da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil e diplomatas que
falaram em caráter reservado apontam que o cenário internacional oferece
obstáculos e oportunidades para o Brasil. Entre os obstáculos estão,
por exemplo, a complexidade da crise envolvendo russos e ucranianos. Já
entre as oportunidades estão o fato de que, durante seu mandato, o
Brasil terá a chance de presidir o Mercosul, os Brics e o G20,
oferecendo múltiplas plataformas para que o país tente avançar sua
agenda.
As origens A aposta do atual governo brasileiro em aumentar a
influência do país internacionalmente é, segundo os especialistas,
resultado da combinação entre o perfil pessoal de Lula e da forma como
integrantes do entorno do presidente vêem o mundo.
“Há um esforço claro de querer ampliar a visibilidade e influência do
Brasil sobretudo depois de 10 anos que inviabilizaram uma atuação do
Brasil na arena internacional”, disse o professor da Fundação Getúlio
Vargas (FGV) Oliver Stuenkel.
“Os dois primeiros governos de Lula tiveram como característica essa
maior inserção do Brasil no exterior. Isso é característico dele e de
pessoas ligadas ao PT como o (ex-ministro das Relações Exteriores) Celso
Amorim. Essa retomada iniciada agora é, sim, intencional”, disse à BBC
News Brasil a coordenadora do programa Brazilian Studies da Universidade
de Oxford, no Reino Unido, Laura Waisbich.
Segundo ela, esse grupo entende que haveria uma necessidade de
alterar as normas da governança global que, no momento, não contemplam a
maior parte dos países, entre eles o Brasil.
“Essa visão de mundo entende que as regras de governança global
estabelecidas depois da Segunda Guerra Mundial excluem países como o
Brasil de papeis mais relevantes. Nesse sentido, há um esforço para que
haja reformas em diferentes frentes e que o Brasil precisa fazer
movimentos nesse sentido”, complementa Laura Waisbich.
Os presidentes Lula do Brasil, Dmitry Medvedev da Rússia, Hu Jintao
da China e o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh apertam durante um
encontro em 2009 Foto: Getty Images / BBC News Brasil Fim da ‘dólar-dependência’? Um
dos pilares do plano do atual governo para ampliar sua influência
internacional é militar pela redução da dependência global em relação ao
dólar norte-americano nas transações comerciais.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o dólar se
transformou na moeda mais utilizada no comércio global. Na prática, isso
obriga que países e empresas comprem dólares para realizarem suas
transações.
Nos últimos anos, porém, países como a China, atual segunda maior
economia do mundo, passaram a liderar um movimento para a utilização de
outras moedas, entre elas, o yuan chinês.
O tema passou a ser recorrente em discursos de Lula desde que assumiu seu novo mandato.
“Toda noite, me pergunto por que é que todos os países estão
obrigados a fazer seu comércio lastreado no dólar. Por que é que nós não
podemos fazer o nosso comércio lastreado na nossa moeda? Por que é que
nós não temos o compromisso de inovar?”, disse Lula em um discurso em
Xangai, durante visita ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla
em inglês), também conhecido como “Banco dos Brics”.
A redução da dependência do dólar também foi abordada em outro
discurso de Lula, dessa vez diante de outra audiência, na França, em um
evento em junho convocado pelo presidente Emmanuel Macron.
“Por que que a gente não pode fazer (comércio) nas nossas moedas? Não
sei por que Brasil e China não podem fazer nas nossas moedas. Por que
eu tenho que comprar dólar?”, disse Lula na ocasião.
Antes, em janeiro, quando visitou a Argentina, Lula também abordou o
assunto e chegou a anunciar que os dois governos estudariam uma forma de
realizar suas transações comerciais em uma espécie de moeda ou unidade
monetária comum.
Politicamente, o Brasil vem buscando alternativas para ajudar a
Argentina a driblar a crise de liquidez pela qual o país passa.
Empresários argentinos reclamam que não conseguem importar produtos de
países como o Brasil porque não têm dólares em quantidade suficiente
para fazerem os pagamentos pelas mercadorias.
Para Laura Waisbich, os movimentos do governo brasileiro são
resultado da percepção de que as instituições financeiras multilaterais
criadas após a Segunda Guerra Mundial (Fundo Monetário Internacional e
Banco Mundial, por exemplo), não atendem aos anseios do chamado “sul
global”, termo usado para países em desenvolvimento na Ásia, África e
América Latina.
“A reforma do FMI ou do Banco Mundial não aconteceu e é por isso que
têm ocorrido iniciativas como a criação de outros bancos de
desenvolvimento, como o Banco dos Brics. São iniciativas complementares.
A desdolarização do comércio global é uma das pautas do atual governo”,
disse a especialista à BBC News Brasil.
Em linha com os discursos, o governo brasileiro vem tentando ampliar o
alcance do banco dos Brics, atualmente comandado pela ex-presidente
Dilma Rousseff (PT).
O governo vem se mostrando favorável ao aumento de membros da
instituição que, além de ter os cinco fundadores iniciais, já conta com
Bangladesh, Egito e Emirados Árabes Unidos. Nos próximos meses é
esperada a inclusão do Uruguai.
Recentemente, o presidente brasileiro disse que pretende discutir
maneiras de reduzir a dependência global em relação ao dólar na reunião
de líderes dos Brics. Nesta semana, diplomatas brasileiros disseram a
jornalistas que os líderes dos Brics vão debater sobre a eventual
criação de uma unidade monetária comum para ser usada em transações
comerciais dos países do bloco.
“Um aspecto interessante desse movimento é que o NDB (banco dos
Brics) já empresta dinheiro na moeda local dos seus países-membros. Isso
reduz, ainda que em pequena escala, a dependência do dólar para
financiamentos de projetos importantes”, disse Laura.
Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG) Dawisson Belém Lopes, o plano brasileiro de
“desdolarizar” a economia global tem raízes na forma como o atual
governo vê o mundo.
“Essa reivindicação pela desdolarização da economia internacional se
baseia em uma leitura de um mundo multicêntrico e multipolar, mas também
é resultado de frustrações passadas com tentativas de reformas do
sistema financeiro internacional por dentro. Os países, agora, tentam
essa reforma por fora”, disse à BBC News Brasil.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o dólar se transformou na moeda mais utilizada no comércio global Foto: Getty Images / BBC News Brasil Diplomacia ambiental Outro tema que passou a fazer parte da plataforma de expansão da influência brasileira no mundo é a pauta climático-ambiental.
Antes mesmo de assumir a presidência, em dezembro de 2022, Lula
incorporou de vez o tema em seus discursos ao falar a chefes de Estado
durante a 27ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP-27), no
Egito.
Lá, ele prometeu zerar o desmatamento na Amazônia até 2030 e disse
que seu governo tentaria conciliar o crescimento econômico à
sustentabilidade ambiental.
Parte do projeto de ampliar a influência do Brasil no tema também
passou pelo lançamento da candidatura de Belém, capital do Pará, para
ser sede da COP-30, em 2025.
Em Belém, aliás, se deu outro passo desse projeto. Há duas semanas, o governo brasileiro promoveu a Cúpula da Amazônia.
O evento reuniu países da região amazônica além de representantes de
países ricos em florestas tropicais fora da Amazônia como a República do
Congo, República Democrática do Congo e Indonésia.
Diplomatas brasileiros ouvidos pela BBC News Brasil em caráter
reservado afirmam que o objetivo do país é se transformar em uma espécie
de “porta-voz informal” dos países ricos em florestas em fóruns
internacionais como as COPs.
Em jogo estão recursos estimados em US$ 100 bilhões anuais prometidos
pelos países ricos a nações em desenvolvimento como forma de mitigar os
efeitos das mudanças climáticas, fenômeno causado, principalmente,
pelas emissões de gases do efeito estufa produzidas por países
desenvolvidos.
A cúpula foi vista com uma espécie de primeiro ensaio para a COP-25 e
Lula disse que esperava terminar o evento com uma posição única dos
países em relação a temas como a preservação ambiental, o que não
ocorreu.
Havia a expectativa de que todos os países da região assumissem um
compromisso de zerar o desmatamento na região até 2030, mas isso não
aconteceu.
O evento também ficou marcado pela ausência de um compromisso dos
países em limitar a exploração de petróleo na região amazônica, uma
pauta defendida pelo governo da Colômbia, mas que encontra resistências
em países como o Brasil, Venezuela e Guiana.
Apesar dos percalços durante a cúpula, a pauta ambiental é vista
pelos especialistas ouvidos pela BBC News Brasil como aquela com a maior
chance de ampliar a influência do Brasil internacionalmente.
Para Dawisson Lopes, o esforço do governo atual é transformar o
Brasil em uma referência na área aproveitando a tradição do país na
pauta ambiental.
“Na questão ambiental, o Brasil é um ator incontornável. Essa
estratégia (de potencializar a pauta ambiental) é resultado do
entendimento de que o mundo vive uma grave crise ambiental e que o
Brasil tem, sim, um papel importante a desempenhar na solução desse
problema”, disse.
Para Laura Wisbich, há sinais evidentes de como o atual governo
passou a usar a pauta ambiental para ampliar sua influência
internacional.
“O atual governo incorporou a pauta ambiental de uma forma muito mais
forte do que os anteriores, inclusive, se considerarmos os dois
primeiros governos de Lula”, disse.
Para Oliver Stuenkel, a pauta ambiental seria a melhor aposta do Brasil neste momento.
“Acho que do ponto de vista de um possível retorno, o tema ambiental é
aquele em que o país consegue, com maior facilidade, se viabilizar como
um ator indispensável no sistema internacional”, afirma.
O presidente Lula com líderes sul-americanos presentes na Cúpula das Amazônia Foto: ANTONIO LACERDA/EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK / BBC News Brasil Guerra na Ucrânia A
terceira aposta citada pelos especialistas como parte do projeto do
Brasil de ampliar sua influência global é a que, segundo eles, tem sido
menos mencionada nos últimos meses: a mediação de um acordo de paz entre
Rússia e Ucrânia.
Nos bastidores, o raciocínio é de que a influência internacional do
Brasil aumentaria se o país conseguisse atuar de forma significativa em
um eventual acordo de paz entre Ucrânia e Rússia.
Os dois países estão em guerra desde fevereiro de 2022, quando militares russos invadiram o território ucraniano.
Logo que assumiu a presidência, Lula passou a defender a criação de
um clube de países não envolvidos com o conflito com o objetivo de
intermediar o processo de paz.
Mas ao mesmo tempo em que defendia a ideia, Lula deu declarações que
causaram reações de países europeus e dos Estados Unidos. Em visita à
China, em abril deste ano, Lula disse que era preciso que nações
parassem de “incentivar” a guerra.
“É preciso que os EUA parem de incentivar a guerra e comece a falar
em paz. É preciso que a União Europeia comece a falar em paz para que a
gente poder convencer o Putin e o Zelensky de que a paz interessa a todo
mundo e a guerra só está interessando por enquanto aos dois”, disse o
presidente.
Dias depois, ele deu a entender que a responsabilidade pelo conflito
era tanto do presidente da Rússia, Vladimir Putin, quanto do presidente
da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
“Putin não toma a iniciativa de parar. Zelensky não toma a iniciativa
de parar. A Europa e os EUA continuam contribuindo para a continuação
desta guerra”, disse.
As declarações causaram reações na União Europeia e nos Estados Unidos.
O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, criticou a fala de Lula na ocasião.
“É profundamente problemático como o Brasil abordou essa questão de
forma substancial e retórica, sugerindo que os Estados Unidos e a Europa
de alguma forma não estão interessados na paz ou que compartilhamos a
responsabilidade pela guerra”, disse.
Em meio às declarações e às reações, Lula enviou um de seus
principais conselheiros em política externa, o ex-ministro das Relações
Exteriores Celso Amorim a encontros com Putin, Zelensky e com líderes de
países como a Arábia Saudita, que tenta mediar um acordo de paz.
Para Dawisson Lopes, o esforço brasileiro de atuar como pacificador na crise ucraniana segue a tradição diplomática do país.
“Essa atuação é uma continuação de um processo no qual o Brasil
reivindica as suas credenciais históricas de um país dado à mediação e
facilitação da paz como forma de participar do sistema de segurança
internacional”, explica.
“Isso é parte dessa visão de mundo brasileira de que países de porte
médio, os chamados países emergentes como o Brasil, devem ter mais
funções e mais papeis na governança global”, diz o professor.
Para o professor Oliver Stuenkel, a forma com a qual o Brasil abordou
a guerra da Ucrânia faz com que um retorno em forma de influência seja
difícil.
“Quando o presidente (Lula) disse que os dois países tinham
responsabilidade no conflito, isso dificultou a posição do Brasil numa
eventual mediação. Além disso, as chances reais de um acordo, hoje, são
muito pequenas. Nem Estados Unidos e nem a China vêem um cenário crível
para o fim do conflito no curto prazo”, disse.
Na avaliação de Dawisson Lopes, as chances de sucesso do Brasil ao explorar essa frente são, de fato, mais limitadas.
“Nesse aspecto, o jogo é mais difícil para o Brasil. Diferentemente
da pauta ambiental, em relação ao conflito, há muitos outros atores
habilitados e tentando se habilitar para mediar um acordo de paz. O
cenário é mais congestionado para o Brasil”, pontua.
Nos bastidores, o raciocínio é de que a influência internacional do
Brasil aumentaria se o país conseguisse atuar de forma significativa em
um eventual acordo de paz entre Ucrânia e Rússia Foto: Getty Images / BBC News Brasil Ganhos e limitações Laura
Waisbich avalia que, para a maioria das pessoas, os ganhos de um país
quando ele amplia sua influência internacional não são claros. Ela
recorre a um exemplo para tentar explicar como esses ganhos podem se
dar.
“Durante muito tempo, o Brasil lutou para que a questão da fome e
redução da miséria fosse um tema global. Nos anos 2000, esse assunto
virou um tema importante na ONU, o que fez com que recursos fossem
direcionados para isso. Ao final, esses recursos poderiam ter chegado ao
Brasil após esse esforço”, explicou.
Oliver Stuenkel diz que por mais que o governo Lula esteja
determinado a ampliar a influência internacional do Brasil, há
limitações domésticas que podem afetar esse projeto.
“O principal limite desses esforços é a estabilidade política
interna. Se a situação interna piorar, isso colocaria um grande limite
ao que o governo pode fazer lá fora. E a situação pode piorar se a
economia não crescer ou se a relação com o Congresso não melhorar”,
explicou o professor.
Laura Waisbich pondera que ainda é cedo para saber se o atual governo atingirá seus objetivos.
“É importante saber que não há bola de cristal quando se faz análise
de cenário. O governo está no início e as diretrizes da atuação
internacional ainda estão sendo construídas. Nesse momento, não é
possível dizer se o plano do governo vai obter o que deseja”, disse.
Lançada no começo de 2023, a VB Platinum,
da Velho Barreiro, é um dos produtos da popular marca de bebidas que
planeja gerar mais valor para a companhia e chegar a diferentes classes
sociais – no Brasil e no mundo.
Conheça a cachaça mais cara do mundo, que é vendida por quase R$ 1 milhão
A popular marca de bebidas Velho Barreiro lançou um novo produto em
maio deste ano que é praticamente impossível de passar batido. Estamos
falando sobre a VB Platinum, a cachaça mais cara do mundo, disponível
por valores a partir de US$ 180 mil — o que equivale a quase R$ 1
milhão.
A cachaça milionária é toda preparada de forma especial. Começa pelo
líquido, que é produzido em alambique, de forma artesanal, até ser
reduzido a um teor alcóolico entre 39% e 40% e depois vai para tonéis de
uma madeira especial, a amburana, onde fica armazenado por cerca de
quatro anos, envelhecendo para que o sabor seja mais adocicado e
floral. (saiba mais sobre ela abaixo)
Mas, o que traz o preço que se sobressai aos olhos, na verdade, não é
a bebida, e sim o que está por fora. A garrafa da cachaça, de 700 ml, é
coberta por ouro rosé e centenas de pequenos diamantes. O presidente da
empresa, Cesar Rosa, dispensa a modéstia: “uma verdadeira obra de
arte”.
Foi ele, aliás, quem desenhou o layout e mandou o projeto para um
ourives de sua confiança, que fabricou a primeira unidade. Três meses
depois do lançamento, essa ainda é a única garrafa produzida, já que
nenhuma venda foi concretizada. O empresário diz que alguns clientes
fiéis da marca estão com os cálculos na ponta do lápis para comprar o
produto.
Rosa diz que esse processo de estudo da compra é natural. O alto
valor não é corriqueiro, e, por isso, a Velho Barreiro só fabricará
outra dessa garrafa da VB Platinum quando a compra da primeira for
efetuada, com algum valor sinalizado.
As tratativas com o “cliente VIP”, inclusive, são discutidas diretamente entre o presidente da empresa e o possível comprador.
Versão mais acessível
Mas, para quem não têm quase R$ 1 milhão disponível para a compra,
ainda há outra possibilidade. A Velho Barreiro produziu, também, uma
edição de varejo da VB Platinum, com uma garrafa sem todos os adornos e
que pode ser comprada a partir de R$ 230.
De R$ 230 para quase R$ 1 milhão há uma enorme diferença. Mas a
bebida produzida é a mesma tanto para a versão varejo, com as garrafas
mais simples, quanto para a versão premium, com ouro e diamantes.
Essa diferença de preço, aliás, já foi muito comentada por
especialistas e consumidores de cachaça e, para a companhia, está tudo
bem. Afinal, a mídia espontânea gerada pela garrafa milionária atraiu
até os olhos mais exigentes para a versão mais acessível.
Mauricio Maia, publicitário e especialista em cachaças, conta que
buscou a bebida pela curiosidade em saber como seria esse produto, que
visa posicionar a Velho Barreiro em um segmento premium.
O resultado, para Maia, é uma cachaça de alambique “boa e que obedece
a todos os padrões de qualidade de uma bebida do tipo”. Ele comenta que
o produto não é inferior ou superior a outras cachaças do mesmo
segmento e que o preço de R$ 230 é factível e está “dentro do que o
mercado pratica”.
Já o presidente da empresa diz encarar o lançamento de uma garrafa
com ouros e diamantes como uma brincadeira que a companhia, pelo tamanho
e tradicionalidade que tem no mercado, pode fazer para chamar a atenção
do consumidor.
De qualquer forma, a VB Platinum está na prateleira de cachaças
premium, com um processo de produção diferente das versões de entrada
das cachaças no mercado.
As cachaças mais conhecidas — e mais baratas — são feitas em coluna,
que é um modelo industrial de larga escala. Já a VB Platinum é parte de
uma linha da Velho Barreira produzida em alambique, que é um recipiente
próprio para a destilação e produção de uma bebida artesanal.
Depois de passar pelo processo conhecido como alambicagem, em que o
álcool reduz até o teor desejado, a cachaça é armazenada em tonéis de
amburana, uma madeira especial que traz as notas de sabor.
Da alambicagem ao armazenamento em amburana, a produção da VB
Platinum dura cerca de quatro anos, enquanto as cachaças de coluna levam
apenas algumas semanas.
Gerar valor para o setor de cachaça
Essa não é a primeira vez que a Velho Barreiro lança uma cachaça
diferenciada. Antes da VB Platinum vieram outras, como a Diamond e uma
edição especial numerada pelo bicentenário da Independência do Brasil,
ambas de alambique e armazenadas em madeiras diferentes.
De acordo com o presidente da companhia, esses lançamentos refletem,
na verdade, uma necessidade de todo o setor de cachaças: gerar valor com
a bebida para além das classes sociais mais baixas, em que já está
bastante inserida.
Rosa destaca que a Velho Barreiro já é uma marca consolidada entre as
classes C, D e E e, com esses produtos mais requintados, está
atingindo, também, as classes A e B, que são fãs mais fiéis de outros
tipos de destilados, como rum, whisky e saquê, por exemplo.
Mauricio Maia destaca, no entanto, que a cadeia de geração de valor
vai para muito além do preço e implica, sobretudo, em três pontos:
reconhecimento da qualidade do produto;
desejo de consumo;
fidelização do cliente para com a marca.
O especialista comenta que a Velho Barreiro já atingiu isso com o
público C, D e E e considera que a estratégia de lançar a cachaça mais
cara do mundo foi uma estratégia inteligente para dar um passo mais
firme em direção às classes A e B.
Maia destaca que é como em um desfile de moda de marcas de luxo: os
vestidos de alta moda e com valores exorbitantes normalmente são
lançados em pouquíssimas peças e representam uma parte pequena do volume
de vendas da marca. Mas, com todo mundo falando sobre aquilo, a marca
vira desejo de consumo e vende centenas de outras peças.
Além de mirar as classes mais altas no Brasil, o executivo da Velho
Barreiro também pontua que, já há algumas décadas, trabalha em parceria
com o exterior para popularizar a cachaça como um produto de qualidade e
tipicamente brasileiro, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa.
Ele explica que clientes de mercados internacionais são “um pouco
mais exigentes em relação às bebidas e têm gostado mais dos produtos
feitos artesanalmente”, o que incentiva a empresa a continuar em sua
empreitada com os produtos premium.