sexta-feira, 18 de agosto de 2023

LÍDERES DE SUCESSO PRECISAM INVESTIR NO SEU DESENVOLVIMENTO

 

Ana Julia Guimarães – StartSe

Se você quer ser uma liderança eficaz e ter um impacto significativo, é essencial investir no desenvolvimento do seu ‘eu’ interior. Entenda como!

Se você frequentemente se sente descontente ou com um vazio emocional, mesmo quando tudo parece estar bem em sua vida, pode ser um sinal de que algo mais profundo precisa ser explorado — e a autodescoberta que vai te ajudar a identificar isso.

Ao se envolver nesse processo, você pode descobrir aspectos de si mesmo que estavam ocultos ou negligenciados. Isso inclui identificar suas paixões, tanto na questão profissional ou pessoal, compreender melhor suas emoções, confrontar traumas passados ​​ou reavaliar suas escolhas e caminhos de vida.

O QUE É A AUTODESCOBERTA?

O processo de se descobrir envolve dedicar tempo e esforço para explorar quem você é em um nível mais profundo, suas motivações, valores, crenças e desejos. É uma autoexploração, onde você se abre para a possibilidade de conhecer suas próprias verdades e autenticidade.

    Vale lembrar que estamos falando de uma jornada contínua, pois estamos em constante evolução e aprendizado ao longo da vida.

A autodescoberta envolve a disposição de se questionar e se abrir para novas perspectivas. Também pode exigir coragem para confrontar aspectos desconfortáveis ​​e dolorosos de si mesmo, a fim de promover o crescimento e a transformação pessoal.

COMO IDENTIFICAR QUE VOCÊ PRECISA FAZER UMA AUTODESCOBERTA

Abaixo, eu resumo em 3 tópicos o que Brené Brown — pesquisadora e autora norte-americana — diz em seu livro ‘A Coragem de ser Imperfeito’ sobre como podemos identificar que precisamos desse processo. Confira:

1- SENTIMENTO DE INSATISFAÇÃO

Se você constantemente se sente descontente, mesmo quando as coisas parecem estar bem, pode indicar uma desconexão interna que requer uma exploração mais profunda.

2- QUESTIONAMENTO INTERNO

Está se questionando sobre o propósito da vida ou sente que algo está faltando em termos de sentido e significado? Isso pode ser um sinal de que você está pronto para se conhecer em um nível mais profundo.

3- PADRÕES REPETITIVOS

Se você percebe que continua repetindo os mesmos padrões negativos ou enfrentando os mesmos desafios, pode ser um sinal de que há questões não resolvidas em seu interior que precisam ser exploradas.

    “É importante abraçar nossa vulnerabilidade e cultivar a coragem de sermos nós mesmos, aceitando nossas falhas e imperfeições”, diz Brené Brown, em sua obra.

A RELAÇÃO ENTRE AUTODESCOBERTA E O SUCESSO

A psicóloga Amy Cuddy, pesquisadora e professora da Harvard Business School, mostra no livro “O Poder da Presença”, que o autoconhecimento é um indicador muito útil de sucesso —  justamente porque ele influencia na autoconfiança.

Como? Com o processo, você ganha uma compreensão mais profunda de suas habilidades, talentos e pontos fortes. Isso te dá a oportunidade de aproveitar ao máximo essas qualidades, direcionando seus esforços para áreas em que você tem uma vantagem competitiva, o que pode levar ao sucesso em sua carreira e negócios.

    A escritora cita que, em estudos feitos com empreendedores, essa qualidade indica garra, disposição para trabalhar duro, iniciativa, atividade mental aprimorada, criatividade, capacidade de identificar boas oportunidades, ideias inovadoras; e mais.

O motivo é simples: quando alguém se conhece menos e, portanto, tem pouca confiança em si mesmo, é mais provável que se sinta extremamente ansioso em situações estressantes ou sob pressão, o que pode atrapalhar seu desempenho.

    “Empresários e candidatos a emprego que não transmitem essa qualidade costumam ser considerados menos confiantes e confiáveis, comunicadores menos eficazes e, em última análise, pessoas com desempenho fraco”, diz a psicóloga na obra.

AUTODESCOBERTA E A VIDA PROFISSIONAL: COMO DESCOBRIR ONDE TENHO VANTAGEM COMPETITIVA?

O primeiro passo básico é: analise as atividades abaixo e distribua nos quadros da imagem de acordo com o seu interesse.

1- Apoiar

2- Ajudar

3- Conversar

4- Fazer reuniões

5- Estudar

6- Liderar

7- Criar estratégias

8- Resolver problemas

9- Tomar decisões

10- Gerenciar projetos

11- Coordenar equipes

12- Analisar dados

13- Desenvolver planos de ação

14- Realizar apresentações

15- Negociar

16- Realizar pesquisas

17- Avaliar resultados

18- Implementar melhorias

19- Treinar e orientar colegas

20- Cumprir metas e objetivos estabelecidos

21- Organizar eventos

22- Manter relacionamentos com clientes

23- Gerenciar orçamentos

24- Elaborar relatórios

25- Fazer análises de mercado e concorrência

Mindset correto é o que vai fazer você alcançar (ou não) o sucesso

Junior Borneli, co-fundador do StartSe

Mulher negra e sorridente segurando um IPad e olhando para frente (Fonte: Getty Images)

Mindset é a sua programação mental, é como você encara tudo que está ao teu redor

Mindset. Você já ouviu essa palavinha algumas vezes aqui no StartSe. Ela é importante, talvez uma das coisas mais importantes para “chegar lá” (seja lá onde for que você quiser chegar).

É sua habilidade de pensar o que você precisa para ter sucesso. E como a maioria das coisas que você possui dentro de você, ela é uma espécie de programação do seu ser. Tanto que é possível que você adquira outro mindset durante a vida, convivendo com as pessoas corretas, conhecendo culturas diferentes.

Algumas pessoas dizem que é isso das pessoas que faz o Vale do Silício ser a região mais inovadora do mundo. Eu, pessoalmente, não duvido. Fato é: você precisa de ter a cabeça no lugar certo, pois a diferença entre um mindset vencedor e um perdedor é o principal fator entre fracasso e sucesso.

Para isso, é importante você começar do ponto inicial: um objetivo. “Todo empreendedor precisa ter um objetivo. Acordar todos os dias e manter-se firme no propósito de fazer o máximo possível para chegar lá é fundamental”, diz Junior Borneli, co-fundador do StartSe e uma das pessoas mais entendidas de mindset no ecossistema brasileiro.

De lá, é importante você fazer o máximo que puder e não perder o foco, mantendo-se firme. “Não importa se no final do dia deu tudo certo ou errado. O importante é ter a certeza de que você fez tudo o que foi possível para o melhor resultado”, avisa.

Com a atitude certa, é capaz que você sempre consiga canalizar as coisas como positivas. “Você sempre tem duas formas de olhar um a mesma situação: aquela em que você se coloca como um derrotado e a outra onde você vê os desafios como oportunidades. Escolha sempre o melhor lado das coisas, isso fará com que sua jornada seja mais leve”, alerta o empreendedor.

Esses tipo de sentimento abre espaço para uma característica importantíssima dos principais empreendedores: saber lidar com grandes adversidades. “Um ponto em comum na maioria os empreendedores de sucesso é a superação”, destaca Junior Borneli.

Saber lidar com essas adversidades vai impedir que você pare no primeiro problema (ou falência) que aparecer na sua frente. “São muito comuns as histórias de grandes empresários que faliram várias vezes, receberam diversos ‘nãos’ e só venceram porque foram persistentes”, afirma.

É importante ter esse mindset resiliente, pois, nem sempre tudo será fácil para você – na verdade, quase nunca será. “Empreender é, na maior parte do tempo, algo muito doloroso. Até conseguir algum resultado expressivo o empreendedor passa por muitos perrengues. A imensa maioria fica pelo caminho”, diz.

É como uma luta de boxe, onde muitas vezes, para ganhar, você terá que apanhar e apanhar e apanhar até conseguir desferir o golpe (ou a sequência) certo. “Na minha opinião, não há melhor frase que defina a trajetória de um empreendedor de sucesso do que aquela dita por Rocky Balboa, no cinema: ‘não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. É assim que se ganha’”, ilustra.

O problema talvez seja que alguns aspectos do empreendedorismo tenham glamour demais. “Empreender não é simplesmente ter uma mesa com super-heróis e uma parede cheia de post-its coloridos. Você vive numa espécie de montanha russa de emoções, onde de manhã você é ‘o cara’ e à tarde não tem dinheiro pro café”, salienta.

Vale a pena, porém, perseverar neste caminho. “Para aqueles que são persistentes e têm foco, a jornada será difícil, mas o retorno fará valer a pena!,” destaca o empreendedor.

DERROTA TAMBÉM ENSINA

Um ponto importante do sucesso é saber lidar com o fracasso e, de lá, tomar algumas lições para sair mais forte ainda. “Toda derrota nos ensina algumas lições e assim nos tornamos mais fortes a cada nova tentativa. A cultura do fracasso, aqui no Brasil, é muito diferente dos Estados Unidos”, afirma Junior.

No Vale do Silício, falhar é encarado algo bom, na verdade – e aumenta suas chances de sucesso futuro. “Por lá, empreendedor que já falhou tem mais chances de receber investimentos porque mostrou capacidade de reação e aprendeu com os erros”, conta o empreendedor.

Mas ao pensar sobre fracasso, você precisa ter o filtro correto para não deixar a ideia escapar. “Encarar os erros como ensinamentos e entender que falhar é parte do jogo torna as coisas mais fáceis e suportáveis”, salienta.

Foco é a palavra de ordem para você conseguir alcançar os objetivos traçados no caminho, mesmo que em alguns momentos pareça que está tudo dando errado. “Por fim, buscar o equilíbrio mental e o foco são fundamentais. Nas vitórias, tendemos a nos render à vaidade e ao orgulho. E nas derrotas nos entregamos ao desânimo e a depressão. Mentalize seus objetivos, foque nos caminhos que vão leva-lo até eles e siga firme em frente”, afirma.

É importante que você tenha noção de que para ser uma exceção, você não pode pensar da maneira comodista que a maior parte das pessoas. “Se você quer chegar onde poucos chegaram, precisará fazer o que poucos têm coragem e disposição para fazer”, completa.

                   O “não” do cliente a uma proposta. Por quê?                  

Moysés Peruhype Carlech

Fiquei pensando e ao mesmo tempo preocupado com o seu “não”, sem nenhuma explicação, à nossa proposta de divulgação da sua loja e de resto todas as lojas dessa cidade no Site da nossa Plataforma Comercial da Startup Valeon.

Esse “não” quer dizer, estou cheio de compromissos para fazer pagamentos mensais, não estou faturando o suficiente para cobrir as minhas despesas, a minha loja está vendendo pouco e ainda me vem mais uma “despesa” de publicidade da Startup Valeon?

Pergunto: como vou comprar na sua loja? Se não sei qual é a sua localização aí no seu domicílio? Quais os produtos que você comercializa? Se tem preços competitivos? Qual a sua interação online com os seus clientes? Qual o seu telefone de contato? Qual é o seu WhatsApp?

Hoje em dia, os compradores não têm tempo suficiente para ficarem passeando pelos Bairros e Centros da Cidade, vendo loja por loja e depois fazendo a decisão de compra, como antigamente.

A pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para enfrentar a crise. Com o fechamento do comércio durante as medidas de isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos hábitos para poder continuar efetuando suas compras. Em vez de andar pelos corredores dos shoppings centers, bairros e centros da cidade, durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa barreira. Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.

É importante você divulgar a sua loja na internet com a ajuda do Site da Startup Valeon, que no caso não é uma despesa a mais e sim um investimento para alavancar as suas vendas. Desse modo, o seu processo de vendas fica muito mais profissional, automatizado e eficiente.  Além disso, é possível a captação de potenciais compradores e aumentar o engajamento dos seus clientes.

Não adianta pensar dessa forma: “Eu faço assim há anos e deu certo, porque eu deveria fazer diferente? Eu sei o que preciso fazer”. – Se você ainda pensa assim, essa forma de pensar pode representar um grande obstáculo para o crescimento do seu negócio, porque o que trouxe você até aqui é o que você já sabe e não será o que levará você para o próximo nível de transformação.

O que funcionava antes não necessariamente funcionará no futuro, porque o contesto está mudando cada vez mais rápido, as formas como os negócios estão acontecendo são diferentes, os comportamentos dos consumidores está se alterando, sem contar que estão surgindo novas tecnologias, como a da Startup Valeon, que vão deixar para trás tudo aquilo que é ineficiente.

Aqui, na Startup Valeon, nós sempre questionamos as formas de pensar e nunca estamos totalmente satisfeitos com o que sabemos justamente por entender que precisamos estar sempre dispostos a conhecer e aprender com o novo, porque ele será capaz de nos levar para onde queremos estar.

Mas, para isso acontecer, você precisa estar disposto a absorver novas formas de pensar também e não ficar amarrado só ao que você já sabe.

Se este for seu caso, convido você a realizar seu novo começo por meio da nossa forma de anunciar e propagar a sua empresa na internet.

Todos eles foram idealizados para você ver o seu negócio e a sua carreira de uma forma completamente diferente, possibilitando levar você para o próximo nível.

Aproveite essa oportunidade para promover a sua próxima transformação de vendas através do nosso site.

Então, espero que o seu “não” seja uma provocação dizendo para nós da Startup Valeon – “convença-me”.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

CPI DO MST É USADA COMO MOEDA DE TROCA COM O GOVERNO

 

História por Levy Teles • Jornal Estadão

BRASÍLIA — Com a reforma ministerial para dar cargos no governo ao Centrão emperrada, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) decidiu devolver à oposição a maioria das vagas na CPI do MSTA negociação ocorre na mesma semana do desgaste causado por declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddadvistas como críticas à atuação da Câmara na votação de projetos de interesse da gestão petista.

Líderes partidários da Câmara esperam que ocorra uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Arthur Lira sobre a reforma ministerial nesta noite.

Mais cedo, o presidente da Câmara articulou com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) a volta dos integrantes da oposição que haviam sido retirados para dar ao governo maioria na CPI do MST.

Relator da CPI, Ricardo Salles, não foi convidado para reunião do colegiado com Lira. Foto: Myke Sena/Câmara dos Deputados© Fornecido por Estadão

Haddad disse que a Câmara dos Deputados tem um poder muito grande e é preciso construir moderação em relação a outros Poderes, o que rendeu críticas de Lira. “Nós não tensionamos. Ficamos surpresos. Acho que foi inapropriado. Talvez um relaxamento excessivo do ministro numa entrevista”, disse o deputado.

A negociação com os ruralistas aconteceu em reunião na manhã desta quarta-feira, 16, que contou com o presidente da FPA, Pedro Lupion (PP-PR), o presidente da CPI, Tenente-Coronel Zucco (Republicanos-RS) e Lira. A expectativa, segundo Lupion, é que as alterações ocorram ainda nesta semana. A data depende apenas de conversas entre Lira e os demais líderes partidários.

“A CPI conseguiu mostrar o envolvimento político direto do movimento e ela vai continuar”, disse Lupion. “Dialogamos com Lira e esperamos que a troca seja feita de forma imediata

Com a mudança da semana passada, a oposição ficou com 11 dos 28 membros titulares. Na quarta-feira eles recuperaram um cadeira, com o retorno de Magda Mofatto (PL-GO). Caso todos os demais voltem, eles terão 18 membros e retomam a maioria.

Como mostrou a Coluna do Estadão, o encontro gerou controvérsia. O relator, Ricardo Salles (PL-SP) não foi convidado para a reunião e já externou críticas tanto ao fato de ter sido preteriado como à atuação do Centrão. Ele disse a aliados que é contra fazer qualquer tipo de acordo que possa limitar a atuação na CPI do MST. Há queixas de membros do Centrão sobre a postura de Salles na comissão.

Nesta quarta-feira, Salles compartilhou em sua rede social notícia publicada pela Coluna do Estadão revelando a exclusão do relator das conversas sobre a nova composição na CPI. “Antes ser tido como ‘muito duro’ do que um uma liderança agropecuária incoerente, que não defende, de verdade quem representa, que alivia pro governo do PT etc … Minhas convicções não estão à venda, talkey?!?”, escreveu.

Lupion veio, horas depois, conversar pessoalmente com Salles para resolver o impasse. A discussão durou alguns minutos e Salles manifestou queixas sobre a forma de atuar do Centrão. Mesmo depois do encontro, o relator manteve críticas ao grupo que ajudou a impedir a convocação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e trocou integrantes da CPI para retirar a maioria de votos que era da oposição.

“Foi um golpe baixo que sofremos com a troca da convocação justamente para frustrar a convocação de um governador que não atuou para coibir invasões no seu Estado”, afirmou Salles. Poucos minutos depois, a bancada do agro soltou uma nota em que “reconhece e apoia” o esforço do presidente e do relator da CPI.

A pressão da oposição, inclusive, fez com que o ministro da Agricultura, que antes alegou “extensa agenda ministerial” para não comparecer à CPI, voltasse atrás e confirmasse presença em audiência na Comissão nesta quinta-feira, 16. Ele telefonou no início da tarde para Zucco, depois da reunião com Lira.

O Centrão segue negociando com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nomeação de nomes do seu grupo político para o primeiro escalão do governo. Ministros próximos a Lula já tinham confirmado a nomeação de dois deputados do Centrão, mas os cargos ainda não estão definidos. Lira e seus aliados querem mais postos no Executivo além dos dois ministérios prometidos. (Com Broadcast)

DIPIRONA VENDIDA NO BRASIL É PROIBIDA NOS EUA E EM PARTE DA EUROPA

História por André Biernath – Da BBC News Brasil em Londres 

A dipirona está no mercado há um século© Getty Images

Uma das soluções para aliviar febre e dor, a dipirona sempre figura na lista dos remédios mais vendidos no Brasil.

Mais de 215 milhões de doses deste medicamento foram comercializadas no país apenas em 2022, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em outras partes do mundo, porém, a realidade é completamente distinta: em lugares como os Estados Unidos e uma parcela da União Europeia, esse fármaco está proibido há décadas.

Por trás do veto da dipirona nesses locais, está uma grande controvérsia sobre um possível efeito colateral grave da medicação: a agranulocitose, uma alteração no sangue grave e potencialmente fatal marcada pela queda na quantidade de alguns tipos de células de defesa.

Mas o que há de evidência científica por trás dessa alegação? E em que casos esse remédio realmente faz a diferença?

Para entender essa história, é preciso conhecer o mecanismo de ação desse remédio.

Funcionamento misterioso

A dipirona foi criada em 1920 pela farmacêutica alemã Hoechst AG. Dois anos depois, ela já estava disponível nas drogarias, inclusive no Brasil.

Ela ficou conhecida pelo nome comercial Novalgina, que hoje pertence ao laboratório francês Sanofi.

Outros remédios populares que trazem dipirona são o Dorflex (também da Sanofi) e a Neosaldina (da Hypera Pharma).

Todos eles estão disponíveis nas farmácias e não precisam de receita médica para serem comprados pelos consumidores.

“Mas é importante sempre conversar com o farmacêutico para entender se aquela opção é mesmo a melhor para o seu caso específico”, pondera a farmacêutica Danyelle Marini, diretora do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP).

E, apesar dos 100 anos de história, a forma como esse fármaco funciona para baixar a febre e aliviar a dor ainda está cercada de mistérios.

A farmacêutica bioquímica Laura Marise, doutora em Biociências e Biotecnologia, explica que a principal suspeita é que a dipirona atue contra uma molécula inflamatória conhecida como COX.

“A hipótese é que ela iniba a COX, inclusive um dos tipos dessa molécula que é exclusivo do sistema nervoso central, o que aliviaria a inflamação por trás da febre e da dor”, diz ela.

A proibição

A dipirona estava amplamente disponível em boa parte do mundo até meados dos anos 1960 e 1970, quando começaram a surgir os primeiros estudos que criaram o alerta sobre o risco de agranulocitose.

Um trabalho publicado em 1964 calculou que essa alteração sanguínea grave acontecia em um indivíduo para cada 127 que consumiam a aminopirina — uma substância cuja estrutura é bem parecida à da dipirona.

“Tendo como base essa semelhança química, os autores não fizeram distinção entre as duas moléculas e assumiram que os dados obtidos para a aminopirina seriam também aplicáveis à dipirona”, aponta um artigo da Universidade Federal de Juiz de Fora e da Universidade de São Paulo, publicado em 2021.

A partir dessa e de outras evidências, a Food and Drug Administration (FDA), a agência regulatória dos Estados Unidos, decidiu que a dipirona deveria ser retirada do mercado americano em 1977.

Pouco depois, outros países tomaram a mesma resolução, como foi o caso da Austrália, do Japão, do Reino Unido e de partes da União Europeia.

“E a proibição dela aconteceu justamente nos países que mais fazem pesquisas de eficácia e segurança sobre medicamentos”, destaca Marise.

Segundo ela, isso diminuiu o interesse em fazer testes e investigações sobre a dipirona — o que fez o fármaco se tornar praticamente desconhecido nesses lugares desde então.

A agranulocitose é o principal evento adverso grave observado em alguns estudos com a dipirona© Getty Images

A partir dos anos 1980, começaram a surgir novas evidências sobre a segurança da medicação — que jogaram mais controvérsia na discussão.

O Estudo Boston, por exemplo, foi realizado em oito países (Israel, Alemanha, Itália, Hungria, Espanha, Bulgária e Suécia) e envolveu dados de 22,2 milhões de pessoas.

Os resultados encontraram uma incidência de 1,1 caso de agranulocitose para cada 1 milhão de indivíduos que usaram a dipirona — o que é considerada uma frequência bem baixa.

Em Israel, uma investigação realizada com 390 mil indivíduos hospitalizados calculou um risco de 0,0007% de desenvolver essa alteração no sangue e de 0,0002% de morrer por causa desse evento adverso.

Já na Suécia, que voltou atrás e liberou a dipirona brevemente nos anos 1990, foram detectados 14 episódios de agranulocitose possivelmente relacionados ao tratamento, com 1 caso para cada 1.439 indivíduos que tomaram esse fármaco.

Essa frequência mais alta, aliás, fez com que o país nórdico proibisse a comercialização do fármaco novamente em 1999.

Mas o que justifica essa disparidade de resultados? Embora não exista uma explicação clara, Marini aponta três fatores que ajudam a entender o cenário.

“Primeiro, há uma mutação genética que parece facilitar o aparecimento da agranulocitose em alguns indivíduos que usam dipirona. E sabe-se que essa mutação é mais comum em populações dos Estados Unidos e de partes da Europa”, diz ela.

“Em segundo e terceiro lugares, dosagens mais altas e uso por tempo prolongado também influenciam nesse risco”, completa.

E no Brasil?

A dipirona foi alvo de uma grande pesquisa realizada na América Latina que ficou conhecida como Latin Study.

Entre janeiro de 2002 e dezembro de 2005, cientistas de Brasil, Argentina e México se debruçaram sobre dados de 548 milhões de pessoas.

Nesse universo, foram identificados 52 casos de agranulocitose — o que representa uma taxa de 0,38 caso por milhão de habitantes/ano.

O trabalho latino ainda mostrou que esses episódios de alteração sanguínea grave são relativamente mais comuns em mulheres, crianças e idosos.

Pouco antes disso, em 2001, a Anvisa realizou um evento chamado “Painel Internacional de Avaliação de Segurança da Dipirona”, em que foram convidados especialistas brasileiros e estrangeiros.

“O objetivo deste painel foi a promoção de amplo esclarecimento sobre os aspectos de segurança da dipirona”, contextualiza a agência, em nota enviada à BBC News Brasil.

“Conforme o relatório final, as conclusões do referido painel foram que há consenso de que a eficácia da dipirona como analgésico e antitérmico é inquestionável e que os riscos atribuídos à sua utilização em nossa população são baixos e similares, ou menores, que o de outros analgésicos/antitérmicos disponíveis no mercado”, complementa o texto.

A Anvisa reforça que, desde a realização do painel há 22 anos, “não foram identificados novos riscos ou emitidos novos alertas de segurança relacionados à dipirona” — e, portanto, não há qualquer discussão sobre uma eventual proibição de venda dela no Brasil.

Além do país, a dipirona também está disponível em Índia, Alemanha, Espanha, Rússia, Israel, Argentina e México, entre outros.

A BBC News Brasil também procurou as farmacêuticas responsáveis pelas versões comerciais mais populares da dipirona no país.

A Sanofi, que fabrica Novalgina e Dorflex, disse que “cumpre rigorosamente toda a legislação brasileira vigente, em especial a legislação sanitária e as regulamentações da Anvisa em vigor”.

“Reiteramos que a dipirona está no mercado mundial há mais de 100 anos e é utilizada por milhões de pacientes em todo o mundo”, diz o laboratório, que também classifica como “inquestionável” a eficácia da medicação.

A Hypera Pharma, que faz a Neosaldina, informou que “a dipirona é um princípio ativo liberado pela Anvisa para comercialização no Brasil” e todos os produtos da farmacêutica que contêm a molécula “contam com registro aprovado na agência, com comprovação de segurança e eficácia”.

Já a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para o Autocuidado em Saúde (Acessa) afirmou que, “quando usada de acordo com as indicações médicas e seguindo as doses recomendadas, [a dipirona] é considerada segura para a maioria das pessoas”.

“As instruções presentes nos rótulos dos MIPs devem ser seguidas com rigor, as doses devem ser respeitadas, evitando-se a automedicação excessiva”, conclui a entidade.

Remédios para tratar febre e dor menos graves são vendidos sem prescrição nas farmácias© Getty Images

Eficácia e modos de uso

Além das questões envolvendo a segurança, a dipirona foi objeto de uma série de estudos que testaram se ela realmente funciona na prática.

Segundo Marise, que também é fundadora do canal de divulgação científica Nunca Vi 1 Cientista, as evidências sobre a eficácia dela são um pouco mais conclusivas quando comparadas a de outros fármacos comumente usados contra dor e febre.

“Ela tem um efeito bem intenso, a ponto de conseguir competir com os opioides em certos casos ou até mesmo ser usado para aliviar a dor em ambiente hospitalar”, diz ela.

“Mas é claro que não temos tantos estudos para a dipirona como para outras drogas mais modernas, até pela proibição de uso dela nos Estados Unidos e partes da Europa”, complementa.

O Instituto Cochrane, que realiza revisões de publicações científicas para definir o nível de evidência sobre diversos procedimentos, calcula que uma única dose de dipirona é capaz de aliviar a dor moderada ou severa após cirurgias em 7 a cada 10 pacientes.

O número é maior do que o observado com placebo, uma substância sem efeito terapêutico, que resultou em melhoras nos sintomas para 3 em cada 10 indivíduos.

A Cochrane também observa uma eficácia da medicação contra a dor de cólicas renais.

Já para a dor no geral, o efeito da dipirona foi observado em 5 a cada 10 usuários. O índice ficou ligeiramente mais baixo em relação a outras opções farmacêuticas, como combinações de ibuprofeno e paracetamol (70%).

“O uso de uma ou outra opção que atua contra dor e febre, como dipirona, paracetamol, ibuprofeno, entre outros, depende muito de características individuais e costumes familiares”, observa Marise.

Mas é claro que, assim como ocorre com qualquer opção terapêutica, é preciso ler atentamente as informações disponibilizadas pelo fabricante, respeitar o limite de consumo diário e conhecer os possíveis efeitos colaterais.

Segundo a bula da dipirona registrada no Brasil, adultos e adolescentes acima de 15 anos podem tomar de 1 a 2 comprimidos de 500 miligramas até quatro vezes ao dia.

Para esse público, o limite de consumo diário é de 4 gramas (ou 4 mil miligramas)

O remédio não é indicado para crianças com menos de 3 meses de idade ou que têm menos de 5 quilos.

A dipirona em comprimidos não deve ser utilizada por menores de 15 anos — e recomenda-se sempre a supervisão de um médico nesses casos. É possível encontrá-la na forma de xarope, gotas e supositórios, além das versões injetáveis e intravenosas disponíveis em ambiente hospitalar.

Para não ultrapassar os limites de segurança, é importante ler atentamente o rótulo e a bula, pois algumas opções farmacêuticas trazem dipirona na fórmula junto de outros princípios ativos — e um descuido pode fazer alguém exagerar na dose segura sem querer.

O uso da dipirona também deve ser mais cuidadoso em pacientes com problemas nos rins ou no fígado, para evitar crises agudas nestes órgãos vitais.

Exagerar no consumo de dipirona pode provocar enjoo, vômito, dor abdominal, disfunção renal e hepática, tontura, sonolência, coma, convulsões, queda de pressão arterial, arritmias cardíacas e mudança na coloração da urina.

Entre os efeitos colaterais menos graves que a agranulocitose (que é considerada muito rara na população brasileira), algumas pessoas podem sofrer quadros alérgicos ou hipotensão (queda da pressão arterial) após tomarem a dipirona.

Nesses casos, a recomendação é não usar o fármaco — e procurar um profissional da saúde se o incômodo não passar ou piorar.

“É importante reforçar que a dipirona é uma droga segura mas, assim como qualquer medicamento, não é isenta de riscos”, lembra Marini.

“Ela é indicada para tratar quadros agudos de dor e febre, e não deve ser usada de forma contínua, por semanas, meses ou anos, como é comum vermos algumas pessoas fazerem”, conclui a farmacêutica.

 

SOBREVIVÊNCIA DA UCRÂNIA DEPENDE DE ARMAS DO OCIDENTE

História por admin3 • IstoÉ

A Ucrânia vai precisar de mais armas de seus aliados ocidentais até que seu Exército consiga derrotar as tropas da Rússia e expulsá-las de seu território, declarou à AFP o ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, que também destacou que Kiev tenta contra-atacar a influência de Moscou na África.

“A verdade é que até que consigamos vencer, nós vamos precisar de mais (armas), precisamos seguir adiante, porque a guerra é uma realidade e, nesta realidade, nós precisamos de vencer. Não há outro caminho”, afirmou o ministro em uma entrevista à AFP na quarta-feira.

“Se nossos aliados solicitarem uma garantia de que esta ou aquela arma será utilizada apenas em território ucraniano, nós apresentamos esta garantia e a respeitamos”, disse o chanceler.

“Houve algumas ocasiões em que fizemos tais promessas e as cumprimos”, insistiu.

O ministro também explicou que a contraofensiva iniciada pelas forças ucranianas em junho tem como “objetivo” libertar todo o território do país.

“Nosso objetivo é a vitória, a vitória sob a forma de libertação de nossos territórios dentro das fronteiras de 1991”, declarou na entrevista.

“E não importa o tempo que vai demorar”, acrescentou.

As fronteiras de 1991 são as da Ucrânia independente após o colapso da União Soviética, que incluem a Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014.

A contraofensiva ucraniana conseguiu recuperar pequenas localidades, mas enfrenta muitas dificuldades para romper as sólidas linhas de defesa russas.

A Ucrânia, cujas perdas militares e civis desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, são avaliadas em mais de 100.000 mortos ou feridos, segundo os países ocidentais, “paga o preço mais elevado” do conflito, admitiu o ministro.

Vídeo relacionado: “Este tipo de atuação da Ucrânia não vai alterar o rumo dos acontecimentos” (CNN Portugal)

“Mas enquanto o povo ucraniano compartilhar este objetivo, o governo ucraniano avançará de mãos dadas com seu povo”, disse Kuleba.

“Estamos todos cansados. Eu estou cansado e vocês estão cansados, mas o que está em jogo é muito importante para permitir que o cansaço determine a natureza de nossas decisões”, afirmou.

– Libertar a África do “domínio” russo –

Na entrevista, o chefe da diplomacia ucraniana destacou os esforço do país para retomar as relações com a África, onde a influência da Rússia é cada vez maior.

“Perdemos muitos anos, mas vamos avançar para um renascimento ucraniano-africano, fazer renascer estas relações. Este continente precisa de um trabalho sistemático e de longo prazo”, disse Kuleba.

Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, o chanceler ucraniano fez três viagens ao continente africano para tentar obter apoio contra Moscou.

Uma delegação de chefes de Estado africanos visitou Kiev em junho para propor uma mediação – rejeitada pela Ucrânia – e depois viajou a Moscou.

Embora “a maioria dos países africanos continue expressando sua neutralidade” diante do conflito, “está acontecendo uma lenta erosão das posições russas em África”, disse o ministro, que citou Libéria, Quênia, Gana, Costa do Marfim, Moçambique, Ruanda e Guiné Equatorial entre os novos sócios de Kiev no continente.

“Nossa estratégia não é substituir a Rússia, e sim libertar a África de seu domínio”, acrescentou.

Kuleba acusou o Kremlin de usar “coerção, corrupção e medo” para manter os países africanos sob seu controle. Ele insistiu que Moscou tem apenas “duas ferramentas poderosas para trabalhar na África: propaganda e (o grupo paramilitar) Wagner”.

O grupo Wagner está associado a países africanos, como Mali e República Centro-Africana, onde supostamente cometeu muitos abusos, acusam grupos de defesa dos direitos humanos e governos ocidentais.

Kuleba também chamou de “mentiras” as preocupações expressadas por Moscou sobre a segurança alimentar da África, depois que a Rússia abandonou um acordo que permitia as exportações de grãos ucranianos através do Mar Negro, apesar do conflito.

“Os africanos viram que as histórias de (Vladimir) Putin sobre como se preocupa com os países africanos são mentiras”, disse Kuleba. “O agricultor ucraniano e o consumidor africano de pão são as pessoas que estão pagando o preço mais alto”, acrescentou.

A Rússia abandonou o acordo em julho, o que provocou o temor de um aumento dos preços dos cereais, o que afetaria em particular os países mais pobres. O presidente russo prometeu fornecer grãos de maneira gratuita a seis países africanos.

 

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO SOLICITA ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA REFORMA TRIBUTÁRIA

 

História por admin3 • IstoÉ Dinheiro

Representantes de empresas do setor de tecnologia da informação (TI) reivindicaram a inclusão do segmento no regime tributário diferenciado previsto na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/19, que trata da reforma tributária. O texto, atualmente em tramitação no Senado, não incluiu esses setores nos regimes diferenciados em relação às regras gerais, que preveem, entre outros pontos, a alíquota zero do imposto ou com redução de 60%. Para o segmento, caso o texto não seja alterado, haverá o aumento no imposto recolhido, com repasse para os consumidores de serviços digitais, de TI e de internet.

A proposta de reforma tributária visa a substituição de cinco impostos (ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins) por dois impostos de valor agregado, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e um Imposto Seletivo. Para alguns setores, como serviços de educação, saúde, medicamentos, dispositivos médicos e de acessibilidade para pessoas com deficiência, transporte coletivo, entre outros, o texto propõe uma alíquota reduzida em 60% e isenção do imposto seletivo.

Durante audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) do Senado nesta quarta-feira (16), o vice-presidente da Federação Nacional das Empresas de Informática (Fenainfo), Marcio Gonçalves, disse que o texto atual enquadra as empresas de TI na alíquota padrão do IBS e CBS, estimada pelo Ministério da Fazenda em 25,45%, o que, segundo ele, gera uma carga tributária muita alta para as empresas. Gonçalves alertou ainda que o setor é intensivo em mão de obra, empregando cerca de dois milhões de trabalhadores, e que a manutenção da alíquota pode levar as empresas a reduzir postos de trabalho.

“A maior preocupação são os serviços. Você geralmente faz softwares e atende como serviços de forma transversal todo o setor econômico, seja indústria, seja saúde, seja educação, qualquer setor. No setor de serviços de TI, a folha de pagamento de forma natural representa entre 62% e 70% da receita”, explicou.

“Não podemos comprometer a geração de empregos. Os empregos atuais e os empregos futuros serão empregos de serviços de TI. Então, o nosso pleito é que o setor, intensivo em mão de obra, seja incluído na alíquota reduzida em 60% em relação à alíquota padrão”, reivindicou.

Já o presidente da Federação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro), Christian Tadeu, alertou que onerar esse setor pode desestimular a expansão das empresas, a criação de novos produtos, tecnologias e melhorias de serviços.

“O aumento de impostos no setor de tecnologia pode afetar os serviços oferecidos pelas empresas do segmento como serviços de internet, streaming, plataforma de e-commerce e aplicativos que podem sofrer reajustes em seus preços, impactando diretamente o orçamento doméstico do cidadão brasileiro”, disse. “Esse aumento de custo pode prejudicar o acesso à informação, educação, entretenimento, cultura e oportunidade de negócios”, emendou Tadeu.

Para o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), Rodolfo Fücher, a cobrança do imposto para o segmento como está no texto também afetará o segmento, formado em suas quase totalidade por micro e pequenas empresas que respondem por 93% da participação no setor. Segundo ele, a proposta atual levará ao fechamento de empresas, no aumento das demissões e perda de competitividade das empresas, resultando na diminuição do setor, na à economia nacional e também no cenário global.

“A reforma tributária pode aumentar o custo na tecnologia, diminuindo a competitividade do país, com maior peso para os pequenos empresários”, alertou.

Fücher disse que esse cenário já é observado atualmente, com o recuo das empresas de softwares brasileiras no ranking internacional. Em 2020, o país ocupava o nono lugar no mercado internacional de softwares, caindo para a décima segunda posição em 2021 e décima quarta em 2022.

“A gente percebe que o Brasil está perdendo espaço na absorção de tecnologia ano a ano. Na América Latina, a gente percebe o quanto o Brasil está perdendo de espaço e capacidade. Éramos, em 2020, 44% da região, e agora estamos com 37%”, lamentou.

O representante da Associação Brasileira de Internet (Abranet) Gilberto Luiz do Amaral disse que o setor de serviços digitais, TI e internet é um dos que mais investe na área de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. Segundo ele, o setor tem relevância estratégica na economia do país e, segundo ele, a proposta atual terá impacto no acesso do cidadão aos serviços essenciais.

“Essa atividade é essencial para o país, e sendo essencial, ela deve ter a mesma isonomia que têm educação, saúde, transporte, para que a gente tenha um equilíbrio e não tenha um aumento tão grande na carga tributária. Caso contrário, teremos uma sociedade da desinformação, porque sem internet nós voltamos a saúde, educação, transporte para aquele modelo antigo”, defendeu Amaral, acrescentando ainda que a manutenção da alíquota seria para o governo “um tiro no próprio pé”.

“O governo não vive hoje sem internet e, se ele elevar a tributação, ele terá um aumento nos seus custos”, afirmou.

O post TI quer ser incluída na alíquota diferenciada na reforma tributária apareceu primeiro em ISTOÉ DINHEIRO.

MILEI É UM ULTRADIREITISTA COM COMPONENTES LIBERTÁRIOS

 

História por Gerardo Lissardy – BBC News Mundo 

Cientista político aponta que Milei (na ilustração, ao centro) dá continuidade a onda da direita radical que inclui Trump e Bolsonaro — e as semelhanças estão mais na agenda política do que no estilo de fazer política© Getty Images

A inesperada vitória de Javier Milei nas eleições primárias da Argentina, no domingo (13/08), gerou comemorações de políticos da direita radical na América Latina e na Europa.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro; o ex-candidato presidencial chileno José Antonio Kast; o líder do Vox na Espanha, Santiago Abascal; e o partido Irmãos de Itália, sigla da primeira-ministra Giorgia Meloni, comemoraram publicamente os 30% dos votos que Milei obteve nesta etapa.

As eleições para presidente da Argentina estão marcadas para 22 de outubro.

Mas como esse candidato que se define como libertário se compara a tais políticos, ou ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump?

“Conceitualmente, a extrema direita tem muito mais a ver com as ideias que são defendidas. E é aqui que Milei se encaixa muito bem, porque ele tem ideias muito direitistas em questões morais”, diz Cristóbal Rovira, professor de Ciência Política da Universidade Católica do Chile, em entrevista à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).

O acadêmico, que pesquisa a direita radical na região e na Europa, acredita que essa corrente política “veio para ficar” na América Latina — embora possa ser difícil para eles alcançarem o governo federal, segundo análise de Rovira.

Confira os principais trechos da entrevista por telefone com Rovira, doutor em Ciências Políticas pela Universidade Humboldt de Berlim e pesquisador do Centro de Estudos de Conflitos e Coesão Social (Coes) de Santiago.

Cristóbal Rovira estuda há anos a direita radical na Europa e na América Latina© Arquivo pessoal

BBC – Como você definiria Javier Milei do ponto de vista ideológico?

Cristóbal Rovira – Há uma onda bastante global da extrema direita. Começou na Europa Ocidental, onde está o caso emblemático de Jean-Marie Le Pen na França dos anos 1980, expandiu-se para o Leste Europeu e hoje vemos que começa a ganhar terreno em outros lugares: com Trump, Bolsonaro…

Milei se encaixaria no protótipo do que são essas ultradireitas.

A nível acadêmico, as definimos por dois critérios importantes. Primeiro, elas estão à direita da direita dominante e professam ideias muito mais radicais. No caso da Argentina, Milei se posiciona à direita do macrismo.

Em segundo lugar, mantêm uma relação ambivalente com o sistema democrático e por vezes professam ideias autoritárias. Isso as diferencia das direitas tradicionais, que atuam dentro das regras do jogo democrático.

O caso de Milei se encaixa muito bem nessa dupla classificação.

BBC – Quais características de estilo e quais propostas fazem com que o senhor o classifique como parte da “ultradireita”?

Rovira – Note que quando falamos de extrema direita, não estamos nos referindo tanto a estilos políticos.

Isso me parece relevante porque, no debate latino-americano, surgiu esse clichê de que ser de extrema direita é ser como Trump ou Bolsonaro: personagens muito disruptivos, com linguagem bastante vulgar, que se conectam com demandas dos cidadãos, principalmente por serem contra o “sistema”.

Mas esse estilo não é necessariamente seguido pelos líderes da extrema direita na Europa ou por Kast no Chile.

Conceitualmente, a extrema direita tem muito mais a ver com as ideias que são defendidas. E é aqui que Milei se encaixa muito bem, porque ele tem ideias muito direitistas em questões morais como aborto, em termos de criminalidade e daquela ideia da “mão forte”.

Em certo sentido, ele é neoliberal, contra o Estado, e com uma agenda de privatizações, o que o aproxima de Kast e Bolsonaro.

Mas Milei tem um componente libertário que o torna uma criatura um pouco incomum entre os ultradireitistas da América Latina, onde esse componente geralmente está menos presente.

Outro aspecto peculiar de Milei é que seu perfil ideológico mudou um pouco.

Hoje, ele se define como alguém contra o aborto, mas há alguns anos essa questão não o mobilizava fortemente. Então, ele tem se voltado para posições mais conservadoras moralmente, mas que não necessariamente estavam em suas origens como figura política.

BBC – Milei tem mais características libertárias ou da direita radical?

Rovira – Acho que um grupo contém o outro: ele leva a questão libertária a um paroxismo que o torna muito de extrema direita. É uma combinação de ambos os elementos. Às vezes, ele dá mais ênfase à questão libertária, outras à questão moral e outras ao crime.

Mas o pacote ideológico que ele defende, como um todo, o posiciona claramente nas ultradireitas.

E, no caso argentino, é muito importante a crítica que faz à “casta” política como um todo, onde estão a direita mais tradicional do macrismo e Patrícia Bullrich [candidata e ex-ministra da Segurança de Mauricio Macri].

Milei intensificou posição contrária ao aborto em comparação ao início de sua carreira política, aponta especialista© Getty

BBC – Outra característica que você apontou na direita radical é a postura anti-imigração. Isso é reproduzido por Milei, ou é diferente das posições de Trump e Kast?

Rovira – Na verdade, Milei não tem isso.

Mas observe que o traço anti-imigratório geralmente não está muito presente nas ultradireitas da América Latina — por exemplo, se pensarmos em Bolsonaro. Isso está muito presente na extrema direita europeia.

Por isso, é importante ter em mente que todas essas extremas direitas têm elementos em comum, mas há características que as definem. É como uma grande família, em que há primos, alguns mais parecidos, mas nem todos idênticos.

Se todos se reunirem, eles se divertem muito, mas diferem em alguns elementos, como o traço anti-imigração.

BBC – Giancarlo Summa, um ítalo-brasileiro que estuda o ressurgimento da direita radical no projeto Multilateralismo e Direita Radical na América Latina (Mudral), apontou que Milei não reivindica abertamente a memória da ditadura militar na Argentina como Bolsonaro faz no Brasil ou Kast no Chile. Esta também não é uma diferença irrelevante…

Rovira – É verdade. E voltamos àquela metáfora de que são todos primos, mas não irmãos.

Na questão militar, pelo menos até agora, não é que Milei professe uma defesa muito irrestrita do que foi aquilo.

A gente foca na figura dele, mas vamos pensar que ele também está tentando formar um grupo político. Com sua candidata à vice-presidência, Victoria Villarruel, a relação com o mundo militar é muito mais direta.

BBC – Ou seja, o projeto político de Milei está em fase quase embrionária e caminha para a direita radical…

Rovira – Exato. E esses outros elementos ideológicos da extrema direita às vezes não vêm do líder principal como Milei, mas das pessoas que trabalham com ele para levantar um projeto que, como você disse, é muito embrionário hoje.

Lembremos que Milei tem meses de campanha pela frente, e outros elementos ideológicos podem ir sendo decantados.

Cientista político lembra que projeto político de Milei ainda é embrionário e pode incorporar pautas sustentadas por outros atores que passem a ser aliados© AFP

BBC – Milei tem propostas como acabar com o Banco Central argentino e dolarizar a economia, ideias que não parecem se encaixar no nacionalismo clássico. Ou permitir a venda de órgãos, o que tampouco parece condizer com uma visão religiosa conservadora. Existem mais divergências em relação à direita radical de outros países?

Rovira – Cada uma dessas ultradireitas deve ser entendida em seus próprios contextos nacionais, e a Argentina tem uma peculiaridade importante: há uma crise econômica muito grande, com o problema histórico da inflação.

Como Milei é um candidato radical, me parece lógico que para enfrentar esse problema ele defenda ideias radicais, como a dolarização e a eliminação do Banco Central.

Também me parece lógico que a extrema direita do Chile não se envolva nessa questão, porque os problemas que temos são diferentes dos da Argentina.

Mas como discutimos antes, o aspecto libertário dá a Milei uma característica peculiar em comparação com outras extremas direitas que temos na América Latina.

E, às vezes, essas abordagens libertárias o colocam em xeque com a questão moral. Como podemos pensar que uma pessoa antiaborto diria que o comércio de crianças ou órgãos pode eventualmente ser permitido? Essas são as coisas que não encaixam bem.

BBC – Milei rouba votos da direita argentina tradicional ou captura votos antissistema de diferentes partes do espectro ideológico?

Rovira – Na Europa, muitos analistas argumentam que o antigo voto social-democrata sindicalista foi para a extrema direita. Isso empiricamente é bastante falso. Sabemos que os eleitores de Marine Le Pen na França, da AfD na Alemanha ou do Vox na Espanha geralmente votavam na direita tradicional, sentiram-se abandonados por ela e passaram a votar na extrema direita.

Não se sabe até que ponto esse argumento chega à América Latina.

No entanto, as evidências em diferentes países nos dizem que o voto ultradireitista latino-americano é uma combinação de diferentes tipos de eleitores: um que veio da direita convencional e virou para a extrema direita, outro que representa um voto raivoso contra o “sistema” e um terceiro tipo de eleitor que vem de um mundo de esquerda moralmente conservador e, por cansaço, acaba votando na extrema direita.

Precisamos de mais pesquisas empíricas para saber a proporção de cada tipo. Eu não ousaria dizer as porcentagens [de cada tipo de eleitor] dentro dos votos de Milei, mas pelo que vimos, acho que grande parte são votos de protesto. Temos que ver qual é a participação de votos mais puramente ideológicos.

Patricia Bullrich (ao lado de Macri, que está à esq.) é candidata da centro-direita tradicional argentina© Getty Images

BBC – Uma das características de políticos como Trump e Bolsonaro que você apontou é que eles parecem manter uma lealdade infalível de seus eleitores. Isso também se aplicaria a Milei, ou seria imprudente considerar o apoio que ele obteve nessas primárias como votos seguros para outubro?

Rovira – Eu não ficaria surpreso se Milei mantivesse na eleição presidencial o número significativo de votos que teve.

Agora, levemos em conta que ele mobilizou 30% dos votos com uma participação eleitoral não tão alta para o histórico das primárias na Argentina. Então, fiquemos atentos que, se aumentar a participação eleitoral, esses 30% podem diminuir.

Não quero dizer que ele tem a eleição perdida, mas acho que será um pouco difícil para ele.

Assim como essas lideranças geram adesão muito forte, também geram índices de rejeição muito significativos. E isso é essencial para o segundo turno eleitoral, quando os eleitores tendem a votar no mal menor.

Em uma eventual disputa de Milei contra quem quer que seja, é muito provável que eleitores de candidatos derrotados acabem optando por essa outra opção porque querem impedir que a extrema direita chegue ao poder.

No Chile, Kast venceu o primeiro turno contra Boric com uma participação de 45% dos eleitores. Na segunda rodada, a participação subiu para 55%, e Boric venceu por 10 pontos de diferença.

Muitas pessoas votaram nele para evitar que Kast chegasse ao poder. É semelhante ao que aconteceu na França quando Macron venceu Marine le Pen.

BBC – Então, até que ponto o resultado das primárias argentinas representa um sinal de conquistas para a direita radical da América Latina?

Rovira – Boa pergunta. Acho que o que temos visto na América Latina é que essas ultradireitas vêm crescendo. Milei não existia há cinco anos. Kast obteve 8% dos votos em 2017 e hoje está onde está.

Meu olfato político me diria que essa realidade veio para ficar. Não me surpreenderia se em muitos outros países latino-americanos víssemos um efeito dominó e essas lideranças começassem a ganhar espaço na arena eleitoral.

No entanto, é difícil para mim pensar que, na grande maioria dos países latino-americanos, esses líderes acabem conquistando o Poder Executivo. Uma coisa é eles conseguirem 20%, 30% ou 35% dos votos, e outra é eles terem percentual suficiente para vencer.

Essa é a grande incógnita para outubro na Argentina: se esses 30% que Milei teve são suficientes para eventualmente chegar ao Poder Executivo no segundo turno.

Rovira estima que grande parte dos votos de Milei são de ‘protesto’© AFP

BBC – Muitos na região veem o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como um exemplo de mão forte contra o crime. Bukele também entra no campo da direita radical?

Rovira – Se voltarmos à metáfora dos primos, Bukele é aquele que parece um pouco mais distante da família. Eu o enquadraria na extrema direita, com uma ressalva importante: suas origens.

Se pensarmos nas origens de Kast ou Bolsonaro, eles sempre estiveram à direita e acabaram montando seu próprio veículo eleitoral muito à direita. Milei, inclusive, sempre teve posições de direita, principalmente nas questões econômicas que ele agora alia à questão moral.

Bukele, por outro lado, começa um pouco à esquerda, posiciona-se contra o establishment, acaba defendendo a mão forte e depois combina isso com questões moralmente muito conservadoras.

Bukele tem se voltado para posições muito à direita, por isso eu o colocaria dentro desse grande conglomerado.

BBC – O que a tradicional classe política latino-americana pode tirar da ascensão de figuras como Milei?

Rovira – Uma primeira lição é que, na maioria das vezes, esses atores ganham não tanto pela agenda econômica, mas sim pela agenda cultural: questões como aborto ou casamento igualitário vêm ganhando espaço na América Latina. Não é mais apenas sobre Estado ou mercado.

Sergio Massa, ministro da Economia atual, é o candidato do peronismo à presidência da Argentina© AFP

Em segundo lugar, há um mal-estar generalizado com a capacidade dos políticos de ouvir as demandas dos cidadãos.

Esses atores de extrema direita se conectam com essas sensibilidades, muitas vezes propondo soluções que vão gerar mais problemas. Portanto, a classe política da América Latina precisa entender melhor esses problemas.

O terceiro ponto é que uma das demandas transversais na América Latina tem a ver com o crime organizado, e nem a esquerda, nem a direita convencional conseguiram propor soluções de longo prazo compatíveis com o sistema democrático.

É outro grande calcanhar de Aquiles.

BBC – Você escreveu que os líderes da direita radical, se chegarem ao governo, podem levar a “regimes competitivos autoritários”, onde ainda há eleições, mas eles governam mais como ditadores. Isso não pode acontecer também com lideranças de esquerda?

Rovira – Certamente sim. A Venezuela é o melhor exemplo disso: quem construiu o regime competitivo autoritário venezuelano foi a esquerda, e não a direita.

Mas, hoje, se analisarmos o panorama global da erosão dos sistemas democráticos, ele vem muito mais da ultradireita do que da ultraesquerda.

Mesmo na América Latina, a ultraesquerda não está muito bem posicionada eleitoralmente. Em vez disso, os ultradireitistas vêm ganhando terreno. Sabemos por evidências comparativas que eles colocam em risco os regimes democráticos e podem provocar processos de gradual erosão democrática.

É um risco diferente do que representava a direita ou as ditaduras dos anos 1960 ou 1970, que queriam simplesmente fazer desmoronar o espaço político.

E com isso, não quero dizer que as ultraesquerdas não sejam perigosas.

QUAL É O MELHOR CREME DE LEITE DO MERCADO?

 

PALADAR TESTOU

Júri especializado avaliou 10 marcas de creme de leite, de caixinha e de lata, vendidas nas redes de supermercado; confira o ranking com os produtos vencedores e a avaliação de cada marca

CREME LEITE. Foto: Tiago Queiroz

Foto: Tiago Queiroz

Por Chris Campos – Jornal Estadão

Creme de leite é, por definição, a parte mais gordurosa do leite. Um creme que pode ser obtido artesanalmente quando se deixa o leite integral em repouso por várias horas em local fresco. A versão industrializada do produto, segundo apontado no “Pequeno Dicionário de Gastronomia”, de Maria Lucia Gomensoro, pode gerar creme de leite com diferentes graus de gordura. Em lata, ele tem algo em torno de 25% de gordura, teor parecido ao da versão em caixinha. São produtos menos gordurosos do que a versão fresca, comercializada em garrafinhas mantidas sob refrigeração constante e que têm teor de gordura em torno de 35%. Apenas nessa versão consegue-se bater chantilly, por exemplo.

10 marcas de creme de leite de caixinha e de lata foram avaliadas neste teste de Paladar FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
10 marcas de creme de leite de caixinha e de lata foram avaliadas neste teste de Paladar FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO  Foto: Tiago Queiroz

Neste teste de Paladar, avaliamos 10 marcas de creme de leite de caixinha e em lata, produto de valor mais acessível quando comparado ao creme de leite fresco e, portanto, consumido com maior intensidade pelos brasileiros no preparo de receitas salgadas e doces. Para compor o time de jurados, convidamos os chefs de cozinha Marcelo Martino de Almeida, Douglas Benatti, da Enosteria, e Tássia Magalhães, do Nolita, além de Luiza Pompeu e Mariana Gorsky, sócia da Confeitaria Dama.

Juntos eles avaliaram às cegas características como sabor, consistência e aparência de cada um dos produtos. Eles provaram porções do creme de leite in natura, direto da embalagem. E foram muitas as diferenças encontradas durante a avaliação.

Luiza Pompeu e Mariana Gorski avaliam as marcas de creme de leite de caixinha e de lata FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
Luiza Pompeu e Mariana Gorski avaliam as marcas de creme de leite de caixinha e de lata FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO  Foto: Tiago Queiroz

“Alguns apresentaram sabor adocicado, outros são um pouco salgados; a cor e a consistência também variam bastante entre as marcas”, explica Douglas Benatti.

“Percebi uma variação muito grande na consistência, uns muito gelatinosos, outros bastante líquidos, o que impacta muito quando você usa o produto no preparo de uma receita”, avalia Mariana Gorsky. “Em algumas marcas você percebe mais a gordura, em outras o sabor de leite é mais evidente”.

Sabor, consistência e cor foram os itens avaliados por cada um dos jurados do teste FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
Sabor, consistência e cor foram os itens avaliados por cada um dos jurados do teste FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO  Foto: Tiago Queiroz

O teste foi realizado na Confeitaria Dama de Pinheiros, em São Paulo. No vídeo, você acompanha os bastidores da degustação e, abaixo, as marcas melhor avaliadas no teste. No final deste texto, a lista completa das marcas, em ordem alfabética, com os comentários dos jurados.

A partir da esquerda, a chef de cozinha, Tássia Magalhães Coelho; o chef Douglas Benatti, da Enosteria; a gerente de marketing Luiza Pompeu; Mariana Gorski, sócia da Confeitaria Dama, e o chef de cozinha Marcelo Martino de Almeida FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
A partir da esquerda, a chef de cozinha, Tássia Magalhães Coelho; o chef Douglas Benatti, da Enosteria; a gerente de marketing Luiza Pompeu; Mariana Gorski, sócia da Confeitaria Dama, e o chef de cozinha Marcelo Martino de Almeida FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO  Foto: Tiago Queiroz

Melhores marcas de creme de leite

  1. PARMALAT
  2. ITALAC E PAULISTA
  3. JUSSARA
As 10 marcas avaliadas pelo time de jurados para este teste de Paladar FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
As 10 marcas avaliadas pelo time de jurados para este teste de Paladar FOTO TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO  Foto: Tiago Queiroz

10 marcas avaliadas em ordem alfabética

Italac

Um creme de leite de consistência fluída, sabor agradável e boa aparência (R$ 4,99, a caixinha com 200 g)

Itambé

Um produto de coloração mais amarelada em comparação aos demais; com teor de gordura presente no sabor, que também foi avaliado como levemente adocicado (R$ 9,70, a lata com 300 g)

Jussara

Um produto de consistência similar ao creme de leite fresco, sabor neutro e coloração bem clarinha. Apresentou bom equilíbrio nos três quesitos: sabor, aparência e consistência (R$ 2,99, a caixinha com 200 g)

Mococa

O creme de leite foi avaliado como muito líquido, com bolhas de ar presentes e levemente salgado. Alguns jurados acharam o sabor distante do esperado para o produto (R$ 2,19, a caixinha com 200 g)

Nestlé

Um creme de leite encorpado, de coloração amarelada e sabor equilibrado (R$ 8,99, a lata com 300 g)

Parmalat

O campeão do nosso ranking apresentou sabor suave de leite, muito próximo ao do creme de leite fresco. A consistência bem equilibrada também agradou os jurados (R$ 3,19, a caixinha com 200 g)

Paulista

Um produto de sabor equilibrado, levemente adocicado, bastante cremoso e de aspecto leitoso. A consistência do creme de leite foi considerada ideal para o preparo de molhos (R$ 3,29, a caixinha co 200 g)

Piracanjuba

Um creme de leite de consistência gelatinosa e pouca presença de gordura. O sabor foi avaliado como neutro (R$ 3,99, a caixinha com 200 g)

President

Um creme de leite mais espesso em comparação aos demais produtos de caixinha, de sabor delicado, próximo ao do leite, e coloração clara (R$ 3,29, a caixinha com 200 g)

Qualitá

Um produto de coloração mais escura em comparação aos demais avaliados. A consistência foi avaliada como bem espessa e levemente gelatinosa; e o sabor, distante do esperado para um creme de leite (R$ 8,49, a lata com 300 g)

QUAL VAI SER O FUTURO DO CELULAR?

 

Até onde a tecnologia dos celulares pode chegar? Veja a linha do tempo com os modelos mais marcantes dos últimos 50 anos

Por Guilherme Guerra, Alice Labate e Bruno Romani – Jornal Estadão

Otelefone celular completou 50 anos em abril de 2023, mas foram nos últimos 16 anos que ele passou por uma revolução. No período, os smartphones chegaram ao mercado, trazendo telas sensíveis ao toque, conectividade móvel, câmera traseira de melhor qualidade e, claro, fim dos teclados físicos. Depois de uma década e meia de inovação, porém, não parecem existir mais grandes mudanças a caminho. Nos próximos 10 anos, o celular deve permanecer com a mesma “cara” de hoje em dia – mas continuará como o dispositivo eletrônico mais importante na rotina das pessoas.

A principal aposta do futuro dos smartphones está em um segmento ainda pouco popularizado: os celulares dobráveis, cujas telas ganham vincos para serem curvadas e, portanto, expansíveis. A inovação é uma forma de crescer o painel do aparelho sem que tenha de ser abandonada uma das principais características que alçaram ao sucesso esses celulares inteligentes, a portabilidade no bolso.

Em 2019, a Samsung inaugurou a categoria de “dobráveis” com duas linhas de modelos que são expoentes na área: o Galaxy Z Fold e o Galaxy Z Flip, cujas telas podem se curvar respectivamente pela horizontal (como um tablet) ou pela vertical (como o antigo celular básico Motorola V3). Outras fabricantes, como Motorola e Xiaomi, seguiram a inovação e apresentaram smartphones expansíveis.

“A tela é muito importante para um smartphone”, explica Renato Citrini, gerente sênior da área de Mobile Experience da Samsung no Brasil, citando a relevância que esses displays ganharam com uso mais intensivo de imagens e vídeos nos dispositivos ao longo da década.

Para o consumidor, é importante que os aparelhos tragam telas grandes, mas a portabilidade continua a ser um fator importante para as pessoas. Por isso, a maior parte das fabricantes cravou que os modelos à venda tenham, em média, tamanho dos painéis em 6 polegadas, que ainda podem ser segurados em uma única mão. Daí a sacada dos dobráveis: “O desafio de ter uma tela maior, mesmo sem aumentar a mão do usuário, é resolvido aí”, diz Citrini.


DYNATAC 8000X
MOTOROLA | 1973
O primeiro celular da história foi apresentado em 1973 e comercializado 10 anos depois. A bateria durava somente meia hora e custava US$ 4 mil

SIMON PERSONAL COMMUNICATOR
IBM | 1993
Com capacidade para receber e-mail, fax e mensagens de texto (além de ter tela sensível ao toque), o Simon é considerado o “avô dos smartphones”

8110
NOKIA | 1996
Conhecido como “Nokia “banana” pelo seu formato, o celular chamou atenção por ter aparecido no filme Matrix

STARTAC
MOTOROLA | 1996
Era o “celular de pai”, especialmente se viesse acompanhado com a capinha que se prendia ao cinto. Foram 60 milhões de unidades vendidas

3310
NOKIA | 2000
Um ícone, pois tinha a resistência de um tanque de guerra. Não apenas isso: ajudou a popularizar o jogo da cobrinha

SPH-M100
SAMSUNG | 2000
É o primeiro celular da história com capacidade para tocar arquivos MP3, algo realizado antes mesmo do iPod

BLACKBERRY 6210
BLACKBERRY | 2003
Pouco conhecido no Brasil, o 6210 foi um dos modelos mais populares da canadense BlackBerry. O teclado físico fez dele uma ferramenta fundamental de executivos

1100
NOKIA | 2003
É o mais vendido da história: foram 250 milhões de cópias comercializadas, o que ajudou a coroar a Nokia como a  maior marca de celulares da época

V3
MOTOROLA | 2004
Ele era estiloso, virou ícone nas mãos de Paris Hilton e tornou- se objeto de desejo no meio da década de 2000. Vendeu 130 milhões de unidades

LG PRADA
LG | 2006
Apresentado meses antes do iPhone original, é o primeiro celular da história com tela sensível ao toque. Vendeu só 1 milhão de unidades

IPHONE
APPLE | 2007
Icônico, definiu o smartphone: tela sensível ao toque, aplicativos, conexão com internet, câmera de boa qualidade e capacidade de reproduzir diferentes tipos de mídia

HTC DREAM GLOBE
HTC | 2008
Ele não foi comercializado no Brasil, mas foi o primeiro dispositivo com Android, lançado três anos após o Google comprar a startup que criou o sistema operacional

GALAXY S1
SAMSUNG | 2010
Foi o primeiro aparelho com Android a mostrar que era possível disputar mercado com a Apple – antes dele, os aparelhos com o sistema do Google tinham desempenho sofrível

IPHONE 4S
APPLE | 2011
Foi o primeiro celular da Apple de muitos brasileiros. A boa qualidade da câmera e do processador ampliaram sua vida no mercado de usados durante muitos anos

MOTO G1
MOTOROLA | 2013
Mostrou que era possível construir um celular do tipo “bom e barato” e se tornou o smartphone mais vendido da história da Motorola

GALAXY S6 EDGE
SAMSUNG | 2015
Foi o primeiro celular com bordas de vidro curvado, dando origem ao design de “tela infinita”, que posteriormente foi copiado à exaustão pelos concorrentes

IPHONE X
APPLE | 2017
Foi o primeiro iPhone a contar com a “franja” no topo da tela, o que influenciou toda a indústria a procurar designs mais criativos para acomodar as câmeras frontais

REDMI NOTE 9
XIAOMI | 2020
A linha Redmi Note mostrou o potencial de uma marca chinesa para o Ocidente: até 2021 foram 140 milhões de unidades vendidas do celular da Xiaomi

GALAXY FOLD
SAMSUNG | 2020
O primeiro celular com tela dobrável produzido em larga escala mostrou que, talvez, os smartphones ainda não tenham atingido o teto como classe de aparelhos


Evoluções, e não revoluções

As inovações esperadas para os próximos smartphones são incrementais, e não exatamente de cair o queixo, como foram as primeiras telas sensíveis ao toque ou as câmeras potentes. Talvez a era de ouro dos smartphones tenha passado, e isso não é ruim, pois aponta para a maturidade do setor.

“Estamos próximos a um platô tecnológico, similar ao do setor automobilístico”, aponta Luciano Barbosa, chefe de operações da Xiaomi no Brasil. Segundo ele, as diferenças entre os modelos e as fabricantes caminham para customizações mínimas e diferenciações de sistemas operacionais, e não para recursos exclusivos. “São aparelhos muito bons e que já cumprem tudo o que você precisa. As fabricantes de smartphones vão pelo mesmo caminho das montadoras.”

Exemplo desses pequenos grandes saltos está na evolução dos chips semicondutores. A cada geração, eles encolhem de tamanho enquanto apresentam mais capacidade de processamento. A medida utilizada na indústria é o nanômetro, equivalente a um milionésimo de milímetro, para medir a distância entre os bilhões transistores (por onde passam as correntes elétricas do material). Hoje, o processador A16 Bionic, lançado em 2022 pela Apple para o iPhone 14 Pro, é de 4 nanômetros, com 16 bilhões de transistores — mas empresas como a IBM pesquisam como criar um semicondutor de 1 nanômetro, por exemplo.

Tela flexível é aposta para o futuro do celular
Tela flexível é aposta para o futuro do celular • JEENAH MOON/BLOOMBERG

Outra inovação esperada está nas baterias de grafeno, que prometem acelerar a velocidade de carga de eletrônicos de horas para minutos. Em pesquisa há duas décadas, esse material de carbono ainda está longe de chegar à produção em massa, mas montadoras como a Tesla investem bilhões de dólares na tecnologia em busca de agilizar a recarga de automóveis elétricos.

Embora as evoluções sejam bem-vindas, não é  nada que deve significar um chacoalhão de vendas no setor de telefonia móvel, segundo Reinaldo Sakis, da consultoria IDC.

“Não há mais para onde o mercado crescer”, aponta o analista. Hoje, praticamente cada adulto no Planeta já possui um smartphone, o que significa que as fabricantes atingiram um teto de crescimento, explica ele. “Agora, estamos em um mercado de substituição de aparelhos.”


Rei dos eletrônicos

Ao longo dessas quase duas décadas no mercado, o smartphone provou-se um sucesso por uma série de razões — e é difícil encontrar quem viva sem ele. Justamente por isso, a expectativa é que, como o “rei dos eletrônicos”, o celular controle outros dispositivos, em movimento batizado de Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) e turbinado pela popularização do 5G.

“Estamos caminhando para remover as barreiras entre os sistemas”, diz Ruben Castano, diretor executivo de Customer Experience da Motorola. “A beleza disso é que há infinitas possibilidades de conexão. O celular vai continuar a ser o dispositivo que eu carrego comigo, mas vai ser capaz de turbinar um ecossistema de eletrônicos”.

“Estamos próximos a um platô tecnológico, similar ao do setor automobilístico”

Luciano Barbosa

Chefe de operações da Xiaomi no Brasil

Hoje, é possível ver parte dessa conexão: o smartphone conecta-se ao relógio (smartwatch) e à televisão (smartTV), por exemplo. Em um futuro não tão distante, porém, a conectividade pode ser levada a geladeiras e casas inteiras, com mais simplicidade e rapidez em relação ao que temos hoje.

Sakis, da IDC, não tem dúvidas: “Ninguém acredita numa substituição completa dos smartphones”, diz. “Eles devem continuar como o centro de mídia dos próximos dez anos.” •

COLABORARAM: BRUNO PONCEANO E LUCAS ALMEIDA (WEBDESIGN); MARCOS MÜLLER E MAURO GIRÃO (INFOGRAFIA)

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...