segunda-feira, 14 de agosto de 2023

CHINA TEM MUITO A NOS ENSINAR EM TERMOS DE ECONOMIA

 

História por Vinicius Pereira • DW Brasil

Em entrevista, autora de livro premiado analisa como o país asiático escapou de “terapia de choque” no pós-Guerra Fria e cita encontro de economistas chineses com o ex-ministro Delfim Netto na década de 80.

“Experiência chinesa tem lições que podem servir ao Brasil”© Keith Tsuji/ZUMA/picture alliance

A pujança econômica da China é em parte resultado de o país ter conseguido desviar de um conjunto de políticas pós-Guerra Fria que visava converter economias socialistas em de mercado de uma só vez, e no lugar ter desenvolvido um tipo de capitalismo que tem o Estado como eixo estratégico para o crescimento, diz à DW a economista alemã Isabella M. Weber, professora na Universidade de Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos.

Autora de Como a China escapou da terapia do choque, lançado em julho no Brasil pela editora Boitempo, Weber contrasta o forte crescimento chinês após o fim da Guerra Fria ao desempenho inferior da Rússia, e diz que algumas políticas de Pequim poderiam servir de inspiração ao Brasil.

O livro de Weber recebeu o prêmio de melhor obra interdisciplinar da Associação de Estudos Internacionais (ISA) e foi incluído nas listas de melhores livros de 2021 pelo jornal britânico Financial Times.

“[Na Rússia] a terapia de choque causou uma das mais profundas e mais prolongadas recessões na história recente e a mais dramática desindustrialização de um superpotência”, disse. “Na China, o Estado manteve o controle da espinha dorsal da economia e, aos poucos, introduziu mecanismos de mercado nas margens desse sistema.”

No livro, a economista relata como um encontro entre economistas chineses com o ex-ministro da Fazenda do Brasil, Antônio Delfim Netto, na década de 80 desencadeou uma discussão sobre inflação na China, e discute se o país asiático teria experiências úteis para outros países, como para o Brasil.

“A China tem um sistema sofisticado de taxas de juros diferenciadas e condições de crédito para áreas das quais eles querem incentivar o investimento”, afirma. “O que a experiência chinesa nos ensina é que é possível atrair investimentos externos, mas que é necessário desenhar as instituições para que o investimento de fora não seja apenas superficial.”

Weber diz ainda que, mesmo com a guerra comercial entre China e Estados Unidos, países como a Alemanha não conseguirão romper a dependência do mercado chinês no curtíssimo prazo sem consequências. “Esse tipo de pânico em relação à influência chinesa pode ser mais perigoso para a Europa do que para os Estados Unidos dado a condição de desenvolvimento das economias do continente, que dependem mais do mercado mundial”, disse.

DW: O que é a chamada “terapia de choque” que a senhora cita em seu livro e como a China escapou dela?

Isabella M. Weber: A terapia do choque é um pacote de políticas econômicas criado para que houvesse uma transição de economia planificada do socialismo para a economia de mercado do capitalismo. A ideia é que você deveria liberar todos os preços de uma vez, como um big bang, para que estivessem de acordo com os do mercado global, privatizar as indústrias, liberar o comércio e, finalmente, impor uma austeridade macroeconômica para garantir que essa liberação dos preços não aumentasse a inflação.

A terapia de choque não é um projeto de construção, mas é um projeto de destruição do que estava lá. Nela, o mercado é visto como um tipo de ordem natural espontânea que vai aparecer se você derrubar todas as intervenções não naturais, distorções, instituições artificiais, etc. Ela sugere que uma economia de mercado vai aparecer como uma fênix, das cinzas das instituições de uma economia planejada. Mas isso nunca funcionou. Mesmo onde o mercado tem mais sucesso, ele sempre tem sido complementado com outros tipos de políticas.

Em alguns casos, a terapia do choque causou um desastre econômico extremo. É o caso da Rússia, que implementou uma terapia de choque completa ao fim da URSS. Há muitas variáveis aqui, como a desintegração de um Estado, é claro, mas por lá a terapia de choque causou uma das mais profundas e mais prolongadas recessões na história recente e a mais dramática desindustrialização de uma superpotência.

Isabella M. Weber é professora na Universidade de Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos© New Economic Thinking – How China Escaped Shock Therapy, CC BY 3.0

Na China, por sua vez, o Estado manteve o controle da espinha dorsal da economia e, aos poucos, introduziu mecanismos de mercado nas margens desse sistema. Isso iniciou uma nova dinâmica que, eventualmente, transformou o núcleo da economia, mas manteve o controle de importantes instituições com o Estado. O país não fez algo para criar um novo mercado apenas privado, mas um mercado que também pudesse participar via Estado.

Desde o final da década de 70, quando começaram as primeiras discussões sobre reformas, a China abriu seu mercado de uma forma estratégica, focada em alcançar o seu próprio projeto de desenvolvimento. A ideia era que você colocasse o capital estrangeiro nas regiões das costas para o desenvolvimento da indústria manufatureira, usando a competitividade da China ao ter um mercado de trabalho barato, para obter um desenvolvimento intensivo.

Isso significa que você está se integrando ao capitalismo global, mas não está dependendo financeiramente, pelo menos não no sentido imediato, das formas que você estaria se você fosse fazer a abertura como um big bang.

Alguns economistas afirmam que o Estado deve ser pequeno, mas você afirma que o Estado neoliberal é, na realidade, forte para proteger o mercado. Como a China utiliza esse Estado em seu sistema econômico?

Havia uma compreensão do neoliberalismo simplesmente como o recuo do Estado. Mas, na literatura mais recente, houve um reconhecimento de que, na verdade, no neoliberalismo o Estado tem sido muito poderoso.

Se você observar o neoliberalismo de [Augusto] Pinochet [ex-ditador do Chile], você tem uma ditadura militar aliada a uma política econômica muito neoliberal. Então, isso mostra que é um Estado muito forte, muito violento, de fato.

Na China dos anos 80, houve também um debate que, caso o país optasse por fazer um big bang com a liberação dos preços, isso significaria que precisariam trazer tanques às ruas e ter um Estado muito forte e violento para fornecer essa política. Isso acabou por ocorrer em 1989, também por uma reação ao aumento da inflação que chegava como parte da liberação dos preços.

No caso chinês, você também tem um Estado muito forte em todas as dimensões, mas o diferencial é ter um Estado com uma enorme capacidade na esfera econômica. Dentro do Estado chinês, há bancos, grandes agências comerciais, empresas de trens de alta velocidade, enfim, companhias de diversas áreas, algumas das quais são bastante exigentes tecnicamente. Também há pessoas que sabem gerir esse tipo de negócio, que mostram o tamanho da capacidade do Estado chinês, em uma forma concreta.

Os líderes políticos da China geralmente trocam de bastante de cargos e, dentro desse processo, eles também passam por posições dentro de uma dessas instituições comerciais de Estado.

Isso significa que, por lá, o poder político tem bastante experiência econômica. Não necessariamente no sentido de ter estudado a economia, mas no sentido de ter feito operações econômicas de grande escala. O que eu acho interessante e bem diferente da carreira de políticos em contexto democrático.

No seu livro, você cita encontros dos economistas reformistas da China com o ex-ministro da Fazenda do Brasil, Antônio Delfim Netto, na década de 80. Como foi isso?

Este é um episódio muito contestado na China, porque algumas pessoas interpretaram a ida da delegação chinesa ao Brasil para falar com Delfim Neto como uma representação de que a China não teria que se preocupar com a inflação, pois sempre haveria alta nos preços quando um país cresce muito rápido.

Acho que não é uma interpretação correta. Nós temos que ver que, na China nos anos 40, havia uma grande ansiedade em relação à inflação. Os nacionalistas perderam a capacidade de segurar a alta dos preços no país à época e por isso perderam poder. Na década de 80, o regime estava muito preocupado porque, se a inflação voltasse à China, poderia atingir o controle e a estabilidade política.

A mensagem que os chineses levaram do encontro com Delfim Netto era mais sobre entender a inflação como um fenômeno que existe, que necessita de controle, mas que não deveria ser controlada pela austeridade e contenção monetária.

Em relação às diferenças entre o Brasil e a China, por lá, ao fim da década de 80, quando a inflação na China estava na casa dos 20% ao ano, o que era muito alta para os padrões do país, eles reforçaram o controle sobre a inflação dentro do sistema de planejamento para a meta de inflação.

Eles também recontrolaram certos preços estratégicos e usaram uma política oriunda dos anos 40, logo depois da revolução, que foi baseada em ter uma garantia para que a moeda pudesse ser trocada por uma certa cesta de bens essenciais a uma taxa estável.

Isso foi algo importante para reconquistar a confiança das pessoas na moeda e garantir que o dinheiro pudesse comprar as coisas mais importantes, mesmo com a inflação em um período de alta.

Você diz que a “China manteve o controle sobre setores estratégicos quando passou do planejamento direto para a regulação indireta com a participação estatal do mercado”. Isso poderia trazer alguma inspiração para o Brasil?

O que a experiência chinesa nos ensina é que, de certa forma, é possível atrair investimentos externos, mas que, quando você faz isso, é necessário desenhar as instituições com muito cuidado para fazer com que o investimento de fora não seja apenas superficial, sem atingir de verdade a economia doméstica. Acho que a China faz isso, com sucessos e falhas, mas que há muito o que ser aprendido com o que ocorre por lá.

Em relação a políticas específicas, como o papel de bancos de Estado e como eles têm encorajado certos tipos de investimentos, acho que há lições específicas que podem ser tiradas da experiência chinesa e que podem servir de base à formulação de políticas no Brasil.

A China tem, por exemplo, um sistema bastante sofisticado e complexo de taxas de juros diferenciadas e condições de crédito para áreas das quais eles querem incentivar o investimento.

Por exemplo, há propostas na União Europeia para que o Banco Central Europeu também ofereça taxas de juros diferenciadas para projetos verdes, afinal as pessoas não querem prejudicar a transição verde porque o bloco está aumentando as taxas de juros para combater a inflação.

Portanto, tendo taxas de juros diferenciadas, que são parte de uma grande missão, em direção a certos projetos estratégicos é algo que a China vem fazendo extensivamente. Isso é algo que um país pode aprender e tentar entender como algo assim poderia funcionar em seu próprio Estado.

A China desponta como potência, trazendo uma preocupação sobre uma possível dependência econômica da Europa em relação ao país. O continente poderá se tornar cada vez mais dependente da China?

Para a economia alemã em particular, eu acho que é importante reconhecer que estruturalmente, a Alemanha está em uma posição muito diferente do que a dos Estados Unidos, por exemplo, dado que a Alemanha é um país de exportação de suprimentos.

Agora, se a Alemanha impõe austeridade para o resto da Europa, como nosso ministro [alemão] das Finanças vem fazendo, isso significa que eles não estão criando mais demanda para produtos alemães no continente.

Além disso, esse tipo de pânico em relação à influência chinesa pode ser mais perigoso para a Europa do que para os Estados Unidos dado a condição de desenvolvimento das economias do continente, que dependem mais do mercado mundial.

Autor: Vinicius Pereira

CANDIDATO LIBERTÁRIO VENCE PRIMÁRIAS NA ARGENTINA

 

Um desconhecido na política até 2021, ele chegou aos primeiros lugares na pesquisas eleitorais e despontou nas primárias eleitorais da Argentina, levantando questionamentos sobre suas chances de ser o próximo presidente da Argentina

Por Redação – Jornal Estadão

Um desconhecido na política argentina até conquistar uma cadeira como deputado em 2021, o libertário Javier Milei ganhou impulso na corrida presidencial neste domingo, 13, ao ser o grande vencedor das PASO, as Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias, que são um termômetro para a disputa presidencial da Argentina. O economista que surgiu com uma terceira força política virou o jogo e saiu como protagonista, com mais de 5 milhões de votos.

Com 97% das urnas apuradas, Javier Milei tem 30,4% dos votos. À frente da coalizão de centro-direita Juntos por el Cambio (28,27%) e da coalizão da esquerda que governa o país Unión por la Pátria (27,27%). As prévias definem as chapas que vão concorrer na eleição presidencial de outubro.

A votação expressiva de Milei foi antecipada pelas próprias campanhas enquanto a apuração avançava e pegou a Argentina de surpresa. Em discurso após a vitória, Milei falou em fazer um esforço nacional para “acabar com o kirchnerismo e a casta política parasitária” que domina o país.

O presidente da coalizão Liberdade Avança capturou uma atenção considerável do eleitorado argentino quando se colocou como “diferente de tudo que está aí”. Com seu lema de ser “contra a casta política”, Milei enfatiza que não faz parte nem da política peronista nem da oposição macrista. O discurso agradou quem está cansado da enorme crise econômica que passa o país e não foi resolvida no últimos governos de Alberto Fernández e seu antecessor Mauricio Macri.

O deputado e presidenciável argentino, Javier Milei, durante entrevista à TV local em Buenos Aires
O deputado e presidenciável argentino, Javier Milei, durante entrevista à TV local em Buenos Aires Foto: Luis Robayo/AFP

À insatisfação popular se somou as brigas internas dentro das coalizões de governo e oposição pelas candidaturas presidenciais. A chapa peronista União pela Pátria (antiga Frente de Todos) travou batalhas até os últimos dias para definir um candidato. Enquanto a oposição do Juntos pela Mudança decidiu sair com dois nomes de peso para a disputa, mas não sem antes protagonizar trocas de acusações entre eles e disputas até mesmo pela prefeitura de Buenos Aires.

Um outsider na liderança

Javier Milei é a mais nova expressão dos outsiders que irromperam na política nos anos recentes. O economista de 51 anos, autodenominado anarcocapitalista, disse que iria acabar com a classe dominante, cortar o governo e fechar o banco central, cuja política monetária ruim, segundo ele, “rouba” dinheiro dos argentinos por meio da inflação. .

Estrela do atual ciclo eleitoral da Argentina, Milei tem propostas radicais. Além da dolarização da economia do país, ele propõe o fim da educação gratuita e obrigatória, que substituiria por um sistema de vouchers; uma gradual privatização do sistema de saúde; desregulamentação do mercado de armas; e o fim da educação sexual obrigatória.

Mas uma promessa parece ter causado impacto: se eleito, disse Milei, ele sortearia seu salário mensal. “Para mim, isso é dinheiro sujo”, disse ele. “Do meu ponto de vista filosófico, o Estado é uma organização criminosa que se financia com impostos retirados das pessoas à força. Estamos devolvendo o dinheiro que a casta política roubou”.

Desde que Milei assumiu o cargo em dezembro, 2,4 milhões de argentinos se inscreveram para ter a chance de ganhar seu contracheque de US$ 3.200 em sorteios transmitidos ao vivo nas redes sociais. De talvez maior consequência: o político anteriormente obscuro, cujas ideias geralmente fogem do mainstream político aqui, é o candidato líder nas primeiras pesquisas para a eleição presidencial do ano que vem, com o apoio de eleitores de todo o espectro.

“Milei articula a raiva das pessoas melhor do que ninguém”, disse Lucas Romero, diretor da empresa de consultoria de Buenos Aires Synopsis. “Sua verbosidade contra a liderança política o ajuda a construir apoio baseado em resultados econômicos fracos na última década.”

Jovens argentinos participam de um comício de Javier Milei em Buenos Aires: candidato dá voz aos indignados com 'casta política'
Jovens argentinos participam de um comício de Javier Milei em Buenos Aires: candidato dá voz aos indignados com ‘casta política’  Foto: Juan Ignacio Roncoroni/EFE,

Como presidente, diz Milei, ele cortaria os gastos drasticamente para poder reduzir os impostos. Ele fortaleceria os laços com os Estados Unidos e outras potências ocidentais e atrairia o apoio de aliados que se opõem às ideias da esquerda que estão surgindo na região.

“A América Latina só tem uma saída se abraçar ideias de liberdade mais uma vez”, disse Milei ao The Washington Post no ano passado. Ele disse que “cortaria o próprio braço antes de aumentar os impostos”.

Milei é talvez o membro mais radical de um grupo de libertários que obteve vitórias nas eleições de meio de mandato de 2021. Foi a primeira vez em décadas que a filosofia de governo limitado atraiu apoio considerável, uma surpresa em um país há muito governado por variantes do peronismo de esquerda.

A ascensão de Milei foi auxiliada por sentimentos generalizados de pessimismo e apatia. O país concluiu um acordo com o Fundo Monetário Internacional para evitar o mais recente de uma série de inadimplências, mas a inflação mensal de 6,7% em março sugere que as pressões sobre os preços estão apenas piorando. Pesquisas indicam que a maioria dos argentinos acredita que a economia estará pior daqui a um ano e espera que seus filhos também estejam piores no futuro.

“Hoje, Milei é um repositório das frustrações das pessoas”, disse Mariel Fornoni, diretor da empresa de pesquisas de Buenos Aires Management & Fit. “As expectativas são incrivelmente baixas. Cada líder político que medimos tem uma imagem pública muito ruim, e isso é algo que nunca vi em anos”.

Infância difícil e goleiro

Milei foi goleiro do clube de futebol argentino Chacarita Juniors, mas encerrou a carreira no começo dos anos 1990. Nascido no bairro portenho de Palermo, em 22 de outubro de 1970, Milei teve uma infância marcada por polêmicas em família. Ele mesmo reconhece que não se dava bem com a família, apenas com sua irmã, Karina Milei. Ele diz que ela é a pessoa que melhor o conhece e “a grande arquiteta” de seus acontecimentos políticos. Milei disse a diferentes meios de comunicação que, caso se torne presidente, ela desempenhará o papel de primeira-dama.

O jornalista Juan Luis González é um dos pesquisadores da biografia não autorizada do economista, intitulada “El Loco”. À CNN, ele declarou que a passagem de Javier Milei pelo Colégio Cardenal Copello, em Villa Devoto, foi marcada por bullying na maior parte da vida.

Javier Milei tem como projeto econômico acabar com o Banco Central argentino e dolarizar a economia
Javier Milei tem como projeto econômico acabar com o Banco Central argentino e dolarizar a economia Foto: Natacha Pisarenko/AP

Hoje Milei vive com cinco Mastiffs ingleses, cada um pesando cerca de 100 quilos, e ele reconhece nesses cachorros sua verdadeira família.

A partir de 2018, a ascensão de Milei começou nos principais meios de comunicação argentinos, com a divulgação de seu discurso “liberal libertário”, como costuma chamar. Suas aparições no rádio e na televisão locais geraram polêmica, seja entre seus colegas economistas, jornalistas ou apresentadores.

O grande salto em sua carreira política veio em 2020, quando anunciou sua candidatura à presidência nas eleições de 2023. Esse passo abriu caminho para que seu partido, La Libertad Avanza, conquistasse duas cadeiras na Câmara dos Deputados no ano seguinte, ocupados por ele e por sua candidata à vice-presidência, Victoria Villarruel.

Enquanto a corrida estava indefinida dentro dos partidos tradicionais da Argentina, Milei se beneficiava de ser o único nome certo na disputa para as primárias que ocorrem em agosto e já ocupava espaços na televisão e no rádio para compartilhar suas ideias de governo.

As palavras fortes contra os políticos e a marca registrada do cabelo desordenado – que lhe rendeu comparações com o ex-premiê britânico Boris Johnson – conquistou um público que se viu representado em seu jeito mais próximo “do povo”. Mas foi seu diploma de economista que lhe rendeu a confiança de parte da população argentina de que ele saberia resolver o problema da inflação acima dos 110%. Ainda que seus planos fossem vagos ou radicais, como acabar com o Banco Central ou dolarizar a economia – em um cenário de fuga de dólares.

Escândalo

Além das mudanças no xadrez dos adversários, Milei se vê agora prejudicado pelo maior escândalo envolvendo seu nome desde que entrou para a política em 2021. A Justiça Eleitoral argentina abriu uma investigação por denúncias de venda de candidaturas dentro da coalizão Liberdade Avança.

Segundo denunciou ex-aliados do candidato, sua equipe chegou a cobrar mais de US$ 50 mil dólares para indicar nomes às corridas para prefeitos, vereadores e governadores nas eleições provinciais. Áudios divulgados pelo La Nación em que Milei é citado pelo nome reforçaram as denúncias até que a Justiça abriu o inquérito. Milei nega a venda e se diz vítima de difamação.

Além disso, nenhum dos candidatos apoiados por ele conseguiu cargos nas eleições provinciais, que até então veem predominância dos candidatos apoiados pelo governo. No entanto, ainda faltam eleições de províncias importantes e que concentram a maioria do eleitorado, como Buenos Aires e Santa Fé/Washington Post, AFP, EFE, com Carolina Marins

PANDEMIA FAZEM PESSOAS A PENSAR QUANTO A PAIXÃO PELO QUE FAZEM É ESSENCIAL

 

Especialistas dizem que a pandemia e suas consequentes mudanças no mundo do trabalho podem estar encorajando as pessoas a repensar o quanto a paixão pelo que fazem é essencial

Por Alina Tugend – Jornal Estadão

Siga sua paixão. Este talvez seja o conselho mais comum dado àqueles em busca de um emprego. A insinuação: você só consegue dar o seu melhor no trabalho quando faz algo que gosta de verdade.

No entanto, de acordo com um número crescente de pesquisas, uma ênfase excessiva na paixão pelo trabalho pode ser prejudicial de várias maneiras.

“Não dá oportunidade para desenvolver uma identidade fora do trabalho”, disse Erin Cech, professora de sociologia da Universidade de Michigan. “Além disso, os empregadores que priorizam a paixão esperam que as pessoas dediquem mais tempo e energia sem receber mais.”

A pandemia pode ser um dos fatores que está levando as pessoas a reavaliarem a essencialidade da paixão pelo que fazem.
A pandemia pode ser um dos fatores que está levando as pessoas a reavaliarem a essencialidade da paixão pelo que fazem.  Foto: Moor Studio / ADOBE STOCK

Embora a ideia de que um trabalho não precise ser uma vocação não seja nova, especialistas disseram que a pandemia e as mudanças causadas por ela no mundo do trabalho podem estar encorajando as pessoas a repensar o que a paixão pelo que fazem realmente significa.

“Disseram para a gente que só é possível se realizar pelo trabalho, mas as pessoas estão começando a ver que há outros aspectos da vida tão ou mais importantes que o trabalho”, disse Jae Yun Kim, professor de ética nos negócios da Asper School of Business, da Universidade de Manitoba. “As pessoas estão começando a tratar o trabalho como trabalho, e isso é um bom sinal.”

Antes da década de 1970, a paixão não era uma prioridade daqueles em busca de um emprego, disse Erin, autora de “The Trouble With Passion: How Searching for Fulfillment at Work Fosters Inequality” (O Problema da Paixão: Como a Busca pela Realização no Trabalho Promove a Desigualdade, em tradução livre). Em vez disso, o foco estava em salários decentes, no número de horas trabalhadas e na estabilidade, e caso existisse realização, ela chegaria mais tarde, conforme você se tornava mais qualificado no trabalho.

Entretanto, isso começou a mudar nos anos 1970, com a crescente instabilidade no trabalho e uma ênfase cultural cada vez maior na expressão das próprias ideias e da satisfação pessoal, uma mudança retratada no livro extremamente conhecido de 1970 “Qual a Cor do seu Paraquedas?”.

Como bem se sabe, preocupar-se com a realização no trabalho aplica-se em grande parte ao privilegiado mundo dos funcionários de escritório. “A maioria das pessoas não trabalha para se realizar”, disse Simone Stolzoff, que escreveu o livro “The Good Enough Job: Reclaiming Life From Work (O Trabalho Bom o Suficiente: Recuperando a Vida do Trabalho, em tradução livre). “Elas trabalham para sobreviver.”

Também é importante levar em consideração o preço que você pode estar pagando por amar seu trabalho. Um artigo publicado no Journal of Personality and Social Psychology, para o qual Kim contribuiu, analisou sete estudos e uma meta-análise e descobriu que a paixão pode ser usada para legitimar “práticas de gestão injustas e degradantes”, incluindo pedir aos funcionários que trabalhem horas extras sem ser pagos por isso, trabalhem nos fins de semana e lidem com tarefas não relacionadas com sua função.

Um dos estudos constatou que os gestores de vários setores perceberam que os subordinados aparentemente mais apaixonados por seus empregos do que os colegas “tinham mais chances de se voluntariar para fazer um trabalho extra (sem remuneração adicional) e serem recompensados pelo trabalho, o que, por sua vez, antecipava uma maior legitimação da exploração” desse trabalhador.

Isso não se aplica apenas aos indivíduos, mas a profissões inteiras, como nas áreas de criatividade e cuidado, onde se presume que as pessoas têm “uma vocação” que pode compensar os salários mais baixos; como no caso de enfermeiros ou professores, por exemplo.

Maggie Perkins não precisa de pesquisa acadêmica para entender a conexão entre paixão pelo trabalho e exploração. Maggie, 31 anos, foi professora do ensino fundamental e médio durante oito anos na Flórida e na Geórgia. O anúncio público dela no TikTok de que tinha pedido demissão e estava mais feliz trabalhando como funcionária na Costco atraiu a atenção da mídia e teve milhões de visualizações.

Seis meses depois, esse sentimento permanece. “Acredito plenamente que o sistema educacional se baseia na exploração do trabalho do professor, até mesmo em lugares com sindicatos fortes”, disse Maggie, acrescentando que os salários baixos, assim como a redução da autonomia na forma como ela dava aula, fizeram com que ela desistisse da profissão.

“Eu era sem dúvidas boa no que fazia”, disse ela. “Mas precisei escolher entre cuidar de mim ou não.” (Maggie foi recentemente promovida na Costco a instrutora corporativa.)

Escolher um curso ou uma carreira com base no que você gosta de fazer também pode reforçar estereótipos de gênero, disse Sapna Cheryan, professora de psicologia da Universidade de Washington, em Seattle. Inúmeros estudos conduzidos por ela e seus colegas constataram que, quando se pedia ao alunos pré-universitários para escolher um curso ou profissão com base no conselho “siga a sua paixão”, as escolhas recaiam em papéis tradicionais: os homens costumavam escolher áreas como informática e engenharia e as mulheres optavam com mais frequência por arte e cuidado de pessoas, por exemplo.

No entanto, se em vez disso fossem solicitados a escolher uma carreira com base na estabilidade do emprego e salário ou escolher uma profissão focada em cuidar de outras pessoas, essa diferença de gênero diminuía consideravelmente, disse ela. Os resultados não variaram de acordo com raça ou renda, acrescentou Sapna.

Embora a associação entre paixão e carreira exista em outros países, ela é particularmente forte nos Estados Unidos, segundo os especialistas, devido a sua ênfase no individualismo, na importância do trabalho e na relativa falta de movimentos sindicais fortes.

Uma forma de verificar se você caiu naquilo que Taha Yasseri, professor de sociologia da Universidade College Dublin, chamou de “paixão obsessiva” – quando sua carreira ofusca todas os demais aspectos da sua vida –, basta perguntar a si mesmo se você consegue se desligar de seu trabalho e focar na família, em hobbies ou em outras partes de sua vida. Se a resposta for “não”, talvez você queira repensar suas prioridades.

Foi o que Alex, 27 anos, fez. (Ele pediu para não ter seu sobrenome publicado por medo de parecer menos apaixonado por seu trabalho.) Durante três anos, Alex trabalhou pelo menos 60 horas por semana em seu emprego como gestor de uma cadeia de suprimentos para uma empresa listada na Fortune 500. Ele sempre estava motivado e “percebi que estava viciado no ambiente de trabalho, viciado no meu trabalho e, olhando para trás, aquilo era muito insalubre”, disse ele, acrescentando que o relacionamento com a namorada também foi prejudicado.

Quando foi promovido e transferido para um novo estado, ele decidiu reduzir o número de horas trabalhadas para algo mais viável, 40 horas por semana. Alex salientou que continua recebendo as mesmas avaliações positivas de desempenho sem aquele número excessivo de horas trabalhadas ou preocupações constantes.

“Meu trabalho é bom. Não vou para a cama sonhando com ele”, disse Alex. “E me sinto ótimo em relação a isso.”

PAC PARA MINAS GERAIS DEPENDE DE APORTE FINANCEIRO DA INICIATIVA PRIVADA

 

Sete dos 12 principais projetos de Minas Gerais incluídos no novo PAC dependerão do setor privado; secretário de Casa Civil Marcelo Aro se diz otimista com futuro das ações

Por Marcelo da Fonseca – Itatiaia

Principais projetos do PAC para Minas Gerais dependerão de aportes da iniciativa privada
Obras na BR-040 foram incluídas no novo PAC, mas trecho vive incertezas com processo de relicitação

Mais da metade dos 12 principais projetos de Minas Gerais incluídos no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) dependerão da iniciativa privada para sair do papel. Obras como a duplicação da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, e das melhorias na BR-040, que liga a capital mineira ao Rio de Janeiro e ao Distrito Federal, serão novamente leiloadas. 

Na lista de obras que receberão apenas aportes públicos do governo federal, estão as principais obras para a região do Vale do Jequitinhonha: a pavimentação da BR-367 e a construção da barragem do rio Gravatá. 

Já o projeto Hidroagrícola do Jequitaí, no Norte de Minas, que transformará a região a partir da expansão do cultivo irrigado em uma área de pelo menos 35 mil hectares contará com verbas da União e do governo estadual. 

Para o secretário de Estado de Casa Civil do Governo de Minas, Marcelo Aro (PP), a aliança com o setor privado pode ser uma solução para destravar antigos gargalos da infraestrutura no estado. 

“Recebemos o anúncio do PAC com muita alegria. Foram meses de conversas e reuniões com o governo federal desde o início do ano. Cada estado elaborou a lista de projetos prioritários para o estado. Apresentamos 12 projetos prioritários para o estado que eram competência da União, pedimos que a União avaliasse cada um deles, deixamos tudo pronto, apresentamos os números e os estudos que foram pedidos, até que há 10 dias, em uma reunião do governador Zema com o Rui Costa, o ministro nos falou que todos os projetos estavam ‘ok’ e seriam atendidos na íntegra”, disse o secretário. 

Aro aposta que a boa relação do governador Romeu Zema (Novo) com o setor privado pode garantir o sucesso dos empreendimentos previstos para Minas no PAC. 

“Na última gestão do governo de Minas, antes do governo Zema, o estado atraiu investimentos de R$ 26 bilhões da iniciativa privada. No governo Zema esse número já passou de R$ 350 bilhões, em quatro anos. E qual o segredo disso? O segredo é que a iniciativa privada confia em investir em Minas, sabe que o estado tem segurança jurídica, não tem a malandragem que tinha no passado, com propostas que não eram republicanas. Acredito que essa credibilidade do governador Zema facilita a atração de investimentos e a geração de empregos”, afirmou o secretário de Casa Civil.

Apelo aos empresários

A aposta na iniciativa privada parte também do governo federal. O ministro da Casa Civil do governo Lula, Rui Costa (PT), ressaltou que contará com o setor privado para fazer sugestões e apresentar demandas ao governo federal sobre as obras do programa federal. 

“O novo PAC se diferencia dos outros, primeiro por articular o estado como ente que vai induzir e estimular a parceria público privada. Esse novo PAC se alicerça, todas suas ações e projetos, com as concessões ou PPPs, como obras prioritárias. Ao me dirigir aos empresários, quero dizer que se organizem, se planejem e apresentem sugestões para nossas equipes, não só da Casa Civil, mas de todos os ministérios”, afirmou o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). 

Mudanças para evitar leilões fracassados 

A concessão da BR-381, a chamada ‘Rodovia da Morte’ que tem leilão previsto para 24 de novembro, já fracassou duas vezes e ainda é vista com receio por parte das concessionárias. 

O secretário Marcelo Aro afirmou que desde o último fracasso da concessão da BR-381 foram feitos aprimoramentos no projeto, que se tornou mais atrativo para as empresas. 

“Na BR-381, conhecida como ‘Rodovia da Morte’, quase todos mineiros conhecem alguém que já sofreu acidente ali, muitos com fatalidade, é um grande problema. Então, se o dinheiro vai ser da União ou da iniciativa privada, o que importa é resolver o problema. E cabe à União, que é a detentora da BR, resolver o problema. Se essa solução é uma concessão, que se faça a concessão. Não adianta querer iludir o povo, dizendo que vamos tirar dinheiro da União para fazer a obra, se a União não tem dinheiro. Então, que a iniciativa privada faça as melhoras e coloque os pedágios. Vamos parar de perder vidas nesta estrada. Foi dado o primeiro passo para que o problema seja resolvido”, afirmou Aro. 

“O leilão da BR-381 foi frustrado inicialmente porque foi feito da maneira errada. Uma obra pública tem toda uma tramitação e o poder público tem que tomar uma série de medidas. Foi feita uma tentativa de concessão, à iniciativa privada não teve interesse. Depois disso, o processo foi para o TCU, com a relatoria do professor Anastasia, foram feitos ajustes e mudanças, agora teremos um novo leilão. Tenho certeza que a proposta que será levada a leilão agora é bem melhor do que a do passado”, continuou o secretário. 

Outra obra incluída no novo PAC é a concessão da BR-040, rodovia que liga BH ao Rio e a Brasília. O trecho também vive incertezas e está sendo alvo de uma disputa judicial entre a concessionária Via 040 e o governo federal. 

Desde 2017, a concessionária quer devolver o trecho para o setor público, mas o governo estuda prorrogar o contrato por mais seis meses e ainda não tem uma definição sobre como será o processo de relicitação.

Confira quem será responsável pelas principais obras de Minas incluídas no novo PAC

  • BR-381 (BH-Governador Valadares) – CONCESSÃO
  • BR-262 (João Monlevade-Espírito Santo) – CONCESSÃO 
  • BR-262 (Uberaba – Betim) – CONCESSÃO/RELICITAÇÃO 
  • BR-040 (BH-Rio) – CONCESSÃO/RELICITAÇÃO 
  • BR-040: Rota dos Cristais (BH-Goiás) – CONCESSÃO/RELICITAÇÃO 
  • Pavimentação de trechos da BR-352 (Patos de Minas-Goiás) – VERBAS DA UNIÃO
  • BR-251 e 116 (Norte de Minas) – CONCESSÃO 
  • BARRAGEM DE JEQUITAÍ – VERBAS DA UNIÃO 
  • PAVIMENTAÇÃO DA BR-367 (Vale do Jequitinhonha) – VERBAS DA UNIÃO 
  • RESTAURAÇÃO DA BR-135 (Manga-Itacarambi) – VERBAS DA UNIÃO 
  • BARRAGEM DO RIO GRAVATÁ (Vale do Jequitinhonha) – VERBAS DA UNIÃO 
  • METRÔ DE BH – CONCESSÃO + VERBAS DA UNIÃO

INSETOS RASTEJANTES FAZEM PRATOS DELICIOSOS DENSOS E NUTRIENTES SEGUNDO CHEF DE NY

 

CNN

Já tentou aderir à Segunda Sem Carne? E que tal a Sexta da Mosca Negra ou o Domingo do Escorpião?

  • 1 de 9Chili de gafanhotos com vagens, aspargos, ovos, cebola e alho com uma mistura cremosa de três grãos (arroz integral, quinoa, cevada)Crédito: Reprodução
  • 2 de 9Mac N Cheese com grilosCrédito: Reproução
  • 3 de 9Biscoito de escorpiãoCrédito: Reprodução
  • 4 de 9Guacamole com formigas pretasCrédito: Reprodução
  • 5 de 9Cigarras fritasCrédito: Reprodução
  • 6 de 9Sopa de larvas de formigasCrédito: Reprodução
  • 7 de 9Salada de larvas de formigaCrédito: Reprodução
  • 8 de 9Tomates verdes fritos com crota de griloCrédito: Reprodução
  • 9 de 9Tempurá de tarântulaCrédito: Reprodução

O chef Joseph Yoon, de Nova York, começou a cozinhar insetos há quatro anos para um projeto de arte. Ele agora quer mudar nossas percepções sobre insetos rastejantes para que possamos comer pratos “deliciosos”, “densos em nutrientes” e “sustentáveis”.

“Eu absolutamente amo insetos”, diz Yoon, que é diretor executivo da Brooklyn Bugs, uma organização que promove insetos comestíveis. “O fato de serem tão diversos, o fato de existirem tantas espécies de insetos, o fato de dependermos tanto dos insetos para nosso próprio ecossistema e biodiversidade é absolutamente fascinante.”

Existem mais de 2.100 tipos de insetos comestíveis no mundo, e eles vêm em sabores variados, como cítrico, noz, queijo e coco, diz Yoon. “O que estou tentando fazer é apresentar às pessoas essa maravilhosa abundância de sabores, texturas e ideias de como cozinhar com insetos comestíveis.”

Uma fonte de proteína sustentável

Os insetos são consumidos regularmente por cerca de 2 bilhões de pessoas, de acordo com um relatório de 2013 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). No entanto, o relatório diz que sentimentos de repulsa estão associados à ingestão de insetos na maioria dos países ocidentais.

Alimentar o mundo é um desafio cada vez mais difícil. A terra é escassa e os oceanos são muito explorados, mas a atual produção de alimentos precisará quase dobrar para acomodar os 9 bilhões de pessoas que devem povoar a Terra até 2050, segundo o relatório da FAO.

A produção de alimentos está prejudicando o meio ambiente. Estudos recentes mostram que a indústria pecuária gera entre 14 e 17% das emissões de gases de efeito estufa produzidas pelo homem.

Para produzir a mesma quantidade de proteína, os grilos precisam de seis vezes menos ração que o gado, quatro vezes menos que ovelhas e metade da ração necessária para porcos e frangos de corte, segundo a FAO. Dietas de insetos ricas em proteínas podem fornecer uma solução sustentável se as atitudes ocidentais em relação a eles puderem mudar de “aff” para “oba”.

Para ajudar a reduzir o impacto ambiental de nossos hábitos culinários, Yoon quer “normalizar os insetos comestíveis em todo o mundo, principalmente aqui onde moro na América”.

Grilos, macarrão e queijo

Mas mesmo para aqueles que estão dispostos a tentar, nem sempre é óbvio qual a melhor forma de incorporar insetos em sua dieta.

“Quando as pessoas me perguntam como devem integrar grilos ou insetos em sua comida, uma das maneiras favoritas que gosto de fazer é simplesmente em minhas comidas favoritas”, diz Yoon.

“Não tem que pensar em fazer um prato novo com um ingrediente novo. Se você gosta de fazer arroz frito, como eu, pode fazer arroz frito com grilos. Adoro adicionar grilos ao meu macarrão com queijo. Você pode adicionar o pó de grilo ao molho de queijo.”

Ele segue os passos de outros chefs que tentam mudar as atitudes ocidentais inserindo insetos na dieta.

Em 2012, o empresário americano Patrick Crowley foi um dos pioneiros e introduziu um produto de proteína de inseto nos Estados Unidos, a barra energética Chapul Cricket, enriquecida com farinha de grilo. Uma fazenda de insetos comestíveis, Next Millennium Farms, abriu no Canadá em 2014.

Em 2019, cerca de 9 milhões de pessoas na Europa consumiram insetos e seus produtos derivados, segundo a Plataforma Internacional de Insetos para Alimentos e Rações. Ele prevê que esse número será de 390 milhões de consumidores até 2030.

“Quando você pensa em insetos — possivelmente um dos menores organismos que podemos imaginar — um inseto pode fazer a diferença? Um ser humano pode fazer a diferença?” diz Yoon. “Um dos grandes fatores impulsionadores do meu trabalho é que, sim, cada um de nós tem uma responsabilidade. Incorporar insetos comestíveis em sua dieta uma vez por semana pode fazer uma grande diferença.”

Veja também — Brasil tem 70 milhões de pessoas em insegurança alimentar

Brasil tem 70 milhões de pessoas em insegurança alimentar | CNN PRIME TIME

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

inglês

PROFISSIONAIS ESTÃO ESCOLHENDO MIGRAR PARA A ÁREA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

 

Joel Backschat, fundador da Orange Juice e CIO da FCamara.

As estatísticas mostram um cenário promissor, onde profissionais de diferentes faixas etárias, principalmente entre 25 e 40 anos, estão escolhendo migrar para a área de TI. Essa tendência mostra que é possível se reinventar e alcançar sucesso em um setor dinâmico e em constante evolução.                                                                                                                               Especialista dá dicas de como fazer acontecer na área de TI sem precisar de diploma.

De olho no-movimento de transformação digital nas empresas, profissionais têm buscado novas oportunidades na área de tech

As dificuldades do mercado de trabalho têm incentivado muitas pessoas a migrarem para carreiras em tecnologia, surfando na onda da transformação digital. Entre os interessados em ingressar no mercado de TI, 63% estão em transição de carreira; 57% estão ativas no mercado de trabalho, mas em outras áreas; e mais de 36% têm mais de cinco anos na profissão anterior – o que ilustra a forte tendência de migração entre áreas. A pesquisa foi realizada entre maio e junho de 2023 entre os membros da Orange Juice, ecossistema tech patrocinado pela FCamara criado com o intuito de guiar, ajudar e incentivar iniciantes ou já amantes da tecnologia em suas carreiras.

A pesquisa do grupo sugere que o perfil dos interessados no segmento é formado por pessoas com idades entre 25 e 40 anos, que já têm uma profissão consolidada em outras áreas e que escolheram migrar para a tecnologia. O sexo masculino representa 55% do público, com destaque para as faixas etárias de 25 a 30 anos, representando 23%, e dos 35 a 40 anos, com 20%.

“A insatisfação em determinadas áreas tem refletido nessa migração de profissionais em busca de oportunidades. Muitas dessas pessoas visam dar um upgrade no salário, mas se esquecem que essa transição requer cuidados e bastante estudo”, destaca Joel Backschat, fundador da Orange Juice e CIO da FCamara.

O especialista também aponta que trabalhar com tecnologia abre muitas portas, inclusive no exterior, já que muitos profissionais têm a possibilidade de exercer a profissão remotamente e aprender outras culturas. Para quem quer investir na área com afinco, Joel ressalta alguns pontos-chave na trajetória. Confira:

1- Invista em qualificação – Todos os dias surgem novas tecnologias e, por isso, é importante estar sempre atualizado com o que está acontecendo no mundo. Para os que estão nessa transição, é importante praticar códigos e aprender tudo sobre a linguagem de programação com a qual está trabalhando. Além disso, fique atento às vagas disponíveis no mercado, muitas empresas buscam profissionais temporários e isso pode ajudar a ganhar experiência para conseguir melhores oportunidades no futuro.

2- Aprenda outros idiomas – Embora isso não seja uma barreira no dia a dia da profissão, saber falar outra língua é um diferencial e pode ajudar muito na caminhada na tecnologia. A fluência no idioma acaba sendo um ponto de destaque para candidatos que queiram investir em empresas de fora, por exemplo.

3- Invista em suas habilidades – Grande parte dos profissionais que atuam na área não são formados na área, mas sim em cursos não relacionados a engenharia ou tecnologia. Sendo assim, aqueles com habilidades em matemática, estatística e programação se destacam. Mesmo que você não seja o melhor com números, é possível e indicado se aperfeiçoar.

4- Participe de comunidades online – Como em todas as profissões, o networking é muito importante para conhecer pessoas que pensam como você. Explorar o ecossistema em que está ingressando é fundamental. Participe de grupos de discussão, fóruns e comunidades online, como a Orange Juice. A ideia desses locais é justamente guiar, ajudar e incentivar iniciantes ou já amantes da tecnologia em suas carreiras.

A FCamara disponibiliza diversas vagas para os interessados no mercado de tecnologia, incluindo oportunidades internacionais. Algumas opções como

Backend Developer (.net), Sênior, Desenvolvedor(a) PHP Sênior e Desenvolvedor Backend .NET – PL, estão disponíveis. Para saber mais, acesse: https://fcamara.gupy.io/

Sobre a Orange Juice

É um ecossistema tech criado com o intuito de guiar, ajudar e incentivar iniciantes ou já amantes da tecnologia em suas carreiras. É voltada a qualquer pessoa interessada em tecnologia, mesmo aquelas já experientes no mercado, mas que entendem a importância de trocar experiências e compartilhar conhecimentos. A Orange Juice conta com podcasts, lives e um blog com diversos conteúdos, que possibilita a interação dos seguidores com especialistas da FCamara, que patrocina a comunidade, e também de outras grandes empresas, com objetivo de mostrar diferentes visões do mercado. Hoje, a comunidade soma mais de 5 mil membros, mais de 50 episódios no podcast e 40 talks sobre diversos assuntos relacionados à programação, UX, scrum e soft skills. A comunidade tem mais de 50 parceiros, entre edtechs, ONGs e clientes do próprio Grupo FCamara.

PROPÓSITOS DA VALEON – “ValeOn É TOP”

ValeOn é uma Startup Marketplace que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa.

Encontre Produtos, Profissionais e Serviços em toda a região do Vale do Aço

Site: https://valedoacoonline.com.br/ ou App Android valeon

Moysés Peruhype Carlech

A ValeOn é uma startup daqui da região e foi acelerada pelo programa AGITA/SEBRAE/MG e pretendemos atuar no ramo de Publicidade e Propaganda online e pretendemos atender a todas as 27 cidades do Vale do Aço.

O nosso mercado será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar os produtos / serviços para vocês clientes, lojistas, prestadores de serviços e profissionais autônomos e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

A nossa Plataforma de Compras e Vendas que ora disponibilizamos para utilização das Empresas, Prestadores de Serviços e Profissionais Autônomos e para a audiência é um produto inovador sem concorrentes na região e foi projetada para atender às necessidades locais e oferecemos condições de adesão muito mais em conta que qualquer outro meio de comunicação.

Viemos para suprir as demandas da região no que tange a divulgação de produtos/serviços cuja finalidade é a prestação de serviços diferenciados para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

O nosso diferencial está focado nas empresas da região ao resolvermos a dor da falta de comunicação entre as empresas e seus clientes. Essa dor é resolvida através de uma tecnologia eficiente que permite que cada empresa / serviços tenha o seu próprio site e possa expor os seus produtos e promoções para os seus clientes / usuários ao utilizar a plataforma da ValeOn.

A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona. Pretendemos cadastrar todas as empresas locais com CNPJ ou não e coloca-las na internet.

A Plataforma Comercial da ValeOn é um site moderno, responsivo, profissional, projetado para atender às necessidades dos serviços da região onde existem várias formas de busca: por cidades, por empresas, por produtos, por atividades, por município e por procura.

Para acessar a plataforma da ValeOn poderá ser feita por:

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Aplicativo App: Digitar valeOn no Playstore do Google

Detalhe interessante dessa inovação da ValeOn é que os lojistas/prestadores de serviços/profissionais autônomos inscritos na Plataforma não precisarão fazer nenhuma publicidade ou propaganda, quem o fará é a equipe da ValeOn responsável pela plataforma.

Sobre a publicidade de divulgação dos nossos clientes será feita em todas as redes sociais: facebook, instagran, whatsApp, google, linkedin, rádios locais, jornais locais e onde for possível fazê-la.

Vamos tornar a nossa marca ValeOn conhecida em toda a região como um forma de ser desenvolvedora do comércio da região e também de alavancar as vendas do comércio local.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

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domingo, 13 de agosto de 2023

NOVO PAC É O MESMO PAC DE 20 ANOS ATRÁS

 

História por admin3 • IstoÉ Dinheiro

Com um novo programa, Lula quer estimular a economia. A proteção da Amazônia, do meio ambiente e do clima são irrelevantes. O governo parece não ter aprendido nada com os erros dos PACs anteriores, opina Alexander Busch.No início da semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi celebrado como o salvador da Amazônia na cúpula em Belém. Dois dias depois, com o mesmo barulho, apresentou um programa para a economia, o chamado Novo PAC Desenvolvimento e Sustentabilidade.

Mas nele, as questões ambientais quase não desempenham papel. Muito pelo contrário: há inúmeros projetos no programa que são diametralmente opostos ao que Lula anunciou no início da semana.

Um dos itens de maior destaque são os investimentos em petróleo e gás sob o guarda-chuva da estatal Petrobras. Também está prevista a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, cuja autorização o Ibama acaba de recusar.

O pacote também inclui a continuação da construção da usina nuclear Angra 3, iniciada há 40 anos. Do Mato Grosso, a ferrovia Ferrogrão deve ligar áreas de cultivo de soja através da Amazônia até portos na região Norte. O traçado passa por reservas indígenas e é bastante controverso – e não apenas entre os ambientalistas.

São todos projetos que terão um preço alto, porque, literalmente, “poluem” a matriz energética do Brasil. E, por outro lado, aumentam o risco de que a floresta seja destruída ainda mais rapidamente. Com o Novo PAC, o novo papel de Lula como principal líder na proteção do meio ambiente do Sul global fica enfraquecido.

Repetição de erros

Mas não é só isso: há um grande perigo de que se repitam erros ocorridos desde o início do PAC 1, em 2007, no primeiro governo Lula, e do PAC 2, executado pelo governo Dilma Rousseff, a partir de 2011.

Acima de tudo, isso significa os grandes escândalos de corrupção que vieram a público a partir de 2014: além da Petrobras, as empreiteiras do Brasil estiveram particularmente envolvidas.

Funcionava assim: a Petrobras financiava os projetos. As construtoras, como a Odebrecht, os executavam – e repassavam parte de sua renda de volta aos políticos que aprovavam os projetos.

Este foi um ciclo lucrativo para os envolvidos, que custou muitos bilhões ao Estado, mas fez muito pouco para o país em termos de infraestrutura. Enormes somas de dinheiro foram gastas em projetos completamente irrealistas.

Alguns dos projetos envolvidos em corrupção massiva agora estão prestes a recomeçar: como a expansão da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que já custou bilhões nos governos anteriores do PT. Ou a Transnordestina, a ligação ferroviária do interior do Nordeste aos portos da região. Angra 3 também não produziu um watt de eletricidade, mesmo depois de muitos bilhões terem vazado em canais obscuros.

“Os PACs 1 e 2 não foram bem-sucedidos”, criticou Claudio Frischtak, presidente da consultoria Inter.B e com uma década de atuação no Banco Mundial. “Na verdade, foram programas muito problemáticos.”

Provas impressionantes do fracasso são dois projetos emblemáticos no Rio de Janeiro: os grandes estaleiros que deveriam ser usados para a construção de plataformas de petróleo e petroleiros para a Petrobras estão todos falidos. E os teleféricos, que deveriam ligar vários pontos da cidade, como o Complexo do Alemão ao centro do Rio, não funcionam mais.

Conclusão: como o Novo PAC nada mais é do que uma cópia de seus dois antecessores, dificilmente resolverá os grandes problemas do Brasil em infraestrutura, habitação e saneamento.

É mais provável que um ciclo com muitos participantes interessados ​​comece novamente.

Há mais de 30 anos, o jornalista Alexander Busch é correspondente de América Latina do grupo editorial Handelsblatt e do jornal Neue Zürcher Zeitung. Nascido em 1963, cresceu na Venezuela e estudou economia e política em Colônia e em Buenos Aires. Quando não está viajando pela região, fica baseado em Salvador. É autor de vários livros sobre o Brasil.

O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW.

O post Opinião: Novo PAC é como voltar o relógio em 20 anos apareceu primeiro em ISTOÉ DINHEIRO.

CONTAS DO GOVERNO NÃO FECHAM DEVIDO ELEVADOS GASTOS

 

História por Redação Itatiaia 

Próximo grande debate da agenda econômica do país, o Orçamento de 2024 começa a ganhar a atenção de economistas, analistas e investidores, e a levantar preocupações.

Isso porque, para dar conta de cumprir todas as promessas, o primeiro orçamento a ser elaborado pelo governo Lula deve vir com uma ampliação de gastos sociais, ao mesmo tempo em que corre atrás de medidas que ajudem a elevar a arrecadação para poder fechar a conta.

O risco de esta conta não ser fechada – ou seja, de o governo fechar 2024 mais uma vez no vermelho e seguir expandindo a dívida pública – tem causado as primeiras grandes preocupações entre agentes econômicos e financeiros de que o risco fiscal do país, amainado pelo avanço de reformas importantes no primeiro semestre, possa voltar.

O risco fiscal é a percepção de investidores, empresários e credores de que aquela economia não está comprometido com um controle responsável de suas contas, e pode ter impacto sobre o dólar, os juros, a inflação, a bolsa de valores e também a atração de investimentos para o país.

Pela lei, o poder executivo tem até 31 de agosto para apresentar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) do ano seguinte. Com ele, precisará mostrar como irá cumprir a meta fiscal que prometeu, que é de tirar as contas do vermelho e zerar o déficit primário no ano que vem – ou seja, não voltar a gastar mais do que arrecada.

Para dar conta de novas despesas importantes, como o aumento maior do salário mínimo e, com ele, das aposentadorias e benefícios sociais no ano que vem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pretende embutir na peça orçamentária uma série de medidas arrecadatórias, como a taxação de fundos de investimentos dos super-ricos e o fim dos benefícios tributários dados à distribuição dos lucros das empresas por meio do Juros sobre Capital Próprio (JCP).

Esse imbróglio coloca uma série de desafios ao governo na missão de erguer este orçamento.

“O governo precisa fazer uma escolha: se quer mostrar um controle melhor dos gastos ou perder sua credibilidade”, disse a economista-chefe do Inter, Rafela Vitória.

Veja a seguir quais têm sido os principais “furos” e desafios mencionados por economistas em torno da Ploa 2024:

Furo no teto

O primeiro desafio é conseguir comportar os aumentos de gastos encomendados de maneira que o total das despesas previstas para 2024 respeito o novo teto de gastos.

Pela regra do novo marco fiscal, que precisa ser aprovado no Congresso ainda neste mês, o gasto do governo não poderá crescer mais do que 2,5% acima da inflação por ano.

“Se considerar o aumento do salário mínimo, mais os gastos com investimento, esse crescimento já está mais ou menos em 3% [acima da inflação]”, disse Vitória, do Inter. “Como as despesas com saúde e educação também podem aumentar, isso poderia ir até 4%.”

Voltar a dar aumentos para o salário mínimo acima da inflação e ampliar a isenção do Imposto de Renda são alguns dos programas que já encomendam mais gastos para 2024. A ampliação dos investimentos com infraestrutura, como o PAC, anunciado nesta sexta-feira (11), acrescenta mais alguns bilhões.

O fim do antigo teto de gastos, com o novo arcabouço fiscal, também muda as regras para o reajuste dos orçamentos da Saúde e da Educação, o que deve permitir que eles voltem a crescer mais.

“O governo poderia rever alguns reajustes para o ano que vem, como o dos servidores, ou reduzir outros gastos para poder alocar mais para a Saúde, por exemplo”, disse Vitória.

Receitas superestimadas

Para pagar esses gastos crescentes sem precisar se endividar mais – o que significa, também, precisar pegar dinheiro emprestado de investidores por meio da venda de mais títulos da dívida no mercado -, o governo corre atrás de medidas que ajudem a aumentar arrecadação no ano que vem.

O problema apontado pelos economistas, entretanto, é que as medidas que estão sendo propostas são ainda pouco concretas. As críticas também dão conta de que estão superestimadas, contando com um poder de arrecadação que, na prática, talvez não venham a ter.

“Não dá para fazer ajuste com base em uma promessa aumento de arrecadação”, disse o ex-secretário da Fazenda Marcos Lisboa em entrevista à CNN.

Entre os projetos, o governo pretende criar taxações, hoje isentas, sobre fundos de investimentos de “super-ricos” e sites de apostas. Também conta com um aumento das receitas com a mudança de regra no Carf, que deve dar maior facilidade ao governo para ganhar – e ser ressarcido – em ações disputadas com empresas na Justiça.

“Não são medidas tão simples de serem desenhadas e aprovadas no Congresso”, disse o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima. “E como faz o Orçamento para 2024 contando com um negócio que ainda não sabemos se vai acontecer no ano que vem? Porque se as medidas não forem aprovadas neste ano, não podem valer ano que vem.”

Déficit maior

Como o cenário é de gasto crescente e de arrecadação em dúvida, uma expectativa é praticamente certa entre os economistas: o resultado das contas vai ficar negativo, ou seja, o governo vai voltar a gastar mais do que arrecadou, e não vai conseguir cumprir a meta fiscal que prometeu.

Pelo projeto apresentado no começo do ano por Haddad, a meta para 2024 é de zerar o déficit primário.

“O mercado já tem uma expectativa de déficit maior para o próximo ano, na casa dos R$ 80 bilhões, que é mais ou menos 0,7% do PIB”, diz Rafaela Vitória, do Inter.

“Seria melhor o governo ser mais realista, admitir que ainda vai ter déficit em 2024 e mesmo 2025, para ter mais credibilidade para continuar caminhando com um ajuste fiscal que será mais longo, do que apostar todas as suas fichas em conseguir essa receita extraordinária que não pode controlar.”

(Publicado por Juliana Elias)

LULA NÃO MUDA SEU ESTILO RANZINZA E PROVOCATIVO

História por MARIANNA HOLANDA E RENATO MACHADO • Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – “Nas conversas com os partidos aliados, [José Dirceu] deixa claro que negocia, mas que o presidente dará a palavra final. A delegação a Dirceu para conduzir os entendimentos é parte do estilo de Lula. O presidente fala pouco com os aliados. Prefere entrar só no final.”

O trecho é de uma reportagem da Folha de 18 de janeiro de 2004, um ano depois de o presidente Lula (PT) subir a rampa do Palácio do Planalto pela primeira vez e seis dias antes de ele realizar a sua primeira reforma ministerial.

O cenário, guardadas proporções, repete-se agora. No lugar de articulador, está o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais), que faz a ponte com os partidos e e por eles é cobrado por mais espaço no primeiro escalão.

À época, as negociações giravam em torno da entrada do PMDB (hoje MDB) no governo e se arrastaram por meses. O acordo inicial com os peemedebistas foi fechado em maio de 2003 —o partido tinha a então maior legenda do Senado e segunda da Câmara, passando a integrar a base governista.

Na época, Dirceu, então ministro-chefe da Casa Civil, afirmou que o acordo seria “consolidado” com a reforma ministerial, com indicados do PMDB passando a integrar o governo.

Lula resistiu por meses até a sua gestão completar um ano, quando fez mudanças também para tentar melhorar o desempenho dos seus ministérios e acomodar aliados. Chegou a dizer que não se trocava um jogador com 10 minutos de jogo.

Embora tivesse em Dirceu seu homem de confiança, Lula deixava claro o seu estilo centralizador, o que em alguns momentos irritava a sua equipe de negociadores.

“As pessoas sabem que quem troca o ministério é o presidente da República, e que quem discute com os partidos políticos o ministério é o presidente da República. No momento certo, as coisas vão acontecer”, afirmou Dirceu durante viagem a Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em novembro de 2003.

Em determinado momento, o PMDB chegou a ameaçar desembarcar da aliança com o governo. O partido já estava fazendo sua parte e entregando votos.

O Lula de 2023 tem diferenças com o de 2003. Agora, tem privilegiado viagens internacionais e se envolvido menos no varejo de negociações políticas.

Mas mantém o estilo centralizador de 20 anos atrás, arrastando trocas e colocando seus negociadores em saia-justa.

Lula disse recentemente que reforma ministerial não é uma “coisa absurda”. No entanto, a situação muda quando se trata de sacrificar aliados próximos. Em janeiro de 2004, disse que era um momento “muito doloroso”.]

Em junho, o prefeito de Belford Roxo, Waguinho, disse que Lula chorou ao demitir a sua esposa, a então ministra do Turismo, Daniela Carneiro. Essa sim substituída “aos 10 minutos de jogo”, por pressão da União Brasil, que emplacou o deputado Celso Sabino (PA).

Ministros palacianos aguardam do mandatário uma posição para concluírem o desenho da reforma, que vai abrir espaço para a entrada no governo do PP e Republicanos, fortalecendo assim a bancada governista no Congresso Nacional e encerrando uma novela que se arrasta há meses.

Com os dois partidos, o Planalto terá formalmente cerca de 370 votos na Câmara —62 a mais do que o necessário para aprovar uma emenda à Constituição.

A cada momento, porém, articuladores do governo são obrigados a criar novos termos para demonstrar que não há recuo do chefe do Executivo em trazer o centrão para a sua administração e conter os ânimos dos novos aliados.

Em 18 de julho, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), disse a jornalistas no Palácio do Planalto que “a tese de incorporar esses partidos [PP e Republicanos] no governo já está consolidada”.

A declaração ocorreu horas depois de Padilha receber os ministeriáveis André Fufuca (PP-MA) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) e divulgar fotos do encontro.

Havia expectativa de que Lula oficializasse as trocas no retorno do recesso legislativo, no início do mês. O que não ocorreu. Padilha deu, então, mais um micro passo e disse que Lula já teria tomado sua “decisão de trazer esses dois parlamentares”.

Ninguém se atreve —publicamente— a dizer para qual ministério os indicados do Republicanos e do PP vão.

Em meio a boatos e esperanças quase diárias de uma decisão do chefe do Executivo, ele teve um encontro fora da agenda com Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara e principal interlocutor do centrão, na semana passada.

Aliados de Lira dizem que, embora o encontro tenha durado horas e o presidente tenha reforçado que vai abrir espaço para os dois partidos na Esplanada, não houve o avanço que se esperava.

A expectativa inicial era que fossem contemplados com o Ministério dos Esportes para o Republicanos, e o Desenvolvimento Social para o PP. Lula, contudo, rechaçou essa segunda hipótese. Assim, o PP passou a dizer que não quer nada menor do que a pasta responsável pelo Bolsa Família.

Do outro lado do balcão, integrantes do governo atribuem dificuldade nas negociações ao fato de os parlamentares terem se empoderado durante a gestão Jair Bolsonaro (PL) com recursos do Orçamento e se colocaram numa posição de maior força e barganha contra o Executivo.

No Congresso, há quem aposte que a demora de Lula em se decidir pode acabar aumentando a fatura do centrão. Hoje, a proposta central do governo, o arcabouço fiscal, aguarda ainda conclusão de análise na Câmara.

Na votação da Reforma Tributária, último dia antes do recesso do Legislativo, o presidente da Câmara, em meio às comemorações, recebeu uma ligação do mandatário parabenizando-o.

Em um gesto ao Executivo, Lira colocou em votação o projeto de lei que muda regras de funcionamento do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fazendários).

Em 2004, na semana que antecedeu a nomeação de seis novos ministros, a demissão de outros seis e o remanejamento de três a novas posições, Dirceu disse: “A reforma não tem data. O presidente não vai estabelecer data [para conclusão] e desautoriza se eu coloco qualquer uma. Ele quer ter liberdade”.

Agora, quase 20 anos depois, Lula arrasta a reforma por meses e continua dizendo não ter pressa. Acena, por outro lado, a quem está do outro lado do balcão. Durante o lançamento do Novo PAC no Rio, na sexta-feira (11), Lira foi vaiado ao ser anunciado na plateia.

O presidente fez questão de criticar os protestos. Disse que não é Lira que precisa dele e sim o contrário.

 

BRASILEIRO POBRE SOFRE POARA CHEGAR À CLASSE MÉDIA

 

História por DANIELE MADUREIRA • Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um dos maiores orgulhos de Adalberto Gonçalves Lira Júnior, de 36 anos, é ver o filho, Jhonatan, estudando no Colégio Mackenzie. Aos 15 anos, o garoto cursa o 9º ano do colégio, um dos mais tradicionais da capital paulista, fundado há mais de 150 anos.

O prazer de Júnior não se restringe ao fato de o único filho estudar em uma instituição conceituada. É porque, quando tinha a idade de Jhonatan, Júnior morava nas imediações do Mackenzie -não em algum dos elegantes apartamentos do bairro de Higienópolis, na região central de São Paulo. Júnior era morador de rua, dormia debaixo de uma banca de jornal na praça Rotary, ao lado da Biblioteca Monteiro Lobato, com medo de ser mordido por ratos ou atacado por bandidos.

Hoje Júnior comanda ao lado da mulher, Joyce, 34 anos, um negócio próprio de comida de rua. São quatro carrinhos que vendem cachorro-quente, pipoca, açaí, milho e churros no bairro do Jaraguá, zona norte de São Paulo, e outros seis que trabalham em eventos. O faturamento da família gira em torno de R$ 20 mil ao mês. Para os padrões socioeconômicos brasileiros, Júnior saiu da classe E para a A.

O exemplo do ex-morador de rua que se tornou empresário é um caso raríssimo na pirâmide social brasileira. De acordo com um estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o brasileiro que está entre os 10% mais pobres da população levaria nove gerações -o equivalente a 180 anos- para atingir a classe média no país, considerando as atuais condições de renda, educação, trabalho e saúde.

“A função do Estado é reduzir a desigualdade de oportunidades, o que se consegue mais rápido por meio de uma política fiscal equilibrada: taxar mais os mais ricos e menos os mais pobres”, diz a economista Carla Beni, professora dos cursos de MBA (Master of Business Administration) da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Só assim é possível realocar recursos de forma eficiente para reduzir os desníveis sociais.”

Mas o que se vê no Brasil, segundo a especialista, é um Estado que promove a desigualdade. “Como eu posso falar em igualdade de oportunidades se 48% da população não conta com saneamento básico?”, questiona.

“É claro que o exemplo do ex-morador de rua que se torna empresário deve ser aplaudido, ele é um vencedor. Mas quantos tentam e não conseguem? Quantos sofrem todos os dias para tentar conseguir o básico -alimentação, moradia, saúde, educação? Não é uma questão de meritocracia”, diz Carla. “Primeiro eu preciso corrigir a desigualdade de oportunidades, que leva à desigualdade de renda. Só depois eu posso avaliar a desigualdade de desempenho, de um indivíduo para o outro”, afirma a especialista da FGV.

O estudo da OCDE, intitulado “A broken social elevator? How to promote social mobility” (Um elevador social quebrado? Como promover a mobilidade social), de 2018, analisa a quantidade de gerações que a população mais pobre de 24 países que compõem a OCDE necessita para chegar à classe média. O resultado aponta desde duas gerações na Dinamarca até sete gerações na Hungria, com média de 4,5 gerações entre os países.

A pesquisa também analisou o tempo necessário para que os 10% mais pobres de países emergentes atingissem a classe média: com nove gerações, o Brasil só perde para a Colômbia (11 gerações)- país que, curiosamente, passou a integrar o OCDE em 2020. Na organização, estão nações com elevado PIB per capita e bons indicadores de desenvolvimento humano. A adesão do Brasil ao grupo está em análise.

Na opinião do economista José Afonso Mazzon, professor titular da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo), a mobilidade social é desejável e necessária. “Senão viveremos uma sociedade de castas”, diz Mazzon que, ao lado do professor Wagner Kamakura idealizou o Critério Brasil de Classificação Econômica, que dividiu a população nas classes A, B, C, D e E, com base em dados da Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE.

Com 39 variáveis, que vão desde grau de instrução a acesso a serviços públicos, passando por posse de eletrodomésticos, com recortes diferentes por regiões do país, o critério foi criado em 2008 e desde então vem sendo atualizado. A versão mais recente considera classe A quem tem renda média familiar de R$ 21,8 mil. Já a renda média mensal das classes D/E está em R$ 900.

“A principal política pública para favorecer a mobilidade social é a educação, a capacitação do indivíduo, que muitas vezes migra do trabalho braçal para o intelectual”, diz Mazzon.

Pensando nisso, o administrador Vinícius Mendes Lima criou a agência de fomento social Besouro. “Eu acredito em ascensão social e econômica a partir do empreendedorismo”, diz ele, que negocia cotas com a iniciativa privada para financiar cursos de capacitação para a base da pirâmide. “Nós atendemos quem nem sequer pensa em ser MEI [Microempreendedor Individual]”, diz.

Por meio de uma metodologia simples, que envolve um curso de 20 horas de duração e uma consultoria de três meses para implantar o plano de negócios desenhado com o empreendedor, a Besouro atendeu mais de 150 mil pessoas nos últimos cinco anos.

Entre elas, está Rebeca Cruz, de 23 anos, que montou uma agência de viagem há dois anos. “Hoje eu tenho um lucro médio de R$ 5.000 por mês. Mas, sem a Besouro, estaria faturando um salário mínimo e meio, que era o que eu ganhava antes de fazer o curso”, diz ela, uma autodidata em inglês e espanhol, que já foi duas vezes ao Canadá para cursar francês. Para 2024, a meta de Rebeca é um lucro de R$ 10 mil.

Do total de alunos atendidos pela Besouro, 70% saem do curso gerando renda, diz Lima. Mas um ano depois, 56% continuam com o próprio negócio. “Muita gente pensa que o principal entrave para se lançar em um negócio é o crédito. Mas na verdade é a autoestima”, afirma. “Essas pessoas se sentem completamente despreparadas. É preciso fazê-las enxergar que elas podem ir além do assistencialismo.”

Para o sociólogo Pedro Ferreira de Souza, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a população pobre convive com uma série de desvantagens diariamente que só perpetuam a sua condição e tornam a competição no mercado de trabalho muito desigual.

“Elas moram longe e mal, ganham pouco, a distância da casa ao trabalho não só prejudica a sua qualidade de vida, como as impede de estudar, porque não têm tempo. Elas não se alimentam corretamente, o que acaba prejudicando a sua saúde, e os serviços de assistência médica são precários”, diz.

Daí a importância das políticas de ação afirmativa, na tentativa de minimizar, em parte, tamanha desigualdade. “É uma saída para impedir que a pobreza se repita, geração após geração.”

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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