segunda-feira, 3 de julho de 2023

DEPUTADOS E JUÍZES TORRAM MILHÕES DOS COFRES PÚBLICOS

Por
Lúcio Vaz – Gazeta do Povo


Deputado Rubens Pereira Júnior registra entrega de obra no Maranhão| Foto: Reprodução/Facebook

O deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) gastou R$ 180 mil com “divulgação da atividade parlamentar” – 80% da sua verba. No total, os deputados federais já torraram R$ 24 milhões com autopropaganda. Somando as despesas com passagens aéreas, combustível, escritório, refeições, aluguel de carros e até de aviões, a conta para o contribuinte já está em R$ 72 milhões. A deputada Antônia Lúcia (Republicanos-AC) investiu R$ 108 mil em voos pelo interior do estado. Quem mais esbanjou foi Ruy Carneiro (PSC-PE), que gastou R$ 257 mil em cinco meses – sendo R$ 170 mil com divulgação.

A propaganda do mandato envolve divulgação das atividades dos deputados nas redes sociais, jornais, rádios e televisões. Há também compra de espaços em veículos de comunicação, com direito a recibo. Eles registram a sua presença na entrega de equipamentos e obras feitas com recursos de suas emendas parlamentares – tudo dinheiro público. Fotos ao lado de Lula e ministros de Estado são muito valorizadas, até nos sites de bolsonaristas. Há também foto ao lado da Torre Eiffel.

O gasto por partido é proporcional ao tamanho da bancada. Considerando o valor médio por deputado, o PP foi o mais gastador, com média R$ 150 mil. Em segundo lugar, o PCdoB, com R$ 149 mil por deputado. No PT, a média chegou a R$ 143 mil. O PL ficou nos R$ 135 mil. Quem menos gastou foi o Novo, com R$ 51 mil por deputado.

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O campeão da autopromoção
A principal despesa do deputado Rubens Júnior foi com a contratação de uma empresa para prestar “serviços em comunicação” – R$ 33 mil por mês em média. A empresa a empresa faturou R$ 168 mil. Em abril, o deputado pagou R$ 2 mil pela publicação de “matérias jornalísticas” sobre ações parlamentares no Jornal Pequeno, jornal impresso “de grande circulação na capital”, afirmou o deputado. Em maio, contratou mais uma empresa, por R$ 35 mil, para tarefas como relacionamento com a imprensa, elaboração de estratégia de comunicação e media training.

Nas redes sociais, Rubens Júnior registrou, em 25 de março, que esteve em Paço do Lumiar (MA) para participar da “entrega de benefícios para a população”, no caso, o calçamento das ruas da comunidade do Pau Deitado. Posou para fotos com dezenas de moradores diante do maquinário da prefeitura.

O deputado José Nelto (PP-GO) fez outra aposta. Prefere gastar a sua conta com a impressão e distribuição do jornal informativo do deputado. Já imprimiu R$ 321 mil exemplares no valor total de R$ 158 mil – uma média de R$ 26 mil por mês. Mas ele também usa as redes sociais. Em 18 de abril, avisou: “Destinei à Pires do Rio uma pá carregadeira a pedido da prefeita Cida. O equipamento foi adquirido por meio do nosso mandato de deputado federal junto ao governo federal”. Em tempo, o dinheiro é da União, resultante de impostos pagos pelo contribuinte.

O deputado Adail Filho (Republicanos-AM) fez parte de comitiva de parlamentares a Paris para participar do Grupo de Trabalho da Reforma Tributária na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nas redes sociais, ele fez uma postagem para registrar a visita: “Uma viagem inesquecível que trouxe muito aprendizado ao nosso trabalho aqui no Brasil”.

Deputado Adail Filho registra a sua missão a Paris ao lado da torre Eiffel. Foto: Reprodução/FacebookVEJA TAMBÉM:
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Ruy Carneiro (PSC-PB) gastou R$ 170 mil com divulgação. Conta com assessoria de imprensa e faz a sua autopromoção nas redes sociais. Mas também paga pela divulgação da sua atividade parlamentar em sites da Paraíba. O valor varia de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. Em cinco meses, distribuiu R$ 81 mil a cerca de 18 blogs.

Ex-presidente do Senado, o deputado Eunício Oliveira (MDB-CE) retornou ao parlamento pela Câmara. Ele aplicou toda a verba de divulgação na contratação da Carnaúba Assessoria de Comunicação, num total de R$ 159 mil. A empresa produz notas das ações do deputado para veículos de imprensa. Também atua nas redes sociais, Fecebok, Instagram, Twitter, WhatsApp e Tik Tok. O deputado está muito ativo. Em 8 de junho, participou da Cavalgada e Festa do Vaqueiro de Morada Nova (CE). Pelas redes, destacou: “Tenho um orgulho danado de ter lutado e garantido a regulamentação da profissão de vaqueiro e da prática da vaquejada, fazendo justiça ao povo do nosso sertão”.

As despesas de João Maia (PL-RN) com divulgação somaram R$ 158 mil. Ele contratou empresa de comunicação para produzir conteúdo para as redes sociais. Mas também pagou R$ 90 mil para veículos de imprensa para a divulgação do seu mandato. Membro do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, divulgou com destaque nas redes sociais fotos em reuniões com ministros do governo Lula, como Carlos Fávaro (Agricultura), Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Juscelino Filho (Comunicações).

O deputado Eunício Oliveira (MDB-CE), ex-presidente do Senado, em cavalgada no Ceará. Foto: Reprodução/Facebook

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Gastos com aviões
Fora os gastos com divulgação, algumas despesas com fretamento de aviões também impressionam. A deputada Antônia Lúcia (Republicanos-AC) torrou R$ 108 mil com aluguel de aviões em abril. Os voos de Rio Branco para Xapuri, Feijó e Cruzeiro do Sul, em 31 de março e 1º de abril custaram R$ 62 mil. O voo da capital para Jordão, Tarauacá e Manoel Urbana, num King Air, ficou por R$ 46 mil.

Átila Lins (PSD-AM) gastou R$ 95 mil com quatro voos. Em março, esteve em Boa Vista e Lábrea, ao custo de R$ 44 mil. Em maio, viajou de Manaus para Barreirinha num turbo hélice Calavan; e para Nova Olinda num turbo hélice anfíbio Caravan, num total de R$ 41 mil. Segundo afirmou a assessoria do deputado, ele aluga aeronaves porque muitas cidades da Amazônia não são acessíveis via rodoviária. Seria a única forma de fazer contato com os eleitores dessas regiões.

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“A representação mais pura da democracia”
O deputado Rubens Júnior enviou nota ao blog para justificar os gastos com divulgação: “O mandato parlamentar é o exercício da representação mais pura da nossa democracia. Os investimentos em divulgação de atividade parlamentar não é autopromoção, mas uma ferramenta essencial de prestação de contas, inclusive. É lícita, está dentro da previsão legal, nos limites permitidos pela Câmara dos Deputados. Nosso mandato tem uma atividade intensa e uma alta produtividade e, por isso, precisa prestar contas à população. Não podemos criminalizar a política”.

A deputada Maria do Rosário afirmou seu mandato “tem o compromisso de atuar de forma transparente e responsável na gestão dos recursos públicos. Os gastos realizados estão dentro dos parâmetros estabelecidos pelas normas vigentes, que determinam os limites e as finalidades dessa cota. As despesas são avaliadas para garantir uma atuação eficiente, visando sempre o bom uso do recurso público”.

Eunício afirmou ao blog que “Os gastos estão dentro da legalidade e da mais correta prestação de contas”.

Quem mais gastou
Gastos com divulgação do mandato
deputado valor (R$ mil)
Rubens Pereira Júnior (PT-MA) 180
José Nelto (PP-GO) 179
Ruy Carneiro (PSC-PB) 170
Eunício Oliveira (MDB-CE) 159
João Maia (PL-RN) 158
Adail Filho (Republicanos-AM) 155
Giacobo (PL-PR) 150
Vicentinho Júnior (PP-TO) 149
Marcelo Crivela (Republicanos-RJ) 141
Olival Marques (MDB-PA) 140
Gastos totais
Ruy Carneiro (PSC-PB) 257
João Maia (PL-RN) 247
Maria do Rosário (PT-RS) 242
Capitão Augusto (PL-SP) 227
Dr. Benjamin (União-MA) 226
Zé Trovão (PL-SC) 225
Sílvia Cristina (PL-RO) 222
Giovane Cherine (PL-RS) 221
Rubens Pereira Júnior (PT-MA) 219
Bibo Nunes (PL-RS) 218
Fonte: Câmara dos Deputados

upersalários
Salários de juízes de Goiás estouram teto e vão parar no STF: R$ 177 mil em um mês
Por
Gazeta do Povo


Lei pedida pelo TJ de Goiás e sancionada pelo governador permite que juízes goianos ganhem acima do teto constitucional.| Foto: TJ-GO / CNJ

Uma lei aprovada em março pela Assembleia Legislativa de Goiás e sancionada pelo governador Ronaldo Caiado (União Brasil) elevou os salários dos juízes a mais de R$ 170 mil, de acordo com uma apuração do jornal O Estado de São Paulo publicada nesta segunda (3). O valor é quatro vezes maior do que o limite constitucional de R$ 41,6 mil, que é a remuneração de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os salários dos juízes goianos, aponta, são os maiores entre os tribunais do país e compostos pela remuneração em si e mais uma série de penduricalhos e regras específicas do estado. Os valores foram elevados a partir da lei que teve o projeto proposto pelo presidente do Tribunal de Justiça de Goiás, Carlos Alberto França.

O texto transformou gratificações de cargos e funções comissionadas em verbas indenizatórias que ficam de fora do mecanismo constitucional de “abate-teto”, que inibe o recebimento de “supersalários” na administração pública. Assim, diz o TJ-GO, o estado “cumpre rigorosamente a lei e que todas as suas decisões, judiciais e administrativas, estão publicadas na forma da lei”.

Um levantamento do Estadão com base na folha de pagamento de maio mostra que o juiz de direito Wilson da Silva Dias, por exemplo, recebeu R$ 177,4 mil de salário no mês, já descontados a Previdência e o Imposto de Renda. Além da remuneração de R$ 36,4 mil, Dias recebeu R$ 47 mil de indenizações, R$ 42,8 mil em vantagens e R$ 48,8 mil em gratificações.

Os ganhos do juiz foram maiores que o do próprio presidente do TJ-GO, Carlos Alberto França, que recebeu R$ 149,9 mil de remuneração no mês: R$ 26,6 mil de salário, R$ 30,5 mil de indenizações, R$ 87 mil de vantagens e R$ 20,1 mil de gratificações. Ao todo, aponta a apuração, quase 200 juízes goianos receberam salários acima de R$ 100 mil em maio.

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A elevação dos salários acima do teto constitucional chamou a atenção do procurador-geral da República, Augusto Aras, que ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 15 de maio.

“É inadmissível a elaboração de leis imorais, cujo propósito seja privilegiar alguns poucos indivíduos. […] Benesses dessa natureza, aliás, costumam ter destinatários certos e determináveis, o que, ademais, implica contrariedade ao princípio da impessoalidade”, disse na petição à Corte.

A ação no STF caiu nas mãos do ministro André Mendonça, que determinou na sexta (30) que o governador de Goiás e os presidentes da Assembleia Legislativa e dos tribunais de contas do estado e do município se manifestem até o final desta semana.

Aras questionou cinco leis, sendo duas delas que disciplinam o benefício para os servidores do Executivo e outras três que expandem as regalias para a alta cúpula do TJ-GO, para o Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) e para o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO).

O Estadão aponta, ainda, que os 450 magistrados do TJ-GO ganham, em média, R$ 78,5 mil, sendo a maior de todos os 84 tribunais que já apresentaram dados ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) neste ano.

Na segunda e terceira colocações, estão o Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais (TJM-MG), com uma média de R$ 71 mil líquidos, e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), com R$ 66 mil.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/salarios-juizes-goias-estouram-teto-stf-177-mil-mes/
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GRUPO WAGNER DA RÚSSIA ATUA TAMBÉM NA VENEZUELA

 

Mercenários russos
Proteção a Maduro, treinamento, mineração: como o Grupo Wagner atua na Venezuela

Por
Fábio Galão – Gazeta do Povo


O ditador Nicolás Maduro disse que o motim do Wagner foi uma “traição”, mas o grupo mercenário russo tem um grande histórico de atuação livre dentro da Venezuela| Foto: EFE/Rayner Peña

Após o acordo que pôs fim ao motim do grupo mercenário Wagner na Rússia no último fim de semana, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, elogiou o aliado Vladimir Putin, que, segundo ele, “encarou uma tentativa de guerra civil e um grave episódio de traição”, mas “saiu vitorioso e trouxe paz à Rússia”.

A declaração do ditador chama a atenção porque a Venezuela tem um histórico de presença do Grupo Wagner (que opera também na Ucrânia, Síria, Líbia, Mali, República Centro-Africana e outros países), atendendo a interesses de Maduro.

No início de 2019, fontes da agência Reuters informaram que empresas militares privadas ligadas ao grupo mercenário enviaram combatentes para cuidar da “segurança” do ditador venezuelano, que enfrentava à época protestos por democracia.

Uma dessas fontes informou que cerca de 400 homens, que haviam chegado com escala em Cuba, outra aliada da Rússia, estavam na Venezuela naquele momento. “Nosso pessoal está lá diretamente para sua proteção [de Maduro]”, disse.

Parte desse contingente teria chegado em 2018, quando Maduro conquistou a reeleição presidencial num pleito marcado por denúncias de fraudes.

Outra ajuda que o Grupo Wagner prestou ao ditador foi o treinamento de unidades de combate de elite venezuelanas.

Além disso, no início de 2022, um relatório da empresa privada de inteligência militar Grey Dynamics destacou a participação do Wagner no treinamento de milícias venezuelanas pró-Maduro no estado de Táchira, processo no qual também estiveram envolvidos as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), duas guerrilhas colombianas.

Outro relatório da Grey Dynamics, de 2021, apontou que o Wagner também atuava na Venezuela junto a outros “especialistas” russos para “proteger refinarias de petróleo e oferecer segurança pessoal e para entidades comerciais” da Rússia no país sul-americano. Entre elas, estariam unidades locais da Rosneft, a gigante estatal de petróleo russa.

“É provável que o papel desempenhado pelos especialistas da Rússia, sejam eles do Wagner ou não, tenha sido fundamental para fornecer segurança e diminuir o risco de falência de entidades privadas e estatais russas”, descreveu a Grey Dynamics.

A mineração é outro foco de atenção do grupo mercenário na Venezuela. Ainda de acordo com a Grey Dynamics, a presença de tório no Arco Mineiro do Orinoco atraiu o interesse russo, e o parlamentar venezuelano Americo de Grazia afirmou em janeiro de 2020 que “o governo de Maduro deu ao Irã e à Rússia acesso às minas de tório na Venezuela”.

A Grey Dynamics sugeriu que o Grupo Wagner pode estar fazendo a proteção dos pontos onde a Rússia realiza a extração do metal na Venezuela, mas a milícia tem um histórico de atuar diretamente na extração de riquezas em outros países, como a exploração de ouro no Sudão.

O governo do Reino Unido reforçou posteriormente essa hipótese de envolvimento mais direto.

Em abril do ano passado, Zac Goldsmith, então ministro do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais, reiterou, em resposta a um questionamento no parlamento britânico, a informação de que “mercenários que fazem parte ou são afiliados ao Grupo Wagner realizaram atividades de apoio ao regime de Maduro” na Venezuela, mas não teriam ficado restritos a esse papel.

“A mineração ilegal de ouro na Venezuela envolve graves abusos dos direitos humanos em grande escala e está causando danos ambientais e sociais significativos, especialmente na região do Arco Mineiro [do Orinoco]. As empresas militares privadas russas são apontadas como ativas nesta área”, destacou Goldsmith.

“Traidores” ou não, os mercenários do Wagner parecem muito à vontade como convidados da ditadura venezuelana.


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BRIZOLA E O PDT ERAM A FAVOR DO VOTO IMPRESSO

Comprovante de voto

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Cronograma de Carga e Lacração – preparação da urnas para o 2° turno das Zonas Eleitorais do Paraná – Tags: eleições2018, eleições, voto, sulfrágio, Tribunal, urna eletrônica. Fotos: André Rodrigues


TSE negou anulação das urnas de modelos anteriores ao de 2020.| Foto: André Rodrigues/Arquivo/Gazeta do Povo

Queria destacar uma frase do julgamento de Bolsonaro, uma frase do próprio presidente da Justiça Eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes. Ele disse: “A Justiça Eleitoral, como toda Justiça, é cega, mas não é tola”. Eu fiquei pensando, afinal, o que é uma Justiça que não é tola? Fui procurar o antônimo de tola. Eu tenho um dicionário de antônimos e sinônimos da Língua Portuguesa, escrito pelo Francisco Fernandes, e está lá: tolo, o antônimo de tola é inteligente, é sensata e é esperta. É o que diz o dicionário com o significado da palavra tola.

Uma outra frase que foi proferida lá e que eu queria lembrar foi que “liberdade de expressão não é ataque ao Poder Judiciário”. Ora, então a gente tem que mudar a Constituição – ou ela já foi mudada e a gente ainda não sabe.

O artigo 220 da Constituição Federal diz que lei não conterá nenhuma restrição à liberdade de expressão, sendo vedado qualquer tipo de censura. Então precisa acrescentar “salvo se atacar o Poder Judiciário”. Assim como lá no voto da ministra Carmem Lúcia, que disse que Bolsonaro atacou a Justiça Eleitoral por isso estaria sendo condenado. Ou seja, “ele nos atacou então eu o condeno”, o que é uma coisa que qualquer estudante de Direito vai achar muito estranho, pois seria um revide da própria Justiça ou do juiz. A ministra disse que a reunião com os embaixadores teve caráter eleitoreiro, porque que é óbvio que uma reunião de um político que é candidato a uma eleição tem caráter eleitoreiro. Está implícito, segundo ela.

Orgulho de ser comunista
Outro assunto foi a participação de Lula no Foro de São Paulo. Ele que disse que “querem nos ofender nos chamando de comunistas, mas não sabem que não nos ofende; até temos orgulho disso”. Depois, ele falou também dos valores como patriotismo, família, questões de costumes. Disse que “aqui enfrentamos o discurso da família, dos costumes e do patriotismo. Enfrentamos os discursos que a gente aprendeu historicamente a combater”.

Meu Deus, ele não disse nada disso na campanha eleitoral, omitiu todas essas coisas. No Foro de São Paulo, ele fez uma espécie de catarse, uma confissão, mas não disse para o eleitor brasileiro. O eleitor brasileiro se soubesse disso será que continuaria confirmando seu voto em Lula?

O inquérito da eleição de 2018

E outra coisa estranha foi Bolsonaro quando voltou do velório de Alysson Paolinelli, lá no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. No aeroporto de Brasília, os repórteres foram conversar com ele, que recomendou que a imprensa investigasse um inquérito aberto no Supremo pela ministra Rosa Weber e na Polícia Federal sobre a eleição de Bolsonaro em 2018. E por que esse inquérito parou. Pelo jeito ele sabe o motivo, mas quer que todos saibam também, para que haja transparência sobre porque que esse inquérito não foi divulgado. Ficou uma curiosidade muito grande de saber o que houve.

PDT defendia comprovante
A ironia dessa história do julgamento do Bolsonaro é que quem moveu a ação foi o PDT. E o PDT, acho, foi o primeiro a exigir que o processo eleitoral tivesse um comprovante de voto porque o Brizola já estava curtido com a história da Proconsult, com a contagem informatizada do voto lá no Rio de Janeiro. Se Brizola não põe a boca no mundo, Moreira Franco seria eleito e não ele. Tanto que o PDT apoiou o primeiro projeto em torno disso, que era do Roberto Requião, do MBD, depois ele próprio, o neto do Brizola, Brizola Neto, junto com Flávio Dino, do PCdoB, que hoje é ministro da Justiça, fizeram um projeto que foi sancionado por Fernando Henrique, o projeto do Brizola Neto sancionado por Lula, e depois o projeto de Bolsonaro, vetado por Dilma – o veto foi derrubado por 71% dos votos. Só para mostrar a história sobre isso, pois temos eleição no ano que vem e esse assunto volta a ser atual.

Mas aí eu penso, brincando, que Brizola, nos sonhos do Carlos Lupi, há de voltar à noite para puxar o pé dele — porque Carlos Lupi, do PDT, que moveu essa ação contra a pessoa que defendia o comprovante do voto… Ficou muito estranho.


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APROVAÇÃO DO MARCO TEMPORAL DAS TERRAS INDÍGENAS SERÁ UM ÊRRO IMPEDOÁVEL DO SENADO

 


Deputados europeus e ativistas internacionais pressionam Senado contra o marco temporal
Por
Aline Rechmann – Gazeta do Povo


Ator e ativista Leonardo Di Caprio recentemente posou para fotos com a deputada Célia Xakriabá e a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara| Foto: Reprodução / Twitter @LeoDiCaprio

A pressão internacional sobre pautas legislativas e ações do governo brasileiro têm se intensificado. O mais recente episódio se deu pela votação do projeto de lei que prevê o estabelecimento do marco temporal para a demarcação de terras indígenas no Brasil. Deputados de países como Alemanha e Holanda se manifestaram em cartas ao Senado Federal após a aprovação do projeto na Câmara dos Deputados. Endereçadas ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), as mensagens expressam “preocupação” com a possibilidade de aprovação da medida na Câmara Alta do Poder Legislativo Federal.

A Gazeta do Povo teve acesso à carta dos parlamentares do país europeu direcionada ao Senado em 6 de junho. Nela, nove deputados do Parlamento alemão reforçam a parceria e o interesse na cooperação entre os países. “Estamos altamente empenhados em apoiar e assumir a responsabilidade pelo alcance de nossas metas comuns de proteção ambiental e climática, e aprofundar e fazer cumprir as metas de direitos humanos e indígenas”, diz a carta dos alemães.

Na carta, eles também manifestam “preocupações com impactos ambientais e direitos indígenas de votos e decisões atuais”. No texto, os deputados destacam a cooperação internacional e as parcerias estabelecidas entre o Brasil e a Alemanha, e reforçam seu compromisso com metas de “proteção ambiental e climática”, além de “aprofundar e fazer cumprir as metas de direitos humanos e indígenas”.

Outro ponto destacado na mensagem é o apoio da Alemanha ao combate ao desmatamento. “Sabemos da importância global da preservação do meio ambiente no Brasil”, afirmam os parlamentares. A Alemanha, por meio do banco KfW, é a segunda maior doadora de recursos ao Fundo Amazônia, já tendo aportado anteriormente 54,9 milhões de euros. No início do terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o país anunciou mais uma captação, a terceira doação do banco alemão. De acordo com o BNDES, banco gestor do Fundo, com esse apoio de mais 35 milhões de euros (R$ 194 milhões), o país europeu totalizará cerca de 90 milhões de euros ao Fundo Amazônia.

Além deles, outra deputada alemã que se manifestou sobre o marco temporal foi Anna Cavazzini, vice-presidente da delegação para relações com o Brasil do Parlamento Europeu. Junto de duas das deputadas que assinaram a carta endereçada a Pacheco, Kathrin Henneberger e Deborah Düring, ela gravou um vídeo divulgado em 7 de junho, dia da retomada do julgamento do marco temporal pelo STF.

No vídeo com legendas em alemão e português, as deputadas reforçaram seu posicionamento contra o marco temporal. “Seja no Bundestag [Parlamento Alemão] ou no Parlamento da UE [União Europeia], estamos comprometidos em preservar os direitos à terra dos povos indígenas e lutar contra o desmatamento destrutivo da Amazônia. Façamos um apelo a todos os decisores: Parem com este projeto!”, dizem elas nas publicações.

Recentemente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também anunciou a intenção de doar 20 milhões de euros para o Fundo Amazônia. O montante representa pouco mais de R$ 100 milhões.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, a presidente da Comissão Europeia também relacionou os indígenas à preservação do meio ambiente. “Só posso encorajar todos os atores institucionais no Brasil a trabalharem juntos para proteger a Amazônia, bem como as comunidades indígenas que vivem lá”, que “desempenham papel central na preservação e no uso sustentável da floresta e no desenvolvimento do potencial de superpotência verde do Brasil”, disse von der Leyen.

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Presidente da CPI das ONGs critica pressão internacional contra votação do marco temporal no Senado
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O projeto de lei do marco temporal chegou ao Senado após a aprovação na Câmara dos Deputados, em 1º de junho. Diante da pressão internacional e de parlamentares contrários à proposta, no entanto, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, sinalizou que a tramitação seguirá o rito normal, com “cautela e prudência”. Ou seja, o texto passará pelas comissões antes de ser votado no plenário.

Desde então, os senadores de oposição conseguiram se mobilizar para apresentar um requerimento de urgência, visando a votação mais rápida do projeto. No entanto, não há, até o momento, previsão de votação desse requerimento.

Para o senador Plínio Valério (PSDB-AM), presidente da CPI das ONGs, as cartas de deputados europeus são um “desrespeito total”. “Mostra a prepotência dessa gente que continua insistindo e querendo nos tratar como colônia. Por isso que a gente está pregando que a nossa luta é contra a nação colônia. Eles jamais fariam isso com o Parlamento Europeu. Essa pressão é vergonhosa, é desrespeitosa”.

Além disso, Valério acredita que acatar as intenções dos parlamentares europeus seria vergonhoso para o Senado. “Se depender do meu protesto, ele não vai ceder à pressão. A gente tem que protestar contra isso, dizer que está errado e que a gente não aceita. Daí a necessidade urgente da nossa CPI das ONGs, porque nós vamos mostrar que eles fazem isso já no meio do mato”, disse o senador amazonense.

Embora Pacheco tenha despachado o projeto do marco temporal para análise de duas comissões do Senado, a de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), há senadores que querem que a matéria seja analisada por mais comissões. É o caso do senador Fabiano Contarato (PT-ES). O petista apresentou requerimento para que a proposição tramite também na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e na Comissão de Meio Ambiente (CMA).

Contarato, ao contrário de Valério, concorda com os parlamentares europeus e reforça os argumentos apresentados por eles. “O que as ONGs e os líderes europeus têm falado é o que venho afirmando desde o início do debate e do andamento do projeto de lei do marco temporal: a proposta é uma tentativa de aniquilar os povos indígenas. Muito mais do que a retirada de direitos legítimos, é um ataque aos povos originários, historicamente violentados e expulsos de suas terras”, disse o senador capixaba. O petista destaca ainda a importância de “dar respostas ao mundo” sobre o projeto do marco temporal. “Ao dizer não ao marco temporal, o Brasil demonstrará ao mundo que deixou de retroceder e violentar os povos que são a origem da nossa história”, afirmou.

STF analisa marco temporal
Em paralelo à tramitação no Congresso, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve voltar a julgar em breve o recurso extraordinário com repercussão geral – efeito sobre demais casos semelhantes – sobre o marco temporal, e também tem sido destinatário de cartas e documentos de órgãos internacionais que sugerem direcionamentos para o julgamento.

De acordo com a tese do marco temporal, ficará garantida aos indígenas a posse da terra em que estavam na data da promulgação da Constituição Federal de 1988, seguindo o que diz o artigo 231 da Carta Magna. Em contrapartida, eles não terão direito às terras que ocuparam ou invadiram depois de 5 de outubro de 1988.

O STF havia ratificado essa interpretação em 2009, no julgamento sobre a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol. Naquela oportunidade, a Corte decidiu em favor dos indígenas e contra arrozeiros que chegaram à região nos anos 90 – depois da promulgação da Constituição. Naquele julgamento, o entendimento que prevaleceu foi o de que a data de 5 de outubro de 1988 era crucial para a definição da posse da terra.

Em 7 de junho, o ministro André Mendonça pediu vista – mais tempo para análise – e suspendeu o julgamento no STF. O placar está em: 2 votos contra o marco temporal e 1 a favor. Mendonça tem 90 dias para analisar o tema, após esse período o caso volta automaticamente para a pauta da Corte.

Atores ativistas somam-se ao coro contra o projeto 
Os atores norte-americanos Leonardo Di Caprio e Mark Ruffalo também têm feito pressão contra o marco temporal em suas redes sociais. Utilizando de seu alcance internacional, ambos têm alfinetado o Congresso Nacional e feito pedidos para que seus seguidores apoiem campanhas contra a votação do projeto sobre demarcação de terras indígenas.

Di Caprio recentemente posou para fotos com a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) e a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, às quais havia declarado apoio na luta pela preservação dos territórios e da cultura dos povos indígenas no Brasil. Em uma de suas postagens, o ator disse que o projeto do marco temporal, se aprovado, será “catastrófico para a Amazônia, os povos indígenas que vivem lá e nosso planeta”.

Ele divulgou uma petição do Avazz contra a votação e a consulta pública do Senado sobre o projeto de lei, que tem, até o momento, aproximadamente 17 mil votos. A maioria deles, cerca de 16 mil se posicionando como o ator sugere: contra o marco temporal.

Mark Ruffalo também divulgou o endereço da petição do Avazz em suas redes sociais. Ele usou a hashtag #nomarcotemporal e marcou Sonia Guajajara, Célia Xakriabá, e a primeira-dama, Janja da Silva, entre outras personalidades brasileiras. Ruffalo ainda republicou conteúdo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) com imagens de manifestações contra o marco temporal.

Deputada do PSOL busca apoio internacional contra marco temporal
A ativista e deputada indígena Célia Xakriabá (PSOL-MG) lidera também a petição, divulgada por Di Caprio e Rufallo, que está recolhendo assinaturas contra o marco temporal. A campanha já tem 713 mil assinaturas. É possível observar apoios de pessoas da Holanda, do México, dos Estados Unidos, da Venezuela e da Alemanha, por exemplo. Na apresentação da campanha, Xakriabá faz um apelo a brasileiros e “pessoas de todo o mundo para parar esta lei [do marco temporal]”. “…Nosso Congresso começou a votar um projeto de lei que permitirá que os garimpeiros e madeireiros ilegais invadam nossas florestas e terras sagradas, removendo os direitos dos povos Indígenas, como eu”, escreveu a deputada.

Em maio, durante um seminário promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Célia Xakriabá disse que a demarcação de territórios indígenas é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a principal alternativa para barrar a crise climática. “Negociar nosso território seria o mesmo que negociar nossas vidas. A defesa da terra e da vida não é somente uma pauta progressista, mas também humanitária. É um bem prestado à humanidade. Quem tem território tem lugar para onde voltar. E tem mãe, tem colo, tem cura”, argumentou a deputada indígena.

Célia Xakriabá foi eleita para o seu primeiro mandato nas eleições de 2022 e é a primeira deputada indígena de Minas Gerais. Em pouco mais de quatro meses de mandato, ela tem se dedicado, em especial, à defesa da demarcação de terras indígenas. Ela é a presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Povos Indígenas, grupo que reúne 203 deputados e senadores interessados em defender as pautas de interesse dos povos originários no Congresso Nacional. Além disso, ela é a presidente da recém-criada Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais.

CIDH também faz pressão pelo fim da tese jurídica sobre o tema
Em maio de 2023, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) expressou sua preocupação com a tese jurídica “marco temporal” que, de acordo com a análise de seus membros, “coloca em risco os direitos dos povos indígenas”. A CIDH é o órgão principal e autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), criado em 1959.

De acordo com nota divulgada pela CIDH, a aplicação do marco temporal para demarcação de terras indígenas “contrariaria disposições da Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH) e da Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas”.

A nota cita ainda os projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional. “Da mesma forma, urge o Estado a abster-se de avançar com projetos de lei e interpretações legais que possam gerar riscos para os povos indígenas e tribais, incluindo o Projeto de Lei 490/2007 e outros”, aponta o documento.

“O marco temporal é necessário para garantir segurança jurídica e direitos iguais”, diz presidente da FPA
Já o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), tem se manifestado a favor da aprovação do projeto sobre o marco temporal no Congresso e da validação da tese no julgamento no STF.

“A FPA, grupo de lidero no Congresso Nacional, defende a tese do fato indígena, ou seja, aquelas terras que foram mantidas pelos índios e na qual eles estavam vivendo com suas culturas e seus costumes no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, tem direito sobre a área para demarcação. Não somos contrários aos direitos indígenas, somos favoráveis aos direitos iguais e à segurança jurídica”, afirmou o parlamentar em sua coluna na Gazeta do Povo.

Anteriormente, a FPA já havia reforçado o seu posicionamento de que, se o texto for aprovado no Congresso, vai reafirmar a tese do marco temporal previsto na Constituição e o entendimento do STF com relação às 19 condicionantes para demarcação de terras indígenas. Além disso, para a entidade, dará mais transparência ao processo demarcatório.

Cooperação entre Brasil e Alemanha mira proteção de terras indígenas 
Um projeto de cooperação técnica entre o Brasil e a Alemanha foi tema de reunião entre a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a empresa alemã de consultoria GOPA. A reunião, realizada em fevereiro, contou com a presença da presidente da fundação, Joenia Wapichana. Em matéria publicada no site oficial da Funai, o órgão afirmou que o projeto tem como um de seus principais objetivos “promover a proteção e gestão sustentável de terras indígenas selecionadas na Amazônia”.

A cooperação entre Brasil e Alemanha foi questionada pela deputada federal Caroline De Toni (PL-SC) por meio de um requerimento de informação protocolado em abril. Já em maio, a cooperação também esteve entre os questionamentos feitos à ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, durante audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). “Afinal de contas, por que a Alemanha vai proteger melhor as terras indígenas do que o próprio Brasil? O que a Alemanha ganha com isso? Qual é o interesse deles nas nossas terras indígenas?”, perguntou Caroline De Toni à ministra.

Em resposta, Sonia Guajajara disse apenas se tratar de um projeto de cooperação antigo, parado na gestão anterior e que estava sendo retomado. A presidente da Funai também participava da audiência e pontuou que a “legislação brasileira permite termos de cooperação”. “O termo de cooperação com o KfW [banco de desenvolvimento alemão, Kreditanstalt für Wiederaufbau – Instituto de Crédito para Reconstrução, em tradução literal], já existe desde 2009, mas, desde 2017, está paralisado”. Os detalhes sobre o projeto não foram abordados.


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COMPREENSÃO DA DOENÇA DA DEPRESSÃO

A causa da depressão provavelmente não é o que você está pensando

A depressão costuma ser atribuída aos baixos níveis de serotonina no cérebro. É uma resposta insuficiente, mas estão surgindo alternativas, mudando nossa compreensão da doença

Por Joanna Thompson – Jornal Estadão

Causas da depressão vão muito além da deficiência de serotonina, um importante neurotransmissor com os lendários efeitos de 'bem-estar'
Causas da depressão vão muito além da deficiência de serotonina, um importante neurotransmissor com os lendários efeitos de ‘bem-estar’ Foto: Harol Bustos/Quanta Magazine

QUANTA MAGAZINE – Muitas vezes as pessoas acham que sabem o que causa a depressão crônica. Pesquisas indicam que mais de 80% das pessoas culpam um “desequilíbrio químico” no cérebro. A ideia é difundida na psicologia pop e citada em artigos de pesquisadores e manuais de medicinaListening to Prozac, livro que descreve quanto foi transformador tratar a depressão com medicamentos que visam corrigir esse desequilíbrio, passou meses na lista dos mais vendidos do New York Times.

É real ou imaginado? Como seu cérebro sabe a diferença

A substância química em desequilíbrio no cérebro é a serotonina, um importante neurotransmissor com os lendários efeitos de “bem-estar”. A serotonina ajuda a regular os sistemas cerebrais que controlam tudo, desde a temperatura corporal e o sono até a fome e o desejo sexual. Por décadas, também foi apontada como o remédio infalível para combater a depressão. Medicamentos vastamente prescritos como o Prozac (fluoxetina) são feitos para tratar a depressão crônica aumentando os níveis de serotonina.

No entanto, as causas da depressão vão muito além da deficiência de serotonina. Estudos clínicos concluíram repetidas vezes que o papel da serotonina na depressão tem sido exagerado. De fato, toda a premissa da teoria do desequilíbrio químico pode estar errada, apesar do alívio que o Prozac parece trazer a muitos pacientes.

Uma revisão da literatura que apareceu na Molecular Psychiatry em julho foi a mais recente e talvez a mais grave sentença de morte para a hipótese da serotonina, pelo menos em sua forma mais simples. Uma equipe internacional de cientistas liderada por Joanna Moncrieff, da University College London, revisou 361 artigos de seis áreas de pesquisa e examinou cuidadosamente 17 deles. Não se encontraram evidências convincentes de que níveis mais baixos de serotonina causassem ou estivessem associados à depressão. Pessoas com depressão não pareciam ter menos atividade de serotonina do que pessoas sem o distúrbio.

Experimentos nos quais os pesquisadores reduziram artificialmente os níveis de serotonina de voluntários não chegaram a causar depressão com frequência. Estudos genéticos também parecem descartar qualquer conexão entre os genes que afetam os níveis de serotonina e a depressão, mesmo quando os pesquisadores tentaram considerar o estresse como um possível fator correlato.

“Se você ainda pensa que é simplesmente um desequilíbrio químico da serotonina, é melhor pensar de novo”, disse Taylor Braund, neurocientista clínico e pesquisador de pós-doutorado no Black Dog Institute, na Austrália, que não esteve envolvido no novo estudo. (Black dog, ou seja, “cachorro preto”, era a maneira como Winston Churchill se referia a seus próprios humores sombrios, que alguns historiadores especulam que fosse depressão).

A percepção de que os déficits de serotonina por si só provavelmente não causam depressão deixou os cientistas se perguntando sobre sua verdadeira causa. As evidências sugerem que talvez não haja uma resposta simples. Na verdade, estão levando os pesquisadores neuropsiquiátricos a repensar o que é a depressão.

Tratando a doença errada

O foco na serotonina começou com um medicamento para tuberculose. Na década de 1950, os médicos começaram a prescrever iproniazida, um composto desenvolvido para atacar a bactéria Mycobacterium tuberculosis nos pulmões. A droga não era particularmente boa para o tratamento de infecções por tuberculose – mas presenteava alguns pacientes com um efeito colateral inesperado e agradável. “A função pulmonar e todo o resto não melhoravam muito, mas o humor tendia a melhorar”, disse Gerard Sanacora, psiquiatra clínico e diretor do programa de pesquisa em depressão da Universidade de Yale.

Para avaliar as evidências de que os desequilíbrios da serotonina causam depressão, a pesquisadora psiquiátrica Joanna Moncrieff, da University College London, organizou uma revisão que analisou centenas de artigos em seis áreas de pesquisa.
Para avaliar as evidências de que os desequilíbrios da serotonina causam depressão, a pesquisadora psiquiátrica Joanna Moncrieff, da University College London, organizou uma revisão que analisou centenas de artigos em seis áreas de pesquisa. Foto: Acervo Pessoal

Perplexos com esse resultado, os pesquisadores começaram a estudar como a iproniazida e drogas relacionadas agiam no cérebro de ratos e coelhos. Eles descobriram que as drogas impediam que o corpo dos animais absorvesse compostos chamados aminas – os quais incluem a serotonina, substância química que transmite mensagens entre as células nervosas do cérebro.

Vários psicólogos proeminentes, entre eles os falecidos Alec Coppen e Joseph Schildkraut, agarraram-se à ideia de que a depressão poderia ser causada por uma deficiência crônica de serotonina no cérebro. A hipótese da serotonina passou a informar décadas de desenvolvimento de drogas e pesquisas neurocientíficas. No final dos anos 1980, levou à introdução de medicamentos Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS), como o Prozac. (As drogas aumentam os níveis de atividade da serotonina diminuindo a absorção do neurotransmissor pelos neurônios). Hoje, a hipótese da serotonina ainda é a explicação que se apresenta com mais frequência a pacientes com depressão quando são prescritos ISRSs.

Mas dúvidas sobre o modelo da serotonina já circulavam em meados da década de 1990. Alguns pesquisadores notaram que os ISRSs geralmente ficavam aquém das expectativas e não melhoravam significativamente em relação ao desempenho de medicamentos mais antigos, como o lítio. “Os estudos realmente não batem com a realidade”, disse Moncrieff.

No início dos anos 2000, poucos especialistas acreditavam que a depressão era causada apenas pela falta de serotonina, mas ninguém jamais tentou uma avaliação abrangente das evidências. Isso acabou levando Moncrieff a organizar tal estudo, “para que pudéssemos ter uma perspectiva sobre se essa teoria tinha fundamento ou não”, disse ela.

Ela e seus colegas descobriram que não, mas a hipótese da serotonina ainda tem adeptos. Em outubro do ano passado – apenas alguns meses depois da publicação da revisão –, um artigo publicado online na Biological Psychiatry afirmou oferecer uma validação concreta da teoria da serotonina. Mas outros pesquisadores continuam céticos, porque o estudo analisou apenas 17 voluntários. Moncrieff descartou os resultados, dizendo que são estatisticamente insignificantes.

Um desequilíbrio químico diferente

Embora os níveis de serotonina não pareçam ser o principal causador da depressão, os ISRSs mostram uma melhora modesta em relação aos placebos em ensaios clínicos. Mas o mecanismo por trás dessa melhoria continua escapando à compreensão. “Só porque a aspirina alivia a dor de cabeça, não significa que déficits de aspirina no corpo causam dores de cabeça”, disse John Krystal, neurofarmacologista e diretor do departamento de psiquiatria da Universidade de Yale. “Entender totalmente como os ISRSs produzem mudanças clínicas ainda é um trabalho em andamento”.

A especulação sobre a fonte desse benefício gerou teorias alternativas sobre as origens da depressão.

Apesar do “seletivo” no nome, alguns ISRSs alteram as concentrações relativas de outras substâncias químicas além da serotonina. Alguns psiquiatras clínicos acreditam que um dos outros compostos pode ser a verdadeira força que induz ou alivia a depressão. Por exemplo, os ISRSs aumentam os níveis do aminoácido triptofano, precursor da serotonina que ajuda a regular os ciclos do sono. Nos últimos quinze anos, essa substância química emergiu como forte candidata para combater a depressão. “Existem evidências muito boas de estudos de depleção de triptofano”, disse Michael Browning, psiquiatra clínico da Universidade de Oxford.

John Krystal, presidente do departamento de psiquiatria da Universidade de Yale, chamou o esforço para entender os efeitos clínicos dos medicamentos ISRS de “um trabalho em andamento”.
John Krystal, presidente do departamento de psiquiatria da Universidade de Yale, chamou o esforço para entender os efeitos clínicos dos medicamentos ISRS de “um trabalho em andamento”. Foto: Nicole Mele

Vários estudos de depleção de triptofano descobriram que cerca de dois terços das pessoas que se recuperam de um episódio depressivo têm recaída quando recebem dietas artificialmente baixas em triptofano. Pessoas com histórico familiar de depressão também parecem vulneráveis à depleção de triptofano. E o triptofano tem o efeito secundário de aumentar os níveis de serotonina no cérebro.

Evidências recentes também sugerem que tanto o triptofano quanto a serotonina podem contribuir para a regulação de bactérias e outros micróbios que crescem no intestino, e os sinais químicos dessa microbiota podem afetar o humor. Embora os mecanismos exatos que ligam o cérebro e o intestino ainda sejam pouco compreendidos, a conexão parece influenciar a forma como o cérebro se desenvolve. No entanto, como a maioria dos estudos de depleção de triptofano até agora foram pequenos, o assunto está longe de ser resolvido.

Outros neurotransmissores, como o glutamato, que desempenha um papel essencial na formação da memória, e o GABA, que inibe as células de enviar mensagens umas às outras, também podem estar envolvidos na depressão, de acordo com Browning. É possível que os ISRSs funcionem ajustando as quantidades desses compostos no cérebro.

Moncrieff vê a busca por outros desequilíbrios químicos na raiz da depressão como uma espécie de rebranding, e não como uma linha de pesquisa verdadeiramente nova. “Diria que eles ainda estão subscrevendo algo como a hipótese da serotonina”, disse ela – a ideia de que os antidepressivos funcionam revertendo alguma anormalidade química no cérebro. Em vez disso, ela acha que a serotonina tem efeitos tão generalizados no cérebro que temos dificuldade de separar seu efeito antidepressivo de outras mudanças em nossas emoções ou sensações que se sobrepõem temporariamente aos sentimentos de ansiedade e desespero.

Respostas genéticas

Nem todas as teorias da depressão giram em torno das deficiências de neurotransmissores. Algumas procuram culpados no nível genético.

Quando se anunciou o primeiro rascunho quase completo da sequência do genoma humano em 2003, ele foi recebido por toda parte como a fundação de uma nova era na medicina. Nas duas décadas desde então, os pesquisadores identificaram genes subjacentes a um enorme espectro de distúrbios – entre eles, cerca de duzentos genes que foram associados ao risco de depressão. (Identificaram-se várias centenas de outros genes como possíveis intensificadores do risco).

“É muito importante que as pessoas entendam que existe uma genética da depressão”, disse Krystal. “Até muito recentemente, só considerávamos fatores psicológicos e ambientais”.

Mas nosso conhecimento da genética é incompleto. Krystal observou que estudos com gêmeos sugerem que a genética pode ser responsável por 40% do risco de depressão. No entanto, os genes identificados atualmente parecem explicar apenas cerca de 5%.

Além disso, simplesmente ter os genes para depressão não garante necessariamente que a pessoa ficará deprimida. Os genes também precisam ser ativados de alguma forma, por condições internas ou externas.

“Às vezes, fazemos uma falsa distinção entre fatores ambientais e fatores genéticos”, disse Srijan Sen, neurocientista da Universidade de Michigan. “Para as características de interesse mais comuns, os fatores genéticos e ambientais desempenham um papel crucial”.

O laboratório de Sen estuda a base genética da depressão mapeando os genomas dos indivíduos e observando cuidadosamente como pessoas com diferentes perfis genéticos respondem a mudanças no ambiente. (Recentemente, eles analisaram o estresse causado pela pandemia de covid-19). Diferentes variações genéticas podem afetar se os indivíduos respondem a certos tipos de estresse, como privação de sono, abuso físico ou emocional e falta de contato social, ficando deprimidos.

Pesquisas sugerem que, no cérebro de pessoas com depressão crônica, as áreas de “substância branca” ricas em fibras nervosas têm menos conexões. A causa dessa diferença é incerta, no entanto.
Pesquisas sugerem que, no cérebro de pessoas com depressão crônica, as áreas de “substância branca” ricas em fibras nervosas têm menos conexões. A causa dessa diferença é incerta, no entanto. Foto: Ralph T. Hutchins/Science Sourc

Às vezes, influências ambientais, como o estresse, também podem dar origem a mudanças “epigenéticas” que afetam a expressão gênica subsequente. Por exemplo, o laboratório de Sen estuda mudanças epigenéticas nas extremidades dos cromossomos, conhecidas como telômeros, que afetam a divisão celular. Outros laboratórios analisam mudanças em marcadores químicos chamados grupos de metilação, que podem ativar ou desativar genes. Às vezes, as mudanças epigenéticas podem até ser transmitidas de geração a geração. “Os efeitos do ambiente são tão biológicos quanto os efeitos dos genes”, disse Sen. “Só a fonte é diferente”.

Os estudos desses genes um dia poderão ajudar a identificar a forma de tratamento a que um paciente responderia melhor. Alguns genes podem predispor um indivíduo a melhores resultados com terapia cognitivo-comportamental, enquanto outros pacientes podem se sair melhor com um ISRSs ou cetamina terapêutica. Mas é muito cedo para dizer quais genes respondem a qual tratamento, disse Sen.

Um produto da fiação neural

Diferenças nos genes de uma pessoa podem predispô-la à depressão; o mesmo acontece com as diferenças na fiação neural e na estrutura de seu cérebro. Vários estudos mostraram que os indivíduos diferem em como seus neurônios se interconectam para formar vias funcionais e que essas vias influenciam a saúde mental.

Jonathan Repple e Susanne Meinert, da Goethe University, e seus colegas estão explorando por que pessoas com depressão crônica têm menos conexões em seus cérebros. Possíveis explicações incluem neuroplasticidade e inflamação.
Jonathan Repple e Susanne Meinert, da Goethe University, e seus colegas estão explorando por que pessoas com depressão crônica têm menos conexões em seus cérebros. Possíveis explicações incluem neuroplasticidade e inflamação. Foto: Roberto Schirdewahn/WWU/R

Em uma conferência recente, a equipe liderada por Jonathan Repple, pesquisador em psiquiatria da Universidade Goethe em Frankfurt, na Alemanha, descreveu como escaneou o cérebro de voluntários com depressão aguda e descobriu que eles diferiam estruturalmente daqueles de um grupo de controle não deprimido. Por exemplo, pessoas com depressão mostraram menos conexões dentro da “substância branca” das fibras nervosas de seus cérebros. (No entanto, Repple observa que não é possível diagnosticar depressão examinando o cérebro de alguém).

Depois que o grupo deprimido passou por seis semanas de tratamento, a equipe de Repple fez outra rodada de exames cerebrais. Desta vez, descobriram que o nível geral de conectividade neural no cérebro dos pacientes deprimidos aumentara à medida que seus sintomas diminuíram. Não parecia importar que tipo de tratamento os pacientes recebiam.

Uma possível explicação para essa alteração é o fenômeno da neuroplasticidade. “Neuroplasticidade significa que o cérebro realmente é capaz de criar novas conexões, mudar sua fiação”, disse Repple. Se a depressão ocorre quando o cérebro tem poucas interconexões ou perde algumas, então aproveitar os efeitos neuroplásticos para aumentar a interconexão pode melhorar o humor da pessoa.

Inflamação crônica

Repple adverte, no entanto, que também é possível encontrar outra explicação para os efeitos observados por sua equipe: talvez as conexões cerebrais dos pacientes deprimidos tenham sido prejudicadas por inflamação. A inflamação crônica impede a capacidade de cura do corpo e, no tecido neural, pode degradar aos poucos as conexões sinápticas. Acredita-se que a perda de tais conexões contribua para os transtornos de humor.

Boas evidências apoiam essa teoria. Quando os psiquiatras avaliaram populações de pacientes com doenças inflamatórias crônicas como lúpus e artrite reumatoide, descobriram que “todos eles têm taxas de depressão acima da média”, disse Charles Nemeroff, neuropsiquiatra da Universidade do Texas, em Austin. É claro que saber que eles têm uma condição degenerativa incurável pode contribuir para os sentimentos de depressão, mas os pesquisadores suspeitam que a própria inflamação também seja um fator.

Charles Nemeroff, neuropsiquiatra da Universidade do Texas, em Austin, acredita que, no futuro, os tratamentos para depressão serão adaptados a pacientes individuais por meio de uma compreensão mais sutil de seus fatores de risco.
Charles Nemeroff, neuropsiquiatra da Universidade do Texas, em Austin, acredita que, no futuro, os tratamentos para depressão serão adaptados a pacientes individuais por meio de uma compreensão mais sutil de seus fatores de risco. Foto: UT Austin Health

Pesquisadores descobriram que induzir inflamação em certos pacientes pode desencadear depressão. O interferon alfa, que às vezes é usado para tratar hepatite C crônica e outras doenças, causa uma grande resposta inflamatória em todo o corpo, inundando o sistema imunológico com proteínas conhecidas como citocinas – moléculas que facilitam reações que variam de leve inchaço a choque séptico. O influxo repentino de citocinas inflamatórias leva à perda de apetite, fadiga e desaceleração da atividade mental e física – todos sintomas de depressão séria. Os pacientes que tomam interferon geralmente relatam se sentir repentinamente – às vezes gravemente – deprimidos.

Se uma inflamação crônica negligencia pode causar depressão, os pesquisadores ainda precisam determinar a fonte dessa inflamação. Distúrbios autoimunes, infecções bacterianas, alto estresse e certos vírus, incluindo o vírus que causa a covid-19, podem induzir respostas inflamatórias persistentes. A inflamação viral pode se estender diretamente aos tecidos do cérebro. A elaboração de um tratamento anti-inflamatório eficaz para a depressão vai depender de saber qual dessas causas está em ação.

Também não está claro se simplesmente tratar a inflamação será o bastante para aliviar a depressão. Os médicos ainda estão tentando analisar se a depressão causa inflamação ou se é a inflamação que leva à depressão. “É um tipo de fenômeno do ovo e da galinha”, disse Nemeroff.

A teoria do guarda-chuva

Cada vez mais, alguns cientistas estão tentando reformular a “depressão” como termo guarda-chuva para um conjunto de problemas relacionados, assim como os oncologistas agora pensam em “câncer” como uma legião de malignidades distintas, mas semelhantes. E assim como cada câncer precisa ser prevenido ou tratado de maneira relevante para sua origem, os tratamentos para depressão talvez precisem ser adaptados a cada indivíduo.

Os diferentes tipos de depressão podem apresentar sintomas semelhantes – como fadiga, apatia, alterações no apetite, pensamentos suicidas e insônia ou sono excessivo – mas talvez surjam de misturas completamente diferentes de fatores ambientais e biológicos. Desequilíbrios químicos, genes, estrutura cerebral e inflamação talvez tenham graus variados de atuação. “Daqui a cinco ou dez anos, não vamos falar de depressão como uma coisa unitária”, disse Sen.

Então, para tratar a depressão de forma eficaz, os pesquisadores talvez precisem desenvolver uma nova compreensão das maneiras pelas quais ela pode surgir. Nemeroff espera que um dia o padrão-ouro para o cuidado não seja apenas um tratamento – mas, sim, um conjunto de ferramentas de diagnóstico que possam determinar a melhor abordagem terapêutica para a depressão de determinado paciente, seja terapia cognitivo-comportamental, mudanças no estilo de vida, neuromodulação, bloqueio de gatilhos genéticos, medicação ou alguma mistura de tudo isso.

Essa previsão pode frustrar alguns médicos e desenvolvedores de medicamentos, pois é muito mais fácil prescrever uma solução única para todo mundo. Mas “estudar a verdadeira e real complexidade da depressão nos leva a um caminho que será mais impactante”, disse Krystal. No passado, disse ele, os psiquiatras clínicos eram como exploradores que desembarcavam em uma ilha desconhecida, montavam acampamento e ficavam confortáveis. “Mas aí descobrimos que a ilha na verdade é um enorme continente”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

História original republicada com permissão da Quanta Magazine, uma publicação editorialmente independente apoiada pela Simons Foundation. Leia o conteúdo original em The Cause of Depression Is Probably Not What You Think.

 

CRESCIMENTO DAS ORGANIZAÇÕES A LONGO PRAZO

 

Orlando Ovigli, VP de Digital Solutions da FCamara

Em um cenário econômico desafiador para as empresas, é preciso contar com ajuda de evoluções estratégias para impulsionar o crescimento, pensando em estratégias holísticas que ajudam as organizações a se manterem no mercado competitivo.

Uma pesquisa realizada pela Harvard Business School revela que 84% dos executivos entrevistados concordam que novas oportunidades estão emergindo à medida que sua organização se transforma digitalmente, mas a mudança de cultura organizacional é o maior empecilho para 63% dos respondentes. E é esse conceito que Business Transformation emerge como pilar fundamental para superar obstáculos e alcançar resultados sólidos.

Desafios de um ano incerto: como a evolução estratégica pode impulsionar o crescimento das organizações

Em um período desafiador, empresas implementam estratégias holísticas para se manterem competitivas, adaptáveis e em constante crescimento

Diante das transformações econômicas e tecnológicas, as empresas se deparam com a necessidade de tomar decisões estratégicas para mitigar os impactos negativos e assegurar a sustentabilidade do crescimento a longo prazo. Uma pesquisa realizada pela Harvard Business School revela que 84% dos executivos entrevistados concordam que novas oportunidades estão emergindo à medida que sua organização se transforma digitalmente, mas a mudança de cultura organizacional é o maior empecilho para 63% dos respondentes.

É nesse contexto desafiador que os conceitos de melhoria contínua, business transformation e jornada de inovação emergem como pilares fundamentais para superar obstáculos e alcançar resultados sólidos. Embora, teoricamente, esses conceitos possam parecer distintos, na prática fica evidente que estão intrinsecamente interligados, formando uma base sólida para a adaptação e crescimento regular.

“A partir desses três pilares fundamentais, surge a Evolução Estratégica, uma abordagem holística e abrangente que permite às organizações se ajustarem de forma ágil às mudanças. Elas se tornam capazes de progredir em direção a uma transformação constante, envolvendo a capacidade de identificar oportunidades disruptivas e investir em tecnologias e processos inovadores, se preparando para os desafios e, consequentemente, prosperando em um ambiente de transformação”, destaca Orlando Ovigli, VP de Digital Solutions da FCamara, ecossistema de tecnologia e inovação que potencializa o futuro de negócios.

A implementação dos três métodos resulta no sucesso dos negócios, além de gerar sustentabilidade para a companhia. A seguir, o executivo discorre sobre os pilares que constituem essa Evolução Estratégica.

1) Melhoria Contínua

A melhoria contínua desempenha um papel fundamental no aumento da eficiência operacional das organizações. Ao adotar uma mentalidade de aperfeiçoamento diário, as empresas podem identificar oportunidades de desenvolvimento e implementar mudanças graduais para eliminar desperdícios, reduzir falhas e impulsionar a produtividade.

“Como pilar principal deste conceito, a busca pela agilidade e flexibilidade permite que as instituições se adaptem rapidamente às mudanças do ambiente, analisem continuamente os processos e identifiquem gargalos para promover melhorias. Como consequência, passam a fortalecer sua capacidade de resposta às demandas”, pontua Orlando.

2) Business Transformation

O conceito de business transformation envolve uma abrangente e estratégica mudança na organização, com o objetivo de reinventar seu modelo de negócio, cultura e forma de operar. Ele permite atender demandas do mercado em movimento, garantindo a relevância e o sucesso no longo prazo.

“Essa transformação dos negócios geralmente é uma resposta a mudanças disruptivas no mercado, avanços tecnológicos, preferências dos clientes ou outros fatores que demandam uma adaptação fundamental. Além disso, ela abarca a reestruturação de processos, a mudança de mentalidade e a reinvenção da companhia como um todo”, complementa Ovigli.

3) Jornada de Inovação

A chamada Jornada de Inovação é um processo estruturado no qual uma organização busca explorar novas ideias, conceitos e tecnologias para impulsionar a inovação em seus produtos, serviços ou processos internos, promovendo a criatividade, experimentação e implementação de soluções inovadoras para enfrentar desafios e buscar oportunidades de crescimento.

Com isso, se diferenciam da concorrência e conquistam vantagens competitivas, além de se conectarem de forma mais significativa com seus clientes.

No fim, são as pessoas

Para Orlando, no entanto, nada disso pode ser alcançado sem o envolvimento e capacitação dos colaboradores. “Ao fornecer às equipes ferramentas e conhecimento necessários, as empresas passam a promover um ambiente colaborativo, criando uma base para a disseminação de uma nova cultura de inovação que impulsiona resultados de sucesso a longo prazo. Em vez de a mudança de cultura se tornar um obstáculo, como muitos executivos apontaram na pesquisa a Harvard, é justamente ela que alavanca a expansão”, conclui o executivo.

Marketplaces em alta: o sucesso no mercado

Tiago Sanches, gerente comercial da Total IP

Certas estratégias são cruciais para alavancar as vendas e isso começa com o primeiro contato

Marketplaces são uma tendência no e-commerce. Isso porque, os benefícios existem tanto para quem tem seu próprio ambiente, quanto para os sellers, os quais vendem nas plataformas de outros empreendedores. Entretanto, apesar dessa alta, é fundamental as organizações se prepararem da melhor forma para receberem seus grupos alvo, independentemente da época do ano. Isso inclui uma elaboração iniciada pelo atendimento.

O que são marketplaces e qual a sua realidade no mercado?

Esse conceito se remete a uma noção mais coletiva de vendas on-line. Nessa plataforma, diferentes lojas podem anunciar seus artigos, dando ao cliente um leque de opções. Desse jeito, trata-se de uma rede cujos vendedores podem fazer suas ofertas dentro da mesma página. Ou seja, é como um shopping center virtual cujos visitantes têm acesso a vários estabelecimentos. Sites como Mercado Livre, Magalu, Americanas, Amazon e a Valeon são ótimos exemplos, inclusive, de acordo com o último relatório Webshoppers, 84% dos empreendedores brasileiros possuem canais ativos em ambientes como esses.

Conforme a ChannelAdvisor, na China, esse tipo de comércio já representa 90% do faturamento do varejo on-line e, nos EUA, 33%. Já no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o crescimento do setor em 2021 foi de 19%.

Principalmente em temporadas de forte atividade, como o Natal, Dia dos Namorados, das Mães e dos Pais, as movimentações tendem a ser significativas. O Dia do Consumidor, por exemplo, em 2022, chegou a um faturamento de R$ 722 milhões, com elevação de 22% em comparação a 2021, de acordo com dados da Neotrust. Contudo, para, de fato, chamar a atenção dos fregueses, apenas preços atrativos e propagandas não são o suficiente, é preciso oferecer uma experiência completa. “Para deixar uma marca positiva é necessário garantir um primeiro contato excelente, indo até o pós-venda. Os responsáveis por esse tipo de negócio tendem a pensar só no produto final entregue, mas toda interação importa”, explica Tiago Sanches, gerente comercial da Total IP.

Um destaque em meio à concorrência é fundamental

Ciente de como apenas qualidade final não é o suficiente, diversos quesitos tendem a ajudar uma empresa a se destacar em meio a tanta concorrência. Logo, diferentes fatores influenciam a posição ocupada nas buscas, seja preço, custo do frete, avaliações, etc. Além disso, é imprescindível identificar como chamar a atenção em detrimento de sellers ocupando o mesmo espaço. Nesse contexto, conhecimento nunca é demais para descobrir como planejar condições visando se sobressair.

Outra questão importante diz respeito aos parceiros mantidos por perto e a estrutura do negócio em geral. Para a quantidade de vendas alcançadas por um programa como esse, investir na atração de indivíduos para promover suas corporações lá dentro, diversificando e ampliando o portfólio torna tudo mais robusto. Além disso, deve haver uma atenção especial à otimização das operações.

Todavia, de nada adianta tomar cuidado com tudo isso e não promover uma boa gestão operacional. Dentre diversos benefícios, a transformação de um e-commerce em um marketplace proporciona ganho de escala das demandas. A partir desse ponto é crucial redobrar a cautela com estratégias adotadas no local omnichannel. Uma administração eficiente é o meio para a criação de modelos de vivência da persona para ela ter uma boa prática nessa aquisição. “Hoje em dia, uma pessoa transita por diferentes pontos de contato. É relevante, então, conseguir alcançar o preciso da melhor forma e naquele momento, assim, há grandes chances de fidelizar”, comenta o especialista.

Dicas para se sair bem no mercado

Antes de tudo é sempre interessante se colocar no lugar dos frequentadores, pois, somente conhecendo bem eles é viável proporcionar oportunidades e elementos favoráveis. Em circunstâncias assim, um bom levantamento de dados para analisar as dores e as necessidades é uma excelente alternativa, tendo em vista como, por meio dessas informações, é fácil identificar qual a busca e como agradar.

No entanto, o ditado é real e, de fato, a primeira impressão fica. Logo, a assistência inicial desse sujeito deve ser levada em consideração de forma primordial. Como anda o seu atendimento? Quais as abordagens utilizadas para lidar com esses interessados? Independentemente de qual seja, a Startup Valeon consegue auxiliar, incrementar e melhorar qualquer estratégia de forma inovadora.

A tecnologia de robôs tem sido cada vez mais utilizada em diversas esferas do cotidiano da população. No geral, essa indústria está em crescimento, de acordo com a VDMA (Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas e Instalações Industriais), as vendas do setor aumentaram em 13% em 2022. Nos primeiros quatro meses, os pedidos recebidos foram elevados em 38%, também em relação ao ano anterior, na Alemanha.

Em todo o mundo, já existem mais de três milhões deles operando em fábricas e pelo menos US$ 13,2 bilhões foram gastos nos últimos anos em novas instalações utilizando esse tipo de modernização. Pelo menos 76% desses investimentos foram feitos por cinco países: China, Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul e Alemanha. As indústrias automotiva, elétrica, eletrônica e metálica se destacam nesse uso em seus parques industriais. Porém, no caso do apoio ao consumidor esse artifício também não poderia ficar de fora. Com a Startup Valeon isso é possível para todos os âmbitos. “Nós enxergamos essa assistência como parte do processo de conquista e a colocamos como um pilar principal para os nossos usuários.

Dessa maneira, a firma oferece serviços baseados na aprimoração desse suporte para as companhias parceiras, seja com os tão comentados robôs, responsáveis por atender chamadas e responder mensagens automaticamente, ou com outras ferramentas. Ao todo, há uma flexibilidade sem igual para atender a todo tipo de instituição, com humanos, chat, voz, redes sociais e WhatsApp, o propósito é aumentar os resultados e promover atualização constante.

O que é marketplace e por que investir nessa plataforma

ÚnicaPropaganda e Moysés Peruhype Carlech

Milhares de internautas utilizam o marketplace diariamente para fazer compras virtuais. Mas muitos ainda desconhecem seu conceito e como ele funciona na compra e venda de produtos.

Afinal, o que é marketplace?

O marketplace é um modelo de negócio online que pode ter seu funcionamento comparado ao de um shopping center.

Ao entrar em um shopping com a intenção de comprar um produto específico, você encontra dezenas de lojas, o que lhe permite pesquisar as opções e os preços disponibilizados por cada uma delas. Além de comprar o que você planejou inicialmente, também é possível consumir outros produtos, de diferentes lojas, marcas e segmentos.

Leve isso ao mundo virtual e você entenderá o conceito de marketplace: um lugar que reúne produtos de diversas lojas, marcas e segmentos. A diferença é que no ambiente virtual é mais fácil buscar produtos, e existe a facilidade de comprar todos eles com um pagamento unificado.

Os principais marketplaces do Brasil

A Amazon foi a primeira a popularizar esse modelo de negócio pelo mundo, e até hoje é a maior referência no assunto

No Brasil, o marketplace teve início em 2012. Quem tornou a plataforma mais conhecida foi a CNova, responsável pelas operações digitais da Casas Bahia, Extra, Ponto Frio, entre outras lojas.

Hoje, alguns nomes conhecidos no marketplace B2C são: Americanas, Magazine Luiza, Netshoes, Shoptime, Submarino e Walmart. No modelo C2C, estão nomes como Mercado Livre e OLX. Conheça os resultados de algumas dessas e de outras lojas no comércio eletrônico brasileiro.

Aqui no Vale do Aço temos o marketplace da Startup Valeon que é uma Plataforma Comercial de divulgação de Empresas, Serviços e Profissionais Liberais que surgiu para revolucionar o comércio do Vale do Aço através de sua divulgação online.

Como escolher o marketplace ideal para sua loja

Para ingressar em um marketplace, é preciso cadastrar sua loja, definir os produtos que serão vendidos e iniciar a divulgação. Mas é fundamental levar em consideração alguns pontos importantes antes de decidir onde incluir sua marca:

Forma de cobrança: cada marketplace possui seu modelo de comissão sobre as vendas realizadas, que pode variar de 9,5% a 30%. O que determina isso é a menor ou maior visibilidade que o fornecedor atribuirá a seus produtos. Ou seja, o lojista que quer obter mais anúncios para seus produtos e as melhores posições em pesquisas pagará uma comissão maior.

Na Startup Valeon não cobramos comissão e sim uma pequena mensalidade para a divulgação de seus anúncios.

Público-alvo: ao definir onde cadastrar sua loja, é essencial identificar em quais marketplaces o seu público está mais presente.

Garantimos que na Valeon seu público alvo estará presente.

Concorrentes: avalie também quais são as lojas do mesmo segmento que já fazem parte da plataforma e se os seus produtos têm potencial para competir com os ofertados por elas.

Felizmente não temos concorrentes e disponibilizamos para você cliente e consumidores o melhor marketplace que possa existir.

Reputação: para um marketplace obter tráfego e melhorar seus resultados em vendas precisa contar com parceiros que cumpram suas promessas e atendam aos compradores conforme o esperado. Atrasos na entrega, produtos com qualidade inferior à prometida e atendimento ineficiente são fatores que afastam os usuários que costumam comprar naquele ambiente virtual. Ao ingressar em um marketplace, certifique-se de que a sua loja irá contribuir com a boa reputação da plataforma e pesquise as opiniões de compradores referentes às outras lojas já cadastradas.

Temos uma ótima reputação junto ao mercado e consumidores devido a seriedade que conduzimos o nosso negócio.

Vantagens do marketplace

A plataforma da Valeon oferece vantagens para todos os envolvidos no comércio eletrônico. Confira abaixo algumas delas.

Para o consumidor

Encontrar produtos de diversos segmentos e preços competitivos em um único ambiente;

Efetuar o pagamento pelos produtos de diferentes lojistas em uma única transação.

Para o lojista

Ingressar em um comércio eletrônico bem visitado e com credibilidade, o que eleva a visibilidade de seus produtos;

Fazer parte de uma estrutura completa de atendimento e operação de vendas com um menor investimento, considerando que não será necessário pagar um custo fixo básico, como aconteceria no caso de investir na abertura de uma loja física ou online.

Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:

• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;

• Atraímos visualmente mais clientes;

• Somos mais dinâmicos;

• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;

• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;

• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.

• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as suas vendas.

Para o Marketplace

Dispor de uma ampla variedade de produtos em sua vitrine virtual, atraindo ainda mais visitantes;

Conquistar credibilidade ao ser reconhecido como um e-commerce que reúne os produtos que os consumidores buscam, o que contribui até mesmo para fidelizar clientes.

Temos nos dedicado com muito afinco em melhorar e proporcionar aos que visitam o Site uma boa avaliação do nosso canal procurando captar e entender o comportamento dos consumidores o que nos ajuda a incrementar as melhorias e campanhas de marketing que realizamos.

domingo, 2 de julho de 2023

6 MESES DESASTROSOS DO GOVERNO LULA 3

 

Terceiro mandato
Derrotas no Congresso, ataques ao agro e diplomacia desastrada marcam os 6 meses de Lula 3
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo

Por
Tatiana Azevedo – Gazeta do Povo
e

Por
Luis Kawaguti – Gazeta do Povo
Brasília


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante Foro de São Paulo| Foto: EFE/ Andre Borges

Os seis primeiros meses do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se revelaram um atoleiro político. Mesmo após distribuir R$ 5,3 bilhões em emendas para deputados, o governo sofreu derrotas e tem na Câmara o principal entrave para seus projetos estratégicos. Lula também tratou empresários do agronegócio como “fascistas”, desapontou os evangélicos e desgastou a imagem do Brasil no Ocidente ao apoiar a Rússia e relativizar a invasão da Ucrânia.

Principal gargalo de Lula, a relação com a Câmara foi alvo de diversos atritos nesses seis primeiros meses de governo. Sem apoio da maioria dos deputados, o Executivo se viu derrotado em diversas matérias, como a derrubada do decreto do marco do saneamento e a retirada de pauta do Projeto de Lei das Fake News, por exemplo.

Além disso, Lula se viu obrigado a ampliar as liberações de emendas parlamentares para que a Medida Provisória que reestruturou a Esplanada dos Ministérios não perdesse a validade.

O líder da oposição na Câmara, deputado Carlos Jordy (PL-RJ) afirma que Lula não tem base no governo para aprovar projetos. Segundo ele, apenas 136 parlamentares se mantêm fiéis ao presidente, e por isso ele “busca a todo momento comprar apoio, votos, numa reedição do Mensalão através do orçamento secreto”.

Na avaliação de Jordy, Lula governou por meio de Medidas Provisórias e decretos, e os projetos seriam muito ruins, em sua opinião. “Mesmo assim, ele [governo] tem dificuldade de aprovar, porque não tem articulação política”.

O governo reconhece a dificuldade, mas diz que o cenário será revertido no próximo semestre.

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“Eu vivi o maior drama como articulador político do governo com a medida provisória da reestruturação dos ministérios. Parecia que o teto do plenário [da Câmara] Ulysses Guimarães ia cair sobre a nossa cabeça, porque foi grave. Houve uma tensão de grandes proporções. Imagina se essa medida provisória não tivesse sido aprovada? O caos que estaria que estaria o governo”, disse o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE).

Presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL), foi o responsável pelos principais recados ao presidente Lula de que o governo poderia sofrer ainda mais derrotas na Casa diante do perfil mais conservador e liberal dos deputados. Após os embates, Lula resolveu entrar na articulação política do governo e ampliar o espaço para deputados do centrão no intuito de consolidar uma base de apoio.

Nessa estratégia, além de rifar a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, para abrigar o deputado Celso Sabino (União-PA), no intuito de ampliar o apoio dentro do União Brasil, Lula pretende se reunir quinzenalmente com os líderes do Congresso. De acordo com o líder do governo, até o fim do ano, a administração petista vai ter uma relação “azeitada” com a Câmara.

“O ministro [Alexandre] Padilha [das Relações Institucionais] é quem tem a responsabilidade de comandar articulação pública do governo nas duas Casas. Mas é bom o presidente estar próximo dos líderes. Enfim, eu acho que é uma mudança muito substantiva o que aconteceu nesse semestre. Nós queremos aprimorar na relação do Executivo com a Câmara”, afirmou Guimarães.

Nova configuração de blocos partidários deve impedir Lula de impor sua agenda pessoal

O fato do Congresso estar dividido é outra barreira para o petista, segundo o cientista político Adriano Cerqueira, da Universidade Federal de Ouro Preto. Segundo ele, isso ficou claro logo no início do primeiro semestre, com a formação dos blocos partidários na Câmara.

Cerqueira diz que os blocos são fruto de uma reestruturação partidária que está em curso desde a eleição de Bolsonaro, e que ficou mais evidente na composição do novo Congresso.

“Partidos que até então eram muito fortes e formavam a agenda no Congresso, como PSDB, MDB e até o PT perderam força, perderam composição de bancada majoritária; e aqueles outros partidos pequenos, medianos, que formavam bloco de apoio ao governo de plantão – que a gente tem chamado de Centrão – muitos desses parlamentares agora fazem parte de partidos fortes, que definem a agenda do Congresso, como Republicanos, PP e PL”, explica.

Na análise de Cerqueira, “PP e PL estão disputando claramente o poder na Câmara. Foi iniciado esse processo de grandes blocos, um deles beneficiando mais o Arthur Lira (PP), e o União Brasil, que é o chamado super bloco, com mais de 170 deputados, e que garante a Lira o poder de articulação política dentro da Câmara dos Deputados”.

O outro bloco, com cerca de 140 deputados, em torno do Republicanos, disputa influência na Câmara; além do PL, com 99 parlamentares.

“Esse cenário, conservador e de direita, explica a dificuldade do Lula de definir a agenda de votações e a agenda temática no Congresso Nacional. Fica claro que o Lula quer usar esse terceiro mandato para impor a sua agenda pessoal, e ele tem um perfil de esquerda. Só que a Câmara já deixou claro que não vai permitir isso, e que tem sua própria agenda”, completa Adriano Cerqueira.

Lula tenta mitigar desgaste após chamar agronegócio de fascista 
Outro ponto de crise para Lula nesses seis primeiros meses de governo veio por parte do setor do agronegócio, que majoritariamente apoiou o governo do ex-presidente Bolsonaro. O principal embate ocorreu quando ministros do Executivo ameaçaram cortar o patrocínio do Banco do Brasil à Agrishow, maior feira agrícola da América Latina, o que não ocorreu.

Neste episódio, Lula se referiu aos organizadores da Agrishow como “alguns fascistas, alguns negacionistas”. Além disso, a crise com o agronegócio foi ampliada depois que Lula e demais integrantes do governo não só se mantiveram em silêncio diante das invasões de propriedades privadas por parte do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) como agraciaram suas lideranças com cargos públicos estratégicos.

A crise acabou resultando na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pela Câmara dos Deputados.

Para tentar mitigar a resistência do setor ao governo, Lula passou a fazer diversas sinalizações numa estratégia de aproximação. Recentemente, cobrou que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) trabalhe para se antecipar às invasões. Além disso, Lula disse que, para reduzir invasões, o governo fará ”prateleira de terras improdutivas” para assentamentos.

Vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), avaliou positivamente os acenos do petista. “Acho que a declaração do Lula de que não se precisa invadir terras no Brasil e que esse é um governo que trabalha pelo desenvolvimento do agro foram muito importantes. Achei que ambas as declarações foram muito oportunas e um bom sinal para uma boa convivência do setor com o governo”, afirmou.

Desaprovação do governo cresceu entre os evangélicos 
A aprovação do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seis meses de governo está estagnada na margem de votos válidos recebidos na eleição de 2022, de acordo com dados da pesquisa PoderData divulgada nesta quinta (29).

O levantamento aponta que 51% dos brasileiros aprovam o presidente, apenas 0,1% acima da quantidade de votos válidos recebidos no segundo turno da eleição presidencial, de 50,9%.

O descontentamento com Lula é maior no segmento evangélico, onde sua desaprovação começou com 56% em janeiro, subiu para 60% em abril e, agora, está em 62%. Neste grupo, o atual presidente é aprovado por apenas 34% dos eleitores. A pesquisa foi realizada entre os dias 23 e 25 de junho, com 2,5 mil eleitores.

No início de junho, o presidente Lula foi vaiado ao ser citado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, durante a Marcha para Jesus, um dos maiores eventos para o público evangélico do país. O petista foi convidado a comparecer ao evento, mas recusou ao convite.

Ainda durante o governo de transição, foi articulada a criação de uma secretaria para os evangélicos no Planalto, destinada a assessorar Lula no trato com o grupo. O órgão seria chefiado pelo pastor Paulo Marcelo Schallenberger, mas sua criação não ocorreu. Tampouco Lula incluiu lideranças evangélicas no “Conselhão”, composto por empresários, sociedade civil e movimentos sociais, inclusive o MST.

Ao apoiar a Rússia, Lula perdeu a chance de ser protagonista no cenário internacional
Em apenas seis meses de mandato, Lula ficou mais de 30 dias no exterior. Nesse período proferiu incontáveis declarações desastradas, que mostraram seu profundo desconhecimento do cenário internacional.

O petista disse equivocadamente que a Ucrânia é tão culpada pela guerra quanto a Rússia e que os Estados Unidos e a União Europeia estão prolongando o conflito ao fornecer armas para os ucranianos se defenderem.

Ao não levar em conta que a Rússia é o país agressor e a Ucrânia a nação invadida, Lula prejudicou a imagem do Brasil no Ocidente e diminuiu consideravelmente suas próprias chances de se tornar um protagonista na diplomacia global.

Sua proposta de mediar o conflito da Ucrânia foi desconsiderada pelas potências mundiais. Além disso, na maioria dos países em que esteve, o petista criticou a política ambiental de seu antecessor, Jair Bolsonaro. Analistas afirmaram que ele poderia exercer protagonismo global na área de defesa do meio ambiente.

Mas Lula não só teve uma passagem apagada como sofreu críticas da própria esquerda ao viajar para a França para debater como países ricos poderiam ajudar nações mais pobres a enfrentar os desafios das mudanças climáticas. O protagonismo que Lula pretendia assumir foi dado a líderes como a premiê de Barbados, Mia Mottley, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

O petista aposta agora em recuperar prestígio na área em 2025, quando o Brasil deve sediar a COP 30, a conferência internacional sobre o clima.

Mas a política externa desastrada não criou problemas para Lula apenas no cenário internacional. As estadias em hotéis luxuosos com sua mulher Janja Lula da Silva durante as viagens oficiais e a recepção calorosa feita para o ditador da Venezuela, Nicolas Maduro em junho prejudicaram a imagem do presidente internamente.

Resta agora a Lula tentar reverter os erros do início de governo ou se conformar com um isolamento cada vez maior que pode estender o atual atoleiro político até 2026.


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