sábado, 1 de julho de 2023

REUNIÃO DO FORO DE SÃO PAULO EM BRASÍLIA ELOGIA DITADORES

Brasília
Foro de São Paulo homenageia ditadores e recebe membros do Partido Comunista Chinês
Por
Carinne Souza – Gazeta do Povo


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante Foro de São Paulo| Foto: Reprodução / Twitter do PT

Brasília é palco, até este final de semana, da 26ª reunião anual do Foro de São Paulo. O evento, que reúne partidos de esquerda da América Latina e Caribe, tem duração de quatro dias e termina neste domingo (2). Com uma programação formada por colóquios e seminários, esquerdistas do mundo inteiro marcaram presença no Foro.

Identificados por um crachá com nome e seu país de origem, os mais diversos tipos de pessoas estiveram em Brasília para marcar presença no encontro. Jovens, idosos, crianças, homens e mulheres, alguns vieram do Equador, Cuba, Venezuela, China, Chile, Uruguai, México e Portugal para participar da programação destinada àqueles que se identificam com a pauta esquerdista.

Depois de três anos, essa foi a primeira vez que a organização se reuniu desde a pandemia de Covid-19. O local escolhido para sediar o evento, um hotel no coração da capital brasileira, tem diárias que custam a partir de R$ 340 [a depender da época do ano], neste final de semana, durante a realização do encontro, tem 90% de seus quartos ocupados.

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Representantes do partido de Maduro e do Partido Comunista Chinês marcam presença no Foro de São Paulo 


Com dois auditórios reservados para receber a programação proposta pelo Foro, foi possível observar que representantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) utilizaram um deles para se reunir. Fundado em 2007 pelo antigo ditador venezuelano Hugo Chávez, Nicolas Maduro é o atual presidente do partido.

Conforme apurou a Gazeta do Povo, cerca de 15 pessoas formavam a comitiva venezuelana que veio a Brasília para participar do encontro do Foro. Entre eles, representantes do partido, deputados e ministros do país. A ministra venezuelana dos povos indígenas, Clara Vidal, foi uma das presentes na comitiva.

Um outro grupo que chamou atenção, foi os representantes do Partido Comunista Chinês. A comitiva parece ter chegado ao hotel San Março nesta sexta (30) durante a tarde. Já no início da noite, um novo grupo com quatro representantes do país asiático também chegaram à sede do encontro deste ano.

Lula será beneficiado com a decisão do TSE que tornou Bolsonaro inelegível?
Não, há outros nomes da direita capazes de derrotar a esquerda em 2026
Sim, Bolsonaro continuará sendo o principal nome da direita e não tem substituto
Ditadores homenageados e exaltados 
Fundado em 1990 por Lula e o antigo ditador cubano Fidel Castro, o Foro de São Paulo foi criado com o intuito de apoiar partidos de esquerda na América Latina.

Na lista dos ditadores filiados ao Foro aparecem nomes como Fidel Castro e Hugo Chávez, líderes autoritários que burlaram as constituições de seus respectivos países para serem presidentes por tempo indeterminado. Além das atitudes autoritárias, os dois são acusados de crimes políticos, contra os direitos humanos e de serem responsáveis pela execução manifestantes da oposição.

No livreto que os participantes do encontro receberam na edição deste ano, a primeira página é dedicada ao cubano. “Fidel Castro, exemplo de unidade e internacionalismo. Entre os incomensuráveis exemplos que Fidel deixou como herança aos revolucionários da América Latina e Caribe, destacam-se os que foram determinantes nas lutas de nossos povos, nossos partidos e movimentos. Estes são a unidade e o internacionalismo consequente”, diz o pequeno livro.

Além destas figuras, outros nomes como Che Guevara, Joseph Stálin e Vladimir Lenin são exaltados no evento. Seus nomes, rostos e livros que contam suas trajetórias são expostos e comercializados por pequenas banquinhas no evento. Eles também aparecem em broches e em canecas.

Foro de São Paulo: um grande comício da esquerda

Na rotina de eventos, os inscritos e convidados do Foro de São Paulo podem ter acesso a uma série de palestras. No cronograma, há seminários voltados para jovens e mulheres que discutem sua inserção na política e para discutir o uso das redes sociais “na luta dos movimentos sociais e populares”.

Há ainda mesas que acontecem a portas fechadas e não são divulgadas. Em uma delas, que aconteceu nesta sexta (30) e a Gazeta do Povo teve acesso, a reunião tinha como tema “a paz e a luta contra o fascismo e pelo direito dos povos”. A mesa ainda propunha discussões entre as organizações partidárias participantes e propostas de coordenação.

“Pede-se que cada movimento ou plataforma tome a palavra para as suas considerações sobre o tema, e para propor ações concretas sobre o tema (campanhas, propostas para mobilização, para comunicação, para formação, etc.)”, propunha a mesa.

Em uma segunda metodologia, ainda era solicitado que a coordenação fizesse “um resumo das propostas anotadas pela relatoria, com a preocupação de construir propostas de consenso, viáveis e com definição de responsáveis, tendo a solidariedade como ferramenta para unir pautas difusas e construir unidade de ação”.

Levando em consideração o discurso feito por Lula na abertura do evento, na quinta-feira (29), fica claro que a organização tem como objetivo tentar reocupar os espaços que foram dominados pela direita nos últimos anos. As reuniões, de um modo geral, visam atingir mais pessoas e fazer dos membros filiados mais engajados na pauta esquerdista.

Estrela do PT e símbolo do MST
No hotel, o fluxo de pessoas era alto, mas nem o espaço nem os seminários estavam lotados. O sotaque latino e os diálogos em espanhol são predominantes, bem como a cor vermelha. A tonalidade representa viés ideológicos como comunismo e o socialismo, e também é a cor do Partido dos Trabalhos (PT).

Outro acessório dominante é a estrela do PT. Seja em camisas, bonés, bolsas, broches ou bandanas, o símbolo que representa o partido fundado por Luiz Inácio Lula da Silva há 43 anos é carregado por brasileiros, uruguaios e cubanos sem distinção. Alguns também carregam as bandeiras de seus respectivos países representados em broches ou estampados na roupa e bonés.

Em sua vestimenta ou acessórios, alguns também carregam o conhecido símbolo do Movimento Sem Terra (MST). Vale ainda ressaltar que os estilos são diversos, há quem use terno e sapato social, mas também aqueles que adotaram ao jeans e uma básica camisa.


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ARTHUR LIRA CHEIO DE PROCESSOS E ACUSAÇÕES ESTÁ ENTRE OS GARANTIRISTAS

 

Por
Deltan Dallagnol – Gazeta do Povo


| Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Nesta semana, ocorreu mais uma edição do “Gilmar Fest”, como tem sido chamado o Fórum Jurídico de Lisboa, festival com ares “acadêmicos” promovido todos os anos pelo Instituto Brasileiro de Direito Público (IDP), faculdade fundada por Gilmar Mendes em Brasília. Compareceram à folia jurídica em terras lusitanas o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o presidente do TCU, Bruno Dantas, vários ministros de Lula e do STF, magistrados de tribunais superiores e governadores.

Registrou presença, também, o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira, que, durante sua fala, criticou os atos de 8 de janeiro e alardeou: “Responderemos às iniciativas antidemocráticas com doses ainda maiores de democracia”. Enquanto Lira aproveitava a boquinha livre na Europa para bradar por mais democracia no Brasil, a Polícia Federal encaminhou ao STF mais uma investigação criminal com potencial devastador contra Lira, a operação Hefesto, que revela fatos nada democráticos.

A apuração refere-se a suspeitas de desvios de R$ 8 milhões ocorridos entre 2019 e 2022 na compra de kits de robótica para mais de 40 municípios de Alagoas, com verbas do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE) oriundas das chamadas “emendas do relator”, o conhecido orçamento secreto, controlado em grande parte por Lira. O presidente da Câmara foi o responsável por direcionar mais de R$ 32,9 milhões do orçamento secreto para a compra dos kits de robótica.

A PF descobriu a existência de um esquema em que a empresa Megalic comprava kits de robótica por cerca de R$ 2,7 mil e os revendia de modo superfaturado para as prefeituras de Alagoas, por R$ 14 mil, em licitações fraudulentas. Os prováveis beneficiários desse esquema, segundo a PF, são Luciano Cavalcante e sua esposa. Luciano tem uma série de ligações com Lira segundo a imprensa: foi seu assessor, teria sido indicado por Lira para chefiar diretório partidário, compareceria a reuniões em nome de Lira, viajaria com ele em aviões da FAB e pagaria contas pessoais do presidente da Câmara.

O presidente da Câmara foi o responsável por direcionar mais de R$ 32,9 milhões do orçamento secreto para a compra dos kits de robótica

Em documentos apreendidos pela PF com o motorista de Luciano Cavalcante, constam pagamentos totalizando mais de R$ 900 mil atrelados ao nome “Arthur”, que aparece em mais de 40 anotações. Os pagamentos se referem ao custeio de hotéis, despesas com carro, alimentação e telefonia de “Arthur”, inclusive em datas e locais que coincidem com a agenda oficial de Lira.

Há ainda pagamentos relacionados a pessoas com nomes coincidentemente também ligados a Lira, como repasses para “Ivonete” (a mãe de Lira se chama Ivanete), Bill (apelido do ex-senador Benedito de Lira, pai de Arthur Lira), “Álvaro” (um dos filhos de Lira se chama Álvaro) e Djair (um dos assessores de Lira na Câmara se chama Djair Marcelino).

A suspeita da PF – e de quem toma contato com as informações – é de que parte do dinheiro desviado da compra dos kits de robótica tenha sido utilizada para pagar despesas do presidente da Câmara, razão pela qual o caso foi enviado ao STF, onde Arthur Lira tem foro privilegiado. Todos são inocentes até prova definitiva de sua culpa – e no Brasil todos são inocentes para sempre, já que os processos nunca transitam em julgado -, mas a situação precisa ser investigada.

Acontece que, em Brasília, Lira tem vida fácil, e o histórico de investigações cíveis e criminais contra o presidente da Câmara dá indícios pouco promissores de como a operação Hefesto pode se desenrolar no STF. Uma investigação similar contra Arthur Lira, que também envolve emendas do orçamento secreto para pavimentação de estradas de Alagoas, foi “avocada” esta semana pelo procurador-geral da República Augusto Aras, que, em um movimento sem precedentes no Ministério Público Federal, retirou a investigação do procurador de primeira instância que investigava o caso naquele Estado.

Alguns dias antes, o STF, em decisão unânime, “desrecebeu” uma denúncia que o próprio Supremo já havia recebido contra Lira, em um caso de corrupção passiva oriundo da operação Lava Jato. Naquele processo, um outro assessor de Lira havia sido flagrado com mais de R$ 106 mil em dinheiro vivo junto ao corpo durante embarque no aeroporto de Guarulhos e, segundo a PGR, o dinheiro seria entregue a Lira pelo assessor como suborno em troca de apoio político. A mesma PGR que, ao oferecer a denúncia, considerava que o caso tinha provas suficientes para prosseguir, simplesmente mudou de ideia e pediu o arquivamento da ação penal, movimento que já se tornou característico da gestão de Aras junto ao órgão.

Acontece que, em Brasília, Lira tem vida fácil, e o histórico de investigações cíveis e criminais contra o presidente da Câmara dá indícios pouco promissores

Esta foi a quarta denúncia contra Arthur Lira que o STF rejeitou nos últimos tempos; outras três denúncias criminais também foram rejeitadas sob o argumento de que a acusação estava baseada apenas em depoimentos prestados por meio de colaboração premiada. Vi esse argumento ser usado em outros casos em que as denúncias foram rejeitadas por abundância – e não por falta – de provas.

Num outro caso muito peculiar, o ministro Gilmar Mendes suspendeu e depois encerrou três ações da Lava Jato contra Lira por improbidade administrativa. As ações tramitavam em Curitiba e o mais surpreendente é que, ao trancar as ações, o ministro decretou segredo de justiça, algo para o que é difícil imaginar justificativa, já que ações de improbidade tratam de ações públicas de agentes públicos. O sigilo das medidas é, por si só, um escândalo.

Analisando tudo que aconteceu nos últimos anos, vê-se que se formou uma ampla maioria no STF em torno do “garantismo” e do “antilavajatismo”, o que significa apenas dizer que a leniência com a corrupção e garantia da impunidade dos poderosos voltou a ser a regra de ouro no Brasil. A impunidade dos grandes casos de corrupção no Brasil é prova de que o compadrio que ensejou os esquemas atinge também o Poder Judiciário.

A impunidade, contudo, é seletiva, como se vê na hipocrisia dos muitos garantistas nas redes sociais que seguem o seguinte lema: aos amigos, o garantismo; aos inimigos, o punitivismo. Fica muito mal, nesse contexto todo, a participação de Lira no festival jurídico de Gilmar Mendes em Lisboa, onde confraternizou com os mesmos ministros do Supremo que são responsáveis por julgá-lo criminalmente.

É irônico ainda que Lira tenha discursado em defesa da democracia, que, na famosa definição de Lincoln no discurso de Gettysburg, é o governo “do povo, pelo povo e para o povo”, enquanto é investigado por corrupção. A corrupção mina a democracia porque o governo passa a ser não pelo e para o povo, mas pelo e para o bolso dos corruptos. O desvio dos recursos da educação equivale ao roubo das oportunidades das nossas crianças e do futuro do nosso país.

Apesar da hediondez dos crimes de que é suspeito, Lira tem tratado de suas investigações com tranquilidade, afinal, sua experiência pessoal no STF provou que ele não tem nada a temer em relação às investigações e processos que lá tramitam. A proteção aos poderosos, aos amigos e aos guardiões do sistema sempre foi a regra no Brasil, e todas as evidências concorrem para dar ainda mais segurança ao presidente da Câmara de que “está tudo em casa”.


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LULA SE DIZ COMUNISTA E DEFENDE DEMOCRACIA RELATIVA

 


Por
Rodrigo Constantino – Gazeta do Povo

AME7648. RÍO DE JANEIRO (BRASIL), 30/03/2022.- El expresidente brasileño Luiz Inácio Lula da Silva participa hoy en la conferencia “Igualdad y el Futuro de América Latina”, durante la clausura del encuentro internacional Democracia e Igualdad, en la Universidad Estatal de Río de Janeiro (Brasil). EFE/André Coelho


Lula não faz mais qualquer questão de manter aparências, de ficar dentro de um armário democrata para agradar seus companheiros tucanos que assinaram cartinha pela democracia contra Bolsonaro. O petista parece ter ligado o “dane-se” e resolveu expor o que qualquer pessoa minimamente atenta já sabe: ele, de democrata, não tem nada!

O presidente disse que os movimentos de esquerda “enfrentam” o discurso da direita de costume, família e patriotismo, ao mesmo tempo em que diz ter orgulho de “ser chamado de comunista”. A declaração foi dada durante a abertura do 26º encontro do Foro de São Paulo, realizado em Brasília, com os movimentos de extrema esquerda da América Latina.

“Aqui, no Brasil, enfrentamos o discurso do costume, da família e do patriotismo. Ou seja, enfrentamos o discurso que a gente aprendeu a historicamente combater”, disse durante o evento. Ainda durante o discurso, Lula elogiou o “companheiro Chávez”, em referência ao ditador venezuelano Hugo Chávez a quem diz ter uma admiração. “Fazia críticas pessoalmente e elogiava em público”, disse o presidente.

Essas falas ocorreram no dia seguinte em que Lula, numa entrevista, disse que não critica a “ditadura venezuelana” pois democracia é um conceito relativo, e a Venezuela de Maduro “faz mais eleição do que o Brasil”. O editorial da Gazeta do Povo resumiu: “Esse tipo de apoio a ditaduras latino-americanas, que já seria um problema por si só, indica também que Lula as enxerga como modelo para o Brasil”.

Lula nem tenta, portanto, parecer o Mandela pacifista que seus companheiros tucanos tentaram inventar. Ele rasgou a máscara bem diante de seus apoiadores envergonhados, que tentavam, no dia anterior, afirmar que o Foro de SP não é comunista. Lula sempre bajulou Fidel Castro, o maior tirano do continente, e foi com ele que fundou o Foro de SP para “resgatar na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu”, i.e., o comunismo.

Mas nossos militantes disfarçados de jornalistas fingem não saber de nada disso. Antes diziam que o Foro de SP sequer existia, que era paranoia de “reacionário” como Olavo de Carvalho. Hoje tentam mentir alegando se tratar de um espaço da esquerda para debates democratas. Aí vai lá o próprio Lula e esfrega a verdade em suas caras de pau!

Não é nada fácil a vida de militante que precisa defender um Lula democrata e pacifista. Essa patota demoniza quem fala em ameaça comunista no Brasil, mas o próprio Lula tem orgulho de ser chamado de comunista, ataca família e patriotismo, e relativiza o conceito da democracia, para defender o modelo ditatorial venezuelano, que persegue e tortura dissidentes críticos.

O Brasil vai de vento em popa! Parabéns aos envolvidos, aos “democratas” tucanos que assinaram aquela carta patética para ajudar na “volta do ladrão à cena do crime”, como diria Alckmin. O modelo autoritário avança em nosso país, e todos aqueles que fizeram o L são cúmplices. Afinal, nada do que Lula disse essa semana é novidade, para quem não estava hibernando nas últimas décadas…

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A REFORMA TRIBUTÁRIA SERÁ VOTADA EM JULHO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

 

Lira tem dado sinais de que não vai recuar na reforma tributária

Presidente da Câmara avisou aos deputados que a proposta irá avançar antes do recesso parlamentar

Por Adriana Fernandes – Jornal Estadão

A mensagem do presidente da CâmaraArthur Lira, de que a reforma tributária será apreciada pelo plenário na primeira semana de julho é um balde de água fria para quem ainda conta com o adiamento da votação e até com o enterro da proposta.

Lira comunicou pelas suas redes sociais que a Câmara vai votar a reforma, as mudanças no Carf e o projeto do arcabouço fiscal. Ele e o ministro da FazendaFernando Haddad, combinaram um esforço concentrado.A reforma é o quinto item da pauta atrás dos projetos da Carf, do programa de Escola em Tempo Integral, do arcabouço fiscal e do programa da Aquisição de Alimentos, o PAA. Os que acompanham atentamente as negociações da reforma se perguntam: será que dá tempo?

Lira já disse recentemente aos deputados que se preparem: o recesso parlamentar só começa após a votação. Ele tem dado todos os sinais de que não vai recuar. O mais provável é que a reforma passe na Câmara na segunda semana de julho ou, na pior das hipóteses, na primeira de agosto.

O barulho que tem feito o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em torno da criação do Conselho Federativo (que vai gerenciar o novo imposto) pode acabar só sendo resolvido no Senado.

Equipe econômica espera que Lira contribua para levar a reforma tributária adiante
Equipe econômica espera que Lira contribua para levar a reforma tributária adiante Foto: WILTON JUNIOR / ESTADÃO CONTEÚDO

A oposição de Tarcísio virou a porta da esperança para todos os setores que são contra a reforma. Ele disse, porém, ao relator da reforma, Aguinaldo Ribeiro, que vai ajudar a aprovar a proposta, conforme relato do deputado em entrevista ao Estadão.

Se mudar de rota e a reforma for aprovada, como esperam as principais lideranças políticas, Tarcísio corre o risco de entrar para a História como o político que quis derrubar a principal pauta econômica do País. É possível que queira sair como conciliador e esteja vendendo dificuldades para colher ganhos para São Paulo.

Os Estados estão negociando até a exaustão para abrir o cofre do Tesouro Nacional. Esse é um ponto preocupante num cenário em que Haddad, o relator e o presidente da Câmara querem votar logo o texto.

É um risco imenso para as contas públicas, porque o Fundo de Desenvolvimento Regional para os Estados fazerem investimento será bancado com recursos 100% da União — e ficará de fora do novo limite de gastos previsto no arcabouço fiscal.

O mais incrível nessa equação é que, pelo texto da PEC, ele será permanente. O céu é o limite. Os Estados querem R$ 75 bilhões por ano, valor superior que o piso para as despesas com investimentos previsto no Orçamento do governo federal fixado no arcabouço fiscal, em torno de R$ 70 bilhões.

A charada dessa história é que o governo vai querer interferir nos investimentos dos Estados. Mas isso só devem contar depois.

A negociação tende a ser mais lenta no Senado. Dois pontos em especial vão pegar: a alta de impostos dos serviços e o fundo de compensação para Estados.

Mas, mesmo assim, tudo indica que a reforma passa até novembro, mesmo que mais desfigurada. Ainda assim, de extrema importância para o País.

EMPREENDER REQUER ESFORÇO, DEDICAÇÃO E MUITA VISÃO ESTRATÉGICA PARA GERIR OS NEGÓCIOS

 

THIAGO MARTINS DE FREITAS

Coach e mentora de Alta Performance, Carina da Costa diz que a distinção do empreendedorismo de sucesso para o comum está nas qualidades intangíveis de cada um

Empreender não é uma tarefa fácil. Requer esforço, dedicação e muita visão estratégica para gerir os negócios de maneira satisfatória. A distinção entre um empreendedor comum e um empreendedor de sucesso não é definida apenas pelas conquistas tangíveis, mas também pelas qualidades intangíveis que cada um possui. É o que acredita a empresária Carina da Costa, Coach e Mentora de Alta Performance, que tem dedicado seus estudos a fazer a diferença na vida das pessoas através da educação financeira.

“Onde muitos veem barreiras, empreendedores de sucesso identificam potencial. Não se contentam com o óbvio e estão constantemente olhando além do horizonte, imaginando o que poderia ser. A paixão é o fator crucial que eleva um empreendedor de sucesso e também é o combustível que alimenta a viagem empreendedora, o impulso que os leva a continuar mesmo quando a estrada é difícil, embora precise ser acompanhada de persistência”, explica ela.

Ser dono do seu próprio negócio pode ser uma jornada intensa e emocionalmente exigente, mas este não é o único desafio. Carina aponta alguns outros obstáculos, mas garante que eles diminuem: “Empreender hoje tem sido cheio de desafios, mas a cada um deles, uma nova oportunidade de crescimento. Algumas das dificuldades são a busca pelo financiamento, a batalha competitiva no mercado e encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Não é fácil, mas vai ficando cada vez mais prático a partir do momento em que é dado o primeiro passo”, diz.

A coach reforça que nada irá garantir que alguém será ou não um empreendedor de alta performance, mas ter uma visão holística para compreender metas claras, planejamento eficaz, gestão de tempo, análise cuidadosa, automação eficiente, feedback constante e aprendizado contínuo são algumas ações que podem ajudar.

“Hoje em dia, alta performance é mais do que um ideal, é uma necessidade vital. O surgimento de novas tecnologias e a evolução constante do mercado exigem que os empreendedores deem o seu melhor para se destacar na multidão. Entretanto, cada negócio tem seu próprio ritmo, metas e seus próprios desafios. Portanto, não é relevante que haja comparação com os outros. Não se trata de ser melhor, mas sim de fazer o melhor que pode. A verdadeira alta performance está em se superar, dia após dia, e não em se comparar aos outros. Essa é uma busca contínua, um compromisso diário com a excelência”, completa a empresária.

Confira os 5 aspectos que ajudam a incorporar a alta performance em seu negócio, segundo a coach e mentora Carina da Costa:

Crie metas SMART

Assim como um arquiteto de sonhos, desenhe tuas linhas SMART: específicas, mensuráveis, relevantes e temporizadas. Traçar este plano será transformador.

Se baseie em um planejamento estratégico

Conhecido como o mapa de tesouro do empreendedor, o planejamento é a bússola que te ajuda a seguir neste labirinto dos negócios. Ele te ajuda a definir a jornada, marcas as referências em um caminho para o prêmio.

Análise SWOT

Raio-X do seu negócio, esta ação irá revelar suas forças e fraquezas, suas oportunidades e ameaças. É como ver além do óbvio para tomar decisões estratégicas.

Automatização de processos

Ferramentas de automação, como sistemas CRM e softwares de gestão de projetos, podem realizar tarefas rotineiras. Assim, você ficará livre para pensar grande.

Feedback e avaliações de empenho

Como um espelho, o feedback reflete a imagem do seu negócio a partir de várias perspectivas. As avaliações de desempenho irão apontar onde estão os erros e os acertos, além de mostrar onde é necessário melhorar.

Aprendizado contínuo e desempenho pessoal

Nunca pare de buscar conhecimento. Livros, cursos e seminários serão oportunidades para expandir sua mente e aprimorar suas habilidades, além de serem ferramentas não somente estratégicas, mas também um caminho para a alta performance

ESCALANDO NEGÓCIOS DA VALEON

1 – Qual é o seu mercado? Qual é o tamanho dele?

O nosso mercado será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar os produtos / serviços para vocês clientes, lojistas, prestadores de serviços e profissionais autônomos e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona. Pretendemos cadastrar todas as empresas locais com CNPJ ou não e coloca-las na internet.

2 – Qual problema a sua empresa está tentando resolver? O mercado já expressou a necessidade dessa solução?

A nossa Plataforma de Compras e Vendas que ora disponibilizamos para utilização das Empresas, Prestadores de Serviços e Profissionais Autônomos e para a audiência é um produto inovador sem concorrentes na região e foi projetada para atender às necessidades locais e oferecemos condições de adesão muito mais em conta que qualquer outro meio de comunicação.

Viemos para suprir as demandas da região no que tange a divulgação de produtos/serviços cuja finalidade é a prestação de serviços diferenciados para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

O nosso diferencial está focado nas empresas da região ao resolvermos a dor da falta de comunicação entre as empresas e seus clientes. Essa dor é resolvida através de uma tecnologia eficiente que permite que cada empresa / serviços tenha o seu próprio site e possa expor os seus produtos e promoções para os seus clientes / usuários ao utilizar a plataforma da ValeOn.

3 – Quais métodos você usará para o crescimento? O seu mercado está propício para esse tipo de crescimento?

Estratégias para o crescimento da nossa empresa

  1. Investimento na satisfação do cliente. Fidelizar é mais barato do que atrair novos clientes.
  2. Equilíbrio financeiro e rentabilidade. Capital de giro, controle de fluxo de caixa e análises de rentabilidade são termos que devem fazer parte da rotina de uma empresa que tenha o objetivo de crescer.
  3. Desenvolvimento de um planejamento estratégico. Planejar-se estrategicamente é como definir com antecedência um roteiro de viagem ao destino final.
  4. Investimento em marketing. Sem marketing, nem gigantes como a Coca-Cola sobreviveriam em um mercado feroz e competitivo ao extremo.
  5. Recrutamento e gestão de pessoas. Pessoas são sempre o maior patrimônio de uma empresa.

O mercado é um ambiente altamente volátil e competitivo. Para conquistar o sucesso, os gestores precisam estar conectados às demandas de consumo e preparados para respondê-las com eficiência.

Para isso, é essencial que os líderes procurem conhecer (e entender) as preferências do cliente e as tendências em vigor. Em um cenário em que tudo muda o tempo todo, ignorar as movimentações externas é um equívoco geralmente fatal.

Planeje-se, portanto, para reservar um tempo dedicado ao estudo do consumidor e (por que não?) da concorrência. Ao observar as melhores práticas e conhecer quais têm sido os retornos, assim podemos identificar oportunidades para melhorar nossa operação e, assim, desenvolver a bossa empresa.

4 – Quem são seus principais concorrentes e há quanto tempo eles estão no mercado? Quão grandes eles são comparados à sua empresa? Descreva suas marcas.

Nossos concorrentes indiretos costumam ser sites da área, sites de diretório e sites de mídia social. Nós não estamos apenas competindo com outras marcas – estamos competindo com todos os sites que desejam nos desconectar do nosso potencial comprador.

Nosso concorrente maior ainda é a comunicação offline que é formada por meios de comunicação de massa como rádios, propagandas de TV, revistas, outdoors, panfletos e outras mídias impressas e estão no mercado há muito tempo, bem antes da nossa Startup Valeon.

5 – Sua empresa está bem estabelecida? Quais práticas e procedimentos são considerados parte da identidade do setor?

A nossa empresa Startup Valeon é bem estabelecida e concentramos em objetivos financeiros e comerciais de curto prazo, desconsideramos a concorrência recém chegada no mercado até que deixem de ser calouros, e ignoramos as pequenas tendências de mercado até que representem mudanças catastróficas.

“Empresas bem estabelecidas igual à Startp Valeon devemos começar a pensar como disruptores”, diz Paul Earle, professor leitor adjunto de inovação e empreendedorismo na Kellogg School. “Não é uma escolha. Toda a nossa existência está em risco”.

6 – Se você quiser superar seus concorrentes, será necessário escalar o seu negócio?

A escalabilidade é um conceito administrativo usado para identificar as oportunidades de que um negócio aumente o faturamento, sem que precise alavancar seus custos operacionais em igual medida. Ou seja: a arte de fazer mais, com menos!

Então, podemos resumir que um empreendimento escalável é aquele que consegue aumentar sua produtividade, alcance e receita sem aumentar os gastos. Na maioria dos casos, a escalabilidade é atingida por conta de boas redes de relacionamento e decisões gerenciais bem acertadas.

Além disso, vale lembrar que um negócio escalável também passa por uma fase de otimização, que é o conceito focado em enxugar o funcionamento de uma empresa, examinando gastos, cortando desperdícios e eliminando a ociosidade.

Sendo assim, a otimização acaba sendo uma etapa inevitável até a conquista da escalabilidade. Afinal de contas, é disso que se trata esse conceito: atingir o máximo de eficiência, aumentando clientes, vendas, projetos e afins, sem expandir os gastos da operação de maneira expressiva.

Pretendemos escalar o nosso negócio que é o site marketplace da Startup Valeon da seguinte forma:

  • objetivo final em alguma métrica clara, como crescimento percentual em vendas, projetos, clientes e afins;
  • etapas e práticas que serão tomadas ao longo do ano para alcançar a meta;
  • decisões acertadas na contratação de novos colaboradores;
  • gerenciamento de recursos focado em otimização.

sexta-feira, 30 de junho de 2023

O RELACIONAMENTO DEMOCRÁTICO DE LULA COM DITADORES FAZ PARTE DA DEMOCRACIA RELATIVA DELE

Editorial
Por
Gazeta do Povo


O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, durante encontro realizado em maio deste ano no Palácio do Planalto em Brasília.| Foto: EFE/Andre Coelho

“Quando eu uso uma palavra, ela significa o que eu desejo que ela signifique, nem mais, nem menos”, dizia Humpty Dumpty, personagem de Alice através do espelho, de Lewis Carroll. Uma ideia que foi desenvolvida por George Orwell com a “novilíngua” de 1984 e que volta à tona graças ao presidente Lula, que, para defender o ditador venezuelano Nicolás Maduro, seu parceiro ideológico, alegou que “democracia é um conceito relativo” durante entrevista à Rádio Gaúcha, na manhã desta quinta-feira, horas antes de discursar no encontro do Foro de São Paulo, em Brasília.

O recurso, evidentemente, não é nada novo na esquerda, que abusou e ainda abusa do termo “democrático” inclusive nos nomes oficiais de ditaduras comunistas, como ocorrera na República Democrática Alemã (a antiga Alemanha Oriental) ou no Kampuchea Democrático (o Camboja sob o regime genocida do Khmer Vermelho), e ainda ocorre na República Popular Democrática da Coreia, a Coreia do Norte. Chamar ditaduras de democracias não é novidade nem para Lula, que em 2005 dissera que a Venezuela, já sob o jugo de Hugo Chávez, tinha “excesso de democracia”. Mas, infelizmente para o presidente brasileiro, seu poder sobre as palavras não é tão grande quanto ele gostaria que fosse.

Esse tipo de apoio a ditaduras latino-americanas, que já seria um problema por si só, indica também que Lula as enxerga como modelo para o Brasil

Qualquer cientista político que não esteja acometido de grave cegueira ideológica haverá de concordar que não basta a realização periódica de eleições para caracterizar uma democracia; é preciso que elas sejam limpas e livres. Mas não apenas isso: a democracia requer respeito a garantias e liberdades como as de expressão, de imprensa e religiosa; a tripartição de poderes, que funcionam sem relações de interferência ou subordinação, dentro de um sistema de freios e contrapesos; o império da lei, que prevalece sobre a vontade de qualquer detentor de cargo eletivo ou magistrado.

E, se é assim, em democracias dignas deste nome não se perseguem – seja ostensivamente, seja de forma mais sutil – adversários políticos do governo de turno, expurgando-os, cassando seus mandatos ou impedindo-os de participar de eleições de forma arbitrária, contornando a lei e o devido processo legal; não se amordaçam veículos de imprensa que prezam por sua independência e se recusam a se curvar a um governante ou a uma ideologia; não se absorvem os demais poderes, submetidos à hegemonia total do governante; não se desrespeita a liberdade religiosa, usando de todos os meios, de uma Justiça aparelhada a gangues paramilitares, para calar clérigos e banir entidades religiosas. São critérios objetivos que ajudam a avaliar se uma nação é ou não democrática – uma avaliação extremamente simples de se fazer quando se trata de regimes como o venezuelano, o cubano ou o nicaraguense.

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Apesar de tudo isso, também é preciso dizer que Lula, ao fazer declarações como a desta quinta-feira, não surpreende ninguém que não quisesse ser surpreendido. Nem ele, nem seu partido, jamais recuaram em seu apoio entusiasmado a carniceiros como Fidel e Raúl Castro, Hugo Chávez, Maduro ou Daniel Ortega. Mesmo durante a campanha eleitoral, enquanto vendia uma imagem de “democrata” e “moderado” que só foi comprada ou pelos muito incautos ou pelos que se empenharam em adotar uma versão extrema da chamada “suspensão da descrença”, Lula não deixou de prestigiar seus camaradas ideológicos, mostrando no que se tornaria a política externa brasileira assim que ele subisse a rampa do Planalto.

O problema maior, evidentemente, é que esse tipo de apoio a ditaduras latino-americanas, que já seria um problema por si só, indica também que Lula as enxerga como modelo para o Brasil. O “moderado” e “democrata” cujo partido montou esquemas de corrupção para fraudar a democracia brasileira não uma, mas duas vezes não disfarça a alegria de ver seus oponentes e aqueles que aplicaram a lei para colocá-lo na cadeia sendo, aos poucos, afastados da vida política. Enquanto isso, seu governo busca meios de controlar o discurso na imprensa e, especialmente, nas mídias sociais, seja em projetos de lei, seja por meio de órgãos de Estado como o “Ministério da Verdade” instalado dentro da Advocacia-Geral da União e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. No fim, tudo aponta para a certeza de que a atitude lulista em relação à democracia é levar a sério aquilo que Millôr Fernandes dizia como sátira: “democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim”.


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LULA ABRE O FORO DE SÃO PAULO EM BRASÍLIA E COMO SEMPRE CRITICA DEUS E O MUNDO

 


Lula diz que não se sente ofendido por ser chamado de comunista e critica “ricos em submarinos”
Por
Carinne Souza – Gazeta do Povo


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante Foro de São Paulo| Foto: Reprodução / Twitter do PT

Durante o discurso no Foro de São Paulo, nesta quinta-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que não se sente ofendido por ser chamado de “comunista”. O evento começou nesta quinta e termina no próximo domingo (2).

“Nós não ficamos ofendidos por sermos chamados de comunistas. Ficaríamos ofendidos se nos chamássemos de nazistas, neonazistas e terroristas. Ser chamado de socialista ou comunista nos dá orgulho e, às vezes, a gente sabe que merecemos sermos chamados assim”, disse.
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Lula foi o responsável pelo principal discurso no evento de abertura do 26º encontro anual do Foro de São Paulo. Ao longo de 35 minutos, o petista citou as dificuldades que a esquerda tem encontrado pelo mundo e falou sobre a necessidade de integração entre os povos da América Latina e Caribe para adentrar espaços ocupados pela extrema direita.

“É preciso que a gente rediscuta o discurso da esquerda. Muitas vezes, a direita tem mais facilidade do que nós com um discurso fascista. Na Europa, a esquerda perdeu o discurso para a questão da migração”, disse o petista.

Lula critica “ricos em submarinos”
O presidente também voltou a criticar a desigualdade e a fome em seu discurso. De acordo com o petista, “é inaceitável que crianças morram de fome enquanto ricos paguem passagem de foguete e de submarino”.

Lula fez referência aos passageiros do submarino Titan, da empresa OceanGate, que morreram na última semana após fazerem uma expedição para visita os destroços do Titanic. A viagem era feita por cinco milionários que pagaram cerca de R$ 1 milhão para realizar o tour.

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Críticas e elogios a Chávez
Criticado por homenagear ditadores como Fidel Castro e Hugo Chávez, acusados de crimes políticos e contra os direitos humanos, Lula tentou legitimar o Foro ao fazer críticas ao antigo ditador venezuelano. De acordo com o petista, Chávez foi impedido de fazer parte da organização nos anos de 1990.

“No nosso segundo encontro, Chávez quis participar [do Foro] e nos não deixamos. Na época, ele tentou dar o golpe na Venezuela e nos não deixamos. Falamos ‘você não é democrático e não vai participar'”, disse Lula. Ainda de acordo com o mandatário brasileiro, todos os membros da organização tinham essa consciência.

Em seguida, Lula voltou atrás e elogiou o “companheiro Chávez”. O mandatário brasileiro revelou que “admirava” o ditador venezuelano porque ele “fazia críticas pessoalmente e elogiava em público”.

Hugo Chávez passou a integrar o grupo anos depois após chegar à presidência venezuelana. Chávez foi eleito em 1998 para um governo que deveria ter durado um mandato de cinco anos, mas ficou 14 anos no poder depois que a Constituição venezuelana sofreu diversas alterações para que ele não perdesse seu posto.

Em 2009, Hugo Chávez criou uma emenda constitucional que permitia reeleições ilimitadas e, enquanto estava à frente do país, falava em ser “presidente até 2030”. O mandatário venezuelano só deixou o cargo em 2013, quando morreu de câncer. O governo chavista foi marcado por uma série de acusações de crimes contra os direitos humanos e pelas mortes de manifestantes.

Cobranças à esquerda

Em meio ao pronunciamento que elogiava a união do Foro de São Paulo, o petista fez uma série de críticas veladas a parceiros da esquerda. “Entre amigos, a gente conversa pessoalmente e não faz críticas públicas, porque as críticas interessam à extrema-direita, não ao povo”, declarou.

“Se nós tivermos algum problema com algum companheiro, a gente, em vez de criticá-lo publicamente, tem de conversar pessoalmente. Eu sou presidente, mas nenhum de vocês está proibido de fazer crítica a mim”, disse.

“Muitas vezes, nós da esquerda latino-americanas nos autodestruímos porque utilizamos nossos adversário, através dos meios de comunicação, para falar mal de nós mesmos, para tentar nos destruir e mostrar os defeitos. As virtudes nunca são mostradas”, declarou.

Foro de São Paulo
Fundado em 1990 por Lula e o antigo ditador cubano Fidel Castro, o Foro de São Paulo foi criado com o intuito de reunir a esquerda na América Latina após o colapso da União Soviética. Em 33 anos, a organização se consolidou como uma força que tenta impor pautas de esquerda ao subcontinente, apoiou grupos criminosos como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e faz vistas grossas a ditaduras.

Em seu pronunciamento, Lula relembrou a criação da organização e classificou o Foro como “uma bênção”. Em 1985, eu tinha consciência de que a gente jamais poderia chegar ao poder pela via do voto e pela via democrática, era uma coisa que eu tinha na cabeça naquele momento: ‘não é possível que um operário seja presidente pelo voto’. [Quando eu criei o Foro] eu falava que era preciso criar um mecanismo que evoluísse a consciência política das pessoas para elas votarem na gente”, disse.

O petista contou que a ideia da criação do Foro surgiu de quando ele fazia uma viagem a Cuba, no final dos anos 80. “Eu e Marco Aurélio conversávamos com Fidel Castro e falamos da possibilidade de fazer uma reunião com a esquerda latino-americana. Na época, os partidos eram pequenos e lutavam para ganhar espaços em seus países”, afirmou o petista.

Atualmente, organização reúne 123 partidos de esquerda de 27 países latino-americanos e caribenhos. Em solo brasileiro, de acordo com o site da organização, o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT) estão na lista de associados ao grupo. Procurada pela reportagem, no entanto, a assessoria do PDT que informou que não faz mais parte do grupo, ainda que o nome do partido conste na lista de associados no site do Foro de São Paulo.


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FUNDADO POR UM NAZISTA TENDO A MARRETA COMO TORTURA É O GRUPO WAGNER NA RÚSSIA

 

Mercenários
Fundado por nazista, com marreta para tortura: as entranhas do Grupo Wagner

Por
Eli Vieira – Gazeta do Povo

Vladimir Putin, presidente russo, visita a fábrica de merenda escolar do empresário Yevgeny Prigozhin em setembro de 2010.| Foto: Governo da Federação Russa

“Wagner: Por dentro do exército privado de Putin” explora a formação e ações do Grupo Wagner, uma organização paramilitar privada russa.
Revela a relação próxima do grupo com o Kremlin, apesar das negativas oficiais, mostrando seu papel em conflitos internacionais.
O documentário traz entrevistas exclusivas, imagens de drones e um olhar detalhado sobre como este grupo impacta a política global.


Um ex-assaltante de São Petersburgo recém-saído da prisão, ao testemunhar a queda do maior bloco socialista que já existiu, vê uma oportunidade. Ele abre um restaurante, o presidente do país (Vladimir Putin) logo se torna um cliente, realizando ali mesmo jantares cerimoniais com a presença de líderes como o ex-presidente francês Jacques Chirac e o americano George W. Bush. Aproveitando a nova amizade com Putin, o ex-assaltante logo passa a ser o principal fornecedor de merenda para as escolas da capital do país, além da ração militar para soldados. O dinheiro é fácil e volumoso, cerca de US$ 3 bilhões (R$ 18 bi na cotação atual, com inflação) só entre 2011 e 2019, segundo o jornal Current Time. O monopólio em contratos de licitações se expande para construção, a organização lembra a máfia.

Com o passar das décadas, o ex-presidiário continua farejando oportunidades, até se tornar a principal cabeça por trás de um grupo de mercenários empregado no conflito da Síria e na Guerra da Ucrânia. Em um país sem liberdade de expressão, ele critica abertamente o Ministro da Defesa e até arquiteta uma ameaça de tomada militar do governo, tudo para dar meia volta, sem sofrer retaliação dos ameaçados e insultados.

Como ainda usa um linguajar de um rapaz comum das ruas de São Petersburgo, com piadas chulas, insultos abertos aos adversários, além de um tino afiado para o marketing, ele tem um apelo popular comparável ao de Donald Trump. É possível até que aquele velho amigo do restaurante, Vladimir Putin, hoje estremeça ao pensar do que mais ele é capaz.

Essa é a história real de Yevgeny Prigozhin, 62 anos, contada no documentário “Wagner: Por dentro do exército privado de Putin” (Java Films, 2023 — ainda não disponível em plataformas de streaming). É um filme com apenas uma hora de duração, mas denso em detalhes. A direção de Raphaël Pellegrino se permite alguns poucos floreios, como a alternância de tempo na narrativa, mas não tem tempo para gorduras: especialistas franceses e testemunhas oculares dão uma sensação de nutrição informacional ao espectador, que termina saciado e, se sensível, profundamente perturbado.

A origem do Grupo Wagner
Três ex-empregados como mercenários de Prigozhin são entrevistados: dois grisalhos, que estavam lá no começo, Aleksandr e Marat Gabidoulline, exilados na França; e Viktor, um mais jovem que esconde o rosto e foi filmado na Crimeia.

O grupo de mercenários começou a se formar em 2014, quando separatistas de língua russa do Donbas, no leste da Ucrânia, tentavam a secessão. O Kremlin ajudava, fazendo propaganda que alegava que pessoas seriam mortas na região só por falar a língua russa. Aleksandr estava entre os seduzidos e recrutados entre os separatistas. Duas regiões declararam independência, e Putin viu a oportunidade para anexar a Crimeia.

A principal conexão do governo russo com o Grupo Wagner é a Diretoria Central de Pessoal das Forças Armadas da Federação Russa, antes chamada de Diretoria Central de Inteligência, conhecida pela sigla GRU. A unidade, que é parte do Ministério da Defesa, tem como principal elo comprobatório com os mercenários o fundador do grupo, Dmitri Utkin, que ela recrutou como um primeiro líder.

Utkin é, nas palavras dos entrevistados, um “valentão útil” de 1,90m. Após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, circularam entre simpatizantes de Putin tentativas de associar os ucranianos ao neonazismo. Quem tem foto na companhia de um neonazista, contudo, é Putin: o comandante Utkin tem tatuagens em homenagem aos genocidas alemães. Uma delas, acima da clavícula direita, é o logo da SS — organização paramilitar do Partido Nazista. Ele escolheu a alcunha “Wagner” para o grupo de mercenários porque é o nome do compositor favorito de Adolf Hitler.

A fundação do Wagner veio em 2015, na região de Krasnodar, sudoeste da Rússia, perto da Ucrânia. Com os mercenários, a GRU conquistou algo caro às suas atividades de inteligência militar: negabilidade plausível, caso quisessem executar ações como golpe militar na Ucrânia. Os uniformes eram russos, o treinamento era feito na base de Molkino, do Ministério da Defesa, mas nada disso era oficial.

A não-oficialidade do Wagner também em outras funções: o ex-mercenário Marat Gabidoulline conta que ele foi dispensado da carreira militar depois de assassinar um mafioso em 1993 e cumprir pena de três anos. A ficha criminal é problema nas Forças Armadas oficiais, mas não no grupo de mercenários — o recrutamento de fichas-sujas é um “jeitinho russo” para driblar leis e práticas do próprio país. Gabidoulline foi lutar na Síria em 2015, a favor de Bashar al-Assad contra os insurgentes jihadistas. Na época, eram 1500 mercenários ao todo.

Ele não é exceção: em setembro de 2022, Prigozhin, que até então negava ser o cabeça do grupo, foi às prisões recrutar mais mercenários para o front da Ucrânia e abriu o jogo: imagens o mostram cercado de presidiários, dizendo que é o chefe do Wagner, do qual eles já tinham ouvido falar. “Queremos os que gostam de lutar e precisam lutar”, diz ele. “O uniforme lhes permitirá fazer isso”. A campanha publicitária funcionou: em poucos meses, 40 mil presos se juntaram aos mercenários.

Como surgiu a rivalidade do Grupo Wagner com o Ministério da Defesa
Foi a negabilidade plausível a semente da discórdia entre Prigozhin e Sergei Shoigu, ministro da Defesa russo. Em 2018, na Síria, os americanos avistaram por satélite mercenários do Wagner que tinham como missão retomar campos de petróleo das mãos dos jihadistas para al-Assad. Em troca da defesa, al-Assad cedeu 25% dos lucros do petróleo para o grupo.

Os americanos ligaram para o Ministério da Defesa, perguntando se aqueles eram seus homens. O ministério negou. Assim, Washington sentiu-se livre para bombardeá-los. Cem deles morreram, 23 do grupo de Gabidoulline, que foi atingido por estilhaços e ficou com sequelas na perna esquerda. O ex-combatente se sente traído. “Sou mercenário, sim. Fui para lá por contrato. Não significa que a minha vida, o meu direito à vida, pode ser ignorado”, diz ele. Foi assim que o ex-oficial descobriu que ele e seus colegas eram bucha de canhão para o Ministério da Defesa e o Exército.

Os mercenários são 20% do contingente russo no conflito da Ucrânia. Mais motivados, são proibidos de bater em retirada. Em cada enfrentamento, cerca de 80% deles terminam mortos. E seus corpos são utilizados por Prigozhin em sua guerra de propaganda contra Shoigu e seu ministério. O empresário também aparece de capacete e colete à prova de balas, lançando petardos verbais contra o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky a cada cidade conquistada, para realçar o contraste entre a sua atitude e a dos líderes no Kremlin confortáveis em seus escritórios. Um mestre da propaganda.

Atrocidades na África
Enquanto Prigozhin coloca seus homens no moedor de carne na Ucrânia e participa de aventuras como ameaçar tomar Moscou e desistir a 200km da capital, sem grandes retaliações de Putin, que o deixou partir para Belarus; é na África que o Wagner cresce de verdade.

A República Centro-Africana (RCA) e seu presidente, Faustin-Archange Touadéra, comem na mão dos mercenários. O documentário mostra os membros do Wagner andando pelas ruas sem pavimentação da capital Bangui. A câmera é escondida, pois três repórteres russos morreram por lá em circunstâncias suspeitas, em 2018.

O parlamentar Joseph Bendounga é taxativo: diz que o grupo Wagner é terrorista e que Touadéra “vendeu a alma para sentar na cadeira de presidente”, “um mero lacaio da Rússia”. Outro entrevistado mostra documentos que revelam os interesses de Prigozhin na região: em 2019, o presidente da RCA rescindiu misteriosamente um contrato com uma empresa canadense que operava em uma mina de ouro da região, na jazida de Ndassima. Três dias antes da reabertura das licitações, foi criada uma empresa chamada Midas Ressources, que fechou contrato. Em seu site, a empresa alega genericamente ter uma longa tradição ao redor do mundo. Mas um documento do Ministério de Minas endereçado a Touadéra deixa escapar um detalhe: “empresa russa”. O Departamento de Tesouro americano afirma que a Midas tem ligação direta a Prigozhin.

O Wagner também tem interesse em minas mais artesanais. Uma testemunha ocular entrevistada descreve uma atrocidade em uma mina de ouro de Aïgbado, vila no Leste da RCA. Helicópteros apareceram e começaram a alvejar civis (os únicos presentes no local). “Vi coisas terríveis. Pessoas cortadas ao meio por morteiros e projéteis. Mulheres e crianças perderam a vida. Outros morreram na minha frente com os ferimentos”, relata o homem, que agora se esconde na capital. “Nunca esquecerei”. Entre 65 e 70 pessoas morreram. O relato é corroborado por reportagem do jornal The Daily Beast.

O documentário também ouviu uma organização de apoio a mulheres vítimas de abuso, a Omica. O líder da ONG acusa os mercenários de dezenas de casos de estupro, inclusive estupro coletivo de 16 homens contra uma única mulher. Uma vítima que teve parentes e o marido morto e foi estuprada por quatro presta depoimento frente às câmeras. Com os laços do governo da RCA com o Wagner, é improvável que obtenham justiça.

O magnata hoje tem um grande conglomerado, o Concord Group, com cerca de 400 empresas em mineração, hotelaria e até mídia. Uma iniciativa midiática é a Internet Research Agency, que faz propaganda contra o Ocidente. Uma das mais notórias das campanhas de propaganda contra a França foi feita no Mali, também uma ex-colônia francesa. Tropas francesas estão no país, com a justificativa de combate ao terrorismo, desde 2013. Em abril de 2022, uma conta anônima no Twitter postou fotos e vídeos acusando os militares franceses de executar malianos e jogá-los em uma cova coletiva. Os franceses agiram rápido: mandaram um drone para fazer imagens aéreas. Nas imagens, homens de uniforme russo usam pás para montar a cena com cadáveres que obtiveram de outro local.

A marreta
Um objeto que se tornou símbolo do grupo Wagner é a marreta de demolição. Um dos primeiros registros de seu uso foi contra um desertor do exército de al-Assad na Síria, em 2017. As imagens mostram os mercenários esmagando os pés do homem, que tem identidade conhecida. Ele foi esquartejado, seus restos foram içados em um gancho e incinerados.

A marreta também foi usada contra um desertor do próprio grupo, Yevgeny Anatolyevich, que se identifica assim em um vídeo que circulou nas redes sociais no final de 2022. Logo após dar seu nome, dizer que nasceu em 1967 e fazer uma breve declaração, ele é esmagado.

Após a repercussão, Prigozhin publicou uma nota oficial comentando o caso: “Eles o mataram como o cão que ele era. Parabéns ao realizador. Belo trabalho. Dá para assistir numa sentada. Espero que nenhum animal tenha sido ferido na filmagem.” Em janeiro de 2023, mesmo mês em que acusou o Ministério da Defesa russo de traição, usando fotos de dezenas de mercenários mortos, ele presenteou os combatentes com uma marreta decorada com o logo do Wagner.

O documentário vai até logo antes da intentona abortada de Prigozhin contra o Ministério da Defesa. Desde então, Putin reconheceu que era o governo russo quem financiava o grupo Wagner.


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COMO TODO MUNDO JÁ PREVIA BOLSONARO FICARÁ INELEGÍVEL A PARTIR DE HOJE

 

Julgamento

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


Ministro Benedito Gonçalves. relator da ação no TSE, votou pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro.| Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE

Nesta sexta, Jair Bolsonaro vai ficar inelegível até 2030. Já está 3 a 1 – o único voto favorável foi o do ministro Raul Araújo, que ficou do lado da Constituição, do inciso IV do artigo 5.º, que diz que, não havendo anonimato, é livre a manifestação do pensamento. Isso vale para presidente da República também, e foi isso que Bolsonaro fez diante dos embaixadores no Alvorada, mostrando as suas desconfianças em relação à urna sem comprovante de voto. Ironicamente, quem apresentou a queixa ao TSE foi um partido que desde sempre defende o comprovante do voto. Desde que o seu líder máximo, Leonel Brizola, botou a boca no mundo para não ser prejudicado na contagem informatizada lá da Proconsult. Se não tivesse gritado, talvez ele não teria sido eleito governador do Rio de Janeiro.

O relator Benedito Gonçalves gastou 382 páginas para demonstrar que Bolsonaro praticou crime eleitoral, de abuso do poder econômico e poder político ao falar para os embaixadores estrangeiros, que não são eleitores no Brasil. De 3 a 1 o placar deve ir para 5 a 2. Supõe-se que Kassio Nunes Marques possa votar a favor dele, mas os outros votos são da ministra Cármen Lúcia e do ministro Alexandre de Moraes.

O que vai acontecer agora é que Bolsonaro vai ser turbinado. Estão dizendo que ele está sendo crucificado, vai virar Cristo alguém que já tem Messias no nome, e talvez seja um empuxe aí de ressurreição, porque ele não vai poder receber voto, mas cada vez mais é reforçada a possibilidade de ele eleger pessoas como tem feito até hoje. Elegeu governadores, elegeu senadores, elegeu deputados, é o que tem feito nesses dias.

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Nesta quinta-feira, o presidente Lula participou do Foro de São Paulo. Que muita gente, durante a campanha eleitoral, disse que não existia, que era uma invenção, mas não é. Está aí o Foro de São Paulo, criado por Lula, Fidel Castro e Hugo Chávez, como alternativa para o fim da União Soviética, para o marxismo continuar no terreno fértil da América Latina. Lula, talvez tão envolvido com o Foro de São Paulo, não teve tempo – pelo menos eu não vi – de declarar luto nacional pela morte de um herói, Alysson Paolinelli, que fez a revolução verde no Brasil, da agricultura tropical.

Agricultura, no mundo, só dava certo em região temperada. Mas Alysson Paolinelli e sua equipe da Embrapa converteram o Brasil no celeiro do mundo, evitando a fome que é motivo para guerras. Por isso ele foi indicado por duas vezes ao Prêmio Nobel da Paz, e ganhou aquele que é chamado de “Nobel da Agricultura”, que é o World Food Prize, em 2006. Ele foi ministro no governo Geisel e foi três vezes secretário de Agricultura em Minas Gerais, onde o governador Romeu Zema e muitas prefeituras decretaram luto. Tomara que alguém pense em levar o nome dele para o Panteão dos Heróis, lá na Praça dos Três Poderes.

Ficamos muito orgulhosos em saber que nós somos capazes de produzir homens da estatura de Alysson Paolinelli. Eu quero fazer esse registro porque me orgulho de ter convivido com ele desde o início, quando chegou aquele jovem com quatro anos a mais do que eu. Ele tinha 37, 38 anos quando virou ministro da Agricultura. Um hectare no cerrado não valia um tostão furado. Hoje, o fruto é de grandes colheitas que dão equilíbrio para a balança comercial brasileira, para o nosso balanço de pagamentos, que trazem divisas que permitem que importemos e que cresçamos.


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O PELOTÃO DE FUSILAMENTO FOI MONTADO PARA LIQUIDAR O BOLSONARO

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo


Partido de Bolsonaro criticou julgamento no TSE e diz que ação quer tirar o ex-presidente conservador de cena.| Foto: Isaac Fontana/EFE

Imagine-se, por não mais do que três minutos, o que estaria acontecendo se o réu a ser executado no julgamento do TSE, e transformado em pária “inelegível”, fosse o presidente Lula – e não Jair Bolsonaro. Por que não? Lula foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, em três instâncias e por nove juízes diferentes. Bolsonaro não foi condenado por crime nenhum. Seria então muito razoável que Lula, e não o seu antecessor, fosse o homem que o TSE quer eliminar da política brasileira.

É melhor nem pensar num cataclisma desses. Lula inelegível, por violação da Lei da Ficha Limpa? O mundo viria abaixo. Os signatários da Carta aos Brasileiros estariam em absoluta crise de nervos. A esquerda iria pedir a intervenção da ONU no Brasil. O MST iria colocar o seu “exército” nas ruas para derrubar a condenação. Nos cinco continentes, os militantes do “campo progressista”, o Greenpeace e os bilionários socialistas estariam horrorizados com o que chamariam de maior agressão já feita contra a democracia desde as disputas da Grécia Antiga. Mas o pelotão de fuzilamento foi montado para liquidar Bolsonaro; nesse caso, vale tudo. A esquerda e os liberais do “Brasil civilizado” dizem que a condenação vai salvar a “democracia”. Fim da discussão.

O pelotão de fuzilamento foi montado para liquidar Bolsonaro; nesse caso, vale tudo.

Não importa, nesse caso, o que a lei manda que se faça – se importasse alguma coisa, Bolsonaro não estaria respondendo a processo nenhum, pois não fez nada de ilegal. Mas, como dizem os próprios autores da ação contra o ex-presidente, “os fatos” não devem contar nesse caso, nem a “letra fria” da lei. A “salvação da democracia”, no seu entendimento, deve estar acima dos fatos e da lei – é um bem supremo, e para preservar essa preciosidade 140 milhões de eleitores brasileiros devem ser proibidos de votar em Bolsonaro. Essa gente não sabe votar, na visão do STF-TSE e da esquerda nacional; tem de ser protegida dos seus erros pela autoridade superior.

Bolsonaro criou, segundo os acusadores, “um clima antidemocrático” no Brasil. Quis dar um “golpe”; não deu, mas provavelmente iria dar, ou deixou a impressão que daria, ou bem que poderia ter dado. É esse o “arcabouço” amplo e geral das acusações feitas contra ele. Nada disso é crime, obviamente, nem aqui e nem em lugar nenhum do mundo. Mas o ex-presidente está sendo julgado não pelo que fez, mas por ser quem é.

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Tudo serve, aí. Bolsonaro é culpado por criar “desconfiança” em relação às urnas eletrônicas – quando o próprio Congresso Nacional aprovou uma lei mandando substituir o sistema atual por um outro, em que os votos pudessem ser comprovados por escrito. Que desconfiança maior do que essa poderia haver? Dizem que as “minutas do golpe” indicam sua participação em planos para eliminar o “Estado de Direito” – um disparate tão óbvio que um ministro do próprio TSE achou a história toda sem pé e sem cabeça.

O ex-presidente é acusado, também, de ser “o responsável”, de um jeito ou de outro, pelos atos de violência em Brasília no dia 8 de janeiro – embora estivesse a 3.500 quilômetros de distância do Brasil neste dia, e não haja nem um átomo de prova material de que tivesse alguma coisa a ver com o que aconteceu. Mais que tudo, ele perdeu a eleição – é acusado de influenciar a votação com “o uso indevido” do poder, mas perdeu. Que golpe é esse?


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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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