A democracia relativa de Lula, o super-homem inimputável
Por Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo
Lula, o inimputável, chupando uma poncã, mexerica, morgote,
bergamota ou mimosa. Sei lá!| Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência
Brasil
No começo do ano, quando Reinaldo Azevedo teve a duvidosa honra
de entrevistar cara a cara, tête à tête, o Lula, lembro que ele fez uma
pergunta que me deixou mais intrigado do que revoltado. Ele perguntou
como o Lula fazia para não se sentir imortal ou invencível ou
indestrutível ou qualquer coisa assim. Principalmente depois de ter sido
o primeiro ex-presidiário eleito presidente do Brasil. O primeiro de
muitos, suponho.
E aqui abro um parêntesis bem rapidinho para pedir desculpas. Talvez o
Reinaldo Azevedo tenha usado outro adjetivo para seu rapapé travestido
de jornalismo. Mas a ideia era essa e, no mais, você não vai me obrigar a
assistir àquilo tudo, né? E aqui abro outro parêntesis mais ligeiro
ainda para dizer que, sempre que uso “àquilo”, me lembro da velha
professora de português que ensinava: não se usa crase antes do
masculino. Sabe de nada, inocente!
Fechados os parêntesis, volto a Lula e a Reinaldo Azevedo para dizer
que o maior vira-casaca da história recente estava certo. Lula é mesmo
invencível. Imortal, no sentido político da coisa. Indestrutível. Um
super-homem. A maior prova disso são as bobagens que ele vem
colecionando nos últimos meses e que, na boca de um Bolsonaro qualquer,
já teriam reduzido a República a escombros. O mais recente exemplo dessa
indestrutibilidade de Lula é a exaltação do processo eleitoral
venezuelano, seguida pela declaração surpreendentemente honesta (!?) de
que “o conceito de democracia é relativo”.
Neste momento, interrompo o texto para confessar que é muito estranho
usar Lula e “honesto” na mesma frase. Tive que ler uma, duas, dez vezes
para ver se fazia sentido. Até coloquei um “surpreendentemente” ali,
para dar uma disfarçada. Mas não sei se o advérbio expressa toda a minha
estranheza. Até porque, ao ouvir essas palavras pronunciadas na voz
cavernosa de Lula, me peguei concordando com o Montesquieu de Garanhuns.
Parem as máquinas! Difícil não concordar. Afinal, vivemos hoje a
democracia mais relativa de todos os tempos. Ou pelo menos dos tempos
que eu vivi. Uma democracia tão relativa que pode querer fechar rádio
crítica ao governo. Uma democracia tão relativa que pode considerar um
ex-presidente inelegível por causa de uma reunião à toa. Uma democracia
tão relativa que abriga reunião de ditadores. Uma democracia tão
relativa que… ah, você entendeu.
Mas sou obrigado a novamente evocar o nome do ex-presidente para
dizer que, por muito muito muito MUITO menos, os Reinaldos Azevedos e
Mírians Leitões dos Pravdas da vida pediram impeachment, Tribunal de
Haia, guilhotina e paredón para Bolsonaro. Que, vamos combinar, não era
exatamente um ás das palavras. Esse rigor todo dos puritanos democratas é
que nunca entendi. Se bem que faço questão de não entender gente má.
Por falar em “ás das palavras”, PAREM AS MÁQUINAS!
Porque me ocorreu agora (me lembrei de “Tempos Modernos”, de Paul
Johnson) que a fala de Lula revela o quanto o ex-condenado se deixou
corromper pela mentalidade progressista, para a qual a fronteira entre o
certo e o errado não existe. Isso talvez explique a sem-cerimônia com
que ele mente, vive uma vida mentirosa e faz política idem. Afinal,
qualquer psicanalista de botequim sabe que a relativização de tudo (da
verdade, do Bem, do certo) é uma forma que as pessoas encontram de
justificar seus piores pecados. E de conviver “em paz” com eles. Uau.
Ou seja, temos o chefe de um poder, o Executivo, sem qualquer tipo de
freio, seja ele eleitoral, moral ou institucional. Temos um presidente
que fala o que quer e faz o que lhe dá na telha. E ainda há quem diga
que isso é uma democracia. Viu como é mesmo relativo o conceito? (E só
porque odeio terminar texto com pergunta fica aqui mais este
parêntesis).
O fenômeno, dizem especialistas, amplia o desafio de equilibrar as
contas do setor para operadoras de saúde e usuários, e escancara a
urgência de alterações no modelo de prestação de serviço, que deve ter
foco maior no acompanhamento de doenças crônicas e prevenção de
complicações. Se nada for feito, afirmam, os custos podem aumentar a
ponto de o plano de saúde passar a ser um artigo de luxo no futuro.
Historicamente, o maior volume de jovens entre os clientes ajuda a
compensar o aumento de custos que acontece durante o envelhecimento,
período da vida em que os beneficiários utilizam mais os planos. No
Brasil, o envelhecimento populacional vem
acontecendo de forma mais acelerada do que em outros países que
passaram pelo processo, o que explica o aumento de clientes idosos.
Por outro lado, as crises econômicas de 2015 e dos anos de pandemia
reduziram o número de empregos formais e, consequentemente, de
beneficiários mais jovens. Isso porque 83% dos cerca de 50 milhões de
brasileiros que possuem convênio médico são clientes de planos
empresariais.
Segundo levantamento da ANS feito a pedido do Estadão,
o número de beneficiários na faixa etária dos 20 aos 39 anos caiu 7,6%
entre 2013 e 2023, enquanto o de maiores de 60 anos saltou 32,6% no
período, índice muito superior à alta de 5,3% no total de clientes de
convênios médicos.
A faixa etária com a maior queda foi a dos 25 aos 29 anos, com
redução de 18,1% nos últimos dez anos. Já na outra ponta, o grupo de
idosos de 70 a 74 anos aumentou 41,9%. A segunda faixa etária com maior
aumento foi a de clientes com 80 anos ou mais – alta de 39,5%. Com isso,
a proporção de idosos entre o total de clientes de convênios passou de
11,4% para 14,4% na última década.
“O progresso material e os avanços da Medicina estão permitindo que a
gente viva mais. O que chama a atenção é a velocidade com que esse
processo está acontecendo. O que estamos vivendo em 20 anos, países
europeus demoraram mais de cem anos para viver”, diz José Cechin,
superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar
(IESS).
Além de o número de idosos estar aumentando no País, esse segmento
populacional é o que registra a menor rotatividade nos planos. “Eles
saem menos e trocam menos de operadora porque é mais difícil conseguirem
trocar e porque a percepção de necessidade é maior. Muitas vezes o
plano de saúde do idoso é rateado por toda a família”, diz Martha
Oliveira, especialista em envelhecimento e CEO da Laços da Saúde,
empresa especializada em cuidados domiciliares para idosos.
“Já os jovens, por terem planos ligados a empresas e menor percepção
de necessidade, costumam ser quem mais perde, cancela ou troca de plano,
em especial em momentos de crise econômica”, afirma.
‘Não é o envelhecimento o vilão’, diz especialista
Martha ressalta que o cenário demográfico não pode ser usado para
culpabilizar e punir os idosos sobre o aumento de custos. Ela afirma
que, embora seja verdade que o idoso custe mais ao plano, é preciso
lembrar que ele também paga um valor mais alto do que os jovens.
“Atrelar essa alta de custos dos planos ao envelhecimento é muito ruim. O
idoso utiliza mais o plano, sim, mas se você souber fazer a gestão
dessas pessoas, essa utilização a mais é custeada pelo valor mais alto
que ele paga”, diz.
Estudo do IESS mostra que o custo médio com um beneficiário a partir
dos 60 anos é de seis vezes o de um usuário de zero a 18 anos. O valor
da mensalidade da última faixa etária também só pode ser seis vezes
maior do que a da primeira, segundo regra da ANS. Cechin afirma que,
entre os idosos mais velhos, a partir dos 80 anos, o custo sobe muito e
que nem sempre o valor pago pelo beneficiário idoso é suficiente para
cobrir as despesas assistenciais, mas admite que não é repassando todos
os custos aos usuários que o problema será resolvido.
“Isso exige uma reestruturação hospitalar e campanhas e ações para a
gente evitar o adoecimento e controlar doenças crônicas. Se não fizermos
nada, o valor dos planos, que já está subindo acima da inflação, vai
ficar ainda mais caro e o plano poderá passar a ser um artigo de luxo”,
diz.
Ele defende que, além das operadoras, os empregadores, que são os
principais contratantes de planos de saúde, também desenvolvam ações de
prevenção e promoção da saúde para seus funcionários, o que ajudaria a
melhorar a condição de saúde dos usuários e a reduzir os custos.
Martha concorda que o caminho para redução de custos no sistema sem
punir o elo mais vulnerável – os beneficiários – passa pela prevenção e
acompanhamento de doentes crônicos, além de uso mais inteligente dos
recursos do sistema de saúde.
“Com certeza não é o envelhecimento que é o vilão. É preciso tirar o
preconceito de cima dessa população. O sistema está cheio de
desperdício, de refazimento. Falta organização e gestão, a pessoa fica
perdida na rede. Temos que requalificar essa prestação de serviço. Se
continuar como está hoje, teremos mesmo uma elitização. Menos pessoas
terão condições de pagar pelo plano”, diz.
‘Preço ficou inviável’, diz filha de idoso que paga R$ 9 mil de mensalidade
É o que já está acontecendo com o aposentado Nelson Roberti, de 84
anos. Cliente da SulAmérica desde a década de 1990, ele paga hoje uma
mensalidade de R$ 9 mil. “Sempre foi um valor alto, mas, de uns tempos
para cá, com os reajustes, está ficando inviável. A aposentadoria dele
não dá para pagar esse valor, a gente completa com a conta da família,
mas está difícil manter”, conta a filha do idoso, a advogada Tatiana
Saldanha Roberti, de 46 anos.
Nelson
Roberti, de 84 anos, e a filha, Tatiana, reclamam do alto custo e queda
de qualidade do plano de saúde Foto: Felipe Rau/Estadão
Ela reclama que, além das mensalidades altas, o pai sofre com queda
na qualidade do serviço prestado. “O preço está cada vez maior e o
serviço já não corresponde mais. Tivemos o descredenciamento de
hospitais, laboratórios. Descredenciaram um hospital que sempre usamos,
que fica a poucos minutos de casa. É muito ruim passar por isso
justamente no momento da vida de maior vulnerabilidade. A gente se sente
abandonado”, afirma.
Tatiana conta que outra dificuldade enfrentada pelos idosos é a troca
de plano. “Com esse valor, eu cheguei a tentar procurar um plano mais
barato, mas não encontro quase nenhuma opção. Já cotei todos que você
pode imaginar, mas ou não o aceitam ou o valor ficaria maior”, diz ela.
Procurada, a SulAmérica afirmou que o descredenciamento mencionado “foi
uma decisão unilateral” do hospital e que foram “sugeridas outras opções
de rede de atendimento com a mesma qualidade do serviço prestado”.
Marcos Novais, superintendente executivo da Associação Brasileira de
Planos de Saúde (Abramge), afirma que há operadoras focadas no nicho de
idosos e que as empresas vêm ampliando suas ações para tentar acompanhar
mais de perto essa população. Ele reconhece, no entanto, que é
necessário acelerar e ampliar essas ações.
“Os custos estão crescendo, mas temos que trabalhar para que eles
tenham um aumento sustentável. Para isso, temos que usar mais
telessaúde, ter atendimento personalizado com atenção continuada. Cada
vez mais o trabalho vai ser de acompanhamento, isso ajuda na gestão do
plano, mas temos um limitador: não há equipes suficientes para fazer
isso com todos os usuários”, diz.
Ele diz que o grande desafio é conseguir realizar essas mudanças no
mesmo ritmo do processo de envelhecimento da população. “Como esse
processo está acontecendo mais rapidamente no Brasil, a gente acaba
tendo custos mais elevados porque nossos investimentos nessa nova
infraestrutura precisam ser mais rápidos também”, diz.
O cenário é uma das razões apontadas pelos planos para a crise
financeira vivida pelo setor. De acordo com a Federação Nacional de
Saúde Suplementar (FenaSaúde), as operadoras registraram em 2022
prejuízo operacional de R$10,7 bilhões, o pior resultado desde o início
da série histórica, em 2001. Procurada para comentar os desafios do
setor frente ao envelhecimento, a entidade não quis dar entrevista.
Para os especialistas, podemos olhar para exemplos de outros países
que já passaram pelo processo de envelhecimento para buscar soluções
para a equação. Cechin, do IESS, cita a necessidade de ações por parte
dos governos, operadoras e empregadores para combater a obesidade, por
exemplo. “Reduzir a obesidade diminui também risco de doenças
cardiovasculares, problemas nas articulações, alguns tipos de câncer.
Tem países, como a Holanda, com programas para enfrentar essa questão”,
diz.
Martha também cita o país europeu. “Eles reconstruíram todo o sistema
de saúde sob essa ótica do envelhecimento, com uma lógica de levar o
cuidado ao paciente no seu domicílio, promover a autonomia, o
autocuidado. A Alemanha criou postos específicos para dar conta do
envelhecimento. A França também reorganizou seu sistema de saúde. É
verdade que esses países tiveram muito mais tempo para se preparar, mas
eles já passaram por isso, então podemos olhar e aprender com eles”,
diz.
Uma das maiores necessidades do ser humano é ter o controle sobre
seus objetivos e respectivos resultados, a partir das ações e das
decisões que toma em prol de seus objetivos de vida. Em decorrência, a
preocupação com a empregabilidade e estabilidade financeira é um tema
fundamental para cada um de nós.
Neste artigo, gostaria de discorrer sobre a questão do emprego, da
carreira e da empregabilidade, explorando estes aspectos de forma ampla e
sistêmica. Acredito que assim, a contribuição deste artigo poderá ser
mais profunda, ao abordar diretamente os fundamentos da empregabilidade.
À parte da questão econômica, das expansões e retrações cíclicas do
nível de atividade local e mundial, grande parte da responsabilidade
sobre nossa empregabilidade futura recai sobre as nossas decisões. Se
qualificarmos melhor as nossas decisões, teremos melhores resultados no
longo prazo.
Mas quais elementos precisamos ter para qualificarmos melhor as nossas decisões em busca de uma carreira promissora e longeva?
Hoje em dia, observamos vários ciclos de carreira em nossas vidas. Há
pouco tempo tínhamos uma vida e uma carreira se encaixava nesta vida,
apesar de podermos mudar de empresas, um mesmo ciclo e perfil
profissional percorria o início da vida profissional até a
aposentadoria. Hoje em dia, numa mesma única vida, temos que nos
reinventar e inovar, construindo diversas carreiras para a nossa
existência, que com o progresso da ciência tende a ser de forma geral
cada vez mais longa.
Para termos uma clara visão dos mecanismos subjacentes à
empregabilidade, gostaria de iniciar falando sobre paradigmas. Paradigma
é um conjunto de padrões, crenças e verdades que estão estabelecidas e
arraigadas em determinado momento na sociedade. Ele estabelece a forma
como achamos que as coisas funcionam, o que é verdadeiro e não é
verdadeiro, o que deve ser considerado e o que deve ser descartado à luz
da verdade considerada.
À luz disto, estabelecemos regras de convivência com o paradigma
vigente. A partir dele nós nos capacitamos e com base nele somos
medidos. Nós construímos instrumentos e ferramentas para conviver com
este paradigma, e o conhecimento e primazia no uso destes instrumentos
nos coloca numa zona de conforto.
Uma pessoa da idade média, por exemplo, teria que investir grande
parte do seu tempo se capacitando para sua defesa pessoal e no
desenvolvimento de habilidades com o escudo e a lança. A sociedade o
mediria com base nas habilidades no uso destes instrumentos. Quanto
maior a sua habilidade, mas ele se sentiria confortável em sua esfera de
atuação, entrando, portanto, numa zona de conforto. Zona de conforto
pode ser entendida como a nossa destreza no uso de ferramentas e no
entendimento das relações de causa-efeito valorizados pelo paradigma
predominante.
Muitas vezes dois paradigmas convivem no mesmo tempo, num processo de
transição entre o velho e o novo. Assim foi com a introdução da energia
elétrica nas fábricas, em substituição ao vapor para mover as máquinas.
No século XIX, os EUA possuíam parte de sua rede de comunicação por
telégrafo instalada na costa leste primeiramente, depois na costa oeste,
porém por muitos anos a ligação entre elas era realizada através de
carruagens. De um momento para outro, com a ligação entre elas, as
carruagens se tornaram obsoletas e o tempo para se trocar mensagens caiu
drasticamente.
Um argumento mais atual. Após o advento da pandemia, os estilos de
trabalho presencial versus remoto convivem atualmente, cada um
procurando ocupar o seu espaço e justificar suas vantagens e
desvantagens. É um processo de transição, que embora não saibamos ainda
como irá se concretizar, mas com certeza não será exatamente igual ao
que era antes do início da pandemia. Novas tecnologias, novos
instrumentos e ferramentas foram desenvolvidos, e a destreza no uso
delas marcará a nossa capacidade de nos mantermos relevantes.
Associado a estes mecanismos subjacentes, nossos estilos de liderança
também têm que se adaptar. Antigamente, um estilo de comando mais
hierárquico e controlador era largamente predominante. Há algum tempo,
cada vez mais passamos a valorizar estilos de liderança de contexto, com
foco nos resultados e na delegação. O comando migra do chefe
centralizador para os medidores de resultado.
Mas como podemos nos posicionar neste momento de tantas inovações?
O desafio é nos mantermos relevantes, qualquer que sejam as inovações
que ocorrerão. Carreiras e profissões, assim como no passado, podem se
tornar obsoletas no futuro. Empresas precisarão aprender a se manter
relevantes. Profissionais terão que aprender a se manter relevantes em
suas carreiras e suas empresas.
A pergunta certa a ser colocada é a seguinte: o que precisamos fazer para nos mantermos relevantes?
Precisamos estar atentos e renovar constantemente nossos
instrumentos, nossas capacitações, nossas crenças, nossas formas de
interagir com a sociedade.
Porém, em meio à tanta mudança, tem uma coisa que não muda, e esta é uma oportunidade que devemos explorar.
O lado comportamental do profissional sempre será demandado e
cobrado. A forma como mantemos nosso foco, a firmeza dos nossos
argumentos, a retidão das nossas ações, a confiança que transmitimos em
nossos grupos de trabalho, a nossa empatia, isto não muda e continuará
sendo valorizado. O autoconhecimento e a busca do aprimoramento através
da constante aprendizagem e do desafio de nossas próprias crenças são
caminhos seguros.
Como empresário de empresa industrial e de serviços, nitidamente
identifico que muito antes do conhecimento técnico ser firmado numa
entrevista, o candidato precisa passar pelo seguinte filtro: Posso
confiar nesta pessoa? Ele é mesmo assim como está se vendendo?
Em meio a tantas mudanças, o valor humano continua sendo o diferencial e é um aspecto que podemos ter controle sobre nós mesmos.
NOSSA MARCA. NOSSO ESTILO!
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EMPRESAS DO VALE DO AÇO.
O desejo de mudar, de transformar, de acreditar, são
fundamentais para irmos além. São agentes propulsores da realização de
sonhos. Já o empreendedorismo está presente no DNA dos brasileiros e
nossa história trouxa essa capacidade que temos de nos reinventar e de
nos conectarmos com você internauta e empresários que são a nossa razão
de existir.
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do Site da Valeon, podemos proporcionar o início do “virar de chaves”
das empresas da região para incrementar as suas vendas.
Assim, com inovação e resiliência, fomos em busca das
mudanças necessárias, testamos, erramos, adquirimos conhecimento,
desenhamos estratégias que deram certo para atingirmos o sucesso, mas
nada disso valeria se não pudéssemos compartilhar com vocês essa
fórmula.
Portanto, cá estamos! Na Plataforma Comercial Marketplace da
VALEON para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos
produtos e serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada dos
nossos serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e
público.
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exporem seus produtos e receberem acessos. Justamente por reunir uma
vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon
atrai uma grande diversidade evolume de público. Isso
proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores
que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por
meio dessa vitrine virtual.
O Site desenvolvido pela Startup Valeon,
focou nas necessidades do mercado e na falta de um Marketplace para
resolver alguns problemas desse mercado e em especial viemos para ser
mais um complemento na divulgação de suas Empresas e durante esses três
anos de nosso funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado
com tecnologia, inovação com soluções tecnológicas que facilitam a
rotina das empresas. Temos a missão de surpreender constantemente,
antecipar tendências, inovar. Precisamos estar em constante evolução
para nos manter alinhados com os desejos do consumidor. Por isso,
pensamos em como fazer a diferença buscando estar sempre um passo à
frente.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar
ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.
Apoio a ditaduras Presença de Lula no Foro de São Paulo reforça imagem negativa do petista no Brasil e no exterior Por Carinne Souza – Gazeta do Povo
Participação no Foro de São Paulo reforça imagem negativa de Lula no Ocidente| Foto: André Borges/EFE
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai discursar na reunião
geral do Foro de São Paulo, que vai acontecer nesta quinta-feira (29). O
evento reúne líderes de esquerda da América Latina e deve deixar a
reputação do petista ainda mais desgastada internamente e também no
exterior. Especialistas avaliam que Lula tem feito apostas erradas ao se
aproximar de ditadores e deve manchar ainda mais sua imagem
internacionalmente se reforçar o discurso anti-Ocidente que predomina
nas reuniões do grupo.
Fundado em 1990 por Lula e pelo antigo ditador cubano, Fidel Castro, o
Foro de São Paulo (FSP) foi criado com o intuito de unir a esquerda
latino-americana após o colapso da União Soviética. Em 33 anos, a
organização se consolidou como uma força que tenta impor pautas de
esquerda ao subcontinente, apoiou grupos criminosos como as Farc (Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia) e faz vistas grossas a ditaduras.
Atualmente, 123 partidos, de 27 países, estão associados ao Foro. Em
solo brasileiro, de acordo com o site da organização, o Partido dos
Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido
Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT)
estão na lista de associados ao grupo. Procurada pela reportagem, no
entanto, a assessoria do PDT que informou que não faz mais parte do
grupo, ainda que o nome do partido conste na lista de associados no site
do Foro de São Paulo.
Para a doutora em Ciências Políticas Deysi Cioccari, Lula está
“fornecendo argumentos para a oposição” ao posar com ditadores e
confirmar presença no Foro de São Paulo. Segundo a especialista, o
petista está apostando em um alto risco político, levando em
consideração que atualmente o Foro não é um consenso nem mesmo dentro do
PT. “Lula tem dobrado a aposta em questões sensíveis e [sua presença no
Foro de São Paulo] certamente vai reforçar a ideia de que ele apoia
ditaduras”, pondera Cioccari.
No final de maio, o presidente brasileiro tentou demonstrar força ao
reunir os presidentes da América do Sul em Brasília para a Cúpula da
América do Sul. Tal esforço, no entanto, foi minado por ele mesmo com
declarações equivocadas sobre a Venezuela. Ao se encontrar com o ditador
venezuelano, Nicolás Maduro, Lula disse que a Venezuela era “vítima de
uma narrativa de antidemocracia e autoritarismo”.
A fala do presidente brasileiro é totalmente equivocada. A Venezuela
possui um extenso histórico de crimes, entre eles prisões e assassinatos
de opositores políticos, censura de partidos políticos e repressão
pesada contra a livre opinião.
As alegações causaram reações em chefes de Estado de direita e também
de esquerda, que repreenderam as afirmações do petista. Ainda na última
semana, durante viagem à França, Lula também teve um encontro com o
ditador cubano, Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez. Em sua conta no
Twitter, o petista disse que os dois discutiram “questões bilaterais que
foram abandonadas nos últimos anos”.
Para Cezar Roedel, mestre em Relações Internacionais pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e doutor em Filosofia
pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a participação
de Lula no Foro de São Paulo é mais uma prova de sua “subserviência a
modelos de regimes ditatoriais”. “[Tais afirmações e atitudes de Lula]
já prejudicaram sua imagem em relação ao resto do mundo, porque se
entende que a política externa que ele tem exercido é em prol do seu
interesse pessoal e não do que interessa ao país”, pontua.
VEJA TAMBÉM:
A ficha de crimes de Maduro que Lula chama de narrativa
Guaidó e ONGs criticam comentários de Lula sobre Maduro e Venezuela: “Esquece-se dos assassinados”
Lula transforma visita do ditador Maduro no principal encontro com os líderes da América do Sul Reunião do Foro de São Paulo acontece em Brasília e tem “Arraiá do PT”
Após ter as reuniões suspensas por três anos devido à pandemia de
Covid-19, o Foro de São Paulo escolheu Brasília para sediar seu 26º
encontro anual. Ainda que a página oficial da organização não deixe
claro os motivos para a escolha da capital brasileira, o fato de Lula
ser o atual presidente teria pesado para essa decisão, já que o petista é
um dos fundadores da organização, segundo apurou a reportagem.
O evento tem início nesta quinta-feira (29), às 19h, e Lula vai ser
um dos oradores na cerimônia de abertura do encontro anual. O cronograma
do Foro de São Paulo conta com programação para todo o final de semana
na capital federal. Além de palestras e seminários, os participantes do
evento também foram convidados para participar do Arraiá do PT, no Setor
de Clubes Sul. O ingresso custa até R$ 5 mil.
Diante disso, os deputados federais Carla Zambelli (PL-SP) e Coronel
Meira (PL-PE) apresentaram uma representação ao Ministério Público
Federal (MPF) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para suspender o
evento. No documento, os parlamentares afirmam que, ao analisar a
programação do evento, “observa-se um claro dano ao patrimônio público,
ao regime democrático e à probidade administrativa”, além de evidenciar
“interferência partidária estrangeira na pauta política nacional”.
“O “Foro de São Paulo” é uma ameaça à ordem jurídica e ao regime
democrático brasileiros, com a recepção de ideias e ideais autoritários,
de cunho ditatorial, especialmente quando se ouve, quando se dá guarida
a tais ideologias, a tais regimes de governos, de forma que é evidente
que essa simbiose de ideias, durante o encontro, interferirá na forma
como o Estado brasileiro será governado”, escreveram os parlamentares.
Além da suspensão dos eventos, os parlamentares pediram que seja
determinada a “proibição de ingresso em território nacional de
representantes do Partido Comunista de Cuba, Partido Socialista Unido da
Venezuela e Frente Sandinista de Libertação Nacional da Nicarágua”.
Foro de São Paulo reforça imagem negativa de Lula no Ocidente Para
os especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, Lula erra, mais uma vez,
ao marcar presença no evento. “A esquerda sempre flertou com esses
personagens ditatoriais mas, até então, com certa parcimônia. O fato é
que não existe ditadura boa e Lula parece ter esquecido completamente
disso. A discrição parece ter ficado em outros tempos. Certamente, a
presença de Lula dá um indicativo de um olhar cuidadoso a essas
ditaduras”, analisa Cioccari.
Já na concepção de Roedel, a participação do presidente brasileiro
não é uma surpresa e Lula deve aproveitar a oportunidade para repetir
alguns discursos. “Provavelmente ele deve discursar sobre a integração
latino-americana e a soberania da América Latina, algo que ao meu ver é
completamente intangível e ideológico. Talvez também surja aquele
antiamericanismo bobo da esquerda e se observe alguma crítica à questão
das moedas”, explica o especialista citando críticas que o petista já
fez sobre a hegemonia do dólar.
Os ataques aos Estados Unidos são uma das características do Foro de
São Paulo que, por outro lado, vê a China como uma “influência para a
paz”. O governo chinês, porém, é acusado de fazer presos políticos,
perseguir minorias religiosas, violar os direitos humanos e adotar leis
que não permitem a liberdade de expressão. Para Roedel, ao promover o
Foro de São Paulo, Lula só reforça a imagem negativa que ele carrega
desde que fez afirmações controversas sobre a Venezuela e a invasão
russa na Ucrânia.
Roedel afirma que, ao se reunir constantemente com ditadores, Lula
“já se prejudicou com aqueles países que conduzem políticas externas
sérias, porque suas declarações mostram que ele tem defendido seus
interesses pessoais”. O especialista ainda ressalta que o atual
mandatário brasileiro parece perdido em meio às suas estratégias: “Lula
parece querer criar algum tipo novo de governança global que nem mesmo
ele é entende”, finaliza.
O governo brasileiro tem argumentado em sua defesa que é preciso
conversar com todos os governos sem tomar partido ou interferir em
assuntos internos.
Perdido e apegado ao passado, o petista está preso a uma esquerda que
não existe mais. “Me parece que a esquerda [brasileira] está perdida
desde a queda de Dilma”, analisa Cioccari. De acordo com a cientista
política, o bloco tenta se manter unido em um ideal “ultrapassado” onde o
intuito seria manter a chama ideológica ainda acesa.
Para Cezar Roedel, os conceitos nos quais a organização se apoia são
“equivocados”. À reportagem, o especialista pontua que o grupo que diz
buscar a “soberania da América Latina e a integração regional”, na
verdade, tem interesses “difusos” pautados pela ideologia e pela
associação a ditaduras e até organizações criminosas.
Fidel Castro e Hugo Chávez são exaltados no Foro de São Paulo No
grupo criado pelo ditador Fidel Castro, outros tiranos também ganham
local de destaque. Anualmente, o Foro de São Paulo faz uma reunião para
discutir temas e implementar pontos de integração entre os
países-membros. Nessas ocasiões, os participantes utilizam um documento
base para guiar as discussões dos encontros. No texto deste ano, um dos
pontos exaltam a “firmeza e avanços de Cuba, Venezuela e Nicarágua”. Os
países são considerados ditaduras de esquerda e seus respectivos líderes
são acusados nos tribunais internacionais de crimes políticos e contra
os direitos humanos.
“As vitórias presidenciais no México, Santa Lúcia, Bolívia, Brasil,
Colômbia, Honduras, Peru e Chile são exemplos eloqüentes. A crescente
liderança dos presidentes do México, Honduras, Cuba, Venezuela,
Colômbia, Bolívia e Brasil foi decisiva para impedir as tentativas
imperialistas de dividir e fragmentar a região”, diz ainda o texto.
Em um dos 99 pontos do documento base, também há espaço para exaltar o
antigo ditador da Venezuela Hugo Chávez: “[…] devemos lembrar a morte
do comandante Hugo Chávez há 10 anos, depois de chegar ao poder
democraticamente, sofrer um golpe e retornar à presidência. Chávez
iniciou um novo capítulo na Venezuela e em todo o continente, ao se
tornar um exemplo de luta contra o neoliberalismo e o imperialismo,
iniciando o enfrentamento concreto das heranças das ditaduras militares
na América Latina e Caribe”.
Guerra por poder e cargos Disputa por vagas em tribunais superiores e na PGR entra no jogo político do julgamento de Bolsonaro
Por Sílvio Ribas – Gazeta do Povo Brasília
| Foto: José Cruz / Agência Brasil
Em razão do impacto
potencial sobre o horizonte político, sobretudo em favor do governo de
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o julgamento no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) que pode deixar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
inelegível fomentou disputas de magistrados por vagas em tribunais
superiores e na Procuradoria-Geral da República (PGR).
Uma prova disso veio já na primeira sessão da análise do caso no TSE,
na última quinta-feira (22), quando o vice-procurador-geral eleitoral,
Paulo Gonet, defendeu com veemência a condenação do ex-presidente por
abuso de poder político e uso indevido de meios estatais de comunicação.
Curiosamente, seu nome chegou a despertar a simpatia de aliados de
Bolsonaro no passado.
Em abril, Gonet, cotado para assumir o posto de Procurador-Geral da
República (PGR), já havia manifestado apoio à condenação de Bolsonaro e à
inelegibilidade dele por oito anos, devido à realização de reunião com
embaixadores estrangeiros em que o ex-presidente lançou suspeitas sobre
as urnas eletrônicas, em julho de 2022. Ele conta com apoio dos
ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF). O atual PGR, Augusto Aras, encerra o seu mandato em
setembro.
Chamou a atenção os termos usados por Gonet em suas falas,
ressaltando no TSE o discurso adotado por Bolsonaro diante dos
embaixadores como reforço a outros atos e uma perturbação à
“tranquilidade institucional”. Ele classificou de “temerárias” e
“infundadas” as críticas do ex-presidente ao sistema eleitoral e
salientou o “infesto potencial antidemocrático” delas. No parecer
escrito, o procurador destacou a “gravidade do discurso contra a
confiabilidade do sistema de votação”, mas sem usar expressões
agressivas.
Observadores acreditam que o esforço de Gonet e de outros
procuradores e juízes para buscar “mostrar serviço” visando cargos
elevados teria entre as suas motivações a decisão de Lula de não
considerar a lista tríplice de candidatos por votação interna da
Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que apontou
Luiza Frischeisen como a mais apoiada, com 525 votos.
Vera Chemin, advogada constitucionalista e mestre em Direito Público
pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que a competição entre
magistrados por vagas nos tribunais superiores reflete a intensa
polarização política no país, que ganhou força com a ascensão da direita
representada por Bolsonaro. Ela observa que, dado que a esquerda não
enfrentava oposição equivalente no passado, a radicalização ideológica
está gerando reações sem precedentes no cenário político, inclusive de
membros do Judiciário.
A advogada entende que a contaminação política resultou na atual
corrida pelas vagas, apesar da exigência constitucional de seleção de
magistrados e procuradores para o STJ e o STF. Nesse contexto, a
condenação de Bolsonaro seria a forma mais rápida e eficiente de adesão
ao poder daqueles que se utilizam de favores prestados ao presidente da
República e ao presidente do TSE como garantia de progressão
profissional e de mais poder, prestígio e benefícios.
O julgamento do ex-presidente já teve duas sessões na Corte Eleitoral
e será retomado nesta quinta-feira (29), a partir das 9 horas. Na
terça-feira (27), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral e ministro
Benedito Gonçalves, relator da ação do Partido Democrático Trabalhista
(PDT) contra Bolsonaro, votou pela inelegibilidade.
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Em julgamento no TSE, relator vota para tornar Bolsonaro inelegível por 8 anos Idade pode impedir Benedito Gonçalves de chegar ao STF
Há 20 anos visto como potencial candidato a uma vaga no Supremo
Tribunal Federal (STF), o ministro relator da ação do PDT contra
Bolsonaro, Benedito Gonçalves, obteve nova projeção no julgamento do
TSE. Como integrante do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ele tem na
idade um obstáculo para postular o cargo, pois a idade de 70 anos que
completará em janeiro de 2024 também é o limite para ingressar na Corte.
Ministros do STF têm aposentadoria compulsória aos 75 anos e os
indicados têm tido perfil dominante em torno de 50 anos, a exemplo do
mais recente, Cristiano Zanin, de 47 anos, escolhido por Lula.
O advogado constitucionalista André Marsiglia Santos considera
deplorável a troca de favores entre candidatos a cargos públicos e
governos. “Se a troca oportunista for comprovada, é simplesmente ilegal,
pois se trata de desvio de poder, quando se usa a autoridade para
finalidade desviada”, sublinhou. Ele acrescentou que o Judiciário é um
poder sem a legitimidade conferida pelo voto. Dessa forma, se suas
nomeações também passarem a servir às conveniências políticas, “o
déficit democrático se alarga”.
Para o cientista político André Felipe Rosa, o grande problema na
disputa de magistrados é a falta de estruturas democráticas dentro do
próprio processo de escolha, que ficam em segundo plano quando existe,
deliberadamente, um ativismo judicial forte, inclusive que pode figurar
dentro do STF e STJ. “Esse ativismo, que liga juízes e juízas a
políticos, faz com que as influências externas sejam preponderantes no
resultado dos escolhidos em tribunais superiores. Desta forma, não
necessariamente vence o melhor, mas aquele cujo peso político mais
preponderou”, analisa.
Alexandre de Moraes atua para impedir interrupção da votação O
julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no TSE iniciou na quinta-feira (22)
sob pressão do presidente da Corte, Alexandre de Moraes, para evitar
pedidos de vista, sobretudo por parte dos ministros Kassio Nunes Marques
e Raul Araújo, que são considerados alinhados ao ex-presidente.
Além disso, Moraes ainda pode antecipar o seu voto, já que ele seria o
último e com isso isolar Nunes Marques. Bolsonaro expressou esperança
de que a votação seja interrompida, apostando numa virada do cenário
desfavorável.
Dos sete membros do TSE, apenas Nunes Marques foi indicado por
Bolsonaro, o que aumenta o risco de maioria favorável à condenação ser
alcançada antes de eventual pedido de vista do ministro. Sobre a
questão, Bolsonaro afirmou à CNN: “Já que o voto do relator tem mais de
300 páginas, o ideal seria que alguém no início pedisse vista”. Nesse
caso, esse “alguém no início” seria Raul Araújo, mencionado por
Bolsonaro. Seu eventual pedido de vista teria o poder de paralisar o
julgamento antes dos demais votos.
Em fevereiro, Moraes encabeçou a mudança no regimento interno do TSE,
fixando prazos automáticos de até 30 dias, prorrogáveis por mais 30
dias, para a devolução da vista. Caso o pedido não seja devolvido, a
ação é liberada automaticamente.
Na visão de Juan Carlos Gonçalves, diretor-geral da ONG Ranking dos
Políticos, apesar da utilização de critérios objetivos nos processos
seletivos, é comum que a disputa por vagas em tribunais superiores seja
influenciada por questões políticas e alianças estratégicas. “A
indicação de magistrados para essas posições muitas vezes envolve
negociações e acordos nos bastidores, o que pode levantar dúvidas sobre a
imparcialidade e independência do Judiciário”, resume.
Por essa razão, ele defende que a competição por essas vagas reflete a
importância atribuída ao Judiciário e seu papel essencial na
consolidação do Estado de Direito. “É crucial que as posições em
tribunais superiores sejam ocupadas por magistrados competentes e
comprometidos com a justiça e a imparcialidade, a fim de garantir a
qualidade das decisões tomadas e manter a confiança da sociedade no
sistema jurídico. Por isso, é fundamental que a seleção dos magistrados
para essas vagas seja conduzida de forma transparente, baseada em
critérios técnicos e meritocráticos”, disse.
O ditador venezuelano Hugo Chávez em dezembro de 2006, quando
anunciou que o Estado não renovaria a concessão da emissora
oposicionista RCTV.| Foto: EFE / Daniel Galli-Miraflores
Neste momento em que a liberdade de expressão está ameaçada
no Brasil, muita gente nas redes sociais resgatou um fato recente da
história sul-americana: o fechamento do canal de televisão venezuelano
RCTV, em 2007, pelo ditador Hugo Chávez (1954-2013).
Uma das mais antigas emissoras do continente, a Radio Caracas
Televisión foi fundada em 1953 e ficou conhecida no mundo todo pela
popularidade de suas novelas. A partir de 1999, quando Chávez chegou ao
poder, o canal de maior audiência da Venezuela adotou um posicionamento
crítico com relação ao regime, que se intensificou nos anos seguintes
até ganhar ares de oposição assumida.
O “começo do fim” da RCTV, no entanto, aconteceu em 2002, quando a
empresa foi acusada, com outras duas tevês comerciais, de participar de
uma tentativa fracassada de tirar o ditador do comando do país (a
insurreição militar durou menos de três dias e acabou fortalecendo o
chavismo).
Enquanto as demais emissoras foram suavizando seus noticiários em
direção à neutralidade, a Radio Caracas Televisión se manteve firme no
questionamento às arbitrariedades cometidas pelo governo. A reação
oficial veio no final de 2006, quando o próprio Hugo Chávez, em um de
seus discursos públicos intermináveis, anunciou que o Estado não
renovaria a licença de transmissão da emissora (classificada por ele
como “golpista”). “A concessão vai acabar porque a Venezuela deve ser
respeitada”, disse na ocasião.
A decisão foi duramente condenada pela comunidade internacional, e
diversas organizações voltadas para a defesa dos direitos humanos
emitiram comunicados expressando repúdio e preocupação. O Senado
brasileiro também publicou uma nota lamentando a situação – respondida
em tom de deboche pelo ditador, que chamou nossos parlamentares de
“papagaios de Washington”.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu segundo mandato,
fez questão de passar pano (quando essa expressão ainda nem existia)
para Chávez. Sim, o petista considerou o ato “democrático” e, em
entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, declarou: “Eu acho que não dá
para ideologizar essa questão da televisão. O mesmo Estado que dá uma
concessão é o Estado que pode não dar a concessão”.
A RCTV encerrou suas transmissões na TV aberta em 27 de maio de 2007.
Nos dias seguintes, estudantes de diferentes cidades venezuelanas
saíram às ruas para protestar e sofreram dura repressão das forças de
segurança. Também há registros de confrontos violentos entre os jovens e
milicianos chavistas. Várias pessoas ficaram feridas e pelo menos
quatro foram baleadas.
Hugo Chávez considerou os manifestantes “vítimas da manipulação sem
escrúpulos da oligarquia”. E ordenou a expropriação de equipamentos da
emissora, que passaram a ser utilizados em um novo canal estatal, o
TVes, exibido na mesma frequência dos “golpistas” sufocados.
Depois de retomar suas atividades no sistema de cabo, a Radio Caracas
Televisión teve novamente seu sinal suspenso em 2010, por desrespeitar a
legislação venezuelana – que inclui, entre outras regras, a
obrigatoriedade da veiculação de mensagens governamentais e um limite na
apresentação de comerciais. Desde então, a empresa segue apenas como
produtora de conteúdo, vendendo programas para canais internacionais e
plataformas de streaming.
Exemplo próximo e emblemático do controle estatal sobre a mídia, o
fechamento da RCTV também foi relembrado no Brasil em 2019, quando a
tensão entre Jair Bolsonaro e a Rede Globo chegou ao seu grau máximo. Na
época, veículos de comunicação como a Folha de S. Paulo e a BBC
compararam o ex-presidente a Hugo Chávez e o acusaram de ameaçar a
emissora carioca com o cancelamento de sua concessão. Agora, com a Jovem
Pan sob risco de censura, não foram registradas manifestações
semelhantes em relação ao Ministério Público Federal de São Paulo.
O líder do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin.| Foto: Reprodução/Telegram/Yevgeny Prigozhin
A insurreição de Yevgeny Prigozhin, chefe do grupo mercenário Wagner,
não precisou derrubar o autocrata Vladimir Putin para fazer dele o
grande derrotado do inesperado evento que chacoalhou o mundo no último
fim de semana. As perguntas sem resposta ainda são inúmeras – o que é
típico em regimes como o russo –, mas é evidente que a imagem de Putin e
da máquina de guerra russa foi abalada a ponto de analistas
internacionais terem começado a se perguntar se não estaríamos
testemunhando o início do fim da era Putin, mesmo que esse fim ainda
leve muito tempo para se concretizar.
Prigozhin, cujos mercenários são parte importante do efetivo russo
que atua no ataque à Ucrânia, participando de algumas das campanhas mais
sangrentas da invasão, já vinha se desentendendo com os chefes
militares russos havia muitos meses, criticando desde estratégias
consideradas equivocadas até a pura e simples falta de suprimentos para
seus homens. Mas a movimentação de sexta-feira e sábado mostrou que
havia muito mais que meras divergências entre o chefe do Wagner e as
autoridades russas. Putin anunciou a intenção de incorporar os homens do
Wagner ao exército russo, ao que Prigozhin resistira; nos últimos dias,
a situação se deteriorou com velocidade impressionante. O chefe
mercenário acusou os russos de atacarem um acampamento do Wagner e
respondeu ocupando, sem dar um tiro, a cidade de Rostov-do-Don, sendo
recebido como herói pelos moradores. Na sequência, dirigiu-se para
Moscou, parando a apenas 200 quilômetros da capital russa. Oficialmente,
Putin e Prigozhin teriam se acertado, com a mediação do ditador da
Belarus, Alexander Lukashenko, aliado de Putin. O chefe do Wagner foi
exilado para a Belarus e o futuro dos soldados do Wagner ainda é
incerto.
Talvez não haja outra chance como esta para que os ucranianos retomem
a totalidade de seu território antes que os russos resolvam suas
diferenças internas ou antes que Putin resolva se tornar ainda mais
agressivo
Putin não caiu – e Prigozhin chegou a dizer que este nem era o
objetivo, no fim das contas –, mas sua imagem de homem forte, larger
than life na expressão inglesa, está arranhada. O autocrata que foi à
televisão no sábado chamar de “traidor” o líder mercenário acabou tendo
de ver sua antiga criatura, agora antagonista, escapar viva e sem
maiores punições que não um exílio – algo que não costuma ser o destino
costumeiro de quem desagrada Putin. Além disso, o motim demonstrou que
Putin não só foi incapaz de prever e conter a insurreição, como também
precisou recorrer à ajuda do ditador vizinho de um país menor, quando o
normal seria que o autocrata da superpotência viesse em auxílio do
parceiro em suas dificuldades. Os russos passaram a respeitar Prigozhin
porque, ao contrário de comandantes militares confortavelmente
instalados em escritórios longe do front, ele estava junto de seus
homens na Ucrânia; assim, ao criticar a invasão russa e suas motivações,
o chefe do Wagner ainda conseguiu abalar a máquina de propaganda
interna que pretendia unir o país em torno da “operação especial
militar” montada sob a alegação de “desnazificar” a Ucrânia.
Este é um gênio que não volta para dentro da garrafa. Ainda que, mais
cedo ou mais tarde, Prigozhin acabe vítima da tradicional xícara de chá
radioativo enquanto vive na Belarus, o estrago feito na campanha russa
na Ucrânia não tem retorno. Sem o Wagner, a necessidade de ampliar o
recrutamento, que já existia, será intensificada, desagradando partes da
sociedade russa – e há um limite para a quantidade de tropas que podem
ser mobilizadas sem uma declaração formal de guerra, o que por sua vez
apenas pioraria a situação russa diante da comunidade internacional. E,
mesmo que os mercenários retornem a seus postos na Ucrânia, eles e as
tropas regulares russas já se perguntam pelo que, afinal, estão lutando –
isso se estar do lado certo em uma disputa interna de poder não acabar
se tornando uma preocupação ainda maior que conquistar território
ucraniano.
VEJA TAMBÉM: Márcio Coimbra: A revolta do grupo Wagner e as rachaduras escondidas do Kremlin de Putin Filipe Figueiredo: O que você precisa saber sobre o motim do Grupo Wagner e a disputa de poder na Rússia Daniel Lopez: As 24 horas mais tensas deste século
Para a Ucrânia e seus aliados, que receberam de presente essa
enorme fissura no poderio de guerra russo, é a hora de aproveitar a
oportunidade e intensificar a contraofensiva que já apresentou
resultados, mas um pouco aquém do esperado. As promessas de ajuda feitas
pelo ocidente a Volodymyr Zelensky durante a cúpula do G7, no Japão, em
maio, têm de se concretizar rapidamente. Talvez não haja outra chance
como esta para que os ucranianos retomem a totalidade de seu território
antes que os russos resolvam suas diferenças internas ou antes que Putin
resolva se tornar ainda mais agressivo, com demonstrações de força que
também miram as eleições de 2024, nas quais a vitória era certa até que a
revolta de Prigozhin abalasse sua imagem.
Sim, e muito, só que não pelas razões que você
imagina. O conselho mais importante da ONU é o Conselho de Segurança,
do qual somente cinco países fazem parte de forma permanente: EUA,
França, Inglaterra, China e – você adivinhou – Rússia. Esse conselho
delibera sobre temas de segurança internacional e pode impor suas
decisões a todos os países-membros. É o único conselho da ONU com tal
poder e por isso é necessário voto unânime dos membros permanentes para
ter efeito. Basta um voto contrário e a ONU não pode intervir
militarmente ou impor sanções e embargos de todos os países membros
contra qualquer outro. É na análise do voto de cada um deles que se pode
determinar quem pode nos ajudar e quem pode nos prejudicar. Vamos a
ela.
O Conselho e seus membros – EUA, Inglaterra e França têm rivalidades
econômicas e geopolíticas com o Brasil: nosso agronegócio rivaliza com o
agronegócio dos EUA e Europa; nossa indústria, se reativada, pode
incomodar; e caso o Brasil resolva ativar suas indústria e forças de
defesa, EUA e Europa ficarão muito preocupados. Essas são algumas das
razões pelas quais nossa indústria de defesa sofre embargos silenciosos
de várias formas. Por isso também pecamos em não ter uma política de
defesa nacional efetiva para combater possíveis ataques e retaliações.
Caso o Conselho delibere qualquer tema contra o Brasil no quesito de
segurança, o voto desses três países já estará definido.
A China tem interesses de controle econômico do Brasil, mas
diferentemente dos EUA, França e Inglaterra, tem menos rivalidades
conosco: não somos um desafio para ao poderio industrial chinês, ao
contrário, dependemos de produtos industrializados de lá; nosso agro é
complementar, e não rival, às necessidades de alimentação da China; e
geopoliticamente não temos fronteira terrestre ou marítima com a China
capaz de bloquear suas relações com outros países na região. Entretanto,
na eventualidade de o Brasil se tornar soberano, com política própria, e
surgir um voto no Conselho de Segurança desfavorável ao Brasil, a China
será pragmática: se as resistências políticas de seus interesses
econômicos no Brasil forem enfraquecidas, ela votará contra, junto com o
primeiro grupo.
Nosso agronegócio rivaliza com o agronegócio dos EUA e Europa; nossa indústria, se reativada, pode incomodar
É aí que entra Rússia – A Rússia por si só não tem interesses nem
rivalidades com o Brasil, e essa relação neutra é fundamental no que
concerne ao Conselho de Segurança. Para nós, a Rússia é apenas mais um
parceiro comercial e vice-versa. Mas o Brasil pode ter um papel
fundamental para a Rússia no sentido de quebrar a hegemonia que EUA e
Europa exercem sobre a América Latina e África. Não que a Rússia queira
assumir o papel de poder hegemônico nessas regiões, pois a China já
ocupou esse espaço, mas para barganhar contra movimentações territoriais
e embargos que EUA e Europa impõem sobre a Rússia há vários anos. A
troca de apoio em áreas em que o Brasil é fraco, e deveria desenvolver, é
um efetivo e a Rússia sabe disso. O Brasil ganha apoio necessário para
dar um passo para se estabelecer e garantir sua soberania – lembrando
que o país está dentro da esfera de hegemonia dos EUA e Europa e sofre
de forma direta e indireta a influência desses blocos.
Situação da Ucrânia – Considerando o exposto acima, imagine três
cenários possíveis do conflito na Ucrânia: 1- Putin cai, abrindo espaço
para mais um ditador, só que este mais alinhado à Europa; 2- Putin cai, e
a China passa a ser quem define toda a política externa da Rússia; 3-
Putin fica, mas perde poder político e se torna um títere, sucumbindo
aos interesses dos chineses e do Ocidente (muito parecido com o que o
Brasil é hoje). Quais desses cenários são bons para o Brasil? Nenhum.
Na verdade, todos esses cenários são péssimos para o Brasil.
Essa última afirmação é difícil para muitos entenderem, muito menos
aceitarem, mas se existe um país neutro com força para se contrapor aos
países que tenham interesses ou rivalidades com o Brasil, esse país é a
Rússia. Por isso não interessa ao Brasil ver a Rússia se esfacelar ou
sucumbir a outros poderes hegemônicos.
Muitos condenam a Rússia por nunca ter sido uma democracia, mas
sempre um tipo de autocracia: por parte dos imperadores russos, dos
ditadores comunistas ou atualmente de Putin e seus oligarcas. Outros
adoram a Rússia pelos motivos opostos: por adorarem modelos
autocráticos, fundados numa versão torta da história russa que define
como positiva a revolução comunista em 1917 ou por combaterem o
“imperialismo” norte-americano.
Mais recentemente, com a guerra da Ucrânia, surgiu uma torcida que
condena a invasão e outra que defende os intentos russos. Só que ambos
os grupos tecem um futuro do que pode ou deve acontecer baseado nesse
evento isolado, sob o prisma limitado do conflito daquela região. Nesse
ponto, o posicionamento do Brasil do governo passado era adequado:
condena a invasão da Ucrânia, mas não quer entrar no bloco de países que
praticam retaliações contra a Rússia. Esse posicionamento significa que
o Brasil não é contra o governo da Rússia, mas contra as decisões que
esse governo tem tomado. E também significa que o Brasil não é contra a
nação russa – ou Estado russo – pois as sanções afetam a sua população
assim como a nossa.
O Brasil pode ter um papel fundamental para a Rússia no sentido de
quebrar a hegemonia que EUA e Europa exercem sobre a América Latina e
África
No governo atual parece que esse pragmatismo saiu de cena. O
alinhamento político e ideológico entre governos da mesma cepa
autocrática é mais importante que os interesses de Estado. Ou seja, as
perdas que podem decorrer ao Brasil e ao povo brasileiro são secundárias
aos interesses políticos do atual governo de fazer bonito com os outros
governos “amigos”. Grande erro.
Temos que examinar os eventos internacionais a partir dos interesses
do Brasil e passar a ter uma visão mais pragmática e realista de como
esses conflitos podem afetar nossas políticas e relacionamentos de forma
direta e indireta. Se olharmos todo relacionamento externo dessa forma
mais acurada, o Brasil não deveria nunca se vincular a qualquer
governo, mas buscaria sempre acordos que possam perdurar entre os
Estados.
Por isso, como país, não devemos defender o que qualquer governo faz
ou deixa de fazer; temos de pensar nos interesses do Brasil como Estado e
nação e agir a partir disso. A opinião pública tem de ser sempre livre,
mas as instituições que representam o Brasil de forma permanente têm de
zelar pelo interesse nacional atemporal – mesmo que a opinião pública e
o governo pensem diferente.
É difícil desvincular o Estado de seu governo? Às vezes, sim,
sobretudo quando se lida com autocracias. Mas no jogo complexo das
relações exteriores essa distinção é fundamental. E é sob esse aspecto
que nosso país perde se a Rússia deixar de ser um país soberano.
A população do país chegou a 203,1 milhões em 2022, com aumento
de 6,5% frente ao censo demográfico anterior, realizado em 2010.| Foto:
Fernando Frazão/Agência Brasil
Não é uma boa notícia… é boa, mas não é boa, como diria a
ex-presidente Dilma: nossa população não cresceu como esperávamos. Somos
203 milhões de brasileiros, e não 215 milhões. O IBGE chegou a projetar
que a população havia subido para 213 milhões, mas constataram outra
coisa no Censo. Mesmo considerando que 4% das residências não atenderam,
projetou-se um número de moradores, e chegaram a pouco mais de 203
milhões de habitantes.
A notícia boa é que, na última década, crescemos 0,5% ao ano,
enquanto na década anterior crescíamos o dobro disso, e lá atrás
crescíamos 2%, 3%. Quando eu nasci, nós éramos um quinto, 20% do que
somos hoje. Crescemos muito e isso demanda serviços públicos de saúde,
de educação, de transporte, é um desafio. Escola para todo mundo,
emprego para todo mundo, renda para todo mundo, alimento para todo
mundo. Estamos crescendo menos.
Qual é o lado ruim, afinal? Crescer menos é bom. Mas a população
inativa está crescendo e a população ativa está se estabilizando. Isso
significa que menos pessoas vão ter de sustentar mais pessoas na
Previdência Social. E aí vamos precisar de outra reforma de Previdência,
cobrar mais caro. Ou então fazer as pessoas se prevenirem já, com seus
fundos.
VEJA TAMBÉM: No mar vermelho Brasil copia o pior do racialismo americano Dureza da lei na Indonésia contrasta com a frouxidão no Brasil
Vamos ver outros números interessantes. Dos 5.570
municípios, 3.168 cresceram, os outros 2.399 diminuíram. Os que mais
cresceram estão em Roraima, Santa Catarina e Mato Grosso – e a atividade
econômica atraindo gente. Por exemplo, no topo da lista, com
crescimento de 189%, está o município de Canaã dos Carajás (PA), porque
existem duas minas lá da Vale. Já o que mais caiu, perdendo 46% da
população, foi Coatiba (BA). Eu estou falando do município, não da
cidade. Está cheio de jornalista que jura que “cidade” e “município” são
a mesma coisa, mas não são. É que eles vivem em cidade grande e
confundem a cidade, que é a sede do município, é o aglomerado urbano,
com o município, que é a área toda, área urbana e área rural. Eu sempre
digo, brincando, que se cidade fosse o mesmo que município, então a
maior cidade do mundo seria Altamira (PA).
A cidade mais populosa do Brasil continua sendo São Paulo – é o
município mais populoso também, porque em São Paulo cidade e município
têm a mesma área. São 11,5 milhões de habitantes, mais que o Rio Grande
do Sul, que está mais estabilizado – a população caiu em 58% dos
municípios gaúchos. A capital que mais perdeu população foi Salvador:
258 mil pessoas a menos, ou 10%. O Rio de Janeiro perdeu 109 mil pessoas
nesses 10, 12 anos. Já Boa Vista (RR) passou de 284 mil habitantes para
413 mil, aumento de 45%. Em 2010, o país tinha 67 milhões de
residências, agora tem 90 milhões. De 2010 até hoje, a população cresceu
6,5%, mas o número de residências subiu 34%.
Mais imposto nos combustíveis, e tráfico em aeroportos
A partir desta quinta-feira tem mais imposto sobre a gasolina,
mais 34 centavos por litro de gasolina e 22 centavos por litro
de etanol. E, por fim, um alerta para o pessoal que usa aeroportos
diferentes de Guarulhos. A polícia centraliza muito a investigação de
drogas em Guarulhos, mas estão pegando drogas em aeroportos secundários
também. Apreenderam agora 3 quilos de cocaína no aeroporto de
Florianópolis, com uma mulher boliviana que estava indo para a Índia.
Imaginem se ela é pega num daqueles países que prevê pena de morte por
transportar drogas?
O Brasil do Zé Carioca realmente acabou.| Foto: Reprodução/ Twitter
Juntamente
com a melancólica e vaga “perdi a esperança no Brasil”, ouço muito
dizerem por aí e por aqui que o Brasil acabou. A sentença fatídica é
dita num tom que varia do resignado (raro) ao indignado (beeeem mais
comum). Sempre que ouço isso, finjo-me de Rodrigo Pacheco e estudo o meu
redor com aquele olhar tipicamente parvo. “Ma o Brasil taqui interin in
vorta di mim, uai!” – tento, na minha melhor versão do Nerso da
Capetinga.
O Brasil acabou. Há um quê de verdade aí e falarei sobre isso
adiante. Antes, porém, preciso constatar o óbvio: o Brasil não acabou e
nem vai acabar tão cedo. O Brasil não acabou quando deixou de ser
Colônia para virar nosso glorioso e efêmero Império. O Brasil não acabou
quando os militares, ébrios de positivismo, impuseram aqui este
arremedo de República. O Brasil não acabou com o suicídio de Vargas. Nem
com o AI-5. O Brasil não acabou com Lula ou Dilma (quase). Não acabou
com Lula de novo. E não vai acabar com o regime alexandrino.
Isso porque não existe uma entidade chamada Brasil e da qual que se
possa excluir os 200 milhões de insuportáveis brasileiros. Eu e você.
Nós. Tudo bem que o Brasil é um território de 8.510.000km², com a
capital em Brasília e limitado ao mar, no leste, e a um bando de
república bananeira a oeste. Mas o país não é só isso, como podem
atestar todos os que passaram uma temporada no exterior, jurando nunca
mais voltar, até que se viram assobiando o Hino Nacional no banheiro.
Aconteceu com um amigo meu. Dizem.
Mais do que um monte de terra para o MST invadir e um PIB trilionário
para a política roubar, o Brasil é uma sensação de pertencimento que
desterro nenhum é capaz de nos tirar. O problema é que confundimos o
Brasil com Brasília. Ou melhor, confundimos o Brasil com aquele país
desgraçado que nos apresentam os telejornais. Se é que alguém ainda
assiste a telejornal. O problema é que confundimos o Brasil, essa
abstração obrigatória da qual ora sentimos orgulho, ora vergonha, com um
ideal inalcançável ou uma percepção míope da realidade. O problema é
que estamos sempre tentando transformar radicalmente a imperfeição
deliciosa que nos cerca.
O Brasil acabou O Brasil, mas, porém, contudo, todavia e
entretanto, acabou. Aquele Brasil simbólico e um tanto quanto dissociado
da realidade. O do xim-xim, acarajé, tamborim e samba no pé. O Brasil
dos romances de Jorge Amado. Do samba-canção e da bossa nova. Acabou o
Brasil do futebol e suas estrelas caídas. Das novelas e suas estrelas
caídas. Do cafezinho que se bebia admirando um rabo de saia. Aliás,
acabou o Brasil dos rabos de saia, bem como dos cafajestes e seus
mindinhos de unha comprida. Até o Brasil do jeitinho virtuoso, mais
conhecido como criatividade, deu lugar a outro, dos cambalachos e das
maracutaias.
Esse Brasil aí, que era tanta coisa boa (e ruim também, mas não quero
falar sobre isso), não existe mais. Foi substituído por um outro
Brasil. Brasil com zê. Um Brasil que nos parece falso, porque falso de
fato é. Este Brasil que revolta muitos e a que se resignam poucos é um
Brasil que se encontra em qualquer lugar do mundo. Que independe da
brasilidade para sobreviver. É um Brasil tão homogêneo e globalizado
quanto possível. É um Brasil nova-iorquino ou senegalês. Um Brasil
madrilenho ou peruano. Um Brasil moscovita ou australiano – do tipo que
foi passar um ano lá para “aprender inglês”. Sei.
O Brasil dos Malufs, Justos Veríssimos, Odoricos Paraguaçus e Enéas
se transformou no Brasil dos Lulas, Randolfes, Amoedos e Alexandres da
vida. Será que valeu a pena a troca? O Brasil de hoje é o da
criminalidade palpável. Das lojas vazias e da geração nem-nem à toa. Da
realidade nua e crua da arte engajada. Mas também – e isso, sim, me
preocupa! – é o Brasil dos delírios juvenis. De um lado, os liberais e
sua moral flutuante e seu materialismo semienvergonhado. Seus dados e
projeções de crescimento e biriri e bororó. Do outro, os comunistas de
todas as matizes e seu puritanismo violento disfarçado de bom-mocismo.
Seus expurgos e maldições. E a gente no meio disso.
O que acabou foi aquele Brasil do bem comum, que variava de época
para época, mas sempre se baseava em valores inegavelmente cristãos. A
misericórdia. A generosidade. O perdão. Já o que resiste precariamente,
esse Brasil balança-mas-não-cai, é o do homem egoísta, escravo de si
mesmo, preso numa masmorra de hedonismo e niilismo – mesmo que ele não
saiba o que isso significa.
Ainda assim, é neste Brasil que nascemos. O de hoje. Aqui e agora
trabalhamos, amamos, vivemos. E é aqui, nesta nação que está mesmo uma
porcaria, que temos que fazer o certo. É aqui, ao lado de cariocas,
gaúchos, baianos, cearenses e até dos pobres osasquenses, que temos de
ansiar pela Eternidade.