domingo, 18 de junho de 2023

JUIZ DE GARANTIAS PREVISTO NA LEI E NÃO COLOCADO EM PRÁTICA PELO STF

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Plenário do STF retoma o julgamento de ações sobre prisão em segunda instância. Luiz Fux e Dias Toffoli.


Os ministros do STF Luiz Fux e Dias Toffoli.| Foto: Fotos Públicas

O Supremo Tribunal Federal retomou esta semana o julgamento sobre a constitucionalidade ou não do dispositivo que cria o “juiz de garantias” – um magistrado que atuaria especificamente na fase de instrução do processo –, previsto no chamado Pacote Anticrime aprovado pelo Congresso em 2019, mas que não entrou em vigor por decisão do próprio STF. A corte irá avaliar especificamente se o Congresso feriu ou não a autonomia organizacional e financeira do Poder Judiciário com a proposta, uma vez que a implementação do juiz de garantias exigiria uma completa reorganização da Justiça criminal do país, alterando normas da organização judiciária, sobre as quais o Poder Judiciário tem iniciativa legislativa própria.

O argumento usado para sustentar a hipótese de inconstitucionalidade é a de que o projeto aprovado pelo Congresso cria uma regra que, na prática, estabelece dois novos órgãos – juízo das garantias e juízo da instrução – por meio de uma regra de impedimento processual, sem que tivessem sido discutidos os impactos, incluindo os financeiros, ou especificado de que maneira a proposta poderia ser implantada. Sem um estudo prévio aprofundado e sem consultar as instâncias envolvidas, o Legislativo teria simplesmente criado o juiz de garantias, e repassado a responsabilidade de planejar e concretizar a medida para o Judiciário.

Se já tivéssemos uma Justiça funcionando com razoável celeridade e eficiência, seria o caso de dar um passo além, como a instituição do juiz de garantias.

Sem dúvida, a condução do Parlamento neste caso foi apressada e descuidada e não há a mínima condição de se colocar a medida em prática, ao menos rapidamente. Ainda assim, não nos parece que a proposta seja inconstitucional. O artigo 22 da Constituição define que compete privativamente à União legislar sobre direito processual. Por sua vez, o artigo 24 autoriza a União, os estados e o Distrito Federal a legislarem concorrentemente sobre procedimentos em matéria processual, no âmbito do que a competência da União se restringirá ao estabelecimento de normas gerais. No caso do dispositivo que institui o juiz de garantias, o mesmo se deu dentro da Lei 13.964/2019, iniciativa do governo federal que traz uma série de medidas legais que alteram a Legislação Penal e Processual Penal. A ação do Parlamento de instituir o juiz de garantias, portanto, estaria dentro de suas prerrogativas. O que faltou – e ainda falta – são os detalhes de como efetivar a proposta.

As lacunas da proposição podem em parte ser explicadas pela pressa em aprovar a medida. Em 2019, parlamentares do grupo de trabalho que analisavam o Pacote Anticrime apresentado pelo então ministro da Justiça Sergio Moro, resolveram incluir no texto a figura do “juiz de garantias”: um magistrado que atuaria na fase de instrução do processo – seria ele, por exemplo, quem autorizaria uma interceptação telefônica, ou ordenaria uma busca e apreensão; uma vez aceita a denúncia, o julgamento propriamente dito caberia a outro juiz. Atualmente, na primeira instância, um único juiz atua na investigação, processo e julgamento. A justificativa do projeto seria garantir mais imparcialidade ao julgador. O argumento o é de que quando o juiz controla a investigação, fica inclinado a manter sua posição na sentença final. A mudança passou por uma comissão especial, pelos plenários da Câmara e do Senado, e foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro – tudo muito rapidamente.

O projeto traz uma mudança radical ao atual processo penal, e necessita de alterações muito mais profundas no Código de Processo Penal – o que o texto aprovado pelo Congresso, vago e pouco claro, não contempla.

Segundo a lei aprovada, a mudança deveria entrar em vigor a partir de janeiro de 2020, mas acabou suspensa, inicialmente por 180 dias, por decisão do ministro Dias Toffoli, que mesmo sendo um defensor da proposta, considerou ser necessário mais tempo colocá-la em prática. O ministro do STF argumentou era não “razoável” nem “factível” que todo o Judiciário brasileiro conseguisse implantar o juiz de garantias em apenas 30 dias – o que foi correto, tendo em vista as lacunas do projeto que precisam ser resolvidas. Posteriormente, outro ministro da corte, Luiz Fux, barrou a medida por tempo indeterminado, considerando-a inconstitucional. O tema permaneceu fora do calendário da corte até o último dia 14, quando a discussão foi retomada. Caso o STF decida pela inconstitucionalidade, a legislação aprovada pelo Congresso será considerada nula, o que, como dissemos, não nos parece ser o entendimento mais correto; por outro lado, tampouco se a lei for considerada constitucional há condições de se adotar o dispositivo imediatamente.

O projeto traz uma mudança radical ao atual processo penal, e necessita de alterações muito mais profundas no Código de Processo Penal – o que o texto aprovado pelo Congresso, vago e pouco claro, não contempla. Não há aprofundamento sobre o impacto financeiro, certamente gigantesco, ou como a mudança poderia ser implantada com o quadro atual da magistratura. No caso de comarcas com um único juiz, o que é comum no interior do país, o texto diz apenas que os tribunais deveriam criar um “sistema de rodízio” de magistrados, sem outros detalhes. São muitas, enfim, as lacunas que o texto do Legislativo deixou de responder. O que houve foi praticamente a transposição de um modelo adotado em outros países, sem levar em conta as especificidades do Sistema Judiciário brasileiro, a extensão da medida e suas implicações, como a possibilidade de aumentar ainda mais a já notória morosidade da Justiça.

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Hoje, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre a acusação e a sentença se passam em média 3 anos e 10 meses na Justiça estadual, onde tramitam mais de 90% dos casos criminais. Se há recurso, são outros dez meses no tribunal de apelação e mais oito no Superior Tribunal de Justiça, havendo a possibilidade ainda de se recorrer em alguns casos ao STF. Com a instituição do juiz de garantias, esse prazo deve aumentar ainda mais, havendo o risco de o crime prescrever antes de o processo ser concluído ou transitado em julgado, aumentando o número de casos de impunidade, já notórios na Justiça brasileira.

Mudanças que possam trazer aprimoramento ao processo penal são bem-vindas, mas elas precisam nascer de um diagnóstico correto e preciso, que aponte qual é a necessidade mais urgente do Judiciário. Com recursos escassos, é preciso escolher qual problema atacar de forma imediata, e não nos parece que a questão da imparcialidade judicial seja um problema de maior dimensão do que falta de efetividade da Justiça e a sensação de que a impunidade impera em nosso país, que tanto contribuem para o atual descrédito do Sistema Judiciário. Se já tivéssemos uma Justiça funcionando com razoável celeridade e eficiência, seria o caso de dar um passo além, como a instituição do juiz de garantias, mas estamos distante disso. Melhor seria se o Congresso tivesse partido de uma análise profunda e acurada do nosso Judiciário e do processo penal. Certamente encontraria outros pontos muito mais urgentes e necessários para resolver, como maneiras de dar mais agilidade ao processo criminal e diminuir a impunidade. Mas uma vez que a proposta já tramitou e foi sancionada, caberá ao próprio Congresso resolver as lacunas deixadas em aberto e elaborar formas de implantar a medida de forma organizada e gradual, e sem comprometer o funcionamento da Justiça ou, o que seria melhor ainda, reverter tal mudança.


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O TSE É UMA DEFORMAÇÃO LEGAL E NÃO EXISTE EM NENHUMA DEMOCRACIA PARA CASSAR OS VOTOS DO ELEITOR

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo


O ex-juiz da Lava Jato, senador Sergio Moro.| Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Os eleitores do Paraná elegeram no ano passado Deltan Dallagnol e Sergio Moro para a Câmara dos Deputados e para o Senado Federal, achando que tinham exercido o direito constitucional de escolher seus representantes ao Congresso Nacional. Sua decisão não deixou dúvidas. Deram 350 mil votos a Dallagnol – a maior votação que qualquer candidato a deputado federal obteve no Paraná. Moro também ficou em primeiro lugar na preferência do eleitor; recebeu quase 2 milhões de votos.

Mas os paranaenses estavam enganados, num caso e no outro. Seu direito ao voto foi anulado, em Brasília, por um grupinho de burocratas que jamais recebeu um único voto de ninguém e funciona, hoje, como uma repartição pública a serviço do governo Lula, a quem presta obediência e oferece a possibilidade de eliminar adversários da vida política brasileira.

O Brasil de hoje tem eleições, mas os eleitores não têm o direito de escolher quem quiserem para os cargos públicos

Para atender os desejos pessoais de vingança do presidente da República, e as exigências de seus senhores, os ministros do Supremo Tribunal Federal, o TSE cassou o mandato de Dallagnol, sem fazer o menor esforço para justificar a sua decisão com algum motivo legal decente. Prepara-se, agora, para cassar o mandato de Moro, outro que está no topo da lista negra do consórcio STF-Lula. Vão inventar alguma desculpa, como no caso do deputado, mas a ilegalidade será a mesma.

O Brasil de hoje tem eleições, mas os eleitores não têm o direito de escolher quem quiserem para os cargos públicos. O TSE pode, simplesmente, anular os seus votos quando não gosta do nome que escolheram, como fica provado nestes dois casos. Às vezes é o STF, diretamente, quem ordena a cassação; aconteceu com o governador de Brasília, deposto do cargo por uma portaria do ministro Alexandre de Moraes, e depois colocado de novo lá, por decisão do mesmo ministro. Outros parlamentares estão na mira dos cassadores, a pedido do PT e dos seus partidos-satélites. É democracia, isso aí? O voto do cidadão só tem valor se receber a aprovação do TSE e do STF; o que adianta, na prática, um direito desses? Não é mais um direito – é uma concessão de quem manda no governo, e parte de uma encenação hipócrita que tem a finalidade de dar ao país e ao mundo a aparência de que há uma democracia no Brasil, com “eleição livre” e outros adereços.

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O TSE é uma deformação legal que não existe em democracia nenhuma em todo o planeta – o que se tem, lá, são simples serviços que cuidam da parte operacional das eleições, e não se dão o nome de “justiça eleitoral”, nem escolhem quem pode ou não pode ser candidato e, muito menos, têm o poder de cassar mandatos. Eleição, numa democracia de verdade, é considerada um direito do eleitor – não um caso para a justiça. No Brasil de hoje é contrário: o mais importante numa eleição não são os eleitores, nem os candidatos, mas sim o TSE. É assim antes, durante e até depois da votação. Dallagnol já estava diplomado, ou seja, já era legalmente deputado federal, quando cassaram seu mandato.

Na Constituição está escrito, de forma indiscutível e sem espaço para nenhum tipo de dúvida, que só a Câmara pode retirar, com votação em plenário, o mandato de um deputado – mas e daí? É igual com Moro: estão querendo cassar o seu mandato de senador seis meses depois da eleição. Tudo isso, para completar, custa uma fábula para o pagador de impostos – 10 bilhões de reais por ano, mesmo nos anos em que não há eleições, incluindo-se aí o TSE, os 27 TREs estaduais e o resto da geringonça. É isso mesmo: 10 bi. É muito dinheiro, para sustentar uma polícia que não protege ninguém de nada, e só serve para suprimir direitos do cidadão.


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ASSISTA A TV PTRALHAS UM PROJETO DE DOUTRINAÇÃO IDEOLÓGICA PENSANDO EM VOCÊ

 

Canal 13
EXCLUSIVO: Confira a programação da TV do PT!

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo


TV do PT: um projeto de doutrinação pensado especialmente para você!| Foto: Pixabay

Num oferecimento de você, contribuinte, em parceria com a Receita Federal, vem aí… a TV do PT! Um projeto de doutrinação ideológica pensado especialmente para você! Serão 13 horas por dia de muito “jornalismo”, variedades, jogos e novelas. É muita informação e diversão para você apertar 13 com ainda mais força nas próximas eleições.

Logo cedo!
De segunda a sexta, bem cedinho, é hora de aprender o que o ensino tradicional burguês e fascista não te ensinou. Vem aí, TELECURÇO PAULO FREIRE, com aulas elaboradas por uma equipe multidisciplinar que o ajudará a se tornar um revolucionário muito melhor. O currículo inclui Matemática Antirracista, LNP (Línguas Nativas Pindoramenses) e Ciência Socialista.

Depois de aprender com os ensinamentos do mestre Paulo Freire, você ouve dicas de saúde, culinária e comportamento politicamente correto no MAIS PETÊ. A apresentação fica por conta de Gleisi Hoffmann, na companhia do papagaio Felipe Neto.

Logo depois você assiste ao único telejornal pré-aprovado pelo STF. O VERDADE VERDADEIRA, apresentado por Randolfe Rodrigues e André Janones, traz as principais notícias do Brasil e do mundo, sempre sob uma ótica petista de transformação da sociedade rumo à utopia socialista. Do jeitinho que você sempre quis!

Mas se você é daqueles que exageram na cachaça e não conseguem acordar tão cedo para bater ponto no sindicato, não tem problema! A TV do PT pensou em você com o telejornal mais animado de todos os tempos: BOM DIA, PRESIDENTE LULA! Estatísticas positivas, entrevistas dos maiores bajuladores do país, as mais recentes decisões do STF contra nossos inimigos e, direto de Oslo, a contagem regressiva para o Nobel da Paz do nosso querido e grande Timoneiro. Imperdível!

Em seguida, a animação toma conta do pedaço com o programa de variedades mais aguardado desde o julgamento do Mensalão: ENCONTRO COM JANJA. Ao lado de Margareth Menezes e Silvio Almeida, o ENCONTRO COM JANJA traz especialistas como Djamila Ribeiro, Bela Gil, Jones Manoel e Anitta, que o ensinarão a ser uma pessoa ainda mais woke.

Tarde

Na TV do PT, as tardes são de esmola com o chapéu alheio e começam com o emocionante AS PORTAS DA ESPERANÇA, que vai colocar frente a frente políticos carentes em busca de pixulecos e empreiteiras à procura de obras superfaturadas. Apresentação: José Dirceu.

Sua adrenalina política vai disparar com o jogo de perguntas e respostas mais famoso do Congresso Nacional: SHOW DO BILHÃO. Comandando pela lábia ágil de Arthur Lira, o Show do Bilhão trará deputados do baixo clero concorrendo a verbas bilionárias do Orçamento Secreto – desde que votem sempre com o governo, claro!

No final da tarde, o riso corre solto com a oposição mais atrapalhada do pedaço em A DESGRAÇA É NOSSA. Valdemar da Costa Neto recebe os personagens mais engraçados dessa gente que ainda acredita que o Brasil é uma democracia. Estrelando Marcos do Val, Eduardo Bolsonaro, General Mourão e ela, a impagável Damares Alves.

Novelas

A noite da TV do PT está reservada para o que há de melhor na teledramaturgia brasileira, com remakes de grandes sucessos do passado. Às 18 horas, você acompanha a vida e a obra do maior defensor da democracia de todos os tempos, Alexandre de Moraes, interpretado por Osmar Prado, em mais um campeão de audiência: O DONO DO MUNDO.

Logo depois é hora de o galã Fernando Haddad mostrar o peitoral num paraíso socialista do Caribe. Você não pode perder CUBANACAM, uma comédia com muita fome, prisão de opositores, tortura, e carros e casas caindo aos pedaços. Mas com a medicina mais avançada do mundo!

A programação diária da TV do PT termina com o drama eleitoral O SALVADOR DA PÁTRIA, que conta a luta de um ex-metalúrgico para ganhar as eleições presidenciais e poder viajar pelo mundo com a primeira-dama, enquanto deixa o país nas mãos de um ministério incompetente e picareta. Participação especial de Alexandre Nero (irreconhecível!) no papel de Flávio Dino e Letícia Sabatella no papel de Marisa Letícia.


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JANJA INTERFERE E TEM PODER DE VETO NAS DECISÕES DO GOVERNO

 

Janja tem poder de veto no governo e interfere em áreas como economia, Defesa e publicidade

Primeira-dama dá a palavra final em propagandas institucionais do governo, ordens para a equipe econômica e já tomou medidas que confrontaram o partido do presidente

Por Redação – Jornal Estadão

BRASÍLIA – Quando Luiz Inácio Lula da Silva apresentou a socióloga Rosângela Silva, a Janja, como sua namorada ao deixar a prisão na tarde de 8 de novembro de 2019, em Curitiba, antigos companheiros do PT avaliaram que o “animal político” renovava ali o ânimo do partido para a corrida ao Palácio do Planalto. Mais de três anos depois, porém, a agora primeira-dama é vista como problema para um governo com entraves na articulação política. E a crítica vem justamente de velhos amigos do presidente, ministros e líderes de partidos.

Senadores e deputados petistas dizem que Janja se colocou como um poder entre o gabinete presidencial, a base aliada e ministros. Ainda na transição, ela tentou ser nomeada para um cargo no Planalto. Assessores avisaram Lula, no entanto, que isso era “nepotismo”. Sem função formal, a primeira-dama se instalou num gabinete de 25 metros quadrados bem ao lado da sala do presidente, no terceiro andar, e dali em diante tem aumentado seu espaço no governo.

Sob o argumento de que quer “ressignificar” o papel de primeira-dama, Janja participa de reuniões do presidente com ministros, impõe medidas para as áreas econômica, social e política, dá palpite sobre o relacionamento com os militares e afasta Lula de deputados e senadores.

LULA BRASÍLIA DF 04.05.2023  LULA / CONSELHÃO  NACIONAL OE - O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante Reunião do Conselho de Desenvolvimento  Econômico  Social sustentável, realizada na manhã  quinta-feira (04) no Palácio do Itamaraty em Brasília. Na foto, a primeira-dama Janja Lula da Silva e o presidente Lula.  FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADÃO
LULA BRASÍLIA DF 04.05.2023 LULA / CONSELHÃO NACIONAL OE – O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante Reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social sustentável, realizada na manhã quinta-feira (04) no Palácio do Itamaraty em Brasília. Na foto, a primeira-dama Janja Lula da Silva e o presidente Lula. FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADÃO Foto: WILTON JUNIOR

Estadão apurou que a primeira-dama tem interferido em questões de governo, especialmente na publicidade, indo além de meras opiniões sobre peças de campanhas e com poder de veto. Janja determina mudanças, trocas e até vetos em campanhas importantes. Se ela não gostar, a propaganda não vai adiante.

Foi a primeira-dama, por exemplo, que barrou uma proposta do PT de remunerar blogueiros alinhados ao governo. Havia pressão do partido e do próprio ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, mas a decisão final foi de Janja. Ela determinou que os blogueiros continuassem na militância, sem remuneração. A primeira-dama também defende uma comunicação mais voltada para as TVs abertas. O governo nega que Janja tenha interferência na área de comunicação ou publicidade institucional.

Um integrante do primeiro escalão disse ao Estadão que Janja atropelou o rito de conversas com a equipe econômica ao fazer um pedido expresso para redução dos juros do cartão de crédito.

Auxiliares da Fazenda foram destacados para tocar a medida. Todos temem, no entanto, falar abertamente sobre Janja. “Me tira dessa” ou “Imagine se eu falar alguma coisa” são as frases mais ouvidas quando o assunto se refere à primeira-dama.

Insatisfação

Pelo relato de um interlocutor do Planalto, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, comentou numa reunião com Lula sobre a crise na articulação política. Ao fim do encontro, a primeira-dama o acompanhou até a porta. Na despedida, Janja pediu a ele que não levasse mais aquele tipo de problema para o presidente. Procurado, Dias também negou o diálogo. “Estranho essa história. Nunca houve este diálogo. Costumo receber os problemas e levar solução. Levo ao presidente apenas o que depende de sua decisão”, disse por meio da assessoria.

Outro interlocutor contou que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), procurou Lula para alertá-lo sobre a insatisfação de companheiros com atitudes de Janja. O presidente teria dito, então, que ele não deveria mais repetir a crítica, caso quisesse preservar uma amizade de décadas.

JANJA BRASÍLIA DF 08.03.2023    JANJA/DIA INTERNACIONAL DA MULHER   NACIONAL OE - A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, recebeu na manhã desta quarta-feira (08), o diploma Bertha Lutz, em Homenagem ao Dia Internacional da Mulher, em solenidade realizada no plenário do Senado Federal em Brasília-DF. Na foto o Presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco e a primeira-dama, Janja.  FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADÃO
JANJA BRASÍLIA DF 08.03.2023 JANJA/DIA INTERNACIONAL DA MULHER NACIONAL OE – A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, recebeu na manhã desta quarta-feira (08), o diploma Bertha Lutz, em Homenagem ao Dia Internacional da Mulher, em solenidade realizada no plenário do Senado Federal em Brasília-DF. Na foto o Presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco e a primeira-dama, Janja. FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADÃO Foto: Wilton Junior / Estadão

A assessoria de Wagner disse que o senador e a mulher, Fátima, têm “as melhores relações” com Janja. “Não há nenhum fundo de verdade nesse tipo de comentário, nesse tipo de ilação. O senador está absolutamente indignado com isso”, afirmou a assessoria.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, encabeça a lista dos auxiliares de Lula que, em conversas reservadas com aliados, demonstram insatisfação com interferências da primeira-dama. No círculo restrito de Costa há o entendimento de que Janja prejudica a interlocução política ao impedir que o presidente almoce com parlamentares e use mais o fim de semana para dar atenção aos representantes da base aliada.

“Ele está sem tempo para fazer política, que era o seu diferencial”, diz um deputado do PT, resignado, sob a condição de anonimato.

A reclamação pode soar como a de alguém que reclama que a mulher do amigo não o deixa sair de casa. Os petistas, porém, costumam lembrar que, nos seus dois primeiros mandatos, Lula almoçava no gabinete com convidados políticos e gastava tempo para agradar especialmente ao baixo clero da Câmara.

Os políticos antigos de Brasília também se recordam de um pensamento do ex-vice presidente Marco Maciel. Dizia ele que um presidente sem tempo para “namorar” deputados, especialmente os sem expressão política, tinha vida difícil no Congresso

Militares. Após a invasão às sedes dos três Poderes e a tentativa de golpe pelos bolsonaristas, no dia 8 de janeiro, Janja fez críticas ao titular da Defesa, José Mucio, em reunião com a presença de outros ministros. Ela o acusou de não “proteger” o presidente como deveria.

LULA BRASÍLIA DF 08.03.2023    LULA/DIA INTERNACIONAL DA MULHER   NACIONAL OE - O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a cerimônia de celebração do Dia Internacional das Mulheres e anúncio de conjunto de ações, realizada na manhã desta quarta-feira (08), no Palácio do Planalto em Brasília-DF. Na foto, o Presidente Lula e a primeira-dama, Janja da Silva.    FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADÃO
LULA BRASÍLIA DF 08.03.2023 LULA/DIA INTERNACIONAL DA MULHER NACIONAL OE – O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a cerimônia de celebração do Dia Internacional das Mulheres e anúncio de conjunto de ações, realizada na manhã desta quarta-feira (08), no Palácio do Planalto em Brasília-DF. Na foto, o Presidente Lula e a primeira-dama, Janja da Silva. FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADÃO Foto: WILTON JUNIOR

No dia dos atos golpistas, Mucio chegou a propor que Lula baixasse um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para conter o vandalismo. O presidente estava em Araraquara e, ao ouvir a sugestão de Mucio, feita por telefone, Janja reagiu: “GLO não! GLO é golpe! É golpe”.

Interlocutores de Lula relatam que Janja já deu respostas ríspidas a Mucio, em cenas descritas como constrangedoras. Recentemente, contudo, a primeira-dama teria começado a se aproximar dele.

Petistas que atuaram como ponte entre Lula e a caserna reclamaram várias vezes que Janja contribuía para manter o clima de tensão entre o governo e as Forças Armadas. A primeira-dama teve participação decisiva para que o presidente criasse uma secretaria para cuidar da segurança dele e da família. O órgão é chefiado pelo secretário Alexsander Castro de Oliveira, delegado da Polícia Federal, chefe da segurança do petista na campanha.

Antes, a função era do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), formada por militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. No próximo dia 30, Lula terá de decidir se torna a secretaria permanente ou se devolve sua segurança pessoal para o GSI.

Exemplos

A presença atuante de Janja na campanha e no início do governo Lula vai na contramão do comportamento de primeiras-damas de esquerda no continente. Com um discurso “contemporâneo”, a cientista social Irina Karamanos, companheira do chileno Gabriel Boric, delegou funções tradicionais do posto para profissionais da área social e praticamente aboliu a figura da primeira-dama do La Moneda.

Foi no passado da política sul-americana que Janja identificou o que seria um exemplo de primeira-dama. Na campanha, ela se referiu a Evita Perón, segunda mulher do ex-presidente argentino Juan Domingo Perón, como “inspiradora”.

Em janeiro, durante viagem de Lula a Buenos Aires, Janja posou na sacada da Casa Rosada, onde Evita fazia seus discursos populistas e dramáticos nos anos 1940 e 1950. “A história de uma mulher forte e inspiradora aconteceu aqui”, escreveu Janja na postagem da foto no Instagram. Evita foi considerada uma primeira-dama que ajudava na popularidade de Perón.

LULA    BRASILIA DF  12/01/2023  PRESIDENTE LULA/CAFÉ IMPRENSA   -  NACIONAL -  OE -  O Presidente da República Federativa do Brasil,  Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acompanhado da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, Janja, e do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta,  receberam na manhã desta quinta-feira (12),  jornalistas para um café da manhã realizado no Palácio do Planalto em   Brasilia-DF.  FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADÃO
LULA BRASILIA DF 12/01/2023 PRESIDENTE LULA/CAFÉ IMPRENSA – NACIONAL – OE – O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acompanhado da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, Janja, e do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, receberam na manhã desta quinta-feira (12), jornalistas para um café da manhã realizado no Palácio do Planalto em Brasilia-DF. FOTO: WILTON JUNIOR / ESTADÃO Foto: WILTON JUNIOR

Os amigos de Lula dizem que Janja repete a mulher de Perón, mas a terceira. “Ela é a Janjelita”, reclama um antigo amigo do petista. Trata-se de uma referência a Isabelita Perón, que acumulou o posto de primeira-dama com o cargo de vice em mais um mandato de Perón, assumindo o poder na Argentina com a morte do marido, em 1974. Antes, porém, ela já causava problemas políticos.

O governo de Isabelita foi marcado pelo caos econômico e político. Ela foi deposta por um golpe militar, que levou o país à ditadura. Na Argentina, os peronistas só falam do mito Evita.

Influencer

Janja é uma figura constante nas redes sociais. Com 1,1 milhão de seguidores no Twitter e 2,2 milhões no Instagram, ela posta fotos e mensagens, dialoga com internautas e apoia campanhas de vacinação e do Enem. Na última quarta-feira, por exemplo, Janja visitou um hospital em Brasília com a ministra da Saúde, Nísia Trindade, e participou de encontro de mulheres quilombolas, onde defendeu maior presença feminina na política.

As postagens recebem tratamento de edição e contam com imagens e vídeos profissionais. Janja manteve, no entanto, uma prática da era Jair Bolsonaro: bloqueia jornalistas e quem a contesta.

Rosangela "Janja" da Silva, wife of Brazilian presidential pre-candidate for the leftist Workers Party (PT) and former President (2003-2010) Luiz Inacio Lula da Silva, sings during a political rally in Brasilia, on July 12, 2022. (Photo by EVARISTO SA / AFP)
Rosangela “Janja” da Silva, wife of Brazilian presidential pre-candidate for the leftist Workers Party (PT) and former President (2003-2010) Luiz Inacio Lula da Silva, sings during a political rally in Brasilia, on July 12, 2022. (Photo by EVARISTO SA / AFP) Foto: Evaristo Sá/AFP

Em vídeo publicado no Instagram, no Dia da Mulher, 8 de Março, Janja mostrou seu gabinete no Planalto e uma equipe formada por três funcionárias. “Oi, galerinha, segunda-feira, quase meio-dia e meia, estamos aqui no meu gabinete… já estamos em reunião, aqui, com a minha galera, equipe toda”, disse.

Por meio da Lei de Acesso à Informação, a Casa Civil informou que “não existem atos administrativos para a criação do ‘Gabinete da Primeira-Dama’”. A pasta se limitou a informar que não há uma rubrica orçamentária específica para Janja e que ela é atendida pela mesma assessoria de Lula em atividades de interesse público.

O Estadão, no entanto, identificou ao menos duas servidoras no atendimento exclusivo à primeira-dama, com salários de R$ 12 mil e R$ 16 mil por mês, em abril.

Como revelou o Estadão, uma ex-sócia de Janja foi contratada como assessora especial da Presidência, com salário de R$ 13,6 mil. Margarida Cristina de Quadros deveria acompanhar Lula, mas viaja com Janja em agendas sem a presença do petista.

Mesmo os pequenos gestos de Janja têm sido observados por antigos aliados de Lula. Durante o evento de comemoração do Dia do Meio Ambiente, 5 de junho, o presidente arrancou risadas da plateia ao recusar que um subordinado retirasse de seu pescoço o colar entregue pelo cacique Raoni Metuktire, liderança histórica do movimento indígena.

O fato inusitado, não captado pelas lentes da TV Brasil, foi que a ordem de remoção do presente partiu de Janja. Ao final da cerimônia, ela própria subiu no palanque e removeu o colar do pescoço de Lula. Em seguida, acompanhou o presidente rumo à rampa de acesso ao terceiro andar do Planalto

APLICAÇÕES DO CHATGPT NO MARKETING E NOS NEGÓCIOS

Aplicações do ChatGPT para alavancar seu negócio através do marketing

Camila Silveira – Empreendedora

Camila ensina o que é e como utilizar a ferramenta para alcançar o sucesso profissional

Você já deve ter ouvido falar do ChatGPT? A ferramenta da OpenAI chegou para ficar e permite diversas aplicações, inclusive no campo do marketing.

“A sigla Chat GPT significa Generative Pre-Trained Transformer — ou seja, trata-se de um chat transformador pré-treinado para gerar conversas. Para isso, usa vertentes da IA como aprendizagem profunda. Ou seja, o Chat GPT é capaz de gerar respostas para qualquer tipo de pergunta ou comando que o usuário fizer — o que o torna uma ferramenta extremamente versátil e útil!”, explica a especialista em vendas pelas redes sociais e empreendedora, Camila Silveira.

A profissional diz que basicamente, o Chat GPT aprende com repetições. “Ele usa um algoritmo com redes neurais que analisam grandes volumes de dados para gerar respostas para qualquer tipo de pergunta ou comando que você fizer.

Quando um usuário pergunta, o Chat GPT analisa a entrada, processa a informação e retorna com uma resposta. Todo esse processo é baseado em probabilidades, entregando respostas que sejam as mais apropriadas para o seu questionamento”, esclarece.

O Chat GPT é gratuito e pode ser acessado pelo site oficial da ferramenta. “Para começar a usar a ferramenta, basta criar uma conta com nome de usuário e senha. Você também pode acessar conectando sua conta do Google ou da Microsoft”, completa Camila.

 E você pode usar o Chat GPT para acelerar a divulgação do seu negócio. “As possibilidades são infinitas! Com o Chat GPT, é possível responder perguntas, criar teorias, testar ideias e identificar possíveis soluções para problemas. Imagine agora tudo isso aplicado ao seu negócio. Essa ferramenta de IA pode ajudar a otimizar a gestão do seu negócio, a automatizar tarefas, a melhorar o relacionamento com clientes e a potencializar resultados, e até executar habilidades que o empreendedor não tenha como elaborar legendas e textos necessários para manter atividades profissionais”, destaca a também especialista em capacitar e treinar pessoas para crescimento profissional.

O Chat GPT pode ser usado para gerar ideias de conteúdo promocional, seja para anúncios de mídia paga ou para a criação de e-mail marketing. “Você só precisa informar o tema, o público-alvo e especificações importantes sobre o produto ou serviço, como quantidade e valores, por exemplo. Além de criar o texto de divulgação, a ferramenta ainda pode gerar ideias de títulos e criar fluxos de divulgação”

Para ajudar você nessa tarefa, Camila sugere alguns comandos para o chat:

• “Crie a chamada de anúncio para promover nossa promoção de volta às aulas”.

• “Quais vantagens ou benefícios podemos oferecer para incentivar os clientes a participar de nossa promoção?”

• “Como podemos usar as redes sociais para promover nossa promoção de fim de semana?”

Mas é claro iChatGPT envolve riscos. “Hoje tudo que é feito de forma 100% digital, corre um sério risco com a humanização da marca, que podemos afirmar que é um fator decisivo de compra neste momento”.

“Utilize todas as formas digitais para aprimorar seu treino de conversação como o próprio nome da plataforma determina, mas nunca deixe de humanizar este conteúdo com sua imagem e propósito empresarial, sempre que transformar seu negócio apenas em um robô corre um sério risco de ser substituído por empresas que mantenham a essência da necessidade do cliente em ver sua empresa ou serviço como a melhor solução”, acrescenta.

A especialista diz que ainda é possível elaborar estratégias para campanhas de marketing e criar textos que engajam. “Para ter uma boa presença digital, é importante veicular conteúdos persuasivos para impactar o público certo. Porém, não é necessário uma equipe grande e ferramentas caras para fazer o marketing do seu negócio”.

Ela elencou comandos que podem trazer respostas interessantes do chat:

• “Crie uma lista de recomendações de produtos para clientes X, com base em seus interesses, histórico de compras e dados demográficos”.

• “Crie uma mensagem personalizada para uma campanha de marketing por e-mail, com base no nome, idade, profissão e localização do destinatário”.

• “Crie uma descrição cativante e persuasiva do produto, destacando X detalhes e incentivando a compra”.

• “Crie uma lista de perguntas frequentes sobre o produto X, abordando as principais dúvidas dos clientes e fornecendo respostas claras e concisas.”

Com o Chat GPT, você pode criar conteúdos valiosos, aumentar a presença digital da sua marca e conquistar mais clientes. E o melhor de tudo: além de aumentar a satisfação do consumidor, você alcança esses resultados economizando tempo e dinheiro!”

Ela diz que é importante que você revise as respostas antes de sair publicando. “Isso porque, mesmo se tratando de uma inteligência artificial, os textos ainda podem conter erros de tema ou repetições”.

Outras tecnologias também podem ajudar sua empresa a crescer. “Mais do que nunca, a tecnologia tem gerado um grande impacto na realidade — especialmente no mercado e na forma como consumimos. Por isso, estar por dentro das tendências tecnológicas é importante para manter a sua empresa em destaque”.

A Statup Valeon utiliza essa ferramenta da IA que é o ChatGPT para direcionar as suas decisões e ações.

Camila listou as principais:

“• Big Data — muitas vezes é difícil lidar com grandes quantidades de informações, especialmente gerenciando e analisando dados de clientes. Apesar de ser uma tarefa complicada, é extremamente necessária!”

Para tanto, ferramentas de Big Data podem ajudar a identificar clientes em potencial e a gerenciar a prospecção de leads. Assim, você consegue organizar as ações e focar em atividades e clientes mais promissores e lucrativos”.

“• ERP (Enterprise Resource Planning) — Quer melhorar a eficiência da operação e aumentar a receita? Então você precisa de uma solução em ERP ou, em português, Planejamento de Recursos da Empresa.

Com essa ferramenta, é possível otimizar e automatizar processos, economizando tempo e custos. Por exemplo, você pode criar uma campanha de marketing e enviar automaticamente e-mails aos clientes”.

“Além disso, você tem acesso a dados que mostram o desempenho das ações em tempo real, assim como informações essenciais que ajudam a tomar decisões importantes. O software de gestão também facilita a comunicação entre os colaboradores, mesmo que estejam em departamentos diferentes”.

“• Cloud Computing — essa solução já é bastante popular, e provavelmente você já usa no seu dia a dia. Entretanto, se ainda não está familiarizado com o termo, explicamos: o cloud computing nada mais é que o armazenamento online de informações. “

“É importante, no entanto, estar atento às novidades sobre como essa tecnologia pode ser usada no futuro! Maior segurança, recursos de inteligência artificial e integração entre ambientes públicos e privados são algumas das prováveis abordagens”

De acordo com a especialista, ainda há muita especulação, mas uma coisa é certa: haverá empresas nascendo já na nuvem. “A nova cloud computing pode revolucionar a escalada digital, por isso é importante entender como sua empresa pode se beneficiar para não ficar atrás dos concorrentes”.

STARTUP VALEON UMA HOMENAGEM AO VALE DO AÇO

Moysés Peruhype Carlech

Por que as grandes empresas querem se aproximar de startups? Se pensarmos bem, é muito estranho pensar que um conglomerado multibilionário poderia ganhar algo ao se associar de alguma forma a pequenos empresários que ganham basicamente nada e tem um produto recém lançado no mercado. Existe algo a ser aprendido ali? Algum valor a ser capturado? Os executivos destas empresas definitivamente acreditam que sim.

Os ciclos de desenvolvimento de produto são longos, com taxas de sucesso bastante questionáveis e ações de marketing que geram cada vez menos retorno. Ao mesmo tempo vemos diariamente na mídia casos de jovens empresas inovando, quebrando paradigmas e criando novos mercados. Empresas que há poucos anos não existiam e hoje criam verdadeiras revoluções nos mercados onde entram. Casos como o Uber, Facebook, AirBnb e tantos outros não param de surgir.

E as grandes empresas começam a questionar.

O que estamos fazendo de errado?

Por que não conseguimos inovar no mesmo ritmo que uma startup?

Qual a solução para resolver este problema?

A partir deste terceiro questionamento, surgem as primeiras ideias de aproximação com o mundo empreendedor. “Precisamos entender melhor como funciona este mundo e como nos inserimos!” E daí surgem os onipresentes e envio de funcionários para fazer tour no Vale e a rodada de reuniões com os agentes do ecossistema. Durante esta fase, geralmente é feito um relatório para os executivos, ou pelas equipes de inovação ou por uma empresa (cara) de consultoria, que entrega as seguintes conclusões:

* O mundo está mudando. O ritmo da inovação é acelerado.

* Estes caras (startups) trabalham de um jeito diferente, portanto colhem resultados diferentes.

* Precisamos entender estas novas metodologias, para aplicar dentro de casa;

* É fundamental nos aproximarmos das startups, ou vamos morrer na praia.

* Somos lentos e burocráticos, e isso impede que a inovação aconteça da forma que queremos.

O plano de ação desenhado geralmente passa por alguma ação conduzida pela área de marketing ou de inovação, envolvendo projetos de aproximação com o mundo das startups.

Olhando sob a ótica da startup, uma grande empresa pode ser aquela bala de prata que estávamos esperando para conseguir ganhar tração. Com milhares de clientes e uma máquina de distribuição, se atingirmos apenas um percentual pequeno já conseguimos chegar a outro patamar. Mas o projeto não acontece desta forma. Ele demora. São milhares de reuniões, sem conseguirmos fechar contrato ou sequer começar um piloto.

Embora as grandes empresas tenham a ilusão que serão mais inovadoras se conviverem mais com startups, o que acaba acontecendo é o oposto. Existe uma expectativa de que o pozinho “pirlimpimpim” da startup vá respingar na empresa e ela se tornará mais ágil, enxuta, tomará mais riscos.

Muitas vezes não se sabe o que fazer com as startups, uma vez se aproximando delas. Devemos colocar dinheiro? Assinar um contrato de exclusividade? Contratar a empresa? A maioria dos acordos acaba virando uma “parceria”, que demora para sair e tem resultados frustrantes. Esta falta de uma “estratégia de casamento” é uma coisa muito comum.

As empresas querem controle. Não estão acostumadas a deixar a startup ter liberdade para determinar o seu próprio rumo. E é um paradoxo, pois se as empresas soubessem o que deveria ser feito elas estariam fazendo e não gastando tempo tentando encontrar startups.

As empresas acham que sabem o que precisam. Para mim, o maior teste é quando uma empresa olha para uma startup e pensa: “nossa, é exatamente o que precisamos para o projeto X ou Y”.

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A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

 

sábado, 17 de junho de 2023

SENADO LAVA AS MÃOS NO CASO DO SENADOR DO VAL

Operação da Polícia Federal
Silêncio do Senado sobre operação autorizada por Moraes contra Do Val alcança até parte da oposição

Por
Sílvio Ribas – Gazeta do Povo
Brasília


Senador Marcos do Val (Podemos-ES)| Foto: Pedro França/Agência Senado

Um dia após a operação de busca e apreensão realizada, nesta quinta-feira (15), pela Polícia Federal (PF) em três endereços do senador Marcos do Val (Podemos-ES), autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apenas uma parte da oposição manifestou opinião sobre o episódio. Esses criticaram a violação dos direitos de parlamentares e expressaram preocupação com a crescente ameaça à democracia. Mas 11 senadores oposicionistas contatados pela Gazeta do Povo optaram por adotar a postura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que não fez nenhum pronunciamento.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado de Do Val, e o seu clã político também não se manifestaram publicamente sobre o caso. Até mesmo o partido do senador investigado decidiu não divulgar posicionamento.

Analistas apontam que esse silêncio se deve a uma combinação de fatores. Primeiramente, há receio em lidar com o perfil imprevisível de Do Val, que entrou em contradições ao abordar os atos de vandalismo ocorridos em 8 de janeiro e está envolvido em embate pessoal com Alexandre de Moraes. Além disso, existe o temor de retaliações do STF, inclusive de suspensão de redes sociais, e preocupações com efeitos desses fatos nas negociações para eleições municipais de 2024.

Já os parlamentares que se manifestaram destacaram os excessos do Judiciário e pressionaram o Senado por uma reação adequada.

A imunidade parlamentar, prevista no artigo 53 da Constituição, impede que representantes eleitos sejam responsabilizados civil e criminalmente por “quaisquer opiniões, palavras e votos”. No entanto, o STF tem questionado esses limites, como mostrado no julgamento da Ação Penal 1044 envolvendo o então deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ). Nesse caso, o agora ex-parlamentar foi acusado de crimes contra o Estado democrático de direito e acabou sendo afastado e preso. Até mesmo o perdão da pena (graça) que recebeu de Bolsonaro acabou anulado pelo Supremo.

Marcos do Val teve acesso a documentos sigilosos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) desde fevereiro. Ele vem vazando trechos deles em suas redes sociais e tem insinuado haver neles conteúdos comprometedores para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e até mesmo para o ministro Alexandre de Moraes. O senador é investigado pelos crimes de divulgação de documento confidencial, associação criminosa, abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de Estado e organização criminosa.

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Moraes autoriza depoimento de Bolsonaro à PF em investigação sobre Marcos do Val

Girão critica violação da imunidade parlamentar em operação da PF contra Marcos do Val

Marcos Do Val diz que buscas podem ser configuradas como abuso de poder
Senadores saem em defesa da imunidade parlamentar

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) foi o único a ir à tribuna para protestar contra a operação da PF realizada contra Do Val. Para um plenário esvaziado nessa sexta-feira (16), ele enfatizou o descumprimento, por parte do STF, da inviolabilidade constitucional dos mandatos parlamentares e alertou para a piora da reputação do Senado, caso não haja reação oficial. Girão afirmou: “Após inúmeras invasões de competência do Judiciário sobre o Legislativo, testemunhamos a invasão física do gabinete de um senador. Sem julgar o mérito, o que ocorreu foi mais uma violação da Constituição”.

O senador questionou a segunda apreensão do mesmo celular de Do Val, após o depoimento anterior prestado à PF, a falta de pedido formal ao Senado para realizar a operação e bloqueio das redes sociais do colega. Para ele, a única chance de reverter a crise institucional é a sociedade se manifestar pacífica e democraticamente. Mas Girão destacou que muitos cidadãos estão temerosos de se expressar diante da censura e das prisões de políticos, empresários, religiosos e pessoas comuns por terem manifestado opiniões.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), considerou ser “deplorável assistir a um senador da República em exercício sofrer uma ação de busca e apreensão em seu próprio local de trabalho”. Na sua primeira reação ao fato, mostrou perplexidade e pediu esclarecimento sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, inclusive questionando se ela é mesmo pertinente e se tem o “devido fundamento legal”.  “Por enquanto, estamos às escuras”, disse o senador em entrevista à rádio Jovem Pan.

O senador Carlos Portinho (RJ), líder do PL no Senado, expressou apreensão com ações do Judiciário contra parlamentares de direita, afirmando que elas têm reduzido a importância do Senado. Ele destacou a violação das prerrogativas de um membro da Câmara Alta e ações do Judiciário que levam à desarmonia entre poderes. Portinho mencionou a cassação do agora ex-deputado Deltan Dellagnol (Podemos-PR) como prova de movimentações que ainda podem atingir o senador Sergio Moro (União Brasil-PR).

“Agora, com a operação contra o senador Marcos do Val, que tem imunidade garantida por estar exercendo mandato, vemos que membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro também podem virar alvos do STF”, disse. Ele ressaltou a necessidade de lembrar a críticos da Lava Jato que o STF atua de forma semelhante, com concentração de poderes e “caça” sistemática de políticos.

Para o senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), o STF ultrapassou os limites de novo e seguiu impondo censura ao determinar o bloqueio dos perfis de Do Val nas redes sociais. “É inadmissível que um parlamentar tenha seu direito de fala cerceado. Até quando Congresso ficará impassível?”, protestou.

O senador Magno Malta (PL-ES) afirmou à Gazeta do Povo que não discutiria a gravidade do mérito das investigações contra Do Val, até por não saber “qual crime foi cometido”. “Apesar disso, quero apenas citar o artigo 53 da Constituição, com redação atualizada pela emenda constitucional 35 de 2001, de que deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. A Carta Magna está na mão e ela é a Bíblia que rege a sociedade”, disse.

Na Câmara, ação do STF provoca protesto da oposição; PT quer afastar senador da CPMI
No embalo da operação da PF, deputados petistas, como Gleisi Hoffman (PR), presidente nacional da sigla, e Rogério Correia (PT-MG), membro da CPMI de 8 de janeiro, trataram de cobrar do presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o afastamento do senador Marcos do Val do colegiado, além de estender o pedido ao deputado André Fernandes (PL-CE), por serem investigados pelo STF.

Para o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), a operação da Polícia Federal, dessa vez contra um senador da República, “foi mais um absurdo cometido pelo Judiciário, e que mostra a urgência de se investigar esses atos”. Ele é autor de proposta de CPI para investigar abusos do Judiciário.

Ao comentar a situação em suas redes sociais, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) lembrou que o Partido Liberal (PL) foi multado em R$ 22 milhões, o mesmo número usado nas urnas. “Multa de 22 milhões no PL, audiência do Bolsonaro pro dia 22 e busca e apreensão no dia do aniversário do Marcos do Val. Justiça ou vingança?”, indagou.

“Rodrigo Pacheco é o pior, o mais covarde e o mais indigno presidente que o Senado já teve em toda a sua história. A operação contra Marcos Do Val foi, entre outros motivos, por demonstrar que a Abin realmente sabia o que aconteceria no dia 8. O crime foi fiscalizar. Um senador é alvo de busca e apreensão por exercer suas prerrogativas e o presidente da Casa não se dá ao trabalho de sequer lançar uma nota de repúdio. Nem mesmo Renan Calheiros foi tão submisso. É absolutamente vergonhoso”, publicou o vereador paulistano Fernando Holiday (Republicanos), ex-deputado federal.

Investigação apura controvérsias envolvendo o senador e Moraes
A investigação em curso está diretamente ligada aos relatos do senador Marcos do Val sobre um suposto plano golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ). No entanto, desde que Do Val alegou ter sido coagido a tentar incriminar Alexandre de Moraes por meio de uma reunião com o ministro, o senador já alterou sua versão várias vezes. Em um momento, ele admitiu ter inventado a história como uma estratégia para afastar Moraes da investigação contra Bolsonaro.

Na noite de quinta-feira (15), Do Val voltou a afirmar que a operação realizada pela Polícia Federal foi uma “tentativa de intimidação” arquitetada por Moraes. Ele declarou: “Se fui incluído como possível suspeito de ato antidemocrático, o ministro precisa ser incluído também, porque foi ele quem me pediu para participar dessa reunião”. Em fevereiro, Moraes confirmou ter ouvido a trama relatada pelo senador, mas alegou que Do Val se recusou a formalizar a denúncia. O senador também admitiu ter mentido para a imprensa, usando a estratégia da “persuasão”.

Nas redes sociais, Do Val vinha fazendo publicações acusando Moraes, Lula e o ministro da Justiça, Flávio Dino, de omissão, e alegava que estavam em um suposto conluio para criar uma armadilha para os manifestantes dos atos de 8 de janeiro, em Brasília.

Durante a entrevista de quinta-feira (15), o senador reiterou suas publicações e afirmou que tinha documentos em seu gabinete que colocavam o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na lista de alertas feitos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre o risco de invasões na Praça dos Três Poderes, e que Moraes queria acessar eles. As redes sociais do senador foram suspensas por determinação judicial.

Complemento:

Primeiro levaram os negros
Bertolt Brecht (1898-1956)

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/silencio-do-senado-sobre-operacao-autorizada-por-moraes-contra-do-val-alcanca-ate-parte-da-oposicao/
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DIPLOMACIA BRASILEIRA TRABALHA A FAVOR DOS DITADORES

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Lula e o ditador nicaraguense Daniel Ortega|| Foto: Foto: EFE / Fernando Bizerra Jr

Buscar estreitar laços com o que há de pior na América Latina parece ser uma obsessão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de ter estendido o tapete vermelho ao ditador Nicolás Maduro, recebido no Brasil com toda a honra e deferência, agora a diplomacia brasileira se dedica a defender outro autocrata esquerdista, Daniel Ortega, mandatário da Nicarágua.

Em documento enviado à Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o governo brasileiro pediu alterações no texto de uma resolução que deve ser apresentada na próxima semana com críticas à situação da Nicarágua. Para o governo petista, o texto precisa ser “amenizado”, como se as duras e frequentes violações contra os direitos humanos naquele país fossem um mero exagero linguístico e não uma terrível realidade mais do que documentada.

É triste ver a diplomacia brasileira fazendo as vezes de embaixadora das ditaduras, tentando convencer o restante do mundo que não há nada de errado debaixo do sol nicaraguense.

O governo lulista não gostou principalmente do ponto em que a OEA – que engloba 35 países das Américas, incluindo Brasil e a Nicarágua – pede a volta da democracia na Nicarágua. Para o Itamaraty, a redação correta seria “fortalecimento da democracia”, como se ainda se pudesse chamar o país da América Central de democrático. Outra modificação sugerida pelo governo petista seria usar “expressar preocupação”, ao invés de “profunda preocupação” com os relatórios da Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre a repressão na Nicarágua. A diplomacia brasileira também pediu a retirada dos trechos da resolução que falam em “confisco de bens e negação de pensões para as pessoas pelo governo”. E sugere o acréscimo ao documento da palavra “suposta” antes das denúncias de “violações do direito de propriedade” no país.

É grave que a diplomacia brasileira se preste a um papel tão mesquinho – de novo. Em março, durante reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Brasil se absteve de assinar uma declaração conjunta, patrocinada por um robusto grupo de 55 países, que condenava a ditadura de Daniel Ortega, acusada de cometer crimes contra a humanidade. Naquela ocasião, o Brasil também pediu mudanças no texto, sob o argumento de que era preciso haver “espaço para diálogo” com a Nicarágua. Sabiamente, os demais países não aceitaram as sugestões e o texto manteve seu teor contra a ditadura de Ortega.

Regimes “amigos” do petismo podem fazer o que quiserem contra suas populações que não serão criticados pela diplomacia brasileira.

Cada vez que insiste em ações como essa, a diplomacia brasileira mostra que o motor que orienta as relações do Brasil com os demais países é o alinhamento ou simpatia ideológica. O sandinismo de Ortega e o petismo de Lula são velhos conhecidos, mesmo que durante as eleições o PT tivesse usado de todos os meios – inclusive pedindo a censura de veículos de comunicação que mencionavam a proximidade entre Lula e Ortega – para tentar esconder isso.

Sem demonstrar nenhuma sensibilidade com aqueles que são perseguidos, torturados, ou expulsos simplesmente por ousarem levantar a voz contra o regime ditatorial nicaraguense, a diplomacia brasileira mostra que o que lhe orienta não são os acordos nem tratados internacionais, muito menos a voz da moral sabiamente orientada que facilmente distingue o agressor do agredido, mas, sim, o mero “camaradismo”.

VEJA TAMBÉM:
Lula, a insanidade, os sonhos totalitários e a necessária vigilância da sociedade
A moral petista que iguala agressores e vítimas
O apoio de Lula a Ortega, o novo tabu eleitoral


Regimes “amigos” do petismo podem fazer o que quiserem contra suas populações que não serão criticados pela diplomacia brasileira. Ortega pode confiscar a estrutura da Cruz Vermelha no país, fechar universidades, mandar prender, torturar, bloquear os bens da Igreja, mandar a polícia de porta em porta ameaçar as pessoas de prisão, prender padres e expulsar freiras. Se for em nome da implantação e manutenção de governos esquerdistas – por mais totalitários que sejam – tudo vale e será aceito pelo petismo. Eventuais críticas são tratadas como “narrativas”, que podem ser “desconstruídas” por meio dos discursos, mesmo que isso seja equivalente a mentir descaradamente e sem pejo algum.

É triste ver a diplomacia brasileira fazendo as vezes de embaixadora das ditaduras, tentando convencer o restante do mundo de que não há nada de errado debaixo do sol nicaraguense – nem em outros regimes disfuncionais ao redor do mundo –, e que a democracia existe naquele país. Trata-se de uma postura indigna para um país verdadeiramente democrático, mas que, infelizmente, parece ter se tornado a bandeira do Itamaraty.

Opressão
Nicarágua: uma perseguição sistemática aos católicos
Por
Marinellys Tremamunno*
Tradução: Rafael Salvi, especial para a Gazeta do Povo
La Nuova Bussola Quotidiana


Em protesto em abril deste ano, nicaraguenses radicados no Panamá pedem a liberdade do bispo Rolando Álvarez, preso pela ditadura sandinista| Foto: EFE/Bienvenido Velasco

O “Monitoreo Azul y Blanco”, organização que monitora a violação dos direitos humanos na Nicarágua, registrou, em maio, 181 casos de violações de direitos humanos pela ditadura de Daniel Ortega: 81 processos criminais, 29 casos de perseguição, 27 suspensões de advogados, 16 casos de intimidação, dez ações de “repressão” migratória, duas agressões físicas e 63 detenções arbitrárias por crimes de “traição à pátria”. Entre os detidos, um morreu em circunstâncias não esclarecidas e quatro são sacerdotes, segundo relatório aprovado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Na mira, está a diocese de Matagalpa e Estelí, da qual dom Rolando Álvarez era bispo titular e administrador, pois três dos quatro sacerdotes presos em maio eram de lá. Dessa forma, Pastor Rodríguez e Leonardo Guevara, das paróquias de Jalapa e Estelí, enfrentam um processo por “questões administrativas da extinta Cáritas Diocesana de Estelí”. E depois foi preso o padre Jaime Montecinos, pároco da igreja João Paulo II, no município de Sébaco (Matagalpa).

Em 27 de maio, a Polícia Nacional emitiu um comunicado acusando a Igreja Católica da Nicarágua de esconder “centenas de milhões de dólares em sacas localizadas em estruturas pertencentes à diocese do país” e de fazer parte de uma “rede de lavagem de dinheiro”. No entanto, o jornal El Confidencial esclareceu que os fundos retidos “são tudo menos ilegais” e correspondem a uma doação de US$ 563.206,54 feita pela Catholic Relief Services Foundation (CRS) em 2012 à Associação (ACDE). A CRS é uma instituição fundada pelos bispos católicos dos Estados Unidos para ajudar os sobreviventes da Segunda Guerra Mundial e opera em 101 países.

A duvidosa acusação de “lavagem de dinheiro” foi a desculpa perfeita de Daniel Ortega para congelar as contas correntes de dioceses de todo o país: a primeira foi Manágua, presidida pelo cardeal Leopoldo Brenes, e depois Matagalpa e Estelí, do bispo encarcerado Rolando Álvarez. A decisão não só afeta diretamente o trabalho da Igreja Católica, obrigada a viver com as poucas ofertas em dinheiro de seus fiéis, mas também tem impedido os professores das escolas católicas de receber seus salários.

Além disso, o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos recentemente expressou preocupação com a deterioração da situação na Nicarágua, já que das 63 prisões arbitrárias em maio, 55 foram realizadas em uma única noite, em detrimento de pessoas acusadas de “conspiração visando minar a integridade nacional”, uma acusação que o governo frequentemente usa para calar seus críticos.

“Estamos cada vez mais preocupados com a deterioração da situação dos direitos humanos na Nicarágua, onde as autoridades continuam a silenciar ativamente qualquer voz crítica ou dissidente no país, utilizando para tal o sistema judiciário”, disse Martha Hurtado, porta-voz da ONU, sublinhando que entre os detidos estão defensores dos direitos humanos, opositores políticos, jornalistas, trabalhadores rurais e pessoas ligadas à Igreja Católica. Além dos quatro padres detidos, também foram presos quatro funcionários leigos da Igreja entre os dias 21 e 23 de maio. A razão? A ditadura intensificou seu ataque à Igreja Católica, como evidenciado pelas expropriações arbitrárias de centros educacionais sob sua administração, realizadas à noite e com métodos violentos.

Em 18 de maio, a Universidade Católica da Imaculada Conceição da arquidiocese de Manágua (UCICAM) foi fechada, com o pretexto de “dissolução voluntária”, segundo o acordo ministerial 77-2023. A Ucicam foi inaugurada em 2011 e era um centro de formação para seminaristas de várias igrejas locais da América Central. Mas não é um caso único: no ano passado, as autoridades nicaraguenses fecharam outras 17 universidades privadas, sempre fazendo-as passar por cessões “voluntárias” de atividades. E mais recentemente, em 1º de junho, o governo cancelou o status legal da Associação “Hijas de Santa Luisa de Marillac no Espírito Santo”, ordenou a expropriação de seus bens e expulsou três religiosas estrangeiras. E fez o mesmo contra o Colégio Susana López Carazo das Irmãs Dominicanas da Anunciata, com a expulsão das três religiosas daquela congregação.

É evidente o constante e sistemático ataque do ditador Daniel Ortega contra a Igreja Católica desde que voltou ao poder em 2007, mais do que sob o primeiro regime da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na década de 1980. Isso é confirmado pela advogada Martha Patricia Molina, que documentou 529 ataques contra a Igreja Católica nos últimos cinco anos, dos quais 90 registrados no primeiro trimestre de 2023. E não é só: o regime também adotou medidas restritivas à liberdade religiosa, como a proibição de procissões públicas durante a Semana Santa. Posteriormente, em entrevista publicada pela Infobae em 10 de março, o papa Francisco falou de um “desequilíbrio” em Daniel Ortega, comparando seu governo a uma “ditadura hitlerista”. Logo em seguida, o ditador suspendeu as relações diplomáticas com o Vaticano.

A Nicarágua sofreu uma deriva autoritária desde abril de 2018, que se acentuou após as polêmicas eleições gerais de 7 de novembro de 2021, nas quais Daniel Ortega foi reeleito para um quinto mandato, o quarto consecutivo e o segundo com sua esposa Rosario Murillo como sua vice-presidente.

*Marinellys Tremamunno é uma jornalista profissional ítalo-venezuelana, natural de Caracas. É bacharel em comunicação social pela Universidade Central da Venezuela (2002) e mestre em jornalismo digital pela Universidade Internacional de Valência (Espanha, 2011). Hoje mora em Roma, trabalha para a Nuova Bussola Quotidiana e é correspondente de vários meios de comunicação internacionais.

© 2023 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italiano.
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CIENTISTAS CRIAM EMBRIÃO HUMANO SEM ÓVULO E ESPERMATOZOIDE

 

Biotecnologia e bioética
Cientistas produzem embriões humanos em laboratório sem necessidade de óvulo e espermatozoide

Por
Eli Vieira – Gazeta do Povo


Um “blastoide”, modelo de embrião humano feito a partir de células-tronco utilizado em pesquisa, equivalente a cerca de uma semana de desenvolvimento. As cores são artificiais.| Foto: Nicolasrivron

Resumo da reportagem
Embriões humanos foram criados em laboratório pela primeira vez, sem necessidade de fecundação, usando células-tronco embrionárias.
Os embrioides humanos, como são chamados, alcançaram um estágio de desenvolvimento de duas semanas, ajudando a entender o período inicial da vida humana e potencialmente avançando pesquisas sobre aborto espontâneo, infertilidade e transplante de órgãos.
A pesquisa levanta questões éticas e legais sobre a manipulação e o desenvolvimento de embriões humanos, com especialistas alertando sobre possíveis usos indevidos em países com regulamentações menos rigorosas.
Pela primeira vez, embriões humanos foram feitos em laboratório sem a necessidade de fecundação (óvulo e espermatozoide), a partir de células-tronco que são em si embrionárias, ou seja, retiradas de embriões humanos que vieram do processo natural. Os embriões não se desenvolveram o suficiente para formar órgãos, e não há planos de implantá-los em úteros ou levar seu desenvolvimento a termo, o que seria ilegal em grande parte do mundo. A descoberta foi anunciada na quarta-feira (14), primeiro dia de uma conferência da Sociedade Internacional de Pesquisa em Células-tronco (ISSCR) que ocorre até o fim da semana em Boston, EUA.

Desde o advento da reprodução assistida (fertilização in vitro), fecundações feitas em laboratório permitiam o estudo dos embriões humanos na primeira semana, antes de serem implantados em útero. A segunda semana, contudo, permanecia uma “caixa preta”. O melhor entendimento dessa fase é o objetivo do estudo associado à novidade, que ainda não foi publicado em revista científica após revisão, mas foi disponibilizado em um banco de artigos preliminares.

O anúncio foi feito por Magdalena Zernicka-Goetz, professora de biologia, engenharia biológica e desenvolvimento de mamíferos da Universidade de Cambridge, Reino Unido, e do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Ela também esteve envolvida em experimentos que geraram embriões “sintéticos” de camundongos no ano passado que tinham primórdios de coração com batimentos. Desde aquela descoberta, uma corrida foi feita para reproduzir os resultados em humanos — o grupo de pesquisa chefiado pela especialista venceu, daí o novo resultado. Deixado para trás na disputa científica foi principalmente um grupo rival do Instituto Weizmann, em Israel, que participou da pesquisa dos camundongos.

Embrião humano “sintético”
“Podemos criar modelos similares a embriões humanos pela reprogramação de células [tronco embrionárias]”, disse a cientista à plateia do evento. O estágio de desenvolvimento desses “modelos” equivale a duas semanas de desenvolvimento dos embriões naturais, explicou Zernicka-Goetz.

Os cientistas chamam de modelos aqueles organismos que eles estudam a partir dos quais podem fazer generalizações sobre os fenômenos biológicos. Neste caso, o termo também significa que o objeto de estudo não é idêntico aos embriões naturais — os da pesquisa do ano passado, de roedores, paravam espontaneamente de se desenvolver. Os do novo estudo com células humanas também são chamados pelos pesquisadores de “embrioides humanos” de fase associada à pós-implantação.

“Nosso modelo é o primeiro de embrião humano em três linhagens que apresenta âmnion [membrana que delimita a bolsa que abriga o embrião], e células germinativas, que são células precursoras de óvulos e espermatozoides”, detalhou a bióloga ao jornal britânico The Guardian. “É lindo e criado completamente a partir de células-tronco embrionárias”.

O desenvolvimento fetal é delicadamente guiado por sinalização das próprias células entre si. A equipe de Zernicka-Goetz foi capaz de induzir uma auto-organização das células, que passaram a formar estruturas de embrião completo dentro de um meio de cultura nutritivo. Isso foi feito pela administração de drogas que ligam genes específicos e posicionamento em placas que facilitam a agregação celular.

Uma razão para esse tipo de pesquisa, dizem os cientistas, é entender por que tantas gestações terminam em aborto espontâneo neste delicado período inicial da vida humana — 60% dos óvulos fecundados humanos são espontaneamente abortados nas duas primeiras semanas —, além de entender melhor algumas doenças genéticas. Mas há outros planos no horizonte: se for possível desenvolver órgãos isolados, por exemplo, isso abre a possibilidade de serem órgãos clones de pacientes que precisam de transplante, eliminando o problema da rejeição, pois esses órgãos teriam o mesmo DNA dos pacientes.

A presença de células precursoras de gametas nos embriões “sintéticos” também abre novas possibilidades reprodutivas, como a cura da infertilidade. Há ainda uma grande dose de especulação nesses cenários de aplicação prática.

Vácuo legal, risco moral
Quando democracias desenvolvem novas técnicas em bioengenharia, isso acaba sendo usado em ditaduras, como ilustra o caso do biofísico chinês He Jiankui, que aplicou a nova técnica CRISPR de edição do DNA em embriões que se desenvolveram em três crianças. O cientista foi preso por três anos por um tribunal e foi libertado no ano passado.

Os embrioides sintéticos poderiam ter um destino similar. De fato, em abril deste ano, chineses implantaram embriões desse tipo, feitos a partir de células-tronco embrionárias de macacos cinomolgos, em fêmeas da mesma espécie. Esse trabalho foi liderado por Zhen Lu, cientista do Laboratório Estatal de Neurociência de Xangai. Em três das oito macacas, os embriões começaram a se desenvolver. Porém, todas as gestações terminaram espontaneamente em poucos dias. Isso confirma, ao menos, que os embrioides não são idênticos aos embriões naturais, e que as limitações para os cenários mais assustadores são, por enquanto, técnicas, não apenas éticas.

Como ainda não está claro até que ponto os embrioides são comparáveis aos embriões naturais, há um vácuo legal nos países envolvidos. Ainda não há regulamentação a respeito de limites ou consenso a respeito de quais eles deveriam ser.

“Os modelos embrionários têm a promessa, ou ameaça, de não apenas criar um modelo realista do desenvolvimento de algumas partes de órgãos humanos importantes, mas de levar a modelos realistas de todos os órgãos e tecidos humanos e, em potencial, à criação de bebês”, disse Hank Greely, professor de direito do Centro de Ética Biomédica da Universidade Stanford, à Quanta Magazine.

O limite de 14 dias para crescimento dos embriões de laboratório é um limite legal de muitos países. Após o período, os embriões devem ser destruídos. No Brasil, a área é regulada pela Lei de Biossegurança (11.105/2005). Para Amanda Costa, advogada especialista em Direito Médico e da Saúde, que atua no Rio de Janeiro, a lei estabelece “um uso de célula-tronco extremamente limitado, tendo em vista que só é permitido para fins de pesquisas e terapias, devendo cumprir requisitos” que incluem, por exemplo, que as células sejam obtidas de fertilização in vitro.

“A criação de embriões sintéticos equipara-se, a meu ver, à criação de clones, ou seja, é antiético e ilegal”, explica Costa. Quem o fizer no Brasil “pode incorrer em pena de um a três anos de detenção, mais multa”. A especialista adere à “teoria concepcionista”, que significa que “a partir do momento da fecundação do óvulo pelo espermatozoide, já há vida humana”.

Temores já foram expressos por especialistas antes. Genival Veloso, médico e advogado, diz em sua obra “Comentários ao Código de Ética Médica” (Guanabara Koogan, 2019) que “O grande risco no futuro é que a medicina se afaste de seu modelo de ciência e arte (…) e passe a manipular substancialmente a vida humana”.


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MOTIVOS IMPORTANTES PARA QUE ZANIN SEJA REJEITADO PELO SENADO

Por
Deltan Dallagnol – Gazeta do Povo


| Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

No dia 1º de junho de 2023, o presidente Lula oficializou a nomeação de Cristiano Zanin, seu amigo e advogado pessoal, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal após a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski. Agora, cabe à Comissão de Constituição e Justiça do Senado sabatinar Zanin e aprovar ou rejeitar o seu nome na próxima quarta (21). Há pelo menos 7 motivos para o Senado rejeitar a nomeação de Zanin para o STF.

Primeiro: a nomeação de Zanin viola o art. 101 da Constituição Federal, que exige notável saber jurídico do candidato. Pegando emprestadas as palavras do professor Ives Gandra da Silva Martins, um dos maiores constitucionalistas vivos do nosso país, “O notável é aquilo que está acima da média do conhecimento de todos, o que inclui saber acadêmico, livros publicados, reconhecimento nacional e internacional como jurista. (…) O reconhecimento acadêmico é ser mestre, doutor, livre docente ou professor titular, doutor honoris causa. O reconhecimento acadêmico é o que difere o advogado do jurista. O magistrado do jurista.”

Como ficou claro durante a leitura do relatório do senador Vital do Rêgo na data de ontem (15), Zanin pode ser um bom advogado, mas lhe falta o notável saber jurídico. O vídeo está disponível na internet para quem quiser assistir: o relator não consegue expor um título acadêmico de Zanin além daquele de Bacharel em Direito, porque não existe. É o bastante para um advogado, mas não deveria ser – e quem o diz é a Constituição, não eu – para um ministro do Supremo.

Segundo: a nomeação de Zanin é estelionato eleitoral puro e simples. Durante a campanha, quando Lula e o PT ainda vendiam a falsa ideia de uma frente ampla pela democracia, Lula afirmou: “Estou convencido que mexer na Suprema Corte para colocar amigo, para colocar companheiro, para colocar partidário é um atraso, um retrocesso que a República brasileira já conhece muito bem. Eu sou contra”.

Não é a primeira promessa de campanha que Lula descumpre e nem será a última. Mas esta pode ser a promessa descumprida que terá as consequências mais graves para o futuro do Brasil, já que Zanin poderá ficar até 2050 no STF, quando completará 75 anos. É imoral prometer uma coisa, ambicionando votos, e fazer outra no momento seguinte. É dizer ao eleitor que o manipulou. É tratar o brasileiro como instrumento da sua ambição de poder, negando-lhe dignidade e respeito.

Terceiro: Se aprovado, Zanin substituirá Ricardo Lewandowski, considerado por Lula a nomeação mais acertada à Suprema Corte durante os governos petistas. Por qual motivo Lula julga ter acertado com a nomeação de Lewandowski? Segundo a imprensa, não foi pela capacidade técnica do ministro, seu conhecimento a respeito da lei e da Constituição ou por sua independência – todos atributos que se espera de um juiz -, mas pela fidelidade canina a Lula e ao PT, reiteradamente demonstrada em todos os seus anos no STF.

O relator não consegue expor um título acadêmico de Zanin além daquele de Bacharel em Direito, porque não existe

Agora, Lula parece querer repetir a dose com Zanin e já se comenta que quer triplicá-la por meio da próxima nomeação para a vaga a ser aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber. Lula pretende converter uma Corte de juristas em uma Corte de lulistas. Há um evidente abuso, um desvio de finalidade, no critério da decisão.

Quando Dilma quis nomear o próprio Lula para a Casa Civil, o ministro Gilmar Mendes barrou a decisão por entender que configurava desvio de finalidade e violava a Constituição. Alexandre de Moraes fez o mesmo ao impedir que Bolsonaro nomeasse Alexandre Ramagem para a Diretoria da Polícia Federal. Por que agora, com Zanin, o entendimento é diferente?

Quarto: Há ainda outra quebra de confiança causada pela incongruência entre a escolha de Lula e suas pautas eleitorais e políticas. A indicação frustra até mesmo a expectativa de alas do próprio PT e de grande parte dos eleitores de Lula por indicações ao Supremo que contemplassem a diversidade e a inclusão. Esses setores torciam pela nomeação da primeira mulher negra para o Supremo, a exemplo do que fez o presidente americano Joe Biden ao nomear Ketanji Brown Jackson à Suprema Corte americana.

Não vai acontecer. O critério escolhido por Lula é um só: a fidelidade. Lula, segundo diversos jornalistas, não quer repetir os “erros” cometidos pelo PT na nomeação de outros ministros que “falharam” com o partido, especialmente durante os julgamentos do Mensalão e da Lava Jato. Assim, a opção lulista, para além de contradizer seu discurso expresso de campanha dirigido a todos os brasileiros, frustra aqueles que votaram nele em razão das políticas e valores que ele implementaria. Uma dupla traição.

Quinto: A nomeação de Zanin viola também o princípio constitucional da impessoalidade, previsto no art. 37 da Constituição Federal. Em seu pronunciamento público sobre a nomeação, Lula deixou claro que o fator preponderante para sacramentar Zanin como novo ministro do STF foi o fato de ele ter sido seu advogado durante a operação Lava Jato, o que, como se sabe, resultou na anulação das condenações do petista e na recuperação de seus direitos políticos. O absurdo salta mais aos olhos se levássemos esse critério ao extremo: e se Lula tivesse oportunidade de escolher os onze ministros e só indicasse quem tivesse sido seu advogado?

Lula pretende converter uma Corte de juristas em uma Corte de lulistas

Vale recordar que, em 1954, Juscelino Kubitschek lançou sua candidatura presidencial sob o famoso lema “50 anos em 5”. Foi vitorioso, porém a oposição tentou anular a eleição. JK empregou, então, Sobral Pinto, um dos maiores juristas da história do Brasil, como seu advogado. Sobral Pinto defendeu a legitimidade da vitória de JK e ganhou o caso.

Já presidente, JK convidou Sobral Pinto para ser ministro do STF, mas o advogado recusou o convite, porque não queria deixar para a história a impressão de que defendeu JK por interesses pessoais, apenas para chegar ao Supremo. Não são relações pessoais que devem guiar essas escolhas, mas o que é melhor para o Brasil. Esse é o tipo de grandeza e de espírito público que se espera de um candidato a uma vaga na Suprema Corte.

Sexto: Ao nomear Zanin, Lula não viola apenas o princípio da impessoalidade, mas coloca interesses privados acima do interesse público. A nomeação de Zanin pode ser analisada olhando para o passado e para o futuro. Olhando para o passado, a nomeação está relacionada à gratidão de Lula a quem foi seu advogado e ajudou a garantir sua impunidade. Nesse sentido, é quase como se Zanin estivesse sendo “premiado” com um cargo no mais alto tribunal do país por serviços prestados à Lula, seu cliente mais famoso.

O olhar para o futuro revela o desejo irreprimível do presidente de ter alguém fiel a ele mesmo, com quem possa ter interlocução constante perante à Corte, alguém para quem possa “telefonar”, como afirmou a imprensa. Essa é mais uma prova de que Lula pretende dobrar o interesse público a seus interesses privados mais imediatos, relacionados à garantia da manutenção de seu poder pessoal e do projeto de poder de seu partido, o PT. O império da lei cede ao império das pessoas e suas relações. Menos lei, mais compadrio.

Quer se olhe para o passado quer para o futuro, os motivos da indicação são pouco republicanos e revelam um absoluto enfraquecimento e descrédito do Estado de Direito perante os olhos da sociedade e da comunidade internacional.

Sétimo: a sociedade sabe muito pouco sobre o que Zanin pensa acerca de temas extremamente sensíveis, como a descriminalização das drogas e do aborto. Esse é um reflexo do próprio desconhecimento da sociedade a respeito de quem é Zanin e suas ideias, e também da ausência de notório saber jurídico do indicado, porque não há teses de mestrado, doutorado e volumes variados de livros registrando o pensamento de Zanin sobre diferentes aspectos jurídicos da vida em comunidade.

Num aspecto central para a sociedade, que é a redução da impunidade, Zanin representa o oposto do anseio da população. Opôs-se firmemente à prisão em segunda instância, medida que é absolutamente necessária para restabelecer uma efetividade mínima do sistema de justiça contra réus ricos ou poderosos. Para quem deseja um sistema de justiça criminal que funcione, a nomeação de Zanin traz uma séria preocupação.

Os motivos da indicação são pouco republicanos e revelam um absoluto enfraquecimento e descrédito do Estado de Direito

Na próxima semana, caberá ao Senado decidir. Para além da base lulista que apoiará cegamente a indicação, os parlamentares de centro e de direita serão pressionados por emendas e pelo receio de se oporem a alguém que, no dia seguinte, se alcançar sucesso na nomeação, passará a julgá-los. A sabatina pode se tornar um mero espetáculo público para carimbar a indicação do presidente.

Precisamos de parlamentares com coragem. É provável que ainda não tenhamos chegado lá – veremos -, mas os brasileiros estão fartos de pessoas que se elegem dizendo que farão diferente e, uma vez lá, tornam-se mais do mesmo. O que eu posso dizer é o que eu farei: pedirei aos senadores do meu Estado que cumpram seu papel e rejeitem a indicação.

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