Se nos
tempos de Juscelino existissem as ONGs, o Ministério Público e os
partidos políticos de hoje, JK não conseguiria construir Brasília. As
obras seriam embargadas por destruir o cerrado, o Lago Paranoá não seria
criado por uma barragem que desviaria cursos d’água e causaria uma
extensa inundação do cerrado. O Brasil hoje estaria condenado a
acompanhar seu limite litorâneo, a maior parte das fronteiras terrestres
estaria vulnerável e não seríamos o maior exportador de grãos do
planeta; ao contrário, estaríamos importando alimentos e, quem sabe, os
futurólogos anunciando guerras próximas em busca de lugar para produzir
comida para a população mundial. O cerrado seria um lugar deserto com
emas e lobos, e o Brasil um país semi-colonial.
Lembro disso no dia em que a presidente da União Europeia promete ao
presidente do Brasil 20 milhões de euros para o Fundo da Amazônia. Fico
curioso por saber quem será beneficiado com esse dinheiro. Seriam os
filhos dos amazônidas ribeirinhos, que crescem longe de escolas? As
famílias de caboclos distantes de um posto de saúde? Os que levam dias
de canoa para comprar ferramentas, roupa e mantimentos? A Alemanha, na
União Europeia, acaba de restituir ao Brasil um fóssil de 110 milhões de
anos. Mas é apenas um fóssil. Quanto saiu da Amazônia em minérios,
madeiras, valores medicinais biológicos? 20 milhões de euros seria uma
compensação ínfima.
Se nos tempos de Juscelino existissem as ONGs, o Ministério Público e
os partidos políticos de hoje, JK não conseguiria construir Brasília
O ex-presidente da Câmara e ex-ministro da Defesa (e ex-PCdoB) Aldo
Rebelo, insiste em nos alertar para a ação de ONGS, partidos de esquerda
e Ministério Público, contra obras de desenvolvimento na Amazônia, como
a rodovia Porto Velho-Manaus, a hidrovia Araguaia-Tocantins e a
Ferrogrão, paralisada há mais de dois anos por decisão do Supremo. No
mesmo sentido, o IBAMA impediu a Petrobras de pesquisar na foz do Rio
Amazonas. Isso leva a gente a pensar que querem manter a Amazônia
intocada pelos brasileiros, como reserva futura para outros países.
Ontem, em Lavras do Sul, no Rio Grande do Sul, o Executivo, o
Legislativo e a comunidade econômica do município reuniram-se para dar
um grito contra isso. No subsolo do município há a capacidade de retirar
300 mil toneladas/ano de fosfato. O Brasil importou ano passado 1,67
milhões de toneladas do minério, necessário para o agro fazer as plantas
crescerem. Mas ONGS e Ministério Público estão na Justiça, bloqueando a
mineração. Lavras do Sul se levantou, porque se não somos um país de
masoquistas, não podemos ficar em passividade colonial. O conhecimento
de hoje permite exploração sem destruição; uso sustentável. O
conhecimento de hoje não pode permitir que aceitemos os modismos de um
ambientalismo enganoso, que nos é imposto pelo medo de supostas
tragédias climáticas. A pobreza e a fome são tragédias mais reais e
concretas.
Têm sido dias difíceis, mas é preciso fazer um esforço para
reencontrar a fé a esperança até debaixo da sofá ou no bolso de uma
calça velha.| Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Têm sido dias
difíceis. Uns mais do que os outros. Ontem pela manhã, por exemplo, eu e
um amigo conversávamos sobre a aprovação da lei da filhadocunha Dani
Cunha. Aquela lei que parecia um absurdo, mas logo depois revelou-se
apenas um semiabsurdo. Depois de muito choro e ranger de dentes, ficou
claro que a lei não proíbe a crítica a políticos, como se pensava a
princípio. Um relator conseguiu dar uma amenizada no texto e agora ela
“só” pune quem se recusa a dar crédito a bandido. Digo, político.
Mas nem deu tempo para pensar que estávamos vivendo numa democracia.
Porque no mesmo dia Alexandre de Moraes tirou de um porão qualquer da
Ditadura Militar o crime de “subversão da ordem”. E mandou calar Monark –
um menino com cara e jeito de adolescente tardio e que ousou falar umas
poucas e boas sobre o imperador calvo.
Nesse caso, os problemas são dois: primeiro a censura prévia ao
podcaster; depois, a recriação desse que deve ser o mito político mais
cafona e chato de todos os tempos – o subversivo. “Só falta agora o
Monark sair por aí caminhando e cantando e seguindo a canção”, disse
para o amigo, que nem mesmo esboçou um riso. É que ele estava mesmo
brabo ontem.
Ao final da manhã, percebi que estava em frangalhos. (Nunca neguei
que sou exagerado). Andava me arrastando pela casa, imaginando distopias
impublicáveis e travando batalhas verbais épicas em minha cabeça. Numa
delas, eu estava defronte do Torquemada do Cerrado, tentando convencê-lo
a perceber que o caminho da tirania é um caminho sem volta, ainda que
num primeiro momento ele pareça ter apoio de um ou outro assecla. “Mas
você não teme a Deus?!”, perguntei a ele em certo momento. Ao que
Alexandre de Moraes, diante do espelho, respondeu simplesmente que não.
Então me pus a procurar a comparação perfeita. O Brasil está virando
uma Cuba? Uma Venezuela? Uma China? Só para poder cunhar o verbo
“chinezar”, fiquei com a última opção. Chinezar, verbo intransigente,
autoritário, hipócrita e cínico. Diz-se daquele que se chineza, isto é,
aquele que opta por um líder populista, que vive numa ditadura, mas não
confessa; e que impõe um capitalismo de compadrio, sem jamais abandonar o
discurso falsamente fraterno do marxismo.
Vai carpir um lote! Nessas horas, impossível não se deixar levar
pela paranoia. Só um pouquinho. Pensei em todos os meus colegas
jornalistas que por dentro zurram de prazer ao verem seus delírios
esquerdistas sendo postos em prática. Alguns deles certamente concordam
com o assessor da Dilma que, por esses dias aí, andou defendendo a pena
de morte para quem discordasse do socialismo. Isto é, para mim e
provavelmente para você que me lê.
Curvado como um Atlas parrudinho e careca, eu refletia sobre o
ridículo e a cafonice de poder ser considerado um subversivo. Foi quando
minha mulher, ao me perceber mirando sem enxergar o pico do Anhangava,
veio em minha direção. Achei que ela fosse me consolar e dizer que vai
dar tudo certo, não fique assim, daqui a pouco tudo isso passa e a gente
vai dar risada. Etc.
Mas não. Minha mulher veio em minha direção e começou a brigar
comigo. Onde é que já se viu ficar preocupado com uma coisa dessas! Vai
bater uma laje! Vai carpir um lote! Vai arear umas panelas! Fica aí
lendo esses russos frouxos e esses francesinhos covardes e depois fica
assim, todo melancólico. E mais um monte de impropérios proibidos nesse
horário.
Quis protestar. Tentei protestar. Mas ela não parava. Até que
consegui me esgueirar por uma pausa rara para dizer que simplesmente não
enxergava uma saída democrática para a situação em que o país se
encontra. Que só um milagre ou. Ela levantou o rolo de macarrão. Mas, em
vez de sentir o golpe da madeira, eu a ouvi perguntar simplesmente:
“Onde está a sua fé e a sua esperança?”. Assim, sem qualquer arroubo.
Como que tomada por uma calma santa. (Rivotril 2mg).
Onde está? Onde está? A fé, eu a vi pela última vez debaixo do sofá. A
esperança, não faço a menor ideia. Será que esqueci no táxi? Não sei.
Só sei que, ao ouvir aquela pergunta, me levantei e estufei o peito.
Levantei a cabeça. Me livrei do mundo que pesava às costas. E pus as
mãos nos bolsos. Dentro de um deles, bem lá no fundo, encontrei um
fiapinho de esperança e um amontoado de fé. “Estão aqui”, eu disse, todo
subversivão.
Artigo Adam Smith, aos 300 anos, segue mais relevante que nunca Por John Fund – Gazeta do Povo National Review
Adam Smith reimaginado na Times Square (Nova York). A
impressionante redução da pobreza global nos últimos 50 anos deve muito
às ideias de Smith sobre o poder da escolha individual e do
livre-arbítrio.| Foto: Eli Vieira com Midjourney
Estes são tempos
difíceis para aqueles que apoiam o capitalismo de livre mercado. Por
todos os lados, keynesianos, marxistas e viciados em Estado de bem-estar
social estão pedindo déficit público, aumento de impostos, comércio
“justo” e super-regulamentação em nome da igualdade e pureza ambiental.
Enquanto a farra de gastos conhecida como “Bidenconomia” está perdendo
seu brilho para os eleitores em geral, aqueles entre 18 e 34 anos estão
cada vez mais favoráveis à intervenção do governo. Uma pesquisa do
Instituto Fraser descobriu que 43% dos menores de 35 anos acreditam que o
socialismo — isto é, governo inchado e redistribuição de riqueza — é o
melhor sistema, contra 40% que discordam.
Isso tudo reforça nossos motivos para celebrar o 300º aniversário de
Adam Smith nesta sexta-feira, 16 de junho. Em 1776, o ano da Declaração
de Independência americana, o pensador iluminista escocês reforçou os
argumentos em prol da liberdade da Declaração ao publicar “A Riqueza das
Nações”. Seu livro estabeleceu a base intelectual do capitalismo, dos
mercados livres e da escolha individual. É essa base que ajudou os EUA e
muitas outras nações que a seguiram a alcançar a prosperidade, marcada
pela criação de uma vibrante classe média e, em quase todos os casos, um
espectro completo de liberdades políticas.
Desde o declínio do comunismo, houve uma redução na pobreza que não
tem paralelo em nenhum período anterior da história humana. Em 1981, a
taxa absoluta de pobreza no mundo era de 42,7%; em 2000, caiu para
27,8%. Hoje, é inferior a 9%. Mesmo na China, que mantém um Partido
Comunista que monopoliza o poder, o economista Weiying Zhang da
Universidade de Pequim disse ao economista alemão Rainer Zittlemann que
“o rápido crescimento da China nas últimas quatro décadas foi
impulsionado pelo poder do mercado e dos setores não estatais, e não
pelo poder do governo e do setor estatal como afirmado pelos teóricos do
modelo chinês”. Zittleman me disse que Zhang chamou a vitalidade da
China de “uma vitória do conceito de mercado de Adam Smith”.
A tese de Smith, que ainda ressoa hoje, é que liberar as pessoas para
buscarem seu próprio interesse pessoal produz um resultado coletivo
muito superior ao que se obtém quando se tenta impor camisas de força
regulatórias. Pessoas livres, autorizadas a fazer escolhas livres em
mercados livres, satisfarão suas necessidades (e as da sociedade) muito
melhor do que qualquer governo pode. Finalmente, Smith foi o primeiro
grande expoente do livre comércio. Ele sentiu que permitir que pessoas e
países se especializassem e negociassem livremente produziria uma
enorme riqueza, porque liberar pessoas e nações para fazerem o que fazem
melhor produzirá muito mais riqueza do que um sistema de autarquia em
que um país tenta produzir tudo por si mesmo. Em suma, Smith escreveu:
“Pouco mais é necessário para levar um Estado ao mais alto grau de
opulência, mas paz, impostos leves e uma administração tolerável de
justiça”.
Como lar de Adam Smith, a Grã-Bretanha estava repleta de comemorações
a Adam Smith nesta semana, levando ao seu 300º aniversário. Participei
de várias delas.
Em um almoço do Instituto de Assuntos Econômicos (IEA) em Londres, o
economista Mark Skousen, da Chapman University, disse aos presentes que
era difícil superestimar a contribuição de Smith para a economia
moderna: “Adam Smith fez pela economia o que Sir Isaac Newton fez pela
física, Charles Darwin pela biologia e Thomas Jefferson pela política”.
Apesar de tais elogios, Smith é frequentemente acusado de ignorar os
pobres e desafortunados em sua explicação de como uma economia funciona.
Mas, como o economista vencedor do Prêmio Nobel, Vernon Smith, apontou
na National Review, “A Riqueza das Nações” discutiu não apenas como as
pessoas são impulsionadas pelo interesse próprio para maximizar suas
próprias vantagens, mas também como são compelidas pela experiência de
viver em uma sociedade livre a serem empáticas e considerarem os
sentimentos de seus familiares, amigos e vizinhos.
Mesmo comemorando o presente de Smith ao mundo por ocasião de seu
300º aniversário, seríamos tolos se ignorássemos os muitos ataques
contra ele e as tentativas de minar suas ideias. Mas o próprio Smith era
um otimista quando se tratava de progresso humano: “O esforço uniforme,
constante e ininterrupto de cada homem para melhorar sua condição(…) é
frequentemente poderoso o suficiente para manter o progresso natural das
coisas em direção à melhoria, apesar tanto da extravagância do governo,
como dos maiores erros de administração.”
Se os funcionários possuem uma boa experiência na empresa, será que
ainda será necessário focar na retenção de talentos ou isso acontecerá
naturalmente? Confira a entrevista com Nara Zarino, head de People
Experience do Zé Delivery
As empresas falam cada vez mais sobre ter o “cliente no centro” e de
como oferecer uma boa experiência ao cliente. Mas como isso está se
refletindo dentro da própria companhia, com os funcionários? Essa
iniciativa está sendo chamada de “People Experience” – a experiência
dentro da área de Pessoas.
Mas, quando falamos de People Experience, esqueça o escritório legal,
o grande kit de boas-vindas, a piscina de bolinhas dentro da empresa:
nada disso oferecerá uma boa experiência aos funcionários se a companhia
não for… Transparente.
Por muito tempo, essas e outras iniciativas pareciam ser obrigatórias
dentro das startups e até mesmo das grandes empresas. Mas não são esses
pontos que verdadeiramente atraem e retém talentos.
Como ter uma boa experiência dos funcionários?
1 – Cumpra os combinados (do início ao fim)
Para Nara Zarino, head de People Experience no Zé Delivery, o
primeiro passo é que as empresas cumpram os combinados que fizeram
quando contrataram os funcionários. “As vezes, a pessoa chega e fica uma
semana na companhia e vai embora, pois percebe que nada do que foi dito
na contratação é real”, comentou.
Isso impacta de diversas formas nas instituições, pois tempo e
dinheiro são gastos na seleção e contratação de candidatos. É por isso
que muitas companhias também falam sobre reter talentos…
2 – Experiência do colaborador x retenção
Mas reter é necessário? Se há investimento na experiência do funcionário, a retenção passa a não ser tão preocupante.
“A empresa precisa comunicar de forma mais transparente possível
aonde ela quer chegar e como quer fazer isso. Falar sobre o que ela
acredita, o que ela já é, mas não quer mais ser. Porque à medida que ela
se comunica de forma transparente o tempo inteiro, não só na
comunicação interna, mas os líderes, nas cerimônias… Tudo é mensagem.
Tudo isso faz com que a pessoa veja e fale: ‘faz sentido ficar nesse
lugar?’, ‘Eu vou continuar nesse lugar porque eu acredito nesse
propósito’”, exemplificou Nara.
3 – Escute o colaborador (de verdade)
É importante estabelecer uma relação de confiança com os
funcionários, entendendo suas necessidades e opiniões. Nara sugere que é
possível até mesmo criar iniciativas em conjunto. “Quando a gente ouve
as pessoas e cria produtos ou transforma a partir do que elas trouxeram
para a gente, elas têm certeza que estamos ouvindo, temos a
credibilidade com as pessoas. Eu lembro que eu já ouvi algumas vezes: eu
lembro que vocês mudaram tal coisa, porque eu mudei tal coisa. A pessoa
tem certeza absoluta que nós fizemos por conta daquilo. É uma
co-criação”.
4 – Reconhecimento
Para Nara, reconhecimento não precisa ser dinheiro ou um novo cargo.
“Isso passa diretamente pela experiência do colaborador. É um
reconhecimento público, você pode fazer um evento e reconhecer as
pessoas ou o time. Pode ser uma viagem, um curso, uma imersão. Existem
pontos de contato específicos que impactam diretamente na decisão se ela
vai ficar ou não na empresa”.
5 – Desenvolva a liderança
Não adianta a empresa ter uma cultura transparente se isso não é
reproduzido e reforçado pelas lideranças. Os líderes são um dos
principais pontos da experiência do funcionário.
FANS TOKENS DA VALEON
Os Clubes de Futebol no Brasil e no Mundo estão alinhados fora de
campo e estão investindo em inovação e no mercado de criptoativos, mais
especificamente as Fans Tokens que são moedas digitais chamadas de CHILIZ(CHZ).
A novidade é atribuir um valor de ativo financeiro a um produto com o
qual o fã cria relacionamentos e experiências com o Clube de Futebol e
que antes era apenas um serviço sem valor de revenda ou de valorização
desse ativo. As Fans Tokens ajudam os clubes a melhorar a parte financeira.
Assim como nenhum elemento do marketing faz nada sozinho, não só em clubes, mas em qualquer empresa, as Fans Tokens
também precisam ter a imagem trabalhada para chegar ao consumidor de
forma clara, oferecendo algo que seja palatável e legível ao torcedor,
ou seja, as pessoas precisam entender do que se trata este ativo digital
para poder consumi-lo.
Como toda inovação, as Fans tokens ainda estão numa
fase inicial e todos nós estamos aprendendo com elas. Não podemos perder
de foco é que a tecnologia não pode ser o fim, a tecnologia é
simplesmente o meio e é a chave para o engajamento e temos que
compreender que a tecnologia pode gerar lucro, construir operações
sustentáveis, proteger a integridade da concorrência, desenvolver
multiplataformas e muito mais.
Engajar os fãs não é algo exclusivo do esporte. Pelo contrário, todas
as marcas querem encantar seus consumidores e engajá-los das mais
variadas formas. Descobrir essas formas é uma das muitas atividades de
quem trabalha com comportamento do consumidor.
Em marketing, podemos definir o engajamento do cliente como os
comportamentos espontâneos, interativos e cocriativos do consumidor,
principalmente em trocas não transacionais entre consumidor e empresa
para atingir seus objetivos individuais e sociais.
Em outro contexto, porém, podemos pensar no engajamento como um
estado de espírito motivacional relacionado à marca e dependente do
contexto de um cliente, caracterizado por níveis específicos de
atividade cognitiva, emocional e comportamental nas interações da marca.
E, nesse aspecto, surge um fator importante: como os consumidores
engajados fornecem referências e recomendações para produtos
específicos, o engajamento do cliente é um elemento-chave nas
estratégias das empresas para o desenvolvimento de soluções, de novos
produtos e retenção de clientes. É aqui que surge a ideia da
monetização.
A Startup Valeon cria as FANS TOKENS VALEON para premiar
uma enorme comunidade de consumidores que utilizam as redes sociais,
que são o nosso público-alvo, que são as pessoas que achamos que podem
realmente se beneficiar do nosso produto que é a Plataforma Comercial
Marketplace Valeon e muitas vezes não possuem o conhecimento básico de
como o nosso produto funciona.
As Fans Tokens são para aqueles que não querem
apenas ser espectadores, mas para aqueles que desejam ter um papel mais
ativo na comunidade das redes sociais.
A tokenização fornece novas maneiras inspiradoras de
classificar valor, criando novos ativos ou reinventado os tradicionais,
abrindo portas para melhoria de processos totalmente novos, fluxos de
receitas e envolvimento dos clientes com novas oportunidades.
Pensando nisso, a Startup Valeon através do seu Site, aposta na
possibilidade de trazer o consumidor que pode estar longe ou não conhece
a Valeon para perto da gente e ainda ser nosso colaborador participando
ativamente do nosso desenvolvimento, gerando transformações e tendo o
direito de fornecer conhecimentos específicos para o desenvolvimento do
Site.
Valor do Fan Token Valeon = R$ 1,00
Solicitamos a colaboração dos consumidores do Vale do Aço
para as oportunidades de influenciarem em algumas decisões do nosso
dia-a-dia e quanto maior o peso de suas opiniões, mais Fan Tokens irá
ganhar.
1 – Você pode auxiliar no desenvolvimento do nosso Site Valeon verificando alguma possibilidade de melhoria nele.
Prêmio: 50 Fan Token Valeon
2 – As Empresas, Serviços e Profissionais que desejarem
participar aderindo suas Publicidades e Propagandas ao Site Valeon terão
descontos.
Prêmio: 30% na mensalidade
3 – Sugestões de Internautas que queiram incluir ÁLBUNS DE MÚSICAS de até 150 MB NA COLEÇÃO DE MÚSICAS do Site Valeon.
Viagem de Lula à China terá encontros com autoridades chinesas e
visita ao Banco dos Brics na tentativa de emplacar Dilma Rousseff.|
Foto: Joedson Alves/EFE
Os países que compõem os Brics, bloco
político e econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África
do Sul, têm discutido a inclusão de mais nações ao grupo. Esse aumento,
no entanto, de acordo com especialistas, pode tirar o pouco protagonismo
que o Brasil já desempenha na organização.
“O Brasil não desempenha grande influência no grupo, não somos uma
potência econômica e nem uma influência política. Hoje, nos Brics,
estamos no mesmo patamar que a África do Sul e a inclusão de mais países
ao grupo pode deixar o Brasil em uma posição ainda mais
desconfortável”, explica José Augusto de Castro, presidente da
Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Quando formado, em 2006, a África do Sul não fazia parte do grupo,
sua inclusão aconteceu em 2011. Desde então, há diálogos sobre a
possibilidade de novos países fazerem parte da organização. De acordo
com Anil Sooklal, embaixador sul-africano dos Brics, 20 nações fizeram
solicitação para integrar o grupo.
Entre os interessados, estão Arábia Saudita, Egito, Uruguai, Emirados
Árabes Unidos, Cuba, República Democrática do Congo, Comores, Gabão e
Cazaquistão, além de Argentina, Bangladesh, Guiné-Bissau, Indonésia e
Honduras. Há ainda a Venezuela, que Lula tenta fazer lobby para que
também ingresse na organização. O país, no entanto, não apresentou
nenhum proposta formal [nem informal] para integrar o grupo.
De um lado, a China defende a expansão do grupo. Isso porque o país
busca aumentar sua influência no contexto mundial e por isso quer
acelerar esse processo de expansão. Quando o país liderava o bloco, o
vice-ministro chinês, Ma Zhaoxu, apresentou uma proposta chamada BRICS+,
contando com a inclusão de novos países ao grupo. O porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse que Pequim
trabalha em uma expansão “acelerada do bloco”.
Do outro lado, Índia e Brasil são a favor da inclusão de novos
membros, mas com um porém: que isso seja feito com critérios. Após o
ministro de Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, participar do
encontro do bloco na África do Sul, neste mês, ele disse que os países
membros estavam “trabalhando e talvez [seja] por causa desse grande
sucesso que atraiu a atenção de muitos outros países nos 15 anos”.
VEJA TAMBÉM: Arábia Saudita está em negociação para entrar como membro do banco dos Brics Banco dos Brics vai aceitar novos membros para aumentar recursos, diz Dilma Mais países no grupo tira protagonismo do Brasil
Para os especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo, a entrada de novos
países no grupo tiraria o pouco protagonismo que o Brasil já possui na
organização. Apesar de ter nomeado a presidente do Banco dos Brics,
cargo dado à ex-presidente Dilma Rousseff, o país não possui poder
financeiro ou político para exercer algum tipo de influência sobre os
demais membros do grupo. “Cada vez que se aumenta o grupo, ele vai
diluindo e essa diluição pode fazer com que o Brasil perca
representatividade”, explica Castro.
“O Brasil tem um 1/5 da participação nos Brics, ou seja, 20%, com a
inclusão de novos países, essa participação pode cair para 19%, 18% ou
15%. Esse aumento [de países no grupo] também passa a diminuir a
importância do Brasil e faz com que cada país, individualmente, tenha
uma participação menor na organização”, salienta o presidente da AEB.
Com a formação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também chamado
de Banco do Brics, em 2015, a maioria dos países que deseja integrar o
grupo tem a intenção de ter acesso aos recursos financeiros que a
organização oferece. O NDB busca oferecer apoio financeiro para países
membros [e outros países emergentes] que desejam financiar obras
de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, sejam elas públicos ou
privados. Com a inclusão de novos países, o Brasil também perde espaço
no que diz respeito ao acesso a esses recursos.
“O Brasil teria que dividir recursos com mais países”, explica Pedro
Feliú, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo
(USP). “Nações como Uruguai e o Egito podem ser mais tomadores de
empréstimo do que os Emirados Árabes, por exemplo, quesito em que o
Brasil perde protagonismo”, afirma.
Para os especialistas, ainda que sem a inclusão de novos países, o
Brasil não desempenha um papel muito influente no grupo. “Acredito que
ainda é cedo para dizer que a expansão da organização é um reflexo da
perda de relevância do Brasil, mas sua perda de protagonismo é até um
pouco independente dessa adesão [de mais países ao grupo]. A perda de
protagonismo do Brasil depende muito da sua capacidade material, que
esteve no auge entre 2002 e 2010, com o chamado boom das commoditys. Mas
já faz tempo que não vivemos isso”, pontua o professor.
Um exemplo da baixa influência do Brasil nos Brics foi a frustrada
tentativa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Argentina ter acesso
aos recursos do NDB. O presidente brasileiro tentou com que os Brics
fizessem um empréstimo ao país vizinho, mas teve o pedido negado. Apesar
da negativa, o presidente argentino, Alberto Fernández, ainda tem
esperança de ingressar no grupo e segue em negociações com o petista,
que prometeu “fazer de tudo para ajudar a Argentina”.
Feliú ainda avalia que o interesse do Brasil em apoiar a expansão do
grupo parte do interesse em criar colisões multilaterais. “A princípio, o
Brasil defende essa ampliação e como não temos uma capacidade de poder
muito grande, para o Brasil é sempre melhor forjar colisões maiores,
pregar o multilateralismo e aumentar seu poder de barganha associando-se
a mais países em condições semelhantes”, analisa.
Venezuela nos Brics
Após visita de Nicolás Maduro ao Brasil, Lula falou ser favorável à
entrada do país no grupo e o ditador venezuelano comprou a ideia.
“Precisamos construir essa nova geopolítica, que tem componentes
fundamentais… União da América do Sul, apesar das diversidades
(políticas)… Junto aos Brics, cinco países poderosos que estão se
transformando num grande ímã daqueles que buscam um mundo de paz e
cooperação”, disse Maduro.
Apesar da possibilidade de a Venezuela entrar nos Brics, essa tem
sido uma pauta contraditória. Em busca de mais apoio e novas relações
com a América do Sul, a China já se mostrou favorável a essa integração .
“Damos as boas-vindas a mais parceiros com ideias semelhantes para se
juntarem à família BRICS em uma data próxima”, disse Mao Ning, porta-voz
do Ministério das Relações Exteriores da China.
Essa possibilidade, no entanto, é criticada por especialistas, que
não enxergam como o país poderia agregar em algo na organização. A
tentativa parece ser, mais uma vez, o interesse de Lula em formar
conexões ideológicas com o país.
“Tecnicamente, não faz sentido a Venezuela integrar o grupo. Não há
condição econômica [para agregar ao Brics] e, por esse quesito, o país
não pode somar em nada, além de enfrentar uma série de problemas
democráticos”, pontua José Augusto de Castro.
Como os Brics se posicionam no mundo atualmente A união de Brasil,
Rússia, Índia, China e, posteriormente, a África do Sul foi criada com o
intuito de proporcionar maior integração geopolítica entre os
principais países emergentes do mundo. “O Brics entrou no cenário
mundial como uma alternativa ou proposta diferente do que seria, de um
lado, a OCDE e, do outro, as instituições financeiras internacionais de
Breton Woods, mais especificamente o FMI e o Banco Mundial”, explica
Pedro Feliú.
Em suma, o grupo tem o intuito de criar uma alternativa de reforma,
mudança ou ao menos de formar outra possibilidade de ordem interna que
não seja pautada pelos tradicionais países desenvolvidos. Apesar da
ideia de criar opções que encaixem à realidade desses países, o grupo
não possui relevância no quesito segurança, como faz a Organização do
Tratado do Atlântico Norte (OTAN). “Há de se notar que nas reuniões do
Brics pós a invasão da Rússia à Ucrânia, também porque a Rússia é um
membro do grupo, não se faz menção sobre a guerra, a paz ou sobre um
acordo”, analisa.
Ainda que o grupo não se articule em questões securitárias, seu poder
econômico não pode ser comparado ao FMI e nem ao Banco Mundial, pois há
limitação financeira do grupo. “Também não funciona como fórum de
concentração, como uma alternativa à OCDE ou até mesmo ao G7, pois não é
responsável por demonstrar grandes alterações no cenário internacional.
Então, coloco o Brics nessa segunda prateleira dos blocos mundiais”,
analisa.
Mesmo que sua criação tenha surgido do desejo de reunir os países
emergentes, o cenário mundial se transformou ao longo dos anos.
Atualmente, os Brics representam 25,6% do Produto Interno Bruto (PIB)
mundial, além de ser maior que o PIB do G7 (grupo dos 7 países mais
industrializados do mundo). Essa guinada deu-se pelo grande crescimento
econômico da China, consolidada como a segunda maior economia do mundo,
junto com a Índia, país emergente que mais apresenta crescimento
econômico nos Brics e ocupa da 7ª posição no ranking de PIBs mundiais.
Devido ao tamanho que representam atualmente, muitos países
emergentes buscam ganhar um espaço no bloco. Para o presidente da AEB,
no entanto, as discussões sobre a expansão dos Brics podem acabar tendo
um desfecho negativo para os países que enxergam esperança no grupo.
“Pessoalmente, acho difícil que inclua-se novos países, porque seus
integrantes perdem representatividade no grupo como um todo”, afirma.
O especialista ainda ressalta que os critérios para adesão ao grupo
devem ser muito bem estabelecidos pelos países-membros. “Acho que pode
existir menção de incluir novos países, mas na hora do vamos ver, não
vão fazer nada. Ainda mais quando essa discussão inclui países que não
podem agregar em nada ao grupo economicamente”, pontua Castro.
Cristiano Zanin, que foi o advogado de Lula na Operação Lava
Jato, está a um passo de se tornar ministro do STF| Foto: Ricardo
Stuckert/PT
O processo de confirmação pelo Senado da indicação do
advogado Cristiano Zanin Martins, 47 anos, para ocupar a vaga de
Ricardo Lewandowski no Supremo Tribunal Federal (STF), feita pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), transcorre de forma ágil e
sem qualquer embaraço, inclusive com o sinal verde de senadores da ala
conservadora.
Zanin foi advogado de Lula, tem um perfil garantista e tornou-se um
dos protagonistas da desestruturação da Lava Jato nos últimos anos. Por
isso, sua indicação ao STF está sendo vista como mais um revés no
combate à corrupção no Brasil.
Desde a publicação da indicação no Diário Oficial, em 1º de junho,
todas etapas estão sendo conduzidas de forma acelerada, visando garantir
a provável aprovação com larga margem do advogado, tudo em menos de um
mês.
A sabatina de Zanin no Senado será na próxima quarta-feira (21) e a votação em plenário será secreta.
Logo após a oficialização do seu nome por Lula, em meio a
especulações desde janeiro, Zanin iniciou a série de encontros com os
senadores. A partir da última semana, ele tem acelerado esse processo.
Um dos objetivos seria esclarecer algumas questões aos parlamentares e
até evitar pontos incômodos levantados pela imprensa. Todos o senadores
foram procurados, inclusive o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil-PR).
Além de se apresentar aos parlamentares, as reuniões serviram para
discutir ideias e, sobretudo, vencer resistências. O contato direto
permite, em tese, que senadores o conheçam melhor, formem opinião sobre a
sua adequação ao cargo e até tratem de demandas específicas.
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Frente Evangélica,
expressou a satisfação dos integrantes do grupo ao ouvir de Zanin uma
“posição firme” contra a intromissão do STF em temas caros aos
conservadores, como as restrições às drogas e ao aborto. Durante um
jantar na quarta-feira (14) com a frente, o advogado concordou que o
Parlamento deve ter a palavra final sobre essas questões. “O advogado
entendeu a necessidade da busca por um equilíbrio entre os poderes”,
resumiu.
Sobre as condições de Zanin para exercer o cargo, o presidente da
Frente Evangélica afirmou que o advogado “mostrou competência jurídica” e
ser um “verdadeiro doutor” ao conseguir reverter a complexa situação
judicial de Lula”, mesmo tendo a seu favor “o peso das posições
políticas de ministros do Supremo”.
Para ele, a decisão de Lula ao nomear seu advogado pessoal é
prerrogativa do presidente, prevista por lei. No entanto, ele enfatizou a
importância de o Congresso discutir mudanças na forma de indicação de
ministros para o STF, assim como rever regras para o exercício da
função, como a fixação de mandatos, “de modo a tornar o Judiciário
independente e menos suscetível às vontades de cada ocupante do
Planalto”.
À Gazeta do Povo, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF),
vice-presidente da Frente Evangélica, compartilhou a sua boa impressão
pessoal em relação ao advogado, chamando-o de “doutor Zanin”. Ela
destacou a inteligência e a personalidade agradável do indicado de Lula,
revelando ter “gostado muito dele como pessoa”.
Embora não tenha garantido o seu voto ao candidato, a ex-ministra do
governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou que, caso Zanin
seja aprovado pelo plenário do Senado, ele assuma o papel de “o ministro
das crianças no STF”, para assegurar a proteção da infância, uma das
principais bandeiras da carreira política da senadora.
VEJA TAMBÉM:
Oposição deve cobrar Zanin por falta de saber jurídico, proximidade com Lula e tráfico de influência
Moro diz que está aberto a debater com Zanin, mas evita falar em encontro
Relator entrega relatório sobre indicação de Zanin ao STF e confirma sabatina Parecer da indicação de Zanin destaca carreira no Direito e expõe insuficiência acadêmica Nesta
quinta-feira (14), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), que também é
vice-presidente do Senado, apresentou à Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) seu parecer como relator da indicação de Zanin. Ele
afirmou que o advogado indicado por Lula está apto para ocupar a vaga no
STF. De acordo com o senador, os membros da CCJ, na qual o indicado
será sabatinado na próxima quarta-feira (21), têm “elementos
suficientes” para avaliar a nomeação.
O parecer destacou a trajetória profissional e revelou a ausência de
conteúdo acadêmico, que Vital do Rêgo tentou contornar ao afirmar que o
advogado foi “autor de inúmeros estudos jurídicos que permeiam
discussões nos ambientes forenses pela marca das densas abordagens
propostas”, como a publicação de artigos referentes a processos de
recuperação judicial, sentença criminal, repercussão geral, entre
outros.
Na CCJ do Senado, Zanin responderá a perguntas dos senadores sobre
visão de mundo, compromisso com a imparcialidade e papel do STF. Ao
menos três pontos devem ser explorados por senadores da oposição:
suposta falta de conhecimento jurídico, a relação próxima com o
presidente e uma investigação sobre tráfico de influência no Rio de
Janeiro, que foi iniciada pela Lava Jato, mas acabou trancada.
Aprovado pela sabatina na CCJ, que deverá comprometer toda a manhã e
toda a tarde da próxima quarta-feira, o nome de Zanin será então
submetido à votação em plenário na noite da mesma data. A maioria dos
senadores tem mostrado apoio em favor do candidato e, não raro, muitos
já o chamam de ministro.
O rito rápido permitiu que o processo fosse concluído em curto espaço
de tempo, evitando atrasos e prolongamentos às vésperas do recesso
parlamentar, que poderiam alimentar novas especulações e resistências,
inclusive do próprio partido do presidente, o PT.
De acordo com Marcos Queiroz, analista da Arko Advice, a confirmação
de Zanin pelo Senado ocorrerá facilmente devido à combinação de apoios
importantes que ele recebeu, inclusive de ministros do próprio STF.
O pragmatismo demonstrado por Zanin em sua busca por apoio, por meio
de reuniões individuais em gabinetes e encontros reservados com grupos
de parlamentares, incluindo a Frente Evangélica, que tende a ser
oposição ao governo, mas recebeu bem o advogado, também contribui para a
aprovação.
Além disso, pesa a seu favor o fato de a composição do Senado ser
majoritariamente garantista, seguindo a mesma linha jurídica adotada por
Zanin, que também critica a Operação Lava Jato, na qual o advogado
enfrentou batalhas nos tribunais e que resultou na prisão de Lula – e
posterior anulação das condenações.
Jogo de lealdades a políticos alcança até a disputa pela próxima vaga no Supremo
A indicação de Zanin levanta preocupações sobre os requisitos
constitucionais para o cargo de ministro do STF, critérios que têm se
tornado menos importantes na escolha dos integrantes da Corte. Um desses
requisitos é o “notável saber jurídico”, critério sobre o qual ainda
restam dúvidas em relação a Zanin. No entanto, essa indicação baseia-se
principalmente nos serviços prestados ao presidente da República
responsável pela indicação. Essa abordagem política tem se tornado
comum, levantando preocupações sobre a qualidade e a isenção do
tribunal.
Segundo analistas, no atual contexto em que grupos de ministros
buscam impor posições dentro de um histórico ativismo judicial, a
confiança pessoal e a lealdade ao presidente que faz a indicação são
mais valorizadas do que a competência jurídica.
Com objetivo de assegurar ao Planalto uma rápida confirmação de Zanin
e provar sua lealdade, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP),
presidente da CCJ e aliado tanto de Lula quanto do presidente do Senado,
Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já está direcionando esforços para a próxima
vaga no STF. Essa será aberta em outubro com a aposentadoria da ministra
Rosa Weber.
Alcolumbre deseja influenciar o processo de escolha e está
trabalhando para promover Pacheco como opção para substituir a ministra,
atual presidente da Corte. Enquanto isso, movimentações estão em
andamento também no campo da esquerda, que busca convencer o presidente
da República sobre a importância de considerar outros nomes.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
determinou o bloqueio das redes sociais do influenciador digital
Monark.| Foto: Carlos Moura/SCO/STF.
A ideia de viver sob o totalitarismo causa horror à maioria das
pessoas. Difícil acreditar que alguém possa querer viver em um Estado
onde as liberdades individuais são suprimidas e o que vale é a vontade
despótica de um governante. Esses terríveis regimes – são numerosos em
todo o mundo –, nem sempre são instituídos de forma abrupta; não raras
vezes, é a contínua deterioração das instituições e o cerceamento
gradual às liberdades que vai preparando o caminho para que, anos ou
décadas mais tarde, se instale o horror totalitário de vez. O maior
risco, neste caso, é não perceber a ameaça – ou fingir que ela não
existe.
Quase sempre, uma das primeiras liberdades a desaparecer é a
liberdade de expressão e de crítica, justamente porque apenas onde ela
existe é possível apontar abusos ou questionar ações contrárias ao
espírito da democracia vindas de governantes, políticos ou
representantes de qualquer um dos Poderes. Por isso sua defesa é tão
importante e precisa ser contínua, sem nunca baixar a guarda. Ela é
crucial para a sobrevivência e florescimento da democracia. Ora, é
precisamente esse direito que tem sido insistentemente minado em nosso
país.
Não há como se falar em democracia quando os cidadãos se veem em estado de constante insegurança sobre o que podem ou não dizer.
Parece estar-se disseminando a ideia nefasta de que a liberdade de
expressão e de crítica não é, assim, tão relevante; que novas restrições
– nunca antes aceitas, a não ser em regimes despóticos – podem ser
adotadas; que cerceamentos a qualquer momento e sob qualquer pretexto,
antes impensáveis, podem ser impostos, criando-se um verdadeiro Estado
de exceção. Tudo sob a aceitação tácita das vozes que deveriam se
insurgir. Exemplos não faltam. Em um dos mais recentes, na quarta-feira
(14), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes
determinou o bloqueio das redes sociais do influenciador digital Bruno
Monteiro Aiub, conhecido como Monark. A decisão proíbe Monark de
“publicar e compartilhar desinformação”, sob pena de multa de R$ 10 mil
em caso de descumprimento. A determinação foi baseada em um relatório
produzido pela assessoria de enfrentamento à desinformação do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE).
Na petição enviada ao Supremo, a corte eleitoral informou sobre a
publicação de um vídeo de Monark na rede social Rumble, no dia 5 de
junho, também replicado em outras plataformas. As falas consideradas
“criminosas” pelo STF versam sobre o papel do STF e do TSE em relação à
segurança das eleições. “Por que ele [Supremo] está disposto a garantir
uma não-transparência nas eleições? A gente vê o TSE censurando gente,
Alexandre de Moraes prendendo pessoas, um monte de coisas acontecendo e,
ao mesmo tempo, eles impedindo a transparência das urnas? Você fica
desconfiado. Que maracutaia está acontecendo nas urnas ali? Qual é o
interesse? Manipular as urnas?”, diz Monark no vídeo.
Por mais que tenham desagradado a Moraes, as falas de Monark jamais
poderiam ser confundidas com um crime e, portanto, censuradas.
Para Moraes, a fala de Monark deveria ser censurada para “interrupção
de eventual propagação dos discursos com conteúdo de ódio, subversão da
ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”.
Difícil ver nas críticas do influencer uma ameaça às instituições: são a
expressão de um posicionamento crítico em relação à atuação do
Judiciário, algo absolutamente normal, ao menos nas democracias. Por
mais que tenham desagradado a Moraes, as falas de Monark jamais poderiam
ser confundidas com um crime e, portanto, censuradas. Estranha também a
existência de uma “assessoria de enfrentamento à desinformação”, dando
ao Judiciário a feição de um vigilante continuamente à caça de pretensas
barbaridades, muito à semelhança dos órgãos de censura da ditadura.
Em outra frente, a Câmara de Deputados, talvez inspirada na pouca
tolerância do Judiciário com as críticas, aprovou em regime de urgência
nesta quinta (15) um projeto de lei que institui o crime de
“discriminação” contra políticos. Uma versão inicial do projeto,
apresentada pela deputada Dani Cunha (União Brasil-RJ), chegou a propor
explicitamente pena de dois a quatro anos de prisão e multa a quem
criticasse uma pessoa “politicamente exposta” ou denunciada e até mesmo
condenada em processos que ainda não tenham transitado em julgado. É
concebível que alguém tenha tido o desplante de propor isso, contra toda
a tradição democrática de amplíssima margem de liberdade de crítica a
governos, partidos políticos e homens públicos? Mais. É concebível que
tal anomalia tenha sequer sido considerada pelos parlamentares? O fato é
que, sim, foi, tanto proposta quanto avaliada, sem espanto por parte de
ninguém, o que dá um retrato dos tempos em que vivemos.
VEJA TAMBÉM: Leo Lins e o humor amordaçado Retomada do respeito à liberdade de expressão, a prioridade número um do país Alexandre de Moraes e o “guarda da esquina”
Felizmente o texto, quanto a isso, acabou alterado. Permaneceu,
no entanto, a menção à discriminação. Arthur Lira (PP-AL), presidente da
Câmara, justificou a pressa na votação argumentando que se o projeto
não fosse votado, a Câmara iria “continuar permitindo que parlamentares
sejam agredidos em aviões, nos hotéis, nas festas”. Que pena que o
presidente de uma das “casas do povo” se utilize de uma falácia para
defender um privilégio inaceitável nas democracias, como se não houvesse
leis que protegessem quaisquer cidadãos de agressões, e como se
submeter-se a eleições não fosse colocar-se voluntariamente sob o olhar
contínuo da população, que, irá uma vez ou outra expressar de forma
enfática e legítima, sem violência física, suas críticas em relação à
atuação dos políticos.
A liberdade de expressão não é absoluta, bem o sabemos, mas está se
aceitando que ela seja minúscula, quando não nula. Não há como se falar
em democracia quando os cidadãos se veem em estado de contínua
insegurança sobre o que podem ou não dizer. Devido às constantes
decisões tomadas pelas cortes de Justiça, muitos políticos, jornalistas,
influenciadores, juristas e membros da sociedade civil já temem
manifestar-se em público e, pior, mesmo em grupos privados. Não sabem o
que é lícito ou ilícito. Temem sobretudo lançar críticas sobre a atuação
dos membros do Poder Judiciário ou de políticos, pois julgam que correm
o risco de se tornarem alvo de sanções, o que é a negação da essência
da democracia.
Está sendo criado – independentemente das intenções que movem seus
criadores ou da consciência que possam ter de suas ações – um império do
medo, semelhante ao dos regimes autocráticos, onde o cidadão precisa
conviver com o risco constante de que suas palavras – mesmo que
totalmente dentro do que é razoável em uma sociedade livre – sejam
consideradas um atentado contra o próprio Estado e punidas com
severidade. Isso é inadmissível e não pode mais passar despercebido. É
preciso que mais vozes se pronunciem com coragem contra esse estado de
coisas, antes que seja tarde.
Nesta semana se mostrou que o governo praticamente vai impedir que a
CPMI investigue realmente tudo o que aconteceu no dia 8 de janeiro. As
suas origens, as suas motivações, os motivos a longo prazo, imediatos,
os personagens principais, as responsabilidades das autoridades. Vai ser
uma repetição daquilo que o noticiário já deu, a propaganda do governo
já deu, porque o governo numa maioria de 20 a 11 já mostrou que impede
as convocações pedidas pela oposição, e só aprova as convocações que
interessam ao governo.
Por exemplo, o general Gonçalves Dias, que foi visto pelas câmeras
circulando, enquanto o palácio era invadido, não puderam convocar. Em
compensação, semana que vem, ele vai depor na mesma CPI, com o mesmo
objetivo, no legislativo de Brasília, do Distrito Federal, dia 22. Ele
já devia ter feito o depoimento, mas pediu mais tempo para se preparar.
Então marcaram pra dia 22. Lá já depuseram o general Augusto Heleno, que
foi o antigo GSI, já havia prestado depoimento lá o comandante militar
do Planalto, o general Dutra, e os comandantes da PM naquele dia.
Então eu ouso imaginar que a CPI, a comissão parlamentar de inquérito
do legislativo local, vai estar mais equilibrada, mais isenta e chegar a
mais conclusões que a CPMI do Congresso. E é presidida por um petista
que eu conheço pessoalmente. Chico Vigilante, que já foi deputado
federal, é deputado distrital, não é de primeiro mandato, e é uma pessoa
que está preparada pelo exercício da política em Brasília nesses
últimos quarenta anos.
Politicofobia Enquanto isso, a Câmara dos Deputados realiza uma
votação vergonhosa de um projeto de lei que tramitou como um relâmpago.
Vinte e três dias desde que a filha de Eduardo Cunha apresentou o
projeto, em maio até o dia da aprovação, que foi na noite do dia 14. A
apresentação e votação da matéria foi em uma hora e pouco. Trata-se,
absolutamente, de um projeto de lei que visa legislar em causa própria,
no qual deputados se protegem do “preconceito contra os políticos”. Eu
diria assim, politicofobia. Mas não é quanto a críticas normais, né?
Isso até estava proposto lá, mas não tiveram coragem de deixar passar.
Vão punir banco que não dê crédito para deputado. O texto prevê multa
diária de R$ 10 mil e até a prisão de 2 a 4 anos. Será punido quem não
dê crédito, cartão de crédito, abertura de conta, mesmo sendo caloteiro,
mesmo já tendo dado calote no banco, mesmo estando com o nome sujo no
Serasa, mesmo sendo passador de cheque sem fundo. Mas não é só deputado,
não. Qualquer pessoa politicamente exposta: governador, prefeito,
presidente da República, vereador, deputado estadual, senador, ministro,
juiz, ministro do tribunal superior, secretário de ministério, chefe de
gabinete de ministério, qualquer pessoa cujo nome esteja vinculado à
política. É incrível.
E olha a quantidade de votos que aprovaram a ideia: 252 votos a
favor. Quem mais votou a favor foi o PT, depois o PL, que se dividiu, 37
votos a favor, 44 contra. Junto com o PL, votaram contra o PSOL, o
Novo, o PCdoB e a Rede. E junto com o PT e com o PL, votaram União
Brasil, Republicanos, MDB, PSD, PP, todos com alguns deputados
discordando, claro. O Partido Social Cristão foi o único que
inteiramente votou a favor. Deu seus três votos a favor. Votação em
causa própria vergonhosa, né? Como eu disse, a autoria da deputada Dani
Cunha, filha de Eduardo Cunha, e o relator Claudio Cajado, do
Progressistas da Bahia. Felizmente, ainda vai para o Senado.
Plenário do STF: corte proibiu a destruição das conversas
hackeadas dos celulares do senador Sergio Moro e do ex-deputado Deltan
Dallagnol.| Foto: TSE
Os dois Tribunais de Justiça mais elevados
do Brasil, o STF e o STJ, acabam de tomar duas decisões, quase
simultâneas, que vão ao contrário uma da outra. É uma lição muito
instrutiva sobre como funciona hoje a Justiça brasileira no mundo das
realidades práticas.
De um lado, o STF decidiu proibir a destruição das conversar copiadas
por hackers nas suas ações de invasão aos celulares do senador Sergio
Moro e do ex-deputado Deltan Dallagnol, durante a Operação Lava Jato.
Por que isso? As gravações constituem uma prova flagrantemente ilegal –
foram obtidas de maneira criminosa, e pela lei não podem valer nada num
processo penal.
De outro lado, e quase ao mesmo tempo, um ministro do STJ mandou
soltar um líder da organização criminosa PCC em São Paulo, conhecido
como “Batatinha” – alegando, justamente, que as provas contra ele tinham
sido obtidas de forma irregular pela polícia. De novo: por que isso?
Acredite se quiser: segundo o ministro, o réu ficou “nervoso” quando viu
passar um carro da polícia. Seu estado de nervos levou os policiais a
desconfiarem de que poderia haver alguma coisa errada e fazerem uma
revista; acharam, aí, dois quilos de cocaína. Segundo o magistrado do
STJ, a polícia não tinha o direito de revistar o cidadão “Batatinha”;
ele apenas estava “nervoso”, e isso não justificaria a abordagem
policial.
Se a prova era ilegal no começo do processo, ela continua ilegal no
meio e no fim – ou vai se tornar legal com a passagem do tempo?
As duas decisões são um novo marco no direito internacional; nunca se
viu nada parecido com isso, em lugar nenhum e em qualquer época. Como é
possível que a Suprema Corte de Justiça, nada menos que ela, mantenha
intactas provas que são publicamente ilícitas e, portanto, inválidas? Os
ministros dizem que a sua destruição poderia “frustrar” a aplicação da
justiça; seria preciso, pelo que deu para entender, que o processo
chegue até o final. É um argumento particularmente infeliz. Se a prova
era ilegal no começo do processo, ela continua ilegal no meio e no fim –
ou vai se tornar legal com a passagem do tempo?
Os hackers cometeram um crime indiscutível ao invadirem os celulares
de Moro e Dallagnol, e isso anula qualquer valor legal, como prova, das
fitas que o STF se recusa a descartar. Não é uma simples irregularidade
técnica. É um crime punido pela lei brasileira, e esse crime continua
sendo crime – na época em que foi cometido, no presente e no futuro.
VEJA TAMBÉM: Judiciário escolheu defender o bem-estar dos criminosos O programa estratégico de Lula é atender suas próprias vontades A Câmara é cúmplice de Lula na vingança contra Dallagnol
Já as provas contra “Batatinha” não valem, porque ele ficou “nervoso”
– ao ver o carro da polícia, subiu com sua moto na calçada, chamou a
atenção e acabou sendo revistado e preso por porte de drogas. É claro
que ficou nervoso: estava carregando dois tijolos de cocaína, com 2
quilos, no bagageiro da moto. O que o ministro do STJ queria? Que ele
ficasse calmo?
Não está claro, também, o que Sua Excelência sugere que os policiais
fizessem, ao ver na calçada um indivíduo em atitude claramente suspeita.
Deveriam passar reto e ir embora? A Justiça brasileira, hoje, é isso.
Para Moro e Dallagnol a lei é uma. Para “Batatinha” a lei é outra.
Advogado do Lula Cristiano Zanin Martins sainda da Justiça Federal em Curitiba –
Tem muita gente espantada com o fato de Zanin trocar uma renda
milionária por um salário de R$37 mil. Mas o mistério não é tão
insolúvel assim.| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo.
Outro dia meu
colega Alexandre Garcia disse que queria entender por que um advogado
que ganha milhões em cada causa, como parece ser o caso de Cristiano
Zanin, de repente faz um esforço enorme para ganhar R$37 mil por mês.
“Eu não entendo”, enfatiza ele, antes de confessar que não entende
também como alguém “com cabeça de advogado” pode querer virar ministro
do STF.
Eu entendo. Ou melhor, acho que entendo essa dúvida que não é
exclusiva do jornalista uber veterano. Muita gente por aí expressou o
mesmo assombro em relação à diferença na renda futura de Zanin. É quase
como se todo mundo previsse que o futuro ministro do STF fosse dar um
jeitinho de complementar a renda por fora. Ou como se ele fosse trocar o
que hoje é lícito pela emoção do ilícito.
Maldade. Se bem que, em se tratando de um advogado do PT, não duvido
de nada. E jamais arriscaria chamuscar a pele delicada das minhas mãos
para defender o sujeito. Mas me parece que na dúvida de Alexandre de
Garcia, bem como nas insinuações dessa gente desconfiada, sobra Marx (é,
o Karl!) e falta Dostoiévski. Ou Shakespeare. Ou mesmo Machado de
Assis, se é que você faz questão do produto nacional.
Análises desse tipo, isto é, que se atêm ao lado financeiro de
qualquer movimento político, filosófico ou religioso, estão por toda
parte. Sinal de que Marx (é, o Karl!) realmente contaminou a visão de
mundo das pessoas e, ao longo de décadas e décadas de doutrinação,
conseguiu reduzir o ser humano a um animal sem alma, movido apenas por
aquilo que os antigos chamavam de vil metal.
O problema é que essa ideia materialista do ser humano ignora o que
vou chamar aqui, sem qualquer compromisso com a exatidão do termo, de
cosmovisão. Todos temos uma. A cosmovisão de alguns é mais elaborada do
que a de outros. A do Lula é diferente da sua que é diferente da minha
que é diferente da de Cristiano Zanin. E há cosmovisões que de fato
privilegiam o dinheiro e só compreendem a vida do ponto de vista
contábil.
Tio Patinhas Mas nesse caso estamos falando de mentecaptos. Ou
então do Tio Patinhas. Pessoas normais, entre as quais vou cometer a
ousadia de incluir Zanin, são muito mais complexas e tomam decisões com
base em elementos que nos são insondáveis. Às vezes é para superar um
trauma de infância. Ou para realizar o sonho dos pais. Às vezes é por
querer entrar para a história e mudar o mundo. Ou pior, para impor uma
visão de mundo sobre os demais. O dinheiro, claro, pode entrar nessa
equação complexíssima, mas somente como uma entre tantas variáveis.
É para entender cosmovisões diferentes das nossas, aliás, que
consumimos literatura. É graças àqueles romanções russos ou peças do
(não acredito que vou usar esse termo!) bardo inglês ou ainda contos do
Machadão que temos acesso à alma de personagens fictícios, mas com um
pezinho no real. Zanin, Lula, Bolsonaro, Alexandre de Moraes – o
mistério quanto ao que os move para além da ambição material se torna
menos insolúvel depois que se atravessa as 800 páginas de um “Os Irmãos
Karamazov”, por exemplo.
No caso específico do advogado do
ex-presidiário-que-virou-presidente, a troca dos milhões pelas dezenas
de milhares faz todo o sentido. E pode ser explicada de várias formas.
Talvez o poder do cargo, para Zanin, seja mais valioso do que a conta
bancária – que, no mais, já deve estar recheada mesmo. Talvez ele
prefira os rapapés e a lagostinha nossa de cada dia à possibilidade de,
sei lá, comprar uma Ferrari. Talvez a vingança de estar ocupando um
lugar teoricamente reservado ao seu antípoda, Sergio Moro, valha mais do
que mil barras de ouro.
Dinheiro explica muito do comportamento humano, é verdade. Mas, para a
infelicidade do velho Marx (é, o Karl!), não explica tudo. O problema é
que, em casos como o de Cristiano Zanin, tendemos a projetar nessas
figuras públicas nossos próprios desejos. Alguns deles inconfessáveis,
como essa disposição quase automática de justificar escolhas de vida com
base no dinheiro. E, na pressa e virulência do debate público, nos
deixamos levar pelo lógica mais acessível – que em geral também é a mais
simples e pobre.