terça-feira, 13 de junho de 2023

LULA NÃO CONSEGUIU FECHAR O ACORDO DO MERCOSUL COM A UNIÃO EUROPEIA

 

Acordo comercial
Por
Wesley Oliveira
Brasília


Presidente Lula tenta fechar acordo comercial da União Europeia com o Mercosul| Foto: EFE / André Borges

A visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao Brasil frustrou os planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de fechar um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul em seus seis primeiros meses de governo. Mas a chefe da diplomacia europeia deu sinais de que o bloco quer se aproximar do Brasil para conter o avanço da Rússia e da China na América do Sul.

“Temos a ambição de terminar [o acordo entre a União Europeia e o Mercosul] o quanto antes, o mais tardar até o final do ano. Eu acredito que há vantagens para todos os lados.  Esse acordo é mais do que um acordo comercial, é uma plataforma para diálogo, é um engajamento a longo prazo”, disse a líder europeia depois do encontro com Lula.

A declaração von der Leyen frustrou as expectativas de Lula, que pretendia embarcar para Bruxelas em julho já com o acordo finalizado. O encontro na capital da Bélgica vai reunir os presidentes dos países do Mercosul para uma cúpula de chefes de Estado entre membros da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia.

O tratado vem sendo costurado desde 1999 e chegou a ser aprovado em 2019, no início do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas não foi confirmado no Parlamento Europeu. Isso ocorreu devido a entraves ambientais que foram vistos por analistas como pretextos para protecionismo de mercado por parte dos europeus.

Mas a invasão russa na Ucrânia mudou esse cenário ao polarizar a política internacional, colocando americanos e europeus de um lado e russos e chineses de outro. Documentos da União Europeia vazados neste ano mostraram que o bloco estuda estratégias para conter o avanço da diplomacia russa em países em desenvolvimento, principalmente Brasil, Chile, Nigéria e Cazaquistão.

Uma das estratégias para agradar o Brasil – reveladas no documento – era reconhecer Lula como um ator global. Ursula von der Leyen deu um sinal de que isso está sendo colocado em prática ao afirmar a Lula: “Acolho sua liderança em relação às questões climáticas e em relação à biodiversidade”.

Contudo, as exigências ambientais dos europeus para colocar em prática o acordo com o Mercosul também preocupam políticos e analistas. Isso porque elas podem dificultar ações do Brasil para levar desenvolvimento para áreas da floresta amazônica. Dessa forma, o país ficaria impossibilitado de explorar recursos minerais e agrícolas que colocariam o país em uma posição mais competitiva no comércio global.

Por outro lado, o acordo poderia facilitar a reindustrialização do Brasil e diminuir a dependência que o país já tem da China no comércio internacional. Em 2022, as trocas comerciais entre o Brasil e países da Europa totalizaram aproximadamente 93 bilhões de euros (R$ 490 bilhões), segundo dados da Comissão Europeia.

A viagem de von der Leyen ao país acontece três meses após a vice-presidente-executiva da Comissão Europeia, Margrethe Vestager, ter se reunido em Brasília com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB). Na ocasião, Vestager afirmou ser preciso adotar medidas para “acelerar” a conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

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Lula critica sanções propostas pela UE para fechar o acordo com o Mercosul 
Como a Gazeta do Povo mostrou, assim como na gestão Bolsonaro, Lula também vem enfrentando resistências para avançar com o acordo devido às exigências ambientais. Os europeus querem, por exemplo, compromissos adicionais do Mercosul em meio ambiente e, segundo alertou o chanceler Mauro Vieira, em audiência pública na Câmara dos Deputados, o texto permite inclusive retaliações comerciais contra os países do bloco sul-americanos.

Após o encontro com von der Leyen no Palácio do Planalto, Lula disse que o Brasil tem preocupações com instrumentos adicionais ao acordo com a União Europeia. Entre esses pontos estão os que aumentam as obrigações do país e impõem sanções em caso de descumprimento.

“Expus à presidente von der Leyen as preocupações do Brasil com o instrumento adicional ao acordo, apresentado pela União Europeia em março deste ano, que amplia as obrigações do Brasil e as torna objeto de sanções em caso de descumprimento. A premissa que deve existir entre parceiros estratégicos é da confiança mútua, e não de desconfiança e sanções”, disse Lula.

Ainda de acordo com o presidente brasileiro, a União Europeia aprovou nos últimos anos leis que acabam com o equilíbrio do tratado comercial. “A União Europeia aprovou leis próprias com efeitos extraterritoriais e que modificam o equilíbrio do acordo. Essas iniciativas representam restrições potenciais às exportações agrícolas e industriais do Brasil”, completou o petista.

A UE vetou, por exemplo, exportações de produtos oriundos de áreas desmatadas, medida que deve atingir itens como carnes, café e soja do Brasil. O governo Lula, no entanto, argumenta que a medida deve se aplicar exclusivamente ao desmatamento ilegal.

Von der Leyen disse que a União Europeia aguarda a resposta do Mercosul aos compromissos adicionais apresentados e está disposta a ouvir as razões dos países sul-americanos. “Estamos dispostos a ouvir o que o Brasil tem a dizer, pois somos parceiros e vamos trabalhar juntos”, garantiu a presidente da Comissão Europeia.

UE-Mercosul prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo  
Entre outros pontos, o plano UE-Mercosul prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo, com um mercado de 780 milhões de pessoas e que representaria cerca de 20% do PIB mundial e cerca de 30% das exportações globais.

Segundo estudo da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do governo federal, o tratado poderá incrementar o PIB do Brasil em US$ 87,5 bilhões (R$ 425 bilhões) nos próximos 15 anos, com esse número podendo chegar a US$ 125 bilhões (R$ 607 bilhões) se considerada a redução de barreiras não tarifárias.

No mesmo período, a entidade prevê um aumento de US$ 113 bilhões (R$ 550 bilhões) em investimentos no Brasil, e US$ 100 bilhões (R$ 486 bilhões) em ganhos das exportações brasileiras para a UE até 2035.


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ATAQUE A GASODUTO NA UCRÂNIA PODE CAUSAR UM AUMENTO SIGNIFICATIVO NOS PREÇOS DOS ALIMENTOS

 

Impacto global
Por
John Lucas – Gazeta do Povo


Vista aérea do local onde ocorreu a explosão no gasoduto Togliatti-Odessa, na região de Kharkiv, nordeste da Ucrânia. O ataque ao gasoduto pode causar um aumento significativo nos preços dos alimentos devido a recusa da Rússia em querer renovar o acordo de grãos com a Ucrânia no próximo dia 17 de julho.| Foto: Reprodução/The Sun

Uma explosão ocorrida na última segunda-feira (5), no gasoduto de Togliatti-Odessa, que era utilizado pela Rússia para a transferência e exportação de amônia, desencadeou um jogo de culpa entre o país liderado por Vladimir Putin e a Ucrânia. O Togliatti-Odessa é um dos mais longos gasodutos do mundo com cerca de 2.500 km de extensão. Ele vai da cidade de Togliatti, no oeste da Rússia, até a cidade de Odessa, que fica localizada as margens do Mar Negro, no sul da Ucrânia.

A explosão no gasoduto ocorreu perto da vila de Masyutivka, na região de Kharkiv, nordeste da Ucrânia, em frente a linha de combate entre as tropas russas e ucranianas. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que um “grupo de sabotagem ucraniano” havia explodido uma seção do gasoduto, causando vítimas civis. No entanto, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, negou as alegações e afirmou que a explosão provavelmente teria sido causada “por bombardeios russos”.

A questão é que o incidente lançou uma sombra sobre a prorrogação da iniciativa Black Sea Grain, o acordo firmado em julho de 2022 entre Ucrânia e Rússia, que tinha como principal objetivo enfrentar a crise global de alimentos, que estava sendo impulsionada por causa da guerra.

O acordo, intermediado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Turquia, permite a passagem segura de navios carregados de grãos e fertilizantes do porto de Pivdennyi, na Ucrânia, próximo a Odessa, para outros países. O acordo também estipula que a Rússia poderia retomar a operação do gasoduto para a transferência de amônia como parte de suas obrigações.

No entanto, o acordo atual está programado para expirar no próximo dia 17 de julho deste ano e Moscou afirmou que não renovará ele a menos que o gasoduto, que sofreu danos por causa da explosão, esteja em “pleno funcionamento”. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a explosão “só pode ter um impacto negativo” nas negociações para renovar o acordo. Ele acrescentou que Moscou não sabe quanto tempo levará para reparar os danos, pois “não tem acesso à área afetada”.

Impacto na cadeia produtiva global
As implicações da explosão no gasoduto são abrangentes, pois podem interromper o fornecimento e a demanda de grãos e fertilizantes no mercado global já no próximo semestre.

A região do Mar Negro concentra os principais produtores e exportadores mundiais de grãos. A Ucrânia sozinha responde por cerca de 16% das exportações globais de trigo e 20% das exportações globais de milho. A região também depende de importações de amônia da Rússia para produzir fertilizantes, que são essenciais para aumentar os rendimentos das colheitas.

A iniciativa Black Sea Grain foi considerada um avanço na redução das tensões entre Rússia e Ucrânia, e na garantia da segurança alimentar para milhões de pessoas ao redor do mundo. O acordo permitiu a exportação de cerca de 30 milhões de toneladas de grãos e 10 milhões de toneladas de fertilizantes da Ucrânia desde sua criação, em pleno conflito envolvendo o país e a Rússia. Ele também ajudou a estabilizar os preços globais de alimentos, que atingiram níveis recordes durante a pandemia de Covid-19.

No entanto, o ataque ao gasoduto de amônia ocorrido na última segunda-feira pode colocar em risco esse equilíbrio frágil. Sem a renovação, o fornecimento de amônia da Rússia para a Ucrânia seria paralisado e isso poderia fazer com que a produção de fertilizantes por parte dos ucranianos caísse em cerca de 40%, segundo especialistas do setor.

Isso também poderia reduzir a produção e o potencial de exportação de grãos da Ucrânia já na segunda metade deste ano. O incidente também poderia aumentar os preços dos fertilizantes globalmente, à medida que a demanda supera a oferta.

Além disso, se a Rússia manter a promessa e não prorrogar o acordo de grãos em julho, o acesso da Ucrânia ao seu principal porto de exportação, Pivdennyi, poderia ser restringido pelo país de Putin, que neste momento controla o Estreito de Kerch, que liga o Mar Negro ao Mar de Azov. A Rússia afirmou que sem o acordo, poderá limitar o número de navios permitidos a viajar para Pivdennyi até que o gasoduto seja reparado. Isso poderia dificultar a capacidade da Ucrânia de enviar seus grãos para outros mercados, especialmente na Ásia e na África.

Aumento da insegurança alimentar
A interrupção do fluxo de grãos e fertilizantes da região do Mar Negro pode ter consequências graves para a segurança alimentar e a estabilidade global. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, sigla em inglês), mais de 800 milhões de pessoas enfrentam fome aguda em todo o mundo, e outras 2,4 bilhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar moderada ou grave.

A FAO alertou que qualquer choque adicional nos sistemas alimentares, como o que pode ser promovido pelo interrompimento do acordo entre Rússia e Ucrânia, pode desencadear uma nova crise humanitária global de alimentos.

Impactos nos preços

A não renovação do acordo de grãos entre a Rússia e a Ucrânia poderia também trazer outras consequências graves como o aumento de preços dos fertilizantes utilizados pelos agricultores e um aumento adicional nos preços dos grãos do mundo inteiro.

O aumento desses produtos acarretaria na subida de preços de alimentos básicos, o que poderia afetar a acessibilidade e a disponibilidade de comida para milhões de pessoas ao redor do mundo, especialmente para aquelas que vivem em países emergentes ou de baixa renda como Índia, Líbano, Moldávia, Egito, Paquistão e Indonésia, que dependem diretamente das importações ucranianas.

Além disso, essa ação também poderia escalar o risco de uma agitação social e instabilidade política em algumas regiões do oriente médio e do continente africano.

A falta do acordo também poderia atingir a economia da própria Ucrânia. De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês), a Ucrânia exportou 55,7 milhões de toneladas de grãos entre 2021 e 2022, no valor de cerca de US$ 11,6 bilhões. Uma interrupção nas exportações de grãos do país poderia reduzir seus ganhos em moeda estrangeira, o que afetaria seu equilíbrio fiscal e aumentaria ainda mais a sua inflação.

Em uma live do canal E-risk, o analista de riscos e major da reserva do Exército, Nelson Ricardo Fernandes da Silva, observou que a Rússia estava envolvida neste acordo de exportação de alimentos porque tinha interesse em garantir a eleição de Recep Tayyip Erdogan na Turquia. Na visão de Ricardo, a Turquia desempenha um papel crucial na intermediação dos produtos russos, especialmente para o mercado ocidental, devido ao seu controle sobre os estreitos de Bósforo e Dardanelos. A Rússia valoriza suas boas relações com a Turquia devido a esse posicionamento estratégico.

Ricardo afirmou que alegação inicial do acordo era que faltaria alimento para o mundo, impactando principalmente os países árabes e africanos, mas na prática, “a maioria dos alimentos foi destinada à União Europeia”. Atualmente, segundo o analista, as relações entre Rússia e União Europeia estão bastante desgastadas e que se a Rússia não considerar esse acordo como um fator crucial para sua economia, ela poderá decidir não renovar ele em julho.

O analista disse que a reputação internacional da Rússia já está abalada por inúmeras sanções, e ele não acredita que o país esteja muito preocupado com a opinião pública internacional. Ricardo ressaltou que, embora ninguém apoie a invasão da Ucrânia, atualmente não existe nenhuma ação definitiva por parte da comunidade internacional a respeito do tema e isso mostra como o mundo está dividido.


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JUDICIÁRIO E O CONGRESSO NÃO ESTÃO CRIMINALIZANDO OS CRIMES COMO DEVERIAM CRIMINALIZAR

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.| Foto: Carlos Moura/STF.

O ministro Edson Fachin, a quem o Brasil já deve a novidade mundial da “descondenação” do presidente Lula, está propondo a proibição, ou a “revisão”, da revista íntima nas visitas aos presídios – uma precaução elementar em qualquer sistema penitenciário do mundo. O mesmo Fachin já havia proibido a polícia de sobrevoar as favelas do Rio de Janeiro, ou chegar a 100 metros das escolas – o que imediatamente transformou as escolas dos morros cariocas num ponto de reunião seguro para os criminosos.

Pouco tempo atrás, aí por decisão do Superior Tribunal de Justiça, as autoridades tiveram de devolver o iate, o helicóptero e outros bens de um chefe do tráfico de drogas; segundo o STJ, o mandado de prisão do criminoso “não autorizava” a polícia a fazer a apreensão. O traficante, aliás, havia sido solto pelo STF, e desde então está desaparecido.

O governo Lula, ao mesmo tempo, defende o “desencarceramento”, que é como eles chamam a soltura de presos condenados pela Justiça, alegando que as prisões brasileiras estão muito cheias. Não ocorreu ao Ministério da Justiça, e a nenhum defensor desta “política pública”, que a melhor maneira de se reduzir a população dos presídios seria combater a prática de crimes, e não soltar os criminosos. O mesmo governo está encantado com a ideia de liberar as drogas “leves”, ou as que são encontradas em “pequenas quantidades”.

O Judiciário brasileiro, incluindo-se aí o MP, está trocando a vida, a integridade física e a propriedade dos cidadãos honestos pelo bem-estar dos criminosos.

Traficantes e outros bandidos são sistematicamente colocados em liberdade pela Justiça porque as provas contra eles foram obtidas de forma “irregular”. E por aí vamos, numa maciça e sistemática escalada de decisões da autoridade pública em favor do crime e dos criminosos. Não há notícia sobre o que a sociedade brasileira estaria ganhando com isso.

Como cada uma dessas decisões, e sobretudo o seu conjunto, estariam tornando o Brasil mais seguro para os cidadãos que respeitam a lei e pagam, com os seus impostos, cada centavo dos bilhões de reais gastos pelo Sistema de Justiça, o Ministério Público e a polícia? De que maneira se poderia imaginar que isso tudo estaria ajudando a diminuir os níveis do crime e da violência no país, que estão entre os piores do mundo?

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O que existe na vida real é o contrário do que deveria ser uma “política de segurança” e de defesa da lei. O Judiciário brasileiro, incluindo-se aí o MP, está trocando a vida, a integridade física e a propriedade dos cidadãos honestos pelo bem-estar dos criminosos. É isso o que acontece na prática, apesar do palavrório dos devotos da “humanização” do combate ao crime.

A Justiça não é a única responsável por esta tragédia – os políticos eleitos para o Congresso Nacional têm a mesma culpa. Há trinta anos, sem falhar nunca e por pressão dos que prosperam à custa do crime, só aprovam leis que favorecem os criminosos – mais direitos, mais garantias, mais conforto e, acima de tudo, mais impunidade. Neste mesmo período de tempo, os deputados e senadores não foram capazes de aprovar uma única lei que pudesse ajudar na segurança do brasileiro comum. Adoram “criminalizar” o racismo, a homofobia etc. etc. etc. – mas se recusam a criminalizar o crime. O resultado concreto é a calamidade que está aí.


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IMUNIDADE PARLAMENTAR NÃO ESTÁ FUNCIONANDO

 

Por
Sergio Moro – Gazeta do Povo


Stump Speaking, obra de George Caleb Bingham, datada de 1853.| Foto: Saint Louis Art Museum

Recentemente, temos visto polêmicas sobre o alcance da liberdade de expressão de parlamentares e da imunidade que lhes é concedida por suas opiniões, palavras e votos.

É objeto de discussão a origem desta liberdade e imunidade. Alguns, vislumbram traços dela nas proteções concedidas ao Tribuno da Plebe já na República Romana. Eram eles considerados invioláveis e sacrossantos para que pudessem, perante o Senado, representar o interesse da plebe. Outros preferem apontar como fonte mais próxima o Bill of Rights de 1689, aprovado na Inglaterra após a chamada Revolução Gloriosa. Nela, é garantida liberdade de palavra ou de debate aos parlamentares, com a proibição de que ela seja questionada ou impugnada em qualquer tribunal ou lugar fora do Parlamento. Vinha a Inglaterra de uma sucessão de conflitos religiosos e sucessórios nos quais parlamentares haviam sido presos e a carta de direitos representou uma afirmação da supremacia do parlamento e das liberdades fundamentais.

No Brasil, desde a independência, a imunidade do parlamentar por suas palavras e votos tem, em diferentes formatos, sido reconhecida. Pelo texto da Constituição de 1824, os parlamentares eram “invioláveis pela opiniões que proferirem no exercício de suas funções”. Nas cartas de 1891 e 1934, agregou-se à imunidade as “palavras e votos”. Houve mudança significativa na Constituição de 1937, que inaugura o Estado Novo. As opiniões e votos continuaram invioláveis, mas ressalva-se que os parlamentares “não estarão, porém, isentos da responsabilidade civil e criminal por difamação, calúnia, injúria, ultraje à moral pública ou provocação pública ao crime”. Nas Cartas de 1946 e 1967, temos de volta a inviolabilidade das “opiniões, palavras e votos”, sem ressalvas. Porém, em 1969, na escalada de autoritarismo, a imunidade volta a ser excepcionada em “casos de injúria, difamação ou calúnia, ou nos previstos na Lei de Segurança Nacional”. Nas emendas constitucionais de 1978 e 1982, a imunidade prosseguiu sendo excepcionalizada, na última para os casos “de crime contra a honra”. Finalmente, com redemocratização, a Constituição de 1988 restabeleceu, em sua plenitude, a inviolabilidade do parlamentar “por suas opiniões, palavras e votos”. A emenda constitucional 35 reforçou a inviolabilidade, esclarecendo que ela é de natureza cível e penal.

É errado qualificar a imunidade material como um privilégio de casta. Afinal, não se trata propriamente de um benefício direcionado ao deputado ou senador, mas, sim, de uma garantia necessária para o livre exercício do mandato conferido pelo povo. Se o deputado ou senador ficasse sujeito a represálias pelo exercício do mandato parlamentar, a sua capacidade de representar com liberdade e independência os interesses da população e de seus eleitores seria severamente impactada.

Nos tempos atuais, pelo advento das redes sociais e em vista de seu enorme potencial na disseminação de informações, há uma tendência em favor da maior regulação da liberdade de expressão. É claro que as redes sociais não devem ser um espaço de comunicação sem qualquer limite. Restrições a sua utilização para ameaças, incitação à violência e divulgação de pornografia são, por exemplo, razoáveis, sempre com o cuidado necessário para não coibir a liberdade de expressão. Mas mesmo no recente e malfadado Projeto de Lei 2630 que buscava instituir a censura nas redes sociais, ressalva-se a inviolabilidade do parlamentar por suas postagens. Essa proteção específica ao parlamentar foi objeto de incompreensão e foi bastante criticada por parcela da sociedade. Entretanto, ela é coerente com as imunidades parlamentares e é recomendável para o bem exercício da função de representante do povo.

Não se trata propriamente de um benefício direcionado ao deputado ou senador, mas, sim, de uma garantia necessária para o livre exercício do mandato conferido pelo povo

A jurisprudência do STF tem por sua vez restringido a imunidade parlamentar a manifestações vinculadas ao exercício da função e admitido o processamento de ações penais por crimes contra a honra ou ameaças. É forçoso admitir que alguns desses casos envolviam manifestações deploráveis de parlamentares, favorecendo o estabelecimento de limites a ela. Não obstante, o risco de admitir relativizações em casos extremos consiste em abrir a porta para outros mais corriqueiros e assim eliminar a liberdade e a contundência dos discursos parlamentares.

É ilustrativo o fato de que a imunidade parlamentar tenha sido objeto de restrições em Constituições promulgadas em períodos históricos marcados pelo autoritarismo, como o Estado Novo e o governo militar. É igualmente significativo que tais restrições tenham sido suprimidas nas cartas constitucionais que substituíram os textos aprovados nos períodos autoritários. Essa é uma lição da história sobre a vinculação estreita entre as liberdades parlamentares e as liberdades individuais, próprias de uma democracia. Devíamos prestar atenção no que a história nos ensina. Em um contexto no qual há uma tensão global entre democracias e autocracias e no qual temos um Presidente da República que adula ditadores como Maduro e Ortega, seria oportuno revisitar o tema da inviolabilidadade dos parlamentares por suas opiniões, palavras ou votos, tendo presente que se trata não de um privilégio de poucos, mas de uma garantia de muitos contra a tirania.


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PRIMEIROS CASOS DE CORRUPÇÃO NO GOVERNO LULA NÃO VÃO DEMORAR APARECER

Política

Por
Diogo Schelp – Gazeta do Povo


Lula com os presidentes da Câmara e do Senado: cada vez mais, o Poder Legislativo assume funções do Executivo| Foto: Ricardo Stuckert/PR

Depois de eleito, no ano passado, Lula aumentou o número de ministérios dos 23 que existiam no governo de Jair Bolsonaro para 37, com um duplo objetivo: primeiro, prestigiar áreas consideradas importantes para sua base política, como a Cultura e os Povos Indígenas; segundo, ampliar espaços de poder para distribuir aos partidos que, na esperança dele, apoiariam o seu governo nas votações no Congresso Nacional. Ironicamente, por muito pouco integrantes desses partidos não derrubaram essa mesma configuração ministerial que lhes permite ter participação no governo.

Para deixar o recado de que a coalizão do governo no parlamento não está nada firme, a aprovação da medida provisória da estrutura ministerial veio com um custo, que foi o esvaziamento das atribuições de algumas pastas, como a dos Povos Indígenas e a do Meio Ambiente.

Não é à toa que os cargos mais disputados pelos partidos na Esplanada dos Ministérios são aqueles que lidam com a ordenação de despesa e com contratos governamentais.

E por que a base no Congresso não está firme? Porque para os partidos fisiológicos, aqueles que aderem ao governo não por afinidade ideológica ou por compartilhar de um projeto comum de país, mas por almejar nacos do Poder Executivo, apenas ter alguns de seus correligionários no comando de ministérios não basta. É preciso preencher a máquina pública com apadrinhados também no segundo, no terceiro escalão e daí para baixo na hierarquia. E também é vital ter mais influência na destinação dos recursos dos ministérios.

Claro que esse esquema não é de hoje. Há décadas o presidencialismo de coalizão, fruto do nosso sistema partidário fragmentado, cobra seu preço para a governabilidade e para a ética na política. Isso porque a aliança partidária mais organicamente ligada ao presidente nunca alcança a maioria necessária para aprovar as leis e torna-se necessário lotear o governo com outros partidos, o “centrão”, que funcionam como o fiel da balança nas votações.

Há décadas o presidencialismo de coalizão, fruto do nosso sistema partidário fragmentado, cobra seu preço para a governabilidade e para a ética na política.

A situação se agravou ao longo da presidência de Jair Bolsonaro, que prometeu romper com a “velha política”, mas acabou se rendendo a ela, entregando não apenas os anéis e os dedos, mas o braço inteiro. O Legislativo alcançou no governo Bolsonaro um inédito grau de poder, principalmente por aumentar a sua ingerência na destinação de recursos dos ministérios por meio das emendas de relator — o chamado “orçamento secreto”.

Julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) acabou com o caráter impositivo que as emendas de relator, que são distribuídas por critério político e sem transparência, vinham adquirindo e devolveu o poder de decisão sobre esses recursos aos ministérios. Mas os comandos da Câmara e do Senado não desistiram de exercer influência sobre a destinação do dinheiro.

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Os partidos do centrão fisiológico também não desistiram de pleitear o controle de dois dos ministérios mais cobiçados, o da Saúde e o da Educação. Cobiçados por serem áreas tão importantes para os brasileiros? Que nada. Cobiçados por terem os maiores orçamentos e pela relevância que eles têm nas relações com as prefeituras, que fazem a ponte com as bases que vão reeleger os deputados e senadores. Ou seja, são ministérios que proporcionam oportunidades financeiras e eleitorais.

Outra reclamação dos parlamentares da base instável do governo no Congresso é que têm enfrentado resistência para fazer indicações a cargos de confiança nos escalões mais baixos dos ministérios e, ainda mais importante, nas empresas estatais. É dessa lama formada por emendas e cargos comissionados que sairão os primeiros grandes escândalos de corrupção do terceiro mandato de Lula.

Na realidade, “articulação política” é muito mais um eufemismo para “loteamento de cargos e verbas”.

Já tivemos uma amostra do potencial desse sistema no governo anterior, de Bolsonaro, quando foi gestado o esquema, agora investigado pela Polícia Federal, envolvendo aliados políticos de Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados. Refiro-me, claro, aos fortes indícios de desvio de dinheiro público com a compra de kits de robótica para redutos eleitorais de Lira e seus aliados em Alagoas, pagos com emendas de relator direcionadas por Lira. O prejuízo aos cofres públicos seria de 4,2 milhões de reais.

Lira e outros membros do centrão vêm criticando o governo por “falhas na articulação política”. A expressão dá a ideia de que o problema seria de ordem programática, ou seja, de uma ausência de discussões sobre o mérito, sobre a efetividade ou não de determinadas políticas públicas, e de uma busca de consenso. Enfim, o jogo político normal na relação do Congresso. Mas, na realidade, “articulação política” é muito mais um eufemismo para “loteamento de cargos e verbas”.

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Não é à toa que os cargos mais disputados pelos partidos na Esplanada dos Ministérios são aqueles que lidam com a ordenação de despesa e com contratos governamentais. É ali que estão as maiores oportunidades de desvios de recursos, de superfaturamento e de favorecimento de empresas que depois darão sua contrapartida na forma de caixa 2 e outros crimes. Mais cobiçadas ainda são as indicações políticas em empresas estatais, menos suscetíveis ao escrutínio público e à vigilância da imprensa.

E que fique claro: há uma grande probabilidade de que os escândalos, quando surgirem, envolvam não apenas indicados de políticos de partidos que apoiam ou que negociam apoiar o governo, como União Brasil, MDB, Podemos, PP, Republicanos, mas também nomes de confiança do PT — que igualmente pressionam por mais cargos, com motivações nada republicanas semelhantes.


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O BRASIL TERÁ SEMANA DE QUATRO DIAS?

 

Sabrina Bezerra – StarSe

Iniciativa da 4 Day Week, organização sem fins lucrativos e da brasileira Reconnect Happiness at Work, começa em junho de 2023. Entenda!

O teste para a semana mais curta de trabalho chegou ao Brasil. O experimento (também tem acontecido em outros países, como Estados Unidos e algumas nações europeias), é fruto de uma parceria com a 4 Day Week, organização sem fins lucrativos, que tem conduzido testes globais sobre a jornada de trabalho reduzida, e a brasileira Reconnect Happiness at Work. Deve começar em junho de 2023.

A lógica por trás da iniciativa está atrelada a um objetivo: comprovar que é possível obter os mesmos resultados em produtividade trabalhando menos. Assim, é um ganha-ganha dos dois lados. A empresa atrai e retém talentos; e a equipe, por sua vez, tem mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (escrevo mais adiante sobre isso).

Semana mais curta de trabalho será obrigatória para todas as empresas que têm funcionários no Brasil?

Não. O programa é voluntário e qualquer companhia pode participar. Basta preencher um formulário no site do programa. O experimento começa em agosto e haverá um custo (ainda não definido) para participar do estudo. Os detalhes do estudo, por sua vez, serão divulgados entre junho e julho.

Quais foram os resultados até agora nos países que adotaram a semana mais curta de trabalho?

Reduziu o número de pessoas com burnout, aumentou a produtividade e aumentou a receita da empresa.

COMO FUNCIONA A REDUÇÃO PARA 4 DIAS DE TRABALHO POR SEMANA NO BRASIL?

Na prática, as empresas devem oferecer o modelo em que as pessoas trabalhem 80% do tempo e mantenha 100% da produtividade. Isso sem reduzir o salário. Em outras palavras, trabalham 4 dias por semana, não têm redução no salário e, como resultado, a produtividade continua a mesma.

Durante o teste, serão feitos estudos conduzidos pela Boston College. A expectativa é de que os primeiros dados sobre o estudo no país fiquem prontos em abril de 2024. 

    “Vamos dar um passo importantíssimo para revolucionar o mundo do trabalho [no Brasil], possibilitando mudanças em nossa forma de atuarmos, de forma mais produtiva e mais saudável”, diz a Renata Rivetti, diretora Reconnect Happiness at Work, em comunicado.

Vale lembrar, no entanto, que antes mesmo do experimento oficial, empresas como Zee.Dog e Crawly adotaram a semana mais curta de trabalho no país ― seguindo a tendência global.

Semana de 4 dias de trabalho: o que o experimento no Brasil mostra sobre futuro do trabalho

Trabalhar menos pode ser mais comum no futuro próximo. Isso porque, se o estudo for validado no país, mais empresas adotarão, possivelmente, como política interna. O que vai ao encontro do novo comportamento do mercado de trabalho.

Detalhando um pouco mais: não é segredo que há tempo trabalhar menos, sem ter redução de salário, era sonho de muitas pessoas. Mas também tinha um comportamento historicamente da Geração X (nascidos em 1960 até 1979) e Millennials (nascidos em 1980 e 1994: quanto mais horas de trabalho, mais sucesso na carreira.

Assim, a ideia construída de trabalhar menos parecia ser distante para alcançar as ambições profissionais. A lógica, por sua vez, caiu por terra, quando cresceu número de pessoas com síndrome do esgotamento profissional, e também com a chegada da (polêmica) Geração Z no mercado de trabalho.

Isso porque, os nascidos entre 1995 e 2010 têm muito menos ambição profissional. Para essa turma, o menos é mais. Ou, em outras palavras, trabalhar menos, é mais bem-estar, mais saúde, mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional. E tudo bem ter um salário menor ― desde que não sinta-se sobrecarregada.

Agora, imagine só oferecer uma jornada de trabalho mais curta sem reduzir o salário? Aumentam as chances de atrair, engajar e reter esses talentos.

BRASILEIROS ACREDITAM NA SEMANA MAIS CURTA DE TRABALHO?

Uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos mostrou que apenas 3 em cada 10 brasileiros acreditam na semana de quatro dias de trabalho.

    O estudo “Global Advisor – Predictions 2023″ foi feito em 36 países

    Apenas 34% dos brasileiros acreditam na semana mais curta de quatro dias de trabalho

    O número do Brasil vai ao encontro com a média global, que é de 37%

    Os que mais acreditam na redução são os moradores dos Emirados Árabes Unidos, com 68%. Índia, com 63%, e Indonésia, com 54%, completam o topo da lista.

POR QUE IMPORTA?

Assim, como as áreas de atendimento ao cliente, produtos e marketing analisam o comportamento dos consumidores para criar uma boa experiência, a área de Recursos Humanos e lideranças de toda a empresa precisam acompanhar o novo comportamento dos funcionários para avaliar se vale a pena implementar programas que são tendências ao redor do mundo, como a semana de quatro dias de trabalho. Afinal, quanto mais a companhia ir ao encontro do novo comportamento dos profissionais, maiores serão as chances de atrair, engajar e reter talentos.

COMO DEVEM SER OS PARCEIROS NOS NEGÓCIOS

“Parceiros chegam de várias formas. Se juntam por diferentes motivos”.

Eu sei, é clichê, rss. E se a frase fosse minha eu acrescentaria: “O que eles tem em comum é o fato de acreditarem no que nós acreditamos”.

Parceria é a arte de administrar conflitos de interesses e conexões de interesses, visando resultados benéficos para ambas as empresas”.

É por isso que eu costumo comparar parceria com casamento. Quem é casado sabe que administrar conflitos é fundamental para ambos terem resultados nessa aliança.

Assim como no casamento, o parceiro não precisa ser igual a nós, mas tem que ter o nosso ‘jeitão’! Nas parcerias eu defendo que o parceiro precisa ter o DNA de inovação, a inquietude pra sair da zona de conforto e uma preocupação muito grande com o cliente, não apenas no discurso, mas na prática. É claro que no processo de análise do possível parceiro, nós avaliamos o potencial financeiro e de escala da aliança, a estrutura e o tamanho da empresa. Mas, tem um fator humano que não pode ser desconsiderado, já que empresas são, na sua essência, pessoas. É por isso, que normalmente, os parceiros   são empresas formadas por pessoas do bem, pessoas com propósito, que tem tanto o caráter quanto a lealdade de continuar de mãos dadas, mesmo nos momentos mais difíceis. É como um casamento mesmo!

É importante também que os parceiros tenham know how e competências complementares, que potencializem nossas fragilidades e deem mais peso aos nossos pontos fortes. E como eu acredito que o primeiro approach de uma boa parceria acontece no plano humano (onde existe emoção), e não no corporativo, eu gosto muito da histórica da parceria entre Steve Jobs Steve Wozniak. Os dois Steves tornaram-se amigos durante um emprego de verão em 1970. Woz estava ocupado construindo um computador e Jobs viu o potencial para vendê-lo. Em uma entrevista de 2006 ao Seattle Times, Woz, explicou:

“Eu só estava fazendo algo em que era muito bom, e a única coisa que eu era bom acabou por ser a coisa que ia mudar o mundo… Steve (Jobs) pensava muito além. Quando eu projetava coisas boas, às vezes ele dizia: ‘Nós podemos vender isso’. E nós vendíamos mesmo. Ele estava pensando em como criar uma empresa, mas talvez ele estivesse mesmo pensando: ‘Como eu posso mudar o mundo?’”.

Por que essa parceria deu certo? Habilidades e competências complementares.

As habilidades técnicas de Woz juntamente com a visão de Jobs fizeram dos dois a parceria perfeita nos negócios.

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segunda-feira, 12 de junho de 2023

O STF ESTIMULA O DENUNCISMO POLÍTICO

Judiciário
Por
Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Brasília


STF está incentivando o denuncismo alegando a necessidade de proteger as instituições.| Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) está incentivando denúncias contra cidadãos e parlamentares usando como pretexto a necessidade de proteger os membros da Corte e as instituições do Estado. A tendência se intensificou após os atos do 8 de janeiro e se manifesta em postagens nas redes sociais e na inclusão apressada de novos investigados nos inquéritos do Supremo a partir de denúncias.

Em 19 de maio, o STF fez um tuíte incentivando usuários a denunciar publicações com “conteúdos distorcidos ou mentirosos” sobre a Corte. “Espalhe a informação correta! Não compartilhe conteúdos distorcidos ou mentirosos sobre o STF. Se você receber algum conteúdo falso, envie para o programa de Combate à Desinformação do Supremo, para a divulgação da informação verdadeira”, dizia a postagem, que foi apagada alguns dias depois.

Nos últimos meses, o Supremo também virou uma espécie de ouvidoria de políticos: multiplicaram-se pedidos de inclusão de adversários nas investigações conduzidas pelo tribunal. Inquéritos como o das fake news e o dos atos do 8 de janeiro viraram um repositório de revanchismo entre políticos.

O vereador de São Paulo Fernando Holiday (Republicanos), por exemplo, passou a ser investigado como possível incitador dos atos de 8 de janeiro após decisão de março do ministro Alexandre de Moraes, atendendo a pedidos da bancada feminista da Câmara Municipal, que conta com parlamentares do PSOL oponentes de Holiday. No dia seguinte aos ataques em Brasília, PT e PSOL também haviam pedido a investigação de deputados adversários.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, solicitou em março a inclusão de sete adversários políticos seus no inquérito das fake news, por declarações feitas após a visita de Dino ao Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. No mês seguinte, Dino pediu a inclusão do deputado Deltan Dallagnol (Podemos-PR) no inquérito, alegando o mesmo motivo.

Parlamentares da direita também têm usado o STF como ouvidoria: o senador Rogério Marinho (PL-RN) solicitou a inclusão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no inquérito das fake news por ter insinuado que a operação policial que descobriu um plano de sequestro do senador Sergio Moro (União Brasil) era armação.

Em maio, um grupo de 20 deputados de direita pediu que o Grupo Globo e a Folha de S.Paulo fossem incluídos no inquérito das fake news, alegando que as duas empresas têm “reiteradamente tentado manipular a opinião pública e impactar o voto dos parlamentares ao veicularem textos que criam um cenário de terror para justificar a aprovação da PL das Fake News”.

“Sem dúvida nenhuma, isso não é o papel do STF”, diz o advogado constitucionalista André Marsiglia, especialista em liberdade de expressão. “O papel do STF não é estimular a denúncia, não é se tornar a ouvidoria do Brasil, assim como também não é o papel dos inquéritos regular a opinião pública. O STF parece estar expandindo o rol do seu ativismo para a parte policial. Faz parte da função policial receber denúncia, não do tribunal da nossa Suprema Corte.”

Para Marsiglia, o STF está criando a “possibilidade de agir de forma vingativa com os adversários a partir da denúncia”. “A gente passou a acreditar que o denuncismo é uma forma de lidar com os problemas. Isso corrompe o Judiciário de várias formas. O STF, para não tomar decisões precipitadas, deveria ser o último, sempre, a tomar as decisões. Se as denúncias são feitas ao STF, ele passa a ser o primeiro a tomar as decisões, o que, sem dúvida alguma, faz com que ele esteja muito propício a precipitar-se”, observa.

O jurista critica, além disso, o recebimento de denúncias em massa, como após os atos do 8 de janeiro. “Quando você tem 80 mil denúncias, como é que você pode averiguar decentemente essas 80 mil? É óbvio que você não tem como fazer isso. Se o STF diz, nas redes, para denunciar, é óbvio que ele espera receber mais de uma denúncia ou de duas. Ele espera receber um volume gigantesco. E receber um volume imenso de denúncias inviabiliza a possibilidade de se fazer qualquer aferição correta.”

O advogado Wallace Oliveira, especialista em Direito Digital e Processual, diz que o estímulo a denúncias excessivas “gera um estado de incoerência e caos no sistema jurídico brasileiro”. Para ele, está havendo “restrição à liberdade de expressão e comunicação de uma parcela da sociedade” por meio de “boletins de ocorrência infundados, que objetivam a penalização de inocentes por puro revanchismo político e ideológico”.

Os inquéritos do STF, na visão dele, “inauguraram o precedente de uma cultura de denuncismo no Brasil”. “Assim como a competência para instaurar inquéritos não incumbe ao STF, a criação de canais de denúncias para processamento de fatos ditos inverídicos não cabe à instituição”, explica Oliveira, recordando que estas são funções da polícia e do Ministério Público.

STF está extrapolando ativismo judicial e criando “ativismo administrativo”, afirma jurista
No tuíte que estimula a denúncia de “conteúdos distorcidos ou mentirosos”, o STF diz que a iniciativa foi criada “para combater práticas que afetam a confiança das pessoas na Corte”.

Para André Marsiglia, “o STF está saindo muito do seu papel, e isso é, sem dúvida, o que afeta a confiança na corte”. “A confiança na Corte existe não pelo combate a qualquer coisa, mas sim pela sua capacidade de julgar de forma técnica aquilo que chega. Uma corte serve para julgar, e os julgamentos têm que ser técnicos, jamais políticos. É isso o que gera confiança. Não é eles se tornarem combatentes de absolutamente nada, nem nos julgamentos e nem administrativamente.”

Marsiglia diz que a postagem solicitando denúncias é um exemplo de como o ativismo judicial já contaminou até os órgãos de apoio da Corte, criando dentro do Supremo o que ele batiza de “ativismo administrativo”.

“Há uma ideia que parece estar hoje presente na Corte de que ela é responsável por uma cruzada contra os atos antidemocráticos, contra as fake news, contra a desinformação, contra o ódio. Essa ideia de que a Suprema Corte tem uma bandeira a ser defendida contra determinados malefícios parece que está se espraiando para fora dos julgados – o que já existe há bastante tempo – e atingindo mesmo as suas postagens nas redes, os seus órgãos de apoio”, comenta.

Outros exemplos do ativismo administrativo, segundo Marsiglia, são a recente campanha “Democracia Inabalada” do Supremo e o excesso de palestras dadas pelos magistrados em diferentes lugares, em que eles reiteram suas visões sobre temas como discurso de ódio, desinformação, fake news e democracia.

“É como se a sociedade tivesse delegado a eles essa prerrogativa de combater em nome dela a respeito desses temas. E eles não têm essa prerrogativa. A única prerrogativa que eles têm é a de julgar, e esse é um ato passivo, não ativo”, afirma Marsiglia.

A Gazeta do Povo entrou em contato com o STF por e-mail e por telefone pedindo esclarecimentos sobre o tuíte que estimulava o uso do canal de denúncias, mas o órgão da República não respondeu à solicitação do jornal.


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O SENADO FEDERAL TEM A OBRIGAÇÃO MORAL DE BARRAR A INDICAÇÃO DE ZANIN PARA O STF

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Advogado Cristiano Zanin será sabatinado pela CCJ do Senado| Foto: Alessandro Dantas/ PT Senado

O que já era dado como certo realmente se confirmou: sem pejo algum, Luiz Inácio Lula da Silva indicou seu advogado pessoal, Cristiano Zanin, para ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal aberta com a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski, oficializada em abril. Embora a indicação seja uma prerrogativa do presidente da República, a de Zanin é uma afronta direta ao espírito do Estado Democrático de Direito e a todos os brasileiros. A nomeação não pode ser aprovada. Não cabe outra posição aos senadores da República. Chancelar o nome de Zanin seria um acinte – mais um – ao povo brasileiro e às instituições democráticas.

O fato de Lula não ver problema algum em indicar seu advogado ao STF não surpreende. O histórico e ações nos primeiros meses de seu terceiro mandato como presidente da República são mais do que suficientes para comprovar a insistência de Lula em tratar com desdém as instituições e os demais poderes, em especial quando não se curvam aos seus interesses. Mas se o presidente envereda por este mau caminho, é função do Legislativo zelar pela honorabilidade e independência dos poderes e evitar que o Supremo Tribunal Federal possa ter sua imagem e seu prestígio junto aos cidadãos brasileiros ainda mais desgastados.

Zanin no STF simboliza e materializa a consolidação da inversão de valores que se instalou no país com a perseguição aos protagonistas da Operação Lava Jato.

Zanin esteve à frente da defesa de Lula durante as condenações do petista em primeira e segunda instância, por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mais tarde, o advogado conseguiu a anulação pelo STF das condenações contra o petista, o que possibilitou que Lula pudesse concorrer à Presidência da República em 2022. A fidelidade demonstrada pelo advogado ao longo da defesa é o que, para Lula e sua moral distorcida, justifica a indicação de Zanin ao STF. Mas essa proximidade é justamente o que, em qualquer Estado minimamente zeloso da independência entre os poderes e da moralidade, impede a nomeação do advogado como ministro do STF.

Quando Lula usa critérios meramente pessoais e políticos para indicar um ministro ao STF, está minando a moralidade da corte, e em grande medida sua independência, querendo transformá-la numa extensão do governo federal, como bem denunciou a Transparência Internacional em manifestação contra a indicação de Cristiano Zanin. Tal atitude não pode ser tolerada pela sociedade e nem por seus representantes eleitos que, insistimos, têm o dever de barrar Zanin. O advogado foi indicado por Lula por ser seu fiel defensor – e deverá repetir esse papel no STF.

Seria de uma ingenuidade absurda acreditar que, uma vez empossado no STF, Zanin deixe de lado seu histórico e passe a atuar de forma independente, sem levar em conta os interesses pessoais de Lula e de seu partido. Aliás, se Lula suspeitasse que Zanin pudesse fazer isso, com certeza não o indicaria. Ao longo dos seus dois mandatos anteriores, Lula indicou sete ministros ao STF, dos quais apenas dois ainda permanecem na corte, Cármen Lúcia e Dias Toffoli. Em diversas ocasiões, Lula reclamou da atuação dos seus indicados, como o do hoje ministro aposentado Joaquim Barbosa, que se tornou relator do mensalão e condenou vários nomes do PT – o que, obviamente, desagradou Lula. Lula escolheu Zanin porque sabe que ele não o decepcionará como fez Barbosa.

VEJA TAMBÉM:
A quase certa indicação de Cristiano Zanin ao STF
A crise moral que assola o Brasil
A covardia da Câmara dos Deputados não apaga o legado de Deltan Dallagnol


Além das razões acima, de caráter institucional, que tornam a indicação de Zanin passível de até de um questionamento de constitucionalidade, outra, de caráter moral e político, precisa ser fortemente levada em conta pelos parlamentares: Zanin no STF simboliza e materializa a consolidação da inversão de valores que se instalou no país com a perseguição aos protagonistas da Operação Lava Jato. Ceder neste ponto é capitular ao que de mais perverso se deu no Brasil nos últimos anos.

Evitar que mais esse absurdo se concretize caberá ao Senado Federal. Zanin precisará passar por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e também pelo plenário do Senado, onde terá de contar com o voto favorável de pelo menos 42 senadores para ser nomeado. Barrar o nome de Zanin, reiteramos, não deveria ser visto como uma simples escolha, mas um dever do Senado. Infelizmente, como vimos em relação aos membros da mesa diretora da Câmara dos Deputados, que aceitaram a cassação injusta de Deltan Dallagnol, os parlamentares brasileiros nem sempre estão à altura de seu papel. Esperemos que, ao menos desta vez, os senadores tenham a hombridade de agir corretamente.

GAZETA D
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O BAGAÇO DE CANO REPRESENTA 60,5% DE TODA COGERAÇÃO

 

Transição energética

Por
Marcos Tosi – Gazeta do Povo


Principal biomassa na geração de energia do país hoje, o bagaço de cana ainda é majoritariamente usado para abastecimento da necessidade energética das próprias usinas.| Foto: Divulgação / Udop

Na gíria, dizer que alguém ou alguma coisa está “no bagaço” é sinônimo de esgotamento das energias. Mas, na realidade das usinas de cana-de-açúcar e na diversificação da matriz energética brasileira, o bagaço é um ativo valioso que já salvou o subsistema elétrico Sudeste/Centro-Oeste do colapso na crise hídrica mais grave em quase cem anos. E tem um potencial ainda maior.

Em 2021, a energia lançada no sistema elétrico brasileiro produzida com bagaço de cana-de-açúcar e outras biomassas (licor negro de celulose, cavaco de madeira e biogás, principalmente) possibilitou uma poupança de 14% nos níveis de água dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste.

Sem esse socorro, a capacidade dos lagos ficaria reduzida de 18% para 4%, o que, na prática, inviabilizaria a operação das hidrelétricas, elevando os riscos de apagão. Hoje o bagaço da cana representa 60,5% de toda a cogeração – produção de duas ou mais formas de energia a partir de um combustível – existente no país.

Essa história ainda pouco conhecida provou, segundo Newton Duarte, presidente da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), o papel estratégico indispensável da biomassa na segurança do sistema elétrico brasileiro.

A maior oferta de bagaço ocorre na safra da cana de açúcar do Centro-Sul, entre abril e outubro, que coincide justamente com o período seco e crítico para a geração das hidrelétricas. “A biomassa pode ser o elemento que ajuda a guardar a água nos reservatórios. O ideal seria usar a biomassa de forma a sempre manter dois terços dos reservatórios guardados. Por que os períodos de seca vêm, inexoravelmente”, aponta.

Biomassa pode contribuir oito vezes mais
Em pouco mais de uma década e meia, o Brasil triplicou o volume de energia elétrica a partir de biomassa da cana lançada no Sistema Interligado Nacional (SIN). Atualmente, são 17 gigawatts (GW) em operação comercial, o que representa 8,8% da capacidade instalada da matriz elétrica do país (de 194 GW).

O potencial inexplorado, no entanto, pode ser oito vezes maior. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério das Minas e Energia, o potencial técnico de geração de bioeletricidade para a rede é de 143 GW, enquanto o efetivamente lançado no sistema, em 2022, foi de 18,4 GW. Isso sem contar o efeito multiplicador que pode ter o chamado retrofit (modernização) das operações nas usinas e o aproveitamento da palha e do biogás.

Atualmente, a maior parte da energia gerada a partir da queima de matéria orgânica renovável ainda é destinada para o autoconsumo das indústrias, representando 51% do total gerado.

O excedente vendido no sistema elétrico nacional, acima da garantia física declarada das usinas, é remunerado pelo Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que estaria muito baixo devido ao bom nível dos reservatórios das hidrelétricas, desestimulando a oferta no mercado de curto prazo. “É uma regra idiota que me obriga a liquidar pelo PLD quando poderia estar vendendo no mercado livre de energia. Estou há quatro anos tentando mudar esse absurdo”, diz Duarte, da Cogen.

Plano Decenal de Energia está desatualizado, reclama Cogen

Apesar do crescimento expressivo em poucos anos, o setor de biomassa reclama de equívocos no planejamento estratégico do governo federal. Elaborado em 2022, o Plano Decenal de Energia 2031 da EPE projeta crescimento do segmento entre 80 MW e 400 MW, ao máximo, por ano. Como referência, 1 MW é suficiente para abastecer 1,3 mil residências.

“Isso é uma sacanagem, por que só no ano passado já entraram 900 MW adicionais de biomassa produzida a partir de licor negro. A própria Aneel já tem outorgado 2,4 mil MW até 2026. Nos últimos cinco anos, a despeito dos problemas econômicos e da pandemia, nós entregamos 350 MW por ano. Então, essa perspectiva de 80 MW por ano está absolutamente equivocada”, afirma Duarte.

E qual o efeito dessas projeções oficiais excessivamente modestas? “Imagine que eu sou uma multinacional da Alemanha ou dos EUA. Eu quero investir no Brasil numa nova fábrica de turbina, de caldeira, de conversores de velocidade. Mas daí vejo um documento desses, do governo, e concluo que não vou fazer é nada. Por que o Plano de Expansão de Energia do teu país antevê 80 MW por ano, e isso é pífio, não toca nem a nossa fábrica nem a de nossos concorrentes”, acrescenta o executivo da Cogen.

Newton Duarte é presidente da Cogen (Associação da Indústria de Cogeração de Energia)| Divulgação / Cogen

Aproveitamento de audiência pública é questionado
“Trabalhei em multinacional a vida toda [Siemens e General Electric], eu sei exatamente o que é isso. Uma política pública que não condiz com a realidade e com as perspectivas de mercado, e, negando mercado, ela faz mal para todo mundo”, sublinha.

Segundo Duarte, das mais de 300 sugestões feitas em audiência pública para o Plano Decenal de Energia, a EPE não teria incorporado nenhuma. “Será que eu sou tão burro ou eles são tão inteligentes que não conseguem aproveitar nenhuma das 300 sugestões?”, questiona.

O parque de geração de energia a partir da biomassa já está instalado no país há 40 anos, principalmente na região sucroenergética do Centro-Sul. Em 2010, com aumento na demanda de etanol pós crise financeira internacional, o setor agregou oferta de 1.750 MW em um único ano.

“Realmente, ter previsão de crescimento de 80 MW ou 200 MW, significa que você não está com olhar estratégico para essa fonte. É preciso repensar a política pública. Potencial adormecido a gente tem, mas só aproveitamos 13%”, diz Zilmar José de Souza, gerente de Bioeletricidade da União da Indústria da Cana-de-Acúcar e Bioenergia do Brasil (Unica).

EPE diz que considerou sugestões na versão final do plano
Em resposta às críticas, a EPE enviou nota à Gazeta do Povo afirmando que mantém frequentes reuniões e interações com o mercado bioenergético, e que “distintas informações avaliadas e utilizadas pela EPE, inclusive as que se refere a custos de implantação e operação de usinas de bioeletricidade, têm como origem principal os próprios empreendedores e são diretamente informadas por eles durante o processo de habilitação técnica de leilões de energia elétrica”.

A empresa negou que nenhuma sugestão tenha sido recebida no plano decenal, e assegurou ter analisado mais de 500 contribuições enviadas por mais de 50 instituições, “muitas das quais foram consideradas para aprimoramentos incorporados na versão final do plano”.

No mercado regulado de energia elétrica – que tem os preços estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) – o setor sucroenergético reclama ainda da falta de remuneração diferenciada para fontes energéticas renováveis, que emitem menos poluentes e têm capacidade de fornecimento contínuo.

Cana-de-açúcar é a maior fonte de biomassa do país| Divulgação / Unifesp
No ano passado, o governo retirou da legislação o subsídio que era dado às energias eólica, fotovoltaica, de biomassa e de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Essas fontes pagavam apenas 50% da chamada “tarifa do fio” que cobre custos da transmissão e distribuição da energia.

“Tiraram da lei com a promessa de, no futuro, restaurar a remuneração pelo atributo ambiental dessas fontes. Mas esse processo ainda está parado”, aponta Souza. Antes de findar o benefício, contudo, houve uma corrida para aprovação de projetos, o que acabou criando um estoque de outorgas que trazem embutido o subsídio.

Ter ou não subsídio, eis a questão
Por algum tempo, no processo de transição energética, incentivar as fontes renováveis ainda será necessário, segundo o gerente de Bioeletricidade da Unica.

“Às vezes é uma questão de no leilão ter uma cota para compra de biomassa de energia de PCH, por exemplo. No mercado mexicano, se paga US$ 10 extras como atributo ambiental. Existem ‘n’ formas. É preciso colocar os estudos no papel e transformar num mercado de carbono, que represente valoração do atributo ambiental no setor elétrico”, completa Souza.

Na avaliação de Claudio Ribeiro, presidente da 2W Ecobank, uma das maiores operadoras do mercado livre de energia, já passou o tempo em que as fontes eólica, solar e de biomassa eram caras e precisavam de subsídios para ser competitivas.

Atualmente, o próprio mercado pede energia com estes selos sustentáveis. “Essas energias já são competitivas por duas razões: porque houve uma evolução tecnológica da geração renovável e porque os consumidores cada vez mais estão indo para essas fontes, não querem comprar de fonte convencional, porque eles têm metas de obtenção de ‘net zero’. As pessoas estão utilizando cada vez mais a eletrificação, e será preciso voltar a investir em geração. Não tem mais como expandir a geração das grandes hidrelétricas, será pelas renováveis”, afirma Ribeiro.

Dos novos investimentos em geração de energia, atualmente, 80% já são em fontes renováveis. A própria 2W está investindo R$ 2 bilhões na construção de duas usinas eólicas, de 139 MW no Rio Grande do Norte, e de 261 MW no Ceará, que devem entrar em operação em janeiro e abril do ano que vem. A meta da companhia é chegar em 2027 oferecendo no mercado 2 GW, o suficiente para atender 3 milhões de residências.


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SEGURANÇA DE MADURO DEU UM SOCO NO PEITO DE JORNALISTA

Por
Roberto Motta – Gazeta do Povo


Palácio do Itamaray, em Brasília.| Foto: Wikimedia Commons

Em todos os períodos da história existiram tiranos que sempre tinham algumas características em comum. Uma delas é o uso da força. Outra é a aversão a qualquer oposição ou crítica. Tiranos raramente se denominam assim. Modernamente, eles preferem se chamar de democratas, e usam a força para esmagar a oposição e destruir seus adversários sempre em defesa de um tal Estado Democrático de Direito.

Claro.

Tiranos preferem uma sociedade e uma mídia subservientes. Cidadãos rebeldes e jornalistas independentes devem ser processados até a falência, desempregados até morrer de fome ou tratados com um soco no peito.

Deram um soco no peito de uma jornalista, dentro do Palácio Itamaraty, na frente de magníficas autoridades brasileiras.

Até o momento em que escrevo esse artigo, ficou por isso mesmo.

Não é exagero dizer que, se isso tivesse acontecido no governo Bolsonaro, o presidente já teria sofrido impeachment e provavelmente estaria preso.

Não é exagero dizer que a imprensa teria explorado o caso até a histeria, comparando o governo com os piores regimes totalitários e, provavelmente, sugerindo seu julgamento pelo Tribunal Penal Internacional de Haia.

Mas, como é o PT que governa, o silêncio da maior parte da grande mídia foi conivente, ensurdecedor e asqueroso.

Não é exagero dizer que, se isso tivesse acontecido no governo Bolsonaro, o presidente já teria sofrido impeachment e provavelmente estaria preso

Isso não torna o incidente menos grave. Uma arma apontada em nossa direção não desaparece se resolvermos ignorá-la.

Nada do que está acontecendo deveria ser surpresa para um jornalista. Jornalistas profissionais – aqueles que investigam, pesquisam, estudam e buscam o entendimento da realidade – tinham a obrigação de perceber a serpente que se formava dentro do ovo transparente do amor que venceu as eleições.

Obrigação de perceber e de alertar.

Mas um soco no peito de uma jornalista foi rapidamente esquecido porque veio de um governo de esquerda – embora um soco raramente venha sozinho.

A grande maioria dos profissionais de imprensa permanece cega para as tiranias esquerdistas.

É possível traçar as origens dessa estranha moléstia.

Ela começa com a imigração dos filósofos marxistas da Escola de Frankfurt da Alemanha para os EUA, e a posterior contaminação do pensamento acadêmico, primeiro americano e depois mundial, pela “Teoria Crítica”, que é o uso do marxismo como único instrumento para entender, descrever e criticar a realidade. A Escola de Frankfurt tornou-se global, influenciando a maioria das disciplinas acadêmicas. Hoje, até em aulas de música ou matemática os alunos são forçados a aprender sobre “luta de classes” e convencidos da necessidade de destruir o “sistema patriarcal” e a “herança colonialista” – termos marxistas usados para descrever nosso patrimônio cultural: a filosofia grega, o direito romano e a ética judaico-cristã. Tudo que é ocidental, tradicional e liberal deve ser destruído.

O alcance dessas ideias foi amplificado com a estratégia de dominação cultural criada pelo marxista italiano Antônio Gramsci em seus “cadernos do cárcere”. Em vez de armas, a revolução comunista deveria ser feita ocupando-se os espaços na cultura, ele sugeria.

Tudo isso, no Brasil, recebeu a ajuda da teoria da “panela de pressão”, criada pelo general Golbery do Couto e Silva, que entregou a cultura e o sistema de ensino – incluindo principalmente as escolas de história, jornalismo e direito – à ocupação hegemônica da esquerda, como “compensação” pela negação da atividade política.

Foi um erro colossal. A esquerda assumiu o controle dos espaços e das ferramentas mais importantes para a formação moral e cultural das gerações futuras.

É o preço desse erro que pagamos agora.

A grande maioria dos profissionais de imprensa permanece cega para as tiranias esquerdistas.

Ensino virou doutrinação ideológica. A maioria da mídia se uniu em um inacreditável consórcio, formalizando uma torcida organizada da esquerda.

Gerações de brasileiros são incapazes de articular uma visão de mundo coerente ou de detectar as falácias e contradições do discurso esquerdista, porque lhes faltam o vocabulário e a capacidade de raciocinar logicamente. Milhões de jovens e adultos nunca aprenderam a história por trás das ideias, dos conceitos morais e dos modelos políticos que criaram e sustentam o Ocidente – e que promoveram, nos últimos 200 anos, o maior progresso social e econômico já experimentado pela humanidade.

Isso nunca lhes foi ensinado.

Jornalistas formados com uma dieta contaminada por marxismo tropicalizado – hay gobierno, soy contra – e um ódio irracional pelo sistema político-econômico que permite sua própria existência, pregam noite e dia uma revolução que, sempre que acontece inclui, como um de seus primeiros atos, a supressão da liberdade de imprensa e a prisão de jornalistas.

Sempre foi assim em todos os sistemas totalitários. E nunca existiu um sistema socialista que não fosse totalitário.

Mas o jornalismo de esquerda imagina que dessa vez será diferente.

Até que vem um soco no peito, como sinal das outras coisas que virão.


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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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