Brasil está na perigosa dependência do (mau) humor de uma única pessoa: Lula
O que acontecerá se Lula decidir que sua
candidata para 2026 deve ser a primeira-dama, convertida em nossa
Isabelita Perón? Alguém vai se opor?
Por Fabio Giambiagi
Mauricio Macri era
o líder da coalizão que liderava as pesquisas para as eleições
argentinas e, recentemente, emitiu a declaração que sintetizo a seguir:
“Há 80 anos, uma parte da sociedade argentina decidiu acreditar em
líderes messiânicos. Essa liderança paternalista desestimulou as pessoas
a assumirem a sua própria responsabilidade. Nunca acreditei nesse
caudilhismo. Os argentinos me ouviram muitas vezes falar da importância
das equipes e da competição. Há alguns meses fomos enormemente felizes. A
seleção apostou em um conjunto, mesmo tendo em campo o melhor jogador
de todos, mas o resto não esperou que fosse ele quem assegurasse o
triunfo. Não venceu o líder: venceu o time. Nossa coalizão conseguiu
superar essa falsa ilusão do indivíduo salvador. Sempre fizemos isso
conservando a unidade. Estou convencido de que esse é o time do qual a
Argentina precisa. Por tudo isso, não serei candidato. E o faço
convencido de que é necessário ampliar o espaço político da mudança que
começamos no passado e de que precisamos inspirar os outros com nossas
próprias ações. Quero agradecer a todos pelo amadurecimento de avançar
na direção certa e dizer meu muito obrigado a todos pelo carinho que
sinto nas ruas”.
Em 2022, no Brasil, a necessidade de evitar o perigo associado a uma
seita de fanáticos levou a uma convergência de grupos políticos que
tinham tido sérias divergências entre si. Nesse contexto, Lula da Silva liderava
as pesquisas. O desafio histórico clamava por um gesto de grandeza,
renunciando à sua candidatura em favor de um nome de unidade ou sendo
candidato, mas compreendendo que teria que desempenhar um papel muito
diferente do de líder do PT.
E se Janja, esposa de Lula, quiser se candidatar em 2026? Foto: WILTON JUNIOR / ESTADÃO
Infelizmente, Lula não fez o gesto de Macri nem revela ter a grandeza
de um Nelson Mandela de deixar o rancor pessoal de lado e agir como o
presidente de uma frente ampla. O jornalista Thomas Traumann noticiou
que, quando alguém sugere que poderia estar errado, Lula responde: “Você
teve 60 milhões de votos? Porque, quando você tiver 60 milhões de
votos, você se senta nessa cadeira e faz do jeito que você quiser”.
O Brasil está na perigosa dependência do (mau) humor de uma única
pessoa. Nesse caso, o PT tem que responder a uma pergunta: se a
indicação for na base do “dedazo”, como em 2010, o que acontecerá se
Lula decidir que sua candidata para 2026 deve ser a primeira-dama, convertida em nossa Isabelita Perón? Alguém vai se opor? É uma hipótese na qual o País deveria começar a pensar.
| Foto: Ricardo Stuckert O presidente Lula esteve afastado do
país por 28 dias em visitas a nove países, torrando mais de R$ 6 milhões
só em diárias e passagens para assessores e seguranças. Ocupado com a
busca de projeção internacional, Lula cometeu gafes e afastou-se das
articulações políticas com deputados e senadores, o que resultou em
derrotas no Congresso Nacional. Nas viagens nacionais, que consumiram R$
800 mil, lançou ou relançou alguns projetos e visitou obras iniciadas
em governos anteriores.
O período mais intenso das viagens internacionais ocorreu em abril. A
comitiva de Lula partiu para a China no dia 11 daquele mês, com escalas
em Lisboa e Abu Dhabi. Passou primeiro em Xangai, dia 13, para a
cerimônia de posse da “presidenta” do Novo Banco de Desenvolvimento
(NBD), Dilma Rousseff. Lula teve ainda audiência com o secretário-geral
do Partido Comunista em Xangai, Chen Jining.
No dia seguinte, teve encontros restrito e ampliado com o presidente
da República Popular da China, Xi Jinping. No retorno, dia 15, esteve em
Abu Dhabi, onde teve reunião com o presidente dos Emirados Árabes
Unidos, o xeique Mohammed Al Nahyan. Chegou a Brasília no dia 16,
domingo, às 21h. As diárias e passagens da viagem custaram R$ 2 milhões.
No final da visita aos Emirados, Lula voltou a afirmar que a Ucrânia
também foi responsável pela guerra com a Rússia; quando, na verdade, a
Ucrânia foi invadida. “A decisão da guerra foi tomada por dois países. E
agora estamos tentando construir um grupo de países que não tem
envolvimento com a guerra, que não querem a guerra, para conversarmos
tanto com a Rússia quanto com a Ucrânia”, disse Lula. Ele acrescentou
que “a Europa e os Estados Unidos terminam dando a contribuição para a
continuidade desta guerra”. A declaração provocou protestos
principalmente da Europa e EUA.
VEJA TAMBÉM: Câmara dos Deputados paga o teto salarial ou até um pouco mais para 1,5 mil servidores
Lula entrega regras fiscais e retorna ao exterior No dia 18 de
abril, no Palácio do Planalto, Lula entregou o Projeto de Lei
Complementar 93/23, que institui o novo arcabouço de regras fiscais.
Participaram da cerimônia o presidente da Câmara, Arthur Lira; o
vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo; e o ministro da
Fazenda, Fernando Haddad; entre outras autoridades. Em vez negociar o
PLP 93/23 com as lideranças do Congresso, Lula permaneceu apenas quatro
dias em Brasília. Embarcou para Lisboa no dia 20, quinta-feira, às 22h.
Em Lisboa, no sábado (22), manteve encontros com o presidente de
Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa; e com o primeiro-ministro, Antônio
Costa. Na segunda-feira, viajou a Porto para a abertura do Fórum
Empresarial Brasil-Portugal. Retornou a Lisboa em voo de demonstração a
bordo da aeronave KC-390 Millennium, da Embraer. Às 16h, prestigiou a
entrega do Prêmio Camões a Chico Buarque.
Na terça-feira (25), foi para Madri, onde teve encontro com centrais
sindicais espanholas e participou do encerramento do Fórum Empresarial
Brasil-Espanha. No dia seguinte, esteve em reunião de ministros com o
presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez; e teve encontro com o
Rei Felipe VI, da Espanha. Partiu para o Brasil no meio da tarde e
chegou a Brasília às 22h30. Só a passadinha em Madri custou R$ 400 mil. A
viagem toda, R$ 1,4 milhão em diárias e passagens.
No final de janeiro, já havia passado pela Argentina e pelo Uruguai.
Em Buenos Aires, firmou acordos de cooperação, defendeu a criação de uma
moeda comum com a Argentina e prometeu usar Banco Nacional do
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar obras na
América do Sul. O banco estatal brasileiro vai financiar o trecho do
gasoduto da Patagônia argentina. Em Montevidéu, Lula conversou com o
presidente uruguaio, Lacalle Pou, um político de direita, sobre o
projeto da hidrovia da Lagoa Mirim, na fronteira dos dois países. As
duas viagens custaram R$ 800 mil.
Em maio, Lula esteve em Londres para a cerimônia de coroação do Rei
Charles III do Reino Unido da Grã-Bretanha, na Abadia de Westminster. No
dia 17 de maio, partiu para Hiroshima, onde participou como convidado
do G7, grupo das sete maiores potências mundiais. Ele participou de
reuniões de trabalho e teve encontros com o presidente da França,
Emmanuel Macron, e com os primeiros-ministros do Japão, da Alemanha, da
Índia, do Canadá e da Austrália; além do secretário-geral da ONU,
António Guterres.
Lula entrega o projeto no novo arcabouço fiscal a Lira e Rêgo: Foto: Ricardo Stuckert/PR| Ricardo Stuckert
VEJA TAMBÉM: Arthur Lira torra R$ 1,3 milhão com jatinhos e lidera gastança no Congresso
As derrotas e sustos de Lula no Congresso No início de maio,
Lula teve sua primeira derrota expressiva no Congresso. No início de
abril, o presidente havia flexibilizado, por decreto, o marco legal do
saneamento, aprovado pelo Congresso em 2020, no governo Bolsonaro. Em 3
de maio, um decreto legislativo aprovado pelo Congresso anulou o decreto
de Lula.
Na noite desta terça-feira (30/05), a Câmara aprovou o projeto de lei
490/2007, que transforma em lei a tese sobre o marco temporal para
demarcação de terras indígenas. Foram 283 votos a favor e 155 contra. O
texto seguiu agora para a deliberação do Senado.
Lula acabou conseguindo a aprovação do novo arcabouço de regras
fiscais, que substituiu o antigo teto de gastos, mas o relator do
projeto, deputado Claudio Cajado (PP-BA), incluiu gatilhos para ajuste
de despesas e sanções ao governo caso as metas de resultado primário não
sejam cumpridas.
Enquanto Lula viajava pelo mundo, a oposição alterou a Medida
Provisória 1154/23, que reestrutura os ministérios. Os mais atingidos
foram os ministérios do Meio Ambiente dos Povos Indígenas. O presidente
teve que pedir a ajuda de Arthur Lira. Conseguiu, mas ele avisou: “daqui
para frente, o governo tem que andar com suas próprias pernas”. No dia
anterior, afirmou que “há uma insatisfação generalizada com a falta de
articulação política do governo”. Após a aprovação pela Câmara, o Senado
aprovou a MP na tarde desta quinta-feira (01/06), por 51 votos a 19.
VEJA TAMBÉM: Maior benefício do Bolsa Família chega a R$ 2,5 mil: quase dois salários mínimos Obras, relançamento de programas e Coldplay
Lula teve um início de mandato agitado. No dia 8 de janeiro, domingo,
fez visita de apoio à Araraquara (SP) em decorrência das enchentes, às
14h30. Naquele momento, ocorreu a invasão e depredação dos prédios do
Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Presidência
da República. Lula desembarcou em Brasília às 20h50. No dia 21, esteve
em Boa Vista para anunciar ações emergenciais para a população Yanomami.
No início da noite, partiu para Buenos Aires.
No dia 6 de fevereiro, deu início as andanças pelo país. Esteve na
inauguração de unidades do complexo Super Centro Carioca de Saúde, com o
aliado e prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Mas três dias depois
partiu para Washington. No dia 14, começaram as visitas eleitoreiras.
Quando não tinha obra para inaugurar, visitava canteiros de obras. Lula
esteve no “lançamento” do novo programa Minha Casa Minha Vida e entrega
de empreendimentos em Santo Amaro (BA). No dia seguinte, visitou o
canteiro de obras da frente de trabalho para a duplicação da BR-101/SE,
em Aracaju. As duas viagens custaram R$ 100 mil em diárias e passagens.
Em 17 de fevereiro, Lula partiu para Salvador sem agenda oficial, para o
feriado de Carnaval.
Em 3 de março, prestigiou a cerimônia de entrega de 1.440 unidades do
Programa Minha Casa Minha Vida em Rondonópolis (MT), acompanhado do
ministro das Cidades, Jader Filho). Duas horas mais tarde, estava no
encontro com representantes do agronegócio de Mato Grosso, acompanhado
do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. As diárias e
passagens dos seguranças de Lula custaram R$ 72 mil.
Lula entrega casas do Minha Casa Minha Vida em Rondonópolis. Foto: Ricardo Stuckert/PR
No dia 13 de março, esteve na 52ª Assembleia Geral dos Povos
Indígenas de Roraima, em Boa Vista. Em 22 de março, viajou para a
cerimônia de lançamento do Complexo Renovável Neoenergia – Parque Eólico
Chafariz, em Santa Luzia (PB). No mesmo dia, presenciou a cerimônia de
“relançamento” do Programa de Aquisição de Alimentos, em Recife.
Em 23 de março, Lula visitou o Complexo Naval de Itaguaí (RJ), às
15h30, onde funciona um estaleiro de submarinos. O ex-presidente Jair
Bolsonaro esteve por lá algumas vezes. Às 18h, teve encontro com a banda
Coldplay. Em seguida, esteve no ato “Pelo Direito à Cultura: Novo
Decreto do Fomento”, no Theatro Municipal. A passagem pelo Rio custou R$
104 mil.
Lula repete gesto de Bolsonaro e prestigia estaleiro de submarinos. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Depois de ter sua candidatura cassada pelo Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) numa decisão que, como já mostramos, distorce a Lei da
Ficha Limpa (Lei Complementar 135/2010) e a Lei de Inelegibilidades (Lei
Complementar 64/90), Deltan Dallagnol agora se defronta com uma
situação digna de Franz Kafka. Em seu romance O Processo, o escritor
tcheco descreve o pesadelo vivido por Josef K., processado pela Justiça,
e que não consegue saber nem ao menos o crime pelo qual é acusado. Pois
bem, Dallagnol foi intimado pela Polícia Federal a depor nesta
sexta-feira (2) e não tem ideia do motivo do depoimento.
Na intimação recebida pelo deputado, as informações são absolutamente
vagas. Há apenas a menção de que a ordem partiu da “Coordenação de
Inquéritos nos Tribunais Superiores”, setor da PF responsável pelas
investigações de inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal
(STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Não há informação se o
deputado será ouvido como testemunha, vítima ou acusado, nem sobre o que
deverá se explicar, muito menos a qual inquérito a oitiva estaria
relacionada.
Ao longo de sua atuação, a Lava Jato fez muitos inimigos,
especialmente aqueles que tiveram seus conluios e maracutaias expostas.
Em outra frente, a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
determinou nesta semana um procedimento de fiscalização na 13ª Vara
Federal de Curitiba e nos gabinetes de magistrados do Tribunal Regional
Federal da 4ª Região, onde correm processos decorrentes da Operação Lava
Jato. O motivo principal seria a “existência de diversas reclamações
disciplinares apresentadas ao conselho ao longo dos últimos dias”, mas
sem especificar quais seriam tais reclamações.
Na verdade, a correição será realizada para atender a um pedido feito
pela defesa do juiz Eduardo Appio, que tomou o lugar de Sergio Moro na
análise dos processos da Lava Jato. Appio foi afastado da 13ª Vara
Federal após denúncias de ser o autor de uma tentativa de intimidação –
em uma suposta ligação, feita anonimamente – ao filho do desembargador
Marcelo Malucelli, do TRF4. O juiz afastado, que sempre foi um crítico
da Operação Lava Jato e defensor da inocência de Lula, vinha tomando uma
série de medidas com o claro intuito, dentro dessas convicções, de
desmoralizar a operação. Agora, mesmo depois de provas importantes, e
surreais, de um comportamento impróprio, tem seu pedido atendido. Não
será surpresa, dados os estranhos tempos que estamos vivendo, que ele
mais à frente seja inocentado e recupere seu posto.
Uma atuação firme e comprometida com a defesa dos interesses do Brasil é o mínimo que se espera de nossos deputados e senadores.
Embora aparentemente sem conexão, as duas ações encontram um fio
condutor comum: a tentativa descarada de colocar uma pá de cal na
Operação Lava Jato, que conseguiu desvendar o monstruoso e fétido
esquema de corrupção envolvendo estatais comandadas pelo PT e partidos
aliados, empreiteiras e políticos. Primeiro, o foco foi reverter os
resultados da força-tarefa, com uma enxurrada de “descondenações”,
incluindo a do próprio presidente Lula, cujos processos acabaram
anulados. Agora, a estratégia foca na perseguição descarada aos membros e
apoiadores da força-tarefa, com a possibilidade de tornar-lhes a vida
um verdadeiro inferno.
Ao longo de sua atuação, a Lava Jato fez muitos inimigos,
especialmente aqueles que tiveram seus conluios e maracutaias expostas e
que, pela primeira vez, se viram alvos da Justiça. Não à toa, a
população, cansada de ser abusada e explorada por corruptos, foi uma
ardorosa apoiadora da operação, por entender que, finalmente, a
corrupção generalizada não ficaria mais impune. Era de se esperar que
uma reação acontecesse: os corruptos não iriam deixar de usar todo o seu
poder para tentar manter seus esquemas ímpios de vantagens e propinas.
Nenhuma surpresa, portanto, que buscassem de todas as formas possíveis
tentar enlamear os trabalhos da Lava Jato e dos promotores e juízes que
nela atuaram. O que causa preocupação, porém, é, de um lado, que esse
movimento nefasto tenha encontrado eco em inúmeros outros agentes
públicos não diretamente ligados aos casos desvendados pela Lava Jato.
Não fazemos aqui um julgamento da boa ou má-fé dos autores desse
tortuoso modus operandi. O fato é que, por uma cegueira e distorções
incompreensíveis, injustiças trágicas vêm sendo sistematicamente
cometidas. De outro lado, a preocupação decorre da apatia da sociedade,
que parece não perceber a gravidade dos abusos cometidos em nome desse
projeto de vingança contra aqueles que simplesmente fizeram o que se
esperaria da Justiça, ou seja, punir corruptos e salvaguardar o erário
público.
Dallagnol foi intimado pela Polícia Federal a depor nesta sexta-feira (2) e não tem ideia do motivo do depoimento.
É compreensível que diante dos constantes atentados contra os
direitos fundamentais promovidos pelas instâncias que, ao menos em tese,
deveriam justamente proteger esses direitos, um sentimento comum dos
cidadãos brasileiros – e aqui falamos de todo homem ou mulher que se
preocupa com os rumos do país – seja o desalento. Mas por mais difícil
que sejam o cenário e as perspectivas de mudança no curto prazo, é
preciso insistir e buscar maneiras de colocar fim a esses abusos. Não é à
toa que a máxima de que o mal reina quando os bons se calam é tão
verdadeira: o silêncio dos bons cidadãos é tudo o que qualquer tirano –
seja um político ou não – mais deseja para continuar a cometer seus
desmandos. É por isso que defendemos a ideia de que é preciso manter
acesa a chama da indignação contra os descalabros que, infelizmente,
infestam o Brasil, dos quais a perseguição a Deltan Dallagnol e outros
integrantes da Lava Jato é um exemplo irrefutável.
Neste mês, completam-se 10 anos das chamadas jornadas de junho, onde
milhares de brasileiros foram às ruas mostrar sua indignação e cobrar
uma resposta do poder público. Não temos dúvida de que a situação atual
do nosso país mereceria uma ação de maior porte. Para o próximo domingo,
dia 4 de junho, há a previsão de uma mobilização contra a cassação do
deputado Dallagnol e todos os abusos contra as liberdades em nosso país.
Divergências entre diferentes lideranças mais à direita do espectro
político talvez impeçam que ela tenha a magnitude que deveria ter. São
vicissitudes próprias de uma democracia. Isso, no entanto, não deve
desanimar quem tem a convicção e a consciência de que é necessário fazer
o que está ao alcance de cada um. Se muitos eventualmente deixarem de
comparecer – pela razão que for –, a manifestação, ainda que não tão
grande quanto se desejaria, pode ser o início de um paulatino movimento
de conscientização e mobilização.
VEJA TAMBÉM: A crise moral que assola o Brasil TSE atropela a lei e os fatos para cassar Deltan Dallagnol A cassação de Dallagnol e a competência do Legislativo
E, além da mobilização nas ruas, há muitos outros caminhos
possíveis que os cidadãos, aqueles que se importam com os rumos do
Brasil, podem seguir para dar voz à sua indignação e lutar por mudanças.
Não é à toa que tantos governos antidemocráticos busquem cercear as
comunicações e as redes sociais: elas são, hoje, um instrumento
importante na defesa da democracia. Se antes os cidadãos raramente
tinham contato com seus representantes eleitos, e só podiam manifestar
seu apoio ou desagrado a cada eleição, através do voto, agora é possível
cobrar posicionamentos e ações continuamente. Boa parte das questões
que hoje afligem o país, como a falta de equilíbrio entre os Poderes, os
abusos cometidos pelo Judiciário, os ataques às liberdades, passam,
mais cedo ou mais tarde, pelo Parlamento.
Uma atuação firme e comprometida com a defesa dos interesses do
Brasil é o mínimo que se espera de nossos deputados e senadores. Por
isso, cabe ao cidadão – usando as redes sociais, por exemplo –
lembrar-lhes, insistentemente, de seu papel. Uma mensagem de um eleitor
pode chacoalhar o comodismo, passividade, cegueira e, eventualmente,
falta de retidão de um parlamentar. A sociedade não pode deixar de
exigir que deputados e senadores tenham, dentro do Congresso, neste
momento histórico, consciência de sua força e de seu papel na defesa do
Estado Democrático de Direito.
Como dissemos, não é um caminho fácil e os resultados podem demorar a
chegar. Mas é preciso dar o primeiro passo e insistir o quanto for
necessário. É o futuro do país que está em jogo.
Tomara que não seja verdade, mas estão dizendo que o Rodrigo Pacheco,
presidente do Senado, vai retardar a votação definitiva do projeto de
lei que dá paz no campo e na cidade, quanto à questão fundiária,
regulamentando e esclarecendo o que diz a Constituição, no artigo 231,
no qual é dito que são dos povos indígenas as terras que eles ocupam
tradicionalmente. Ocupam é presente do indicativo, portanto, é dia 5 de
outubro de 1988, dia que isso foi promulgado na Constituição e passou a
valer.
Não é que ocuparam, porque se está valendo ocuparam, aí, meu Deus, é
1500, de 1500 prá cá. Aí ninguém tem segurança do seu imóvel, urbano ou
rural. Tá nas mãos do Supremo e depois daquilo que o Supremo fez lá em
Roraima, com os arrozeiros, deixando todo mundo na mão, deixando índios e
arrozeiros na mão, a gente fica assustado. Aqui está um a um e o
Supremo continua essa votação na quarta-feira que vem.
Se o presidente do Senado empurrar até quarta-feira, já vai ter
problema de choque entre Supremo e Poder Legislativo. Dois poderes que
teoricamente são independentes, autônomos e harmônicos entre si. A
Câmara aprovou, diz basicamente que povos indígenas que saíram das suas
terras, perderam as terras, a menos que sejam terras em litígio na
justiça. É isso.
Porque é isso que diz a Constituição. Aqui havia oito milhões e meio
de quilômetros quadrados de povos morando, vivendo aqui quando chegou
Cabral. E aí começou a colonização europeia do país. Depois veio gente
da África, da Ásia e de todos os continentes e formaram essa grande
mistura maravilhosa que é o Brasil. E parece que tem gente que quer
destruir isso.
Prêmio Nobel e corrupção Bom, vejam só, eu tô vendo que em
Bangladesh tem o Prêmio Nobel da Paz envolvido e acusado por corrupção,
metendo o dinheiro num fundo do trabalhador. Aqui toda hora aparece
problema com o fundo de amparo ao trabalhado, o FAT. Inclusive para
garantir coisas para a Argentina ou cobrir dívida da Venezuela, de
Moçambique, da Nicarágua, sei lá mais o quê, só prá gente lembrar esses
acontecimentos.
MP dos ministérios
Passou a medida provisória que mantém os ministérios que Lula criou,
17, e foi um preço alto, né? O governo pagou emendas de R$1,7 bilhão,
liberou para deputados, para conseguir aí os 337 votos. É do seu imposto
essa liberação.
O governo está sem articulação na Câmara e no Senado também. Isso foi
mostrado por Arthur Lira, o presidente da Câmara. Diz que se o governo
vem sofrendo derrotas lá, não é por culpa dele, não. É por falta de
articulação. Por exemplo, os deputados mexeram nas medidas provisórias.
Esvaziaram alguns ministérios de Marina Silva, o ministério do Meio
Ambiente, dos Povos Indígenas, reforçaram de novo o Ministério da
Agricultura, que estava sendo esvaziado, porque Lula não gosta do agro,
diz que o agro é fascista. Continua então os 17 ministérios.
Zanin Por fim, o registro de que o advogado de Lula foi indicado
por Lula para o Supremo. Ele faz 10 anos que defende Lula de todas as
acusações que o Lula tem recebido desde 2013. Ele era assistente do
Batoque, que foi presidente da OAB, que foi deputado do PDT, a mulher
dele é sócia dele num escritório de advocacia. Fica estranho, né? Ele
não é o primeiro a ir para o Supremo com essas ligações familiares em
escritório de advocacia. E ele tem 47 anos e agora é o Senado que
sabatina e marca a votação em plenário. É estranho, porque ele vai
continuar sendo advogado de Lula, entrando no Supremo. Advogado chega lá
para defender uma causa, é da natureza dele ou defender os seus
clientes. Por isso que eu insisto que o ideal seria juiz de direito, de
carreira, depois de subir todos os degraus da carreira, em todas as
instâncias, brilhando, aí sim ficar disponível entre os 11 mais antigos e
mais brilhantes do Superior Tribunal de Justiça, que tem 33. Pode ser
que um dia esse sonho seja realizado. E com mandato de 10 anos é seria
conveniente.
Sem ânimo para escrever uma legenda para Cristiano Zanin (foto).| Foto: EFE/ David Fernández
Ah,
o orgulho. Este é o mês em que o mundo descristianizado celebra esse
que é o pai de todos os vícios e a fonte de todos os nossos sofrimentos,
né? Pois então talvez não seja coincidência que hoje (1º), justo hoje, o
Todo-Orgulhoso Lula, bancando o reizinho e dando uma banana para o que
resta de decência no país, tenha indicado seu advogado pessoal,
Cristiano Zanin, para o STF – aquela corte cujo orgulho ferido hoje
persegue, prende e humilha.
Esse é mais um golpe no já combalidíssimo senso de ética do
Brasileiro de Bem. Isto é, para quem ainda acredita nesse ser quase
mítico que encontramos todos os dias diante do espelho, mas que nos
escapa no meio da rua e nos telejornais. O Brasileiro de Bem que, depois
de ter de engolir um descondenado na Presidência e de, dia após dia, se
sentir vulnerável à vontade instável de um juiz-imperador, agora terá
de engolir mais um advogado do PT na Suprema Corte. Sim, mais um.
E terá mesmo. Porque em um século o Senado nunca rejeitou uma
indicação presidencial ao STF. E nada indica que desta vez será
diferente. Pelo contrário, é bem possível que o presidente da Casa Alta,
Rodrigo Pacheco, já esteja conchavando para que a confirmação de Zanin
se dê sem as turbulências que seria de se esperar de tempos polarizados.
Se duvidar, é capaz de até já estarem confeccionando aquela peça de
vestimenta que lhe conferirá poderes extraconstitucionais: a toga.
Em tese, bem sei, caberia aos senadores de oposição (uma espécie de
sociedade tão secreta que nem os próprios membros se reconhecem nela)
atrapalhar a indicação que qualquer juristinha formado na Faculdade Law
& Order de Direito sabe: viola claramente o Artigo 37 da
Constituição. Aquele que fala da impessoalidade, moralidade e outros
duendes do cerrado. Mas, por mais que se esforçassem o Moro, a Damares, o
Astronauta e até o Mourão, atrapalhar não significaria impedir.
Resta o consolo de saber que, no caso de Zanin, pelo menos ninguém se
surpreenderá com a conduta do aspirante a excelentíssimo. Não
acontecerá o mesmo que se deu com Alexandre de Moraes, o outrora grande
constitucionalista que até hoje só fez rasgar a Constituição. Posso até
não ser vidente, mas consultando a borra do café da tarde aqui prevejo:
Zanin entregará exatamente aquilo que se espera dele. Isto é, compadrio
ideológico, perseguição aos inimigos do regime, censura, interpretações
criativas da lei e ativismo jurídico. E não ouse reclamar: foi para isso
que eles fizeram o L mesmo.
A mim, neste texto escrito às pressas e temperado pelo fel da
indignação que não fui capaz de evitar, só me resta parabenizar
Cristiano Zanin. Você conseguiu! Depois de perder sucessivas causas para
o seu cliente preso na Operação Lava Jato, teve paciência o bastante
para acreditar que o Sistema o recompensaria. Foi resiliente, como dizem
os coaches. E agora receberá do Príncipe do Orgulho, por intermédio de
seus estafetas temporais, o cargo que, no Brasil atual, equivale ao de
semideus. (A referência para essa frase é Gênesis 3:5).
Parabéns, Zanin. Você se submeteu ao que há de pior no mundo e o
mundo agora o recompensará com todo o orgulho do mundo. [SR. EDITOR, A
REPETIÇÃO É PROPOSITAL]. Gostaria de desejar que fosse virtuosa essa sua
passagem pelo trono. Mas não consigo. Desculpe. O senhor, digo, o
Excelentíssimo Senhor me pegou num dia de pouca esperança. Se bem que
toda a esperança do mundo ainda seria pouca. Mas tenho que me lembrar: a
alma é maior do que a Pátria. Sempre.
Eles são a mentira e tomaram o
poder. São a sujeira, o lixo do lixo, a escória. São maus, são nefastos.
Estão abraçados, trocam elogios, são caloteiros. São cúmplices, são a
mentira, toda a mentira. Eles são o terror, a violência, o ódio. São
bandidos, são bandidos.
Seremos obrigados a acreditar que seus crimes não são crimes. Os
criminosos são seus rivais; serão todos eliminados, um a um. A eles,
todo-poderosos, estendem um tapete vermelho, a eles prestam continência,
ainda que neles nada preste. As armas estão com eles, eles são uma
droga.
Se há forças do bem, eles são contra elas. Sempre estarão do lado
errado e vão empurrar, atropelar, dar socos, disparar destruição. Em
seus palácios, em suas cortes, terão todo o luxo. Toda a riqueza será
garantida a eles. Terão banquetes, não passarão fome.
Eles são o Estado que controla tudo nos mínimos detalhes. São assassinos da verdade, do bom, do belo
Eles são todos os erros, os pequenos, os médios, os crassos. São a
enganação completa, os sequestradores de um continente. Colecionam
vítimas, aos milhares, aos milhões. Não estão nem aí para ninguém. Não
veem ninguém. O paraíso deles é o inferno de todos.
Eles são o Estado que controla tudo nos mínimos detalhes. São
assassinos da verdade, do bom, do belo. São a corrosão, a ferrugem, o
estragado, a podridão. Eles são o ocaso, o escurecer para sempre, a
falta de moral e de ética.
Nunca andarão direito, são revolucionários, são demoníacos. Na
sociedade que forjam não há direitos fundamentais, direitos humanos.
Eles perseguem, censuram, prendem, torturam. São totalitários. Eles são
parte de uma corja, de uma gangue, de uma quadrilha, uma facção
criminosa.
Berram, gritam, ameaçam. Sabem que são ilegítimos, fajutos,
inaceitáveis. Não têm resposta para nada… Por isso, não têm apreço por
perguntas. Eles são narrativas, nada mais do que narrativas, um farelo
de nada.
O fundo do poço é o que oferecem, as profundezas… A derrota sem fim é
o que impõem, uma derrota avassaladora, geral. Eles são a vergonha sem
limite, são trastes, são asquerosos, são párias.
Eles não desistem, são tudo de ruim que apontam naqueles que ainda
não se calaram, que ainda se erguem contra eles, em defesa do que é
correto. Eles são a violação, a transgressão, o desrespeito.
Seus abraços, seus apertos de mão, os elogios trocados… Eles são
nojentos. Só não vê, só não ouve os absurdos e não reage contra isso
quem também não vale nada… Eles desejam o poder para sempre, mas não
terão, não terão.
Nesta semana, o governo Lula estendeu um
tapete vermelho para Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, e afirmou que
há uma “campanha internacional para desacreditar a liderança de
Maduro”. Uma investigação da ONU apontou que, na verdade, quem é
perseguido não é Maduro, e sim os 3,4 mil opositores políticos presos
desde 2014 e as 122 pessoas que foram submetidas pelo governo a
torturas, tratamento cruel e violência sexual por razões políticas.
O apoio de Lula a Maduro indignou o país, mas não é menos grave do
que o apoio ao ditador Daniel Ortega da Nicarágua, que você deve
conhecer para compreender melhor os perigos que rondam nossa democracia
no Brasil debaixo do governo e do projeto de poder do Partido dos
Trabalhadores.
Numa reunião recente do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o
governo Lula não assinou uma declaração conjunta de 55 países que
condenava as violações aos direitos humanos cometidas por Ortega, que
persegue adversários políticos e cristãos na Nicarágua. Mas você conhece
a história da amizade entre Lula e Ortega?
Quando Lula era líder sindical, na época de 1980, ele visitou a
Nicarágua e se encontrou com nomes da esquerda latino-americana. Durante
um jantar na casa de Sergio Ramírez, escritor e vice-presidente do
então governo de Daniel Ortega, Lula encontrou Fidel Castro, presidente
de Cuba na época.
O escritor Sergio Ramirez sofre censura e é perseguido por Ortega. O
anfitrião do passado cobra o Lula de hoje pelo silêncio do governo
brasileiro sobre os abusos cometidos pelo tirano nicaraguense: “é tão
incompreensível, tão impactante, que se ouve… É constrangedor”, disse
Sergio Ramirez.
De acordo com representantes da ONU, recentes decisões de Ortega
incluem a detenção de mais de 200 presos políticos, incluindo líderes
empresariais, políticos da oposição, escritores, líderes religiosos e
ativistas de direitos humanos.
Em março, um grupo de especialistas em Direitos Humanos da ONU
divulgou documento que menciona ocorrerem na Nicarágua execuções
extrajudiciais, detenções arbitrárias, tortura e privação arbitrária da
nacionalidade e do direito de permanecer no próprio país.
O anfitrião do passado cobra o Lula de hoje pelo silêncio do governo
brasileiro sobre os abusos cometidos pelo tirano nicaraguense: “é tão
incompreensível, tão impactante, que se ouve… É constrangedor”
Esses atos são cometidos de maneira generalizada e sistemática por
motivos políticos e constituem crimes de lesa-humanidade, incluindo
assassinato, prisão, tortura, violência sexual, deportação e perseguição
política.
Dentre os abusos, foi retirada a cidadania de opositores do regime, o
que é semelhante ao que Augusto Pinochet fazia no Chile. Em fevereiro,
222 dos 245 prisioneiros políticos foram libertados e deportados para os
Estados Unidos, perdendo a cidadania nicaraguense e tendo seus bens
confiscados por meio de decreto de “traição à Pátria”.
Muitos governos na América Latina concordaram em conceder cidadania
aos nicaraguenses apátridas, incluindo Argentina, Uruguai, Colômbia,
Chile, Equador e México, mas o governo de Lula se omitiu e se omite em
relação às violações antidemocráticas cometidas por Ortega. Como disse
Ramirez, é constrangedor.
Enquanto isso, a repressão aos opositores do regime nicaraguense
segue crescendo. A perseguição religiosa também é uma realidade, como
foi em tantas ditaduras ao longo da história mundial. Ortega lançou uma
campanha contra a Igreja Católica, resultando na detenção de 11 padres.
Durante um protesto contra o regime de Ortega em 2018, a estudante de
medicina brasileira Raynéia Gabrielle Lima foi assassinada. A Comissão
Interamericana de Direitos Humanos reconheceu que ela foi vítima da
repressão do regime Ortega. O assassino confesso continua livre e
recebendo salário do Estado nicaraguense.
Lula e seu governo, entretanto, mantêm silêncio sobre o assunto. Lula
não fez nenhum comentário nem mesmo condenou o caso. Pelo contrário,
durante a campanha eleitoral, Lula minimizou a ditadura instaurada por
Ortega na Nicarágua, que já está 5º mandato, e chegou a comparar a
“reeleição” de Ortega com a da primeira-ministra alemã, Angela Merkel,
que completou 16 anos à frente da maior democracia da Europa.
Em entrevista ao jornal El País, da Espanha, Lula questionou a lógica
de não permitir que Ortega fique tanto tempo no poder quanto Merkel. É
importante ressaltar a óbvia diferença: desde 2007, Ortega tem mandado
prender sete de seus opositores antes mesmo das eleições, eliminando
possíveis candidatos que poderiam ameaçar sua vitória. Mais uma vez, o
silêncio de Lula é constrangedor.
Por que o governo do “ditadura nunca mais” não faz coro às vozes que clamam por democracia em toda a América Latina?
O silêncio de Lula grita uma verdade: sua defesa da democracia é da
boca para fora. É um governo que vende democracia, mas entrega um
projeto de poder essencialmente antidemocrático para implantar ideais da
esquerda no Brasil e que ajuda governos que, com os mesmos objetivos,
violam direitos humanos na América Latina.
Por que o governo do “ditadura nunca mais” não faz coro às vozes que clamam por democracia em toda a América Latina?
A explicação para o silêncio de Lula é simples: democracia é admitida
pelo lulismo como um meio, quando é útil, para os fins da esquerda, que
admite igualmente meios antidemocráticos para os mesmos fins. O apoio
às ditaduras de esquerda é coerente com as ações e projetos do lulismo
no Brasil.
De fato, a natureza antidemocrática do projeto petista foi
evidenciada quando, por baixo dos panos da democracia, o PT injetou
bilhões desviados dos cofres públicos nas campanhas eleitorais para
eleger seus cúmplices e alcançar hegemonia – e sabe-se, com base em
muitos estudos, que há forte correlação entre número de reais investidos
nas campanhas e número de votos recebidos, ressalvadas poucas exceções.
É disso que se trata também quando Lula fala nove vezes em
regulamentação da mídia, muda a lei das estatais para injetar bilhões na
imprensa, defende um projeto de censura nas redes sociais, promete
vingança a adversários políticos e silencia diante de violações da lei e
das liberdades praticadas por tribunais, inclusive mediante a
perseguição de agentes da Lava Jato e a cassação de adversário político.
Uma pesquisa revelou que em 2011, na Venezuela, metade das pessoas
dava uma nota altíssima para a força da democracia no país – 51% deram
nota 8 ou superior, numa escala de 1 a 10. Aqueles que acusavam as
intenções de Maduro foram tidos como alarmistas e exagerados. Hoje, mais
de 6 milhões de pessoas emigram buscando fugir do regime de terror que
oprime a população. Regimes de esquerda prometem utopias e entregam
violação de liberdades, tragédia econômica e fome.
O projeto de poder petista é revelado suas ações: corrupção,
cooptação do parlamento, abuso de poder econômico nas eleições, projetos
de censura e de manipulação da mídia, ações de perseguição a inimigos
políticos e apoio a ditaduras. Precisamos nos posicionar para impedir
que avencem essas medidas antidemocráticas. É preciso defender a
verdadeira democracia, a justiça e a liberdade.
Por Simone Cyrineu, CEO e fundadora da thanks for sharing
Relações. Absolutamente tudo em nossa volta trata-se de relações.
Você pode categorizar essas relações de alguma forma como a maioria o
faz, ou com outros recortes que você bem entender, e claro, se assim o
quiser.
Tenho frequentado o Clube do Livro da @luanycardoso_ e em nossa
última leitura houve um livro que em sua nova edição, teve longas
páginas iniciais tentando esclarecer e reverter o “mau uso” das ideias
apresentadas pela autora cunhada de Radical Candor aqui traduzidas como
Empatia Assertiva, que, bem-intencionada, causou impactos negativos no
modus operandis de gestores.
Relações são radicais por essência, por jogar luz àquilo que sobra ou
que falta. Assertivo me parece ter um quê de sorte, de acertou em
cheio! Sinceridade e empatia são sempre importantes.
Acontece que um dos efeitos positivos de uma relação, é a própria
evolução de algo, e essa evolução pode se dar por meio de uma simples
constatação, tangibilização de que aquilo existe e pode ser sentido, ou
ainda a sua transformação de fato, por já ter sido identificado antes.
Neste sentido, é preciso ter consciência que todas as relações se
transformam, pois nessa troca, eu e você nos transformamos a partir do
que somos hoje. É assim também nas startups e empresas, a diferença
parece ser que líderes não estão embasados e seguros de si mesmos para
assumirem conversas difíceis com seus times.
Mas e que conversas difíceis são essas? Por quê difíceis? Por quê não
apenas conversas? Por que não simplesmente falar aquilo que se está a
viver com a sinceridade que cada momento de vida nos pede? Além do que o
crachá me pede?
Nenhum negócio nasce grande. E grande aqui não entenda por pura e
simplesmente um aporte financeiro. Ser grande é muito mais do que apenas
dinheiro em caixa, é uma construção conjunta de áreas que são, podem ou
deveriam ser as fundações dos pilares que sustentam uma boa empresa.
Tirando casos pontuais, no geral, a única pessoa ou as únicas pessoas
que podem, conseguem ou deveriam ter uma visão mais ampla e completa do
negócio são as que o fundaram. Em teoria, elas estão ali desde quando
esse negócio era apenas um esboço em um pedaço de papel, portanto são
essas pessoas que vivem, afetam e são afetadas por todas as ondas de
crescimento desse negócio.
E há ondas e ondas. De diferentes jeitos, alturas, intensidades e ritmos.
Voltemos às relações. Se você, como founder, tem noção das ondas de
crescimento do seu negócio, você de igual maneira deveria ter ciência de
que nem sempre os recursos dos quais você precisa para atravessar a
arrebentação de cada onda serão os mesmos. E aqui entenda recurso de
várias maneiras, de ser algo que você domina ou não, de ser a primeira
vez que está fazendo isso ou tendo contato de maneira mais amadora ou
profissional desse algo, de ferramentas e sistemas, de tempo e de
pessoas.
Seria sabido também entender, que de igual maneira, existem perfis de
pessoas que preferem, gostam e buscam trabalhar em certas ondas
específicas dos crescimentos das empresas. Há quem tenha as manhas de
inaugurar um departamento inteiro do zero, há quem não. Independente da
sua idade ou como o mercado gosta, nível de senioridade.
Essas relações precisam estar estabelecidas, para ambas as partes. E a
pior coisa que você pode fazer como líder é camuflar essa relação em
algo que ela não é, seja no papel ou na prática. Papel – leia-se
contratos – e prática precisam andar juntos.
Não necessariamente você embalou essa relação lá atrás com más
intenções, mas às vezes combinamos algo em algum momento na trajetória
de crescimento, que logo ali mais na frente, para de fazer sentido para
uma parte ou outra da relação. Faz parte da maré. E é papel da
liderança, que tem uma visão mais macro desse contexto, puxar essa
conversa para o update das relações e o que se espera dali em diante.
Há quem goste de construir sua carreira em startups e pequenos
negócios, é outro ritmo, outra liberdade, fora o gosto e satisfação de
ver diretamente o resultado do seu trabalho ganhando forma e gerando
impacto. Há quem prefira entrar em alguma empresa altamente
estabelecida, com a regra do jogo muito clara e já definida e muitas
vezes sem espaço para updates pela complexidade de mexer em tudo que
está funcionando. Há ainda quem receba a missão justamente de dar um
reset e refresh nessas regras já estabelecidas, que em certo momento
podem não estar acompanhando o ritmo do tempo de mercado.
E onde ficam as conversas difíceis? Justamente em ter consciência
dessas devidas transformações e mudanças de necessidades e interesses
das relações previamente estabelecidas.
Líderes, para fazerem jus a esse título, precisam encarar essa
responsabilidade sem medo, desenvolver sua maturidade interna para
trazer à tona todos os prós e contras dos combinados, ou ainda de rever
algum combinado previamente estabelecido. É sobre falar o que realmente
se sente, como era, como é e como se planeja que seja. E assim, com
todas as relações devidamente e sinceramente alinhadas, é bem provável
que o que se planeja, vire uma concretude calcada em relações maduras
saudáveis. Merecemos isso.
A importância do bom site da Valeon para o seu negócio
Moysés Peruhype Carlech
Antigamente, quando um cliente precisava de um serviço, buscava
contatos de empresas na Lista Telefônica, um catálogo que era entregue
anualmente ou comprado em bancas de jornais que listava os negócios por
áreas de atuação, ordem alfabética e região de atuação.
De certa forma, todos os concorrentes tinham as mesmas chances de
serem encontrados pelos clientes, mas existiam algumas estratégias para
que os nomes viessem listados primeiro, como criar nomes fantasia com as
primeiras letras do alfabeto.
As listas telefônicas ficaram no passado, e, na atualidade, quando um
cliente deseja procurar uma solução para sua demanda, dentre outros
recursos, ele pesquisa por informações na internet.
O site da Valeon é essencial para que sua empresa seja encontrada
pelos seus clientes e ter informações sobre a empresa e seus produtos 24
horas por dia. Criamos uma marca forte, persuasiva e, principalmente,
com identidade para ser reconhecida na internet.
Investimos nas redes sociais procurando interagir com o nosso público
através do Facebook, Google, Mozilla e Instagram. Dessa forma, os
motivos pelos quais as redes sociais ajudam a sua empresa são inúmeros
devido a possibilidade de interação constante e facilitado como o
público-alvo e também a garantia de posicionamento no segmento de
marketplaces do mercado, o que faz com que o nosso cliente sempre acha o
produto ou a empresa procurada.
A Plataforma Comercial site Marketplace da Startup Valeon está apta a
resolver os problemas e as dificuldades das empresas e dos consumidores
que andavam de há muito tempo tentando resolver, sem sucesso, e o
surgimento da Valeon possibilitou a solução desse problema de na região
do Vale do Aço não ter um Marketplace que Justamente por reunir uma
vasta gama de produtos de diferentes segmentos e o marketplace Valeon
atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao
lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não
conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa
vitrine virtual. Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de
diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e
volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de
visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e
acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual.
Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das
plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping
center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais
diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também
possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a
uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com
diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do
faturamento no e-commerce brasileiro em 2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que
são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e
escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é
possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua
marca.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que
tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
CONTRATE A STARTUP VALEON PARA FAZER A DIVULGAÇÃO DA SUA EMPRESA NA INTERNET
Moysés Peruhype Carlech
Existem várias empresas especializadas no mercado para desenvolver,
gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é uma
consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do
mercado para auxiliar a sua empresa na geração de resultados
satisfatórios para o seu negócio.
Porém, antes de pensar em contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer algumas considerações.
Por que você deve contratar uma empresa para cuidar da sua Publicidade?
Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa especializada
para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que possui
profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem
potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e isto
resulta em mais vendas.
Quando você deve contratar a Startup Valeon para cuidar da sua Publicidade online?
A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer estágio do seu
projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos algumas
considerações importantes:
Vantagens da Propaganda Online
Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis
nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas
por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em
mídia digital.
Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é
claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco
dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é
mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda
mais barato.
Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar
uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em
uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança,
voltando para o original quando for conveniente.
Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo
real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a
campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de
visualizações e de comentários que a ela recebeu.
A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o
material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é
possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver
se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.
Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio
publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não
permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio
digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que
ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a
empresa.
Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o
seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela
esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.
Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma
permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão
interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não
estão.
Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.
A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar
potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos:
computadores, portáteis, tablets e smartphones.
Vantagens do Marketplace Valeon
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com
publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as
marcas exporem seus produtos e receberem acessos.
Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes
segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de
público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos
consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro
contato por meio dessa vitrine virtual.
Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes
queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência
pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente.
Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas
compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos
diferentes.
Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa
abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das
pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua
presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as
chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma,
proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.
Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das
plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping
center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais
diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também
possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a
uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com
diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do
faturamento no e-commerce brasileiro em 2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que
são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e
escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é
possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua
marca.
VOCÊ CONHECE A ValeOn?
A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO
TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em
torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace
que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço,
agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta
diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa
e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores
como:
Lula recebeu o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, nesta segunda-feira (29).| Foto: EFE/André Coelho.
Em seu esforço máximo para se aproximar cada vez mais de ditadores,
Luiz Inácio Lula da Silva resolveu tratar com todas as pompas e
circunstâncias o autocrata venezuelano Nicolás Maduro, que veio ao
Brasil participar de um encontro dos presidentes da América do Sul. Sob
pretexto de discutir a reorganização da União das Nações Sul-Americanas
(Unasul) – minada, justamente, por insistir em defender figuras como
Maduro –, Lula aproveitou para mimar e afagar o ego do seu amigo
venezuelano.
Se em outros países o bolivariano evita colocar os pés por medo de
sanções que podem incluir até a prisão, no Brasil, graças a Lula,
Maduro, tão logo pousou em solo pátrio, na noite de domingo (28),foi
recebido pela guarda de honra da Força Aérea Brasileira, que, seguindo
os protocolos previstos, prestou continência ao ditador. Na
segunda-feira (29), o venezuelano foi recebido pelo presidente
brasileiro para uma reunião bilateral. O encontro oficializou de vez a
reaproximação do Brasil com o regime venezuelano, iniciada logo após
Lula ser eleito, em 2022, envergonhando de vez quem quer que tenha um
mínimo de consciência democrática.
Ao que parece, Lula insiste tanto em não enxergar os abusos na
Venezuela porque não vê problema em que o mundo – incluindo o Brasil –
adote um sistema similar.
No afã de defender o regime venezuelano, Lula não parece nem um pouco
melindrado em dizer disparates. Primeiro, convidou empresários
brasileiros a investirem na Venezuela, país hoje considerado o de maior
risco para investimentos da América Latina, além de estar na lista dos
mais corruptos e menos transparentes do mundo. Depois, insistiu em dizer
que a Venezuela não é uma ditadura: o país caribenho, na sua versão
tresloucada, é vítima de uma “narrativa de antidemocracia e do
autoritarismo”, organizada pelo restante do mundo.
Ora, a realidade, sobejamente conhecida, é que a Venezuela,
infelizmente, é o palco de um dos maiores retrocessos civilizatórios de
que se tem notícia. As inúmeras denúncias de violações contra os
direitos humanos e mesmo de crimes contra a humanidade, hoje sob análise
do Tribunal Penal Internacional, tornam patentes abusos sem precedentes
em nosso continente. Prisões, perseguições, assassinatos, tortura e
estupros são relatos comuns das vítimas do regime. Além disso, estima-se
que 7,1 milhões de venezuelanos tenham fugido do país e buscado refúgio
em outras nações. Como o sistema judiciário é subserviente ao Executivo
e a imprensa livre não existe, órgãos como o Human Rights Watch avaliam
que só parte das atrocidades praticadas sob o regime de Maduro consegue
ser conhecida, e que, por isso, a situação real no país deve ser ainda
mais grave.
Assim, é de extrema gravidade que Lula insista nesse discurso,
contradizendo os fatos, fartamente documentados, e defendendo o
indefensável. É impossível que o presidente não tenha acesso a
informações sobre a real situação da Venezuela que pudessem explicar sua
ignorância em relação ao país vizinho. Se insiste em distorcer os
fatos, das duas uma: ou perdeu a razão, ou então adota essa postura com
plena consciência e deliberadamente. Ambas as possibilidades são
profundamente perturbadoras e intoleráveis, a exigir máxima atenção por
parte da sociedade.
No caso de o presidente ter perdido a razão e a capacidade de
discernir realidades, de diferenciar uma democracia de uma ditadura,
seria o caso de ajudá-lo a se submeter a um exame de sanidade. A
condução de um país exige uma mente minimamente lúcida, o que
definitivamente, nessa hipótese, teria deixado de ser o caso. Ora,
ninguém em sã consciência admitiria deixar nas mãos de um desarrazoado a
condução de um país…
VEJA TAMBÉM: A diplomacia volátil e o “carinho” de Lula com Maduro Os interesses do Brasil e a política externa de Lula O Brasil prestes a abraçar ditadores mais uma vez
A outra possibilidade, infinitamente mais provável, não é menos
estarrecedora. Em vez de um deslize nascido da ignorância fruto da perda
da razão, estaríamos diante de uma estratégia patente de defesa do que
há de pior em termos de regimes de governo. Um projeto de poder
materializado na Venezuela e em outras ditaduras, que começa por vias
aparentemente democráticas ou populares e, com o tempo, se não encontra
freio, assume ares totalitários. Um projeto que usa a mentira e a
repetição sistemática de falsidades e narrativas fantasiosas como
principal arma de seu arsenal. Ao que parece, Lula insiste tanto em não
enxergar os abusos na Venezuela – e nem na China, na Nicarágua e em
tantos outros regimes disfuncionais mundo afora – porque não vê problema
em que o mundo – incluindo o Brasil – adote um sistema similar, onde a
oposição não existe, a liberdade de expressão é cerceada, o Judiciário é
subserviente ao Executivo e o Estado se torna uma máquina de
perseguição a desafetos políticos.
Esse aceno vergonhoso de Lula às ditaduras não pode ser visto como
normal ou insignificante. Se está em pleno domínio de suas faculdades e
opta conscientemente por falsear a verdade sem nenhum pudor e por
distorcer os fatos em prol da defesa de um projeto espúrio de poder,
cabe à sociedade, diretamente e por meio de seus representantes eleitos e
instituições, deixá-lo desconfortável e fazê-lo perceber que não pode
se sentir à vontade para mentir e defender o indefensável. Infelizmente,
por algum misterioso fenômeno de massas, cujos mecanismos psicológicos
precisariam ser melhor estudados, mesmo pessoas em outras circunstâncias
equilibradas tendem a admitir como verdadeiras falsidades
irritantemente repetidas pela esquerda e por seus aliados de ocasião.
Nenhum fato é mais significativo nesse sentido do que as falácias
lançadas contra a Lava Jato. Por tudo isso, a hora é de estarmos todos
cada vez mais conscientes do escasso ou nenhum valor das palavras e
decisões do nosso atual presidente, e vigiar.
Após impasse na articulação Aline Rechmann – Gazeta do Povo e
Por Camila Abrão – Gazeta do Povo
Presidente Lula conseguiu aprovação da proposta de reestruturação
de ministérios na Câmara dos Deputados.| Foto: Ricardo Stuckert/PR.
A
Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (31), a
medida provisória (MP) da reestruturação de ministérios do governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O placar foi 337 votos a
favor, 125 contra o texto e uma abstenção. A MP 1154/23 ainda precisa
ser aprovada pelo Senado para não caducar. O prazo para essa votação
termina nesta quinta, 1º de junho.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), suspendeu a sessão
da Casa no início da noite. Pacheco disse que poderia votar o texto ao
longo da madrugada, dependendo do horário que os deputados terminarem de
analisar a questão, ou na manhã desta quinta. O texto-base foi aprovado
na Câmara por volta das 23h10, e, na sequência, os parlamentares
passaram a deliberar sobre as propostas de emendas à proposição, o que
ocorreu até 0h30.
O plenário rejeitou três destaques apresentados pelo PL. O primeiro
previa a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário. O placar
dessa votação foi 324 contra a emenda, 114 a favor e uma abstenção.
Já o segundo pretendia mudar o escopo do Ministério dos Direitos
Humanos e retirar competências da pasta em relação às chamadas minorias.
O placar foi 260 votos contra a emenda, 186 a favor e duas abstenções.
A terceira emenda do PL pretendia retirar a palavra “gênero” do texto
e substituí-la por “sexo”. Esse destaque também foi rejeitado. Foram
243 votos contra a emenda, 182 a favor e duas abstenções.
Em votação simbólica, os deputados aprovaram ainda uma emenda sobre a recriação da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
VEJA TAMBÉM: Lira aponta falta de articulação do governo para aprovar MP dos Ministérios Governo Lula corre contra o tempo para conseguir aval para reestruturação de ministérios Negociações e votação no Senado
Diante da extensão dos debates na Câmara, Pacheco deixou marcada para
esta quinta-feira (1º), às 9h, a sessão para votar essa medida
provisória. “Se houver a possibilidade de a Câmara apreciar hoje
[quarta] nas próximas horas, teríamos condição de apreciar ainda hoje a
MP, que vence amanhã. Se não for possível, esta presidência vai
suspender esta sessão para dar continuidade ou ainda hoje ou amanhã, às
9h da manhã”, disse o presidente do Senado.
A aprovação da MP nas duas Casas vai garantir a manutenção dos 37
ministérios da atual estrutura do governo federal, ainda que com
mudanças em alguns órgãos. Apesar do esvaziamento de Ministérios como o
do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas, interlocutores do governo
federal avaliam que o texto negociado não é o ideal, mas defenderam a
importância da aprovação da matéria.
A não aprovação, de acordo com o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ),
seria um “desastre”. Já o ministro da Secretaria de Relações
Institucionais, Alexandre Padilha, disse as mudanças feitas pelo
relator, deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), não vão inviabilizar o
trabalho do governo Lula nas pautas ambiental e indígena.
Na sessão desta noite, antes da votação do texto-base, os deputados
aprovaram o parecer do relator pelo entendimento dos pressupostos
constitucionais da MP com 319 votos favoráveis, 111 contrários e uma
abstenção.
Correndo risco de não ser aprovada, a votação da MP chegou a ser
adiada na noite da terça-feira (30), quando o presidente da Câmara dos
Deputados, Arthur Lira (PP-AL), percebeu que a tentativa poderia ser
frustrada. Durante todo o dia, o governo e seus líderes buscaram
conversar com deputados para garantir a aprovação da proposta de
reestruturação de ministérios. Lira também conversou com Lula sobre a
votação da matéria.