Plenário da Câmara aprovou o regime de urgência para projeto
sobre demarcação de terras indígenas.| Foto: Cleia Viana/Câmara dos
Deputados
Os deputados aprovaram ontem, e é muito importante essa aprovação, de
urgência, para um projeto de lei que pretende se antecipar ao Supremo,
pois o Supremo pode mexer numa data que está na Constituição. Trata-se
de uma discussão sobre terra indígena. O Supremo vai examinar um caso de
Santa Catarina, em que as pessoas que estão nessa terra já avisaram que
morrem, mas não saem de lá. É uma área que é reivindicada por
indígenas.
O artigo 231 da Constituição diz que são indígenas as terras que
tradicionalmente ocupam – ocupam é presente do indicativo. Significa
ocupam no dia 5 de outubro de 1988, que é o dia em que a Constituição
entrou em vigor, que foi promulgada. E o Supremo pode mudar o tempo
desse verbo, né? O Supremo pode tudo, pode botar “que vierem a ocupar
depois”, ou “que tenham ocupado antes”.
Então, para evitar esse “que tenham ocupado antes”, há um projeto de
lei, agora de urgência, para chegar na frente do Supremo, projeto de lei
de 2007. Só agora que despertaram. Esse projeto de lei destaca que não
vale se os indígenas deixaram de ocupar, e voltarem a ocupar depois da
promulgação da Constituição. Está valendo é no dia, a menos que sejam
terras que estivessem ou estavam em litígio naquele dia, na justiça. Aí,
o litígio é outra coisa, tem que deslindar o litígio. É isso o que diz.
Então significa votação imediata, provavelmente na semana que vem já
vão votar isso e evitar uma decisão do Supremo que todo mundo acha que
pode inventar outro verbo para o artigo 231 da Constituição.
CPMI comprometida Decepção, pelo menos pra mim, foi a escolha do
presidente e da relatora da CPMI do 8 de janeiro. A senadora Eliziane
Gama, que outro dia mostrou uma foto abraçada com Flavio Dino. A
relatora e o presidente estiveram no mesmo partido, o PPS, que foi o
nome que deram para substituir o Partido Comunista Brasileiro. O Partido
Comunista ficou meio que com vergonha do nome e mudou para PPS. A
Eliziane hoje é do PSD, do Maranhão. E o presidente é o Arthur Maia, que
é do União Brasil, da Bahia, mas foi do PPS. Interessante que ele saiu
do PPS, de um extremo, para outro extremo, para o DEM. Mas também já
passou pela Solidariedade, pelo PSDB, pelo MDB. Muito cheio de
convicções doutrinárias pelo jeito, né? Ele é advogado. E o governo
evitou que estivesse nessa comissão o Renan Calheiros, o Azis, pra não
parecer que era de novo aquela CPI do circo, mas pelo jeito vai ser,
sabe por que? A relatora, depois de escolhida, disse o seguinte: “foi
uma tentativa de golpe o que aconteceu em 8 de janeiro, que não se
concretizou”. Ou seja, ela já deu a conclusão, acabou. Nasceu e morreu.
Acabou, a relatora já tem a conclusão.
Quando a CPI iria investigar quem foi que quebrou, se foi uma coisa
comandada por outro lado, quais foram as causas, por que as pessoas
fizeram isso, quem são os personagens de tudo realmente. É aquela
velhinha que estava lá cozinhando no acampamento, que está presa hoje ou
está com tornozeleira? Por que que o general estava lá? Por que o
coronel fez isso ou aquilo, por que as portas se abriram? Tudo isso a
gente pensava que ia ser investigado, mas a relatora já tirou conclusão,
então é triste.
Carro barato?
E por fim, só pra registrar, o governo está anunciando que carro de
menos de R$ 120 mil pode ter abatimento nos impostos federais e ficar
mais barato e dá para comprar até direto da montadora. Quer dizer,
deixar a concessionária na mão, no meio do caminho.
O pessoal da Fenabrave estava lá, dos distribuidores de automóveis, e
da ANFAVEA também estava lá com Lula, antes que o vice Alckmin, como
ministro da Indústria e Comércio, fizesse esse anúncio para aliviar as
montadoras e baratear o preço dos carros. Vamos ver o que vai acontecer.
Brasília,
DF 17/05/2023 A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante
reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e posse dos novos
conselheiros. Foto:José Cruz/ Agência Brasil
Ministra do Meio Ambiente Marina Silva.| Foto: José Cruz/Agência Brasil
A
ministra Marina Silva, burocrata-mor do Meio Ambiente e figura colada
há anos no ecossistema ambientalista, teve duas realizações notáveis em
sua curta permanência no governo Lula. A primeira foi dizer, para os
“bilionários do bem” que se reúnem todos os anos numa estação de esqui
na Suíça, que havia “120 milhões” de pessoas passando fome no Brasil.
(As agências de “verificação de fatos”, ligadas o tempo todo na
fiscalização do que dizem os adversários do PT e suas vizinhanças, não
fizeram nenhuma objeção – a ministra é uma dessas personalidades que foi
canonizada em vida pela maior parte da mídia, e não pode ser criticada,
nunca.)
A segunda realização de Marina, antes de se completarem seis meses de
governo, foi ver o seu ministério amputado de funções essenciais. Para
se ter uma ideia mais precisa das coisas: o Ministério do Meio Ambiente,
hoje, é menos do que era no governo anterior, o mais amaldiçoado da
história pelos ecologistas, militantes da natureza e salvadores do
planeta. Pode?
Marina continua querendo ser amiga de Lula e do PT para receber
alguma vantagem – e continua se dando mal todas as vezes em que tenta.
As ONGs etc. etc. etc. estão indignadas, é claro. Exigem que o
governo Lula defenda a “integridade” do MMA e lhe devolva as atribuições
expropriadas; aparentemente, até agora, não conseguiram estabelecer uma
relação de causa e efeito sobre o que aconteceu. Se foi o próprio
governo quem decidiu esvaziar o ministério de Marina, como ele pode ser
chamado para lhe prestar socorro? Não faz nexo. Mas o fato é que muito
pouca coisa faz nexo em relação à Marina Silva.
Aos 65 anos de idade, e uns 50 como profissional das causas
ecológicas no Brasil e no mundo, ela continua querendo ser amiga de Lula
e do PT para receber alguma vantagem – e continua se dando mal todas as
vezes em que tenta. Agora, mais uma vez, está na posição de pedir o
boné e tornar-se ex-ministra, ou engolir o sapo e continuar grudada no
governo. É uma situação inviável, até porque a ministra é uma figura
inviável. Sua única função na vida pública tem sido fazer oposição ao
progresso, sempre – e, aí, até o “socialismo” do PT fica incomodado.
VEJA TAMBÉM: Cúpula do G7: Lula continua viajando porque não sabe como governar o Brasil Dallagnol é mais ficha limpa que o próprio Lula e por isso foi cassado pelo TSE Lula vem mentindo desde que assumiu o governo – e não será punido por isso
“Qualquer tentativa de desmontar o serviço nacional de meio
ambiente é um desserviço à sociedade brasileira” protestou Marina. “Isso
pode criar gravíssimos prejuízos para o país”. É mesmo? Mas quem está
prestando o que ela chama de “desserviço” não é a “direita”, nem o
“agronegócio”, nem a oposição – é o governo Lula, do qual faz parte.
Como é que fica, então? A ministra, como já aconteceu em outras
oportunidades, tentou fazer parte do Sistema Lula. Está vendo que não
faz. Sua função é enfeitar o ministério com uma pegada ambientalista – e
só isso.
Desidratação do Meio Ambiente Lula deixa de lado pauta ambiental e desgasta Marina de olho em apoio no Congresso Por Wesley Oliveira – Gazeta do Povo Brasília
Presidente Lula e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Apesar
do discurso internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
deixou de lado a pauta ambiental na tentativa de ampliar o seu apoio
dentro do Congresso Nacional. Com isso, a ministra do Meio Ambiente,
Marina Silva, viu sua pasta ser esvaziada pelo Legislativo com apoio da
articulação do Palácio do Planalto.
No centro da crise do Ibama com a Petrobras sobre a discussão de
exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas, Marina sofreu uma série
de derrotas nesta semana no Congresso Nacional – com aval da base de
Lula. A primeira delas ocorreu por meio da votação da Medida Provisória
que trata da reestruturação da Esplanada dos Ministérios pela comissão
mista, onde o relator da matéria, o deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL),
esvaziou as funções da pasta.
A ministra do Meio Ambiente perdeu, por exemplo, as funções do
Cadastro Ambiental Rural (CAR), responsável por controlar terras
privadas e conflitos em áreas de preservação. O relator propôs que essa
função fique sobre o guarda-chuva do Ministério da Gestão e Inovação em
Serviços Públicos.
O relatório da MP também prevê a transferência da gestão da Agência
Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) para o Ministério da
Integração e do Desenvolvimento Regional.
A pasta de Marina Silva perdeu ainda o controle sobre o Sistema
Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), o Sistema
Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir) e do
Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh). Essas
funções foram transferidas para o Ministério das Cidades.
Diferente da pasta de Marina, os articuladores de Lula se mobilizaram
contra a estratégia de parlamentares que tentavam esvaziar as funções
do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Durante a tramitação, deputados
defendiam, por exemplo, que Costa não ficasse com a coordenação do
Programa de Parceria de Investimentos (PPI). Após pressão do Planalto, o
relator acabou recuando em relação à medida.
VEJA TAMBÉM:
Comissão parlamentar enfraquece ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas
Deputados aprovam lei que flexibiliza regras para desmatamento da Mata Atlântica
Lula minimiza mudança em ministérios e diz que “começou o jogo” em relação ao Congresso
Câmara aprova urgência para votar projeto sobre marco temporal Lula pode ir ao STF para evitar esvaziamento da pauta ambiental
O relatório de Bulhões foi aprovado pela comissão mista por um placar
de 15 votos a 3. Apesar do esvaziamento da pasta de Marina, o governo
não orientou contra o texto apresentado pelo relator. A justificativa
dos aliados de Lula é de que o Executivo tinha pressa na tramitação, já
que a MP perderá sua validade no dia 1º de junho. A Medida Provisória
ainda precisa ser votada nos plenários da Câmara e do Senado.
Além disso, petistas argumentam que o governo precisou ceder diante
da correlação de forças dentro do Legislativo. De acordo com o líder do
governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (sem partido), a
gestão Lula não teve sucesso nas negociações sobre a pauta ambiental.
“Nós, o governo, não conseguimos avançar, embora tenhamos advogado,
mas nenhum dos aspectos da questão ambiental conseguimos ter avanços”,
minimizou Rodrigues.
Além do Meio Ambiente, o relatório da MP desidratou as funções do
Ministério dos Povos Indígenas. A pasta comandada por Sônia Guajajara
perdeu as atribuições sobre a demarcação de novas terras indígenas e
transferiu essa responsabilidade para o Ministério da Justiça,
comandando por Flávio Dino (PSB).
Para tentar contornar as críticas geradas pelo posicionamento do
governo na votação da MP e evitar um embate com o Congresso, aliados de
Lula indicam que o Executivo pode levar o caso ao Supremo Tribunal
Federal (STF). O argumento encampado é de que a Constituição diz que
“compete privativamente ao presidente da República” baixar decretos
sobre a organização e o funcionamento da administração federal, “quando
não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos
públicos”.
Esse entendimento, no entanto, ainda não está fechado por parte do
Palácio do Planalto. Aliados de Lula defendem que esse movimento poderia
resultar em retaliações em votações futuras por parte dos
parlamentares, tendo em vista que a judicialização tiraria a discussão
da esfera política.
Marina sofreu outras derrotas na Câmara com o aval do governo Lula Além
de ter a pasta esvaziada, Marina Silva sofreu outras derrotas dentro da
Câmara sem que houvesse um posicionamento contrário por parte da
liderança do governo Lula. Os deputados votaram uma MP editada no final
do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e retomaram trechos que
afrouxam as regras de proteção da mata atlântica.
Esses itens tinham sido retirados pelo Senado, mas o governo orientou
voto a favor da flexibilização durante a votação na Câmara. No PT, por
exemplo, foram 35 votos nessa direção, e 14, contrários. O texto segue
para sanção de Lula. De acordo com o ministro das Relações
Institucionais, Alexandre Padilha, Lula vai vetar esse trecho da MP.
“Pelo compromisso que nós temos com a sustentabilidade, minha
posição, que foi firmada desde o começo é de vetarmos, não permitirmos a
agressão à Mata Atlântica nessa medida provisória”, disse Padilha em
entrevista à GloboNews.
Ainda de acordo com Padilha, existe um compromisso com os
parlamentares para que o veto de Lula não seja derrubado pelo Congresso.
“Já existe um compromisso do Senado de que, [o presidente] vetando, não
seja derrubado o veto. Na própria Câmara, a liderança já sinalizou de
que [o veto] também não seria derrubado”, completou.
Além dessa proposta, a articulação do governo não conseguiu impedir a
aprovação do pedido de urgência do PL que estabelece o marco temporal
da promulgação da Constituição de 1988 para a demarcação de terras
indígenas. Neste caso, o governo liberou a sua bancada para votar como
quisesse.
Movimento de Lula contra Marina pode travar acordo do Mercosul Além
do desgaste político, o movimento de Lula nas pautas ambientais pode
travar acordos internacionais, entre eles o do Mercosul com a União
Europeia. Além do Brasil, o tratado deve beneficiar os demais membros do
Mercosul: Argentina, Paraguai e Uruguai e o países associados: Bolívia,
Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. A Venezuela também
era um dos países membros do bloco, mas está suspensa desde 2016.
Desde a campanha, Lula tem usado a pauta ambiental para tentar ganhar
projeção internacional. Durante suas viagens ao exterior, o petista usa
mão do discurso da defesa do meio ambiente para tentar atrair o apoio e
o financiamento de outros países.
Para Marina Silva, no entanto, os movimentos recentes do governo
podem atrasar ainda mais o acordo do Mercosul com a UE, uma vez que os
europeus vêm tentando impor restrições ambientais firmes para a
assinatura do termo.
“Não basta a credibilidade do presidente Lula, ou da ministra do Meio
Ambiente. O mundo vai olhar para o arcabouço legal e ver que a
estrutura do governo não é a que ganhou as eleições, é a estrutura do
governo que perdeu. Isso vai fechar todas as nossas portas”, disse, em
audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara.
Ainda de acordo com Marina, as mudanças promovidas nos últimos dias
são um “desserviço ao Brasil”. “Qualquer tentativa de desmontar o
sistema nacional de meio ambiente brasileiro é um desserviço à sociedade
brasileira, ao Estado brasileiro. Isso pode criar gravíssimos prejuízos
aos interesses econômicos, sociais e ambientais”, completou.
Bolsonaro: confuso, ambíguo, contraditório e instável. Numa palavra: complexo.| Foto: EFE/ Isaac Fontana
Já
escrevi por aqui que Jair Bolsonaro, ou melhor, só Bolsonaro é um
personagem mais interessante do que Lula – e não o Luiz Inácio. Mais
confuso, mais ambíguo, mais incoerente, mais instável. Mais complexo.
Nos últimos meses, porém, essa complexidade que antes fascinava e
divertia se tornou um transtorno. Uma angústia. Uma dúvida incômoda.
Passando em revista os últimos quatro anos, me dou conta do tempo que
gastei, mas não desperdicei, tentando entender que Bolsonaro era esse
que os apoiadores tanto defendiam. Não só. Passei esse tempo todo
tentando entender também quem era esse Bolsonaro que os detratores tanto
atacavam. E não foram poucas as ocasiões em que tentei entender como
meus valores se relacionavam com um presidente que me agradava num dia e
me irritava noutro.
Mas foi meio de um curso ministrado por meu amigo Francisco Escorsim
que me vi pensando: “O que resta do Jair no Bolsonaro? Onde termina o
homem e começa o personagem? Quem Bolsonaro pensa que é e quem ele é
quando ninguém está olhando? Tomo café ou pego um copo d´água? O que
será que vamos jantar? Como o Chico pode gostar de Coldplay? Qual a
previsão do tempo para amanhã?”. Etc.
E você talvez esteja aí franzindo a testa, me xingando
silenciosamente e esbravejando de si para si que esta é uma questão
tardia. Afinal, Bolsonaro is no more. Quanto a isso, só posso dizer que
você tem toda razão. É mesmo uma questão tardia. E talvez seja até
inoportuna, levando em conta que hoje é sexta-feira. Chega de canseira.
Nada de tristeza. Pega uma cerveja. Põe na minha mesa.
Uma espécie de espelho Em minha defesa, porém, digo que é
justamente agora a melhor hora para saber quem foi esse tal de Jair
Messias Bolsonaro que ocupou a Presidência por quatro anos. Agora que a
conclusão a que chegarmos não fará mais nenhuma diferença. Agora que as
contradições e ambiguidades de Bolsonaro estão mais exaltadas do que
nunca. Afinal, ele é o homem que agora fala em paz ou é o líder que, do
alto de um carro de som e para uma Avenida Paulista lotada, lavou a alma
dos brasileiros chamando Alexandre de Moraes de canalha?
Bolsonaro é o genocida negacionista de que tanto falam ou é o
defensor da liberdade e da ciência? Ele é um covarde que optou pelo
silêncio democrático ou é um golpista? Ele é honesto ou é tão corrupto
quanto os outros? Ele é uma vítima do Sistema ou um simplório
atrapalhado que perdeu as eleições para si mesmo? Ele é um falastrão ou
um mestre na arte do xadrez 4D? Ele é o destemido capitão imbroxável ou
um mito encolhido num cantinho, torcendo para que ninguém o descubra ali
se fartando de pão com leite condensado?
Eu poderia ficar aqui por parágrafos e mais parágrafos opondo
características de Bolsonaro, sem jamais chegar a uma imagem fácil.
Unidimensional, como diria alguém mais pretensioso. E o mais
interessante: sem jamais alcançar o Jair que se esconde por trás do
Bolsonaro. Ou será que nessa troca ancestral da alma pelo sucesso
mundano é imprescindível que o personagem anule por completo o homem?
Agora chamo o Francisco Escorsim de volta à crônica (fica aqui ao meu
lado, Chico, dá um oizinho pros leitores) para dizer que, nessa busca
pelo que resta de essencial e verdadeiro nos personagens, acabamos por
buscar a nós mesmos. E, com alguma sorte, acabamos por entender melhor o
que nos fez (faz?) defender ou atacar, apoiar ou detratar, seguir ou
desprezar e acreditar ou desconfiar deste ou daquele nome. Aliás, foi só
por isso que escrevi esta crônica.
Documento da Confedereação Nacional da Indústria (CNI) entregue ao governo reforça importância do ensino profissionalizante
A reforma educacional é crucial para a retomada do crescimento do País, segundo o Plano de Retomada da Indústria, apresentado nesta quinta-feira, 25, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao
governo federal. De acordo com o documento, a educação profissional,
nos moldes do que vem sendo feito nos países mais desenvolvidos, deve
ser uma prioridade.
O plano apresenta cinco ações na área da educação, “que buscam
garantir a formação dos jovens para o mercado de trabalho, com uma
política nacional de educação profissional e tecnológica, e a plena
implementação do novo ensino médio – em especial o itinerário de
formação técnica e profissional – e com a modernização do sistema de
aprendizagem.”
A educadora Cláudia Costin, presidente do Instituto Singularidades,
cita algumas medidas práticas que poderiam ser adotadas o mais
rapidamente possível. “Num contexto de automação acelerada,
digitalização, inteligência artificial, precisamos educar para duas
coisas simultaneamente: desenvolver o pensamento crítico e o pensamento
criativo; precisamos educar os alunos para serem pensadores autônomos e
criativos”, afirmou.
“Mas o que o Brasil pode fazer? Em primeiro lugar, parar com essa
história de quatro horas de aula por dia. Nenhum país que se
industrializou tem quatro horas de aula por dia, mas, sim, de sete a
nova horas. Não apenas aulas, mas laboratório, experimentação. É um
processo de educação mais mão na massa, digamos assim. A outra coisa é
evitar essa educação conteudista, em que os professores despejam um
conteúdo e não ensinam os alunos a pensar.”
Laboratório do Instituto Senai de Inovação e Eletroquímica, no Paraná Foto: Senai
Dentre as ações listadas no Plano de Retomada da Indústria da
Confederação Nacional da Indústria (CNI) estão a implementação do novo
ensino médio, a modernização do aprendizado profissional, a
implementação de uma proposta nacional de reconhecimento de saberes com
base em competências e habilidades, a elaboração de uma política
nacional de educação profissional e tecnológica adequada à oferta e às
demandas de médio e longo prazo dos setores produtivos e o
desenvolvimento de uma política pública de requalificação profissional e
aperfeiçoamento de trabalhadores.
“Se o governo quer uma reindustrialização nos moldes do passado, como
o investimento em carros populares, por exemplo, na indústria pesada,
mais tradicional, é preciso termos uma qualificação laboral e uma
educação de base muito melhor do que temos hoje”, afirmou o pesquisador
João Marcelo Borges, do Centro de Desenvolvimento da Gestão Pública e
Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (DGPE/FGV). “Hoje, os
20% dos nossos alunos mais ricos têm uma proficiência em matemática,
linguagem e ciência pior do que os 20% mais pobres da Coreia do Sul.
Esse é o tamanho da distância.”
No entanto, pondera Borges, se a ideia é investir numa
industrialização mais moderna, o desafio é ainda maior. “Se quisermos
disputar indústrias do presente e do futuro, não nos basta reduzir essa
diferença, mas sim incorporar ao nosso ensino o desenvolvimento de
competências como o pensamento crítico e o estímulo à criatividade, que
são as competências exigidas na parte da inovação”, explicou. “Isso
sequer começamos a fazer.”
Na análise do diretor de Educação e Tecnologia da CNI, Rafael
Lucchesi, o foco deve ser no ensino profissionalizante. “Além da
deficiência estrutural de qualidade, a matriz educacional brasileira é
bem diversa da de outros países. Nos países desenvolvidos e nos
emergentes mais bem sucedidos, 50% dos jovens de 15 a 17 anos têm a
educação profissional junto com a regular; na Áustria e na Finlândia,
esse percentual é acima dos 70%. No Brasil, apenas 9% dos jovens têm
isso. Ou seja, o sistema não dá ao jovem uma identidade social”, afirmou
Lucchesi.
Para o especialista, o ensino profissionalizante não exclui o ensino
de um pensamento crítico e criativo, necessário para a indústria do
futuro. “A sociedade brasileira tem uma concepção escravocrata, uma
lógica elitista, segundo a qual a universidade está acima do bem e do
mal”, disse. “Em todo o mundo, a escola é muito mais democrática do que
no Brasil, ela dá a todos os jovens uma identidade social. Aqui, até a
reforma do ensino médio, a escola reafirma o abismo elitista.”
João Marcelo Borges frisa, no entanto, que o foco não pode ser apenas
na educação básica dos jovens, mas também a qualificação do
empresariado. “As empresas brasileiras têm baixa produtividade por conta
da qualificação da força de trabalho, sim, mas também por conta da
péssima qualidade dos métodos empresariais e gerenciais”, afirmou o
especialista da FGV. “Precisamos reformar a agenda da educação básica,
mas também a qualificação dos empresários, para que usem métodos mais
produtivos.”
A inovação é um processo pelo qual novas ideias,
produtos, serviços ou métodos são desenvolvidos e implementados,
resultando em melhorias significativas ou mudanças disruptivas em um
determinado setor, organização ou sociedade como um todo. A inovação
pode ocorrer em diferentes áreas, como tecnologia, ciência, negócios,
design, saúde, entre outras.
Inovar é o ato de realizar ações que impulsionam a
inovação. Isso envolve a criação, desenvolvimento e implementação de
novas ideias ou a melhoria de ideias existentes. A inovação pode ocorrer
de várias formas, como melhorias incrementais em produtos ou processos
existentes, desenvolvimento de novos produtos ou serviços, aplicação de
novas tecnologias ou modelos de negócios, adoção de abordagens criativas
para resolver problemas e assim por diante.
A inovação é essencial para o progresso e o crescimento em todos os
setores. Ela impulsiona a competitividade, ajuda as empresas a se
adaptarem às mudanças no mercado, cria valor para os clientes, melhora a
eficiência e a produtividade, além de trazer benefícios sociais e
econômicos mais amplos. As organizações que conseguem inovar com sucesso
têm mais chances de se destacar no mercado e se manter relevantes em um
ambiente em constante evolução.
Existem diferentes abordagens e estratégias para promover a inovação.
Algumas empresas têm departamentos de pesquisa e desenvolvimento
dedicados à geração de novas ideias e ao desenvolvimento de tecnologias
inovadoras. Outras empresas colaboram com startups, universidades ou
outras instituições para obter acesso a novos conhecimentos e recursos.
Além disso, o estímulo a uma cultura de inovação, que valoriza a
criatividade, a experimentação e o aprendizado contínuo, é fundamental
para promover a inovação em uma organização.
No contexto atual, a inovação é impulsionada por avanços
tecnológicos, como inteligência artificial, big data, Internet das
Coisas, biotecnologia e outras áreas emergentes. Essas tecnologias têm o
potencial de transformar setores inteiros e abrir novas oportunidades
de inovação.
Em resumo, a inovação é o processo de desenvolver e implementar novas
ideias que trazem melhorias significativas ou mudanças disruptivas.
Inovar é o ato de realizar ações para impulsionar a inovação, seja
criando novos produtos, serviços ou processos, adotando novas
tecnologias ou modelos de negócios, ou aplicando abordagens criativas
para resolver problemas. A inovação é fundamental para o progresso e o
sucesso em diferentes áreas, impulsionando o crescimento econômico, a
competitividade e a melhoria da qualidade de vida.
Como podemos inovar nos anúncios para o publico?
ChatGPT
Há várias maneiras de inovar nos anúncios para o público. Aqui estão
algumas ideias que podem ajudar a tornar seus anúncios mais
interessantes e envolventes:
Personalização: Utilize dados do público-alvo para
personalizar os anúncios, oferecendo produtos ou serviços relevantes
para cada pessoa. Isso pode aumentar a taxa de conversão, pois os
consumidores tendem a se engajar mais quando a mensagem é direcionada
especificamente para eles.
Storytelling: Conte histórias envolventes em seus
anúncios. Em vez de simplesmente listar recursos e benefícios do
produto, crie uma narrativa que conecte emocionalmente com o público.
Isso pode ajudar a capturar a atenção e criar uma conexão mais profunda
com os consumidores.
Experiências imersivas: Explore tecnologias como
realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR) para criar
experiências imersivas em seus anúncios. Isso permite que os
consumidores interajam com seu produto ou serviço de maneira mais
envolvente, gerando maior interesse e curiosidade.
Influenciadores digitais: Trabalhe com
influenciadores digitais relevantes para o seu público-alvo. Eles têm um
poder significativo de persuasão e podem ajudar a promover seus
produtos ou serviços de maneira autêntica. Certifique-se de escolher
influenciadores que estejam alinhados com os valores da sua marca.
Vídeos curtos e envolventes: Com a popularidade das
plataformas de mídia social, como o TikTok e o Instagram Reels,
considere criar anúncios em formato de vídeo curto e envolvente. Esses
vídeos são rápidos de consumir e têm maior potencial de
compartilhamento, ampliando o alcance da sua mensagem.
Gamificação: Introduza elementos de jogos nos seus
anúncios para criar uma experiência interativa. Os consumidores podem se
envolver com desafios, ganhar prêmios ou pontos, o que torna o processo
mais divertido e cativante.
Uso de chatbots: Implemente chatbots em seus
anúncios para oferecer uma interação instantânea com os clientes. Isso
pode ajudar a responder perguntas, fornecer informações relevantes e até
mesmo concluir vendas diretamente no anúncio, tornando o processo mais
conveniente para o consumidor.
Lembre-se de que a inovação nos anúncios requer um entendimento
profundo do seu público-alvo, suas preferências e comportamentos.
Experimente diferentes abordagens, meça os resultados e esteja disposto a
ajustar sua estratégia com base nos insights obtidos.
A STARTUP VALEON OFERECE SEUS SERVIÇOS AOS EMPRESÁRIOS DO VALE DO AÇO
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A Startup Valeon, um site marketplace de Ipatinga-MG, que faz
divulgação de todas as empresas da região do Vale do Aço, chama a
atenção para as seguintes questões:
• O comércio eletrônico vendeu mais de 260 bilhões em 2021 e superou
pela primeira vez os shopping centers, que faturou mais de 175 bilhões.
• Estima-se que mais de 35 bilhões de vendas dos shoppings foram migradas
para o online, um sintoma da inadequação do canal ao crescimento digital.
• Ou seja, não existe mais a possibilidade de se trabalhar apenas no offline.
• É hora de migrar para o digital de maneira inteligente, estratégica e intensiva.
• Investir em sistemas inovadores permitirá que o seu negócio se
expanda, seja através de mobilidade, geolocalização, comunicação,
vendas, etc.
• Temas importantes para discussão dos Shoppings Centers e do Comércio em Geral:
a) Digitalização dos Lojistas;
b) Apoio aos lojistas;
c) Captura e gestão de dados;
d) Arquitetura de experiências;
e) Contribuição maior da área Mall e mídia;
f) Evolução do tenant mix;
g) Propósito, sustentabilidade, diversidade e inclusão;
h) O impacto do universo digital e das novas tecnologias no setor varejista;
i) Convergência do varejo físico e online;
j) Criação de ambientes flexíveis para atrair clientes mais jovens;
k) Aceleração de colaboração entre +varejistas e shoppings;
l) Incorporação da ideia de pontos de distribuição;
m) Surgimento de um cenário mais favorável ao investimento.
Vantagens competitivas da Startup Valeon:
• Toda Startup quando entra no mercado possui o sonho de se tornar
rapidamente reconhecida e desenvolvida no seu ramo de atuação e a
Startup Valeon não foge disso, fazem dois anos que estamos batalhando
para conquistarmos esse mercado aqui do Vale do Aço.
• Essa ascensão fica mais fácil de ser alcançada quando podemos
contar com apoio dos parceiros já consolidados no mercado e que estejam
dispostos a investir na execução de nossas ideias e a escolha desses
parceiros para nós está na preferência dos empresários aqui do Vale do
Aço para os nossos serviços.
• Parcerias nesse sentido têm se tornado cada vez mais comuns, pois
são capazes de proporcionar vantagens recíprocas aos envolvidos.
• A Startup Valeon é inovadora e focada em produzir soluções em tecnologia e estamos diariamente à procura do inédito.
• O Site desenvolvido pela Startup Valeon, focou nas necessidades do
mercado e na falta de um Marketplace para resolver alguns problemas
desse mercado e em especial viemos para ser mais um complemento na
divulgação de suas Empresas e durante esses dois anos de nosso
funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado com tecnologia,
inovação com soluções tecnológicas que facilitam a rotina dessa grande
empresa. Temos a missão de surpreender constantemente, antecipar
tendências, inovar. Precisamos estar em constante evolução para nos
manter alinhados com os desejos do consumidor. Por isso, pensamos em
como fazer a diferença buscando estar sempre um passo à frente.
• Temos a plena certeza que estamos solucionando vários problemas de
divulgação de suas empresas e bem como contribuindo com o seu
faturamento através da nossa grande audiência e de muitos acessos ao
site (https://valedoacoonline.com.br/) que completou ter mais de 220.000 acessos.
Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:
• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;
• Atraímos visualmente mais clientes;
• Somos mais dinâmicos;
• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;
• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;
• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.
• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em
buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para
impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as
suas vendas.
Proposta:
Nós da Startup Valeon, oferecemos para continuar a divulgação de suas
Empresas na nossa máquina de vendas, continuando as atividades de
divulgação e propaganda com preços bem competitivos, bem menores do que
os valores propostos pelos nossos concorrentes offlines.
Pretendemos ainda, fazer uma página no site da Valeon para cada
empresa contendo: fotos, endereços, produtos, promoções, endereços,
telefone, WhatsApp, etc.
O site da Valeon é uma HOMENAGEM AO VALE DO AÇO e esperamos que seja
também uma SURPRESA para os lojistas dessa nossa região do Vale do Aço.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar
ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a
oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de
divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma
Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa
livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua
empresa seja oficializada.
A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando
para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as
melhores marcas do varejo e um mix de opções.
O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o
cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de
compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.
Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que
pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa
plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é
muito abaixo do valor praticado pelo mercado.
Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:
O Site Valeon é bem elaborado, com layout diferenciado e único, tem bom market fit que agrada ao mercado e aos clientes.
A Plataforma Valeon tem imagens diferenciadas com separação
das lojas por categorias, com a descrição dos produtos e acesso ao site
de cada loja, tudo isso numa vitrine virtual que possibilita a
comunicação dos clientes com as lojas.
Não se trata da digitalização da compra nas lojas e sim
trata-se da integração dos ambientes online e offline na jornada da
compra.
No país, as lojas online, que também contam com lojas
físicas, cresceram três vezes mais que as puramente virtuais e com
relação às retiradas, estudos demonstram que 67% dos consumidores que
compram online preferem retirar o produto em lojas físicas.
O número de visitantes do Site da Valeon (https://valedoacoonline.com.br/) tem crescido exponencialmente, até o momento, temos mais de 220.000 visitantes e o site (https://valeonnoticias.com.br/) também nosso tem mais de 5.500.000 de visitantes.
O site Valeon oferece ao consumidor a oportunidade de
comprar da sua loja favorita pelo smartphone ou computador, em casa, e
ainda poder retirar ou receber o pedido com rapidez.
A Plataforma Comercial da Valeon difere dos outros
marketplaces por oferecer além da exposição das empresas, seus produtos e
promoções, tem outras formas de atrair a atenção dos internautas como:
empresas, serviços, turismo, cinemas e diversão no Shopping, ofertas de
produtos dos supermercados, revenda de veículos usados, notícias locais
do Brasil e do Mundo, diversão de músicas, rádios e Gossip.
Nós
somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos
tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história
ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.
Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?
Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.
Presidente viajou para a cúpula do G7 no Japão| Foto: EFE/EPA/JAPAN POOL
Desde que assumiu seu terceiro mandato na Presidência da República,
Lula vem tentando convencer o mundo de que pode assumir a função de
paladino da paz na Ucrânia. Segundo apregoa o petista aos quatro ventos,
bastaria uma “boa conversa” para colocar fim aos desvarios
expansionistas de Vladimir Putin e também à resistência ucraniana –
pois, para Lula, é preciso lembrar, a Ucrânia faz mal em insistir em se
defender da agressão sofrida, pois, assim, “prolonga” a guerra. Mas para
quem insiste tanto no valor do diálogo como forma de se chegar à paz,
Lula se esforça muito pouco para conversar abertamente com aquele que é
um dos principais interessados no fim da guerra: Volodymyr Zelensky, que
há mais de um ano vê seu país ser destroçado pelas forças russas.
Participando do encontro do G7 como convidado – assim como os líderes
da Austrália, Índia, Coreia do Sul, Vietnã, Indonésia, Comores
(representando a União Africana) e Ilhas Cook (representando o Fórum das
Ilhas do Pacífico) –, Lula não aproveitou a oportunidade para conversar
com o presidente ucraniano, que também estava presente na cúpula. O
próprio Zelensky havia manifestado o desejo de falar com o brasileiro,
mas o encontro não aconteceu. Oficialmente, os motivos alegados foram
“desencontros da agenda”, mas parecem ser efeito direto da falta de
vontade.
A diplomacia brasileira liderada por Lula caminha a passos largos para ser cada vez mais irrelevante.
Em entrevista após o fim da cúpula, Lula chegou a dizer que reservou
um horário na agenda para receber o ucraniano, mas Zelensky simplesmente
não apareceu. Segundo o petista, a reunião bilateral com a Ucrânia
estaria agendada para 15h15 (horário do Japão) do último domingo (21).
Mas, estranhamente, na agenda oficial do presidente há outro compromisso
para o mesmo horário, uma reunião com o primeiro-ministro da República
Socialista do Vietnã, Pham Minh Chinh, e nenhuma menção a Zelensky. Na
sequência, às 16h15, Lula se reuniu com o presidente da União das
Comores, Azali Assoumani.
O próprio Lula mencionou a agenda com o vietnamita: “Nós esperamos e
ficamos recebendo a informação de que eles [Zelensky] tinham atrasado.
Enquanto isso, atendi o presidente do Vietnã. E quando o presidente do
Vietnã foi embora, o presidente da Ucrânia não apareceu. Certamente teve
outros compromissos e não pôde vir aqui. Foi, infelizmente, isso que
aconteceu”, disse Lula em entrevista coletiva. Ele afirmou ter ficado
“chateado”, mas não explicou – e nem foi questionado – sobre os motivos
de marcar para o mesmo horário duas agendas completamente distintas.
Em resumo, ou Lula simplesmente mentiu sobre o agendamento, ou queria
receber Zelensky extraoficialmente e, neste caso, se o ucraniano
tivesse aparecido, o encontro teria de ser brevíssimo, entre os demais
os compromissos oficiais do petista. Na lacuna deixada por Lula,
Zelensky aproveitou para falar com outros emergentes, como a Índia, que
mantém fortes laços comerciais com a Rússia – os russos são os
principais fornecedores de suprimento militar para os indianos. O
primeiro ministro do país, Narendra Modi, diferente do petista,
conseguiu encontrar tempo na agenda para receber o presidente ucraniano e
se mostrou bastante efusivo ao cumprimentá-lo.
Além desse “desencontro” de agendas no domingo, um dia antes, tanto
Lula quanto o presidente ucraniano participaram da mesma sessão de
discussões no G7 e o brasileiro poderia ter ao menos tentado
cumprimentar o presidente da Ucrânia, o que não aconteceu. Nas imagens
do evento, é possível ver Zelensky sendo cercado e cumprimentado por
vários líderes mundiais, enquanto Lula permanece sentado. O brasileiro
não dirige nem mesmo um olhar para o ucraniano, coisa bem estranha para
quem quer ser um negociador da paz.
O discurso oficial do brasileiro igualmente não contribuiu em nada
para o fortalecimento da imagem de um negociador da paz. Mesmo que seu
foco principal não fosse a guerra na Ucrânia – Lula aproveitou a
participação do G7 mais para criticar o FMI e pedir “compreensão” com a
dívida argentina do que para defender os interesses brasileiros –, o
petista reafirmou as críticas aos EUA e nações ocidentais por
continuarem a apoiar a resistência ucraniana, declarando que repudia
“veementemente o uso da força como meio de resolver disputas”. O único
aceno ao bom senso de Lula foi citar a violação da soberania ucraniana
pela Rússia.
VEJA TAMBÉM: Uma diplomacia incapaz de enxergar com clareza A “paz” que Lula imagina é a Ucrânia subjugada A volta do anão diplomático
Levando-se em conta o histórico de declarações estapafúrdias do
petista em relação à Guerra na Ucrânia, ter admitido que a Rússia atacou
a soberania ucraniana é um avanço. Lula já acusou Zelensky de ter
responsabilidade igual à de Putin no conflito, criticou os esforços dos
países ocidentais em oferecer ajuda para a resistência ucraniana,
sugeriu que o país invadido se rendesse aos russos e reclamou que a
Ucrânia insista em manter seu território original. Em contrapartida,
Lula manifesta predileção pelo presidente Vladimir Putin, com quem se
apressou em estreitar relações. No final de março, o presidente
brasileiro fez questão de enviar Celso Amorim em visita de seis dias à
Rússia; em 17 de abril recebeu Sergei Lavrov, principal representante no
presidente russo. Uma visita diplomática de Celso Amorim à Ucrânia só
foi feita em 9 de maio, numa tentativa de amenizar os desastrosos
efeitos do evidente alinhamento do governo brasileiro ao discurso russo.
Esse alinhamento é mais do que evidente entre os próprios atores
diplomáticos. Aos poucos, líderes e setores que antes demonstravam
entusiasmo com a eleição de Lula e suas proposições de paz, começam a
ver a realidade: o Lulinha Paz Mundial, pacificador do mundo, é só mais
uma face falastrona do velho Lula aliado de ditadores. A ideia de que a
diplomacia lulista é pautada pelo propósito de manter abertura com todas
as nações – incluindo as que cometem graves violações como a Rússia ou
Nicarágua – não convence mais, nem aos brasileiros, nem à comunidade
internacional. Infelizmente, a diplomacia brasileira liderada por Lula
caminha a passos largos para ser cada vez mais irrelevante.
Justiça Eleitoral Por Gabriele Bonat – Gazeta do Povo
BRA50.
BRASÍLIA (BRASIL), 17/05/2023. – El diputado federal Deltan Dallagnol,
habla durante una rueda de prensa hoy, tras perder su mandato en el
Congreso Nacional, en Brasilia (Brasil). El Tribunal Superior Electoral
(TSE) de Brasil despojó del mandato como diputado federal a Deltan
Dallagnol, quien fuera el jefe del equipo de fiscales que ayudó a llevar
a la cárcel dos años atrás al hoy presidente brasileño, Luiz Inácio
Lula da Silva. Por unanimidad, los miembros del máximo tribunal
electoral declararon inválida la candidatura de Dallagnol a la Cámara de
Diputados, con lo que automáticamente el exfiscal perdió el mandato.
EFE/Andre Borges
Juristas afirmam que cassação de Deltan Dallagnol pelo TSE gera insegurança jurídica.| Foto: EFE/André Borges
O
processo de cassação do deputado federal mais votado nas Eleições 2022
no Paraná, Deltan Dallagnol (Podemos), pelo Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) apresenta uma série de problemas, na avaliação de juristas ouvidos
pela Gazeta do Povo. Os especialistas destacaram que a cassação fere
vários princípios, entre eles o da legalidade dos mandatos eletivos e o
da soberania popular e quebra uma tradição de preservação dos mandatos
dos representantes eleitos democraticamente pelo povo.
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Outra avaliação comum entre os dos juristas é a de que, na prática, o
TSE criou uma nova hipótese de inelegibilidade para justificar a
impugnação do registro de candidatura de Dallagnol. Tal medida, apontam
os especialistas, somente pode ser criada por lei complementar. Ao ser
definida de forma unânime e sem debates pela Suprema Corte Eleitoral,
essa novidade pode gerar um cenário de insegurança jurídica e ter como
efeito direto a exploração de novas brechas na lei para criar mais e
mais interpretações inovadoras da legislação eleitoral.
Decisão do TSE foi pautada em uma suposição
Há uma semana, o TSE cassou, por unanimidade, o registro de
candidatura de Deltan Dallagnol, eleito deputado federal com cerca de
345 mil votos em 2022. De forma rápida e discreta, sem discussões, a
decisão do TSE, por 7 a 0, fez o ex-coordenador da Operação Lava Jato em
Curitiba perder o mandato.
O tribunal entendeu que o ex-procurador era alvo de reclamações
disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) quando
pediu exoneração do cargo no Ministério Público Federal. Para o ministro
Benedito Gonçalves, relator do caso no TSE, Dallagnol “sem dúvidas”
poderia vir a ser alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Segundo a decisão dos ministros, ao pedir exoneração Dallagnol “agiu
para fraudar a lei, uma vez que praticou, de forma capciosa e
deliberada, uma série de atos para obstar processos administrativos
disciplinares contra si e, portanto, elidir a inelegibilidade”.
A decisão dos ministros, avaliam os juristas procurados pela
reportagem, foi pautada por uma suposição. Na prática, contra o
ex-procurador não havia nenhum Processo Administrativo Disciplinar (PAD)
ativo no momento da exoneração do cargo. O professor de Direito
Constitucional Fabio Tavares afirma que a cassação do deputado é ilegal,
pois foi proferida na margem da lei, ofendendo os termos da
Constituição que garantem o princípio da segurança política.
“A lei diz claramente que, se existir um PAD pendente e o funcionário
pedir exoneração, ele passa a ser inelegível. Mas Dallagnol não tinha
PAD aberto, ele tinha sindicância e reclamações. A Lei da Ficha Limpa
diz ‘somente se houver instauração de PAD’. A decisão unânime do TSE vai
na contramão da lei e da jurisprudência”, diz Tavares.
“Interpretação do TSE é uma fraude sobre fraude”, diz especialista A
Lei da Ficha Limpa prevê que, em caso de renúncia do cargo, o servidor
público que está respondendo um processo administrativo está inelegível
por oito anos. Isso ajuda a evitar fraudes na lei, na opinião do
especialista em Direito Eleitoral, Adriano Soares.
Segundo ele, havia casos que o servidor público que estava passando
por um PAD, pedia exoneração antes do processo ser concluído para não
sofrer com as consequências. “Isso presume que o servidor quer fraudar a
lei. Mesmo sem sofrer essa sanção, a pessoa ficará inelegível para
evitar fraudes”, explica Soares.
Para o jurista, no caso do Dallagnol o TSE presumiu uma nova fraude.
“Neste caso, o TSE, por hermenêutico, criou uma fraude à lei que já
previa uma presunção de fraude. Temos aplicado aqui uma dupla fraude. É
uma cadeia de liberalidades”, destaca Soares.
O especialista em Direito Eleitoral ressalta que há algumas possíveis
consequências com a decisão do tribunal. A primeira é que o TSE criou
uma nova hipótese de inelegibilidade, violando o Art. 14, parágrafo 9°,
da Constituição Federal, que prevê que outros casos de inelegibilidade
só poderão ser criados por Lei Complementar.
Outro ponto citado pelo advogado é que a decisão gera precedente para
outras hipóteses. “Assim, todas as hipóteses de inelegibilidade podem
ser criadas pelo TSE e isso gera uma evidente insegurança jurídica. Fere
o princípio da legalidade dos mandatos eletivos, fere o princípio da
soberania popular e quebra uma tradição de preservação dos mandatos
eletivos”, detalha. “Não se cassa um mandato sem que haja uma violação
da lei”, complementou Soares.
VEJA TAMBÉM: Deltan Dallagnol assinou mais de 140 propostas legislativas “Querem roubar nossa voz, mas vamos lutar por justiça”, diz Deltan Dallagnol durante ato em Curitiba Por unanimidade, TSE cassa registro de candidatura de Deltan Dallagnol
Ausência de debates na decisão dos ministros gera estranheza Por
unanimidade, 7 a 0, os ministros decidiram pela cassação do mandato do
ex-coordenador da Operação Lava Jato. A falta de debates e discussões a
respeito de uma matéria tão delicada no campo jurídico foi um dos pontos
levantados pelo doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e
especialista em Direito Constitucional, Antônio Jorge Pereira.
Ele afirma que os ministros criaram um “factoide” e que a falta de
discussão sobre o tema evidencia a perseguição política. “Alexandre de
Moraes e Cármen Lúcia não divergiram em nada. Parece que há uma
combinação prévia. Ou seja, já havia a decisão de condenar o Dallagnol,
não importando os fatos”, opina.
Na visão de Adriano Soares, a decisão do TSE também careceu debate.
“Nós não ouvimos os outros ministros colocando suas posições. Isso gera
no meio jurídico uma surpresa”, diz. Para ele, no caso de Dallagnol
faltou uma visão do direito garantista e uma visão do direito com
interpretações diversas. “Retrata um momento delicado de polarização no
Brasil e impacta o judiciário. Isso não é bom”, conclui o especialista.
O que você achou da declaração de Gilmar Mendes associando Curitiba ao “germe do fascismo”?
ENQUETE ENCERRADA
a. Repulsiva, a fala não é digna de um ministro da Suprema Corte. 91% a. Repulsiva, a fala não é digna de um ministro da Suprema Corte. 91% b. Infeliz, ele fez uma generalização desnecessária, mas como ministro do STF tem o direito de se posicionar sobre o caso. 1% b. Infeliz, ele fez uma generalização desnecessária, mas como ministro do STF tem o direito de se posicionar sobre o caso. 1% c. Polêmica aumentada, o ministro não quis ofender os curitibanos, e sim criticar a Lava Jato e Moro. 3% c. Polêmica aumentada, o ministro não quis ofender os curitibanos, e sim criticar a Lava Jato e Moro. 3% d. Está certo, a forma como Moro conduziu as investigações trouxe mais perdas do que ganhos no combate à corrupção. 5%
Defesa Nacional Militares recebem com surpresa críticas de Ricardo Salles contra investimentos nas Forças Armadas
Por Tatiana Azevedo – Gazeta do Povo
Ricardo Salles critica atuação dos militares durante reunião na Câmara dos Deputados| Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Militares da cúpula das Forças Armadas demonstraram surpresa e
descontentamento velado com as críticas feitas pelo deputado Ricardo
Salles (PL-SP) aos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica
na semana passada. Em uma audiência na Câmara, Salles chegou a sugerir
que não seria necessário investir na defesa da pátria porque o Brasil
não teria inimigos.
As críticas foram interpretadas por parte dos militares como mais uma
tentativa do deputado de ganhar relevância no cenário político nacional
e conseguir apoio para concorrer à prefeitura de São Paulo no ano que
vem. As afirmações foram dadas à Gazeta do Povo por oficiais ligados às
cúpulas do Exército e da Marinha que pediram anonimato.
“Nós estamos gastando dinheiro com inimigos fictícios. Com míssil de
não sei aonde. A bateria antiaérea. Para guerrear com quem? Com
Argentina, que não tem nem doce de leite mais. Para quê?”, disse Salles.
Mas a afirmação de Salles ocorre em um momento em que o mundo entra
em uma nova corrida armamentista. Ela é motivada pelo crescimento das
hostilidades entre o Ocidente e o eixo que começa a ser formado
envolvendo Rússia, China, Irã e Coreia do Norte.
“A guerra na Ucrânia mostra-nos, pela enésima vez na história, que um
país não pode acreditar que, por estar vivendo um momento de paz,
estará livre da guerra para sempre”, afirmou o coronel da reserva Paulo
Roberto da Silva Gomes Filho, mestre em ciências militares e pela Escola
de Comando e Estado Maior do Exército.
VEJA TAMBÉM: PF aponta alta chance de voz em gravação ser de juiz afastado da Lava Jato; entenda o caso Câmara notifica Dallagnol e dá prazo de cinco dias para se manifestar sobre cassação Gabriela Hardt assume processos da Lava Jato após afastamento de Eduardo Appio Investimentos militares do Brasil estão 50% abaixo da média mundial
Os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica e o ministro da
Defesa, José Múcio Monteiro Filho, foram confrontados por Salles
enquanto participaram de audiência pública na Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, no último dia 17.
Eles haviam descrito um cenário preocupante de falta de verbas, que tem
impedido o funcionamento adequado das Forças.
O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, afirmou, por
exemplo, que 40% da esquadra da Marinha de Guerra estará sucateada se
não forem feitos investimentos até 2028. Em conjunto, os militares
defenderam que os gastos com a defesa passem da proporção de 1,1% do
Produto Interno Bruto (PIB) para 2%.
“O material [bélico] tem uma vida, a partir de determinado momento
ele passa a ser antieconômico”, disse Olsen. Ele disse que atualmente
não há combustível, lubrificantes e munição suficientes para uma
proteção adequada da costa brasileira. Como exemplo, o almirante afirmou
que a Marinha precisa gastar R$ 74 milhões por ano com munições (que
são produtos perecíveis), mas só recebeu R$ 6,8 milhões para esse fim.
Mesmo com a elevação proposta, os gastos brasileiros ainda ficariam abaixo da média mundial de 2,2% do PIB.
Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo
(SIPRI), o gasto militar global total aumentou 3,7% em termos reais em
2022, atingindo um novo recorde de US$ 2,240 trilhões.
Os gastos militares na Europa tiveram o maior aumento ano a ano em
pelo menos 30 anos. Na avaliação do coronel Paulo Filho, isso reflete o
aumento das tensões geopolíticas no mundo. O Brasil, na contramão,
reduziu seus investimentos em defesa em 11% nos últimos anos.
Apesar das críticas, as Forças Armadas devem possuir as capacidades
necessárias para cumprir sua tarefa constitucional de defender a pátria,
segundo o coronel. “Essas capacidades não são facilmente adquiridas.
Exigem pesado investimento, desenvolvimento autóctone de tecnologia,
soldados habilitados e treinados para o cumprimento de suas missões.
“Um exército pode passar cem anos sem ser empregado, mas não pode
passar um minuto sem estar preparado”, acrescentou ele, citando o
diplomata Ruy Barbosa (1849 – 1923).
Salles acusou Forças Armadas de politização
O deputado Ricardo Salles foi ministro do Meio Ambiente durante o
governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Antes disso, ele já era um
admirador do escritor Olavo de Carvalho (1947-2022), que influenciou
diversos membros do governo anterior e costumava atacar as Forças
Armadas, que considerava “comunistas”.
Salles conseguiu uma vitória política recente ao ser nomeado relator
da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das invasões de terras, a CPI
do MST. Ele já havia anunciado também que tenta conseguir apoio
político para concorrer à prefeitura de São Paulo em 2024.
Seu principal oponente no pleito pode ser o deputado federal
Guilherme Boulos (PSOL-SP), que já o acusou de querer usar a CPI em
proveito próprio para favorecer a possível candidatura. Salles nega o
uso político da comissão.
Salles disse à reportagem estar “bastante magoado” com as Forças
Armadas. Durante sua fala na Câmara, chegou a citar um episódio que
teria ocorrido enquanto ainda era ministro. Nele, militares o levaram
para voar de helicóptero sobre a região amazônica e depois teriam
passado uma conta de mais de R$ 1 milhão pelo uso da aeronave para o seu
ministério.
O deputado usou seu discurso ainda para apontar, sem apresentar
evidências, para uma suposta “politização” das Forças Armadas. “Embora o
discurso seja de despolitização das Forças Armadas, o que nós estamos
vendo é uma tucanização das Forças Armadas. O General Arruda que o diga,
quando foi surpreendido pelos discursos e falas que deram ensejo depois
ao seu enfraquecimento à frente do Comando do Exército”.
O general Júlio César Arruda foi escolhido pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva para comandar o Exército, mas foi substituído antes
de completar um mês no cargo. Lula, que tinha escolhido pessoalmente o
general, depois alegou desconfiança para justificar a troca.
Arruda foi substituído pelo general Tomás Ribeiro Paiva, que serviu
no governo de Fernando Henrique Cardoso como ajudante de ordens. Mas o
próprio Salles já atuou no PSDB, no início de sua carreira, no governo
de São Paulo, na gestão de Geraldo Alckmin, atualmente vice-presidente
da República.
O deputado afirmou que o comandante do Exército se esconde atrás de
um discurso de despolitização, “mas valeu-se de suas relações com o
tucanato paulista para assumir o posto. Vazou seu discurso enquanto
Comandante do Sudeste para fazer gesto de agrado a Lula e consolidar seu
nome como alternativa ao General Arruda”.
Salles não deu detalhes de nenhuma ligação atual efetiva de Paiva ao PSDB nem apresentou provas de politização no Exército.
Deputado criticou participação de Forças Armadas na segurança pública do país Em
seus ataques aos militares, Salles também criticou as chamadas
operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), nas quais militares são
usados em ações de segurança pública no território nacional. Ele se
referiu especificamente a ações das Forças Armadas que ocorreram durante
o governo Bolsonaro para coibir crimes na região de floresta amazônica.
Salles disse à reportagem: “são centenas de milhões de reais para
operações que não deram um tiro sequer no combate ao crime organizado,
garimpo ilegal etc. Eles fogem do enfrentamento como o diabo foge da
cruz, tanto nas GLO’s quanto na fronteira”. Ele também questionou a
Aeronáutica por não abater, em quantidade que consideraria suficiente,
pequenas aeronaves que entram em território nacional carregadas de
drogas.
A realização de operações de GLO também divide opiniões entre os
próprios militares. O entendimento das Forças Armadas é de que não há
embasamento legal que proteja os combatentes de processos judiciais,
caso se envolvam em situações que envolvam mortes de civis durante as
operações. Por isso, muitos militares também desaprovam sua realização
nos moldes atuais.
Sistema de defesa das fronteiras pode ficar obsoleto antes de ser terminado Durante
a audiência da Câmara, o comandante do Exército, general Tomás Paiva,
também falou sobre as dificuldades orçamentárias para manter programas
de proteção das fronteiras em funcionamento.
Segundo ele, o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras
(SISFRON) só recebeu até agora 20% da verba prevista e, como está
atrasado, corre o risco de ficar obsoleto.
O sistema previa inicialmente investimentos de R$ 11,9 bilhões até
2022, mas foi prorrogado para 2039. “Ele corre um risco real de, quando a
tecnologia chegar para todo mundo, essa tecnologia do começo do
programa já estar obsoleta. O crime organizado, o crime transnacional,
também vai se modernizando e vai usando tecnologia reversa contra a
tropa e contra as agências de proteção e de segurança pública”, disse o
general.
O SISFRON é uma programa estratégico do Exército. Salles aproveitou o
discurso do comandante para criticar a vulnerabilidade das fronteiras.
Também falou que o país não precisa do projeto da Marinha que tenta
desenvolver um submarino de propulsão nuclear, com o objetivo de
proteger o litoral. Ele deu a entender que a tecnologia poderia ser
comprada no exterior, mas não mencionou que nenhum país vende esse tipo
de tecnologia.
“As críticas de que, por exemplo, o programa do submarino nuclear se
arrasta por décadas omitem as responsabilidades dos políticos que, por
décadas, pouco fizeram para suprir o programa com os recursos previstos e
necessários”, afirmou Paulo Filho.
“Destaque-se que o programa brasileiro, se comparado por exemplo, ao
recentemente anunciado pelo Aukus (pacto de defesa mútua que envolve
Estados Unidos, Austrália e Grã-Bretanha), para suprir a Austrália de um
submarino de propulsão nuclear, é muitíssimo mais barato”, completa.
Segundo o analista, que é autor do canal Paulo Filho no YouTube, o
programa brasileiro tem um custo total estimado em torno de R$ 40
bilhões. O programa de submarinos do Aukus, gira em torno de US$ 245
bilhões, cerca de 30 vezes mais caro.
Manifestantes se reuniram em ato de apoio a Deltan Dallagnol| Foto: Marcos Tosi/Gazeta do Povo
O
acirramento de ânimos na política brasileira não dá sinais de
arrefecimento. Após a vitória da corrupção sobre o seu combate com o
enterro da Operação Lava Jato e a posse de Lula como presidente da
República, os derrotados do momento seguem perseguidos. O mais novo
capítulo se deu com a cassação injusta de Deltan Dallagnol, deputado
federal eleito por mais de 344 mil paranaenses e ex-procurador da Lava
Jato: a decisão do Tribunal Superior Eleitoral foi completamente ilegal e
contrariou todas as decisões da própria Justiça Eleitoral nas suas
instâncias inferiores.
Lula disse antes de ser eleito que não descansaria até se vingar de
Deltan e, já presidente, garantiu o mesmo a respeito de Sergio Moro,
juiz de primeira instância da Lava Jato, que o colocou na cadeia pelos
crimes que cometeu, confirmados nas instâncias superiores. Os políticos e
empresários delatados e condenados pela Lava Jato não cansam de exalar o
mesmo ódio e rancor contra quem fez cumprir a lei no Brasil e recuperou
mais de R$ 15 bilhões aos cofres públicos. O Poder Judiciário de última
instância, acossado por delações que chegaram às portas de seus mais
eminentes ministros até que passassem a ser censuradas como fake news em
inquéritos aberrantes no Supremo Tribunal Federal, aliou-se aos
anti-Vingadores para restaurar e defender o status quo ante bellum. O
recado dos poderosos é claro: a corrupção venceu e a pax brasilis que
sempre lhes garantiu impunidade está sendo rapidamente restaurada e
consolidada.
Nada mete mais medo em político e poderoso do que o povo na rua, já
dizia Ulysses Guimarães. Não resta, pois, outra alternativa ao povo
brasileiro senão voltar às ruas.
Apesar desse péssimo diagnóstico, a reação popular está renascendo
das cinzas e dos traumas causados por um desastroso e repudiável 8 de
janeiro de 2023. A manifestação pacífica feita por milhares de
brasileiros em locais equivocados – diante de quartéis – e sem liderança
a conduzi-las, foi presa fácil de oportunistas e arruaceiros, de um
lado, e de profissionais da narrativa política e do despotismo estatal,
de outro. Os milhares de presos inocentes, grande parte sequer presente
na área da Praça dos Três Poderes naquele fatídico domingo à tarde,
acabaram demonstrando, a milhões de brasileiros honestos e pacíficos, do
que são capazes os poderosos de Brasília em matéria de reação
arbitrária, desproporcional e politicamente motivada.
Não é por menos que a volta dos brasileiros às ruas, por receio de
que novamente possa ocorrer o pior, ocorreu pela primeira vez apenas em
1º de maio deste ano em poucas capitais, dentre as quais se destacou
Porto Alegre, onde estive presente. A pauta principal dos cerca de 5 mil
presentes foi o rechaço à Lei da Censura, eufemisticamente apelidado
pelos poderosos de PL das Fake News. A iniciativa somou-se a todas as
demais formas de pressão popular, inclusive via placares online
informando em tempo real o posicionamento de cada parlamentar, e surtiu
efeito: por ora, o projeto está fora da pauta.
No último fim de semana, desta vez em Curitiba, mais uma manifestação
reuniu um enorme número de brasileiros nas ruas. Entoando “Juntos com
Deltan” e clamando por “Justiça”, milhares de brasileiros demonstraram
também na capital paranaense que estão dispostos a superar qualquer medo
e receio para defender, em paz e respeitosamente, o que entendem ser
seu de direito. Também estive presente a este ato e pude então constatar
o que tende a ser a tônica em todo o Brasil daqui para a frente: a
volta às ruas de forma coordenada, organizada e liderada por movimentos
de rua que andaram separados e distantes entre si durante o governo
Bolsonaro e se reaglutinam agora com o propósito de defender o que mais
deve unir os brasileiros: nossa democracia constitucional, as liberdades
individuais e a Justiça com jota maiúsculo, recuperando nosso Estado de
Direito fraturado. Porto Alegre e Curitiba, precursoras desse novo
momento, já deram ao Brasil o exemplo de que a volta às ruas é não
apenas possível, mas absolutamente necessária.
VEJA TAMBÉM: Democracia cassada e caçada: decisão do TSE sobre Deltan Dallagnol afronta o país Não aceitaremos viver sob uma ditadura PL da Censura: o Brasil não pode virar uma China
Há desta vez, porém, uma diferença importante em relação aos
movimentos organizados contra o governo de Dilma entre os anos de 2014 e
2016. Muitos daqueles que, então, estavam nas ruas, hoje são
parlamentares eleitos. Se então os manifestantes na rua davam ao
Parlamento o empurrão que faltava para fazer andar o impeachment de
Dilma, por exemplo, agora os parlamentares eleitos pela direita
brasileira são cobrados a retribuir com suas presenças nas manifestações
a fim de conferir a segurança de que o povo necessita para voltar a se
manifestar em paz. Por isso, é de se celebrar muito a notícia de que na
tarde desta quarta-feira, 24 de maio, movimentos de rua anunciarão em
coletiva de imprensa em pleno Salão Verde da Câmara dos Deputados,
ladeados por parlamentares, a volta às ruas em todo o Brasil para o
próximo dia 4 de junho.
Nada mete mais medo em político e poderoso do que o povo na rua, já
dizia Ulysses Guimarães. Não resta, pois, outra alternativa ao povo
brasileiro senão voltar às ruas ante a completa falta de sinalização por
parte de quem está no poder de que vá ocorrer uma pacificação nacional,
conforme Lula prometeu no pós-eleição, mas até aqui só fez o contrário.
Diante da vingança plena e irrefreável praticada pelo sistema contra
nossa democracia, nossas liberdades e a Justiça brasileira, o povo
brasileiro já decidiu por não mais temer e voltar a se manifestar de
forma pacífica, organizada e volumosa. E, a exemplo do que já se
observou na história recente do país – lembremo-nos das Diretas Já, do
impeachment de Fernando Collor e do impeachment de Dilma Rousseff –, dá
para botar fé naquilo que vaticinou o Velhinho, do Oiapoque ao Chuí. Nos
vemos nas ruas no próximo dia 4 de junho.
Ministro Haddad tenta evitar derrotas junto aos presidentes da
Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco| Foto: Marcelo
Camargo/Agência Brasil
Vejam só, foi preso um major da Polícia Militar que estava de
serviço, no dia 8 de janeiro. Foi preso pela Polícia Federal a mando da
Justiça Civil, sob a acusação de que ele teria facilitado o acesso aos
prédios do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo.
Não foi prisão em flagrante, porque isso aconteceu em 8 de janeiro.
Não sei se há provas, mas ele não está condenado, mas foi preso,
portanto, prisão preventiva. A prisão preventiva é para aqueles que
podem acabar com provas ou vão pressionar testemunha, ou ainda quando há
o risco de cometerem o mesmo crime. De tudo isso eu pergunto o
seguinte: não tem mais justiça militar, não? Cadê o Superior Tribunal
Militar? Eu não sei, parece que tem lá um presidente que está cego,
surdo e mudo. Muito estranho.
MPs do Lula na berlinda
Outra coisa, houve uma reunião antes da aprovação do arcabouço, entre
os presidentes da Câmara, do Senado e o ministro da Fazenda. E o
ministro da Fazenda ouviu uma advertência para o governo. Lira e Pacheco
disseram para ele que o governo não deve continuar a tentar de derrubar
coisas que já foram aprovadas pelo Congresso Nacional como a autonomia
do Banco Central, a privatização da Eletrobras e o marco de saneamento.
Ou seja, não mexam nisso, porque afinal, não disseram, mas está muito
claro, tem aí um monte de medida provisória do presidente Lula – nove –
que se chegar até 1º de junho e a gente não fizer nada com elas, elas
caducam, perdem o valor, inclusive essa em que criou 37 ministérios, e
já estão mudando as medidas provisórias. Por exemplo, o Coaf, aquele
controle de movimentação financeira, volta para o Banco Central, que o
presidente Lula tirou e botou no Ministério da Fazenda para ficar com a
mão política em cima. O BC é autônomo em relação ao governo. Conab, que é
a força do Ministério da Agricultura, que faz o levantamento de safra,
comercialização, tudo isso, estava nas mãos do ministro do
Desenvolvimento Agrário, que é o ministro do MST, e volta para o
Ministério da Agricultura. Demarcação de terras indígenas estava nas
mãos de Sônia Guajajara, que é ministra dos Povos Indígenas. Sai de lá. O
cadastro ambiental agrário, estava nas mãos de Marina Silva – que
chamou o agro ontem de ogro – vai sair também. E mais, pode ser aberta
uma porteira pra passar um boi e depois passar boiada. Pode ser
derrubado um decreto do presidente, na Câmara, por um decreto
legislativo, que é a dispensa de visto para turistas canadenses,
japoneses, australianos e americanos. Eu vejo aqui em Lisboa, a cidade
está cheia de americanos, cheia de dólares, e aqui não tem Foz do
Iguaçu, não tem Pantanal, enfim, o Congresso, como disse Lira, é
conservador. O governo se diz progressista. Então abre o olho.
Petrobrás fora do mundo Por fim, queria lembrar vocês, está tudo
muito bem, novos preços da Petrobras, sem a paridade internacional. De
imediato a alegria, só que a longo prazo, o perigo é o seguinte. Nós não
temos capacidade de refino, de tudo que consumimos aqui. Então a gente
importa, só que quem importa, importa o preço internacional. Foi isso
que Pedro Parente, quando presidia a Petrobras no governo Temer,
percebeu. Por isso, saneou a Petrobras, fazendo a paridade com o preço
internacional. Não sendo feito isso, ninguém mais vai importar para
perder, porque vai importar a cinco, e ter que vender a quatro, porque a
Petrobras vende a quatro. Aí, a consequência da não importação do
combustível para o nosso consumo é o desabastecimento. Esse é o risco a
longo prazo.