domingo, 14 de maio de 2023

DIPLOMACIA BRASILEIRA FAZ MALABARISMOS

Guerra na Ucrânia
Em campanha por um Nobel para Lula

Por
Leonardo Coutinho – Gazeta do Povo


Celso Amorim, assessor especial do Brasil para Assuntos Internacionais, em encontro com o vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Melnyk, na quarta-feira (10), em Kiev| Foto: Twitter de Andrii Melnyk/Agência Brasil

O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, o suprachanceler Celso Amorim, foi a Kiev para apresentar aos ucranianos o que ele chama de proposta brasileira de paz. Amorim, que já havia visitado Moscou para se reunir com Vladimir Putin, parecia não estar muito disposto a enfrentar os caminhos tortuosos que levam à Ucrânia, mas acabou vendo-se obrigado a colocar o pé na lama para cumprir o script de isenção que é exigido para quem se se apresenta como mediador da paz. Ou, mais precisamente, para quem está há décadas em campanha por um Nobel da Paz para o chefe.

Sim, Lula sonha com um Nobel há tempos. Desde o programa Fome Zero, não faltaram tentativas de emplacá-lo como tal. Os esforços para desenrolar a crise nuclear do Irã, por exemplo, eram até agora o ensaio mais visível e caricato das ambições petistas no cenário internacional.

Mas a aventura de Amorim para tentar promover a paz na Ucrânia tem tudo para se transformar no ponto alto de um ativismo pessoal e ideológico que muitos equivocadamente insistem em chamar de diplomacia, mas só faz o Brasil parecer um desses malabaristas que se exibem em cruzamentos e semáforos.

Lula mandou o seu amigo e braço direito para assuntos de política externa para fazer uma viagem infernalmente pesada, ainda mais para um homem de 80 anos, para fingir ouvir os dois lados, embora todo mundo saiba o que ele pensa sobre a questão.

Lula já equiparou os invadidos aos invasores. Já declarou que a culpa é da Otan e sugeriu que os ucranianos deveriam parar de encher o saco (obviamente não com essas palavras) e entregar uma fatia de seu território para que guerra termine. Para Lula, Celso Amorim e seu entorno, a paz passa pela rendição das vítimas. Pelo menos é o que se pode interpretar.

Celso Amorim foi convidado a visitar a cidade que foi palco de um dos mais trágicos episódios da invasão. Em Bucha, o suprachanceler de Lula viu uma exposição sobre o extermínio de 400 civis pelas tropas russas. Cético, ele disse ao jornal Folha de S.Paulo: “Obviamente, nós somos contra as atrocidades e as mortes em qualquer lugar que ocorram. São imagens fortes, não vou entrar em detalhes. Mas não dá para tirar conclusões totalmente, são fotos”.

Amorim foi à Ucrânia para encenar neutralidade, mas não conseguiu se segurar.

Não deveria ser necessário relembrar o papel que Ucrânia e Rússia têm no conflito. Mas, infelizmente, como bem explica a teoria da ferradura, os extremos opostos da política brasileira convergem para o mesmo tipo de visão sobre Rússia e Ucrânia, na qual o rol de cada um dos países na guerra é equiparado ou até mesmo invertido.

A Rússia invadiu a Ucrânia. Os ucranianos, que já viveram situação semelhante em 2014, na qual perderam a Crimeia para Putin, reagiram. Houve uma agressão seguida de uma reação. A “guerra”, para usar um termo familiar, é o resultado da combinação de atos. Cabia aos ucranianos ficar de braços cruzados e perder o seu país ou reagir. Ao que parece, eles não tinham outra opção. Portanto, a falsa equivalência que muitas vezes surge no debate é uma afronta à decência.

Como definiu o general prussiano Carl von Clausewitz, autor do livro “Da Guerra” (1832), uma das mais famosas obras de ciências militares, “a guerra é a continuação da política por outros meios”. Ou seja, os esforços para evitar uma luta armada estão entre os mais sofisticados, complexos e essenciais da política e diplomacia. Esses mesmos esforços são aplicados para o fim das guerras. É esse o jogo que Lula e Amorim ensaiam jogar.

No caso da Ucrânia, eles já fracassaram no início e não restou opção que não fosse a resistência pela sobrevivência. E por que se chegou a esse ponto? Mais de uma vez, petistas graduados, como a ex-presidente Dilma Rousseff, já usaram a expressão “guerra de procuração” para dizer que Estados Unidos e Europa manobram a Ucrânia conforme seus interesses. Lula e Amorim não são explícitos, mas quando falam de guerra, quase sempre metem os Estados Unidos e a “guerra ao terror” na conversa.

Tendo a crer que a invasão da Ucrânia tem muito mais interesses que a lorota de Putin sobre proteção das minorias russas em território ucraniano ou a infâmia chamada “desnazificação”. A invasão, a reação e a repercussão internacional permitiram à Rússia, seu aliado mais poderoso, a China, e todos os seus satélites se aglutinarem em torno de um discurso de redesenho da ordem mundial. Que, por sinal, é o canto de sereia que encanta a diplomacia “ativa e altiva” liderada por Amorim. Sobre os cadáveres e escombros, avançaram temas como o da desdolarização, novo sistema de transações financeiras e outros engenhos para esvaziar a influência dos Estados Unidos e Europa no mundo.

Sendo assim, a invasão da Ucrânia parece que dificilmente será resolvida por qualquer voluntarismo tropical. Em tese, apenas em tese, a guerra precisava ocorrer para que fossem criadas as condições para as movidas do tabuleiro político global. E em tese, apenas em tese, a guerra terminará quando as coisas estiverem em seu lugar. E os jogadores são de outra liga. Não a brasileira.


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CIRURGIA DE TRANSIÇÃO DE GÊNERO UM HORROR

 

Artigo
“Eu me arrependi imediatamente”
Por
Caroline Downey – Gazeta do Povo
National Review


Depois de quase 300 consultas em cinco anos, o britânico Herron recebeu alta da clínica de gênero, ficando com o corpo mutilado e extrema angústia física e emocional| Foto: Bigstock

Quando adolescente em Newcastle, Reino Unido, Ritchie Herron lidou com autismo não diagnosticado, ataques de pânico frequentes e TOC grave. Enfrentando valentões na escola, ele encontrou uma fuga online, onde rapidamente foi sugado para sites obscuros cheios de personagens perniciosos.

Aos 24 anos, Herron disse ao médico que era suicida. “Eu estava lidando com traumas de infância, mas não sabia”, disse Herron à National Review. “Acho que estava tendo TEPT [sigla em inglês para Transtorno de Estresse Pós-traumático]. Eu não era uma pessoa boa.”

Em busca de respostas, em 2013, Herron se deparou com informações sobre disforia de gênero na internet. Então ele ouviu que um colega gay havia feito transição para mulher.

“Eu não sabia que isso era uma opção”, disse Herron, agora com 30 e poucos anos. Ele encontrou um fórum trans online e começou a postar fotos de si mesmo. “Homens muito mais velhos na faixa dos 40 e 50 anos estavam me adorando. Era inebriante. Passei de autoestima zero para eles falando absolutamente tudo o que eu queria”, disse.

Herron, que disse que parecia mais feminino na época porque sua puberdade estava significativamente atrasada, foi parar em sites “onde eles te sexualizam bastante, especialmente se você fosse jovem”. Alguns dos indivíduos trans com quem ele interagiu fizeram investidas sexuais virtuais, disse ele.

Eles doutrinaram Herron, disse ele, para acreditar que a testosterona era “veneno em meu corpo”. Devido ao seu TOC, Herron já se sentia impaciente com a contaminação e temia que sua testosterona natural o transformasse em um homem horrível.

“Obviamente sou uma mulher heterossexual no corpo de um homem. Foi o que eu disse a mim mesmo”, acrescentou.

Os usuários do fórum o encorajaram a tomar estrogênio artificial para torná-lo mais atraente. “Eles disseram: ‘Imagine como você ficará com hormônios! Até os homens cis vão querer você’”, disse Herron.

Eles também lhe disseram como contornar o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) para obter um diagnóstico privado para que pudesse receber um bloqueador de testosterona.

Quanto às pessoas trans com quem Herron conversou online, “embora fossem legais, todas pareciam homens em vestidos”, disse. “Eles estavam dizendo isso como uma advertência para mim. Tipo, ‘Você não quer acabar parecendo comigo porque eu me senti assim toda a minha vida e, se eu tivesse sua idade, eu teria feito isso.’ Foi muito convincente.”

Em março de 2014, Herron, que então se autodenominava “Abby”, recebeu um diagnóstico particular. Muitos meses depois, em 2015, foi a uma clínica de gênero, o Serviço de Disforia de Gênero da Região Norte, em Newcastle. Em sua primeira consulta, o psiquiatra imediatamente, e repetidamente em todas as visitas subsequentes, perguntou se ele queria uma cirurgia de reconstrução de gênero. “Eu disse: ‘Não sei, acabei de chegar aqui, só quero uma ajuda'”, disse Herron.

A clínica também encaminhou Herron a um terapeuta de gênero – alguém que é treinado em teoria sexual com especialidade em transgenerismo – que ele viu a cada duas semanas durante cinco anos, conta. Embora Herron tenha dito que beneficiou dessas sessões, foi levado a pensar que a sua angústia como um garoto gay significava que era transgênero. O terapeuta que fez esse julgamento também era um homem gay, observou ele. A hesitação inicial de Herron em fazer a transição, argumentou o terapeuta, foi resultado de “transfobia internalizada” e “desconexão” com seu corpo.

Nos anos seguintes, Herron lutou com um pressentimento de que não deveria fazer a cirurgia. Já extremamente vulnerável mentalmente, ele disse que a clínica o estimulou e persuadiu a entrar na faca.

“Eu estava me depilando, mas continuei mudando as consultas apenas para adiar cada vez mais, porque realmente não tinha certeza. Eu realmente não queria fazer isso, só não podia falar, porque não estava bem”, disse Herron.

Em 2015, ele disse à clínica de gênero que precisava de tempo para deliberar. Em 2016, o estabelecimento trouxe o assunto novamente e disse que encaminharia Herron para uma cirurgia genital. Mas quando recebeu a carta do hospital para uma avaliação pré-operatória, Herron não concordou com a decisão e pediu para cancelar.

Em março de 2017, Herron conta que a clínica disse a ele: “Se você não quer a cirurgia, então lhe daremos alta, porque não somos um serviço psicológico, estamos aqui para levar as pessoas ao tratamento médico de que precisam”.

Sem defensores, Herron concordou, percebendo que a cirurgia era uma condição para o aconselhamento contínuo.

“Eu nunca poderia realmente vencer”, disse ele. “Mas engoli meu orgulho e disse: ‘Tudo bem, se é assim, é assim que é.’”

No dia seguinte, o terapeuta de gênero ecoou o que disse a clínica, alimentando o falso senso de urgência de Herron de que ele tinha que destruir sua anatomia masculina para finalmente encontrar a paz, disse ele.

“Ele acendeu um fogo debaixo de mim, que se eu não fizesse isso agora eu me arrependeria mais tarde”, disse Herron. A clínica alterou os arquivos de Herron para encaminhá-lo para a cirurgia, com terapia contínua. Era um trato feito.

Herron compareceu a uma avaliação pré-operatória com outros dois pacientes, o que lhe pareceu estranho.

“Foi muito estranho. Eles eram meio blasé. Era como se você estivesse cortando o cabelo. Foi muito tranquilo”, disse.

O cirurgião, digitando em seu computador, estava de costas para Herron e mal falava com ele, disse. A maior parte da comunicação era com a enfermeira-chefe.

“Eu estava confuso. Achei que fosse falar com um cirurgião, não ficar em uma sala com outras duas pessoas e conversar com uma enfermeira”, disse Herron. “Mas quando você está naquele ambiente, fica muito grato por cada pequena coisa que acontece com você, então não questiona nada. Você não se atreve a falar porque vai ser barrado pela enfermeira-chefe.”

Então a enfermeira trouxe um enorme livro de capa dura, disse Herron, e começou a apresentar as páginas aos três. Eram fotos de vulvas de mulheres.

“O objetivo disso, segundo ela, era nos mostrar que a vulva de cada mulher é diferente”, preparando os pacientes para aceitar o que provavelmente seria um resultado esteticamente desagradável, disse ele.

Em 2018, Herron fez uma vaginoplastia, na qual o pênis é invertido para criar uma vagina artificial.

“Eu imediatamente me arrependi”, disse ele, e expressou isso ao terapeuta de gênero três meses após o procedimento.

A National Review revisou documentos médicos confirmando que Herron de fato passou por uma cirurgia reconstrutiva genital, além de outras intervenções, como terapia de voz, remoção de pelos faciais e injeções hormonais.

Mas o terapeuta garantiu que ele estava apenas experimentando ruminação, não arrependimento, da anestesia geral, que às vezes pode exacerbar o TOC. O terapeuta o encaminhou a um psicólogo de TOC, que disse a Herron que ele também sofria de transtorno de personalidade instável.

Então, depois de quase 300 visitas em cinco anos, Herron recebeu alta da clínica de gênero, ficando com o corpo mutilado e extrema angústia física e emocional. A clínica não respondeu a um pedido de comentário.

Herron surge em um momento crucial no debate sobre a melhor forma de tratar a disforia de gênero, especialmente em jovens. Surgiu uma divisão entre vários países europeus, que estão optando por uma abordagem mais cética para intervenções médicas, e os EUA, que são escravos da chamada abordagem de “afirmação” que vê qualquer hesitação em prescrever bloqueadores de puberdade, hormônios do sexo oposto e, finalmente, a cirurgia como uma negação cruel da autonomia do indivíduo transgênero.

O país natal de Herron fechou recentemente a Tavistock Clinic depois que uma análise independente revelou que as crianças que procuram tratamento na clínica foram prematuramente orientadas à intervenção médica, levando a sérias consequências adversas mais tarde na vida.

Nenhum dos amigos de Herron que fez a transição cirúrgica o alertou sobre as complicações negativas, disse ele. Mais tarde, Herron soube que uma delas havia sofrido sangramento, prolapso e fístula retovaginal, na qual se desenvolve um orifício anormal entre o reto e a vagina que pode resultar na passagem de fezes pelo trato.

Muitos deles também perderam a sensibilidade, descobriu Herron, bem depois que já era tarde demais. Um amigo que fez uma cirurgia seis meses antes de Herron não teve “nenhuma dor, nenhum prazer, estava completamente entorpecido”, disse ele.

Quando criança, Herron foi diagnosticado com uma doença de pele, que causa pele irregular, descolorida e fina ao redor das áreas genital e anal.

“O cirurgião simplesmente ignorou. Como eles o ignoraram no tecido que usaram, parte da esclerose do líquen está bem no fundo da cavidade, que é propensa a infecções”, disse ele. “Eles não se importaram.”

A função sexual de Herron agora está limitada à estimulação da próstata, disse ele. Uma compulsão peculiar que muitos transicionistas têm, de acordo com Herron, é mostrar às pessoas seus apêndices sexuais reconfigurados para validação.

“As reações naturais das pessoas. . . dezem tudo”, disse Herron.

Um amigo em comum dele mostrou sua nova vulva para outro em comum que era trans. “Eles ficaram tipo, ‘Uaaahhh! Isso é nojento!’”, disse ele. “É horrível de se olhar. Parece a bunda de um babuíno. Parece que a rachadura da bunda se estende até a frente.”

“Isso é irreversível. O tecido erétil desapareceu. Os nervos são baleados. Tudo está arrebentado por dentro. Não está tudo bem”, disse Herron.

Algumas semanas atrás, Herron passou por uma dilatação uretral para ajudá-lo a urinar corretamente, já que a abertura está muito inibida desde a cirurgia, disse ele.

Herron iniciou um grupo de apoio internacional privado para homens destransicionados, muitos dos quais dizem que seus ossos foram arruinados pelos hormônios.

“Alguns deles fizeram exames de densidade óssea e seus quadris estão com 80 anos e eles têm apenas 19 e 20 anos”, disse. “Estamos caindo aos pedaços. Todos nós temos problemas autoimunes. Também estou lidando com problemas geriátricos. Estou com dores nas costas.”

Quanto ao próximo capítulo de Herron, ele tem representação legal e tomará medidas contra várias pessoas que tiveram parte ativa em sua transição, que ele diz terem cometido ou sido cúmplices de negligência médica.

“Este não é um procedimento natural para qualquer um fazer. Isso causou esses problemas ao longo da vida ”, disse ele. “Simplesmente não é algo que eu pensei que teria que lidar. No entanto, aqui estou.”


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CENSURA POLÍTICA E DO JUDICIÁRIO

Ministro do STF exige aprovação de uma lei de controle sobre a internet que abre o Brasil para as misérias da censura política

Por J.R. Guzzo

O ministro Alexandre de Moraes, o presidente da República e a esquerda nacional em peso exigem a aprovação, no Congresso, de uma lei de controles sobre a internet que abre o Brasil para as misérias da censura política. Ficam exaltados, todos os dias, dizendo que não é isso – querem até obrigar que se diga o contrário. Mas os fatos, um após o outro, provam que o STF e o governo Lula estão fazendo tudo o que podem para destruir o direito de livre expressão nas redes sociais. Como seria possível alguém ter ainda alguma dúvida sobre as suas verdadeiras intenções depois do que fizeram com o aplicativo de mensagens Telegram?

O aplicativo publicou uma mensagem com críticas ao projeto de censura que o governo Lula quer socar na Câmara dos Deputados; basicamente, diz que a nova lei pode gerar restrições sérias à liberdade de expressão. Como se chama isso? Isso se chama opinião; pode ser verificado em qualquer dicionário da língua portuguesa, e sua livre manifestação está garantida no artigo 5 da Constituição. Mas o ministro, mais uma vez, decidiu que as opiniões contrárias às dele, ou do governo, não podem ser publicadas – e mandou que a mensagem fosse apagada. Pior: num momento de ditadura explícita, obrigou o Telegram a publicar um texto escrito pelo STF, no qual o aplicativo dizia o contrário do que tinha dito antes e confessava a prática de crimes contra a “democracia”, etc., etc. É a volta, em 2023, às “confissões espontâneas” da ditadura soviética de Stalin. Back in the U.S.S.R., diriam os Beatles.

O ministro do STF Alexandre de Moraes durante sessão plenária no TSE
O ministro do STF Alexandre de Moraes durante sessão plenária no TSE Foto: Alejandro Zambrana/TSE – 4/5/2023

A mensagem do Telegram não foi, obviamente, fake news, até porque não se trata de news nenhuma, e sim de uma opinião sobre um projeto de lei aberto à discussão pública; basta ler o que está escrito, e que foi apagado. Não era “discurso do ódio”, nem desinformação, nem afirmação “fora do contexto”, ou “enganosa”, ou algum outro delito criado pelo STF. Era um ponto de vista, só isso. E é aí, justamente, que os militantes da censura mostram o que realmente querem: impedir que alguém, qualquer um, publique pensamentos ou ideias que o STF e Lula não admitem que sejam publicados. Não tem nada a ver com o combate à mentira, ou aos “massacres de crianças nas creches”, como diz o PT. Tem tudo a ver com a proibição de opiniões de oposição.

O presidente Lula, enquanto isso, está dizendo que houve “bandidagem” e “crime de lesa-pátria” na privatização da Eletrobras. É uma acusação direta, sem o menor vestígio de prova. É também um insulto: a privatização foi decidida por lei aprovada no Congresso e confirmada por 7 a 1 no Tribunal de Contas da União. E então: o STF vai mandar Lula apagar o que disse?

 

NOSSA HOMENAGEM PARA TODAS AS MÃES NO SEU DIA

 

Ser mãe é se reinventar

Por Redação – Jornal Estadão

Foto da última pintura feita pela Gabi

Ser mãe é ver mudar o eixo do seu mundo. É ter um ou mais corações batendo fora do peito. É mais do que amar profundamente. É saber amar alguém mais do que a si própria. É bem mais do que aprender e ensinar sobre amor incondicional. É ser o exemplo desse amor.

É descobrir que você sabe mais do que podia imaginar. E, ao mesmo tempo, descobrir que, muitas vezes, não sabe nada. É perceber que aquilo que você aprendeu nem sempre funciona. E se reinventar. Ser mãe é, sem dúvida, se reinventar.

É entender que a sua força, flexibilidade e resistência são bem maiores do que você poderia acreditar. É descobrir que a maternidade te exige tudo isso, sem você planejar. É passar a se conhecer de um jeito que você nunca poderia imaginar.

É encontrar o rumo, mesmo quando falta clareza para enxegar. É acreditar que está no caminho certo ou, pelo menos, buscar sempre acertar. É ver mais de você no mundo. E querer ver tudo melhorar.

Ser mãe é encontro, comunhão, multiplicação.

Mas é também, muitas vezes, se sentir perdida. Como não?

É constatar que seus planos não estão mais só nas suas mãos.

É querer criar pessoas do bem, justas, humanas. É tentar compreender, sem julgar. É saber valorizar infinitamente mais o ser do que o ter. É dar valor pra essência. Saber cuidar e saber preservar.

Ser mãe é ser capaz de ser piegas, cafona e brega, mesmo quando você é chique. É poder gritar: “Lindo”, no meio da torcida. Ou a cada conquista. É se dar conta de que você carrega um troféu dentro do peito. É repetir os gritos de “bravo!”. E ver que você está mais parecida com a sua própria mãe do que poderia imaginar. Ser mãe é derrubar a censura!

É também perder a paciência ao botar pra dormir. E, depois, voltar pra admirar. É estar feia, cansada, impaciente ou estressada e, mesmo assim, não ser cobrada. Melhor: e ser amada. É saber reconhecer que, mesmo imperfeita, o maior amor do mundo, por boa parte da vida, será por você.

É se preocupar. Se ver leoa pra proteger. Ou pra brigar. E, ainda assim, saber perdoar. Tudo, sem planejar. É reconhecer e ensinar que fazer justiça com as próprias mãos não dá. Ser mãe é aprender a ponderar. E é também ser sempre capaz de se colocar em outro lugar.

É mudar planos, abrir mão de sonhos… E não se importar. É descobrir que, com filhos saudáveis e seguros, você sempre pode sonhar. Ser mãe é perder. E, ao mesmo tempo, é ganhar!

Ser mãe é conhecer a maior felicidade que existe no mundo sem precisar conquistar mais nada. Pra quem desejou, ser mãe é, sem dúvida, a maior riqueza que há.

DICAS PARA CRIAR UM CURÍCULO CERTEIRO

 

Lívia Felizardo – Diretora de produtos da Vivae

Curriculum Vitae Graduation Experiences Career Ladder Qualifications Word With Icons

A busca por emprego é uma tarefa difícil, mas o caminho pode ser mais simples quando se sabe o que deve ser feito. Um bom currículo nunca sai de moda e saber como montá-lo é o primeiro passo para alcançar a vaga tão desejada.

O CV (curriculum vitae) é a primeira apresentação do candidato no mercado de trabalho – para causar boa impressão, o documento deve ser elaborado de forma cuidadosa e com um objetivo claro. Lívia Felizardo, diretora de produtos da Vivae, aplicativo de educação e empregabilidade fruto de uma parceria entre a operadora Vivo e Ânima Educação, reuniu 5 dicas de como montar um bom currículo. Confira abaixo.

Escolha as informações a dedo

As experiências profissionais são as principais informações do seu currículo. É importante que elas sejam escritas em tópicos curtos e simples, para facilitar a compreensão do avaliador. A ordem de disposição deve ser cronológica, do mais atual para o menos atual. Outro ponto relevante no CV é um breve resumo do perfil profissional do candidato, algo entre 3 e 5 linhas. É fundamental que se destaque as principais forças e habilidades, informando também um resumo da trajetória profissional do candidato.

Use todas as experiências ao seu favor

Uma das grandes ansiedades de quem está procurando o primeiro emprego é saber o que colocar no currículo. A falta de experiências profissionais pode ser aterrorizante, mas não é o fim do mundo. O importante é destacar experiências que talvez não sejam tradicionalmente vistas em um CV, mas que podem indicar um bom profissional. Participação em um projeto social, em voluntariado ou alguma atividade na própria escola, mostra que o profissional é interessado e o torna mais interessante para uma empresa. Outra dica é participar de cursos online que possam agregar ao currículo.

Faça um campo dedicado ao objetivo profissional

O texto do objetivo deve começar com um verbo, demonstrando ao empregador que o candidato tem expectativas para seu futuro profissional. A formação educacional também é essencial, sendo importante destacar o histórico acadêmico e cursos realizados ao longo da trajetória profissional. A honestidade, no entanto, é de extrema importância. Mentir no currículo tende a prejudicar o candidato no longo prazo.

O simples funciona

Outra boa dica é inserir nos textos do CV palavras chaves que estejam diretamente relacionadas ao cargo desejado ou à empresa em questão. Para isso, é importante estudar a vaga e a companhia que está oferecendo a oportunidade. Por fim, um layout inovador nem sempre é o indicado. O mais importante é que a formatação do currículo seja simples, com fonte legível e conteúdo objetivo. Não há problema algum em fazer o CV no Google Docs ou no Word.

Adapte seu currículo

Vagas diferentes exigem qualificações diferentes. Entender isso é o primeiro passo para quem deseja ser mais assertivo na hora de formular um currículo. Identificar quais são as habilidades necessárias para cada emprego e destacá-las no CV é um bom caminho para gerar conexão com os requisitos da oportunidade que você deseja. É possível editar o currículo para atender às necessidades da vaga, deixando claro que você tem qualidades que se adequam ao emprego. E de novo: destaque as competências e experiências que você, de fato, tem. Ser verdadeiro é essencial.

A Startup Valeon reinventa o seu negócio

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nos comércios passa pelo digital.

Para ajudar as vendas nos comércios a migrar a operação mais rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo para o seu comércio.

Por um valor bastante acessível, é possível ter esse canal de vendas on-line com até mais de 300 lojas virtuais, em que cada uma poderá adicionar quantas ofertas e produtos quiser.

Nossa Plataforma Comercial é dividida basicamente em página principal, páginas cidade e página empresas além de outras informações importantes como: notícias, ofertas, propagandas de supermercados e veículos e conexão com os sites das empresas, um mix de informações bem completo para a nossa região do Vale do Aço.

Destacamos também, que o nosso site: https://valedoacoonline.com.br/ já foi visto até o momento por mais de 220.000 pessoas e o outro site Valeon notícias: https://valeonnoticias.com.br/ também tem sido visto por mais de 5.300.000 de pessoas, valores significativos de audiência para uma iniciativa de apenas três anos. Todos esses sites contêm propagandas e divulgações preferenciais para a sua empresa.

Temos a plena certeza que o site da Startup Valeon, por ser inédito, traz vantagens econômicas para a sua empresa e pode contar com a Startup Valeon que tem uma grande penetração no mercado consumidor da região capaz de alavancar as suas vendas.

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sábado, 13 de maio de 2023

DEPUTADOS LEVAM ESPOSAS PARA PASSEIO NO EXTERIOR POR CONTA DO GOVERNO

 

Por
Lúcio Vaz


Foto inserida no relatório de viagem do deputado Aliel Machado a Tel Aviv| Foto: Reprodução/relatório de viagem

Deputados federais levaram esposas na viagem para Barcelona e Tel Aviv, onde participaram de eventos na área de tecnologia e inovação. Os gabinetes dos deputados Aliel Machado (PV-PR) e Domingos Neto (PSD-CE) confirmaram a presença das esposas na viagem, mas afirmaram que elas pagaram as suas despesas. Os gastos  com 98 viagens de 76 deputados neste ano já somam R$ 1,3 milhão.

Machado recebeu cinco diárias no valor de R$ 11,4 mil. A sua assessoria afirmou ao blog que as despesas referentes a hospedagem, alimentação e passagens da esposa do deputado foram pagas com recursos próprios. O blog solicitou o envio do recibo da hospedagem da esposa. O deputado respondeu que, “por não se tratar de pessoa pública, não há interesse público nos documentos solicitados”.

Neto teve direito a 9,5 diárias no valor de R$ 21,7 mil. A assessoria do deputado afirmou ao blog que “a Câmara não paga hospedagem para deputados nem acompanhantes em missão”. O blog argumentou que a Câmara paga diárias que cobrem as despesas de viagem, incluindo hospedagem. A assessoria respondeu que “ele pagou a passagem, as diárias dela e chegaram até a devolver uma diária”.

Outros deputados que fizeram parte da comitiva – Vitor Lippi (PSDB-SP), Paulão (PT-AL), André Figueiredo (PDT-CE) e Danilo Forte (União-CE) – afirmaram ao blog que não foram acompanhados da esposa. Davi Soares (União-SP) e Augusto Coutinho (Republicanos-PE) não responderam aos questionamentos do blog.

VEJA TAMBÉM:
Voos sigilosos de ministros e servidores do STF custaram R$ 3,6 milhões


Comitiva presidencial
A participação de 26 deputados nas comitivas presidenciais a Pequim e Lisboa custou R$ 216 mil aos cofres públicos, considerando só as 98 diárias. Os 17 deputados que foram à China receberam um total de 60 diárias no valor de R$ 131 mil. Na viagem a Portugal, nove deputados receberam R$ 85 mil por 38 diárias.

Não houve despesa com passagens aéreas porque os deputados viajaram em aeronaves oficiais. A Presidência da República não informa o custo operacional desses jatos por questões de segurança. Mas não explica por que a divulgação desse valor colocaria em risco o presidente e sua comitiva.

A viagem dos oito deputados que estiveram nas feiras de tecnologia da informação em Barcelona e Tel Aviv custou R$ 184 mil. Somando com as despesas dos senadores que reforçaram a comitiva – Weverton (PDT-MA) e Efraim Filho (União-PB) – a despesa chegou a R$ 260 mil. Reportagem do blog mostrou que 35 senadores torraram com viagens internacionais neste ano a mesma quantia gasta pelos pelos deputados – R$ 1,3 milhão

Na “missão oficial” mais cara, dez deputados torraram R$ 218 mil em viagem a Paris para a reunião da Organização da Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), no início de maio. Só as passagens custaram R$ 118 mil. Em voos na classe executiva, a passagem de Sidney Leite (PSD-AM) custou R$ 32,8 mil, enquanto a de Saullo Vianna (União-AM) chegou a R$ 33,2 mil. Para o mesmo evento, a passagem de Célio Studart (PSD-CE) custou R$ 10,4 mil. A de Eduardo Bismarck (PDT-CE) ficou em R$ 7,9 mil.


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GOVERNO LULA VAI MAU TAMBÉM NA COMUNICAÇÃO

 

Secretaria de Comunicação
Pimenta vira alvo de “fogo amigo” por causa de crises na comunicação do governo Lula
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasília


O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


A comunicação no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem levado lideranças do governo a criticar nos bastidores a estratégia adotada pelo ministro da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, Paulo Pimenta. O “fogo amigo” contra Pimenta ganhou força nas últimas semanas, depois que ele chegou a anunciar que haveria o corte do patrocínio do Banco do Brasil à Agrishow, maior feira agrícola da América Latina, o que não ocorreu.

A crise ganhou repercussão depois que o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, desistiu de participar do evento por causa do convite feito ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com integrantes do Planalto, Pimenta anunciou o corte do patrocínio da instituição sem um alinhamento prévio com os demais setores do Executivo.

“Descortesia e mudança de caráter de um evento institucional de promoção do agronegócio para um evento de características políticas e ideológicas. Ou é uma feira de negócios plural e apartidária ou não pode ter patrocínio público”, defendeu o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta.

A avaliação de lideranças do PT é de que o movimento de Pimenta acabou ampliando a crise e as dificuldades de aproximação de Lula com o agronegócio. Após a repercussão negativa, Fávaro tentou contornar o episódio, disse que não haveria corte e defendeu a ampliação de recursos para o setor . “Não há, em hipótese alguma, nenhuma retirada de investimento”, minimizou Fávaro durante encontro com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Mas, nesta sexta-feira (12), o próprio Lula agravou a crise, que parecia ter passado, ao chamar empresários do agro de São Paulo de fascistas.

Além desse episódio, os governistas acreditam que a comunicação do Planalto tem provocado ruídos “injustificáveis” até com a imprensa. Em março, por exemplo, Pimenta foi criticado depois que tentou desqualificar a apresentadora da CNN Brasil Raquel Landim durante uma entrevista para a emissora.

Na ocasião, o ministro da Secom questionou as qualificações de Landim após ser questionado por ela sobre a fala do presidente Lula, que sugeriu, sem provas, ser uma “armação” do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) o plano da facção criminosa PCC contra autoridades. “Você é jornalista?”, perguntou o ministro. A apresentadora rebateu e respondeu que sim, “formada pela Universidade de São Paulo”.

“Sou jornalista, sim. Meu papel é fazer as perguntas; o da autoridade pública deveria ser trazer os esclarecimentos”, escreveu Landim em uma rede social. Também pelas mídias sociais, Pimenta negou a intenção de ofender ou desqualificar a jornalista.

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Oposição aponta suposto “gabinete do ódio” liderado pela Secom de Lula


Paralelamente, integrantes da oposição na Câmara dos Deputados apontam a existência de um suposto “gabinete do ódio” de Lula e que funcionários da Secom estariam por trás de uma série de ataques contra big techs e parlamentares contrários ao PL das Fake News. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles. O governo foi procurado pelo veículo, mas não deu retorno sobre a questão.

O material apresentado pelos oposicionistas – que teria sido disparado pelo “gabinete do ódio” petista – contém imagens que tentam associar as empresas donas de grandes redes sociais e deputados da oposição aos ataques terroristas que ocorreram em escolas pelo Brasil recentemente. Há ainda peças atacando o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), apontando que ele seria contra o projeto que pode “impedir criminosos de usarem redes para planejar ataques”.

A pasta compartilhada pelo Google Drive estaria associada a um suposto e-mail de um integrante da pasta comandada por Paulo Pimenta. Haveria, ainda, arquivos modificados por usuários que também seriam funcionários da Secom. Para a oposição, a Secom estaria utilizando as mesmas táticas que tentaria impedir com o PL das Fake News.

“Essas informações demonstram a necessidade de uma investigação rigorosa sobre a conduta desses funcionários e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Vale notar que a ferramenta para atacar aqueles que se opõem ao PL das Fake News são, mais Fake News, vindas justamente daqueles que dizem querer combater a desinformação”, defendeu o deputado Kim Kataguiri (União-SP).

Pimenta vira alvo da oposição dentro da Câmara dos Deputados

A atuação do ministro Paulo Pimenta também tem gerado desgastes para o Palácio do Planalto dentro do Congresso Nacional. Na última semana, por exemplo, parlamentares do PT tiveram que negociar para que o chefe da Secom não fosse convocado pela comissão de Comunicação da Câmara.

O deputado Filipe Barros (PL-PR) apresentou o requerimento de convocação, depois que Pimenta recusou os convites do colegiado. O ministro chegou a sugerir que teria agenda para participar da audiência apenas no final deste mês, o que provocou reações da oposição. Diferente do convite, a convocação, se aprovada, obriga o ministro a comparecer ao colegiado.

“É de bom tom que os ministros, por livre e espontânea vontade, compareçam em cada comissão que afeta o seu ministério. Mas o ministro da Secom dorme em berço esplêndido e não vem nesta Casa. Outros convites foram feitos e esses convites foram solenemente ignorados pelo ministro Paulo Pimenta”, criticou Barros.

De acordo com o parlamentar, o ministro precisa prestar esclarecimentos sobre a ameaça de corte do patrocínio à Agrishow, além da atuação do governo sobre o PL das Fake News, e sobre o site de checagem de informações lançado pelo governo.

A plataforma, denominada “Brasil contra Fake”, tem como objetivo selecionar notícias com potencial desinformativo que possam prejudicar membros do governo, ou que estejam relacionados a temas de interesse do Executivo, e contrapor com a versão “oficial” do governo.

Já deputado Bibo Nunes (PL-RS) acusou o ministro da Secom de se comportar como “mais realista que o rei”. “Foi feito o convite, mas essa não é a primeira vez que o ministro Paulo Pimenta tenta dar uma de mais realista que o rei. É o que ele gosta de fazer conheço bem. Isso é um desprezo por esta comissão e nós temos que exigir no mínimo um pouco mais de respeito”, disparou Nunes.

Diante da mobilização da oposição, integrantes da base governista costuraram um acordo para que Pimenta compareça ao colegiado no próximo dia 24. “Não existe uma real necessidade de transformar o convite em convocação, haja visto que o ministro demonstrou a disponibilidade de ir à comissão. Então, não seria de bom tom convocar, já que ele disponibilizou datas”, minimizou a deputada Carol Dartora (PT-PR).


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DIPLOMACIA BRASILEIRA É CHAMADA NO EXTERIOR DE ANÃO POLÍTICO

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Celso Amorim, assessor de Lula para política exterior, se reuniu na Ucrânia com o presidente Volodymyr Zelensky e outras autoridades do país.| Foto: Divulgação/Governo da Ucrânia

Uma das características mais marcantes da nova-velha diplomacia brasileira nesses primeiros meses de terceiro governo Lula é a incapacidade completa de fazer análises precisas sobre os conflitos que afligem o mundo, seja os novos, seja os antigos. Em apenas dois dias, o Itamaraty e o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, o ex-chanceler Celso Amorim, deram demonstrações dessa incapacidade ao comentar a guerra na Ucrânia e o conflito palestino-israelense.

Às vésperas de uma reunião do G7 para a qual Lula foi convidado, e na qual certamente ouviria cobranças sobre suas absurdas declarações que, na menos pior das hipóteses, igualavam moralmente os agressores russos e as vítimas ucranianas, o petista enviou Amorim à Ucrânia em uma missão de contenção de danos. Lula havia dado todas as razões possíveis para que o mundo visse o brasileiro como alguém que escolhera o lado errado. Mais recentemente, nos Emirados Árabes, Lula chegou a dizer que “a decisão da guerra foi tomada pelos dois países”; que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, “não toma a iniciativa de parar”; e que “a Europa e os Estados Unidos terminam dando a contribuição para a continuidade desta guerra”. No início de abril, Amorim já tinha se encontrado com Vladimir Putin, e poucos dias depois foi a vez de o chanceler russo, Sergei Lavrov, retribuir a visita, vindo a Brasília.

Escolher o lado errado, ou optar pela neutralidade em ocasiões em que a defesa da paz, da democracia, dos direitos humanos e da ordem internacional exige uma tomada de posição, é praxe petista desde a primeira vez que Lula recebeu a faixa presidencial

A julgar pela fala de Amorim após seu encontro com Zelensky e o vice-chanceler ucraniano, Andrii Melnyk, o assessor brasileiro continua sem compreender bem o perigo à ordem internacional representado pela agressão russa. “Não será fácil chegar a uma confluência. Será necessário que os dois lados cheguem à conclusão de que o custo da guerra é maior do que o custo de certas concessões”, disse Amorim em entrevista. Que “concessões” deveria fazer a Ucrânia, um país que, sem ter realizado nenhum tipo de agressão, foi invadido por uma potência vizinha? Amorim não disse. A Ucrânia – que já fez uma concessão importante nos anos 90, abrindo mão de seu arsenal nuclear – deveria ceder à Rússia parte dos territórios invadidos em 2014 e 2022? Deveria abrir mão de pedir sua adesão à Otan ou à União Europeia, desistindo do direito de decidir seu próprio destino? Qualquer “concessão” agora seria uma validação dos métodos russos, aquilo que a já nos referimos como “a paz dos valentões”. Não há negociação justa sem ter como ponto de partida o respeito à integridade territorial ucraniana, como aliás afirmou Zelensky após seu encontro com Amorim, e é por ela que os ucranianos lutam sem a “iniciativa de parar”

O vice-chanceler ucraniano afirmou, depois do encontro com Amorim, que “o Brasil pode desempenhar um papel importante para deter a agressão russa e alcançar uma paz duradoura e justa”. De fato pode, mas apenas se o país abandonar a postura dúbia. A detestável equivalência moral entre russos e ucranianos não é requisito para que uma nação se coloque na posição de mediadora, mas a firmeza de princípios sim. Até o momento, Lula não tem a menor ideia do que fazer, e ele mesmo o admitiu à tevê chinesa; seu único “plano” é reunir países para que possam, enfim, elaborar um plano. É muito pouco, quase nada para quem gosta de bravatear sobre um suposto “retorno” do Brasil à arena internacional.

Semelhante miopia seletiva ocorreu também na nota do Itamaraty a respeito do recente ataque israelense à Faixa de Gaza, mirando alvos do grupo terrorista Jihad Islâmica e matando três de seus líderes, em resposta ao contínuo lançamento de foguetes contra território de Israel. A solidariedade brasileira é dirigida apenas “ao povo e ao governo do Estado da Palestina”; até existe menção a israelenses mortos neste ano, mas o recurso aos números esconde um truque retórico. Com a referência a 15 vítimas israelenses e 100 palestinas em 2023, tenta-se dar a impressão de um conflito desequilibrado e superficial, com ações desproporcionais de Israel, ignorando que o número de mortos israelenses é baixo porque o país conta com avançados sistemas de defesa, enquanto o terrorismo palestino deliberadamente mistura suas instalações com prédios civis em uma das áreas mais densamente povoadas do mundo, aumentando a probabilidade de mortes entre inocentes, usadas por grupos como a Jihad Islâmica e o Hamas para estimular o ódio a Israel.

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O Brasil tem todo o direito de defender a solução de dois países, mas também tem o dever de reconhecer o direito de Israel à autodefesa, levar em conta que Gaza é governada por grupos que nem sequer admitem a existência de Israel, e repudiar os métodos dos terroristas – o lançamento de foguetes contra civis israelenses é mencionado em apenas uma das seis notas do Itamaraty sobre o conflito palestino-israelense publicadas desde a posse de Lula. O presidente da República, aliás, já sofreu críticas por declarações historicamente equivocadas sobre a questão palestina em sua recente viagem à Espanha.

O epíteto de “anão diplomático” dado ao Brasil em 2014 veio justamente de um integrante da chancelaria israelense, após uma nota do governo Dilma Rousseff que padecia do mesmo erro do recente comunicado do Itamaraty. Escolher o lado errado, ou optar pela neutralidade em ocasiões em que a defesa da paz, da democracia, dos direitos humanos e da ordem internacional exige uma tomada de posição, é praxe petista desde a primeira vez que Lula recebeu a faixa presidencial, num distante 2003. O hábito, ao que tudo indica, não foi abandonado.


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COMBATER A DESINFORMAÇÃO E MANTER A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

 

Por

Fake news
Além de defender a liberdade de expressão, a direita precisa combater a desinformação

Por
Guilherme de Carvalho – Gazeta do Povo


Áreas de desmatamento na Amazônia.| Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real
Tenho um reclame contra o comportamento direitista nas mídias sociais: ele fornece munição aos censores.

Vou ilustrar meu ponto com uma polêmica recente. Já se vão mais de 20 dias desde que foi divulgado o relatório do Imazon, segundo o qual o desmatamento na Amazônia triplicou no mês de março, tornando o primeiro trimestre do governo Lula o segundo pior trimestre de desmatamento desde 2008, com perda de 867 km2. O recorde aconteceu em 2021, sob o governo Bolsonaro, quando perdemos 1.185 km2 de floresta nativa.

Previsivelmente, o assunto foi muito explorado em círculos da direita, como se fosse prova de hipocrisia da esquerda. Os jornais conservadores mantiveram a linha, ou quase – alguns apenas noticiaram o fato, mas a revista Oeste fez questão de observar: “Sob Lula”. Não mentiu nos fatos, mas sugeriu um fracasso do governo Lula. Nas mídias sociais, no entanto, a acusação correu solta, desavergonhada. Para dar um exemplo: o perfil do influenciador Fernando Conrado no Instagram, com quase 860 mil seguidores, mantém um vídeo comentando a reportagem do g1 com a chamada “acuse-os do que você faz, chame-os do que você é”. O influenciador afirma que os progressistas usam de “dois pesos e duas medidas”, que permaneceram em silêncio agora, mas durante o governo anterior foram “quatro anos de um chorinho interminável”. É a “hipocrisia dos progressistas”. O vídeo tem quase 66 mil curtidas.

Não posso discordar quanto à hipocrisia de muitos (não todos) os progressistas. No campo dos Direitos Humanos, em particular, essa hipocrisia gritava dos telhados de Brasília. Pude constatá-la em primeira mão: em nome da narrativa e da guerra cultural, acusações e exigências desonestas eram levantadas regularmente contra a equipe do finado Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Dada a práxis do progressismo nacional, parece-me seguro extrapolar esse comportamento para outros setores.

O sistema nacional de proteção contra o desmatamento entrou em processo de franca degradação, até alcançarmos os números revoltantes de 2021. Exigir que o governo Lula conserte esse estrago em poucos meses é ignorância ou coisa pior

A verdade, no entanto, é que a sugestão de fracasso ambiental do governo Lula no começo do ano é uma bobagem sem tamanho, uma consumada idiotice. Todo conservador sabe que coisas boas custam muito tempo, esforço e amor para serem construídas, mas podem ser destruídas de um dia para o outro. Um sistema nacional de proteção ambiental é como uma tradição ou como a saúde física: ela é construída com anos de investimento e boas práticas, mas pode ser perdida de um dia para o outro.

É evidente, e tão evidente quanto o sol é amarelo, o céu é azul e a grama é verde, que durante os quatro anos do governo Bolsonaro houve um desmonte sistemático da fiscalização ambiental no país. Isso nem mesmo é matéria conspiratória; pelo contrário, foi feito à luz do dia sob a justificativa de que era necessário para promover desenvolvimento e para proteger a soberania nacional contra a ameaça de ONGs estrangeiras.

Mas podemos ser específicos: o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, ou PPCDAm, foi criado no primeiro mandato do presidente Lula, e foi o principal responsável pela redução de 83% da taxa de desmatamento na Amazônia de 2004 a 2012. Esse plano precisava de melhoramentos, sem dúvida nenhuma, mas foi simplesmente extinto pelo governo Bolsonaro em 2019, como parte de suas ações para demolir a herança lulopetista. Ocorre, no entanto, que o bebê foi jogado fora com a água do banho, e nenhuma alternativa funcional foi estabelecida. Outras decisões ruins foram tomadas, como a transferência do Serviço Florestal e do Cadastro Rural para o setor agrícola do ministério, enfraquecendo o braço ambiental. O sistema nacional de proteção contra o desmatamento entrou em processo de franca degradação, até alcançarmos os números revoltantes de 2021. Exigir que o governo Lula conserte esse estrago em poucos meses é ignorância ou coisa pior.

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A verdade é que muitas providências vêm sendo tomadas pelo atual governo. Nesse momento está sendo finalizado o Programa de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas no Brasil, uma quinta e atualizada versão do PPCDAm, posto em consulta pública entre 10 e 26 de abril. Além disso, a fiscalização foi retomada, com aumento de 219% na aplicação de multas por desmatamento em relação ao ano passado. Negociações internacionais vêm sendo feitas para trazer investimentos na conservação da Amazônia. Enfim, a equipe do Ministério do Meio Ambiente não ficou parada; está dando duro para desfazer o estrago dos quatro anos de desgoverno ambiental bolsonarista.

Os dados sobre o aumento do desmatamento na Amazônia no primeiro trimestre de 2023 são verdadeiros, mas seu uso como prova contra o governo Lula é pura desinformação. É uma forma branda de mentir. Informação sem contexto, empacotada em comparações absurdas e emocionalmente carregada, não passa de desinformação, baseada em ignorância, desonestidade, ou as duas coisas.

A incoerência da crítica bolsonarista pode ficar mais clara se considerarmos a evolução do governo Bolsonaro no campo econômico. Por exemplo: foi amplamente noticiado o superávit nas contas do governo em janeiro, após oito anos no vermelho. Foi também amplamente destacado, nesta quinta-feira, que a desigualdade econômica caiu para o menor nível dos últimos dez anos, segundo dados do IBGE. A melhora se deu em parte por uma política intencional de transferência de renda pelo governo, mas também pela redução do desemprego.

Os dados sobre o aumento do desmatamento na Amazônia no primeiro trimestre de 2023 são verdadeiros, mas seu uso como prova contra o governo Lula é pura desinformação. É uma forma branda de mentir

Esses dados sinalizam melhoria na saúde econômica; não poderiam ser produzidos de um dia para o outro. No entanto, até 2021, Bolsonaro e Paulo Guedes foram fustigados pela imprensa esquerdista, primeiro pela desaceleração econômica no ano de 2019, e depois pela estagnação de 2020, o ano da pandemia. Em maio de 2022 a Carta Capital, por exemplo, ainda desancava o governo Bolsonaro por causa da economia – uma cara-de-pau enorme, considerando a herança maldita da era Dilma.

Ora, os conservadores certamente se ressentiram ao ouvir progressistas apostando no pior e atacando o governo com a máxima má-vontade possível, assim como se ressentem agora quando os progressistas minimizam essas realizações como mera maquiagem. Sim: foi hipocrisia, desonestidade e desinformação.

Nesse caso, por que alguns conservadores adotam “dois pesos e duas medidas” no campo ambiental? Por que tentam minimizar o resultado vergonhoso do governo anterior distorcendo o desempenho do governo atual?

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É uma tristeza que o governo Bolsonaro tenha jogado fora a oportunidade de ouro de combinar bons resultados econômicos com a conservação ambiental – isso teria sido uma pá de cal em boa parte do discurso da esquerda. Mas é uma grande picaretagem tentar jogar areia nos olhos da oposição usando como recurso a desinformação. Pode ser que o governo Lula se mostre um desastre no campo ambiental. Mas por enquanto esse desastre está na conta da direita.

Como a Gazeta do Povo vem insistindo há tempos, vivemos um apagão da liberdade de imprensa e de expressão no Brasil. É dever dos conservadores e dos liberais lutar contra esse apagão. Mas é impossível negar o fato de que o cultivo da erva da desinformação se disseminou entre influenciadores de direita, tanto quanto entre os progressistas. Fake news e desinformação circulam com pouca ou nenhuma reprovação. A coisa me faz lembrar a figura do pai pusilânime, que tolera a maresia dentro de casa, e não deixa ninguém mexer com seus garotões. Até que a polícia aparece.

O uso da desinformação por conservadores nunca justificará a violação do direito fundamental à liberdade de expressão; a culpa da tirania é dos nossos tiranetes. Mas certamente esse comportamento transviado dá munição aos censores, e ajuda a explicar a sua surpreendente popularidade.

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LULA E SEUS VINGADORES SÓ PENSAM EM FAZER O MAL

 

Por
Deltan Dallagnol – Gazeta do Povo


| Foto: EFE

Recentemente, o Ministro da Justiça do governo Lula, Flávio Dino, fez uma declaração comparando-se aos Vingadores. De fato, como parte da equipe de Lula, Dino faz parte de um time de vingadores, mas há uma diferença crucial entre os Vingadores da Marvel e os de Lula.

Na saga dos quadrinhos e do cinema, os Vingadores buscam justiça, protegem os mais fracos e combatem o mal. Como o Brasil é hoje o multiverso da inversão de valores, os vingadores de Lula fazem jus ao apelido por uma razão totalmente diversa: buscam e promovem vingança.

Veja-se o caso de Waldih Damous, secretário do Ministério de Dino. Damous, que já foi advogado de Lula, quando seu cliente foi condenado e preso, afirmou publicamente que o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria ser fechado – por vingança. É a lógica da retaliação pautada em interesses e avessa à justiça.

Como o Brasil é hoje o multiverso da inversão de valores, os vingadores de Lula fazem jus ao apelido por uma razão totalmente diversa: buscam e promovem vingança

Lula, por sua vez, como líder do governo de vingadores, declarou abertamente que só ficaria satisfeito quando “ferrasse” Sergio Moro, um dos juízes responsáveis por sua condenação. Em vez de se engajar num debate construtivo contra a corrupção, algo de que entende muito, o que quer é vingança pessoal.

Por vingança, tudo que lembra a Lava Jato deve ser extirpado. O governo desativou, por exemplo, o setor anticorrupção da Controladoria da União, quer desfazer os acordos de leniência que recuperaram bilhões e o presidente da Petrobras desse time de vingadores quer se livrar do setor anticorrupção da estatal como se fosse um “entulho da Lava Jato”.

Nesse governo da vingança, quem apoiou a operação Lava Jato, aliás, não tem vez na ocupação de cargos de liderança, enquanto muitos envolvidos em escândalos, ou então investigados, processados ou até condenados ocupam altas posições em ministérios ou estatais.

A vingança de Lula mina também as instituições. Ataca reiteradamente os profissionais da Lava Jato e a credibilidade do sistema de justiça. Após ter criticado Bolsonaro por não seguir a lista tríplice para Procurador-Geral da República, paradoxalmente afirma que seguirá o mesmo caminho, repetindo o erro.

Lula demonstrou ainda insensibilidade diante de ameaças à vida de agentes da lei. Sua reação foi debochada e indiferente diante do sofrimento dos pais de duas famílias que descobriram que seus filhos estavam nas listas de alvos do Primeiro Comando da Capital (PCC), Isso contradiz os princípios dos verdadeiros heróis, aos quais Flávio Dino almejava se comparar.

Outro exemplo é a tentativa de cassar os mandatos dos agentes políticos eleitos, oriundos da Lava Jato, com base em argumentos absurdos e na influência política. Até quando vai seguir a perseguição contra a Lava Jato e aos seus agentes? Em vez de cuidar do futuro dos brasileiros, o governo tem uma obsessão por reescrever o passado.

Após ter criticado Bolsonaro por não seguir a lista tríplice para Procurador-Geral da República, paradoxalmente afirma que seguirá o mesmo caminho, repetindo o erro

É alarmante ainda a forma como o governo dos vingadores quer censurar a liberdade de expressão. O governo da vingança prometeu unir o país, mas busca isso pelo caminho errado: de supressão do dissenso, em vez de promover a tolerância com a pluralidade política e de pensamento.

O governo quer de todo modo controlar a narrativa, seja por meio do ministério da verdade anunciado no início do seu governo, da mudança da lei das estatais para investir bilhões em publicidade na grande imprensa, ou então de um órgão com superpoderes para monitorar as redes sociais. E ai de quem se ousar se opor: os defensores da liberdade de expressão são tachados de assassinos de crianças.

Lula ataca ainda o setor agropecuário simplesmente porque em boa medida apoiou seu adversário político. Em entrevista ao Jornal Nacional, em agosto de 2022, Lula classificou parte do setor como “fascista” e “direitista”. Culpou o “agronegócio maldoso” pelo 8 de janeiro de modo leviano. Atribuiu ao agro a responsabilidade pelo desmatamento. O que é esse ataque generalizador se não for um ato baixo de vingança política?

E Lula fez isso justamente contra um setor que merece grande reconhecimento pela sua contribuição para a economia e a segurança alimentar do país. O Brasil precisa do agro. Se há desmatamento, que os culpados sejam responsabilizados, mas o ataque a toda uma categoria, grande parte da qual nem possui terras nas regiões amazônicas, é deplorável. Ao fazer isso, ele legitima medidas protecionistas de países como a França. Assim, ele prejudica o próprio Brasil.

Um governo vingativo polariza ainda mais a sociedade. Ao buscar vingança contra seus oponentes políticos, Lula estimula um ambiente de hostilidade e divisão, de nós contra eles, de empregados contra patrões, de ricos contra pobres, de desarmamentistas contra armamentistas, de ambientalistas e sem-terra contra o agro.

É um país que não cabe no “todos”. Tem que ser dividido em todos, todas, todes, todus, todis e, com o tempo, faltarão letras no alfabeto. Os cidadãos são incentivados a tomar lados como inimigos, alimentando conflitos, prejudicando a coesão social e minando a confiança de uns nos outros e nas instituições democráticas.

A liderança de um país exige uma série de habilidades e qualidades, sendo uma delas a capacidade de unir as pessoas em torno de um projeto para o bem comum. Contudo, falta um discurso de união em torno de um projeto. E aí reside um problema gravíssimo: passados mais de 120 dias de governo, não há projeto para o desenvolvimento do país. Não há projeto para vencermos nossos problemas e desafios.

Na campanha, Lula assegurou que sabia o caminho com frases que diziam “confiem em mim, eu sei o que fazer”, “vai chover picanha e cerveja”. Contudo, o único projeto que se viu, para além de slogans vazios, é um projeto de reabilitação política impregnado de vingança.

Flávio Dino está certo: um time de vingadores governa o país. O slogan “Brasil da Esperança” deveria ser mudado para o “Brasil da Vingança”. Dizem que o exemplo arrasta. Nesse caso, arrasta para o abismo vazio da divisão e da polarização, ou então para a instabilidade de um novo impeachment, que pode se tornar cada vez mais necessário.

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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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