Violência A culpa não é das armas de fogo. É de leis fracas que geram impunidade
Por Alexandre Garcia – Gazeta do Povo
| Foto: Albari Rosa/Arquivo/Gazeta do Povo
Nos dois primeiros meses deste ano, no Distrito Federal, houve em
média dezessete ocorrências criminais diárias com faca. Mil e cinquenta
casos em dois meses, do Distrito Federal, que tem 3 milhões de
habitantes. Dezoito assassinatos.
No ano passado, foram 103 assassinatos com faca no Distrito Federal.
No ano anterior, 116. Então tem que fazer uma campanha também, de tirar
as facas. De registrar as facas, de ter que pedir licença para
autoridade para comprar a faca, não?
Aí eu fui ver os números aqui em Portugal. O total dos homicídios por
ano em Portugal inteiro, com veneno, com pau, com pedra, com tiro, com
faca, com murro, esgoelando, dá menos de 100 por ano. No Distrito
Federal, mais de 100 por ano, só com faca. Portugal tem 11 milhões de
habitantes, o Distrito Federal tem 3 milhões.
Como fazem campanha contra arma de fogo, vui ver quantas tem em
Portugal. Duas a cada dez habitantes. No Brasil, a cada dez habitantes
tem 0,05 arma. O que significa 40 vezes mais arma de fogo per capita em
Portugal que no Brasil.
E em Portugal o número de assassinatos é de menos de 100 por ano.
Então não é arma de fogo. Então é outra coisa. Aquilo que eu digo: são
cérebros que armas as mãos, não é? E são as lei fracas, as leis que
propiciam impunidade, as leis que não propiciam castigo depois do crime,
que estão no Brasil.
Ficou bem claro que Bolsonaro é o queridinho do agro Nesta
segunda-feira abriu-se o Agrishow, maior evento de tecnologia do agro
das Américas, em Ribeirão Preto. E foi aquilo que provavelmente o
governo temia. Foi um celebração, uma manifestação pró Bolsonaro, como
se fosse um comício. Foi um registro da volta dele, e ficou bem claro
que ele é o queridinho do agro. Sei lá, 90% do agro é Bolsonaro. Por
isso o ministro da agricultura não foi.
E fica o registro de que o governador de São Paulo, o governador
Tarcísio, reafirmou aquilo que ele já pôs em prática. Que quem invade
terra, invade propriedade em São Paulo, vai pra cadeia.
O outro lado sobre o conflito entre yanomami e garimpeiros Para
terminar, um registro sobre a verdade entre yanomami e garimpeiros.
Porque estão noticiando só um lado (“garimpeiro está matando yanomami”),
e eu fui procurar o outro lado. Agora pessoal do garimpo legal diz que
yanomami atacaram garimpeiros pra roubar comida, porque os yanomami
estão com fome.
O governo fez todo aquele barulho no início, depois deixou os
yanomami abandonados e os garimpeiros, idem. Disse que os garimpeiros
tinham que sair mas não retirou os garimpeiros. Ao contrário, impediu a
retirada, tocando fogo em avião etc.
Então é uma adoção de medidas populistas, emergenciais, sem que
houvesse um planejamento e uma logística e daí o resultado: agora tem
quatro garimpeiros mortos pela Polícia Federal.
Sessão da Câmara dos Deputados que aprovou urgência para o PL das Fake News.| Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Os
deputados brasileiros têm diante de si neste momento uma escolha
perfeitamente clara: ou jogam o país na treva da censura ou mostram que
ainda são capazes de defender a liberdade que resta aos cidadãos, e que
se vê agredida cada vez mais pelo consórcio formado entre o governo
Lula, o Supremo Tribunal Federal e as forças que os apoiam. Podem
aprovar a entrega, aos que mandam hoje no Estado, de um sistema para
reprimir a livre expressão de ideias – ou dizer “não” à censura legal e
hipócrita que querem impor à sociedade. É disso, e só disso, que se
trata.
A lei a ser votada na Câmara não se destina a promover a
“responsabilidade” e a “transparência” na internet, como diz a
propaganda do PT. Ela dá ao governo a autoridade legal de decidir o que o
brasileiro pode ou não pode dizer nas redes sociais – o resto da
discussão é fraude, pura e simples.
O fato, no mundo das realidades objetivas, é que a esquerda brasileira jamais está do lado da liberdade.
O Sistema Lula diz que o censura criada pela lei será aplicada pela
“sociedade”, não pelo governo; não é censura, portanto. É obviamente
falso – na prática, é a máquina estatal que vai tomar as decisões. É ela
que vai decidir o que é verdade ou mentira no Brasil – e proibir não
apenas as fake news, como dizem, mas tudo aquilo que considerar
“desinformação”. Que diabo quer dizer isso, “desinformação”? No
palavrório da lei, é o que estiver “fora do contexto”, ou for “enganoso”
ou passar por “manipulação” – quer dizer, na vida real, tudo o que os
censores resolverem vetar.
A verdade oficial do governo Lula, por exemplo, estabelece que Dilma
Rousseff sofreu um “golpe”, e não um processo legal de impeachment. Com a
nova lei, os “representantes da sociedade” podem punir como culpado de
“desinformação” quem falar “impeachment” em vez de “golpe”. Que tal? O
governo diz que não vai ser bem assim, é claro, e que a censura será
executa com o máximo de honestidade, isenção e critério. Mas vai ser
exatamente assim, e daí para baixo.
VEJA TAMBÉM: A censura está a ponto de ser institucionalizada – para a alegria de Lula, a esquerda e o STF MST não quer terra nenhuma, só dinheiro vivo – e quem paga é o povo Como um presidente da República pode ajudar os pobres comprando um sofá de 65 mil reais?
A lei vai ser votada dentro das piores práticas do Congresso
Nacional – por trapaças variadas, o projeto irá a plenário sem ter
passado por estudo ou debate em nenhuma comissão. É insano. A nova lei
do ensino médio que o governo Lula acaba de anular, para ficar num caso
só, levou mais de vinte anos de discussão para ser aprovada; mas um
projeto que atinge diretamente a liberdade de expressão, determinada
pela Constituição Federal , vai ser votado na correria.
O fato, no mundo das realidades objetivas, é que a esquerda
brasileira jamais está do lado da liberdade. Alguém é capaz de se
lembrar, por exemplo, a última vez que Lula falou em favor da liberdade?
Já falou sobre tudo, desde que em seu governo haveria “picanha para os
pobres”, até que a Ucrânia é responsável pela invasão do seu próprio
território, mas de liberdade nada. É mais uma demonstração do que estão
pretendendo com a lei da censura.
O presidente Lula e o PT estão entre os apoiadores do PL 2.630.| Foto: EFE/Andre Borges Escrevo
sob a sombra do PL 2.630, com o qual o governo Lula pretende obter o
controle sobre o que se posta nas redes sociais. No fim, superadas as
discussões técnicas e os detalhes, é disso que trata o projeto.
A boa notícia que o início de semana nos traz é que o risco de
aprovação do projeto aparenta ser declinante. Placares informais dos
votos dos parlamentares apontam para a rejeição do projeto. O mais
provável é que não seja colocado em votação diante das chances de
rejeição.
Favoráveis ao projeto estão apenas o PT, partidos satélites e outros
partidos que se aproximam sempre de qualquer governo. Como o PT não vê
qualquer problema em ditaduras como Cuba, Venezuela e Nicarágua, é
natural que não tenha óbices ao PL 2.630.
Faço aqui uma confissão. Gostaria muito de só ler coisas boas nas
redes sociais. Seria um sonho não ver nelas postagens agressivas ou
grosseiras e poder confiar em tudo o que nelas se posta. Se elas fossem
uma fonte dinâmica de informação verdadeira e confiável, seria o melhor
dos mundos. Aliás, desde 2014, sou uma das principais vítimas de fake
news espalhadas pelo PT e por seus aliados. A lista é gigantesca,
passando do negacionismo da corrupção na Petrobras às acusações falsas
de ligações com a CIA ou o governo norte-americano. Apesar disso, mesmo
quando ocupava a posição de ministro da Justiça, jamais defendi conceder
ao governo que integrava um poder de censura sobre as redes.
Desde 2014, sou uma das principais vítimas de fake news espalhadas pelo PT e por seus aliados. A lista é gigantesca
Não discordo de que as redes sociais precisam de alguma regulação. Há
uma disputa comercial entre elas e a imprensa. O jornalismo
profissional se ressente de produzir material e nada receber
financeiramente por sua veiculação nas redes sociais ou na internet. Há
bons argumentos para ambos os lados e defendo que a questão seja
debatida em projeto de lei próprio e específico para que ela não seja
contaminada pelo debate sobre a censura nas redes sociais.
Discordo da utilização das redes sociais para disseminar pornografia
infanto-juvenil, veicular ameaças ilegais e golpes financeiros ou
incitar a prática de violência. Com falhas, as redes sociais já atuam
para excluir conteúdos da espécie e reputo razoável que a lei preveja
mecanismos para garantir que sejam excluídos. Em relação a este tipo de
postagem, é mais improvável termos divergências quanto à sua
caracterização como impróprio ou mesmo para reconhecê-lo.
Já ofensas, calúnias e difamações são um problema nas redes, mas
essas condutas são criminosas e a legislação penal já as trata como
crimes, sendo de se questionar a necessidade de regras especiais
aplicáveis às redes sociais.
VEJA TAMBÉM: Todo corrupto é um ladrão Dobrando a aposta Contra o domínio do crime e da mentira
Também sou favorável à ampla transparência das redes sociais.
Conteúdo promovido ou patrocinado deve ser identificado. Contas
automatizadas, inautênticas ou mecanismos artificiais de disseminação
deveriam ser suprimidos ou completamente identificados. As regras de
automoderação e autocontrole já utilizadas pelas plataformas deveriam
ser publicizadas e deve haver mecanismos que promovessem a transparência
de sua aplicação. Às plataformas ainda deveriam ser impostas regras que
garantissem o espaço para o livre debate público, com respeito à
pluralidade de opiniões e com a proibição de concessão de vantagens a
conteúdos por motivos político-partidários ou por preferências
ideológicas. Nesses aspectos, o PL 2.630 é bem falho.
Mas o grande problema é a pretensão do PL 2.630 de retirar das redes
sociais as assim denominadas fake news, ainda que a pretexto de proteger
a democracia e o debate público. Em última análise, alguém terá de ser
encarregado de definir se uma informação divulgada na rede é ou não
verdadeira. O PL 2.630 pretendia resolver isso criando uma misteriosa
“entidade autônoma de supervisão” vinculada ao governo, com a atribuição
de vigiar as redes sociais e as grandes plataformas. Diante de uma
reação negativa da sociedade, o relator do projeto, na última versão,
suprimiu o artigo que criava tal entidade. Ao incauto, o problema pode
parecer superado, mas na prática o projeto tem um sujeito oculto e
indefinido ao qual caberá a tarefa de censurar as redes sociais. Quem
será ele? Nem o relator sabe dizer, o que já diz muito sobre o
açodamento e a falta de ténica da proposta.
Nenhum governo é confiável para dizer o que é verdade e o que é
mentira. Para isso não cabe solução fácil, não existe uma solução
milagrosa ou um Deus ex machina. Essa tarefa cabe a cada um, a nós
mesmos
Temos um presidente da República campeão em produzir fake news.
Destaco apenas algumas pérolas mais recentes. Segundo ele: a Ucrânia é
tão culpada pela guerra como a Rússia; os Estados Unidos e a União
Europeia incentivam a guerra ao ajudar a Ucrânia a se defender; Cuba,
Venezuela e Nicarágua não são ditaduras e a primeira é um paraíso
social; os Estados Unidos fomentaram a Lava Jato no Brasil pois as
empresas brasileiras estavam ficando competitivas internacionalmente; o
autor deste artigo teria ligações com a CIA ou com o FBI e teria
“armado” um plano do PCC para figurar como vítima de um sequestro. Pois
bem, este mesmo presidente quer criar um órgão vinculado ao seu governo
ao qual caberá o poder de dizer o que é verdade e o que é mentira. Dá
para confiar? Eu diria que não, que esse governo com um histórico
vinculado a tentativas autoritárias de controlar a imprensa – recordemos
da tentativa frustrada de criação do Conselho Federal de Jornalismo –
não é confiável.
A questão, porém, é ainda mais profunda: nenhum governo é confiável
para dizer o que é verdade e o que é mentira. Para isso não cabe solução
fácil, não existe uma solução milagrosa ou um Deus ex machina. Essa
tarefa cabe a cada um, a nós mesmos. A melhor solução encontrada pela
humanidade, em jogo de tentativa e erro, foi o livre intercâmbio de
ideias, sem censura estatal, por meio do qual as informações e opiniões
puderam ser testadas no grande palco da humanidade e aquelas ruins ou
falsas, como a teoria de que o Sol girava em torno da Terra ou de que o
comunismo traria liberdade e igualdade para todos, foram jogadas fora.
Agora, está na hora de jogar fora o PL 2.630 e sepultar em definitivo a
ideia falsa e autoritária de que o governo deve ter algum papel em dizer
o que é verdade ou mentira nas redes sociais, na imprensa ou em
qualquer meio de comunicação.
Artigo Por Patricia Eliane da Rosa Sardeto – Gazeta do Povo
Em seus poucos meses de vida, o ChatGPT causou furor em todos os setores, desde a tecnologia até a educação.| Foto: Bigstock
ChatGPT
é só mais do mesmo? Sim e não. Provavelmente não é a primeira vez que
você escuta falar sobre o ChatGPT, mas se for, vale a pena uma breve
explicação. O ChatGPT é uma inteligência artificial generativa e não é a
única deste tipo, apenas a mais conhecida. Vamos imaginar uma criança,
que em termos de conhecimento e aculturação é uma tábula rasa; aos
poucos vai recebendo ensinamentos e informações dos seus pais, parentes,
professores, amigos, da internet, de modo a formá-la como ser humano
“inteligente e civilizado”. O que estamos presenciando em termos de
evolução da inteligência artificial é bem parecido.
Em 1950, Alan Turing já previa a capacidade da máquina pensar e de
colaborar com o ser humano em atividades que desempenharia muito melhor.
Desde então, o estudo e aplicação da inteligência artificial tem
avançado no sentido de ensinar a máquina a aprender (é o que chamamos de
aprendizagem de máquina – machine learning), isso através de um enorme
banco de dados e muito treinamento. Já faz parte da nossa rotina usar
mecanismos de busca na internet para encontrar tudo o que precisamos,
desde informações triviais como a previsão do tempo até… (diríamos
antigamente que o céu é o limite, mas já não podemos mais usar esse
ditado popular, pois a questão de limites é um dos maiores desafios da
internet).
Cabe a nós moldar essa nova tecnologia da melhor forma possível,
porque algo que aprendemos com a história é que não freamos a evolução.
Aqui vem a primeira parte da resposta. Não, o ChatGPT não é mais do
mesmo. A máquina aprendeu a aprender e agora gera suas próprias
respostas, por isso é uma inteligência artificial generativa. Ela cria, a
partir de um banco de dados gigante, e interage com os usuários gerando
mais e mais informação e o banco de dados vai aumentando a cada nova
interação. É a nossa criança, como uma esponjinha, absorvendo tudo que
consegue captar do meio. O que vem pela frente? Um futuro de
possibilidades fantásticas, mas também de riscos evidentes. E, na
história da humanidade, sempre foi assim a cada nova tecnologia.
Agora vem a segunda parte da resposta. Sim, o ChatGPT é mais do
mesmo! É lógico que estamos diante de uma tecnologia extremamente
disruptiva, com uma penetração social assustadora e com um potencial de
transformação talvez nunca antes visto. No entanto, é uma nova
tecnologia como foi a criação do alfabeto, a roda, a máquina a vapor, a
eletricidade, o computador pessoal, a internet, cada uma dessas novas
tecnologias no seu tempo proporcionou mudanças paradigmáticas, extinguiu
postos de trabalho e criou novos, mudou a organização social, fez
repensar a metodologia de ensino, trouxe novas concepções sobre o ser
humano, apenas para citar algumas transformações.
Ou seja, estamos vivendo um desses momentos históricos e precisamos
ter consciência disso. Cabe a nós moldar essa nova tecnologia da melhor
forma possível, porque algo que aprendemos com a história é que não
freamos a evolução; ela segue. Assim, precisamos estar no mesmo
compasso. Precisamos entender esse novo mundo, nos informar (em fontes
confiáveis), discutir muito sobre os impactos dessa nova tecnologia em
todos os meios que estamos inseridos, seja na escola, no trabalho, em
casa, na nossa rede de amigos, enfim, precisamos conseguir nos
posicionar de forma livre e consciente em relação ao uso da inteligência
artificial e digo mais, nós adultos precisamos fazer o nosso melhor
para conseguirmos ajudar nossas crianças e adolescentes, que estão
literalmente “vendidos” nesse novo mundo.
VEJA TAMBÉM: A Inteligência Artificial que Elon Musk teme e Noam Chomsky repudia A inteligência artificial vai substituir o professor?
Implicações da IA na medicina: ChatGPT já faz diagnósticos e é aprovado para residência médica O
ChatGPT e outras tecnologias que ainda vão surgir nos dão a
oportunidade de olhar para nós mesmos, como seres humanos, e refletir
sobre questões fundamentais sobre nós, a comunidade na qual estamos
inseridos, a sociedade que desejamos. Isso porque a inteligência
artificial está aprendendo conosco, seres humanos. Se somos
preconceituosos, se propagamos a violência, a intolerância, não podemos
esperar um padrão diferente da tecnologia.
Por isso, para que a inteligência artificial atue como ferramenta a
serviço da humanidade, devemos colocá-la no centro do debate público e
cobrar a observância de princípios fundamentais no seu desenvolvimento e
aplicação, tais como: transparência, inclusão, responsabilidade,
imparcialidade, confiabilidade, segurança e privacidade.
Patricia Eliane da Rosa Sardeto é coordenadora do curso de Direito e
líder do Grupo de Pesquisa em Direito e Inovação Tecnológica da
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) em Londrina.
Gustavo Franco – Especialista e Country Manager da consultoria
Alinhamento de estratégia, utilização de IA e padronização de
processos estão entre as citadas por consultoria de performance Labelium
Dados da IAB Internet Advertising Revenue Report: Full Year 2021
indicam que, nos Estados Unidos, os anúncios digitais atingiram 189
bilhões de dólares no ano. O valor aponta um aumento de 35,4% comparando
com os resultados de 2020. No Brasil, o cenário não é diferente:
segundo dados do Digital AdSpend Brasil, houve um aumento de 12% no
investimento publicitário digital no país em 2022.
É neste setor em que atua a Labelium, empresa que desenvolve soluções
para a otimização de performance digital para companhias de luxo, moda,
beleza e turismo. A consultoria desenha e cria estratégias de marketing
online globais, desde o início até a entrega final. Mais de 600 marcas
contam com a expertise Labelium, como Dior, Kenzo, Lacoste, Caudalie,
entre outras.
Considerando o contexto, o especialista e Country Manager da
consultoria, Gustavo Franco, separou 6 dicas para as empresas otimizarem
sua presença digital:
Alinhamento de estratégias de branding com performance
“A discussão é acirrada dentro dos times de marketing quanto ao
destino dos investimentos: devo colocar mais investimento em branding ou
em performance? A verdade é que o balanceamento de ambos é o que torna
um negócio saudável”, pontua o porta-voz. Quando os investimentos em
performance param de escalar, possivelmente há outras variáveis
envolvidas: de mercado ou, em grande parte, de marca. A disponibilidade
mental do consumidor está sendo disputada cada vez mais pelas marcas e,
por isso, é crucial que a marca esteja presente nessa equação: um
consumidor que conhece uma marca tem até 70% de chance a mais de comprar
do que o que não conhece. O problema é que como os investimentos em
branding são difíceis de mensurar, eles são questionados, o que acaba
fazendo as empresas adotarem estratégias de curto prazo.
Expertise no canal
Relacionado ao alinhamento de estratégias de marketing e negócios,
também é importante definir, de maneira clara, quais canais serão
utilizados em cada oportunidade e, consequentemente, qual será o público
impactado. A especialização nos canais é chave e com uma jornada de
compra cada vez mais fragmentada, irão surgir profissionais altamente
especializados nas competências de search, social, vídeo, programática,
etc. A velocidade com que cada plataforma evolui e disponibiliza novas
funcionalidades de mídia é grande demais para um profissional somente
gerenciar e acompanhar: é aí que uma consultoria faz toda a diferença.
“Por exemplo, uma campanha no Instagram possui canalidade, linguagem e
objetivos diferentes de uma no Tik Tok e por aí em diante – não são só
variáveis técnicas, mas também comportamentais.”, analisa Franco.
Aposta em transparência e sustentabilidade
Para definir estratégias e canalidade, é necessário que haja
transparência na relação entre cliente e fornecedor tanto na elaboração
de briefings, quanto na produção de peças e, principalmente, nas etapas
de feedback. Além disso, a sustentabilidade digital da campanha é
essencial de forma a não poluir a web – a presença digital tem grande
participação na emissão de carbono – e, não somente nesse sentido da
palavra, mas também no quesito de relações duradouras entre parceiros, o
que atribui maior eficiência e assertividade tanto no resultado final
quanto no processo de trabalho.
Por muito tempo se discutiu, no mercado, o modelo mais justo para
remunerar uma agência ou um parceiro de serviços – e essa discussão
continua. “Não existe one size fits all – cada cliente é um caso e, na
Labelium, buscamos adequar nossas estruturas de remuneração de acordo
com os modelos de obtenção de lucro e valor dos nossos clientes – é isso
que faz, em partes, nossas relações serem duradouras”, analisa Franco.
Uso de ferramentas para transferir processos do off para o online
“É impossível falar de otimização sem mencionar ferramentas para tal.
Nesse sentido, é imprescindível contar com soluções que transfiram
processos do off-line para o online e que agilizem os processos
envolvidos em todas as etapas de trabalho de marketing digital. Lojas
físicas são hubs de experimentação e vivência com os produtos e são
catalisadores de experiências on-line. Muitos mercados ainda precisam
entender a omnicanalidade chegou pra ficar: seu consumidor vai comparar o
preço do e-commerce com a loja física e vai desistir da compra se achar
inconsistência entre os dois .”, pontua o especialista.
Padronização de processos
Contar com processos e ferramentas online, investindo em parâmetros
de padronização, é de extrema importância, uma vez que a prática atribui
governança e credibilidade para as marcas, além de maior assertividade e
alinhamento com as diretrizes de negócios.
Utilização de inteligência artificial
Uma das mais utilizadas tecnologias para otimização é a inteligência
artificial. Além de agilizar processos com eficiência e auxiliar na
conquista de clientes e parceiros, a IA cresce cada vez mais: um
levantamento de abril de 2023 da Forbes indica que, coletivamente, as 50
empresas mais promissoras que usam o recurso receberam um financiamento
coletivo de US$ 27,2 bilhões.
“Clientes nos perguntam como entendemos a aplicação da AI dentro do
contexto do marketing digital, se temos algum receio dela impactar em
nossa oferta. A verdade é que a AI só traz ainda mais necessidade de
parceiros inteligentes e criativos para a mesa. O uso da inteligência,
de forma estratégica, está no que se pede a ela – input – e esse input
de qualidade só pode vir de especialistas”, pontua Franco.
Mindset correto é o que vai fazer você alcançar (ou não) o sucesso
Junior Borneli, co-fundador do StartSe
Mulher negra e sorridente segurando um IPad e olhando para frente (Fonte: Getty Images)
Mindset é a sua programação mental, é como você encara tudo que está ao teu redor
Mindset. Você já ouviu essa palavinha algumas vezes aqui no StartSe.
Ela é importante, talvez uma das coisas mais importantes para “chegar
lá” (seja lá onde for que você quiser chegar).
É sua habilidade de pensar o que você precisa para ter sucesso. E
como a maioria das coisas que você possui dentro de você, ela é uma
espécie de programação do seu ser. Tanto que é possível que você adquira
outro mindset durante a vida, convivendo com as pessoas corretas,
conhecendo culturas diferentes.
Algumas pessoas dizem que é isso das pessoas que faz o Vale do
Silício ser a região mais inovadora do mundo. Eu, pessoalmente, não
duvido. Fato é: você precisa de ter a cabeça no lugar certo, pois a
diferença entre um mindset vencedor e um perdedor é o principal fator
entre fracasso e sucesso.
Para isso, é importante você começar do ponto inicial: um objetivo.
“Todo empreendedor precisa ter um objetivo. Acordar todos os dias e
manter-se firme no propósito de fazer o máximo possível para chegar lá é
fundamental”, diz Junior Borneli, co-fundador do StartSe e uma das
pessoas mais entendidas de mindset no ecossistema brasileiro.
De lá, é importante você fazer o máximo que puder e não perder o
foco, mantendo-se firme. “Não importa se no final do dia deu tudo certo
ou errado. O importante é ter a certeza de que você fez tudo o que foi
possível para o melhor resultado”, avisa.
Com a atitude certa, é capaz que você sempre consiga canalizar as
coisas como positivas. “Você sempre tem duas formas de olhar um a mesma
situação: aquela em que você se coloca como um derrotado e a outra onde
você vê os desafios como oportunidades. Escolha sempre o melhor lado das
coisas, isso fará com que sua jornada seja mais leve”, alerta o
empreendedor.
Esses tipo de sentimento abre espaço para uma característica
importantíssima dos principais empreendedores: saber lidar com grandes
adversidades. “Um ponto em comum na maioria os empreendedores de sucesso
é a superação”, destaca Junior Borneli.
Saber lidar com essas adversidades vai impedir que você pare no
primeiro problema (ou falência) que aparecer na sua frente. “São muito
comuns as histórias de grandes empresários que faliram várias vezes,
receberam diversos ‘nãos’ e só venceram porque foram persistentes”,
afirma.
É importante ter esse mindset resiliente, pois, nem sempre tudo será
fácil para você – na verdade, quase nunca será. “Empreender é, na maior
parte do tempo, algo muito doloroso. Até conseguir algum resultado
expressivo o empreendedor passa por muitos perrengues. A imensa maioria
fica pelo caminho”, diz.
É como uma luta de boxe, onde muitas vezes, para ganhar, você terá
que apanhar e apanhar e apanhar até conseguir desferir o golpe (ou a
sequência) certo. “Na minha opinião, não há melhor frase que defina a
trajetória de um empreendedor de sucesso do que aquela dita por Rocky
Balboa, no cinema: ‘não importa o quanto você bate, mas sim o quanto
aguenta apanhar e continuar. É assim que se ganha’”, ilustra.
O problema talvez seja que alguns aspectos do empreendedorismo tenham
glamour demais. “Empreender não é simplesmente ter uma mesa com
super-heróis e uma parede cheia de post-its coloridos. Você vive numa
espécie de montanha russa de emoções, onde de manhã você é ‘o cara’ e à
tarde não tem dinheiro pro café”, salienta.
Vale a pena, porém, perseverar neste caminho. “Para aqueles que são
persistentes e têm foco, a jornada será difícil, mas o retorno fará
valer a pena!,” destaca o empreendedor.
DERROTA TAMBÉM ENSINA
Um ponto importante do sucesso é saber lidar com o fracasso e, de lá,
tomar algumas lições para sair mais forte ainda. “Toda derrota nos
ensina algumas lições e assim nos tornamos mais fortes a cada nova
tentativa. A cultura do fracasso, aqui no Brasil, é muito diferente dos
Estados Unidos”, afirma Junior.
No Vale do Silício, falhar é encarado algo bom, na verdade – e
aumenta suas chances de sucesso futuro. “Por lá, empreendedor que já
falhou tem mais chances de receber investimentos porque mostrou
capacidade de reação e aprendeu com os erros”, conta o empreendedor.
Mas ao pensar sobre fracasso, você precisa ter o filtro correto para
não deixar a ideia escapar. “Encarar os erros como ensinamentos e
entender que falhar é parte do jogo torna as coisas mais fáceis e
suportáveis”, salienta.
Foco é a palavra de ordem para você conseguir alcançar os objetivos
traçados no caminho, mesmo que em alguns momentos pareça que está tudo
dando errado. “Por fim, buscar o equilíbrio mental e o foco são
fundamentais. Nas vitórias, tendemos a nos render à vaidade e ao
orgulho. E nas derrotas nos entregamos ao desânimo e a depressão.
Mentalize seus objetivos, foque nos caminhos que vão leva-lo até eles e
siga firme em frente”, afirma.
É importante que você tenha noção de que para ser uma exceção, você
não pode pensar da maneira comodista que a maior parte das pessoas. “Se
você quer chegar onde poucos chegaram, precisará fazer o que poucos têm
coragem e disposição para fazer”, completa.
O “não” do cliente a uma proposta. Por quê?
Moysés Peruhype Carlech
Fiquei pensando e ao mesmo tempo preocupado com o seu “não”,
sem nenhuma explicação, à nossa proposta de divulgação da sua loja e de
resto todas as lojas dessa cidade no Site da nossa Plataforma Comercial
da Startup Valeon.
Esse “não” quer dizer, estou cheio de compromissos para fazer
pagamentos mensais, não estou faturando o suficiente para cobrir as
minhas despesas, a minha loja está vendendo pouco e ainda me vem mais
uma “despesa” de publicidade da Startup Valeon?
Pergunto: como vou comprar na sua loja? Se não sei qual é a
sua localização aí no seu domicílio? Quais os produtos que você
comercializa? Se tem preços competitivos? Qual a sua interação online
com os seus clientes? Qual o seu telefone de contato? Qual é o seu
WhatsApp?
Hoje em dia, os compradores não têm tempo suficiente para
ficarem passeando pelos Bairros e Centros da Cidade, vendo loja por loja
e depois fazendo a decisão de compra, como antigamente.
A pandemia do Covid-19 trouxe consigo muitas mudanças ao
mundo dos negócios. Os empresários precisaram lutar e se adaptar para
sobreviver a um momento tão delicado como esse. Para muitos, vender em
Marketplace como o da Startup Valeon se mostrou uma saída lucrativa para
enfrentar a crise. Com o fechamento do comércio durante as medidas de
isolamento social da pandemia, muitos consumidores adotaram novos
hábitos para poder continuar efetuando suas compras. Em vez de andar
pelos corredores dos shoppings centers, bairros e centros da cidade,
durante a crise maior da pandemia, os consumidores passaram a navegar
por lojas virtuais como a Plataforma Comercial Valeon. Mesmo aqueles que
tinham receio de comprar online, se viram obrigados a enfrentar essa
barreira. Se os consumidores estão na internet, é onde seu negócio
também precisa estar para sobreviver à crise e continuar prosperando.
É importante você divulgar a sua loja na internet com a ajuda
do Site da Startup Valeon, que no caso não é uma despesa a mais e sim
um investimento para alavancar as suas vendas. Desse modo, o seu
processo de vendas fica muito mais profissional, automatizado e
eficiente. Além disso, é possível a captação de potenciais compradores e
aumentar o engajamento dos seus clientes.
Não adianta pensar dessa forma: “Eu faço assim há anos e deu
certo, porque eu deveria fazer diferente? Eu sei o que preciso fazer”. –
Se você ainda pensa assim, essa forma de pensar pode representar um
grande obstáculo para o crescimento do seu negócio, porque o que trouxe
você até aqui é o que você já sabe e não será o que levará você para o
próximo nível de transformação.
O que funcionava antes não necessariamente funcionará no
futuro, porque o contesto está mudando cada vez mais rápido, as formas
como os negócios estão acontecendo são diferentes, os comportamentos dos
consumidores está se alterando, sem contar que estão surgindo novas
tecnologias, como a da Startup Valeon, que vão deixar para trás tudo
aquilo que é ineficiente.
Aqui, na Startup Valeon, nós sempre questionamos as formas de
pensar e nunca estamos totalmente satisfeitos com o que sabemos
justamente por entender que precisamos estar sempre dispostos a conhecer
e aprender com o novo, porque ele será capaz de nos levar para onde
queremos estar.
Mas, para isso acontecer, você precisa estar disposto a
absorver novas formas de pensar também e não ficar amarrado só ao que
você já sabe.
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Então, espero que o seu “não” seja uma provocação dizendo para nós da Startup Valeon – “convença-me”.
Nesta segunda-feira (1.º) abre a maior feira de tecnologia do agro,
em Ribeirão Preto. Oitocentos expositores e centenas de milhares de
visitantes esperados.
O crescimento do agro no Brasil, a explosão do agro, teve duas
causas. Uma: construção de Brasília, que trouxe o Brasil do litoral para
o Grande Centro-Oeste. E a outra foi a tecnologia que foi aplicada numa
agricultura tropical, porque a agricultura era de país temperado.
A agricultura tropical deu certo. E hoje somos campeões do mundo em
produção de grãos, de carne, de proteínas de proteínas nobres, de
carboidratos, enfim, um sucesso, graças à tecnologia, graças ao agro.
E está cheio de gente que tem preconceito contra o agro. Eu faço um
certo plágio de Mateus: eles não plantam nem colhem, mas comem – e falam
mal do agro.
Pois, com esse preconceito, acabou que a direção do Agrishow cancelou
a sua solenidade de abertura. Vai abrir e vai começar assim, por quê?
Porque parece que tem gente que só fala em diversidade. Mas na hora da
prática da diversidade, não vai.
Como assim, não pode o ministro da Agricultura de Lula conviver com o
ex-presidente da República, Jair Bolsonaro? E sendo que o ministro foi
presidente da Aprosoja, a maior associação de produtores de grãos deste
país, ele próprio é produtor rural de Mato Grosso, Carlos Fávaro.
Ah, vão cobrar dele sobre o MST? Não vão não, ele está contra as
invasões. Quem está a favor das invasões é o presidente da República – e
a favor do MST. Então foi noticiário preconceituoso que causou essa
fofoca.
Bolsonaro chegou ontem a Ribeirão Preto, teve recepção calorosa, foi
uma indicação de volta dele aos braços do povo, quatro meses depois. O
primeiro evento público que se viu foi no aeroporto, recebido pelo povo,
pelo governador Tarcísio.
E o ministro da Agricultura dizendo que não foi, que foi
desconvidado. Não foi, a direção do Agrishow reafirmou o convite. Ele
não foi talvez preocupado que o presidente da República achasse que ele
estava do lado de Bolsonaro, talvez tenha sido isso. Porque diversidade é
isso, é juntar os diferentes. Agora, no fundo, é o preconceito né,
principalmente entre meus coleguinhas. Que não plantam nem colhem, mas
comem.
Papa Francisco disse que ideologia do gênero é a mais perigosa das colonizações ideológicas Eu
queria salientar aqui o que eu ouvi do papa Francisco em Budapeste,
Hungria, no sábado. Ele falou que a ideologia do gênero é a mais
perigosa das colonizações ideológicas, porque pretende tirar as
diferenças, as belíssimas diferenças entre homens e mulheres.
Falou defendendo a vida contra o aborto, e falou em defesa dos
valores da família. Falou para a juventude em Budapeste, fazendo um
apelo para que os jovens de todo mundo se dirijam, convirjam a Lisboa,
onde vai ser realizado mais um encontro mundial anual da juventude.
Censura nas redes sociais: poderosos que tinham monopólio descobriram que o povo ganhou voz E
sobre censura nas redes sociais, os poderosos que tinham um monopólio
da voz agora descobriram que o povo ganhou o voz com as redes sociais.
Agora todo mundo tem voz. Todo mundo tem uma voz universal, que vai para
toda parte. E os poderosos que dominavam o povo pelo monopólio, de
serem os poucos que têm voz, estão querendo censura.
Só que a Constituição impede. Artigo 220. Veda a censura em qualquer
plataforma, ideológica, artística, política. É vedado, não pode.
Felizmente bancadas estão se manifestando. A bancada evangélica já se
manifestou contra, a Associação de Juristas Conservadores também,
mostrando a lei, mostrando a Constituição.
Eu sei que tem muita gente que deveria ser guardiã da Constituição e
passa por cima dela, aproveita-se da proximidade para fazer uma
Constituição própria. Isso é terrível para o país.
Trator movido a biometano ao lado de estação de abastecimento da
fazenda SF, em Brasilândia (MS): agronegócio avança na produção de
biocombustível para substituir o diesel.| Foto: Divulgação/New Holland
O
óleo diesel consumido por tratores, caminhões e colhedeiras é um dos
insumos que mais pesam na planilha de custos dos agricultores
brasileiros, chegando a responder por até 30% dos gastos de colheita. A
guerra da Ucrânia e as instabilidades do mercado de combustíveis fósseis
só têm feito essa conta aumentar. “Tenho 64 anos e pela primeira vez na
vida eu vejo o preço do diesel mais caro que o da gasolina”, diz Fábio
Pimentel de Barros, sócio-proprietário da granja de suinocultura da SF
Agropecuária em Brasilândia, no Mato Grosso do Sul.
O preço do combustível, contudo, já não tira o sono de Barros. Ele
largou na frente e poderá se tornar o primeiro produtor brasileiro a
declarar independência em relação ao óleo diesel. Os dejetos da granja
de suínos já produziam biogás para gerar energia elétrica. Agora, o gás
passa por mais um estágio de transformação, e agregação de valor, por
meio da separação do metano, que é usado para mover um trator de 180
cavalos da New Holland. Barros é o primeiro agricultor do país a comprar
o modelo T6 180 Methane Power, que reduz a emissão de poluentes em até
80% na comparação com um motor diesel padrão.
À parte os benefícios ambientais do uso do biometano – se livrar de
um passivo de excrementos, produzir adubo orgânico e sequestrar um
poderoso gás de efeito estufa –, o resultado econômico fala por si só. A
começar pela elegibilidade para créditos de descarbonização do programa
Renovabio, que as distribuidoras são obrigadas a comprar. Mas também na
comparação financeira direta entre biometano e óleo diesel.
Economia perto de 90% em relação ao diesel “O preço do litro de
óleo diesel e do metro cúbico do gás (GNV), na bomba, se equivalem. Mas
devido à redução do consumo do trator movido a metano, você já sai com
uma vantagem de 40%. Só que o gás está aqui, eu vou vender para mim
mesmo. E o preço do gás produzido na fazenda é de apenas R$ 1 o metro
cúbico. Daí a vantagem econômica passa a ser de 90%”, sublinha Barros.
O biometano, assim, seria “três vezes mais vantajoso” em termos de
economia do que o próprio biogás, usado na geração de energia elétrica.
Barros investiu cerca de R$ 1 milhão na compra do trator T6 da New
Holland, movido a biometano, cujos protótipos estava em testes no país
há seis anos. Para viabilizar a inovação tecnológica, contudo, o
empresário precisou implantar o seu próprio posto de combustível. No
caso, uma estação compacta de purificação e compressão do gás natural
desenvolvida em parceria da New Holland com as empresas Sebigas Cotica
(instalação do biodigestor), Air Liquide (purificação do biogás) e FPT
(motor a gás cogerador de energia elétrica).
O produtor Fábio Pimentel de Barros foi o primeiro a comprar um trator movido a biometano no país| Divulgação / New Holland
Joint-ventures assim já ocorreram na Europa, onde a tecnologia do
biometano está mais madura, mas nunca tinham chegado à redução de escala
obtida no Brasil, nem a uma solução integrada. Enquanto aqui a estação
já pode ser movida com produção de 50 m3 de gás por hora, na Europa o
mínimo exigido costuma variar entre 1 mil e 5 mil m3 por hora. Isso abre
a possibilidade de que a tecnologia para geração de energia e
combustível próprios, já utilizada por gigantes como a Raízen, chegue
também para milhares de suinocultores, avicultores, criadores de gado de
leite e de corte.
VEJA TAMBÉM: Inventado na crise por argentinos, token paga até cafezinho no Brasil com grãos de soja Agro avança e Brasil não tem onde armazenar “uma Argentina inteira” de grãos Mistura do biodiesel põe indústrias mais poderosas do país em pé de guerra
Bioposto em escala menor multiplica potencial do metano “É
diferente de qualquer lugar do mundo. Essa solução antes não tinha
escala nem estava integrada. Se você quisesse ter um equipamento desses,
você tinha que comprar um sistema de purificação e um sistema de
compressão e fazer a interligação pela sua própria lógica. Aqui nós
temos tudo integrado, de forma viável, segura e robusta para o produtor
rural”, diz Caio Mogyca, diretor de desenvolvimento da Air Liquide para a
América do Sul.
A diminuição de escala representa democratização e oferta de
biometano no país inteiro, na avaliação de Alessandro Garnemann,
presidente da Associação Brasileira de Biogás (Abiogas).
“É economia circular na veia, agrega a substituição de combustíveis
caros como o diesel e o GLP, trazendo segurança energética. A gente não
pode esquecer que o biometano foi regulado não faz nem cinco anos. E só o
projeto de infraestrutura, e seu desenvolvimento, leva dois a três
anos. A oferta do trator a gás é a grande prova da viabilidade e da
importância deste combustível. Acho que o ciclo todo está se fechando,
tem tecnologia, tem matéria-prima disponível, tem oferta de equipamento.
Agora passam a surgir os projetos de referência, tais como esse que a
New Holland inaugurou”, enfatiza Garnemann.
O investimento do produtor pioneiro do Mato Grosso do Sul na estação
foi de R$ 1,7 milhão, que deve se pagar em dois a quatro anos, em função
da economia com o diesel. Em paralelo, o empresário começou um projeto
para substituir os caminhões por modelos movidos a gás. O biometano tem a
mesma especificação e se equivale ao gás natural extraído do petróleo.
Dejetos da suinocultura são uma das principais fontes para produção
de biometano no setor rural.| Jonathan Campos/Arquivo Gazeta do Povo
Biometano poderia substituir 70% do diesel Atualmente existem no
país mais de mil plantas de biogás, utilizado prioritariamente para
geração de energia. Isso coloca o país no quinto lugar mundial neste
mercado, atrás apenas de Alemanha, China, Estados Unidos e Itália.
Apesar disso, o Brasil utiliza apenas 3% das matérias-primas orgânicas
disponíveis para produção de gás renovável, como dejetos de animais,
descartes de frigoríficos e resíduos agrícolas. Se todo o potencial
fosse aproveitado, seria possível substituir 70% do consumo nacional de
óleo diesel.
O desafio agora é expandir esse ecossistema do biometano. O que
depende tanto da propaganda boca a boca dos produtores como do incentivo
de governos e entidades para adoção da tecnologia. Segundo a Abiogás,
há 41 projetos de usinas que devem decolar até 2027, elevando a produção
atual, de 400 mil m3 diários, para quase 3 milhões.
“As expectativas são as melhores possíveis. Não se trata de apenas um
trator, mas de todo um ecossistema. Tecnologia nós já temos. O
potencial é muito grande pelo lado da sustentabilidade, da substituição
dos combustíveis fósseis, da autossuficiência energética”, diz Claudio
Calaça, diretor de mercado da New Holland no Brasil.
Presidente Lula (PT) e vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB)| Foto: Ricardo Stuckert/PR
A
dependência do Brasil na importação de fertilizantes vem sendo debatida
há décadas e ganhou destaque novamente após o vice-presidente e
ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo
Alckmin, defender a exploração de potássio na Amazônia. Em reunião
recente do Conselho Administrativo da da Superintendência da Zona Franca
de Manaus (Suframa), ele disse que a mina no Amazonas “pode ser um dos
maiores investimentos do país” e pode ser uma oportunidade para o Brasil
diminuir sua dependência de importação de potássio – atualmente, 98% do
que o país precisa vêm de outros países.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também demonstrou interesse
pelo tema ao defender que a produção de fertilizantes seja tratada como
assunto de segurança nacional e dizer que o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) determinou que a Petrobras retome a produção do insumo.
Ele fez as afirmações em entrevista ao jornal O Globo, ainda em seus
primeiros dias à frente da pasta. Na entrevista, Fávaro afirmou também
que a Petrobras deve retomar a construção de três fábricas de
fertilizantes no país.
O tema da exploração de agrominerais no Brasil, considerados
estratégicos para o agronegócio, também gerou preocupações no começo de
2022, com a crise de fertilizantes desencadeada pela guerra entre a
Rússia e Ucrânia. Com o conflito, 50% da importação de potássio, que vem
da Rússia e de Belarus, por exemplo, ficou comprometida.
O alto percentual de importação de insumos para o agronegócio quase
comprometeu a safra brasileira no ano passado. No entanto, a visita do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao presidente russo, Vladimir Putin,
poucos dias antes do início da guerra com a Ucrânia, ajudou a manter as
remessas de fertilizantes para o Brasil. A ação da ex-ministra da
Agricultura Tereza Cristina (PP-MS), atualmente senadora, de negociar
com o Canadá também contribuiu para a manutenção no fornecimento dos
fertilizantes.
O Brasil é o único polo agrícola que tem dependência de importação de
fertilizantes, de acordo com Carlos Cogo, sócio-diretor da consultoria
Cogo.
Apesar da sinalização de Alckmin, o ministro das Relações Exteriores,
Mauro Vieira, destacou a parceria comercial com a Rússia para o
fornecimento de fertilizantes químicos ao agronegócio brasileiro.
“Um quarto dos fertilizantes utilizados no Brasil são de produção
russa. Tratamos de um acordo para garantir o fluxo deste insumo de vital
importância para nossa agricultura”, disse Vieira, em declaração após o
encontro com o chanceler russo Serguei Lavrov, em 17 de abril.
VEJA TAMBÉM: Governo oficializa a demarcação de seis terras indígenas em seis estados do país O vale-tudo de alguns países para não importar do Brasil Após 45 invasões e CPI, governo Lula manobra para blindar MST
Ausência de planos estratégicos atrasa o setor Durante a crise de
2022, o governo Bolsonaro apresentou o Plano Nacional dos Fertilizantes
(PNF). Com o objetivo de diminuir a dependência externa, o plano
buscava a implementação de propostas legislativas para facilitar a
produção dos insumos no país.
No entanto, esta não foi a primeira iniciativa de governos
brasileiros ao longo das décadas. A criação de um Marco Regulatório para
o setor de potássio vem sendo debatida, pelo menos, desde 2009. À
época, Lula, em seu segundo mandato, defendia a necessidade de regular o
setor.
Naquele momento, o ex-ministro da Agricultura Reinhold Stephanes já
falava sobre a dependência do Brasil no setor e apontava a necessidade
de mais estudos sobre a exploração de potássio no Brasil. Ele havia
recebido informações da empresa Falcon, uma multinacional do ramo da
mineração, de que a terceira maior jazida de potássio do mundo estaria
localizada na região amazônica. Naquela época, Stephanes chegou a
afirmar que a autossuficiência do Brasil em potássio poderia ser
alcançada em 10 anos.
Mas os planos não avançaram. Em 2010, Stephanes diz que chegou a
convencer Lula e a então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff
sobre a criação de um novo marco regulatório. Posteriormente, porém, ele
deixou o ministério para ser candidato nas eleições e o novo titular da
pasta não deu andamento ao tema.
Ao assumir o mandato de deputado federal, em 2014, Stephanes
protocolou o Projeto de Lei (PL) 8.065/2014, que pretendia estabelecer o
novo marco legal. O PL acabou apensado a outra matéria que dispõe sobre
pesquisa e lavra de minerais e nunca avançou.
Os anos se passaram, mas a situação não mudou. O Plano Nacional dos
Fertilizantes de Bolsonaro está parado desde o fim de 2022. Até agora, o
governo de Luiz Inácio Lula da Silva não indicou os nomes dos novos
gestores para o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas
(Confert), órgão responsável por coordenar e acompanhar a implementação
do PNF.
Inicialmente ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da
Presidência da República, o Confert vai passar para a alçada do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, chefiado
por Alckmin, que indicará o presidente do colegiado. O ministério
comandado por Carlos Fávaro terá assento na Secretaria Executiva.
“Bolsonaro infelizmente não avançou na matéria. Ficou na conversa, e
não sabemos por que ficou parado isso, se afinal é tão estratégico para o
país”, afirma o engenheiro agrônomo, Xico Graziano. Ele já alertava, em
artigo publicado em 2015, para a “ausência de uma política agrícola
para o setor, sem plano estratégico a longo prazo”. Para Graziano, tanto
no caso do Marco Regulatório do segundo mandato de Lula quanto no caso
mais recente do Plano Nacional de Fertilizantes, não avançar no tema
gera “uma perda de soberania roubada pelo descaso governamental. Falta
planejamento sobre o futuro do nosso país”.
Falta de conhecimento da geologia brasileira impede avanços na exploração Para
o porta-voz do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Rinaldo
Mancin, o Brasil precisa, antes de mais nada, expandir os conhecimentos
sobre a geologia do território. “Até o momento, só tivemos foco no solo
cristalino que abriga os materiais metálicos. Precisamos saber mais
sobre os terrenos sedimentares”. Mancin ressalta que a maior prova da
necessidade de investimento nas pesquisas é que as reservas de potássio
descobertas recentemente foram encontradas em estudos que almejavam o
petróleo.
A afirmação é comprovada em um levantamento publicado pelo Serviço
Geológico do Brasil (CPRM), instituição vinculada à Secretaria de
Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM) do Ministério de Minas
e Energia (MME), em 2020. O estudo, motivado pela crescente demanda
brasileira por potássio, impulsionou o governo a potencializar novas
descobertas na Bacia do Amazonas, e foi baseado em informações cedidas
pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“Temos apenas cerca de 3% do território adequadamente mapeado.
Defendemos o modelo público-privado para acelerar a busca por mais
conhecimento geológico. Nós temos uma informação ainda precária. O
Brasil tem que aumentar o conhecimento dessas áreas”, pontuou o
porta-voz do Ibram.
Apesar do potencial já mapeado, atualmente, somente uma mina de
potássio é explorada no Brasil. Trata-se do Complexo Mineroquímico de
Taquari-Vassouras, em Rosário do Catete (SE), descoberto em 1963, mas
com exploração iniciada apenas em meados da década de 1980. Desde 2017, a
operação de exploração foi comprada pela Mosaic Fertilizantes.
Recentemente, a empresa anunciou investimentos de aproximadamente R$ 800
milhões para manter a extração de silvinita, minério usado no
beneficiamento de potássio, com previsão de extensão da operação para,
pelo menos, até 2030.
Interlocução do setor com o governo Lula Entidades ligadas à
mineração, associações de produtores de fertilizantes e empresas têm
procurado o atual governo para tratar das demandas do setor.
A Associação Brasileira dos Produtores de Remineralizadores de Solo e
Fertilizantes Naturais (Abrefen), que teve participação na Câmara
Técnica de Cadeias Emergentes do Confert durante o governo Bolsonaro,
buscou o Ministério da Agricultura para uma reunião com Fávaro, do
governo petista.
Embora ainda não tenha recebido retorno sobre a agenda, o presidente
da Abrefen, Frederico Bernardez, acredita que medidas devem ser tomadas
pelo governo em atendimento às demandas expostas pela entidade. “Estamos
aguardando em conjunto com outras entidades agenda oportuna para
alinhamento com o ministro Carlos Fávaro. Mas, por conversas anteriores,
acreditamos muito na possibilidade de redução da dependência e na
possibilidade deste atual governo ajudar e apoiar desenvolvimento de
políticas públicas neste sentido”.
Apesar das recentes declarações do ministro da Agricultura destacando
a importância da exploração do potássio, a atuação do ministério no
debate, no entanto, ainda não foi definida. Em tentativa de contato com a
pasta sobre o tema, a reportagem foi direcionada para o Ministério de
Minas e Energia e não obteve retorno.
Em outra frente, o Ibram busca uma agenda com Alckmin para debater,
dentre outros assuntos, a questão dos fertilizantes. “A gente precisa de
um grande esforço nacional neste assunto. Uma parte importante vem para
poder ofertar fertilizantes para nossa sociedade”, destacou Rinaldo
Mancin, do Ibram.
Em visita a Manaus, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi
questionada sobre o motivo da exploração de potássio “estar travada por
incongruências em questões ambientais”. “A gente tem que pensar que ele
[projeto] tem que ter viabilidade econômica, viabilidade social e
viabilidade ambiental. Quando você tenta viabilizar todas essas
questões, não é que está travado, é que você tem que resolver o
problema”, justificou Marina.
Projeto Potássio Autazes O Projeto Potássio Autazes prevê a
exploração de um local próximo de terras indígenas e, por isso, precisa
passar por um processo de pré-consulta aos indígenas, que faz parte do
licenciamento ambiental Ele pode elevar o estado do Amazonas ao patamar
de maior produtor do fertilizante no Brasil, segundo a empresa Potássio
do Brasil.
Executivos da empresa já se encontraram com Alckmin para apresentar o
projeto. O empreendimento, que atualmente está em fase de licenciamento
ambiental, tem vida útil estimada em aproximadamente 23 anos.
Ainda de acordo com a empresa, “quando atingir a produção anual média
de 2,2 milhões de toneladas de Cloreto de Potássio, a oferta deste
insumo corresponderá a cerca de 20% do volume consumido no Brasil”.
Estudos preliminares indicam, entretanto, um potencial de aumento da
capacidade de produção, podendo atingir até 45% das necessidades
brasileiras.
O projeto, no entanto, tem sido questionado na Justiça Federal por
supostamente violar essa etapa. Em 2016, o MPF já havia pedido à Justiça
Federal que suspendesse a licença concedida pelo Instituto de Proteção
Ambiental do Amazonas (Ipaam) à empresa Potássio do Brasil para
atividades de pesquisa e exploração no território Soares/Urucurituba.
Pronunciamento Lula diz que “tudo piorou nos últimos anos” e repete anúncios sobre salário mínimo e IR Por Gazeta do Povo
Em pronunciamento em cadeia de rádio e tevê, o ex-presidente Lula
disse que “tudo piorou nos últimos anos” e repetiu anúncios sobre o
salário mínimo e a faixa isenta de Imposto de Renda.| Foto:
Reprodução/YouTube
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
fez um pronunciamento em cadeia de rádio e tevê na noite deste domingo
(30) repetindo os anúncios de que, a partir desta segunda-feira (1.º), o
salário mínimo passará de R$ 1.302 para R$ 1.320 e a faixa isenta de
Imposto de Renda, para R$ 2.640.
Sem novidades, Lula repetiu a promessa de aumentar o salário mínimo
acima da inflação todos os anos até o fim de seu mandato, afirmando que
encaminhará um projeto de lei nesse sentido ao Congresso Nacional. Além
disso, voltou a prometer que até o fim de seu mandato a isenção do
Imposto de Renda incidirá até a faixa de R$ 5 mil.
“É um aumento pequeno, mas real, acima da inflação, pela primeira vez
depois de seis anos”, disse o presidente, referindo-se ao novo valor do
salário mínimo.
No pronunciamento, de cerca de quatro minutos, Lula afirmou que “tudo
piorou nos últimos anos”. “Os salários perderam poder de compra. A
inflação subiu. Os juros dispararam. Direitos conquistados ao longo de
décadas foram destruídos de um dia para o outro”, afirmou.
Em seu pronunciamento, o presidente da República destacou que “não
importa a profissão ou local de trabalho, o importante é que vocês são
os responsáveis pela geração da riqueza do Brasil”. E disse que recompor
as conquistas perdidas pelos trabalhadores e trabalhadoras é prioridade
de seu governo.
Íntegra do pronunciamento de Lula Meus amigos e minhas amigas,
Amanhã, primeiro de maio, é dia de homenagear o povo trabalhador do Brasil.
Vocês que trabalham nas fábricas, na construção civil, nos bancos,
nas lojas ou nos escritórios. Vocês, trabalhadores de aplicativos.
Vocês, microempreendedores. Vocês, que trabalham na lavoura, nas
escolas, nos hospitais.
Vocês, jovens, que estão dando os primeiros passos no mundo do
trabalho. Vocês, aposentados e pensionistas, que, ao longo de uma vida
inteira, ajudaram a construir o Brasil com o fruto do seu suor.
Não importa a profissão ou o local de trabalho. O importante é que vocês são os responsáveis pela geração da riqueza do Brasil.
Vocês se lembram das conquistas que tiveram quando governamos o
Brasil. Geração recorde de empregos. Salário mínimo crescendo acima da
inflação. Direitos trabalhistas garantidos.
Tudo piorou nos últimos anos. O emprego sumiu. Os salários perderam
poder de compra. A inflação subiu. Os juros dispararam. Direitos
conquistados ao longo de décadas foram destruídos de um dia para o
outro.
Poucas vezes na história o povo brasileiro foi tratado com tanto desprezo, e teve tão pouco a comemorar.
Felizmente, esse mau tempo ficou no passado. O Brasil voltou a
reconhecer o papel fundamental do povo trabalhador na construção do
futuro do Brasil.
Desde o primeiro dia desse terceiro mandato que vocês me concederam, tenho trabalhado para consertar e reconstruir nosso país.
Recompor as conquistas perdidas pelos trabalhadores e trabalhadoras é prioridade do nosso governo.
A começar pela valorização do salário mínimo, que há seis anos não
tinha aumento real, e vinha perdendo poder de compra dia após dia. Mas
já estamos começando a reverter essa perda.
A partir de amanhã, o salário mínimo passa a valer R$ 1.320 reais
para trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas. É um aumento
pequeno, mas real, acima da inflação, pela primeira vez depois de seis
anos.
Nos próximos dias, encaminharei ao Congresso Nacional um projeto de
lei para que esta conquista seja permanente, e o salário mínimo volte a
ser reajustado todos os anos acima da inflação, como acontecia quando
governamos o Brasil.
E, estejam certos de que, até o fim do meu mandato, ele voltará a ser
um grande instrumento de transformação social que foi no passado,
quando cresceu 74% acima da inflação.
Foi graças a isso que milhões de brasileiros e brasileiras saíram da extrema pobreza e abriram caminho para uma vida melhor.
É preciso lembrar que a valorização do salário mínimo não é essencial apenas para quem ganha salário mínimo.
Com mais dinheiro em circulação, as vendas do comércio aumentam, a
indústria produz mais. A roda da economia volta a girar, e novos
empregos são criados.
Quero também anunciar outra medida muito importante. Estamos mudando a
faixa de isenção do Imposto de Renda que, há oito anos estava congelada
em R$ 1.903 reais.
A partir de agora, o valor até R$ 2.640 reais por mês não pagará mais
nem um centavo de imposto de renda. E, até o final do meu mandato, a
isenção valerá para até R$ 5 mil reais por mês.
Meus amigos e minhas amigas. Não haverá reconstrução do Brasil sem a valorização dos trabalhadores e das trabalhadoras.
O Brasil vai voltar a crescer com inclusão social e novos empregos serão criados.
Podem estar certos de que o esforço do seu trabalho será cada vez mais reconhecido e recompensado.
E o Primeiro de Maio, que sempre foi um dia de luta, voltará a ser também um dia de conquistas para o povo trabalhador.
Sem-terra Lula convida MST para seu “Conselhão” após invasões e desgaste com agronegócio Por Gazeta do Povo
O presidente Lula convidou o MST a fazer parte do Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado Conselhão.| Foto: Marcelo
Camargo/Agência Brasil
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST) fará parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social
da Presidência da República, o chamado “Conselhão”, a convite do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi divulgada
pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, em suas
redes sociais, na tarde deste sábado (29). O conselho assessora o
presidente da República na formulação de políticas públicas.
O convite, aceito pelas lideranças dos sem-terra, ocorre num momento
em que o governo federal é alvo de críticas por sua proximidade com o
MST. As críticas partem especialmente de representantes do agronegócio,
que condenam as recentes invasões de propriedades rurais promovidas pelo
movimento por todo o país e que podem ser alvo de uma Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI).
Ao mesmo tempo, o convite vem quando o ex-presidente da República
Jair Bolsonaro (PL) retoma agendas públicas mostrando grande alinhamento
com o agronegócio. Convidado para participar da abertura da Agrishow,
maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, que acontece de
1.º a 5 de maio em Ribeirão Preto (SP), Bolsonaro confirmou presença.
O governo federal ameaçou suspender o patrocínio do Banco do Brasil à
feira, e depois a organização do evento decidiu cancelar a cerimônia de
abertura. Mesmo assim, Bolsonaro chegou a Ribeirão Preto na tarde deste
domingo para participar da feira.
Outro importante evento do agro, a Expozebu, que está sendo realizada
em Uberaba (MG) foi palco de duras críticas às recentes invasões de
terra pelo país. Em seus discursos, na abertura da exposição, os
governadores Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema
(MG) defenderam o direito à propriedade e pediram prisão dos envolvidos
nas invasões.