segunda-feira, 1 de maio de 2023

MARCAÇÃO CERRADA FEITA PELA SOCIEDADE PARTA IMPEDIR A TRAMITAÇÃO DO PROJETO DAS FAKE NEWS

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


O relator do projeto de lei das fake news é o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).| Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados.

As negociações foram longas e intensas, a ponto de o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), relator do Projeto de Lei 2.630/20, o PL das Fake News, ter apresentado a mais recente versão do texto apenas no fim da noite de quinta-feira, quando pretendia tê-lo feito durante aquele dia. Esta versão trouxe mudanças significativas em relação à anterior, e indicam que a pressão popular e a atuação firme de parlamentares conscientes da importância de preservar a liberdade de expressão fizeram efeito. No entanto, esta é apenas uma etapa de uma tramitação que, por ocorrer de forma bastante precipitada, ainda permite retrocessos que só a continuação desta marcação cerrada feita pela sociedade poderá impedir.

O projeto tem pontos positivos que vale a pena destacar: por exemplo, avança no sentido de exigir mais transparência das redes na moderação de conteúdos, com a obrigação de justificar adequadamente qualquer remoção de publicações ou outras medidas restritivas (cancelamento, desmonetização, shadow ban etc.) e oferecer canais efetivos para contestação. É também positivo o fato de enfrentar algumas das hipóteses de responsabilização das plataformas de forma melhor que a feita no Marco Civil da Internet, embora sem desfigurá-lo. Vê-se, ainda, que o relator se esforçou para retirar do texto – em grande medida, mas não totalmente – novas restrições abstratas (novos tipos penais, por exemplo) à liberdade de expressão, preferindo apoiar-se em textos legais pré-existentes como o Código Penal ou estatutos específicos. Assim, por exemplo, evitou introduzir um crime genérico de fake news ou “desinformação”, o que caracterizaria afronta direta e imediata à liberdade de expressão. Além disso, as sugestões feitas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, que incluíam pontos bastante controversos, acabaram não sendo incorporadas à mais recente versão do PL 2.630.

As mudanças significativas em relação à versão anterior do PL 2.630 indicam que a pressão popular e a atuação firme de parlamentares conscientes da importância de preservar a liberdade de expressão fizeram efeito

Especialmente positiva foi a remoção de alguns dispositivos que escancaravam portas para ataques sem precedentes a esse pilar da democracia que é a liberdade de expressão. Queríamos, aqui, jogar luz especialmente sobre a previsão de criação da “entidade autônoma de supervisão”, que segundo a penúltima versão do PL deveria ser estabelecida pelo Poder Executivo. Tratava-se de algo que sintetizaria o que pode haver de mais contrário aos princípios que sempre regeram a liberdade de expressão nas nações democráticas, e espanta-nos que boa parte da sociedade não tivesse se dado conta dos desdobramentos que a criação de um órgão desse tipo poderia trazer.

Ainda que se assegurasse a essa “entidade autônoma” o modelo de autonomia e independência das agências reguladoras (mandatos de sua diretoria descasados e sem possibilidade de demissão de integrantes, por exemplo), ele continuaria a ser um órgão governamental ou, se se quiser, de Estado. Ora, um princípio básico de qualquer democracia é que não pode haver – afora a previsão legal de restrições à liberdade de expressão claramente definidas e facilmente compreensíveis, com análise pontual pelo Judiciário, sempre mediante provocação – uma atuação estatal ad hoc ampliando ou reinterpretando as restrições estabelecidas legitimamente pelo Congresso. A “entidade autônoma”, tal como estava prevista em versões anteriores do projeto, daria ao governo a possibilidade de exercer ingerência direta sobre a forma como as mídias sociais operam no país, com o enorme poder de decidir o que poderia ou não poderia ser dito nas mídias sociais, graças a outro conceito inserido no projeto, o de “risco iminente” ou “risco sistêmico”, casos em que esse novo órgão estaria autorizado a agir.

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A definição de “risco iminente” ou “risco sistêmico” na penúltima versão do PL 2.630 ia muito além do cometimento de crimes concretos, incluindo também a possibilidade de “danos à dimensão coletiva de direitos fundamentais”, uma das situações que autorizariam a instalação de “protocolos de segurança” por parte da entidade autônoma de supervisão. A ideia de risco sistêmico, sem clara definição legal (que realmente não é factível), criaria de per si um novo modelo de restrição de impossível delimitação. Ou seja, por um viés indireto, ampliar-se-ia, sim, o que parecia querer evitar-se: um novo âmbito de ilícitos. Ainda que se tentasse defender o conceito afirmando que a noção abrangeria apenas situações de ofensas sistemáticas a normas penais já estabelecidas, o fato é que não era esse, no entanto, o espírito do projeto, como se depreendia, entre outras coisas, do conceito de “danos à dimensão coletiva de direitos fundamentais” e da possibilidade de punir meros riscos. Tudo isso poderia abarcar uma série de manifestações perfeitamente lícitas, como a crítica a determinados comportamentos ou a oposição veemente a políticas públicas ou projetos de lei, especialmente quando estão em jogo temas da chamada “pauta de costumes”. Assim, o conceito de “risco sistêmico” poderia ser usado para estabelecer autênticos tabus, inclusive criando obrigações para que as mídias sociais agissem “preventivamente” diante de certos conteúdos (ou seja, impedindo que eles fossem publicados). Assim, estaria criado um mecanismo sutil, mas extremamente poderoso e não menos pernicioso, de limitação severa da liberdade de expressão, sob o disfarce da “defesa de direitos”.

A liberdade de expressão, como já afirmamos em inúmeras ocasiões, não é absoluta. Mesmo assim, eventuais restrições, vale a pena repetir, devem ser sempre bastante pontuais e devidamente registradas na lei, que cabe ao Judiciário interpretar. A “entidade autônoma de supervisão” extrapolaria completamente este princípio. Não faz o menor sentido que uma entidade governamental pretenda regular a liberdade de expressão, interpretando, ampliando ou restringindo quais temas podem ou não ser comentados, e em que termos. Não se trata, portanto, de um órgão que pudesse ser tolerado desde que estivesse em boas mãos, mas de uma entidade cuja existência seria intrinsecamente incompatível com a defesa da liberdade de expressão. O fato de a penúltima versão do PL 2.630 ainda conceder a tal órgão superpoderes como os de limitar o encaminhamento de mensagens, instaurar “protocolos de segurança” e impor “medidas preventivas” às mídias sociais antes mesmo que se instaurassem processos administrativos era apenas agravante para algo que em si mesmo já ameaçaria frontalmente a democracia no Brasil.

O governo federal ainda não desistiu de tentar colocar de volta no texto do PL 2.630 a criação da “entidade autônoma de supervisão”, o que traria de volta uma série de ameaças graves à liberdade de expressão

É verdade que a mais recente versão do PL 2.630 eliminou completamente qualquer menção à “entidade autônoma de supervisão” e atenuou as menções aos “riscos sistêmicos”, delegando ao Comitê Gestor da Internet, um órgão já existente, algumas das atribuições que pertenceriam à nova entidade, e mesmo assim de forma bastante mitigada. Ocorre, no entanto, que, segundo informações de bastidores, o governo federal ainda não desistiu de tentar colocar de volta no texto do PL 2.630 a criação da “entidade autônoma”, o que traria de volta todos os riscos que acabamos de mencionar. E a tramitação em regime de urgência oferece condições bastante propícias a alterações de última hora que a Câmara sabe muito bem como fazer – ainda estão frescas na memória de todos os que se importam com o combate à corrupção, por exemplo, as “emendas da meia-noite” que destruíram o projeto das Dez Medidas Contra a Corrupção, em 2016.

Este é um caso emblemático em que o dito de John Philpot Curran segundo o qual o preço da liberdade é a eterna vigilância deve ser entendido literalmente. Se os brasileiros não queremos que o PL das Fake News receba de volta trechos frontalmente contrários à liberdade de expressão, teremos de acompanhar cuidadosamente cada passo desta tramitação-relâmpago. Até aqui a pressão foi essencial para depurar o projeto de lei e retirar dele ameaças graves às garantias democráticas, enquanto passava a preservar mais explicitamente outros direitos, como no caso do discurso religioso, agora protegido com um dispositivo específico. Tudo que muitos desejam é que a sociedade baixe a guarda no momento mais importante, o da votação em plenário. Que não deixemos isso acontecer.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/pl-fake-news-liberdade-de-expressao/
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O FUTURO DO TRABALHO NO DIA DO TRABALHO

 

Futuro do trabalho: quais as profissões que serão criadas e eliminadas nos próximos anos

Foto: Unsplash/@sigmund

Por Bruna Klingspiegel e Jayanne Rodrigues – Jornal Estadão

Relatório do Fórum Econômico Mundial, em parceria com a Fundação Dom Cabral no Brasil, mostra que avanço da tecnologia e as preocupações ambientais vão mudar a cara do trabalho no mundo

O avanço acelerado da tecnologia, da inteligência artificial e das novas demandas ambientais vão provocar uma grande transformação no mercado de trabalho. Até 2027, a expectativa é que 23% dos atuais postos de trabalho se modifiquem. Alguns serão criados para atender novos mercados; outros passarão por adaptações; e há aqueles que simplesmente vão desaparecer. A equação dessas mudanças, no entanto, não deve ser positiva para o trabalhador.

Segundo relatório “O Futuro do Trabalho 2023″, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial (organizador do Fórum de Davos) em 45 países, com a parceria da Fundação Dom Cabral no Brasil, a previsão é que 69 milhões de empregos sejam criados nos próximos anos enquanto 83 milhões, eliminados. O resultado é que 14 milhões de vagas vão desaparecer – ou seja 2% do emprego atual nos países analisados, segundo o estudo.

A pesquisa – que está na quarta edição – ouviu 803 empresas de 27 setores em 45 países, que juntas são responsáveis por mais de 11 milhões de postos de trabalho no mundo. Além da opinião dos executivos, foram avaliados dados estatísticos fornecidos pelo LinkedIn e pela plataforma de cursos online Coursera. O objetivo do trabalho é acompanhar o impacto dessa revolução no mercado de trabalho, identificando rupturas ocupacionais e estratégias para capacitar áreas em declínio capazes de assumir papéis emergentes.

Entre as profissões que podem ter crescimento nos próximos quatro anos estão especialistas em inteligência artificial e aprendizagem de máquina, especialistas em sustentabilidade, analistas de inteligência de negócios e especialistas em segurança da informação. Cargos relacionados à transição energética também são destacados pela pesquisa, graças aos investimentos em energia renovável.

No olhar dos executivos, espera-se que as profissões relacionadas à educação, ao lado de agricultura e do comércio digital, tenham o maior crescimento em números absolutos. A expectativa é que os postos de trabalho no setor educacional cresçam cerca de 10%, levando a 3 milhões de empregos adicionais para professores de educação profissional e professores universitários. No setor agrícola, a previsão é de aumento de 15 a 30%, levando a mais de 4 milhões de empregos.

Crise

Neste contexto de mudanças, a tendência é de que a desigualdade seja acentuada em países emergentes, como é o caso do Brasil. Na prática, o mercado deve aumentar a busca por mão de obra qualificada. Pessoas preparadas vão ter acesso a uma oferta maior de empregabilidade. Em contrapartida, trabalhadores sem capacitações ou aqueles que têm somente educação básica serão os mais ameaçados, aponta o relatório.

O risco desse ciclo é uma possível escassez de mão de obra qualificada no Brasil, avalia Carlos Arruda, coordenador do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC. “Pode haver uma alta da pressão por qualificação ou por esses poucos profissionais com mais habilidades”, estima. “Vamos notar um aumento do porcentual de pessoas que vão depender, provavelmente, do Bolsa Família e de outros recursos do governo por estarem desqualificados.”

A manobra para evitar essa escassez é investir em políticas públicas e em programas de retenção de talento, sugere Arruda, acrescentando que esse esgotamento é um comportamento global. “Essa falta de mão de obra qualificada não é exclusiva do Brasil.” À medida em que a procura por profissionais ligados à IA, agro tecnológico e sustentabilidade, aumenta, por outro lado, algumas áreas devem ser extintas nos próximos cinco anos, segundo o relatório.

As ocupações mais ameaçadas são caixas de banco e funcionários relacionados, caixas e cobradores, escriturários de entrada de dados, secretários administrativos e executivos, assistentes de registro de produtos e estoque, escriturários de contabilidade, legisladores e oficiais judiciários, atendentes estatísticos, financeiros e de seguros e vendedores de porta em porta e ambulantes.

Até 2027, as organizações estimam em torno de 28 milhões de empregos a menos por conta da automação e digitalização. No caso do Brasil, a expectativa é de que algumas profissões se mantenham, é o caso do ambulante. Isso porque, a consolidação do processo de automação neste intervalo de tempo está prevista para os países avançados, explica Arruda. “Não vai ter gente vendendo na rua nem de porta em porta. Porque vai estar tudo online, pagamento digital, etc. Mas na nossa realidade de país emergente ainda há essas funções mais básicas (ambulantes)”.

O economista do FGV Social, Marcelo Neri, prevê que as novas tecnologias devem acelerar o barateamento de alguns serviços, a exemplo do trabalho feito por entregadores. “No Brasil, a economia dos aplicativos deu uma turbinada nessa profissão (entregadores) usando uma metodologia, mas os drones podem ser uma revolução adversa nesse movimento”.

Apesar de o relatório global apontar que a categoria de ambulantes está entre as profissões extintas a partir dos próximos cinco anos, no Brasil, trabalho deve continuar Foto: Werther Santana/Estadão

Essa contradição impacta diretamente na rotatividade de emprego. Segundo Arruda, o desaparecimento de trabalhos tradicionais vai dar espaço para o acréscimo de novos empregos, com o diferencial da qualificação nas áreas projetadas pelo documento. “Nas empresas consultadas para o relatório, não há uma estimativa de desemprego, mas de compensação e substituição. Por isso, o papel fundamental de requalificação dos skills (habilidades), que as empresas estão preocupadas em realizar”.

Outro fenômeno que pode ser visto com mais atenção nos próximos cinco anos tem a ver com dualidade: por um lado, a redução do número de jovens no mercado de trabalho e, por outro, o envelhecimento da população. “A vida produtiva das pessoas está se estendendo, com os desafios previdenciários projetados para o futuro. A pessoa vai precisar de uma educação ao longo da vida, não é mais uma educação acumulada somente durante a juventude ou vida adulta, isso vai gerar demanda”, afirma Marcelo Neri.

De acordo com o relatório, 39% dos trabalhadores não devem precisar de treinamento até 2027. Porém, 15% dos empregados necessitam de capacitação, mas não terão acesso a um programa de requalificação. “Por isso, vem o efeito de mais empregos qualificados em países desenvolvidos e trabalho menos qualificados nos emergentes”. No total, 85% vão estar prontos para as novas tecnologias ou estarão sendo treinados para a mudança.

Competências

O avanço das chamadas soft skills, sobretudo após a pandemia, foi observado com maior predominância dentro das empresas. Daqui para frente, conforme o relatório, a tendência é de que as corporações priorizem a criatividade, o pensamento analítico e o uso de IA e Big Data. A preferência foi apresentada por 42% das empresas consultadas pelo relatório. O investimento no capital humano e automação de processo deve atingir 80% das corporações, que devem priorizar mulheres, seguido de jovens menores de 25 e pessoas com deficiência.

Executivos brasileiros, por sua vez, almejam que 53% das habilidades do trabalho permaneçam as mesmas. Para os próximos cinco anos, entre as competências que devem ser consideradas prioridades nas contratações no País, estão: IA e Big Data; Pensamento criativo; Resiliência, Flexibilidade e agilidade; Pensamento analítico.

Já os cargos mais selecionados no Brasil pelas organizações que participaram da pesquisa, com base no saldo líquido positivos de empregos, são analistas e cientista de dados, cerca de 31%, profissionais de desenvolvimento de negócios, com 25%, gerente de operações e advogados, respectivamente, 13%. Para driblar a escassez de mão de obra qualificada, executivos brasileiros pretendem investir na promoção e progressão de carreira, no fornecimento de requalificação e qualificação eficazes e em uma articulação do propósito e impacto do negócio.

VOCÊ É UMA PESSOA RESILIÊNTE? DESCUBRA ISSO.

 

Moysés Peruhype Carlech – ChatGPT

O que é ter resiliência?

Ter resiliência é ter a capacidade de se adaptar e se recuperar de situações difíceis ou adversidades. É a habilidade de superar desafios, resistir à pressão e lidar com as dificuldades de forma positiva e construtiva, sem se deixar abalar ou desistir diante dos obstáculos.

A resiliência envolve uma combinação de características pessoais, como autoconfiança, perseverança, flexibilidade, otimismo e capacidade de lidar com emoções negativas. Pessoas resilientes são capazes de aprender com as experiências adversas, crescer e se desenvolver a partir delas, ao invés de serem destruídas ou desmotivadas por elas.

Ter resiliência não significa que a pessoa não sinta medo, tristeza ou desânimo, mas sim que ela consegue lidar com essas emoções de forma saudável e construtiva, sem se deixar dominar por elas. A resiliência é uma habilidade que pode ser desenvolvida ao longo da vida, por meio de experiências, aprendizados, desafios e apoio emocional de outras pessoas.

Características das pessoas resilientes

As pessoas resilientes têm algumas características comuns que as ajudam a lidar com os desafios e adversidades da vida de uma forma saudável e construtiva. Aqui estão algumas dessas características:

  1. Adaptabilidade: as pessoas resilientes têm a capacidade de se adaptar a novas situações e mudanças, sem perder a sua capacidade de funcionar bem.
  2. Autoconfiança: elas têm confiança em si mesmas e na sua capacidade de lidar com desafios e superar obstáculos.
  3. Flexibilidade: as pessoas resilientes são flexíveis e abertas a diferentes perspectivas e soluções, o que lhes permite encontrar maneiras criativas de resolver problemas.
  4. Forte rede de apoio: ter amigos, familiares e colegas de trabalho confiáveis e solidários é importante para as pessoas resilientes, pois lhes dá um senso de segurança e pertencimento.
  5. Foco no futuro: as pessoas resilientes tendem a se concentrar no futuro, em vez de se prenderem ao passado ou ao presente. Elas têm metas claras e são capazes de manter o foco no que querem alcançar.
  6. Autocontrole: elas têm uma boa capacidade de gerenciar suas emoções e reações diante de situações estressantes, o que lhes permite manter a calma e tomar decisões melhores.
  7. Mentalidade positiva: as pessoas resilientes tendem a ter uma mentalidade positiva, acreditando que coisas boas podem acontecer, mesmo em tempos difíceis.

Essas características não são exclusivas das pessoas resilientes, mas são comuns entre elas e podem ser desenvolvidas por qualquer pessoa que deseje aumentar sua resiliência.

Como ter tolerância ao estresse e flexibilidade

Para ter tolerância ao estresse e flexibilidade, é importante seguir algumas práticas e hábitos saudáveis. Aqui estão algumas sugestões:

  1. Pratique mindfulness: a meditação mindfulness pode ajudá-lo a desenvolver a capacidade de se concentrar no momento presente e gerenciar seus pensamentos e emoções de forma mais eficaz. Isso pode ajudar a reduzir o estresse e aumentar a sua capacidade de lidar com situações desafiadoras.
  2. Exercite-se regularmente: fazer exercícios físicos regularmente pode ajudar a reduzir o estresse e melhorar o humor. Além disso, o exercício pode aumentar a sua resistência ao estresse, tornando-o mais resiliente.
  3. Pratique a respiração profunda: a respiração profunda pode ajudá-lo a se acalmar e relaxar em momentos de estresse. Experimente fazer algumas respirações profundas quando se sentir ansioso ou sobrecarregado.
  4. Desenvolva habilidades de resolução de problemas: aprender a resolver problemas de forma eficaz pode ajudá-lo a lidar com situações estressantes de forma mais eficaz. Tente identificar soluções práticas para os problemas que você enfrenta e colocá-las em prática.
  5. Mantenha um estilo de vida saudável: certifique-se de dormir o suficiente, comer bem e manter-se hidratado. Um estilo de vida saudável pode ajudar a aumentar sua resistência ao estresse.
  6. Pratique a autocompaixão: trate-se com gentileza e compaixão. Quando você enfrentar um desafio, tente ser gentil consigo mesmo e evite se criticar ou se culpar.
  7. Mantenha relacionamentos saudáveis: ter um sistema de suporte forte pode ajudá-lo a lidar com o estresse. Certifique-se de manter relacionamentos saudáveis com amigos e familiares e busque ajuda quando precisar.

UM MARKETPLACE DIGITAL IGUAL AO DA STARTUP VALEON PODE AJUDAR QUALQUER NEGÓCIO?

Moysés Peruhype Carlech e Fernanda – Jet.

Sim e podemos ajudar muito a alavancar as suas vendas e tornar a sua empresa mais competitiva no mercado se forem utilizados os serviços da Startup Valeon e temos a certeza que vamos melhorar o seu posicionamento digital e utilizando uma boa estratégia comercial podemos trazer retorno financeiro para a grande maioria dos negócios das empresas da nossa região do Vale do Aço, afinal de contas, já atingimos a marca de mais de 220.000 acessos.

O sucesso do modelo dos marketplaces está expresso nos números registrados no último ano: o crescimento em 2020 chegou a 52%, acima dos 41% do segmento de e-commerce.

Essas informações foram apuradas pela E-bit/Nielsen, que também indica que o total de pedidos do marketplace chegou a 148,6 milhões, um crescimento de 38% em relação a 2019, o que resultou em um faturamento de R$ 73, 2 bilhões para o segmento.

A atenção recebida pelos “shoppings virtuais” tem razão de ser. São gerenciados por empresas que arcam com a parte operacional e, com isso, as lojas cadastradas podem se dedicar ao cuidado de suas páginas e às ofertas de produtos.

Para quem tem um e-commerce, os marketplaces devem ser vistos como uma oportunidade reforçar as estratégias de vendas.

Outro fator importante é a possibilidade de ampliar seus pontos de interação com o cliente, o que atende ao comportamento omnichannel do público.

Porém, para aproveitar melhor as possibilidades, é importante que você saiba quais são as vantagens do marketplace e como ele pode auxiliar o desenvolvimento do seu negócio.

1- Otimização dos recursos

A estruturação de um e-commerce não é simples. E, por mais que você faça tudo certo, os resultados precisam de tempo para serem consolidados.

Ao integrar a sua loja a um marketplace, esse processo é facilitado. Ao mesmo tempo em que trabalha para fortalecer a sua marca, o lojista tem como expor seus produtos num canal que já conta com uma audiência significativa.

Basta que o lojista negocie e pague a mensalidade do marketplace para que possa começar a negociar seus produtos ou serviços. Além disso, essas operações oferecem expertise, tráfego, visitação e mídia para que seus parceiros possam desenvolver seus negócios.

2- Alcance de clientes

Desenvolver uma loja virtual própria e recorrer às redes sociais para divulgar produtos ou serviços requer um trabalho de divulgação para alcançar um número maior de clientes.

Com o marketplace, esse trabalho ganha ainda mais abrangência e, com isso, é possível gerar um fluxo maior de consumidores, uma vez que há modelos próprios de divulgação, o que acaba favorecendo as empresas que o integram.

Além disso, esses “shoppings virtuais” , como o da Startup Valeon, não divide os custos de marketing  com os seus parceiros custeando ele próprio o processo de aquisição de clientes nas redes sociais.

3- Volume de dados

Os marketplaces têm o costume de oferecer aos seus parceiros diversos dados sobre as suas vendas e seus desempenhos dentro da plataforma e faz métricas diárias das consultas dos seus clientes.

Essas informações são bastante estratégicas para qualquer empresário que deseje desenvolver o seu comércio online e melhorar o seu desempenho na internet.

Isso porque conseguem planejar suas ações, promoções e precificar produtos e serviços com mais eficiência, o que aumenta as chances de converter os visitantes do marketplace em seus clientes.

4- Integração com outras ferramentas

Muitos empresários podem acreditar que ao entrar para um marketplace não poderá usar suas ferramentas digitais favoritas: CRMs, software de preços ou inventários.

Porém, não existe essa limitação e as empresas podem seguir usando seus mecanismos de otimização de resultados.

É possível explorar tantos as informações fornecidas pelos marketplaces quanto os dados gerados pelos seus mecanismos de gestão e controle, o que pode fortalecer ainda mais suas estratégias online.

5- Aumento de vendas

Com uma estrutura corretamente desenvolvida, processos de divulgação bem construídos e apoio aos parceiros, os marketplaces conseguem atrair um bom volume de visitantes para o seu site.

Quanto maior a exposição de produtos ou serviços, maior são as chances de aumentar as suas vendas. É preciso apenas que as lojas online saibam trabalhar seus produtos ou serviços na internet e convencer os consumidores de que conta com as melhores mercadorias e preços.

6- Diversificação de público

Com um número maior de pessoas tendo contato com seus produtos ou serviços, há possibilidade que alcance consumidores que, em um primeiro momento, não conseguiria atingir.

Isso contribui para a diversificação do seu público-alvo e faça com que a sua base de clientes possa crescer.

Isso favorece não apenas as suas vendas, mas também estimula os lojistas a buscarem novos produtos ou desenvolverem novos serviços para atender a sua nova demanda.

Esse processo é essencial para que as empresas ganhem mercado e busquem constantemente o seu desenvolvimento.

Agora que você já sabe quais as vantagens do marketplace, que tal descobrir como eles podem auxiliar no crescimento dos pequenos negócios?

Marketplace e o crescimento das empresas

Construir um modelo próprio de venda online é um desafio para as empresas, porém pode ser bastante recompensador.

Em 2020, o setor teve um crescimento de 41% se comparado com o ano anterior e a expectativa é de que siga alcançando bons resultados em 2022, até em razão da aceleração do processo de transformação digital.

Dessa forma, com um trabalho bem-feito, as empresas podem conquistar boa margem de lucro com o comércio eletrônico. Afinal, o perfil do consumidor tem mudado e ficado aberto às compras online.

Mas, para isso, é necessário utilizar um site como a da Startup Valeon que ofereça boa experiência para os consumidores e conte com estrutura logística e capacidade de estoque para dar conta do trabalho.

O marketplace é uma opção que pode potencializar ainda mais um comércio eletrônico, pois conta com um modelo de negócio estruturado e testado.

Assim, empresas de qualquer setor conseguem melhorar o desempenho de seus e-commerces ao estabelecer mais um canal de divulgação e venda.

Para aproveitar melhor as oportunidades, é importante contar com as ferramentas adequadas para fazer a gestão da operação.

Exemplo disso é a plataforma comercial da Startup Valeon, que tem suas páginas desenvolvidas justamente para conectar a sua loja aos principais consumidores do mercado.

Com isso, além de ter todo o suporte necessário para destacar seus produtos na internet, o lojista tem como gerenciar todo o universo envolvido com as suas vendas online, seja na loja própria ou no marketplace.

Num único local, por exemplo, pode fazer a gestão de estoque, o que evita a perda de clientes pela falta do produto. O e-commerce é uma modalidade de negócio que deve seguir ganhando espaço e conquistando novos clientes. O empresariado deve ficar atento a esse mercado e aproveitar as vantagens do marketplace para aumentar a sua presença online e ter acesso facilitado a uma base sólida de usuários.

domingo, 30 de abril de 2023

ECONOMIA CRIATIVA GERA MAIS EMPREGOS E PROGRESSO INDUSTRIAL

 


SXSW, Cannes e Frankfurt: negócios “criativos” ganham representatividade internacional
Por
Raquel Hoshino, especial para a Gazeta do Povo


Reunião de preparação de participantes da missão do SXSW, em 1º de março de 2023, na Sala São Paulo, localizada no centro da capital paulista.| Foto: Divulgação/InvestSP

A economia criativa paulista, pautada em investimentos, missões, capacitação e internacionalização, tem movimentado a economia para o Brasil e ganhando destaque externo. É em São Paulo que está concentrada a maior quantidade de empresas culturais e criativas do país.

O movimento tem por base o uso de criatividade para criar um produto ou serviço. E envolve tudo o que é produzido por empresas que realizam desde atividades artesanais, passando por música, editorial, cinema, rádio, TV e artes cênicas, indo até publicidade, arquitetura e desenvolvimento de softwares e jogos digitais.

Desde os anos 2000, a indústria criativa vem ganhando representatividade. Segundo um levantamento da Fundação Itaú, por meio do Observatório Itaú Cultural, o Produto Interno Bruto (PIB) da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas do Brasil (Ecic) atingiu 3,11% do PIB da economia brasileira, em 2020. Construção civil, indústria extrativa e transporte alcançaram 3,6%, 3,1% e 3,6%, respectivamente. “Com a valorização do conhecimento como insumo essencial para a dinâmica atual da economia e, mesmo, diante da mudança do paradigma de consumo, com consumidores migrando de bens para serviços, os setores culturais e criativos ganharam maior representatividade nos últimos anos” – afirma o estudo.

Junto com São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná foram os estados que mais contribuíram para este índice. “Quando a gente pensa, por exemplo, num pequeno teatro, um coletivo de teatro que logo em seguida abre um bar; e logo em seguida, vem um restaurante; e se instala, enfim, um hotel, você começa a ver exatamente o que é essa economia criativa acontecendo e rodando”, explica a secretária de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, Marília Marton. E foi com este espírito que a InvestSP, uma agência de promoção de investimentos (IPA) ligada ao governo estadual, e a Secretaria de Cultura e Economia estadual se uniram para ajudar empresas do setor criativo a se internacionalizar.

Economia criativa tem impulso com oportunidades de negócio no exterior
Este é o segundo ano do programa Creative SP, que atua capacitando, levando e acompanhando empresas paulistas em eventos internacionais importantes, as chamadas “missões”, como o inovador festival americano SXSW, o tradicional Festival de Cinema de Cannes, na França, e a prestigiada Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, para buscar oportunidades de negócios e firmar parcerias. “O objetivo é que a gente cubra o máximo de setores possível dentro da economia criativa”, conta Julia Saluh.

“Não é só levar o projeto. É feito todo um apoio técnico para que elas possam, ali, encontrar, e para como elas ajam, a partir desses encontros, dessas mesas de vendas dos seus produtos”, explica a secretária Marília Marton.

Além da capacitação e da assistência, as dez instituições selecionadas para participar de cada evento recebem o reembolso de despesas de até 3 mil dólares (cerca de R$ 15 mil), o que, segundo Julia, faz bastante diferença para as companhias. Elas são selecionadas segundo a capacidade de internacionalização, por meio de uma chamada pública.

Em 2022, o programa levou 73 empresas de pequeno, médio e grande portes para nove eventos internacionais voltados para entretenimento, tecnologia, cinema, games, música, literatura, artes visuais e design. Segundo a agência, os participantes tiveram contato com mais de 2 mil possíveis parceiros, em cerca de 100 países, gerando quase R$ 360 milhões em negócios e de até 6,6 mil empregos no setor cultural paulista, no período de até um ano após a missão. “Para cada real que o Estado investiu no projeto, foram gerados R$ 64,9 em negócios por essas empresas. E eu estou falando em resultado direto”, pontua Julia Saluh.

Arvore, um estúdio desenvolvedor de games e de experiências imersivas, com foco em realidade virtual aumentada e mista, e a produtora de audiovisual Gallune, responsável por sucessos como “Que Horas Ela Volta?”, premiado nos festivais de Sundance e Berlim; do documentário “A Última Floresta”, prêmio de audiência no Festival de Berlim; e “Ninguém Tá Olhando”, vencedor do Emmy Internacional (iEmmys) de melhor série de comédia, são duas empresas que participaram de missões do programa.

Para Laura Rossi, head de Internacional da Gallune, a vontade de querer se aproximar do mercado norte-americano, até pouco tempo atrás bastante fechado, foi o que levou a produtora a participar de uma missão. “O principal dessas políticas públicas, que as pessoas não têm noção, é a abertura que isso dá. Ter esse suporte de entidades que conseguem chegar com uma maior relevância para esses organizadores, para grandes players do mercado. Eles têm capacidade de abrir portas para esses brasileiros que vão para lá conhecer, se estabelecer ou crescer a atuação no mercado”.

Para Rodrigo Terra, cofundador da Arvore, que desenvolveu a franquia de games “Pixel Ripped” e a narrativa “The Line”, ganhadora do Emmy de Inovação em Programação Interativa e de Melhor Experiência em Realidade Virtual do Festival Internacional de Cinema de Veneza, ter participado de missões, no ano passado e neste, deu à empresa a possibilidade de realizar prospecção de negócios nos mercados europeu e asiático e de fazer networking. “Mostramos um pouco mais a cara do nosso time”, acrescenta ele, o que acabou sendo “importante para ajudar no andamento de negociações”.

Na avaliação de Terra, que também é presidente da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Games (Abragames), percebe-se que cada vez mais as manifestações regionais do país ganhando projeção lá fora. Das duas missões que aconteceram este ano, uma para a Game Developers Conference 2023 e outra para o festival SXSW, o balanço do governo paulista é que, em 12 meses, sejam geradas 398 vagas de empregos diretos e indiretos, além da geração de negócios de aproximadamente R$ 88,95 milhões.


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INTERFERÊNCIA DO GOVERNO NA PETROBRAS PODE ACABAR COM A PRODUÇÃO DE PETRÓLEO

 

Combustíveis
Petrobras sob assédio estatal: Venezuela e Bolívia são os exemplos que o Brasil insiste em ignorar

Por
Leonardo Coutinho – Gazeta do Povo


Lula, o ex-presidente boliviano Evo Morales e o falecido ditador venezuelano Hugo Chávez, juntos durante a Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe, no México, em fevereiro de 2010| Foto: EFE/Roberto Escobar

Em 2006, quando o então presidente da Bolívia nacionalizou a extração de petróleo e a produção de seus derivados, ele avançou sobre refinarias estrangeiras, entre as quais, duas da Petrobras. Na linha o petróleo e o gás “son nuestros”, ele prometeu aos bolivianos reverter para eles 100% da riqueza gerada pelo negócio, antecipando até o seu ventríloquo Hugo Chávez, que no ano seguinte faria o mesmo.

A Bolívia está assentada sobre reservas gigantescas de gás natural. Quando Morales assumiu a presidência, no mesmo ano em que ele nacionalizou a produção, encontrou tudo prontinho e acreditou que era só mudar as regras para bamburrar. O país tinha um contrato vantajoso com o vizinho Brasil, que garantia receitas monumentais por anos a fio.

Morales, que tem origem no sindicalismo cocaleiro, entregou o negócio para sindicalistas e membros do seu partido. O resultado não poderia ser diferente. Sem investir na prospecção de novas reservas, apenas cinco anos depois da nacionalização, os estoques provados de gás entraram em declínio.

O sucateamento da indústria de gás da Bolívia é tão acentuado que, em sete anos, estima-se que o país não será capaz de produzir o suficiente para atender sequer a sua demanda interna. Em 2030, os bolivianos, portanto, deixarão de ser exportadores para passar à condição de importadores de gás.

As projeções não indicam que a Bolívia se beneficiará de um boom econômico-industrial. A demanda será quase a mesma. O que está acontecendo por lá é a morte rápida de uma indústria próspera que foi entregue para os compañeros de Morales.

A Bolívia traçou um caminho idêntico ao da Venezuela. Hugo Chávez assumiu a presidência em 1999 com a produção de petróleo nas alturas e o preço da commodity no chão. Viu os preços subirem como nunca, resultando em uma dinheirama sem precedentes que serviu para ele financiar governos de esquerda, organizações criminosas e o terrorismo internacional. O boom petroleiro está intrinsecamente ligado ao sucesso do empreendimento bolivariano. Mas também adiou a descoberta de um problema que está na origem da tragédia política, econômica e social que implodiu a Venezuela.

Sob Chávez, entre 1999 e 2012, e com Maduro nos últimos dez anos, a produção petroleira da Venezuela caiu ano a ano, tendo chegado a níveis inferiores aos medidos na primeira metade do século passado. Sem investimentos, pilhada por corrupção e à deriva sob o comando de inaptos, a indústria petroleira da Venezuela encolheu ao ponto de o país que tem as maiores reservas de petróleo do planeta precisar importar combustível, pois é incapaz de produzir o suficiente para o consumo de sua população.

O colapso da produção de gás na Bolívia não será capaz, sozinho, de empurrar o país para o mesmo padrão de crise que se abateu sobre a Venezuela. Mas é seguro afirmar que a Bolívia de hoje é muito mais frágil que a Venezuela antes de colapsar. Um novo vizinho em debacle pode gerar instabilidade, migração descontrolada e avanço do crime, considerando-se que, depois do gás, o tráfico de cocaína muito certamente é a principal atividade econômica da Bolívia.

Sem ser capaz de produzir gás para atender seu mercado interno, a Bolívia, obviamente, não poderá mais atender o seu principal cliente, o Brasil. Isso significa que, enquanto políticos brasileiros passam a mão na cabeça dos seus colegas bolivianos, o mercado brasileiro se avizinha de uma crise no fornecimento de energia. Todos no Brasil, direta ou indiretamente, pagarão pelos erros dos bolivarianos de La Paz.

No Brasil, a Petrobras está constantemente sob assédio estatal. Focando apenas nos exemplos mais recentes, a companhia foi alvo da pilhagem revelada pela Operação Lava Jato. Esteve sob intervenção do governo Bolsonaro, que mexeu na política de preços, e agora está sob a mira do petismo, que quer que a receita da companhia cubra os custos do populismo eleitoral que ajudou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltar ao poder – e não deixa de ser parte importante da estratégia para que ele permaneça.

Tratar a Petrobras como uma fábrica de dinheiro (seja para corrupção, política – ainda que legítima – ou para malabarismo político-eleitoral) é um erro já testado, como se vê nos casos da Bolívia e da Venezuela.

É sempre bom destacar que Brasil é Brasil, Bolívia é Bolívia, Venezuela é Venezuela. Mas nunca é demais lembrar que o Brasil não está muito longe. Nem na geografia, nem na mania de repetir erros.


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AGRISHOW CANCELA CERIMÔNIA DE ABERTURA

 

Foto: Ivan Amorin/Estadão

Por Redação

Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse ter sido ‘desconvidado’ de participar do maior evento agropecuário do País em razão da presença do ex-presidente Bolsonaro

A Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do País, anunciou na noite deste sábado, 29, que cancelou a cerimônia de abertura que estava marcada para acontecer na segunda-feira, 1º de maio. Os organizadores do evento disseram que a decisão foi tomada em virtude de “toda a repercussão gerada pela cerimônia”. O restante do evento está mantido e deve ocorrer normalmente entre os dias 1º e 5 de maio, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

A repercussão negativa citada pela nota ocorreu após o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmar que não compareceria na cerimônia de abertura, em virtude da presença do ex-presidente Jair Bolsonaro. A organização teria sugerido que Fávaro comparecesse no dia seguinte em vez do dia de abertura. Como mostrou o Estadão, o governo federal esperava utilizar o evento para anunciar um crédito extra para o Plano Safra.

Legenda: Feira de agronegócio ocorre entre os dias 1º e 5 de maio.
Legenda: Feira de agronegócio ocorre entre os dias 1º e 5 de maio. Foto: Agrishow/Divulgação

A presença do ex-presidente em detrimento do governo atual gerou desconforto no Planalto. O ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, informou que o Banco do Brasil retiraria o patrocínio da feira. O banco público afirmou que comparecerá “de forma comercial” no evento.

A Agrishow espera receber 190 mil visitantes que poderão ver os produtos exibidos por mais de 800 empresas. A nota divulgada na noite deste sábado diz que a Agrishow continuará conectando produtores e as empresas de tecnologia agrícola. “Reiteramos o convite para que mantenha a sua agenda de visita ao evento para conhecer as inovações que estão ampliando a competitividade e desenvolvimento do setor”, diz a nota.

Agrishow é a maior feira de tecnologia agrícola do País.
Agrishow é a maior feira de tecnologia agrícola do País. Foto: Reprodução

GOVERNO NÃO TOMA PROVIDÊNCIAS PELA CAUSA DO DESEMPREGO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Desemprego subiu para 8,8% no primeiro trimestre de 2023, segundo o IBGE.| Foto: Marcelo Andrade/Arquivo/Gazeta do Povo

Na sexta-feira, dia 28, o IBGE divulgou os dados da Pnad Contínua, com uma notícia nada animadora: o desemprego emendou sua terceira elevação consecutiva, fechando o primeiro trimestre de 2023 em 8,8%, contra 8,6% no trimestre móvel encerrado em fevereiro e 8,4% no período de três meses encerrado em janeiro. O Brasil, agora, está perto de ter 9,5 milhões de desempregados, depois de terminar o ano passado com 8,6 milhões de pessoas procurando uma ocupação. Como tem acontecido com certa frequência nos últimos anos, março foi mais um mês de descasamento entre a Pnad Contínua e o Novo Caged, do Ministério do Trabalho, que registrou abertura de 195 mil vagas com carteira assinada – pelos dados do IBGE, houve estabilidade neste indicador, com 36,7 milhões de pessoas com emprego formal.

A queda na ocupação, nos dados da Pnad Contínua, veio justamente no setor que não é coberto pelo Novo Caged, o mercado de trabalho informal – a taxa de informalidade agora está em 39%, contra 38,8% no último trimestre do ano passado. Também houve elevação na taxa de subutilização (o porcentual de desocupados e subocupados por trabalhar menos horas do que teriam disponibilidade), que agora é de 18,9%. Os desalentados – que não estão nem mesmo procurando trabalho – se mantiveram estáveis, em 3,9 milhões de pessoas.

Lula parece não ter outro plano para gerar empregos a não ser bater no Banco Central para que baixe os juros na canetada e ajude a economia a crescer

O IBGE ainda trabalha com a possibilidade de este início de ano ser uma espécie de “retorno à normalidade”, depois do período completamente atípico da pandemia, que desorganizou todos os indicadores e fez com que muitas comparações se tornassem irreais, seja porque a base estava inflada demais ou deprimida demais. A coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, voltou a afirmar, como fizera em outras divulgações da Pnad Contínua, que tradicionalmente o desemprego avança nos primeiros meses de cada ano, com exceção de 2022, que foi marcado pela recuperação da economia após o caos da Covid-19.

A desaceleração da economia, no entanto, é uma possibilidade que também não pode ser descartada, e Beringuy já afirmou em ocasiões anteriores que seria necessário um período de tempo maior para entender se este ciclo de queda em 2023 é motivado mais pela sazonalidade natural do período ou porque estamos passando por temos mais difíceis. Uma pista pode vir do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), uma “prévia do PIB”, que surpreendeu em fevereiro, com crescimento de 3,32% em relação a janeiro, na comparação com ajuste sazonal – a mediana das projeções era de 1,2%, e havia quem apostasse até em retração. Mesmo assim, ainda que o IBC-Br aponte para uma economia mais aquecida que o imaginado, será preciso esperar pelos dados do PIB, que usa metodologia ligeiramente diversa do IBC-Br.

VEJA TAMBÉM:
O STF contra a lei e o trabalhador (editorial de 27 de abril de 2023)
Arcabouço fiscal troca a responsabilidade pela impunidade (editorial de 24 de abril de 2023)
Projeto do arcabouço não soluciona dúvidas (editorial de 21 de abril de 2023)


Independentemente de estarmos diante de um movimento natural ou de uma possível crise no mercado de trabalho, o que o país percebe é a apatia completa do governo em relação a propostas no sentido de estimular a geração de empregos. Iniciativas anunciadas recentemente, como as novas regras de reajuste do salário mínimo, beneficiam quem já tem emprego formal, mas pouco dizem aos desempregados. Para estes, o governo parece não ter outro plano a não ser bater no Banco Central para que baixe os juros na canetada e ajude a economia a crescer. No entanto, como o presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem se esforçado para explicar (em vão, ao que parece), os juros não são causa, mas consequência de uma série de outros fatores, que incluem políticas fiscais irresponsáveis. O teto de gastos já ruiu, e em seu lugar Lula e Fernando Haddad querem colocar uma nova regra que já não é suficientemente sólida, prevê impunidade para o descumprimento das metas, e ainda assim é bombardeada pelos próprios partidos da base aliada de Lula, que desejam deixar o arcabouço ainda mais frouxo. Nesse ritmo, ainda que a alta atual do desemprego seja realmente um fenômeno sazonal esperado, em breve a irresponsabilidade governamental será a única culpada caso a desocupação continue subindo.


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BOLSONARO RETOMA À VIDA PÚBLICA COMEÇANDO PELA AGRISHOW

 

Agrishow
Por
Aline Rechmann – Gazeta do Povo


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve participar da Agrishow, em Ribeirão Preto, em 1º de maio| Foto: Alan Santos/PR.

Quatro meses após deixar o Palácio do Planalto, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) retomará a agenda de eventos públicos no Brasil ao marcar presença na maior feira do agronegócio no país, a Agrishow, nesta segunda-feira (1º), em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A escolha pelo evento foi estratégica: além de o setor representar uma das bases eleitorais mais fortes de Bolsonaro, ele poderá explorar o desgaste do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com os empresários do agro.

A proximidade do petista com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem aprofundado o distanciamento do agronegócio com o governo. “Essa situação é agravada pelas invasões que foram retomadas desde o início do mandato de Lula, gerando insegurança nos agricultores, e reforçam a identificação dele com o MST”, pontua o cientista político Adriano Cerqueira, da faculdade Ibmec de Minas Gerais.

A própria participação de Bolsonaro na Agrishow também gerou um atrito entre o agro e o governo Lula nesta semana. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), disse que foi “desconvidado” da abertura do evento depois de ser informado que o ex-presidente também compareceria à feira no mesmo dia.

O presidente da Agrishow, Francisco Maturro, no entanto, destacou que “jamais cometeria a deselegância de desconvidar alguém”. A organização da feira também emitiu uma nota reafirmando o convite ao ministro e teceu elogios a Fávaro: “Para a direção da Agrishow, o ministro vem realizando um ótimo trabalho com muita competência para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro e sua participação na feira é muito importante para todo o setor”.

A Gazeta do Povo tentou contato com o Ministério da Agricultura para saber se Fávaro pretende visitar a feira, mas não obteve resposta. Se confirmada a ausência do ministro de Lula, esta deverá ser a primeira vez que a Agrishow será aberta sem a presença de um representante do governo federal.

Bolsonaro, por sua vez, deve aproveitar o evento para se reunir com empresários do agronegócio, deputados aliados e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O afilhado político de Bolsonaro decidiu prestigiar a Agrishow, em vez de participar de um evento das centrais sindicais em homenagem ao Dia do Trabalhador.

Esta deve ser a primeira agenda pública de Bolsonaro fora de Brasília, desde que retornou das férias nos Estados Unidos. A tendência é de que as viagens se tornem mais frequentes a partir de agora. Segundo aliados do ex-presidente, ele deve ser um importante cabo eleitoral de políticos conservadores nas eleições municipais do ano que vem.

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Bolsonaro será recepcionado por apoiadores no domingo
O diretor do Sindicato Rural de Ribeirão Preto e da Associação Rural Vale do Rio Pardo, Paulo Maximiano Junqueira Neto, foi quem convidou Bolsonaro à Agrishow. “Para nós, Bolsonaro foi o melhor presidente que o Brasil já teve. Ele foi fundamental para o agronegócio e estar aqui conosco novamente será um importante momento de agradecimento”, destacou.

Deputados federais paulistas eleitos pelo PL também organizam uma recepção ao ex-presidente. Eles devem acompanhar Bolsonaro desde o aeroporto da cidade até o local da feira. Em sua conta no Instagram, o deputado federal Ricardo Salles (PL-SP) confirmou a participação de Tarcísio e Bolsonaro no evento, informando ainda que a recepção será no domingo (30), às 13h, no aeroporto da cidade.

A mobilização em torno da participação de Bolsonaro no evento em Ribeirão Preto gerou ainda a expectativa de uma nova motociata que estaria sendo divulgada por apoiadores nas redes sociais. Em 2022, depois de cumprimentar pessoas que aguardavam na saída do Aeroporto Estadual Leite Lopes, Bolsonaro seguiu de moto para a abertura da 27ª Agrishow, onde também andou a cavalo. Porém, ainda não há confirmação se o ato ocorrerá ou não.

Para o analista político Adriano Cerqueira, a escolha da Agrishow como a primeira participação de Bolsonaro em um evento público “não poderia ser melhor”. “Bolsonaro é muito popular no setor do agronegócio e quando o presidente Lula deixa de participar destes eventos, ou enviar representante, reforça que não é comprometido com o agro. Se o governo Lula realmente tivesse interesse em se aproximar, estaria presente”, opina.

MST afasta Lula do agronegócio
Embora tenha sido o autor do convite a Bolsonaro, Paulo Junqueira, do Sindicato Rural, também citou a ausência de membros do governo no evento, em tom de reclamação. “Nós queremos que representantes do governo federal estejam conosco, afinal, prometeram pacificação e diálogo com o nosso setor”.

O aumento das invasões de terras pelo MST no chamado “Abril Vermelho” deteriorou ainda mais uma relação já desgastada entre Lula e o agro, resultando na abertura de uma Comissão Parlamentar de Investigação na Câmara dos Deputados para apurar as invasões de terra promovidas pelo movimento. De janeiro a abril, o número de invasões a imóveis rurais no Brasil alcançou uma marca maior do que a registrada em cada um dos 5 últimos anos: 33 invasões. O movimento invadiu também 12 sedes estaduais do Incra. São, portanto, 45 invasões no total.

Fávaro criticou algumas dessas ações e classificou a invasão de uma área de pesquisas da Embrapa, em Pernambuco, como “inaceitável”. “Invasão de terra produtiva não é concebível. Não vai surtir efeito, terra invadida não é para servir para reforma agrária”, declarou.

Apesar disso, o ministro tem feito acenos favoráveis ao MST ao participar de eventos do movimento. Em fevereiro, acompanhado do ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Paulo Teixeira, Fávaro participou da 1º festa da Colheita da Soja Livre de Transgênico, realizada pelo MST na comunidade Fidel Castro, no Paraná.

A percepção entre o setor do agronegócio é de que o governo, além de não criticar as invasões ilegais de terras, tem cedido às pressões do MST por cargos. Lula nomeou integrantes da cúpula do movimento para cargos importantes, como a presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A disposição do governo para negociação fez com que o MST exigisse também a troca de comando das superintendências estaduais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O movimento sugeriu pessoas aliadas às suas pautas para ocupar esses cargos e foi atendido pelo governo. O Incra já nomeou 23 novos superintendentes, em um total de 29 unidades.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/bolsonaro-retoma-agenda-publica-pelo-pais-mostrando-forca-junto-ao-agro/
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INSEGURANÇA JURÍDICA ATRAPALHA A SEGURANÇA PARA ATRAIR INVESTIMENTOS

 

O que não falta no Brasil é gente pegando carona no Estado

Segurança jurídica é necessária para atrair investimentos privados – oposto do que se vê por aqui

Por Elena Landau

É sabido que segurança jurídica é necessária para atrair investimentos privados. Oposto do que se vê por aqui.

Decretos de Lula modificaram a essência do jovem marco do saneamento. O Congresso vai mudar a Lei das Estatais, com apoio do Executivo. A autonomia das agências reguladoras está em risco por conta de uma emenda-jabuti. Há sempre uma desculpa “nobre”: atrair mais recursos, modular regras muito rígidas e aprimorar a regulação. Mas a real intenção é se pendurar no Estado, com mais subsídios e mais cargos. E ainda temos o novo arcabouço fiscal enfraquecendo a Lei de Responsabilidade Fiscal, que foi um divisor de águas para as contas públicas.

No Judiciário, a mesma instabilidade. Nem vou entrar no labirinto da Lava Jato, nas idas e vindas processuais. No momento, está no STF uma ADPF irresponsável proposta por partidos de esquerda para anular acordos de leniência. Em matéria tributária é ainda mais difícil acompanhar. Nesta semana, o STJ rediscutiu a incidência de imposto sobre benefícios fiscais concedidos pelos Estados, e uma liminar do STF suspendeu a eficácia da decisão. Há pouco, tivemos o debate sobre coisa julgada e retroatividade em cobrança de imposto.

BNDES está entre as empresas que fizeram as mudanças necessárias para se adequar à Lei das Estatais.
BNDES está entre as empresas que fizeram as mudanças necessárias para se adequar à Lei das Estatais.  Foto: Fabio Motta/Estadão

O mesmo STF avança sobre a legislação trabalhista. Os ministros estão reavaliando a forma de adesão de trabalhadores, sindicalizados ou não, à contribuição assistencial. Seu valor é fixado em assembleia, à qual devem ir para dizer não, exercendo seu direito de oposição. A motivação é impedir que alguns trabalhadores peguem carona em acordos negociados sem pagar por isso. É retrocesso para a liberdade do trabalhador. O direito de dizer não é inferior ao direito de não dizer nada. Muitos não têm nem sequer notícia de realização de uma assembleia nem condições de comparecer. E, pior, como não existe pluralidade sindical no Brasil, não podem nem escolher o sindicato para o qual contribuir.

A compulsoriedade do imposto sindical, que não é o mesmo que contribuição assistencial, caiu com a reforma trabalhista, mas mesmo esse avanço pode estar em risco com essa reviravolta no STF.

A lógica da reforma era exatamente fazer com que sindicatos saíssem de sua zona de conforto e mostrassem serviço, em contraponto ao monopólio garantido pela unicidade sindical. Nesse sentido, é reveladora a queda significativa dos valores dos recursos arrecadados pelos sindicatos recentemente.

O que não falta por aqui é gente pegando carona no Estado, mas o STF está preocupado apenas com os trabalhadores “caroneiros”. A corda sempre arrebenta para o mais fraco. Mexer com Zona Franca de Manaus ninguém quer.

TEM GENTE PEGANDO CARONA NO ESTADO

 

O que não falta no Brasil é gente pegando carona no Estado

Segurança jurídica é necessária para atrair investimentos privados – oposto do que se vê por aqui

Por Elena Landau

É sabido que segurança jurídica é necessária para atrair investimentos privados. Oposto do que se vê por aqui.

Decretos de Lula modificaram a essência do jovem marco do saneamento. O Congresso vai mudar a Lei das Estatais, com apoio do Executivo. A autonomia das agências reguladoras está em risco por conta de uma emenda-jabuti. Há sempre uma desculpa “nobre”: atrair mais recursos, modular regras muito rígidas e aprimorar a regulação. Mas a real intenção é se pendurar no Estado, com mais subsídios e mais cargos. E ainda temos o novo arcabouço fiscal enfraquecendo a Lei de Responsabilidade Fiscal, que foi um divisor de águas para as contas públicas.

No Judiciário, a mesma instabilidade. Nem vou entrar no labirinto da Lava Jato, nas idas e vindas processuais. No momento, está no STF uma ADPF irresponsável proposta por partidos de esquerda para anular acordos de leniência. Em matéria tributária é ainda mais difícil acompanhar. Nesta semana, o STJ rediscutiu a incidência de imposto sobre benefícios fiscais concedidos pelos Estados, e uma liminar do STF suspendeu a eficácia da decisão. Há pouco, tivemos o debate sobre coisa julgada e retroatividade em cobrança de imposto.

BNDES está entre as empresas que fizeram as mudanças necessárias para se adequar à Lei das Estatais.
BNDES está entre as empresas que fizeram as mudanças necessárias para se adequar à Lei das Estatais.  Foto: Fabio Motta/Estadão

O mesmo STF avança sobre a legislação trabalhista. Os ministros estão reavaliando a forma de adesão de trabalhadores, sindicalizados ou não, à contribuição assistencial. Seu valor é fixado em assembleia, à qual devem ir para dizer não, exercendo seu direito de oposição. A motivação é impedir que alguns trabalhadores peguem carona em acordos negociados sem pagar por isso. É retrocesso para a liberdade do trabalhador. O direito de dizer não é inferior ao direito de não dizer nada. Muitos não têm nem sequer notícia de realização de uma assembleia nem condições de comparecer. E, pior, como não existe pluralidade sindical no Brasil, não podem nem escolher o sindicato para o qual contribuir.

A compulsoriedade do imposto sindical, que não é o mesmo que contribuição assistencial, caiu com a reforma trabalhista, mas mesmo esse avanço pode estar em risco com essa reviravolta no STF.

A lógica da reforma era exatamente fazer com que sindicatos saíssem de sua zona de conforto e mostrassem serviço, em contraponto ao monopólio garantido pela unicidade sindical. Nesse sentido, é reveladora a queda significativa dos valores dos recursos arrecadados pelos sindicatos recentemente.

O que não falta por aqui é gente pegando carona no Estado, mas o STF está preocupado apenas com os trabalhadores “caroneiros”. A corda sempre arrebenta para o mais fraco. Mexer com Zona Franca de Manaus ninguém quer.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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