quinta-feira, 27 de abril de 2023

SUPREMO COMETE INÚMEROS ABUSOS PROCESSUAIS CONTRA OS PARTICIPANTES DE 8 DEJANEIRO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


O acampamento de apoiadores de Jair Bolsonaro em Brasília foi desmontado logo depois dos atos de 8 de janeiro.| Foto: Renan Ramalho/Gazeta do Povo

Estar no lugar errado, na hora errada, é crime? No Brasil do Código Penal, pensar algo assim seria uma loucura sem tamanho; mas, no Brasil de Alexandre de Moraes, há, sim, lugares e momentos em que não se pode estar sem correr o risco de ir para a prisão. É dessa forma que se pode compreender a recente decisão de tornar réus meia centena de brasileiros tidos por “incitadores” dos atos de 8 de janeiro e que foram presos no acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. O relator Moraes e outros sete ministros foram favoráveis à aceitação da denúncia por incitação pública à prática de crime e associação criminosa; Nunes Marques e André Mendonça saíram vencidos, mas seus votos mostram a que ponto o arbítrio está se tornando norma na principal corte do Judiciário brasileiro.

Ambos os ministros mostraram, com clareza inequívoca, os inúmeros abusos processuais que vêm se acumulando na esteira do golpismo vândalo de 8 de janeiro, a começar pela abolição pura e simples do princípio do juiz natural. Afinal, nenhum dos agora réus pertence aos grupos que detêm prerrogativa de foro, e seus casos deveriam, na mais severa das hipóteses, estar nas mãos da primeira instância da Justiça Federal em Brasília. Por mais correta que seja essa observação, já há muito tempo Moraes vem atribuindo a si mesmo competência para julgar absolutamente tudo e todos que ele queira julgar por supostos “ataques às instituições”, em uma espécie de “juízo universal” – a expressão, usada por Nunes Marques em seu voto, já foi empregada no passado para criticar uma suposta concentração de processos da Operação Lava Jato na 13.ª Vara Federal de Curitiba, do então juiz Sergio Moro, por mais que a conexão entre os casos fosse evidente e que o próprio STF tivesse feito todo o esforço possível para fatiar a Lava Jato, enviando processos para outros estados ou para a Justiça Eleitoral.

Não há defesa possível do Estado Democrático de Direito quando se nega a cidadãos brasileiros o direito à ampla defesa, quando se aceita um trabalho preguiçoso de acusação, incapaz de demonstrar o que cada denunciado fez de concreto

Ainda mais escandalosa que a abolição do princípio do juiz natural, no entanto, é a aceitação de denúncias genéricas oferecidas pela Procuradoria-Geral da República, feitas na base do “copia-e-cola”, sem a individualização das condutas, em violação frontal à jurisprudência do Supremo. “Deixou a acusação de identificar e expor os fatos supostamente criminosos, com todas as suas circunstâncias”, afirmou Nunes Marques, acrescentando que “não se pode caracterizar a justa causa para instauração da ação penal lastreada no simples fato de alguém estar acampado ou ‘nas imediações do Quartel General do Exército’ em Brasília, sem que se demonstre e individualize sequer uma conduta criminosa atribuída aos denunciados”. Na mesma linha, Mendonça votou “pela rejeição da denúncia, eis que não trouxe indícios mínimos e suficientes da prática dos delitos narrados nas iniciais acusatórias pelas cinquenta pessoas aqui denunciadas por estarem no acampamento no dia 9 de janeiro de 2023”.

Obviamente, como já afirmamos repetidas vezes neste espaço, os acampamentos diante dos quartéis – não apenas o de Brasília – eram movidos por um animus golpista, visto que a reivindicação era a de uma ação militar que impedisse a posse de Lula ou que o removesse do poder, uma vez empossado. No entanto, há uma série de aspectos a ressaltar, como também já lembramos, a começar pelo fato de que muitos dos acampados jamais entenderam tal interferência como um golpe propriamente dito, mas como algo que teria amparo constitucional – uma interpretação do artigo 142 claramente equivocada, mas que já dificultaria a responsabilização objetiva dessas pessoas, como aliás o admite o Código Penal nos casos do “erro de tipo” (artigo 20) e do “erro de proibição” (artigo 21).

VEJA TAMBÉM:
As denúncias genéricas do 8 de janeiro e o risco de novos abusos (editorial de 8 de abril de 2023)
O abuso das prisões pós-8 de janeiro (editorial de 26 de fevereiro de 2023)
O fim dos acampamentos e a “criminalização no atacado” (editorial de 10 de janeiro de 2023)
Os brasileiros diante dos quartéis (editorial de 20 de novembro de 2022)


No entanto, e aqui reside o cerne do arbítrio cometido, mesmo um golpista empedernido, plenamente ciente da ilegalidade do que pedia, não poderia jamais ser responsabilizado de forma genérica, sem que a PGR apontasse o que essa pessoa fez de concreto para que pudesse ser enquadrada em crimes contra o Estado de Direito. Neste sentido, Mendonça é certeiro: “Não se olvida de que no acampamento, seguramente, havia pessoas mal-intencionadas, pessoas que desejavam um golpe de Estado, pessoas cujos motivos de presença no local se harmonizavam com o dolo narrado pelo Ministério Público. E é possível, até mesmo, considerar que havia um bom número delas. Tais circunstâncias, todavia, não autorizam a presunção de que rigorosamente todos que lá estavam agiam com as mesmas intenções e, portanto, não permitem a imputação uniforme contra todas aquelas pessoas, sem que se apontem elementos que demonstrem, individualmente, a culpabilidade subjetiva de cada qual”.

Cada indivíduo só pode ser acusado e julgado pelo que fez, individualmente. A defesa da democracia não comporta acusações baseadas em generalizações que “são sempre temerárias” e pressupõem, “sem comprovação, uma absoluta uniformidade e homogeneidade daquela massa de pessoas”, nas palavras de Mendonça. O mero fato de essas pessoas estarem no acampamento no momento em que as forças de segurança foram desmontá-lo jamais poderia bastar para que a PGR denunciasse todos os presos exatamente pelos mesmos crimes apoiando-se nos mesmos indícios genéricos. Não há defesa possível do Estado Democrático de Direito quando se nega a cidadãos brasileiros o direito à ampla defesa, quando se aceita um trabalho preguiçoso de acusação, incapaz de demonstrar o que cada denunciado fez de concreto e os motivos reais que justificariam seu julgamento. Compactuar com isso é aceitar que, em nome de uma suposta defesa da democracia, se parta para o arbítrio escancarado e para a tirania judicial.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/stf-denuncias-genericas-8-de-janeiro/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

MANTIDA A PRISÃO DE ANDERSON TORRES SEM ARGUMENTOS JURÍDICOS E SIM POLÍTICOS

 

Atos do 8 de janeiro
100 dias na prisão
Por
Gabriel Sestrem – Gazeta do Povo


Mesmo com o aval da PGR para a revogação de prisão, Anderson Torres, ex-ministro de Bolsonaro, segue preso por decisão de Alexandre de Moraes| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Nesta segunda-feira (24), o ex-ministro da Justiça no governo Bolsonaro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, completou 100 dias preso por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em inquérito que apura suposta “omissão imprópria” de autoridades de Estado.

Torres foi preso preventivamente no dia 14 de janeiro por suposta omissão no desempenho de suas funções frente aos ataques aos prédios dos Três Poderes no dia 8 de janeiro, bem como por possível inação quanto à desmobilização do acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, situado em Brasília, onde estavam reunidos manifestantes que pediam a intervenção das Forças Armadas contra a eleição de Lula (PT).

Na época dos ataques, o ex-ministro ocupava o cargo de secretário de segurança pública do Distrito Federal e estava de férias, em viagem com a família nos Estados Unidos. Além dele, outras autoridades foram alvo de medidas judiciais determinadas por Moraes: o então comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), Fabio Vieira, também foi preso por suposta omissão, mas foi solto no início de fevereiro sob o entendimento de que ele não foi diretamente responsável pela falha das ações de segurança que resultaram nos atos criminosos.

Já o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que também por suposta omissão foi afastado do cargo por 90 dias por ordem de Moraes, teve seu afastamento revogado no dia 15 de março. Centenas de outros investigados pelos ataques também já foram soltos e respondem em liberdade. O mesmo não ocorreu com Anderson Torres.

Nos últimos dias, a pressão por sua soltura aumentou em decorrência da decisão de Moraes de não determinar nenhuma medida mais incisiva contra o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de Lula, que apareceu em novas imagens vazadas à imprensa circulando entre manifestantes que invadiram o Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro sem tomar medidas incisivas para impedir os atos de violência.

O duplo padrão nas decisões do ministro do STF tem gerado uma série de críticas por parte de aliados de Jair Bolsonaro (PL), que avaliam que o prolongamento da prisão tem relação com o fato de Torres ser aliado e ex-ministro de Bolsonaro, que coleciona episódios de desentendimentos com Moraes.

VEJA TAMBÉM:
STF começa a julgar mais 200 denunciados por 8/1 com voto favorável de Moraes
Defensor diz que parte dos presos foi a Brasília por curiosidade e não participou do vandalismo
O que mostram as novas imagens sobre a invasão ao Palácio do Planalto em 8 de janeiro
Mesmo com aval da PGR, Moraes nega revogação da prisão

No dia 10 de abril, a defesa já tinha requisitado a soltura ou substituição da prisão por outras medidas cautelares sob a alegação de que não há prova da existência de crime e indício de autoria, sequer perigo gerado pelo estado de liberdade do ex-ministro.

A defesa argumenta que não houve omissão, já que antes de sair de férias Torres deixou um plano de operações e procedimentos a ser seguido pelos órgãos de segurança do DF, que compreendia a proteção de toda a área próxima à Praça dos Três Poderes. “Cabia, portanto, aos órgãos responsáveis o cumprimento ou execução das diretrizes elaboradas em cada evento”, destaca a defesa.

Dias depois, o Ministério Público Federal (MPF), por meio do Subprocurador-Geral da República Carlos Frederico Santos, manifestou-se favorável à revogação da prisão. Apesar disso, Moraes negou o pedido e decidiu manter Torres em prisão preventiva.

O ministro do STF sustenta que a manutenção da prisão tem a ver com “indícios da participação do requerente na elaboração de uma suposta ‘minuta golpista’ e em uma ‘operação golpista’ da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para tentar subverter a legítima participação popular no 2º Turno das eleições presidenciais de 2022”.

A Polícia Federal investiga se quando Torres era ministro houve uso dos efetivos da PF e PRF para dificultar votos de eleitores da região nordeste, reduto de Lula, no dia da votação, já que houve maior número de ordens de parada e revista a ônibus com eleitores naquela região. A justificativa apresentada por Torres para as deliberações foi a necessidade de as corporações coibirem crimes eleitorais, como compra de votos.

Nesta quarta-feira (26), a defesa de Anderson Torres apresentou um novo pedido de soltura pelo estado de saúde do ex-ministro, agora alegando risco de suicídio (leia mais abaixo).

Tratamento dado por Moraes a ex-ministro de Lula flagrado conversando com invasores motiva críticas ao ministro


Nomeado por Lula, o ex-ministro do GSI era homem de confiança do petista e já havia chefiado a segurança do presidente nos dois mandatos anteriores. Sob a gestão de Dilma Rousseff (PT) na presidência, Gonçalves Dias comandou o GSI. A revelação das novas imagens motivou a exoneração do general e criou uma crise no governo por suposta leniência de aliados de Lula aos atos de vandalismo. No entanto, em decisão bastante destoante das anteriores, Moraes ordenou apenas que o general fosse ouvido pela Polícia Federal.

A forma como o ministro do Supremo lidou com o caso gera estranheza, uma vez que Moraes fundamentou a ordem de prisão das demais autoridades em suposta “omissão e conivência” mesmo que Torres não estivesse no local e que o comandante-geral da PM-DF tivesse agido de forma contundente para impedir os atos, inclusive sendo ferido por manifestantes. Já Gonçalves Dias estava presente no local no momento dos ataques apresentou-se pouco combativo frente à gravidade dos acontecimentos, além de manter diálogos com os criminosos que, ao menos em análise inicial das imagens, aparentam ser bastante cordiais.

VEJA TAMBÉM:
Denúncias do 8/1: Mendonça acompanha Moraes “com ressalvas”; Nunes Marques discorda parcialmente
Avaliação negativa do governo Lula cresce de fevereiro para abril, revela pesquisa
Com esposa com câncer e sem ver filhas menores de idade há meses, Torres apresenta quadro emocional sensível

Nesta segunda-feira (24), Torres seria ouvido pela PF em depoimento sobre as operações policiais realizadas nas estradas no segundo turno das eleições de 2022. Seus advogados, entretanto, pediram que o depoimento fosse adiado por complicações no estado de saúde do ex-ministro. De acordo com o ofício assinado pelo advogado Eumar Novacki e encaminhado à Gazeta do Povo, Torres foi atendido por uma psiquiatra da Secretaria de Saúde do Distrito Federal no sábado (22), que atestou a impossibilidade de “comparecer a qualquer audiência no momento por questões médicas (ajuste medicamentoso) durante uma semana”.

O estado de saúde teria se agravado após a negativa por parte de Alexandre de Moraes ao pedido de revogação da prisão preventiva, na última quinta-feira (20). “Ocorre que, após ter ciência do indeferimento do pedido de revogação de sua prisão preventiva, o estado emocional e cognitivo do requerente, que já era periclitante, sofreu uma drástica piora”, dizem os advogados.

Anderson Torres é pai de três filhas menores de idade – de 9, 11 e 13 anos –, as quais não vê desde que foi preso. “Após a decretação da custódia cautelar do requerente, suas filhas, infelizmente, passaram a receber acompanhamento psicológico, com prejuízo de frequentarem regularmente a escola”, prossegue a defesa.

O fato de sua esposa estar com câncer é outro agravante. Segundo seus advogados, o ex-ministro tem sofrido problemas psicológicos desde que foi preso. “Ele entrou em um estado de tristeza profunda, chora constantemente, mal se alimenta e já perdeu 12 quilos”, diz a defesa.

Há evidências claras de perseguição jurídico-política a Anderson Torres, afirma jurista
Para o especialista em Direito Constitucional Aécio Flávio Palmeira Fernandes, há irregularidades e desproporcionalidade na forma como o ministro Alexandre de Moraes tem conduzido suas decisões em relação a Torres. Como ele explica, a Constituição estabelece o princípio da presunção de inocência, e o Código de Processo Penal (CPP) é taxativo ao enumerar as hipóteses em que a prisão preventiva é cabível, e nenhuma delas se aplica no caso do ex-ministro.

“A prisão preventiva é irregular quando não se presta a cumprir as finalidades do artigo 312 do CPP, que indica o instituto quando necessária e indispensável à garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado”.

Para Fernandes, há evidências de perseguição de cunho político na situação jurídica de Torres da mesma forma que ocorreu com outras pessoas que foram presas no acampamento montado em Brasília no dia seguinte aos ataques mesmo sem provas de participação dos atos. “Pessoas foram presas sem ao menos terem estado presentes na invasão. É uma clara e escancarada perseguição jurídico-política, onde a lei é um mero detalhe que pode ou não ser parâmetro legal – desde que o infrator seja de viés político contrário”, diz.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/100-dias-na-prisao-anderson-torres-vive-indefinicao-juridica-com-caso-nas-maos-de-alexandre-moraes/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

O BRASIL PODERÁ TER UMA CENSURA IGUAL À DA CHINA

Por
Marcel van Hattem – Gazeta do Povo


Sessão da Câmara dos Deputados que aprovou urgência para o PL das Fake News.| Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O maior ataque à liberdade de expressão já visto na história recente do Brasil está em curso e, infelizmente, é o Poder Legislativo quem o está protagonizando. O Parlamento nacional, que deve dar neste momento de nossa história o conforto de que a população necessita para ver garantidas suas liberdades, está debatendo um tema que arrisca colocar direitos constitucionais históricos do nosso povo no lixo. O Projeto de Lei 2630/2020 tem um nome orwelliano, “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”, e uma alcunha enganadora, “Lei de Combate às Fake News”, mas felizmente já está ficando mais conhecido popularmente por aquilo que realmente representa: uma “Lei da Censura”.

Na noite de terça-feira, 25 de abril, mais um passo foi dado para que a censura volte a ser realidade no Brasil com a aprovação do requerimento de urgência para incluir a matéria em pauta. A batalha será árdua, mas não impossível: foram 238 votos a favor e 192 votos contrários, com manobras regimentais do presidente Arthur Lira para aprovar o requerimento excepcionalmente por maioria simples (artigo 154 do Regimento Interno da Câmara, que só pode ser usado simultaneamente por duas matérias por vez) em vez de por maioria absoluta (como preconiza o artigo 155).

Passar ao governo a tutela sobre a opinião dos seus cidadãos é caminho certo e seguro para o autoritarismo.

Considerando-se que muitos parlamentares votam a urgência sem ter compromisso com o mérito e que 83 parlamentares não votaram, é possível reverter esse placar no momento de discussão do projeto, que pode ocorrer hoje, 26, ou na próxima terça-feira, 2 de maio. Os interesses envolvidos pela sua aprovação, porém, são enormes. Além da tradicional voracidade de políticos que preferem o silêncio dos críticos à liberdade de opinião, imprensa e expressão, também o Supremo Tribunal Federal e parte relevante da mídia brasileira integram o front a favor da volta da censura no Brasil. Repito: a batalha será árdua!

O Supremo Tribunal Federal vem há muito tempo interferindo no processo legislativo. Inicialmente com opiniões, depois com decisões e, agora, com sugestões legislativas apresentadas oficialmente ao Parlamento. Trata-se de função que não lhe compete e, a rigor, lhe são vedadas, mas os ministros do STF não demonstram mais qualquer respeito com a lei, inclusive com aquela que regula suas próprias condutas, a Lei Orgânica da Magistratura. Pouco antes da abertura da Ordem do Dia na Câmara dos Deputados que aprovou o requerimento de urgência da Lei da Censura, o próprio ministro Alexandre de Moraes trouxe propostas em nome do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que sejam incluídas no texto do PL 2630.

Quantas vezes ainda teremos de ver o arbítrio e a ditadura imperar em países onde a política determina quais opiniões são lícitas?

Em resumo, as propostas do ministro Alexandre de Moraes trazem uma confissão: o que ele tem feito até aqui como juiz no que diz respeito ao suposto “combate às fake news” é ilegal. Ponto. Ao oferecer ao Congresso Nacional uma proposta de lei que dê suporte ao que ele já executa, censurando políticos e jornalistas, prendendo manifestantes pacíficos, detendo inclusive idosos e crianças, comerciantes e comediantes, Alexandre de Moraes admite publicamente e sem o menor pudor que tem agido sem lei que o respalde e em contrariedade com a Constituição.

A escalada autoritária do STF é tão desabrida e explícita, que o fato de estar admitindo sua própria infração à lei e à Constituição Nacional já não é notícia relevante no Brasil. Ministros do Supremo conseguiram a proeza de, ao mesmo tempo, tornarem-se atores relevantes no cenário político brasileiro e irrelevantes como operadores sérios e confiáveis do Direito pátrio.

Alexandre de Moraes admite publicamente e sem o menor pudor que tem agido sem lei que o respalde e em contrariedade com a Constituição.

Já a mídia tradicional, ciosa com a perda de público decorrente do advento das redes sociais, decidiu apostar as fichas na capacidade do Estado para esmagar a concorrência. Em vez de olhar com seriedade e honestidade intelectual para dentro de suas próprias quatro paredes e entender melhor os motivos para a derrota constante para a concorrência virtual, as empresas de jornalismo profissional, com raras exceções, encontram agora no governo, que deveriam vigiar e fiscalizar, o suporte para resolver seus problemas financeiros.

A imprensa que outrora fez campanha intensa contra a censura, nos tempos da ditadura militar e das Diretas Já, agora usa argumentos esdrúxulos e injustificáveis para defender o cerceamento da liberdade de expressão. Faz lembrar a fábula do sapo e do escorpião: o governo pode até conseguir auxiliar as empresas de mídia no curto prazo, mas é de sua natureza aferroá-la e estrangulá-la até a morte. Basta ver todos os exemplos internacionais em que governos autoritários, como o petista, cooptaram a imprensa e liquidaram com sua liberdade.

VEJA TAMBÉM:
CPMI de 8 de janeiro: direito da minoria a comissões de inquérito jamais pode ser violado
O curioso caso da Casa de Leis que não respeita as suas próprias
Carnaval Vermelho: MST faz guerra para retomar poder político

A discussão sobre liberdade de expressão e responsabilidade é imensa e intensa, impossível resumi-la em um artigo. Em tempos em que a disseminação de informação é tão rápida quanto perigosa via redes sociais, porém, não há dúvidas de que é preciso discutir e aprovar formas legais mais adequadas aos nossos tempos de combater a injúria, a calúnia e a difamação, há muito tempo já tipificados inclusive como crime no Brasil, além de outras formas de contravenção e ilegalidades cometidas online e que extravasam para o mundo real. Contudo, não podemos correr o risco de jogar o bebê fora junto com a água suja do banho.

Quando a mentira é combatida de forma errada, a primeira vítima é sempre a verdade. Passar ao governo a tutela sobre a opinião dos seus cidadãos é caminho certo e seguro para o autoritarismo. Quantas vezes ainda teremos de ver o arbítrio e a ditadura imperar em países onde a política determina quais opiniões são lícitas até que ideias como a Lei da Censura sejam apenas devaneios pensados por uma minoria radical e delirante? Não tenho resposta a esta pergunta, sobretudo considerados aqueles que hoje lideram os Três Poderes e os já mencionados mesquinhos, mas significativos interesses envolvidos. O Brasil, porém, não tem vocação para virar uma China em termos de censura e é por isso que nesse momento será por meio da mobilização de sua população que poderemos evitar esse destino.

Nota: para acompanhar em tempo real quais são os parlamentares a favor e contra o PL da Censura, acesse pldacensura.com. Ali é possível identificar cada deputado e pedir àqueles que são a favor da censura ou que não se posicionaram que reflitam sobre o futuro que querem para si e para o nosso país.

E-BOOK
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/marcel-van-hattem/pl-da-censura-o-brasil-nao-pode-virar-uma-china/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

 

A ESQUERDA VOTOU EM PESO DEFENDENDO O PROJETO DE CENSURA

 

PL das fake news

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


O relator do projeto de lei das fake news é o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).| Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados.

Como é possível que o projeto de lei de censura às redes sociais seja votado a qualquer momento, gostaria de lembrar que o artigo 220 da Constituição, no parágrafo 2.º, diz que “é vedada toda e qualquer censura de caráter político, ideológico e artístico”. Toda e qualquer censura. E é bom lembrar também – para vermos que as próprias autoridades não estão obedecendo a Constituição, estão passando por cima da nossa lei principal, que garante democracia no país – que o parágrafo 5.º do artigo 220 diz que os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio, ou seja, a Constituição não permite que dominem o mercado da informação.

Por que digo isso? Porque a mídia tradicional está silenciosa. Está na cara que o projeto pretende fazer censura, e este é um perigo muito grande. Se olharmos de onde são os 238 deputados que aprovaram a urgência do projeto – ou seja, para ir logo ao plenário, sem passar por comissões, embora ainda tenha de ir ao Senado se for aprovado na Câmara –, vemos que as bancadas do PT, do PCdoB, do PSol e da Rede votaram em peso pela urgência. São partidos de esquerda, e a natureza da esquerda é totalitária, é a censura. Ninguém diz que não há censura na Venezuela, em Cuba, na Nicarágua, na China, que não havia na União Soviética, na Albânia… Regimes de esquerda, totalitários, exigem censura.

VEJA TAMBÉM:
Propaganda enganosa
Ainda há muito a explicar sobre a presença de Gonçalves Dias no Planalto

Embora a eleição de outubro tenha renovado a Câmara com quase 70% de deputados de centro e direita, na hora de votar só metade deles foi contra a urgência. Isso é preocupante, porque a grande mídia sente a concorrência das redes sociais. Está acontecendo nos Estados Unidos também: grandes órgãos estão fechando, demitindo os grandes salários, cortando gente, porque estão sentindo, a audiência caiu, as pessoas estão acompanhando o noticiário pelo celular ou pelo computador. Diga-se de passagem, quem resiste é o rádio, que já resistiu à televisão; quando apareceu a televisão, diziam que ninguém mais ouviria notícias pelo rádio, mas o rádio tem mais agilidade, mais portabilidade, e continua a ser grande fonte de informação da maioria.

A CPI do 8 de janeiro finalmente chegou
A CPI mista do 8 de janeiro terá 16 deputados e 16 senadores. Rodrigo Pacheco não teve alternativa, de tanto que vinha crescendo a grande pergunta: por que o governo não queria transparência e botou sob sigilo as imagens do Palácio do Planalto? Agora vimos por quê. Aparece lá o general Gonçalves Dias, e aí não tem mais jeito, Pacheco não tinha mais como continuar empurrando com a barriga. Agora o governo vai querer a maioria desses 32 para melar a investigação e não apurar aquilo que se quer apurar: qual foi a causa, quem são as pessoas envolvidas, quais são as consequências… Governo e oposição se mobilizam para ter maioria na comissão, mas o importante é que finalmente a CPI chegou.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/censura-esta-no-dna-da-esquerda/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

SISTEMA DEJUSTIÇA É CENTRADO NO BANDIDO E PREOCUPA MENOS COM A VÍTIMA

 

Artigo
Barbárie sob nova embalagem: como o progressismo ameaça o sistema de justiça
Por
Hugo Freitas Reis, especial para a Gazeta do Povo

Composite contemporary collage statue of justice themis femida on the background of the target as the concept and idea of justice and law. High quality photo


Foi a duras penas que a sociedade conseguiu instituir certos princípios do sistema de justiça que, aparentemente, “protegem os bandidos”. Na verdade, eles apenas contrariam as tendências humanas naturais, visando a garantir um ambiente onde o julgamento será equilibrado.| Foto: Bigstock

Uma queixa recorrente é a de que o sistema de justiça é centrado demais no bandido e se preocupa de menos com a vítima. Mal sabem esses críticos que isso não é um acidente; é de propósito. É um princípio do liberalismo do século XVIII que vale não só no Brasil, mas em todos os países ocidentais. E digo mais: é um ótimo princípio. Que está sob ataque hoje como nunca, com uma novidade: hoje, numa grande reversão histórica, os ataques vêm principalmente do campo progressista. Tanto no Brasil como em outros países.

É óbvio que as vítimas precisam de atenção, mas um sistema processual centrado na vítima seria, no limite, o sistema processual alexandrino — neologismo que poderíamos usar para designar o processo onde a pessoa que figura como vítima faz também o papel de acusador e de juiz.

Vieses cognitivos
Todos entendemos que a vítima não é a pessoa mais isenta para avaliar se há provas suficientes do crime, ou se há provas suficientes de que o acusado é culpado; que dirá avaliar a gravidade da ofensa para decidir a pena merecida.

Isto é porque as pessoas têm vieses cognitivos. E a causa remota disto é que a cognição humana (o grande diferencial da nossa espécie) foi construída pelo processo descrito pela teoria da evolução; isto é, desenvolveu-se pela seleção dos traços que conferiam mais vantagem individual ao espécime possuidor — e não dos traços que produziam o melhor pensador ou juiz.

Só por acaso é que será de ajuda ao espécime ter capacidades mentais que o ajudam a acessar “a verdade” objetiva. Em muitos outros casos, o que o favorecerá vai ser a capacidade de iludir os outros — ou até mesmo a si próprio — a acreditarem no que mais lhe favorece. Por isso é que se observa que as pessoas tendem a puxar a brasa para a sua sardinha, como diz a expressão popular. Às vezes, inclusive, como crença sincera — às vezes, insincera.

Por isso mesmo, o psicólogo Roy Baumeister, citando estudos empíricos, observou que, ao contrário do que diz o senso comum, as vítimas mentem e distorcem tanto quanto os seus agressores (e não menos), quando narram os fatos delituosos. Isso é porque todos — vítimas, agressores, observadores — nascemos com um “advogado interior” ou um “assessor de imprensa interior”, como diz Jonathan Haidt.

As vítimas querem projetar a melhor imagem possível de si mesmas perante a comunidade (inclusive omitindo malfeitos que partiram dela, num contexto de agressões bilaterais, as quais Baumeister afirma, também ao contrário do senso comum, serem uma situação estatisticamente mais frequente que a da vítima completamente inocente). Ao mesmo tempo, têm interesse em projetar a pior imagem possível do seu agressor, para vingar-se convencendo o resto da comunidade a ficar contra ele — algo que qualquer pessoa pode atestar conversando individualmente com alguém que brigou com um amigo em comum.

Richard Posner também observou: a evolução desenvolveu os indivíduos para terem um forte instinto de retaliação — porque aquele a quem não se pode agredir impunemente será menos agredido, logo sobreviverá mais e terá mais recursos —, mas, ao mesmo tempo, a evolução não tem interesse algum em limitar esse instinto apenas à retaliação suficiente. Afinal, uma reação desproporcional em excesso é tão eficaz para o fim descrito quanto a reação proporcional.

Por isso, historicamente, é que precisou surgir a regra “Olho por olho, dente por dente”: se hoje é considerada cruel, ela originalmente precisou ser expressa e escrita justamente para limitar a sanha punitiva. O sentido da regra era impedir que as pessoas pretendessem arrancar um olho em retaliação por um dente perdido, como soía acontecer.

O que reflete a natureza de todo o direito penal: são normas destinadas, antes de tudo, a limitar quem pune. Por isso a impressão de que é um direito que protege os bandidos.

E também serve de advertência histórica: deixar que a própria vítima dose a pena, como no sistema alexandrino, seria temerário.

Mudança de mentalidade
Todos esses problemas em se confiar na vítima, mesmo conhecidos, são ignorados por uma força de viés moralista, talvez mais vinda da sociedade do que do indivíduo: o imperativo de “ficar do lado da vítima”. Duvidar da palavra dela, ou fazer menção aos atos precedentes pouco elogiáveis que dela partiram, é visto como um pecado em si, e equivalente a “ficar do lado do agressor” – ou seja, ser tão ruim quanto ele, aos olhos dos outros. E, como foi brilhantemente retratado no conto “A roupa nova do imperador”, as pessoas estão dispostas a sacrificar quase qualquer coisa para salvar a sua reputação.

Com todas essas forças contrárias, na história e no presente, foi a duras penas que a sociedade conseguiu instituir certos princípios do sistema de justiça que, aparentemente, “protegem os bandidos”. Na verdade, eles apenas contrariam as tendências humanas naturais, visando a garantir um ambiente onde o julgamento será equilibrado.

Por isso, os progressistas — com destaque, hoje, para a corrente feminista — acham que estão sendo inovadores com suas críticas ao sistema de justiça, quando, na verdade, estão apenas repetindo críticas muito antigas, antes vindas sobretudo do campo conservador. A diferença é que, como os progressistas detêm a hegemonia no campo cultural, estão conseguindo impor as suas pautas na prática.

E as vitórias não se restringem ao campo cultural. Nos dias atuais, não param de ser aprovadas leis concretas neste sentido. Esta vitória política — que, diga-se, quase não encontra oposição parlamentar, mesmo entre parlamentares do dito campo conservador — foi precedida de uma transformação na cultura, mudando-se a mentalidade dos operadores do direito desde a faculdade.

Um exemplo anedótico foi um debate entre chapas de eleição de centro acadêmico que testemunhei em 2015, ano por vezes descrito como um marco da atual ascensão do progressismo identitário na sociedade.

Uma das graves “acusações” desferidas por uma chapa contra a rival foi terem dito, em algum momento, que, se eleitos, em casos de acusação de ismofobia (machismo, racismo, homofobia, etc.) que ocorressem na faculdade, antes de mobilizarem o aparato do centro acadêmico contra o acusado, conversariam com ele em particular e ouviriam a sua versão. Algo que, em outros tempos, seria chamado honrosamente de “direito ao contraditório”. A outra chapa retorquiu em tom de superioridade moral, dizendo que, se fosse eleita, aplicaria a sua concepção, muito diferente, de que, em suas palavras, “as vítimas devem protagonizar” as campanhas de ostracismo. Ou seja, presunção de veracidade da acusação até prova em contrário. Isso numa faculdade de direito.

Devido processo legal, ônus da prova pesando contra a vítima acusadora (sim, contra a vítima!) e não contra o acusado, direito ao contraditório. Os progressistas denunciam tudo isso como imoral, porque oneram a vítima, forçando-a, por exemplo, a ter que depor em juízo para ter a sua versão dos fatos contraditada.

É um processo sem dúvida, potencialmente, muito desagradável – mas absolutamente necessário para proteger o inocente e combater os vieses da vítima, já descritos. Os progressistas chegam a se referir a isso pelo disfemismo “revitimização”, equiparando o direito básico do contraditório a um crime perpetrado pelo Estado – concepção absurda que foi concretizada pela promulgação da Lei Mariana Ferrer em 2021.

Pouco importa que a alternativa a isso seja o Estado perpetrar “crime” pior, a máxima violência que lhe é legalmente permitida, que é a prisão por anos a fio, contra um inocente que não teve direito de se defender. Este desconforto ou “vitimização” não é levado em conta, já que a vítima em questão está fora do estreitíssimo rol de vítimas aceitáveis do progressismo.

Trata-se, aliás, de um padrão recorrente no progressismo: o que se vende como “empatia” e cuidado com o ser humano é, na realidade, a tirania ditatorial dos caprichos de uns sobre os outros, a quem não se concede nenhuma misericórdia.

A verdadeira máxima distribuição de empatia, se fosse possível, ao contrário da empatia seletiva, seria forçada a lidar com os trade-offs inerentes à possibilidade de se beneficiar um prejudicando o outro. A solução desse trade-off resultaria justamente no… sistema de direitos iguais e imparciais, inspirados no princípio da justiça (e não na “empatia”), que é justamente o que inspira o sistema de justiça liberal que o progressismo tenta destruir.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/barbarie-sob-nova-embalagem-como-o-progressismo-ameaca-o-sistema-de-justica/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

LULA ABORDA A GUERRA NA UCRÂNIA APOIADO EM SABEDORIA DE BOTEQUIM

 

Política externa atual do Brasil em relação ao conflito é a política externa do presidente

Por William Waack

política externa atual do Brasil em relação ao conflito na Ucrânia é a política externa do Lula. Ela consiste na promoção da imagem pessoal do presidente como um estadista de grande projeção internacional.

O principal problema dessa política é o notável distanciamento entre a visão que Lula tem do cenário internacional e a realidade dos fatos. Nesse sentido, as bobagens que ele tem reiterado sobre causas, evolução (no sentido cronológico) e possíveis resultados do conflito não são apenas deslizes retóricos.

São distorções trazidas pela ignorância de como funciona a ordem internacional em transformação e o motivo das ações das potências envolvidas. Junto da incapacidade de entender e formular o que seja o interesse nacional brasileiro, que Lula confunde (como fazem populistas em qualquer lugar) com interesses políticos pessoais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante viagem à Espanha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante viagem à Espanha  Foto: JuanJo Martín/EFE

Uma das imprecisões históricas mais reveladoras da falta de visão internacional de Lula foi a afirmação de que a China merece um crédito especial como possível negociadora no conflito da Ucrânia pois “não faz guerra há muito tempo”. A história da moderna China, como a de todas as grandes potências, é a história de suas grandes guerras (de conquista, civil ou ambas). E a China está se preparando para a maior delas, contra os EUA.

A afirmação, feita por Lula, de que não adianta “discutir quem está certo ou quem está errado” no caso da Ucrânia implica desprezo do presidente brasileiro a princípios de Direito Internacional. A preservação desses princípios foi durante décadas o norte da política externa brasileira.

Outra bobagem retórica – “Você só vai discutir acerto de contas quando pararem de dar tiros” – expõe incapacidade de entendimento das relações internacionais. Não se esperava que Lula se dedicasse a interpretar a frase célebre de Clausewitz (A guerra é a continuação da política por outros meios), mas qualquer político realista e realmente pragmático sabe bem o que significa.

A guerra imposta pela Rússia à Ucrânia é uma guerra imperialista clássica de conquista inflamada por nacionalismo e chauvinismo de séculos, dos czares aos bolchevistas, além do típico anseio por segurança (diante de ameaças reais ou percebidas, como a existência da Otan) de grandes potências. Ela se tornou fator definidor da ordem internacional que, simplificando, é a formação de dois formidáveis blocos geopolíticos. Guerra da Ucrânia e nova ordem são eventos com características próprias, mas que se tornaram inseparáveis e se condicionam mutuamente.

É bom observar que o chefe de governo espanhol, um político socialista ao lado de quem Lula proferiu as últimas declarações sobre a guerra, compartilha com outros dirigentes europeus de esquerda ou de direita o mesmo entendimento sobre a natureza do que está acontecendo. Eles não definem a postura externa de seus países apoiados em sabedoria de botequim.

A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS COMPLEXOS REQUER UMA ABORDAGEM ESTRUTURADA E SISTEMÁTICA

 

                                               

Moysés Peruhype Carlech – ChatGPT

  

                                                                                                                                               Como resolver problemas complexos?

Resolver problemas complexos requer uma abordagem estruturada e sistemática. Aqui estão alguns passos que podem ajudar:

  1. Compreender o problema: Certifique-se de que você entende completamente o problema e sua complexidade. Identifique o objetivo final e as etapas necessárias para alcançá-lo.
  2. Dividir o problema em partes menores: Divida o problema em partes menores e mais gerenciáveis. Isso ajudará a identificar as causas e efeitos do problema e a desenvolver soluções mais precisas.
  3. Coletar informações relevantes: Reúna todas as informações relevantes e necessárias para resolver o problema. Isso pode incluir dados, opiniões de especialistas, experiências passadas e outras informações relevantes.
  4. Analisar os dados: Analise os dados coletados para identificar tendências, padrões e relações entre os diferentes fatores envolvidos no problema.
  5. Desenvolver soluções alternativas: Desenvolva várias soluções alternativas para resolver o problema. Avalie cada solução em relação aos seus custos, benefícios e riscos.
  6. Selecionar a melhor solução: Selecione a melhor solução com base na análise das alternativas. Considere todos os fatores relevantes, incluindo custo, eficácia, tempo de implementação e aceitabilidade.
  7. Implementar a solução: Implemente a solução escolhida e monitore seu progresso. Se necessário, faça ajustes para garantir que a solução esteja funcionando corretamente.
  8. Avaliar os resultados: Avalie os resultados da solução implementada e compare-os com os objetivos estabelecidos. Se a solução não funcionou como esperado, volte para a etapa de desenvolvimento de soluções alternativas.

Lembre-se de que resolver problemas complexos é um processo contínuo e iterativo. À medida que você avança, pode ser necessário ajustar seu plano de ação e fazer alterações para garantir que esteja alcançando seus objetivos.

A vida é um problema complexo?

Sim, a vida pode ser considerada um problema complexo por vários motivos. Em primeiro lugar, a vida envolve inúmeras variáveis interconectadas que podem ter efeitos significativos uns sobre os outros. Por exemplo, fatores como genética, ambiente, cultura, sociedade e experiências pessoais podem influenciar nossa vida de maneiras complexas e imprevisíveis.

Além disso, a vida é caracterizada pela incerteza e pela necessidade de tomar decisões com base em informações incompletas ou ambíguas. Isso pode tornar difícil prever os resultados de nossas ações e pode levar a consequências imprevistas ou indesejadas.

Por fim, a vida é um problema complexo porque envolve questões fundamentais sobre o sentido e propósito da existência humana. Essas questões são difíceis de responder e podem ter respostas diferentes para cada indivíduo, tornando ainda mais complexa a tarefa de encontrar significado em nossas vidas.

Como administrar a complexidade do trabalho?

Administrar a complexidade do trabalho pode ser um desafio, mas existem algumas estratégias que podem ajudar:

  1. Priorize tarefas: Faça uma lista de todas as suas tarefas e identifique as mais importantes. Priorize essas tarefas para garantir que você esteja focado no que é mais importante.
  2. Estabeleça metas realistas: É importante definir metas que sejam desafiadoras, mas também realistas. Isso pode ajudá-lo a manter o foco e a motivação.
  3. Organize seu tempo: Crie um cronograma e reserve tempo para cada tarefa. Tente evitar sobrecarregar-se com muitas tarefas ao mesmo tempo.
  4. Simplifique o trabalho: Analise as tarefas e veja se há alguma maneira de simplificá-las. Às vezes, pode ser possível dividir uma tarefa em partes menores ou automatizar algumas etapas.
  5. Delegue tarefas: Se possível, delegue algumas tarefas para outras pessoas. Isso pode ajudar a reduzir a carga de trabalho e permitir que você se concentre nas tarefas mais importantes.
  6. Mantenha-se organizado: Manter-se organizado pode ajudar a reduzir a complexidade do trabalho. Certifique-se de ter um sistema de arquivamento eficaz e mantenha sua área de trabalho organizada.
  7. Aprenda a dizer “não”: É importante aprender a dizer “não” quando você já tem muitas tarefas em sua lista. Não é saudável sobrecarregar-se com muitas tarefas e compromissos.

Lembre-se de que a administração da complexidade do trabalho é um processo contínuo e você precisará ajustar suas estratégias à medida que sua carga de trabalho mudar.

ESCALANDO NEGÓCIOS DA VALEON

1 – Qual é o seu mercado? Qual é o tamanho dele?

O nosso mercado será atingir os 766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar os produtos / serviços para vocês clientes, lojistas, prestadores de serviços e profissionais autônomos e obter dos consumidores e usuários a sua audiência.

A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e especialmente aos pequenos e microempresários da região que não conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que ele proporciona. Pretendemos cadastrar todas as empresas locais com CNPJ ou não e coloca-las na internet.

2 – Qual problema a sua empresa está tentando resolver? O mercado já expressou a necessidade dessa solução?

A nossa Plataforma de Compras e Vendas que ora disponibilizamos para utilização das Empresas, Prestadores de Serviços e Profissionais Autônomos e para a audiência é um produto inovador sem concorrentes na região e foi projetada para atender às necessidades locais e oferecemos condições de adesão muito mais em conta que qualquer outro meio de comunicação.

Viemos para suprir as demandas da região no que tange a divulgação de produtos/serviços cuja finalidade é a prestação de serviços diferenciados para a conquista cada vez maior de mais clientes e públicos.

O nosso diferencial está focado nas empresas da região ao resolvermos a dor da falta de comunicação entre as empresas e seus clientes. Essa dor é resolvida através de uma tecnologia eficiente que permite que cada empresa / serviços tenha o seu próprio site e possa expor os seus produtos e promoções para os seus clientes / usuários ao utilizar a plataforma da ValeOn.

3 – Quais métodos você usará para o crescimento? O seu mercado está propício para esse tipo de crescimento?

Estratégias para o crescimento da nossa empresa

  1. Investimento na satisfação do cliente. Fidelizar é mais barato do que atrair novos clientes.
  2. Equilíbrio financeiro e rentabilidade. Capital de giro, controle de fluxo de caixa e análises de rentabilidade são termos que devem fazer parte da rotina de uma empresa que tenha o objetivo de crescer.
  3. Desenvolvimento de um planejamento estratégico. Planejar-se estrategicamente é como definir com antecedência um roteiro de viagem ao destino final.
  4. Investimento em marketing. Sem marketing, nem gigantes como a Coca-Cola sobreviveriam em um mercado feroz e competitivo ao extremo.
  5. Recrutamento e gestão de pessoas. Pessoas são sempre o maior patrimônio de uma empresa.

O mercado é um ambiente altamente volátil e competitivo. Para conquistar o sucesso, os gestores precisam estar conectados às demandas de consumo e preparados para respondê-las com eficiência.

Para isso, é essencial que os líderes procurem conhecer (e entender) as preferências do cliente e as tendências em vigor. Em um cenário em que tudo muda o tempo todo, ignorar as movimentações externas é um equívoco geralmente fatal.

Planeje-se, portanto, para reservar um tempo dedicado ao estudo do consumidor e (por que não?) da concorrência. Ao observar as melhores práticas e conhecer quais têm sido os retornos, assim podemos identificar oportunidades para melhorar nossa operação e, assim, desenvolver a bossa empresa.

4 – Quem são seus principais concorrentes e há quanto tempo eles estão no mercado? Quão grandes eles são comparados à sua empresa? Descreva suas marcas.

Nossos concorrentes indiretos costumam ser sites da área, sites de diretório e sites de mídia social. Nós não estamos apenas competindo com outras marcas – estamos competindo com todos os sites que desejam nos desconectar do nosso potencial comprador.

Nosso concorrente maior ainda é a comunicação offline que é formada por meios de comunicação de massa como rádios, propagandas de TV, revistas, outdoors, panfletos e outras mídias impressas e estão no mercado há muito tempo, bem antes da nossa Startup Valeon.

5 – Sua empresa está bem estabelecida? Quais práticas e procedimentos são considerados parte da identidade do setor?

A nossa empresa Startup Valeon é bem estabelecida e concentramos em objetivos financeiros e comerciais de curto prazo, desconsideramos a concorrência recém chegada no mercado até que deixem de ser calouros, e ignoramos as pequenas tendências de mercado até que representem mudanças catastróficas.

“Empresas bem estabelecidas igual à Startp Valeon devemos começar a pensar como disruptores”, diz Paul Earle, professor leitor adjunto de inovação e empreendedorismo na Kellogg School. “Não é uma escolha. Toda a nossa existência está em risco”.

6 – Se você quiser superar seus concorrentes, será necessário escalar o seu negócio?

A escalabilidade é um conceito administrativo usado para identificar as oportunidades de que um negócio aumente o faturamento, sem que precise alavancar seus custos operacionais em igual medida. Ou seja: a arte de fazer mais, com menos!

Então, podemos resumir que um empreendimento escalável é aquele que consegue aumentar sua produtividade, alcance e receita sem aumentar os gastos. Na maioria dos casos, a escalabilidade é atingida por conta de boas redes de relacionamento e decisões gerenciais bem acertadas.

Além disso, vale lembrar que um negócio escalável também passa por uma fase de otimização, que é o conceito focado em enxugar o funcionamento de uma empresa, examinando gastos, cortando desperdícios e eliminando a ociosidade.

Sendo assim, a otimização acaba sendo uma etapa inevitável até a conquista da escalabilidade. Afinal de contas, é disso que se trata esse conceito: atingir o máximo de eficiência, aumentando clientes, vendas, projetos e afins, sem expandir os gastos da operação de maneira expressiva.

Pretendemos escalar o nosso negócio que é o site marketplace da Startup Valeon da seguinte forma:

  • objetivo final em alguma métrica clara, como crescimento percentual em vendas, projetos, clientes e afins;
  • etapas e práticas que serão tomadas ao longo do ano para alcançar a meta;
  • decisões acertadas na contratação de novos colaboradores;
  • gerenciamento de recursos focado em otimização.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

VOTAÇÃO NO STF DE JULAGAMENTO DOS ATOS DO DIA 8 DE JANEIRO FOI POLÍTICA

8 de janeiro
Veem denúncia genérica e sem elo com políticos

Por
Renan Ramalho – Gazeta do Povo
Brasília


Indicados por Jair Bolsonaro para o STF, André Mendonça e Kassio Nunes Marques ficaram vencidos no julgamento das primeiras cem denúncias do 8 de janeiro| Foto: Carlos Moura/SCO/STF

No julgamento das cem primeiras denúncias contra manifestantes envolvidos no protesto e vandalismo contra os Três Poderes, no 8 de janeiro, os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça rebateram vários pontos do voto do relator do caso, Alexandre de Moraes.

Embora vencidos, eles acolheram boa parte dos argumentos das defesas, tanto do grupo acusado apenas por participar do acampamento em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, quanto do grupo flagrado dentro do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, parcialmente depredados naquele domingo.

As denúncias contra cem participantes dos atos já foram recebidas pela maioria do STF. Significa que eles agora responderão a um processo criminal como réus. Ao longo da ação, terão nova oportunidade de se defender, convocando testemunhas para depor em seu favor, ou juntando novas provas para tentar convencer a Justiça de eventual inocência.

Na análise da denúncia, porém, Nunes Marques e Mendonça criticaram pontos importantes da peça acusatória, da fundamentação de Moraes e da própria forma como o caso está sendo conduzido por ele no STF.

Em primeiro lugar, ambos concordaram que os manifestantes sequer poderiam ser investigados, e muito menos processados na Corte. Para isso, citaram decisões recentes, muitas da Operação Lava Jato, que reafirmaram o entendimento de que só em casos muito excepcionais pessoas sem o chamado foro privilegiado são julgadas no STF.

De fato, foram abertos no STF inquéritos específicos contra Clarissa Tércio (PP-PE), André Fernandes (PL-CE), Silvia Waiãpi (PL-AP), Coronel Fernanda (PL-MT) e Cabo Gilberto Silva (PL-PB), todos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eles viraram alvo por terem anunciado, comentado ou repercutido em suas redes sociais vídeos de momentos da invasão.

Para justificar a manutenção das denúncias no STF, Alexandre de Moraes afirmou, em seu voto, que os crimes imputados às pessoas que estavam acampadas no QG do Exército ou àquelas que invadiram os prédios teriam “evidente conexão” com esses cinco deputados de direita, investigados por supostamente incentivarem a manifestação do 8 de janeiro.

Citando a Procuradoria-Geral da República (PGR), que fez as denúncias, Moraes apontou um “vínculo intersubjetivo” entre manifestantes, e uma “estreita ligação” com parlamentares, uma vez que provas reunidas contra uns poderiam influir na situação dos outros.

Para Kassio Nunes Marques e André Mendonça, no entanto, o voto do relator não aponta que ligações seriam essas. Por isso, argumentaram que o caso dos manifestantes – sejam os acampados, sejam os invasores – sequer poderia tramitar no STF.

“Não identifiquei circunstância de fato concreta – no voto proferido pelo Relator [Moraes] – que pudesse determinar a excepcional atração de competência, por conexão ou continência, para processamento das investigações e ações penais oriundas dos Inquéritos 4.921 e 4.922, em que os réus não possuem prerrogativa de foro, em relação às investigações ainda em curso envolvendo detentores de foro por prerrogativa de função neste Supremo”, escreveu Nunes Marques.

Em outros trechos do voto, ele ainda fez uma crítica indireta a Moraes, sugerindo que ele não pode exercer um “juízo universal” sobre casos envolvendo ataques às instituições – a expressão foi muito utilizada por ministros e advogados nos últimos anos para criticar a concentração de processos envolvendo corrupção com o ex-juiz Sergio Moro, no âmbito da Lava Jato. Para Nunes Marques, os inquéritos contra os cinco deputados que divulgaram a manifestação nem deveriam, necessariamente, ser conduzidos por Moraes. A relatoria, em seu entendimento, deveria ser sorteada livremente entre os ministros.

Moraes avocou as investigações para si por ver ligação do ato contra os Poderes com os inquéritos das “fake news” (aberto para apurar ofensas e supostas ameaças aos ministros) e com o inquérito das “milícias digitais” (originado da extinta investigação sobre os “atos antidemocráticos”, que alvejava influenciadores e parlamentares de direita por críticas disseminadas nas redes sociais).

Moraes disse que nesses inquéritos são investigados o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os deputados federais Otoni de Paula (MDB-RJ), Cabo Júnio do Amaral (PL-MG), Carla Zambelli (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF), Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Filipe Barros (PL-PR), Luiz Phillipe Orleans e Bragança (PL-SP), Eliéser Girão (PL-RN) e Guiga Peixoto (PSC-SP) – o último já não está no exercício do mandato.

Mas, também nesses casos, Nunes Marques disse que não ficou provada a relação dessas investigações com os manifestantes do 8 de janeiro. “Ao longo do tempo, verificou-se uma dinâmica decisória reveladora da ampliação demasiada dos objetos dos Inquéritos 4.781 e 4.874, nos quais foram deferidas prisões e inúmeras medidas cautelares, realidade que persiste até a presente data”, criticou o ministro.

André Mendonça também registrou não haver descrição da conduta dos deputados e sua eventual ligação com os manifestantes. Para ele, não faz sentido que esses sejam processados junto com políticos no STF, até porque respondem a inquéritos diferentes.

“Os detentores de foro por prerrogativa de função eventualmente denunciados não exercerão, de uma forma ou de outra, suas defesas no bojo dos processos instaurados pelas denúncias aqui em comento, pois, onde quer que tramitem tais processos, aqui ou na primeira instância, não figuram como partes neles. Não estarão, a princípio, nas audiências, não contraditarão testemunhas, não farão perguntas. Enfim, não são parte nesta relação processual”, escreveu.

Apoiando-se também na jurisprudência mais recente do STF, Mendonça reforçou que ainda que houvesse conexão entre os parlamentares e manifestantes, a regra seria o desmembramento. Ou seja: só deveriam ficar na Corte os casos de quem tem foro privilegiado, e remetidos para a primeira instância os processos contra cidadão comuns, sem a prerrogativa.

Uma consequência maléfica para os manifestantes seria a supressão da possibilidade de recorrerem nas diferentes instâncias da Justiça, uma vez que o Supremo é o órgão máximo do Poder Judiciário. Em outras palavras, contra suas decisões, não há quem recorrer.

Defensora de Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, a advogada Karina Kuffa diz que a suposta ligação entre os manifestantes e os parlamentares não foi demonstrada no voto de Moraes. “Iria mais além, não há a conexão entre eles e não há prova da participação de todos os envolvidos. Todo processo deve ter, no mínimo, os fatos bem delineados, de forma individualizada e lastreados em provas ou indícios consistentes”, afirmou.

VEJA TAMBÉM:

Congresso instala a CPMI do 8/1 nesta quarta: governo e oposição definem alvos e discursos

STF começa a julgar mais 200 denunciados por 8/1 com voto favorável de Moraes

O que falta saber sobre o 8 de janeiro e qual o papel da CPMI na investigação


Denúncias genéricas
Nunes Marques e Mendonça ainda enfatizaram, em seus votos, o fato de as denúncias da PGR, e também os votos de Moraes, serem praticamente idênticos em relação aos dois grupos de denunciados. O primeiro grupo é composto pelos acampados no QG do Exército, acusados de associação criminosa e de incitação das Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais (Executivo, Legislativo e Judiciário). O segundo grupo, de invasores e vândalos, é acusado de dano ao patrimônio público, deterioração de bens tombados, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, de golpe de Estado e associação criminosa.

Para os dois ministros, a denúncia contra os acampados deveria ser integralmente rejeitada. Ambos entenderam que, só pelo fato de estarem reunidos em frente ao QG no dia seguinte à invasão das sedes dos Poderes, não significa que estariam todos incentivando uma intervenção das Forças Armadas para a tomada do poder. Se parte deles se manifestava nesse sentido, caberia à PGR identificar exatamente quem teria praticado essa conduta, quando e de que modo.

“Deixou a acusação de identificar e expor os fatos supostamente criminosos, com todas as suas circunstâncias”, assinalou Nunes Marques. “As denúncias partem de meras ilações, com fotos e descrições das atividades desenvolvidas no acampamento em frente ao Quartel General de Brasília, sem apontar nenhum comportamento concreto dos denunciados que pudesse dar suporte a tal acusação”, escreveu em seguida. Para ele, as denúncias da PGR “apenas narram, de forma genérica, a gravidade abstrata dos delitos investigados”.

Não haveria, ainda, no entendimento de Nunes Marques, o delito de associação criminosa. Citando juristas, afirmou que sua configuração exige que um grupo de pessoas se reúnam com o propósito deliberado de cometer “crimes indeterminados”, o que não seria o caso.

Mendonça também apontou falta de individualização das condutas dos acampados. Para ele, dizer que as pessoas aderiram a uma manifestação que continha faixas e gritos de ordem pedindo a intervenção não significa que concordassem com isso. “O problema desta narrativa da acusação, porém, é que ela pressupõe, sem comprovação, uma absoluta uniformidade e homogeneidade daquela massa de pessoas”, escreveu o ministro.

“Não se olvida de que no acampamento, seguramente, havia pessoas mal-intencionadas, pessoas que desejavam um golpe de Estado, pessoas cujos motivos de presença no local se harmonizavam com o dolo narrado pelo Ministério Público. E é possível, até mesmo, considerar que havia um bom número delas. Tais circunstâncias, todavia, não autorizam a presunção de que rigorosamente todos que lá estavam agiam com as mesmas intenções e, portanto, não permitem a imputação uniforme contra todas aquelas pessoas, sem que se apontem elementos que demonstrem, individualmente, a culpabilidade subjetiva de cada qual”, ponderou Mendonça. “Generalizações são sempre temerárias. Em Direito Penal, e in malan partem [contra o investigado], inadmissíveis”, asseverou.

Ele apresentou como exemplo as manifestações de 2013, na qual a maior parte dos manifestantes sequer foi investigada porque não participou de atos de vandalismo. Registrou que, no dia 9 de janeiro, pessoas presas no QG não resistiram à abordagem da polícia, e sugeriu que muitas nem sabiam que iriam para a cadeia. “Ninguém tentou fugir e ninguém tumultuou a diligência, conforme palavras dos policiais militares que estiveram na operação e foram ouvidos no inquérito”, registrou o ministro. Mendonça acrescentou que, nos depoimentos, vários disseram que chegaram a Brasília no fim do dia 8.

Contra os invasores, Mendonça acompanhou Alexandre de Moraes e aceitou a denúncia por todos os crimes apontados – ainda que defendesse o declínio dos casos para a primeira instância. Nunes Marques, por sua vez, entendeu que eles não deveriam responder por todas as acusações. Para ele, são válidas apenas as imputações de dano ao patrimônio público, deterioração de bens tombados e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, pelo fato das depredações terem afetado, por semanas ou meses, o funcionamento das instituições.

Advogado de 14 denunciados, entre acampados e invasores, Anderson Cortez considerou acertados os votos divergentes, mas não tem esperança de que, no processo, seus argumentos serão contemplados.

“O STF está decidindo hoje politicamente, não processualmente, nem diante da lei. Os votos dos ministros contrários ao relator são a demonstração daquilo que a defesa vem dizendo desde o início, desde as audiências de custódia. Temos enfatizado as ilegalidades e mudanças de entendimento repentinas e não aplicação do processo penal. Esses votos podem ser usados na instrução processual, mas não vejo muita efetividade, porque a defesa já vem batendo nessas questões. E, o fato de serem votos vencidos, demonstra que não vão ter peso nenhum diante daqueles que estão votando pela aceitação da denúncia. Essas pessoas já estão condenadas, infelizmente. O que poderia ser feito é em âmbito internacional, mas não existe vontade política e jurídica, e a OAB não está interpresada nisso”, disse.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/nunes-marques-e-mendonca-rebatem-moraes-veem-denuncia-generica-e-sem-elo-com-politicos/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

 

LULA RECOMPENSA O MST COM CARGOS E PRESTÍGIO

Editorial
Por
Gazeta do Povo


MST realiza protestos e invasões de terras em alusão ao “Abril Vermelho”.| Foto: MST/divulgação

O Movimento dos Sem-Terra levou menos de quatro meses para mostrar que, no governo Lula, o crime no campo compensa. O “exército de Stédile” – cujo “general” acaba de ser prestigiado ao integrar a comitiva oficial da recente viagem presidencial à China – não tem pensado duas vezes antes de invadir fazendas produtivas e até mesmo uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Pernambuco. E, em troca, vem recebendo alguns olhares tortos de ministros, mas também está conseguindo praticamente tudo o que pede ao governo federal.

“Qual foi a terra produtiva que o sem-terra invadiu? Porque o sem-terra invadia terras improdutivas”, disse o então candidato Lula em agosto de 2022, mentindo mais uma vez, já que o histórico do MST continha, sim, invasões em áreas produtivas. Se já havia sido assim no passado, apenas com muita ingenuidade seria possível acreditar que seria diferente caso Lula voltasse ao Planalto. E o MST logo tratou de mostrar a que veio: a Suzano Papel e Celulose teve três fazendas de eucalipto na Bahia invadidas em março, e outras propriedades da empresa acabam de ser invadidas no Espírito Santo. Ainda mais acintosa foi a invasão (já encerrada) da unidade de pesquisa da Embrapa Semiárido, destinada ao “desenvolvimento de pesquisas e geração de tecnologias voltadas à melhoria da qualidade de vida de populações rurais”, de acordo com nota da empresa. O trabalho da Embrapa, aliás, é uma das razões pelas quais o Brasil é uma potência agropecuária, o que apenas ressalta a gravidade da ação dos sem-terra.

Colocando na balança o palavrório ministerial de condenação e a caneta presidencial de endosso, quem em sã consciência haveria de renegar métodos que estão funcionando tão bem?

Os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro; do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira; e das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, reclamaram, com maior ou menor ênfase. Mas, na hora do que realmente interessava, o MST saiu vencedor. Nos últimos dias, o governo federal substituiu superintendentes do Incra em sete estados, atendendo a uma das reivindicações dos sem-terra. Ao menos cinco dos novos nomeados têm ligação direta com o MST, ou seja, na prática o movimento está aparelhando o órgão responsável por supervisionar os esforços de reforma agrária no país. Colocando na balança o palavrório ministerial de condenação e a caneta presidencial de endosso, quem em sã consciência haveria de renegar métodos que estão funcionando tão bem?

Stédile e seus milicianos sabem muito bem que a insatisfação dos ministros – se for sincera, evidentemente – não tem peso algum diante dos laços históricos que unem PT e MST. Sabem, também, que podem fazer o que bem entender e jamais serão chamados à responsabilidade por qualquer governo petista. A lição de 2014 foi bem aprendida: em fevereiro daquele ano, milhares de militantes foram a Brasília para o Congresso Nacional do MST – patrocinado por Caixa Econômica Federal, Petrobras e BNDES – e marcharam sobre a Praça dos Três Poderes, tentando invadir o Supremo e o Planalto. Com paus, pedras portuguesas arrancadas do piso da praça e martelos, feriram 30 policiais, oito deles gravemente. Apesar disso, não houve prisões em massa, os sem-terra não foram chamados de “terroristas” nem incluídos em inquéritos abusivos; pelo contrário, ganharam um encontro com a então presidente Dilma Rousseff, intermediado pelo então ministro Gilberto Carvalho.

VEJA TAMBÉM:
O fim da tranquilidade no campo (editorial de 16 de abril de 2023)
O “exército” está de volta (editorial de 3 de março de 2023)
Lewandowski, a “democracia” do MST e a liberdade de expressão (editorial de 14 de fevereiro de 2023)


O MST se sente à vontade para seguir invadindo e depredando porque sabe que tem as costas quentes: um aliado no Palácio do Planalto que está disposto não apenas a proteger o grupo, mas também a entregar o que ele deseja. Lula premiou o “abril vermelho” dos sem-terra ao não tratar seus crimes como tais e ao dar-lhes quase de porteira fechada um órgão do governo, exatamente como eles pretendiam. Com isso, enviou uma mensagem inequívoca: ao MST, para que continue invadindo, pois é estratégia que funciona; aos proprietários no campo, que não contem com apoio algum do governo federal, que já escolheu seu lado, e não é o do respeito à lei e ao direito de propriedade.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/lula-recompensa-o-mst/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

 

O DÓLAR AMERICANO É A MOEDA MAIS IMPORTANTE DO MUNDO

Comércio exterior
Domínio global
Por
Mariana Ceccon, especial para a Gazeta do Povo


Alexander Olmos, um venezuelano de 38 anos, mostra uma nota de cem dólares na comunidade de Bajo Chiquito, em Darién (Panamá).| Foto: EFE/ Bienvenido Velasco

O economista britânico mais famoso de sua geração, John Maynard Keynes, infartou no meio da conferência de Bretton Woods, em 1944, tentando impedir que o dólar se tornasse a moeda mais poderosa do globo. Mesmo assim, não conseguiu. Embora o Reino Unido estivesse saindo como uma das potências vencedoras do conflito mais importante do mundo e lastreado por uma bandeira que dominou a economia por mais de 400 anos, Keynes não conseguiu argumentar contra a estabilidade institucional, democrática e econômica que o dólar americano poderia oferecer ao mundo após duas guerras mundiais.

Por essas e por outras, especialistas são taxativos ao dizer: o dólar não deve sumir das transações globais tão cedo. Não há substituto à altura. “Não existe um arcabouço institucional e financeiro tão sólido e organizado como o dos EUA atualmente, e eu não acho que isso vá mudar nos próximos cem anos”, diz Igor Macedo de Lucena, economista e doutorando em Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, além de membro da Chatham House (The Royal Institute of International Affairs).

Para ele, as recentes sinalizações de países como China, Rússia, Brasil, Índia e Arábia Saudita de substituir essa moeda por yuan e outros ativos, como criptomoedas, fazem parte do jogo geopolítico, mas não conseguirão prosperar devido à falta de segurança para investidores e exportadores. “As nações que estão discutindo isto têm problemas territoriais e podem estar envolvidas em desfechos geopolíticos extremamente complexos muito em breve, como o caso da China e Taiwan, Índia e Paquistão ou Arábia Saudita e Irã. Elas sabem que podem ser a Rússia de amanhã. Então o recado delas é básico: EUA parem de usar sua moeda como arma política, porque nós podemos trocá-la. É uma ameaça”, resume.

Não que nenhuma moeda tenha caído em declínio antes e que uma substituição seja inédita. As primeiras moedas cunhadas oficialmente por um governo surgiram há mais de 650 anos antes de Cristo, na Anatólia, atual Turquia. Desde então, o mundo assistiu à evolução e queda do áureo romano, a moeda da Roma Antiga que prevaleceu como a mais valiosa do mundo por mais de dois séculos, o estável ducado de ouro usado por comerciantes da Idade Média e Renascimento, além dos modernos dólar espanhol, iene e libra esterlina. Entre elas, um ponto em comum: sua decadência acompanhou a do poder de suas nações.

Ascensão
O sucesso do dólar americano é fruto deste mesmo ciclo. No último ano da Segunda Guerra Mundial, quando a vitória dos Aliados começou a parecer certa, líderes das principais potências reuniram-se a portas fechadas na conferência de Bretton Woods para decidir qual moeda ditaria a reconstrução da Europa e, portanto, concordar uma única vez com uma reforma na estrutura do sistema monetário internacional.

Por 22 dias, no hotel Mount Washington em New Hampshire, 44 delegações apartaram a briga entre Keynes e o anfitrião do encontro, Harry Dexter White, um economista e funcionário do Tesouro dos Estados Unidos, especialista em finanças internacionais e um dos arquitetos do Plano Marshall. Segundo narra o editor de economia Ed Conway no livro “The Summit” [sem edição em português], obra dedicada a detalhar tudo o que aconteceu no hotel Mount Washington naqueles dias, o encontro ocorreu em uma atmosfera caótica de brigas, inúmeros drinques no bar do hotel e até mesmo espionagem, quando White provou ser também um informante da KGB russa.

Ainda assim, nas palavras do autor, o encontro mudou a história da humanidade, evitando uma terceira guerra e criando as bases para a criação das Nações Unidas um ano depois. Não só as notas verdes passaram a dominar as transações internacionais, através do estabelecimento de uma taxa fixa de câmbio entre as moedas dos países participantes e o dólar americano, que por sua vez foi vinculado ao ouro, mas também o encontro deu origem ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial, instituições que fariam empréstimos em dólar a países com problemas econômicos após o fim da guerra.

“O acordo permitiu o mais longo período de estabilidade e crescimento econômico da história. Seus protagonistas devolveram as sólidas bases que faltavam à economia global desde o colapso do padrão-ouro, em 1914. Entre 1948 e 1970, o produto interno bruto global cresceu 2,8%”, resume Conway.

Queda
Se a predominância do dólar no comércio exterior coincide com a escalada do poder norte-americano como potência mundial, muitos teóricos apontam que o crescimento chinês nas últimas décadas tem potencial para abalar as regras do sistema monetário. No entanto, este não é o primeiro teste para o poder e estabilidade do dólar como moeda de reserva. No final dos anos 60, diante de uma crise econômica doméstica causada pelos altos custos de programas sociais, das elevadas despesas com a Guerra Fria e o conflito no Vietnã, os Estados Unidos começaram a imprimir mais dólares do que podiam, levando ao fim do sistema Bretton Woods e a vinculação do dólar com o ouro.

“Quando as perdas de mercado inevitavelmente fizeram a crença na capacidade dos EUA de manter o valor do dólar inalterado desaparecer, o fim de Bretton Woods se tornou quase inevitável. A quebra, no entanto, não foi meramente uma consequência de má gestão orçamentária, mas sim de um mundo onde as fronteiras começaram a se tornar cada vez mais porosas para fluxos de dinheiro”, explica Conway.

Apesar do abalo financeiro e da guinada global ao monetarismo, o dólar não perdeu sua posição de destaque. Lucena explica que isso ocorreu porque os Estados Unidos continuaram sendo o ator mais importante do comércio global, importando bens e serviços de outros países. Isso tornou vantajoso para os países manterem reservas em dólares para facilitar as transações comerciais tanto com os EUA quanto com outras nações que usam o dólar como moeda de câmbio.

E é esta falta de flexibilidade de mercado que falta aos ativos digitais e a moeda chinesa. “É o partido comunista que decide o câmbio. Você pode até comprar yuan e investir na China, mas não tem a mesma liberdade de tirar o dinheiro do país. Hoje, a porta de negociações chinesa é Hong Kong e não a Bolsa de Pequim. É um mercado altamente controlado e restrito. Ninguém vai pegar ativos livres de risco e investir onde não há muita confiança dos agentes”, observa o especialista. “Quanto aos criptoativos, o lastro de toda moeda é a capacidade de uma nação prosperar. Você não sabe onde está o lastro das ‘criptomoedas’ e cada vez que você tem uma fraude relaciona a elas, mina-se toda confiança nesse mercado”.

Para o especialista, o futuro é um mercado com transações multimoedas no qual a supremacia do dólar será reduzida, mas não superada. “O mais lógico a acontecer é as pessoas físicas e jurídicas passarem a fazer operações com outros países, uma espécie de ‘pix internacional’, como a Índia e Singapura testaram recentemente. Assim, as pessoas teriam poupanças em várias moedas e iriam ranqueá-las conforme o desenvolvimento econômico dessas nações. Em teoria, voltamos ao que Keynes queria em Bretton Woods”.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/dominio-global-dolar-se-tornou-moeda-molda-mundo/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

 

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...