segunda-feira, 27 de março de 2023

O CONTRABANDO AUMENTA E OS IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO TAMBÉM AUMENTAM

“Empreendedores do crime”
Contrabandistas usam redes sociais para aumentar ganhos e ostentar ilícitos
Por
Juliet Manfrin, especial para a Gazeta do Povo


Contrabando apreendido pela Polícia Federal no Rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai| Foto: Divulgação/Polícia Federal

Redes sociais como Instagram e TikTok têm funcionado como alavancas para o crime organizado. Além da venda explicita de produtos ilegais em plataformas de e-commerce, uma infinidade de vídeos publicados nas redes mostram criminosos ensinando a “arte de contrabandear”. Há também espaço para dar dicas sobre como fugir da fiscalização, quais rotas seguir e para a ostentação dos frutos dos atos ilícitos, com fotos e vídeos de muito dinheiro, carros importados, viagens e relógios.

Dados do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) indicam que o custo anual com pirataria e contrabando no país alcança R$ 410 bilhões. E, para o FNCP, uma participação importante neste volume financeiro tem vindo da propagação criminosa em redes sociais. O valor pode ser apenas uma amostra de um rombo bem maior, observa o advogado Edson Vismona, ex-secretário de Justiça e Defesa da Cidadania do estado de São Paulo, atual presidente do FNCP.

Nas redes sociais, os contrabandistas não demonstram receio de serem identificados, investigados e alvos de possíveis operações policiais. Vídeos mostram carregamentos de cigarros e eletrônicos. “Geram provas contra si mesmos em atividades de contrabando, descaminho ou ensinando como as pessoas podem fazer para ingressar nesses meios. Incorrem em dois crimes tipificados no Código Penal, o de promover e o de incitar ao crime”, explica o mestre em Direito Penal pela Universidade de São Paulo (USP) e advogado criminal que atua em casos de repressão ao contrabando Matheus Falivene.

Nos casos em que as imagens não são explícitas, as hashtags não deixam dúvidas quanto à relação com atos criminosos. As músicas que ilustram os vídeos fazem apologia ao uso e ao tráfico de drogas e à desobediência às leis. É uma escalada de uma prática que não é nova: nos EUA, o FBI já teve bastante dor de cabeça com vídeos que ensinavam a fazer bombas, lembra o delegado da Polícia Federal (PF) Marco Smith, que há 15 anos trabalha na região de fronteira do Brasil com o Paraguai.

De onde surgem os vídeos relacionados a crimes disponíveis no TikTok e Instagram
E é da fronteira do Sul do País que vêm grande parte dos registros de atividade criminosa ostentados nas redes sociais. Um dos grupos mais ativos em postagem, o “contrabando045”, tem núcleo na região do município de Guaíra (PR). O nome faz menção à localização: na região oeste do Paraná, o DDD é 45. Até a publicação desta reportagem, o perfil seguia ativo.

Fronteiriça com o Paraguai, Guaíra é cidade-gêmea a Salto Del Guairá, importante polo comercial no país vizinho, depois de Cidade do Leste. Guaíra e Salto Del Guairá estão separados apenas pelo Rio Paraná. Em alguns pontos, isso representa poucos metros entre elas. O contrabando aparece na região como a principal atividade ilícita. Segundo dados da Polícia Federal, em cerca de 170 quilômetros de extensão do rio (do município de Santa Helena até Altônia, entre o oeste e noroeste do Paraná) estão estabelecidas, pelo menos, 30 grandes quadrilhas que fazem contrabando de cigarros, eletrônicos, pneus ou, ainda, descaminho de uma centena de outros produtos. Além das quadrilhas principais, um número incalculável de grupos criminosos que surgem a todo momento.

Parte desses grupos se especializa no tráfico de drogas, de armas e de munições a serviço de grandes facções criminosas brasileiras ou a braços milicianos, informa o delegado da PF. “Esses produtos passam pela fronteira do Brasil com o Paraguai para abastecer ações criminosas por todo o Brasil”, alertou.

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Em Altônia, a combinação da prática criminosa por terra, água e redes sociais não é diferente. Outro perfil bastante ativo é o “menorescobar044. O DDD na região de Altônia é 44 e o nome também remete a um dos maiores traficantes de drogas do mundo, o colombiano Pablo Escobar, morto em uma ação policial no ano de 1993. O “menor” faz alusão a crianças e adolescentes cooptadas para o crime organizado. “Muitos deles chegam a abandonar a escola em municípios de fronteira para ficar a serviço do contrabando. Recebem bons salários e adquirem certo status rapidamente, acreditando que estão se promovendo”, explica o delegado Smith.

Uma busca rápida feita pela reportagem da Gazeta do Povo mostrou pelo menos duas dezenas de outros perfis similares disponíveis. “São muitos vídeos, principalmente no TikTok e no Instagram com esses conteúdos relacionados ao crime. Temos rastreado há algum tempo e atuado para combater esse tipo de ação”, destacou o advogado e presidente do FNCP Edson Vismona.

Na avaliação dele, o que tem acontecido pode ser avaliado com um “descalabro”. “Pratica-se o ato, registra-se o crime e ainda posta. O STF decidiu que em crimes com até R$ 20 mil [no caso de produtos transportados] é de menor potencial ofensivo [com penas mais brandas, sem a prisão em flagrante], então se estimula que essas ações sejam mantidas com o contrabando em menor volume, mas constante em veículos de passeio, por exemplo”, considera.

O advogado Matheus Falivene pontua que a exposição não se atém à prática do crime, mas a imagens com quantias incompatíveis com atividades lícitas. “As vezes nem é a o ato criminoso em si postado, mas um volume de dinheiro, carros luxuosos, viagens, geralmente se ostenta muito. E de onde vem o dinheiro dessa ostentação, se ele não é declarado à Receita Federal? Tudo isso acende uma luz de alerta às investigações policiais”, diz ele.

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Desde o início da apuração para a reportagem, alguns vídeos com práticas mais explícitas de crime foram removidos do TikTok e do Instagram. Outros, porém, que fazem alusões indiretas, seguiam lá.

“Esse material, mesmo que dê indícios de crime, serve para o monitoramento das quadrilhas, coloca essas pessoas no radar da polícia para operações policiais. Quem conhece a realidade da fronteira sabe se tratar da incitação a um crime”, completa o delegado da PF. Para ele, as publicações podem indicar crime de formação de quadrilha.

“O que também pode estar por trás disso é estimular amadores ao início da prática para sobrecarregar as forças de segurança na fiscalização e, assim, grupos mais profissionalizados trabalharem com mais tranquilidade”.

Marco Smith , delegado da Polícia Federal (PF)
Para combater as ações das quadrilhas, defende o advogado Matheus Falivene, é preciso avançar na denúncia que culmina com o bloqueio ou remoção dos usuários e, a partir daí, rastreamento, identificação, investigação e penalização. “Existem vídeos nas redes sociais ensinando como ser contrabandista com milhares de visualizações e uma infinidade de interações”, completa.

Vídeo mostra perseguição a contrabandistas na fronteira. | Reprodução/Redes sociais
Comentário ou compartilhamento de conteúdos suspeitos pode gerar responsabilidade
O internauta que interage em conteúdos ilícitos, com comentários e compartilhamentos, também pode responder judicialmente. E esta é outra frente que o FNCP pretende atacar, reivindicando penas mais severas, ampliação no sistema de investigação e maior atuação dos serviços em segurança. O órgão identificou que as redes sociais se transformaram em fortes meios para estimular o “empreendedorismo criminoso”.

Vismona reitera que o prejuízo é de todos os brasileiros. “Eles afetam diretamente a população mais vulnerável do país, inviabilizando a criação de novos postos de trabalho pelas empresas e o investimento em áreas prioritárias, como educação e habitação, por parte do governo federal”, defende.

TikTok e Instagram respondem sobre perfis ligados ao crime
À reportagem da Gazeta do Povo, o TikTok afirmou que está avaliando os vídeos internamente para aplicação da política adequada. “O sistema de recomendação do TikTok também foi projetado considerando a segurança. A disponibilidade de um conteúdo na plataforma não significa que ele será automaticamente exibido no feed para você. Há vídeos que podem não ser elegíveis para recomendação e existem casos em que o conteúdo não é recomendado. Usamos uma combinação de tecnologia e revisão humana para identificar os vídeos que violam nossas políticas. Caso alguém veja algum conteúdo que acredite que esteja violando nossas Diretrizes da Comunidade, temos ferramentas para que os usuários possam reportar”, respondeu a empresa. A plataforma não informou se os vídeos que foram removidos teriam sido retirados do ar pelo usuário ou pelo próprio TikTok.

O Instagram destacou que “quando algo vai contra as Diretrizes da Comunidade do Instagram, responde com os seus sistemas de monitoramento de conteúdo” usando inteligência artificial e ferramentas de aprendizado de máquina para ajudar a identificar e remover uma grande quantidade de conteúdo violador, “geralmente, antes que alguém os veja. “Nas ocasiões em que a nossa tecnologia precisa de mais dados ou deixa passar algo, contamos com milhares de analistas pelo mundo para aplicar nossos Padrões da Comunidade e as Diretrizes da Comunidade”. A plataforma disse ser completamente contrária a postagens que incitem, façam apologia ou revelem atos criminosos e pede a denúncia de perfis e publicações. Ao constatar atos ilegais ou contrário à política e postagens, pode gerar desde a exclusão do conteúdo até a remoção da conta.

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Cigarro é outra “menina dos olhos” do crime na fronteira
Estruturada há décadas na região, a cadeia criminosa na fronteira do Brasil com o Paraguai vai além de postar vídeos, promover hashtags ou atrair curtidas, comentários e engajamentos nas redes sociais. O mesmo levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade aponta que o cigarro contrabandeado reflete em perdas na ordem de R$ 10 bilhões por ano ao Brasil.

“Enquanto no Brasil a tributação gira em torno de 70%, a 80% sobre o produto, no Paraguai não chega a 20%. Vamos discutir uma reforma tributária em breve, ninguém mais quer nem suporta aumento de tributos. Situações como essas também precisam ser analisadas”, criticou o presidente do FNCP, Edson Vismona, ao alertar sobre a perda de tributos.

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“O cigarro não deixa de ser consumido, só se deixa de consumir o nacional para utilizar do estrangeiro, que é muito mais barato”, completou. Além dos cigarros convencionais, a instituição se mostra preocupada com o aumento no contrabando de cigarros eletrônicos, movimento que tem crescido exponencialmente, avalia a FNCP.

Organograma do crime
Investigações da PF têm monitorado, há anos, que uma parcela das quadrilhas que agem no Brasil são comandadas por brasileiros que vivem no Paraguai “Muitos têm mandados de prisão em aberto no Brasil e optam por viver no Paraguai foragidos”, diz o delegado Marco Smith.

Ele avalia que ações em parceria com as autoridades do país vizinho têm auxiliado na prisão de parte desses criminosos, mas ainda há boa parte deles por lá. O comércio de cigarros, eletrônicos, pneus e afins não é considerada uma prática ilegal no país vizinho. Ele se torna um crime ao ingressar no Brasil.

De acordo com o delegado, geralmente quem vive no país vizinho é líder de quadrilha. A cadeia do contrabando inicia com as negociações com os fornecedores que estão no Paraguai. Para a travessia, são contratados olheiros que monitoram a presença de policiais no território brasileiro, para dar suporte ao atravessador (“mula”, na gíria criminal).

O atravessador conduz as lanchas pelo rio e continua com carros e caminhões abarrotados com produtos ilegais. Além dos olheiros, eles contam com batedores em veículos “limpos e quentes” para antecipar, por telefone ou radiocomunicadores, como está a fiscalização pelo caminho. Nas redes sociais de quem incita o crime têm sido comum a postagem de vídeos de perseguições policiais a esses grupos. Quando uma fuga é bem sucedida, há comemoração. “Mais um dia onde deixamos os home [sic] para trás”, informava uma dessas legendas.

Por terra ou por rio
A ponte Ayrton Senna em Guaíra, sobre o Rio Paraná, faz ligação com o município de Mundo Novo (MS), também fronteiriça à cidade paraguaia de Salto Del Guairá. Quem não atravessa por lancha, faz o caminho por terra, passando pela ponte. “Como Foz do Iguaçu ganhou notoriedade nacional no combate ao crime organizado, recebeu uma grande rede de fiscalização e controle. Os criminosos migraram e subiram o rio, escolhendo as regiões de Guaíra e de Altônia”, diz o delegado Marco Smith.

No contrabando aquático estão ainda aqueles que ficam do lado brasileiro da fronteira, escondidos na mata que margeia o Rio Paraná, aguardando lanchas e barcos. Os contrabandistas abrem clareiras na mata para os chamados portos clandestinos. Há dezenas desses portos às margens do rio e, com frequência, são detonados pelas forças de segurança. Mas pouco tempo depois os criminosos preparam o atracadouro em outro lugar.

Dali os produtos são rapidamente descarregados em veículos que aguardam para o trajeto curto e terrestre do contrabando. “Ele não sai da barranca do Rio Paraná e vai direto para o consumidor final. Existem grandes estruturas que mudam com frequência de local para burlar a fiscalização que servem como depósitos. Após algum tempo, deixam o depósito até o posto final: os compradores, principalmente nas regiões Sul, Sudoeste e Nordeste”, conta o delegado.

Os depósitos temporários também funcionam em propriedades rurais alugadas por contrabandistas. A região é agrícola, tendo a fronteira do Brasil com o Paraguai margeada por cultivos, principalmente de soja e milho. Isso facilita a cooptação de produtores, que acabam alugando barracões para estocagem de cigarros e pneus. “Muitos nem enxergam o contrabando como um crime”, lamenta Smith.

Na sequência dessa cadeia criminosa, estão os receptadores: pessoas que adquirem produtos ilegais para a revenda. Elas também estão sujeitas a responder criminalmente, alerta o advogado criminal Matheus Falivene.

Agentes de segurança corrompidos pelo crime
Em meio à cadeia criminosa estão elos importantes: os agentes de segurança corrompidos pelo crime. “Eles existem e sem eles nada disso seria possível para o crime organizado. Eles informam quando e como terá fiscalização, sobre as operações, indicam rotas alternativas”, segue o delegado, que acrescenta que isso está na mira das forças de segurança. Recentemente, ao menos cinco grandes operações resultaram na prisão e no afastamento de mais de 100 agentes públicos de segurança envolvidos com o contrabando e o descaminho, somente nas regiões oeste e noroeste do Paraná.

Para a investigação dessa participação, inclusive, mas também de toda a cadeia do crime na região de fronteira com o Paraguai, na cidade de Guaíra tem uma delegacia bem equipada e um núcleo de Polícia Marítima da PF; aduana da Receita Federal, que vive com barracões abarrotados de produtos ilegais apreendidos; um posto da Polícia Rodoviária Federal na cabeceira da ponte Ayrton Senna; Companhia do Exército e estrutura do Batalhão de Polícia de Fronteia da PM (o BPFron).

“Queremos que o novo governo amplie as fiscalizações de combate ao crime organizado que tanto tem avançado nessas regiões e prejudicam a economia de todo o país que contam com envolvimento de grandes quadrilhas criminosas, de grupos milicianos, que abastecem o crime organizado”, reforça Edson Vismona, presidente do FNCP.

OBSERVAÇÃO:

Em parte, o governo é culpado por essa situação, um produto importado que custa R$ 1.000,00 o governo cobra R$ 1.200,00 de impostos, quem quer importar legalmente alguma coisa?


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INCOMPETÊNCIA E CORRUPÇÃO É O MOTIVO DE MUITAS OBRAS PARALIZADAS

 

Corrupção, incompetência e impunidade nas obras inacabadas – algumas da era Lula

Por
Lúcio Vaz

BRA50. BRASÍLIA (BRASIL), 06/1/2023. – El presidente de Brasil, Luiz Inacio Lula da Silva, reacciona durante la primera reunión ministerial del gobierno hoy, en el Palacio del Planalto, en Brasília (Brasil). Lula da Silva reunió este viernes por primera vez a sus 37 ministros y los instó a trabajar por la “reconstrucción” de la “democracia” y en favor “del pueblo abandonado por el Estado”. EFE/ Andre Borges


Lula durante a primeira reunião ministerial, no Palácio do Planalto, em Brasília| Foto: EFE/André Borges

O presidente Lula afirmou há duas semanas que há mais de 14 mil obras paradas no Brasil. E disse que a retomada dos trabalhos vai gerar empregos e qualidade de vida nos municípios. O presidente conhece o assunto. Algumas das maiores obras inacabadas tiveram início ou atravessaram os governos Lula e Dilma Rousseff sem serem concluídas.

As obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), iniciaram em 2008, no segundo governo Lula, com investimentos previstos de US$ 26,6 bilhões, segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU). Na primeira etapa, seria construído o Trem 1 da refinaria. Depois, as unidades petroquímicas e o Trem 2 da refinaria. A refinaria teria a capacidade para processar 465 mil barris de petróleo por dia.

Em 2014, porém, a Operação Lava Jato apurou a existência de um cartel de empreiteiras que atuava na Petrobras, com a prática de superfaturamento de obras, corrupção e financiamento de partidos políticos por meio de propinas pagas pelas empreiteiras, registra o TCU. As empreiteiras pagavam propina de 3% do valor da obra a políticos do PT, MDB e PP. Segundo o TCU, o prejuízo provocado pelo superfaturamento chegou a R$ 18,6 bilhões. As obras da refinaria foram paralisadas em 2015. As descobertas da Lava Jato enfraqueceram a então presidente Dilma, que sofreria o impeachment no ano seguinte.

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Refinaria não tinha “atratividade”, diz Petrobras
Em julho de 2016, com Dilma já afastada da Presidência da República, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a reavaliação do projeto do Comperj, associada à implantação da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN). Quando as obras do Trem 1 do Comperj tinham avanço físico de 85%, foram suspensas devido a restrições de caixa vividas pela Petrobras, diz o Acórdão 632/2017 do TCU.

Em 2019, a Petrobras concluiu que a finalização da construção da refinaria não apresentava atratividade econômica. Hoje, a Petrobras segue desenvolvendo Projetos de Investimento no Polo Gaslub, em Itaboraí, conforme divulgado no Plano Estratégico 2023-2027. Lula é novamente presidente do Brasil.

O blog questionou a Petrobras qual o valor recuperado pela empresa a partir de decisões judiciais e de negociações com as empreiteiras envolvidas nos processos de corrupção. A Petrobras afirmou que o total de recursos transferidos para os cofres da Petrobras (incluindo subsidiárias), em decorrência de acordos de colaboração, leniência e repatriações, ultrapassou o montante de R$ 6,7 bilhões.

Sobre o aproveitamento dos que restou do Trem 1 da refinaria, a Petrobras respondeu que “uma das premissas utilizadas para todos esses projetos é a utilização da infraestrutura e o máximo possível das instalações que foram construídas e preservadas após a descontinuidade e posterior cancelamento do antigo projeto Comperj”. (Veja nota da Petrobras abaixo)

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Uma obra de quatro décadas
A construção da Usina Nuclear Angra 3 foi iniciada em 1984, paralisada após dois anos e retomada em 2009, com a sua inclusão Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Parou novamente em 2015, em decorrência da corrupção na direção da empresa, apurada pela Lava Jato. A retomada das obras ocorreu em novembro do ano passado, com a concretagem da usina. Com orçamento de R$ 17 bilhões, tem a sua conclusão prevista para 2028 – 44 anos após o seu início. Terá potência de 1.400 megawatts (MW). A geração das usinas 1, 2 e 3 vai equivaler a 60% do consumo de energia do Estado do Rio de Janeiro, ou 3% do país.

O vice-almirante Othon Pinheiro, ex-presidente da Eletronuclear, suspeito de ter recebido propina do consórcio das empreiteiras responsáveis pela obra, chegou a ser condenado a 43 anos de prisão pelo juiz Marcelo Bretas, em primeira instância. Em março do ano passado, em decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, teve a pena reduzida para 4 anos e 10 meses de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A reclusão foi substituída por duas penas restritivas de direito.

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Projeto alterado com 58% de execução
As obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá tiveram início em junho de 2012, com orçamento de R$ 1,48 bilhão. Deveriam estar concluidas para a Copa do Mundo de 2014, que teve a capital do Mato Grosso como uma das sedes.  Após quase nove anos, o percentual de execução financeira está em 72% e a execução física em 58%. O governo estadual, responsável pelo projeto, afirma que “a empresa não cumpriu o cronograma previsto para entrega da obra”. Em 2017 a Operação Descarrilho da Polícia Federal descobriu um esquema de corrupção na execução das obras do VLT, o que levou o governo a rescindir o contrato com o Consórcio VLT.

O VLT liga Cuiabá a Várzea Grande, onde está localizado o aeroporto, numa extensão de 23 quilômetros. Os 40 trens teriam capacidade para transportar 100 mil pessoas por dia. Em janeiro de 2021, porém, após muita polêmica, a Assembleia Legislativa do Mato Grosso aprovou a alteração do modal para ônibus elétricos (BRT). Os trilhos já implantados foram arrancados. O governo de Mauro Mendes (União) entende que a construção do BRT “será mais econômica aos cofres públicos, mas, principalmente, terá uma operação mais barata, com menor custo para os usuários do transporte público”.

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), é contra a troca de modal. “O BRT foi sucesso há 50 anos. Cuiabá tem que olhar para frente e se equiparar com as principais capitais brasileiras e do mundo. Temos que lutar pelo mais inovador, por mais sustentabilidade, dignidade e respeito pelo usuário do transporte coletivo”, diz o prefeito. Segundo a prefeitura, pelos cálculos do consórcio que realizou 75% das obras, numa estimativa feita há cinco anos, seria necessário mais de R$ 922 milhões para o término da obra.

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Transnordestina e Transamazônia: “Brasil Grande”

Iniciada em junho de 2006, no segundo governo Lula, a Ferrovia Transnordestina tem um avanço físico de 59% do novo traçado de 1.209 km – de Simplício Mendes (PI) ao porto de Pecém (CE). Já foram aplicados R$ 7,5 bilhões na obra. Estão concluídos 815 km de ferrovia, dos quais 215 km foram executados em 2022. Este ano, a previsão da empresa é concluir mais 100 km, no Ceará, além de iniciar novos lotes dependendo da liberação de recursos já contratados. O trecho de Simplício Mendes (PI), onde deveria iniciar a ferrovia, ainda está na fase de terraplanagem, anterior à colocação dos trilhos, dormentes e brita. Também há a construção de pontes e viadutos.

O restante está sendo estruturado entre a Transnordestina Logística (TLSA), a acionista Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e o governo federal para finalizar a ferrovia. Está contratado R$ 1 bilhão via fundos constitucionais – Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor). A TLSA é uma entidade privada, mas conta com investimentos públicos. Os recursos próprios investidos representam 61% do total, enquanto os recursos de terceiros (dívida) chegam a R$ 39%.

O prazo para a conclusão da obra é 2029 no aditivo contratual assinado com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em dezembro de 2022. Mas a TLSA afirmou ao blog que “internamente” a previsão é 2027: “Temos todo interesse em concluir a ferrovia o quanto antes, para que ela possa operar e gerar receita”. O termo aditivo estabelece condições para a devolução do trecho Salgueiro/Porto de Suape (PE), previsto originalmente no projeto. O novo cronograma deverá considerar o prazo de até 7 anos para a conclusão das obras do trecho remanescente da TLSA.

Segundo a TLSA, a construção está em andamento, gerando cerca de 2 mil postos de trabalho. “Desde 2017, o empreendedor CSN vem custeando a obra com recursos próprios e honrando os financiamentos mesmo antes do início da operação comercial da ferrovia”.

Trecho de Simplício Mendes inacabado, em foto de março de 2021, 15 anos após o início das obras. Foto: DJ/Magnata
A obra inacabada mais antiga no Brasil é a lendária Transamazônica, iniciada em 1970. O país vivia a ditadura militar, governo de Emílio Garrastazu Médici, nos tempos do “Brasil Grande”, das obras faraônicas, do “Milagre brasileiro”. O traçado da rodovia começa em Cabedelo (PB) e vai até Lábrea (AM). O primeiro trecho foi inaugurado em 1972, mas a maior parte da rodovia na Amazônia não está asfaltada até hoje.

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Petrobras diz utilizar instalações do Comperj

O blog enviou à Petrobras os seguintes questionamentos: 1) o que houve com o Trem 1 do Comperj, foi desmontado, demolido? 2) qual o prejuízo decorrente do abandono da etapa do Trem 1? 3) o TCU registrou, em 2020, que o prejuízo decorrente da corrupção na empresa foi de R$ 18,6 bilhões. Atualmente, qual é o valor total do prejuízo? 4) qual o valor recuperado pela empresa a partir de decisões judiciais e de negociações com as empreiteiras envolvidas nos processos de corrupção? 5) por que a construção da refinaria não apresentava mais atratividade econômica? 6) A Petrobras projeta a construção de novas refinaria?

A Petrobras respondeu que segue desenvolvendo Projetos de Investimentos no Polo GasLub, em Itaboraí, conforme divulgado no Plano Estratégico 2023-2027. Estão em curso o Projeto Integrado Rota 3, em fase final de implantação, que inclui a construção da Unidade de Processamento de Gás Natural de Itaboraí (UPGN Itaboraí) para o processamento de até 21 milhões de m3/dia de gás do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, com entrada em operação prevista para 2024.

Está em andamento o projeto de refino para implantação de Unidades de produção de combustíveis e lubrificantes, em sinergia com a Reduc, que teve seu estudo de alternativa e engenharia conceitual aprovado em dezembro de 2022 e segue desenvolvendo os estudos de engenharia básica que suportarão o planejamento das fases posteriores do projeto e estudos para a construção de uma Usina Termoelétrica, a UTE-GasLub.

A Petrobras acrescentou: “Vale destacar ainda que o Plano Estratégico 2023-2027 da Petrobras não prevê construção de nova refinaria. Dos US$ 9,2 bilhões previstos para a área de Refino e Gás Natural nos próximos cinco anos, cerca de metade será aplicado na expansão e aumento da qualidade e eficiência do refino nas instalações atuais. O plano prevê investimentos em oito novas unidades de processamento, além de seis obras de adequações de grande porte em unidades já existentes. Com esses projetos concluídos, prevê-se aumento de capacidade de processamento e conversão do refino da Petrobras em 154 mil barris por dia (bpd) e a capacidade de produção de Diesel S-10 será ampliada em mais de 300 mil bpd”.


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DEVIDO AO AGRONEGÓCIO QUATRO ESTADOS TÊM MENOS DESEMPREGOS

Economia

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

EXPEDICAO – MATO GROSSO, 23/01/2014 – EXPEDICAO SAFRA 2013 / 2014 – Expedicao safra inicia a etapa da colheita nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do sul. Na foto plantacao de soja na regiao de Dom Aquino – Foto: Daniel Castellano / AGP / Agencia de Noticias Gazeta do Povo


Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estão entre os estados com menor desemprego.| Foto: Daniel Castellano /Arquivo/Gazeta do Povo

Quatro estados brasileiros têm desemprego menor que o Canadá, que a Alemanha, que Estados Unidos, que Reino Unido – que as as economias mais saudáveis do mundo. Sabem por quê? Por causa do agro.

É “coincidência”, né? São quatro estados que estão bombando no agronegócio. Primeiro lugar:  Rondônia. Estado que eu vi crescer. Conheci o Rondônia em tempos do Teixeirão – governador Jorge Teixeira. Conheci mesmo, de helicóptero com ele, passando o estado todo. Eu estava fazendo um especial sobre a Amazônia para a Manchete.

Segundo lugar: Santa Catarina, que é um Brasil muito especial. Bombando. E terceiro e quatro lugares os dois mato grosso: Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Celeiro do mundo. Não é mais nem celeiro do Brasil só, não: é celeiro do mundo. Exemplo para o mundo: eles estão com taxa de desemprego ao redor de 3%,  isso aí é considerado pleno emprego pelos economistas. É o agro.

Comitiva do agro
E nesse momento tem muita gente desses estados que está numa comitiva do agro brasileiro na China, chefiada pelo ministro da Agricultura Carlos Fávaro, que já foi presidente da Aprosoja – Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso, a maior do Brasil.

São 102 representantes da agricultura, pecuária, agroindústria, exportações. O presidente da República não vai pra lá, está com pneumonia. Mas eles vão ficar lá continuando os negócios. Só não saem agora os acordos. Eram acordos para tirar a burocracia, para dar mais rapidez aos pagamentos.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil. Então os empresários vão continuar lá fechando negócios. Todo mundo está falando que estão lá os irmãos o Wesley e Joesley (Batista, da JBS) e o ministro da Agricultura diz: “ah, vamos pensar no futuro”. Bom, foi aquele rolo todo lá com políticos em geral, né? Não foi só com Temer. Acho que foi com o Aécio também, foi na Lava Jato… meu Deus.

O risco da viagem
Enquanto isso o presidente Lula convalesce de uma pneumonia. Eu achei muito estranho o médico que veio de São Paulo dizer “não, ele pode viajar”. Meu Deus do céu, será que não olhou para a idade dele? Não é só isso: são 30 horas de voo num avião com ar condicionado e ar frio, e sem se mexer muito. Depois lá os compromissos e troca de clima. Seria uma loucura enviá-lo com pneumonia, mesmo que a ministra da Saúde tenha falado em “princípio de pneumonia”.  Como assim “princípio”? Mas, enfim, está medicado, está com antibióticos, e até agora as notícias dizem que está se recuperando na residência oficial, que é o Palácio da Alvorada.

O exemplo de Tarcísio
Há governante que justifica roubo de celular dizendo que é para tomar uma cervejinha. Mas há governante que não admite nenhum tipo de roubo, nenhum tipo de crime. É o caso do governador de São Paulo. Por causa disso, nos dois primeiros meses do ano o roubo de celular caiu 33% e o  roubo em geral no estado todo de São Paulo caiu 20%.

Essa é uma questão de presença. Quando tem um sinal de que há um governo leniente, amistoso, a bandidagem vai em frente. Veja o caso do Rio Grande do Norte. Agora, quando há sinais de que vai vir resposta dura, isso tem o poder de dissuasão, de fazer o criminoso desistir do seu ato criminoso. Esse é o poder das armas de defesa.


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RISCOS DO PLANO DE LULA PARA A GUERRA DA UCRÂNIA

 

Os riscos do plano de paz de Lula para a guerra na Ucrânia; leia a coluna de Oliver Stuenkel

Cresce na Europa e nos Estados Unidos a leitura de que o Brasil se alinha à China e à Rússia

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Por Oliver Stuenkel

A proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar um “clube da paz” para a Ucrânia é um sinal claro de que o governo brasileiro buscará articular uma diplomacia mais ativa, envolvendo-se diretamente no debate geopolítico mais relevante do momento.

Em princípio, trata-se de uma boa notícia. Tradicionalmente pouco representada à mesa dos poderosos, a América Latina tem o potencial de assumir papel-chave em vários debates: o aquecimento global, a crise internacional de refúgio, a saúde mundial, a redução da pobreza, o crime organizado, entre outros.

Mais engajamento por parte de um país não envolvido diretamente na guerra entre Rússia e Ucrânia também pode ser positivo: na década de 1990, por exemplo, o governo FHC liderou, juntos com os EUA, a negociação de um acordo de paz entre Peru e Equador depois de um breve conflito entre os dois países.

Para Entender

À primeira vista, também parece uma iniciativa de baixo risco: o pior a acontecer seria as tentativas brasileiras de promover um diálogo entre Moscou e Kiev não surtirem efeito.

No entanto, seria um erro acreditar que o ativismo diplomático brasileiro em relação à guerra na Ucrânia seja sem risco para o Brasil. O governo Lula tem tentado, de fato, manter certo equilíbrio, tanto na retórica presidencial quanto nas votações na ONU.

Antes da eleição, disse à Time que Volodmir Zelenski seria tão responsável pela guerra quanto Putin, opinião fortemente criticada no Ocidente. Em fevereiro, recusou pedido alemão de compra de munição para tanques a serem enviados à Ucrânia sob o argumento de que o Brasil é um país de paz.

Em gesto que alguns interpretaram como retaliação, a Alemanha embargou a exportação de blindados brasileiros para as Filipinas, usando seu direito de veto por deter a propriedade intelectual de alguns componentes dos veículos. Por outro lado, em fevereiro, o Brasil foi o único país do grupo Brics a votar, na Assembleia Geral da ONU, a favor da resolução que pedia a retirada imediata das tropas da Ucrânia. Lula também chamou a invasão de erro histórico.

sinalização brasileira de querer assumir um papel de destaque no diálogo sobre a paz na Ucrânia tem alguns paralelos com a decisão de Lula de negociar um acordo nuclear com o Irã em 2010

Ceticismo com alinhamento brasileiro

Mesmo assim, há profundo ceticismo no Ocidente quanto ao ativismo brasileiro em relação à Ucrânia, em parte porque, aos olhos de Kiev, Varsóvia, Berlim e Washington, a narrativa brasileira – “é preciso começar a falar sobre a paz” – acaba legitimando implicitamente o discurso russo de que o Ocidente teria interesse em prorrogar o conflito e não a dialogar.

Diplomatas europeus e americanos apontam que diálogos e negociações ocorrem desde o início do conflito, em fevereiro de 2022.

Da mesma forma, na leitura ocidental, o plano apresentado pela China serve acima de tudo para criar uma imagem segundo a qual a continuação da guerra se deve a uma falta de disposição ocidental de sentar-se à mesa de negociação — e não à recusa russa de retirar suas tropas da Ucrânia o e encerrar o que é visto na Europa como uma guerra de agressão.

A percepção ocidental de que o Brasil pode acabar adotando uma postura mais afinada com Moscou e Pequim foi reforçada pelo aparente desalinhamento em uma chamada entre Zelenski e Lula em fevereiro – os dois descreveram a conversa em termos muito diferentes depois – e a decisão do presidente Lula de declinar o convite a Kiev.

A expectativa do anúncio do “clube da paz” durante a visita de Lula a Pequim (adiada por motivo de doença do presidente brasileiro), e não em ambiente mais neutro, como a ONU, dificilmente ajudou a reverter essa percepção.

Lula e Biden conversam na Casa Branca: aproximação do Brasil com a China preocupa americanos
Lula e Biden conversam na Casa Branca: aproximação do Brasil com a China preocupa americanos  Foto: Alex Brandon / File/ AP

Ecos do passado

A sinalização brasileira de querer assumir um papel de destaque no diálogo sobre a paz na Ucrânia tem alguns paralelos com a decisão de Lula de negociar um acordo nuclear com o Irã em 2010.

Em abril daquele ano, o presidente dos EUA, Barack Obama, escreveu carta a Lula pedindo que não se deixasse engabelar por Mahmoud Ahmadinejad, então presidente iraniano. Um mês depois, Lula apresentou, junto com o então premiê turco Recep Erdogan e Ahmadinejad, um acordo nuclear que não obteve apoio ocidental e gerou uma crise entre Brasília e Washington.

Nada disso quer dizer que o resultado do atual esforço brasileiro será o mesmo, mas é preciso estar ciente dos riscos de a iniciativa acabar causando fricção, seja com o lado ocidental, seja com o lado sino-russo. Afinal, a Ucrânia hoje está no olho do pior furacão geopolítico em mais de três décadas.

VIESES COGNITIVOS E PREDADORES DIGITAIS

 

Por
Madeleine Lacsko – Gazeta do Povo


Imagem ilustrativa.| Foto: Unsplash

Eu já fiquei inconformada ao ver pessoas sábias, educadas ou informadas serem enganadas por predadores digitais. Existem agora diversas séries interessantes sobre o tema. Confesso que eu também já fui uma dessas vítimas e talvez você tenha sido. Quando a gente acredita em algo fantástico ou cai em um golpe, a sensação de vergonha e derrota é avassaladora. A gente tende a repassar cada momento, tentando encontrar em qual momento nosso raciocínio falhou. Só que o raciocínio não falhou.

Nós acreditamos piamente que somos racionais e tomamos decisões racionais. Por isso temos essa sensação negativa de culpa quando somos enganados, algo que se torna frequente nessa vivência digital. Tanto a arquitetura das redes quanto o aumento da frequência dos contatos interpessoais fazem com que isso seja mais intenso e frequente. Ocorre que não somos racionais como pensamos, isso é um fato. Humanos são seres emocionais que raciocinam. Parece desesperador, não é. Nós conseguimos aprender sobre nossos vieses cognitivos e, a partir desse conhecimento, adquirimos a capacidade de tomar decisões melhores.

Sem saber quais são nossos vieses cognitivos, a gente acabe fazendo escolhas dissociadas da realidade, já que praticamente criamos uma realidade própria.

O que são vieses cognitivos? Simplificando bastante, são atalhos mentais naturais que nos levam a desviar o raciocínio do caminho da lógica e da racionalidade. O maior talento e maior prazer do cérebro humano é criar padrões, inclusive onde não existem. Pense em algo inocente, como vemos figuras, bichos e plantas na formação das nuvens. Esse é o ponto de partida. A partir de nossas experiências pessoais, criamos padrões que distorcem nosso julgamento. É normal que, sem saber quais são nossos vieses cognitivos, a gente acabe fazendo escolhas dissociadas da realidade, já que praticamente criamos uma realidade própria.

Precisamos aprender quais são esses vieses cognitivos. Tente pesquisar, é uma lista infindável. Recentemente, dois cientistas agruparam os seis mais sensíveis para que a gente se deixe enganar por narrativas nessa era de redes sociais.

Aileen Oeberst, do departamento de Psicologia da Mídia da University of Hagen Leibniz-Institut für Wissensmedien em Tübingen e Roland Imhoff, do Departamento de Psicologia Legal e Social da Johannes Gutenberg University of Mainz, apontam que esses seis vieses são os principais para que a gente se enfie em narrativas. É um alento, já que temos agora um ponto de partida muito mais fácil para compreender nossas mentes, entender quem somos e, por consequência, evitar que sejamos enganados. Vamos a eles.

  1. Minha experiência é uma referência razoável, que agrega 5 vieses cognitivos:

Efeito holofote: superestimar o quanto os outros nos percebem.
Ilusão de transparência: superestimar o quanto nossas questões interiores são percebidas pelos outros.
Falso consenso: superestimar o quanto as nossas crenças são compartilhadas por outras pessoas.
Projeção social: tendência de julgar os outros de acordo com nossa própria régua.

  1. Eu faço avaliações corretas sobre o mundo, que agrega dois vieses cognitivos:

Viés do ponto cego: crença de que só os outros sucumbem a informações enviesadas.
Viés da mídia hostil: o grupo tem a impressão de que toda a mídia, de forma generalizada, é partidária ao outro grupo.

  1. Eu sou bom, que agrega dois vieses cognitivos:

Efeito do melhor que a média: superestimar a própria performance com relação à performance alheia.
Viés de auto-serviço: atribuir as próprias falhas aos outros mas as dos outros a eles próprios.

  1. Meu grupo é uma referência razoável, que agrega dois vieses cognitivos:

Viés etnocêntrico: dar precedência ou mais autoridade ao próprio grupo em vez de reconhecer a preferência.
Projeção sobre o grupo: percepção de que o próprio grupo provavelmente tem uma identidade superior aos demais grupos.

  1. Meu grupo e os membros do meu grupo são bons, que agrega 4 vieses cognitivos:

Viés intragrupo ou partidário: ver o próprio grupo ou os membros do próprio grupo sob uma luz mais favorável. Por exemplo, são moralmente superiores ou menos responsáveis por causar danos aos demais.
Erro de atribuição final: atribuir àqueles fora do grupo a responsabilidade pelo comportamento de quem é do grupo, mas não fazer a recíproca.
Viés linguístico intergrupo: usar palavras mais abstratas e menos palavras concretas para descrever os comportamentos positivos e negativos dentro do grupo. Mas usar mais palavras concretas e menos abstratas para descrever comportamentos de quem não é do grupo.
Efeito de sensibilidade intergrupo: críticas avaliadas de forma menos defensiva quando feitas por alguém de dentro do grupo em comparação àquelas feitas por alguém de fora do grupo.

  1. Os atributos das pessoas – e não o contexto – determinam os resultados, que agrupa 2 vieses:

Erro de atribuição fundamental ou viés de correspondência: preferir a explicação da disposição individual sobre a das circunstâncias reais quando avaliando a ação fora do grupo.
Viés de resultado: avaliar a qualidade da decisão de alguém somente em função do resultado, sem considerar as circunstâncias reais.
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Esses são caminhos naturais do nosso raciocínio, que fogem da realidade e prejudicam os nossos julgamentos. No frenesi das redes sociais, isso nos torna vítimas dos mais diversos tipos de predadores. Convido você à reflexão. Não podemos combater nem evitar esses padrões mentais. Devemos ter consciência que eles existem e são reais para tomarmos decisões mais justas.

A vida digital é uma novidade para nós, que temos mentes analógicas. Não é apenas uma novidade, é um caminho sem volta. Viver nesse mundo exige que a gente conheça muito mais sobre a condição humana do que sobre tecnologia.


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FIDELIZAR A MARCA E PASSAR CONFIANÇA AO FREQUÊS

 

Sulivan França – Presidente da SLAC Educação

Baseado na política do customer centric com um viés humanista, Presidente da SLAC Educação acredita que a cultura proativa deve acompanhar a evolução do empreendimento.

Empreendedores experientes e tomadores de decisões poderão se surpreender, mas a maioria dos donos de estabelecimentos apresenta dificuldade em delimitar um ponto fundamental em seus negócios, o público. De acordo com o levantamento Sobrevivência de Empresas, realizado pelo Sebrae em 2021, cerca de 20% de todas as micro e pequenas empresas e optantes do MEI fecham as portas antes de completar 5 anos de atuação profissional devido às dificuldades de segmentar e movimentar o público.

Para Sulivan França, empresário com amplo conhecimento de mercado e Presidente da Slac Educação, um dos grandes erros desses estabelecimentos é abrir frentes sem traçar um plano progressivo de negócios baseado no consumidor, o tal customer centric. “Muitos caem de paraquedas no mundo do empreendedorismo porque acham que ter uma empresa no Brasil é algo simples, significa ser seu próprio chefe, ter mais tempo livre para dedicar-se à vida pessoal e que o maior gargalo do seu negócio serão as redes sociais. Pura ingenuidade. Na verdade, esse tipo de perfil aposta todas as fichas em soluções robustas e espera resultados mágicos do dia pra noite”, explica o executivo.

A pandemia foi um importante catalisador das soluções digitais. Em um período em que o consumidor dormia, vivia e acordava grudado em uma tela, ferramentas on-line impulsionaram o comércio de maneira nunca antes vista. No entanto, esse tempo já passou. De acordo com um relatório da consultoria Crédit Suisse, a desaceleração do e-commerce se notou na maioria dos grandes players do mercado brasileiro, que recuaram 5% no faturamento de bens em relação ao ano passado, ou arrecadaram R$ 168 bilhões a menos. Em outras palavras: foi-se o tempo em que o uso indiscriminado de plataformas e aplicativos de venda fecharia as contas no azul.

Na avaliação do Presidente da Slac Educação, o período foi importante para disseminar uma mentalidade 100% baseada no cliente no mercado, também conhecida como o CRM (Customer Relationship Manager). Por outro lado, apostar em estratégias omnichannel e campanhas agressivas de ampliação da marca não podem significar o fim da conexão e do contato humano com fregueses. “Soluções com foco na clientela são excelentes parâmetros para fundamentar a cultura empresarial, no entanto, em setores concorridos, sobretudo repletos de concorrentes experientes equipados com ferramentas tão ou mais eficientes do que as nossas, o diferencial deve ser a maneira como atendemos quem está do outro lado da tela”, completa.

Mentalidade vencedora

Embora possa parecer datado, esse raciocínio está presente nas 7 regras de ouro de Marketing destacadas pelo Sebrae. Para a entidade, estabelecer um meio para contato fixo com o consumidor e, por vezes, ampliar o atendimento para além da lógica do produto/serviço vendido, tornou-se uma característica fundamental na hora de fidelizar a marca e passar confiança ao freguês, que cada vez mais busca na experiência uma forma de preterir produtos e glorificar empresas. Tanto é assim que segundo um levantamento da CX Trend 2022, feito no ano passado pela consultoria Zendesk, 97% dos clientes gastam mais com organizações que priorizam e personalizam o atendimento.

Segundo Sulivan, a escuta atenta e o peito aberto para as queixas, solicitações e dores do consumidor devem ser entendidos como uma oportunidade para ampliar receitas e despontar como liderança no segmento, especialmente se for um mercado de nicho.

“De uma padaria de bairro a uma multinacional financeira, os principais alicerces para o crescimento dos rendimentos são o produto que entregamos, como entregamos e por que entregamos. Isso representa uma curva de crescimento que deve fazer parte da cultura de nossos negócios. Afinal, ninguém gosta de comer pão murcho ou receber calote de uma empresa multimilionária, não é mesmo? Dispor de princípios e empreender apenas visando métricas é a tempestade perfeita para a ruína de reputações.”, finaliza o presidente da Slac.

A SLAC® Educação oferece aos seus clientes o que há de mais avançado em cursos e pesquisas sobre comportamento humano, performance, liderança, gestão de equipes e coaching, contribuindo com o desenvolvimento de estudos e apoiando coaches, diretores, executivos, RHs, gerentes, líderes e organizações. Apontada pela mídia nacional e internacional como o maior centro de pesquisa e treinamento em coaching para o mercado corporativo da América Latina, a SLAC® foi a primeira organização no Brasil a receber reconhecimento e estabelecer uma parceria com o ICPA® – Institute Of Coaching Professional Association, órgão afiliado à Harvard Medical School, reconhecido por sua excelência mundial em pesquisas e inovações na área comportamental. A SLAC® também possui certificação da ICI® — International Association of Coaching Institutes, órgão que regulamenta o uso e a prática do coaching na Europa.

A importância do bom site da Valeon para o seu negócio

Moysés Peruhype Carlech

Antigamente, quando um cliente precisava de um serviço, buscava contatos de empresas na Lista Telefônica, um catálogo que era entregue anualmente ou comprado em bancas de jornais que listava os negócios por áreas de atuação, ordem alfabética e região de atuação.

De certa forma, todos os concorrentes tinham as mesmas chances de serem encontrados pelos clientes, mas existiam algumas estratégias para que os nomes viessem listados primeiro, como criar nomes fantasia com as primeiras letras do alfabeto.

As listas telefônicas ficaram no passado, e, na atualidade, quando um cliente deseja procurar uma solução para sua demanda, dentre outros recursos, ele pesquisa por informações na internet.

O site da Valeon é essencial para que sua empresa seja encontrada pelos seus clientes e ter informações sobre a empresa e seus produtos 24 horas por dia.  Criamos uma marca forte, persuasiva e, principalmente, com identidade para ser reconhecida na internet. 

Investimos nas redes sociais procurando interagir com o nosso público através do Facebook, Google, Mozilla e Instagram. Dessa forma, os motivos pelos quais as redes sociais ajudam a sua empresa são inúmeros devido a possibilidade de interação constante e facilitado como o público-alvo e também a garantia de posicionamento no segmento de marketplaces do mercado, o que faz com que o nosso cliente sempre acha o produto ou a empresa procurada.

A Plataforma Comercial site Marketplace da Startup Valeon está apta a resolver os problemas e as dificuldades das empresas e dos consumidores que andavam de há muito tempo tentando resolver, sem sucesso, e o surgimento da Valeon possibilitou a solução desse problema de na região do Vale do Aço não ter um Marketplace que Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos e o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

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Moysés Peruhype Carlech

Existem várias empresas especializadas no mercado para desenvolver, gerenciar e impulsionar o seu e-commerce. A Startup Valeon é uma consultoria que conta com a expertise dos melhores profissionais do mercado para auxiliar a sua empresa na geração de resultados satisfatórios para o seu negócio.

Porém, antes de pensar em contratar uma empresa para cuidar da loja online é necessário fazer algumas considerações.

Por que você deve contratar uma empresa para cuidar da sua Publicidade?

Existem diversos benefícios em se contratar uma empresa especializada para cuidar dos seus negócios como a Startup Valeon que possui profissionais capacitados e com experiência de mercado que podem potencializar consideravelmente os resultados do seu e-commerce e isto resulta em mais vendas.

Quando você deve contratar a Startup Valeon para cuidar da sua Publicidade online?

A decisão de nos contratar pode ser tomada em qualquer estágio do seu projeto de vendas, mas, aproveitamos para tecermos algumas considerações importantes:

Vantagens da Propaganda Online

Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia digital.

Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda mais barato.

Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança, voltando para o original quando for conveniente.

Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e de comentários que a ela recebeu.

A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.

Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a empresa.

Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.

Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não estão.

Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.

A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.

Vantagens do Marketplace Valeon

Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.

Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por meio dessa vitrine virtual. 

Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente. Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos diferentes.

Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma, proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.

Quando o assunto é e-commerce, os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em 2020. 

Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua marca.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

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A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

    valeonbrasil@gmail.com

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domingo, 26 de março de 2023

TERCEIRA VIA TERÁ NOVA CHANCE COM ZEMA E TARCÍSIO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Novo modelo de urna eletrônica, usado nas eleições de 2022.| Foto: Abdias Pinheiro/TSE

Quase seis em cada dez brasileiros gostariam que houvesse uma “terceira via” capaz de romper a polarização política entre petismo e bolsonarismo, de acordo com pesquisa do instituto Ipec publicada no último fim de semana. O levantamento, realizado no início de março, encontrou 39% de entrevistados que manifestaram totalmente o desejo de uma terceira via nas eleições, com outros 18% concordando em parte. Outros 27% não viram a necessidade da terceira via. Os resultados da pesquisa deixam claro que existe uma oportunidade para o centro político, mas também impõem uma série de perguntas.

Afinal, havia “terceira via” no pleito presidencial de 2022, e os 39% que apareceram na pesquisa Ipec teriam bastado tranquilamente para levar seu representante ao segundo turno. Por que isso não aconteceu? Há várias razões para isso, que passam pela fragmentação das forças mais ao centro, divididas naquela eleição entre Ciro Gomes, Eymael, Simone Tebet, Soraya Thronicke e Luiz Felipe d’Avila; pelo fato de nenhum desses candidatos ter o mesmo carisma de Lula e Bolsonaro; e pelo fenômeno do “voto útil”, que via no candidato de um dos polos a escolha mais certeira para quem via como prioridade a derrota do outro extremo. O desempenho de Lula e Bolsonaro em 2022 foi inflado com votos de eleitores que, mesmo apresentando reservas quanto ao seu escolhido, consideravam a vitória do oponente um mal muito maior, a ser evitado a todo custo – Lula só venceu porque conseguiu aglutinar mais forças a seu redor, aproveitando-se da aversão de boa parte da opinião pública a Bolsonaro e criando a tal “frente ampla” que muitos, baseados mais no chamado wishful thinking que no passado das administrações petistas, esperavam ver mantida depois da posse do petista.

Sintonia com os valores morais do brasileiro, forte cultura democrática e promoção da liberdade econômica combinada com a aplicação eficaz de bons programas sociais são uma plataforma capaz de dar viabilidade eleitoral à “terceira via”

Aqueles que “fizeram o L” e viram suas expectativas frustradas precisam ter aprendido algo com a experiência dos últimos meses: primeiro, que Lula não é confiável; segundo, que uma “terceira via”, para ser realmente viável, precisa apresentar ao brasileiro um programa consistente que não se limite a “não ser Lula nem Bolsonaro”, pois isso já se mostrou incapaz de passar pela prova do primeiro turno. Nisso, a eleição de 2018 oferece lições bastante valiosas. Bolsonaro não venceu aquele pleito simplesmente por “não ser Lula” – o mesmo poderia ser dito de outros candidatos, inclusive de partidos que se tornaram rivais clássicos do petismo, como o PSDB. O candidato do PSL propôs ao eleitorado um tripé formado por liberalismo econômico, conservadorismo moral e dureza com a bandidagem (incluindo a de colarinho branco), programa que o brasileiro abraçou por contemplar boa parte daquilo em que acredita. Nenhum outro rival histórico do petismo apresentou nada parecido com o tripé de Bolsonaro em 2018; isso explica o fracasso de tucanos e outros concorrentes, mas também mostra o caminho a seguir.

VEJA TAMBÉM:
Os desafios da democracia brasileira (editorial de 19 de março de 2023)
Liberdade econômica, sonho que ficou ainda mais distante (editorial de 11 de março de 2023)
Atraso institucional e a persistência da pobreza (editorial de 5 de fevereiro de 2023)


O centro político não precisa ser amorfo, sem plataformas claras. Pelo contrário: o Brasil precisa de partidos e políticos firmes na defesa da liberdade econômica, no respeito ao empreendedor, na rejeição ao estatismo, na proteção da vida e da família, na dureza com a criminalidade e a corrupção, na sensibilidade social e na proteção dos mais pobres e vulneráveis, e na defesa intransigente da democracia, das instituições e das liberdades e garantias individuais.

Em resumo, sintonia com os valores morais do brasileiro, forte cultura democrática e promoção da liberdade econômica combinada com a aplicação eficaz de bons programas sociais são uma plataforma capaz de dar viabilidade eleitoral à “terceira via”, se ela tiver a inteligência necessária para montar uma estratégia capaz de fazer frente às duas forças políticas preponderantes no Brasil de hoje. O debate político sairia muito mais enriquecido, o eleitor encontraria mais candidatos com os quais se identificar e as chances de construirmos um país justo e próspero seriam muito maiores.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/uma-chance-para-a-terceira-via/
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COBRANÇA DE IMPOSTO RETROATIVO DECIDIDO PELO STF CAUSA MAIOR PREJUÍZO NAS EMPRESAS

 

Supremo Tribunal Federal
Decisão do STF
Por
Luisa Purchio – Gazeta do Povo


Sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília| Foto: Dorivan Marinho/SCO/STF

No início de fevereiro, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão que gerou revolta tanto no meio jurídico quanto tributário e empresarial. Trata-se da mudança sobre a “coisa julgada”, nome atribuído a uma decisão considerada definitiva, que terá efeito sobre tributos retroativos.

Nesse caso, a modificação do entendimento envolveu o recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Empresas que não recolhiam o imposto com base em sentenças transitadas em julgado terão de recolher os tributos retroativos desde 2007, quando o STF decidiu pela sua constitucionalidade.


A maior crítica à decisão é a repercussão em tributos julgados em todas as esferas – municipais, estaduais e federais – e a insegurança jurídica que traz tanto às empresas quanto aos contribuintes.

“São mudanças de regras que na maioria dos países democráticos não existe e que afugentam os investidores externos. Entendemos ser um julgamento mais político que técnico, porque vai de encontro ao princípio da coisa julgada”, diz João Eloi Olenike, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

As empresas e instituições que as representam aguardam a divulgação do acórdão, a decisão do órgão colegiado do STF, para decidir que caminho irão tomar. A alternativa vista como possível é entrar com embargo de declaração solicitando a modulação do efeito da decisão, ou seja, que o recolhimento do tributo passe a valer da decisão do STF em diante, e não retroativamente.

“O maior problema dessa decisão não é o mérito em si, mas a falta de modulação dos seus efeitos. É possível entender que quando um tributo for julgado constitucional, ele passe a ser devido por todos. No entanto, os efeitos da decisão deveriam valer apenas para o futuro e não para o passado, sob pena de criar uma insegurança jurídica muito grande”, afirma Fábio Tomkowski, advogado especialista em direito tributário e conselheiro da Fecomercio-SP.

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Promotor que investiga PCC diz que Lula o ofende ao falar de “armação”
Efeito cascata em tributos retroativos

De acordo com Olenike, do IBPT, a decisão do STF pode impactar os 64 tributos que são cobrados no país. Entre os principais impostos que são alvo de ações da Justiça, em que as empresas obtiveram decisões favoráveis, está o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPIs).

“O caso mais comum é de uma empresa que se considera prestadora de serviço e prova na Justiça que estava recolhendo o IPI indevidamente, de maneira que consegue receber esse valor de volta ou compensá-lo. Pela decisão do STF, isso poderá ser revisto”, diz ele.

O prejuízo estimado pelas empresas que não recolheram os tributos devido a causas ganhas na Justiça e terão de fazê-lo retroativamente é milionário. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, soltou um informativo de fato relevante no mês passado revisando a probabilidade de perda nos processos em andamento desde 2007 no valor de R$ 290 milhões.

A confusão sobre a cobrança de tributos no país é grande e, principalmente, sua judicialização. Um levantamento realizado pelo Valor Data em demonstrações financeiras de 30 de setembro de 2022 mostrou que as 19 maiores empresas abertas do país questionam na Justiça a cobrança de R$ 559 bilhões em impostos nas esferas federais, estaduais e municipais. O valor corresponde a 74,3% do total estimado em ações judiciais dessas demonstrações. As companhias, na maioria, não provisionam os recursos devido às grandes chances de vitória judicial.

O Valor Data mostrou ainda que, conforme a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2023, as ações judiciais tributárias no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) classificadas como risco possível somam R$ 862,9 bilhões.

Projetos de lei tramitam no Congresso
Diversas iniciativas estão sendo criadas no âmbito do Legislativo para evitar ou amenizar o impacto da decisão do STF aos contribuintes. Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei Complementar 26/2023, de autoria do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), prevê que os tributos devidos em decorrência da decisão terão abatimento de 100% dos juros, multas e encargos legais e parcelamento em 12 vezes mensais do valor principal, podendo ser quitados em até sete anos.

Já o Projeto de Lei 512/2023, do deputado Gilson Marques (Novo-SC), propõe instituir o Programa Especial de Regularização Tributária do Fim da Eficácia da Coisa Julgada (PERT-Fim), podendo ser aderido por pessoas físicas e jurídicas, e permite parcelamento dos débitos tributários em até 20 anos com redução gradativa de até 100% de multas, juros e encargos.

No Senado Federal, quatro propostas foram apresentadas, entre elas a do senador Hamilton Mourão (Republicanos – RS). O PL 596/2023 concede remissão à CSLL, do período até dezembro de 2022, que não foi paga devido à decisão do Supremo, zerando também juros, multas e encargos.

Já o PL 589/2023, de Izalci Lucas (PSDB-DF) propõe que “é nulo de pleno direito qualquer entendimento, decisão ou interpretação proferido por qualquer juízo ou tribunal, inclusive Tribunais Superiores e o Supremo Tribunal Federal, que altere, relativize ou modifique os efeitos de decisão judicial protegida pela autoridade da coisa julgada material”, alterando o Código de Processo Civil.

De Jorge Seif, o PL 588/2023 propõe que obrigações, incluindo juros e multas decorrentes de decisões que alterem a coisa julgada valham “apenas a partir do ajuizamento do pedido de revisão”. O PL 584/2023, do senador Eduardo Girão (Novo-CE), por sua vez, propõe que o STF pode restringir os efeitos da inconstitucionalidade ou constitucionalidade de lei ou ato normativo ou decidir que terá “eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado, desde que preservada a coisa julgada”.

Independente do desfecho do assunto após o trânsito em julgado da decisão do STF ou por meio da evolução de projetos de lei, fato é que o tema impacta negativamente a economia brasileira, em um momento em que a expectativa pela reforma tributária e a simplificação da tributação são duas das mais urgentes demandas do país.

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ZEMA E TARCÍSIO SÃO O FUTURO DA NOVA DIREITA NO BRASIL

 

São Paulo
Governo Tarcísio vira prova de fogo para o futuro da nova direita no Brasil
Por
Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Brasília


O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.| Foto: Marcelo Aparecido Silva Camargo/Governo de SP

O estado de São Paulo deverá balizar, nos próximos anos, as ambições políticas que a nova direita poderá ter no Brasil daqui para frente. Fiel neste começo de mandato aos valores do grupo político que o elegeu, o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) tende a exercer, daqui a pouco menos de quatro anos, influência determinante nas próximas eleições gerais.

Apostando em um “choque de gestão”, em múltiplas parcerias com o setor privado, em mais rigor contra o crime e em frear o assalto da cultura woke à administração pública, Tarcísio é, neste momento, a principal referência no país do que a nova direita é capaz de fazer à frente do Executivo. Seja quem for o principal candidato direitista à Presidência da República em 2026, o que acontecer em São Paulo deverá servir como prova de fogo contra a hegemonia do petismo no Brasil.

Para o cientista político Christan Lohbauer, com a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, Tarcísio se torna, por ora, a figura política mais determinante para os rumos que a direita tomará. “É um grande gestor, que é aquilo de que São Paulo precisa. Tem um perfil de quem vai mexer em tudo, para dar eficiência, produtividade e trazer investimento. Ele é, sim, a esperança da direita independente de Bolsonaro”, afirma.

O governo paulista tem ido em direção oposta à administração federal em diversos âmbitos. O secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite, por exemplo, traçou uma estratégia contra as invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), enquanto o ministro da Justiça, Flávio Dino, fez vista grossa para os casos de invasão recentes – quando foi governador do Maranhão, vale lembrar, Dino mantinha relações próximas com o MST.

Em outras áreas do combate à violência, Derrite aposta em estratégias que a esquerda costuma negligenciar, como o combate efetivo contra o crime organizado, o isolamento de líderes de facções criminosas e a valorização dos policiais.

O governo de São Paulo também caminha em sentido contrário ao federal ao buscar parcerias com o setor privado em muitas áreas. Há algumas semanas, Tarcísio iniciou projetos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) nas áreas de rodovias, recursos hídricos, infraestrutura rodoviária, transporte rodoviário intermunicipal e aquaviário, loterias, desenvolvimento urbano e habitação, além de educação e cultura.

O governo paulista anunciou a desestatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), sociedades anônimas de capital aberto controladas pelo Estado de SP. O governo federal, por outro lado, já sinalizou que pretende manter alguns privilégios de estatais no campo do saneamento básico.

“Em São Paulo, o governo quer a simplificação tributária e o marco legal do saneamento implementado. Na política agrícola, ele quer a modernização do sistema regulatório da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]. O PT quer o contrário de tudo isso”, diz Lohbauer, para quem Tarcísio rompe também com o modelo peessedebista de gestão e traz a esperança de uma direita autêntica.

“O Tarcísio é o primeiro político e o primeiro governador de São Paulo desde o [ex-governador Franco] Montoro que é um outsider, vamos dizer assim. Todos os outros faziam parte de uma rede, de um processo político meio que sequencial. É a primeira vez nos novos tempos que aparece alguém sem uma legenda atrás dele, porque a legenda dele não vale muita coisa do ponto de vista de tradição da política mais antiga”, acrescenta.

Tarcísio acena a conservadores barrando a cultura woke e modismos educacionais
Alçado à popularidade entre direitistas por seu perfil de gestor eficaz, Tarcísio não consegue ocultar sua falta de intimidade com algumas das chamadas “pautas de costumes” conservadoras, como a defesa da vida e da família.

Ainda assim, algumas de suas medidas mostram ao menos a intenção de agradar ao eleitorado com perfil conservador e não se dobrar à cultura woke. A condescendência com o feminismo extremista, a ideologia de gênero e o identitarismo racial tem sido uma marca de governos de esquerda e de centro no mundo inteiro.

À frente da Secretaria de Políticas para a Mulher, por exemplo, está a vereadora licenciada Sonaira Fernandes, que é pró-vida e proclama a necessidade de defesa da mulher de forma integral.

“Queremos olhar para as mulheres de São Paulo no todo, cuidar das gestantes, da dona de casa, das viúvas, aperfeiçoar aquilo que a gente tanto defende e prega. Quando você traz a questão da defesa da vida e das irregularidades que existem, a gente quer cuidar dessas mulheres e do nascituro. Claro que respeitando o que a legislação nos traz, do que a mulher pode optar, mas não negamos o nosso perfil e nosso caráter, que é uma política inteiramente pró-vida”, afirmou a secretária, recentemente, em entrevista à Gazeta do Povo.

Na pasta da Educação, o secretário Renato Feder já sinalizou que pretende fugir da panfletagem para se concentrar no aprendizado das disciplinas básicas. Seu grande foco, como mostrou reportagem recente da Gazeta do Povo, será melhorar o desempenho dos jovens em português e matemática.

Ele também rechaça modismos pedagógicos e quer diminuir o número de disciplinas ofertadas no Programa de Educação Integral (PEI) e no Novo Ensino Médio. “Os nomes [das disciplinas] são lindos. Tem direitos humanos, artes de todos os tipos, jornalismo, urbanismo. É muito bonito dar essas disciplinas na escola pública, mas o professor não sabe dar essa aula”, comentou.

Risco de Tarcísio ficar espremido politicamente entre Boulos e Lula é real
O objetivo de Tarcísio de fazer um governo “liberal na economia e conservador nos costumes” pode ser frustrado, em alguma medida, pelo impacto das políticas públicas de Lula e pelo desempenho da economia nacional nos próximos anos.

Uma complicação ainda maior seria a eleição de uma figura apoiada por Lula para a Prefeitura da capital paulista. O PIB (Produto Interno Bruto) do município de São Paulo corresponde a cerca de um terço do total do Estado. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), uma das principais figuras da extrema-esquerda nacional, já figura como um candidato forte ao comando da maior cidade do país.

Num cenário como esse, Tarcísio correria o risco de ficar espremido politicamente entre Boulos e Lula, com pouco espaço para manobras, e sujeito a passar boa parte de seu mandato resolvendo conflitos com a esfera federal e com a maior Prefeitura do Estado que governa.

“São Paulo, como qualquer Estado, precisa do governo federal, para rolagem de dívidas, investimentos, algumas licitações que são federais… E, se uma das maiores cidades do mundo, a maior cidade do país, que tem sozinha o PIB do Chile, ficar sob a administração do parceirão do Lula, seria realmente uma pena”, afirma Lohbauer.

“A cidade de São Paulo tem um eleitorado bem de esquerda. Isso já está comprovado pelas eleições passadas. E, em uma parte da cidade, o estado já perdeu, não manda mais. Está nas mãos do crime. Nos próximos dois anos, o Tarcísio precisa construir um ambiente para ter influência na definição do futuro prefeito”, acrescenta.

“República do Café com Leite 2.0” pode garantir futuro da direita
Na prova de fogo que enfrenta para reavivar as pretensões da nova direita, Tarcísio conta com um aliado importante: Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais. O sucesso de seu primeiro mandato transformou o mineiro em um emblema de boa gestão da direita e em cabo eleitoral de outros direitistas no Brasil em 2022, como o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.

A presença de gestores com perfil semelhante em dois dos principais Estados do país, para Lohbauer, viabiliza uma espécie de versão atualizada da “política do café com leite” – como ficou conhecido o período da história do Brasil em que lideranças de São Paulo e Minas Gerais costuraram uma aliança política pelo domínio do poder no país, no início do século 20.

“Realmente acredito muito numa reedição modernizada do ‘café com leite’ no Brasil. É uma belíssima chance de eles articularem políticas juntos, no setor agrícola, de segurança, de política energética… É viável para um Estado ajudar o outro. Há várias pautas em que esses dois estados podem caminhar juntos”, observa Lohbauer.

Os dois são bem diferentes das várias lideranças do PSDB e da centro-esquerda que governaram Minas e São Paulo nas últimas décadas, na visão do especialista. “São duas figuras da nova geração que não têm nenhum vínculo com a história política brasileira desde a Constituinte, desde a redemocratização”, diz. “Se a gente tivesse dois governadores nesses estados que fossem fracos ou os peessedebistas, a direita estaria morta”, complementa.


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RELATÓRIO DA ONG DA MARÉ FOI APROVEITADO NO PROGRAMA DE SEGURANÇA PÚBLICA DE LULA

Redes da Maré
Plano de segurança pública de Lula segue dados distorcidos de ONG visitada por Flávio Dino
Por
Gabriel Sestrem – Gazeta do Povo


Encontro de Flávio Dino com representantes de ONGs no Complexo da Maré, no último dia 13| Foto: Tom Costa/MJSP

A polêmica visita do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, ao Complexo da Maré no último dia 13 teve como objetivo oficial, informado pela pasta, a participação do ministro no lançamento do relatório de uma ONG com dados sobre a violência armada no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

No dia seguinte à visita, quando já surgiam vários questionamentos sobre as condições em que se deu o ingresso seguro de Dino no local, cujo poder é disputado pelas duas maiores facções do estado, o ministro disse que o conteúdo do relatório da ONG, chamada Redes da Maré, teria sido aproveitado na elaboração do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). O programa do governo federal foi lançado nesse mesmo dia.

“Nós acreditamos que esse boletim é um elemento importante, uma espécie de mapa do caminho que vai nos ajudar a combater a violência no Brasil e implantar uma cultura plena da paz”, disse Flávio Dino sobre o relatório.

Utilizando dados apresentados pela ONG, o Pronasci não trouxe nenhuma estratégia de enfrentamento ao crime organizado. Além disso, a abertura do evento que lançou o programa contou com uma apresentação de ativistas da Redes da Maré com pesadas críticas às forças de segurança e, seguindo o tom do relatório, sem mencionar as facções criminosas, motivadoras dos assustadores índices de criminalidade no Rio de Janeiro.

A tese da ONG é de que no ano de 2022 houve mais operações policiais no Complexo da Maré do que no ano anterior, o que teria aumentado o número de mortes violentas. O problema é que grande parte dos dados apontados no boletim não são oficiais. O documento diz que a ONG conta com colaboradores e coleta dados junto aos moradores e outras organizações atuantes nas favelas da Maré. Levantamento em veículos de comunicação e até em redes sociais também são levados em conta.

Há, ainda, outro problema relacionado ao “filtro” dado às informações. Ainda que essa e demais ONGs venham a apurar dados que mostrem que a violência nos morros é consequência direta do crime organizado, tais informações jamais poderiam ser publicadas, já que as ONGs funcionam nesses locais mediante a autorização das próprias lideranças do narcotráfico.

Para autoridades da segurança pública do Rio de Janeiro ouvidas pela Gazeta do Povo, o relatório usado pelo governo Lula traz dados dissociados da realidade das áreas dominadas por facções criminosas e omite uma série de questões a fim de culpar as forças de segurança pela violência armada dentro das comunidades. A narrativa é semelhante à de várias outras ONGs e partidos políticos como o PT e o PSB, partido de Flávio Dino, que integram a ação no STF que culminou em restrições diversas às operações policiais nos morros fluminenses.

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Boletim faz “malabarismo” para não citar facções como origem da violência armada
No relatório recebido por Dino, a ONG argumenta que a violência armada no Complexo da Maré, formado por 16 favelas que abrigam cerca de 140 mil moradores, tem um nome: operações policiais. No documento, há intensa crítica às forças de segurança ao mesmo tempo em que é praticamente ignorado o amplo domínio de grupos ligados ao narcotráfico nas comunidades de periferia, que ditam as regras aos moradores, criam tribunais informais para execuções e torturas e recorrem a armamento usado apenas pelas forças armadas para proteger seus territórios de facções rivais e de forças policiais.

As duas facções que disputam o controle da Maré – Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro – sequer são mencionadas. A ONG chega a dizer que 89% das mortes decorrentes de confrontos entre policiais e criminosos na Maré tiveram indícios de execução e que em 60% das operações houve denúncias de violação de domicílios.

Já em relação aos chamados “grupos civis armados” – nome dado às facções criminosas – teriam ocorrido apenas oito confrontos entre grupos rivais, com somente sete registros de tiros com vítimas. A entidade chega a dizer que na ocorrência de mortes, “nem sempre o registro de tiro com vítima está relacionado ao confronto entre os grupos”. Os enfrentamentos entre facções seriam, portanto, apenas um problema secundário à segurança pública segundo o relatório.

“Há essa questão de que se a ONG está dentro do território dominado pela facção, não vai contrariar os interesses do crime. Mas partindo disso, como um órgão público pode receber um relatório dessa organização tratando-o como imparcial?”, questiona um policial da alta cúpula da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), que falou à reportagem sob a condição de sigilo. “Se a organização não pode falar da violência que lá existe, para que um documento desse vai ser usado pelo governo num plano de segurança pública?”, prossegue.

O resultado prático dessa omissão de informações é que o boletim não menciona, por exemplo, a limitação do direito de ir e vir dos moradores da Maré; as torturas a moradores a título de “disciplina”; as incessantes “rondas” feitas por traficantes armados com fuzis nas ruas das comunidades; a venda de drogas e contenção armada nas portas das escolas; a instalação de dezenas de barricadas que impedem não só o avanço de viaturas, mas até mesmo de ambulâncias.

“Temos uma realidade de moradores assassinados, expulsos de suas casas, adolescentes tomadas dos pais para virarem namoradas dos traficantes. Não há menção a nada disso. Segundo o documento, todo o problema do Rio de Janeiro é a polícia, o que não é verdade”, diz o membro da PCERJ.

Ministro Dino com o boletim da ONG em mãos (Foto: Tom Costa/MJSP)

“Marco histórico”, diz Redes da Maré sobre a criação de obstáculos a operações policiais
Em operação feita em novembro do ano passado, policiais encontraram forte resistência e entraram em confronto com criminosos. Na ocasião, um dos traficantes mais procurados da Maré, Mário Bigode, foi morto. Dois de seus “seguranças” também foram baleados.

Conhecido por esquartejar suas vítimas, o criminoso respondia a 30 processos, o mais recente por ter sequestrado e assassinado uma jovem que havia terminado o relacionamento com uma das lideranças do crime. Na mesma operação, foram apreendidas três toneladas de drogas, veículos roubados, armamentos e granadas.

Dois meses antes, um chefe do tráfico de Vila Velha, no Espírito Santo, foi um dos 26 presos durante outra operação policial. “Luanzinho”, como é conhecido, estava abrigado no Complexo da Maré e de lá comandava crimes no estado vizinho.

Casos como esses não são raros: somente nesta quinta-feira (23), a PM do estado prendeu uma liderança do tráfico de Sergipe que estava abrigado no Complexo da Maré. No mesmo dia, em confronto com a polícia, foi morto um chefe do Comando Vermelho do Pará que, escondido no Rio de Janeiro, comandava assaltos e ataques a policiais em seu estado.

No entanto, a visão empregada pela Redes da Maré e outras ONGs e partidos de esquerda que participam ativamente da ação que tramita no STF conhecida como “ADPF das Favelas” busca dificultar ao máximo a ocorrência dessas operações. Tal medida é de amplo interesse do crime organizado, bastante beneficiado com as ordens do STF, que tiveram início em junho de 2020, para restringir as operações policiais.

No relatório, a Redes da Maré chega a descrever a “ADPF das Favelas” como um “marco histórico na luta pela diminuição da letalidade em ações das polícias que acontecem nas favelas”.

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Os holofotes que o governo Lula deu para o relatório da ONG, ao enviar um ministro de Estado para o lançamento do boletim e convidar ativistas para abrir o lançamento do Pronasci, é simbólico e parece representar uma tentativa de reforçar os cada vez mais frequentes pedidos de novas restrições a operações policiais por meio da ADPF das Favelas.

Os riscos dessa medida, entretanto, são bastante significativos. Apesar de as operações terem diminuído desde que ministros do STF passaram a acatar os pedidos das ONGs e partidos de esquerda, os confrontos entre policiais e narcotraficantes se tornaram muito mais violentos. Com mais barricadas e armas e maior ocorrência de treinamentos paramilitares aos criminosos, as facções desafiam policiais com agressividade dobrada.

O resultado é mais mortes e ferimentos de ambos os lados e até mesmo de moradores inocentes – as três operações com maior número de mortes ocorreram nos últimos dois anos: no Jacarezinho, em 2021 (28 mortes), e na Vila Cruzeiro (25) e no Complexo do Alemão (17), ambas no ano passado.

Em paralelo, desde o início das restrições o cumprimento de mandados de prisão caiu dramaticamente, o que representa mais criminosos nas ruas. Dados oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), vinculado ao governo estadual, mostram que entre em 2020 (primeiro ano da vigências das restrições) houve redução de 41% no cumprimento de mandados de prisão na capital e região metropolitana, onde ficam as áreas com maior dominação do narcotráfico. A queda continuou se acentuando, com -10% em 2021 e -4% no ano passado.

Redução expressiva também ocorreu no cumprimento de mandados de busca e apreensão dentro das favelas. Houve queda de 71% no cumprimento de mandados em 2020. A queda seguiu no ano seguinte, havendo uma pequena recuperação a partir de 2022. Ainda assim, os cumprimentos de mandados representam apenas 20% em relação aos números de 2019.

Em paralelo, o registro de ocorrências (na somatória de todos os crimes) já volta a patamares de 2019. Houve reduções pontuais durante o momento mais crítico do isolamento social, que não se mantiveram. Enquanto em 2019 foram registradas 635 mil ocorrências, o ano de 2022 registrou 615 mil.

Fundação que apoia desencarceramento em massa e descriminalização de drogas financia Redes da Maré
No boletim enviesado da Redes da Maré consta o apoio de duas entidades estrangeiras que financiam organizações dedicadas ao ativismo político de esquerda em vários países – a Ford Foundation e a Open Society Foundation, do bilionário de esquerda George Soros.

Na visita de Dino à Maré, o ministro encontrou representantes da Open Society, que aporta milhões de dólares em entidades que atuam na defesa de medidas que impactam negativamente na segurança pública, como descriminalização das drogas e desencarceramento em massa.

Entre 2016 e 2021, a Redes da Maré recebeu ao menos US$1,1 milhão (na cotação atual, quase R$ 6 milhões) da fundação de Soros. Segundo o último relatório financeiro da ONG, com dados referentes a 2021, 57% dos recursos que a mantêm são estrangeiros. A entidade de ativismo mantém 350 funcionários e arrecadou R$ 15,2 milhões naquele ano.

Além da Redes da Maré, outras ONGs financiadas pela Open Society Foundation integram a “ADPF das Favelas” na tentativa de diminuir as operações policiais no Rio de Janeiro. Embora não seja ilegal, o repasse de recursos gera questionamentos pelo potencial de que uma organização estrangeira tenha influência indevida sobre os rumos do debate público em outros países.


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