domingo, 26 de março de 2023

LULA CALUNIOU SERGIO MORO EM PÚBLICO

 

A calúnia de Lula

Lula diz que tudo é ‘armação’ de Moro – não um sucesso da polícia. Praticou calúnia em público

Por J.R. Guzzo – Jornal Estadão

Insulto após insulto, decisão após decisão, o presidente Lula tem conseguido se mostrar, em menos de 90 dias no governo, o chefe de Estado mais irresponsável que o Brasil já teve desde a volta dos civis ao governo deste país. Já se mostrou, também, inepto – não consegue, simplesmente, governar o Brasil com um mínimo de competência. Gastou todo o seu tempo até agora no ataque a inimigos imaginários e na produção de fumaça demagógica; não tem a mais remota ideia a respeito de como começar a resolver qualquer dos problemas que crescem todos os dias bem na sua frente, mesmo porque não entende a natureza mais elementar desses problemas. Lula, agora, também deixou de fazer nexo no que diz. A impressão é a de que temos na Presidência da República um homem que está em processo de perda acelerada do equilíbrio mental.

Um dia depois de a Polícia Federal deflagrar uma investida para desarticular um plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as suspeitas são uma “armação” do ex-juiz da Lava Jato
Um dia depois de a Polícia Federal deflagrar uma investida para desarticular um plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as suspeitas são uma “armação” do ex-juiz da Lava Jato Foto: Antonio Lacerda/EFE

Seu último surto, e o pior de todos os que já teve, foi a declaração demente de que a operação policial que descobriu, num prazo recorde de 45 dias, um plano do PCC para assassinar o senador Sérgio Moro, o promotor Lincoln Gakiya e diversas outras autoridades era uma “armação” do próprio Moro. “É visível que isso é armação do Moro”, disse ele. Lula fez o seguinte: afirmou que o trabalho de 120 policiais da Polícia Federal, mais as autoridades do Ministério Público de São Paulo e de órgãos de combate ao crime organizado, é uma invenção de Sérgio Moro. O trabalho policial identificou imóveis alugados pelos criminosos nas vizinhanças da residência do senador em Curitiba. Gravou conversas entre os criminosos. Obteve vídeos feitos pelos bandidos para registrar a movimentação física de Moro e seus familiares. Descobriu um investimento de R$ 5 milhões no plano. Prendeu, por ordem judicial, uma dezena de pessoas. Lula diz que tudo isso é “armação” de Moro – não um sucesso brilhante da polícia que faz parte do seu próprio governo. Praticou calúnia em público: acusou a Polícia Federal e o senador de um crime que não cometeram. Depois de dizer o que disse, como sempre acontece com ele, quis se proteger – afirmou que não “queria acusar ninguém sem provas”. Por que diabo acusou, então? Não faz sentido.

O ataque a Moro, à PF e ao MP fica particularmente pior porque, momentos antes, Lula tinha cometido outra agressão alucinada contra Moro – disse que não iria sossegar enquanto não arruinasse a vida do ex-juiz, e que só tinha desejos de vingança contra ele. Revelou que pensou essas coisas na cadeia, mas e daí? Por que fez questão de falar sobre elas justo agora? Lula, visivelmente, não está interessado em governar o Brasil neste momento. Só pensa em cultivar seus próprios ressentimentos.

GALILEU POS EM CHOQUE A CIÊNCIA E A RELIGIÃO

 

Artigo
Eppur si muove
Por
William Carroll – Gazeta do Povo

Ga
Public Discourse


Túmulo de Galileu na Basílica de Santa Cruz, em Florença, na Itália.| Foto: Pixabay


Há poucas imagens do mundo moderno mais poderosas do que a do humilde Galileu, ajoelhado diante dos cardeais da Santa Inquisição Romana e Universal, sendo forçado a admitir que a Terra não se movia. A história é conhecida: Galileu representa a ciência lutando para se libertar das garras da fé cega, do literalismo bíblico e da superstição. A história fascinou gerações, desde as filosofias do Iluminismo até estudiosos e políticos dos séculos XIX e XX.

O espectro da condenação de Galileu pela Igreja Católica continua a influenciar a compreensão do mundo moderno sobre a relação entre religião e ciência. Em outubro de 1992, o Papa João Paulo II compareceu perante a Pontifícia Academia das Ciências para aceitar formalmente as conclusões de uma comissão encarregada de investigar histórica, científica e teologicamente o tratamento que a Inquisição deu a Galileu. O Papa observou que os teólogos da Inquisição que condenaram Galileu não conseguiram distinguir corretamente entre interpretações bíblicas particulares e questões pertinentes à investigação científica.

O Papa também observou que uma das infelizes consequências da condenação de Galileu foi que ele foi usado para reforçar o mito de uma incompatibilidade entre a fé e a ciência. Tal mito está vivo e bem evidente na forma como a imprensa americana descreveu o evento no Vaticano. A manchete na primeira página do The New York Times foi representativa: “Após 350 anos, o Vaticano diz que Galileu estava certo: Ela se move”. Outros jornais, assim como redes de rádio e televisão, repetiram essencialmente a mesma afirmação.

A matéria do The New York Times é um excelente exemplo da persistência e do poder dos mitos que envolvem o caso Galileu. O jornal afirmou que o discurso do Papa “retificaria um dos erros mais infames da Igreja — a perseguição do astrônomo e físico italiano por provar que a Terra gira ao redor do Sol”. Para alguns, a história de Galileu serve como prova da visão que a Igreja é hostil à ciência, e a visão de que a Igreja já ensinou o que agora nega, ou seja, que a Terra não se move. Alguns consideram como evidência que os ensinamentos da Igreja sobre questões de moralidade sexual ou de ordenação das mulheres ao sacerdócio são, por princípio, também mutáveis. A “reformabilidade” de tais ensinamentos é, portanto, a verdadeira lição do “Caso Galileu”.

Mas os tratamentos modernos do caso não só perdem um contexto chave em torno da condenação de Galileu pela Inquisição; eles também interpretam mal o que a Igreja Católica sempre ensinou sobre fé, ciência, e sua complementaridade fundamental.

Galileu e a Inquisição no século XVII
As observações telescópicas de Galileu convenceram-no de que Copérnico estava correto. Em 1610, o primeiro tratado astronômico de Galileu relatou suas descobertas de que a Via Láctea consiste em inúmeras estrelas, que a lua tem montanhas e que Júpiter tem quatro satélites. Posteriormente, ele descobriu as fases de Vênus e manchas na superfície do sol. Ele chamou as luas de Júpiter de “Estrelas Mediceias” e foi recompensado por Cosimo de’ Medici, Grão-Duque da Toscana, com nomeação como matemático chefe e filósofo na corte do Duque em Florença. Galileu contou com estas descobertas telescópicas, e com argumentos derivados delas, para reforçar a defesa pública da tese de Copérnico de que a Terra e os outros planetas giram em torno do Sol.

Quando falamos da defesa de Galileu da tese de que a Terra se move, devemos ser especialmente cuidadosos para distinguir entre argumentos a favor de uma posição e argumentos que provem ser uma posição verdadeira. Apesar das afirmações do The New York Times, Galileu não provou que a Terra gira ao redor do Sol. Na verdade, tanto Galileu quanto os teólogos da Inquisição aceitaram o ideal aristotélico prevalecente de demonstração científica, que exigia que a ciência fosse segura e certos conhecimentos, diferentes em alguns aspectos do que aceitamos hoje como científico. Além disso, refutar a astronomia geocêntrica de Ptolomeu e Aristóteles não é o mesmo que demonstrar que a Terra se move. O astrônomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601), por exemplo, tinha criado outro relato dos céus. Ele argumentou que todos os planetas giram em torno do Sol, que por sua vez girava em torno de uma Terra estacionária. De fato, o próprio Galileu não achava que suas observações astronômicas fornecessem evidências suficientes para provar que a Terra se move, embora ele achasse que isso já seria suficiente para questionar a astronomia geocêntrica de Ptolomeu. Galileu esperava eventualmente argumentar que desde o fato das marés oceânicas até o duplo movimento da Terra têm a translação como única causa possível, mas não teve sucesso.

O Cardeal Roberto Belarmino, teólogo jesuíta e membro da Inquisição, disse a Galileu em 1615 que se houvesse uma verdadeira demonstração do movimento da Terra, então a Igreja teria que abandonar sua leitura tradicional das passagens da Bíblia que afirmavam o contrário. Mas na ausência de tal demonstração (e especialmente em meio às controvérsias da Reforma Protestante), o Cardeal exortou à prudência: tratar a astronomia copernicana simplesmente como um modelo hipotético que explica os fenômenos observados. A Terra não se mover não foi uma doutrina da Igreja. Se o Cardeal tivesse pensado que a imobilidade da Terra era uma questão de fé, ele não poderia argumentar, como fez, que poderia ser possível demonstrar que a Terra se move de fato.

Os teólogos da Inquisição e de Galileu aderiram ao antigo princípio católico de que, como Deus é o autor de toda verdade, as verdades da ciência e as verdades da revelação não podem contradizer-se. Em 1616, quando a Inquisição ordenou a Galileu que não defendesse a astronomia copernicana, não havia demonstração do movimento da Terra. Galileu esperava que houvesse tal demonstração; os teólogos não esperavam. Parecia óbvio para os teólogos em Roma que a Terra não se movia e, como a Bíblia não contradiz as verdades da natureza, os teólogos concluíram que a Bíblia também afirma que a Terra não se move. A Inquisição estava preocupada que a nova astronomia parecesse ameaçar a verdade da Escritura e a autoridade da Igreja Católica para ser seu intérprete autêntico.

A Inquisição não pensava que estava exigindo que Galileu escolhesse entre a fé e a ciência. Nem, na ausência de conhecimento científico para o movimento da Terra, Galileu teria pensado que lhe pediam para fazer tal escolha. Novamente, tanto Galileu quanto a Inquisição pensaram que a ciência era um conhecimento absolutamente certo, garantido por demonstrações rigorosas. Estar convencido de que a Terra se move não é a mesma coisa que saber que ela se move.

O decreto disciplinar da Inquisição foi insensato e imprudente. Mas a Inquisição subordinava a interpretação das escrituras a uma teoria científica, a cosmologia geocêntrica, que acabaria por ser rejeitada. Submeter a interpretação escriturística à teoria científica é exatamente o oposto da sujeição da ciência à fé religiosa!

Em 1632, Galileu publicou seu “Diálogo sobre os dois principais sistemas de mundo”, no qual defendeu o “sistema mundial” copernicano. Como resultado, Galileu foi acusado de desobedecer à liminar de 1616 de não defender a astronomia copernicana. A injunção da Inquisição, por mais imprudente que tenha sido, só faz sentido se reconhecermos que a Inquisição não via nenhuma possibilidade de conflito entre ciência e religião, ambas devidamente compreendidas. Assim, em 1633, a Inquisição, para assegurar a obediência de Galileu, exigiu que ele afirmasse pública e formalmente que a Terra não se movia. Galileu, por mais relutante que tenha sido, aceitou.

Do início ao fim, as ações da Inquisição foram disciplinares, não dogmáticas, embora baseadas na noção errônea de que era herético afirmar que a Terra se move. Noções errôneas permanecem apenas noções; as opiniões dos teólogos não são as mesmas da doutrina cristã. O erro que a Igreja cometeu ao lidar com Galileu foi um erro de julgamento. A Inquisição estava errada ao disciplinar Galileu, mas disciplina não é um dogma.

O desenvolvimento da Lenda de Galileu
A visão mítica do caso Galileu como um capítulo central na guerra entre ciência e religião tornou-se proeminente durante os debates no final do século XIX sobre a teoria da evolução de Darwin. Nos Estados Unidos, a “História da Guerra da Ciência com Teologia na Cristandade” (1896), de Andrew Dickson White, consagrou o que se tornou uma ortodoxia histórica difícil de desalojar. White usou a perseguição de Galileu como uma ferramenta ideológica em seu ataque contra os opositores religiosos da Teoria da Evolução. Como era tão óbvio no final do século XIX que Galileu estava certo, foi útil vê-lo como o grande campeão da ciência contra as forças da religião dogmática. Os partidários da Evolução eram vistos como Galileus do século XIX; os oponentes da Evolução eram vistos como inquisidores modernos. O caso Galileu também foi usado para se opor às reivindicações sobre a infalibilidade papal, formalmente afirmadas pelo Concílio Vaticano I em 1870. Como observou White: não tinham dois papas (Paulo V em 1616 e Urbano VIII em 1633) declarado oficialmente que a Terra não se move?

A persistência da lenda de Galileu, e da imagem de “guerra” entre ciência e religião, tem desempenhado um papel central na compreensão do mundo moderno sobre o que significa ser moderno. Ainda hoje a lenda de Galileu serve como uma arma ideológica nos debates sobre a relação entre a ciência e a religião. E a lenda tem sido uma arma tão eficaz que tem persistido.

Por exemplo, uma discussão sobre bioética se baseou nos mitos do caso Galileu há alguns anos. Em março de 1987, quando a Igreja Católica publicou condenações de fertilização in vitro, maternidade de substituição e experimentação fetal, apareceu uma página de desenhos animados em um dos principais jornais de Roma, La Repubblica, com a manchete: “In Vitro Veritas”. Em um dos desenhos animados, dois bispos estão ao lado de um telescópio, e no distante céu noturno, além de Saturno e da Lua, há dezenas de tubos de ensaio. Um bispo vira-se para o outro, que está em frente ao telescópio, e pergunta:

“Desta vez, o que devemos fazer? Devemos olhar ou não?”. A referência histórica a Galileu foi clara.

De fato, em uma entrevista coletiva no Vaticano, o então cardeal Joseph Ratzinger foi perguntado se ele achava que a resposta da Igreja à nova biologia não resultaria em outro “caso Galileu”. O Cardeal sorriu, talvez percebendo o poder persistente — pelo menos na imaginação popular — do embate de Galileu com a Inquisição, mais de 350 anos depois. O gabinete do Vaticano do qual o Cardeal Ratzinger era então o chefe, a Congregação para a Doutrina da Fé, é o sucessor direto da Santa Inquisição Romana e Universal na Depravação Herética.

Não há evidência de que em 1633, quando Galileu acedeu à exigência da Inquisição de renunciar formalmente à visão de que a Terra se move, ele murmurou por entre os dentes “eppur si muove” – “mas ainda se move”. O que continua a se mover é a lenda de que Galileu representa a razão e a ciência em conflito com a fé e a religião. Galileu e a Inquisição compartilharam os primeiros princípios comuns sobre a natureza da verdade científica e a complementaridade entre ciência e religião. Na ausência de conhecimento científico, pelo menos como compreendido tanto pela Inquisição quanto por Galileu, de que a Terra se movia, Galileu foi obrigado a afirmar que não. Por mais insensato que fosse insistir em tal exigência, a Inquisição não pediu a Galileu que escolhesse entre ciência e fé.

William E. Carroll é professor visitante ilustre na Faculdade de Filosofia da Universidade de Economia e Direito de Zhongnan (Wuhan, China) e professor visitante de Filosofia no Hongyi Honor College, da Universidade de Wuhan.

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AS NOVAS GERAÇÕES DÃO MUITO VALOR AO ESOTERISMO

Crenças
“Só um pisciano faria uma coisa dessas”: a espiritualidade esotérica da Geração Z
Por
Ana Zarzalejos Vicens – Gazeta do Povo
Aceprensa


Um estudo do Instituto Springtide de 2021 aponta que 51% de uma amostra de mais de 10.000 entrevistados entre 13 e 25 anos recorrem às cartas de tarô ou à adivinhação| Foto: Pixabay

“Tem toda a pinta de ser de Gêmeos.” Talvez você tenha ouvido algo do tipo nos últimos tempos e ficou sem saber se era bom ou ruim (spoiler: geralmente é ruim). Talvez alguém tenha perguntado a hora exata de seu nascimento. Ou atribuiu algum acontecimento desagradável a Mercúrio retrógrado. Ora, ora, tudo é possível. O fato é que o tarô, a numerologia, a astrologia e crenças alternativas de toda sorte estão em alta.

Os dados confirmam. Uma pesquisa da YouGov publicada em 2022 perguntou a mil americanos se eles seguiam alguma das vinte crenças vagamente definidas como “espiritualismo New Age”. Os resultados revelaram que 87% são adeptos de ao menos uma dessas crenças.

Um relatório ainda mais recente da Fundação Jean Jaurès e da Fundação Reboot, publicado em janeiro de 2023, investigou as crenças de jovens franceses com idades entre 11 e 24 anos, e constatou que 49% acreditam que a astrologia é uma ciência, 35% acreditam em reencarnação e 23% acreditam em fantasmas.

Um estudo do Instituto Springtide de 2021 aponta que 51% de uma amostra de mais de 10.000 entrevistados entre 13 e 25 anos recorrem às cartas de tarô ou à adivinhação. Destes, 17% praticam alguma das duas todos os dias, 25% semanalmente e 27% ao menos uma vez por mês, enquanto para 31% a frequência não chega a ser mensal.

Um relatório da Fullscreen (2019) também concluiu que uma cultura mística está se estabelecendo entre os jovens de 18 a 34 anos, pois 43% deles tomariam decisões cruciais tendo como base a leitura do horóscopo ou do tarô, e um em cada três concorda que a astrologia é uma forma de dar sentido às coisas que acontecem em sua vida.

No entanto, seria um equívoco pensar que os jovens apostam tudo nas crenças de pensamento mágico enquanto rechaçam as religiões tradicionais. Os dados do Pew Research Center sobre crenças religiosas de jovens entre 18 e 29 anos proporcionam uma radiografia que ajuda a contextualizar o cenário: 55% se consideram cristãos e 8% se identificam com outras confissões, em oposição a 36% que não se identificam com nenhuma religião. Dentre os crentes, 51% acreditam em Deus com absoluta convicção, 27% participam de eventos religiosos ao menos uma vez por semana e 41% rezam todos os dias.

A numerologia, a astrologia e o tarô estão em alta 
“Acredito na numerologia”, garante Noelia, estudante de dupla-graduação em uma universidade privada, em entrevista à reportagem. Esta jovem também acredita em astrologia, nas propriedades especiais de determinados minerais e cristais (sempre mantém um sobre sua mesa de estudos) e pratica ioga e meditação como forma de se conectar com o espiritual.

As crenças mágicas convivem com o pensamento racional e científico, e até mesmo com crenças religiosas tradicionais sem que os jovens vejam conflito nisso.

Mônica (nome fictício), escritora de thrillers de sucesso, garante que sempre se interessou por temas esotéricos, com destaque para a astrologia. Há poucos anos, arranjou um baralho de tarô e aprendeu a utilizá-lo lendo um livrinho.

Não tira as cartas para os outros, porque não quer influenciar pessoas sugestionáveis, mas garante que as utiliza como ferramenta de autoconhecimento para entender melhor as coisas que lhe acontecem.

“Houve um boom dessas coisas, que antes estavam relegadas a um âmbito depreciativo e eram associadas a coisas negativas”, comemora.

Por que as gerações mais tecnológicas, que testemunharam o maior avanço da história da ciência, estão buscando sentido em práticas desse tipo? Para os entrevistados, não existe incongruência: acreditam no empírico e no inexplicável sem ver contradição nisso.

O que está acontecendo? Uma série de fatores se alinhou – como uma boa conjunção planetária – e permitiu que uma série de crenças que sempre tiveram seu nicho, mas pareciam restritas aos hippies alternativos, encontre agora um cenário perfeito para atrair novos seguidores.

A pandemia, boa aliada do pensamento mágico  
Os dados apontam um pico de interesse durante a pandemia do coronavírus. De fato, segundo o Google Trends, as buscas por termos como “mapa astral” triplicaram durante 2020 e 2021.

Só nos Estados Unidos, as buscas por “cartas de tarô” e “como ler as cartas do tarô” experimentaram um aumento de 50% em 2020 se comparadas a 2019, e a Forbes informou no início da pandemia que as leituras sobrenaturais haviam crescido 136% durante as primeiras semanas da quarentena.

O interesse pelo tarô e por outras práticas não surgiu com a pandemia, mas a percepção de que a ciência fracassou em prevenir a crise mundial provocada pelo coronavírus foi a gota d’água que fez transbordar o copo da insatisfação.

“Supõe-se que alcançamos uma racionalidade técnica”, aponta Rafael Palomino, catedrático de Direito Eclesiástico do Estado da Universidade Complutense de Madri, mas existe uma insatisfação em relação às respostas que essa racionalidade é capaz de oferecer a perguntas relacionadas ao sentido da vida.

A visibilidade nas redes, a lógica do mercado e a insatisfação com a capacidade da sociedade moderna de responder a grandes perguntas fomentam a adesão a estas crenças.

“Estamos perdendo o pensamento crítico enquanto referência, e assim as crenças de pensamento mágico encontram um terreno fértil”, adverte também Pedro Juan Martín, doutor em Ciências Econômicas e Empresariais, doutor em Antropologia Social e autor do livro Pensamiento mágico y creencia paranormal [Pensamento mágico e crença paranormal, em tradução livre].

Maior acessibilidade graças às redes sociais 
Com a pandemia veio também um uso mais intensivo das redes sociais e de outros tipos de plataformas. Agora é possível agendar leituras de tarô diretamente através do Instagram ou aprender a ler as cartas por conta própria, o que tornou a prática mais acessível.

“O tarô não é mais assunto restrito aos programas televisivos da madrugada”, aponta Mônica. “Já é possível dizer abertamente que você sabe tirar as cartas. Muita gente se motivou a aprender a tirá-las ou utilizá-las”, acrescenta.

No TikTok, há mais de 2,4 bilhões de publicações com a hashtag #tarottok, e alguns aplicativos de encontros, como Bumble, permitem que seus usuários filtrem suas buscas pelo signo do zodíaco. Se você é de Gêmeos, Peixes ou Leão, sinto muito, mas tudo indica que você sairá perdendo.

“Existe muito mais pressão midiática porque há um boom nas redes sociais. Não é muito provável que um jovem visite uma consultora de tarô, mas ele pode muito bem gastar seu dinheiro em uma sessão online”, aponta Martín.

De fato, este nicho não passou despercebido pelo mercado. Não é mais preciso ir a uma loja especializada para ver que a astrologia apela aos consumidores. Os baralhos de tarô se tornaram mais diversos e hoje são tão populares que é possível comprar até mesmo cartas da série Friends.

Além disso, os tiktokers e instagramers que tiram cartas de tarô online podem adquirir seus acessórios e participar de cursos no site Labyrinthos.

E isso não vale apenas para a cultura pop: a alta costura também decidiu apostar na popularidade do tarô, e em 2021 a Dior lançou uma coleção inspirada nas cartas do baralho.

As empresas tecnológicas também não deixam passar uma. O aplicativo de astrologia Co-Star envia relatórios diários com o horóscopo de seus usuários. Sanctuary foi lançado em 20 de março de 2019 – coincidindo, por sinal, com o início da temporada de Áries e do ano novo astrológico – com financiamento inicial de 1,5 milhões de dólares e pronto para conectar sua base de usuários a leitores de cartas e do horóscopo.

“A ascensão do pensamento mágico não pode ser compreendida sem a lógica do mercado”, pois há uma dimensão muito grande de consumo, garante Rafael Palomino.

Espiritualizados, mas não religiosos 

A maior aceitação deste tipo de crenças também evidencia outro fenômeno importante nesta geração: o afastamento das instituições religiosas.

Para muitos, esse tipo de prática coexiste sem problemas com crenças mais tradicionais. Basta vermos a cantora Rigoberta Bandini, que sempre carrega na bolsa um baralho de cartas de tarô, ao passo que pede em um de seus grandes sucessos que Cristo venha ensiná-la a rezar.

Todavia, muitos rejeitam as instituições. O estudo do Springstide capta a essência deste fenômeno: “Embora 71% dos jovens consultados se considerem religiosos em algum nível e 78% se considerem espiritualizados, a maioria afirma não se guiar pelas instituições religiosas”. De fato, dentre os jovens entrevistados que afirmam recorrer ao tarô ou à astrologia estão mórmons, ortodoxos, judeus e muçulmanos.

Andrea não renega os valores católicos de sua criação. Porém, ela garante que a numerologia, a cabala e a astrologia lhe forneceram mais ferramentas para conhecer a si mesma de outro ponto de vista: “Elas revelam informações sobre nós mesmas, e a partir disso é possível trabalhar para crescer e evoluir”.

A jovem garante que em sua visão de mundo “não há uma verdade absoluta: todas as formas de olhar a realidade se combinam”.

O afastamento das instituições religiosas revela a preferência dos jovens por uma “religião customizada” que lhes permita escolher suas crenças.

Para explicar este processo, Palomino recorre ao conceito de “sociedade líquida”, cunhado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, e fala em uma “religião líquida”. “É uma espiritualidade pessoal, uma religião de buffet em que você escolhe aquilo que lhe agrada e a única autoridade é você mesmo”, explica.

Mas Juan Martín também alerta para o fato de que o pensamento mágico encontra respaldo em certos aspectos negativos da psicologia positiva que potencializam este ápice de popularidade de crenças mágicas como a lei da atração.

“É perigosa a ideia de que ‘tudo será como eu quero’, pois não é verdade que o pensamento seja capaz de alterar a nossa realidade”, alerta.

“Falta formação dentro das próprias crenças, e existe uma dimensão subjetiva segundo a qual a verdade é tudo aquilo que faça com que eu me sinta bem”, reflete Palomino.

As preocupações sociais e políticas, um fator importante 
Palomino também aborda outro enfoque para compreender por que jovens que não rejeitam os valores tradicionais não se identificam com as instituições: “As identidades políticas estão ganhando muito protagonismo, e em um futuro próximo serão vivenciadas, de certa forma, como uma religião”.

Os dados do estudo da Springstide corroboram sua visão: metade dos mais de 10.000 entrevistados disse não acreditar que as instituições religiosas se preocupem tanto quanto eles com questões que lhe são profundamente importantes, como o Black Lives Matter, a igualdade de gênero, os direitos LGBTQ e dos imigrantes, os direitos reprodutivos, o meio ambiente, a desigualdade salarial e o controle de armas.

Definitivamente, as explicações para essa tendência são múltiplas e complexas. Estamos falando de uma geração que cresceu em um entorno líquido, com uma cultura moldada pelas redes sociais e um elevado grau de insatisfação com uma sociedade que só valoriza respostas tecnológicas.

Os jovens acreditam que existem outras formas de entender a realidade e a si mesmos. Os especialistas não negam isso, mas têm ressalvas quanto às ferramentas escolhidas por eles.

“Existem verdades para além da ciência, mas o pensamento mágico não é o caminho”, conclui Pedro Juan.


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IR E VIR NA DIMENSÃO DO TEMPO AJUDA A TOMAR DECISÕES

 

Virgilio Marques dos Santos, CEO da FM2S

Reflexões sobre possibilidades de viajar no tempo – e de como isso pode ser importante e assertivo em tomadas de decisões na carreira.

Viajar no tempo é possível?

Quando era criança, adorava ver aqueles filmes de viagem no tempo. Era bom demais flertar com a possibilidade de viajar para o futuro e, depois, para o passado. No início, minha vontade era apenas ver como seria o futuro, matar a minha curiosidade. Depois, como sou ansioso, queria ver se conseguiria alcançar as minhas metas da época. Será que passaria na faculdade? E pela faculdade, passaria sem repetir nenhuma matéria? E depois, conseguiria um estágio? Seria um bom profissional? Conseguiria uma namorada? Uma esposa? Uma filha?

Em seguida, a vontade era voltar ao passado. Agora que estava no futuro e sabia o resultado das coisas que imaginava quando adolescente, queria voltar para aproveitar mais. Sabendo o meu futuro, eu conseguiria viver mais tranquilamente, sem noites insones a pensar se daria conta. Entretanto, caro leitor, dedicada leitora, isso não é possível. Infelizmente, não podemos passear pelo tempo do modo que sonhávamos na infância, mas aprendi um truque que talvez lhe ajude.

E se eu disser que tem um jeito de espiar o futuro e reviver o passado? E você não precisará desenvolver um carro de inox alimentado por lixo de cozinha ou, então, uma carruagem voadora puxada por unicórnios. É muito mais fácil e só depende do seu círculo de amigos, mentores e aprendizes.

Como voltar ao passado?

Para voltar ao passado, basta ter acesso aos jovens. Na empresa, quando me reúno com os colaboradores mais novos, vejo isso acontecer claramente. É possível identificar conflitos e angústias dignas da idade em que estão vivendo. Digo isso, pois lembro-me exatamente quando as vivi. É interessante voltar no tempo da insegurança e ajudar nosso colaborador com as dicas do que fazer para vencer aquele desafio. É prazeroso encontrar o mesmo problema – que já consegui resolver lá atrás – pronto para ser resolvido.

Também é intrigante ver novas chances de arrumar falhas que cometi no passado, não deixando nosso colaborador cometê-las novamente. Quer saber como alcançar a meta da área comercial? Calma, vamos analisar cientificamente os indicadores antes de sairmos tomando atitudes na pura ansiedade. Por que? Porque já fiz isso algumas dezenas de vezes e o resultado foi sempre pior do que agir com calma.

E o mesmo acontece com a emoção e a energia dos mais jovens. Quando enxergo um projeto mais desafiador e fico preocupado se vamos conseguir dar o ritmo necessário, volto aos meus 25 anos quando vejo a empolgação da turma com ele. É bom demais poder contar com a energia da juventude na empresa.

E para o futuro, como viajar?

É o mesmo conceito, porém com os mais velhos. Hoje, próximo aos 40, ainda tenho muitas dúvidas e questionamentos sobre a empresa e até sobre a vida.

Quando converso com meus mentores, mais velhos e experimentados, acalmo e ajusto o rumo da minha trajetória. Meus pais, por exemplo, sempre foram fundamentais para a minha tranquilidade. Foram eles que sempre colocaram a experiência do caminho para filtrarem meus medos e ansiedades. Ajuda demais saber que, se as coisas derem errado, encontrarei um porto seguro para garantir as minhas necessidades básicas.

Há momentos em que ter uma ideia do que acontecerá com minha carreira, se seguir em determinada direção, ajuda demais. Se não fossem eles, não teria tido estofo para remar contra a maré e optar por um caminho pouco convencional. Talvez não seja o seu caso, mas podem existir outras pessoas na sua vida para te acolher e te ajudar a elucidar os caminhos. Saber identificá-las é muito importante, especialmente para momentos de dúvidas e tomadas de decisão.

Comecei como estagiário em uma pequena empresa, nas férias. Trabalhando sem remuneração, tive acesso ao proprietário e vi como eu seria no futuro se tudo desse certo. Identifiquei lacunas na formação dele que também teria na minha, se trilhasse caminho semelhante. Por isso, resolvi experimentar o estágio em um grande banco.

No banco, não identifiquei, nos meus superiores, um estilo de vida que fizesse sentido para meus valores e velocidade. “Pivotei” e fui trabalhar na pequena indústria da família. Lá fiquei por dois anos e vi que não havia dinheiro disponível para tirar do papel as coisas que gostaria.

Vi que, para ter acesso aos recursos para tirar os sonhos do papel, precisaria estar melhor formado e preparado. Fui lecionar no período noturno e cursar a pós-graduação durante o dia. Feito o mestrado, mergulhei no doutorado, mas sem a pretensão de me tornar professor de carreira. Queria o acesso ao conhecimento e o aprendizado como consultor. Ter meu co-orientador como referência e sócio me ajudou demais nesse período.

Quando a carreira estagnou com a empresa, encontrei uma referência mais forte no mundo corporativo e para lá voltei. Foram 2 anos para formar a rede de relacionamentos e testar o que havia aprendido em larga escala.

10 anos depois do início da jornada, voltei ao plano de empreender. Porém, com os contatos e conhecimentos para colocar, em prática, o sonho que tinha de empresa.

O ir e vir

E, assim, o ir e vir na dimensão do tempo me ajudou demais a encontrar a melhor forma de fazer as coisas. Por isso, não perca a oportunidade de viajar no tempo! Ouça os mais velhos, converse muito e transfira o conhecimento deles para você. Ao mesmo tempo, cerque-se dos mais novos para ser contagiado pela energia e corrigir os erros do passado. Além, é claro, de sentir o frescor das novas tecnologias e costumes. Dessa forma, independentemente da idade, você será um profissional atemporal, já que domina o segredo da viagem no tempo.

Virgilio Marques dos Santos é um dos fundadores da FM2S, doutor, mestre e graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp e Master Black Belt pela mesma Universidade. Foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da Unicamp, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.

  A STARTUP VALEON OFERECE SEUS SERVIÇOS AOS EMPRESÁRIOS DO VALE DO AÇO

Moysés Peruhype Carlech

A Startup Valeon, um site marketplace de Ipatinga-MG, que faz divulgação de todas as empresas da região do Vale do Aço, chama a atenção para as seguintes questões:

• O comércio eletrônico vendeu mais de 260 bilhões em 2021 e superou pela primeira vez os shopping centers, que faturou mais de 175 bilhões.

• Estima-se que mais de 35 bilhões de vendas dos shoppings foram migradas

para o online, um sintoma da inadequação do canal ao crescimento digital.

• Ou seja, não existe mais a possibilidade de se trabalhar apenas no offline.

• É hora de migrar para o digital de maneira inteligente, estratégica e intensiva.

• Investir em sistemas inovadores permitirá que o seu negócio se expanda, seja através de mobilidade, geolocalização, comunicação, vendas, etc.

• Temas importantes para discussão dos Shoppings Centers e do Comércio em Geral:

a) Digitalização dos Lojistas;

b) Apoio aos lojistas;

c) Captura e gestão de dados;

d) Arquitetura de experiências;

e) Contribuição maior da área Mall e mídia;

f) Evolução do tenant mix;

g) Propósito, sustentabilidade, diversidade e inclusão;

h) O impacto do universo digital e das novas tecnologias no setor varejista;

i) Convergência do varejo físico e online;

j) Criação de ambientes flexíveis para atrair clientes mais jovens;

k) Aceleração de colaboração entre +varejistas e shoppings;

l) Incorporação da ideia de pontos de distribuição;

m) Surgimento de um cenário mais favorável ao investimento.

Vantagens competitivas da Startup Valeon:

• Toda Startup quando entra no mercado possui o sonho de se tornar rapidamente reconhecida e desenvolvida no seu ramo de atuação e a Startup Valeon não foge disso, fazem dois anos que estamos batalhando para conquistarmos esse mercado aqui do Vale do Aço.

• Essa ascensão fica mais fácil de ser alcançada quando podemos contar com apoio dos parceiros já consolidados no mercado e que estejam dispostos a investir na execução de nossas ideias e a escolha desses parceiros para nós está na preferência dos empresários aqui do Vale do Aço para os nossos serviços.

• Parcerias nesse sentido têm se tornado cada vez mais comuns, pois são capazes de proporcionar vantagens recíprocas aos envolvidos.

• A Startup Valeon é inovadora e focada em produzir soluções em tecnologia e estamos diariamente à procura do inédito.

• O Site desenvolvido pela Startup Valeon, focou nas necessidades do mercado e na falta de um Marketplace para resolver alguns problemas desse mercado e em especial viemos para ser mais um complemento na divulgação de suas Empresas e durante esses dois anos de nosso funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado com tecnologia, inovação com soluções tecnológicas que facilitam a rotina dessa grande empresa. Temos a missão de surpreender constantemente, antecipar tendências, inovar. Precisamos estar em constante evolução para nos manter alinhados com os desejos do consumidor. Por isso, pensamos em como fazer a diferença buscando estar sempre um passo à frente.

• Temos a plena certeza que estamos solucionando vários problemas de divulgação de suas empresas e bem como contribuindo com o seu faturamento através da nossa grande audiência e de muitos acessos ao site (https://valedoacoonline.com.br/) que completou ter mais de 200.000 acessos.

Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:

• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;

• Atraímos visualmente mais clientes;

• Somos mais dinâmicos;

• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;

• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;

• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.

• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as suas vendas.

Proposta:

Nós da Startup Valeon, oferecemos para continuar a divulgação de suas Empresas na nossa máquina de vendas, continuando as atividades de divulgação e propaganda com preços bem competitivos, bem menores do que os valores propostos pelos nossos concorrentes offlines.

Pretendemos ainda, fazer uma página no site da Valeon para cada empresa contendo: fotos, endereços, produtos, promoções, endereços, telefone, WhatsApp, etc.

O site da Valeon é uma HOMENAGEM AO VALE DO AÇO e esperamos que seja também uma SURPRESA para os lojistas dessa nossa região do Vale do Aço.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua empresa seja oficializada.

A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as melhores marcas do varejo e um mix de opções.

O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.

Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é muito abaixo do valor praticado pelo mercado.

Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:

  • O Site Valeon é bem elaborado, com layout diferenciado e único, tem bom market fit que agrada ao mercado e aos clientes.
  • A Plataforma Valeon tem imagens diferenciadas com separação das lojas por categorias, com a descrição dos produtos e acesso ao site de cada loja, tudo isso numa vitrine virtual que possibilita a comunicação dos clientes com as lojas.
  • Não se trata da digitalização da compra nas lojas e sim trata-se da integração dos ambientes online e offline na jornada da compra.
  • No país, as lojas online, que também contam com lojas físicas, cresceram três vezes mais que as puramente virtuais e com relação às retiradas, estudos demonstram que 67% dos consumidores que compram online preferem retirar o produto em lojas físicas.
  • O número de visitantes do Site da Valeon (https://valedoacoonline.com.br/)  tem crescido exponencialmente, até o momento, temos mais de 165.000 visitantes e o site (https://valeonnoticias.com.br/) também nosso tem mais de 2.800.000 de visitantes.
  • O site Valeon oferece ao consumidor a oportunidade de comprar da sua loja favorita pelo smartphone ou computador, em casa, e ainda poder retirar ou receber o pedido com rapidez.
  • A Plataforma Comercial da Valeon difere dos outros marketplaces por oferecer além da exposição das empresas, seus produtos e promoções, tem outras formas de atrair a atenção dos internautas como: empresas, serviços, turismo, cinemas e diversão no Shopping, ofertas de produtos dos supermercados, revenda de veículos usados, notícias locais do Brasil e do Mundo, diversão de músicas, rádios e Gossip.

                                                                                                                                                                   Nós somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.

Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?

Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

sábado, 25 de março de 2023

VERDURA É UMA COISA QUE PERDE FÁCIL E O GOVERNO LULA VAI COMPRAR EM GRANDE QUANTIDADE

 

Políticas públicas
Programa relançado por Lula tem histórico de fraudes e desvios

Por
Marcos Tosi – Gazeta do Povo


Presidente Lula posa em meio a estande de alimentos no relançamento do PAA, em Pernambuco.| Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação Planalto

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do governo federal, relançado na quarta-feira (22) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem um histórico marcado por fraudes, que viraram caso de polícia, e “situações esdrúxulas” apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em que milhares de toneladas de alimentos foram doadas a poucas pessoas.

No governo de Dilma Rousseff (PT), houve casos de 1.455 kg de banana distribuídos por pessoa, numa ação social na Bahia, e de 1.184 kg de milho por beneficiário, em Presidente Prudente (SP). Ainda que a gestão alardeie que já distribuiu R$ 8 bilhões a 500 mil agricultores familiares desde 2003, a auditoria do TCU, em 2016, mostrou que intermediários abocanhavam 70% dos recursos.

Alguns desvios deram causa a operações da Polícia Federal, como a Schistosoma, em 2012, em Araraquara e região (SP), e a Pesticida, em 2019, em cidades do Mato Grosso do Sul. As fraudes envolviam servidores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de cooperativas e prefeituras, e culminaram com prisões, denúncia por formação de quadrilha e estelionato contra a União.

Nesta nova fase do programa, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome informou que vai priorizar “mulheres, negros, indígenas, quilombolas e assentados da reforma agrária”. O montante inicial de repasses deve ser de R$ 500 milhões.

Uma leitura atenta da auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União em 2016 evidencia que um mal crônico do programa sob administração petista, à parte má-fé e corrupção de alguns, estava na desorganização administrativa e falta de cuidados mínimos de governança.

Volumes exorbitantes de banana, milho, pepino…
Os volumes gigantes de banana e milho para meia dúzia de beneficiários do PAA foram apenas os mais expressivos dentre vários outros hortifrútis – como cenoura, inhame, pimenta, pepino, melancia, quiabo e abóbora – que registraram distribuição per capita muito superior à média de consumo anual calculada pelo IBGE. No inhame, a distribuição chegou a ser 113.828% mais alta que a média.

As distorções passaram praticamente despercebidas à época dos fatos, entre 2012 e 2014, mas foram constatadas em auditoria operacional do TCU no Programa de Aquisição de Alimentos, em 2016. Em acórdão de 2017, o TCU determinou uma série de medidas corretivas no PAA, modalidade compra com doação simultânea, operado pela Conab em âmbito nacional. O processo segue em andamento e a única peça pública disponível, no momento, é o Acórdão de relação 3293/2020 – Plenário.

Chamou atenção dos fiscais do TCU a compra, sem licitação, de 72.782 kg de banana para a Pastoral da Criança na Bahia, para atender 50 beneficiários. Ao dividirem a quantidade de alimento pelo número de beneficiados, os técnicos concluíram ter encontrado uma “situação esdrúxula”: 1.455 kg de banana por pessoa, contra uma média de consumo anual de 6,9 kg por pessoa, segundo o IBGE.

Outro item que também destoou na casa das toneladas foi o volume de milho de outro contrato, desta vez com a Mitra Diocesana de Presidente Prudente: 90 mil kg entregues para benefício de 76 pessoas. Na média, 1.184 kg de milho por beneficiário.

“Os cálculos foram utilizados como se os alimentos fossem entregues para consumo durante um ano, no entanto o resultado seria igualmente expressivo caso fosse utilizado o consumo das pessoas pela vigência máxima das CPRs (de dois anos)”, destacava a auditoria, apontando ainda as dificuldades para armazenar esses produtos.

Dentre outros itens básicos também fornecidos em quantidades pantagruélicas, vale mencionar ainda o pepino (29.764 kg para 51 beneficiários, ou 583 kg por pessoa), a pimenta (15 mil kg para 350 beneficiários, ou 42,8 kg por pessoa), a melancia (32.140 kg para 52 beneficiários, ou 618 kg por pessoa) e o quiabo (5.480 kg para 20 beneficiários, ou 274 kg por pessoa).

Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) integra o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional


Números apontam para desorganização gerencial
Tanto alimento entregue de uma única vez, teoricamente para poucas pessoas, não quer dizer necessariamente que líderes religiosos ou de ONGs tenham se locupletado com bananas, quiabo, pepino e pimenta. É razoável, e factível, entender que o problema estava muito mais ligado à desorganização administrativa e contábil do Programa de Aquisição de Alimentos do que à má-fé de beneficiários.

À época, os próprios técnicos do Tribunal de Contas da União foram parcimoniosos, e preferiram não tirar conclusões imediatas, apenas em função dos números. Mas também não descartaram a possibilidade de desmandos.

“Importante destacar que esses casos não se tratam necessariamente de fraude ou desvio, mas revelam descontrole e falta de planejamento entre as aquisições efetuadas pela Conab e a quantidade demandada pelas organizações recebedoras nos processos do PAA/CDS. Como efeito dessa situação nota-se que a falta de planejamento para a conciliação entre a oferta de alimentos da agricultura familiar e a demanda das unidades recebedoras pode resultar em desperdício, fraudes e atendimento a pessoas que não estejam incluídas no público alvo da política pública, causando inclusive prejuízos financeiros”, disse o relatório.

Todas as compras citadas no relatório, assim como as novas compras que o governo Lula pretende fazer no PAA, tiveram dispensa de licitação. A modalidade Cédula de Produto Rural – Doação (CPR Doação), onde foram apontadas as distorções, está de volta.

Por esse instrumento, os fornecedores entregam alimentos a uma organização ou associação, que faz remessa dos produtos às instituições beneficiadas. Essas instituições fazem a entrega ao consumidor final e precisam confirmar o fechamento do ciclo à Conab. Só então a Conab quita as compras junto aos fornecedores.

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Mortos e políticos entre beneficiários do PAA
No período fiscalizado, de dois anos, o TCU encontrou 15.951 beneficiários que apresentaram indícios de não cumprimento dos requisitos do programa. Dentre eles, 548 mortos, 2.182 proprietários de imóvel rural com área superior a quatro módulos fiscais (limite para participação no PAA) e 2.331 pessoas que possuíam ocupação em período integral em outro estado da federação, diferente daquele em que a compra foi efetuada.

Foram enquadradas ainda como “situações de risco” quanto ao perfil dos beneficiários 49 pessoas com mandato eletivo, 2.181 detentores de cargos públicos e 65 mil sem vínculo com imóvel rural no Sistema Nacional de Cadastro Rural.

A desorganização administrativa era regra no período auditado. Das fiscalizações do PAA/CDS realizadas pela Sufis/Conab, entre 2012 e julho de 2015, apenas 16% das atividades foram consideradas regulares.

Da maneira como as CPRs eram executadas, concluiu o relatório do TCU, “o que se percebe é que parcela significativa da renda fica em poder dos intermediários empreendedores – cooperativas e empresas beneficiadoras – muitas das vezes se utilizando de um frágil vínculo com os agricultores familiares para legitimar suas propostas de participação”.

Deste modo, concluiu a auditoria, “aproveitam-se de recursos públicos para obtenção de vantagem comercial sobre os demais agentes de mercado. Nota-se que o beneficiário fornecedor, que é a quem o Programa tem por objetivo apoiar, recebe apenas trinta por cento do valor do produto entregue à unidade recebedora e todo o restante é dividido entre a cooperativa e a indústria terceirizada”.

Programa voltado ao MST e assemelhados

Para o economista José Pio Martins, que já dirigiu uma cooperativa em Londrina (PR), o volume de recursos do Programa de Aquisição de Alimentos – R$ 500 milhões anunciados pelo ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário – pode ser pouco para combater a fome, mas, em contrapartida, é significativo no benefício da militância.

“É como dizer ‘eu tenho aqui mil pães aqui e vou lançar um programa de distribuição de pães’ para alimentar 54 milhões de pobres do cadastro social. É dar um tiro de canhão para matar um grilo”, diz. “A impressão é que o programa pretende ajudar o MST e alguns agricultores familiares. Mesmo a agricultura familiar no Brasil é muito maior do que R$ 500 milhões”.

Na avaliação do jurista Romeu Bacellar Filho, que já foi presidente da Associação Iberoamericana de Direito Administrativo, a melhor forma de coibir desvios em programas sociais que envolvem gastos públicos sem licitação é a permanente fiscalização da sociedade civil organizada.

“Falta participação popular. Recrutar gente de entidades de classe, associações de moradores, de donas de casa para fazer parte deste processo. Já que não há licitação, que se faça um edital comunicando que o governo vai fazer compra de alimentos para ser distribuídos, e convidando entidades e pessoas com interesse de participar. Não precisa nem participar, é só fiscalizar”, aponta.

A reportagem contatou o TCU e a Conab para saber se houve efetivamente correções no programa, após as recomendações da auditoria. Ainda não chegou nenhuma manifestação. Também foram contatadas a Pastoral da Criança de Salvador e a Mitra Diocesana de Presidente Prudente, onde ocorreram os dois casos mais expressivos de distribuição de alimentos per capta fora dos padrões. Também se aguarda retorno e o espaço segue aberto para manifestações.

No discurso de relançamento do Programa de Aquisição de Alimentos, em Pernambuco, Lula prometeu: “Nós já fizemos isso uma vez, e agora vamos fazer com muito mais competência, com muito mais disposição e muito mais rapidez”.

COPOM NÃO ESTÁ NEM AÍ PARA A HISTERIA DA ESQUERDA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: taxa Selic foi mantida apesar de pressão de Lula e do PT por queda dos juros.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A reunião do Copom encerrada na última quarta-feira trazia consigo muitas expectativas, não apenas por se dar em uma “Super Quarta”, com decisões de outros bancos centrais importantes mundo afora, mas também porque as pressões sobre o Banco Central brasileiro, vindas do governo, de dirigentes petistas e de entidades-satélites do petismo, vinham se avolumando. No fim, a técnica prevaleceu sobre a política e os membros do colegiado decidiram pela manutenção da Selic nos atuais 13,75%, apontando uma série de fatores, incluindo a incerteza global após a crise bancária nos Estados Unidos e na Suíça, e a resiliência da inflação brasileira, que não deve voltar para dentro dos limites de tolerância da meta para este ano.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chamou de “preocupante” o comunicado divulgado ao fim da reunião. Mas, a bem da verdade, não existe muita diferença entre o que o Copom afirmou no dia 22 e o que vem dizendo há meses, até mesmo antes de Lula ser eleito. Houve até alguns acenos ao governo: se em 1.º de fevereiro o comunicado falava em “ainda elevada incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país”, agora retirou o adjetivo e fala apenas em “incerteza”; ao mencionar a volta da cobrança de impostos federais sobre combustíveis, o Copom não citou seu efeito sobre a inflação, mas ressaltou que ela “reduziu a incerteza dos resultados fiscais de curto prazo”, vendo o copo meio cheio do ponto de vista fiscal. Mesmo o trecho mais incisivo, que promete a retomada do “ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”, já apareceu em comunicados anteriores e é condizente com a missão primária do Banco Central, a preservação do valor da moeda.

Lula pode “continuar batendo” e sindicalistas podem queimar bonecos de Roberto Campos Neto, mas isso não vai levar à queda dos juros. Selic mais baixa só virá com um arcabouço fiscal bem montado, reformas estruturantes e menos intervencionismo

O que realmente incomoda o governo no comunicado do Copom é o fato de que ele desnuda a responsabilidade dos poderes Executivo e Legislativo no que chama de “conjuntura marcada por alta volatilidade nos mercados financeiros e expectativas de inflação desancoradas em relação às metas em horizontes mais longos”. Se o mercado financeiro começa a perceber que o Brasil não leva a sério sua saúde fiscal e que este problema pode se tornar mais duradouro, isso não é culpa do Banco Central, mas dos atores políticos que dia sim, dia também, falam e agem como se a responsabilidade fiscal não importasse.

A mensagem do Copom é bastante clara: Lula pode “continuar batendo” e sindicalistas podem queimar bonecos de Roberto Campos Neto na Avenida Paulista (o que em outros tempos, e com outros personagens, certamente seria chamado de “discurso de ódio”), mas isso não vai levar à queda dos juros. Selic mais baixa só virá com um arcabouço fiscal bem montado – porque, obviamente, de nada adiantará uma regra frouxa –, reformas estruturantes como a tributária e a administrativa, e menos intervencionismo na economia. E, ao afirmar isso, o Copom está longe de se portar como ator político; está apenas ressaltando o óbvio que o governo ignora por acreditar que meras promessas de anúncio de um arcabouço fiscal cujo conteúdo é desconhecido deveriam bastar para, por algum poder mágico, acalmar os investidores.

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Quando teve a faca e o queijo na mão para mudar a meta de inflação, o governo não o fez. Então, o Banco Central seguirá fazendo o que for preciso para trazer a inflação de volta para o objetivo traçado, e o faz com as ferramentas que tem à disposição. Já o governo, em vez de se juntar ao esforço e contribuir efetivamente para restaurar a saúde fiscal do país, continua apostando no palavrório e na histeria para baixar os juros na marra. Felizmente, Campos Neto não é para Lula o que Alexandre Tombini foi para Dilma Rousseff.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/copom-selic-juros-esquerda/
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FALA DE LULA CONTRA MORO CAUSA CRISE NO PLANALTO

 

Operação de crise
Planalto considera falas de Lula contra Moro “desastrosas” e quer usar viagem à China para amenizar críticas
Por
Wesley Oliveira – Gazeta do Povo
Brasília


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva| Foto: EFE/Antonio Lacerda

Integrantes e aliados do Palácio do Planalto se mobilizam nos bastidores para tentar amenizar os efeitos das falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) nos últimos dias. Com a repercussão negativa para o governo, Lula se reuniu nesta sexta-feira (24) com ao menos oito ministros e diversos líderes do Congresso Nacional para discutir os efeitos da crise para o Executivo. Uma das estratégias será usar a viagem à China para tirar o foco das declarações de Lula, as quais foram classificadas como “desastrosas” por interlocutores do próprio PT.

Na quinta-feira (23), durante uma agenda no Rio de Janeiro, o petista chegou a sugerir que a operação da Polícia Federal para desmontar um plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra autoridades, incluindo Moro, seria uma “armação” por parte do senador.

“Acho que é mais uma armação do Moro. Eu vou descobrir o que aconteceu porque é visível que é uma armação do Moro”, disse o petista.

Porém, documentos do processo que levou à prisão de 11 integrantes do PCC nesta semana trouxeram provas concretas de que havia uma célula da facção armada e pronta para sequestrar ou matar o senador e seus familiares. Os policiais obtiveram provas materiais de que criminosos rondaram a casa de Moro e até alugaram imóveis para vigiar seus passos e de sua família.

Ficou evidente que não se tratava de armação, mas de um plano elaborado para calar o senador. Tratava-se de vingança pelo fato de Moro, quando era ministro da Justiça, ter introduzido medidas que reduziram muito a capacidade das lideranças do PCC, que cumprem penas em presídios federais, se comunicarem com seus com seus subalternos nas ruas.

Reservadamente, líderes do PT avaliaram que a fala do presidente foi “desastrosa” e que Lula cometeu um “ato falho” ao repercutir o assunto. Antes de Lula comentar o tema, aliados do Planalto tentavam emplacar a narrativa de que a operação da PF mostrou que a corporação estaria atuando de forma “republicana” durante o governo petista.

Líder do governo no Congresso Nacional, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), chegou a acusar Moro de tentar politizar o episódio.  “O senador Moro tinha conhecimento das investigações da Polícia Federal. Tentar politizar esse tema é mau-caratismo. A PF, sob o comando do presidente Lula, atuou de forma republicana para proteger a vida de um opositor que o levou ilegalmente e injustamente à prisão”, disse Rodrigues no dia anterior a fala de Lula.

Na mesma linha, o senador Humberto Costa (PT-PE) chegou a dizer que Lula tinha “salvado” Moro. “A PF de Lula salvou a vida de Moro. E essa operação prova por A mais B que Lula governa para todos”, escreveu o petista nas redes.

Planalto vai investir na agenda de Lula na China para amenizar crise contra Moro
A reunião ministerial desta sexta estava prevista para ocorrer ainda pela manhã no Palácio do Planalto, mas foi adiada depois que o petista foi diagnosticado com um quadro de pneumonia leve. No encontro, que ocorreu no Palácio da Alvorada, Lula ouviu de seus auxiliares que é preciso mudar a narrativa do governo para amenizar os efeitos da declaração contra o senador pelo Paraná.

De acordo com interlocutores do governo, a pauta principal do encontro na residência oficial da Presidência foi para tratar sobre o impasse entre a Câmara e o Senado sobre a tramitação das medidas provisórias no Congresso. Mas os efeitos sobre as falas contra Moro também foram discutidos pelos auxiliares do petista.

Lula foi aconselhado por seus ministros a usar a viagem à China para amenizar as críticas da oposição. A avaliação é de que o petista vai precisar explorar ao máximo a agenda no país asiático para sobrepor a repercussão negativa das falas contra Moro. Lula deveria embarcar para Pequim ainda neste sábado (25), mas adiou para domingo (26) para tratar do seu quadro de saúde.

Segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, Lula “está bem” e a viagem para a China está mantida. “Foi um início de pneumonia, que está sendo tratada”, disse Macêdo, que esteve entre os integrantes da reunião no Alvorada.

Fala de Lula contra Moro provocou reações dentro da Polícia Federal
Além das críticas por parte dos integrantes da oposição, as falas de Lula sobre a suposta “armação” de Moro provocaram reações negativas para o Planalto dentro da Polícia Federal. O trabalho de investigação sobre o plano do PCC contra as autoridades contou com o apoio do Ministério Público Federal (MPF) e a operação contra os suspeitos teve autorização da Justiça.

Em nota, a Associação de Delegados da Polícia Federal manifestou apoio ao trabalho dos investigadores. “As investigações foram conduzidas com cautela, responsabilidade e amparo na lei, sendo obtido, certamente, forte arcabouço probatório no curso do Inquérito Policial”, destacou.

Além das acusações contra Moro, Lula chegou a questionar a atuação da juíza Gabriela Hardt, responsável por autorizar os pedidos de prisões contra os integrantes do PCC. Hardt substituiu o próprio Moro na Operação Lava Jato, quando o ex-juiz pediu exoneração do cargo, no fim de 2018, para assumir o Ministério da Justiça no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A magistrada chegou a condenar Lula a 12 anos de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do Sitio de Atibaia. As decisões da juíza acabaram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou o foro do Paraná incompetente para julgar Lula.

“Eu vou pesquisar e saber o porquê da sentença, parece que a juíza não estava nem em atividade quando deu o parecer para ele. Mas isso a gente vai esperar”, disse Lula. Após a fala do petista, Hardt retirou o sigilo das investigações e revelou os detalhes sobre os planos do PCC contra a vida de Moro e de outras autoridades.

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Para contornar a crise provocada, o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta (PT), disse que a declaração de Lula a respeito da ação da PF não tinha o intuito de questionar o trabalho da instituição, mas sim “o conjunto de coincidências” envolvendo atores da Lava Jato no caso e o “método” de repercussão utilizado por Moro ao comentar a operação. As críticas também se referem ao “timing” da decisão que revelou o plano de sequestro do senador.

Paralelamente, Pimenta criticou a decisão da juíza de retirar o sigilo das investigações sobre o caso. “Gabriela Hardt acaba expondo as investigações e, consequentemente, atrapalhando-as, já que as apurações seguem em curso e tratam de um tema sensível, que é o das organizações criminosas. Seu objetivo foi ajudar a PF?”, questionou Pimenta.

Em nota, a Justiça Federal do Paraná, órgão que responde pela juíza Gabriela Hardt, afirmou que a retirada do sigilo do processo foi um pedido do delegado que conduz as investigações, protocolado nos autos às 14h da quinta-feira.

“Contudo, por cautela, a juíza federal designada para atuar no caso, entendeu melhor manter o nível de sigilo 1, por segurança dos investigados e vítimas, autorizando a divulgação apenas das representações policiais e das decisões que autorizaram as prisões e as buscas, bem como o termo de audiência de custódia”, diz a nota.

Provas entregues pela PF à Justiça do Paraná apontam que não apenas Moro se encontra na mira do PCC, mas também seus filhos e sua mulher, a deputada federal Rosângela Moro (União Brasil-SP). Segundo Gabriela Hardt, as provas indicam que “atos criminosos estão efetivamente em andamento” em Curitiba.

Planalto acredita que Moro ganhou projeção política

Além da fala sobre a “armação”, Lula já havia sido alvo de questionamentos ao dizer durante uma entrevista ao site Brasil 247 que “só ia ficar bem quando f. com o Moro”. Desde então, o Planalto já havia montado uma operação para tentar frear a repercussão negativa.

“De vez em quando um procurador entrava lá de sábado, ou de semana, para visitar, se estava tudo bem. Entrava três ou quatro procuradores e perguntava: ‘Tá tudo bem?’. Eu falava: ‘Não está tudo bem. Só vai estar bem quando eu f* esse Moro’. Vocês cortam a palavra ‘f*’ aí…”, disse Lula na entrevista.

O ministro Paulo Pimenta chegou a convocar uma coletiva de imprensa às pressas na tentativa de explicar os xingamentos do presidente a Moro. “O que gera o questionamento foi esse conjunto de coincidências, fatos, que acabam trazendo revolta e toda uma memória sobre um método que foi utilizado contra ele (Lula) várias vezes, com os mesmos personagens. Muito mais do que como presidente, mas como ser humano, é natural o sentimento de indignação”, disse Pimenta.

Reservadamente, líderes petistas avaliam que Moro ganhou projeção política diante das falas “desastrosas” de Lula. No entanto, acreditam que o senador não tem capital político para liderar a oposição contra o governo.

Até o momento, pelo menos seis pedidos de impeachment contra Lula já foram protocolados na Câmara, sendo metade por conta de suas declarações contra Moro. Apesar disso, a avaliação dos petistas é de que os pedidos não devem avançar dentro do Congresso Nacional.

Na quinta-feira (23), o senador rebateu as declarações de Lula e disse que o presidente dá “risada de família ameaçada pelo crime”.

“Fui surpreendido com uma fala do presidente da República que simplesmente riu das ameaças a mim e a minha família. Ele [Lula] chegou a sugerir que poderia ser uma armação da minha parte. Eu repudio veementemente essas afirmações”, disse Moro.

Grupo de advogados endossa acusações de Lula contra Moro

Paralelamente a estratégia dos integrantes do Planalto, o grupo Prerrogativas, que é composto por advogados, juristas e defensores públicos, elaborou uma nota em que endossa as acusações de Lula contra Moro. O grupo conta com integrantes simpáticos ao PT e críticos ao trabalho da Lava Jato.

“Nós sabemos o que o Moro fez no verão passado. Natural, pois, que haja suspeitas sobre o seu comportamento neste episódio. No mais, a participação da juíza ‘corta-cola-copia’ é mais um elemento de reforço para as dúvidas lançadas exclusivamente sobre o momento da deflagração da bem-sucedida operação em questão”, disse.

O grupo jurídico ainda defende que o presidente petista não questionou o mérito e a necessidade das investigações e das medidas protetivas. “Isto é o que realmente importa”, diz a nota, que tece elogios à PF, ao Ministério Público e ao Ministério da Justiça.

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CABOTAGEM NÃO DESLANCHA POR FALTA DE REGULAMENTAÇÃO DA LEI

 

BR do Mar
Brasil continua sem alternativas ao modal rodoviário
Por
Lígia Martoni – Gazeta do Povo


Porto de Paranaguá (PR): cabotagem pode responder por 30% da movimentação de cargas no Brasil, mas espera do decreto que regulamenta a legislação atrasa efeitos práticos da lei.| Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Há um ano, o Programa de Estímulo ao Transporte por Cabotagem, viabilizado pela Lei 14.301/22, conhecida como Lei da BR do Mar, passava a vigorar em seu texto final. Desde que foi promulgada, a principal expectativa sobre a nova legislação era fomentar o transporte de cargas entre portos brasileiros e, assim, agregar uma alternativa ao modal rodoviário, especialmente em grandes distâncias. Além de diminuir custos logísticos. No entanto, desde que passou a valer, especialistas do setor avaliam que a lei ainda não tem efeitos práticos, já que falta a regulamentação para que suas prerrogativas funcionem e os estímulos criados garantam segurança jurídica aos investidores.

A lei 14.301 teve origem no projeto 4.199, de 2020, de autoria do próprio Executivo. Uma demanda de anos dos setores produtivo e logístico. Originalmente sancionada em janeiro de 2022, a lei sofreu vetos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). E, de volta ao Congresso, teve a maior parte dos vetos derrubados por deputados e senadores, passando a vigorar em 25 de março de 2022, com a publicação de seu texto integral no Diário Oficial da União (DOU).

Entre idas e vindas, a lei que era dada como aposta de ser um dos projetos estratégicos mais importantes já criados para impactar a matriz de transporte brasileira não vingou. A expectativa de seus efeitos criarem um forte estímulo à cabotagem, embora com ressalvas do setor a determinados tópicos, ficou frustrada nas entranhas da burocracia.

“Dependemos ainda de uma regulamentação, um decreto que ficou sendo gestado o ano todo (de 2022) e não foi editado”, explica o diretor-executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac), Luis Fernando Resano. Agora, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinaliza que deve rever o viés do decreto. Pelo menos é o que indicou o ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, em evento realizado pelo setor de cabotagem na última semana, no Rio de Janeiro, ao reafirmar a necessidade de aperfeiçoar a lei aprovada na gestão anterior. “O programa BR do Mar, portanto, não funciona”, enfatiza Resano.

Em suma, a Lei da BR do Mar veio para atuar em quatro frentes: frota, indústria naval, custos e portos. Em relação à frota, passou a permitir o afretamento de navios de bandeiras estrangeiras, o que permitiria ampliar a capacidade de transporte por cabotagem, já que a frota eminentemente brasileira é reduzida. Ao mesmo tempo, visava ao posterior fomento da indústria naval brasileira, uma vez que, com uma esperada crescente demanda, mais ativos precisariam ser agregados, além de os navios operantes precisarem de manutenção e reparos.

Quanto aos custos, a promessa da lei era reduzir a burocracia e garantir melhores condições de competitividade nas operações de cabotagem. E no que tange aos portos, trazia a permissão de contratos temporários para movimentar cargas que ainda não constassem em operação, o que permitiria a abertura de terminais especialmente dedicados à modalidade.

Mas nada disso deve ser concretizado até que a regulamentação saia. “O decreto ficou pronto entre agosto e setembro do ano passado e não foi publicado. É uma grande frustração para o setor, porque não há expectativa real em termos de edição dessa regulamentação”, avalia Ademar Dutra, professor da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e coordenador do Congresso Internacional de Desempenho Portuário (Cidesport), que acontece anualmente no Brasil, reunindo pesquisadores e gestores da área.

O texto do decreto que vai regulamentar a BR do Mar deve estabelecer as regras, critérios e procedimentos a que entes públicos e privados terão de se submeter para a implementação, habilitação, execução e monitoramento do programa. A regulamentação traça em detalhes as regras para que empresas de navegação se inscrevam e operem dentro da política de incentivo, o papel de órgãos executivos e fiscalizadores, como a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), e condições e especificações para os afretamentos de embarcações. “O regulamento não traz algo novo ou diferente, mas detalha e especifica como vai ocorrer a operacionalização e a aplicação da lei”, explica Dutra.

Segundo o diretor-executivo da Abac, as empresas associadas (10, no total) querem aumentar a frota e a disponibilidade de serviço, mas dependem de mais segurança jurídica. “A regulamentação vai dizer pelo menos qual vai ser a política nos próximos anos. Até lá, está todo mundo muito cauteloso”, adianta.

Outra questão é definir pontos práticos que geram insegurança sobre como aplicar os investimentos para viabilizar a BR do Mar. Para Resano, criar um cenário favorável a aumento de demanda pela cabotagem e consequentes investimentos no setor passa por resolver alguns pontos controversos da legislação, como os incentivos a afretamento versus compra de navios, descontos em alíquotas de frete que vão impactar diretamente na diminuição do Fundo da Marinha Mercante, utilizado para financiar diversos projetos de fomento ao setor naval, além de questões trabalhistas e regras envolvendo as tripulações, que impactam diretamente nos custos e viabilidade das operações.

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Representatividade da cabotagem
O transporte aquaviário no Brasil movimentou 1,209 bilhões de toneladas em 2022, segundo o último relatório do Anuário Estatístico Aquaviário da Antaq, divulgado em fevereiro. As navegações de longo curso de exportação e importação respondem pela maior parte dessa fatia, somando 849,6 milhões de toneladas. A cabotagem correspondeu a 283,3 milhões, englobando graneis líquidos, sólidos, carga geral e contêineres.

O crescimento da modalidade em 2022 foi de 1,8%, inferior aos 11% registrados em 2021. Isso aconteceu por conta dos impactos da seca na região amazônica, baixando o nível de calado dos navios e travando o segmento na região, segundo análise da Antaq. Nas regiões Sudeste e Sul, em compensação, a navegação por cabotagem teve aumento, com destaque para os portos do Rio de Janeiro (RJ), com 41%, e Itapoá (SC), com 35%.

Em Santos (SP), os embarques e desembarques por cabotagem totalizaram 18 milhões de toneladas no ano passado, 3,8% a mais que em 2021, mas com crescimento inferior à média dos dois anos anteriores, que ficou entre 6,5% e 8,3%, segundo dados da Autoridade Portuária de Santos. Já em Paranaguá (PR), a variação positiva entre 2021 e 2022 foi de 8,4%, passando de 2,7 toneladas para 2,9 toneladas movimentadas entre um ano e outro. A cabotagem representou, em 2022, 5% da movimentação total dos portos paranaenses, contra 4,7% em 2021, conforme informações da Portos do Paraná, que administra os portos de Paranaguá e Antonina.

A empresa pública vinculada ao governo paranaense cobra taxas até 50% inferiores em relação a outras tabelas nas operações por cabotagem nos portos do estado, como forma de incentivo à modalidade. Os descontos são nas tarifas de Infraestrutura de Acesso Aquaviário, Infraestrutura de Acostagem e Infraestrutura Terrestre, dependendo da mercadoria transportada e do tipo de embarcação, entre outras variáveis.

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Vê-se que é uma modalidade que cresce, mas muito discretamente para o potencial que agrega. “A cabotagem no Brasil, em termos de movimentação (de cargas), está em torno de 12%. Com o planejamento que o governo federal fez implantando esse projeto de lei e com a devida regulamentação, a estimativa era que alcançaria 30%”, analisa Ademar Dutra.

Além da regulamentação, necessária para estabelecer as condições de operação relativas à lei, o especialista acredita que é preciso uma acomodação do processo logístico. “Deve ser um processo gradativo. Para passar uma determinada mercadoria que é transportada pelo modal rodoviário para a cabotagem, há uma outra lógica logística que precisa ser construída, e há resistência muito forte do sistema rodoviário de abdicar desse tipo de transporte. O rodoviário acha que vai perder espaço, quando na verdade todos os estudos sinalizam que o rodoviário vai continuar movimentando essa carga, mas em trechos mais curtos.”

Da mesma forma que a legislação abriu caminho à operação com navios estrangeiros, o que deve facilitar a oferta de embarcações, também é preciso pensar em outro atrativo de redução de custos: os impostos que incidem sobre o bunker, o combustível do navio. “O combustível do navio de longo curso, que vai pra Ásia, tem tributação diferente do navio para navegação de cabotagem”, explica o gerente de Assuntos Estratégicos da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Mohr.

O professor e economista Luiz Antônio Fayet, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta que 24% do valor do combustível do navio usado para cabotagem no Brasil é composto por tributos. “É preciso haver uma nova legislação que estabeleça um teto e o estado que quiser pode zerar a tributação do bunker. O que vai acontecer é que os estados vão preferir zerar o bunker e ter navegação barata, e isso pode ajudar muito”, estima. A Lei da BR do Mar, entretanto, não contempla esse componente.

O que fica é a expectativa de que as soluções trazidas pela legislação atual se concretizem com a regulamentação e, assim, a oferta do serviço finalmente cresça. “Como são poucas empresas (que operam a cabotagem), e até hoje não tinham incentivo, a oferta é muito pequena. Hoje, a oferta de navios saindo do Sul em direção ao Nordeste é de um por semana. Se por um motivo perde essa escala, atrasa demais a operação e, com isso, o tempo acaba virando um outro inibidor”, avalia Mohr.

O ciclo deve fechar a partir das definições sobre as questões trabalhistas relativas à tripulação. “Caberá à regulamentação flexibilizar a CLT para quem está embarcado, já que a navegação exige regime de trabalho especial”, lembra o gerente da Fiep. Resolvidas essas questões, mais incentivos trariam mais investimentos, maior oferta de transporte e, consequentemente, o olhar do setor produtivo para o modal.

Mas ainda não é possível pensar em prazos para isso. De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos, a minuta de decreto da BR do Mar está sendo revisada pela equipe técnica da Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNPTA) e deverá ser rediscutida com o setor e a sociedade. Assim que finalizada, seguirá o trâmite normal até a Casa Civil, para análise e posterior publicação – porém, ainda sem data definida.

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a. Atrasos e incertezas para viagens particulares ao litoral do Paraná.
b. Impactos no escoamento da produção agrícola e industrial aos portos, com prejuízos econômicos.
c. Insegurança quanto a novos deslizamentos de encostas e afundamentos do pavimento.
d. Receio problemas mais graves, com falta de comunicação entre a capital e o litoral por longos períodos.


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