Lula diz que tudo é ‘armação’ de Moro – não um sucesso da polícia. Praticou calúnia em público
Por J.R. Guzzo – Jornal Estadão
Insulto após insulto, decisão após decisão, o presidente Lula tem
conseguido se mostrar, em menos de 90 dias no governo, o chefe de
Estado mais irresponsável que o Brasil já teve desde a volta dos civis
ao governo deste país. Já se mostrou, também, inepto – não consegue,
simplesmente, governar o Brasil com um mínimo de competência. Gastou
todo o seu tempo até agora no ataque a inimigos imaginários e na
produção de fumaça demagógica; não tem a mais remota ideia a respeito de
como começar a resolver qualquer dos problemas que crescem todos os
dias bem na sua frente, mesmo porque não entende a natureza mais
elementar desses problemas. Lula, agora, também deixou de fazer nexo no
que diz. A impressão é a de que temos na Presidência da República um
homem que está em processo de perda acelerada do equilíbrio mental.
Um
dia depois de a Polícia Federal deflagrar uma investida para
desarticular um plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra o
senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva afirmou que as suspeitas são uma “armação” do ex-juiz da Lava
Jato Foto: Antonio Lacerda/EFE
Seu último surto, e o pior de todos os que já teve, foi a declaração
demente de que a operação policial que descobriu, num prazo recorde de
45 dias, um plano do PCC para assassinar o senador Sérgio Moro, o promotor Lincoln Gakiya e diversas outras autoridades era uma “armação” do próprio Moro.
“É visível que isso é armação do Moro”, disse ele. Lula fez o seguinte:
afirmou que o trabalho de 120 policiais da Polícia Federal, mais as
autoridades do Ministério Público de São Paulo e de órgãos de combate ao
crime organizado, é uma invenção de Sérgio Moro. O trabalho policial
identificou imóveis alugados pelos criminosos nas vizinhanças da
residência do senador em Curitiba. Gravou conversas entre os criminosos.
Obteve vídeos feitos pelos bandidos para registrar a movimentação
física de Moro e seus familiares. Descobriu um investimento de R$ 5
milhões no plano. Prendeu, por ordem judicial, uma dezena de pessoas.
Lula diz que tudo isso é “armação” de Moro – não um sucesso brilhante da
polícia que faz parte do seu próprio governo. Praticou calúnia em
público: acusou a Polícia Federal e o senador de um crime que não
cometeram. Depois de dizer o que disse, como sempre acontece com ele,
quis se proteger – afirmou que não “queria acusar ninguém sem provas”.
Por que diabo acusou, então? Não faz sentido.
O ataque a Moro, à PF e ao MP fica particularmente pior porque,
momentos antes, Lula tinha cometido outra agressão alucinada contra Moro
– disse que não iria sossegar enquanto não arruinasse a vida do ex-juiz,
e que só tinha desejos de vingança contra ele. Revelou que pensou essas
coisas na cadeia, mas e daí? Por que fez questão de falar sobre elas
justo agora? Lula, visivelmente, não está interessado em governar o
Brasil neste momento. Só pensa em cultivar seus próprios ressentimentos.
Artigo Eppur si muove Por William Carroll – Gazeta do Povo
Ga Public Discourse
Túmulo de Galileu na Basílica de Santa Cruz, em Florença, na Itália.| Foto: Pixabay
Há poucas imagens do mundo moderno mais poderosas do que a do
humilde Galileu, ajoelhado diante dos cardeais da Santa Inquisição
Romana e Universal, sendo forçado a admitir que a Terra não se movia. A
história é conhecida: Galileu representa a ciência lutando para se
libertar das garras da fé cega, do literalismo bíblico e da superstição.
A história fascinou gerações, desde as filosofias do Iluminismo até
estudiosos e políticos dos séculos XIX e XX.
O espectro da condenação de Galileu pela Igreja Católica continua a
influenciar a compreensão do mundo moderno sobre a relação entre
religião e ciência. Em outubro de 1992, o Papa João Paulo II compareceu
perante a Pontifícia Academia das Ciências para aceitar formalmente as
conclusões de uma comissão encarregada de investigar histórica,
científica e teologicamente o tratamento que a Inquisição deu a Galileu.
O Papa observou que os teólogos da Inquisição que condenaram Galileu
não conseguiram distinguir corretamente entre interpretações bíblicas
particulares e questões pertinentes à investigação científica.
O Papa também observou que uma das infelizes consequências da
condenação de Galileu foi que ele foi usado para reforçar o mito de uma
incompatibilidade entre a fé e a ciência. Tal mito está vivo e bem
evidente na forma como a imprensa americana descreveu o evento no
Vaticano. A manchete na primeira página do The New York Times foi
representativa: “Após 350 anos, o Vaticano diz que Galileu estava certo:
Ela se move”. Outros jornais, assim como redes de rádio e televisão,
repetiram essencialmente a mesma afirmação.
A matéria do The New York Times é um excelente exemplo da
persistência e do poder dos mitos que envolvem o caso Galileu. O jornal
afirmou que o discurso do Papa “retificaria um dos erros mais infames da
Igreja — a perseguição do astrônomo e físico italiano por provar que a
Terra gira ao redor do Sol”. Para alguns, a história de Galileu serve
como prova da visão que a Igreja é hostil à ciência, e a visão de que a
Igreja já ensinou o que agora nega, ou seja, que a Terra não se move.
Alguns consideram como evidência que os ensinamentos da Igreja sobre
questões de moralidade sexual ou de ordenação das mulheres ao sacerdócio
são, por princípio, também mutáveis. A “reformabilidade” de tais
ensinamentos é, portanto, a verdadeira lição do “Caso Galileu”.
Mas os tratamentos modernos do caso não só perdem um contexto chave
em torno da condenação de Galileu pela Inquisição; eles também
interpretam mal o que a Igreja Católica sempre ensinou sobre fé,
ciência, e sua complementaridade fundamental.
Galileu e a Inquisição no século XVII As observações telescópicas
de Galileu convenceram-no de que Copérnico estava correto. Em 1610, o
primeiro tratado astronômico de Galileu relatou suas descobertas de que a
Via Láctea consiste em inúmeras estrelas, que a lua tem montanhas e que
Júpiter tem quatro satélites. Posteriormente, ele descobriu as fases de
Vênus e manchas na superfície do sol. Ele chamou as luas de Júpiter de
“Estrelas Mediceias” e foi recompensado por Cosimo de’ Medici,
Grão-Duque da Toscana, com nomeação como matemático chefe e filósofo na
corte do Duque em Florença. Galileu contou com estas descobertas
telescópicas, e com argumentos derivados delas, para reforçar a defesa
pública da tese de Copérnico de que a Terra e os outros planetas giram
em torno do Sol.
Quando falamos da defesa de Galileu da tese de que a Terra se move,
devemos ser especialmente cuidadosos para distinguir entre argumentos a
favor de uma posição e argumentos que provem ser uma posição verdadeira.
Apesar das afirmações do The New York Times, Galileu não provou que a
Terra gira ao redor do Sol. Na verdade, tanto Galileu quanto os teólogos
da Inquisição aceitaram o ideal aristotélico prevalecente de
demonstração científica, que exigia que a ciência fosse segura e certos
conhecimentos, diferentes em alguns aspectos do que aceitamos hoje como
científico. Além disso, refutar a astronomia geocêntrica de Ptolomeu e
Aristóteles não é o mesmo que demonstrar que a Terra se move. O
astrônomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601), por exemplo, tinha criado
outro relato dos céus. Ele argumentou que todos os planetas giram em
torno do Sol, que por sua vez girava em torno de uma Terra estacionária.
De fato, o próprio Galileu não achava que suas observações astronômicas
fornecessem evidências suficientes para provar que a Terra se move,
embora ele achasse que isso já seria suficiente para questionar a
astronomia geocêntrica de Ptolomeu. Galileu esperava eventualmente
argumentar que desde o fato das marés oceânicas até o duplo movimento da
Terra têm a translação como única causa possível, mas não teve sucesso.
O Cardeal Roberto Belarmino, teólogo jesuíta e membro da Inquisição,
disse a Galileu em 1615 que se houvesse uma verdadeira demonstração do
movimento da Terra, então a Igreja teria que abandonar sua leitura
tradicional das passagens da Bíblia que afirmavam o contrário. Mas na
ausência de tal demonstração (e especialmente em meio às controvérsias
da Reforma Protestante), o Cardeal exortou à prudência: tratar a
astronomia copernicana simplesmente como um modelo hipotético que
explica os fenômenos observados. A Terra não se mover não foi uma
doutrina da Igreja. Se o Cardeal tivesse pensado que a imobilidade da
Terra era uma questão de fé, ele não poderia argumentar, como fez, que
poderia ser possível demonstrar que a Terra se move de fato.
Os teólogos da Inquisição e de Galileu aderiram ao antigo princípio
católico de que, como Deus é o autor de toda verdade, as verdades da
ciência e as verdades da revelação não podem contradizer-se. Em 1616,
quando a Inquisição ordenou a Galileu que não defendesse a astronomia
copernicana, não havia demonstração do movimento da Terra. Galileu
esperava que houvesse tal demonstração; os teólogos não esperavam.
Parecia óbvio para os teólogos em Roma que a Terra não se movia e, como a
Bíblia não contradiz as verdades da natureza, os teólogos concluíram
que a Bíblia também afirma que a Terra não se move. A Inquisição estava
preocupada que a nova astronomia parecesse ameaçar a verdade da
Escritura e a autoridade da Igreja Católica para ser seu intérprete
autêntico.
A Inquisição não pensava que estava exigindo que Galileu escolhesse
entre a fé e a ciência. Nem, na ausência de conhecimento científico para
o movimento da Terra, Galileu teria pensado que lhe pediam para fazer
tal escolha. Novamente, tanto Galileu quanto a Inquisição pensaram que a
ciência era um conhecimento absolutamente certo, garantido por
demonstrações rigorosas. Estar convencido de que a Terra se move não é a
mesma coisa que saber que ela se move.
O decreto disciplinar da Inquisição foi insensato e imprudente. Mas a
Inquisição subordinava a interpretação das escrituras a uma teoria
científica, a cosmologia geocêntrica, que acabaria por ser rejeitada.
Submeter a interpretação escriturística à teoria científica é exatamente
o oposto da sujeição da ciência à fé religiosa!
Em 1632, Galileu publicou seu “Diálogo sobre os dois principais
sistemas de mundo”, no qual defendeu o “sistema mundial” copernicano.
Como resultado, Galileu foi acusado de desobedecer à liminar de 1616 de
não defender a astronomia copernicana. A injunção da Inquisição, por
mais imprudente que tenha sido, só faz sentido se reconhecermos que a
Inquisição não via nenhuma possibilidade de conflito entre ciência e
religião, ambas devidamente compreendidas. Assim, em 1633, a Inquisição,
para assegurar a obediência de Galileu, exigiu que ele afirmasse
pública e formalmente que a Terra não se movia. Galileu, por mais
relutante que tenha sido, aceitou.
Do início ao fim, as ações da Inquisição foram disciplinares, não
dogmáticas, embora baseadas na noção errônea de que era herético afirmar
que a Terra se move. Noções errôneas permanecem apenas noções; as
opiniões dos teólogos não são as mesmas da doutrina cristã. O erro que a
Igreja cometeu ao lidar com Galileu foi um erro de julgamento. A
Inquisição estava errada ao disciplinar Galileu, mas disciplina não é um
dogma.
O desenvolvimento da Lenda de Galileu A visão mítica do caso
Galileu como um capítulo central na guerra entre ciência e religião
tornou-se proeminente durante os debates no final do século XIX sobre a
teoria da evolução de Darwin. Nos Estados Unidos, a “História da Guerra
da Ciência com Teologia na Cristandade” (1896), de Andrew Dickson White,
consagrou o que se tornou uma ortodoxia histórica difícil de desalojar.
White usou a perseguição de Galileu como uma ferramenta ideológica em
seu ataque contra os opositores religiosos da Teoria da Evolução. Como
era tão óbvio no final do século XIX que Galileu estava certo, foi útil
vê-lo como o grande campeão da ciência contra as forças da religião
dogmática. Os partidários da Evolução eram vistos como Galileus do
século XIX; os oponentes da Evolução eram vistos como inquisidores
modernos. O caso Galileu também foi usado para se opor às reivindicações
sobre a infalibilidade papal, formalmente afirmadas pelo Concílio
Vaticano I em 1870. Como observou White: não tinham dois papas (Paulo V
em 1616 e Urbano VIII em 1633) declarado oficialmente que a Terra não se
move?
A persistência da lenda de Galileu, e da imagem de “guerra” entre
ciência e religião, tem desempenhado um papel central na compreensão do
mundo moderno sobre o que significa ser moderno. Ainda hoje a lenda de
Galileu serve como uma arma ideológica nos debates sobre a relação entre
a ciência e a religião. E a lenda tem sido uma arma tão eficaz que tem
persistido.
Por exemplo, uma discussão sobre bioética se baseou nos mitos do caso
Galileu há alguns anos. Em março de 1987, quando a Igreja Católica
publicou condenações de fertilização in vitro, maternidade de
substituição e experimentação fetal, apareceu uma página de desenhos
animados em um dos principais jornais de Roma, La Repubblica, com a
manchete: “In Vitro Veritas”. Em um dos desenhos animados, dois bispos
estão ao lado de um telescópio, e no distante céu noturno, além de
Saturno e da Lua, há dezenas de tubos de ensaio. Um bispo vira-se para o
outro, que está em frente ao telescópio, e pergunta:
“Desta vez, o que devemos fazer? Devemos olhar ou não?”. A referência histórica a Galileu foi clara.
De fato, em uma entrevista coletiva no Vaticano, o então cardeal
Joseph Ratzinger foi perguntado se ele achava que a resposta da Igreja à
nova biologia não resultaria em outro “caso Galileu”. O Cardeal sorriu,
talvez percebendo o poder persistente — pelo menos na imaginação
popular — do embate de Galileu com a Inquisição, mais de 350 anos
depois. O gabinete do Vaticano do qual o Cardeal Ratzinger era então o
chefe, a Congregação para a Doutrina da Fé, é o sucessor direto da Santa
Inquisição Romana e Universal na Depravação Herética.
Não há evidência de que em 1633, quando Galileu acedeu à exigência da
Inquisição de renunciar formalmente à visão de que a Terra se move, ele
murmurou por entre os dentes “eppur si muove” – “mas ainda se move”. O
que continua a se mover é a lenda de que Galileu representa a razão e a
ciência em conflito com a fé e a religião. Galileu e a Inquisição
compartilharam os primeiros princípios comuns sobre a natureza da
verdade científica e a complementaridade entre ciência e religião. Na
ausência de conhecimento científico, pelo menos como compreendido tanto
pela Inquisição quanto por Galileu, de que a Terra se movia, Galileu foi
obrigado a afirmar que não. Por mais insensato que fosse insistir em
tal exigência, a Inquisição não pediu a Galileu que escolhesse entre
ciência e fé.
William E. Carroll é professor visitante ilustre na Faculdade de
Filosofia da Universidade de Economia e Direito de Zhongnan (Wuhan,
China) e professor visitante de Filosofia no Hongyi Honor College, da
Universidade de Wuhan.
Crenças “Só um pisciano faria uma coisa dessas”: a espiritualidade esotérica da Geração Z Por Ana Zarzalejos Vicens – Gazeta do Povo Aceprensa
Um estudo do Instituto Springtide de 2021 aponta que 51% de uma
amostra de mais de 10.000 entrevistados entre 13 e 25 anos recorrem às
cartas de tarô ou à adivinhação| Foto: Pixabay
“Tem toda a pinta
de ser de Gêmeos.” Talvez você tenha ouvido algo do tipo nos últimos
tempos e ficou sem saber se era bom ou ruim (spoiler: geralmente é
ruim). Talvez alguém tenha perguntado a hora exata de seu nascimento. Ou
atribuiu algum acontecimento desagradável a Mercúrio retrógrado. Ora,
ora, tudo é possível. O fato é que o tarô, a numerologia, a astrologia e
crenças alternativas de toda sorte estão em alta.
Os dados confirmam. Uma pesquisa da YouGov publicada em 2022
perguntou a mil americanos se eles seguiam alguma das vinte crenças
vagamente definidas como “espiritualismo New Age”. Os resultados
revelaram que 87% são adeptos de ao menos uma dessas crenças.
Um relatório ainda mais recente da Fundação Jean Jaurès e da Fundação
Reboot, publicado em janeiro de 2023, investigou as crenças de jovens
franceses com idades entre 11 e 24 anos, e constatou que 49% acreditam
que a astrologia é uma ciência, 35% acreditam em reencarnação e 23%
acreditam em fantasmas.
Um estudo do Instituto Springtide de 2021 aponta que 51% de uma
amostra de mais de 10.000 entrevistados entre 13 e 25 anos recorrem às
cartas de tarô ou à adivinhação. Destes, 17% praticam alguma das duas
todos os dias, 25% semanalmente e 27% ao menos uma vez por mês, enquanto
para 31% a frequência não chega a ser mensal.
Um relatório da Fullscreen (2019) também concluiu que uma cultura
mística está se estabelecendo entre os jovens de 18 a 34 anos, pois 43%
deles tomariam decisões cruciais tendo como base a leitura do horóscopo
ou do tarô, e um em cada três concorda que a astrologia é uma forma de
dar sentido às coisas que acontecem em sua vida.
No entanto, seria um equívoco pensar que os jovens apostam tudo nas
crenças de pensamento mágico enquanto rechaçam as religiões
tradicionais. Os dados do Pew Research Center sobre crenças religiosas
de jovens entre 18 e 29 anos proporcionam uma radiografia que ajuda a
contextualizar o cenário: 55% se consideram cristãos e 8% se identificam
com outras confissões, em oposição a 36% que não se identificam com
nenhuma religião. Dentre os crentes, 51% acreditam em Deus com absoluta
convicção, 27% participam de eventos religiosos ao menos uma vez por
semana e 41% rezam todos os dias.
A numerologia, a astrologia e o tarô estão em alta “Acredito na
numerologia”, garante Noelia, estudante de dupla-graduação em uma
universidade privada, em entrevista à reportagem. Esta jovem também
acredita em astrologia, nas propriedades especiais de determinados
minerais e cristais (sempre mantém um sobre sua mesa de estudos) e
pratica ioga e meditação como forma de se conectar com o espiritual.
As crenças mágicas convivem com o pensamento racional e científico, e
até mesmo com crenças religiosas tradicionais sem que os jovens vejam
conflito nisso.
Mônica (nome fictício), escritora de thrillers de sucesso, garante
que sempre se interessou por temas esotéricos, com destaque para a
astrologia. Há poucos anos, arranjou um baralho de tarô e aprendeu a
utilizá-lo lendo um livrinho.
Não tira as cartas para os outros, porque não quer influenciar
pessoas sugestionáveis, mas garante que as utiliza como ferramenta de
autoconhecimento para entender melhor as coisas que lhe acontecem.
“Houve um boom dessas coisas, que antes estavam relegadas a um âmbito
depreciativo e eram associadas a coisas negativas”, comemora.
Por que as gerações mais tecnológicas, que testemunharam o maior
avanço da história da ciência, estão buscando sentido em práticas desse
tipo? Para os entrevistados, não existe incongruência: acreditam no
empírico e no inexplicável sem ver contradição nisso.
O que está acontecendo? Uma série de fatores se alinhou – como uma
boa conjunção planetária – e permitiu que uma série de crenças que
sempre tiveram seu nicho, mas pareciam restritas aos hippies
alternativos, encontre agora um cenário perfeito para atrair novos
seguidores.
A pandemia, boa aliada do pensamento mágico Os dados apontam um
pico de interesse durante a pandemia do coronavírus. De fato, segundo o
Google Trends, as buscas por termos como “mapa astral” triplicaram
durante 2020 e 2021.
Só nos Estados Unidos, as buscas por “cartas de tarô” e “como ler as
cartas do tarô” experimentaram um aumento de 50% em 2020 se comparadas a
2019, e a Forbes informou no início da pandemia que as leituras
sobrenaturais haviam crescido 136% durante as primeiras semanas da
quarentena.
O interesse pelo tarô e por outras práticas não surgiu com a
pandemia, mas a percepção de que a ciência fracassou em prevenir a crise
mundial provocada pelo coronavírus foi a gota d’água que fez
transbordar o copo da insatisfação.
“Supõe-se que alcançamos uma racionalidade técnica”, aponta Rafael
Palomino, catedrático de Direito Eclesiástico do Estado da Universidade
Complutense de Madri, mas existe uma insatisfação em relação às
respostas que essa racionalidade é capaz de oferecer a perguntas
relacionadas ao sentido da vida.
A visibilidade nas redes, a lógica do mercado e a insatisfação com a
capacidade da sociedade moderna de responder a grandes perguntas
fomentam a adesão a estas crenças.
“Estamos perdendo o pensamento crítico enquanto referência, e assim
as crenças de pensamento mágico encontram um terreno fértil”, adverte
também Pedro Juan Martín, doutor em Ciências Econômicas e Empresariais,
doutor em Antropologia Social e autor do livro Pensamiento mágico y
creencia paranormal [Pensamento mágico e crença paranormal, em tradução
livre].
Maior acessibilidade graças às redes sociais Com a pandemia veio
também um uso mais intensivo das redes sociais e de outros tipos de
plataformas. Agora é possível agendar leituras de tarô diretamente
através do Instagram ou aprender a ler as cartas por conta própria, o
que tornou a prática mais acessível.
“O tarô não é mais assunto restrito aos programas televisivos da
madrugada”, aponta Mônica. “Já é possível dizer abertamente que você
sabe tirar as cartas. Muita gente se motivou a aprender a tirá-las ou
utilizá-las”, acrescenta.
No TikTok, há mais de 2,4 bilhões de publicações com a hashtag
#tarottok, e alguns aplicativos de encontros, como Bumble, permitem que
seus usuários filtrem suas buscas pelo signo do zodíaco. Se você é de
Gêmeos, Peixes ou Leão, sinto muito, mas tudo indica que você sairá
perdendo.
“Existe muito mais pressão midiática porque há um boom nas redes
sociais. Não é muito provável que um jovem visite uma consultora de
tarô, mas ele pode muito bem gastar seu dinheiro em uma sessão online”,
aponta Martín.
De fato, este nicho não passou despercebido pelo mercado. Não é mais
preciso ir a uma loja especializada para ver que a astrologia apela aos
consumidores. Os baralhos de tarô se tornaram mais diversos e hoje são
tão populares que é possível comprar até mesmo cartas da série Friends.
Além disso, os tiktokers e instagramers que tiram cartas de tarô
online podem adquirir seus acessórios e participar de cursos no site
Labyrinthos.
E isso não vale apenas para a cultura pop: a alta costura também
decidiu apostar na popularidade do tarô, e em 2021 a Dior lançou uma
coleção inspirada nas cartas do baralho.
As empresas tecnológicas também não deixam passar uma. O aplicativo
de astrologia Co-Star envia relatórios diários com o horóscopo de seus
usuários. Sanctuary foi lançado em 20 de março de 2019 – coincidindo,
por sinal, com o início da temporada de Áries e do ano novo astrológico –
com financiamento inicial de 1,5 milhões de dólares e pronto para
conectar sua base de usuários a leitores de cartas e do horóscopo.
“A ascensão do pensamento mágico não pode ser compreendida sem a
lógica do mercado”, pois há uma dimensão muito grande de consumo,
garante Rafael Palomino.
Espiritualizados, mas não religiosos
A maior aceitação deste tipo de crenças também evidencia outro
fenômeno importante nesta geração: o afastamento das instituições
religiosas.
Para muitos, esse tipo de prática coexiste sem problemas com crenças
mais tradicionais. Basta vermos a cantora Rigoberta Bandini, que sempre
carrega na bolsa um baralho de cartas de tarô, ao passo que pede em um
de seus grandes sucessos que Cristo venha ensiná-la a rezar.
Todavia, muitos rejeitam as instituições. O estudo do Springstide
capta a essência deste fenômeno: “Embora 71% dos jovens consultados se
considerem religiosos em algum nível e 78% se considerem
espiritualizados, a maioria afirma não se guiar pelas instituições
religiosas”. De fato, dentre os jovens entrevistados que afirmam
recorrer ao tarô ou à astrologia estão mórmons, ortodoxos, judeus e
muçulmanos.
Andrea não renega os valores católicos de sua criação. Porém, ela
garante que a numerologia, a cabala e a astrologia lhe forneceram mais
ferramentas para conhecer a si mesma de outro ponto de vista: “Elas
revelam informações sobre nós mesmas, e a partir disso é possível
trabalhar para crescer e evoluir”.
A jovem garante que em sua visão de mundo “não há uma verdade absoluta: todas as formas de olhar a realidade se combinam”.
O afastamento das instituições religiosas revela a preferência dos
jovens por uma “religião customizada” que lhes permita escolher suas
crenças.
Para explicar este processo, Palomino recorre ao conceito de
“sociedade líquida”, cunhado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, e fala em
uma “religião líquida”. “É uma espiritualidade pessoal, uma religião de
buffet em que você escolhe aquilo que lhe agrada e a única autoridade é
você mesmo”, explica.
Mas Juan Martín também alerta para o fato de que o pensamento mágico
encontra respaldo em certos aspectos negativos da psicologia positiva
que potencializam este ápice de popularidade de crenças mágicas como a
lei da atração.
“É perigosa a ideia de que ‘tudo será como eu quero’, pois não é
verdade que o pensamento seja capaz de alterar a nossa realidade”,
alerta.
“Falta formação dentro das próprias crenças, e existe uma dimensão
subjetiva segundo a qual a verdade é tudo aquilo que faça com que eu me
sinta bem”, reflete Palomino.
As preocupações sociais e políticas, um fator importante Palomino
também aborda outro enfoque para compreender por que jovens que não
rejeitam os valores tradicionais não se identificam com as instituições:
“As identidades políticas estão ganhando muito protagonismo, e em um
futuro próximo serão vivenciadas, de certa forma, como uma religião”.
Os dados do estudo da Springstide corroboram sua visão: metade dos
mais de 10.000 entrevistados disse não acreditar que as instituições
religiosas se preocupem tanto quanto eles com questões que lhe são
profundamente importantes, como o Black Lives Matter, a igualdade de
gênero, os direitos LGBTQ e dos imigrantes, os direitos reprodutivos, o
meio ambiente, a desigualdade salarial e o controle de armas.
Definitivamente, as explicações para essa tendência são múltiplas e
complexas. Estamos falando de uma geração que cresceu em um entorno
líquido, com uma cultura moldada pelas redes sociais e um elevado grau
de insatisfação com uma sociedade que só valoriza respostas
tecnológicas.
Os jovens acreditam que existem outras formas de entender a realidade
e a si mesmos. Os especialistas não negam isso, mas têm ressalvas
quanto às ferramentas escolhidas por eles.
“Existem verdades para além da ciência, mas o pensamento mágico não é o caminho”, conclui Pedro Juan.
Reflexões sobre possibilidades de viajar no tempo – e de como isso
pode ser importante e assertivo em tomadas de decisões na carreira.
Viajar no tempo é possível?
Quando era criança, adorava ver aqueles filmes de viagem no tempo.
Era bom demais flertar com a possibilidade de viajar para o futuro e,
depois, para o passado. No início, minha vontade era apenas ver como
seria o futuro, matar a minha curiosidade. Depois, como sou ansioso,
queria ver se conseguiria alcançar as minhas metas da época. Será que
passaria na faculdade? E pela faculdade, passaria sem repetir nenhuma
matéria? E depois, conseguiria um estágio? Seria um bom profissional?
Conseguiria uma namorada? Uma esposa? Uma filha?
Em seguida, a vontade era voltar ao passado. Agora que estava no
futuro e sabia o resultado das coisas que imaginava quando adolescente,
queria voltar para aproveitar mais. Sabendo o meu futuro, eu conseguiria
viver mais tranquilamente, sem noites insones a pensar se daria conta.
Entretanto, caro leitor, dedicada leitora, isso não é possível.
Infelizmente, não podemos passear pelo tempo do modo que sonhávamos na
infância, mas aprendi um truque que talvez lhe ajude.
E se eu disser que tem um jeito de espiar o futuro e reviver o
passado? E você não precisará desenvolver um carro de inox alimentado
por lixo de cozinha ou, então, uma carruagem voadora puxada por
unicórnios. É muito mais fácil e só depende do seu círculo de amigos,
mentores e aprendizes.
Como voltar ao passado?
Para voltar ao passado, basta ter acesso aos jovens. Na empresa,
quando me reúno com os colaboradores mais novos, vejo isso acontecer
claramente. É possível identificar conflitos e angústias dignas da idade
em que estão vivendo. Digo isso, pois lembro-me exatamente quando as
vivi. É interessante voltar no tempo da insegurança e ajudar nosso
colaborador com as dicas do que fazer para vencer aquele desafio. É
prazeroso encontrar o mesmo problema – que já consegui resolver lá atrás
– pronto para ser resolvido.
Também é intrigante ver novas chances de arrumar falhas que cometi no
passado, não deixando nosso colaborador cometê-las novamente. Quer
saber como alcançar a meta da área comercial? Calma, vamos analisar
cientificamente os indicadores antes de sairmos tomando atitudes na pura
ansiedade. Por que? Porque já fiz isso algumas dezenas de vezes e o
resultado foi sempre pior do que agir com calma.
E o mesmo acontece com a emoção e a energia dos mais jovens. Quando
enxergo um projeto mais desafiador e fico preocupado se vamos conseguir
dar o ritmo necessário, volto aos meus 25 anos quando vejo a empolgação
da turma com ele. É bom demais poder contar com a energia da juventude
na empresa.
E para o futuro, como viajar?
É o mesmo conceito, porém com os mais velhos. Hoje, próximo aos 40,
ainda tenho muitas dúvidas e questionamentos sobre a empresa e até sobre
a vida.
Quando converso com meus mentores, mais velhos e experimentados,
acalmo e ajusto o rumo da minha trajetória. Meus pais, por exemplo,
sempre foram fundamentais para a minha tranquilidade. Foram eles que
sempre colocaram a experiência do caminho para filtrarem meus medos e
ansiedades. Ajuda demais saber que, se as coisas derem errado,
encontrarei um porto seguro para garantir as minhas necessidades
básicas.
Há momentos em que ter uma ideia do que acontecerá com minha
carreira, se seguir em determinada direção, ajuda demais. Se não fossem
eles, não teria tido estofo para remar contra a maré e optar por um
caminho pouco convencional. Talvez não seja o seu caso, mas podem
existir outras pessoas na sua vida para te acolher e te ajudar a
elucidar os caminhos. Saber identificá-las é muito importante,
especialmente para momentos de dúvidas e tomadas de decisão.
Comecei como estagiário em uma pequena empresa, nas férias.
Trabalhando sem remuneração, tive acesso ao proprietário e vi como eu
seria no futuro se tudo desse certo. Identifiquei lacunas na formação
dele que também teria na minha, se trilhasse caminho semelhante. Por
isso, resolvi experimentar o estágio em um grande banco.
No banco, não identifiquei, nos meus superiores, um estilo de vida
que fizesse sentido para meus valores e velocidade. “Pivotei” e fui
trabalhar na pequena indústria da família. Lá fiquei por dois anos e vi
que não havia dinheiro disponível para tirar do papel as coisas que
gostaria.
Vi que, para ter acesso aos recursos para tirar os sonhos do papel,
precisaria estar melhor formado e preparado. Fui lecionar no período
noturno e cursar a pós-graduação durante o dia. Feito o mestrado,
mergulhei no doutorado, mas sem a pretensão de me tornar professor de
carreira. Queria o acesso ao conhecimento e o aprendizado como
consultor. Ter meu co-orientador como referência e sócio me ajudou
demais nesse período.
Quando a carreira estagnou com a empresa, encontrei uma referência
mais forte no mundo corporativo e para lá voltei. Foram 2 anos para
formar a rede de relacionamentos e testar o que havia aprendido em larga
escala.
10 anos depois do início da jornada, voltei ao plano de empreender.
Porém, com os contatos e conhecimentos para colocar, em prática, o sonho
que tinha de empresa.
O ir e vir
E, assim, o ir e vir na dimensão do tempo me ajudou demais a
encontrar a melhor forma de fazer as coisas. Por isso, não perca a
oportunidade de viajar no tempo! Ouça os mais velhos, converse muito e
transfira o conhecimento deles para você. Ao mesmo tempo, cerque-se dos
mais novos para ser contagiado pela energia e corrigir os erros do
passado. Além, é claro, de sentir o frescor das novas tecnologias e
costumes. Dessa forma, independentemente da idade, você será um
profissional atemporal, já que domina o segredo da viagem no tempo.
Virgilio Marques dos Santos é um dos fundadores da FM2S, doutor,
mestre e graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp e Master Black
Belt pela mesma Universidade. Foi professor dos cursos de Black Belt,
Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da
Unicamp, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação.
Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi
um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.
A STARTUP VALEON OFERECE SEUS SERVIÇOS AOS EMPRESÁRIOS DO VALE DO AÇO
Moysés Peruhype Carlech
A Startup Valeon, um site marketplace de Ipatinga-MG, que faz
divulgação de todas as empresas da região do Vale do Aço, chama a
atenção para as seguintes questões:
• O comércio eletrônico vendeu mais de 260 bilhões em 2021 e superou
pela primeira vez os shopping centers, que faturou mais de 175 bilhões.
• Estima-se que mais de 35 bilhões de vendas dos shoppings foram migradas
para o online, um sintoma da inadequação do canal ao crescimento digital.
• Ou seja, não existe mais a possibilidade de se trabalhar apenas no offline.
• É hora de migrar para o digital de maneira inteligente, estratégica e intensiva.
• Investir em sistemas inovadores permitirá que o seu negócio se
expanda, seja através de mobilidade, geolocalização, comunicação,
vendas, etc.
• Temas importantes para discussão dos Shoppings Centers e do Comércio em Geral:
a) Digitalização dos Lojistas;
b) Apoio aos lojistas;
c) Captura e gestão de dados;
d) Arquitetura de experiências;
e) Contribuição maior da área Mall e mídia;
f) Evolução do tenant mix;
g) Propósito, sustentabilidade, diversidade e inclusão;
h) O impacto do universo digital e das novas tecnologias no setor varejista;
i) Convergência do varejo físico e online;
j) Criação de ambientes flexíveis para atrair clientes mais jovens;
k) Aceleração de colaboração entre +varejistas e shoppings;
l) Incorporação da ideia de pontos de distribuição;
m) Surgimento de um cenário mais favorável ao investimento.
Vantagens competitivas da Startup Valeon:
• Toda Startup quando entra no mercado possui o sonho de se tornar
rapidamente reconhecida e desenvolvida no seu ramo de atuação e a
Startup Valeon não foge disso, fazem dois anos que estamos batalhando
para conquistarmos esse mercado aqui do Vale do Aço.
• Essa ascensão fica mais fácil de ser alcançada quando podemos
contar com apoio dos parceiros já consolidados no mercado e que estejam
dispostos a investir na execução de nossas ideias e a escolha desses
parceiros para nós está na preferência dos empresários aqui do Vale do
Aço para os nossos serviços.
• Parcerias nesse sentido têm se tornado cada vez mais comuns, pois
são capazes de proporcionar vantagens recíprocas aos envolvidos.
• A Startup Valeon é inovadora e focada em produzir soluções em tecnologia e estamos diariamente à procura do inédito.
• O Site desenvolvido pela Startup Valeon, focou nas necessidades do
mercado e na falta de um Marketplace para resolver alguns problemas
desse mercado e em especial viemos para ser mais um complemento na
divulgação de suas Empresas e durante esses dois anos de nosso
funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado com tecnologia,
inovação com soluções tecnológicas que facilitam a rotina dessa grande
empresa. Temos a missão de surpreender constantemente, antecipar
tendências, inovar. Precisamos estar em constante evolução para nos
manter alinhados com os desejos do consumidor. Por isso, pensamos em
como fazer a diferença buscando estar sempre um passo à frente.
• Temos a plena certeza que estamos solucionando vários problemas de
divulgação de suas empresas e bem como contribuindo com o seu
faturamento através da nossa grande audiência e de muitos acessos ao
site (https://valedoacoonline.com.br/) que completou ter mais de 200.000 acessos.
Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:
• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;
• Atraímos visualmente mais clientes;
• Somos mais dinâmicos;
• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;
• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;
• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.
• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em
buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para
impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as
suas vendas.
Proposta:
Nós da Startup Valeon, oferecemos para continuar a divulgação de suas
Empresas na nossa máquina de vendas, continuando as atividades de
divulgação e propaganda com preços bem competitivos, bem menores do que
os valores propostos pelos nossos concorrentes offlines.
Pretendemos ainda, fazer uma página no site da Valeon para cada
empresa contendo: fotos, endereços, produtos, promoções, endereços,
telefone, WhatsApp, etc.
O site da Valeon é uma HOMENAGEM AO VALE DO AÇO e esperamos que seja
também uma SURPRESA para os lojistas dessa nossa região do Vale do Aço.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar
ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a
oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de
divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma
Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa
livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua
empresa seja oficializada.
A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando
para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as
melhores marcas do varejo e um mix de opções.
O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o
cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de
compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.
Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que
pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa
plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é
muito abaixo do valor praticado pelo mercado.
Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:
O Site Valeon é bem elaborado, com layout diferenciado e único, tem bom market fit que agrada ao mercado e aos clientes.
A Plataforma Valeon tem imagens diferenciadas com separação
das lojas por categorias, com a descrição dos produtos e acesso ao site
de cada loja, tudo isso numa vitrine virtual que possibilita a
comunicação dos clientes com as lojas.
Não se trata da digitalização da compra nas lojas e sim
trata-se da integração dos ambientes online e offline na jornada da
compra.
No país, as lojas online, que também contam com lojas
físicas, cresceram três vezes mais que as puramente virtuais e com
relação às retiradas, estudos demonstram que 67% dos consumidores que
compram online preferem retirar o produto em lojas físicas.
O número de visitantes do Site da Valeon (https://valedoacoonline.com.br/) tem crescido exponencialmente, até o momento, temos mais de 165.000 visitantes e o site (https://valeonnoticias.com.br/) também nosso tem mais de 2.800.000 de visitantes.
O site Valeon oferece ao consumidor a oportunidade de
comprar da sua loja favorita pelo smartphone ou computador, em casa, e
ainda poder retirar ou receber o pedido com rapidez.
A Plataforma Comercial da Valeon difere dos outros
marketplaces por oferecer além da exposição das empresas, seus produtos e
promoções, tem outras formas de atrair a atenção dos internautas como:
empresas, serviços, turismo, cinemas e diversão no Shopping, ofertas de
produtos dos supermercados, revenda de veículos usados, notícias locais
do Brasil e do Mundo, diversão de músicas, rádios e Gossip.
Nós
somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos
tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história
ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.
Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?
Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.
Políticas públicas Programa relançado por Lula tem histórico de fraudes e desvios
Por Marcos Tosi – Gazeta do Povo
Presidente Lula posa em meio a estande de alimentos no
relançamento do PAA, em Pernambuco.| Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
Planalto
O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do governo
federal, relançado na quarta-feira (22) pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT), tem um histórico marcado por fraudes, que viraram caso
de polícia, e “situações esdrúxulas” apontadas pelo Tribunal de Contas
da União (TCU), em que milhares de toneladas de alimentos foram doadas a
poucas pessoas.
No governo de Dilma Rousseff (PT), houve casos de 1.455 kg de banana
distribuídos por pessoa, numa ação social na Bahia, e de 1.184 kg de
milho por beneficiário, em Presidente Prudente (SP). Ainda que a gestão
alardeie que já distribuiu R$ 8 bilhões a 500 mil agricultores
familiares desde 2003, a auditoria do TCU, em 2016, mostrou que
intermediários abocanhavam 70% dos recursos.
Alguns desvios deram causa a operações da Polícia Federal, como a
Schistosoma, em 2012, em Araraquara e região (SP), e a Pesticida, em
2019, em cidades do Mato Grosso do Sul. As fraudes envolviam servidores
da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de cooperativas e
prefeituras, e culminaram com prisões, denúncia por formação de
quadrilha e estelionato contra a União.
Nesta nova fase do programa, o Ministério do Desenvolvimento e
Assistência Social, Família e Combate à Fome informou que vai priorizar
“mulheres, negros, indígenas, quilombolas e assentados da reforma
agrária”. O montante inicial de repasses deve ser de R$ 500 milhões.
Uma leitura atenta da auditoria feita pelo Tribunal de Contas da
União em 2016 evidencia que um mal crônico do programa sob administração
petista, à parte má-fé e corrupção de alguns, estava na desorganização
administrativa e falta de cuidados mínimos de governança.
Volumes exorbitantes de banana, milho, pepino… Os volumes gigantes
de banana e milho para meia dúzia de beneficiários do PAA foram apenas
os mais expressivos dentre vários outros hortifrútis – como cenoura,
inhame, pimenta, pepino, melancia, quiabo e abóbora – que registraram
distribuição per capita muito superior à média de consumo anual
calculada pelo IBGE. No inhame, a distribuição chegou a ser 113.828%
mais alta que a média.
As distorções passaram praticamente despercebidas à época dos fatos,
entre 2012 e 2014, mas foram constatadas em auditoria operacional do TCU
no Programa de Aquisição de Alimentos, em 2016. Em acórdão de 2017, o
TCU determinou uma série de medidas corretivas no PAA, modalidade compra
com doação simultânea, operado pela Conab em âmbito nacional. O
processo segue em andamento e a única peça pública disponível, no
momento, é o Acórdão de relação 3293/2020 – Plenário.
Chamou atenção dos fiscais do TCU a compra, sem licitação, de 72.782
kg de banana para a Pastoral da Criança na Bahia, para atender 50
beneficiários. Ao dividirem a quantidade de alimento pelo número de
beneficiados, os técnicos concluíram ter encontrado uma “situação
esdrúxula”: 1.455 kg de banana por pessoa, contra uma média de consumo
anual de 6,9 kg por pessoa, segundo o IBGE.
Outro item que também destoou na casa das toneladas foi o volume de
milho de outro contrato, desta vez com a Mitra Diocesana de Presidente
Prudente: 90 mil kg entregues para benefício de 76 pessoas. Na média,
1.184 kg de milho por beneficiário.
“Os cálculos foram utilizados como se os alimentos fossem entregues
para consumo durante um ano, no entanto o resultado seria igualmente
expressivo caso fosse utilizado o consumo das pessoas pela vigência
máxima das CPRs (de dois anos)”, destacava a auditoria, apontando ainda
as dificuldades para armazenar esses produtos.
Dentre outros itens básicos também fornecidos em quantidades
pantagruélicas, vale mencionar ainda o pepino (29.764 kg para 51
beneficiários, ou 583 kg por pessoa), a pimenta (15 mil kg para 350
beneficiários, ou 42,8 kg por pessoa), a melancia (32.140 kg para 52
beneficiários, ou 618 kg por pessoa) e o quiabo (5.480 kg para 20
beneficiários, ou 274 kg por pessoa).
Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) integra o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional
Números apontam para desorganização gerencial Tanto alimento
entregue de uma única vez, teoricamente para poucas pessoas, não quer
dizer necessariamente que líderes religiosos ou de ONGs tenham se
locupletado com bananas, quiabo, pepino e pimenta. É razoável, e
factível, entender que o problema estava muito mais ligado à
desorganização administrativa e contábil do Programa de Aquisição de
Alimentos do que à má-fé de beneficiários.
À época, os próprios técnicos do Tribunal de Contas da União foram
parcimoniosos, e preferiram não tirar conclusões imediatas, apenas em
função dos números. Mas também não descartaram a possibilidade de
desmandos.
“Importante destacar que esses casos não se tratam necessariamente de
fraude ou desvio, mas revelam descontrole e falta de planejamento entre
as aquisições efetuadas pela Conab e a quantidade demandada pelas
organizações recebedoras nos processos do PAA/CDS. Como efeito dessa
situação nota-se que a falta de planejamento para a conciliação entre a
oferta de alimentos da agricultura familiar e a demanda das unidades
recebedoras pode resultar em desperdício, fraudes e atendimento a
pessoas que não estejam incluídas no público alvo da política pública,
causando inclusive prejuízos financeiros”, disse o relatório.
Todas as compras citadas no relatório, assim como as novas compras
que o governo Lula pretende fazer no PAA, tiveram dispensa de licitação.
A modalidade Cédula de Produto Rural – Doação (CPR Doação), onde foram
apontadas as distorções, está de volta.
Por esse instrumento, os fornecedores entregam alimentos a uma
organização ou associação, que faz remessa dos produtos às instituições
beneficiadas. Essas instituições fazem a entrega ao consumidor final e
precisam confirmar o fechamento do ciclo à Conab. Só então a Conab quita
as compras junto aos fornecedores.
VEJA TAMBÉM:
Reforma de impostos com alíquota única de IVA, como quer governo, pode encarecer a comida
Cultivo de grãos esgota a água do Cerrado? Justamente o contrário, mostra pesquisa Mortos e políticos entre beneficiários do PAA No
período fiscalizado, de dois anos, o TCU encontrou 15.951 beneficiários
que apresentaram indícios de não cumprimento dos requisitos do
programa. Dentre eles, 548 mortos, 2.182 proprietários de imóvel rural
com área superior a quatro módulos fiscais (limite para participação no
PAA) e 2.331 pessoas que possuíam ocupação em período integral em outro
estado da federação, diferente daquele em que a compra foi efetuada.
Foram enquadradas ainda como “situações de risco” quanto ao perfil
dos beneficiários 49 pessoas com mandato eletivo, 2.181 detentores de
cargos públicos e 65 mil sem vínculo com imóvel rural no Sistema
Nacional de Cadastro Rural.
A desorganização administrativa era regra no período auditado. Das
fiscalizações do PAA/CDS realizadas pela Sufis/Conab, entre 2012 e julho
de 2015, apenas 16% das atividades foram consideradas regulares.
Da maneira como as CPRs eram executadas, concluiu o relatório do TCU,
“o que se percebe é que parcela significativa da renda fica em poder
dos intermediários empreendedores – cooperativas e empresas
beneficiadoras – muitas das vezes se utilizando de um frágil vínculo com
os agricultores familiares para legitimar suas propostas de
participação”.
Deste modo, concluiu a auditoria, “aproveitam-se de recursos públicos
para obtenção de vantagem comercial sobre os demais agentes de mercado.
Nota-se que o beneficiário fornecedor, que é a quem o Programa tem por
objetivo apoiar, recebe apenas trinta por cento do valor do produto
entregue à unidade recebedora e todo o restante é dividido entre a
cooperativa e a indústria terceirizada”.
Programa voltado ao MST e assemelhados
Para o economista José Pio Martins, que já dirigiu uma cooperativa em
Londrina (PR), o volume de recursos do Programa de Aquisição de
Alimentos – R$ 500 milhões anunciados pelo ministro Paulo Teixeira, do
Desenvolvimento Agrário – pode ser pouco para combater a fome, mas, em
contrapartida, é significativo no benefício da militância.
“É como dizer ‘eu tenho aqui mil pães aqui e vou lançar um programa
de distribuição de pães’ para alimentar 54 milhões de pobres do cadastro
social. É dar um tiro de canhão para matar um grilo”, diz. “A impressão
é que o programa pretende ajudar o MST e alguns agricultores
familiares. Mesmo a agricultura familiar no Brasil é muito maior do que
R$ 500 milhões”.
Na avaliação do jurista Romeu Bacellar Filho, que já foi presidente
da Associação Iberoamericana de Direito Administrativo, a melhor forma
de coibir desvios em programas sociais que envolvem gastos públicos sem
licitação é a permanente fiscalização da sociedade civil organizada.
“Falta participação popular. Recrutar gente de entidades de classe,
associações de moradores, de donas de casa para fazer parte deste
processo. Já que não há licitação, que se faça um edital comunicando que
o governo vai fazer compra de alimentos para ser distribuídos, e
convidando entidades e pessoas com interesse de participar. Não precisa
nem participar, é só fiscalizar”, aponta.
A reportagem contatou o TCU e a Conab para saber se houve
efetivamente correções no programa, após as recomendações da auditoria.
Ainda não chegou nenhuma manifestação. Também foram contatadas a
Pastoral da Criança de Salvador e a Mitra Diocesana de Presidente
Prudente, onde ocorreram os dois casos mais expressivos de distribuição
de alimentos per capta fora dos padrões. Também se aguarda retorno e o
espaço segue aberto para manifestações.
No discurso de relançamento do Programa de Aquisição de Alimentos, em
Pernambuco, Lula prometeu: “Nós já fizemos isso uma vez, e agora vamos
fazer com muito mais competência, com muito mais disposição e muito mais
rapidez”.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: taxa Selic
foi mantida apesar de pressão de Lula e do PT por queda dos juros.|
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A reunião do Copom encerrada na última quarta-feira trazia consigo
muitas expectativas, não apenas por se dar em uma “Super Quarta”, com
decisões de outros bancos centrais importantes mundo afora, mas também
porque as pressões sobre o Banco Central brasileiro, vindas do governo,
de dirigentes petistas e de entidades-satélites do petismo, vinham se
avolumando. No fim, a técnica prevaleceu sobre a política e os membros
do colegiado decidiram pela manutenção da Selic nos atuais 13,75%,
apontando uma série de fatores, incluindo a incerteza global após a
crise bancária nos Estados Unidos e na Suíça, e a resiliência da
inflação brasileira, que não deve voltar para dentro dos limites de
tolerância da meta para este ano.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chamou de “preocupante” o
comunicado divulgado ao fim da reunião. Mas, a bem da verdade, não
existe muita diferença entre o que o Copom afirmou no dia 22 e o que vem
dizendo há meses, até mesmo antes de Lula ser eleito. Houve até alguns
acenos ao governo: se em 1.º de fevereiro o comunicado falava em “ainda
elevada incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país”, agora
retirou o adjetivo e fala apenas em “incerteza”; ao mencionar a volta da
cobrança de impostos federais sobre combustíveis, o Copom não citou seu
efeito sobre a inflação, mas ressaltou que ela “reduziu a incerteza dos
resultados fiscais de curto prazo”, vendo o copo meio cheio do ponto de
vista fiscal. Mesmo o trecho mais incisivo, que promete a retomada do
“ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como
esperado”, já apareceu em comunicados anteriores e é condizente com a
missão primária do Banco Central, a preservação do valor da moeda.
Lula pode “continuar batendo” e sindicalistas podem queimar bonecos
de Roberto Campos Neto, mas isso não vai levar à queda dos juros. Selic
mais baixa só virá com um arcabouço fiscal bem montado, reformas
estruturantes e menos intervencionismo
O que realmente incomoda o governo no comunicado do Copom é o fato de
que ele desnuda a responsabilidade dos poderes Executivo e Legislativo
no que chama de “conjuntura marcada por alta volatilidade nos mercados
financeiros e expectativas de inflação desancoradas em relação às metas
em horizontes mais longos”. Se o mercado financeiro começa a perceber
que o Brasil não leva a sério sua saúde fiscal e que este problema pode
se tornar mais duradouro, isso não é culpa do Banco Central, mas dos
atores políticos que dia sim, dia também, falam e agem como se a
responsabilidade fiscal não importasse.
A mensagem do Copom é bastante clara: Lula pode “continuar batendo” e
sindicalistas podem queimar bonecos de Roberto Campos Neto na Avenida
Paulista (o que em outros tempos, e com outros personagens, certamente
seria chamado de “discurso de ódio”), mas isso não vai levar à queda dos
juros. Selic mais baixa só virá com um arcabouço fiscal bem montado –
porque, obviamente, de nada adiantará uma regra frouxa –, reformas
estruturantes como a tributária e a administrativa, e menos
intervencionismo na economia. E, ao afirmar isso, o Copom está longe de
se portar como ator político; está apenas ressaltando o óbvio que o
governo ignora por acreditar que meras promessas de anúncio de um
arcabouço fiscal cujo conteúdo é desconhecido deveriam bastar para, por
algum poder mágico, acalmar os investidores.
VEJA TAMBÉM: O misterioso arcabouço fiscal (editorial de 20 de março de 2023) A inflação aceitável para Lula (editorial de 10 de fevereiro de 2023) Lula declara guerra ao Banco Central autônomo (editorial de 9 de fevereiro de 2023)
Quando teve a faca e o queijo na mão para mudar a meta de
inflação, o governo não o fez. Então, o Banco Central seguirá fazendo o
que for preciso para trazer a inflação de volta para o objetivo traçado,
e o faz com as ferramentas que tem à disposição. Já o governo, em vez
de se juntar ao esforço e contribuir efetivamente para restaurar a saúde
fiscal do país, continua apostando no palavrório e na histeria para
baixar os juros na marra. Felizmente, Campos Neto não é para Lula o que
Alexandre Tombini foi para Dilma Rousseff.
Operação de crise Planalto considera falas de Lula contra Moro “desastrosas” e quer usar viagem à China para amenizar críticas Por Wesley Oliveira – Gazeta do Povo Brasília
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva| Foto: EFE/Antonio Lacerda
Integrantes
e aliados do Palácio do Planalto se mobilizam nos bastidores para
tentar amenizar os efeitos das falas do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) nos últimos
dias. Com a repercussão negativa para o governo, Lula se reuniu nesta
sexta-feira (24) com ao menos oito ministros e diversos líderes do
Congresso Nacional para discutir os efeitos da crise para o
Executivo. Uma das estratégias será usar a viagem à China para tirar o
foco das declarações de Lula, as quais foram classificadas como
“desastrosas” por interlocutores do próprio PT.
Na quinta-feira (23), durante uma agenda no Rio de Janeiro, o petista
chegou a sugerir que a operação da Polícia Federal para desmontar um
plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra autoridades, incluindo
Moro, seria uma “armação” por parte do senador.
“Acho que é mais uma armação do Moro. Eu vou descobrir o que
aconteceu porque é visível que é uma armação do Moro”, disse o petista.
Porém, documentos do processo que levou à prisão de 11 integrantes do
PCC nesta semana trouxeram provas concretas de que havia uma célula da
facção armada e pronta para sequestrar ou matar o senador e seus
familiares. Os policiais obtiveram provas materiais de que criminosos
rondaram a casa de Moro e até alugaram imóveis para vigiar seus passos e
de sua família.
Ficou evidente que não se tratava de armação, mas de um plano
elaborado para calar o senador. Tratava-se de vingança pelo fato de
Moro, quando era ministro da Justiça, ter introduzido medidas que
reduziram muito a capacidade das lideranças do PCC, que cumprem penas em
presídios federais, se comunicarem com seus com seus subalternos nas
ruas.
Reservadamente, líderes do PT avaliaram que a fala do presidente foi
“desastrosa” e que Lula cometeu um “ato falho” ao repercutir o assunto.
Antes de Lula comentar o tema, aliados do Planalto tentavam emplacar a
narrativa de que a operação da PF mostrou que a corporação estaria
atuando de forma “republicana” durante o governo petista.
Líder do governo no Congresso Nacional, o senador Randolfe Rodrigues
(Rede-AP), chegou a acusar Moro de tentar politizar o episódio. “O
senador Moro tinha conhecimento das investigações da Polícia Federal.
Tentar politizar esse tema é mau-caratismo. A PF, sob o comando do
presidente Lula, atuou de forma republicana para proteger a vida de um
opositor que o levou ilegalmente e injustamente à prisão”, disse
Rodrigues no dia anterior a fala de Lula.
Na mesma linha, o senador Humberto Costa (PT-PE) chegou a dizer que
Lula tinha “salvado” Moro. “A PF de Lula salvou a vida de Moro. E essa
operação prova por A mais B que Lula governa para todos”, escreveu o
petista nas redes.
Planalto vai investir na agenda de Lula na China para amenizar crise contra Moro A
reunião ministerial desta sexta estava prevista para ocorrer ainda pela
manhã no Palácio do Planalto, mas foi adiada depois que o petista foi
diagnosticado com um quadro de pneumonia leve. No encontro, que ocorreu
no Palácio da Alvorada, Lula ouviu de seus auxiliares que é preciso
mudar a narrativa do governo para amenizar os efeitos da declaração
contra o senador pelo Paraná.
De acordo com interlocutores do governo, a pauta principal do
encontro na residência oficial da Presidência foi para tratar sobre o
impasse entre a Câmara e o Senado sobre a tramitação das medidas
provisórias no Congresso. Mas os efeitos sobre as falas contra Moro
também foram discutidos pelos auxiliares do petista.
Lula foi aconselhado por seus ministros a usar a viagem à China para
amenizar as críticas da oposição. A avaliação é de que o petista vai
precisar explorar ao máximo a agenda no país asiático para sobrepor a
repercussão negativa das falas contra Moro. Lula deveria embarcar para
Pequim ainda neste sábado (25), mas adiou para domingo (26) para tratar
do seu quadro de saúde.
Segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo,
Lula “está bem” e a viagem para a China está mantida. “Foi um início de
pneumonia, que está sendo tratada”, disse Macêdo, que esteve entre os
integrantes da reunião no Alvorada.
Fala de Lula contra Moro provocou reações dentro da Polícia Federal Além
das críticas por parte dos integrantes da oposição, as falas de Lula
sobre a suposta “armação” de Moro provocaram reações negativas para o
Planalto dentro da Polícia Federal. O trabalho de investigação sobre o
plano do PCC contra as autoridades contou com o apoio do Ministério
Público Federal (MPF) e a operação contra os suspeitos teve autorização
da Justiça.
Em nota, a Associação de Delegados da Polícia Federal manifestou
apoio ao trabalho dos investigadores. “As investigações foram conduzidas
com cautela, responsabilidade e amparo na lei, sendo obtido,
certamente, forte arcabouço probatório no curso do Inquérito Policial”,
destacou.
Além das acusações contra Moro, Lula chegou a questionar a atuação da
juíza Gabriela Hardt, responsável por autorizar os pedidos de
prisões contra os integrantes do PCC. Hardt substituiu o próprio Moro na
Operação Lava Jato, quando o ex-juiz pediu exoneração do cargo, no fim
de 2018, para assumir o Ministério da Justiça no governo do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A magistrada chegou a condenar Lula a 12 anos de prisão por lavagem
de dinheiro e corrupção passiva no caso do Sitio de Atibaia. As decisões
da juíza acabaram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que
considerou o foro do Paraná incompetente para julgar Lula.
“Eu vou pesquisar e saber o porquê da sentença, parece que a juíza
não estava nem em atividade quando deu o parecer para ele. Mas isso a
gente vai esperar”, disse Lula. Após a fala do petista, Hardt retirou o
sigilo das investigações e revelou os detalhes sobre os planos do PCC
contra a vida de Moro e de outras autoridades.
VEJA TAMBÉM:
Investigação traz provas que desmentem Lula e mostram que ameaça do PCC a Moro não era “armação”
Criminosos do PCC rondaram casa de Moro por uma semana, mostra rastreamento da PF
PT tentou derrubar medida de combate ao PCC no STF e agora é cobrado por Moro Investigações deram detalhes do plano do PCC contra Sergio Moro
Para contornar a crise provocada, o ministro da Secretaria de
Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta (PT), disse que a declaração
de Lula a respeito da ação da PF não tinha o intuito de questionar o
trabalho da instituição, mas sim “o conjunto de coincidências”
envolvendo atores da Lava Jato no caso e o “método” de repercussão
utilizado por Moro ao comentar a operação. As críticas também se referem
ao “timing” da decisão que revelou o plano de sequestro do senador.
Paralelamente, Pimenta criticou a decisão da juíza de retirar o
sigilo das investigações sobre o caso. “Gabriela Hardt acaba expondo as
investigações e, consequentemente, atrapalhando-as, já que as apurações
seguem em curso e tratam de um tema sensível, que é o das organizações
criminosas. Seu objetivo foi ajudar a PF?”, questionou Pimenta.
Em nota, a Justiça Federal do Paraná, órgão que responde pela juíza
Gabriela Hardt, afirmou que a retirada do sigilo do processo foi um
pedido do delegado que conduz as investigações, protocolado nos autos às
14h da quinta-feira.
“Contudo, por cautela, a juíza federal designada para atuar no caso,
entendeu melhor manter o nível de sigilo 1, por segurança dos
investigados e vítimas, autorizando a divulgação apenas das
representações policiais e das decisões que autorizaram as prisões e as
buscas, bem como o termo de audiência de custódia”, diz a nota.
Provas entregues pela PF à Justiça do Paraná apontam que não apenas
Moro se encontra na mira do PCC, mas também seus filhos e sua mulher, a
deputada federal Rosângela Moro (União Brasil-SP). Segundo Gabriela
Hardt, as provas indicam que “atos criminosos estão efetivamente em
andamento” em Curitiba.
Planalto acredita que Moro ganhou projeção política
Além da fala sobre a “armação”, Lula já havia sido alvo de
questionamentos ao dizer durante uma entrevista ao site Brasil 247
que “só ia ficar bem quando f. com o Moro”. Desde então, o Planalto já
havia montado uma operação para tentar frear a repercussão negativa.
“De vez em quando um procurador entrava lá de sábado, ou de semana,
para visitar, se estava tudo bem. Entrava três ou quatro procuradores e
perguntava: ‘Tá tudo bem?’. Eu falava: ‘Não está tudo bem. Só vai estar
bem quando eu f* esse Moro’. Vocês cortam a palavra ‘f*’ aí…”, disse Lula na entrevista.
O ministro Paulo Pimenta chegou a convocar uma coletiva de imprensa
às pressas na tentativa de explicar os xingamentos do presidente a Moro.
“O que gera o questionamento foi esse conjunto de coincidências, fatos,
que acabam trazendo revolta e toda uma memória sobre um método que foi
utilizado contra ele (Lula) várias vezes, com os mesmos personagens.
Muito mais do que como presidente, mas como ser humano, é natural o
sentimento de indignação”, disse Pimenta.
Reservadamente, líderes petistas avaliam que Moro ganhou projeção
política diante das falas “desastrosas” de Lula. No entanto, acreditam
que o senador não tem capital político para liderar a oposição contra o
governo.
Até o momento, pelo menos seis pedidos de impeachment contra Lula já
foram protocolados na Câmara, sendo metade por conta de suas declarações
contra Moro. Apesar disso, a avaliação dos petistas é de que os pedidos
não devem avançar dentro do Congresso Nacional.
Na quinta-feira (23), o senador rebateu as declarações de Lula e
disse que o presidente dá “risada de família ameaçada pelo crime”.
“Fui surpreendido com uma fala do presidente da República que
simplesmente riu das ameaças a mim e a minha família. Ele [Lula] chegou a
sugerir que poderia ser uma armação da minha parte. Eu repudio
veementemente essas afirmações”, disse Moro.
Grupo de advogados endossa acusações de Lula contra Moro
Paralelamente a estratégia dos integrantes do Planalto, o grupo
Prerrogativas, que é composto por advogados, juristas e defensores
públicos, elaborou uma nota em que endossa as acusações de Lula contra
Moro. O grupo conta com integrantes simpáticos ao PT e críticos ao
trabalho da Lava Jato.
“Nós sabemos o que o Moro fez no verão passado. Natural, pois, que
haja suspeitas sobre o seu comportamento neste episódio. No mais, a
participação da juíza ‘corta-cola-copia’ é mais um elemento de reforço
para as dúvidas lançadas exclusivamente sobre o momento da deflagração
da bem-sucedida operação em questão”, disse.
O grupo jurídico ainda defende que o presidente petista não
questionou o mérito e a necessidade das investigações e das medidas
protetivas. “Isto é o que realmente importa”, diz a nota, que tece
elogios à PF, ao Ministério Público e ao Ministério da Justiça.
BR do Mar Brasil continua sem alternativas ao modal rodoviário Por Lígia Martoni – Gazeta do Povo
Porto de Paranaguá (PR): cabotagem pode responder por 30% da
movimentação de cargas no Brasil, mas espera do decreto que regulamenta a
legislação atrasa efeitos práticos da lei.| Foto: Claudio Neves/Portos
do Paraná
Há um ano, o Programa de Estímulo ao Transporte por
Cabotagem, viabilizado pela Lei 14.301/22, conhecida como Lei da BR do
Mar, passava a vigorar em seu texto final. Desde que foi promulgada, a
principal expectativa sobre a nova legislação era fomentar o transporte
de cargas entre portos brasileiros e, assim, agregar uma alternativa ao
modal rodoviário, especialmente em grandes distâncias. Além de diminuir
custos logísticos. No entanto, desde que passou a valer, especialistas
do setor avaliam que a lei ainda não tem efeitos práticos, já que falta a
regulamentação para que suas prerrogativas funcionem e os estímulos
criados garantam segurança jurídica aos investidores.
A lei 14.301 teve origem no projeto 4.199, de 2020, de autoria do
próprio Executivo. Uma demanda de anos dos setores produtivo e
logístico. Originalmente sancionada em janeiro de 2022, a lei sofreu
vetos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). E, de volta ao Congresso,
teve a maior parte dos vetos derrubados por deputados e senadores,
passando a vigorar em 25 de março de 2022, com a publicação de seu texto
integral no Diário Oficial da União (DOU).
Entre idas e vindas, a lei que era dada como aposta de ser um dos
projetos estratégicos mais importantes já criados para impactar a matriz
de transporte brasileira não vingou. A expectativa de seus efeitos
criarem um forte estímulo à cabotagem, embora com ressalvas do setor a
determinados tópicos, ficou frustrada nas entranhas da burocracia.
“Dependemos ainda de uma regulamentação, um decreto que ficou sendo
gestado o ano todo (de 2022) e não foi editado”, explica o
diretor-executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem
(Abac), Luis Fernando Resano. Agora, o governo Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) sinaliza que deve rever o viés do decreto. Pelo menos é o que
indicou o ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, em evento
realizado pelo setor de cabotagem na última semana, no Rio de Janeiro,
ao reafirmar a necessidade de aperfeiçoar a lei aprovada na gestão
anterior. “O programa BR do Mar, portanto, não funciona”, enfatiza
Resano.
Em suma, a Lei da BR do Mar veio para atuar em quatro frentes: frota,
indústria naval, custos e portos. Em relação à frota, passou a permitir
o afretamento de navios de bandeiras estrangeiras, o que permitiria
ampliar a capacidade de transporte por cabotagem, já que a frota
eminentemente brasileira é reduzida. Ao mesmo tempo, visava ao posterior
fomento da indústria naval brasileira, uma vez que, com uma esperada
crescente demanda, mais ativos precisariam ser agregados, além de os
navios operantes precisarem de manutenção e reparos.
Quanto aos custos, a promessa da lei era reduzir a burocracia e
garantir melhores condições de competitividade nas operações de
cabotagem. E no que tange aos portos, trazia a permissão de contratos
temporários para movimentar cargas que ainda não constassem em operação,
o que permitiria a abertura de terminais especialmente dedicados à
modalidade.
Mas nada disso deve ser concretizado até que a regulamentação saia.
“O decreto ficou pronto entre agosto e setembro do ano passado e não foi
publicado. É uma grande frustração para o setor, porque não há
expectativa real em termos de edição dessa regulamentação”, avalia
Ademar Dutra, professor da Universidade do Sul de Santa Catarina
(Unisul) e coordenador do Congresso Internacional de Desempenho
Portuário (Cidesport), que acontece anualmente no Brasil, reunindo
pesquisadores e gestores da área.
O texto do decreto que vai regulamentar a BR do Mar deve estabelecer
as regras, critérios e procedimentos a que entes públicos e privados
terão de se submeter para a implementação, habilitação, execução e
monitoramento do programa. A regulamentação traça em detalhes as regras
para que empresas de navegação se inscrevam e operem dentro da política
de incentivo, o papel de órgãos executivos e fiscalizadores, como a
Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), e condições e
especificações para os afretamentos de embarcações. “O regulamento não
traz algo novo ou diferente, mas detalha e especifica como vai ocorrer a
operacionalização e a aplicação da lei”, explica Dutra.
Segundo o diretor-executivo da Abac, as empresas associadas (10, no
total) querem aumentar a frota e a disponibilidade de serviço, mas
dependem de mais segurança jurídica. “A regulamentação vai dizer pelo
menos qual vai ser a política nos próximos anos. Até lá, está todo mundo
muito cauteloso”, adianta.
Outra questão é definir pontos práticos que geram insegurança sobre
como aplicar os investimentos para viabilizar a BR do Mar. Para Resano,
criar um cenário favorável a aumento de demanda pela cabotagem e
consequentes investimentos no setor passa por resolver alguns pontos
controversos da legislação, como os incentivos a afretamento versus
compra de navios, descontos em alíquotas de frete que vão impactar
diretamente na diminuição do Fundo da Marinha Mercante, utilizado para
financiar diversos projetos de fomento ao setor naval, além de questões
trabalhistas e regras envolvendo as tripulações, que impactam
diretamente nos custos e viabilidade das operações.
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movimentou 1,209 bilhões de toneladas em 2022, segundo o último
relatório do Anuário Estatístico Aquaviário da Antaq, divulgado em
fevereiro. As navegações de longo curso de exportação e importação
respondem pela maior parte dessa fatia, somando 849,6 milhões de
toneladas. A cabotagem correspondeu a 283,3 milhões, englobando graneis
líquidos, sólidos, carga geral e contêineres.
O crescimento da modalidade em 2022 foi de 1,8%, inferior aos 11%
registrados em 2021. Isso aconteceu por conta dos impactos da seca na
região amazônica, baixando o nível de calado dos navios e travando o
segmento na região, segundo análise da Antaq. Nas regiões Sudeste e Sul,
em compensação, a navegação por cabotagem teve aumento, com destaque
para os portos do Rio de Janeiro (RJ), com 41%, e Itapoá (SC), com 35%.
Em Santos (SP), os embarques e desembarques por cabotagem totalizaram
18 milhões de toneladas no ano passado, 3,8% a mais que em 2021, mas
com crescimento inferior à média dos dois anos anteriores, que ficou
entre 6,5% e 8,3%, segundo dados da Autoridade Portuária de Santos. Já
em Paranaguá (PR), a variação positiva entre 2021 e 2022 foi de 8,4%,
passando de 2,7 toneladas para 2,9 toneladas movimentadas entre um ano e
outro. A cabotagem representou, em 2022, 5% da movimentação total dos
portos paranaenses, contra 4,7% em 2021, conforme informações da Portos
do Paraná, que administra os portos de Paranaguá e Antonina.
A empresa pública vinculada ao governo paranaense cobra taxas até 50%
inferiores em relação a outras tabelas nas operações por cabotagem nos
portos do estado, como forma de incentivo à modalidade. Os descontos são
nas tarifas de Infraestrutura de Acesso Aquaviário, Infraestrutura de
Acostagem e Infraestrutura Terrestre, dependendo da mercadoria
transportada e do tipo de embarcação, entre outras variáveis.
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Vê-se que é uma modalidade que cresce, mas muito discretamente
para o potencial que agrega. “A cabotagem no Brasil, em termos de
movimentação (de cargas), está em torno de 12%. Com o planejamento que o
governo federal fez implantando esse projeto de lei e com a devida
regulamentação, a estimativa era que alcançaria 30%”, analisa Ademar
Dutra.
Além da regulamentação, necessária para estabelecer as condições de
operação relativas à lei, o especialista acredita que é preciso uma
acomodação do processo logístico. “Deve ser um processo gradativo. Para
passar uma determinada mercadoria que é transportada pelo modal
rodoviário para a cabotagem, há uma outra lógica logística que precisa
ser construída, e há resistência muito forte do sistema rodoviário de
abdicar desse tipo de transporte. O rodoviário acha que vai perder
espaço, quando na verdade todos os estudos sinalizam que o rodoviário
vai continuar movimentando essa carga, mas em trechos mais curtos.”
Da mesma forma que a legislação abriu caminho à operação com navios
estrangeiros, o que deve facilitar a oferta de embarcações, também é
preciso pensar em outro atrativo de redução de custos: os impostos que
incidem sobre o bunker, o combustível do navio. “O combustível do navio
de longo curso, que vai pra Ásia, tem tributação diferente do navio para
navegação de cabotagem”, explica o gerente de Assuntos Estratégicos da
Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Mohr.
O professor e economista Luiz Antônio Fayet, da Universidade Federal
do Paraná (UFPR), conta que 24% do valor do combustível do navio usado
para cabotagem no Brasil é composto por tributos. “É preciso haver uma
nova legislação que estabeleça um teto e o estado que quiser pode zerar a
tributação do bunker. O que vai acontecer é que os estados vão preferir
zerar o bunker e ter navegação barata, e isso pode ajudar muito”,
estima. A Lei da BR do Mar, entretanto, não contempla esse componente.
O que fica é a expectativa de que as soluções trazidas pela
legislação atual se concretizem com a regulamentação e, assim, a oferta
do serviço finalmente cresça. “Como são poucas empresas (que operam a
cabotagem), e até hoje não tinham incentivo, a oferta é muito pequena.
Hoje, a oferta de navios saindo do Sul em direção ao Nordeste é de um
por semana. Se por um motivo perde essa escala, atrasa demais a operação
e, com isso, o tempo acaba virando um outro inibidor”, avalia Mohr.
O ciclo deve fechar a partir das definições sobre as questões
trabalhistas relativas à tripulação. “Caberá à regulamentação
flexibilizar a CLT para quem está embarcado, já que a navegação exige
regime de trabalho especial”, lembra o gerente da Fiep. Resolvidas essas
questões, mais incentivos trariam mais investimentos, maior oferta de
transporte e, consequentemente, o olhar do setor produtivo para o modal.
Mas ainda não é possível pensar em prazos para isso. De acordo com o
Ministério de Portos e Aeroportos, a minuta de decreto da BR do Mar está
sendo revisada pela equipe técnica da Secretaria Nacional de Portos e
Transportes Aquaviários (SNPTA) e deverá ser rediscutida com o setor e a
sociedade. Assim que finalizada, seguirá o trâmite normal até a Casa
Civil, para análise e posterior publicação – porém, ainda sem data
definida.
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O que é mais preocupante com tantas interrupções no tráfego da BR-277?
a. Atrasos e incertezas para viagens particulares ao litoral do Paraná. b. Impactos no escoamento da produção agrícola e industrial aos portos, com prejuízos econômicos. c. Insegurança quanto a novos deslizamentos de encostas e afundamentos do pavimento. d. Receio problemas mais graves, com falta de comunicação entre a capital e o litoral por longos períodos.