sábado, 25 de março de 2023

LULA NÃO ESTÁ À ALTURA DO CARGO QUE OCUPA

Em 107 minutos

Por
Deltan Dallagnol – Gazeta do Povo


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Existem numerosas fábulas que contam histórias sobre a importância de dizer a verdade. Uma delas é a do menino que pastoreava ovelhas e mentia que havia um lobo. Ele gritava por ajuda falsamente. Quando ele realmente precisou de ajuda, ninguém veio em seu auxílio. Acabou sendo devorado por um lobo e expondo as suas ovelhas a um verdadeiro perigo. Lula mente, mas vive numa realidade um pouco diferente, um “multiverso da loucura” na expressão usada por Sergio Moro. E muita gente o acompanha nessa realidade paralela. Mesmo quando Lula mente e engana, é idolatrado e aplaudido por muitos na esquerda, ainda que suas mentiras exponham a sociedade ao perigo de lobos reais.

Ontem, Lula riu do plano do PCC para matar a família de Sergio Moro. Afirmou ser uma “armação de Moro”. Com isso, chama de mentiroso seu próprio ministro da Justiça, os presidentes da Câmara e Senado, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o GAECO de São Paulo e a Justiça, que afirmam de forma unânime existirem provas do plano para matar Moro e o promotor Lincoln Gakiya. Ao mesmo tempo, Lula negou os investimentos de R$ 5 milhões pelo PCC no plano de assassinato, os imóveis alugados para monitorar a família, os carros e o dinheiro apreendido e o mapeamento da rotina dos filhos e dos postos de gasolina usados para abastecer os carros. Como na Lava Jato, Lula nega as provas e constrói uma teoria da conspiração.

A atitude de Lula enfraquece a importante comoção e resposta da sociedade contra o crime organizado para proteger as famílias ameaçadas.

Lula se coloca ao lado do PCC, que se torna vítima de uma armação, e contra os agentes da lei ameaçados. Como o garoto pastor, Lula mente. Contudo, Lula faz o contrário: grita que não há lobo por meio do seu megafone presencial, mas aqui o lobo é de verdade. O efeito é perigoso. Ele desmobiliza a reação social e moral contra o crime organizado. Como presidente, ele é a personalização máxima das instituições e sua atitude enfraquece a importante comoção e resposta da sociedade contra o crime organizado para proteger as famílias ameaçadas. É um falso pastor, que abandona as ovelhas aos lobos, violando a dignidade e o decoro do cargo e traindo seus deveres de proteção dos brasileiros.

O propósito da mentira é claro. Um grupo de jornalistas entrevistou Lula pelo blog 247, nesta mesma semana, aceitando suas mentiras e elogiando fatos inexistentes. Nessa entrevista, Lula revelou que, na prisão, afirmava: “Só vou ficar bem quando ‘f0der’ esse Moro”. A verdade é que Sergio Moro confrontou duas perigosas organizações criminosas: o PCC e o sistema corrupto de Brasília. A reação do crime organizado das ruas e dos palácios vem com suas próprias armas. O PCC reage com fuzis e pistolas. Os corruptos palacianos reagem com o poder da caneta, da articulação política e das instituições.

Essa entrevista de Lula é assustadora, não só pelas mentiras, mas porque as ilusões que cria são repercutidas como se fossem reais.

Esse posicionamento de Lula revela um desejo claro de vingança em relação à Operação Lava Jato e aos que combatem a corrupção como um todo. Ele parece estar obcecado com a ideia de se vingar daqueles que o impediram de morar em um triplex de luxo. Não é à toa que os agentes da lei que trabalharam na Lava Jato vêm sendo atacados de todos os lados. Enquanto Cabral fica solto, Bretas é punido pelo Conselho Nacional de Justiça e o procurador El Hage, pelo Conselho Nacional do Ministério Público, sem que nada consistente tenha sido provado contra eles. O Tribunal de Contas da União avançou contra procuradores da Lava Jato, numa investida que a Justiça Federal afirmou estar recheada de “manifestas e evidentes ilegalidades”, destacando ainda a existência de indícios de “quebra de impessoalidade” – leia-se, perseguição. Quem capitaneou a investida é o mesmo ministro Bruno Dantas que agora pretende ser nomeado ministro do STF por Lula.

Essa entrevista de Lula ao blog é assustadora, não só pelas mentiras de Lula, mas porque as ilusões que cria são repercutidas pelos jornalistas blogueiros como se fossem reais. Um dos pontos mais chocantes foi exatamente este: a revelação do projeto de vingança de Lula, juntamente com seus absurdos insultos a Moro. A cena de um presidente da República proferindo tamanha violência verbal a um senador é um sinal alarmante do quão grave é o atual período político no Brasil. Em tempos de polarização política e desinformação, é preocupante observar como Lula atacou Moro, criando um ambiente favorável para crimes de ódio na mesma semana em que um petista matou um bolsonarista após uma briga em Mato Grosso.

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Contudo, as mentiras de Lula vão muito além disso e são endossadas por seus apoiadores. Em contraste com a fábula em que o menino que mentia muito é punido pela sua desonestidade, Lula é idolatrado mesmo quando mente, engana e suas falsas narrativas colocam em risco a vida de terceiros. Infelizmente, o espaço limitado deste artigo não é suficiente para abordar todas as mentiras e hipocrisias proferidas por Lula durante sua entrevista de apenas 107 minutos com esse grupo de blogueiros. Páginas e mais páginas de crítica poderiam ser escritas para desmenti-lo e apontar suas próprias contradições.

Uma afirmação de Lula, por exemplo, beirou um incidente diplomático ao atacar a maior potência mundial: ele afirmou que a imprensa e a Lava Jato agiram contra ele, na Lava Jato, por influência do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Segundo Lula, o governo americano agiu assim porque a Odebrecht ganhou uma licitação em Miami. Essa declaração descaradamente mentirosa levanta suspeitas infundadas sobre as instituições de um país estrangeiro – o segundo com o qual o Brasil mais tem relações comerciais. Tudo isso apenas para tentar apagar os seus crimes e os de seus aliados, que foram apontados em condenações e confessados por vários deles, como Antonio Palocci e Sergio Cabral.

A Lava Jato tirou a oportunidade de que o programa “meu triplex, minha propina” fosse ampliado em todo o país.

Outro ponto interessante da entrevista é sobre como a Lava Jato atrapalhou as empresas brasileiras de engenharia. Eu assumo a responsabilidade por isto: a Lava Jato realmente atrapalhou a corrupção das empresas de engenharia com os políticos – inclusive com ele, segundo a condenação de Lula proferida por três tribunais que examinaram o mérito do seu caso, antes de ser anulada pelo STF por razões formais. Com nosso trabalho, impedimos desvios de verbas e corrupção bilionária em licitações de várias construtoras brasileiras que conjuntamente com políticos assaltaram os cofres públicos. Ao expor sua corrupção, a Lava Jato impactou sim o valor de mercado dessas empreiteiras, campeãs nacionais da corrupção. Além disso, a operação dificultou que elas realizassem obras em países sérios enquanto não fizessem um acordo para devolver o dinheiro roubado e não se comprometessem com a honestidade em seus negócios. E, assim agindo, a Lava Jato simplesmente fez valer a lei.

É bom ressaltar que enquanto Lula pede e dá segundas chances aos criminosos, viajando com Joesley Batista para a China e aplaudindo o multicondenado José Dirceu na cerimônia de aniversário do PT, ele condena os agentes da lei que descobriram seus crimes. Se tivéssemos ignorado a corrupção, a Odebrecht cresceria, roubaria mais e conseguiria construir mais triplex. A Lava Jato certamente tirou a oportunidade de que o programa “meu triplex, minha propina” fosse ampliado em todo o país pela organização criminosa que tomou conta do governo no Brasil.

Além de atacar homens e mulheres da lei que incomodaram ao prender corruptos como nunca, Lula pretende culpar outros por sua má decisão de governança.

Além disso, Lula ocultou o fato de que a depressão econômica e das empresas foi causada pela política econômica desastrosa do PT, que no final do governo Dilma conduziu o Brasil à maior crise econômica da história. Entre 2015 e 2016, o PIB caiu 7,56% – a pior queda desde que o número começou a ser medido pelo IBGE em 1948. Em quase 70 anos, não havíamos tido dois resultados negativos anuais. Até mesmo na pandemia, tomados os anos de 2020 e 2021, o saldo do PIB foi positivo – caiu 3,9% em 2020, mas avançou 4,6% em 2021. Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro apontou que Dilma teve o terceiro pior PIB em 127 anos e atribuiu 90% da culpa disso à inépcia do seu governo. A diretriz do seu governo, segundo o professor responsável pelo estudo, Reinaldo Gonçalves, foi “errar, errar de novo, errar pior”. Contudo, para Lula, a culpa é da Lava Jato.

Lula se vangloriou ainda, na entrevista, de ter iniciado a construção de 12 estádios enquanto era presidente da República. No entanto, é preciso ressaltar a péssima decisão de investir em algo desnecessário em detrimento de questões urgentes do país. A Copa do Mundo foi um gasto que resultou em corrupção equivalente à vergonhosa derrota de 7 a 1 e em prejuízos aos cofres públicos. É irônico que Lula, que proibiu falar sobre gastos com educação no início da entrevista, tenha deixado cortes nos investimentos de educação enquanto construía estádios. No mundo ideal da esquerda que fica babando durante a entrevista, esse é um tópico jamais mencionado.

As palavras de um presidente têm consequências: fomentam o ódio, enfraquecem a governança, expõem os agentes da lei e a sociedade a riscos.

Não satisfeito em culpar a Lava Jato por todos os males do país, Lula agora afirma que não seguirá a lista tríplice para indicar o procurador-geral da República, porque os promotores eram “moleques”. Isso é um absurdo. Os “moleques” atacados conseguiram recuperar 25 bilhões de reais aos cofres públicos brasileiros que estavam com corruptos, algo nunca antes feito na história desse país. Além de atacar homens e mulheres da lei que incomodaram ao prender corruptos como nunca, Lula pretende culpar outros por sua má decisão de governança da mesma forma como quer culpar a Lava Jato pelos males do país, transferindo uma responsabilidade que é dele e unicamente dele. Foi ele quem criticou Bolsonaro por não seguir a lista tríplice, quando a Lava Jato já havia acontecido. Nada mudou. O que ele faz agora é renegar uma promessa que fez, mostrando que não cumpre sua palavra.

Outra afirmação interessante de Lula na entrevista é que todos os envolvidos nos crimes do dia 8 de janeiro serão punidos, mas como podemos ter certeza disso se ele próprio busca impedir a instauração da CPI? Pairam no ar acusações de que teriam prometido 60 milhões de reais para deputados que retirassem suas assinaturas. É no mínimo hipócrita criticar a falta de investigação mais profunda sobre os culpados se ele próprio tenta impedir que isso aconteça – e, segundo acusações feitas, por meios que não seriam nem republicanos.

Lula não está à altura do cargo que ocupa. E quem diz isso é a lei, que estabelece que é crime de responsabilidade proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo.

Na entrevista, Lula também criticou o atual presidente do Banco Central, Campos Neto, indicado por Bolsonaro, por manter os juros altos. No entanto, é curioso que ele próprio, Lula, tenha aprovado e aceitado a mesma política quando Henrique Meirelles era o presidente do Banco Central durante o seu governo. Meirelles, aliás, apoia e elogia a decisão de Campos Neto. Por que, então, Lula ataca tanto uma política que ele próprio usou no passado? É importante lembrar que a questão dos juros é sensível e pode ser facilmente usada para assustar a população. Como o Banco Central é independente agora, Lula gera suspeitas sobre a economia sugerindo que ela não está crescendo como deveria por causa dos juros altos.

Como um menino que grita “lobo” e aponta para um inocente, Lula insinua que o Banco Central é composto por inimigos do povo. Tudo isso é uma estratégia política irresponsável para buscar apoio para revogar a independência do Banco Central, a qual é essencial para sua boa governança. A autonomia do banco o torna mais técnico e menos suscetível a interferência política. Além disso, Lula cria antecipadamente um bode expiatório para possíveis falhas econômicas ou insucessos de seu ministro da Fazenda, um político sem as competências exigidas para o cargo que até mesmo o PT tem criticado.

Ao se aproximar do final da entrevista, Lula surpreendeu ao afirmar que, para ser um bom presidente, é preciso ter sorte. A sorte de Lula parece ser nosso constante azar, pois vivemos em um país marcado pela injustiça e impunidade, governados por um condenado por corrupção, sem a sorte de ter nossos problemas resolvidos por governantes que destilam ódio para além de suas promessas vazias.

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Falando em promessas vazias, uma outra promessa feita por Lula nesta mesma entrevista me chamou a atenção: a de que ele irá trabalhar pela paz mundial. Diante de um cenário de conflitos e tensões internacionais cada vez mais preocupantes, é reconfortante ouvir um líder político se comprometer com uma causa tão nobre e urgente. Resta saber como alguém que não tem nem conseguido a paz entre Senado e Câmara dos Deputados irá conseguir entre a Ucrânia e a Rússia. Os jornalistas acharam provável que consiga, afinal, no multiverso da loucura, nunca antes na história desse país Lula mentiu.

O problema dessas ilusões é que não são inofensivas. Diferentemente do menino pastor que mentia e sofreu ele mesmo as consequências, Lula coloca a sociedade em risco com as suas mentiras. As palavras de um presidente têm consequências: fomentam o ódio, enfraquecem a governança, criam problemas nas relações internacionais e expõem os agentes da lei e a sociedade a riscos de segurança. De fato, para ficar só neste último ponto, se os agentes da lei não forem protegidos quando combaterem o crime organizado, ninguém mais ousará enfrentá-lo no futuro. As falas do presidente fazem vítimas. Lula não está à altura do cargo que ocupa. E quem diz isso é a lei, que estabelece que é crime de responsabilidade proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo. Lula precisa ser chamado à responsabilidade.


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NOMEAÇÃO DE MINISTROS DO STF É COISA MUITO SÉRIA

As próximas nomeações de ministros são decisivas para o futuro da Corte, que precisa reconstruir sua autoridade; Lula deve pensar no País, e não em si mesmo, ao fazer suas escolhas

Por Notas & Informações

Em maio, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), completará 75 anos, idade para a qual a Constituição estabelece aposentadoria compulsória no serviço público. Entre as movimentações relativas à sua substituição, cem entidades apresentaram um manifesto reivindicando ao presidente Lula da Silva a indicação de uma mulher negra para o Supremo. No documento, argumentam que “a composição dos órgãos deve guardar consonância com a diversidade da população” e que “nunca uma jurista negra” ocupou uma cadeira no STF, apesar de existirem “muitas mulheres negras com notório saber jurídico e reputação ilibada”. Agora, sustentam, é a oportunidade de suprimir essa lacuna histórica.

A indicação do nome para compor o STF é competência privativa do presidente da República, com avaliação do Senado. Tendo em vista a relevância da Corte constitucional para o funcionamento do Estado Democrático de Direito, é muito saudável que a sociedade participe desse processo, expondo suas reivindicações e perspectivas. Nesse sentido, o Manifesto por Juristas Negras no STF é iniciativa natural.

Aqui se mencionam dois aspectos que exigem especial cuidado na nomeação do próximo ministro do STF. Em primeiro lugar, é preciso respeitar integralmente a Constituição. Além da questão da idade – acima de 35 anos e menos de 70 anos –, a pessoa indicada deve preencher dois requisitos muito sérios, que não são mera formalidade: ter notável saber jurídico e reputação ilibada.

O primeiro requisito é fundamental para que as decisões do Supremo sejam respeitadas e cumpridas. Não é um academicismo. O profundo e reconhecido conhecimento do Direito por parte de cada ministro torna o STF apto a defender, de forma efetiva, a Constituição. Não podem pairar dúvidas sobre o saber jurídico da pessoa indicada. Por isso, o texto constitucional fala em “notável saber”.

Em relação ao segundo requisito, não basta, por exemplo, que a pessoa não tenha sido condenada criminalmente. É preciso que sobre a reputação dos escolhidos para a mais alta Corte do País não pairem dúvidas.

Mais do que expressão de um moralismo, a exigência ética para o cargo de ministro do STF representa indispensável proteção da própria Corte. Não é suficiente que as decisões sejam tecnicamente perfeitas. Para que o Supremo seja capaz de realizar sua missão institucional, não pode haver qualquer suspeita sobre a integridade de seus membros. A ilibada reputação dos ministros é o que permite que as decisões do STF alcancem plena efetividade, também em relação à pacificação social. Elas precisam ser acolhidas e respeitadas pela população. Não são, como se vê, requisitos aleatórios.

O segundo aspecto a se levar em conta na nomeação dos próximos ministros do Supremo refere-se ao momento do País. Por cumprir sua missão constitucional de defesa da Constituição, o STF tem sido muito contestado nos últimos anos – o antecessor de Lula, Jair Bolsonaro, chegou a avisar, no alto de um carro de som, que não cumpriria mais decisões do Supremo. Parcela relevante da população não entende as decisões da Corte ou as considera politicamente motivadas. É um cenário preocupante. Lula deve ter claro que as próximas nomeações para o STF – Rosa Weber também se aposentará neste ano – são cruciais. Sem exagero, pode-se dizer que elas são decisivas para o futuro da imagem da Corte.

Lula, como qualquer outro presidente, tem a liberdade de escolher sem outros limites que os da Constituição. Mas, se deseja portar-se responsavelmente, Lula deve evitar que a nomeação seja entendida como tentativa de influenciar o Supremo a seu favor, como fez, escandalosamente, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Supremo precisa de nomes que fortaleçam sua dimensão jurídica. Ao olhar para o STF, a população deve poder ver, sem nenhuma dificuldade, uma Corte plural e tecnicamente impecável. Se nunca é aconselhável, especialmente agora não é hora de nomes que dividam ou acentuem percepções de natureza política sobre o Supremo. Para o bem da democracia, é tempo de reconstruir a autoridade do STF – e isso é também tarefa do presidente da República e do Senado, por meio do cumprimento responsável de suas atribuições constitucionais.

 

GASTANÇA DOS PARLAMENTARES NO CONGRESSO

 

261 parlamentares levaram R$ 78,6 mil

Por
Lúcio Vaz – Gazeta do Povo


O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, está no grupo que recebeu dois benefícios| Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Chegou a conta para o contribuinte. O “auxílio-mudança” pago pela Câmara dos Deputados no final e no início do mandato custou R$ 38 milhões. No Senado, mais um gasto de R$ 1,9 milhões – totalizando R$ 40 milhões nas duas casas. 261 parlamentares reeleitos tiveram direito a dois auxílios, sendo que quatro deles receberam um pela Câmara e outro pelo Senado. Cada um levou R$ 78,6 mil – o equivalente a 130 benefícios do Bolsa Família. Mas não houve mudança porque eles permaneceram em Brasília. No ano passado, 400 deputados moravam em apartamento funcional, mobiliado pela Câmara.

A Câmara pagou R$ 9,1 milhões a 232 deputados que encerraram o mandato em 31 de janeiro deste ano e R$ 9 milhões a 222 deputados que iniciaram o mandato em 1º de fevereiro. Deputados que se reelegeram receberam dois “auxílios mudança”, num total de R$ 19,8 milhões. Foram 504 pagamentos para 252 deputados. No senado, cinco senadores que foram reeleitos receberam dois auxílios, um no final do mandato e outro no início do novo mandato. Senadores no meio do mandato de oito anos não receberam o auxílio. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) solicitou a devolução da ajuda de custo de início de mandato. O ex-senador Reguffe (Sem partido-DF) renunciou ao benefício.

O auxílio mudança é chamado oficialmente de “ajuda de custo”. Como se trata da uma “vantagem indenizatória”, os parlamentares não pagam imposto de renda sobre o valor do “auxílio” – R$ 39,3 mil. O benefício foi criado há décadas por decreto legislativo do Congresso Nacional. Assim, não pode ser vetado nem alterado pelo presidente da República.

O Decreto 276/2014 deixava explícito que a ajuda de custo era “destinada a compensar as despesas com mudança e transporte”. O Decreto 172/2022, de 21 de dezembro, diz que é devida aos congressistas, no início e no final do mandato, “ajuda de custo equivalente ao valor do subsídio”. A “mudança” não ficou citada, mas o pagamento foi feito com os mesmos critérios dos anos anteriores.

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Entre os duplamente contemplados, estão o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e dirigentes e lideranças de partidos, como a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR); o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP); o presidente do União Brasil, Luciano Bivar (União-PE); o líder do PT da Câmara, Zeca Dirceu (PR); o líder do PL, Altineu Côrtes (PL-RJ); e o líder do PP, André Fufuca (PP-MA). Também foram agraciados com dois auxílios os deputados Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, campeões de votos, ambos do PL de São Paulo.

Quatro parlamentares receberam o “auxílio” de fim de mandato na Câmara e o de início de mandato no Senado: Alan Rick (União-AC), Efraim Filho (UniãoPB), professora Dorinha Seabra (União-TO), e Tereza Cristina (PP-MS). Todos eles moravam em apartamento funcional quando receberam o “auxílio-mudança”, em 30 de janeiro deste ano.

A Câmara informa, na sua página de Transparência, que o presidente da casa, Arthur Lira, ocupa “imóvel” funcional desde 27 de fevereiro de 2019. O blog questionou se ele mora na residência oficial da Presidência ou em apartamento funcional. Não houve resposta.

Gleisi Hoffmann ocupa apartamento funcional desde 1º de fevereiro de 2019 – primeiro dia do mandato. Marcos Pereira optou pelo auxílio moradia, que tinha o valor de R$ 4,2 mil. Foi aumentado para R$ 6,6 mil em janeiro deste ano. Luciano Bivar ocupa imóvel funcional desde fevereiro de 2019. Zeca Dirceu, filho do ex-deputado e ex-ministro José Dirceu (PT-SP), ocupou um funcional de março de 2011 a fevereiro de 2023. Ocupa outro imóvel neste ano. Altineu Côrtes utiliza um imóvel desde outubro de 2020. Fufuca, desde abril de 2019. Eduardo Bolsonaro optou pelo auxílio-moradia. Zambelli ocupa um funcional desde março de 2021. Todos eles receberam dois auxílios-mudança.

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Quem ganhou “auxílio” no Senado

Cinco senadores que concluíram o mandato em 31 de janeiro deste ano, mas foram reeleitos nas eleições de outubro de 2022, receberam dois “auxílios” – um de final e outro de início de mandato. São eles Omar Aziz (PSD-AM), Otto Alencar (PSD-BA), Davi Alcolumbre (União AP), Wellington Fagundes (PL-MT) e Romário (PL-RJ).

Entre os agraciados com o “auxílio” de início de mandato estão os senadores Sérgio Moro (União-PR), ex-ministro da Justiça; o Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), ex-ministro da Ciência e Tecnologia; Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do Desenvolvimento Regional; Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura; e Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República – todos  eles integrantes do governo Bolsonaro.

Mais 19 senadores que não foram reeleitos ou não disputaram a eleição receberam um total de R$ 746 mil no fim de mandato. Nesse grupo estão o ex-senador Jean Paul Prates (PT-RN), atual presidente da Petrobras; a ex-senadora, ex-candidata a presidente e atual ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS); e o ex-presidente da República Fernando Collor (PTB-AL).

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Senado explica benefício
Questionado pelo blog, o Senado afirmou que o Decreto Legislativo nº 172/2022 estabelece que é devida aos membros do Congresso Nacional, no início e no fim de mandato, ajuda de custo equivalente ao valor do subsídio, que é de R$ 39.293,32. O direito é garantido para a primeira convocação durante o mandato do titular.

Acrescentou que a ajuda de custo não é paga ao suplente reconvocado dentro do mesmo mandato. “Dessa forma, todos os senadores em fim de mandato receberam a ajuda de custo no último dia 31/01/2023, exceto o senador Reguffe”, informou o Senado. A ajuda de custo de início de mandato foi paga no dia 02/02/2023 aos senadores eleitos em outubro.

O blog fez questionamentos à Câmara, que recomendou o encaminhamento das perguntas por meio da Lei de Acesso à Informação, o que foi feito.


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SOZINHO NÃO QUER DIZER SÓ

Mateus Royse – Medium Daily Digest

Quando você começa a gostar de ficar sozinho, sua vida pode mudar.

 “Nossa sociedade está muito mais interessada em informação do que em maravilha, em barulho em vez de silêncio. E sinto que precisamos de muito mais admiração e muito mais silêncio em nossas vidas.” — Fred Rogers , apresentador de televisão americano, autor e produtor.

Somos encorajados a socializar, fazer amigos e participar de grupos quando jovens.

Estar sozinho é desaprovado em nossa sociedade. Está associado à solidão – um estado deprimido.

No entanto, estar sozinho não é uma coisa ruim, isso não significa que você não é social.

Estar sozinho tem muitos benefícios. A pesquisa mostrou que o tempo sozinho leva a mais felicidade e satisfação.

Você crescerá mais como pessoa quando gostar de ficar sozinho. Você entenderá melhor quem você é e o que quer da vida. Você poderá ter uma excelente conversa consigo mesmo.

“As melhores lições da vida são aprendidas no silêncio e na solidão.” — Abhijit Naskar , um autor.

Existem sete razões pelas quais você deve ficar mais sozinho. Eu gosto de ficar sozinho, e você também pode. Vamos mergulhar em por que estar sozinho é uma coisa boa.

1. Você estará em sincronia com suas emoções

Quando você está perto de pessoas o tempo todo, você lê e atende às suas emoções. Quando você está preocupado com as emoções de outras pessoas, pode esquecer seus sentimentos.

Você obterá uma perspectiva mais profunda de suas emoções quando estiver sozinho. Você entenderá melhor o que o deixa feliz, com raiva, com medo e triste. Quando você gostar de ficar sozinho, estará em contato com o que sente e regulará melhor suas emoções.

2. Você vai recarregar suas baterias

Podemos gastar muita energia quando estamos com outras pessoas. Tentar manter os outros felizes pode drenar sua felicidade. Pode ser mentalmente difícil quando as pessoas o cercam constantemente.

Quando estiver sozinho, terá tempo para recarregar as baterias. Você poderá fazer uma pausa dos outros e rejuvenescer suas emoções e saúde mental. A interação constante com outras pessoas pode ser cansativa, portanto, passar algum tempo sozinho ajudará você a se renova

3. Você fará coisas de que gosta

Quando você está com um grupo de pessoas, você faz concessões para encontrar soluções pra todo o grupo. Coisas que você pode querer nem sempre combinam com o que o grupo quer. Quando você está sozinho, você pode fazer algo que realmente goste.

Quando você está sozinho, você tem mais liberdade para fazer o que quiser. A solidão ajuda você a se concentrar no que você gosta na vida e não no que os outros gostam.

4. Você será mais produtivo

Estar perto de outras pessoas pode afetar sua produtividade. A companhia de outras pessoas pode distraí-lo de fazer seu trabalho. Quando você passa um tempo sozinho, pode se concentrar em seu trabalho.

A solidão ajuda você a ter um ambiente menos barulhento e pode se concentrar em suas tarefas. Você será mais produtivo quando estiver sozinho, pois poderá manter o foco e evitar distrações.

5. Você aproveitará mais seus relacionamentos

A solidão pode ajudá-lo a crescer e evoluir para uma pessoa melhor e mais feliz. Então, quando estiver na presença de outras pessoas, você será um amigo melhor e desfrutará mais de seus relacionamentos.

Estar sozinho lhe dá uma melhor apreciação por si mesmo e pelos outros. Você apreciará as coisas que vêm de seus relacionamentos.

6. Você vai parar de buscar validação

Muitas vezes precisamos da validação de nossa família, amigos e colegas antes de agirmos. Pode ser fácil buscar conselhos sobre o que devemos fazer a seguir.

Há momentos em que é aceitável pedir conselhos, mas também há momentos em que você pode agir por conta própria. Quando você passar mais tempo sozinho, poderá confiar melhor em seus instintos e tomar decisões sem a validação de outra pessoa.

7. Você será mais independente

Quando você passa um tempo sozinho, fica confiante em sua capacidade de viver sozinho por algum tempo. Isso o ajudará a se sentir mais independente.

Quando você gosta de ficar sozinho, não sente ansiedade ou desejo de se cercar constantemente de pessoas. Você poderá olhar ao redor e aproveitar o tempo sozinho.

Juntando tudo

Ficar sozinho com seus pensamentos pode ajudá-lo a aprender mais sobre você e o mundo ao seu redor. Passar um tempo consigo mesmo é algo que todos devemos fazer mais. Alternativamente, você não precisa ser como o ator americano Tom Hanks no filme Náufrago .

Os seres humanos são criaturas sociais e adoramos socializar. No entanto, ficar sozinho consigo mesmo pode trazer mais equilíbrio à sua vida. Há valor em ficar sozinho porque nos ajuda a construir o hábito da auto-reflexão .

“Para entender o mundo, é preciso se afastar dele de vez em quando.” — Albert Camus , filósofo, autor, dramaturgo e jornalista francês

A Startup Valeon reinventa o seu negócio

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Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

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sexta-feira, 24 de março de 2023

PLANOS DE VINGANÇA DOS BANDIDOS CONTRA MORO E A SUA FAMÍLIA

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Segundo as investigações da PF, o senador Sérgio Moro era um dos alvos do grupo que pretendia crimes de homicídio e extorsão contra autoridades.| Foto: Roque de Sá/Agência Senado

A revelação de um plano da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para sequestrar e matar autoridades, incluindo o ex-juiz e senador Sergio Moro (União Brasil-PR) e o promotor paulista Lincoln Gakyia, precisa ser tratada com toda a importância. O plano, que seria a retaliação por uma decisão que frustrou os planos de resgate do chefão do PCC, Marcos Camacho (o “Marcola”), é a comprovação definitiva de que, ao contrário do que pensam os responsáveis pelo novo Pronasci, preocupados apenas com pautas identitárias, o crime organizado é, sem sombra de dúvida, o principal problema da segurança pública no país e exige ação enérgica e cooperação incansável entre todas as esferas de poder.

Não é à toa que o PCC tenha escolhido Moro como alvo. Quando ministro da Justiça, o ex-juiz e hoje senador elegeu como prioridade o combate ao crime organizado. Marcola foi apenas um dos líderes de facções criminosas que, por determinação do então ministro, foram isolados em presídios federais, após terem passado anos em cadeias de onde seguiram comandando seus grupos sem serem importunados. Interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal mostraram que a medida havia contrariado profundamente as cúpulas das facções e tinha sido efetiva ao silenciar os principais chefes das organizações criminosas.

Lula se julga um Conde de Monte Cristo do século 21: um inocente vítima de uma conspiração para retirá-lo de um caminho de sucesso. Mas o conjunto probatório levantado pela Lava Jato conta uma outra história

Além disso, Moro ainda endureceu as regras para visitas a líderes do crime organizado que não colaborassem com as investigações, e incluiu vários dispositivos que afetavam facções como o PCC no pacote anticrime. Durante sua passagem pelo Ministério da Justiça, Moro também aprofundou a cooperação entre a Polícia Federal e os órgãos de investigação estaduais, com um trabalho de inteligência que não apenas resultou na desarticulação de planos como os de resgatar Marcola, mas também impôs pesadas perdas financeiras ao crime organizando, afetando seu financiamento. Como afirmou um dos criminosos grampeados pela PF, “esse Moro aí (…) veio pra atrasar”.

A descoberta do plano do PCC também é a peça que faltava para igualar as facções criminosas a grupos terroristas. Não há outra palavra para descrever os dias de pânico impostos pelo crime organizado a populações inteiras como a do Rio Grande do Norte ou, em outros tempos, de São Paulo. Faltava apenas o assassinato de autoridades, que também faz parte do modus operandi do terrorismo, como bem demonstram as Brigadas Vermelhas italianas, que sequestraram e mataram o ex-primeiro-ministro Aldo Moro em 1978. Infelizmente, o enquadramento dos líderes de facções como terroristas ainda está distante, pois a Lei Antiterrorismo exige “razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião” para que os crimes descritos na lei sejam assim caracterizados – uma mudança legal para contemplar as ações do crime organizado seria muito bem-vinda. Enquanto isso não ocorre, que se use todo o rigor da lei e toda a inteligência possível para seguir desbaratando os planos das facções antes que se tornem realidade.

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Não é apenas o PCC, no entanto, que colocou o ex-juiz, ex-ministro e senador na mira por ter feito um bom trabalho. Em uma coincidência macabra, no dia anterior à deflagração da Operação Sequaz o presidente Lula citou o ex-juiz em entrevista ao portal de esquerda Brasil 247. Usando um termo chulo que renderia imediatamente condenação na imprensa, pedidos de impeachment e uma representação de Randolfe Rodrigues no STF se tivesse saído da boca de um certo ex-presidente, Lula recordou o tempo passado na carceragem da PF em Curitiba. “De vez em quando ia um procurador, entrava lá de sábado, dia de semana, para perguntar se estava tudo bem. Entravam três ou quatro procuradores e perguntavam: ‘está tudo bem?’ ‘[Eu respondia que] não está tudo bem. Só vai estar tudo bem quando eu f… esse Moro”, afirmou.

Lula se julga um Conde de Monte Cristo do século 21: um inocente vítima de uma conspiração para retirá-lo de um caminho de sucesso. Mas, ao contrário do que ocorrera ao protagonista da trama de Alexandre Dumas, o conjunto probatório levantado pela força-tarefa da Lava Jato e no qual Moro se baseou para condenar Lula em 2018 está fartamente documentado, disponível a qualquer um que deseje se inteirar da verdade histórica envolvendo a pilhagem das estatais ocorrida durante a primeira passagem do PT pelo poder. Sim, as condenações foram todas anuladas pelo Supremo, as provas já não poderão ser usadas em tribunal nenhum, mas isso não apaga os fatos que a Lava Jato apurou.

Moro na mira do PCC
Criminosos do PCC rondaram casa de Moro por uma semana, mostra rastreamento da PF

Por
Renan Ramalho – Gazeta do Povo
Brasília


Senador Sergio Moro e deputada Rosângela Moro estavam entre os alvos do PCC| Foto: EFE/André Borges

As investigações da Operação Sequaz, que desarticulou um plano para matar ou sequestrar o senador Sergio Moro (União Brasil-PR), mostraram que criminosos do PCC rondaram a casa dele em Curitiba por ao menos uma semana, no fim do ano passado.

A Polícia Federal rastreou os sinais do celular de um dos homens envolvidos no crime, chamado Claudinei Gomes Carias, também conhecido por Nei, perto da casa do ex-juiz, entre os dias 24 de novembro e 1º de dezembro. Segundo a PF, o monitoramento de Moro pelo PCC começou bem antes, em setembro, durante a campanha eleitoral.

O rastreamento do celular dele foi feito por meio de registros de antenas receptoras de sinal. Foi provado que o celular do suspeito esteve muito próximo de locais frequentados por Moro e sua família por um período continuado de tempo. Ele provavelmente vigiava o senador e seus familiares.

Perto da residência de Moro, há um clube onde o senador votou nas eleições de outubro, que também foi visitado pelos criminosos em setembro. A poucos quilômetros, está localizado o escritório de advocacia da deputada federal Rosângela Moro (União Brasil – SP), mulher dele, local por onde os integrantes do grupo também passaram.

Sinais de celular de um dos integrantes do PCC que rondou casa de Sergio Moro, conforme o rastreamento da PF


Esses detalhes estão no pedido da PF para prender 11 integrantes do PCC envolvidos no plano. Claudinei, segundo os investigadores, seria diretamente ligado ao principal encarregado de executar o atentado contra Moro, Janeferson Aparecido Mariano Gomes, também conhecido como Nefo. Ele é descrito como chefe da “Restrita o5”, grupo dentro do PCC responsável por matar autoridades e ex-membros da facção.

A investigação começou em fevereiro, com o depoimento de um ex-membro do PCC que estava jurado de morte. Ele procurou o Ministério Público de São Paulo, que há tempos investiga a organização e contou que havia um plano de atentado contra Moro. Denunciou depois quatro linhas de celular de pessoas que seriam ligadas a Nefo.

Foi a partir desses celulares que a PF desvendou detalhes e envolvidos no plano para matar ou sequestrar Moro e sua família. Os aparelhos foram devassados mediante autorização judicial e neles foram encontradas mensagens, áudios, fotos, anotações que revelaram como poderia ser realizado o atentado.

Um dos celulares era utilizado por Aline Ardnt Ferri, descrita como uma das companheiras de Nefo, e que era responsável por compilar informações da família de Moro. Dentro do aparelho dela havia foto de uma folha de caderno com anotações, dados pessoais de Moro, endereços, nome do casal de filhos, seus telefones e e-mail, além de detalhes de sua declaração de bens.

No celular de outra companheira de Nefo, Aline Paixão, a PF identificou mensagens em que ele usa códigos como “Tokio”, para se referir a Moro; “Flamengo”, para se referir a sequestro; “Fluminense”, para se referir a “ação”, indicação possível de assassinato, segundo os investigadores; e “México”, que designaria “MS”, o estado do Mato Grosso do Sul. Em outro arquivo do celular de Aline, havia anotações que indicariam, segundo a PF, gastos para o eventual sequestro de Moro. Haveria despesas com fuzil, aluguéis, viagens, carros e motorista.

Em outro celular investigado, possivelmente do próprio Nefo, foi encontrada foto de uma folha de papel com manuscritos de registros de despesas com “apartamento, viagem, alimentação, combustível, aluguel de chácara, móveis para casa, veículos (Hilux), pedreiro para cofre (esconderijo para armas), ajudas irmão, tempo aproximado e telefone para o trabalho”. No topo da página, o nome da cidade de Curitiba.

Numa mensagem, há o relato detalhado de um reconhecimento de local em Curitiba, um colégio eleitoral, que seria usado para votação na eleição de 2022, com descrição dos acessos, câmeras existentes no local, segurança e rota de acesso – era a seção eleitoral onde Moro votou no ano passado.

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Celular investigado tinha conta com e-mail “lulalivre”
A PF conseguiu devassar os celulares a partir de contas de e-mail registrados em suas respectivas linhas telefônicas. Um dos e-mails tinha endereço “lulalivre1063@icloud.com”. “Lula Livre” era também nome e sobrenome registrados no aparelho da linha. A PF, no entanto, não destacou nada de relevante para a investigação nessa conta.

Na decisão, a juíza federal Gabriela Hardt, que supervisiona a investigação, inicialmente afirmou que “as contas de e-mail vinculadas aos IMEIs dos aparelhos possui [sic] nomes variados, corroborando a citada prática de utilização de cadastro em nome de terceiros para se esquivar de investigações policiais que levem a qualificação dos criminosos”. Em outras palavras, diz que não necessariamente alguns dos e-mails eram de usuários ligados a Nefo. Porém, a conexão do codinome com um membro do PCC não é descartada.

Operação Sequaz
A Operação Sequaz, que prendeu 9 pessoas nesta quarta (22) envolvidas no plano contra Moro, foi executada por 120 policiais em Rondônia, Paraná, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Outro alvo dos criminosos era o promotor Lincoln Gakiya, que investiga o PCC há muitos anos. A ideia inicial era resgatar o líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.

Em 2018, Gakiya pediu a retirada de Marcola de um presídio estadual de São Paulo. Em 2019, como ministro da Justiça, Moro preparou a logística para transferi-lo para a penitenciária federal de Brasília. Meses depois, ele foi enviado para o presídio federal de Rondônia e, no início deste ano, voltou para a prisão de segurança máxima de Brasília.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/criminosos-do-pcc-rondaram-casa-de-moro-por-uma-semana/
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INVESTIGAÇÕES DO CASO MORO DESMENTEM LULA

 

Crime organizado
Mostram que ameaça do PCC a Moro não era “armação”

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo


| Foto: EFE/André Borges

A investigação da Polícia Federal (PF) que embasou uma operação para desarticular o plano de um núcleo do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra autoridades públicas mostra que a ameaça da organização criminosa ao senador Sergio Moro (União Brasil-PR) não era uma “armação”, como sugeriu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (23).

Provas entregues pela PF à Justiça do Paraná apontam que não apenas Moro se encontra na mira do PCC, mas também seus filhos e sua mulher, a deputada federal Rosângela Moro (União Brasil-SP). Segundo a juíza da 9ª Vara Federal de Curitiba Gabriela Hardt, que autorizou as prisões e buscas e apreensões, as provas indicam que “atos criminosos estão efetivamente em andamento” em Curitiba.

O sigilo sobre as investigações foi retirado pela Justiça na quinta-feira (23) depois que o presidente Lula disse sobre o processo: “é visível que é uma armação do Moro”.

Diversas autoridades reagiram à fala de Lula, inclusive Associação dos Delegados da Polícia Federal, que divulgou uma nota contrariando a afirmação do presidente e apoiando os policiais envolvidos na operação.

O processo que se originou na investigação aponta a “presença física” dos investigados, a compra de veículos, o aluguel de imóveis e o monitoramento de endereços e atividades de Moro “há pelo menos seis meses”, atestou a juíza. As ações para a concretização do ataque iniciaram-se, efetivamente, em setembro do ano passado, justamente no período eleitoral. Elas surgiram da apuração sobre constantes ameaças de morte feitas pelo PCC contra o promotor Lincoln Gakyia, de São Paulo, mas foram assumidas posteriormente pela Polícia Federal.

De acordo com o processo, a quadrilha continua ativa até esta semana e, portanto, ainda era uma ameaça a Moro. Os criminosos chegaram muito perto de atacá-lo durante as eleições de 2022, mas não se sabe por que o plano não foi levado a cabo. Em fevereiro, quando um delator passou a colaborar com a polícia e deu detalhes do plano, Moro e sua família passaram a ser escoltados.

Os investigadores constataram que a célula do PCC monitorou mais ativamente o hoje senador durante o período eleitoral. Trocas de mensagens interceptadas pela polícia mostram que a quadrilha tinha informações detalhadas sobre o local de votação de Moro e de endereços residenciais.

A investigação mostra que a organização criminosa conseguiu, inclusive, obter informações que “deveriam ser sigilosas”, como placas de carro usando sistema público, e, assim, identificar veículos das forças de segurança.

Quem está por trás do planejamento de sequestro contra Moro
A investigação indica que os suspeitos integram um núcleo do PCC chamado “Restrita 5”, que teria Janeferson Aparecido Mariano, vulgo “Nefo”, “NF” e “Dodge”, como a principal liderança da célula criminosa.

A Gazeta do Povo tentou entrar em contato com os advogados do suspeito, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.

O investigado seria o responsável pela organização, financiamento, planejamento e execução do sequestro contra Moro e sua família. O núcleo chefiado por ele tem, segundo a polícia, a participação de outras 15 pessoas que estão sob a investigação policial.

Provas obtidas por quebra de sigilo telemático e telefônico apontam que o grupo tem “capacidade bélica notória”, segundo a PF e a juíza Gabriela Hardt. Registros fotográficos apontam “armas variadas” dentro de casas, sob móveis, que indicam que “efetivamente estão prontas para uso da organização criminal”.

A polícia diz ter identificado ainda um veículo blindado, que se encontra no Paraná, juntamente com uma anotação que fala em “três carros pretos”, além de outros dois veículos com referência a “cofre”. Esses últimos seriam os veículos usados para transportar bandidos armados com fuzis. “Os criminosos já adquiriram veículos para serem pintados de preto, imitando viaturas policiais, a fim de conseguirem facilitar seu abominável intento”, aponta a investigação.

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O que é a “restrita” do PCC e como se iniciou a investigação da PF

A investigação da PF teve início com a delação de um ex-membro do PCC que, agora, se encontra sob o programa de proteção de testemunha. Ele disse que se encontra “jurado de morte” pela quadrilha e apontou que uma pessoa de alcunha “NF”, Janeferson Aparecido Mariano, liderança do “Restrita 5”, estaria incumbido de “tirar sua vida”.

Segundo a testemunha, que depôs em oitiva à PF em 2 de fevereiro deste ano, o “Restrita 5” é um setor dentro do PCC responsável por matar ex-integrantes da facção e também por cometer atos criminosos contra autoridades e agentes públicos.

O setor da “Restrita” chefiado por Janeferson é acusado pela testemunha de coordenar atos não somente em São Paulo, mas no Brasil inteiro. O delator disse que “recentemente” ficou sabendo que o líder da Restrita 5 estaria planejando atentados contra autoridades, e citou Moro como alvo.

Indagado sobre o que tipo de atentado seria, a testemunha disse que um informante falou que Janeferson estaria encarregado da tarefa de “levantar informações e sequestrar”, mas não soube especificar quais atos criminosos seriam realizados posteriormente. O homem sugeriu, ainda, ser uma testemunha valiosa para as investigações. Ele afirmou à polícia que, para um “faccionado qualquer”, não haveria atuação da Restrita, mas, do “Tribunal do Crime”.

Em outras palavras, a “Restrita” seria uma espécie de unidade de operações especiais do PCC. As punições para membros da facção menos importantes seriam realizadas por “soldados” ordinários do PCC em execuções extra-judiciais que ficaram conhecidas como “Tribunal do Crime”.

Diálogo entre líder e mulher deu à PF as diretrizes da investigação
O delator forneceu quatro números de telefone que seriam de contatos de pessoas próximas a Janeferson Aparecido Mariano e, em posse dos contatos e também de e-mails, a polícia solicitou e obteve a quebra dos sigilos telemático e telefônico dos investigados. Ao longo da investigação, os policiais observaram “elementos que comprovaram as informações indicadas pela testemunha”.

De um dos e-mails que teve o sigilo quebrado, a PF identificou uma mulher com quem ele teria “relação amorosa”, aponta a investigação. Uma conversa entre os dois pelo WhatsApp levou os policiais a “descortinar” o plano articulado para o sequestro de Moro e família.

Em uma conversa afetuosa entre ambos, onde se chamam mutuamente de “amor”, Janeferson pede que a mulher guarde alguns códigos enviados por mensagens sob o argumento de que poderia esquecê-los. O código definido para “Moro” foi “Tokio”. A palavra “Flamengo” foi escolhida como código para sequestro.

Uma das palavras é “MS”, abreviatura do estado do Mato Grosso do Sul, e seu código era “México”. Outra palavra enviada por Janeferson à mulher é “ação”, que teve “Fluminense” como o código. As palavras Flamengo e Tokio foram encontradas em anotações que, para os investigadores, seriam controle de gastos.

Quão organizado é o núcleo que ameaça Moro e sua família

A investigação sugere que a Restrita, mais especificamente o núcleo Restrita 5, é bem organizado, dispondo de coordenação financeira e logística para o planejamento e o cometimento de possíveis crimes. Além de Janeferson Aparecido Mariano, a célula criminosa contava com outras quatro lideranças.

Eram criminosos conhecidos como “Forjado”, “Guinho”, “Rê”, e “El Cid”. Os quatro são apontados pela investigação como responsáveis pela organização, financiamento e planejamento do sequestro de Moro e família.

“Forjado” ocuparia o cargo de “Sintonia Final”, que é o principal líder da facção em uma determinada área, que atua em liberdade. Isso porque a cúpula do PCC opera de dentro de penitenciárias.

Janeferson seria o responsável pela execução do sequestro de Moro ou de um de seus familiares, aponta o inquérito policial. A “principal mulher” do criminoso é apontada como responsável por auxiliar na contabilidade das atividades ilícitas.

A investigação aponta que um grupo de mulheres atuava como operadoras financeiras e auxiliares operacionais do esquema criminoso. Entre elas, são investigadas outras cinco mulheres, sendo outras duas apontadas como companheiras de Janeferson. Esse grupo seria responsável pelo controle da parte financeira no principal núcleo operacional, por atuar como “laranjas” e serem responsáveis pela logística e inteligência da quadrilha.

Outros investigados são “Nei”, “Carro sem Moto Léguas”, e um terceiro homem. Eles atuariam na parte operacional do bando, sendo ligados diretamente a Janeferson. Já “Frank” participaria na área operacional ligado à parte financeira do núcleo.

A investigação também mira outros dois participantes ainda não identificados: “Milco”, que atua na parte operacional do núcleo e é dito como o responsável por realizar as cobranças de prestação de contas dos integrantes que realizam a maior parte das atividades de campo; e “Dierre”, suspeito de intermediar a locação dos imóveis junto às imobiliárias para a logística do sequestro.

Qual é o nível de influência do núcleo investigado no PCC

O núcleo investigado pela PF sugere ter um patamar elevado no PCC. Janeferson Aparecido Mariano, por exemplo, tem sua liderança “percebida” pelo desfrute de “bens de alto poder aquisitivo”. “O que só ocorre com os integrantes do topo da pirâmide do PCC, pois, em regra, todos os demais cometem crimes para sustentar os líderes, sem aumento de volume patrimonial [mão de obra barata]”, aponta a PF. “Vale destacar que esse patrimônio encontra-se em nome de terceiros, inclusive alguns com passagens criminais”, complementa.

A PF aponta também que Janeferson e sua “principal companheira” usam “constantemente” nomes de outras pessoas para registrarem seus bens, em um “claro intuito” de não serem descobertos nas práticas ilícitas. Os investigadores citam ainda que Janeferson usa laranjas em imóveis vinculados a ele.

Outra liderança da célula criminosa é “conhecido assaltante de bancos, com vasta ficha criminal” e, assim como “El Cid”, é “conhecido por ações violentas”, apontam os investigadores. “A participação dele em videoconferência com Janeferson e demais comparsas reforça ainda mais a participação de lideranças do PCC nas referidas ações”, aponta a PF.

Subordinado a Janeferson, um dos investigados é mencionado como o responsável pelas vigilâncias e levantamentos sobre Moro, incluindo uma prestação de contas que ele apresentou “desde a metade do ano passado”. Tamanha é a confiança dele junto à organização criminosa que “Milco”, ainda não qualificado, mas hierarquicamente superior a ele, demonstrou “extrema confiança” ao cobrar a prestação de contas, “pois ambos verificaram problemas e atrasos na prestação de contas de outros integrantes”, diz a PF em outro trecho do relatório da investigação apresentado à Justiça Federal.

Representação
Dallagnol pede que AGU apure propagação de fake news de Lula contra Moro
Por
Gazeta do Povo


| Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR) apresentou uma representação à Advocacia-Geral da União (AGU), nesta quinta-feira (23), com o pedido para que o órgão apure a propagação de fake news por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o senador e ex-juiz Sergio Moro (União Brasil – PR).

Lula afirmou que a operação da Polícia Federal para desarticular o plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra autoridades pode ter sido uma armação do senador. O petista alegou que estaria “desconfiado” das revelações sobre o plano para matar Moro, familiares, e um promotor, entre outros. Já Moro repudiou as declarações do presidente sobre a ameaça do PCC. Para o parlamentar, Lula “riu de uma família ameaçada pelo crime”.

Diante disso, Dallagnol afirmou que a declaração de Lula “coloca em xeque a idoneidade e competência do seu ministro da Justiça, Flávio Dino, e também da Polícia Federal”. Por isso, o parlamentar paranaense pediu que o advogado-geral da União, Jorge Messias, dê  seguimento à representação para “apurar propagação de fake news por parte do Presidente”.

Recentemente, a AGU criou a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), que vem sendo chamada de “Ministério da Verdade”. Ela foi criada pelo governo Lula com o objetivo alegado de atuar “para resposta e enfrentamento à desinformação sobre políticas públicas”.

Como um dos motes é o combate às fake news, Dallagnol pediu providências à AGU diante das afirmações feitas por Lula. O petista afirmou nesta quinta: “Eu não vou falar porque acho que é mais uma armação do Moro. Eu vou descobrir o que aconteceu porque é visível que é uma armação do Moro”. A fala ocorreu durante uma agenda no Complexo Naval de Itaguaí, na região metropolitana do Rio, onde está instalado o programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil.

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JANAINA PASCHOAL VOLTA À SALA DE AULA APÓS MANDATO DE DEPUTADA

 

“Ambiente de esquerda”
Como foi?
Por
Raquel Hoshino, especial para a Gazeta do Povo


Janaina Paschoal nos tempos de Assembleia Legislativa de São Paulo.| Foto: Larissa Navarro/Alesp

A parlamentar mais votada em toda a História do país retornou às salas de aula nesta terça-feira (21). A advogada Janaina Paschoal (PRTB) — que, em 2018, chegou a ser cogitada para o cargo de vice-presidente do então candidato Jair Bolsonaro, e que se elegeu com mais de dois milhões de votos para a Assembleia Legislativa paulista — voltou a lecionar na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, na qual é concursada, com o fim de sua licença parlamentar.

Segundo Janaina, foi tudo “muito tranquilo”, e ela foi bem recebida por todos. Mas seu retorno não foi livre de controvérsias. Havia, inclusive, a chance de haver protestos e manifestações. E foi sobre essa transição da vida pública para a docência que ela falou duas vezes com a Gazeta do Povo. Em 14 de março, seu último dia como deputada estadual, e nesta terça-feira, seu primeiro dia lecionando.

Licenciada da USP nos últimos quatro anos para exercer seu mandato como deputada estadual, Janaina Paschoal vinha enfrentando, desde fevereiro, uma forte objeção de parte dos alunos da faculdade, que incluiu um abaixo-assinado para que ela não voltasse a dar aulas, lançado pelo Centro Acadêmico XI de Agosto. Segundo o documento, a professora não era mais “bem-vinda” à faculdade de Direito, localizada no Largo São Francisco, na região central de São Paulo, da qual ela mesma é egressa, e onde se formaram personagens históricas, como os políticos e diplomatas Joaquim Nabuco e Ruy Barbosa; o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães; o ex-presidente da República Michel Temer; e, mais recentemente, os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

“Vivi esse inferno lá a minha vida inteira”

De acordo com o abaixo-assinado, a notícia da volta da professora foi recebida com “perturbação pelo corpo discente do Largo de São Francisco” pois “desde que se tornou uma das lideranças e a principal fiadora jurídica da extrema-direita, Janaina abandonou os valores democráticos que devem permear as salas de aula da principal instituição de ensino jurídico do país”. Consta como exemplo no documento o fato de Janaina “ter sido uma das poucas docentes que não assinou a ‘Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito’, documento histórico escrito pela Faculdade de Direito, que congregou o Brasil em defesa da democracia”.

Segundo o abaixo-assinado, “Janaina Paschoal tem dado uma contribuição indecente para o país. Foi a responsável por fundamentar juridicamente o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff e, em 2018, apoiou e surfou a onda bolsonarista para alcançar um mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo. Nos quatro anos sombrios que o país enfrentou sob o governo de Bolsonaro, Janaina se apresentou como uma espécie de bolsonarista esclarecida. No entanto, as suas supostas divergências com os movimentos de extrema-direita são mínimas e consideramos haver, em suas mãos, tanto sangue quanto nas mãos deles”.

Perguntada sobre se havia se surpreendido com a atitude dos alunos, Janaina Paschoal afirma que não, “porque eu cresci lá. Eu entrei no Largo com dezessete anos e é um ambiente da esquerda. As pessoas é que se iludem, achando que o Direito é mais conservador. Não é. As vestes são; a forma é. Mas é um ambiente da esquerda. Então não foi surpresa para mim, pelo contrário. Eu vivi esse inferno lá a minha vida inteira”. Foi na São Francisco que Janaina também obteve seu doutoramento e a livre docência.

Professora da instituição desde 2003, indagada se a resistência demonstrada por parte dos alunos contra a sua volta à faculdade seria um sinal de que as novas gerações estão mais intolerantes com ideias contrárias, um sinal de que a diversidade ideológica está diminuindo no ambiente acadêmico, Janaina afirma que “não só no ambiente acadêmico. Acho que é no país. E é da esquerda, mas também é da direita. Eu penso o seguinte: como são pessoas que estudam menos, que leem menos, que não têm noção do que é efetivamente democracia – elas acreditam que poder xingar na internet é que é democracia –, que se informam pelas redes, tanto nos seus guetos da esquerda, como nos seus guetos da direita, são pessoas, assim, muito superficiais. Então isso é um dado da nossa realidade. Houve um retrocesso enorme. Com isso, eu não defendo que se regulamente redes sociais, mas a gente precisa debater”.

“Não me passava pela cabeça proibir um professor de lecionar no Largo”
O abaixo-assinado formulado pelo centro acadêmico dividiu os estudantes da São Francisco. Em nota, os representantes do corpo discente, um colegiado de 59 alunos que representa a faculdade em órgãos deliberativos, afirmaram que “não há, ao menos até o presente momento, qualquer motivo legal para expulsar uma professora devidamente concursada de sua cátedra apenas por discordarmos de sua atuação política. Ação nesses moldes não apenas feriria a Constituição Cidadã, como também os regulamentos da Universidade de São Paulo”.

Professores também saíram em defesa de Janaina, destacando a liberdade de cátedra. Segundo artigo do ex-diretor da São Francisco Floriano de Azevedo Marques Neto: “terminada sua licença para exercer mandato de deputada, [Janaina] tem o direito e o dever de retomar suas atividades. Não fosse pela crônica falta de docentes, tal retorno seria absolutamente natural pois, por definição, professor é aquele que leciona em sala de aula. E que tem, pela Constituição e pela história da FD, liberdade de cátedra”.

Ele relembra em seu texto que “ao longo de nossa história, as Arcadas tiveram professores constitucionalistas e getulistas; integralistas e comunistas; próceres da ditadura e outros que militaram pela redemocratização. Nossa história tem glórias e máculas. Quando eu era aluno da graduação, tínhamos aula com professores que eram críticos à Constituinte, outros que eram a favor e alguns que eram constituintes. Fui aluno de professores que, a seu tempo, eram próximos ao regime militar. Confesso que os atazanava em aula, questionando e discordando, no melhor estilo da juventude estudantil. Fazíamos cartazes irônicos e críticos. Promovíamos enterros simbólicos. Nas peruadas, não poupávamos do chiste os mais conservadores. Mas não me passava pela cabeça proibir um professor de lecionar no Largo”.

Em resposta ao professor, representantes do centro acadêmico publicaram um artigo em um site da área jurídica afirmando que: “é evidente que Janaina Paschoal, juridicamente, possui o direito de retomar as atividades docentes. Todavia, isso não a torna imune do questionamento legítimo por parte dos estudantes sobre os seus atos políticos. A responsabilização sobre aquilo que os professores dizem e fazem deve ocorrer, seja nas instâncias internas da universidade ou no debate político. Janaina, na USP ou na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), deve ser questionada. A Faculdade não está a serviço da sua carreira, ela é quem deve estar a serviço da universidade”.

Perguntada sobre o que aprendeu na vida pública, como deputada estadual, e que seria útil para seus novos alunos, Janaina afirma que: “esta vivência no Legislativo estadual acaba enriquecendo muito porque o Direito Penal [área na qual Janaina leciona] é da esfera federal. E aqui [na Alesp] eu convivi com temas que não são abordados na faculdade, com uma dinâmica, uma ritualística, que não é ensinada na faculdade. Hoje, eu tenho condições de levar para eles assuntos que professor, com todo o respeito, professor nenhum tem. Talvez o professor Regis [de Oliveira], que se aposentou e foi deputado federal”.

Como exemplo, ela diz que: “a faculdade de Direito não explica suficientemente para os alunos que a atividade legislativa é eminentemente jurídica. Em regra, o aluno do Direito é preparado para ser advogado, promotor ou juiz, só que a atividade legislativa, ela é eminentemente jurídica, porque se você não tiver consciência de que a lei que você vai redigir, ela vai ter impacto na realidade; ela vai precisar ser aplicada e fazer uma diferença”.

Por isso, segundo ela, “a importância de você ter parlamentares com conhecimento jurídico ou, pelo menos, assessores. E a nossa dinâmica política trabalha muito assessor político, que é o cabo eleitoral, a esmagadora maioria dos assessores de cabo eleitoral, o que fragiliza muito a qualidade do trabalho. Fora as explicações, assim, como é que funciona um plenário; qual o papel das comissões. Acho que, nossa, não tem fim”.

Defesas com “vírgula”
A nota assinada pelo diretor da Faculdade de Direito da USP Celso Fernandes Campilongo e a vice-diretora Ana Elisa Liberatore Bechara afirma que “a Constituição de 1988 garante a livre manifestação do pensamento e a liberdade de consciência. Assegura, ainda, que ninguém será privado de direitos por motivo de convicção filosófica ou política e que é livre a expressão da atividade intelectual e científica”, valendo para todos, “inclusive professores e alunos, nos limites fixados pelo Estado de Direito”.

O documento coloca que “também no plano constitucional, especificamente quanto à Educação, a Carta dispõe que o ensino será ministrado com base nos princípios da liberdade de ensinar, aprender, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, respeitado o pluralismo de ideias e a gestão democrática, na forma da lei. Na Academia, os critérios prevalecentes não se confundem nem se submetem às preferências exclusivamente políticas. É na trilha dos mandamentos constitucionais que garantem a liberdade de cátedra e a livre manifestação do pensamento de todos os seus docentes que a Faculdade reafirma seu compromisso continuado e inabalável com a construção da democracia e o crescente respeito às diferenças”.

Para Janaina, “sem desmerecer aqueles que fizeram cartas me defendendo, todas as cartas tinham uma vírgula: ‘apesar de’, ‘apesar de’, em certa medida dando razão para a crítica dos alunos. Só que eu nunca defendi ditadura nenhuma. Nenhuma, nem a militar. Nem essa coisa da intervenção que muita gente pediu, nem ditadura de esquerda, nem de direita. Nunca defendi ditadura, então eu acho estranho um pouco, sabe, essa defesa que vem com uma vírgula. Eu penso diferente em várias pautas: na questão do aborto, na questão da educação sexual, a instrumentalização de crianças, no tratamento hormonal de crianças diagnosticadas, entre aspas, como trans. Eu penso diferente em várias pautas. Eu não sou eleitora da esquerda, mas isso tudo é da democracia. Então, assim, mesmo, as defesas, elas não deixam de ser assim… Não é uma crítica, porque a crítica é da democracia, mas elas não deixam de sugerir que eu teria algum viés ditatorial e eu não tenho”.

Vida pública
Em 2022, Janaina foi candidata ao Senado, mas não conseguiu se eleger. Segundo ela, “a questão dos cargos de poder nas casas legislativas, isso é fato: ainda é muito reservada aos homens. E a parte partidária, as deliberações partidárias. Veja bem, você mesma disse, e eu evito ficar falando isso porque eu acho um pouco pedante: ‘Ah, foi a mulher mais votada da História’. Pessoa, não a mulher, a pessoa mais votada da História. Mas é fato: eu, com um patrimônio de dois milhões de votos, mais de dois milhões de votos, não consegui legenda nos grandes partidos para concorrer ao Senado porque homens decidiram quem concorreria ou não. Eu fiz a minha campanha pagando do meu bolso. Concorri com homens que tiveram R$ 5 milhões, R$ 8 milhões de dinheiro público e que estavam o tempo inteiro na TV. Até hoje encontro pessoas que não souberam que eu fui candidata porque eu não tinha nem um segundo de TV. Onde é que fica a representatividade aí? E a decisão sobre quem vai concorrer à Presidência da República, ao governo do Estado, ao Senado, é de homens exclusivamente”.

Questionada sobre o que a professora e ex-deputada estadual diria se um aluno a perguntasse se ele deveria entrar na política e que conselhos ela daria, a resposta foi imediata: “‘Sim, claro! Meu filho, estude, para você estar preparado. Estude, se exponha. Vá treinando aos poucos essa exposição, que você vai apanhar muito’. E não importa se o aluno é de esquerda ou de direita, vai apanhar. Então precisa começar a treinar essa exposição, entendeu? Vai ganhando casca. Porque as pessoas se escondem; as pessoas acabam não se manifestando de medo. Então você tem que ir treinando. Eu realmente sempre incentivei, não é de agora, não. Sempre entrei em sala de aula e falei: ‘eu preciso preparar vocês para ocuparem os maiores cargos da nação’. Tem que sair, tem que sair daqui. Porque senão vai continuar essa mesma coisa. Tem que ter gente capacitada, gente preparada. Tem que ler, tem que estudar, entendeu? Não pode, não pode sair de uma universidade sucateado”.

O retorno às Arcadas

Por telefone, Janaina falou sobre seu retorno às salas de aulas: “foi muito tranquilo. Não teve nenhum incidente, nenhum protesto, nenhuma manifestação, nada. Nada.

Foi muito tranquilo. Consegui dar aula normalmente. Os alunos participaram do começo ao fim, sala cheia. Nossa, foi muito bom”. Sobre seus quatro anos afastada, ela disse: “foi como se eu não tivesse me afastado. Quando eu vi que estava tranquilo, no sentido de não ter briga, é como se eu não tivesse me afastado. Foi muito legal esse sentimento de estar em casa”.

Muito feliz por ter corrido “tudo muito bem” em sua volta à São Francisco, a professora afirma que “já tem banca [de doutorado] marcada. Está melhor do que eu imaginava”. Ela disse ainda que há a possibilidade de assumir mais duas turmas do 5º ano (hoje, ela leciona para o 2º ano); que já abriu vagas para o TCC (monografia de fim de curso) e que está se cadastrando novamente como professora-orientadora.

Perguntada pela reportagem se, com o retorno às aulas, ela pretende se aposentar da vida pública, Janaina afirma: “Você não acha que eu sou nova para a palavra aposentadoria? Então essa palavra não existe no meu vocabulário. Eu vou vivendo, vou avaliando e Deus vai dando sinais”.

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SIMONE TEBET PRATICAMENTE ESTÁ ISOLADA NO GOVERNO LULA

 

Ajuste fiscal

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.| Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil.

Estou sentindo que o futuro reserva uma despedida do governo da ministra do Planejamento, Simone Tebet. Uma, que deve ser muito desconfortável ela ouvir toda hora o presidente da República falar mal do presidente de honra do seu partido, que é Michel Temer. Outra, que ela está falando em cortar gastos do governo, porque o rombo está em R$ 120 bilhões. Só para lembrar, o ano passado terminou com superávit de R$ 54 bilhões; agora, com esse rombo, ela disse que tem de cortar gastos.

E o que é cortar gastos? É contrariar o presidente da República, inclusive, porque, se o governo gasta demais, ele está pressionando a inflação, que o Banco Central está combatendo, dando exemplo para Estados Unidos, Reino Unido e Europa, desde o ano passado. Mas o presidente da República quer a cabeça do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e quer que se mexa na política de juros.

Eu falei para vocês aqui no ano passado, faz tempo. O Banco Central brasileiro percebeu mais rápido que uma das heranças da pandemia era a inflação, atuou botando freios através da taxa Selic, e deu certo. A inflação no Brasil fechou o ano com 5,8%; nos Estados Unidos, 6,5%; a da Inglaterra foi 11%, e Alemanha e França tiveram inflação parecida. A presidente do Banco Central Europeu está reclamando. A Inglaterra seguiu o Fed americano, que aumentou a taxa de juros e avisou que vai continuar aumentando: nessa semana, foi 0,25 ponto percentual. O Reino Unido saiu correndo atrás da inflação e o nosso Banco Central saiu correndo na frente da inflação. Seis meses atrás, a taxa na Inglaterra era 2,25% e hoje já é praticamente o dobro disso. Eles chegaram atrasados, nós sacamos primeiro e seguramos a inflação, que poderia fechar o ano disparando, como aconteceu com eles. Fomos mais rápidos nesse gatilho.

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E mesmo assim o chefe de governo quer a cabeça do presidente do nosso Banco Central, a única cabeça pensante econômica que está dando certo – porque a ministra do Planejamento está pedindo corte de gastos e duvido que ela seja atendida. E aí fico pensando se ela vai aguentar ficar no governo.

Deputada quer impedir repetição do esquema do Mais Médicos para bancar ditador em Cuba
Quero falar do caso do dinheiro para os médicos cubanos. Vocês sabem: no primeiro Mais Médicos, eles recebiam – aliás, o governo brasileiro pagava com o dinheiro dos nossos impostos – R$ 11,5 mil e eles só recebiam cerca de R$ 3 mil, o resto ia para o governo cubano. E ainda havia um intermediário que levava mais um pouco, a Organização Panamericana de Saúde, que alegava que todos os médicos eram funcionários do governo cubano. Ou seja, o governo cubano estava alugando funcionários, alugando médicos. O Ministério Público do Trabalho, aqui no Brasil, entenderia isso facilmente como trabalho análogo à escravidão, porque esses profissionais não recebiam, eram usados, havia intermediários. Os cerca de 200 que ficaram no Brasil entraram na Justiça para cobrar do governo brasileiro o restante do dinheiro que eles não receberam. Digo isso porque, com essa história de medida provisória ressuscitando o Mais Médicos, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) está propondo uma emenda à MP que atende aos cubanos que ficaram por aqui, para que eles recebam diretamente o salário, sem intermediários.

Tem uma outra questão a ser resolvida: o ensino de Medicina em Cuba é muito rápido; eles têm fábrica de fazer médicos, médico de família que faz umas receitas bem esquisitas aqui de coisas baratas, claro. Pode ser que dê certo, mas fica estranho porque os brasileiros que vão lá por amor a Cuba, por amor ao regime cubano, fazem Medicina lá e depois se queixam que não passam no Revalida aqui no Brasil, dizem que é muito duro. Ou seja, as exigências para ser médico no Brasil são aquelas que respeitam o paciente brasileiro, o que não estava acontecendo com os cubanos que vieram para cá. Isso era uma injustiça para com os brasileiros, os pacientes, e ainda havia a outra injustiça, para com os cubanos que ficavam só com 30% do salário.


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DEPUTADOS E SENADORES FAZEM LEIS BENEFICIANDO A BANDIDAGEM

 

Por
J.R. Guzzo


Veículo queimado no RN após ataques comandados por facções criminosas| Foto: EFE/ Ney Douglas

O Brasil é um caso provavelmente único no planeta em matéria de injustiça deliberada, oficial e cada vez mais agressiva praticada pelo Estado contra o cidadão. O Estado, em qualquer circunstância, só faz sentido se a sua atuação proteger a sociedade dos seus inimigos; se garantir que as pessoas não possam ser submetidas aos interesses e caprichos dos órgãos de governo, nem de nada ou ninguém que queira suprimir os seus direitos.

Está acontecendo exatamente o contrário. O crime descontrolado e a cada dia mais violento no Brasil agride o tempo todo a população – é hoje, na verdade, o fator que mais oprime o brasileiro comum, ao lhe tirar a vida (foram 41 mil homicídios em 2022), a integridade física e a propriedade. Mas o aparelho do Estado se dedica claramente, ano após ano, a servir aos interesses do crime, e faz isso de modo cada vez mais maligno – em vez de proteger, está punindo a sociedade brasileira.

Vai se tornando materialmente impossível no Brasil, de fato, condenar alguém que tenha dinheiro para se defender.

O responsável direto por esta tragédia é o Congresso Nacional, que desde a Constituição de 1988 só aprova leis e regras que servem aos criminosos. Todas as vezes em que legisla sobre matéria penal neste país, há 35 anos seguidos, sem parar, o Congresso entrega mais privilégios, apoio e impunidade ao crime; em nenhum caso, até agora, aprovou uma única medida em favor da população brasileira.

Deputados e senadores abandonaram seu dever de legisladores – passaram a ser cúmplices abertos da bandidagem e, com isso, transformaram o Brasil no país onde o crime tem a maior proteção da autoridade pública em todo o mundo.

O crime descontrolado e a cada dia mais violento no Brasil agride o tempo todo a população.

Agem, nisso, a serviço de advogados criminalistas de primeira linha, ONGs cuja função é defender os interesses do crime e tudo o que é descrito como “esquerda” nesse país, dos “movimentos sociais” ao sindicato dos bispos. Só eles falam, influem e mandam; as causas da população não têm quem as represente no Congresso.

O último ataque aos direitos da sociedade é um projeto de lei, aprovado às pressas na Câmara, estabelecendo que em caso de empate “em todos os julgamentos em matéria penal em órgãos colegiados”, a Justiça tem beneficiar o criminoso caso haja empate na decisão. Que tal? É grosseiro.

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O projeto foi aprovado sem análise ou debate na Comissão de Justiça; a aprovação foi “simbólica”, ou seja, sem contagem individual dos votos. O objetivo de mais esse prêmio ao crime, ao que parece, é garantir a absolvição de ladrões de erário na “turma” do STF onde, a partir da aposentadoria de um ministro que só vota em favor de corrupto, poderia ocorrer empate nos julgamentos; se ocorrer, já está resolvido.

“O sistema pune a sociedade”, afirmou o deputado Deltan Dallagnol ao denunciar o escândalo. Vai se tornando materialmente impossível no Brasil, de fato, condenar alguém que tenha dinheiro para se defender. O crime ganhou mais uma vez; continua ganhando todas.


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LULA ACHA QUE OS ESTÚPIDOS SÃO OS OUTROS

 

Terceirização da culpa

Por
Luís Ernesto Lacombe – Gazeta do Povo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva.| Foto: EFE/Andre Borges

A estupidez já não dá manchete. Quase deixou de ser notícia. Mesmo que seja uma estupidez, assim, presidencial, vai para o meio do jornal. Ganha o mesmo espaço nos principais jornais do país: quatro parágrafos curtos apenas, caindo para o pé da página. As matérias trocam a falta de compostura, de decoro, de respeito à liturgia do cargo, trocam o indecente, o palavrão por uma historinha que fala em “mágoa”, em “emoção”, que cita a dureza da prisão. E os estúpidos somos nós.

A estupidez latente, cheia de raiva e rancor, selvagem, não ganha nem disfarce de gafe, deslize, nada disso. Ninguém questiona. Fica sendo uma reação legítima a uma injustiça… A vítima chora. Quem vai pagar por suas lágrimas recolhidas num guardanapo de papel? As lágrimas e as páginas secundárias dos jornais querem estabelecer que o “injustiçado” pode ser dominado por rancor, raiva, ódio, desejo de vingança, pode ser tomado pelo que nada tem de bom, e continuar sendo o transcendental salvador de todos nós, ou melhor, de quase todos.

Os estúpidos estão na rua, pedindo cabeças, reinventando o fogo. Querem destruir pessoas, destruir um país inteiro

Claro, há estupidez na primeira página dos jornais, mas não tratada dessa forma. Vem embaladinha como coisa boa, interpretada e reinterpretada. O problema é que vai dar errado, quem não é estúpido sabe disso. Quando vai ficar tudo bem? Quando ferrarem tudo? Quando implodirem o teto de gastos? Quando derrubarem a autonomia do Banco Central? Quando acabarem com as metas de inflação e baixarem a taxa de juros na marra? Quando controlarem os preços de produtos e serviços? Quando aumentarem mais e mais os impostos, estatizarem geral? Talvez quando todo mundo for funcionário público…

Há estupidez de todo tipo. Há grosserias, indelicadezas, descortesia. Há burrice, tolice, idiotice. No fim das contas, há ignorância; o estúpido acha lindo o não saber. Ele é preguiçoso, não gosta de estudar. Ler não é com ele, mas o estúpido sabe que os livros que não leu, ou seja, todos os livros, estão ultrapassados… Ele acha que é só chamar gasto de investimento que tudo se resolve. Então, enquanto não houver como gastar mais, não tem “ajuste fiscal”. Estamos nesse nível de estupidez.

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Os estúpidos dizem que responsabilidade fiscal é inimiga da responsabilidade social. Eles ainda acreditam no Estado fomentador de crescimento e desenvolvimento. Não gostam do capital privado, de quem faz sucesso na economia de mercado. Os estúpidos abominam o mérito, têm seus escolhidos podres. Eles adoram imprimir dinheiro e não querem saber do Brasil na OCDE. Vão distribuir nossos impostos aos “irmãos menores” da América Latina. Agora os estúpidos amam o orçamento secreto, não reclamam mais da falta de transparência nem da barganha política. Estupidez na veia sempre.

Os estúpidos estão na rua, pedindo cabeças, reinventando o fogo. Querem destruir pessoas, destruir um país inteiro. Fazem tanta bobagem, falam tanta besteira… E correm para a China, em grande comitiva, porque nada é tão ruim que não possa piorar. Eles têm segredos, têm sigilos, e suas ideias velhas e imbecis jamais se transformarão em coisa boa. A desculpa para o fracasso é antecipada, é esfarrapada. A estupidez inventa que recebeu uma herança maldita… São os estúpidos os velhos novos falsos heróis. Eles não têm culpa de nada; a culpa é dos outros.

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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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