Ao atribuir o plano do PCC de matar autoridades a uma ‘armação de
Moro’, o presidente desmoraliza seu próprio ministro da Justiça e
alimenta o ódio que tão mal tem feito ao Brasil
Por Notas & Informações – Jornal Estadão
O presidente Lula da Silva, aquele que se elegeu pregando o diálogo e
que se acha capaz de dobrar até a Rússia de Putin só no papo, está se
deixando levar pelo rancor, que não costuma ser bom conselheiro. No
momento em que os brasileiros tomaram conhecimento, chocados, de um
plano do PCC para assassinar autoridades País afora, o presidente, em
vez de elogiar o aparato de segurança federal que foi capaz de frustrar
os intentos criminosos daquela organização, preferiu pôr em dúvida a
própria existência do plano. O que motivou Lula da Silva a desmoralizar a
Polícia Federal (PF) e o Ministério da Justiça de seu próprio governo
foi a revelação de que um dos alvos do PCC era o senador Sérgio Moro,
que foi seu algoz na Operação Lava Jato.
Depois de dizer que pretende ser “cauteloso” e “descobrir o que
aconteceu”, declarou, sem deixar dúvidas, que, para ele, “é visível que é
uma armação do Moro”. Se Lula é “cauteloso” assim, Deus livre o País
quando ele não for.
Até aquele momento, a operação contra o PCC era motivo de orgulho no
governo, por razões óbvias: além da vitória contra um dos mais
insidiosos grupos criminosos do mundo, fruto de cuidadoso trabalho de
inteligência, a ação impediu um atentado contra um dos principais
opositores do governo, o senador Moro, mostrando que a máquina do
Estado, neste caso, funcionou de maneira apartidária. Não demorou para
que o ministro da Justiça, Flávio Dino, celebrasse essa conquista como
um contraste evidente em relação ao governo anterior, de Jair Bolsonaro,
que tudo fez para transformar a PF em polícia a seu serviço e contra
desafetos. Lula poderia ter seguido o exemplo de Dino, mas escolheu a
leviandade, mostrando que teorias da conspiração estapafúrdias não são
monopólio do extremismo bolsonarista.
Lula da Silva deve ter lá suas razões para não gostar de Sérgio Moro.
Afinal, passou mais de 500 dias na cadeia depois de condenado pelo
então magistrado. Não se espera, portanto, que o petista perdoe Moro,
mas um estadista, como o que Lula da Silva pretende ser, é justamente
aquele que é capaz de deixar de lado suas eventuais mágoas pessoais em
nome dos interesses nacionais. E é também aquele capaz de demonstrar
empatia com a aflição alheia, mesmo que seja a de seu maior adversário.
Se Moro e sua família estavam sob ameaça, como mostraram as
investigações, então o presidente da República tinha o dever de
respeitá-los. Sendo incapaz de dirigir uma palavra de solidariedade a
Moro, que então se calasse.
No afã de atacar Moro, Lula acabou desprestigiando seu ministro da
Justiça, Flávio Dino, que passou os últimos dois dias dando inúmeros
detalhes sobre a operação contra o PCC e festejando o fato de que a
investigação “é tão séria que foi feita em defesa da vida e da
integridade de um senador de oposição ao nosso governo”. Ora, se o
presidente da República desconfia que tudo isso não passa de “armação de
Moro”, das duas, uma: ou Flávio Dino pede demissão por ter sido feito
de bobo pelo senador ou é demitido por Lula, pois o presidente acha que
ele foi feito de bobo.
Tudo considerado, o discurso de Lula da Silva é um acinte. Lança
aleivosias como se estivesse no botequim, como se não fosse o chefe de
Estado, a quem cabe a responsabilidade de liderar a ofensiva contra o
crime organizado. Em lugar de assumir a condição de presidente da
República e, assim, dar apoio a um senador ameaçado por perigosíssimos
delinquentes, Lula se comportou de modo irresponsável e primário. Não
foi Moro, apenas, o desrespeitado pelo presidente: foi a República.
Porque não é republicano deixar que malquerenças pessoais contaminem o
discurso e a prática presidenciais.
É, ademais, o tipo da reação que alimenta o ódio que tanto mobiliza
os radicais no País há tempo demais. Lula precisa sair da cadeia de uma
vez por todas, parar de ruminar vingança contra seus carrascos reais e
imaginários e assumir, com espírito conciliador, a Presidência da
República, para a qual foi eleito com a promessa de pacificar o Brasil.
Artigo Na rota da seda Por Jorge Fontoura – Gazeta do Povo
Viagem de Lula à China terá encontros com autoridades chinesas e
visita ao Banco dos Brics na tentativa de emplacar Dilma Rousseff.|
Foto: Joedson Alves/EFE
A busca de comércio com a China tem sido
recorrência milenar no imaginário histórico do ocidente. Nas grandes
navegações, inclusive, o caminho marítimo para as Índias era designação
indevida, a idear todo um oriente profundo, incluindo também China e
Japão, como sabemos desde “as armas e os barões assinalados”, como diria
Camões.
Ainda muito antes do descobrimento Terra Brasilis, a dizê-lo com
precisão histórica, ocorrido em meio à busca do oriente pelo ocidente,
já se cultivava portanto a ideia da rota da seda, presente em
civilizações marcantes da antiguidade. Rota como economia política, não
como geografia, antes um esforço e ímpeto de concretizar o comércio com a
China do que literalmente um caminho a seguir.
No mundo de claudicantes polaridades múltiplas a China é cada vez
mais importante a impactar de forma global e em primeira grandeza.
Agora, com a viagem de Lula da Silva a Pequim, em aparatosa visita de
Estado, “nihil novi sub sole” (“Nada de novo sob o Sol”), acompanhado
de numerosa delegação, composta de empresários, governadores, ministros e
membros do Congresso, temos uma manifesta revalorização da política
externa. Com objetivos definidos a princípio em densa agenda comercial,
mas não apenas nela, o programa projeta relevantes desdobramentos
geopolíticos e institucionais, como lembra o embaixador Eduardo Saboia,
secretário de Ásia e Pacífico, do Itamaraty: “As áreas são diversas,
desde agricultura, mas a incluir educação, meio ambiente, cultura,
ciência e tecnologia e finanças”.
Se a agenda comercial pode se autoexplicar, a considerar os vultosos
interesses em cotejo, a conjuntura mundial também impõe pauta de
clamorosas urgências, em semana de especial complexidade no noticiário
internacional, com a imputação de crime de guerra a Putin, e o rescaldo
da visita melindrosa de Xi Jimping a Moscou.
No mundo de claudicantes polaridades múltiplas, a China é cada vez
mais importante, impactando de forma global e em primeira grandeza. Para
o Brasil, se há bem pouco se tratava de mera décima parceira comercial,
hoje é de longe a primeira. Tanto em fluxo de comércio, na ordem de 150
bilhões de dólares anuais, como em investimentos diretos estimados em
estoques de outros setenta e tantos iguais bilhões. Como decorrência de
tão convincentes cifras, mais que parceira, tem-se a China de fato sócia
inestimável, com a economia chinesa interatuando e influenciando de
modo decisivo.
Uma recente sinalização nessa direção foi a escolha da atual
secretária de Comércio Exterior Tatiana Lacerda Prazeres, que deixou
clara a importância que o Palácio do Planalto passou a reconhecer nas
relações sino-brasileiras, tomando em conta a expertise da nova gestora
do comércio internacional, ex-senior felow da Universidade de Economia e
de Negócios Internacionais de Pequim, a par de toda sua vasta
trajetória técnica e acadêmica.
VEJA TAMBÉM: A China quer abrir uma delegacia de polícia na sua cidade Por que o mundo ocidental depende dos negócios com a China antidemocrática? O que esperar da eleição no Brasil e a reeleição de Xi Jinping na China
No que concerne à agenda de política internacional propriamente dita,
no entanto, o encontro entre Lula da Silva e Xi Jinping não será apenas
com céu azul, em especial no que se refere à inevitável abordagem da
guerra de Putin. Nesse sentido, também estará na ordem do dia o plano de
cessar-fogo patrocinado por chineses para a Ucrânia, porém, inaceitável
para a União Europeia e para norte-americanos, como afirmou às pressas o
porta voz da Casa Branca John Kirby. Uma trégua agora representaria
indesejável consolidação de conquistas territoriais russas em solo
ucraniano, como uma vitória retumbante e silenciosa para o Kremlin. O
que diria Joe Biden? Serão tensões incontornáveis, por certo agravadas
pelo momento mercurial que vive a China, com discursos marciais de seu
presidente, sobre exércitos, armas e muralhas de aço.
Restará em aberto o desafio da redação da nota final do encontro, na
qual muito pretenderá dizer Xi Jinping. Além das questões comerciais e
de boas intenções recíprocas, deverão ser incluídas com certeza posições
acerca do conflito. Posições de Xi Jinping, bem entendido, mas não
tanto posições de Lula da Silva. Mais uma tarefa de Hércules para a
escolada dicção e o apropriado saber fazer e saber dizer da diplomacia
brasileira.
Questões ambientais, sociais e de governança passaram a ser consideradas essenciais para garantir a sobrevivência humana
Rio – O avanço das mudanças climáticas e a realização da 27ª edição
da Conferência do Clima da ONU (COP 27), em novembro deste ano, fez o
termo economia verde ganhar ainda mais visibilidade. Com isso, as
questões ambientais, sociais e de governança — termos que compõem a
sigla ESG (em inglês) — passaram a ser consideradas essenciais para
garantir a sobrevivência humana, além de pautar as análises de riscos e
decisões de investimentos, colocando forte pressão no setor empresarial
sobre qual será o futuro do planeta.
Mas, você sabe o que é economia verde?
De acordo com o especialista em energia renovável e CEO da Renova
Energia Solar, Ricardo Dadda, basicamente, na economia verde as questões
ambientais são levadas em consideração na hora de se planejar o
desenvolvimento econômico, visando um crescimento sustentável e a
preservação da natureza. Ainda segundo Dadda, devido à extensão
territorial e a diversidade dos biomas, o Brasil pode se beneficiar
economicamente e ainda ajudar o mundo a adotar cuidados com o meio
ambiente.
“Temos diversas vantagens principalmente quando se fala na geração de
energia limpa. Grande território, alta incidência solar, regiões com
ventos constantes, além da capacidade hídrica. Imagino em um futuro
próximo, explorarmos tecnologias que nos possibilite não só nos deixar
autossuficientes energeticamente, mas até mesmo fornecer energia limpa
para outros países menos beneficiados pela natureza. Também temos
possibilidades de geração de crédito de carbono e hidrogênio verde que
pode auxiliar o nosso crescimento econômico”, opina.
Com relação aos desafios para frear o aquecimento global, Dadda
destaca que as questões burocráticas e legislativas podem representar
obstáculos a serem vencidos. “Para um desenvolvimento rápido da economia
verde, é imprescindível que se tenha legislações favoráveis que de fato
incentive as pessoas e empresas a investirem nisso. Só o governo
investir e regular, acaba não funcionando. Gosto muito do exemplo do
sistema de compensação de energia solar, onde gera de fato um benefício
econômico para quem investe”, cita.
Já o diretor executivo da JValério Gestão e Desenvolvimento,
Clodoaldo Oliveira, acredita em um resgate da credibilidade
internacional pelo foco que o governo eleito de Luiz Inácio Lula da
Silva prometeu dar ao tema. “Vimos pela presença na COP 27, onde o uso
da questão ambiental irá estimular a economia, seja via acesso a
mercados internacionais destravando acordos ou pela atração de
investimentos para o país”, complementa.
Clodoaldo ainda ressalta que o Brasil é um país de grandes
oportunidades e destaca que “precisamos ter sensibilidade para os
mercados em crescimento”.
Micro e pequenas empresas têm dificuldades em aplicar práticas sustentáveis
Apesar de ser um tema atual e que tende a ganhar cada vez mais
relevância, um levantamento do Sebrae Rio em parceria com o portal
Integridade, constatou que 67% dos representantes de Empresas de Pequeno
Porte (EPPs) entrevistadas no Estado do Rio de Janeiro, conhecem
práticas sustentáveis. Entretanto, apenas 42% aplicam alguma medida
relacionada ao tema, revelando uma dificuldade na implementação dessas
ideias. O estudo ouviu 390 companhias do setor de serviços, indústria e
comércio.
Ainda segundo o levantamento, entre as vantagens citadas após a
adoção das práticas sustentáveis, está o aumento de reputação e vendas.
Porém, 83% das empresas que participaram da pesquisa informaram que não
identificaram o acesso a crédito mais barato como um benefício
relacionado.
A pesquisa também constatou que o setor de serviços mostrou-se o mais
receptivo às práticas ESG, se comparado à indústria e ao comércio. As
empresas de serviços que conhecem algumas das práticas somam 74%; outras
21% desconhecem, mas gostariam de adotar; e apenas 5% não têm interesse
por elas. Em seguida, vem o setor da indústria, no qual os percentuais
atingem, respectivamente, 67%, 25% e 8%. No segmento do comércio, apenas
59% têm conhecimento sobre elas; 30% não as conhecem, mas gostariam de
adotá-las; e outros 11% não demonstram interesse nessa agenda.
Com relação às práticas ambientais, 12% das empresas já utilizam
energia de fontes solar ou eólica; e 37% direcionam o lixo para
reciclagem. No entanto, um percentual ainda alto utiliza sacolas e copos
plásticos, respectivamente 77% e 67%.
Para a gestora de projetos de sustentabilidade do Sebrae Rio, Aline
Barreto, a pesquisa evidencia uma tendência de preocupação das empresas
com a agenda ESG, destacando que essa adesão é importante para a própria
sobrevivência dos negócios.
“A sondagem revela um novo caminho que as empresas de pequeno porte
estão tomando, já que durante anos o investimento em questões
ambientais, sociais e de governança era visto como uma despesa de baixo
retorno para o negócio. Vale destacar também que hoje os consumidores
estão mais preocupados com as questões socioambientais e pesquisam as
práticas e a reputação das organizações com as quais se relacionam.
Aquelas que não estão nesse caminho não são competitivas”, diz Barreto.
Já a editora do portal Integridade ESG, Mariza Louven, ressalta a
importância das pequenas e médias empresas na economia brasileira como
um todo. “O Brasil é um país de pequenas e médias empresas. É
fundamental conhecer um pouco mais sobre a realidade ESG desse segmento
que move a nossa economia, inclusive como contribuição às políticas
públicas, de fomento e até de comunicação com esses empreendedores”.
Profissões do futuro
Visando se destacar neste mercado, o Brasil tem buscado caminhar para
novos rumos. Segundo a Agência Internacional de Energia Renovável
(Irena), compilados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI),
atualmente o país já responde por 10% dos “empregos verdes” no planeta,
ficando somente atrás da China, que tem 42% dos 12,7 milhões de postos
de trabalho nessa área.
“Sem sombra de dúvidas, será a grande era dos engenheiros
eletricistas, gestores de energia, e profissionais ligados ao setor de
energia limpa. Hoje já enfrentamos muita carência de mão de obra nesses
setores, e a tendência é que essa oferta cresça ainda mais à medida que
esse mercado se desenvova”, aposta Dadda.
Já o coordenador do curso de pós-graduação a distância em mudanças
climáticas da Unyleya, Ismael Ulisse Miranda, frisa que a nova economia
exigirá qualificação por parte dos profissionais. “O profissional para
atuar com ESG precisa estar bem qualificado e apto a trabalhar com
gestão ambiental e de riscos nas empresas, acordos, negociações. Precisa
ter um olhar sistêmico e com entendimento do negócio, visão holística,
saber dialogar, ser articulado, entre outras habilidades. As empresas
estão de olho e em busca desses perfis, pois agora é questão de
sobrevivência”.
ESCALANDO NEGÓCIOS DA VALEON
1 – Qual é o seu mercado? Qual é o tamanho dele?
O nosso mercado será atingir os 766 mil habitantes do Vale do
Aço e poder divulgar os produtos / serviços para vocês clientes,
lojistas, prestadores de serviços e profissionais autônomos e obter dos
consumidores e usuários a sua audiência.
A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e
especialmente aos pequenos e microempresários da região que não
conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que
ele proporciona. Pretendemos cadastrar todas as empresas locais com
CNPJ ou não e coloca-las na internet.
2 – Qual problema a sua empresa está tentando resolver? O mercado já expressou a necessidade dessa solução?
A nossa Plataforma de Compras e Vendas que ora
disponibilizamos para utilização das Empresas, Prestadores de Serviços e
Profissionais Autônomos e para a audiência é um produto inovador sem
concorrentes na região e foi projetada para atender às necessidades
locais e oferecemos condições de adesão muito mais em conta que qualquer
outro meio de comunicação.
Viemos para suprir as demandas da região no que tange a
divulgação de produtos/serviços cuja finalidade é a prestação de
serviços diferenciados para a conquista cada vez maior de mais clientes e
públicos.
O nosso diferencial está focado nas empresas da região ao
resolvermos a dor da falta de comunicação entre as empresas e seus
clientes. Essa dor é resolvida através de uma tecnologia eficiente que
permite que cada empresa / serviços tenha o seu próprio site e possa
expor os seus produtos e promoções para os seus clientes / usuários ao
utilizar a plataforma da ValeOn.
3 – Quais métodos você usará para o crescimento? O seu mercado está propício para esse tipo de crescimento?
Estratégias para o crescimento da nossa empresa
Investimento na satisfação do cliente. Fidelizar é mais barato do que atrair novos clientes.
Equilíbrio financeiro e rentabilidade. Capital de giro,
controle de fluxo de caixa e análises de rentabilidade são termos que
devem fazer parte da rotina de uma empresa que tenha o objetivo de
crescer.
Desenvolvimento de um planejamento estratégico. Planejar-se
estrategicamente é como definir com antecedência um roteiro de viagem ao
destino final.
Investimento em marketing. Sem marketing, nem gigantes como a
Coca-Cola sobreviveriam em um mercado feroz e competitivo ao extremo.
Recrutamento e gestão de pessoas. Pessoas são sempre o maior patrimônio de uma empresa.
O mercado é um ambiente altamente volátil e competitivo. Para
conquistar o sucesso, os gestores precisam estar conectados às demandas
de consumo e preparados para respondê-las com eficiência.
Para isso, é essencial que os líderes procurem conhecer (e
entender) as preferências do cliente e as tendências em vigor. Em um
cenário em que tudo muda o tempo todo, ignorar as movimentações externas
é um equívoco geralmente fatal.
Planeje-se, portanto, para reservar um tempo dedicado ao
estudo do consumidor e (por que não?) da concorrência. Ao observar as
melhores práticas e conhecer quais têm sido os retornos, assim podemos
identificar oportunidades para melhorar nossa operação e, assim,
desenvolver a bossa empresa.
4 – Quem são seus principais concorrentes e há quanto tempo
eles estão no mercado? Quão grandes eles são comparados à sua empresa?
Descreva suas marcas.
Nossos concorrentes indiretos costumam ser sites da área,
sites de diretório e sites de mídia social. Nós não estamos apenas
competindo com outras marcas – estamos competindo com todos os sites que
desejam nos desconectar do nosso potencial comprador.
Nosso concorrente maior ainda é a comunicação offline que é
formada por meios de comunicação de massa como rádios, propagandas de
TV, revistas, outdoors, panfletos e outras mídias impressas e estão no
mercado há muito tempo, bem antes da nossa Startup Valeon.
5 – Sua empresa está bem estabelecida? Quais práticas e procedimentos são considerados parte da identidade do setor?
A nossa empresa Startup Valeon é bem estabelecida e
concentramos em objetivos financeiros e comerciais de curto prazo,
desconsideramos a concorrência recém chegada no mercado até que deixem
de ser calouros, e ignoramos as pequenas tendências de mercado até que
representem mudanças catastróficas.
“Empresas bem estabelecidas igual à Startp Valeon devemos começar a pensar como disruptores”, diz Paul Earle,
professor leitor adjunto de inovação e empreendedorismo na Kellogg
School. “Não é uma escolha. Toda a nossa existência está em risco”.
6 – Se você quiser superar seus concorrentes, será necessário escalar o seu negócio?
A escalabilidade é um conceito administrativo usado para
identificar as oportunidades de que um negócio aumente o faturamento,
sem que precise alavancar seus custos operacionais em igual medida. Ou
seja: a arte de fazer mais, com menos!
Então, podemos resumir que um empreendimento escalável é
aquele que consegue aumentar sua produtividade, alcance e receita sem
aumentar os gastos. Na maioria dos casos, a escalabilidade é atingida
por conta de boas redes de relacionamento e decisões gerenciais bem
acertadas.
Além disso, vale lembrar que um negócio escalável também
passa por uma fase de otimização, que é o conceito focado em enxugar o
funcionamento de uma empresa, examinando gastos, cortando desperdícios e
eliminando a ociosidade.
Sendo assim, a otimização acaba sendo uma etapa inevitável
até a conquista da escalabilidade. Afinal de contas, é disso que se
trata esse conceito: atingir o máximo de eficiência, aumentando clientes, vendas, projetos e afins, sem expandir os gastos da operação de maneira expressiva.
Pretendemos escalar o nosso negócio que é o site marketplace da Startup Valeon da seguinte forma:
objetivo final em alguma métrica clara, como crescimento percentual em vendas, projetos, clientes e afins;
etapas e práticas que serão tomadas ao longo do ano para alcançar a meta;
decisões acertadas na contratação de novos colaboradores;
gerenciamento de recursos focado em otimização.
Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (App)
Ações de facções criminosas durante governo Lula geram críticas de opositores. Foto: Agência EFE| Foto:
A
oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está convencida
de que o crime organizado detectou uma fraqueza do governo federal no
combate às quadrilhas e à criminalidade. A prisão de suspeitos de
organizar ataques contra agentes públicos, a exemplo do senador Sergio
Moro (União Brasil-PR), e a onda de violência ocorrida no Rio Grande do
Norte sugerem a opositores que as facções criminosas se sentem livres e
confortáveis para agir de forma mais radical em um governo de esquerda.
O deputado federal Alberto Fraga (PL-DF), presidente da Frente
Parlamentar da Segurança Pública, entende que não há dúvidas de que as
facções se sentem mais confortáveis para cometer crimes no atual
governo. Segundo ele, isso sugere a percepção de fraqueza do governo em
relação ao combate às quadrilhas.
Já o governo Lula ressaltou que há pelo menos 45 dias seus setores de
inteligência identificaram o plano do PCC (Primeiro Comando da Capital)
para atacar Moro e autoridades de segurança pública e a Polícia Federal
(PF) conseguiram desarticulá-lo de forma eficaz e sem violência. O
ministro da Justiça, Flávio Dino, ressaltou que a PF não faz distinção
política na hora de proteger a sociedade e que Moro pode ter sido salvo
devido à eficiência e independência do órgão.
Durante a operação Sequaz, a PF cumpriu ao menos nove de um total de
11 mandados de prisão e realizou buscas em 24 locais que podem ter sido
usados no planejamento para matar ou sequestrar autoridades públicas.
A operação ocorreu dias depois do início de uma discussão política
polêmica sobre uma visita de Dino à favela da Maré, no Rio de Janeiro,
que é controlada pela facção criminosa Comando Vermelho. Isso levou
opositores do governo a questionarem como autoridades da esquerda
conseguem entrar em áreas dominadas pelo crime sem sofrer represálias.
“Basta ver o que ocorreu na campanha política, que Lula foi lá no
Complexo do Alemão e não foi importunado com absolutamente nada. Depois,
Flávio Dino [ministro da Justiça e Segurança Pública] foi ao Complexo
da Maré negociar com ONGs pedindo que não haja incursões [policiais] na
favela”, acusa Fraga. “A gente percebe claramente que há uma aproximação
do PT e da esquerda com o crime organizado. Provas ainda não existem,
mas logo, logo, chegaremos lá”, acrescenta Fraga.
Dino disse na ocasião que foi visitar representantes de movimentos
sociais e acusou opositores de “ódio a lugares onde moram os mais
pobres”. Ele negou que o governo tenha qualquer ligação com o crime
organizado.
Interlocutores de Moro, que pediram para não ter seus nomes
revelados, dizem que a análise de Fraga é partilhada entre outros
senadores. Eles afirmaram acreditar que o ambiente favorece o avanço de
projetos de lei que endurecem o combate ao crime organizado, como o
Projeto de Lei (PL) 1307/2023 proposto por Moro para aumentar as penas
de quem planeja atentados.
Em rede social, Bolsonaro associa crime organizado à esquerda Na
mesma linha, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por exemplo, associou o
crime organizado à esquerda em uma postagem de solidariedade a Moro
noTwitter, que foi ministro da Justiça e Segurança Pública em seu
governo. Ele citou a morte do ex-prefeito petista Celso Daniel, em 2002,
e o atentado sofrido por ele nas eleições de 2018, em uma referência
crítica às facções criminosas.
Diversas suspeitas sobre crime político foram levantadas em relação
ao assassinato de Celso Daniel. Mas, Polícia Civil de São Paulo concluiu
que tratou-se de um crime comum e não político. Contudo, testemunhas
foram assassinadas ao longo do processo.
“Em 2002, Celso Daniel. Em, 2018, Jair Bolsonaro, e agora Sérgio
Moro. Tudo não pode ser só coincidência. O Poder absoluto a qualquer
preço sempre foi o objetivo da esquerda”, comentou. “Nossa solidariedade
a Sérgio Moro, [o promotor] Lincoln Gakiya e familiares. A CPMI [do 8
de janeiro] assombra os inimigos da democracia”, declarou.
Gakyia é um promotor do Ministério Público de São Paulo que vem
enfrentando o PCC desde sua formação nos presídios paulistas no início
dos anos 2001. Desde 2009, ele anda com escolta e diz que os planos para
assassiná-lo são frequentes.
Política de segurança do PT prioriza direitos humanos O fato de
políticos e ativistas da esquerda defenderem uma determinação do Supremo
que vem limitando as ações da polícia contra facções no Rio de Janeiro,
por causa da pandemia, também reforça a percepção de opositores e
analistas de segurança contra que o crime está com mais liberdade para
agir.
Na semana passada, no lançamento do Programa Nacional de Segurança
com Cidadania (Pronasci 2), o programa de segurança do governo federal,
ativistas disseram que as operações da polícia fluminense são
“planejadas ao fracasso”. O Pronasci é criticado por analistas por
supostamente se focar mais em políticas de promoção dos direitos humanos
do que em estratégias para combate direto ao crime organizado.
Um levantamento da Gazeta do Povo mostrou que os estados do Maranhão e
da Bahia registraram elevação dos índices de criminalidade quando foram
governados por membros da cúpula do PT.
Segundo Sérgio Habib, que foi secretário de segurança pública da
Bahia na década de 90 e hoje é professor de Direito Penal, o PT investiu
muito em obras e construção de estradas durante sua gestão na Bahia,
por exemplo, mas não deu a importância devida para a segurança pública.
Porém, a associação entre o fortalecimento do crime organizado e
políticas públicas da esquerda para a segurança pública gera polêmica
mesmo entre os analistas.
“Não se pode imaginar que os bandidos estejam aproveitando uma
fragilidade em um governo de esquerda. Os bandidos estão mais
preocupados com a sobrevivência e lucratividade deles”, disse o coronel
reformado da Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) José Vicente da Silva.
“Nós temos cerca de 70 facções criminosas no país e elas não
conversam entre si, a não ser um ou outro jogo de conveniência criminosa
de buscar armas, pegar drogas, mas elas são rivais”, comenta.
Por outro lado, ele afirma que o Pronasci 2, lançado pelo governo
federal, “não funciona”. Sem um programa eficiente, o especialista
alerta que a própria alocação de recursos para o setor fica
comprometida. “O fundo nacional de segurança pública precisa estar
contido dentro de um plano nacional, que não tem”, diz.
Oposição quer agenda de projetos contra as facções criminosas O
projeto de lei proposto por Moro após a operação da PF propõe ampliar a
proteção dos agentes públicos envolvidos no combate ao crime organizado e
tipifica a conduta de obstrução de ações contra as facções.
A percepção entre opositores no Congresso é de que a proposta do
senador tem chances de avançar, ser aprovada e se somar às demais
matérias em tramitação que abordam o enfrentamento à criminalidade.
O projeto é elogiado pelo analista José Vicente da Silva. “Eu li o
projeto. Ele propõe algumas camadas a mais de proteção para todos os
agentes que incomodam o bandido, sendo o crime organizado ou não. É
necessário criar estruturas intimidatórias aos criminosos”, destaca. .
A Comissão de Segurança Pública e Crime Organizado da Câmara, por
exemplo, iniciou a discussão de uma agenda de pautas prioritárias a
serem votadas neste início de legislatura. Há uma série de projetos que
tramitam na Casa, como propostas que endurecem penas e até um projeto,
encaminhado pelo governo Bolsonaro, que tem por objetivo garantir o
pagamento de indenização às vítimas de crimes, paga pelos criminosos.
O presidente do colegiado, Sanderson (PL-RS), tem discutido a
distribuição de relatorias com integrantes. “As conversas tiveram início
e eu respondi quais seriam os projetos que tenho interesse em relatar.
Foi feito o início de distribuição de relatorias”, diz o deputado Paulo
Bilynskyj (PL-SP). Uma das medidas de enfrentamento à violência e ao
crime defendida por ele é uma proposta de Emenda à Constituição (PEC) de
sua autoria, que garante a posse, o porte e a propriedade de armas ao
cidadão.
O parlamentar endossa a percepção de que o governo tem uma
“preferência pela conduta criminosa” e considera que sua análise é
corroborada pelo decreto de Lula que altera a política de armas de
Bolsonaro. “O governo preferiu realizar esforços para desarmar cidadãos
de bem do que esforços para desarmar criminosos”, diz Bilynskyj. Ele
também critica a decisão de Dino em ter extinguido os Comandos de
Operações Especializadas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e ter
designado a corporação a focar apenas em sua atividade fim, ou seja, em
fiscalizar ostensivamente as rodovias federais.
O deputado considera ainda que a investigação da Polícia Federal
contra a quadrilha suspeita de organizar ataques contra agentes públicos
vai aumentar um vínculo existente entre as declarações de Lula e as
prisões realizadas pela corporação. “Por que o presidente declara que
quer f… o Moro e, no dia seguinte, a PF prende caras que estavam agindo
para isso?”, indaga. Após a fala de Lula e a investigação contra a
quadrilha que ameaça Moro, Bilynskyj diz que “a oposição inteira” se
mobiliza para pedir o impeachment de Lula.
Porém, a relação entre a fala de Lula na terça-feira (21) e a
operação da PF na quarta-feira (22) foi descartada pelo ministro da
Justiça, Flávio Dino. Ele disse que trata-se de uma “narrativa
escandalosamente falsa”. Lembrou ainda que a PF protegeu o senador Moro.
Em outra frente, o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS), por exemplo,
ingressou nesta quarta (22) com um pedido de impeachment contra o
presidente da República. Para ele, Lula violou a imunidade assegurada a
Moro com “nítido caráter de vingança” e cometeu crime de improbidade ao
agir de modo “incompatível” com a “dignidade, a honra e o decoro do
cargo de presidente” ao “ofender” e “ter sentimento de vingança” contra o
senador.
Outra medida articulada por opositores é o pedido de abertura de uma
Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) para investigar os planos
da organização Primeiro Comando da Capital para fazer atentados contra
Moro e outros agentes públicos. É o que propôs nesta quarta o deputado
Coronel Meira (PL-PE) ao pedir a instalação de um colegiado com a
participação de 15 senadores e 15 deputados federais.
Resistência do governo é desafio para avançar contra governo e facções Apesar
dos esforços, opositores temem que o governo fará o possível para
impedir o avanço de estratégias que tentem associar Lula, a esquerda e o
crime organizado. A tentativa do governo em retirar assinaturas da CPMI
que propõe a investigação dos atos de vandalismo em 8 de janeiro, em
Brasília, é visto como um exemplo prático pelo qual uma CPMI para
investigar o PCC pode ser malsucedida.
Mesmo projetos de lei de endurecimento de pena são difíceis de
aprovar em razão da obstrução do governo, critica o deputado Alberto
Fraga. “A Câmara tem diversos projetos para resolver a questão [do
combate ao crime organizado]. O problema todo é que falta vontade
política. O PT não deixa aumentar pena ou propor mudança mais rígida,
tudo tem mais dificuldade com PT e com PSOL”, comenta.
O presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública defende a
aprovação de matérias como a redução da maioridade penal e o fim dos
“saidões” de detentos dos presídios, mas reforça que propostas de avanço
contra o crime são difíceis sem o apoio de uma maioria do Congresso.
“Volto a dizer: projetos têm, e demais. Hoje mesmo apresentaram projeto
aumentando em 80% a pena a alguém que cometer crimes contra agentes
públicos. Mas falta vontade política para votar e aprovar”, critica
Fraga.
“Saidões” são benefícios concedidos a presos por bom comportamento.
Eles podem passar feriados fora das prisões. Defensores da medida dizem
que ela ajuda no processo de ressocialização dos criminosos.
O deputado destaca, contudo, que é possível a convocação de Dino para
ir à Câmara esclarecer diferentes questionamentos de parlamentares,
como sua ida ao Complexo da Maré e os projetos do atual governo para a
segurança pública. A ideia é que a bancada da segurança pública decida
nesta quinta-feira (23) sobre a convocação do ministro da Justiça.
Outra resistência do governo diz respeito à ideia de acionar as
Forças Armadas para coibir a escalada da violência no Rio Grande do
Norte. O deputado federal Sargento Gonçalves (PL-RN) e outros
parlamentares pediram para que os presidentes da Câmara, Arthur Lira
(PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco, (PSD-MG), peçam o envio de tropas
militares por meio da edição de um decreto de Garantia da Lei e da
Ordem (GLO).
Até o momento, Lula e a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima
Bezerra (PT), têm resistido à edição da GLO. Gonçalves interpreta a
objeção dos governos federal e estadual como uma conivência com o crime
organizado que, segundo o parlamentar, promoveu ataques a mais de 50
municípios do estado.
Além de defender a aprovação de medidas legislativas que endureçam as
penas contra o crime organizado e o combate à corrupção, Gonçalves
destaca que foi apresentado um requerimento na Comissão de Segurança
Pública da Câmara solicitando a instalação de uma comissão externa para
acompanhar in loco a situação no Rio Grande do Norte. Ele diz que também
apresentou um pedido de impeachment contra a governadora.
Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva faz pronunciamento em Brasília
Lula e o ministro da Previdência, Carlos Lupi, em foto de dezembro de 2022.| Foto: José Cruz / Agência Brasil
“Os livros de economia estão superados”, pontificou Lula na
segunda-feira, dia 20, durante o relançamento do Mais Médicos. Difícil
saber se o presidente da República chegou um dia a ler alguma das obras
que ele agora diz estarem “superadas” e, caso tenha lido, se chegou a
entender o que lera – não há como considerar, evidentemente, os livros
de economia de viés socialista, que bem poderiam ser colocados nas
prateleiras de “ficção” das livrarias. De qualquer forma, enquanto Lula
dizia essas palavras, tanto os bons livros de economia quanto o puro e
simples bom senso mostravam-se mais uma vez certeiros a respeito das
consequências trágicas do intervencionismo voluntarista na economia.
Em uma decisão motivada mais pelo populismo que por algum sólido
embasamento técnico, o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS),
formado por integrantes do governo e representantes de aposentados,
empresas e trabalhadores, resolveu que os juros cobrados no empréstimo
consignado aos beneficiários do INSS eram altos demais e os reduziu na
marra, de 2,14% para 1,70% ao mês, em sua reunião de 13 de março. Se com
a taxa anterior muitos bancos, especialmente os menores, já tinham uma
margem de lucro praticamente zerada nesse tipo de operação, com a nova
taxa definida pelo CNPS eles praticamente passariam a pagar para
emprestar dinheiro aos aposentados. Como resultado, ao menos 11 bancos
resolveram suspender a concessão de novos empréstimos – incluindo os
pesos-pesados estatais Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
Ao romper o silêncio sobre o tema na terça-feira, Lula não deixou
dúvidas: disse que o CNPS apenas fez a coisa certa do jeito errado
“Buscamos encontrar um caminho que seja o melhor para a parte mais
frágil: o povo brasileiro”, comemorou o ministro da Previdência, Carlos
Lupi, ao comentar a redução dos juros. Na prática, entretanto, o que o
CNPS conseguiu foi justamente o oposto, reduzindo drasticamente o acesso
dos aposentados ao crédito, já que o consignado é, para boa parte
deles, a única opção segura disponível. É o caso de 42% dos 14,5 milhões
de beneficiários do INSS que já fizeram empréstimos consignados e estão
com o nome sujo na praça; esses 6 milhões de brasileiros já não podem
recorrer normalmente ao sistema bancário e agora ficam à mercê de
agiotas ou de linhas especiais para negativados, com juros muito mais
altos.
Aliados do governo, que certamente também não leram ou não entenderam
os livros de economia “superados”, e por isso não entendem como é
possível que um banco não esteja disposto a assumir prejuízos certos de
livre e espontânea vontade, chamaram de “chantagem” e “extorsão” a
decisão dos bancos, e pediram a cabeça dos responsáveis na Caixa e no
BB. O ministro Carlos Lupi bateu o pé e, na sexta-feira, dia 17,
publicou nota pedindo que o governo “não ceda aos interesses dos bancos e
do mercado financeiro”. O governo, no entanto, está tentando costurar
uma solução intermediária: uma primeira reunião nesta segunda-feira (dia
20), da qual participaram o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a
presidente da Caixa, Rita Serrano, acabou sem decisão, e um segundo
encontro deve ocorrer na próxima sexta-feira. O mais provável é que um
novo teto seja estabelecido para os juros do consignado, inferior a
2,14%, mas superior a 1,70%.
VEJA TAMBÉM: Liberdade econômica, sonho que ficou ainda mais distante (editorial de 11 de março de 2023) Reoneração sem planejamento (editorial de 28 de fevereiro de 2023) Lula declara guerra ao Banco Central autônomo (editorial de 9 de fevereiro de 2023)
E Lula, o que achou? De início, alguém até poderia incluir a
redução voluntarista dos juros do consignado na lista de “genialidades”
que o presidente criticou em reunião ministerial ocorrida um dia depois
da reunião do CNPS, ao pedir que todo novo projeto passasse pelo crivo
da Fazenda, do Planejamento, da Casa Civil e do Planalto antes de ser
anunciado. Por outro lado, dadas todas as críticas de Lula ao Banco
Central e à atual taxa Selic, impossível não imaginar que ele não visse
com bons olhos uma canetada redutora de juros. Pois, ao romper o
silêncio sobre o tema nesta terça-feira, Lula não deixou dúvidas:
aprovou o conteúdo, criticando apenas a forma. Falando ao site de
esquerda Brasil 247, o presidente classificou a medida como “uma coisa
que poderia ser 100% boa, favorável”, mas que “era preciso ter feito um
acerto para anunciar uma medida que envolvesse a Fazenda, o
Planejamento, os bancos públicos e os bancos privados. Não, o Lupi
anunciou”. Em outras palavras, o CNPS apenas fez a coisa certa do jeito
errado.
Os próximos dias trarão o resultado deste embate entre o voluntarismo
intervencionista e a economia real – e este resultado dirá muito sobre a
forma como Lula e sua equipe pretendem conduzir a economia ao longo dos
próximos quatro anos. Para o bem do país e, especialmente, dos
aposentados, o melhor é que o Planalto agarre a chance que a
“genialidade” de Lupi concedeu e admita que tem algo a aprender com os
bons livros de economia, aqueles que alertam para o risco de canetadas
sem fundamento.
Retomada de obras paralisadas Em ano pré-eleitoral Por Wesley Oliveira – Gazeta do Povo Brasília
Lula e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, se reuniram com
Edvaldo Nogueira, presidente da FNP| Foto: Ricardo Stuckert/Palácio do
Planalto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai usar R$
23 bilhões para financiar obras paralisadas em diversas cidades pelo
país como uma forma de atrair o apoio de prefeitos ao texto da reforma
tributária do governo federal. O montante, viabilizado por meio da PEC
fura-teto aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado, é visto por
integrantes do Palácio do Planalto como uma forma de acenar aos
prefeitos em ano pré-eleitoral.
“Não é possível imaginar que esse país será governado de Brasília sem
levar em conta a realidade dos municípios e estados brasileiros. Vocês
que sabem qual rua que está esburacada, qual lugar o pessoal cobra vocês
que precisa ter uma obra”, disse Lula durante um encontro da Frente
Nacional de Prefeitos (FNP), em Brasília.
Nessa estratégia, o governo federal lançou uma plataforma onde os
prefeitos deverão cadastrar as obras paralisadas de seu município. A
partir daí, a expectativa é de que o Palácio do Planalto faça a
liberação dos recursos de acordo com os critérios definidos pelo
Executivo federal. De acordo com o governo, terão prioridade
equipamentos voltados para a Saúde, Educação, Esporte, Cultura, além de
unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida.
Com a proximidade das eleições municipais do ano que vem, integrantes
do Planalto acreditam que a liberação de recursos para retomada de
obras abre caminho para ampliar o apoio ao governo dentro do Congresso
Nacional. A avaliação é de que os gestores municipais poderão ampliar a
pressão sobre deputados e senadores para aprovação de matérias de
interesse do Executivo.
“O prefeito também tem interesse de ter a sua obra, de cavar um
buraco para fazer coleta de esgoto, de fazer uma ponte, de fazer a sua
obra. Todo mundo quer ter seu nome ligado a uma obra. Então, não é justo
que um presidente caia de paraquedas numa cidade sem levar em conta a
necessidade que tem um prefeito naquela cidade”, acenou Lula.
Presidente da FNP, o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT),
comemorou a aproximação com o governo federal. Nós nunca fomos recebidos
pelo presidente da República de então [Jair Bolsonaro]. E, este ano, já
fomos recebidos duas vezes”, afirmou o prefeito.
VEJA TAMBÉM: Bancada da segurança confronta Dino sobre visita à Maré, recadastramento de armas e crise no RN Moro propõe lei para endurecer combate à criminalidade, após PCC planejar atacá-lo Comitiva de Lula vai à China em meio a fortalecimento de bloco de ditadores antiocidentais
Liberação de recursos passa pelo apoio ao texto da reforma tributária Em
contrapartida, o governo Lula pretende buscar o apoio dos prefeitos ao
texto da reforma tributária em discussão dentro do Congresso Nacional.
Até o momento, os gestores resistem ao trecho da proposta que prevê
acabar o Imposto Sobre Serviços (ISS).
A possibilidade de diminuição de receita é uma preocupação que os
prefeitos têm, pois, as propostas em discussão no Congresso substituem
ao menos cinco tributos por um imposto sobre valor agregado (IVA).
Seriam substituídos: ICMS (estadual), ISS (municipal), PIS/Cofins e IPI
(federais).
De acordo com o presidente da FNP, reforma tributária “não pode
trazer prejuízo para os municípios”. “O ISS é um imposto diferente do
ICMS, que tem problemas, guerra tributária. O mundo vai virar o setor de
serviço e esse será o grande bolo tributário do futuro”, afirmou
Edvaldo Nogueira.
Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, os prefeitos precisam
colocar na balança o efeito da reforma tributária na economia como um
todo. O chefe da pasta citou projeções da Fazenda que mostrariam que a
reforma terá um impacto positivo de 20% no Produto Interno Bruto (PIB)
ao longo do tempo, o que aumentaria a arrecadação da União, estados e
municípios.
“Quando a gente propõe o IVA, que pode ser dual [um para União e
outro para estados e municípios] ou não, nós estamos propondo tributo
que é transparente, justo, simples, que não vai diminuir em nada a
arrecadação dos municípios”, disse Haddad durante evento da FNP.
Prefeitos querem subsídio do governo federal para o transporte público municipal Temendo
desgastes com eleitorado durante o período eleitoral, os prefeitos
demandam ainda um repasse do governo federal para que não haja reajuste
das tarifas do transporte público. Ainda no ano passado, o então
presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou a liberar aos municípios cerca de
R$ 2,5 bilhões para garantir o transporte gratuito aos idosos acima de
65 anos a fim de desafogar as contas públicas das administrações locais.
De acordo com o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), essa
é a principal demanda dos prefeitos ao governo Lula. “Nós, prefeitos,
deixamos de maneira clara, que este é o maior problema hoje, que o
transporte público, em especial sobre pneus, está falido em todo Brasil,
que a conta não fecha mais, que é necessário o subsídio federal, o
apoio federal”, disse Reis.
Ainda de acordo com Reis, integrantes do Planalto “recepcionaram com
muita sensibilidade” a comitiva de prefeitos em Brasília. “Nós queremos o
subsídio, estímulos e incentivos fiscais, linhas de créditos especiais
para aquisição de ônibus, aquisição de ônibus elétricos, que ainda é
muito caro, um ônibus elétrico é três vezes mais caro do que um ônibus
normal”, completou.
A expectativa é de que o grupo de prefeitos da FNP se reúnam nas
próximas semanas como o ministro das Cidades, Jader Filho, para a
construção de uma alternativa. “Vamos discutir se essa metodologia do
subsídio deve ser de forma permanente ou se há outras iniciativas que o
governo possa adotar, como isenção de tributos, apoio para a aquisição
de ônibus elétricos ou mudanças na legislação”, afirmou o prefeito de
Salvador.
Na mesma linha, o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, apontou que
os gestores locais vivem hoje uma “falência da mobilidade urbana em todo
país, principalmente os que têm acima de 200 mil de habitantes”.
Segundo ele, esse cenário se dá pela ausência de subsídio atualmente do
governo federal para o aporte complementar de municípios a
concessionárias do serviço.
Lula indicou aos prefeitos que vai trabalhar para que os bancos
públicos emprestem recursos para os municípios que tenham capacidade de
endividamento. “Se tiver condições, o dinheiro não vai ficar no cofre do
banco para render com juros”, defendeu o petista.
Pfizer gasta bilhões por empresa que promete vencer o câncer com “mísseis guiados” moleculares
Por Eli Vieira – Gazeta do Povo
Representação molecular do conjugado anticorpo-droga. O anticorpo
é a grande molécula em formato de Y. Os pontos vermelhos são moléculas
da droga que age contra o câncer (citotóxica). Em verde, a ligação ou
ponte entre o anticorpo e cada molécula da droga. O fundo representa o
tecido canceroso (fora de escala).| Foto: Bioconjugator / Eli Vieira com
Midjourney
A gigante dos medicamentos Pfizer anunciou na semana
passada (13) a aquisição da empresa Seagen, especializada no tratamento
de câncer, pelo valor de US$ 229 por ação, 32% mais que seu valor de
mercado. O valor total da compra é de 43 bilhões de dólares, o que
equivale a 226,5 bilhões de reais na cotação atual. Desde então, o valor
das ações da Pfizer caiu levemente, 5,2%, enquanto a Seagen viu um
aumento imediato de 32,2%. Com a desaceleração das vendas de tratamento
para Covid (Comirnaty e Paxlovid), a Pfizer precisa de novas fontes de
renda. A compra representa uma vitória sobre a farmacêutica Merck, que
também tinha interesse de comprar a Seagen.
Mas a principal razão do interesse da Pfizer na Seagen, empresa de
biotecnologia fundada em 1998 em Seattle, EUA, é que a última
desenvolveu um novo método de combate ao câncer que o diretor executivo
da Pfizer, Albert Bourla, compara a um “míssil guiado”. O nome oficial
da tecnologia é “conjugados anticorpo-droga” (ADCs, na sigla em inglês).
Na quimioterapia normal, todo o corpo sofre para combater o câncer. As
células cancerosas agem como um parasita sobre o organismo,
reproduzindo-se de forma “egoísta” até afetar de forma irreversível
órgãos e provocar a morte. Os ADCs, simplificando, atuam diretamente
contra o tumor, sem que o resto do organismo precise “pagar o pato”.
“A Pfizer está empregando seus recursos financeiros para avançar na
batalha contra o câncer, uma das principais causas de morte no mundo
todo”, disse Bourla em nota à imprensa. Em entrevista ao canal CNBC, ele
estimou que uma a cada três pessoas tem câncer em algum momento da
vida, e opinou que os ADCs podem ser tão importantes para o câncer
quanto a tecnologia de mRNA foi para as vacinas.
Como funcionam os ADCs
A primeira fase na produção dos conjugados anticorpo-droga é a
identificação de proteínas que são específicas da superfície das células
cancerosas. Essas proteínas são apresentadas para o organismo de
animais de laboratório, cujos sistemas de defesa produzem anticorpos
monoclonais contra elas, como é normal que aconteça quando o organismo é
exposto a uma nova ameaça.
Cada anticorpo específico contra câncer é então ligado — e aqui está a
inovação mais importante da Seagen — a uma droga que atingirá
especificamente as células cancerígenas, em vez de ser aplicada em
grandes doses para o organismo inteiro.
A aplicação dos anticorpos no tratamento do câncer não é novidade. No
livro “Malignant” (2020, sem tradução para o português), o especialista
Vinayak “Vinay” Prasad estimou que até 2016 havia 20 drogas diferentes
baseadas em anticorpos em 803 ensaios clínicos, com um total de mais de
150 mil pacientes. Uma dessas drogas é o Bevacizumab, que tem como alvo
uma molécula que estimula o crescimento de vasos sanguíneos para os
tumores, dando a eles nutrição e oxigênio. O medicamento já foi
submetido a 48 estudos randomizados (em que pacientes são distribuídos
ao acaso entre o grupo que recebe e o que não recebe). Desses, 64%
relataram progressão sem piora e 15% relataram melhoria na sobrevivência
geral dos pacientes. Contudo, levando todos em conta, e considerando
que “alguns desses podem ter sido significativos por puro acaso”, Prasad
estima que somente 45% realmente valem para progressão sem piora e só
2% (um único estudo) vale para melhoria na sobrevivência em geral.
A mensagem do livro, embora ele não cubra os ADCs, é de cautela.
Outro imunoterápico usado para câncer de pulmão, Nivolumab, foi julgado
mais pela capacidade de encolhimento de tumores do que pela
sobrevivência e qualidade de vida dos pacientes, concluiu o autor. Para
Prasad, muitas drogas contra o câncer são aprovadas e vendidas com base
em “hype”, interesses econômicos e viés, em vez de evidências e real
benefício. A dura realidade é que muitos pacientes com câncer são
expostos a falsas promessas. O tempo dirá se os ADCs são diferentes.
Impacto financeiro A Seagen estima que conseguirá faturar cerca de
US$ 2,2 bilhões (R$ 11,59 bilhões) este ano, o que representaria um
crescimento de 12% em relação ao ano anterior. Ainda não chega perto dos
US$ 12,1 (R$ 63,75) bilhões que a Pfizer ganhou no ano passado com seus
atuais tratamentos para câncer, mas a compradora estima que a Seagen
contribuirá com US$ 10 bilhões (R$ 52,65 bilhões) anuais a partir de
2030.
A Seagen tem quatro drogas de quimioterapia para câncer aprovadas
pelo governo americano. Três delas são ADCs: Adcetris, Padcev e Tivdak. A
quarta, Tukysa, é uma molécula menor aplicada em um tipo específico de
câncer de mama. Segundo a empresa, o Adcetris foi aprovado para quatro
indicações em mais de 70 países para tratar linfomas, que são cânceres
que afetam o sistema linfático, parte do sistema imunológico. O Padcev
foi aprovado para câncer de bexiga avançado e já em metástase. O
terceiro ADC aprovado, o Tivdak, também é para câncer avançado e em
metástase, mas que afeta o colo do útero. Os três ADCs geraram um
faturamento de US$ 1,3 bilhão (R$ 6,84 bilhões) em 2022 para a Seagen,
mas ela fechou um ano no vermelho, com perda de US$ 674,5 milhões (R$
3,5 bilhões).
Segundo o site de notícias científicas Stat News, a Seagen no momento
tem 11 linhas de pesquisa diferentes com alvo em doenças como câncer de
pulmão e de mama — o foco principal são os cânceres que formam tumores
sólidos. A estratégia de mercado da Pfizer, que espera ver uma queda do
faturamento pós-pandemia, tem sido comprar empresas menores do setor,
como fez a Disney no entretenimento. No ano passado, a farmacêutica
comprou a Global Blood Therapeutics, com interesse no mercado de
tratamento de anemia falciforme, e a Biohaven Pharmaceuticals, que atua
no tratamento de enxaqueca. Em 2022, a Pfizer faturou US$ 100,33 bilhões
e lucrou US$ 31,4 bilhões. Em 2019, antes da pandemia, faturara US$
40,9 bilhões e lucrara US$ 9,2 bilhões.
Operação da PF descobriu que PCC planejava homicídios e extorsão
mediante sequestro contra o senador Sergio Moro e outras autoridades
ligadas ao combate ao crime| Foto: Pedro França/Agência Senado
Ontem Brasília estava preocupada, depois que uma ação da Polícia
Federal revelou que havia uma conspiração do PCC para matar o juiz da
Lava Jato, Sergio Moro, que hoje é senador. Eu achei estranho, porque na
Lava Jato não tinha ninguém do PCC. O PCC estava querendo vingança de
alguma coisa contra Sergio Moro, e outras pessoas inclusive um promotor
de São Paulo, que já está protegido pela polícia há dez anos, Lincoln
Gakiya.
Interessante que isso acontece no dia seguinte ao dia em que Lula
revelou para um grupo do Palácio do Planalto que o sonho dele é acabar –
ele usou um termo que eu não repetir – acabar com Sergio Moro. E que ia
viver para se vingar “daquela gente”, como ele disse. Então muita gente
está fazendo ligação entre as coisas. Foi uma infelicidade de Lula ou
uma catarse, ele tinha que desabafar aquilo para os visitantes… O fato é
que isso gerou uma movimentação muito grande na Câmara e no Senado.
Ministros devem explicações
No Senado, Sergio Moro foi para a tribuna e lamentou a escalada de
violência nesse país, não só no Rio Grande do Norte, as invasões de
terra, coisas estranhas acontecendo. Já na Câmara, a Comissão de
Constituição e Justiça aprovou a convocação do ministro da Justiça,
Flávio Dino, para explicar qual é a atuação do governo nas invasões do
dia 8 de janeiro, nos ataques, que é praticamente guerrilha ou
terrorismo, no Rio Grande do Norte, no Rio de Janeiro, a ida do ministro
ao Complexo Maré, a censura, essas coisas todas.
E aproveitaram para convocar mais ministros, Marina Silva, para
explicar o desmatamento na Amazônia, porque ela não defendeu a Amazônia
lá com o americano; o ministro da Educação, Camilo Santana, para
explicar por que estão fechando escolas cívico militares que tanto
ensinam disciplina e evitam droga nas escolas; e o ministro da
Agricultura para explicar essa escalada de invasões de terra. Não foi um
bom dia pro governo, ainda mais com as notícias de queda na bolsa, de
aumento de preços por toda parte. Bom lembrar que a Comissão de
Constituição e Justiça da Câmara tem por presidente a deputada Bia
Kicis, que é da turma de Bolsonaro.
Pressão contra CPI Enquanto isso, aumentam as assinaturas para a
CPI do 8 de janeiro. O governo está fazendo a maior pressão sobre
deputado e senadores para retirar assinaturas, porque o governo não quer
revelar o que aconteceu realmente no Supremo, no Congresso e no Palácio
do Planalto, nas invasões de 8 de janeiro, tanto que o presidente Lula
decretou sigilo para as imagens gravadas pelas câmeras do Palácio do
Planalto. Mas está aumentando o número de assinatura. Só quatro
deputados fracos tiraram – e muita gente suspeita dos motivos para
fazerem isso – eles tiraram suas assinaturas, mas mesmo assim está
aumentando o número.
VEJA TAMBÉM: Mais esperança para a CPI mista do 8 de janeiro Congresso vai se colocar nas mãos do Supremo de novo? Terrorismo temos agora no Rio Grande do Norte, não no 8 de janeiro
Desentendimento na economia O governo não está se encontrando,
inclusive nas questões econômicas. Fica falando no tal limite de
gastos, mas não sabe o que fazer. A única pessoa que entende de economia
no atual período é o presidente do Banco Central, e o governo está
fazendo pressão contra ele.
O Banco Central, por meio do Conselho de Política Monetária, manteve a
taxa selic, no mesmo dia em que o Banco Central americano aumentou a
taxa básica de juros para segurar a inflação. O governo acha que não
precisa segurar a inflação, mas a inflação é o mais injusto dos
impostos, porque é um imposto cobrado só do pobre e um imposto que
beneficia o rico, ou seja, tira do pobre para dar pro rico, esse é o
mecanismo da inflação.
Liturgia do cargo (mas é o mais legal de explorar)
Por Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo
Não vou duvidar nada se o palavrão passar a fazer parte da liturgia do cargo.| Foto: Reprodução/ Twitter
À
vontade, como se estivesse de pijama listrado na cela da Polícia
Federal em Curitiba, aquele senhor que por acaso e obra do STF ocupa
pela terceira vez o cargo de presidente desta gleba onde, como já dizia
Pero Vaz de Caminha, “impunidade em tudo há”, proferiu palavras dignas
da nobreza do sistema carcerário. “Só vou ficar bem depois que f&$#*
o [Sergio] Moro”, disse Lula. Todos riram.
O senador Sergio Moro, meu colega de Gazeta do Povo que neste momento
escreve a coluna aqui no cubículo ao lado, reagiu daquele jeitão lá
dele. Sacumé. “Aparentemente [Lula] aprendeu apenas linguajar de cadeia.
Repudio a fala e sigo em frente”, disse, com a veemência que lhe é
característica. E, infelizmente para ele, dando mais valor à estética do
que para a essência da fala de Lula. Isto é, se atendo ao palavrão e
ignorando a confissão de que é um desejo de vingança o que move o
ignorante-em-chefe.
Mas sabe que talvez tenha sido uma estratégia eficiente? Porque os
palavrões tendem mesmo a atrair mais a atenção do que complexos projetos
de vingança política. Ao contrário das rotineiras e infrutíferas
teorias da conspiração que nos cercam por todos os lados, as pessoas
gostam dos palavrões. Não sem motivo! Os palavrões são um fenômeno
fascinante da língua. Repare. O que era ontem deixa de ser hoje para
quem sabe voltar a ser amanhã. Igualzinho ao Lula.
Chato, por exemplo, já foi palavrão. Se você não sabe, chato é, na
origem, um termo para se referir a um inseto que infesta os pelos
pubianos. Pentelho, aliás, perdeu seu poder de palavrão há tempos, desde
que Faustão popularizou a palavra nas tardes de domingo. Por outro
lado, aquele sinônimo de caixa que começa com “b” não era palavrão na
época de Machado de Assis. Babaca, por sua vez, era um termo africano
vulgar que, por algum motivo que me escapa, virou sinônimo de alguém
ingênuo, idiota, tolo. E biscate sempre foi para mim palavrão dos mais
escandalosos. Até que um dia ouvi Cid Moreira, em pleno Jornal Nacional,
dizer que “Fulano vivia de biscates”.
Baixo calão Ao contrário de Moro, criado juntamente com meu amigo
Jones Rossi à base de leite de pera nos educasíssimos colégios da alta
classe maringaense (estou chutando), sou do cascalho, dos valetões a céu
aberto e dos terrenos baldios do Bairro Alto da minha infância. Eu era
praticamente um membro do lumpenproletariat infantil. Palavrões,
portanto, hoje em dia não fazem nem cócegas – nem mesmo os ditos por
Lula. Apesar de, reconheço, já terem me rendido muitas cintadas nas…
nádegas.
Como a maioria das pessoas razoavelmente (e bota razoavelmente
nisso!) normais da minha geração, cresci numa casa onde era proibido
falar palavrão. Ou “nome feio”, como se dizia na época. Esse era um
crime gravíssimo, punido com penas que iam do puxão de orelha em público
à vara de marmelo, quando não um cabo de vassoura. Onde já se viu falar
uma coisa dessas, seu malcriado! Vai lavar essa boca com sabão já!
Isso, claro, só tornou os palavrões ainda mais fascinantes para a
criança algo rebelde que fui.
Meus primeiros contatos com palavrões se deram graças à falta de
educação e deselegância de uns tios e primos bocas-sujas nas festas
familiares. Eles diziam eme como quem dá bom dia. Coisa pior ouvi e
aprendi mais tarde, nos campinhos de futebol do Atuba, nas ladeiras da
periferia e no Bar da Jô, com seus bêbados todos muito tristes e dados à
blasfêmia na velha mesa de sinuca. Daquelas profanidades eu ria feito o
completo idiota que sempre fui. Em casa, porém, quando tentava
reproduzir o vocabulário, acabava com os glúteos vermelhos e inchados de
tanto apanhar. Outros tempos.
O castigo, porém, não funcionou. Com o tempo, passei até a gostar do
sabor do sabão. Os palavrões continuaram a fazer parte da minha rotina
na escola, entre os amigos. E, com o passar do tempo, algumas lições que
tive de professores heterodoxos amenizaram o impacto dos palavrões em
meus ouvidos e, por consequência, minha consciência. Para você ter uma
ideia, um professor não precisou de muito esforço para me convercer de
que o tom de voz (e do texto) era capaz de transformar um sonoro fdp no
maior dos elogios. Nunca me esqueci das maravilhosas aulas do professor –
aquele fdp! Viu?
Passei muito tempo usando palavrões como quem usa verbos de ligação.
Não foi por mal. Acho que me tornei simplesmente insensível às palavras
chulas. De baixo calão, como também se dizia mas hoje em dia não se pode
dizer mais, porque é uma expressão racista (e, neste caso, é mesmo;
calão é termo pejorativo para “cigano”). C&#%* se transformou em
vírgula; p&#$* era só um vocativo. E os palavrões teriam continuado
assim não fossem a interferência divina e o pudor da idade. Nada mais
vulgar do que um velho vulgar, né? Digo, nas mesas de bar ainda hoje os
palavrões jorram com mais abundância do que eu gostaria. Mas estou me
esforçando, vai.
De qualquer forma, os palavrões perderam muito da força que tinham há
trinta anos. Quando uma Dercy Gonçalves escandalizava o país ao soltar
um p%#* num programa de televisão e a imprensa indignada repercutia o
bê, ó, esse, tê, a dito por uma autoridade. Lá se foi o tempo em que um
presidente dizer com toda a naturalidade do mundo que pretende f%#*&
o juiz que o condenou e prendeu representava alguma ameaça à
sobrevivência política dele. Daí ao palavrão se tornar parte fundamental
da liturgia do cargo é um pulo.
Expectativa do governo é preencher até 28 mil vagas do novo “Mais
Médicos” até o final do ano.| Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Viver
do passado parece ser o grande objetivo de Lula e do PT. Diversos
programas de gestões petistas anteriores, já superados ou substituídos,
são agora relançados pelo governo em assustadora velocidade. O exemplo
mais recente é a reapresentação do programa Mais Médicos que, a despeito
do belo rótulo que seu nome sugere, foi responsável no Brasil pela
volta da escravidão ao tornar profissionais cubanos cativos do regime
castrista também reféns dos então governos petistas.
O programa Mais Médicos significou uma perseguição sem precedentes
aos médicos brasileiros, sempre ressentidos pela falta de políticas
públicas eficientes para que a distribuição de seus esforços no país
seja menos desigual. O PT, porém, faz questão de não aprender: não será
com a reedição de programas populistas como esse que resolveremos
problemas na saúde pública do país. Pelo contrário, a tendência pode ser
a de novamente agravá-los.
Ainda não se sabe exatamente que rumos tomará mais esta volta ao
passado promovida por Lula e pelo PT com a ressurreição da marca Mais
Médicos.
Para começo de conversa, a recriação do Mais Médicos traz de volta à
nossa memória as agruras de sua primeira versão, conhecida
internacionalmente por nuances escravocratas em relação aos
profissionais cubanos. Cercado de polêmicas, o programa foi implementado
pelo PT em 2013 com o suposto objetivo de ampliar a oferta de médicos
para atuação no Sistema Único de Saúde (SUS): foram mais de 10 mil
médicos cubanos atuando no país por meio do programa. Os números são tão
admiráveis quanto dignos de questionamento: que outro país no mundo
forma médicos em série tão somente para exportação como gado em pé? É
óbvio que esse questionamento já é o suficiente para gerar suspeitas e
pensamentos macabros, alguns só superados pela realidade ainda mais
tenebrosa.
A contratação e remuneração dos profissionais cubanos na primeira
versão do Mais Médicos ocorria por meio de um Termo de Cooperação entre o
Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que
direcionava apenas 30% do valor total da remuneração diretamente para os
médicos convocados para o programa, ao passo que cerca de 70% do
contracheque ficava com a ditadura cubana. Ou seja: o pagador de
impostos brasileiro financiava, oficialmente, a manutenção da ditadura
cubana à revelia da vontade pessoal dos profissionais cubanos, que não
tinham escolha senão aceitar apenas os parcos 30% que lhes cabiam.
Este governo não nos tem dado a chance de esperarmos pelo melhor: todos os dias nos prepararmos para o pior.
É mais: agrava a situação o fato de muitos profissionais cubanos
admitirem que foram forçados a virem ao Brasil em condições que não
seriam admitidas ou consideradas legais caso fossem trabalhadores
brasileiros, sendo constrangidos e tratados como “mercadorias de
exportação”, afastados do convívio familiar e ameaçados de jamais
voltarem a ver seus amados caso desertassem do programa para fixar
residência definitiva no Brasil. A liberdade e a dignidade humana negada
no Brasil a uma classe profissional de nacionalidade específica, é algo
repugnante e indizível para um país signatário dos principais tratados
internacionais de direitos humanos. Este passado jamais pode se repetir!
Além da questão envolvendo os médicos cubanos em si, a elaboração de
políticas públicas voltadas à provisão de médicos para as regiões mais
carentes social e economicamente é, sem dúvidas, um desafio contínuo no
nosso país. O programa Médicos pelo Brasil, lançado pela gestão de
Bolsonaro em 2019 com o intuito de substituir o programa Mais Médicos,
felizmente teve amplo debate no Congresso Nacional, extenso trabalho
técnico conjunto com entidades médicas e participação da sociedade civil
na busca do melhor modelo possível para fixar profissionais devidamente
habilitados e qualificados para o exercício da medicina em locais de
difícil provimento ou alta vulnerabilidade. Participei desse debate no
Parlamento e, em que pese programas sempre terem espaço para
aprimoramento, felizmente o Médicos pelo Brasil teve a discussão com a
sociedade que faltou – propositalmente, em larga medida – na época do
lançamento do Mais Médicos por Dilma Rousseff, cuja Medida Provisória
havia sido assinada no mesmo dia em que médicos cubanos já eram
colocados em aviões e enviados como commodities ao Brasil, sem a menor
discussão.
VEJA TAMBÉM: Lula Ódio e Rancor Até quando toleraremos tamanha injustiça? Banco Central independente protege o governo Lula de si mesmo
Agora que o programa Mais Médicos é relançado, novamente de forma
surpreendentemente rápida e sem o menor debate, é importante apontar
desde já importantes diferenças entre os programas que precisam
subsidiar o debate que será feito nos próximos meses: enquanto no
programa Médicos pelo Brasil há a previsão de progressão salarial, via
CLT, de até R$ 36 mil para atendimentos em locais mais vulneráveis, o
novo programa Mais Médicos retoma o modelo de remuneração exclusivamente
por bolsa, no valor aproximado de R$ 13 mil reais, possibilitando uma
gratificação equivalente a R$ 2,5 mil mensais para casos de fixação por
quatro anos em local mais vulnerável. Ou seja, a defesa que o PT tanto
faz da “carteira assinada” e do combate à “precarização” das relações de
trabalho não valerá para este programa?
O novo programa Mais Médicos retoma a previsão de contratação de
profissionais formados no exterior sem diploma revalidado para preencher
os vazios assistenciais em vez de fazê-lo por meio de remuneração
diferenciada e atrativa. Já no Médicos pelo Brasil, os médicos formados
no exterior precisam ter sua formação técnica comprovada por meio de um
processo de revalidação. A ideia agora será a de premiar as regiões mais
remotas com profissionais menos qualificados, aumentando ainda mais a
desigualdade entre os atendimentos dados à população mais carente e
àqueles destinados aos mais abastados no Brasil?
É importante que estejamos alerta aos próximos passos dados pelo
Ministério da Saúde de Lula para que o passado recente de trabalho
escravo imposto aos médicos cubanos jamais se repita.
Por fim, o Mais Médicos traz de volta a limitação no tempo máximo de
atuação do profissional no programa, por oito anos, ao passo que no
programa Médicos pelo Brasil o tempo de atuação era indeterminado. Em
lugar de promover a fixação de médicos nos locais mais longínquos para
criação de vínculo do profissional com as comunidades, não se está
gerando dificuldades para que a política pública possa ser eficiente
também em perspectiva de longo prazo?
Diferentemente da ex-presidente Dilma Rousseff em 2013, Lula evitou
mencionar os profissionais cubanos como solução mágica para a saúde
pública do nosso país no relançamento do programa, mas fez questão de
dizer que “o que importa, pra nós, não é apenas saber a nacionalidade do
médico, é saber a nacionalidade do paciente”. Não entendeu ou não quer
admitir que grande parte da crítica à versão anterior do programa se
devia ao modelo adotado, não à nacionalidade do profissional contratado.
Um programa inicialmente idealizado pela ditadura cubana, como
demonstraram telegramas da Embaixada Brasileira em Havana, divulgados em
2018, é só mais um sinal de que Lula em sua versão “ódio e rancor” não
pretende trazer nada de novo: está vivendo do passado e, apesar de
propalar “união e reconstrução” no slogan de seu governo, insiste em
desconstruir tudo o que foi produzido pela gestão anterior, ainda que
tenha sido positivo para o país.
VEJA TAMBÉM: Oposição para frear o PT A Gazeta estava certa: Lula apoia o ditador Ortega Carnaval Vermelho: MST faz guerra para retomar poder político
Fica agora o questionamento: o PT restabelecerá o programa de
importação de médicos cubanos via Organização Pan-Americana da Saúde
(OPAS)? Ou o rechaço da sociedade civil, inclusive de parte da imprensa,
ao modelo escravocrata imposto na época fez morrer de vez qualquer
proposta nesse sentido? É importante lembrar que após o governo Dilma,
médicos cubanos no Brasil foram libertados do jugo da ditadura e vários
desses profissionais cubanos contratados iniciaram demandas judiciais
contra a OPAS em 2018, alegando trabalho humano forçado e tráfico de
pessoas. O que acontecerá com esses profissionais libertos com o retorno
de Lula ao poder?
Ainda não se sabe exatamente que rumos tomará mais esta volta ao
passado promovida por Lula e pelo PT com a ressurreição da marca Mais
Médicos. Este governo, porém, não nos tem dado a chance de esperarmos
pelo melhor: todos os dias nos prepararmos para o pior. É importante que
estejamos alerta aos próximos passos dados pelo Novo Mais Médicos não
pode ser volta ao passado de Lula para que o passado recente de trabalho
escravo imposto aos médicos cubanos jamais se repita no nosso país.
Quando esta discussão chegar no Congresso certamente os pontos de
partida do debate devem ser o respeito à dignidade da pessoa humana na
relação contratual e a efetividade da política pública para melhor
atender a sociedade brasileira, em especial os rincões menos
privilegiados do nosso país.