terça-feira, 24 de janeiro de 2023

POBRES NO ORÇAMENTO SÓ SERVEM PARA PAGAR IMPOSTOS

 

Lula quer “incluir os pobres no orçamento”, mas só como pagadores de impostos

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo


| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Uma das maiores piadas deste novo governo que ameaça o país, todos os dias, com uma crescente coleção de medidas que não vai tomar, é a sua intenção de “incluir os pobres no orçamento”. É o mais recente achado da caixa de promessas que o presidente Lula mantém sempre aberta, como os paxás que vão jogando moedas para o povão durante os seus passeios pela rua. Incluir os pobres – sério? Os pobres, se Lula perguntasse alguma coisa para eles, diriam não doutor, muito obrigado; a gente preferia ser excluído do orçamento brasileiro. Nós já estamos lá, desde sempre, mas como a turma que paga imposto – e, nisso aí, o governo não vai aliviar ninguém em nada, a começar pelos pobres. Lula prometeu durante a campanha eleitoral que ia fazer exatamente isso: isentar do Imposto de Renda os que ganham até 5.000 reais por mês. A promessa era falsa. O governo já avisou que não vai haver isenção nenhuma.

Se Lula está mesmo interessado em encontrar pobres para receber os seus donativos, por que não começa por aí, entre os que ganham até 5.000 reais por mês? É um jeito infalível para encontrar gente que tem pouco ou nada no bolso. Mas os pobres de Lula só existem no mundo de suas fantasias. Na vida real, eles são esses que estão pagando imposto de renda – e que não vão pagar nem um tostão a menos no “governo popular” que está aí. Lula, o PT e a esquerda plantada em torno deles vão continuar a fazer, muito simplesmente, o que sempre fizeram: concentração de renda em favor das castas superiores do Estado brasileiro e em favor, é claro, dos seus próprios bolsos. Fazem isso transferindo riqueza da população para a máquina pública, através da cobrança de imposto – 3 trilhões de reais arrecadados em 2022, para os cofres da União, dos Estados e dos municípios. Na verdade, acham que essa montanha de dinheiro é pouco; querem mais.

Lula prometeu durante a campanha eleitoral que ia fazer exatamente isso: isentar do Imposto de Renda os que ganham até 5.000 reais por mês. A promessa era falsa. O governo já avisou que não vai haver isenção nenhuma

Os brasileiros que são pobres de verdade, e não os do palavrório da esquerda, têm anos de deserto pela frente. Não há o mais remoto vestígio de alguma medida, uma única que seja, que possa resultar em algum benefício prático, real e compreensível para qualquer um deles. Até agora, de fato, tudo o que Lula e o seu Sistema estão fazendo e prometem fazer na área econômica, ou em qualquer área, tem possiblidade nula de melhorar alguma coisa na vida de alguém. O que poderiam ter feito no mundo das realidades, e segundo a sua promessa, era parar um pouco de tirar dinheiro do bolso do pobre, com o IR. Nada disso. Lula foi dizer na Argentina, mais uma vez, que quer criar uma moeda “latino-americana” e o seu ministro da Fazenda fala em boicotar produtos de empresas politicamente incorretas”; o resto é daí para baixo. Quantos reais a mais no bolso o cidadão vai ter com isso tudo, ou com as promessas de censurar as redes sociais, as implicâncias para com os militares ou o uso do “todes” e “todes” nas comunicações oficiais? Três vezes zero.

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DECLARAÇÕES DE LULA SOBRE A ECONOMIA

 

10 ‘pérolas’ de Lula que ampliaram incertezas sobre rumos da economia

Declarações polêmicas do presidente desde a vitória nas eleições têm gerado calafrios no mundo dos negócios

BLOG

Blog do FucsO – Jornal Estadão

Por José Fucs – Jornal Estadão

 

Decorridos quase três meses desde sua vitória nas eleições e pouco menos de um mês desde sua posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece não ter descido ainda do palanque.

Quem esperava ver um Lula mais moderado, em razão da ampla frente política que apoiou sua volta ao Planalto, está levando um duro choque de realidade com a postura adotada até agora pelo presidente, considerada previsível por boa parte dos 95 milhões de eleitores que preferiram se abster, manter a neutralidade ou apoiar Bolsonaro no pleito e hoje recheiam as redes sociais com o inevitável “faz o L”, quando alguém que abraçou a candidatura do petista o critica por aí.

Com uma série de declarações polêmicas, alinhadas às ideias antimercado do PT e de outros partidos de esquerda, Lula tem provocado calafrios no mundo dos negócios e ampliado as incertezas sobre os rumos da economia.

Embora algumas de suas afirmações tenham sido suavizadas depois, por ele mesmo ou por seus auxiliares diretos, a percepção de muitos analistas é de que Lula tem sido o principal responsável pelas turbulências registradas no mercado financeiro, usado como “bode expiatório” em seus discursos e entrevistas, e na arena empresarial de forma geral.

“Há uma dificuldade de ler as opções do presidente”, disse recentemente, em entrevista ao Estadão, o economista Samuel Pessôa, responsável no Brasil pela área de pesquisas econômicas do Julius Baer Family Office, tradicional casa bancária suíça voltada à gestão de fortunas.

No campo fiscal, apesar de o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dar sinais de que pretende manter as contas públicas sob controle, há dúvidas de que suas propostas terão o respaldo de Lula e da ala política do governo para se concretizar.

“Uma coisa é o Haddad falar ‘vou trazer a estabilidade fiscal’. Outra é ele conseguir convencer o presidente e o PT a fazer isso, afirmou também ao Estadão o economista Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e presidente do conselho de administração da Jive Investments. “Só o tempo vai nos dizer o que irá acontecer.”

Confira a seguir 10 frases controvertidas de Lula sobre a economia desde a vitória nas eleições de 30 de outubro:

  1. “Por que as pessoas são levadas a sofrer por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal desse País? Por que toda hora as pessoas falam que é preciso cortar gastos, que é preciso fazer superávit, que é preciso fazer teto de gastos?” (10/11/2022)
  1. “Não adianta só pensar em responsabilidade fiscal (…). Para cumprir teto fiscal, geralmente é preciso desmontar políticas sociais e não se mexe com o mercado financeiro. Mas o dólar não aumenta ou a bolsa cai por causa das pessoas sérias e sim, dos especuladores.” (17/11/2022)
  1. “Se eu compro comida é gasto, se compro para o pobre é gasto, se coloco dinheiro na saúde é gasto, na educação é gasto. A única coisa que não é tratada como gasto neste país é o dinheiro que a gente paga de juros para o sistema financeiro.” (12/1/2023)
  1. “Daqui para frente, tudo o que a gente fizer é investimento, até aumentar salário. Vamos construir uma outra narrativa para esse País.” (12/1/2023)
  1. “Nesse País, se brigou muito para ter um Banco Central independente, achando que ia melhorar. Eu posso dizer, com a minha experiência, é uma bobagem achar que o presidente do BC vai fazer mais do que quando o presidente (da República) era quem (o) indicava.” (18/1/2022)

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  1. “Eu duvido que esse presidente do Banco Central (Roberto Campos Neto) seja mais independente do que foi o (Henrique) Meirelles. Eu duvido. Por que, com o Banco Central independente, a inflação está do jeito que está e o juros está do jeito que está?” (18/1/2023)
  1. “A inflação está em 6,5%, 7,5%, por que os juros (Selic) estão a 13,5%? Qual a explicação de a gente ter um juro (Selic) de 13,5% hoje? O Banco Central é independente, a gente poderia nem ter juros.” (18/1/2023)
  1. “Você estabeleceu uma meta de inflação de 3,7%. Quando faz isso, é preciso arrochar mais a economia para atingir aquele 3,7%. Por que precisava fazer 3,7%? Por que não faz 4,5%, como fizemos (nos mandatos anteriores?” (18/1/2023)
  1. “Elas (a responsabilidade fiscal e a responsabilidade social) são antagônicas por causa da ganância das pessoas mais ricas. O empresário não ganha muito dinheiro porque ele trabalhou. Ganha muito dinheiro porque os trabalhadores dele trabalharam.” (18/1/2023)
  2.  “O trabalhador que trabalha em aplicativo não é um microempreendedor. Ele percebe que não é microempreendedor quando se machuca, quando fica doente, quando quebra a moto, quebra o carro. Ele começa a perceber que não tem nenhum sistema de seguridade social no momento de sofrimento.” (18/1/2023)

INOVAÇÃO

 

O perfil do novo líder

Por
Júlio Cezar Agostini – Gazeta do Povo


Líderes de ecossistemas de inovação estão inseridos em um ambiente moderno e possuem padrões de referência internacionais.| Foto: Freepik

Desenvolver líderes de ecossistemas de inovação tem uma perspectiva muito diferente das lideranças tradicionais. O novo líder esta inserido em um ambiente moderno e possui padrões de referência internacionais. Isso é bem diferente do perfil do líder tradicional.

A liderança de inovação é mais informal na relação, isso ocorre porque o ambiente de trabalho no mundo da inovação precisa ser mais colaborativo. Processos e empresas inovadoras, geralmente, são fruto de times com diversos e tipos de especialistas de diferentes áreas, tanto de dentro quanto de fora da organização.

Lembra-se do ícone Steve Jobs? Sempre sem gravata e geralmente usando tênis e calça jeans. Neste universo a hierarquia é menos valorizada, os times de trabalhos estão em ambientes híbridos e é absolutamente normal que estejam em diferentes países do mundo desenvolvendo um mesmo projeto de forma cooperada. 

Startups nascem globais, o pessoal fala inglês, boa parte dos empreendedores já teve experiências internacionais. O desenvolvimento desse perfil de líder deve propor algo diferenciado com visão moderna e global.

Visitas técnicas a outros ecossistemas do globo são bastantes requisitadas, além dos principais ambientes de inovação Brasil. A inovação se renova todo dia. Novos instrumentos, conceitos e modelos apresentados devem ser conhecidos pelos líderes pois precisam estar na vanguarda do conhecimento sobre o tema.

Porém, quando estive em Israel há três anos, entendi que muito além das tecnologias, o principal elemento que precisa ser desenvolvido são alguns traços culturais dos líderes: a disciplina, o desejo de ser e fazer parte de uma sociedade global (a maioria de nossas empresas ainda é focada no mercado interno) e ter uma certa ousadia e ambição positiva de pretender ser o número um naquilo que se propõem a fazer.

Existe muito trabalho a ser feito para que os ecossistemas de inovação brasileiros comecem a figurar entre os mais bens ranqueados, em qualquer das listas, entre os principais ecossistemas globais. Mas uma questão é indiscutível, que o papel das lideranças será fundamental para acelerar e potencializar esse processo.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/julio-cezar-agostini/como-desenvolver-as-novas-liderancas-de-inovacao/
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TIPOS DE MARKETING

 

Conheça os 10 principais tipos de Marketing e como aplicá-los na sua empresa

Beatriz Goulart: Marketing e vendas

Guia de marketing para indústrias

A área do marketing está sempre em constante evolução e atualização, acompanhando as novidades e comportamentos insurgentes na sociedade. Para cada negócio, canal, público-alvo etc, são criados novos tipos de marketing, que envolvem diferentes estratégias.

Nesse artigo selecionamos 10 dos principais tipos de marketing, para que você possa conhecer melhor esse universo e escolher os tipos mais adequados para cada etapa do seu negócio.

Dito isso, conheça os 10 principais tipos de marketing e como aplicá-los:

Marketing Tradicional

Marketing Digital

Outbound Marketing

Inbound Marketing

Marketing de Conteúdo

Marketing de Produto

Marketing de Relacionamento

Marketing de Guerrilha

Mobile Marketing

Vídeo Marketing

Tipos de marketing

1. Marketing Tradicional

O que é?

O marketing tradicional está relacionado à ações fora do campo da internet, como comerciais de TV, anúncios em revistas e jornais impressos e outdoors, ou ainda, através de telemarketing ou distribuição de brindes em eventos, por exemplo.

Ele também pode ser chamado de marketing offline, porém, pelo fato de que algumas de suas ações podem ser reutilizadas no meio online, nem todos concordam com o uso do termo “offline”. Por outro lado, excluir esse termo pode causar confusão com o Outbound Marketing, que será retomado ainda neste artigo.

Como aplicar?

Nesse tipo de marketing, principalmente, é importante planejar com muita atenção as ações a serem realizadas, assim como o orçamento disponível e o resultado que pode ser alcançado por elas, já que o custo de uma única ação do marketing tradicional costuma ser bem mais alto do que as do digital, por exemplo.

Portanto, deve-se levar em consideração diversos fatores, como a quantidade de pessoas (dentro do seu público-alvo) que será impactada com a ação escolhida, como, por exemplo, um comercial de TV em determinado horário do dia. A partir das suas pesquisas, uma boa parte do seu público-alvo terá acesso e/ou disponibilidade para assistir televisão no horário selecionado?

2. Marketing Digital

O que é?

Ao contrário do modo como o marketing tradicional opera, o digital age por estratégias online e, pelo fato de que a internet é praticamente um mundo à parte, o marketing digital abrange possibilidades quase infinitas e se subdivide em outros tipos de marketing, como o marketing de conteúdo, que será visto mais à frente neste artigo.

Um dos bônus do marketing digital é a possibilidade de acompanhar, em tempo real, os resultados das ações tomadas através de softwares de automação de marketing, o que permite a análise paralela sobre o que deve ser melhorado e receber mais investimento, ou, em outros casos, ser cortado.

Como aplicar?

Como foi dito anteriormente, o marketing digital envolve um universo de possibilidades estratégicas, como a criação de um site e de redes sociais (ambas abrem novos leques de opções) e o uso do e-mail marketing.

Porém, para que as estratégias funcionem corretamente, é essencial que a empresa determine como será a persona para quem direcionará seu conteúdo. A persona é uma ferramenta utilizada no marketing de modo geral, mas, no marketing digital, um detalhe a torna ainda mais especial: saber quais redes e canais a persona utiliza mais.

Com isso, o marketing digital se torna mais eficiente, já que não há desperdício de tempo nem de recursos, com o investimento em redes “erradas”.    

3. Outbound Marketing

O que é?

No outbound marketing, as empresas agem de forma ativa na busca por novos clientes levando seu produto até eles, através de outdoors, cartazes, anúncios de TV, entre muitos outros meios.

Ele pode ser visto como a prática do marketing tradicional, porém não se limita a este, já que também está presente no meio online em banners de sites e anúncios no YouTube e no Instagram, por exemplo.

Como aplicar?

O benefício que acompanha essa estratégia é o alcance de um grande número de pessoas, de forma acelerada, sem depender de uma base de contatos já estabelecida na empresa.

Porém esse alcance pode não gerar as respostas, e respectivas vendas, esperadas. Por isso, assim como foi dito no marketing tradicional, é importante planejar muito bem cada etapa da ação a ser realizada, já que é um investimento caro e um detalhe fora do eixo pode atrapalhar a estratégia, principalmente nas ações offline.

Já nas ações online, como os anúncios no meio de vídeos no YouTube, o lado negativo do outbound é que ele pode ser visto como inconveniente por interromper a atenção das pessoas.

Uma forma de contornar essas questões e tornar o seu anúncio mais chamativo e atrativo, tanto offline quanto online — de forma a amenizar o lado um pouco mais problemático dessa estratégia — é fazê-lo diferente do que é geralmente visto, explorando a sua criatividade, sempre com elementos relacionados à sua empresa e ao seu produto.

4. Inbound Marketing

O que é?

Enquanto com o outbound a empresa vai em direção aos clientes, no inbound marketing a empresa atrai os clientes até ela. Nessa lógica, a busca do próprio cliente em potencial pela resolução de um problema específico, pode levá-lo ao produto ou serviço da sua empresa.

O inbound também é conhecido como marketing de atração, já que disponibiliza conteúdos ricos e relevantes para o público que deseja atingir, aguardando assim que o mesmo seja convertido em leads e, posteriormente, em clientes.

Como aplicar?

Esse processo acontece porque o inbound marketing opera através do funil de vendas, ao longo do qual é criada a jornada do cliente, onde os leads avançam as etapas de acordo com seu legítimo interesse no produto ou serviço ofertado pela empresa.

As informações e conteúdos compartilhados pela empresa — quando apurados e com base em pesquisas minuciosas — fortalecem um vínculo de confiança do cliente em potencial tanto com a empresa quanto com o produto, além de colocar a empresa em um lugar de autoridade no mercado.

Por isso, todas as etapas, ou estágios, do funil devem ser precisas quanto aos seus objetivos e bem articuladas com as equipes de marketing e de vendas, já que são elas que trabalharão para conduzir o cliente em potencial à conclusão da compra.

5. Marketing de Conteúdo

O que é?

O marketing de conteúdo é uma estratégia muito próxima do inbound marketing, a diferença entre eles é, basicamente, que o inbound é focado nas vendas, enquanto o de conteúdo foca, como o próprio nome diz, no conteúdo.

Esse tipo de marketing funciona como uma estratégia voltada para o enriquecimento da jornada do cliente através do funil de vendas, com a disponibilização de palestras, eBooks, webinars etc.

Com isso, pode-se perceber que o inbound marketing utiliza a estratégia de marketing de conteúdo, porém como uma aliada para atingir seu real objetivo, o sucesso das vendas.

Como aplicar?

Como foi dito no tópico anterior, é essencial que todo conteúdo compartilhado tenha informações precisas e baseadas em pesquisas minuciosas, para que assim seja formada uma relação de confiança entre o leitor e a empresa, assim como uma visão da empresa como líder de mercado.

Além disso, o foco na persona — mencionado no tópico de Marketing Digital — também tem um peso muito grande no marketing de conteúdo, já que é a partir da delimitação da sua persona que sua empresa poderá determinar em que tipo de conteúdo e em quais canais compartilhar, de forma a atrair cada vez mais interessados.

6. Marketing de Produto

O que é?

O marketing de produto trabalha para criar uma identificação dos clientes ou leads com o produto oferecido pela empresa. Com essa estratégia as empresas ou marcas focam exclusivamente no produto, mostrando suas funcionalidades, benefícios e o porquê de ser essencial para o público-alvo, ou mais especificamente, para a persona.

Esse tipo de marketing é muito usado não apenas no direcionamento de um produto ou serviço para um público específico, como também na introdução de novos produtos no mercado recorrente em que a empresa se encontra, ou mesmo em um novo mercado.

Como aplicar?

Como foi dito, é preciso orientar a divulgação dos produtos e serviços de forma a criar um vínculo com os clientes, recorrentes ou em potencial, chamando a atenção dos mesmos.

Para isso, ressalte os valores e os diferenciais do seu produto ou serviço perante o mercado. O que faz com que ele se destaque e seja melhor do que as demais soluções disponíveis? Como ele pode resolver os problemas do seu público-alvo?

7. Marketing de Relacionamento

O que é?

O marketing de relacionamento tem como objetivos principais a captação e a fidelização de clientes. Esse processo se dá em duas partes: Primeiro se inicia na fase de divulgação da empresa no mercado até a conclusão das vendas; a partir disso é iniciada a segunda parte até a fidelização de clientes em si e, ainda, à conversão destes em promotores da sua marca.

A estratégia do marketing de relacionamento envolve a continuidade do contato com o cliente após a conclusão da venda, principalmente por parte da equipe de vendas. Fortalecendo, assim, o vínculo empresa-cliente e, consequentemente, colocando a empresa em um lugar de autoridade no mercado.

Como aplicar?

A chave para o marketing de relacionamento funcionar, com sucesso, está na atenção dada pela empresa a cada cliente, sempre que possível com um atendimento personalizado, visto que essa forma de interação aproxima ainda mais o cliente, mostrando para ele o quanto é importante para sua empresa.

A construção dessa relação a longo prazo, depende da satisfação do cliente — promovida pelo bom atendimento e entrega do produto ou serviço de acordo com o que for contratado — que precisa ser mantida, até mesmo ampliada, durante o pós-venda.

Algumas das ações úteis para o pós-venda são: seguir com o envio de materiais ricos, pesquisas de satisfação, cartões em datas comemorativas, entre outras.

Com isso, a empresa demonstra o apreço que tem por cada cliente, aumentando as chances destes promoverem a imagem positiva da empresa, destacando-a diante dos concorrentes.

8. Marketing de Guerrilha

O que é?

O marketing de guerrilha é uma estratégia que busca chamar a atenção dos clientes — e dependendo da ação ou abordagem pode ser considerada mais agressiva dentre outras estratégias, explorando ao máximo a criatividade de modo a fugir do convencional, sem a necessidade de altos orçamentos.

Seu foco está em deixar uma marca na memória das pessoas a partir de ações inusitadas, geralmente executadas em lugares públicos, como praças e shoppings, para alcançar mais pessoas com menos gastos e também costumam ser pensadas para incitar emoções, o que reforça as experiências memoráveis.

O que também pode acontecer dentro desse tipo de marketing é a “declaração de guerra” contra um forte concorrente, como uma forma de mostrar ao público que é a melhor opção.

Uma “guerra” já bem marcada ao longo da história é a Burger King X McDonald’s. Ambas as marcas estão sempre implicando uma com a outra, o que acaba ampliando a divulgação das duas, porém a cada batalha, vence a mais criativa.

Em 2017, aconteceu um dos episódios dessa disputa, nele o McDonald’s criou uma campanha publicitária comemorando sua parceria com a marca Nutella, o que deu abertura para o Burger King utilizar o meme Raiz X Nutella como forma de confrontar o concorrente — o que foi uma estratégia fora do padrão.

Como aplicar?

Para que o marketing de guerrilha gere a resposta desejada — uma publicidade positiva para a empresa, o foco das ações deve ser uma provocação divertida, leve e criativa. É preciso que elas sejam cuidadosamente calculadas, desde o seu planejamento até a sua execução.

Caso contrário, o resultado pode ser desastroso para a imagem da empresa, que pode executar uma ação que soe, por exemplo, agressiva e desrespeitosa, não apenas com a concorrente, como também com os elementos e pessoas que estejam incluídos nas ações.

9. Mobile Marketing

O que é?

Atualmente, a maioria das pessoas usa o celular para navegar na internet, é nesse ponto em que o mobile marketing se faz presente.

Com o mobile marketing, as empresas e marcas criam sites responsivos, que se adaptem a dispositivos sem ser o computador, além de apresentar também anúncios exclusivos para o celular, por exemplo.

Como aplicar?

Além de ser uma questão de facilitação da mobilidade do usuário, também está relacionada à estética apresentada para os visitantes.

Para isso, é preciso investir em um bom design, tanto para o meio convencional — via computador — quanto em uma versão responsiva para o meio mobile. O mobile marketing engloba ainda outras estratégias, como o SMS Marketing, o Geomarketing, o Game Marketing etc.

10. Vídeo Marketing

O que é?

O vídeo marketing é uma estratégia que se encaixa no mobile marketing, mas também no marketing digital, de modo geral.

Essa estratégia está muito presente na internet, já que os vídeos são ferramentas que além de ofertar conteúdos ricos, divulgam produtos, criam um vínculo de identificação entre os apresentadores ou falantes dos vídeos e os espectadores, entre outras possibilidades.

Aulas gratuitas online, webinars e lives são exemplos do uso do vídeo marketing. A ferramenta reels presente no Instagram ou o shorts no YouTube, onde são postados vídeos curtos, de entretenimento ou informativos, também são bons exemplos.

Como aplicar?

No mundo atual em que as redes sociais têm um peso e importância muito grandes na divulgação e imagem das empresas e marcas, o engajamento gerado pelo vídeo marketing é essencial.

A facilidade de gravar vídeos, com o alcance à palma da mão dos smartphones por exemplo, impulsiona a produção de vídeos, porém deve-se lembrar que a qualidade vem antes da quantidade. É importante manter o nível com conteúdos de bons a excelentes, sempre trazendo conteúdos relevantes para seu público, ficando atento a não produzir apenas por produzir.

Outra estratégia interessante para a empresa, que pode impulsionar bastante suas vendas, é o patrocínio de vídeos produzidos por outras pessoas, como influenciadores digitais ou atores, para promoverem seus produtos ou serviços.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

INVESTIGAÇÃO PARLAMENTAR VAI SER INTENSA NA PRÓXIMA LEGISLATURA

 


Vandalismo, Dino, abuso de autoridade: Congresso terá “guerra” pela instalação de CPIs

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

Brasilia, Brazil – June 3, 2015: Brazilian National Congress. The building was designed by Oscar Niemeyer in the modern Brazilian style.


O Congresso Nacional: deputados e senadores articulam a instalação de CPIs a partir de fevereiro.| Foto: Bigstock

O novo Congresso Nacional toma posse em 1.º de fevereiro e já inicia suas atividades com um clima de disputa não apenas em relação às eleições para o comando da Câmara e do Senado, mas também sobre a instalação ou não de comissões parlamentares de inquérito (CPIs).

A “guerra das CPIs” envolve principalmente três propostas de investigação: dos atos de vandalismo em Brasília, das responsabilidades do ministro Flávio Dino (Justiça) no 8 de janeiro e dos supostos abusos de autoridade praticados por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No Senado, logo após a depredação em Brasília, ganhou força a ideia de uma CPI para investigar os atos de vandalismo no dia 8 de janeiro. A comissão foi proposta pela senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS), que iniciou a coleta de assinaturas.

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicialmente apoiaram a ideia da CPI. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), “garantiu” que a CPI seria instalada. Em 9 de janeiro, ele até anunciou nas redes sociais que haviam sido coletadas as 27 assinaturas mínimas necessárias para o pedido de instalação da comissão.

Mas nos últimos dias a esquerda tem atuado nos bastidores e até publicamente para arrefecer a CPI proposta por Soraya Thronicke. O próprio Lula se posicionou contra a ideia de instalação de uma CPI para investigar os atos de vandalismo. “Nós temos instrumentos para fiscalizar o que aconteceu nesse país. Uma comissão de inquérito pode não ajudar. E ela pode criar uma confusão tremenda, sabe? Nós não precisamos disso agora”, afirmou Lula em entrevista à Globo News.

A senadora Soraya respondeu ao recuo de Lula. “A democracia é sagrada, e devemos levar a sério a nossa responsabilidade em apurar a gravidade do ocorrido em 8 de janeiro. Nenhum poder tem o direito de se furtar da sua obrigação. E conosco não é diferente. Atuaremos de forma séria, imparcial e não cederemos à pressão política ou das redes”, diz a senadora.

Nos bastidores da política, há uma série de interpretações dos motivos do recuo da esquerda e de Lula na ideia da CPI. Uma é que a investigação poderia desviar a atenção do Congresso; e Lula quer usar o começo de seu governo para discutir outros temas que são de seu interesse – como a reforma tributária.

Também há a percepção de que a CPI possa ser usada pela oposição para desgastar o governo; e uma máxima do mundo político vem sendo citada: “Todo mundo sabe como começa uma CPI, mas ninguém sabe como termina”.

O uso da CPI contra o próprio governo poderia acontecer, por exemplo, com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino. Ele vem sendo acusado por opositores de ter sido omisso para conter os atos de vandalismo. O deputado federal Evair Vieira de Melo (PP-ES) inclusive já propôs na Câmara uma CPI específica para investigar as responsabilidades de Flávio Dino nos incidentes de 8 de janeiro.

Há ainda a possibilidade de que o clima de investigação criado pelas possíveis CPIs do vandalismo e de Flávio Dino levem o Congresso a abrir a CPI do Abuso de Autoridade, proposta pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) para investigar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O alvo principal dessa CPI tende a ser o ministro do STF e do TSE Alexandre de Moraes – que hoje é visto como um “aliado” do governo na investigação dos atos de vandalismo em Brasília. Além disso, a CPI, ao englobar o TSE, poderia levar a novos questionamentos sobre a eleição de Lula.

Nos bastidores, os líderes do PT no Senado, Fabiano Contarato (ES), e na Câmara, Zeca Dirceu (PR), já estão atuando para travar ideias de CPI que não sejam de interesse do Planalto.

Qual é a chance de instalação da CPI do vandalismo no Senado
Um líder partidário do Senado endossa o discurso de Lula e avalia que não há muito sentido na CPI do vandalismo já que a Polícia Federal (PF) e outros órgãos estão investigando os incidentes de 8 de janeiro.

Mas ele entende que há sim a possibilidade de que a CPI saia do papel. A análise é de que a própria disputa pela presidência do Senado possa contribuir com isso. Quando a CPI foi proposta por Soraya Thronicke, teve o apoio de senadores de esquerda, de centro e da direita – além do próprio presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Pacheco chegou a dizer, em 10 de janeiro, que considerava “adequado” que o caso seja objeto de uma CPI.

Senadores da oposição de Lula e do centro mantêm a ideia de investigar o vandalismo em Brasília – e pressionam Pacheco, que é candidato à reeleição à presidência do Senado, a instalar a CPI. Esses parlamentares também cobram o mesmo do adversário de Pacheco na disputa pelo comando da Casa, o senador eleito Rogério Marinho (PL-RN). Uma comissão parlamentar de inquérito tem de ser instalada pelo presidente do Senado ou da Câmara.

“A CPI vinga até porque a pressão dos senadores de centro e oposição vai obrigar os dois candidatos [Marinho e Pacheco] a se posicionarem a favor da instalação para não perder votos”, diz reservadamente um líder partidário que falou com a Gazeta do Povo sob condição de sigilo da fonte.

Já a senadora Soraya Thronicke diz que o Senado está engajado em “esclarecer os fatos” que levaram ao “desastre” de 8 de janeiro. “Precisaríamos de no mínimo 27 assinaturas para abrir a CPI e nós já conseguimos o apoio de 47 senadores, sendo que 34 permanecerão em seus respectivos mandatos [após a posse dos eleitos, em 1.º de fevereiro]”, afirma a senadora. “Todos os senadores ficaram indignados com a agressividade e a falta de respeito com nossa democracia. Esses atos violentos marcaram profundamente o Brasil.”

Soraya tem a expectativa de que a CPI seja instalada e que ela possa “encontrar a verdade” com uma investigação “sem revanchismos ou paixões pessoais”. “O objeto da CPI é definido e não vamos mirar nas pessoas. Nossa análise será focada nas provas encontradas. Não podemos negligenciar a gravidade do que aconteceu naquele domingo. Precisamos iniciar os trabalhos da CPI o mais rápido possível. Tenho certeza de que o Senado Federal será um instrumento importante na elucidação dos fatos”, diz.

A senadora afirma ainda que todos os senadores e as bancadas partidárias consultadas por ela querem justiça em relação aos atos. “É impressionante como o sentimento de indignação tem tomado conta dos debates internos”, diz.

Soraya destaca que o vencedor das eleições à presidência do Senado precisará discutir o tema. “O futuro presidente do Senado precisa enxergar a CPI dos Atos Antidemocráticos não só como um dever constitucional, mas como um dever moral. Somos responsáveis pela busca da verdade”, diz.

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Como fica a CPI para investigar Flávio Dino na Câmara
O presidente na Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também é candidato à reeleição para o comando da Casa, na disputa marcada para 1.º de fevereiro. E, assim como Pacheco, pode vir a assumir o compromisso de instalar CPIs que sejam de interesse de determinados grupos de parlamentares para obter votos na eleição interna. E isso pode vir a facilitar o funcionamento de alguma investigação sobre os atos de vandalismo em Brasília. Mas, depois das eleições de 2022, Lira tem se mostrado alinhado com Lula.

O deputado Evair de Melo pretende terminar a coleta de assinaturas e protocolar o pedido de criação da CPI para investigar o ministro Flávio Dino logo na retomada das atividades legislativas.

Ele avalia com naturalidade os movimentos de Lula e de sua base para desmobilizar as CPIs envolvendo o 8 de janeiro tanto na Câmara quanto no Senado. Mas Evair demonstra otimismo de que sua sugestão para investigar Flávio Dino tenha chances de vingar. “O PT sabe que essa é uma CPI que tem fato concreto e objetivo. O próprio Lula e o governo estão falando mal de outras CPIs. Mas dessa ele não fala porque é o calo no sapato deles. Ela pode ser só a ponta do iceberg para destruir o núcleo duro do governo”, diz o deputado.

Evair considera que a recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de arquivar pedidos de investigação contra Dino por suposta omissão no 8 de janeiro demonstra a importância de sua proposta. Ele questiona o Supremo por ter possibilitado investigações contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres, mas não de Flávio Dino.

“Quem não está sendo investigado? O Flávio Dino. Por entendermos que ele precisa ser investigado e o STF não quer investigá-lo, nós vamos investigar. Investigação não é condenação; é onde vai ter oportunidade de dar suas explicações”, diz Evair. “A CPI, para ser instalada, precisa ter fato concreto e objetivo, e não suposição. A nossa propõe investigar o crime de responsabilidade do Flávio Dino. É um fato concreto”, diz.

Coautor da CPI do abuso de autoridade diz que ela é a mais importante
Coautor da CPI que propõe investigar abusos de autoridade cometidos por ministros do STF e do TSE, o deputado Dr. Luiz Ovando (PP-MS) considera que essa investigação é mais importante do que a da comissão de inquérito sugerida pelo colega Evair Vieira de Melo para apurar a conduta de Flávio Dino. Segundo ele, as demais CPIs derivam de temas que seriam investigados pela comissão do abuso de autoridade.

Apoiadores do ex-presidente Bolsonaro argumentam que ministros do STF e do TSE interferiram no processo eleitoral, o que teria sido decisivo para a vitória de Lula. E a revolta com essa situação acabou levando ao 8 de janeiro.

A CPI do abuso de autoridade chegou a ter o número necessário de assinaturas de deputados e foi protocolada na Câmara. Mas, usando como argumento o fim da legislatura, Arthur Lira descartou a instalação e sugeriu que o deputado Marcel van Hattem representasse o pedido no início de 2023. Também sugeriu ao deputado do Novo que a CPI seja mista – com a participação de deputados e senadores. O deputado Luiz Ovando diz que o processo para pedir a instalação da CPI será refeito. “Marcel já estabeleceu isso”, afirma.

Ovando defende que tanto a CPI do abuso de autoridade quanto a de Flávio Dino sejam abertas e instaladas. Ele entende que o novo Congresso, com parlamentares mais conservadores, tem mais condições de fazer pressão política para que Lira instale ao menos uma investigação – e, nesse caso, ele defende que seja a do abuso de autoridade.

O deputado acredita, contudo, que os parlamentares vão definir qual é a prioridade das CPIs no início do ano legislativo. “Quero crer que os deputados vão se reunir naturalmente. Vamos reunir os autores [dos pedidos de CPIs] e quem está defendendo, Evair e Van Hattem, para, dentro do possível, colocar o que é oportuno.”

Evair concorda com Ovando que a CPI do abuso de autoridade é mais importante. “Quisera eu poder instalar a CPI do abuso de autoridade. Concordo que, em termos de dimensão, resolveria a equação brasileira. Só que, conhecendo a Câmara, acho mais difícil de ela tramitar. Ficaria muito feliz, mas ela é mais complexa, envolve outros poderes”, diz.

Por isso, Evair aposta que a investigação de Flávio Dino seja mais viável. “Aprendi na Câmara que tem que entrar pelo caminho mais fácil. Instalar uma CPI de abuso de autoridade pode não ir para lugar algum.”

Regimentalmente, é possível que a Câmara tenha mais de uma CPI funcionando ao mesmo tempo. Mas os deputados da oposição a Lula reconhecem ser improvável o andamento de duas comissões como as de Flávio Dino e do abuso de autoridade. “Se tivermos duas ou três [requisições de criação de] CPIs, vai ter que instalar uma. Não pode ficar sem instalar nenhuma. Vai ter que instalar uma. Não dá para sentar em cima de todas”, diz o deputado Evair de Melo.

Analista diz que Lula tem mecanismos para barrar investigações
O cientista político e sociólogo André César, analista da Hold Assessoria Legislativa, acha improvável a instalação de CPIs no início da nova legislatura. O especialista entende que o próprio governo tende a atuar para travar as propostas. Ele diz que isso pode ser feito pela nomeação de apadrinhados de parlamentares em cargos de segundo escalão e em estatais. Contemplados com esses cargos, os parlamentares iriam agir para atender aos interesses do Planalto.

André César reconhece que o bloqueio de CPIs também vai depender da condução do processo da eleição para o comando do Senado e da Câmara. Segundo ele, a depender dos resultado das eleições internas, nada ocorrerá. “A própria oposição [a Lula] na Câmara pode estar usando essa pressão para articular seus espaços [nos cargos de comando das duas Casas ou em comissões legislativas importantes, que também estarão em disputa no dia 1.º de fevereiro]”, diz.

O cientistas político afirma ainda que a prerrogativa de instalar uma CPIs dá mais poder de barganha principalmente para Lira em relação a Lula. E isso aumenta a influência do Centrão no governo.

Pesquisa eleitorais, Americanas e ONGs são outras propostas de investigação
Além das CPIs do vandalismo, de Flávio Dino e do abuso de autoridade, há no Congresso outras ideias de comissões parlamentares de inquérito que podem ser protocoladas no começo da legislatura.

Uma CPI com probabilidade maior de funcionamento é a proposta pelo líder do PP na Câmara, André Fufuca (MA), que sugeriu a investigação das inconsistências de R$ 20 bilhões detectadas em lançamentos contábeis da Americanas S.A. Ele sugeriu no domingo (15) e conta com o apoio do próprio Lira e do presidente nacional de seu partido, o senador Ciro Nogueira (PI).

Outro pedido de CPI na Câmara surgiu logo após as eleições de 2022 por causa dos erros de pesquisas eleitorais. A ideia é investigar os institutos de pesquisas. Deputados consideram, porém, que a investigação perdeu o “timing” político. “Passou do tempo. Em termos de oportunidade, não seria agora o melhor momento”, afirma o deputado Ovando. “É mais fácil a gente, neste momento, regulamentar ou ordenar o sistema de pesquisas. O tema é importante. Mas seria muito melhor a gente debruçar e tentar regulamentar e criar padrão e olhar pra frente”, diz o também deputado Evair.

No Senado, outra CPI sugere investigar a utilização de recursos públicos por organizações não governamentais. A proposta foi apresentada pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que quer abrir a suposta “caixa preta” de ONGs que atuam na Amazônia.
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LULA QUER CRIAR MOEDA ÚNICA COM A ARGENTINA

 

Transações Entre Os Países
Lula e Fernández anunciam estudo sobre criação de moeda comum entre Brasil e Argentina
PorGazeta do Povo


Em jornal argentino, presidentes Lula e Alberto Fernández afirmaram que a criação da moeda comum teria como objetivo reduzir a dependência do dólar americano| Foto: Esteban Collazo/Presidência da Argentina

O presidente Lula (PT) e o presidente da Argentina, Alberto Fernández, anunciaram, em publicação feita no jornal argentino Perfil neste domingo (22), que estudam a criação de uma moeda comum sul-americana para transações comerciais e financeiras.

Segundo o texto, a ideia é que os países mantenham o uso de suas moedas locais, o real e o peso argentino, mas criem uma moeda comum para transações entre as nações com o objetivo de reduzir a dependência do dólar americano. Faz parte dos planos convidar outros países sul-americanos para integrar conversas sobre o assunto.

“Decidimos avançar nas discussões sobre uma moeda sul-americana comum, que possa ser usada tanto para os fluxos financeiros quanto para os comerciais, reduzindo os custos operacionais e nossa vulnerabilidade externa”, dizem os presidentes na publicação. “O mundo mais justo e solidário a que aspiramos só será viável se tivermos coragem de construir juntos o nosso futuro. Esse é o significado estratégico da integração bilateral”, prosseguem.

Na noite deste domingo (22), Lula viajou para Buenos Aires para encontros com Alberto Fernández e demais integrantes do governo argentino. Além de aprofundar conversar sobre a moeda comum, o petista deve também assinar acordos bilaterais e participar da reunião de cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac).

Defendida por Lula e Guedes, “moeda única” não é viável, dizem especialistas

Proposta faria com que países da América Latina adotassem uma mesma moeda, facilitando a integração comercial, mas reduzindo autonomia monetária

João Pedro MalarPedro Zanattado CNN Brasil Business

Defendida tanto pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a implementação de uma “moeda única” para os países latino-americanos esbarra em uma realidade ainda distante da ideal para sua implementação, segundo especialistas ouvidos pelo CNN Brasil Business.

Na prática, os países abririam mão do real, peso ou bolívar, e adotariam uma mesma moeda oficial como meio de pagamento para transações comerciais dentro e fora de suas fronteiras.

Para o economista da Eleven Financial Thomaz Sarquis, não existe sentido em criar uma política monetária única nem para o Mercosul e nem para a América Latina.
“O grande problema é a falta de autonomia monetária.

Quando o Banco Central Europeu sobe os juros, por exemplo, a alta vale para toda a moeda euro. No nosso caso, em uma política como esta, o Brasil estaria dependente da situação fiscal da Argentina para definir o aumento dos juros, visto que o risco seria percebido como sendo do bloco.”

Para ele, a diferença entre as economias é essencial. “Ainda que nossa política fiscal não seja um exemplo para os demais países, temos uma moeda mais estável do que a da Argentina.”

Para o PhD em economia pela Cornell University Marcelo Kfoury, além da disparidade entre os países da América Latina, o bloco econômico do Mercosul ainda não evoluiu como ocorreu com a União Europeia, que alcançou uma integridade e proximidade econômica entre os participantes do bloco.

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Simão Silber, professor de economia da FEA-USP, na mesma linha, explica que existe uma facilidade maior para a Europa por conta da maior integração de seus participantes e da própria condição geográfica.

Além disso, ele também cita que, para chegar à moeda única, seria preciso uma política de livre comércio e um imposto comum em todos os países. Para ele, o estabelecimento da moeda comum representa a etapa final de um processo de integração econômica ainda inicial na região, com volume de comércio interno bem menor que o da zona do euro.

Silber diz também que não acredita na possibilidade de uma moeda única proporcionar a independência em relação ao dólar. “A América Latina ainda está em desenvolvimento, tem renda média, é difícil tomar uma posição que hoje é ocupada pelo dólar”.

Procuradas pela CNN, tanto a comunicação de Lula como de Paulo Guedes disseram que não iriam comentar o tema.

Como funcionaria

O principal exemplo ao pensar em moeda única é o euro, que entrou em vigor em 1 de janeiro de 1999 e hoje serve como moeda oficial dos 19 países da zona do euro, todos eles membros da União Europeia, caso da Alemanha, França, Portugal e Espanha. Mas nem todos os membros do bloco aderiram ao euro e abriram mão de suas moedas e políticas monetárias.

Antes de sair da UE, o Reino Unido já havia optado por manter o uso da libra, caso semelhante ao da Dinamarca. Outros países membros, como a Bulgária e a Croácia, não atingiram ainda as condições econômicas demandadas para integrar a zona do euro e, por isso, não podem adotar a moeda.

A emissão do euro é controlada por um banco central comum a todos os integrantes da zona, o Banco Central Europeu (BCE). Por causo disso, ele também é responsável pela política monetária de todos esses países.

Segundo o BCE, a principal vantagem do euro é tornar mais simples “trabalhar, negociar, viajar, estudar e viver no estrangeiro”, aumentando a integração econômica entre os países.

A autarquia afirma que uma moeda única “facilita as trocas comerciais entre empresas de países diferentes, melhora o desempenho econômico e possibilita uma maior escolha e mais oportunidades aos consumidores”.

A adoção de uma moeda única, porém, exige que seus países membros cumpram “objetivos comuns” de estabilidade, crescimento e emprego de modo que os impactos da política monetária geral não sejam muito diferentes para cada membro.

A responsabilidade por atingir esses objetivos é do governo de cada país, mas o não cumprimento pode levar a sanções.

E a criação do euro também não foi um processo simples. As discussões sobre criar uma moeda única para aumentar a integração entre os países europeus começaram no fim da década de 1960, antes mesmo da União Europeia existir.

Mas a proposta oficial de criação de uma “União Econômica e Monetária”, com uma moeda comum, viria apenas em 1988. Foi acordado, então, o estabelecimento da união em três fases, criando um arcabouço jurídico e monetário para a implementação.

Apenas na última, iniciada em 1999, que o euro foi introduzido e foram fixadas taxas de câmbio para as moedas de cada país em relação à nova. Por três anos, o euro serviu apenas para pagamentos eletrônicos e balanços contábeis, até que, em 2002, passou a circular oficialmente e ser usado pela população desses países.

Mesmo sendo a mais famosa, o euro não é a única moeda comum em circulação pelo mundo. Há ainda os casos do dólar do Caribe Oriental, adotado por oito países, o franco CFA da África Ocidental, de oito países, e o franco CFA da África Central, de seis, todos com origens ligadas à substituição de moedas usadas durante a colonização por países europeus.

Segundo Silber, para implementar uma política de moeda única na América Latina, os países precisariam abdicar de seus respectivos bancos centrais.
“Ficaria criado um banco central sul-americano que emitiria a moeda. Então, todos os países perdem soberania, a capacidade de emitir moeda, e perdem também a capacidade de influenciar na taxa de câmbio, já que é esse banco central que influencia”.

Entenda a discussão

O pré-candidato do PT à Presidência defendeu no final de abril a implementação de uma “moeda única” na América Latina, que segundo ele ajudaria a ampliar a relação entre os países da região.

Em 2008, o político já havia falado sobre o tema, mas pensando apenas no continente sul-americano. “Nós trabalhamos aqui na América do Sul com a possibilidade que as novas gerações, já não acredito mais para meu governo, possam criar uma moeda única, possam criar um banco central”, afirmou à época.

Desta vez, ele associou a criação da moeda a uma redução da dependência do dólar. “Vamos voltar a restabelecer nossa relação com a América Latina. E, se Deus quiser, vamos criar uma moeda na América Latina, porque não tem esse negócio de ficar dependendo do dólar”.

Em artigo recente publicado no jornal “Folha de S.Paulo”, o economista Gabriel Galípolo, ex-presidente do banco Fator e colaborador de Lula na área econômica, e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad – pré-candidato do PT ao governo paulista – defenderam a moeda única, em um modelo semelhante ao euro, como uma forma de aumentar a integração regional, fortalecer a independência monetária da região e superar “limitações econômicas decorrentes da fragilidade internacional de suas moedas”.
Para eles, a medida aumentaria o comércio na região, aceleraria a integração regional, traria relevância a nível global e daria maior “liberdade ao desejo democrático”.

A moeda, chamada de SUR, teria uma taxa de câmbio flutuante com as moedas nacionais e seria emitida por um “Banco Central Sul-Americano”, com capitalização dos países membros proporcional à participação no comércio regional a partir de reservas internacionais ou taxas sobre exportações. Ela poderia ser usada “tanto para fluxos comerciais quanto financeiros entre países da região”.

Em 2016, o presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou a fazer uma publicação com as falas de Lula em 2008, afirmando que “o PT, depois do livre trânsito de cidadãos na América do Sul, também planejou moeda única e banco central bolivariano”.

No começo de maio, Bolsonaro publicou em suas redes sociais um vídeo em que coloca as falas do pré-candidato do PT e, na parte de baixo, sua publicação de 2016. Além disso, também compartilhou uma matéria sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante uma visita à Argentina.

Na ocasião, em 2019, Bolsonaro disse que Guedes teria dado “um primeiro passo para um sonho de uma moeda única na região do Mercosul”, que se chamaria peso real. Bolsonaro citou como exemplo o euro. Na mesma visita, Guedes afirmou que a ideia era defendida pelos argentinos, que estariam “animadíssimos”. “Nós estamos pensando, conversando e conjecturando”.

O tema, porém, não avançou, e o ministro voltaria a falar sobre o assunto apenas em agosto de 2021.

Na ocasião, disse que uma moeda única para o Mercosul possibilitaria uma integração maior e uma área de livre comércio, e criaria uma divisa que poderia ser uma das “cinco ou seis moedas relevantes no mundo”.

E não foi a primeira vez que Guedes falou sobre o tema. Também em 2008, em artigo para a Revista Época, ele disse que “seriam várias as vantagens de criar a moeda regional”.

Entre essas vantagens, ele cita “aumentar a massa crítica do continente nas questões financeiras e comerciais ante os grandes blocos regionais do dólar, do euro e da Ásia”, e a “possibilidade de tornar tangíveis as promessas de maior integração regional (Mercosul)”.

No entanto, até o momento, nenhum dos pré-candidatos trouxe detalhes sobre um possível projeto ou estudos que tratem da viabilidade ou vantagens da proposta para o Brasil e para o bloco econômico do Mercosul ou para a própria América Latina.


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MINISTROS DE LULA ABUSAM DOS JATINHOS DA FAB

 

Por
Lúcio Vaz


Jatinho da Força Aérea Brasileira ((FAB)| Foto: Sgt Bianca/FAB

Ministros do governo Lula estão viajando para casa nos finais de semana em jatinhos da FAB, em alguns casos sem agenda oficial no estado. Em outros, a agenda tem caráter político. A maioria alega questões de segurança para solicitar a aeronave oficial, principalmente após a invasão e depredação dos prédios do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos ministros fez deslocamentos sozinho na aeronave.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo, fez uma viagem com várias paradas. Ele viajou com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, até Salvador, no dia 6, uma sexta-feira à tarde. Dali, rumou para Aracaju, onde tem residência fixa, como único passageiro do jatinho oficial, como se estivesse num “Uber” Aéreo. Na capital de Sergipe, o ministro e deputado licenciado (PT/SE), teve reunião com o prefeito Edvaldo Nogueira, presidente da Frente Nacional de Prefeitos, para “preparar a pauta de um futuro despacho” do prefeito com o presidente Lula.

No domingo, Macedo voou para Maceió novamente em voo solo. Ali, pegou carona com o presidente da Câmara, Arthur Lira, até Brasília Deputado. A assessoria do ministro disse que, no domingo, após os “episódios de terrorismo ocorridos em Brasília”, com a invasão do Palácio do Planalto, onde funciona a Secretaria-Geral, e diante da urgência em voltar à capital federal, Macêdo “novamente pegou carona em avião solicitado por outra autoridade”.

A assessoria afirmou ainda que as duas viagens realizadas pelo ministro Macêdo em aviões da FAB “estão relacionadas a compromissos de trabalho. Além disso, os dois voos citados são trechos complementares de viagens que tiveram origem (6/1) e destino (8/1) em Brasília, feitas em regime de compartilhamento do trecho principal com outras autoridades que haviam solicitado aeronave à FAB”.

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Dino e Haddad justificam voos
Pelas normas legais, os ministros de Estado podem utilizar as aeronaves da FAB por motivo de serviço, emergência médica ou de segurança. Mas o Decreto 10.267/2020 diz que “presume-se motivo de segurança” o deslocamento de aeronaves ao local de residência permanente dos presidentes da Câmara, do Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro da Justiça, Flávio Dino, voou para São Luís em jatinho da FAB, na sexta-feira (13), sem agenda oficial, e retornou na segunda-feira (16). O Ministério da Justiça afirmou que a viagem do ministro Flávio Dino a São Luís cumpriu o Decreto 10.267. Foi realizada por motivo de segurança, “em face dos constantes e recentes ataques antidemocráticos, inclusive contra o Sr. Ministro”. O decreto autoriza a viagem por meio de justificativa que fundamente a necessidade de segurança.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, viajou a São Paulo no dia 6, sexta-feira, às 17h25. A sua agenda era uma reunião de “despachos internos” no gabinete da Fazenda em São Paulo, com o seu chefe de gabinete, Laio Moraes, das 20 às 21h. O Ministério da Fazenda afirmou que Haddad, despachou na sexta-feira no Gabinete do Ministério da Fazenda em São Paulo, “oportunidade em que visitou pela primeira vez o escritório”. E acrescentou que o ministro retornou na segunda-feira no voo da FAB “em virtude dos atos terroristas ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro. As viagens seguiram as regras estabelecidas pelo Decreto nº 10.267 atendendo aos critérios de segurança e serviço”.

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Visitas paroquiais
Algumas viagens de jatinhos podem até cumprir o decreto presidencial, mas revelam ações como interesses paroquiais. O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, viajou para São Luís para cumprir agenda oficial no dia 18, quinta-feira. Deputado federal licenciado (União Brasil/MA), ele fez visita ao Escritório da Anatel na capital do estado, prestigiou a posse do presidente da Federação dos Municípios Maranhenses e teve audiência com o governador Carlos Brandão. Na segunda-feira, concedeu entrevistas a emissoras de rádio e televisão e teve reunião com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide.

O ministro das Cidades, Jader Filho, filho do senador Jader Barbalho e irmão do governador Elder Barbalho, viajou a Belém no dia 6 em jatinho da FAB. Ele teve reunião com o prefeito Edmilson Rodrigues para tratar do andamento das obras de unidades habitacionais e de saneamento e urbanização em Belém. O ministério afirmou que o ministro tinha bilhete para um voo comercial, mas a reunião ministerial em Brasília atrasou a partida, sendo necessário o uso do jatinho oficial. Ele retornou a Brasília em avião de carreira.

A ministra de Cultura, Margareth Menezes, voou para Salvador no dia 6, sexta-feira, em aeronave da FAB, e retornou na segunda. O blog questionou o ministério se ela cumpriu agenda oficial da capital baiana, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. O Ministro do Trabalho, Luís Marinho, viajou para São Paulo no dia 13 e retornou no dia 16. O blog questionou o ministério se o ministro cumpriu agenda oficial em São Paulo no final de semana. Não houve resposta.

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A viagem de ministros para casa em jatinhos da FAB era liberada nos governos petistas. Pela legislação da época, ministros podiam utilizar as aeronaves em viagens a serviço, por motivo de segurança e emergência médica e também nos deslocamentos para o local de residência permanente, como previa o Decreto 4.244/2002. Muitos ministros marcavam compromissos oficiais e políticos nos seus redutos eleitorais nos finais de semana para legitimar o uso dos jatinhos oficiais.

O então ministro das Relações Institucionais, José Múcio (PTB), foi, proporcionalmente, quem mais voou para casa em jatinhos da FAB. Dos seus deslocamentos durante 22 meses, em 2008 e 2009, 71 voos foram para a sua casa, no Recife. Ele agora é ministro da Defesa no terceiro governo Lula.

Entre 2010 e 2011, o então ministro da Educação, Fernando Haddad, fez 97 voos entre Brasília e São Paulo acompanhado da mulher e da filha menor, além de outras autoridades. Ele fez 130 deslocamentos em aeronaves oficiais naquele período, sendo 46 voos exclusivos para São Paulo. Em 2012, Haddad disse que não houve irregularidade no seu transporte em aeronaves oficiais. “É um direito meu ir para casa. O que interessa é a legalidade”.

Os dados sobre os voos em jatinhos da FAB nos governos petistas foram obtidos pelo deputado Rubens Bueno (PPS-PR), em 2012, por meio de requerimento de informação apresentado à Aeronáutica. Naquela época, a Lei de Acesso à Informação ainda não estava em vigor. As informações foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo, em reportagem de minha autoria.

A partir de 2015, decreto da presidente Dilma Rousseff (8.432/15) vetou a utilização de aeronaves da FAB em deslocamento para o local de domicílio dos ministros de Estado. Em janeiro de 2020, o então presidente Jair Bolsonaro baixou o Decreto 10.267, que regulamenta o uso de aeronaves oficiais. Manteve a proibição de voos para casa nos finais de semana, mas deixou brechas que permitem essas viagens por motivos de segurança. Mas sempre tem um jeitinho. Como mostrou o blog, em pelo menos 30 vezes, de janeiro de 2019 a março de 2020, ministros do núcleo político do governo Bolsonaro deram um “jeitinho” de usar as aeronaves oficiais para se deslocar ao estado de origem em finais de semana ou para retornar ao trabalho na segunda-feira.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/a-revoada-de-ministros-de-lula-em-jatinhos-da-fab/
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TETO DE GASTOS E INFLAÇÃO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Imagem ilustrativa.| Foto: Marcelo Andrade/Arquivo/Gazeta do Povo

As falas repetidas do presidente Lula contra o teto de gastos públicos, que é um limite imposto por lei sobre o máximo que o governo pode gastar, e os anúncios emitidos pelo próprio presidente e pelo Ministério da Fazenda nos primeiros dias de governo sinalizam que o teto de gastos previsto em lei aprovada na gestão de Michel Temer não será obedecido e, portanto, elevados déficits como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) ocorrerão. Entre os economistas teóricos estudiosos dos efeitos dos déficits governamentais sobre o processo inflacionário há divergências quanto o aumento da inflação sempre que há déficit público, especialmente após a crise financeira mundial iniciada em 2007.

É com base nessa divergência teórica que muitos políticos e autoridades econômicas vêm justificando suas decisões de aumentar os gastos e elevar os déficits, adicionando o argumento aparentemente nobre de que, como disse o presidente Lula, não faz sentido controlar gastos enquanto houver pobres no país. De início, vale observar que, se o fato de haver pobres justifica gastos públicos sem limites e sem respeito a qualquer teto, seria o caso de indagar por que as nações não usam seus governos para a fabricação de moeda sem nenhuma limitação, a fim de distribuir diretamente ou via programas sociais a todos os pobres como meio de superar a pobreza.

Enquanto o governo não explicar como pretende elevar gastos e aumentar os déficits sem puxar a economia para baixo, os investimentos e os negócios ficam desaquecidos em função das incertezas e dos riscos.

A polêmica sobre os efeitos inflacionários da emissão descontrolada de moeda – que sempre foi considerada incapaz de eliminar a pobreza e, pelo contrário, piora a situação dos pobres pela inflação – surgiu depois de 2008, quando o governo dos Estados Unidos inundou o país de gastos públicos e aumento da moeda circulante para socorrer o desastre do sistema bancário provocado pela crise financeira. Como a inflação norte-americana não explodiu logo na sequência da descomunal emissão de moeda, ganhou corpo a chamada “Teoria Monetária Moderna”, cujos adeptos começaram a defender a tese de que o aumento do estoque de moeda circulante não seria inflacionário, logo, sem os efeitos deletérios da inflação.

No Brasil, um dos defensores dessa teoria é o respeitado economista André Lara Resende, um dos formuladores do bem-sucedido Plano Real e que goza de prestígio nos círculos acadêmicos nacionais e internacionais. Em seu livro Senso e Contrassenso – Por uma economia não dogmática (2020), Lara Resende afirma textualmente que, após os anos 1980, o confronto dos postulados da teoria econômica com a experiência histórica mostra o descompasso entre a realidade e o arcabouço teórico que sustenta as políticas públicas. Ele argumenta que o colapso financeiro internacional resultado da crise de 2008 deixou claro que o pensamento econômico dominante necessita ser reformulado a partir de suas bases mais elementares.

Se o governo pretende aumentar gastos todos os anos a serem pagos com aumento de tributos ou aumento da dívida pública, aí sim é que os efeitos sobre juros e inflação anularão parte do esforço de reduzir a pobreza.

Lara Resende não é o fundador dessa corrente de pensamento, mas é um de seus ilustres adeptos, e afirma que a tese da moeda como mercadoria é apenas um fetiche anacrônico que faz grande parte dos países democráticos adotar um entendimento equivocado sobre a importância da disciplina fiscal e orçamentária. Ou seja, a busca pelo equilíbrio fiscal a qualquer custo e em qualquer circunstância seria um dos dogmas da política econômica dominante e isso tem obstruído uma discussão racional sobre o papel dos investimentos públicos e das iniciativas sociais na criação de riqueza e bem-estar social.

Talvez a expressão-chave nessa tese seja “equilíbrio fiscal a qualquer custo e em qualquer circunstância”. Isto é, até o mais renitente teórico da economia sabe que em circunstâncias especiais, como uma tragédia natural (caso de um terremoto, um tsunami ou uma pandemia) ou tragédia social (caso de grave depressão, como a ocorrida nos anos 1930), o aumento de gastos públicos em investimentos e programas sociais financiado com expansão da moeda circulante é perfeitamente defensável. O problema muda de lógica quando governos estouram os orçamentos públicos, gastam sem limite nenhum inclusive quando a economia está relativamente aquecida e com poucos fatores de produção ociosos, criando portanto um cenário inflacionário. Nos anos 1930, a defesa por mais gastos públicos pagos com emissão de dinheiro – e não por aumento de tributação nem por emissão de dívida pública – foi proposta por aquele que é considerado o maior economista do século 20, John Maynard Keynes, e aceito pelos maiores estudiosos da relação entre inflação e expansão da moeda circulante.

Naquela grande depressão dos anos 1930, havia ociosidade de mão de obra disponível (o desemprego era gigantesco), grande ociosidade de capital (a quantidade de fábricas e máquinas paradas era descomunal), amplas reservas de recursos naturais não explorados, insuficiência de infraestrutura e, principalmente, deflação. Isto é, ao lado de fatores de produção parados, os preços caíam de forma expressiva fazendo que emissões monetárias não sugeriam a possibilidade o aumento dos preços e estouro dos índices de inflação. No caso da crise financeira mundial que teve seu auge em 2008 e 2009, houve ensaio de uma recessão, porém menos grave que a dos anos 1930, e a inundação de moeda no mercado não foi para investimentos públicos, expansão de infraestrutura e reativação de fábricas ociosas. A essência da emissão de dinheiro destinou-se a socorrer instituições financeiras e frear a onda de inadimplência e falências de bancos e empresas de crédito. Claro que, combatendo a crise financeira, a economia poderia se recuperar e os desastrosos efeitos da recessão seriam evitados.

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Esse problema expõe alguns aspectos: 1) quando se fala em expansão monetária, os efeitos dependem de qual o tamanho dessa emissão em relação ao PIB; 2) a expansão monetária deve ser analisada segundo a circunstância que lhe deu causa, pois, uma coisa é emitir dinheiro para reconstruir uma região devastada por um terremoto, por exemplo, outra coisa é a emissão de dinheiro para aumentar a burocracia estatal, aumentar salários do funcionalismo ou estourar o custeio dos serviços públicos; 3) programas sociais de combate à pobreza são úteis e não fazem a inflação explodir desde que sejam focados, constantes ao longo do tempo, inseridos no orçamento fiscal sem explodir o déficit para níveis estratosféricos; 4) em qual circunstância do processo inflacionário país está inserido, e qual a curva atual de flutuação dos preços e das atividades; 5) qual o grau de ociosidade de estrutura produtiva que possa ser reativada rapidamente para aumentar o PIB a curto prazo (situação essa parecida com a fase pós-pandemia).

A Teoria Monetária Moderna trata exclusivamente do aumento dos gastos públicos e elevação do déficit como proporção do PIB que sejam pagos com emissão monetária, não com aumento de impostos ou aumento de dívida do governo. Em certas circunstâncias, a emissão de moeda e a elevação do meio circulante podem não causar inflação, porém, aumento de déficits públicos todos os anos e em porcentuais altos inevitavelmente provoca inflação e recessão, anulando assim o progresso na luta contra a pobreza. Se o governo pretende aumentar gastos todos os anos a serem pagos com aumento de tributos ou aumento da dívida pública, aí sim é que os efeitos sobre juros e inflação anularão parte do esforço de reduzir a pobreza. De qualquer forma, o mundo não está “comprando” essa moderna teoria monetária a ponto de lhe conferir credibilidade para uso corrente. Assim, enquanto o governo não explicar como pretende elevar gastos e aumentar os déficits sem puxar a economia para baixo, os investimentos e os negócios ficam desaquecidos em função das incertezas e dos riscos.


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IMPEACHMENT DE DILMA NÃO FOI GOLPE

Amparado pela Constituição
Como diz o governo Lula

Por
Bruna Komarchesqui – Gazeta do Povo


A ex-presidente Dilma Rousseff, destituída do cargo em 2016| Foto: EFE/ J.J.Guillen

Na última semana, o governo federal tornou institucional a classificação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, como um “golpe”. No texto de apresentação da nova presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), publicado no site institucional na segunda-feira (16), o órgão afirma que o “Conselho Curador da EBC”, extinto por uma Medida Provisória do governo Michel Temer, foi “cassado após o golpe de 2016”. Embora fosse evocado já na época da destituição de Dilma, o argumento não tem base legal, segundo os fatos que envolveram o processo e a análise de juristas brasileiros.

O site da EBC ainda reforça a tese, dizendo que a nova presidente da Empresa “participou de coberturas de momentos marcantes do país”, como “o golpe contra Dilma Rousseff”.

A qualificação do impeachment como golpe rendeu ao governo Lula uma denúncia no Ministério Público Federal (MPF), feita pelo vereador da cidade de São Paulo Rubinho Nunes (União). “Lembram que Lula criou uma Procuradoria para combater Fake News? Pois bem. Vou usá-la! Estou processando o governo Lula por mentir em site oficial sobre o impeachment de Dilma. O impeachment não foi um golpe. Vamos ver se essa tal Procuradoria investigará este caso”, escreveu Nunes, nas redes sociais.

Entenda por que o impeachment de Dilma não foi golpe:

O processo
A sessão do Senado que cassou o mandato de Dilma terminou às 13h55 do dia 31 de agosto de 2016, com 61 votos a favor e 20 contra, colocando um fim aos 13 anos da Era PT na Presidência e aos nove meses em que o processo se arrastou no Congresso. Primeira mulher a ocupar o cargo, Dilma foi a segunda pessoa a ter o mandato cassado (o primeiro foi Fernando Collor, em 1992) na recente história democrática brasileira.

O pedido de impeachment aceito pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em dezembro de 2015, foi apresentado dois meses antes pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal. O documento apontava três acusações contra o governo Dilma: os prejuízos com a corrupção na Petrobras (o que incluía a compra da refinaria de Pasadena e os escândalos desnudados pela Lava Jato), a abertura de créditos suplementares para o Orçamento sem passar pelo Congresso e manobras contábeis para maquiar gastos federais excedendo os limites da lei, as chamadas “pedaladas fiscais”. O processo de impeachment foi aberto em cima dos dois últimos pontos.

Naquele momento, a tese de golpismo já era levantada por petistas, mas foi rejeitada inclusive pelo agora vice-presidente Geraldo Alckmin (então governador de São Paulo). “Eu tenho ouvido muito que o impeachment é golpe. O impeachment é previsto na Constituição brasileira, e a Constituição não é golpista”, resumiu. 

O que diz a Constituição
O processo de responsabilização e destituição do Presidente da República por crime de responsabilidade, chamado de impeachment, está previsto na Constituição Federal de 1988. No artigo 52, a Carta Magna dispõe que cabe ao Senado Federal “processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade”.

A condenação, que precisa alcançar dois terços de votos dos senadores, resulta em “perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública”. Apesar disso, Dilma não perdeu seus direitos políticos após o impeachment, graças a um pedido do então líder da bancada do PT no Senado, senador Humberto Costa, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, para que as penalidades fossem votadas separadamente.

No artigo 85, a Constituição ainda especifica como “crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: I – a existência da União; II – o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; III – o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; IV – a segurança interna do País; V – a probidade na administração; VI – a lei orçamentária; VII – o cumprimento das leis e das decisões judiciais”.

Apesar de o processo ser apontado pelos governistas como uma conspiração da oposição, e portanto um “golpe”, o mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Coimbra André Felipe Portugal recorda que “o próprio sistema optou por possibilitar um julgamento também político”, uma vez que a Constituição estabelece “que cabe exclusivamente ao Senado Federal o juízo de valor a respeito da prática de crimes de responsabilidade pelo presidente da República”. “Deixadas as preferências políticas de lado, não é possível se referir a isso como uma ruptura, nem mesmo branda, da ordem institucional: o próprio sistema autoriza que assim seja. Por isso mesmo, o impeachment de Dilma não é um golpe”, conclui.

Rito foi avalizado pelo STF 
O rito do impeachment de Dilma foi definido pelo então presidente do STF, Ricardo Lewandowski, em agosto de 2016, garantindo ampla defesa à acusada. A petista teve direito a uma fala de 30 minutos, mesmo tempo concedido à argumentação da acusação. Além disso, cada parte teve o direito de convocar seis testemunhas para serem ouvidas no dia da votação final.

Durante o julgamento, Dilma negou os crimes em discurso no Senado. “Não pratiquei ato ilícito. Está provado que não agi dolosamente em nada. Os atos praticados estavam inteiramente voltados aos interesses da sociedade, nenhuma lesão trouxeram ao erário ou ao patrimônio público”, declarou.

Responsável por comandar o processo de impeachment, de acordo com a legislação, Lewandowski também presidiu a sessão de julgamento no Senado e leu em plenário a sentença de destituição da presidente.

Pedaladas fiscais
Dilma Rousseff foi condenada com a perda do mandato pelos senadores por atrasar propositalmente repasses a bancos, como forma de maquiar as contas do governo, as chamadas “pedaladas fiscais”. O objetivo das manobras contábeis era criar um cenário artificial em que o governo gastava menos do que a arrecadação, o que não ocorria naquele momento. Conforme o TCU, a União não estava ressarcindo no prazo os bancos que pagavam os benefícios sociais, como o Bolsa Família, o que caracteriza uma operação de empréstimo. Somente no primeiro semestre de 2015, foram R$ 40 bilhões em repasses atrasados.

“Essa conduta fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, pois o artigo 36 da Lei 101/200 proíbe a concessão de empréstimo pelos bancos públicos à União. Além disso, o governo possuía despesas não honradas superiores aos valores arrecadados, e essas despesas não foram contabilizadas caracterizando, assim, uma ‘maquiagem’ nas contas públicas”, detalha a procuradora da República Thaméa Danelon.

No processo, também foi discutida a edição pela petista de três decretos para originar créditos suplementares sem autorização do Congresso Nacional. De acordo com o pedido protocolado pelos juristas, os decretos editados por Dilma entre 2014 e 2015 resultaram na abertura de R$ 18,4 bilhões em créditos suplementares.

Manifestações populares
As acusações de crime contra Dilma Rousseff receberam o apoio popular, o que se evidenciou pelas manifestações ganhando força em todo o país. Em março de 2016, cerca de 3,5 milhões de brasileiros foram às ruas contra o governo, indicando para analistas que os dias da petista na Presidência estavam contados.

“O fato é que o governo, hoje, provavelmente já perdeu sua maioria, está em uma espiral descendente. É uma questão de tempo”, analisou o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), para a Gazeta do Povo na época.

Leniência na Petrobras
Os juristas que protocolaram o pedido de impeachment argumentaram ainda que Dilma agiu como se não soubesse das irregularidades na Petrobras. Em 2014, durante o pleito eleitoral, ela negou os desvios ocorridos na estatal, embora tenha atuado como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, como ministra-chefe da Casa Civil e ministra de Minas e Energia do Brasil antes de ser presidente do país. Dilma também manteve Graça Foster na presidência da estatal de fevereiro de 2012 a fevereiro de 2015. “Foi sob a gestão de Graça que parte do ‘saque’ à Petrobras foi realizado”, recorda o jurista Ives Gandra da Silva Martins.

Ele acentua que a legislação brasileira não restringe a improbidade administrativa a casos de enriquecimento ilícito. “A Lei 1.079/50, modificada pela Lei 10.028, declara, em seu artigo 9.º, inciso III, ser crime de responsabilidade do agente público não tornar efetiva a responsabilidade de seus subordinados em face de delitos funcionais ou atos contrários à Constituição”, lembra. “Dilma demonstrou, pelo menos, se não conivência, uma fantástica incapacidade gestora e uma inacreditável omissão, a que se acrescem negligência, imperícia e imprudência em permitir que tudo isso ocorresse, além do fato de não ter tornado efetiva a responsabilidade desses subordinados pelos atos lesivos que praticaram”, analisa o jurista.


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