segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

ATIVISMO JUDICIAL DO STF

 

Judiciário
O que esperar do STF daqui para frente
Por
Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Brasília

Estátua A Justiça, de Alfredo Ceschiatti, praça dos três poderes, Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)


Por causa do foro privilegiado, deputados federais, senadores, presidente e vice-presidente da República e ministros de Estado são julgados pelo Supremo Tribunal Federal.| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

No fim do ano passado, em participação no Fórum Esfera Brasil, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso classificou a ideia do crescimento do ativismo judicial no Brasil como “uma lenda”. “As pessoas dizem que é ativismo judicial as decisões de que não gostam”, afirmou.

A fala sinaliza que a tendência à politização do Supremo, apontada por juristas renomados e até mesmo por um ex-ministro da corte, não deve virar matéria de autocrítica dos magistrados nos próximos tempos. A relutância em reconhecer falhas e a crescente falta de pudor em abrir exceções à ordem legal indicam que o ativismo judicial continuará guiando as decisões do tribunal. E, nos últimos meses, houve movimentos sutis que podem facilitar a captura ideológica da corte para esse ativismo.

Em junho de 2022, o STF barrou os votos de ministros mais novos em julgamentos virtuais iniciados com votos de antecessores, o que exclui a participação de André Mendonça e Kassio Nunes Marques em alguns processos.

No dia 26 de dezembro de 2022, o Supremo alterou a regra do prazo para devolução dos pedidos de vista, que agora não poderá ultrapassar os 90 dias. Isso impede, por exemplo, que um ministro como Mendonça interrompa por mais do que três meses um julgamento que os outros magistrados queiram acelerar. Em abril de 2022, o juiz indicado por Jair Bolsonaro (PL) pediu vista em um julgamento relacionado à fiscalização na Amazônia, o que irritou ambientalistas.

Em entrevista à Gazeta do Povo publicada nesta sexta-feira (20), a deputada estadual Janaina Paschoal (PRTB-SP) falou sobre o provável efeito da limitação do tempo de vista no julgamento sobre o aborto. “Haverá um acelerar dos trâmites desses feitos polêmicos. Não digo já, mas não deve demorar. Esta semana foi bem preocupante para esse tema. A velocidade está acelerada”, disse.

Onda do ativismo judicial vem de 2011, mas se reforçou em 2019 e deve continuar crescendo
Nos últimos anos, não faltaram exemplos de politização do Judiciário e invasão da competência de outros poderes. No inquérito das fake news, aberto em março de 2019, o STF virou simultaneamente vítima, acusador e julgador em um mesmo caso, além de ter tomado para si a função de investigação, que cabe ao Ministério Público. Na pandemia, o Supremo atropelou o Executivo e o Legislativo, tomando decisões que só cabem a representantes eleitos pelo povo.

Juristas consultados pela Gazeta do Povo creem que o ativismo judicial se fortalecerá nos próximos anos. Para eles, trata-se de uma tendência da classe jurídica brasileira que tem a ver com o atual Supremo, mas vai muito além dele.

“O ativismo judicial não nasce como uma resposta ao governo Bolsonaro. Já vem de antes. Por exemplo, em 2011, houve a decisão que equiparou a união civil entre homossexuais com a união estável. Não é algo novo, e não é algo que se encerra por aqui”, diz Tadeu Nóbrega, mestre em Direito Constitucional.

Para os especialistas, há duas tendências que devem se agravar no Judiciário brasileiro nos próximos anos: a atuação do Supremo como revisor do Congresso e o aumento do ativismo em cortes inferiores.

Embate com o Legislativo deve se intensificar
Com o crescimento da direita no Congresso, o embate do Judiciário com o Legislativo deve se intensificar nos próximos anos. A decisão recente do ministro Gilmar Mendes de excluir da regra do teto de gastos os recursos públicos necessários para o pagamento de programas sociais de renda mínima é um indicativo disso.

O STF poderia atuar, nos próximos anos, como um contraponto do Congresso de viés mais conservador. Nesse ponto, os partidos esquerdistas abririam a porta para o ativismo judicial protocolando ações no Supremo.

Na decisão sobre o teto de gastos, por exemplo, Mendes atendeu a um pedido feito pelo partido Rede Sustentabilidade. Na ação, a legenda argumentou que o Auxílio Brasil representaria o “mínimo existencial” que é garantido pela Constituição Federal aos brasileiros.

Com a grande quantidade de parlamentares conservadores, algumas bandeiras da esquerda como legalização do aborto, promoção da ideologia de gênero, controle da expressão nos meios digitais, desencarceramento em massa, descriminalização das drogas e proibição do homeschooling poderão sofrer forte oposição no Congresso. O Judiciário poderia ser o atalho por meio do qual a esquerda buscaria avançar essa pautas sem a necessidade de ganhar votações no parlamento.

Esse desvio é o contrário do que prevê a Constituição. A função de estabelecer leis é do Legislativo, formado por pessoas eleitas pelo povo para esse fim – não dos tribunais. Com o ativismo judicial, até mesmo partidos nanicos, sem votação expressiva – como é o caso do Rede –, podem burlar o caminho democrático e conquistar mudanças na aplicação da lei.

Tendência de ativismo do Supremo deve aumentar também em cortes inferiores
Nos próximos anos, também deve se intensificar o ativismo judicial em cortes inferiores, preveem os juristas.

Nóbrega diz que “já se visualiza um aumento do ativismo judicial, principalmente quando está em consonância com o entendimento da ideologia predominante em alguns tribunais”. “O sistema jurídico brasileiro tem se verticalizado. Alguns magistrados ficam atados a precedentes judiciais dos tribunais superiores”, diz, citando como exemplo casos relacionados à pandemia da Covid-19, em que tribunais de primeira instância seguiram o exemplo do STF em julgamentos.

O juiz federal Eduardo José da Fonseca Costa, doutor em Direito pela PUC-SP e professor de Mestrado e Doutorado da Universidade de Ribeirão Preto, considera que os tribunais inferiores não necessariamente copiam os superiores, mas se inspiram em autores semelhantes. A doutrina do jurista alemão Robert Alexy, por exemplo, “que trata princípios como normas e direitos fundamentais como princípios”, tem muita força entre os juristas.

Segundo Costa, esse tipo de visão faz com que os magistrados invoquem princípios para “superar regras legais expressas que lhes sejam totalmente indesejadas”, “modificar regras legais expressas que lhes sejam parcialmente indesejadas”, “criar regras que lhes sejam desejadas, não raro já rejeitadas em processo legislativo regular” e “interferir em políticas públicas que se mostrem inexistentes, insuficientes ou ineficientes”. “Ou seja, permite-lhes usurpar funções legislativas e administrativo-governamentais, desprestigiando a separação de poderes”, comenta. Para ele, tudo indica que o ativismo judicial persistirá por muito tempo, já que esse tipo de pensamento se alastrou pelo universo acadêmico.

“O pensamento jusmoralista – que dilui a razão jurídica na razão moral e que, por isso, propicia o ativismo judicial – é hegemônico em todas as faculdades de direito e, consequentemente, em todas as instâncias judiciárias. É um estado generalizado de coisas”, afirma Costa.

Para ele, o STF não é o maior responsável por essa tendência, mas apenas “levou esse tipo de pensamento às últimas consequências” e deu o tom para as instâncias inferiores, “abrindo espaço para um ‘governo de juízes’, que na realidade nunca se circunscreveu ao STF”. A solução para o problema, de acordo com Costa, “é lenta e intergeracional”.

No plano das ideias, ele considera que é necessário “erradicar a ideia de que princípio é norma, devolvendo o protagonismo às regras legais expressas”, “erradicar a ideia de que direitos fundamentais são princípios ponderáveis entre si”, “reforçar teorias que zelem pela autonomia do direito, impedindo que ele seja capturado pela moral, pela política, pela economia ou por qualquer outro subsistema social”.

Do ponto de vista institucional, segundo Costa, é preciso “nomear sistematicamente, para os tribunais superiores, ministros que respeitem a autonomia do direito”, “repensar os critérios de nomeação”, “repensar a forma de composição desses tribunais”, “instituir remédios para que o Congresso Nacional possa preservar as suas competências típicas e as suas prerrogativas” e “enxugar consideravelmente a competência penal originária do STF a fim de que os parlamentares não se sintam intimidados a combater o ativismo judicial”.


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NOTÍCIAS DIVERSAS

 

Reserva
Não deve ser usado como propaganda política

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


Neste sábado (21), Lula e nove ministros estiveram em Boa Vista, capital de Roraima, para verificar condições sanitárias de indígenas Yanomami| Foto: Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto

O presidente Lula (PT) já está na Argentina. Ele se encontrou no domingo com o presidente Alberto Fernandéz e logo vai ter reuniões com empresários. Nesta segunda terá reunião da cúpula de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac) – são 32 países se não me engano.

Ele se encontrará com o chefe de Cuba e o Maduro, da Venezuela, depois de ter demitido o comandante do Exército em Brasília. E na volta, quarta-feira (25), ele ainda passa por Montevidéu para um encontro com o presidente Lacalle Pou, e depois volta para o Brasil. Está fazendo uma política de boa-vizinhança.

A demissão do comandante do Exército
Agora, essa demissão do comandante do Exército foi muito sentida. Muito. Porque na sexta-feira (20) estava tudo bem numa reunião no Palácio do Planalto, e de repente no sábado (21) ele troca o comandante do Exército. Dizem – eu nem acredito porque seria coisa de picuinha – que foi por causa de um tenente-coronel que foi merecidamente e normalmente, segundo todo o regulamento, escolhido comandante de um batalhão em Goiânia: o tenente-coronel Mauro Cid, que era ajudante de ordens de Bolsonaro. Talvez a palavra Bolsonaro tenha causado urticária em Lula. Pode ser isso, mas eu não acredito. Aí é demais, é muita picuinha.

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Nomeações de caráter político para cargos importantes
Aliás, eu estou vendo que lideranças de Brasília, como por exemplo Geraldo Magela, liderança do PT, que já foi dirigente de banco estatal, já tinha se anunciado vice-presidente da Caixa. O PT vetou por causa de briga interna. A nova presidente da Caixa, é claro, não vai nomear nenhum vice-presidente – será tudo nomeação política, como acontece nos ministérios.

Todas as nomeações dizem respeito a partidos que devem ou não apoiar o governo no Congresso Nacional. Aliás, uma grande decisão que sai daqui a poucos dias é a eleição do presidente do Senado, que também é presidente do Congresso e que detém o poder sobre a agenda, sobre por ou não em votação requerimentos de impeachment de ministros do Supremo. Isso está muito em jogo agora.

Helicóptero não foi doado ao Rio por Lula
A revista Veja anunciou que o Lula deu um helicóptero para o governador do Rio de Janeiro, o governador Claudio Castro (PL), que era ou é apoiador do Bolsonaro. Só que não: quem comprou o helicóptero foi o governo anterior durante a intervenção na segurança pública. Comprou três: dois foram para a Polícia Civil e um para os Bombeiros. É esse helicóptero que agora a revista diz que foi doado – o helicóptero foi comprado em 2018, só para a gente esclarecer.

O caso de subnutrição dos Yanomami

A outra interrogação é sobre a subnutrição na reserva Yanomami. Dizem que 99 crianças já morreram principalmente por subnutrição. A reserva, no Brasil, tem o tamanho do estado de Pernambuco, que alimenta 9 milhões de pernambucanos. A reserva, no Brasil, de Yanomamis, tem 20 mil índios. Será que não tem peixe, não tem frutas, não tem terra para plantar? Não tem porco, cabra, vaca? Alguém precisa me explicar por que o governo tem que mandar helicóptero da Força Aérea levando comida. O que está havendo?

Agora, se há uma crise sanitária, de malária, dengue, doenças – parece que crianças também morreram por diarreia, por falta de atendimento… Também os ambientalistas dizem que os índios têm remédios para tudo, mas também não tem. É só um esclarecimento que tem que ser prestado. É igual na medicina chinesa: quando o líder político chinês precisa de uma cirurgia, embarca para Paris. Então tem essas lendas e tem a realidade. E agora parece que está se mostrando a realidade.

É preciso, sim, agir. Mas não apenas com propaganda política. Mas com realidade. O que que está havendo lá? O que há, afinal? A reserva Yanomami, se pegar a Venezuela também, é igual à soma de Pernambuco com Santa Catarina. Ou seja, um lugar onde vivem mais de 15 milhões de pessoas. E nessa reserva vivem 35 mil, ou seja, área suficiente para a sobrevivência.


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SÉRIES DE FILMES COMO INSPIRAÇÃO PARA O EMPREENDEDORISMO

 

3 séries sobre marketing para se inspirar e empreender em 2023

Natália Peixoto

Para impulsionar a criatividade e distrair a mente, especialista em marketing de performance lista séries que vão inspirar os negócios neste ano

Além de entreter, as séries de TV podem ensinar lições valiosas sobre diversos assuntos, para que os telespectadores coloquem em prática em suas vidas profissionais e pessoais. O Brasil está em quinto lugar no ranking de países que mais empreendem no mundo, mostrando que pequenos negócios desempenham papel importante para a economia nacional. Os dados são da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP), e avalia a Taxa de Empreendedorismo Total (TTE) de 47 nações.

Para Fernanda Hermanny, CEO da Afilio, empresa de marketing de performance que conecta anunciantes a uma rede própria com mais de cem mil afiliados, os números são consequência da vontade que o brasileiro tem de crescer e conseguir melhores oportunidades de trabalho. “O empreendedorismo sempre nasce de uma boa ideia que, muitas vezes, precisa ser lapidada até o produto final. Algumas pessoas podem pensar que as melhores lições e aprendizados para a vida corporativa estão no LinkedIn, mas elas podem estar na televisão, como em séries e filmes inspiradores”, analisa a executiva.

Como as inspirações para uma mente empreendedora vêm de lugares distintos, Fernanda separou 3 séries sobre marketing para inspirar novos e antigos empreendedores em 2023:

1. Mad Men (HBO Max e GloboPlay)

Ambientada na década de 1960, em que muitas leis e tendências eram diferentes das atuais, como a então liberação das propagandas de cigarros, a série se passa em Nova Iorque e tem como personagem principal Don Draper (Jon Hamm), um dos maiores nomes da cena publicitária da cidade. Entre campanhas comerciais, ideias geniais e desentendimentos na empresa, a trama envolve a vida particular e profissional dos funcionários da agência Sterling Cooper, que lidam com problemas pessoais ao mesmo tempo que precisam captar mais clientes.

2. Emily em Paris (Netflix)

Original da Netflix, a série acompanha a vida de uma jovem executiva de marketing, Emily Cooper (Lily Collins), que se muda de Chicago para Paris devido a uma proposta de trabalho inusitada. Ao longo de três temporadas, a personagem principal enfrenta desafios na carreira e na vida pessoal, e está sempre em busca do equilíbrio entre estes dois pontos. Emily em Paris ensina também que muitas ideias ou soluções para nossos problemas podem estar diante de nós e podemos encontrá-las no dia a dia.

3. Silicon Valley (HBO Max)

Com seis temporadas completas disponíveis no HBO Max, Silicon Valley é ambientada no Vale do Silício, região da Califórnia fértil em inovações tecnológicas e científicas. Ela mostra um grupo de desenvolvedores que criam um programa para impressionar um bilionário do ramo tecnológico, mas, para isso, eles terão que usar estratégias de persuasão que estejam ao nível do executivo excêntrico.

STARTUP VALEON UMA HOMENAGEM AO VALE DO AÇO

Moysés Peruhype Carlech

Por que as grandes empresas querem se aproximar de startups? Se pensarmos bem, é muito estranho pensar que um conglomerado multibilionário poderia ganhar algo ao se associar de alguma forma a pequenos empresários que ganham basicamente nada e tem um produto recém lançado no mercado. Existe algo a ser aprendido ali? Algum valor a ser capturado? Os executivos destas empresas definitivamente acreditam que sim.

Os ciclos de desenvolvimento de produto são longos, com taxas de sucesso bastante questionáveis e ações de marketing que geram cada vez menos retorno. Ao mesmo tempo vemos diariamente na mídia casos de jovens empresas inovando, quebrando paradigmas e criando novos mercados. Empresas que há poucos anos não existiam e hoje criam verdadeiras revoluções nos mercados onde entram. Casos como o Uber, Facebook, AirBnb e tantos outros não param de surgir.

E as grandes empresas começam a questionar.

O que estamos fazendo de errado?

Por que não conseguimos inovar no mesmo ritmo que uma startup?

Qual a solução para resolver este problema?

A partir deste terceiro questionamento, surgem as primeiras ideias de aproximação com o mundo empreendedor. “Precisamos entender melhor como funciona este mundo e como nos inserimos!” E daí surgem os onipresentes e envio de funcionários para fazer tour no Vale e a rodada de reuniões com os agentes do ecossistema. Durante esta fase, geralmente é feito um relatório para os executivos, ou pelas equipes de inovação ou por uma empresa (cara) de consultoria, que entrega as seguintes conclusões:

* O mundo está mudando. O ritmo da inovação é acelerado.

* Estes caras (startups) trabalham de um jeito diferente, portanto colhem resultados diferentes.

* Precisamos entender estas novas metodologias, para aplicar dentro de casa;

* É fundamental nos aproximarmos das startups, ou vamos morrer na praia.

* Somos lentos e burocráticos, e isso impede que a inovação aconteça da forma que queremos.

O plano de ação desenhado geralmente passa por alguma ação conduzida pela área de marketing ou de inovação, envolvendo projetos de aproximação com o mundo das startups.

Olhando sob a ótica da startup, uma grande empresa pode ser aquela bala de prata que estávamos esperando para conseguir ganhar tração. Com milhares de clientes e uma máquina de distribuição, se atingirmos apenas um percentual pequeno já conseguimos chegar a outro patamar. Mas o projeto não acontece desta forma. Ele demora. São milhares de reuniões, sem conseguirmos fechar contrato ou sequer começar um piloto.

Embora as grandes empresas tenham a ilusão que serão mais inovadoras se conviverem mais com startups, o que acaba acontecendo é o oposto. Existe uma expectativa de que o pozinho “pirlimpimpim” da startup vá respingar na empresa e ela se tornará mais ágil, enxuta, tomará mais riscos.

Muitas vezes não se sabe o que fazer com as startups, uma vez se aproximando delas. Devemos colocar dinheiro? Assinar um contrato de exclusividade? Contratar a empresa? A maioria dos acordos acaba virando uma “parceria”, que demora para sair e tem resultados frustrantes. Esta falta de uma “estratégia de casamento” é uma coisa muito comum.

As empresas querem controle. Não estão acostumadas a deixar a startup ter liberdade para determinar o seu próprio rumo. E é um paradoxo, pois se as empresas soubessem o que deveria ser feito elas estariam fazendo e não gastando tempo tentando encontrar startups.

As empresas acham que sabem o que precisam. Para mim, o maior teste é quando uma empresa olha para uma startup e pensa: “nossa, é exatamente o que precisamos para o projeto X ou Y”.

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domingo, 22 de janeiro de 2023

DESCONTENTAMENTO NA CASERNA DO EXÉRCITO

 

Interferência civil

Troca de comando desperta temor de “venezuelização” do Exército

| Foto: André Borges/EFE

Os militares da ativa decidiram não intervir nas instituições da República após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A cúpula das Forças Armadas segurou o ímpeto de oficiais, principalmente da reserva, que equivocadamente queriam uma intervenção militar baseada no artigo 147 da Constituição. Mas isso não foi reconhecido pelo governo Lula. A substituição do recém-nomeado comandante do Exército, Júlio César de Arruda, tornou muito difícil conter os ânimos e lidar com o descontentamento na caserna.

Os militares temem um possível processo de interferência política nas Forças Armadas, semelhante ao processo que ocorreu na Venezuela. Lá, o chavismo escolheu oficiais para a cúpula das Forças Armadas em troca de apoio armado à perpetuação indefinida do regime no poder. Esse não é o caso do substituto de Arruda, mas a troca precoce do comandante do Exército abriu a porta para temores sobre o futuro das Forças Armadas sob Lula.

A queda do comandante do Exército foi interpretada por militares como o resultado de uma guerra de narrativas. Enquanto os comandantes militares vinham assegurando a Lula que não há politização (pró-Jair Bolsonaro) na caserna, assessores do presidente criaram a imagem distorcida de que as Forças Armadas seriam uma ameaça para o governo.

Lula substituiu Arruda devido a uma suposta crise de confiança após os acampamentos e os atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro.

O ministro da Defesa José Múcio Monteiro afirmou que houve uma “fratura num nível de confiança” para justificar a exoneração. Múcio, que vem sofrendo críticas de alas mais radicais do PT, disse que a substituição foi um investimento para aproximar as Forças Armadas do presidente Lula.

Mas o efeito parece ter sido inverso. A tropa foi informada da demissão de seu comandante no início da tarde de sábado por um boletim jornalístico na TV (o que é considerado no mínimo deselegante). Arruda estava no cargo há menos de um mês. A tentativa do presidente de mostrar autoridade pegou muito mal e colocou em risco o processo de pacificação dos ânimos nos quartéis.

Assim como uma grande parcela da população, individualmente, muitos militares estão indignados com a lamentável normalização da candidatura de Lula, com os inquéritos ilegais e abusivos do Supremo Tribunal Federal e com a omissão do Congresso.

Institucionalmente, porém, as Forças Armadas nunca deixaram de agir como órgãos de Estado e reprovaram os atos de vandalismo praticados no dia 8 de janeiro.

Mesmo as motivações mais nobres não podem servir de justificativa para vandalismo ou interrupção do funcionamento das instituições.

Narrativa contra Arruda

Na semana passada, “aliados do Planalto” teriam dito a Lula que o general Arruda teria sido conivente com manifestantes que participavam de um acampamento em frente ao quartel general do Exército em Brasília, segundo o colunista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles.

Esses assessores afirmaram que Arruda teria dado ordens para que suas tropas impedissem a polícia do Distrito Federal de prender manifestantes no acampamento após os atos de vandalismo do dia 8.

Mas essa era uma versão distorcida dos fatos. Militares disseram sob anonimato à coluna Jogos de Guerra que o Exército impediu que as prisões fossem realizadas no período noturno especificamente. O objetivo era evitar um confronto violento entre policiais e manifestantes. Havia mulheres e crianças no grupo. Pesou ainda na decisão o fato de que o comportamento de uma multidão é sempre imprevisível.

A operação policial aconteceu em uma área militar, a Praça dos Cristais. Por isso, o Exército tinha não só jurisdição, mas o dever de garantir a integridade física de todos os envolvidos. As detenções acabaram ocorrendo pela manhã do dia 9 de janeiro, pacificamente e com a colaboração do Exército.

Após os atos de vandalismo, a ordem do STF para o desmonte do acampamento em Brasília foi perfeitamente compreensível, correta e necessária. Mas a classificação dos manifestantes como “terroristas” não corresponde à realidade e só colabora para justificar uma repressão mais ampla contra qualquer um que manifeste seu desagrado com Lula ou com o Supremo.

Além disso, a “criminalização no atacado” feita pelo STF não se sustenta tecnicamente e foge ao bom senso.

Os rumores criados pelos assessores de Lula pareciam ter se dissipado. Na sexta-feira (20), um dia antes da demissão, o presidente se reuniu com Múcio, Arruda e com os comandantes da Marinha e da Aeronáutica. Após a reunião, Múcio disse em entrevista que não havia ligação entre o vandalismo e as Forças Armadas.

Lula havia dito dias depois dos eventos da Praça dos Três Poderes que suspeitava que policiais e militares haviam aberto as portas do Palácio do Planalto para a entrada dos manifestantes. Uma das hipóteses para a demissão de Arruda é que Lula não teria ficado satisfeito com as medidas do Exército em relação às suas suspeitas pessoais. Outra hipótese seria uma suposta recusa de Arruda de demitir um militar a pedido do PT.

Polêmica com oficiais da reserva

O general escolhido para substituir Arruda foi o então comandante militar do sudeste, Tomás Miguel Ribeiro Paiva. Ele participou da missão de paz da ONU no Haiti e das operações de Garantia da Lei e da Ordem nas favelas do Alemão e da Penha no Rio de Janeiro. É um militar de reputação inquestionável e dias atrás defendeu o respeito ao resultado das eleições.

O Presidente da República tem a prerrogativa de escolher o comandante do Exército. Lula havia escolhido Arruda seguindo a tradição da instituição, pela qual o oficial mais antigo deve ser o escolhido para o comando.

A escolha do general Tomás também está de acordo com o critério de antiguidade, que é muito prezado pelos militares.

Contudo, a escolha é considerada polêmica entre parte dos oficiais da reserva do Exército que estão descontentes com o fato de a instituição não ter acatado o pedido de manifestantes pela intervenção militar na política após a eleição de Lula. Parte deles lançou uma equivocada campanha de difamação contra diversos oficiais na esperança de incentivar uma intervenção.

Sem se identificar ou apresentar provas, eles afirmaram que Tomás seria partidário de Lula e por isso contrário a uma intervenção militar. Mas não há evidências de partidarismo no Alto Comando do Exército.

O suposto fator de ligação apontado pelos oficiais da reserva entre o general e o presidente seria a amizade de Tomás com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele cuidou da segurança da mulher do ex-presidente na década de 1990. Porém, nenhuma ligação direta entre Tomás e Lula ou o PT foi apresentada.

O que significa trilhar o caminho da Venezuela?

Militares ouvidos por Jogos de Guerra sob anonimato elencaram pontos que podem significar a interferência política do Partido dos Trabalhadores na estrutura das Forças Armadas.

Os principais fatores de interferência seriam: a intervenção política na promoção de oficiais graduados, a interferência nas missões constitucionais das Forças Armadas e a reestruturação das escolas militares para promover o revisionismo histórico.

Promoções

As escolhas dos militares que ocupam os postos mais altos da hierarquia do Exército, da Marinha e da Aeronáutica é feita hoje através de processos internos das três forças, baseados em critérios de antiguidade e meritocracia.

A princípio, o que o Executivo pode fazer é exatamente o que ocorreu no sábado com Arruda. A lógica da manobra havia sido descrita antes da demissão do general pelo professor Francisco Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro em entrevista ao jornal “Valor”.

“Militar é funcionário público que cumpre ordens, não representa nada, ninguém. Isso tem que ser estabelecido. E é fácil: é só mandar para a reserva e nomear generais mais jovens. A ideia de ‘poder militar’ é a fonte de todos os enganos”, disse Teixeira na entrevista.

Em 2021, Jair Bolsonaro trocou seu Ministro da Defesa e os três comandantes das Forças Armadas por falta de alinhamento com o governo. Mas ele acatou as indicações do Exército, da Marinha e da Aeronáutica ao escolher os substitutos.

O ex-presidente do PT, José Genoino, afirmou na sexta-feira (20) em uma entrevista ao canal DCM esperar que o governo Lula promova o que chamou de “aparelhamento democrático” por meio de reformas como a criação de uma nova Política Nacional de Defesa. Nela, por exemplo, a escolha dos comandantes seria feita não pelo critério de antiguidade, mas por sim pelo fato de o oficial aceitar a autoridade do presidente e da Constituição.

“Nos temos a chance de fazer as reformulações democráticas sobre o papel das Forças Armadas, da relação com o poder civil, produto da soberania popular. Mudar essa estrutura, como o Lula definiu, desse poder moderador, como eles [militares] acham que representam desde o período do Império até agora”, disse Genoino.

O receio na caserna agora é que o Partido dos Trabalhadores tente exercer influência sobre as Forças Armadas para favorecer a promoção de oficiais específicos – não necessariamente para o comando, mas para a cúpula das instituições, usando critérios políticos. Há ainda a possibilidade de surgimento de pressão política para enviar determinados militares para a reserva.

Tanto a destituição de um comandante quando eventuais pressões relacionadas a promoções podem ser encaradas como ataques à coesão das Forças Armadas.

Missão

José Genoino afirmou no passado ao canal Opera Mundi que gostaria de retirar das Forças Armadas a atribuição constitucional de atuar em crises relacionadas à segurança pública.

Isso ocorre hoje por meio das chamadas GLO (Operações de Garantia da Lei e da Ordem), previstas na Constituição e empregadas mais de 150 vezes desde 1988. A ideia dele é criar uma espécie de Guarda Nacional, supostamente em moldes diferentes da atual Força Nacional.

Os militares se dividem em relação às missões de GLO. Muitos as enxergam como uma fonte de problemas jurídicos. O ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, defendeu em 2017 a aprovação de uma série de leis para proteger os militares de processos judiciais por mortes de civis em operações de segurança pública.

Há, porém, aqueles que dizem achar que a sociedade não pode ser privada de uma GLO em um cenário de calamidade só porque o governo não quer dar prestígio às Forças Armadas.

Os militares também questionam a viabilidade da criação de uma Guarda Nacional a partir de uma “canetada”. Isso porque se leva muitos anos para formar quadros para uma força dessa natureza.

A eventual participação brasileira em missões de paz da ONU, como a do Haiti (2004-13), também pode sofrer influência de atritos entre governo e Forças Armadas, segundo militares ouvidos pela coluna. Na opinião deles, assessores de Lula veriam esse tipo de missão como uma forma de prestigiar os militares que deveria ser evitada.

“O Brasil tem que se afastar dessas operações chamadas ‘humanitárias’. Primeiro porque elas funcionam como um laboratório de um conhecimento em garantia da lei e da ordem, que era lá, o Haiti era garantia da lei e da ordem, não tinha sentido. Segundo, porque você possibilita ao Brasil um intercâmbio com a inteligência americana (…) Repetir a operação do Haiti será um grande equívoco”, disse Genoino.

Educação e revisionismo histórico

Uma das bandeiras de teóricos e apoiadores de Lula que causam preocupação às Forças Armadas é a ideia de que as escolas de formação militar passem a ser comandadas por civis.

Essa visão da esquerda foi explicada pelo professor da Universidade Federal de São Carlos João Roberto Martins Filho em entrevista ao jornal “Valor” no último dia 18. Segundo ele, existe a possibilidade de se adotar modelos de gestão civil de escolas militares, como ocorre na Espanha ou na França. Porém, ele disse que esse é um objetivo que “ainda estamos longe de conseguir”.

As escolas militares são consideradas hoje um dos principais fatores de coesão das Forças Armadas. Elas fazem com que os oficiais que um dia chegarão aos postos mais altos da hierarquia militar convivam com seus pares desde os bancos escolares, recebendo uma educação unificada e completa.

Militares da ativa dizem que seria muito prejudicial às Forças Armadas se os currículos dessas escolas fossem modificados. Eles temem, por exemplo, um revisionismo histórico que tente reinterpretar para os jovens cadetes episódios históricos do país.

A preocupação está focada principalmente nos eventos históricos nos quais os militares intervieram ou tentaram intervir em crises políticas profundas do Brasil. A esquerda costuma associar tais eventos com o que repudia como “tutela militar” da política.

Alguns exemplos desses episódios vêm do período imperial, nas campanhas lideradas pelo marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, na Balaiada (1838-1841), nas Revoltas Liberais de 1842 e na Revolução Farroupilha (1835-1841). Elas garantiram a integridade territorial do Brasil.

A própria República foi instaurada em 1889 por um movimento em parte militar, que instituiu o marechal Deodoro da Fonseca como primeiro presidente do Brasil.

Há ainda as convulsões do século 20, como as revoluções de 1922, 1924, a Intentona Comunista de 35 e, principalmente, o episódio que os militares e parte da população chamam de Revolução de 64 e que outra parcela da sociedade, composta por diversos espectros políticos, chama de Golpe de 64.

Despolitização do Exército?

A substituição precoce do comandante do Exército somada aos posicionamentos de Lula em relação às Forças Armadas nos primeiros dias de mandato soam para os militares como um discurso de despolitizar uma instituição que não tem politização nenhuma. Eles avaliam que o presidente está dando ouvidos a perigosas sugestões de assessores que, na melhor das hipóteses, pouco entendem de Forças Armadas.

Até agora, o Exército tem fornecido repetidas provas de que a espada de Caxias não tem partido e que a instituição tem capacidade de manter sua estabilidade e defender a legalidade, a democracia, as liberdades e a pátria.

Mas, depois do que ocorreu neste sábado, o que os comandantes dirão para apaziguar a indignação de suas tropas?

LULA ATACA O SETOR PRODUTIVO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, se reúnem para apresentação do decreto legislativo (PDL 1/2023) – votado pela Câmara e o Senado – que aprovou a intervenção federal na área de segurança pública do DF até 31 de janeiro ano


| Foto: José Cruzr/Agência Brasil

É difícil perder velhos hábitos. Uma vez partidário da falácia esquerdista da divisão de classes entre proletários e burgueses, uma das primeiras lições das escolas de pensamento marxista, o asco com o setor produtivo se manifesta sempre que pode. É o que acontece com Lula quando que não está sendo orientado ou acompanhado de seus assessores e acaba por soltar a língua contra quem produz, como quando acusou o agronegócio de ser “fascista e direitista”, afirmação que depois tentou remendar sob a justificativa de que não se tratava de uma generalização: só uma parte dos produtores rurais seriam, de fato, fascistas e por isso “não gostavam dele”.

Desta vez, o alvo foram os empresários, a quem Lula acusou de não trabalharem: “Empresário não ganha muito dinheiro porque ele trabalhou. Ele ganha muito dinheiro porque os trabalhadores dele trabalharam”, disse em entrevista à GloboNews. Na mesma entrevista, o presidente colocou a responsabilidade fiscal como um entrave aos programas sociais. “Elas (a responsabilidade social e a responsabilidade fiscal) são antagônicas por causa da ganância, sabe, das pessoas mais ricas”, disparou. E prometeu uma reforma tributária “para que as pessoas mais ricas, que vivem de dividendos, para pessoas que ganham mais dinheiro paguem mais Imposto de Renda. E quem ganhe menos pague menos”, praticamente repetindo o que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia dito na terça-feira (17) em Davos.

Lula parece ter esquecido que a campanha eleitoral acabou. Não é mais tempo de promessas vagas e frases de efeito populistas.  

É assustador que um presidente, no início de seu terceiro mandado, ainda emita opinião tão equivocada a respeito da economia. Qualquer um que seja empresário ou que já tentou ser, sabe o quanto empreender é trabalhoso. É preciso enfrentar a alta carga imposta sobre os ombros de quem quer produzir, entraves burocráticos, falta de infraestrutura, legislação engessada, e outros tantos desafios. Empreender é um trabalho árduo, bem longe da fantasia lulista do empresário ganhando sem fazer nada.

A própria meta de aumentar o poder de compra da população – de fato sabe-se que a realidade salarial da boa parte dos brasileiros não dá conta do custeio de todas as despesas das famílias – para ser alcançada precisa envolver políticas sérias de fortalecimento do setor produtivo. É quem produz, o empresário do comércio, da indústria, do agronegócio, que oferece emprego e consequentemente possibilita que os trabalhadores obtenham seu sustento.

Mas em vez de anunciar propostas que possam facilitar o crescimento da economia, como uma real reforma tributária que simplifique o sistema de impostos pagos no país, a definição do chamado arcabouço fiscal em substituição ao teto de gastos, ou mesmo deixar claro qual será o papel do Estado na economia durante o governo, o que se têm visto são desencontros e desmentidos, discursos populistas, e um apego ao passado que não existe e não faz mais sentido.

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O que tem sido chamado de reforma tributária por Lula e seus ministros é a vaga proposta de aumentar a tributação “dos ricos”, para usar as palavras do presidente. A forma como isso se dará – uma simples correção nas tabelas de Imposto de Renda, a criação de imposto sobre fortunas ou mesmo grandes operações financeiras – ainda é uma incógnita. Já sobre o arcabouço fiscal, medida que só foi mencionada após a forte repercussão negativa do mercado e do Congresso ao fim do teto de gastos pregada por Lula, se tem ainda menos informações.

Sobre a reforma trabalhista, que se alterada ou revogada pode levar ao encarecimento das contratações e, em consequência, aumentar as demissões e índices de desemprego, ninguém sabe ao certo qual será o caminho adotado pelo presidente. Na quarta-feira (18), em um evento no Palácio do Planalto com sindicalistas, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que todos os pontos da reforma trabalhista serão “revistados” pelo governo. Estranhamente, na segunda-feira (16), em conversa com empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o ministro da Indústria e Comércio e vice-presidente, Geraldo Alckmin, garantiu que o governo Lula não cogita revogar a reforma trabalhista. “Foi feita a reforma trabalhista. O presidente Lula tem colocado: não vai revogar nem trabalhista nem previdenciária”.

Com tantas indefinições, falas contraditórias, falta de projetos, e a insistência em tratar o setor produtivo como inimigo em vez de um aliado indispensável para o crescimento econômico do país, Lula parece ter esquecido que a campanha eleitoral acabou. Não é mais tempo de promessas vagas e frases de efeito populistas.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/asco-de-lula-com-o-setor-produtivo-empresarios/
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LULA EM RORAIMA E OUTROS

 


Dino determina abertura de inquérito para apurar suposto genocídio e crimes ambientais na região Yanomami
PorGazeta do Povo


De acordo com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), a Polícia Federal ficará responsável pela investigação para apurar as responsabilidades e punir os culpados.| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), vai determinar abertura de inquérito policial para apurar o suposto crime de genocídio e supostos crimes ambientais na região do povo Yanomami, em Roraima. O ministro está no estado com o presidente Lula (PT). Uma comitiva do governo federal viajou ao local para verificar a situação os indígenas.

De acordo com o Ministério da Justiça, a Polícia Federal ficará responsável pela investigação para apurar as responsabilidades e punir os culpados. “O presidente Lula determinou que as leis sejam cumpridas em todo o país. E vamos fazer isso em relação aos sofrimentos criminosos impostos aos Yanomami. Há fortes indícios de crime de genocídio, que será apurado pela PF”, afirmou Dino.

Segundo o Ministério dos Povos Indígenas, 99 crianças do povo Yanomami morreram devido ao avanço do garimpo ilegal na região. Os dados são referentes a 2022 e as vítimas foram crianças entre um a 4 anos. As causas da morte são, na maioria, por desnutrição, pneumonia e diarreia.

A pasta estima ainda que ao menos 570 crianças foram mortas pela contaminação por mercúrio, desnutrição e fome na  região. Além disso, em 2022 foram confirmados 11.530 casos de malária no Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, distribuídos entre 37 Polos Base. As faixas etárias mais afetadas estão entre os maiores de 50 anos, seguidas pela faixas de 18 a 49 anos e de 5 a 11 anos, afirma o governo.


Ameaça
Polícia Federal prende homem que ameaçou Lula em comentário nas redes sociais
PorGazeta do Povo

Uma comitiva do governo federal, com o presidente Lula (PT) e nove ministros do seu governo, viajou ao estado de Roraima na manhã de hoje para verificar a situação de indígenas Yanomami. | Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

A Polícia Federal prendeu em flagrante na noite de sexta-feira (20), em Boa Vista, capital de Roraima, um homem suspeito de incentivar o assassinato do presidente Lula (PT). Segundo a PF, o suspeito de 23 anos teria feito uma ameaça por meio de um comentário em uma rede social.

Ele teria dito que seria “a hora de colocar a bala na cabeça dele (Lula)” em uma publicação que anunciava a visita do presidente ao estado de Roraima neste sábado (21). A Polícia Federal não deu maiores detalhes do caso e nem em que momento se deu a prisão. A PF informou apenas que o suspeito foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.


Indígenas Yanomami
Após decretação de emergência sanitária em aldeias, comitiva do governo visita Roraima
PorGazeta do Povo

Neste sábado (21), Lula e nove ministros estiveram em Boa Vista, capital de Roraima, para verificar condições sanitárias de indígenas Yanomami | Foto: Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto

Uma comitiva do governo federal, com o presidente Lula (PT) e nove ministros do seu governo, deslocou-se ao estado de Roraima na manhã desde sábado (21) para verificar a situação de indígenas Yanomami. O governador do estado, Antonio Denarium (PP), acompanhou o grupo.

Nesta sexta-feira (20), o Ministério da Saúde decretou estado de emergência para combater a falta de assistência sanitária que atinge a etnia no estado. Segundo o governo, a crise sanitária resultou na morte de 570 crianças por desnutrição e questões sanitárias nos últimos anos.


Ainda Não Detido
PF identifica homem que vandalizou relógio raro no Palácio do Planalto
PorGazeta do Povo

Apesar de identificado, rapaz que quebrou relógio que data do século 17 ainda não foi detido e é procurado pela PF | Foto: Câmeras internas Palácio do Planalto

A Polícia Federal (PF) identificou, nesta sexta-feira (20), o homem responsável por quebrar o relógio Balthazar Martinot, que ficava dentro do Palácio do Planalto, durante o ataque aos prédios dos Três Poderes no dia 8 de janeiro. As informações são da CNN Brasil.

O autor do ato de vandalismo é morador da cidade de Catalão, no interior de Goiás. Na ação, o rapaz tenta, sem sucesso, destruir as câmeras de filmagem de dentro do Palácio do Planalto. Apesar de identificado, ele ainda não foi detido e é procurado pela PF.


Reunião De Alinhamento
Defesa se reúne com Lula para apresentar projetos estratégicos das Forças Armadas
PorGazeta do Povo

Reunião da Defesa com o presidente Lula nesta sexta-feira (20) | Foto: Ascom/MD

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, participou de uma reunião nesta sexta-feira com o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para apresentar os projetos estratégicos das Forças Armadas. Também estiveram presente o Vice-presidente Geraldo Alckmin, com o Ministro da Casa Civil, Rui Costa; e com empresários do setor, no Palácio do Planalto.

Na ocasião, os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica detalharam os projetos de cada Força. A Marinha tem como prioridades o Programa de Submarinos (PROSUB), o Programa Nuclear e o Programa Fragatas Classe Tamandaré. O Exército, por sua vez, destacou, entre outros, o Programa Estratégico Forças Blindadas, o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), além dos programas Defesa Antiaérea, Defesa Cibernética, de Aviação, e o Astros 2020 – que consiste num sistema de mísseis e foguetes de alta tecnologia.

STF
Moraes conclui análise de suspeitos e mantém 942 presos pelos atos de 8 de janeiro
PorGazeta do Povo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. | Foto: Carlos Moura/STF.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes concluiu nesta sexta-feira (20) a análise da situação dos presos por suposto envolvimento em atos de vandalismo de 8 de janeiro. A Corte informou que foram analisadas 1.459 atas de audiência relativas a 1.406 custodiados. No total, 942 pessoas tiveram a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva e 464 obtiveram liberdade provisória, mediante medidas cautelares.

“Desde as prisões nos dias 8 e 9 de janeiro, foram realizadas até o último dia 17, sob a coordenação da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 1.459 audiências de custódia, sendo 946 feitas por magistrados do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e 513 por juízes do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT)”, informou o STF.

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NICOLÁS MADURO PROCURADO PELOS EUA

 

Por
Leonardo Coutinho – Gazeta do Povo


Departamento de Justiça dos EUA oferece recompensa de US$ 15 milhões pelo ditador Maduro| Foto: Departamento de Justiça dos EUA

O cartaz que ilustra essa coluna é real. O ditador Nicolás Maduro é procurado pela Justiça dos Estados Unidos desde o ano de 2020. As autoridades americanas oferecem 15 milhões de dólares por informação que leve à sua prisão. Tudo indica que Maduro estará em Buenos Aires para o encontro da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) – a versão bolivariana da Organização dos Estados Americanos, fundada em 2010 sob os auspícios de Hugo Chávez, Raúl Castro, Cristina Kirchner, Evo Morales e, claro, Luiz Inácio Lula da Silva.

As autoridades argentinas prepararam um esquema de segurança especial para Maduro, que tem hospedagem prevista no país até o dia 23 de janeiro. A líder opositora Patricia Bullrich entrou com um pedido na Justiça argentina para que Maduro seja preso ao pisar em Buenos Aires. Segundo ela, o ditador – independentemente da ordem de captura emitida pelos Estados Unidos por crime de tráfico de cocaína (sim, Maduro é acusado de tráfico de cocaína) – deveria ser preso e julgado pelos crimes contra a humanidade que ele e seu regime cometem. Um movimento jurídico baseado em argumentos que já foram aplicados contra outros ditadores como o chileno Alberto Pinochet, mas que no caso de Maduro deverá ficar restrito ao âmbito meramente político.

Maduro é esperado em Buenos Aires como uma das estrelas do evento. Seu desembarque na capital argentina terá o mesmo significado apoteótico que seu criador e mentor Hugo Chávez imprimia em suas várias demonstrações de não-subordinação a qualquer regra. No caso em questão, Maduro mostrará ao mundo que a recompensa de 15 milhões de dólares oferecida pelos Estados Unidos só serve para enfatizar que ele e seus amigos estão pouco se lixando para Justiça. Mais especificamente a Justiça dos Estados Unidos reconhecida por ter sido (aqui o tempo verbal é importante) implacável com traficantes latino-americanos que despejam toneladas de drogas no território americano.

O desprezo de Maduro para com o seu povo, a região, as leis e a Justiça pode ser explicado pelas suas vitórias ao longo de quase uma década à frente de um regime reconhecidamente brutal. Maduro trincou os dentes e encarou seus opositores dentro e fora da Venezuela. Ele prendeu, torturou, matou. E daí? Ele não foi o primeiro e nem o único a sobreviver no poder com esse currículo de brutalidades.

Focando apenas em exemplos latino-americanos, antes dele vieram Fidel Castro e seus gerontocratas que até hoje estão no poder. Evo Morales, perseguiu, prendeu, matou e atualmente está engajado na promoção de uma guerra com o objetivo de dividir e roubar um pedaço do Peru (e se der certo, um naco do Chile também).

Em outubro passado, Maduro conseguiu algo inédito. Conseguiu que os Estados Unidos libertassem seus sobrinhos presos em flagrante por tráfico de drogas, em uma operação da DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos, em 2015. A operação foi tratada como “troca de prisioneiros”. A administração Biden celebrou que o regime chavista libertou sete cidadãos americanos que estavam presos na Venezuela. Mas não há como equiparar a situação de quem foi preso, julgado e condenado por um sistema judicial independente com quem foi praticamente sequestrado por uma ditadura, onde o Poder Judiciário funciona como linha auxiliar do regime.

O desembarque impune de Maduro na Celac vem acompanhado de outros dois movimentos relevantes. O primeiro é de escala regional. O presidente Lula, que é um dos pais da criatura, é outra estrela da edição atual da Celac. Sua participação marca o retorno do Brasil ao bloco. Em 2019, o então presidente Jair Bolsonaro virou as costas para a iniciativa.

O segundo evento relevante tem escala global. A possível vinda do presidente chinês Xi Jinping. Os argentinos esperam o desembarque do chinês, que viria dar a sua benção para o renascimento do bloco com o retorno de seu membro mais musculoso, que é o Brasil.

A presença de Xi na Argentina pode ser lida como um salto da Celac – que surgiu como alternativa à Organização dos Estados Americanos, como dito no início da coluna, mas também como força antagônica aos Estados Unidos e Canadá, que “mandam demais” na OEA. Xi, que lidera um avanço sem precedentes da China sobre a região – sobretudo na Argentina – dará seu aval e suporte ao bloco.

Os bolivarianos estão de volta e vieram com tudo. Os sinais de que a China os alimentará eram evidentes, mas muitos fazem questão de não enxergar.

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A LAVA JATO E A INVASÃO DE BRASÍLIA

 

Por
Deltan Dallagnol – Gazeta do Povo

Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto.


Manifestantes vandalizaram os prédios da Praça dos Três Poderes nos atos de oito de janeiro.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na narrativa bíblica, os pecados do povo judeu eram expiados por meio do sacrifício de um animal inocente, como uma ovelha ou um bode. O bode sacrificado era o bode expiatório, que carregava a culpa alheia. Há quem pretenda, hoje, fazer da Lava Jato o bode expiatório do 8 de janeiro.

O contexto é conhecido. No julgamento que anulou a condenação de Lula, no início de 2021, o Ministro Barroso resumiu o filme da reação da corrupção. Começa com a mudança da legislação e da jurisprudência, avança para a demonização de procuradores e juízes e termina com os esforços para sequestrar a narrativa e cooptar a imprensa a fim de mudar o passado.

É evidente que todo trabalho pode ser criticado e aperfeiçoado. Contudo, na esteira da ascensão de Lula à presidência, cresce a profusão de críticas absurdas, ilógicas ou de má-fé contra a Lava Jato, encharcadas de viés ideológico ou sem qualquer preocupação com a verdade, a lógica e a coerência.

Críticos de supostos excessos da operação que alegavam defender os direitos humanos, antes chamados de “garantistas”, aplaudem a prisão em flagrante com base em um auto de prisão despido de qualquer individualização de conduta, genérico, contra investigados pela invasão dos prédios dos três Poderes.

Todos os criminosos devem ser punidos com o rigor da lei e os atos do 8 de janeiro foram gravíssimos, conforme já disse aqui. O que chama a atenção é a hipocrisia e a incoerência de muitos que – agora fica claro – nunca militaram por direitos, mas sim por interesses político-partidários travestidos de discurso jurídico.

Na esteira da ascensão de Lula à presidência, cresce a profusão de críticas absurdas, ilógicas ou de má-fé contra a Lava Jato, encharcadas de viés ideológico ou sem qualquer preocupação com a verdade, a lógica e a coerência

No último dia 15 de janeiro, foi publicada pela Folha de S. Paulo entrevista do pesquisador Fábio de Sá e Silva em que afirmou que o “ataque golpista tem digitais da Lava Jato”. O estudioso afirmou ver “uma linha de continuidade” entre os dois eventos.

A ideia repercutiu e foi comentada pelo procurador da república Helio Telho: “militantes empenhados em lavar biografias sujas de corrupção e em reescrever a história segundo seus interesses políticos, disfarçados de pesquisadores, tentam associar os atos golpistas de agora às ações de combate ao maior esquema corrupto do país, que foram sepultadas há anos”.

Li a entrevista de Fábio de Sá e seu artigo publicado na Law and Society Review em outubro de 2021. A partir do exame de cerca de 750 posts e seus comentários, feitos nas mídias sociais entre o começo de 2017 e o de 2019, dentre os quais estavam 51 posts meus, o pesquisador faz uma série de inferências que se aproximam do absurdo.

O primeiro argumento do pesquisador é de que, diante de reveses, a Lava Jato subiu o tom contra os tribunais. Um desses momentos, em particular, foi o do indulto do presidente Michel Temer que perdoava 80% da pena dos condenados por corrupção. Além disso, o pesquisador aponta que em diversos momentos busquei envolver a sociedade no combate à corrupção.

A partir disso, e com base naqueles 51 posts, pasmem, o pesquisador conclui que a Lava Jato fomentou a indisposição da sociedade contra os poderes instituídos, em especial o Supremo e o Congresso. Foi na época das críticas ao indulto dado por Temer que, segundo o pesquisador, começou a surgir o discurso de intervenção militar.

Há uma série de erros elementares de lógica aí. Primeiro, o pesquisador não explica a relação de causalidade que estabeleceu entre, de um lado, críticas republicanas contra decisões das instituições, que são manifestações democráticas – e em momento algum ele faz juízo de valor sobre a forma ou conteúdo das críticas –, e, de outro lado, ataques antidemocráticos a instituições ou a ideia de intervenção militar.

É impossível estabelecer essa relação sem examinar o conteúdo das manifestações dos atores da operação Lava Jato, o que o pesquisador não fez. E se tivesse feito, não conseguiria estabelecer a relação que aponta. Como querer culpar algo democrático, ainda que uma firme crítica, por uma reação antidemocrática de outrem? Não acredito que o pesquisador pretenda abolir o direito à crítica sobre a atuação de autoridades.

Além de não apontar nenhum erro material nas manifestações, é curioso como o pesquisador coloca sobre os meus posts críticos a decisões ou atos de Brasília a responsabilidade pela indignação contida nos comentários, ao invés de colocá-la sobre o próprio sistema de impunidade ou sobre as próprias decisões ou atos criticados que suscitaram a indignação das pessoas.

Se a imprensa noticiar de modo crítico um grande escândalo e a população tomar as ruas e parte do povo cometer excessos ou até crimes, o pesquisador igualmente colocará a responsabilidade sobre a imprensa por ter divulgado e opinado criticamente sobre o escândalo? Eu não acredito que faria isso, mas fez algo idêntico contra a Lava Jato.

Segundo, há um evidente problema de amostra. A Lava Jato era composta de um número de procuradores que variava entre 15 e 20, mais delegados, auditores, julgadores e servidores de várias instituições. Só na força-tarefa do Ministério Público eram constantes as entrevistas, posts e palestras de muitos procuradores.

Caso se tome só as minhas manifestações numa das redes sociais, o Twitter, criado logo antes da Lava Jato, é preciso notar que fiz até hoje mais de 14 mil tuítes, mais de mil por ano. E o pesquisador selecionou 50 posts de um procurador, num intervalo de dois anos, mais uma vez, sem analisar seu conteúdo, para inferir uma relação de causa e efeito entre os posts, seus comentários e ações antidemocráticas anos depois.

O pesquisador não tomou em conta, por exemplo, as numerosas manifestações de vários procuradores da operação, inclusive eu, reconhecendo o trabalho dos tribunais superiores, em especial dos relatores da Lava Jato, nas quais defendemos a democracia e o rule of law, nas quais pregamos a importância das instituições e nas quais afirmamos que soluções autoritárias não eram uma opção.

Há ainda um terceiro problema. Caso se tomem os comentários aos meus tweets, e aliás ao da maior parte das pessoas que tuítam sobre corrupção ou política, grande parte são feitos por haters. O que esses haters falam, em geral, não expressa o ponto de vista dos autores dos posts, muito menos pode se dizer que os autores dos posts são causadores dos comportamentos odiosos dos haters, praticados por palavras ou eventuais ações.

Contudo, não é só isso. O pesquisador fecha os olhos para o fato de que, em paralelo às minhas manifestações, e para além dos servidores públicos que trabalhavam na Lava Jato, centenas de políticos, jornalistas, professores e formadores de opinião se manifestavam diariamente sobre o caso, inclusive criticando o trabalho, fosse o da Lava Jato, fosse de políticos ou dos tribunais superiores.

A conclusão de Fábio de Sá é parecida com a do astronauta que olha para a Terra com um telescópio e, vendo maratonistas correrem sobre ela, coincidentemente sobre a linha imaginária do equador, atribui a eles o movimento de rotação do planeta. É a conclusão daquele que quer responsabilizar os fabricantes dos ônibus, ou o criador do automóvel, por terem contribuído para os atos de 8 de janeiro.

O argumento do pesquisador é um clássico non sequitur, em que se estabelecem premissas e conclusões, mas as conclusões não decorrem logicamente das premissas. A ligação não existe. Ela é construída de modo artificial, enganoso ou falacioso. É no mínimo equivocada, se não for maldosa.

O segundo argumento do pesquisador não é menos falho. Mesmo sem apontar uma linha de golpismo em manifestações do ex-juiz Sergio Moro ou minhas, ele sustenta que a crítica à descondenação e soltura de Lula por nós estaria na base da ideia golpista – aliás, o estudioso atribui a mim a gênese da noção de “descondenado”, algo em que provavelmente ele também está equivocado.

Mais uma vez, o pesquisador não explica como atribui responsabilidade por atos criminosos ou antidemocráticos à liberdade de expressão e de crítica sobre decisões públicas exercidas dentro dos limites democráticos e legais. Estariam na gênese do golpismo também os ministros que votaram de modo contrário à soltura ou à anulação dos processos de Lula?

O pesquisador não analisa as causas mais profundas do 8 de janeiro e, sem um estudo sobre as razões que fazem o mundo girar, conclui que são os maratonistas. Contudo, no caso do estudioso, as conclusões não parecem decorrer de simples equívocos científicos. Mesmo sem questionar sua boa-fé ou boa intenção, suas conclusões parecem ter raízes em vieses ideológicos que são evidenciados em suas manifestações.

O pesquisador, por exemplo, falou que houve “barbaridades na Lava Jato, como o grampo ilegal da ex-presidente Dilma Roussef com o atual presidente Lula”. Primeiro, a interceptação foi legal e nenhum tribunal disse nada em contrário. O que se questionou foi o levantamento do sigilo da interceptação, em decisão emitida com base em fundamentos jurídicos sólidos e que seguiu o padrão da Lava Jato, ainda que tenha sido posteriormente criticada pelo STF.

Afirmou ainda que “Ministério Público e juiz estavam consorciados”, abraçando a teoria conspiratória da esquerda, que ignora não só o altíssimo índice de confirmação das decisões, mas que o ex-juiz Moro absolveu mais de 20% dos réus, que o Ministério Público recorreu de praticamente todas as sentenças e que centenas de pedidos do Ministério Público foram indeferidos pelo juiz, enquanto centenas da defesa foram concedidos.

É assustador que um acadêmico produza um estudo e manifestações como essas. Como Helio Telho bem colocou, “a ciência, pobre ciência, ora é vítima do negacionismo ideológico, ora é usurpada pela militância política para tentar dar verniz científico à defesa de interesses partidários. Quando o pesquisador deixa a militância entrar pela porta, a ciência sai pela janela”.

Na nova era petista, em que até Ministério da Verdade é criado para sacralizar suas narrativas, não faltarão pretensos juristas e cientistas dispostos a fazer da Lava Jato um bode expiatório, às custas da verdade, da lógica e da justiça.


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A UCRÂNIA PRECISA DE TANQUES MODERNOS

 

Tanques, o novo objetivo em uma longa guerra na Ucrânia; leia a coluna de Lourival Sant’Anna

Com os tanques, os ucranianos aspiram liberar outras cidades e recuperar a Crimeia

Por Lourival Sant’Anna – Jornal Estadão

BERLIM ― A guerra na Ucrânia entra em nova fase, com o envio de tanques de batalha americanos e europeus. Até aqui, o objetivo da Otan era evitar a vitória da Rússia. A partir de agora, o objetivo é assegurar a vitória da Ucrânia. O que não muda a realidade fundamental: essa será uma longa guerra de atrito.

A ajuda militar da aliança ocidental à Ucrânia começou timidamente, com os drones turcos Bayraktar, os mísseis portáteis americanos Javelin e anglo-suecos NLAW.

Os ucranianos demonstraram notável destreza e inteligência tática no uso dessas armas leves, repelindo os avanços dos invasores.

Líderes dos setores de defesa de 50 países se reuniram na base aérea de Ramstein, na Alemanha, na sexta-feira, 20
Líderes dos setores de defesa de 50 países se reuniram na base aérea de Ramstein, na Alemanha, na sexta-feira, 20 Foto: Michael Probst / AP

Os russos recuaram e passaram a destruir a infraestrutura civil da Ucrânia com mísseis, para tentar forçar uma rendição. Os ucranianos suplicaram à Otan por defesa antiaérea, mas os governos ocidentais foram intimidados pela chantagem nuclear de Vladimir Putin.

A segunda grande onda de ajuda militar foram sistemas de multi-lançadores móveis de mísseis, sobretudo os Himars americanos e os IRIS-T alemães. De novo, os ucranianos fizeram uso exemplar dessas armas, atingindo alvos militares russos atrás da linha de contato.

Para Entender

Os ucranianos recuperaram Kherson, ao sul, a principal cidade ocupada pelos russos, e impediram a tomada de Kharkiv, no leste, segunda maior cidade da Ucrânia. A cada vitória ucraniana no terreno, a Rússia intensificou os ataques a alvos civis, encorajando a Otan a remover os obstáculos políticos a mais ajuda.

Vieram as baterias antiaéreas Nasams, que protegem Washington. E, finalmente, a decisão de enviar os Patriots, o mais potente sistema antimísseis. Tudo isso teve emprego defensivo.

Com os tanques, os ucranianos aspiram a liberar o restante do território. Não será rápido nem fácil. Para as dezenas de tanques que eles receberão, os russos têm centenas, e enorme capacidade de alistar recrutas e mercenários.

Leopard 2, tanque de fabricação alemã, é objeto de desejo das autoridades militares ucranianas.
Leopard 2, tanque de fabricação alemã, é objeto de desejo das autoridades militares ucranianas. Foto: Michael Sohn/ AP – 28/09/2011

Os ucranianos querem recuperar a Crimeia, ocupada em 2014, e historicamente integrada às estepes ucranianas.

Os tártaros da península, parcialmente retirados à força por Josef Stalin em suas limpezas étnicas, têm longo histórico de resistir ao imperialismo russo com os ucranianos. A ligação também é geoeconômica: a água da Crimeia vem da Ucrânia e seus produtos escoam para ela.

EUA garantiram o envio de 50 blindados Bradley para a Ucrânia.
EUA garantiram o envio de 50 blindados Bradley para a Ucrânia. Foto: Baderkhan Ahmad/ AP

O dirigente soviético de origem ucraniana Nikita Kruchev devolveu a Crimeia à Ucrânia em 1954 porque entendia isso, não para adular sua terra natal. Então empobrecida, a Crimeia prosperou.

Mas perder a Crimeia exporia toda a frivolidade dessa guerra, até mesmo para a alienada opinião pública russa. O custo político para Putin seria proibitivo. É por isso que não há desfecho à vista.

O QUE DEVE FAZER UM VERDADEIRO ESTADISTA

 

É natural que Lula fale do 8 de janeiro a todo momento, mas um verdadeiro estadista não remói ressentimentos; ao contrário, deve agir para serenar os ânimos, e não atiçá-los

Por Notas & Informações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem falado frequentemente dos atos de 8 de janeiro. No dia 18, por exemplo, em encontro com as centrais sindicais, disse não saber se Jair Bolsonaro “mandou fazer aquilo, mas ele precisa responder por ter passado quatro anos dizendo que o povo tinha que se armar para defender a democracia”. No mesmo dia, em entrevista à GloboNews, referindo-se à invasão das sedes dos Três Poderes, o presidente da República afirmou ter ficado com a impressão de que “era o começo de um golpe de Estado” e de que “o pessoal estava acatando ordem e orientação” de Bolsonaro. “Durante muito tempo, ele (Bolsonaro) mandou invadir a Suprema Corte, desacreditou o Congresso Nacional, pediu que o povo andasse armado”, disse.

É compreensível que o presidente da República fale reiteradamente dos chocantes atos de 8 de janeiro. O que aconteceu foi muito grave, não deve ser esquecido e não pode ficar impune. Além disso, as ponderações de Lula sobre o episódio têm sido, em geral, razoáveis. Ele não falou nada além do que os fatos mostraram e sugerem. Ninguém pode condenar Lula, por exemplo, quando este comenta os indícios de participação de alguns integrantes das Forças Armadas nos tumultos e quando cobra que esses militares sejam punidos. A destruição das sedes dos Três Poderes não autoriza nenhuma forma de contemporização.

No entanto, se o presidente da República deseja pacificar o País, ou seja, se deseja se portar como um estadista, e não como mero político de ocasião, ele deve, doravante, ter outro comportamento. É inegável que a barbárie do 8 de janeiro gerou simpatia pelo governo e, portanto, dividendos políticos para Lula. Os maiores símbolos desse ganho certamente foram o encontro de Lula com os 27 governadores e a imagem destes com o presidente e com ministros do Supremo Tribunal Federal caminhando no mesmo lugar conspurcado horas antes pelos vândalos, sugerindo uma forte união nacional contra a barbárie, independentemente das afinidades políticas. Mas é bom que Lula saiba que essa união não é, nunca foi e jamais será em torno do presidente da República, e sim de todas as instituições republicanas – o Executivo é apenas uma delas, e o atual presidente é apenas seu ocupante temporário.

A necessária responsabilização dos atos golpistas, tanto dos executores quanto dos mandantes, não depende de Lula ou de seu governo. Para a tarefa de apurar e processar os crimes cometidos, existem o Poder Judiciário, a Polícia Federal e o Ministério Público. Por mais contundentes que possam ser, as falas de Lula sobre o dia 8 de janeiro – assim como as de qualquer outra autoridade política – são incapazes de prover maior efetividades às investigações. A depender do tom, podem apenas sugerir uma politização das investigações e, portanto, indispor parte da população em relação a esse indispensável trabalho da Justiça.

No momento, a melhor defesa da democracia que Lula pode fazer é trabalhar dedicada e decididamente pela pacificação nacional, assegurando que os primeiros passos de seu governo sejam responsáveis, baseados numa perspectiva muito mais ampla do que aquela demonstrada habitualmente por seu partido.

Os atos de 8 de janeiro geraram um enorme desafio para o Judiciário. Trata-se de um caso de proporções astronômicas, com muitas frentes de investigação, milhares de envolvidos e uma multidão de elementos probatórios. No caso do governo federal, o desafio, igualmente imenso, é outro. Seu trabalho não é lidar com a responsabilização dos atos criminosos, mas transmitir e assegurar serenidade a toda a população, arrefecendo os ânimos e criando as condições para que o País não pare e possa enfrentar seus inúmeros problemas e entraves.

Absolutamente inédita, a barbárie de 8 de janeiro exige de Lula uma atitude também inédita em sua trajetória pública. Não basta ter esperteza política. É preciso a magnanimidade de pensar no País. Do contrário, o slogan de seu governo – “união e reconstrução” – será apenas um conjunto de palavras vazias.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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