sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

PIADAS DA ECONOMIA

 

Por
Luís Ernesto Lacombe – Gazeta do Povo

BRA50. BRASÍLIA (BRASIL), 6/1/2023. – El ministro de Hacienda de Brasil, Fernando Haddad, participa de la primera reunión ministerial del gobierno hoy, en el Palacio del Planalto, en Brasília (Brasil). Lula da Silva, reunió este viernes por primera vez a sus 37 ministros y los instó a trabajar por la “reconstrucción” de la “democracia” y en favor “del pueblo abandonado por el Estado”. EFE/Andre Borges


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad.| Foto: EFE/André Borges

Ele é economista, eu não sou. Ele faz o alerta: “o governo começou com o pé na tábua dos gastos”. E queriam o quê? Não acompanharam a campanha eleitoral? Teto de gastos é o escambau. Não prestaram atenção na equipe de transição? Aquela com mil pessoas… Queriam regras confiáveis para conter os gastos públicos? O Congresso disse que o negócio é acelerar; dinheiro não faltará. Tem sempre alguém que paga a conta, que até pragueja, mas não reclama.

Os gastos são vários, são lindos. A politicagem é a rainha da gastança. Há tantos ministérios agora, são 37. Há tão poucos técnicos, tantos processos na Justiça pelo caminho. A imprensa exalta o colorido. Ninguém vai rasgar dinheiro, rechear os próprios bolsos. Agora, nenhum jornalista reclama se não há um médico no comando do Ministério da Saúde. Entender de economia também não é mais fundamental a um ministro da Fazenda.

São tantas piadas… Uma reforma tributária deve ser a reafirmação do amor que esse governo tem por impostos. Desoneração é o fim da picada. Impostos, ao infinito e além! Cobrar mais, mais e mais. Isso, por si só, já é assustador. E segue o drama: distribuir mal, gastar mal e gastar muito, muito. Se o rombo de R$ 231 bilhões em 2023 parece pouco, caminha o país de várias maneiras para a destruição.

Agora, nenhum jornalista reclama se não há um médico no comando do Ministério da Saúde

Privatizar será proibido. E as empresas privadas precisam estar alinhadas com o governo, ou o boicote a elas, liderado pelo ministro da Fazenda, talvez vire lei… Ninguém riu na plateia. Ninguém vai rir das estatais comandadas por políticos e sindicalistas. Como é saborosa a ingerência. A gente amiga do partido dá risada, espantando a governança. Há tantas piadas sem graça e perturbadoras, há tantos interesses.

O economista pergunta sobre o “pé no freio do gasto”. Ele quer saber da “organização da casa”. As últimas respostas são: “a autonomia do Banco Central é uma bobagem”, “a meta de inflação é exagerada”… Vivemos mesmo num país engraçado, que economiza, aumentando os salários do presidente da República, do vice, de ministros de Estado, parlamentares e magistrados do STF. Mas, fiquem tranquilos, os gastos públicos vão nos livrar de todos os problemas, vão salvar a indústria, as florestas, promover o saneamento básico, a educação, o desenvolvimento. O Estado vai salvar os pobres.

Dinheiro público, de onde vem, para onde vai? Reformem o Palácio da Alvorada, com urgência, sem licitação, o presidente precisa de uma casa, de uma cama. Não economizem. Vamos acertar nossas contas, gastando mais. Limite para despesas é coisa de gentinha. Equilíbrio é para os fracos. Dinheiro sempre houve. Pendurem tudo na inflação, nos juros altos, no desemprego. Nós sempre pagamos a conta… Vamos reclamar agora?


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DAVOS É UMA AGENDA DE MILIONÁRIOS E POLÍTICOS

 

Por
Luciano Trigo – Gazeta do Povo


| Foto:

“Davos é, basicamente, um lugar em que os bilionários dizem aos políticos o que eles têm que fazer… E os políticos costumam obedecer”, declarou nesta semana o político espanhol Pablo Iglesias, um dos fundadores do partido de esquerda “Podemos”.

Mas Iglesias é hoje uma voz dissonante na esquerda, que parece totalmente alinhada e muito à vontade com os comandos – e com as generosas doações – recebidos da elite globalista encarnada em ONGs e fundações como a Fundação Ford e a Open Society, de George Soros.

É esta elite que está reunida, mais uma vez, em Davos, nos Alpes suíços, para ditar aos governantes do mundo como eles devem agir. Contando com a presença de mais de 2.500 líderes mundiais, o Fórum Econômico Mundial deste ano tem como tema “Cooperação em um mundo fragmentado”.

O tema foi escolhido pelo presidente do Fórum, o empresário alemão Klaus Schwab. Schwab não esconde suas ideias: dois meses atrás, em uma entrevista a um canal da televisão inglesa, ele elogiou o modelo chinês de capitalismo de Estado e afirmou, literalmente, que a China é, para muitos países, um “modelo a seguir”.

Em outras ocasiões, o presidente do WEF – World Economic Forum tem pregado a necessidade de reestruturação da ordem internacional em um sistema homogêneo, de governança global, que se sobreponha aos governos locais e combine elementos do socialismo e do capitalismo.

É a tal “Agenda 2030”, expressão que, salvo engano, surgiu em novembro de 2016, quando o WEF divulgou um vídeo com uma série de previsões/prescrições para o planeta em 2030, incluindo “Você comerá muito menos carne!” e “Você não terá nada e será feliz!”.

Levado este projeto às últimas consequências, não haverá mais propriedade privada (de casas ou carros, por exemplo), apenas acesso a serviços e bens públicos – acesso administrado, em alguma medida, pelo Estado, que aliás também controlará todos os meios de comunicação.

É fácil visualizar como a gestão destes acessos pode ser usada como ferramenta de censura e perseguição. Mas ninguém liga, porque no mundo da Agenda 2030 todos serão felizes, e quem é feliz e vegano não precisa de liberdade de expressão. Só os fascistas carnívoros se preocupam com isso.

Todos os líderes reunidos em Davos são muito bem intencionados, todos estão do lado do bem e da democracia, todos lutam pela justiça social e pelo meio-ambiente. Que andem de jatinhos que poluem mais a atmosfera em uma hora de voo do que você vai poluir durante a vida inteira é apenas um detalhe que não pega bem lembrar.

As boas intenções, aliás, justificam até a, digamos assim, inverdade de afirmar que 120 milhões de brasileiros passam fome, ou mesmo a defesa pública do boicote a empresários brasileiros que não votam no candidato certo.

Foram estas as duas coisas que o mundo aprendeu sobre o Brasil em Davos, nos últimos dias: que mais da metade da população passa fome, e que empresas ideologicamente impuras merecem ser boicotadas, com apoio do Ministério da Fazenda.

Todos os líderes reunidos em Davos são muito bem intencionados, todos estão do lado do bem e da democracia, todos lutam pela justiça social e pelo meio ambiente

O Fórum divulgou este ano um Relatório de Riscos Globais para o planeta, no qual, na melhor tradição da novilíngua orwelliana inventou uma nova palavra: “policrise”.

Entre os principais riscos apontados para os próximos anos estão o aumento da inflação e do custo de vida, a recessão global, as mudanças climáticas, a erosão da coesão social, a polarização política, a migração descontrolada, o esgotamento de recursos naturais, crise energética, crise de abastecimento, e a “confrontação geoeconômica”.

Assim vai ficar difícil ser feliz.

O Brasil é citado 14 vezes no relatório, e uma delas chama a atenção pela clareza do diagnóstico:

“A erosão do centro social e político corre o risco de se autoperpetuar. As divisões incentivam a adoção de plataformas políticas mais extremas e de curto prazo para galvanizar um lado da população e perpetuar as crenças populistas. Notavelmente, a disputa entre dois candidatos não centristas costuma ser acirrada. Embora anunciada como um ressurgimento dos movimentos de esquerda, a eleição presidencial brasileira de 2022 foi vencida pelo presidente Lula por 1,8 ponto – a menor margem registrada desde que se tornou uma nação democrática. Como tal, uma grande proporção da população pode se sentir alienada e irritada com a liderança no mandato seguinte, agindo como um multiplicador das preocupações sociais existentes e da agitação civil. Isso é amplificado ainda mais pelas mídias sociais, que aumentam a polarização e a desconfiança nas instituições ao lado do engajamento político.”

Chama a atenção, na edição do WEF deste ano, a quantidade de painéis focados na agenda Woke – pautas identitárias, defesa do aborto, flexibilização do combate às drogas etc.

Recebeu grande destaque, por exemplo, o painel sobre “paridade de gênero” em que a titular do Ministério das Mulheres da Índia falou com muito orgulho sobre a liberação do aborto em seu país, até a vigésima-quarta semana de gestação:

Ou não, na verdade isso não chama a atenção, porque a agenda Woke vem sendo, já há muitos anos, o aríete do projeto globalista na cooptação dos corações e mentes das novas gerações.

Se Soros apoia e financia a esquerda, é porque a esquerda já não é mais a mesma de poucas décadas atrás.

Os jovens que hoje se enxergam como esquerdistas não são anticapitalistas nem pregam a luta de classes, ao contrário, são extremamente consumistas e querem usufruir do melhor que o capitalismo tem a oferecer, de preferência sem muito esforço – e com a consciência limpinha de quem se coloca do lado das minorias contra os fascistas que se recusam a votar em quem eles votam e a defender as ideias e valores que eles defendem.

Mas, como Soros e outros metacapitalistas, estes jovens são, sim, anti-conservadores: eles aprenderam em sala de aula a odiar e combater os valores e princípios associados à família, à tradição judaico-cristã, ao respeito a crenças e costumes locais etc.

Ora, são justamente esses valores e princípios representam um obstáculo à implementação da agenda do poder global hoje em curso. E é por isso que essa agenda também se estabelece por meio do financiamento aos movimentos progressistas.

A equação se inverteu: a contracultura, hoje, é conservadora, na medida em que o conservadorismo representa a real subversão, a verdadeira resistência às tentativas de controle da sociedade pelo Estado.

No Brasil o fenômeno da contracultura conservadora é evidente. Afrontar as crenças e tradições dos brasileiros comuns se tornou algo tão natural para a classe falante, uma prática  tão rotineira entre intelectuais e artistas, que a verdadeira contracultura, hoje, é ir com a família à missa aos domingos, é acreditar que existem o certo e o errado, o moral e o imoral.


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MINISTRA FALOU MENTIRAS EM DAVOS

 

Marina Silva

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em painel em Davos nesta segunda-feira (16)| Foto: Boris Baldinger/ World Economic Forum

A ministra Marina Silva disse em Davos que o Brasil tem 120 milhões de pessoas passando fome. Lula tentou corrigir dizendo que são 105 milhões sob algum tipo de insegurança alimentar. Mas não bate bem com os dados oficiais que foram publicados em 30 de novembro sobre emprego e renda.

O governo anterior pegou o desemprego perto de 15%. E no dia 30 de novembro, estava em 8%, e com quase 100 milhões de brasileiros ocupados. E a renda média, em um ano, subiu 7,1%.

CEO da Pfizer contra a parede

Mas já que a gente está falando em Davos, vocês viram a abordagem de repórteres de televisão, ao CEO, o chefão da Pfizer, sobre o trabalho dele? Perguntaram por que ele manteve em segredo que a vacina não impede a transmissão. Aí ele só respondeu: “Bom dia”. Perguntaram “não é hora de pedir desculpas à humanidade?” Aí ele disse “passe bem”.

Aí nova pergunta: “O senhor está preocupado com a miocardite, com as mortes súbitas, com jovens tendo ataque cardíaco?” Então uma pessoa que está o acompanhando, dá um puxão nele, vê se pega um carro, mas ele não consegue sair dali. E eles continuam perguntando: “Quanto o senhor ganhou com vacinas? O seu iate, o seu jatinho particular…” Fiquei impressionado com essa abordagem e o que esse homem vai fazer quando ele estiver na cama pra dormir, pensando sobre essas perguntas que foram feitas à ele.

Lula não quer CPI
Outra questão que eu queria comentar com vocês é aquela entrevista de Lula para Globonews, em que ele diz que não é bom fazer uma CPI para investigar os ataques de domingo, 8 de janeiro, a baderna, os destruidores de patrimônio público, vândalos. Como é que ele respondeu? Ele disse: “Uma CPI pode não ajudar, e pode criar uma confusão tremenda”.

Como não quer investigar? Uma CPI pode não ajudar e pode criar uma confusão tremenda? Será que isso vale para CPI da Covid, que criou efetivamente uma confusão tremenda na cabeça das pessoas, dizendo que não havia tratamento, todas aquelas coisas que estavam muito além do que a medicina apurava?

Investigação política
Mas é o seguinte: uma CPI é uma investigação política, foge do controle a investigação política. Porque não vai querer só saber dos agentes ativos da invasão e da destruição, mas vão querer investigar os agentes passivos, que poderiam ter prevenido, reprimido e evitado.

Aí eu lembro o que disse o antigo chefe do Gabinete Institucional do governo Temer, quando houve três invasões de ministérios no mesmo dia, inclusive com fogo no Ministério da Agricultura, e ele disse que sempre estavam com a pior hipótese, e aí preveniam. O ministro da Defesa da época, Raul Jungmann, que era do Partido Comunista Brasileiro, disse a mesma coisa, que era plenamente defensável o Palácio do Planalto, Congresso e o Supremo.

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Ninguém entende como é que as pessoas entraram lá, então uma CPI investigaria isso, não é? Investigar porque todos os manuais de prevenção de segurança estão sempre baseados na pior hipótese. Se você vai planejar a segurança da sua casa, você não vai planejar que uma velhinha vai bater lá com o canivete na mão. Você vai planejar que vai chegar um bandido querendo arrombar tudo e bem armado. Parece que isso não foi feito, o próprio Lula confessou, na entrevista que ele deu, vou usar palavras dele: “Nós cometemos um erro elementar. A minha inteligência não existiu, saí daqui da sexta-feira com a informação de que estava tudo tranquilo”.

Então como responsabilizar e tirar o governador de Brasília, prender o comandante da PM? A PM não é a guarda do Palácio, a PM é guarda da rua. Quem é a guarda do Palácio é o Batalhão da Guarda Presidencial, Primeiro Regimento de Cavalarias de Guardas, Gabinete de Segurança Institucional é que trabalha nisso. Talvez por isso que não queiram uma investigação política, para apurar as responsabilidades dos dois lados. A responsabilidade política também de ter permitido essa balbúrdia, essa coisa horrorosa para a democracia que foi a invasão da sede dos Três Poderes, com destruições de bárbaros, por parte de vândalos.

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LULA NÃO QUER A CPI DAS INVASÕES

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

AME4954. BRASILIA (BRASIL), 08/01/2023.- Manifestantes contra los resultados electorales y el gobierno del recién posesionado presidente Lula da Silva invaden el Congreso Nacional, el Supremo Tribunal Federal y el Palacio del Planalto, sede de la Presidencia de la República, hoy, en Brasilia (Brasil). Centenas de seguidores del expresidente brasileño Jair Bolsonaro invadieron este domingo la sede del Congreso Nacional en una manifestación que pide una intervención militar para derrocar al presidente Luiz Inácio Lula da Silva. El grupo, que defiende tesis golpistas, superó una barrera policial y subió la rampa que da acceso al techo de los edificios de la Cámara de los Diputados y del Senado, y algunos entraron dentro de la sede legislativa.EFE/ Andre Borges


| Foto: EFE/ Andre Borges.

E a monumental CPI que iria abalar o Brasil com suas investigações sobre os distúrbios do dia 8 de janeiro em Brasília? Até cinco minutos atrás, o governo Lula, os extremistas de esquerda e os aproveitadores de sempre estavam encantados com a CPI – mais uma oportunidade de linchar os adversários num espetáculo histérico de circo, como fizeram com a covid e sempre fazem quando acham que podem tirar proveito dos pelotões de fuzilamento que montam no Congresso. Já tinham as assinaturas necessárias; o presidente do Senado já tinha corrido para dizer que era a favor.  Desta vez a grande ambição era acusar o ex-presidente Jair Bolsonaro, e sabe lá Deus quem mais, pela invasão e depredação dos edifícios dos Três Poderes. De repente, por milagre, os linchadores desistem do linchamento. Sofrem, todos eles, um súbito acesso de espírito publico e desistem do massacre que tinham acabado de armar. Lula não quer mais a CPI. Pronto: a CPI está morta e enterrada.

“O que você pensa que a gente vai ganhar com uma CPI?”, perguntou Lula. “Uma comissão de inquérito pode criar uma confusão tremenda. Nós não precisamos disso”. Não precisam mesmo – nem um pouco. O presidente, ao passar o atestado de óbito da CPI dos “atos antidemocráticos” foi direto ao centro do alvo: ele não tinha nada a ganhar com qualquer investigação-show sobre o que de fato aconteceu na baderna. É exatamente o contrário: só teria a perder, desde que ficou claro que o seu governo, e talvez ele mesmo, tinham pleno conhecimento de que haveria manifestações violentas naquele dia – e não tomaram nenhuma medida séria para impedir a baderna. Há muita coisa mal contada na história toda; é mais lucrativo, aí, mostrar-se a favor da paz e evitar eventuais balas perdidas. Não dá, de fato, para atirar em Bolsonaro e acabar acertando sabe-se lá quem, certo? “A CPI pode ser um elemento de confusão, de desagregação e de divisão”, disse um deputado-estrela do PT.

Lula não quer mais a CPI. Pronto: a CPI está morta e enterrada

“Divisão?” E desde quando os radicais do PT e outros agitadores que controlam o governo estiveram interessados em unidade? É o oposto: junto com Lula, pregam a divisão o tempo inteiro, e não abriram mão, até agora, de tratar como inimigos a serem destruídos os 58 milhões de brasileiros que votaram no adversário na última eleição. Tudo bem; melhor assim. A vida real talvez comece a mostrar, para o bem de todos, que esse grito de guerra permanente não é o melhor caminho para o governo – na verdade, pode nem ser um caminho viável. Nesse sentido, o cavalo-de-pau da CPI, apesar da hipocrisia que reveste a coisa toda, é um fato positivo para o Brasil: vai evitar tensões, tumultos e novos surtos de ódio, num momento em que o país não precisa de absolutamente nada disso, e sim de tranquilidade para levar a vida adiante.


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LULA E JESUS CRISTO

 

Chega!
Tenho pena de Lula

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo


Lula: “Você vai voltar. Eu já voltei e agora você vai voltar. E, juntos, nós vamos mudar esse país”| Foto: Reprodução/ Twitter

“Você vai voltar. Eu já voltei e agora você vai voltar. E, juntos, nós vamos mudar esse país”. Lula é quem diz isso enquanto acaricia uma imagem de Cristo crucificado. O vídeo, com direito a pianinho sentimentaloide, marca d´água de jornal e tudo, circulou discretamente pelas redes sociais como esforço de propaganda do Partido depois dos atos de vandalismo, terrorismo ou golpismo (chame como quiser) do último dia 8 de janeiro.

Ao fazer circular as imagens, o Ministério da Propaganda Petista (uma espécie de PAC informal que conta com o apoio de jornais e emissoras de rádio e TV) pretendia ressaltar a religiosidade de Lula. O homem incapaz de fazer mal a uma mosca, imagina!, mas cujo governo, logo nas primeiras semanas, deixou claro seu caráter abortista. Isso sem falar na relação clara entre Lula e ditaduras que perseguem cristãos pelo mundo afora.

A cena despertou em mim a única coisa que o noticiário tem despertado ultimamente: indignação. Revolta. Raiva impotente. (E olhe que, por enquanto, eu ainda tenho este espacinho aqui para escrever e, assim, desopilar um pouquinho o fígado cansado de tanta sujeira política). Aquela sensação incômoda e permanente de que vivo num mundo, ou ao menos num país, que se guia por valores totalmente opostos ao que considero belo & moral.

Pena
Confesso que pretendia hoje chafurdar nessa sensação, com alguma sorte fazendo com que minha revoltinha desse as mãos à revoltinha do leitor e, assim, saíssemos os dois alegres e saltitantes, sabendo que não caminhamos sozinhos pelos lamaçais do Reino da Indignação. Mas no meio do texto havia um sacerdote, havia um sacerdote no meio do texto. E foi graças a ele, o padre Jorge Ramos, que minha indignação deu lugar a um sentimento diferente: piedade.

Taí. Da mesma forma que sentia (e ainda sinto) pena de Bolsonaro, sinto pena de Lula. E sugiro que você, trocando a indignação estéril pelo amor vivo, sinta também. Não me refiro, aqui, à pena que, nascida de uma sensação de superioridade, humilha; estou falando da pena genuína de quem reconhece as próprias falhas num ser humano tão distante. Afinal, se Lula é quem é e promove os valores que promove e mente como se não houvesse amanhã e engana e ludibria e seduz, é porque nós, por palavras, atos e omissões (mas não votos, espero), de alguma forma demos a ele esse poder.

Lula é quem é porque, ao longo de sua vida, nunca se deparou com um professor ou um padre capaz de dizer a ele que desejar se igualar a Deus é o maior dos pecados. Pelo contrário, aposto minha vasta cabeleira como Lula é daqueles homens que, ao longo da vida, só encontraram pessoas que disseram “você está certo!” e “vai lá, muda o mundo!” e “tenho certeza de que, se alguém consegue, esse alguém é você, Lula!”.

De modo que agora, com quase 80 anos, é improvável que Lula busque a Salvação que lhe é de direito. Infelizmente. Me diz se isso não é algo digno do mais sincero compadecimento cristão! Ah, se ao menos Lula desse ouvidos aos que querem seu verdadeiro bem, e não às Janjas, Dirceus e Randolfes da vida. Se ao menos ele parasse de fato para escutar o que o Cristo, aquele mesmo que prefere os pecadores (Mateus 9:13), tem a lhe oferecer, pedindo em troca apenas uma vida de retidão e humildade.

Mas não. Talvez seja tarde demais para Lula tentar se livrar das algemas do poder que, se por um lado o faz parecer todo pimpão, mandando aqui e desmandando ali, por outro o torna escravo da vontade alheia. Da vontade dos intelectuais e dos artistas. Da vontade dos juízes e dos líderes dos movimentos sociais. Da vontade de todo tipo de depravado moral que vê no Estado uma forma de satisfazer seus prazeres mais imediatos. Sempre à custa da própria alma.

Indignação
Por falar em escravidão, da mesma forma que Lula é cativo da política, talvez nós tenhamos nos tornado escravos da revolta, da raiva impotente, da indignação permanente. Do frenesi que é essa rebeldia constante “contra tudo o que está aí”. Nos acostumamos a acordar e, logo cedo, ao “folhear” os sites de notícias, sentir o fel queimando a garganta, as pupilas se dilatando e o coração batendo mais forte pelo prazer inconfessável de, cotidianamente, se insurgir contra o que é sempre absurdo e inaceitável.

Talvez tenhamos acreditado um pouquinho demais nos falsos profetas de uma liberdade que, como bem aponta meu amigo César Miranda, resumindo com maestria o argumento de Georges Bernanos, no fundo é apenas a liberdade para pecar. Para errar sabendo-se que se está cometendo um erro – e há erro maior do que esse? Para subjugar o próximo, tendo na ponta da língua uma justificativa política para isso.

Não sei você, mas quero mais da vida do que passar raiva toda vez que ouço Lula mentir ou falar alguma estupidez soprada em seus ouvidos pelos íncubos do PCdoB e súcubos do PSOL. Chega desse prazerzinho sádico de dizer baixinho “eu estava certo” ou então “faz o L, seu petista burro!”. Pode não ser hoje nem amanhã. Pode demorar. Mas quero e vou me livrar desse vício na ira pretensamente justa para apreciar mais o que há de certo. De belo. De livre. De divino no mundo.


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RESILIÊNCIA EXIGE DO LÍDER ELEMENTO ESSENCIAL PARA A SOBREVIVÊNCIA

 


Resiliência faz um bom líder: 7 dicas para desenvolver a habilidade

Por
Júlio Cezar Agostini

Portrait of successful female executive manager with open hands gesture standing in front of her team in office hall and announce good news


Resiliência é a capacidade de se adaptar às mudanças negativas que ocorrem.| Foto: Kateman Gostar / Freepik

Você já imaginou estar no lugar de uma figura com tamanho desafio com Volodymyr Zelenski, presidente da Ucrânia. O país sendo atacado por um gigante bélico que é a Rússia, milhares de vidas em jogo, e ao mesmo tempo com a responsabilidade de manter a integridade do futuro do país em meio ao caos.

Também se coloque no lugar de um dos milhares de empresários que tiveram que demitir grande parte de sua equipe de trabalho em função da crise gerada pelo Covid-19, pagando as contas em atraso, assumindo prejuízos mês a mês durante dois anos até a economia voltar à normalidade.

Esses são apenas dois exemplos, extremamente distintos, de milhares de casos que acontecem dia a dia e que exigem do líder um elemento essencial para sua sobrevivência e evolução: a resiliência.

Resiliência á a capacidade de se adaptar com mudanças negativas que ocorrem. Adversidades não discriminam pessoas. Todos em algum momento passam por tempos difíceis. Uma doença, um acidente, a perda do emprego, a perda de clientes, a falência da empresa, a perda de um familiar. Tudo isso faz parte de uma lista enorme de circunstâncias que podem abalar uma pessoa. Eu mesmo tive a experiencia de passar pelo diagnóstico de um tumor maligno que teve que ser tratado durante a pandemia, uma situação difícil, mas que está caminhando para um final saudável.

É exatamente a capacidade de se recuperar das adversidades que deve ser desenvolvida pelas lideranças, pois em momentos difíceis o verdadeiro líder precisa aparecer.

A resiliência é como um músculo e pode ser desenvolvida. Mas como fazer isso? Compartilho hoje sete dicas de como fazer esse desenvolvimento acontecer:

Mantenha uma visão realista e também otimista da situação;
Na crise sempre existem oportunidades. Saiba identificá-las para focar sua atenção naquilo que é bom e nas atividades que podem ser influenciadas e desenvolvidas diretamente por você;
Tenha disposição para aprendizados, mudanças e adaptações;
Tenha senso de propósito;
Busque ser curioso e flexível;
Seja proativo e tenha inciativa;
Gere quick wins (vitórias rápidas). Quick wins geram a confiança necessária para que uma trajetória de êxito seja retomada; 


Victor Frankel, neoropsiquiatra austríaco que sobreviveu aos campos de concentração nazistas na segunda guerra mundial, comenta que independente das circunstâncias – crises, guerras, problemas econômicos – a resposta está sempre na decisão do indivíduo que assume a própria responsabilidade pelo seu destino.

Desenvolver a resiliência e capacidades associadas darão ao líder maior potência para agir quando as dificuldades e crises aparecerem, isso fará a diferença na forma de liderar um grupo que precisa superar desafios. Como diz Aly Raisman, medalha de ouro em competições de ginástica, “são os dias difíceis que nos fazem mais fortes”.


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PESSOAS QUE GANHAM A VIDA FAZENDO COISAS

 

Robert Hogan, Fundador e Chairman da Hogan Assessment Systems, Inc e Ryne Sherman, Science Officer da mesma empresa

Em todas as áreas do empreendimento humano, há pessoas que ganham a vida fazendo coisas, e há quem se torne bem-sucedido criticando o que os outros fazem, como por exemplo os críticos das mais diversas áreas, como cinema, música, literatura ou negócios.

Elon Musk, indiscutivelmente, está no primeiro grupo, mas como a pessoa mais rica do mundo, ele é um alvo natural para críticas. Ultimamente, Musk tem enfrentado pesadas críticas por suas decisões de negócios; no entanto, nada em sua biografia sugere que Musk seja narcisista, malévolo ou que tenha um perfil psicótico.

Achamos que existem três chaves para explicar quem é Elon Musk, e elas se enquadram nos títulos de poder, estrutura e estilo. O poder tem a ver com a capacidade cognitiva; a estrutura tem a ver com a orientação cognitiva, e o estilo tem a ver com o impacto interpessoal.

No que diz respeito ao poder, Musk é muito inteligente; com formação em física e economia, ele sabe mais sobre números, tecnologia e finanças do que a maioria das pessoas.

Além disso, seus parceiros de negócios dizem que ele é notavelmente perspicaz na previsão de tendências de negócios e na detecção de falhas e preconceitos no raciocínio de outras pessoas. Então, Musk é muito inteligente e tem a capacidade de tomar boas decisões – nem todas as pessoas inteligentes o faz. No entanto, o mega executivo não mostra ser muito bom em planejamento; muitas vezes ele parte para ação e depois avalia suas decisões, como ele “tuitou”, em 9 de novembro, a respeito da compra do próprio Twitter:

“Por favor, o Twitter vai fazer muitas coisas estúpidas nos próximos meses. Vamos manter o que funcionar e mudar o que não funcionar”

Quanto à estrutura, Musk tem a mesma orientação da maioria dos empreendedores, um campo em que a Hogan costuma ter muitos dados para análise.

Em relação às pessoas comuns, os empreendedores são analíticos, solucionadores de problemas baseados em dados, cheios de energia e trabalhadores árduos (semanas de trabalho de 100 horas são normais), sem medo de riscos, competitivos e focados em causar impacto e fazer a diferença. Trabalho árduo, destemido, competitivo e orientado para a realização – ingredientes-chave para o sucesso, independentemente da capacidade cognitiva.

Musk se descreve como uma pessoa portadora da síndrome de Asperger, que se consolidou sob o transtorno do espectro autista (TEA) que pode afetar seu estilo interpessoal. Em nossa experiência, o TEA é comum entre engenheiros, matemáticos, jogadores de xadrez e empresários.

As pessoas que conhecem Musk o descrevem como “a alma da festa” e, uma prova adicional de sua vivacidade é sua participação como “host” do tradicional programa humorístico americano “Saturday Night Live”, da NBC. Fora do trabalho, ele costuma ser descrito como espirituoso, irreverente e travesso.

O estilo e eficácia da liderança de Musk levantam uma questão muito interessante. Liderança é construir equipes de alto desempenho, e bons líderes são pessoas que os outros querem seguir. Os empreendedores tendem a ser maus líderes; como a maioria dos gerentes de finanças e engenharia, eles estão interessados em resultados e não nos sentimentos das pessoas. Musk se descreve como um “nanogerente” exigente, impaciente e rápido em encontrar falhas. Ele é orientado para a ação e não se preocupa muito com as sensibilidades da equipe.

Musk não é o primeiro líder a ter a reputação de ser difícil aos olhos do público. Em outro lugar, falamos sobre o “paradoxo da Apple”: como alguém tão ambíguo e desagradável como Steve Jobs pôde construir um negócio tão bem-sucedido quanto a Apple?

Nossa resposta é dupla. Por um lado, a capacidade mais crítica dos CEOs é tomar boas decisões sobre produtos e mercados, sem se preocupar com os sentimentos das pessoas. Por outro lado, bons gerentes abaixo do nível CEO geralmente protegem a equipe do mau comportamento de CEOs abusivos. Sabemos que Musk é um empreendedor extremamente bem-sucedido e um líder medíocre – mas um líder medíocre comparado a quem? Mark Zuckerberg? Jeff Bezos? Bill Gates? Jack Welch?

Finalmente, há a aquisição do Twitter e como as recentes ações de Musk para reestruturar uma empresa de baixo desempenho e mal administrada o afetaram. Embora o CEO anterior tenha admitido que o Twitter estava com excesso de pessoal, parece claro que foi um erro demitir metade da força de trabalho sem primeiro avaliar sua função e desempenho. Esse tipo de corte de pessoal precipitado cria preocupação e confusão desnecessárias entre os funcionários, o que provavelmente não contribuirá para um alto desempenho.

Por outro lado, Musk e seus engenheiros começaram uma revisão detalhada e granular de todos os aspectos do negócio do Twitter e esse esforço é o primeiro passo essencial para melhorar processos e produtos. O próprio Musk disse à sua nova equipe:

“Revoluções não são feitas com cautela. Então, queremos testar coisas, de preferência coisas que não quebrem o sistema, mas, desde que sejamos ágeis e reajamos rapidamente para melhorar as coisas e corrigir erros, acho que vai ficar tudo bem”

Como reação à aquisição do Twitter e demissões de Musk, muitos indivíduos no Twitter começaram a imitar e zombar o novo proprietário. Vale ressaltar que, se o alvo não fosse o CEO do Twitter e a pessoa mais rica do mundo, algumas dessas gozações seriam declaradas “cyberbullying”. Independentemente disso, muitas das críticas parecem ser inspiradas pelos críticos das visões políticas de Musk.

Mas, como a maioria dos empreendedores, especialmente os muito bem-sucedidos, Musk não está recuando. Em vez disso, ele está respondendo com seus próprios tweets sarcásticos e mudando as regras sobre contas falsas. É difícil dizer como a aquisição do Twitter funcionará para Musk, mas se seus empreendimentos anteriores servirem de indicação, seria difícil apostar contra ele.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

VINGANÇA PETISTA E POIO DO STF CONTRA O BOLSONARO

 


PT quer usar vandalismo em Brasília para apressar ações no TSE que tornem Bolsonaro inelegível

Por
Renan Ramalho
Brasília


Lula e Alexandre de Moraes durante a diplomação no TSE, em dezembro| Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE

O PT quer aproveitar a comoção causada pelas invasões às sedes dos três Poderes para acelerar ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tornar inelegível o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Estrategistas políticos do partido consideram que é o momento ideal para tirar de vez o ex-chefe do Executivo da disputa eleitoral de 2026, por vários motivos: a emergência de novas “provas” de que ele supostamente cogitava ou incitava uma ruptura no regime democrático; uma composição hostil do TSE em relação a Bolsonaro, e que não durará por muito tempo; e uma conjuntura política ainda razoavelmente favorável ao novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lula falou sobre essa possibilidade, nesta quarta-feira (18), e disse que precisa ser investigada a possibilidade de o ex-chefe do Executivo ter algum tipo de participação nos atos. E, se isso eventualmente for comprovado, ele defendeu que haja punição e até que Bolsonaro fique inelegível.

Uma demonstração recente de que há oportunidade aberta para isso foi dada na última segunda (16), quando o ministro Benedito Gonçalves, relator das ações de inelegibilidade no TSE, acolheu um pedido do PDT para incluir numa delas, como prova, a minuta de um decreto, apreendido na casa do ex-ministro de Justiça Anderson Torres, no qual Bolsonaro decretaria, enquanto presidente, estado de defesa no TSE para o “pronto restabelecimento da lisura e correção do processo eleitoral de 2022” – um esboço de uma intervenção na Corte para anular a eleição em que foi derrotado.

Na decisão, Gonçalves ainda pediu ao ministro Alexandre de Moraes – que determinou a prisão de Torres e a busca em sua casa, no âmbito da investigação sobre os atos de vandalismo em Brasília – “outros documentos e informações resultantes da busca e apreensão que digam respeito ao processo eleitoral de 2022, em especial voltados para a deslegitimação dos resultados”. Na prática, a ação para tornar Bolsonaro inelegível poderá ser abastecida com provas colhidas por determinação de Moraes, que se mantém no comando do TSE.

Embora essa decisão tenha sido proferida no âmbito de uma ação mais antiga do PDT, um partido aliado e integrante do governo, os advogados do PT ainda vão aguardar o surgimento de mais elementos nas investigações conduzidas por Moraes para alimentar suas ações com “provas ainda mais robustas”, na expressão de um deles, que pediu para não ser identificado. A equipe jurídica entende que ainda poderão aparecer indícios mais fortes de que Bolsonaro pretendia dar um golpe, inclusive com ajuda de auxiliares diretos, como alguns militares.

O PT tem uma ação própria, e semelhante à do PDT, que acusa Bolsonaro de abuso de poder político por questionar a integridade das urnas eletrônicas. Para o partido, seria uma atitude deliberada para mobilizar sua base de apoiadores para deslegitimar o processo eleitoral e, assim, dar base e certo apoio popular a uma virada de mesa.

É uma tese que, provavelmente, encontra receptividade, hoje, entre a maioria dos ministros do TSE, no grupo formado por Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Benedito Gonçalves – durante a campanha, os quatro quase sempre votavam de forma consensual e dura para remover propagandas de Bolsonaro que consideravam enganosas, ao ponto de proibi-lo de chamar Lula de ladrão e corrupto, por exemplo.

O interesse em apressar o andamento das ações, e nos próximos meses, se dá porque haverá dois desfalques nesse quarteto: em maio, Lewandowski se aposenta e dá lugar a Kassio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro e que se mantém fiel a ele; e em novembro, Benedito Gonçalves termina seu mandato no TSE e será substituído, como corregedor e relator das ações, pelo ministro Raul Araújo, que já deu mostras de ser mais favorável a Bolsonaro.

Foi dele, por exemplo, a decisão dada meses antes da campanha que proibiu artistas de expressarem apoio a Lula no festival de música Lollapalooza, em março de 2022. Em dezembro, após a eleição, Araújo votou contra a multa de R$ 22,9 milhões aplicada por Moraes ao PL, partido de Bolsonaro, em decorrência da ação para tentar invalidar a maior parte dos votos no segundo turno, acusando mau funcionamento das urnas eletrônicas.

Gonçalves, ao contrário, já tem demonstrado bastante abertura aos pedidos do PT e do PDT contra Bolsonaro. Ainda durante a campanha, concedeu várias liminares para impedir Bolsonaro de usar imagens do 7 de Setembro e de viagens internacionais a Londres e Nova York na campanha. O ministro vetou até mesmo a realização de “lives” no Palácio da Alvorada.

Após a eleição, ele despachou em 12 das 15 ações de investigação judicial eleitoral (Aijes) que ainda tramitam no TSE para tornar Bolsonaro inelegível. Esse tipo de ação costuma andar devagar e demora, em média, mais de dois anos para tramitar. Na maioria dos despachos, Gonçalves intimou PT, PDT e outros partidos que buscam a inelegibilidade de Bolsonaro a rebaterem as contestações do ex-presidente às acusações nos processos, de suposto abuso de poder político ou uso indevido dos meios de comunicação na campanha.

Por fim, dirigentes petistas acreditam que o momento é mais favorável para condenar Bolsonaro porque seu desgaste é recente e também devido ao fato de o novo governo ainda gozar de maior popularidade, ativo que pode se dissipar ao longo do mandato de Lula. Uma conjuntura desfavorável à imagem do presidente, caso se concretize no futuro, tira o foco de Bolsonaro, e concentra as atenções do mundo político e jurídico sobre a própria administração petista.

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Defesa de Bolsonaro
A reportagem procurou a defesa de Bolsonaro para se manifestar sobre a estratégia do PT para torna-lo inelegível, mas não obteve resposta. Nos processos, os advogados do ex-presidente têm se esforçado para rebater as acusações. Ainda não houve manifestação na ação do PT relacionada aos questionamentos contra as urnas, mas a equipe jurídica já contestou imputações semelhantes, de abuso, feitas pelo PDT, pelo mesmo motivo.

Nesta ação, a defesa argumentou que o questionamento de Bolsonaro sobre as urnas ocorreu em julho, antes da campanha, durante uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada. Os advogados afirmaram que não era um ato de campanha, até porque foi dirigido a estrangeiros, mas sim de governo. O evento constava na agenda oficial do presidente, e houve até convite para o então presidente do TSE, Edson Fachin, para participar. Segundo eles, era uma iniciativa de “diálogo institucional” sobre “tema de interesse público”.

Para reforçar sua defesa, Bolsonaro indicou como testemunhas, para depor em seu favor, os ex-ministros Carlos França (Relações Exteriores) e Ciro Nogueira (Casa Civil), além do ex-secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência Flávio Rocha e de seu ex-assessor-chefe João Henrique Nascimento de Freitas. Todos devem comparecer ao TSE para depor no próximo dia 8 de fevereiro.

Já na ação do PT relacionada às urnas, a defesa ainda não se manifestou porque Gonçalves aditou a ação para incluir nela duas reportagens. Uma delas informou que o presidente do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto, pediu ao ex-ministro da Justiça Anderson Torres que a Polícia Federal investigasse os institutos de pesquisas eleitorais. Outra revelou que Fernando Cerimedo, um argentino que mencionou em vídeos supostas fraudes nas urnas eletrônicas brasileiras, teria ligação com a empresa Gaio.io, que também colaborou com a equipe de auditoria do PL que apontou mau funcionamento das urnas.

São outros elementos que Bolsonaro terá de rebater para se livrar de possível uma condenação.

Fora essas ações ligadas às urnas e de maior apelo entre os ministros, o ex-presidente ainda deverá lidar com acusações de uso da máquina para benefício eleitoral – no 7 de setembro, em viagens internacionais, no uso dos palácios – e também na acusação do PT de supostamente orquestrar um “ecossistema de desinformação” para atacar Lula na campanha.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pt-quer-usar-vandalismo-em-brasilia-para-apressar-acoes-no-tse-que-tornem-bolsonaro-inelegivel/
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REGULAÇÃO DA MÍDIA SEGUNDO O GOVERNO LULA

 

Editorial

Por
Gazeta do Povo

O ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, o presidente, durante café da manhã com jornalistas setoristas, no Palácio do Planalto.


Paulo Pimenta também voltou a defender a regulação da mídia no país, afirmando que isso não se trata de censura.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

É emblemático e preocupante – embora nem um pouco surpreendente – que o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, Paulo Pimenta, tenha afirmado na terça-feira (17) que seu maior desafio à frente da pasta é recuperar a Secom como “emissora da verdade” e fonte confiável de informação. Em entrevista ao jornal Correio Brasiliense, o ministro enfatizou que a ideia é “recuperar o governo como o grande difusor em verdades”, defendeu a regulação da mídia no país e reclamou que a comunicação governamental estaria “capturada pela visão política ideológica de quem estava aqui”.

Trata-se de um grande erro. Embora a comunicação institucional de um governo, formada por uma intricada rede de produção de conteúdo que envolve órgãos de comunicação, veículos institucionais, assessorias de imprensa de ministérios, secretarias e órgãos do governo, além de campanhas publicitárias, deva, sim, primar pela divulgação de informações factuais confiáveis, e possa repassar as versões e posicionamentos do governo, não cabe a ela impor o que considera ser a verdade.

Quem sabe quais outras “verdades” o governo de Lula tentará criar em sua fome por reescrever a seu bel-prazer a história do país.

A verdade – não somos defensores do relativismo de ideias – é um bem precioso e delicado,  cuja aproximação é feita individualmente, de forma árdua, quase sempre gradual. Todos podemos, se quisermos, nos esforçar para buscá-la usando os meios disponíveis para tal, que incluem, entre outras coisas, a análise de informações e opiniões às quais temos acesso. Por ser uma realidade tão delicada (e precisamente por isso e em função da dignidade do ser humano), jamais pode ser imposta por quem quer que seja – nem governos, nem meios de comunicação, pessoas ou empresas.

Nesse sentido, a democracia é crucial para que a busca pela verdade possa acontecer, ao garantir a liberdade para que as pessoas possam expor e debater com humildade e equilíbrio pontos de vista distintos, opiniões e convicções. Isso não significa que todas as ideias e opiniões tenham o mesmo valor ou não possam ser limitadas – basta lembrar que, juridicamente, mesmo havendo proteção constitucional ao direito de expressão e opinião, há casos em que esse direito pode ser limitado. Ainda assim, trata-se de exceções, e a norma geral defende a liberdade de ideias, ao menos nas democracias.

Diante disso, a pretensão da Secom em se tornar a “emissora da verdade” do país seria risível se não fosse reflexo de uma política articulada em torno do pouco apreço à democracia. Longe se ser um mero equívoco, a fala de Paulo Pimenta é sintomática de um plano de governo muito bem orquestrado e que começa a ser colocado em marcha. Já alertamos sobre os riscos da criação de órgãos como a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, criada dentro da AGU, para “representar a União, judicial e extrajudicialmente, em demandas e procedimentos para resposta e enfrentamento à desinformação sobre políticas públicas”.

Há ainda o Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão, na Secom, criado para “propor e articular políticas públicas para promoção da liberdade de expressão, do acesso à informação e de enfrentamento à desinformação e ao discurso de ódio na internet, em articulação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública”. Trata-se uma estrutura pesada que poderá ser usada a qualquer momento contra quem supostamente promover a “desinformação”, ou seja, contrariar “a verdade” – mas a verdade segundo Lula e seus apoiadores.

Aos poucos, se tentará reescrever a história, apagando tudo o que for nocivo ou prejudicial à imagem do governo, em busca da narrativa mais positiva possível a Lula – e mais negativa aos seus opositores. Todas as demais versões poderão ser taxadas simplesmente de desinformação e assim eliminadas. Nesta semana, por exemplo, no site institucional da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em matéria sobre a nova diretoria da empresa, o processo legal que levou ao impeachment de Dilma Rousseff passou a ser chamado de “golpe”, num flagrante desrespeito aos fatos.

Como se sabe, embora tenha sido sempre tratado como um “golpe” pela esquerda, o processo de impeachment de Dilma seguiu os trâmites legislativos previsto na Constituição e na legislação brasileira e contou com o apoio da população. Na época, pesquisas de opinião apontavam que 60% da população brasileira era favorável à destituição da então presidente petista, por crime de responsabilidade pelas “pedaladas fiscais” cometidas durante seu mandato. Mesmo assim, a narrativa esquerdista insiste em tentar impor sua versão distorcida em que Dilma foi vítima inocente de um complô golpista.

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Amostras dessa predileção pela distorção dos fatos na tentativa de validar uma narrativa politicamente benéfica aos seus interesses ideológicos já pôde ser vista ainda durante o processo eleitoral. Basta lembrar do empenho da campanha petista em tentar apagar ou ao menos impedir que fatos – muitos deles já bem conhecidos – fossem divulgados sob a justificativa de que eram “fake news”.

Foi assim com o apoio histórico de Lula e do PT ao aborto, que não pôde ser mencionado durante a campanha, mas que foi confirmado poucos dias após a posse; ou mesmo a censura imposta pelo TSE, a pedido da coligação de Lula, contra postagens que mencionavam a ligação do então candidato petista e o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, do qual até a Gazeta do Povo foi vítima, infelizmente com o respaldo da Justiça Eleitoral.

Quem sabe quais outras “verdades” o governo de Lula tentará criar em sua fome por reescrever a seu bel-prazer a história do país.


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CONGRESSO ATUANTE SERIA MUITO BOM PARA MUDAR O BRASIL

 

Por
Luiz Philippe Orleans e Bragança – Gazeta do Povo

Brasilia, Brazil – June 7, 2015: Brazilian National Congress. The building was designed by Oscar Niemeyer in the modern Brazilian style.


Congresso Nacional| Foto: Bigstock

Fazer discurso é uma coisa. Transformá-lo em projeto de lei (PL), decreto legislativo (PDL) ou emenda constitucional (PEC) é outra. Mais: protocolar PL, PDL ou PEC é uma coisa. Aprová-los na Câmara e no Senado é outra totalmente diferente. Respondendo a pergunta do título, o que muda o país é a aprovação de projetos nas casas legislativas. Mas como aprovar  um projeto? Utilizando a pirâmide: ativistas,  partidos, deputados.

Na  base dessa pirâmide estão os ativistas, que engajam a população e mobilizam a opinião pública, quase sempre inerte. Essa base mobilizada é que gera crítica, reflexão, apoio ou rejeição em torno de algum tema, convence os deputados de que um projeto tem importância e ajuda a formar maioria. Na  parte central da pirâmide está – ou ao menos deveria estar – o partido, que adere aos projetos, cria as narrativas,  conversa com lideranças de seu partido e dos demais, ativa a mídia, os especialistas e a base em torno da ideia. Na ponta de lança, ou no topo da pirâmide, estão os deputados e senadores que protocolam e fazem o debate dos projetos nas comissões, definem prioridades na Câmara, convencem seus pares, discursam e finalmente votam. Qualquer partido que agir usando essa pirâmide terá alta efetividade de aprovação de projetos.

Partidos de esquerda têm como rotina manter essa máquina e suas engrenagens bem engraxadas. Com frequência são vistos vários grupos de interesse mobilizados fora do Congresso, quando um projeto da esquerda está para ser votado. Também é notável como seus representantes lutam para colocar seus projetos em evidência e vociferam a mesma narrativa para defendê-los. É a pirâmide em ação. Quando isso ocorre, os deputados de oposição à esquerda fraquejam e qualquer discurso racional à propositura se esfacela. A votação, quando a pirâmide é bem utilizada, torna-se mera formalidade.

Essa base mobilizada é que gera crítica, reflexão, apoio ou rejeição em torno de algum tema, convence os deputados de que um projeto tem importância e ajuda a formar maioria

Partidos de centro e de direita ainda não evoluíram satisfatoriamente no uso desse mecanismo. Em passado recente, não tinham agenda política definida e por consequência não tinham base de ativistas que se mobilizassem por ideias, nem deputados que as representassem. Disputavam personalidades da mídia para virem compor chapa e “puxar” deputados invisíveis. Recentemente, graças às mídias sociais, surgiu nova leva de deputados e senadores, com alta visibilidade,  vínculo direto com seu eleitor e, o que é mais importante, com conteúdo ideológico novo, alternativo à ideologia onipresente da esquerda, um dado positivo quando se considera que até recentemente fazer acordos e comandar votos de seus eleitos era prerrogativa exclusiva de líderes partidários.

A maioria desses novos eleitos e seus partidos ainda não sabem usar a pirâmide. Eles exercem um protagonismo individual, não dão muita importância ao processo interno de criação e aprovação de projetos nas comissões e acham que publicar em suas mídias sociais é equivalente a fazer trabalho parlamentar com eficácia. Boa parte da opinião pública, por desconhecimento desse processo de mudança do país, se satisfaz com um belo discurso na hora certa. O importante, contudo, é ter projeto aprovado, sem nos desfazermos do discurso ou da live, que têm seu lugar e podem até servir para criar uma narrativa que vá negar a ação de outros partidos ou mudar votos dos deputados que têm dúvidas sobre um projeto.

Eles exercem um protagonismo individual, não dão muita importância ao processo interno de criação e aprovação de projetos nas comissões e acham que publicar em suas mídias sociais é equivalente a fazer trabalho parlamentar com eficácia

Assim como a mera divulgação, a criação de um projeto em si também não tem efetividade. Mostra somente que a ideia tem materialidade, mas as chances de aprovação somente em virtude do mérito do projeto é, na prática, zero. Ter um grande partido de apoio por si só também não é garantia de aprovação de matérias, se não houver projetos e nem pessoas com habilidade para defendê-los. Muitos partidos somente reagem à agenda política de partidos menores, mas bem organizados, que agem em pirâmide. Os deputados desses partidos grandes não fazem discurso, não protocolam projetos e só votam as matérias apresentadas pelos demais.

Em suma, a transparência e o vínculo direto que as mídias sociais proporcionam é um avanço, mas mudar o Brasil requer que ativistas, partidos e deputados trabalhem em simbiose na construção do mecanismo de mudança; a pirâmide.

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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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