BRA50.
BRASÍLIA (BRASIL), 6/1/2023. – El ministro de Hacienda de Brasil,
Fernando Haddad, participa de la primera reunión ministerial del
gobierno hoy, en el Palacio del Planalto, en Brasília (Brasil). Lula da
Silva, reunió este viernes por primera vez a sus 37 ministros y los
instó a trabajar por la “reconstrucción” de la “democracia” y en favor
“del pueblo abandonado por el Estado”. EFE/Andre Borges
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad.| Foto: EFE/André Borges
Ele
é economista, eu não sou. Ele faz o alerta: “o governo começou com o pé
na tábua dos gastos”. E queriam o quê? Não acompanharam a campanha
eleitoral? Teto de gastos é o escambau. Não prestaram atenção na equipe
de transição? Aquela com mil pessoas… Queriam regras confiáveis para
conter os gastos públicos? O Congresso disse que o negócio é acelerar;
dinheiro não faltará. Tem sempre alguém que paga a conta, que até
pragueja, mas não reclama.
Os gastos são vários, são lindos. A politicagem é a rainha da
gastança. Há tantos ministérios agora, são 37. Há tão poucos técnicos,
tantos processos na Justiça pelo caminho. A imprensa exalta o colorido.
Ninguém vai rasgar dinheiro, rechear os próprios bolsos. Agora, nenhum
jornalista reclama se não há um médico no comando do Ministério da
Saúde. Entender de economia também não é mais fundamental a um ministro
da Fazenda.
São tantas piadas… Uma reforma tributária deve ser a reafirmação do
amor que esse governo tem por impostos. Desoneração é o fim da picada.
Impostos, ao infinito e além! Cobrar mais, mais e mais. Isso, por si só,
já é assustador. E segue o drama: distribuir mal, gastar mal e gastar
muito, muito. Se o rombo de R$ 231 bilhões em 2023 parece pouco, caminha
o país de várias maneiras para a destruição.
Agora, nenhum jornalista reclama se não há um médico no comando do Ministério da Saúde
Privatizar será proibido. E as empresas privadas precisam estar
alinhadas com o governo, ou o boicote a elas, liderado pelo ministro da
Fazenda, talvez vire lei… Ninguém riu na plateia. Ninguém vai rir das
estatais comandadas por políticos e sindicalistas. Como é saborosa a
ingerência. A gente amiga do partido dá risada, espantando a governança.
Há tantas piadas sem graça e perturbadoras, há tantos interesses.
O economista pergunta sobre o “pé no freio do gasto”. Ele quer saber
da “organização da casa”. As últimas respostas são: “a autonomia do
Banco Central é uma bobagem”, “a meta de inflação é exagerada”… Vivemos
mesmo num país engraçado, que economiza, aumentando os salários do
presidente da República, do vice, de ministros de Estado, parlamentares e
magistrados do STF. Mas, fiquem tranquilos, os gastos públicos vão nos
livrar de todos os problemas, vão salvar a indústria, as florestas,
promover o saneamento básico, a educação, o desenvolvimento. O Estado
vai salvar os pobres.
Dinheiro público, de onde vem, para onde vai? Reformem o Palácio da
Alvorada, com urgência, sem licitação, o presidente precisa de uma casa,
de uma cama. Não economizem. Vamos acertar nossas contas, gastando
mais. Limite para despesas é coisa de gentinha. Equilíbrio é para os
fracos. Dinheiro sempre houve. Pendurem tudo na inflação, nos juros
altos, no desemprego. Nós sempre pagamos a conta… Vamos reclamar agora?
“Davos é, basicamente, um lugar em que os
bilionários dizem aos políticos o que eles têm que fazer… E os políticos
costumam obedecer”, declarou nesta semana o político espanhol Pablo
Iglesias, um dos fundadores do partido de esquerda “Podemos”.
Mas Iglesias é hoje uma voz dissonante na esquerda, que parece
totalmente alinhada e muito à vontade com os comandos – e com as
generosas doações – recebidos da elite globalista encarnada em ONGs e
fundações como a Fundação Ford e a Open Society, de George Soros.
É esta elite que está reunida, mais uma vez, em Davos, nos Alpes
suíços, para ditar aos governantes do mundo como eles devem agir.
Contando com a presença de mais de 2.500 líderes mundiais, o Fórum
Econômico Mundial deste ano tem como tema “Cooperação em um mundo
fragmentado”.
O tema foi escolhido pelo presidente do Fórum, o empresário alemão
Klaus Schwab. Schwab não esconde suas ideias: dois meses atrás, em uma
entrevista a um canal da televisão inglesa, ele elogiou o modelo chinês
de capitalismo de Estado e afirmou, literalmente, que a China é, para
muitos países, um “modelo a seguir”.
Em outras ocasiões, o presidente do WEF – World Economic Forum tem
pregado a necessidade de reestruturação da ordem internacional em um
sistema homogêneo, de governança global, que se sobreponha aos governos
locais e combine elementos do socialismo e do capitalismo.
É a tal “Agenda 2030”, expressão que, salvo engano, surgiu em
novembro de 2016, quando o WEF divulgou um vídeo com uma série de
previsões/prescrições para o planeta em 2030, incluindo “Você comerá
muito menos carne!” e “Você não terá nada e será feliz!”.
Levado este projeto às últimas consequências, não haverá mais
propriedade privada (de casas ou carros, por exemplo), apenas acesso a
serviços e bens públicos – acesso administrado, em alguma medida, pelo
Estado, que aliás também controlará todos os meios de comunicação.
É fácil visualizar como a gestão destes acessos pode ser usada como
ferramenta de censura e perseguição. Mas ninguém liga, porque no mundo
da Agenda 2030 todos serão felizes, e quem é feliz e vegano não precisa
de liberdade de expressão. Só os fascistas carnívoros se preocupam com
isso.
Todos os líderes reunidos em Davos são muito bem intencionados, todos
estão do lado do bem e da democracia, todos lutam pela justiça social e
pelo meio-ambiente. Que andem de jatinhos que poluem mais a atmosfera
em uma hora de voo do que você vai poluir durante a vida inteira é
apenas um detalhe que não pega bem lembrar.
As boas intenções, aliás, justificam até a, digamos assim, inverdade
de afirmar que 120 milhões de brasileiros passam fome, ou mesmo a defesa
pública do boicote a empresários brasileiros que não votam no candidato
certo.
Foram estas as duas coisas que o mundo aprendeu sobre o Brasil em
Davos, nos últimos dias: que mais da metade da população passa fome, e
que empresas ideologicamente impuras merecem ser boicotadas, com apoio
do Ministério da Fazenda.
Todos os líderes reunidos em Davos são muito bem intencionados, todos
estão do lado do bem e da democracia, todos lutam pela justiça social e
pelo meio ambiente
O Fórum divulgou este ano um Relatório de Riscos Globais para o
planeta, no qual, na melhor tradição da novilíngua orwelliana inventou
uma nova palavra: “policrise”.
Entre os principais riscos apontados para os próximos anos estão o
aumento da inflação e do custo de vida, a recessão global, as mudanças
climáticas, a erosão da coesão social, a polarização política, a
migração descontrolada, o esgotamento de recursos naturais, crise
energética, crise de abastecimento, e a “confrontação geoeconômica”.
Assim vai ficar difícil ser feliz.
O Brasil é citado 14 vezes no relatório, e uma delas chama a atenção pela clareza do diagnóstico:
“A erosão do centro social e político corre o risco de se
autoperpetuar. As divisões incentivam a adoção de plataformas políticas
mais extremas e de curto prazo para galvanizar um lado da população e
perpetuar as crenças populistas. Notavelmente, a disputa entre dois
candidatos não centristas costuma ser acirrada. Embora anunciada como um
ressurgimento dos movimentos de esquerda, a eleição presidencial
brasileira de 2022 foi vencida pelo presidente Lula por 1,8 ponto – a
menor margem registrada desde que se tornou uma nação democrática. Como
tal, uma grande proporção da população pode se sentir alienada e
irritada com a liderança no mandato seguinte, agindo como um
multiplicador das preocupações sociais existentes e da agitação civil.
Isso é amplificado ainda mais pelas mídias sociais, que aumentam a
polarização e a desconfiança nas instituições ao lado do engajamento
político.”
Chama a atenção, na edição do WEF deste ano, a quantidade de painéis
focados na agenda Woke – pautas identitárias, defesa do aborto,
flexibilização do combate às drogas etc.
Recebeu grande destaque, por exemplo, o painel sobre “paridade de
gênero” em que a titular do Ministério das Mulheres da Índia falou com
muito orgulho sobre a liberação do aborto em seu país, até a
vigésima-quarta semana de gestação:
Ou não, na verdade isso não chama a atenção, porque a agenda Woke vem
sendo, já há muitos anos, o aríete do projeto globalista na cooptação
dos corações e mentes das novas gerações.
Se Soros apoia e financia a esquerda, é porque a esquerda já não é mais a mesma de poucas décadas atrás.
Os jovens que hoje se enxergam como esquerdistas não são
anticapitalistas nem pregam a luta de classes, ao contrário, são
extremamente consumistas e querem usufruir do melhor que o capitalismo
tem a oferecer, de preferência sem muito esforço – e com a consciência
limpinha de quem se coloca do lado das minorias contra os fascistas que
se recusam a votar em quem eles votam e a defender as ideias e valores
que eles defendem.
Mas, como Soros e outros metacapitalistas, estes jovens são, sim,
anti-conservadores: eles aprenderam em sala de aula a odiar e combater
os valores e princípios associados à família, à tradição judaico-cristã,
ao respeito a crenças e costumes locais etc.
Ora, são justamente esses valores e princípios representam um
obstáculo à implementação da agenda do poder global hoje em curso. E é
por isso que essa agenda também se estabelece por meio do financiamento
aos movimentos progressistas.
A equação se inverteu: a contracultura, hoje, é conservadora, na
medida em que o conservadorismo representa a real subversão, a
verdadeira resistência às tentativas de controle da sociedade pelo
Estado.
No Brasil o fenômeno da contracultura conservadora é evidente.
Afrontar as crenças e tradições dos brasileiros comuns se tornou algo
tão natural para a classe falante, uma prática tão rotineira entre
intelectuais e artistas, que a verdadeira contracultura, hoje, é ir com a
família à missa aos domingos, é acreditar que existem o certo e o
errado, o moral e o imoral.
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em
painel em Davos nesta segunda-feira (16)| Foto: Boris Baldinger/ World
Economic Forum
A ministra Marina Silva disse em Davos que o Brasil tem 120 milhões
de pessoas passando fome. Lula tentou corrigir dizendo que são 105
milhões sob algum tipo de insegurança alimentar. Mas não bate bem com os
dados oficiais que foram publicados em 30 de novembro sobre emprego e
renda.
O governo anterior pegou o desemprego perto de 15%. E no dia 30 de
novembro, estava em 8%, e com quase 100 milhões de brasileiros ocupados.
E a renda média, em um ano, subiu 7,1%.
CEO da Pfizer contra a parede
Mas já que a gente está falando em Davos, vocês viram a abordagem de
repórteres de televisão, ao CEO, o chefão da Pfizer, sobre o trabalho
dele? Perguntaram por que ele manteve em segredo que a vacina não impede
a transmissão. Aí ele só respondeu: “Bom dia”. Perguntaram “não é hora
de pedir desculpas à humanidade?” Aí ele disse “passe bem”.
Aí nova pergunta: “O senhor está preocupado com a miocardite, com as
mortes súbitas, com jovens tendo ataque cardíaco?” Então uma pessoa que
está o acompanhando, dá um puxão nele, vê se pega um carro, mas ele não
consegue sair dali. E eles continuam perguntando: “Quanto o senhor
ganhou com vacinas? O seu iate, o seu jatinho particular…” Fiquei
impressionado com essa abordagem e o que esse homem vai fazer quando ele
estiver na cama pra dormir, pensando sobre essas perguntas que foram
feitas à ele.
Lula não quer CPI Outra questão que eu queria comentar com vocês é
aquela entrevista de Lula para Globonews, em que ele diz que não é bom
fazer uma CPI para investigar os ataques de domingo, 8 de janeiro, a
baderna, os destruidores de patrimônio público, vândalos. Como é que ele
respondeu? Ele disse: “Uma CPI pode não ajudar, e pode criar uma
confusão tremenda”.
Como não quer investigar? Uma CPI pode não ajudar e pode criar uma
confusão tremenda? Será que isso vale para CPI da Covid, que criou
efetivamente uma confusão tremenda na cabeça das pessoas, dizendo que
não havia tratamento, todas aquelas coisas que estavam muito além do que
a medicina apurava?
Investigação política Mas é o seguinte: uma CPI é uma investigação
política, foge do controle a investigação política. Porque não vai
querer só saber dos agentes ativos da invasão e da destruição, mas vão
querer investigar os agentes passivos, que poderiam ter prevenido,
reprimido e evitado.
Aí eu lembro o que disse o antigo chefe do Gabinete Institucional do
governo Temer, quando houve três invasões de ministérios no mesmo dia,
inclusive com fogo no Ministério da Agricultura, e ele disse que sempre
estavam com a pior hipótese, e aí preveniam. O ministro da Defesa da
época, Raul Jungmann, que era do Partido Comunista Brasileiro, disse a
mesma coisa, que era plenamente defensável o Palácio do Planalto,
Congresso e o Supremo.
VEJA TAMBÉM: Será que Alexandre de Moraes conhece a Lei Antiterrorismo? Palácio do Planalto sem militares por ordem de Lula Os desafios que Lula parece não enxergar Ninguém
entende como é que as pessoas entraram lá, então uma CPI investigaria
isso, não é? Investigar porque todos os manuais de prevenção de
segurança estão sempre baseados na pior hipótese. Se você vai planejar a
segurança da sua casa, você não vai planejar que uma velhinha vai bater
lá com o canivete na mão. Você vai planejar que vai chegar um bandido
querendo arrombar tudo e bem armado. Parece que isso não foi feito, o
próprio Lula confessou, na entrevista que ele deu, vou usar palavras
dele: “Nós cometemos um erro elementar. A minha inteligência não
existiu, saí daqui da sexta-feira com a informação de que estava tudo
tranquilo”.
Então como responsabilizar e tirar o governador de Brasília, prender o
comandante da PM? A PM não é a guarda do Palácio, a PM é guarda da rua.
Quem é a guarda do Palácio é o Batalhão da Guarda Presidencial,
Primeiro Regimento de Cavalarias de Guardas, Gabinete de Segurança
Institucional é que trabalha nisso. Talvez por isso que não queiram uma
investigação política, para apurar as responsabilidades dos dois lados. A
responsabilidade política também de ter permitido essa balbúrdia, essa
coisa horrorosa para a democracia que foi a invasão da sede dos Três
Poderes, com destruições de bárbaros, por parte de vândalos.
AME4954.
BRASILIA (BRASIL), 08/01/2023.- Manifestantes contra los resultados
electorales y el gobierno del recién posesionado presidente Lula da
Silva invaden el Congreso Nacional, el Supremo Tribunal Federal y el
Palacio del Planalto, sede de la Presidencia de la República, hoy, en
Brasilia (Brasil). Centenas de seguidores del expresidente brasileño
Jair Bolsonaro invadieron este domingo la sede del Congreso Nacional en
una manifestación que pide una intervención militar para derrocar al
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. El grupo, que defiende tesis
golpistas, superó una barrera policial y subió la rampa que da acceso al
techo de los edificios de la Cámara de los Diputados y del Senado, y
algunos entraron dentro de la sede legislativa.EFE/ Andre Borges
| Foto: EFE/ Andre Borges.
E a monumental CPI que iria
abalar o Brasil com suas investigações sobre os distúrbios do dia 8 de
janeiro em Brasília? Até cinco minutos atrás, o governo Lula, os
extremistas de esquerda e os aproveitadores de sempre estavam encantados
com a CPI – mais uma oportunidade de linchar os adversários num
espetáculo histérico de circo, como fizeram com a covid e sempre fazem
quando acham que podem tirar proveito dos pelotões de fuzilamento que
montam no Congresso. Já tinham as assinaturas necessárias; o presidente
do Senado já tinha corrido para dizer que era a favor. Desta vez a
grande ambição era acusar o ex-presidente Jair Bolsonaro, e sabe lá Deus
quem mais, pela invasão e depredação dos edifícios dos Três Poderes. De
repente, por milagre, os linchadores desistem do linchamento. Sofrem,
todos eles, um súbito acesso de espírito publico e desistem do massacre
que tinham acabado de armar. Lula não quer mais a CPI. Pronto: a CPI
está morta e enterrada.
“O que você pensa que a gente vai ganhar com uma CPI?”, perguntou
Lula. “Uma comissão de inquérito pode criar uma confusão tremenda. Nós
não precisamos disso”. Não precisam mesmo – nem um pouco. O presidente,
ao passar o atestado de óbito da CPI dos “atos antidemocráticos” foi
direto ao centro do alvo: ele não tinha nada a ganhar com qualquer
investigação-show sobre o que de fato aconteceu na baderna. É exatamente
o contrário: só teria a perder, desde que ficou claro que o seu
governo, e talvez ele mesmo, tinham pleno conhecimento de que haveria
manifestações violentas naquele dia – e não tomaram nenhuma medida séria
para impedir a baderna. Há muita coisa mal contada na história toda; é
mais lucrativo, aí, mostrar-se a favor da paz e evitar eventuais balas
perdidas. Não dá, de fato, para atirar em Bolsonaro e acabar acertando
sabe-se lá quem, certo? “A CPI pode ser um elemento de confusão, de
desagregação e de divisão”, disse um deputado-estrela do PT.
Lula não quer mais a CPI. Pronto: a CPI está morta e enterrada
“Divisão?” E desde quando os radicais do PT e outros agitadores que
controlam o governo estiveram interessados em unidade? É o oposto: junto
com Lula, pregam a divisão o tempo inteiro, e não abriram mão, até
agora, de tratar como inimigos a serem destruídos os 58 milhões de
brasileiros que votaram no adversário na última eleição. Tudo bem;
melhor assim. A vida real talvez comece a mostrar, para o bem de todos,
que esse grito de guerra permanente não é o melhor caminho para o
governo – na verdade, pode nem ser um caminho viável. Nesse sentido, o
cavalo-de-pau da CPI, apesar da hipocrisia que reveste a coisa toda, é
um fato positivo para o Brasil: vai evitar tensões, tumultos e novos
surtos de ódio, num momento em que o país não precisa de absolutamente
nada disso, e sim de tranquilidade para levar a vida adiante.
Lula: “Você vai voltar. Eu já voltei e agora você vai voltar. E, juntos, nós vamos mudar esse país”| Foto: Reprodução/ Twitter
“Você
vai voltar. Eu já voltei e agora você vai voltar. E, juntos, nós vamos
mudar esse país”. Lula é quem diz isso enquanto acaricia uma imagem de
Cristo crucificado. O vídeo, com direito a pianinho sentimentaloide,
marca d´água de jornal e tudo, circulou discretamente pelas redes
sociais como esforço de propaganda do Partido depois dos atos de
vandalismo, terrorismo ou golpismo (chame como quiser) do último dia 8
de janeiro.
Ao fazer circular as imagens, o Ministério da Propaganda Petista (uma
espécie de PAC informal que conta com o apoio de jornais e emissoras de
rádio e TV) pretendia ressaltar a religiosidade de Lula. O homem
incapaz de fazer mal a uma mosca, imagina!, mas cujo governo, logo nas
primeiras semanas, deixou claro seu caráter abortista. Isso sem falar na
relação clara entre Lula e ditaduras que perseguem cristãos pelo mundo
afora.
A cena despertou em mim a única coisa que o noticiário tem despertado
ultimamente: indignação. Revolta. Raiva impotente. (E olhe que, por
enquanto, eu ainda tenho este espacinho aqui para escrever e, assim,
desopilar um pouquinho o fígado cansado de tanta sujeira política).
Aquela sensação incômoda e permanente de que vivo num mundo, ou ao menos
num país, que se guia por valores totalmente opostos ao que considero
belo & moral.
Pena Confesso que pretendia hoje chafurdar nessa sensação, com
alguma sorte fazendo com que minha revoltinha desse as mãos à revoltinha
do leitor e, assim, saíssemos os dois alegres e saltitantes, sabendo
que não caminhamos sozinhos pelos lamaçais do Reino da Indignação. Mas
no meio do texto havia um sacerdote, havia um sacerdote no meio do
texto. E foi graças a ele, o padre Jorge Ramos, que minha indignação deu
lugar a um sentimento diferente: piedade.
Taí. Da mesma forma que sentia (e ainda sinto) pena de Bolsonaro,
sinto pena de Lula. E sugiro que você, trocando a indignação estéril
pelo amor vivo, sinta também. Não me refiro, aqui, à pena que, nascida
de uma sensação de superioridade, humilha; estou falando da pena genuína
de quem reconhece as próprias falhas num ser humano tão distante.
Afinal, se Lula é quem é e promove os valores que promove e mente como
se não houvesse amanhã e engana e ludibria e seduz, é porque nós, por
palavras, atos e omissões (mas não votos, espero), de alguma forma demos
a ele esse poder.
Lula é quem é porque, ao longo de sua vida, nunca se deparou com um
professor ou um padre capaz de dizer a ele que desejar se igualar a Deus
é o maior dos pecados. Pelo contrário, aposto minha vasta cabeleira
como Lula é daqueles homens que, ao longo da vida, só encontraram
pessoas que disseram “você está certo!” e “vai lá, muda o mundo!” e
“tenho certeza de que, se alguém consegue, esse alguém é você, Lula!”.
De modo que agora, com quase 80 anos, é improvável que Lula busque a
Salvação que lhe é de direito. Infelizmente. Me diz se isso não é algo
digno do mais sincero compadecimento cristão! Ah, se ao menos Lula desse
ouvidos aos que querem seu verdadeiro bem, e não às Janjas, Dirceus e
Randolfes da vida. Se ao menos ele parasse de fato para escutar o que o
Cristo, aquele mesmo que prefere os pecadores (Mateus 9:13), tem a lhe
oferecer, pedindo em troca apenas uma vida de retidão e humildade.
Mas não. Talvez seja tarde demais para Lula tentar se livrar das
algemas do poder que, se por um lado o faz parecer todo pimpão, mandando
aqui e desmandando ali, por outro o torna escravo da vontade alheia. Da
vontade dos intelectuais e dos artistas. Da vontade dos juízes e dos
líderes dos movimentos sociais. Da vontade de todo tipo de depravado
moral que vê no Estado uma forma de satisfazer seus prazeres mais
imediatos. Sempre à custa da própria alma.
Indignação Por falar em escravidão, da mesma forma que Lula é
cativo da política, talvez nós tenhamos nos tornado escravos da revolta,
da raiva impotente, da indignação permanente. Do frenesi que é essa
rebeldia constante “contra tudo o que está aí”. Nos acostumamos a
acordar e, logo cedo, ao “folhear” os sites de notícias, sentir o fel
queimando a garganta, as pupilas se dilatando e o coração batendo mais
forte pelo prazer inconfessável de, cotidianamente, se insurgir contra o
que é sempre absurdo e inaceitável.
Talvez tenhamos acreditado um pouquinho demais nos falsos profetas de
uma liberdade que, como bem aponta meu amigo César Miranda, resumindo
com maestria o argumento de Georges Bernanos, no fundo é apenas a
liberdade para pecar. Para errar sabendo-se que se está cometendo um
erro – e há erro maior do que esse? Para subjugar o próximo, tendo na
ponta da língua uma justificativa política para isso.
Não sei você, mas quero mais da vida do que passar raiva toda vez que
ouço Lula mentir ou falar alguma estupidez soprada em seus ouvidos
pelos íncubos do PCdoB e súcubos do PSOL. Chega desse prazerzinho sádico
de dizer baixinho “eu estava certo” ou então “faz o L, seu petista
burro!”. Pode não ser hoje nem amanhã. Pode demorar. Mas quero e vou me
livrar desse vício na ira pretensamente justa para apreciar mais o que
há de certo. De belo. De livre. De divino no mundo.
Resiliência faz um bom líder: 7 dicas para desenvolver a habilidade
Por Júlio Cezar Agostini
Portrait
of successful female executive manager with open hands gesture standing
in front of her team in office hall and announce good news
Resiliência é a capacidade de se adaptar às mudanças negativas que ocorrem.| Foto: Kateman Gostar / Freepik
Você
já imaginou estar no lugar de uma figura com tamanho desafio com
Volodymyr Zelenski, presidente da Ucrânia. O país sendo atacado por um
gigante bélico que é a Rússia, milhares de vidas em jogo, e ao mesmo
tempo com a responsabilidade de manter a integridade do futuro do país
em meio ao caos.
Também se coloque no lugar de um dos milhares de empresários que
tiveram que demitir grande parte de sua equipe de trabalho em função da
crise gerada pelo Covid-19, pagando as contas em atraso, assumindo
prejuízos mês a mês durante dois anos até a economia voltar à
normalidade.
Esses são apenas dois exemplos, extremamente distintos, de milhares
de casos que acontecem dia a dia e que exigem do líder um elemento
essencial para sua sobrevivência e evolução: a resiliência.
Resiliência á a capacidade de se adaptar com mudanças negativas que
ocorrem. Adversidades não discriminam pessoas. Todos em algum momento
passam por tempos difíceis. Uma doença, um acidente, a perda do emprego,
a perda de clientes, a falência da empresa, a perda de um familiar.
Tudo isso faz parte de uma lista enorme de circunstâncias que podem
abalar uma pessoa. Eu mesmo tive a experiencia de passar pelo
diagnóstico de um tumor maligno que teve que ser tratado durante a
pandemia, uma situação difícil, mas que está caminhando para um final
saudável.
É exatamente a capacidade de se recuperar das adversidades que deve
ser desenvolvida pelas lideranças, pois em momentos difíceis o
verdadeiro líder precisa aparecer.
A resiliência é como um músculo e pode ser desenvolvida. Mas como
fazer isso? Compartilho hoje sete dicas de como fazer esse
desenvolvimento acontecer:
Mantenha uma visão realista e também otimista da situação; Na
crise sempre existem oportunidades. Saiba identificá-las para focar sua
atenção naquilo que é bom e nas atividades que podem ser influenciadas e
desenvolvidas diretamente por você; Tenha disposição para aprendizados, mudanças e adaptações; Tenha senso de propósito; Busque ser curioso e flexível; Seja proativo e tenha inciativa; Gere quick wins (vitórias rápidas). Quick wins geram a confiança necessária para que uma trajetória de êxito seja retomada;
Victor Frankel, neoropsiquiatra austríaco que sobreviveu aos
campos de concentração nazistas na segunda guerra mundial, comenta que
independente das circunstâncias – crises, guerras, problemas econômicos –
a resposta está sempre na decisão do indivíduo que assume a própria
responsabilidade pelo seu destino.
Desenvolver a resiliência e capacidades associadas darão ao líder
maior potência para agir quando as dificuldades e crises aparecerem,
isso fará a diferença na forma de liderar um grupo que precisa superar
desafios. Como diz Aly Raisman, medalha de ouro em competições de
ginástica, “são os dias difíceis que nos fazem mais fortes”.
Robert Hogan, Fundador e Chairman da Hogan Assessment Systems, Inc e Ryne Sherman, Science Officer da mesma empresa
Em todas as áreas do empreendimento humano, há pessoas que ganham a
vida fazendo coisas, e há quem se torne bem-sucedido criticando o que os
outros fazem, como por exemplo os críticos das mais diversas áreas,
como cinema, música, literatura ou negócios.
Elon Musk, indiscutivelmente, está no primeiro grupo, mas como a
pessoa mais rica do mundo, ele é um alvo natural para críticas.
Ultimamente, Musk tem enfrentado pesadas críticas por suas decisões de
negócios; no entanto, nada em sua biografia sugere que Musk seja
narcisista, malévolo ou que tenha um perfil psicótico.
Achamos que existem três chaves para explicar quem é Elon Musk, e
elas se enquadram nos títulos de poder, estrutura e estilo. O poder tem a
ver com a capacidade cognitiva; a estrutura tem a ver com a orientação
cognitiva, e o estilo tem a ver com o impacto interpessoal.
No que diz respeito ao poder, Musk é muito inteligente; com formação
em física e economia, ele sabe mais sobre números, tecnologia e finanças
do que a maioria das pessoas.
Além disso, seus parceiros de negócios dizem que ele é notavelmente
perspicaz na previsão de tendências de negócios e na detecção de falhas e
preconceitos no raciocínio de outras pessoas. Então, Musk é muito
inteligente e tem a capacidade de tomar boas decisões – nem todas as
pessoas inteligentes o faz. No entanto, o mega executivo não mostra ser
muito bom em planejamento; muitas vezes ele parte para ação e depois
avalia suas decisões, como ele “tuitou”, em 9 de novembro, a respeito da
compra do próprio Twitter:
“Por favor, o Twitter vai fazer muitas coisas estúpidas nos próximos
meses. Vamos manter o que funcionar e mudar o que não funcionar”
Quanto à estrutura, Musk tem a mesma orientação da maioria dos
empreendedores, um campo em que a Hogan costuma ter muitos dados para
análise.
Em relação às pessoas comuns, os empreendedores são analíticos,
solucionadores de problemas baseados em dados, cheios de energia e
trabalhadores árduos (semanas de trabalho de 100 horas são normais), sem
medo de riscos, competitivos e focados em causar impacto e fazer a
diferença. Trabalho árduo, destemido, competitivo e orientado para a
realização – ingredientes-chave para o sucesso, independentemente da
capacidade cognitiva.
Musk se descreve como uma pessoa portadora da síndrome de Asperger,
que se consolidou sob o transtorno do espectro autista (TEA) que pode
afetar seu estilo interpessoal. Em nossa experiência, o TEA é comum
entre engenheiros, matemáticos, jogadores de xadrez e empresários.
As pessoas que conhecem Musk o descrevem como “a alma da festa” e,
uma prova adicional de sua vivacidade é sua participação como “host” do
tradicional programa humorístico americano “Saturday Night Live”, da
NBC. Fora do trabalho, ele costuma ser descrito como espirituoso,
irreverente e travesso.
O estilo e eficácia da liderança de Musk levantam uma questão muito
interessante. Liderança é construir equipes de alto desempenho, e bons
líderes são pessoas que os outros querem seguir. Os empreendedores
tendem a ser maus líderes; como a maioria dos gerentes de finanças e
engenharia, eles estão interessados em resultados e não nos sentimentos
das pessoas. Musk se descreve como um “nanogerente” exigente, impaciente
e rápido em encontrar falhas. Ele é orientado para a ação e não se
preocupa muito com as sensibilidades da equipe.
Musk não é o primeiro líder a ter a reputação de ser difícil aos
olhos do público. Em outro lugar, falamos sobre o “paradoxo da Apple”:
como alguém tão ambíguo e desagradável como Steve Jobs pôde construir um
negócio tão bem-sucedido quanto a Apple?
Nossa resposta é dupla. Por um lado, a capacidade mais crítica dos
CEOs é tomar boas decisões sobre produtos e mercados, sem se preocupar
com os sentimentos das pessoas. Por outro lado, bons gerentes abaixo do
nível CEO geralmente protegem a equipe do mau comportamento de CEOs
abusivos. Sabemos que Musk é um empreendedor extremamente bem-sucedido e
um líder medíocre – mas um líder medíocre comparado a quem? Mark
Zuckerberg? Jeff Bezos? Bill Gates? Jack Welch?
Finalmente, há a aquisição do Twitter e como as recentes ações de
Musk para reestruturar uma empresa de baixo desempenho e mal
administrada o afetaram. Embora o CEO anterior tenha admitido que o
Twitter estava com excesso de pessoal, parece claro que foi um erro
demitir metade da força de trabalho sem primeiro avaliar sua função e
desempenho. Esse tipo de corte de pessoal precipitado cria preocupação e
confusão desnecessárias entre os funcionários, o que provavelmente não
contribuirá para um alto desempenho.
Por outro lado, Musk e seus engenheiros começaram uma revisão
detalhada e granular de todos os aspectos do negócio do Twitter e esse
esforço é o primeiro passo essencial para melhorar processos e produtos.
O próprio Musk disse à sua nova equipe:
“Revoluções não são feitas com cautela. Então, queremos testar
coisas, de preferência coisas que não quebrem o sistema, mas, desde que
sejamos ágeis e reajamos rapidamente para melhorar as coisas e corrigir
erros, acho que vai ficar tudo bem”
Como reação à aquisição do Twitter e demissões de Musk, muitos
indivíduos no Twitter começaram a imitar e zombar o novo proprietário.
Vale ressaltar que, se o alvo não fosse o CEO do Twitter e a pessoa mais
rica do mundo, algumas dessas gozações seriam declaradas
“cyberbullying”. Independentemente disso, muitas das críticas parecem
ser inspiradas pelos críticos das visões políticas de Musk.
Mas, como a maioria dos empreendedores, especialmente os muito
bem-sucedidos, Musk não está recuando. Em vez disso, ele está
respondendo com seus próprios tweets sarcásticos e mudando as regras
sobre contas falsas. É difícil dizer como a aquisição do Twitter
funcionará para Musk, mas se seus empreendimentos anteriores servirem de
indicação, seria difícil apostar contra ele.
A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional,
desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em
divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo
as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade,
ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como
vantagem competitiva.
Nosso principal produto é a Plataforma Comercial ValeOn um
marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das
empresas da região e alavancar as suas vendas.
A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região
no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma
proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior
de mais clientes e públicos.
Diferenciais
A ValeOn inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de
forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus
serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
A ValeOn foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil
para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial ,
demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o
fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e
especialmente aos pequenos e microempresários da região que não
conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que
ele proporciona.
A ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no
atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os
766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os
produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a
micro-região do Valeo do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua
audiência.
Missão:
Oferecer serviços de Tecnologia da Informação com agilidade,
comprometimento e baixo custo, agregando valor e inovação ao negócio de
nossos clientes, respeitando a sociedade e o meio ambiente.
Visão:
Ser uma empresa de referência no ramo de prestação de serviços de
Tecnologia da Informação na região do vale do aço e conquistando
relacionamentos duradouros.
PT quer usar vandalismo em Brasília para apressar ações no TSE que tornem Bolsonaro inelegível
Por Renan Ramalho Brasília
Lula e Alexandre de Moraes durante a diplomação no TSE, em dezembro| Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE
O
PT quer aproveitar a comoção causada pelas invasões às sedes dos três
Poderes para acelerar ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para
tornar inelegível o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Estrategistas
políticos do partido consideram que é o momento ideal para tirar de vez o
ex-chefe do Executivo da disputa eleitoral de 2026, por vários motivos:
a emergência de novas “provas” de que ele supostamente cogitava ou
incitava uma ruptura no regime democrático; uma composição hostil do TSE
em relação a Bolsonaro, e que não durará por muito tempo; e uma
conjuntura política ainda razoavelmente favorável ao novo governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Lula falou sobre essa possibilidade, nesta quarta-feira (18), e disse
que precisa ser investigada a possibilidade de o ex-chefe do Executivo
ter algum tipo de participação nos atos. E, se isso eventualmente for
comprovado, ele defendeu que haja punição e até que Bolsonaro fique
inelegível.
Uma demonstração recente de que há oportunidade aberta para isso foi
dada na última segunda (16), quando o ministro Benedito Gonçalves,
relator das ações de inelegibilidade no TSE, acolheu um pedido do PDT
para incluir numa delas, como prova, a minuta de um decreto, apreendido
na casa do ex-ministro de Justiça Anderson Torres, no qual Bolsonaro
decretaria, enquanto presidente, estado de defesa no TSE para o “pronto
restabelecimento da lisura e correção do processo eleitoral de 2022” –
um esboço de uma intervenção na Corte para anular a eleição em que foi
derrotado.
Na decisão, Gonçalves ainda pediu ao ministro Alexandre de Moraes –
que determinou a prisão de Torres e a busca em sua casa, no âmbito da
investigação sobre os atos de vandalismo em Brasília – “outros
documentos e informações resultantes da busca e apreensão que digam
respeito ao processo eleitoral de 2022, em especial voltados para a
deslegitimação dos resultados”. Na prática, a ação para tornar Bolsonaro
inelegível poderá ser abastecida com provas colhidas por determinação
de Moraes, que se mantém no comando do TSE.
Embora essa decisão tenha sido proferida no âmbito de uma ação mais
antiga do PDT, um partido aliado e integrante do governo, os advogados
do PT ainda vão aguardar o surgimento de mais elementos nas
investigações conduzidas por Moraes para alimentar suas ações com
“provas ainda mais robustas”, na expressão de um deles, que pediu para
não ser identificado. A equipe jurídica entende que ainda poderão
aparecer indícios mais fortes de que Bolsonaro pretendia dar um golpe,
inclusive com ajuda de auxiliares diretos, como alguns militares.
O PT tem uma ação própria, e semelhante à do PDT, que acusa Bolsonaro
de abuso de poder político por questionar a integridade das urnas
eletrônicas. Para o partido, seria uma atitude deliberada para mobilizar
sua base de apoiadores para deslegitimar o processo eleitoral e, assim,
dar base e certo apoio popular a uma virada de mesa.
É uma tese que, provavelmente, encontra receptividade, hoje, entre a
maioria dos ministros do TSE, no grupo formado por Alexandre de Moraes,
Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Benedito Gonçalves – durante a
campanha, os quatro quase sempre votavam de forma consensual e dura para
remover propagandas de Bolsonaro que consideravam enganosas, ao ponto
de proibi-lo de chamar Lula de ladrão e corrupto, por exemplo.
O interesse em apressar o andamento das ações, e nos próximos meses,
se dá porque haverá dois desfalques nesse quarteto: em maio, Lewandowski
se aposenta e dá lugar a Kassio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro e
que se mantém fiel a ele; e em novembro, Benedito Gonçalves termina seu
mandato no TSE e será substituído, como corregedor e relator das ações,
pelo ministro Raul Araújo, que já deu mostras de ser mais favorável a
Bolsonaro.
Foi dele, por exemplo, a decisão dada meses antes da campanha que
proibiu artistas de expressarem apoio a Lula no festival de música
Lollapalooza, em março de 2022. Em dezembro, após a eleição, Araújo
votou contra a multa de R$ 22,9 milhões aplicada por Moraes ao PL,
partido de Bolsonaro, em decorrência da ação para tentar invalidar a
maior parte dos votos no segundo turno, acusando mau funcionamento das
urnas eletrônicas.
Gonçalves, ao contrário, já tem demonstrado bastante abertura aos
pedidos do PT e do PDT contra Bolsonaro. Ainda durante a campanha,
concedeu várias liminares para impedir Bolsonaro de usar imagens do 7 de
Setembro e de viagens internacionais a Londres e Nova York na campanha.
O ministro vetou até mesmo a realização de “lives” no Palácio da
Alvorada.
Após a eleição, ele despachou em 12 das 15 ações de investigação
judicial eleitoral (Aijes) que ainda tramitam no TSE para tornar
Bolsonaro inelegível. Esse tipo de ação costuma andar devagar e demora,
em média, mais de dois anos para tramitar. Na maioria dos despachos,
Gonçalves intimou PT, PDT e outros partidos que buscam a inelegibilidade
de Bolsonaro a rebaterem as contestações do ex-presidente às acusações
nos processos, de suposto abuso de poder político ou uso indevido dos
meios de comunicação na campanha.
Por fim, dirigentes petistas acreditam que o momento é mais favorável
para condenar Bolsonaro porque seu desgaste é recente e também devido
ao fato de o novo governo ainda gozar de maior popularidade, ativo que
pode se dissipar ao longo do mandato de Lula. Uma conjuntura
desfavorável à imagem do presidente, caso se concretize no futuro, tira o
foco de Bolsonaro, e concentra as atenções do mundo político e jurídico
sobre a própria administração petista.
VEJA TAMBÉM: “Desbolsonarização” e filtro ideológico nas contratações paralisam áreas do governo Lula Lula atribui vandalismo em Brasília a “erro” da inteligência e critica politização nas Forças Armadas Lewandowski rejeita “salvo-conduto” para Bolsonaro e Anderson Torres Defesa de Bolsonaro A
reportagem procurou a defesa de Bolsonaro para se manifestar sobre a
estratégia do PT para torna-lo inelegível, mas não obteve resposta. Nos
processos, os advogados do ex-presidente têm se esforçado para rebater
as acusações. Ainda não houve manifestação na ação do PT relacionada aos
questionamentos contra as urnas, mas a equipe jurídica já contestou
imputações semelhantes, de abuso, feitas pelo PDT, pelo mesmo motivo.
Nesta ação, a defesa argumentou que o questionamento de Bolsonaro
sobre as urnas ocorreu em julho, antes da campanha, durante uma reunião
com embaixadores no Palácio da Alvorada. Os advogados afirmaram que não
era um ato de campanha, até porque foi dirigido a estrangeiros, mas sim
de governo. O evento constava na agenda oficial do presidente, e houve
até convite para o então presidente do TSE, Edson Fachin, para
participar. Segundo eles, era uma iniciativa de “diálogo institucional”
sobre “tema de interesse público”.
Para reforçar sua defesa, Bolsonaro indicou como testemunhas, para
depor em seu favor, os ex-ministros Carlos França (Relações Exteriores) e
Ciro Nogueira (Casa Civil), além do ex-secretário de Assuntos
Estratégicos da Presidência Flávio Rocha e de seu ex-assessor-chefe João
Henrique Nascimento de Freitas. Todos devem comparecer ao TSE para
depor no próximo dia 8 de fevereiro.
Já na ação do PT relacionada às urnas, a defesa ainda não se
manifestou porque Gonçalves aditou a ação para incluir nela duas
reportagens. Uma delas informou que o presidente do Partido Liberal,
Valdemar da Costa Neto, pediu ao ex-ministro da Justiça Anderson Torres
que a Polícia Federal investigasse os institutos de pesquisas
eleitorais. Outra revelou que Fernando Cerimedo, um argentino que
mencionou em vídeos supostas fraudes nas urnas eletrônicas brasileiras,
teria ligação com a empresa Gaio.io, que também colaborou com a equipe
de auditoria do PL que apontou mau funcionamento das urnas.
São outros elementos que Bolsonaro terá de rebater para se livrar de possível uma condenação.
Fora essas ações ligadas às urnas e de maior apelo entre os
ministros, o ex-presidente ainda deverá lidar com acusações de uso da
máquina para benefício eleitoral – no 7 de setembro, em viagens
internacionais, no uso dos palácios – e também na acusação do PT de
supostamente orquestrar um “ecossistema de desinformação” para atacar
Lula na campanha.
O
ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, o presidente,
durante café da manhã com jornalistas setoristas, no Palácio do
Planalto.
Paulo Pimenta também voltou a defender a regulação da mídia no
país, afirmando que isso não se trata de censura.| Foto: Marcelo
Camargo/Agência Brasil.
É emblemático e preocupante – embora nem um pouco surpreendente – que
o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da
Presidência, Paulo Pimenta, tenha afirmado na terça-feira (17) que seu
maior desafio à frente da pasta é recuperar a Secom como “emissora da
verdade” e fonte confiável de informação. Em entrevista ao jornal
Correio Brasiliense, o ministro enfatizou que a ideia é “recuperar o
governo como o grande difusor em verdades”, defendeu a regulação da
mídia no país e reclamou que a comunicação governamental estaria
“capturada pela visão política ideológica de quem estava aqui”.
Trata-se de um grande erro. Embora a comunicação institucional de um
governo, formada por uma intricada rede de produção de conteúdo que
envolve órgãos de comunicação, veículos institucionais, assessorias de
imprensa de ministérios, secretarias e órgãos do governo, além de
campanhas publicitárias, deva, sim, primar pela divulgação de
informações factuais confiáveis, e possa repassar as versões e
posicionamentos do governo, não cabe a ela impor o que considera ser a
verdade.
Quem sabe quais outras “verdades” o governo de Lula tentará criar em
sua fome por reescrever a seu bel-prazer a história do país.
A verdade – não somos defensores do relativismo de ideias – é um bem
precioso e delicado, cuja aproximação é feita individualmente, de forma
árdua, quase sempre gradual. Todos podemos, se quisermos, nos esforçar
para buscá-la usando os meios disponíveis para tal, que incluem, entre
outras coisas, a análise de informações e opiniões às quais temos
acesso. Por ser uma realidade tão delicada (e precisamente por isso e em
função da dignidade do ser humano), jamais pode ser imposta por quem
quer que seja – nem governos, nem meios de comunicação, pessoas ou
empresas.
Nesse sentido, a democracia é crucial para que a busca pela verdade
possa acontecer, ao garantir a liberdade para que as pessoas possam
expor e debater com humildade e equilíbrio pontos de vista distintos,
opiniões e convicções. Isso não significa que todas as ideias e opiniões
tenham o mesmo valor ou não possam ser limitadas – basta lembrar que,
juridicamente, mesmo havendo proteção constitucional ao direito de
expressão e opinião, há casos em que esse direito pode ser limitado.
Ainda assim, trata-se de exceções, e a norma geral defende a liberdade
de ideias, ao menos nas democracias.
Diante disso, a pretensão da Secom em se tornar a “emissora da
verdade” do país seria risível se não fosse reflexo de uma política
articulada em torno do pouco apreço à democracia. Longe se ser um mero
equívoco, a fala de Paulo Pimenta é sintomática de um plano de governo
muito bem orquestrado e que começa a ser colocado em marcha. Já
alertamos sobre os riscos da criação de órgãos como a Procuradoria
Nacional da União de Defesa da Democracia, criada dentro da AGU, para
“representar a União, judicial e extrajudicialmente, em demandas e
procedimentos para resposta e enfrentamento à desinformação sobre
políticas públicas”.
Há ainda o Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão, na
Secom, criado para “propor e articular políticas públicas para promoção
da liberdade de expressão, do acesso à informação e de enfrentamento à
desinformação e ao discurso de ódio na internet, em articulação com o
Ministério da Justiça e Segurança Pública”. Trata-se uma estrutura
pesada que poderá ser usada a qualquer momento contra quem supostamente
promover a “desinformação”, ou seja, contrariar “a verdade” – mas a
verdade segundo Lula e seus apoiadores.
Aos poucos, se tentará reescrever a história, apagando tudo o que for
nocivo ou prejudicial à imagem do governo, em busca da narrativa mais
positiva possível a Lula – e mais negativa aos seus opositores. Todas as
demais versões poderão ser taxadas simplesmente de desinformação e
assim eliminadas. Nesta semana, por exemplo, no site institucional da
Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em matéria sobre a nova diretoria
da empresa, o processo legal que levou ao impeachment de Dilma Rousseff
passou a ser chamado de “golpe”, num flagrante desrespeito aos fatos.
Como se sabe, embora tenha sido sempre tratado como um “golpe” pela
esquerda, o processo de impeachment de Dilma seguiu os trâmites
legislativos previsto na Constituição e na legislação brasileira e
contou com o apoio da população. Na época, pesquisas de opinião
apontavam que 60% da população brasileira era favorável à destituição da
então presidente petista, por crime de responsabilidade pelas
“pedaladas fiscais” cometidas durante seu mandato. Mesmo assim, a
narrativa esquerdista insiste em tentar impor sua versão distorcida em
que Dilma foi vítima inocente de um complô golpista.
VEJA TAMBÉM: O PT cria seu Ministério da Verdade Controle da linguagem, o novo objetivo do TSE Reconstruir a liberdade de expressão é vital para o Brasil
Amostras dessa predileção pela distorção dos fatos na tentativa
de validar uma narrativa politicamente benéfica aos seus interesses
ideológicos já pôde ser vista ainda durante o processo eleitoral. Basta
lembrar do empenho da campanha petista em tentar apagar ou ao menos
impedir que fatos – muitos deles já bem conhecidos – fossem divulgados
sob a justificativa de que eram “fake news”.
Foi assim com o apoio histórico de Lula e do PT ao aborto, que não
pôde ser mencionado durante a campanha, mas que foi confirmado poucos
dias após a posse; ou mesmo a censura imposta pelo TSE, a pedido da
coligação de Lula, contra postagens que mencionavam a ligação do então
candidato petista e o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, do qual até a
Gazeta do Povo foi vítima, infelizmente com o respaldo da Justiça
Eleitoral.
Quem sabe quais outras “verdades” o governo de Lula tentará criar em
sua fome por reescrever a seu bel-prazer a história do país.
Por Luiz Philippe Orleans e Bragança – Gazeta do Povo
Brasilia,
Brazil – June 7, 2015: Brazilian National Congress. The building was
designed by Oscar Niemeyer in the modern Brazilian style.
Congresso Nacional| Foto: Bigstock
Fazer discurso é uma
coisa. Transformá-lo em projeto de lei (PL), decreto legislativo (PDL)
ou emenda constitucional (PEC) é outra. Mais: protocolar PL, PDL ou PEC é
uma coisa. Aprová-los na Câmara e no Senado é outra totalmente
diferente. Respondendo a pergunta do título, o que muda o país é a
aprovação de projetos nas casas legislativas. Mas como aprovar um
projeto? Utilizando a pirâmide: ativistas, partidos, deputados.
Na base dessa pirâmide estão os ativistas, que engajam a população e
mobilizam a opinião pública, quase sempre inerte. Essa base mobilizada é
que gera crítica, reflexão, apoio ou rejeição em torno de algum tema,
convence os deputados de que um projeto tem importância e ajuda a formar
maioria. Na parte central da pirâmide está – ou ao menos deveria estar
– o partido, que adere aos projetos, cria as narrativas, conversa com
lideranças de seu partido e dos demais, ativa a mídia, os especialistas e
a base em torno da ideia. Na ponta de lança, ou no topo da pirâmide,
estão os deputados e senadores que protocolam e fazem o debate dos
projetos nas comissões, definem prioridades na Câmara, convencem seus
pares, discursam e finalmente votam. Qualquer partido que agir usando
essa pirâmide terá alta efetividade de aprovação de projetos.
Partidos de esquerda têm como rotina manter essa máquina e suas
engrenagens bem engraxadas. Com frequência são vistos vários grupos de
interesse mobilizados fora do Congresso, quando um projeto da esquerda
está para ser votado. Também é notável como seus representantes lutam
para colocar seus projetos em evidência e vociferam a mesma narrativa
para defendê-los. É a pirâmide em ação. Quando isso ocorre, os deputados
de oposição à esquerda fraquejam e qualquer discurso racional à
propositura se esfacela. A votação, quando a pirâmide é bem utilizada,
torna-se mera formalidade.
Essa base mobilizada é que gera crítica, reflexão, apoio ou rejeição
em torno de algum tema, convence os deputados de que um projeto tem
importância e ajuda a formar maioria
Partidos de centro e de direita ainda não evoluíram satisfatoriamente
no uso desse mecanismo. Em passado recente, não tinham agenda política
definida e por consequência não tinham base de ativistas que se
mobilizassem por ideias, nem deputados que as representassem. Disputavam
personalidades da mídia para virem compor chapa e “puxar” deputados
invisíveis. Recentemente, graças às mídias sociais, surgiu nova leva de
deputados e senadores, com alta visibilidade, vínculo direto com seu
eleitor e, o que é mais importante, com conteúdo ideológico novo,
alternativo à ideologia onipresente da esquerda, um dado positivo quando
se considera que até recentemente fazer acordos e comandar votos de
seus eleitos era prerrogativa exclusiva de líderes partidários.
A maioria desses novos eleitos e seus partidos ainda não sabem usar a
pirâmide. Eles exercem um protagonismo individual, não dão muita
importância ao processo interno de criação e aprovação de projetos nas
comissões e acham que publicar em suas mídias sociais é equivalente a
fazer trabalho parlamentar com eficácia. Boa parte da opinião pública,
por desconhecimento desse processo de mudança do país, se satisfaz com
um belo discurso na hora certa. O importante, contudo, é ter projeto
aprovado, sem nos desfazermos do discurso ou da live, que têm seu lugar e
podem até servir para criar uma narrativa que vá negar a ação de outros
partidos ou mudar votos dos deputados que têm dúvidas sobre um projeto.
Eles exercem um protagonismo individual, não dão muita importância ao
processo interno de criação e aprovação de projetos nas comissões e
acham que publicar em suas mídias sociais é equivalente a fazer trabalho
parlamentar com eficácia
Assim como a mera divulgação, a criação de um projeto em si também
não tem efetividade. Mostra somente que a ideia tem materialidade, mas
as chances de aprovação somente em virtude do mérito do projeto é, na
prática, zero. Ter um grande partido de apoio por si só também não é
garantia de aprovação de matérias, se não houver projetos e nem pessoas
com habilidade para defendê-los. Muitos partidos somente reagem à agenda
política de partidos menores, mas bem organizados, que agem em
pirâmide. Os deputados desses partidos grandes não fazem discurso, não
protocolam projetos e só votam as matérias apresentadas pelos demais.
Em suma, a transparência e o vínculo direto que as mídias sociais
proporcionam é um avanço, mas mudar o Brasil requer que ativistas,
partidos e deputados trabalhem em simbiose na construção do mecanismo de
mudança; a pirâmide.