quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

LULA CRITICA OS MILITARES

 

Tensão institucional
Vandalismo de 8 de janeiro aumenta a desconfiança mútua entre militares e Lula

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

AME4954. BRASILIA (BRASIL), 08/01/2023.- Policías antidisturbios accedieron este domingo al palacio presidencial de Planalto, sede del Gobierno de Brasil, que está tomado por cientos de seguidores radicales del expresidente Jair Bolsonaro, en Brasilia (Brasil). Decenas de agentes subieron la rampa que da acceso a la primera planta del palacio disparando gases lacrimógenos, mientras otro grupo de uniformados rodeaba el edificio. Seguidores del expresidente brasileño Jair Bolsonaro invadieron este domingo el Palacio de Planalto, sede del Ejecutivo, y la Corte Suprema, después de haber irrumpido antes en el Congreso Nacional en actos golpistas contra el presidente Luiz Inácio Lula da Silva. EFE/ Marcelo Camargo/Agencia Brasil/NO VENTAS/SOLO USO EDITORIAL/SOLO DISPONIBLE PARA ILUSTRAR LA NOTICIA QUE ACOMPAÑA (CRÉDITO OBLIGATORIO)


Prédios das sedes dos Três Poderes em Brasília foram invadidos e depredados.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A depredação das sedes dos três poderes em 8 de janeiro acentuou a desconfiança mútua entre militares e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que já vinha de antes da posse. Os atos de vandalismo em Brasília levaram oficiais das Forças Armadas a levantar a hipótese de uma “autossabotagem” do próprio governo para supostamente beneficiar Lula – suposição que também está sendo feita por políticos de direita. Por outro lado, o entorno do presidente levanta suspeitas sobre a atuação das Forças Armadas, que teriam favorecido o vandalismo em 8 de janeiro.

Militares da ativa e da reserva ouvidos pela Gazeta do Povo dizem repudiar os atos de vandalismo em Brasília em 8 de janeiro, mas desconfiam de uma autossabotagem do atual governo federal. Entre generais e oficiais superiores há uma interpretação de que integrantes da gestão de Lula tenham deliberadamente afrouxado o esquema de segurança para facilitar a invasão ao Palácio do Planalto, ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, o governo poderia se fazer de vítima, obter dividendos políticos e desgastar a direita.

Militares atribuem essa desconfiança a informações divulgadas pela imprensa, como a que revelou que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República dispensou um pelotão de agentes de segurança 20 horas antes da invasão às sedes dos três poderes.

Também há a informação de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) avisou sobre esse risco ao Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin). A Abin é um órgão subordinado ao GSI, órgão responsável por coordenar as atividades de inteligência federal e que, historicamente, é chefiada por um militar. O atual ministro é o general Gonçalves Dias. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que os órgãos informem se tinham conhecimento dos alertas.

Por outro lado, integrantes do governo desconfiam da atuação do GSI e das próprias Forças Armadas. Antes mesmo da posse de Lula, já havia sido definido que o GSI seria “desidratado” e não faria a segurança pessoal de Lula justamente por, no entender do entorno do presidente, haver muitos militares pró-Bolsonaro e antipetistas no órgão.

E essa desconfiança dentro do PT sobre parte dos militares também é reforçada pelas informações de que o Exército atuou para impedir a desmobilização das manifestações contra a eleição de Lula na frente dos quartéis. O governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmou à Polícia Federal que isso ocorreu em Brasília. E foi justamente no acampamento em frente do quartel-general do Exército em que se reuniram os manifestantes que, posteriormente, iriam depredar o Palácio do Planalto, o Congresso e o STF.

Além disso, o próprio Lula deu declarações que mostram sua desconfiança em relação aos militares após o 8 de janeiro. Em um café da manhã com jornalistas na quinta-feira passada (12), o presidente disse que descartou a hipótese de assinar um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para controlar a depredação em Brasília (optando pela intervenção na segurança pública do Distrito Federal) para não transferir seu poder de governar a “algum general”. O decreto de GLO possibilita que os militares atuem com o objetivo de “preservar a ordem pública, a integridade da população e garantir o funcionamento regular das instituições”.  Lula também disse que as Forças Armadas “não são Poder Moderador como pensam que são”. Afirmou ainda que “perdeu a confiança” em parcela dos militares da ativa.

Nesta terça-feira (17), uma nova demonstração da desconfiança de Lula: foram dispensados 40 militares que trabalhavam na administração do Palácio da Alvorada – a residência oficial do presidente da República. Também houve a dispensa de três militares do GSI. Todas essas dispensas foram oficializadas na edição do Diário Oficial da União.

Em meio a esse clima de desconfiança mútua, há a previsão de que Lula e os comandantes das Forças Armadas se reúnam nesta semana. A reunião está sendo costurada pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que foi escolhido para o cargo justamente para apaziguar a tensa relação entre os militares e Lula.

O que dizem os militares que desconfiam do governo
O general reformado Maynard Santa Rosa diz entender que há “sérios indícios” de que houve, “no mínimo, uma omissão conivente” de integrantes do atual governo na proteção do patrimônio público no dia 8 de janeiro. O general Santa Rosa chefiou a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Se você vir as imagens internas [do Planalto em 8 de janeiro] vai confirmar que havia depredadores antes das entradas dos depredadores que vinham de fora. Provavelmente aproveitaram essa insensatez dos extremistas conservadores para poder usufruir dos efeitos ou então eles [esquerda e governo] próprios patrocinaram isso”, diz Maynard Santa Rosa. Para o general, trata-se de um contexto de “guerra informacional”. “Essa guerra informacional tem um viés psicológico. É uma operação psicológica aguda que está em pleno curso”, destaca.

O general reformado Paulo Chagas define como “suspeitíssimas” as ações de proteção do patrimônio público e defende uma investigação rigorosa sobre os atos de vandalismo. “A Guarda do Palácio estava sem a tropa de reação. É preciso levantar todas as informações e alertas feitos para levantar as devidas responsabilidades”, diz.

A Gazeta do Povo ouviu outros dois oficiais militares – estes da ativa – que disseram ter desconfiança de que a manifestação foi sabotada pelo governo. Eles pediram para não ter os nomes divulgados.

Os militares ouvidos pela reportagem usam diferentes argumentos para embasar suas desconfianças em relação à atuação do governo para conter as invasões às sedes dos três poderes.

O general Santa Rosa atribui a hipótese de autossabotagem a um suposto interesse do governo e da esquerda em criar circunstâncias que impeçam manifestações populares do movimento liberal-conservador contrário a Lula. Para o militar, a esquerda foi bem sucedida em sua proposta de tachar associar manifestações aos atos de vandalismo. “Hoje em dia poucos vão se atrever a promover manifestação correndo o risco de ficar com sua conta bancária zerada, sendo objeto de batida policial ou até de detenção. É essa a meta, pode acreditar que já foi alcançada”, diz.

Santa Rosa acredita, porém, que a tentativa da esquerda de eliminar a oposição das ruas pode ser infrutífera. “Essas pressões funcionam como uma panela de pressão: vai chegar o momento que ela pode explodir. A queda da Bastilha [evento deflagrador da Revolução Francesa] não foi uma iniciativa de extremistas; foi uma explosão popular. Isso pode ocorrer, como já ocorreu alguns precedentes no Brasil, como na Cabanagem [a Guerra dos Cabanos, uma revolta popular ocorrida durante o Império]”, diz. “É uma burrice você tentar impedir a válvula das manifestações de funcionar.”

Já um oficial superior da ativa avalia que o intuito do governo é construir uma retórica para fragilizar a direita e construir condições para intervir nas Forças Armadas. “O mais urgente para eles é tentar derrubar a cúpula das Forças e substituir por gente alinhada. Essa sempre a foi a vontade deles. O PT acha que, se ele derrubar toda a cúpula [das Forças Armadas], ele resolve um problema, como fez o [Gustavo] Petros [presidente esquerdista da Colômbia, que promoveu mudanças nos comandos militares e policiais no país]”, diz.

Esse oficial militar acha que o governo e a esquerda sairiam malsucedidos se esse for o objetivo. “É aí que se estrepariam. O problema [para a esquerda] não está na cúpula das Forças, está embaixo. Se eles tirarem os generais antigos para colocar generais mais modernos, é aí que eles não vão segurar a tropa”, comenta o militar.

Segundo ele, as bases do Exército, da Marinha e da Aeronáutica estão em conflito com os Alto Comandos. “O pessoal [da cúpula] não representa o espírito da tropa. Hoje, existe uma diferença muito grande entre os generais e a tropa. Eles têm comando. Mas não têm liderança. A tropa não vê neles a estatura moral. A verdade é que a cúpula está de um lado e a tropa está do outro. Nunca vi isso acontecer em duas décadas. É inédito”, diz o oficial.

Um segundo oficial superior avalia que, na tentativa de construir uma intervenção sobre as Forças Armadas, o governo poderia tentar promover uma integração militar dos países latino-americanos, ajustes na mudança na promoção de militares e reforma dos currículos nas Forças Armadas. Essas propostas são repudiadas por militares e defendidas entre lideranças do PT, como o ex-presidente do partido José Genoíno. “É algo que eles querem no médio e longo prazo”, comenta.

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Como os oficiais veem as críticas de Lula aos militares
Os militares também criticam as recentes declarações de Lula sobre militares – de que não assinou um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para não transferir seu poder de governar a “algum general”; e de que Forças Armadas “não são Poder Moderador como pensam que são” e que “perdeu a confiança” em parte dos militares da ativa.

O general Paulo Chagas diz entender que as declarações de Lula são forma de desgastar e desprestigiar os militares. “As Forças Armadas saíram altamente prejudicadas [após os atos de vandalismo de 8 de janeiro] e essa esquerda está querendo aproveitar isso para tirar mais poder ainda porque têm medo do prestígio das Forças Armadas”, diz.

Chagas afirma que a caserna sabe que não existe um Poder Moderador, assim como o STF também não é, ao contrário do que disse o ministro Dias Toffoli, da Suprema Corte, em 2021. “O próprio poder armado nunca se manifestou nessa direção, nem nesse sentido. Eles [a esquerda] têm muito receio do prestígio das Forças Armadas e querem explorar bastante isso em função do lado bolsonarista que queria golpe militar”, comenta.

O general Santa Rosa interpreta as falas de Lula como uma tentativa de buscar governabilidade – que, para ele, não existe. “Ele está querendo construir um cenário antes do retorno do Legislativo para conseguir governar. Mas é uma governabilidade artificial. Como tem ocorrido tiros no pé, como o confinamento em massa e a imagem da criança no confinamento, pode invalidar toda a operação psicológica que estão construindo”, diz Santa Rosa. O general se referia à foto de uma criança sendo revistada por um agente policial com um detector de metais durante prisões de suspeitos de cometer o vandalismo do dia 8 de janeiro – parte das pessoas que esteve no ato levou seus filhos ao acampamento na frente do quartel-general do Exército.

Oficiais condenam depredações, mas dizem que manifestações são legítimas
Os militares avaliam de forma crítica sobre a forma como as manifestações da direita foram conduzidas. O general Paulo Chagas diz que os atos de vandalismo foram um “tiro no pé” que deu “farta munição” para que a esquerda, em sua “infinita hipocrisia (…) se apresentasse agora coberta por uma fantasia de vidraça para tentar esconder a sua conhecida ‘cara de pedra’.” O general Santa Rosa diz que “não há como acobertar o vandalismo dos depredadores do patrimônio público”. “A eles, todo o rigor da lei”, afirma.

Os militares dizem, porém, que os atos de vandalismo não deslegitimam as manifestações e os conservadores. “A meta final da esquerda é inibir, impedir ou dificultar as manifestações, e isso que está sendo construído por essa narrativa da esquerda. Agora, se isso daí partiu da cabeça dos extremistas de direita ou se foi manipulado pela própria esquerda eu tenho dúvida”, diz Santa Rosa.

Um oficial que pediu sigilo de seu nome entende que a invasão à sede dos três poderes “não ajuda” e apenas dá argumentos para a esquerda “atacar”. “O que fizeram foi uma tremenda besteira, apesar de que mostrar que as pessoas não estão satisfeitas é um recado de que elas não irão se dobrar tão facilmente. Mas enfraquece o argumento que, na verdade, iguala de certa forma a direita a eles, que é tudo o que eles querem”, diz. A fonte afirma, porém, que o 8 de janeiro não deslegitima as manifestações. “Até porque a esquerda sempre usou a violência. Não à toa que o Movimento sem Terra invadia e destruía empresas e órgãos públicos.”

O que os militares acham das decisões de Alexandre de Moraes
Apesar das críticas feitas aos crimes e excessos cometidos na invasão à sede dos três poderes, militares entendem que os atos cometidos por alguns não justifica o que consideram se tratar de excessos e abuso de autoridade cometidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF – tal como a determinação da prisão de 1,5 mil pessoas, restrições a manifestações, o afastamento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), a prisão do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e a investigação contra Bolsonaro.

A detenção de manifestantes em um pátio na Academia Nacional de Polícia Federal é uma das medidas mais contestadas pelos militares. O general Santa Rosa compara o caso aos “campos de reeducação” instalados no Vietnã após o fim da guerra naquele país, em 1975, que abrigaram combatentes e civis a pretexto de ensinar sobre o novo governo. “É uma técnica psicológica terrorista de massa que está sendo adotada”, diz.

Paulo Chagas classifica as decisões de Moraes como abuso de autoridade e avalia que a solução para “está na mão dos operadores do direito”.

Santa Rosa diz considerar que o Executivo é ilegítimo, o Judiciário se coloca acima da lei e o Legislativo é omisso ou conivente. “Essas três condições não podem prosperar, se não vamos entrar em um emaranhado complicado que vai descambar para a escalada. Quando se extingue a força do direito é chegada a hora do direito da força”, comenta.

Para um oficial militar da ativa, as decisões de Moraes contra os atos de vandalismo acentuam um regime de exceção sob um falso pretexto de preservar a democracia. “O Brasil já virou um Estado policial, que leva velho e crianças sem denúncia para uma espécie de campo de concentração”, diz.


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LIÇÕES PARA A VIDA PROFISSIONAL

 

Por

Allan Costa – Gazeta do Povo

Um compilado com 10 insights sobre carreira que aprendi ao longo das últimas décadas.| Foto: Absolut Vision / Unsplash

Habilidades e comportamentos

Para o artigo de hoje resolvi trazer algo diferente. Ao invés de um artigo propriamente dito, trouxe um compilado com 10 insights sobre vida profissional que aprendi ao longo das últimas décadas. São como pílulas de conhecimento que acumulei ao longo dos anos e que busco compartilhar com aqueles que trabalham comigo e que são mais próximos a mim.

1. Boa parte da sua carreira será influenciada pelos chefes que você teve no início da sua trajetória. Grandes líderes produzem outros grandes líderes. Chefes tóxicos produzem profissionais infelizes. Se for uma opção, fuja ao máximo de chefes tóxicos. Se não for, busque desenvolver sua inteligência emocional para se blindar ao máximo.

2. Apesar de ser uma palavra da moda, inteligência emocional é uma habilidade extremamente importante. Saber lidar com frustrações, ansiedade, e buscar sair da zona de conforto é fundamental para o crescimento profissional.

3. Com quem você trabalha é quase tão importante quanto com o quê você trabalha.

4. Equilíbrio é, quase sempre, um mito. Existem momentos em que o profissional estará na dianteira. Existem momentos em que é preciso pisar no freio e dar mais atenção para outros aspectos. Seu grande objetivo é manter todos os pratos girando, mesmo que alguns deles, por vezes, girem mais rápido ou mais lentamente. 

5. Saber como fazer um bom branding pessoal é uma habilidade extremamente relevante em um mundo tão volátil como o atual, em que muitas carreiras consideradas estáveis podem sumir. Se você tem boas habilidades e, ao mesmo tempo, sabe se vender, suas chances de sucesso – seja lá o que for sucesso para você – aumentam muito.

6. Coisas básicas como escrever corretamente, chegar no horário, ser comprometido, ser respeitoso, dentre outras, podem parecer básicas demais, mas ajudam a te separar de boa parte dos profissionais que não prestam atenção a elas.

7. Trabalhar duro foi, é, e continuará sendo uma das principais maneiras de ascender profissionalmente. Pode parecer clichê, mas nada resiste ao trabalho. Baixar a cabeça e executar bem aquilo que você se propõe é uma regra de ouro que será sempre relevante.

8. Um equilíbrio entre soft skills e hard skills pode te levar muito longe. Focar apenas em soft skills irá comprometer os seus resultados. Focar apenas em hard skills irá comprometer a sua saúde mental e os seus relacionamentos. 

9. Networking é muito mais sobre ser uma pessoa respeitosa, encontrar interesses em comum e sustentar relacionamentos ao longo do tempo do que uma fórmula mágica que você encontra em algum livro.

10. Ter sorte é fundamental. E aumentar suas chances de sorte é totalmente possível. Para isso, fale com mais pessoas, abrace projetos fora da sua alçada, busque experiências que te tirem da sua zona de conforto. O acaso gosta de encontrar os inconformados.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/voce-amanha/licoes-sobre-a-vida-profissional-que-voce-precisa-aprender-hoje/

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CONSOLIDAÇÃO DOS MARKETPLACES NO MERCADO DIGITAL

 

Pedralli – FCamara

Marketplaces se consolidam como tendência no varejo digital e ajudam quem quer ampliar oferta de produtos ou canais de venda a alavancar resultados

A transformação digital dos negócios e os novos hábitos de consumo seguem em alta e isso pode ser percebido pelos resultados do varejo online. O e-commerce brasileiro registrou um faturamento recorde em 2021, segundo a Neotrust – 26,9% acima do obtido no ano anterior. O número de pedidos online aumentou 16,9% e uma pesquisa da ConQuist Consultoria revela que 71% dos brasileiros passaram a preferir comprar pela internet após a pandemia. A expectativa é que o segmento fature mais de R$ 170 bilhões em 2022.

“Esses números comprovam que as principais tendências de mercado e comportamento do consumidor estarão conectadas às lojas virtuais e marketplaces, mesmo com a atuação normal das lojas físicas. Nesse cenário, o Marketplace In e o Marketplace Out representam estratégias importantes, aumentando a receita de sellers e de quem gerencia as plataformas. Esse modelo de negócio mais colaborativo está em crescimento e é uma característica forte da transformação digital”, pontua Matheus Pedralli, CEO da Omnik, empresa do Grupo FCamara especializada em transformar e-commerces em marketplaces escaláveis, fornecendo recursos para todo o ciclo de gestão, operação e transação em modelos de negócios B2B e B2C.

As diferenças e vantagens de cada modelo

Entender as diferenças e vantagens das duas estratégias é fundamental para tomar decisões mais assertivas. No Marketplace In, o foco é ampliar a diversidade da oferta. Isso se aplica, por exemplo, quando uma loja virtual identifica uma base de clientes consolidada que poderiam estar comprando mais se ofertasse uma diversidade maior de produtos.

“Ao identificar esse público, o empreendedor abre seu próprio marketplace e faz a captação de sellers para que eles vendam em sua plataforma, o que dispensa grandes investimentos em estoque. Uma das grandes vantagens é o conhecimento prévio que se tem do público. Fica mais fácil construir um portfólio que interesse aos consumidores, acelerar as vendas e aumentar a frequência de compra na loja. Além disso, é uma estratégia que favorece a conquista de novos clientes, impactando também a escalabilidade do negócio e o faturamento”, explica Matheus.

Já no Marketplace Out, o propósito principal é ampliar os canais de venda. Dessa forma, em vez de abrir seu próprio marketplace, as marcas buscam plataformas já estruturadas, onde possam ofertar os seus produtos. “A expectativa aqui é buscar players que já possuam grande audiência e relevância e usá-los para otimizar as vendas. Mapeiam-se plataformas que estejam abertas a receber novos sellers e paga-se uma comissão por venda realizada. Além de aproveitar uma base de clientes já estabelecida, aproveita-se o forte investimento em mídia que essas plataformas mais consolidadas fazem”, comenta o CEO.

Como escolher a melhor estratégia

O executivo destaca que é preciso conhecer o momento em que o negócio se encontra para identificar a melhor estratégia em cada caso. “As empresas precisam entender o momento do negócio e suas necessidades, questionando sua relevância em volume de visitas e alcance, sua posição em relação aos concorrentes, se de fato sabe o que o cliente consome e qual é o seu perfil, entre outros fatores que ajudam a tomada de decisão. Além disso, devem ter em mente que não existe uma estratégia ideal. O que existem são objetivos diferentes dentro de um modelo de negócio colaborativo e omnichannel e que é possível, inclusive, adotar o mutualismo com garantia de ganho, ou seja, conciliar Marketplace In e Marketplace Out e explorar as vantagens de ambos”.

Pedralli acrescenta ainda que buscar apoio especializado ajuda tanto na identificação das melhores soluções, quanto na implementação das estratégias escolhidas. “Os resultados sempre vão depender de decisões assertivas e de ações bem planejadas. Como especialistas em soluções para e-commerce e marketplaces, uma certeza que podemos dar é que o varejo digital segue cada vez mais forte e que é preciso aproveitar as tendências. Todos os mercados podem se beneficiar dos marketplaces, pois as soluções existentes podem ser adaptadas e customizadas para cada tipo de negócio”, finaliza.

O que é marketplace e por que investir nessa plataforma

ÚnicaPropaganda e Moysés Peruhype Carlech

Milhares de internautas utilizam o marketplace diariamente para fazer compras virtuais. Mas muitos ainda desconhecem seu conceito e como ele funciona na compra e venda de produtos.

Afinal, o que é marketplace?

O marketplace é um modelo de negócio online que pode ter seu funcionamento comparado ao de um shopping center.

Ao entrar em um shopping com a intenção de comprar um produto específico, você encontra dezenas de lojas, o que lhe permite pesquisar as opções e os preços disponibilizados por cada uma delas. Além de comprar o que você planejou inicialmente, também é possível consumir outros produtos, de diferentes lojas, marcas e segmentos.

Leve isso ao mundo virtual e você entenderá o conceito de marketplace: um lugar que reúne produtos de diversas lojas, marcas e segmentos. A diferença é que no ambiente virtual é mais fácil buscar produtos, e existe a facilidade de comprar todos eles com um pagamento unificado.

Os principais marketplaces do Brasil

A Amazon foi a primeira a popularizar esse modelo de negócio pelo mundo, e até hoje é a maior referência no assunto

No Brasil, o marketplace teve início em 2012. Quem tornou a plataforma mais conhecida foi a CNova, responsável pelas operações digitais da Casas Bahia, Extra, Ponto Frio, entre outras lojas.

Hoje, alguns nomes conhecidos no marketplace B2C são: Americanas, Magazine Luiza, Netshoes, Shoptime, Submarino e Walmart. No modelo C2C, estão nomes como Mercado Livre e OLX. Conheça os resultados de algumas dessas e de outras lojas no comércio eletrônico brasileiro.

Aqui no Vale do Aço temos o marketplace da Startup Valeon que é uma Plataforma Comercial de divulgação de Empresas, Serviços e Profissionais Liberais que surgiu para revolucionar o comércio do Vale do Aço através de sua divulgação online.

Como escolher o marketplace ideal para sua loja

Para ingressar em um marketplace, é preciso cadastrar sua loja, definir os produtos que serão vendidos e iniciar a divulgação. Mas é fundamental levar em consideração alguns pontos importantes antes de decidir onde incluir sua marca:

Forma de cobrança: cada marketplace possui seu modelo de comissão sobre as vendas realizadas, que pode variar de 9,5% a 30%. O que determina isso é a menor ou maior visibilidade que o fornecedor atribuirá a seus produtos. Ou seja, o lojista que quer obter mais anúncios para seus produtos e as melhores posições em pesquisas pagará uma comissão maior.

Na Startup Valeon não cobramos comissão e sim uma pequena mensalidade para a divulgação de seus anúncios.

Público-alvo: ao definir onde cadastrar sua loja, é essencial identificar em quais marketplaces o seu público está mais presente.

Garantimos que na Valeon seu público alvo estará presente.

Concorrentes: avalie também quais são as lojas do mesmo segmento que já fazem parte da plataforma e se os seus produtos têm potencial para competir com os ofertados por elas.

Felizmente não temos concorrentes e disponibilizamos para você cliente e consumidores o melhor marketplace que possa existir.

Reputação: para um marketplace obter tráfego e melhorar seus resultados em vendas precisa contar com parceiros que cumpram suas promessas e atendam aos compradores conforme o esperado. Atrasos na entrega, produtos com qualidade inferior à prometida e atendimento ineficiente são fatores que afastam os usuários que costumam comprar naquele ambiente virtual. Ao ingressar em um marketplace, certifique-se de que a sua loja irá contribuir com a boa reputação da plataforma e pesquise as opiniões de compradores referentes às outras lojas já cadastradas.

Temos uma ótima reputação junto ao mercado e consumidores devido a seriedade que conduzimos o nosso negócio.

Vantagens do marketplace

A plataforma da Valeon oferece vantagens para todos os envolvidos no comércio eletrônico. Confira abaixo algumas delas.

Para o consumidor

Encontrar produtos de diversos segmentos e preços competitivos em um único ambiente;

Efetuar o pagamento pelos produtos de diferentes lojistas em uma única transação.

Para o lojista

Ingressar em um comércio eletrônico bem visitado e com credibilidade, o que eleva a visibilidade de seus produtos;

Fazer parte de uma estrutura completa de atendimento e operação de vendas com um menor investimento, considerando que não será necessário pagar um custo fixo básico, como aconteceria no caso de investir na abertura de uma loja física ou online.

Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:

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Para o Marketplace

Dispor de uma ampla variedade de produtos em sua vitrine virtual, atraindo ainda mais visitantes;

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Temos nos dedicado com muito afinco em melhorar e proporcionar aos que visitam o Site uma boa avaliação do nosso canal procurando captar e entender o comportamento dos consumidores o que nos ajuda a incrementar as melhorias e campanhas de marketing que realizamos.

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terça-feira, 17 de janeiro de 2023

ZEMA DIZ QUE LULA QUER TIRAR VANTAGEM POLÍTICA DA INVASÃO DE BRASÍLIA

 

Zema afirma que governo Lula fez ‘vista grossa’ a invasão para se fazer de vítima

História por Levy Teles – Jornal Estadão

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse nesta segunda-feira, 16, que o governo federal pode ter feito “vista grossa” à invasão dos manifestantes golpistas ao Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF) e permitido os atos para poder se fazer de “vítima”.

“Me parece que houve um erro da direita radical e houve um erro, talvez até proposital, do governo federal, que fez vista grossa para que o pior acontecesse e ele se fizesse posteriormente de vítima”, afirmou Zema, em entrevista à Rádio Gaúcha. Para ele, a avaliação ainda está no campo da suposição, mas ele pondera que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) estava ciente da mobilização e não fez nenhum plano de contingência.

Zema também fez críticas a Alexandre de Moraes. Foto: Luiz Santana/ALMG© Fornecido por Estadão

A fala do governador repete uma retórica usadas por políticos simpáticos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o senador Marcos do Val (Podemos-ES). A fala foi criticada por Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia e organizador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais.

“É infeliz e irresponsável a ilação feita por Zema”, escreveu Silveira. “Há muito não se ouvia algo tão estarrecedor e absurdo. Sua declaração deve ser repudiada.” O ministro ainda afirmou que os atos dos extremistas são “inadmissíveis” e “deverão ser punidas com o rigor da lei”.

Zema condenou os atos de vandalismo, mas, para ele, não se pode confundir o “cidadão de bem” com quem realizou as depredações. “Que se prenda, que se puna exemplarmente aquelas pessoas que fizeram essa depredação, o vandalismo que eu condeno totalmente. Agora você estender isso para aqueles que estão se manifestando de forma ordeira, que não afeta o ir e vir e de ninguém, é uma coisa muito distinta. Estão confundindo alhos com bugalhos”, disse.

O mineiro ainda criticou a postura do ministro do STF Alexandre de Moraes, que afastou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Zema acredita que há uma “arbitrariedade gigante” nas punições. ”Eu julgo que em várias ações que ele tem feito, realmente ele tem excedido. Uma delas, na minha opinião, é o afastamento do governador do DF. E se teve erro, também teve erro do GSI, que é do governo federal, que fica subordinado ao ministério da Justiça”, disse.

“Estamos assistindo a uma arbitrariedade gigante, você não poder discordar, ter que ficar calado, ter que se omitir mesmo não concordando. Uma coisa é desinformação, invasão, quebra-quebra, como aconteceu, os culpados precisam ser realmente punidos. Outra coisa é você discordar, é ter uma posição diferente. Julgo que houve excesso da mesma maneira com o afastamento do governador”, adicionou.

STF PODE FAZER O GOVERNO PERDER MAIS DE UM TRILHÃO

 

Contas públicas

Por
Renan Ramalho – Gazeta do Povo
Brasília

fachada STF


Sede do STF em Brasília.| Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF/Arquivo

Se antes mesmo de assumir o Executivo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalhava para garantir verbas adicionais no Orçamento, deverá redobrar esforços para não perder recursos em outra frente: na Justiça. Em dezenas de ações pendentes de julgamento, principalmente nos tribunais superiores de Brasília, a União corre o risco de arcar com um passivo de aproximadamente R$ 1,2 trilhão em cobranças tributárias e demandas contra órgãos públicos e estatais.

O montante consta no Anexo de Riscos Fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2023 e está baseado em cálculos da Advocacia-Geral da União (AGU), que representa todos os órgãos federais junto à Justiça. O impacto seria de um ano no futuro e cinco no passado, seja na perda de arrecadação, caso tributos sejam revistos, seja no reconhecimento de dívidas. Obviamente, existe a possibilidade de a União sair vencedora nesses processos (em parte ou totalmente) e não ter perda nenhuma. Cabe à AGU batalhar por isso nas Cortes de Justiça.

Em uma das mais importantes, a União teve um alívio no fim do ano passado, ainda na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 25 de novembro, R$ 472,7 bilhões foram salvos num julgamento no STF em que, por 9 votos a 2, a maioria dos ministros decidiu pela constitucionalidade de limites fixados pelas leis que regulam o pagamento de PIS e Cofins à geração de créditos tributários de grandes indústrias na aquisição de insumos para seus produtos.

A decisão representou uma grande vitória para a União e o montante resguardado é maior dentro das ações tributárias no STF. Mas o risco não desapareceu, pois ainda cabem recursos, mas a chance de virada no curto prazo é remota.

Assim como essa causa, outras grandes matérias tributárias no STF envolvem PIS e Cofins. A Corte ainda vai analisar a possibilidade de incidência dessas duas contribuições sobre as receitas de bancos decorrentes de suas atividades fim, incluindo ganhos financeiros. Se os bancos ganharem, a União perde R$ 115,2 bilhões.

Outra ação discute a inclusão de PIS e Cofins nas suas próprias bases de cálculo – se a União perder para o setor privado, o impacto será de 65,7 bilhões a menos na arrecadação. Em outro processo, o STF vai analisar se o Imposto Sobre Serviços (ISS) entra na base de cálculo do PIS e da Cofins – estão em jogo, neste caso, R$ 35,4 bilhões. Outras duas ações envolvem incidência das duas contribuições sobre receitas decorrentes da locação de bens móveis, inclusive em empresas que alugam imóveis esporádica ou eventualmente – nesses dois casos, a perda pode chegar a R$ 36,2 bilhões.

Se o STF permitir a exclusão da base de cálculo de PIS e Cofins dos valores correspondentes a créditos presumidos de ICMS, decorrentes de incentivos fiscais concedidos pelos estados e pelo Distrito Federal, a União perde mais R$ 16,5 bilhões. Outra questão é a incidência de PIS, Cofins e CSLL sobre os valores resultantes de transações realizadas por cooperativas – nesse caso, o impacto será de R$ 9,1 bilhões.

Ainda no campo tributário, no âmbito do STF, tramitam ações que discutem a incidência da Cide sobre remessas ao exterior (R$ 19,6 bilhões); contribuições do agronegócio para a seguridade social e o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), que incide sobre a receita bruta da produção (R$ 29,4 bilhões); reduções de benefícios fiscais previstos no Reintegra (R$ 4 bi); percentual da multa por indeferimento, na própria Receita, de pedidos de ressarcimento, compensação e restituição (R$ 3,7 bi). Todos esses processos somam risco de R$ 807,4 bilhões.

Mas, além desses, há outros 14 processos no STF cujo impacto ao governo Lula nem sequer está dimensionado. Envolvem questões como a cobrança de PIS e Cofins sobre importação; cobrança de IOF em empréstimos que não envolvem instituições financeiras; imunidade do imposto de importação de entidades filantrópicas religiosas; incidência de IPI no bacalhau importado; contribuição previdenciária de cooperativas em alíquotas maiores que as de empresas; entre vários outros processos.

A conta de R$ 1,2 trilhão ainda envolve matérias tributárias em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em ações sobre a cobrança de CSSL e IRPJ sobre ganhos de entidades fechadas de previdência complementar (R$ 30,2 bilhões); e o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins na venda de celulares e prestação de serviços de telecomunicação (R$ 5 bilhões).

Fora do campo tributário, estão em trâmite, no âmbito do STF e do STJ, ações contra a União que podem levar a perdas de ao menos outros R$ 209,3 bilhões. Dentro desse grupo, há uma ação que discute se a União deve indenizações ao setor sucroalcooleiro, no valor de R$ 107 bilhões. Outra ação discute a devolução das diferenças pagas pelos mutuários de Cédulas de Crédito Rural, na época do Plano Collor I, o que pode custar R$ 79 bilhões aos cofres federais. O fornecimento de medicamentos caros e não cobertos pelo SUS pode representar custo de mais R$ 14 bilhões. Indenizações a servidores que não tiveram férias podem chegar a R$ 3,9 bilhões e desapropriações podem levar a União a ter de pagar R$ 2 bilhões.

Ações contra autarquias e fundações, especialmente ligadas ao INSS, podem gerar perdas adicionais de R$ 198,9 bilhões. Uma dessas ações discute se vigilantes têm direito a aposentadoria especial, com impacto potencial de R$ 151 bilhões. Ações civis, previdenciárias e trabalhistas contra estatais embutem risco de R$ 3,7 bi; e demandas contra o Banco Central podem custar mais R$ 5,8 bi.

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Risco provável, possível e remoto de derrota na Justiça
O próprio anexo da LDO faz algumas ressalvas quanto à ameaça real que essas ações representam para as contas públicas. A AGU classifica as ações em três grupos. A primeira é de risco provável, quando já existe decisão colegiada do STF contra a União; nessas ações, a perda potencial é de R$ 859,9 bilhões. Outra categoria são as ações de risco possível, quando há possibilidade de reversão maior; neste grupo, estão ações com impacto de R$ 184,3 bilhões. E há ainda o risco remoto, quando as ações não se encaixam em nenhuma das hipóteses anteriores, ou seja, estão totalmente em aberto ainda.

“Além do caráter probabilístico da natureza dessas ações judiciais, há de se considerar as características próprias dos trâmites jurídicos, como, por exemplo, pendências de julgamento final, possibilidade de recursos em instâncias superiores, dificuldade de previsão de tempo e valor das causas. Essas características impõem uma avaliação e interpretação cautelosa dos valores apontados como passivos contingentes de ações judiciais. De qualquer forma, o elevado montante relacionado às ações judiciais revela a necessidade de uma especial atenção ao tema”, alerta o documento.

AGU
O procurador da Fazenda Jorge Rodrigo Araújo Messias foi o escolhido por Lula para comandar a Advocacia-Geral da União. A AGU representa o interesse do erário junto ao STF e organiza toda a atuação dos órgãos de defesa do poder público federal que atual nas demais instâncias.

Ele ficou mais conhecido pelo apelido “Bessias”, quando seu nome apareceu grafado assim na interceptação telefônica de uma conversa em 2016 em que a então presidente Dilma Rousseff dizia que ele entregaria a Lula um termo de posse na Casa Civil. A nomeação e o diálogo foram entendidos como uma manobra para o então ex-presidente ganhar foro privilegiado e escapar da Lava Jato na primeira instância.


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MARCO DE GARANTIA ENVIADO PELO BOLSONARO DEPENDE DE APROVAÇÃO NO SENADO

 

Crédito
À espera do Senado
Guilherme Grandi – Gazeta do Povo


Novo marco de garantias , que promete baixar juros e ampliar mercado de crédito, aguarda votação do Senado.| Foto: Joédson Alves/EFE

Aprovado pela Câmara no início de junho e desde então aguardando a análise do Senado, o Novo Marco Legal das Garantias tem o potencial de reduzir as taxas de juros e ampliar significativamente a quantidade de empréstimos e financiamentos no Brasil. O projeto de lei 4.188/2021 estabelece uma série de novas regras para ampliar a concessão de crédito com garantias, além de melhorias na segurança e execução extrajudicial de dívidas.

Pelos cálculos feitos pelo Ministério da Economia, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a possibilidade de usar uma garantia imobiliária – o que será facilitado com o novo marco – pode baixar em até 37% o valor da parcela mensal de um empréstimo, na comparação com uma operação sem garantia. “Em uma aquisição de veículos, a economia com juros pode ser de mais de 20 salários mínimos para uma operação de R$ 50 mil”, diz nota técnica publicada pela pasta em dezembro do ano passado.

O projeto cria novos mecanismos para simplificar as garantias para a concessão de empréstimos e reduz os caminhos e custos de execução de dívidas. Atualmente, o financiador pode levar anos para reaver o dinheiro emprestado, prazo que deve diminuir para menos de um mês com a nova legislação.

Hoje em dia, um brasileiro só consegue ter acesso a um bom financiamento se der um bem como garantia, que se limita basicamente a um imóvel próprio (quando há) ou um automóvel, que muitas vezes está alienado a um banco ou financeira. Pelas regras atuais, um empréstimo ou financiamento acaba comprometendo o bem inteiro como garantia, mesmo que o valor do crédito seja bem menor.

No Novo Marco Legal das Garantias, um bem pode ser dado como garantia a mais de uma operação de crédito, até se atingir o valor total de venda. E isso, segundo Rodolfo Olivo, professor de Economia da FIA Business School e doutor em administração pela USP, é a principal chave para ampliar o acesso dos brasileiros a empréstimos e financiamentos.

Na avaliação dele, as medidas podem ajudar a dobrar o mercado de crédito no país. Hoje a carteira de empréstimos equivale a pouco mais de 53% do Produto Interno Bruto (PIB), e pode passar de 100%, como ocorre em economias mais desenvolvidas.

“Essa proposta melhora o acesso ao crédito não apenas das pessoas físicas, em especial das classes C e D, mas mesmo de empresas de todos os portes que precisam ampliar seus negócios e suas estruturas. Essa ideia de poder organizar melhor as garantias é muito benéfica para o mercado, principalmente para os credores, que terão mais segurança para ampliar os recursos emprestados e a garantia de recebê-los de volta”, explica.

Douglas Fiorotto, diretor jurídico da Associação Nacional dos Profissionais e Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes Bancários (Aneps), acredita que o mercado como um todo será beneficiado com essa simplificação da concessão de crédito com garantia.

“O novo marco proporciona mais segurança para quem está concedendo o crédito, o empréstimo com base em garantias, e um processamento de execução muito mais ágil do que seria hoje através de processos judiciais, de forma extrajudicial junto dos cartórios”, diz Fiorotto.

Segundo o Ministério da Economia, quanto maior a quantidade de garantias oferecidas, menor será a taxa de juros. A falta de contrapartidas é o que torna tão altos os juros do cheque especial (em torno de 135% ano ano). Por outro lado, o financiamento imobiliário cobra juros médios de 11% ao ano, entre outras coisas por que o imóvel só passa a ser propriedade do mutuário após a quitação.

A expectativa tanto do governo como do mercado é de que a nova legislação diminua ainda mais essas taxas de juros. Outro mecanismo criado na última década e aperfeiçoado mais recentemente, o Cadastro Positivo, vai se somar à análise das garantias e da capacidade do consumidor de honrar com o pagamento da dívida.

A possibilidade de renegociação de dívidas de 68 milhões de brasileiros, como prometida em campanha pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também está no radar do mercado para ajudar a ampliar o crédito nos próximos quatro anos.

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Maior disputa por clientes
Além de permitir que um mesmo bem seja usado como garantia em várias operações de crédito, a nova legislação também vai dar mais poder de barganha aos consumidores na hora de escolher qual banco ou financeira vão pedir uma concessão de crédito. O projeto de lei cria a chamada Instituição Gestora de Garantias (IGG), que vai gerir as frações do valor do bem para as diferentes instituições e ainda apresentar quais as taxas de juros cobradas em cada uma delas.

“Com a introdução das IGG no mercado brasileiro, será possível separar, em instituições distintas, as atividades de gestão das garantias e as atividades de concessão de crédito: a gestão da garantia ficará a cargo da IGG, enquanto o credor poderá ficar responsável apenas pela concessão do crédito. Assim, cada instituição pode se especializar, permitindo maior eficiência e imparcialidade na sua atuação”, disse o Ministério da Economia em dezembro.

Assim, a nova legislação vai permitir a entrada no mercado de bancos menores – ou fintechs – no mercado de crédito garantido. Segundo o ministério, a competição com as grandes instituições financeiras vai forçar uma redução nas taxas de juros.

Fiorotto compartilha da expectativa de que os juros cobrados podem diminuir tanto com a entrada dessas instituições menores como do próprio aumento das garantias usadas nas operações. “As fintechs, que têm capital muito menor, vão estar muito mais confortáveis em expandir o crédito [com a maior quantidade de garantias dadas]”, diz.

Em um exemplo dado pelo Ministério da Economia, se um carro avaliado em R$ 60 mil for recebido por uma IGG por alienação fiduciária e o tomador contrair um crédito de R$ 30 mil com o Banco A, restará a ele mais R$ 30 mil para contrair novas operações de crédito. Contudo, após o pagamento de R$ 10 mil da dívida existente, ele poderá contrair novo empréstimo de não apenas R$ 30 mil, e sim de R$ 40 mil.

A nova legislação também vai provocar uma redução nos custos de avaliação de um bem dado como garantia, que será feita apenas uma vez pela IGG antes de ser apresentada às diferentes instituições financeiras. “Isso tem o potencial de diminuir o custo para o tomador e facilitar a verificação da operação mais vantajosa a ser escolhida por ele”, diz a nota do ministério.

O projeto de lei também permite que o consumidor dê espontaneamente o seu único imóvel como garantia, o chamado “bem de família” urbano ou rural (geralmente as pequenas propriedades rurais), o que é vedado pela atual legislação. Esse é um ponto que gerou discussões durante a tramitação e pode não passar em uma eventual redação final. “No geral, o Novo Marco Legal das Garantias continuará sendo extremamente positivo mesmo sem essa previsão”, diz Fiorotto.

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Nova legislação facilita execução extrajudicial
Há, ainda, outras vantagens trazidas pela nova legislação, como uma melhor execução extrajudicial da alienação fiduciária (quando se dá o bem como garantia), sem os custos e a burocracia de uma execução judicial.

Com a nova legislação, os credores podem acionar os cartórios diretamente, sem necessariamente passar pela Justiça. Atualmente, para se fazer uma execução, a Justiça precisa mandar um oficial à casa do devedor para entregar uma intimação, o que nem sempre se consegue cumprir, gerando custos e, posteriormente, ações protelatórias que arrastam o processo por anos.

O projeto de lei também incentiva o uso da hipoteca nos mesmos termos da alienação fiduciária, mas tendo o próprio imóvel como garantia de mais de um financiamento. O Ministério da Economia da gestão anterior entendia que havia potencial nessa modalidade de crédito, que hoje representa apenas 10% dos contratos de imóveis alienados.

E, entre outras medidas, permite que mais instituições financeiras passem a oferecer operações de penhor civil, que atualmente é monopólio da Caixa Econômica Federal e oferecido em apenas algumas agências – só 5% dos municípios brasileiros, onde mora metade da população, são atendidos hoje, segundo o ministério. Com isso, se espera um aumento da concorrência com menores taxas e uma maior variedade de bens penhoráveis.

Professor alerta para risco de superendividamento
Embora veja com bons olhos o Novo Marco Legal das Garantias, Rodolfo Olivo, da FIA, sente falta de um mecanismo ou critério para evitar que as facilidades previstas no projeto de lei provoquem um descontrole nas finanças das famílias. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontou que 78,9% dos brasileiros estavam endividados em novembro de 2022, sendo 30,3% deles com contas em atraso e 10,9% sem condições de pagar. O professor acredita que o governo deveria investir também em educação financeira para conscientizar a população sobre o uso consciente do crédito.

“Se você aumenta a quantidade de crédito disponível, naturalmente aumenta o endividamento das pessoas. O problema é o superendividamento, que é uma questão pessoal. Mas vejo que, com as taxas de juros menores e a possibilidade de mais garantias, os empréstimos também serão mais baratos se comparados aos de hoje, evitando que as pessoas contraiam dívidas muito altas”, diz Fiorotto, da Aneps.

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LULA ASSUSTA O MERCADO COM O SEU POPULISMO

 

Só quer gastança
Quem avisa amigo é!

Por
Alexandre Garcia


Lula durante reunião com seus ministros.| Foto: André Borges/EFE

Pra não dizerem que não foram avisados. O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, numa entrevista, de uma página e meia, no Correio Braziliense, disse que Lula ainda não se deu conta do desafio que tem pela frente. Desafio da economia. Que o que ele está fazendo na verdade é assustando os investidores, assustando o mercado, frustrando a expectativa dos economistas que apostaram nele, porque achavam que o Lula três seria igual ao Lula 1; mas o Lula três está sendo igual ao Dilma.

Segundo Maílson, o governo está com um olhar enviesado sobre o uso das estatais, do dinheiro público, do dinheiro do tesouro nacional, do BNDES, e mais do que isso, uma percepção equivocada sobre o Brasil de hoje, pensando que é o Brasil dos anos 1970 ou 1980. Diz por exemplo, que o Lula falou na posse que não é aceitável ele importar a plataforma de petróleo, aeronave, microcomputador, microprocessador, e aí ele lembra que a plataforma de petróleo foi foco de corrupção, microprocessador é volta da política de informática do governo militar, que foi desastrosa. E achar que o Brasil é competitivo em aeronave, é pensar que a Embraer pode fazer avião do tamanho de um Airbus ou Boeing; a gente faz aviões ainda pra cento e cinquenta lugares, então é um pouquinho fora da realidade.

Insegurança jurídica
E esse é um temor que a gente está vendo junto com a insegurança jurídica. Todo mundo olha para o Brasil de hoje e vê juiz mandando em tudo, não tem devido processo legal. No caso do escândalo das lojas Americanas, uma pedalada de R$ 20 bilhões, um dos credores, BTG Pactual, vai lá e retira um R$1,9 bilhão, e um juiz dá uma liminar dizendo que não pode retirar e tem que devolver. Aí BTG diz que nunca viu a Justiça beneficiar o fraudador em prejuízo do credor inocente. Essa decisão pegou muito mal.

Vejam só o grupo Guararapes acaba de fechar uma fábrica de roupa em Fortaleza, vai ficar só com a fábrica de Natal, dois mil empregos a menos. Até tentou ajudar os empregados, as máquinas de costura foram dadas para as costureira levarem e ter seu ganha pão, mas, enfim, é um sinal de que mercados, investidores, os produtores, os empregadores estão recebendo com muita estranheza.

Não tem nada de herança maldita
O governo não fala em equilíbrio fiscal, ao contrário, fala em gastança, em uso das estatais como antes, como lembra Maílson da Nóbrega, e aí sai por essa desculpa de herança maldita, não é. Saíram agora os números da balança comercial, recorde de 62,3 bilhões de dólares no ano passado, a própria inflação, 5,39%, é menor que a inflação americana, que a inflação da Alemanha no ano de 2022.

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O povo paga
Então não é uma herança maldita. Essas declarações de política misturando economia e populismo, no Brasil de hoje não tem mais nada a ver. É preciso que o novo governo tenha uma atualização, tem de se atualizar principalmente na parte econômica e também na parte política, sabendo que pelo resultado da eleição, o Brasil está dividido ao meio.


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O REGIME ATUAL NÃO TOLERA DIVERGÊNCIAS POLÍTICAS

 

Sem manifestações

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo


| Foto: EFE/Andre Borges

Nada prospera melhor no Brasil de hoje do que o mercado da intolerância – resultado inevitável do ataque que se faz há anos contra as liberdades, tanto na arena política como nos mais altos degraus do poder judiciário. A liberdade, dia após dia, foi sendo transformada num mal em si. Ela serve apenas à “direita”, segundo foi decretado pelos que mandam na vida pública do país. Deixou de ser uma virtude; hoje as almas progressistas, em vez de defenderem a liberdade, querem que ela seja eliminada. Vai-se embora, nessa ofensiva, a capacidade de ouvir uma opinião contrária e de aceitar que pontos de vista divergentes convivam no ambiente público. A divergência, conforme o lado da cerca, não é mais um direito constitucional do cidadão; virou um caso de polícia. O cidadão que diverge deixou de ser um adversário de debates; passou a ser alvo de processo penal, por crimes contra “a democracia”.

A frase mais popular entre as estrelas da esquerda brasileira, hoje, é: “Não vamos tolerar”. Seja lá o que for, o mandamento é não aceitar nada que venha do outro lado – não se tolera manifestação de rua, a livre palavra nas redes sociais, o porte da bandeira nacional em público, as críticas às ilegalidades em massa que não param de ser cometidas, a posse legal de armas de fogo e por aí afora. Acima de tudo, não se tolerem os “atos antidemocráticos”, que hoje funcionam no Brasil como os “atos contrarrevolucionários” de Cuba ou da Rússia comunista – ou seja, servem como ferramenta para reprimir quem não obedece ao regime. Os “atos antidemocráticos”, salvo em episódios doentios como a invasão dos edifícios dos Três Poderes em Brasília, não têm nada a ver com ataques à democracia; exatamente ao contrário, não há nada que separa melhor as democracias das ditaduras do que a possibilidade de ir à praça pública para exprimir opiniões políticas ou de qualquer outro tipo. Aqui virou crime.

O cidadão que diverge deixou de ser um adversário de debates; passou a ser alvo de processo penal, por crimes contra “a democracia”

Essa visão deformada é aceita como religião oficial do novo regime que começa a se formar no Brasil – e nada deixa isso tão claro quanto à adoção, por parte da mídia, do mundo político e das classes intelectuais das mesmas palavras, exatamente as mesmas, para descrever os brasileiros que fazem protestos de rua. Todos são chamados, sistematicamente, de “golpistas”, ou de “bolsonaristas”, ou de “fascistas”, ou de autores de “atos antidemocráticos” e até mesmo, agora, de “terroristas”. Não importa o que tenham feito no plano das realidades concretas; todo o cidadão que vai hoje para a rua vestido de verde amarelo, ou levanta uma faixa dizendo “Fora Lula”, é acusado, julgado e automaticamente condenado no noticiário como “golpista”. Em relação a ele, o dever democrático do governo e do seu sistema de apoio é, acima de tudo, não procurar o diálogo e muito menos estender a mão. O pensamento único é: “Tolerância Zero”.


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GOVERNO LULA QUER LEGALIZAR O ABORTO

 borto Legalização Lula

O governo Lula e os primeiros passos na tentativa de legalizar o aborto

Byvaleon

Jan 17, 2023

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Lula e a ministra da Saúde, Nisia Trindade.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Não demorou nem um mês para que o governo Lula iniciasse o ataque às iniciativas em defesa das gestantes e das vidas em formação. Seguindo firme no propósito de legalizar o aborto no país – como já alertamos antes –, e sabendo que a sociedade brasileira repudia essa prática e que por isso o Congresso Nacional dificilmente aprovaria uma legislação nesse sentido, os ministros e secretários de Lula se mostram bem empenhados em anular tudo o que possa significar um entrave ao aborto irrestrito e aplicável sob qualquer circunstância.

Uma das primeiras ações na implantação dessa política nefasta foi a revogação, assinada na última sexta-feira, 13, pela ministra da Saúde Nísia Trindade, da portaria que estabelecia que os serviços de saúde comunicassem as autoridades policiais os casos de aborto decorrentes de estupro e preservassem materiais que pudessem auxiliar na identificação do agressor por meio de exames genéticos. Com a revogação, volta a ser mais difícil que crimes de estupro possam ser investigados e punidos. Ao mesmo tempo, fica mais fácil que o aborto seja praticado em casos não permitidos por lei, sob falsas alegações de estupro.

O “Lula pró-vida” não passa de uma peça publicitária mal feita usada para tentar conquistar a simpatia dos desavisados.

Ao assumir a pasta da Saúde, Nísia Trindade – que não tem formação em áreas da saúde, mas sim em Sociologia e Ciência Política – já tinha prometido revogar todas as normas assinadas sob o governo de Jair Bolsonaro que “ofendem a ciência, os direitos humanos, os direitos sexuais e reprodutivos e que transforma várias posições do Ministério da Saúde em uma agenda conservadora e negacionista”. Na lógica distorcida dos ministros de Lula, tentar aumentar as chances de punir estupradores e evitar que o aborto seja praticado indevidamente é “negacionismo”.

Sob a forma de eufemismos, como “direitos sexuais e reprodutivos” e o tratamento do aborto como mera questão de “saúde pública”, o que se pretende é afrouxar ao máximo a atual legislação sobre o aborto – que não pune a interrupção da gravidez apenas em casos de gestação decorrente de estupro, risco de morte da gestante e, por decisão do STF, casos de bebês com anencefalia. Os primeiros passos nessa direção já foram tomados e muitos outros, infelizmente, estão por vir.

Os abortistas do governo de Lula, que têm pouco ou nenhum apreço à vida desde a concepção, não vão poupar esforços para concretizar a política macabra do novo governo.

Um dos próximos alvos a ser atacado deve ser o manual do MS que define que o aborto nos casos previstos em lei deve ser feito até a 21ª semana de gravidez, uma vez que após o início da 22ª semana já há possibilidade de vida extra-uterina. O mesmo manual contraindica o uso da telemedicina para a prática do aborto – o chamado teleaborto – segundo o qual a mulher recebe o medicamento abortivo e faz o procedimento em casa, sem estar em um hospital e nem contar com o acompanhamento presencial de uma equipe de saúde.

A articulação do governo Lula em prol do aborto é evidente. Além da ministra da Saúde, o mesmo compromisso em prol do aborto irrestrito já foi manifestado pela ministra das Mulheres, Aparecida Gonçalves, que prometeu avançar “o que for possível avançar” em termos de liberação do aborto, e pelo secretário de Atenção Primária à Saúde do MS, Nésio Fernandes, cuja secretaria será responsável diretamente por ações relacionadas ao aborto. Filiado ao PCdoB, Nésio formou-se me Medicina em Cuba, recebeu bolsa do regime ditatorial cubano – ao qual enalteceu em artigos –, e se revela um fã de Che Guevara. Em entrevista à imprensa, Nésio defendeu um acesso maior ao aborto e afirmou ter atuado para que uma criança de dez anos abortasse em Pernambuco, em 2020. O caso gerou repercussão nacional depois que médicos capixabas se recusaram a fazer o procedimento. A gestação já estava em um estágio avançado, em que a indução do parto já seria possível, preservando assim, também a vida do bebê.

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Durante a campanha, Lula fez de tudo para maquiar a posição oficial de seu partido a respeito do aborto. Lembremos que ele conseguiu que o Tribunal Superior Eleitoral vetasse uma peça de campanha de Jair Bolsonaro sob o argumento de que não haveria “comprovação de que o candidato [Lula] tenha declarado, prometido ou apresentado projeto de governo no sentido de promover a alteração da lei que cuida do tema do aborto”. Mas a verdade sempre foi outra – bem conhecida de quem acompanha a trajetória de Lula e do Partido dos Trabalhadores. O “Lula pró-vida” não passa de uma peça publicitária mal feita usada para tentar conquistar a simpatia de eleitores desavisados.

Os abortistas do governo de Lula, que têm pouco ou nenhum apreço à vida desde a concepção, não vão poupar esforços para concretizar a política macabra do novo governo e ampliar ao máximo a prática do aborto. Para eles não importa o que a sociedade pensa, defende ou acredita; nem o que é debatido e votado dentro do Congresso Nacional: o que vale são as ideologias distorcidas que calcam aos pés os direitos daqueles que ainda não nasceram.


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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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