Quais os riscos de classificar os atos de vandalismo aos Três Poderes como terrorismo
PorGazeta do Povo
Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto.
Desde domingo (8), data dos violentos protestos, autoridades e parte
da imprensa têm atribuido erroneamente aos atos o rótulo de
“terrorismo”| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Logo que tiveram início os episódios de vandalismo e depredação das
instalações do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo
Tribunal Federal (STF), parte da imprensa e algumas autoridades passaram
a classificar os atos como terrorismo. Nas horas e nos dias seguintes
ao ocorrido, o uso da palavra “terroristas” foi usado repetidamente para
classificar os manifestantes, inclusive na nota conjunta de repúdio aos ataques assinada
pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo
presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e pela presidente do
STF, Rosa Weber.
Igualmente, ministros do Supremo passaram a reforçar o uso do termo
nas redes sociais e em declarações públicas. Na noite de domingo (8), ao
publicar sobre os atos de vandalismo, o ministro Luís Roberto Barroso
disse: “O terrorismo é a vitória do mal e do crime disfarçados de
ideologia. Dia de luto para as pessoas de bem de qualquer credo
político. A Justiça virá”.
Alexandre de Moraes foi outro a endossar o emprego da palavra. “Os
desprezíveis ataques terroristas à Democracia e às Instituições
Republicanas serão responsabilizados, assim como os financiadores,
instigadores, anteriores e atuais agentes públicos que continuam na
ilícita conduta dos atos antidemocráticos”, tuitou o ministro.
Mas apesar da violência empregada nos protestos e das declarações de
autoridades, a legislação brasileira não configura tais atos como
terrorismo. A Lei 13.260/2016, conhecida como Lei Antiterrorismo, define
o termo como a prática de uma série de crimes listados no texto legal
“por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor,
etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror
social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz
pública ou a incolumidade pública”.
A Lei Antiterrorismo traz, ainda, uma proibição expressa à
classificação de protestos políticos como terroristas: “O disposto neste
artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em
manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos (…)”,
diz o segundo parágrafo do artigo 2º.
“No nosso ordenamento, o terrorismo exige uma motivação
discriminatória, xenofóbica, preconceituosa. A lei traz uma finalidade
própria também, que é provocar terror social, expor a perigo pessoa,
patrimônio, paz pública ou a incolumidade pública. Em relação à
finalidade, poderia até enquadrar, mas em relação à motivação é
impossível, porque esses atos não tem motivação discriminatória”,
explica José Roberto Mello Porto, doutor em Direito Processual
e defensor público do Rio de Janeiro.
“Terrorismo, na nossa lei, é utilizado tecnicamente de uma maneira
muito mais aproximada da realidade do terrorismo internacional, de
grupos radicais islâmicos, o terrorismo que está no ideário do homem
médio. No nosso ordenamento, os protestos não se enquadram como tal”,
prossegue.
Rotulação ampla dos atos como terrorismo pode legitimar excessos do Judiciário
O uso equivocado do termo “terrorismo” em atos de manifestantes
contrários à eleição de Lula não teve início com os protestos violentos
deste domingo – tal rotulação começou a ser usada por jornalistas,
ativistas e políticos de esquerda após os episódios de violência por manifestantes de direita na noite da diplomação de Lula, no dia 12 de dezembro.
Dada a reprovação social de atos considerados terroristas, seguida de
demandas por regime especial de tratamento contra seus praticantes, um
dos riscos de classificar os protestos dessa maneira é a legitimação de
condutas excessivas e abusivas por parte do poder Judiciário, que ferem
direitos e garantias constitucionais.
Em discurso feito na terça-feira (10), o ministro Alexandre de Moraes
voltou a endereçar o rótulo de terroristas aos manifestantes que
vandalizaram os prédios dos Três Poderes. “Temos que combater firmemente
o terrorismo. Temos que combater firmemente as pessoas
antidemocráticas. Não é possível conversar com essas pessoas de forma
civilizada. Essas pessoas não são civilizadas”, disse o ministro.
Consequência direta de uma postura desbalanceada do Judiciário contra
os manifestantes a partir dessa classificação dos crimes são as penas
desproporcionais que eventualmente podem ser aplicadas. Como comparação,
a pena mínima para o crime de terrorismo é de 12 anos e pode chegar a
30. Já o crime contra o patrimônio, no delito de dano qualificado uma
vez que esse dano ocorreu contra patrimônio público, prevê pena de seis
meses a três anos de prisão, ou seja, o teto da punição é apenas 10% da
pena máxima para o crime de terrorismo.
Os autores dos atos de vandalismo estão sendo acusados também dos
crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, que traz
como pena 4 a 8 anos de prisão; e de golpe de Estado, que prevê prisão
de 4 a 12 anos.
“Obviamente a pena do terrorismo é muito maior, porque o legislador
entende que esses atos são significativamente mais graves. Então caso o
Judiciário interprete que houve atos terroristas haveria uma contradição
entre [o que previu o Poder] Legislativo e [a interpretação adotada
pelo] Judiciário”, aponta Mello Porto.
“Seguramente foram cometidos vários outros crimes que não o
terrorismo, crimes até contra o Estado Democrático de Direito, cuja
legislação é bastante dura na resposta que dá. Ou seja, cometer essa
impropriedade jurídica para dar a resposta que se espera do Judiciário
nesse momento não me parece um caminho necessário”, finaliza o jurista.
Imagens
do cotidiano de Curitiba numa manhã de frio e chuva – preço dos
combustiveis nos postos de Curitiba – preço – combustivel – alcool –
diesel – gasolina – posto BR – Petrobras
Sem a redução do ICMS dos combustíveis, da energia elétrica e das
telecomunicações, o IPCA de 2022 teria ficado bem acima dos 5,79%
registrados pelo IBGE.| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo
A inflação de dezembro de 2022, que foi de 0,62%, segundo os dados do
IBGE divulgados no último dia 10, superou as estimativas do mercado
financeiro. Ainda assim, o acumulado de 12 meses ficou no menor nível
desde março de 2021, com o IPCA fechado de 2022 terminando em 5,79%. O
número é menor que o de muitos países desenvolvidos, em parte porque o
Banco Central brasileiro percebeu mais cedo que os demais que a onda
inflacionária não era temporária, como inicialmente se acreditava. Mesmo
assim, um olhar sobre os fatores que determinaram o comportamento dos
preços em 2022 e a carta enviada pelo presidente do BC, Roberto Campos
Neto, ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mostram que trazer o IPCA
para a meta vai exigir muito esforço das autoridades, e qualquer
deslize será um convite para a volta do dragão da inflação.
O ano de 2022 foi marcado pela continuação dos choques de oferta e de
demanda que bagunçaram a economia global nos últimos anos. Enquanto
praticamente todo o resto do mundo retomava a vida normal no
pós-pandemia, a China insistiu em sua política de Covid zero, com
lockdowns que seguiram desorganizando cadeias produtivas mundo afora. O
ataque russo à Ucrânia, iniciado em fevereiro do ano passado, abalou
fortemente o mercado de commodities e o setor de energia. No Brasil,
tanto os eventos climáticos que afetaram o agronegócio e os preços dos
alimentos quanto a recuperação da demanda com o fim das restrições
causadas pela pandemia, especialmente nos serviços, pressionaram a
inflação para cima.
A não ser que algum evento imprevisto tenha efeito positivo sobre a
inflação, a única forma de evitar novas altas de juros é uma política
econômica fiscalmente responsável. E é aqui que mora o perigo
Na outra ponta, os principais fatores que ajudaram a conter o IPCA
foram a própria ação do Banco Central, elevando os juros, e uma canetada
política: o projeto de lei aprovado pelo Congresso e sancionado por
Jair Bolsonaro em meados de 2022, obrigando os estados a reduzir de
imediato o ICMS de itens como combustíveis, energia elétrica e
telecomunicações. Esta redução já havia sido determinada pelo STF, mas
deveria valer apenas a partir de 2024, dando tempo aos estados para que
se adaptassem; a escalada inflacionária, em um cenário de petróleo e
energia caros, graças à invasão russa e à crise hídrica (esta última
superada apenas no segundo trimestre do ano passado), criou o clima para
a aprovação do projeto de lei que antecipou a redução. Sem os três
meses seguidos de deflação causada pela mudança na tributação, o IPCA do
ano teria sido bem maior que os 5,79%.
Sem o empurrão para baixo causado pela redução no ICMS – e com a
perspectiva de volta da tributação federal sobre a gasolina, que o
governo adiou para não ter de lidar com um revés político logo nos
primeiros dias de mandato –, será muito mais difícil reduzir a inflação
em 2023. Campos Neto afirma em sua carta a Haddad que há chances
consideráveis de o IPCA ainda ficar acima do limite superior de
tolerância para este ano, que é de 4,75% (a meta é de 3,25%, com
tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo). Neste cenário, a não
ser que algum evento imprevisto tenha efeito positivo sobre a inflação, a
única forma de evitar que o Copom retome o aperto monetário, com novas
altas de juros, é uma política econômica fiscalmente responsável.
VEJA TAMBÉM: Um país em marcha a ré (editorial de 4 de janeiro de 2023) Novas promessas de retrocesso (editorial de 30 de dezembro de 2022) O investimento como motor do crescimento (editorial de 27 de dezembro de 2022)
E é aqui que está o perigo. O teto de gastos, depois de meses de
agonia, causada tanto pelas declarações de petistas quanto por PECs e
projetos de lei que desmoralizaram a âncora fiscal, teve seu fim
decretado na PEC fura-teto. O governo federal já demonstrou sua intenção
de dar asas à gastança, e o pacote de “ajuste” anunciado por Haddad
nesta quinta-feira é basicamente uma série de medidas para incrementar a
receita, com pouquíssimas ações para reduzir despesas. Será preciso ir
muito além disso para espantar o dragão.
AME4954.
BRASILIA (BRASIL), 08/01/2023.- Manifestantes contra los resultados
electorales y el gobierno del recién posesionado presidente Lula da
Silva invaden el Congreso Nacional, el Supremo Tribunal Federal y el
Palacio del Planalto, sede de la Presidencia de la República, hoy, en
Brasilia (Brasil). Seguidores del expresidente brasileño Jair Bolsonaro
invadieron este domingo el Palacio de Planalto, sede del Ejecutivo, y la
Corte Suprema, después de haber irrumpido antes en el Congreso Nacional
en actos golpistas contra el presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Los
ventanales de la sede del poder Judicial y del Congreso Nacional fueron
rotos por los manifestantes, que ya ocupan los edificios de los tres
poderes en el país.EFE/ Andre Borges
A invasão dos prédios dos Três Poderes no dia 8 de janeiro foi um
erro crasso. Além de configurar crimes graves a atentar contra a
democracia, bens e valores essenciais da sociedade, fortaleceu o governo
que pretendia enfraquecer.
De fato, a invasão caracterizou uma série de crimes graves com
múltiplos efeitos danosos e no centro da preocupação está a preservação e
a força da nossa democracia. Nessa linha parece estar a opinião da
grande maioria dos brasileiros, os 75,8% que discordam da invasão
segundo pesquisa da Atlas Intel divulgada na última terça, feita com
2.200 pessoas. Dentre elas, 73,5% são acertadamente contra uma ditadura.
Todos perdemos ainda com o vandalismo contra os imóveis e móveis e,
de modo incalculável, com a destruição do patrimônio histórico,
artístico e cultural. Foram depredados, por exemplo, uma tela de Di
Cavalcanti, um retrato de José Bonifácio, um tapete que pertenceu à
Princesa Isabel, um relógio recebido da corte de Luís XIV pela família
real portuguesa e várias esculturas. Depredaram nossa história enquanto
nação.
Todos perdemos, mas é curioso que a invasão prejudica os próprios
interesses nutridos pelos invasores. Se o objetivo do ato era derrubar
ou enfraquecer o governo do PT, a invasão o fortalece em muitos
aspectos. Foi um erro “crasso”, para usar a expressão que remete aos
erros praticados por Marco Licínio Crasso.
Crasso foi um comandante militar e político romano que, na ânsia da
glória de conquistar o Império Parta, seguiu por atalhos, cometendo uma
série de erros grosseiros de planejamento e estratégia. Os erros
conduziram à sua derrota e morte na Batalha de Carras, em 53 a.C., muito
embora tivesse um exército numericamente superior.
Se o objetivo do ato era derrubar ou enfraquecer o governo do PT, a invasão o fortalece em muitos aspectos
No dia 8 de janeiro houve similarmente o abandono de uma estratégica
segura, a oposição democrática contra retrocessos do governo petista,
para atacá-lo com ânsia e desespero, o que só trouxe perda aos
opositores de Lula e força aos seus aliados.
De fato, a insurgência dos invasores, expressada de modo criminoso no
objetivo e forma, fortalece Lula, que se posicionou nas eleições como
elo de união do campo democrático. Chefes dos Poderes se uniram e todos
os governadores ou seus representantes, inclusive os opositores,
reuniram-se presencialmente para demonstrar união. Ganhou força a
narrativa falsa de que os opositores do governo seriam inimigos da
democracia.
Outra ironia é o fato de que os governos do PT, agora colocado como
“defensor da democracia”, erodiram profundamente a própria democracia,
ainda que de modo oculto, mas igualmente grave, canalizando bilhões do
governo para influenciar indevidamente as eleições pretéritas em favor
de seus candidatos.
Além disso, nos dias anteriores à invasão, vários aspectos
relacionados ao governo vinham sendo alvo de cobertura negativa da
mídia, por exemplo: as relações até agora inexplicadas da Ministra do
Turismo com milicianos; a criação de uma espécie ministério da verdade;
perdas bilionárias da bolsa decorrentes de uma política econômica que
promete ser desastrosa; e a nomeação de um condenado por desvio de
dinheiro como Ministro.
Com a invasão, críticos do governo tentaram chamar a atenção para a
gestão desastrada do episódio feita também pelo Ministério da Justiça,
já que alertas de risco foram distribuídos para 48 órgãos do governo, em
16 ministérios. Contudo, Lula respirou aliviado: a gravidade do 8 de
janeiro fez toda a atenção ser redirecionada para o ataque à democracia.
Esse episódio deu respaldo ainda ao trabalho do ministro Alexandre de
Moraes. Ele viu várias de suas ações serem retrospectivamente
legitimadas, em maior ou menor grau, como medidas necessárias para
proteger a democracia, debaixo do guarda-chuva da tese da democracia
militante, em que a restrição de direitos fundamentais se justifica para
proteger a própria democracia.
Some-se que a estratégia criminosa da violência e da depredação
contra pessoas e o patrimônio público, antes atribuída à esquerda
radical, passou a ser uma mácula também da direita radical, que
contraditoriamente sempre criticou os métodos ilegais dos movimentos sem
terra e dos trabalhadores sem teto, que protagonizaram numerosas
ocorrências de quebradeira e depredação do patrimônio público.
Esse episódio deu respaldo ainda ao trabalho do ministro Alexandre de
Moraes. Ele viu várias de suas ações serem retrospectivamente
legitimadas, em maior ou menor grau, como medidas necessárias para
proteger a democracia
Por fim, há uma preocupação disseminada de que o PT implemente uma
política econômica desastrosa. A mesma economia que se busca preservar
com a oposição ao governo é ameaçada pelo 8 de janeiro, que tinha
potencial para colocar o Brasil no rol de países com instabilidade
política e social.
Com base num estudo de Alberto Alesina e Nouriel Roubini que avaliou
113 países com instabilidade política (“Political Instability and
Economic Growth”), o economista Leo Siqueira afirmou que a instabilidade
política prejudica o crescimento econômico e se retroalimenta- – um
golpe aumenta o risco de novos golpes. Além disso, segue o economista, a
instabilidade reduz o investimento estrangeiro e retira o foco das
reformas importantes para o Brasil, como a tributária, a administrativa e
a fiscal.
Ao longo dessa semana, eu recebi muitos comentários nas redes sociais
de pessoas que, como eu, opuseram-se à invasão, mas que argumentaram
que ela foi uma forma de expressar a indignação de parte significativa
da sociedade. A pesquisa da Atlas Intel capturou esse sentimento,
revelando que 38% dos entrevistados viram a invasão como justificada no
todo ou em parte.
Esse considerável número não pode ser ignorado quando se trata da
pacificação do país. Dessa forma, é preciso buscar entender quais são os
fatos que geram essa indignação e quais valores precisamos reacender em
nossa política para que possamos alcançar a pacificação nacional.
No entanto, é preciso reconhecer claramente que a invasão foi
criminosa e desastrada nos seus métodos e objetivos. Ainda que a ação
alcançasse êxito em despertar uma intervenção militar, ela seria uma
quebra de institucionalidade, que caracteriza crimes. Os militares
responsáveis não teriam incentivos para reconduzir o país à normalidade
democrática debaixo do risco de serem julgados como criminosos. Isso
conduziria o país a uma ditadura – e não há ditadura boa no mundo –,
contra a qual, como vimos, estão 73,5% dos brasileiros, a grande
maioria.
Some-se que uma das críticas mais repetidas contra o PT é, aliás, o
seu apoio às ditaduras da Venezuela, Cuba, Nicarágua e China. Nesse
aspecto, a investida contra a democracia pelos invasores também parece
ser um tiro no próprio pé ou, no mínimo, contraditória.
O único caminho para um país mais justo, próspero e melhor é o da
democracia. Como no caso de Crasso, o atalho é o caminho mais curto para
nossa derrota coletiva. O caminho da mudança é estreito e ocorre por
meio do trabalho, da conscientização, da estratégia, da cidadania, do
voto consciente e da perseverança, dentro da lei, e, se for o caso,
mudando a lei. E a história mostra que essa mudança é possível.
Por Luiz Philippe Orleans e Bragança – Gazeta do Povo
O ditador chinês Xi Jinping.| Foto: EFE/Andre Coelho
A
resposta à questão-título que abre nossa participação na Gazeta do Povo é
aparentemente simples: Novas oligarquias tomaram o poder.
Em 2002 os agentes econômicos e os políticos locais tinham grande
influência na condução da política e da economia no Brasil. Governar sem
eles era impossível. Entretanto, em 2022 a conjuntura mudou. Temos
novos jogadores, maiores e mais poderosos: fundos internacionais,
governo Chinês, governos europeus e norte-americanos, ONU, dentre
outros; globalistas que representam maior peso na balança política.
Individualmente, tais agentes comandam valores várias vezes
superiores ao PIB do Brasil, já controlam a maior parte dos ativos por
aqui e têm uma agenda política coesa. Em segundo plano vêm os criminosos
do narcotráfico regional, que cresceram muito; os governos
latino-americanos e o Foro de São Paulo. São os guerrilheiros marxistas
anacrônicos que nunca saíram do século 20. Eles têm interesses comuns
com os agentes globalistas, pois por meio do socialismo oferecem um
método de controle absoluto, objetivo primordial da agenda global.
Todos esses grupos formam a nova conjuntura de oligarquias
supranacionais, um cartel internacional que ultrapassa o poder de
influência e os interesses das tradicionais oligarquias locais, ou seja,
a agenda política das novas oligarquias é mais importante e elas pagam
mais para ver governos alinhados a ela. Vencer o inimigo dessa agenda
tornou-se mais importante do que eleger um governo de “gestão
eficiente”.
Temos novos jogadores, maiores e mais poderosos: fundos
internacionais, governo Chinês, governos europeus e norte-americanos,
ONU, dentre outros
Quanto às oligarquias locais anteriores (bancos locais, construtoras,
grandes empresas, empresas denunciadas na Lava Jato etc), são meros
corruptores locais que voltaram à ativa, mas ficam em terceiro plano em
termos de influência política e imposição de limites de interferência
econômica. Isso explica, em parte, a enxurrada de notícias ruins contra o
mercado local, sem muita preocupação com as consequências, como a
inflação, o desemprego e a queda de investimentos. A outra parte é
explicada pela mistura de idiotice ideológica, notório vínculo com o
crime organizado e a desqualificação dos novos ministros.
Esse último aspecto, aliás, não é bem visto por ninguém, nem mesmo
pelos globalistas, mas por enquanto não impede que Xi Jinping , Biden,
Trudeau, Macrón e outros apertem a mão de bandidos sem pudor. Há
indícios de alinhamento entre os globalistas e os revolucionários em
alguns pontos. Estão unidos no combate ao nacionalismo, ao
conservadorismo e ao capitalismo mas não estão 100% alinhados nos
métodos e na partilha dos resultados. Essa perspectiva precisaremos
explorar em um segundo momento.
Um dos desdobramentos lógicos é que se os oligarcas brasileiros, o
terceiro grupo, reclamarem demais, precisam se cuidar para não
terminarem como os oligarcas de todos os outros países, que foram
dominados pelo Foro de São Paulo, exilados, sem comando dos seus ativos e
perdidos na eterna dúvida de onde erraram. Para que os nossos oligarcas
não tenham dúvidas, deveriam tomar conhecimento dos dois grupos
anteriores, principalmente quem ainda acha que “com o novo governo seria
mais fácil dialogar”.
Os incautos só agora perceberam que a agenda política irá se sobrepor
à econômica, e isso não é convívio, é sobreposição mesmo, e nessa nova
realidade uma coisa é certa: os grandes empresários brasileiros já
perderam a liquidez de seu patrimônio. Duvidam? Quem vai investir ou
mesmo comprar empresas com um governo empenhado em matar o mercado?
Matar o mercado. Essa expressão não é exagerada? Não. Mas a afirmação
exige explicações que vamos juntos entender na próxima semana.
O atual presidente e então candidato à presidência pelo Partido
dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva, e o então presidente e
candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, durante debate nos estúdios da
TV Globo no Rio de Janeiro (Brasil), no dia 28 de outubro de 2022.|
Foto: EFE/Antônio Lacerda
Nas redes sociais, a moda na direita é
pôr prints de postagens de Olavo de Carvalho que provavam de antemão que
a repressão da esquerda seria implacável e as Forças Armadas esmagariam
o povo. O apocalipse veio. O Brasil acabou.
Concomitantemente, o Estadão deu muito o que falar no Twitter, ao
menos na minha bolha. Sua postagem dizia assim: “VACINADOS Golpistas
presos em Brasília são levados para celas, vacinados contra covid e
recebem kit higiene”. Muita gente apontou — com razão — a disparidade de
tratamento entre os “golpistas” e os “suspeitos” de latrocínio. Por
isso mesmo, a imagem sugerida pela tuíte deveria ser recebida com
ceticismo. Com tanta lei pró bandido, o Estado pode pegar na marra os
detidos e enfiar agulha no braço, sem nem saber quantas doses o
“golpista” tinha tomado? É preciso então clicar na matéria e ler o corpo
do texto… Mas eis que aparece a paywall pedindo assinatura, e você não
vai assinar o jornal que chama de “golpistas” os manifestantes detidos.
Então resta concluir eles estão injetando mRNA à força em dissidentes
políticos. O fim está próximo! Vamos todos morrer de miocardite e
tromboembolismo pulmonar!!
Seja com um tuíte do Estadão ou as profecias de Olavo de Carvalho,
alcança-se o mesmo resultado: desespero. Bem se sabe que resgatar
afogados é difícil porque o seu próprio pânico contribui para afogar o
seu salvador. Nas redes sociais, a direita que se vê é um bando de
afogados se abraçando.
VEJA TAMBÉM: Vício em rede social desestabiliza o país A legitimidade está na propaganda, não no povo O que mudou?
Em termos de liberdades individuais e de garantias
constitucionais, o que mudou entre 31 de dezembro de 2022 e 1º de
janeiro de 2023? Em 2022 — na verdade, já em 2019 —, era possível um
mesmo indivíduo ser vítima e executor de punições ao mesmo tempo, tudo
enquanto o processo era escondido dos advogados. Como Olavo de Carvalho
costumava apontar, a eleição de Bolsonaro desencadeou o crescimento da
perseguição à direita pelo Estado e pela imprensa tradicional. Daí se
seguia que Bolsonaro não deveria ter sido eleito? Não dava para
desaparelhar o Estado antes de 2018. Muito bem: desta vez Bolsonaro não
foi eleito.
Se, antes de 2023 e depois de 2019, uma turba vestida de
verde-e-amarelo invadisse o prédio do STF, o que será que aconteceria? O
Cacique Tserere foi preso não muitos dias antes do evento. Oswaldo
Eustáquio foi preso e saiu de cadeira de rodas.
O quebra-quebra de janeiro serviu para recrudescer, é verdade. E não
há motivos para crer que ele serviria para recrudescer a despeito do
resultado ungido pelas urnas infalíveis. A eleição de Lula serviu para
acirrar os ânimos, acirrar os ânimos serviu para o quebra-quebra, o
quebra-quebra serviu para recrudescer. Mas se Bolsonaro ganhasse, o lobo
poderia muito bem arranjar outro motivo para dizer ao cordeiro que ele
turvava a água.
Na questão das garantias constitucionais, a eleição de Lula não mudou
nada. Tem o ministro Sílvio Almeida, claro, que deve forçar o
racialismo em tudo. Teve a equiparação do racismo a injúria racial, por
Lula. Mas me digam: o que eles fizeram ou podem fazer que o STF não
faça? Todo o racialismo institucional existente no Brasil hoje foi
puxado pelo STF, de cima pra baixo.
Os EUA hoje são tóxicos De onde vem isso? Do Partido Comunista
Chinês? Do Estado presidido por um ex-agente da KGB? Nada: a ideologia
de gênero (incluindo trans), o racialismo, o ambientalismo
neomalthusiano, o abolicionismo penal, a luta antimanicomial, e,
coroando tudo isso, o ativismo judicial, são espécies nativas dos EUA e
da União Europeia. Nada disso é comunismo. Nada. No entanto, tipos como
Weintraub ficam atacando qualquer político construtivo e realista que
mantenha relações comerciais com a China enquanto vendem os EUA como
algum tipo de ideal. Imaginem a nossa situação geopolítica caso
resolvêssemos romper todo tipo de relação com o nosso maior parceiro
comercial (a China) e se aderíssemos às sanções à Rússia. (Um monte de
liberal limpinho se esgoelou porque Bolsonaro garantiu a compra de
fertilizantes indispensáveis ao nosso agronegócio.) Nós nos
transformaríamos em escravos pobres dos EUA, um país que fez maquiagens
dilmescas com a própria moeda e agora tem uma inflação descontrolada.
Pois bem: Weintraub em 2014 estava com a turma de banqueiros que
queria eleger Marina; em 2020, numa reunião sabidamente filmada, deu uma
de macho contra o STF, que está fazendo e acontecendo com o Inquérito
do Fim do Mundo. O vídeo é exposto e Bolsonaro, para protegê-lo,
indica-o para um belo cargo no Banco Mundial, fora do país e do alcance o
STF. Eis que de repente, dos EUA, Weintraub começa a atacar loucamente
Bolsonaro e diz querer ser o novo líder da direita.
É um absurdo supor que esse pessoal do mercado financeiro, vindo de
países ricos em decadência, com uma economia podre maquiada, tenha
infiltrado gente no governo para meter as mãos nas nossas riquezas e,
dentre outras coisas, se enfiar na nossa Amazônia?
Bolsonaro se alinhou de graça Como defendi com mais detalhe aqui, o
problema dos manifestantes é terem acreditado na carochinha de que a
“Revolução de 64” ocorreu devido ao clamor popular. 64 jamais teria
ocorrido sem uma concertação de parte da elite nacional (que não queria
gaúchos de volta na presidência) com os Estados Unidos. Desde Vargas,
presidentes gaúchos eram independentes. Vargas não se alinhou de graça
aos Estados Unidos, nem se aliaria de graça ao Eixo, pelo qual tinha
simpatias reais e no qual se inspirava. Vargas negociou. Os EUA
entregaram a siderurgia; Hitler ficava prometendo entregar armas lá no
futuro. Ficou então com os EUA.
No período militar, o Brasil não se alinhou incondicionalmente com os
EUA. Geisel, gaúcho, foi o primeiro presidente a reconhecer a
independência de Angola, num movimento liderado por comunistas. Um
projeto que Geisel não conseguiu concluir foi o da bomba atômica, que
faria de nós um país bem menos vulnerável à pressão internacional.
Bolsonaro jamais teve esse tipo de sabedoria. O máximo que fez foi se
recusar a sancionar a Rússia — e se sancionasse, perderia o apoio do
principal setor econômico que o apoiava, o agronegócio.
Se Bolsonaro tivesse alguma esperança de se manter no poder, ou de no
mínimo ter urnas melhores, ele precisaria de apoio internacional. Me
parece que ele confundiu os Estados Unidos com a pessoa de Trump e achou
que isso bastava. O próprio Trump não apitava nada nos EUA; tinha
contra si o FBI, que virou um órgão totalmente sectário. E o que o FBI
fazia para enfraquecê-lo? Atrelava-o à Rússia. Se um norte-americano for
perseguido pelo próprio serviço secreto partidarizado, o natural é que
procure ajuda noutras plagas. É possível que haja um dedo russo na
descoberta do laptop de Hunter Biden; e, sendo esse o caso, o dedo russo
foi útil à liberdade nos EUA. É do interesse do FBI que todos se
afastem de qualquer potência concorrente. Bolsonaro se afastou de graça.
Agora está lá nos Estados Unidos com receio de ser extraditado,
enquanto os Democratas, com o beneplácito de parte do novo governo,
querem botar o FBI para investigar Brasília.
E agora? Mas voltemos à vaca fria, que é o estado de afogamento da
direita. As liberdades não vão sumir por causa de Lula; elas já estavam
sumindo antes. O que pode piorar por causa do PT é a economia. Ainda
assim, temos um mistério. O que Haddad fala, Rui Costa nega. Eu aposto
que será pior do que o governo Bolsonaro, mas melhor do que um governo
Dilma. Se o governo tiver a cara de Rui Costa, o que temos pela frente
são privatizações e cortes de gastos com servidores, além de aproximação
com as empreiteiras da Lava Jato e o BRICS (Rui quis importar a russa
Sputnik e a indiana Covaxin). O corte de gastos com servidores é assim:
não abrir concurso para professor (ao contrário do que Dilma fez) e
contratar semianalfabeto para dar aulas em regime temporário. (Assim o
Pisa da Bahia despencou.) Quanto à segurança pública, seguirá
descontrolada, mas não haverá nem propaganda da marginalidade, nem
cracolândia. É um estilo totalmente diferente de Haddad. (Por ora, vi
que Margarete Menezes segue os seus conterrâneos e se aproxima da China.
Na China não tem lacração. Um Ministério da Cultura construtivo e sem
lacração seria uma vitória.)
Há muitos PTs dentro do PT, e há muitas tendências dentro do PT.
Penso que uma coisa positiva do futuro é possibilidade de um
reequilíbrio das influências sobre o Brasil. Mas, tal como o governo
Bolsonaro tinha os seus marineiros, o governo Lula os tem, e bem à vista
(vide a própria Marina e Sônia Guajajara).
Por fim, o que eu queria observar é que as mídias – sociais e
tradicionais – tendem a vender emoções negativas. Se o jornalista é
lacrador, vai ser mais jacobino do que qualquer membro do governo. O
governo tem Dino e Múcio, mas o jornalista e o influencer, de esquerda e
de direita, vão fazer de conta que é só Dino.
É preciso manter a cabeça no lugar e tentar enxergar as coisas como
realmente são, e não como parecem ao afogado enquanto ele se debate
n’água.
Tudo mudou Direita tem que reagir com inteligência
Por Paulo Polzonoff Jr.
Para entender o porquê desta foto você terá de ler o texto até o fim.| Foto: Leticia Akemi/ Gazeta do Povo
Para
minha surpresa, muita gente reagiu com raiva quando eu disse que os
incidentes do 8 de janeiro de 2023 – o Capitólio Tupiniquim – tinham
sido fruto de uma catarse estúpida que, embora compreensível, acabou por
deslegitimar não só o bolsonarismo, mas também todo o espectro político
que insistimos em reduzir ao termo “direita”. Exagero? Pois já estamos
acompanhando o movimento judicial que, se não for contido a tempo, ainda
há de criminalizar tudo que vá contra o pensamento de esquerda.
A insistência no erro, porém, só me surpreende porque me esforço para
ser um parvo, do tipo que ainda acredita na capacidade de autocrítica
das pessoas, bem como em sua disponibilidade em reconhecer equívocos e,
por meio deles, encontrar algum tipo de redenção. Uma ingenuidade
intencional que não pretendo abandonar. Aliás, foi essa minha crença o
que me levou a, nos últimos quatro anos, perseverar na minha lutinha
tímida contra a soberba da esquerda e dos liberais para os quais nada
nunca está bom.
O Capitólio Tupiniquim foi um desastre simbólico. Uma catástrofe
política. E, a esta altura do campeonato, não faz nenhum sentido
insistir na narrativa de que tudo foi orquestrado pela esquerda. Não
foi. No fundo, todo mundo sabe. Porque aquela revolta dos manifestantes
você, no íntimo, também estava sentindo. Só que você, diferentemente de
quem acredita que defecar na mesa de um juiz do STF é um posicionamento
político aceitável, não é louco. Nem se deixou seduzir pelo suposto
espírito patriota das Forças Armadas nem pelo messianismo tardio de Jair
Bolsonaro.
Aliás, Bolsonaro é causa de outra surpresa e decepção para mim.
Porque parte da “direita” insiste em tê-lo como líder. Oquei, até
entendo que seja difícil se desapegar de certas figuras carismáticas e,
mais do que isso, entendo que não haja outra liderança política viável
no horizonte próximo. Mas será tão difícil assim perceber que isso
transforma o bolsonarismo num culto à personalidade igualzinho ao que se
vê no lulopetismo?
Sem falar que – já está na hora de reconhecer – Bolsonaro causou um
estrago enorme para muitas pautas caras à direita ao insistir em pautas
que, no proverbial frigir dos ovos, eram caras apenas a Bolsonaro. Pegue
a guerra pelo voto auditável, por exemplo. Justa? Sem dúvida. Mas por
que em vez de lutar para que Lula permanecesse na cadeia ou ao menos
inelegível, Bolsonaro moveu mundos e fundos numa batalha que, para ser
vencida, exigia bem mais do que bravatas?
Nos últimos meses, tanto pior. Com seu silêncio misterioso, o
ex-presidente autossemiexilado criou a expectativa de que algo, alguém,
alguma coisa daria ao povo a Justiça pela qual nós tanto clamávamos.
Tic, tac, tic, tac. O tempo passou. Nada aconteceu. Lula subiu a rampa,
com direito a cachorro, minorias para inglês ver e tudo. Enquanto isso,
Bolsonaro, sabendo que corria (e ainda corre) o risco de ser preso,
fugiu do Brasil. Fugiu! Não há outra palavra para isso.
Marta Rocha Veja bem. Não estou dizendo que Bolsonaro tenha agido
assim ou assado por má-fé. Longe de mim. Pelo contrário, acho que cada
uma das ações e palavras do ex-presidente ao longo dos último quatro
anos foram fruto de um esforço enorme da parte dele. Tanto político
quanto intelectual e emocional. Bolsonaro simplesmente tinha limitações.
Como todo ser humano. Não era talhado para as coisas da política. Para a
mistura abjeta de prudência, sofisticação, maracutaias e conchavos
exigida de um presidente.
Tanto é assim que agora Bolsonaro está encalacrado. Se pisar no
Brasil, é capaz de ser preso – e, desta vez, apostaria que ele não terá
nas ruas a multidão que se reuniu para lhe prestar um apoio legítimo nas
megamanifestações de 7 de Setembro. Porque, para o apoiador, uma coisa é
estar associado a um homem xingado de negacionista, genocida e fascista
por hipócritas que acreditam em horóscopo, usam máscaras até hoje e
acham que Mussolini é marca de queijo; outra bem diferente é estar
associado a vândalos e a pessoas que, na primeira oportunidade que
tivessem, estariam agindo exatamente como a esquerda age agora.
Os incidentes do 8 de janeiro de 2023 foram mais graves do que podem
parecer. E não estou nem falando do dano material. Todo o esforço de
mais de vinte anos de uma direita que sempre deu o melhor de si para
impedir a progressão rápida Revolução Petista foi jogado no lixo. Graças
aos vândalos ou à massa revoltosa (de manobra), Lula, com a ajuda do
STF, não terá nem mesmo o incômodo de uma oposição decente no
Legislativo.
Isso sem falar nas vozes de direita que estão sendo silenciadas, bem
como no pequeno poder “democrático” que já chegou ao guardinha da
esquina e ao jornalistinha de site de fofoca, que agora se sentem
empoderados para agirem com truculência a tudo o que for minimamente
interpretado como “ataque às instituições”. Sem falar no poder de
Alexandre de Moraes, que era absoluto antes, continua absoluto e tudo
indica que será absoluto pelo tempo que durar a parceria com o PT.
Foram quatro anos de muita luta. Pela liberdade. Contra a hipocrisia
em todas as suas manifestações. Valeu muito a pena, porque sempre vale a
pena lutar pelo que se considera certo. Bolsonaro foi injustamente
atacado. Aqui e ali ele fez o certo, embora quase sempre tropeçando nas
palavras. Mas o bolo desandou. Betumou. Agora é a hora de olhar para a
frente. De, mais uma vez, cansar o braço para que haja bolo em 2026. Mas
que desta vez seja um conservadoríssimo pão-de-ló, recheado com um
liberalismo caridoso e justo. Ou melhor, que seja um bolo Marta Rocha,
aquele da foto lá em cima. (Adoro Marta Rocha!).
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.| Foto: Carlos Moura/STF.
O
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes incluiu,
na noite desta sexta-feira (13), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no
inquérito que apura a autoria intelectual dos atos de vandalismo, em
Brasília, no último dia 8. O magistrado acatou um pedido apresentado
pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O pedido da PGR foi motivado por uma postagem nas redes sociais do
ex-presidente de um vídeo que questionava a lisura do resultado das
eleições de 2022. A publicação foi feita dois dias após as invasões das
sedes dos Três Poderes. O post foi apagado por Bolsonaro.
“O pronunciamento do ex-presidente da República, Jair Messias
Bolsonaro, se revelou como mais uma das ocasiões em que o então
mandatário se posicionou de forma, em tese, criminosa e atentatória às
instituições, em especial o Supremo Tribunal Federal – imputando aos
seus ministros a fraude das eleições para favorecer eventual candidato –
e o Tribunal Superior Eleitoral –, sustentando, sem quaisquer indícios,
que o resultado das Eleições foi é fraudado”, escreveu o ministro.
O ministro afirmou que o pedido da PGR, em análise inicial, “aponta
que, tanto a conduta noticiada quanto sua posterior divulgação por meio
das redes sociais se assemelham ao modus operandi anteriormente
detalhado e investigado nos autos dos Inqs. 4.781/DF e 4.874/DF”,
respectivamente os inquéritos das fake news e das milícias digitais.
“Observa-se, como consequência das condutas do ex-Presidente da
República, o mesmo modus operandi de divulgação utilizado pela
organização criminosa investigada em ambos os inquéritos anteriormente
mencionadas, com intensas reações por meio das redes virtuais, pregando
discursos de ódio e contrários às Instituições, ao Estado de Direito e à
Democracia, circunstâncias que, em tese, podem ter contribuído, de
maneira muito relevante, para a ocorrência dos atos criminosos e
terroristas tais como aqueles ocorridos em 8/1/2023, em Brasília/DF”,
afirmou Moraes.
Moraes determina que sejam feitas diligências O ministro atendeu
ao pedido da PGR para oficiar o provedor da Meta, responsável pelo
Facebook, para garantir a preservação do vídeo postado e apagado no
perfil do ex-presidente. Na decisão, Moraes ressaltou que, como o
ex-presidente está em viagem aos Estados Unidos, o pedido de realização
do interrogatório dele “será apreciado posteriormente, no momento
oportuno”.
O magistrado deu prazo de cinco dias para que a Procuradoria indique
para uma oitiva um especialista em comunicação política de movimentos
extremistas “para aferir os potenciais efeitos de postagens como a em
tela, em grupos de apoiadores”.
Além disso, a PGR deve indicar também um especialista em
monitoramento de grupos de apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais e
nas plataformas de mensagem, como WhatsApp e Telegram. A oitiva deste
profissional servirá, segundo o ministro, para “colher evidências do
eventual impacto do vídeo em tela, se neles circulou, sobre a
organização de atos com motivação antidemocrática e sobre discursos que
demandam rupturas institucionais”.
Defesa nega envolvimento de Bolsonaro com 8 de janeiro Após o
pedido da PGR, o advogado Frederick Wassef, que representa a família
Bolsonaro, afirmou que o ex-presidente “jamais teve qualquer relação ou
participação nestes movimentos sociais espontâneos realizados pela
população”.
“O presidente Jair Bolsonaro sempre repudiou todos os atos ilegais e
criminosos, e sempre falou publicamente ser contra tais condutas
ilícitas, assim como sempre foi um defensor da Constituição e da
democracia”, disse o advogado, em nota.
Após Pedido Da PGR Advogado diz que Bolsonaro “repudia veementemente atos de vandalismo” PorGazeta do Povo
O
presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, participa da arriação
solene da Bandeira Nacional com apoiadores, no Palácio da Alvorada
Ex-presidente Jair Bolsonaro com apoiadores no Alvorada,| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.
O
advogado Frederick Wassef, que representa a família Bolsonaro, se
manifestou nesta sexta-feira (13), após a Procuradoria-Geral da
República (PGR) pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a inclusão do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no inquérito que apura a “instigação e
autoria intelectual dos atos antidemocráticos”.
Em nota divulgada pela assessoria do senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), Wasseff afirmou que o ex-presidente “jamais teve qualquer
relação ou participação nestes movimentos sociais espontâneos realizados
pela população”.
“O presidente Jair Bolsonaro repudia veementemente os atos de
vandalismo e depredação do patrimônio público cometido pelos infiltrados
na manifestação”, disse.
Wasseff também destacou que o ex-presidente “sempre foi contra tais
condutas ilícitas, assim como sempre foi um defensor da Constituição e
da democracia”. “Em todo o seu governo, sempre atuou dentro das quatro
linhas da Constituição”, pontuou.
O pedido da PGR, assinado por membros do Ministério Público Federal,
sugere que, ao postar vídeo em 10 de janeiro questionando a regularidade
das eleições presidenciais de 2022, Bolsonaro teria feito incitação
pública à prática de crime. A postagem foi apagada em seguida, mas
compartilhada por diversos seguidores
A presidente do STF, ministra Rosa Weber, deve decidir se autoriza a
investigação contra Bolsonaro ou não. A magistrada também pode optar por
encaminhar o pedido para outro ministro do Supremo.
Autor: Virgilio Marques dos Santos, CEO da FM2S Educação e Consultoria
Hoje vou falar sobre um dos pilares mais importantes da carreira: a
constância de propósito. Aprendi que empresas ou profissionais, cujo
propósito é fluído, não conseguem chegar longe. Se você muda a todo o
momento seu propósito, seus pares ou clientes acabam não entendendo o
porquê você existe.
Um amigo, grande empresário do setor de máquinas agrícolas, falou-me
uma vez: produtor rural que muda a cultura a cada safra, tentando se
aproveitar dos melhores preços no momento em que toma a decisão, se dá
mal no médio prazo. Exemplo: se eu plantei arroz e muitos produtores
também o fizeram, o preço do arroz tenderá a cair.
Se cair muito, é provável que vários agricultores de arroz mudem na
próxima safra para uma cultura cujo preço foi melhor. Se eu continuar a
plantar arroz mesmo após vender minha produção por um preço baixo, é
provável que consiga aprender mais a cada safra e ter menos concorrência
na próxima. Como as commodities agrícolas operam pela lei da oferta e
procura, é provável que tenha sucesso. O mercado acaba se regulando.
O mesmo podemos aplicar a tudo, por isso é importante ter o seu
propósito na carreira muito claro. Vai por mim, ele será desafiado
muitas vezes ao longo de sua carreira, apresentando maravilhosos atalhos
que podem levar você a problemas sérios. Por isso, cuidado.
Deming e a constância de propósito
A constância de propósito é um dos 14 pontos para gestão propostos
pelo grande Edward Deming, em seu livro “Saia da Crise”. Sem ela, não há
um alinhamento na tomada de decisões na organização. Se não houver um
entendimento compartilhado de quais princípios devem orientar as
decisões, o resultado será o caos. Este é apenas um dos impactos da
falta de constância de propósito e as consequências que tal falha tem no
sucesso da organização.
Diz Deming em seu livro: o estabelecimento de constância de propósito dá segurança para a empresa:
● Inovar. Alocar recursos para planejamento de longo prazo;
● Colocar recursos em pesquisa e educação;
● Melhorar constantemente o design de produtos e serviços. Uma obrigação nunca cessa.
Um sistema de gestão com constância de propósito não se preocupa com a
variação no lucro trimestral. Se as ações fazem sentido ao olhar a
organização como um sistema no longo prazo, mas hoje têm custos,
aceitam-se os custos no curto prazo pensando no alcance do propósito de
longo prazo.
Se eu não sei qual o meu propósito, não consigo tomar decisões sobre
onde investir, principalmente nos projetos maiores e de prazos mais
longos. E, ao longo da vida, os maiores prêmios são pagos pelos que
fazem os projetos mais complexos.
A constância de propósito na carreira
Desde novo, sempre gostei de agregar conhecimento. Descobri, logo
cedo, que aprender sobre como as coisas funcionam era o que me
fascinava. Ao fundar a empresa, buscamos propiciar o conhecimento
aplicável para todos os nossos clientes. Ou, como está registrado em
nosso site: acelerar o crescimento profissional de nossos alunos por
meio de uma experiência educacional única, fundamentada em conceitos
sólidos, linguagem simples, ferramentas e exemplos práticos.
Foi com esse propósito que decidimos como realizar todos os
investimentos. Passamos a nos aventurar, com menos discussão, nos
projetos maiores. Sem o registro prévio formal, nos pegávamos várias
vezes perdidos ao depararmos com uma decisão complexa.
Era comum, também, pegarmos atalhos convidativos para que
obtivéssemos retorno rápido. Quem já prestou consultoria sabe o que
estou falando. No início, não tínhamos estrutura para a área de
treinamentos e a de consultoria. E, se não tivéssemos registrado o
propósito “na pedra”, estaríamos prestando consultorias sem estrutura
até agora, pelo convidativo retorno que tínhamos.
Por isso é importante aproveitar janeiro para fazer esse balanço. O
que você está fazendo está alinhado com o seu propósito, isto é, sua
razão de ser? A necessidade do cliente ou empregador atual é a mesma do
seu propósito? Se não for, reflita. Isso poderá gerar um conflito
interior que não lhe deixará alcançar sua plenitude.
Por mais que o curto prazo seja sedutor, pense no longo prazo para
tomar suas decisões com mais solidez. Há inúmeras empresas que mudam de
propósito anualmente e não conseguem tornar-se os melhores em nada.
Quando começa a conseguir algum alcance, tende a buscar outra
“oportunidade” que aparece e dá a entender ser mais fácil. Cuidado.
Para encerrar, lanço mão do conselho de um grande amigo e mestre: se
você está remando um barquinho sozinho e encontrar um cardume de
sardinhas, aproveite-o. Não mude sua trajetória porque encontrou um
cardume maior no caminho. Corre-se o risco de ficar sem as sardinhas e
sem os peixes maiores. Se o barco que você opera é maior ainda, com mais
pessoas dentro, evite a mudança a todo custo. Será extremamente difícil
comunicar sua mudança e garantir que todos façam o mesmo, de maneira
correta. Você perderá tudo.
Virgilio Marques dos Santos é um dos fundadores da FM2S, doutor,
mestre e graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp e Master Black
Belt pela mesma Universidade. Foi professor dos cursos de Black Belt,
Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da
Unicamp, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação.
Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi
um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.
Preferências de Publicidade e Propaganda
Moysés Peruhype Carlech – Fábio Maciel – Mercado Pago
Você empresário, quando pensa e necessita de fazer algum anúncio para
divulgar a sua empresa, um produto ou fazer uma promoção, qual ou quais
veículos de propaganda você tem preferência?
Na minha região do Vale do Aço, percebo que a grande preferência das
empresas para as suas propagandas é preferencialmente o rádio e outros
meios como outdoors, jornais e revistas de pouca procura.
Vantagens da Propaganda no Rádio Offline
Em tempos de internet é normal se perguntar se propaganda em rádio funciona, mas por mais curioso que isso possa parecer para você, essa ainda é uma ferramenta de publicidade eficaz para alguns públicos.
É claro que não se escuta rádio como há alguns anos atrás, mas ainda
existe sim um grande público fiel a esse setor. Se o seu serviço ou
produto tiver como alvo essas pessoas, fazer uma propaganda em rádio
funciona bem demais!
De nada adianta fazer um comercial e esperar que no dia seguinte suas
vendas tripliquem. Você precisa ter um objetivo bem definido e entender
que este é um processo de médio e longo prazo. Ou seja, você precisará
entrar na mente das pessoas de forma positiva para, depois sim,
concretizar suas vendas.
Desvantagens da Propaganda no Rádio Offline
Ao contrário da televisão, não há elementos visuais no rádio, o que
costuma ser considerado uma das maiores desvantagens da propaganda no
rádio. Frequentemente, os rádios também são usados como ruído de
fundo, e os ouvintes nem sempre prestam atenção aos anúncios. Eles
também podem mudar de estação quando houver anúncios. Além disso, o
ouvinte geralmente não consegue voltar a um anúncio de rádio e ouvi-lo
quando quiser. Certos intervalos de tempo também são mais eficazes ao
usar publicidade de rádio, mas normalmente há um número limitado,
A propaganda na rádio pode variar muito de rádio para rádio e cidade
para cidade. Na minha cidade de Ipatinga por exemplo uma campanha de
marketing que dure o mês todo pode custar em média 3-4 mil reais por mês.
Vantagens da Propaganda Online
Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e
a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos
smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia
digital.
Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é
claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco
dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é
mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda
mais barato.
Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar
uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em
uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança,
voltando para o original quando for conveniente.
Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo
o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é
colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e
de comentários que a ela recebeu.
A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o
material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é
possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver
se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.
Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio
publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não
permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio
digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que
ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a
empresa.
Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o
seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela
esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.
Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a
mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente
estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que
não estão.
Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.
A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de
alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários
dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.
Vantagens do Marketplace Valeon
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.
Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso
proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores
que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por
meio dessa vitrine virtual.
Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes
queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência
pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente.
Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas
compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos
diferentes.
Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa
abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das
pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua
presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as
chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma,
proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.
Quando o assunto é e-commerce,
os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles
funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os
consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo
ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas
encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus
produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa
que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em
2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas
vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver
seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do
nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a
visibilidade da sua marca.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode
moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é
colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn
possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o
seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Artigo 5º da Constituição Leonardo Desideri – Gazeta do Povo Brasília
Pessoas reunidas em manifestação em frente ao Comando Militar do Sudeste, em São Paulo.| Foto: Reprodução
O
ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),
decidiu na quarta-feira (11) proibir sem delimitação temporal qualquer
manifestação que ocupe ou bloqueie vias, rodovias, espaços e prédios
públicos em todo o território nacional. A decisão de Moraes foi
confirmada pela maioria da Corte nesta quinta-feira (12). Para dois
juristas consultados pela Gazeta do Povo, a decisão é, em vários níveis,
uma afronta à Constituição.
O problema, segundo eles, começa na ausência de competência do
Judiciário para tomar uma decisão do tipo. Alessandro Chiarottino,
professor de Direito Constitucional e doutor em Direito pela USP, diz
que “a restrição ao direito de manifestação, se for generalizada ao país
inteiro, necessariamente requer a decretação do estado de sítio”, o que
só pode ser feito pelo presidente da República e requer anuência dos
outros dois poderes. “Cria-se um estado de sítio via decisão judicial
– o que per se é inconstitucional – e, ainda mais, é um estado de sítio
que vai ser supervisionado por quem? Pelo próprio Judiciário?”,
questiona Chiarottino.
O jurista Adriano Soares da Costa, ex-juiz de direito e especialista
em Direito Eleitoral, afirma que “estamos vivendo uma situação muito
anômala, sem previsão constitucional e com riscos severos para o
exercício da própria cidadania”. “Trata-se de um poder de uma Corte sem
qualquer previsão constitucional e precedentes na democracia, como disse
o jornalista Glenn Greenwald”, comenta, em referência a tuítes de
Greenwald que foram alvos de crítica da esquerda nas redes sociais.
Para ele, a decisão “termina criando a polícia do regime”, por ter um
caráter excessivamente aberto e não especificar que tipo de
manifestação se deve proibir. “É uma decisão tão aberta que dá ao guarda
da esquina poder de prender qualquer um”, critica. “Que manifestações
são vedadas? Com que conteúdo? Toda e qualquer manifestação? O grande
problema é que nós não temos clareza da extensão da própria decisão,
sobretudo para quem vai cumpri-la. Pode até haver prisões. É uma decisão
de uma extensão em aberto, e aquele que executar a decisão vai estar
com carta branca.”
Os juristas também veem como um problema a falta de delimitação
temporal da decisão. “O próprio instrumento do estado de sítio tem um
prazo determinado, que é um máximo de 30 dias. Sendo necessária uma
prorrogação, teria que ser aprovada pelo Congresso Nacional”, comenta
Chiarottino. “A proibição não pode ser ad aeternum. Tem que haver um
limite temporal, já que se trata de uma medida de excepcionalidade”,
afirma Soares da Costa.
No pedido que suscitou a decisão, a Advocacia-Geral da União (AGU)
solicita a restrição do direito à manifestação “pontual e
momentaneamente, diante da situação de absoluta excepcionalidade”. Mas,
em sua decisão, Moraes não estabelece o tempo de duração das restrições.
Já o procurador da República e professor de Direito Constitucional
André Uliano, colunista da Gazeta do Povo, concorda com as determinações
feitas por Moraes. Na visão dele, o texto da decisão está “dentro de um
contexto específico”, tratando de uma postagem que circula nas redes
sociais com o título “MEGA MANIFESTAÇÃO NACIONAL – PELA RETOMADA DO
PODER”.
“Dentro do contexto atual, pode-se concluir que uma manifestação para
‘retomada do poder’, poucos dias após os eventos de domingo, tem
contornos ilícitos e merece atenção especial”, afirma. “O resultado
eleitoral já não possui nenhum mecanismo institucional disponível de
contestação, e pedidos de atuação das Forças Armadas para revertê-lo são
ilícitos, de acordo com o art. 286, parágrafo único, do Código Penal.
Esse crime não exige violência ou grave ameaça [para merecer punição]”,
acrescenta.
Decisão sobre manifestação inventa crimes e sanções e proíbe o que já é proibido, afirma jurista Na
visão de Chiarottino, é inconstitucional estabelecer em sentença
judicial punições para infrações e crimes que nem sequer existem ou
cujas penas já estão determinadas por lei. Já há sanções previstas no
Código de Trânsito Brasileiro para quem realiza bloqueios de vias
públicas, e a detenção por desobediência ou resistência à prisão já é
prevista pelo Código Penal.
A decisão de Moraes estabelece multas diferentes das que estão
previstas no Código de Trânsito Brasileiro para os bloqueios. Além
disso, no texto, o ministro determina a prisão em flagrante “daqueles
que, em desobediência às providências adotadas para o cumprimento desta
decisão, ocupem ou obstruam vias urbanas e rodovias”. Fica pouco claro
se a prisão em flagrante só ocorrerá em caso de desacato à ordem de
desobstruir as vias – o que a lei já prevê – ou se o bloqueio motivará a
prisão sem um diálogo prévio com a autoridade – o que extrapolaria a
lei.
“Não dá para você, por sentença, inventar novos crimes. Nem o
mecanismo do estado de sítio ou de defesa permite isso. Os crimes são
aqueles previstos no nosso Código Penal e na legislação extravagante”,
diz Chiarottino. “Agora, vamos lembrar: o direito de manifestação não é o
direito de bloquear vias públicas, a menos quando exista uma legislação
pontual para isso. Por exemplo, para a avenida Paulista, existe uma lei
municipal que permite manifestações, com algumas limitações. Mas a
regra é que o direito de manifestação não permite às pessoas ocuparem as
vias públicas. Permite ocupar locais públicos ou acessíveis ao público,
como praças, parques, locais abertos… Os lugares típicos são esses”,
ressalta. Pela decisão de Moraes, vale recordar, até mesmo os protestos
em espaços públicos estão proibidos.
Soares da Costa destaca um paradoxo das decisões recentes de Moraes
em nome da defesa da democracia: já não é possível protestar contra elas
sem sofrer algum tipo de sanção. “Eventualmente, por exemplo, o
protesto sobre a prisão de 1.200 pessoas passa a ser também objeto de
sanção? Esse é que é o grande problema. Essa decisão impõe limitações à
cidadania, à livre manifestação, à liberdade de expressão… E cria um
ambiente político que nós não conhecemos na democracia”.
Leia na íntegra o trecho principal da decisão de Moraes: DEFIRO INTEGRALMENTE OS PEDIDOS FORMULADOS PELO ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO (PET 792/2023, doc. 3.627), para:
(a) DETERMINAR às Autoridades Públicas de todos os níveis
federativos, em especial os órgãos de segurança pública, que adotem as
providências necessárias para IMPEDIR QUAISQUER TENTATIVAS DE OCUPAÇAO
OU BLOQUEIO DE VIAS PÚBLICAS OU RODOVIAS, bem como de espaços e prédios
públicos em todo o território nacional, notadamente — mas não só — nos
locais indicados na postagem “MEGA MANIFESTAÇÃO NACIONAL — PELA RETOMADA
DO PODER”, reproduzida no requerimento da AGU (e-doc. 3.627); (b)
DETERMINAR A PROIBIÇÃO DE INTERRUPÇÃO OU EMBARAÇO À LIBERDADE DE TRÁFEGO
EM TODO TERRITÓRIO NACONAL, bem como o acesso a prédios públicos, sob
pena de APLICAÇÃO IMEDIATA, PELAS AUTORIDADES LOCAIS, DE MULTA HORÁRIA
NO VALOR DE R$ 20.000,00 (vinte mil reais) PARA PESSOAS FÍSICAS E DE R$
100.000,00 (cem mil reais) PARA PESSOAS JURÍDICAS que descumprirem essa
proibição por meio da participação direta nos atos antidemocráticos,
pela incitação (inclusive em meios eletrônicos) ou pela prestação de
apoio material (logístico e financeiro) à prática desses atos; (c)
DETERMINAR às autoridades locais, em especial os agentes dos órgãos de
segurança pública federais e estaduais, que deverão, sob pena de
responsabilidade pessoal, EXECUTAR A PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO daqueles
que, em desobediência às providências adotadas para o cumprimento desta
decisão, ocupem ou obstruam vias urbanas e rodovias, inclusive
adjacências, bem como procedam à invasão de prédios públicos; (d)
DETERMINAR às autoridades locais a IDENTIFICAÇÃO DE TODOS OS VEÍCULOS
UTILIZADOS NA PRÁTICA DESSES ATOS, COM A QUALIFICAÇÃO DOS PROPRIETÁRIOS
RESPECTIVOS, BEM COMO A INDISPONIBILIDADE DESSES VEÍCULOS, com o
imediato registro desse gravame junto ao órgão de trânsito local; (e)
DETERMINAR a expedição de ofício à empresa Telegram, para que, no prazo
de 2 (duas) horas, proceda ao BLOQUEIO dos canais/perfis/contas
discriminados no e-doc 3.627, bem como de quaisquer grupos que sejam
administrados pelos usuários abaixo identificados, sob pena de multa
diária de R$ 100.000,00 (cem mil reais), com o fornecimento de seus
dados cadastrais a esta SUPREMA CORTE e a integral preservação de seu
conteúdo.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino.| Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
O caos provocado por militantes antipetistas na Praça dos Três
Poderes, no último domingo, ainda nem havia sido devidamente contido e a
busca por culpados já havia começado. Entre os responsáveis,
obviamente, estão os vândalos, que precisam ser devidamente
identificados e punidos. Mas, com aquela precipitação típica que
investiga, acusa e condena de forma quase simultânea, dedos também foram
apontados para os demais acampados em outras cidades brasileiras,
caluniosamente chamados de “terroristas”; para o ex-presidente Jair
Bolsonaro e políticos aliados, tratados como instigadores da violência;
para formadores de opinião contrários ao petismo; e para os responsáveis
pela segurança pública do Distrito Federal, acusados de omissão e que
já estão sendo punidos – o ex-secretário Anderson Torres tem ordem de
prisão decretada e o governador Ibaneis Rocha foi afastado pelo STF, ao
arrepio do que diz a Lei Orgânica do DF. Mas há um esquecimento bastante
conveniente, e que diz respeito à possível omissão das autoridades
federais.
Ainda antes do 8 de janeiro, o ministro da Justiça, Flávio Dino,
havia assinado a Portaria 272/2023, autorizando a Força Nacional a
garantir a segurança na Praça dos Três Poderes, inclusive anunciando no
Twitter, no sábado, dia 7, que “além de todas as forças federais
disponíveis em Brasilia, e da atuação constitucional do governo do
Distrito Federal, teremos nos próximos dias o auxílio da Força
Nacional”. Nos dias seguintes ao caos, reportagens de vários veículos de
imprensa começaram a mostrar que o governo federal tinha plena
consciência da ameaça de quebra-quebra. A Folha de S.Paulo apurou que a
Agência Brasileira de Inteligência havia avisado 48 órgãos do governo
federal, além do governo distrital, sobre a intenção dos manifestantes
de causar vandalismo nas sedes dos poderes no domingo. E, segundo O
Estado de S. Paulo, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ligado
diretamente à Presidência da República, dispensou reforço na guarda do
Palácio do Planalto menos de 24 horas antes da invasão.
Se as autoridades do Distrito Federal estão sendo acusadas de
conivência deliberada com o vandalismo por serem alinhadas ao
bolsonarismo, poderíamos aplicar o mesmo critério e constatar, sem
rodeios, que o grande beneficiado com o 8 de janeiro foi o próprio Lula
Dino já alegou que a Secretaria de Segurança Pública do Distrito
Federal mudou na última hora o seu esquema de segurança para a
manifestação; que havia destacado todos os 140 membros da Força Nacional
presentes em Brasília (os outros 500 estavam em outros estados); que
teria reforçado a presença federal se soubesse antecipadamente que o
planejamento tinha sido alterado; e que a esfera federal só atua quando a
esfera estadual (ou, no caso, distrital) falha. Isso, no entanto, não
responde satisfatoriamente a todas as questões envolvendo a evidente
falha de segurança na Praça dos Três Poderes no domingo. Afinal, se a
ameaça era grande e iminente como haviam alertado os órgãos de
inteligência, todo reforço possível – inclusive federal – no contingente
destinado a proteger as sedes do Executivo, do Legislativo e do
Judiciário seria plenamente justificado.
E, analisando friamente toda a situação, se as autoridades do
Distrito Federal estão sendo acusadas de conivência deliberada com o
vandalismo por serem alinhadas ao bolsonarismo, poderíamos aplicar o
mesmo critério e constatar, sem rodeios, que o grande beneficiado com o 8
de janeiro foi o próprio Lula. Sem apoio nenhum, desde o início estava
claro que os vândalos não tinham a menor perspectiva de prosperar em
suas intenções golpistas; independentemente do estrago material causado,
logo seriam subjugados. Nem Lula nem o ministro Alexandre de Moraes se
sentiram minimamente intimidados pelo que ocorreu – pelo contrário, só
ganharam munição para escalar a repressão contra seus críticos. Lula, o
amigo de ditadores, o defensor do garrote sobre o jornalismo, conseguiu
posar de vítima e paladino da democracia em escala planetária; a
imprensa, que já ensaiava críticas devido ao começo de governo ruim em
termos de sinalizações econômicas, passou a se concentrar apenas na
repercussão do 8 de janeiro e na ofensiva contra Bolsonaro e seus
“terroristas”.
VEJA TAMBÉM: A insensatez dá ao Brasil um Capitólio para chamar de seu (editorial de 8 de janeiro de 2023) Vandalismo não é pretexto para mais ativismo judicial (editorial de 9 de janeiro de 2023) O fim dos acampamentos e a “criminalização no atacado” (editorial de 10 de janeiro de 2023) O desvario golpista e o direito à manifestação (editorial de 11 de janeiro de 2023)
As investigações sobre a possível omissão das autoridades,
motivada seja por imprudência, imperícia ou decisão deliberada, não pode
se restringir ao Distrito Federal. Deputados federais já se mobilizam
para abrir uma CPI que apure a forma como o Ministério da Justiça se
preparou diante da possibilidade de atos violentos na Praça dos Três
Poderes. No fim, dependendo das informações que surgirem, pode-se até
concluir que o governo federal fez o que estava a seu alcance, ou que
falhou menos que o governo distrital; o que não se pode é blindar
antecipadamente quem também tinha o poder de mobilizar forças de
segurança que se mostraram insuficientes para impedir a destruição do
último domingo.