O que o Congresso “dos coronéis” trouxe de efetivo para a segurança pública Por Olavo Soares – Gazeta do Povo Brasília
Mesa de evento em julho na Câmara, com deputados General Girão,
General Peternelli e Coronel Tadeu, da frente parlamentar da segurança.|
Foto: Agência Câmara
A legislatura atual do Congresso Nacional,
que se encerra em fevereiro, teve como uma de suas características a
presença de policiais, militares ou outros representantes da categoria
da segurança pública. Foram eleitos para Câmara e Senado em 2018 um
total de 44 deputados e senadores com esse perfil, contra 18 em 2014. Os
deputados e senadores “coronéis”, “capitães” ou de outras patentes
tiveram no combate à criminalidade sua principal bandeira eleitoral. A
entrega de resultados concretos a demandas do setor, porém, não se
efetivou de modo amplo.
O Congresso “dos coronéis” não conseguiu aprovar temas caros ao
eleitorado mais conservador, como a redução da maioridade penal, o fim
das “saidinhas” dos presos ou a prisão dos condenados em segunda
instância judicial. Tampouco não se consolidou a aprovação da ampliação
do “excludente de ilicitude”, que representaria mais possibilidades para
agentes de segurança matarem em serviço e não serem responsabilizados
por isso.
O grupo também acabou alcançando menos força institucional do que
esperava à época da posse. A Frente Parlamentar da Segurança, que abre
as portas para todos os parlamentares interessados na temática e é
chamada informalmente de “bancada da bala”, se tornou numericamente o
maior agrupamento do tipo da história do Congresso. Mas isso não se
reverteu em poder efetivo ao grupo. Tanto a Câmara quanto o Senado
elegeram, nos últimos quatro anos, presidentes que não fazem parte do
segmento militar ou da segurança. Os “coronéis” ficaram de fora até
mesmo das composições da mesa diretora da Câmara e da comissão diretora
do Senado formadas desde 2019.
O cenário contrasta com a euforia vivida pela bancada em 2019, à
época da posse da atual legislatura. Relacionados à bancada da segurança
e impulsionados pela boa votação de 2018, nomes como Capitão Augusto
(PL-SP), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Delegado Waldir (União Brasil-GO)
foram citados como possíveis candidatos à Presidência da Câmara – o que
não se concretizou.
Em janeiro de 2022, a Gazeta do Povo mostrou que o grupo atribuía
três fatores para explicar a falta de avanço dos projetos de interesse
do setor: a resistência de parlamentares de esquerda, o foco em ações de
combate à pandemia de coronavírus e a falta de empenho do governo de
Jair Bolsonaro (PL) para aprovação de reformas.
Congresso “dos coronéis” teve vitórias parciais Mas a bancada “dos
coronéis” não teve só insucessos. O grupo conseguiu a aprovação de
temas importantes, como o pacote anticrime, idealizado ainda no início
do mandato de Bolsonaro pelo então ministro da Justiça, Sergio Moro. A
norma contempla, entre outros pontos, o aumento da pena máxima no país,
de 30 para 40 anos; a proibição das saídas temporárias em datas festivas
para condenados por crime hediondo com morte; mudanças nas regras sobre
delação premiada; e permissão para que estados construam presídios de
segurança máxima. A aprovação do pacote foi considerada uma grande
vitória para o grupo – ainda que o texto tenha sido bastante atenuado
desde sua proposta original, e sofreu a exclusão de tópicos como a
prisão dos condenados em segunda instância e o “plea bargain”, que
consiste em uma negociação entre réu e acusação que pode diminuir a
pena.
Outro exemplo de conquista obtida pela bancada “dos coronéis” foi o
avanço parcial de proposições de interesse do grupo. O segmento
conseguiu que alguns projetos superassem etapas dentro do longo processo
que marca a tramitação de matérias dentro de Câmara e Senado. Um caso
com esse perfil foi a aprovação pela Comissão de Segurança Pública da
Câmara, em junho de 2022, de uma proposta que amplia as hipóteses do
excludente de ilicitude. O projeto teve relatoria do deputado Daniel
Silveira (PTB-RJ), ex-oficial da Polícia Militar do seu estado e
candidato ao Senado em 2022. A iniciativa foi enviada ao Congresso pelo
governo federal, parte de um conjunto de propostas enviado pelo
Executivo em março. Mas se encontra parada desde então.
O grupo “dos coronéis” foi bem sucedido também em retomar a
tramitação de um projeto que extingue, em definitivo, as “saidinhas” dos
presos em regime fechado. A proposta havia sido apresentada no
Congresso em 2012, pela então senadora Ana Amélia (PSD-RS). Tinha sido
aprovada pelo Senado no ano seguinte, quando também foi remetida à
Câmara. Aguardou apreciação pelos deputados por quase uma década até ser
aprovada pelo plenário da Câmara no último mês de agosto. Como o
projeto foi modificado pelos deputados, precisa de outros análise pelo
Senado – o que só deve ocorrer após a posse dos novos parlamentares, a
partir de fevereiro.
VEJA TAMBÉM:
O que esperar de Lula na segurança pública: propostas e desafios do novo governo
Ao STF, polícias do RJ se posicionam contra uso de câmeras em agentes das forças especiais Fim da PM? Entenda as propostas que pedem a desmilitarização das polícias Como especialistas veem a atuação da bancada da segurança
Para o advogado Victor Minervino Quintiere, que também é
professor de Direito Penal, a legislatura atual deixou a atuação do
Congresso “mais repressiva”. Segundo ele, a atuação dos parlamentares do
setor da segurança pública esteve focada em questões punitivas, como
medidas que ampliem o tempo de reclusão de condenados. Ele avalia que
isso ocorreu tanto na Câmara quanto no Senado, embora com mais foco
maior dos deputados.
Já o também advogado Raul Abramo, especialista em Direito Penal,
acredita que a atuação do Congresso em relação à segurança pública na
atual legislatura foi “muito reativa”. Ele relaciona episódios como a
eclosão do “novo cangaço” para citar que o Congresso acabou sendo
pautado por circunstâncias da sociedade. Para ele, isso levou ao que
qualifica como debates precipitados e sem o embasamento adequado. “É uma
atuação que em muitas ocasiões segue o perfil de ‘colcha de retalhos’,
sem um alinhamento estratégico”, diz. Abramo afirma que isso pode gerar
uma falsa sensação de segurança na sociedade, por dar a impressão de que
temas de grande relevância estão em debate.
AME5271.
BRASILIA (BRASIL), 10/01/2023.- Autobuses con manifestantes detenidos
tras los ataques a edificios gubernamentales en Brasil, son trasladados
hoy de la Academia de la Policía Federal hacia la prisión de Papuda, en
Brasilia (Brasil). EFE/André Coelho
Detidos são levados da Academia da Polícia Federal para o Presídio da Papuda.| Foto: EFE/André Coelho
Vamos atualizar os dados de prisões em Brasília. Em primeiro lugar,
temos de dizer que não há registro de morte entre as pessoas que foram
presas. Há muita fake news por aí sobre uma senhora de 77 anos, anônima;
não dão o nome porque, se dão um nome, as pessoas podem conferir.
Usaram uma foto de uma senhora que pegaram nas redes sociais. Houve,
sim, muito atendimento médico, inclusive com pessoas internadas: foram
433 atendimentos de enfermaria e 33 hospitalizações.
O total de presos é de 2052, ultrapassando o máximo do governo
militar, que foi no dia 12 de outubro de 1968, quando 400 policiais
cercaram 800 estudantes no 30.º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP). José
Dirceu foi um dos presos; nas suas memórias, ele afirma que eram 800
presos. Então, a atualidade já superou a maior prisão em massa do
governo militar. Desse total, 209 foram presos no domingo, já
recolhidos, e 1.843 foram levados para a Academia Nacional de Polícia
Federal, dos quais 684 foram liberados por terem mais de 60 anos,
estarem doentes ou serem mães de crianças que lá estavam. Mas vão
responder em liberdade por terrorismo – o que é muito estranho, porque a
lei sobre terrorismo não se aplica ao que aconteceu domingo –,
associação criminosa, atentado contra a democracia, golpe de Estado,
perseguição e incitação ao crime. O ex-ministro do STF Marco Aurélio
está discordando dessas prisões, já fez várias declarações nesse
sentido, e argumentou que isso não contribui para a paz social, que é o
objeto da Justiça.
VEJA TAMBÉM: Alexandre de Moraes faz declaração de guerra De mal a pior As prisões não param, mas repercussão já fez Lula mudar o discurso
Lula diz que pessoas de dentro do Planalto ajudaram vândalos O
presidente Lula, num café da manhã com 38 jornalistas, disse que houve
muita conivência por dentro, que abriram as portas do Palácio do
Planalto, pois elas não foram arrombadas, e que é preciso identificar
todo mundo. Afirmou que no acampamento montado na frente do QG do
Exército passavam o dia inteiro pedindo golpe. Na verdade, pediam
“intervenção militar”, que é sinônimo de golpe. E acrescentou que não
decretou a Garantia da Lei e da Ordem para não entregar a um general a
sua autoridade de presidente da República. E disse aos jornalistas que
“as Forças Armadas não são poder moderador como pensam que são. Elas têm
um papel definido na Constituição, que é a defesa do povo e da
soberania contra conflitos externos. É isso que eu quero que elas façam
bem feito”. Lula disse ainda que que vai continuar no hotel, ele, a
Janja e dois cachorros, se não me engano, porque nem o Palácio do
Alvorada nem a residência oficial do Torto – ele poderia optar por um ou
outro – estão em condições de habitabilidade.
Prorrogação de isenção de imposto sobre gasolina será decisão política Por
fim, uma notícia que interessa todo mundo que abastece o carro com
gasolina. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a decisão de
prorrogar a isenção de PIS/Cofins sobre a gasolina, feita pelo governo
Bolsonaro e que está mantida até 28 de fevereiro (a isenção do diesel e
do gás está confirmada até o fim do ano), não será dele. Não será uma
decisão técnica da Fazenda, mas uma decisão política, ou seja, do
presidente da República, que pelo jeito vai manter a isenção para não
provocar atrito nesses momentos em que uma boa parte do país está de
cabeça quente.
Os
presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva e da Câmara dos
Deputados, Arthur Lira, se reúnem para apresentação do decreto
legislativo (PDL 1/2023) – votado pela Câmara e o Senado – que aprovou a
intervenção federal na área de segurança pública do DF até 31 de
janeiro ano
| Foto: José Cruzr/Agência Brasil
O Brasil não pode passar
o resto da vida vivendo em função das invasões e da depredação do
Palácio do Planalto, do Congresso e do STF; o novo governo não pode
ficar restrito a administrar um crime, por pior que ele tenha sido. O
país não acabou no dia 8 de janeiro. Há todo um imenso trabalho a fazer
na administração das questões nacionais, a começar pela prioridade das
prioridades – a economia. Jamais houve tanta desconfiança no público, em
relação à gestão econômica, quanto há agora; as pessoas não acreditam
na capacidade do governo de manter o processo de recuperação iniciado no
ano passado. Não acreditam porque não confiam na competência, e
sobretudo nas intenções, da equipe que comanda o Ministério da Fazenda –
a pior, possivelmente, que o Brasil já teve em qualquer época, com
exceção do período inicial de demência do governo Collor. É urgente,
para um governo que mal começa, comprovar com fatos que essas
expectativas não procedem. Não adianta ficar se enchendo de fúria contra
a baderna – rende cartaz no Jornal Nacional, mas não resolve nada. Para
resolver, é preciso decisões. Onde estão elas?
Os crimes cometidos contra os prédios dos Três Poderes estão sendo
processados, os criminosos estão sendo individualizados e o problema
todo, no fundo, está superado – não vai acontecer de novo, porque foi
causado por uma minoria extremista que jamais conseguirá fazer uma
verdadeira política de oposição e não representa, muito simplesmente, o
povo brasileiro. Mas nada disso vai influir na inflação do mês de
janeiro, nem no nível de emprego, nem no acesso ao crédito. Não vai
fazer aparecer investimento. Não influi nas exportações. Não afeta as
cadeias produtivas. Para essas coisas tem de haver decisões acertadas do
governo – e o governo, depois de dois meses de preparação, com a sua
“equipe de transição” de 900 “especialistas” e tudo o mais, só foi
capaz, até agora, de dizer o que não vai fazer. Sabe-se o que o Sistema
Lula anunciou que vai destruir – a privatização do Porto de Santos, o
departamento de apoio ao agronegócio no Itamaraty, o programa de
alfabetização e por aí afora. Não há o mais remoto sinal sobre o que vai
construir.
Jamais houve tanta desconfiança no público, em relação à gestão econômica, quanto há agora
O presidente Lula, aparentemente, percebeu isso – acaba de pedir uma
“agenda positiva” dos ministros, para sair da obsessão repressiva do
momento e tentar mostrar que o seu governo não se limita a prender
gente, dar multas, fazer censura e reduzir ao mínimo a liberdade de
expressão e a livre manifestação do povo nas ruas. O que resulta, em
dividendos políticos concretos, encher com 1200 presos um ginásio de
esportes de Brasília – ou acabar com o programa de alfabetização? Alguém
vai achar que Lula e o seu governo ficam melhores com esse tipo de
coisa? Quantos votos vão ganhar por transformarem o Brasil numa
delegacia de polícia, na qual se pune quem vai para a frente do quartel e
se dá cada vez mais liberdade para os piores criminosos e os piores
corruptos? O governo Lula tem de mudar de assunto.
Em fevereiro de 2014, membros do MST enfrentaram a polícia ao
tentar invadir Supremo e Planalto; 30 policiais ficaram feridos.| Foto:
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
São cenas inéditas que se
repetem… Como assim? As anteriores foram lavadas, enxaguadas. Bem que
tentaram dar sumiço nelas. Esfregaram muito, mas não conseguiram. Ou
conseguiram? O Ministério da Verdade informou: “nunca antes”… E a velha
imprensa tem mesmo memória seletiva: “nunca antes”! Nem em 2006, nem em
2013, nem em 2017.
Foi coisa de stalinistas. Foi, não foi, foi, não foi. Já passou tanto
tempo. Quem lembra de 2006, do Congresso destruído? Fica estabelecido
que não houve 50 feridos. Os invasores não eram invasores nem vândalos.
Talvez fossem, mas altamente democráticos. Não eram baderneiros. O chefe
deles também não era. A voz rouca pediu ao Ministério da Justiça que o
protegesse: “é grande companheiro, amigo e um grande militante da
esquerda”.
O Ministério da Verdade já avisou: esqueçam 2006, 2013 e 2017. Ali
não houve vandalismo, nem violência, nem baderna, só democracia
Em 2013, a democracia invadiu o Congresso, depredou ministérios,
tentou incendiar o Itamaraty. É tão a linda a democracia! Uma liberdade
que inflama, e ônibus e carros foram consumidos pelo fogo. Tudo, tudo,
tudo tão democrático. E PT e PSol correram para pedir a libertação dos
quase 100 black blocs que a PM do Distrito Federal tinha prendido. Uma
causa nobre, suprema, assim, incompreendida…
Em 2017, o povo soberano, representado por centrais sindicais e
partidos vermelhos, também botou para quebrar em Brasília. Todo mundo
sabe que a melhor defesa da democracia é o ataque… Então, por um país
melhor, mais livre, mais justo, os heróis, os paladinos nacionais
queimaram os prédios dos ministérios da Agricultura, do Planejamento e
da Cultura. Flávio Dino escreveu no Twitter: “Hoje, em Brasília, a voz
do povo se fará ouvir”. Viva a democracia!
VEJA TAMBÉM: Comunistas, corruptos e narcotraficantes Assentamento de mentiras Foice, martelo e pedras
Em 2023, algo mudou. Os vândalos, finalmente, viraram vândalos. A
violência virou violência. A depredação virou depredação. Cenas
inéditas de ataques à democracia. Inéditas! “Nunca antes”, “nunca
antes”, porque só os outros cometem crimes. O Ministério da Verdade já
avisou: esqueçam 2006, 2013 e 2017.
Agora, vamos todos para as ruas, vamos defender a democracia.
Desfraldem as bandeiras vermelhas com a foice e o martelo… Não há nada
mais democrático do que o comunismo. Rendam homenagens a Che Guevara,
que fuzilava para libertar. E aprendam com o ministro da Justiça:
“criminoso deve ser tratado como criminoso”, a não ser que ele seja um
dos nossos.
Quem gastou mais com cartões corporativos? Conheça as mordomias
Por Lúcio Vaz – Gazeta do Povo
Formers
Brazilian presidents Dilma Rousseff (L) and Luiz Inacio Lula Da Silva
(R) take party in the Workers’ Party (PT) Congress in Sao Paulo, Brazil
on November 22, 2019. (Photo by NELSON ALMEIDA / AFP)
Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff na festa de 40 anos do PT, em São Paulo| Foto: Nelson Almeida/AFP
O
ex-presidente Jair Bolsonaro encerrou o mandato com um total de R$ 27,6
milhões gastos em cartões corporativos. A mordomia foi farta, mas não
alcançou os valores dos ex-presidente Lula e Dilma Rousseff, que
gastaram R$ 62 milhões e R$ 43 milhões nos seus primeiros mandatos, em
valores atualizados pela inflação. No segundo mandato, de 2007 a 2010,
Lula torrou mais R$ 50 milhões (atualizados). Os dados da Presidência da
República foram obtidos pelo blog por meio da da Lei de Acesso à
Informação.
A maior despesa dos presidentes da República com cartões corporativos
foi feita com hospedagem – R$ 104 milhões. Em segundo lugar, vem a
despesa com gêneros de alimentação – R$ 32 milhões. Nos seus dois
mandatos, Lula investiu cerca de R$ 44 milhões com hospedagem da
comitiva presidencial, assessores e seguranças.
No mandato completo de Dilma, de 2011 a 2014, as suas despesas com
hospedagem somaram cerca de R$ 25 milhões. Bolsonaro sempre afirmou que
procurava economizar nas viagens presidenciais, muitas vezes se
hospedando em instalações militares. Mas gastou R$ 13,7 milhões com
hotéis. As despesas no Blue Tree Faria Lima somaram R$ 374 mil, sendo R$
350 mil com as quatro maiores estadias.
Bolsonaro gastou mais R$ 5,8 milhões com gêneros alimentícios. Torrou
torrou R$ 820 mil no sofisticado Mercadinho La Palma. Gastou mais R$
380 mil na Peixaria Guará, onde as 20 maiores compras somaram R$ 60 mil.
Mas não é possível saber o que foi comprado porque esses dados ainda
estão “classificados”, em sigilo. Para colocar o retirar o sigilo, basta
uma canetada.
VEJA TAMBÉM: Quanto Pacheco gastou com viagens no país e no exterior em 2022 Mordomias sem limite As
despesas com gêneros de alimentação incluem bebidas alcoólicas. Como os
dados de Lula e Dilma já foram “desclassificados”, podemos apurar que,
em agosto de 2010, perto do final dos governos de Lula, foram adquiridas
7 garrafas de Absolut e 6 garradas de cachaça Anísio Santiago, mais
alguns vinhos, num total de R$ 4 mil, na Casa do Vinho. Duas semanas
depois, foram compradas mais 24 garrafas de Johnny black no valor total
de R$ 5,7 mil. Em 10 de setembro, a adega do Palácio da Alvorada teve
mais um reforço de 12 garrafas de black, 5 de Anísio Santiago e 6 de
Absolut, totalizando R$ 6,6 mil.
Hoje, documentos já abertos pela Presidência informam que as despesas
do Alvorada com a Casa do Vinho somaram R$ 700 mil (em valores
atualizados). Dilma preferia bebidas mais suaves. Em 2014, no ano da sua
reeleição, o cartão da presidente pagou seis garrafas de vinho tinto
português da região Península de Setúbal e 3 unidades de vinhos da
região Alentejo.
Foto dos arquivos da Presidência da RepúblicaVEJA TAMBÉM: Militares gastam R$ 38 milhões com viagens internacionais em 2022 Um vinho vale um Bolsa Família O
cartão de Dilma comprou ainda 6 garrafas do vinho português Quinta da
Bacalhoa por R$ 200 a unidade e mais 3 garrafas do vinho Pêra-Manca. A
conta fechou em R$ 4 mil. Em julho daquele ano, ela já havia comprado
três garradas de Pêra Manca por R$ 900 a unidade – um benefício e meio
do Bolsa Família. Mas essas compras foram no Super Adega. Na Casa do
Vinho, foram gastos mais R$ 37 mil na era Dilma.
A mesa sempre foi farta e sofisticada no Alvorada. Em agosto de 2010,
foram adquiridos 23 quilos de bacalhau Gadus Mohua dessalgado, por R$
205 o quilo, no Mercado Municipal, pelo valor total de R$ 4,8 mil.
Durante os governos petistas, as compras no Mercado somaram R$ 370 mil
(atualizados).
Em 13 de agosto de 2010, na Peixaria do Guará, foram comprados 6
quilos de camarão rosa GGG por R$ 225 o quilo, mais 2 quilos de camarão
GG, 14 quilos de filé de robalo e outros outros peixes, no valor total
de R$ 7 mil. No Mercado Municipal, mais R$ 3,3 mil por 16 quilos de
bacalhau Gadus Mohua.
Questionada sobre a compra de bebidas caras e carnes nobres para o
Alvorada, a assessoria de Lula respondeu que “o governo fazia inúmeros
eventos e recepções a chefes de Estado e autoridades estrangeiras, que,
na época, visitavam bastante o Brasil. Tais eventos constam da agenda da
presidência da República”.
Fiz trinta anos em junho de 2022. Demorei para perceber que tenho 30
anos agora. Mas foi só algumas semanas atrás que percebi que não havia
aprendido muito sobre a vida.
Todo mundo tem diferentes experiências de vida. Por exemplo, Mark
Zuckerberg ficou milionário aos vinte anos. A maioria das pessoas ainda
não tem certeza sobre as escolhas de carreira, mesmo depois de completar
30 anos.
Claro, não é bom se comparar com os outros. Mas é uma revelação para
você perceber o que as pessoas, que têm a mesma idade que você,
alcançaram em suas vidas.
Fazer 30 anos foi realmente uma revelação para mim. E isso não
aconteceu em um instante. Em vez disso, foi uma percepção subconsciente
no início. Então, tudo me atingiu de uma vez. E quando via meus amigos
fazendo isso e aquilo, parecia que eu tinha muito o que fazer na vida.
Agora que tenho trinta anos, passei a levar a vida mais a sério.
Comecei a analisar todos os aspectos da minha vida. Cada dia é sobre
aprender e crescer.
Abaixo estão cinco coisas que aprendi depois de completar 30 anos e
que deveria saber aos 20. Minha vida teria sido muito diferente se eu os
conhecesse há dez anos. Embora tenha entrado em pânico quando percebi
essas coisas, estou confiante de que não é tarde demais. Ainda posso
mudar minha vida e manifestá-la da maneira que quiser.
1. Dê sua opinião
Sempre fui um tipo de pessoa introvertida e tímida. Eu tinha medo de
falar desde a minha infância. Meus amigos e professores me consideravam
um “cara bom”. Eu nem sei o que isso significa, honestamente.
O comportamento dos outros em relação a mim também transformou minha
mentalidade. Minha autoimagem mudou e eu também me via como uma criança
tímida e introvertida que falava pouco.
Isso continuou até meus 20 anos. Embora eu tenha me tornado um pouco
mais ativo e extrovertido durante a faculdade, isso lentamente
desapareceu quando a faculdade acabou e todos os meus amigos seguiram
caminhos separados.
Depois de completar 30 anos, percebi que não dizer o que queria
impactava minha vida. As pessoas me tratavam do jeito que eu não queria
só porque eu não falava. Eles até tentaram se aproveitar de mim.
Agora, estou mais confiante e não tenho medo de dizer o que quero. Se você tem uma opinião, fale.
Não tenha medo de dizer o que você quer. Lute pelo o quê você acredita.
2. O confronto é necessário
O medo do confronto é comum hoje em dia. Eu costumava evitar
conflitos quase o tempo todo. Eu deixaria ir e ficaria quieto porque não
gostaria que a outra pessoa se sentisse mal.
Ao longo da minha vida, sempre evitei o drama. Eu odiei isso. Mas
agora percebo que não era o drama que eu odiava. Em vez disso, foi o
medo do conflito .
O que as outras pessoas pensam de você não deveria importar para
você. Você deve sempre falar o que acredita, mesmo que isso cause um
conflito. Quando você não teme o confronto, você se sente livre. Mais
importante ainda, você ganha respeito.
Um pouco de conflito também é bom para seus relacionamentos, seja com seu parceiro, amigos, colegas ou família.
3. Assuma riscos o mais cedo possível
Quer se trate de conseguir um emprego, abrir um negócio ou se mudar
para uma cidade diferente, você deve seguir seus instintos. Se parece
certo para você, vá em frente. Você aprenderá com isso, mesmo que seja
uma decisão errada.
Eu costumava pensar demais em minhas escolhas de carreira, finanças,
relacionamentos e vida. Infelizmente, sempre preferi minha zona de
conforto porque era menos arriscada para mim.
À medida que envelheci, percebi a rapidez com que a vida passava.
Aprendi que devo me colocar lá fora para aprender e crescer como pessoa.
Seja ativo aos 20 anos. Aprenda o máximo possível. Assumir riscos.
Comecei a investir na bolsa de valores aos 26 anos. A única coisa que
me arrependo é de não ter feito antes. O mesmo vale para a escrita e
outras escolhas. Mas, agora que percebi isso, não quero dizer a mesma
coisa aos 40 anos.
“A melhor época para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor momento é agora.” – Desconhecido
4. Torne-se independente
Na minha cultura, temos que viver com nossos pais por toda a nossa
vida. Desde que fui criado nessa cultura, meus pais estavam disponíveis
sempre que eu precisava deles. Eles até tomaram a maioria das decisões
da minha vida por mim.
Quando criança, me sentia seguro (e sortudo) por ter pais tão
amorosos e atenciosos. No entanto, à medida que envelheci, percebi o
quanto dependia deles. Eles estavam sempre lá sempre que eu precisava de
dinheiro ou outro suporte de vida. Isso me deixou mais preguiçoso e
dependente.
Agora que percebi isso, estou tentando ser completamente independente
de meus pais. Embora nunca seja possível fazer isso 100% em minha
cultura, estou tentando o meu melhor para viver como se eles não
existissem para mim, especialmente em relação a dinheiro e tomada de
decisões.
5. Diga “Não”
Todos nós já ouvimos sobre a importância de dizer “não”. Mas, na
realidade, é mais fácil dizer do que fazer. Se você já experimentou,
tenho certeza que conhece.
Dizer “sim” tem me causado muitos problemas. Não se trata apenas de
fazer algo que eu não queria. Em vez disso, tive que enfrentar as
consequências de dizer “sim” por muito tempo.
Depois de alguns encontros estranhos de dizer “não”, aprendi sua
importância. Mesmo que seja difícil fazer isso, você se sente bem no
final.
Agora, digo “não” diretamente ou digo a eles que vou pensar sobre
isso, o que é uma versão menos estranha de dizer: “Não quero fazer
isso”.
Bônus: Esteja sempre aprendendo
Aprender faz parte da vida. Você nunca para.
A maioria entende a educação formal como aprendizagem. Mas todo dia é uma oportunidade de aprender.
Aprendi a maioria das coisas essenciais da vida depois de me formar
na faculdade. Hoje, é mais fácil aprender coisas novas por causa da
internet. Qualquer pessoa pode aprender qualquer coisa,
independentemente da idade, sexo ou nacionalidade.
Seu grande desejo de aprender coisas novas é essencial para o sucesso na vida.
COMO DEVEM SER OS PARCEIROS NOS NEGÓCIOS
“Parceiros chegam de várias formas. Se juntam por diferentes motivos”.
Eu sei, é clichê, rss. E se a frase fosse minha eu acrescentaria: “O que eles tem em comum é o fato de acreditarem no que nós acreditamos”.
Parceria é a arte de administrar conflitos de interesses e
conexões de interesses, visando resultados benéficos para ambas as
empresas”.
É por isso que eu costumo comparar parceria com casamento. Quem é
casado sabe que administrar conflitos é fundamental para ambos terem
resultados nessa aliança.
Assim como no casamento, o parceiro não precisa ser igual a nós, mas
tem que ter o nosso ‘jeitão’! Nas parcerias eu defendo que o parceiro
precisa ter o DNA de inovação, a inquietude pra sair da zona de conforto
e uma preocupação muito grande com o cliente, não apenas no discurso,
mas na prática. É claro que no processo de análise do possível parceiro,
nós avaliamos o potencial financeiro e de escala da aliança, a
estrutura e o tamanho da empresa. Mas, tem um fator humano que não pode
ser desconsiderado, já que empresas são, na sua essência, pessoas.
É por isso, que normalmente, os parceiros são empresas formadas por
pessoas do bem, pessoas com propósito, que tem tanto o caráter quanto a
lealdade de continuar de mãos dadas, mesmo nos momentos mais difíceis. É
como um casamento mesmo!
É importante também que os parceiros tenham know how e competênciascomplementares,
que potencializem nossas fragilidades e deem mais peso aos nossos
pontos fortes. E como eu acredito que o primeiro approach de
uma boa parceria acontece no plano humano (onde existe emoção), e não no
corporativo, eu gosto muito da histórica da parceria entre Steve Jobs e Steve Wozniak.
Os dois Steves tornaram-se amigos durante um emprego de verão em 1970.
Woz estava ocupado construindo um computador e Jobs viu o potencial para
vendê-lo. Em uma entrevista de 2006 ao Seattle Times, Woz, explicou:
“Eu só estava fazendo algo em que era muito bom, e a única coisa
que eu era bom acabou por ser a coisa que ia mudar o mundo… Steve (Jobs)
pensava muito além. Quando eu projetava coisas boas, às vezes ele
dizia: ‘Nós podemos vender isso’. E nós vendíamos mesmo. Ele estava
pensando em como criar uma empresa, mas talvez ele estivesse mesmo
pensando: ‘Como eu posso mudar o mundo?’”.
Por que essa parceria deu certo? Habilidades e competências complementares.
As habilidades técnicas de Woz juntamente com a visão de Jobs fizeram dos dois a parceria perfeita nos negócios.
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Após invasão, Augusto Aras resolveu criar “Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos”| Foto: Divulgação/PGR
Assim
como o governador afastado Ibaneis Rocha (MDB) e o ex-secretário de
Segurança do Distrito Federal Anderson Torres, o procurador-geral da
República, Augusto Aras, passou a receber, em parte do meio político e
jurídico, o rótulo de “culpado” indireto pela invasão e depredação dos
edifícios-sede dos Três Poderes.
Membros do novo governo, senadores petistas e até ministros de
tribunais superiores vêm alimentando, nos bastidores, a ideia de que,
caso Aras tivesse levado adiante e aprofundado investigações contra o
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu grupo mais próximo, por suposto
estímulo a “atos antidemocráticos”, não haveria mobilização popular para
o ato de vandalismo do último domingo, em Brasília.
Dentro da PGR, aliados do procurador-geral rechaçam essa tese,
alegando que ele fez e vem fazendo tudo que era possível no âmbito do
Supremo Tribunal Federal (STF), que delegou ao ministro Alexandre de
Moraes as investigações sobre os movimentos de direita, articulados nas
redes e presentes nas ruas, que contestam o ativismo da Corte e a
eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na segunda (9), dia seguinte à invasão, convidado a participar de uma
reunião de Lula com governadores e ministros do STF, Aras usou todo seu
tempo de participação, sete minutos de pronunciamento, para defender
sua atuação. “Há dois anos, atuamos no controle, na fiscalização e no
monitoramento de atos que poderiam gerar a violência lamentável de
ontem. Durante os eventos de 2021 e 2022 não tivemos nenhum ato de
violência capaz de atentar contra nossa instituição democrática, como
visto ontem. Em nenhum momento anterior, saiu do nosso controle”,
afirmou.
Aliados de Aras lembram que o inquérito no qual o ministro Alexandre
de Moraes vem despachando no caso da invasão, para prender os
manifestantes, foi aberto a pedido da PGR em agosto de 2021, diante da
ameaça de que caminhoneiros pudessem fazer uma greve geral, interditar
estradas e invadir o STF no 7 de setembro daquele ano. Desde então, no
entanto, as principais medidas de investigação e repressão tem sido
ordenadas por Moraes e um grupo restrito de delegados da Polícia Federal
de sua confiança.
Depois dos atos de vandalismo no Congresso, Palácio do Planalto e
STF, decisões controversas de Aras começaram a aparecer. Ainda na
segunda, o jornal Estado de S. Paulo revelou que Aras extinguiu grupos
criados em pelo menos quatro estados, incluindo o Distrito Federal, para
reforçar investigações sobre os chamados “atos antidemocráticos”. Além
disso, no ano passado, mandou a corregedoria do MPF apurar a conduta de
procuradores de instâncias inferiores que pediram ao STF acesso a
investigações do inquérito das “fake news”, que mira detratores da Corte
e de outras instituições – alegou que era atribuição exclusiva da PGR.
Em razão disso e outros atos, o procurador-geral voltou a sofrer
fortes críticas dentro do MPF, especialmente entre procuradores que
atuam na primeira e na segunda instâncias. Nesta terça (10), um grupo de
150 membros do MPF enviou carta à PGR cobrando “condições materiais e
humanas necessárias à defesa da democracia”, além de “providências para
pronta apuração de crimes contra as Instituições Democráticas junto às
instâncias jurisdicionais superiores, bem como de todas as medidas
cautelares necessárias e suficientes ao reestabelecimento da ordem
pública”.
Antes disso, outro grupo, de dez subprocuradores, que ocupam o posto
mais alto na hierarquia do MPF, pediram a Aras medidas “necessárias à
proteção do regime democrático e das instituições públicas”, inclusive
com a responsabilização criminal do governador afastado do Distrito
Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Em resposta a essa e outras críticas veladas, Aras passou a
peticionar e divulgar mais suas ações nos processos, ainda que de forma
errática. Na segunda, por exemplo, pediu ao Superior Tribunal de Justiça
(STJ) investigação contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis
Rocha, por suposta omissão na segurança da Esplanada dos Ministérios. O
STJ é o foro adequado para investigar governadores de estados e do DF.
Na madrugada, no entanto, Ibaneis já havia sido afastado do cargo, no
âmbito do STF, por iniciativa de Alexandre de Moraes. Aras não
questionou a invasão da competência e, na terça, pediu a Moraes para
abrir novo inquérito contra Ibaneis, mas agora no STF – não ficou claro
no pedido por que o procurador-geral havia pedido a investigação
anteriormente no STJ e o que justificaria a abertura de inquérito contra
o governador do DF no STF, uma vez que ele não tem foro privilegiado na
Suprema Corte.
Outro ponto duvidoso foi a anuência em imputar aos manifestantes a
suspeita de cometimento do crime de terrorismo. Esse enquadramento tem
sido criticado por vários juristas, sobretudo porque a lei
antiterrorismo brasileira restringe sua caracterização, para fins
penais, a motivações de “xenofobia discriminação ou preconceito de raça,
cor, etnia e religião”. Desde a primeira decisão no caso e sem maiores
justificativas, Moraes classificou as manifestações como terroristas. Em
seu pedido de investigação ao ministro do STF, Aras afirmou que o
delito pode ter ocorrido, em tese, por “complexas motivações políticas,
que, aparentemente, também podem envolver ou englobar uma das razões
previstas na lei”.
Em mais um movimento de reação às críticas, Aras criou nesta quarta
(11) um Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos, para
coordenar a atuação do MPF na responsabilização de movimentos de
ruptura. Um dos focos será políticos que tenham participado, cooperado
ou incentivado a invasão das sedes dos Poderes.
Aliados de Aras na PGR atribuem as críticas a ele em razão de uma
“caça às bruxas”, iniciada em Brasília após a invasão, para tentar achar
culpados por falhas na segurança compartilhadas por diversas outras
autoridades e órgãos, federais e distritais. Para esses aliados, o maior
problema está no ministro Alexandre de Moraes, que há mais de dois anos
concentra as investigações sobre “atos antidemocráticos”, sem até o
momento ter achado os organizadores e financiadores, como promete desde
então, para desarticular esses movimentos.
“Em vez de dividir a investigação e distribuir para procuradores e
policiais que entendem do assunto e atuam na primeira instância, o STF
adotou uma solução caseira e entregou a tarefa para Moraes. Mas isso
fracassou. Se fosse boa, essa solução já teria desmantelado esses
grupos”, diz um membro do MPF que acompanha os inquéritos do STF.
Indígenas que desejam produzir em suas terras temem retrocessos no governo Lula Por Gabriel Sestrem – Gazeta do Povo
Alvo de multa milionária do Ibama, etnia Pareci emprega 200
indígenas em suas lavouras ao produzir soja, milho, feijões, painço e
sorgo| Foto: João Bispo/CNP Turismo
O início do novo governo
aparentou ser promissor para a população indígena do país: além da
criação do Ministério dos Povos Indígenas, integrantes desses povos
foram nomeados em funções no primeiro e segundo escalão do governo. No
entanto, um número significativo de etnias que não mais dependem – ou
não desejam depender – da caça, da pesca e do assistencialismo para
sobreviver vê com preocupação os próximos passos a serem dados pelo
governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Trata-se de povos que demandam por desenvolvimento e autonomia
econômica para suas comunidades por meio da produção agropecuária e da
aquicultura em escala, o chamado etnodesenvolvimento sustentável, a fim
de gerar renda e afastar-se da miséria que atinge muitas das etnias.
Para isso, há décadas esses povos têm se organizado para tentar mudar a
complexa realidade de que apesar de o indígena ser “dono” de 13,8% do
território brasileiro, vê-se diante de grandes dificuldades e
burocracias para produzir em suas terras.
Por outro lado, a plataforma política do novo governo não vê com bons
olhos essa emancipação dos povos indígenas. Segundo fontes ouvidas pela
Gazeta do Povo há, na esquerda brasileira e estrangeira, uma visão
romantizada de que as populações indígenas devem prioritariamente viver
isoladas preservando costumes ancestrais, o que inevitavelmente leva à
falta de recursos essenciais de alimentação, saúde, educação e bem-estar
desses povos.
“É uma fantasia romântica e utópica acreditar que os povos indígenas
de hoje vivem como antigamente, apenas da caça, pesca, coleta de frutos
silvestres, de remédios do mato e vivendo nus”, explica o cacique Rony
Pareci, que pertence à etnia dos Parecis no Mato Grosso.
Por falta de fontes de renda em suas aldeias e seus territórios, a
maior parte dos quase 900 mil indígenas brasileiros (estimativa do
levantamento do IBGE feito em 2010) permanece em situação de pobreza ou
extrema pobreza. Dificuldades para conseguir a regularização das terras e
o licenciamento ambiental perante a Fundação Nacional dos Povos
Indígenas (Funai) e o Ibama acabam, em vários dos casos, inviabilizando
tentativas de desenvolvimento econômico.
Além disso, segundo o artigo 231 da Constituição Federal, as terras
não pertencem aos indígenas, mas à União, e cabe a esses povos apenas o
usufruto das terras. A consequência disso é que os indígenas nunca terão
direito à propriedade, portanto existem grandes dificuldades para ter
acesso a linhas de crédito a fim de financiar a expansão das atividades
agrícolas.
Por fim, há obstáculos quanto ao comércio das produções, já que
grandes empresas, em especial as estrangeiras, deixam de comprá-las por
restrições internacionais à importação de itens produzidos em terras
indígenas sob a justificativa da preocupação ambiental. Há, ainda, um
pequeno número de empresas brasileiras que também deixa de adquirir
produtos oriundos desses locais, dificultando o desenvolvimento desses
povos.
“Por falta dessas possibilidades e alternativas econômicas, hoje a
grande maioria dos povos indígenas vive em situação de miserabilidade
social em seus territórios demarcados ou em processo de demarcação”,
lamenta o cacique Rony.
VEJA TAMBÉM: “Não podemos condenar os povos indígenas a viver em 1500”, diz Silvia Waiãpi Quem é Sônia Guajajara, que será ministra dos Povos Originários no governo Lula ONG pró-Lula emplacou no governo nomes que divergem da emancipação econômica indígena
Exercendo grande influência em todos os assuntos relacionados a
temática indígena no governo Lula desde a criação do gabinete de
transição, a ONG chamada Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
(Apib) tem visão contrária à emancipação econômica dos índios por meio
da produção em escala. A entidade chegou a organizar, em abril do ano
passado, um evento para oito mil pessoas para angariar apoio da
comunidade indígena para a candidatura do atual presidente. Foi nesse
evento que Lula prometeu pela primeira vez a criação de um ministério
indígena.
Com grande prestígio após a eleição do petista, coube à Apib enviar a
Lula uma lista com três nomes sugeridos pela ONG para o recém-criado
Ministério dos Povos Indígenas. O nome escolhido foi o da ativista de
esquerda Sônia Guajajara (Psol), que é coordenadora executiva da própria
Apib, entidade que a indicou. Entretanto os dois outros nomes,
igualmente militantes políticos, também assumiram funções no governo –
Joenia Wapichana (Rede) tornou-se presidente da Funai e Weibe Tapeba
(PT) foi nomeado Secretário Especial da Saúde Indígena (Sesai).
Com os quadros da nova gestão encabeçados por militantes com visão
divergente à autonomia econômica indígena e crítica do agronegócio,
representantes de diferentes etnias relataram à Gazeta do Povo que há
crescente preocupação com o bem-estar dos integrantes das aldeias.
“Agora estamos diante de um governo que é contra o agronegócio.
Quando você sai de uma agricultura familiar e cresce um pouco, com
certeza isso se enquadra no agronegócio. E a partir desse momento você
se torna inimigo deles. São pessoas que estão longe daqui e acham que
nós não precisamos de qualidade de vida”, diz Jocélio Leite Paulino, do
povo Xucuru, de Pernambuco.
Para Marcelo Xavier, ex-presidente da Funai, o novo governo pode, na
prática, vir a suspender o processo de regularização das terras para
produção agropecuária. “Os indígenas apresentam os projetos, e a Funai
verifica se eles preenchem os requisitos. Se a Funai deixar de analisar
ou ‘sentar em cima dos processos’, acabou”, afirma.
132 famílias de indígenas espalhados por 28 aldeias de Roraima atuam
na produção de café em parceria com a empresa 3 Corações (Divulgação) Grupo formado por 70 etnias denunciou discursos prejudiciais de ativistas, incluindo da atual ministra A
luta pela regularização de suas terras para torná-las aptas à geração
de renda tem como um dos principais representantes o Grupo de
Agricultores e Produtores Indígenas, formado por 70 etnias de todas as
regiões do país.
Em carta enviada em março de 2021 a instituições como o Parlamento
Europeu, o Conselho da União Europeia e o Banco Central Europeu, o grupo
já alertava sobre os riscos do posicionamento de Sonia Guajajara, agora
ministra, para os indígenas. O motivo da carta foi esclarecer
apontamentos trazidos por Sonia em diversas manifestações públicas e em
sites alinhados a ONGs autodenominadas defensoras dos direitos indígenas
para influenciar governos e entidades estrangeiras. Segundo os
signatários da carta, os discursos dela, que reforçam a perpetuação dos
indígenas em um modo de vida rudimentar, são bastante prejudiciais a
seus povos.
“O fato é que essa gente quer fazer a opinião pública nacional e
internacional acreditar que no Brasil todos os Povos Indígenas são
iguais e que vivem nas florestas cantando e dançando; pintados e nus;
caçando e pescando para sobreviver, felizes e alheios ao mundo
exterior”, cita um trecho da carta.
“O que essa indígena e outros vêm fazendo é, em nossa opinião, um
crime contra os próprios indígenas, pois muitos já produzem soja, café,
pescado e frutas (cacau e castanha do Brasil) que são exportados para
vários países, inclusive da Europa, sem destruir a floresta ou outro
bioma, pelo contrário, ajudando a cuidar e defender o meio ambiente”,
prossegue o texto.
O grupo denuncia, ainda, que muitos dos indígenas brasileiros ainda
vivem nas florestas sem energia, sem água tratada, sem saneamento
básico, sem internet e sem saber o que a agora ministra e outros
ativistas, em especial ligados a ONGs, falam em seus nomes.
“Foi criado um ideal imaginário que diz para a sociedade e para mim
mesma que para que eu seja indígena eu tenho que estar vivendo no ano
1.500 enquanto toda a sociedade vive no século 21”. Índia Silvia Waiãpi
ONGs consideram que preservação cultural está acima do bem-estar dos povos, denunciam indígenas À
Gazeta do Povo, Jocélio Xucuru, um dos porta-vozes do Grupo de
Agricultores e Produtores Indígenas, afirmou que há um interesse por
parte de ONGs brasileiras e estrangeiras em usar o argumento da
preservação ambiental para manter os índios em situação precária. Essas
entidades, segundo ele, auferem lucros com repasses de governos,
empresas e filantropos ambientalistas ao manterem os índios em estado
rudimentar enquanto vivem em grandes metrópoles, afastados da realidade
dos povos indígenas.
“O indígena depende das árvores para viver, e com certeza ele vai
preservá-las. Agora, se disserem para os índios preservarem e garantirem
que não vai haver miséria dentro das comunidades, tudo bem. Mas é fácil
a pessoa falar sobre preservação estando em São Paulo ou fora do país,
sem ver a nossa realidade”, critica. “Fala-se muito em demarcar as
terras, mas quais condições eles vão ter nessas terras? Não tem
regularização [para a produção agropecuária], não tem linha de crédito. A
terra vai servir para que? Só para ele preservar? Para encher o bolso
de ONGs?”, questiona.
Há, de fato, diversas etnias que optam pelo isolamento e preferem
manter um modo de vida primitivo afastando-se de atividades agrícolas em
escala. Porém, segundo a indígena Silvia Waiãpi (PL), eleita deputada
federal pelo Amapá nas eleições de 2022, o discurso encabeçado por ONGs
ambientalistas direcionado frequentemente aos próprios indígenas é de
que a preservação cultural está acima do bem-estar desses povos.
“Foi criado um ideal imaginário que diz para a sociedade e para mim
mesma que para que eu seja indígena eu tenho que estar vivendo no ano
1.500 enquanto toda a sociedade vive no século 21. Isso é imposto aos
indígenas, que acabam acreditando que para ser ele mesmo, tem que estar
daquele jeito. E com isso nós perdemos o nosso direito à cidadania”,
lamenta. “Aí ele, sem poder produzir, acaba vivendo de doação de cestas
básicas, de pessoas que usam essas cestas para comprar votos com
promessas eleitorais de que virá do Estado a condição para ele mudar de
vida”, prossegue.
Na avaliação de Silvia, cerca de 40% dos povos indígenas têm o desejo
de se desenvolver em suas próprias terras. Além dela, outras três
parlamentares indígenas conquistaram vaga na Câmara dos Deputados,
dentre elas Sonia Guajajara. Silvia afirma que o discurso das outras
três eleitas, todas com alinhamento político à esquerda, é de
preservação, isolamento e segregação das etnias. “Dizem que estão
lutando pelos direitos dos indígenas, mas elas estão vivendo no século
21 tomando banho quente, bebendo água gelada e pedindo comida por
aplicativo enquanto o povo é obrigado a viver com dificuldade de acesso a
tudo”, questiona.
Mineração em terras indígenas: proposta defendida por Bolsonaro resolve falta de fertilizantes? Índios querem possuir terras e empreender. Mas a lei não deixa Lidando com multas e burocracia, etnia Pareci emprega 200 indígenas em suas lavouras Como
exemplo dos diversos projetos que apresentam resultados positivos na
transformação de suas comunidades estão a produção de grãos da etnia
Pareci, no Mato Grosso; a colheita de castanhas dos Cinta Larga, em
Rondônia; e a produção de camarão da etnia Potiguara, na Paraíba.
Os Pareci foram um dos primeiros povos indígenas a se dedicar, ainda
em 2003, à produção agrícola em escala. Antes do êxito, tiveram que
lidar com vários percalços com a Funai e chegaram a ser multados pelo
Ibama em mais de R$ 120 milhões, o que foi revisto na gestão anterior da
Funai, sob o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Atualmente
as lavouras cultivadas pela etnia ocupam 17,5 mil hectares do território
total de quase 20 milhões de hectares. Ou seja, menos de 2% do
território é usado para as atividades.
Atualmente os Pareci produzem soja, milho, feijões, painço e sorgo, e
para isso são empregados cerca de duzentos colaboradores entre as
safras, distribuídos em frentes de serviço que vão desde plantio,
colheita e transporte até a área administrativa. “Mais de 250 homens e
mulheres que trabalhavam fora do território, a grande maioria nas
fazendas, retornaram para as aldeias por causa dessa atividade. Hoje as
cooperativas geram mais de 100 trabalhos permanentes e mais 100
trabalhos temporários”, explica o cacique Rony Pareci.
O impacto da produção agrícola para toda a comunidade é evidente: o
projeto foca na empregabilidade, capacitação e inclusão dos próprios
indígenas, além de promover a distribuição de renda de forma igualitária
visando o desenvolvimento sustentável e a garantia de sustento para as
comunidades. Essa divisão equânime, aliás, é critério exigido pela Funai
para a regularização das terras.
A atração de recursos para a comunidade Pareci em primeiro lugar
fortaleceu a segurança alimentar ao ajudar a combater a desnutrição,
principalmente entre as crianças e idosos. Mas também permitiu ganhos em
saúde por meio da aquisição de medicamentos não disponíveis na rede
pública, da realização de consultas e exames especializados, da
realização de cirurgias em caráter de emergência, dentre outras ações. A
educação também chegou à aldeia, e muitos integrantes já são formados
ou estão cursando cursos nos níveis técnico e superior.
“Hoje os Pareci têm pessoas formadas como médicos, farmacêuticos,
enfermeiros, nutricionistas, pedagogos, advogados, administradores,
agrônomos, geólogos, dentre outras áreas”, diz o cacique.
Para Marcelo Xavier, o apoio do governo federal às iniciativas dos
povos indígenas é determinante para que outros povos alcancem tais
resultados. O ex-presidente da Funai também receia que no governo Lula
haja tratamento diferente do que foi dado pela gestão anterior, que
priorizou o incentivo a atividades produtivas sustentáveis nas terras
indígenas.
“Nenhuma cultura é estática. Se o indígena quiser se desenvolver, por
que ele não pode? Qual é o ilícito que ele comete? Ele não é um cidadão
como outro qualquer? Mas para algumas pessoas eles não podem fazer isso
jamais. Alegam que é perigoso, que destrói a cultura deles. São pessoas
que vivem de vender no exterior a imagem do indígena como coitadinho,
como indigente”, diz Xavier. “Há um universo que se abriu para as
comunidades, um sentimento de liberdade que eles experimentaram que acho
que infelizmente essa nova gestão não vai acompanhar. Esse é o meu
receio”, finaliza.
Outro lado A Gazeta do Povo enviou questionamentos ao Ministério
dos Povos Indígenas sobre seu posicionamento em relação aos povos que
desejam se desenvolver a partir da produção em escala em seus
territórios. Não houve retorno até o momento – caso haja, esta
reportagem será atualizada.
Qual é o impacto dos atos de vandalismo em Brasília na direita
Por Rodolfo Costa – Gazeta do Povo Brasília
Janelas danificadas no Palácio do Planalto após atos terroristas no ultimo domingo
Janelas quebradas no Palácio do Planalto após os atos de
vandalismo de 8 de janeiro.| Foto: Fabio Rodrigues Pozzobom/Agência
Brasil
Os atos de vandalismo nas sedes dos Três Poderes, em
Brasília, no domingo (8), ampliaram o racha na direita brasileira que já
vinha ocorrendo desde o fim da eleição. Segundo parlamentares e
analistas políticos ouvidos pela Gazeta do Povo, as invasões e
depredações no Palácio do Planalto, Congresso e Supremo Tribunal Federal
(STF) aprofundam a divisão na direita liberal-conservadora em dois
grupos: um que pretende se desassociar do ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) e outro que tenta manter vivo o legado de seu governo. Por outro
lado, quem se beneficia é a esquerda e o governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT).
A divisão na direita existe até mesmo na bancada do PL, o partido de
Bolsonaro. Os senadores do PL, por exemplo, se dividiram na votação do
pedido de intervenção na segurança pública do Distrito Federal,
decretada por Lula. Um grupo do partido do qual faz parte Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, fez questão de se manifestar
contra a intervenção. Outra parte dos senadores do PL não se manifestou.
Na prática, isso significa que eles acompanharam o restante do plenário
na aprovação do decreto, que foi feita em votação simbólica.
Na Câmara, também há uma ala mais fiel a Bolsonaro e outra que prega a
defesa do conservadorismo e da liberdade econômica de forma
independente ao ex-presidente, inclusive no PL, que também se dividiu na
votação do pedido de intervenção na segurança pública da capital
federal.
Deputado que integrou a base de Bolsonaro na Câmara, Otoni de Paula
(MDB-RJ) afirma que dificilmente as cenas de vandalismo em Brasília
serão desassociadas da direita ligada a Bolsonaro. “O bolsonarismo virou
sinônimo de radicalismo. É esse o retrato que ficou após o domingo. Não
adianta mais tentar mudar”, diz Otoni. Segundo ele, o próprio
ex-presidente virou refém de sua base eleitoral ao longo de seu governo.
“Bolsonaro tinha medo do bolsonarismo. As ações dele eram tomadas de
acordo com a rede social, e isso apequena o líder”, opina.
Otoni considera que a invasão às sedes dos Três Poderes divide a
direita à medida em que faz com que parlamentares como ele se posicionem
de forma crítica aos apoiadores mais radicais do ex-presidente.
“Aqueles que defendiam o presidente Bolsonaro, como eu, e que eram tidos
como bolsonaristas, como eu, precisam entender o momento histórico se
quiserem sobreviver politicamente”, diz. “Não é mais possível manter
essa identificação inquestionável com o bolsonarismo. Porque,
infelizmente, o bolsonarismo se tornou o que a extrema esquerda sempre
foi: uma espécie de MST”, afirma.
Ex-vice-líder do governo Bolsonaro, Otoni prega a união da direita e
diz que os valores conservadores existiam antes do ex-presidente. “Está
na hora de bolsonaristas e não bolsonaristas se unirem em torno de uma
pauta única e acabarmos com essa autofagia que temos contra nós mesmos”.
“O bolsonarismo é um fenômeno novo que se alimenta dos bolsonaristas.
E, como todo fenômeno novo dentro da política brasileira, tem um tempo
de maturação. Infelizmente não maturou. Houve um desgaste muito grande
acelerado por conta do radicalismo”, afirma o deputado.
Otoni de Paula entende que a divisão da direita gera, como principal
impacto político, a “desidratação” de Bolsonaro na liderança desse
espectro político. Para ele, os atos de vandalismo restringem as chances
de o ex-presidente reagrupar a direita até 2026 a fim de lançar uma
nova candidatura à Presidência da República.
“Acho que haveria espaço se o sistema permitisse. Mas não irá. Depois
da democracia, o grande prejudicado [com os atos de 8 de janeiro] é o
Bolsonaro. Aqueles que são do extremo do bolsonarismo acabaram
prejudicando aquele que é o seu ‘mito’ e a sua fonte de inspiração.
Porque o que ocorreu acaba unindo o sentimento de quase toda uma
República de que, para o bem da democracia, o bolsonarismo precisa ser
uma página virada”, opina Otoni.
Ele diz ainda acreditar que Bolsonaro passará por um processo de
isolamento político. Outra possibilidade é que Bolsonaro seja
processado, condenado e se torne inelegível para 2026. “Como é que você
vira a página do bolsonarismo? Tirando do jogo político o seu líder. Até
domingo, qualquer movimento contra Bolsonaro seria altamente perigoso.
Depois de domingo, eu já não sei se causaria tanta comoção assim,
infelizmente”, afirma.
Por outro lado, parlamentares mais fiéis ao ex-presidente atribuem os
atos de violência em Brasília a “infiltrados” e os pedidos por
intervenção militar a uma “minoria”. Esse é o caso do deputado federal
Bibo Nunes (RS), vice-líder do PL. Segundo ele, essa minoria “não tem o
apoio de Bolsonaro”. “Tinha muitos infiltrados no meio. E golpe militar
não tem apoio do presidente, nem dos deputados; apenas de uma minoria
extremamente radical”, diz.
Bibo afirma que “todos os movimentos têm radicais”, tanto da direita
quanto da esquerda. Segundo ele, a imensa maioria da direita é a favor
da democracia e contra a violência e depredação de patrimônio público.
“Quem é moderado de direita e até extremista de direita não é a favor de
quebradeira, nem de arruaça, nem de invasão de prédio público. Pode ter
um ou outro. Mas são raríssimas exceções. Durante dois meses, eles
ficaram em frente dos quartéis e nunca se viu nenhuma cena de violência.
Há um passado que comprova um comportamento pacifista”, destaca.
Além disso, Bibo avalia que não se pode vincular Bolsonaro ao
vandalismo do domingo. “Não tem nada que comprove que o presidente tenha
incitado alguém a fazer isso [a depredação dos prédios do Planalto,
Congresso e STF]. Se tiver o que prove, eu concordo. Mas não mostraram
nada até o momento. Mesmo que tentem atrelar [Bolsonaro aos atos de 8 de
janeiro], não tem fundamento”, diz.
Para Bibo Nunes, não há quaisquer sinalizações de isolamento de
Bolsonaro no PL ou de afastamento do presidente nacional do partido,
Valdemar Costa Neto, em relação ao ex-presidente.
Segundo ele, também não há condições de enfraquecimento do seu grupo
político; e Bolsonaro vai ser candidato a presidente em 2026. “A
candidatura do Bolsonaro [à Presidência] está consolidada”, avalia. “O
que acontece neste momento aconteceu quando saíram o [Sergio] Moro e o
[Luiz Henrique] Mandetta [dos ministérios da Justiça e Saúde no governo
de Bolsonaro]. Muita gente da direita achava que o governo tinha acabado
[o que não ocorreu]”, acrescenta Bibo. “Isso [o arrefecimento do
desgaste de Bolsonaro] ocorrerá novamente até 2026.”
Mas Bibo admite que há uma divisão em seu partido. E diz entender que
o mesmo possa ocorrer no espectro político da direita como um todo.
“Até pode se dividir.”
STF forma maioria para manter Ibaneis Rocha afastado do governo do Distrito Federal
Moraes determina multa e prisão de manifestantes que voltarem a bloquear rodovias e espaços públicos
Marco Aurélio critica prisões generalizadas e diz que errou ao avaliar Moraes como boa escolha Quais as consequências da divisão na direita para Bolsonaro Para
analistas políticos, Bolsonaro tende a enfrentar um isolamento político
por causa do vandalismo em Brasília – que se acentuará se ele vier a
ser processado e, eventualmente, condenado na Justiça. E há uma
avaliação de que isso pode ocorrer.
O cientista político Lucas Fernandes, coordenador de análise política
e sustentabilidade da BMJ Consultores Associados, diz que no meio
político já há sinais de isolamento de Bolsonaro. Parlamentares de
partidos do Centrão – grupo que apoiava a antiga gestão – já não
defendem Bolsonaro e seu legado. Por outro lado, eles não estão fazendo
críticas às medidas adotadas pelo governo do presidente Lula contra
Bolsonaro, como a revogação de decretos de sigilo.
O analista político também não descarta um cenário em que partidos e o
Judiciário atuem contra Bolsonaro. “A grande repercussão nacional e
internacional dos atos faz com que algumas instituições que já tinham
muito interesse em condenar o Bolsonaro aumentem esse apetite. A
depender do que for descoberto em investigações, ele vira ficha-suja. E
talvez, por não ter mais foro [privilegiado], ele possa não disputar as
eleições [de 2026] se o Judiciário se engajar para condenar o Bolsonaro
em duas instâncias e impedi-lo de lançar candidatura”, diz.
O cientista político e sociólogo Paulo Baía, professor da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concorda que os atos de
vandalismo comprometem a liderança de Bolsonaro na direita. Mas ele
avalia que, na hipótese de Bolsonaro ser isolado politicamente, a base
eleitoral e política que o apoia se reorganizará em outra candidatura.
“Jair Bolsonaro será escanteado. Mas o bolsonarismo não. Esse
sentimento que hoje chama-se de ‘bolsonarista’, que engloba desde a
centro-direita até a extrema direita, vai mudar de nome. Eles deixarão
de ser bolsonaristas e assumirão outra vertente e outro nome que surgir.
O pensamento de direita está muito enraizado e com muito vigor cívico
na sociedade”, diz. “A própria direita vai se encarregar de acabar com o
bolsonarismo, e a esquerda e o governo Lula vão querer que o termo
bolsonarista continue existindo.”
Com a direita dividida, Baía prevê que até 2026 haverá o surgimento
de ao menos duas candidaturas na direita. Segundo ele, uma tende a ser
mais de “extrema-direita”, mas sem “teses raivosas”. “A outra é a de uma
direita mais firme nos valores conservadores, sem radicalismos”, diz.
O professor da UFRJ vislumbra o governador de São Paulo, Tarcísio de
Freitas (Republicanos) e a senadora eleita Damares Alves
(Republicanos-DF) como os nomes com maior potencial de representar a
direita sem Bolsonaro. Baía considera que ambos trafegam nos dois perfis
de candidaturas previstas por ele, embora vislumbre a ex-ministra da
Mulher, Família e dos Direitos Humanos no campo mais à direita.
Com dois perfis de candidaturas assumindo os possíveis espólios
eleitorais de Bolsonaro, uma convergência não pode ser descartada até às
eleições de 2026, bem como o surgimento de outros nomes para a disputa
presidencial. Para Baía, o senador eleito Hamilton Mourão
(Republicanos-RS) e o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e
Bragança (PL-SP) são outros cotados. “O Congresso será o celeiro do novo
líder [da direita]”, afirma.
O cientista político Lucas Fernandes considera que, além de Tarcísio,
os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Rio de
Janeiro, Cláudio Castro (PL), são nomes com possibilidade para liderar a
direita em 2026, embora entenda que ambos precisarão se viabilizar no
cenário político.
O deputado Otoni de Paula descarta os nomes desses governadores. “Eu
não julgo as qualificações e a capacidade desses três nomes. Mas me
parece que, para a Presidência, passa muito mais por um carisma pessoal
do que por uma questão de currículo”, diz. “A direita está sem uma
liderança como a do presidente Bolsonaro e dificilmente nós teremos
outra que consiga falar com as massas”, avalia.
O cientista político Paulo Baía concorda com o deputado Otoni no caso
dos governadores de Minas e do Rio. “Zema e Cláudio Castro não têm
condições de fazer isso [liderar a direita]. Embora sejam nomes
preparados, bem sucedidos, reeleitos e tenham a simpatia de grandes
colégios eleitorais, eles não conseguirão transformar isso em uma
liderança popular. Não é do estilo deles”, avalia.
Como o vandalismo afeta a esquerda e o governo Lula Para analistas
e políticos, a divisão na direita beneficia a esquerda e o governo
Lula. O cientista político Lucas Fernandes considera que o governo pode
tirar proveito dos atos de vandalismo em Brasília. “Lula vai ter um
trunfo muito provavelmente de uma CPI funcionando [para investigar os
atos de 8 de janeiro]”, diz.
Fernandes afirma que a invasão das sedes dos Três Poderes foi um
“tiro no pé” da direita. “Criou e contratou uma crise agora que tira o
foco do Lula. Se a gente olha para o noticiário das últimas duas
semanas, era todo de declarações de ministros que tinham que ser
contraditas depois [por integrantes do próprio governo]. O holofote era o
Lula, e havia espaço para que a oposição começasse a crescer”, afirma
Fernandes. Agora, o foco negativo está na direita.
O cientista político da UFRJ Paulo Baía entende que os atos
fortaleceram a esquerda e a centro-esquerda, inclusive na atuação para
caracterizar os vândalos como “terroristas”. “O episódio de domingo é um
balde d’água fria na direita em todos os aspectos. Foi o ápice de algo
que ela nunca quis”, diz. “Todos os governadores e todo mundo está a
favor do Lula neste momento. Nem ele esperava isso. Os bolsonaristas
deram no domingo uma linha ao governo Lula com uma semana de gestão –
que, agora, passa a ter uma unidade”, diz o professor da UFRJ.
O deputado Otoni de Paula concorda com a visão dos analistas. Para
ele, os atos deram a Lula a imagem de o “grande democrata” do país. “É o
retrato que fica agora, de que nós [da direita] somos os vândalos e
eles são os patrocinadores da democracia. Salvamos o início do governo
Lula. Nós acabamos dando governabilidade a ele”, afirma o parlamentar.
Otoni promete uma oposição propositiva e aguerrida ao governo
petista. Mas avisa que não promoverá uma “oposição ao Brasil. “Se o
governo Lula mandar para o Congresso Nacional e para a Câmara Federal
algum projeto que beneficie o Brasil, eu não serei contaminado pelo ódio
dos meus adversários do ‘quanto pior, melhor’. Antes do bolsonarismo,
eu sempre fui conservador. E não sou daqueles que torce para o avião
cair porque não gosta do piloto.”
Já o deputado Bibo Nunes tem uma visão diferente sobre os efeitos na
esquerda dos atos de vandalismo. Ele não acredita na hipótese de um
governo Lula fortalecido pela divisão da direita e reforça seu
entendimento de que Bolsonaro será candidato nas eleições de 2026 e que
será bem-sucedido. “Vai ganhar a eleição porque o Lula vai fazer um
desgoverno tão grande que vai garantir a eleição do Bolsonaro”, diz.
Nunes também promete uma oposição equilibrada. “Não farei uma
oposição contra tudo e a favor de nada, do quanto pior melhor, como
fazia a esquerda com Bolsonaro. Esse radicalismo não contribui. Mas
jamais, em hipótese alguma, estarei com o PT”.
Centenas de manifestantes detidos pela Polícia Federal e
esperando pelo processo de triagem em ginásio da corporação.| Foto:
Reprodução/ Redes sociais
É famosa aquela frase: a história, quando se repete, repete-se como
uma farsa. Aqui no Brasil, parece que está se repetindo com ironia.
Vejam a questão das prisões: 1,5 mil pessoas pensavam estar sendo
recolhidas para serem levadas aos seus ônibus ou à rodoviária, e foram
todas para um campo de concentração improvisado no ginásio da Academia
Nacional de Polícia Federal: 1,5 mil pessoas! Em 1968, no 30.º Congresso
da UNE, em Ibiúna, a então Força Pública de São Paulo cercou o evento,
que ocorria numa fazenda, e prendeu 800, segundo relato de José Dirceu
em sua biografia. Então, os dias de hoje superaram a maior prisão em
massa realizada no governo militar.
Desses presos de domingo, os que tinham mais de 60 anos foram
liberados, o que nos lembra também a Lei do Sexagenário, de 1885, que
libertou todo escravo que tivesse mais de 60 anos. A prisão
indiscriminada, então, foi seguida por uma soltura inexplicável,
simplesmente pela idade da pessoa. Os outros, segundo os advogados que
lá estiveram, permanecerão presos: as mulheres vão para um presídio
feminino, os homens para um presídio masculino, e todos vão ser
enquadrados em atos terroristas e ações violentas para derrubar o Estado
de Direito. O governo do Distrito Federal informou que 763 pessoas
estão nessa situação, e dizem os advogados que estão preparando um
habeas corpus.
Enquanto isso, o presidente Lula, ao receber dos presidentes da
Câmara e do Senado a comunicação de que foi aprovada a intervenção na
segurança pública do Distrito Federal, chamou os manifestantes de
domingo de “aloprados”. Em 2006, Lula também usou esse mesmo adjetivo
para se referir a sete petistas que foram presos em flagrante negociando
a compra de um dossiê contra José Serra, candidato ao governo de São
Paulo e que enfrentaria Aloizio Mercadante, e contra um candidato à
Presidência da República que disputaria contra Lula – o candidato era
Geraldo Alckmin. Quanta ironia nisso tudo!
Alexandre de Moraes faz declaração de guerra De mal a pior As prisões não param, mas repercussão já fez Lula mudar o discurso
E a suprema ironia atual é que, como vocês lembram, os
manifestantes que estavam acampados em Brasília havia quase 70 dias
insistiam para que o presidente Bolsonaro declarasse uma Garantia da Lei
e da Ordem para que as Forças Armadas interviessem. Nesta terça-feira,
dizia-se que, se houvesse ameaça de uma nova invasão aos prédios
públicos, o presidente Lula poderia recorrer às Forças Armadas, e a
única forma de fazer isso é por meio de uma GLO exatamente contra o lado
que queria a GLO decretada por Bolsonaro. Vocês veem aí a história
brasileira dando voltas, eu diria até se retorcendo com ironias.
Apoio à Lava Jato derrubou médica reconhecida que assumiria cargo no Ministério da Saúde Mais
um caso em que a política se sobrepõe ao mérito: uma conhecida pediatra
foi indicada pela nova ministra da Saúde para chefiar o Departamento de
Imunização da pasta. Mas a doutora Ana Kalume Maranhão acaba de ser
vetada porque, anos atrás, fez postagens apoiando a Lava Jato, que
revelou o mais gigantesco escândalo de corrupção que o Brasil já viu.