sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

SEGURANÇA PÚBLICA NÃO FOI MELHORADA PELO CONGRESSO

 


O que o Congresso “dos coronéis” trouxe de efetivo para a segurança pública
Por
Olavo Soares – Gazeta do Povo
Brasília


Mesa de evento em julho na Câmara, com deputados General Girão, General Peternelli e Coronel Tadeu, da frente parlamentar da segurança.| Foto: Agência Câmara

A legislatura atual do Congresso Nacional, que se encerra em fevereiro, teve como uma de suas características a presença de policiais, militares ou outros representantes da categoria da segurança pública. Foram eleitos para Câmara e Senado em 2018 um total de 44 deputados e senadores com esse perfil, contra 18 em 2014. Os deputados e senadores “coronéis”, “capitães” ou de outras patentes tiveram no combate à criminalidade sua principal bandeira eleitoral. A entrega de resultados concretos a demandas do setor, porém, não se efetivou de modo amplo.

O Congresso “dos coronéis” não conseguiu aprovar temas caros ao eleitorado mais conservador, como a redução da maioridade penal, o fim das “saidinhas” dos presos ou a prisão dos condenados em segunda instância judicial. Tampouco não se consolidou a aprovação da ampliação do “excludente de ilicitude”, que representaria mais possibilidades para agentes de segurança matarem em serviço e não serem responsabilizados por isso.

O grupo também acabou alcançando menos força institucional do que esperava à época da posse. A Frente Parlamentar da Segurança, que abre as portas para todos os parlamentares interessados na temática e é chamada informalmente de “bancada da bala”, se tornou numericamente o maior agrupamento do tipo da história do Congresso. Mas isso não se reverteu em poder efetivo ao grupo. Tanto a Câmara quanto o Senado elegeram, nos últimos quatro anos, presidentes que não fazem parte do segmento militar ou da segurança. Os “coronéis” ficaram de fora até mesmo das composições da mesa diretora da Câmara e da comissão diretora do Senado formadas desde 2019.

O cenário contrasta com a euforia vivida pela bancada em 2019, à época da posse da atual legislatura. Relacionados à bancada da segurança e impulsionados pela boa votação de 2018, nomes como Capitão Augusto (PL-SP), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Delegado Waldir (União Brasil-GO) foram citados como possíveis candidatos à Presidência da Câmara – o que não se concretizou.

Em janeiro de 2022, a Gazeta do Povo mostrou que o grupo atribuía três fatores para explicar a falta de avanço dos projetos de interesse do setor: a resistência de parlamentares de esquerda, o foco em ações de combate à pandemia de coronavírus e a falta de empenho do governo de Jair Bolsonaro (PL) para aprovação de reformas.

Congresso “dos coronéis” teve vitórias parciais
Mas a bancada “dos coronéis” não teve só insucessos. O grupo conseguiu a aprovação de temas importantes, como o pacote anticrime, idealizado ainda no início do mandato de Bolsonaro pelo então ministro da Justiça, Sergio Moro. A norma contempla, entre outros pontos, o aumento da pena máxima no país, de 30 para 40 anos; a proibição das saídas temporárias em datas festivas para condenados por crime hediondo com morte; mudanças nas regras sobre delação premiada; e permissão para que estados construam presídios de segurança máxima. A aprovação do pacote foi considerada uma grande vitória para o grupo – ainda que o texto tenha sido bastante atenuado desde sua proposta original, e sofreu a exclusão de tópicos como a prisão dos condenados em segunda instância e o “plea bargain”, que consiste em uma negociação entre réu e acusação que pode diminuir a pena.

Outro exemplo de conquista obtida pela bancada “dos coronéis” foi o avanço parcial de proposições de interesse do grupo. O segmento conseguiu que alguns projetos superassem etapas dentro do longo processo que marca a tramitação de matérias dentro de Câmara e Senado. Um caso com esse perfil foi a aprovação pela Comissão de Segurança Pública da Câmara, em junho de 2022, de uma proposta que amplia as hipóteses do excludente de ilicitude. O projeto teve relatoria do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), ex-oficial da Polícia Militar do seu estado e candidato ao Senado em 2022. A iniciativa foi enviada ao Congresso pelo governo federal, parte de um conjunto de propostas enviado pelo Executivo em março. Mas se encontra parada desde então.

O grupo “dos coronéis” foi bem sucedido também em retomar a tramitação de um projeto que extingue, em definitivo, as “saidinhas” dos presos em regime fechado. A proposta havia sido apresentada no Congresso em 2012, pela então senadora Ana Amélia (PSD-RS). Tinha sido aprovada pelo Senado no ano seguinte, quando também foi remetida à Câmara. Aguardou apreciação pelos deputados por quase uma década até ser aprovada pelo plenário da Câmara no último mês de agosto. Como o projeto foi modificado pelos deputados, precisa de outros análise pelo Senado – o que só deve ocorrer após a posse dos novos parlamentares, a partir de fevereiro.

VEJA TAMBÉM:

O que esperar de Lula na segurança pública: propostas e desafios do novo governo

Ao STF, polícias do RJ se posicionam contra uso de câmeras em agentes das forças especiais
Fim da PM? Entenda as propostas que pedem a desmilitarização das polícias
Como especialistas veem a atuação da bancada da segurança


Para o advogado Victor Minervino Quintiere, que também é professor de Direito Penal, a legislatura atual deixou a atuação do Congresso “mais repressiva”. Segundo ele, a atuação dos parlamentares do setor da segurança pública esteve focada em questões punitivas, como medidas que ampliem o tempo de reclusão de condenados. Ele avalia que isso ocorreu tanto na Câmara quanto no Senado, embora com mais foco maior dos deputados.

Já o também advogado Raul Abramo, especialista em Direito Penal, acredita que a atuação do Congresso em relação à segurança pública na atual legislatura foi “muito reativa”. Ele relaciona episódios como a eclosão do “novo cangaço” para citar que o Congresso acabou sendo pautado por circunstâncias da sociedade. Para ele, isso levou ao que qualifica como debates precipitados e sem o embasamento adequado. “É uma atuação que em muitas ocasiões segue o perfil de ‘colcha de retalhos’, sem um alinhamento estratégico”, diz. Abramo afirma que isso pode gerar uma falsa sensação de segurança na sociedade, por dar a impressão de que temas de grande relevância estão em debate.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/o-que-o-congresso-dos-coroneis-trouxe-de-efetivo-para-a-seguranca-publica/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

PRISÕES POR ATACADO NA INVASÃO DE BRASÍLIA BATE RECORDES ANTERIORES

 

Vandalismo em Brasília

Por
Alexandre Garcia

AME5271. BRASILIA (BRASIL), 10/01/2023.- Autobuses con manifestantes detenidos tras los ataques a edificios gubernamentales en Brasil, son trasladados hoy de la Academia de la Policía Federal hacia la prisión de Papuda, en Brasilia (Brasil). EFE/André Coelho


Detidos são levados da Academia da Polícia Federal para o Presídio da Papuda.| Foto: EFE/André Coelho

Vamos atualizar os dados de prisões em Brasília. Em primeiro lugar, temos de dizer que não há registro de morte entre as pessoas que foram presas. Há muita fake news por aí sobre uma senhora de 77 anos, anônima; não dão o nome porque, se dão um nome, as pessoas podem conferir. Usaram uma foto de uma senhora que pegaram nas redes sociais. Houve, sim, muito atendimento médico, inclusive com pessoas internadas: foram 433 atendimentos de enfermaria e 33 hospitalizações.

O total de presos é de 2052, ultrapassando o máximo do governo militar, que foi no dia 12 de outubro de 1968, quando 400 policiais cercaram 800 estudantes no 30.º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP). José Dirceu foi um dos presos; nas suas memórias, ele afirma que eram 800 presos. Então, a atualidade já superou a maior prisão em massa do governo militar. Desse total, 209 foram presos no domingo, já recolhidos, e 1.843 foram levados para a Academia Nacional de Polícia Federal, dos quais 684 foram liberados por terem mais de 60 anos, estarem doentes ou serem mães de crianças que lá estavam. Mas vão responder em liberdade por terrorismo – o que é muito estranho, porque a lei sobre terrorismo não se aplica ao que aconteceu domingo –, associação criminosa, atentado contra a democracia, golpe de Estado, perseguição e incitação ao crime. O ex-ministro do STF Marco Aurélio está discordando dessas prisões, já fez várias declarações nesse sentido, e argumentou que isso não contribui para a paz social, que é o objeto da Justiça.

VEJA TAMBÉM:
Alexandre de Moraes faz declaração de guerra
De mal a pior
As prisões não param, mas repercussão já fez Lula mudar o discurso


Lula diz que pessoas de dentro do Planalto ajudaram vândalos
O presidente Lula, num café da manhã com 38 jornalistas, disse que houve muita conivência por dentro, que abriram as portas do Palácio do Planalto, pois elas não foram arrombadas, e que é preciso identificar todo mundo. Afirmou que no acampamento montado na frente do QG do Exército passavam o dia inteiro pedindo golpe. Na verdade, pediam “intervenção militar”, que é sinônimo de golpe. E acrescentou que não decretou a Garantia da Lei e da Ordem para não entregar a um general a sua autoridade de presidente da República. E disse aos jornalistas que “as Forças Armadas não são poder moderador como pensam que são. Elas têm um papel definido na Constituição, que é a defesa do povo e da soberania contra conflitos externos. É isso que eu quero que elas façam bem feito”. Lula disse ainda que que vai continuar no hotel, ele, a Janja e dois cachorros, se não me engano, porque nem o Palácio do Alvorada nem a residência oficial do Torto – ele poderia optar por um ou outro – estão em condições de habitabilidade.

Prorrogação de isenção de imposto sobre gasolina será decisão política 
Por fim, uma notícia que interessa todo mundo que abastece o carro com gasolina. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a decisão de prorrogar a isenção de PIS/Cofins sobre a gasolina, feita pelo governo Bolsonaro e que está mantida até 28 de fevereiro (a isenção do diesel e do gás está confirmada até o fim do ano), não será dele. Não será uma decisão técnica da Fazenda, mas uma decisão política, ou seja, do presidente da República, que pelo jeito vai manter a isenção para não provocar atrito nesses momentos em que uma boa parte do país está de cabeça quente.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/prisoes-8-de-janeiro-regime-militar/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

LULA AINDA NÃO TEM NENHUMA AGENDA POSITIVA SÓ PENSA EM DESTRUIR

 

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo

Os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, se reúnem para apresentação do decreto legislativo (PDL 1/2023) – votado pela Câmara e o Senado – que aprovou a intervenção federal na área de segurança pública do DF até 31 de janeiro ano


| Foto: José Cruzr/Agência Brasil

O Brasil não pode passar o resto da vida vivendo em função das invasões e da depredação do Palácio do Planalto, do Congresso e do STF; o novo governo não pode ficar restrito a administrar um crime, por pior que ele tenha sido. O país não acabou no dia 8 de janeiro. Há todo um imenso trabalho a fazer na administração das questões nacionais, a começar pela prioridade das prioridades – a economia. Jamais houve tanta desconfiança no público, em relação à gestão econômica, quanto há agora; as pessoas não acreditam na capacidade do governo de manter o processo de recuperação iniciado no ano passado. Não acreditam porque não confiam na competência, e sobretudo nas intenções, da equipe que comanda o Ministério da Fazenda – a pior, possivelmente, que o Brasil já teve em qualquer época, com exceção do período inicial de demência do governo Collor. É urgente, para um governo que mal começa, comprovar com fatos que essas expectativas não procedem. Não adianta ficar se enchendo de fúria contra a baderna – rende cartaz no Jornal Nacional, mas não resolve nada. Para resolver, é preciso decisões. Onde estão elas?

Os crimes cometidos contra os prédios dos Três Poderes estão sendo processados, os criminosos estão sendo individualizados e o problema todo, no fundo, está superado – não vai acontecer de novo, porque foi causado por uma minoria extremista que jamais conseguirá fazer uma verdadeira política de oposição e não representa, muito simplesmente, o povo brasileiro. Mas nada disso vai influir na inflação do mês de janeiro, nem no nível de emprego, nem no acesso ao crédito. Não vai fazer aparecer investimento. Não influi nas exportações. Não afeta as cadeias produtivas. Para essas coisas tem de haver decisões acertadas do governo – e o governo, depois de dois meses de preparação, com a sua “equipe de transição” de 900 “especialistas” e tudo o mais, só foi capaz, até agora, de dizer o que não vai fazer. Sabe-se o que o Sistema Lula anunciou que vai destruir – a privatização do Porto de Santos, o departamento de apoio ao agronegócio no Itamaraty, o programa de alfabetização e por aí afora. Não há o mais remoto sinal sobre o que vai construir.

Jamais houve tanta desconfiança no público, em relação à gestão econômica, quanto há agora

O presidente Lula, aparentemente, percebeu isso – acaba de pedir uma “agenda positiva” dos ministros, para sair da obsessão repressiva do momento e tentar mostrar que o seu governo não se limita a prender gente, dar multas, fazer censura e reduzir ao mínimo a liberdade de expressão e a livre manifestação do povo nas ruas. O que resulta, em dividendos políticos concretos, encher com 1200 presos um ginásio de esportes de Brasília – ou acabar com o programa de alfabetização? Alguém vai achar que Lula e o seu governo ficam melhores com esse tipo de coisa? Quantos votos vão ganhar por transformarem o Brasil numa delegacia de polícia, na qual se pune quem vai para a frente do quartel e se dá cada vez mais liberdade para os piores criminosos e os piores corruptos? O governo Lula tem de mudar de assunto.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jr-guzzo/lula-nao-tem-agenda-positiva-e-so-mostrou-ate-agora-o-que-vai-destruir/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

PETISTAS ESQUECEM O SEU PASSADO DE INVASÕES EM BRASÍLIA

 

Amnésia seletiva

Por
Luís Ernesto Lacombe – Gazeta do Povo


Em fevereiro de 2014, membros do MST enfrentaram a polícia ao tentar invadir Supremo e Planalto; 30 policiais ficaram feridos.| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

São cenas inéditas que se repetem… Como assim? As anteriores foram lavadas, enxaguadas. Bem que tentaram dar sumiço nelas. Esfregaram muito, mas não conseguiram. Ou conseguiram? O Ministério da Verdade informou: “nunca antes”… E a velha imprensa tem mesmo memória seletiva: “nunca antes”! Nem em 2006, nem em 2013, nem em 2017.

Foi coisa de stalinistas. Foi, não foi, foi, não foi. Já passou tanto tempo. Quem lembra de 2006, do Congresso destruído? Fica estabelecido que não houve 50 feridos. Os invasores não eram invasores nem vândalos. Talvez fossem, mas altamente democráticos. Não eram baderneiros. O chefe deles também não era. A voz rouca pediu ao Ministério da Justiça que o protegesse: “é grande companheiro, amigo e um grande militante da esquerda”.

O Ministério da Verdade já avisou: esqueçam 2006, 2013 e 2017. Ali não houve vandalismo, nem violência, nem baderna, só democracia

Em 2013, a democracia invadiu o Congresso, depredou ministérios, tentou incendiar o Itamaraty. É tão a linda a democracia! Uma liberdade que inflama, e ônibus e carros foram consumidos pelo fogo. Tudo, tudo, tudo tão democrático. E PT e PSol correram para pedir a libertação dos quase 100 black blocs que a PM do Distrito Federal tinha prendido. Uma causa nobre, suprema, assim, incompreendida…

Em 2017, o povo soberano, representado por centrais sindicais e partidos vermelhos, também botou para quebrar em Brasília. Todo mundo sabe que a melhor defesa da democracia é o ataque… Então, por um país melhor, mais livre, mais justo, os heróis, os paladinos nacionais queimaram os prédios dos ministérios da Agricultura, do Planejamento e da Cultura. Flávio Dino escreveu no Twitter: “Hoje, em Brasília, a voz do povo se fará ouvir”. Viva a democracia!

VEJA TAMBÉM:
Comunistas, corruptos e narcotraficantes
Assentamento de mentiras
Foice, martelo e pedras


Em 2023, algo mudou. Os vândalos, finalmente, viraram vândalos. A violência virou violência. A depredação virou depredação. Cenas inéditas de ataques à democracia. Inéditas! “Nunca antes”, “nunca antes”, porque só os outros cometem crimes. O Ministério da Verdade já avisou: esqueçam 2006, 2013 e 2017.

Agora, vamos todos para as ruas, vamos defender a democracia. Desfraldem as bandeiras vermelhas com a foice e o martelo… Não há nada mais democrático do que o comunismo. Rendam homenagens a Che Guevara, que fuzilava para libertar. E aprendam com o ministro da Justiça: “criminoso deve ser tratado como criminoso”, a não ser que ele seja um dos nossos.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luis-ernesto-lacombe/quebra-quebra-das-leis/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

GASTOS COM CARTÕES CORPORATIVOS

 

Quem gastou mais com cartões corporativos? Conheça as mordomias

Por
Lúcio Vaz – Gazeta do Povo

Formers Brazilian presidents Dilma Rousseff (L) and Luiz Inacio Lula Da Silva (R) take party in the Workers’ Party (PT) Congress in Sao Paulo, Brazil on November 22, 2019. (Photo by NELSON ALMEIDA / AFP)


Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff na festa de 40 anos do PT, em São Paulo| Foto: Nelson Almeida/AFP

O ex-presidente Jair Bolsonaro encerrou o mandato com um total de R$ 27,6 milhões gastos em cartões corporativos. A mordomia foi farta, mas não alcançou os valores dos ex-presidente Lula e Dilma Rousseff, que gastaram R$ 62 milhões e R$ 43 milhões nos seus primeiros mandatos, em valores atualizados pela inflação. No segundo mandato, de 2007 a 2010, Lula torrou mais R$ 50 milhões (atualizados). Os dados da Presidência da República foram obtidos pelo blog por meio da da Lei de Acesso à Informação.

A maior despesa dos presidentes da República com cartões corporativos foi feita com hospedagem – R$ 104 milhões. Em segundo lugar, vem a despesa com gêneros de alimentação – R$ 32 milhões. Nos seus dois mandatos, Lula investiu cerca de R$ 44 milhões com hospedagem da comitiva presidencial, assessores e seguranças.

No mandato completo de Dilma, de 2011 a 2014, as suas despesas com hospedagem somaram cerca de R$ 25 milhões. Bolsonaro sempre afirmou que procurava economizar nas viagens presidenciais, muitas vezes se hospedando em instalações militares. Mas gastou R$ 13,7 milhões com hotéis. As despesas no Blue Tree Faria Lima somaram R$ 374 mil, sendo R$ 350 mil com as quatro maiores estadias.

Bolsonaro gastou mais R$ 5,8 milhões com gêneros alimentícios. Torrou torrou R$ 820 mil no sofisticado Mercadinho La Palma. Gastou mais R$ 380 mil na Peixaria Guará, onde as 20 maiores compras somaram R$ 60 mil. Mas não é possível saber o que foi comprado porque esses dados ainda estão “classificados”, em sigilo. Para colocar o retirar o sigilo, basta uma canetada.

VEJA TAMBÉM:
Quanto Pacheco gastou com viagens no país e no exterior em 2022
Mordomias sem limite
As despesas com gêneros de alimentação incluem bebidas alcoólicas. Como os dados de Lula e Dilma já foram “desclassificados”, podemos apurar que, em agosto de 2010, perto do final dos governos de Lula, foram adquiridas 7 garrafas de Absolut e 6 garradas de cachaça Anísio Santiago, mais alguns vinhos, num total de R$ 4 mil, na Casa do Vinho. Duas semanas depois, foram compradas mais 24 garrafas de Johnny black no valor total de R$ 5,7 mil. Em 10 de setembro, a adega do Palácio da Alvorada teve mais um reforço de 12 garrafas de black, 5 de Anísio Santiago e 6 de Absolut, totalizando R$ 6,6 mil.

Hoje, documentos já abertos pela Presidência informam que as despesas do Alvorada com a Casa do Vinho somaram R$ 700 mil (em valores atualizados). Dilma preferia bebidas mais suaves. Em 2014, no ano da sua reeleição, o cartão da presidente pagou seis garrafas de vinho tinto português da região Península de Setúbal e 3 unidades de vinhos da região Alentejo.

Foto dos arquivos da Presidência da RepúblicaVEJA TAMBÉM:
Militares gastam R$ 38 milhões com viagens internacionais em 2022
Um vinho vale um Bolsa Família
O cartão de Dilma comprou ainda 6 garrafas do vinho português Quinta da Bacalhoa por R$ 200 a unidade e mais 3 garrafas do vinho Pêra-Manca. A conta fechou em R$ 4 mil. Em julho daquele ano, ela já havia comprado três garradas de Pêra Manca por R$ 900 a unidade – um benefício e meio do Bolsa Família. Mas essas compras foram no Super Adega. Na Casa do Vinho, foram gastos mais R$ 37 mil na era Dilma.

A mesa sempre foi farta e sofisticada no Alvorada. Em agosto de 2010, foram adquiridos 23 quilos de bacalhau Gadus Mohua dessalgado, por R$ 205 o quilo, no Mercado Municipal, pelo valor total de R$ 4,8 mil. Durante os governos petistas, as compras no Mercado somaram R$ 370 mil (atualizados).

Em 13 de agosto de 2010, na Peixaria do Guará, foram comprados 6 quilos de camarão rosa GGG por R$ 225 o quilo, mais 2 quilos de camarão GG, 14 quilos de filé de robalo e outros outros peixes, no valor total de R$ 7 mil. No Mercado Municipal, mais R$ 3,3 mil por 16 quilos de bacalhau Gadus Mohua.

Questionada sobre a compra de bebidas caras e carnes nobres para o Alvorada, a assessoria de Lula respondeu que “o governo fazia inúmeros eventos e recepções a chefes de Estado e autoridades estrangeiras, que, na época, visitavam bastante o Brasil. Tais eventos constam da agenda da presidência da República”.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/lucio-vaz/quem-gastou-mais-com-cartoes-corporativos-conheca-as-mordomias/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

COISAS QUE DEVEM SER APRENDIDAS MAIS CEDO

 

Biliz Maharjan – Medium Daily Digest

A vida é aprender e crescer.

Fiz trinta anos em junho de 2022. Demorei para perceber que tenho 30 anos agora. Mas foi só algumas semanas atrás que percebi que não havia aprendido muito sobre a vida.

Todo mundo tem diferentes experiências de vida. Por exemplo, Mark Zuckerberg ficou milionário aos vinte anos. A maioria das pessoas ainda não tem certeza sobre as escolhas de carreira, mesmo depois de completar 30 anos.

Claro, não é bom se comparar com os outros. Mas é uma revelação para você perceber o que as pessoas, que têm a mesma idade que você, alcançaram em suas vidas.

Fazer 30 anos foi realmente uma revelação para mim. E isso não aconteceu em um instante. Em vez disso, foi uma percepção subconsciente no início. Então, tudo me atingiu de uma vez. E quando via meus amigos fazendo isso e aquilo, parecia que eu tinha muito o que fazer na vida.

Agora que tenho trinta anos, passei a levar a vida mais a sério. Comecei a analisar todos os aspectos da minha vida. Cada dia é sobre aprender e crescer.

Abaixo estão cinco coisas que aprendi depois de completar 30 anos e que deveria saber aos 20. Minha vida teria sido muito diferente se eu os conhecesse há dez anos. Embora tenha entrado em pânico quando percebi essas coisas, estou confiante de que não é tarde demais. Ainda posso mudar minha vida e manifestá-la da maneira que quiser.

1. Dê sua opinião

Sempre fui um tipo de pessoa introvertida e tímida. Eu tinha medo de falar desde a minha infância. Meus amigos e professores me consideravam um “cara bom”. Eu nem sei o que isso significa, honestamente.

O comportamento dos outros em relação a mim também transformou minha mentalidade. Minha autoimagem mudou e eu também me via como uma criança tímida e introvertida que falava pouco.

Isso continuou até meus 20 anos. Embora eu tenha me tornado um pouco mais ativo e extrovertido durante a faculdade, isso lentamente desapareceu quando a faculdade acabou e todos os meus amigos seguiram caminhos separados.

Depois de completar 30 anos, percebi que não dizer o que queria impactava minha vida. As pessoas me tratavam do jeito que eu não queria só porque eu não falava. Eles até tentaram se aproveitar de mim.

Agora, estou mais confiante e não tenho medo de dizer o que quero. Se você tem uma opinião, fale.

Não tenha medo de dizer o que você quer. Lute pelo o quê você acredita.

2. O confronto é necessário

O medo do confronto é comum hoje em dia. Eu costumava evitar conflitos quase o tempo todo. Eu deixaria ir e ficaria quieto porque não gostaria que a outra pessoa se sentisse mal.

Ao longo da minha vida, sempre evitei o drama. Eu odiei isso. Mas agora percebo que não era o drama que eu odiava. Em vez disso, foi o medo do conflito .

O que as outras pessoas pensam de você não deveria importar para você. Você deve sempre falar o que acredita, mesmo que isso cause um conflito. Quando você não teme o confronto, você se sente livre. Mais importante ainda, você ganha respeito.

Um pouco de conflito também é bom para seus relacionamentos, seja com seu parceiro, amigos, colegas ou família.

3. Assuma riscos o mais cedo possível

Quer se trate de conseguir um emprego, abrir um negócio ou se mudar para uma cidade diferente, você deve seguir seus instintos. Se parece certo para você, vá em frente. Você aprenderá com isso, mesmo que seja uma decisão errada.

Eu costumava pensar demais em minhas escolhas de carreira, finanças, relacionamentos e vida. Infelizmente, sempre preferi minha zona de conforto porque era menos arriscada para mim.

À medida que envelheci, percebi a rapidez com que a vida passava. Aprendi que devo me colocar lá fora para aprender e crescer como pessoa.

Seja ativo aos 20 anos. Aprenda o máximo possível. Assumir riscos.

Comecei a investir na bolsa de valores aos 26 anos. A única coisa que me arrependo é de não ter feito antes. O mesmo vale para a escrita e outras escolhas. Mas, agora que percebi isso, não quero dizer a mesma coisa aos 40 anos.

“A melhor época para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor momento é agora.” – Desconhecido

4. Torne-se independente

Na minha cultura, temos que viver com nossos pais por toda a nossa vida. Desde que fui criado nessa cultura, meus pais estavam disponíveis sempre que eu precisava deles. Eles até tomaram a maioria das decisões da minha vida por mim.

Quando criança, me sentia seguro (e sortudo) por ter pais tão amorosos e atenciosos. No entanto, à medida que envelheci, percebi o quanto dependia deles. Eles estavam sempre lá sempre que eu precisava de dinheiro ou outro suporte de vida. Isso me deixou mais preguiçoso e dependente.

Agora que percebi isso, estou tentando ser completamente independente de meus pais. Embora nunca seja possível fazer isso 100% em minha cultura, estou tentando o meu melhor para viver como se eles não existissem para mim, especialmente em relação a dinheiro e tomada de decisões.

5. Diga “Não”

Todos nós já ouvimos sobre a importância de dizer “não”. Mas, na realidade, é mais fácil dizer do que fazer. Se você já experimentou, tenho certeza que conhece.

Dizer “sim” tem me causado muitos problemas. Não se trata apenas de fazer algo que eu não queria. Em vez disso, tive que enfrentar as consequências de dizer “sim” por muito tempo.

Depois de alguns encontros estranhos de dizer “não”, aprendi sua importância. Mesmo que seja difícil fazer isso, você se sente bem no final.

Agora, digo “não” diretamente ou digo a eles que vou pensar sobre isso, o que é uma versão menos estranha de dizer: “Não quero fazer isso”.

Bônus: Esteja sempre aprendendo

Aprender faz parte da vida. Você nunca para.

A maioria entende a educação formal como aprendizagem. Mas todo dia é uma oportunidade de aprender.

Aprendi a maioria das coisas essenciais da vida depois de me formar na faculdade. Hoje, é mais fácil aprender coisas novas por causa da internet. Qualquer pessoa pode aprender qualquer coisa, independentemente da idade, sexo ou nacionalidade.

Seu grande desejo de aprender coisas novas é essencial para o sucesso na vida.

COMO DEVEM SER OS PARCEIROS NOS NEGÓCIOS

“Parceiros chegam de várias formas. Se juntam por diferentes motivos”.

Eu sei, é clichê, rss. E se a frase fosse minha eu acrescentaria: “O que eles tem em comum é o fato de acreditarem no que nós acreditamos”.

Parceria é a arte de administrar conflitos de interesses e conexões de interesses, visando resultados benéficos para ambas as empresas”.

É por isso que eu costumo comparar parceria com casamento. Quem é casado sabe que administrar conflitos é fundamental para ambos terem resultados nessa aliança.

Assim como no casamento, o parceiro não precisa ser igual a nós, mas tem que ter o nosso ‘jeitão’! Nas parcerias eu defendo que o parceiro precisa ter o DNA de inovação, a inquietude pra sair da zona de conforto e uma preocupação muito grande com o cliente, não apenas no discurso, mas na prática. É claro que no processo de análise do possível parceiro, nós avaliamos o potencial financeiro e de escala da aliança, a estrutura e o tamanho da empresa. Mas, tem um fator humano que não pode ser desconsiderado, já que empresas são, na sua essência, pessoas. É por isso, que normalmente, os parceiros   são empresas formadas por pessoas do bem, pessoas com propósito, que tem tanto o caráter quanto a lealdade de continuar de mãos dadas, mesmo nos momentos mais difíceis. É como um casamento mesmo!

É importante também que os parceiros tenham know how e competências complementares, que potencializem nossas fragilidades e deem mais peso aos nossos pontos fortes. E como eu acredito que o primeiro approach de uma boa parceria acontece no plano humano (onde existe emoção), e não no corporativo, eu gosto muito da histórica da parceria entre Steve Jobs Steve Wozniak. Os dois Steves tornaram-se amigos durante um emprego de verão em 1970. Woz estava ocupado construindo um computador e Jobs viu o potencial para vendê-lo. Em uma entrevista de 2006 ao Seattle Times, Woz, explicou:

“Eu só estava fazendo algo em que era muito bom, e a única coisa que eu era bom acabou por ser a coisa que ia mudar o mundo… Steve (Jobs) pensava muito além. Quando eu projetava coisas boas, às vezes ele dizia: ‘Nós podemos vender isso’. E nós vendíamos mesmo. Ele estava pensando em como criar uma empresa, mas talvez ele estivesse mesmo pensando: ‘Como eu posso mudar o mundo?’”.

Por que essa parceria deu certo? Habilidades e competências complementares.

As habilidades técnicas de Woz juntamente com a visão de Jobs fizeram dos dois a parceria perfeita nos negócios.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

Apresentamos o nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace que tem um Product Market Fit adequado ao mercado do Vale do Aço, agregando o mercado e seus consumidores em torno de uma proposta diferenciada de fazer Publicidade e Propaganda online, de forma atrativa e lúdica a inclusão de informações úteis e necessárias aos consumidores como:

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

O PGR SERIA UM DOS CULPADOS PELA INVASÃO DE BRASÍLIA?

 

Vandalismo nos Três Poderes
Sob críticas

Por
Renan Ramalho – Gazeta do Povo
Brasília


Após invasão, Augusto Aras resolveu criar “Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos”| Foto: Divulgação/PGR

Assim como o governador afastado Ibaneis Rocha (MDB) e o ex-secretário de Segurança do Distrito Federal Anderson Torres, o procurador-geral da República, Augusto Aras, passou a receber, em parte do meio político e jurídico, o rótulo de “culpado” indireto pela invasão e depredação dos edifícios-sede dos Três Poderes.

Membros do novo governo, senadores petistas e até ministros de tribunais superiores vêm alimentando, nos bastidores, a ideia de que, caso Aras tivesse levado adiante e aprofundado investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu grupo mais próximo, por suposto estímulo a “atos antidemocráticos”, não haveria mobilização popular para o ato de vandalismo do último domingo, em Brasília.

Dentro da PGR, aliados do procurador-geral rechaçam essa tese, alegando que ele fez e vem fazendo tudo que era possível no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), que delegou ao ministro Alexandre de Moraes as investigações sobre os movimentos de direita, articulados nas redes e presentes nas ruas, que contestam o ativismo da Corte e a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na segunda (9), dia seguinte à invasão, convidado a participar de uma reunião de Lula com governadores e ministros do STF, Aras usou todo seu tempo de participação, sete minutos de pronunciamento, para defender sua atuação. “Há dois anos, atuamos no controle, na fiscalização e no monitoramento de atos que poderiam gerar a violência lamentável de ontem. Durante os eventos de 2021 e 2022 não tivemos nenhum ato de violência capaz de atentar contra nossa instituição democrática, como visto ontem. Em nenhum momento anterior, saiu do nosso controle”, afirmou.

Aliados de Aras lembram que o inquérito no qual o ministro Alexandre de Moraes vem despachando no caso da invasão, para prender os manifestantes, foi aberto a pedido da PGR em agosto de 2021, diante da ameaça de que caminhoneiros pudessem fazer uma greve geral, interditar estradas e invadir o STF no 7 de setembro daquele ano. Desde então, no entanto, as principais medidas de investigação e repressão tem sido ordenadas por Moraes e um grupo restrito de delegados da Polícia Federal de sua confiança.

Depois dos atos de vandalismo no Congresso, Palácio do Planalto e STF, decisões controversas de Aras começaram a aparecer. Ainda na segunda, o jornal Estado de S. Paulo revelou que Aras extinguiu grupos criados em pelo menos quatro estados, incluindo o Distrito Federal, para reforçar investigações sobre os chamados “atos antidemocráticos”. Além disso, no ano passado, mandou a corregedoria do MPF apurar a conduta de procuradores de instâncias inferiores que pediram ao STF acesso a investigações do inquérito das “fake news”, que mira detratores da Corte e de outras instituições – alegou que era atribuição exclusiva da PGR.

Em razão disso e outros atos, o procurador-geral voltou a sofrer fortes críticas dentro do MPF, especialmente entre procuradores que atuam na primeira e na segunda instâncias. Nesta terça (10), um grupo de 150 membros do MPF enviou carta à PGR cobrando “condições materiais e humanas necessárias à defesa da democracia”, além de “providências para pronta apuração de crimes contra as Instituições Democráticas junto às instâncias jurisdicionais superiores, bem como de todas as medidas cautelares necessárias e suficientes ao reestabelecimento da ordem pública”.

Antes disso, outro grupo, de dez subprocuradores, que ocupam o posto mais alto na hierarquia do MPF, pediram a Aras medidas “necessárias à proteção do regime democrático e das instituições públicas”, inclusive com a responsabilização criminal do governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Em resposta a essa e outras críticas veladas, Aras passou a peticionar e divulgar mais suas ações nos processos, ainda que de forma errática. Na segunda, por exemplo, pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) investigação contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, por suposta omissão na segurança da Esplanada dos Ministérios. O STJ é o foro adequado para investigar governadores de estados e do DF.

Na madrugada, no entanto, Ibaneis já havia sido afastado do cargo, no âmbito do STF, por iniciativa de Alexandre de Moraes. Aras não questionou a invasão da competência e, na terça, pediu a Moraes para abrir novo inquérito contra Ibaneis, mas agora no STF – não ficou claro no pedido por que o procurador-geral havia pedido a investigação anteriormente no STJ e o que justificaria a abertura de inquérito contra o governador do DF no STF, uma vez que ele não tem foro privilegiado na Suprema Corte.

Outro ponto duvidoso foi a anuência em imputar aos manifestantes a suspeita de cometimento do crime de terrorismo. Esse enquadramento tem sido criticado por vários juristas, sobretudo porque a lei antiterrorismo brasileira restringe sua caracterização, para fins penais, a motivações de “xenofobia discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião”. Desde a primeira decisão no caso e sem maiores justificativas, Moraes classificou as manifestações como terroristas. Em seu pedido de investigação ao ministro do STF, Aras afirmou que o delito pode ter ocorrido, em tese, por “complexas motivações políticas, que, aparentemente, também podem envolver ou englobar uma das razões previstas na lei”.

Em mais um movimento de reação às críticas, Aras criou nesta quarta (11) um Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos, para coordenar a atuação do MPF na responsabilização de movimentos de ruptura. Um dos focos será políticos que tenham participado, cooperado ou incentivado a invasão das sedes dos Poderes.

Aliados de Aras na PGR atribuem as críticas a ele em razão de uma “caça às bruxas”, iniciada em Brasília após a invasão, para tentar achar culpados por falhas na segurança compartilhadas por diversas outras autoridades e órgãos, federais e distritais. Para esses aliados, o maior problema está no ministro Alexandre de Moraes, que há mais de dois anos concentra as investigações sobre “atos antidemocráticos”, sem até o momento ter achado os organizadores e financiadores, como promete desde então, para desarticular esses movimentos.

“Em vez de dividir a investigação e distribuir para procuradores e policiais que entendem do assunto e atuam na primeira instância, o STF adotou uma solução caseira e entregou a tarefa para Moraes. Mas isso fracassou. Se fosse boa, essa solução já teria desmantelado esses grupos”, diz um membro do MPF que acompanha os inquéritos do STF.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/aras-se-mobiliza-para-se-desvencilhar-de-culpa-por-invasoes-aos-tres-poderes/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

ÍNDIOS QUEREM EMANCIPAÇÃO ECONÔMICA

 


Indígenas que desejam produzir em suas terras temem retrocessos no governo Lula
Por
Gabriel Sestrem – Gazeta do Povo


Alvo de multa milionária do Ibama, etnia Pareci emprega 200 indígenas em suas lavouras ao produzir soja, milho, feijões, painço e sorgo| Foto: João Bispo/CNP Turismo

O início do novo governo aparentou ser promissor para a população indígena do país: além da criação do Ministério dos Povos Indígenas, integrantes desses povos foram nomeados em funções no primeiro e segundo escalão do governo. No entanto, um número significativo de etnias que não mais dependem – ou não desejam depender – da caça, da pesca e do assistencialismo para sobreviver vê com preocupação os próximos passos a serem dados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Trata-se de povos que demandam por desenvolvimento e autonomia econômica para suas comunidades por meio da produção agropecuária e da aquicultura em escala, o chamado etnodesenvolvimento sustentável, a fim de gerar renda e afastar-se da miséria que atinge muitas das etnias. Para isso, há décadas esses povos têm se organizado para tentar mudar a complexa realidade de que apesar de o indígena ser “dono” de 13,8% do território brasileiro, vê-se diante de grandes dificuldades e burocracias para produzir em suas terras.

Por outro lado, a plataforma política do novo governo não vê com bons olhos essa emancipação dos povos indígenas. Segundo fontes ouvidas pela Gazeta do Povo há, na esquerda brasileira e estrangeira, uma visão romantizada de que as populações indígenas devem prioritariamente viver isoladas preservando costumes ancestrais, o que inevitavelmente leva à falta de recursos essenciais de alimentação, saúde, educação e bem-estar desses povos.

“É uma fantasia romântica e utópica acreditar que os povos indígenas de hoje vivem como antigamente, apenas da caça, pesca, coleta de frutos silvestres, de remédios do mato e vivendo nus”, explica o cacique Rony Pareci, que pertence à etnia dos Parecis no Mato Grosso.

Por falta de fontes de renda em suas aldeias e seus territórios, a maior parte dos quase 900 mil indígenas brasileiros (estimativa do levantamento do IBGE feito em 2010) permanece em situação de pobreza ou extrema pobreza. Dificuldades para conseguir a regularização das terras e o licenciamento ambiental perante a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ibama acabam, em vários dos casos, inviabilizando tentativas de desenvolvimento econômico.

Além disso, segundo o artigo 231 da Constituição Federal, as terras não pertencem aos indígenas, mas à União, e cabe a esses povos apenas o usufruto das terras. A consequência disso é que os indígenas nunca terão direito à propriedade, portanto existem grandes dificuldades para ter acesso a linhas de crédito a fim de financiar a expansão das atividades agrícolas.

Por fim, há obstáculos quanto ao comércio das produções, já que grandes empresas, em especial as estrangeiras, deixam de comprá-las por restrições internacionais à importação de itens produzidos em terras indígenas sob a justificativa da preocupação ambiental. Há, ainda, um pequeno número de empresas brasileiras que também deixa de adquirir produtos oriundos desses locais, dificultando o desenvolvimento desses povos.

“Por falta dessas possibilidades e alternativas econômicas, hoje a grande maioria dos povos indígenas vive em situação de miserabilidade social em seus territórios demarcados ou em processo de demarcação”, lamenta o cacique Rony.

VEJA TAMBÉM:
“Não podemos condenar os povos indígenas a viver em 1500”, diz Silvia Waiãpi
Quem é Sônia Guajajara, que será ministra dos Povos Originários no governo Lula
ONG pró-Lula emplacou no governo nomes que divergem da emancipação econômica indígena


Exercendo grande influência em todos os assuntos relacionados a temática indígena no governo Lula desde a criação do gabinete de transição, a ONG chamada Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) tem visão contrária à emancipação econômica dos índios por meio da produção em escala. A entidade chegou a organizar, em abril do ano passado, um evento para oito mil pessoas para angariar apoio da comunidade indígena para a candidatura do atual presidente. Foi nesse evento que Lula prometeu pela primeira vez a criação de um ministério indígena.

Com grande prestígio após a eleição do petista, coube à Apib enviar a Lula uma lista com três nomes sugeridos pela ONG para o recém-criado Ministério dos Povos Indígenas. O nome escolhido foi o da ativista de esquerda Sônia Guajajara (Psol), que é coordenadora executiva da própria Apib, entidade que a indicou. Entretanto os dois outros nomes, igualmente militantes políticos, também assumiram funções no governo – Joenia Wapichana (Rede) tornou-se presidente da Funai e Weibe Tapeba (PT) foi nomeado Secretário Especial da Saúde Indígena (Sesai).

Com os quadros da nova gestão encabeçados por militantes com visão divergente à autonomia econômica indígena e crítica do agronegócio, representantes de diferentes etnias relataram à Gazeta do Povo que há crescente preocupação com o bem-estar dos integrantes das aldeias.

“Agora estamos diante de um governo que é contra o agronegócio. Quando você sai de uma agricultura familiar e cresce um pouco, com certeza isso se enquadra no agronegócio. E a partir desse momento você se torna inimigo deles. São pessoas que estão longe daqui e acham que nós não precisamos de qualidade de vida”, diz Jocélio Leite Paulino, do povo Xucuru, de Pernambuco.

Para Marcelo Xavier, ex-presidente da Funai, o novo governo pode, na prática, vir a suspender o processo de regularização das terras para produção agropecuária. “Os indígenas apresentam os projetos, e a Funai verifica se eles preenchem os requisitos. Se a Funai deixar de analisar ou ‘sentar em cima dos processos’, acabou”, afirma.

132 famílias de indígenas espalhados por 28 aldeias de Roraima atuam na produção de café em parceria com a empresa 3 Corações (Divulgação)
Grupo formado por 70 etnias denunciou discursos prejudiciais de ativistas, incluindo da atual ministra
A luta pela regularização de suas terras para torná-las aptas à geração de renda tem como um dos principais representantes o Grupo de Agricultores e Produtores Indígenas, formado por 70 etnias de todas as regiões do país.

Em carta enviada em março de 2021 a instituições como o Parlamento Europeu, o Conselho da União Europeia e o Banco Central Europeu, o grupo já alertava sobre os riscos do posicionamento de Sonia Guajajara, agora ministra, para os indígenas. O motivo da carta foi esclarecer apontamentos trazidos por Sonia em diversas manifestações públicas e em sites alinhados a ONGs autodenominadas defensoras dos direitos indígenas para influenciar governos e entidades estrangeiras. Segundo os signatários da carta, os discursos dela, que reforçam a perpetuação dos indígenas em um modo de vida rudimentar, são bastante prejudiciais a seus povos.

“O fato é que essa gente quer fazer a opinião pública nacional e internacional acreditar que no Brasil todos os Povos Indígenas são iguais e que vivem nas florestas cantando e dançando; pintados e nus; caçando e pescando para sobreviver, felizes e alheios ao mundo exterior”, cita um trecho da carta.

“O que essa indígena e outros vêm fazendo é, em nossa opinião, um crime contra os próprios indígenas, pois muitos já produzem soja, café, pescado e frutas (cacau e castanha do Brasil) que são exportados para vários países, inclusive da Europa, sem destruir a floresta ou outro bioma, pelo contrário, ajudando a cuidar e defender o meio ambiente”, prossegue o texto.

O grupo denuncia, ainda, que muitos dos indígenas brasileiros ainda vivem nas florestas sem energia, sem água tratada, sem saneamento básico, sem internet e sem saber o que a agora ministra e outros ativistas, em especial ligados a ONGs, falam em seus nomes.

“Foi criado um ideal imaginário que diz para a sociedade e para mim mesma que para que eu seja indígena eu tenho que estar vivendo no ano 1.500 enquanto toda a sociedade vive no século 21”. 
Índia Silvia Waiãpi

ONGs consideram que preservação cultural está acima do bem-estar dos povos, denunciam indígenas
À Gazeta do Povo, Jocélio Xucuru, um dos porta-vozes do Grupo de Agricultores e Produtores Indígenas, afirmou que há um interesse por parte de ONGs brasileiras e estrangeiras em usar o argumento da preservação ambiental para manter os índios em situação precária. Essas entidades, segundo ele, auferem lucros com repasses de governos, empresas e filantropos ambientalistas ao manterem os índios em estado rudimentar enquanto vivem em grandes metrópoles, afastados da realidade dos povos indígenas.

“O indígena depende das árvores para viver, e com certeza ele vai preservá-las. Agora, se disserem para os índios preservarem e garantirem que não vai haver miséria dentro das comunidades, tudo bem. Mas é fácil a pessoa falar sobre preservação estando em São Paulo ou fora do país, sem ver a nossa realidade”, critica. “Fala-se muito em demarcar as terras, mas quais condições eles vão ter nessas terras? Não tem regularização [para a produção agropecuária], não tem linha de crédito. A terra vai servir para que? Só para ele preservar? Para encher o bolso de ONGs?”, questiona.

Há, de fato, diversas etnias que optam pelo isolamento e preferem manter um modo de vida primitivo afastando-se de atividades agrícolas em escala. Porém, segundo a indígena Silvia Waiãpi (PL), eleita deputada federal pelo Amapá nas eleições de 2022, o discurso encabeçado por ONGs ambientalistas direcionado frequentemente aos próprios indígenas é de que a preservação cultural está acima do bem-estar desses povos.

“Foi criado um ideal imaginário que diz para a sociedade e para mim mesma que para que eu seja indígena eu tenho que estar vivendo no ano 1.500 enquanto toda a sociedade vive no século 21. Isso é imposto aos indígenas, que acabam acreditando que para ser ele mesmo, tem que estar daquele jeito. E com isso nós perdemos o nosso direito à cidadania”, lamenta. “Aí ele, sem poder produzir, acaba vivendo de doação de cestas básicas, de pessoas que usam essas cestas para comprar votos com promessas eleitorais de que virá do Estado a condição para ele mudar de vida”, prossegue.

Na avaliação de Silvia, cerca de 40% dos povos indígenas têm o desejo de se desenvolver em suas próprias terras. Além dela, outras três parlamentares indígenas conquistaram vaga na Câmara dos Deputados, dentre elas Sonia Guajajara. Silvia afirma que o discurso das outras três eleitas, todas com alinhamento político à esquerda, é de preservação, isolamento e segregação das etnias. “Dizem que estão lutando pelos direitos dos indígenas, mas elas estão vivendo no século 21 tomando banho quente, bebendo água gelada e pedindo comida por aplicativo enquanto o povo é obrigado a viver com dificuldade de acesso a tudo”, questiona.


Mineração em terras indígenas: proposta defendida por Bolsonaro resolve falta de fertilizantes?
Índios querem possuir terras e empreender. Mas a lei não deixa
Lidando com multas e burocracia, etnia Pareci emprega 200 indígenas em suas lavouras
Como exemplo dos diversos projetos que apresentam resultados positivos na transformação de suas comunidades estão a produção de grãos da etnia Pareci, no Mato Grosso; a colheita de castanhas dos Cinta Larga, em Rondônia; e a produção de camarão da etnia Potiguara, na Paraíba.

Os Pareci foram um dos primeiros povos indígenas a se dedicar, ainda em 2003, à produção agrícola em escala. Antes do êxito, tiveram que lidar com vários percalços com a Funai e chegaram a ser multados pelo Ibama em mais de R$ 120 milhões, o que foi revisto na gestão anterior da Funai, sob o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Atualmente as lavouras cultivadas pela etnia ocupam 17,5 mil hectares do território total de quase 20 milhões de hectares. Ou seja, menos de 2% do território é usado para as atividades.

Atualmente os Pareci produzem soja, milho, feijões, painço e sorgo, e para isso são empregados cerca de duzentos colaboradores entre as safras, distribuídos em frentes de serviço que vão desde plantio, colheita e transporte até a área administrativa. “Mais de 250 homens e mulheres que trabalhavam fora do território, a grande maioria nas fazendas, retornaram para as aldeias por causa dessa atividade. Hoje as cooperativas geram mais de 100 trabalhos permanentes e mais 100 trabalhos temporários”, explica o cacique Rony Pareci.

O impacto da produção agrícola para toda a comunidade é evidente: o projeto foca na empregabilidade, capacitação e inclusão dos próprios indígenas, além de promover a distribuição de renda de forma igualitária visando o desenvolvimento sustentável e a garantia de sustento para as comunidades. Essa divisão equânime, aliás, é critério exigido pela Funai para a regularização das terras.

A atração de recursos para a comunidade Pareci em primeiro lugar fortaleceu a segurança alimentar ao ajudar a combater a desnutrição, principalmente entre as crianças e idosos. Mas também permitiu ganhos em saúde por meio da aquisição de medicamentos não disponíveis na rede pública, da realização de consultas e exames especializados, da realização de cirurgias em caráter de emergência, dentre outras ações. A educação também chegou à aldeia, e muitos integrantes já são formados ou estão cursando cursos nos níveis técnico e superior.

“Hoje os Pareci têm pessoas formadas como médicos, farmacêuticos, enfermeiros, nutricionistas, pedagogos, advogados, administradores, agrônomos, geólogos, dentre outras áreas”, diz o cacique.

Para Marcelo Xavier, o apoio do governo federal às iniciativas dos povos indígenas é determinante para que outros povos alcancem tais resultados. O ex-presidente da Funai também receia que no governo Lula haja tratamento diferente do que foi dado pela gestão anterior, que priorizou o incentivo a atividades produtivas sustentáveis nas terras indígenas.

“Nenhuma cultura é estática. Se o indígena quiser se desenvolver, por que ele não pode? Qual é o ilícito que ele comete? Ele não é um cidadão como outro qualquer? Mas para algumas pessoas eles não podem fazer isso jamais. Alegam que é perigoso, que destrói a cultura deles. São pessoas que vivem de vender no exterior a imagem do indígena como coitadinho, como indigente”, diz Xavier. “Há um universo que se abriu para as comunidades, um sentimento de liberdade que eles experimentaram que acho que infelizmente essa nova gestão não vai acompanhar. Esse é o meu receio”, finaliza.

Outro lado
A Gazeta do Povo enviou questionamentos ao Ministério dos Povos Indígenas sobre seu posicionamento em relação aos povos que desejam se desenvolver a partir da produção em escala em seus territórios. Não houve retorno até o momento – caso haja, esta reportagem será atualizada.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/indigenas-que-desejam-produzir-em-suas-terras-temem-retrocessos-no-governo-lula/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

EFEITOS POLÍTICOS DA INVASÃO DE BRASÍLIA

 


Qual é o impacto dos atos de vandalismo em Brasília na direita

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília

Janelas danificadas no Palácio do Planalto após atos terroristas no ultimo domingo


Janelas quebradas no Palácio do Planalto após os atos de vandalismo de 8 de janeiro.| Foto: Fabio Rodrigues Pozzobom/Agência Brasil

Os atos de vandalismo nas sedes dos Três Poderes, em Brasília, no domingo (8), ampliaram o racha na direita brasileira que já vinha ocorrendo desde o fim da eleição. Segundo parlamentares e analistas políticos ouvidos pela Gazeta do Povo, as invasões e depredações no Palácio do Planalto, Congresso e Supremo Tribunal Federal (STF) aprofundam a divisão na direita liberal-conservadora em dois grupos: um que pretende se desassociar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outro que tenta manter vivo o legado de seu governo. Por outro lado, quem se beneficia é a esquerda e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A divisão na direita existe até mesmo na bancada do PL, o partido de Bolsonaro. Os senadores do PL, por exemplo, se dividiram na votação do pedido de intervenção na segurança pública do Distrito Federal, decretada por Lula. Um grupo do partido do qual faz parte Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, fez questão de se manifestar contra a intervenção. Outra parte dos senadores do PL não se manifestou. Na prática, isso significa que eles acompanharam o restante do plenário na aprovação do decreto, que foi feita em votação simbólica.

Na Câmara, também há uma ala mais fiel a Bolsonaro e outra que prega a defesa do conservadorismo e da liberdade econômica de forma independente ao ex-presidente, inclusive no PL, que também se dividiu na votação do pedido de intervenção na segurança pública da capital federal.

Deputado que integrou a base de Bolsonaro na Câmara, Otoni de Paula (MDB-RJ) afirma que dificilmente as cenas de vandalismo em Brasília serão desassociadas da direita ligada a Bolsonaro. “O bolsonarismo virou sinônimo de radicalismo. É esse o retrato que ficou após o domingo. Não adianta mais tentar mudar”, diz Otoni. Segundo ele, o próprio ex-presidente virou refém de sua base eleitoral ao longo de seu governo. “Bolsonaro tinha medo do bolsonarismo. As ações dele eram tomadas de acordo com a rede social, e isso apequena o líder”, opina.

Otoni considera que a invasão às sedes dos Três Poderes divide a direita à medida em que faz com que parlamentares como ele se posicionem de forma crítica aos apoiadores mais radicais do ex-presidente. “Aqueles que defendiam o presidente Bolsonaro, como eu, e que eram tidos como bolsonaristas, como eu, precisam entender o momento histórico se quiserem sobreviver politicamente”, diz. “Não é mais possível manter essa identificação inquestionável com o bolsonarismo. Porque, infelizmente, o bolsonarismo se tornou o que a extrema esquerda sempre foi: uma espécie de MST”, afirma.

Ex-vice-líder do governo Bolsonaro, Otoni prega a união da direita e diz que os valores conservadores existiam antes do ex-presidente. “Está na hora de bolsonaristas e não bolsonaristas se unirem em torno de uma pauta única e acabarmos com essa autofagia que temos contra nós mesmos”. “O bolsonarismo é um fenômeno novo que se alimenta dos bolsonaristas. E, como todo fenômeno novo dentro da política brasileira, tem um tempo de maturação. Infelizmente não maturou. Houve um desgaste muito grande acelerado por conta do radicalismo”, afirma o deputado.

Otoni de Paula entende que a divisão da direita gera, como principal impacto político, a “desidratação” de Bolsonaro na liderança desse espectro político. Para ele, os atos de vandalismo restringem as chances de o ex-presidente reagrupar a direita até 2026 a fim de lançar uma nova candidatura à Presidência da República.

“Acho que haveria espaço se o sistema permitisse. Mas não irá. Depois da democracia, o grande prejudicado [com os atos de 8 de janeiro] é o Bolsonaro. Aqueles que são do extremo do bolsonarismo acabaram prejudicando aquele que é o seu ‘mito’ e a sua fonte de inspiração. Porque o que ocorreu acaba unindo o sentimento de quase toda uma República de que, para o bem da democracia, o bolsonarismo precisa ser uma página virada”, opina Otoni.

Ele diz ainda acreditar que Bolsonaro passará por um processo de isolamento político. Outra possibilidade é que Bolsonaro seja processado, condenado e se torne inelegível para 2026. “Como é que você vira a página do bolsonarismo? Tirando do jogo político o seu líder. Até domingo, qualquer movimento contra Bolsonaro seria altamente perigoso. Depois de domingo, eu já não sei se causaria tanta comoção assim, infelizmente”, afirma.

Por outro lado, parlamentares mais fiéis ao ex-presidente atribuem os atos de violência em Brasília a “infiltrados” e os pedidos por intervenção militar a uma “minoria”. Esse é o caso do deputado federal Bibo Nunes (RS), vice-líder do PL. Segundo ele, essa minoria “não tem o apoio de Bolsonaro”. “Tinha muitos infiltrados no meio. E golpe militar não tem apoio do presidente, nem dos deputados; apenas de uma minoria extremamente radical”, diz.

Bibo afirma que “todos os movimentos têm radicais”, tanto da direita quanto da esquerda. Segundo ele, a imensa maioria da direita é a favor da democracia e contra a violência e depredação de patrimônio público. “Quem é moderado de direita e até extremista de direita não é a favor de quebradeira, nem de arruaça, nem de invasão de prédio público. Pode ter um ou outro. Mas são raríssimas exceções. Durante dois meses, eles ficaram em frente dos quartéis e nunca se viu nenhuma cena de violência. Há um passado que comprova um comportamento pacifista”, destaca.

Além disso, Bibo avalia que não se pode vincular Bolsonaro ao vandalismo do domingo. “Não tem nada que comprove que o presidente tenha incitado alguém a fazer isso [a depredação dos prédios do Planalto, Congresso e STF]. Se tiver o que prove, eu concordo. Mas não mostraram nada até o momento. Mesmo que tentem atrelar [Bolsonaro aos atos de 8 de janeiro], não tem fundamento”, diz.

Para Bibo Nunes, não há quaisquer sinalizações de isolamento de Bolsonaro no PL ou de afastamento do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, em relação ao ex-presidente.

Segundo ele, também não há condições de enfraquecimento do seu grupo político; e Bolsonaro vai ser candidato a presidente em 2026. “A candidatura do Bolsonaro [à Presidência] está consolidada”, avalia. “O que acontece neste momento aconteceu quando saíram o [Sergio] Moro e o [Luiz Henrique] Mandetta [dos ministérios da Justiça e Saúde no governo de Bolsonaro]. Muita gente da direita achava que o governo tinha acabado [o que não ocorreu]”, acrescenta Bibo. “Isso [o arrefecimento do desgaste de Bolsonaro] ocorrerá novamente até 2026.”

Mas Bibo admite que há uma divisão em seu partido. E diz entender que o mesmo possa ocorrer no espectro político da direita como um todo. “Até pode se dividir.”

STF forma maioria para manter Ibaneis Rocha afastado do governo do Distrito Federal

Moraes determina multa e prisão de manifestantes que voltarem a bloquear rodovias e espaços públicos

Marco Aurélio critica prisões generalizadas e diz que errou ao avaliar Moraes como boa escolha
Quais as consequências da divisão na direita para Bolsonaro
Para analistas políticos, Bolsonaro tende a enfrentar um isolamento político por causa do vandalismo em Brasília – que se acentuará se ele vier a ser processado e, eventualmente, condenado na Justiça. E há uma avaliação de que isso pode ocorrer.

O cientista político Lucas Fernandes, coordenador de análise política e sustentabilidade da BMJ Consultores Associados, diz que no meio político já há sinais de isolamento de Bolsonaro. Parlamentares de partidos do Centrão – grupo que apoiava a antiga gestão – já não defendem Bolsonaro e seu legado. Por outro lado, eles não estão fazendo críticas às medidas adotadas pelo governo do presidente Lula contra Bolsonaro, como a revogação de decretos de sigilo.

O analista político também não descarta um cenário em que partidos e o Judiciário atuem contra Bolsonaro. “A grande repercussão nacional e internacional dos atos faz com que algumas instituições que já tinham muito interesse em condenar o Bolsonaro aumentem esse apetite. A depender do que for descoberto em investigações, ele vira ficha-suja. E talvez, por não ter mais foro [privilegiado], ele possa não disputar as eleições [de 2026] se o Judiciário se engajar para condenar o Bolsonaro em duas instâncias e impedi-lo de lançar candidatura”, diz.

O cientista político e sociólogo Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concorda que os atos de vandalismo comprometem a liderança de Bolsonaro na direita. Mas ele avalia que, na hipótese de Bolsonaro ser isolado politicamente, a base eleitoral e política que o apoia se reorganizará em outra candidatura.

“Jair Bolsonaro será escanteado. Mas o bolsonarismo não. Esse sentimento que hoje chama-se de ‘bolsonarista’, que engloba desde a centro-direita até a extrema direita, vai mudar de nome. Eles deixarão de ser bolsonaristas e assumirão outra vertente e outro nome que surgir. O pensamento de direita está muito enraizado e com muito vigor cívico na sociedade”, diz. “A própria direita vai se encarregar de acabar com o bolsonarismo, e a esquerda e o governo Lula vão querer que o termo bolsonarista continue existindo.”

Com a direita dividida, Baía prevê que até 2026 haverá o surgimento de ao menos duas candidaturas na direita. Segundo ele, uma tende a ser mais de “extrema-direita”, mas sem “teses raivosas”. “A outra é a de uma direita mais firme nos valores conservadores, sem radicalismos”, diz.

O professor da UFRJ vislumbra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a senadora eleita Damares Alves (Republicanos-DF) como os nomes com maior potencial de representar a direita sem Bolsonaro. Baía considera que ambos trafegam nos dois perfis de candidaturas previstas por ele, embora vislumbre a ex-ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos no campo mais à direita.

Com dois perfis de candidaturas assumindo os possíveis espólios eleitorais de Bolsonaro, uma convergência não pode ser descartada até às eleições de 2026, bem como o surgimento de outros nomes para a disputa presidencial. Para Baía, o senador eleito Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) são outros cotados. “O Congresso será o celeiro do novo líder [da direita]”, afirma.

O cientista político Lucas Fernandes considera que, além de Tarcísio, os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), são nomes com possibilidade para liderar a direita em 2026, embora entenda que ambos precisarão se viabilizar no cenário político.

O deputado Otoni de Paula descarta os nomes desses governadores. “Eu não julgo as qualificações e a capacidade desses três nomes. Mas me parece que, para a Presidência, passa muito mais por um carisma pessoal do que por uma questão de currículo”, diz. “A direita está sem uma liderança como a do presidente Bolsonaro e dificilmente nós teremos outra que consiga falar com as massas”, avalia.

O cientista político Paulo Baía concorda com o deputado Otoni no caso dos governadores de Minas e do Rio. “Zema e Cláudio Castro não têm condições de fazer isso [liderar a direita]. Embora sejam nomes preparados, bem sucedidos, reeleitos e tenham a simpatia de grandes colégios eleitorais, eles não conseguirão transformar isso em uma liderança popular. Não é do estilo deles”, avalia.

Como o vandalismo afeta a esquerda e o governo Lula
Para analistas e políticos, a divisão na direita beneficia a esquerda e o governo Lula. O cientista político Lucas Fernandes considera que o governo pode tirar proveito dos atos de vandalismo em Brasília. “Lula vai ter um trunfo muito provavelmente de uma CPI funcionando [para investigar os atos de 8 de janeiro]”, diz.

Fernandes afirma que a invasão das sedes dos Três Poderes foi um “tiro no pé” da direita. “Criou e contratou uma crise agora que tira o foco do Lula. Se a gente olha para o noticiário das últimas duas semanas, era todo de declarações de ministros que tinham que ser contraditas depois [por integrantes do próprio governo]. O holofote era o Lula, e havia espaço para que a oposição começasse a crescer”, afirma Fernandes. Agora, o foco negativo está na direita.

O cientista político da UFRJ Paulo Baía entende que os atos fortaleceram a esquerda e a centro-esquerda, inclusive na atuação para caracterizar os vândalos como “terroristas”. “O episódio de domingo é um balde d’água fria na direita em todos os aspectos. Foi o ápice de algo que ela nunca quis”, diz. “Todos os governadores e todo mundo está a favor do Lula neste momento. Nem ele esperava isso. Os bolsonaristas deram no domingo uma linha ao governo Lula com uma semana de gestão – que, agora, passa a ter uma unidade”, diz o professor da UFRJ.

O deputado Otoni de Paula concorda com a visão dos analistas. Para ele, os atos deram a Lula a imagem de o “grande democrata” do país. “É o retrato que fica agora, de que nós [da direita] somos os vândalos e eles são os patrocinadores da democracia. Salvamos o início do governo Lula. Nós acabamos dando governabilidade a ele”, afirma o parlamentar.

Otoni promete uma oposição propositiva e aguerrida ao governo petista. Mas avisa que não promoverá uma “oposição ao Brasil. “Se o governo Lula mandar para o Congresso Nacional e para a Câmara Federal algum projeto que beneficie o Brasil, eu não serei contaminado pelo ódio dos meus adversários do ‘quanto pior, melhor’. Antes do bolsonarismo, eu sempre fui conservador. E não sou daqueles que torce para o avião cair porque não gosta do piloto.”

Já o deputado Bibo Nunes tem uma visão diferente sobre os efeitos na esquerda dos atos de vandalismo. Ele não acredita na hipótese de um governo Lula fortalecido pela divisão da direita e reforça seu entendimento de que Bolsonaro será candidato nas eleições de 2026 e que será bem-sucedido. “Vai ganhar a eleição porque o Lula vai fazer um desgoverno tão grande que vai garantir a eleição do Bolsonaro”, diz.

Nunes também promete uma oposição equilibrada. “Não farei uma oposição contra tudo e a favor de nada, do quanto pior melhor, como fazia a esquerda com Bolsonaro. Esse radicalismo não contribui. Mas jamais, em hipótese alguma, estarei com o PT”.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/qual-e-o-impacto-na-direita-dos-atos-de-vandalismo-em-brasilia/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

PESSOAS ACAMPADAS ESPERANDO OS ÔNIBUS DE VOLTA FORAM PRESAS NUM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO

 

Vandalismo em Brasília

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


Centenas de manifestantes detidos pela Polícia Federal e esperando pelo processo de triagem em ginásio da corporação.| Foto: Reprodução/ Redes sociais

É famosa aquela frase: a história, quando se repete, repete-se como uma farsa. Aqui no Brasil, parece que está se repetindo com ironia. Vejam a questão das prisões: 1,5 mil pessoas pensavam estar sendo recolhidas para serem levadas aos seus ônibus ou à rodoviária, e foram todas para um campo de concentração improvisado no ginásio da Academia Nacional de Polícia Federal: 1,5 mil pessoas! Em 1968, no 30.º Congresso da UNE, em Ibiúna, a então Força Pública de São Paulo cercou o evento, que ocorria numa fazenda, e prendeu 800, segundo relato de José Dirceu em sua biografia. Então, os dias de hoje superaram a maior prisão em massa realizada no governo militar.

Desses presos de domingo, os que tinham mais de 60 anos foram liberados, o que nos lembra também a Lei do Sexagenário, de 1885, que libertou todo escravo que tivesse mais de 60 anos. A prisão indiscriminada, então, foi seguida por uma soltura inexplicável, simplesmente pela idade da pessoa. Os outros, segundo os advogados que lá estiveram, permanecerão presos: as mulheres vão para um presídio feminino, os homens para um presídio masculino, e todos vão ser enquadrados em atos terroristas e ações violentas para derrubar o Estado de Direito. O governo do Distrito Federal informou que 763 pessoas estão nessa situação, e dizem os advogados que estão preparando um habeas corpus.

Enquanto isso, o presidente Lula, ao receber dos presidentes da Câmara e do Senado a comunicação de que foi aprovada a intervenção na segurança pública do Distrito Federal, chamou os manifestantes de domingo de “aloprados”. Em 2006, Lula também usou esse mesmo adjetivo para se referir a sete petistas que foram presos em flagrante negociando a compra de um dossiê contra José Serra, candidato ao governo de São Paulo e que enfrentaria Aloizio Mercadante, e contra um candidato à Presidência da República que disputaria contra Lula – o candidato era Geraldo Alckmin. Quanta ironia nisso tudo!


Alexandre de Moraes faz declaração de guerra
De mal a pior
As prisões não param, mas repercussão já fez Lula mudar o discurso


E a suprema ironia atual é que, como vocês lembram, os manifestantes que estavam acampados em Brasília havia quase 70 dias insistiam para que o presidente Bolsonaro declarasse uma Garantia da Lei e da Ordem para que as Forças Armadas interviessem. Nesta terça-feira, dizia-se que, se houvesse ameaça de uma nova invasão aos prédios públicos, o presidente Lula poderia recorrer às Forças Armadas, e a única forma de fazer isso é por meio de uma GLO exatamente contra o lado que queria a GLO decretada por Bolsonaro. Vocês veem aí a história brasileira dando voltas, eu diria até se retorcendo com ironias.

Apoio à Lava Jato derrubou médica reconhecida que assumiria cargo no Ministério da Saúde 
Mais um caso em que a política se sobrepõe ao mérito: uma conhecida pediatra foi indicada pela nova ministra da Saúde para chefiar o Departamento de Imunização da pasta. Mas a doutora Ana Kalume Maranhão acaba de ser vetada porque, anos atrás, fez postagens apoiando a Lava Jato, que revelou o mais gigantesco escândalo de corrupção que o Brasil já viu.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/ironias-repressao-prisao-em-massa/
Copyright © 2023, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

  Brasil e Mundo ...