O deputado federal Eduardo Bolsonaro na Copa do Mundo.| Foto: Reprodução/ Twitter
Pegaram mal entre o pessoal que está acampado, sob sol e chuva, nas
mais diversas situações incômodas, as imagens do deputado Eduardo
Bolsonaro, filho do presidente, no Catar. Ele explicou que foi lá para
distribuir pendrive sobre a situação do Brasil. Era melhor não ter dito
isso, convenhamos. As pessoas dizem que tudo bem ele ir, estão lá também
o presidente da Câmara e o ministro-chefe do Gabinete Civil da
Presidência da República, e acrescentam que não estão na chuva por
Eduardo Bolsonaro; estão também por ele, mas por nós todos, por nossa
liberdade, por nossos filhos e netos, por um governo de honestos, pela
Constituição Federal violada, pelo devido processo legal, pelo fim dessa
história de que o crime compensa neste país, pelos valores da família,
da pátria. Todos estão lá conscientes de que somos a origem do poder.
Lira será reeleito presidente da Câmara com apoio da esquerda Arthur
Lira, que também estava no Catar, ganhou apoio para ser reeleito
presidente da Câmara, a despeito do que está escrito no artigo 57 da
Constituição, que impede a reeleição para o período imediatamente
seguinte, mas interpretaram a Constituição e ele pode se reeleger, tanto
que Rodrigo Maia ficou um tempão. Lira ganhou o apoio do PT, do PV, do
PcdoB, do PSB e mais dez partidos; está praticamente reeleito.
E o que isso demonstra? Que não existe nada de esquerda e de direita;
só existe a oligarquia para receber os seus impostos, lidar com você
como massa de manobra e satisfazer os seus desejos de poder. E isso não é
de agora não; é de sempre. O livro A guerra brasileira, do reitor Alex
Fiúza de Mello, mostra isso. Vocês viram Lula unido aos banqueiros, ou o
milionário que emprestou o jatinho para ele ir ao Egito. Eles só querem
o seu imposto e a sua liberdade de expressão também, como temos visto.
Essa é a lição que podemos tirar disso.
Senado vota PEC fura-teto e privilégio para juízes e promotores O
presidente do Senado, apesar de tantos problemas que estamos vendo, vai
pôr em votação uma emenda à Constituição para aumentar o salário de
juízes e promotores públicos, um quinquênio de 5%. Dizem que vai ser
retroativo, e por isso alguns vão receber R$ 2 milhões. O presidente do
Senado, Rodrigo Pacheco, é um advogado de muitas causas, e com isso está
agradando juízes e promotores; será que isso é ético? Esse projeto
parece que estava parado havia muito tempo, porque esse quinquênio foi
eliminado lá atrás, e agora está voltando.
Esse é o nosso país… quando eu disse que as pessoas estão em
manifestação para mostrar que o crime não compensa, é difícil. Lutamos
contra esse mecanismo, essa oligarquia, que não tem nada a ver com
esquerda ou direita, conceitos que eles usam para manipular as pessoas.
Também no Senado está o projeto fura-teto de emenda à Constituição.
Esse furo do teto por quatro anos vai representar três vezes e meia que
se economizou com a reforma da Previdência. Ou seja, vamos cavar um
buracão. Juros baixos e inflação baixa são devidos ao equilíbrio fiscal,
mas agora vai estourar tudo de novo: sobe a inflação, sobem os juros, a
dívida externa… a dívida pública vai ter de aumentar, ou o governo
imprime dinheiro ou imprime papel e joga no mercado, e assim a dívida
vai superar o valor do PIB.
Falando nisso, saiu a arrecadação de outubro, com novo recorde: R$
205 bilhões em arrecadação federal, e o superávit do governo central foi
de R$ 31 bilhões em outubro. Essa é uma herança bendita.
Por André Borges, Julia Affonso e Vinícius Valfré – Jornal Estadão
‘Estadão’ levantou as principais ações que serão anunciadas em ao
menos 12 grupos temáticos em áreas como saúde, educação, meio ambiente e
novas leis para regular a internet
BRASÍLIA – As equipes de transição do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
entregam, nesta quarta-feira, 30, o primeiro relatório elaborado pelos
grupos técnicos de cada área. O pacote reúne propostas de socorro
financeiro imediato a áreas sensíveis, como saúde, segurança pública e
educação, e ações de curto e médio prazo, como a suspensão de atos que
permitam a prescrição de multas ambientais, a paralisação de venda de
ativos da Petrobras, a interrupção de privatizações como a da Dataprev e
a criação de um marco legal para regular a internet.
Também está nos planos do futuro governo lançar já em 2023 um
recenseamento dos caçadores, atiradores esportivos e colecionadores de
armas (CACs), grupo que cresceu por incentivos do governo de Jair
Bolsonaro e até elegeu membros para o Congresso. A proposta é mapear as
armas que foram adquiridas legalmente por esses civis e acabaram
desviadas. O Estadão levantou as principais ações que serão anunciadas em ao menos 12 grupos temáticos (veja lista abaixo).
Na
área do meio ambiente, por exemplo, o que se pretende é suspender o
efeito de decretos e portarias editadas tanto pelo ex-ministro do Meio
Ambiente Ricardo Salles. Foto: Wilton Junior/Estadão
A falta de recursos e o apagão administrativo marcam os fatores mais
presentes na maior parte dos diagnósticos. Há preocupação para que
medidas de efeito imediato sejam tomadas para resolver o rombo de contas
em aberto ainda neste ano e que não têm previsão de pagamento, além de
débitos esperados já no início de 2023. Nesta situação estão itens como a
compra de vacinas contra todo tipo de doença, combustível para viaturas
da Polícia Federal e livros didáticos do ensino básico.
Em entrevista ao Estadão,
o médico sanitarista Arthur Chioro, coordenador da equipe da Saúde,
disse que a área precisa de R$ 22,7 bilhões para que cumpra apenas
aquilo que é primordial. Além do orçamento, o documento vai cobrar a
reestruturação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), para que as
campanhas ganhem novamente a confiança da população.
Na Educação, os integrantes do grupo temático vão incluir pedidos de
verba para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e para as
universidades e institutos federais, por exemplo. O PNLD chegou a sofrer
um bloqueio de R$ 796,5 milhões neste ano. Parte do material previsto
pelo Ministério da Educação para estudantes do 1.º ao 5.º ano pode não
chegar a tempo do início do ano letivo de 2023.
O documento específico sobre o orçamento da área compilado pelo PT
aponta o estrangulamento de áreas cruciais. Segundo o texto, há “grande
queda de orçamento em relação a 2022, como o apoio à manutenção da
educação infantil (de R$ 102,2 milhões para R$ 2,6 milhões) e o apoio à
implantação de escolas de educação infantil (de R$ 111 milhões para R$
2,5 milhões)”.
Na área do meio ambiente, por exemplo, o que se pretende é suspender o
efeito de decretos e portarias editadas tanto pelo ex-ministro do Meio
Ambiente Ricardo Salles e o atual, Joaquim Leite, quanto pelo presidente
do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama), Eduardo Bim. O entendimento da equipe é que as
normas não apenas emparedaram a fiscalização ambiental, como
pressionaram os agentes ambientais e permitiram que infratores deixassem
o processo correr, sem consequências.
A transição ainda não tem clareza sobre qual é o número exato de
multas que estão prestes a prescrever, em qual prazo nem qual o valor
total. A equipe quer ainda revisar o programa “Adote um Parque”, que foi
lançado por Salles, como forma de retirar unidades de conservação
ambiental das mãos do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e
repassá-las para a iniciativa privada.
Há emergência, ainda, em áreas como a de energia, para evitar que a
venda de ativos pela Petrobras avance ainda neste ano, sem que o governo
eleito possa fazer qualquer análise prévia dos negócios.
Já o grupo técnico de Comunicações vai apresentar sugestão de
regulação das mídias digitais. A informação foi confirmada pelo
ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo. “A gente acha que tem que
ter alguma medida regulatória para as plataformas digitais, sobre temas
como o uso, os direitos das pessoas, a responsabilização por problemas
que haja, como fake News, por exemplo”, comentou Paulo Bernardo. A
proposta será submetida ao Congresso.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
Para organizar o trabalho, a transição montou um roteiro que deverá ser cumprido até o fim da mudança de governo. O Estadão teve
acesso a um manual que aponta prazos para entrega de relatórios, indica
diretrizes de trabalho e faz recomendações sobre como lidar com a
imprensa.
Os documentos são preliminares e servirão para nortear o início dos
trabalhos do futuro governo Lula. Após este primeiro relatório, as
equipes temáticas terão de apresentar seus pareceres finais até o dia 11
de dezembro. O PT ainda não definiu a data para encaminhar esses
documentos aos futuros ministros.
O manual da transição indica que os pareceres terão alertas
identificados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e por outros órgãos
de controle. Na semana passada, a Corte encaminhou relatórios à
transição com cenários de diferentes áreas do governo.
Como mostrou o Estadão, o TCU alertou a equipe de Lula de que o governo Bolsonaro deixou o Sistema Único de Saúde (SUS)
em situação com “indícios de insustentabilidade” e nem sequer tem dados
básicos, por exemplo, sobre a cobertura vacinal contra covid-19. A
precariedade dos dados fez com que a Corte de contas informasse ao grupo
de transição que não foi possível nem avaliar o cumprimento de metas de
imunização.
O manual recomenda que sejam indicadas “eventuais revogações de atos
normativos”. Para o relatório do dia 11 de dezembro, há um pedido para
que os grupos indiquem contratos que vencem até 30 de abril de 2023 e
que há risco de paralisação de serviços.
O documento tem um trecho dedicado à relação com a imprensa.
“Recomenda-se fortemente evitar compartilhar com a imprensa questões
preliminares, que demandem decisões políticas e outras de natureza
sensível”, diz o manual.
Principais mudanças sugeridas
Propostas que farão parte do relatório de 12 grupos de trabalho
Meio ambiente
– Suspensão das regras de multas ambientais que têm permitido a prescrição de milhares de infrações
– Revisão do programa “Adote um Parque”, que privatiza unidades de conservação ambiental
– Novo organograma do Ministério do Meio Ambiente, com retomada do Serviço Florestal Brasileiro (SFB)
Saúde
– Recomposição de orçamento de R$ 22,7 bilhões para atender necessidades emergenciais
– Retomada do programa Farmácia Popular, Saúde Indígena e de provisão de médicos na atenção primária e residências
– Compra de vacinas contra a covid e reestruturação do Programa Nacional de Imunização (PNI)
Educação
– Pedido de verba para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD)
– Recomposição do orçamento de universidades e institutos federais
– Possibilidade de revogação de decretos de Bolsonaro ligados ao
Programa das Escolas Cívico-Militares e à Política Nacional de Educação
Especial
Cultura
– Destravar acesso a recursos da Lei Rouanet
– Reativar fundo de incentivo ao setor audiovisual
– Recompor a estrutura do Ministério da Cultura, transformado em secretaria por Bolsonaro
Segurança Pública
– Revogação de decretos de Bolsonaro que facilitaram acesso a armas de fogo
– Recomposição imediata de recursos para Polícia Federal e Polícia
Rodoviária Federal, para serviços básicos de passaportes e operações
– Retomada do projeto “Guardiões das Fronteiras”, com repasse de
recursos aos Estados para manter efetivo em bases na região amazônica
– Pagamento ao fundo penitenciário nacional devido aos Estados, relativo a 2022
Minas e Energia
– Rever plano de venda de ativos da Petrobras
– Revisar política de preços de combustíveis da Petrobras
– Cancelar projetos de usinas térmicas que foram incluídas em texto “jabuti” na lei de privatização da Eletrobras
– Cancelar proposta para construção da rede de gasodutos (Brasduto)
Comunicações
– Sugerir processo de regulamentação da internet, com abertura de
consulta pública e elaboração de texto a ser enviado ao Congresso
– Redução de taxas de serviços cobrados na área de telecomunicações
– Separar novamente as empresas EBC e NBR, hoje unidas em TV Brasil
– Retirar Correios e EBC da lista de metas de privatização
Cidades
– Reativação do programa Minha Casa Minha Vida, incluindo a faixa 1
– Reformulação de políticas internas da Caixa Econômica Federal para descentralizar gestão de projetos na área de habitação
Agricultura
– Redução de taxas de juros do Pronaf (agricultura familiar), Pronamp
(médios) e Inovagro (financiamento de programas de inovação e
qualificação profissional
– Criação de linhas de crédito para produtores comprometidos com metas de recuperação ambientais
– Redução de juros a produtores que promovem produção com baixa emissão de carbono
– Redução de taxas para financiamento de tratores e colheitadeiras
Trabalho
– Retomar a estrutura do Ministério do Trabalho
– Acabar com projeto Carteira Verde e Amarela, que tramita no Congresso
– Revisar a reforma trabalhista de Michel Temer e o “trabalho intermitente”, aquele que é prestado de forma esporádica
Previdência
– Retirar a estatal Dataprev da lista de privatizações
– Fortalecer a área de tecnologia da informação do órgão que administra as aposentadorias
– Zerar a fila de pedidos do INSS, que hoje chega a cerca de 2 milhões de pessoas
Transparência, Integridade e Controle
– Analisar os sigilos de 100 anos impostos pelo presidente Jair Bolsonaro
– Apresentar projetos para aperfeiçoar mecanismos de controle e combate à corrupção nas estruturas do governo federal e estatais
A Morte de Sócrates (1787), obra do pintor francês Jacques Louis David.| Foto: Wikimedia Commons
Historicamente,
filosofia e democracia estão ligadas. Não à toa, os gregos inventaram
não só a forma de organizar a sociedade como uma maneira peculiar de
pensamento. Tudo isso, na verdade, está relacionado a um tipo de
disposição para falar e ouvir. Justificar por argumentos, portanto.
Uma exigência fundamental deve ser feita a quem se dispõe ao diálogo
filosófico e democrático: ser obrigado a acompanhar passo a passo cada
etapa de desenvolvimento de um raciocínio.
Entretanto, há uma diferença entre o procedimento científico, adotado
por filósofos e cientistas, e o procedimento adotado em disputas
políticas. Justamente por isso, os gregos também distinguiram
“silogismo”, enquanto método de demonstração científica, da “dialética”,
como técnica de discussão pública, em que há claramente uma disputa de
opiniões.
A virtude da cidade emerge como superação diante do declínio da
virtude guerreira. No entanto, a democracia tem seus riscos e, portanto,
está longe de ser perfeita
O silogismo filosófico depende de proposições verdadeiras, enquanto
na mera dialética as proposições partem de lugares comuns previamente
aceitas para iniciar qualquer debate. O animal político (zōon politikos)
é o animal que fala (zōon logikon) e, na mesma proporção, põe-se à
escuta. Não importa o grau de certeza que buscamos, discutir é sempre
saber falar e saber ouvir.
Na Grécia antiga, a democracia não surgiu como um valor em si mesmo,
mas como arte de governo; para ser mais preciso, como método de tomada
de decisão coletiva em que a “maioria” detém o poder. Noutros termos, os
cidadãos considerados livres detinham a possibilidade de resolver
assuntos da cidade por meio do uso da palavra persuasiva e não mediante o
uso arbitrário da autoridade do grito ou da espada.
A virtude da cidade emerge como superação diante do declínio da
virtude guerreira. No entanto, a democracia tem seus riscos e, portanto,
está longe de ser perfeita; e não devemos esquecer que a democracia foi
duramente criticada por Platão na República.
O motivo é simples: a democracia foi responsável pela morte do
filósofo Sócrates, mestre de Platão. Por isso, vale uma discussão acerca
dos riscos inerentes à própria democracia, que hoje se tornou um valor
domesticado por ideólogos. Afinal, se você não compartilha dos mesmos
valores, só pode ser fascista. Obviamente, não se trata de democracia,
mas de uma deformação desse valor.
Primeiro, a grande preocupação com a democracia foi exposta por
Platão. Diante da multiplicidade das opiniões – o interior da caverna –,
perde-se o critério do que é essencialmente a forma (eidos) da justiça,
pois, enquanto governo de todos, só há na democracia a correspondência
ao governo de ninguém, isto é, “o governo da desordem”, uma vez que o
homem democrático é, em última instância, segundo Platão, “o homem da
inconsequência e da imoralidade”. Em outras palavras, é o governo de
homens sem parâmetros e, por isso, incapazes de conhecer o Bem, isto é, a
essência do “objeto da ciência mais elevada”. Portanto, incapazes de
reconhecer a “causa daquilo que existe de justo e belo”. Desde Platão,
um dos riscos da democracia era justamente o de se despencar em
relativismo.
Como bem definiu o filósofo canadense Charles Taylor, a partir de uma
análise do livro The Closing of the American Mind, de Allan Bloom –
coincidentemente, tradutor e especialista na República de Platão –, “o
relativismo é em si uma ramificação de individualismo, cujo princípio é
algo assim: todo mundo tem o direito de desenvolver a própria maneira de
viver, fundamentada no próprio sentido do que é realmente importante ou
de valor. As pessoas são convocadas a serem verdadeiras consigo mesmas e
a buscar a própria autorrealização. Em que isso consiste, cada um deve,
em última instância, determinar por si mesmo”. Platão certamente não
discordaria dessa definição e nos alertaria para os riscos políticos
desse tipo de relativismo moral.
Na ideia de “soberania coletiva” há justamente o risco de
autodeterminação de um “todo orgânico” à custa da vida do “outro” que,
ao se diferenciar do “todo”, torna-se o inimigo de um ideal de soberania
cujo fundamento último é a vontade geral do povo
O segundo risco diz respeito à possibilidade de a democracia se
tornar para si o seu próprio parâmetro. Aqui vale recorrer a um
importante episódio da fundação da história do Ocidente. Sócrates foi
certamente uma das primeiras figuras ilustres da história a ser julgado
democraticamente; condenado à morte por um tribunal democrático cuja
decisão era por meio da votação. Diz Platão que “o homem melhor e, além
disso, o mais sábio e o mais justo dos homens” fora executado em nome
dos interesses da cidade.
Na ideia de “soberania coletiva” há justamente o risco de
autodeterminação de um “todo orgânico” à custa da vida do “outro” que,
ao se diferenciar do “todo”, torna-se o inimigo de um ideal de soberania
cujo fundamento último é a vontade geral do povo. Nesse sentido, o
risco não é mais o do relativismo individualista, da desordem anárquica.
Pelo contrário, agora o parâmetro aceitável e admissível só poderá ser o
poder que emerge da autodeterminação “coletiva” do populismo.
Hoje ficamos assim, esmagados pelo individualismo relativista e pelo
populismo autoritário. Como resolver? Trarei algumas ideias no próximo
texto.
Ericles Lima – Editor de revistas online sobre curiosidades
·
Por que as pessoas sabotam suas próprias chances de conseguir o que querem?
Em geral, a combinação de uma mente fechada e consciência desviada
tende a criar uma percepção invisível de sabotagem devido à natureza do
ódio profundo contra os outros que não estão alinhados com suas crenças,
geralmente de natureza religiosa.
As chances de conseguir o que deseja são determinadas por você. Na
maioria das vezes, você age, se comporta, reage e reage exageradamente,
consciente e inconscientemente, a partir de um espaço em seu passado
pré-condicionado, de uma memória de sua autoimagem, do que você acredita
ser verdadeiro sobre si mesmo.
O problema principal não é literalmente o que você pensa que é.
Circunstâncias da vida, problemas pessoais, essa pessoa fez isso comigo,
aquela pessoa fez isso comigo, o ambiente de vida e todas as histórias
que vocês contam a si mesmos não são os problemas reais da realidade.
Você vê. A única coisa que está no caminho do que você quer é você
mesmo. Você não entende porque na verdade você é tanto o problema quanto
a solução.
A maioria das pessoas tem medo de enfrentar seu problema porque no começo é difícil aceitar: “Quem sou eu! Não sou o problema!”
Sem saber, eles escolhem novos problemas ou dificuldades que podem
parecer diferentes no início, mas é o mesmo velho problema que eles
nunca dedicaram tempo para ajudar um ao outro a aprender e crescer para
resolver por conta própria.
Assim que você aprender a vincular o que você sabe (boa informação
sólida) com o que você faz (ação consistente) como um esforço eficaz
para a frente na vida, não importa o quão desconfortável você se sinta,
você estará mais perto de alcançá-lo.
Eventualmente, no caminho que começa e fora do caminho comum, começa a acontecer na vida real.
Sem ação persistente ao dizer “eu sei tudo o que há para saber!” é a
melhor maneira de aprender a auto-sabotagem e realmente leva você mais
longe do que você quer.
Por que você está ignorando a ferramenta de vendas mais poderosa do mundo?
Guilherme Dias – Diretor de Comunicação e Marketing da Associação Comercial, Empresarial e Industrial de Ponta Grossa (ACIPG)
Eu vejo todos os dias o anunciante separando seus R$ 10.000,00 pra
fazer uma campanha no rádio, R$ 3.000,00 para sair em uma revista local,
pelo menos R$ 9.000,00 para fazer uns 3 pontos de mídia exterior, mas
na hora de tirar o escorpião do bolso pra comprar mídia online, qualquer
“milão” é “caro demais”.
Eu sinceramente não sei de onde veio este mito de que fazer anúncios
na internet merece menos atenção financeira do que outros meios. A
lógica deveria ser justamente a inversa.
Nenhum outro tipo de mídia retém tanta atenção do público comprador como na internet.
O Brasil é o terceiro país do mundo onde as pessoas mais ficam
conectadas, passando mais de 10 horas por dia online (DEZ HORAS POR
DIA!).
Ficamos atrás apenas de África do Sul e Filipinas.
Qual outra mídia prende a atenção das pessoas por DEZ HORAS?
Qual outra mídia pode colocar sua marca literalmente na mão do seu cliente ideal?
Qual outra mídia pode colocar sua marca na mão do seu cliente no EXATO momento que ele está propenso a fazer uma compra?
Qual outra mídia pode rastrear, seguir o seu cliente de acordo com os hábitos de consumo dele?
Qual outra mídia pode segmentar um anúncio de acordo com os interesses, medos, desejos, ações, intenções…
Qual outra mídia pode oferecer um contato com seu cliente ideal 24 horas por dia, 7 dias por semana?
Absolutamente nenhuma além da internet.
E agora, me conta…qual o motivo da internet receber menos investimento comparado à mídia tradicional?
Marketing Digital é barato, mas não é de graça.
Vamos fazer uma conta de padaria:
Quanto custa imprimir 1.000 flyers (folhetos) e distribuir no sinal?
Papel couchè brilho 90g 4×4 cores, em gráfica de internet (qualidade bem meia boca), com frete sai em torno de R$ 250,00.
Para a distribuição, você não vai encontrar quem faça por menos de R$ 70 a diária.
Você não tem a garantia de entrega. Já ví muito “panfleteiro” jogando
metade do material no bueiro, ou entregando 2 de uma vez só em cada
carro. Mas vamos tirar essa margem da conta.
Estamos falando de R$ 320 para 1 mil impactos.
Hoje estava otimizando uma campanha de Instagram, da minha conta
pessoal, e o meu CPM (custo por mil impressões) estava girando em torno
de R$ 5,51.
Ou seja cerca de 1,72% do valor de uma ação de rua com flyer.
Essa lógica pode ser aplicada a qualquer meio de comunicação tradicional, seja rádio, tv, outdoor, busdoor…
E a conta também deve ser levada em consideração além dos anúncios de Google, LinekedIN, Facebook, Instagram e TikTok.
Banners em portais e publieditoriais, este último ainda pouco
explorado por pequenos e médios anunciantes, também apresentam números
disparados na frente do marketing tradicional.
Então, quando você se perguntar se está tendo ou não resultados com mídia online, pense nessa continha.
Marketing digital, em comparação, é barato sim, mas será que você
deveria deixar a menor faixa de verba do seu orçamento de marketing para
o meio de vendas MAIS PODEROSO QUE EXISTE?
Deixo a reflexão.
Preferências de Publicidade e Propaganda
Moysés Peruhype Carlech – Fábio Maciel – Mercado Pago
Você empresário, quando pensa e necessita de fazer algum anúncio para
divulgar a sua empresa, um produto ou fazer uma promoção, qual ou quais
veículos de propaganda você tem preferência?
Na minha região do Vale do Aço, percebo que a grande preferência das
empresas para as suas propagandas é preferencialmente o rádio e outros
meios como outdoors, jornais e revistas de pouca procura.
Vantagens da Propaganda no Rádio Offline
Em tempos de internet é normal se perguntar se propaganda em rádio
funciona, mas por mais curioso que isso possa parecer para você, essa
ainda é uma ferramenta de publicidade eficaz para alguns públicos.
É claro que não se escuta rádio como há alguns anos atrás, mas ainda
existe sim um grande público fiel a esse setor. Se o seu serviço ou
produto tiver como alvo essas pessoas, fazer uma propaganda em rádio
funciona bem demais!
De nada adianta fazer um comercial e esperar que no dia seguinte suas
vendas tripliquem. Você precisa ter um objetivo bem definido e entender
que este é um processo de médio e longo prazo. Ou seja, você precisará
entrar na mente das pessoas de forma positiva para, depois sim,
concretizar suas vendas.
Desvantagens da Propaganda no Rádio Offline
Ao contrário da televisão, não há elementos visuais no rádio, o que
costuma ser considerado uma das maiores desvantagens da propaganda no
rádio. Frequentemente, os rádios também são usados como ruído de
fundo, e os ouvintes nem sempre prestam atenção aos anúncios. Eles
também podem mudar de estação quando houver anúncios. Além disso, o
ouvinte geralmente não consegue voltar a um anúncio de rádio e ouvi-lo
quando quiser. Certos intervalos de tempo também são mais eficazes ao
usar publicidade de rádio, mas normalmente há um número limitado,
A propaganda na rádio pode variar muito de rádio para rádio e cidade
para cidade. Na minha cidade de Ipatinga por exemplo uma campanha de
marketing que dure o mês todo pode custar em média 3-4 mil reais por
mês.
Vantagens da Propaganda Online
Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e
a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos
smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia
digital.
Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é
claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco
dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é
mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda
mais barato.
Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar
uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em
uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança,
voltando para o original quando for conveniente.
Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo
o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é
colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e
de comentários que a ela recebeu.
A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o
material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é
possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver
se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.
Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio
publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não
permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio
digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que
ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a
empresa.
Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o
seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela
esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.
Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a mesma
permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente estão
interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que não
estão.
Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.
A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de alcançar
potenciais clientes à medida que estes utilizam vários dispositivos:
computadores, portáteis, tablets e smartphones.
Vantagens do Marketplace Valeon
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com
publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as
marcas exporem seus produtos e receberem acessos.
Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes
segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de
público. Isso proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos
consumidores que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro
contato por meio dessa vitrine virtual.
Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes
queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência
pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente.
Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas
compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos
diferentes.
Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa
abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das
pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua
presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as
chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma,
proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.
Quando o assunto é e-commerce,
os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles
funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os
consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo
ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas
encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus
produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa
que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em
2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas vantagens que
são extremamente importantes para quem busca desenvolver seu e-commerce e
escalar suas vendas pela internet, pois através do nosso apoio, é
possível expandir seu ticket médio e aumentar a visibilidade da sua
marca.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em
torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Negociação política Novo Centrão? Por Olavo Soares – Gazeta do Povo Brasília
Presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), foi a primeira
autoridade a reconhecer e parabenizar o presidente eleito Lula pela
vitória nas urnas.| Foto: Joédson Alves/EFE
A decisão do PT de
apoiar a reeleição de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara dos
Deputados, que deve ser anunciada nesta terça-feira (29), pode ser o
ponto de partida de uma nova etapa das relações de poder no Legislativo.
Ao apoiar Lira, o PT busca sustentação para o governo de Luiz Inácio
Lula da Silva, que se inicia em janeiro, e tenta afastar do presidente
da Câmara o PL de Jair Bolsonaro. Como “efeito colateral”, porém, a
medida pode distanciar o Psol do futuro governo.
O apoio do PT a Lira ainda não é oficial. Publicamente, o partido
desconversa e diz que fará uma reunião de bancada nesta terça em que
discutirá diversos temas, incluindo a sucessão na Casa. Mas nos
bastidores o arranjo é dado como certo, e o deputado José Guimarães (CE)
sinalizou o movimento em uma entrevista à CNN Brasil.
Com isso, o PT se somaria a outros dez partidos que já confirmaram o
voto em Lira: PP, União Brasil, Republicanos, PDT, Podemos, PSC,
Patriota, Solidariedade, Pros e PTB. Parte dessas legendas deu
sustentação a Bolsonaro nos últimos anos e agora pode votar em pautas
favoráveis ao futuro governo Lula, indicando assim a tendência de
funcionar como o “novo Centrão”.
A parceria PT-Lira teria como resultado inicial o apoio do presidente
da Câmara à PEC fura-teto, a proposta apresentada pelo governo de
transição para garantir o pagamento do Bolsa Família e outros benefícios
sociais a partir de 2023. A equipe de Lula considera essencial a
aprovação do projeto e tem centrado fichas na negociação para conseguir o
aval do Congresso.
Há ainda a possibilidade que o voto dos petistas em Lira represente
maior participação do partido de Lula nas decisões da Câmara, com
posição de maior relevância na Mesa Diretora e nas comissões permanentes
da Casa. O movimento deve também indicar a aproximação entre o PT e o
União Brasil, partido que terá a terceira maior bancada na Câmara a
partir do ano que vem.
Lira foi eleito presidente da Câmara no início do ano passado. Embora
as normas vetem a reeleição dos comandantes da Casa, há o entendimento
que a troca de legislatura “zera” o processo e abre caminho para uma
nova candidatura. Em 2021, Lira obteve 302 votos, vencendo a disputa já
no primeiro turno. Seu principal adversário na ocasião foi o deputado
Baleia Rossi (MDB-SP).
Embora os partidos lancem candidaturas e formem blocos de apoio em
torno dos nomes apresentados, o voto para presidente da Câmara é dado de
forma individual e sigilosa por cada um dos deputados. Ou seja, as
alianças formadas pelos partidos podem não ser respeitadas pelos
congressistas. Na disputa de 2021, Rossi havia conseguido o apoio da
cúpula de partidos como PSDB e DEM, mas grande parte dos integrantes
dessas agremiações indicou posteriormente o voto em Lira.
Apoio do PT pode ser “pretexto” para mudar de lado, diz governista sobre Lira A
adesão do PT à candidatura de Lira pode inibir o PL de apoiar o atual
presidente da Câmara. Lira defendeu a reeleição de Bolsonaro e foi um
dos destaques na convenção do PL que confirmou a candidatura do atual
presidente, quando vestiu, literalmente, uma camisa com o nome do
presidente da República. A aproximação entre ambos ganhou corpo ainda em
2020 e representou a aliança entre o Centrão e o governo.
Lira, porém, nunca mostrou convergência ideológica com parte das
plataformas de Bolsonaro, em especial as do campo dos costumes. Ele foi o
primeiro chefe de poder a reconhecer a vitória de Lula, poucas horas
após a conclusão do segundo turno das eleições. E, em anos anteriores,
foi aliado dos governos petistas, assim como seu pai, o ex-senador
Benedito de Lira (PP-AL).
Segundo um deputado do PL, que conversou de modo reservado com a
Gazeta do Povo, a bancada que apoia o governo espera de Lira a
sinalização do deputado a causas como a instalação da CPI que quer
investigar supostos abusos de autoridade cometidos por membros do
Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A
comissão foi sugerida pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) e já
conta com o número mínimo de assinaturas para avançar.
“O PL está observando o comportamento do Arthur [Lira]. Queremos
saber se ele está no time dos deputados ou no time do Alexandre de
Moraes. Vamos ver se ele vai dar desculpas para não instalar a CPI”,
disse o parlamentar.
Na avaliação do congressista, a falta de apoio de Lira à abertura da
CPI pode motivar os aliados de Bolsonaro a apresentar uma candidatura
própria para o comando da Câmara. “Talvez isso [apoio do PT] seja um
pretexto para Lira mudar de lado e depois dizer que nós que rompemos com
ele”, afirmou.
Psol confirma rejeição a Lira
Já o Psol, partido que fez parte da aliança eleitoral de Lula desde o
primeiro momento, indicou que não votará em Arthur Lira para a
presidência da Câmara, mesmo com o apoio do PT ao alagoano. De acordo
com a líder do partido na casa, Sâmia Bomfim (SP), “Lira foi um dos
maiores responsáveis pelo avanço da agenda de Bolsonaro no Brasil” e “se
silencia ainda hoje diante do golpismo da extrema direita”.
“Não há motivos políticos que nos levem a votar nele, tendo em vista
que ele é um braço direito do Bolsonaro”, afirmou a parlamentar, que
também citou o “orçamento secreto” como motivo para a rejeição ao nome
de Lira.
Sâmia disse que “o Psol busca a construção de uma outra candidatura,
que de fato expresse o antibolsonarismo”. Historicamente, o partido
lança nomes para o comando da Câmara, com candidaturas que já nascem com
a certeza de que terão poucos votos e existem para que o Psol divulgue
suas causas durante o período eleitoral.
No requerimento de criação da CPI, o deputado federal Marcel van
Hattem (Novo-RS) afirma que o Poder Judiciário tem repetidamente
extrapolado suas funções com decisões arbitrárias.| Foto: Marian Ramos/
Câmara dos Deputados
A iniciativa de deputados indignados com o “apagão” da liberdade de
expressão que toma conta do Brasil já há alguns anos pode dar ao país
uma oportunidade que tem lhe sido negada tanto pelos protagonistas desse
apagão quanto por aqueles que teriam o dever de se colocar como
contrapeso a eles. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) conseguiu as
assinaturas necessárias para a abertura de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar abusos cometidos por
ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). O pedido de abertura foi protocolado na quinta-feira,
dia 23, e a jurisprudência do próprio Supremo, reafirmada mais
recentemente no caso da CPI da Covid, afirma que, uma vez cumpridos os
requisitos constitucionais – número mínimo de assinaturas, prazo certo e
fato determinado a ser apurado –, os presidentes da Câmara ou do Senado
não podem recusar a instalação.
Por mais que muitas comissões acabem transformadas em espetáculo,
como foi o caso da própria CPI da Covid, uma CPI do Abuso de Autoridade,
se bem conduzida, faria um grande favor ao Brasil. Não se trata, como
em comissões anteriores, de investigar condutas que seus autores
gostariam de manter ocultas. O caso, aqui, envolve atos que tiveram
ampla divulgação, tanto por parte dos responsáveis por eles quanto da
imprensa – com a exceção daqueles trechos dos inquéritos das fake news,
dos “atos antidemocráticos” e das “milícias digitais” que permanecem
cobertos por um sigilo pouco ou nada justificável. Mais que uma
investigação propriamente dita, seu mérito está na intenção de levar à
sociedade brasileira um esclarecimento a respeito daquilo que já se
conhece.
O verdadeiro sentido da liberdade de expressão se perdeu,
especialmente entre os que têm a obrigação constitucional de defendê-la,
caso do STF, e os que têm a obrigação moral de lutar por ela, como
formadores de opinião e entidades da sociedade civil organizada
Afinal, nem os ministros do Supremo ou do TSE, nem os setores da
sociedade civil e da opinião pública que aplaudiram os atos recentes das
cortes (ou, na “menos pior” das hipóteses, se omitiram diante deles)
defendem restrições ou agressões à liberdade de expressão – ao menos
assim esperamos. Pelo contrário: protagonistas e espectadores sempre
julgaram estar protegendo essa liberdade ou coibindo abusos dessa
liberdade. O mais perto que se chegou de aceitar que havia algo
heterodoxo em curso veio em julgamentos no TSE nos quais se mencionou a
existência de um “arco de experimentação regulatória” ou de uma
“situação excepcionalíssima” que justificaria certas medidas, mas ainda
assim elas foram defendidas como sendo tomadas em nome da proteção da
democracia e da liberdade de expressão.
Isso significa que o verdadeiro sentido da liberdade de expressão – e
de outras garantias constitucionais violadas ao longo dos três
inquéritos e da campanha eleitoral – se perdeu, especialmente entre os
que têm a obrigação constitucional de defendê-la, no caso dos ministros,
e os que têm a obrigação moral de lutar por ela, como formadores de
opinião e entidades da sociedade civil organizada. Recuperar este
verdadeiro sentido até que ele volte a ser um consenso evidente é
imprescindível se queremos a pacificação do país. O requerimento de
abertura da CPI demonstra essa consciência de que há algo muito errado
com a forma como as cortes se dispuseram a fazer essa “defesa” da
democracia e das liberdades.
“Nos últimos anos e de forma acentuada nos últimos meses, foram
inúmeras as violações de direitos e garantias individuais contra
cidadãos brasileiros, políticos e também contra pessoas jurídicas,
perpetradas por ministros das cortes superiores; ou seja, perpetradas
justamente por aqueles que teriam o dever de garantir o pleno exercício
desses direitos e não de violá-los”, escreveu Van Hattem no requerimento
de abertura da CPI. Tais violações não datam apenas da recente disputa
eleitoral; já vêm ocorrendo desde que o Supremo instaurou o abusivo
inquérito das fake news, em que a corte se atribuiu o papel múltiplo de
vítima, investigador, acusador e julgador – o primeiro caso de censura,
aplicado à revista Crusoé, data de 2019.
Entre os fatos listados por Van Hattem estão a perseguição a
empresários pelo “crime” de dar opinião em grupos privados de WhatsApp,
os bloqueios de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas que
estariam supostamente apoiando ou participando de manifestações diante
de quartéis, e as decisões que censuraram pessoas e veículos de
comunicação, inclusive esta Gazeta do Povo. E uma rápida passada de
olhos pela Lei de Abuso de Autoridade mostra que algumas das ações ali
definidas como crime efetivamente fizeram parte da ofensiva
antidemocrática representada pelos inquéritos abusivos das fake news,
dos “atos antidemocráticos” e das “milícias digitais”: pensemos, por
exemplo, nas condutas descritas nos artigos 27 (“Requisitar instauração
ou instaurar procedimento investigatório de infração penal ou
administrativa, em desfavor de alguém, à falta de qualquer indício da
prática de crime, de ilícito funcional ou de infração administrativa”),
30 (“Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa
sem justa causa fundamentada ou contra quem sabe inocente”), 31
(“Estender injustificadamente a investigação, procrastinando-a em
prejuízo do investigado ou fiscalizado”), 32 (“Negar ao interessado, seu
defensor ou advogado acesso aos autos de investigação preliminar, ao
termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento
investigatório de infração penal, civil ou administrativa, assim como
impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas a
diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências
futuras, cujo sigilo seja imprescindível”) ou 36 (“Decretar, em processo
judicial, a indisponibilidade de ativos financeiros em quantia que
extrapole exacerbadamente o valor estimado para a satisfação da dívida
da parte e, ante a demonstração, pela parte, da excessividade da medida,
deixar de corrigi-la”) da referida lei.
O silêncio ou o aplauso de parte da sociedade brasileira ao longo
desses inquéritos se explica, em boa parte, pelo fato de as decisões
costumarem ter como alvo apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que
tinha (e ainda tem) a antipatia dessa parcela da sociedade.
Aproveitando-se do fato de a eleição já ter passado, uma CPI bem
conduzida, sem paixões partidárias, pode ser o impulso de que muitos
brasileiros precisavam para finalmente aperceberem-se da gravidade de
tudo o que foi feito nos últimos anos, com a relativização ou o desprezo
puro e simples de garantias constitucionais que incluem não apenas a
liberdade de expressão, mas também o devido processo legal e a imunidade
parlamentar. Em outras palavras, acordar a sociedade brasileira desse
“sono da razão” que ajudou a “produzir monstros”, como na gravura de
Goya já citada pela Gazeta neste espaço.
O Judiciário não tomou a iniciativa de levar adiante a necessária
distensão após este processo eleitoral altamente polarizado – pelo
contrário, continua interessado no confronto e na intimidação. É
necessário que os ministros sejam chamados à razão
E, se essa CPI pode abrir os olhos daqueles que ignoraram as ameaças
antidemocráticas em nome do antibolsonarismo, ela também pode reacender a
esperança de todos aqueles que, sim, perceberam os abusos em curso, mas
julgavam ser impossível frear os impulsos autoritários do STF e do TSE,
ou já haviam perdido a fé nos seus representantes eleitos. A mera
instalação da CPI já seria um sinal inequívoco de que as vias
institucionais continuam abertas, que o sistema de freios e contrapesos
segue funcionando, que não é preciso buscar soluções de força. A
democracia brasileira sairia indubitavelmente fortalecida de um processo
como este.
Infelizmente, o Judiciário não tomou a iniciativa de levar adiante a
necessária distensão após este processo eleitoral altamente polarizado –
pelo contrário, continua interessado no confronto e na intimidação,
como mostra a intempestiva e desproporcional resposta de Alexandre de
Moraes a uma ação da coligação de Bolsonaro que pedia a impugnação de
mais da metade das urnas eletrônicas usadas no segundo turno. Assim, é
necessário que os ministros sejam chamados à razão, e a CPI pode
finamente ser o instrumento que permitirá que isso ocorra – ainda que
ela fique para o início da próxima legislatura, já que existe uma
controvérsia sobre os prazos e sobre as dificuldades de funcionamento
durante o recesso em caso de instalação imediata da comissão. Ela merece
a mobilização dos brasileiros; o eleitor precisa demonstrar que apoia
os deputados que já assinaram o requerimento de abertura, e pressionar
os que ainda não o fizeram, pois certamente haverá muitos interessados
em enterrar essa investigação, inclusive dentro da Câmara – um deputado
do PSD até já acionou o STF em um “ataque preventivo” contra a CPI que
ainda não existe. Mas o Brasil quer e precisa dela.
Mulher escolhe roupa em loja de São Paulo em 3 de março de 2021.
Com um mercado mais livre, comerciantes têm incentivos para baixar
preços para atrair o consumidor.| Foto: EFE/ Sebastiao Moreira
Se
você defende que as pessoas tenham mais renda, longevidade e educação
(desenvolvimento humano), então você também deveria defender que o
Estado saia do caminho, ou interfira menos, para que elas sejam livres
para oferecer seu trabalho, produtos e serviços umas às outras
(liberdade econômica). A conclusão de múltiplas pesquisas é reforçada
por um novo estudo feito por Lucas Pedrosa, mestre em economia e
especialista em gestão pública, para o Instituto Millenium, divulgado na
última semana. Em suma, a análise concluiu que mais da metade do
desenvolvimento humano de um país pode ser creditada à promoção da
liberdade econômica. Por outro lado, a relação com a desigualdade
social, embora exista, é fraca.
O pesquisador aponta que, se um país quer ser mais generoso para
melhorar a vida de seus cidadãos, o foco das políticas públicas deve
estar em assegurar a propriedade privada, a segurança jurídica, menos
impostos, menor gasto público e melhor ambiente de negócios. “O debate a
respeito de redução de desigualdades, a despeito de seus méritos no
quesito de justiça social, deixa a desejar nos seus fins — ele é pouco
eficiente na consecução do desenvolvimento humano, tendo baixo impacto”,
conclui o mestre em economia. “Em contraposição, a liberdade econômica,
pouco debatida, tem um efeito muito mais forte no incremento do
desenvolvimento humano.”
Renda, longevidade e educação são fatores levados em conta no cálculo
do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) utilizado pelas Nações
Unidas. Pedrosa coletou uma série histórica do IDH mundial, bem como do
índice Gini, que estima a desigualdade econômica. Como existem
diferentes cálculos da liberdade econômica de um país, o autor escolheu o
Índice de Liberdade Econômica (ILE) da fundação americana Heritage. Ele
também tomou outras estatísticas como o PIB per capita, que é a riqueza
produzida por um país dividida pelo número de habitantes. Ao todo, a
análise juntou 80 a 90 países, a depender do teste.
Resultados
Embora confirme a crença dos “progressistas” e da “esquerda” de que
desenvolvimento humano não caminha junto com a desigualdade (de fato,
quanto maior é a desigualdade material de um país medida pelo Gini,
menor tende a ser o IDH local), o autor pondera que essa relação “é
fraca”. Somente 11,4% do status de desenvolvimento humano de um país
pode ser explicado pelo nível de desigualdade.
Enquanto países europeus têm baixa desigualdade e alto
desenvolvimento, a América Latina, incluindo o Brasil, desmente o padrão
por ter tanto IDH quanto Gini relativamente altos no cenário global.
Sem surpresa, o IDH alto caminha junto com PIB per capita alto: quem tem
mais dinheiro vive melhor.
O estudo investigou, também, se a quantidade de riqueza nas mãos da
quinta parcela mais rica da população teria um impacto negativo no
desenvolvimento humano. A resposta é sim, porém, mais uma vez, o impacto
é baixo: a concentração de renda explica apenas 15,5% do status de
desenvolvimento humano. Tomando o um quinto da população que é o mais
pobre, no entanto, nenhuma relação pode ser inferida. Quanta renda está
na mão dos mais pobres, portanto, não parece ser relevante para o IDH de
um país. Disso, o pesquisador conclui que “a desigualdade social
impacta negativamente, mas de forma fraca, o desenvolvimento humano”.
O índice de liberdade econômica é complexo e leva em conta vários
fatores como liberdade de investimento, crescimento do PIB, saúde das
contas públicas, segurança jurídica, liberdade trabalhista, liberdade
comercial e direitos de propriedade. Investigando cada um desses fatores
isoladamente, a análise aponta que é importante a relação entre os dois
últimos — liberdade comercial e direitos de propriedade — com a redução
da desigualdade. Porém, também é relativamente fraca a relação entre
liberdade econômica e desigualdade (uma explica somente 13,1% da outra).
O resultado mais forte do estudo está na relação entre a liberdade
econômica e o desenvolvimento humano. Quanto mais livres são os
indivíduos, melhor eles vivem. O desenvolvimento humano pode ser
explicado em 52,1% pela liberdade econômica, conforme os dois índices
envolvidos (IDH e ILE, respectivamente). Em ciências sociais, a relação
pode ser considerada forte, como comenta o autor. “Mais da metade do
aumento no nível de desenvolvimento humano pode ser explicado pela
elevação da liberdade econômica de um país”, escreveu ele.
Uma crítica comum a esse tipo de pesquisa é que o fato de duas coisas
andarem juntas (a existência de correlação) não implica que,
necessariamente, uma causou a outra. Em entrevista à Gazeta do Povo,
Pedrosa reconhece isso, mas argumenta que “a causalidade entre essas
variáveis já foi verificada em vários trabalhos anteriores, conforme se
pode observar nas pesquisas” que cita no estudo.
Preocupação com os pobres ou aversão aos ricos? O filósofo Harry
Frankfurt concorda com Pedrosa sobre o erro de colocar o foco na redução
de desigualdades materiais. Em seu livro “On Inequality” (“Sobre a
Desigualdade”, em tradução livre), de 2015, ele especula que um dos
motivos das obsessões por distribuição equitativa de recursos é que “a
própria ideia de ter uma parcela igual [à dos outros] é em si
consideravelmente mais transparente e inteligível que a ideia de ter o
suficiente”. Ou seja, é mais fácil entender o que é ter a mesma
quantidade que o outro do que entender qual quantidade mínima é a
suficiente, abaixo da qual a pessoa sofre por pobreza objetiva.
“A condenação igualitária da desigualdade como algo inerentemente
ruim perde muito de sua força”, comenta o filósofo, “quando reconhecemos
que aqueles que estão em pior situação que os outros podem mesmo assim
estar em boa situação”. Para Frankfurt, o que deve nos preocupar “é se
as pessoas têm boas vidas, e não como as suas vidas se comparam às vidas
dos outros”. Pobreza é o problema, não desigualdade.
Mas há uma barreira psicológica para que muitos defensores de
políticas de “redistribuição” de renda acompanhem o raciocínio do
filósofo e do economista. Um estudo de Chien-An Lin e Timothy Bates,
ambos do Departamento de Psicologia da Universidade de Edimburgo,
Escócia, descobriu que os adeptos da ideia da redistribuição para
combater a desigualdade são distinguíveis não só pela compaixão, mas
também, importantemente, pela inveja maliciosa. É o tipo de inveja que
quer a queda dos bem-sucedidos, em vez da elevação dos mal-sucedidos.
Fica difícil, de fato, transformar em preocupação com pobres algo que é
uma aversão a ricos.
As descobertas do Instituto Millenium são corroboradas por muitos
outros estudos. Em um deles, considerado por especialistas como Bryan
Caplan um dos melhores em economia dos últimos anos, Justin Callais, da
Universidade da Luisiana em Lafayette, e Vincent Geloso, da Universidade
George Mason, testaram os impactos diretos e indiretos da liberdade
econômica sobre a mobilidade de renda entre gerações. Eles concluíram
que componentes da liberdade econômica como os direitos de propriedade
são mais importantes que a desigualdade como determinantes da mobilidade
social, ou seja, da oportunidade que os pobres têm de subir na vida.
“Costumo dizer que o Brasil é um país em que a sociedade não gosta
dos políticos, mas ama o Estado”, diz Lucas Pedrosa à Gazeta do Povo.
“Em qualquer problema que haja, é o primeiro ente a quem recorrem.
Sempre estão pedindo uma lei contra isso ou aquilo; ou investimento
público em tal e tal área”. Ele não nega que a atuação do Estado é
fundamental em segurança e infraestrutura, “mas a atuação dele em todos
os âmbitos da vida humana é sovietismo”. Quanto à volta de Lula ao
poder, ele pensa que as coisas não vão mudar muito. O Brasil “flerta com
o abismo”, reflete, “mas na ‘hora H’ damos um passo para trás”. Assim,
nosso país fica “condenado à mediocridade”, não chegando a ser Venezuela
ou Argentina, mas também passando longe de ser Suécia, Reino Unido ou
Estados Unidos.
Prédio do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília.| Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE
Acabei de saber que o TSE contratou, por R$ 250 mil, uma empresa para
monitorar as redes sociais naquilo que for de interesse do TSE. O
contrato é de 13 de setembro. Você há de pensar que o TSE está gastando
tudo isso, mas o dinheiro não é dele. Verdade: o TSE não produz nada,
governo nenhum produz alguma coisa. Quem produz somos nós, pagadores de
impostos. Nós produzimos, ganhamos, empregamos, criamos riqueza; e
pegamos uma parte de nossa riqueza, uns 36%, e a entregamos para o
Estado brasileiro prestar serviços para nós. E o TSE pega R$ 250 mil dos
nossos impostos e paga para nos monitorar. Então, você pode estar
pagando para ser monitorado.
A monitoração, inclusive, seria sobre fake news. Essa história de
fake news é irritante porque as coisas são tão primárias, tão
elementares, tão burras, e tem gente que acredita. Não é possível! A
última agora é a do tal “Lula que morreu e tem sósia, só que esqueceram
de tirar um dedo”. Ridículo, não? Outros dizem que há uma reunião
secreta do TSE no Guarujá para dar posse ao Lula. Outro ainda me mandou
alguma coisa que eu nunca escrevi, mas tem até minha foto e meu nome,
dizendo que as autoridades fingem isso, fingem aquilo, fingem aquilo
outro. Aí é dose.
Objetivo do PT é controlar de vez o discurso na internet
Mas estou contando isso porque Lula está em Brasília e está falando
em regulamentar as redes sociais, a internet. Mas para isso já existe
lei, o Marco Civil da Internet, de 2014. Foi exaustivamente discutido no
Brasil inteiro, no Congresso Nacional, aprovado, sancionado, publicado,
e está em vigor. Não tem de mexer, mesmo porque é proibido mexer: o
artigo 220 da Constituição diz que em qualquer plataforma estão
garantidas as liberdades de expressão, de opinião, de imprensa, e que é
vedado qualquer tipo de censura. Mas isso é censura, porque anunciaram
também que essa regulamentação das redes sociais ou do mundo digital, da
internet, será feita com base em sugestões do Supremo e do TSE. Ora, o
que temos visto Supremo e TSE fazendo é censurar.
Censura é proibido. Eu sei que eles estão fazendo isso, mas eu quero
que você saiba. Você é origem do poder, é você quem manda, você quem
paga os impostos, você quem nomeia os representantes, que por sua vez
aprovam ou não aprovam ministros de tribunais superiores. A origem do
poder é você, então você precisa saber disso, do que estão fazendo com
seus impostos e suas liberdades. Se você deixar, daqui a pouco não terá
mais liberdade nenhuma, como naquele poema “No caminho com Maiakovski”:
quando você quiser falar, já tiraram a voz da sua garganta, será tarde.
O Estado de Direito já ficou para trás no Brasil Falam até em
criar uma “secretaria do mundo digital”. É o Ministério da Verdade do
George Orwell, do 1984, que parece uma profecia sobre o Brasil de hoje.
Está tudo de acordo com o Foro de São Paulo, que teve uma reunião na
semana passada, se não me engano, em Caracas. Vi agora o discurso de
Nicolás Maduro, com gente da Argentina, do Equador, de Cuba, do México,
do Chile, da Guatemala, do Brasil no auditório. E ele fala em “nossos
irmãos” da China, da Rússia, da Coreia; diz que as vitórias eleitorais
de Gustavo Petro, na Colômbia, e de Lula, no Brasil, abrem uma nova era
geopolítica para trazer a oportunidade para construir uma nova
democracia. “Nova democracia”, o que será isso? O objetivo é a
integração latino-americana, formando a “Pátria Grande”. Esse caminho
foi a decisão de 60 milhões de eleitores brasileiros. E os outros 150
milhões?
De tudo o que o
Supremo Tribunal Federal fez e está fazendo de ruim na sociedade
brasileira, no dia a dia de suas decisões, pouca coisa é mais destrutiva
do que o incentivo direto ao crime. De forma sistemática, nos últimos
anos, os ministros têm criado e ampliado a proteção judicial aos
criminosos e à suas atividades – e o resultado é a criação de
territórios independentes dentro do Brasil, onde quem manda são os
chefes de quadrilhas e a autoridade pública e legal deixou de existir.
Em nenhum lugar esta situação é pior do que no Rio de Janeiro e em suas
“comunidades”, a palavra oficial para designar hoje locais governados
pelo crime. Conforme mostra reportagem publicada pela Gazeta do Povo, a
entrega de áreas cada vez maiores ao poder do tráfico de drogas, por
decisões que baixam do STF, não trouxe a “paz social” que os ministros
dizem buscar com suas ordens de bloqueio ao trabalho da polícia e de
proteção aos criminosos. Ao contrário. Os chefes do tráfico estão
aproveitando a situação criada em seu favor pelo alto Judiciário para se
tornarem cada vez mais violentos.
A reportagem revela, por exemplo, que os criminosos têm se dedicado a
dar treinamento tático de combate aos seus comandados – que vêm se
tornando cada vez mais parecidos com uma tropa militar, ou como um
exército de ocupação. Têm armas cada vez mais pesadas. Controlam suas
áreas como se fossem um território estrangeiro. A polícia do Rio de
Janeiro, não entra, não em termos efetivos, nessa parte do Brasil – e
isso só aumenta a força do crime. A polícia não entra porque o STF, no
que talvez seja um caso único no mundo, restringe ao máximo, ou
praticamente proíbe, a sua atuação nas “comunidades”; não pode utilizar
helicópteros, não pode fazer batidas à noite, não pode nada. É óbvio que
os criminosos aproveitaram a ausência da polícia e da lei para se
tornarem cada vez mais fortes – e hoje é duvidoso que a força pública
consiga competir com eles, mesmo se receber a autorização para levar
ordem às áreas controladas pelas quadrilhas.
De forma sistemática, nos últimos anos, os ministros têm criado e
ampliado a proteção judicial aos criminosos e à suas atividades
É essa a “justiça social” que os ministros estão impondo ao Brasil – o
contrário, na verdade, do que deveria ser a promoção da cidadania, a
defesa dos direitos à segurança e à vigência da lei para quem vive nas
comunidades e a proteção ao mais fraco e ao mais pobre. O STF, com suas
decisões, não defende os interesses da maioria da população; ao
contrário, defende objetivamente os interesses dos chefes do crime. Está
jogando ao lado de ONGs abertamente controladas pelos criminosos, de
associações de defesa de “direitos humanos” que só se interessam pelos
direitos dos traficantes, partidos de esquerda que veem no crime um
aliado para seus objetivos políticos e mais do mesmo. Ao mesmo tempo, o
STF praticamente declarou que a corrupção é livre no Brasil e que
ninguém será condenado por roubar dinheiro púbico neste país – é o que
dizem as suas sentenças, uma depois da outra. Tráfico de drogas, culto à
violência e mais corrupção – eis aí a prova de que no Brasil o crime
compensa.
Virando a página Eduardo Bolsonaro curte Copa do Mundo e tranquiliza o Brasil
Por Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo
Essa Imagem do filho do presidente e deputado federal Eduardo
Bolsonaro na Copa do Mundo põe fim a especulações sobre futuro político
do país.| Foto: Reprodução/ Twitter
Este texto é dedicado a
Eduardo Bolsonaro. Que, sem nem tomar conhecimento de minha pequena
pessoa, e totalmente alheio à minha angústia insignificante, tomou um
avião, hospedou-se num hotel confortável, vestiu uma camisa oficial da
Seleção Brasileira e se deixou registrar durante o jogo entre Brasil e
Suíça pela Copa do Mundo do Catar. E, dessa forma, com esse gesto
politicamente admirável de rendição, me deu a tranquilidade que eu tanto
buscava.
Porque – vou te falar! – eu não aguentava mais a incerteza tensa
resultante das manifestações em frente aos quarteis, da mobilização nas
redes sociais, do silêncio presidencial e do interminável tic-tac, agora
vai, acredita na estratégia, vamos vencer. Sou ingênuo, reconheço.
Tolo, se você preferir. E nutro esperanças confusas. Ou melhor, nutria.
Afinal, foi graças a essa aparição do filho do presidente e deputado
federal eleito com o voto de mais de 700 mil pessoas que consegui,
finalmente, entender que o que está em jogo no Brasil não é a liberdade.
Muito menos a tradição, a família ou a propriedade. Menos ainda a
virtude, a honra, a preocupação desinteressada com o bem comum. O que
está em jogo no Brasil é um grande nada que, apesar da ebulição atual,
tende à normalidade cínica.
Ao vislumbrar o sorriso relaxado de Eduardo Bolsonaro ao lado de uma
bela mulher, um personagem fantasiado e de sua esposa, relaxei também e
me livrei imediatamente das fantasias politicamente macabras que, meio
que por osmose, alimentei nos últimos dias. Recomendo, aliás, que você
faça o mesmo. Se nem o filho do presidente está preocupado com a
juristocracia ou com a venezuelização do Brasil, por que eu, você, nós
estaríamos?
A torcida qualificada de Eduardo Bolsonaro na Copa do Catar foi, de
fato, um divisor de águas para mim. Veja só como são as coisas: até
ontem resistia à narrativa cínica de que no Brasil crime ocorre nada
acontece feijoada. Pensava estar vivendo um momento decisivo. Às vezes
até apocalíptico. Saía por aí fazendo afirmações e perguntas temperadas
com generosas pitadas de desespero. “Bolsonaro vai ser preso!” numa
hora. “O Brasil aguenta Alexandre de Moraes até 2043?!” na outra.
Hoje, porém, posso dizer que, graças ao restaurador banho de água
fria de Eduardo Bolsonaro, encontro conforto na certeza de que o futuro
que nos aguarda a partir de 1º de janeiro é assustador, mas pelo menos
claro e retilíneo: Lula presidirá pela terceira vez o Brasil. Lidemos
com essa realidade que, se não apavora Eduardo Bolsonaro, não tem
motivos para nos apavorar.
Não se trata de jogar a toalha. Até porque essa luta interminável é
por valores caros. Caríssimos. Está mais para respirar bem fundo, fechar
os olhos e pedir a Deus forças para enfrentarmos os desafios que nos
aguardam depois que virarmos a página dessa caudalosa distopia com ares
de chanchada a que damos o nome de Brasil.