terça-feira, 29 de novembro de 2022

GASTOS OBRIGATÓRIOS DO GOVERNO DEVEM SER DIMINUÍDOS

 

Um grande desafio do novo governo será mobilizar a sociedade e o sistema político em favor da diminuição dos gastos obrigatórios.

Por Maílson da Nóbrega

O tema fiscal tem ganhado proeminência. Ressurgiram definições estapafúrdias do gasto público, percepção de inevitável aumento da carga tributária e propostas para uma nova âncora fiscal. Coube a Lula reviver o equívoco de que gasto em educação e saúde é investimento (portanto, não deve se sujeitar a limites). É como se um rótulo pudesse mudar a natureza da despesa. Se mal financiada, não importa seu objetivo, ela impactará o endividamento e pode colocar em risco a solvência do Tesouro.

Economistas defenderam ideias sem atentar para as características do sistema tributário e para a delicada situação fiscal. No caso da carga tributária, fala-se em elevar o Imposto de Renda (IR) via tributação de dividendos e/ou eliminação de privilégios como o abatimento de despesas de educação e saúde. Não se considera, todavia, que 49,25% (50% em 2025) dessa receita vai para Estados e municípios e fundos regionais de desenvolvimento. No Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), os Estados recebem mais 10% para compensar supostas perdas de receitas nas exportações. Até 1974, transferia-se apenas 10% de ambos os impostos.

O grande salto aconteceu na Constituição. As transferências do IR aumentaram de 30%, em 1985, para 47%, em 1988, o que reduziu drasticamente o poder arrecadatório do tributo para a União. Depois, os municípios conseguiram aprovar quatro emendas constitucionais acrescentando três pontos porcentuais à sua parte. Assim, na escolha do IR para aumento da carga tributária, será preciso cobrar o dobro. Metade irá para fundos regionais e governos subnacionais, cujo valor pode transformar-se em aumento de salários de servidores públicos, piorando a alocação dos recursos.

Poder-se-ia recorrer a contribuições sociais, que pertencem inteiramente à União. Evitar-se-ia cobrar o dobro, mas suas características podem desaconselhar a escolha. Boa parte delas é cumulativa (em cascata), tem legislação confusa, gera elevados custos de transação e conformidade, e somente uma parcela pode ser desonerada nas exportações. Os produtos brasileiros, já penalizados por esquisitices, perderiam mais competitividade interna e externa. Com o aumento de distorções, o potencial de crescimento econômico cairia.

Quanto ao ajuste fiscal, defende-se a redução ou a eliminação de incentivos fiscais – que representarão 4,3% do produto interno bruto (PIB) no ano que vem – e/ou corte de gastos. A primeira dificuldade estaria em incluir o Simples Nacional, que representa 19,4% da renúncia tributária da União. A força política em prol desse distorcivo regime tem poder para abater a proposta de saída. Já os cortes de gastos teriam por objetivo mudar o resultado primário de 2023, de um déficit previsto pelo governo em 0,6% do PIB para um superávit de 2% do PIB, o mínimo necessário para estabilizar a relação dívida/PIB.

Na contramão dessa necessidade de ajuste, caso o gasto adicional de R$ 175 bilhões seja aprovado (+1,6% do PIB), o esforço fiscal terá de ser de 4,3% do PIB. Ocorre que a margem de gastos discricionários no Orçamento para 2023, mesmo que seja uma peça irrealista, é de apenas R$ 99 bilhões, ou 0,9% do PIB. Desse modo, propostas de ajuste fiscal por meio desses dois caminhos dificilmente poderiam se materializar.

Na verdade, chegou a hora de discutir a melhor saída, qual seja, a redução dos gastos obrigatórios, que representam atualmente 93% das despesas primárias da União. O País não será viável se a União contar com apenas 7% (ou menos, em breve) para conduzir políticas públicas em favor do crescimento econômico e da redução da pobreza e das desigualdades. Embora seja uma boa saída, ela pode não ser politicamente factível.

De fato, os gastos obrigatórios compreendem cinco grupos: pessoal, previdência, saúde, educação e programas sociais de transferência de renda. Os dois últimos seguem um método equivocado de definir prioridades, qual seja, o da vinculação de impostos a despesas, o que contribui para desperdícios e ineficiências. Na educação, a discussão tende a ser ainda mais complexa, porque a corporação do setor convenceu a sociedade de que o ensino só melhora com elevação dos gastos. Por isso, o Brasil despende atualmente 6,3% do PIB em educação, em termos proporcionais mais do que os países da OCDE (5,8%), com lamentáveis níveis de qualidade. Agora se defende uma nova ideia, qual seja, a de equiparar o gasto per capita ao dos países ricos. Se tomarmos como base os EUA, cuja renda per capita é nove vezes a brasileira, gastaríamos 56,7% do PIB em educação, quando a carga tributária alcança hoje 32% do PIB.

Em resumo, não há saída simples nem fácil. O grande desafio do novo governo será não apenas criar uma âncora fiscal crível, que contenha uma regra de controle de gastos, mas também demonstrar liderança e capacidade política para mobilizar a sociedade brasileira e o sistema político em favor da diminuição dos gastos obrigatórios, ainda que em prazo longo e com trajetória preestabelecida. Mais uma vez, não será simples nem fácil.

ESSA IMAGEM ILUSTRA VARIADOS TEMAS

 

Victor Hugo Bin – Sócio da StartSe

Foto Fracasso

A gente percebe como o “poder de uma imagem” é forte quando ela pode ilustrar os mais variados temas.

Teve pessoas que comentaram na foto que ela significa o número de amizades que você tem x quando você realmente precisa delas.

Um grupo de marketing no Facebook disse: o número de ferramentas digitais que você usa x quando suas vendas não acontecem.

Outros, usaram para falar: quando você tem dinheiro, mas é tudo para pagar o cartão… (nessa eu ri.)

Enfim, acredito que você pegou a ideia…

Mas ela também me fez lembrar de algo que aconteceu muito comigo e provavelmente com você uma centena de vezes.

Que é quando você tem um monte de cursos, certificações, MBA’s… e um problema inesperado surge bem na sua frente.

E você descobre que tudo aquilo que você “levava de bagagem”… não serviu para nada naquele momento.

Se você parar e analisar seus últimos 5,10 anos, isso aconteceu dezenas de vezes.

Só nos últimos 2 anos então, nem se fala.

Por isso, pense se aquilo que você está aprendendo pode ser colocado em prática hoje.

É um conhecimento temporário ou um conhecimento profundo, capaz de te ajudar nas próximas fases da sua carreira ou negócio?

Porque é nisso que você tem que investir cada vez mais seu tempo daqui para frente.

Sabe o que eu mais vejo no mercado?

 Junior Borneli — StartSe

Testemunho:

Que empresários existem aos montes, mas poucos são empreendedores.

Simplesmente porque um empreendedor se forja em meio a desafios.

E eu tiro isso pela minha própria história.

Eu nasci no interior de Minas Gerais. Numa cidade de apenas 13 mil habitantes.

E como toda cidade do interior, as opções de lá eram bem limitadas

Eu sempre senti que poderia ir além, nunca consegui saber como.

Então trabalhei numa universidade por 10 anos.

Sem propósito, sem objetivo, apenas fornecendo o necessário pra minha esposa e filho.

Até que um eu cheguei em casa e vi que a minha energia elétrica havia sido cortada.

E eu digo que esse foi o pior e o melhor dia da minha vida.

Porque foi aí que a ficha caiu.

Que eu entendi que precisava fazer algo e que só o empreendedorismo poderia me tirar daquele lugar.

Que custe o que custasse, eu NUNCA MAIS me encontraria naquela situação novamente

Esse foi o gatilho que despertou o que eu chamo de atitude empreendedora.

A voz que diz lá dentro que “você pode mais”.

Como despertar sua atitude empreendedora e impactar positivamente seus projetos com isso.

Espírito empreendedor: 8 dicas matadoras para despertar o seu

Janu França

Um empreendedor de sucesso não nasce pronto, ele se molda. Compartilhamos neste artigo 8 habilidades fundamentais para você atingir seus objetivos.

Qualquer realização começa na mente. E empreendedores são, normalmente, aqueles que têm a capacidade de colocar suas ideias em prática e fazer acontecer. Algumas pessoas já nascem com esse espírito, né? Outras nem tanto. Mas não se engane, isso pode ser trabalhado e desenvolvido.

É fundamental desenvolver – ou aprimorar – esse perfil realizador para quem quer abrir uma empresa e fazer ela crescer. O sucesso empresarial está diretamente ligado à reunião de um grupo de características e habilidades que tornam uma mente mais atenta para aspectos essenciais de um negócio.

Confira nossas dicas de como despertar este espírito em você!

1 Tenha autoconfiança

“Autoconfiança é muito importante para alcançar o sucesso. E para se tornar confiante, é importante estar preparado.”

Arthur Ashe, tenista

Todo bom empreendedor confia em si mesmo. É preciso acreditar em suas ideias e visão de negócio para colocá-las em prática e fazer com que elas prosperem. Por isso, não se limite a pensar no que pode ou não fazer, acredite em você e no seu sucesso. Isso irá te impulsionar.

2 Trabalhe sua mente

“Persiga um ideal, não o dinheiro. O dinheiro vai acabar indo atrás de você.”

Tony Hsieh, empreendedor

Quem tem um espírito empreendedor persegue as oportunidades quando as encontra. E para reconhecer essas oportunidades é preciso que você possua a mentalidade certa, quando você tem uma percepção incorreta, seu espírito empreendedor não se desenvolve.

Alimente uma atitude positiva e encare as barreiras e os pequenos fracassos como aprendizado, que preparam você para tentar novamente.

3 Desenvolva senso crítico

“Você deve lutar mais de uma batalha para se tornar um vencedor.”

Margaret Thatcher, política

Trabalhe seu senso crítico diariamente, ele será extremamente necessário para que você desenvolva seus projetos da melhor maneira possível. Sempre analise e reflita sobre todos os aspectos do projeto, se não ficar satisfeito com algo, repense e refaça.

Crie a capacidade de você mesmo avaliar suas ideias e a forma como realiza cada etapa.

4 Planeje suas metas e as cumpra

“Todas as diretrizes são resultado de um planejamento e todo planejamento é resultado de sonhos.”

Flávio Augusto, empreendedor

Para alcançar seus objetivos você precisa saber exatamente onde deseja chegar. Por isso trace suas metas e planeje bem suas estratégias, ter um espírito empreendedor tem a ver com a capacidade de planejar e ter disciplina, por isso trabalhe essas habilidades.

Estabelecer metas ajuda a alimentar seu espírito empreendedor, mas elas precisam ser realistas, palpáveis e mensuráveis. Obedecendo a esses pontos você poderá traçar objetivos de curto e longo prazo.

#DicaConsolide: não deixe de conhecer a história do grande erro do super empresário Flávio Augusto.

5 Tenha atitude

“Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo.”

Martin Luther King, pastor e ativista político

Não adianta ter boas ideias, planejar estratégias, traçar metas e não ter atitude para executá-las. Para realizar seus sonhos e alcançar o sucesso desejado, é necessário agir. Ter um espírito empreendedor não tem a ver com ideias e planejamento, e sim em possuir a capacidade e a motivação para executar.

A melhor maneira de despertar e alimentar seu espírito empreendedor é colocar algo em prática. Os desafios de um negócio e seus processos vão fazer com que esse espírito se manifeste. Por isso, ao identificar sua ambição no mundo empresarial e o mercado onde deseja atuar, não perca tempo e parta para a ação.

6 Tenha ambições realistas

“Faça o que você puder, onde você está e com o que você tem.”

Theodore Roosevelt, ex-presidente EUA

Tenha ambições que estejam ao seu alcance, não adianta tentar resolver problemas que estão fora do seu controle ou tentar atingir alguns objetivos cedo demais. Faça planos e trace metas que façam sentido para o seu projeto, utilizando seu senso crítico para definir se são plausíveis e alcançáveis naquele momento.

7 Seja criativo

“Criatividade é inteligência, divertindo-se.”

Albert Einstein, físico

A criatividade é essencial para qualquer empreendedor, desde a concepção de um novo negócio até a hora de desenvolver soluções e estratégias dentro da empresa. Todo mundo tem certo nível de criatividade, por isso se você deseja ser um empreendedor trabalhe sempre sua criatividade para mantê-la ativa.

8 Desenvolva habilidades de liderança

“O melhor líder não é necessariamente aquele que faz as melhores coisas. Ele é aquele que faz com que pessoas realizem as melhores coisas.”

Ronald Reagan, ex-presidente EUA

É muito importante que um empreendedor tenha habilidades de liderança, para conduzir seu projeto e delegar quando necessário. Além disso, é preciso saber tomar as próprias decisões e fazer com que outros acreditem em seu projeto.

Também é essencial que você saiba conduzir as pessoas pelo caminho que você deseja trilhar.

Pronto para despertar seu espírito empreendedor? Então comece logo a colocar essas dicas em prática.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

OS ERROS DOS GOVERNOS DE LULA ANTERIORES

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


O então presidente Lula e o então ministro da Fazenda Antônio Palocci, em foto de 2005.| Foto: Ana Nascimento/Arquivo EFE


A política econômica do primeiro governo Lula (2003-2006, cujo executor até 2005 foi o ministro da Fazenda Antônio Palocci) recebeu elogios de analistas nacionais e estrangeiros, mas o passar do tempo mostrou que os elogios não eram de todo bem fundamentados. Tendo sido derrotado em três eleições anteriores para presidente da República – uma para Fernando Collor e duas para Fernando Henrique Cardoso – e correndo o risco de perder sua quarta eleição, o candidato Lula escreveu a “Carta ao Povo Brasileiro”, em junho de 2002, com dois objetivos: acalmar a sociedade e os mercados e, apesar das críticas duras ao governo de FHC, comprometer-se com as bases da política econômica do governo anterior.

Destacam-se, naquela carta, algumas frases que convém lembrar. “O PT e seus parceiros têm plena consciência de que a superação do atual modelo (…) não se fará num passe de mágica, de um dia para ao outro. Não há milagres na vida de um povo e de um país”. Lula disse isso para afastar o fantasma que havia no ar sobre ruptura institucional rumo a uma espécie de socialismo tupiniquim. Para garantir que os boatos sobre o desrespeito a contratos e calotes em dívidas públicas eram infundados, a carta afirmava que “a premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país”.

Enquanto manteve as políticas herdadas de FHC, Lula colheu bons resultados na economia; quando começou a implantar as próprias ideias e práticas, lançou as sementes para o desastre

Pairava no ar também o receio de que, se ganhasse a eleição, Lula poderia bagunçar as finanças públicas e jogar o país de volta ao império da hiperinflação, sobre o que o candidato declarou na carta: “Ninguém precisa me ensinar a importância do controle da inflação. Iniciei minha vida sindical indignado com o processo de corrosão do poder de comprar dos salários dos trabalhadores. Quero agora reafirmar esse compromisso histórico com o combate à inflação”.

O governo FHC tinha sua política econômica baseada num tripé: superávit fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante. Vendo que a população apoiava aquela política, o candidato Lula registrou na carta: “A questão de fundo é que, para nós, o equilíbrio fiscal não é um fim, mas um meio. Queremos equilíbrio fiscal para crescer e não apenas para prestar contas aos nossos credores. Vamos preservar o superávit primário o quanto for necessário para impedir que a dívida interna aumente e destrua a confiança na capacidade do governo de honrar os seus compromissos”. Em resumo, o candidato Lula de 2002 assumiu por escrito compromissos com a ortodoxia econômica por entender que a sociedade era majoritariamente a favor do conservadorismo na gestão macroeconômica.

A carta acalmou os mercados; o preço do dólar, que havia explodido, voltou a valores aceitáveis; e Lula ganhou a eleição. Seu primeiro governo foi relativamente bem no respeito, se não a todos os compromissos, pelo menos à responsabilidade fiscal e inflacionária. Vale lembrar que os oito anos de Lula foram abençoados com boa situação internacional, com aumento da demanda global que favoreceu as exportações brasileiras e aumento constante dos preços das commodities que o Brasil vendia ao exterior. A situação internacional durou todo o período Lula e foi favorável ao Brasil como nunca houvera sido.


Porém, ainda antes do fim do primeiro mandato, Lula e o PT revelaram a face sombria de seu governo em termos de abandono do equilíbrio fiscal e principalmente na derrocada ética. A face corrupta do governo se manifestou com a explosão do escândalo do mensalão. Apesar da tragédia moral e financeira, Lula passou o tempo todo dizendo que não sabia de nada, que fora traído por seus ministros e aliados políticos, e foi nessa toada que ele conseguiu se reeleger. O segundo mandato mostrou a face real de Lula; o período 2007-2010 terminou com uma sequência de medidas erradas e fracassadas, cujos efeitos foram jogados para sua sucessora, Dilma Rousseff.

No campo econômico, Lula ressuscitou a prática nefasta de misturar as contas fiscais com as contas de empresas estatais, como o BNDES e a Petrobras. Esse tipo de confusão é prejudicial ao país por misturar coisas diferentes e abrir espaço para políticas nocivas à economia nacional. As contas fiscais englobam a arrecadação de tributos, de um lado, e os gastos com pessoal, custeio, investimentos estatais e serviço da dívida, de outro lado. As empresas estatais têm vida própria, patrimônio e receitas das suas atividades produtivas; por isso, não devem ter suas finanças misturadas com o Tesouro Nacional. O governo já havia embolado as contas fiscais com a capitalização do BNDES, criando artifícios contábeis que obscureciam a real situação do Tesouro Nacional.

Ainda antes do fim do primeiro mandato, Lula e o PT revelaram a face sombria de seu governo em termos de abandono do equilíbrio fiscal e principalmente na derrocada ética

Não bastassem o mensalão e as manipulações contábeis das contas públicas e das estatais, o governo Lula terminou seu segundo mandato deixando um rombo financeiro derivado de autorização para elevar gastos públicos que se tornaram permanentes, como aumentos salariais do funcionalismo, inchaço da máquina e expansão da burocracia estatal. Quando Dilma assumiu, ela sofreu um desgaste rápido por suas promessas eleitorais e pela herança deixada por seu padrinho Lula sobre as contas públicas – herança essa que ela, em vez de combater, intensificou, já que foi em seu governo que a “nova matriz econômica” ganhou força total. Curiosamente, Dilma foi deposta pelo Congresso Nacional devido às chamadas “pedaladas fiscais”, um tipo de malfeito que ela aprendeu com seu padrinho e antecessor.

Vale recordar que Lula, em seu último ano, já com o enigmático Guido Mantega no Ministério da Fazenda, vinha fazendo malabarismos condenáveis com os números e os procedimentos contábeis sobre o superávit primário, e as notícias da época eram de que o governo vinha adulterando o conceito de superávit primário desde o começo do mandato. Exemplo divulgado sobre essa prática foi que, em 2005, o governo havia excluído da conta de gastos alguns investimentos do Projeto Piloto de Investimentos (PPI); repetiu a dose em 2008, novamente tirando alguns investimentos e gastos do cálculo do superávit; e, em 2009, usou o artifício pelo qual o Tesouro Nacional emprestava dinheiro ao BNDES para que o banco adquirisse créditos a receber do Tesouro e lançasse o valor como receita primária desse mesmo Tesouro. Essas jogadas se tornaram rotineiras, como a exclusão, para fins do cálculo do superávit, de R$ 32 bilhões gastos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e a capitalização em R$ 31,9 bilhões da Petrobras em uma manobra para aumentar o superávit.

Ainda pairam muitas dúvidas sobre o que Lula vai fazer, neste terceiro mandato, em termos de política econômica, equilíbrio fiscal, inflação, transparência contábil e ética com o dinheiro público. O histórico aqui relatado sobre os erros de suas gestões anteriores tem a função de mostrar o currículo administrativo do presidente eleito e deve servir para a sociedade ficar vigilante e exigir que o próximo quadriênio não seja apenas uma repetição das práticas nefastas que marcaram sua gestão anterior na presidência da República.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/erros-lula-economia-2003-2010/
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FERNANDO HADDAD É UM PROTEGIDO DO LULA

 

Política

Artigos mostram o que ele pensa sobre economia

Por
Diogo Schelp – Gazeta do Povo


Fernando Haddad, cotado para assumir o Ministério da Fazenda, uma das pastas a ser desmembrada da Economia| Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Está tudo ainda no campo da especulação, um balão de ensaio para avaliar a repercussão no mercado, na imprensa, na elite política e em setores da militância, mas o nome de Fernando Haddad tem sido o mais citado nos últimos dias como o preferido de Lula para ocupar o Ministério da Fazenda no novo governo. O plano do presidente eleito é dividir o atual Ministério da Economia em dois, o da Fazenda e o do Planejamento. Mas o que significaria, exatamente, Haddad na Fazenda?

A escolha dele refletiria uma preferência de Lula por um ministro com perfil político na Fazenda e outro, com perfil mais técnico, no Planejamento, como ocorreu em seus primeiros governos. Mas será que Haddad na Fazenda faria o mesmo que Antonio Palocci no primeiro governo Lula, quando deu continuidade à política econômica ortodoxa herdada de Fernando Henrique Cardoso? Há motivos para pessimismo nesse sentido.

O sinal mais recente foi o discurso que Haddad fez em encontro da Febraban (Ferderação Brasileira de Bancos) na última sexta-feira, dia 25. O encontro era compreendido como um teste da aceitação do mercado em torno do nome do petista ou uma tentativa de desfazer resistências prévias ao seu nome.

Aparentemente, não deu certo para nenhum dos dois objetivos. Haddad não deu nenhuma pista de como o próximo governo vai se comportar na questão fiscal, considerando que o esforço atual é o de furar o teto de gastos para cumprir promessas de campanha. Ele limitou-se a criticar a regra do teto de gastos, a afirmar que o orçamento da União precisa ser reformulado e que a repetir que a reforma tributária é prioridade. Em resumo, fez um discurso genérico e nada disse que pudesse acalmar a preocupação de que o próximo governo venha a chutar a responsabilidade fiscal para a casa do chapéu.

Há um outra forma de tentar compreender como seria Haddad na Fazenda: analisar o que ele pensa sobre economia com base nos artigos que ele escreveu ao longo de quase dois anos no jornal Folha de S.Paulo. Economia está longe de ser o tema mais abordado pelo ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação nesses artigos. De um total de 88 textos, apenas 17 versam sobre temas econômicos.

Um deles, publicado em outubro de 2020, fala justamente sobre a Febraban — e de maneira nada lisonjeira. No artigo, Haddad ironiza uma fala do atual ministro da Economia, Paulo Guedes, que chamou a federação de “honrada casa de lobby”, e critica o spread bancário, “que expolia empreendedores e consumidores”. Haddad critica, também, o teto de gastos e diz que a regra favorece os interesses dos bancos. E ataca também a independência do Banco Central, dizendo que os bancos não queriam que o Estado tivesse controle sobre a política de juros e que agora, de certa forma, o BC é independente do governo mas não do mercado. Em outro texto, chega a citar Karl Marx para defender uma reforma bancária. São com certeza ideias e acusações que não agradam em nada aos banqueiros que receberam a visita exploratória de Haddad.

Falta nos artigos sobre economia de Haddad um entendimento minimamente sofisticado das questões pertinentes às políticas monetária, fiscal e cambial. As críticas à política econômica do governo Bolsonaro e a Guedes invariavelmente descambam para platitudes como a de embalar tudo como “política neoliberal”.

Como demonstrou o historiador mexicano Mauricio Tenorio-Trillo, da Universidade de Chicago, “neoliberalismo” é um termo que “engloba tudo e nada ao mesmo tempo”, um “conceito explanatório todo-poderoso, carregado com uma carga ética pesada e negativa por meio de uma bombástica falta de especificidade”. Ou seja, é um conceito que foi tão abusado e banalizado que acabou perdendo sentido do ponto de vista acadêmico, quando usado para se referir a políticas econômicas e questões culturais. E é a esse tipo de retórica vazia que Haddad se apega quando critica qualquer política econômica que não seja a de governos petistas.

A crítica que Haddad faz à política econômica do governo Bolsonaro e a Paulo Guedes é quase sempre ancorada na questão do teto de gastos. Para Haddad, havia uma tentação de Bolsonaro em furar a regra fiscal, para ficar do lado do povo, ou de respeitar o teto, ficando do lado do mercado e do que defende seu ministro.

Romper o teto de gastos é quase uma obsessão de Haddad em seus artigos. Para ele, é incompatível respeitar a regra e garantir recursos para educação, saúde, etc, como se o problema fosse o controle de gastos em si, e não as prioridades que são estabelecidas.

Em relação à questão tributária, um dos poucos temas em que entra em pormenores, Haddad relaciona o aumento da carga de impostos ao crescimento da desigualdade e critica a recorrente defesa de Guedes pela criação de impostos indiretos e sobre operações financeiras, que oneram os pobres. Defende a criação de um imposto único dual (IVA nacional e estadual), mas também a taxação dos ricos, outra obsessão da esquerda que pouco acrescenta à arrecadação, mas tem, sob o seu ponto de vista, um valor “moral”.

Como era de se esperar, também há artigos criticando as privatizações de estatais e a reforma trabalhista. A política nos governos do PT dos “campeões nacionais”, que usou dinheiro dos brasileiros para financiar a internacionalização de empresas, em especial do setor de construção, por meio do BNDES, é defendida por Haddad. Ele acredita que essas estratégia será retomada. Nenhuma palavra sobre os escândalos de corrupção, nem quando afirma que a Operação Lava Jato “destruiu” empresas.

O texto dedicado à indústria nacional conclui, com desprezo, que não dispomos de uma “burguesia com projeto de nação”. E quando, no começo do governo, os juros estavam baixos, Haddad criticava os juros baixos. Quando subiram, passou a criticar o juros altos. Tem também, é claro, um texto inteirinho para criticar a Reforma da Previdência, que segundo ele aumentará a desigualdade social.

Haddad na Fazenda, a julgar pelas ideias expressas nos artigos publicados por ele nos últimos anos, representaria a cristalização de velhas propostas heterodoxas do PT para a economia. Dificilmente adiantaria ter um liberal no Planejamento para fazer o contraponto.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/diogo-schelp/fernando-haddad-na-fazenda-artigos-mostram-o-que-ele-pensa-sobre-economia/
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GOVERNOS SEMPRE PROCURAM ATRAPALHAR QUEM PRODUZ

 

Sistema tributário

Por
Marcos Tosi


| Foto: Jonathan Campos / Arquivo Gazeta do Povo

Nesta semana os produtores rurais do Paraná e de Goiás, duas das principais locomotivas agrícolas do país, se viram diante de votações no legislativo para criar fundos estaduais de investimento em infraestrutura, a serem bancados pelo agronegócio.

Em comum, o fato de, supostamente, serem contribuições facultativas. As mensagens do Executivo diziam que ninguém seria obrigado a contribuir para os fundos, mas, quem não pagasse perderia o benefício do diferimento do ICMS. No caso paranaense, na soja, por exemplo, isso significaria ou pagar uma contribuição de 1,37% sobre o valor de venda, ou, para quem não aderir, ICMS com alíquota cheia de 18% nas operações internas. Em Goiás, mesma lógica, taxa de 1,65% ou ICMS de 17%.

Na prática, produtores goianos e paranaenses não teriam direito de escolha. “Eles dizem que você não é obrigado a pagar. Mas se não pagar esse valorzinho, então vai ter que pagar o imposto inteiro. Aí entra não numa compulsoriedade jurídica, mas compulsoriedade financeira. Todo mundo acaba pagando”, avalia Henrique Erbolato, especialista em direito tributário da Santos Neto Advogados. Outro tributarista, Gustavo Faviero, da Diamantino Advogados, vê a questão de modo parecido. “Eles estão criando um pedágio. Agora é o agro, depois pode ser a saúde, pode ser o comércio. Quando se abre a porta para criação desse tipo de imposto, ninguém fica a salvo ou imune. De certa maneira é como se tivessem tributando a exportação. É commodity, tem impacto, aumenta custo e tem reflexo na inflação”, pontua.

Artifício de arrecadação já existe em outros estados

O truque de taxar o setor agropecuário e não caracterizar como imposto, driblando a desoneração de produtos primários, começou no início dos anos 2.000, nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, expandiu-se para o Maranhão e o Tocantins e, agora, Goiás e Paraná. Todos seguem a mesma fórmula de contribuição facultativa: ou paga ou recebe carga total do ICMS.

Em Goiás, apesar de protestos, tumulto e invasão da Assembleia Legislativa, o Fundo Estadual da Infraestrutura (Fundeinfra) acabou aprovado. Já no Paraná não houve invasão do legislativo, mas a articulação do setor agropecuário nos bastidores foi intensa – a Federação da Agricultura (FAEP) e Aprosoja se disseram traídas pelo governador – que acabou pedindo para tirar o projeto de pauta para melhor discussão. No estado seria criado o Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Logística (FDI).

Os projetos de taxação do agro, apresentados por dois governadores reeleitos, Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Jr. (PSD), foram justificados como meio de financiar investimentos em infraestrutura, retornando em benefícios para o próprio setor, como, por exemplo, na pavimentação e recuperação de estradas. Contudo, pode não ser bem assim. No Mato Grosso, que desde 2.000 implantou o Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), atualmente apenas 40% se destinam ao propósito inicial. Os outros 60% simplesmente abastecem o caixa do governo.

Taxa do agro: jeitinho para cobrir rombo na arrecadação

Outra justificativa para a contribuição seria a necessidade de reorganizar as finanças estaduais, devido à perda de arrecadação com ICMS de combustíveis e energia, cujas alíquotas foram reduzidas por lei esse ano, por se tratarem de produtos e serviços essenciais. Assim, Goiás reduziu o ICMS da gasolina de 29% para 17%, e da energia elétrica de 25% para 17%. No Paraná, a redução para ambos os segmentos foi de 29% para 17%. Com a taxação do agro, a secretaria de Fazenda do Paraná espera “recuperar” parte do rombo financeiro projetado para 2023, de R$ 7,9 bilhões. A taxa cobriria um buraco de quase R$ 2 bilhões ao ano. Em Goiás, o Fundeinfra tem previsão de irrigar anualmente os cofres estaduais com R$ 1 bilhão.

A indignação dos produtores rurais se acentuou, no Paraná, pelo fato de o governo alegar dificuldades orçamentárias, mas, ao mesmo tempo, não demonstrar esforço algum para reduzir gastos. Pelo contrário, no pacote de fim de ano (que incluiu a privatização da companhia de energia, Copel), os deputados aprovaram a criação de nove novas secretarias e 493 cargos, e reformulação de carreira de 16 mil servidores. No embalo, também passou o auxílio-creche para o Poder Judiciário, entre outros acréscimos de despesas. “O setor não foi chamado para discutir, o projeto chegou no dia 21 já para ser aprovado no dia 22. O que a gente viu foi uma ação predatória do governo do estado”, aponta o analista de Economia da Federação da Agricultura do Paraná, Luiz Eliezer Ferreira.

Produtor rural é tomador de preço: é o mercado internacional das commodities que dita os custos e as margens da atividade (Foto: Jonathan Campos / Arquivo Gazeta do Povo)
Apesar da disparada dos preços das commodities agrícolas nos dois últimos anos, os aumentos nos custos de produção com a guerra da Ucrânia foram maiores ainda, chegando a 316% no milho, insumo básico para criação de frangos, em que o Paraná é líder nacional. “O custo aumentou muito mais do que o preço recebido pelo produtor. Para produzir uma cabeça de frango custa R$ 1,58, enquanto a receita está em R$ 1,10. No médio prazo, isso pode até retirar o produtor da atividade”, sublinha Eliezer, da FAEP. “O agro tem um efeito multiplicador interessante sobre a economia, gera muitos empregos nos demais elos da cadeia. Você tem um produtor com dois funcionários cuidando de 100 mil aves, mas isso depois vai para o frigorífico onde tem uma centena de trabalhadores para processar essas aves. Quando se põe uma taxa que tem efeito multiplicador sobre o comércio, o transporte e a indústria, você pode deprimir esse setor e gerar consequência para os demais”, acrescenta o técnico.

O risco de copiar o modelo argentino de taxações
Por trás dessas taxações está uma percepção enganosa de que o agro brasileiro, de forma generalizada, tem dinheiro sobrando. O setor, de fato, elevou significativamente seus índices de produtividade nos últimos 20 anos, passando a ser o maior exportador global de soja e igualmente líder em carnes e açúcar. Essa conquista, observa o pesquisador da área de custos agrícolas do CEPEA/Esalq Mauro Osaki, foi obtida copiando o modelo americano, de investimento em tecnologia e pesquisa, buscando-se as melhores variedades e maquinários mais eficientes. E tudo isso lutando contra concorrentes, como os próprios EUA e a União Europeia, subsidiados por seus governos. O movimento para taxar o agro, observa Osaki, é sintomático de “não se copiar o modelo que está dando certo”.

“Parece que é o contrário, é jogar areia no caminho daquele que está tendo sucesso. Em vez de ajudar, em vez de copiar ou superar suas próprias deficiências, ele vai e estraga o setor que consegue ter mais sucesso”, avalia Osaki, que é doutor em Engenharia da Produção pela Universidade Federal de São Carlos.

Quando se parte para taxação do setor, o modelo mais próximo é o argentino. E os resultados não são animadores. Enquanto a agropecuária brasileira se expandiu com força, nos últimos anos, o país vizinho estagnou na produção de grãos e carnes. “Se começarem a flertar com essa ideia maluca de taxar exportação, a tendência dos produtores é tirar o pé do acelerador. A Argentina fez isso e hoje está estagnada. E mesmo com todos os problemas, ela tem um custo mais barato do que o nosso, por causa do câmbio. E nosso solo é fraco, não é igual ao da Argentina. Nós gastamos mais com adubos e defensivos, temos uma agricultura tropical que exige mais controle de pragas do que na Argentina e no Hemisfério Norte”, diz Osaki. Nos vizinhos sul-americanos, o governo impõe há anos a taxação das exportações de alguns produtos agrícolas. Na soja, por exemplo, as retenciones chegam a 33% do preço da saca.

O pesquisador lembra que os produtores fazem contas em centavos, já que são tomadores de preço, não definem quanto vai custar uma saca de soja ou uma tonelada de carne. E o Paraná, que tem perfil fundiário de muitas pequenas e médias propriedades, passou por secas consecutivas nos últimos dois anos. “O Estado está contando com um dinheiro que não pode contar. Tá achando que vai arrecadar um valor definido, assumindo que a produtividade vai ser a mesma dos últimos 10 a 15 anos. O custo para produzir soja no Paraná é um dos mais altos, comparável ao Meio-Oeste dos Estados Unidos. O agro só vai crescer se tiver condição de investir. Se não, pode vir o êxodo, como aconteceu na década de 90”, argumenta.

| FAEP
Estudo comparou evolução do agro na Argentina e no Brasil
A consultoria MBAgro fez em 2018 um estudo comparativo da evolução do agro no Brasil e na Argentina e que impacto poderia haver a eliminação da Lei Kandir, que tirou os impostos da exportação de produtos agrícolas. De 2002 a 2017, se tivesse crescido no ritmo argentino, a produção de soja brasileira teria 39 milhões de toneladas a menos, por ano. Se o aumento de área também seguisse o ritmo portenho, haveria redução de cultivo de 12 milhões de hectares no Brasil. No setor de carne vermelha, a produção brasileira disparou de 5 milhões de toneladas para 10 milhões, enquanto na Argentina o volume se manteve estagnado, próximo de 3 milhões de toneladas, desde 1990.

O efeito cascata do agro para arrecadação de ICMS na cadeia produtiva não pode ser descartado. Nos estados brasileiros com maior participação da agricultura, o aumento da arrecadação com ICMS de 1997 a 2018 foi maior do que nos estados com agro menos expressivo. Enquanto no Rio de Janeiro o crescimento no período foi de 423% e em São Paulo foi de 494%, em Goiás o índice chegou a 892%, no Paraná 964%, no Mato Grosso 1053% e, em Tocantins, 1731%.

| MBAgro
Um dos autores do estudo da MBAgro, José Carlos Hausknecht vê as iniciativas de taxar a agricultura como um perigoso precedente. “O grande medo é que amanhã ou depois aumentem essa taxa. Essas coisas a gente sabe quando começam, mas não sabe onde param. Eles olharam para a economia e perguntaram: quem está bem? É o agro, então vamos taxar. Mas isso, no longo prazo, pode levar a matar a galinha dos ovos de outro”, adverte.

Taxa do agro é um imposto disfarçado para exportações

Outro estudo, da mesma época, de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás, verificou quais seriam as implicações econômicas da taxação das exportações sobre o agronegócio no Centro-Oeste do país. A conclusão foi de que haveria uma queda de 2,74% do PIB na região. As maiores perdas no Valor Bruto da Produção seriam no setor de sementes oleaginosas (-16,5%), processamento de alimentos (-6,12%) e grãos (-2,93%). No setor de sementes oleaginosas, devido à relevância do Brasil Central, haveria impacto direto até no exterior, com crescimento positivo no valor da produção na Europa (0,73%), resto do Mercosul (0,65%) e Estados Unidos (0,57%).

Coautor do estudo, Marcelo Dias Paes Ferreira, doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, diz que a taxa de infraestrutura que acaba de ser criada em Goiás não terá o mesmo efeito econômico de uma eventual taxação ampla das exportações. “O efeito em outros setores é menos provável. O produtor possivelmente vai continuar fazendo o que ele já estava fazendo, não vai migrar a produção de soja de Goiás para outro lugar, de forma sistemática, por conta de um imposto de 1,6%. O que pode acontecer é uma troca de produção dentro da agropecuária. Por exemplo, o milho está sendo apertado nessa questão do ICMS, mas o leite não está. Então, quem produz milho pode deixar de produzir e passar para o leite, arroz ou feijão. Será como se adicionasse um custo a mais de produção para os produtores de Goiás. Eles vão ganhar menos”, conclui.

Fato é que os estados foram criativos ao instituir esses fundos, como diz o tributarista Henrique Erbolato: “Se fosse um imposto, o estado não poderia ter uma destinação específica para a arrecadação. No momento que ele tira e diz que não é tributário, ele diz o dinheiro é meu e gasto onde quiser. Ele desvia do conjunto de regras tributárias, que levariam a uma ilegalidade ou inconstitucionalidade dessa cobrança”.

O jeitinho para sobretaxar o agro passou em Goiás. No Paraná, o projeto saiu da pauta, mas o cabo de guerra continua.

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GRUPO LIDE É UM GRUPO DE LOBBY

 

“Costurar” relacionamentos

Por
Tiago Cordeiro – Gazeta do Povo


O fundador do Grupo Lide e ex-governador de São Paulo, João Doria| Foto: EFE/FERNANDO BIZERRA JR

Costurar relacionamentos entre empresários, políticos e juízes. Assim se poderia definir o papel do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), de João Doria, que voltou aos holofotes nas últimas semanas, ao bancar a viagem de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a Nova York. O relacionamento do grupo com a Suprema Corte brasileira, no entanto, não teve início neste episódio que violou leis da magistratura e dos servidores, na avaliação de juristas ouvidos pela Gazeta do Povo. Em 2017, o Lide realizou um almoço com presença de Alexandre de Moraes, recém-escolhido para o STF, que concedeu uma palestra a um grupo selecionado de empresários, associados da organização, que pagam mensalidades da ordem de R$ 10 mil e compram cotas de patrocínio nos eventos. No mesmo ano, o então prefeito de São Paulo, João Doria, protagonizou polêmicas com viagens e eventos do Lide, em que ficava difícil separar público e privado.

Em 2019, o fundador do Lide e então governador de São Paulo, voltou a misturar funções públicas e privadas ao prestigiar um almoço-debate com o então presidente do STF, Dias Toffoli. E, mais recentemente, em 8 de novembro, outro ministro, André Mendonça, participou de um evento da regional do Lide, no Rio de Janeiro.

O Lide surgiu em 2003 e, rapidamente, conseguiu se firmar como um dos principais grupos de lobby do Brasil, ainda que esta palavra nunca seja utilizada nas comunicações da entidade. Em seu site oficial, o Grupo Doria prefere se definir como “especializados em potencializar a capacidade de fazer negócios com rapidez e eficácia, seja pela produção e disseminação de conteúdo, promoção de relacionamento ou experiência de marca”. A “promoção de relacionamento”, aliás, é claramente importante para as atividades do Lide.

Em entrevista concedida à revista VEJA já em 2007, poucos anos depois do lançamento do grupo, Doria explicava como conseguia reunir tantas pessoas influentes em seus eventos. “É um ganha-ganha. Quem vai ganha amigos, clientes, informação, conteúdo, negócios. A prova é que nunca houve quem não quisesse voltar”, disse. Ele também fornecia algumas dicas, incluindo enviar brindes (que preferia chamar de “delicadezas”) na véspera. E avisar a um concorrente que o outro confirmara presença no evento. Outra sugestão: nunca convidar pessoas de cargos abaixo de vice-presidente de empresas.

Trata-se de um clube exclusivo, de fato. Para participar do Lide, é preciso estar em cargos políticos de alto escalão. Ou, no caso de empresários, confirmar um faturamento mínimo de R$ 200 milhões anuais. Em 2006, os organizadores dos eventos do grupo informavam à Agência Estado que o Lide agregava 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Presente em cinco continentes, o Lide mantém no Brasil grupos de nível estadual, além de subdivisões exclusivamente femininas. No exterior, há unidades em países como Alemanha, Argentina, Austrália, China, Estados Unidos, Inglaterra, Itália e Suíça. A sede fica na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, um dos principais centros financeiros do país.

No Brasil, o lobby não é regulamentado por lei, mas está protegido pela Constituição Federal. “A atividade de lobby em si mesma não configura crime. Mas, diante da ausência de contornos claros, não é incomum que se confunda o lobby com os crimes de corrupção, advocacia administrativa e tráfico de influência”, explica Afonso Celso de Oliveira, advogado civilista.

Segundo ele, ainda assim, há o risco de que os limites ainda não regulamentados possam ultrapassar a barreira da legalidade para a ilicitude. “Se comprovada a existência de vantagem econômica ou política aos atores envolvidos na esfera pública (magistrados, ministros, servidores em geral), a atividade deixa de ser lobby para a concepção de atividade criminosa, onde se inclui os tipos penais de corrupção passiva/ativa, associação criminosa etc.”, detalhe o jurista.

Mesmo em situações em que a barreira da ilegalidade não seja transposta, Oliveira acrescenta que uma postura mais resguardada é sempre positiva para quem assume determinadas funções públicas, como juízes, por exemplo. “Prefiro conceber a ideia de juízes que guardem a discrição e a liturgia que seu cargo lhes impõe, evitando manifestar-se sobre assuntos polêmicos fora dos autos, para que não se configure o ativismo judicial, que é quando a atividade do juiz se confunde com a do legislador ou do poder executivo, misturando suas funções e ultrapassando suas prerrogativas, trazendo assim insegurança jurídica, por decisões que deveriam ser pautadas na melhor técnica do direito e, entretanto, foram pautadas pela visão ideológica e política do magistrado”, completa.

Público e privado 
Mesmo enquanto foi prefeito e governador, Doria não se desvencilhou de sua rotina com o Lide, especialmente nos momentos em que buscou impulsionar sua candidatura à presidência. Em diferentes ocasiões, aproveitou viagens para participar de eventos como figura pública e também como empresário – era comum o grupo organizar almoços ou jantares no mesmo local onde o governador estaria.

Em agosto de 2017, quando ainda era prefeito da capital paulista, Doria “se deslocou a cinco cidades para comparecer a eventos que tiveram o Lide entre seus organizadores”, segundo reportagem publicada pelo Valor Econômico, intitulada “Doria usa rede do Lide para rodar o país”. O texto relata que, em poucos dias, “Doria foi a Fortaleza para evento do qual o Lide Ceará foi um dos três organizadores. Depois voou a Recife para seminário promovido pelo Lide Pernambuco, cujo presidente, Drayton Nejaim, desligou o telefone quando questionado pela reportagem sobre a iniciativa”.

“Em sua agenda pública, Doria não explicita quando os eventos têm o Lide na organização”, informava a reportagem, citando outros eventos dos quais participou na época, em Curitiba (PR), Brasília (DF), Salvador (BA) e Natal (RN) – onde “recebeu o título de cidadão natalense não na Câmara, mas no Teatro Riachuelo, pertencente a Flávio Rocha, dono da Riachuelo.  “Na ocasião, sugeriu-se que os dois formassem chapa juntos para o Planalto.”

Na mesma época, João Doria buscou apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), que concordou em realizar uma palestra para o Lide. O cachê não foi confirmado, ainda que, naquele momento, o ex-presidente costumasse cobrar R$ 200 mil para participação em eventos.

No início de 2017, o Lide já havia sido destaque na Folha de S. Paulo por solicitar recursos a empresários para bancar uma palestra do próprio Doria, então prefeito da capital paulista. A publicação teve acesso a um e-mail do grupo enviado às empresas, “pedindo dinheiro para financiar o ‘almoço-debate’ com líderes empresariais no dia 6 de março, no hotel Grand Hyatt, na capital paulista, com apresentação do prefeito recém-empossado”. Na ocasião, uma cota de patrocínio de R$ 50 mil daria direito a sentar à mesa principal com Doria. Tanto o Lide quanto a prefeitura negaram conflitos de interesses na época.

Evento no Palácio dos Bandeirantes 

Aliás, Rodrigo Garcia, vice de Doria e governador de São Paulo até o fim deste ano, é presença constante nos congressos organizados pelo grupo, incluindo a Lide Business Trip China, em 2019, e a viagem recente a Nova York.

Formalmente, o controle do Lide está nas mãos do filho do ex-governador, João Doria Neto – o pai passou o bastão quando decidiu se candidatar a prefeito de São Paulo, em 2016, e hoje é vice-chairman do Advisory Board do grupo.

Depois do encontro polêmico em Nova York, o grupo ainda vai entregar o prêmio Líderes do Brasil 2022, no dia 7 de dezembro, no Palácio dos Bandeirantes, edifício-sede do governo estadual de São Paulo. O evento mostra que o Lide segue empenhado em conectar empresários a parlamentares e, principalmente, líderes do judiciário.

A Gazeta do Povo procurou o Grupo Lide para uma entrevista, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/entenda-o-que-e-o-lide-de-joao-doria-que-pagou-as-despesas-dos-ministros-do-stf-em-ny/
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AQUI NO BRASIL MENINO DE 16 ANOS PODE MATAR E É CONSIDERADO ATO INFRACIONAL

 

Mortes em Aracruz

Por
Alexandre Garcia


O suspeito dos ataques a tiros em duas escolas de Aracruz, no Espírito Santo, é um adolescente de 16 anos que já foi aluno da Escola Estadual Primo Bitti.| Foto: Reprodução/Youtube

Hoje eu quero falar desse menino que eu não posso chamar de criminoso. Ele é autor de um ato infracional análogo a homicídio. Dezesseis anos. Ele foi dirigindo até a escola, saiu de uma escola e foi para outra. Já tem quatro mortes. Feriu 12, tem duas crianças em estado grave. Três professoras e uma aluna de 12 anos morta, em Aracruz, Espírito Santo. O mesmo estado da deputada Rita Camata, que foi a líder do movimento que fez o Estatuto da Criança e do Adolescente – e que estabeleceu que um jovem de 16 anos que já pode escolher o presidente da República, pode decidir uma eleição, é inimputável.

Está na Constituição, artigo 228, ele é inimputável até os 18 anos. Agora, por quatro mortes e ferimentos em crianças, ele não pode ficar preso, é internado até os 21. Depois dos 21, não tem nem ficha criminal, é ficha limpa igual ao candidato Lula. Não dá para dizer que é assassino, tanto que o nome dele nem aparece. Quem está pagando por isso até é o pai dele.

No dia 23 agora, fez 29 anos que na Inglaterra dois meninos de 10 anos de idade que haviam assassinado uma de criança de 2 anos foram condenados à prisão perpétua. No dia da condenação, eles tinham 11 anos. Prisão perpétua: significa afastar da sociedade porque foi constatada uma cabeça criminosa, tanto que um deles voltou a praticar crimes.

“Tudo na cabeça do Lula”
Vejam só que coisa estranha: na sexta-feira, Fernando Haddad, que está cotado para ser ministro da Fazenda, mas ninguém sabe, porque está na cabeça de Lula… (Engraçado que tem 300 na equipe de transição, mas está tudo na cabeça de Lula. O que os 300 disserem, se Lula “desdizer” está “desdito”. Por exemplo, falou-se na reforma tal, não vai ter mais – vai ter imposto sindical, vão desfazer a reforma trabalhista e a reforma da Previdência. Agora o Alckmin disse que não, nenhuma reforma vai ser desconstruída, nem mesmo o imposto sindical. É o que disse o coordenador da equipe.

Mas essa semana Lula está chegando a Brasília supostamente para impor a PEC do fura-teto, a PEC da gastança – é o que diz o noticiário comportado de hoje, que me deixa envergonhado. Tenho 51 anos de jornalismo institucional com diploma e uns 60 e tantos com jornalismo mesmo e sempre vi jornalista defendendo as liberdades, a Constituição e contra a censura, só que agora não)… Mas, enfim, voltemos ao assunto: Haddad vai lá e fala na Febraban sobre equilíbrio fiscal e quando perguntaram sobre planos econômicos ele disse: “está tudo na cabeça do Lula”. Aí o real afundou e as ações que representam o capital de empresas brasileiras na bolsa caíram também. Daí você se dá conta de que 60 milhões de eleitores brasileiros votaram sem saber no que estavam votando, votaram por simpatia, por propaganda. Programas de governo, quais foram? Cadê o programa econômico?

Só que 60 milhões impõem um poder de Estado a 215 milhões. Menos de um terço se impõe aos outros dois terços, então fica esquisito. Mas, enfim, a gente fica esperando para saber o que vai acontecer, porque não se sabe. A campanha eleitoral não foi transparente, também faltou transparência que todo mundo está cobrando na apuração. Por que não entregar logo o código-fonte e acabar com isso? Por que não queriam um comprovante impresso, tão simples? Não teriam todo esse desgaste. E agora estamos aí diante de um seríssimo impasse, em que está em jogo o poder original, que está no 1.º artigo da Constituição: todo poder emana do povo.


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O TSE É PERFEITO?

 

Urna eletrônica

Por
Flavio Quintela


Urna eletrônica modelo 2020 utilizada pelo TSE nas eleições.| Foto: Divulgação / TSE

Deixemos de lado o tema “fraude eleitoral” e concentremo-nos nas urnas eletrônicas usadas pelo Brasil. Sim, as mesmas que o TSE classifica como seguras e invioláveis, que formam a base de um sistema que a grande imprensa teima em chamar de “exemplo para o mundo”, ainda que não haja um país sequer desse mundo que tenha pedido ao Brasil que compartilhasse de tamanha perfeição. Essas urnas, as perfeitas, são tão ruins quanto tudo o que o Brasil produz na esfera estatal.

O fato é que, uma vez digitado o número do candidato naquela maquininha, o eleitor não tem como verificar se o seu voto foi contado da maneira correta. Não há meios para tal conferência. Não há comprovante impresso, não há voto que tenha sido lido por uma máquina, não há possibilidade de recontagem, só há um sinal eletrônico cuja integridade está baseada única e simplesmente na “palavra de honra” do TSE.

Muito se tem escrito sobre a rapidez com que a apuração ocorre no Brasil. Os que defendem o nosso sistema usam a rapidez como argumento positivo. “Olhe para nós, mundo, e veja como somos rápidos na conclusão de nossas eleições. Morram de inveja”. Já os críticos afirmam que em nenhum lugar desenvolvido do mundo a apuração é tão rápida quanto no Brasil. Eu digo apenas uma coisa: olhemos para a Flórida.

A Flórida não tem um sistema de urnas como o do Brasil, sem possibilidades de auditoria, mas mesmo assim apura seus votos rapidamente

Embora seja o terceiro estado com mais eleitores do país, a Flórida apurou os votos das eleições deste ano em tempo recorde, muito à frente dos outros grandes estados norte-americanos e também de estados menores, com apenas uma fração dos votos a serem contados. E a Flórida não tem um sistema de urnas como o do Brasil, sem possibilidades de auditoria.

O eleitor floridiano vota com calma, em sua casa, se assim quiser. Ele retira a cédula e vota com calma para cada um dos muitos cargos que estão em disputa. Governador, deputado estadual, senador estadual, deputado federal, senador federal, comissário de Agricultura, membro do Conselho Escolar, promotor público, xerife etc. A cédula é enorme, leva um bom tempo para preencher. E o voto é facultativo, é claro. E é esse voto no papel que inicia o processo eleitoral. Obviamente, não foi contando votos no papel que a Flórida conseguiu a façanha de ser um dos primeiros estados a entregar os números finais. O que a Flórida fez foi organizar seu sistema eleitoral para, ao mesmo tempo, prevenir fraudes e apurar com rapidez e lisura.

Mas qual foi a grande sacada da Flórida? Muito fácil. Basta escanear as cédulas e você tem o melhor dos dois mundos: contagem rápida e material de verificação.

No Brasil, pelo fato de o TSE ser tão enfático em relação à inviolabilidade das urnas, não temos nenhum caminho técnico para auditar os votos. Somos obrigados a confiar de olhos vendados. O pedido do PL nem sequer abordou esse aspecto das urnas. O que eles fizeram ali foi se basear em apenas uma categoria de classificação das urnas e pedir que, devido à unicidade do parâmetro de identificação das máquinas – sem código único de identificação, urnas diversas foram agrupadas sob o mesmo valor de identidade e, portanto, não podem ser consideradas como auditáveis sob nenhuma circunstância –, essas urnas sejam desconsideradas na composição do resultado final.


Allan dos Santos: eu sou você, amanhã
Felizmente, o Brasil tem o TSE (aviso: isso foi uma ironia). O governo brasileiro é um exemplo de má gestão em quase tudo o que faz, mas o TSE é perfeito. E o chefe do TSE é o mais perfeito dos homens perfeitos. E, já que ele é tão perfeito, não faz sentido limitar suas decisões a assuntos eleitorais. Melhor mesmo que ele decida sobre tudo. Precisamos cassar o passaporte de um jornalista? O nosso homem perfeito emitirá a ordem. Alguém ousou questionar o sistema eleitoral perfeito? O nosso homem perfeito indeferirá o questionamento e tascará uma multa de deboche na entidade que intentou tamanho ataque à democracia brasileira.

Parece ironia – e é –, mas é assim que a maior parte da imprensa brasileira tem tratado Alexandre de Moraes. Referem-se a ele como um herói, como a força a defender nossa frágil democracia contra inimigos terríveis. Ignoram tudo de ruim que esse homem já fez ao país só porque os alvos de sua ira são inimigos políticos da beautiful people midiática brasileira. “Ignorantes”, gritam, “golpistas!”. Na cabeça dos iluminados, esse povo merece ser surrado pelo chicote alexandrino, com seu alcance quase infinito.

Como já me expressei em minha conta de Twitter, não consigo ver outra explicação para esse tipo de comportamento que não seja a total falta de inteligência dessa gente, ou a total falta de caráter. Ou os dois. Afinal, só alguém muito embotado para não enxergar o perigo que é entregar essa quantidade enorme de poder nas mãos de apenas um homem. Ou alguém muito sem princípios, sem moral e sem caráter, que concorde com os arroubos ditatoriais do Judiciário brasileiro somente porque, nesse momento, eles estejam voltados a inimigos de ocasião.

A história cobrará um preço alto. Essas pessoas serão desmoralizadas e cuspidas pelo rei calvo como um caroço de fruta. Será tarde demais. Não terá sobrado ninguém para lutar por elas.


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PLANO DE PREVIDÊNCIA DOS DEPUTADOS FOI EXTINTO E CONTINUA

 

Por
Lúcio Vaz

Brasilia, Brazil, August 7, 2018: The National Congress of Brazil in Brasilia, capital of Brazil, designed by Oscar Niemeyer, South America


Prédio do Congresso Nacional| Foto: Bigstock

O plano de previdência dos congressistas foi extinto em 1999 porque estava falido. Foi substituído por outro plano até o 2019, quando foi tentada uma nova extinção, na Reforma da Previdência. No final daquele ano, restavam 174 deputados filiados ao Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC). Mas o plano sobrevive, hoje com 147 deputados. A reeleição de 95 desses parlamentares mantém vivo o plano zumbi.

Quem não se reelegeu, encontra brechas para assegurar a aposentadoria, como as averbações (aproveitamentos) de mandatos, quando o parlamentar praticamente compra a sua aposentadoria. Mesmo quem não está no mandato, mas exerceu mandatos anteriores, pode conseguir a sua aposentadoria. É o caso do presidente Jair Bolsonaro, que já adquiriu o direito ao benefício. Cinco deputados e três ex-deputados terão direito a aposentadoria pelas regras do antigo Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC), que foi extinto em 1999. As pensões do IPC passaram a ser responsabilidade da União, ou seja, do contribuinte.

Entre os filiados ao PSSC, 50 não conseguiram a reeleição para o cargo deputado federal ou fracassaram em disputas por uma vaga no Senado ou para governos estaduais. Houve também deputados federais que foram eleitos governador ou vice-governador. Todos deixarão o plano de previdência. Quem tiver cumprido as exigências como tempo de contribuição, número mínimos de mandatos e idade mínima terá direito à aposentadoria. Somente após a apresentação desses pedidos a Câmara terá condições de informar o número de novos benefícios.

Bolsonaro, Alckmin, Aécio…
Entre os deputados agraciados pelas normas do IPC estão dois ex-presidentes da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), ambos reeleitos. Completam o grupo Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Bolsonaro; José Rocha (União-BA) e Gonzaga Patriota (PSB-PE), que não se reelegeu. O ex-deputado Jair Bolsonaro adquiriu o direito à aposentadoria pelo IPC com pensão de R$ 30 mil. Ele averbou dois anos do mandato de vereador. Os ex-deputados Geraldo Alckmin (PSDB-SP), hoje vice-presidente eleito da República; Paulo Paim (PT-RS), atualmente senador; e o empresário Flávio Rocha (PL-RN) também seguem as generosas normas do IPC.

O deputado Onyx Lorenzoni (PL-RS), ex-ministro do Trabalho, Secretaria Geral da Presidência, Cidadania e Casa Civil no governo Bolsonaro, perdeu a eleição para o governo do Rio Grande do Sul. Completou cinco mandatos como deputado federal. Em agosto de 2017, ele pagou R$ 14,8 mil pela averbação de dois meses de mandato de deputado federal em 2006. Não terá tempo de mandato para se aposentar no próximo ano.

Pompeo de Mattos (PDT-RS) já exerceu cinco mandatos de deputado federal e foi mais uma vez reeleito. É filiado ao PSSC desde fevereiro de 2003. Ele conseguiu em 2019 a averbação não onerosa de 5.497 dias – ou 15 anos – pelo exercício dos mandatos de vereador e prefeito de Santo Augusto (RS) e de deputado estadual de 1983 até dezembro de 1998. Assim, já conta com 35 anos de tempo de contribuição à Previdência.

Wolney Queiroz (PDT-PE) cumpriu cinco mandatos e meio como deputado federal a partir de 1995. Filiou-se ao PSSC em dezembro de 2001. Em 2015, a Câmara aprovou a averbação onerosa de 48 meses pelo deputado, correspondente ao exercício de mandato na casa de fevereiro de 1995 a janeiro de 1999. Sim, os deputados podem pagar contribuições retroativas. Ele não foi reeleito em 2022.

Walter Alves (MDB-RN) está no segundo mandato de deputado federal. Filiou-se ao PSSC assim que tomou posse, em fevereiro de 2015. Filho do ex-senador Garibaldi Alves (MDB), foi eleito vice-governador do Rio Grande do Norte nas eleições deste ano. Em 4 de novembro, a Câmara aprovou a averbação onerosa, pelo deputado, de 2.922 dias de exercício de mandato de deputado estadual, de fevereiro de 2007 a janeiro de 2015. O valor da averbação será de R$ 1 milhão.


Aposentadorias proporcionais

Os registros de deputados aposentados também mostram a prática da averbação de mandatos. Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE) exerceu cinco mandatos e meio de deputado federal, completando 22 anos na casa. Em janeiro de 2019, último ano de mandato, ele teve aprovada a averbação não onerosa de 7.091 dias – ou 19,4 anos – de contribuição vertidos ao INSS, de março de 1977 a julho de 1996. Ele está aposentado desde fevereiro de fevereiro de 2019, com pensão de R$ 29.904.

Ênio Bacci (PDT-RS) exerceu cinco mandatos de deputado federal, de 1995 a 2015. Em novembro de 2014, a Câmara aprovou a averbação onerosa, pelo deputado, de 334 dias de mandato de vereador na Câmara Municipal de Lajeado (RS), já fevereiro a dezembro de 1994. A averbação teve o valor de R$ 65 mil. Ele é aposentado desde junho de 2019 com pensão de R$ 21,2 mil.

Carlos Souza (PSDB-AM) exerceu três mandatos de deputado federal, a partir de 2003, mais um ano como suplente. Para assegurar o tempo mínimo de contribuição, ele conseguiu a averbação não onerosa de 9.037 dias – ou 25 anos – , referentes ao tempo de contribuição vertidos ao Governo do Amazonas, no período de agosto de 1982 a setembro de 2001; ao INSS, de março de 1976 a agosto de 1982; e ao Exército Brasileiro, de maio de 1971 a março de 1972. Ele recebe aposentadoria de R$ 10,6 mil desde junho de 2018.

O que diz a nova regra
O ex-deputado Luiz Carlos do Chapéu (PR-RJ) aposentou-se em 14 de fevereiro de 2019, após cumprir apenas um mandato na Câmara. O ato ocorreu dois dias antes da apresentação da Reforma da Previdência, que prometia acabar com esse tipo de privilégio. Para completar o mínimo de dois mandatos exigidos, ele aproveitou o período de quatro anos como vereador no Rio de Janeiro, mais 27 anos de contribuição ao INSS.

O artigo 14 de Reforma da Previdência vedava a adesão de novos segurados e a criação de novos planos dessa natureza. Mas algumas brechas estenderam a vida do PSSC. Primeiro, os segurados de regime de previdência de titulares de mandato eletivo tiveram prazo de 180 dias se retirar desses planos. Arquivos da Câmara mostram que 32 deputados haviam aderido ao plano em 2019.

O parágrafo primeiro desse artigo estabelece que “os segurados atuais e anteriores”, do regime de previdência vigente, o PSSC, poderiam optar pela permanência nesse regime previdenciário. Para isso, cumpririam pedágio – período adicional – de 30% do tempo de contribuição que faltasse para aquisição do direito à aposentadoria. E se aposentariam aos 62 anos, se mulher, e 65 anos, se homem. A palavra “anteriores” assegurou que ex-deputados que exerceram mandatos em anos anteriores pudessem permanecer no plano.


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COMPETÊNCIAS DO EMPREENDEDOR

 

Mara Lemes Martins

Empresas precisam ser geridas por um profissional capacitado para enfrentar todos os desafios do mundo do empreendedorismo; especialista explica

Com a chegada do mundo digital e um mundo pós pandemia, empreender tem sido uma grande opção para as pessoas. Porém, manter um negócio em pé, requer muitos desafios no dia a dia e nem sempre é tão fácil como parece – mesmo com as oportunidades das redes sociais e da internet em geral. Para se ter uma ideia, de acordo com um levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio a estes negócios (Sebrae), cerca de 23% das micro e pequenas empresas fecham as portas antes de completar cinco anos de atividade no Brasil.

Mas quais características um empreendedor deve ter ou desenvolver para manter o seu negócio em evidência por anos e anos? Abaixo, a Vice-Presidente da BNI Brasil – Business Network International – a maior e mais bem-sucedida organização de networking de negócios do mundo, Mara Lemes Martins, lista 10 competências necessárias. Confira:

1- Liderança: essa é a característica principal de um empreendedor, afinal, como abrir um negócio se você não tem espírito de liderança? Essa característica é essencial, já que provavelmente você terá uma equipe. “Saber gerenciar pessoas e negócios não é uma tarefa fácil, e um empreendedor deve ter esse dom de natureza, ou então fazer cursos para desenvolver essa característica. Um bom negócio sempre tem uma boa liderança por trás”, explica a especialista.

2- Humanização: é necessário entender e compreender o que o colaborador está passando na vida pessoal e profissional. Isso porque, as duas precisam estar alinhadas com o mesmo propósito. Além disso, ele precisa saber que está lidando com pessoas e não com objetos. “Pessoas felizes produzem mais, de acordo com uma pesquisa realizada pela Sodexo Benefícios e Incentivos, 53,8% dos brasileiros acreditam que seu propósito de vida está conectado com seu trabalho atual. A responsabilidade de um líder é engajar e engajar o seu colaborador a não desmotivar”, explica Mara.

3- Espírito de equipe: de acordo com uma pesquisa divulgada pela The Adler Group, cerca de 85% das oportunidades de trabalho são preenchidas através de indicações vindas de contatos, provando o valor de desenvolver um trabalho em equipe adequado.

Por isso, assim como saber liderar e ter ideais de humanização, um gestor também deve ter espírito de equipe e saber delegar funções. “Existem pessoas que sabem realizar todo o trabalho e preferem concentrar tudo em suas mãos, porém é necessário investir em colaboradores, com funções específicas, para que eles ajudem no desenvolvimento de atividades e melhorem os resultados da empresa. Cada um pode agregar de alguma forma para que a corporação cresça”, salienta.

4- Autogestão: essa soft skill não é apenas importante para o empreendedor, mas também para o colaborador que queira crescer dentro de uma empresa. “Saber controlar a sua própria gestão é uma habilidade não técnica mega necessária nos dias atuais, ainda mais pensando no mundo digital, onde cada vez mais as pessoas estão trabalhando home office. Um empreendedor necessita ter essa característica e ainda apostar em pessoas que também tenham – pensando no bem-estar e desenvolvimento da corporação”, comenta Mara.

5- Resiliência: o que mais existe no mundo do empreendedorismo são problemas, e eles aparecem em todo momento. “Por isso, é preciso ter resiliência para poder tomar as decisões com calma, sem impulsividade e não prejudicar a empresa. Saber agir sobre a pressão de um problema é de extrema importância para o perfil empreendedor”, diz Mara Leme.

6- Planejamento: saber incluir prazos e definir bem as suas atividades, bem como as atividades da equipe, é uma característica de extrema importância para aqueles que desejam abrir um negócio. “Desenvolver as tarefas de forma objetiva faz com que se torne possível gerar resultados mensuráveis, criando um controle maior sobre o seu projeto”, diz Mara.

7- Sede de conhecimento: existe uma forte opinião hoje em dia que não é mais necessário estudo para empreender. E com a chegada da internet, ganhar dinheiro online realmente se tornou uma opção para muitos jovens. Mas é preciso lembrar que as pessoas podem tirar tudo de você, menos o conhecimento. “Por isso, ter vontade de estudar, investir em cursos é sempre importante para seu crescimento e também o da sua empresa. Aprender nunca é demais”, complementa Mara.

8- Inovação: além de pensar em cursos para melhorar o autoconhecimento, o empreendedor também deve ter uma mente inovadora, ou seja, estar sempre pensando em ideias e melhorias para a corporação. “E isso vale também para ideias que melhorem a estrutura física da empresa, ou até em medidas para beneficiar um colaborador”, salienta.

9- Autoconfiança: essa soft skill é necessária para o empreendedor saber que é capaz de enfrentar qualquer dilema que vier em sua jornada empreendedora. “Quanto mais confiante, se torna cada vez mais possível racionalizar as tomadas de decisões. Se você é inseguro, se afunda nos problemas e triplica os gargalos de uma corporação”, explica Leme.

10- Comprometimento: o empreendedor precisa cumprir com uma agenda de tarefas, ele, geralmente, tem muitas responsabilidades em suas mãos, e tudo isso requer um comprometimento sério com todos os afazeres. “Além disso, ele deve servir como um exemplo para quem trabalha no local”, finaliza Mara.

O que é marketplace e por que investir nessa plataforma

ÚnicaPropaganda e Moysés Peruhype Carlech

Milhares de internautas utilizam o marketplace diariamente para fazer compras virtuais. Mas muitos ainda desconhecem seu conceito e como ele funciona na compra e venda de produtos.

Afinal, o que é marketplace?

O marketplace é um modelo de negócio online que pode ter seu funcionamento comparado ao de um shopping center.

Ao entrar em um shopping com a intenção de comprar um produto específico, você encontra dezenas de lojas, o que lhe permite pesquisar as opções e os preços disponibilizados por cada uma delas. Além de comprar o que você planejou inicialmente, também é possível consumir outros produtos, de diferentes lojas, marcas e segmentos.

Leve isso ao mundo virtual e você entenderá o conceito de marketplace: um lugar que reúne produtos de diversas lojas, marcas e segmentos. A diferença é que no ambiente virtual é mais fácil buscar produtos, e existe a facilidade de comprar todos eles com um pagamento unificado.

Os principais marketplaces do Brasil

A Amazon foi a primeira a popularizar esse modelo de negócio pelo mundo, e até hoje é a maior referência no assunto

No Brasil, o marketplace teve início em 2012. Quem tornou a plataforma mais conhecida foi a CNova, responsável pelas operações digitais da Casas Bahia, Extra, Ponto Frio, entre outras lojas.

Hoje, alguns nomes conhecidos no marketplace B2C são: Americanas, Magazine Luiza, Netshoes, Shoptime, Submarino e Walmart. No modelo C2C, estão nomes como Mercado Livre e OLX. Conheça os resultados de algumas dessas e de outras lojas no comércio eletrônico brasileiro.

Aqui no Vale do Aço temos o marketplace da Startup Valeon que é uma Plataforma Comercial de divulgação de Empresas, Serviços e Profissionais Liberais que surgiu para revolucionar o comércio do Vale do Aço através de sua divulgação online.

Como escolher o marketplace ideal para sua loja

Para ingressar em um marketplace, é preciso cadastrar sua loja, definir os produtos que serão vendidos e iniciar a divulgação. Mas é fundamental levar em consideração alguns pontos importantes antes de decidir onde incluir sua marca:

Forma de cobrança: cada marketplace possui seu modelo de comissão sobre as vendas realizadas, que pode variar de 9,5% a 30%. O que determina isso é a menor ou maior visibilidade que o fornecedor atribuirá a seus produtos. Ou seja, o lojista que quer obter mais anúncios para seus produtos e as melhores posições em pesquisas pagará uma comissão maior.

Na Startup Valeon não cobramos comissão e sim uma pequena mensalidade para a divulgação de seus anúncios.

Público-alvo: ao definir onde cadastrar sua loja, é essencial identificar em quais marketplaces o seu público está mais presente.

Garantimos que na Valeon seu público alvo estará presente.

Concorrentes: avalie também quais são as lojas do mesmo segmento que já fazem parte da plataforma e se os seus produtos têm potencial para competir com os ofertados por elas.

Felizmente não temos concorrentes e disponibilizamos para você cliente e consumidores o melhor marketplace que possa existir.

Reputação: para um marketplace obter tráfego e melhorar seus resultados em vendas precisa contar com parceiros que cumpram suas promessas e atendam aos compradores conforme o esperado. Atrasos na entrega, produtos com qualidade inferior à prometida e atendimento ineficiente são fatores que afastam os usuários que costumam comprar naquele ambiente virtual. Ao ingressar em um marketplace, certifique-se de que a sua loja irá contribuir com a boa reputação da plataforma e pesquise as opiniões de compradores referentes às outras lojas já cadastradas.

Temos uma ótima reputação junto ao mercado e consumidores devido a seriedade que conduzimos o nosso negócio.

Vantagens do marketplace

A plataforma da Valeon oferece vantagens para todos os envolvidos no comércio eletrônico. Confira abaixo algumas delas.

Para o consumidor

Encontrar produtos de diversos segmentos e preços competitivos em um único ambiente;

Efetuar o pagamento pelos produtos de diferentes lojistas em uma única transação.

Para o lojista

Ingressar em um comércio eletrônico bem visitado e com credibilidade, o que eleva a visibilidade de seus produtos;

Fazer parte de uma estrutura completa de atendimento e operação de vendas com um menor investimento, considerando que não será necessário pagar um custo fixo básico, como aconteceria no caso de investir na abertura de uma loja física ou online.

Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:

• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;

• Atraímos visualmente mais clientes;

• Somos mais dinâmicos;

• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;

• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;

• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.

• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as suas vendas.

Para o Marketplace

Dispor de uma ampla variedade de produtos em sua vitrine virtual, atraindo ainda mais visitantes;

Conquistar credibilidade ao ser reconhecido como um e-commerce que reúne os produtos que os consumidores buscam, o que contribui até mesmo para fidelizar clientes.

Temos nos dedicado com muito afinco em melhorar e proporcionar aos que visitam o Site uma boa avaliação do nosso canal procurando captar e entender o comportamento dos consumidores o que nos ajuda a incrementar as melhorias e campanhas de marketing que realizamos.

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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