quarta-feira, 23 de novembro de 2022

BOLSONARO RECORRE DO RESULTADO DA ELEIÇÃO

Fracassomaníaco
Mas não quero alimentar falsas esperanças

Por
Paulo Polzonoff Jr.

O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro vota na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, no Rio de Janeiro


Chamado de golpista desde que foi eleito, há quatro anos, o presidente Jair Bolsonaro continua jogando “dentro das quatro linhas”.| Foto: Fotógrafo/Agência Brasil

Enquanto no Catar a seleção francesa vai perdendo para a australiana, recebo uma mensagem de uma amiga. Ela informa que, como esperado, a campanha do presidente Jair Bolsonaro protocolou no TSE (Tribunal Socialista Eleitoral) uma representação pedindo uma investigação que, se levada adiante, em tese (e bota tese nisso!) poderia mudar o resultado da eleição. E o destino de um país por ora condenado à tragédia de um terceiro mandato presidencial de Lula.

Aí teve início uma conversa igualzinha àquela que deve estar até agora ecoando entre você e seus amigos e familiares nos lares, bares e redes sociais da vida. “E você por acaso acha que isso vai dar em alguma coisa?”, pergunto. Logo me arrependo do “por acaso”. Soou agressivo, como se a esperança insistente da amiga no “devido processo legal” fosse um sinal de loucura. Não é. A amiga é inteligente e sabe que a representação não vai prosperar. O Tribunal Soberbo Eleitoral jamais admitirá qualquer problema com o sistema de votação brasileiro.

O diálogo ganha outros contornos quando, menos agressivo (espero), confesso não estar sabendo lidar com todos as promessas de reviravolta eleitoral que pontuaram o noticiário desde o começo de novembro. Por um lado, me incomoda a sensação de estar alimentando nos leitores uma esperança falsa de que as circunstâncias como um todo mudarão de um dia para o outro, graças a uma bala de prata, uma carta na manga, uma representação no TSE ou um gesto tresloucado. Por outro, quem sou eu para tirar a esperança das pessoas?! Ninguém.

Além disso, confesso agora, no exato momento em que a França empata o jogo, que parte de mim quer que eu esteja errado. Muito errado. Ridiculamente errado. Parte de mim quer que você, leitor, possa zombar deste texto desesperançado num futuro bem próximo, dizendo algo como: “perdeu, seu fracassomaníaco mané”. Mas claro que você seria incapaz de uma indelicadeza dessas.

Fiapos de esperança
Penso no desespero que leva pessoas a se apegarem a qualquer fiapo de esperança diante dos quartéis, nas estradas e nas redes sociais. É admirável e ao mesmo tempo preocupante. Muita gente se manifesta apenas porque quer que sua ideia de mundo prevaleça. Mas entre os manifestantes também há muitos (entre os quais me incluo) cujo desespero tem outra tradução: medo de que o Brasil se transforma numa Argentina, numa Nicarágua ou numa Venezuela.

É um medo legítimo de quem teme ser incapaz de legar às gerações futuras a riqueza atual. E aqui não me refiro somente à riqueza financeira. Penso também na tradição e nos valores morais que correm, sim, risco num governo petista em conluio com o Judiciário. E sem data para terminar. De volta às dúvidas, porém. Como reconhecer e amenizar esse medo que assola milhões de brasileiros sem alimentar esperanças falsas e teorias da conspiração? Como ajudar as pessoas a não caírem num desespero que pode facilmente se transformar numa revolta crônica – inclusive uma revolta contra Deus?

Não tenho pretensão alguma de resolver este dilema com um único texto. Até porque eu mesmo não raro me pego alimentando esperanças ridículas – pelas quais ainda sou obrigado a ouvir colegas me chamando de “golpista”. Seria mesmo mais fácil e sobretudo mais prazeroso acordar e descobrir que a bala de prata atingiu o alvo ou que a carta na manga era a mais alta do baralho ou que Alexandre de Moraes caiu do cavalo.

Mas talvez Deus, em sua infinita sabedoria, esteja dando ao povo brasileiro aquilo de que precisamos, e não o que queremos. Talvez de nós, neste momento conturbado da nossa história, Deus esteja exigindo o sacrifício da luta incansável e cotidiana pelos próprios quatro anos – ou enquanto durar aquilo que já considero uma regime ditatorial socialista de facto.

(Até o fim deste texto não só a seleção da França virou o jogo para cima da Austrália como também Alexandre de Moraes respondeu cinicamente à representação da campanha de Bolsonaro, argumentando que as urnas usadas no primeiro e segundo turnos foram as mesmas e dando 24 horas para a coligação apresentar a auditoria do primeiro turno. Do contrário, a representação será simplesmente ignorada. Isso se Alexandre de Moraes não decidir que o pedido de investigação é um ataque antidemocrático às instituições, claro).

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/bolsonaro-recorre-ao-tse-mas-nao-quero-alimentar-falsas-esperancas/
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METAVERSO É UMA TENDÊNCIA NA DIGITALIZAÇÃO DA SOCIEDADE

Por Irene Silva, CEO da Ellevo Soluções.

O Metaverso ainda não é algo concreto, afinal, ele ainda está em fase de desenvolvimento da tecnologia para implementá-lo no dia-a-dia das pessoas e empresas.  Mas já existem empresas que se aventuram, principalmente no segmento de jogos, com shows de cantores famosos e seus avatares ao vivo. Enquanto Mark Zuckeberg, CEO do antigo Facebook, atual Meta, investe neste novo universo virtual, pessoas como Tim Cook, CEO da Apple, ainda possuem ressalvas quanto a esta tecnologia.

Existem duas formas de se explicar este fenômeno, a primeira podemos dizer que é otimista, e vê o Metaverso como uma tendência irrefreável na digitalização da sociedade. Cada vez mais, as pessoas passam mais tempo online, e tem se popularizado atos com experiências híbridas, como ler um cardápios de restaurantes pelo QR Code ou receber uma promoção por geolocalização. É válido afirmar que estamos apenas no início de uma jornada com destino à imersão total. Se for como os proponentes do Metaverso apontam, ele representa um mercado de mais de um trilhão de dólares até 2027. E dizem que os primeiros a chegarem ficarão com uma bela porção disto.

A outra versão é posso dizer que chega a ser mais pessimista. Ela vê este universo virtual como uma jogada arriscada, patrocinada por big techs, como Google e Meta, que precisam oferecer novidades para expandir o mercado. Seria uma forma de competir com as novas plataformas, como Tik Tok ou Twitch. O metaverso depende do hype e do investimento destas empresas. A qualquer momento, esse universo pode ser desligado da tomada e deixar de existir em pequenos instantes.

É notável que o tema Metaverso sofreu um resfriamento, até por uma questão econômica. Hoje, o cenário mundial apresenta vários desafios, como inflação, política, rompimento das cadeias de suprimento, guerra e insegurança alimentar e energética. Exemplo disso é que a venda de terrenos de um dos mais conhecidos metaversos, o Descentraland, caiu mais de 95% em relação ao ano passado. As NFTs enfrentam grande desvalorização. As ações da Meta passaram a sofrer uma queda na bolsa de valores recentemente. De acordo com a revista Forbes, Zuckerberg perdeu metade da sua fortuna e deixou de ser um dos homens mais ricos dos Estados Unidos.

O Metaverso pode ser enxergado como um recurso de branding, ou seja, uma forma de associar as empresas com inovação, digitalização e disrupção ou como um canal de atendimento, mais um lugar onde seu cliente está e, portanto, você também deveria estar para acompanhar a evolução. Alguns segmentos específicos, como o setor de eventos, podem se beneficiar em criar eventos híbridos ou digitais. Os setores de games e entretenimento pop geek, por exemplo, podem aproveitar da afinidade natural de seus clientes e usuários com a experiência digital para lançar produtos. No game Fortnite, por exemplo, já ocorreu shows como de Travis Scott, Ariana Grande e do brasileiro Emicida.

Mas vale a pena entrar no Metaverso?

Para responder esta pergunta é necessário entender qual o nível de alinhamento entre o negócio e este novo canal. É necessário se perguntar se o público-alvo do negócio é early adopter ou está alinhado às experiências de VR.

Para isso, a empresa precisa estar 100% digitalizada em todos os seus processos internos e externos, além de ter todos os setor interligados, com atendimento online otimizado e de qualidade, ou seja, serviço otimizado, na nuvem, que integre todas as áreas da empresa.  Já existem empresas que vendem dentro do Metaverso, tanto a versão do produto em NTF, quanto a física.

Muitas empresas já realizaram ações dentro do universo virtual, como as lojas Renner, que inaugurou uma loja dentro do jogo Fortnite. A Nike, o Itaú e a Balenciaga também fizeram investimentos online. Mas é importante compreender que o Metaverso não é um site, um jogo ou um console. Ele é um ecossistema que ainda não está consolidado. É comum que haja uma explosão de projetos e possibilidades para que apenas os melhores no longo prazo permaneçam. Portanto, cabe uma análise do mercado como um todo, e das opções que oferecem maiores chances de continuidade de longo prazo dentro desse “novo mundo virtual”.

Antes de expandir seu negócio para o Metaverso, é importante avaliar os riscos e refletir como está sua empresa hoje no mercado. Todos os processos estão organizados e automatizados? O atendimento ao cliente funciona em todas as plataformas e está integrado? Os processos foram migrados para a nuvem? Se a resposta é não, é vital organizar a empresa primeiro. Com a nossa expertise na área, sabemos quanto a organização é necessária para melhorar o desempenho, tanto no trabalho externo quanto no interno. Gestão e inovação são elementos fundamentais para o crescimento de qualquer negócio, mesmo fora do Metaverso.

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terça-feira, 22 de novembro de 2022

LULA É ACONSELHADO A AUMENTAR IMPOSTOS

 

Dizem especialistas

EDUARDO CUCOLO – Folha de São Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Brasil precisa elevar a carga tributária para financiar um aumento das despesas de bem-estar social, e isso pode ser feito por meio de reformas que aumentem a taxação dos mais ricos.

Essa é a avaliação de especialistas que participam de um debate sobre tributação realizado nestas segunda (21) e terça-feira (22) na FEA (faculdade de economia e administração da USP).

Entre eles, estão Esther Dweck, membro da equipe de transição do presidente eleito na área de orçamento, e Felipe Salto, secretário da Fazenda e Planejamento de São Paulo, que também tem colaborado com o futuro governo.

Dweck afirmou que a discussão de uma nova regra fiscal pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa estar ligada à busca por uma tributação mais progressiva, ou seja, que onere os mais ricos.

A ex-secretária de orçamento federal afirma que o nível de tributação no Brasil está próximo ao verificado em países com um Estado de bem-estar social robusto e que quem paga menos imposto é justamente quem tenta trazer a ideia de que a carga é muito elevada no país.

Segundo ela, a tributação não deve ser vista como uma “carga”, mas como um pacto de redistribuição de recursos.

“A gente deveria consolidar um Estado de bem-estar social no Brasil, que precisa de mais recursos, e tem de ter uma tributação mais alta para permitir isso”, afirmou durante seminário sobre taxação no Brasil organizado pelo Made (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da FEA/USP) e pela LabPub.

Felipe Salto também afirma ver necessidade de uma maior tributação para financiar uma demanda crescente por gastos sociais.

“A carga tributária vai ter de aumentar. Não vai ter estabilização da dívida/PIB se não tiver aumento, mas vamos fazer isso de maneira correta, de forma progressiva”, afirmou o secretário da Fazenda paulista, que entregou à equipe de transição uma proposta de nova regra fiscal para substituir o teto de gastos, conforme antecipado pela Folha de S.Paulo.

Vilma Pinto, diretora da IFI (Instituição Fiscal Independente), afirma que o Brasil tem nível de tributação semelhante ao da OCDE, grupo de países emergentes e desenvolvidos, mas possui taxação menor sobre renda e propriedade, e mais sobre consumo e folha de salários.

Estudo elaborado por Vilma mostra que, em geral, quanto maior a carga tributária, menos desigual o país. O Brasil é uma exceção a essa regra.

Os especialistas avaliam que convencer eleitores e parlamentares a mexer na carga tributária não será tarefa simples.

Levantamento coordenado pela professora Marta Arretche, da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP), mostra que apenas 5% das propostas tributárias que tramitaram no Legislativo desde a Constituição têm algum caráter progressivo.

Isso se for incluída na lista medidas como desoneração da cesta básica, revogação da isenção de lucros e dividendos, correção da tabela do Imposto de Renda da pessoa física e imposto sobre grandes fortunas, por exemplo.

“A preferência dominante do Congresso é pela concessão de desonerações e benefícios fiscais. Propostas progressivas são francamente minoritárias entre as proposições apresentadas”, afirma a professora.

“Se adotarmos um critério mais rigoroso sobre progressividade, esse percentual é traço, menos de 1%”, diz Arretche, destacando o PSOL como praticamente único partido com propostas realmente progressivas de tributação.

Ela afirma que esse percentual permaneceu baixo quando a esquerda estava no poder e aumentou quando esse campo político se tornou oposição.

Mas diz que isso não pode ser entendido como uma antecipação do que o próximo governo fará a partir de 2023, pois o período 2003-2016 foi marcado por forte crescimento da arrecadação que pode ter contribuído para adiar reformas nesse sentido.

Com base em outros estudos, ela afirma não ver disposição no eleitorado para aumento da carga tributária, exceto no caso de uma proposta que deixe claro os ganhos e benefícios com a maior taxação.

“Haveria disposição se isso estivesse vinculado à explicitação de ganhos e benefícios, qual o destino do recurso arrecadado e quem vai pagar mais. Isso é crucial para ter apoio do eleitor.”

Braúlio Borges, pesquisador do FGV Ibre, afirmou que o Brasil não pode se dar ao luxo de reduzir a carga tributária neste momento, mas destaca a percepção das pessoas de que elas pagam muitos tributos e têm pouco retorno em termos de bem-estar.

Por isso, é importante que as propostas de reforma tragam a discussão não só de como se arrecada, mas também de como o dinheiro é gasto, afirma.

IMPACTO DAS REFORMAS

A economista Débora Freire, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), apresentou modelos que projetam o impacto de uma reforma sobre o consumo na economia brasileira, que poderia gerar um crescimento adicional de cerca de 4% no longo prazo por conta de ganhos de eficiência e redução de custos de produção e investimentos.

Também estima que propostas que tratem da devolução de tributos aos mais pobres, modelo já adotado no Rio Grande do Sul, podem melhorar a renda dessa população.

Rozane Siqueira, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), estima que uma correção da tabela do Imposto de Renda aumenta a progressividade desse tributo, mas, se houver perda de arrecadação, o efeito sobre a desigualdade será negativo, devido à perda de receita para políticas públicas.

“Você torna o IR mais progressivo, mas pelo fato de ter perdido receita, o índice de Gini aumenta. Seria interessante ver como isso vai ser financiado.”

O evento contou ainda com o lançamento da versão impressa do livro “Progressividade tributária e crescimento econômico”, organizado pelo economista Manoel Pires.

FORÇAS ARMADAS COMEÇAM A MANIFESTAR A FAVOR DOS PROTESTOS CONTRA ALEIÇÃO DE LULA

 

IstoÉ

Não só os comandantes das Forças Armadas se manifestaram sobre os protestos contra a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as urnas eletrônicas e as decisões judiciais que excluíram das redes sociais perfis de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) que questionaram o resultado da eleição. Outros militares da ativa fizeram ou compartilharam publicações de caráter político-partidário em redes sociais.

Um dos mais ativos é o coronel Alberto Ono Horita, que comandou o 20.º Batalhão de Logística Paraquedista do Exército, foi adido militar nos Emirados Árabes e hoje dirige o Colégio Militar de Curitiba. Em 2019, o general Edson Leal Pujol fez publicar portaria na qual disciplinava o uso das redes sociais. Desde então, a conta do coronel no Twitter registrava pouquíssimas publicações. Isso mudou em 17 de setembro.

Na conta, agora sob o nome de Patriota_PQD (abreviação de paraquedista), apareceu naquele dia mensagem compartilhada sobre uma bolsonarista infiltrada em uma manifestação do “nine”. Nine é uma alusão a Lula, que teve um dedo amputado em uma prensa quando era torneiro mecânico.

Seguem-se 13 publicações de caráter político-partidário até 30 de outubro, quando a conta do coronel registra o desabafo: “Vergonha! A mentira prevalece! O crime compensa! Esse é o Brasil!”. No dia seguinte à derrota de Bolsonaro, o coronel retuitou publicação com foto do presidente: “Jair Bolsonaro é um líder espetacular, independente do que aconteça, devemos respeitá-lo por resgatar nosso patriotismo e nos dar a chance de lutar. Obrigado, capitão”.

Nos dias seguintes, há mais 39 publicações partidárias. Em uma delas, o presidente eleito e futuro comandante em chefe das Forças Armadas é chamado de “ladrão”. Há ainda acusações sem provas de fraude nas urnas e ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Contra Alexandre de Moraes, a conta do coronel diz ao compartilhar um vídeo sobre as urnas: “Que beleza, Xandão! Fez tudo para colocar seu amigo Chuchu!!!!” Xandão é uma referência a Moraes e Chuchu, ao vice-presidente eleito Geraldo Alckmin.

Generais

O perfil do coronel não foi o único no Exército que fez publicações críticas a Moraes. O comandante de uma Divisão de Exército retuitou um artigo para explicitar a “censura sob a qual o Brasil vive”. Era 24 de outubro. O mesmo fez outro general de divisão, subchefe de uma estrutura militar em Brasília, ao compartilhar publicação sobre a “censura” à rádio Jovem Pan. Era 20 de outubro.

São casos menos intensos do que o do coronel. O TSE havia derrubado contas de políticos bolsonaristas porque divulgariam fake news contra as urnas e agira contra a Jovem Pan, impondo multa a comentaristas. Um perfil de um terceiro general de divisão, um engenheiro militar, compartilhou publicações em solidariedade à rádio. Em uma delas, porém, faz menção ao PT: “Um bom teste para todos os comentaristas compartilharem essa imagem. Quem se recusar veste mais a camisa do PT do que a da JP”. A publicação é de 19 de outubro.

Estadão procurou o coronel, mas não conseguiu localizá-lo até a publicação deste texto. A reportagem também procurou o Exército, mas o comando não se manifestou.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O post Oficiais da ativa do Exército atacam Supremo, Lula e Alckmin nas redes apareceu primeiro em ISTOÉ DINHEIRO.

Governo eleito
Lula enfrenta dificuldades para dialogar com militares na transição: entenda os motivos

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília


Representantes do Alto-Comando do Exército participam de cerimônia de promoção de oficiais-generais, em agosto deste ano| Foto: Antônio Oliveira/Ministério da Defesa

A internação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a retirada de uma lesão na laringe adiou a definição dos integrantes dos grupos de trabalho que ficarão responsáveis por discutir as pautas de defesa nacional e inteligência pelo governo de transição. A expectativa era de que o anúncio fosse feito nesta segunda-feira (21).

“O presidente fez uma pequena intervenção cirúrgica, ficou para amanhã [terça, 22]”, declarou o ex-ministro Aloizio Mercadante, coordenador dos grupos técnicos do gabinete de transição, ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo interlocutores do presidente eleito, é possível, porém, que ele desembarque em Brasília apenas na noite de terça-feira (22) ou na quarta-feira (23).


A definição dos nomes dos grupos de trabalho é tratada como prioridade entre alguns aliados e membros da transição que veem a escolha dos integrantes como uma importante sinalização sobre quem serão os responsáveis pelo diálogo com as Forças Armadas.

Aliados e conselheiros de Lula alertam para a importância de quebrar resistências entre militares e pacificar o atual ambiente político do país. Sem a indicação dos nomes, fica mais difícil ampliar as vias de diálogo na caserna. Além disso, o governo eleito está tendo dificuldades em convencer a própria cúpula militar a avançar as discussões.

Na última quinta-feira (17), por exemplo, Mercadante negou dificuldades ou atraso para definir a composição dos grupos de trabalho, mas admitiu que há um “problema institucional” relacionado às Forças Armadas.

À Gazeta do Povo, militares da ativa e até mesmo da reserva confirmam reservadamente as resistências internas em relação ao governo eleito, o que causa entraves e desafios em buscar mais celeridade e um diálogo profícuo com as instituições.

Os cotados para compor o núcleo de Defesa no governo de transição
Lula está a par do clima na caserna. A presença do presidente eleito nas reuniões desta semana em Brasília é considerada imprescindível, pois será dele a palavra final neste tema sensível para o governo de transição. Há, inclusive, especulações de que a indicação do futuro ministro da Defesa possa sair das listas dos grupos de trabalho.

Segundo interlocutores, devem compor o grupo de trabalho da Defesa o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-ministro da Defesa, e a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara e ex-secretária de Produtos de Defesa da pasta.

Os ex-ministros da Defesa Aldo Rebelo e Nelson Jobim também são apontados como integrantes que devem compor o grupo de trabalho da Defesa no governo de transição. O general da reserva Gonçalves Dias, ex-chefe da segurança pessoal de Lula nos dois mandatos em que foi presidente e também na campanha deste ano, é outro que pode integrar esse núcleo temático da transição.

Parte desses integrantes já dialoga com militares, a exemplo de Wagner. Amigo pessoal de Lula, ele assegura nos bastidores que o intuito é auxiliar o presidente eleito a construir bases políticas e institucionais, inclusive com as Forças Armadas, mas diz que não reivindica cargos na equipe ministerial.

A despeito de alguns apelos para a definição dos grupos de trabalho, Lula minimizou o desafio em definir os integrantes e disse nunca ter tido problema “com o que os militares falaram em oito anos de governo”. “Então, eu não me preocupo com o que está falando o general [Walter] Braga Netto”, disse Lula na sexta-feira (18). Naquele mesmo dia, Braga Netto (PL), que concorreu como vice na chapa de Bolsonaro, tinha dito para os apoiadores do presidente não perderem a fé. “É só o que eu posso falar para vocês agora”, disse o militar.

Já Mercadante defendeu uma “composição adequada” para gerar resultados “naquilo que a gente espera para a área da Defesa”. Antes, disse que é possível haver “algumas questões pontuais” em relação às Forças Armadas. “Tem um problema institucional, o lugar das Forças Armadas, a relação com a Constituição, mas isso não é propriamente um tema do grupo de trabalho. Eu acho que não tem nenhuma dificuldade e nós faremos uma boa solução”, afirmou na semana passada.

Resistência dos militares passa pela desconfiança nas urnas
Um dos motivos de resistência interna nas Forças Armadas em um diálogo com o governo Lula é a desconfiança no resultado da eleição. Muitos dos próprios oficiais e até oficiais generais acreditam na hipótese de fraude eleitoral e não estão dispostos a reconhecer Lula como presidente, segundo disseram à Gazeta do Povo interlocutores das Forças Armadas.

O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, definiu o secretário-geral da pasta, general Sérgio José Pereira, como o interlocutor que dialogará com a equipe de transição de Lula. O critério foi escolhido por motivos técnicos, dada a experiência e formação na área administrativa e de relações institucionais.

Porém, militares sustentam que não há vontade e interesse do ministro e do Alto Comando das Forças Armadas em simplificar a relação e assegurar um alinhamento automático com o governo eleito, em especial o Exército. Na caserna, é dito que não há “pressa” em agilizar as discussões sobre as escolhas dos futuros comandantes, como acenam interlocutores do gabinete de transição.


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DITADURA DA TOGA ACABOU COM O ESTADO DE DIREITO

 

STF

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo


O ministro do STF Alexandre de Moraes.| Foto: EFE/ Joédson Alves

O presidente eleito foi operado neste domingo, no Hospital Sírio-Libanês. Foi uma operação rápida; ele tirou uma placa de uma prévia da corda vocal. Pode ser que a rouquidão dele diminua por causa disso. Eu já fiz essa cirurgia quando tinha uns 26, 27 anos, porque eu lecionava em aula cheia, forçava muito a voz, e isso acabou criando um calo na chamada corda vocal, que na verdade é uma pré. Só que exigiram que eu ficasse no mínimo uma semana sem falar, e estão anunciando que Lula só vai ficar dois dias em repouso.

Brasil vive estado de exceção, diz vice-presidente; cada vez mais brasileiros criticam o STF
Está aqui em Lisboa o vice-presidente da República. Lula passou por aqui na sexta-feira, e agora é a vez do general Hamilton Mourão, senador eleito pelo Rio Grande do Sul. Ele esteve com o presidente da República; nesta terça estará com o primeiro-ministro e o presidente do Parlamento; na quarta, se encontra com empresários brasileiros, portugueses e com o pessoal da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – como se sabe, tem língua portuguesa na Ásia, na África, na Europa e na América; o Timor-Leste fica mais perto da Oceania, mas é Ásia também. A língua portuguesa é uma das mais faladas do mundo.

Mas por que eu falei do general Mourão? Porque ele tuitou afirmando que o pacto federativo foi violado, que o Brasil está em estado de exceção; isso porque nesta quarta haverá uma reunião para a qual o ministro Alexandre de Moraes convocou comandantes de PMs e chefes de Detrans, que são subordinados aos governadores, provavelmente para tratar da liberação das vias de trânsito, que estão sob a jurisdição deles. Já tem gente, como o comandante da PM do Paraná, que já disse que não vai.


Transição para baixo
Comandantes militares se mostraram como poder moderador ao lado do povo
O ex-corregedor do Tribunal de Justiça da capital do país, desembargador Sebastião Coelho – que pediu aposentadoria precocemente por discordar de Alexandre de Moraes –, disse que mais de 80% dos juízes de primeira e segunda instância não estão de acordo com o que o Supremo está fazendo e que é preciso tomar alguma atitude, já que o Senado não faz nada, pois o Supremo não está cumprindo a Constituição.

Por sua vez, metade das OABs estaduais está exigindo uma posição da OAB nacional, tão calada quanto o Senado, que deveria tomar alguma atitude diante do desrespeito às liberdades de opinião e de manifestação – esta última, inclusive, garantida por uma lei do ano passado, pois, quando foi abolida a Lei de Segurança Nacional, o Congresso aprovou outra lei dizendo expressamente que não é crime a crítica aos poderes constituídos por meio de manifestações, aglomerações, greves etc.

E, por fim, está sendo republicada nas mídias sociais uma decisão de um ministro do Supremo Maurício Correa – que antes disso havia sido ministro da Justiça e presidente da OAB –, publicada no Diário Oficial de 7 de junho de 1996: “ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal ou a ela se submeter, ainda que emanada de autoridade judicial. Mais: é dever de cidadania opor-se à ordem ilegal. Caso contrário, nega-se o Estado de Direito”. Estado de Direito é uma coisa que já ficou para trás: aquele inquérito que prende todo mundo não respeita o devido processo legal, não ouve o Ministério Público, foi aberto por iniciativa da própria vítima, e o relator, que também é vítima, age como delegado, promotor e juiz. E isso já ocorre há algum tempo, é preciso corrigir.


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STF ESTÁ COPIANDO AS MESMAS MEDIDAS DO AI-5

 

Por
J.R. Guzzo – Gazeta do Povo


| Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF.

O Brasil se acostumou a viver na ilegalidade e não há sinais, até agora, de nenhuma reação efetiva contra isso – declarações de protesto, manifestações na frente dos quartéis, críticas aqui e ali, mas nada que mude o avanço constante do regime de exceção imposto ao país pelo poder judiciário. As autoridades cumprem ordens ilegais. Os poderes Executivo e Legislativo não exercem mais suas obrigações e seus direitos. As instituições pararam de funcionar. É como no tempo do Ato Institucional Nº 5. Ficou determinado pela força, na ocasião, que nenhuma decisão do poder Executivo estava sujeita à apreciação judicial. Na ditadura de hoje nenhuma decisão do ministro Alexandre de Moraes e dos oito colegas que seguem a ele no STF está sujeita a qualquer tipo de recurso – só se pode recorrer a eles mesmos, o que obviamente não adianta nada.

A Constituição Federal e as leis brasileiras em vigor, quaisquer que sejam, são violadas diariamente pelos ministros do STF; as liberdades públicas e os direitos civis dos cidadãos foram eliminadas. Deixou de funcionar, para efeitos práticos, qualquer sistema de controle aos atos do STF; e sem controle de ninguém, os nove ministros que mandam no tribunal estão governando o Brasil de hoje através de um inquérito policial, de ordens pessoais e decretos sem nenhum fundamento legal. O último episódio, numa série que está aí há quatro anos, é o bloqueio das contas bancárias de 43 empresas de transporte, por ordem do ministro Moraes. Não há legalidade alguma nessa decisão – é pura e simples violência.

Na ditadura de hoje nenhuma decisão do ministro Alexandre de Moraes e dos oito colegas que seguem a ele no STF está sujeita a qualquer tipo de recurso

Uma conta bancária não pode ser bloqueada sem um processo previsto em lei, por nenhum juiz brasileiro – nem as contas dos traficantes de droga estão fora desta determinação. A solicitação do bloqueio tem de vir do Ministério Público, obrigatoriamente – como qualquer denúncia criminal. No caso, as contas foram bloqueadas sem processo legal nenhum; foi apenas uma ordem de Alexandre Moraes, mais nada. O Ministério Público não pediu coisa nenhuma; na verdade, sequer foi informado do bloqueio pelo ministro. Em suma: está tudo errado, mas o Banco Central apenas obedece. Está cumprindo uma ordem ilegal, e fica tudo por isso mesmo. As transportadoras não têm a quem apelar – só podem recorrer ao próprio STF, e o STF nega todo e qualquer recurso feito contra as suas decisões.

Tudo isso é aplaudido como uma ação decisiva para combater “atos antidemocráticos”. Essa é a palavra mágica do novo Ato-5; serve como justificativa para todas as decisões ilegais do STF. Serve também, cada vez mais, para designar qualquer manifestação contrária ao novo governo.


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MARXISMO TRANSFORMOU STALIN NUM ASSASSINO CRUEL

Perfil

Por
Tiago Cordeiro – Gazeta do Povo


Joseph Stalin em 1949| Foto: Wikipedia

Ao todo, 408 pessoas cuidavam de Joseph Vissarionovich Stalin em sua residência oficial, no distrito de Kuntsevo, nos arredores de Moscou. Construído em 1933, ampliado em 1943, o imóvel era guardado por 335 seguranças – os demais funcionários zelavam pelos outros serviços, entre manutenção, jardinagem, cozinha e limpeza das roupas e dos cômodos.

Ainda assim, ao sofrer um derrame, no início de março de 1953, ele permaneceu tombado no chão de seu quarto, sobre uma poça de urina. Demorou horas para algum dos funcionários tomar a coragem necessária para abrir a porta.

Trabalhar em torno do grande líder representava uma honra. Era motivo de orgulho, e um trabalho bem remunerado. Mas a rotina consistia a andar sobre uma lâmina afiada. Um deslize, um comentário inapropriado, uma piada que no dia anterior havia feito Stalin sorrir podia ser o suficiente para cair em uma sequência bem conhecida de prisão, humilhação pública, tortura, perseguição à família e uma série de execuções.

Ao longo dos anos, especialmente desde os primeiros acidentes vasculares do líder, em 1945, centenas de médicos foram presos e mortos simplesmente porque seus diagnósticos não representavam o que o paciente queria ouvir. A demora no atendimento a Stalin em 1953, portanto, era compreensível. Pode ter acelerado o fim de sua vida – ele morreria em 5 de março, aos 74 anos.

Em seu círculo mais próximo, pouco se chorou, ainda que o funeral tenha acontecido com todas as honrarias imagináveis. Seja entre os seguranças, cozinheiros e jardineiros, seja entre os possíveis sucessores que haviam sobrevivido a décadas de perseguições e expurgos, não havia muito a se lamentar.

Controlador e cínico, o líder era acostumado a realizar jantares em que incentivava os convidados a fazer brindes repetidas vezes, apenas para observar o comportamento de cada um deles. Não foram poucos os que acordaram de ressaca e com guardas à porta.

Rapidamente, o regime se ajustaria e, na prática, inviabilizaria o surgimento de um novo Stalin – em 1956, o novo líder Nikita Kruschev denunciaria os crimes do antecessor no discurso secreto mais alardeado da história. O exemplo permaneceria, de toda forma, e ecoaria nas práticas de outros líderes responsáveis pelas mortes de milhares de pessoas, de Mao Tsé-Tung a Pol Pot.

Ainda hoje Stalin é louvado, especialmente em sua terra natal, Gori, na Geórgia, onde o Museu Josef Stalin, inaugurado em 1957, fechado em 1989 e reaberto na sequência, até hoje se mantém como atração turística popular. Ali ficou disponível uma réplica do vagão de trem blindado que ele utilizou para circular durante a Segunda Guerra Mundial. E também uma reprodução da cabana que ele habitou nos primeiros quatro anos de vida.

Estudos num seminário 
Nascido em dezembro de 1878 na república da Geórgia, um país de localização estratégica no Cáucaso, entre Rússia, Turquia, Armênia e Azerbaijão, Joseph Vissarionovich nunca se adaptou ao idioma russo. “Quando criança, falava exclusivamente georgiano, a linguagem que utilizava para compor, na juventude, versos e artigos revolucionários. Começou a estudar russo com 9 anos”, descreve o historiador russo Oleg Vitalyevich Khlevniuk, na biografia Stalin: New Biography of a Dictator [Stalin: nova biografia de um ditador, em tradução livre].

“Até o fim da vida, ele pronunciava o idioma russo com um sotaque, identificável também nas expressões idiomáticas que utilizava em seus textos”. O gosto pela palavra escrita, aliás, persistiria ao longo de toda a sua trajetória. Stalin foi um dos primeiros editores do jornal oficial da ditadura comunista, o Pravda, e passou a vida toda dedicando muitas horas à leitura.

Seu nome de nascença, que ele depois ajustaria à cultura russa, era Ioseb Besarionis dze Jughashvili. Filho de um sapateiro que ficou sem emprego e passou a beber muito e espancar a esposa e os filhos, ele não teve uma infância fácil. Os abusos físicos e verbais, somados à situação de pobreza, deixaram marcas no futuro ditador, que sofreu uma série de problemas de saúde na infância, incluindo uma crise de varíola, em 1884, que deixou sequelas visíveis em seu rosto.

Por outro lado, conseguiu uma bolsa no seminário ortodoxo de Tiflis, a capital do país. Na medida em que avançou na adolescência, o menino, que parecia a caminho de se tornar um sacerdote promissor, passou a se influenciar por literatura marxista. Mais de uma vez, ficou confinado no seminário, como punição, até que aderiu formalmente a um grupo marxista conhecido como Mesame Dasi e, em abril de 1899, abandonou os estudos em definitivo.

Como muitos dos futuros líderes da União Soviética comunista, Stalin passou os primeiros 15 anos do século 20 em uma sequência de incidentes envolvendo prisões e períodos de exílio. Em novembro de 1905, como delegado da Geórgia na conferência bolchevique em São Petersburgo, conheceu Vladimir Lenin pela primeira vez.

Os dois se desentenderam logo no primeiro momento: Stalin não concordou com a proposta de apresentar candidatos para o Poder Legislativo. Considerava que participar do processo democrático era perda de tempo.

General incompetente 

No ano seguinte, casou-se com Ekaterine Svanidze. Meses depois, tiveram um filho, Yakov Dzhugashvili. O bebê tinha apenas nove meses quando a mãe faleceu, vítima de tifo – ela tinha saúde precária, mas insistiu em continuar acompanhando o marido em suas viagens para divulgar as propostas de revolução marxista. Criado pela família, sem contato com o pai, Dzhugashvili acabaria por pegar em armas na Segunda Guerra Mundial e morreria em um campo de concentração nazista em 1943, com apenas 36 anos.

Depois de liderar, por anos, um grupo armado especializado em assaltos a banco e sequestros para levantar dinheiro para a causa, entre 1913 e 1917, Stalin manteve-se em exílio na Sibéria. “Quando a revolução socialista finalmente teve início, ele já estava à beira dos quarenta anos”, constata o biógrafo. “Os acontecimentos de 1917 dividiram sua vida em duas.”

Respeitado como líder de primeira hora, Stalin galgou cargos rapidamente. À parte as discordâncias, manteve-se seguidor de Lenin e burocrata dedicado, que não apenas pegava em armas como também tinha disposição para os intermináveis debates sobre política, realizados tanto por escrito como em comitês e assembleias. Em junho de 1918, ele assumiu sua primeira missão de peso: resgatar a economia de Tsaritsyn, atual Volvogrado. “A missão, que era econômica, rapidamente se tornou militar”, afirma Khlevniuk. Afinal, a crise alimentar era causada pelo bloqueio de ferrovias provocado por inimigos dos bolcheviques.

Sem nenhuma experiência no Exército, Stalin iniciou uma operação de grande porte, a fim de desbloquear o acesso a alimentos. “O modelo de atuação seria replicado nas primeiras etapas da guerra civil russa”, relata o biógrafo. Stalin se mostraria incompetente para a função – um problema que se repetiria nos estágios iniciais da Segunda Guerra Mundial. Diante dos questionamentos a seu desempenho, apresentados principalmente por Leon Trotsky, ele reagiria produzindo mentiras. E, principalmente, culpando os soldados e os eliminando em sessões de execuções em massa.

“O modelo teórico que ele criou para si mesmo era cambaleante e não confiável. Extremamente simplista e ineficiente, deu origem a uma série de falhas e contradições”, explica o biógrafo, deixando claro que o apego pela leitura não levou o ditador a criar uma visão de mundo sofisticada. “Ele respondia às demandas reais da vida com dogmatismo ideológico e político. Isolava-se da realidade e só aceitava mudar de posição em último caso.”

Poder inquestionável 
A partir do momento, no início da década de 1920, em que ficou claro que Lenin não viveria por muito tempo, Stalin agiu para consolidar seu poder. Em 1927, instaurou os primeiros planos quinquenais, que consistiam na coletivização da agricultura e no investimento pesado na industrialização do país. O segundo objetivo foi mais bem sucedido do que o primeiro, que resultou na crise de fome que provocou o Holodomor, na Ucrânia, entre 1932 e 1933.

Os questionamentos à liderança frágil de Stalin levaram à morte de seu principal rival, Sergei Kirov, líder do Partido Comunista em Leningrado, alvejado em sua casa em dezembro de 1934. Naquele momento, a trajetória da União Soviética poderia ter sido muito diferente. Mas Stalin reagiu como havia feito em Khlevniuk: com truculência. Tinha início o período conhecido como o Grande Expurgo, que atingiria o auge entre 1937 e 1938. Morreram pelo menos 750 mil pessoas, incluindo as principais lideranças do país, a maior parte comunistas de primeira hora, assim como a maior parte dos generais das forças armadas.

Quando, logo após a Segunda Guerra Mundial, o país enfrentou uma nova crise séria de abastecimento e milhares morreram de fome, já não havia oposição para fazer perguntas. Mesmo com a saúde fragilizada, entre 1945 e 1953 Stalin manteve próximo a si um grupo de líderes, sempre cinco ou seis homens, todos cientes de que poderiam ser mandados para a prisão a qualquer momento, a qualquer pretexto.

Stalin morreria sozinho, incapaz de se mexer. Seus filhos seriam todos perseguidos por seus sucessores. Além do já falecido Dzhugashvili, ele teria mais três filhos reconhecidos – as acusações de estupro são muitas; mulheres eram levadas a seus aposentos e costumavam acordar apenas no dia seguinte, com marcas de sexo forçado.

Um deles foi adotado: Artyom Fyodorovich Sergeyev, filho de um amigo do futuro ditador, que havia morrido em um acidente de trem em 1921. Viveria até 1981. Os outros dois foram resultado do casamento com Nadezhda Sergeyevna Alliluyeva.

A segunda esposa atuou como pesquisadora e engenheira na Academia Industrial do país, até cometer suicídio em 9 de novembro de 1932 – as brigas com o marido, a quem ela acusava de infidelidade constante, eram frequentes. Teve dois filhos, Vasily Stalin, nascido em 1921, e Svetlana Alliluyeva, de 1926.

Vasily também lutou na Segunda Guerra, assim como o meio irmão e Artyom. Mas, depois da morte do pai, passou a ser perseguido e, após nove anos vivendo entre hospitais e prisões, terminaria por falecer em 1962. Já Svetlana, com quem Stalin parecia ter uma relação mais afetuosa, acabaria por fugir para os Estados Unidos, em 1967, onde assumiu o nome de Lana Peters. Ela morreria em 2011.


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PRINCIPAIS TENDÊNCIAS DE INOVAÇÃO PARA 2023

 

Grupo FCamara

Maior evento de tecnologia e inovação do mundo mostrou tendências que já são realidade e que vão marcar ainda mais em 2023

O Grupo FCamara, ecossistema de tecnologia e inovação que potencializa a transformação dos negócios, levou mais uma vez a Imagine, sua plataforma de gestão da inovação, para o Web Summit 2022. O evento foi realizado no começo de novembro, em Lisboa, reunindo mais de 70 mil pessoas e as maiores empresas globais de tecnologia. A Imagine é voltada para gerir a inovação interna das empresas, engajando e dando voz aos colaboradores, incentivando a proposição de ideias e o intraempreendedorismo.

Considerado o maior evento de tecnologia e inovação do mundo, o Web Summit trouxe as principais tendências do setor para o próximo ano – algumas delas têm extrema relevância já em 2022. O destaque foi a tecnologia blockchain, que possibilita democratizar a internet, garantir segurança de dados e personalizar a experiência do usuário, entre outros usos.

Segundo Maiara Muraro Martins, Head do Imagine, tecnologia e inovação são setores complementares, e os que mais crescem no mundo. ”Ficamos lisonjeados de participar ao lado de empresas como Apple, Google, LinkedIn, Airbnb e Amazon. O Web Summit trouxe muitas tendências que já são realidade e outras que devem se destacar no próximo ano. Queremos implementá-las cada vez mais”, afirma Maiara.

A especialista listou as três principais tendências discutidas no evento. Confira:

1- Web

Definida como “nova fase” da World Wide Web, ou Web 3.0, tem como premissa democratizar a internet e a economia, além de dar mais controle e transparência ao usuário, utilizando blockchain e inteligência artificial. “A Web3 promete mais privacidade e melhorias no armazenamento de dados, mas o principal fator é o empoderamento, o poder de usar a internet sem um meio, canal ou intermediador”, conta Maiara.

2- NFTs

NFT é a sigla em inglês para non-fungible token (token não fungível, na tradução para o português). São ativos digitais que representam objetos no mundo real. Eles existem para serem utility tokens, chaves que dão acesso a um ativo digital e garantem a propriedade sobre ele. Cada NFT é único e insubstituível, como uma obra de arte – só que  registrada em blockchain.

3- Metaverso

Termo já conhecido e muito abordado em veículos de comunicação de todos os tipos, o metaverso vem para personalizar ainda mais a experiência do cliente, além de otimizar tempo. “Trata-se de uma réplica da realidade, usada por meio da tecnologia e do mundo digital. Também podemos falar em realidade virtual, ou aumentada”, explica Maiara.

O ponto em comum

Tanto o metaverso como as NFTs dependem do blockchain, seja para registro, construção ou negociação, e é através dele que as pessoas podem manusear seus dados do jeito que quiserem. Não há como dissociar o metaverso da Web3. O metaverso já utiliza a tecnologia de criptomoedas, dinheiro virtual inserido no universo dos games, na compra e venda de terrenos e imóveis, na customização de avatares e na oferta de bens e serviços virtuais, por exemplo As transações são autenticadas por meio da blockchain.

“Metaverso e Web3 realmente foram os grandes destaques, seja no palco principal ou nos painéis do evento. O fato é que fundos, aceleradoras, empresas e estúdios acreditam que são movimentos estruturantes e de longo prazo para uma economia que ainda vai se formar”, analisa Muraro. “Outro ponto é que embora tenha muita coisa no mercado, ainda existem muitas discussões sobre como estamos realmente no início dos debates, discutindo experiência do usuário e segurança, dois fatores também muito citados. Ou seja, essas tendências tendem a evoluir muito no próximo ano, e as empresas de tecnologia e inovação precisam se atualizar e andar conforme a carruagem”, pontua a executiva.

Depois dos aprendizados do Web Summit, Maiara Muraro Martins toma o próprio conselho para si e para a Imagine. “Para os próximos anos, é necessário evoluir o roadmap do nosso produto cada vez mais. Afinal, se a Alexa está com evolução de roadmap para se tornar um produto que proporcione uma experiência cada vez mais única, como bem nos disse Rohit Prasad, executivo da Amazon, porque nós não estaríamos?”, conclui.

Sobre o Grupo FCamara

O Grupo FCamara é um ecossistema de tecnologia e inovação que potencializa a transformação dos negócios ao prover desenvolvimento e soluções tecnológicas orientadas aos resultados dos clientes. Tem alta especialização e atua nos principais players do mercado de varejo, saúde, seguros, banking, indústria de transformação, entre outros. Após imersão no Vale do Silício, o grupo fundou sua própria Corporate Venture, que já lançou diversas startups com foco B2B. Saiba mais: www.fcamara.com.br/

O que é marketplace e por que investir nessa plataforma

ÚnicaPropaganda e Moysés Peruhype Carlech

Milhares de internautas utilizam o marketplace diariamente para fazer compras virtuais. Mas muitos ainda desconhecem seu conceito e como ele funciona na compra e venda de produtos.

Afinal, o que é marketplace?

O marketplace é um modelo de negócio online que pode ter seu funcionamento comparado ao de um shopping center.

Ao entrar em um shopping com a intenção de comprar um produto específico, você encontra dezenas de lojas, o que lhe permite pesquisar as opções e os preços disponibilizados por cada uma delas. Além de comprar o que você planejou inicialmente, também é possível consumir outros produtos, de diferentes lojas, marcas e segmentos.

Leve isso ao mundo virtual e você entenderá o conceito de marketplace: um lugar que reúne produtos de diversas lojas, marcas e segmentos. A diferença é que no ambiente virtual é mais fácil buscar produtos, e existe a facilidade de comprar todos eles com um pagamento unificado.

Os principais marketplaces do Brasil

A Amazon foi a primeira a popularizar esse modelo de negócio pelo mundo, e até hoje é a maior referência no assunto

No Brasil, o marketplace teve início em 2012. Quem tornou a plataforma mais conhecida foi a CNova, responsável pelas operações digitais da Casas Bahia, Extra, Ponto Frio, entre outras lojas.

Hoje, alguns nomes conhecidos no marketplace B2C são: Americanas, Magazine Luiza, Netshoes, Shoptime, Submarino e Walmart. No modelo C2C, estão nomes como Mercado Livre e OLX. Conheça os resultados de algumas dessas e de outras lojas no comércio eletrônico brasileiro.

Aqui no Vale do Aço temos o marketplace da Startup Valeon que é uma Plataforma Comercial de divulgação de Empresas, Serviços e Profissionais Liberais que surgiu para revolucionar o comércio do Vale do Aço através de sua divulgação online.

Como escolher o marketplace ideal para sua loja

Para ingressar em um marketplace, é preciso cadastrar sua loja, definir os produtos que serão vendidos e iniciar a divulgação. Mas é fundamental levar em consideração alguns pontos importantes antes de decidir onde incluir sua marca:

Forma de cobrança: cada marketplace possui seu modelo de comissão sobre as vendas realizadas, que pode variar de 9,5% a 30%. O que determina isso é a menor ou maior visibilidade que o fornecedor atribuirá a seus produtos. Ou seja, o lojista que quer obter mais anúncios para seus produtos e as melhores posições em pesquisas pagará uma comissão maior.

Na Startup Valeon não cobramos comissão e sim uma pequena mensalidade para a divulgação de seus anúncios.

Público-alvo: ao definir onde cadastrar sua loja, é essencial identificar em quais marketplaces o seu público está mais presente.

Garantimos que na Valeon seu público alvo estará presente.

Concorrentes: avalie também quais são as lojas do mesmo segmento que já fazem parte da plataforma e se os seus produtos têm potencial para competir com os ofertados por elas.

Felizmente não temos concorrentes e disponibilizamos para você cliente e consumidores o melhor marketplace que possa existir.

Reputação: para um marketplace obter tráfego e melhorar seus resultados em vendas precisa contar com parceiros que cumpram suas promessas e atendam aos compradores conforme o esperado. Atrasos na entrega, produtos com qualidade inferior à prometida e atendimento ineficiente são fatores que afastam os usuários que costumam comprar naquele ambiente virtual. Ao ingressar em um marketplace, certifique-se de que a sua loja irá contribuir com a boa reputação da plataforma e pesquise as opiniões de compradores referentes às outras lojas já cadastradas.

Temos uma ótima reputação junto ao mercado e consumidores devido a seriedade que conduzimos o nosso negócio.

Vantagens do marketplace

A plataforma da Valeon oferece vantagens para todos os envolvidos no comércio eletrônico. Confira abaixo algumas delas.

Para o consumidor

Encontrar produtos de diversos segmentos e preços competitivos em um único ambiente;

Efetuar o pagamento pelos produtos de diferentes lojistas em uma única transação.

Para o lojista

Ingressar em um comércio eletrônico bem visitado e com credibilidade, o que eleva a visibilidade de seus produtos;

Fazer parte de uma estrutura completa de atendimento e operação de vendas com um menor investimento, considerando que não será necessário pagar um custo fixo básico, como aconteceria no caso de investir na abertura de uma loja física ou online.

Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:

• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;

• Atraímos visualmente mais clientes;

• Somos mais dinâmicos;

• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;

• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;

• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.

• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as suas vendas.

Para o Marketplace

Dispor de uma ampla variedade de produtos em sua vitrine virtual, atraindo ainda mais visitantes;

Conquistar credibilidade ao ser reconhecido como um e-commerce que reúne os produtos que os consumidores buscam, o que contribui até mesmo para fidelizar clientes.

Temos nos dedicado com muito afinco em melhorar e proporcionar aos que visitam o Site uma boa avaliação do nosso canal procurando captar e entender o comportamento dos consumidores o que nos ajuda a incrementar as melhorias e campanhas de marketing que realizamos.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

LULA VAI RECONHECER O GOVERNO DE MADURO NA VENEZUELA

 

Venezuela
E como ficam os representantes de Guaidó no Brasil

Por
Fábio Galão – Gazeta do Povo


Lula com Hugo Chávez e Nicolás Maduro, em Manaus, em setembro de 2007: membro da equipe de transição deixou claro na semana passada o que já vinha sendo sinalizado pelo PT| Foto: EFE/Raimundo Valentim

Assim como fizeram países vizinhos onde a esquerda chegou à presidência, o Brasil vai voltar a reconhecer o ditador Nicolás Maduro como presidente da Venezuela assim que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começar seu terceiro mandato.

No início de 2019, os Estados Unidos, a União Europeia e outros países, entre eles o Brasil, já presidido por Jair Bolsonaro (hoje no PL), reconheceram o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó, como chefe de Estado.

A Argentina deixou de reconhecer o opositor a Maduro como presidente da Venezuela depois que o peronista Alberto Fernández chegou à Casa Rosada, no final de 2019. Este ano, a Colômbia fez o mesmo depois que Gustavo Petro se tornou o primeiro presidente de esquerda do país. A UE deixou de reconhecer Guaidó no ano passado.

Embora Lula ainda não tenha manifestado explicitamente que reconhecerá Maduro como presidente venezuelano, no domingo passado (13) o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), membro da equipe de transição, anunciou que isso acontecerá no novo governo brasileiro.

Pimenta participou de um ato na Embaixada da Venezuela para lembrar três anos da entrada de diplomatas de Guaidó na representação diplomática do país caribenho em Brasília.

Militantes de esquerda, que falavam em “invasão”, e de direita estiveram no local em 13 de novembro de 2019. Houve tumultos e um vídeo mostrou Pimenta ajudando funcionários de Maduro a arrastar um apoiador de Guaidó para fora da embaixada. Todos os representantes do opositor deixaram o local no mesmo dia.

Pimenta depois apresentou pedido de habeas corpus para que fosse suspensa a expulsão pelo governo brasileiro de 34 diplomatas venezuelanos ligados a Maduro, que resultou em liminar concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso.

“Foram três anos de luta, de resistência, para que pudéssemos chegar a essa data, [com] Lula eleito presidente. Em breve, teremos a oportunidade de restabelecer a normalidade das relações diplomáticas entre Brasil e Venezuela”, disse Pimenta na embaixada venezuelana no último domingo.

No ato, no qual o deputado federal foi “homenageado”, foi estendida uma faixa de campanha de Lula em frente a retratos de Hugo Chávez e de Maduro e o jingle “Lula lá” foi executado no sistema de som.

Apoio declarado
A declaração de Pimenta apenas confirmou o que já vinha sendo sinalizado desde a campanha do presidente eleito. Um dia depois da vitória de Lula no segundo turno da eleição presidencial em 30 de outubro, Maduro informou no Twitter que havia tido uma “boa conversa” com o brasileiro e que ambos falaram de “retomar a agenda de cooperação binacional”.

Em entrevista a jornalistas estrangeiros em agosto, Lula defendeu a alternância de poder, inclusive na Venezuela, mas cobrou que os Estados Unidos reconheçam o governo Maduro “porque só tem um jeito de restabelecer a convivência democrática, é não criminalizando as pessoas”. Além disso, criticou o reconhecimento de Guaidó como presidente venezuelano: “Ele era um impostor, está provado que era um impostor”.

Depois, em setembro, em entrevista no Programa do Ratinho, do SBT, o petista alegou que o Brasil se beneficiou de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a regimes de esquerda durante os governos do PT, apesar das denúncias de calote – só a Venezuela deixou de pagar R$ 3,45 bilhões.

“Quando você está financiando uma obra, você exporta sua engenharia. Quem começou a fazer o metrô de Caracas foi o presidente Fernando Henrique Cardoso. Então, primeiro, quando o BNDES empresta dinheiro, é obrigado a contratar uma empresa brasileira. Segundo, os componentes são comprados do Brasil. Então, o que você está fazendo é estar exportando, além de receber o dinheiro de volta”, argumentou.

Quando o apresentador mencionou os calotes sofridos pelo Brasil, Lula respondeu: “Todo mundo paga, você pode ter dificuldade aqui ou ali, mas todo mundo paga”.

Em 2019, quando Bolsonaro reconheceu Guaidó como o presidente venezuelano, o PT divulgou nota em que criticou a decisão do governo brasileiro.

“Essa decisão agressiva do governo brasileiro demonstra que o nosso país já não tem mais política externa autônoma, tendo-se alinhado acriticamente, e contra seus próprios interesses, à agenda geopolítica belicista e antilatinoamericana de Donad Trump [então presidente americano]”, apontou o comunicado.

Representantes de Guaidó
O reconhecimento de Maduro pelo Brasil deixará em situação incerta os representantes de Guaidó no país. Em entrevista à Gazeta do Povo, María Teresa Belandria, embaixadora do governo Guaidó no Brasil, preferiu não divulgar qual será seu destino e o do ministro-conselheiro Tomás Silva (o restante da representação é composto de voluntários) a partir de 2023, mas adiantou que ambos não voltarão à Venezuela por ora.

“Eu não posso voltar para a Venezuela, todo mundo sabe que eu não posso voltar para o meu país até pelo menos depois das negociações do México”, disse Belandria, em referência às conversas entre a ditadura chavista e a oposição para eleições presidenciais livres no país e abertura política, negociações que estão paralisadas.

No último dia 11, Alberto Fernández, Petro e o presidente da França, Emmanuel Macron, organizaram um encontro em Paris entre representantes do regime e da oposição do país caribenho e falaram da volta das conversas no México, que ainda não têm data para serem retomadas.

Belandria afirmou que ela e Silva só devem voltar à Venezuela “quando tivermos uma data para as eleições”.

“Eu acho que foi bom [o encontro em Paris], porque as pessoas que estão colocando pressão nas costas do Maduro para voltar a negociar são todas amigos deles: os presidentes da Argentina, da Colômbia”, avaliou a embaixadora. “A nossa vontade de negociar sempre existiu, nós nunca saímos da mesa.” (Colaborou Isabella Mayer de Moura)


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APOIADORES DE BOLSONARO CONTINUAM A VIGÍLIA EM FRENTE AOS QUARTÉIS

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo


Apoiadores de Bolsonaro se concentram todos os dias em frente ao quartel do Exército, em Brasília, em protesto contra o resultado da eleição presidencial.| Foto: Renan Ramalho/Gazeta do Povo

Desde o fim da apuração do segundo turno da eleição presidencial de 2022, em que Lula venceu Jair Bolsonaro por uma estreitíssima vantagem, milhares de brasileiros tomaram as ruas. Eles demonstram uma indignação que, se não é tão difusa quanto aquela que motivou as manifestações de 2013, também tem várias motivações e intenções que precisam ser analisadas com muita serenidade, empatia e equilíbrio, algo que tem faltado com frequência a diversos setores da imprensa e da cúpula do Judiciário, que de imediato passaram a qualificar os atos como “antidemocráticos” ou “golpistas”, como se a intenção de uma parte não desprezível da população brasileira tivesse essa conotação.

Os manifestantes que têm se postado diante de quartéis dia após dia, Brasil afora, têm um rol importante de reivindicações, muitas perfeitamente legítimas, mas é inegável, como fica patente pelo próprio local escolhido, que a pauta prioritária é uma interferência das Forças Armadas no processo político, como se coubesse a elas uma intervenção para restaurar a ordem institucional que os manifestantes julgam rompida. Em termos objetivos, pedem algo que caracteriza, sim, uma ruptura do funcionamento constitucional normal dos poderes de Estado, algo que, à luz de uma correta interpretação da nossa Carta Magna, pode ser considerado – objetivamente, volte-se a dizer – um golpe, um atentado à democracia, claramente ilícito. Estariam, portanto, incorrendo em tese na figura penal da incitação à prática de crime. Estariam incitando os militares a atuarem contra legem, a praticar o crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (descrito no artigo 359-L do Código Penal) ou de golpe de Estado (artigo 359-M do mesmo Código).

No entanto, muitos que fazem esse pedido julgam-se amparados pela Constituição, em razão de uma determinada interpretação de seu artigo 142 que se popularizou por ter sido avançada por um jurista de inegáveis credenciais democratas, grande prestígio e respeitabilidade. Atuam, portanto, com aquilo que em Direito Penal chamaríamos de “erro de proibição”, um erro quanto ao que a norma legal autoriza ou permite: essas pessoas não querem atuar à revelia da Constituição, não têm um animus de golpe ou de incitação a golpe, não atuam com dolo golpista; querem, na verdade, segundo seu entendimento, ver a Constituição respeitada e cumprida, dirigindo-se à luz do dia à autoridade que poderia, segundo esse mesmo entendimento, atuar para fazer valer a regra legal. Fazem-no pacificamente, sem qualquer agressividade, como cidadãos de bem que querem o melhor para seu país. Apenas se equivocam, portanto, quanto ao sentido de uma norma constitucional. Mesmo quanto ao crime de incitação, que é o tipo penal em que em tese os manifestantes incorreriam, eles atuam na verdade com o que em doutrina se chama “erro de tipo”. O crime de incitação pressupõe, na sua formulação, a consciência de se estar sugerindo a prática de algo se se sabe ser crime. Ora, em suas consciências, não estão pedindo às Forças Armadas que violem a lei penal; ao contrário, estão solicitando, segundo suas consciências, volte-se a dizer, que estas cumpram o que consideram ser um papel que a lei garante aos militares.

O pedido por uma intervenção militar, quando baseado em uma interpretação equivocada do texto constitucional que julga ser legítima tal intervenção, não pode ser considerado incitação ao crime

Observe-se, de qualquer forma, quer se trate de erro de tipo ou de erro de proibição (e o leitor haverá de nos perdoar o tecnicismo, essencial no caso em tela), que se trata de erro de interpretação. Não mais censurável que os inúmeros erros recentes de interpretação incorridos pelos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é difícil dar-se conta, por exemplo, de que o processo eleitoral de 2022 andou muito longe da normalidade que se esperaria para um país que ainda caminha para consolidar sua democracia. Os brasileiros têm todas as razões, por exemplo, para se indignar com o mero fato de Lula ter sido habilitado a participar desta eleição. Como afirmamos na noite de 30 de outubro, “em um país cuja história política é pródiga em bizarrices, podemos dizer com toda a certeza que nada supera a normalização da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República”. Uma pessoa que havia sido condenada em dois processos diferentes, em duas instâncias (com uma das condenações confirmada já na terceira instância), teve sua ficha tornada limpa novamente porque o Supremo simplesmente decidiu, anos depois, que os processos correram na cidade errada (revertendo, aliás, algo que os próprios ministros já haviam definido), anulando as condenações – sem falar de uma suspeição inventada contra o ex-juiz Sergio Moro, que teria tido o mesmo efeito de limpar a ficha de Lula caso o STF não tivesse criado o “erro de CEP”.

Erros de interpretação inaceitáveis também permeiam toda a escalada de agressões às liberdades democráticas e às garantias constitucionais promovida pelo Supremo em seus inquéritos abusivos: o das fake news, o dos “atos antidemocráticos” (já arquivado) e o das “milícias digitais”. A liberdade de expressão foi relativizada, a imunidade parlamentar foi abolida, brasileiros são perseguidos por opiniões que manifestam de forma reservada em grupos privados de aplicativos, perfis em mídias sociais são derrubados ou desmonetizados porque seus donos defendem posições legítimas, mas que batem de frente com supostos “consensos”. E, por fim, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu novos motivos para os brasileiros reclamarem, ao desequilibrar a campanha eleitoral em favor do candidato petista com suas decisões que incluíram até mesmo censura prévia, sem falar do tabu criado em torno da lisura das urnas eletrônicas, criminalizando até mesmo questionamentos de ordem técnica. Não são poucos os brasileiros que julgam com toda a sinceridade ter havido irregularidades na votação ou na apuração, especialmente depois que um relatório do Ministério da Defesa não excluiu essa possibilidade, embora também não tenha encontrado provas de fraude.


Ir às ruas por insatisfação contra a eleição de Lula ou para criticar a atuação dos tribunais superiores, em si, nada tem de antidemocrático. E quem o diz é a própria Lei dos Crimes Contra o Estado Democrático de Direito, recentemente aprovada e que incorporou ao Código Penal a importante ressalva segundo a qual “não constitui crime previsto neste Título a manifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais”. As manifestações têm sido pacíficas e não têm violado outros direitos dos brasileiros.

O erro que consiste em pedir a intervenção das Forças Armadas, por outro lado, constitui, sim, como já afirmamos, algo objetivamente reprovável, mas sem que se possa falar propriamente, na maior parte dos casos, em atitude criminosa. Uma criminalização generalizada é completamente equivocada. É claro que, se por um lado, não há elementos para responsabilizar judicialmente quem se manifesta pedindo uma intervenção militar na crença de que ela tem amparo constitucional, situação muito diferente é a daqueles que, conhecendo corretamente os limites constitucionais das Forças Armadas, mesmo assim pedem um golpe, cientes de que a ruptura por eles desejada não tem amparo legal. Estes, sim, poderiam responder por incitação, mas para isso seria preciso investigar tais pessoas de forma individualizada, sem as “criminalizações por atacado” que estão marcando as respostas de formadores de opinião e de membros do Judiciário, que se julgam sabedores do que vai na consciência de cada um desses milhares de brasileiros a ponto de classificá-los todos como “golpistas”.

Não é pela repressão judicial ou pela indiferença da mídia que a mobilização desses brasileiros irá recuar. Os pedidos de golpe militar (mesmo daqueles que consideram, equivocadamente, ser essa uma possibilidade com amparo legal) não são razoáveis, mas vários outros motivos da insatisfação popular o são. Já afirmamos em várias ocasiões que não haverá pacificação possível para o Brasil se o Poder Judiciário, especialmente o STF, mantiver sua postura atual, com decisões que agridem o Estado Democrático de Direito. O fim dos inquéritos abusivos e das perseguições infundadas é uma primeira atitude fundamental para o apaziguamento; o mesmo podemos dizer de um maior esforço para oferecer respostas mais claras às dúvidas que ainda persistem a respeito do processo eleitoral. Simplesmente dar as costas a esses brasileiros, rotulando-os de “antidemocráticos”, não resolve o problema – pelo contrário, tenderá a agravar as tensões.


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