Fracassomaníaco Mas não quero alimentar falsas esperanças
Por Paulo Polzonoff Jr.
O
presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro vota na Escola
Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, no Rio de Janeiro
Chamado de golpista desde que foi eleito, há quatro anos, o
presidente Jair Bolsonaro continua jogando “dentro das quatro linhas”.|
Foto: Fotógrafo/Agência Brasil
Enquanto no Catar a seleção
francesa vai perdendo para a australiana, recebo uma mensagem de uma
amiga. Ela informa que, como esperado, a campanha do presidente Jair
Bolsonaro protocolou no TSE (Tribunal Socialista Eleitoral) uma
representação pedindo uma investigação que, se levada adiante, em tese
(e bota tese nisso!) poderia mudar o resultado da eleição. E o destino
de um país por ora condenado à tragédia de um terceiro mandato
presidencial de Lula.
Aí teve início uma conversa igualzinha àquela que deve estar até
agora ecoando entre você e seus amigos e familiares nos lares, bares e
redes sociais da vida. “E você por acaso acha que isso vai dar em alguma
coisa?”, pergunto. Logo me arrependo do “por acaso”. Soou agressivo,
como se a esperança insistente da amiga no “devido processo legal” fosse
um sinal de loucura. Não é. A amiga é inteligente e sabe que a
representação não vai prosperar. O Tribunal Soberbo Eleitoral jamais
admitirá qualquer problema com o sistema de votação brasileiro.
O diálogo ganha outros contornos quando, menos agressivo (espero),
confesso não estar sabendo lidar com todos as promessas de reviravolta
eleitoral que pontuaram o noticiário desde o começo de novembro. Por um
lado, me incomoda a sensação de estar alimentando nos leitores uma
esperança falsa de que as circunstâncias como um todo mudarão de um dia
para o outro, graças a uma bala de prata, uma carta na manga, uma
representação no TSE ou um gesto tresloucado. Por outro, quem sou eu
para tirar a esperança das pessoas?! Ninguém.
Além disso, confesso agora, no exato momento em que a França empata o
jogo, que parte de mim quer que eu esteja errado. Muito errado.
Ridiculamente errado. Parte de mim quer que você, leitor, possa zombar
deste texto desesperançado num futuro bem próximo, dizendo algo como:
“perdeu, seu fracassomaníaco mané”. Mas claro que você seria incapaz de
uma indelicadeza dessas.
Fiapos de esperança Penso no desespero que leva pessoas a se
apegarem a qualquer fiapo de esperança diante dos quartéis, nas estradas
e nas redes sociais. É admirável e ao mesmo tempo preocupante. Muita
gente se manifesta apenas porque quer que sua ideia de mundo prevaleça.
Mas entre os manifestantes também há muitos (entre os quais me incluo)
cujo desespero tem outra tradução: medo de que o Brasil se transforma
numa Argentina, numa Nicarágua ou numa Venezuela.
É um medo legítimo de quem teme ser incapaz de legar às gerações
futuras a riqueza atual. E aqui não me refiro somente à riqueza
financeira. Penso também na tradição e nos valores morais que correm,
sim, risco num governo petista em conluio com o Judiciário. E sem data
para terminar. De volta às dúvidas, porém. Como reconhecer e amenizar
esse medo que assola milhões de brasileiros sem alimentar esperanças
falsas e teorias da conspiração? Como ajudar as pessoas a não caírem num
desespero que pode facilmente se transformar numa revolta crônica –
inclusive uma revolta contra Deus?
Não tenho pretensão alguma de resolver este dilema com um único
texto. Até porque eu mesmo não raro me pego alimentando esperanças
ridículas – pelas quais ainda sou obrigado a ouvir colegas me chamando
de “golpista”. Seria mesmo mais fácil e sobretudo mais prazeroso acordar
e descobrir que a bala de prata atingiu o alvo ou que a carta na manga
era a mais alta do baralho ou que Alexandre de Moraes caiu do cavalo.
Mas talvez Deus, em sua infinita sabedoria, esteja dando ao povo
brasileiro aquilo de que precisamos, e não o que queremos. Talvez de
nós, neste momento conturbado da nossa história, Deus esteja exigindo o
sacrifício da luta incansável e cotidiana pelos próprios quatro anos –
ou enquanto durar aquilo que já considero uma regime ditatorial
socialista de facto.
(Até o fim deste texto não só a seleção da França virou o jogo para
cima da Austrália como também Alexandre de Moraes respondeu cinicamente à
representação da campanha de Bolsonaro, argumentando que as urnas
usadas no primeiro e segundo turnos foram as mesmas e dando 24 horas
para a coligação apresentar a auditoria do primeiro turno. Do contrário,
a representação será simplesmente ignorada. Isso se Alexandre de Moraes
não decidir que o pedido de investigação é um ataque antidemocrático às
instituições, claro).
O Metaverso ainda não é algo concreto, afinal, ele ainda está em fase
de desenvolvimento da tecnologia para implementá-lo no dia-a-dia das
pessoas e empresas. Mas já existem empresas que se aventuram,
principalmente no segmento de jogos, com shows de cantores famosos e
seus avatares ao vivo. Enquanto Mark Zuckeberg, CEO do antigo Facebook,
atual Meta, investe neste novo universo virtual, pessoas como Tim Cook,
CEO da Apple, ainda possuem ressalvas quanto a esta tecnologia.
Existem duas formas de se explicar este fenômeno, a primeira podemos
dizer que é otimista, e vê o Metaverso como uma tendência irrefreável na
digitalização da sociedade. Cada vez mais, as pessoas passam mais tempo
online, e tem se popularizado atos com experiências híbridas, como ler
um cardápios de restaurantes pelo QR Code ou receber uma promoção por
geolocalização. É válido afirmar que estamos apenas no início de uma
jornada com destino à imersão total. Se for como os proponentes do
Metaverso apontam, ele representa um mercado de mais de um trilhão de
dólares até 2027. E dizem que os primeiros a chegarem ficarão com uma
bela porção disto.
A outra versão é posso dizer que chega a ser mais pessimista. Ela vê
este universo virtual como uma jogada arriscada, patrocinada por big
techs, como Google e Meta, que precisam oferecer novidades para expandir
o mercado. Seria uma forma de competir com as novas plataformas, como
Tik Tok ou Twitch. O metaverso depende do hype e do investimento destas
empresas. A qualquer momento, esse universo pode ser desligado da tomada
e deixar de existir em pequenos instantes.
É notável que o tema Metaverso sofreu um resfriamento, até por uma
questão econômica. Hoje, o cenário mundial apresenta vários desafios,
como inflação, política, rompimento das cadeias de suprimento, guerra e
insegurança alimentar e energética. Exemplo disso é que a venda de
terrenos de um dos mais conhecidos metaversos, o Descentraland, caiu
mais de 95% em relação ao ano passado. As NFTs enfrentam grande
desvalorização. As ações da Meta passaram a sofrer uma queda na bolsa de
valores recentemente. De acordo com a revista Forbes, Zuckerberg perdeu
metade da sua fortuna e deixou de ser um dos homens mais ricos dos
Estados Unidos.
O Metaverso pode ser enxergado como um recurso de branding, ou seja,
uma forma de associar as empresas com inovação, digitalização e
disrupção ou como um canal de atendimento, mais um lugar onde seu
cliente está e, portanto, você também deveria estar para acompanhar a
evolução. Alguns segmentos específicos, como o setor de eventos, podem
se beneficiar em criar eventos híbridos ou digitais. Os setores de games
e entretenimento pop geek, por exemplo, podem aproveitar da afinidade
natural de seus clientes e usuários com a experiência digital para
lançar produtos. No game Fortnite, por exemplo, já ocorreu shows como de
Travis Scott, Ariana Grande e do brasileiro Emicida.
Mas vale a pena entrar no Metaverso?
Para responder esta pergunta é necessário entender qual o nível de
alinhamento entre o negócio e este novo canal. É necessário se perguntar
se o público-alvo do negócio é early adopter ou está alinhado às
experiências de VR.
Para isso, a empresa precisa estar 100% digitalizada em todos os seus
processos internos e externos, além de ter todos os setor interligados,
com atendimento online otimizado e de qualidade, ou seja, serviço
otimizado, na nuvem, que integre todas as áreas da empresa. Já existem
empresas que vendem dentro do Metaverso, tanto a versão do produto em
NTF, quanto a física.
Muitas empresas já realizaram ações dentro do universo virtual, como
as lojas Renner, que inaugurou uma loja dentro do jogo Fortnite. A Nike,
o Itaú e a Balenciaga também fizeram investimentos online. Mas é
importante compreender que o Metaverso não é um site, um jogo ou um
console. Ele é um ecossistema que ainda não está consolidado. É comum
que haja uma explosão de projetos e possibilidades para que apenas os
melhores no longo prazo permaneçam. Portanto, cabe uma análise do
mercado como um todo, e das opções que oferecem maiores chances de
continuidade de longo prazo dentro desse “novo mundo virtual”.
Antes de expandir seu negócio para o Metaverso, é importante avaliar
os riscos e refletir como está sua empresa hoje no mercado. Todos os
processos estão organizados e automatizados? O atendimento ao cliente
funciona em todas as plataformas e está integrado? Os processos foram
migrados para a nuvem? Se a resposta é não, é vital organizar a empresa
primeiro. Com a nossa expertise na área, sabemos quanto a organização é
necessária para melhorar o desempenho, tanto no trabalho externo quanto
no interno. Gestão e inovação são elementos fundamentais para o
crescimento de qualquer negócio, mesmo fora do Metaverso.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar
ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
QUEM SOMOS
A Plataforma Comercial da Startup ValeOn é uma empresa nacional,
desenvolvedora de soluções de Tecnologia da informação com foco em
divulgação empresarial. Atua no mercado corporativo desde 2019 atendendo
as necessidades das empresas que demandam serviços de alta qualidade,
ganhos comerciais e que precisam da Tecnologia da informação como
vantagem competitiva.
Nosso principal produto é a Plataforma Comercial Valeon um
marketplace concebido para revolucionar o sistema de divulgação das
empresas da região e alavancar as suas vendas.
A Plataforma Comercial ValeOn veio para suprir as demandas da região
no que tange à divulgação dos produtos/serviços de suas empresas com uma
proposta diferenciada nos seus serviços para a conquista cada vez maior
de mais clientes e públicos.
Diferenciais
A ValeOn inova, resolvendo as necessidades dos seus clientes de
forma simples e direta, tendo como base a alta tecnologia dos seus
serviços e graças à sua equipe técnica altamente capacitada.
A ValeOn foi concebida para ser utilizada de forma simples e fácil
para todos os usuários que acessam a sua Plataforma Comercial ,
demonstrando o nosso modelo de comunicação que tem como princípio o
fácil acesso à comunicação direta com uma estrutura ágil de serviços.
A ValeOn atenderá a todos os nichos de mercado da região e
especialmente aos pequenos e microempresários da região que não
conseguem entrar no comércio eletrônico para usufruir dos benefícios que
ele proporciona.
A ValeOn é altamente comprometida com os seus clientes no
atendimento das suas demandas e prazos. O nosso objetivo será atingir os
766 mil habitantes do Vale do Aço e poder divulgar para eles os
produtos/serviços das empresas das diversas cidades que compõem a micro
região do Vale do Aço e obter dos consumidores e usuários a sua
audiência.
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Brasil precisa elevar a carga
tributária para financiar um aumento das despesas de bem-estar social, e
isso pode ser feito por meio de reformas que aumentem a taxação dos
mais ricos.
Essa é a avaliação de especialistas que participam de um debate sobre
tributação realizado nestas segunda (21) e terça-feira (22) na FEA
(faculdade de economia e administração da USP).
Entre eles, estão Esther Dweck, membro da equipe de transição do
presidente eleito na área de orçamento, e Felipe Salto, secretário da
Fazenda e Planejamento de São Paulo, que também tem colaborado com o
futuro governo.
Dweck afirmou que a discussão de uma nova regra fiscal pelo governo
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa estar ligada à busca por uma
tributação mais progressiva, ou seja, que onere os mais ricos.
A ex-secretária de orçamento federal afirma que o nível de tributação
no Brasil está próximo ao verificado em países com um Estado de
bem-estar social robusto e que quem paga menos imposto é justamente quem
tenta trazer a ideia de que a carga é muito elevada no país.
Segundo ela, a tributação não deve ser vista como uma “carga”, mas como um pacto de redistribuição de recursos.
“A gente deveria consolidar um Estado de bem-estar social no Brasil,
que precisa de mais recursos, e tem de ter uma tributação mais alta para
permitir isso”, afirmou durante seminário sobre taxação no Brasil
organizado pelo Made (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das
Desigualdades da FEA/USP) e pela LabPub.
Felipe Salto também afirma ver necessidade de uma maior tributação para financiar uma demanda crescente por gastos sociais.
“A carga tributária vai ter de aumentar. Não vai ter estabilização da
dívida/PIB se não tiver aumento, mas vamos fazer isso de maneira
correta, de forma progressiva”, afirmou o secretário da Fazenda
paulista, que entregou à equipe de transição uma proposta de nova regra
fiscal para substituir o teto de gastos, conforme antecipado pela Folha
de S.Paulo.
Vilma Pinto, diretora da IFI (Instituição Fiscal Independente),
afirma que o Brasil tem nível de tributação semelhante ao da OCDE, grupo
de países emergentes e desenvolvidos, mas possui taxação menor sobre
renda e propriedade, e mais sobre consumo e folha de salários.
Estudo elaborado por Vilma mostra que, em geral, quanto maior a carga
tributária, menos desigual o país. O Brasil é uma exceção a essa regra.
Os especialistas avaliam que convencer eleitores e parlamentares a mexer na carga tributária não será tarefa simples.
Levantamento coordenado pela professora Marta Arretche, da FFLCH
(Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP), mostra que
apenas 5% das propostas tributárias que tramitaram no Legislativo desde a
Constituição têm algum caráter progressivo.
Isso se for incluída na lista medidas como desoneração da cesta
básica, revogação da isenção de lucros e dividendos, correção da tabela
do Imposto de Renda da pessoa física e imposto sobre grandes fortunas,
por exemplo.
“A preferência dominante do Congresso é pela concessão de
desonerações e benefícios fiscais. Propostas progressivas são
francamente minoritárias entre as proposições apresentadas”, afirma a
professora.
“Se adotarmos um critério mais rigoroso sobre progressividade, esse
percentual é traço, menos de 1%”, diz Arretche, destacando o PSOL como
praticamente único partido com propostas realmente progressivas de
tributação.
Ela afirma que esse percentual permaneceu baixo quando a esquerda
estava no poder e aumentou quando esse campo político se tornou
oposição.
Mas diz que isso não pode ser entendido como uma antecipação do que o
próximo governo fará a partir de 2023, pois o período 2003-2016 foi
marcado por forte crescimento da arrecadação que pode ter contribuído
para adiar reformas nesse sentido.
Com base em outros estudos, ela afirma não ver disposição no
eleitorado para aumento da carga tributária, exceto no caso de uma
proposta que deixe claro os ganhos e benefícios com a maior taxação.
“Haveria disposição se isso estivesse vinculado à explicitação de
ganhos e benefícios, qual o destino do recurso arrecadado e quem vai
pagar mais. Isso é crucial para ter apoio do eleitor.”
Braúlio Borges, pesquisador do FGV Ibre, afirmou que o Brasil não
pode se dar ao luxo de reduzir a carga tributária neste momento, mas
destaca a percepção das pessoas de que elas pagam muitos tributos e têm
pouco retorno em termos de bem-estar.
Por isso, é importante que as propostas de reforma tragam a discussão
não só de como se arrecada, mas também de como o dinheiro é gasto,
afirma.
IMPACTO DAS REFORMAS
A economista Débora Freire, da UFMG (Universidade Federal de Minas
Gerais), apresentou modelos que projetam o impacto de uma reforma sobre o
consumo na economia brasileira, que poderia gerar um crescimento
adicional de cerca de 4% no longo prazo por conta de ganhos de
eficiência e redução de custos de produção e investimentos.
Também estima que propostas que tratem da devolução de tributos aos
mais pobres, modelo já adotado no Rio Grande do Sul, podem melhorar a
renda dessa população.
Rozane Siqueira, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), estima
que uma correção da tabela do Imposto de Renda aumenta a
progressividade desse tributo, mas, se houver perda de arrecadação, o
efeito sobre a desigualdade será negativo, devido à perda de receita
para políticas públicas.
“Você torna o IR mais progressivo, mas pelo fato de ter perdido
receita, o índice de Gini aumenta. Seria interessante ver como isso vai
ser financiado.”
O evento contou ainda com o lançamento da versão impressa do livro
“Progressividade tributária e crescimento econômico”, organizado pelo
economista Manoel Pires.
Não só os comandantes das Forças Armadas se manifestaram sobre os
protestos contra a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as urnas
eletrônicas e as decisões judiciais que excluíram das redes sociais
perfis de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) que questionaram o
resultado da eleição. Outros militares da ativa fizeram ou
compartilharam publicações de caráter político-partidário em redes
sociais.
Um dos mais ativos é o coronel Alberto Ono Horita, que comandou o
20.º Batalhão de Logística Paraquedista do Exército, foi adido militar
nos Emirados Árabes e hoje dirige o Colégio Militar de Curitiba. Em
2019, o general Edson Leal Pujol fez publicar portaria na qual
disciplinava o uso das redes sociais. Desde então, a conta do coronel no
Twitter registrava pouquíssimas publicações. Isso mudou em 17 de
setembro.
Na conta, agora sob o nome de Patriota_PQD (abreviação de
paraquedista), apareceu naquele dia mensagem compartilhada sobre uma
bolsonarista infiltrada em uma manifestação do “nine”. Nine é uma alusão
a Lula, que teve um dedo amputado em uma prensa quando era torneiro
mecânico.
Seguem-se 13 publicações de caráter político-partidário até 30 de
outubro, quando a conta do coronel registra o desabafo: “Vergonha! A
mentira prevalece! O crime compensa! Esse é o Brasil!”. No dia seguinte à
derrota de Bolsonaro, o coronel retuitou publicação com foto do
presidente: “Jair Bolsonaro é um líder espetacular, independente do que
aconteça, devemos respeitá-lo por resgatar nosso patriotismo e nos dar a
chance de lutar. Obrigado, capitão”.
Nos dias seguintes, há mais 39 publicações partidárias. Em uma delas,
o presidente eleito e futuro comandante em chefe das Forças Armadas é
chamado de “ladrão”. Há ainda acusações sem provas de fraude nas urnas e
ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal.
Contra Alexandre de Moraes, a conta do coronel diz ao compartilhar um
vídeo sobre as urnas: “Que beleza, Xandão! Fez tudo para colocar seu
amigo Chuchu!!!!” Xandão é uma referência a Moraes e Chuchu, ao
vice-presidente eleito Geraldo Alckmin.
Generais
O perfil do coronel não foi o único no Exército que fez publicações
críticas a Moraes. O comandante de uma Divisão de Exército retuitou um
artigo para explicitar a “censura sob a qual o Brasil vive”. Era 24 de
outubro. O mesmo fez outro general de divisão, subchefe de uma estrutura
militar em Brasília, ao compartilhar publicação sobre a “censura” à
rádio Jovem Pan. Era 20 de outubro.
São casos menos intensos do que o do coronel. O TSE havia derrubado
contas de políticos bolsonaristas porque divulgariam fake news contra as
urnas e agira contra a Jovem Pan, impondo multa a comentaristas. Um
perfil de um terceiro general de divisão, um engenheiro militar,
compartilhou publicações em solidariedade à rádio. Em uma delas, porém,
faz menção ao PT: “Um bom teste para todos os comentaristas
compartilharem essa imagem. Quem se recusar veste mais a camisa do PT do
que a da JP”. A publicação é de 19 de outubro.
O Estadão procurou o coronel, mas não conseguiu
localizá-lo até a publicação deste texto. A reportagem também procurou o
Exército, mas o comando não se manifestou.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Governo eleito Lula enfrenta dificuldades para dialogar com militares na transição: entenda os motivos
Por Rodolfo Costa – Gazeta do Povo Brasília
Representantes do Alto-Comando do Exército participam de
cerimônia de promoção de oficiais-generais, em agosto deste ano| Foto:
Antônio Oliveira/Ministério da Defesa
A internação do presidente
eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a retirada de uma lesão na
laringe adiou a definição dos integrantes dos grupos de trabalho que
ficarão responsáveis por discutir as pautas de defesa nacional e
inteligência pelo governo de transição. A expectativa era de que o
anúncio fosse feito nesta segunda-feira (21).
“O presidente fez uma pequena intervenção cirúrgica, ficou para
amanhã [terça, 22]”, declarou o ex-ministro Aloizio Mercadante,
coordenador dos grupos técnicos do gabinete de transição, ao jornal O
Estado de S. Paulo. Segundo interlocutores do presidente eleito, é
possível, porém, que ele desembarque em Brasília apenas na noite de
terça-feira (22) ou na quarta-feira (23).
A definição dos nomes dos grupos de trabalho é tratada como
prioridade entre alguns aliados e membros da transição que veem a
escolha dos integrantes como uma importante sinalização sobre quem serão
os responsáveis pelo diálogo com as Forças Armadas.
Aliados e conselheiros de Lula alertam para a importância de quebrar
resistências entre militares e pacificar o atual ambiente político do
país. Sem a indicação dos nomes, fica mais difícil ampliar as vias de
diálogo na caserna. Além disso, o governo eleito está tendo dificuldades
em convencer a própria cúpula militar a avançar as discussões.
Na última quinta-feira (17), por exemplo, Mercadante negou
dificuldades ou atraso para definir a composição dos grupos de trabalho,
mas admitiu que há um “problema institucional” relacionado às Forças
Armadas.
À Gazeta do Povo, militares da ativa e até mesmo da reserva confirmam
reservadamente as resistências internas em relação ao governo eleito, o
que causa entraves e desafios em buscar mais celeridade e um diálogo
profícuo com as instituições.
Os cotados para compor o núcleo de Defesa no governo de transição Lula
está a par do clima na caserna. A presença do presidente eleito nas
reuniões desta semana em Brasília é considerada imprescindível, pois
será dele a palavra final neste tema sensível para o governo de
transição. Há, inclusive, especulações de que a indicação do futuro
ministro da Defesa possa sair das listas dos grupos de trabalho.
Segundo interlocutores, devem compor o grupo de trabalho da Defesa o
senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-ministro da Defesa, e a deputada
Perpétua Almeida (PCdoB-AC), ex-presidente da Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional da Câmara e ex-secretária de Produtos de
Defesa da pasta.
Os ex-ministros da Defesa Aldo Rebelo e Nelson Jobim também são
apontados como integrantes que devem compor o grupo de trabalho da
Defesa no governo de transição. O general da reserva Gonçalves Dias,
ex-chefe da segurança pessoal de Lula nos dois mandatos em que foi
presidente e também na campanha deste ano, é outro que pode integrar
esse núcleo temático da transição.
Parte desses integrantes já dialoga com militares, a exemplo de
Wagner. Amigo pessoal de Lula, ele assegura nos bastidores que o intuito
é auxiliar o presidente eleito a construir bases políticas e
institucionais, inclusive com as Forças Armadas, mas diz que não
reivindica cargos na equipe ministerial.
A despeito de alguns apelos para a definição dos grupos de trabalho,
Lula minimizou o desafio em definir os integrantes e disse nunca ter
tido problema “com o que os militares falaram em oito anos de governo”.
“Então, eu não me preocupo com o que está falando o general [Walter]
Braga Netto”, disse Lula na sexta-feira (18). Naquele mesmo dia, Braga
Netto (PL), que concorreu como vice na chapa de Bolsonaro, tinha dito
para os apoiadores do presidente não perderem a fé. “É só o que eu posso
falar para vocês agora”, disse o militar.
Já Mercadante defendeu uma “composição adequada” para gerar
resultados “naquilo que a gente espera para a área da Defesa”. Antes,
disse que é possível haver “algumas questões pontuais” em relação às
Forças Armadas. “Tem um problema institucional, o lugar das Forças
Armadas, a relação com a Constituição, mas isso não é propriamente um
tema do grupo de trabalho. Eu acho que não tem nenhuma dificuldade e nós
faremos uma boa solução”, afirmou na semana passada.
Resistência dos militares passa pela desconfiança nas urnas Um dos
motivos de resistência interna nas Forças Armadas em um diálogo com o
governo Lula é a desconfiança no resultado da eleição. Muitos dos
próprios oficiais e até oficiais generais acreditam na hipótese de
fraude eleitoral e não estão dispostos a reconhecer Lula como
presidente, segundo disseram à Gazeta do Povo interlocutores das Forças
Armadas.
O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, definiu o
secretário-geral da pasta, general Sérgio José Pereira, como o
interlocutor que dialogará com a equipe de transição de Lula. O critério
foi escolhido por motivos técnicos, dada a experiência e formação na
área administrativa e de relações institucionais.
Porém, militares sustentam que não há vontade e interesse do ministro
e do Alto Comando das Forças Armadas em simplificar a relação e
assegurar um alinhamento automático com o governo eleito, em especial o
Exército. Na caserna, é dito que não há “pressa” em agilizar as
discussões sobre as escolhas dos futuros comandantes, como acenam
interlocutores do gabinete de transição.
O ministro do STF Alexandre de Moraes.| Foto: EFE/ Joédson Alves
O presidente eleito foi operado neste domingo, no Hospital
Sírio-Libanês. Foi uma operação rápida; ele tirou uma placa de uma
prévia da corda vocal. Pode ser que a rouquidão dele diminua por causa
disso. Eu já fiz essa cirurgia quando tinha uns 26, 27 anos, porque eu
lecionava em aula cheia, forçava muito a voz, e isso acabou criando um
calo na chamada corda vocal, que na verdade é uma pré. Só que exigiram
que eu ficasse no mínimo uma semana sem falar, e estão anunciando que
Lula só vai ficar dois dias em repouso.
Brasil vive estado de exceção, diz vice-presidente; cada vez mais brasileiros criticam o STF Está
aqui em Lisboa o vice-presidente da República. Lula passou por aqui na
sexta-feira, e agora é a vez do general Hamilton Mourão, senador eleito
pelo Rio Grande do Sul. Ele esteve com o presidente da República; nesta
terça estará com o primeiro-ministro e o presidente do Parlamento; na
quarta, se encontra com empresários brasileiros, portugueses e com o
pessoal da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – como se sabe,
tem língua portuguesa na Ásia, na África, na Europa e na América; o
Timor-Leste fica mais perto da Oceania, mas é Ásia também. A língua
portuguesa é uma das mais faladas do mundo.
Mas por que eu falei do general Mourão? Porque ele tuitou afirmando
que o pacto federativo foi violado, que o Brasil está em estado de
exceção; isso porque nesta quarta haverá uma reunião para a qual o
ministro Alexandre de Moraes convocou comandantes de PMs e chefes de
Detrans, que são subordinados aos governadores, provavelmente para
tratar da liberação das vias de trânsito, que estão sob a jurisdição
deles. Já tem gente, como o comandante da PM do Paraná, que já disse que
não vai.
Transição para baixo Comandantes militares se mostraram como poder moderador ao lado do povo O
ex-corregedor do Tribunal de Justiça da capital do país, desembargador
Sebastião Coelho – que pediu aposentadoria precocemente por discordar de
Alexandre de Moraes –, disse que mais de 80% dos juízes de primeira e
segunda instância não estão de acordo com o que o Supremo está fazendo e
que é preciso tomar alguma atitude, já que o Senado não faz nada, pois o
Supremo não está cumprindo a Constituição.
Por sua vez, metade das OABs estaduais está exigindo uma posição da
OAB nacional, tão calada quanto o Senado, que deveria tomar alguma
atitude diante do desrespeito às liberdades de opinião e de manifestação
– esta última, inclusive, garantida por uma lei do ano passado, pois,
quando foi abolida a Lei de Segurança Nacional, o Congresso aprovou
outra lei dizendo expressamente que não é crime a crítica aos poderes
constituídos por meio de manifestações, aglomerações, greves etc.
E, por fim, está sendo republicada nas mídias sociais uma decisão de
um ministro do Supremo Maurício Correa – que antes disso havia sido
ministro da Justiça e presidente da OAB –, publicada no Diário Oficial
de 7 de junho de 1996: “ninguém é obrigado a cumprir ordem ilegal ou a
ela se submeter, ainda que emanada de autoridade judicial. Mais: é dever
de cidadania opor-se à ordem ilegal. Caso contrário, nega-se o Estado
de Direito”. Estado de Direito é uma coisa que já ficou para trás:
aquele inquérito que prende todo mundo não respeita o devido processo
legal, não ouve o Ministério Público, foi aberto por iniciativa da
própria vítima, e o relator, que também é vítima, age como delegado,
promotor e juiz. E isso já ocorre há algum tempo, é preciso corrigir.
O Brasil se acostumou a
viver na ilegalidade e não há sinais, até agora, de nenhuma reação
efetiva contra isso – declarações de protesto, manifestações na frente
dos quartéis, críticas aqui e ali, mas nada que mude o avanço constante
do regime de exceção imposto ao país pelo poder judiciário. As
autoridades cumprem ordens ilegais. Os poderes Executivo e Legislativo
não exercem mais suas obrigações e seus direitos. As instituições
pararam de funcionar. É como no tempo do Ato Institucional Nº 5. Ficou
determinado pela força, na ocasião, que nenhuma decisão do poder
Executivo estava sujeita à apreciação judicial. Na ditadura de hoje
nenhuma decisão do ministro Alexandre de Moraes e dos oito colegas que
seguem a ele no STF está sujeita a qualquer tipo de recurso – só se pode
recorrer a eles mesmos, o que obviamente não adianta nada.
A Constituição Federal e as leis brasileiras em vigor, quaisquer que
sejam, são violadas diariamente pelos ministros do STF; as liberdades
públicas e os direitos civis dos cidadãos foram eliminadas. Deixou de
funcionar, para efeitos práticos, qualquer sistema de controle aos atos
do STF; e sem controle de ninguém, os nove ministros que mandam no
tribunal estão governando o Brasil de hoje através de um inquérito
policial, de ordens pessoais e decretos sem nenhum fundamento legal. O
último episódio, numa série que está aí há quatro anos, é o bloqueio das
contas bancárias de 43 empresas de transporte, por ordem do ministro
Moraes. Não há legalidade alguma nessa decisão – é pura e simples
violência.
Na ditadura de hoje nenhuma decisão do ministro Alexandre de Moraes e
dos oito colegas que seguem a ele no STF está sujeita a qualquer tipo
de recurso
Uma conta bancária não pode ser bloqueada sem um processo previsto em
lei, por nenhum juiz brasileiro – nem as contas dos traficantes de
droga estão fora desta determinação. A solicitação do bloqueio tem de
vir do Ministério Público, obrigatoriamente – como qualquer denúncia
criminal. No caso, as contas foram bloqueadas sem processo legal nenhum;
foi apenas uma ordem de Alexandre Moraes, mais nada. O Ministério
Público não pediu coisa nenhuma; na verdade, sequer foi informado do
bloqueio pelo ministro. Em suma: está tudo errado, mas o Banco Central
apenas obedece. Está cumprindo uma ordem ilegal, e fica tudo por isso
mesmo. As transportadoras não têm a quem apelar – só podem recorrer ao
próprio STF, e o STF nega todo e qualquer recurso feito contra as suas
decisões.
Tudo isso é aplaudido como uma ação decisiva para combater “atos
antidemocráticos”. Essa é a palavra mágica do novo Ato-5; serve como
justificativa para todas as decisões ilegais do STF. Serve também, cada
vez mais, para designar qualquer manifestação contrária ao novo governo.
Ao todo, 408
pessoas cuidavam de Joseph Vissarionovich Stalin em sua residência
oficial, no distrito de Kuntsevo, nos arredores de Moscou. Construído em
1933, ampliado em 1943, o imóvel era guardado por 335 seguranças – os
demais funcionários zelavam pelos outros serviços, entre manutenção,
jardinagem, cozinha e limpeza das roupas e dos cômodos.
Ainda assim, ao sofrer um derrame, no início de março de 1953, ele
permaneceu tombado no chão de seu quarto, sobre uma poça de urina.
Demorou horas para algum dos funcionários tomar a coragem necessária
para abrir a porta.
Trabalhar em torno do grande líder representava uma honra. Era motivo
de orgulho, e um trabalho bem remunerado. Mas a rotina consistia a
andar sobre uma lâmina afiada. Um deslize, um comentário inapropriado,
uma piada que no dia anterior havia feito Stalin sorrir podia ser o
suficiente para cair em uma sequência bem conhecida de prisão,
humilhação pública, tortura, perseguição à família e uma série de
execuções.
Ao longo dos anos, especialmente desde os primeiros acidentes
vasculares do líder, em 1945, centenas de médicos foram presos e mortos
simplesmente porque seus diagnósticos não representavam o que o paciente
queria ouvir. A demora no atendimento a Stalin em 1953, portanto, era
compreensível. Pode ter acelerado o fim de sua vida – ele morreria em 5
de março, aos 74 anos.
Em seu círculo mais próximo, pouco se chorou, ainda que o funeral
tenha acontecido com todas as honrarias imagináveis. Seja entre os
seguranças, cozinheiros e jardineiros, seja entre os possíveis
sucessores que haviam sobrevivido a décadas de perseguições e expurgos,
não havia muito a se lamentar.
Controlador e cínico, o líder era acostumado a realizar jantares em
que incentivava os convidados a fazer brindes repetidas vezes, apenas
para observar o comportamento de cada um deles. Não foram poucos os que
acordaram de ressaca e com guardas à porta.
Rapidamente, o regime se ajustaria e, na prática, inviabilizaria o
surgimento de um novo Stalin – em 1956, o novo líder Nikita Kruschev
denunciaria os crimes do antecessor no discurso secreto mais alardeado
da história. O exemplo permaneceria, de toda forma, e ecoaria nas
práticas de outros líderes responsáveis pelas mortes de milhares de
pessoas, de Mao Tsé-Tung a Pol Pot.
Ainda hoje Stalin é louvado, especialmente em sua terra natal, Gori,
na Geórgia, onde o Museu Josef Stalin, inaugurado em 1957, fechado em
1989 e reaberto na sequência, até hoje se mantém como atração turística
popular. Ali ficou disponível uma réplica do vagão de trem blindado que
ele utilizou para circular durante a Segunda Guerra Mundial. E também
uma reprodução da cabana que ele habitou nos primeiros quatro anos de
vida.
Estudos num seminário Nascido em dezembro de 1878 na república da
Geórgia, um país de localização estratégica no Cáucaso, entre Rússia,
Turquia, Armênia e Azerbaijão, Joseph Vissarionovich nunca se adaptou ao
idioma russo. “Quando criança, falava exclusivamente georgiano, a
linguagem que utilizava para compor, na juventude, versos e artigos
revolucionários. Começou a estudar russo com 9 anos”, descreve o
historiador russo Oleg Vitalyevich Khlevniuk, na biografia Stalin: New
Biography of a Dictator [Stalin: nova biografia de um ditador, em
tradução livre].
“Até o fim da vida, ele pronunciava o idioma russo com um sotaque,
identificável também nas expressões idiomáticas que utilizava em seus
textos”. O gosto pela palavra escrita, aliás, persistiria ao longo de
toda a sua trajetória. Stalin foi um dos primeiros editores do jornal
oficial da ditadura comunista, o Pravda, e passou a vida toda dedicando
muitas horas à leitura.
Seu nome de nascença, que ele depois ajustaria à cultura russa, era
Ioseb Besarionis dze Jughashvili. Filho de um sapateiro que ficou sem
emprego e passou a beber muito e espancar a esposa e os filhos, ele não
teve uma infância fácil. Os abusos físicos e verbais, somados à situação
de pobreza, deixaram marcas no futuro ditador, que sofreu uma série de
problemas de saúde na infância, incluindo uma crise de varíola, em 1884,
que deixou sequelas visíveis em seu rosto.
Por outro lado, conseguiu uma bolsa no seminário ortodoxo de Tiflis, a
capital do país. Na medida em que avançou na adolescência, o menino,
que parecia a caminho de se tornar um sacerdote promissor, passou a se
influenciar por literatura marxista. Mais de uma vez, ficou confinado no
seminário, como punição, até que aderiu formalmente a um grupo marxista
conhecido como Mesame Dasi e, em abril de 1899, abandonou os estudos em
definitivo.
Como muitos dos futuros líderes da União Soviética comunista, Stalin
passou os primeiros 15 anos do século 20 em uma sequência de incidentes
envolvendo prisões e períodos de exílio. Em novembro de 1905, como
delegado da Geórgia na conferência bolchevique em São Petersburgo,
conheceu Vladimir Lenin pela primeira vez.
Os dois se desentenderam logo no primeiro momento: Stalin não
concordou com a proposta de apresentar candidatos para o Poder
Legislativo. Considerava que participar do processo democrático era
perda de tempo.
General incompetente
No ano seguinte, casou-se com Ekaterine Svanidze. Meses depois,
tiveram um filho, Yakov Dzhugashvili. O bebê tinha apenas nove meses
quando a mãe faleceu, vítima de tifo – ela tinha saúde precária, mas
insistiu em continuar acompanhando o marido em suas viagens para
divulgar as propostas de revolução marxista. Criado pela família, sem
contato com o pai, Dzhugashvili acabaria por pegar em armas na Segunda
Guerra Mundial e morreria em um campo de concentração nazista em 1943,
com apenas 36 anos.
Depois de liderar, por anos, um grupo armado especializado em
assaltos a banco e sequestros para levantar dinheiro para a causa, entre
1913 e 1917, Stalin manteve-se em exílio na Sibéria. “Quando a
revolução socialista finalmente teve início, ele já estava à beira dos
quarenta anos”, constata o biógrafo. “Os acontecimentos de 1917
dividiram sua vida em duas.”
Respeitado como líder de primeira hora, Stalin galgou cargos
rapidamente. À parte as discordâncias, manteve-se seguidor de Lenin e
burocrata dedicado, que não apenas pegava em armas como também tinha
disposição para os intermináveis debates sobre política, realizados
tanto por escrito como em comitês e assembleias. Em junho de 1918, ele
assumiu sua primeira missão de peso: resgatar a economia de Tsaritsyn,
atual Volvogrado. “A missão, que era econômica, rapidamente se tornou
militar”, afirma Khlevniuk. Afinal, a crise alimentar era causada pelo
bloqueio de ferrovias provocado por inimigos dos bolcheviques.
Sem nenhuma experiência no Exército, Stalin iniciou uma operação de
grande porte, a fim de desbloquear o acesso a alimentos. “O modelo de
atuação seria replicado nas primeiras etapas da guerra civil russa”,
relata o biógrafo. Stalin se mostraria incompetente para a função – um
problema que se repetiria nos estágios iniciais da Segunda Guerra
Mundial. Diante dos questionamentos a seu desempenho, apresentados
principalmente por Leon Trotsky, ele reagiria produzindo mentiras. E,
principalmente, culpando os soldados e os eliminando em sessões de
execuções em massa.
“O modelo teórico que ele criou para si mesmo era cambaleante e não
confiável. Extremamente simplista e ineficiente, deu origem a uma série
de falhas e contradições”, explica o biógrafo, deixando claro que o
apego pela leitura não levou o ditador a criar uma visão de mundo
sofisticada. “Ele respondia às demandas reais da vida com dogmatismo
ideológico e político. Isolava-se da realidade e só aceitava mudar de
posição em último caso.”
Poder inquestionável A partir do momento, no início da década de
1920, em que ficou claro que Lenin não viveria por muito tempo, Stalin
agiu para consolidar seu poder. Em 1927, instaurou os primeiros planos
quinquenais, que consistiam na coletivização da agricultura e no
investimento pesado na industrialização do país. O segundo objetivo foi
mais bem sucedido do que o primeiro, que resultou na crise de fome que
provocou o Holodomor, na Ucrânia, entre 1932 e 1933.
Os questionamentos à liderança frágil de Stalin levaram à morte de
seu principal rival, Sergei Kirov, líder do Partido Comunista em
Leningrado, alvejado em sua casa em dezembro de 1934. Naquele momento, a
trajetória da União Soviética poderia ter sido muito diferente. Mas
Stalin reagiu como havia feito em Khlevniuk: com truculência. Tinha
início o período conhecido como o Grande Expurgo, que atingiria o auge
entre 1937 e 1938. Morreram pelo menos 750 mil pessoas, incluindo as
principais lideranças do país, a maior parte comunistas de primeira
hora, assim como a maior parte dos generais das forças armadas.
Quando, logo após a Segunda Guerra Mundial, o país enfrentou uma nova
crise séria de abastecimento e milhares morreram de fome, já não havia
oposição para fazer perguntas. Mesmo com a saúde fragilizada, entre 1945
e 1953 Stalin manteve próximo a si um grupo de líderes, sempre cinco ou
seis homens, todos cientes de que poderiam ser mandados para a prisão a
qualquer momento, a qualquer pretexto.
Stalin morreria sozinho, incapaz de se mexer. Seus filhos seriam
todos perseguidos por seus sucessores. Além do já falecido Dzhugashvili,
ele teria mais três filhos reconhecidos – as acusações de estupro são
muitas; mulheres eram levadas a seus aposentos e costumavam acordar
apenas no dia seguinte, com marcas de sexo forçado.
Um deles foi adotado: Artyom Fyodorovich Sergeyev, filho de um amigo
do futuro ditador, que havia morrido em um acidente de trem em 1921.
Viveria até 1981. Os outros dois foram resultado do casamento com
Nadezhda Sergeyevna Alliluyeva.
A segunda esposa atuou como pesquisadora e engenheira na Academia
Industrial do país, até cometer suicídio em 9 de novembro de 1932 – as
brigas com o marido, a quem ela acusava de infidelidade constante, eram
frequentes. Teve dois filhos, Vasily Stalin, nascido em 1921, e Svetlana
Alliluyeva, de 1926.
Vasily também lutou na Segunda Guerra, assim como o meio irmão e
Artyom. Mas, depois da morte do pai, passou a ser perseguido e, após
nove anos vivendo entre hospitais e prisões, terminaria por falecer em
1962. Já Svetlana, com quem Stalin parecia ter uma relação mais
afetuosa, acabaria por fugir para os Estados Unidos, em 1967, onde
assumiu o nome de Lana Peters. Ela morreria em 2011.
Maior evento de tecnologia e inovação do mundo mostrou tendências que já são realidade e que vão marcar ainda mais em 2023
O Grupo FCamara, ecossistema de tecnologia e inovação que
potencializa a transformação dos negócios, levou mais uma vez a Imagine,
sua plataforma de gestão da inovação, para o Web Summit 2022. O evento
foi realizado no começo de novembro, em Lisboa, reunindo mais de 70 mil
pessoas e as maiores empresas globais de tecnologia. A Imagine é voltada
para gerir a inovação interna das empresas, engajando e dando voz aos
colaboradores, incentivando a proposição de ideias e o
intraempreendedorismo.
Considerado o maior evento de tecnologia e inovação do mundo, o Web
Summit trouxe as principais tendências do setor para o próximo ano –
algumas delas têm extrema relevância já em 2022. O destaque foi a
tecnologia blockchain, que possibilita democratizar a internet, garantir
segurança de dados e personalizar a experiência do usuário, entre
outros usos.
Segundo Maiara Muraro Martins, Head do Imagine, tecnologia e inovação
são setores complementares, e os que mais crescem no mundo. ”Ficamos
lisonjeados de participar ao lado de empresas como Apple, Google,
LinkedIn, Airbnb e Amazon. O Web Summit trouxe muitas tendências que já
são realidade e outras que devem se destacar no próximo ano. Queremos
implementá-las cada vez mais”, afirma Maiara.
A especialista listou as três principais tendências discutidas no evento. Confira:
1- Web
Definida como “nova fase” da World Wide Web, ou Web 3.0, tem como
premissa democratizar a internet e a economia, além de dar mais controle
e transparência ao usuário, utilizando blockchain e inteligência
artificial. “A Web3 promete mais privacidade e melhorias no
armazenamento de dados, mas o principal fator é o empoderamento, o poder
de usar a internet sem um meio, canal ou intermediador”, conta Maiara.
2- NFTs
NFT é a sigla em inglês para non-fungible token (token não fungível,
na tradução para o português). São ativos digitais que representam
objetos no mundo real. Eles existem para serem utility tokens, chaves
que dão acesso a um ativo digital e garantem a propriedade sobre ele.
Cada NFT é único e insubstituível, como uma obra de arte – só que
registrada em blockchain.
3- Metaverso
Termo já conhecido e muito abordado em veículos de comunicação de
todos os tipos, o metaverso vem para personalizar ainda mais a
experiência do cliente, além de otimizar tempo. “Trata-se de uma réplica
da realidade, usada por meio da tecnologia e do mundo digital. Também
podemos falar em realidade virtual, ou aumentada”, explica Maiara.
O ponto em comum
Tanto o metaverso como as NFTs dependem do blockchain, seja para
registro, construção ou negociação, e é através dele que as pessoas
podem manusear seus dados do jeito que quiserem. Não há como dissociar o
metaverso da Web3. O metaverso já utiliza a tecnologia de criptomoedas,
dinheiro virtual inserido no universo dos games, na compra e venda de
terrenos e imóveis, na customização de avatares e na oferta de bens e
serviços virtuais, por exemplo As transações são autenticadas por meio
da blockchain.
“Metaverso e Web3 realmente foram os grandes destaques, seja no palco
principal ou nos painéis do evento. O fato é que fundos, aceleradoras,
empresas e estúdios acreditam que são movimentos estruturantes e de
longo prazo para uma economia que ainda vai se formar”, analisa Muraro.
“Outro ponto é que embora tenha muita coisa no mercado, ainda existem
muitas discussões sobre como estamos realmente no início dos debates,
discutindo experiência do usuário e segurança, dois fatores também muito
citados. Ou seja, essas tendências tendem a evoluir muito no próximo
ano, e as empresas de tecnologia e inovação precisam se atualizar e
andar conforme a carruagem”, pontua a executiva.
Depois dos aprendizados do Web Summit, Maiara Muraro Martins toma o
próprio conselho para si e para a Imagine. “Para os próximos anos, é
necessário evoluir o roadmap do nosso produto cada vez mais. Afinal, se a
Alexa está com evolução de roadmap para se tornar um produto que
proporcione uma experiência cada vez mais única, como bem nos disse
Rohit Prasad, executivo da Amazon, porque nós não estaríamos?”, conclui.
Sobre o Grupo FCamara
O Grupo FCamara é um ecossistema de tecnologia e inovação que
potencializa a transformação dos negócios ao prover desenvolvimento e
soluções tecnológicas orientadas aos resultados dos clientes. Tem alta
especialização e atua nos principais players do mercado de varejo,
saúde, seguros, banking, indústria de transformação, entre outros. Após
imersão no Vale do Silício, o grupo fundou sua própria Corporate
Venture, que já lançou diversas startups com foco B2B. Saiba mais:
www.fcamara.com.br/
O que é marketplace e por que investir nessa plataforma
ÚnicaPropaganda e Moysés Peruhype Carlech
Milhares de internautas utilizam o marketplace diariamente para fazer
compras virtuais. Mas muitos ainda desconhecem seu conceito e como ele
funciona na compra e venda de produtos.
Afinal, o que é marketplace?
O marketplace é um modelo de negócio online que pode ter seu funcionamento comparado ao de um shopping center.
Ao entrar em um shopping com a intenção de comprar um produto
específico, você encontra dezenas de lojas, o que lhe permite pesquisar
as opções e os preços disponibilizados por cada uma delas. Além de
comprar o que você planejou inicialmente, também é possível consumir
outros produtos, de diferentes lojas, marcas e segmentos.
Leve isso ao mundo virtual e você entenderá o conceito de
marketplace: um lugar que reúne produtos de diversas lojas, marcas e
segmentos. A diferença é que no ambiente virtual é mais fácil buscar
produtos, e existe a facilidade de comprar todos eles com um pagamento
unificado.
Os principais marketplaces do Brasil
A Amazon foi a primeira a popularizar esse modelo de negócio pelo mundo, e até hoje é a maior referência no assunto
No Brasil, o marketplace teve início em 2012. Quem tornou a
plataforma mais conhecida foi a CNova, responsável pelas operações
digitais da Casas Bahia, Extra, Ponto Frio, entre outras lojas.
Hoje, alguns nomes conhecidos no marketplace B2C são: Americanas,
Magazine Luiza, Netshoes, Shoptime, Submarino e Walmart. No modelo C2C,
estão nomes como Mercado Livre e OLX. Conheça os resultados de algumas
dessas e de outras lojas no comércio eletrônico brasileiro.
Aqui no Vale do Aço temos o marketplace da Startup Valeon que é uma
Plataforma Comercial de divulgação de Empresas, Serviços e Profissionais
Liberais que surgiu para revolucionar o comércio do Vale do Aço através
de sua divulgação online.
Como escolher o marketplace ideal para sua loja
Para ingressar em um marketplace, é preciso cadastrar sua loja,
definir os produtos que serão vendidos e iniciar a divulgação. Mas é
fundamental levar em consideração alguns pontos importantes antes de
decidir onde incluir sua marca:
Forma de cobrança: cada marketplace possui seu modelo de comissão
sobre as vendas realizadas, que pode variar de 9,5% a 30%. O que
determina isso é a menor ou maior visibilidade que o fornecedor
atribuirá a seus produtos. Ou seja, o lojista que quer obter mais
anúncios para seus produtos e as melhores posições em pesquisas pagará
uma comissão maior.
Na Startup Valeon não cobramos comissão e sim uma pequena mensalidade para a divulgação de seus anúncios.
Público-alvo: ao definir onde cadastrar sua loja, é essencial
identificar em quais marketplaces o seu público está mais presente.
Garantimos que na Valeon seu público alvo estará presente.
Concorrentes: avalie também quais são as lojas do mesmo segmento que
já fazem parte da plataforma e se os seus produtos têm potencial para
competir com os ofertados por elas.
Felizmente não temos concorrentes e disponibilizamos para você cliente e consumidores o melhor marketplace que possa existir.
Reputação: para um marketplace obter tráfego e melhorar seus
resultados em vendas precisa contar com parceiros que cumpram suas
promessas e atendam aos compradores conforme o esperado. Atrasos na
entrega, produtos com qualidade inferior à prometida e atendimento
ineficiente são fatores que afastam os usuários que costumam comprar
naquele ambiente virtual. Ao ingressar em um marketplace, certifique-se
de que a sua loja irá contribuir com a boa reputação da plataforma e
pesquise as opiniões de compradores referentes às outras lojas já
cadastradas.
Temos uma ótima reputação junto ao mercado e consumidores devido a seriedade que conduzimos o nosso negócio.
Vantagens do marketplace
A plataforma da Valeon oferece vantagens para todos os envolvidos no comércio eletrônico. Confira abaixo algumas delas.
Para o consumidor
Encontrar produtos de diversos segmentos e preços competitivos em um único ambiente;
Efetuar o pagamento pelos produtos de diferentes lojistas em uma única transação.
Para o lojista
Ingressar em um comércio eletrônico bem visitado e com credibilidade, o que eleva a visibilidade de seus produtos;
Fazer parte de uma estrutura completa de atendimento e operação de
vendas com um menor investimento, considerando que não será necessário
pagar um custo fixo básico, como aconteceria no caso de investir na
abertura de uma loja física ou online.
Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:
• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;
• Atraímos visualmente mais clientes;
• Somos mais dinâmicos;
• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;
• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;
• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.
• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em
buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para
impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as
suas vendas.
Para o Marketplace
Dispor de uma ampla variedade de produtos em sua vitrine virtual, atraindo ainda mais visitantes;
Conquistar credibilidade ao ser reconhecido como um e-commerce que
reúne os produtos que os consumidores buscam, o que contribui até mesmo
para fidelizar clientes.
Temos nos dedicado com muito afinco em melhorar e
proporcionar aos que visitam o Site uma boa avaliação do nosso canal
procurando captar e entender o comportamento dos consumidores o que nos
ajuda a incrementar as melhorias e campanhas de marketing que
realizamos.
Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (App)
Venezuela E como ficam os representantes de Guaidó no Brasil
Por Fábio Galão – Gazeta do Povo
Lula com Hugo Chávez e Nicolás Maduro, em Manaus, em setembro de
2007: membro da equipe de transição deixou claro na semana passada o que
já vinha sendo sinalizado pelo PT| Foto: EFE/Raimundo Valentim
Assim
como fizeram países vizinhos onde a esquerda chegou à presidência, o
Brasil vai voltar a reconhecer o ditador Nicolás Maduro como presidente
da Venezuela assim que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começar seu
terceiro mandato.
No início de 2019, os Estados Unidos, a União Europeia e outros
países, entre eles o Brasil, já presidido por Jair Bolsonaro (hoje no
PL), reconheceram o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Juan
Guaidó, como chefe de Estado.
A Argentina deixou de reconhecer o opositor a Maduro como presidente
da Venezuela depois que o peronista Alberto Fernández chegou à Casa
Rosada, no final de 2019. Este ano, a Colômbia fez o mesmo depois que
Gustavo Petro se tornou o primeiro presidente de esquerda do país. A UE
deixou de reconhecer Guaidó no ano passado.
Embora Lula ainda não tenha manifestado explicitamente que
reconhecerá Maduro como presidente venezuelano, no domingo passado (13) o
deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), membro da equipe de transição,
anunciou que isso acontecerá no novo governo brasileiro.
Pimenta participou de um ato na Embaixada da Venezuela para lembrar
três anos da entrada de diplomatas de Guaidó na representação
diplomática do país caribenho em Brasília.
Militantes de esquerda, que falavam em “invasão”, e de direita
estiveram no local em 13 de novembro de 2019. Houve tumultos e um vídeo
mostrou Pimenta ajudando funcionários de Maduro a arrastar um apoiador
de Guaidó para fora da embaixada. Todos os representantes do opositor
deixaram o local no mesmo dia.
Pimenta depois apresentou pedido de habeas corpus para que fosse
suspensa a expulsão pelo governo brasileiro de 34 diplomatas
venezuelanos ligados a Maduro, que resultou em liminar concedida pelo
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso.
“Foram três anos de luta, de resistência, para que pudéssemos chegar a
essa data, [com] Lula eleito presidente. Em breve, teremos a
oportunidade de restabelecer a normalidade das relações diplomáticas
entre Brasil e Venezuela”, disse Pimenta na embaixada venezuelana no
último domingo.
No ato, no qual o deputado federal foi “homenageado”, foi estendida
uma faixa de campanha de Lula em frente a retratos de Hugo Chávez e de
Maduro e o jingle “Lula lá” foi executado no sistema de som.
Apoio declarado A declaração de Pimenta apenas confirmou o que já
vinha sendo sinalizado desde a campanha do presidente eleito. Um dia
depois da vitória de Lula no segundo turno da eleição presidencial em 30
de outubro, Maduro informou no Twitter que havia tido uma “boa
conversa” com o brasileiro e que ambos falaram de “retomar a agenda de
cooperação binacional”.
Em entrevista a jornalistas estrangeiros em agosto, Lula defendeu a
alternância de poder, inclusive na Venezuela, mas cobrou que os Estados
Unidos reconheçam o governo Maduro “porque só tem um jeito de
restabelecer a convivência democrática, é não criminalizando as
pessoas”. Além disso, criticou o reconhecimento de Guaidó como
presidente venezuelano: “Ele era um impostor, está provado que era um
impostor”.
Depois, em setembro, em entrevista no Programa do Ratinho, do SBT, o
petista alegou que o Brasil se beneficiou de empréstimos do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a regimes de
esquerda durante os governos do PT, apesar das denúncias de calote – só a
Venezuela deixou de pagar R$ 3,45 bilhões.
“Quando você está financiando uma obra, você exporta sua engenharia.
Quem começou a fazer o metrô de Caracas foi o presidente Fernando
Henrique Cardoso. Então, primeiro, quando o BNDES empresta dinheiro, é
obrigado a contratar uma empresa brasileira. Segundo, os componentes são
comprados do Brasil. Então, o que você está fazendo é estar exportando,
além de receber o dinheiro de volta”, argumentou.
Quando o apresentador mencionou os calotes sofridos pelo Brasil, Lula
respondeu: “Todo mundo paga, você pode ter dificuldade aqui ou ali, mas
todo mundo paga”.
Em 2019, quando Bolsonaro reconheceu Guaidó como o presidente
venezuelano, o PT divulgou nota em que criticou a decisão do governo
brasileiro.
“Essa decisão agressiva do governo brasileiro demonstra que o nosso
país já não tem mais política externa autônoma, tendo-se alinhado
acriticamente, e contra seus próprios interesses, à agenda geopolítica
belicista e antilatinoamericana de Donad Trump [então presidente
americano]”, apontou o comunicado.
Representantes de Guaidó O reconhecimento de Maduro pelo Brasil
deixará em situação incerta os representantes de Guaidó no país. Em
entrevista à Gazeta do Povo, María Teresa Belandria, embaixadora do
governo Guaidó no Brasil, preferiu não divulgar qual será seu destino e o
do ministro-conselheiro Tomás Silva (o restante da representação é
composto de voluntários) a partir de 2023, mas adiantou que ambos não
voltarão à Venezuela por ora.
“Eu não posso voltar para a Venezuela, todo mundo sabe que eu não
posso voltar para o meu país até pelo menos depois das negociações do
México”, disse Belandria, em referência às conversas entre a ditadura
chavista e a oposição para eleições presidenciais livres no país e
abertura política, negociações que estão paralisadas.
No último dia 11, Alberto Fernández, Petro e o presidente da França,
Emmanuel Macron, organizaram um encontro em Paris entre representantes
do regime e da oposição do país caribenho e falaram da volta das
conversas no México, que ainda não têm data para serem retomadas.
Belandria afirmou que ela e Silva só devem voltar à Venezuela “quando tivermos uma data para as eleições”.
“Eu acho que foi bom [o encontro em Paris], porque as pessoas que
estão colocando pressão nas costas do Maduro para voltar a negociar são
todas amigos deles: os presidentes da Argentina, da Colômbia”, avaliou a
embaixadora. “A nossa vontade de negociar sempre existiu, nós nunca
saímos da mesa.” (Colaborou Isabella Mayer de Moura)
Apoiadores de Bolsonaro se concentram todos os dias em frente ao
quartel do Exército, em Brasília, em protesto contra o resultado da
eleição presidencial.| Foto: Renan Ramalho/Gazeta do Povo
Desde o
fim da apuração do segundo turno da eleição presidencial de 2022, em
que Lula venceu Jair Bolsonaro por uma estreitíssima vantagem, milhares
de brasileiros tomaram as ruas. Eles demonstram uma indignação que, se
não é tão difusa quanto aquela que motivou as manifestações de 2013,
também tem várias motivações e intenções que precisam ser analisadas com
muita serenidade, empatia e equilíbrio, algo que tem faltado com
frequência a diversos setores da imprensa e da cúpula do Judiciário, que
de imediato passaram a qualificar os atos como “antidemocráticos” ou
“golpistas”, como se a intenção de uma parte não desprezível da
população brasileira tivesse essa conotação.
Os manifestantes que têm se postado diante de quartéis dia após dia,
Brasil afora, têm um rol importante de reivindicações, muitas
perfeitamente legítimas, mas é inegável, como fica patente pelo próprio
local escolhido, que a pauta prioritária é uma interferência das Forças
Armadas no processo político, como se coubesse a elas uma intervenção
para restaurar a ordem institucional que os manifestantes julgam
rompida. Em termos objetivos, pedem algo que caracteriza, sim, uma
ruptura do funcionamento constitucional normal dos poderes de Estado,
algo que, à luz de uma correta interpretação da nossa Carta Magna, pode
ser considerado – objetivamente, volte-se a dizer – um golpe, um
atentado à democracia, claramente ilícito. Estariam, portanto,
incorrendo em tese na figura penal da incitação à prática de crime.
Estariam incitando os militares a atuarem contra legem, a praticar o
crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (descrito no
artigo 359-L do Código Penal) ou de golpe de Estado (artigo 359-M do
mesmo Código).
No entanto, muitos que fazem esse pedido julgam-se amparados pela
Constituição, em razão de uma determinada interpretação de seu artigo
142 que se popularizou por ter sido avançada por um jurista de inegáveis
credenciais democratas, grande prestígio e respeitabilidade. Atuam,
portanto, com aquilo que em Direito Penal chamaríamos de “erro de
proibição”, um erro quanto ao que a norma legal autoriza ou permite:
essas pessoas não querem atuar à revelia da Constituição, não têm um
animus de golpe ou de incitação a golpe, não atuam com dolo golpista;
querem, na verdade, segundo seu entendimento, ver a Constituição
respeitada e cumprida, dirigindo-se à luz do dia à autoridade que
poderia, segundo esse mesmo entendimento, atuar para fazer valer a regra
legal. Fazem-no pacificamente, sem qualquer agressividade, como
cidadãos de bem que querem o melhor para seu país. Apenas se equivocam,
portanto, quanto ao sentido de uma norma constitucional. Mesmo quanto ao
crime de incitação, que é o tipo penal em que em tese os manifestantes
incorreriam, eles atuam na verdade com o que em doutrina se chama “erro
de tipo”. O crime de incitação pressupõe, na sua formulação, a
consciência de se estar sugerindo a prática de algo se se sabe ser
crime. Ora, em suas consciências, não estão pedindo às Forças Armadas
que violem a lei penal; ao contrário, estão solicitando, segundo suas
consciências, volte-se a dizer, que estas cumpram o que consideram ser
um papel que a lei garante aos militares.
O pedido por uma intervenção militar, quando baseado em uma
interpretação equivocada do texto constitucional que julga ser legítima
tal intervenção, não pode ser considerado incitação ao crime
Observe-se, de qualquer forma, quer se trate de erro de tipo ou de
erro de proibição (e o leitor haverá de nos perdoar o tecnicismo,
essencial no caso em tela), que se trata de erro de interpretação. Não
mais censurável que os inúmeros erros recentes de interpretação
incorridos pelos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é
difícil dar-se conta, por exemplo, de que o processo eleitoral de 2022
andou muito longe da normalidade que se esperaria para um país que ainda
caminha para consolidar sua democracia. Os brasileiros têm todas as
razões, por exemplo, para se indignar com o mero fato de Lula ter sido
habilitado a participar desta eleição. Como afirmamos na noite de 30 de
outubro, “em um país cuja história política é pródiga em bizarrices,
podemos dizer com toda a certeza que nada supera a normalização da
candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República”.
Uma pessoa que havia sido condenada em dois processos diferentes, em
duas instâncias (com uma das condenações confirmada já na terceira
instância), teve sua ficha tornada limpa novamente porque o Supremo
simplesmente decidiu, anos depois, que os processos correram na cidade
errada (revertendo, aliás, algo que os próprios ministros já haviam
definido), anulando as condenações – sem falar de uma suspeição
inventada contra o ex-juiz Sergio Moro, que teria tido o mesmo efeito de
limpar a ficha de Lula caso o STF não tivesse criado o “erro de CEP”.
Erros de interpretação inaceitáveis também permeiam toda a escalada
de agressões às liberdades democráticas e às garantias constitucionais
promovida pelo Supremo em seus inquéritos abusivos: o das fake news, o
dos “atos antidemocráticos” (já arquivado) e o das “milícias digitais”. A
liberdade de expressão foi relativizada, a imunidade parlamentar foi
abolida, brasileiros são perseguidos por opiniões que manifestam de
forma reservada em grupos privados de aplicativos, perfis em mídias
sociais são derrubados ou desmonetizados porque seus donos defendem
posições legítimas, mas que batem de frente com supostos “consensos”. E,
por fim, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu novos motivos para os
brasileiros reclamarem, ao desequilibrar a campanha eleitoral em favor
do candidato petista com suas decisões que incluíram até mesmo censura
prévia, sem falar do tabu criado em torno da lisura das urnas
eletrônicas, criminalizando até mesmo questionamentos de ordem técnica.
Não são poucos os brasileiros que julgam com toda a sinceridade ter
havido irregularidades na votação ou na apuração, especialmente depois
que um relatório do Ministério da Defesa não excluiu essa possibilidade,
embora também não tenha encontrado provas de fraude.
Ir às ruas por insatisfação contra a eleição de Lula ou para
criticar a atuação dos tribunais superiores, em si, nada tem de
antidemocrático. E quem o diz é a própria Lei dos Crimes Contra o Estado
Democrático de Direito, recentemente aprovada e que incorporou ao
Código Penal a importante ressalva segundo a qual “não constitui crime
previsto neste Título a manifestação crítica aos poderes constitucionais
nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias
constitucionais por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de
aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação política com
propósitos sociais”. As manifestações têm sido pacíficas e não têm
violado outros direitos dos brasileiros.
O erro que consiste em pedir a intervenção das Forças Armadas, por
outro lado, constitui, sim, como já afirmamos, algo objetivamente
reprovável, mas sem que se possa falar propriamente, na maior parte dos
casos, em atitude criminosa. Uma criminalização generalizada é
completamente equivocada. É claro que, se por um lado, não há elementos
para responsabilizar judicialmente quem se manifesta pedindo uma
intervenção militar na crença de que ela tem amparo constitucional,
situação muito diferente é a daqueles que, conhecendo corretamente os
limites constitucionais das Forças Armadas, mesmo assim pedem um golpe,
cientes de que a ruptura por eles desejada não tem amparo legal. Estes,
sim, poderiam responder por incitação, mas para isso seria preciso
investigar tais pessoas de forma individualizada, sem as
“criminalizações por atacado” que estão marcando as respostas de
formadores de opinião e de membros do Judiciário, que se julgam
sabedores do que vai na consciência de cada um desses milhares de
brasileiros a ponto de classificá-los todos como “golpistas”.
Não é pela repressão judicial ou pela indiferença da mídia que a
mobilização desses brasileiros irá recuar. Os pedidos de golpe militar
(mesmo daqueles que consideram, equivocadamente, ser essa uma
possibilidade com amparo legal) não são razoáveis, mas vários outros
motivos da insatisfação popular o são. Já afirmamos em várias ocasiões
que não haverá pacificação possível para o Brasil se o Poder Judiciário,
especialmente o STF, mantiver sua postura atual, com decisões que
agridem o Estado Democrático de Direito. O fim dos inquéritos abusivos e
das perseguições infundadas é uma primeira atitude fundamental para o
apaziguamento; o mesmo podemos dizer de um maior esforço para oferecer
respostas mais claras às dúvidas que ainda persistem a respeito do
processo eleitoral. Simplesmente dar as costas a esses brasileiros,
rotulando-os de “antidemocráticos”, não resolve o problema – pelo
contrário, tenderá a agravar as tensões.