segunda-feira, 21 de novembro de 2022

VIAGEM DOS MINISTROS DO STF FINANCIADOS POR EMPRESÁRIOS É CRIME

 

Relações perigosas

Por
Bruna Komarchesqui


Ministros do STF viajaram a NY com tudo pago pelo Lide, de João Doria; tema da palestra dos magistrados foi “O Brasil e o respeito à liberdade e à democracia”| Foto: Reprodução YouTube


A viagem de cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para Nova York, com todas as despesas pagas pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), do ex-governador de São Paulo João Doria, viola a Lei do Servidor Público, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, os código de ética da Magistratura e dos Servidores do Supremo, além dos princípios de impessoalidade e moralidade da Constituição Federal, na avaliação de juristas ouvidos pela Gazeta do Povo. Durante a viagem aos Estados Unidos, os magistrados brasileiros também participaram de um jantar de luxo pago pelo Banco Master, investigado na Lava Jato sob o antigo nome de Banco Máxima. O proprietário da instituição financeira é o bilionário Daniel Vorcaro, que também foi alvo de um mandado de prisão em 2019 por suspeita de desvio de recursos em fundos de pensão de servidores públicos municipais.

De acordo com o artigo 117 da Lei 8.112/90, “ao servidor é proibido: receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas atribuições”. Outro documento disponibilizado pela Comissão de Valores Mobiliários, no site do Governo Federal, recorda as regras sobre recebimento de presentes por funcionários públicos. Segundo o texto, “o Código de Conduta da Alta Administração Federal (CCAAF), proíbe, em seu art. 9°, a aceitação de presente dado por pessoa, empresa ou entidade que tenha interesse em decisão da autoridade ou do órgão a que esta pertença”.

“Considera-se que o presente foi dado em função do cargo sempre que o ofertante: a) estiver sujeito à jurisdição regulatória do órgão a que pertença a autoridade; b) tenha interesse pessoal, profissional ou empresarial em decisão que possa ser tomada pela autoridade em razão do cargo; c) mantenha relação comercial com o órgão a que pertença a autoridade; d) represente interesse de terceiro, como procurador ou preposto, de pessoa, empresas ou entidade compreendida nas hipóteses anteriores”, detalha a orientação da Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

“Certamente essas empresas que figuram nos processos da Lava Jato têm interesse em obter decisões favoráveis em muitos dos processos que estão respondendo perante o STF”, explica o advogado civilista Afonso Oliveira. “Trata-se de uma violação flagrante desta lei, e mais, uma violação dos princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade”, completa.

Isenção comprometida
O advogado e doutor em Direito pela Universidade de São Paulo Alessandro Chiarottino acrescenta que “há um problema significativo tanto constitucional quanto relativo à Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar 35/1979), que prescrevem uma conduta de mais discrição do que os ministros vêm observando”. “O juiz deve se manifestar apenas nos autos do processo. Tanto que é desaconselhável eticamente até que ele escreva um texto de doutrina, porque eventualmente pode se comprometer com determinada posição, falando dela de forma acadêmica, seja em congressos ou por escrito, e incorrer em um conflito quando for julgar questões atinentes”, explica.

O jurista defende que, no caso específico do evento em Nova York, há o “problema adicional” da participação de grandes empresas como financiadoras. “A situação está longe do ideal. Amanhã, diante de uma empresa que financia viagens para o comparecimento de magistrados, qual vai ser a isenção deles para julgar casos em que ela esteja envolvida? Isso não quer dizer que ele vai ser guiado por favorecimento, mas não é algo recomendável para o magistrado. O adágio famoso de que ‘a mulher de César não deve apenas ser honesta, mas parecer honesta’ se aplica bem a esse caso”, afirma.

O Código de Ética da Magistratura dispõe, no artigo 17, que “é dever do magistrado recusar benefícios ou vantagens de ente público, de empresa privada ou de pessoa física que possam comprometer sua independência funcional”. Já o Código de Ética dos Servidores do Supremo Tribunal Federal (aprovado pela Resolução 711/2020) aponta que entre as “vedações ao servidor do STF” está “receber benefícios de transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares que atentem contra os princípios elencados neste código”. Alguns dos princípios são “evitar situações conflitantes com suas responsabilidades profissionais e que podem afetar o desempenho de suas funções (…) atentar para que os atos da vida particular não comprometam o exercício de suas atribuições”.

Chiarottino analisa que, a partir de 2002, o Supremo “acabou se enveredando por muita exposição dos ministros”, até por meio do televisionamento das sessões, o que os levou a uma conduta midiática, não compatível com a função. “Eles passaram a ser pessoas públicas demais, dar entrevistas, comparecer a eventos nem sempre acadêmicos, tirar fotos com celebridades. Não que um juiz precise ser uma esfinge, mas uma exposição ao ponto de se confrontar com populares na rua é muito exagerada”, critica.

O advogado acrescenta que o comportamento dos ministros é ainda mais grave em um momento particularmente ruim de tensão institucional no Brasil. “Vi pessoas de esquerda fazendo duras críticas, não tem a ver com ideologia ou posição política. Esse tipo de atitude já não seria ideal em um momento político de céu de brigadeiro, mas, em um momento conturbado como estamos, me pareceu bastante inadequado. Não houve sensibilidade mínima, ainda foram em peso. Só podemos lamentar mais um episódio que não vem a contribuir para a defesa das liberdades e da democracia no Brasil de nenhuma forma”, completa.

Brazil Conference
Os ministros Alexandre de Moraes, que é também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski viajaram para palestrar na Brazil Conference, realizada entre os dias 14 e 15 de novembro. O tema da participação dos ministros foi “O Brasil e o respeito à liberdade e à democracia”. O ministro Antonio Anastasia, do Tribunal de Contas da União (TCU), e o ex-presidente do STF Carlos Ayres Britto também participaram do painel. Já o ex-presidente do Brasil Michel Temer ficou responsável pela abertura do evento.

“Os palestrantes da Brazil Conference viajaram a convite do Lide, que custeou passagens aéreas, hospedagem, alimentação e transfers. E não houve pagamento de cachê a nenhum expositor”, informou a organização, por meio de nota enviada ao jornal Estadão. O evento contou com a participação de mais de 250 empresários, além de representantes de entidades de classe, gestores públicos e privados, e autoridades monetárias. O Lide é a empresa de eventos do Grupo Doria.

O advogado Carlos Alexandre Klomfahs, conhecido por ações públicas contra decisões controversas no meio político, protocolou uma petição no STF, pedindo mais informações sobre as despesas dos ministros na viagem aos EUA. Ele argumenta que o “órgão de cúpula do Poder Judiciário exige observância de ética e transparência”. “Tais participações sem as respectivas prestações de contas podem abrir um precedente perigoso para cumprimento dos deveres institucionais do Supremo Tribunal Federal, violando vários princípios republicanos”, afirma um trecho do documento.

Jantar no Fasano
Na noite do domingo (13), os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski participaram de um “jantar de boas-vindas” aos participantes da conferência, no Fasano New York, na região da 5ª Avenida. Segundo o colunista Rodrigo Rangel, o empresário Daniel Vorcaro – um dos novos “lobos” da Faria Lima – encomendou um banquete para 150 pessoas. O restaurante, que geralmente fecha nas noites de domingo, teria sido aberto exclusivamente para a ocasião.

O cardápio incluía uma entrada de canapés (que custa cerca de R$ 350 por pessoa), uma sequência de quatro pratos (que, no cardápio normal da filial nova-iorquina, sai por R$ 750 por pessoa), além de bebidas alcoólicas e não alcoólicas à vontade. Na carta, há vinhos e espumantes italianos de, pelo menos, R$ 350 a garrafa no Brasil.

A conta do jantar foi paga pelo Banco Master, um dos principais operadores de crédito consignado no país. Antes de ser comprado por Vorcaro, o então Banco Máxima foi citado em investigações da Operação Lava Jato. Seus antigos gestores também foram denunciados por supostos crimes de gestão fraudulenta, divulgação de dados inverídicos em balanços de 2014 a 2016 e prestação de informações falsas ao Banco Central. O objetivo seria maquiar os demonstrativos financeiros para esconder prejuízos e melhorar a captação de recursos no mercado.

O Banco Master não está entre os apoiadores e patrocinadores do evento do Lide. Em nota, a instituição afirmou que “o Banco Master é apoiador de eventos, seminários e congressos realizados por várias entidades empresariais há muitos anos. O apoio a este evento ou aos demais realizados em 2022 não implica ao Banco qualquer conhecimento ou influência sobre o tema abordado ou palestrantes”.

“Infelizmente o nosso STF tem se autodestruído. O que vemos com perplexidade são ministros no exercício de sua função jantando com advogado da parte ré, almoçando com empresários, recebendo ‘favores’. Porque, como diz o velho adágio da economia: nenhum almoço é de graça. Mais cedo ou mais tarde há de se cobrar por aquele favor ou por aquela vantagem obtida. Essas relações não são republicanas, muito pelo contrário, são espúrias e, quando manifestas à luz, devem causar repúdio da sociedade e dos órgãos competentes para regular isso. O único órgão que, segundo a Constituição, tem o poder de julgar os atos do STF seria o Senado Federal, que permanece silente. Até quando?”, questiona Afonso Oliveira.


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BOLSONARO AINDA PERMANECE EM SILÊNCIO APÓS AS ELEIÇÕES

 

Nada a declarar

Por
Paulo Polzonoff Jr. – Gazeta do Povo

Presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de vários ministros, fala com a imprensa no Palácio da Alvorada


O presidente Jair Bolsonaro em sua última aparição pública, no dia 10 de novembro. Depois disso, silêncio, silêncio e silêncio.| Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Jair Bolsonaro está em silêncio. Exceto por um brevíssimo pronunciamento para debelar uma greve de caminhoneiros potencialmente danosa, o presidente, famoso por suas mitadas no cercadinho do Alvorada e por suas lives às quintas, está quieto e recolhido há longos vinte dias. Naturalmente a misteriosa quietude desperta as mais prosaicas, tresloucadas e às vezes perversas especulações. Afinal de contas, o que explicaria essa opção do tagarela Bolsonaro pelo silêncio?

Antes de registrar alguns dos vários motivos para o silêncio presidencial, deixe-me acrescentar mais um complicador a este cenário estranho. Acontece que Jair Bolsonaro, ao longo de três décadas, fez carreira política e chegou ao cargo máximo da Nação por meio do confronto. E não foi um confronto qualquer. Bolsonaro sempre gostou e foi gostado por seus discursos enérgicos, aparentemente capazes de restaurar a ordem no país, e por sua linguagem simples, de uma simplicidade que muitas vezes ofendia ouvidos mais sensíveis.

Agora, contudo, Jair Bolsonaro opta pelo silêncio. Da mesma forma que, nas últimas semanas de campanha, optou pela mansidão. Opções louváveis num país conflagrado, mas que curiosamente não pacificam nada. Pelo contrário, até aqui o silêncio e a mansidão de Bolsonaro (esta última representada pelo famoso “respeito às quatro linhas”) só têm servido para criar tensão e alimentar a fantasia de milhões de brasileiros que, não sem razão, se sentem injustiçados ou não reconhecem a legitimidades das eleições ou não aceitam se submeter à juristocracia capitaneada por Alexandre de Moraes.

Enquanto isso a esquerda, incapaz de vislumbrar o aspecto humano dos líderes políticos (nem do próprio Lula), tripudia. Mas não apenas pela perversidade que lhe é característica. À esquerda interessa muito provocar Jair Bolsonaro e, dessa forma, tornar real a profecia de golpe que eles repetem desde 2019. Mais do que isso, a esquerda quer a volta do Bolsonaro falador para manter viva a ideia de que passamos os últimos quatro sendo governados por um monstro para lá de indecoroso.

Me dê motivo
Convivem em permanente tensão a Teoria do Silêncio Estratégico, a Teoria do Silêncio Resignado e a Teoria do Silêncio Deprimido. A primeira é a tese preferida dos que acreditam na tal de bala de prata (também chamada de “carta na manga”), numa reviravolta eleitoral ou num golpe ou contragolpe. A segunda, como o próprio nome diz, é a tese dos resignados, para os quais a eleição pode ser ilegítima (e, cá entre nós, é), mas não há nada a fazer. Não dentro das tais quatro linhas. Por fim, a Teoria do Silêncio Deprimido é a melhor explicação tanto para quem tripudia quanto para quem conserva um olhar humano e concreto sobre os envolvidos no abstrato debate político.

Das três, a Teoria do Silêncio Estratégico é a que menos me seduz. Me parece que ela evoca uma sensação de heroísmo e de sacrifício que, embora nobres, parecem não dialogar com a realidade política mais ampla de um Senado omisso e um Judiciário comprometido com o petismo. Sem falar na inação da sociedade civil organizada e na cumplicidade abjeta da imprensa. Em outras palavras, não acredito que o silêncio seja estratégico porque não vejo nenhuma possibilidade de um objetivo revolucionário (ou contrarrevolucionário) prosperar.

A ideia de um silêncio resignado talvez seja a menos popular. Justamente porque “reduz” o herói ou o “mito” à sua dimensão humana. É, ela faz mesmo isso e nos obriga também a nos confrontarmos com uma realidade assustadora: a de que até o atual presidente pode ser esmagado por essa força aparentemente imparável que nasce do conluio entre o Estado e o capital corrompidos. Ao mesmo tempo, o silêncio resignado de Bolsonaro expõe a farsa de uma elite histérica que passou quatro anos dizendo que ele implantaria uma ditadura militar ao Brasil.

Por fim temos a teoria mais incômoda: a de que Jair Bolsonaro, depois da derrota para Lula numa eleição contaminada por todos os tipos de mentiras e trapaças imagináveis, se recolheu ao silêncio porque estaria deprimido. Convenhamos: não é uma possibilidade tão remota assim. Você não ficaria deprimido ao se ver cercado por uma maioria (democraticamente questionável) que prefere o profeta da corrupção, Lula? Você não ficaria deprimido ao contemplar a possibilidade de prisão no curto prazo? Ora, tenhamos compaixão não pelo mito (que é uma invenção da guerra política), e sim pelo homem.

O outro silêncio
Seja lá qual for o motivo do silêncio de Jair Bolsonaro, no momento me preocupa mais o silêncio dos deputados e senadores de alguma forma associados ao conservadorismo, ao antipetismo e ao antiativismo judicial. São eles, entre os quais há muitos “campeões de voto”, que no momento dispõem de um enorme capital político e já poderiam estar enfrentando Lula e seus cúmplices no Senado e no STF. E, no entanto, à exceção do deputado Marcel van Hattem, estão todos quietos.

Onde está a ex-ministra Damares Alves para expor a tragédia progressista representada por alguns nomes da equipe de transição? Cadê também ex-ministra Tereza Cristina para defender veementemente as empresas ligadas ao agronegócio e que tiveram suas contas ilegal e inconstitucionalmente bloqueadas por Alexandre de Moraes? Cadê o ex-ministro Sérgio Moro para atacar duramente as decisões absurdas em série do STF? Ou será que estão todos esperando que a imunidade parlamentar seja respeitada no governo Lula-Alexandre de Moraes?

Mais do que a voz do presidente, cuja sobrevivência política depende hoje de um milagre, gostaria de estar ouvindo a voz daqueles que foram eleitos defendendo pautas direitistas. Nem que seja para ocupar espaço. Nem que seja para fazer oposição antecipada a Rodrigo Pacheco & Cia. Nem que seja para espernear. Nem que seja para dizer o que Bolsonaro talvez não possa dizer. Nem que seja para arriscar e, assim, precipitar um erro fatal de Alexandre de Moraes.

Nem que seja para nos dar um pouco de esperança de que o jogo “dentro das quatro linhas” de alguma forma prevalecerá e resultará na punição dos usurpadores e na restauração de uma ordem verdadeiramente democrática.


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LULA QUER A VOLTA DA INFLAÇÃO

 

Gestão pública

Por
Alexandre Garcia


| Foto: Rodrigo Cunha / Arquivo Tribuna do Paraná

Hoje Valdemar Costa Neto, o presidente do Partido Liberal, partido do presidente Bolsonaro, pretende levar à justiça eleitoral um pedido de informações sobre 250 mil urnas que têm o mesmo número de patrimônio, e que aí é impossível identificar urnas, impossível verificar qualquer anormalidade com elas.

São urnas anteriores à geração de 2020. As de 2020 estão mais ou menos isentas de desconfianças. E essas, ao contrário, estão cheias de desconfianças.

Eu fico me perguntando, não seria muito mais simples acatar a decisão do Congresso Nacional, que derrubou um veto de Dilma e manteve a lei que exigia o comprovante impresso do voto? Eu anotei aqui: 368 votos na Câmara e 50 votos no Senado. Deu 72% do Congresso, 418 congressistas contra 8 ministros do Supremo. E ganharam os 8 ministros do Supremo e derrubaram o comprovante impresso do voto. Contrariando a Constituição no Artigo 37, que o serviço público se caracteriza pela publicidade, ou seja, a apuração tem que ser transparente, o voto é sigiloso. Mas, enfim, vai levar lá e o TSE vai ter que dar uma resposta a isso.

Pelo menos está servindo para a gente marcar muito bem o que está escrito no parágrafo único do primeiro artigo da Constituição, que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido, por meio de seus representantes ou diretamente. Essa é uma grande questão.

PT não dá ouvidos aos criadores do Plano Real
E uma outra questão, o senador Wellington Dias, falando em nome do PT, disse que não tem jeito, que tem que mudar o equilíbrio fiscal. Aquele controle de contas, que é um compromisso de campanha de Lula. Vão pedir que o Congresso Nacional mude a Constituição e acabe com aquela regra de ouro que está mantendo a inflação controlada em 5%. Parece que não adiantou a fala de Pedro Malan, de Edmar Bacha, de economistas do Plano Real, que querem defender o Plano Real, que nos salvou de uma inflação brutal de 5.000% ao ano. E agora estão querendo derrubar os controles. Dá pena.

Outra coisa, o bloqueio de contas correntes feito pelo ministro Moraes, de muitas pessoas físicas e jurídicas do agro, provocou já a reação dos caminhoneiros e do agro como um todo. Pegou por exemplo a Sipal, que, dizem que é uma das maiores operadoras de grãos do mundo. Pegou Rodobens, que é uma empresa de leasing, que não está metida nisso. Caminhões que estão sob o contrato de leasing, estão lá com o nome da Rodobens, que é a dona do patrimônio.

Bloqueio de Moraes parece ficção do Minority Report
O jurista Fábio Tavares Sobreira leu na Jovem Pan um trecho da decisão de Moraes que diz assim: “Bloqueio de contas urgente diante da possibilidade da utilização de recursos para financiar atos antidemocráticos”. Aí o jurista destaca duas coisas. Ninguém pode ser punido pela possibilidade de fazer alguma coisa. Parece aquela ficção, o Minority Report. E a outra coisa, quem decide se é democrático ou antidemocrático? Eu diria que quem decide é a lei. A Lei 1497 do ano passado diz: “Não constitui crime a manifestação crítica aos poderes constitucionais por meio de passeatas, reuniões, greves e aglomerações”. Então, tem coisas que basta a gente ler a lei. A lei é maior do que as pessoas. A Constituição maior ainda.

Uma outra questão. Agora a gente vê aí no noticiário quem pagou aquele jantar grande, de que participaram seis ministros do STF, mais outros convidados em Nova York, no Fasano, foi o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que já foi investigado na Lava Jato. Por causa disso, o senador Eduardo Girão, do Ceará, está querendo saber o resto. Quem pagou o resto? Quem pagou passagem, quem pagou diária…

Liberdade de opinião e o recado do caminhoneiro

Aí tem uma empresa do Paraná, a Cargo Lift, elevadora de cargas, pediu para ser retirada da premiação que seria nesta semana, do evento da empresa do João Dória, porque ela defende a liberdade de opinião, e participaram desse evento pessoas que são contra a liberdade de opinião.

E por último, eu queria retransmitir um recado de um caminhoneiro, que achei muito interessante. É muito simples: a gente para e a esquerda continua trabalhando, a esquerda produz, a esquerda transporta, a esquerda colhe, a esquerda planta, a esquerda emprega. Mas a gente vai parar. O país está dividido pela metade, né. Eu achei de uma astúcia esse argumento, esse raciocínio, muito bom. Então, minha gente, vamos esperar os acontecimentos. Valdemar Costa Neto hoje entregando no TSE e o TSE ficando com o compromisso de dar uma resposta.


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LULA QUER MEDIAR CONFLITOS INTERNACIONAIS

 

Diplomacia

Por
Diogo Schelp


Lula ao lado do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, durante visita ao Oriente Médio em maio de 2010| Foto: Reuters

Em meio ao intenso noticiário da última semana em torno da transição de governo em Brasília, das negociações para aprovação da PEC Kamikaze II (que vem sendo chamada de PEC da Transição, para estourar mais uma vez o teto de gastos, agora em quase 200 bilhões de reais), dos protestos em frente a quartéis contra o resultado das eleições, do discurso ambiental de Lula na conferência da ONU sobre o clima no Egito e da viagem do presidente eleito para o evento em jatinho “emprestado”, uma informação de bastidor passou quase despercebida, até porque não chega a surpreender, mas que merece nossa atenção. Trata-se da afirmação, feita por Lula na conferência climática em conversa reservada, em separado, com os representantes da China e dos Estados Unidos, de que, com ele na presidência, o Brasil vai voltar a mediar conflitos externo.

É digno de nota que Lula não disse isso a algum governante de país latino-americano ou mesmo a representantes de nações europeias com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU, o que já teria certo impacto. Ele tratou logo de dar esse recado aos enviados das duas nações que protagonizam a nova ordem bipolar, ou seja, que disputam o domínio global nos campos econômico, tecnológico, geopolítico e até mesmo militar. É como se um aluno de média estatura que acabou de chegar dissesse aos dois fortões da turma para não se preocupar, por que, se houver, briga, ele vai pacificar tudo no gogó.

Ou em uma conversa em torno de algumas garrafas de cerveja, que é como Lula disse que acabaria com a guerra na Ucrânia. “Teria resolvido aqui, senão na primeira cerveja, na segunda; se não desse na segunda, na terceira; se não desse na terceira, até acabarem as garrafas a gente ia fazer um acordo de paz”, afirmou o então ainda pré-candidato à presidência, em março deste ano.

Foi uma declaração tão desprovida de pé na realidade quanto àquelas em que o presidente Jair Bolsonaro, no início deste ano, se vangloriou de ter evitado uma invasão russa à Ucrânia graças à sua visita a Vladimir Putin, apenas para se ver desmentido dias depois, quando efetivamente começou a guerra.

Mas voltemos a Lula. “É só uma bravata inofensiva”, diriam alguns. “É só uma forma de reforçar a ideia de que a diplomacia brasileira deve primar pela busca pacífica dos conflitos. Ele não acredita de verdade nisso, no poder da conversa de mesa de bar.” Será?

Ora, a gente já viu isso antes. Temos exemplos dos primeiros governos de Lula em que ele buscou ativamente o papel de mediador de conflitos — não apenas na América do Sul, nosso espaço de influência natural, mas mesmo em outros continentes e em conflitos perenes e distantes da nossa realidade.

Em 2008, por exemplo, Lula declarou ter mandado o então chanceler Celso Amorim convocar uma reunião de emergência da ONU para acabar com o conflito árabe-israelense. O motivo pelo qual o Brasil poderia resolver o problema, segundo Lula, era o fato de judeus e árabes viverem em paz e harmonia em nosso território. Apesar no nonsense da lógica lulista, houve quem levasse a sério a intenção do presidente pacificador… mas só dentro do Brasil. E é claro que nada nesse sentido foi para frente.

Mas o ápice da diplomacia ativa e altiva lulopetista que se dizia capaz de mediar conflitos foi a tentativa de resolver o impasse das negociações entre potências europeias e o Irã para conter o programa nuclear persa, que a comunidade internacional corretamente suspeitava ser para fins bélicos. Foi um humilhante tombo do cavalo diplomático no apagar das luzes do governo Lula.

Em maio de 2010, quando os Estados Unidos e a União Europeia se preparavam para impor sanções ao Irã por sua insistência em seguir com o programa de enriquecimento de urânio sem adequada fiscalização da autoridade nuclear internacional, Lula e o governo turco anunciaram a Declaração de Teerã, um acordo costurado com o Irã pelo qual o país governado então por Mahmoud Ahmadinejad se comprometia a entregar 1200 quilos de urânio enriquecido para ser guardado na Turquia, recebendo em troca uma quantidade menor do material enriquecido a 20% para uso civil.

No dia seguinte, o governo americano ligou para o chanceler brasileiro desautorizando o acordo, para suprema humilhação de Lula, com efeitos colaterais para o presidente turco Recep Erdogan, o outro fiador do acordo e que acreditou que o brasileiro estava respaldado pelos americanos. Pois assim garantira Lula a ele e aos interlocutores iranianos.

Em um artigo publicado em janeiro de 2020 em um jornal britânico, Lula e Celso Amorim escreveram que entraram nas negociações com o Irã naquele ano a pedido direto do governo de Barack Obama, dos Estados Unidos.

No entanto, em seu livro “Aposta em Teerã”, de 2014, o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, já falecido, explica que Amorim entendeu errado o que os americanos haviam dito em conversas reservadas e em uma carta de Obama a Lula. Com base em entrevistas com negociadores americanos em questões de não-proliferação nuclear, Lampreia diz que o governo Obama sinalizara ao Brasil que via como positivas as iniciativas de conversas com o Irã, mas que isso não significava que tinham “um mandato para substituir as grandes potências no assunto”.

Ou seja, os americanos apreciavam a contribuição de Brasil e Turquia nas conversas, mas em nenhum momento disseram que esses países podiam fechar acordos por conta própria com os iranianos em nome dos Estados Unidos.

O então presidente russo Dmitri Medvedev inclusive deu o toque com antecedência a Lula, ainda em 2009, de que “o jogo já estava jogado” e que as potências ocidentais já tinham decidido impor sanções ao Irã (o que de fato ocorreu em junho e julho do ano seguinte).

Mas Lula, incentivado por seu chanceler, estava cego pela oportunidade de fazer um gesto grandioso na política externa.

Lampreia resumiu com perfeição a crença da diplomacia lulista na sua capacidade de mediar conflitos com as seguintes palavras: “O governo do presidente Lula sempre foi caracterizado por um forte desejo de protagonismo diplomático. No caso do Oriente Médio, demonstrou um excesso de voluntarismo, que se revelou gratuito e inútil. No caso do Irã, fez uma leitura por demais otimista do nosso papel internacional.”

Lula nem mesmo assumiu seu terceiro mandato e já está viajando e anunciando a volta do Brasil capaz de mediar conflitos.

Preparem as pipocas para assistir ao que vem a seguir: talvez um mirabolante enredo para acabar com a guerra na Ucrânia, para espanto de americanos, chineses e europeus?


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GUERRA NA UCRÂNIA TEM TORTURA E ASSASSINATOS

 

Guerra no leste europeu

Por
Luis Kawaguti – Gazeta do Povo


Em menos de uma semana, especialistas ucranianos desarmaram mais de 5 mil minas em Kherson, e número final deve ser muito maior| Foto: Luis Kawaguti

Eram 6h15 da manhã e as ruas de Mykolaiv, no sul da Ucrânia, estavam desertas. O toque de recolher terminara há 15 minutos, mas poucos haviam saído de casa naquela segunda-feira, 14 de novembro.

Dezenas de carros identificados com os sinais “TV” ou “imprensa” começaram a chegar a um estacionamento público rodeado de pinheiros. BBC, Al Jazeera, NHK, Guardian, La Republica, El País… havia representantes da mídia de quase todas as nações. Esse foi o ponto de encontro marcado pelas autoridades ucranianas para a saída de um comboio em direção a Kherson.

A cidade havia sido libertada há três dias. Os russos se retiraram supostamente por não conseguirem mais manter as linhas logísticas necessárias para abastecer suas tropas. Os ucranianos usaram os lançadores de foguetes Himars para atingir pontes, depósitos de munição e bases russas em ataques sistemáticos.

Como a cidade era a única posição russa a oeste do rio Dnipro (que tem um quilômetro de largura), era muito difícil para Moscou reabastecê-la após os ataques.

Mesmo assim, a retirada russa pegou todos de surpresa.

Os ucranianos reuniram 50 mil de suas melhores tropas para tomar a cidade. Os russos a defendiam com 30 mil. Se tivessem ficado, Kyiv teria tido muitas baixas em um combate casa a casa, onde os ucranianos não poderiam usar artilharia para não ferir sua própria população.

Mas retirada sem luta não combina com o perfil doutrinário de Moscou. Possivelmente, agora os russos vão perder esses soldados em outra frente de batalha mais difícil de ser defendida. Talvez estejam tentando ganhar tempo para receber reforços. Provavelmente não saberemos tão cedo.

Censura à imprensa

De volta a Mykolaiv, as autoridades ucranianas colocaram entre 150 e 200 jornalistas em cinco ônibus. O motivo alegado era a segurança, mas muitos reclamaram do controle de Kyiv à atividade jornalística. Eu estava entre o grupo descontente. Mas era a única forma de entrar em Kherson.

Aliás, o Parlamento da Ucrânia está votando neste mês leis destinadas a censurar a imprensa. O país já está em lei marcial e partidos de oposição ao governo foram colocados na clandestinidade, com o argumento de que estariam apoiando os russos.

Por que isso é importante?

O pano de fundo dessa guerra é um embate entre a democracia, representada pela Ucrânia, e a autocracia da Rússia. O presidente Vladimir Putin parece não querer no país vizinho um exemplo de como a democracia pode florescer e funcionar em um país que já foi dominado pela ex-União Soviética e teve até um sistema de governo parecido com o da Rússia pós-soviética.

Ou seja, o sucesso da Ucrânia como país é uma ameaça ao regime autocrático russo. Imagine o que será do sistema de poder de Putin se os russos resolvem querer democracia de fato? Aviso aos leitores que pensaram imediatamente no assunto do avanço da OTAN (aliança militar ocidental) sobre países que a Rússia acreditava serem dela e em profundidade estratégica para defesa do território russo: favor voltar às colunas de Jogos de Guerra de fevereiro e março – já analisamos naquela época os argumentos de Moscou, vamos em frente.

A questão agora é que, ao colocar a oposição na clandestinidade e tentar censurar a imprensa, o governo ucraniano se aproxima mais do modelo russo do que das democracias ocidentais.

Fiz esse questionamento nesta sexta-feira (18) ao editor-chefe do jornal Odesa Daily, Leonid Shtekel, a um dos diretores do sindicato dos jornalistas ucranianos, Yuriy Rabotin, e ao fundador do jornal Izbirkon, Anatoly Boyko. Eles rapidamente me lembraram que a Ucrânia terá eleições em 2024 e o povo tem a liberdade de escolher um novo governo. Putin está há mais de 20 anos governando a Rússia.

“Mas no fundo há perigo. Esta lei é muito perigosa, não podemos deixar nosso país abandonar a democracia ou a Rússia vai vencer. Essa lei de censura ainda não foi aprovada, vamos torcer para que não seja”, me disse Shtekel.

Estrada para Kherson
A cidade de Mykolaiv fica a 40 quilômetros de Kherson, mas a viagem durou duas horas. O que chama a atenção inicialmente na estrada são as fortificações ucranianas.

São postos de controle semelhantes a postos policiais que vemos no Brasil, distribuídos estrategicamente ao longo da rodovia. Mas em vez de cones da estrada, é possível ver barricadas de dois metros de altura, feitas com blocos de concreto e sacos de areia com buracos que servem de seteiras para as armas. Tudo é coberto por redes de camuflagem.

Linhas trincheiras se estendem por cem ou 200 metros nos campos e plantações adjacentes, formando uma linha de defesa perpendicular à estrada.

Elas se destinam a fornecer abrigo aos soldados tanto contra o fogo de artilharia como contra eventuais avanços do inimigo pela rodovia. Próximo a essas fortificações, estão grandes extensões de campos minados.

Os soldados checavam os documentos dos poucos motoristas que se dirigiam a Kherson. A maioria do tráfego é de caminhões e veículos militares. No sentido oposto, tanques de guerra avariados eram rebocados em carretas para Mykolaiv.

Após vencermos cerca de 15 ou 20 quilômetros, a estrada começou a passar por vilas já no oblast (estado) de Kherson. Eu via na pista as marcas circulares características de explosões de morteiros leves e de bombas de cacho. Após alguns meses circulando por estes lados, já é possível distinguir. Elas não rompem a camada de asfalto, mas lançam estilhaços letais para quem está próximo e deixam marcas características no chão.

Nas plantações ao lado da estrada, vez por outra era possível ver um foguete não detonado e enterrado até a metade no solo.

Praticamente todas as casas das vilas tinham as paredes salpicadas por marcas de tiros, e a maioria já destelhadas. Todos os postos de gasolina do caminho foram completamente destruídos. Foi nessas vilas que ucranianos e russos travaram os maiores combates por Kherson. Hoje poucas pessoas ainda moram lá.

Mais adiante na estrada, havia carcaças incineradas de blindados e, vez por outra, os ônibus tinham que trafegar na contramão, pois a pista à frente fora destruída. Agora eu via as marcas de explosões mais fortes, de artilharia pesada e foguetes, que abriram crateras no asfalto.

Alguns quilômetros antes da entrada da cidade, a ponte de acesso foi dinamitada e toda a área ao redor foi minada. Isso obrigou a comitiva a pegar uma estrada vicinal.

Em uma vila muito pobre, que parece ter escapado da destruição da guerra, moradores acenavam para jornalistas e militares. Suas casas eram uma mistura de madeira, barro e alvenaria. Cada uma com uma plantação ao lado. Pareciam estar ali há séculos, felizmente desgastadas aos poucos pelo tempo e não batidas pelo fogo das metralhadoras ou da artilharia russa.

Vencida a ponte dinamitada, estávamos de volta à estrada principal e em poucos quilômetros avistamos um pórtico de colunas gregas e o nome “Херсон”, Kherson no alfabeto cirílico. Muito adequado, já que a cidade foi fundada pelos gregos antigos e não pelos russos.

Na periferia imediata da cidade, havia alguns prédios arruinados pela artilharia. Mas quando se entra no limite urbano, a sensação é penetrar em uma cidade fantasma, não em uma cidade destruída. Havia alguns prédios atingidos por artilharia, com andares incendiados. Mas eles eram uma minoria. A cidade parecia bem preservada.

Os ucranianos disseram ter evitado bombardear Kherson com barragens de artilharia. Bases russas foram destruídas com foguetes americanos Himars que, em tese, têm precisão ao atingir os alvos. Essa foi a receita para não perder vidas civis ucranianas. Isso também preservou o apoio da população local a Kyiv.

Alegria da libertação

Os ônibus entraram na praça principal da cidade, onde algumas centenas de pessoas comemoravam a libertação. Descemos dos coletivos e encontramos três mesas de madeira com microfones e militares com uniformes de forças especiais guardando o perímetro. Um dos jornalistas matou a charada rápido: Volodymyr Zelensky está aqui.

O presidente apareceu sorridente logo em seguida, metido em um casaco verde oliva. É a primeira vez que eu o via pessoalmente. Havia sem dúvida um fator cênico na situação. Mas não estava diante do comediante outsider que chegou à presidência da Ucrânia.

Em boa forma física, com passos decididos e fala firme, a figura de Zelensky impunha respeito. Especialmente por estar lá a céu aberto, à vista de todos. Séries de disparos de canhões de artilharia e fortes explosões de granadas podiam ser ouvidas a cada cinco ou dez minutos. O barulho era inquietante, mas ninguém procurava abrigo. O combate estava ocorrendo nos limites da cidade e a praça parecia ao alcance da artilharia russa. O som das explosões se misturava aos gritos da multidão em apoio a Zelensky.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em visita à cidade de Kherson na última segunda-feira (14). Foto: EFE/EPA/Presidência da Ucrânia

“Este é o começo do fim da guerra. Nosso exército está avançando passo a passo sobre o território ocupado temporariamente”, disse ele.

“Como eu me sinto? Estou feliz. Nós estamos em Kherson. Olhe para a multidão, eu acho que essa é a resposta. Nós não podemos preparar a reação das pessoas. Elas estavam esperando pelo exército ucraniano.”

“Qual será a próxima cidade?”, perguntou um colega jornalista.

“Não será Moscou”, respondeu o presidente, arrancando risadas dos comunicadores. “Não estamos interessados em territórios de outros países.”

Após a saída de Zelensky, fui conversar com as pessoas na praça. De forma aleatória, comecei a conversar com uma senhora de 67 anos, chamada Olga Mykailona. Ela contou que os russos tentaram impor sua cultura à população de Kherson, fazendo propaganda na TV, substituindo produtos ucranianos por russos nas prateleiras dos mercados, mudando o currículo escolar e até impondo o uso de sua moeda, o rublo.

“Nada deu certo para eles. Por exemplo, não tinha rublos suficientes circulando e eles tiveram que aceitar que voltássemos a usar a hryvnia ucraniana.”

“Eu conheço o Brasil pelas telenovelas, vocês são um povo muito alegre, continuem assim. Nunca entrem numa guerra”, disse ela.

Ao fim da viagem de imprensa, eu e os colegas nos perguntávamos como Zelensky não era atingido pelos russos em suas aparições públicas frequentes.

Conjecturamos que as explosões constantes que ouvimos em Kherson vinham do som dos canhões ucranianos disparando contra os russos. Provavelmente, o centro da cidade estaria fora do alcance da artilharia do Kremlin, debatemos.

Poucos minutos depois, algum jornalista teve a infeliz ideia de pedir aos organizadores da viagem para dar uma paradinha no pórtico grego na entrada da cidade – para tirar selfies.

Os militares concordaram e foi neste momento que granadas de artilharia começaram a cair próximo dos ônibus. O veículo onde estava sacudiu com o impacto de uma explosão próxima e muitos passageiros entraram em pânico e gritaram para o motorista acelerar rápido.

“Se estamos ao alcance da artilharia aqui, Zelensky também estava lá na praça”, pensei comigo, enquanto editava em meu computador uma reportagem para a RedeTV!.

Nenhum jornalista se feriu, felizmente.

Rastro de crimes
Aquela não foi a única viagem que fiz a Kherson. Os militares ucranianos voltaram a levar os jornalistas para a região – dessa vez, sem parada para selfies.

Visitamos uma vila onde houve confronto e agora os ucranianos procuravam em campos e plantações por minas terrestres, granadas e foguetes que não explodiram.

Com detectores de metais, iam avançando devagar no terreno. A um som do aparelho, se ajoelhavam e começavam a espetar a terra com cuidado usando bastões. A desmontagem é um processo lento.

Em menos de uma semana, especialistas ucranianos haviam coletado e desarmado mais de 5 mil minas em Kherson e a perspectiva é que o número aumente exponencialmente. Desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, mais de 300 mil foram encontradas em toda a Ucrânia.

Quando a guerra acabar, ainda serão necessários ao menos mais seis anos para encontrar e retirar todas.

Por mais brutal que pareça, o uso das minas não é um crime, mas uma tática de retardar o avanço de tropas inimigas – e torná-las alvos mais fáceis para atiradores.

Mas torturas e assassinatos são crimes de guerra.

Fomos levados a um prédio da prefeitura de Kherson que foi convertido pelos russos em prisão. As salas foram gradeadas e transformadas em celas. Quando chegamos lá, mais pareciam depósitos de lixo. Lá eram mantidos ativistas, jornalistas, membros das forças de defesa territorial e suspeitos de colaborar com o exército ucraniano.

Um homem que se apresentou apenas como Maxim era uma das vítimas dos russos, segundo o procurador da cidade. “Eles colocavam um saco de pano na minha cabeça e davam choques elétricos. Queriam saber se eu tinha ajudado as forças ucranianas”, contou o homem.

As torturas teriam acontecido na garagem do prédio. Segundo a procuradoria local, até agora 43 casos foram documentados. Muitos “suspeitos” foram libertados após semanas ou meses no cárcere. Outros não resistiram aos maus tratos, segundo testemunhas.

Fomos então levados pelos ucranianos a um bosque, onde homens com os uniformes e equipamentos dos peritos em desminagem examinavam o solo. Apontei minha câmera para um pequeno grupo e me posicionei para fazer uma narração em vídeo sobre as retiradas de minas terrestres.

Notei em seguida que sobre um tronco de árvores havia uma cruz, fotos e flores secas. Uma senhora se aproximou aos prantos com um ramalhete de flores secas. “Algum morador da região havia pisado em uma mina”, pensei.

Não havia entendido as instruções de um militar minutos antes no ônibus – todas passadas em russo. Aos poucos, comecei a desconfiar que não estava diante de um campo minado, mas sim de um cemitério improvisado, cheio de covas rasas.

“Quando os russos descobriam os moradores que participavam das forças de defesa territorial, os prendiam e traziam até aqui, onde eram executados”, contou um policial. “Um padre que morava na região foi enterrando os corpos. Estamos falando de oito meses de ocupação. Já foram desenterrados 17 só aqui”, disse.

Em uma semana, os ucranianos identificaram mais de 50 covas e esse número também tende a aumentar.

O exército ucraniano ainda tem que libertar centenas de vilas e cidades em quatro oblasts ainda ocupados parcialmente pelos russos.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/jogos-de-guerra/minas-tortura-e-assassinatos-o-que-os-russos-fizeram-em-kherson/
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ENGAJAMENTO NAS REDES SOCIAIS REPRESENTA DESTAQUES

 

Camila Silveira

 Especialista Camila Silveira dá dicas para aumentar o seu engajamento ou da sua empresa nas redes sociais

Ela também selecionou as principais dúvidas sobre o tema e seis dicas para você conseguir engajar no Instagram, TikTok e Facebook

Quem quer ter destaque nas redes sociais deseja aumentar o engajamento. A métrica é muito acompanhada por quem quer ter cada vez mais proximidade com o próprio público-alvo. Além disso, não adianta ter uma conta com muitos seguidores e com alcance baixo.

De acordo com Camila Silveira, especialista em vendas pelas redes sociais, o algoritmo do Instagram e outras redes sociais usam machine learning para “aprender” exatamente que tipo de conteúdo cada usuário tende a engajar mais.

“A ideia é que, com isso, mesmo que usuários diferentes sigam perfis parecidos, eles tenham um feed personalizado com o tipo de conteúdo que mais lhe interessa”, explica.

A profissional destaca os três fatores principais que o algoritmo de todas as redes leva em conta três fatores principais:

“• Interesse: O algoritmo faz uma análise em tempo real dos posts e prevê o que é mais importante baseado no histórico de cada usuário.

Novidade: o Instagram dá prioridade para as publicações mais recentes em detrimento das mais antigas.

• Relacionamento: consiste em o quão engajado você está com o perfil que fez a publicação. Isso é medido com a quantidade de interações que são feitas, como curtidas e comentários.”

 Camila explica que as redes, como Instagram, TikTok e Facebook tendem a direcionar o usuário a conteúdos que ele costuma interagir ou assistir.

“As novas e últimas configurações de algoritmos determinam a ordem das postagens que os usuários veem quando estão percorrendo o feed com base em sinais específicos, prioriza os posts, levando os mais relevantes para o topo como assuntos que mais curte, comenta ou tempo que leva em cada post, uma forma de análise de comportamento através de reações do usuário”, esclarece.

 Embora seja importante observar que o novo algoritmo está sujeito a alterações, Camila separou os três principais fatores de classificação que podem ajudar a formar sua estratégia do Instagram.

“• Relacionamento com o usuário: Se um determinado usuário tiver interagido muito com o seu conteúdo anterior, será mais provável que ele veja seu conteúdo futuro. Isso torna o engajamento contínuo e repetido em seus posts importante para a criação de um público fiel.

• Interesse que o usuário transmitiu: Esse sinal é baseado em se o usuário interage com outros posts e contas semelhantes quando eles exploram o Instagram. Os usuários que também se envolvem com conteúdo semelhante têm mais chances de ver suas próprias postagens.

Recência do post: Embora o simples feed cronológico do Instagram seja uma coisa do passado, a atualidade ainda é relevante. Postagens mais recentes serão favorecidas e enviadas para o topo do feed, enquanto as postagens mais antigas aparecerão um pouco mais abaixo”.

 A especialista também elencou as três principais dúvidas dos usuários sobre engajamento.

 1- TIPO DE CONTA MUDA O ENGAJAMENTO?

 “Não é tão importante o tipo de conta desde esteja coerente com sua função e tenha consciência de criadores de conteúdo dispõe de mais funções disponíveis”.

2- VÍDEOS GERAM MAIS ENGAJAMENTO QUE IMAGENS?

“Esse é outro mito. Na verdade o que importa é a preferência do usuário. O Instagram também entrega mais vídeos para quem assiste mais e mais fotos para quem interage mais com fotos”.

“Então, nesse caso, você precisa observar o comportamento da sua audiência. É claro que o vídeo nos permite criar um conteúdo com mais profundidade e personalidade. Isso só será atraente para quem de fato para e assiste. Não é o Instagram que dá preferência para um tipo de conteúdo ou outro, é a sua audiência. Sendo assim, só você poderá determinar a resposta”.

3- USAR FERRAMENTAS DE AGENDAMENTO PREJUDICA O ALCANCE?

“Não. O que prejudica o alcance é postar e sair correndo. Se você não investe tempo na plataforma, você não é um usuário interessante. É preciso responder os comentários e criar conteúdo fresco como Stories e Lives não esquecer que o principal fator da ferramenta é a integração e este é o maior grau de importância”.

Ela ainda separou os seis fatores fundamentais para manter o engajamento nas redes sociais.

  1- USE OS STORIES PARA SER VISTO

“Essa ferramenta do Instagram não é tão recente assim. Mas, ainda, garante bastante visibilidade, quando utilizada. Isso porque elas possuem a capacidade de burlar o algoritmo presente no feed”.

“Além disso, são ótimos para se envolver com seus seguidores. E, assim, criar maior lealdade com eles. E, como sabemos, relacionamentos melhores geram maior alcance”.

2- RESPONDA AS MENSAGENS

“Apesar da ironia, elas tendem a melhorar o seu engajamento indiretamente. Isso porque quando os usuários se sentem bem atendidos, eles tendem a curtir, comentar e interagir mais com as suas publicações com mais frequência pelo sentimento de intimidade e proximidade”.

“No entanto, trate cada conversa individualmente. As pessoas sabem quando você está utilizando uma resposta vaga ou genérica”

3- FREQUÊNCIA É A CHAVE

“Não apenas uma grande quantidade de postagens de uma vez. É preferível que você mantenha um ciclo regular em suas publicações”.

“Assim, você supera o que o próprio Instagram chama de ciclo completo do algoritmo. Ou seja, é uma recomendação da própria rede social. Além disso, você pode experimentar vários conteúdos e abordagens. E ver quais funcionam melhor”.

4- QUALIDADE

“Não basta ter muitas fotos. Elas precisam fazer sentido. Especialmente, para quem você quer alcançar. Isso vale para os Stories também”.

“Cores fortes e bastante luz são a preferência geral. Mas você deve se atentar para o que o seu público-alvo vai parar e prestar atenção ainda mais quando podem interagir com enquetes”.

5- FOQUE NO VÍDEO

“Mesmo que o Instagram afirme que não diferencia vídeos e fotos, na realidade, não é bem assim. Isso, pois os vídeos acabam por chamar mais atenção. Ainda mais com a reprodução automática”.

“Estamos falando dos vários formatos de vídeos disponíveis. Com destaque para a IGTV. Isso, pois ela acaba por, também. Aparecer no feed comum”.

6- CRIE LEGENDAS ATRAENTES

“Por fim, as legendas funcionam como molduras para as suas fotos. Assim, elas devem combinar. E chamar a atenção de quem está vendo para o que você quer mostrar”.

“O algoritmo do Instagram vive mudando, assim como o comportamento de quem o utiliza. Assim, você deve se atentar a essas mudanças se quer continuar sendo relevante nele”.

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E todos esses elementos combinados e levados ao território da internet, torna o que era bom ainda melhor. Na internet e através do Site da Valeon, podemos proporcionar o início do “virar de chaves” das empresas da região para incrementar as suas vendas.

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domingo, 20 de novembro de 2022

ESTRADAS MAUS CONSERVADAS SÃO O GARGALO DO NOSSO DESENVOLVIMENTO

 

Editorial

Por
Gazeta do Povo

Percorremos alguns trechos de rodovias que ligam Curitiba à Região Metropolitana, para ver como está a situação das obras prometidas pelo governo do estado, além de conversar com personagens. Na PR-417 – Rodovia da Uva / Colombo


Pesquisa da CNT aponta que seriam necessários R$ 72,26 bilhões em investimentos para recuperar as rodovias no Brasil com ações emergenciais de restauração e de reconstrução.| Foto: Antônio More/Arquivo/Gazeta do Povo

Um ato que ajuda a entender por que o Brasil teve baixo crescimento econômico nas últimas quatro décadas e quais freios impedem o país de ter taxas de crescimento mais elevadas é estudar reportagens, informações oficiais e relatórios publicados nos últimos 20 anos sobre a economia nacional, principalmente aquelas que tentam explicar os fatores inibidores da elevação do Produto Interno Bruto (PIB) anual. Os manuais de economia ensinam que o governo é uma entidade que não produz (afirmação que pode soar estranha para pessoas não especializadas em teoria econômica), no sentido de que, para fazer investimentos em obras e oferecer serviços públicos, o governo age como um síndico de condomínio: ele retira uma parte da renda do setor privado – pessoas e empresas –, de forma impositiva via tributos, e os valores arrecadados são usados para sustentar a máquina estatal, contratar obras e ofertar serviços públicos.

Uma lição inicial básica derivada daquela premissa é que a capacidade do governo na construção de obras e prestação de serviços depende do tamanho do produto feito pela economia privada, já que a carga tributária efetivamente arrecadada é uma fração do produto total do país, lembrando que produto nacional e renda nacional são os dois lados da mesma moeda, portanto, são valores iguais. A segunda lição é que o volume de investimentos e a quantidade de serviços públicos dependem de como o orçamento governamental é distribuído entre custeio da máquina estatal, investimentos (especialmente em infraestrutura física) e serviços públicos.

Se o Brasil não enfrentar com urgência os gargalos dos sistemas de transportes – aí incluídos os rodoviários e os ferroviários –, as metas de aumento da produtividade ficarão comprometidas e dificilmente serão atingidas

Um aspecto que merece destaque é a conta chamada de “transferências diretas”, que se refere aos valores que o governo repassa às pessoas beneficiárias sem que haja, no ano da transferência, qualquer contraprestação de trabalho feito por quem recebe os benefícios. Nessa conta entram os gastos do governo com pagamento de aposentadorias aos funcionários públicos inativos, os déficits do INSS e os programas sociais de transferência de renda, a exemplo do Auxílio Brasil e do Bolsa Família, além de outros. Assim, a tributação disponível para custeio, investimentos e serviços públicos é a tributação líquida, dada pela tributação bruta menos as transferências diretas.

Alguém pode argumentar que o governo tem mais duas opções: fazer gastos públicos e pagá-los como emissão de moeda, ou seja, sem que haja receita tributária para tanto, como também pode efetuar gastos tomando empréstimos e formando uma dívida pública. Vale mencionar que, embora essas duas fontes de recursos existam, no caso da dívida governamental há limites de até onde o governo pode ir tomando empréstimos destinados a pagar seus gastos, da mesma forma como ocorre com uma empresa ou uma família. Quanto à emissão de dinheiro sem lastro no crescimento do produto nacional, essa é uma saída maléfica porque resulta invariavelmente em inflação.


Essa digressão teórica remete à questão essencial para o progresso nacional: o Produto Interno Bruto (PIB) tem de crescer, seja para gerar empregos, renda e elevação do produto por habitante, como para aumentar os valores arrecadados pelo governo mantida a carga tributária como porcentual do PIB. E aqui entra uma questão essencial: como eliminar os obstáculos que travam o crescimento econômico? Para responder a essa questão é necessário conhecer os inibidores do crescimento e, de saída, pode-se citar o eterno problema da infraestrutura física, que é pequena, velha e tecnologicamente atrasada. Há 15 anos, mais precisamente no último trimestre do ano de 2007, análises e publicações falavam das limitações que o Brasil estava enfrentando em termos de estrutura de transportes rodoviários, transporte ferroviário, portos, energia e armazenagem. Essas fontes citavam as cidades congestionadas, as filas de caminhões nos portos esperando dias para descarregar, a inexistência de trens de passageiros de longa distância e a gigantesca perda de tempo, de recursos e de produtividade que tudo isso causava à economia nacional.

Tomando apenas a questão do transporte de cargas e passageiros, o rendimento em termos de distância percorrida por tempo gasto é um problema antigo e que persiste atualmente no Brasil, e esse é um dos principais fatores da baixa produtividade/hora do trabalho. A produtividade é o produto total anual do país dividido pelo número de horas trabalhadas no ano. Nos Estados Unidos, essa produtividade é de US$ 70/hora; no Brasil, é de US$ 19/hora. Ou seja, a produtividade brasileira corresponde a apenas 29% da norte-americana, e uma das razões é o travamento do sistema de transportes urbanos e interurbanos.

Recentemente surgiram matérias e entrevistas de empresários informando que, se o Brasil não enfrentar com urgência os gargalos dos sistemas de transportes – aí incluídos os rodoviários e os ferroviários –, as metas de aumento da produtividade ficarão comprometidas e dificilmente serão atingidas. Embora o país tenha outros problemas igualmente importantes para enfrentar a fim de promover o crescimento econômico, a infraestrutura do sistema geral de transportes é o que tem um dos maiores impactos (se não o maior) no funcionamento da máquina produtiva nacional.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/gargalos-da-maquina-produtiva/
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CRESCIMENTO DA NOVA DIREITA NO BRASIL

 


15 plataformas digitais essenciais na ascensão da nova direita no Brasil
Por
Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Brasília


Plataformas digitais foram fundamentais para o crescimento da nova direita no Brasil.| Foto: Brasil Paralelo/Reprodução

A internet foi fundamental para o crescimento da nova direita no Brasil. Sem contas em redes sociais, plataformas de cursos online, canais no YouTube, blogs e comunidades digitais, dificilmente o monopólio esquerdista do debate público seria rompido.

Para finalizar o especial “A direita desperta”, que fala sobre a ascensão da nova direita no Brasil, a Gazeta do Povo elencou as 15 plataformas digitais mais importantes para o crescimento dessa força política no Brasil. Entre os selecionados, há desde iniciativas muito recentes até algumas que já não existem mais. Confira a lista:

  1. Curso Online de Filosofia (COF)
    Em 2009, Olavo de Carvalho já era um filósofo conhecido e respeitado entre conservadores brasileiros, tinha publicado seus livros mais importantes e adquirido certa fama como polemista em alguns veículos de comunicação. Ainda não era, no entanto, uma figura massivamente popular. Isso começou a mudar com a criação do Curso Online de Filosofia (COF), modernização de uma iniciativa mais antiga de Olavo, o Seminário de Filosofia. Foram cerca de 500 aulas ministradas a partir de 2009, que ajudaram a formar diversos dos personagens importantes da nova direita mencionados neste artigo e a colocar o nome de Olavo na boca do povo.
  2. Brasil Paralelo
    Com mais de 400 mil assinantes, a Brasil Paralelo é o projeto mais ambicioso de mídia da nova direita. Em 2016, a empresa começou a lançar documentários desafiando visões de mundo hegemônicas entre intelectuais brasileiros, o que começou a atrair um público cansado das narrativas marxistas que predominam em escolas, universidades e nos meios de comunicação. Aos poucos, a BP deixou de ser um mero canal no YouTube e, hoje, já pretende investir no ramo do entretenimento e competir com gigantes como a Netflix.
  3. Guerrilha Way
    O médico Ítalo Marsili tem mais de 1,6 milhão de seguidores no Instagram é, hoje, entre pessoas físicas, o maior caso de sucesso com membros da nova direita nas plataformas digitais – ainda que seu principal foco não seja a política, mas a psiquiatria. Com a ajuda de Arno Alcântara, especialista em marketing digital, conteúdos como o Guerrilha Way e o curso “Os 4 Temperamentos” se popularizaram rapidamente, atraindo sobretudo jovens adultos interessados em fortalecer seu caráter e melhorar aspectos de sua vida no campo afetivo e espiritual.
  4. Cedet
    Não é exagero dizer que todo grande influenciador direitista no Brasil é dono de uma livraria virtual. O mercado editorial foi um dos caminhos que a nova direita encontrou para monetizar sua influência no mundo digital, e o Cedet é o principal viabilizador disso. A plataforma é responsável, por exemplo, pela implantação e operação das livrarias virtuais de Olavo de Carvalho, Ítalo Marsili, Bárbara Destefani (canal Te Atualizei), Rodrigo Constantino, Bernardo Küster e diversos outros canais e influenciadores de direita. Fundado por César Kyn e Silvio Grimaldo, o Cedet trabalha assumindo os custos de impressão e distribuição dos conteúdos. “Com a enorme redução de custos é possível dedicar todos os esforços no negócio central que é publicar novos livros. Com isso, é possível aumentar a frequência de publicações e causar maior impacto cultural”, diz o site do Cedet.
  5. O Novo Mercado
    Sem a influência de Ícaro de Carvalho, criador do curso de marketing digital O Novo Mercado, parte dos infoprodutos mencionados aqui dificilmente teria êxito financeiro. Sua estratégias de marketing foram determinantes, por exemplo, para viabilizar iniciativas como Brasil Paralelo, Minha Biblioteca Católica e Lumine. Ainda que os conteúdos de Ícaro de Carvalho sejam direcionados a um público ideologicamente mais amplo que o de outras plataformas mencionadas neste artigo, foi grande seu papel em explorar o potencial de marketing e estabelecer modelos de negócio da nova direita.
  6. Canais do padre Paulo Ricardo e outras iniciativas cristãs
    Embora o foco de seus conteúdos seja religião, e não política, o padre Paulo Ricardo oferece há mais de uma década – através de seu canal no YouTube, de suas redes sociais e de seu site – antídotos à influência do marxismo na educação e nos meios de comunicação no Brasil. Com isso, muitos integrantes da nova direita brasileira relatam que o sacerdote foi influente na mudança de mentalidade que os atraiu ao conservadorismo na política. Seu canal no Youtube já tem mais de 1,5 milhão de seguidores – marca próxima do 1,8 milhão de seguidores de uma celebridade como o padre Fábio de Melo. Outras plataformas católicas, como a Lumine – uma espécie de Netflix do catolicismo – e os canais do influenciador digital Bernardo Küster também foram insistentes no combate ao marxismo cultural e podem entrar na mesma categoria.
  7. Blogs e comunidades de Orkut de direita da década de 2000
    Anos antes da explosão de plataformas como Facebook, Instagram, WhatsApp e YouTube, os precursores da nova direita começaram a aparecer em agregadores de blogs como o Wunderblogs e algumas comunidades de Orkut. Sua maior influência era, sem dúvida, o filósofo Olavo de Carvalho, que ainda estava longe do mainstream, mas já era bastante conhecido no nicho conservador. Membros dessa subcultura foram determinantes na formação da nova direita, ainda que alguns deles tenham se tornado dissidentes.
  8. Institutos liberais: Millenium, Mises Brasil, Liberal etc.
    Ainda que alguns think tanks liberais existam há décadas e sejam mais do que meras plataformas digitais, a internet potencializou o alcance dessas iniciativas, principalmente com cursos online. Com isso, os institutos liberais têm conseguido usar as ferramentas digitais para popularizar o liberalismo econômico no Brasil.
  9. Centro Dom Bosco
    Ao relatar sua recente conversão ao catolicismo e explicar seu engajamento na defesa de valores conservadores, a atriz Cássia Kis costuma citar o papel do Centro Dom Bosco na transformação em sua vida. Ela é só uma das milhares de pessoas influenciadas por essa associação de católicos leigos fundada em 2016 no Rio de Janeiro. Embora o foco do Centro Dom Bosco seja a fé católica, os seus livros, vídeos e cursos de formação tocam em temas políticos com frequência, especialmente quando estes se relacionam com religião. O canal do Centro Dom Bosco no Youtube já tem quase 400 mil inscritos.“Desejamos formar uma nova geração de católicos capazes de renovar a Igreja e a Terra de Santa Cruz”, diz o site do grupo.
  10. Instituto Borborema
    Fundado em 2015, este instituto com sede em Campina Grande (PB) tem como objetivo “o resgate da verdadeira educação e da verdadeira cultura” e oferece cursos online com esse propósito. “Acreditamos que os grandes problemas brasileiros são consequências diretas da derrocada educacional que assola o país há pelo menos cinco décadas”, diz o Instituto Borborema em seu site.
  11. Como Educar Seus Filhos e influenciadores do homeschooling
    Por conta da ideologização do ensino em todos os níveis, a educação é uma das principais preocupações da nova direita. Diversas iniciativas têm surgido como proposta de antídoto aos efeitos das décadas de domínio da esquerda na pedagogia brasileira. Uma das principais, já extinta, foi o canal Como Educar Seus Filhos, do atual secretário Nacional de Alfabetização, Carlos Nadalim. Também viraram tendência os canais em que pessoas com experiência na prática do homeschooling compartilham seus conhecimentos na área – caso, por exemplo, do Diário Desescolar, que já tem mais de 100 mil seguidores no Instagram e lançou até material escolar próprio.
  12. Tias do Zap e grupos de direita em apps de mensagens
    A esquerda costuma apontar o compartilhamento em massa de fake news como um dos motivos pelos quais a direita cresceu no Brasil. Segundo essa teoria, as “tias do Zap” – como têm sido chamadas as senhoras direitistas viciadas em falar de política pelo WhatsApp – e outros membros da direita seriam presas fáceis da “desinformação”. O que não se costuma levar em conta, no entanto, é a importância do conteúdo verídico desses grupos como vacina legítima contra o viés esquerdista de boa parte dos veículos de comunicação. Seria benevolente demais com as tias do Zap afirmar que as notícias falsas não se multiplicam em grupos do tipo, mas a desconfiança em relação aos meios tradicionais de comunicação tem motivos razoáveis, e os grupos de WhatsApp têm sido, com suas virtudes e defeitos, uma alternativa a isso.
  13. Canais de comentário político: Kim Paim, Te Atualizei, Terça Livre etc.
    As plataformas digitais expandiram a “Janela de Overton” – isto é, a gama de posições políticas toleradas dentro da opinião pública. Contribuíram para abrir essa janela alguns canais de comentário político no YouTube, como os de Kim Paim, de canal homônimo, Bárbara Destefani, do canal Te Atualizei, e Allan dos Santos, do canal Terça Livre.
  14. Canais e contas nas redes sociais de humor
    O bordão “the left can’t meme” – “a esquerda não sabe fazer memes”, em tradução livre – teve sua existência justificada nas eleições de 2018 no Brasil, quando o sucesso da direita com o humor nas redes sociais foi apontado como um dos motivos da ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência. A esquerda foi incapaz de oferecer uma oposição nesta frente. Parte deste sucesso se deve a contas nas redes sociais que misturam política com humor, como Joaquin Teixeira – que tem mais de 400 mil seguidores no Twitter – Bolsonaro Zuero e Ódio do Bem. Na mesma linha, no YouTube, há iniciativas mais de nicho como o Brasileirinhos, com 147 mil inscritos no YouTube, e o Canal Hipócritas, com 1,5 milhão de inscritos.
  15. Canais de liberais dissidentes: MBL, Mamãe Falei, Nando Moura e outros
    Um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri, equivaleu Lula (PT) a Jair Bolsonaro (PL) como opção eleitoral para a presidência da República, e declarou voto nulo no segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Mas, antes de brigarem com apoiadores de Bolsonaro e serem considerados dissidentes da nova direita, canais de tendência liberal como o do MBL ou de figuras como Mamãe Falei e Nando Moura ajudaram a combater as hipocrisias e incoerências de esquerdistas, e foram importantes sobretudo em disseminar a aversão ao petismo na sociedade.

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NO NOVO GOVERNO O BRASIL VAI SE RELACIONAR MAIS COM DITADORES

 


O Brasil voltou… a bajular ditadores bolivarianos

Por
Leonardo Coutinho – Gazeta do Povo


Lula e o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, em encontro do Foro de São Paulo em Manágua, em 2011| Foto: EFE/Mario López

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito prometendo salvar a democracia. Há quem tenha se escorado nessa missão nobre, autoatribuída por Lula, para higienizar a consciência para votar nele, mesmo sabendo que as gestões petistas ficaram conhecidas por terem gerado e parido o maior escândalo de corrupção da história. Beleza. Lula está eleito, mas ainda não deixou claro qual é o seu compromisso com a democracia. Será que a missão se resumia a derrotar Jair Bolsonaro?

Qual apreço Lula, sua turma e partido têm para com a democracia? Os sinais que os petistas estão emitindo desde a equipe de transição e fora dela são desanimadores. Para pensar a política externa brasileira, por exemplo, Lula escalou pesos-pesados do petismo mais radical. Na largada, colocou a diretora do Foro de São Paulo, Monica Valente, e o secretário de relações internacionais do PT, Romênio Pereira, para engrossar o caldo do time que adora a tal diplomacia “ativa e altiva” e tem paixão pelo eixo Sul-Sul.

Valente e Pereira são fãs incondicionais de ditadores latinos como o venezuelano Nicolás Maduro, os gerontocratas cubanos e o nicaraguense Daniel Ortega. No ano passado, a dupla causou constrangimento ao publicar uma nota oficial parabenizando o companheiro Ortega pela vitória em simulacro de eleição, que foi marcado pela prisão dos opositores e violência contra quem ousou protestar. A nota foi tirada do ar, para evitar danos eleitorais.

Nesta semana, a Embaixada da Venezuela no Brasil – cujo todo “corpo diplomático” perdeu esse status junto ao Itamaraty e basicamente é composto de imigrantes ilegais – realizou uma cerimônia em homenagem ao deputado federal Paulo Pimenta, do PT do Rio Grande do Sul. Declarados personas non gratas pelo governo brasileiro, eles deveriam ter ido embora do Brasil em 2020, mas Pimenta entrou com uma ação no STF e garantiu a permanência deles aqui.

Pimenta também foi quem liderou uma reação violenta em uma tentativa de retomada da embaixada pelos diplomatas (esses sim reconhecidos pelo governo brasileiro) indicados por Juan Guaidó. Ao estilo black bloc, Pimenta reuniu um pessoal do PSOL, MST e PT para dar uns sopapos em cidadãos venezuelanos dentro da embaixada deles. Tudo por amor já declarado a Maduro e à revolução bolivariana.

Em Cuba, o regime já começou a se preparar para a sonhada retomada da exportação de mão de obra médica. A imprensa estatal, que fazia contagem regressiva para eleição de Lula e não escondia os planos de enviar os médicos para o Brasil, entrou em modo repouso. Fontes médicas da ilha dizem que é pura dissimulação. Não querem chamar a atenção para não atrapalhar um possível retorno que, ao que tudo indica, seria via intermediários como o Consórcio Nordeste – uma agremiação de governadores de esquerda que surgiu em 2019 para fazer oposição, ou, como dizem, resistência, ao então recém-empossado Jair Bolsonaro.

Para ajudar Cuba, os governos petistas rasgaram as leis brasileiras e permitiram que o nosso país se transformasse em uma extensão dos braços do regime comunista dos Castro. Mais de 15 mil médicos passaram pelo Brasil em um regime em que 70% dos salários deles era confiscado para nutrir os cofres do regime. Mas como Cuba é um símbolo socialista, a escravidão não é escravidão. O abuso não é abuso. Os crimes não são crimes.

Tolerância companheira que tem feito com que a esquerda relativize e principalmente glamorize regimes ditatoriais. Algo profundamente incompatível com quem nutre o menor compromisso com valores democráticos.

Ditadura é ditadura. Seja ela de esquerda, de direita ou religiosa.

Lula já demonstrou no passado uma fluidez vexatória no compromisso com a democracia. Deportou cubanos que esperavam ser acolhidos em meio a um pedido de asilo. Sob o pretexto de construir a paz, ajudou o Irã a ganhar tempo para acelerar seu programa nuclear, tentou amordaçar a imprensa e torrou centenas de milhões de dólares dos contribuintes brasileiros em empréstimos concedidos com quase nenhuma garantia para ditaduras latino-americanas e africanas, por meio do BNDES.

Lula tem a chance de fazer um ajuste na rota. A questão, entretanto, não é mais sobre chance. É preciso saber se Lula deseja mudar. Os sinais até agora indicam que não.


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BLOQUEIO DE RODOVIAS NO PARANÁ

 

Paraná
Bloqueio causou acidente envolvendo van
Tribuna do Paraná

A situação mais grave ocorreu na BR-153, na altura do quilômetro 466, onde os manifestantes bloquearam a estrada com barreiras de terra.| Foto: Reprodução/ Whats App
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Manifestantes apoiadores de Bolsonaro insatisfeitos com o resultado da eleição presidencial voltaram a bloquear rodovias no Paraná, do final da noite de ontem (18) até o início da manhã de hoje (19). Foram registrados dois bloqueios em estradas federais, ambos na cidade de União da Vitória.

A situação mais grave ocorreu na BR-153, na altura do quilômetro 466, onde os manifestantes bloquearam a estrada com barreiras de terra , causando um acidente com uma van que levava um grupo de adolescentes em uma viagem para o parque Beto Carrero, em Santa Catarina.

A outra rodovia bloqueada pelos manifestantes que não aceitam a vitória de Luís Inácio Lula da Silva (PT) foi a BR-476, no quilômetro 357.

Acionada para atender as ocorrências, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que conseguiu liberar o tráfego nos dois locais de bloqueio ao longo da manhã de hoje, mas o trânsito ainda apresenta lentidão devido à concentração dos manifestantes às margens das rodovias.

Manifestantes insatisfeitos com o resultado da eleição presidencial voltaram a bloquear rodovias no Paraná. Do final da noite desta sexta-feira (18) até o início da manhã de sábado (19) foram registrados dois bloqueios em estradas federais que cortam o Paraná. Ambos ficam na cidade de União da Vitória.

A situação mais grave ocorreu na BR-153, na altura do quilômetro 466, onde os manifestantes bloquearam a estrada com barreiras de terra. Esse bloqueio causou um acidente com uma van que levava um grupo de adolescentes em uma viagem para o parque Beto Carreiro, no estado vizinho de Santa Catarina.

A outra rodovia bloqueada pelos manifestantes que não aceitam a vitória de Luís Inácio Lula da Silva (PT) foi a BR-476, no quilômetro 357.

PRF trabalha para liberar tráfego

Acionada para atender as ocorrências, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que conseguiu liberar o tráfego nos dois locais de bloqueio ao longo da manhã de hoje, mas o trânsito ainda apresenta lentidão devido à concentração dos manifestantes às margens das rodovias.

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