terça-feira, 15 de novembro de 2022

GUERRA NA UCRÂNIA UTILIZA ROBÔS ASSASSINOS

 


Ucrânia se torna laboratório para o uso de robôs assassinos

Por
Mariana Braga – Gazeta do Povo


Tanque robô russo Uran-9 em exercícios militares.| Foto: Reprodução/ Twitter

Além de colocar em combate tropas russas contra as ucranianas desde fevereiro, o conflito no Leste Europeu também tem servido de experiência para a utilização de robôs, apontando para um possível futuro das guerras, quando máquinas assassinas estarão cada vez mais presentes entre soldados humanos.

Suspeita-se que os russos tenham sido os primeiros a usar no campo de batalha um drone assassino (capaz de matar inimigos sem a presença humana de um militar) antes na Líbia, no ano passado, e agora na Ucrânia, conforme denunciou a Bulletin of the Atomic Scientists, uma organização dedicada a avaliar os riscos da tecnologia para a humanidade.

Ainda em 2021, a Rússia testou novos equipamentos autônomos armados, em conjunto com Belarus, no exercício militar Zapad-21. Conforme analisava, em outubro do ano passado, um especialista militar pró-Rússia e editor da revista Arsenal of the Fatherland, Viktor Murakhovsky, nenhum outro exército no mundo tem a variedade de veículos não tripulados e drones quanto a Rússia.

João Alfredo Lopes Nyegray, doutor em estratégia, coordenador do curso de Comércio Exterior e professor de Geopolítica e Negócios Internacionais na Universidade Positivo, acredita que essas estimativas e as expectativas sobre a qualidade dos equipamentos russos sejam, no entanto, exageradas.

“Há incontáveis vídeos de soldados mal aparelhados e com armamento enferrujado e muito antigo”, aponta o professor. Diante da ajuda internacional à Ucrânia, é possível que na disputa de robôs a Rússia saia perdendo.

 Uran-9 e outras apostas dos russos  

O principal destaque russo nos exercícios feitos em parceria com os bielorrussos no ano passado foi o Uran-9, o maior robô do arsenal da Rússia.  Suas “orelhas grandes” estão relacionadas aos lançadores localizados nas laterais. O Uran-9 está armado com um canhão automático de 30 mm, mísseis guiados antitanque e lança-chamas.  
 
Ao longo deste ano, os russos deixaram claro que continuam desenvolvendo novos equipamentos de guerra. Além de colocar modelos de cachorros robôs armados em feiras militares, expuseram um novo dispositivo, em formato esférico e equipado com câmeras e microfones.

De acordo com os demonstradores, esse drone em formato de uma pequena bola de tênis está sendo desenvolvido na Rússia para ser utilizado em edifícios de difícil acesso em zonas de guerra.

Sendo lançado ao alvo, o equipamento pode fazer um movimento giratório, registrando 360 graus de imagens e coletando as conversas do inimigo.

Ucrânia não fica para trás 
Um UGV (Unmanned Ground Vehicle, em inglês), ou drone terrestre, feito na Estônia, foi oferecido às forças de Kiev para ser usado na movimentação de feridos em zonas de combate. Os possíveis usos para esse equipamento em forma de tanque não tripulado, o THeMIS, “são quase ilimitados”, conforme descreve o fabricante Milrem Robotics. Esse robô pode ser encaixado a uma torre armada, carregando uma metralhadora de calibre pesado, por exemplo, tornando-se um robô potencialmente assassino. 

O equipamento chamou a atenção da Rússia e o CAST, um think tank ligado ao Kremlin, ofereceu às tropas do país uma recompensa de um milhão de rublos (R$ 87.524,55 na conversão atual) caso consigam capturar um THeMIS intacto. 
 
“O conflito na Ucrânia demonstrou que a guerra moderna é impensável sem o amplo uso de veículos não-tripulados”, explicou Ruslan Pukhov, diretor do CAST, à revista Business Insider.

As tropas russas também têm como alvo robôs ucranianos capazes de desfazer minas, drones que são usados para lançar granadas, além da recém-inaugurada arma contra tanques, na forma de um pequeno robô terrestre. 
 
Batizado de Gnom Kamikaze, o aparelho é fabricado pela empresa ucraniana Temerland, com sede em Zaporizhzhia, no oeste do país.  É um pequeno veículo com baixa distância do chão, que transporta uma mina antitanque.  

Reprodução: Temerland

Com uma altura de apenas 165 milímetros, o robô é pequeno o suficiente para passar por baixo de veículos inimigos antes de explodir, mas também pode aumentar sua distância em relação ao solo para passar por pequenos obstáculos. 
 
O dispositivo pode transmitir um sinal de vídeo a mais de 800 metros e dirigir por uma hora. Eduardo Trotsenko, CEO da Temerland, descreveu nas redes sociais que o robô será usado em conjunto com um drone, “que realizará um reconhecimento aéreo para guiar o Gnom Kamikaze em direção a um veículo”. Também servirá como distração, já que os drones são frequentemente usados para lançar cargas explosivas, permitindo que o robô se aproxime furtivamente.

Com o desenvolvendo da tecnologia dentro do país, e também com a ajuda internacional, a Ucrânia tem sido incentivada a colocar no campo de batalha esse arsenal automatizado.

São cerca de 30 países suprindo os ucranianos com armas, especialmente EUA, Reino Unido e Polônia. “Mais do que armamentos novos e modernos, os ucranianos estão recebendo munições e peças de reposição, o que parece ser um calcanhar de Aquiles para os russos”, explica Nyegray.

O problema dos robôs autônomos 

No livro Drones et robots – La guerre des futurs (Drones e robôs – A guerra dos futuros, em tradução livre, sem versão em português), o jornalista e pesquisador francês Edouard Pflimlin trata da robotização do campo de batalha. Mais de 90 países, principalmente os Estados Unidos, têm drones militares e uma dúzia deles apresentam drones armados, ou seja, podem atacar alvos terrestres a partir do ar.

Além dos drones, os robôs também estão se desenvolvendo muito rapidamente. Por enquanto, conforme destaca Pflimlin, eles permanecem controlados remotamente por um operador humano. No entanto, o rápido progresso tecnológico e o avanço da inteligência artificial levantam temores do surgimento de robôs militares totalmente autônomos. Esses robôs não estão sujeitos a nenhuma regulamentação internacional e seus sistemas não permitem um controle confiável e perfeito de suas ações.

O pesquisador francês lembra que estão sendo desenvolvidos drones aéreos autônomos de combate para entrar em serviço antes de 2030 e a guerra na Ucrânia pode estar acelerando esse processo.

Em entrevista ao canal francês TV 5 Monde, o general Nicolas Richoux aponta para a preocupação com o desenvolvimento de robôs que ataquem sem controle humano. “Cria-se claramente um problema jurídico: quem se responsabiliza pelas mortes?”, questiona o militar, destacando que em governos autoritários essa preocupação é naturalmente menor.

“Uma guerra feita somente de robôs autônomos, como nos filmes de ficção, já é tecnologicamente possível. Mas seria uma guerra mais fácil de começar e mais difícil de terminar”, destaca o general. De acordo com Richoux, sem tantas perdas humanas, um país teria menos motivos para desistir de um conflito.

No mesmo programa, o pesquisador belga Jonathan Bannenberg, do Grupo de Pesquisa e Informação sobre Paz e Segurança do país (GRIP, na sigla em francês), lembra que, desde 2018, a Bélgica proíbe o uso de robôs autônomos no exército. O especialista orienta que os países que desenvolvem essa tecnologia, e discutem sobre o assunto há quase uma década, enfim se debrucem para criar regras internacionais.


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ATUAIS PRESIDENTES DA CÂMARA E SENADO ARTICULAM PARA CONTINUAR

 

Nov 15, 2022


Como estão as negociações de Lira e Pacheco para manter o poder no novo Congresso

Por
Rodolfo Costa – Gazeta do Povo
Brasília


Arthur Lira e Rodrigo Pacheco se cumprimentam no plenário do Senado.| Foto: Roque de Sá/Agência Senado

As eleições para as presidências da Câmara e do Senado ocorrerão apenas em fevereiro, mas as articulações pelo comando de ambas as Casas avançam a passos largos desde a vitória nas urnas do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E os atuais presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já largam como favoritos para se reeleger. Mas, especialmente no Senado, Pacheco pode enfrentar a oposição do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

A reeleição de Lira e Pacheco é dada como certa pelos aliados mais próximos de ambos. Parlamentares da base de Bolsonaro, de Lula e mesmo aqueles com atuação mais independente também consideram prováveis as vitórias de ambos. Boa parte desse sentimento se deve às articulações que eles vêm fazendo e pela necessidade que Lula tem de obter o apoio de Lira e Pacheco para a aprovação, ainda em 2022, de seus projetos de governo – além de outras propostas no ano que vem.

“Eu vejo que a candidatura dele [Arthur Lira] é muito forte e natural, e isso leva a essa possibilidade de reeleição. O presidente Lira é páreo duro, é bem articulado, tem diálogo com todos os partidos da Casa, seja de esquerda ou direita. Está no poder, e foi o primeiro a reconhecer a vitória de Lula”, diz o deputado federal José Nelto (PP-GO), vice-líder do partido na Câmara.

O rápido reconhecimento de Lira ao resultado das eleições, ainda em 30 de outubro, data do segundo turno, foi bem recebido por Lula, alas do PT e partidos aliados da esquerda. Como fruto disso, o presidente da Câmara e o presidente eleito se reuniram na última quarta-feira (9) para discutir a transição. No encontro, o petista também acenou que seu partido não lançará candidatura à presidência da Câmara, deixando o caminho livre para Lira.

Como normalmente iniciam um governo com capital político elevado, os presidentes recém-eleitos costumam se articular para apoiar um nome para as presidências das duas Casas do Congresso. Portanto, o compromisso do PT de não lançar candidatura própria é um gesto importante para Lira.

O cenário não é muito diferente no Senado, onde o PT também sinaliza apoio a Pacheco, com quem Lula também se reuniu na quarta passada.

O senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), líder do partido na Casa, avalia que Pacheco tem chances “muito boas” de ser reeleito e acredita que o cenário independe do apoio do PT. “Acho muito difícil que outra candidatura prospere, independentemente se Lula o apoia ou não, porque é uma coisa que o Senado vai decidir por ele mesmo, não com base na Presidência da República”, diz.

Para Lula, a reeleição de Lira e Pacheco seria o melhor cenário para o início de seu mandato. Nas reuniões com o petista, ambos demonstraram boa vontade e disposição em avançar com as pautas do governo eleito e auxiliar na construção da governabilidade com o Congresso.

Como estão as costuras de Lira pela reeleição na Câmara
Lira e seu “núcleo duro” dialogam com lideranças de todos os partidos. Ele jantou com parlamentares da bancada do PP e aliados no último dia 8, quando intensificou as negociações. Após o encontro, líderes da Câmara avaliam que Lira pode obter uma vitória maior que os 302 votos obtidos na eleição de 2021 – a Casa tem 513 deputados.

Na disputa para o comando da Câmara em 2023, Lira manterá o apoio de PL, PP, PSD, Podemos, PSC, Pros, Avante e do recém-criado Mais Brasil – legenda oriunda da fusão entre Patriota e PTB. Todos esses partidos compuseram o bloco que o apoiou em 2021. Juntas, essas legendas somam 221 deputados. Para a reeleição, são necessários pelo menos 257 votos.

O presidente da Câmara ainda busca composições com o União Brasil, cujo presidente nacional, deputado Luciano Bivar (PE), ensaia uma candidatura; e com o Republicanos, cujo presidente nacional, deputado Marcos Pereira (SP), também ensaia uma candidatura. Lideranças de ambos os partidos consideram, contudo, que as sinalizações de seus dirigentes são apenas movimentos para valorizar o capital político das legendas e barganhar cargos.

Na hipótese de obter os votos dos deputados eleitos do União Brasil e do Republicanos, somados aos dos parlamentares das legendas que já acenam apoio a Lira nos bastidores, o presidente da Câmara teria 321 votos.

O placar pode, contudo, ser ainda maior devido às articulações com Lula. Caso o presidente eleito mantenha o compromisso de não lançar candidato e construa uma base com o Centrão, Lira poderia obter ainda mais votos da federação partidária composta por PT, PCdoB e PV, que conta com 80 deputados. Já outros partidos da base petista, como PDT, PSB, Psol e Rede – que se uniram em uma federação partidária – e o Solidariedade somam juntos 49 parlamentares.

Outro motivo pelo qual a reeleição na Câmara pode ser elástica é a possibilidade de o MDB não lançar candidato. O presidente nacional do partido, deputado Baleia Rossi (SP), que obteve 145 votos na eleição de 2021, sinalizou aos mais próximos que não vai disputar o cargo de novo. Outro emedebista que pode ficar de fora é o deputado federal eleito Eunício Oliveira (MDB-CE), ex-presidente do Senado, que teve o nome cotado.

O discurso no MDB, que elegeu 42 deputados, é de que o partido reconhece o fortalecimento e as articulações de Lira. Em aceno, o presidente da Câmara demonstrou a aliados a disposição em negociar com o partido. Sem uma candidatura emedebista, PSDB e Cidadania, que apoiaram Baleia em 2021, também poderiam votar pela reeleição de Lira. Os dois partidos, que se uniram em uma federação partidária, elegeram 18 deputados.

Como estão as articulações de Pacheco pela reeleição no Senado
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e seu entorno mais próximo já trabalham para conseguir o maior número de votos na eleição de fevereiro que irá escolher o comando da Casa. Além dos votos dos nove senadores do PT, o objetivo é assegurar todos os 11 votos do PSD, seu partido, e os 10 do União Brasil, do senador Davi Alcolumbre (AP), ex-presidente do Senado.

Ao site Poder 360, Alcolumbre disse que já está pedindo votos por Pacheco. Em jantar no último dia 8 com o presidente do Senado, a bancada do PSD também selou apoio integral à candidatura. Agora, todos concentram as articulações em obter os votos do PT e do MDB, que não descarta lançar candidatura própria.

Os senadores e as bancadas partidárias aliadas de Bolsonaro destacam que Pacheco e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) têm uma rusga e acreditam que isso pode ser um fator de fragilidade à candidatura do presidente da Casa. Os governistas ainda analisam, porém, os movimentos de Lula e como ele e o PT atuarão. Renan é aliado de Lula.

Já o PL, partido do presidente Bolsonaro, tem a intenção de lançar candidatura própria para o comando do Senado. E tenta uma composição com senadores do PP, do Republicanos e de outros partidos.

O senador Lasier Martins (Podemos-RS), líder do bloco parlamentar Juntos pelo Brasil, classifica o atual cenário de bastidores no Senado como muito “explosivo” e “delicado”. “Cresce o movimento por articulação do próprio Rodrigo Pacheco, que quer continuar. Mas os novos senadores, com lideranças do partido do governo, se articulam para apresentar um candidato forte que se oponha ao Pacheco. Do lado do governo, tem vários interessados. Mas deverá haver movimento no sentido de lançar o que tiver mais chances de fazer oposição ao Pacheco”, diz Martins.

Segundo interlocutores do PL, o partido estuda lançar o senador eleito Rogério Marinho (RN), ex-ministro do Desenvolvimento Regional, ou os senadores Carlos Portinho (RJ), líder do governo na Casa, e Eduardo Gomes (TO), líder do governo no Congresso. O senador eleito Magno Malta (ES) é outro que colocou o nome à disposição.

O senador Oriovisto Guimarães entende como legítima a disposição do PL em disputar a presidência do Senado. Mas pondera que o partido teria dificuldade em construir composições para atingir os 41 votos necessários para a sucessão de Pacheco. Ele esclarece, porém, que o Podemos ainda não definiu seu apoio e que isso pode ocorrer apenas em 2023.

“Até onde eu enxergo, há uma situação bastante difícil de alguém passar o Rodrigo Pacheco para trás. Ele foi uma pessoa sempre muito educada, elegante. Sempre atendeu a todos os senadores muito bem e teve sempre uma postura que todos os senadores gostam muito, de ser independente e fazer do Senado um poder independente”, diz.

“Pacheco tem essas qualidades; é amigo de 59 senadores, pois dos 27 eleitos, cinco foram reeleitos. E, evidentemente, entre os 22 novos senadores terão alguns que vão ficar do lado dele”, complementa.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lira-pacheco-se-articulam-para-manter-poder-no-congresso-em-2023/
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CONSUMIDORES PREFEREM COMPRAR ONLINE PELOS MARKETPLACES

 

Estudo SBVC mostra que 85% dos consumidores utilizam marketplaces como principal plataforma de compras online

SBVC – Toluma

·        80% utilizam os marketplaces como meio de pesquisa antes de comprar

·        90% dos shoppers afirmar verificar as avalições do vendedor terceirizado antes de comprar em um marketplace

Os consumidores brasileiros estão cada vez mais habituados às compras online e concentram sua jornada em marketplaces, buscando otimizar suas compras através da facilidade para encontrar preços mais baixos, conveniência e ampla escolha de produtos e serviços. Mas será que o mercado brasileiro está preparado para essa evolução do consumidor? A empresa que estiver atenta a esses detalhes será mais relevante na jornada de compra do consumidor omnichannel e terá mais oportunidades de relacionamento e vendas.

De acordo com o estudo especial “Marketplaces: Hábitos e tendências do consumidor brasileiro”, desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) em parceria com a Toluna, fornecedora líder de insights do consumidor sob demanda, 85% dos consumidores utilizam os marketplaces como principal plataforma de compras online, e cerca de 80% dos consumidores afirmam utilizar outros marketplaces antes de comprar. O principal motivo para a compra em marketplaces é “encontrar preços mais baixos”, citado por 73% dos shoppers, seguido por “é mais fácil/ prático/ conveniente” (60%), e “ter uma escolha mais ampla” (55%).

“Os marketplaces são uma das principais forças do e-commerce no Brasil e no mundo. Sua presença é constante no dia a dia dos consumidores e, hoje, o varejista que quer ser relevante no e-Commerce precisa ter uma estratégia sólida nas diversas plataformas digitais”, comenta Eduardo Terra, presidente da SBVC.

E a competição pelo cliente nos marketplaces não se limita ao Brasil – é uma competição global. “A possibilidade de encontrar preços mais baixos é o principal driver de consumo, tanto para compras em plataformas dentro do Brasil, quanto em compras crossborder, que são vistas com naturalidade pelos clientes”, analisa Terra.

Outro aspecto relevante pelo estudo é o uso de diversos meios de pagamento nas plataformas digitais. Embora o cartão de crédito parcelado seja o meio preferencial de compra em marketplaces, vale destacar que 20% dos consumidores já pagaram via Pix nas plataformas. “A velocidade de adesão a esse meio de pagamento pelos consumidores mostra que o Pix caiu nas graças da população e substitui meios mais caros, como o boleto bancário. Assim, aumenta ainda mais a eficiência dos marketplaces e sua aceitação pelo consumidor”, comenta Terra.

O estudo também avaliou o potencial do metaverso como canal de relacionamento e vendas. Para 53% dos entrevistados, o metaverso certamente ou provavelmente será utilizado nas compras do e-commerce no futuro – apenas 13% dizem que não usariam. “Isso mostra que a adoção de mundos virtuais imersivos precisará estar contemplada na estratégia de negócios das empresas nos próximos anos. Vale ficar muito atento ao desenvolvimento dessa tecnologia, pois ela encontrará aceitação pelo consumidor”, afirma o presidente da SBVC.

Metodologia

O estudo entrevistou 1.000 consumidores em todo o país e teve como objetivo entender o perfil do shopper brasileiro que compra em sites de marketplaces. Abordando aspectos relacionados experiência de compra pela internet, e em sites de marketplaces, experiência de compra crossborder, e conhecimento e uso do metaverso. A íntegra do estudo está disponível no site da SBVC:

A íntegra do estudo está disponível no site da SBVC:

Sobre a SBVC  - Fundada em maio de 2014, a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) é uma organização sem fins lucrativos aberta, multissetorial e com atuação complementar às demais entidades de classe do varejo. Sua missão é contribuir para o aumento da competitividade do varejo, por meio de conteúdos e estudos de mercado, promovendo networking entre executivos do varejo de todos os segmentos. A entidade tem como objetivo defender os interesses do segmento e promover ações sociais. A SBVC é sustentada por quatro pilares fundamentais: conteúdo, relacionamento, responsabilidade social e apoio técnico. Acesse: www.sbvc.com.br

Sobre a Toluna – A Toluna é líder em investigação de mercados, fornecendo insights do consumidor em tempo real de acordo com as exigências das empresas, suas marcas e mercados. Combinamos operação à escala global e experiência local com tecnologia inovadora e design de pesquisa premiado, ajudando as empresas a explorar no presente os desafios do futuro. O Grupo Toluna, que inclui Harris Interactive Europe e KuRunData, desenvolve um trabalho de excelência baseado em décadas de experiência em pesquisa de mercado, na nova plataforma Toluna Start e num painel de respondentes com mais de 36 milhões de consumidores ativos em 70 países. Para mais informações, visite o site www.tolunacorporate.com

A STARTUP VALEON OFERECE SEUS SERVIÇOS AOS EMPRESÁRIOS DO VALE DO AÇO

Moysés Peruhype Carlech

A Startup Valeon, um site marketplace de Ipatinga-MG, que faz divulgação de todas as empresas da região do Vale do Aço, chama a atenção para as seguintes questões:

• O comércio eletrônico vendeu mais de 260 bilhões em 2021 e superou pela primeira vez os shopping centers, que faturou mais de 175 bilhões.

• Estima-se que mais de 35 bilhões de vendas dos shoppings foram migradas

para o online, um sintoma da inadequação do canal ao crescimento digital.

• Ou seja, não existe mais a possibilidade de se trabalhar apenas no offline.

• É hora de migrar para o digital de maneira inteligente, estratégica e intensiva.

• Investir em sistemas inovadores permitirá que o seu negócio se expanda, seja através de mobilidade, geolocalização, comunicação, vendas, etc.

• Temas importantes para discussão dos Shoppings Centers e do Comércio em Geral:

a) Digitalização dos Lojistas;

b) Apoio aos lojistas;

c) Captura e gestão de dados;

d) Arquitetura de experiências;

e) Contribuição maior da área Mall e mídia;

f) Evolução do tenant mix;

g) Propósito, sustentabilidade, diversidade e inclusão;

h) O impacto do universo digital e das novas tecnologias no setor varejista;

i) Convergência do varejo físico e online;

j) Criação de ambientes flexíveis para atrair clientes mais jovens;

k) Aceleração de colaboração entre +varejistas e shoppings;

l) Incorporação da ideia de pontos de distribuição;

m) Surgimento de um cenário mais favorável ao investimento.

Vantagens competitivas da Startup Valeon:

• Toda Startup quando entra no mercado possui o sonho de se tornar rapidamente reconhecida e desenvolvida no seu ramo de atuação e a Startup Valeon não foge disso, fazem dois anos que estamos batalhando para conquistarmos esse mercado aqui do Vale do Aço.

• Essa ascensão fica mais fácil de ser alcançada quando podemos contar com apoio dos parceiros já consolidados no mercado e que estejam dispostos a investir na execução de nossas ideias e a escolha desses parceiros para nós está na preferência dos empresários aqui do Vale do Aço para os nossos serviços.

• Parcerias nesse sentido têm se tornado cada vez mais comuns, pois são capazes de proporcionar vantagens recíprocas aos envolvidos.

• A Startup Valeon é inovadora e focada em produzir soluções em tecnologia e estamos diariamente à procura do inédito.

• O Site desenvolvido pela Startup Valeon, focou nas necessidades do mercado e na falta de um Marketplace para resolver alguns problemas desse mercado e em especial viemos para ser mais um complemento na divulgação de suas Empresas e durante esses dois anos de nosso funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado com tecnologia, inovação com soluções tecnológicas que facilitam a rotina dessa grande empresa. Temos a missão de surpreender constantemente, antecipar tendências, inovar. Precisamos estar em constante evolução para nos manter alinhados com os desejos do consumidor. Por isso, pensamos em como fazer a diferença buscando estar sempre um passo à frente.

• Temos a plena certeza que estamos solucionando vários problemas de divulgação de suas empresas e bem como contribuindo com o seu faturamento através da nossa grande audiência e de muitos acessos ao site (https://valedoacoonline.com.br/) que completou ter mais de 100.000 acessos.

Provas de Benefícios que o nosso site produz e proporciona:

• Fazemos muito mais que aumentar as suas vendas com a utilização das nossas ferramentas de marketing;

• Atraímos visualmente mais clientes;

• Somos mais dinâmicos;

• Somos mais assertivos nas recomendações dos produtos e promoções;

• O nosso site é otimizado para aproveitar todos os visitantes;

• Proporcionamos aumento do tráfego orgânico.

• Fazemos vários investimentos em marketing como anúncios em buscadores, redes sociais e em várias publicidades online para impulsionar o potencial das lojas inscritas no nosso site e aumentar as suas vendas.

Proposta:

Nós da Startup Valeon, oferecemos para continuar a divulgação de suas Empresas na nossa máquina de vendas, continuando as atividades de divulgação e propaganda com preços bem competitivos, bem menores do que os valores propostos pelos nossos concorrentes offlines.

Pretendemos ainda, fazer uma página no site da Valeon para cada empresa contendo: fotos, endereços, produtos, promoções, endereços, telefone, WhatsApp, etc.

O site da Valeon é uma HOMENAGEM AO VALE DO AÇO e esperamos que seja também uma SURPRESA para os lojistas dessa nossa região do Vale do Aço.

VOCÊ CONHECE A ValeOn?

A MÁQUINA DE VENDAS ONLINE DO VALE DO AÇO

TEM TUDO QUE VOCÊ PRECISA!

A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio, também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser. Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.

A Startup Valeon um marketplace aqui do Vale do Aço volta a oferecer novamente os seus serviços de prestação de serviços de divulgação de suas empresas no nosso site que é uma Plataforma Comercial, o que aliás, já estamos fazendo há algum tempo, por nossa livre e espontânea vontade, e desejamos que essa parceria com a sua empresa seja oficializada.

A exemplo de outras empresas pelo país, elas estão levando para o ambiente virtual as suas lojas em operações que reúnem as melhores marcas do varejo e um mix de opções.

O objetivo desse projeto é facilitar esse relacionamento com o cliente, facilitando a compra virtual e oferecer mais um canal de compra, que se tornou ainda mais relevante após a pandemia.

Um dos pontos focais dessa nossa proposta é o lojista que pode tirar o máximo de possibilidade de venda por meio da nossa plataforma. A começar pela nossa taxa de remuneração da operação que é muito abaixo do valor praticado pelo mercado.

Vamos agora, enumerar uma série de vantagens competitivas que oferecemos na nossa Plataforma Comercial Valeon:

  • O Site Valeon é bem elaborado, com layout diferenciado e único, tem bom market fit que agrada ao mercado e aos clientes.
  • A Plataforma Valeon tem imagens diferenciadas com separação das lojas por categorias, com a descrição dos produtos e acesso ao site de cada loja, tudo isso numa vitrine virtual que possibilita a comunicação dos clientes com as lojas.
  • Não se trata da digitalização da compra nas lojas e sim trata-se da integração dos ambientes online e offline na jornada da compra.
  • No país, as lojas online, que também contam com lojas físicas, cresceram três vezes mais que as puramente virtuais e com relação às retiradas, estudos demonstram que 67% dos consumidores que compram online preferem retirar o produto em lojas físicas.
  • O número de visitantes do Site da Valeon (https://valedoacoonline.com.br/)  tem crescido exponencialmente, até o momento, temos mais de 182.000 visitantes e o site (https://valeonnoticias.com.br/) também nosso tem mais de 3.800.000 de visitantes.
  • O site Valeon oferece ao consumidor a oportunidade de comprar da sua loja favorita pelo smartphone ou computador, em casa, e ainda poder retirar ou receber o pedido com rapidez.
  • A Plataforma Comercial da Valeon difere dos outros marketplaces por oferecer além da exposição das empresas, seus produtos e promoções, tem outras formas de atrair a atenção dos internautas como: empresas, serviços, turismo, cinemas e diversão no Shopping, ofertas de produtos dos supermercados, revenda de veículos usados, notícias locais do Brasil e do Mundo, diversão de músicas, rádios e Gossip.

                                                                                                                                                                   Nós somos a mudança, não somos ainda uma empresa tradicional. Crescemos tantas vezes ao longo do ano, que mal conseguimos contar. Nossa história ainda é curta, mas sabemos que ela está apenas começando.

Afinal, espera-se tudo de uma startup que costuma triplicar seu crescimento, não é?

Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.

E-Mail: valeonbrasil@gmail.com

Site: https://valedoacoonline.com.br/

Fones: (31) 98428-0590 / (31) 3827-2297

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

TODO GASTO GOVERNAMENTAL DEVE TER UMA AVALIAÇÃO PRÉVIA PARA A RESOLUÇÃO DO PROBLEMA

 


Leis inúteis e mal feitas: como evitar que o dinheiro dos impostos vá para o lixo
Por
Luan Sperandio, especial para a Gazeta do Povo

Money shred bad investment, scam or fraud causing losing money, mistake or financial failure spending concept, businessman hand feed banknote money into shredder to destroy losing all his wealth.


A Análise de Impacto Regulatório (AIR) é um procedimento que busca identificar e fazer uma avaliação prévia dos resultados esperados daqueles atos normativos que buscam resolver um problema regulatório| Foto: Bigstock

Ao final de 2017, o então governador do estado do Ceará, Camilo Santana (PT), fez um sorteio em uma transmissão ao vivo por rede social. Imitando programas de auditórios, abriu um mapa do estado, fechou os olhos e sorteou com um dedo a próxima cidade cearense que receberia a construção de uma arena. A escolhida foi Ipu, cidade com pouco mais de 40 mil habitantes. Fazia parte de um programa de instalação de quarenta arenas no Ceará, ao custo de cerca de R$ 70 milhões. Ao contar a história no livro ‘Guia Politicamente Incorreto da Política Brasileira (Ed. Leya)’, o jornalista Rodrigo da Silva define: “Na prática, dinheiro dos pagadores de impostos cearenses sendo literalmente gasto às cegas”.

Este exemplo de Santana, eleito senador nas eleições de 2022, é simbólico para como são feitas muitas tomadas de decisões na política brasileira. Não à toa, a qualidade regulatória no país é mal avaliada em rankings internacionais. De acordo com o Global Competitiveness Report 2019, no quesito ônus da regulamentação governamental, o Brasil ocupa a última colocação entre 141 países. Em outras palavras, o Brasil tem a regulação considerada mais danosa ao ambiente de negócios do mundo — o que aumenta os chamados custos de transação, dificultando investimentos que poderiam acelerar o desenvolvimento econômico do país.

“A verdade é que parte considerável do nosso trabalho legislativo é incompreensível, capaz de criar literalmente toneladas de normas ininteligíveis para o cidadão médio. Parte das nossas leis são inúteis ou limitadas a bajular os detentores do poder, quando não inconstitucionais. Parcela importante disso ocorre devido à ausência de instrumentos legais que garantam racionalidade às decisões políticas, sejam elas do Executivo ou do Legislativo”, critica Luciano Timm, advogado, professor da FGV e presidente da Associação Brasileira de Liberdade Econômica.

A despeito de gestores públicos e legisladores não poderem fazer tudo como bem quiserem, precisando respeitar diversas regras orçamentárias, eleitorais, de responsabilidade fiscal, além da própria Constituição, em alguns países desenvolvidos essas restrições são ainda maiores e evitam que o dinheiro do pagador de impostos seja gasto de forma irracional.

Para superar esse problema, Estados Unidos, Canadá e Austrália são três países apontados por especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo de exemplos do caminho que o Brasil deveria seguir. Em comum, os três países utilizam uma ferramenta chamada Análise de Impacto Regulatório (AIR), “um procedimento que busca identificar e fazer uma avaliação prévia dos resultados esperados daqueles atos normativos que buscam resolver um problema regulatório”, explica explica Adriano Paranaíba, professor de economia do Instituto Federal de Goiás. “Quando ela é bem feita, pode identificar um problema regulatório e é feita dando o norte para uma política pública bem feita para evitar que aquela regulação traga mais problemas do que o problema anterior. Em outras palavras, quanto de fato aquela legislação vai melhorar a vida das pessoas?”

“Nos Estados Unidos, por exemplo, são desenvolvidos série de estudos a partir de uma organização centralizada diretamente à Presidência da República. Eles têm, inclusive, a prerrogativa de, caso verifiquem que uma regulação está trazendo mais custos do que benefícios, vetarem aquele dispositivo danoso”, complementa Paranaíba. O órgão citado é o Office of Information and Regulatory Affairs (Oira). Sem o mesmo poder, mas com a prerrogativa de AIR, no Brasil o órgão responsável por acompanhar o papel regulatório das decisões é a Secretaria de Advocacia da Concorrência e Competitividade (SEAE).

Timm afirma que abrir mão de um expediente institucional capaz de produzir análises técnicas de custo-benefício das regulações é “entregar as decisões das figuras mais poderosas do país aos caprichos da ignorância e dos conchavos de grupos que se organizam para arrancar privilégios dos bolsos dos pagadores de impostos, ainda que jurando defender seus interesses. O resultado inevitável da completa desregulação da atividade política é a regulação excessiva da vida dos cidadãos”, critica.

A boa notícia é que essa necessidade exposta de um instrumento de freios e contrapesos à banalidade política, com poder de impedir projetos de leis e programas de governo improdutivos e onerosos à população já está em andamento no Brasil. Em 2019 foi sancionada a Lei da Liberdade Econômica, que traz em sua redação a necessidade de avaliação de impacto regulatório. Mas seu uso ainda não foi difundido com a velocidade que o país necessita.

“Nas agências reguladoras, a implementação tem sido mais fácil, pois já havia obrigatoriedade na legislação das agências. Já nos órgãos do poder executivo, há mais resistência cultural, especialmente naqueles ministérios que fazem regulação econômica e, tradicionalmente, sem qualquer análise de impacto, como é o caso do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon)”, analisa Timm.

Entre os exemplos de AIR já aplicada no BRasil está o caso de rotulagem nutricional de alimentos feito pela Anvisa, que foi desburocratizada no país após análise de custo-benefício do excesso de informações exigidas anteriormente.

Outro caso já implementado foi do Inmetro, que classificou o risco de isqueiros como muito menor do que o uso de combustíveis em deslocamento, diminuindo exigências regulatórias e documentações para uma série de produtos.

Muito ainda a se avançar

“Percebo também alguma dificuldade de órgãos que não estritamente classificados como agências, mas que devem seguir os ditames da LLE, como o Banco Central, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM)”, analisa Timm.

Ele também alerta que o respeito à livre iniciativa e aos limites regulatórios por órgãos de classe que fiscalizam e regulam o exercício profissional tem sido complexo, citando o caso do Conselho Federal de Odontologia (CFO), Conselho Federal de Contabilidade (CFC), entre outros.

“A discussão com estados e municípios ainda terá muitos desafios. No limite, haverá necessidade de algum grau de ‘enforcement’ judicial. O próprio Ministério Público precisa se conscientizar do seu papel de defender a ordem econômica e não apenas os direitos dos consumidores de forma atomizada”, argumenta o advogado e professor.

Paranaíba também traz críticas ao processo. “Muitas agências reguladoras parecem tratar a AIR como uma checklist: ‘quero regular, então faço a AIR para legitimar minha ação. Mais do que ela ser feita, precisa ser feita com o objetivo real, que pode ser que não regular seja a melhor alternativa”, afirma.

Outro ponto defendido por ele é a Análise de Revisão Regulatória. “Precisamos criar essa cultura a fim de saber se faz sentido manter aquela regra ou revisá-la. Além de criar a norma, precisa verificar posteriormente a utilidade dela para saber se devemos mantê-la ou não”, afirma.

Resistência ideológica
A implementação em maior potencial da Análise de Impacto Regulatório também depende deste entendimento pelos juristas, o que passa pela formação dos novos operadores do direito nos bancos das faculdades, pela produção de literatura sobre o tema — a chamada doutrina jurídica — a fim de respaldar entendimentos judiciais nesse sentido, a chamada formação de jurisprudência.

“Faltam estudos interdisciplinares nas faculdades de Direito, mesmo nas mais tradicionais, salvo talvez na FGV/SP, INSPER e algumas outras privadas em que a matéria é ensinada já na graduação e que tem grupos consolidados de pesquisa. Nas faculdades públicas, há mais resistência dogmática e mesmo ideológica. Muitos juristas ainda se restringem a apenas comentar leis e não a pensar sobre dados, consequências e a realidade”, analisa o professor.

Debatendo o tema, em 2022 foi lançada a obra “A nova regulação econômica” (Ed. CEDES), em que Timm é um dos autores. “Acredito que será uma área de muito desenvolvimento, embora o caminho não seja fácil por exigir a interlocução entre direito e economia”, afirma.

Falhas do governo
Muitas das distorções em políticas são criadas pelos próprios grupos de interesses ao influenciar as tomadas de decisões políticas. A análise de impacto é apontada como uma forma de blindar a legislação de interferências maléficas.

“É uma forma de proteger a sociedade contra decisões regulatórias que acabam beneficiando quem capturou o governo. É um tema clássico na Análise Econômica do Direito Regulatório. Se criamos a regulação para suprir falhas de mercado, não devemos esquecer das falhas de governo, e o Brasil é o país do “capitalismo de laços” ou do patrimonialismo, o que significa que os custos para captura do governo são menores que em outros países”, analisa Timm.

“Nosso sistema econômico é muito isolado e passamos quase imunes ao processo de globalização econômica. AIR significa que uma intervenção no mercado pela via regulatória deve ser justificada por critérios técnicos e científicos (normalmente análise de custo-benefício). Não bastam boas intenções!”, critica.

A opinião é corroborada pelo doutorando em Economia pelo Insper e recém-eleito deputado estadual por São Paulo, Leonardo Siqueira (Novo). “Não bastam políticas públicas baseadas apenas nas boas intenções, precisamos avaliar o impacto que elas trazem na sociedade. A maneira como uma política é implementada pode fazer com que não tenhamos o resultado atingido. A academia faz muito isso, mas muitas vezes há uma demora em trazer o impacto de uma realização. Se fosse feita uma avaliação da política proposta antes dela ser implementada, teríamos ganhos no processo legislativo que beneficiariam a população”, afirma.

“Quanto custa o programa? Qual a necessidade de impacto financeiro dele? Os resultados pretendidos serão alcançados? A AIR nada mais é que antes de propor algo analisar o impacto caso esta seja implementada de fato. Essa cultura precisa avançar na política”, defende Siqueira.

“A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já concluiu que a contribuição mais expressiva da AIR para a qualidade das decisões regulatórias não é a precisão dos cálculos, mas a própria ação de analisar, questionar, entender os potenciais impactos da regulação e explorar alternativas possíveis. Ou seja: o maior ganho está no processo”, finaliza.

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LIBERDADE DE EXPRESSÃO DO TWITTER DE ELON MUSK


O que se sabe sobre a nova política de conteúdo do Twitter após compra por Elon Musk?
Por
Gabriel Sestrem – Gazeta do Povo


Bilionário Elon Musk lida com campanhas de pressão de ativistas de esquerda após sinalizar fim de restrições a usuários alinhados à direita| Foto: Ulises Ruiz Basurto/EFE

“O pássaro está livre”, tuitou o bilionário Elon Musk horas após a conclusão do acordo de compra do Twitter por US$ 44 bilhões, que ocorreu na última quinta-feira de novembro. Junto a essa, várias outras postagens feitas pelo homem mais rico do mundo desde abril deste ano, quando o processo de compra teve início, apontam para uma transação feita não só por aspectos de mercado, mas também por uma espécie de idealismo do empresário, que se autointitula “absolutista da liberdade de expressão”.

Ao longo dos anos, o Twitter tem sido acusado por diversos usuários, sobretudo aqueles alinhados à direita política, de que a moderação de conteúdo – exclusão temporária ou definitiva de usuários e conteúdos supostamente em desacordo com os termos de uso da rede social – era bastante rígida com publicações ligadas ao conservadorismo e ao liberalismo, enquanto havia “vista grossa” para postagens com temas vinculados à esquerda.

Outro fator denunciado com frequência é que haveria critérios subjetivos que tornavam bastante difícil que jornalistas e demais influenciadores de direita conseguissem o selo de verificação da rede social – o chamado “selo azul”, que confere autenticidade e garante maior credibilidade e relevância ao usuário.

Nos últimos meses, Musk também passou a endossar esse desequilíbrio na política de moderação de conteúdo da plataforma, menos tolerante a conteúdos de direita. O bilionário também tem feito críticas ao radicalismo que domina o crescimento da chamada cultura woke, baseada na defesa de pautas como ideologia de gênero e identitarismo.

Ao responder um influenciador conservador na última sexta-feira (4), que dizia que enquanto a esquerda conta com bilhões de dólares, além de entidades governamentais, empresas de mídia e ONGs para fomentar a censura a vozes da direita, conservadores “têm algumas contas de mídia social e um punhado de grupos que lutam pela liberdade de expressão online”, o novo dono do Twitter respondeu: “Essa avaliação é mais precisa do que a maioria das pessoas imagina”.

Para atender a essa demanda, Musk tem afirmado, em suas postagens, que não haverá nenhum tipo de censura na plataforma e que setores estratégicos da empresa, como moderação de conteúdo, ética e segurança, serão formados por pessoas com diferentes pontos de vista. O Twitter, segundo ele, passaria a ser imparcial, sem favorecer nenhum lado.

Mudanças e demissões em massa
Logo que concluiu o processo de compra, Elon Musk demitiu alguns dos principais diretores do Twitter, incluindo o até então CEO, Parag Agrawal, e o ex-presidente, Bret Taylor. Também foi demitida a chefe de assuntos jurídicos Vijaya Gadde, principal responsável pelo banimento de ex-presidente americano Donald Trump do Twitter antes dos eventos da invasão do Capitólio, após sua derrota eleitoral em 6 de janeiro de 2021.

Já na última sexta-feira (4), foram desligados aproximadamente 3,7 mil funcionários da empresa em todo o mundo, cerca de metade da equipe, sob a justificativa de redução de custos. No Brasil, teriam sido 150 demissões segundo informações do Valor Econômico.

A equipe que atua com curadoria de conteúdo e combate à desinformação é uma das que foram bastante atingidas pelas demissões, assim como setores de direitos humanos e ética de aprendizado de máquina. O modo de “combater a desinformação” é justamente aquele apontado como abusivo por usuários de direita, que apontam parcialidade nas decisões.

Apesar disso, o bilionário afirmou, na mesma data das demissões, que os recursos de moderação permanecem em vigor. Em outro tuíte publicado dois dias antes, ele havia dito que o novo conselho de moderação de conteúdo do Twitter “incluirá representantes com visões amplamente divergentes, que certamente incluirão a comunidade de direitos civis e grupos que enfrentam violência alimentada pelo ódio”.

Entidades de esquerda pressionam anunciantes

Prevendo ataques mais incisivos por parte da esquerda progressista frente à sinalização de maior tolerância à diversidade de opiniões, Elon Musk publicou, na data da conclusão do processo de compra, uma carta aberta aos anunciantes. “O Twitter obviamente não pode se tornar um inferno livre para todos, onde qualquer coisa pode ser dita sem consequências. Além de cumprir as leis do país, nossa plataforma deve ser calorosa e acolhedora para todos”, disse na ocasião.

Ainda assim, o sinal verde à liberdade de expressão para todos os posicionamentos políticos despertou a ira de ativistas. No dia 1º de novembro, mais de 50 entidades progressistas, que atuam em temas como defesa da liberação do aborto, direitos LGBT e questões raciais divulgaram uma carta aberta pressionando os principais anunciantes da rede social a repensarem a exposição de suas marcas na plataforma.

Na carta, as entidades dizem, sem provas, que “24 horas após Musk tomar posse, a plataforma foi inundada com ódio e desinformação”. “Os extremistas não estão apenas comemorando a aquisição do Twitter por Musk, eles estão vendo isso como uma nova oportunidade de postar a linguagem e as imagens mais abusivas, assediantes e racistas. Isso inclui ameaças claras de violência contra pessoas com as quais eles discordam. Sem esforços deliberados do Twitter para lidar com esse tipo de abuso e ódio, suas marcas apoiarão ativamente o extremismo acelerado”, diz a carta.

O texto pede, por fim, que os diretores das empresas anunciantes se comprometam publicamente a interromper toda a publicidade no Twitter se Musk “seguir seus planos de minar a segurança da marca e os padrões da comunidade, incluindo a moderação de conteúdo”.

Três dias após a divulgação da carta – e em meio a outras campanhas de influenciadores de esquerda pressionando empresas a retirarem seus anúncios – Musk foi ao Twitter informar que a rede social havia tido “uma queda enorme na receita, devido a grupos ativistas pressionando os anunciantes, embora nada tenha mudado com a moderação de conteúdo. Fizemos tudo o que pudemos para apaziguar os ativistas”, declarou o empresário. “Eles estão tentando destruir a liberdade de expressão na América”, prosseguiu.

Mudanças no “selo azul”
Nas próximas semanas, o Twitter deve receber também uma série de mudanças no funcionamento da plataforma. Uma das principais é a ampliação do selo de verificação para todos os usuários que desejarem assinar o serviço Twitter Blue.

O chamado “selo azul”, até então concedido mediante avaliação caso a caso por equipes internas do Twitter a determinados influenciadores, celebridades, empresas e políticos, será concedido por um pagamento mensal. Em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia – os primeiros que devem receber a nova funcionalidade – o custo será de oito dólares.

Adeptos do Twitter Blue também terão direito a recursos exclusivos, como exposição a menos anúncios, possibilidade de publicar vídeos mais longos e prioridade de ranqueamento em respostas, menções e buscas.

Outras mudanças na plataforma que estão em estudo e podem entrar em funcionamento em breve são o aumento do tamanho disponível para texto, melhorias na ferramenta de busca e monetização para produtores de conteúdo.

Elon Musk diz que analisará casos de brasileiros censurados no Twitter
Como mostrado pela Gazeta do Povo, neste domingo (6) o empresário prometeu analisar o caso dos brasileiros que tiveram suas contas no Twitter banidas no Brasil por ordens judiciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Há uma lista ampla de pessoas que tiveram contas bloqueadas por ordem judicial após publicarem conteúdos que desagradaram os tribunais em questão, desde jornalistas e empresários a artistas e até mesmo políticos com mandato ativo. O deputado federal eleito Nikolas Ferreira (PL-MG), que teve a maior votação do país nas eleições deste ano, teve seu perfil suspenso na última sexta-feira (4) por ordem do TSE após mencionar indícios de fraudes nas urnas eletrônicas. Já a deputada Carla Zambelli (PL-SP) teve a conta excluída por ordem judicial após endossar as manifestações de caminhoneiros pró-Bolsonaro.

Neste domingo (6), foi a vez dos deputados Major Vitor Hugo (PL-GO) e Coronel Tadeu (PL-SP), aliados do presidente Jair Bolsonaro, terem as contas suspensas. Da mesma forma, o TSE determinou bloqueio do perfil do ex-secretário da Receita Marcos Cintra, que foi candidato a vice-presidente neste ano pelo União Brasil na chapa de Soraya Thronicke, após pedir esclarecimentos à Justiça Eleitoral sobre suspeita de fraude nas urnas.

“Vou olhar essa questão”, respondeu Elon Musk a usuários brasileiros da plataforma que pediam que as medidas fossem revistas pelo bilionário.

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REUNIÃO DO G20 NA INDONÉSIA

Em Bali

Por
Fábio Galão – Gazeta do Povo


Policiais participam de treinamento de segurança em Bali, que receberá reunião de cúpula do G20 entre terça (15) e quarta-feira (16)| Foto: EFE/EPA/MADE NAGI

Criado em 1999 para ser um espaço para aumento da cooperação econômica entre os países com os maiores PIBs do mundo, o G20 terá sua reunião de cúpula em Bali, na Indonésia, entre terça (15) e quarta-feira (16), talvez no momento de maior fragmentação do grupo.

Se já havia ceticismo devido à falta de resultados das últimas reuniões, que foram além de questões econômicas e passaram a incluir outros temas, como mudanças climáticas, a perspectiva de alcançar grandes objetivos se tornou quase nula devido à guerra na Ucrânia, deflagrada pela invasão russa em fevereiro deste ano.

O G20 reúne as 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia, e o bloco europeu e os aliados americanos impuseram pesadas sanções a Moscou devido à agressão ao país vizinho. Por outro lado, China e Índia passaram a importar mais petróleo da Rússia, aliviando parte dos efeitos das respostas econômicas do Ocidente e aprofundando as rachaduras internas do G20.

A Indonésia, sede da cúpula deste ano, tentou aliviar essas tensões: o presidente Joko Widodo visitou tanto Kyiv quanto Moscou em junho e convidou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para participar da cúpula.

Entretanto, o governo da Ucrânia pediu a expulsão da Rússia do G20 e a retirada do convite ao presidente Vladimir Putin. A posição oficial da Indonésia é que não cabe à presidência temporária do G20 a decisão de expulsar membros do grupo – seria necessário um consenso entre os demais integrantes.

A poucos dias do início da cúpula, a Rússia deu fim a semanas de especulações e anunciou que Putin não irá a Bali – o país será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov.

Os Estados Unidos também possuem diferenças profundas com outros dois integrantes do G20, a China e a Arábia Saudita. Com Pequim, as divergências antes restritas a disputas comerciais e cobranças sobre direitos humanos passaram também para a esfera militar, devido às ameaças da ditadura chinesa de invadir Taiwan, com quem os americanos possuem um compromisso de defesa (na segunda-feira, véspera da abertura da reunião do G20, Joe Biden terá sua primeira conversa presencial com o ditador Xi Jinping desde que assumiu a presidência americana).

Já a Arábia Saudita irritou Washington porque em outubro a Organização dos Países Produtores de Petróleo com acréscimo da Rússia (Opep+) decidiu cortar a produção mundial em 2 milhões de barris por dia, o que representa 2% do que é produzido em todo o mundo.

O governo Biden considera que, além de prejudicar o combate à inflação, a medida foi um aceno à Rússia, já que uma elevação dos valores do petróleo ajudaria na sua guerra contra a Ucrânia. Na prática, a Arábia Saudita lidera a Opep+.

Em entrevista à agência Reuters, a ministra das Relações Exteriores da Indonésia, Retno Marsudi, admitiu que os preparativos para a cúpula do G20 estão mais desafiadores do que os dos encontros dos últimos anos.

“A presidência da Indonésia talvez seja uma das ou talvez a mais difícil de todos os encontros do G20, por causa das questões geopolíticas, econômicas e outras”, afirmou.

Sem comunicados conjuntos

Este ano, o grupo não divulgou comunicados conjuntos em várias reuniões, incluindo a de ministros das Relações Exteriores realizada em julho.

Com esse passado recente e as divergências explicitadas de um ano para cá, a probabilidade de um documento desse tipo é improvável em Bali, mas Marsudi destacou que, mais importante do que haver um comunicado conjunto, é que ele tenha conteúdo.

“Seja qual for o nome que adote, conterá os compromissos políticos dos líderes. Para nós, é melhor nos concentrarmos no conteúdo. No final, o conteúdo fala mais”, argumentou.

Em comunicado divulgado no início de novembro, o Conselho dos Conselhos, composto por 28 grandes institutos de estudos de políticas públicas de vários países, destacou que a cúpula do G20 deve buscar três ações para que o grupo volte a ter credibilidade neste momento: buscar meios para que haja paz na Ucrânia; melhorar a coordenação das políticas monetárias dos seus membros; e tomar medidas significativas para ajudar o mundo em desenvolvimento.

“Os líderes do G20 devem restabelecer a imagem do fórum como um comitê de crise antes de discutir uma agenda de governança econômica global mais ambiciosa”, recomendou o conselho, em trecho do comunicado assinado por Ye Yu, vice-diretora do Instituto de Estudos da Economia Mundial e integrante dos Institutos de Estudos Internacionais de Xangai.


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O CENTRÃO VAI CONTROLAR O GOVERNO LULA

 

Entrevista
Ricardo Barros

Por
Roger Pereira – Gazeta do Povo

06/12/2017- Brasília: O ministro da Saúde, Ricardo Barros, participa de audiência pública nas Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) e Comissão de Finanças e Tributação (CFT) Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Vice-líder de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), vice-líder de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, desde 2020, líder do governo Jair Bolsonaro (PL) na Câmara dos Deputados, o deputado federal paranaense Ricardo Barros (PP) é um dos principais símbolos do chamado “Centrão” no Congresso Nacional. Não importa quem seja o presidente da República, Barros é chamado para negociar a adesão dos partidos de centro à base de apoio e dar ao chefe do Poder Executivo da vez a tão necessária governabilidade.

Nesta eleição de 2022, no entanto, Barros se engajou de forma mais efetiva na campanha de Bolsonaro, o que torna, num primeiro momento, mais difícil sua adesão ao governo Lula. Em entrevista à Gazeta do Povo, o deputado comenta o resultado da eleição, aponta o que faltou à campanha de Bolsonaro e faz uma projeção das dificuldades que Lula terá para construir sua base parlamentar. “Isso não vai se dar nos moldes que acontecia anteriormente”, alertou.

Confira a íntegra da entrevista:

Queria começar com uma avaliação sua sobre o resultado da eleição. O presidente Bolsonaro fez mais votos do que as pesquisas indicavam no primeiro turno e, a campanha se animou com a possibilidade de virada. Na sua opinião, o que faltou?

Olha, o presidente, como você disse, fez mais votos do que se esperava no primeiro turno, e fez mais votos, também, do que as pesquisas davam para ele no segundo turno. O presidente enfrentou, como ele fala, o sistema: a Justiça Eleitoral, muito parcial contra ele, e a grande mídia também. Mas tudo bem, também. São brigas que ele comprou e ele segurou. Então, não pode reclamar do comportamento que eles tiveram, porque era também uma reação à própria conduta do presidente. Eu acho que faltou voto, só isso. Eleição ganha quem erra menos, né? E a campanha do presidente tinha totais condições de vencer, mas houve percalços da campanha, principalmente na última semana, que custaram caro. Mas a própria apuração de votos mostrou que ele poderia vencer as eleições. Claro que o fato de o tribunal tirar dele as suas inserções comerciais a última semana inteira e passar para o Lula pesou muito também, mas faz parte do contexto e era esperado da minha parte. Pelo menos o comportamento da Justiça, do Alexandre Morais, era totalmente previsível, e da mídia também. E das pesquisas, vale lembrar. Então, os fatores que foram mais acentuados no resultado negativo eram todos previstos e não vejo surpresa nesse comportamento. Acho que o presidente fez muito voto, fez a maior bancada na Câmara, a maior bancada no Senado. O governo de São Paulo. Está em condições plenas de disputar a presidência em 2026.

Houve percalços na última semana que, infelizmente, custaram caro.

O senhor citou que houve erros na campanha na reta final. A declaração do ministro Paulo Guedes sobre desvincular o salário mínimo da inflação foi o grande erro da última semana?

Foi uma série de erros. Na última semana teve as declarações do Guedes; teve a história das inserções de rádio que, depois, o próprio Fábio Farias, que foi quem denunciou, voltou atrás; teve Roberto Jefferson; teve Carla Zambell. E teve o debate, que também que não foi bom. Então foi um conjunto de revezes, vamos dizer assim, da campanha ou não, mas que impactaram. Lula errou também, com o MEI, com outras questões, mas errou menos. E os comerciais, né? Os comerciais são muito impactantes. Lula ficou com 90% de comerciais e o Bolsonaro com 10%. Então eu acho que a decisão da Justiça que mais afetou a campanha foi essa, embora ele tenha baixado inúmeras resoluções para favorecer a candidatura do Lula e prejudicar o Bolsonaro, né? Foram sequências. Só no dia 20 (de outubro) teve cinco decisões do TSE tentando conter o avanço do Bolsonaro e facilitando o crescimento do ex-presidente Lula. Isso tudo, no conjunto, produziu esse resultado que eu considero um excelente resultado diante das adversidades que a campanha enfrentou.

E, como líder de Bolsonaro na Câmara, como o senhor define este governo que está se encerrando?

O governo Bolsonaro foi um governo liberal, com um Banco Central independente, uma decisão muito importante que foi tomada, com a capitalização da Eletrobras, a gestão profissional das estatais, todas dando lucro. Correios deram lucro recorde de R$ 3,7 bilhões. A Petrobras: o lucro da Petrobras financiou o auxílio caminhoneiro, o auxílio taxista, os R$ 200 a mais de auxílio emergencial, o Vale Gás. Tudo isso com o resultado das estatais. Então, eu acho que está muito bem. O governo contratou R$ 1 trilhão de infraestrutura nos próximos anos. Ferrovias, rodovias, portos que vão gerar muito emprego e oportunidade. Menor taxa de desemprego dos último anos. Menor inflação que os Estados Unidos e Europa; maior crescimento que os Estados Unidos e Europa. Vamos crescer mais do que a China. Então é um governo de muitas realizações. A Câmara votou cabotagem, licenciamento ambiental, regularização fundiária, que são projetos importantes para o Brasil. Defensivos agrícolas; Lei da liberdade econômica. Toda a questão da pandemia, o auxílio a estados e municípios, todo o socorro que foi feito; os R$ 500 milhões em vacina. Então, esse governo que tem uma boa história para contar.

E agora? Esse governo liberal que o senhor citou chega ao fim, para a volta do PT e de Lula ao poder. O que esperar desse terceiro mandato de Lula??

O Lula começou a falar esta semana e você viu a repercussão no mercado. Eu não acho que eles vão mudar. Estão chamando o Paulo Bernardo, o Guido Mantega. Estão chamando a mulher da Marielle. Começou bem a composição, com nomes muito palatáveis, mas agora já começou a radicalizar. Mas é esperado de quem ganha. Quer governar com seus companheiros e vamos ver como o mercado vai avaliar e vai absorver isso. O centro, como sempre, será decisivo no governo. Temos, hoje, um governo de centro-direita, passaremos a ter um governo de centro-esquerda e o centro vai entregar o que for possível ao presidente, mas não tudo. Como não entregamos tudo o que o Bolsonaro queria na pauta conservadora. O Lula também não vai conseguir tudo, especialmente retrocessos na reforma trabalhista que já estão sendo anunciados. E a liberdade para gastar sem limites que também não vai ser dada.

O Lula também não vai conseguir tudo, especialmente retrocessos na reforma trabalhista ou liberdade para gastar sem limites

E esse governo Lula terá participação do PP, terá o PP na base de apoio no Congresso? Como o partido deverá se comportar?

Eu não tenho a expectativa que o Progressistas declare apoio à base de apoio ao presidente Lula, pelo menos nesse momento de transição, em que o nosso eleitorado ainda está muito posicionado. A responsabilidade de pacificar o Brasil é do presidente Lula. Se ele pacificar, ele cria um ambiente para que possa ter mais apoio. Se não pacificar, os parlamentares não vão se divorciar da sua base eleitoral para apoiar o governo.

Mas o governo Lula precisará buscar o PP e o centro para sua base, principalmente por conta do tamanho da bancada que o PL conseguiu eleger e que, certamente, estará na oposição.

Mas isso não vai se dar nos moldes que aconteceu anteriormente. Nós, hoje, temos um eleitor do Bolsonaro que está na rua protestando. Então, quem se elegeu com a pauta bolsonarista, com o vínculo com o presidente Bolsonaro, não pode ir lá agora e contrariar todo esse povo porque quer ser governo, isso não existe. Nós temos cada um que manter uma posição de coerência. Então será mais difícil para esse governo montar base parlamentar, pelo menos no primeiro momento. Então, ninguém sabe o que vai acontecer. Todo mundo está esperando, será um 15 de novembro nervoso. E nós temos que entender a mensagem das urnas, mas temos que ouvir a voz das ruas também, com cuidado, com parcimônia e paciência.

Por falar em voz das ruas. O senhor fez publicações nas redes comentando, elogiando e incentivando as manifestações após as eleições, afirmando que elas são pacíficas e democráticas. Até onde esses atos podem ir sem deixarem de ser pacíficos e democráticos? O que essas pessoas podem reivindicar sem deixarem de ser pacíficas e democráticas?

Olha, eu sou defensor da livre opinião. Eu estou radicalmente contra os exageros do Alexandre Moraes, do TSE e do STF tentando calar a boca do povo. Isso não existe. Quem se sentir ofendido com alguma declaração, tem o Código de Processo Civil, vai lá e pede indenização por injúria, calúnia, difamação, pede retratação. Mas ele não pode mandar prender, não pode bloquear a rede social. Nós estamos vivendo um momento de exceção. O TSE está quase fazendo uma intervenção na liberdade de expressão no Brasil, o que é absolutamente reprovável. As pessoas têm todo o direito de estar na rua, de fazer ato, de expressar a sua opinião, desde que não bloqueiem o direito de ir e vir dos outros. Desde que todo mundo respeite, as opiniões são livres para serem dadas. Eu apenas registrei o movimento que eu acho que está aí na rua, nós não podemos dizer que não. As pessoas estão nas ruas, estão, ainda, vamos dizer assim, indignadas com o resultado da eleição. Na minha opinião, inclusive, o TSE está emitindo decisões totalmente sem prerrogativa para isso, porque já acabou eleição, o TSE não tem mais nada a ver com o movimento da rua, não vai afetar o resultado da eleição. O que não afeta a eleição não é prerrogativa do TSE reagir. Ele tem que se recolher.

A principal pauta dessas manifestações, como o senhor disse, é contestar o resultado da eleição. O senhor foi um dos primeiros apoiadores mais próximos do presidente Bolsonaro a reconhecer o resultado da eleição. O senhor tem alguma dúvida sua sobre o resultado das urnas em 30 de outubro?

Não. A apuração está completa e o resultado proclamado. Os eleitos serão diplomados e empossados. Agora, quem não gostou tem todo direito de reclamar. E não podemos cercear a liberdade de opinião de ninguém. Eu não só reconheci o resultado como estou ajudando na transição, porque é o que tem que ser feito. Mas não há nenhuma razão para um deputado federal ter a sua rede social bloqueada, como temos hoje, de vários parlamentares. Isso é incabível. O Tribunal Superior Eleitoral tem que se enquadrar rapidamente nas suas atribuições. Acabou a eleição. Eles não têm mais que estar tomando medidas e nenhuma medida que ele tome agora deve ser respeitada, porque ele não tem prerrogativa, não tem atribuição. Nós não estamos mais no período de eleição.

A reeleição do presidente Câmara, Arthur Lira, é uma prioridade para o PP no ano que vem?

Com certeza é o projeto mais importante para o partido nesse momento. E está indo muito bem, na medida que o governo eleito já declarou que não vai ter candidato e nem vai interferir no processo o que torna o Arthur Lira franco favorito para ser reeleito presidente da Câmara, assim como Rodrigo Pacheco (PSD), que está sendo franco favorito no Senado.

A tal governabilidade do governo Lula está em jogo nessa eleição da presidente da Câmara.

Olha, o PT por duas vezes tentou interferir na eleição da Câmara, perdeu com Severino Cavalcanti e depois perdeu para o Eduardo Cunha, o que custou o impeachment da Dilma. Então, a declaração feita pelo presidente Lula eleito, de que não vai interferir no Poder Legislativo, é, também, o reconhecimento de uma lição aprendida.

Para encerrar, uma pergunta sobre o Paraná. O governador Ratinho Júnior também foi uma das pessoas que se engajou na campanha do presidente Bolsonaro, principalmente no segundo turno, depois de reeleito, ele liderou e coordenou a campanha do presidente aqui e fez alguns discursos contundentes, até fugindo um pouco da característica dele, que é muito mais apaziguador. Tem caminho para Ratinho Júnior se reaproximar do presidente Lula?

Claro, o presidente Lula precisa do apoio de todos. Como acabei de dizer, a principal tarefa dele é pacificar o país. O partido do governador Ratinho já está na base do novo governo. Vai ter dois ministérios. Então, não vejo nenhuma dificuldade para que haja um bom relacionamento entre o governador e o presidente da República, que pode ser atrapalhado apenas por lideranças petistas do Paraná que queiram criar caso para que esta relação não seja melhor para o povo do Paraná.


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FORÇAS ARMADAS ENTENDERAM O SENTIDO DAS MANIFESTAÇÃO POPULARES

 

Por
Alexandre Garcia


Nota dos comandantes militares diz que não é crime manifestar-se criticando instituições.| Foto: Fernando Bizerra/EFE

Neste 14 de novembro e amanhã também, em Nova York, será realizado um evento organizado por João Dória chamado “O Brasil e o Respeito à Democracia e à Liberdade”. E olhem só, que ironia, quem vai falar neste evento: Alexandre de Moraes, sobre o respeito à liberdade e à democracia; Luís Roberto Barroso, que já falou mal do Brasil no exterior mais de uma vez; Gilmar Mendes, que na semana passada liberou R$ 5,5 milhões da conta de previdência da Marisa Letícia, ex-mulher de Lula, no Bradesco – eu me lembrei que se você ganha R$ 10 mil, consegue economizar R$ 2 mil e coloca em um plano de previdência, vai levar uns 220 anos para chegar a R$ 5,5 milhões, mas tudo bem –; Carmem Lúcia, que disse que “cala boca já morreu”, mas não morreu, abriu-se uma exceção e continua a censura; Ricardo Lewandowski, que foi aquele que presidiu o julgamento de Dilma Rousseff e passou por cima como um trator de um artigo da Constituição, o que fez com que ela fosse condenada mas não recebesse uma pena; e Dias Toffoli, que como presidente do STF criou um inquérito sem Ministério Público e o entregou a Alexandre de Moraes. Esses vão falar, hoje e amanhã, em Nova York, sobre o Brasil e o respeito à democracia e à liberdade.

A nota dos comandantes militares
Vocês devem ter visto a nota dos três comandantes militares, o que é algo inédito. Os três comandantes militares não falam para o povo e nem para as instituições. Quem fala é o Presidente da República, seu comandante supremo, ou o ministro da Defesa, que é um ministro político. Mas eles falaram. Fizeram a nota dirigida às instituições e ao povo.

Nessa nota, resumindo, eles reiteraram seu compromisso como povo brasileiro. Lembraram que a lei diz que não é crime manifestar-se censurando ou criticando as instituições por meio de manifestações, reuniões ou greves. Isso não é crime. Também lembraram que o Legislativo, que representa o povo e que não pode ser invadido por outro poder, precisa corrigir os descaminhos dos autocratas. Em outras palavras, eles se mostraram como poder moderador ao lado do povo.

O mau começo do futuro governo Lula
Vocês sabem que a “Folha de S.Paulo” foi contra Bolsonaro e a favor de Lula. Pois agora um editorial da “Folha”, que é a manifestação da opinião do jornal, chamado “Mau começo”, está usando palavras duras contra Lula dizendo que em apenas duas semanas Lula consegui derrubar grande parte das esperanças de que vá adotar uma política racional e socialmente responsável.

Até agora, só há essa emenda para liberar a gastança. Lula abraçou a demagogia mais rasteira ao vociferar contra a responsabilidade fiscal. Ele não aprendeu que isso alimenta a inflação. Como se viu no final dos anos petistas, gera desemprego, miséria, fome, juros estratosféricos, dívida pública lá em cima. A política social tem que ter uma fonte de onde tirar os recursos.

Dizer que controle fiscal prejudica os pobres é de um “primarismo atroz”, diz a “Folha de S.Paulo”. Mais, a irresponsabilidade orçamentária é o caminho para a estagflação: queda do PIB com inflação, como aconteceu no governo Dilma. Não há margem para improvisos. Como é significativa essa posição da “Folha de S.Paulo”, parece que deram uma guinada de 180 graus.

Flordelis fez um belo trabalho com as crianças, mas matou o marido
A Flordelis, que foi deputada federal, aquela que perdeu o mandato e em seguida foi presa, era pastora e foi professora, adotou muitas crianças, fez um belo trabalho com essas crianças da favela, mas matou o marido. Um júri com sete jurados confirmou isso, e lhe impôs uma série de penas por três tipos de crime que dão, juntas, 50 anos de prisão.

Eu fico me perguntando, nessa Justiça brasileira, nas leis brasileiras lenientes, quanto tempo ela vai ficar na cadeia. O Guilherme de Pádua, que morreu há pouco, foi condenado a 19 anos e meio de prisão e ficou seis anos e nove meses. Lula foi condenado a 22 anos, não ficou preso nem um ano e meio. A gente fica muito triste quando o país mostra que, em muitas vezes, o crime compensa.


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PREOCUPAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO COM O GOVERNO LULA

 

Transição
“Buy Brazil” ou “bye Brazil”?

Por
Vandré Kramer – Gazeta do Povo


Mercado ficou mais preocupado com o governo Lula após crítica do petista à busca por estabilidade fiscal e a indicação do ex-ministro Guido Mantega para a equipe de transição.| Foto: Joédson Alves/EFE

A manutenção do arcabouço fiscal, a formação equipe econômica do governo eleito e o tamanho do “waiver” – a licença para gastar além do teto de gastos – estão na mira do mercado. Qualquer desvio de políticas pró-mercado tende a cobrar um preço caro.

Foi o que se viu na quinta-feira (10), depois das críticas do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, ao teto de gastos e da indicação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para a área de orçamento e planejamento da equipe de transição. Em apenas uma sessão, a B3 caiu mais de 3% e o dólar subiu mais de 4%, batendo nos R$ 5,40. A fala de Lula também repercutiu mal entre alguns economistas e políticos que apoiaram a eleição do petista.

Novos sinais de que o governo eleito queira deixar a responsabilidade fiscal de lado podem acabar de vez com a boa vontade dos investidores em relação ao Brasil. O mercado teve comportamento relativamente tranquilo durante quase toda a campanha eleitoral e nos primeiros dias após a posse de Lula, e ao longo dos últimos meses o país passou a ser tratado como a “bola da vez” entre os investidores estrangeiros. Porém, agora cresceu a percepção de que o modo “buy Brazil” (“compre Brasil”, em inglês) possa ser trocado por “bye Brazil” (“tchau, Brasil”).

Pedro Paulo Silveira, economista da Nova Futura Asset, disse que o presidente eleito, ao identificar uma oposição entre equilíbrio fiscal e crescimento econômico, sinalizou para o mercado que está mais próximo da estratégia de Dilma Rousseff do que a sua no primeiro mandato, quando deu prioridade à formação de superávits nas contas públicas.

“As reações dos políticos e assessores próximos ao presidente eleito ainda mostram que há uma percepção de que as escolhas feitas por Dilma-Mantega em seu mandato desastroso estavam corretas e devem ser experimentadas novamente”, afirma.

Mantega assumiu o Ministério da Fazenda em março de 2006. Na época, o setor público consolidado exibia superávit primário (com arrecadação maior que as despesas) de 3,29% do PIB em 12 meses. Quando ele deixou o cargo, no fim de 2014, o saldo era negativo, com déficit primário de 0,54% do PIB, segundo o Banco Central.

Mercado correu para buscar proteção, diz economista
A XP Investimentos aponta que o mercado alertou que mais uma aventura fiscal pode custar caro para o país. “Com a moeda se desvalorizando, a inflação tende a subir e isso pode forçar o Banco Central a elevar ainda mais a taxa de juros. Como resultado, o poder de compra é corroído”, citam, em relatório, analistas da corretora.

Silveira, da Nova Futura Asset, complementa afirmando que o mercado não reagiu de forma “sensível” a um discurso – foi essa a expressão que Lula usou ao comentar o comportamento dos investidores na quinta-feira.

“O mercado correu para proteger suas posições, que incluem milhões de poupadores estrangeiros do risco de repetição do desastre ocorrido sob a gestão de Dilma Rousseff. Quando um presidente fala, ele emite sinais para a sociedade e é de se esperar que os agentes reajam racionalmente a esses sinais, calibrando suas decisões em torno delas”, escreveu em relatório.

Ele lembra que esta é uma situação potencialmente explosiva para o país, já que a situação fiscal é grave, o potencial de crescimento está comprometido e o capital político do novo governo é muito menor que o do primeiro mandato de Lula. “As reações do presidente eleito e seus escudeiros, de considerar as preocupações do mercado como exageradas, mostram que eles não consideram os riscos explícitos de nossa conjuntura”, ressalta.

Uma das lições mais recentes de que o mercado não está disposto a aceitar mais descontrole fiscal em meio a inflação elevada vem do Reino Unido. Após o malsucedido anúncio de um pacote econômico que previa cortes de impostos e mais gastos, a então primeira-ministra Liz Truss se viu obrigada a renunciar ao cargo apenas 45 dias após a posse.


Outra preocupação do mercado é com a licença para gastar de Lula. Ele negocia com o Congresso a apresentação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para autorizar gastos de R$ 175 bilhões fora do teto de gastos, para bancar a nova versão do Bolsa Família, no valor básico de R$ 600 e adicional de R$ 150 por criança. O governo eleito também quer abrir espaço para mais gastos em um programa habitacional – o Minha Casa Minha Vida – e obras paradas, entre outros destinos.

Fontes com quem a Gazeta do Povo conversou nos últimos dias sinalizaram que o ideal para o mercado era de que a licença ficasse entre R$ 100 bilhões e R$ 150 bilhões.

De “buy Brazil” a “bye Brazil”?
Um temor é que a posição dos investidores passe de “buy Brazil” para “bye Brazil” com essa tendência a uma guinada a uma política econômica mais similar à adotada por Dilma Rousseff. Uma série de fatores vinham impulsionando o mercado brasileiro, aponta a economista Myriã Bast, do Bradesco:

as contas externas mantiveram-se em um patamar apropriado. O déficit em conta corrente segue plenamente financiado pelos investimentos estrangeiros diretos;
o país tem um endividamento externo manejável: a dívida externa (US$ 323 bilhões) é coberta pelas reservas internacionais (US$ 327 bilhões);
o crescimento da economia e o maior juro real, atraente para quem aplica em renda fixa;
o ciclo de aperto monetário começou antes no Brasil, em março de 2021, e parece ter se encerrado, com a Selic parando de subir após chegar a 13,75% ao ano.

Mesmo a questão fiscal, um dos principais desafios na economia do Brasil, trouxe menos preocupação ao longo de 2022. A combinação de crescimento, inflação, receitas extraordinárias – como os dividendos recordes da Petrobras – e certo controle das despesas permitiu um superávit primário, que pode chegar a 1% do PIB ao fim do ano, e um endividamento público menor do que o esperado, de 77,1% do PIB em setembro.

As incertezas em relação ao futuro da economia fazem com que, segundo a XP, seja interessante que o investidor se mantenha na defensiva. A corretora sugere aplicações em renda fixa pós-fixada ou atrelada à inflação, principalmente em papéis de curto e médio prazo, e investimentos internacionais e dolarizados.

No curto prazo, a Bolsa tende a sofrer em cenário de juros maiores e elevação do prêmio de risco. Mas, no longo prazo, especialistas de mercado apontam que ela pode assegurar uma boa proteção à inflação, devido às seguintes razões:

a bolsa brasileira está negociada com 40% de desconto em relação a sua média histórica.
68% da bolsa brasileira é composta por setores que não são muito afetados por inflação e câmbio mais alto, como bancos, commodities e elétrico;
as empresas do Ibovespa são líderes do mercado, conseguindo repassar para seus preços um cenário de inflação mais elevada.


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FACILIDADES E PONTOS DESFAVORÁVEIS DO GOVERNO LULA

 


Inflação, PIB, desemprego, pobreza: pontos favoráveis e adversos a Lula em 2023

Por
Célio Martins – Gazeta do Povo


| Foto: Reprodução/lula.com.br

Dos indicadores com maior potencial para pressionar a aprovação do governo Lula em 2023, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deve ser o maior desafio. As projeções apontam para uma expansão pífia da economia, o que poderá levar a comparações com o último ano do governo Bolsonaro, que pode terminar com crescimento acima de 2,7% nos 12 últimos meses. Sobre outros dois indicadores, inflação e pobreza, que têm forte peso na popularidade, há estimativas de que poderão ser favoráveis a Lula. As previsões indicam queda gradual da inflação no Brasil e mundo. Também há possibilidade de redução da pobreza como consequência do auxílio aos mais pobres.

Diversas instituições e economistas vêm revisando periodicamente para cima a projeção de crescimento do PIB brasileiro para este ano. No mês passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) ampliou a estimativa de expansão do PIB do Brasil em 2022 para 2,8%, ante 1,7%, feita em julho. O Banco Mundial também ampliou de 1,5% para 2,5%. A estimativa do Boletim Focus – relatório divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central – da última foi de crescimento de 2,76% contra 2,7% de um mês atrás. Em contrapartida, todas essas instituições veem um cenário ruim para 2023, primeiro ano do governo Lula.

De acordo com o Banco Mundial, no próximo ano a previsão de crescimento da economia brasileira é de apenas 0,8%. O FMI vai no mesmo tom, com estimativa de 1%. O Boletim Focus da última semana elevou a projeção de expansão do PIB em 2023 de 0,64% para 0,70%, ante 0,54% um mês antes. Apesar da melhora, o índice é muito baixo, praticamente estagnação.

A expectativa de Lula é que não passe de uma “marolinha”, como ocorreu na crise de 2008, em seu segundo mandato. Naquela época, a recessão no Brasil durou apenas um semestre, registrando aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores. Também houve rápida recuperação do real.

Se o PIB é motivo para tirar o sono do futuro governo, as previsões para a inflação são mais tranquilizantes. Pela estimativa do Boletim Focus da última semana, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, subiu de 5,61% para 5,63% para este ano. A estimativa está abaixo do registrado nos 12 meses até outubro, de 6,47%. Mas para 2023, a projeção da inflação ficou em 4,94%, ou seja, uma leve queda.

A previsão de inflação no Brasil abaixo de 5% no próximo ano leva em conta a expectativa da União Europeia de que o pico inflacionário da Europa está próximo e que a partir de 2023 ocorra desaceleração para 6,1% na zona euro e 7% na UE. Também considera a inflação anual dos Estados Unidos, que, depois de atingir 8,2% em setembro, caiu para 7,7% em outubro. O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) projeta recuo da inflação para 2,8% em 2023.

O terceiro indicador de forte influência na aprovação do governo – e que ganhou maior atenção durante a campanha eleitoral – é o índice de pobreza. Nesse ponto, o governo Lula depende da aprovação da chamada proposta de emenda constitucional (PEC da Transição) – também apelidada de PEC Emergencial, PEC do Bolsa Família e até de PEC de quebra do teto, para os críticos da medida.

Os ventos estão favoráveis a Lula até o momento para aprovação da PEC. A proposta deve tirar do teto de gastos um valor de R$ 175 bilhões em 2023 e ter duração de ao menos quatro anos, de acordo com o senador eleito Wellington Dias (PT-PI), representante da equipe de transição do governo Lula para o Orçamento. Nas contas do senador, há necessidade de R$ 52 bilhões para colocar mais R$ 200 acima dos R$ 400 que estão previstos no orçamento, mais R$ 18 bilhões para garantir o benefício de R$ 150 aos filhos.

Com o valor de R$ 600 do Bolsa Família, mais R$ 150 por filho, avalia-se que o índice de pobreza no Brasil terá queda durante 2023, considerando a garantia de renda à parcela das famílias de baixo poder aquisitivo.

A sorte do novo governo Lula no primeiro ano de mandato depende ainda de uma série de outros fatores, como aumento do investimento externo no país e a queda da cotação do dólar. Neste último fator, várias instituições e analistas apostam em manutenção de valor próximo ao praticado em 2022. O Banco Central projeta R$ 5,20 para a moeda norte-americana, mas há previsões piores, como a do banco francês Société Générale, que estima pico de R$ 5,95 para meados de 2023.

O desemprego é também fator decisivo para a aprovação do governo. A aposta é que se mantenha estável em 2023, na faixa de 8%, considerando as fracas projeções para crescimento do PIB. Qualquer índice abaixo disso seria uma grande vitória do novo governo. De outro lado, acima de 8% remeteria a comparações com o final 2022, ainda sob o governo Bolsonaro.


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AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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