Inovar, no mundo das empresas, é uma questão de sobrevivência. É ela
que permite que um negócio continue a existir e trazer resultados em
longo prazo.
A inovação oferece às empresas uma vantagem para penetrar mais
rapidamente em mercados existentes, conectar-se com mercados em
desenvolvimento ou, ainda, criar seus próprios mercados. Se uma empresa
não inova, está colocando-se em uma posição vulnerável a qualquer
problema que possa acontecer no mercado em que atua.
Uma forma simples de entender o que estamos tentando explicar é o famoso case do mercado de fotografias.
Até o final dos anos 1990, a Kodak era líder de mercado no segmento
de máquinas fotográficas. Ela chegou a desenvolver o primeiro protótipo
de uma máquina digital, mas não investiu nessa inovação. O que aconteceu
foi que ela perdeu a oportunidade de criar esse novo mercado.
Logo em seguida, outras empresas (como Canon e Nikon) correram atrás
dessa nova ideia e o mercado recém-inaugurado das máquinas digitais
absorveu completamente o das máquinas analógicas, com filmes e
revelação. Nesse processo, a Kodak sumiu do mapa corporativo por muitos
anos.
Observe como, ao perder a chance de investir em uma inovação, a Kodak
se colocou em posição de risco, pois continuava a depender de um único
segmento de mercado. Na hora em que esse segmento desmoronou, ela
acompanhou. Portanto, quando uma empresa inova, ela está assegurando
oportunidades para sua sobrevivência no futuro. #empreendedorismo
#liderança #marketing #administração #gestão
A Startup ValeOn um marketplace que tem um site que é uma Plataforma
Comercial e também uma nova empresa da região do Vale do Aço que tem um
forte relacionamento com a tecnologia.
Nossa Startup caracteriza por ser um negócio com ideias muito
inovadoras e grande disposição para inovar e satisfazer as necessidades
do mercado.
Nos destacamos nas formas de atendimento, na precificação ou até no
modo como o serviço é entregue, a nossa startup busca fugir do que o
mercado já oferece para se destacar ainda mais.
Muitos acreditam que desenvolver um projeto de inovação demanda uma
ideia 100% nova no mercado. É preciso desmistificar esse conceito, pois a
inovação pode ser reconhecida em outros aspectos importantes como a
concepção ou melhoria de um produto, a agregação de novas
funcionalidades ou características a um produto já existente, ou até
mesmo, um processo que implique em melhorias incrementais e efetivo
ganho de qualidade ou produtividade ao negócio.
A inovação é
a palavra-chave da nossa startup. Nossa empresa busca oferecer soluções
criativas para demandas que sempre existiram, mas não eram aproveitadas
pelo mercado.
Nossa startup procura resolver problemas e oferecer serviços inovadores no mercado.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode
moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é
colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn
possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o
seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Em mensagem disparada a grupo de senadores, Nogueira criticou a possibilidade de abrir um crédito extraordinário para pagar oBolsa Famíliade R$ 600 em janeiro sem precisar fazer um acordo agora com o Centrão por meio da PEC.
O ministro afirmou que o TCU não pode tornar o Poder Legislativo um
“órgão acessório” ao TCU “pois feriria a Constituição”. A abertura de
um crédito extraordinário foi discutida por ministros da Corte de Contas
com a equipe de transição.
A mensagem de Ciro Nogueira, que comanda o PP, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), foi vista como reação ao senador Renan Calheiros (MDB-AL) e a aliados de Lula que querem tirar Lira do comando da Câmara e lançar outra candidatura.
Os críticos da PEC afirmam que é possível pagar o Auxílio Brasil de R$ 600 no início de 2023 sem
mudar na Constituição. Para essa ala, a mensagem escancarou o esforço
para tornar Lula “refém” do Centrão antes da posse, pois forçaria o
petista a negociar a aprovação da PEC com a cúpula do Congresso
imediatamente. Procurado, o chefe da Casa Civil não comentou.
Como será a economia no próximo governo?
A PEC dividiu a equipe de Lula. Há um grupo que defende a proposta
para abrir uma margem maior para gastos em 2023 e evitar que o futuro
presidente assuma em janeiro sem recursos para cumprir as principais
promessas de campanha, como o Bolsa Família de R$ 600 e o reajuste real
do salário mínimo.
Outra ala do governo eleito critica o risco de Lula já ficar refém do
presidente da Câmara antes mesmo de assumir e defende a abertura de um
crédito extraordinário para garantir pelo menos o Bolsa Família de R$
600. Essa medida é assinada por medida provisória e libera o recurso sem
aprovação prévia do Congresso.
A ala crítica à PEC vê amadorismo nas negociações e defende uma
consulta ao TCU pela equipe de transição do presidente eleito para pagar
o adicional de R$ 200 em janeiro com crédito extraordinário (despesa
que fica fora do teto de gastos). Outra opção é pagar o valor com os
recursos já previstos na peça orçamentária e negociar uma suplementação
depois que a PEC fosse aprovada, em 2023.
Procurado pelo Estadão para comentar as críticas de
Ciro Nogueira ao TCU, o presidente do TCU, ministro Bruno Dantas,
respondeu: “O ministro Ciro Nogueira conhece profundamente o TCU e sabe o
quanto a Corte respeita o Poder Legislativo e é ciosa dos limites de
sua competência constitucional. Nosso campo de atuação é técnico e não
político”.
Na mensagem, Nogueira diz que técnicos em finanças públicas entendem
que, para abrir um crédito extraordinário da forma tradicional prevista
na Constituição, como exceção ao teto de gastos, precisa-se justificar a
urgência e imprevisibilidade. A edição do crédito é assinada
diretamente pelo presidente da República, mas pode ser questionada se
não cumprir os critérios exigidos pela Constituição.
Com a “canetada”, Lula pode ser acusado de cometer crime de
responsabilidade, o que deixaria o futuro governo nas mãos do presidente
da Câmara, responsável por avaliar os pedidos de impeachment.
Pontos em discussão
Um dos pontos em discussão é como abrir o crédito extra para uma
despesa continuada, como o Auxílio Brasil. O valor de R$ 600 só vale até
31 de dezembro. A partir dessa data, o benefício voltaria a ser de R$
405,00. Mas tanto Lula como Bolsonaro prometeram manter o Auxílio em R$ 600, o que na avaliação de integrantes do PT é uma responsabilidade também do governo atual.
A avaliação colocada por Nogueira na mensagem aos senadores destaca
que não parece que o simples fato da falta de recursos seja
justificativa suficiente para respaldar a edição de um crédito
extraordinário. Mas ministros e técnicos do TCU já sinalizaram em
reuniões com o coordenador da equipe de transição, Geraldo Alckmin, que o
que é despesa continuada é a parcela de R$ 405 já prevista no Orçamento
e não o suplemento de R$ 200. O crédito extraordinário ou suplementação
seria só para essa parte que será interrompida em janeiro e não para os
R$ 600 inteiros.
Nesse embate dos bastidores, representantes do TCU apontam que a
Corte de Contas está apenas dizendo que, se o governo novo fizer, não há
razões jurídicas para punir e que a decisão sempre será política. A
avaliação é de que a consulta daria segurança jurídica aos gestores que
vão tomar posse em 1º de janeiro de 2023 saibam que não serão punidos
pela corte de contas. A consulta seria distribuída ao ministro relator e
julgada como aconteceu em outros casos. Esse ponto foi repassado ao
vice- presidente eleito Geraldo Alckmin.
PEC é o “plano A”
Em meio às divisões na equipe de transição, o senador eleito
Wellington Dias (PT-PI), escalado por Lula para negociar o Orçamento de
2023 com o Congresso, reforçou que a prioridade do futuro governo é
aprovar a PEC da Transição. Ele mantém, no entanto, aberta a
possibilidade de crédito extraordinário, citando que a alternativa foi
sugerida pelo TCU.
“Prioridade é a PEC da Transição e adequações da Lei Orçamentária
Anual, fruto de muito entendimento para aprovação. Mas também estudamos
as alternativas apresentadas como esta da MP e crédito extraordinário”,
afirmou Dias ao Estadão após a manifestação de Nogueira. O
posicionamento do senador eleito não tem apoio de outros dirigentes do
PT.
Desafios do próximo governo
No sábado, 5, Wellington Dias conversou por telefone com o presidente
do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), pedindo apoio para a proposta. “A
proposta da PEC da Transição será fruto de entendimento com o presidente
do Senado, da Câmara, Comissão Mista de Orçamento, relator, líderes e
equipes técnicas das duas casas. Boa vontade para o entendimento pelo
grande interesse social e econômico”, afirmou Dias.
A imprensa francesa desta segunda-feira (7) destaca as eleições de
meio mandato nos Estados Unidos, às vésperas do pleito, realizado em 8
de novembro. No fim de semana, Barack Obama e Donald Trump realizaram
comícios no estado de Pensilvânia, um dos mais disputados e decisivo
para o controle do senado.
Para Libération, é difícil imaginar propostas mais
contraditórias que as apresentadas pelos dois ex-presidentes: enquanto
Trump multiplicou ameaças, Obama defendeu a democracia, diante dos
riscos que pesam sobre ela em caso de eleição dos Republicanos, sob
influência de Trump, que não aceitam a derrota.
Em estados como o Arizona ou a Geórgia, onde os Republicanos são
fortes, dezenas de grupos divulgam no Facebook e no Twitter teorias do
complô e de fraude eleitoral. Libé lembra que este é um período
de alto risco para a democracia americana, o primeiro depois do ataque
ao Capitólio, em 6 de janeiro do ano passado.
O Parisien lembra que, tradicionalmente, o partido que ocupa
a Casa Branca perde as eleições de meio mandato e “esse ano não deve
ser diferente”. Os Democratas não devem conservar a maioria na Câmara
dos Representantes, eleitos a cada dois anos. Também estão em jogo 34
vagas no Senado e 36 governos entre 50 estados.
Milionário do Vale do Silício financia trumpistas
O presidente Joe Biden insiste que não se trata de um referendo, mas
de uma escolha entre duas versões muito diferentes da América. Mas, com a
popularidade em baixa, os Democratas temem perder a Câmara e talvez o
Senado, o que significaria que a agenda de Biden seria quase totalmente
bloqueada pelos próximos dois anos.
Le Figaro traz um perfil do milionário americano Peter
Thiel, que financia a campanha dos candidatos de Trump, uma das
personalidades mais ricas e controvertidas do Vale do Silício, de acordo
com o jornal. Após financiar a campanha do ex-presidente republicano,
em 2016, ele investiu ao menos US$ 30 milhões na campanha de 16
candidatos na corrida para o Congresso.
Cofundador com Elon Musk da plataforma de pagamentos PayPal, em 1998,
e primeiro investidor do Facebook, ele defende que não acredita mais na
democracia liberal. De acordo com o jornal, Thiel defende ideais de
livre mercado, deixando as rédeas da economia nas mãos das tecnologias.
Em algum lugar perto de Moscou, o presidente da Rússia está no palco
sendo questionado sobre o Apocalipse. O moderador lembra a Putin que uma
vez ele previu que, após uma guerra nuclear, os russos iriam para o
céu.
“Não estamos com pressa para chegar lá, estamos?”, o moderador pergunta esperançoso.
Há uma longa pausa desconfortável. Sete segundos de silêncio.
“Seu silêncio está me preocupando”, diz o moderador.
“A ideia era essa”, responde Putin com uma risada.
Me perdoem por não rir. Este não é um blockbuster de Hollywood com
final feliz garantido. Os acontecimentos dos últimos oito meses são um
drama da vida real que levou um sofrimento incalculável à Ucrânia — e
muitos acreditam que, desde a Crise dos Mísseis de Cuba, há 60 anos, o mundo nunca esteve tão perto de um conflito nuclear.
Então, o que o roteiro reserva a partir de agora?
Tudo depende da resposta a esta pergunta: até onde Vladimir Putin
está disposto a chegar para garantir a vitória — ou evitar a derrota —
na Ucrânia?
Se você reler o pronunciamento que ele fez à nação em 24 de fevereiro
— o discurso que ele fez depois de ordenar a invasão da Ucrânia —, você
pode concluir que ele vai fazer o que for preciso:
“E agora algumas palavras importantes — muito importantes — para
aqueles que podem ficar tentados a se intrometer no que está
acontecendo. Aqueles que tentarem entrar no nosso caminho, ou criar
ameaças ao nosso país e nosso povo, devem estar cientes: a resposta da
Rússia será instantânea e terá consequências do tipo que você nunca
vivenciou na história.”
Fora da Rússia, o trecho “consequências do tipo que você nunca
vivenciou na história” foi amplamente interpretado como uma descarada
ameaça nuclear. E, nos meses que se seguiram, as provocações
continuaram.
Em abril, o presidente Putin ameaçou com “uma resposta relâmpago [se]
alguém de fora tentar interferir e criar uma ameaça estratégica para a
Rússia. Temos todas as armas que precisamos para isso”. Em setembro, ele
acrescentou sua infame frase: “Não é um blefe”.
Na semana passada, no Clube de Discussão Valdai (cenário daquela
longa e preocupante pausa que descrevi anteriormente), Putin estava
enviando sinais contraditórios. Ele negou ter qualquer intenção de usar
armas nucleares na Ucrânia.
“Não vemos necessidade disso”, ele disse. “Não faz sentido, nem político, nem militar.”
Mas nos bastidores do Clube de Discussão, você não poderia escapar desta ameaça.
“Existe o risco de a Rússia usar armas nucleares. Não contra a
Ucrânia, mas contra o Ocidente”, disse Dmitry Suslov, membro do Conselho
de Política Externa e de Defesa da Rússia.
“Se um único míssil americano atingir a infraestrutura militar russa
dentro da Rússia, daremos um salto histórico para o Armageddon nuclear.
De acordo com a doutrina nuclear russa oficial, a Rússia lançaria um
ataque nuclear estratégico contra os EUA e todos os países da Otan assim
que testemunharmos o lançamento de mísseis ocidentais contra nosso
território, não importa como eles estejam armados. Então todo o planeta
morrerá.”
Uma retórica alarmista? Sem dúvida.
Deixando de lado as pausas presidenciais (provavelmente, para efeito
dramático) e a recente retórica russa, acho improvável que o Kremlin
esteja planejando agora uma escalada nuclear na guerra da Ucrânia.
Especialmente quando você leva em conta os cinco motivos a seguir:
1 – Eleições de meio de mandato nos EUA
À medida que as eleições de meio de mandato nos EUA se aproximam, o
Kremlin sabe que o Partido Republicano tem uma chance de ganhar o
controle do Congresso.
No início deste mês, o líder da minoria na Câmara dos Representantes,
Kevin McCarthy, alertou que os republicanos não vão dar um “cheque em
branco” para a Ucrânia se reconquistarem a maioria na Casa.
Isso teria soado como música para os ouvidos de Putin. Embora não
esteja claro se a ajuda americana à Ucrânia seria significativamente
impactada por uma vitória republicana, o Kremlin vai abraçar qualquer
perspectiva de redução na ajuda militar dos EUA a Kiev.
2 – Inverno na Europa
Parece que Putin ainda está calculando que, com o fornecimento de
energia russo para a Europa severamente reduzido, um inverno frio
agravaria as crises energéticas e de custo de vida da Europa, forçando
os governos ocidentais a chegar a um acordo com o Kremlin: reduzir seu
apoio à Ucrânia em troca de energia russa .
Até agora, porém, a Europa parece mais bem preparada para o inverno do que Moscou esperava.
O mês de outubro foi mais ameno do que o normal e houve um aumento da
oferta de gás natural liquefeito — com isso, as reservas de gás foram
reabastecidas, e os preços do gás na Europa caíram.
Mas se as temperaturas também caírem, a pressão pode aumentar.
Especialmente na Ucrânia, onde os militares russos vêm atacando a
infraestrutura energética do país.
3 – Mobilização
Nos últimos dias, Vladimir Putin tomou medidas para mobilizar toda a
economia e indústria russa para as necessidades de sua “operação militar
especial”.
Em muitos aspectos, parece que todo o país foi colocado em pé de
guerra no longo prazo. Um sinal, talvez, de que o Kremlin está se
preparando agora para uma guerra prolongada na Ucrânia.
4 – Destruição mútua assegurada
Uma criação da Guerra Fria que ainda se aplica hoje: a suposição de
que se um lado lançar armas nucleares, o outro lado responderá na mesma
moeda — e todos morrem. Não há vencedores em uma guerra nuclear.
Vladimir Putin sabe disso.
Tudo isso se baseia na premissa de que seria lógico supor que não haverá um componente nuclear na guerra da Ucrânia.
Há apenas um problema. A lógica desapareceu daqui em 24 de fevereiro.
E as guerras não necessariamente se desenvolvem logicamente.
Se há uma coisa que a Crise dos Mísseis de Cuba ensinou ao mundo, foi
como o planeta pode de repente se encontrar à beira da destruição como
resultado de erros de cálculo e falta de comunicação.
A “operação especial” do presidente Putin não saiu conforme o
planejado. O que deveria levar dias — no máximo, semanas — se arrasta há
meses. O Kremlin parece ter subestimado completamente a dimensão da
resistência ucraniana, além de ter avaliado mal o apoio ocidental a Kiev
e o tsunami de sanções internacionais que a Rússia enfrentaria.
E, apesar de ter prometido no início que apenas “soldados
profissionais” entrariam em combate, Putin acabou anunciando uma
“mobilização parcial” de reservistas. Além disso, nas últimas semanas,
como resultado de uma contra-ofensiva ucraniana, as tropas russas
perderam parte do território que ocupavam.
Mas uma coisa que Vladimir Putin raramente admite é cometer erros.
Por enquanto, ele parece determinado a prosseguir nesta guerra e surgir
com algo que possa chamar de vitória.
Na noite de domingo, já com a
vitória confirmada, o presidente eleito Lula fez um discurso de
conciliação. “A ninguém interessa viver num país dividido, em permanente
estado de guerra. Esse país precisa de paz e união, povo não quer mais
brigar, cansado de chegar no outro inimigo, ser temido ou destruído. É
hora de baixar armas”, afirmou. Mas, assim como em muitas outras
ocasiões nas quais a prática desmentiu o discurso petista, o partido já
demonstrou, antes mesmo do segundo turno, que “baixar armas” não é
exatamente o plano do PT quando se trata daqueles que ousaram atrapalhar
os esquemas montados pela legenda durante sua primeira passagem pelo
Planalto.
“Na hora que o Deltan [Dallagnol] aparecer, vocês já caem de cacete
em cima dele. Do [Sergio] Moro, a mesma coisa.” São palavras de João
Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT condenado por seu envolvimento no
petrolão, a Rui Falcão, ex-presidente da legenda e coordenador da
comunicação da campanha de Lula à Presidência, segundo reportagem do
jornal O Estado de S.Paulo. De acordo com o jornal paulista, Vaccari
preparou um dossiê com o objetivo de infernizar a vida do ex-coordenador
da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal e do ex-juiz
federal responsável por condenar Lula no caso do tríplex do Guarujá
(condenação depois anulada pelo Supremo Tribunal Federal) – Dallagnol
foi eleito deputado federal pelo Podemos, e Moro conquistou uma vaga no
Senado pelo União Brasil.
O revanchismo, por certo, não deve parar em Moro e Dallagnol. O que
é, por exemplo, a constante promessa de Lula de realizar a “regulação
social da mídia” a não ser vingança contra o jornalismo que denunciou os
desmandos petistas em um passado não muito distante?
Vaccari, esse “guerreiro do povo brasileiro”, afirmou a Falcão (ainda
segundo o Estadão) que seu dossiê foi montado com material da chamada
“Vaza Jato”, o circo midiático montado com a divulgação de diálogos
atribuídos a Moro, Dallagnol e outros membros da força-tarefa, e cuja
autenticidade jamais foi comprovada nem mesmo após perícias da Polícia
Federal. Este conteúdo fazia parte da Operação Spoofing, que investigava
o ataque hacker contra autoridades, e foi liberado pelo ministro
Ricardo Lewandowski para acesso da defesa de Lula em dezembro de 2020,
sob condição de que ele fosse mantido em sigilo. Em fevereiro de 2021,
quando comentamos a decisão do plenário do STF que confirmou a liminar
de Lewandowski, lembramos o alerta da subprocuradora Cláudia Sampaio: “O
ex-presidente tem materiais relativos a opositores políticos”. Seria
tão descabido assim, àquela época, imaginar que esse tipo de conteúdo
acabaria nas mãos de quem jamais deveria ter acesso a ele?
O revanchismo, por certo, não deve parar em Moro e Dallagnol. O que
é, por exemplo, a constante promessa de Lula de realizar a “regulação
social da mídia” a não ser vingança contra o jornalismo que denunciou os
desmandos petistas em um passado não muito distante? O petismo e seus
blogueiros chapa-branca não criaram a expressão “imprensa golpista” à
toa. Por mais que hoje boa parte da classe jornalística tenha abraçado a
candidatura de Lula, com maior ou menor entusiasmo, o petismo não quer
correr o risco de ver a lua-de-mel se transformar rapidamente em
divórcio litigioso. E que ninguém se engane, pois os petistas não
escondem que seu modelo é o venezuelano ou o da Lei de Meios
kirchnerista, em que os veículos de comunicação que não se curvam ao
governo são sufocados – seja pelo estrangulamento rápido ou pela asfixia
lenta.
Vale tudo contra a Lava Jato Uma vingança para que todos temam os poderosos Ao
petismo se aplica ao menos parte do que Charles Maurice de
Talleyrand-Perigord disse sobre os Bourbon, que retomaram a coroa
francesa após o fim do período bonapartista: “Não esqueceram nada”. O
diplomata também afirmara que eles “não aprenderam nada”, mas é incerto
que o veredito valha para o PT. Por mais que a “autocrítica” feita pelo
partido após o impeachment de Dilma Rousseff tenha concluído que o PT
perdeu o poder por não ter colocado cabresto na imprensa, no Ministério
Público e nas Forças Armadas, mostrando completo desconhecimento das
verdadeiras razões do impeachment, não há como dizer que o petismo não
aprendeu com sua primeira passagem pelo Planalto. Eles sabem onde seu
projeto de poder perpétuo “falhou” e não pretendem que isso se repita.
O
ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, faz
saudação ao ex-presidente do STF, Sepúlveda Pertence, homenageado com a
Medalha Teixeira de Freitas do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB)
Luís Roberto Barroso impôs instalação de comissões para discutir reintegrações de posse| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Uma nota assinada pelo presidente do Centro de Indústrias do Pará
alerta para uma decisão do Supremo Tribunal Federal de prorrogar,
cancelar, demorar ou paralisar as reintegrações de posse já concedidas
pelos juízes.
Reintegração de posse é quando alguém invade uma área que não é sua e
o proprietário entra na Justiça para reaver a sua propriedade. É o
direito de propriedade, previsto no caput do artigo 5º da Constituição.
Está na mesma linha do direito à vida, é um direito importante.
E o ministro Luís Roberto Barroso tomou iniciativa para formar
comissões para estudar a reintegração de posse com um olhar humanitário.
Muita gente desconfiada que estão agora querendo passar por cima de
outra questão, que é cláusula pétrea, que são os direitos e garantias
fundamentais, entre os quais o direito de propriedade.
Ruas inconformadas com a “anomalia” O TSE deve estar apostando que
o povo vai sair das ruas. Neste domingo (6), as ruas estavam cheias de
novo, e as pessoas inconformadas, mais ainda depois daquela live do
argentino mostrando a disparidade de resultados entre as urnas da
geração 2020 e as urnas das cinco gerações anteriores, a mais antiga de
2009, urnas que não foram auditadas. As novas foram e não há nenhum
problema no resultado das novas, mas nas velhas, em lugares homogêneos,
as curvas dos dois não batem. Eles chamam isso de anomalia.
Parece que as urnas velhas estavam torcendo pelo 13 e contra o 22.
Enfim, eles não acusam ninguém de fraude, mas pedem que a gente confira
isso nas seções eleitorais, e que enfim, todos vão chegar às mesmas
conclusões. As conclusões deles é que se não houvesse essa anomalia, o
resultado da eleição seria exatamente o inverso.
Furar teto para cumprir promessa da picanha com cerveja
O presidente eleito voltou do sul da Bahia, está em São Paulo e agora
a primeira missão dele é convencer o Congresso a fazer um fura-teto,
uma emenda constitucional que, como diz o vice-presidente, general
Mourão, que possa estuprar a Constituição para dar uma pedalada. Para
cumprir promessas feitas, o futuro presidente vai precisar de R$ 200
bilhões, que não estão no Orçamento.
É para cumprir promessa da picanha com cerveja, aumento de salário
mínimo, isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil,
aumento do funcionalismo, mais R$ 15 bilhões para a Saúde, mais R$ 1,5
bilhão para merenda escolar, mais compromisso aqui e ali… Então, está
chegando a quase R$ 200 bilhões que não estão no Orçamento. Na hora que
um candidato faz promessa, ele devia dar uma olhada para ver se tem
dinheiro para isso. Primeiro prometeu, agora sai correndo atrás do
dinheiro que é de nossos impostos.
Jair Bolsonaro fez o Auxílio Brasil, sustentou governador na
pandemia, tirou imposto e a arrecadação está subindo, e as contas estão
equilibradas. Botou água no Nordeste. E o que aconteceu? Não entregou
ministério nem estatal para partido político. Aí não tendo o ralo da
corrupção, foi mais fácil. Agora já estão correndo atrás do nosso
dinheiro.
Ministros do STF atuaram como Executivo e Legislativo. O que esperar em um novo mandato de Lula Por Leonardo Desideri – Gazeta do Povo Brasília
Plenário do STF| Foto: Nelson Jr./SCO/STF
O ativismo
judicial marcou a atuação do Judiciário durante os quatro anos de gestão
do presidente Jair Bolsonaro (PL), com o Supremo Tribunal Federal (STF)
e outras cortes da República – como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) – assumindo papéis que antes
cabiam somente ao Executivo e ao Legislativo. A partir de 2023, com Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência, o cenário deve sofrer algumas
mudanças.
Por um lado, bandeiras da esquerda como legalização do aborto,
promoção da ideologia de gênero, controle da expressão nos meios
digitais, desencarceramento em massa, descriminalização das drogas e
proibição do homeschooling sofrerão forte oposição no Congresso, onde a
direita elegeu dezenas de parlamentares. O Judiciário pode ser o atalho
por meio do qual a esquerda buscará avançar essa pautas sem passar pelo
Congresso.
O STF tem alguns julgamentos pendentes nas pautas de costumes. Em
relação ao aborto, por exemplo, a ADPF 442, que discute a
descriminalização da prática até a décima segunda semana de gestação,
poderá entrar em pauta. Também está parado há anos o Recurso
Extraordinário (RE) 635.659, sobre a liberação do porte de drogas para
consumo pessoal, que pode ganhar andamento com um Executivo mais
tolerante ao tema.
Quanto à liberdade de expressão nas redes, os anseios de regulação da
mídia de Lula vão mais ou menos ao encontro das ações do Judiciário nos
últimos anos: ambos defendem a ideia de que é preciso impedir a
propagação de alguns tipos de discurso, e é possível que os dois poderes
sejam aliados na tendência de cerceamento da liberdade de expressão.
Alguns especialistas temem até mesmo que, nos próximos anos, as regras
estabelecidas pelo TSE contra fake news sejam usadas em julgamentos não
relacionados com as eleições.
Por outro lado, um presidente da República mais receptivo ao ideário
do dito “progressismo” poderia amainar o ímpeto ativista em alguns
temas, uma vez que o Judiciário já não se veria mais como único canal
para promover uma agenda progressista. É o que pensa Alessandro
Chiarottino, doutor em Direito Constitucional pela USP.
“Quando você tem um governo conservador, como era o caso do governo
Bolsonaro, o ativismo tende a ser maior. Com o governo de esquerda, a
gente deve esperar uma diminuição do ativismo, pela simples razão de que
o próprio governo já teria iniciativas que vão no sentido em que o STF
tem ido nos últimos anos. Há certa coincidência de pensamento, de visão
de mundo”, diz.
Este alinhamento ideológico entre Executivo e Judiciário, segundo
Chiarottino, deve causar turbulência política com o Congresso, no qual a
direita ganhou muitas novas cadeiras. “Dada a configuração do
Congresso, a gente pode esperar um período de conflitualidade política
mais elevada. Deve haver um acirramento da batalha política por temas
sensíveis, por temas de costumes. Vai ser um período bastante agitado”,
afirma.
Chiarottino aposta que justamente para transmitir uma imagem de
independência em relação ao Executivo, o STF deverá tentar se opor, em
alguns pontos, à figura de Lula. “Penso até – e pode parecer paradoxal
para alguns – que ele vai tentar mostrar uma cara independente”, afirma.
E como fica a possibilidade de impeachment dos responsáveis pelo ativismo judicial? Um
dos desejos de parte da população durante as eleições de 2022 – que se
traduziu em promessa de campanha de alguns candidatos – foi a chegada de
congressistas dispostos a tirar do Judiciário os ministros responsáveis
pelo ativismo judicial dos últimos anos.
A presença de Lula no Executivo, contudo, deve desanimar eventuais
tentativas de impeachment de ministros do STF por parte do Senado, já
que o substituto da cadeira desocupada seria indicado pelo próprio
petista.
Lula terá direito a nomear dois ministros do STF já em 2023, porque
Ricardo Lewandowski se aposentará em maio, e Rosa Weber, em outubro do
próximo ano. Com a eventual queda de um ministro por impeachment, o
petista teria direito à indicação de mais um nome, o que interessa pouco
a parlamentares conservadores. Além disso, a própria falta de apoio do
presidente da República ajudaria a inviabilizar o impeachment.
“Com a vitória do Lula, acho que o cenário de impeachment é menos
provável. Sem o apoio político da Presidência da República, o
impeachment fica muito difícil. O presidente tem a sua influência dentro
do Senado. Ainda que não tenha capacidade de veto técnica, ele tem
influência muito grande sobre senadores. Não vejo isso caminhando. Se
tivesse sido reeleito o presidente Bolsonaro, isso caminharia de forma
muito mais correta”, opina Chiarottino.
Nikolas, Zambelli, Moro, Cleitinho: quais serão as “pedras no sapato” de Lula no Congresso Por Olavo Soares – Gazeta do Povo Brasília
O futuro deputado federal Nikolas Ferreira (de camiseta amarela) e
o senador eleito Cleitinho (de boné), ao lado do presidente Bolsonaro.|
Foto: Reprodução/Twitter
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) enfrentará, em seu terceiro mandato à frente do Palácio do
Planalto, um Congresso Nacional de viés mais conservador do que o que
existia entre 2003 e 2010, quando o petista comandou o país. No primeiro
turno das eleições, escolheram novos deputados federais e senadores com
um perfil, em sua maioria, mais alinhados com pautas da direita. Com a
derrota de Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial,
esses grupos conservadores foram automaticamente transformados na
futura bancada da oposição – que deve endurecer a vida de Lula no
Legislativo.
A lista das “pedras no sapato” que Lula enfrentará no Congresso
contém tanto novatos em Brasília quanto figuras que chegaram ao
Legislativo na “onda conservadora” de 2018 ou mesmo que já faziam
oposição ao PT nos governos do ex-presidente e de sua sucessora Dilma
Rousseff.
Um exemplo de novato que tentará criar dores de cabeça para Lula é o
senador Cleitinho (PSC), eleito por Minas Gerais. Ele recebeu 4,2
milhões de votos em outubro e superou Alexandre da Silveira (PSD), o
candidato apoiado por Lula, e Marcelo Aro (PP), que era o nome do
governador Romeu Zema (Novo). Cleitinho é atualmente deputado estadual e
tem no endurecimento da legislação penal uma de suas bandeiras
políticas.
A deputada Carla Zambelli (PL-SP) é um exemplo de parlamentar em
segundo mandato que tende a ser uma das lideranças da oposição a partir
de 2023. Ela chegará para a nova legislatura referendada por um
crescimento expressivo em sua votação: saltou de 76.306 votos em 2018
para 946.244 em 2022, número que superou o obtido por Eduardo Bolsonaro
(PL-SP), filho do presidente.
Já o grupo dos opositores que são adversários do PT de longa data tem
como um de seus representantes Eder Mauro (PL-MG), que na sessão do
impeachment de Dilma, em 2016, justificou seu voto favorável ao dizer
que se opunha à ideologia de gênero do PT. Ele foi reeleito em 2022 como
o segundo mais votado do Pará, com 205.543 votos. Iniciará em 2023 seu
terceiro mandato.
Confira abaixo outros deputados federais e senadores eleitos que deverão protagonizar a oposição a Lula no Congresso.
Quem serão os destaques da oposição no Senado Eduardo Girão (Podemos-CE) Senador
pelo Ceará, eleito em 2018, Eduardo Girão ganhou destaque na defesa do
governo Bolsonaro durante a CPI da Covid, embora se apresente como um
parlamentar independente. O antipetismo é uma de suas bandeiras
políticas, o que deverá ser acentuado com o retorno do PT ao Palácio do
Planalto.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) O filho mais velho do presidente é o
atual líder do PL no Senado e tende a continuar tendo representatividade
como membro da oposição, a partir de janeiro. Flávio chegou a ser
citado como possível candidato a presidente do Senado se seu pai se
reelegesse.
General Hamilton Mourão (Republicanos-RS) O atual vice-presidente
se elegeu senador pelo Rio Grande do Sul e, depois de sua vitória, se
empenhou na campanha de Bolsonaro no segundo turno. Ele também apoiou o
candidato derrotado ao governo gaúcho Onyx Lorenzoni (PL). Ao longo das
últimas semanas, não poupou críticas a Lula e ao PT.
Magno Malta (PL-ES) O ex-senador voltará ao Congresso após perder a
eleição de 2018, quando tentou renovar seu mandato no Senado. Malta foi
cogitado no passado para ser vice-presidente de Bolsonaro e para ocupar
um ministério, mas as especulações não se confirmaram. Ele permaneceu
ao lado de Bolsonaro – e contra o PT – ao longo dos últimos anos. Deve
retomar a abordagem contra a esquerda que marcou os últimos anos de seu
mandato anterior.
Marcos Rogério (PL-RO) Derrotado na tentativa de se eleger
governador de Rondônia, Marcos Rogério permanecerá no Senado e tentará
se consolidar como uma voz de oposição ao PT. O senador ganhou
notoriedade durante a CPI da Covid, quando foi uma das principais vozes
de defesa do governo Bolsonaro. Antes de chegar ao Senado, foi deputado
federal – na Câmara, se opôs ao PT durante seus mandatos.
Sergio Moro (União Brasil-PR) O ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro
da Justiça já seria um adversário natural de Lula, pelo fato de ter
sido o magistrado que condenou o petista em primeira instância judicial.
A recente reaproximação de Moro com Jair Bolsonaro, após ele ter saído
do Ministério da Justiça acusando o presidente de tentar interferir na
Polícia Federal (PF), pode dar um papel ainda maior para o ex-juiz na
oposição.
Soraya Thronicke (União Brasil-MS) A senadora era uma parlamentar
de pouco destaque no Congresso até se lançar como candidata a
presidente. Passou a ser conhecida nacionalmente; e obteve 600 mil
votos, ficando em quinto lugar na eleição presidencial. Ao longo do
segundo turno, indicou que não apoiaria Lula nem Bolsonaro.
Posteriormente, declarou que seria oposição no Senado a qualquer um dos
dois. Tem ainda quatro anos de mandato.
Conheça os principais oposicionistas da Câmara André Fernandes (PL-CE) Fernandes
estreará em Brasília em 2023 respaldado por ter sido o candidato mais
votado nas duas eleições que disputou: a de 2022 para deputado federal e
a de 2018 para deputado estadual. É um apoiador convicto de Bolsonaro e
crítico de pautas progressistas. Em seu período como deputado estadual,
travou acalorados embates com representantes do PT do Ceará.
Bia Kicis (PL-DF) A deputada foi eleita para o Congresso em 2018
como uma das principais apoiadoras de Bolsonaro. Ao longo dos últimos
anos, reforçou a condição e se reelegeu como o nome de maior votação no
Distrito Federal. Tende a fazer linha-dura contra o PT.
Carlos Sampaio (PSDB-SP) Reeleito para o sexto mandato, o tucano
buscará reviver na Câmara o tempo em que foi líder do PSDB e era uma das
principais vozes da oposição aos governos petistas. O combate ao PT foi
o que o fez decidir pelo voto em Bolsonaro no segundo turno. Terá como
obstáculo, porém, o fato de o PSDB ter hoje um tamanho bem menor do que
tinha há alguns anos – em 2022, elegeu apenas 13 deputados federais e
nenhum senador.
Deltan Dallagnol (Podemos-PR) Assim como o senador eleito Sergio
Moro, o ex-procurador é outra figura que ganhou notoriedade com a Lava
Jato. Deltan foi o candidato a deputado federal mais votado no Paraná e,
no segundo turno da disputa presidencial, declarou voto em Bolsonaro
como oposição à “corrupção do PT”. Deverá focar seu mandato em criticar
os escândalos das gestões petistas e discutir pautas anticorrupção.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) O terceiro filho do atual presidente
experimentará novamente a experiência de ser membro da oposição na
Câmara, como ocorreu em seu primeiro mandato, época que combatia o
governo de Dilma Rousseff. Eduardo continuará no Congresso respaldado
por 741.701 votos, e tentará ser uma das maiores vozes contra a gestão
de Lula.
Kim Kataguiri (União Brasil-SP) O líder do Movimento Brasil Livre
(MBL) pregou o voto nulo na disputa de segundo turno entre Lula e
Bolsonaro. Ele apoiou Bolsonaro em 2018, mas ao longo de quase todo o
governo criticou o atual presidente. Sob Lula, deverá reforçar seu
antipetismo, vetor que motivou a fundação do MBL, na década passada.
Nikolas Ferreira (PL-MG) O candidato a deputado federal mais
votado do Brasil é um apoiador convicto de Bolsonaro e, por extensão,
deverá ser um dos protagonistas da oposição a Lula no Congresso. Nikolas
já costuma entrar em embates com membros da esquerda nas redes sociais e
na Câmara Municipal de Belo Horizonte, onde atualmente exerce o mandato
de vereador .
Ricardo Salles (PL-SP) “É hora de serenidade”, escreveu o deputado
federal eleito e ex-ministro do Meio Ambiente nas redes sociais horas
depois da conclusão do segundo turno. A manifestação foi vista como uma
das primeiras de apoiadores de Bolsonaro que reconheceram a derrota. O
texto conciliador, porém, não tende a se manter quando Salles assumir
seu mandato no Legislativo. O ex-ministro deverá focar em embates
constantes com o governo do PT, principalmente na pauta ambiental.
Zé Trovão (PL-SC) O líder dos caminhoneiros também reconheceu a
vitória de Lula e disse aos seus aliados que é “hora de erguer a
cabeça”. Ele exercerá seu primeiro mandato de deputado federal a partir
de fevereiro e pretende prosseguir na defesa de pautas alinhadas com as
de Bolsonaro.
Estratégia ajudará nas vendas do Dia das Crianças e Black Friday
O live commerce é uma estratégia para maximizar vendas de e-commerces
que reúne em um evento virtual plataformas de streaming ao vivo (ou
redes sociais) e até mesmo artistas e influencers. Essa ação promove uma
experiência intimista e interativa, em que clientes podem tirar dúvidas
e comprar de forma instantânea, está consolidada no Brasil capaz de
multiplicar as vendas, no entanto, como toda estratégia, precisa ser
realizada de forma profissional e muito bem-feita.
Por meio de uma transmissão ao vivo, apresentadores artistas,
influencers ou vendedores de lojas e marcas demonstram e explicam os
diferenciais e promoções sobre produtos e serviços da marca.
O live commerce possibilita que os usuários façam sua compra naquele exato momento, pelo próprio smartphone, desktop ou tablet.
“Esse formato lembra um pouco as propagandas que já conhecemos na
televisão. No entanto, em vez de ficar ligando para um número, com
acesso à internet, hoje, o consumidor pode realizar sua compra de
maneira muito mais rápida e prática. Segundo pesquisas 84% dizem que se
sentem convencidas a comprar um produto após assistir um vídeo da
marca”, explica o consultor de ecommerce Rodrigo Maruxo, da MRX
Consultoria.
A MRX Consultoria dá quatro dicas para fazer uma live commerce vantajosa:
1 – Conheça seu público-alvo, para entender o que estão procurando e quais as tendências estão seguindo.
2 – Conheça bem a plataforma que será usada para que na transmissão não tenham problemas.
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Irrigação Mitos, realidade e uma riqueza a ser conquistada
Por Marcos Tosi – Gazeta do Povo
Cachoeira do Acaba Vida, no rio de nome Rio de Janeiro, em Barreiras (BA)| Foto: Divulgação / Aiba
Dentre
os grandes produtores globais de alimentos, o Brasil é o país que menos
uso faz da agricultura irrigada, apesar do vasto potencial de rios e
aquíferos que concentram 12% da disponibilidade de água doce no planeta.
Um rápido comparativo mostra a extensão da defasagem: enquanto China e
Índia, cada uma, cultivam 60 milhões de hectares com irrigação, e os
Estados Unidos, outros 25 milhões de hectares, o Brasil ainda engatinha
neste campo, com apenas 8,8 milhões de hectares contemplados pelo
suprimento controlado e estratégico de água às lavouras.
É fato que, apesar da abundância de água doce, ela está mal
distribuída pelo país, e não há exemplo mais notório do que o grande
volume disponível na Amazônia contrastando com a escassez, por vezes
dramática, no semiárido nordestino. Uma situação que se repete, em menor
escala, nas 12 diferentes regiões hidrográficas que recortam os estados
brasileiros. Assim, não são incomuns as notícias de protestos e
batalhas judiciais contra projetos de irrigação, notadamente em épocas
de estiagem, quando buscam-se culpados pela escassez d’água e pouco se
sabe sobre o quanto realmente pode ser retirado dos rios e aquíferos com
segurança, de modo a não faltar para as populações urbanas e os
animais.
Irrigação utiliza apenas 0,7% da vazão média dos rios “Existe
muita fake News, muita coisa se fala de que a agricultura irrigada usa
50%, 60%, 70% da água. Isso é uma balela tão grande, que o número
correto no Brasil é 0,7% da vazão média dos rios usada pela irrigação.
Claro, a gente não desconhece que existem conflitos em algumas regiões,
casos de rios que foram utilizados para irrigar e não havia estudos
suficientes, mas isso está diminuindo cada vez mais”, aponta Everardo
Mantovani, presidente da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem
(ABID) e professor sênior da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em
Minas Gerais.
Contra preconceitos que se acumularam ao longo dos anos, pesquisa e
ciência são os antídotos. “O pessoal fala: estamos exportando água para a
China na forma de soja. Acontece que menos de 0,05% da água utilizada
sai no grão, 99,9% volta para a atmosfera, para chover em outro lugar.
São muitos absurdos. Pega a vazão dos rios brasileiros, por exemplo. Dá
196 mil m3 por segundo. A irrigação usa mil m3 por segundo. Fora a água
subterrânea. Então, onde está a crise? A crise está na falta de
informação que vai criando essa balbúrdia contra o setor”, sublinha
Mantovani.
Talvez não exista na história recente brasileira episódio mais
emblemático do que o vivido no Oeste da Bahia, em relação ao uso da
ciência para superar preconceitos contra a irrigação. Após um período de
estiagem prolongada, de 2011 a 2016, a Associação dos Produtores
Irrigantes da Bahia (Aiba) viu crescerem os protestos contra o uso da
água nas plantações, chegando ao ponto de haver invasão de fazenda e
destruição de equipamentos. O debate sobre a disponibilidade das águas
girava em torno do achismo. Foi quando a associação decidiu contratar um
estudo junto a um pool de universidades (federais de Viçosa, do Oeste
da Bahia, do Rio de Janeiro e Universidade do Nebraska) para descobrir
qual era a real situação dos rios e fontes subterrâneas.
Pesquisas: é possível dobrar irrigação no Oeste da Bahia A região
em foco, próximo das cidades de Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães,
possui 218 mil hectares irrigados, apenas 7% da área total de plantio
sequeiro. Depois de cinco anos de pesquisas, os cientistas demonstraram
que é possível praticamente dobrar esses números, chegando até 430 mil
hectares, sem impacto significativo na disponibilidade das águas. A
etapa atual é de implantação de estações permanentes de monitoramento,
para alimentar um banco de dados com séries históricas. Os debates
acalorados diminuíram. Mas os achismos ainda não estão relegados
totalmente ao passado.
“As narrativas não morrem. Elas estão vivas por aí, sempre querendo
comparar uma coisa e outra. Dizem que um pivô de irrigação consome água
que poderia estar abastecendo não sei quantas mil pessoas. Não é
comparação justa associar o pivô à quantidade de copos de água que as
pessoas tomam. A gente reconhece que toda atividade humana tem impactos
ambientais, mas na agricultura, boa parte dos recursos hídricos retornam
para o sistema”, avalia Enéas Porto, gerente de sustentabilidade da
associação dos irrigantes. “Hoje a irrigação continua produzindo
alimentos na região, sabemos quais rios permitem ampliação e quais não
permitem. É o que a gente chama de segurança hídrica. Não interessa a
ninguém, muito menos ao empreendedor, fazer investimento e depois não
ter água para irrigar”, completa.
Os estudos realizados pelas universidades no Oeste da Bahia foram
refeitos por uma empresa privada, contratada pelo comitê de
gerenciamento da bacia, que chegou a resultados parecidos. Do episódio,
ficou a lição da ciência e do diálogo, que agora é replicada em outras
regiões com potencial para irrigação. O estado do Mato Grosso, observa
Mantovani, tem 30% do potencial de cultivo irrigado no país e não
utiliza quase nada.
Everardo Mantovani, professor da Universidade Federal de Viçosa e presidente da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem Setor de irrigação aprendeu a manter diálogo constante com o Ministério Público
“O pessoal quer crescer na agricultura irrigada, mas não quer
problemas. A gente está fazendo estudos de recursos hídricos, do
potencial de crescimento, sempre conversando com a sociedade. Uma das
maiores pedras no sapato é o Ministério Público, que muitas vezes entra
nessa história sem conhecimento. E uma das primeiras coisas que a gente
faz em tudo quanto é lugar é visitar o Ministério Público, oferecendo
informação”, observa Mantovani.
Em nota à reportagem, o Ministério Público da Bahia disse que a
gestão das bacias hidrográficas dos rios Grande e Corrente é feita com
base em planos aprovados em setembro de 2021, que “levaram em
consideração também os estudos elaborados pela Aiba e outras entidades
do agronegócio”. No entanto, diz a nota, “ressaltamos que esses estudos
não são a diretriz para a gestão da água no estado da Bahia”.
Os produtores do Oeste baiano estão entre os mais interessados em
cuidar das fontes d’águas. Eles estão instalando piezômetros, poços
menores perto do poço principal, para monitorar a condição do lençol
freático. A fiscalização será dos órgãos ambientais. “Nós produtores, de
maneira geral, imaginamos que isso tem que ser muito bem controlado,
por que nosso objetivo é perenidade. Você imagina fazer um investimento
gigante por hectare e dali a três ou quatro anos isso se tornar
inviável? Então é questão de consciência do produtor e de
responsabilidade não só econômica, mas ambiental e social também”,
afirma o paranaense João Jacobsen, 66, radicado há 42 anos no oeste da
Bahia, que cultiva 60% dos 4 mil hectares de suas fazendas com pivôs
centrais de irrigação.
Rio Corrente, um dos principais utilizados para irrigação no Oeste da Bahia
Potencial de irrigar no Brasil é quase sete vezes maior que uso atual Um
estudo de 2020 da Esalq/USP em parceria com a Agência Nacional de Águas
(ANA), Ministério do Desenvolvimento Regional e Organização das Nações
Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) aponta potencial de
55,85 milhões de hectares a serem agregados à agricultura irrigada no
Brasil. Metade disso em áreas já exploradas pela agricultura de sequeiro
e a outra metade em expansão sobre áreas de pastagens. Em médio prazo,
até 2050, o potencial efetivo de crescimento é de 13,69 milhões de
hectares, agregando à produção 500 mil novos hectares a cada ano.
Trata-se de uma meta de crescimento não distante da realidade, visto
que, em 2021, o país agregou 340 mil novos hectares ao sistema de
irrigação, quase o dobro da média acrescentada em anos anteriores. E
neste ano, a indústria prevê que o desempenho se repita.
Mesmo que se retire do potencial de irrigação todo o volume de água
da região amazônica, devido à questão ambiental e à distância das
regiões produtivas, o Brasil ainda utiliza apenas 5% da água doce
disponível, e, destes, 2,5% para irrigação. Na avaliação de Lineu Leiva
Rodrigues, especialista em irrigação da Embrapa Cerrados, o país já tem à
mão tecnologia e gente capacitada para galgar outros patamares na
agricultura irrigada – que pode produzir três, quatro ou até cinco vezes
mais numa mesma área.
Financiamento e novas barragens: os principais desafios O que
falta é aprimorar a legislação, o conhecimento cientifico dos recursos
disponíveis e o regramento prático para concessão de outorgas. “Qualquer
produtor que quiser irrigar hoje precisa ir à agência e pedir a
outorga, mas em alguns lugares demora um ou dois anos para sair. Toda
produção agrícola já é licenciada. É como se você comprasse um som para o
carro e tivesse que pagar outro licenciamento. Nossa legislação ainda
gera muita insegurança jurídica. As ferramentas para decidir quanto de
água se pode utilizar são muito frágeis. E o pior cenário é você
oferecer um tanto de água para o usuário e no ano seguinte retirar,
porque não tem água para todo mundo”, adverte.
Outra necessidade premente do país, frequentemente embargada por
questões ambientais, é a construção de barragens para aumentar a
estabilidade hídrica, considerando que 92% das águas vão para os
oceanos. “Você não pega água só do rio. Durante a chuva tem muita água,
na seca tem menos. Se você retiver esta água, é possível aumentar a
disponibilidade em até 500%. A irrigação traz estabilidade na produção,
você pode planejar políticas de segurança alimentar para o Brasil e para
o mundo. Se não tem essa estabilidade, você não sabe quanto vai
produzir e nem pode planejar. Vai ficar dependendo da chuva”, aponta o
pesquisador da Embrapa.
Um ponto fundamental para abordar o assunto com mais racionalidade,
diz Leiva Rodrigues, é entender que os padrões de consumo de água no
meio urbano e rural funcionam sob premissas diferentes. Nas cidades, a
demanda tem variações menos acentuadas: o número de banhos de uma pessoa
ao longo do ano não se altera tanto. Já na agricultura, se chove muito,
usa-se pouca irrigação. Quando há seca, aí é que a ferramenta se torna
essencial. Nessas horas, o uso da água não é desperdício, mas salvação.
“Se a pessoa não entende isso, é difícil. Irrigação é o melhor seguro
agrícola que um produtor pode ter”.
Pivô central em operação: Brasil tem potencial para multiplicar por sete a área atualmente irrigada Irrigação funciona como tranquilizante do produtor rural Esse
seguro é que garante o sono tranquilo do produtor de Barreiras, João
Jacobsen. Nem tudo são flores, já que no período de seca as áreas
irrigadas formam a única vegetação verde e viram um chamariz para pragas
aéreas, o que eleva os gastos com herbicidas e controle biológico. O
investimento para irrigar também é alto, de mais de R$ 20 mil por
hectare. Nas grandes culturas de grãos, como soja, milho e trigo, a
principal vantagem, segundo o produtor, não está tanto nos ganhos de
produtividade, mas na segurança de não perder a lavoura por causa de uma
estiagem. Ou seja, quando a seca aperta e derruba a colheita para 20 ou
25 sacas de soja no sequeiro, o produtor irrigado se mantém colhendo 90
sacas.
“A irrigação é um tranquilizante com relação ao problema do produtor
de sequeiro que tem que ficar olhando para o céu e se preocupando se vai
chover ou não. Nós temos essa tranquilidade de ter a certeza que vamos
poder irrigar e não perder produtividade”, conclui Jacobsen.