Dia *30 de outubro de 2022,* pode ser o dia mais triste e
vergonhoso na vida do Lula. Veja bem. Se prevalecerem os rumos que
tomaram as estatísticas, Lula pode estar com os dias contados. Lula não é
deputado, não é senador, governador, presidente e nem prefeito ou
vereador. Lula é um cidadão comum e não tem foro privilegiado. Responde a
outros processos além do que o colocou em liberdade. Lula não está
livre, Lula está solto. Ele também responde por crime fora do país e
pode ser preso no Brasil e ser extraditado para os EUA junto com Dilma.
Ele sabe que esse risco existe e é real. Também a saúde dele não ajuda,
Lula está doente. Existe uma grande expectativa em toda a América Latina
que, se Bolsonaro vencer as eleições no Brasil, isso vai motivar todos
os países que hoje estão nas mãos da esquerda a lutarem pelas suas
liberdades. Com isso cai por terra o “Foro de São Paulo”. E por incrível
que pareça, a Rússia, os EUA e a Europa dependem das commodities e
alimentos produzidos no Brasil. Com o equilíbrio da direita no STF e em
todas as instâncias da jurisdição federal, com o grande número de
parlamentares da “direita”, que agora vai ser a maioria tanto no
Congresso quanto no Senado, sabemos que a maioria dos projetos da
direita será aprovado projetando um crescimento econômico e social
colocando de vez o Brasil no topo do mundo. Isso pode ser o fim do PT e
de Lula. Podemos estar vivendo o momento mais importante da nossa
história. O Brasil pode estar dando um salto gigante para acabar com o
comunismo no mundo e garantir a liberdade dos nossos filhos e netos e
próximas gerações. A Inglaterra, Itália, Alemanha, Israel, Portugal,
Espanha, Canadá, Austrália e muitas nações estão desejando a vitória de
Bolsonaro. O mundo está de olho no Brasil. Dizem que essa eleição no
Brasil é a segunda mais importante do mundo. Não vamos abaixar a guarda,
vamos todos para as urnas e votar no futuro do Brasil. Lula vai perder
em São Paulo, Rio de janeiro, já houve a virada em Minas Gerais e Bahia.
Lula vai perder no Rio Grande do Sul, Santa Catarina… No Paraná Lula
será humilhado, e até nós Estados do Nordeste haverá uma grande virada,
Lula só vai encontrar algum equilíbrio no Norte mesmo assim será
pequeno. Até a Folha de São Paulo e Datafolha já não conseguem mais
esconder o fracasso do PT. Dia 30 pode ser decretado o final de Lula e o
PT.
Praça dos Três Poderes, em Brasília.| Foto: Marcos Correa/PR
Tema recorrente neste período eleitoral, e especialmente neste
segundo turno, é o da democracia. Pululam cartas e manifestos “pela
democracia”. Apoios são definidos e anunciados porque determinado
candidato é considerado “democrata” e seu adversário, uma “ameaça à
democracia”. A tensão institucional em que às vezes se fica à beira da
ruptura não é um exagero: ela é real e mostra como fazem falta os
autênticos democratas nos mais altos escalões do poder. Essa ausência,
aliás, permite também que a democracia seja agredida de forma mais
sutil: afinal, é em nome da “democracia” que se comete, agora, até mesmo
censura prévia, uma contradição que infelizmente não tem sido percebida
por muitos, a julgar pela timidez das reações de boa parcela da opinião
pública e da sociedade civil organizada. Hoje está claro que é muito
fácil defender a democracia com palavras; muito mais difícil é
compreender o que realmente é a democracia e agir como democrata. Mas é
disso que o Brasil mais necessita agora.
Do PT e de Lula não se pode dizer, nem por um minuto, que sejam
amantes da democracia. Por mais que, desde sua transformação em
ficha-limpa, Lula venha sendo descrito como “democrata” e “moderado” por
boa parte dos formadores de opinião, a realidade os desmente. Não pode
ser democrata um amigo e apoiador de ditadores, principalmente na
América Latina – e não procede nem mesmo o argumento de que Lula é, sim,
aliado de ditadores, mas não endossa seus métodos, pois a parceria
continua firme mesmo depois de instalado o arbítrio em nações como Cuba,
Venezuela e Nicarágua, sem que haja uma crítica sequer; pelo contrário,
as manifestações de apreço se mantêm. Não pode ser democrata um
adversário contumaz das liberdades de expressão e de imprensa, como
demonstram a atual ofensiva no TSE para censurar indivíduos e empresas
de comunicação, e as repetidas promessas de controle dos meios de
comunicação (sob o eufemismo da “regulação da mídia”). Não pode ser
democrata quem protagonizou dois megaescândalos de subversão e fraude
contra a democracia brasileira por meio da compra de apoio parlamentar.
Do PT e de Lula não se pode dizer, nem por um minuto, que sejam amantes da democracia
Ainda que Jair Bolsonaro não tenha chegado nem de longe aos mesmos
patamares de seu adversário deste segundo turno, muito de sua atuação,
tanto em discursos quanto em atitudes, desde os primeiros dias de seu
mandato, demonstrava clara carência de uma verdadeira cultura
democrática, o que fez acender uma luz amarela – e mesmo vermelha – para
um número importante de atores políticos. Cada fala antidemocrática
acabou sendo respondida com reações fortes dos demais poderes e dos
formadores de opinião, algumas legítimas e outras exageradas e
eventualmente abusivas. A resposta de Bolsonaro quase que
invariavelmente foi a da escalada, não a da distensão, tendo como alvo
especialmente a imprensa e o Supremo Tribunal Federal. Embora com razão
quanto ao mérito em muitas dessas tensões, sobretudo com relação ao
Judiciário, a forma quase sempre foi equivocada, o que dificultava a
solução e debilitava a coesão institucional. Nada disso é democrático, e
quem se nega a perceber nesses casos o flerte com a ruptura de lado a
lado, Executivo e Judiciário, padece da mesma cegueira seletiva que
acomete defensores de Lula que o consideram um “democrata”.
O país necessita de um governo que realmente compreenda o valor
da democracia e tenha tamanho apreço por ela que, diante de uma crise
institucional, demonstre a firme intenção de desarmar as bombas e buscar
não a escalada agressiva, mas a solução que restaure a normalidade.
Isso nada tem de utópico; é perfeitamente possível, mesmo para alguém
com uma propensão a reações destemperadas, quando se tem a consciência
de que as ferramentas para isso já estão postas. É mais difícil para
quem, tendo consciência dessas ferramentas, as utilizou de forma
sorrateira para precisamente subverter a democracia. O verdadeiro
democrata sabe que não há saída para eventuais impasses fora da
Constituição; ela não é um acessório que pode ser descartado de acordo
com a conveniência, mas é a fundação sobre a qual se constrói uma
democracia sólida. E ela permite que as controvérsias sejam resolvidas,
seja pela negociação honesta, quando há disposição mútua para tal, seja
pelo uso firme dos freios e contrapesos que o ordenamento jurídico
nacional já prevê, mas que nem sempre são empregados. Mas apenas quem
tem uma profunda convicção democrática é capaz de agir bem e fazer a
melhor escolha diante de cada impasse; só o grande estadista desarma as
bombas com firmeza e elegância.
A cultura democrática exige compreender que os brasileiros têm
convicções e preferências diversas a respeito de diversos assuntos.
Ainda que tais convicções e preferências estejam equivocadas, não há
justificativa para a hostilização ou para o confronto irracional. As
críticas consideradas injustas devem ser respondidas não com a
desqualificação generalizada do adversário – seja no campo político,
seja na opinião pública –, mas com a ação pontual e, sobretudo, com a
exposição serena da verdade. As diferenças não se resolvem na força, mas
pela troca livre de fatos e ideias na arena da opinião pública; a
cultura democrática exige confiança no poder do diálogo.
Plenário do TSE na última quinta (20), quando maioria dos
ministros referendou censura a documentário da Brasil Paralelo| Foto:
Antonio Augusto/Secom/TSE
Não é apenas a censura prévia à
exibição de um documentário da Brasil Paralelo que o PT buscou no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na ação ajuizada na Corte no último
dia 16, contra o que a coligação de Lula chama de “ecossistema de
desinformação bolsonarista”, o objetivo vai muito além. No curto prazo,
até o segundo turno das eleições, a pretensão é bloquear mais de 100
perfis, contas ou canais em diversas redes sociais, incluindo aí
políticos da direita eleitos com ampla votação, jornalistas e
influenciadores digitais com grande número de seguidores no campo
conservador, e até mesmo cinco portais de notícias e opinião.
No médio prazo, após as eleições, o plano é fazer uma devassa nas
finanças e contratações dos donos da produtora e de responsáveis por
outros canais populares da direita no YouTube, como Folha Política, Foco
do Brasil, DR News, e os de Kim Paim e Gustavo Gayer, por exemplo – há
pedido para que todos eles tenham quebrados os sigilos bancário,
telefônico e telemático, o que daria ao TSE amplo acesso às suas
transações e comunicações, inclusive por meios digitais (e-mail,
mensagens, etc.). A ideia aqui é investigar se esses produtores de
conteúdo estariam ganhando e investindo dinheiro para beneficiar o
presidente Jair Bolsonaro na disputa, o que, segundo o PT, poderia
configurar abuso de poder econômico.
No limite, essa tese poderia levar o TSE a condenar o próprio
Bolsonaro, bem como o general Walter Braga Netto, candidato a
vice-presidente, punindo-os com a cassação do novo mandato, caso
eleitos, e também com inelegibilidade por 8 anos. É esta a finalidade do
tipo de processo iniciado pelo PT ao TSE, com a chamada “ação de
investigação judicial eleitoral”, mais conhecida no meio jurídico pela
sua sigla, “Aije”. Ela visa apurar se houve, na disputa eleitoral, abuso
de poder político e/ou econômico, bem como uso indevido de meios de
comunicação social – o que, atualmente, segundo a jurisprudência do TSE,
também inclui internet, redes socais e aplicativos de mensagens, como
WhatsApp e Telegram.
Ao final do processo, caso o TSE conclua que esses abusos ocorreram e
que tiveram “gravidade”, os ministros podem decidir pela condenação e
pelas punições. A caracterização da gravidade varia conforme o caso e
não depende do potencial daquele abuso alterar o resultado da eleição.
Sua capacidade de desequilibrar a disputa de forma significativa, de
qualquer modo, costuma ser levada em conta em julgamentos do tipo.
No ano passado, ao rejeitar uma cassação do atual mandato de
Bolsonaro, o TSE deixou claro que a propagação massiva de “fake news” na
internet pode configurar um abuso grave, portanto passível de punição,
levando em conta critérios como 1) o teor das mensagens, se
propositalmente enganosas; 2) sua repercussão no eleitorado; 3) o
alcance do ilícito; 4) o grau de participação dos candidatos e; 5) seu
financiamento por empresas.
O presidente não foi condenado porque nada disso foi provado na Aije
apresentada pelo PT na eleição de 2018, que acusava Bolsonaro de se
beneficiar de supostos disparos em massa de fake news pelo WhatsApp, com
financiamento de empresários que o apoiavam. A denúncia nunca foi
comprovada pelo PT e o Ministério Público, que participa de ações do
tipo, pediu a absolvição do presidente, o que foi aprovado por
unanimidade no TSE em 2021.
A atual ação do PT contra Bolsonaro e seus apoiadores digitais leva
em conta esse precedente e agora tenta provar que eles formariam uma
rede organizada, que deliberadamente espalham supostas ofensas e
mentiras contra Lula para derrotá-lo nas urnas.
Por que o PT pediu e o TSE censurou o filme da Brasil Paralelo O
documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro”, que seria lançado na
última segunda (24) seria, na visão do PT, parte dessa estratégia –
ainda que o partido e os ministros que vetaram sua exibição não tenham
assistido ao filme.
Na ação, a coligação de Lula afirmou que, com a obra, a Brasil
Paralelo criaria teorias “a fim de supostamente solucionar caso
encerrado pelo Poder Judiciário” – a afirmação não é precisa, uma vez
que ainda tramita na Justiça Federal inquérito para elucidar suspeitas
levantadas pela defesa do presidente, como quem pagou os advogados de
Adélio Bispo de Oliveira. Um dos motivos apontados pelo PT para censurar
o documentário é a campanha publicitária realizada pela produtora, com
ao menos R$ 70 mil investidos para promovê-lo no YouTube. Uma das
propagandas mostra vídeo de Lula duvidando do atentado.
Ao atender ao pedido do PT para impedir a exibição do filme, o
corregedor-nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, entendeu que a
Brasil Paralelo, bem como as empresas que mantêm canais como Foco do
Brasil, DR News e Folha Política “assumiram comportamento simbiótico em
relação à campanha midiática de Jair Messias Bolsonaro”.
O objetivo delas não seria informar, educar ou entreter, mas camuflar
propaganda política com conteúdo supostamente desinformativo. A
suspeita é de que estariam, como empresas, investindo recursos para
influenciar o público para votar em Bolsonaro e assim, supostamente
cometendo abuso de poder econômico. Por isso, além da censura, o
ministro também cortou a monetização dos canais, obtido com anúncios e
assinaturas no YouTube, e proibiu que investissem recursos para
impulsionar a divulgação de quaisquer conteúdos político-eleitorais,
especialmente sobre Lula e Bolsonaro.
“O que se mostra preocupante é que essas pessoas jurídicas, ao
produzirem conteúdo ideologicamente formatado para endossar o discurso
do candidato que apoiam, têm se valido por reiteradas vezes de notícias
falsas prejudiciais ao candidato Lula, com significativa repercussão e
efeitos persistentes mesmo após a remoção de URLs. Além disso,
movimentam vultosos recursos financeiros, tanto arrecadados junto a
assinantes e via monetização, quanto gastos em produção e
impulsionamento de conteúdos”, afirmou o ministro.
A Brasil Paralelo refuta essa acusação. Sustenta que é uma empresa de
mídia independente, que produz jornalismo, entretenimento e educação,
com conteúdo que promove valores conservadores, e que isso não pode ser
confundido com atuação eleitoral em favor de qualquer partido ou
político. Por meio de sua assessoria, a empresa afirmou que está
preparada para demonstrar a licitude de suas atividades e de suas
finanças à Justiça.
Por que o PT quer suspender perfis de direita nas redes
Boa parte da ação do PT concentra-se em apontar a existência de um
“ecossistema de desinformação” que seria operado pelo vereador Carlos
Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente e que lideraria um
grupo de pessoas para produção e difusão de notícias sabidamente falsas
destinadas a atacar a candidatura de Lula. A consequência seria a
geração de um “caos informacional” com o propósito de usurpar o debate
público e favorecer a campanha Bolsonaro.
Para embasar essa tese, a coligação de Lula monitorou as redes
sociais e verificou intensa interação entre políticos, influenciadores
de direita com grande número de seguidores e usuários das redes que
compartilham suas postagens. Para denunciar o suposto caráter ilícito
desse conteúdo, a ação agrupa o material em quatro grupos temáticos:
violência e criminalidade, religião e costumes, descredibilização do
sistema eleitoral e pautas socioeconômicas. Assim, junta exemplos de
ilações espalhadas em cada um desses grupos envolvendo Lula, seja
ligando-o ao crime organizado, ao satanismo, à participação numa fraude
às eleições, ou a medidas radicais na economia, por exemplo.
Na ação, o PT juntou decisões do TSE que caracterizaram postagens
assim como sabidamente inverídicas ou gravemente descontextualizadas.
Elas poderiam servir de provas da desinformação promovida pelo grupo, o
que caracteriza o uso indevido dos meios de comunicação.
“Os investigados conseguem a predominância das pautas da comunicação
social (PCC, fraude nas urnas, religião e costumes etc.) a partir da
ampla divulgação de desinformação, valendo-se de conteúdos sabidamente
inverídicos, com requintes de apelos emocionais, além da sua ampla rede
de seguidores, chegando a formar uma estrutura de monopolização do
território virtual”, diz um trecho da ação, destacado por Benedito
Gonçalves em sua decisão.
Nela, o ministro reconheceu haver “indícios de uma atuação concertada
para a difusão massificada e veloz de desinformação” que tem Lula como
principal alvo. Ele, no entanto, não atendeu ao pedido de liminar para
suspender esses perfis das redes sociais. Disse que o mais comum na
Justiça Eleitoral é remover postagens específicas, não suspender perfis.
Optou, assim, por dar a Carlos Bolsonaro a oportunidade de se defender
no processo. A reportagem buscou falar com o vereador e com sua defesa,
mas não conseguiu contato por seu gabinete na Câmara Municipal do Rio.
Advogado de Bolsonaro nessa campanha, o ex-ministro do TSE Tarcísio
Vieira Neto diz que a rede de apoiadores do presidente não tem essa
organização apontada pelo PT. Segundo ele, ela é natural e não
artificial. Ele sustenta que quem age de forma estruturada para espalhe
mentiras é a campanha do PT com o deputado federal André Janones
(Avante-MG) – a defesa de Bolsonaro já apresentou outra Aije no TSE para
cassar seu mandato.
“Uma coisa é fazer espalhamento orgânico, socialmente tolerável,
outra coisa é fazer esses canhões de comunicação. Aí a diferença entre
uso e abuso”, diz Tarcísio.
Por que o PT colocou políticos aliados de Bolsonaro na ação
Além de Bolsonaro e Braga Netto, o PT também inclui como alvos da
ação políticos aliados do presidente, como os deputados Eduardo
Bolsonaro (PL-SP), Carla Zambelli (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF), Luiz
Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), Paulo Eduardo Martins (PL-PR),
Caroline de Toni (PL-SC), o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e
Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), todos aliados próximos do
presidente. O PT pede que eles também tenham os perfis bloqueados nas
redes sociais de forma temporária, até o segundo turno das eleições.
Se de um lado o PT acusa a Brasil Paralelo de abuso de poder
econômico, de outro acusa os esses políticos de abuso de poder político.
A tese aqui é de que, por serem detentores de mandatos públicos e
valendo-se da imunidade parlamentar, eles praticariam ações nas redes
sociais para incentivar uma “ruptura democrática”.
A ação não apresenta provas dessa acusação, mas pede ao TSE para
obter do Supremo Tribunal Federal (STF) material já coletado no
inquérito das “milícias digitais”, fruto do inquérito das “fake news”,
conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. Até o momento, essas
investigações não resultaram em qualquer denúncia contra os deputados.
Em relação a Bolsonaro, a ação aponta “conduta reprovável e
antidemocrática”, porque, segundo o PT, ele não buscaria convencer o
eleitor “por meios que preservam os preceitos constitucionais”, mas sim
com “objetivo de plantar uma ruptura de poderes, numa escalada autocrata
de eliminação do instrumento mais essencial do Estado Democrático de
Direito: o sistema eleitoral e o voto direto”.
A advogada Karina Kuffa, que chefiou a defesa jurídica de Bolsonaro
no TSE em 2018 e hoje defende os deputados Eduardo Bolsonaro, Carla
Zambelli e Bia Kicis diz que essas acusações não fazem sentido, porque,
como parlamentares, eles têm imunidade justamente para defender, dentro
do que prevê a Constituição, mudanças nas instituições.
“A garantia da imunidade é justamente para que o parlamentar critique
qualquer órgão, qualquer sistema, qualquer autoridade sem sofrer
retaliações. A partir do momento em que se tolhe a imunidade sob o manto
de proteger a instituição TSE, tolhe o direito do representante do povo
trazer à tona a indignação do povo. Quando um deputado defende uma
mudança, pode fazer isso, porque pode mudar o sistema eleitoral, por
exemplo. Quando Bolsonaro foi deputado federal, ele apresentou um
projeto e aprovou uma lei visando aperfeiçoar a urna eletrônica e esse
aperfeiçoamento foi derrubado pelo Judiciário”, diz a advogada.
Kuffa, no entanto, teme as consequências da ação. Lembra que, ao
contrário do ocorrido em 2018, na campanha deste ano o PT conseguiu do
TSE dezenas de decisões para remover conteúdo postado por apoiadores que
podem servir de provas de “fake news”. Ela, no entanto, sustenta que o
presidente não pode ser responsabilizado por postagens de eleitores.
Além disso, diz que do lado de Lula também há grande disseminação de
ataques com mentiras contra Bolsonaro. “Mesmo que não tenham sido
ajuizadas tantas ações contra o PT por fake news, o fato é que existem
ataques contra Bolsonaro também”, diz.
O que diz a defesa de Lula
À reportagem, o advogado de Lula junto ao TSE, Cristiano Zanin,
afirmou que o primeiro objetivo da Aije é frear abusos durante a
campanha que possam desequilibrar o pleito.
“A primeira preocupação trazida ao tribunal e que foi acolhida, no
primeiro momento pelo ministro relator e agora referendada pelo
plenário, é para que esse ecossistema de desinformação cesse sua atuação
nociva ao processo eleitoral, através da disseminação de notícias
falsas e desinformação”, disse na última quinta (20), logo após o
plenário do TSE, referendar, por 4 votos a 3, o veto à exibição do
documentário da Brasil Paralelo.
Questionado sobre outras medidas requeridas na ação para o período
posterior à eleição – como a cassação de mandatos e a inelegibilidade,
Zanin disse que “é algo que vai ter que ser discutido”.
“Há prazo para apresentação de defesa, de informações. E nós também
vamos acompanhar o processo de acordo com aquilo que for acontecendo,
também vamos apresentar ao tribunal, se for o caso, novos elementos,
para reforçar aquilo que já mostramos numa fase inicial”, afirmou.
AME7434.
RÍO DE JANEIRO (BRASIL), 15/09/2022.- El presidente brasileño, Jair
Bolsonaro, participa en un evento de celebración del cumpleaños del
pastor evangélico Silas Malafaia, hoy, en Río de Janeiro (Brasil). EFE/
André Coelho
O presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.| Foto: André Coelho/EFE.
A
campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (25) um relatório alegando
que o mandatário teve menos inserções de rádio que seu adversário, o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principalmente nas regiões
Norte e Nordeste. A denúncia foi apresentada à Corte nesta segunda
(24).
O ministro das Comunicações, Fábio Faria, e Fabio Wajngarten
afirmaram que, nas últimas duas semanas, Bolsonaro teve 154 mil
inserções de rádio a menos que o petista. No entanto, o presidente do
TSE, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que a ação foi protocolada
sem “qualquer prova e/ou documento sério”.
O ministro deu prazo de 24 horas para que os advogados de Bolsonaro
apresentassem provas. A defesa do chefe do executivo disse a Moraes que
havia apresentado um “estudo técnico parcial”, pois ainda não havia
encerrado a compilação dos dados coletados de todas as regiões do país,
informou o jornal O Globo.
A nova petição apresenta uma tabela com o exemplo de oito rádios da
Bahia e de Pernambuco. Nesta tabela foram quantificados os tempos de
inserções de Lula e de Bolsonaro entre os dias 7 e 14 de outubro. Além
disso, os advogados compartilharam um link do Google Drive para que
Moraes tenha acesso a informações completas.
A defesa da campanha ainda descreveu a metodologia usada pela empresa
de auditoria para realizar o levantamento. A empresa teria criado um
algoritmo que captura o áudio transmitido pelas rádios em tempo real na
internet e compara com as inserções. A campanha de Bolsonaro solicitou
ao TSE a suspensão da propaganda de Lula no rádio.
Fábio Faria diz que espera “solução rápida” do TSE O ministro das
Comunicações, Fábio Faria, anunciou no Twitter o protocolo da nova
documentação. Ele disse esperar uma “solução rápida” para o caso. “Cabe
esclarecer que não se trata de qualquer questionamento acerca do sistema
eleitoral ou sobre a atuação do TSE. O que estamos apontando é uma
absurda supressão ou migração de comerciais que Bolsonaro teria direito
em favor da campanha de Lula”, ressaltou.
“Todas as informações são baseadas gravadas da programação integral
das rádios, 24 horas por dia. São 1.112 rádios da região Nordeste e 289
rádios da região Norte. Toda a base de dados citada nos relatórios foi
disponibilizada com acesso total ao TSE”, completou o ministro.
Faria disse ainda que foi solicitado que seja “reestabelecido o
mínimo de isonomia entre as as campanha” e que se “repare os danos a
eventuais prejuízos decorrentes da não veiculação das inserções a que a
campanha do presidente Bolsonaro teria direito”.
Em meio às eleições mais sujas das últimas décadas, o presidente
Jair Bolsonaro tem exibido uma notável calma.| Foto: Reprodução/ Twitter
Entro
na festa e não hesito em emendar a pergunta assim que cumprimento as
pessoas. Prazer, Paulo. Você não está achando o Bolsonaro muito calmo,
não? Muito tranquilo. Muito sereno. Muito zen. Pego linguiça, pão
d’alho, litrão. Prazer, Paulo. E essa tranquilidade toda do Bolsonaro,
hein? Estranho, né? Dou mais algumas voltas pelo churrasco. Abro um
sorriso que uns consideram patético e outros, psicopata. E novamente o
cumprimento e a pergunta. Prazer, Paulo. Bolsonaro tá calmo demais nos
últimos tempos, não acha?
A maioria das pessoas responde com um sorriso amarelo. Compreensível.
Aquela não é a hora nem o lugar para esse tipo de conversa. E, no mais,
já estou de saída. A dúvida, porém, permanece e se confunde com os
primeiros sintomas da ressaca: este não era o capitão que não levava
desaforo para casa? Não era o toscão do baixo clero incapaz de um
cálculo político minimamente elaborado? Não era o fascista irascível?
Não era o caudilho carioca que imporia sua vontade sobre os demais,
rasgando a Constituição? Não era a superameaça à democracia?
E ainda mais numa hora como essa, em que até a pecha de pedófilo
tentam pregar em Bolsonaro. Um momento em que as máscaras todas caíram, a
Revolução está no ar e o Judiciário age flagrantemente em favor de
Lula. Um cenário de censura, perseguição e instabilidade institucional
que fomentam a instabilidade emocional – e não só do presidente e
candidato à reeleição.
A mim, confesso, também me espanta a mudança de postura do Jair
Bolsonaro. Como são diferentes o homem daquele remoto dia 1º de janeiro
de 2019 e este de agora. Ou será que só vejo uma mudança drástica
porque, em algum momento, também me deixei contaminar pela narrativa de
que Bolsonaro representava mesmo uma ameaça? Seja como for, o homem de
agora deixou de ser apenas tolerável e é até admirável. Mesmo que essa
imagem de líder pacífico e democrático seja apenas parte do “esforço
eleitoral”, está de parabéns o homem capaz de conter sua agressividade.
De, apesar de todos os apelos, insistir no jogo “dentro das quatro
linhas”. Todos sabemos como isso é difícil.
Mas vamos às possíveis explicações para a calma que parece tomar
conta de um antes explosivo e impetuoso Jair Bolsonaro. E ainda mais às
vésperas da eleição mais dura e suja das últimas décadas!
Possíveis explicações Conversava eu com um amigo sobre essa
possibilidade de os últimos quatro anos terem amadurecido alguém
acostumado ao conflito. O amigo, porém, não acredita que cachorros
velhos aprendam truques novos. Eu acredito. Não que o cachorro velho vá
sair por aí andando sobre duas patas enquanto equilibra um ovo na ponta
do focinho. Isto é, não acredito que Bolsonaro vá se transformar num
lorde cheio de não-me-toques. Mas é possível, sim, que um cachorro velho
aprenda a conter sua fome diante de um bife. Isto é, que Bolsonaro
tenha aprendido que a mansidão é uma virtude tão importante quanto, sei
lá, o senso de justiça.
Outra possibilidade é a fé – assunto quase inalcançável num mundo
viciado em análises pretensamente objetivas e contaminadas pelo
materialismo. Afinal, como explicar a fé (e ainda por cima a fé alheia)
para quem desconhece essa dimensão da experiência humana? Pior: para
quem a confunde com superstição? Se você é desses, portanto, sugiro que
você contorne os dois parágrafos seguintes.
A fé tranquiliza na medida em que desperta em nós dois tipos de
esperança. Primeiro, a esperança de que a Verdade prevaleça sobre a
mentira. De que a Tradição se sobreponha à mentalidade revolucionária.
De que a Lei Natural, em toda a sua inteligência divina, vença os arcos
de experiência regulatória. O segundo tipo de esperança é o de que
nossos piores pesadelos não se realizem. De que o Brasil não vire uma
Venezuela. De que Deus tenha misericórdia dessa Nação – para usar uma
frase feliz dita por um infeliz.
Obviamente não posso afirmar que a tranquilidade que vejo em
Bolsonaro a poucos dias desta que é eleição mais suja desde 1989 tenha a
ver com a fé. Com essa estranha convicção que nasce do apego à Verdade.
Mas gosto de pensar que tem. Prefiro essa à explicação mundana (esta,
sim, supersticiosa) de que Bolsonaro é capaz de racionalíssimos cálculos
maquiavélicos ou tem uma bala de prata ou carta na manga.
Por fim (seja bem-vindo de volta ao texto, leitor que pulou os dois
parágrafos anteriores), tem a explicação jocosa de um remédio misterioso
que permite que Bolsonaro fique calmo e ao mesmo tempo tenha a
disposição e a agilidade mental necessárias para uma campanha. Será que é
homeopatia? Será que é tarja preta? E o mais importante: onde é que eu
compro esse remédio para aguentar a tensão até domingo? Se bem que é
melhor que o nome do remédio não venha a público. Senão é bem capaz de o
TSE, em parceria com a Anvisa, proibi-lo.
Relação entre poderes Pense em quem terá mais apoio se for eleito
Por Alexandre Garcia
As duas casas do Congresso terão mais parlamentares conservadores na próxima legislatura.| Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Vocês já pensaram sobre as consequências da eleição do dia 2 de
outubro e a relação entre o primeiro e o último domingo do mês? Vejam
só: na Câmara dos Deputados, 73% dos parlamentares eleitos este ano são
de direita. Em número de deputados, a direita e a centro-direita terão, a
partir do ano que vem, 374 representantes entre os 513 parlamentares.
Já a esquerda e a centro-esquerda terão 132. No Senado Federal, 67% dos
parlamentares serão de direita ou centro-direita. Entre 81 senadores, 54
serão da direita e 27 da esquerda.
Traduzindo: a chance de aprovar propostas de cunho direitista na
Câmara e no Senado é grande. No Senado, com 60% dos votos é possível até
mudar a Constituição, decidir julgar ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF), atender pedidos do presidente. Isso tem a ver com a
eleição do próximo dia 30. Para um dos candidatos, se eleito, vai ser
fácil aprovar projetos no Congresso Nacional; para o outro, vai ser
difícil. Isso é uma coisa que tem de ser considerada.
Empresas não precisam mais ceder vacinas ao SUS O Senado aprovou
uma medida provisória que retira das empresas que comprarem vacinas
contra a Covid-19 a obrigatoriedade de ceder parte dos lotes para o
Sistema Único de Saúde (SUS). Foi uma lei feita naqueles tempos de
maluquice, de desespero, de muito preconceito, mentira no ar,
propaganda, marketing político misturado com pandemia.
Trabalhadores que recusaram vacina terão de ser readmitidos nos EUA Ainda
na terça-feira, dia 25, em Nova York, a Suprema Corte daquele estado
decidiu que funcionários municipais que se recusaram a tomar a vacina
contra a Covid-19 terão de ser readmitidos e receber tudo o que a
prefeitura lhes deve desde aquela demissão. Segundo a corte, a injeção
não impede a transmissão do vírus, então foi desnecessária e inútil a
punição aos funcionários. Está começando a aparecer tudo aquilo que foi
dogma naquele período.
Autoconcessão de superpoderes no TSE Qualquer estudante de Direito
vai achar essa situação estranha. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
fez uma resolução atribuindo a si próprio mais poderes – o poder de
polícia, inclusive. Foi algo criticado pelo New York Times e pelo Wall
Street Journal, embora não tenha aparecido na maioria dos jornais do
Brasil. O procurador-geral da República, Augusto Aras, apontou vários
itens da Constituição que são desrespeitados por essa resolução e a
questão foi levada ao Supremo Tribunal Federal. E lá os três ministros
do STF que também são do TSE (Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e
Alexandre de Moraes) votaram a favor deles mesmos. Ou seja, eles fizeram
a resolução no TSE, depois foram para o Supremo e votaram a favor da
resolução. Jovens estudantes de Direito, já viram isso?
De Belém a Porto Alegre Lula ou Bolsonaro? Por Olavo Soares – Gazeta do Povo Brasília
O prefeito de Maceió, JHC, migrou do PSB para o PL para apoiar Bolsonaro| Foto: Alan Santos/PR
O
presidente Jair Bolsonaro (PL) tem mais apoio entre os prefeitos das
maiores cidades do Brasil do que seu adversário no segundo turno da
disputa pelo Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT). No total, oito dos 20 gestores dos municípios mais populosos
estão com Bolsonaro. Lula tem o voto de seis destes prefeitos.
O petista, no entanto, leva vantagem sobre o presidente se
consideradas as populações das cidades administradas pelos prefeitos que
apoiam publicamente um dos dois candidatos. Os municípios governados
por prefeitos que anunciaram voto em Lula têm, somados, cerca de 16
milhões de habitantes. Já as cidades cujos gestores expressaram apoio a
Bolsonaro reúnem aproximadamente 10 milhões de moradores.
Os prefeitos das maiores cidades que apoiam Bolsonaro são:
David Almeida (Avante), de Manaus; Sebastião Melo (MDB), de Porto Alegre; Guti (PSD), de Guarulhos (SP); Capitão Nelson (PL), de São Gonçalo (RJ); JHC (PL), de Maceió; Wilson Miguel (MDB), de Duque de Caxias (RJ); Adriane Lopes (Patriota), de Campo Grande; Alvaro Dias (PSDB), de Natal.
Já Lula dispõe do apoio dos prefeitos:
Eduardo Paes (PSD), do Rio de Janeiro; José Sarto (PDT), de Fortaleza; Fuad Noman (PSD), de Belo Horizonte; João Campos (PSB), de Recife; Edmilson Rodrigues (Psol), de Belém; Doutor Pessoa (Republicanos), de Teresina. A
Gazeta do Povo verificou manifestações públicas de apoio a Bolsonaro ou
Lula por parte dos prefeitos dos 20 municípios mais populosos do
Brasil, de acordo com as estimativas feitas pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) em 2020.
As declarações de voto foram emitidas pelos prefeitos por meio de
publicações em redes sociais, entrevistas à imprensa ou em eventos
públicos, como comícios de um dos candidatos à Presidência da República.
No caso dos prefeitos que não emitiram expressamente opinião sobre a
disputa eleitoral, a reportagem consultou as assessorias dos políticos.
Brasília é a terceira cidade mais populosa do Brasil. No entanto, por
ser o Distrito Federal, a localidade não é considerada um município e
não tem prefeito. A capital nacional é administrada por um governador. O
atual, Ibaneis Rocha (MDB), foi reeleito no primeiro turno. Ele é
apoiador de Bolsonaro.
São Paulo encabeça time dos indecisos O prefeito da maior cidade
do Brasil, São Paulo, não anunciou publicamente apoio a Lula ou
Bolsonaro. Ricardo Nunes (MDB), que atuou como cabo eleitoral de Simone
Tebet (MDB) no primeiro turno, não tem respondido à pergunta sobre em
quem votará no próximo domingo (30). “O MDB nacional liberou seus
filiados. Ainda não há essa decisão sobre a questão nacional. Estou
dialogando com os deputados. Irei me posicionar, mas vou seguir o
trâmite. Pode ser hoje ou daqui alguns dias”, disse à imprensa no último
dia 14.
Atos e declarações públicas de Nunes, no entanto, indicam que
Bolsonaro deve ser seu escolhido. O prefeito anunciou voto em Tarcísio
Gomes de Freitas (Republicanos), o candidato de Bolsonaro, no segundo
turno da disputa ao governo de São Paulo. E também declarou que não
apoia Lula “de jeito nenhum”.
Outros prefeitos também estão evitando uma declaração de voto na
disputa presidencial. É o caso de Bruno Reis (União Brasil), de
Salvador; Rafael Greca (PSD), de Curitiba; Rogério Cruz (Republicanos),
de Goiânia; e Eduardo Braide (sem partido), de São Luís.
No caso do prefeito de Salvador, um elemento que estimula a ausência
de posicionamento é a eleição estadual. Reis é aliado de ACM Neto (União
Brasil), que está no segundo turno contra Jerônimo Rodrigues (PT). Neto
declarou que se manterá neutro em relação à disputa entre Lula e
Bolsonaro. O candidato, que foi prefeito de Salvador, é adversário
histórico do PT. Mas leva em conta o fato de que Lula teve, na Bahia,
sua terceira maior votação proporcional em todo o Brasil.
A assessoria do prefeito de Campinas (SP), Dario Saadi (Republicanos), não retornou o contato da reportagem.
Zema e Garcia lideram marcha pró-Bolsonaro de prefeitos A
importância de prefeitos na corrida presidencial foi acentuada após atos
recentes promovidos pelos governadores de Minas Gerais, Romeu Zema
(Novo), e de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB).
Zema, que neste segundo turno atua como um dos principais cabos
eleitorais de Bolsonaro, tem dialogado frequentemente com prefeitos
mineiros para convencê-los a apoiar o presidente da República. O
governador usa como um de seus argumentos a gestão de seu antecessor,
Fernando Pimentel (PT). Segundo Zema, a administração do petista foi
marcada por crises econômicas que afetaram o trabalho dos prefeitos.
Já Garcia, que também passou a defender Bolsonaro no segundo turno,
reuniu prefeitos, na última quinta-feira (20), em um jantar com o
presidente no Palácio dos Bandeirantes, a sede do governo paulista. O
ato reuniu gestores de cidades de diferentes portes.
No primeiro turno das eleições presidenciais, Bolsonaro foi o mais votado em 11 dos 20 municípios mais populosos:
Rio de Janeiro Belo Horizonte Manaus Curitiba Goiânia Guarulhos Campinas São Gonçalo Maceió Duque de Caxias Campo Grande Já Lula venceu nas outras nove:
São Paulo Salvador Fortaleza Recife Belém Porto Alegre São Luís Natal Teresina
Desafios Novas tecnologias revolucionaram os canais de mídia e exigiram um novo posicionamento dos profissionais da área Por Danielle Blaskievicz – Gazeta do Povo
Hoje as marcas chegam ao consumidor por diversos canais e com mensagens específicas em cada um.| Foto: Pixabay
Acostumados
a encontrar todas as referências que precisam na internet, os
integrantes das novas gerações – também conhecidos por millenials ou
geração Y, geração Z, alfa e afins, de acordo com a data de nascimento –
podem ficar chocados ao se deparar com a antiga lista telefônica e
constatar a forma com que “os antigos” pesquisavam os contatos de outras
pessoas até meados da década de 1990. Se duvidar, é possível que até
mesmo uma boa parcela daqueles que chegaram a encarar as enciclopédias,
jornais impressos e telegramas tenham dificuldades de recordar como era a
vida e a busca por informações antes da internet, Google, recursos de
Inteligência Artificial e similares.
As novas tecnologias promoveram mudanças profundas na sociedade
mundial e, principalmente, na forma de comunicação entre as pessoas. O
impacto no meio empresarial foi ainda maior. A transformação digital
impulsionou a convergência das mídias, dando início à comunicação
digital.
Google substituiu a antiga lista telefônica na hora de buscar produtos e serviços. | Pixabay Conheça o curso de especialização digital em Comunicação Digital, Branding e Storytelling da PUCPR
Hoje, com as redes sociais, cada empresa, instituição, serviço ou
cidadão pode ter e ser seu próprio canal de comunicação. Tanto que no
levantamento Empregos em alta em 2022 do LinkedIn, das 25 carreiras em
destaque, estão funções como “gestor de tráfego”, “pesquisador em
experiência do usuário”; “analista de design”; “consultor de design de
produto” e “designer de conteúdo”, áreas que exigem competências em
marketing digital, publicidade, design, gestão de tráfego, Google Ads,
experiência do usuário (UX), design thinking e outras habilidades
convergentes ou ligadas à tecnologia e à comunicação.
Prova disso é que uma rápida busca na própria plataforma de vagas do
LinkedIn – principal rede social para realizar network e fazer a conexão
de empresas e profissionais –, em agosto de 2022, com o termo
“marketing digital”, aparecem cerca de 3,5 vagas disponíveis no Brasil
apenas com essa descrição. Se quiser explorar outros termos do segmento,
como “copywriting”, por exemplo, são outras 1,8 mil vagas.
Assim como o Google substituiu a lista telefônica na hora de
localizar um produto ou serviço, a forma dos anúncios chegarem até seu
público-alvo também mudou. Não basta mais investir em alguns centímetros
de página de revista e achar que será suficiente para atrair clientes
novos por ali.
O jornalista e consultor da UNESCO Clóvis de Barros Filho é um dos
professores do curso de especialização digital em Comunicação Digital,
Branding e Storytelling da PUCPR. | | CHICO MAX O objetivo hoje é
conquistar leads e transformá-los em clientes potenciais. Ou seja,
segundo a linguagem do marketing digital, é criar uma estratégia para
gerar oportunidades de negócios – o que se dá a partir de uma sólida
base de dados, que, inclusive, deve estar adequada à Lei Geral de
Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
Em resumo: na comunicação digital, existe todo um planejamento, uma
estratégia e uma motivação para uma empresa ou produto estar em um tipo
de rede social e não estar em outra. Ou estar em ambas, porém com
conteúdos distintos para cada uma, com linguagens apropriadas.
Quer ampliar seus conhecimentos em comunicação e marketing digital?
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informações sobre o curso de Comunicação Digital, Branding e
Storytelling da Pós Digital da PUCPR
Na prática, a comunicação digital exige muito mais do que a mera
experimentação. Exige técnica, conhecimento, estratégia e muito
planejamento.
A pesquisa Global Marketing Trends 2022”, realizada pela Deloitte,
reuniu dados e insights que apontam a evolução da visão dos consumidores
sobre as marcas e como as empresas estão repensando suas abordagens
para chegar até o consumidor, no Brasil e no mundo. As conclusões do
estudo que indicam as tendências para este ano mostram, entre outras
coisas, que 75% das empresas brasileiras pretendem investir mais na
experiência em conjunto do físico com o digital.
Pesquisa mostra que os investimentos em comunicação devem ser divididos entre os canais físicos e digitais. | Pixabay A
expectativa dos consumidores com relação às marcas já era grande, mas
aumentaram ainda mais com os novos hábitos adquiridos durante a pandemia
da Covid-19 e com o digital cada vez mais presente no cotidiano. Nas
empresas, isso refletiu em investir mais para melhorar a produtividade e
eficiência (39%), o engajamento com os clientes (33%) e acelerar a
mudança para plataformas digitais/tecnológicas (29%).
Para as empresas, a comunicação digital se tornou uma poderosa
ferramenta para alavancar os negócios e consolidar as marcas no mercado.
De acordo com a empresa de pesquisa de mercado eMarketer, somente na
América Latina os investimentos em mídia digital cresceram em US$ 9,33
bilhões.
Outro dado relevante da eMarketer é que, pela primeira vez, os
investimentos em publicidade no Brasil devem superar a marca dos US$ 15
bilhões, dos quais mais da metade (59%) serão direcionados às campanhas
digitais. Além disso, de cada US$ 5 dólares investidos em publicidade na
América Latina, US$ 3 devem ser destinados às mídias digitais.
E diante desses valores e estatísticas, é fundamental escolher quem
está mais preparado para gerenciar os investimentos e o plano de ação da
comunicação digital de um negócio, uma vez que cada centavo aplicado
corretamente pode se transformar em novos negócios. Já o dinheiro mal
aplicado, é prejuízo na certa.
Gil Giardelli é um Professor Global, Escritor, Roboticista e AÍ Eticista
No livro “Pensando o Impensável”, o tecno-otimista, especialista em
inovação e cultura digital, aponta a razão de ser da tecnologia na
construção de um mundo mais justo e igualitário
Passou o tempo em que a economia dependia unicamente da produção e
comercialização de objetos, commodities e infraestrutura. Hoje, vive-se o
limiar de uma economia circular, digital, de baixa emissão de carbono e
pós-industrial. Um período em que a educação de alto impacto e o poder
intelectual são tão importantes quanto os portos já foram um dia. Em
breve, para calcular o PIB, o acúmulo de capital será somado à base
estabelecida de intelectos e à difusão da inteligência artificial de
determinado país.
As transformações na cultura mundial impulsionadas pela tecnologia
são analisadas por Gil Giardelli em Pensando o Impensável, publicado
pela Citadel Editora. Com experiência de quase vinte anos em inovação
radical e cultura digital, o professor global, escritor e roboticista
aborda não apenas as tendências futuristas – para daqui a dez, vinte ou
cinquenta anos -, mas evidencia as inovações já em curso, que muitos
ainda não se deram conta.
Segundo ele, expressões antes sussurradas pelos corredores das
empresas são agora conversadas em alto e bom som: machine learning,
inovação disruptiva, era cognitiva, era dos makers, hackathon,
cocriação, computação quântica e várias outras tendências exponenciais.
Estas novas palavras trazem consigo conceitos inéditos como manufatura
molecular, humanoides, bitcoin, crowded orbits e uma série de outros
ainda sem tradução para o português, que potencializam as novas formas
de ver e agir na sociedade.
Os mecanismos de holograma, realidade estendida, telepresença,
realidade aumentada e até realidade virtual promovem um novo tipo de
trabalho, o fisital, em que a presença física e a virtual não têm mais
separação. Muitos puderam experimentar um pouco disso durante a pandemia
da covid-19, mas foi só o comecinho do que vem por aí. Mudanças de
vínculo de trabalho, Gig Economy e Revolução P2P são sinais dessa nova
maneira de operar.
Pensando o Impensável, p. 20
Giardelli inclusive aprofunda, em um dos dez capítulos, a pandemia
como acelerador de tendências. Cita, entre outros, o exemplo de uma
tecnologia desenvolvida na China para detectar a distância aceitável
entre as pessoas em ambientes de trabalho. Pioneiro na promoção de
cursos sobre inovação no Brasil, o autor também situa a realidade do
país, que carece de políticas para potencializar o potencial criativo da
população.
Ao refletir sobre os avanços tecnológicos, Pensando o Impensável
lança um olhar importante sobre o modelo de sociedade e enaltece o
aspecto humano dessa revolução. Tecno-otimista autodeclarado, Gil
Giardelli resgata a razão de ser da tecnologia: ampliar as capacidades
humanas para minimizar as desigualdades e, a partir das inovações, criar
condições para a construção de um mundo mais igualitário.
Sobre o autor: Gil Giardelli é um Professor Global, Escritor,
Roboticista e AÍ Eticista. Apresenta o programa “O Imponderável” todo
sábado às 23h30 na Record News. Estudioso da inovação radical e da
cultura digital com mais de 22 anos de experiência, é um difusor de
conceitos e atividades ligados à sociedade em rede, colaboração humana,
economia criativa, inovação, AI Economy, Liderança e criatividade do
século XXI, transformação digital, Quarta revolução Industrial,
Sociedade 5.0, H2H ESG Data, Empreendedorismo, Web 3.0, Metaverso, 5G/6G
NFT e Blockchain entre outras qualificações. Por onde passa,
compartilha estudos de alto impacto e ideias inovadoras para inspirar os
Três Ss de estudos do futuro (Science, Society and Spirituality)
através de suas palestras, aulas e conteúdo compartilhado nas mídias
sociais. Na ESPM criou cursos pioneiros no Brasil como; – “Sociedade
5.0, AI Economy e os Tempos Pos-Normais” – Futuro Inteligente, Além da
Inovação – China – Data driven Revolution. Criou o MBA da Gestão da
Mudança e a Transformação Digital para o CNI (Conselho Nacional da
Indústria) para colaborar com a Indústria na sua transformação no século
XXI. Faz a curadoria e o projeto educacional para levar executivos para
imersão em universidades de Higher Education ao redor do mundo, como
Stanford University, Imperial College London e MIT. Hoje, colabora com o
Fundação Dom Cabral, PUC/RS, Einstein Ensino e nos últimos anos
lecionou nos MBAs da ESPM, FIA-LABFIN/PROVAR e da INEPAD-USP e como
professor convidado em diversas universidades internacionais. Durante
cinco anos foi Colunista na BandNewsFM. Hoje é membro do WFSF (Federação
Mundial de Estudos do Futuro) em Paris e da World Future Society em
Chicago.
NOSSA MARCA. NOSSO ESTILO!
COMPARTILHAMOS CONHECIMENTO PARA EXECUTARMOS COM SUCESSO
NOSSA ESTRATÉGIA PARA REVOLUCIONAR O MODO DE FAZER PROPAGANDA DAS
EMPRESAS DO VALE DO AÇO.
O desejo de mudar, de transformar, de acreditar, são
fundamentais para irmos além. São agentes propulsores da realização de
sonhos. Já o empreendedorismo está presente no DNA dos brasileiros e
nossa história trouxa essa capacidade que temos de nos reinventar e de
nos conectarmos com você internauta e empresários que são a nossa razão
de existir.
E todos esses elementos combinados e levados ao território da internet, torna o que era bom ainda melhor. Na internet e através
do Site da Valeon, podemos proporcionar o início do “virar de chaves”
das empresas da região para incrementar as suas vendas.
Assim, com inovação e resiliência, fomos em busca das
mudanças necessárias, testamos, erramos, adquirimos conhecimento,
desenhamos estratégias que deram certo para atingirmos o sucesso, mas
nada disso valeria se não pudéssemos compartilhar com vocês essa
fórmula.
Portanto, cá estamos! Na Plataforma Comercial Marketplace da
VALEON para suprir as demandas da região no que tange à divulgação dos
produtos e serviços de suas empresas com uma proposta diferenciada dos
nossos serviços para a conquista cada vez maior de mais clientes e
público.
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos compublicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para asmarcas
exporem seus produtos e receberem acessos. Justamente por reunir uma
vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon
atrai uma grande diversidade evolume de público. Isso
proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores
que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por
meio dessa vitrine virtual.
O Site desenvolvido pela Startup Valeon, focou nas necessidades do
mercado e na falta de um Marketplace para resolver alguns problemas
desse mercado e em especial viemos para ser mais um complemento na
divulgação de suas Empresas e durante esses três anos de nosso
funcionamento procuramos preencher as lacunas do mercado com tecnologia,
inovação com soluções tecnológicas que facilitam a rotina das empresas.
Temos a missão de surpreender constantemente, antecipar tendências,
inovar. Precisamos estar em constante evolução para nos manter alinhados
com os desejos do consumidor. Por isso, pensamos em como fazer a
diferença buscando estar sempre um passo à frente.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode moldar
ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é colocar o
consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn possibilita
que você empresário consiga oferecer, especificamente para o seu
consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Colocamos todo esse potencial criativo para a decisão dos senhores donos das empresas e os consumidores.
Em momento de escalada do conflito, duas cúpulas em Berlim
visam estimular a reconstrução da Ucrânia após a guerra. Alemanha propôs
um “Plano Marshall” para Kiev, mas não está claro como essa conta será
paga.
Granadas e drones russos também alvejaram cidades ucranianas pela primeira vez em meses, incluindo a capital, Kiev, em retaliação a recentes retomadas de território pela Ucrânia.
Num momento de escalada do conflito, a Alemanha tem marcadas nesta
última semana de outubro duas cúpulas em Berlim, com o objetivo de
ajudar a Ucrânia a reconstruir rapidamente infraestruturas críticas e de
garantir a recuperação do país após a guerra.
O primeiro evento, nesta segunda-feira (24/10), é um fórum econômico
teuto-ucraniano; o segundo, programado para a terça-feira, é a
Conferência para a Recuperação da Ucrânia, organizada pela Comissão
Europeia e pelo governo alemão no âmbito de seu papel como ocupante da presidência rotativa do G7, o grupo dos sete países mais industrializados do mundo.
Berlim insistiu que tratar-se de uma reunião de especialistas, não de
uma conferência de doadores. Representantes do G7 e do G20 são
esperados, ao lado de organizações internacionais e líderes da sociedade
civil e da economia mundial.
Conta da guerra aumenta a cada dia
Enquanto isso, o colossal custo de apoiar a Ucrânia contra as forças
militares russas se multiplica a cada dia. Pelo menos um terço dos
empréstimos e financiamentos prometidos pelo resto do mundo estão sendo
destinados a conter um déficit mensal de 4 bilhões de euros (cerca de R$
21 bilhões) no orçamento do governo da Ucrânia.
A União Europeia, juntamente com os Estados Unidos e outros países,
incluindo o Reino Unido e o Canadá, já comprometeram 93 bilhões de euros
em armamentos, empréstimos e ajuda humanitária ao governo de Kiev entre
fevereiro e o início de outubro, de acordo com um levantamento feito
pelo Instituto de Economia Mundial (IfW) sediado em Kiel, no norte da
Alemanha.
Com uma contração estimada de 30% a 35% no Produto Interno Bruto
(PIB) apenas em 2022, a Ucrânia já está lutando para pagar pela guerra –
sem falar do pagamento de dívidas ou da reconstrução do país.
Um novo plano Marshall?
Com a piora das finanças de Kiev, o chanceler federal alemão, Olaf
Scholz, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen,
propuseram um plano Marshall para
a Ucrânia.O nome é uma alusão ao programa multibilionário criado por
Washington após a Segunda Guerra Mundial para ajudar a reconstruir a
Europa.
Em artigo conjunto publicado pelo diário Frankfurter Allgemeine Zeitung nesta
segunda-feira, os dois alemães afirmaram que um “esforço geracional”
para reconstruir a Ucrânia precisa começar imediatamente.
“Precisamos começar já a reconstruir edifícios residenciais, escolas,
estradas e pontes destruídos, a infraestrutura e o fornecimento de
energia – tudo isso para que a Ucrânia possa voltar a se pôr de pé
rapidamente. A forma da reconstrução vai determinar que país a Ucrânia
será no futuro. Um Estado constitucional com instituições fortes? Uma
economia ágil e moderna? Uma democracia vibrante que pertence à
Europa?”, indagaram os dois líderes europeus.
Em podcast de vídeo no último sábado, Scholz disse que a comunidade
internacional precisaria assumir um enorme compromisso para a
reconstrução da Ucrânia, a fim de “fazê-la funcionar bem”, e que os
países precisariam prometer ajuda financeira “por muitos e muitos anos”
ou até por “décadas”.
Danos russos estimados em US$ 750 bilhões
Também ao FAZ, o primeiro-ministro ucraniano, Denys Schmyhal, comentou no domingo que os danos causados pela invasão russa já atingiram “mais de 750 bilhões de dólares“.
Em agosto, o Banco Mundial, a Comissão Europeia e o governo ucraniano
calcularam em mais de 252 bilhões de dólares as perdas acumuladas no
país até 1º de junho, com custo estimado de reconstrução no patamar de
348,5 milhões de dólares.
Mas isso foi antes de a Rússia promover uma escalada do conflito ao
alvejar usinas energéticas e cidades ucranianas. Em editorial publicado
no jornal americano The Washington Post no fim de semana, a estimativa é que a conta da guerra poderia atingir até 1 trilhão de dólares.
Schmyhal pediu a liberação de 300 bilhões a 500 bilhões de dólares em bens russos congelados por sanções de países ocidentais contra Moscou em
retaliação ao início da guerra, argumentando que o dinheiro poderia ser
usado para a reconstrução da Ucrânia. “Deveríamos desenvolver um
mecanismo para apreender bens russos”, instou.
Problemas financeiros dos doadores
Os próprios países doadores estão considerando a perspectiva de enormes comprometimentos financeiros com Kiev, enquanto muitos lidam com os próprios altos níveis de dívidas, aumento da inflação e desaceleração do crescimento econômico.
Ao mesmo tempo, eles deverão pedir garantias robustas a Kiev de que o
dinheiro será usado para os objetivos determinados. Afinal, a
Transparência Internacional listou a Ucrânia como o terceiro país mais
corrupto da Europa, atrás da Rússia e do Azerbaijão.
O editorial do Washington Post detalhou como centenas de
milhões de dólares em ajuda internacional foram desviados por oligarcas
ucranianos nos últimos anos, acusando o governo de conivência ao
permitir-lhes usarem empresas estatais como “caixas automáticos”.
UE precisa combater déficit de doações
As ressalvas quanto à corrupção podem explicar em parte a hesitação
da UE – comparada aos EUA – em se comprometer e distribuir
financiamentos para o governo em Kiev, até agora, segundo informações
divulgadas pela ferramenta de rastreamento de apoio à Ucrânia elaborada
pelo IfW de Kiel.
“Os EUA estão alocando quase o dobro da soma total de todos os países
e instituições da UE”, relata Christoph Trebesch, líder do grupo que
compila as informações para o levantamento.
“É uma contribuição parca por parte dos países maiores da UE,
especialmente porque muitas de suas verbas estão chegando à Ucrânia com
grande atraso. O baixo volume de novas ajudas em meados do ano parece
estar continuando agora sistematicamente.”
O eurodeputado belga Guy Verhofstadt criticou no Twitter a reação da
UE , dizendo que “a Europa demora a se comprometer, e mais ainda para
liberar a ajuda”, tachando as políticas do bloco de “amadorismo político
e loucura geopolítica”.
Provavelmente os líderes europeus estarão dispostos a aprender com os
erros anteriores nos esforços de reconstrução pós-guerra, incluindo os
do Afeganistão, Iraque e Bósnia. E deverão insistir que a Ucrânia mostre
planos concretos de reforma do Estado de direito e do Judiciário,
necessárias para acabar com a corrupção – antes de os doadores
concederem bilhões de euros para a reconstrução do país.