Pesquisa da Quaest para o RenovaBR mostra que familiares são a maior
influência na hora de escolher o voto e que eleitores levam mais em
conta o preparo do que repasse de recursos para sua região
A maioria dos Brasileiros está insatisfeita com o trabalho dos
deputados e senadores, defende uma alta renovação no Congresso, mas não
se lembra em quais parlamentares votou. Também só deve decidir seus
candidatos na véspera do pleito. Os dados são da mais recente pesquisa
da Quaest, realizada em junho deste ano, sobre a avaliação do
Legislativo brasileiro e as eleições para o Congresso. O levantamento
revela ainda que a honestidade e o preparo dos candidatos a deputado
federal têm mais peso na escolha do que o envio de recursos para a
região onde os eleitores vivem. A pesquisa foi encomendada pela escola
de formação política, RenovaBR e será apresentada durante a formatura da
turma de 2021-2022 nesta quinta-feira, 14, em Brasília.
Ao todo, 66% dos entrevistados desaprovam o trabalho dos deputados,
63% desaprovam o trabalho dos senadores e 86% dos brasileiros consideram
que seria bom que o Congresso tivesse uma alta renovação neste ano. Os
dados chamam atenção pois, na eleição de 2018, a Câmara dos Deputados
teve a maior renovação desde a redemocratização, de 47,37% das cadeiras,
com um total de 243 deputados que assumiram o primeiro mandato na casa a
partir de 2019.
Por outro lado, o levantamento também mostrou que 66% dos brasileiros
não se lembram em quem votou para deputado federal em 2018 e 85% ainda
não sabem em quem vão votar para deputado. Questionados sobre as
características que consideram ideais para escolher um deputado federal,
47% dos eleitores preferem candidatos honestos e que cumprem as
promessas. Enquanto 36% dizem que uma pessoa preparada e que conheça
sobre políticas públicas é uma das principais características
procuradas. Ainda nesse tema, apenas 10% dizem que trazer recurso para
sua região é um atributo relevante para a escolha. Quando o assunto é
experiência, apenas 2% dos entrevistados indica essa característica como
prioritária na hora da escolha de um Deputado Federal.
“O papel do RenovaBR é selecionar os brasileiros que tem vocação para
servir a população, mas a decisão será sempre do eleitor. Cabe a nós
colocar opções cada vez mais qualificadas e comprometidas com a
democracia. O desejo de renovação e de ter políticos mais preparados é
uma vontade sim do eleitor brasileiro e é por isso que existe o
RenovaBR”, avalia Eduardo Mufarej.
Questionados quando devem decidir em quem votar para a Câmara, 47%
dizem que escolhem seus candidatos pelo menos um mês antes da eleição,
enquanto 12% respondem que escolhem com 15 dias de antecedência e 36%
deixam a escolha para a última semana antes da disputa ou mais tarde.
E é justamente no grupo dos 86% que consideram bom uma alta renovação
do Congresso que a indecisão é maior. Apenas 6% das pessoas neste
segmento afirmam saber em quem votar, enquanto 87% dos brasileiros que
defendem uma alta renovação ainda não sabem quem escolher para a Câmara
dos Deputados. Neste extrato da pesquisa, 7% afirmaram que devem votar
em branco ou nulo, ou mesmo não devem votar.
“Uma pesquisa é a materialização estatística de conhecimento com
dados e evidências. E é dessa forma que o RenovaBR acredita que a
política deve ser desenvolvida: com dados e vidências para a tomada de
decisão daqueles que representam milhões de brasileiros. E esses dados
nos mostram que as pessoas continuam insatisfeitas com o Congresso
Nacional e que ainda há um grande caminho para a classe política ser
mais
Democracia. O levantamento mostrou ainda que 71% da população
brasileira consideram as eleições como o melhor meio para expressar
opiniões políticas, apesar de a mesma percentagem dos entrevistados
admitir estar insatisfeito com a democracia e 68% dos entrevistados
considerarem que a democracia atual é instável.
Família e TV. A pesquisa também sondou quais fatores podem
influenciar o voto e constatou que quatro anos após a eleição de 2018,
na qual vários políticos conseguiram ser eleitos pela primeira vez
graças ao uso das redes sociais na campanha, os familiares ainda são os
principais a influenciar na hora de decidir voto para deputado.
49% dos brasileiros admitiram que levam em consideração a opinião de
familiares e parentes para decidir em quem votar para deputado, sendo
que 22% consideram muito a opinião dos parentes e 27% afirmaram
considerar pouco a opinião dos familiares.
De acordo com o estudo, o percentual dos que consideram muito a
opinião da família é o dobro dos que consideram muito a opinião de
pastores e líderes religiosos, 11% da população. Os números ainda são
bem superiores quando comparados com os que dizem considerar muito as
opiniões de celebridades de TV e dos influenciadores nas redes sociais
para definir seu voto para deputado: apenas 4% da população.
A pesquisa ainda perguntou aos entrevistados sobre como eles buscam
se informar sobre política e revelou que a TV ainda é a principal fonte
utilizada pelos brasileiros: 46% disseram se informar sobre política por
este meio. Em seguida aparecem as redes sociais, com 21%, seguida pelos
sites e blogs de notícias, com 12%; amigos familiares e conhecidos, com
9%. Depois dos familiares, 3% disseram se informar por Whatsapp, 3% por
jornais impressos e 3% por rádio.
Levando em conta a renda, os brasileiros que ganham acima de cinco
salários mínimos são os que proporcionalmente mais utilizam as redes
sociais (25%) e os sites de blogs de notícias (21) para se informar
sobre política. Já entre os brasileiros com até dois salários mínimos,
18% se informam pelas redes sociais e apenas 7% por meio de blogs e
sites de notícias. Esta parcela da população, por sua vez, é que
proporcionalmente mais se informa sobre política pela TV: 52%. Na
parcela mais rica da população, o uso de TV para se informar é citado
por 37% dos entrevistado.
O estudo. A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 12 de junho de
2022, e ouviu 1.544 pessoas de 115 municípios por meio de entrevistas
presenciais. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais e o intervalo
de confiança é de 95%.
RenovaBR. O RenovaBR é uma escola de formação política mantida por
cidadãos comuns que acreditam em uma democracia mais saudável,
participativa e representativa. Atuar de forma independente em meio aos
inúmeros atores, agendas e demandas da política é condição essencial ao
nosso trabalho. Assim recebemos contribuições dos mais diversos setores e
qualificamos futuras lideranças independentemente de suas origens,
crenças e posicionamentos.
Conclusões:
1. Alta insatisfação
2. População desaprova os atuais mandatários
3. As pessoas percebem que os políticos não entregam o que deveriam
4. Estão longe de ser honestos, preparados e tudo isso provoca a
possibilidade de ter uma renovação política. O resultado que se espera é
uma nova classe política
Anna Arraes, especialista em direito previdenciário
O planejamento previdenciário é muito importante para preparar a
aposentadoria com segurança, pois é muito comum as pessoas terem dúvidas
sobre os tipos de aposentadoria, valores e tempo de contribuição, por
exemplo.
Especialista esclarece as principais dúvidas sobre o benefício
O planejamento previdenciário é muito importante para preparar a
aposentadoria com segurança, pois é muito comum as pessoas terem dúvidas
sobre os tipos de aposentadoria, valores e tempo de contribuição, por
exemplo.
Anna Arraes, especialista em direito previdenciário, esclarece as
principais dúvidas sobre o benefício para identificar os seus próximos
passos:
Quais são os tipos de aposentadoria?
Aposentadoria rural e urbana, por pontos, especial, por idade e por
tempo de contribuição que foi extinta com a reforma, mas caso você tenha
completado os 35/30 anos de contribuição até o dia 12/11/2019, você
entrará em alguma das Regras de Transição.
Como contribuir para o INSS?
Se você trabalha com carteira assinada, a empresa é obrigada a
realizar as contribuições para o INSS. Caso não trabalhe registrado,
como por exemplo autônomos e donas de casa, você poderá pagar a guia do
INSS ou através de uma MEI ou empresa aberta em seu nome.
Quanto tempo leva para o INSS aprovar a aposentadoria?
Se sua aposentadoria estiver bem redondinha, completa e sem nenhum
erro, sua aposentadoria provavelmente será aprovada direto no
administrativo, ou seja, direto pelo INSS e neste caso, será um processo
muito mais rápido. Caso seja negado, é possível entrar com um processo
judicial para pedir a aprovação de seu benefício e, como todo processo
judicial, é um pouco mais demorado, mas você receberá todos os valores
que já deveria estar recebendo a partir da data que deu entrada
administrativamente de sua aposentadoria.
Preciso de advogado para pedir a minha aposentadoria?
Não é obrigatório. O advogado será útil para facilitar e agilizar o
processo e principalmente, para ajustar divergências e erros que possam
aparecer em seu cadastro no INSS.
Quem tem direito a aposentadoria por invalidez?
– Ser segurado do INSS
– Carência de 12 meses, com exceção de acidentes de qualquer natureza e doenças de trabalho.
– Comprovar através de perícia doença que impossibilita permanentemente de exercer funções no trabalho.
Como calcular o valor da aposentadoria?
A aposentadoria é calculada em cima da média de todos os salários de
contribuição que o trabalhador teve durante toda sua vida, sem exclusão
dos menores valores que era feito antes da reforma.
Posso aumentar o valor da contribuição mensal?
Pode. Existe um limite te contribuição, o recolhimento e
complementação não podem ser feitos sobre um valor acima do
salário-mínimo. Lembrando que o valor da aposentadoria é feito da média
de toda a vida de contribuição do trabalhador, então é preciso analisar
se o tempo que irá pagar um valor mais alto realmente irá fazer
diferença no valor final.
Quais outros benefícios da Previdência Social existem?
Salário-maternidade, aposentadoria, aposentadoria por invalidez,
auxílio-doença, auxílio-acidente, pensão por morte, auxílio reclusão e
loas/bpc.
Quais benefícios previdenciários são destinados aos dependentes?
Caso o beneficiário faleça, os dependentes poderão ter direito a
pensão por morte. Além disso, a pensão por morte pode ser transferida em
alguns casos quando quem o recebia falecer.
Existe também o auxílio reclusão para quem teve um familiar preso e é seu dependente.
Inovação tecnológica e empreendedorismo é o casamento perfeito para o
surgimento de novas soluções para o atual cenário econômico do mundo
A é verdade que, quanto mais soluções o mercado encontra para
problemas comuns, ainda mais soluções são necessárias. Basta
reconhecermos que não é possível esgotar as possibilidades de otimização
dos contextos econômicos.
Todos os dias surgem novas startups com propostas revolucionárias.
Desse modo, na medida em que suas soluções são absorvidas pela
sociedade, novos paradigmas são configurados, trazendo problemas únicos.
Isso, no entanto, de forma nenhuma significa uma coisa ruim,
trata-se, na realidade, de um mar de oportunidades que cada vez mais
agrega novos empreendedores no sistema, estimulando o desenvolvimento da
economia e a qualidade de vida das pessoas.
O que inovação tem a ver com empreendedorismo?
Tudo. A bem da verdade, esses termos são sinônimos, dependendo do
ponto de vista. Afinal, o que faz um empreendedor senão propor soluções
para o mercado a fim de obter lucro? O que é a inovação senão a proposta
de uma solução?
Considerando, então, o ambiente competitivo como é, podemos dizer que
a inovação vai além do efeito das ações empreendedoras. Inovar é também
fundamental para garantir o posicionamento de uma empresa diante de
seus consumidores.
Isso é verdade porque o princípio estrutural da sociedade de mercado
leva as empresas ao desafio de terem constantemente que refinar suas
ofertas. O risco de negligenciar esse fato é perder mercado para quem
naturalmente tentará agregar mais valor.
Portanto, ainda que os conceitos de inovação, inovação tecnológica e
empreendedorismo sejam relativamente diferentes, não podemos negar que
são, com certeza, interdependentes.
Sendo assim, o empreendedor que estiver comprometido com o sucesso
estará, consequentemente, comprometido com a inovação. Na era digital,
portanto, a inovação tecnológica é simplesmente inevitável.
Mas como gerar ideias rentáveis?
Nesse caso, a mais importante recomendação para um empreendedor que
queira aproveitar oportunidades de negócio na era digital é estar
atento. A seguir, confira alguns pontos de observação que podem ser
fontes de grandes e lucrativas ideias.
Estude as soluções do mercado
Não existe um não-consumidor. Quem quer que participe dessa sociedade
de mercado é, por excelência, um consumidor. Obviamente, isso se aplica
também aos empreendedores, o que nesse caso é uma grande oportunidade
de aprendizagem.
Se você quer descobrir ideias rentáveis para o seu negócio, pode
começar investigando as soluções que você mesmo já consome. A partir
daí, é possível ter uma perspectiva acurada sobre o que há disponível e
como entrar em cena.
Soluções pouco eficientes
Como consumidor, você é também o juiz do mercado. Na busca por
resolver seus próprios problemas, certamente você já se deparou com o
desconforto da insatisfação enquanto cliente. Para um empreendedor, a
insatisfação com uma oferta é uma oportunidade real.
Assim, julgar uma solução como pouco eficiente é sinal de que você
tem competência para imaginar algo melhor. Essa é uma chance de
participar do mercado, satisfazer uma demanda e lucrar ao passo que
resolve problemas.
Soluções complementares
Analisando o que há disponível, você também pode identificar faltas,
falhas ou gargalos — uma empresa que poderia entregar mais depressa seu
serviço, mas não tem parceiros. Uma agência de marketing que tem
dificuldade para selecionar freelancers. Uma distribuidora cuja
logística poderia ser otimizada por meio de automações.
Seu próprio conhecimento é o limite das suas observações. Tudo o que é
necessário a fazer é estudar as soluções do mercado e avaliar meios de
otimizá-las. Esse brainstorm pode ser um grande gerador de ideias
lucrativas e até mesmo revolucionárias.
Tenha um time de pesquisa
Grandes empresas como a Apple, Microsoft, Samsung, investem enormes
quantias de dinheiro em pesquisa e desenvolvimento — o famoso P&D.
Isso não é à toa, claro que não. Elas sabem que grande parte de seu
sucesso no mercado global se deve à sua capacidade de inovar. Mas a
inovação, por mais fundamental que seja para as empresas, não é mero
efeito da competição.
Pensar soluções demanda tempo e energia, coisa que um empreendedor
sozinho estará limitado ao fazer, em face de outras obrigações
absolutamente relevantes para o seu negócio.
Sendo assim, ao iniciar a sua startup, é perfeitamente válido que seu
time de pesquisa e desenvolvimento seja apenas você e talvez um sócio.
Contudo, à medida que a empresa ganha maturidade, investir em uma equipe
especialmente para essa função é essencial.
Com um time de pesquisa, você garante que inovação tecnológica e
empreendedorismo não sejam mero ideal corporativo, mas uma cultura.
Dessa forma, você pode manter em pleno funcionamento todos processos
da empresa ao mesmo tempo em que assegura a contínua atividade de
refinar suas ofertas e se destacar no setor.
Conheça muito bem seu cliente
Dissemos que o consumidor é o juiz do mercado, mas como avaliar seu
veredito? Quais são os recursos disponíveis para conhecer mais
intimamente o cliente e, a partir disso, descobrir como satisfazê-lo
melhor?
Há inúmeras formas de estar mais próximo dos seus consumidores. Aproveitar essas oportunidades é sinônimo de providência.
Afinal, um empreendedor que conhece bem o seu cliente não apenas
encontra os melhores meios de satisfazê-lo, como também tem
oportunidades de descobrir outros problemas e propor novas soluções.
Consuma o próprio produto/serviço
Uma das melhores maneiras de ter uma perspectiva clara do seu
consumidor é sendo, o próprio empreendedor, seu cliente mais exigente.
Esse é um excelente meio de experimentar, de fato, o que seu cliente
experimenta, e assim ter ideias de como melhorar sua oferta e
atendimento.
A experiência fica ainda mais rica se, ocultando sua identidade para
seus funcionários, o empreendedor cumprir efetivamente o papel de um
consumidor real ao fazer uma reclamação ou pedir assistência.
Desse modo, o empreendedor pode saber exatamente como se sente um
cliente no contato com sua empresa, qual é o nível de eficiência e
qualidade dos processos e como os funcionários cumprem seus papéis no
trato direto com o consumidor.
Facilite a comunicação por meio de multicanais
Outra forma de estar perto do seu cliente é permitindo que ele tenha
fácil acesso à empresa. Assim, além do já bem conhecido Serviço de
Atendimento ao Consumidor (SAC), você pode também disponibilizar
sistemas livres de interação.
Dessa forma, seus consumidores poderão tanto entrar em contato com a
empresa sempre que precisarem quanto ter a oportunidade de compartilhar a
impressão de sua experiência. Confira algumas alternativas para manter
proximidade com seus consumidores:
telefone;
redes sociais;
email;
apps de mensagem instantânea (Whatsapp, Telegram etc.);
app exclusivo;
blog.
Lembre-se de que a tecnologia é uma ferramenta, não um objetivo.
Portanto, garanta que seu cliente esteja em primeiro lugar. A partir
desse princípio, unir inovação tecnológica e empreendedorismo será
consequência de um modelo de negócio inteligente e eficaz.
Por que você está ignorando a ferramenta de vendas mais poderosa do mundo?
Guilherme Dias – Diretor de Comunicação e Marketing da Associação Comercial, Empresarial e Industrial de Ponta Grossa (ACIPG)
Eu vejo todos os dias o anunciante separando seus R$ 10.000,00 pra
fazer uma campanha no rádio, R$ 3.000,00 para sair em uma revista local,
pelo menos R$ 9.000,00 para fazer uns 3 pontos de mídia exterior, mas
na hora de tirar o escorpião do bolso pra comprar mídia online, qualquer
“milão” é “caro demais”.
Eu sinceramente não sei de onde veio este mito de que fazer anúncios
na internet merece menos atenção financeira do que outros meios. A
lógica deveria ser justamente a inversa.
Nenhum outro tipo de mídia retém tanta atenção do público comprador como na internet.
O Brasil é o terceiro país do mundo onde as pessoas mais ficam
conectadas, passando mais de 10 horas por dia online (DEZ HORAS POR
DIA!).
Ficamos atrás apenas de África do Sul e Filipinas.
Qual outra mídia prende a atenção das pessoas por DEZ HORAS?
Qual outra mídia pode colocar sua marca literalmente na mão do seu cliente ideal?
Qual outra mídia pode colocar sua marca na mão do seu cliente no EXATO momento que ele está propenso a fazer uma compra?
Qual outra mídia pode rastrear, seguir o seu cliente de acordo com os hábitos de consumo dele?
Qual outra mídia pode segmentar um anúncio de acordo com os interesses, medos, desejos, ações, intenções…
Qual outra mídia pode oferecer um contato com seu cliente ideal 24 horas por dia, 7 dias por semana?
Absolutamente nenhuma além da internet.
E agora, me conta…qual o motivo da internet receber menos investimento comparado à mídia tradicional?
Marketing Digital é barato, mas não é de graça.
Vamos fazer uma conta de padaria:
Quanto custa imprimir 1.000 flyers (folhetos) e distribuir no sinal?
Papel couchè brilho 90g 4×4 cores, em gráfica de internet (qualidade bem meia boca), com frete sai em torno de R$ 250,00.
Para a distribuição, você não vai encontrar quem faça por menos de R$ 70 a diária.
Você não tem a garantia de entrega. Já ví muito “panfleteiro” jogando
metade do material no bueiro, ou entregando 2 de uma vez só em cada
carro. Mas vamos tirar essa margem da conta.
Estamos falando de R$ 320 para 1 mil impactos.
Hoje estava otimizando uma campanha de Instagram, da minha conta
pessoal, e o meu CPM (custo por mil impressões) estava girando em torno
de R$ 5,51.
Ou seja cerca de 1,72% do valor de uma ação de rua com flyer.
Essa lógica pode ser aplicada a qualquer meio de comunicação tradicional, seja rádio, tv, outdoor, busdoor…
E a conta também deve ser levada em consideração além dos anúncios de Google, LinekedIN, Facebook, Instagram e TikTok.
Banners em portais e publieditoriais, este último ainda pouco
explorado por pequenos e médios anunciantes, também apresentam números
disparados na frente do marketing tradicional.
Então, quando você se perguntar se está tendo ou não resultados com mídia online, pense nessa continha.
Marketing digital, em comparação, é barato sim, mas será que você
deveria deixar a menor faixa de verba do seu orçamento de marketing para
o meio de vendas MAIS PODEROSO QUE EXISTE?
Deixo a reflexão.
Preferências de Publicidade e Propaganda
Moysés Peruhype Carlech – Fábio Maciel – Mercado Pago
Você empresário, quando pensa e necessita de fazer algum anúncio para
divulgar a sua empresa, um produto ou fazer uma promoção, qual ou quais
veículos de propaganda você tem preferência?
Na minha região do Vale do Aço, percebo que a grande preferência das
empresas para as suas propagandas é preferencialmente o rádio e outros
meios como outdoors, jornais e revistas de pouca procura.
Vantagens da Propaganda no Rádio Offline
Em tempos de internet é normal se perguntar se propaganda em rádio funciona, mas por mais curioso que isso possa parecer para você, essa ainda é uma ferramenta de publicidade eficaz para alguns públicos.
É claro que não se escuta rádio como há alguns anos atrás, mas ainda
existe sim um grande público fiel a esse setor. Se o seu serviço ou
produto tiver como alvo essas pessoas, fazer uma propaganda em rádio
funciona bem demais!
De nada adianta fazer um comercial e esperar que no dia seguinte suas
vendas tripliquem. Você precisa ter um objetivo bem definido e entender
que este é um processo de médio e longo prazo. Ou seja, você precisará
entrar na mente das pessoas de forma positiva para, depois sim,
concretizar suas vendas.
Desvantagens da Propaganda no Rádio Offline
Ao contrário da televisão, não há elementos visuais no rádio, o que
costuma ser considerado uma das maiores desvantagens da propaganda no
rádio. Frequentemente, os rádios também são usados como ruído de
fundo, e os ouvintes nem sempre prestam atenção aos anúncios. Eles
também podem mudar de estação quando houver anúncios. Além disso, o
ouvinte geralmente não consegue voltar a um anúncio de rádio e ouvi-lo
quando quiser. Certos intervalos de tempo também são mais eficazes ao
usar publicidade de rádio, mas normalmente há um número limitado,
A propaganda na rádio pode variar muito de rádio para rádio e cidade
para cidade. Na minha cidade de Ipatinga por exemplo uma campanha de
marketing que dure o mês todo pode custar em média 3-4 mil reais por mês.
Vantagens da Propaganda Online
Em pleno século XXI, em que a maioria dos usuários tem perfis nas mídias sociais e
a maior parte das pessoas está conectada 24 horas por dia pelos
smartphones, ainda existem empresários que não investem em mídia
digital.
Quando comparada às mídias tradicionais, a propaganda online é
claramente mais em conta. Na internet, é possível anunciar com pouco
dinheiro. Além disso, com a segmentação mais eficaz, o seu retorno é
mais alto, o que faz com que o investimento por conversão saia ainda
mais barato.
Diferentemente da mídia tradicional, no online, é possível modificar
uma campanha a qualquer momento. Se você quiser trocar seu anúncio em
uma data festiva, basta entrar na plataforma e realizar a mudança,
voltando para o original quando for conveniente.
Outra vantagem da propaganda online é poder acompanhar em tempo real tudo
o que acontece com o seu anúncio. Desde o momento em que a campanha é
colocada no ar, já é possível ver o número de cliques, de visualizações e
de comentários que a ela recebeu.
A mídia online possibilita que o seu consumidor se engaje com o
material postado. Diferentemente da mídia tradicional, em que não é
possível acompanhar as reações do público, com a internet, você pode ver
se a sua mensagem está agradando ou não a sua audiência.
Outra possibilidade é a comunicação de via dupla. Um anúncio
publicado em um jornal, por exemplo, apenas envia a mensagem, não
permitindo uma maior interação entre cliente e marca. Já no meio
digital, você consegue conversar com o consumidor, saber os rastros que
ele deixa e responder em tempo real, criando uma proximidade com a
empresa.
Com as vantagens da propaganda online, você pode expandir ainda mais o
seu negócio. É possível anunciar para qualquer pessoa onde quer que ela
esteja, não precisando se ater apenas à sua cidade.
Uma das principais vantagens da publicidade online, é que a
mesma permite-lhe mostrar os seus anúncios às pessoas que provavelmente
estão interessadas nos seus produtos ou serviços, e excluir aquelas que
não estão.
Além de tudo, é possível monitorizar se essas pessoas clicaram ou não nos seus anúncios, e quais as respostas aos mesmos.
A publicidade online oferece-lhe também a oportunidade de
alcançar potenciais clientes à medida que estes utilizam vários
dispositivos: computadores, portáteis, tablets e smartphones.
Vantagens do Marketplace Valeon
Uma das maiores vantagens do marketplace é a redução dos gastos com publicidade e marketing. Afinal, a plataforma oferece um espaço para as marcas exporem seus produtos e receberem acessos.
Justamente por reunir uma vasta gama de produtos de diferentes segmentos, o marketplace Valeon atrai uma grande diversidade e volume de público. Isso
proporciona ao lojista um aumento de visibilidade e novos consumidores
que ainda não conhecem a marca e acabam tendo um primeiro contato por
meio dessa vitrine virtual.
Tem grande variedade de ofertas também e faz com que os clientes
queiram passar mais tempo no site e, inclusive, voltem com frequência
pela grande diversidade de produtos e pela familiaridade com o ambiente.
Afinal de contas, é muito mais prático e cômodo centralizar suas
compras em uma só plataforma, do que efetuar diversos pedidos
diferentes.
Inserir seus anúncios em um marketplace como o da Valeon significa
abrir um novo “ponto de vendas”, além do e-commerce, que a maioria das
pessoas frequenta com a intenção de comprar. Assim, angariar sua
presença no principal marketplace Valeon do Vale do Aço amplia as
chances de atrair um público interessado nos seus produtos. Em suma,
proporciona ao lojista o crescimento do negócio como um todo.
Quando o assunto é e-commerce,
os marketplaces são algumas das plataformas mais importantes. Eles
funcionam como um verdadeiro shopping center virtual, atraindo os
consumidores para comprar produtos dos mais diversos segmentos no mesmo
ambiente. Por outro lado, também possibilitam que pequenos lojistas
encontrem uma plataforma, semelhante a uma vitrine, para oferecer seus
produtos e serviços, já contando com diversas ferramentas. Não é à toa
que eles representaram 78% do faturamento no e-commerce brasileiro em
2020.
Vender em marketplace como a da Valeon traz diversas
vantagens que são extremamente importantes para quem busca desenvolver
seu e-commerce e escalar suas vendas pela internet, pois através do
nosso apoio, é possível expandir seu ticket médio e aumentar a
visibilidade da sua marca.
A Valeon é uma caixinha de possibilidades. Você pode
moldar ela em torno do negócio. O que é muito importante. O nosso é
colocar o consumidor no centro e entender o que ele precisa. A ValeOn
possibilita que você empresário consiga oferecer, especificamente para o
seu consumidor, a melhor experiência. A ValeOn já é tradicional e
reconhecida no mercado, onde você empresário pode contar com a
experiência e funcionalidades de uma tecnologia corporativa que atende
as principais operações robustas do mundo essencial e fundamental. A
ValeOn além de trazer mais segurança e credibilidade para o seu negócio,
também resulta em muita troca de conhecimento e ótimos resultados para
ambos os lados, como toda boa parceria entre empresas deve ser.
Lembrem-se que a ValeOn é uma Startup Marketplace de Ipatinga-MG que tem
a responsabilidade de levar o cliente até à sua empresa e que temos
potencial para transformar mercados, impactar consumidores e revirar
empresas e indústrias onde nossos produtos e serviços têm capacidade de
escala e de atrair os investimentos corretos para o nosso crescimento.
Supremo Tribunal Federal adere à campanha Novembro Azul. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF (07/11/2019)
A estátua da Justiça diante do prédio do Supremo Tribunal Federal.| Foto: Rosinei Coutinho/STF
Em outubro de 2021, as mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional na
Lei de Improbidade Administrativa entraram em vigor. Elas faziam parte
do “pacote legislativo” de desconstrução da Lava Jato e de seu legado,
com a aprovação de leis que dificultassem o bom combate à corrupção ou
que fossem mais lenientes com os maus administradores. As mudanças,
neste caso, cumpriam os dois propósitos, pois reduziam bastante as
possibilidades de responsabilização de gestores por improbidade, e
também mudavam prazos prescricionais.
À época, a Gazeta do Povo lembrou que a lei anterior não era
totalmente adequada, pois era aberta demais e permitia que alas
ideologizadas do Ministério Público acusassem gestores de improbidade
mais por discordar de políticas específicas que por encontrar nelas
quaisquer indícios de irregularidade. Isso levava ao chamado “apagão das
canetas”, em que o administrador preferia não fazer nada a correr o
risco de uma acusação de improbidade por algo que tivesse feito. Esse
era um problema que precisava ser atacado, mas não foi o que ocorreu: em
vez disso, optou-se por restringir a responsabilização apenas a casos
em que o dolo fosse comprovado. Essa escolha deixava impunes até mesmo
casos em que a irregularidade, embora não intencional, resultasse de
evidente negligência, imprudência ou imperícia, situações em que o bom
senso exigiria uma responsabilização, ainda que com punições mais leves
em comparação com as situações de improbidade intencional. Em resumo, a
nova lei não foi feita para ajudar bons gestores a conhecer melhor os
limites de sua atuação e agir com mais liberdade e sem medo, mas para
ajudar os maus gestores a escapar impunes.
Se o STF decidir pela retroatividade das novas regras, as
consequências seriam desastrosas não apenas pela quantidade de processos
afetados, mas pelo que isso significaria em termos de respeito à lisura
na administração pública
Essa ajuda, agora, pode valer não apenas para os casos futuros de
improbidade. Em uma repetição da frase atribuída ao ex-ministro Pedro
Malan, segundo a qual “no Brasil até o passado é incerto”, o Supremo
Tribunal Federal pode fazer as alterações na Lei de Improbidade
retroagirem, em julgamento marcado para começar nesta quarta-feira, dia
3. O caso concreto em tela é o de uma advogada contratada pelo INSS na
década de 1990, e cuja negligência levou o órgão a perder prazos em
processos que somavam quase R$ 400 mil. A Justiça, ao condená-la,
considerou não ter havido dolo – o que, pela nova legislação, afastaria a
possibilidade de responsabilização por improbidade; no caso, ainda se
soma a discussão sobre os prazos prescricionais, já que eles também
teriam sido favoráveis à advogada caso a regra atual estivesse valendo à
época.
Como o STF decidiu pela repercussão geral do caso, o que a corte
resolver no caso da advogada será aplicado em todos os demais casos de
condenações passadas por improbidade sem comprovação de dolo ou em que
houve a prescrição pela nova lei, que ocorre oito anos após o fato
considerado ímprobo – até 2021, a prescrição ocorria cinco anos após a
descoberta do fato. Dados oficiais obtidos pela reportagem da Gazeta do
Povo mostram que há cerca de 700 casos em análise que sofreriam os
efeitos de uma decisão em favor da retroatividade da nova lei – isso sem
contar todas as outras condenações já transitadas em julgado e que
ficariam passíveis de reversão. As consequências seriam desastrosas não
apenas pela quantidade de processos, mas pelo que isso significaria em
termos de respeito à lisura na administração pública.
A Câmara aprova o retrocesso na Lei de Improbidade Administrativa (editorial de 19 de junho de 2021) No Senado, improbidade com impunidade (editorial de 28 de setembro de 2021) A perene importância do combate à corrupção (editorial de 6 de outubro de 2021) Como
bem lembraram especialistas ouvidos pela Gazeta, a retroatividade
quando uma legislação nova é mais benéfica para o réu que a lei anterior
não é um absurdo em si, mas ela é um princípio do direito penal, não do
direito administrativo, onde se encaixam os casos de improbidade. Nas
palavras do procurador Roberto Livianu, “a lei em vigor à época é a que
rege o ato. Qual era a lei que valia à época? A Lei 8.429/1992. Acabou”.
O Estado não foi omisso, buscou a responsabilização dos gestores dentro
dos prazos previstos na lei, por atos devidamente enquadrados como
ímprobos segundo a regra então vigente. O desmanche de todo esse
trabalho por uma canetada do Judiciário seria a potencialização do
retrocesso já aprovado pelos parlamentares, um balde de água gelada nos
brasileiros que já davam como certo um cenário de impunidade futura e,
como se não bastasse, ainda terão de presenciar também a “impunidade
passada”.
A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos,
Nancy Pelosi, na sua chegada a Taipei, capital de Taiwan| Foto:
EFE/EPA/Ministério das Relações Exteriores de Taiwan
A visita
desta terça-feira (2) da presidente da Câmara dos Representantes dos
Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan acirrou as tensões entre as duas
maiores economias do mundo, uma relação que já estava deteriorada por
questões comerciais, pela negativa da China de condenar a Rússia pela
invasão à Ucrânia e, é claro, pela própria situação da ilha.
A China vinha realizando diversas incursões no espaço aéreo de
Taiwan, que considera uma província rebelde a ser reincorporada até
2049, ano em que se completarão cem anos do fim da guerra civil que
terminou com a vitória dos comunistas e a retirada dos nacionalistas
para a ilha.
Os Estados Unidos não reconhecem formalmente Taiwan como um Estado
independente (aliás, apenas 14 países no mundo o fazem) e são adeptos da
política de “uma China só”, mas apoiam Taipei militarmente e têm
criticado a retórica agressiva de Pequim contra o governo democrático
local.
Em resposta à visita de Pelosi, que classificou como uma “grande
provocação política”, a China anunciou manobras militares em cinco áreas
ao redor de Taiwan, que envolverão exercícios com munição real e
incluirão o fechamento do espaço marítimo e aéreo nesses pontos.
O analista militar Paulo Filho apontou, em entrevista à Gazeta do
Povo, que essas medidas são parecidas com as que foram tomadas por
Pequim entre 1995 e 96, na Terceira Crise do Estreito de Taiwan.
“Se for só isso, não será muito diferente do que aconteceu naquela
época. Mas a retórica da China hoje está mais acirrada, até porque é um
país muito mais poderoso do que era na década de 1990”, destacou Filho,
que citou pressões internas sofridas pelo ditador Xi Jinping.
“No fim do ano, vai acontecer a convenção do Partido Comunista, em
que ele deve conseguir um inédito terceiro mandato. Mas as coisas não
estão tão boas para ele quanto em anos anteriores. A política de
Covid-zero prejudicou a economia, a China está crescendo muito menos que
o previsto e essa política desagradou a população”, destacou o
analista.
“Tudo que ele não precisava era uma crise como esta, ainda mais por
ele ter falado diretamente com o presidente [americano, Joe] Biden a
respeito de consequências sobre Taiwan, o que pode passar para a
população chinesa uma impressão de fraqueza. Então, talvez ele queira
passar a imagem de um líder forte e escalar um pouco o tom”, acrescentou
Filho.
Stephen Collinson, analista da CNN, apontou em artigo publicado no
site da emissora que pode ocorrer uma escalada decorrente dessa
necessidade do ditador chinês de demonstrar força.
“A suposição em Washington é que Xi não tem mais interesse em um
confronto militar direto do que Biden. Mas ele é mais forte do que os
líderes chineses anteriores. E há uma tendência fortemente nacionalista
dentro das forças armadas chinesas, juntamente com uma crescente
confiança em sua capacidade”, apontou Collinson.
“Portanto, fazer suposições sobre como a China responderia à visita
de Pelosi com base no comportamento chinês em crises anteriores pode
significar que os EUA terão uma surpresa desagradável”, alertou.
Paulo Filho afirmou que acredita que China e Estados Unidos podem
recorrer a estratégias como aumento no tom da retórica, medidas
diplomáticas (como chamar os respectivos embaixadores de volta ao país) e
retaliações comerciais. Mas, neste momento, uma invasão a Taiwan (à
qual os EUA prometeram responder prontamente) é muito improvável, na
visão do analista.
“Uma operação militar para conquistar Taiwan seria muito complexa,
não dá para comparar com a situação da Ucrânia, que é vizinha da Rússia,
tem uma fronteira terrestre. Taiwan é uma ilha [o Estreito de Taiwan
tem 180 km de largura média], a China precisaria fazer uma operação de
desembarque complicadíssima, ter um poderio naval muito forte para fazer
um bloqueio naval… hoje, Pequim não tem mecanismos suficientes para
esse tipo de operação, ainda mais fazendo face aos Estados Unidos”,
justificou.
A subprocuradora da PGR, Lindôra Araújo.| Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Em
abril de 2021, o Senado Federal instaurou a CPI da Covid-19 com o
intuito de apurar as ações e omissões do governo federal no
enfrentamento da pandemia e o colapso da saúde no estado do Amazonas. Ao
longo de aproximadamente seis meses de investigação, a CPI ouviu mais
de 60 pessoas, entre testemunhas e investigados; decretou a quebra de
sigilo bancário de diversas pessoas físicas e jurídicas; e até efetuou
uma prisão em flagrante de um investigado, que, de acordo com a lei, não
poderia ser preso por falso testemunho, pois investigado não é
testemunha, e não existe o crime de perjúrio no Brasil.
Ao final das apurações, em outubro de 2021, foi elaborado um
relatório com mais de 1.200 páginas, concluindo pelo indiciamento de 78
pessoas, entre elas o presidente da República, ministros, ex-ministros
de Estado, três filhos do presidente, deputados federais, médicos,
empresários e o governador do Amazonas. Duas empresas que firmaram
contrato com o Ministério da Saúde – a Precisa Medicamentos e a VTCLog –
também foram responsabilizadas. Os crimes que levaram aos indiciamentos
foram os de prevaricação, charlatanismo, epidemia com resultado morte,
infração a medidas sanitárias, emprego irregular de verba pública,
incitação ao crime, falsificação de documentos particulares, crimes de
responsabilidade e crimes contra a humanidade.
O intuito de politizar uma atividade técnica e jurídica apenas
desprestigia a instituição do Ministério Público, que tem como funções a
defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses
sociais e individuais indisponíveis.
O relatório final foi aprovado por 7 votos a 4 em 26 de outubro de
2021, e, no mesmo mês, foi encaminhado ao procurador-geral da República
(PGR) para adoção das providências cabíveis. Ao se manifestar sobre a
documentação, o chefe do Ministério Público afirmou que os senadores não
haviam entregado as provas que deveriam acompanhar o relatório da CPI,
pois havia recebido apenas um HD com 10 terabytes de “informações
desconexas e desorganizadas”.
Em entrevista em fevereiro de 2022, o procurador-geral da República
Augusto Aras declarou que o tamanho do material entregue pela CPI não
indicaria, necessariamente, a existência de embasamento jurídico.
Segundo ele, “entregar um HD com 1 ou 10 terabytes não significa fazer a
demonstração de que aqueles elementos probantes coligidos na fase CPI
teriam pertinência com os fatos e com os indiciados”.
Agora, em julho de 2022, a vice-procuradora-geral da República
Lindôra Araújo requereu o arquivamento de diversas investigações
provenientes do relatório da CPI da Covid. Em suas razões de
arquivamento, a PGR entendeu que não havia evidências que demonstrassem a
real existência dos crimes de infração à medida sanitária,
charlatanismo, emprego irregular de verbas públicas, crime de epidemia,
dentre outros, bem como prova da existência desses ilícitos – em Direito
chamada de materialidade. Também estavam ausentes os indícios de
autoria, ou seja, os elementos mínimos de que os investigados seriam os
responsáveis pelos supostos crimes indicados no relatório da CPI. Assim,
diante da inexistência de justa causa para o início de uma ação penal –
ou seja, pela falta de elementos concretos que autorizassem a abertura
de um processo criminal contra os investigados e até mesmo a
possibilidade de continuidade das apurações – a PGR promoveu o
arquivamento das investigações.
Como os arquivamentos foram realizados pela autoridade máxima da
instituição do Ministério Público, não caberá ao STF discordar com eles,
pois, de acordo com a lei brasileira, a palavra final sobre o
arquivamento de uma investigação criminal é do Ministério Público.
Assim, competirá ao Supremo apenas homologar os arquivamentos realizados
pela PGR.
Mesmo assim, alguns senadores integrantes da CPI não concordaram com
esses arquivamentos, e protocolaram perante o STF um pedido de abertura
de uma investigação contra a vice-procuradora-geral pelo crime de
prevaricação. Esse crime está previsto no artigo 319 do Código Penal, e
ocorreria quando o servidor público retarda ou deixa de praticar,
indevidamente, determinado ato de ofício (ato que deveria realizar), e
essa conduta é movida para satisfazer um interesse ou sentimento
pessoal.
É importante deixar claro que os membros do Ministério Público têm a
chamada independência funcional, o que quer dizer que eles são livres e
independentes para formar suas convicções jurídicas sobre as
investigações e processos em que atuam. Por isso, não há que se falar em
crime de prevaricação, pois as peças de arquivamento da PGR estão
devidamente fundamentadas com argumentos jurídicos e técnicos, havendo,
assim, embasamento que sustente os arquivamentos realizados.
Não se pode querer investigar ou processar um integrante do
Ministério Público quando ele cumpre a sua função e conclui que não há a
prática de um crime que autorize o início de um processo criminal.
Importante ressaltar que os membros do Ministério Público não são
agentes políticos, mas agentes públicos, que ingressaram em suas
carreiras através de um concurso público, sem qualquer indicação
política. O intuito de politizar uma atividade técnica e jurídica apenas
desprestigia a instituição do Ministério Público, que, de acordo com o
artigo 127 da Constituição Federal, tem como funções a defesa da ordem
jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais
indisponíveis.
Um dos fundamentos básicos de uma democracia é o respeito aos poderes
da República e das instituições que integram a Justiça, e sendo o
Ministério Público uma entidade constitucional, não cabe a membros do
Poder Legislativo pretender politizar uma atividade técnica e jurídica.
De acordo com o artigo 129 da CF, cabe ao Ministério Público zelar pelo
efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância
pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as
medidas necessárias a sua garantia.
Ayman al Zawahiri, morto no fim de semana em uma operação com
drone no Afeganistão, era o número 2 do grupo terrorista em 2001 e
substituiu bin Laden| Foto: Reprodução/Fox News
Em um vídeo, Joe
Biden anunciou a morte de Ayman al-Zawahiri, líder da Al-Qaeda. Ele foi
morto em um ataque aéreo na manhã de domingo, em Cabul, capital do
Afeganistão. al-Zawahiri foi um dos mentores dos atentados do 11 de
Setembro de 2001. Na época, ele era o segundo em comando da organização
jihadista, atrás de Osama bin Laden. O que a morte de al-Zawahiri nesse
momento pode significar?
Segundo informações do governo dos EUA, a operação foi resultado de
meses de trabalho de inteligência. O primeiro passo foi a identificação
do terrorista e de sua família em Cabul, reconstruindo seus padrões de
comportamento, incluindo “períodos prolongados” na varanda da residência
onde ele estava. Também foram feitos modelos da residência e avaliação
da melhor maneira de atingi-lo.
A autorização do plano avaliado veio no dia 25 de julho, com o uso de
um drone munido com dois mísseis Hellfire R9X, uma nova variante do
armamento produzida para atingir pessoas. O míssil, de conhecimento
público desde 2019 apenas, não possui carga explosiva, confiando em sua
força cinética e no uso de lâminas para tirar a vida do alvo.
Finalmente, no dia 30, a missão foi executada.
Confiar no Talibã
Tem-se aqui o primeiro ponto de análise. Na véspera de um ano do
aniversário do retorno do Talibã ao poder no Afeganistão, al-Zawahiri
esteve em Cabul por meses. E não foi em um complexo remoto de cavernas
ou em alguma casa abandonada, mas ele residia em uma casa confortável no
centro da capital, perto do palácio presidencial. Algo inimaginável sem
o apoio explícito do Talibã.
O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, afirmou que o Talibã
violou o Acordo de Doha ao abrigar o terrorista. Pelo Acordo para
Trazer a Paz ao Afeganistão, assinado em fevereiro de 2020, o Talibã
rejeitava todo tipo de cooperação com grupos como Al-Qaeda. E, como
avisado diversas vezes aqui em nosso espaço, se uma coisa era provada na
História recente, é que o Talibã não é um ator de boa-fé.
O grupo diversas vezes quebrou acordos assinados e usou de perfídia
durante as guerras no Afeganistão. Aceitar negociar com o Talibã e
assinar o acordo de Doha foi um dos principais erros da política externa
do governo Donald Trump. Não era necessária uma “bola de cristal”,
apenas notar o histórico recente do grupo, cuja cooperação com a
Al-Qaeda, além de notória, era marcada pelos benefícios econômicos ao
Talibã.
Jihadismo
Mesmo com a morte de al-Zawahiri, o indício agora é de que o grupo
voltou a contar com um refúgio, um espaço físico de onde pode operar e
se reorganizar. Quem sabe, até, brigar pelo protagonismo entre os grupos
jihadistas, já que a Al-Qaeda perdeu espaço, principalmente para o
Daesh, o chamado Estado Islâmico. O Daesh, inclusive, também é rival do
Talibã.
O próximo ponto é o que isso significa para o jihadismo
internacional. Na prática, não muito. O médico al-Zawahiri era um
teólogo, uma simbólica liderança “espiritual”, não um combatente ou
articulador de paixões extremistas. Também não era abastado como bin
Laden. Inclusive, nos últimos anos, a Al-Qaeda progressivamente
tornou-se mais regionalizada, com diferentes grupos locais com
autonomia, do Sahel ao Iraque.
A morte do teólogo pode representar, então, uma de duas coisas. Ou
uma nova liderança do grupo emerge e volta a centralizar a Al-Qaeda,
pensando em grandes atentados, ou o modelo atual de grupos regionais
operando de acordo com seus contextos locais é consagrado, fazendo da
Al-Qaeda uma espécie de aliança internacional de grupos jihadistas
variados.
Folga para Joe Biden
Finalmente, temos o maior vencedor nessa situação toda, o governo Joe
Biden. Em meio uma inflação recordista nas últimas quatro décadas e uma
economia em recessão, após dois trimestres de encolhimento, Biden
conseguirá uma “trégua” no noticiário. A inflação será alternada nos
noticiários com gráficos espetaculares reconstituindo a operação, com
mais uma declaração de “vitória” na Guerra ao Terror.
Não é muito diferente do que seus antecessores fizeram. Barack Obama
garantiu sua reeleição anunciando a morte de Osama bin Laden em 2011.
Biden, então vice-presidente, está na famosa foto tirada na Casa Branca
durante a operação. Em 2019 foi a vez de Trump transmitir um
pronunciamento, agora sobre a morte de Abu Bakr al-Baghdadi, líder do
Daesh, morto na Síria.
A vitória do governo Biden, entretanto, não durará muito. Em alguns
dias já terá desaparecido do noticiário e os problemas econômicos
retomarão seu protagonismo. O que é sintoma de outro problema. O acúmulo
de pequenas vitórias táticas pelos EUA nas últimas décadas, eliminando
seus inimigos, mas, estrategicamente, não sabe para onde ir e não
consegue estabelecer uma política de longo prazo. Até o próximo
al-Zawahiri.
Há uma discussão entre os nossos representantes na Câmara Federal: se
supermercado pode vender aqueles medicamentos que não têm necessidade
de receita médica, que hoje só se vendem na farmácia. Só para lembrar,
você encontra muita coisa na farmácia que está no supermercado, como
aparelho de barbear, pasta dental, xampu, até sandália… E o
supermercado? Já que não precisa de receita médica, fica mais fácil
oferecer o medicamento lá, dá mais acesso às pessoas e o preço fica mais
barato.
Os supermercados ainda afirmam que não há farmácia em cerca de 20%
dos municípios. Já os farmacêuticos dizem que esses profissionais, com
curso superior, têm de estar na farmácia e são os melhores conselheiros
para quem vai comprar remédio, sabem o uso da dose, para que serve,
mesmo que não exija receita médica. Mas tem gente que compra pelo site
da farmácia, então é a mesma coisa que comprar em um supermercado.
Nos Estados Unidos, a gente entra no supermercado e tem de tudo. E às
vezes tem até um cantinho, um balcão de farmácia com a exigência de
receita médica. Mas é uma coisa que os nossos representantes deviam nos
perguntar, fazer um levantamento e ver o que preferimos. Eu acho que
tudo que fica mais fácil para o consumidor é melhor e facilita a vida de
todo mundo.
Senadoras candidatas e política de armas Duas senadoras do
Mato Grosso do Sul, uma das regiões de maior progresso do país, são
candidatas à Presidência da República. Agora, além da senadora Simone
Tebet, do MDB, temos a senadora Soraya Thronicke, que era do PSL,
apoiadora de Bolsonaro, e agora está no União Brasil, fusão do PSL e do
Democratas. O que separa as duas é a política de armas. A senadora
Soraya é a favor das armas, para as pessoas se defenderem suas vidas e
patrimônio. Já a senadora Tebet disse que, se for eleita presidente,
revoga tudo que favoreça a arma.
Só para lembrar, em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, da
qual eu participei, o presidente Bolsonaro lembrou que o referendo de
2004, em que 64% dos brasileiros foram a favor das armas, não foi
respeitado e fizeram aquele Estatuto do Desarmamento na nossa cara,
desafiando a democracia, que é a vontade da maioria. Em 2016, mostrou
Bolsonaro na entrevista, tivemos 61 mil homicídios; em 2021, depois que
ele assinou vários decretos e os ministros da Justiça e da Defesa, além
do comandante do Exército, assinaram portarias, o número de homicídios
caiu em 20 mil, para 41 mil. Ou seja, o medo do bandido de encontrar
resistência salvou 20 mil vidas. É preciso que a gente considere isso.
Liberdade econômica e agronegócio em alta Aliás, o presidente
falou por uma hora e meia nessa entrevista e mostrou por que o Brasil
está diferente do resto do mundo. É o país que está com passo certo. Em
2019 veio a Lei da Liberdade Econômica, a desregulamentação, a
desburocratização, centenas de portarias foram revogadas, inclusive
normas da fiscalização do trabalho, e com isso se estimulou o
empreendedorismo, a produção, aliviando as empresas.
Houve também uma pacificação na terra, embora eu tenha sabido que
em Lábrea (AM) está havendo invasão de gente que já tinha tirado uma boa
área da proteção ambiental e agora está tocando fogo numa fazenda. A
titulação da terra – mais de 330 mil títulos foram distribuídos –
resolveu muita coisa. O presidente falou no apoio ao agronegócio com
fertilizantes da Rússia, que estão garantindo a produção aqui, mesmo com
guerra. E com o 5G, que vai dar mais um impulso para a tecnologia no
agro. O nosso agro está avançadíssimo; eu lembro do tempo em que a gente
ficava com inveja daquela região central dos EUA, o meio-oeste, mas
hoje não. Hoje o nosso Centro-Oeste ganha.
Vocês possuem a lista dos amigos que atravessaram a última década e ainda são eleitos do seu coração?
Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo
Minha primeira e mais antiga amiga foi minha irmã Rose. Meu fiel
amigo no primário (hoje seria a primeira etapa do Ensino Fundamental)
foi o Raul.
Cultivei amizade no Ensino Fundamental com a Simone e a Mariângela.
No Ensino Médio, fiquei próximo da Márcia e do Jorge. Fazíamos grupos de
estudos. Eu era melhor em História e Português; o Jorge tentava nos
ensinar Física e Matemática.
Na faculdade, reencontrei a Simone e me aproximei da Virgínia.
Encontrei também o Sérgio, que seria pioneiro na vinda a São Paulo para a
pós-graduação. Ele acabou me convencendo a imitá-lo.
Na vida de professor, fiquei muito amigo da Valderez e do José Alves.
Quando criei meu escritório, surgiu a amizade com o Igor. As idas ao
Rio fizeram surgir o Ricardo. A busca de bons médicos levou-me ao Jairo e
à Luci. A CNN me trouxe Gabriela.
Sou cercado de muitos amigos. Identifiquei alguns nomes, omitindo muitos, claro. A lista é bem maior.
A música A Lista (Oswaldo Montenegro) nos desafia a pensar
na passagem do tempo. “Quantos você ainda vê todo dia, quantos você já
não encontra mais?”
Nas formaturas, existia o hábito algo kitsch de cantar “amigos para
siempre”. Bem, eternidade é um desejo, raramente realidade. Os amigos
vêm e vão, podem mudar, porque a vida é rápida. Mesmo sabendo que não
existe algo fixo no universo, confio nos meus amigos, sinto falta deles.
Amo ter uma noite com longas conversas e busco amparo nos momentos
difíceis.
Já fui traído… Existe “chifre” na amizade? Sim, infelizmente. São os
que nos atacaram pelas costas ou se revelaram infiéis a um segredo
guardado. Acontece. Somos humanos. Talvez doa mais do que ataques de
inimigos. O “fogo amigo” é algo destrutivo nas guerras, na política e
nas amizades.
Voltando à música: vocês possuem a lista dos amigos que atravessaram a
última década e ainda são eleitos do seu coração? Quem era sua amizade
mais íntima em 2012? Onde ela está?
‘Invasões Bárbaras’. Foto: EUROPA FILMES
Meus amigos e minhas amigas me fazem falta. A maioria existe há
muitos anos. Somos sobreviventes da vida e de nós mesmos. Imagino
encerrar a vida com alguns ao meu redor, como em uma cena do filme As Invasões Bárbaras.
Comeríamos, beberíamos uma última vez e riríamos com sentimentos
intensificados pelo fim próximo. Vivi com eles e, feliz, morreria
olhando para meu círculo íntimo. É uma esperança: amigos na luz da vida e
no mistério da morte. Afinal, amigos deveriam ser uma esperança para
sempre.
3d rendered medically accurate illustration of amyloid plaques on a nerve cell – alzheimer disease
Representação tridimensional de placas da proteína beta-amiloide (em cor escura) afetando neurônio.| Foto: Bigstock / SciePro
Uma
aparente fraude pode ter resultado no desperdício de milhões de dólares
de financiamento público destinados às pesquisas sobre o Alzheimer,
atrasando a descoberta da cura da doença. Investigações conduzidas pelo
médico neurocientista Matthew Schrag, da Universidade Vanderbilt, no
estado americano do Tennessee, e pela revista Science apontaram sinais
de imagens adulteradas ou duplicadas em dezenas de artigos científicos,
alguns deles importantes para a aprovação do medicamento Simufilam, da
farmacêutica Cassava Sciences.
A doença de Alzheimer, um tipo de neurodegeneração que afeta
principalmente a memória dos idosos, ainda é incurável. Diferentes
intervenções que reduzam o risco já foram propostas: de tomar café a
fazer palavras cruzadas e tomar uma dose anual da vacina para gripe. Há
também um componente genético. Quando teve o seu genoma sequenciado em
2007, o codescobridor da estrutura do DNA James Watson não quis saber se
carregava variantes genéticas de predisposição para a doença, pois “não
há muito o que possamos fazer”.
Uma das bases genéticas propostas para o Alzheimer envolve a proteína
beta-amiloide, que se acumula em placas nos neurônios, prejudicando sua
função. Diferentes tentativas de desenvolver drogas com base nessa
hipótese fracassaram. Com o Simufilam veio algo novo: aparente fraude.
Schrag foi contratado por um cachê de 18 mil dólares como
investigador pelo advogado de dois outros neurocientistas interessados
na falência da Cassava Sciences, segundo reportagem da revista Science.
Schrag analisou a literatura científica e encontrou sinais de imagens
adulteradas ou duplicadas em dezenas de artigos, incluindo aqueles dos
quais a aprovação da droga depende. O relatório da investigação foi
enviado às principais agências de fomento de pesquisa dos Estados
Unidos.
Um dos artigos impugnados pela investigação de Schrag é um estudo
publicado na revista Nature em 2006 citado por mais de dois mil outros
estudos, segundo o próprio periódico, que acrescentou uma nota de
preocupação à publicação. O primeiro autor é Sylvain Lesné, da
Universidade de Minnesota. O artigo relata a descoberta de um subtipo da
beta-amiloide que causaria demência similar ao Alzheimer em roedores. O
ano de publicação marcava cem anos desde que o próprio neuropatologista
alemão Alois Alzheimer, que dá nome à doença, observou as placas de
proteína no cérebro de um paciente vítima de demência. Que as placas de
beta-amiloide realmente estão nos pacientes, há poucas dúvidas. A
questão premente é se são causa ou consequência da degeneração.
Fabricações “chocantemente óbvias” O cientista detetive evita a
palavra fraude pois não tem acesso a possíveis imagens originais não
publicadas, mas aponta que há sinais indicativos de problemas. A Science
conduziu uma investigação própria de seis meses que corroborou os
achados de Schrag e encontrou motivos para duvidar de mais de 70 imagens
nos estudos de Lesné, entre outros. Lesné não respondeu ao contato da
revista. Em maio deste ano, ele obteve a aprovação de uma verba de
pesquisa do governo americano de mais de US$760 mil com validade de
cinco anos. Um responsável pela aprovação da verba foi coautor do estudo
de 2006.
Elisabeth Bisk, bióloga molecular e consultora em análise forense de
imagens, disse à revista científica que “os resultados experimentais
obtidos podem não ter sido os desejados, e os dados podem ter sido
adulterados para se encaixar melhor numa hipótese”. Para ela, há figuras
que parecem montagens feitas a partir de imagens de diferentes
experimentos. Algumas são fabricações “chocantemente óbvias”, comentou a
especialista em Alzheimer Donna Wilcock, da Universidade de Kentucky.
As imagens são, na maior parte, fotos de resultados do teste
conhecido como “Western blot”, que mostra as proteínas como bandas em
blocos de gel. Por mais cuidado que se tenha na manipulação, é raríssimo
que duas bandas fiquem com formatos ou imperfeições iguais, o que seria
indício de manipulação. Nos estudos de Lesné, há fileiras inteiras de
bandas idênticas.
Se as suspeitas forem confirmadas, são dezenas a centenas de milhões
de dólares em financiamento público de pesquisa desperdiçados. Somente
em 2021, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA investiram 287
milhões em pesquisas que mencionam a beta-amiloide e o Alzheimer.
Cientistas que propõem hipóteses diferentes para explicar a doença de
Alzheimer reclamam de uma “máfia da amiloide” que dificulta seu acesso a
recursos e forma cartéis no principal processo decisório da publicação
de artigos — a revisão por pares.
Alguns, como John Forsayeth, professor de neurocirurgia da
Universidade da Califórnia, comparam a hipótese da beta-amiloide a
modelos ptolomaicos do sistema solar que punham a Terra no centro.
Quando enfrentavam problemas na ideia de que os planetas giram em
órbitas circulares em torno da Terra, os astrônomos ptolomaicos, em vez
de abandoná-la, propunham que as órbitas não pareciam à primeira vista
com círculos porque eram círculos sobre círculos, ou “epiciclos”. Grande
esforço para não mudar de ideia — como quem adultera fotos de proteínas
para defender uma hipótese favorita sobre a doença de Alzheimer.
Karen Ashe, uma médica neurocientista colaboradora de Lesné e
coautora do estudo de 2006, é reticente a rebater completamente os
problemas achados por Schrag, mas foi a um fórum online onde Schrag
encontrou os primeiros indícios para dar explicações alternativas. Ela
forneceu algumas imagens originais em maior resolução. Mas as imagens só
aumentaram as suspeitas de Schrag, dando mais detalhe das bandas
copiadas.
Outro coator de Lesné é Denis Vivien, biólogo celular da Universidade
de Caen na Normandia, em cinco dos artigos suspeitos. Vivien crê que os
artigos sobreviverão ao escrutínio, mas confessa que já desconfiava do
colega. Quando estavam trabalhando para um artigo que seria publicado na
revista Nature Neuroscience, Vivien achou algumas fotos preparadas por
Lesné suspeitas e pediu a estudantes que refizessem o experimento. Os
estudantes falharam em replicar o resultado. Confrontado, Lesné negou
que havia algo errado. Vivien diz que removeu o artigo da esteira da
publicação “para preservar minha integridade científica” e rompeu
contato com o colaborador.
Apesar de ser relutante em afirmar
certeza de fraude, Matthew Schrag medita: “Você pode trapacear para
publicar um artigo. Pode trapacear para conseguir uma verba. [Mas] não
pode trapacear para curar uma doença. A biologia não se importa”. Ele
acredita que a beta-amiloide ainda pode ter algo a ver com as causas do
Alzheimer. Mas as fundações estão abaladas.
Sobre as reclamações contra a “máfia da amiloide”, o psicólogo
britânico Stuart Ritchie comenta em seu livro de 2020 Science Fictions
(“Ficções Científicas”, em tradução livre) que “as histórias de bullying
e intimidação que acontecem quando os pesquisadores desafiam a hipótese
amiloide sugerem uma área na qual o viés se tornou coletivo, onde novas
ideias não alcançam a vez que merecem, e onde os cientistas
rotineiramente falham em aplicar a norma do ceticismo organizado às suas
próprias teorias favorecidas”.