quinta-feira, 28 de julho de 2022

GOVERNO TENTA ESTABELECER DIÁLOGO COM O TSE

 

Foto: Abdias Pinheiro/TSE

Por Felipe Frazão – Jornal Estadão

Ministros da Casa Civil, das Comunicações e da AGU buscam contato direto com Alexandre de Moraes, que vai presidir a Corte Eleitoral; acordo é visto como saída para evitar descontrole no 7 de Setembro

BRASÍLIA — O governo Jair Bolsonaro deflagrou uma operação de bastidores para tentar convencer o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a adotar propostas das Forças Armadas sobre a segurança das urnas eletrônicas ainda nas eleições de outubro. Com o diálogo bloqueado entre o Ministério da Defesa e a atual presidência da Corte, ministros da ala política do Palácio do Planalto buscaram contato direto com o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente com Alexandre de Moraes, que comandará a Justiça Eleitoral durante a eleição.

O acordo é visto no governo como uma saída para evitar que reações de bolsonaristas descontentes fujam do controle no 7 de Setembro ou caso Bolsonaro perca a eleição. A busca de entendimento começou há poucos dias e inclui conversas com Moraes e outros ministros do STF. Os emissários do governo são os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), Fabio Faria (Comunicações) e Bruno Bianco (Advocacia-Geral da União).

Sob Fachin, o TSE já disse que as propostas da Defesa seriam consideradas apenas para eleições futuras.
Sob Fachin, o TSE já disse que as propostas da Defesa seriam consideradas apenas para eleições futuras. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, acompanha as tratativas. Antes, a abordagem do governo era liderada por ele, pelo Ministério da Justiça e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Após declarações divergentes, Paulo Sérgio e o atual presidente do TSE, ministro Edson Fachin, pararam de se falar.

Moraes assume a presidência do TSE em 16 de agosto. Os governistas não têm esperança de acordo antes da troca, mas acham possível construir a saída para o impasse até o fim de agosto. Embora os dois ministros estejam alinhados na defesa das urnas, Moraes tem perfil político e trânsito com militares. Sob Fachin, o TSE já disse que as propostas da Defesa seriam consideradas apenas para eleições futuras.

Quem conversou com Moraes disse que ele demonstrou abertura e disposição para “evitar confusão” enquanto estiver na presidência do TSE. Um ministro de Estado que participa das conversas disse ao Estadão que há abertura da parte de Moraes e que “tudo vai estar resolvido” antes do 7 de Setembro. Procurado, ele não se manifestou.

Para ministros palacianos, caso as propostas das Forças Armadas fossem implementadas, os militares dariam aval à confiabilidade e transparência do sistema eletrônico de votação. Com isso, Bolsonaro poderia baixar o tom e encerraria a escalada contra as urnas, que promove de forma recorrente, mesmo sem prova de fraude e à revelia do Centrão.

Auxiliares do presidente dizem que bastaria um breve recado dele pelo WhatsApp para bolsonaristas promoverem distúrbios como os vistos nos Estados Unidos na ocasião da derrota de Donald Trump. Na avaliação deles, o cenário é de consequências imprevisíveis.

A cruzada para minar a confiança nas urnas eletrônicas, com indicativo de contestação do resultado, levou a uma reação da sociedade civil sem precedentes. Um manifesto em defesa da democracia ultrapassou 100 mil assinaturas. A adesão pressionou o Planalto a procurar um acordo.

Depois de enviarem 88 questionamentos e 15 sugestões de mudança ao TSE, os militares se concentraram em três pontos. Eles exigem testes públicos de segurança com o novo modelo de urna, a UE2020. No teste, a máquina é submetida a tentativas de invasão, para verificar a higidez. As eleições vão usar 225 mil urnas desse modelo, o que equivale a 39% das 577 mil. Somente as antigas passaram pelo teste. O TSE diz, porém, que o novo tipo é mais moderno e seguro.

Os militares cobram incentivo às auditorias por partidos políticos. Apenas três siglas, no entanto, se registraram para fiscalizar a votação: o PL, por insistência de Bolsonaro, o PV e o PMN. Por falta de habilitação técnica, o PL desistiu de contratar uma empresa e vai cadastrar apenas consultores para auditar as urnas.

A terceira e mais complexa proposta das Forças envolve alteração na forma como é feito o teste de integridade das urnas, no dia da votação. Os militares sugeriram que o TSE transferisse o exame para as seções eleitorais e envolvesse eleitores reais, que seriam convidados, depois de votarem na cabine oficial, a desbloquear com biometria uma segunda urna-teste instalada no local. Em seguida, uma “votação paralela” seria conduzida e checada por servidores da Justiça Eleitoral, com uso de cédulas de papel para conferir o funcionamento do equipamento.

Atualmente, esse teste é feito na sede dos TREs, sem participação de eleitores, com gravação e transmissão ao vivo na internet. Nunca houve divergência. Para os militares, porém, o teste não cobre todas as ameaças internas, como vírus que poderiam ser instalados fisicamente na estrutura das urnas ou nos programas que processam os votos e a contagem.

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Nunca desistimos dos nossos sonhos!

Texto: Yára Uchôa Barreto

Moysés Peruhype Carlech – CEO da Startup ValeOn

Todos nós temos nossos sonhos, nossas metas e objetivos a alcançar. Entretanto precisamos focar naquilo que realmente queremos, com grande determinação, persistência e fé, acreditando que vamos atingir aquilo que desejamos.

Não é fácil, bem sei, as dificuldades que aparecem são grandes, necessitamos de muita fé em Deus e em nós mesmos para ultrapassá-las com êxito. Coragem é essencial! Temos vários desafios a serem enfrentados e vencidos ao longo do caminho, o que não podemos ou melhor não devemos, em circunstância nenhuma, é desistir temendo os obstáculos, os mesmos sempre surgem para todos, porém com determinação e perseverança, superamos tudo que vem na intenção de nos fazer retroceder do intuito que acalentamos de sermos vitoriosos.

É fato comprovado, que as pessoas que realizaram seus sonhos são aquelas que mais lutaram, enfrentando todo tipo de desafios, sem se deixarem intimidar, apesar dos enguiços, das situações adversas que tiveram que encarar.

São as mais variadas adversidades que surgem para nos fazer retroagir, muitas vezes, a inveja de gente que se diz “amiga”, dificuldades financeiras – nem todos nascem em “berço de ouro”-, doenças, etc. Tudo isso são entraves que contribuem no sentido de recuarmos esmorecidos, desanimados, sem forças para prosseguir.

Portanto, sejamos fortes, guerreiros, lutemos a boa luta com ânimo forte, cheios de fé e esperanças na conquista dos nossos ideais. Sejamos aqueles que não andam na contramão da vida, sempre convictos que só Deus pode nos fazer desistir de concretizar nossos objetivos.

Corramos atrás do que agrega valores, do que é bom para nossa vida, em especial do que é edificante para nossos espíritos.

Mantenhamos distância de tudo que nos desequilibra, desestrutura e nos descompensa; somos filhos de Deus e por Ele somos abençoados e protegidos.

Não será pela má vontade alheia, pela cobiça, pela ambição e pela inveja de pessoas incautas que não iremos conquistar nossas metas e tudo aquilo de bom que Deus traçou para nós.

Não esqueçamos: tudo começa com um sonho, sonho que vira realidade, quando conquistado honestamente por nossos próprios méritos, esforço, trabalho e perseverança no bem.

ENGAJAMENTO DE COLABORADORES NAS EMPRESAS É ESSÊNCIAL

 

Por Gabriel Kessler – CGO do Dialog.ci

Uma boa experiência é considerada por 96% dos profissionais como fator relevante para se manter na empresa, segundo pesquisa do LinkedIn. Entretanto, as conversas sobre o assunto priorizam profissionais administrativos, geralmente. No meio disso, como fica o público operacional?

Investir em iniciativas que tenham como foco times operacionais é importante para o engajamento desse público e, consequentemente, para uma experiência mais positiva que resulte em melhores resultados e performance.

Uma das maiores consequências da pandemia foi o empoderamento do colaborador, que passou a ser menos tolerante com experiências medianas ou até mesmo ruins dentro das organizações.

E isso já pode ser notado: a grande resignação, por exemplo, mostra como motivos que antes eram determinantes para a permanência de talentos, como salários e benefícios, hoje não tem tanta influência no poder de decisão.

Sendo assim, empresas precisam correr para quebrar paradigmas e oferecer uma experiência cada vez melhor para seu público interno, caso contrário, eles não vão ficar parados esperando por isso.

Voltando o olhar para o operacional

Não é segredo que esses times não são alcançados com a mesma facilidade do que as áreas administrativas, seja por planejamentos ou estratégias obsoletas, o que acaba dificultando o sentimento de “uma só empresa” nesse público, que se sente prejudicado ou ignorado pela liderança e por áreas estratégicas, como RH e Comunicação Interna.

Essa diferença de tratamento, intencional ou não, causa uma experiência negativa aos colaboradores operacionais, podendo levar ao aumento do turnover e impactos no clima organizacional como um todo.

Outro fator que prejudica (e muito) é a adoção de ferramentas ou estratégias que não contemplem as necessidades desse público. Por exemplo: se uma empresa usar o e-mail como canal de comunicação interna principal, aqueles que não trabalham com computador não vão ficar a par da informação tão facilmente.

Indo além, mesmo contando com murais impressos ou a liderança como replicadores dessa informação, a disparidade segue forte. E a comunicação tem papel direto na experiência do colaborador, já que a falta de clareza e alinhamento por parte de Comunicação Interna com esse público atrapalha e até mesmo inviabiliza o sentimento de pertencimento dessas pessoas, assim como a confiança que elas têm na empresa.

Entra aí a tecnologia, que pode (e deve) ser usada como forma de quebrar as barreiras, sejam elas geográficas ou de tempo.

É importante salientar que a experiência do colaborador é formada por 6 fatores, de acordo com a State of the Sector (Gallagher): cultura organizacional; comunicação; reconhecimento, prêmios e benefícios; ambiente de trabalho; bem-estar; carreira. As áreas de Comunicação Interna e RH são responsáveis (de forma parcial ou integral) por todos esses pontos, então as dicas que compartilhamos abaixo são direcionadas aos profissionais desses departamentos.

Abaixo, listo quatro dicas. Confira!

1 – Antes de tudo, conheça seu público: Você conhece as características dos seus públicos operacionais? Sabe quais são suas necessidades, desejos e desafios? Antes de qualquer estratégia de comunicação interna, as organizações precisam entender a realidade dessas equipes. Dê voz e espaço para pessoas do operacional e, além disso, tenha interesse em conhecê-las.

2 – Envolva a liderança: Mesmo com uma boa cultura, clima e comunicação, se a relação com o líder não for positiva, muito dificilmente a experiência será. Líderes precisam gostar de gente, precisam entender pessoas. E a empresa deve capacitar esse público para que isso aconteça. No ambiente operacional, muitas vezes a liderança é o que liga profissionais ao resto da organização, aumentando ainda mais a importância dessa capacitação. Além disso, líderes precisam se esforçar para proporcionar (e fazer tudo que está ao seu alcance) a melhor experiência para seus liderados.

3 – Foco no propósito: O propósito tem ganhado cada vez mais espaço e importância na experiência do colaborador e agora, mais do que nunca, está conectado pelo valor percebido pelas pessoas nas organizações. Isso significa que: para ter uma comunicação interna melhor, é preciso pensar no propósito, no porquê as pessoas devem se sentir parte do todo. Vale a revisão da visão, missão e valores organizacionais.

4 – Comunicação fácil e democrática: Investir em uma ferramenta que promova a democratização da informação é de extrema importância para a experiência do colaborador operacional. A rede social corporativa ou aplicativo de comunicação interna, por exemplo, é uma solução criada justamente para atender as diferentes necessidades dos profissionais em geral, principalmente de quem fica na operação.

Vendas pela internet com o site Valeon

Você empresário que já escolheu e ou vai escolher anunciar os seus produtos e promoções na Startup ValeOn através do nosso site que é uma Plataforma Comercial Marketplace aqui da região do Vale do Aço em Minas Gerais, estará reconhecendo e constatando que se trata do melhor veículo de propaganda e divulgação desenvolvido com o propósito de solucionar e otimizar o problema de divulgação das empresas daqui da região de maneira inovadora e disruptiva através da criatividade e estudos constantes aliados a métodos de trabalho diferenciados dos nossos serviços e conseguimos desenvolver soluções estratégicas conectadas à constante evolução do mercado.

Ao entrar no nosso site você empresário e consumidor terá a oportunidade de verificar que se trata de um projeto de site diferenciado dos demais, pois, “tem tudo no mesmo lugar” e você poderá compartilhar além dos conteúdos das empresas, encontrará também: notícias, músicas e uma compilação excelente das diversas atrações do turismo da região.

Insistimos que os internautas acessem ao nosso site (https://valedoacoonline.com.br/) para que as mensagens nele vinculadas alcancem um maior número de visitantes para compartilharem algum conteúdo que achar conveniente e interessante para os seus familiares e amigos.

Enquanto a luta por preservar vidas continua à toda, empreendedores e gestores de diferentes áreas buscam formas de reinventar seus negócios para mitigar o impacto econômico da pandemia.

São momentos como este, que nos forçam a parar e repensar os negócios, são oportunidades para revermos o foco das nossas atividades.

Os negócios certamente devem estar atentos ao comportamento das pessoas. São esses comportamentos que ditam novas tendências de consumo e, por consequência, apontam caminhos para que as empresas possam se adaptar. Algumas tendências que já vinham impactando os negócios foram aceleradas, como a presença da tecnologia como forma de vender e se relacionar com clientes, a busca do cliente por comodidade, personalização e canais diferenciados para acessar os produtos e serviços.

Com a queda na movimentação de consumidores e a ascensão do comércio pela internet, a solução para retomar as vendas nas lojas passa pelo digital.

Para ajudar as vendas nas lojas a migrar a operação mais rapidamente para o digital, lançamos a Plataforma Comercial Valeon. Ela é uma plataforma de vendas para centros comerciais que permite conectar diretamente lojistas a consumidores por meio de um marketplace exclusivo para as empresas.

Por um valor bastante acessível, é possível ter esse canal de vendas on-line com até mais de 300 lojas virtuais, em que cada uma poderá adicionar quantas ofertas e produtos quiser.

Nossa Plataforma Comercial é dividida basicamente em página principal, páginas cidade e página empresas além de outras informações importantes como: notícias, ofertas, propagandas de supermercados e veículos e conexão com os sites das empresas, um mix de informações bem completo para a nossa região do Vale do Aço.

Destacamos também, que o nosso site: https://valedoacoonline.com.br/ já foi visto até o momento por mais de 140.000 pessoas e o outro site Valeon notícias: https://valeonnoticias.com.br/ também tem sido visto por mais de 1.900.000 de pessoas, valores significativos de audiência para uma iniciativa de apenas dois anos.

Nossos contatos: Fones: (31) 3827-2297 e (31) 98428-0590 (Wpp)

E-MAIL: valeonbrasil@gmail.com

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quarta-feira, 27 de julho de 2022

TENSÃO ENTRE CHINA E EUA POR TAIWAN

 

BBC NEWS

Um suposto plano de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil), de visitar Taiwan irritou a China e criou uma dor de cabeça geopolítica para a Casa Branca. Quão grande é esse problema?

© Getty ImagesNancy Pelosi deve se aposentar ainda este ano

A China alertou que haverá “sérias consequências” caso Pelosi realize mesmo a visita. Segunda na linha de sucessão à presidência, Pelosi seria a mais alta autoridade política americana a viajar para a ilha desde 1997.

O gesto perturba a China, que considera a ilha autogovernada de Taiwan como uma província separatista que precisa voltar a ser parte do país. Pequim não descarta o uso da força para garantir isso.

Há relatos de que até mesmo o governo do presidente Joe Biden teria tentado dissuadir Pelosi.

Na semana passada, Biden disse a repórteres que “os militares [americanos] acham que não é uma boa ideia”. Mas a Casa Branca afirmou que a retórica chinesa “claramente não contribui e é desnecessária”.

O departamento de Estado americano diz que Pelosi não anunciou oficialmente nenhuma viagem e que a posição dos EUA sobre Taiwan permanece inalterada.

Embora os EUA mantenham o que é chamado de “relação robusta e não oficial” com Taiwan, o país têm laços diplomáticos formais com a China, e não com Taiwan.

A notícia sobre a possível viagem de Pelosi ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Pequim — e antes de um telefonema muito esperado entre o presidente dos EUA, Joe Biden, e o líder chinês, Xi Jinping.

Por que Pelosi quer visitar Taiwan?

Há um forte apoio dos dois partidos americanos a Taiwan tanto entre eleitores como no Congresso.

Ao longo de uma carreira de 35 anos, Pelosi tem sido uma crítica feroz da China. Ela denunciou violações de direitos humanos, se reuniu com dissidentes pró-democracia e também visitou a Praça Tiananmen para homenagear as vítimas do massacre de 1989.

O plano original de Pelosi era visitar Taiwan em abril, mas foi adiado depois que ela testou positivo para covid-19. Ela se recusou a discutir detalhes da viagem, mas disse na semana passada que era “importante para nós demonstrar apoio a Taiwan”.

Por que a China se opõe à visita?

Pequim vê Taiwan como parte de seu território e ameaçou diversas vezes anexar a ilha à força, se necessário.

Autoridades chinesas expressaram revolta contra o que consideram um crescente envolvimento diplomático entre Taipei e Washington. Isso inclui uma visita surpresa à ilha por seis parlamentares americanos em abril.

Na segunda-feira (25/7), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, alertou que seu país tomaria “medidas firmes e resolutas” se Pelosi prosseguisse com sua visita.

“E os EUA serão responsáveis por todas as graves consequências”, disse ele.

Um porta-voz do Ministério da Defesa chinês sugeriu que poderia até haver uma resposta militar.

“Se o lado dos EUA insistir em seguir em frente, os militares chineses nunca ficarão parados e tomarão medidas fortes para impedir qualquer interferência externa e tentativas separatistas de ‘independência de Taiwan’”, disse o coronel Tan Kefei ao jornal local China Daily.

© Getty ImagesPelosi inaugura uma estátua de manifestante da Praça Tiananmen em um comício com dissidentes chineses em 2019

Sinais contraditórios

Rupert Wingfield-Hayes, da BBC News em Taipei

Se você é um pequeno Estado insular com poucos aliados, não reconhecido pelas Nações Unidas e ameaçado de invasão por um vizinho muito maior e mais poderoso, receber a visita do terceiro político mais poderoso dos EUA deveria ser algo positivo. Certo?

É por isso que o governo de Taiwan não está disposto a dizer à presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, para evitar viajar.

A presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, há muito tempo pede um envolvimento de alto nível com os EUA. Mas também há preocupação sobre por que Pelosi está vindo agora e se sua viagem pode piorar a situação, em vez de ajudar.

Em três ocasiões no ano passado, o presidente Joe Biden disse que os EUA interviriam para apoiar Taiwan no caso de uma invasão chinesa. Mas sua equipe recuou em todas as vezes, insistindo que não há mudança na política dos EUA.

Quando as notícias da viagem de Pelosi a Taiwan vazaram, a resposta do presidente Biden não foi de apoio. Biden disse que “o departamento de defesa acha que não essa é uma boa ideia”.

Em Pequim, isso parece fraqueza. Em Taipei, isso parece confusão. Qual é exatamente a política do governo dos EUA em relação à ilha?

Pelosi está com 82 anos e deve se aposentar agora no segundo semestre deste ano. Ela estaria viajando com a intenção clara de oferecer apoio de verdade, ou se trata apenas de uma jogada política? Nada está claro.

Como a viagem pode aumentar as tensões?

Em seu congresso no final deste ano, o Partido Comunista Chinês deve reeleger Xi para um terceiro mandato de presidente, algo inédito.

O presidente Biden — que conversou pela última vez com o presidente Xi em março — disse que falará por telefone novamente com ele nos próximos dias sobre diversos temas, incluindo Taiwan e outras “questões de tensão”.

Autoridades dos EUA têm alertado sobre um aumento da presença militar chinesa na região da Ásia-Pacífico e “comportamento agressivo e irresponsável” do país no Mar do Sul da China.

As ameaças de retaliação à visita de Pelosi levantam preocupações sobre uma possível resposta da China.

Quando o então secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, voou para Taiwan em 2020, jatos da força aérea chinesa cruzaram a linha do Estreito de Taiwan — a via navegável entre a ilha e a China — dentro do alcance dos mísseis de Taipei.

Na semana passada, o ex-editor do jornal estatal chinês Global Times sugeriu que pode haver uma “resposta militar chocante” à visita de Pelosi.

“Se Pelosi visitar Taiwan, aeronaves militares [do Exército de Libertação Popular] acompanharão o avião de Pelosi para entrar na ilha, fazendo uma travessia histórica na ilha por aeronaves militares do continente pela primeira vez”, escreveu Hu Xijin.

Até agora, Washington adota uma política de “ambiguidade estratégica”, em que não esclarece como os EUA defenderiam Taiwan no caso de um ataque em grande escala à ilha.

– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62316657

GOVERNO PRECISA DOS DIVIDENDOS DAS ESTATAIS PARA EQUILIBRAR AS CONTAS PÚBLICAS

 

Principal acionista

Por
Célio Yano – Gazeta do Povo


Governo pediu antecipação de dividendos às maiores estatais. Entre elas, a Petrobras| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério da Economia solicitou às quatro maiores estatais controladas pela União – Petrobras, BNDES, Banco do Brasil e Caixa – que avaliem a possibilidade de antecipar o pagamento de novos dividendos ao governo federal, segundo informou na segunda-feira (25) o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago. Dividendos são parte do lucro das empresas dividida entre os seus acionistas.

“Enviamos um ofício geral em que a gente pede para que eles estudem a possibilidade, respeitada a política de investimentos e os eventuais requerimentos de Basileia [exigências mínimas de capital para bancos], o que eles podem eventualmente pagar de dividendos e se eles podem, neste exercício, pagar trimestralmente, e não semestralmente”, disse.

Caso levada adiante pelas empresas, a medida retiraria recursos do caixa de 2023 e afetaria diretamente as contas do próximo governo. Mas foi a saída encontrada pela equipe econômica para bancar o pacote de despesas bilionário gerado pela Emenda Constitucional 123/2022, que ampliou uma série de benefícios sociais, e pela Lei Complementar 194/2022, que zerou temporariamente as alíquotas de PIS, Cofins e Cide de gasolina e etanol.

A Emenda Constitucional 123, que durante tramitação no Congresso ficou conhecida, entre outros nomes, como PEC dos Benefícios ou PEC Eleitoral, ampliou o valor mínimo do Auxílio Brasil para R$ 600, dobrou o valor do vale-gás e criou vouchers para caminhoneiros e taxistas, gerando uma despesa adicional de R$ 41,25 bilhões para a União até o fim do ano. Todas as medidas são válidas apenas até dezembro.

Somado à retirada de impostos federais sobre combustíveis, que custarão outros R$ 16,5 bilhões, o valor de despesas não previstas chega a R$ 57,75 bilhões, que o governo tenta cobrir com receitas extraordinárias, de modo a não descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Para driblar o teto de gastos, que limita o aumento das despesas públicas à inflação, o relatório da PEC dos Benefícios, do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e articulado com o governo, já previa o uso de dividendos de estatais federais para bancar parte do pacote. Na época da apresentação do parecer, Bezerra Coelho estimava que os recursos ficariam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões neste ano.

Receitas extraordinárias da União já somam R$ 43,34 bilhões
Segundo o Relatório de Receitas e Despesas Primárias, as receitas não-administradas pelo Fisco já chegaram a R$ 43,34 bilhões no terceiro bimestre, sendo R$ 26,87 bilhões referentes a concessões e permissões – quase a totalidade advinda da desestatização da Eletrobras – e R$ 18,83 bilhões de dividendos e participações, a maior parte (R$ 18,6 bilhões) referente a lucros apurados pelo BNDES em 2020 e 2021 e pagos antes do envio do ofício.

Com isso, a estimativa é que até o fim do ano, mantidas os cronogramas atuais das empresas, o governo receba R$ 54,8 bilhões em receitas extras, o que representaria alta de 27,4% em relação a 2021, quando a União recebeu R$ 43 bilhões em dividendos e juro sobre capital próprio (JCP).

Por enquanto, não há cálculos de quanto o governo pode receber a mais caso as estatais atendam ao pedido, uma vez que os balanços do primeiro semestre ainda não foram fechados.

“Hoje temos R$ 44 bilhões – R$ 26 bilhões da [privatização da] Eletrobras e mais R$ 18,6 bilhões [de dividendos] do BNDES. Então parte dessa despesa, de certa forma, já foi arcada com uma receita que não estava entrando. Mas a gente gostaria que uma parte da receita perdida com a renúncia fiscal [sobre combustíveis] fosse arcada com esses dividendos”, disse Colnago na coletiva de apresentação do relatório.

“Você tem o BNDES, por exemplo, que pode pagar até 60% de dividendo, e ele normalmente paga abaixo disso. O que a gente está perguntando é: você tem condições de se aproximar dos 60%? Você pode, neste exercício, mudar a política [de distribuição de dividendos] de semestral para trimestral?”, explicou.


Conselho da Petrobras deliberará sobre pagamento de novos dividendos
Segundo o próprio secretário, o Banco do Brasil respondeu à correspondência afirmando não ser possível alterar a forma de pagamento dos dividendos. O banco já faz a remuneração de acionistas a cada três meses, com distribuição de 40% dos lucros.

Em um comunicado ao mercado, a Petrobras informou que todas as solicitações presentes no ofício já constavam em sua política de remuneração aos acionistas, inclusive a periodicidade trimestral de distribuição de lucros. “Ainda não há qualquer decisão tomada sobre novos pagamentos de dividendos em 2022”, diz trecho do documento.

Os resultados financeiros do segundo trimestre da companhia serão divulgados nesta quinta-feira (28), quando o Conselho de Administração poderá deliberar sobre eventuais novos pagamentos de dividendos.

Analistas do banco de investimentos Credit Suisse acreditam que a Petrobras pode anunciar uma distribuição de até R$ 75 bilhões, embora fontes próximas à estatal ouvidas pela agência Broadcast estimem uma cifra próxima de R$ 40 bilhões. Como acionista majoritária, a União tem direito à maior parte do valor.

De acordo com fontes dos bancos ouvidos por O Globo, a Caixa Econômica e o BNDES devem atender ao pedido do governo federal e ampliar o repasse de dividendos neste ano. Hoje, a Caixa repassa 25% do seu lucro para o governo federal. A tendência é que esse percentual suba para 50%. Já o BNDES deve tornar o repasse de dividendos trimestral no lugar de semestral.

A antecipação de dividendos pode ajudar o governo até mesmo a fechar as contas no azul após oito anos de déficit. Segundo Colnago, a equipe econômica já trabalha com uma projeção de déficit fiscal “muito próxima do zero” ou de um superávit, “ainda que pequeno”.


Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/por-que-governo-esta-pedindo-mais-dividendos-dinheiro-estatais/
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GASTANÇA DOS GOVERNOS PETISTAS PREJUDICARAM MUITO AS FINANÇAS DO GOVERNO

 

Editorial
Por
Gazeta do Povo

Dinheiro / Real – 25-05-2017 – O Real é a moeda corrente oficial da República Federativa do Brasil. A cédula de um real deixou de ser produzida, entretanto continua em circulação alguns exemplares. As demais cédulas de real continuaram sendo produzidas normalmente pela Casa da Moeda. Entre elas, as notas de: 2,5,10,20,50 e 100. Na foto, detalhes de uma nota de 100 reais.


Governo federal vem sendo constantemente obrigado a pagar dívidas de estados e municípios inadimplentes.| Foto: Marcelo Andrade/Arquivo/Gazeta do Povo

A política econômica petista tem dois momentos: no primeiro, que vai até meados do segundo mandato de Lula, houve a manutenção do tripé macroeconômico – responsabilidade fiscal com superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante – estabelecido durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso e que consolidou a estabilidade econômica, depois de muitos anos de hiperinflação. No segundo momento, o tripé foi substituído pela gastança indiscriminada, motivada pela crença no protagonismo do poder público como promotor do desenvolvimento, e que culminou na grande recessão de 2015-2016. Mas o governo federal não foi o único a gastar o que tinha e o que não tinha, como se não houvesse amanhã: ele também estimulou estados e municípios a fazer o mesmo, e agora a União paga a conta.

Reportagem da Gazeta do Povo mostrou que, desde 2016, a União já pagou R$ 46,5 bilhões para honrar dívidas contraídas e não pagas por estados e municípios. Os dados estão em relatório do Tesouro Nacional divulgado no início desde mês – só no primeiro semestre deste ano, os pagamentos foram de R$ 4,6 bilhões. Isso ocorre porque o governo federal é o fiador desses empréstimos, e fica legalmente obrigado a bancar os pagamentos quando o credor dá o calote. Como se chegou a esse ponto? A resposta está no estímulo que o governo federal passou a dar, a partir de 2007 (ou seja, no início do segundo mandato de Lula), para que estados e municípios contraíssem empréstimos independentemente da solidez de sua saúde fiscal.

O caos fiscal vivido por alguns estados e municípios não foi criado pelo petismo, mas foi potencializado pela irresponsabilidade promovida a partir de 2007

Naquele ano, o processo de ajuste disparado com a Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada em 2000, foi interrompido. No fim de 2006, a Petrobras confirmou a existência de petróleo na camada do pré-sal; em janeiro de 2007, o governo lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); e, em outubro de 2007, o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014. A euforia pode ser resumida no seguinte ciclo: estados e municípios poderiam contrair dívidas para realizar investimentos, que levariam ao crescimento econômico, proporcionando maior arrecadação, que permitiria a quitação dessas mesmas dívidas.

A União, mesmo ciente de que teria de arcar com eventuais inadimplências, apostou em um crescimento infinito da economia e avalizou empréstimos para estados e municípios com notas baixas em capacidade de pagamento (Capag), a ponto de, entre 2012 e 2014, o crédito concedido a entes subnacionais com Capag C ou D ser maior que o concedido a entes com Capag A ou B. O valor total dos empréstimos explodiu – e, pouco tempo depois, veio a recessão e, com ela, a inadimplência. A União, então, tentou compensar as perdas, bloqueando repasses dos fundos de participação de estados e municípios (FPE e FPM) para reaver os valores que precisou desembolsar na qualidade de fiador. Essa prática, no entanto, tem sido impedida por liminares do Supremo Tribunal Federal, deixando o governo federal sozinho com o prejuízo nas mãos.


Apesar da situação atual (ou talvez por causa dela, já que o STF tem mantido os repasses federais aos estados e municípios inadimplentes), os entes subnacionais continuam relutando em realizar seus respectivos ajustes fiscais, omitindo-se nas reformas de suas Previdências e até mesmo concedendo reajustes ao funcionalismo sem ter os recursos para tal, ou comprometendo os limites com pessoal determinados pela Lei de Responsabilidade Fiscal. E, no início da pandemia de Covid-19, quase ganharam um belo presente do Congresso Nacional, pois um bom plano de recuperação fiscal dos estados, o Plano Mansueto, foi destruído e substituído por um texto que permitiria ainda mais endividamento tendo a União como fiadora e sem nenhuma contrapartida, com o pretexto do combate ao coronavírus. No fim, após muita pressão da equipe econômica, o plano de ajuda acabou aprovado sem este dispositivo.

O caos fiscal vivido por alguns estados e municípios – pois há, sim, bons exemplos Brasil afora – não foi criado pelo petismo, mas foi potencializado pela irresponsabilidade promovida a partir de 2007. No entanto, mesmo os governos posteriores não foram capazes de reverter o processo. O citado Plano Mansueto foi a melhor chance que o país teve, pois tinha a inteligência de exigir dos estados a implementação de medidas de ajuste como condição prévia à renegociação das dívidas, enquanto todos os outros regimes de recuperação deixam as contrapartidas estaduais para um segundo momento – foi assim que o Rio de Janeiro evitou ao máximo realizar a privatização da Cedae, sua empresa de saneamento básico, que era uma das exigências para a adesão do Rio ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Se não for capaz de eliminar o “risco moral”, incentivando ajustes fiscais estaduais e municipais, o governo federal continuará pagando a conta da gastança alheia por muito tempo.


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ESCASSEZ E RACIONAMENTO JÁ EXISTE NO MUNDO

 

Geopolítica energética

Por
Daniel Lopez – Gazeta do Povo


O Sri Lanka se transformou numa espécie de laboratório nefasto de uma nova “Ilha do doutor Moreau”| Foto: Reuters

A humanidade está vivendo uma época muito triste, mas não podemos dizer que fomos pegos de surpresa. Alguns autores defendem a teoria que algumas formas de arte conseguem “prever” tendências e movimentos futuros. O economista e escritor francês Jacques Attali, autor de “Uma Breve História do Futuro”, tem um livro muito interessante, infelizmente ainda inédito em português, em que propõe haver um poder preditivo da música. Na contracapa do livro, lemos um comentário muito interessante: “Para Attali, a música não é simplesmente um reflexo da cultura, mas um prenúncio de mudança, uma abstração antecipada da forma das coisas que estão por vir […] O ruído é a metáfora de Attali para um amplo vanguardismo histórico, para as paisagens sonoras radicais do continuum ocidental que expressam estruturalmente o curso do desenvolvimento social”.

A música teria, portanto, essa capacidade de ser uma espécie de oráculo de tendências futuras. Entretanto, podemos dizer que a literatura, mais especificamente os livros de ficção científica e de fantasia, parecem guardar também uma enorme potência preditiva. Muitos autores alertaram com uma antecedência impressionante sobre o futuro sombrio que estava por vir. Basta lembrar de títulos como “1984”, “Admirável Mundo Novo” e “Fahrenheit 451”.

Agora, existe um país hoje que pode servir perfeitamente como uma prefiguração de uma tendência sinistra, tenebrosa e aterrorizante. Digo isto porque o presidente do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, acabou de implementar um sistema de identificação digital que se tornou necessário para a compra de combustível, num esforço para racionar a venda. Com a medida, os cingaleses agora devem respeitar uma cota de gasolina, que está diretamente atrelada ao seu novo documento de identidade digital, recurso necessário para acessar as bombas de gasolina. Para garantir que o caos não se instaure, o governo direcionou guardas armados para impedir qualquer tentativa de burlar o sistema de racionamento.

O curioso é que turistas e estrangeiros têm prioridade na compra de combustível, pelo menos assim foi determinado em Colombo, a maior cidade do país, com o fim de evitar que o turismo, umas das maiores fontes de renda da nação, seja ainda mais prejudicado. O detalhe é que as forças de segurança também estão garantindo que “veículo não essenciais” não consigam abastecer. Vejam a que ponto a coisa chegou.

A medida foi criada pelo Ministro de Energia do Sri Lanka, que, a partir de maio, começou a utilizar sua conta no Twitter para alertar o povo sobre o futuro sombrio que estava por vir, sem energia e sem combustível. O fato mais estranho é que a mídia internacional geralmente noticia o caos no país sem citar sua causa, que passa por algumas medidas tomadas, em grande parte, por influência do Fórum Econômico Mundial. Vale lembrar que o presidente do país Sri Lanka é membro e colaborador da agenda do Fórum.

O site do Fórum publicou um artigo em 2016 que descrevia como o Sri Lanka poderia reduzir o uso de combustíveis fósseis e lutar contra a emissão de carbono. Defendia o uso de energia renovável, falava sobre desenvolvimento sustentável e pregava a implementação de um novo documento de identidade digital. Oficialmente, o documento digital foi anunciado como um grande benefício para cadastros de emprego e combate a fraudes. Mas a principal finalidade é acompanhar o que cada um consome e analisar se estavam adquirindo produtos e serviços em desacordo com a “agenda verde”. A mesma tendência está sendo propagandeada pelo Partido Democrata nos Estados Unidos e aqui no Brasil.

O Fórum Econômico Mundial também incentivou o país a deixar de usar fertilizantes químicos, que haviam promovido um aumento enorme da produtividade agrícola e grande prosperidade para a nação. Porém, no ano passado, foi proibido o uso deste importante produto para a geração de comida, o que levou o país à crise que vive hoje. Tudo como consequência de um plano para tornar a economia “mais verde” e criar uma indústria “mais sustentável”.

Será que, em nome da defesa da sustentabilidade, as instituições mais poderosas do mundo levarão o planeta à ruína? Veja que não são apenas países menores como o Sri Lanka que estão sofrendo com isso. Os Estados Unidos e todo o continente europeu vivem agora sob o manto da escassez. Enquanto isso, a Rússia segue vendendo mais petróleo do que nunca e vê sua moeda atingir um pico de valorização. É um jogo sujo, mas muito bem ensaiado. O Brasil ainda resiste. Mas até quando?


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DOIS GRANDES PARTIDOS NÃO SE ENTENDEM ELEITORALMENTE

 

Convenções

Por
Alexandre Garcia – Gazeta do Povo

Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) realiza reunião deliberativa com 19 itens. Entre eles, o PLS 505/2013, que cria a Tarifa Social de Água e Esgoto. À mesa, presidente da CAE, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado


O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).| Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Vi uma entrevista do delegado-chefe da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia do Rio de Janeiro, queixando-se de que o Supremo proibiu a polícia de entrar nas favelas, nas comunidades, nos morros, a não ser em ocasiões especiais, e afirmando que isso tem proporcionado o crescimento do crime, do seu arsenal e das suas defesas. De fato: vi fotos que fariam inveja à Linha Maginot – aquela que os franceses construíram para evitar uma invasão alemã –, de aço com lanças, com barricadas de fogo em óleo, um óleo escorregadio nas ladeiras. E não tem como passar blindado da polícia. O delegado se queixou disso, mas foi decisão do Supremo.

O ministro que deixou a violência prosperar no morro fala em combater a violência na eleição
Por coincidência, ainda ontem o ministro Edson Fachin, que foi quem tomou a iniciativa de proibir as operações nos morros, disse que a Justiça Eleitoral não medirá esforços para agir a fim de coibir a violência como arma política. Como assim? Fica paradoxal. Até porque coibir a violência é função da polícia, principalmente o policiamento ostensivo. Coibir a violência que a gente viu na Avenida Paulista, pessoas com barras de ferro quebrando vidro; que vimos em Curitiba, pessoas jogando vidro, botando fogo na bandeira… tomara que não aconteça mais isso, inclusive no 7 de setembro, em que vamos comemorar 200 anos de nossa independência, nossa data nacional máxima. Mas, então, não creio que coibir a violência seja função da Justiça Eleitoral, é da segurança pública.


Temporada de convenções mostrará que a terceira via não tem força nenhuma
Dois grandes partidos não sabem mais que rumo tomar
E, por falar em eleições, esta quarta é dia da convenção do MDB e do PSDB. Ninguém sabe que convenção vai ser essa, porque uma parte do MDB apoia Bolsonaro, outra parte apoia Lula, e uma parte diz que apoia Simone Tebet – o que seria o natural, pois ela é do MDB. Os 11 diretórios que apoiam Lula não queriam nem que a convenção fosse realizada agora, queriam que fosse no último dia do prazo, 5 de agosto, para conseguir resolver os impasses.

Qual é o impasse? É o fato de um grande partido mais uma vez não ter um candidato competitivo. Até Ulysses Guimarães, que era o líder máximo do PMDB, teve uma derrota em que ficou com 3% dos votos na eleição em que Collor e Lula foram para o segundo turno. Na eleição seguinte, Orestes Quércia, que foi outro grande líder do partido, ex-governador de São Paulo, fez 4%. Na última eleição, Henrique Meirelles perdeu para o Cabo Daciolo na campanha que mais gastou, R$ 60 milhões, um recorde. E agora a sina do MDB se concentra na senadora Simone Tebet, que acreditou que a CPI da Covid lhe daria essa projeção nacional que ainda não tem. Seu nome é restrito ao Mato Grosso do Sul, as pessoas não sabem quem ela é.

E os tucanos, até a última hora, estavam fechando com o MDB para formar chapa. O MDB daria a cabeça de chapa e os tucanos dariam o vice, o senador Tasso Jereissati, que decidiu cair fora. No fim, o Cidadania – novo nome do Partido Comunista Brasileiro – foi quem deu o vice. É um vexame. Os tucanos gastaram toda a sua energia e muito dinheiro, R$ 12 milhões se não me engano, na disputa interna entre Doria e Leite. É a sina dos tucanos: seus maiores adversários são eles próprios e a indecisão. Fernando Henrique Cardoso parece que já está fora, não aparece mais, acho que ficou desgostoso dos resultados; ele seria o líder máximo do partido, mas a gente nem o ouve mais falando. Essa é a sina de dois grandes partidos.


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ESCREVER BEM FAZ BEM

  1. Cultura 

“Se há duas frases, a mais direta e simples é a melhor”, ensina William Zinsser em livro

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo

É possível melhorar o texto de alguém? William Zinsser acha que sim. No meio da década de 1970, ele decidiu transformar seu curso sobre escrita, em Yale, em livro. Desde 1976, Como Escrever Bem influencia muita gente (On Writing Well. São Paulo: editora Fósforo, 2021. Tradução de Bernardo Ajzenberg). 

O livro é claro e direto, sendo um exemplo em si das normas que ele debate. Um candidato a autor deve, ele diz logo à partida, evitar o excesso. Superar o defeito de muitas palavras! Cortar, eliminar a abundância desnecessária. Se o conselho já é bom para quem cultiva jornalismo nos EUA, imagine-se no Brasil, onde a tradição bacharelesca associou rebuscamento à erudição e à inteligência. O autor identifica, inclusive, expressões longas. Você imaginou a frase “perdeu totalmente a habilidade para” e seria melhor “não conseguiu”. Uma verdadeira “navalha de Ockam” da escrita: se há duas frases, a mais direta e simples é a melhor. Escrever é cortar. 

Escrita
‘Quando escrevemos sobre algo que estamos atravessando somos obrigados a colocar as coisas em ordem para que façam algum sentido’ Foto: Pixabay

Alguns conselhos são gramaticais: advérbios e adjetivos são, com frequência, dispensáveis. Os parágrafos devem ser curtos. Há diretrizes mais metodológicas: reescrever é aperfeiçoar a escrita. Todo escrito apresenta algum problema com o começo; aceite o entrave dos princípios. Outras são digressões sobre subjetividade e pessoalidade de um texto. Há muitas indicações preciosas que me fizeram pensar e repensar o ato de escrever. 

O bom do livro é que apresenta capítulos específicos para entrevistas, depoimentos, histórias de família. Em alta nos EUA e ainda engatinhando por aqui, existem as histórias familiares. Ele oferece muitas indicações para quem se aventura nesse campo. 

Não quero acrescentar mais indicações a tantas do livro de Zinsser. Volto ao tripé que já escrevi nas crônicas: a) estude gramática formal, inclusive para abandoná-la de quando em vez; b) leia muito; c) encontre sua voz escrevendo e corrigindo bastante. Nem o livro do norte-americano nem esta sabedoria curta tripartite vão garantir que surja uma Clarice Lispector em cada lar, mas, com certeza, todos nós poderemos escrever melhor. Nada garantirá um talento literário, mas tudo o que você puder fazer, seguindo bons textos, pode melhorar seu desempenho na escrita. 

Encerro com um trecho lapidar do nosso autor: “Uma frase clara não é acidental. Poucas frases surgem prontas logo de cara, ou mesmo depois de duas ou três vezes. Lembre-se disso nos momentos de desespero. Se você acha difícil escrever, é porque é mesmo difícil”. Nunca perca a esperança de melhorar.

 

CPI DA COVID VAI ACABAR EM PIZZA

 

Uesley Durães, especial para o Estadão

A Procuradoria Geral da República pediu o arquivamento de uma série de denúncias contra o presidente Jair Bolsonaro e aliados. A medida foi tomada pela vice-procuradora-geral, Lindôra Araújo, na última segunda-feira, 25. Com um total de 68 indiciamentos, a CPI da covid ficou marcada pelas discussões acaloradas e apelo midiático.

“Exauridas as investigações preliminares, constata-se que os fatos em apuração não ensejam a instauração de inquérito, tampouco contêm elementos informativos capazes de justificar, per si, o oferecimento de denúncia em face do Presidente da República Jair Messias Bolsonaro e dos demais requeridos, estando ausente justa causa”, diz Araújo no manifesto.  Ao todo, foram identificados no relatório da CPI nove crimes praticados pelo presidente, como charlatanismo, prevaricação e emprego irregular de verbas ou rendas públicas.

O arquivamento das denúncias virou alvo de críticas por parte de membros da CPI. O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (REDE-AP), enxerga oportunismo eleitoral na decisão. Após a decisão da vice-procuradora-geral, sete senadores envolvidos na CPI, incluindo Randolfe, solicitaram a abertura de um inquérito para investigar a ação.

Em pedido enviado ao Supremo Tribunal Federal, os parlamentares alegam prevaricação por parte de Lindôra Araújo. Nos bastidores, a pergunta que fica é: toda a investigação produzida pela CPI da covid pode acabar em pizza?

Para falar sobre o tema, o Estadão Notícias desta quarta-feira recebe o repórter do Estadão em Brasília Lauriberto Pompeu, e a advogada criminalista Raquel Lima Scalcon, professora da FGV Direito SP.

Estadão Notícias está disponível no Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google podcasts, ou no agregador de podcasts de sua preferência.

Apresentação: Gustavo Lopes

Produção/Edição: Gustavo Lopes, Jefferson Perleberg, Bárbara Rubira, Gabriela Forte  e Uesley Durães.

Montagem: Moacir Biasi

AS ARMADILHAS DA INTERNET E OS FOTÓGRAFOS NÃO NOS DEIXAM TRABALHAR

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